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SSN 2179-7374 ISSN 2179-7374 Ano 2013 - V.17 – N0.

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REQUISITOS ERGONÔMICOS PARA O PROJETO DE FERRAMENTAS MANUAIS: O CASO DE UM EXTRATOR MANUAL DE MANDIOCA

Carlos Aparecido Fernandes1, Lucas José Garcia2, Douglas da Silva3, Eugenio Andrés Diaz Merino4
Resumo A agricultura familiar produz mais de 50% dos produtos da cesta básica no Brasil, sendo responsável por mais de 10% do Produto Interno Bruto brasileiro. Em Santa Catarina esta forma de agricultura corresponde a 90% da população rural, da qual 80% produz mandioca. Essa atividade apresenta carência de equipamentos e ferramentas o que ocasiona problemas de saúde e produtividade. Dessa forma, definir os requisitos ergonômicos para o desenvolvimento de uma ferramenta manual, neste caso, um extrator manual de mandioca, foi o objetivo desta pesquisa. A metodologia empregada utiliza uma abordagem qualitativa, onde foram utilizados como procedimentos técnicos: questionários, método RULA e um mapa corporal para identificação de queixas músculo esqueléticas. Esta metodologia permitiu identificar e avaliar a saúde e produtividade dos trabalhadores. Como resultados são apresentados requisitos de produto para o desenvolvimento de um extrator manual de mandioca, somado a isto, são apresentadas as regiões corporais que mais apresentam queixas pelos agricultores e o nível de intervenção necessário à atividade, indicado pelo método RULA. Palavras-chave: ergonomia, agricultura familiar, ferramenta manual, mandioca, projeto de produto, design.

Abstract
(1) Doutorando em Engenharia de Produção, Universidade Federal de Santa Catarina. fernandesutfpr@gmail.com (2) Doutorando em Design, Universidade Federal de Santa Catarina. lucasjose@gmail.com (3) Graduando em Design de Produto, Universidade Federal de Santa Catarina. douglas.sm3@gmail.com (4) Prof. Dr., Universidade Federal de Santa Catarina. merino@cce.ufsc.br

The family farming produces over 50% of basic food products in Brazil, accounting for over 10% of the Brazilian GDP. In Santa Catarina state, this form of agriculture accounts for 90% of the rural population, which 80% of them produces cassava. This activity have a lack of good equipment and tools, which causes health and productivity problems. The aim of this research is to define the ergonomic requirements for the development of a hand tool, in this case a manual cassava extractor. The method uses a qualitative approach, which were used as technical procedures: questionnaires, RULA protocol, and a body map to identify musculoskeletal complaints. This methodology allowed us to identify and assess the health and productivity of the workers. As results, are presented product requirements for the development of a manual cassava extractor, added to this, are presented the body regions that have more complaints by farmers and the level of intervention required for the activity, indicated by the RULA protocol. Keywords: human factors, family farming, hand tool, cassava, product design, design.

ISSN 2179-7374 Ano 2013 – V. 17 – No. 02

Requisitos Ergonômicos para o Projeto de Ferramentas Manuais: o Caso de um Extrator Manual de Mandioca

1. Introdução A agricultura familiar no Estado de Santa Catarina dispõe de um patrimônio natural rico e diverso, que contribuiu para moldar sua estrutura fundiária, caracterizada pela predominância de um modelo de agricultura familiar de pequenas propriedades. O Programa Nacional da Agricultura Familiar (Pronaf), estima que a agricultura familiar em Santa Catarina compreende um universo de 180 mil famílias, ou seja, mais de 90% da população rural. A agricultura familiar é responsável por mais de 10% do PIB (Produto Interno Bruto) e produz mais de 50% dos produtos da cesta básica. Dois terços dos postos de trabalho estão no campo e Santa Catarina ganha destaque no cenário nacional com 90% da produção rural, sendo responsável por 4 alimentos de cada 10 que chegam à mesa do brasileiro (EPAGRI, 2012). Dentre os agricultores de Santa Catarina, esta pesquisa abrangeu os localizados na região de Biguaçu, mais especificamente na Bacia de Três Riachos, abrangendo as comunidades de: São Matheus, São Marcos, Canudos e Fazendas, onde predomina um sistema uso da terra denominado Roça de Toco (Erro! Fonte de referência não encontrada.).
Figura 1:Região Abrangida pela Pesquisa.

