Cap´ ıtulo 32 Variedades

Conte´ udo
Variedades Topol´ ogicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32.1.1 Construindo Variedades Topol´ ogicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32.2 Variedades Diferenci´ aveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32.2.1 Parti¸ c˜ oes da Unidade Diferenci´ aveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32.2.2 A No¸ c˜ ao de Espa¸ co Tangente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32.2.2.1 O Espa¸ co Co-Tangente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32.2.3 Tensores em Variedades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32.2.3.1 Tra¸ cos de Tensores. Contra¸ c˜ ao de ´ Indices . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32.2.3.2 Transposi¸ c˜ ao de Tensores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32.2.4 Aplica¸ c˜ oes Entre Variedades Diferenci´ aveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32.2.4.1 A Diferencial de Uma Aplica¸ c˜ ao Entre Variedades. “Pullback” e “Pushforward” 32.2.4.2 Imers˜ oes, Mergulhos e Subvariedades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32.3 Campos Vetoriais e Tensoriais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32.3.1 A Derivada de Lie . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32.4 Exemplos de Variedades Topol´ ogicas e Diferenci´ aveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32.4.1 Uma Variedade Topol´ ogica Paracompacta n˜ ao Segundo-Cont´ avel . . . . . . . . . . . . 32.4.2 O Gr´ afico de uma Fun¸ c˜ ao Real em Rn . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32.4.2.1 Cones. E Um Estudo de Caso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32.4.3 Superf´ ıcies Regulares em Rn . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32.4.4 As Esferas Sn . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32.4.5 Toros (e Algumas Generaliza¸ c˜ oes) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32.4.6 Espa¸ cos Projetivos Reais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32.4.7 Grupos de Lie . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32.4.8 Fibrados, Fibrados Vetoriais e Principais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ˆ APENDICES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32.A Derivadas de Lie. Prova das Rela¸ c˜ oes (32.70) e (32.81) . . . . . . . . . . . . . . . . . 32.B Derivadas de Lie. Prova da Rela¸ c˜ ao (32.88) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32.1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1484 . 1489 1491 . 1495 . 1497 . 1503 . 1505 . 1507 . 1509 . 1510 . 1510 . 1514 1516 . 1519 1524 . 1524 . 1526 . 1528 . 1529 . 1532 . 1534 . 1537 . 1540 . 1540 1542 1542 1543

no¸ ca ˜o moderna de variedade diferenci´ avel, provavelmente formalizada pela primeira vez por Hassler Whitney1 , em 1936, assumiu grande relevˆ ancia na F´ ısica Te´ orica (particularmente na Teoria de Campos e na Teoria da Relatividade Geral), sendo o objeto central de certas ´ areas da Matem´ atica, como a Topologia Diferencial, a Geometria Diferencial e desempenhando um papel importante em outras, como na Teoria dos Grupos de Lie. Suas origens remontam ` a Geometria Anal´ ıtica criada por Descartes2 , mas foi com os trabalhos de Gauss3 , Riemann4 , 5 Poincar´ e e muitos outros que ideias de natureza geom´ etrica entraram o s´ eculo XX acasaladas a ideias de natureza topol´ ogica. De maneira simplificada, podemos dizer que uma variedade ´ e um espa¸ co topol´ ogico no qual cada ponto possui uma vizinhan¸ ca aberta na qual cada elemento pode ser identificado por um sistema de coordenadas n˜ ao-singulares cont´ ınuo (e, eventualmente, diferenci´ avel). Essa constru¸ c˜ ao ´ e inspirada na no¸ ca ˜o de superf´ ıcie em espa¸ cos Rn . Na realidade, para que uma variedade tenha propriedades n˜ ao-patol´ ogicas e permita certas constru¸ co ˜es matem´ aticas gentis (como, por exemplo, ser metriz´ avel e ter parti¸ co ˜es da unidade) ´ e necess´ ario requerer certas condi¸ co ˜es adicionais ao espa¸ co topol´ ogico, como a de ser Hausdorff, segundo-cont´ avel ou paracompacto.
1 Hassler 2 Ren´ e

Whitney (1907–1989). Descartes (1596–1650). 3 Johann Carl Friedrich Gauß (1777–1855). 4 Georg Friedrich Bernhard Riemann (1826–1866). 5 Jules Henri Poincar´ e (1854–1912).

1483

JCABarata. Curso de F´ ısica-Matem´ atica

Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.

Cap´ ıtulo 32

1484/2069

O presente cap´ ıtulo pretende introduzir as no¸ co ˜es de variedade topol´ ogica e de variedade diferenci´ avel. Tamb´ em introduziremos aqui algumas no¸ co ˜es correlatas, como as de espa¸ co tangente, variedade tangente, espa¸ co cotangente, variedade cotangente, campo vetorial e tensorial. No¸ co ˜es de natureza geom´ etrica, como as de m´ etrica Riemanniana e semi-Riemanniana, geod´ esica, conex˜ ao, curvatura etc., ser˜ ao abordadas no Cap´ ıtulo 33, p´ agina 1546. Sem a pretens˜ ao de fornecer uma lista minimamente digna da extensa e variada literatura devotada aos temas aqui tratados, fornecemos algumas poucas indica¸ co ˜es bibliogr´ aficas ao leitor que valham tanto para o presente cap´ ıtulo quanto para o Cap´ ıtulo 33. Para a teoria geral de variedades topol´ ogicas e diferenci´ aveis e para o estudo geral de Topologia Diferencial e Geometria Diferencial, vide6 [161], [153], [154], [109], [31], [140], [172], [149], [137], [15], [226] ou [227]. Para o estudo de Geometria Riemanniana, vide [168], [38] ou [155]. Para o estudo de Geometria semi-Riemanniana, vide [189]. Para aplica¸ co ˜es ` a teoria dos grupos de Lie, vide [248]. Para o estudo de Geometria Diferencial de curvas e superf´ ıcies, vide [167]. Para um extenso tratamento matem´ atico da Teoria da Relatividade Geral, vide [39]. Para temas matem´ aticos mais espec´ ıficos da Teoria da Relatividade Geral, vide [247], [97], [230], [43] ou [180]. Para aplica¸ co ˜es gerais da Geometria Diferencial ` a F´ ısica, em estilo semi-matem´ atico, vide [185]. * ** *** ** * Quanto ` a organiza¸ ca ˜o deste cap´ ıtulo, optamos por apresentar primeiramente os conceitos, defini¸ co ˜es e os desenvolvimentos te´ oricos b´ asicos, deixando a apresenta¸ ca ˜o e discuss˜ ao de exemplos de variedades topol´ ogicas e diferenci´ aveis para a se¸ ca ˜o final, a Se¸ ca ˜o 32.4, p´ agina 1524. Isso tem a vantagem de n˜ ao interromper os desenvolvimentos gerais e permite tratar os exemplos com mais globalidade, sem discuss˜ oes limitadas a aspectos previamente apresentados. No entanto, o estudante ´ e estimulado a procurar enfronhar-se gradualmente na Se¸ ca ˜o 32.4 desde o in´ ıcio de sua leitura, de modo a colher alguns exemplos relevantes sobre o material apresentado.

32.1

Variedades Topol´ ogicas

Nesta breve se¸ ca ˜o introduziremos a no¸ ca ˜o de variedade topol´ ogica, discutiremos as motiva¸ co ˜es que a ela conduzem e algumas variantes de sua defini¸ ca ˜o, preparando o caminho para a defini¸ ca ˜o de variedade diferenci´ avel. • Bolas abertas em Rn

No que segue, denotaremos por Dn (r, x) ⊂ Rn a bola aberta de raio r > 0 centrada em x ∈ Rn em rela¸ ca ˜o ` a m´ etrica n 1 1 2 n n 2 Euclidiana usual: Dn (r, x) := y ∈ R y − x < r , com y − x = (y − x ) + · · · + (y − x ) . Duas bolas abertas Dn (r, x) e Dn (r′ , x′ ) no mesmo Rn s˜ ao sempre homeomorfas7, com o homeomorfismo f : ′ ′ ′ ´ tamb´ Dn (r, x) → Dn (r , x ) dado por f (y ) = λ y + x − x , sendo λ = r′ /r. E em f´ acil ver que a bola Dn (1, 0) ´ e n n homeomorfa a R , com o homeomorfismo g : R → Dn (1, 0) dado (por exemplo) por     (0, . . . , 0) , se (y 1 , . . . , y n ) = (0, . . . , 0) , 1 n g (y , . . . , y ) := √ 12  tanh (y ) +···+(y n )2   √ 12 y 1 , . . . , y n , de outra forma. n 2
(y ) +···+(y )

Assim, todas as bolas Dn (r, x) s˜ ao homeomorfas entre si e homeomorfas a Rn . • Abertos Euclidianos

Seja (X, τ ) um espa¸ co topol´ ogico. Um τ -aberto ´ e dito ser um τ -aberto Euclidiano de dimens˜ ao n ∈ N0 se for homeomorfo a uma bola aberta Dn (r, 0) ⊂ Rn . Dado um espa¸ co topol´ ogico (X, τ ), denotaremos por E(X, τ, n) ⊂ τ a cole¸ ca ˜o de todos os τ -abertos Euclidianos de dimens˜ ao n. Notar que n˜ ao exclu´ ımos a possibilidade de E(X, τ, n) ser vazio.

O lema t´ ecnico elementar a seguir ser´ a usado posteriormente, mas n˜ ao tem nenhuma relevˆ ancia para o que segue de imediato.
6A 7 Para

ordem dos textos ´ e aleat´ oria e n˜ ao segue nenhuma organiza¸ ca ˜o ou preferˆ encia. a defini¸ ca ˜o de homeomorfismo, vide p´ agina 1426.

JCABarata. Curso de F´ ısica-Matem´ atica

Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.

Cap´ ıtulo 32

1485/2069

Lema 32.1 Seja E um aberto Euclidiano de dimens˜ ao n em um espa¸ co topol´ ogico (X, τ ) e seja h : E → Rn um homeomorfismo. Ent˜ ao, E pode ser escrito como uni˜ ao cont´ avel da imagem por h−1 de bolas abertas em Rn . Se A ∈ τ com A ∩ E = ∅, ent˜ ao tamb´ em A ∩ E pode ser escrito como uni˜ ao cont´ avel da imagem por h−1 de bolas n abertas em R . Prova. Seja D a cole¸ ca ˜o de todos as bolas abertas Dn (r, q ) ⊂ Rn com r ∈ Q+ e q ∈ Qn . A cole¸ ca ˜o D compreende, ´ claro portanto, todas as bolas de raio racional positivo centradas em algum ponto de Rn com coordenadas racionais. E que D ´ e uma cole¸ ca ˜o cont´ avel. Seja G ⊂ Rn um aberto e seja DG o subconjunto de D composto por bolas inteiramente ´ claro que DG ´ contidas em G. E e tamb´ em uma cole¸ ca ˜o cont´ avel e que G pode ser escrito como a uni˜ ao cont´ avel dos elementos de DG . Seja E um aberto Euclidiano e h : E → h(E ) ⊂ Rn um homeomorfismo. Segue facilmente que E pode ser escrito e uma cole¸ ca ˜o cont´ avel. como a uni˜ ao da cole¸ ca ˜o de τ -abertos BE := h−1 Dn (r, q ) , com Dn (r, q ) ∈ Dh(E ) , que ´

Seja agora A ∈ τ e suponhamos A ∩ E = ∅. Afirmamos que tamb´ em A ∩ E pode ser escrito como uni˜ ao de uma sub-cole¸ ca ˜o de BE . De fato, como h ´ e um homeomorfismo, h(A ∩ E ) ´ e um aberto em Rn contido em h(E ). Logo, h(A ∩ E ) pode ser escrito como uma uni˜ ao cont´ avel de bolas em Dh(A∩E ) . A imagem dessas bolas por h−1 ´ e um subconjunto de BE , completando a prova. • Cartas locais

Seja (X, τ ) um espa¸ co topol´ ogico e E(X, τ, n) ⊂ τ a cole¸ ca ˜o de todos os τ -abertos Euclidianos de dimens˜ ao n. Um par (V, h) com V ∈ E(X, τ, n) e com h sendo um homeomorfismo h : V → Dn (rV , 0) para algum rV > 0, ´ e dito ser uma carta local de coordenadas (do aberto V ). Se (V, h) ´ e uma carta local de coordenadas, o τ -aberto Euclidiano V ´ e dito ser uma carta local e o homeomorfismo h ´ e dito ser uma carta de coordenadas de V . • Espa¸ cos localmente Euclidianos

Um espa¸ co topol´ ogico (X, τ ) ´ e dito ser um espa¸ co localmente Euclidiano de dimens˜ ao n se possuir ao menos um recobrimento V por elementos de E(X, τ, n). Assim, um espa¸ co topol´ ogico (X, τ ) ´ e localmente Euclidiano de dimens˜ ao n se para todo x ∈ X existe um τ -aberto V , com x ∈ V , sendo V homeomorfo a Dn (rV , 0) para algum rV > 0.

O sentido intuitivo dessa defini¸ ca ˜o afirma que cada x ∈ X possui uma vizinhan¸ ca aberta V cujos pontos podem ser parametrizados por um sistema de coordenadas reais, associando bijetivamente a cada y ∈ V um conjunto de n coordenadas reais (y 1 , . . . , y n ) ∈ Dn (rV , 0).

E. 32.1 Exerc´ ıcio. Mostre que se (X, τ ) ´ e um espa¸ co localmente Euclidiano de dimens˜ ao n, ent˜ ao (X, τ ) n˜ ao pode ser simultaneamente um espa¸ co localmente Euclidiano de dimens˜ ao m com m = n. • Atlas

Seja (X, τ ) um espa¸ co localmente Euclidiano de dimens˜ ao n. Uma cole¸ ca ˜o de cartas locais de coordenadas A = Vλ , hλ , Vλ ∈ E(X, τ, n), hλ : Vλ → Dn (rVλ , 0), λ ∈ Λ

´ e dita ser um n-atlas, ou simplesmente um atlas, do espa¸ co topol´ ogico (X, τ ) se a cole¸ ca ˜o {Vλ , λ ∈ Λ} for um recobrimento de X e se cada hλ , λ ∈ Λ, for um homeomorfismo de Vλ ∈ E(X, τ, n) em alguma bola aberta Dn (rVλ , 0). Acima Λ ´ e um conjunto em princ´ ıpio arbitr´ ario de ´ ındices usados para rotular os elementos do atlas. Por defini¸ ca ˜o, todo espa¸ co localmente Euclidiano de dimens˜ ao n possui ao menos um n-atlas (e vice-versa). Se A = (Vλ , hλ ), λ ∈ Λ for um n-atlas, cada par (Vλ , hλ ) ∈ A ´ e dito ser uma carta local de coordenadas do atlas A. Se (Vλ , hλ ) ∈ A ´ e uma carta local de coordenadas do atlas A, o τ -aberto Vλ ´ e dito ser uma carta local do atlas A, ou simplesmente uma carta de A, e o homeomorfismo hλ ´ e dito ser uma carta de coordenadas de A. • Fun¸ co ˜es de transi¸ c˜ ao

Dado um atlas A em um espa¸ co localmente Euclidiano (X, τ ), certas cartas locais U e V de A (com homeomorfismos

r). o espa¸ co topol´ ogico (X. h−1 Dn (r′ . Isso mostrou que a reta real com dupla origem (X. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. Como h(x) ∈ Dn (r. portanto. • Espa¸ cos localmente Euclidianos e compacidade local Por serem localmente homeomorfos a espa¸ cos Euclidianos. A fun¸ ca ˜o de transi¸ ca ˜o HU. Cap´ ıtulo 32 1486/2069 hU : U → Dn (rU . se x ∈ R. x + r) composta de um intervalo aberto de largura 2r > 0 ´ e evidentemente homeomorfa a Dn (r. 0). 0) sendo h(y ) = y − x. 0) no aberto hV (U ∩ V ) ⊂ Dn (rV . Seja (X. com r > 0. fun¸ co ˜es de transi¸ ca ˜o desempenham um papel central na introdu¸ ca ˜o de outras estruturas em variedades topol´ ogicas. r = (−r. provando que todo espa¸ co localmente Euclidiano ´ e localmente compacto. a mudan¸ ca das coordenadas definidas por hU nas coordenadas definidas por hV . Todo espa¸ co localmente Euclidiano ´ e localmente metriz´ avel. tomando 0 < r′ < r − h(x) teremos que h(x) ∈ Dn (r′ . h(y ) = Deixamos ao leitor a tarefa (elementar) de provar que as fun¸ co ˜es h de acima e suas inversas    0 . 31. por exemplo. que ela deva ser herdada de espa¸ cos localmente Euclidianos. h(x)) . A propriedade de ser Hausdorff.V representa uma mudan¸ ca de coordenadas em U ∩ V .JCABarata. no entanto. O espa¸ co (X. Sejam x ∈ X e V uma vizinhan¸ ca aberta localmente Euclidiana de x homeomorfa a uma bola Dn (r.7. sua vizinhan¸ ca aberta Vx.1 Todo espa¸ co topol´ ogico localmente Euclidiano ´ e localmente compacto.9.V do aberto hU (U ∩ V ) ⊂ Dn (rU . 0) por um homeomorfismo h : V → Dn (r. Assim. 0). Para o ponto p ∈ X tomamos a vizinhan¸ ca abertas Vp. respectivamente) podem ter uma intersec¸ ca ˜o n˜ ao-vazia. • Espa¸ cos localmente Euclidianos e espa¸ cos Hausdorff • Metrizabilidade local de espa¸ cos localmente Euclidianos Para a continua¸ ca ˜o da discuss˜ ao ´ e interessante observar que nem todo espa¸ co localmente Euclidiano ´ e Hausdorff. Apesar de localmente Euclidiano. r = (x − r. h(x)) ´ e compacto (pois h−1 ´ e cont´ ınua e pelo Teorema 31. todo x ∈ X possui uma vizinhan¸ ca compacta. Prova. Como veremos no Exemplo 32. pois todo aberto que cont´ em p intersecta todo aberto que cont´ em 0. p´ agina 1412. os espa¸ cos localmente Euclidianos herdam daqueles algumas propriedades locais.5. τ ) ´ e localmente Euclidiano de dimens˜ ao 1. vide Se¸ ca ˜o 31. atestada adiante. τ ) um espa¸ co topol´ ogico localmente Euclidiano.1. e o homeomorfismo h : Vp → Dn (r. ´ e uma propriedade global de um espa¸ co topol´ ogico e n˜ ao ´ e claro.V := hV ◦ (hU )−1 : hU (U ∩ V ) → hV (U ∩ V ) . r > 0} ´ e um recobrimento por τ -abertos de X ≡ R ∪ {p}. Em tais casos podemos definir um homeomorfismo HU. h(x)) ´ e compacto e. ou seja. a saber. a saber. p´ agina 1429) e cont´ em a vizinhan¸ ca aberta de x definida por h−1 Dn (r′ . O conjunto Dn (r′ . 0) = (−r. h(x)) para algum r′ > 0 pequeno o suficiente. Como veremos. r). se y = p . 0) tem-se h(x) < r (aqui · ´ e a norma Euclidiana usual de Rn ). Para futura referˆ encia. h−1 Dn (r′ . 0) ser´ a dado por     y . De fato. r . Os homeomorfismos HU. Assim. cada ponto possui uma vizinhan¸ ca homeomorfa a um espa¸ co m´ etrico (pois cada Dn (r. 0) ´ e um espa¸ co m´ etrico com a m´ etrica Euclidiana usual). τ ) (com X ≡ R ∪ {p}) apresentada no Exerc´ ıcio E. como a compacidade local. . 0) ∪ {p} ∪ (0. τ ) ´ e um espa¸ co localmente Euclidiano de dimens˜ ao 1. isso de fato nem sempre ´ e verdade. x ∈ R. enunciemos a seguinte proposi¸ ca ˜o: Proposi¸ c˜ ao 32. p´ agina 1471. 0). h(x)) ⊂ Dn (r. s˜ ao cont´ ınuas. r > 0} ∪ {Vp. estruturas diferenci´ aveis. r . 0) por HU. portanto. Para a no¸ ca ˜o de metrizabilidade e alguns resultados b´ asicos. se y = p . 0) e hV : V → Dn (rV . com o homeomorfismo h : Vx → Dn (r.V s˜ ao denominados fun¸ c˜ oes de transi¸ c˜ ao. Vejamos um exemplo.1 Seja a chamada reta real com dupla origem (X. τ ) n˜ ao ´ e Hausdorff. Tamb´ em deixamos leitor a tarefa (elementar) de provar que a cole¸ ca ˜o {Vx. Exemplo 32.

existˆ encia de parti¸ co ˜es da unidade ´ e importante por garantir a existˆ encia de m´ etricas Riemannianas em variedades diferenci´ aveis e por permitir uma defini¸ ca ˜o de integra¸ ca ˜o de n-formas. ´ ea seguinte: ogica Segundo-Cont´ avel. Variedade Topol´ ogica Paracompacta. respectivamente) mostram que o espa¸ co topol´ ogico denominado reta real com dupla origem ´ e localmente Euclidiano.9.26. p´ agina 1486). A reta real com dupla origem ´ e. de acordo com o Corol´ ario 31. para cada recobrimento por abertos. p´ agina 1271).29. p´ agina 1455). p´ agina 1459) e ´ e metriz´ avel. 2. ´ e um tanto minimalista. p´ agina 1459).9. Uma variedade topol´ ogica paracompacta possui parti¸ co ˜es da unidade subordinadas a recobrimentos por abertos (Teorema 31.58 e 32. segundo-cont´ avel. paracompacto e localmente Euclidiano de dimens˜ ao n ´ e dito ser uma variedade topol´ ogica paracompacta de dimens˜ a o n. de acordo com o Teorema 31. conforme a Proposi¸ ca ˜o 31. p´ agina 1472. Uma condi¸ ca ˜o adicional costumeiramente agregada ´ e a paracompacidade. Pr´ e-Variedade Topol´ ogica. Metrizabilidade (por ser. 4. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. 3. em resumo. 31. 9. Separabilidade (por ser segundo-cont´ avel. vide Teoremas 32. Nota. mas n˜ aoHausdorff.58. Compacidade local (por ser localmente Euclidiana. conforme o Teorema 31. das seguintes propriedades gentis: 1. ◊ • Variedades topol´ ogicas. Hausdorff. Como veremos. Para a formula¸ ca ˜o precisa. ´ e um caso particular da defini¸ ca ˜o anterior.25. 5. Um importante teorema estabelecido em 1936 por Whitney afirma que toda variedade topol´ ogica segundo-cont´ avel de dimens˜ ao n pode ser mergulhada em um espa¸ co R2n . de um espa¸ co localmente Euclidiano. Cap´ ıtulo 32 1487/2069 No Exerc´ ıcio E. p´ agina 1274.26.4. . Variedade Topol´ mente Euclidiano de dimens˜ ao n ´ e dito ser uma variedade topol´ ogica segundo-cont´ avel de dimens˜ a o n. pois pr´ e-variedades topol´ ogicas podem ser espa¸ cos n˜ ao-metriz´ aveis e sem parti¸ co ˜es da unidade. Normalidade (por ser Hausdorff. p´ agina 1461). Um espa¸ co topol´ ogico Hausdorff e localmente Euclidiano de dimens˜ ao n ´ e dito ser uma pr´ e-variedade topol´ ogica de dimens˜ a o n.13. Para evitar tais patologias ´ e necess´ ario agregar ` a defini¸ ca ˜o alguma condi¸ ca ˜o adicional. p´ agina 1516 e seguintes. 7. 8.25. de acordo com a Proposi¸ ca ˜o 26. E. conforme a Proposi¸ ca ˜o 32. Defini¸ co ˜es e discuss˜ ao Chegamos agora a algumas das defini¸ co ˜es que centralizar˜ ao nosso interesse no presente cap´ ıtulo. segundo-cont´ avel e localmente compacta. Existˆ encia de imers˜ oes e mergulhos em certos espa¸ cos Rm . 1274 e 1486. Um espa¸ co topol´ ogico Hausdorff. Defini¸ c˜ ao.31. Assim. acima. ´ e na importˆ ancia da propriedade de metrizabilidade que reside a relevˆ ancia de garantir-se a propriedade de paracompacidade em uma variedade. 26. A no¸ ca ˜o de pr´ e-variedade topol´ ogica. Uma outra defini¸ ca ˜o de interesse ainda maior e que. H´ a outras raz˜ oes para desejar-se a propriedade de paracompacidade. regular e segundo-cont´ avel. mas n˜ ao-Hausdorff. segundo-cont´ avel. como veremos. p´ agina 1461). p´ agina 1473). Defini¸ c˜ ao.1. de modo a garantir a validade de propriedades topol´ ogicas gentis. p´ agina 1456). segundo-cont´ avel e localmente compacta. paracompacta e pelo Teorema 31. de um refinamento cont´ avel e localmente finito por conjuntos abertos relativamente compactos (tamb´ em pelo Teorema 31. Existˆ encia de parti¸ co ˜es da unidade subordinadas a recobrimentos por abertos (por ser Hausdorff. mostramos que a reta real com dupla origem ´ e segundo-cont´ avel. Paracompacidade (por ser Hausdorff.JCABarata. segundo-cont´ avel e localDefini¸ c˜ ao. ♣ Uma variedade topol´ ogica segundo-cont´ avel ´ e dotada. 26. dentre outras.1 (p´ aginas 1412.3 e 32. Um espa¸ co topol´ ogico Hausdorff. Essa u ´ltima afirma¸ ca ˜o decorre do Teorema 31. Desse teorema e do fato de todo espa¸ co localmente Euclidiano ser localmente metriz´ avel segue que uma variedade topol´ ogica ´ e metriz´ avel se e somente se for paracompacta. Regularidade (por ser Hausdorff e localmente compacta. Existˆ encia. 6. A condi¸ ca ˜o de ser Hausdorff n˜ ao pode ser dispensada: os Exerc´ ıcios E.30.

