Coletânea de preces, (JÁ.

04/ 02/ 2014)
Tema: prevendo próximo á morte. Fonte: Evangelho seguindo om espiritismo, XXVIII: 40 e 41.

Prevendo próxima a morte
40. PREFÁCIO. A fé no futuro, a orientação do pensamento, durante a vida, para os destinos vindouros, favorecem e aceleram o desligamento do Espírito, por enfraquecerem os laços que o prendem ao corpo, tanto que, frequentemente, a vida corpórea ainda se não extinguiu de todo, e a alma, impaciente, já alçou o voo para a imensidade. Ao contrário, no homem que concentra nas coisas materiais todos os seus cuidados, aqueles laços são mais tenazes, penosa e dolorosa é a separação e cheio de perturbação e ansiedade o despertar no além-túmulo. 41. Prece. - Meu Deus, creio em ti e na tua bondade infinita e, por isso mesmo, não posso crer hajas dado ao homem a inteligência, que lhe faculta conhecer-te, e a aspiração pelo futuro, para o mergulhares no nada. Creio que o meu corpo é apenas o envoltório perecível de minha alma e que, quando eu tenha deixado de viver, acordarei no mundo dos Espíritos. Deus Todo-Poderoso, sinto se rompem os laços que me prendem a alma ao corpo e que dentro em pouco irei prestar contas do uso que fiz da vida que me foge. Vou experimentar as consequências do bem e do mal que pratiquei. Lá não haverá ilusões, nem subterfúgios possíveis. Diante de mim vai desenrolar-se todo o meu passado e serei julgado segundo as minhas obras. Nada levarei dos bens da Terra. Honras, riquezas, satisfações da vaidade e do orgulho, tudo, enfim, que é peculiar ao corpo permanecerá neste mundo. Nem a mais mínima parcela de todas essas coisas me acompanhará, nem me será de utilidade alguma no mundo dos Espíritos. Apenas levarei comigo o que pertence à alma, isto é, as boas e as más qualidades, para serem pesadas na balança da mais rigorosa justiça. E tanto maior severidade haverá no meu julgamento, quanto maior número de ocasiões para fazer o bem, que não fiz, me tenha proporcionado a posição que ocupei na Terra. (Cap. XVI, n° 9.) Deus de misericórdia, que o meu arrependimento te chegue aos pés! Digna-te de lançar sobre mim o manto da tua indulgência. Se te aprouver prolongar a minha existência, seja esse prolongamento empregado em reparar, tanto quanto em mim esteja, o mal que eu tenha praticado. Se soou, sem dilação possível, a minha hora, levo comigo o consolador pensamento de que me será permitido redimir-me, por meio de novas provas, a fim de merecer um dia a felicidade dos eleitos. Se não me for dado gozar imediatamente dessa felicidade sem mescla, partilha tão-só do justo por excelência, sei que me não é defesa para sempre a esperança e que, pelo trabalho, alcançarei o fim, mais tarde ou mais cedo, conforme os meus esforços. Sei que próximos de mim, para me receberem, estão Espíritos bons e o meu anjo de guarda, aos quais dentro em pouco verei, como eles me veem. Sei que, se o tiver merecido, encontrarei de novo aqueles a quem amei na Terra e que aqueles que aqui deixo irão juntar-se a mim, que um dia estaremos todos reunidos para sempre e que, enquanto esse dia não chegar, poderei vir visitá-los. Sei também que vou encontrar aqueles a quem ofendi. Possam eles perdoar-me o que tenham a reprochar-me: o meu orgulho, a minha dureza, minhas injustiças, a fim de que a presença deles não me acabrunhe de vergonha! Perdoo aos que me tenham feito ou querido fazer mal; nenhum rancor contra eles alimento e peço-te, meu Deus, que lhes perdoes. Senhor dá-me forças para deixar sem pena os prazeres grosseiros deste mundo, que nada são em confronto com as alegrias sãs e puras do mundo em que vou penetrar e onde, para o justo, não há mais

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tormentos, nem sofrimentos, nem misérias, onde somente o culpado sofre, mas tendo a confortá-lo a esperança. A vós, bons Espíritos, e a ti, meu anjo guardião, suplico que me não deixeis falir neste momento supremo. Fazei que a luz divina brilhe aos meus olhos, a fim de que a minha fé se reanime, se vier a abalar-se. Nota- Veja-se, adiante, o parágrafo V: "Preces pelos doentes e obsidiados"

