MAMENDES EXPRESS

A FRONTEIRA ENTRE O JORNALISMO E A FICÇÃO

Humor, crítica, crônica, comédia e sátira sobre o Rio de Janeiro, o Brasil e o Mundo | Defendendo o humor inteligente do Capitalismo e do Aquecimento Global, antes que se torne brinde de pasta de dentes

O melhor de

2005 a 2007

A Enciclopédia De um Blog

Marcelo “Mamendes” Mendes

Prefácio.................................................................. ............................3 Introdução: Crônicas pra ler com calma........................................................4 Uni-duni-tê .........................................................................................5 Vergonha Nacional: Vamos dançar, Quadrilha! ................................................6 King Kong na terra dos Simpsons ................................................................8 Humor, emprego, ócio e gêmeos maus .......................................................11 Causas e Conseqüências.........................................................................15 Mantenha o céu escuro .................................................................. ........17 Os sem mais .......................................................................... .............20 O poder do pensamento positivo ..............................................................24 Faz um barulho aí ................................................................................27 Retrospectiva 2006 ............................................................................ 30 ... Ligaram o f...-se .................................................................................33 Haja paciência! .......................................................................... .........36 Hay que endurecer ......................................................................... ......39 Você chama isso de m.?!?! ......................................................................41 E a Gripe veio do Espaço........................................................................44 Responsum Quae Sera Tamen ..................................................................49 Tolerância ampla, geral e irrestrita ...........................................................53 Mensagem de fim de ano .......................................................................56 O contador de ilusões ...........................................................................57 A Teoria do Humor ...............................................................................61 Paradoxalmente correto ........................................................................64 Vote, talvez .......................................................................................67 A nova guerra dos sexos ............................................................... ..........70 Ordem, Progresso y otras cositas más ........................................................74 Um grande pequeno golpe ......................................................................77 Tem 1 real ? .......................................................................................79

PREFÁCIO

INTRODUÇÃO: CRÔNICAS

PRA LER COM CALMA

Segunda-feira, 24 de Setembro de 2007

UNI-DUNI-TÊ
Coisa boa de se tornar um ser imerso na Internet é rir de tudo que se diz absoluto, correto. Você vê a tal campanha do Estadaço. A World Weird Web brasileira tem 15 milhões de ruivos de aparelhos contando mentiras pra pegar mulher gostosa. Já os jornais de "respeito" do país têm seus 15 editoreschefes, totalmente éticos, livres de comprometimento com picuinhas políticosócio-econômico-pessoais. Quando eles publicam que os bancos financiaram a campanha do presidente eleito e esquecem de mencionar que os mesmos bancos também financiaram a campanha do segundo colocado, eles simplesmente estão otimizando o espaço jornalístico. Tal omissão não tem nenhum viés de associar lucros recordes dos bancos com a atual gestão do país. Quando eles publicam que não se pode confiar em qualquer coisa que você lê, eles não estão dizendo que você também não pode confiar só no que alguém escreve. No fundo, você pode mentir omitindo a verdade ou contando apenas uma parte dela. Esse é o perigo de usar apenas uma fonte para se manter informado. Pense bem, em que é melhor confiar: (a) num infinito de pequenas vozes semicaóticas e independentes ou (b) num seleto grupo de mega-corporações de mídia voltadas ao lucro e a sustentação de seus donos, acionistas e empresas afiliadas? Acho que você já entendeu que a resposta não é imediata. Vivo num embate com colegas sobre o poder de processos & métodos e o poder do talento. O que eu nunca entendi foi como a discussão ao longo da história colocou cada coisa em lados opostos da mesa: processos vs. pessoas. O que é mais importante num carro? O volante, o acelerador ou o freio? Se você escolher um dos três, nem me ofereça carona! PS: O Mamendex de hoje foi assim, pá e bola, rapidinho. Estamos testando um novo formato mais post, fast, mix, fashion, prime, ... Gostou? Não gostou? Tanto faz? Comente, ligue, mande um e-mail, poste um vídeo-resposta, comunique-se! Cutucada rapidinha Apesar do esforço da Veja, não é que mais uma crise econômica mundial passou pelo Brasil que nem marola?

Segunda-feira, 17 de Setembro de 2007

VERGONHA NACIONAL: VAMOS

DANÇAR,

QUADRILHA!

O Brasil encena sua expressão de indignação enquanto descarrega toda sua frustração fazendo comentários bem batidos. "isso é uma vergonha (em maiúsculas, seguida de 231 exclamações, o que me recuso a escrever)". Ou "tudo isso é culpa do PT e do Lula (idem)". Se bem que nesse caso, nem dá pra discordar. A absolvição de Renan foi muito articulada (eu não disse "muito bem", disse "muito") pelo governo, especialmente o Merdadante, que joga no ventilador o último resquício de chance de ser eleito presidente, governador ou mesmo síndico do prédio. Muitos estranharam que ele, depois de tanta luta para convencer os colegas a absolver o Canalheiros, afirme ter votado em branco (o que, diga-se de passagem, é racismo). Ora, quê há de se estranhar nisso? Quem nunca colocou pilha fraca pra cima dos outros e depois se escondeu pra ver a mercadante que dava? Surpresa também 40 senadores "confessarem" que votaram pela cassação, enquanto apenas 35 votos foram realmente computados. Devem se confessar na mesma igreja que o Renan agradece as graças recebidas. Ou será que foi algum problema com a urna eletrônica? Bug no sistema de contagem de votos? Ná, de que importa? Ninguém ficou chateado. Nem ninguém questionou se a votação secreta ainda faz algum sentido. Mas porque afinal a O.P. (opinião pública) resolveu pegar no pé do Renan? Só porque, digamos, a Souza Cruz sustenta uma das suas famílias bastardas não quer dizer que você não possa por exemplo, votar a favor de uma lei que proíba o fumo. Tampouco quer dizer que você não possa ir à missa aos Domingos e ser um bom Católico. Ora, Renan é gente como a gente. É mais um relator-de-conselho-de-éticados-outros-mas-que-segue-a-sua-própria-ética-duvidosa, como todo o brasileiro faz. Reclama da vergonha do imposto e sonega, reclama da vergonha da violência e consome drogas, reclama da vergonha do caos urbano e avança sinal, suja as ruas, estaciona em qualquer lugar. Falando em imposto, além do pé do Renan, a OP resolveu pegar no pé da CPMF. Qualquer trabalhador paga por mês mais IPI e ICMS do que paga de CPMF por ano. Se bebe e fuma, pior ainda! É só pegar sua conta de luz, gás, telefone, verificar a carga tributária das suas compras no supermercado, nas suas bebidas e cigarros, e você vai ficar surpreso. Sem falar em IR de 27,5% ! Mas a CPMF é o imposto que mais incomoda, justamente por seus maiores benefícios: é transparente, direta, você sabe quando, quanto e porque está pagando. E o pior: afeta a todos sem exceção, o pobre e o rico. Querem

acabar com o imposto mais moderno, ao invés de acabarem com os mais caducos, caros, burocratas, injustos. Por que afinal a campanha contra CPMF é tão bem veiculada em jornais e revistas, com direito até a horário no Fantáartico? Com o absurdo da taxa adicional de IR (que também qualquer dia vira "provisória", já que é "adicional" há milênios) ninguém se preocupa em acabar, já que é patrioticamente sonegado pela elite do país. Mas esqueça os problemas e vamos falar de coisas boas: qual será nossa cara de surpresa quando Cacciola chegar ao Brasil já de habeas-corpus na mão? (Como assim, só porque fugiu da última vez não pode sair em liberdade provisória novamente?) PS: O quê? Você é contra impostos? Manda e-mail pro Garotinho, ele é contra os juros... Quem sabe vocês não criam uma comunidade no Orkut.

Mais Opinião Pública Qual será nossa próxima grande Vergonha Nacional: ( ( ( ( ( ) Uma colisão entre o Trem Bala Rio-SP com um avião da Webjet ) Tapetão com direito a CPI no Campeonato Brasileiro e Clube dos 13 ) Uma CPI sobre as últimas CPIs ) Cacciola senador e líder do conselho de ética ) Rubinho dando passagem ao campeão da temporada de F1

Tá, essa última é pegadinha...

Quinta-feira, 6 de Setembro de 2007

KING KONG

NA TERRA DOS

SIMPSONS

Dizem que quem não conhece o passado está condenado a cometer os mesmos erros repetidas vezes. Mais estranho é que, mesmo conhecendo bem o passado, existe gente com essa tendência masoquista de errar tudo de novo e outra vez. Eu mesmo, de tempos em tempos, cismo que posso fazer determinadas coisas que só me causam estresse e dor de cabeça, não necessariamente nessa ordem. E quem foge de cometer os mesmos erros, acaba por conhecer erros novos. O que, convenhamos, é o que faz a vida valer a pena. Todo mundo deve ter visto pelo menos uma das versões do filme King Kong (este, ou este, ou este). De como ele é retirado de sua vida de rei na sua pequena e remota ilha para ser atirado aos lobos e tubarões da grande e movimentada Nova Iorque. O que poucos sabem é que, na verdade, King Kong não foi capturado, por assim dizer. Conste para o bem da verdade que o gorilão-rei foi convencido a tentar carreira na Broadway, graças à lábia do capitão do navio e a sua ambição de ver o mundo e influenciar toda uma geração. O resto da história é uma catástrofe, seguida de uma tragédia. Após o hype e seus 15 minutos de fama, o macacão logo caiu no esquecimento - em parte graças à estréia de O Fantasma da Ópera. Num turbilhão de depressão, drogas e alcoolismo, Kong seqüestra sua ex-mulher enquanto é perseguido por metade da NYPD. Todos choram ao ver o simpático gorila de 10 metros de altura ser alvejado pelos modernos aviões da US Air Force, mas a parte mais triste pra mim ocorre pouco antes: o início da subida ao Empire States. Esse é o momento decisivo. Enquanto estava nas ruas, Kong podia ser imobilizado, acertado com tranqüilizantes, sei lá. Mas após o 15º andar, não tem mais volta. Ele sabe que vai morrer. Muitos se perguntam se ele fez isso para ver um último pôr do sol. Por que ele não decidiu simplesmente fazer as malas e voltar pra seu pequeno reino distante, fazer o milésimo gol e encerrar a carreira num time de várzea qualquer? O fato é que Kong sabia que estava condenado a cometer os mesmos erros. E a morte não é opcional. Lembrei do Big Ape em Big Apple porque lembrei de mim numa terra distante, perdido numa noite fria.

Era o primeiro dia de neve do inverno, acompanhado da minha primeira noite de neve na vida. Estava ansioso pra voltar ao apartamento - seria a segunda vez que cumpriria tal trajeto - mas a cidade era bem sinalizada, então não tinha erro. Saí do estacionamento, peguei a esquerda e segui até a rua principal. No sinal, entrei à direita. "Beleza, é só esperar passar a 18 mile e manter a esquerda, contornar na primeira que aparecer". Quando finalmente avistei uma placa, eu congelei. Coberta de neve, o nome da rua era impossível de enxergar. Todas as placas de trânsito estavam assim, digamos, em branco. Lutei muito até me considerar perdido. No primeiro posto de gasolina que avistei, parei e corri ao telefone. Ah, meu primeiro contato com uma noite a -11° C... Fui procurar o telefone do Paul para pedir ajuda. Mas era difícil tirar o papel do bolso com as luvas cobrindo os dedos e tremendo como uma máquina de lavar velha. Como as luvas de longe não eram apropriadas praquele frio, resolvi arrancá-las. Pronto, telefone na mão, seguiu-se a tarefa de discar os números. Lambia os dedos entre uma tecla e outra. Errei só duas vezes até finalmente acertar toda a sequência. Pontas dos dedos doloridas, é hora de colocar as moedas. "Minha nossa, se uma cair no chão coberto de neve eu não acho mais e não consigo ligar pra ninguém". Pensei pela segunda vez que talvez fosse morrer ali... Ensaiei uma posição mais digna para ser encontrado. A última moeda encaixa perfeitamente, o telefone chama, ele atende. "Paul, sou eu. Acho que tô perdido". Um instante doloroso de silêncio, ele responde: "Humm, já tô em casa, do outro lado da cidade... Faz o seguinte, tenta se informar por aí, se você continuar perdido me liga de novo". Pra quê mencionar que minhas moedas tinham acabado, ou que minhas unhas estavam roxas, ou que minha cabeça já doía (novidade...) de frio? Entrei na lojinha do posto. Até já tinha esquecido como era bom se sentir aquecido... O rapaz (com cara de paquistanês), com a ajuda de uma menina (com cara de americana) começa a me explicar. Dada minha expressão (com cara de "entendi xongas"), começam a desenhar um mapinha, perguntam se eu era mexicano - "Não, brasileiro" - me entregam o papel e desejam boa sorte. "Qualquer problema, volta aqui". Eu não sabia nem se conseguiria voltar. A noite cinza e branca avançava enquanto eu entrava no carro.

Eu ainda não sabia, mas a bonita ruela, típica dos subúrbios americanos, com suas caixas de correio e enfeites de Natal, iria aparecer logo em seguida e me guiar para o apartamento. Pensando bem, alguns erros a gente se arrepende é de não poder cometer mais vezes.

Quinta-feira, 30 de Agosto de 2007

HUMOR, EMPREGO, ÓCIO

E GÊMEOS MAUS

Falar de si mesmo nunca é fácil. Piora um pouco quando o você ao qual você se refere é na verdade um pseudônimo de seu alter-ego. Um personagem para o qual você dedica seu potencial e canaliza assim a energia que era desperdiçada no seu dia-a-dia como você mesmo (quem come quem??). Essa dedicação ocupa seu tempo, claro, e muitas vezes atrapalha sua identidade original. Assim, o que era pra ser um hobby acaba estressando mais do que deveria. E assim resolvi fazer terapia com uma profissional de verdade. Eu não soube definir se seria uma terapia ocupacional, grupal, coletiva, já que éramos dois os envolvidos (eu e eu mesmo). Quando eu soube que só eu mesmo já era 3: id, ego e superego; fiquei boquiaberto. Cacete, somos 6 sentados aqui nessa cadeira então, doutora? Comentei com minha terapeuta, ao reclamar do trabalho, que eu não me sinto realizado com isso. - O que te deixa realizado então? Com o que você gosta de trabalhar? - Eu não gosto de trabalhar. Acho que nasci pra outra coisa. Ela riu. Minha terapeuta riu de mim. Até hoje não sei se uso essa minha capacidade - de fazer as pessoas rirem de mim - de forma construtiva. - Tia Terapeuta, e se eu for na verdade meu gêmeo mau? - Nosso tempo acabou. Que tal terça às 10h? Resolvi pesquisar a fundo essa história de gêmeo mau pra poder explicar melhor. Segundo consta (na Wikipedia), o gêmeo mau (ou maligno) reflete a dicotomia entre o bem e o mal que existe dentro de nós. Seu gêmeo mau é a cópia exata de você, exceto por ser moralmente antagônico e possuir cavanhaque. Ou seja, ele é na verdade o que você gostaria de ser: uma pessoa livre dos tabus e regras sociais, disposto a fazer de tudo pra conseguir seus objetivos, e que ainda por cima tem menos trabalho pra fazer a barba. A origem do gêmeo mau está na própria origem do conceito bem x mal: a religião. Consta que o primeiro gêmeo mau foi Cain. Embora não fosse exatamente gêmeo de Abel, era mau o suficiente pra se encaixar na definição...

Vida de gêmeo mau é difícil, pois tudo que ele faz perturbar o gêmeo bom. E o destino do gêmeo mau é ser destruído, ou receber prisão perpétua. O final alternativo é quando o gêmeo mau tira o cavanhaque e faz com que o gêmeo bom seja morto em seu lugar. A moral é que no mundo da ficção não há lugar para gêmeos... Na literatura, Beowulf é considerado como abordagem do tema, pois apesar de o monstro não ter nenhuma aparência física com o herói, é na verdade a inversão das ações dele. Em Jornada nas Estrelas, outro exemplo intrigante, enquanto o gêmeo mau de Spock usava adequadamente o cavanhaque, o gêmeo mau de Kirk tinha a cara limpa... Vários exemplos de gêmeos maus: O Homem da Máscara de Ferro, High School Musical, Futurama, Os Simpsons (nos dois últimos, assim como em South Park, o personagem principal é que era no final das contas, o gêmeo mau). Até em jogos, como Metroid Prime e Zelda. A influência é tamanha que em Lost chegaram a dizer (numa cena deletada) que "só é novela quando o gêmeo mau aparece". Uma pista sobre futuras temporadas? Com o tempo, o conceito de gemeo-malignidade foi se expandindo, menos preso aos clichês. Surgiu a idéia de universo espelho, composto de gêmeos maus dos habitantes do universo original. Num episódio de South Park que aborda o tema, o gêmeo mau de Cartman (devidamente cavanhaquezado) era, na verdade, muito gentil. O Bizarro por exemplo, gêmeo mau do Super-homem, casou com uma gêmea má da Lois Lane e gerou todo um Mundo Bizarro, onde a chuva cai pra cima, as zebras caçam as leoas e o Governo paga imposto aos habitantes. A gêmea má da Lois Lane não tem cavanhaque. A bem da verdade, as gêmeas más não costumam se diferenciar no pelo facial, mas sim pela cor ou tamanho dos cabelos, ou mais recentemente, pelo sotaque. Truque oriundo das novelas de rádio, onde obviamente, as diferenças entre os gêmeos não são físicas, mas sim no timbre da voz. Ainda no caso do Super-Homem, ele tem um gêmeo mau - Bizarro - um alterego - Clark Kent. A diferença entre os dois últimos, bizarrices à parte, estaria em ter a mesma índole (alter-ego) ou a índole inversa (gêmeo mau) do personagem. Então não sou meu gêmeo mau. Sou só um simples alter-ego mesmo. Menos mal :) Confesso, tem sido cansativo administrar essa micro-empresa. Domínio, DNS, Blogger, Google Apps, Adsense... Mas nada disso se compara a outra opção: me dedicar ao meu emprego!

Brincadeiras à parte, meu emprego tem exigido muito de mim e me sinto frustrado em não conseguir responder à altura. Mais frustrado do que quando tenho que ouvir quieto as piadas do tipo "é isso aí, funcionário público tem muito tempo livre pra ficar escrevendo blog...". Palavras fortes, venenosas... doem bastante. Mas se uma geração de grandes escritores brasileiros surgiu dos servidores do Governo, então eu sou só a continuação dessa história. Afinal, quem foi que disse que Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade não eram servidores altamente dedicados? Na segunda-feira, observando a lua (que por sinal estava um cartão postal), eu pensei que talvez minha vocação fosse exatamente essa: não fazer nada e contemplar tudo. Talvez eu seja um Vinicius de Moraes, ou um Tom Jobim, ou um Pablo Neruda, só que sem nenhum talento. Se pra ser um grande poeta ou um grande brasileiro é necessário algum talento, então eu precisava de uma segunda opção. Talvez eu pudesse ser um monge budista. Consegui alguns livros, estudei bastante. Mas acho que não levo jeito. Eu não poderia mais fazer churrasco, andar a cavalo, fazer sexo, roubar, etc. E ainda ia querer rediscutir várias das regras milenares. Como é que é essa história da Flor de Lótus aí? Não gosto de reconhecer, já que admiro tanto o trabalho árduo, mas minha vontade mesmo é a de ser vagabundo. Pensando bem, talvez isso seja por si só um talento. Um ponto positivo foi ter nascido no Brasil. Nosso país é o único no mundo que garante o direito universal à vagabundagem. Em especial no Rio de Janeiro, terra da praia às segundas-feiras. Por exemplo, em que outro país você poderia colocar uma cadeira e ficar sentado na porta de um banco o dia inteiro, simplesmente observando o vai e vêm do gerente, funcionários e clientes? Enquanto você não sacar a arma e anunciar o assalto, ninguém pode te tirar dali. Muito calor dentro de casa? Pegue o colchão e durma na rua, na marquise de qualquer prédio. Ou fique só deitado ali, com sua cervejinha, observando o cair da tarde de domingo. Ou de terça. Mais uma vez, ninguém pode te obrigar a sair dali. E se a marquise cair, você ainda ganha uma boa indenização... Dizem que é proibido tomar banho no chafariz, mas eu nunca vi ninguém ser reprimido por isso... nem por lavar a roupa. Na dúvida, não passe xampú, pra caso tenha que sair correndo não ficar com o cabelo todo seboso. E a grande dica: mantenha uma caixinha no chão por perto porque sempre

tem uma velhinha distribuindo trocados para quem mantém viva a autêntica malandragem carioca... Serviço Mais sobre gêmeos maus na Wikipedia em inglês ou português. Onde comprar os livros, filmes, séries, quadrinhos e jogos citados: Vinicius, Jobim, Superman, Jornada nas Estrelas, South Park, Futurama, Os Simpsons, Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, Pablo Neruda.