* *** * Para encerrar essa discuss˜ ao. hm ). pois essa propriedade garante a exclus˜ ao de espa¸ cos “patol´ ogicos” sem. geralmente.3. p´ agina 1452. ent˜ comp˜ oe um atlas cont´ avel de (W. Um corol´ ario imediato da Proposi¸ ca ˜o 32. Presentemente. m ∈ N} carta de coordenadas associada a Uλm . sempre que usarmos a express˜ ao “variedade topol´ ogica” sem mais qualificativos teremos em mente “variedade topol´ ogica segundo-cont´ avel” (e. Em verdade. Em verdade. τ ) ser um espa¸ co topol´ ogico Hausdorff localmente compacto e segundo-cont´ avel vale. salvo men¸ ca ˜o em contr´ ario. pois todo espa¸ co topol´ ogico Hausdorff. m ∈ N} ´ e um recobrimento localmente finito de W composto por conjuntos τ -abertos relativamente compactos. τ ) com {Vm . localmente Euclidiano e compacto ´ e segundo-cont´ avel e paracompacto (vide. λ ∈ Λ} possui um refinamento cont´ avel e localmente finito V = {Vm . que {Uλ . em particular. metriz´ aveis e n˜ ao tˆ em. p´ agina 1524. qualquer outro aberto de Rn homeomorfo a tais bolas (por exemplo. N˜ ao demonstraremos esse teorema aqui. a maioria dos autores prefere agregar a propriedade de ser segundo-cont´ avel ` a defini¸ ca ˜o de variedade topol´ ogica. mas o Exemplo 32. Al´ em disso. τ ) possui ao menos um atlas U = {(Uλ . Se hm ≡ hλm ´ Uλm ∈ {Uλ . p´ agina 1454). At´ e o momento. hλ ). p´ agina 1461. p´ agina 1524. por´ em. no entanto. no estudo de Geometrias Lorentzianas (Relatividade Geral). a Proposi¸ ca ˜o 31. os n-cubos abertos (−1. Nas variedades topol´ ogicas paracompactas n˜ aosegundo-cont´ aveis o supracitado teorema de Whitney pode n˜ ao ser satisfeito. Por (W. Cap´ ıtulo 32 1488/2069 Depreende-se da lista acima que toda variedade topol´ ogica segundo-cont´ avel ´ e uma variedade topol´ ogica paracompacta. p´ agina 1459. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. parti¸ co ˜es da unidade subordinadas a recobrimentos por abertos e variedades topol´ ogicas paracompactas que n˜ ao s˜ ao segundo-cont´ aveis possuem uma cole¸ ca ˜o n˜ ao-enumer´ avel de componentes conexas. Na Se¸ ca ˜o 32.5.2 e da Proposi¸ ca ˜o 31. hm ).28. hm ) comp˜ oe uma carta local de coordenadas e {(Vm . λ ∈ Λ}.34. A existˆ encia de tais atlas ´ e um fato freq¨ uentemente empregado em demonstra¸ co ˜es de diversos tipos de assertivas em Geometria Diferencial e. Como V ´ e um refinamento de {Uλ . existe para cada Vm ∈ V um elemento ea e mesmo que Vm ⊂ Vm ⊂ Uλm ). τ ) possui um atlas cont´ avel {(Vm . λ ∈ Λ} tal que Vm ⊂ Uλm (pelo Teorema 31. Resumindo. 0). convencionamos padronizar sua imagem como sendo bolas abertas Dn (rV . pr´ e-variedades topol´ ogicas n˜ ao s˜ ao. 0) ⊂ Rn de raio rV > 0 centradas na origem. m ∈ N} por conjuntos τ -abertos relativamente compactos.1. a validade do teorema de Whitney sob a condi¸ ca ˜o de segundo-contabilidade indica que a no¸ ca ˜o de variedade topol´ ogica segundo-cont´ avel ´ e a que mais se aproxima da no¸ ca ˜o intuitiva de superf´ ıcie. 1)n ou o pr´ oprio Rn ) pode ser empregado na defini¸ ca ˜o.JCABarata. λ ∈ Λ}. h). vale at´ ao (Vm . Um teorema geral. geralmente. naturalmente. dois instrumentos sem os quais o trabalho matem´ atico seria deveras dificultado. Prova. Por ser um espa¸ co topol´ ogico localmente Euclidiano.4. Hausdorff).26. h´ a muito poucos resultados interessantes que podem ser obtidos em espa¸ cos localmente Euclidianos que n˜ ao sejam paracompactos ou Hausdorff. garante que uma variedade topol´ ogica paracompacta ´ e segundo-cont´ avel se e somente se possui um n´ umero cont´ avel de componentes conexas. • Atlas em variedades topol´ ogicas segundo-cont´ aveis A seguinte proposi¸ ca ˜o assegura que toda variedade topol´ ogica segundo-cont´ avel possui ao menos um atlas cont´ avel e localmente finito composto por conjuntos τ -abertos relativamente compactos. a qual subjaz ` a no¸ ca ˜o de variedade e motiva sua defini¸ ca ˜o. apresentamos um exemplo ilustrativo de uma variedade topol´ ogica paracompacta mas n˜ ao segundo-cont´ avel. fa¸ camos um coment´ ario sobre a imagem dos homomorfismos h que definem as cartas locais de coordenadas (V.1. exibe uma instˆ ancia pedag´ ogica que ilustra sua validade. m ∈ N} sendo um recobrimento localmente finito de W composto por conjuntos τ -abertos relativamente compactos. toda variedade topol´ ogica compacta ´ e paracompacta e segundocont´ avel. m ∈ N} tal que {Vm .26. pelo Teorema 31. (W. Daqui por diante deixaremos essas possibilidade em aberto e s´ o especificaremos a imagem de uma carta de coordenadas h se tal for u ´til a algum prop´ osito especial.3.2 Toda variedade topol´ ogica segundo-cont´ avel (W. Daqui para a frente. com h : V → Dn (rV . ´ e o seguinte: . Proposi¸ c˜ ao 32. Como discutimos na Se¸ ca ˜o 31. Sua leitura permitir´ a uma melhor aprecia¸ ca ˜o da distin¸ ca ˜o entre ambas as defini¸ co ˜es. impedir a validade da metrizabilidade e da existˆ encia de parti¸ co ˜es da unidade subordinadas a recobrimentos (paracompacidade). particularmente.

h1 ) e (V1 . Ent˜ ao (Y. X : Y → X definida por i(y ) := y para todo y ∈Y. 2. Suponhamos que (X. p´ agina 1459. τ2 ). existe uma parti¸ ca ˜o da unidade {pm . Cap´ ıtulo 32 1489/2069 Corol´ ario 32. τN ) se for tamb´ em um espa¸ co localmente ´ evidente que toda subvariedade topol´ Euclidiano.16. p´ agina 1337. τ1 × τ2 ). a topologia induzida por τX em Y . τX ) e (Y. m ∈ N} composto por conjuntos τ abertos relativamente compactos. m ∈ N} subordinada a {Vm .15. respectivamente.3 Sejam (X. E ogica de uma variedade topol´ ogica ´ e por si s´ o uma variedade topol´ ogica (por ser localmente Euclidiana.8). h1 ) cartas locais de coordenadas em (X1 . Hausdorff e segundo-cont´ avel).13. definimos a variedade topol´ ogica produto de ambas. p´ agina 1429.1. X : Y → X ser um mergulho topol´ ogico de (Y.34. p´ agina 1274. Dizemos que (M.2. E acil ver que A1 × A2 ´ e um (n1 + n2 )-atlas em (X1 × X2 . E ca ˜o acima pode ser estendida para quaisquer produtos finitos8 de variedades topol´ ogicas. W possui um recobrimento localmente finito {Vm . x2 ) ∈ V1 × V2 seja o produto Cartesiano h1 (x1 ) × h2 (x2 ) contido no produto de abertos h1 (V1 ) × h2 (V2 ) ⊂ Rn1 +n2 .JCABarata. • Subvariedades topol´ ogicas Seja (N. τY ) em (X. denotada por (X1 × X2 . p´ agina 1337. Podemos introduzir em M a topologia τI induzida por τN . τY ) em (X. h1 × h2 ). Sejam X e Y dois conjuntos n˜ ao-vazios com Y ⊂ X . τY ) dois espa¸ cos topol´ ogicos. restri¸ ca ˜o a subconjuntos ou tomada de quocientes. τ2 ). τN ) uma variedade topol´ ogica de dimens˜ ao n e M ⊂ N com M = ∅. 32.8.1 Construindo Variedades Topol´ ogicas Vamos agora brevemente descrever como novas variedades topol´ ogicas podem ser obtidas de outras atrav´ es de certas opera¸ co ˜es. Pela Proposi¸ ca ˜o 32.13. a u ´nica quest˜ ao revelante ´ e saber se (X1 × X2 . com (Vk . τY ) for localmente Euclidiano. X : Y → X for um mergulho topol´ ogico de (Y. p´ agina 1274. como o conjunto formado por todas as cartas locais de coordenadas da forma (V1 × V2 . p´ agina 1424. τ1 × τ2 ). Prova. Prova. com supp pm ⊂ Vm para todo m ∈ N. A fun¸ ca ˜o i ≡ iY. τ ) possui uma parti¸ c˜ ao da unidade cont´ avel composta por fun¸ c˜ oes de suporte compacto. hk ) sendo cartas locais de coordenadas de ´ f´ Ak . A Proposi¸ ca ˜o 29. τ1 ) e (X2 .1 Toda variedade topol´ ogica segundo-cont´ avel (W. k = 1. τ1 ) e (X2 . Logo. sendo que Y ⊂ X (assumimos X e Y n˜ ao-vazios). Segundo as Proposi¸ co ˜es 26. Sejam (V1 .18. τX ) seja uma variedade topol´ ogica. e 31. τX ) segue pela Proposi¸ ca ˜o (29. τI ) ´ e uma subvariedade topol´ ogica de dimens˜ ao m de (N.15.14. supp pm ´ e τ -compacto. onde os abertos s˜ ao os conjuntos da forma A ∩ M . τX ) e se (Y. e 31. Pela hip´ otese de iY. Assim. supp pm ´ e um subconjunto τ -fechado do τ -compacto Vm e. τ2 ) s˜ ao duas variedades topol´ ogicas de dimens˜ oes n1 e n2 . τ2 ). Pela Proposi¸ ca ˜o 31. com A ∈ τN . como tomada de produtos. Se A1 e A2 s˜ ao atlas em (X1 . respectivamente. • Produtos de variedades topol´ ogicas Se (X1 . que as propriedades de ser segundo-cont´ avel e de ser Hausdorff s˜ ao herdadas por topologias produto. p´ agina 8 Para produtos n˜ ao-finitos a propriedade de ser segundo-cont´ avel ´ e geralmente perdida. o espa¸ co topol´ ogico (M. Sabemos pelas Proposi¸ co ˜es 26. τ1 ) e (X2 . p´ agina 1423. respectivamente. τ1 × τ2 ) ´ e localmente Euclidiana. . Vamos agora reformular essas ideias em termos de propriedades da chamada fun¸ ca ˜o inclus˜ ao. Segundo as Proposi¸ co ˜es 26. Defina-se o homeomorfismo h1 × h2 : V1 × V2 → Rn1 +n2 de forma que sua imagem para cada (x1 . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. m ∈ N}. p´ agina 1274. τ1 ) e (X2 . ensina-nos que podemos refrasear a defini¸ ca ˜o de subvariedade topol´ ogica da forma sugerida na seguinte Proposi¸ c˜ ao 32. τY ) ser´ a uma subvariedade topol´ ogica de (X. τX ) se a fun¸ c˜ ao inclus˜ ao iY. que τY = τI . ou fun¸ c˜ ao inclus˜ ao de Y em X . como sendo a variedade topol´ ogica (n1 + n2 )-dimensional constitu´ ıda pelo produto Cartesiano X1 × X2 com a topologia produto τ1 × τ2 . e 31. A variedade topol´ ogica (X1 × X2 . τ1 × τ2 ) assim constituida ´ e denominada variedade topol´ ogica produto das variedades ´ claro que a constru¸ topol´ ogicas (X1 . ´ e denominada inclus˜ ao de Y em X . pela Proposi¸ ca ˜o 31. definimos A1 × A2 . τI ) ser´ a Hausdorff e segundo-cont´ avel.

τY ) em (X. que dispensa demonstra¸ ca ˜o: Proposi¸ c˜ ao 32.2 Seja (X. ent˜ ao tamb´ em ser´ a segundo-cont´ avel. τ / ∼) sobre a cole¸ ca ˜o X/ ∼ de classes de equivalˆ encia por “∼” com a topologia quociente τ / ∼. τ / ∼. k ∈ N ´ e um recobrimento cont´ avel de X/ ∼ por (τ / ∼)-abertos Euclidianos. Seja (X.4. Assim. p´ agina 1466. . (Y. τ / ∼). O resultado a seguir (adaptado de [153]) auxilia nessa tarefa. Segue imediatamente disso que a cole¸ ca ˜o de toda essas tais imagens para todos os k∈N´ e uma cole¸ ca ˜o cont´ avel que recobre todo aberto A ∈ τ / ∼. τ ) for segundo-cont´ avel. τY ) ser´ a uma subvariedade topol´ ogica de (X. Logo. τX ) se a fun¸ c˜ ao inclus˜ ao iY. ´ e cont´ ınua. p´ agina 1485. O espa¸ co topol´ ogico (X/ ∼.1. Como discutimos brevemente na Se¸ ca ˜o 31.2 Seja (X. τ ) um espa¸ co topol´ ogico segundo-cont´ avel. τX ). τY ) ser´ a Hausdorff e segundo-cont´ avel e. com π (x) := [x]. τ / ∼) ´ e localmente Euclidiano. ser´ a uma subvariedade de (X. X : Y → X for um mergulho topol´ ogico de (Y. τ / ∼) ´ e uma variedade topol´ ogica. por sua vez. O seguinte corol´ ario ´ e imediato e dispensa demonstra¸ co ˜es.4 Sejam (X. Como os conjuntos Eλk s˜ ao abertos Euclidianos. existe um sub-recobrimento cont´ avel π −1 Eλk ) ∈ τ. Ent˜ ao. τ / ∼) ´ e denominado espa¸ co topol´ ogico quociente. τ / ∼) seja localmente Euclidiano e Hausdorff. Essa proposi¸ ca ˜o ser´ a usada mais adiante como inspira¸ ca ˜o para a defini¸ ca ˜o de subvariedade diferenci´ avel. τ ) uma variedade topol´ ogica e suponha que o espa¸ co topol´ ogico (X/ ∼. existem homeomorfismos hk : Eλk → Rn para cada k ∈ N. ou indutiva) definida por π . que se (X. provando que (X/ ∼. τY ) duas variedades topol´ ogicas sendo que Y ⊂ X (assumimos X e Y n˜ aovazios). (X/ ∼.3. podem ser escritos como uni˜ ao cont´ avel de imagens por h− k de n uma cole¸ ca ˜o cont´ avel de bolas em R . n . Ele afirma que para sabermos se um espa¸ co quociente de uma variedade topol´ ogica ´ e tamb´ em uma variedade topol´ ogica basta verificar no espa¸ co quociente a propriedade de Hausdorff e a de ser localmente Euclidiano. X/ ∼ pode ser recoberto por um conjunto de (τ / ∼)-abertos Euclidianos Eλ ∈ E X/ ∼. segundo a defini¸ ca ˜o pr´ evia. Como (X/ ∼. Se (X/ ∼. p´ agina 1427. k ∈ N de X . τ / ∼. o espa¸ co topol´ ogico (Y. todo recobrimento de X por τ -abertos possui um sub-recobrimento cont´ avel. Cap´ ıtulo 32 1490/2069 1423. λ ∈ Λ . portanto. a segundo-contabilidade e a propriedade de ser localmente Euclidiana. tal como definido acima. se tamb´ em for localmente Euclidiano. Corol´ ario 32. ou seja.2. τ ) uma variedade topol´ ogica e seja “∼” uma rela¸ ca ˜o de equivalˆ encia em X . portanto. Ainda relevante ´ e a seguinte reformula¸ ca ˜o das afirma¸ co ˜es de acima. ´ evidente que a cole¸ E ca ˜o π −1 Eλ ) ∈ τ. da topologia final (ou forte. para algum conjunto de ´ ındices Λ. Trata-se. seja “∼” uma rela¸ c˜ ao de equivalˆ encia em X e seja o espa¸ co topol´ ogico quociente (X/ ∼. τX ). . um conjunto A ⊂ X/ ∼ ´ e declarado aberto na topologia τ / ∼ se e somente se π −1 (A) ∈ τ . definida como sendo a maior topologia em X/ ∼ para a qual a aplica¸ ca ˜o quociente π : X → X/ ∼.JCABarata. somos geralmente obrigados a verificar a validade das trˆ es propriedades topol´ ogicas definidoras de uma variedade topol´ ogica: a propriedade de Hausdorff. Ent˜ ao. λ ∈ Λ ´ e um recobrimento de X por τ -abertos. ent˜ ao ´ e Lindel¨ of. Pelo Lema 1 32. τ / ∼) for localmente Euclidiano de dimens˜ ao n. ´ e segundo-cont´ avel. n . esses conjuntos A ∩ Eλk . Ent˜ ao. Prova. Lema 32. Seja A ∈ τ / ∼. Podemos definir um espa¸ co topol´ ogico (X/ ∼. Mas isso implica que Eλk ∈ E X/ ∼. τI ) = (Y. ao examinarmos um espa¸ co quociente de uma variedade topol´ ogica. τ / ∼) possui uma base cont´ avel e. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. • Variedades topol´ ogicas quociente Um problema importante na constru¸ ca ˜o de variedades topol´ ogicas ´ e que as propriedades de Hausdorff e segundocontabilidade n˜ ao s˜ ao sempre herdadas por uma topologia quociente. Assim. podemos escrever A como a uni˜ ao cont´ avel de (τ / ∼)-abertos da forma A ∩ Eλk . Sabemos do Corol´ ario 31. τX ) e (Y.

h2 ) s˜ ao cartas compat´ ıveis se V1 ∩ V2 = ∅ ou. portanto. Trata-se. ent˜ ao (V2 . Dois atlas infinitamente diferenci´ aveis A1 e A2 em (X. Alguns autores definem aveis. Vλ′ com Vλ ∩ Vλ′ = ∅ forem difeomorfismos infinitamente diferenci´ aveis de hλ (Vλ ∩ Vλ′ ) ⊂ Rn em hλ′ (Vλ ∩ Vλ′ ) ⊂ Rn . ou infinitamente diferenci´ avel. τ ) ´ e dito ser um atlas infinitamente diferenci´ avel se todas as suas cartas locais de coordenadas forem compat´ ıveis. essa rela¸ ca ˜o de compatibilidade entre cartas induz uma rela¸ ca ˜o de equivalˆ encia entre atlas. A e B sendo supostamente homeomorfos. h1 ). ou seja. Vλ1 ∩ Vλ3 possui um recobrimento {Vλ2 . Um difeomorfismo f : A → B ´ e dito ser de classe C r . estabeleceu que as cartas (Vλ1 . como usual. hλ3 ) ∈ A3 quaisquer s˜ e um atlas. τ ) s˜ ao ditos ser atlas equivalentes se A1 ∪ A2 for um atlas infinitamente diferenci´ avel.2 Variedades Diferenci´ aveis Sejam A e B dois conjuntos abertos de Rn (na topologia m´ etrica usual). se for de classe C r para todo r ∈ N. se todas as fun¸ co ˜es de transi¸ ca ˜o HVλ . Se A ´ e um atlas em (X. hλ3 ) s˜ ao compat´ ıveis. ent˜ a o A2 ´ e equivalente a A1 . k = 1. de uma rela¸ ca ˜o de compatibilidade no sentido da defini¸ ca ˜o da Se¸ ca ˜o 1. τ ) por I ≡ I(X. Vλ3 ´ λ2 ∈ M2 . V2 : h2 ◦ (h1 )−1 n n ´ for um difeomorfismo infinitamente diferenci´ avel de h1 (V1 ∩ V2 ) ⊂ R em h2 (V1 ∩ V2 ) ⊂ R . λ2 ∈ Λ2 } recobre X e. Um difeomorfismo f : A → B ´ e dito ser de classe C ∞ . Uma classe de equivalˆ encias de atlas infinitamente diferenci´ aveis segundo a defini¸ ca ˜o acima ´ e denominada uma estrutura infinitamente diferenci´ avel em (X. provando que A1 ∼ A3 . com isso provamos que HVλ1 . λ2 ∈ M2 } com M2 ⊂ Λ2 . p´ agina 39. h2 ). uma rela¸ ca ˜o de equivalˆ encia entre atlas infinitamente diferenci´ aveis. hλ2 ) e (Vλ3 . h1 ) ´ e compat´ ıvel com (V2 . Rela¸ c˜ ao de equivalˆ encia entre atlas diferenci´ aveis • Cartas compat´ ıveis • Difeomorfismos em Rn Seja (X. caso V1 ∩ V2 = ∅. se f e f −1 forem r-vezes diferenci´ aveis. r ∈ N. hλk ). e um com λ2 ∈ M2 .2. se todas as cartas locais de coordenadas de A1 forem compat´ ıveis com todas as cartas locais de coordenadas de A2 . τ ). se a fun¸ ca ˜o de transi¸ ca ˜o HV1 . Vλ2 ◦ HVλ2 . Para ver isso. que ´ difeomorfismo infinitamente diferenci´ avel. hλ2 ) ∈ A1 e (Vλ3 . Vλ1 ∩ Vλ3 = ∅. note-se que ´ e evidente pela defini¸ ca ˜o que todo atlas infinitamente diferenci´ avel ´ e equivalente a si mesmo e que se um atlas infinitamente diferenci´ avel A1 for equivalente a um atlas infinitamente diferenci´ avel A2 . τ ). Essa ´ e. sua classe de equivalˆ encia ´ e dita ser a estrutura infinitamente diferenci´ avel gerada por A. Denotaremos uma estrutura infinitamente diferenci´ avel em (X. A fun¸ transi¸ ca ˜o HVλ1 . Como veremos logo adiante. Cap´ ıtulo 32 1491/2069 32. junto com suas inversas. s˜ ao infinitamente diferenci´ . difeomorfismos como sendo aplica¸ co ˜es que. Dizemos que duas cartas locais de coordenadas (V1 . ou seja. 3. conclu´ ımos que HVλ1 . Um homeomorfismo f : A → B ´ e dito ser um difeomorfismo se f e f −1 forem diferenci´ aveis9 . • Atlas infinitamente diferenci´ aveis. h2 ) ´ e compat´ ıvel com (V1 . por ser a composi¸ ca ˜o de dois difeomorfismos infinitamente diferenci´ aveis. Vλ1 . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. n˜ ao h´ a uniformidade dessa defini¸ ca ˜o na literatura. Como A2 ´ Vλ1 ∩ Vλ3 = ∅ as cartas s˜ ca ˜o de {Vλ2 . com A1 ∼ A2 e A2 ∼ A3 . Caso que duas cartas (Vλ1 . Seja (X. ou seja. Vλ3 = hλ3 ◦ (hλ2 )−1 ◦ hλ2 ◦ (hλ1 )−1 = HVλ3 . ent˜ ao.JCABarata. por fim. lamentavelmente. τ ) uma variedade topol´ ogica segundo-cont´ avel de dimens˜ ao n. Sejam trˆ es atlas Ak = {(Vλk . Desejamos provar ao compat´ ıveis no sentido da defini¸ ca ˜o da acima. h1 ) ´ e compat´ ıvel consigo mesma e que se (V1 . 9 O leitor deve ser advertido do fato que. E evidente que toda carta (V1 . 2. e como os Vλ2 com λ2 ∈ M2 recobrem Vλ1 ∩ Vλ3 e hλ1 ´ infinitamente diferenci´ avel em todo aberto hλ1 (Vλ1 ∩ Vλ3 ). hλ ).1. h1 ) e (V2 . de fato. Com e um difeomorfismo infinitamente diferenci´ avel em todo aberto hλ1 (Vλ1 ∩ Vλ3 ∩ Vλ2 ). τ ) uma variedade topol´ ogica segundo-cont´ avel de dimens˜ ao n.1. Isso. a fam´ ılia de cartas locais ao compat´ ıveis. λk ∈ Λk }. se f e f −1 forem r-vezes diferenci´ aveis para todo r ∈ N. Vλ3 = hλ3 ◦ (hλ1 )−1 : hλ1 (Vλ1 ∩ Vλ3 ) → hλ3 (Vλ1 ∩ Vλ3 ) quando restrita a cada aberto hλ1 (Vλ1 ∩ Vλ3 ∩ Vλ2 ). A uni˜ ao de todos os atlas pertencentes ` a estrutura infinitamente diferenci´ avel gerada por A ´ e dito ser o atlas maximal gerado por A. Suponhamos. λ ∈ Λ} em (X. τ ). Denotamos a equivalˆ encia de dois atlas A1 e A2 por A1 ∼ A2 . Vλ3 ´ e um difeomorfismo e bijetora. pode ser escrita como HVλ1 . Um atlas A = {(Vλ . portanto. • Estruturas infinitamente diferenci´ aveis A uni˜ ao de todos os atlas de uma dada estrutura infinitamente diferenci´ avel I ´ e dita ser o atlas maximal de I. O u ´ nico ponto sutil ´ e a transitividade.

Diz-se que duas variedades topol´ ogicas M1 e M2 s˜ ao idˆ enticas m´ odulo homoemorfismos. No¸ co ˜es an´ alogas existem para difeomorfismos suaves: duas variedades diferenci´ aveis (M. respectivamente. se existir um difeomorfismo (suave) f : M1 → M2 . onde (X. τ. ou seja. IN ) s˜ ao ditas ser variedades suavemente difeomorfas se existir um difeomorfismo suave f : M → N . h ) ∈ A M2 M1 α α α β β β m1 1 2 m2 abertos h1 nos abertos h2 forem diferenci´ aveis. Com um certo abuso de linguagem. assim. Sejam I1 e I2 duas estruturas diferenci´ aveis em uma mesmo conjunto M e suponha que (M. Sejam M1 e M2 duas variedades 2 2 1 diferenci´ aveis de dimens˜ ao m1 e m2 . Sejam AM1 = {(A1 α . hα ). Dada uma cole¸ ca ˜o de variedades diferenci´ aveis M = {(Mγ . IM ) e (N. Sejam M1 e M2 duas variedades diferenci´ aveis dotadas de estruturas infinitamente diferenci´ aveis IM1 e IM2 . IM ) e (N. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. respectivamente. hβ ). ou uma variedade de classe C ∞ . τ. respectivamente. As classes de equivalˆ encia de M por essa rela¸ ca ˜o s˜ ao ditas classes de difeomorfia. I) (omitindo a topologia). Um difeomorfismo f : M1 → M2 ´ e dito ser um difeomorfismo suave. Uma fun¸ ca ˜o f : M1 → M2 ´ e dita ser um difeomorfismo entre (M1 . se existir um homeomorfismo f : M1 → M2 . . a rela¸ uma rela¸ ca ˜o de equivalˆ encia em M. ou que possuem o mesmo homeotipo. dizer. E aveis I1 e I2 s˜ ao (suavemente) difeomorfas ou que s˜ ao idˆ enticas m´ odulo difeomorfismos (suaves). uma classifica¸ ca ˜o de variedades diferenci´ aveis de acordo com as mesmas. τ ). Duas variedades diferenci´ aveis (M. IN ) s˜ ao ditas ser variedades difeomorfas se existir um difeomorfismo ca ˜o de difeomorfia estabelece f : M → N . o fato de que atrav´ es da introdu¸ ca ˜o de coordenadas locais. γ ∈ Γ}. I2 ) sejam ´ comum nesse caso. se forem (suavemente ) difeomorfas. I) simplesmente por (X. se forem homeomorfas. • Hometipos e difeotipos H´ a uma nomenclatura variada a respeito dessas no¸ co ˜es com a qual o estudante deve se familiarizar. Note-se que para que f seja um homeomorfismo ´ e necess´ ario que M1 e M2 tenham a mesma dimens˜ ao. se f e sua inversa f −1 forem infinitamente diferenci´ aveis (no sentido da defini¸ ca ˜o acima). IM1 ) e (M2 . ou que possuem o mesmo difeotipo (suave). h ) ∈ A dita ser diferenci´ avel se para todas as cartas locais (A1 . Cap´ ıtulo 32 1492/2069 • Variedade infinitamente diferenci´ avel Uma variedade topol´ ogica segundo-cont´ avel que admite ao menos um atlas infinitamente diferenci´ avel ´ e dita ser uma variedade infinitamente diferenci´ avel. com um certo abuso de linguagem. uma variedade infinitamente diferenci´ avel ´ e uma tripla (X. IM2 ) se for um homeomorfismo e se f e sua inversa f −1 forem diferenci´ aveis (no sentido da defini¸ ca ˜o acima). por vezes. Mais precisamente. podemos considerar fun¸ co ˜es entre variedades como fun¸ co ˜es de abertos de algum Rm em algum Rn . ou seja. meramente dizer a mesma coisa com palavras distintas. ou um difeomorfismo infinitamente diferenci´ avel. a despeito do fato de. que as estruturas diferenci´ (suavemente) difeomorfas. • Aplica¸ co ˜es diferenci´ aveis entre variedades diferenci´ aveis A no¸ ca ˜o de diferenciabilidade de fun¸ co ˜es de Rm em Rn ´ e bem conhecida e podemos generaliz´ a-la para fun¸ co ˜es entre variedades diferenci´ aveis usando. α ∈ Λ1 } e AM2 = {(Aβ . da´ ı a relevˆ ancia dessa no¸ ca ˜o. • Difeomorfismos entre variedades Uma no¸ ca ˜o de grande relevˆ ancia ´ e a de difeomorfismo entre variedades infinitamente diferenci´ aveis. Um outro abuso de linguagem freq¨ uentemente adotado ´ e o de denominar “variedade infinitamente diferenci´ avel” simplesmente por “variedade diferenci´ avel”. I). para tal. α (Aα ) ⊂ R β (Aβ ) ⊂ R ´ f´ a em E acil constatar que se ϕ ´ e diferenci´ avel em rela¸ ca ˜o aos atlas infinitamente diferenci´ aveis AM1 e AM2 ela o ser´ rela¸ ca ˜o a quaisquer outros atlas das mesmas respectivas estruturas infinitamente diferenci´ aveis. IMγ ). iremos nos referir freq¨ uentemente a uma variedade infinitamente diferenci´ avel (X. como ´ e f´ acil constatar. τ ) ´ e uma variedade topol´ ogica segundo-cont´ avel e I ´ e uma estrutura infinitamente diferenci´ avel em (X. Tais simplifica¸ co ˜es ocorrem tipicamente quando se fazem afirma¸ co ˜es onde a topologia e a estrutura infinitamente diferenci´ avel especificamente consideradas est˜ ao impl´ ıcitas. β ∈ Λ2 } atlas infinitamente diferenci´ aveis em M1 e M2 . Muitas propriedades de variedades diferenci´ aveis podem ser estabelecidas dentro de classes de difeomorfia e permitem. Uma fun¸ ca ˜o cont´ ınua ϕ : M1 → M2 de M1 em M2 ´ e 2 1 −1 2 2 1 as aplica¸ c o ˜ es h ◦ ϕ ◦ ( h ) dos e ( A .JCABarata. Diz-se que duas variedades diferenci´ aveis M1 e M2 s˜ ao idˆ enticas m´ odulo difeomorfismos (suaves). ou mesmo por X (omitindo tamb´ em a estrutura infinitamente diferenci´ avel). I1 ) e (M. As correspondentes classes s˜ ao denominadas classes de difeomorfia suave.

