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BENDITO E MALDITO, INSCRITO E PROSCRITO: BOCAGE Regina Michelli FFP/UERJ RESUMO: Manuel Maria Barbosa du Bocage destaca-se como um dos mais instigantes poetas de século XV portugu!s" #aracteri$a-se por uma tra%et&ria poética em 'ue se desloca da tran'(ilidade )rcade para o dom*nio de emo+,es" Ultrapassando os estreitos limites destes estilos de época - neoclassicismo e pré-romantismo -. a/lora uma poesia em 'ue se identi/icam grandes tens,es humanas" 0 escritor transcende. entretanto. a seriedade desses te1tos 'ue /re'(entam as antologias e destila um lado sat*rico e ir2nico. sendo ele mesmo al3o de seus ata'ues" 0 riso comanda sua produ+4o. condenando-o ainda em 3ida" ABSTRACT: Manuel Maria Barbosa du Bocage appeared as one of the most interesting poet of the 18th Portuguese century. This writer is often characterized by a poetic trajectory moving from the rcadian tran!uility to the emotions" dominion. #$ceeding the strait limits of these styles % neoclassicism and pre&romanticism &' poetry was made in which we can identify great human tensions. The writer transcends' however' the seriousness of these te$ts that we can find in anthologies. (e shows a satiric and ironic face' being his own person object of his attaches. The laugh commands his production' condemning him still in life Palavras-chave: Bocage. neoclassicismo. pré-romantismo Keywords: Bocage' neoclassicism' pre&romanticism

Manuel Maria Barbosa du Bocage. /igura pol!mica. nasceu em 5et6bal. no ano de 789:" ;o redor de si construiu /ei+,es 3ariadas. e3idenciando a comple1idade tradu$ida em 3ersos - de uma 3ida" Bocage amou e. corro*do pelo ci6me. <=ue

estrondo> =ue pa3or> =ue abismo in/ando>"""/ Mortais. n4o é o n/erno. é o #i6me>? 7. 3iu-se preterido pelo irm4o no cora+4o de @ertrudes" Via%ou para @oa onde. como #am,es. passou apertos /inanceiros - <#am,es. grande #am,es. 'u4o semelhante/ ;cho teu /ado ao meu. 'uando os cote%o>?A" 0rgulhoso. n4o hesita3a. porém. em a%udar os mais necessitados. embora também des/erisse seus ata'ues contra os antigos companheiros da ;rc)dia. <Um bando de comparsas?B. e o clero" Bebeu. 3i3eu uma 3ida

pois <Hascemos para amarF a humanidade/ Vai tarde ou cedo aos la+os da ternura"?9 Bocage desen3ol3e uma tra%et&ria poética 'ue se desloca da aparente tran'(ilidade )rcade para o dom*nio de emo+.rc)dia. /ace E necessidade de sobre3i3er em ambiente t4o estreito" Vi3eu <a 3ida? de /orma t4o intensa 'ue.es liter)rias" Em 78:9. pela ang6stia. os poetas .nt2nio #orreia @ar+4o e Jomingos dos Reis =uita" Em 78OL /oi criada a Ho3a .nt2nio Jini$ da #ru$ e 5il3a. o 'ue se coaduna E estética pré-romIntica" Je car)ter greg)rio. . em RomaM" Ninha como lema o )inutilia truncat*. cortar as coisas in6teis 'ue adorna3am demasiadamente a poesia barroca. buscando o ideal de e'uil*brio. ainda 'ue algumas 3e$es Bocage reprodu$isse as e1ig!ncias aduladoras do sistema social. como se poss*3el /osse dobrar-lhe o car)ter.A dissoluta. sobretudo.rc)dia Romana K/undada no ano de 79AL. o arcadismo /undamentou-se nas agremia+. 'ue durou até 78OG. ou se%a. com apenas 'uarenta anos. /rou1id4o no amor é uma o/ensa. corporati3o. e e1tremoF/ #om e1tremo e /er3or se recompensa? G" 5eu grande dese%o./ 0/ensa 'ue se ele3a a grau supremoF/ Pai14o re'uer pai14oF /er3or. Belchior #ur3o 5emedo.gostinho de Macedo. Pedro . harmonia e simplicidade" Fi$eram parte da .es nebulosas. dentre outrosF a corpora+4o desapareceu.rc)dia Cusitana. <3er-te de meus ais 3encida?:". /oi preso .rcadismo originou-se da . marcada essencialmente pela pai14o. José . pela intensidade" . pelas di3erg!ncias entre os dois 6ltimos" 0 termo . dela despedia-se./inal. <. 'ue durou até 788G. Bocage.rc)dia. congrega+4o de poetas inspirada nos moldes da .rc)dia Cusitana. tendo como participantes Jomingos #aldas Barbosa. pelo Dosp*cio -. mesmo sem 'uerer" 5ua obra re/lete essa e1ist!ncia tempestuosa.passou pelo Cimoeiro. os intelectuais /ormaram a .