Quinta-feira, 23 de Agosto de 2007

CAUSAS E CONSEQÜÊNCIAS
Continuando o papo sobre causas, vamos falar hoje sobre o movimento em defesa dos direitos humanos, da criança e do adolescente, dos animais, o movimento liberal e o movimento do software livre. É, estou tão animado quanto você. Fiz o dever de casa e fui buscar informações sobre estas instituições. O movimento dos direitos humanos, por exemplo, defende garantias mínimas de vida, saúde e acesso a mecanismos legais e governamentais a todas as pessoas do mundo. Geralmente ele entra em conflito com a galera do movimento liberal, que pede que o governo interfira menos no dia a dia da população, e deixe os mecanismos de mercado (trabalho, remuneração e lucro) regularem as engrenagens sociais. O que geralmente é mal visto pela população brasileira, já que o brasileiro médio acha que trabalho é castigo, dinheiro cai do céu, as empresas são o Diabo, e o governo é Deus na Terra para os homens de bem. Vinde a nós. Bem lembrado. Geralmente a defesa de uma causa se mistura com a Religião. O movimento pelos direitos dos animais, por exemplo, defende que tudo que se move e não faz fotossíntese têm quase os mesmos direitos que os seres humanos. Ainda não existe um movimento pelos direitos dos vegetais, ou dos minerais, ou dos fungos, ou do reino protista, ou monera. Mas imagino que algum direito eles tenham, pô! Afinal você gostaria de ser arrancado de seu habitat natural e enfeitado com mil luzes pra servir de adorno na ceia de Natal? Ou ficar preso a um vaso minúsculo inibindo seu crescimento e ser constantemente mutilado para o exercício de paciência de um japa? Ou ser afogado no seu próprio excremento até morrer intoxicado de álcool ou oxigênio? Todos os seres vivos estão sujeitos ao abate para alimentação ou vestimentas, ao uso para carga, e ainda, à exploração para simples adorno. Afinal de contas, existe realização maior para um cachorro descendente dos grandes lobos, ou um gato herdeiro legítimo dos tigres, do que andar pelo Rio Design no colo das madames? É ou não é a vida que eles pediram à Fauna? Inclusive, é mais ou menos esse o objetivo da OAB para com os advogados (e seus melhores clientes). Pra mim crueldade mesmo é eliminar a capacidade analítica e o caráter de um ser vivo. Transformá-los em zumbis passivos e consumistas. No momento que alguém convence uma pessoa inteligente que é engraçado ver um rapaz de dentadura falsa fazendo uma imitação barata de mais de 20 anos de antiguidade, ou uma mulher de peruca com voz estridente gritando histérica e desafinada, pode-se dizer que você roubou parte da essência dessa pessoa.

Mais ou menos aquilo que os índios temiam quando alegavam que a fotografia lhes roubaria a alma. Não é a toa que os blogs e sites diversos se multiplicam, na tentativa de resgatar um pouco da autenticidade que se perdeu com a comunicação em massa. Talvez a situação hoje seja parecida com um novo Renascentismo, onde ver as mesmas notícias, ler as mesmas coisas, ter os mesmos interesses que todo o mundo não faz mais o menor sentido. Estamos todos antenados, mas cada um na sua :) Saímos da Idade Média dos mega-portais e do jornalismo de viés político, dos infomerciais religiosos, das piadas enlatadas prontas pra aquecer no microondas, das pegadinhas e cassetadas orientais, e caímos de frente na multiplicação explosiva de pílulas de informação, próximas e afastadas da origem, ilhas de opinião, discussão e comentários, e especialmente, num vasto material humorístico espalhado pelos 4 cantos. Óbvio que a maioria absoluta desse material está abaixo da linha de consumo. Fora que temos mais spammers, todo dia alguém posta uma mensagenzinha ridícula no seu scrapbook, blogueiros travam batalhas e atropelam o bomsenso por um punhado de audiência... Mas o mecanismo de acesso democrático da Internet mostra sua força; da quantidade podemos tirar a qualidade, e por que não o dizer: tem gosto pra tudo! Mais que blogers e video-makers, muitos vêm se erguendo na defesa da inteligência do humor, e lutam para trazer de volta a dignidade para a Comédia. É o caso dos movimentos como o Comédia em Pé, o Sindicato da Comédia e o Clube da Comédia. Não se engane com a pouca criatividade na hora de batizar os grupos, esse pessoal tem muito a oferecer. Não se deixe levar pelas caras feias tampouco, pois esse pessoal seria engraçado mesmo se houvesse a remota possibilidade de serem bonitos. Você, amigo, faça sua parte, junte-se a nós, produzindo e consumindo o humor refinado, a comédia sagrada e sátira inteligente, que tanto fazia falta em nossa geração. Deixe de ficar assistindo a filmes ridículos com humor de banheiro. Esqueça os programas que apresentam semana atrás de semana as mesmas piadas sem graça. Tape os ouvidos para os bordões repetidos infinitamente na tentativa desesperada de fazer alguém rir. Ajude a preservar o humor inteligente da extinção para que as próximas gerações possam conhecê-lo. Comédia em Pé Apresentação do Henrique 'Ai cacete' da semana passada: http://br.youtube.com/watch?v=JKMnArzmq9g

Quinta-feira, 16 de Agosto de 2007

MANTENHA O

CÉU ESCURO

Vocês já devem ter percebido que há por aí uma grande campanha sendo montada, tendo como objetivo acabar com a Internet como conhecemos. Tal campanha é patrocinada especialmente por aqueles que não aprenderam ainda como lucrar e expandir seus monopólios para o cyber-território democrático que conseguimos defender até hoje. Esses dias Elton John afirmou que a Internet é prejudicial a ele, ou melhor, à Música, e sugeriu o fechamento da mesma por cinco anos. Mas não foi nada de mais, seu geriatra já receitou nova medicação. O que ninguém sabia, e eu revelo agora em primeira mão, é que foi detectado nos servidores da Cia que a declaração de Elton John pode (deve) ter relação com uma campanha da AGMC (Associação das Gravadoras Musicais Caducas) de utilizar artistas atuais (Elton John, Bob Dylan, Nat Cole, Bruce Springsteen, Michael Jackson) para minar a opinião pública sobre a Internet. O próximo alvo: a máquina de xerox. Afinal de contas, a humanidade era muito mais feliz quando não se podia saber o que acontece do outro lado do mundo em instantes. Quando não se tinha webcams para conversar com pessoas ou simplesmente ver as ruas de Times Square, ou o pôr-do-sol em Tóquio. Como era bom escrever uma carta e esperar 2 meses pela resposta daquele familiar em outro continente. Esperar chegar em casa para saber as notícias do dia. Ter que procurar jornal para saber a previsão do tempo. Quer infelicidade que sentimos, não só de saber, mas de "sentir" que a Terra é redonda, e ver fotos via satélite de Foz do Iguaçú, os vulcões do Chile e os cassinos de Las Vegas... Como é triste popularizar os blogs e a linguagem escrita. Unir pessoas que não se viam há tanto tempo. Compartilhar interesses. Assistir um vídeo do último congresso mundial de fãs de Star Wars. Não me surpreenderia se um grupo desses resolvesse lutar contra a Lei da Gravidade, tão maléfica e responsável por tantas quedas mundo afora (que adiantaria alguém tentar explicar que sem a gravidade seríamos arremessados ao Espaço)... Sinceramente, se essas pessoas querem abraçar uma causa, eu tenho várias sugestões. Passando rapidamente pelas mais simples, que tal defender a natureza, o meio-ambiente, o desenvolvimento sustentável, a ciência e cultura, as

crianças, combater o aquecimento global, a poluição sonora (sabiam que não existe uma ONG sequer dedicada a isso??) ou tantas outras iniciativas, maiores ou menores, mais globais ou mais locais, que seriam praticamente inviáveis se não fosse a comunicação rápida, barata e independente que a Internet oferece? Pretendo passar nas próximas semanas por algumas das iniciativas que me interessam em particular. Começamos hoje por uma bem singela. Quantas vezes neste ano que passa você se sentou para olhar o céu noturno? Mesmo quem tem a vida noturna agitada, gasta suas horas dentro de shoppings, carros, boates, restaurantes... nunca tem o céu como teto e objeto de contemplação. Lembro de, alguns meses atrás, ter acordado de madrugada e ido à cozinha beber água. Olhando para área de serviço vi um clarão azulado. Corri até a janela para ver o que era e, para minha surpresa, era "apenas" a Lua cheia de uma noite quente, jorrando luminosidade sobre os tetos e ruas da Tijuca. (Alguém assistiu ao Feitiço da Lua [Moonstruck, 87]? Pois bem, era aquela Lua do Cosmo, me despertando à noite). Acordei minha esposa pra ver também, ela ficou meio enjuriada no início mas entendeu perfeitamente quando deu de cara com aquela cascata azulada brotando do céu. O problema é que nas cidades, mesmo a maioria não tendo percebido, nosso céu noturno está desaparecendo. As estrelas, planetas, a própria Lua. Graças à "poluição luminosa" gerada pelos hábitos modernos e pela violência, as cidades cada vez mais avançam sua iluminação. Ruas, praças, praias, aeroportos. Por economia, grandes prédios são mantidos acesos por toda a noite, inclusive nos fins de semana. Inventaram até aqueles holofotes ridículos, apontados pras nuvens, que qualquer baile funk tem. Obviamente, um dia (ou uma noite!) vamos sentir falta de ver as estrelas. Elas nos inspiraram a todos, de poetas a cientistas. Foi olhando para o céu que surgiram as religiões. Graças à observação dos astros, a navegação foi possível. Olhando para fora da Terra, descobrimos que toda nossa beleza e complexidade é apenas um grão de areia no céu infinito. Nos tornamos melhores, com certeza, ao descobrir que não somos o centro do Universo -afinal, era muita responsabilidade (e que esperança teria o universo?). E é na esperança de conciliar o desenvolvimento urbano com a manutenção da beleza do céu escuro que surgiu a organização International Dark-Sky Association. Se você procura uma causa pra abraçar, ou simplesmente é um romântico apreciador das estrelas, não deixe de se manter informado. Keep watching the skies...

Comédia em Pé Apresentação do Henrique da semana passada, com legendas, disponível em: http://video.google.com/videoplay?docid=8850793527841613888

Quinta-feira, 9 de Agosto de 2007

OS

SEM MAIS

Esses dias no metrô, um estudante na faixa dos 16 anos, levantou para um senhor sentar. Antes que alguém pudesse elogiar ou aplaudir o gesto, seus colegas ensaiaram uma zoação, do tipo, "perdeu o lugar, mané". Ele prontamente se defendeu: - Levantei porque quis. Outro dia um senhor reclamou pra eu dar o lugar. Ele ficou reclamando e eu fiquei pensando "é, legal, fica aí em pé mermo, é...". O assento é preferencial, eu levanto se eu quiser. Rapaz, várias coisas vieram à cabeça ao mesmo tempo, demorei a separá-las: • um estudante de ginásio, saudável e dedicado exclusivamente aos estudos não consegue interpretar uma regra escrita simples, um adolescente sociável não acha que tem obrigação de respeitar e ser gentil com os demais, idosos ou não (e ainda acha normal que as regras não o obriguem a isso), um jovem racional, usuário de transporte público, acha que os assentos preferenciais são para ser cedidos somente se a pessoa optar por isso (e nos demais? o ocupante é terminantemente proibido de levantar seja para quem for??).

Imagina que tipo de cidadãos estamos formando. Se juízes e políticos já têm dificuldade em interpretar as leis, imagine o caos que uma distribuição gratuita da Constituição brasileira a todos os cidadãos pode causar, graças às mais esdrúxulas interpretações possíveis. Lembrei de uma reportagem com uma mulher que colava anúncios em orelhões e respondeu, quando interpelada pela repórter: - Ué, a rua não é pública? Posso colar o que eu quiser aqui... De onde está surgindo todo esse utilitarismo e esse individualismo? Quando foi que de repente nós tornamos, cada um de nós, as pessoas mais importantes do mundo? Se eu não conheço, não é importante. Se não serve pra mim, é inútil. Se posso usar, posso abusar e nem preciso agradecer! Será que sempre fomos assim? Dentro de nós, no cerne de nossos desejos, sempre quisemos ser o alvo de todas as atenções e favores, donos de todos os recursos ao nosso redor? Ou será que algo tem nos guiado nessa direção? Talvez livros com títulos como "Você é a pessoa mais importante do mundo",

ou programas de televisão onde quem passa todo mundo pra trás ganha o prêmio? Ou partidas esportivas com resultados manipulados em prol do mais forte? Fui ao shopping no intuito de investigar essas possibilidades. As capas de revista, os filmes em cartaz, os anúncios de liqüidação, as estampas de camisa, talvez os materiais dos sapatos e bolsas da moda, os novos sabores de sorvete -- algo tinha que servir de base para qualquer afirmação. E no pior dos casos eu procuraria a Constituição na livraria para colar alguns trechos legais. Mas passeando pela livraria tive uma boa surpresa em ver o novo As 100 melhores crônicas brasileiras. Comprei na hora e fui correndo pra casa, ansioso pra ler, e esqueci completamente do objetivo do post de hoje. Foi então que tive uma decepção: nenhuma das minhas crônicas havia sido selecionada ! Alguém poderia dizer que eu já devia esperar por isso, pois se esse fosse o caso eu haveria de ter sido contatado antes da publicação, a respeito dos direitos autorais. Mas, honestamente, tinha esperança que houvesse talvez uma homenagem secreta a minha pessoa ali pelas últimas páginas do livro... Estranho também que, dado o elevado número de crônicas (cem) e a baixa idade de nosso país (arredondemos para 500 anos), conclui-se que a cada cinco anos surge no Brasil uma obra melhor que qualquer crônica minha. É dureza ter que me conformar, mas faço isso aproveitando ótimos textos dos grandes nomes selecionados. Afinal, não há vergonha nenhuma em perder uma competição de crônicas para Machado de Assis, Rubem Braga, Veríssimo, Sabino ou Tutty Vasquez... Nesse clima de conformismo, lanço o projeto de uma nova compilação. Após Os cem melhores poemas brasileiros do século(Objetiva, 2001), Os cem melhores contos brasileiros do século(Objetiva, 2001), do Blog de Papel(Gênese, 2005), e As cem melhores crônicas brasileiras(Objetiva, 2007), estou selecionando candidatos para Os 100 melhores posts e e-mails brasileiros ! A primeira coisa a fazer é conseguir algum do Governo pra financiar o projeto. Afinal, a iniciativa privada de nosso país não faz nada sem antes garantir um incentivo qualquer. E de mais a mais, se a gravação de um DVD de remix-aovivo (!) de O melhor de Vanessa da Mata (sic) merece quase um milhão em incentivos fiscais, será que meu livrinho não ganha uma esmola? Na tentativa desesperada de atingir um público maior (como o adolescente e a moça dos primeiros parágrafos), vamos manter o livro sempre em bullets, com parágrafos pequenos, fontes grandes e ícones. O chamado formato Powerpoint, o único ainda aceito pêlo púbico, digo, pelo público jovem. Para conquistar o público norte-americano, cada texto deverá começar com o diálogo entre um suposto grupo de executivos e um monge de renome, num templo em algum lugar ermo, que soaria mais ou menos assim:

Monge: - Esse próximo e-mail ensinou muita gente a aceitar a vida e ser feliz com o que se tem. Executivo 1: - Ah, eu lembro que um amigo comentou sobre esse e-mail, e disse ter mudado sua vida Executivo 2: - É verdade, minha irmã leu esse e-mail e passou a ser mais feliz Executiva: - Que ótimo, vamos ler tal e-mail e ser felizes também. Por último, precisamos de exatamente cem posts/e-mails, para não comprometer o título. Afinal, quem compraria um livro cujo título não reflete seu conteúdo? Provavelmente daria em processo do Procon, ou Inmetro. E não adianta mudar o título, pois qual o apelo de venda de um título com números quebrados, tipo Os 73 melhores ? Pior ainda os números ímpares, primos... vai ter gente queimando um livro desses! Finalmente, quem compraria um livro com os 50 melhores, se do lado há um com os 100 melhores e pelo mesmo preço? Infelizmente, apesar da blogosfera brazuca ter ganho muito em maturidade e personalidade ultimamente, a maioria dos blogs brasileiros (inclusive alguns dos grandes) ainda se resumem a clipping de notícias. Nenhum post deste tipo entrará nesta lista de 100 melhores, mas do resto vale tudo. O fato é que essa pode ser uma grande oportunidade para muitos. Bom, vamos aos candidatos: 1° - aquele e-mail sobre o cara assaltado e estuprado por duas mulheres maravilhosas nos últimos 4 dias da semana, perguntando se alguém sabe por onde elas andam. 2° - e-mail que cita a pessoa que, após uma noite de bebedeira, acorda numa banheira de gelo com um bilhete avisando que teve seu órgão retirado por uma quadrilha internacional de venda de ânus zerados. 3° - Wellington Grey . net - post: A Tabela Periódica da Internet (Periodic Table Of the Internet). (como assim não pode participar porque não é brasileiro?) 4° - Dahmer / Malvados - post: Grande Mapa Dahmer da Blogosfera Brasileira 5° - bic azul / Absurdos & Abstratos - post: O Atraso 6° - Kemp / Lactobacilo Morto - post: (diversos sem título) 7° - biz azul / Absurdos & Abstratos - post(s): No Metro I e II 8° - Ricky / blog0news - post: Semântica 9° - Dahmer / Malvados - post: ano 3 número 597 10° - Alexandre Inagaki / paralelos - post: Literatura na rede: a transição dos

bytes para as bibliotecas 11° - Dahmer / Malvados - post: ano 2 número 493 12° - Alexandre Inagaki / pensar enlouquece, pense nisso - post: Bons Amigos 13° - e-mail com aquele Powerpoint das fotos do século (aquele do fogo com rosto de gente é maneiríssimo!) 14° ao 82° - (vagas dedicadas ao júri popular) 83° - Mamendex - post: O poder do pensamento positivo 84° - Mamendex - post: Faz um barulho aí 85° - Mamendex - post: Retrospectiva 2006 86° - Mamendex - post: Ligaram o foda-se 87° - Mamendex - post: Haja paciência! 88° - Mamendex - post: Hay que endurecer 89° - Mamendex - post: Você chama isso de m.?!?! 90° - Mamendex - post: E a gripe veio do espaço 91° - Mamendex - post: Responsum Quae Sera Tamen 92° - Mamendex - post: Tolerância ampla, geral e irrestrita 93° - Mamendex - post: O contador de ilusões 94° - Mamendex - post: A Teoria do Humor 95° - Mamendex - post: Paradoxalmente correto 96° - Mamendex - post: Vote, talvez 97° - Mamendex - post: A nova guerra dos sexos 98° - Mamendex - post: Ordem, Progresso y otras cositas más 99° - Mamendex - post: Um grande pequeno golpe 100° - Mamendex - post: Tem 1 real ? Mandem seus candidatos. Vale votar em si mesmo. Daqui a um mês ou dois posts (o que vier por último!) eu publico a lista dos vencedores. Desde já aceitamos reservas também para os interessados em comprar o fabuloso Os 100 melhores posts e e-mails brasileiros*.