em. τR . onde h1 : R → R ´ e a carta de coordenadas dada por h1 (x) = x (a aplica¸ ca ˜o identidade em R). h1 ).JCABarata. As variedades diferenci´ aveis M1 e M2 . denominada reta real padr˜ ao. seja f : M1 → M2 dada por f (x) = x1/3 . E em. E. 2. O trabalho original ´ e John Milnor. The Annals of Mathematics. portanto. verdade (mas nada obvio) que pode haver v´ ´ arias estruturas infinitamente diferenci´ aveis n˜ ao-suavemente difeomorfas em uma variedade topol´ ogica segundo-cont´ avel. portanto. nem toda ´ por´ variedade topol´ ogica segundo-cont´ avel possui uma estrutura infinitamente diferenci´ avel. τR . M1 = (R. x0 ) hk. mas n˜ ao o mesmo difeotipo. s˜ ao distintas. seja Ik. Novamente. ainda assim equivalentes para os prop´ ositos da An´ alise de Variedades Diferenci´ aveis. a multiplicidade de estruturas infinitamente diferenci´ aveis n˜ ao-suavemente difeomorfas s´ o pode ocorrer em variedades diferenci´ aveis de dimens˜ ao 4 ou mais. Considere-se a reta real R com a topologia usual τR . Considere-se o atlas A1 composto de uma u ´nica carta local de coordenadas (R. mas considere-se o atlas A2 composto de uma u ´nica carta local de coordenadas (R. De fato. onde h2 : R → R ´ e a carta de coordenadas dada por h2 (x) = x3 . Quando duas cartas locais de coordenadas (R. V1 e V2 devem ser entendidas como sub-variedades de M1 e M2 . a carta local de coordenadas (R. No. Fa¸ camos uma breve discuss˜ ao sobre essa profunda quest˜ ao. a qual n˜ a o 1 2 2 derivada diverge em x = 0). τR . x0 = (R. Seja a reta real R com a topologia usual τR . I1 ) comp˜ oe uma variedade diferenci´ avel. Ent˜ ao. I2 ) comp˜ oe novamente uma variedade diferenci´ avel. Considere-se agora uma segunda constru¸ ca ˜o. Historicamente. x0 (x) = (x − x0 )2k−1 . Tome-se a reta real R com a topologia usual τR . onde hk. x0 (com k ∈ N e x0 ∈ R) e a carta de coordenadas dada por composto de uma ´ unica carta local de coordenadas (R. h2 ). h2 ). o primeiro exemplo encontrado de uma variedade que admite mais de uma estrutura diferenci´ avel m´ odulo difeomorfismos suaves foi a esfera S7 . Cap´ ıtulo 32 1493/2069 • Difeomorfismos locais Sejam M1 e M2 duas variedades diferenci´ aveis. 399-405 (1956). que as duas variedades diferenci´ aveis acima s˜ ao suavemente difeomorfas. x0 ). por´ Vemos disso que mesmo a reta real pode admitir mais de uma estrutura diferenci´ avel distinta. ´ de se notar. • Multiplicidade de estruturas diferenci´ aveis m´ odulo difeomorfismos suaves Nem toda variedade topol´ ogica segundo-cont´ avel admite um atlas infinitamente diferenci´ avel e. ´ f´ De fato. f : M1 → M2 ´ e um difeomorfismo suave. possuem o mesmo difeotipo. Claro est´ a que duas variedades diferenci´ aveis com o mesmo difeotipo tˆ em tamb´ em o mesmo homeotipo. 32. portanto. Willard Milnor (1931–). portanto. entre si? Mostre que as diferentes variedades Mk. A quest˜ ao relevante que se coloca. Ik. hk. pois possuem estruturas diferenci´ aveis distintas. Ambas as fun¸ co ˜es s˜ ao infinitamente diferenci´ aveis e. x0 : R → R ´ avel ` a qual Ak. ´ e saber se pode haver variedades diferenci´ aveis que possuam o mesmo homeotipo. E. pois a fun¸ ca ˜o de transi¸ ca ˜o 1 −1 1/3 h1 ◦ h− ´ e uma fun¸ c a ˜ o diferenci´ a vel de R em R (sua ´ e dada na carta local comum R por h ◦ h ( x ) = x . Segundo teoremas demonstrados por Radon10 e outros (vide [175]). x0 s˜ Aprendemos do exemplo das variedades M1 e M2 . que um mesmo espa¸ co topol´ ogico como (R. respectivamente (verifique!). mas que pode ocorrer que as respectivas variedades diferenci´ aveis sejam suavemente difeomorfas e. x0 pertence e seja Mk. • Exemplos na reta real R Vamos discutir um exemplo simples e importante e que deve esclarecer certas ideias. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. acima. A esfera S7 admite 15 estruturas infiniKarl August Radon (1887–1956). Seja I2 a estrutura diferenci´ avel ` a qual A2 pertence. Ent˜ ao. E acil ver que f ´ e um homeomorfismo (verifique!) e temos que 1 −1 1 1 −1 h2 ◦ f ◦ h− : R → R e sua inversa h ◦ f ◦ h : R → R s˜ a o dadas por h2 ◦ f ◦ h− (x) = x e h1 ◦ f −1 ◦ h− (x) = 1 1 2 1 2 x. M2 = (R. respectivamente. mas considere-se o atlas Ak. 64. 11 John 10 Johann . acima. Seja I1 a estrutura diferenci´ avel ` a qual A1 pertence. Aqui. “On Manifolds Homeomorphic to the 7-Sphere”. τR ) pode admitir mais de uma estrutura diferenci´ avel. hk. x0 ) e (R. x0 a estrutura diferenci´ a correspondente variedade diferenci´ avel. Uma fun¸ ca ˜o f : M1 → M2 ´ e dita ser um difeomorfismo local em um ponto p ∈ M1 se existirem vizinhan¸ cas V1 de p e V2 de f (p) tais que f : V1 → V2 ´ e um difeomorfismo. descoberta feita por Milnor11 em 1956. h1 ) ´ e incompat´ ıvel com a carta local de coordenadas (R. ou seja. x′ ) s˜ ao compat´ ıveis 0 ao suavemente difeomorfas.2 Exerc´ ıcio. hk′ .

denotada por (X1 × X2 . mas o espa¸ co R 4 admite uma cole¸ ca ˜o n˜ ao-cont´ avel de estruturas diferenci´ aveis m´ odulo difeomorfismos suaves. ent˜ ao elas s˜ ao tamb´ em C l -difeomorfas. De maneira an´ aloga podemos definir variedades de classe C k . k = 1. onde Ak pertence ` a estrutura infinitamente diferenci´ avel Ik . I1 × I2 ). Grav. Analogamente. Sabe-se hoje. portanto. τ1 . 2. τ. chamarmos a aten¸ ca ˜o do leitor para o seguinte resultado: Teorema 32. as quais s˜ ao (globalmente) homeomorfas a R4 mas n˜ ao difeomorfas ao mesmo. mas essa no¸ ca ˜o de diferenciabilidade de fun¸ co ˜es depende da estrutura diferenci´ avel I adotada. h1 × h2 ). uma pequena mas crescente literatura. 100. Cap´ ıtulo 32 1494/2069 tamente diferenci´ aveis n˜ ao-difeomorfas (ou 28 se levarmos em conta homeomorfismos que alteram a orienta¸ ca ˜o de S7 ). E em. A demonstra¸ ca ˜o desse teorema pode ser encontrada em [109]. dizemos que f : X → R ´ e 12 Michael Hartley Freedman (1951–). 34. vide [109]. o mesmo afirma que para a maioria dos prop´ ositos estruturais o estudo de variedades de classe C ∞ engloba o de variedades de classe C k . Donaldson. Journal of Differential Geometry 17 (3): 357–453 (1982). 13 Sir Simon Kirwan Donaldson (1957–). O produto A1 × A2 . No presente texto consideraremos apenas variedades de classe C ∞ . I1 ) e (X2 . Toda variedade de classe C k ´ e difeomorfa14 a uma variedade de classe C ∞ . vide [21]). um c´ elebre resultado obtido por Freedman12 e Donaldson13 entre 1982 e 1983. e. ´ e uma quest˜ ao em aberto saber se a existˆ encia de estruturas infinitamente diferenci´ aveis n˜ ao-difeomorfas em uma dada variedade topol´ ogica. Gen. Se duas variedades de classe C forem C -difeomorfas. n Os espa¸ cos R com n = 4 admitem uma u ´nica estrutura diferenci´ avel m´ odulo difeomorfismos suaves. Math. I) uma variedade infinitamente diferenci´ avel (ou de classe C k ). 81–84 (1983). [14] e veja tamb´ em E. 14 A no¸ ca ˜o de difeomorfismo entre variedades encontra-se definida ` a p´ agina 1492. Math. Bull. com (Vk . fazendo uso da regra de Leibniz. definimos a variedade produto de ambas. mas ´ e de se acreditar que sim. “Self-dual connections and the topology of smooth 4-manifolds”. a respeito desse tema. λ ∈ Λ um atlas de I. Mais que isso. 8 . que a existˆ encia de m´ etricas de Einstein (solu¸ co ˜es das equa¸ co ˜es de Einstein no v´ acuo) em quatro dimens˜ oes depende do difeotipo (n˜ ao do homeotipo) da variedade considerada e. da´ ı denominarmos tais variedades como variedades de classe C ∞ . H´ a. I) uma variedade diferenci´ avel e seja A = (Vλ . • Produtos de variedades diferenci´ aveis Se (X1 . 2. Seja l k 1 ≤ k < l ≤ ∞. Para uma discuss˜ ao mais detalhada sobre estruturas infinitamente diferenci´ aveis. K. que as fun¸ co ˜es de transi¸ ca ˜o associadas ao produto de cartas locais de coordenadas s˜ ao diferenci´ aveis. E acil constatar (fa¸ ca-o!) que essa defini¸ ca ˜o independe do particular atlas A tomado em I. ´ um exerc´ E ıcio simples mostrar. . τ2 . Grosseiramente. pois leis f´ ısicas s˜ ao usualmente expressas em termos de equa¸ co ˜es diferenci´ aveis e. como sendo aquelas que admitem fun¸ co ˜es de transi¸ ca ˜o apenas k -vezes ´ importante. portanto. da classe de equivalˆ encia das estruturas diferenci´ aveis m´ odulo difeomorfismos (para o caso Riemanniano. Freedman. Phys. x2 ) ∈ V1 × V2 ´ e o produto Cartesiano h1 (x1 ) × h2 (x2 ) contido no produto de abertos h1 (V1 ) × h2 (V2 ) ⊂ Rn1 +n2 . Rel. 197–229 (1985) ou Torsten Aßelmeyer and Carl H. hλ ). Witten. ´ e o atlas formado por todas as cartas da forma (V1 × V2 .1 Seja 1 ≤ k < ∞. possui relevˆ ancia. Amer. Commun. 1767 (2002). “Cosmological Anomalies and Exotic Smoothness Structures”. Vide. τ. H. devem ser formuladas em estruturas infinitamente diferenciais espec´ ıficas. A referˆ encia original ´ e: S. Soc. por exemplo. como tais. k = 1. com k ∈ N. Uma fun¸ ca ˜o f : X → R ´ e dita 1 n ser diferenci´ avel segundo a estrutura diferenci´ avel I se para toda carta de coordenadas hλ de A a fun¸ ca ˜ o f ◦ h− : R →R λ ´ f´ for diferenci´ avel. O homeomorfismo h1 × h2 ´ e definido em V1 × V2 e sua imagem para cada (x1 . “Global Gravitational Anomalies”. Em F´ ısica. por´ diferenci´ aveis.g. E e o presente (2012) uma quest˜ ao em aberto saber quantas estruturas infinitamente diferenci´ aveis n˜ ao-difeomorfas existem na esfera S4 . Brans. se (X. I2 ) s˜ ao duas variedades diferenci´ aveis de dimens˜ oes n1 e n2 . • Fun¸ co ˜es diferenci´ aveis em variedades diferenci´ aveis Seja (X. particularmente no contexto da Teoria da Relatividade Geral. • Variedades de classe C k Na defini¸ ca ˜o de variedade diferenci´ avel que apresentamos acima as fun¸ co ˜es de transi¸ ca ˜o s˜ ao supostas serem infinitamente diferenci´ aveis. por sua vez. A referˆ encia original ´ e: M.. hk ) sendo cartas locais de coordenadas de Ak . “The topology of four-dimensional manifolds”. τ1 × τ2 .JCABarata. como sendo a variedade (n1 + n2 )-dimensional constitu´ ıda pelo produto Cartesiano X1 × X2 com a topologia produto τ1 × τ2 e com a estrutura infinitamente diferenci´ avel denotada por I1 × I2 gerada pelo atlas A1 × A2 . ocorrem em 4 dimens˜ oes infinitas variedades ditas ´ at´ ex´ oticas. respectivamente. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.

. . Vamos considerar um refinamento B′ ≡ {Bλ . Alguns autores optam tamb´ em por assumir que o atlas utilizado para especificar uma variedade diferenci´ avel seja um atlas maximal. em [248] e [31]. Por constru¸ ca ˜o. para algum rλ > 0.JCABarata. . ∀k ∈ {1. xc ) ≡ xc . 0) ⊂ Rn o hipercubo fechado de arestas 2ℓ centrado na origem: Kn (2ℓ. n˜ ao pela apresenta¸ ca ˜o de uma estrutura diferenci´ avel completa. Escolhendo r ≡ r (c. Esse fato ´ e de especial relevˆ ancia em diversas considera¸ co ˜es de natureza estrutural sobre variedades diferenci´ aveis (como na demonstra¸ ca ˜o de existˆ encia de m´ etricas Riemannianas e na teoria de integra¸ ca ˜o de n-formas) e dele trataremos na presente se¸ ca ˜o. cada Bλ ∈ B est´ a no dom´ ınio de alguma carta local hλ de A. . Note-se que. com Cm ⊂ Cm ⊂ Bλm e seja c ∈ Cm ⊂ Bλm . . sem perda de generalidade. que uma variedade diferenci´ avel seja especificada. Para cada r > 0 a fun¸ ca ˜o fr : R → [0. Como M ´ localmente finito B ≡ {Bλ . Discuss˜ oes semelhantes podem ser encontradas. n} . cont´ avel e localmente finito. que ´ e compacto. 32. λ ∈ Λ3 e. O mesmo vale para a fun¸ ca ˜o gr : Rn → [0. Como observado ` a p´ agina 1487. ´ e cont´ ınua. o hipercubo fechado Kn (2rλ . Essa precau¸ ca ˜o pode ser u ´ til ao simplificar certas coisas. 1 (x − r )2 . xn ). mas apenas por um atlas. . B possui um refinamento C ≡ {Cm . . r]). como facilmente ´ de se se constata. Cap´ ıtulo 32 1495/2069 1 n infinitamente diferenci´ avel (k -vezes diferenci´ avel) segundo a estrutura diferenci´ avel I se todas as fun¸ co ˜es f ◦ h− λ :R →R forem infinitamente diferenci´ aveis (k -vezes diferenci´ aveis). de sorte que fica subentendido que a estrutura diferenci´ avel adotada ´ e aquela que cont´ em o atlas utilizado. se |x| ≥ r . . . . ′ Prova. E observar que o suporte de gr ´ e Kn (2r. toda variedade topol´ ogica segundo-cont´ avel possui parti¸ co ˜es da unidade subordinadas a recobrimentos por abertos. xn ) := fr (x1 ) · · · fr (xn ). Aqui para todo ℓ > 0 denotamos por Kn (2ℓ. 0). 0) de Rn (n sendo a dimens˜ ao de M ). ∞) dada por     exp − 1 2 − ( x +r ) fr (x) :=    0. .. hα . por constru¸ ca ˜o. e. s˜ ao infinitamente diferenci´ aveis e possuem suporte compacto. ∞) definida por gr (x1 . . • Alguns coment´ arios gerais ´ muito comum. m) > 0 pequeno o suficiente. c (x) := hλm ) por hλm (c) = (x1 c . o intervalo fechado [−r. cada Bλ est´ a no dom´ ınio de uma carta de coordenadas hλ . .26. se |x| < r . .1 Parti¸ c˜ oes da Unidade Diferenci´ aveis Conforme observamos ` a p´ agina 1487. infinitamente diferenci´ avel e possui suporte compacto (a saber. como Para cada Cm ∈ C consideremos um conjunto Bλm ∈ B como acima contido no dom´ acima. B′ possui um refinamento com os abertos Aα de um atlas A = Aα . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. e adotaremos essa pr´ E atica aqui tamb´ em. ´ e poss´ ıvel estabelecer a existˆ encia de parti¸ co ˜es da unidade subordinadas a recobrimentos por abertos que tenham adicionalmente a propriedade de serem compostas por fun¸ co ˜es infinitamente diferenci´ aveis . por abertos relativamente compactos. as quais seguimos parcialmente. item 6 (vide tamb´ em o Teorema 31. . . .g. y n ) ∈ Rn |yk | ≤ ℓ. No caso particular de variedades diferenci´ aveis. suporemos que para cada λ a imagem de Bλ por hλ contenha no seu interior. xn ) da imagem de hλm (Bλm ) por gr′ . A afirmativa que desejamos fazer ´ e: Teorema 32. . mas ´ e freq¨ uentemente dispens´ avel.2. 0) := (y 1 . . Denotemos hλm (c) (as coordenadas de c pela carta de coordenadas n ′ ′ ca ˜o gr′ . . Podemos agora considerar a gr′ (x − xc ) = fr′ (x − xc ) · · · fr′ (x − xc ) ter´ fun¸ ca ˜o definida em cada ponto (x1 . a ∈ N. α ∈ Λ2 de M . a ∈ N} subordinada a esse recobrimento (para todo a ∈ N existe λ ∈ Λ0 com supp Pa ⊂ Uλ ) tal que todas as fun¸ c˜ oes Pa . item 7. a fun¸ n n 1 1 a suporte inteiramente contido em hλm (Bλm ). m ∈ N}. 1]. λ ∈ Λ0 } um recobrimento de M por abertos. . λ ∈ Λ1 } de U obtido tomando intersec¸ co ˜es dos abertos Uλ de U e paracompacto. Isso permite-nos definir . λ ∈ Λ3 }. Ent˜ ao existe uma parti¸ c˜ ao da unidade cont´ avel {Pa : M → [0. . ınio de uma carta hλm . . p´ agina 1461). de sorte que para cada m ∈ N existe λm ∈ Λ3 tal que Cm ⊂ Cm ⊂ Bλm . c (x1 . .2 Seja M uma variedade diferenci´ avel e seja U ≡ {Uλ .

com hλm (p) = (x .25. E tamb´ em claro do exposto acima que m∈N Gm (p) > 0 para todo p ∈ M . { supp Pa . p´ agina 1429. A existˆ encia do atlas {(Vm . c π1 hλm (p) . m (p) :=    0. Observe-se que Gr′ . e do fato que h− λm ´ e aberto (por ser a pr´ e-imagem de (0. a ∈ N} subordinada ao recobrimento {Vm . c. A existˆ encia da parti¸ ca ˜o da unidade {Pa : M → [0. . ∞) por Gr′ . m ´ e compacto (lembrar do Teorema 31. m ∈ N}. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. Cm possui um recobrimento por abertos finito {Ec . cj . a cole¸ ca ˜o e um recobrimento por abertos do compacto Cm . Cap´ ıtulo 32 1496/2069 uma fun¸ ca ˜o Gr′ . a U. a ∈ N. m ´ e infinitamente diferenci´ avel (pois as fun¸ co ˜es gr . c. ´ evidente pela constru¸ E ca ˜o que Gr′ . m (p) := com gr′ . c. a ∈ N} comp˜ infinitamente diferenci´ avel subordinada a B e. ent˜ ao M possui um atlas cont´ avel {(Vm . . . . c1 . ´ e {Ec1 . m ). Gr′ . c. tem suporte compacto e satisfaz Cm ⊂ supp (Gm ) ⊂ Bλm .3 Se ´ e M uma variedade diferenci´ avel. . ao infinitamente diferenci´ aveis. . Assim.5.    0. ent˜ ao. hm ). m : M → [0. 1]. c (x) = fr′ (x1 − x1 c ) · · · fr ′ (x − xc ) . portanto. de elementos de { supp Gm . cada p ∈ M possui uma vizinhan¸ ca Vp que intersecta apenas uma cole¸ ca ˜o finita de elementos de B e de C e. m (p) + · · · + Gr′ . m (p) > 0} ´ em Bλm . p´ agina 1459. Conclu´ ımos. Gr′ . portanto. xn ) = xk para cada k ∈ {1. Corol´ ario 32. . . . xn ). m ´ e definida por    1 n n n  gr′ . m (c) > 0 como observado acima).2. satisfazem supp Pa = supp Ga ⊂ Bλa e. a ∈ N} subordinada a esse recobrimento tal que todas as fun¸ c˜ oes Pa . para p ∈ Bλm . ∞) em claro que o conjunto Ec := {p ∈ M | Gr′ . para p ∈ Bλm . c hλm (p) . c ∈ Cm } ´ ca ˜o Gm : M → R definida por Gm (p) := Gr′ . ∞) com Cm ⊂ supp (Gm ) ⊂ Bλm . x ). portanto. Prova. m (c) = fr′ (0)n > 0. . portanto. . a ∈ N} ´ oe uma parti¸ ca ˜o da unidade de M . definidas por Pa := Ga / m∈N Gm s˜ e um recobrimento localmente finito compacto. Como B e C s˜ ao localmente finitos. . c. E tamb´ pela fun¸ ca ˜o cont´ ınua Gr′ . ´ pois para cada p ∈ M comparece na soma apenas um n´ umero finito de somandos n˜ ao-nulos. p´ agina 1495. = gr′ .2. . portanto. 1]. m ∈ N} e com as demais propriedades mencionadas decorre do Teorema 32. a ∈ N. . como os conjuntos Cm recobrem M . {Pa . . = fr′ π1 hλm (p) − x1 c · · · fr ′ πn hλm (p) − xc onde πk : Rn → R ´ e definida por πk (x1 . Uma das raz˜ oes para tal importˆ ancia encontra-se expressa . p´ agina 1488. m ∈ N} com as propriedades mencionadas foi estabelecida na Proposi¸ ca ˜o 32. . • Estendendo globalmente fun¸ co ˜es infinitamente diferenci´ aveis A existˆ encia de parti¸ co ˜es da unidade diferenci´ aveis expressa no Teorema 32. para p ∈ Bλm . existe para cada p ∈ M algum Gm com Gm (p) > 0. πk e hλ o s˜ ao) e que o 1 ´ e cont´ ınua) e est´ a contido suporte de Gr′ . c. hm ). s˜ ao infinitamente diferenci´ aveis e possuem suporte compacto. .JCABarata. 1]. c. a fun¸ ca ˜o em M dada pela soma m∈N Gm est´ a bem definida e ´ e infinitamente diferenci´ avel. a∈N Pa (p) = 1 para todo p ∈ M e. ´ e poss´ ıvel encontrar uma fun¸ ca ˜o infinitamente diferenci´ avel de suporte compacto Gm : M → [0. m ∈ N} tal que {Vm . . Ecj } e. ´ e um fato de grande importˆ ancia estrutural na teoria das variedades diferenci´ aveis. c. Como c ∈ Ec para cada c ∈ Cm (pois Gr′ . . c. . . Note-se tamb´ em que. c. ou seja. . Al´ em disso. m ∈ N} ´ e um recobrimento localmente finito de M composto por conjuntos abertos relativamente compactos e existe uma parti¸ c˜ ao da unidade cont´ avel {Pa : M → [0. expressando diretamente em termos das coordenadas (x1 . πn hλm (p) n . que para cada m ∈ N. Conforme argumentado na demonstra¸ ca ˜o do Teorema 31. c hλm (p)     gr′ . a fun¸ tamb´ em infinitamente diferenci´ avel. p ∈ M . n} (πk ´ e a proje¸ ca ˜o sobre a k -´ esima coordenada). tˆ em suporte As fun¸ co ˜es Pa : M → [0. para p ∈ Bλm . . m (p). .2. O seguinte corol´ ario imediato ´ e obtido por uma mera jun¸ ca ˜o de resultados anteriores e o mencionamos aqui para referˆ encia futura.

2. H´ a diversas maneiras de fazer isso. sem referˆ encia a um espa¸ co ambiente Rm onde a curva esteja mergulhada. ıveis. campos vetoriais e tensoriais. tensores de curvatura etc. Cada ponto p ∈ M possui uma vizinhan¸ ca onde apenas uma cole¸ ca ˜o finita de Pa ’s ´ e n˜ ao-nula (pois {Pa . e no que segue descreveremos duas delas. tensores m´ etricos.2. uma curva c : I → Rn que passa por n p = (p1 . de modo que a cada a ∈ N existe um λa ∈ Λ a bem definida e ´ e uma fun¸ c˜ ao ao. procuraremos definir a no¸ ca ˜o de vetor tangente de forma intr´ ınseca. e infinitamente diferenci´ avel e tem suporte contido em supp Pa . como formas diferenciais. E e diferenci´ avel se e somente se hλ ◦ c cont´ em p. 1]. . Uma primeira caracteriza¸ c˜ ao Recordemos que no caso familiar de V ser o espa¸ co Rn (com a topologia usual). de mesma dimens˜ ao que a variedade. Como a no¸ ca ˜o de diferenciabilidade est´ a primariamente definida em espa¸ cos Rn . conex˜ oes. Cada fun¸ ca ˜o Pa fλa ´ conjunto. . vetores tangentes s˜ ao vetores em Rn . c) seja diferenci´ avel em t = 0. que c : I → V ´ e injetora. 32. . O primeiro passo ´ e definirmos a no¸ ca ˜o de curva diferenci´ avel em uma variedade. tomando-se I pequeno o suficiente). . com I sendo algum intervalo aberto de R. Seja Pa : M → [0. Nossa inten¸ ca ˜o no que segue ´ e considerar curvas em variedades diferenci´ aveis gerais e definir a no¸ ca ˜o de vetor tangente a uma curva c em um ponto p pela qual passa. Para fixar alguma nota¸ ca ˜o. portanto. Ent˜ infinitamente diferenci´ avel em toda M . uma comp˜ oe uma parti¸ ca ˜o da unidade). n. ou seja. . Grosso modo. denotaremos Sejam (Aλ . . . Cap´ ıtulo 32 1497/2069 na proposi¸ ca ˜o que segue e reside no fato de que a existˆ encia de parti¸ co ˜es da unidade diferenci´ aveis permite estender a toda uma variedade diferenci´ avel M fun¸ co ˜es diferenci´ aveis definidas apenas em cartas locais de um atlas de M . o espa¸ co ambiente no qual a curva passa. dizemos que c ´ e diferenci´ avel em p se a curva em Rn definida por n ´ de se notar que se houver duas cartas locais Aλ e Aλ′ que tamb´ em hλ ◦ c : I → hλ (Aλ ) ⊂ R for diferenci´ avel em t = 0. xn e os pontos de hλ′ (Aλ′ ) ⊂ Rn por y 1 . . . Como no caso das familiares curvas em Rn . portanto. obviamente. a ∈ N uma parti¸ c˜ ao da unidade subordinada ao recobrimento Aλ . . cn (t) com ck : I → R sendo cont´ ınuas e satisfazendo ck (0) = pk para todo k = 1. a∈N Pa (p)fλa (p) ´ fun¸ ca ˜o infinitamente diferenci´ avel na mesma. λ ∈ Λ e seja para cada λ ∈ Λ uma fun¸ c˜ ao fλ : Aλ → R infinitamente diferenci´ avel. • Espa¸ co tangente. Para que essa express˜ ao fa¸ ca sentido devemos. hλ ). Trata-se. Em Aλ ∩ Aλ′ essas . . Sobre o espa¸ co tangente diversas outras estruturas importantes podem ser constru´ ıdas. Seguindo a filosofia geral da geometria diferencial. cuja existˆ encia foi garantida no Teorema 32. . todas bastante engenhosas. hλ′ ) implica que hλ′ ◦ c ´ o for. . p ∈ M . f : M → R dada por f (p) := a∈N Pa (p)fλa (p). No caso de curvas em Rn . hλ ) e (Aλ′ . Seja p ∈ V e seja Cp a cole¸ ca ˜o de todas as curvas cont´ ınuas injetoras c : I → V que passam por p. . y n . λ ∈ Λ de M composta por fun¸ c˜ oes infinitamente diferenci´ aveis e de suporte compacto. λ ∈ Λ}. anulando-se fora desse Prova. . Se c ∈ Cp estiver contida em uma carta local Aλ ∋ p (o que sempre pode ser obtido. denominado espa¸ co tangente. . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.2 A No¸ c˜ ao de Espa¸ co Tangente Uma das caracter´ ısticas mais importantes das variedades diferenci´ aveis ´ e a possibilidade de dotar cada um de seus pontos de um espa¸ co vetorial especial. Logo. a compatibilidade das cartas (Aλ . Se escolhermos I pequeno o suficiente podemos sempre supor que a curva c n˜ ao se auto-intercepta. Uma curva cont´ ınua em V ´ e uma fun¸ ca ˜o cont´ ınua c : I → V . onde I ⊂ R ´ e um intervalo aberto de R. o espa¸ co tangente a um ponto ´ e o espa¸ co das velocidades de todas as curvas diferenci´ aveis que passam por esse ponto. . a ∈ N} e uma soma finita nessa vizinhan¸ ca sendo. portanto. est´ com supp Pa ⊂ Aλa . a ideia ´ e utilizarmos as cartas locais de coordenadas para transportarmos essa no¸ ca ˜o para dentro das variedades diferenci´ aveis. e precisamos definir o que isso significa. . . Seja V uma variedade diferenci´ avel de dimens˜ ao n dotada de um atlas infinitamente diferenci´ avel A = {(Aλ . . . . pn ) ∈ R ´ e dada por c(t) = c1 (t). . .5 Seja M uma variedade diferenci´ avel dotada de um atlas infinitamente diferenci´ avel (Aλ . c˙n (0) . a no¸ ca ˜o de uma curva ser diferenci´ avel ´ e respeitada por todos os atlas de uma mesma estrutura infinitamente diferenci´ avel. a introdu¸ ca ˜o dessa no¸ ca ˜o requer que a curva seja diferenci´ avel em p. Sem perda de generalidade suporemos que 0 ∈ I e c(0) = p para toda curva de Cp . Nesse sentido. O vetor tangente a c em p ´ e o vetor de Rn definido por c ˙(0) = c˙1 (0). hλ′ ) duas cartas locais de coordenadas compat´ por pontos de hλ (Aλ ) ⊂ Rn por x1 . supor que cada fun¸ ca ˜o ck (e.JCABarata. hλ ). hλ ) e (Aλ′ . Proposi¸ c˜ ao 32. de um objeto de importˆ ancia central na Geometria Diferencial e em suas aplica¸ co ˜es em F´ ısica.