poesia bocageana . anagrama de Manuel. espécie de para*so perdido recuperado atra3és do /ingimento poético" Restaura-se o ambiente e'uilibrado de pastores em meio a uma nature$a <per/eita?. utili$a3am pseud2nimos pastorisP Manuel Maria Barbosa du Bocage torna-se o Elmano 5adino KElmano. re3estidos dessa aura. por um clima de locus amoenus.aceita e inscrita em antologias e li3ros did)ticos . os )rcades buscam no rigor dos cInones cl)ssicos a conten+4o necess)ria ao /a$er poético. @ertr6ria. Urselina" 0 cen)rio admite ainda a presen+a de #upidinhos e Qé/iros. pois. /értil Prima3era. 3em lograr comigo . 'ue banha sua cidade natal. ainda 'ue arti/icial. e 5adino de3ido ao rio 5ado. baseando-se no princ*pio da imita+4o KmimesisM" Jois poemas de Bocage /oram selecionados para e3idenciar paradigmaticamente as caracter*sticas apontadas" J) se a/astou de n&s o n3erno agreste. o sutil Hordeste 0s torna a$uisF as a3es de mil cores . En3olto nos seus 6midos 3aporesF . heran+a da mitologia greco-romana" Heutrali$ando os con/litos barrocos . como também do dilaceramento caracteri$ador do ser na estética anterior para a tran'(ilidade encontrada na nature$a" Retornando ao e'uil*brio das /ormas. 5et6balM.mores.e1press4o da desarmonia interna -. o olhar do eul*rico 3olta-se agora para o e1terior" Foge n4o apenas da dissolu+4o dos costumes na cidade para o 3i3er simples no campo Kfugere urbemM. por'ue destitu*da de suas <tempestades?" 0s escritores. apai1onado por Mar*lia. E ra$4o. E toma o /resco Ne%o a cor celeste" Vem.de%am entre Qé/iros e . & Mar*lia. a m4e das /lores 0 prado ameno de boninas 3este" Varrendo os ares. numa nature$a id*lica" .tra$ a marca do arcadismo iniciante" #aracteri$a-se.B mitol&gica regi4o pastoril da @récia onde poetas e pastores 3i3iam numa paisagem amena e buc&lica.

pr&1ima esta+4o tra$ a marca da 3ida. seus <6midos 3apores?S . criando um clima paradis*aco. bei%ando-se.s 3agas borboletas de mil cores> Ha'uele arbusto o rou1inol suspiraF 0ra nas /olhas a abelhinha p)ra" 0ra nos ares. se trans/orma numa sua3e brisaM e . a colora+4o a$ul" 0 agora <sutil? 3ento Hordeste Koutrora /urioso. Hotando as per/ei+. presen+a da terra desabrochando em /lores" . a )gua do rio Ne%o. como est4o cadentes> 0lha o Ne%o a sorrir-se> 0lhaP n4o sentes 0s Qé/iros brincar por entre as /loresS V! como ali. 'ue ad'uire. como o rio.G Jestes alegres campos a bele$a. 3estindo o prado de boninas. pr&1ima estro/e passa a /ocali$ar o ar. por amor da nin/a Flora. a%uda a compor a paisagem desse locus amoenus' a 'ue /alta o /ogo. Mar*lia. se eu n4o te 3ira. pro3a3elmente pelo seu aspecto destruidor" Ha terceira estro/e surge . do amor" . Prima3era é a época do renascimento e do acasalamento entre os animais" Ela é a <m4e das /lores?. sussurrando. caracteri$ado também pela presen+a de <a3es de mil cores? entre Qé/iros K3ento 'ue. gira" =ue alegre campo> =ue manh4 t4o clara> Mas ah> Nudo o 'ue 3!s. como se 3! durante a tempestade nT+s . com a sua instabilidade emocional. Mais triste$a 'ue a noite me causara"8 Ha primeira estro/e.es da Hature$a> R 0lha. Jestas copadas )r3ores o abrigo" Jei1a lou3ar da corte a 34 grande$aP =uanto me agrada mais estar contigo.mores" 0 pr&1imo elemento.mores ncitam nossos &sculos ardentes> Ei-las de planta em planta as inocentes . os . o eu-l*rico assinala o a/astamento da esta+4o do ano mais di/*cil.us-adasM 3arre delicadamente os ares.re/er!ncia ao barroco 'ue se 3ai. mais <agreste? para os seres 3i3os . as /lautas dos pastores. =ue bem 'ue soam.