*********************** Conforme sugerido apreciemos a leitura do item 9 do capitulo XVI:
A verdadeira propriedade 9. O homem só possui em plena propriedade aquilo que lhe é dado levar deste mundo. Do que encontra ao chegar e deixa ao partir goza ele enquanto aqui permanece. Forçado, porém, que é a abandonar tudo isso, não tem das suas riquezas a posse real, mas, simplesmente, o usufruto. Que é então o que ele possui? Nada do que é de uso do corpo; tudo o que é de uso da alma: a inteligência, os conhecimentos, as qualidades morais. Isso o que ele traz e leva consigo, o que ninguém lhe pode arrebatar, o que lhe será de muito mais utilidade no outro mundo do que neste. Depende dele ser mais rico ao partir do que ao chegar, visto como, do que tiver adquirido em bem, resultará a sua posição futura. Quando alguém vai a um país distante, constitui a sua bagagem de objetos utilizáveis nesse país; não se preocupa com os que ali lhe seriam inúteis. Procedei do mesmo modo com relação à vida futura; aprovisionaivos de tudo o de que lá vos possais servir. Ao viajante que chega a um albergue, bom alojamento é dado, se o pode pagar. A outro, de parcos recursos, toca um menos agradável. Quanto ao que nada tenha de seu, vai dormir numa enxerga. O mesmo sucede ao homem, a sua chegada no mundo dos Espíritos: depende dos seus haveres o lugar para onde vá. Não será, todavia, com o seu ouro que ele o pagará. Ninguém lhe perguntará: Quanto tinhas na Terra? Que posição ocupavas? Eras príncipe ou operário? Perguntar-lhe-ão: Que trazes contigo? Não se lhe avaliarão os bens, nem os títulos, mas a soma das virtudes que possua. Ora, sob esse aspecto, pode o operário ser mais rico do que o príncipe. Em vão alegará que antes de partir da Terra pagou a peso de ouro a sua entrada no outro mundo. Responder-lhe-ão: Os lugares aqui não se compram: conquistam-se por meio da prática do bem. Com a moeda terrestre, hás podido comprar campos, casas, palácios; aqui, tudo se paga com as qualidades da alma. És rico dessas qualidades? Sê bem-vindo e vai para um dos lugares da primeira categoria, onde te esperam todas as venturas. És pobre delas? Vai para um dos da última, onde serás tratado de acordo com os teus haveres. - Pascal. (Genebra, 1860.)

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************************************** PONDERAÇÕES:
A vida continua depois da morte ou segundo a expressão espírita depois de desencarnar, houve tempo de muitas duvidas e negações pelos que queriam viver a torto e direito segundo suas vontades ignorantes de fazer o que querem de forma egoísta e ambiciosa desrespeitando qualquer regra ou mandamento em relação a responsabilidades perante o próximo para assim adquirirem materialmente tudo o que o mundo pudesse oferecer. Hoje em dia não há mais negações nem escusas desse conhecimento, nem a ciência reprova, pois a ciência comprova a continuação da vida, não por dedução só, mas por provas concludentes a esse respeito; muitos cientistas por muitas vezes já comprovaram a existência do períspirito, por exemplo, e o períspirito é o corpo etéreo do Espírito ou alma, ora o espírito é a alma da pessoa que desencarnou, ou seja, depois de morrer; desse corpo nos foi dado milhares de testemunhos por pessoas especialmente em hospitais que tiveram a experiência de estarem a morrer e ver seu próprio corpo flutuando ou andando pelos corredores ou indo visitar parentes ou assustados ao se verem sair do corpo e voltar, não deixa duvida que esse corpo é o do espírito que está acoplado ao corpo de carne temporariamente a que o espirita chama de períspirito. Portanto toda a conclusão se assenta em confirmações de que a vida continua e nessa convicção geral os espíritos nos aconselham uma prece ao sentirmos a aproximar-se a hora da morte ou da partida como preparação para o futuro de nossa alma que devemos encarar com respeito e sinceridade. Contudo sabendo-se que Deus vê as intenções e lê o coração da pessoa assim como vasculha os pensamentos a prece pode tomar múltiplas formas de expressão e sentimento, podem ser longas ou curtas, podem ser de confissões de arrependimentos, podem ser de jubilo por estar prestes a se encontrar com o Senhor e a vida do além, podem ser de um medo aflitivo e apavorado como que pedindo socorro nos