 . denotamos aqui os vetores de Rn como vetores-coluna). . Se c for uma curva diferenci´ avel em p no sentido acima e p pertence a uma carta local Aλ denotaremos os pontos da curva (hλ ◦ c)(t). . . Aλ′ . .4) e eλ c (p) = DHAλ′ . Aλ′ hλ (p) −1 eλ c (p) . No caso. . . .   ∂y 1 ∂y 1  1 ···  ∂xn   ∂x  . Aλ hλ′ (p) DHAλ . . . Aλ′ ser´ a denotada por DHAλ . Einstein (1879–1955). . .     n y ˙ (0) eλ c (p) (32. A derivada de HAλ . . xn (t) . . Aλ′ =  (32. ∂y i (32.. xn (0) . Aλ′ hλ (p) eλ c (p) = ′ (32. Com tal conven¸ ca ˜o. xn = y 1 .2)-(32. A λ ′ . ′ (32. . .1) . DHAλ . . . t ∈ I . t ∈ I . (32.6) fica simplesmente i y ˙ i (0) = para todo i = 1.5) Usando as representa¸ co ˜es matriciais (32. . O estudante deve recordar-se que a derivada de uma fun¸ ca ˜o de Rn em Rn ´ e uma matriz 15 n × n composta pelas derivadas parciais de suas componentes por suas coordenadas . .6) y ˙ i (0) = ∂xj ∂y i i=1 j =1 ∂y para todo i = 1. y n (0) . . [160] ou [49]. de Rn por (hλ ◦ c)(t) = x1 (t). .1) e (32.    ∂y n ∂y n  · · · ∂x1 ∂xn que ´ e tamb´ em conhecida como a matriz Jacobiana da fun¸ ca ˜ o HA λ .g. Aλ′ x1 .  . . e. s˜ 16 veniente introduzir-se a chamada conven¸ c˜ ao de Einstein na qual a ocorrˆ encia de ´ ındices repetidos indica implicitamente que os mesmos s˜ ao somados. Se p tamb´ em pertence a uma outra carta local Aλ′ denotaremos os pontos da curva (hλ′ ◦ c)(t). . . . .   =  . y n (t) . . .3) podemos expressar as rela¸ co ˜es acima em termos das coordenadas x e y: n n ∂xj i ∂y i j j x ˙ (0) e x ˙ (0) = y ˙ (0) .   .JCABarata. . . o vetor tangente a de hλ′ ◦ c em hλ′ (p) ser´   eλ c (p) ≡ ′ ˙ 1 (0)  x    . sendo que as derivadas parciais ∂x ao calculadas em hλ (p) = x1 (0). A partir deste ponto ´ enquanto que as derivadas parciais ∂yi acima. n. . j acima. de Rn por (hλ′ ◦ c)(t) = y 1 (t). Aλ′ ◦ hλ podemos empregar a regra da cadeia para relacionar os vetores d d ′ dt (hλ ◦ c)(t) t=0 e dt (hλ ◦ c)(t) t=0 : eλ c (p) = ′ ˙ 1 (0)  y    . . . y n .   .3) DHAλ . 15 Vide 16 Albert ∂y i j x ˙ (0) ∂xj e x ˙ j (0) = ∂xj i y ˙ (0) . .   .  . s˜ ∂xj e conao calculadas em hλ′ (p) = y 1 (0). .2) d (hλ′ ◦ c)(t) dt t=0 Dado que em Aλ ∩ Aλ′ tem-se hλ′ = HAλ .7) qualquer bom livro de C´ alculo de fun¸ co ˜es de v´ arias vari´ aveis.     x ˙ n (0) (32. Cap´ ıtulo 32 1498/2069 coordenadas s˜ ao relacionadas pela fun¸ ca ˜o de transi¸ ca ˜o: HAλ . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. (32. o vetor tangente de hλ ◦ c em hλ (p) ser´ a   eλ c (p) ≡ d (hλ ◦ c)(t) dt t=0 (Por conveniˆ encia. . n. =   . . .

c : I → V . distintas em outros valores de t. Para α ∈ R. Seja Cp ⊂ Cp a cole¸ ca ˜o das curvas de Cp que s˜ ao diferenci´ aveis em alguma d vizinhan¸ ca aberta de p. denotemos por cα a curva cα ∈ Cp . tem-se que hλ′ σc. pois ´ a uma segunda curva em V definida por coordenadas com p ∈ Aλ′ que produzir´ −1 λ λ hλ′ (p) + eλ σc.10) λ λ λ Paralelamente. fixa no ponto p. p´ agina 90. d ∈ Cp . implicando que ′ ′ ′ λ λ d As curvas σc. Para c. d : I → V a curva definida por −1 λ λ σc.1. ou seja. equipado com essas opera¸ co ˜es.5. λ λ provando que σc. d (t) = HAλ . se forem iguais em todas as cartas locais que cont´ em p). E λ eλ cα (p) = αec (p) . Para α ∈ R e c ∈ Cp . ′ ′ (32. hλ ) com p ∈ Aλ . portanto. denotemos por [c]p a classe de equivalˆ encia de c.4) = λ eλ c (p) + ed (p) ′ ′ (32. . ´ e um espa¸ co vetorial real. d ∈ Cp d para ´ elementar demonstrar que T1 qualquer carta local de coordenadas (Aλ . hλ (p) + eλ d (t) := hλ c (p) + ed (p) t . com t ∈ I . implicando que d λ hλ′ σc. hλ′ ) uma segunda carta local de d (0) = p e. de acordo os postulados da Se¸ ca ˜o 2. Isso ´ p ′ d λ′ hλ′ σc. Por´ em. d (t) esteja sempre contido na carta local λ λ d Aλ . eventualmente. d ∈ Cp passam por p em t = 0. passamos agora ` a d defini¸ ca ˜o intr´ ınseca de vetores tangentes. Assim.1.5. b) um intervalo aberto de R que cont´ em 0. s˜ ao equivalentes pela rela¸ ca ˜o de equivalˆ encia acima: λ λ λ hλ′ σc. para p V cole¸ d 1 c ∈ Cp . Podemos estabelecer uma rela¸ ca ˜o de equivalˆ encia em Cp dizendo que duas curvas c1 e c2 diferenci´ aveis em p s˜ ao equivalentes. d (t) dt t=0 = ′ DHAλ .10) = d λ′ hλ′ σc. • Estrutura de espa¸ co vetorial no espa¸ co tangente em p Para introduzirmos uma estrutura de espa¸ co vetorial em T1 ca ˜o.9) d Para uma carta local de coordenadas (Aλ . pois d . como quer´ Estamos agora prontos para definir as opera¸ co ˜es de soma vetorial e produto por escalares que fazem de T1 p V um p λ d d .JCABarata. se seus vetores tangentes em uma carta local forem iguais (e. Seja (Aλ′ . ıamos. definimos α[c]p := [cα ]p . d ∼p σc. mas podem ser. para algum λ com Aλ ∋ p. E p V . d (t) = hλ′ (p) + ec (p) + ed (p) t. e facilmente demonstr´ avel. (32. d (t) dt t=0 λ = eλ c (p) + ed (p) . Para α ∈ R e c ∈ Cp . σc. d e σc. λ σc. denotamos por σc. portanto. λ c1 ∼p c2 ⇐⇒ eλ c1 (p) = ec2 (p) • O espa¸ co tangente a uma variedade em um ponto (32. Cap´ ıtulo 32 1499/2069 Uma vez estabelecida a no¸ ca ˜o de diferenciabilidade de curvas em uma variedade diferenci´ avel. denotemos por Iα o intervalo a/|α|. sendo I0 = R caso α = 0. d (t) dt t=0 . ´ elementar constatar-se que para todo α ∈ R vale c0 ´ e uma curva constante. c (p) + ed (p) t d (t) := hλ′ ′ ′ ′ ′ . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. e diferenci´ avel. d . ou simplesmente espa¸ co tangente em p. d p λ = σc. Aλ′ hλ (p) λ eλ c (p) + ed (p) (32. O conjunto Tp V ´ e denominado espa¸ co tangente a V em p.Aλ′ hλ (p) + ec (p) + ed (p) t . hλ ) com p ∈ Aλ e dadas duas curvas c. sendo que I tem de ser escolhido pequeno o suficiente para que σc. por´ em. p´ agina 90. b/|α| d d caso α = 0. espa¸ co vetorial. d ∈ Cp .8) d Denotemos por T1 ca ˜o de todas as classes de equivalˆ encia de Cp pela rela¸ ca ˜o de equivalˆ encia acima e. p V precisamos de alguma nota¸ Seja I = (a. Note-se que para α = 0 teremos c0 (t) = c(0) = p para todo t ∈ R. definimos [c]p + [d]p := σc. O fato crucial ´ e que podemos dotar T1 co vetorial real definindo opera¸ co ˜es de soma vetorial p V de uma estrutura de espa¸ e multiplica¸ ca ˜o por escalares (reais) de modo a satisfazerem os postulados gerais de espa¸ cos vetoriais apresentados na Se¸ ca ˜o 2. Observe-se que σc. cα : Iα → V definida por cα (t) = c(αt) para todo t ∈ Iα . c1 ∼p c2 .

mostre que λ α[c]p + β [d]p = σc. β ∈ R teremos αf + βg ◦ c = α(f ◦ c) + β (g ◦ c) e.2). segue de (32. E. pela regra da cadeia. α. d Para cada c ∈ Cp como acima.JCABarata. n ´ claro por (32. Nosso pr´ oximo passo ´ e a constata¸ ca ˜o que os operadores Dp (c) s˜ ao constantes nas classes de equivalˆ encias de curvas d de Cp que apresentamos acima. Cap´ ıtulo 32 1500/2069 ultima afirma¸ c˜ ao. Fazemos notar que. denotaremos novamente os pontos da curva I ∋ t → (hλ ◦ c)(t) ∈ Rn por (hλ ◦ c)(t) = x1 (t). g ∈ Dp (c) e α. co tangente Fixado p ∈ V . c : I → V . portanto. a fun¸ ca ˜o f ◦ c : I → R ´ e uma fun¸ ca ˜o diferenci´ avel de uma vari´ avel real (definida em I ) assumindo valores em R. Se c for uma curva diferenci´ avel em p. . Passamos. A validade da express˜ λ d que se c1 . E ca ˜o ψλ : T1 p V → R dada por T1 pV ∋ [c]p −→ (32. seja uma carta local de coordenadas (Aλ . vamos denotar por T2 ca ˜o de todos os operadores Dp [c]p com [c]p variando no espa¸ p V a cole¸ anteriormente definido. Justifique essa ´ d E. ´ e claro que Dp (c) ´ e um operador linear. em hλ (Aλ )). Como α[c]p := [cα ]p .13) Dp (c)f ≡ c′ p f := dt t=0 Como Dp ´ e um espa¸ co vetorial real. . Como veremos. xn (t) . d ∈ Cp e α. em hλ (Aλ )) com valores em R e hλ ◦ c definida em I ⊂ R com valores em Rn (mais precisamente. . Naturalmente. segue de (32. β ∈ R. hλ ) com p ∈ Aλ . De fato.11) (32.2) eλ = c (p) x ˙ 1 (0) x ˙ (0) . 32. (32. por isso. d (f ◦ c) dt t=0 = 1 D f ◦ h− hλ (p) λ d hλ ◦ c dt t=0 = 1 D f ◦ h− hλ (p) λ eλ c (p) . [ c ] espa¸ co tangente T1 V . pois para f . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. • Espa¸ co tangente. que passa por p em t = 0. 32. a aplica¸ c a ˜ o φ : T V ∋ [ c ] → D p p p p p p T1 pV .10) que ψλ ([c]p + [d]p ) = ψλ ([c]p ) + ψλ ([d]p ).β p .4 Exerc´ ıcio importante. T2 V tamb´ e m possui uma estrutura de espa¸ c o vetorial real e ´ e isomorfo ao p 2 1 ∈ T V ´ e bijetora.d .14) 1 1 ´ e a derivada de f ◦ h− ao acima para toda f ∈ Dp torna evidente a afirma¸ ca ˜o onde D f ◦ h− λ . (32. vamos denotar por Dp (c) ≡ c′ ca ˜o que a cada f ∈ Dp associa a derivada de p a aplica¸ f ◦ c calculada em t = 0: d (f ◦ c) .3 Exerc´ ıcio importante.8) que a aplica¸ O vetor tangente de hλ ◦ c em p ´ e dado em (32. Portanto.9) que ψλ (α[c]p ) = αψλ ([c]p ). (32. . λ ∈ Λ}. α. hλ ). . c2 ∈ Cp ent˜ ao c1 ∼p c2 se e somente se Dp (c1 ) = Dp (c2 ).12) onde −1 λ λ σc. Sejam c. −1 1 n podemos escrever f ◦ c = f ◦ hλ ◦ hλ ◦ c sendo f ◦ h− λ definida em R (mais precisamente. Dp (c) αf + βg = d (αf + βg ) ◦ c dt t=0 = α d (f ◦ c) dt t=0 +β d (g ◦ c) dt t=0 = αDp (c)f + βDp (c)g . hλ ) com p ∈ Aλ . . pelo visto acima. Denotemos por Dp a cole¸ ca ˜o de todas as fun¸ co ˜es f : V → R diferenci´ aveis em p ∈ V (na estrutura infinitamente diferenci´ avel definida de A).β (t) := hλ A express˜ ao (32. . Uma segunda caracteriza¸ c˜ ao p Seja V uma variedade diferenci´ avel de dimens˜ ao n dotada de um atlas infinitamente diferenci´ avel A = {(Aλ . hλ ) com p ∈ Aλ e uma curva diferenci´ avel d c ∈ Cp . Esses fatos mostram que ψλ ´ e um isomorfismo entre os espa¸ cos vetoriais T1 pV n eR .d . Como [c]p + [d]p := σc. Usando (32. n ∈ Rn λ ´ e bijetiva.11) pode ser vista como uma defini¸ c˜ ao alternativa de α[c]p + β [d]p . n • Um isomorfismo entre T1 pV e R Seja o espa¸ co tangente T1 p V e seja uma carta local de coordenadas (Aλ . Dada uma carta local de coordenadas (Aλ .d hλ (p) + αeλ c (p) + β ed (p) t . a denotar Dp (c) por Dp [c]p .9).

. xp . αDp [c]p + βDp [d]p f = = = (32. denominada base de coordenadas (ou base canˆ coordenadas) associada ` a carta local de coordenadas (Aλ .15) A express˜ ao acima ser´ a interpretada como uma expans˜ ao de Dp [c]p em uma certa base de vetores de T2 p V . . . considere-se para algum j ∈ {1.2). . ∂xj (32. . hλ ) e. Para n entendermos isso. . essa express˜ ao diz-nos que a cole¸ c˜ ao de vetores onica de {Dp [c1 ]p . . α. arbitr´ arios. . . x ) definida por p p 1 j n ˙ ˙ esima coordenada de lj (0) ´ e lj (0) i = δij . . . para toda f ∈ Dp .15) pode ser reescrita como Dp [c]p f =  n j =1 x ˙ j (0)Dp [cj ]p  f .β ]p f t=0 λ αeλ c (p) + β ed (p) = d λ hλ ◦ σc. . lj (0) = hλ (p) e a i-´ 1 express˜ a o h− ◦ l ≡ c define uma curva diferenci´ a vel em V que passa por p em t = 0 e para essa curva teremos. d ∈ Cp . de j j λ acordo com (32. . . T2 e naturalmente imbu´ ıdo de uma estrutura de espa¸ co vetorial p V s˜ pV ´ d real: para α. hλ ). definimos. .d . . . . . xp ) no sistema de coordenadas n (x . . .15).12) αDp [c]p f + βDp [d]p f d α(f ◦ c) + β (f ◦ d) dt 1 D f ◦ h− hλ (p) λ 1 D f ◦ h− hλ (p) λ λ Dp [σc. d Dadas duas curvas c. vamos designar a curva hλ ◦ c em hλ (Aλ ) ⊂ Rn pela n-upla de fun¸ co ˜es (x1 (t). e dois n´ umeros reais α e β . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. como acima. ou seja. A lj (t) := xp . αDp [c]p + βDp [d]p como o operador que a cada f ∈ Dp associa αDp [c]p + βDp [d]p f = αDp [c]p f + βDp [d]p f . . . α. . . . como usual. . . De acordo com (32. Dp [cn ]p } forma uma base de vetores em T2 p V . . . x ) definido pela carta local (Aλ . D p [ c ]p = j =1 x ˙ j (0) Dp [cj ]p . a curva que passa por hλ (p) = (x1 . teremos.14) e (32. xp + t. xn (t)). . . ∂xj   n Fica ent˜ ao claro que (32. Cap´ ıtulo 32 1501/2069 Como os elementos de T2 ao operadores lineares. xp ) . Naturalmente. . arbitr´ arias. d ∈ Cp . .11) = Dp α[c]p + β [d]p f . Como as curvas cj s˜ ao inequivalentes para j ’s diferentes (justifique!). . . . .β dt t=0 = (32. n}. (32. β ∈ R e c. . . xp ) .d . • A base de coordenadas no espa¸ co tangente 1 n Vamos designar hλ (p) na forma de uma n-upla de coordenadas reais hλ (p) = (x1 p .13). . podemos escrever Dp [c]p f na forma Dp [c]p f := d (f ◦ c) dt n t=0 = 1 D f ◦ h− hλ (p) λ eλ c (p) = j =1 x ˙ j (0) 1 ∂ f ◦ h− λ n (x1 p . 1 ∂ f ◦ h− λ n (x1 D p [c j ]p f = p . 2 e um isomorfismo de espa¸ cos vetoriais entre T1 Isso estabeleceu que a aplica¸ ca ˜o φ : T1 pV e p V ∋ [ c ]p → D p [ c ]p ∈ T p V ´ 2 Tp V .JCABarata.

v ) p∈V p∈V p∈V v ∈Tp V 17 Na literatura matem´ atica podem ser encontradas ainda ao menos duas outras defini¸ co ˜es equivalentes da no¸ ca ˜o de espa¸ co tangente. Cap´ ıtulo 32 1502/2069 Inspirada em (32.JCABarata.. e n = p l=1 ∂xl ∂y k hλ′ (p) ∂ ∂xl .16) ∂ ∂xl n = p k=1 ∂y k ∂xl hλ (p) ∂ ∂y k . Usando (32. y n (t)). .5 Exerc´ ıcio. .1). . iremos freq¨ uentemente ignorar a distin¸ ca ˜o entre T1 p V e Tp V e sempre denotaremos o espa¸ co tangente a V em p por Tp V . . . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. 32. ∂ ∂xn p como uma base em Tp V . Tp V ) = (p. . .e. . A base ∂ ∂y 1 p Se considerarmos uma segunda carta local de coordenadas (Aλ′ .6). hλ ).. Prove isso. independente do sistema de coordenadas adotado em torno de p. p onde. ambas envolvendo certos ideais de ´ algebras de fun¸ co ˜es definidas sobre a variedade. • Mudan¸ cas de bases coordenadas no espa¸ co tangente por n-´ uplas (y 1 . ∂ ∂xn p atrav´ es da matriz de transi¸ ca ˜o (32. . • O fibrado tangente . o outro um operador entre espa¸ cos vetoriais) podem ser 2 operacionalmente identificados17 . ainda que representando objetos de natureza distinta (um ´ e uma classe de equivalˆ encia de curvas.15) e a regra da cadeia. . (hλ ◦ c)(t) = (x1 (t). o espa¸ co tangente Tp V pode ser definido em cada ponto p de uma variedade diferenci´ avel V de dimens˜ ao n. p Como vimos acima. a segunda igualdade atesta que as n n ∂ ∂ express˜ oes j =1 x ˙ j (0) ∂x e j =1 y ˙ j (0) ∂y independem das cartas locais nas quais foram definidas. . p 2 Estabelecemos pouco acima que os espa¸ cos vetoriais T1 ao isomorfos (e isomorfos ao espa¸ co vetorial Rn ). xn (t)) e (hλ′ ◦ c)(t) = (y 1 (t).. prove novamente que j =1 x ˙ j (0) ∂ ∂xj n = p j =1 y ˙ j (0) ∂ ∂y j . Tem-se. . . ∂xj p n Com ela escrevemos Dp [c]p = j =1 x ˙ j (0) ∂ ∂xj . No que segue. ∂ ∂y n p pode ser linearmente relacionada ` a base ∂ ∂x1 p . Sugest˜ ao: (32. hλ′ ) com p ∈ Aλ′ . 32. h´ a uma outra nota¸ ca ˜o muito mais direta e universalmente empregada para os vetores de base Dp [cj ]p . . Iremos tratar ∂ ∂x1 p .17) para todo l ∈ {1. . . j j p p n E. y n ). a base de coordenadas induzida pela carta (Aλ . mas n˜ ao trataremos de tais assuntos neste texto. . ∂ ∂y k para todo k ∈ {1. E. Como Dp [c]p ´ e um objeto intr´ ınseco. . a saber. as seguintes representa¸ co ˜es para Dp [c]p : n D p [c ]p = j =1 x ˙ j (0) ∂ ∂xj n = p j =1 y ˙ j (0) ∂ ∂y j . .17) e (32.. . Vale notar tamb´ em que [c1 ]p . . a saber..15). assim. O conjunto TV := Tp V = (p.. p (32. . . .16)-(32.6 Exerc´ ıcio.. [cn ]p comp˜ oe uma base em T1 pV . i. Essas defini¸ co ˜es alternativas s˜ ao de interesse no contexto das chamadas Geometrias N˜ ao-Comutativas.. isso significa que os vetores [c]p ∈ Tp V e Dp [c]p ∈ Tp V . cujas coordenadas sejam descritas . como antes.. p (32. . n}. p V e Tp V s˜ 2 1 Em termos informais. . a nota¸ ca ˜o ∂ D p [ c j ]p ≡ . Temos. n}. .

. . algumas das quais iremos abordar no que segue. . dxp }. . . xp . . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. ∂ dxi = δ ij p. Verifique as afirma¸ O fibrado tangente ´ e um exemplo de um fibrado vetorial. hα ) com p ∈ Aα .... por defini¸ ca ˜o. Com isso. . Tp V ) = p∈Uα v ∈Tp V (p. .2. . . . . k=1 vk ∂ ∂xk := p hα (p). naturalmente. Os elementos de T∗ M s˜ a o denominados vetores co-tangentes . ∂ A nota¸ ca ˜o dxi e certamente inspirada no emprego do s´ ımbolo “dx” para p para designar o dual de vetores como ∂xj p ´ designar um “elemento de integra¸ ca ˜o” (ou medida) na reta real e na ideia da opera¸ ca ˜o de integra¸ ca ˜o como “inversa” ` a de diferencia¸ ca ˜o. denotamos por T∗ co dual. . . 32. . . constru¸ co ˜es essas que abordamos com certa generalidade nas discuss˜ oes dos Cap´ ıtulos 2 e 3. α ∈ Λ} um atlas infinitamente diferenci´ avel para V e defina-se TUα ⊂ TV por TUα := p∈Uα Tp V = p∈Uα (p. denominado espa¸ co tangente a M em p. a de produtos tensoriais etc. a no¸ ca ˜o de fibrado tangente essencialmente coincide com a no¸ ca ˜o de espa¸ co de fase. tamb´ em de dimens˜ ao m. que na geometria p M ou por Tp M o seu espa¸ diferencial recebe o nome especial de espa¸ co co-tangente a M em p. Cap´ ıtulo 32 1503/2069 constitu´ ıdo pela uni˜ ao disjunta18 de todos os espa¸ cos tangentes de V ´ e denominado fibrado tangente de V . . p´ aginas 73 e 185.. v . v 1 . vide p´ agina 36. Na F´ ısica. respectivamente. . vide p´ agina 138) em T∗ e denotada por {dx1 pM ´ p . diversas outras constru¸ co ˜es associadas ` a no¸ ca ˜o de espa¸ co vetorial podem ser igualmente introduzidas. a para todos i.. O fibrado tangente TV de uma variedade diferenci´ avel V ´ e. Determine as fun¸ co ˜es de transi¸ c˜ ao de TA. Hα ). ele mesmo. mais especificamente. 18 Para a defini¸ ca ˜o de uni˜ ao disjunta de uma fam´ ılia indexada de conjuntos..2. ∂xm ∂ a a a correspondente base dual no espa¸ co co-tangente T∗ p M . . . seja A = {(Uα . a cole¸ ca ˜o de todos os funcionais lineares de Tp M . xn } de co ˜es de acima. x1 p . no¸ ca ˜o da qual trataremos adiante. tem-se. v n = n 1 n x1 p . .7 Exerc´ ıcio. ∂xb = δ b . tais como a de espa¸ co dual. . Os define um atlas infinitamente diferenci´ avel em TV . . . ∂ ∂ definida no espa¸ co tangente Tp M e seja {dx1 . n ao as coordenadas de p por hα . ∗ Se Tp M ´ e o espa¸ co tangente a M em p ∈ M . A felicidade dessa nota¸ ca ˜o ficar´ a mais evidente quando discutirmos a teoria de integra¸ ca ˜o de formas diferenciais em variedades diferenci´ aveis. . j ∈ {1. hα ). uma variedade diferenci´ avel de dimens˜ ao 2n. p • Bases duais Se ∂ ∂x1 p . 1 p Uα definido por hα . ∂ ∂xm p m correspondente base dual canˆ onica (para a defini¸ ca ˜o. dada uma variedade diferenci´ avel M de dimens˜ ao m podemos associar a cada ponto p ∈ M um espa¸ co vetorial real Tp M . De fato. E. . na Mecˆ anica. . v ) . 32. xp ≡ hα (p) s˜ ∂ ∂xn p definem uma base em Tp V induzida pelo sistema de coordenadas local {x1 . . ∂xj p ´ e uma base em Tp M associada a uma carta local de coordenadas (Aα . dxm } Para p ∈ M . . Ent˜ ao. permitindo a introdu¸ ca ˜o de diversas novas no¸ co ˜es de interesse geom´ etrico e f´ ısico. seja uma base de coordenadas ∂x 1 . . . . A agrega¸ ca ˜o de tais estruturas a variedades diferenci´ aveis confere ` as mesmas maior riqueza.. . portanto. α ∈ Λ com Hα : TUα → R2n dado por n Hα p. m}. . Acima. por poder ser entendida como a cole¸ ca ˜o de todas as posi¸ co ˜es e velocidades de um sistema mecˆ anico com um n´ umero finito de graus de liberdade. Com isso. .1 O Espa¸ co Co-Tangente Como j´ a mencionamos.JCABarata. . ∂ vetores ∂x . . v ∈ R2n . . com dx . . O espa¸ co co-tangente Tp M ´ e. TA := (TUα .

. ∂ ∂y m definidas no espa¸ co tangente teremos Ea b = ∂x ∂y a . a base dual de m . obtemos m dxl = k=1 ∂xl k dy . ∂y i ∂xk ∂y i ∂ ∂y 1 . .20) = δ ab . Assim. . . ∂xm Tp M com m ∂ ∂xb ∂ = a ∂y ∂y a ∂xb b=1 ∂ ∂y 1 .19). dy m } com (32. ∂xl como facilmente se verifica.23) ◊ . ∂xi ∂y k ∂xi correspondendo a (32. (32.. . (32. .19) Ei k E j k k=1 = δi j . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. . . ∂y k (32. . . . . eb = m m E a c Eb d dxc . e } e {e1 .21) Teremos. . ´ de se lembrar (vide coment´ mostrando que as bases {e . valem ∂xj ∂y k ∂xj = = δi j . .. 1 m ∂ ∂ e Exemplo 32. S S = ½ e SS m −1 )kj = δij . em } em Tp M com m ek = l=1 Ek l ∂ ∂xl (32. ∂xb pois. . . . Cap´ ıtulo 32 1504/2069 Vamos considerar uma nova base {e1 . Com a nota¸ ca ˜o de acima. ∂ ∂y m ser´ a {dy 1 . Para que a nova base seja composta por vetores linearmente independentes a matriz de ıvel. . em } no espa¸ co co-tangente T∗ p M por m ek = l=1 E k l dxl . b Com as conven¸ co ˜es de acima E a b = m k=1 ∂y a .. . c=1 d=1 ∂ ∂xd m = c=1 E a c Eb c (32. De forma totalmente an´ aloga. por (32. k=1 (S −1 )ik Skj = δij e da matriz inversa S por E j ≡ (S )ji . Vamos denotar os elementos (S −1 )ij mudan¸ ca de base S .21). . ou seja. . (32. de fato. em } ´ eu ´nica. em } s˜ ao duais. .20).2 Dadas duas bases de coordenadas ∂x 1 . . e m k=1 ∂y j ∂xk ∂y j = = δi j . .20) Definamos agora uma nova base {e1 . .. ea . . . deve ser invers´ m −1 −1 i −1 −1 = ½. .JCABarata..22) dy k = l=1 ∂y k l dx . essas duas rela¸ co ˜es ficam k=1 Sik (S m E k i Ek j k=1 m = δi j . .18) com certos coeficientes Ek l . cujos elementos s˜ ao dados por Sij ≡ Ei j . correspondendo a (32. Naturalmente. E ario ` a p´ agina 138) que a base dual de {e1 . .