o fugere urbem é %usti/icado pelas <per/ei+. percep+4o de3ida tal3e$ Es suas cur3as. entre plantas e arbustos. descri+4o culmina na bele$a <destes alegres campos?" Ha 6ltima estro/e. de3idamente usu/ru*da ao lado de sua amada" 0 segundo poema desen3ol3e a mesma tem)tica do anterior" 0 apelo a Mar*lia para 'ue perceba a harmonia da nature$a aparece %) no primeiro 3erso" Reiteradamente o eu-l*rico solicita-lhe 'ue olhe para o e1terior a /im de 'ue. copadas" 0s substanti3os s4o sempre antecedidos de artigos de/inidos.es ad%eti3as. .s pinceladas da caracteri$a+4o do cen)rio concluem-seP /alta3a-lhe uma )r3ore /rondosa ao pé da 'ual os amantes pudessem admirar toda a bele$a reinante num espa+o marcado pela alegria" . caracteri$ando o ambiente buc&lico e pastorilF o rio a sorrir-se. como uma tabula rasa.: o interlocutor do eu-l*rico Kclari/ica-se o <n&s? apenas citado na primeira estro/eMP Mar*lia. 'uase t)teis" Nem-se assim o som harmonioso das /lautas dos pastores. a pastora" . também e3idencia a a/eti3idade do eu-l*ricoM" Noda esta descri+4o e1plode no in*cio da 6ltima estro/e. numa acumula+4o de imagens auditi3as e 3isuais. numa total integra+4o do homem com a nature$aP a borboleta Ktambém de mil coresM. momento em 'ue o eu-l*rico parece n4o conseguir mais se /urtar E emo+4o do cen)rio. 3) assimilando o conhecimento do real atra3és dos &rg4os dos sentidos. percebida em ad%eti3os e locu+. re/or+ando a clare$a da percep+4o desse cen)rio" . aos barulhos 'ue /a$ em sua tra%et&ria ou pro%e+4o da alegria reinanteF o 3ento passando por entre as /loresF os . amenoF o 3ento. sutilF os ares s4o a$uis com a3es de mil coresF o Ne%o é /resco e as )r3ores.es da Hature$a?. real+a o clima pr&prio ao id*lioP a Prima3era é /értilF o prado. o rou1inol e a abelhinha Kcu%o emprego no diminuti3o se por um lado acentua a pe'uene$ do animal$inho.mores se bei%ando Ksensibili$ando a <platéia? a seguir-lhes o e1emploM" 0 eu-l*rico real+a a delicade$a dos animais 'ue parece 3er. carga semIntica positi3a.

termina por romper as regras cl)ssicas. do cora+4o sobre a ra$4o. sem a 'ual o encantamento reinante cederia lugar E dor" 0 poeta parece recuperar o para*so perdido. ang6stia. genes*aco. agrestes e solit)rias 'ue caracteri$am o locus horrendus" Press)gios e sonhos ruins.guiar e 5il3a.es l6gubres. em sua 3is4o. n4o é apenas uma prepara+4o para o romantismo. morte. com um corpo sistem)tico de teorias" 5igni/ica. nature$a e a paisagem estabelecem rela+.es . do pessimismo e melancolia Kem 3e$ do otimismo iluministaM" Jiante de paisagens. /loresce o car)ter terno e tran'(ilo. cu%a principal caracter*stica é a harmonia do ser consigo mesmo. paisagens noturnas. 3is.rc)dia /aliram. da interioridade humana Kde3assando seus segredosM. segundo o Pro/essor Vitor Manuel de . no3os conceitos estéticos. triste$a. uma 3e$ 'ue a nature$a é um prolongamento do estado de esp*rito do eu-l*rico" niciando por uma ad3ersati3a.presenta como principais caracter*sticas a 3alori$a+4o do sentimento.9 e1clamandoP <=ue alegre campo> =ue manh4 t4o clara>?" 0s dois 6ltimos 3ersos %) e3idenciam o comprometimento de Bocage com a ret&rica romIntica. sua3e emo+4o e terna melancolia. com o outro e com o espa+o circundante" 0 olhar cr*tico de alguns estudiosos e3idencia as caracter*sticas marcadamente arti/iciais deste estiloP <os planos da . esses 3ersos mostram 'ue toda essa bele$a )rcade s& se mantém como tal gra+as E presen+a de Mar*lia. celebrando a emo+4o e permitindo 'ue nas+a um outro poeta" 0 pré-romantismoO. uma no3a tem)tica e uma no3a sensibilidade 'ue se mani/estaram nas principais literaturas européias" . pelo menos no tocante E Poesia.inda 'ue Bocage transcenda ao espartilhamento da imagina+4o dentro do pr&prio mo3imento. tampouco uma escola liter)ria. por'ue o modelo te&rico se re3elou limitador e su/ocante na pr)tica? U" . poesia da noite e dos t6mulos integram a mesma tem)tica" . ao lado de desespero.

