Horizontes

Janeiro, 30, 2008.
Plínio Alexandre dos Santos Caetano*

Por estes dias, me peguei pensando sobre coisas que não são, costumeiramente, refletidas aos dias normais e habituais de nossa realidade; descobri-me analisando cada fase de nossas vidas, em cada situação e ambiente em que vivemos. Afinal, são estas as interferências em nosso julgamento ou apatia para com o mundo: o universo poder-se-ia acabar em um dia em certas circunstâncias, que, ou nos resultaria em completo caos – ou pior, estaríamos totalmente apáticos. Está é uma questão grave, ou melhor – gravíssima – que assola a humanidade. Seres sociais, claro que o somos. Contudo a socialização do pensamento não é algo tão maduro. Falando em maturidade... Pode parecer engraçado, só que esta não é nada mais nada menos do que passageira: depende da fase em que nos encontramos. Ninguém é responsável o tempo todo – todos têm seus momentos de lapsos memoriáveis – que jamais gostaria de que fossem revividos. Pois aqui estou, para dialogar sobre algo que não deveria me atrever. Talvez estas linhas a muito condenem as pessoas, talvez não. Não sou jornalista, mas gosto de imaginar os dois lados – as duas faces. Não sou o dono de uma verdade, quisera que esta existisse. Bem, enveredemo-nos pelos caminhos que nos são favoráveis ao tema escolhido.

Como poderia uma pessoa em um ambiente profissional hostil, quer seja uma escola, uma indústria, uma grande empresa, uma repartição pública; sobreviver se não reagir à dadas situações. A imposição ao respeito emanando do ser é um estigma de amor próprio e uma necessidade selvagem de sobrevivência urbana. Assim, nascem os profissionais sem caráter. Mas é curioso, pois assim também não os nascem. A gênese do mundo está incutida nas crenças das pessoas. Há o tipo de pessoa que cumpre seu dever pelo simples fato de ganhar para praticá-lo, bem como há o intermediário e o final: aquele que pratica pelo vazio que há dentro de si. Ambição desmedida é cruel e avassaladora, mas falta dela é caótica. Assim crescer em um ambiente impróprio e a qualquer custo pode sim ser um fiasco – este risco não vale a pena. Vale apenas e tão somente ser feliz. Não com a desalegria do próximo, mas com a compactuada e melhor dizendo, compartilhada sensação. Não são raros os casos de incidentes até mesmo comerciais entre patrão e funcionário (ignoremos gêneros aqui, certo leitor?), professor e aluno, etc., etc. ... A relação entre dominante e dominado. Afinal o que se ganha ou se perde nestas relações? Nada, não há qualquer tipo de troca. E ainda assim, todos os dias ela se repete. Talvez esta não seja uma coluna, sim um desabafo. E que nestas humildes e singelas linhas esteja escondida a verdade: que os horizontes não precisam e não devem ser restritos. Que sempre há uma escolha dentro e outra fora da realidade na qual nos prendemos. Se tudo está confuso dentro – provavelmente, não o estará lá fora.

Olhe para o por do sol, ele está lá. Sempre esteve. Será que tens se dado conta desta dádiva? Ou seu tempo é tão comprometido que nem ao menos se deu conta disto? Até a próxima coluna, leitor. Esteja atento: para que um dia, ao estar velho, não se de conta de que não foi o que poderia ter sido; tampouco que tenha deixado de fazer o melhor. Sempre há uma saída: nem que seja pela tangente.

*Plínio Alexandre dos Santos Caetano, 20, é terceiranista de licenciatura em Química pela FFCLRP – USP.