* Pagamento adiantado e frete por conta do comprador. Para valores de frete entrar em contato. A reserva não garante o recebimento do produto. Entregas para o exterior sujeitas à tributação exclusiva.

Ah, e se você ficou interessado no As Cem Melhores Crônicas Brasileiras (Joaquim Ferreira dos Santos, Objetiva), basta procurar nas melhores livrarias, virtuais ou de tijolo. Ou aguardar até que alguém resolva anunciar por aqui...

Sexta-feira, 3 de Agosto de 2007 [INCLUIR]

O

PODER DO PENSAMENTO POSITIVO

Nesse momento em que passo por um período melancólico, como disse anteriormente, observo do alto a crise aérea que nosso país vem enfrentando e lembro com saudade da época que a pista de Congonhas era duas vezes maior, em São Paulo quase não chovia, e nenhum vôo atrasava. Lembro também da época que só Galvão Bueno e o povo brasileiro -- mas não os políticos -- eram especialistas em qualquer assunto imaginável. Falando em políticos, havia alguns com boa oratória, personalidade e sangue quente, que dava até gosto ouvir, mesmo que discordasse de sua opinião. Estes, ao contrário de pai-adolescente, sumiram após assumir. A única coisa que não mudou nestas últimas décadas, é FHC dando pitacos de algum lugar longe do Brasil. Habituado que sou a freqüentar a nata brasileira, e de participar de memoráveis saraus com as melhores personalidades e maiores intelectos de nossa nação, olho ao redor e me vejo sozinho. Será que foram todos embora? Ou finalmente me tornei o maior intelecto vivo em terra brasillis? Na falta de coisa melhor, venho passando o tempo lendo os comentários nos sites de notícia. É interessante tentar enxergar o ponto de vista de determinadas pessoas. O primeiro ponto que chama a atenção está na editoria de Ciência. Toda vez que um estudo é divulgado, por exemplo, Sonda descobre sinais de vapor de água em lua de Saturno, os comentários se resumem a sugerir que o dinheiro gasto nestas pesquisas seja usado pra acabar com a fome no mundo, ou o quanto é ridículo procurar sinais de vida se a Bíblia diz claramente(!) que só existe vida na Terra. Imagino que essas pessoas são contra vacinas e microondas também, ou pensam que esse tipo de coisa dá em árvore, sei lá. Olhando uma notícia na editoria correlata, Astrologia e Celebridades, vejo que Astrólogos prevêem que Sol em Áries favorece nova ida de Paris Hilton à prisão. Ora, alguém por favor sugira o que fazer então com o tempo e dinheiro do pessoal envolvido nesta notícia. Na editoria de Livros de Auto-Ajuda Coletiva da Moda, vejo uma matéria de 15 páginas sobre o livro O Segredo [REFERENCIA], uma entrevista de 22 páginas com a autora do mesmo, e o link pra matérias de revista sobre Os Segredos de O Segredo. Lendo os dois primeiros parágrafos de um destes links descubro que o livro faz parte do Clube de Oprah e revela "dentre outras coisas" como o pensamento positivo pode atrair coisas positivas para sua vida. Mentalizei desejando não perder tempo nem gastar 30 reais num livro vazio e

sem sentido, e meu desejo se realizou na hora! Lembrei da minha crítica a 'Damn' Brown, o autor de O Código da Vinci [REFERENCIA], quando ele diz no prefácio que muitos dos rituais secretos que ele descreve são verídicos. Ora, se um ritual secreto é de conhecimento público, ele não deveria deixar de ser secreto? E qual o sentido de manter um ritual secreto, uma vez que ele não é mais segredo pra ninguém? Estendo a pergunta à autora deste novo livro: compartilhar um segredo com 15 milhões de pessoas não o faz, no mínimo, menos secreto? "Venha ler o Segredo que todo mundo já sabe!". "Leia o livro antes que mude de nome". Imperdível. O prezado leitor deve se perguntar porque eu critico tanto esta categoria de livros, Auto-Ajuda Coletiva, e aquela editoria de notícias, Astrologia das Celebridades. Antes de tudo, são duas implicâncias completamente diferentes. No primeiro caso, critico aqueles que procuram respostas, sem nem saber a pergunta. Essas pessoas que começam o filme perguntando: "ele morre no final?". Para estas pessoas, sugiro pensar a respeito do porquê se saber o sentido da vida antes do fim dela. Após descobrir o sentido da vida, faria sentido continuar vivo? Recomendo o ótimo Guia do Mochileiro das Galáxias [REFERENCIA] para refletir a respeito do quão prejudicial pode ser saber a resposta antes de descobrir a pergunta. No segundo caso, lamento pelas pessoas que se interessam mais em saber sobre os outros antes de saber sobre si mesmo. Todos nós precisamos compartilhar cultura, notícias, comportamento entre membros da família, sociedade e cada vez mais, toda a comunidade global. É saudável ter heróis e crenças. O que um escritor é, por exemplo, senão os livros que lê? Mas nunca se engane, você é bombardeado o tempo todo para tirar o foco de sua vida e colocá-lo na vida dos outros. Afinal de contas, cuidar de sua própria vida não dá dinheiro pra quem vive de coluna de fofocas... Como por exemplo uma empresa convence alguém a comprar seus produtos? Exaltando suas qualidades? Ha! Não, não. É preciso alguém famoso pra criar o "canal" de comunicação com o consumidor final, o cidadão comum, ou, como o Bonner diz, o Homer Simpson, que assinará o cheque. E ter alguém famoso anunciando seus produtos custa caro, portanto é necessário fazer alguém ficar famoso, de forma prática e indolor, pra poder ser utilizado para aquela campanha publicitária (e descartado em seguida). Agora você entende como o poder do pensamento positivo (PPP para os íntimos) pode influenciar a vida de muitos? Por exemplo, você deseja ser famosa pra ser igual aquela menina-que-esqueci-o-nome que vai casar com o ex-BBB. Você deseja e bang! consegue ingresso praquela festa. Uma mini-saia e duas doses de uísque depois e bang! você aparece na revista do lado daquele ator de Malhação. Uma reportagem insinuando algo e bang! você é a nova possível ex-namorada dele, que está com o coração em pedaços. Uma

ponta na televisão, uma nova festa e quem sabe, bang!, você não está anunciando o DDD mais barato do Brasil? Mais PPP e mais bang e você é capa de revista (de fofoca), convidada em programa (de fofoca), o céu é o limite! Vai até escrever livro de Auto-Ajuda Coletiva, quem sabe...

É o Pan aí ó! Se contar ninguém acredita, mas não é que o Pan do Rio foi um sucesso? A cerimônia de abertura foi um espetáculo, os locais de competição estavam bonitos, o trânsito tranqüilo, o Brasil trouxe ouro pra casa (quer dizer, manteve o ouro em casa)... Nem a inveja da tucanada conseguiu atrapalhar o evento. A classe média carioca se vestiu de branco (sua roupa típica de protesto) e após tomar chopp no calçadão, pegou o ingresso de 250 reais e vaiou o presidente da República, mostrando até onde vai sua capacidade políticoreacionária. O que ninguém soube explicar é: quem aplaudiu o Caesar Maia?? As fitas de segurança do estádio não deixam claro, pesquisadores atribuem o feito ao Fantasma do Maracanã, famoso na época do maqueiro Sombra. Mas voltando a falar de esporte, os destaques da competição foram muitos: o Tiago do Judô - que tem pressa de ganhar, o Thiago da Natação - pra quem qualquer estilo é nado livre, a Fabiana do salto com vara - que mais um pouco bate recorde, e o Bernardinho do vôlei - o careca estourado, que cortou o titular e convocou o filho. O técnico perdeu finalmente sua blindagem (sem perder o apoio da TV), mas por uma boa causa: levantar o cachê da família... Mais uma sacanagem do Pan das Surubas.

Quinta-feira, 31 de Maio de 2007 [INCLUIR]

FAZ

UM BARULHO AÍ

O tempo passou e atendendo a pedidos a coluna está de volta ! Fui orientado pelo meu gurú espiritual a afastar-me das tarefas "blogais" por conta de um furacão que se formava no sudoeste do meu mapa astral, perto da região que ele apelidou de "Triângulo das Bermudas", em homenagem a uma antiga confecção de moda surfe. Nessa tal região do mapa havia um desequilíbrio no continuum espaço-tempo, causado em parte pelo desaparecimento de Plutão, que fazia com que toda energia que ali passava se convertesse em matéria. Você pode imaginar o problema que é passar matéria por onde só deve passar energia? Dói muito! Mandei meu mapa para o Stephen Hawking, pouco antes de ele ir pro vôo de gravidade zero. Ele me retornou agradecendo pela contribuição à Física com esse fenômeno inverso aos Buracos Negros (ou afro-descendentes), chamado temporariamente e de forma não-criativa e sem alguma graça, de "Calombo Branco (ou euro-descendente)". Pois bem, graças ao Calombo Branco minha vida chegou a uma encruzilhada. Logo em seguida, a encruzilhada tornou-se um abismo. Foi quando o chão começou a ceder, e tudo começou a girar em direção ao fundo, como a descarga de uma privada. Ainda estou passando pelos encanamentos em direção a sabe-se lá onde, mas cheguei num ponto em que já consigo encostar e apreciar a viagem... Mas chega de fatos e vamos às metáforas. Ano novo, vida nova. Quando finalmente consegui o apartamento que tanto queria, perdi o emprego (que não queria muito mesmo). Foi nesse momento que fiquei sabendo que ia ser pai. Quanta felicidade eu senti. Embora também tenha me sentido um pouco ansioso, um pouco tenso, um pouco confuso, feliz novamente, alegre e ansioso mais um pouco, tive medo duas ou três vezes, e finalmente fiquei ansioso, tenso, feliz e medroso. Foi quando entrei em pânico. Depois me acalmei, e fiquei feliz novamente. E tenso e ansioso. Fui correndo avisar a meus amigos. Descobri que muitos haviam subitamente se mudado. Resolvi pegar um filme na locadora, pra relaxar. A locadora havia mudado. Achei que fosse pirar. Ou quase. Quanta melancolia, quanto apego ao passado. Acho que tenho vivido de forma leviana, contrária a minhas crenças. Ou não. Precisava pensar em como controlar meus pensamentos. Tive medo de perder o controle. Mas então meu filho nasceu. E tudo ficou bem. Ou quase.

Já não me reconheço mais. Não sei mais quem eu sou. Não tenho mais nada ver com o que eu era 3 meses atrás; por não achar esse vínculo, não consigo me situar. Um paulista me falou no Ceará, com um inacreditável sotaque interiorano (pra quem estava longe de casa há 20 anos): "árvore que perde a raiz, seca e morre". Precisava portanto me reencontrar comigo mesmo, com meus vários eus anteriores, colocar todo mundo numa sala pra conversar abertamente, restabelecer os vínculos, colocar o papo em dia, etc, para então poder continuar com meu presente. Mas perder minha casa foi algo difícil de lidar. Sempre fui muito caseiro, sempre gostei muito de ficar em casa, apesar de qualquer problema ou reclamação que tivesse. Ao me mudar, não consegui fazer a transferência, me perdi por não ter mais um lugar para me sentir em paz, calmo. Contei na manhã de quinta-feira, 8 horas. Eu não consegui passar de 45 segundos sem que uma sinaleta de garagem tocasse. Cada sinaleta toca por entre 30 e 60 segundos. Fazendo uma aproximação esdrúxula, podemos dizer que das 7:30 às 9:30, as sinaletas tocam 50% do tempo, ou seja, o silêncio é quase uma exceção. Sem contar o barulho do trânsito. Sem contar o barulho da academia e da casa de festas. Sem contar o barulho do restaurante argentino. Este é tão argentino que quando fecha ainda programa o alarme pra despertar 3 vezes por madrugada... A vontade que tive na primeira noite que passei no novo apartamento foi ligar urgentemente pra imobiliária e o antigo proprietário e desfazer o negócio. A primeira semana foi um sofrimento inacabável. Não conseguia ficar parado em nenhum cômodo, passei noites em claro, evitava estar em casa, pegava o carro só pra sair dali. Sempre tive medo de morar num lugar barulhento. Preciso agora aprender a conviver com isso. Sempre tive raiva quando via alguém jogar lixo no chão, preciso aprender a conviver com isso também. Motoristas avançando sinal, motos buzinando, cachorros sujando a rua... nada disso vai acabar. Nunca. Eu lembro de uns anúncios de empresas de segurança e armamento que vi nos EUA, algo tipo "as guerras não estão indo a lugar nenhum e portanto nós também não". Acho que a idéia é mais ou menos essa. As pessoas irritantes deste mundo não estão com os dias contados. A violência não está prestes a acabar. Nem a injustiça. Nem a corrupção no Brasil. O Mundo não vai ser um dia, um lugar perfeito, sem medos, sem raivas, utópico. E eu, nos meus 30 anos, já devia ter aprendido isso. Vivendo e aprendendo.

Eta nóis! O Brasil não descobriu o Etanol, mas dominou o assunto, agora o mundo descobre o etanol brasileiro. Contudo, muitas dúvidas surgem ao longo desse caminho. Como evitar que o plantio de cana acabe com a Amazônia? Muito fácil, a própria incompetência brasileira. Afinal, nós mal conseguimos escoar a produção do litoral, que dirá a produção no meio da selva. A não ser que alguém nos venda um "canaoduto". Como acabar com o trabalho escravo nas lavouras? Com mais empresas plantando, com a melhora das vendas, a tendência é uma maior concorrência pela mão de obra. Alguns sugerem a substituição dos bóiafrias pelo trabalho forçado dos detentos, especialmente os presos por corrupção. Há quem sugira ainda que qualquer político que renuncie deva terminar seu mandato cortando cana. Como evitar que o Brasil seja ameaçado por conta do "novo petróleo"? É fácil, olhe nossa imensidão territorial e nossa população. Basta ninguém oferecer melhor futebol, melhor bebida e melhores mulheres. Pensando bem, um consórcio entre Itália, Escócia e Suécia poderia desestabilizar nossa nação!!

Terça-feira, 3 de Outubro de 2006

RETROSPECTIVA 2006
Confirmando o pioneirismo desta coluna, e aproveitando que é pouco provável que um novo número seja publicado até o fim do ano, estamos publicando hoje o especial Retrospectiva 2006. Dois mil e seis. Ano de Aquário. Ano do Cachorro. Ano Internacional da Desertificação. Como ficará conhecido esse ano no rol da História dos Anos da Humanidade? Quem se destacou, quem desapareceu? Quem ganhou, quem perdeu? Enfim, chega de lenga-lenga e vamos para os fatos: Janeiro - A NASA lança uma sonda a Plutão, planeta que mais tarde seria alvo dos paparazzi de plutão. Digo, plantão. Erro Morales, digo Erva Morales, assume o governo boliviano. O Rio de Janeiro fica debaixo de um dos maiores temporais que se tem registro. Aliás, também não há registros desse, foram todos levados pela enxurrada. No Oriente-Médio, Olmert é novo primeiroministro de Israel, após derrame de Sharon. Vários muçulmanos protestam. Fevereiro - Stones no Brasil. Quer dizer, no Rio. Milhões de pessoas na praia assistem ao show pelos telões instalados para a galera não-vip-vip-vip. No Oriente-Médio, vários muçulmanos protestam. U2 no Brasil. Quer dizer, em São Paulo. Milhões de pessoas na fila tentam comprar os poucos ingressos disponibilizados aos não-vip-vip-vip. Nadam, nadam e morrem na praia. A Apple vende a bilionésima música pelo iTunes. No Oriente-Médio, vários protestam. Março - Slobodan Milosevic morre misteriosamente de ataque cardíaco em sua cela, possívelmente devido ao enorme esforço de amarrar suas mãos nas costas. O ETA anuncia o fim da luta armada e o início da luta política, deixando a população espanhola ainda mais aterrorisada. A Rádio Cidade do Rio acaba e no seu lugar entra mais um produto medíocre campeão de reclamações da francesa Telemer. Após anos de dedicação e esforço, o Brasil finalmente vai pro espaço! O acontecimento, inocente à primeira vista, vai acarretar sérias transformações no sistema solar... No Oriente-Médio, vários protestam. Abril - O presidente do Irã confirma ter um punhado de Urânio enriquecido em suas mãos e bolsos. A Itália se livra de Berlusconi. Antonio Garotinho começa greve de fome, que não iria durar muito... No Oriente-Médio, vários protestam. Maio - Em pleno dia mundial do trabalho, o presidente boliviano Erva Morales se dá ao trabalho de nacionalizar o gás boliviano e tomar as instalações petrogasíferas do país. O Brasil protesta, a Argentina comemora e aproveita a situação pra zoar da cara do Brasil. Mais tarde no ano, o presidente boliviano iria entregar parte das reservas evo-moralenses à estatal hugo-chaviana. Nas paradas, Marcollah e o Primeiro Comando agitam São Paulo. Na guerra entre

gangues, trocentos mortos na gangue do PCC, outrocentos na gangue da PM, e muitocentos na gangue do PF - Povo Fudido. No Oriente-Médio, vários protestam. Junho - A Copa do Mundo da Alemanha começa e tudo o mais pára. Comerciais de material esportivo tomam o noticiário. O time da casa supera as expectativas e chega a final, perdendo porém para o futebol tosco-italiano. Brasil e Argentina dão finalmente as mãos e saem como o mico da copa. O Escândalo do Meião, como ficou conhecida a falha do sistema defensivo brasileiro, custou o emprego do técnico Parrêra e as medalhas dos figurões da seleção verde-amarelona. Zidane é o nome da Copa e se aposenta sem o título mas como o resposável pelo melhor lance da competição: a linda cabeçada no cabeça-de-bagre italiano Matarazzo. Em Brasília, um dia de fúria: um grupo do MSLT (Movimento do Software Livre na Terra) invade a Câmara e faz o que todo brasileiro quer fazer há muito tempo! (Ah, uma dessas por ano... e quem sabe os políticos não entram nos eixos?) No Oriente-Médio, vários protestam. Julho - Adolescentes morrem em acidente de carro e o presidente do Detran cria a lei que proíbe a capotagem de carros. Começam as eleições no México, que não iriam terminar tão cedo... Dunga e os Seis Anões assumem a seleção Canastrinha. Em Cuba, Fidel entra de licença médica. Israel invade o Líbano após ser atingida por mísseis lançados pelo grupo terrorista e banda de axémusic Rezbolla. Vários muçulmanos protestam. Agosto - Mais uma nova denúncia de mais um novo escândalo surge novamente outra vez, envolvendo governo, oposição, deputados, senadores, assessores, gabinetes, candidatos, direita, esquerda, centro, centro-esquerda e zaga-central. Eu não entendi bem os detalhes, mas no ano que vem ninguém vai lembrar mesmo... Plutão é rebaixado a planeta-anão. Anões e astrólogos protestam. Setembro - O Papa Benedito XVI lê, durante um discurso, texto medieval atribuído a Bizantino, que diz que "os seguidores de Maomé são intolerantes e violentos". Em resposta, vários muçulmanos vão às ruas, protestar, queimar bandeiras e assassinar freiras somali de 65 anos. A Al-Qaeda diz que o mundo cristão irá tombar e que a jihad vai continuar até que todos sejam mortos ou convertidos ao islã, e exigem que o Papa "cruzado adorador da cruz" peça desculpas. O Papa pede desculpas. Os muçulmanos então, protestam, queimam bandeiras e exigem mais desculpas. Um mini-golpe-relâmpago ocorre na Tailândia e o reflexo atinge as bolsas ao redor do mundo. O vôo Gol 1907 cai nas proximidades da base militar da Serra do Cachimbo após colidir em pleno ar com jato Legacy americano, que aterrissa quase intacto. O FBI designa Fox Mulder para o caso. Outubro - As eleições correm como sempre, alguns presidentes de seção são presos por atraso ou embriaguez como sempre, reportagens sobre a entrega de urnas eletrônicas para as comunidades ribeirinhas do Amazonas vão ao ar como sempre e a apuração ocorre em novo recorde, como sempre. Políticos corruptos de sempre são eleitos. Como sempre. Geraldo Chuchú desiste da candidatura, anuncia greve de fome e aceita apoio de Antonio Garotinho.