Fonte: os autores.

A Roça de Toco, também denominada agricultura de corte e queima, consiste em um rodizio da terra alternando entre mandioca1, lenha, e um período de descanso do solo (Historicamente a mandioca é usada nessa região como matéria prima para a produção de farinha, sendo a lenha utilizada como combustível no forno para se realizar essa produção. O arranque de mandioca é feito com pequenas ferramentas, como enxada, cavadeiras, pá, etc. Trabalhos executados com estas ferramentas levam o trabalhador a ter problemas de saúde e produtividade (FANTINI, 2009). Assim, o cultivo de mandioca utiliza ferramentas que pouco evoluíram ao longo da história, resultando em uma tarefa que traz reflexos negativos à saúde dos trabalhadores. Em principio, a utilização de máquinas agrícolas torna-se inviável na realidade dos agricultores da Roça de Toco, devido ao alto custo de aquisição e manutenção destes equipamentos. Dessa forma torna-se importante a realização de pesquisas focando o desenvolvimento de ferramentas manuais que minimizem os impactos negativos à saúde desses trabalhadores, com ênfase na ergonomia. ).

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A mandioca é conhecida por macaxeira ou aipim em outras regiões do Brasil (SABORES, 2006).

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Historicamente a mandioca é usada nessa região como matéria prima para a produção de farinha, sendo a lenha utilizada como combustível no forno para se realizar essa produção. O arranque de mandioca é feito com pequenas ferramentas, como enxada, cavadeiras, pá, etc. Trabalhos executados com estas ferramentas levam o trabalhador a ter problemas de saúde e produtividade (FANTINI, 2009). Assim, o cultivo de mandioca utiliza ferramentas que pouco evoluíram ao longo da história, resultando em uma tarefa que traz reflexos negativos à saúde dos trabalhadores. Em principio, a utilização de máquinas agrícolas torna-se inviável na realidade dos agricultores da Roça de Toco, devido ao alto custo de aquisição e manutenção destes equipamentos. Dessa forma torna-se importante a realização de pesquisas focando o desenvolvimento de ferramentas manuais que minimizem os impactos negativos à saúde desses trabalhadores, com ênfase na ergonomia.
Figura 2: Roça de Toco

Fonte: os autores.

Conforme explica Altmann (2010) o cultivo de mandioca tem adquirido cada vez mais importância, visto que diversos pequenos agricultores têm abandonado outros tipos de cultivo, como o fumo, por exemplo, cuja lucratividade tem se apresentado baixa e o custo de produção elevado, o que se torna desvantajoso comparado aos benefícios do cultivo de mandioca. Devido a essas vantagens, o cultivo de mandioca tem se expandido nos Grupos Produtivos de Pequeno Porte, caracterizando a agricultura familiar. Com base em 19 entrevistas e 6 visitas de campo, realizadas de 27 de setembro a 22 de novembro de 2012, identificou-se a necessidade de incorporar a ergonomia no projeto dos equipamentos e ferramentas manuais destes agricultores. Durante as visitas de campo tornou-se evidente a necessidade de minimizar problemas relacionados à saúde e produtividade que ocasionam queixas músculo esqueléticos, conforme exemplificado na postura adotada pelo agricultor na extração de mandioca na Erro! Fonte de referência não encontrada.3. Pode-se dizer que a saúde é uma importante variável quando se considera a análise global das atividades desenvolvidas no trabalho e, da mesma forma, a qualidade de vida vem sendo apontada como importante para a verificação das condições de trabalho (FERREIRA, 2008). 111

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Durante as entrevistas foi levantado que a produção diária é de aproximadamente 1 tonelada diária de mandioca. O aumento da cultura da produção de mandioca, a falta de ferramentas adequadas para sua extração junto ao risco que atividade acarreta a saúde do trabalhador compõe a problemática desta pesquisa. Atualmente a extração é realizada de forma manual, com o auxílio de enxada apenas para realizar a limpeza do terreno e cavar para retirada de algumas raízes oriundas de extração incompleta. Dentro deste contexto, esta pesquisa tem como objetivo definir requisitos ergonômicos para o desenvolvimento de uma ferramenta manual para um extrator de mandioca.