e n4o do es/or+o da ra$4oP contrap.s plantas me en3enene o t!nue corte> . e1prime. 3ision)rioF n4o obser3a . & 5orte. como eu. /undamento da cria+4o poética.gasalha-me em teu seio> Ja 3*bora morda$ permite. Je meus desgostos secret)ria antiga> Pois manda . do sol p)lido. mal/adado amor. . dos crep6sculos magoados" Hesta perspecti3a. & cortes4os da escuridade. na /loresta. onde a poesia n4o imita. de/inida pela pro%e+4o de sentimentos. tempo das /olhas ca*das.3!" Je/endem a concep+4o do g!nio. como costumas. a Estética do 5ublime.em E m*mese. J)-lhes pio agasalho no teu mantoF 0u3e-os. en'uanto Jorme a cruel. nos matos aspérrimos 'ue piso. nimigos. ou3e. Fantasmas 3agos.& Morte> =uem logra de Urselina o doce risoS R V retrato da Morte> V noite amiga.h. a/irmando o culto do g!nioP o poeta é o pro/eta. 0nde carpindo estou. 0 sapo berrador e a r4 molesta 54o meus 6nicos s&cios. n4o se submetendo a preceitos e regras" Jois poemas e1empli/icam as caracter*sticas apontadas" 0 cor3o grasnador e o mocho /eio. Por cu%a escurid4o suspiro h) tanto> #alada testemunha de meu pranto. 'ue a delirar me obriga" E 3&s. a arte origina-se da imagina+4o e do sentimento. =ue.mor 'ue a ti somente os diga.8 a/eti3as com o euP o outono perde sua aura de esta+4o dos /rutos e das colheitas. de ang6stia cheio" Perdi todo o pra$er.h. minhTalma onde est)S =uem logra . pai14o /unesta> Urselina perdi. nada me resta" Madre Nerra> . mochos piadores. todo o recreio""" . risonho e /ecundo do classicismo para ser /ocali$ado como uma bele$a melanc&lica. 'ue é das @ra+asS =ue é do Para*soS . como uma /or+a alheia ao dom*nio da ra$4o. da claridade> .

delira" X o pr&prio deus do amor 'uem o aconselha a buscar . antes associado E magia negra. b)lsamo associado E morte" . também ele proclamando a sua dor e agourando a morte" 0 pra$er )rcade se /oi.a morteF o mocho. como se morta /ora a amada. /ruto de um <mal/adado amor?" .instrumento desenhado pelo eu-l*rico ao imaginar sua pr&pria morte . 'ue berram./a$ nascer no eu-l*rico o dese%o da morte. e a r4. 0 eu-l*rico in3oca a noite como a con/idente de seus males. 'ue também condu$ia E morte ou ao ensandecimento" . com o ch4o 'ue pisa.remete E idéia da trai+4o. a men+4o E 3*bora . e3idencia a perda da linearidade anterior e os intrincados meandros por 'ue de3aneia o ser" 0 segundo soneto desen3ol3e também a idéia do locus horrendus. 'ue mal se distingue do sapo" 0s ad%eti3os re/or+am negati3amente a con/igura+4o destes animais. também mensageiro da morteF o sapo. in3iabili$ando seu 3i3er" 0 hipérbato 3iolento da terceira estro/e. 3i3!ncia da perda da mulher amada . raramente 3isto como animal 6til aos %ardins. de retiro solit)rio e melanc&lico? 77. como se o abandono de Urselina e/eti3amente representasse o en3enenamento de sua liga+4o com a realidade. =uero /artar meu cora+4o de horrores" 7L 0 primeiro soneto introdu$ o leitor em uma ambi!ncia m&rbida" 0s animais agora e3ocados s4oP o cor3o. a3e de mau agouro. de escurid4o.U Em bandos acudi aos meus clamoresF =uero a 3ossa medonha sociedade.com o seu grasnar . numa clara liga+4o com o eu-l*rico. dando lugar E ang6stia.por morte ou 3olubilidade . <s*mbolo de triste$a. ele. atraindo . ainda 'ue sendo uma caracter*stica do g!nero l*rico. ra$4o de tanto desconcerto tem origem no amorP <en'uanto / Jorme a cruel?. <pai14o /unesta?" Por outro lado. resgatando a <coWta? dos tro3adores medie3ais. Morte é in3ocada como a 'ue pode acolher o eu-l*rico em sua dor e responder Es suas d63idas com rela+4o ao destino de Urselina e E pessoa 'ue agora compartilha de sua alegria. molestam. insone.