Alguns muçulmanos protestam contra a publicação da retrospectiva 2006 em pleno Outubro. Novembro - Como a retrospectiva já foi ao ar, a partir daqui é tudo previsão desta coluna. O povo interrompe o churrasco e volta às urnas para decidir quem afinal vai comandar as falcatruas nos próximos 4 anos, renováveis por mais 4. No Oriente-Médio, vários protestam. Dezembro - O Natal bate recorde de vendas, bem como o número de cheques sem fundos. A economia parece que vai reaquecer agora que o presidente foi escolhido. A previsão do crescimento do PIB para 2007 é de 3,1415%. Matemáticos apresentam a equação do fenômeno: πB, que aliás, tende a zero. No Oriente-Médio, vários protestam. O que esperar de 2007: - Mais atentados no Iraque, - Mais atentados no Afeganistão, - Mais terremotos na Oceania, - Mais um presidente sem maioria no Congresso, - Mais denúncias e escândalos no Brasil, - Mais uma gravidez de Britney Spears, - Algumas colunas novas no Mamendex... - E no Oriente-Médio, mais protestos. Queremos aproveitar o momento para sermos os primeiros a desejar a todos: Um feliz Natal e próspero 2007 !

Sexta-feira, 8 de Setembro de 2006 [INCLUIR]

LIGARAM

O F...-SE

Nas últimas semanas recebi milhares de e-mails, ligações e até -- acreditem -cartas, daquelas enviadas via Correios. Muitos queriam saber por onde andava, o que estava acontecendo. Mas a maioria só queria mesmo dinheiro emprestado, ou me emprestar dinheiro a juros módicos! Respondendo a dúvida do primeiro grupo, tive que me ausentar em prol de um projeto muito importante, que exigiu toda minha dedicação e talento. Infelizmente à conclusão dos fatos, saio sem glórias, com a viola no saco, a experiência adquirida, as histórias pra contar, e uma pequena fortuna em material de escritório roubado. Fui encarregado este ano da defesa do (ex-)planeta Plutão. Fui líder de uma equipe que reunia várias pessoas e muitos advogados. Fizemos um bom trabalho, contamos boas piadas, criamos um excelente material; porém, venceu o lado mais forte, que contava com a mídia -- que há muito queria alguma novidade na seção de Astronomia e Astrologia (sim, são uma editoria só) -- e o poder econômico -- que leva assim os processos de downsizing e reengenharia, tão fora de moda no nosso século, para novas fronteiras, onde o homem jamais esteve. Embora estivesse confiante na vitória, não posso dizer que foi uma perda total. A companheira de Plutão, Caronte, foi reconhecida como legítima e agora tem direito ao plano de saúde. Meu cliente já foi sondado para ter sua história narrada em vários filmes e livros, participar de vários programas de auditório e dar palestras a empresários milionários. Só que a falta de visão de quem sobe os degraus da escada gerencial do mundo corporativo é tão inexorável quanto a gravitação universal. Às vezes eu imagino que uma nebulosa vai se tornando mais densa no trajeto à gerência. Assim, após a representação deste grande caso, fui transferido para o setor de contabilidade de caixa 2 para candidatos a deputado federal, conhecido como a carne de pescoço das atuariais. Assim, estou num imenso dilema ético, face a um abismo profissional: comunico à alta gerência da corporação a minha discordância quanto a alocação, enquanto procuro por novas encheções-de-saco e problemas (quer dizer, novas oportunidades e desafios); ou, se procuro por novas encheçõesde-saco e problemas enquanto comunico à alta gerência da corporação a minha discordância quanto a alocação. Jerry (como foi batizado o rato aqui do escritório) tem me aconselhado muito. Ele acredita que a ética profissional não é uma coisa universal. Um dos autores do clássico Quem Mexeu no Meu Queijo, ele afirma que cada civilização tem suas próprias crenças e axiomas, geralmente derrubados pela

geração seguinte. Por exemplo, um escravo da construção das pirâmides acharia engraçado se alguém insinuasse que um dia seria obrigatório por lei, pausa para almoço, banheiro, água e café no ambiente de trabalho. Da mesma forma que eu acharia engraçado se o técnico virasse para o pontaesquerda instantes antes do apito inicial e dissesse que, após profunda meditação tântrica, acha melhor ele jogar no gol. Indignações à parte, Jerry insiste que, num processo relacional como o emprego, face aos limites da dialética entre o trabalho e a gerência (isto é, entre o esforço e o esporro), vale a regra de ouro: os incomodados que se mudem. Era o empurrão que eu precisava. Fiquei sabendo de uma vaga e enviei meu currículo para o grande amigo Caixa D'Ágüa, conhecido como "Caxágua". Grande homem, grande brasileiro. Me faltam adjetivos. Ele veio a falecer no dia seguinte, pouco antes de anunciarem a contratação do Dunga, que já botou 4 dos 6 anões pra dentro (no mau sentido), quebrando outra regra de ouro: funcionário indica 1, gerente indica 2 e diretor indica 3 no máximo. Confesso que a notícia me deixou muito triste (a do Dunga, não a do Caxágua). Estava animado com a possibilidade de ser mais um técnico de seleção brasileira que não sabe nada de futebol. Foi então que surgiu, no meio da minha pilha de correspondência não lida (leitores, um dia eu ponho em dia!) uma carta em japonês com a firma de uma empresa muito conhecida. Não precisei de tradução para reconhecer o gordo cheque e a passagem de ida e volta para Tóquio, anexados à carta. Mas também não é essa a oportunidade que eu procuro... Mil perdões, meu amigo Kutaragi, mas porta-voz do projeto Playstation 3 ©, a essas alturas?!?! Meu japonês não dá pro gasto. Mas até o PS4 eu chego lá! Outras possibilidades apareceram, seja por carta, e-mail ou nos Classificados. Mas todas caíam num outro problema clássico: eu teria muito a contribuir. Não se enganem, leitores, nunca aceitem um desafio ao qual você tem muito a agregar. Lembre do caso daquele funcionário que foi demitido logo após a contratação na fábrica de automóveis que inventou o limpador de pára-brisas, por insistir que estes deveriam ser posicionados do lado de fora. Terceira regra de ouro do dia: em terra de cego, quem tem um olho tá errado (ou vale metade, como interpreta minha ex-tia). O desespero bateu. Confesso que já vejo os balanços desbalanceados e as duplicatas duplicadas se acumulando na minha mesa, aguardando o carimbo, a rubrica, a xerox autenticada das 5 vias... Não, não vou desistir! O importante é que consegui priorizar minhas pendências e abastecer meus 4 leitores com notícias do front. Rumo agora para os Estados Unidos, negociar a creche da filha de Tom Cruise e Katie Holmes. O lance inicial é US$10 mil...

Até a coluna que vem, com a Retrospectiva 2006!

Eleições 2006 - participe... mas não seja cúmplice! Face a vários e-mails que circulam, vale esclarecer que de acordo com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello, não existe (infelizmente) qualquer possibilidade de uma eleição ser anulada pelo número excessivo de votos brancos ou nulos que, para fins eleitorais, são iguais e medidos apenas para estatística. Assim, uma eleição só seria anulada se todos os votos fossem brancos ou nulos (ou seja, se nem os próprios candidatos votassem neles mesmos). Não vou colocar o link aqui, mas existe um bom site no Terra a respeito deste assunto. Contribuindo ainda mais para a grade festa da Democracia brasileira, está disponível abaixo um simulador de urna eletrônica, para que você não tenha dúvidas na cabine e possa ir mais cedo à praia: Para Deputado Federal voto para: 9901 - Um estuprador trabalhista 9902 - Um estuprador democrata-cristão 9903 - Um estuprador social-democrata 9904 - Um estuprador ecologista Branco-Todos os anteriores Digite o número do seu candidato e puxe a cordinha para enviar seu voto!

Sexta-feira, 12 de Maio de 2006 [INCLUIR]

HAJA PACIÊNCIA!
Chego em casa, pego a correspondência e puxo assunto com o porteiro: - E aí, Zé, terminaram de demolir o prédio? - Como assim? - Acordei hoje 8 e meia e o prédio parecia estar sendo demolido comigo dentro. Corri logo pro corredor. - É, tá em obra a coluna 1, no sexto e no quinto. - É, mais uma. Essas obras não acabam nunca? - Ah, tá acabando já... Pego o elevador, que esqueceu e pulou o meu andar, indo até o décimosétimo. Desço traqüilamente, sem revolta. O papel de parede dos corredores está todo arrancado e rabiscado pelas crianças do prédio. O pessoal do andar desistiu de reclamar ou pagar pela manutenção (que o condomínio não se responsabiliza). Prendo a respiração. A inhaca no corredor está demais. Meu vizinho cria 4 cachorros: um labrador, um pastor alemão, um poodle e um morto, que fede 24 horas por dia, 7 dias por semana. Quando aquela porta abre é um Deus nos acuda. Não tem Bom-Ar ou desinfetante que dê jeito naquele corredor. Tô pra deixar umas máscaras de emergência penduradas. Ainda bem que não é vizinho de porta, ou janela, a outra vizinha reclama de carrapato na varanda dela, que nem cachorro tem... Com uma pausa rápida pra respirar ar puro de dentro da Lixeira, entro em casa e bebo água, enquanto leio a correspondência. "De acordo com Assembléia e em virtude da alta conta da Cedae e da impossibilidade de acordo judicial para cobrança de atrasos de unidade, o condomíno está sendo reajustado para 400 reais". Puta que pariu! O amigo leitor me desculpe. Mas PUTA QUE O PARIU! [Aliás, por que alguma pessoas tem a mania de falar "PUTA" alto e "que pariu" baixo? O palavrão é "puta", "que pariu" (versão curta) ou "que-o-pariu" (versão detalhada) não constituem palavrão em nenhum caso] Voltando ao assunto, puta que o pariu! Vejo a prestação de contas do condomínio, pelo menos 3 unidades estão pagando multa (de 10 reais!) por atraso, pelo menos 5 unidades simplesmente não estão pagando multa nem atraso, e ainda há uma unidade isenta de condomínio (sabe lá Roberto Jefferson por quê). Outro trecho me chama a atenção: "Abril/2006 - Obras em andamento: 11". Cacete! 11 obras em andamento num mesmo prédio! Haja vazamento, haja conserto e haja conta de água. Quanto mais consertam vazamento, mais a

conta de água aumenta. O presidente da Cedae deve morar no meu prédio. 11 obras e um segredo. Toca o interfone: - É o Zé, é pra avisar que vai cortar a água dos dois banheiros em 10 minutos. - Ué, mas por quanto tempo? - Ih, até amanhã. De repente o fim de semana todo. Tá com um vazamento feio no 1o. andar... - Mas são 18:30! Vou ficar sem banheiro até amanhã?? - Ah, se correr dá tempo ainda... Abro a janela pra respirar um pouco. O cachorro chato da vizinha está latindo pra chuva. Ou pros carros, vai saber. O lance é latir o tempo todo. Uma vez eu cronometrei: foram 40 minutos de latido ininterruptos. Seria um recorde? Anotação mental: pesquisar sobre os cachorros mais chatos do mundo. Um som de bateria entra junto do latido: crassh!, tum-tum!, crasssh!! Acho que vem daquela casa estranha da rua da frente, acho que tem um curso de música lá. Mas peraí!! Tô ouvindo som de bateria da rua de trás também! Era o que faltava, tem uma banda nova no bairro, ensaiando na rua que dá nos fundos do prédio. Quase não dá pra ouvir nada, exceto a bateria, que por sinal é bem limitada. O prato de 19" não deve ser novo, o cara chega a dar uma pausa antes de arrebentar a baqueta nele. É só o que se ouve da banda: crasssh! O som das crianças no play não incomodaria tanto, se não fosse pela música que eles têm que ouvir nas alturas. Geralmente as mesmas cinco músicas, repetidas horas a fio. Pelo menos é desligado as 22:30, diferente de algum lugar misterioso de onde se ouve um som grave e irritante a madrugada inteira, geralmente nos fins de semana. Acordar ao som de marteladas, dormir ao som de baterias, pagar 400 pratas por mês pra viver num prédio de caloteiros com um elevador caduco, um corredor fedorento e latidos intermináveis, e ainda por cima sem poder usar o banheiro. E tem gente que reclama de bala perdida... PS: Às bandas do bairro, toda a sorte do mundo! Que façam sucesso e se lancem, de preferência, em carreira internacional (bem longe de casa!). Rio em cena Acabou a greve de fome do Garotinho. O regime fez muito bem, pagou parte dos pecados, ficou bem melhor aparentado, mais saudável. A Rosinha é que tá desesperada agora, vai ter que perder uns 10 kg pra segurar o marido...

Projeto de Projeto de Lei A Assembléia Legislativa vai ao programa do Faustão pra iniciar a pesquisa: Depois do vagão feminino, qual deve ser o próximo vagão especial nos trens e metrôs? - Vagão GLS - Vagão de quem canta, assovia ou ouve música alta - Vagão de quem tá com mais pressa - Vagão de quem não tomou banho - Vagão sem bancos para idosos: afinal o que eles estão fazendo num trem na hora do rush?? Ajuda Isso é sério. Quem trabalhar ou tiver contatos na Vivo ou Anatel por favor entrar em contato pelo email mamendes@bol.com.br. Minha esposa tem recebido contas (na faixa de 900 reais) de um celular que ela cancelou em 2001. Algum pilantra reativou a linha (no nome dela) e está fazendo ligações astronômicas... E a Vivo, que está 'investigando' há uns 4 meses ainda nem sequer bloqueou a linha !!!!

Quinta-feira, 4 de Maio de 2006 [INCLUIR]

HAY

QUE ENDURECER

Rio de Janeiro, Bar Luis, noite de quarta. - Garçon, trás um conhaque. Pego a caneta e o caderno e começo a fazer as anotações. Acendo o charuto, recosto na cadeira e visualizo a outra meia dúzia de clientes do bar. Foi uma semana agitada, e eu não tive tempo de escrever. Garotinho fazendo greve de fome, a Bolívia tomando a Petrobrás, o caseiro pedindo uma aposentadoria milionária de indenização, deputados gastando Iraques de petróleo em cotas de gasolina, as obras do Pan que vão ficar prontas na semana de abertura do evento, o país adquirindo a auto-insuficiência e, finalmente, o Chico confessando que fuma e brocha. Infelizmente todas as boas piadas já foram usadas. Só me resta lamentar os ocorridos. E talvez um plágio ou outro. - Garçon, me vê aquela porção de milanesa e salada de batata. Garotinho, esse grande gênio da política, religião e rádio-difusão, o grande mentor da grande Rosinha, essa futura Senadora, futuros santos-beatos já em processo de canonização. O aprendiz que roubou o apelido do mestre. Esse mesmo. Face à complexidade do mundo e a pouca fé da Humanidade, esse grande homem público, lembrando ídolos como Gandhi, resolveu de forma nobre entrar em greve de fome e doar as suas 3 refeições diárias aos famintos, enquanto não acabarem as guerras no mundo, a poluição do meioambiente e enquanto a TV brasileira não reprisar a série Chips. Tão bombástico quanto o regime do Garotinho ou o cancelamento do show do Zeca na festa de comemoração da auto-suficiência em petróleo do país, foi a ocupação, uma semana depois, das instalações da Petrobrás pelas tropas de elite do presidente-índio-cocaleiro Erva Morales. Erva tomou a decisão após reunir-se com seu gabinete e tomar um chazinho para abrir as idéias. Em seguida, acionou 100 soldados (metade do contingente do país), munidos de tacapes, pedras e aquelas flautas de bambu -- armas típicas dos índios bolivianos. Cercaram as instalações brasileiras e ficaram tocando na porta até que alguém comprasse um CD -- ou cedesse o controle dos prédios. Desde a ocupação, vários especialistas surgiram explicando quando e como nosso país errou ao importar a matéria-prima do nosso vizinho gasoso. "Foi mexer com gás deu nisso". Outros afirmam que foi-se a época em que era fácil passar a perna em índio. "Não existem mais bobos no futebol, e nem no setor energético", afirma um técnico da área.

Mas os problemas não acabam por aí. O determinado Erva pretende, a médio prazo, acabar com todas as reservas de gás do país (acendendo um fósforo nas minas) e plantar coca em tudo o que sobrar. Os gasodutos seriam aproveitados e convertidos em cocadutos, distribuindo de forma rápida e barata a especiaria boliviana. Diplomatas brasileiros trabalham num acordo que possa garantir resultados para ambos os lados. Alguns estudam a possibilidade de devolver o Acre à Bolívia, em troca das minas de gás. Outros países estão oferencedo acesso ao Pacífico, ao Atlântico e até ao Índico aos bolivianos. Movimento no Orkut exige a anexação do país vizinho, antes que a coisa piore. Pela política externa do nosso governo até agora, porém, o mais provável é exatamente o contrário... Portanto vá caprichando no seu espanhol, compre o CD ali na São José, e acostume-se ao prazer de um bom chá direto dos Andes. - Garçon, o café e a conta. Polêmica Trecho divulgado do Evangelho Segundo Judas: "Vesti uma roupa bem quente e, debaixo do Sol escaldante, repeti tudo que ouvistes à exaustão. Espalhai-vos e gritai aos brados, em toda praça ou esquina, a assim chamada palavra do senhor. Gesticulai em excesso, enchei o saco dos transeuntes, xingai as outras religiões e mencionai o nome dos Santos e do Capeta em alto e bom som." Cena carioca No matagal que ocupa o espaço onde será o Velódromo do Pan, várias autoridades da Cidade, Estado, União e inclusive internacionais, acompanhadas de perto pela Imprensa, todos munidos de capacete, declararam-se satisfeitas com o andamento das obras (!). A pergunta que não quer calar é: pra que servia o capacete? Não havia nenhuma estrutura de pé no local!

Quinta-feira, 13 de Abril de 2006 [INCLUIR]

VOCÊ

CHAMA ISSO DE M.?!?!