Figura 3: Postura no Arranque Manual de Mandioca.

Fonte: os autores.

Rozenfeld, et al. (2009) explicam que as informações dos usuários, para o desenvolvimento de produtos, são obtidos na forma de necessidades e desejos, normalmente de forma qualitativa, subjetiva e vaga. Assim, para serem transformadas em informações adequadas, devem ser interpretadas, gerando parâmetros na forma de requisitos de projeto.

2. Ergonomia e Usabilidade na Agricultura No caso dos agricultores, as demandas profissionais podem estar relacionadas ao contexto produtivo no qual o agricultor se expõe para executar suas atividades, como os aspectos físicos, organização do trabalho, as exigências de produtividade dentre outros (ABRAHÃO; TORRES, 2004). Os esforços aplicados às atividades rurais prejudicam o agricultor que pode vir a sofrer com adoecimentos, lesões provocadas pelo trabalho e posterior abandono de suas atividades (ROMANO, 2003). Segundo Dias (2000), os equipamentos de trabalho agrícola são projetados, fabricados e comercializados até serem utilizados por seus potenciais usuários e operadores sem ter uma visão humanista, ou seja, pensar em quem vai operar. Nesse 112

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sentido, Iida (2005) explica que a ergonomia ajuda a projetar ferramentas adequadas ao uso humano reduzindo a fadiga e o desconforto físico do trabalhador, o que pode diminuir o índice de acidentes e ausência no trabalho. Para o autor, a ergonomia é um meio sistemático e racional de se adequar o trabalho ao ser humano e tem objetivo primário de aperfeiçoar a desempenho e segurança do trabalhador, pelo estudo e desenvolvimento de princípios gerais que regem a interação do homem e seu ambiente de trabalho. A ergonomia tem a finalidade de melhoria e conservação da saúde dos trabalhadores e concepção e funcionamento satisfatório do sistema técnico. Do ponto de vista da produção e da segurança, objetiva a adequação do trabalho, ferramentas, e demais objetos ao homem, procurando garantir à segurança, o conforto, a satisfação e o bem estar de trabalhadores e usuários (WISNER, 1987; MORAES; MONT’ALVÃO, 2000; GOMES FILHO, 2003). Por meio da pesquisa do ser humano, a ergonomia tem por objetivo aumentar a eficiência do trabalho, fornecendo dados para que este possa ser dimensionado de acordo com as reais capacidades e limitações do organismo. A ergonomia ajuda a projetar máquinas adequadas ao uso humano, reduz a fadiga e o desconforto físico do trabalhador, diminui o índice de acidentes e o absenteísmo. Em outras palavras aumenta a eficiência, reduz os custos e proporciona mais conforto e bem-estar ao ser humano (IIDA, 2005). A abordagem da usabilidade pode contribuir positivamente para projetos ergonômicos, minimizando efeitos negativos sobre a saúde, segurança e desempenho humano (ISO 9241-11, 2011). Usabilidade significa facilidade e comodidade no uso dos produtos, tanto no ambiente doméstico como no profissional. Os produtos devem ser amigáveis, fáceis de entender, fáceis de operar e pouco sensíveis a erros. A usabilidade relaciona-se com o conforto, mas também com a eficiência dos produtos, assim, a quantidade de erros pode indicar ineficiência do produto (IIDA, 2005). Segundo Paschoarelli (2003) a usabilidade pode ser aplicada a partir da ergonomia e do design. A abordagem ergonômica do problema atua na conceituação e determinação dos critérios de projeto, enquanto o design se une a ergonomia para implementação de parâmetros como segurança, conforto e desempenho. Para Jordan (1998), a usabilidade destacou-se inicialmente nas décadas de 1970 e 1980, entre os ergonomistas que projetavam computadores e sistemas. Atualmente, a usabilidade não é uma exclusividade da informática, uma vez que foi verificada a importância de sua aplicação em outros setores tecnológicos, com especial atenção ao desenvolvimento de produtos. A ISO (International Organization for Standadization) define usabilidade como sendo a eficácia, eficiência e satisfação com que usuários específicos podem alcançar objetivos específicos num ambiente particular (ISO 9241-11, 2000). Paschoarelli et al. (2003) compreendem a usabilidade como a maximização da funcionalidade de um produto, na interface com seu usuário. Para o autor, a utilidade se refere à combinação entre as necessidades do usuário e as funcionalidades do produto, enquanto que a usabilidade se refere à habilidade do usuário em poder utilizar essas funcionalidades na prática. A agradabilidade se refere a avaliação afetiva por parte do usuário e o custo inclui não só o custo financeiro, mas também consequências organizacionais. A usabilidade não depende unicamente das características do produto; depende 113