. .6. m define um atlas infinitamente diferenci´ avel em T∗ V . o espa¸ co co-tangente T∗ avel V de dimens˜ a o m. Em uma carta (U. Vide tamb´ em Se¸ ca ˜o 2. 32. .8 Exerc´ ıcio. Vide tamb´ em Se¸ ca ˜o 2. Essa no¸ ca ˜o foi introduzida na Se¸ ca ˜o 2. . h) que contenha p. Determine as fun¸ co ˜es de transi¸ c˜ ao de T∗ A. . De fato. b) ´ e dito ser um tensor de ordem m tipo (a. .3 Tensores em Variedades Para o que segue. O produto tensorial W ⊗ · · · ⊗ W ´ e dito ser de ordem m e de tipo ( a. Iα ). ele mesmo. ik ∈ {1.4. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. Acima. x1 ≡ hα (p) s˜ ao as coordenadas de p por hα . Muito importante ´ e p que podemos tamb´ em considerar produtos tensoriais desses espa¸ cos.3. Por exemplo. α ∈ Λ} um atlas infinitamente diferenci´ avel para V e defina-se T∗ Uα ⊂ T∗ V por T∗ Uα := p∈Uα T∗ pV = p∈Uα (p. p 19 A := ∂ ∂xi1 p ⊗R · · · ⊗R ∂ ∂xia p ia+b a+1 ⊗R · · · ⊗R dxp . 1) s˜ ao Tp V ⊗R Tp V ⊗R T∗ p V .JCABarata. Ent˜ ao. . .2. l) pV = pV ) = p∈V p∈V p∈V l∈T∗ pV constitu´ ıdo pela uni˜ ao disjunta de todos os espa¸ cos co-tangentes de V ´ e denominado fibrado co-tangente de V . alguma familiaridade com a no¸ ca ˜o de produto tensorial de espa¸ cos vetoriais ´ e requerida. . n} para todo k ⊗R dxi p . . . . . T∗ pV ) = p∈Uα l∈T∗ pV (p. p V pode ser definido em cada ponto p de uma variedade diferenci´ O conjunto T∗ V := T∗ (p.2. b) ´ e ∗ Tp V ⊗R · · · ⊗R Tp V ⊗R T∗ p V ⊗R · · · ⊗R Tp V a vezes b vezes ≡ ⊗a R Tp V ∗ ⊗b R Tp V . p´ agina 146.6. . . sendo que. . dxp } definem uma base em Tp V induzida pelo sistema de coordenadas local {x1 . Os p . b). . . uma variedade diferenci´ avel de dimens˜ ao 2m. T∗ (p. b). seja A = {(Uα .5. Seja m ∈ N e sejam W1 . o espa¸ co forma 19 ⊗a R Tp V ∗ ⊗b R Tp V cont´ em uma base de coordenadas locais da B U. xm } de Uα definido por hα . b) s˜ ao isomorfos a esse por permuta¸ ca ˜o de fatores. . ou um tensor de posto (a. p´ agina 128). l) .3. Wm espa¸ cos vetoriais sendo que cada Wk ou ´ e o espa¸ co tangente Tp V ou o espa¸ co cotangente T∗ V . co ˜es de acima. b ) se o fator T V comparecer 1 R R m p p a-vezes no produto tensorial e o fator T∗ p V comparecer b-vezes no produto tensorial. Tp V ⊗R Tp V ⊗R Tp V e Tp V ⊗R Tp V ⊗R Tp V . associar o espa¸ co tangente Tp V e o espa¸ co co-tangente T∗ V . . como fizemos acima.3. como vimos. . E. Cap´ ıtulo 32 1505/2069 • O fibrado co-tangente A no¸ ca ˜o de fibrado co-tangente pode ser introduzida como a de fibrado tangente. p´ agina 157. l1 . naturalmente a + b = m. Um elemento de um produto tensorial de ordem m de tipo (a. Verifique as afirma¸ 32. O fibrado co-tangente T∗ V de uma variedade diferenci´ avel V ´ e. k=1 lk dxk p := hα (p). xp 1 m ∗ co-vetores {dxp . . . . . l1 . xp . Todos os outros produtos tensoriais de tipo (a.3. . . lm ∈ R2m . h. discuss˜ ao sobre bases em produtos tensoriais de vetores gerais ´ e feita ` a p´ agina 151. A cada ponto p de uma variedade diferenci´ avel V podemos. . T∗ A := (T∗ Uα . Um exemplo prot´ otipo de um produto tensorial de tipo (a. fazendo uso de resultados pr´ evios (notadamente da Se¸ ca ˜o 2. os trˆ es ∗ ∗ espa¸ cos de ordem 3 e de tipo (2. . . lm = m x1 p . hα ). . α ∈ Λ com Iα : T∗ Uα → R2m dado por m Iα p. p´ agina 157. Como vimos acima. a dimens˜ a o a da variedade V . . ambos espa¸ c os vetoriais reais de dimens˜ a o igual n .

em Tp V ⊗R Tp V ⊗R T∗ p V . ∂xi1 ∂xia ∂y ja+1 ∂y ja+b (32. . e pela multilinearidade do produto tensorial. h) que tamb´ R Tp V ⊗R Tp V uma nova base local de coordenadas B U .28). e sempre preservando nos ´ ındices a ordem de aparecimento desses fatores. se considerarmos trˆ es tensores A. Assim. por exemplo. 1). Tp V ⊗R Tp V ⊗R Tp V e Tp V ⊗R Tp V ⊗R Tp V . p). obtemos a importante ∂xl regra de transforma¸ c˜ ao de componentes de tensores por mudan¸ cas de cartas: T j1 ···ja ja+1 ···ja+b (p) = ∂y ja ∂xia+1 ∂xia+b i1 ···ia ∂y j1 · · · · · · T ia+1 ···ia+b (p) . b) adota-se uma nota¸ ca ˜o semelhante. . n} para todo k ⊗R dyp .25) p p B = B ij k (p) p ⊗R dxj p ⊗R ∂ ∂xj ⊗R (32.JCABarata.26) C = Ci jk (p) dxi p ⊗R .28) p p com novas componentes T j1 ···ja ja+1 ···ja+b (p). p (32. respectivamente. obtendo T = T i1 ···iaia+1 ···ia+b (p) ∂ ∂xi1 ⊗R · · · ⊗R ∂ ∂xia ia+b a+1 ⊗R · · · ⊗R dxp ⊗R dxi p p p = T i1 ···iaia+1 ···ia+b (p) k l ∂y ja ∂y j1 · · · i ∂x 1 ∂xia ∂xia+1 ∂xia+b · · · j ∂y a+1 ∂y ja+b ∂ ∂y j1 p ⊗R · · · ⊗R ∂ ∂y ja p ja+b ja+1 ⊗R · · · ⊗R dyp . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. B e C . Um tanto incorretamente. h. h.28) ` a base B U . suas representa¸ co ˜es nas respectivas bases de coordenadas locais ser˜ ao A = Aij k (p) ∂ ∂xi ∂ ∂xi ⊗R ∂ ∂xj ⊗R dxk p . p = ∂ ∂y j1 p ⊗R · · · ⊗R ∂ ∂y ja p ja+b ja+1 ⊗R · · · ⊗R dyp . Por (32. Em textos de F´ ısica ´ e muito comum tomar um tensor por suas componentes em alguma carta. Os nm coeficientes T i1 ···iaia+1 ···ia+b (p) s˜ ao denominados componentes do tensor T na base B(U. Comparando a (32. . p (32.. de ∗ ∗ ordem 3 e de tipo (2. .24) poder´ a ser escrito na forma T = T j1 ···ja ja+1 ···ja+b (p) ∂ ∂y j1 ⊗R · · · ⊗R ∂ ∂y ja ja+b ja+1 ⊗R · · · ⊗R dyp . ⊗R dyp ∂x e ∂y com as derivadas ∂y k calculadas em h(p) e h(p). em frases como “seja o tensor T ijk . podemos retornar de (32. b ∗ em contenha o ponto p. p). jk ∈ {1.. O mesmo tensor T de (32. teremos em ⊗a Em uma outra carta (U . um tensor T de ⊗a R Tp V ∗ ⊗b R Tp V se escreve na forma ∂ ∂xi1 ⊗R · · · ⊗R ∂ ∂xia ia+b a+1 ⊗R · · · ⊗R dxp . sempre dotando as componentes de ´ ındices superiores quando elas prov´ em de um fator Tp V e de ´ ındices inferiores quando elas prov´ em de um fator TV p .17) e (32.23).24) p p onde adotamos novamente a conven¸ ca ˜o de Einstein. respectivamente. Para outros tensores de tipo (a. ⊗R dyp (32. ela ´ e tomada por alguns autores como defini¸ ca ˜o da no¸ ca ˜o de tensor.”. Cap´ ıtulo 32 1506/2069 Assim. Isso ´ e por vezes denominado “nota¸ ca ˜o de ´ ındices abstratos”.29) ´ e empregada com muita freq¨ uˆ encia na Teoria da Relatividade Geral e na Geometria Diferencial.29) A express˜ ao (32. ⊗R dxi p T = T i1 ···iaia+1 ···ia+b (p) (32. .27) p Mais uma vez o estudante iniciante deve atentar para a localiza¸ ca ˜o e ordenamento dos ´ ındices. O estudante iniciante deve atentar para a disposi¸ ca ˜o dos ´ ındices superiores e inferiores nas express˜ oes de acima. ∂ ∂xk ∂ ∂xk . h.

1). . . . em } ´ e uma base em Tp M e {e1 . p´ agina 1546. com as conven¸ co ˜es acima. V ek = k=1 c=1 d=1 m m E k c Ek d dxc . . Contra¸ c˜ ao de ´ Indices ´ A no¸ ca ˜o de tra¸ co.25)–(32.JCABarata. .31) A express˜ ao do lado direito independe da particular base {e1 .19) dxc . temos V1 V2 c a m = b=1 (V1 )cb (V2 )ba . . . . . ∂xm . a saber. . V ∂ ∂xc . tenhamos V ∂xa = a ∂xb . . No Cap´ ıtulo 33. ∂xr ∂xs ∂y k ∂y i ∂xs ∂y k r t B s (p) . ∂y i ∂xs ∂xt r Mais uma vez chamamos a aten¸ ca ˜o do estudante iniciante para o ordenamento e disposi¸ ca ˜o dos ´ ındices. V m ∂ ∂xd ∂ ∂xd = c=1 d=1 k=1 E k c Ek d (32. em uma base de coordenadas ∂x 1 . V b=1 m m ∂ b a define um elemento de Tp M ⊗ T∗ M .3.3.5 e 2. respectivamente. .1 Tra¸ cos de Tensores. um tensor de tipo (1 . .2. b) h´ a express˜ oes an´ alogas. .2.32) . • O tra¸ co de uma aplica¸ c˜ ao entre espa¸ cos tangentes Seja M uma variedade diferenci´ avel de dimens˜ ao m e seja V : Tp M → Tp M uma aplica¸ ca ˜o linear de Tp M em si m ∂ ∂ ∂ b ∂ V mesmo. Cap´ ıtulo 32 1507/2069 Para outros tensores de tipo (a. . dxm } como em (32. familiar na Algebra Linear (vide Se¸ ca ˜o 8. p´ agina 330). . ´ e f´ acil ver que. . . Descrevemos aqui como isso ´ e feito em ambos os casos introduzindo tamb´ em a nota¸ ca ˜o apropriada. V ek . em } na base {dx1 . Verifique! Se {e1 . . expressando os elementos ∂ ∂ de {e1 . de sorte que. ∂xr ∂y j ∂xt ∂xr ∂y j ∂y k C st (p) . . ∗ ∗ b b O espa¸ co dual de um produto tensorial como ⊗a co ⊗ a R Tp V ⊗R Tp V pode ser identificado com o espa¸ R Tp V ⊗R Tp V .18) e expressando os elementos da base dual 1 . 32.21).30) para as componentes de V1 V2 na mesma base local de coordenadas. em } na base de coordenadas ∂x como em (32. . para as componentes dos tensores A. em uma base local de coordenadas. . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.3.27). teremos as transforma¸ co ˜es: Aij k (p) = B ij k (p) = C ijk (p) = ∂y i ∂y j ∂xt rs A t (p) . Naturalmente.6. (32.3. ∂xm {e1 . . Por exemplo. . B e C de (32. . podemos identificar V = p a=1 b=1 V a ∂xb ⊗ dx . em } ´ e a correspondente base dual no espa¸ co co-tangente T∗ pM definimos o tra¸ co de V por m Tr(V ) := k=1 ek . . . (32. . indicaremos como o uso de um tensor m´ etrico conduz a uma aplica¸ ca ˜o natural entre ambos os espa¸ cos e de que forma isso se reflete nas componentes de tensores. pode ser intoduzida tamb´ em para operadores lineares agindo no espa¸ co tangente ou no espa¸ co cotangente a um ponto de uma variedade diferenci´ avel. De fato. V = δc d m = c=1 dxc . Se V1 : Tp M → Tp M e V2 : Tp M → Tp M s˜ ao duas tais aplica¸ co ˜es lineares com componentes (V1 )ba e (V2 )ba . teremos m m m m Tr(V ) = k=1 ek . conforme discutimos nas supracitadas Se¸ co ˜es 2. . . (32. . em } escolhida. .

. • O tra¸ co de uma aplica¸ c˜ ao entre espa¸ cos co-tangentes (32. que Tr(V ) ´ e uma grandeza escalar. 1). Como se vˆ e em (32. uma natureza escalar. temos m m a m m m m Tr(V1 V2 ) = a=1 V1 V2 a = a=1 b=1 (V1 )ab (V2 )ba = b=1 (V2 )ba (V1 )ab a=1 = b=1 V2 V1 b b = Tr(V2 V1 ) . nem do particular sistema de coordenadas escolhido. ou seja. .JCABarata. . Verifique! Como acima. . Tr(W ) ´ e uma grandeza escalar.9 Exerc´ ıcio.38) . em } ´ e a correspondente base dual no espa¸ co ∗ co-tangente Tp M definimos o tra¸ co de W por m Tr(W ) := k=1 W ek . a saber. ∂ ∂xd = δ cd e. c=1 (32. Usando (32. em uma carta local de coordenadas. em } ´ e uma base em Tp M e {e1 . ek . para a base de coordenadas original tem-se m Tr(W ) = a=1 Wa a .33). Cap´ ıtulo 32 1508/2069 ∂ ∂ que ´ e a express˜ ao de Tr(V ) na base de coordenadas ∂x ao depende da particular base 1 . Tr(V ) = m Vc c .33) ´ claro. ent˜ ao. podemos provar que Tr(W ) n˜ ao depende da particular base escolhida e que. . (32. W define um elemento de T∗ p M ⊗ Tp M .35) para as componentes de W1 W2 na mesma base dual local de coordenadas. . p M → Tp M e W2 : Tp M → Tp M s˜ respectivamente. se {e1 . W1 W2 a c m = b=1 (W1 )cb (W2 )ba . . ´ e f´ acil ver que. em uma base dual local de coordenadas. . Tr(V ) n˜ escolhida. tenhamos W dx = b=1 Wb dx . ou seja. . . Naturalmente. com as conven¸ co ˜es acima. Esse processo ´ e denomimado contra¸ c˜ ao de ´ ındices. portanto. . . possuindo. o processo de tomada do tra¸ co de V consiste em tomar-se as componentes V a com ´ ındices iguais e somar sobre os mesmos.35). podemos identificar W = a=1 b=1 Wb a dxb ⊗ ∂x a.30). . o que estabelece a chamada propriedade c´ ıclica do tra¸ co: Tr(V1 V2 ) = Tr(V2 V1 ) . b Se V1 e V2 s˜ ao aplica¸ co ˜es lineares em Tp M . por essas permitindo expressar Tr(V ) em termos dos coeficientes de V em qualquer base de coordenadas. Assim.36) De forma totalmente an´ aloga ao que fizemos acima.37) Novamente. (32. um tensor de posto 0. ∗ ∗ ∗ v´ alida para quaisquer aplica¸ co ˜es lineares W1 : T∗ p M → Tp M e W2 : Tp M → Tp M . (32. em uma base de coordenadas m 1 m a a b dx .34) ∗ ∗ ∗ Se W1 : T∗ ao duas tais aplica¸ co ˜es lineares com componentes (W1 )ba e (W1 )ba . . um tensor de posto 0. . temos ∗ Seja agora W : T∗ ca ˜o linear de T∗ p M → Tp M uma aplica¸ p M em si mesmo. um tensor m m ∂ de tipo (1. 32. ca a propriedade c´ ıclica do tra¸ co : E. V ∂ ∂xc m m = c=1 d=1 Vd c dxc . dx . de sorte que. (32. Note-se que m Tr(V ) = c=1 dxc . ∂xm . .37) o processo de contra¸ c˜ ao de ´ ındices. portanto. Mais uma vez vemos em (32. usando (32. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. E considera¸ co ˜es sobre a invariˆ ancia com rela¸ ca ˜o ` a escolha de base. estabele¸ Tr(W1 W2 ) = Tr(W2 W1 ) .

W T α p = W ω. obter´ ıamos um outro tensor.10 Exerc´ ıcio. b − 1) efetuando o processo de contra¸ ca ˜o de ´ ındices.40) base dual local temos W T para todos α ∈ Tp M e todos ω ∈ T∗ ca ˜o linear W T ´ e dita ser a transporta da aplica¸ ca ˜o linear W . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. ∂xm a = b=1 V a ∂xb . Cap´ ıtulo 32 1509/2069 • Tra¸ cos de tensores gerais As defini¸ co ˜es de tra¸ co de acima podem ser estendidas a tensores gerais. i 1 ∂x ∂x (dovavante abandonamos o sub´ ındice R nos produtos tnsoriais).39) para todos α ∈ Tp M e todos ω ∈ T∗ ca ˜o linear V T ´ e dita ser a transporta da aplica¸ ca ˜o linear V . . contra´ ındo um ´ ındice superior com um inferior. V α p (32. m m ∂ a b um tensor de tipo (1. . E. em uma base dual de m 1 m a coordenadas dx .39) que WT b a = Wa b . Claro est´ a tamb´ em que esse processo de contra¸ ca ˜o de pares de ´ ındices pode ser repetido. 1). Com as defini¸ co ˜es acima ´ e trivial provar os seguintes fatos: VT T = V . 32.JCABarata. V define um elemento m ∂ ∗ b a de Tp M ⊗ Tp M . tenhamos V ∂x em uma base de coordenadas ∂x 1 . um tensor de tipo (1. uma delas. W define um elemento de T∗ p M ⊗ Tp M . A aplica¸ a T a T b base local temos V dx = V b dx e ´ e elementar constatar da defini¸ ca ˜o (32. ∗ Seja agora W : T∗ ca ˜o linear de T∗ p M → Tp M uma aplica¸ p M em si mesmo. de sorte que. . 32. α p = ω. b) da forma T = T i1 ···iaia+1 ···ia+b ∂ ∂ b ∗ ⊗ · · · ⊗ ia ⊗R dxia+1 ⊗ · · · ⊗ dxia+b ∈ ⊗a R Tp M ⊗R Tp M . podemos identificar W = a=1 b=1 Wb dx ⊗ ∂xa .41) ∗ para quaisquer aplica¸ co ˜es lineares V : Tp M → Tp M e W : T∗ p M → Tp M .39) que VT a b = Va b .2. Esses tensores obtidos por contra¸ co ˜es de ´ ındices de T s˜ ao denominados tra¸ cos parciais do tensor T . Veriifique! . a saber. Tomemos como exemplo um tensor de tipo (a. resultando em m T k=1 i1 ···ia−1 k ia+1 ···ia+b−1 k ∂ ∂ a− 1 b−1 ∗ Tp M ⊗R Tp M . dx . tenhamos W dx = b=1 Wb a dxb . Naturalmente. 1). α p (32. H´ a diversas formas de fazˆ e-lo. notadamente na Teoria da Relatividade Geral. ´ e obtida contra´ ındo-se o ´ ındice superior ia com o ´ ındice inferior ia+b . . WT T = W . Tr V T = Tr(V ) e Tr W T = Tr(W ) (32. em princ´ ıpio distinto. conduzindo a tensores de tipos ainda menores. Definimos W T : Tp M → Tp M como a aplica¸ ca ˜o linear definida por ω.2 Transposi¸ c˜ ao de Tensores Seja M uma variedade diferenci´ avel e seja V : Tp M → Tp M uma aplica¸ ca ˜o linear de Tp M em si mesmo. Na literatura f´ ısica. .3. Em uma p M . podemos identificar V = m a=1 b=1 V a ∂xb ⊗ dx . Em uma p M . A aplica¸ ∂ ∂xa = WT b ∂ a ∂xb e´ e elementar constatar da defini¸ ca ˜o (32. b − 1). . ∗ Definimos V T : T∗ ca ˜o linear definida por p M → Tp M como a aplica¸ V T ω. . ⊗ · · · ⊗ ia−1 ⊗R dxia+1 ⊗ · · · ⊗ dxia+b−1 ∈ ⊗R ∂xi1 ∂x Se escolheremos contrair outro par de ´ ındices. m ∂ ∂ ∂ b ∂ . mas tamb´ em na Teoria de Grupos e na Teoria de Spinores. tamb´ em de tipo (a − 1. a saber. essas opera¸ co ˜es de contra¸ ca ˜o de ´ ındices s˜ ao empregadas muito freq¨ uentemente. a t´ ıtulo de ilustra¸ ca ˜o. . Naturalmente. Obtemos um tensor de tipo (a − 1. de sorte que.

Nesta se¸ ca ˜o vamos estender um tanto a an´ alise desse conceito. 32.1.2. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. . apresentaremos uma outra no¸ ca ˜o de transposi¸ ca ˜o.. α ∈ 2 2 aveis em M1 e M2 .. denominada aplica¸ c˜ ao diferencial induzida por ϕ. y m2 ). 2. (32.40) que valem E. . Mostre. 32. ∂ ∂y m2 ϕ(p) define uma base em Tϕ(p) M2 . ∂xb Nesse sentido. para cada curva c1 como acima. . N˜ ao entraremos nos detalhes aqui. β ∈ Λ2 } atlas infinitamente diferenci´ diferenci´ avel ϕ : M1 → M2 induz naturalmente uma aplica¸ ca ˜o entre os espa¸ cos tangentes de M1 e M2 .2. tem-se c2 (0) = ϕ(p). c2 n˜ ao ter´ a auto-intersec¸ co ˜es (ou seja. hβ ). associa o vetor tangente c ˙1 (0) ` a curva c1 em p ao vetor tangente c ˙2 (0) ` a curva c2 em ϕ(p): ˙1 (0) = c ˙2 (0) . “Pullback” e “Pushforward” 1 Sejam M1 e M2 duas variedades diferenci´ aveis de dimens˜ oes m1 e m2 . 32.. . Veriifique! Em particular. cujas coordenadas denotaremos por (x . . adiante. 32. denotada por dϕ : Tp M1 → Tϕ(p) M2 . Sejam AM1 = {(A1 α . apresentaremos circunstˆ ancias sob as quais a aplica¸ ca ˜o diferencial ´ e um isomorfismo.12 Exerc´ ıcio..11 Exerc´ ıcio. o conjunto de vetores enquanto que o conjunto de vetores ∂ ∂y 1 ϕ(p) . essa aplica¸ ca ˜o est´ a bem definida e ´ e linear. k = 1. usando as defini¸ V1 V2 T = V2T V1T e W1 W2 T T T = W2 W1 (32. Toda aplica¸ ca ˜o Λ1 } e AM2 = {(Aβ . ∂xa E. hβ ) com ϕ(p) ∈ Aβ . enquanto aplica¸ ca ˜o entre os espa¸ cos vetoriais Tp M1 e Tϕ(p) M2 . para algum ǫ > 0 conveniente. . x 2 2 2 Consideremos tamb´ em em M2 a carta local de coordenadas (Aβ . hα ) com p ∈ Aα .6. a saber.4. a opera¸ ca ˜o de transposi¸ ca ˜o pode ser generalizada de forma ´ obvia para tensores de ordem superior. Por simplicidade suporemos que ǫ ´ e pequeno o suficiente de modo que toda a imagem de c esteja contida dentro de uma carta local A1 em p. Com essas coordenadas. . a saber. . Seja a carta local de coordenadas (A1 α . ǫ) → M1 uma curva cont´ ınua e diferenci´ avel definida em M1 com c(0) = p. e Wk : T∗ p M → Tp M . . Seja c2 := ϕ ◦ c1 : (−ǫ. ´ e a aplica¸ ca ˜o que. ǫ) → M2 a curva em M2 obtida pela imagem de c1 α que cont´ por ϕ. Seja p ∈ M1 e seja. ∂ ∂xm1 p define uma base em Tp M1 .43) dϕp c Como veremos no que segue. Na Proposi¸ ca ˜o 32.. Naturalmente.1m p´ agina 1556.JCABarata. Se ǫ for pequeno o suficiente. por serem de interesse superficial no caso geral.1 A Diferencial de Uma Aplica¸ c˜ ao Entre Variedades. da qual trataremos no que segue.39) e (32. c1 : (−ǫ. ser´ a injetora na sua imagem). . com respeito a um tensor m´ etrico. . cujas coordenadas denotaremos ∂ ∂x1 p por (y 1 . respectivamente.42) ∗ para quaisquer aplica¸ co ˜es lineares Vk : Tp M → Tp M .. valem ∂ ⊗ dxb ∂xa T = dxb ⊗ ∂ ∂xa e dxa ⊗ ∂ ∂xb T = ∂ ⊗ dxa . 1 1 1 m1 ). A chamada aplica¸ c˜ ao diferencial induzida por ϕ. k = 1. T∗ pM Note-se que as opera¸ co ˜es de transposi¸ ca ˜o definidas acima mapeiam elementos de Tp M ⊗ T∗ p M em elementos de ⊗ Tp M e vice-versa. Cap´ ıtulo 32 1510/2069 co ˜es (32.. 2. ou simplesmente a diferencial de ϕ. da seguinte forma (aqui usamos novamente a conven¸ ca ˜o de Einstein): Vb a ∂ ⊗ dxa ∂xb T a = Vb a dx ⊗ ∂ ∂xb e Wb a dxb ⊗ ∂ ∂xa T = Wb a ∂ ⊗ dxb . respectivamente. hα ). . Na Se¸ ca ˜o 33.4 Aplica¸ c˜ oes Entre Variedades Diferenci´ aveis A no¸ ca ˜o de aplica¸ ca ˜o diferenci´ avel entre variedades diferenci´ aveis foi introduzida ` a p´ agina 1492.

. Como h2 ◦ h1 α ◦ c1 . . .48) .45) Os vetores tangentes m1 x ˙ k (0) k=1 ∂ ∂xk e p k=1 y ˙ k (0) ∂ ∂y k ϕ(p) associados ` as curvas c1 e c2 nos pontos p e ϕ(p).. vamos denot´ a-la por 1 −1 h2 (x1 . em nota¸ ca ˜o matricial. podemos (32. de Tp M1 ..45) (em t = 0). .46) (em cartas locais). xm1 . (32. ··· . .1)). . m1    =     ∂y m2 ∂x1  ∂y 1 ∂x1 . . . y m2 (t) = y 1 x1 (t). . ϕ(p) ∂ ∂xm1 p (32. . .  . .   .. . . ou simplesmente a diferencial de ϕ em p. . e h2 Considere-se as curvas h1 α ◦ c1 e hβ ◦ c2 definidas nos abertos hα (Aα ) ⊂ R β (Aβ ) ⊂ R Coerentemente com a nota¸ ca ˜o de acima. . ··· y ˙ j (t) = k=1 ∂y j 1 x (t). Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.JCABarata. . v m1 ) de v ≡ a=1 v a ∂x na base ∂x a 1 p escrever. xm1 ) = β ◦ ϕ ◦ (hα ) y 1 x1 . . denominada aplica¸ c˜ ao diferencial induzida por ϕ em p. . y m2 (t) . xm1 (t) e (h2 β ◦ c2 )(t) = y 1 (t). . .. . .. . .   . .44) 1 −1 D h2 β ◦ ϕ ◦ (hα ) Ou seja. parametrizaremos essas curvas por (h1 α ◦ c1 )(t) = x1 (t). a fun¸ ca ˜ o h2 do aberto h1 α (Aα ) ⊂ R β (Aβ ) ⊂ R β ◦ ϕ ◦ (hα ) diferenci´ avel. . . Coerentemente com a nota¸ ca ˜o de acima. . . m2 . vale y 1 (t). .    . . . . . ǫ). por 1 −1 dϕp := D h2 β ◦ ϕ ◦ (hα ) (32. temos para cada j = 1.   . .    ∂y 1 ∂y 1 ···   v1   ∂xm1     ∂x1  . . . . . .47) 1 ∂ ∂ Em termos das componentes (v 1 . . 1 −1 = D h2 β ◦ ϕ ◦ (hα ) d 1 h ◦ c1 dt α  ∂y 1  ∂xm1   . . dϕp v =  . Essas observa¸ co ˜es acima permitem-nos definir a aplica¸ ca ˜o linear dϕp : Tp M1 → Tϕ(p) M2 . . d 2 h ◦ c2 dt β onde (comparar com (32. respectivamente. xm1 (t) . . Cap´ ıtulo 32 1511/2069 2 m2 1 −1 1 m1 ´ e no aberto h2 Como ϕ ´ e suposta ser diferenci´ avel. . . . . 2 m2 2 1 1 m1 . . xm1 . . . . . . 2 2 1 −1 respectivamente. y m2 x1 (t). ou seja.     ∂y m2 ∂y m2   m1  ··· v ∂x1 ∂xm1 . m1 dϕp a=1 va ∂ ∂xa m2 m1 l=1 := p k=1 m ∂y k 1 h (ϕ(p)) v l ∂xl α ∂ ∂y k p . . com t ∈ (−ǫ. . .  ∂y m2  ∂xm1 x ˙ k (t) . . xm1 (t) . xm1 (t) ∂xk m2 (32. . . . y m2 x1 . tˆ em suas componentes relacionadas por (32. podemos escrever β ◦ c2 = hβ ◦ ϕ ◦ c1 = hβ ◦ ϕ ◦ (hα ) (h2 β ◦ c2 )(t) = Pela regra da cadeia. . respectivamente. . .

portanto. Mostre que dϕp : Tp M1 → Tϕ(p) M2 . h ) e ( A . n˜ ao depende das particulares cartas 1 2 2 1 2 locais de coordenadas (A1 . . Proposi¸ c˜ ao 32. o que implica que dfq ´ e um .9.44) use as α α α β β β . garante que existe uma vizinhan¸ ca de h1 ´ e invers´ ıvel. Se para algum p ∈ M1 a aplica¸ c˜ ao diferencial dfp for um isomorfismo. ent˜ ao f n˜ ao pode ser um difeomorfismo for um isomorfismo entre Tp0 M1 e Tf (p0 ) M2 . ent˜ ao a aplica¸ c˜ ao diferencial dfp ´ e um isomorfismo para todo p ∈ M1 .. Como se compreende de (32. j´ a que M1  . .m  1 −1 Por outro lado. Tendo em mente a Proposi¸ ca ˜o 32.. ∂y ∂x1 1 −1 2 m Se f for um difeomorfismo. vide [159]-[160] ou [49]).13 Exerc´ ıcio importante. Teorema 25. acima. ´ e n˜ ao-nulo. ent˜ ao a matriz D h2 β ◦ f ◦ (hα ) tem determinante n˜ ao nulo em p. Como ∂y i s˜ ao calculadas em h1 α ϕ(p) . Valem as seguintes afirma¸ c˜ oes: 1. . Seja f : M1 → M2 diferenci´ avel e seja dfp : Tp M1 → Tf (p) M2 a aplica¸ ca ˜o diferencial induzida por f em p ∈ M1 . sendo essa α (p) onde hβ ◦ f ◦ (hα ) inversa diferenci´ avel. h ) com p ∈ A . ´ e uma rec´ ıproca parcial ` a afirma¸ ca ˜o do item 1.. a fun¸ ca ˜ o h2 do aberto h1 (A1 ) ⊂ Rm no aberto h2 ´ e diferenci´ avel β ◦ f ◦ (hα ) β (Aβ ) ⊂ R  α1 α  1 ∂y ∂x1 ··· ∂y ∂xm ··· ∂y ∂xm isomorfismo para ´ e recoberto pelas m × m invert´ ıvel) e. Sejam M1 e M2 duas variedades diferenci´ aveis e seja f : M1 → M2 diferenci´ avel. Seja f : M1 → M2 diferenci´ avel e seja dfp : Tp M1 → Tf (p) M2 a aplica¸ c˜ ao diferencial induzida por f em p ∈ M1 . todo q ∈ A1 α (por ser descrita por uma matriz cartas {A1 . a seguinte defini¸ ca ˜o ´ e relevante: um ponto p0 ∈ M1 ´ e dito ser um ponto cr´ ıtico da aplica¸ ca ˜o f se dfp0 n˜ e um ponto cr´ ıtico de f . x ). as derivadas parciais ∂ ∂y 1 ϕ(p) . sejam M1 e M2 duas variedades diferenci´ aveis de mesma dimens˜ ao m. Prova da Proposi¸ c˜ ao 32. Isso provou o item 1. • Pontos cr´ ıticos de aplica¸ co ˜es diferenci´ aveis . ao p´ agina 1512. hβ ) com f (p) ∈ Aβ . Como acima. cujas coordenadas denotaremos por (y 1 . Consideremos α α α 2 2 2 tamb´ em em M2 a carta local de coordenadas (Aβ . podemos determinar dϕp (w) da seguinte forma: toma-se uma curva c(t) em M1 com c(0) = p e c ˙(0) = w e calcula-se o vetor tangente ` a curva ϕ c(t) no ponto t = 0: dϕp (w) = d ϕ c(t) dt . em toda M1 . a aplica¸ ca ˜o diferencial dϕp : Tp M1 → Tϕ(p) M2 ´ e tamb´ em dita ser o pushforward associado a ϕ : M1 → M2 .m . y m ). Note-se que a afirma¸ ca ˜o do item 2.6. Sugest˜ fun¸ co ˜es de transi¸ c˜ ao e a regra da cadeia.JCABarata. que satisfa¸ c am p ∈ A e ϕ ( p ) ∈ A ao: em (32.6 Sejam M1 e M2 duas variedades diferenci´ aveis de mesma dimens˜ ao m. se para algum p ∈ M1 a aplica¸ ca ˜o diferencial dfp for um isomorfismo. . O Teorema da Fun¸ ca ˜o Inversa. 2. h ) adotadas. ∂xj Como discutiremos abaixo. Cap´ ıtulo 32 1512/2069 o vetor coluna resultante fornecendo as coordenadas da imagem na base acima. . p´ agina 1248 (para um tratamento em 2 1 −1 Rn . ou seja. ∂ ∂y m2 ϕ(p) de Tϕ(p) M2 . Seja p ∈ M1 e 1 1 1 m seja a carta local de coordenadas (A1 . . Se f for um difeomorfismo. α α ∈ Λ}. e tem inversa diferenci´ avel. .49) • A aplica¸ c˜ ao diferencial e difeomorfismos Au ´til proposi¸ ca ˜o a seguir estabelece uma rela¸ ca ˜o entre difeomorfismos e aplica¸ co ˜es diferenciais que sejam isomorfismos. . ent˜ ao f ´ e um difeomorfismo local em p. . E. cujas coordenadas denotaremos por ( x . garante que f ´ e um difeomorfismo local em p. . . Isso garante que existe uma vizinhan¸ ca de p onde f tem inversa e essa inversa ´ e diferenci´ avel. Se p0 ´ local em p0 . . . definida acima. t=0 (32. Conseq¨ uentemente. o Jacobiano det  . 32. se w ∈ Tp M1 .6. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.  .43) e da discuss˜ ao acima.