Um amigo me pára na hora do almoço e pergunta: "Você sabe o que é m.? M. é quando o sistema dá pau por causa de alguém (viado e fdp) e você (corno) é o cara que tem que descobrir e contar pro cliente que nem sequer o backup pode ser restaurado". Após o almoço, de volta ao escritório, ainda ria da cara dele quando os auditores chegaram e fizeram um sorteio pra ver quem seria o Cristo daquela semana: eu. "Você chama isso de m.?" - gritei pro meu amigo, que se dobrava de rir com o agora pequeno problema de backup. Todo mundo já recebeu aquele e-mail com as frases que tipicamente antecedem à m., tipo, "Isso nunca deu errado antes", "Confie em mim", "Meu marido só volta à noite", "Faz se tu é homem", ou "Vou votar nesse porque ele rouba mas faz". Mas nunca ninguém fez um estudo aprofundado. Resolvi me aprofundar no tema. Como a definição de m. tem evoluído ao longo da história? Uma m. nos anos 70 era pior ou melhor do que uma m. do século 21? Como será a m. do futuro? Tudo isso essa quinta no M. Repórter reprise sábado no M. News e domingo no M. Espetacular. Primeiro vamos a um pequeno glossário para colocarmos todos na mesma página: M. - acontecimento que afeta uma ou mais pessoas de forma negativa. Chefe - nunca é responsável pela m., embora cause várias por dia Viado ou fdp - cidadão causador da m. Corno - consertador de m. ou afetado por ela. Hiena - aquele que gosta de m. e lucra com ela. Vide consultor, auditor, advogado. Meia-vida - o tempo que a m. leva para perder metade do seu efeito. A primeira m. da história da humanidade foi, sem dúvida, Adão comer a maçã da árvore do pecado. Sim, Adão, porque Eva com certeza só levou a culpa por que chegou por último no Paraíso. Mas ainda antes disso algum dinossauro fez m. e acabou com toda uma era. Talvez ele também tenha comido algo que não devia. Ao longo dos tempos, as m. vêm ganhando maiores proporções. Você pode se perguntar o que seria maior que destruir quase toda a vida na Terra, porém se os dinossauros não podiam raciocinar, também não podiam apreciar a m. do mundo acabando ao se redor. A m. seguinte foi o rapto de Helena de Tróia, digo, para Tróia. Essa m. não só

destruiu a cidade, como foi responsável por várias m. na seqüência, como a fundação de Roma, o filme horroroso estrelado pelo traseiro de Brad Pitt. Roma, responsável por várias m., iria inventar a burocracia e o serviço civil, iria destruir a biblioteca de Alexandria, antes de ruir pelo peso de sua corrupção e eleger o Berluscollini. Várias m. na idade média: Cruzadas, invenção do divórcio (e por conseqüência, da ex-mulher), a Inquisição e a caça às bruxas. Na Idade Moderna, um assassinato de um príncipe qualquer causou uma grande m., digo, guerra, que causou outra, e que não melhorou em nada a m. fria. O homem vai para o Espaço, pisa na Lua e cria assim a m. espacial. O mundo se globaliza e as m. se intensificam. O Terrorismo e o Antiterrorismo surgem e desde então é m. atrás de m. No Brasil, a m. evolui ao longo do tempo em ordem exponencial: M. na década de 70 - a Ditadura e a Censura, que proibiam o uso da expressão "m." M. na década de 80 - o Brasil perder a Copa de 82 M. na década de 90 - Collor e o confisco e da poupança; FHC e a alta dos juros M. no ano 2000 - As contas erradas das empresas de telefonia celular; Lula e o Mensalão; Seu filho menor de idade usar seu micro para crimes digitais; Graças ao processo privatizatório das telecomunicações, grandes empresas surgem: Telemerda, Merdofônica, Brasil Merdacom. Vários novos serviços de m. surgem no país. TV a cabo, celular, conexão banda larga e tantos outros serviços caros e que raramente funcionam. Nos bastidores, vários "funcionários" sem vínculo empregatício e recém saídos da faculdade processam as faturas e as cobranças destas empresas, de domingo a domingo, horas e horas a fio, num processo que mais faz lembrar a indústria de tear inglesa ou as usinas de carvão russas do início do século (passado). O Marketing também evolui, de foco no produto para foco no cliente e, mais recentemente, de foco no cliente para foco na m. O Call Center evolui e você agora recebe ligações no domingo à noite oferecendo outro cartão de crédito de m. Nos escritórios as m. estão de vento em popa. Chefes de m., funcionários de m., produtos de m., consultores de m., todos juntos oferecendo a seus clientes o supra-sumo e o estado da arte da m. Estagiário então é igual ao Edmundo: tá esperando pra fazer m! Na área de informática, m. é uma filosofia de vida, onde um software de m. vale milhões, muda uma empresa inteira, mesmo sendo uma m. e sem nunca cumprir o que promete. Mas a vida segue, o ano de 2006 nem chegou à metade, e só nos resta torcer por m. melhores e observar de perto a programação de m. das TVs abertas. Ah, e claro, fazer nossas apostas no Romário ou no Pelé para ver quem chega

primeiro ao milésimo filho ou à milésima m... O Evangelho segundo Suzzane Não só a mídia, a sociedade, os formadores de opinião, os profissionais liberais, os políticos e os criminosos, mas também o povo brasileiro ficou impressionado com a entrevista do Mário, advogado de Suzzane Rich, interpretada pela própria, ao Fantáástico. Apesar do choro sem lágrimas e o balbuciar repetitivo e inaudível, a patricida garantiu sua vaga na novela juvenil Malhação 2007 - que mudará seu cenário para o presídio feminino do Carandirú. O advogado porém, ficou indignado com a falta de respeito à sua privacidade com sua cliente gostosinha. "Chora, neném, chora! Isso berra! Faz careta agora!" - Frase dita pelo advogado ao pé do ouvido de sua cliente, porém cortada da edição da entrevista. Que injustiça! Mário teria arranjado a entrevista para mostrar o dia-a-dia de Suzzane, seus hábitos, seus livros e discos, os passarinhos que cria, e outras atividades que pratica enquanto não está fazendo sexo grupal com bandidos ou matando os pais. A Globo disse que ao perceber a farsa não lhe restou alternativa a não ser denunciá-la. Foi uma questão de ética jornalística. Resta então saber qual é a alternativa ética para até hoje não se mostrar os bastidores da ligação entre o futebol carioca e o tráfico...

Quinta-feira, 16 de Março de 2006 [INCLUIR]

E

A

GRIPE

VEIO DO

ESPAÇO

Zomir era um funcionário exemplar do Laboratório de Pesquisa e Exploração Exterior, lotado no setor de Vida Primata e Inteligente. Chegava pontualmente na Segunda, saía pontualmente na Sétima e acessava os emails na Oitava, Sábado e até Domingo às vezes. Sua especialidade era Nano-Computação Viral, o que pagava muito bem especialmente para quem topava trabalhar em campo. A vida de pesquisador embarcado não era das mais fáceis. Comer cereal colorido em caixinha, tomar um descafé sintético horroroso e beber água reoxigenizada não eram exatamente refeições ideais pra alguém com tamanho apetite e apreciação culinária. Ele tentava esquecer isso ouvindo seu iPod enquanto se concentrava no seu projeto. Era, ou melhor, seria tarde da noite se estivessem em casa, quando Thuir6 se aproximou puxando assunto. - Estamos passando por Centauri Distante nesse momento. Espero que você não tenha comido muito no jantar... - disse, reticente. - Por quê? A plataforma vai sacudir? - Vento solar de Nêmesis. Na posição que estamos ele é terrível. Tempestades em toda seção esférica. O estagiário no ano passado vomitou o cubículo todo. Ninguém aguentou o cheiro e a gente teve que abrir as janelas. - Só agradeço por não estarmos indo pro Sistema Solar, dizem que aquela porcaria do Helius causa câncer... Comentou Xiaut, que chegara momento antes. - Ah, mas têm suas vantagens... céu azul, praia, mulheres bronzeadas... - Você já esteve lá ?!?! - Zomir arregalou os olhos. - Sim, pô, foi naquela auditoria do YbRT22, aqueles merdas do governo encheram nosso saco as 89 horas do dia e... - Nesse momento a plataforma começa a balançar - Ih, pronto, começou. Vou aproveitar pra deitar, não consigo falar com esse sacolejo todo. Me dá dor de ouvido. - É, acho que vou fazer o mesmo. Até mais - despediu-se Zomir. Mas ele não planejava dormir. Tinha muito interesse pela Via Láctea, especialmente o Sistema Solar. Durante toda a sua infância ele ouviu as histórias da guerra entre Helius e Nêmesis e cresceu aficionado pelo assunto. Impressionava a idéia de como a vida se persistia no Sistema Solar, mesmo

com os ataques sistemáticos de Nêmesis. A grande Evasão Marciana de 1.234, as Grandes Destruições Terrenas, a Grande Mancha Vermelha de Júpiter, tudo era tão diferente do que conhecia. Lembrava das histórias do avô, que dirigia uma plataforma-tanque que, ao se chocar com um asteróide vazou 3 trilhões de litros de óleo na Terra. Por sorte a maior parte caiu no deserto, onde poucos Dinossauros se arriscavam. Ah, os Dinossauros... Tinha tanta vontade em conhecê-los. Eles eram famosos pela inteligência, por seu pacifismo e sua habilidade diplomática. Foram os Dinossauros por exemplo que negociaram a atual órbita do Haley, de forma a democratizar a distribuição de água pelos planetas do 4o. Universo. Se ao menos houvesse alguma chance de visitar a Terra e conhecer seus ídolos... Mas como? Teria que haver uma maneira... Adormeceu em meio a tantos pensamentos. - Zomir, acorda! Acorda criatura! Levanta imprestável! - Ah, o quê? Pô, Xiaut, parece até minha esposa mais nova... - Vamos rapaz, não tá ouvindo o alarme de incêndio? Anda! Zomir vestiu-se e seguiu Xiaut em silêncio, tenso com a situação de emergência e surpreso com a serenidade do companheiro. Xiaut, o mais velho a bordo, era Engenheiro Espaçonáutico, seu registro profissional lhe permitia construir naves, plataformas, consertar televisão e projetar casas de até 18 andares. Dentro do projeto era responsável pela Segurança de Navegação. Chegaram à sala de emergência e se juntaram a Thuir6. O alarme continuava. - E pensar que eu troquei a bolsa de pesquisa em Andrômedra 9 por isso. Lá eu não fazia nada e ainda estava a menos de 10 anos-luz de casa... Choramingou Xiaut, logo após sentar-se. - Tá querendo se aposentar já, velho? - Provocou Thuir6. Se na iniciativa privada tá puxado assim imagina só no emprego público... - Vocês querem me explicar o que está acontecendo? - Zomir perguntou, quase que aos gritos. - O sistema detectou um foco de incêndio e tá tentando resolver o problema. A gente tem que permanecer aqui até o sinal de que tudo está ok novamente. - Mas onde foi esse incêndio? - Eu sei lá, o computador que se resolva. Eu só saio daqui quando essa droga parar de apitar... Assim que Thuir6 completou a frase o alarme foi interrompido por um anúncio do sistema:

"Mensagem 87742: sistema de propulsão precisa de reparo. Mensagem 87749: sistema de controle de incêndio precisa de reparo. Mensagem 44332: Rumo ajustado para unidade de assistência técnica S22X332B. Sistemas em modo de segurança. Todos os postos de trabalho devem ser retomados. A Kronne Engenharia agradece a preferência, tenha um bom dia". - Cacete, agora a gente vai praquele fim de mundo! - Xiaut levou as quatro mãos à cabeça. - Que fim de mundo? Onde fica S22X332B? - Zomir interrogava, perdido. - Enceladus, lua de Saturno, Sistema Solar Helius - Thuir6 respondeu enquanto abria a porta da sala de emergência. - Como é possível? Não tem uma oficina mais próxima? - Xiaut não se conformava. - A gente acabou de passar por uma em Centauri Distante, mas eles não aceitam nosso vale-reparo nem o ticket-combustível, velho. - Porra, ninguém é sócio do Space Club? Merda, pra quê eu fui sair de Andrômedra 9... Zomir sentiu um frio na barriga. O destino o colocava cada vez mais próximo ao Sistema Solar Helius e os Dinossauros da Terra. Enquanto a plataforma estivesse em reparo ele poderia pegar um táxi até lá. Talvez até encontrasse alguém que tivesse conhecido seu avô. Retornou ao seu cubículo, impaciente, e tentava retornar ao trabalho quando foi novamente interrompido: - Zomir - gritou Thuir6 - preciso que você prepare um email pra S22X332B. Avisa a nossa situação e anexa o arquivo de log do sistema. Vou pegar um pouco do lubrificante da plataforma e você manda junto também, o Xiaut falou que a máquina tá rangendo e que o óleo de estar baixo, a gente aproveita a parada e troca. - Certo. É pra usar o logo da empresa? Eu vou ter que baixar de novo do site porque eu apaguei ontem por acidente... - Porra, como você apagou um arquivo por acidente? - É essa merda de sistema operacional! Eu tava jogando Paciência e me distraí... Fui fazer backup e ao invés de copiar eu movi o arquivo. - Não tem como restaurar do backup então? - Restaurar do backup?? Eu não sei fazer isso, só sei copiar para o backup... - Tá, pode baixar então. Vou desligar o firewall, mas me avisa assim que acabar porque não quero nenhum adolescente invadindo o servidor... ainda mais nesses confins do Universo.

- Pode deixar. Zomir via claramente agora a sua chance de conhecer os Dinossauros. Com o firewall desligado ele poderia enviar um email para a Terra também, reservando o táxi e o hotel. Como Zomir não sabia qual o protocolo era usado na Terra, ele usou um bem antigo - criou um nano-spam, um robozinho feito de hemaglutinina e neuraminidase que espalha ondas magnéticas ao redor, copiando-se ao receber uma mensagem de "ok" e se auto-destruindo ao receber uma mensagem de "páre" ou "kill". Baixado a logo, umas fotos de mulher pelada e alguns mp13's, Zomir mandou o email para oficina e para a Terra. Chamou Thuir6 pelo rádio: - Prontinho, pode subir o firewall. - Beleza, fica apertando F5 aí até chegar a confirmação dos caras. Agora era esperar pela resposta. Já podia se imaginar na Terra... Praia, lava vulcânica, broto de bambú... Algum espaço-tempo depois, a mensagem de Zomir -- que tinha como subject “H5N1” (Hospedagem de 5 Noites para 1) -- rompe a atmosfera e chega à Terra do século XXI. Caiu no sudeste asiático, bem em cima de um grão de milho. A estrutura molecular não fornecia nenhuma resposta compreensível e o nano-spam resolveu então continuar emitindo suas mensagens. Até que, no pulmão de uma galinha, finalmente, os íons de carbono e oxigênio deram o sinal de “ok” e o email começou a se propagar. Zomir não sabia, mas ele foi responsável por uma das pragas mais devastadoras da história da Terra, ficando atrás apenas da Gripe Espanhola que surgiu quando um outro pesquisador desastrado recebeu um vírus através de um email que prometia fotos da Greta Garbo. Mas isso é outra história...

Fracasso dá lucro A Oi comprou o dial da Rádio Cidade do Rio (102.9 FM) para lançar a Oi FM uma rádio medíocre de música chata e com a programação mais irritante dos últimos tempos. Muita gente anda se perguntando qual seria o motivo de se comprar uma rádio com um grande conjunto de ouvintes fiéis de determinado estilo (musical e de programação) e colocar no seu lugar algo completamente diferente, acabando assim com a audiência e tendo que compor uma nova. Afinal, se era pra formar uma audiência diferente, não seria o caso de comprar outra rádio de menor expressão, ou quem sabe um dial FM disponível? A resposta é muito simples, meus caros, mas só quem fez MBA e tem alguma experiência consegue visualizar. Foi-se o tempo em que vender um produto com uma margem razoável,

agradar o consumidor e desenvolver os funcionários era a estratégia para que as empresas ganhassem dinheiro. Hoje -- aliás, já faz algum tempo -- o segredo é criar um grande 'case' de fracasso, prejuízo, escândalo, etc. e ganhar dinheiro vendendo livros e fazendo palestras sobre o assunto. Vide Enron, MCI, a bolha da Internet, o Tablet PC, etc. É uma enorme vantagem tributária para empresas também ter um investimento que traga prejuízo. Caso contrário, que empresa iria patrocinar qualquer clube de futebol brasileiro? Portanto, ao se deparar com uma empresa que presta um serviço horrível, que está se lixando para seus clientes e funcionários, ou que enfia goela abaixo um produto que não faz o menor sentido, prepare-se: anote numa agenda e lembre de nunca comprar qualquer livro sobre o 'case'.

Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2006 [INCLUIR]

RESPONSUM QUAE SERA TAMEN
(Responsabilidade ainda que tardia) Vários muçulmanos exigem a retratação do governo dos países em que jornais publicaram charges de um homem barbudo de turbante, o qual foi imediatamente associado a Maomé -- não poderia ser o Bin Laden ou qualquer outro? Enfim, o fato é que o governo não pode/deve se desculpar pelo conteúdo editorial de um jornal. E o jornal não quer se desculpar por fazer uso da liberdade de expressão. Imagina o governo brasileiro pedindo desculpas toda vez que a Veja publicar uma asneira? Pois bem, o body count já está em 7 no Afeganistão. Sete muçulmanos morreram em protesto contra as charges -- a maioria deles nunca as viu, pois nem têm acesso a jornais ou televisão, ficaram sabendo pelo vizinho do cunhado da tia do Muhamed, e resolveram morrer por tão boa causa. Uma das charges mostrava Maomé gritando lá de cima: "Chega! Chega! Acabaram-se as virgens!!". Mal sabia o autor que havia criado uma profecia auto-realizável prestes a explodir -- literalmente. Nunca um cartunista fez tanto sucesso, ao ponto de desbancar o W.C. Bush do noticiário!! O Dahmer do Malvados deve estar possesso, como ninguém pensou nisso antes? No Ziniguistão tudo seria mais fácil... É difícil compreender pessoas diferentes. Para alguém nascido no Brasil, por exemplo, fica difícil imaginar um paraíso com 40 virgens. O paraíso de um brasileiro teria mais ou menos 3 cariocas, 2 gaúchas, 2 baianas, 1 paulista, 1 mineira e 1 sueca. Nenhuma delas virgens, ao contrário, 10 profissionais da área. Essa falta de compreensão ajuda a incendiar a coisa. As relações comerciais entre Dinamarca e Irã foram suspensas. O único artigo dinamarquês que tem vendido bem por lá são as bandeiras (aliás, dica pra quem quer abrir um negócio próprio: vender bandeiras de países ocidentais no Oriente-médio -- a cada 3 bandeiras a caixa de fósforo é grátis!). Já ilustrava o amigo André, esse povo tem a mesma disposição para seguir protestos-e-queimações-públicasde-bandeiras -de-países-judaico-cristãos-ocidentais que os baianos têm para trios-elétricos. A burguesia dinamarquesa precisa rebolar agora pra conseguir um caviar ou tapete iraniano. Já estes em contrapartida precisam recorrer ao mercado negro para comprar bacalhau dinamarquês ou um livro infantil do Hans Christian Andersen.