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também do usuário, dos objetivos pretendidos e do ambiente em que o produto é usado. Portanto, dependem da interação entre o produto, o usuário, a tarefa e o ambiente. A interação é a comunicação entre o ser humano e os demais elementos do sistema de trabalho. Quando considera a interação entre uma pessoa e um produto, deve ter em conta, tanto a funcionalidade do produto como a interface deste (CANÃS; WAERNS, 2001). De acordo com Jordan (1998), a usabilidade, enquanto conceito trata da adequação entre o produto e as tarefas, cujo desempenho se destina, da adequação com os usuários que o utilizará, e da adequação ao contexto em que será usado. Tradicionalmente, a preocupação com a usabilidade só ocorre no final do ciclo do design, durante a avaliação do produto já finalizado. O autor observa que eficácia refere-se ao ponto o qual um objetivo, ou tarefa é alcançado com sucesso ou pouco sucesso ou fracasso na tarefa. Entretanto, há situações em que a eficácia pode ser mensurada em termos de extensão onde um objetivo é alcançado, por exemplo, o número de peças produzidas ao dia pode fornecer uma percentagem de eficácia. A eficiência refere-se a quantidade de esforço requerido para atingir um objetivo. Quanto menor o esforço requerido, maior a eficiência. O esforço pode ser mensurado, por exemplo, em termos de tempo para completar uma tarefa em termos de erros que o usuário faz antes da tarefa estar completa. Sobre satisfação corresponde ao nível de conforto que os usuários sentem quando estão usando um produto e como aceitam o produto; é considerado pelos usuários como uma média de alcance dos objetivos. Este é o aspecto mais subjetivo da usabilidade, mais difícil para mensurar, no entanto não é menos importante do que as demais considerações de usabilidade. Segundo Kuijt-evers, et al. (2007) o conforto apresenta relação direta com a produtividade, evidenciando assim a necessidade de considera-lo no desenvolvimento de ferramentas manuais. Quando uma ferramenta provoca desconforto (como músculos doloridos e pressão sobre a mão), não se pode continuar a tarefa, sendo necessárias repetidas pausas, principalmente se a tarefa é realizada em alta velocidade, dessa forma, o sentimento de desconforto pode causar diminuição da produtividade. Dessa forma, observam-se as contribuições da ergonomia e da usabilidade no desenvolvimento de produtos, evidenciando a necessidade de se considerar os usuários no desenvolvimento de ferramentas manuais, promovendo assim o uso de produtos mais seguros, confortáveis, eficientes e que proporcionem maior satisfação no uso. No caso da problemática identificada na Roça de Toco, a falta de ferramentas manuais adequadas para se realizar as tarefas que as atividades da extração de mandioca, exigem do agricultor um significativo esforço físico, refletindo na sua saúde causando dores músculo esqueléticas. Dentro deste contexto a pesquisa aborda a incorporação da ergonomia e da usabilidade no processo projetual de novas ferramentas manuais. 2.1. Ferramentas Manuais O uso extensivo de ferramentas manuais apresenta relação direta no aparecimento de lesões e distúrbios musculoesqueléticos, principalmente dos membros superiores, sendo que a má concepção dessas ferramentas é um dos fatores que podem resultar em acidentes, distúrbios e traumas cumulativos (MOTAMEDZADE, 2007). Pavani (2007) explica que o projeto ergonômico de ferramentas manuais pode 114