momentos derradeiros do seu passamento, enfim podem ser preces inteligentes como a sugerida pelos espíritos, ou conforme o caso de cada um. Das preces curtas de coração e sinceridade temos a do bom ladrão que morrendo junto com Jesus apelou „Senhor lembra-te de mim no teu reino‟,(Lucas, 23:42) temos a de Jesus: Pai perdoa-lhes porque não sabem o que fazem e Pai nas tuas mãos entrego meu espírito‟,(Lucas, 23:34, 46) temos a de Estevão que pediu perdão para os que o apedrejavam e pede: Senhor não lhes imponha este pecado e Senhor Jesus recebe o meu espírito‟, (Atos, 59e 60). De certo modo a vida é uma preparação para a morte considerando-se que esta vida é temporária e a morte vem a todos como uma lei natural, no entanto a morte não é igual para todos, pois o passamento pode ser simples como quem cai em sono e dorme como pode ser sofredor para os que viveram indignamente e lhes pesa a consciência lhes trazendo dores morais, outros encaram esses momentos com medo trucidante apavorados surpreendidamente pelo inesperado. Daí, quem vive bem por lei deve morrer bem, pode até ter sofrimentos físicos, mas sua alma vê o fim de seu sofrimento com alegria ao sentir sua alma se libertar da matéria. As preces são de acordo com as pessoas naquela hora, há os que morrem rezando, há os que movem os lábios com alguma palavra, há os que ficam pensativos a meditar e nota-se que é entre eles e Deus, nestas horas devemos respeitar e não interferir, nossas simpatias e nosso amor pode ser em comunhão por pensamento lhes desejando um bom passamento e encontro com Deus ou seus agentes, anjo da guarda, familiares ou amigos que o espera.

************************ Aproveitando vejamos no livro „Céu e Inferno‟, por que os espíritas não temem a morte:
“Causas do temor da morte. - Razão por que não a temem os espíritas. Causas do temor da morte 1 - O homem, seja qual for a escala de sua posição social, desde selvagem tem o sentimento inato do futuro; diz-lhe a intuição que a morte não é a última fase da existência e que aqueles cuja perda lamentamos não estão irremissivelmente perdidos. A crença da imortalidade é intuitiva e muito mais generalizada do que a do nada. Entretanto, a maior parte dos que nele creem apresentam-se-nos possuídos de grande amor às coisas terrenas e temerosos da morte! Por quê? 2. - Este temor é um efeito da sabedoria da Providência e uma consequência do instinto de conservação comum a todos os viventes. Ele é necessário enquanto não se está suficientemente esclarecido sobre as condições da vida futura, como contrapeso à tendência que, sem esse freio, nos levaria a deixar prematuramente a vida e a negligenciar o trabalho terreno que deve servir ao nosso próprio adiantamento. Assim é que, nos povos primitivos, o futuro é uma vaga intuição, mais tarde tornada simples esperança e, finalmente, uma certeza apenas atenuada por secreto apego à vida corporal. 3. - A proporção que o homem compreende melhor a vida futura, o temor da morte diminui; uma vez esclarecida a sua missão terrena, aguarda-lhe o fim calma, resignada e serenamente. A certeza da vida futura dá-lhe outro curso às ideias, outrofito ao trabalho; antes dela nada que se não prenda ao presente; depois dela tudo pelo futuro sem desprezo do presente, porque sabe que aquele depende da boa ou da má direção deste. A certeza de reencontrar seus amigos depois da morte, de reatar as relações que tivera na Terra, de não perder um só fruto do seu trabalho, de engrandecer-se incessantemente em inteligência, perfeição, dá-lhe paciência para esperar e coragem para suportar as fadigas transitórias da vida terrestre. A solidariedade entre vivos e mortos faz-lhe compreender a que deve existir na Terra, onde a fraternidade e a caridade têm desde então um fim e uma razão de ser, no presente como no futuro. 4. - Para libertar-se do temor da morte é mister poder encará-la sob o seu verdadeiro ponto de vista, isto é, ter penetrado pelo pensamento no mundo espiritual, fazendo dele uma ideia tão exata quanto possível, o que denota da parte do Espírito encarnado um tal ou qual desenvolvimento e aptidão para desprender-se da matéria.