E a retaliação não pára por aí. Um aluno turco atirou contra seu professor -que era padre -- e garante que não foi por causa da reprovação em matemática. Vários bandidos no Egito estão assaltando turistas em nome da vingança contra os cartoons. Um cofre de banco foi arrombado e esvaziado na Jordânia em protesto. A mais nova retaliação é o concurso de charges sobre o Holocausto que o jornal iraniano Hamshahri está promovendo. O desenhista que fizer a melhor representação gráfica deste "mito" leva pra casa uma lata de gás sarin. O fato é que, apesar dos Talibãs, o mundo seguiu adiante. Seguiu para o caminho da liberdade de expressão e liberdade religiosa. De vez em quando um irlandês-católico atira uma pedra num irlandês-protestante, mas geralmente os dois guardam as pedras pra atirar num inglês-viado. E tá tudo bem. O problema é que nesse momento as liberdades estão em choque direto. E já dizia Sartre, a liberdade é o limite ao qual o homem está condenado. Confesso que só agora entendi. Um jornalista está condenado a defender sua liberdade de expressão. O jornal está condenado a lutar pela liberdade de imprensa. O governo não pode dar pitaco nem sobre o jornalista nem sobre o jornal e está condenado à liberdade de ações de sua autonomia. Os muçulmanos estão condenados a lutar pela sua liberdade religiosa e pelo teor de sua religião -- que condena profundamente sátiras contra seus profetas. É o que se chama uma sinuca de bico, a liberdade das bolas vermelhas contra a liberdade das bolas azuis, e você só tem uma tacada pra dar. Como resolver um impasse desses? Uns vão dizer que o melhor a se fazer é evitar se chegar a um impasse desses. Não se pode esquecer a relação entre liberdade, limite e responsabilidade. Uma pessoa livre tem responsabilidade sobre seus atos. Além disso, somos responsáveis por zelar pelas nossas liberdades -- tanto as individuais quanto as coletivas. Queimar a bandeira de alguém ou zoar o profeta de outrém são exemplos de liberdade de expressão -- e de irresponsabilidade de ação. Abusar da liberdade é agir contra ela. Lembra quando você combinava com seus pais de chegar em casa antes das 23h e quando dava 1h da manhã você entrava na ponta dos pés, de mansinho, pra não acordar ninguém? E quando era pego(a) passava um mês de castigo, sem poder sair. Tudo que você queria era ser independente pra não ter que dar satisfação a ninguém. Você cresceu e agora tem que dar satisfação pro chefe, pro gerente do banco, pro SPC, pra polícia, pra bandido, até pra pedinte no sinal. A liberdade é uma conquista que herdamos daqueles que lutaram por ela. É muito fácil esquecer o valor daquilo pelo qual não precisamos lutar. Ivan Lessa escreveu no ano retrasado sobre a "mania americana de liberdade" -- para a qual têm duas palavras até, "freedom" e "liberty" -- e lembra que, se o preço da liberdade é a eterna vigilância, ela custa muito, muito caro. Dinheiro que, claro, sai do bolso do contribuinte. Portanto, não a arrisque a toa.

Ode a uma cidade-cadente O Rio de Janeiro é uma cidade decadente. Não, não é obra pura e simples da política decadente. Nossos governantes refletem a qualidade da nossa política e a nossa capacidade em elegê-los. Não é por conta da nossa indústria decadente, tampouco, que é mais uma conseqüência do que uma causa. Nem seria tal causa a decadência do nosso ensino e educação, que sofre por falta de verbas. Ainda. A noite carioca é decadente, desde os melhores botecos (sendo vendidos a paulistas) até as piores boates, restringida pela violência. Nossos parques, praças e jardins são decadentes, abandonados, vazios. A música carioca é decadente, temos que ouvir (sem reclamar!) os sotaques paulistas e mineiros nas rádios. Nosso futebol é decadente. Mas esse assunto é melhor nem começar... Por causa deste futebol decadente o U2 não vai nem passar por aqui... Até nossos criminosos são decadentes. Que saudade dos bons tempos, das fugas cinematográficas de helicópteros. Dos assaltos charmosos, dos roubos de taças do mundo. O Rio é uma cidade decadente. Foi uma estrela primorosa, da bossa, do samba, do cinema, dos cassinos. Uma estrela cadente que chega à beira do horizonte, difícil até de ser enxergada. E não adianta se vestir de branco e andar no calçadão, faixa na mão, pedindo sabe-lá-o-que mais. Adeus grandes empresas, adeus orçamento da União. Adeus empregos, refinaria, adeus parques-de-diversão. Adeus lazer, adeus esportes, adeus segurança. A gente se vê em São Paulo, BH, Curitiba. Adeus consulados, museus, adeus esperança. Adeus qualidade de vida, passeios na Sernambetiba. Adeus Arpoador, paineiras, Vista Chinesa. A gente se vê em Brasília, POA, Fortaleza. Bem vindo o Pan. Que traga esperança.

Coluna social Hoje (dia 08.02) é meu aniversário! Mande os parabéns, que ainda é de graça. Quem quiser e puder, chopp Rota 66 na Cobal do Humaitá. A partir das 19:30. Seguido de show da Danny Carvalho. EDITADO em 09.02: Galera, valeu mesmo pela presença, e ainda mais pela surpresa. Danny parabéns pelo show, aturar uma mesa de bêbados e bêbadas

bem do lado não deve ter sido fácil. Espero que a ressaca esteja valendo a pena pra vocês também.

Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2006 [INCLUIR]

TOLERÂNCIA AMPLA, GERAL

E IRRESTRITA

... - Alô. - Alô, Valdecir se encontra? - Quem deseja? - É Valdecir. - Ô, Valdecir, tudo bem? Aqui é Valdecir. Deixa eu chamar Valdecir. - Valeu, Valdecir. Instantes depois: - Alô, Valdecir? - E aí, Valdecir, quanto tempo. Tudo bem por aí? - Tudo bem e por aí? - Tudo bem também. Tô ligando pra perguntar sobre aquela situação no escritório, como ficou? - Ah, eu falei com Valdecir e os outros ontem cedo e eles concordam com a gente. - Então tá tudo encaminhado. Vamos aproveitar então pra ver o jogo? - Claro, todo mundo adora o jogo. - É verdade, e qual vai ser o resultado? - Ah, com um time só jogando, uma bola pra cada jogador e a torcida toda a favor, acho que é vitória certa. - Concordo. Eu gosto de ganhar. - Eu também. Falar nisso, você viu aquele filme que estreou? - Vi sim. Muito bom. - Também achei. O final é bem interessante. - Exatamente. - E o carro, parou de dar problema? - Parou sim, foi só trocar o óleo. O carro é muito bom. - Também acho, por isso tenho um igual. - Tá bom então Valdecir, deixa eu ir lá que vou levar as crianças no parque. - Ah, eu também, a gente se vê lá. ... Somos 7 bilhões de habitantes no planeta. Temos todos menos de 3 metros de altura, menos de 7 litros de sangue vermelho correndo pelo corpo. Somos todos mamíferos, racionais, homo sapiens, Humanidade. Mas não há duas pessoas idênticas nesse mundo, nem quando nascem da divisão do mesmo par de células. E ainda assim, por algum motivo, poucos de nós sabemos aceitar e compreender as diferenças, sejam raciais, religiosas, ou simplesmente diferenças de gosto e opinião. Alguns chegam ao limite de desrespeitar e até agredir pessoas diferentes. Coloque na mesma sala um flamenguista e um tricolor, um judeu e um

muçulmano, um chinês e um japonês, um empresário e um sindicalista, um dono de cachorro e um dono de gato, um policial civil e um militar, um pagodeiro e um funkeiro, um hetero e um homo, um motorista de ônibus e um motorista de van, um petista e um pessedebista, um dermatologista e um cardiologista, um cientista e um surfista, um periodontista e um ortodontista, um especialista em história medieval européia e um especialista em história da arte pré-renascentista, um inteligente e um ignorante, um advogado e outro advogado. O resultado será sempre uma discussão inflamada. Em algumas horas uma briga, talvez um tiroteio. Dois entram, um sai ! Por outro lado, coloque em uma mesma casa algumas pessoas bonitas e sem muita coisa na cabeça e você tem um reality-show de baixo custo e vasta audiência. Não é irônico? O voyeurismo da intolerância alheia é atração pública ! Talvez a tendência de famílias menores esteja contribuindo para a tolerância cada vez menor entre as pessoas. Numa família grande é quase impossível chegar a um consenso. Seus pais gostam de camarão, seu irmão odeia e você é alérgico. É aniversário da sua avó, formatura do seu primo, seu irmão caçula vai sair com a nova namorada e você está sofrendo uma crise alérgica. Seus irmãos querem um cachorro de estimação, seus pais não, e você pra variar é alérgico. Como decidir nesses casos? Maioria de votos? Cada um por si? Intolerância é um passo para preconceito. Ou ao contrário, preconceito é um passo pra intolerância. Não sei. Mas o que eu sei é que algumas frases são gatilhos para inflamar uma conversa. Tipo no desenho animado, quando o coiote entra num lugar escuro, acende um fósforo e percebe que está numa casinha cheia de pólvora e explosivos? Exemplos típicos destas frases: "quem não gosta de bicho boa gente não é...", ou em resposta, "quem trata bicho igual gente trata gente igual bicho". Outras: "quem não gosta de samba boa gente não é", "mostre sua educação e mostrarei a minha", "macho que é macho não faz isso", "homem não chora", "isso é coisa de boiola", "isso é coisa de piranha", "se fuma, dá", etc. Existem umas tão pesadas (e imbecis) que eu acho melhor nem comentar... Mas você lembrou, né? Pois é, pode parecer engraçado, mas é triste. Como ser gordo. Antigamente o excesso de peso era uma coisa engraçada, simpática, mas cada dia que passa o assunto fica mais sério. A tolerância é um exercício que como os demais tem que ser praticado diariamente, por uma hora, sob supervisão profissional. Você pode inclusive aproveitar seu tempo na ginástica pra economizar. Não julgue o rapaz de camiseta cavada fazendo pose e se olhando no espelho... Nem a loira turbinada, com personal trainer, malhando 4 horas por dia... Cada um no seu cada um, e quem quiser, no cada um dos outros. O que é difícil mesmo é determinar o limite do que deve ser tolerado e o que precisa ser negociado. Por exemplo, existem pessoas organizadas e pessoas bagunçadas, e um tem que tolerar o outro. Mas se essas duas pessoas são casadas... como fica? Se uma pessoa é barulhenta e a outra ama o silêncio, e

elas são vizinhas, como fica? Um educado e um mal-educado trabalhando juntos todo dia, como fica?? Uma teoria de uma amiga minha fala sobre uma nova Seleção Natural, onde, por exemplo, uma pessoa mal-educada, barulhenta e bagunceira acabariam casando com outra pessoa mal-educada, barulhenta e bagunceira e assim constituindo uma família mal-educada, barulhenta e bagunceira. E pela lei de Muphy essa família acabaria morando do meu lado. Agora que minha nova família é pequena, esse é o meu exercício de tolerância diário. Pra quem quiser ingressar nas atividades e sair do sedentarismo, é bom começar repetindo esse mantra 5 vezes seguidas, sempre que necessário: "Senhor, dá-me paciência, que se me deres forças eu quebro um!"

Segunda-feira, 26 de Dezembro de 2005

MENSAGEM

DE FIM DE ANO

Você está acostumado a todo fim de ano receber uma mensagem minha de Natal e Ano-novo, sempre criativa, com o mínimo de plágio, numa linguagem formal e cativante. Desta vez, para não deixar em branco -- embora esta seja a cor do fim de ano -- resolvi utilizar deste fenômeno de audiência que é o Mamendex. O ano de 2005 passou voando (pediu até um segundo a mais de desconto) e ainda assim já vai tarde. Espero que para alguém ele tenha valido a pena. Assim sendo, desejo que 2006 seja um ano melhor -- o que definitivamente não é pedir muito. Peço que ele traga desafios mas, diferente de 2005, que apresente alternativas. Peço que o ano-novo traga alegrias mas que, ao contrário do ano-velho, desatreladas a sentimentos de culpa. Desejo que ele traga crescimento e sabedoria, ao invés de andar para os lados ou mesmo para trás. E já que é ano de copa, peço que traga comemorações -- mas que sejam sinceras, e não de praxe. Finalmente, que eu possa repousar a cabeça num domingo bonito, tranqüilo, silencioso, com uma brisa leve soprando ou umas gotas finas de chuva caindo. Que eu possa olhar esse domingo e pensar que tudo que eu tenho feito é justo e tudo que eu tenho é merecido. Que eu possa curtir minha casa e minhas coisas, meus amigos e minha família, e principalmente a mim mesmo. Desculpem uma mensagem de ano-novo tão egocêntrica mas, olhando agora, vejo que no ano que passou esqueci de mim mesmo. Não cometam o mesmo erro. Cresçam, aprimorem-se, cuidem-se, curtam-se, agradem-se, amem-se como ao próximo. Feliz 2006.

Quinta-feira, 8 de Dezembro de 2005

O

CONTADOR DE ILUSÕES

Uma coisa que eu odeio em certos filmes e séries americanas é como é fácil advinhar que o mocinho/mocinha vai conseguir aquele emprego, ou conquistar aquela mulher gostosa, descobrir a cura daquela doença, encontrar aquele tesouro, etc, como se na vida real, ao fazer tudo certo, você teria uma recompensa esperando por você. Não precisa viver muito pra saber que não é sempre assim. Seu irmão fazia a merda e você apanhava junto. Se tentava defender seu irmão, apanha por encobrir a travessura. Se dedurasse ele, apanhava pra aprender a não ser X9. Se desconhecesse por completo o assunto apanhava pra ser mais esperto. Ou por mentir. Ou sei lá o que, sei que você apanhava e tinha a impressão de apanhar mais ainda que seu irmão. Foi Schopenhauer ou Kant, não lembro, quem disse que a recompensa por fazer o mal era imediata, óbvia. E a recompensa por fazer o bem era misteriosa, inexplicável, consistia no bem-estar e na paz de consciência. Nada além disso. Ele dizia que a prova da existência do Bem -- e portanto, de Deus -- era que tudo no mundo apontava que ser Mal era a coisa mais vantajosa a ser feita mas ainda assim a maior parte das pessoas insistiam, sem razão concreta aparente, em praticar o Bem. Traduzindo, a lição final é que você deve fazer o bem se você se sente bem com isso, e fazer o mal se consegue conviver com isso, e ponto final. Olha que pra um padre dizer isso é sinal de alguma coisa... Lembrei disso ao assistir a uma entrevista do Woody Allen em que ele diz exatamente isso, e o quanto ele percorreu assuntos desta natureza usando da linguagem universal do humor em seus filmes. Pensando bem, nos filmes dele, o baixinho fracassado pode até pegar a Julia Roberts mas no final não fica com ela. Uma exceção à regra da previsibilidade que condeno (desde o primeiro parágrafo). Outra coisa irritante são as histórias infantis de Hollywood. Se você acha difícil conversar com crianças sobre a morte, coloque um desenho americano qualquer. Todos eles têm uma morte, se não uma carnificina. A mãe do Bambi leva um tiro nos cornos. A família do Nemo é toda dizimada. O Irmão Urso? Morre. O Espanta Tubarão? Mata. O Rei Leão morre, o irmão dele também. A Era do Gelo? Porra, os dinossauros foram extintos. No O Planeta do Tesouro a Terra inteira explode. E ainda assim, o final é feliz, como pode? Assim, à luz da metafísica e passando longe da fórmula mágica da TV e cinema, resolvi criar novas histórias clássicas para Holywood. Seguem alguns resumos, em primeira mão:

------Bambi andava tranqüilo pela floresta, brincando com as borboletas e os pássaros. De repente... BANG! Mamãe... Mamãe... A mãe de Bambi foi alvejada por um apresentador de programa de caça do Outdoors Channel. Ele usou uma Winchester 1885 Low Wall 17HMR. Se fosse durante o programa seguinte ela provavelmente teria levado uma flechada de um Buckmaster BTR Bow. O fato é que Bambi está órfão, assim como vários outros de sua vizinhança. Ele poderia ter desperdiçado sua juventude se voltando para às drogas ou furtos mas ao invés disso ele se manteve focado nos estudos e entrou para a associação pelo desarmamento civil de sua cidade. Bambi hoje trabalha como operário numa fábrica de enlatados de Connecticut e tem 3 filhos. O primeiro neto deve nascer ainda esse ano. ------O Rei Mufasa e seu filho Simba, herdeiro do trono, viviam felizes na Selva (que era como eles chamavam a savana). Porém, as opressões de um regime totalitário e ditatorial eram a única razão da aparente paz -- a paz que não se quer -- que reinava naquele local, há vários ciclos da vida. Várias espécies -- como as hienas -- lutavam por eleições diretas e tinham no irmão do Rei, Scar, um aliado. Além desses democratas, havia também outros grupos de insatisfeitos, porém menos pacíficos. Veados e gazelas, cansados de serem comidos e nunca receberem um telefonema no dia seguinte, criaram o grupo extremistas Guerreiros Ligeiros que era responsável por vários atentados na capital. Foi quando aconteceu a tragédia. Durante um passeio com Simba, o rei Mufasa foi atropelado por um estouro de gnus. Nunca se soube verdadeiramente o que aconteceu nesse dia. Existem várias teorias. Algumas culpam os Guerreiros Ligeiros, outros imaginam uma conspiração envolvendo todo o governo. Outras dizem que J. Lee Oswald, um tigre frustrado (repita isso 3 vezes bem rápido) considerado louco por muitos, teria conseguido disparar 3 manadas de gnus, separadas pela distância de 15 milhas, num intervalo de 1.3 minutos. Essa teoria ficou conhecida como a teoria do TigreBala Mágico. Mas a história culpou Scar -- que assumiu o governo provisório -- e algumas hienas que seriam seus comparsas. E quando Simba retornou para assumir o poder, o sonho da democracia nas savanas desmoronou, junto com sua economia. ------Fullana Sillva é a personagem principal desta sitcom. Ela é bonita,

inteligente, engraçada e tem um gênio danado. Ela quer trabalhar numa agência de propaganda. Um dia ela vê o anúnico de uma vaga para gerente de criação -- não pensa duas vezes e envia o currículo. Havia várias outras pessoas, é claro, na fila pra entrevista. Beltrano, Cicrana, Fulano. Nenhuma delas tinha sobrenome, porém. Ficou fácil adivinhar de quem era vaga. Porém, nem tudo são flores. Fullana foi a pior gerente de criação que a tal empresa tinha visto. Perdeu vários clientes importantes e o rombo financeiro causado levou a agência a fechar as portas. Beltrano realmente tinha o talento para a vaga. Nunca conseguiu ser o personagem principal de uma série, porém, e por isso nunca conseguiu trabalhar na área. Morreu de infarto, durante o trabalho, num escritório de contabilidade. Cicrana conseguiu um emprego na agência concorrente e foi diretamente responsável pelo seu sucesso. A empresa cresceu e lucrou muito com ela a bordo. Ela nunca teve, porém, seu talento reconhecido e se aposentou como assistente de criação, com um salário bem abaixo do mercado. Fulano tinha 4 filhos pra sustentar e estava há mais de 1 ano desempregado. Ele realmente precisava daquele emprego. Esta última rejeição foi a gota d'água. Pegou um dinheiro emprestado com o cunhado, entrou para um curso preparatório e conseguiu passar no concurso para técnico do tesouro. Se suicidou porém, com pouco mais de 5 anos no cargo. Cicrano, que a série nem mostrou, também estava na fila. Seu currículo foi descartado porque ele tinha um processo trabalhista contra o antigo empregador -- que lhe demitiu devendo 4 meses de salário. Nunca mais conseguiu nenhum emprego. Chegou a trabalhar uns meses como camelô mas foi preso e liberado em seguida por vender mercadoria contrabandeada. Morreu de fome ou frio numa madrugada do Junho seguinte. ------Habitantes do planeta Zioxx apresentam um ultimato aos líderes da Terra: que convoquem eleições globais para-diretas*, que entreguem suas armas de destruição em massa e apresentem os culpados pelo genocídos dos Dinossauros. Temendo o pior, todos os países do planeta resolvem atender as exigências dos alienígenas -- exceto um. Assim, Zioxx destrói a Terra. A humanidade agora se restringe a várias pequenas colônias espalhadas pelo universo. Acontece que essas colônias começaram a causar distúrbios em várias localidades, como por exemplo pequenos furtos, invasão de terrenos privados, etc, portanto a Federação de Zioxx achou melhor realizar a ocupação militar nestas colônias, enquanto elabora uma constituição para as mesmas e

organiza eleições para-diretas*. * Zioxx é uma para-democracia e considera apropriado que todos os planetas do Universo assim sejam. Na para-democracia o governante é eleito através do voto direto da população e o voto para-direto do Deus Supremo, que é revelado através de uma junta de para-normais, estabelecida pelo próprio governo. Essa mesma voz divina influi também nas decisões governamentais. PS: Ainda não consegui enxergar um fim para essa história. Vamos aguardar mais um ou dois anos para ver se surge uma idéia. A propósito, um ano zioxxiano leva um booom tempo pra passar...