. dxϕ−1 (q) de Tϕ−1 (q) M1 . a aplica¸ ca ˜o diferencial dfp ´ e tamb´ em dita ser o pushforward de f . dϕ∗ . . do que segue que m2 m2 m1 dϕ∗ q b=1 ωb dy b |q = b=1 l=1 ωb ∂y b 1 −1 h ϕ (q ) ∂xl α m dxl |ϕ−1 (q) . vemos que o • Pullbacks e pushforwards de fun¸ co ˜es . . dy m2 |q podemos escrever.14 Exerc´ ıcio. Como M e R s˜ ao variedades diferenci´ aveis. k=1 ∂y k 1 −1 h ϕ (q ) ∂xa α ∂ ∂y k = q q ∂y b 1 −1 h ϕ (q ) ∂xa α . em termos das componentes (ω1 .50) ∗ ∗ A aplica¸ ca ˜o dfq : T∗ e dita ser o pullback de f . ωm2 ) de ω ≡ b=1 ωb dy b |q na base dy 1 |q . . O leitor deve ser informado que h´ a uma nota¸ ca ˜o alternativa muito difundida para pullbacks e pushforwards: df ´ e denotada por f∗ enquanto que df ∗ ´ e denotada por f ∗ . as no¸ co ˜es de pushforward e pullback aplicam-se s g . mas vamos supor adicionalmente que ela seja injetora em sua imagem f (M1 ) ⊂ M2 . Ocasionalmente empregaremos tamb´ em essa nota¸ ca ˜o. ∗ A aplica¸ ca ˜o df induz. dϕϕ−1 (q) ϕ −1 ( q ) m2 q (32.  ω 1 · · · ω m2  qω =  . . . • Representa¸ c˜ ao de pullbacks em cartas locais O exerc´ ıcio que segue mostra como se pode expressar um pullbacks concretamente.48) para o pullback dϕ∗ . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. para todo V ∈ Tf −1 (q) M1 . . usando a defini¸ c˜ ao (32. Seguindo a mesma ideia.47) e E. a qual ´ e definida da seguinte forma: para cada U ∈ Tq M2 definimos dfq U como ∗ sendo o elemento de Tf −1 (q) M1 tal que ∗ dfq U. . seja f : M1 → M2 diferenci´ avel. (32.JCABarata. . = ϕ −1 ( q ) ϕ −1 ( q ) dxb q . V f −1 ( q ) = U. .  . 2 Mostre que. em nota¸ c˜ ao matricial. . A aplica¸ ca ˜o diferencial dfp leva vetores de Tp M1 em Tf (p) M2 enquanto ∗ ∗ que dfq “puxa de volta” (“pulls back”) vetores de T∗ q M2 para Tf −1 (q) M1 . seja dfp : Tp M1 → Tf (p) M2 a aplica¸ ca ˜o diferencial induzida por f em p ∈ M1 . . teremos − 1 2 1 q q ϕ (q ) ∂ ∂xa ∂ ∂xa b dϕ∗ q dyq . A saber. Obtenha. Para cada p ∈ M1 . ∗ ∗ ∗ ∗ ∗ denotada por dfq : Tq M2 → Tf −1 (q) M1 . . 32.52) m1 ∗ o vetor linha resultante fornecendo as coordenadas da imagem na base dx1 ϕ−1 (q) .    ∂y m2 ∂y m2  ··· ∂x1 ∂xm1 (32.51) de T∗ q M2 . em cartas locais. ∗ ∗ (32. As derivadas parciais ∂y i −1 (q ) .50). mostre que para dϕ∗ : T M → T M . para cada q ∈ f (M1 ) ⊂ M2 uma aplica¸ ca ˜o dual entre os espa¸ cos duais T∗ q M 2 e T f −1 ( q ) M 1 . s˜ ao calculadas em h1 α ϕ ∂xj Seja M uma variedade diferenci´ avel de dimens˜ ao m e seja g : M → R uma fun¸ ca ˜o diferenci´ avel. A nomenclatura segue a seguinte q M2 → Tf −1 (q) M1 assim definida ´ ideia: f : M1 → M2 leva pontos de M1 em M2 . o an´ alogo das express˜ oes em coordenadas locais (32. Seguindo as defini¸ co ˜es.47) = b dyq . Cap´ ıtulo 32 1513/2069 • Pullback e pushforward Como antes. . (32. . . dff −1 (q) V q . .   ∂y 1 ∂y 1 ···   ∂xm1   ∂x1   ..

2 Imers˜ oes. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.15 Exerc´ ıcio. (32. . com p ∈ M1 . Sejam M1 . e d(g ◦ f )∗ q : Tq M3 → T(g◦f )−1 (q) M1 . vm ) ∈ Tp M . bijetora e diferenci´ avel e seja g : M2 → M3 . por defini¸ ca ˜o.57) 32.56) e ∗ ∗ d(g ◦ f )∗ q = dfg−1 (q) dgq .47) ou em (32.2. que o posto de uma aplica¸ ca ˜o linear entre dois espa¸ cos vetoriais de dimens˜ ao finita ´ e. os quais conduzem a outras no¸ co ˜es. de (32. a dimens˜ ao da imagem dessa aplica¸ ca ˜o. Aqui. • Imers˜ oes Sejam M e N duas variedades diferenci´ aveis. Disso segue igualmente que d f −1 ◦ f d(f −1 ) para todo p ∈ M1 . p´ agina 1524. com q ∈ (g ◦ f )(M1 ) ⊂ M3 . .55) sendo que aqui omitimos os pontos onde as aplica¸ co ˜es devem ser calculadas para a preserva¸ c˜ ao da elegˆ ancia. Uma aplica¸ ca ˜o ϕ : M → N ´ e dita ser uma imers˜ ao20 de M em N se for diferenci´ avel e se dϕp : Tp M → Tϕ(p) N for injetora para todo p ∈ M . .JCABarata. Nesta breve se¸ ca ˜o introduziremos essas defini¸ co ˜es. M2 e M3 trˆ es variedades diferenci´ aveis. 21 Recordar em Inglˆ es. Agora.54) com u ∈ R ≡ Tp R. J´ a o pullback dgp : T∗ e expresso em uma carta local como p R → Tp M ´ m ∗ dgp u = u l=1 ∂g h(p) dxl p . Na outra nota¸ c˜ ao. Considere a composi¸ c˜ ao g ◦ f : M1 → M3 . c˜ ao identidade de M1 . h) de M como m dgp v = k=1 ∂g h(p) v k ∂xk (32. Assim. . como a de subvariedade diferenci´ avel etc. essas rela¸ co ˜es ficam (g ◦ f )∗ = g∗ f∗ e (g ◦ f )∗ = f ∗ g ∗ . (32. mas pode ser vista em (32. Note-se que uma imers˜ ao ϕ : M → N n˜ ao ´ e necessariamente injetora. a aplica¸ c˜ ao identidade em Tp M1 (a ´ ultima igualdade ´ e evidente. a aplica¸ −1 d f ◦ f p = d idM1 p = idTp M1 . (32. g ◦ f = idM1 .53) ∗ ∗ com v = (v1 . E. Aplica¸ co ˜es diferenci´ aveis entre variedades diferenci´ aveis podem ser classificadas em determinados tipos. Mostre que ∗ ∗ d(g ◦ f )p : Tp M1 → T(g◦f )(p) M3 . injetora e diferenci´ avel. Seja f : M1 → M2 . Cap´ ıtulo 32 1514/2069 pushforward dgp : Tp M → Tp R ´ e expresso em uma carta local (U. submers˜ oes e mergulhos suaves.4. 20 “Immersion”. como imers˜ oes. isso requer que dim M ≤ dim N ). .55) obtemos com isso que p M1 d(f −1 ) ∗ p = (df )p −1 e = (df )∗ f (p) −1 .4. f (p) ∗ p = idT∗ . A diferen¸ ca dim N − dim M ´ e denominada codimens˜ ao da imers˜ ao ϕ. Um caso interessante ´ e aquele em que M3 = M1 e g = f −1 . ∂xl (32.48)). Mergulhos e Subvariedades Temos agora elementos para apresentar mais algumas defini¸ co ˜es u ´teis ao estudo de variedades e suas aplica¸ co ˜es. 32. Alguns exemplos s˜ ao discutidos com algum detalhe na Se¸ ca ˜o 32. Verifique! • Composi¸ c˜ ao de pullbacks e pushforwards O exerc´ ıcio que segue mostra como compor pullbacks e pushforwards. satisfazem: d(g ◦ f )p = dgf (p) dfp para todo p ∈ M1 e todo q ∈ (g ◦ f )(M1 ) ⊂ M3 . ou seja. injetora e diferenci´ avel. se o posto21 de dϕp for sempre igual ` a dimens˜ ao de M (naturalmente.

mergulhos suaves s˜ ao por vezes denominados simplesmente mergulhos. τY ) s˜ ao variedades topol´ ogicas.1. • Mergulhos suaves Um mergulho topol´ ogico entre duas variedades diferenci´ aveis ´ e dito ser um mergulho suave se for tamb´ em uma imers˜ ao. mostramos um exemplo de uma subvariedade diferenci´ avel de Rn+1 : o gr´ afico de uma fun¸ ca ˜o F : Rn → R diferenci´ avel.JCABarata. se M for uma subvariedade topol´ ogica de N e se a inclus˜ ao iM. Na Se¸ ca ˜o 32. p´ agina 1489. ou simplesmente um mergulho. de (X. • Subvariedades topol´ ogicas Essa no¸ ca ˜o j´ a foi introduzida e discutida na Se¸ ca ˜o 32. isso requer que dim M ≥ dim N ). τY ) se ϕ for um homeomorfismo entre X e sua imagem f (X ) (adotando neste u ´ ltimo conjunto a topologia relativa induzida por τY em f (X )). τX ) e (Y. Dizemos que M ´ e uma subvariedade diferenci´ avel de N se a inclus˜ ao iM. X : Y → X for um mergulho topol´ ogico de (Y. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. onde superf´ ıcie. inspirada na Proposi¸ ca ˜o 32. N for uma imers˜ ao da variedade diferenci´ avel M em na variedade diferenci´ avel N . Ent˜ ao. cont´ ınua e com inversa ϕ−1 : ϕ(X ) → X −1 cont´ ınua (naturalmente. por´ em. uma subvariedade topol´ ogica ´ e por si s´ o uma variedade topol´ ogica. a aplica¸ ca ˜o inversa ϕ s´ o pode ser definida ma imagem ϕ(X ) de ϕ).2. que o cone n-dimensional n˜ ao ´ e ipso facto uma subvariedade diferenci´ ´ e topologicamente mergulhado. Mais sobre o tema ser´ a apresentado na Se¸ ca ˜o 32. Na Se¸ ca ˜o 32. Advertimos o leitor para o fato que. ♣ Notas. Assim. 22 “Submersion”. no contexto de variedades diferenci´ aveis. p´ agina 1526. ou seja. Um mergulho topol´ ogico ϕ : X → Y ´ e sempre uma aplica¸ ca ˜o injetora. Uma aplica¸ ca ˜o diferenci´ avel ϕ : M → N ´ e dita ser uma submers˜ ao22 de M em N se dϕp : Tp M → Tϕ(p) N for sobrejetora para todo p ∈ M . Como j´ a comentamos. (Y. e colocamos aqui a seguinte defini¸ ca ˜o. ou ainda “imbedding”. em seu v´ ertice). τX ) em (Y. 23 “Embedding”. τY ) em (X. em Inglˆ es. apesar de n˜ ao ser diferenci´ avel. se o posto de dϕp for sempre igual ` a dimens˜ ao de N (naturalmente. τY ) ´ e uma subvariedade topol´ ogica de (X.4. • Mergulhos Essa no¸ ca ˜o topol´ ogica de mergulho aplica-se tamb´ em ao caso particular em que (X.4. sendo M uma subvariedade topol´ ogica de N e possuindo uma estrutura diferenci´ avel que faz de si tamb´ em uma variedade diferenci´ avel.2. mostramos que o cone n-dimensional pode ser tomado como uma variedade diferenci´ avel (com uma escolha conveniente de estrutura diferenci´ avel. • Superf´ ıcies regulares em Rn em Inglˆ es. τY ) s˜ ao espa¸ cos topol´ ogicos. τX ) se a fun¸ ca ˜o inclus˜ ao iY. A no¸ ca ˜o de mergulho23 no contexto de Topologia Geral j´ a foi definida ` a p´ agina 1336 e ` a p´ agina 1426: se (X. “Plongement”. enquanto avel de Rn+1 . Um conjunto S ⊂ Rn ´ e dito ser uma superf´ ıcie regular de dimens˜ ao m (com m ≤ n) se for uma subvariedade de dimens˜ ao m de Rn (com Rn sendo aqui a variedade diferenci´ avel Rn padr˜ ao). τX ) e (Y. a variedade diferenci´ avel M ser´ a uma subvariedade diferenci´ avel da variedade diferenci´ avel N se M ⊂ M . τX ) e (Y. p´ agina 1529. N for um mergulho suave de M em N . “Einbettung” em Alem˜ ao. • Subvariedades diferenci´ aveis Seja N uma variedade diferenci´ avel e seja M ⊂ N com M = ∅. em Francˆ es.1. τY ) duas variedades topol´ ogicas sendo que Y ⊂ X (assumimos X e Y n˜ ao-vazios). p´ agina 1490: Sejam (X.4. uma fun¸ ca ˜o f : X → Y ´ e dita ser um mergulho topol´ ogico.4.3.1. Cap´ ıtulo 32 1515/2069 • Submers˜ oes Sejam M e N duas variedades diferenci´ aveis. p´ agina 1528. τX ). . ´ importante frisar que o fato de uma variedade diferenci´ E avel M ser topologicamente mergulhada em outra variedade diferenci´ avel N n˜ ao faz com que M seja uma subvariedade diferenci´ avel de N . Mostraremos.

Uma demonstra¸ ca ˜o dessa vers˜ ao mais fraca pode ser encontrada em [154]. apenas como superf´ ıcies regulares em algum espa¸ co ambiente? 2. que aqui se colocam s˜ ao: 1. vide Teorema 31.4 data de 1944 e faz uso de m´ etodos muito mais sofisticados que os da vers˜ ao de 1936.23. como superf´ ıcies regulares em algum espa¸ co ambiente Rn . p´ agina 1529. Com isso. em [161] ou em [15]. N˜ ao seria a pr´ opria defini¸ ca ˜o de variedade diferenci´ avel uma defini¸ ca ˜o sup´ erflua ou esp´ uria. se m > 0. Teorema 32. Assim. Suas demonstra¸ co ˜es est˜ ao fora do escopo destas Notas (vide referˆ encias logo abaixo). Em 1936 Whitney demonstrou uma vers˜ ao ligeiramente mais fraca dos teoremas acima: toda variedade diferenci´ avel de dimens˜ ao m pode ser imersa em R2m e toda variedade diferenci´ avel de dimens˜ ao m pode ser mergulhada em R2m+1 . pois n˜ ao h´ a (acredita-se) realidade f´ ısica no espa¸ co ambiente onde o espa¸ co-tempo pode ser mergulhado. p´ agina 1452 e seguintes. naturalmente. .3 e 32. Na Teoria da Relatividade Geral.JCABarata. existe uma imers˜ ao de M em R2m−1 . no¸ ca ˜o de superf´ ıcie regular ´ e discutida na Se¸ ca ˜o 32. onde assume-se que o espa¸ co-tempo seja uma variedade diferenci´ avel. Ele nos informa que toda variedade diferenci´ avel de dimens˜ ao m ´ e difeomorfa a alguma superf´ ıcie regular25 de dimens˜ ao m em um espa¸ co Euclidiano R2m . Vide tamb´ em o Coment´ ario ` a p´ agina 1453. b)) em M como uma ∗ aplica¸ ca ˜o que a cada p ∈ M associa um elemento de um produto tensorial tal como ⊗a ⊗b (outras R Tp V R Tp V permuta¸ co ˜es dos fatores podem. aparentadas entre si. define-se um campo tensorial (de tipo (a. sem referˆ encia a um espa¸ co ambiente onde as mesmas possam ser mergulhadas. ser tamb´ em consideradas).3. isso significa que toda variedade diferenci´ avel de dimens˜ ao finita ´ e uma superf´ ıcie regular em algum espa¸ co Rn (denominado espa¸ co ambiente). Ent˜ ao. Para uma demonstra¸ ca ˜o de um teorema de mergulho para o caso de variedades topol´ ogicas compactas. se m > 1. Com algum abuso de linguagem. • Dois teoremas de Whitney sobre imers˜ oes e mergulhos suaves Mencionamos aqui dois importantes teoremas. ambos devidos a Hassler Whitney24 . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. Teorema 32. Esses teoremas foram apresentados por Whitney entre 1936 e 1944 (para os trabalhos originais. Cap´ ıtulo 32 1516/2069 • Variedades suavemente mergulh´ aveis Uma variedade diferenci´ avel M ´ e dita ser uma variedade suavemente mergulh´ avel em uma variedade diferenci´ avel N se existir um mergulho suave ϕ : M → N tal que ϕ(M ) seja uma subvariedade diferenci´ avel de N .3 (Teorema de Imers˜ ao de Whitney) Seja M uma variedade diferenci´ avel de dimens˜ ao m. O fato ´ e que a abordagem extr´ ınseca raramente conduz a resultados e no¸ co ˜es fundamentais e u ´teis no estudo de propriedades gerais ou particulares de variedades. variedades diferenci´ aveis podem ser abordadas de forma extr´ ınseca. um campo tensorial T ´ e descrito por 24 Hassler 25 A • Campos tensoriais Whitney (1907–1989). ou de forma intr´ ınseca.3 Campos Vetoriais e Tensoriais Se M ´ e uma variedade diferenci´ avel de dimens˜ ao m. ou seja. vide [60]). como espa¸ cos topol´ ogicos per se.4 evidencia um aspecto da no¸ ca ˜o de variedade diferenci´ avel que merece alguma discuss˜ ao. podemos dizer que uma uma subvariedade diferenci´ avel M de uma variedade diferenci´ avel N ´ e uma variedade suavemente mergulhada em N pela inclus˜ ao iM. 32. O Teorema 32.4 (Teorema de Mergulho de Whitney) Seja M uma variedade diferenci´ avel de dimens˜ ao m. Assim. por exemplo. Duas quest˜ oes.4. Ent˜ ao. existe um mergulho suave de M em R2m . a abordagem extr´ ınseca ´ e esp´ uria. j´ a que os objetos abrangidos por ela reduzem-se a superf´ ıcies regulares? A resposta a ambas as perguntas depende um tanto da inclina¸ ca ˜o filos´ ofica de quem a formula e do que se deseja realizar com a resposta. A vers˜ ao apresentada nos Teoremas 32. Vide [60]. Por que n˜ ao estudar variedades diferenci´ aveis apenas extrinsecamente. N .

assumem valores em R e s˜ ser as componentes de T na carta local de coordenadas (Uα . acima definida. . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. (Uα . • Campos vetoriais e sua ´ algebra de Lie Se A ∈ X (M ) e f : M → R ´ e infinitamente diferenci´ avel. b) (M ) a cole¸ ca ˜o de todos os campos tensoriais infinitamente diferenci´ aveis de M . A equa¸ ca ˜o (32. Cap´ ıtulo 32 1517/2069 uma aplica¸ ca ˜o que a cada p ∈ M associa um tensor Tp em ⊗a R Tp V Tp = T i1 ···iaia+1 ···ia+b hα (p) ∂ ∂xi1 hα (p) ∗ ⊗b R Tp V . xm ) ∈ Rm . p (32. podemos definir o produto gA ∈ X (M ) da forma ´ obvia: multiplicando cada componente de A em uma carta local por g : m (gA)p := k=1 1 ak g ◦ h− α hα (p) ∂ ∂xk . hα ). podemos proceder ` a seguinte constru¸ ca ˜o. . . 0) (M ) a cole¸ ca ˜o de todos os campos vetoriais infinitamente diferenci´ aveis de M . cuja express˜ ao local na m ∂ . . infinitamente diferenci´ aveis de M . hα (p) Como A(f ) : M → R. . denotamos por A(f ) a fun¸ ca ˜o de M em R definida por m M ∋ p −→ A(f )p := sendo que. hα ) seja Bp = bl hα (p) ∂xl hα (p) l=1 pela regra de Leibniz. Denotaremos por X ∗ (M ) ≡ T (0. x ). ou 1-formas. . . . k = 1. . ⊗R · · · ⊗R ∂ ∂xia i i (32.59) 1 m denota a derivada parcial na vari´ avel xk da fun¸ ca ˜ o f ◦ h− α : hα (Uα ) ⊂ R → R calculada em hα (p): ∂f ∂xk p ≡ 1 ∂ f ◦ h− α k ∂x (hα (p)) . obtendo. . hα ). . m. 1) (M ) a cole¸ ca ˜o de todos os campos co-vetoriais. .58) ´ e dita ser a express˜ ao local de T na carta (Uα . carta (Uα . O campo tensorial T ´ e dito ser um campo tensorial diferenci´ avel em M se para todo p e para todas as cartas locais de coordenadas todas as fun¸ co ˜es T i1 ···iaia+1 ···ia+b : hα (Uα ) ⊂ Rm → R forem diferenci´ aveis como fun¸ ca ˜o de m vari´ aveis reais. Muito freq¨ uentemente assumiremos que as componentes de um campo tensorial s˜ ao infinitamente diferenci´ aveis e denotaremos por T (a. Um caso de particular interesse ´ e o de campos vetoriais: M ∋ p −→ Ap = ak hα (p) ∂ ∂xk ∈ Tp M . Seja B ∈ X (M ) um segundo campo vetorial infinitamente diferenci´ avel. Outro caso de interesse ´ e o de campos co-vetoriais. m m B A(f ) p = l=1 k=1 bl hα (p) ∂ak ∂xl hα (p) ∂f ∂xk + ak hα (p) p ∂2f hα (p) ∂xk ∂xl . para cada p ∈ M .JCABarata. ´ e tamb´ em uma fun¸ ca ˜o infinitamente diferenci´ avel. . Podemos determinar B A(f ) pela mesma express˜ ao acima. Se g : M → R ´ e uma fun¸ ca ˜o infinitamente diferenci´ avel e A ∈ X (M ). expresso em coordenadas locais como +1 a+b ⊗R dxhaα (p) ⊗R · · · ⊗R dxhα (p) . hα (p) Denotaremos por X (M ) ≡ T (1. ∂f ∂xk p ak hα (p) k=1 ∂f ∂xk . hα ) comp˜ oe uma carta local de coordenadas com p ∈ Uα e hα (p) ≡ (x1 .58) hα (p) Acima. i1 ···ia i1 ···ia 1 m As fun¸ co ˜es T ao ditas ia+1 ···ia+b hα (p) ≡ T ia+1 ···ia+b (x . tamb´ em denominados 1-formas: M ∋ p −→ ωp = ωk hα (p) dxk |hα (p) ∈ T∗ pM .

que consiste em um sistema de m equa¸ co ˜es diferenciais ordin´ arias de primeira ordem sujeitas ` a condi¸ ca ˜o inicial disposta na u ´ltima linha. p Com essa express˜ ao em mente. . B ]p := ak − b . 2 e 3 que X (M ) ´ e uma ´ algebra de Lie real com o produto [·. . . x0 ) e Aq = k=1 a hα (q ) ∂xk q para todo q ∈ Uα . portanto. dt (32. ·] denota. . . . . C ] e [A. Cap´ ıtulo 32 1518/2069 Disso. 0 0 para algum intervalo I ⊂ R contendo 0. Vide tamb´ em sua generaliza¸ ca ˜o para espa¸ cos de Banach.4. . uma fun¸ ca ˜o de X (M ) × X (M ) em X (M ). . constantes. B ] ∈ X (M ) e [A. C ] + C. • Curva integral de um campo vetorial Seja A um campo vetorial diferenci´ avel definido em M e seja p0 ∈ M . (32. B ] = −[B. B ] + B. uma fun¸ ca ˜o bin´ aria em X (M ).64)    x1 (0). . B ] cuja express˜ ao local ´ e m m ∂bl ∂al ∂ k [A. . (32. [C. ou seja. B ∈ X (M ) um campo vetorial denotado por [A. Uma tal curva ´ e dita ser uma curva integral do campo A no ponto p0 . portanto. O s´ ımbolo [·. gB ] = A(g )B + g [A.7 Para quaisquer campos vetoriais A. . p´ agina 468. [A. C ]. C ∈ X (M ) e g : M → R.60) e deixada como exerc´ ıcio.JCABarata. A]. γ ∈ R. valem [αA + βB. Conclu´ ımos das propriedades 1. com a qual tenhamos hα (c(t)) = (x1 (t). 4. βB + γC ] = β [A. B ](f ) = A(B (f )) − B (A(f )) para toda f infinitamente diferenci´ avel. . portanto.60) hα (p) k k ∂x ∂x ∂xl p l=1 k=1 Naturalmente. . Teorema 25. [B. Temos portanto: . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.2. que fornece condi¸ co ˜es suficientes para garantir existˆ encia e unicidade de solu¸ co ˜es para t restrito a um intervalo pequeno o suficiente. 3. A suposi¸ ca ˜o de A ser um campo diferenci´ avel implica que as fun¸ co ˜es ak s˜ ao diferenci´ aveis e. 2. . m .61) A demonstra¸ ca ˜o ´ e imediata pela defini¸ ca ˜o (32. xm (0) = x1 . C ]+ β [B. Anti-simetria: [A. k = 1. dt (32. podemos definir para todos A. ·]. . . infinitamente diferenci´ avel. B ] + γ [A. Regra de Leibniz: A(gB ) = A(g )B + gAB e. valem 1. . xm . Identidade de Jacobi: A. p´ agina 1237). xm (t)). . [A. xm (t) . B ] . .62) (32. hα ) com p0 ∈ Uα . o sistema acima satisfaz as condi¸ co ˜es do Teorema de Picard-Lindel¨ of (Teorema 10. A] = 0 . para todo t ∈ Iα ⊂ I . Consideremos a quest˜ ao de determinar uma curva diferenci´ avel c em M satisfazendo o problema de valor inicial     dc (t) = Ac(t) . obtemos facilmente que m m A B (f ) − B A(f ) p p = l=1 k=1 ak ∂bl ∂xk − bk ∂al ∂xk hα (p) ∂f ∂xl . Em uma carta local (Uα . valer˜ ao [A.63)    c(0) = p0 . B. A seguinte proposi¸ ca ˜o ´ e relevante no presente contexto: Proposi¸ c˜ ao 32. β. Bi-linearidade: Para quaisquer α. (32. C ] = α[A.63) equivale em Uα a   dxk   (t) = ak x1 (t). m ∂ m k hα (p0 ) = (x1 0 . intervalo esse que pode depender de p0 e da carta Uα adotada. . . . .