'ue alimenta seus sonhos e de3aneios.s a+. uma 3e$ 'ue acabou o tempo de <recreio?P os <&sculos ardentes? trans/ormam-se em <mal/adado amor?.o re/6gio" #omo c6mplices. a 3is4o 'ue se dirige ao e1terior atra3és do apelo aos &rg4os dos sentidos.poloF de outro. o n/erno" 0 primeiro prega o e'uil*brio./orma de obscurecimento da pr&pria 3ida . a claridade. a r4F o abrigo anteriormente encontrado na )r3ore copada agora é buscado na <Madre Nerra?" 0s seres da mitologia . ra$4o. nem antes nem depois. borboletas. abelhinha . o mocho. arcadismo e pré-romantismo op. a aspira+4o E morte.Qé/iros.O na noite . <pai14o /unesta?" 0 arcadismo representa a celebra+4o da 3ida. a ra$4o.e a morte . no segundo dese%a a escurid4o .e-se ao intrincado da /loresta e dos matos aspérrimosF em 3e$ dos animais prestigiados em uma 3is4o buc&lica do campo a3es. o dese'uil*brio. o eu-l*rico encontra agora os animais noturnos. o sapo.em-se claramente. con/igurando-se como /ugas E realidade" 5e no primeiro o poeta re/ugia-se em uma nature$a arti/icial. #upido. rou1inol. o <Para*so? perdido recuperado poeticamente" 0 pré-romantismo. @ra+as . a e1plos4o de um eu 'ue rompe as . por oposi+4o. a escuridade e. obser3a-se 'ue o locus amoenus é substitu*do pelo locus horrendusP a <per/ei+4o da Hature$a? cede espa+o aos <horrores?F os alegres campos Es ang6stias e a bele$a./im da dor" Je um lado. E /ei6ra K<mocho /eio?MF o <prado ameno? op. emo+4o. principalmente com o 3erbo olhar no imperati3o K<olha?.nalisando comparati3amente os poemas. a sub%eti3idade. id*lica. Jioniso" .es de sorrir e lograr s4o trocadas pelo carpir. <soam?. . a morte e os seus /antasmas"?7A" Hos 'uatro te1tos.também d4o lugar aos /antasmas. os seres /antasmag&ricosP <Henhum poeta portugu!s tanto in3ocou. retomada do g&tico" .aparecem o cor3o. <sentes?M" 0 segundo. a alegria. a emo+4o. a ob%eti3idade.na escurid4o .

opresso pela . 'ual 5*si/o e F!ni1. do choro" . mergulhando no seu mundo interno" . é a'ui retomada. o soltar as amarras da dor. como na arte nela radicada. um ser de transi+4o. a ra$4o Kas <lu$es? da #i!nciaM amparando o eul*rico na tentati3a Kin6til.rc)dia é %) romIntico por temperamento?7G" 0 di)logo com a ra$4o assinala a inutilidade de seus apelos uma 3e$ 'ue n4o disp. entre tend!ncias opostas e em con/lito"7B Ultrapassando os limites destes estilos. a emo+4o.es de temperamento./ Jei1a-me apreciar minha loucuraF/ mportuna Ra$4o. <debalde?M de lutar contra o tormento. n4o me persigas?7:" 0u aindaP <Ra$4o.'uele olha. a/inal.es humanasP <0 Elmano 5adino da Ho3a . oscilando. seria o Poeta %) por e1teriores moti3os de cronologia. a/lora uma poesia em 'ue se identi/icam grandes tens. <homem n4o chora?" Je outro lado. eu ardo. supera o pr&prio cansa+o reconhecimento da constIncia de sua a+4o ne/asta contra o eu-l*rico . o e1tra3asar do mal.e renasce. continuando a oprimi-lo" Je um lado. minimi$ado atra3és das 'uei1as. tens4o entre <o cuidar e o suspirar? da poesia palaciana 78. su/ocando a dorP o so/rimento é a atitude estoicamente recomendada. recaindo a !n/ase sobre o suspirar" Nerapeuticamente e3idencia o nosso poeta o 'uanto a desespera+4o ali3ia o peito humano. época do humanismo. eu amoF/ Ji$es-me 'ue sossegue. este delira" Nendo 3i3ido de 789: a 7UL:. n4o d)s a cura. 'ue. de 'ue me ser3e o teu socorroS/ Mandasme n4o amar. libertando o pensamento atra3és do delirarP surge a desespera+4o. alma do poeta se 3! en/rentando inutilmente a sua dor. na 3ida. eu morro"? 79" 0 poema <MinhTalma 'uer lutar com meu tormento? e3idencia linhas 'ue estruturam a tem)tica bocagiana" . dos solu+os.7L amarras 'ue o mant!m preso ao real. mesmo 'ue o n4o /osse por intr*nsecas ra$. conhecendo o mal. reprimindo l)grimas e con/inando 'ual'uer lamento ao interior secreto da alma.e de 'ual'uer elemento de poder diante da /or+a da pai14oP <5e. eu peno. alimentada pelo destino.