Sábado, 26 de Novembro de 2005

A TEORIA

DO

HUMOR

Se você reparar os cursos mais procurados nos vestibulares deste ano (no caso, do ano que vem), poderá perceber uma certa tendência de maior procura aos cursos relacionados com marketing e jornalismo. É fácil deduzir que, no meio de tanto marketeiro político se dando bem, e com a Veja prestes a se sufocar com o próprio veneno, vagas nesta área existem. E mesmo que não existissem, concorrência nunca é demais. Quem nunca sonhou em ter um filho craque de futebol? Ou top model internacional? Ou ator/atriz, cantor de pagode, apresentador de programa de auditório, ex-big brother, namorada/namorado de celebridade, pegador de atrizes globais, etc. Imagina a procura que teria um curso de faculdade para namorada de jogador de futebol? A ementa seria mais ou menos: Módulo básico: - Futebol avançado I (lei do impedimento) e II (táticas e estratégias) - Educação Física avançada I, II e III - Química e Corte - Finesse e etiqueta - Relações públicas e privadas - Educação sexual e Biologia da concepção - Espanhol, Italiano, Francês e Inglês práticos para flerte Tópicos especiais: - Sexo no primeiro encontro - Engravidando na primeira transa - Transando no vestiário - Casamento na Ilha de Caras Óbvio que nem todo mundo pode viver de vento ou de fofoca. Nem do filho dos outros. Pra ganhar o pão de cada dia alguns têm que encarar muita ralação e passar muita gente pra trás... no bom sentido, claro. Mas o fato é que em qualquer profissão a teoria, não apenas a prática, é importante. A teoria é a forma de obtermos preparação, confiança e evitar alguns erros óbvios no nosso dia a dia. Daí a importância de cursos, treinamentos, palestras, livros, fóruns e tantas outras maneiras de se obter conhecimento teórico. E é daí também que surgem as figurinhas hilárias dos teóricos-filósofos, aqueles caras que vivem se cumprimentando às frases adjetivas, pelos corredores do escritório, rindo e divulgando pelos quatro ventos o quanto são bons, o quanto são bem preparados, o quanto são importantes, o quanto

conhecem, ou seja, qualquer coisa vale pra não ter que pegar no batente e meter a mão na massa. As frases típicas de um teórico-filósofo começam com "Estive em meio aos meus pensamentos: e se...". Pronto. Ouviu isso, sai de perto, porque o cara não vai te ajudar e ainda vai gastar seu tempo. Aos poucos, o teórico-filósofo vai galgando camadas sociais dentro da empresa (embora não necessariamente cargos) e começa até a esquecer qual o objetivo daquilo tudo. "E se fizéssemos um seminário para divulgar os conhecimentos e obter novas propostas de..." Ô Fulano se tá maluco? Tem que entregar isso amanhã cedo! Coitado do chefe do teórico-filósofo. O ambiente nunca é o ideal para merecer o suor dele. Além disso, vive se queixando que os outros funcionários cismam em ignorá-lo, trabalhando sem seu crivo tecno-teórico-filósofo. Logo ele que tem a solução para os problemas de digitalização dos arquivos da empresa, a técnica para dessalinizar o Mar Morto, além é claro da proposta de paz prontinha para acalmar os conflitos na Nicarágua. Porém o mais chocante foi descobrir um teórico-filósofo do humor. É. O cara se acha o papa do humor, fã do Monty Pyton, sabe tudo do Millôr Fernandes e do Ariano Suassuna, leu tudo de Shakespeare, conhece aquele roteirista da TV Pirata. Mas nunca contou uma piada. Repassou algumas, mas beeem fraquinhas... Daquelas que circulam a cada 6 meses pela Internet. “Ih, rapá, tá chegando Abril, já já é hora de chegar aquele e-mail do roubo do fígado”; “Já tamo em Novembro, tá bom de repassar aquele do 'lembra dos anos 80?' né” (esse gerou até moda, depois de circular por 3 anos seguidos). Esse aristocrata do humor me fez pesquisar mais sobre a Teoria da Comédia, e confesso que valeu muito a ajuda. Afinal, você já tinha parado pra pensar, por exemplo, em quando o humor foi inventado? Quem foi o primeiro primata a jogar uma casca de banana e cair na gargalhada ao ver um companheiro escorregar? Todos os indícios apontam pra Mesopotâmia (seja isso onde for) uma ossada batizada de Homo Humoriuos que seria o primo inconveniente do Homo Sapiens. Essa ossada mostra claramente um esqueleto colocando os dedos em forma de chifre no esqueleto à sua frente. Ela se encontra hoje no Museu da Comédia Natural de Londres. Cientistas afirmam que há vários indícios de cultos religiosos na pré-história “invertidos”, em que as celebrações eram ironias contra aos deuses, tratandoos com desdém, burla e blasfêmia. O que ninguém consegue provar é quantos sacerdotes agiam por pura malícia e criavam rituais humilhantes só pra ver neguinho pagar mico (eu tenho um amigo 'pseudo-místico' que faz isso). O fato é que, desde a pré-história, a humanidade depende cada vez mais do humor e, por isso, consegue níveis cada vez mais elevados. Muito embora a maioria das pessoas se contente em ver “pegadinhas” e babacas caindo no

chão. Digo e repito: NÃO, cosquinha não é humor! Existem vários tipos de humor, ironia (é um tipo bem básico), surpresa (ex: susto), inusitabilidade (bom para piadas de salão), ridículo (as TVs ultimamente só fazem isso), paradoxo (um tipo bem inteligente), e claro, sátira (tem grande importância social). E existem vários técnicas para fazer humor: transferência (uma situação é normal em um ambiente, mas não em outro), silogismo (se A é engraçado pra B, e B é engraçado pra C, então A é engraçado pra C), exagero, comparação, aproximação contextual (por exemplo, os legumes de duplo sentido), metáfora (essa é fácil), aliteração (rima ou aproximação sonora). Portanto, você, jovem, que tem o sangue da comédia em sua veia cômica, não deixe para depois: aliste-se, enfie a cara nos livros e seja mais um humorista do exército brasileiro. Afinal, o país precisa de todos os cômicos que possa formar... no bom sentido, claro!

Quinta-feira, 20 de Outubro de 2005

PARADOXALMENTE

CORRETO

A gente assiste os comerciais na TV e fica lembrando dos bons tempos da propaganda brasileira. Demitiram o cara da Bombril porque ele era muito sóbrio, tranqüilo, não tinha o menor sex-appeal, não era fashion, pop, mix, não servia pra vender produtos gold, premium, plus, só o Bombril. Aliás, hoje ningué anuncia palha de aço, hoje é Steel Straw Advanced. Tabajara. Com bebês black power. "Pegue um deles e esfregue sua panela". Esfregar o bebê???? Não, pô, o produto. Mas essa perseguição com comerciais e programas de TV ganhou níveis de caça às bruxas, intolerantes. Se a montadora quer anunciar um carro potente e mostra alguém correndo em duas rodas pelo centro da cidade, pronto, lá estão os defensores das leis de trânsito. É só um anúncio de cerveja mostrar dúzias de gatas de biquíni apaixonadas pelo gordinho de bigode tomando um chopp no boteco, ou jovens completamente em forma se beijarem aos montes para aproveitar o gostinho do refrigerante, que lá vem a patrulha da incoerência. Pô, já não se pode fazer um comercial de loteria em que toda a cidade fica milionária, só porque a chance de alguém ganhar é de uma em 1 milhão?? Pra mostrar que um baton deixa a mulher mais bonita eu não posso colocar uma tribufú com uma plaquinha escrita "antes" e a Gisele Bündchen seminua tatuada "depois"??? É por essas e por outras, que a TV aberta só anuncia empréstimos pessoais a aposentados e funcionários públicos, através de atores não-aposentados e não-funcionários-públicos. "Passa confiança, já que o ator é uma pessoa que nunca fingiria ser algo que não é por dinheiro", me explica um conhecido do ramo. Os anunciantes estão cercados. Se anunciam pra pobre, são populistas, apelativos. Se anunciam pra rico são elitistas, segregadores. Não podem mostrar um carro correndo, não podem mostrar mulher de biquíni, não podem insinuar sexo ou nudez... A patrulha das boas normas nos comerciais talvez devesse tomar uma cerveja antes de assistir TV, ou dar uma volta de carro pra desestressar. De quê precisa um comercial para que ninguém reclame, e ainda assim ele ajude a vender seu produto? Precisa ser honesto, isso é fácil. Ajuda um pouco o bom humor. Evitar estereótipos ou então exagerá-los para que fiquem óbvios, isso também. "Nada disso. Basta o comercial ser politicamente correto", afirma um patrulhista, se revelando. Lembra da tal cartilha do politicamente correto? Não se pode chamar obesos

de baleias, garotas sexualmente desinibidas de piranhas, intelectualmente desfavorecidos de burros, nem aqueles de higiene pessoal duvidosa de porcos. Os animais é que saíram ganhando com isso (para mais piadas sobre a tal cartilha consulte episódio do Casseta & Planeta). Alguém consegue imaginar algo mais inimaginável que o significado da expressão "politicamente correto"? "Subir pra baixo", se você pensar bem, pode fazer sentido, tudo é relativo. Mas "político" e "correto" são termos absolutos, e que não se misturam. Como água e óleo. O que pode ser ao mesmo tempo, político e correto ? Por exemplo, delatar seus amigos pra CPI, confessando os crimes de todos e se fazendo passar por bonzinho... É uma atitude política com certeza, mas é uma atitude correta? E falar das falcatruas da sua (ex-) esposa ou do seu (ex-) marido? É político? Talvez... É correto? Quem sabe... Mas de alguma maneira, forçando a barra, é politicamente correto??? Não de jeito nenhum. Nada é politicamente correto. Assim como nada é Flictz*. Ou melhor, a Lua é flictz. Seria a Lua politicamente correta? Lá de cima... Na calada da noite... Entre as nuvens, branca, pálida... Ou na beirinha do horizonte, grande e amarelada... Mexendo com as marés, causando calores nas donzelas, assanhamento nos rapazes, revelando lobisomens. É só ela aparecer e começam as libertinagens. Se ela se esconder, e a noite ficar ainda mais escura então, aí é que ninguém é de ninguém... Não, a Lua não é politicamente correta. Se a Lua não é, o Sol que é seu oposto, seria? Grande, brilhante, e que tudo revela... Enviando energia infinita... E concorrendo com o Petróleo. Causando câncer de pele, aquecendo a Terra além da conta, derrubando aviões com suas tempestades solares, pronto para engolir todo o sistema solar... Não, tampouco o Sol é politicamente correto. Bom, não vai ser no céu que vamos achar algo politicamente correto. Muito menos em Brasília. Talvez no Vaticano. Não, o Papa não pode ser politicamente correto, até porque não pode ser muito político, precisa defender a doutrina de sua fé. Excluímos também, portanto, padres, bispos, pastores, rabinos, coroinhas e qualquer outra pessoa ligada à qualquer religião. O politicamente correto não tem religião. Nem time, ou partido. Nem cor ou raça. Nem sexo, quer algo mais politicamente incorreto do que simplesmente tocar no assunto sexo? Sexo cada um tem o seu, vamos procurar em outro lugar. Na natureza. O leão é politicamente correto? Comendo zebras e leoas, várias por dia... Dormindo a maior parte do tempo. Não, sem chance. Nenhum carnívoro, nem herbívoro; afinal, as plantas também têm direito à vida.

Peraí... Seria politicamente correto afirmar que algo não é politicamente correto? Estaria eu sendo politicamente incorreto durante todo o texto até agora? Estaria este escritor blogueiro no auge do distúrbio de seus sistemas vestibulares? Tô doido? A busca pelo politicamente correto poderia se transformar, muito bem, numa nova área da filosofia. O politicamente correto não pertence à estética, nem à lógica, nem à metafísica, talvez uma mistura da ética com a política. Talvez seja uma espécie de Santo Graal moderno, que dará poderes plenos de negociação e marketing a quem encontrá-lo. Isso pode ser bem útil, num mundo em que até parabenizar um casal pelo herdeiro que chega é, éticopoliticamente falando, parabenizar alguém por ter feito sexo sem proteção 9 meses atrás... Ao chegar ao pé deste texto, reflito se a quantidade exagerada de perguntas e a completa ausência de um "ponto" ou conclusões não o tornam vazio e inútil, tal qual a busca em questão. Mas lembro, satisfazendo-me, frase minha própria, e a cito, reconfortado: afinal, nenhum livro deveria ter mais respostas que perguntas... . --* Ler Ziraldo; não só Flictz, mas todos dele!! Segura Fenômeno! Essa me contaram, pode ser verdade ou não. Mas reza a lenda que seguiam num vôo comercial qualquer vindo de Belém, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Cafú, Roberto Carlos e outros titulares poupados contra o Chile. Os outros passageiros do vôo custaram a acreditar na cena, tão improvável, e simplesmente olhavam, pasmos. Até que uma senhora se aproxima do Fenômeno: Desculpa, você é aquele jogador de futebol, não é? O Ronaldo? Sô, sim senhora. Você podia me dar um autógrafo? Claro.

E o careca assina o papelzinho e devolve à fã, que de forma simpática, aponta pro sonolento Roberto Carlos e pergunta baixinho: - Aquele ali também é jogador, não é? No que Ronaldo, de bate-pronto: - É sim senhora. É o Dunga. - Ah, bem que eu estava reconhecendo...

Segunda-feira, 17 de Outubro de 2005

VOTE, TALVEZ
Edição Especial: Plebiscito do Desarmamento Atenção: está é uma matéria comprada que não necessariamente está alinhada com a nossa opinião editorial. Os únicos responsáveis por ela são os patrocinadores, cujas identidades serão mantidas em sigilo por puro clichê mercadológico. Não aguento mais receber spam sobre como eu devo votar NÃO. Assim, em MAIÚSCULAS. Como seu eu fosse SURDO. Ou BURRO. "Vote NÃO pela sua segurança". "Vote NÃO e ninguém se machuca". "Vote NÃO e os bandidos vão cagar de medo". Eu fico imaginando que a situação corrente é o não, certo? Hoje em dia qualquer advogado, juiz, despachante ou funcionário público tem uma arma, certo? Basta entender da burocracia da Colônia de Santa Cruz das Províncias do Sul. Qualquer coronel, sinhozinho, benfeitor, bandeirante, qualquer um destes tem uma arma. Sólida, rígida, limpa, cromada, brilhante, fálica, cheia de balas, pronta para cumprir seu dever, seja de expulsar os que ofendam à propriedade a família a honra, seja pra expulsar comunistas comedores de criancinhas. Se a situação está assim como está, não foi por falta de armas... Citam que Hitler desarmou a população "antes de exterminá-la". Que eu me lembre bem (sim, eu nasci há 10 mil anos atrás), Hitler tentou um golpe de estado, fracassou, e então conseguiu ser eleito. Daí ele aproveitou toda a frustração alemã, de ainda pagar pelos danos causados na 1a. Guerra para encontrar um culpado: os estrangeiros (ele mesmo era austríaco!), em especial os judeus, que "sugavam a riqueza do povo", tão sofrido. E então, enquanto ele unia todos os arianos da Europa, canalizou todo o ódio retido e o usou para cadastrar, confiscar, separar, escravizar e então, finalmente, exterminar o povo semita. Portanto, relaxe, o presidente ainda vai criar guetos, campos de trabalho e só então vai exterminar o SEU PRÓPRIO povo, desarmado. Pra quê eu não sei, mas se você não votar NÃO ele vai, claro que vai, é lógico que vai. Afirmam que ter arma em casa é seguro, basta não deixar à vista ou engatilhada. Que os filhos nunca sabem onde o pai guarda a arma. Dizem também que suas filhas de 17 anos são virgens... E que seus filhos não usam drogas. Não, com toda certeza eles nunca, num acesso de abstinência de heroína, pegariam a arma dos pais pra fazer besteira. Falam como se estar armados evitasse assaltos, na rua ou em casa. Quantos policiais morrem em assalto, por causa dessa simples regra: se você está armado tem que sacar; se você sacar, tem que atirar; se você atirar, tem que

matar. O que era um assalto, vira uma tragédia. E você, está preparado pra matar ou morrer pelo seu celular? O bandido está. Alertam que sabendo que ninguém tem armas os bandidos vão fazer a festa... E o que eles estão fazendo agora? A cidade do Rio é mais violenta que a Bagdá de hoje, a Bogotá de ontem e a Chicago dos anos 30. Juntas. Alguém precisa alertar urgente aos bandidos, então, de que hoje existe gente armada ! Dizem também que é preciso ter arma para estar seguro. Eu nunca tive arma, conheço poucas pessoas que têm, mas ninguém nunca sentiu tanta falta delas pra ficar seguro, até tocarem no assunto. Mas aí se chega ao cúmulo desta campanha do des-desarmamento: "Você não precisa estar armado, basta que ALGUÉM esteja". Ótimo, vou andar pelas ruas muito mais seguro sabendo que algumas pessoas estão armadas. Vou relaxar na praia. Vou descer do carro pra discutir o prejuízo muito mais tranquilo. Vou jogar uma partida aguerrida de futebol com toda a serenidade. Vou pular o muro e dar uns pegas na filha do vizinho em paz. Vou saber que meu irmão mais novo está num show no Olimpo ou na Apoteose e vou dormir sereno. Vou ao Maracanã tirar sarro do time perdedor, crente no espírito esportivo do adversário. Por outro lado... Do alto do meu prédio com portaria 24 h, portão eletrônico, rua patrulhada pela PM, câmeras de segurança, vizinhos por perto, não me sinto bem pensando em quem tem uma pequena propriedade no interior do Mato Grosso, do Amapá, do sertão (ser tão longe). Principalmente quando penso que uma facção criminosa menor, frustrada, expulsa do Comando Vermelho, pode resolver se alojar no interior brasileiro, pra ter uma vida mais tranqüila, longe do corre-corre das capitais. Não me sinto bem quando penso que na cidadezinha de Conceiçãozinha Caiu do Leste, o prefeito e o delegado são amigos de infância, e donos das maiores propriedades do local. Ai de quem passar no caminho deles. Não consigo deixar de pensar no exemplo da comunidade carioca (não vou citá-la) que consegue manter o tráfico longe, às custas de muito esforço e coragem. Sem o comércio de armas talvez ela seria mais uma comunidade escravizada pelo poder dos traficantes. Também não consigo acreditar que as dezenas de fuzis americanos, russos, israelenses, austríacos, os lança-foguetes, as bazucas, etc. que estão nas mãos de nossos traficantes sejam fabricadas no Brasil. Porque se forem, nós poderíamos estar ganhando um bom dinheiro vendendo equipamento pro exército americano. Não gosto, tampouco, da idéia de fechar toda a atividade relacionada a armas do país (fábricas, lojas, clubes, etc); emprego é emprego, e o povo precisa de cada um deles...

Portanto... Vou manter minha política e votar em quem sempre voto. Nunca falhou e nunca me arrependi. Tenho certeza que, quando mais pessoas votarem como eu, nossa situação vai melhorar. Só não posso dizer em quem pois não quero fazer apologia ao voto nulo... Moral da história: 1) Não me mande e-mails sobre como eu devo votar. Já não me basta o tempo na TV. 2) Não me mande e-mails ameaçadores, eu não sou burro 3) Não me mande e-mails com maiúsculas, eu não sou cego nem surdo 4) Não finja saber do que você não sabe, deixe essa parte comigo.... 5) Quer ser um super-herói e salvar sua família? Mantenha os jovens longe das drogas e perto do estudo e das camisinhas.