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No Espírito atrasado a vida material prevalece sobre a espiritual. Apegando-se às aparências, o homem não distingue a vida além do corpo, esteja embora na alma a vida real; aniquilado aquele, tudo se lhe afigura perdido, desesperador. Se, ao contrário, concentrarmos o pensamento, não no corpo, mas na alma, fonte da vida, ser real a tudo sobrevivente, lastimaremos menos a perda do corpo, antes fonte de misérias e dores. Para isso, porém, necessita o Espírito de uma força só adquirível na madureza. O temor da morte decorre, portanto, da noção insuficiente da vida futura, embora denote também a necessidade de viver e o receio da destruição total; igualmente o estimula secreto anseio pela sobrevivência da alma, velado ainda pela incerteza. Esse temor decresce, à proporção que a certeza aumenta, e desaparece quando esta é completa. Eis aí o lado providencial da questão. Ao homem não suficientemente esclarecido, cuja razão mal pudesse suportar a perspectiva muito positiva e sedutora de um futuro melhor, prudente seria não o deslumbrar com tal ideia, desde que por ela pudesse negligenciar o presente, necessário ao seu adiantamento material e intelectual. 5. - Este estado de coisas é entretido e prolongado por causas puramente humanas, que o progresso fará desaparecer. A primeira é a feição com que se insinuam a vida futura, feição que poderia contentar as inteligências pouco desenvolvidas, mas que não conseguiria satisfazer a razão esclarecida dos pensadores refletidos. Assim, dizem estes: "Desde que nos apresentam como verdades absolutas princípios contestados pela lógica e pelos dados positivos da Ciência, é que eles não são verdades." Daí, a incredulidade de uns e a crença dúbia de um grande número. A vida futura é-lhes uma ideia vaga, antes uma probabilidade do que certeza absoluta; acreditam, desejariam que assim fosse, mas apesar disso exclamam: "Se todavia assim não for! O presente é positivo, ocupemo-nos dele primeiro, que o futuro por sua vez virá" E depois, acrescentam, definitivamente que é a alma? Um ponto, um átomo, uma faísca, uma chama? Como se sente, vê ou percebe? E que a alma não lhes parece uma realidade efetiva, mas uma abstração. Os entes que lhes são caros, reduzidos ao estado de átomos no seu modo de pensar, estão perdidos, e não têm mais a seus olhos as qualidades pelas quais se lhes fizeram amados; não podem compreender o amor de uma faísca nem o que a ela possamos ter. Quanto a si mesmos, ficam mediocremente satisfeitos com a perspectiva de se transformarem em mônadas. Justifica-se assim a preferência ao positivismo da vida terrestre, que algo possui de mais substancial. É considerável o número dos dominados por este pensamento.

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6. - Outra causa de apego às coisas terrenas, mesmo nos que mais firmemente creem na vida futura, é a impressão do ensino que relativamente a ela se lhes há dado desde a infância. Convenhamos que o quadro pela religião esboçado, sobre o assunto, é nada sedutor e ainda menos consolatório. De um lado, contorções de condenados a expiarem em torturas e chamas eternas os erros de uma vida efêmera e passageira. Os séculos sucedem-se aos séculos e não há para tais desgraçados sequer o lenitivo de uma esperança e, o que mais atroz é, não lhes aproveita o arrependimento. De outro lado, as almas combalidas e aflitas do purgatório aguardam a intercessão dos vivos que orarão ou farão orar por elas, sem nada fazerem de esforço próprio para progredirem. Estas duas categorias compõem a maioria imensa da população de além-túmulo. Acima delas, paira a limitada classe dos eleitos, gozando, por toda a eternidade, da beatitude contemplativa. Esta inutilidade eterna, preferível sem dúvida ao nada, não deixa de ser de uma fastidiosa monotonia. É por isso que se vê, nas figuras que retratam os bem-aventurados, figuras angélicas onde mais transparece o tédio que a verdadeira felicidade. Este estado não satisfaz nem as aspirações nem a instintiva ideia de progresso, única que se afigura compatível com a felicidade absoluta. Custa crer que, só por haver recebido o batismo, o selvagem ignorante de senso moral obtuso -, esteja ao mesmo nível do homem que atingiu, após longos anos de trabalho, o mais alto grau de ciência e moralidade práticas. Menos concebível ainda é que a criança falecida em tenra idade, antes de ter consciência de seus atos, goze dos mesmos privilégios somente por força de uma cerimônia na qual a sua vontade não teve parte alguma. Estes raciocínios não deixam de preocupar os mais fervorosos crentes, por pouco que meditem.