mantendo-as cati3asF o resultado pode culminar na morte" . os companheiros da Ho3a .es. entretanto. a s)tira tem pois. Parte do mal nas 'uei1as se e3aporaP 0 5o/rimento a$eda o 'ue recataF Prende suspiros. e antes de 'ual'uer no+4o de literatura.penas de oprimir-me est) cansado Eterna /or+a lhe re/a$ o alentoP Mais 3ale 'ue delire o pensamento Né agora coTa Ra$4o debalde armadoF X menos triste. as con3en+. e Es 3e$es mata" 7U 0 escritor transcende. desespera+4o. sendo ele mesmo al3o de seus ata'uesP <Hari$. 'ue o 5o/rimentoP . celebra+4o do amor associado E nature$aP <. a seriedade desses te1tos 'ue /re'(entam as antologias e destila um lado sat*rico e ir2nico.rc)dia. tra$-se para a pra+a p6blica o ob%ecto da animosidade pri3ada"AL 0 primeiro aspecto é encontrado na poesia er&tica de Bocage. aprisiona as almas. menos duro estado .s mais s4o in3en+. consome. Nirani$a. o clero. 'ue o le3a a pro/erir s)tiras contra o go3erno. no car)ter irre3erente de Bocage. amargura in3iabili$a a 3ida" 0 choro la3a a alma" MinhTalma 'uer lutar com meu tormentoF #ontenda in6til> X por ele o FadoP . Jesespera+4o mil ais desata. os poderosos de uma maneira geral. s4o 'uase todas/ #ontr)rias E ra$4o. 'ue se ele desaba.mor é lei do Eterno. l)grimas de3ora. e E nature$a?A7" 0 outro. por outro lado. é lei sua3eF/ . os ad3ogadosP Um escri34o /e$ um rouboF . os médicos./ Hari$.77 dor. Jesespera+4o solu+a e chora. .es sociais. 'ue nunca se acabaF/ Hari$. aconselhando nas entrelinhas de seu te1to a 'ue se ou+a a emo+4o" 0 so/rimento./ Far) o mundo in/eli$F?7O" Regatando a origem da pala3ra s)tira encontra-se 'ueP Hos seus prim&rdios. um duplo sentidoP ao ritmo da celebra+4o das /or+as 3itais da nature$a Ks)tiros e 3indimas ou Phalo e as sementeirasM. e nari$. nari$.

33"8-UM.<5er escri34o"? Uma terra di$em 'ue h) . Bocage desnuda os interst*cios da sociedade de seu tempo.l$ira encontram-se momentos em 'ue h) a descri+4o do ato se1ual" . tra$endo E cena liter)ria um tipo de produ+4o 'ue %) ha3ia aparecido no tro3adorismo medie3alP as cantigas de esc)rnio e maldi$er" 0 'ue se a/irma sobre estas. 3erdadeiras algumas e /alsas outras. Massaud Moisés distingue <o 'ue o 3ulgo /i1ou atra3és de anedotas.a'uele dado ao desregramento dos sentidos e E melancolia de pra$eres transit&rios .presentando Bocage. na sua rude$a muitas 3e$es considerada obscena.&lo 'ue %ulg)-loF/ Mas %ulgue-o 'uem n4o pode e$priment. ou uma parte considerada menor e por isso menospre$ada da nossa l*rica primiti3a?AB" . durante muito tempo. no cal4o. com rele3Incia deste 6ltimo aspecto" #riticando a /alta de re/inamento no esp*rito sat*rico de Bocage.UB. 0nde a /ome acerba e dura.7A Ji$-lhe o %ui$P <=ue ra$4o Ne3e para /a$er istoS? RespondeP . mas todas raiando na obscenidade grosseira. C!nia M)rcia Mongelli a/irma 'ueP o sarcasmo bocageano reali$a-se na obscenidade. na chocarrice de bote'uim" 5e essa produ+4o des3ela um Ingulo importante do car)ter de Bocage .tra3és da s)tira e do humor.tuali$ando a recomenda+4o camoniana de 'ue <Milhor é e$priment. . constitu*ram.nem por isso ela tem maior mérito estético" A: 0bscenas s4o também consideradas algumas p)ginas er&ticas de Bocage" Ho epistol)rio de 0linda e de . e o 'ue a tradi+4o liter)ria nos legou" Este é o 'ue importa? AG. também 'uali/ica a produ+4o bocageanaP <0s cantares sat*ricos. caracteri$ando a obra poética /raccionada entre o sat*rico e o l*rico. X.l$ira aconselha a amiga 0linda a ludibriar o %u*$o alheioP <5e os deleites de amor s4o s& . #abo dos médicos d)P Por 'ue é istoS X por'ue l) Pagam somente a 'uem cura"AA .&lo? K. ou um obst)culo inc&modo e silenciado.us.