Quinta-feira, 6 de Outubro de 2005

A NOVA

GUERRA DOS SEXOS

Chato de ir ao médico é esperar mais de 1 hora por uma consulta de no máximo 20 minutos. Vai entender. Eles marcam a consulta de 15 em 15 minutos. Às vezes de 10 em 10. Como se nunca fossem ao banheiro ao longo do dia. E como nunca atendem nesse tempo, quem marca pro fim do dia sofre com atrasos enormes. Mas o pior da espera é assistir à novela das 6. Antes era Kubalançando. O que era aquele cara-sem-camisa interpretando 4 papéis? Agora é Alma Gêma. O que é o sotaque do Edu Moscovita e daquela índia italiana? Molhação ainda dá pra aturar. São duas dúzias de adolescentes começando sua carreira artística, e trocando beijos de língua 3 vezes por quadro. Os diálogos se resumem basicamente a planos satânicos para retirar a azeitona de todas as empadas da cantina, ou para explicar porque novamente a cantora vai ter que faltar 2 meses de aula, em turnê com o namorado. Chega a beirar o saudável. Exceto é claro, se o expectador é um adolescente gordinho, ou sem namorada. Aí é um problema que sobra pro psicólogo. Faltam ainda uns casais homossexuais, desses de televisão que são perfeitos: não brigam, não traem, não se desentendem, tudo é felicidade exceto a caretice de quem os cerca. Isso não falta à novela das 8 (aquela que começa às 9h): tem tudo. Homem, menino, mulher, católico, espírita, americano, brasileiro, mexicano, paraguaio, político, policial, bandido, tarado, clepto, papa-anjo, homossexual, bi, tri, boi, vaca, piranha, jacaré, cobra, salsa, pagode, sertanejo, samba, tem até fantasma. Só falta ET. Os ufólogos estão possessos !!! Assistir televisão sempre me faz sentir careta. Eu acho a homossexualidade normal, não tenho nenhum preconceito sobre o que dois adultos saudáveis fazem entre 4 paredes. Só que isso já virou ser careta. A guerra dos sexos deste século deixa qualquer um louco. São os gays contra os bis, as drags contra os trans, os heteros contra os homos, os carecas contra os pittys, os mix contra os fashion, os metro contra os retro... não há local seguro contra os atos terroristas das inúmeras sub-facções armadas. Como os outros homens, nunca tive problemas, por exemplo, em minha mulher ter amigos gays - isso nunca foi ameaça. Até chegar o século XXI: Festa da empresa. Todo mundo muito jovem, moderno. Uma das gatas do escritório tá lá, solta na pista, se acabando de dançar. E os

guerreiros mirando o alvo, trocando planos e definindo quem poderia atacar e quando. Quando novamente se olha pra pista, a menina tá lá se acabando, mas dessa vez se esfregando com um viadinho do marketing. "Ah, é só dança, gente, o cara é boiola". Duas músicas depois os dois estão rolando na parede, aos beijos de língua e mãos nas bundas... - Ué, mas Cycranno (chique ele) não é viado? - É, ué. E daí, viado não pode pegar mulher? As mulheres também não podem mais estar seguras, existem exemplos assustadores: A mulher namora com o cara, sarado, bonito, barba sempre impecável, gentil, compreensivo, inteligente, amante das artes, carinhoso. Sabe tudo de vinho, cozinha, faz as unhas. Sabe dançar muito bem. Aliás, freqüenta festas rave. "Meu namorado é metrosexual" - diz ela. Alguns dias depois sua amiga resolve fazer uma festa louca numa boate gay. "Não tem homem puxando seu cabelo, todo mundo é muito divertido, é uma maravilha, vamos lá". Então tá. Advinha quem estava lá, no meio da pista, sem camisa? "Menina, metrosexual demais seu namorado...". Será que eu devia ser moderno? Eu sentia que podia estar perdendo o bonde da modernidade... Talvez eu devesse tentar. Pra ser moderno hoje em dia, no mínimo, no mínimo, você tem que praticar uma troca de casais, um swing, de quando em vez. Mas lembre-se que isso tem conseqüências... Fulano costumava ir a casas de swing, levando sempre uma acompanhante "profissional". E uma vez lá dentro se deleitava com as acompanhantes dos outros. Fossem amigas, prostitutas, namoradas, esposas, etc, o que importava era fuder com algo que fosse de outra pessoa. Ah, sim, ele era advogado. O fato é que aquilo ultimamente era a única coisa que o deixava excitado (ameaçar processar pessoas inocentes no trânsito e pequenos comerciantes já não gerava aquela sensação de poder), ao ponto de comparecer religiosamente toda semana. Até a última vez... No escurinho do salão, começou uns amassos com a mulher que estava de costas. O encaixe era perfeito, o corpo era maravilhoso, quis conferir o beijo, virou lhe a cabeça e... "Fullannah???" (sim, Fullannah era muito chique). "Fulano???".

Encontrar a esposa na Só Suíngue de Jacarepaguá pode ser traumatizante para qualquer um. Bom, então pra ser moderno eu poderia fazer sexo grupal. Mas o mais perto que cheguei de uma suruba foi um metrô lotado. Tinha um daqueles casais que não se desgrudam um segundo do meu lado, a mulher era bem bonita até, alta, cabelos escuros, e estava completamente pressionada contra mim. Eu estava um pouco tímido, não soube como agir, se abraçava ela por trás, enquanto beijava suavemente sua nuca, ou se agarrava seus cabelos e a puxava para um beijo de língua. O fato é que no instante seguinte, antes que pudesse decidir, fui jogado para a plataforma da estação Central, e não encontrava minhas chaves. Quem não gostou dessa idéia foi a patroa. Careta. Então estava decidido: eu ia partir pra suruba solo. Peguei minha lata de Guaraná Kwat e fui pro bar mais legal da Gávea. Passou 1 hora e nenhuma mulher me agarrou. 2 horas e nada. Nem mesmo a garçonete. Pensei: tem algo errado, no comercial é imediato ! Mandei e-mail pro SAC mas nunca tive resposta. Po, quem poderia dizer que é tão difícil ser sexualmente moderno? Com Internet por aí, orkut, os adolescentes se comendo mutuamente após as aulas (e até durante), por que eu não conseguiria? Se bem que internet é perigoso, quem não soube da história do GarotaoCarioca19 que marcou encontro no shopping com a CoroaQuente40, e terminou esbarrando com sua avó, com uma rosa entre os dentes (40 era o ano de nascimento, não a idade)... Três ou quatro tentativas frustradas depois, desisti e resolvi pedir ajuda pra escrever a coluna. Afinal, a idéia de escrever sobre um macho do século passado querendo se tornar sexualmente moderno sem ter que encostar em outro homem se mostrou vazia. Aparentemente, a pressão em escrever sobre esse assunto, as tensões do dia a dia, a má situação financeira e o excesso de álcool no sangue fizeram este modesto escritor ter ... Bem... Dificuldades em escrever. Porra, isso nunca me aconteceu antes... A mesma dificuldade de chegar ao século XXI da revolução sexual. Acho que finalmente me tornei uma minoria. O bonde da era de Aquário passou, e eu fiquei. É o dilema do homem moderno. Se engorda, é descuidado. Se chega aos 35 sem uma barriguinha de chope já recebe uns olhares de suspeita. Eu sempre disse pra minha esposa que mais vale um gordinho macho que um sarado boiola. Por enquanto permaneço no século XX, talvez até volte ao XIX.

Diálogo Carioca: Dois cidadãos pacatos conversam: - Po, essa cidade tá violenta demais, soube que atropelaram meu irmão ontem? Atravessando o sinal na faixa de pedestres... Não era nem 11 da noite! - Ué, eu soube que foi você quem atropelou ele... - Sim, foi. É que eu não sou maluco de parar em sinal depois das 22 h.... Tá violenta demais essa cidade.

Quinta-feira, 22 de Setembro de 2005

ORDEM, PROGRESSO

Y OTRAS COSITAS MÁS

Estava assistindo o Fla x Flu na quarta, durante o show de uma amiga. É difícil se concentrar nas duas coisas ao mesmo tempo, mas quando o Pet bateu a falta e balançou a rede, o grito não foi em coro com a música. O juiz manda voltar - alívio - e então Tuta, com a mão e impedido, balança a rede novamente. Antes valesse o primeiro... Nesse momento de tristeza, lembrei-me do discurso do Severino. Triste, forte, emocionante. Tive pena dele nesses últimos dias, e não falo brincando, é sério. Porra, pena do Severino? É. Por que não? Lembre que o cara foi colocado ali, presidente da câmara, numa "travessura" dos deputados, pelo desprezo do governo com relação à casa, principalmente ao tal "baixo-clero". O tal nariz empinado do Zé Dirceu, que até voltou à discussão durante a(s) CP(M)I(s). Sim, uma travessura, daquelas que a criança faz pra chamar a atenção da mãe. Tipo colocar fogo no cabelo, ou preparar uma armadilha de urso para o irmão mais novo, ou dar descarga no remédio pra pressão da avó. Inocente assim. Mas a gente mais cedo ou mais tarde aprende que fazer uma fogueira com meio litro de gasolina, e jogar nela um pneu velho amarrado com 5 "cabeçõesde-nego" tem conseqüências... E alguém vai ter que arrumar água pra apagar o incêndio que já se alastra pela cerca de madeira do vizinho. Foi assim com Severino. A piada passou, perdeu a graça, virou um leve constrangimento. Era necessário tirar ele dali. Não antes de humilhá-lo, como se fosse responsável pela própria eleição, seja pra deputado federal, seja pra presidente da câmara. Sim, era necessário to Kill Severino. Assim foi batizada a operação da polícia federal para eliminar o deputado federal pernambucano. A primeira tentativa, em conjunto com o FBI e a CIA, foi mandá-lo para Nova York em pleno 11 de Setembro. Ele passou o dia inteiro na torre do Empire States. Mas nada. Então ofereceram ao sr. Cavalcanti e sua esposa um passeio de carro aberto pelas ruas do Brooklin, Harlem, Soho, Tribeca, com direito a um almoço em Hell's Kitchen. Severino, esperto, trocou esse circuito por um passeio de metrô na Z train Queens bound.

Incansável, a inteligência americana mandou que o levassem para Nova Orleans no dia seguinte, mas mais uma vez o cabra macho percebeu a manobra: "Se for pra ficar coberto de lama, num turbilhão de reviravoltas, e ver o teto cair à minha volta, diga ao povo que volto pra Brasília". E assim foi. Até que um integrante da delegação americana, o contador e advogado criminalista Terry Danislov - o mesmo que ajudou a prender Al Capone - teve uma idéia: "Dizem que no país todo mundo é corrupto, vamos prendê-lo por corrupção!". A equipe brasileira não conseguiu esconder o constrangimento: "Po, seu Danislov, não é bem assim... Primeiro que político não se prende, a gente obriga eles a renunciar. Segundo que se todo corrupto renunciar, o Brasil vai ser governado por uma junta para-militar de escoteiros-mirins..." A começar que todo "convidado" à CPI leva sua autorização para o uso da mentira em defesa própria. "Isso é que é justiça". Até a equipe do FBI gostou. "É o direito à mentira, está na constituição", acrescenta o delegado brasileiro. "Igual aquela coisa da 1a. Emenda que vocês têm por lá". O pessoal da CIA concorda com a cabeça. "Nosso país foi fundado em princípios democráticos de Ordem, Progresso, Mentira e Delação Premiada. Sem isso, não há governabilidade. Sem governo não há poder. E sem poder o negócio fica desinteressante pra maioria...". Só quem não gostou foi o obstinado contador americano, e já era tarde demais para tirar essa idéia da cabeça do gringo. Começou então a busca por provas de corrupção contra Severino. Documentos frios, transferências ao exterior, cartelas de bingo, qualquer coisa serverina, digo, serveria. Mas nada. Até que, finalmente, é encontrado um recibo escrito "Mensalinho" e um cheque com a assinatura: X "Essa era a prova que precisávamos", afirma o contador. O destino de Severino estava traçado. O último nó que faltava era cobrir os gastos da operação. Coincidentemente, a operação Navalha na Droga da Carne obteve os fundos necessários. "Eu voltarei, o povo me absolverá!", brada, em sua renúncia. Kill Severino 2 ? Imperdível... Falando nisso, essa coisa de marketing político tá em alta, depois do esquema revelado pelo Duda Mendonça e Valério-Duto. Os salários podem chegar a 9 mil reais, sem contar o por-fora (que pode chegar a 90 mil). E tem uns prospectos importantíssimos pra próxima eleição: Garotinho. Sim, ele mesmo. Lí na Isto É que um renomado cientista político afirma que só trouxa não acredita na força do semi-bispo radialista. Já circula

pelo meio alguns dos slogans: "Vote Garotinho e vá para o Céu", ou se a coisa esquentar, "Quem não vota em Garotinho vai pro Inferno". Depoimentos como: "Eu votei Garotinho e voltei a andar" também são válidos. E o Lula provavelmente pode protelar contra esse governo corrupto neoliberal e entreguista que aí está, sem mencionar que ele é o governo. E finalmente, o Serra que, pra resolver sua total ausência de carisma e charme, pode se inscrever no BBB 5, no Fama, comer uma buchada de bode com farinha em Caruarú e, o mais importante, nascer de novo! Quem se desesperou com isso, nada tema. Eu sempre votei nulo e as coisas nunca foram melhores. Só me pergunto: chegará o dia em que o brasileiro baterá no peito e dirá: "nunca ouve* um governo tão pouco corrupto como esse!"?? (*sim, do jeito que andam as escolas, o brasileiro mediano dirá assim, sem o "h"). Afinal, até o Flamengo acabou empatando o jogo... Quem sabe o Brasil não se livra do rebaixamento e permanece na terceirona, junto com Bahia e Vitória? PS: Este foi o terceiro episódio da Quadrilogia da Polêmica: Política. O primeiro foi Dinheiro, o segundo Religião. Não perca quinzena que vem, Sexo ! Imperdível ! Cena carioca: Uma campanha vem crescendo pelas ruas, em apoio à comunidade GLS. Se o motorista do carro à sua frente colocar a mão para fora e desmunhecar, buzine!

Quinta-feira, 8 de Setembro de 2005

UM

GRANDE PEQUENO GOLPE

Vinha conversando com um amigo do trabalho sobre o tema da coluna dessa semana. "Tem é que arrumar uma maneira de ganhar dinheiro", ele insiste nisso. Pois é, mas da conversa à ação o caminho é torto... Comentei que havia um objetivo por trás disso aqui. Que eu queria seguidores, quase uma religião. Foi então que surgiu esse tema. Existem algumas novas religiões nos Estados Unidos que vêm ganhando adeptos. A primeira é a teoria do Projeto Inteligente (Intelligent Design), que já está inclusive pra ser ensinada nas escolas. Reafirma o Creacionismo e diz que a ciência até hoje não conseguiu afastar a idéia de um propósito por trás de tudo que é vivo, e que, portanto, toda a Vida foi planejada por um Ser inteligente. Serve pra colocar mais lenha na fogueira em que Darwin queima por aquelas bandas de lá... A segunda nasceu na Web, propõe um novo Creacionismo através do Monstro do Espaguete Voador (Flying Spaghetti Monster). Conta como esse simpático Ser, composto de espaguete e almôndegas, criou e mantém o mundo que conhecemos. A minha proposta também é baseada na Internet, mas não traz respostas fáceis. Em compensação ofereceria várias vantagens. Em primeiro lugar, ao invés do dízimo, o únimo, "apenasmente" 1%. É a religião mais barata do mercado. Você ainda ganha descontos em estabelecimentos conveniados, concorre a prêmios, tudo isso enquanto acumula milhas de viagens. A capital da nova religião mudaria todo ano, e todos os seguidores ficam obrigados a passarem por lá no mês sagrado. Viagem paga, é claro, com o cartão de afinidade da religião e pode usar as milhas acumuladas! O evento seria patrocinado por empresas de telefonia e transmitido via web. Wikipedia é a nossa Bíblia. Você ainda pode orar pelo celular e pagar promessas por e-mails. Novenas via chat. Baixe o podcast do culto e ouça no seu iPod a caminho do trabalho. Quer saber as empresas e produtos aprovados e reprovados da nossa seita? Acesse o website. Acompanhe as atualizações via RSS. Receba diariamente um SMS de fé e esperança. Que tal? Mas se nenhuma delas agradar, não se importe. Nove entre dez novas religiões não sobrevivem ao primeiro ano.

Curtas cariocas O rapaz distribuindo papelzinho ali perto da 13 de maio, estendia a mão esquerda e depois a direita: -- Olha aí, olha aí, vamos lá. Pega dinheiro aqui, faz a festa aqui... Anunciava na primeira mão empréstimos de uma financeira, na segunda os préstimos de um strip club. Isso é que é parceria em publicidade.

Quinta-feira, 25 de Agosto de 2005

TEM 1 REAL ?
Na terra onde quem rouba mas não mata já é considerado gente boa, é um sinal de que as coisas estão melhorando cada vez mais... A questão agora é conter a onda do "tem 1 real". Eu juro que no outro dia um cara melhor vestido que eu me pediu um real. Tá fogo mesmo ! "Que horas tem? Me dá um real ?". Simples e inocente assim. "São duas e meia. Tenho não." No metrô já tem uma fila pra quem vai comprar o bilhete e uma fila de quem vai pedir um real a quem passa. Uma possível explicação é a perseguição ao fumo. Antigamente as pessoas pediam um cigarro. "Tem um cigarro ?". Não podiam ver alguém fumando. Era uma coisa inocente, inofensiva. Apesar de chata. E isso ainda existe qualquer fumante vai confirmar. Mas com essa onda de fumo ser politicamente incorreto, ao invés de cigarro, pedem um real. É politicamente mais correto. Agora que tem menos fumantes no mundo, cigarro pouca gente tem. Um real a maioria tem. Ou deveria ter. Já é uma espécie de bico, de hora extra. No caminho de casa pro trabalho e do trabalho pra casa a pessoa aproveita pra pedir um real a quem passa. Deixou de ser vergonha. É quase uma moda. Tá complicado mesmo. Tem gente que ao menos aparenta estar precisando... mas tem cada um também que você fica besta de ver a cara de pau. Sinceramente, quem precisa de um real ? Um real dá pra uns três pães... sem café. Mas olha o que tem de ONG por aí; tem mais ONG que gente carente o Rio. Se for no interior do estado eu entendo. Em plena Rio de Janeiro, boa coisa a pessoa não vai comprar... E como ficam os mendigos com essa onda ? Tem mendigo que já jaz parte da cidade. Cartão postal. Tem a mulher que chora em frente ao Av. Central, tem o sujo aqui do Passeio, tem a velhinha da Lapa... Tem uma velhinha também que todo dia de manhã tá andando perto do Menezes Cortes. Ai de quem aparecer chorando e pedindo um real no ponto dela ! Se todo mundo pode agora pedir um real, de que adianta ser mendigo ? Quando passa o pessoal do Convento oferecendo ajuda, eles viram a cara. Quanto passa um pessoal da igreja que ajuda aqui também, eles nem ligam. A prefeitura podia oferecer cadastro pra quem pede um real, igual de camelô. Uma espécie de camelódromo, um "medaumrealdromo". As ONGs vão ficar ao redor, e no centro da praça os pedintes em suas barracas, contando suas

histórias. A que você gostar mais, compra ! Pode pagar até no cartão. Aliás, tem 1 real ?