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atenuar os riscos à saúde e segurança dos trabalhadores, e, além disso, minimizar impactos negativos às empresas, como: redução da produtividade, aumento de custos, aumento no absenteísmo médico, comprometimento da capacidade produtiva, menor qualidade de vida do trabalhador, aposentadorias precoces e indenizações. Segundo Kuijt-evers, et al. (2007) quando uma ferramenta provoca desconforto (como músculos doloridos e pressão sobre a mão), não se pode continuar a tarefa, sendo necessárias repetidas pausas, principalmente se a tarefa é realizada em alta velocidade, dessa forma, o sentimento de desconforto pode causar diminuição da produtividade. Para minimizar estes problemas, Albano et al. (2005) sugerem adaptar as ferramentas às características dos seres humanos, pois além de segurança, esse tipo de ferramenta pode oferecer mais conforto e satisfação aos usuários. Para García-Cárceres, et al. (2012) a consideração de dados antropométricos é essencial para todos os envolvidos no desenvolvimento de ferramentas manuais. A seleção dos requisitos apropriados para realização de tarefas específicas devem levar em consideração as características da população que irá utilizar a ferramenta. Essas considerações somadas a questões cognitivas permitem o desenvolvimento de ferramentas mais seguras. 2.2. Problemas e uso de ferramentas manuais Os problemas com ferramentas manuais são recorrentes em diversas áreas de trabalho. Schoenardie (2013), ao pesquisar chaves de fenda concluiu que as características dessas ferramentas quanto à pega, empunhadura, manejo, acabamento e materiais devem ser definidos na concepção do projeto, levando-se em conta diferentes requisitos. No estudo sobre o martelo Guilhon, David e Diniz (2004), descrevem a aplicação de princípios ergonômicos para a redução do esforço realizado pelo usuário no ato da quebra do caranguejo, para a degustação da carne do mesmo, e ainda, a inclusão de um maior nível de precisão de movimento. Teixeira et al. (2012) estudaram a ergonomia no uso de estiletes em gráficas rápidas. O estudo utilizou o método RULA para avaliar a postura durante o refile de cartões de visita. Segundo os autores, embora de forma geral os trabalhadores estejam satisfeitos com as ferramentas que utilizam, atividade necessita de intervenções ergonômicas, pois oferece risco aos trabalhadores, sobretudo devido a altura da bancada de trabalho e posturas adotadas. Ao estudarem o desconche de mexilhões em uma unidade de beneficiamento de moluscos Garcia et al. (2012) levantaram pontos críticos da ferramenta utilizada na atividade, ademais, a partir da utilização do método Job Strain Index, avaliaram a atividade como de alto risco. Dessa forma propuseram requisitos para um produto que amenizasse os impactos negativos da atual ferramenta utilizada. Os autores observaram também que a área entre o dedo indicador e polegar corresponde a área de maior desconforto no uso da ferramenta. Segundo Napier (1980) o projeto de ferramentas manuais negligencia a área da pega e para que uma ferramenta seja de máxima eficiência a pega deve ser projetada para a função especifica da ferramenta. Deve levar em considerações as situações ambientais como clima, mãos sujas trabalham sobre andaime, etc. 115

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Quanto ao levantamento antropométrico para o projeto de máquinas agrícolas é sabido que seu uso pode auxiliar na criação de um design de equipamentos apropriados para uma maior eficiência e conforto durante seu uso. Em diversos países emergentes vem ocorrendo um rápido processo de modernização da agricultura, e, neste contexto, é necessário que o design do equipamento leve em consideração as habilidades e limitações do operador, de modo que o uso de dados antropométricos fazse essencial. Em países como a Índia, onde durante muito tempo ferramentas e maquinário eram fabricados por artesãos dos vilarejos rurais, adequando-os às características físicas de seus usuários, entretanto, com o passar do tempo tais produtos passaram a ser manufaturados em fábricas, que utilizavam como referencia nos projetos dados antropométricos ocidentais, desconsiderando as diferenças entre as populações ocidentais e o povo indiano (GITE; YADAV, 1989). Dentro deste contexto, GarcíaCárceres, et al. (2012) explicam que a consideração de dados antropométricos é essencial para todos os envolvidos no desenvolvimento de ferramentas manuais. Testes de distribuição de pressão de volta em assentos de máquinas agrícola móvel e de acordo com Burdorf e Swuste (1993) um dos aspectos que exercem maior influência sobre o bem-estar dos usuários de diversas máquinas agrícolas móveis é o assento, de modo que tais usuários frequentemente reportam problemas de desempenho associadas a problemas nas costas e desconforto ao sentar que, combinado a aspectos como vibração, certas características dos assentos e a preocupação com a manutenção de uma postura confortável e adequada afetam diretamente as condições de operação do trabalhador.