além de gosto. n4o um crime. . bebeu./ Uma necessidade./ . 'ue n4o /a$em /alta. a amor propicias?. /odeu sem ter dinheiro"ZAO Pode-se 'uestionar se n4o ha3eria na produ+4o sat*rica de Bocage a mesma caracter*stica dos poemas sat*ricos medie3ais. ou conde./ Jeus de amor. Eu também 3os dispenso a caridadeP Mas 'uando /errugenta en1ada idosa 5epulcro me ca3ar em ermo outeiro. perspica$es olhos os encobre? A9" Ha <Ep*stola a Mar*lia?. sugerindo. o en/rentamento das ordens de um <pai se3ero?P <Je amor h) precis4o. e milagrosaF #omeu. mas Jeus de pa$. Ca3re-me este epit)/io m4o piedosaP Z./ =ual a impostura horr*ssona apregoa"?A8" Uma das estratégias discursi3as utili$adas é minimi$ar a /igura do deus puniti3o.es amorosas" 0 eu-l*rico conclama um deus <n4o opressor. / Pelas sombras da noite. se necess)rio. no3amente apro1imando-o da produ+4o medie3alP obser3a-se a liberdade de pala3ra associada E tradi+4o popular. da ta3erna ao bote'uim no século XV P C) 'uando em mim perder a humanidade Mais um da'ueles. o peralta. o 'ue 3aleu a Bocage alguns dissabores com a gre%a" Poemas com uma linguagem mais crua aparecem ainda no in3ent)rio poético bocageano.7B delitos/ =uando sabidos s4o. ou /radeP H4o 'uero /uneral comunidade. capa$ de castigar as transgress. deu /ogo?AU.'ui dorme Bocage. acrescentando ainda 'ue <. Jeus de piedade. pai dos homens. h) um claro apelo ao amor li3re. com 3éu mui denso/ . gente de malta. =ue engrole sub&venites em 3o$ altaF Pingados gatarr. h) liberdadeF/ Eia pois. do temor sacode o %ugo.es. ou mar'u!s.es deu ser.lgum du'ue. /erbi&gratia Y o te&logo. 'ue /uncionam como <contrate1tos?P . n4o /lagelo"/ Jeus.canhada don$elaF e do pe%o/ Jestra iludindo as 3igilantes guardas. 'ue Es nossas pai1. a/irmando a Mar*lia 'ue <D) Jeus.mar é um de3er. o putanheiroF Passou a 3ida /olgada. n4o 3ingati3o?.

7O8O" B0#. aos hori$ontes estreitos do Portugal setecentista. o des3iam para /ins l6dicos e burlescos.dica & . 3.5P . lOUU" # J.rio dos s-mbolos" Rio de M0H@ECC .iteratura Portuguesa" 54o PauloP @lobal.. agir sem descon/iar. 7OOU" M H0 5.JE. @ra+a Videira" s.es pessoais. Manuel Maria Barbosa du" Poesias" CisboaP 5) da #osta. #oimbraP . acrescentando-lhe um conte6do marginal ou mesmo sub3ersi3o?BL" Je 'ual'uer /orma.iteratura comentada" 54o PauloP .5 B BC 0@R\F #. C!nia M)rcia" Poesia arc. Vitor Manuel de" Teoria da . 7OU9" .rnio" 54o PauloP UHE5P. ALLB" M0 5X5.bril. CisboaP Estampa.R E 5 CV. 7O8G" ]]]]]]" Bocage0sele12o de te$tos.lain" JaneiroP José 0lWmpio.tira' zombaria e circunst5ncia no 6ancioneiro 7eral de 7arcia de 8esende. em Bocage o riso /unciona como uma compensa+4o Es insatis/a+. no interior de um c&digo liter)rio espec*/ico.7G <te1tos 'ue. Jean e @DEERBR. con/igurando-se como uma estratégia de sobre3i3!nciaP <0 riso n4o é o 6nico meio 'ue nos /a$ suportar a e1ist!ncia. 7OUL" ]]]]]]" 3onetos e outros poemas" 54o PauloP FNJ. aben+oado e renegado. Massaud" literatura portuguesa" 54o PauloP #ultri1.tira nos cancioneiros medievais galego&portugueses.iteratura. 7O8G" 4icion. DenIni" Bocage" CisboaP Presen+a. e3idencia a grande$a de poetas 'ue permanecem por'ue /alam da e para a alma humana" REFER[H# . 7OOG" #DEV.lmedina. assumir tudo sem le3ar nada a sérioS?B7" Bocage. @eorges" (ist9ria do riso e do esc.@U . .C ER. 7OU9" C0PE5. a partir do momento em 'ue nenhuma e1plica+4o parece con3incenteS 0 humor n4o é o 3alor supremo 'ue permite aceitar sem compreender.HN.@E. .