7. - Não dependendo a felicidade futura do trabalho progressivo na Terra, a facilidade com que se acredita adquirir essa felicidade, por meio de algumas práticas exteriores, e a possibilidade até de a comprar a dinheiro, sem regeneração de caráter e costumes, dão aos gozos do mundo o melhor valor. Mais de um crente considera, em seu foro íntimo, que assegurado o seu futuro pelo preenchimento de certas fórmulas ou por dádivas póstumas, que de nada o privam, seria supérfluo impor-se sacrifícios ou quaisquer incômodos por outrem, uma vez que se consegue a salvação trabalhando cada qual por si. Seguramente, nem todos pensam assim, havendo mesmo muitas e honrosas exceções; mas não se poderia contestar que assim pensa o maior número, sobretudo das massas pouco esclarecidas, e que a ideia que fazem das condições de felicidade no outro mundo não entretenha o apego aos bens deste, acoroçoando o egoísmo. 8. - Acrescentemos ainda a circunstância de tudo nas usanças concorrer para lamentar a perda da vida terrestre e temer a passagem da Terra ao céu. A morte é rodeada de cerimônias lúgubres, mais próprias a infundirem terror do que a provocarem a esperança. Se descrevem a morte, é sempre com aspecto repelente e nunca como sono de transição; todos os seus emblemas lembram a destruição do corpo, mostrando-o hediondo e descarnado; nenhum simboliza a alma desembaraçando-se radiosa dos grilhões terrestres. A partida para esse mundo mais feliz só se faz acompanhar do lamento dos sobreviventes, como se imensa desgraça atingira os que partem; dizem-lhes eternos adeuses como se jamais devessem revê-los. Lastima-se por eles a perda dos gozos mundanos, como se não fossem encontrar maiores gozos no além-túmulo. Que desgraça, dizem, morrer tão jovem, rico e feliz, tendo a perspectiva de um futuro brilhante! A ideia de um futuro melhor apenas toca de leve o pensamento, porque não tem nele raízes. Tudo concorre, assim, para inspirar o terror da morte, em vez de infundir esperança. Sem dúvida que muito tempo será preciso para o homem se desfazer desses preconceitos, o que não quer dizer que isto não suceda, à medida que a sua fé se for firmando, a ponto de conceber uma ideia mais sensata da vida espiritual. 9. - Demais, a crença vulgar coloca as almas em regiões apenas acessíveis ao pensamento, onde se tornam de alguma sorte estranhas aos vivos; a própria Igreja põe entre umas e outras uma barreira insuperável, declarando rotas todas as relações e impossível qualquer comunicação. Se as almas estão no inferno, perdida é toda a esperança de as rever, a menos que lá se vá ter também; se estão entre os eleitos, vivem completamente absortas em contemplativa beatitude. Tudo isso interpõe entre mortos e vivos uma distância tal que faz supor eterna a separação, e é por isso que muitos preferem ter junto de si, embora sofrendo, os entes caros, antes que vê-los partir, ainda mesmo que para o céu. E a alma que estiver no céu será realmente feliz vendo, por exemplo, arder eternamente seu filho, seu pai, sua mãe ou seus amigos? Por que os espíritas não temem a morte 10. - A Doutrina Espírita transforma completamente a perspectiva do futuro. A vida futura deixa de ser uma hipótese para ser realidade. O estado das almas depois da morte não é mais um sistema, porém o resultado da observação. Ergueu-se o véu; o mundo espiritual aparece-nos na plenitude de sua realidade prática; não foram os homens que o descobriram pelo esforço de uma concepção engenhosa, são os próprios habitantes desse mundo que nos vêm descrever a sua situação; aí os vemos em todos os graus da escala espiritual, em todas as fases da felicidade e da desgraça, assistindo, enfim, a todas as peripécias da vida de além-túmulo. Eis aí por que os espíritas encaram a morte calmamente e se revestem de serenidade nos seus últimos momentos sobre a Terra. Já não é só a esperança, mas a certeza que os conforta; sabem que a vida futura é a continuação da vida terrena em melhores condições e aguardam-na com a mesma confiança com que aguardariam o despontar do Sol após uma noite de tempestade. Os motivos dessa confiança decorrem, outrossim, dos fatos testemunhados e da concordância desses fatos com a lógica, com a justiça e bondade de Deus, correspondendo às íntimas aspirações da Humanidade. Para os espíritas, a alma não é uma abstração; ela tem um corpo etéreo que a define ao pensamento, o que muito é para fixar as ideias sobre a sua individualidade, aptidões e percepções. A lembrança dos que nos são caros repousa sobre alguma coisa de real. Não se nos apresentam mais como chamas fugitivas que nada falam ao pensamento, porém sob uma forma concreta que antes no-los mostra como seres viventes. Além