3. Procedimentos Metodológicos Quanto a sua natureza esta pesquisa2 classifica-se, segundo Gil (2008), como aplicada, pois busca a aplicação da ergonomia e da usabilidade no uso de ferramentas manuais, na qual será utilizado um corte transversal. Segundo seus objetivos pode ser considerada exploratória (GIL, 2010). Quanto ao enfoque do problema a metodologia será direcionada para uma abordagem qualitativa (LAKATOS; MARCONI, 2009). Os procedimentos técnicos utilizados foram levantamentos bibliográficos, investigações in loco, questionários, método RULA, mapa corporal proposto por Corlett e Bishop (1976), filmagens e fotografias. Neste tipo de investigação a tendência é esclarecer, desenvolver, modificar conceitos e situações que se baseiam em ações que são observadas, registradas, analisadas, classificadas, e interpretadas sem manifestação dos investigadores. A utilização dessa representação metodológica tende a obtenção de dados informativos como forma de identificar as características de um determinado grupo, principalmente, quando os pesquisadores preocupam com a atuação prática dos atores ou com as variáveis de fenômenos pouco pesquisados (GAYA, 2008; GIL, 2010). Salienta-se que a pesquisa foi realizada com os agricultores familiares

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Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética da Universidade Federal de Santa Catarina no dia 27 de setembro de 2012 sob número 05372012.9.0000.0121, e conta com o apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (FAPESC) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

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pertencentes aos Grupos Produtivos de Pequeno Porte do estado de Santa Catarina. A escolha dos locais de realização das coletas de dados foi definida junto à EPAGRI (Empresa de pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina), que fez a indicação das regiões de Biguaçu que compreendem as comunidades de São Mateus, São Marcos, Canudos e Fazendas. Foram visitados 19 agricultores, que plantam mandioca no sistema de Roça de Toco. Devido a problemas de saúde, um agricultor não realizou a extração manual de mandioca, participando unicamente dos questionários, desta forma, a etapa dos questionários conta com 19 respostas e o arranque com 18. Antes do início da entrevista os participantes foram convidados a ler e assinar um Termo de Consentimento de Livre Esclarecimento (TCLE), concordando com os termos da pesquisa (Figura 4).

Figura 4: Aplicação de Questionário.

Fonte: os autores.

A seleção dos requisitos apropriados para realização de tarefas específicas deve levar em consideração as características da população que irá utilizar a ferramenta. Essas considerações somadas a questões cognitivas permitem o desenvolvimento de ferramentas mais seguras (García-Cárceres, et al., 2012). Assim, foram obtidos requisitos para a ferramenta (extrator de mandioca) a partir de investigações in loco (investigações sobre saúde e produtividade) e de um Brainstorming. A investigação in loco consistiu na realização de questionários e registro da extração manual de mandioca (Erro! Fonte de referência não encontrada.). Os questionários buscaram em primeira instância o levantamento socioeconômico e em seguida a avaliação da saúde dos trabalhadores.

Figura 5: Etapas da pesquisa

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. Fonte: Dados primários (2012).

As queixas músculo esqueléticas foram verificadas por meio de um questionário com mapa corporal, proposto por Corlett e Bishop (1976). O questionário utilizado apresenta uma figura humana com a região frontal e posterior do corpo, com a divisão das áreas anatômicas. As questões relacionadas a cada área anatômica verificam a presença de dores nos últimos 12 meses e nos últimos sete dias. Além disso, esse instrumento investiga se os indivíduos ficaram impedidos de exercer suas atividades normais e se houve necessidade de impedimento das atividades profissionais. Para cada região será considerado o índice de desconforto que é classificado em oito níveis, onde 0 (zero) corresponde a sem desconforto, até o nível 7 (sete), para extremamente desconfortável. Os registros fotográficos e de vídeo da extração manual de mandioca foram utilizados para a avaliação da postura, fadiga muscular e esforço nos membros superiores, por meio da utilização do método RULA (Rapid Upper-limb assessment). Este é um instrumento ágil e veloz que permite obter uma avaliação da sobrecarga biomecânica dos membros superiores e do pescoço em uma tarefa ocupacional (McAtamney e Corlett, 1993). Como os próprios autores McAtamney e Corlett (1993) enfatizam, este método deve ser utilizado em um contexto de avaliação ergonômica geral. O determinante de risco ergonômico nesse método é representado pelas posturas assumidas pelos trabalhadores na jornada de trabalho. As posturas avaliadas são as adotadas pelos membros superiores, o pescoço, o tronco e os membros inferiores. A avaliação de risco é feita a partir de uma observação sistemática dos ciclos de trabalho pontuando as posturas, freqüência e força dentro de uma escala que varia de 1 (um), correspondente ao intervalo de movimento ou postura de trabalho onde o fator de risco correlato é mínimo até ao valor 7 (sete) onde o fator de risco correlato é máximo, esta pontuação é fundamentada na literatura especializada em biomecânica ocupacional, conforme a Erro! Fonte de referência não encontrada..
Figura 6: Nível de intervenção para os resultados do método Rula.