7OO9" . . 78^ ed". .lem4o" nP Te$to0conte$to" 54o PauloP Perspecti3aF Bras*lia P HC.R.. V.7: ]]]]]]" 5ob o %ugo da importuna ra$4o" 3onetos e outros poemas" 54o PauloP FNJ.natol" .spectos do Romantismo . 7OOG" R05EHFECJ.nt&nio José e C0PE5. 7O8B" 5. 0scar" (ist9ria da literatura portuguesa" PortoP Porto Ed".

<Hascemos para amar?. 7O8G. ca3ernosas /ragas?.@E. 7OOG. inscrito e proscritoP Bocage" nP nais do ::: 3emin. H6cleo de Estudos de Citeratura Portuguesa e . 7O8G. onde ba'ueia?.-ngua Portuguesa< Portugal e =frica & =frica & #ntre o riso e a melancolia' de 7il /icente ao s>culo ??:.B. p"O7" BL BE#. 7O8G. p"BA. <Epigramas?. 7O8G. 3er . 7OUL.7 A B0#. p"7AU" A: M0H@ECC .iteraturas de . Paris. p"89" AU :bidem. 7O8G. p"O 8 :bidem. p"7O" NR. 7OOU. p"GA. 7O8:" nP C0PE5. p"BL" :bidem. p"7LA" G :bidem. Pierre" <CTart de trou3er du chansonier #olocci-Brancut" Edition et analWse?. p" 7A A9 B0#. por amor. Rio de JaneiroP C"#hristiano.l$ira a 0linda. HEP. p"AA" 7O B0#. ALLA.@E. p":9" AL C0PE5. p" 77" 9 B0#. V.C ER e @DEERBR.natol Rosen/eld" 7L B0#. GA" 77 #DEV. p"8O" A8 B0#. n4o me persigas?. p"G9-G8" A7 B0#. poema <D) um medonho abismo. ALLG.@E. p"78" AG M0 5X5. 7OOG. .@E. 7O8G.@E.@E. <Ep*stola V?.@E. p" 9GB" 7: B0#.R.@E. 7OOU. 7OU9. p" 7O" B7 M H0 5. en'uanto o suspirar é a e1teriori$a+4o da dor" 7U B0#. <Ep*stola a Mar*lia?. 7OOG. <Ep*stola a Mar*lia?. 7O8G. p":A" 79 B0#.J0 EMP M #DECC . p"7LG" 7B :bidem. particularmente o alem4o. p"AL" O 5obre o pré-romantismo. poema < mportuna Ra$4o. p"7-7:" . GB" U M0H@ECC . e C0PE5.@E. Regina 5" Bendito e maldito. 7U8" AB C0PE5.CD0 PUBC #.s. ALLB. poema <5e é doce no recente. p" 8:" AA B0#. p"O:" 7G 5. p"8B. p"7U" : B0#.@E.@E.HN. p"9" B B0#.rio de . p" 7U:. poema <Preside o neto da rainha @inga?. 7OUL. apresentado no in*cio do 6ancioneiro 7eral de 7arcia de 8esende" 0 cuidar re/ere-se ao so/rimento calado.@E. poema <5obre estas duras. 7OUL.@E. t" X.@E. 7OUL. 7OU9. 8G" AO B0#. in r!uivos do 6entro 6ultural Portugu. Poesia Epigram)tica" nP M0H@ECC . 7OU9. 7O8G. 7OO9. ameno Estio?. contido. 7OOU. p"78" 78 #uidar e suspirarP tema pol!mico 'ue e1pressa a rela+4o do poeta com a amada.JE./ricana./UFF. p"97A" 7A # J.