t1 + t2 ) = db (0). t1 = cA (p.e. i. Essa u E identidade decorre de (32. Designemos por R ∋ t → cA (p. Uma curva integral c : I → M : de um campo vetorial diferenci´ avel A ´ e dita ser uma curva integral completa se puder ser definida para todo t ∈ R. seja t2 fixo. +) em M (para a defini¸ ca ˜o da no¸ ca ˜o de a¸ c˜ ao de um grupo. t1 + t2 ) . vide Se¸ ca ˜o 2. t2 ). ent˜ ao para cada t. na Teoria da Relatividade Geral e na Mecˆ anica Cl´ assica.65). o fluxo induzido por A ´ e dito ser uma a¸ ca ˜o local do grupo aditivo dos reais (R. t1 + s = cA (p. Seja dφt )p : Tp M → TφA M seu pushforward (aplica¸ c a ˜ o diferencial) t (p) A ∗ ∗ ∗ e seja dφt )φA (p) : TφA (p) M → Tp M seu pullback. Como vimos acima. t1 +s+t2 ) para todo s ∈ (0. t1 + s + t2 ). Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. Defina-se da (s) ≡ cA cA (p. A um campo vetorial diferenci´ avel em M . para cada p0 ∈ M . 32. que φ0 ´ ´ ltima e a identidade e que φt1 ◦ φt2 = φt1 +t2 para quaisquer t1 . O conjunto de todas as curvas integrais completas de um campo diferenci´ avel A ´ e dito ser uma congruˆ encia de A. ǫ). o mapa exponencial φA t ≡ exp(tA) A define uma aplica¸ ca ˜o diferenci´ avel de M em M . uma no¸ ca ˜o que encontra diversos usos na Geometria Riemanniana. cA (p. t2 ∈ R. t2 ) e.8 Em uma variedade diferenci´ avel M todo campo vetorial diferenci´ avel define. uma a¸ ca ˜o apenas em uma vizinhan¸ ca da identidade). A A A A sendo essa nota¸ ca ˜o exponencial naturalmente sugerida pelas propriedades φA t1 ◦ φt2 = φt1 +t2 = φt2 +t1 e φ0 = id. 0) = p. ds ca ˜o diferencial e a mesma condi¸ ca ˜o cA cA (p. Os fatos acima dizem-nos tamb´ em que o fluxo induzido por A ´ e uma a¸ ca ˜o do grupo aditivo dos reais (R. Cap´ ıtulo 32 1519/2069 Proposi¸ c˜ ao 32. t) ´ ´ de se notar que φt1 +t2 = φt2 +t1 .1. t t Se A ´ e um campo vetorial diferenci´ avel. Se escolhermos ǫ pequeno o suficiente. t2 ). ou tensorial. φt (p) ser´ a definido apenas para t em um intervalo Ip ∋ 0. Portanto. t1 +s = cA (p. que (32. ǫ). a derivada de Lie em rela¸ ca ˜o a A de um campo escalar. t1 +s d d da (s) = Ada (s) e ds db (s) = Adb (s) e tamb´ em valer´ a da (0) = e db (s) ≡ cA (p. t2 ). As ao v´ alidas.1. t1 = cA (p. t1 + s + t2 ).1 A Derivada de Lie Esta se¸ ca ˜o ´ e dedicada ` a no¸ ca ˜o de derivada de Lie26 em rela¸ ca ˜o a um campo vetorial diferenci´ avel. podemos evocar a unicidade da solu¸ ca ˜o. estabelecendo. uma curva integral c : I → M u ´nica para algum I ⊂ R aberto com 0 ∈ I e c(0) = p0 . ǫ) para algum ǫ > 0. se I = R. A aplica¸ ca ˜o φA e dita ser o fluxo induzido por A em M . t2 ∈ R e todo p ∈ M vale cA cA (p. Note-se que cA cA (p.3. Assim. uma contradi¸ ca ˜o com a hip´ otese que cA cA (p. Alguns autores denotam o fluxo φt induzido por A na forma φA t (p) ≡ φt (p) ≡ exp(tA)(p) .9. +) (ou seja. o fluxo φA e tamb´ em denominado mapa exponencial induzido pelo campo t induzido por A ´ vetorial A. portanto. portanto.65) coincidem ao menos em t1 = 0. t2 ). s ∈ [0. Nesse caso. t2 ).65) ´ e v´ alida para todos t1 . por fim. .. eventualmente dependente de p. t2 ∈ R e todo p ∈ M . Neste caso. particularmente no estudo de transforma¸ co ˜es de simetria (especialmente aquelas associadas a difeomorfismos gerados por campos vetoriais). t1 = cA (p. a qual nos garantir´ a que da (s) = db (s) para todo s ∈ (0. Sejam M uma variedade diferenci´ avel. p´ agina 102). (32. Em virtude dessa nota¸ ca ˜o. t ≡ φt : M → M dada para cada t ∈ R por φt (p) := cA (p. ou seja.65) • Curva integral completa e fluxo induzido por um campo vetorial Para estabelecer isso. Suponhamos que M e A tˆ em a propriedade de que toda curva integral de A ´ e completa. Observamos. Essa u ´ltima express˜ ao implica que φt ◦ φ−t = id para todo t ∈ R. calculada no ponto inicial p desse 26 Marius Sophus Lie (1842–1899). as primeiras apenas para t1 e t2 pequenos o propriedades φt1 ◦ φt2 (p) = φt1 +t2 (p) e φ0 (p) = p continuar˜ suficiente. Para todos t1 . t2 ).JCABarata. 0 = cA (p. da e db satisfazem a mesma equa¸ inicial em s = 0. que o fluxo φt : M → M pode ser definido mesmo que nem toda curva integral de A seja completa. t2 ). vetorial. se A ´ e um campo vetorial diferenci´ avel. t1 + t2 ) mas cA cA (p. t) ∈ M a curva integral de A que passa por p ∈ M em t = 0. consiste grosso modo na taxa de varia¸ ca ˜o desse campo ao longo do fluxo exp(tA)(p). estabelecemos que φt ´ e invers´ ıvel para todo t ∈ R com (φt )−1 = φ−t . Suponhamos agora que haja um valor t1 ∈ R tal que cA cA (p. Teremos. ambos os lados de (32.

. yt t (p) = f ◦ h j dyt dt d 1 m f ◦ h−1 y t . . de modo que φA t (p) ∈ U para todo t ∈ I ). xm −1 1 m e. Assim. As ideias por tr´ as dessa defini¸ ca ˜o s˜ ao as seguintes. .69) define a chamada derivada de Lie de B em rela¸ ca ˜o ao campo A.64)). portanto. . . . pela defini¸ t . . . seja I um intervalo de valores de t em R onde φA t (p) esteja definido e seja B um campo vetorial B φA ca ˜o de I sobre o espa¸ co tangente Tp M . come¸ cando com campos escalares e chegando ao caso geral de campos tensoriais. yt dt = ∂ f ◦ h−1 ∂xj 1 m yt . . B φA ( p ) representa t . se necess´ ario. . t (p) ∈ Tp M define uma aplica¸ d dt Para B . yt = aj y t dt 1 m y0 . ou seja. . h) com p ∈ U (restringindo. . . o 1 m intervalo I . E ca ˜o que. Escrevamos h(p) = (x . (32. para campos duas vezes diferenci´ aveis A e B . . . . a simples por´ em u ´ til observa¸ ca ˜o que se f e g s˜ ao fun¸ co ˜es diferenci´ aveis de M em R. . . . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. Assim. . . . Seja tamb´ em h φA ca ˜o do fluxo φA t (p) = (yt . . .68) Seja p ∈ M . . yt (32. como se vˆ e facilmente com uso da regra de Leibniz. xm ) ∂ ∂xj h(p) 1 m a express˜ ao local de A na carta U . yt 1 m . . . . . y0 com = x1 . pela regra da cadeia. • A derivada de Lie para campos escalares Seja p ∈ M . . a express˜ ao LA B (p) := dφA −t B φA t (p) t=0 φA t (p) (32. x ) e seja Ap = aj (x1 . d f φA . temos para t fixo (vide (32. Para t variando. . um campo vetorial diferenci´ avel. j ∈ { 1 . . vamos mostrar como essa ideia ´ e implementada. . j dyt 1 m . . LA f (p) := t (p) dt t=0 Essa derivada pode ser determinada com aux´ ılio de uma carta local (U.JCABarata. . . seja I um intervalo de valores de t em R onde φA ca ˜o t (p) esteja definido e seja f : M → R uma fun¸ diferenci´ avel. O mapa I ∋ t −→ dφA −t φA t (p) (32. Cap´ ıtulo 32 1520/2069 fluxo. f φA yt . . . . . . yt = aj y t ∂ f ◦ h−1 ∂xj 1 m yt . . Fa¸ camos. yt ).59) = A(f )φA . m} . . Teremos. Definimos a derivada de Lie de f em p como sendo a taxa de varia¸ ca ˜o de f φA t (p) em t = 0. tem-se LA LB f − LB LA f = L[A. B ] f . por fim.66) Portanto. . conclu´ ımos que LA f (p) = A(f )p ´ imediado por essa rela¸ para todo p ∈ M . . Em grau crescente de dificuldade. . para t variando.67) rela¸ ca ˜o essa que veremos ter validade muito mais geral. • A derivada de Lie para campos vetoriais diferenci´ avel. . a express˜ ao φA ca ˜o do t (p) representa a evolu¸ ponto p ao longo de uma curva integral definida pelo campo vetorial A. . Para cada p ∈ M a fun¸ ca ˜o I ∋ t −→ f φA ca ˜o de f ao longo da curva integral t (p) ∈ R descreve a evolu¸ gerada por A e que passa por p em t = 0. ent˜ ao vale LA (f g ) = f (LA g ) + (LA f )g . . t (p) (32.

72) (32.9 Para campos vetoriais diferenci´ aveis A e B . B ] C = LA LB C − LB LA C (verifique!).72) e (32. C ] e LB LA C = B. 4. valem L[A. B ] = LA LB − LB LA e LA [B. LA LB C = A. 2. A1 .77) tamb´ em segue de (32. segue L[A.77) ´ e tamb´ em imediata por (32. Para corrigir isso. [B.76) (32. A prova da igualdade (32. usamos o pushforward t (p) − B p sequer definida est´ vetores de TφA M em vetores de T t (p) A φA −t φ t pois B φA cos vetoriais diferentes: o primeiro em TφA M e o segundo em Tp M e. No limite t → 0 isso fornece a taxa de varia¸ ca ˜o procurada e coincide com a derivada do lado direito de (32. h(p) (32. (32.70) e (32. A rela¸ ca ˜o (32.71) (32.74) (32.JCABarata. B ] . Com isso. A2 . vale LA B = [A.73) (32. Para A e B campos diferenci´ aveis e para uma fun¸ c˜ ao g : M → R diferenci´ avel.76) com uso de (32. Antes de generalizarmos a defini¸ ca ˜o da derivada de Lie sobre campos tensoriais gerais apresentemos os seguintes resultados relevantes: Proposi¸ c˜ ao 32. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. A Ingenuamente. portanto. [A. Cap´ ıtulo 32 1521/2069 a evolu¸ ca ˜o do campo B ao longo dessa curva integral. A rela¸ ca ˜o (32. B2 campos diferenci´ aveis.74) usando (32.73) seguem trivialmente de (32. B1 . C ] = LA B. t B φt (p) − B p a diferen¸ ca B φA a. poder´ ıamos para isso tomar o limite limt→0 1 . B ] = A(g )B + g LA B = e L(gA) B = −B (g )A + g [A. Valem L[A. As rela¸ co ˜es (32.61) e da antissimetria do comutador. t (p) e B p vivem e espa¸ t (p) dφA −t φA t (p) . Por (32.75) LA g )B + g LA B (32. 3.76). a express˜ ao 1 t dφA −t a fazer sentido.75) tamb´ em pode ser obtida de (32.70). B. usando tamb´ em (32.78) . Essas s˜ ao as ideias expressas na defini¸ ca ˜o (32.77) (32.75) seguem imediatamente de (32. Da identidade de Jacobi (32.70) e pela identidade de Jacobi (32. pois ´ e a diferen¸ ca de dois vetores de Tp M . α2 . com α1 . para A.71). valem tamb´ em os seguintes resultados: 1.70) ´ e um pouco t´ ecnica e apresentamo-lo em separado no Apˆ endice 32. o qual leva passa = Tp M . Gostar´ ıamos de calcular a taxa de varia¸ ca ˜o no tempo dessa evolu¸ ca ˜o de B ao longo da curva integral do campo A.66).62). C .70) e de (32. B e C duas vezes diferenci´ aveis. β2 constantes e A. A eq. (32. Essa express˜ ao.70). Como conseq¨ uˆ encia disso. As rela¸ co ˜es (32. por´ em. LA B ´ e linear em A e B : Lα1 A1 +α2 A2 B = α1 LA1 B + α2 LA2 B e LA (β1 B1 + β2 B2 ) = β1 LA B1 + β2 LA B2 . C ] .70) φA t (p) B φA t (p) − B (p) Prova. B ] = −B (g )A + g LA B = − LB g )A + g LA B .74) e (32.69). n˜ ao faz sentido. p´ agina 1542.60) fornecem a express˜ ao local de LA B : LA Bp = ak ∂bl ∂xk − bk ∂al ∂xk h(p) ∂ ∂xl . Para campos vetoriais diferenci´ aveis A e B .71).70). que ´ e a rela¸ ca ˜o (32. B ] C = [A. B ]. mais precisamente. β1 . tem-se LA B = −LB A . As rela¸ co ˜es (32. C + B.71) ´ e evidente por (32.A. tem-se LA (gB ) = A(g )B + g [A. A eq.61). sobre o ponto p (que corresponde a t = 0). (32.69). LA C .

16 Exerc´ ıcio.81) (verifique!) que para uma fun¸ ca ˜o diferenci´ avel g : M → R. B a dizendo-nos que = LA ω. portanto. B (vide (32. A sugest˜ ao ´ e calcular LA LB ω e LB LB ω empregando a express˜ ao local (32. A dg ∗ . . A express˜ ao local de LA ω em uma carta local de coordenadas h(p) = (x1 . (32. Cap´ ıtulo 32 1522/2069 Vemos. Como A ω. LA B = − LA ω.86) .85) para campos vetoriais diferenci´ aveis A e B e para um campo co-vetorial diferenci´ avel ω . 32.79) h(p) Nosso primeiro passo ´ e estender a defini¸ ca ˜o de derivada de Lie a campos de co-vetores.86) (e. O mapa I ∋ t −→ dφA t A express˜ ao ω φA ∈ T∗ ca ˜o de I sobre o espa¸ co co-tangente T∗ p M define uma aplica¸ pM . ∗ ∗ ∗ sendo dgp : T∗ p R → Tp M o pullback de g : M → R. B + A ω. Mostre que ω. LA B . (32. ´ e mostrar que vale E.80) t=0 define a chamada derivada de Lie de ω em rela¸ ca ˜o ao campo A. que LA dxi |p = ∂ai ∂xj h(p) dxj |p . B ] ω . (32. tamb´ em a express˜ ao (32. E. • A derivada de Lie para campos co-vetoriais ∂ ∂xi h(p) = − ∂aj ∂xi h(p) ∂ ∂xj (32. ∂g l ∂xl dx .81) e. Vemos.85) est´ LA ω.A. B ] ω (32. Observa¸ c˜ ao: A express˜ ao (32. B φA . B uma esp´ ecie de regra Leibniz para a derivada de Lie. em t = 0. usando-se ainda a express˜ ao local de ω.54). O exerc´ ıcio que segue mostra uma rela¸ ca ˜o entre a derivada de Lie de campos vetoriais e a derivada de Lie de campos co-vetoriais.82) express˜ ao essa que usaremos mais adiante.81) que LA ω ´ E e linear em A e em ω . calcular L[A. usando tamb´ em (32. por´ em ´ util ao estudante. (32.JCABarata. xm ) ´ e LA ω p = aj ∂ωl ∂xj h(p) + ωj ∂aj ∂xl h(p) dxl |p .85)) pode ser alternativamente obtida diretamente da c˜ ao a t de ω. B como derivada de rela¸ t a regra de Leibniz usual. tem-se LA (gω ) = A(g )ω + g LA ω e L(gA) ω = g LA ω + ω. Sugest˜ ao: use as express˜ oes locais para LA B e LA ω . p´ agina 1542. em particular.66)). em seguida. B .84) para campos duas vezes diferenci´ aveis A. . a identidade (32.81) e a express˜ ao local (32. . expresso em uma carta local como dg = ıcio simples. = LA ω. Como antes A ´ e um campo vetorial em A e φA o fluxo que o mesmo gera.17 Exerc´ ıcio. B e ω . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.60) para o comutador de dois campos. seja I um intervalo de valores de t em R onde φA t (p) esteja definido e seja ω um campo covetorial ∗ φA t (p) diferenci´ avel. em particular. ´ evidente por (32. t (p) d dt dφA t ∗ φA t (p) LA ω (p) := ω φA t (p) (32. t Seja p ∈ M . B + ω. (32.83) Vide (32. 32.84). B e defini¸ c˜ ao de LA ω. Ap´ os alguns cancelamentos obt´ em-se (32. .81) A demonstra¸ ca ˜o encontra-se no Apˆ endice 32. Tamb´ em segue facilmente de (32. Um exerc´ LA LB ω − LB LA ω = L[A. que LA express˜ ao essa que usaremos mais adiante.

b) a generaliza¸ ca ˜o da defini¸ ca ˜o ´ e´ obvia: basta permutar adequadamente os fatores dφA −t φA (p) e dφt φA (p) .87) ∗ ´ claro por essa defini¸ E ca ˜o que (LA T )p ´ e novamente um elemento de ⊗a ⊗b R Tp M R Tp M . n˜ ao necessariamente de mesmo tipo. p´ agina 1543. a rela¸ ca ˜o (32.92).90) Sugest˜ ao: Use (32. (32. assim como (32. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.79) e (32.68). h(p) h(p) LA T i1 ···iaia+1 ···ia+b h(p) ∂ ∂xi1 h(p) ⊗R · · · ⊗R ∂ ∂xia h(p) a+b ⊗R dxha(+1 p) ⊗R · · · ⊗R dxh(p) i i = LA T i1 ···iaia+1 ···ia+b h(p) ∂ ∂xi1 h(p) ⊗R · · · ⊗R ∂ ∂xia h(p) a+b ⊗R dxha(+1 p) ⊗R · · · ⊗R dxh(p) i i + T i1 ···iaia+1 ···ia+b h(p) LA ∂ ∂xi1 h(p) ⊗R · · · ⊗R ∂ ∂xia h(p) a+b ⊗R dxha(+1 p) ⊗R · · · ⊗R dxh(p) i i .B.18 Exerc´ ıcio.JCABarata. (32. definimos a derivada de Lie LA T por  (LA T )p := d  A  dφ−t dt φA t (p) ⊗a R Tp M ∗ ⊗b R Tp M . b).87) encontra-se no Apˆ endice 32.88) e/ou (32. Sejam T1 e T2 dois campos tensoriais diferenci´ aveis. com p ∈ U . h).82). Seguindo as ⊗R · · · ⊗R dφA −t a vezes φA t (p) ⊗R dφA t ∗ φA t (p) ⊗R · · · ⊗R dφA t b vezes ∗ φA t (p)  T φA  t (p)  t=0 . (32. .89). t t Em uma carta (U. Com uso das f´ ormulas (32. Mostre que LA T1 ⊗R T2 = LA T1 ⊗R T2 + T1 ⊗R LA T2 . 32. (32. adiante. ´ tamb´ E em claro pela pr´ opria express˜ ao (32. E.88) fornece uma express˜ ao expl´ ıcita para o c´ alculo da derivada de Lie de um tensor como T . mais especificamente.89) Com os ingredientes acima os exerc´ ıcios a seguir devem ser relativamente f´ aceis ao leitor. Cap´ ıtulo 32 1523/2069 • A derivada de Lie para campos tensoriais Seja T um campo tensorial de tipo (a. Vide (32.88) i i A demonstra¸ ca ˜o de (32. com Tp ∈ mesmas ideias de acima. (32.88) a partir da defini¸ ca ˜o (32.88) diz-nos que ∂ ∂xi1 ⊗R · · · ⊗R ∂ ∂xia a+b ⊗R dxha(+1 p) ⊗R · · · ⊗R dxh(p) i i . Para outros tensores de tipo A ∗ (a.88) que o termo entre colchetes · · · ( as somat´ orias em k e l na segunda e terceira linhas) representam LA Assim. obtemos (LA T )p = LA T i1 ···iaia+1 ···ia+b a h(p) ∂ ∂xi1 h(p) ⊗R · · · ⊗R ∂ ∂xia h(p) a+b ⊗R dxha(+1 p) ⊗R · · · ⊗R dxh(p) i i + T i1 ···iaia+1 ···ia+b h(p) k=1 a+b ∂ ∂xi1 h(p) ⊗R · · · ⊗R ∂ ∂xia LA ∂ ∂xik h(p) ⊗R · · · ⊗R ∂ ∂xia h(p) a+b ⊗R dxha(+1 p) ⊗R · · · ⊗R dxh(p) i i + l=a+1 ∂ ∂xi1 h(p) ⊗R · · · ⊗R h(p) il a+b ⊗R dxha(+1 p) ⊗R · · · ⊗R LA dxh(p) ⊗R · · · ⊗R dxh(p) .

88).19 Exerc´ ıcio. ´ que ´ e um aberto em R. E. τ ) ´ e um espa¸ co topol´ ogico localmente Euclidiano de dimens˜ ao 1. y ) ∈ X . E e uma vizinhan¸ ca τ -aberta de (x. y ) ∈ (x − r. 32. Mostre. y ) = a. vetoriais ou co-vetoriais (rela¸ co ˜es (32. 32. x + r).67). c) o espa¸ co topol´ ogico (X. (32. . τ ) ´ e localmente Euclidiano de dimens˜ ao 1.82). τ ) n˜ ao ´ e segundo-cont´ avel e d) o espa¸ co topol´ ogico (X. um aberto na topologia usual de R. W = R ou W = R \ Q.4. b) o espa¸ co topol´ ogico (X. ´ claro que para qualquer r > 0 tem-se (x. com y ∈ W. Em todos os demais espa¸ cos Rn com n = 4 a estrutura diferenci´ avel padr˜ ao ´ eau ´ nica existente. Vamos ` as demonstra¸ co ˜es dessas quatro afirmativas. Com essa estrutura temos a chamada variedade Rn padr˜ ao. B ] T . que para um campo tensorial duas vezes diferenci´ tem-se LA LB T − LB LA T = L[A. Considere-se em X a topologia τ gerada por todos os conjuntos da forma A × {y } := (x.92) onde T i1 ···jk ···iaia+1 ···ia+b significa que o ´ ındice ik ´ e substitu´ ıdo pelo ´ ındice jk e analogamente para T i1 ···iaia+1 ···jl ···ia+b . E ´ claro que V ´ {y } ≡ V ∈ τ . τ ) possui uma cole¸ ca ˜o n˜ ao-cont´ avel de componentes conexas. ´ e um τ -aberto conexo. o conjunto dos n´ umeros irracionais). mostre que o que resta ´ e a express˜ ao (32. arbitr´ arios. com x ∈ R e y ∈ W. uma uni˜ ao disjunta. B ] quando esses operadores agem em campos escalares.88).4 Exemplos de Variedades Topol´ ogicas e Diferenci´ aveis A presente se¸ ca ˜o ´ e dedicada ` a discuss˜ ao de exemplos de variedades topol´ ogicas e diferenci´ aveis e suas constru¸ co ˜es. a topologia usual de R2 . agindo nos fatores T i1 ···iaia+1 ···ia+b . por´ em com LA substitu´ ıda ∂ l por LA LB − LB LA .91) com A e B sendo campos vetoriais duas vezes diferenci´ aveis. portanto. τ ) ´ e Hausdorff.3 Seja W um subconjunto n˜ ao-cont´ avel de R (por exemplo. x + r) × a. Exemplo 32. Seja (x. ∂ ⊗ · · · ⊗R ∂xi1 h(p) R LA T i1 ···ia ia+1 ···ia+b ∂ ∂xia h(p) Usando as f´ ormulas (32.84)).JCABarata. Seja X = R × W ⊂ R2 . y ). Os exemplos mais b´ asicos de variedades diferenci´ aveis de dimens˜ ao n ∈ N s˜ ao os espa¸ cos Rn dotados da topologia usual e das cartas locais de coordenadas definidas pela fun¸ ca ˜o identidade. (32. ∂x e dxi ao o fato j´ a provado anteriormente que ik h(p) . 32.79) e (32. ∂xil (32. mas recordamos o leitor dos seguintes fatos j´ a mencionados: R4 possui uma cole¸ ca ˜o n˜ ao-cont´ avel de estruturas diferenci´ aveis distintas da estrutura diferenci´ avel do R4 padr˜ ao. τ ) ´ e uma variedade topol´ ogica paracompacta mas n˜ ao segundo-cont´ avel. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. ´ f´ E acil constatar que (X.1 Uma Variedade Topol´ ogica Paracompacta n˜ ao Segundo-Cont´ avel Nesta se¸ ca ˜o apresentamos um exemplo ilustrativo de uma variedade topol´ ogica paracompacta que n˜ ao ´ e segundo-cont´ avel. sendo que cada conjunto R × {y }. hV : V → R dada por hV (a. τ ) ´ e paracompacto. generalizando resultados anteriores. 32. mostre que as componentes de LA T na base i b ia+1 s˜ ao ⊗R dxh(p) ⊗R · · · ⊗R dxha(+ p) ∂ T i1 ···iaia+1 ···ia+b ∂xj a = aj − T i1 ···jk ···iaia+1 ···ia+b k=1 ∂aik + ∂xjk a+b T i1 ···iaia+1 ···jl ···ia+b l=a+1 ∂ajl . Use ent˜ h(p) LA LB − LB LA = L[A.88) e (32. Isso estabelece que cada (x. Vamos demonstrar as quatro afirma¸ co ˜es seguintes: a) o espa¸ co topol´ ogico (X. com x − r < a < x + r. (32. O estudante ´ e estimulado a procur´ a-la sempre que poss´ ıvel ou necess´ ario. Note-se que τ n˜ ao coincide com a topologia induzida em X ⊂ R2 pela topologia τR2 . N˜ ao nos deteremos com mais elabora¸ co ˜es sobre esses exemplos. Ap´ os diversos cancelamentos. Cap´ ıtulo 32 1524/2069 avel T E. com y ∈ W e A ∈ τR . Isso estabelecer´ a que o espa¸ co topol´ ogico (X. com x ∈ A .76) e (32. pois X = y ∈W R × {y } .89) para determinar a diferen¸ ca LA LB T − LB LA T . y ) ∈ X e f´ acil constatar (fa¸ ca-o!) que a aplica¸ ca ˜o e um homeomorfismo de V em (x − r. y ) ∈ X possui ao menos uma vizinhan¸ ca aberta localmente Euclidiana de dimens˜ ao 1 e. Sugest˜ ao: Use (32. que (X.20 Exerc´ ıcio.

Seja A = Bµ . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. Assim. Se. τ ) tem a propriedade de Hausdorff. tivermos y1 = y2 valer´ a tamb´ em A1 ∩ A2 = ∅ desde que escolhamos r < |x1 − x2 |/2. Ent˜ ao. 1) × {y }. com x ∈ V ∈ τR . µ ∈ Ω um recobrimento de X por τ -abertos. Assim.     A = Aλ × {yλ } . λ ∈  com Aλ ∈ τR e yλ ∈ W. τ ) ´ e um espa¸ co topol´ ogico paracompacto. τR ) ´ e paracompacto (pelo Corol´ ario 31. Pela Proposi¸ ca ˜o 26. y ) ∈ X . Isso implica que as cole¸ co ˜es By s˜ ao disjuntas para y ’s diferentes. com A ∈ τR e y ∈ W. se y1 = y2 tem-se que A1 ∩ A2 = ∅. por defini¸ ca ˜o. pois dado (x. Defina-se C := y ∈W C × { y } . que intercepta apenas uma cole¸ ca ˜o finita de elementos de Cy × {y } ⊂ C. c.JCABarata. todo elemento de τ pode ser escrito como uni˜ ao de elementos de B. γ ∈ Γy . Cap´ ıtulo 32 1525/2069 b. Esses fatos reunidos estabelecem que o espa¸ co topol´ ogico (X. γ ∈ Γy } possui um refinamento localmente finito Cy . onde By := Aγ × {y }. a base B n˜ ao pode ser cont´ avel. Claro est´ a que cada By deve recobrir o conjunto R × {y } (doutra forma B n˜ ao poderia recobrir X ).   λ∈Λµ Λµ µ∈Ω    By . Esse exemplo ilustra bem o coment´ ario de acima de que toda variedade topol´ ogica que ´ e paracompacta mas n˜ ao ´ e segundo-cont´ avel possui uma cole¸ ca ˜o n˜ ao-cont´ avel de componentes conexas. y2 ) dois pontos distintos arbitr´ arios de X . y ). pela paracompacidade de (R. µ ∈ Ω . para cada y ∈ W existe uma cole¸ ca ˜o n˜ ao-vazia By de elementos de B cuja uni˜ ao ´ e o τ -aberto (0. C ´ e um refinamento localmente finito de B e de A. para cada y ∈ W a cole¸ ca ˜o {Aγ . x2 + r) × {y2 }. E evidente que todos os elementos de By s˜ ao da forma B × {y } com B ∈ τR (doutra forma sua uni˜ ao conteria algum ponto (x. Tome-se r > 0 e sejam A1 e A2 os conjuntos τ -abertos dados por A1 = (x1 − r. Agora. sendo Γy := λ ∈ µ∈Ω Λµ yλ = y . ´ Assim. Seja B uma base em τ . podemos escrever B como a uni˜ ao disjunta B = y ∈W Segue facilmente disso que a cole¸ ca ˜o de τ -abertos dada por   B := Aλ × {yλ } . τR ). sendo Λµ um conjunto de ´ ındices (que pode depender de µ ∈ Ω). Como os elementos Bµ de A s˜ ao τ -abertos. Isso conclui a prova que (X. Isso uni˜ ao disjunta n˜ ao-cont´ avel y∈W By e.3. ´ e f´ acil ver que todo τ -aberto ´ e a uni˜ ao de conjuntos da forma A × {y }. Logo. y1 ) e p2 = (x2 . y ′ ) com y ′ = y ). p´ agina 1462). portanto. existe. τ ) n˜ ao ´ e segundo-cont´ avel. mas n˜ ao segundo-cont´ avel.10. com A ∈ τR e y ∈ W. γ ∈ Γy } ´ e um recobrimento de R por τR -abertos. Al´ em disso. ´ e um refinamento de A (justifique!). temos pelo coment´ ario acima que cada Bµ ´ e da forma Bµ = λ∈Λµ Aλ × {yλ } . para cada y ∈ W deve haver ao menos um λ ∈ µ∈Ω Λµ tal que yλ ∈ y . cada {Aγ . por´ em. Sempre tem-se p1 ∈ A1 e p2 ∈ A2 . d. uma vizinhan¸ ca aberta V × {y } de (x. Sejam p1 = (x1 . ◊ . Assim. C ∈ Cy . Como (R. p´ agina 1260. Como A e B recobrem X . x1 + r) × {y1 } e A2 = (x2 − r. como nenhum By ´ estabelece que espa¸ co topol´ ogico (X. B cont´ em a e vazio. A topologia τ ´ e a topologia gerada por todos os conjuntos A × {y }.