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Fonte: McAtamney e Corlett, 1993.

Segundo Colombini (2005), este método propõe-se a determinar, no que diz respeito às posturas assumidas durante o trabalho, as propriedades de intervenção ou a necessidade de posteriores investigações realizadas por peritos ou ergonomistas. A análise a partir do método RULA foi realizada com base no momento inicial do processo de arranque manual de mandioca (Erro! Fonte de referência não encontrada.7), quando o agricultor posiciona-se frente à planta inclinando-se até alcança-la com as mãos.
Figura 7: Momento inicial do processo de arranque manual de mandioca.

Fonte: os autores.

O levantamento bibliográfico auxiliou na compreensão da atividade e de seus reflexos na saúde dos trabalhadores. O levantamento in loco foi utilizado para compreender a atividade real, levantar o perfil dos agricultores e levantar os problemas e informações dos usuários. Assim, para sintetizar e transformar as informações obtidas destas investigações em requisitos de projeto foi realizado um Brainstorming. Essa técnica é utilizada para que as pessoas expressem as suas ideias para o grupo, nesse caso, sobre as possíveis soluções de um extrator manual de mandioca. Para 119

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a realização do brainstorming foi definido um roteiro com cinco etapas, conforme a Erro! Fonte de referência não encontrada.8.

Figura 8: Etapas do Brainstorming

Fonte: os autores.

A primeira etapa consistiu no levantamento de ideias hipotéticas sem compromisso com sua aplicabilidade prática, dessa forma, foi proposto para iniciar o processo criativo, que os participantes sugerissem formas de se retirar um tênis sem a utilização das mãos. A segunda etapa consistiu em se expressar ideias de coisas que podem ser arrancadas. Na terceira etapa foram sugeridas formas de se extrair a mandioca do solo, essas ideias foram esboçadas para dar subsídio à etapa seguinte. Na quarta etapa foram fornecidas aos participantes as informações levantadas dos usuários (agricultores) e em seguida os esboços foram dispostos em um painel para seleção das melhores ideias. Por fim, na quinta etapa, foi realizada uma discussão a partir da qual foram definidos os requisitos de projeto. Para a realização de cada etapa os participantes receberam papel, caneta e post-its.

4. Resultados O resultado do questionário proposto por Corlett e Bishop (1976), indica que as principais queixas músculo esqueléticas dos agricultores encontram-se no pescoço, região dorsal e lombar, cotovelos, antebraço e joelhos, conforme destacado na Erro! Fonte de referência não encontrada.9.

Figura 9: Regiões com maior incidência de problemas, de acordo com aplicação do questionário proposto por Corlett e Bishop (1976).

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Fonte: os autores.

Conforme apresentado na Figura 8, apesar de existirem queixas músculo esqueléticas em todo o corpo, estas se concentram na região superior. Em relação ao método RULA, dentre os 18 agricultores analisados nesta etapa, 16 obtiveram um resultado 7 e 2 agricultores obtiveram um resultado 6, tanto o resultado 7 quanto o resultado 6 indicam que é necessário intervenções na atividade. Abaixo é apresentada a Figura 10 com os resultados do método RULA.

Figura 10: Resultados da aplicação do método RULA.

Fonte: os autores.