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disso, em vez de perdidos nas profundezas do Espaço, estão ao redor de nós; o mundo corporal e o mundo espiritual identificam-se em perpétuas relações, assistindo-se mutuamente. Não mais permissível sendo a dúvida sobre o futuro, desaparece o temor da morte; encara-se a sua aproximação a sangue-frio, como quem aguarda a libertação pela porta da vida e não do nada.”

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PONDERANDO: Nas horas derradeiras quando a morte é anunciada geralmente os familiares se juntam próximo ao moribundo em simpatia, fraternidade e solidariedade conversando uns com os outros fraternalmente com apoios de carinho e compreensão, por certo os que têm mais fé e confiança em Deus embora com o coração apertado entre a tristeza de ver um ente querido partir e a alegria de saber que a morte não existe para o espírito cujo é progressivo e prossegue para melhor, aceitam essa hora confiante em Deus pelo conhecimento da natureza da lei natural do desencarne necessário ao espírito imortal, estando todos de mesmo acordo haverá calmaria e paz a favor do moribundo, mas se houver ignorância, ansiedade, desespero, gritaria, desiquilíbrio entre eles o moribundo estará em crise de morte apavorante, sofredora resistindo a morte com medos que se alevantam em seu pensamento e coração, convém que todos tenham fé em Deus e que em conjunto ou individual façam prece ou em pensamento desejando bênçãos de bem a favor de o que está em passamento para o além-espiritual. Porém, se fala que há a experiência de que quando familiares em desespero estejam atrapalhando a partida do espirito em que soou a hora da sua liberdade e que de certo modo as afinidades e desespero dos familiares o retêm pela força de suas afinidades e magnetismo, os Espíritos mentores depois de dar o tempo de tolerância permitido por Deus dão uma melhora considerável ao desencarnante e todos vão embora aliviados, no entanto o trabalho de desencarne tem que prosseguir e o espirito se desliga do corpo, depois disso há quem diga, oh, foi a melhora da morte. De certo modo há uma comparação entre os que se despedem e os que partem numa comparação pacata de imigrantes, nos tempos não muito afastados a Europa forneceu imigrantes ao novo mundo, daí iam as pessoas para o cais se despedir dos que estivessem a imigrar, aí os navios os esperava e ao navio apitar sua ultima chamada as pessoas envolvidas se despediam em choros entre a alegria de vê-los partir para melhor e a tristeza de os deixar ir, mas todos sabiam que era necessário havia fé no futuro, havia esperança de a melhora ser bom para todos e nessa fé diziam vão com Deus e acenavam com lenços até o navio sumir nas distancias. Será que podemos ver a morte com alegria de ser necessária a partida para o bem de todos e os que ficam aceitar com fé e confiança e dizer vai com Deus! Sim, a morte é um acontecimento grave, não há comparação aceitável, mas sabendo-se que os espíritos não morrem e que ao desencarnar continuam vivendo noutra dimensão claro que não deixam de viver “oh morte onde está teu aguilhão”, quem melhor nos pode ajudar do que o conhecimento de quem somos e para onde vamos e conhecimento também das leis morais e de causas e efeitos, daí a fé e esperança em Deus e no futuro de nossas almas e o esforço a nós pedido para vencermos nossas inferioridades, há um grande numero de Igrejas que ajudam, mas também temos a Doutrina Espírita que não nos deixa sem respostas, sendo ela aconselhadora, consoladora com conhecimentos esclarecedores sobre a vida espiritual aceitável por muitas pessoas que pelo uso da razão buscam sinceramente a Doutrina e a acham cabível e que lhes agrada seu coração e lhes dá fé e esperança em Deus e no futuro. Daí o evangelho do Senhor prevalece, pois a moral Espírita é a de Jesus, embora o Espiritismo aconselhe que „fora da caridade não há salvação‟, explicando que em tudo devemos ter amor a Deus e ao próximo segundo Jesus aconselhava que no amor „está toda a lei e os profetas‟, e no nosso viver inclui certamente a prece na hora da nossa morte ou do nosso próximo. Pois assim seja. Bem, que Deus seja conosco, assim como outrora, hoje e sempre.

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