Segundo Rozenfeld, et al. (2009) a obtenção dos requisitos de produto a partir dos usuários, fornece o primeiro direcionamento físico sobre o produto que será projetado. As informações coletadas dos usuários que serviram como base para a definição dos requisitos foram:  Não modificar a forma de plantio: a Roça de Toco é caracterizada pelo plantio em terrenos planos e íngremes, não havendo possibilidade de modificar o plantio, a ferramenta deverá se adaptar a ambos os tipos de terrenos; 121

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Requisitos Ergonômicos para o Projeto de Ferramentas Manuais: o Caso de um Extrator Manual de Mandioca

 Não causar dor nas costas: a maneira atual de arranque de mandioca causa dores nas costas devido a postura adotada no arranque, dessa forma a ferramenta deverá possibilitar o arranque na postura ereta;  Não afetar membros superiores e inferiores: utilizar ângulos que favoreçam a biomecânica do movimento dos membros superiores e inferiores;  Não provocar acidentes: o acabamento superficial da ferramenta não deverá oferecer riscos aos usuários;  Não machucar as mãos: para evitar danos às mãos a pega deve ser projetada especificamente para a tarefa a ser exercida;  Engate eficaz na rama de mandioca: utilizar mecanismo de fácil engate, soltura e que ofereça preensão para extração da rama;  Realizar o arranque completo: quando as raízes não forem extraídas por completo, é necessária a utilização de uma enxada, dessa forma o extrator deverá propiciar esta tarefa;  Baixo custo: para viabilização da aquisição da ferramenta pelos agricultores, deve-se projetar uma ferramenta de baixo custo, dessa forma, foi especificado o aço carbono que além de apresentar essa característica possui a resistência necessária para realizar a extração;  Fácil transporte: devido a localização das plantações em locais de difícil acesso e aos agricultores terem que se deslocar entre as ramas com a ferramenta, esta deve ser projetada para ser compacta e leve. Os requisitos de projeto definidos no Brainstorming foram sintetizados na Erro! Fonte de referência não encontrada.1, e são apresentados a seguir.
Figura 11: Requisitos de Projeto para um Extrator Manual de Mandioca.

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Requisitos Ergonômicos para o Projeto de Ferramentas Manuais: o Caso de um Extrator Manual de Mandioca Fonte: os autores.

A seleção dos requisitos apropriados para realização de atividades específicas devem levar em consideração as características da população que irá utilizar a ferramenta. Essas considerações somadas a questões cognitivas permitem o desenvolvimento de ferramentas mais seguras (GARCÍA-CÁRCERES, et al., 2012). Os resultados levantados indicam a necessidade de se eliminar principalmente as posturas que causam constrangimento postural na extração de mandioca. Ademais, no que se refere ao uso da força física, há a necessidade de se analisar mais a fundo questões relacionadas a biomecânica, como a repetitividade do movimento, o transporte das ferramentas e dos produtos, e ainda aspectos ambientais e questões organizacionais, como duração da jornada de trabalho e acesso às plantações. 5. Conclusões Segundo a problemática da falta de ferramentas adequadas para a extração manual de mandioca que ocasiona problemas de saúde e produtividade aos agricultores, observase que esta relação se procede devido principalmente às posturas adotadas para extração manual de mandioca. A investigação in loco e conhecimento da realidade da atividade permitiram a obtenção de dados reais do trabalho realizado pelos agricultores. Este tipo de abordagem mostrou-se fundamental para realização deste tipo de pesquisa. O brainstorming foi essencial para tradução dos dados obtidos, a partir da literatura e da investigação in loco, em requisitos de projeto. Segundo dados da agricultura familiar e a significativa importância de sua produção, o desenvolvimento de propostas para a melhoria das condições de trabalho de seus envolvidos é uma obrigação de todos, e neste caso, o design tem papel fundamental para o desenvolvimento de propostas que considerem os seres humanos e suas relações. A ergonomia pode auxiliar no desenvolvimento de produtos, no caso específico desta pesquisa em uma ferramenta manual. O desenvolvimento de ações que minimizem o esforço físico na extração de mandioca pode melhorar a qualidade de vida dos agricultores, minimizando dores, distúrbios musculoesqueléticos e melhorando a segurança e a produtividade.

Agradecimentos A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), ao Programa de Pós Graduação em Engenharia de Produção (PPGEP/UFSC) da Universidade Federal de Santa Catarina, a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (EPAGRI), por meio do projeto Rede Sul Florestal e ao Núcleo de Gestão de Design (NGD/UFSC) que viabilizaram esta pesquisa.

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