F (x) := x. τ ) ser´ a um E.27. X pode neste caso ser mergulhado em R2 . .23 Exerc´ ıcio. Indiquemos como isso pode ser feito. ent˜ ao (X.26. r) e V ≡ F(x′ ao duas cartas locais com U ∩ V = ∅. y. 0 2 ∞ para cada x ∈ R e n ∈ N. Stone. . Teorema 31. Seja W = {yn . Seja O ⊂ Rn um aberto conexo (na topologia usual de Rn ) e seja F : O → R uma fun¸ ca ˜o cont´ ınua. r) ´ e um aberto na topologia induzida pela topologia usual de Rn+1 em S. As cartas locais de coordenadas para tais abertos Euclidianos s˜ ao pares F(x0 . F (y ) n+1 < ǫ + r sempre que x − y n < r. F (x)) − (y. 32. O espa¸ co topol´ ogico (S. E acil provar. pela Proposi¸ c˜ ao 32. . h). em verdade. n usando a continuidade de F que o conjunto cont´ avel {(x.JCABarata.3. localmente Euclidiano (e portanto. ′ Se U ≡ F(x0 . ´ e tamb´ em segundo-cont´ avel.21 Exerc´ ıcio. . da p´ agina 1462. . Note-se tamb´ em que hx0 . r). pela Proposi¸ ca ˜o 26. o espa¸ co topol´ ogico (S. Esse fato j´ a poderia ter sido anunciado quando afirmamos que (S. τ ) ´ e. Mostre que se tomarmos W como um conjunto enumer´ espa¸ co topol´ ogico segundo-cont´ avel e. r x. para tal que para cada ǫ > 0 existe r > 0 tal que x. . . τ ) ´ e uma variedade topol´ ogica. . F (x1 . Por ser Hausdorff. . Conclu´ ımos dessa discuss˜ ao que (S. xn ) e y ≡ (y 1 . . onde h:S→O´ e dada por h x. xn ) ∈ O ⊂ Rn+1 . p´ agina 1461). uma topologia m´ etrica.14. 32. denotaremos por a norma Euclidiana usual em Rm . . r F(x0 . podemos. xn . Demonstre essa afirma¸ Assim. . (S. a saber. considerar um atlas de apenas uma carta. r . F (x) . c˜ ao! E. n) × {0} ⊂ R2 . r) = B (x0 . a cole¸ ca ˜o de tais pares F(x0 . . F (x) . ´ f´ A topologia τ em S ´ e. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. V (x) = x. τ ) ´ e Hausdorff. F (x) = x. Essa topologia ´ e a topologia induzida pela m´ etrica de Rn+1 em S: d x. Use a continuidade de F para mostrar que formalmente que F(x0 . r : F(x0 . Assim. y n ) s˜ ao elementos de O. hx0 . O conjunto imagem f (X ) de X por f ´ e n=1 (n − 1. . que ´ e um mergulho de X em R2 . Cap´ ıtulo 32 1526/2069 avel no Exemplo 32. p´ agina 1261). 32. n ∈ N} uma contagem de W. ´ e f´ acil ver que as correspondentes fun¸ co ˜es de 0 . com (x1 . F (y )) n+1 = x−y 2 n + F (x) − F (y ) 2 . portanto. . . . portanto. r ) s˜ transi¸ ca ˜o s˜ ao dadas por HU. . p´ agina 1486) ´ e localmente compacto.1. Pelo supracitado Teorema de Whitney.4. Defina-se f : X → R2 por f (x.2 O Gr´ afico de uma Fun¸ c˜ ao Real em Rn · m No que segue. r) → O dadas por hx0 .2. o espa¸ co topol´ ogico (S. Aqui. x ∈ O ∩ Q } ´ e τ -denso em S. que comp˜ oe o gr´ afico de F . portanto. p´ agina 1272. r). define uma superf´ ıcie em Rn+1 . com x no seu correspondente dom´ ınio aberto. F (y ) = (x. a carta (S. portanto. τ ) ´ e tamb´ em paracompacto (pelo Teorema 31. xn ) . τ ) ´ e um espa¸ co m´ etrico. segundo-cont´ avel e localmente compacto. . Exemplos de abertos Euclidianos nessa topologia s˜ ao os conjuntos F(x0 .22 Exerc´ ıcio. r comp˜ bola aberta em Rn de raio r centrada em x0 . τ ) ´ e um espa¸ co topol´ ogico separ´ avel e. devido ao Teorema de A. Nesse exemplo. x ≡ (x1 . E. r) := x0 n x. F (x)). yn ) := n+ 1 + tanh(x) . E oe um n-atlas em S. com x ∈ O tal que x − < r . .3. H. . hx0 . ser´ a uma variedade topol´ ogica segundo-cont´ avel. onde as cartas de coor´ um exerc´ ıcio simples demonstrar que a denadas s˜ ao as fun¸ co ˜es hx0 . A topologia usual de Rn+1 induz uma topologia τ em S (a no¸ ca ˜o de topologia induzida foi introduzida na Se¸ ca ˜o 26. Mostre que f ´ e um homeomorfismo em sua imagem e. O conjunto de pontos S := x1 . r). 32. Mostre. sendo que x0 ∈ O e r ´ e pequeno o suficiente para a bola aberta de raio r centrada em x0 esteja contida em O. F (x) − y.

(S. (S. . Cap´ ıtulo 32 1527/2069 e compat´ ıvel com o anterior. (x1 . No entanto. . v k ∈ R. Mas i ◦ h−1 (x1 . . . . . Mostre que esse atlas ´ Como vimos acima. τ ) n˜ ao ser´ a uma subvariedade diferenci´ avel de Rn+1 ! Na Se¸ ca ˜o 32. . . (x1 )2 + (x2 )2 . . F (x1 . h(p) h(p) que claramente ´ e isomorfo ao espa¸ co vetorial Rn .10 Seja O um aberto de Rn e seja F : O → R diferenci´ avel.JCABarata. . para O = R2 e F (x1 . . . V (x) = x. . . Na Se¸ ca ˜o 32. . F (x) = x. . h). . . acima descrita. pois F n˜ ao ´ e diferenci´ avel em (0. J´ a para um ponto q = (y 1 . xn ) =: y 1 (x1 . 2 Seja p ∈ x. . . A variedade (S. . . ∀ k ∈ { 1 . O espa¸ co tangente Tp S ser´ a dado por Tp S = v1 ∂ ∂x1 + · · · + vn ∂ ∂xn . Rn+1 ´ e uma imers˜ ao. xn . com o que temos h(p) = x = (x1 . i ser´ a −1 diferenci´ avel se i ◦ h : O → Rn+1 o for. (Rn+1 . a saber. se F n˜ ao for diferenci´ avel.2. Se uma variedade topol´ ogica M for homeomorfa a algum Rn . onde h : S → O ´ e dada por h x. com m > n. y n+1 ) ∈ Rn+1 o espa¸ co tangente ser´ a Tq Rn+1 = w1 ∂ ∂y 1 q + · · · + wn+1 ∂ ∂y n+1 q . .24 Exerc´ ıcio. F (x1 . . podemos fazer dela uma variedade diferenci´ avel usando o homeomorfismo para induzir em M a estrutura diferenci´ avel de Rn . . xn )) = x1 . Ã2 := x1 . mostramos em um exemplo o que pode ocorrer se F n˜ ao for diferenci´ avel em um ponto. Como F ´ e diferenci´ avel. . xn ) . n} . . . xn ) . . h2 ). xn ) ∈ O. . ∀ l ∈ { 1 . F (x1 . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. n + 1 } . . . y n+1 . . . (x1 )2 + (x2 )2 . F (x) = x para induzir a estrutura diferenci´ avel de Rn sobre S e isso pode ser feito mesmo quando F n˜ ao for diferenci´ avel. x2 ) ∈ R2 . . . . S := {(x. definida de sorte que h2 y 1 . . xn . . Tudo o que resta a fazer ´ e provar que a inclus˜ ao i ≡ iS. . . segue que (S. . F (x) ∈ S. . . F (x) . xn ) ∈ O. y n+1 (x1 . xn ) . com x ≡ (x1 . xn . F ). Rn+1 ´ e dada por i (x. E. . Assim. . . p´ agina 1528. o gr´ afico de F definido acima. • O caso em que F ´ e diferenci´ avel No caso em que F ´ e diferenci´ avel. H´ a nisso alguns pontos sutis que queremos apontar ao leitor. A inclus˜ ao i ≡ iS. Foi o que fizemos acima quando tratamos da superf´ ıcie S: usamos o homeomorfismo h : S → O dado por h x. ´ e uma variedade diferenci´ avel no sentido exposto acima. τ ). a saber. . Aqui x ≡ (x1 . y n+1 = y 1 . pois apenas assumimos acima que F ´ e cont´ ınua. . onde n+1 n+1 n+1 h :R →R ´ e a carta de coordenadas trivial em R . . . . . x ∈ O} ´ e uma subvariedade diferenci´ avel da variedade Rn+1 padr˜ ao. .4. xn ) ∈ O e h2 (p) = x1 . as fun¸ co ˜es de transi¸ ca ˜o s˜ ao HU.1. 32. Prova. . . F (x) = x. 0). podemos estabelecer que seu gr´ afico ´ e uma subvariedade diferenci´ avel da variedade Rn+1 . o dos chamados cones n-dimensionais. Isso n˜ ao garante. . p´ agina 1528 discutimos um tal exemplo. . . Note-se que isso independe do fato de F ser diferenci´ avel ou n˜ ao.4.1. . mas por exemplo.2. H´ a nisso uma ideia geral. x2 . . . xn = x1 . . . . x2 ) = n˜ ao ´ e uma subvariedade diferenci´ avel de R3 . . o cone bidimensional com v´ ertice na origem. ´ e uma subvariedade topol´ ogica de Rn+1 e ´ e at´ e mesmo uma variedade diferenci´ avel (mesmo que F n˜ ao seja diferenci´ avel!). m por´ em. . Como essas fun¸ co ˜es s˜ ao infinitamente diferenci´ aveis. w l ∈ R. Por simplicidade. . Temos que h2 ◦ i ◦ h−1 : O → Rn+1 ´ e dada por h2 ◦ i ◦ h−1 x1 . . Por defini¸ ca ˜o. . Ent˜ ao. xn ). . mas nesse caso n˜ ao resulta uma subvariedade diferenci´ avel de Rn+1 . . . que M seja difeomorfa a alguma subvariedade de algum R . τ ) ´ e tamb´ em uma variedade infinitamente diferenci´ avel. Proposi¸ c˜ ao 32. conclu´ ımos que a inclus˜ ao i tamb´ em o ´ e. consideremos em S um atlas de apenas uma carta. . . Para Rn+1 consideremos tamb´ em um atlas de uma u ´nica carta local de coordenadas. .

se f ◦ h−1 : R → R for diferenci´ avel. . Podemos adotar em M a topologia induzida pela topologia usual de R2 e. para uma fun¸ ca ˜o diferenci´ avel f : M → R e para p = x(0). Ãn := x1 . Ãn ´ e uma variedade topol´ ogica e. a fun¸ ca ˜o de transi¸ ca ˜o dessa carta nela mesma ´ e a identidade e conclu´ ımos que M ´ e.47) n = vl l=1 h2 (p) n k=1 ∂ ∂y l n + h2 (p) k=1 vk ∂F ∂xk h(p) ∂ ∂y n+1 . h2 (p) ´ evidente por essa express˜ Verifique! E ao que vk ∂ ∂xk h(p) vetores levados por (di)p no vetor nulo) se e somente se todos os v k ’s forem nulos. o fato de a fun¸ ca ˜o |x| n˜ ao ser diferenci´ avel em x = 0 tem um papel decisivo.JCABarata. 2 e o gr´ afico de uma fun¸ ca ˜o cont´ ınua. (di)p ´ e injetora e. xn ) := ao ser diferenci´ avel na origem! x1 + · · · + xn n˜ n ao ´ e uma subvariedade diferenci´ avel de Rn . A quest˜ ao que agora queremos colocar ´ e: ser´ a essa variedade diferenci´ avel M uma subvariedade diferenci´ avel de N ? Como veremos isso n˜ ao ´ e o caso e. com essas estruturas. c ´ e uma curva diferenci´ avel se a fun¸ ca ˜o x(t) for uma fun¸ ca ˜o diferenci´ avel de I em R. . nisso. x ∈ R . . portanto i ≡ iS. Como vimos. Assim. ´ Rn ∋ (x1 . temos d(h ◦ c) (t) = x ˙ (0) . O cone unidimensional Para uma melhor compreens˜ ao de certas no¸ co ˜es. Dp [c]p p f := d (f ◦ c) dt = t=0 d dt f ◦ h−1 (x) ◦ h ◦ c = x ˙ (0) t=0 ∂ f ◦ h−1 (x) ∂x . • Um estudo de caso. E Um Estudo de Caso x1 2 e definido como o gr´ afico da fun¸ ca ˜o Para n ∈ N o chamado n-cone. dt Ainda segundo nossas defini¸ co ˜es temos. e isso apesar de a fun¸ ca ˜o F (x1 . . como discutimos. Cap´ ıtulo 32 1528/2069 Portanto. uma variedade diferenci´ avel. Agora. concluindo que S ´ e uma subvariedade diferenci´ avel de Rm+1 . ou −1 seja. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. denotado pelo s´ ımbolo Ãn . . Segundo nossas defini¸ co ˜es pr´ evias.4. Aqui I ∋ t → x(t) ´ e alguma fun¸ ca ˜o de R em R. . Logo. Para tornar isso claro. (di)p : Tp S → Ti(p) Rn+1 ´ e dada por n (di)p k=1 vk ∂ ∂xk (32. x ∈ R.2. . h ◦ c(t) = x(t). x(0) . Claramente. trata-se do cone unidimensional. xn ) −→ + · · · + xn 2 ∈ R. Uma fun¸ ca ˜o f : M → R ser´ a diferenci´ avel. estudemos o caso mais simples do cone Por´ em. ∈ Tp S ´ e um elemento do n´ ucleo de (di)p (o conjunto dos 32. se a fun¸ ca ˜o f ◦ h (x) := f x. Tem-se que h ´ e um homeomorfismo e que h−1 : R → M ´ e dada por h−1 (x) = x. |x| = x. ou cone n-dimensional. . |x| for diferenci´ avel. Rn+1 ´ e uma imers˜ ao. ´ e por vezes interessante estudarmos alguns casos especiais que sirvam de exemplo para certas instˆ ancias e de contra-exemplo para outras. h)} composto de uma u ´ nica carta local de coordenadas com a carta local M e com a carta de coordenadas h : M → R definida por h x. |x(0)| ∈ M . em verdade uma sub-variedade topol´ ogica de R2 com um atlas A{(M. Assim. Precisamos ainda de alguma prepara¸ ca ˜o. Considere-se N = R2 enquanto variedade diferenci´ avel (com a topologia e estrutura diferenci´ avel usuais) e seja afico da fun¸ ca ˜o M ⊂ N definido por M ≡ Ã1 := x. M ser´ a uma variedade topol´ ogica. . ´ e uma Como Ãn ´ variedade diferenci´ avel. . ou seja. segundo nossas defini¸ co ˜es pr´ evias. . no sentido explicitado acima. Seja I um intervalo aberto de R e seja I ∋ t −→ c(t) ≡ x(t). x1 2 + · · · + xn 2 2 ⊂ Rn+1 . para p ∈ M e c uma curva diferenci´ avel de passa por p em t = 0. c ser´ a uma curva diferenci´ avel se I → h ◦ c for uma fun¸ ca ˜o diferenci´ avel em R.1 Cones. |x| . xn . |x(t)| uma curva em M . . |x| . o gr´ F (x) = |x|. Ã n˜ unidimensional Ã1 .

Logo. portanto. |x|) (x. a fun¸ ca ˜o |x| n˜ ao ´ e diferenci´ avel nesse ponto). Para responder a essa quest˜ ao precisamos saber se a inclus˜ ao iM. N ´ e dada por iM. Note-se que (diM. y 2 ) . com as estruturas que empregamos M ´ e uma variedade diferenci´ avel e. 1 2 ∂ (x. a inclus˜ ao −1 (x) = x. da no¸ ca ˜o de variedade e muitas variedades diferenci´ aveis encontradas em aplica¸ co ˜es s˜ ao desse tipo. y 2 ) ∂ ∂y 2 (y 1 . para isso. se x < 0 . N ´ e diferenci´ avel e 2o se a aplica¸ ca ˜o diferencial (diM. Por´ em. com a estrutura diferenci´ avel de acima. muito claramente. . Assim. Trata-se do exemplo-gerador. O leitor poder´ a achar isso estranho. x ) = c para algum c constante) e. por exemplo. |x|) v  ∂x x  ∂  v ∂1 + v ∂y . que ´ e uma variedade diferenci´ avel e. Para responder ` a 1a quest˜ ao. J´ a o espa¸ co tangente Tq N com q ∈ N na forma q = (y 1 . ent˜ ao M seria uma subvariedade diferenci´ avel de N . E. iM. Agora. Para isso. 2 ∂y (x. |0|) = (0. Cap´ ıtulo 32 1529/2069 Assim. Se as respostas a ambas as quest˜ oes fossem afirmativas. N )p : Tp M → TiM.. N ◦ h e uma fun¸ ca ˜o diferenci´ avel de R em R2 no ponto x = 0 (pois. como o conjunto dos pontos satisfazendo F (x . 32. No que segue seguiremos proximamente as defini¸ co ˜es e as estrat´ egias de demonstra¸ ca ˜o delineadas em [167] e [168].4. temos Tq N = v1 ∂ ∂y 1 + v2 (y 1 . para v ∈ R. presta-se a defini¸ ca ˜o alternativa de superf´ ıcie regular que introduzimos logo adiante. y ) sendo as coordenadas Cartesianas usuais em R . |x|) 1 2 2 com y . ´ importante chamar a aten¸ E ca ˜o do leitor para o fato que Tp M existe mesmo no ponto p = (0. como superf´ ıcie de n´ ıvel de uma fun¸ ca ˜ o F : Rn → R 1 n (i. y 2 ) ∈ R2 . 0) ∈ M . 0) e tem-se. |x| . N )(x. por isso.JCABarata.25 Exerc´ ıcio. |x|) ´ e injetora para x = 0. como ´ e bem sabido. O que est´ a ocultamente ocorrendo ´ e que estamos identificando o conjunto unidimensional M com R. . v∈R . |x|) = x. Por´ em. |x| . |x|) (x. N (x. • Superf´ ıcies regulares de dimens˜ ao m em Rm . essa n˜ ao ´ e ´ iM. de N = R2 . v∈R = v ∂ ∂x x . que. 32. adicionando alguns esclarecimentos. N )(x. ´ e um espa¸ co vetorial isomorfo ao espa¸ co vetorial unidimensional R. N (p) N ´ e precisamos saber 1o se a inclus˜ injetora. N )p : Tp M → TiM. onde o cone M tem seu v´ ertice. N de M em N ´ ao iM. Podemos agora abordar a quest˜ ao de se M . v1 . . possui um espa¸ co tangente em cada um de seus pontos. . ` A p´ agina 1515. estamos transplantando toda a estrutura que faz de R uma variedade diferenci´ avel para M .3 Superf´ ıcies Regulares em Rn Muitas vezes uma superf´ ıcie S ´ e dada concretamente. apresentamos a seguinte defini¸ ca ˜o: um conjunto S ⊂ Rn ´ e dito ser uma superf´ ıcie regular de dimens˜ ao m (com m ≤ n) se for uma subvariedade de dimens˜ ao m de Rn (com Rn sendo aqui a variedade diferenci´ avel Rn padr˜ ao). historicamente falando. com essa identifica¸ ca ˜o. v2 ∈ R . M n˜ ao ´ e uma subvariedade diferenci´ avel de N . conclu´ ımos que para p = x. ´ e u ´ til termos condi¸ co ˜es concretas para determinar se S ´ e uma superf´ ıcie regular no sentido acima. N ´ e diferenci´ avel se iM. Defini¸ c˜ ao Uma classe importante de variedades diferenci´ aveis ´ e composta pelas chamadas superf´ ıcies regulares em um espa¸ co Rn . se x > 0 . lembremos que iM. |x| temos Tp M = v ∂ ∂x h(p) . . pois M forma um “bico” nesse ponto e |x| n˜ ao ´ e uma fun¸ ca ˜o diferenci´ avel no mesmo. que.e. Verifique! Constate tamb´ em que (diM. ´ e um espa¸ co vetorial isomorfo ao espa¸ co vetorial bidimensional R2 . ´ e uma subvariedade diferenci´ avel e uma imers˜ ao e.   ∂ ∂   v ∂y − v ∂y . muito claramente. N ◦ h−1 : R → R2 o for. |x|) = (diM. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. N (p) N est´ a definida para p = (0.

JCABarata. Curso de F´ ısica-Matem´ atica

Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.

Cap´ ıtulo 32

1530/2069

Defini¸ c˜ ao. Sejam m, n ∈ N com m ≤ n. Seja Sm ⊂ Rn e consideremos em Sm a topologia τI induzida pela topologia usual de Rn . Recorde-se que, com essa topologia, Sm ser´ a Hausdorff e segundo-cont´ avel, pois Rn o ´ e com a topologia n usual. Sm ´ e dito ser uma superf´ ıcie regular de dimens˜ ao m em R se possuir um recobrimento por τI -abertos V tal que, para cada V ∈ V podemos associar: 1. Um conjunto U ⊂ Rm , aberto na topologia usual de Rm ; 2. Uma aplica¸ ca ˜o ϕV ≡ ϕ : U → V que satisfa¸ ca: (b) ϕ ´ e diferenci´ avel, i.e., para x ≡ (x1 , . . . , xm ) ∈ U as fun¸ co ˜es ϕ1 (x1 , . . . , xm ), . . . , ϕn (x1 , . . . , xm ) ≡ ϕ(x) ∈ V s˜ ao diferenci´ aveis;  ∂ϕ1  ∂ϕ1 (c) A derivada dϕ : R
m

(a) ϕ : U → V ´ e um homeomorfismo;

 → R , dada por dϕx =  
n

∂x1

(x) ···

∂xm

(x )

. . .

..

.

. . .

∂ϕn ∂x1

(x) ···

∂ϕn ∂xm

(x )

 , ´  e injetora em todos os pontos de U .

No que segue vamos demonstrar que toda superf´ ıcie regular segundo essa defini¸ ca ˜o ´ e uma subvariedade diferenci´ avel de dimens˜ ao m de Rn . Antes de prosseguirmos, fa¸ camos algumas observa¸ co ˜es relevantes. Seja A : Rm → Rn uma matriz n × m, com m ≤ n (como dϕ) que seja injetiva (como dϕ). Ent˜ ao, afirmamos que A possui exatamente m linhas linearmente independentes. O argumento ´ e o seguinte: cada linha de A pode ser vista como um vetor de Rm . A matriz A n˜ ao pode possuir mais que m linhas linearmente independentes, pois em Rm um conjunto de vetores linearmente independentes n˜ ao pode ter mais que m elementos. Se em A h´ a p linhas linearmente independentes, elas geram um subespa¸ co linear p-dimensional em Rm e, portanto, se p < m, poder´ ıamos encontrar em Rm ao menos um vetor n˜ ao-nulo b ortogonal a essas p linhas. Mas pela regra de produto de matrizes, valeria ent˜ ao Ab = 0, contrariando o fato de A ser injetora. Portanto devemos ter p = m, completando o argumento. Conclu´ ımos das hip´ oteses acima que em cada ponto x ∈ U a matriz dϕx possui exatamente m linhas linearmente independentes. Vamos supor, por simplicidade, que em um dado ponto y ∈ U as m primeiras linhas sejam  linearmente  1 1
∂ϕ ∂x1

A fun¸ ca ˜o ϕ : U → V ´ e dita ser uma parametriza¸ ca ˜o de V pelos pontos x = (x1 , . . . , xm ) de U .

 independentes (o caso geral ser´ a discutido mais adiante). Teremos, portanto, det 

(y ) ···

∂ϕ ∂xm

(y )

lado esquerdo ´ e uma fun¸ ca ˜o cont´ ınua de y , conclu´ ımos que deve haver uma vizinhan¸ ca aberta U ′ ⊂ U de y onde esse determinante tamb´ em n˜ ao se anula e, portanto, onde as m primeiras linhas de dϕ s˜ ao linearmente independentes. Em verdade esse aberto U ′ deve coincidir com U , como mostra o seguinte argumento. Se U ′ for um subconjunto pr´ oprio de umero U , ent˜ ao o determinante acima deve anular-se na parte da fronteira de U ′ , contida em U : ∂U ′ ∩ U . Como o n´ ′ de linhas linearmente independentes de dϕ ´ e sempre igual a m, deve haver, para um ponto x0 de ∂U ∩ U , um outro conjunto de m linhas de dϕ que sejam linearmente independentes e, portanto, cujo determinante seja n˜ ao-nulo. Mas ai, haveria um aberto em torno desse ponto x0 onde esse segundo determinante tamb´ em ´ e n˜ ao-nulo. Esse aberto tem uma intersec¸ ca ˜o n˜ ao-vazia com U ′ e nessa intersec¸ ca ˜o haveria dois conjuntos distintos de m linhas linearmente independentes, o que ´ e um absurdo. Assim, podemos assumir que U ′ = U .

∂ϕ ∂x1

. . . m

..

.

(x) ···

∂ϕ ∂xm

. . . m

(y )

  = 0. Como o

Vamos provisoriamente nos restringir ao caso em que as m primeiras linhas de dϕ s˜ ao linearmente independentes e vamos definir uma extens˜ ao de ϕ : U → V ⊂ Rn , ao conjunto U × Rn−m , extens˜ ao essa que denotamos por Φ : (U × Rn−m ) → Rn , da seguinte forma. Para x ≡ (x1 , . . . , xm ) ∈ U , escrevamos, como acima, ϕ(x) = ϕ1 (x1 , . . . , xm ), . . . , ϕn (x1 , . . . , xm ) ∈ V . Definimos, ent˜ ao, Φ(x1 , . . . , xm , xm+1 , . . . , xn ) = := Φ1 (x1 , . . . , xn ), . . . , Φn (x1 , . . . , xn )

ϕ1 (x1 , . . . , xm ), . . . , ϕm (x1 , . . . , xm ), ϕm+1 (x1 , . . . , xm ) + xm+1 , . . . , ϕn (x1 , . . . , xm ) + xn . (32.93)

Como se vˆ e, as coordenadas xm+1 , . . . , xn s˜ ao sucessivamente adicionadas ` as fun¸ co ˜es ϕm , . . . , ϕn .

JCABarata. Curso de F´ ısica-Matem´ atica

Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.

Cap´ ıtulo 32

1531/2069

Claro est´ a que Φ ´ e uma extens˜ ao de ϕ, pois Φ coincide com ϕ quando xm+1 = Φ´ e diferenci´ avel e ´ e f´ acil constatar que sua derivada dΦ : Rn → Rn ´ e   ∂ϕ1 ∂ϕ1  ··· 0  ∂x1 ∂xm  ∂ Φ1 ∂ Φ1 · · ·  ∂x1  . ∂xn  . . ..    . . . . . .    .          ∂ϕm ∂ϕm ··· 0  .   1 ∂x ∂xm . ..  =  . . dΦ =  . . .    m+1 m+1    ∂ϕ · · · ∂ϕ 1    ∂x1 ∂xm       . . ..    . . . . .   n   ∂Φ ∂ Φn · · ·  ∂x1 ∂xn ∂ϕn ∂ϕn ··· 0 ∂x1 ∂xm

´ ´ · · · = xn = 0. E obvio tamb´ em que ··· .. . 0   . . .    0    0        1 

··· ··· .. .

.

(32.94)

···

A descri¸ ca ˜o ´ e clara: as primeiras m colunas comp˜ oe a matriz dϕ. No canto superior ` a direita temos a matriz m × n composta por zeros e no canto inferior a direita temos a matriz identidade (n − m) × (n − m).

Afirmamos que dΦ ´ e uma matriz invers´ ıvel em todo o conjunto U × Rn−m , o dom´ ınio de defini¸ ca ˜o de Φ. De fato, por (32.94) e pela Proposi¸ ca ˜o 8.3, p´ agina 323, temos   det dΦ  ∂x1   . . = det   .   m
∂ϕ ∂x1 ∂ϕ1

··· ..

.

∂ϕ1 ∂xm 

···

∂ϕ ∂xm

sempre que (x1 , . . . , xm ) ∈ U e para quaisquer xm+1 , . . . , xn .

  . . .   = 0   m

Antes de extra´ ırmos as importantes conseq¨ uˆ encias dessa fato, perguntamos como proceder´ ıamos se as linhas linearmente independentes de dϕ que escolhemos n˜ ao fossem as m primeiras. O que fazemos nesse caso ´ e an´ alogo: as coordenadas xm+1 , . . . , xn s˜ ao sucessivamente adicionadas ` as fun¸ co ˜es ϕj correspondentes a linhas linearmente dependentes de dϕ. O resultado ´ e uma matriz dΦ que difere da de (32.94) pelo fato que os “1”’s aparecem apenas nas linhas correspondente a linhas linearmente dependentes de dϕ. Ap´ os uma permuta¸ ca ˜o de linhas a matriz dΦ pode ser levada ` a forma (32.94), sendo que no bloco m × m superior ` a esquerda aparecer˜ ao as m linhas linearmente independentes de dϕ. Como uma permuta¸ ca ˜o de linhas n˜ ao altera o determinante de uma matriz conclu´ ımos que, tamb´ em nesse caso, dΦ ser´ a n˜ ao-singular em todo U × Rn−m .

Seja x ∈ U e seja p = ϕ(u) ∈ Sm . Como dΦ ´ e n˜ ao-singular em todo U × Rn−m existe, pelo Teorema da Fun¸ ca ˜o Inversa, Teorema 25.9, p´ agina 1248, uma vizinhan¸ ca aberta Wp ⊂ Rn de p onde Φ possui inversa e essa inversa ´ e igualmente diferenci´ avel. Denotamos essa inversa por Φ−1 : Wp → U × Rn−m . Note-se que a restri¸ ca ˜o de Φ−1 a Wp ∩ Sm coincide com a aplica¸ ca ˜o inversa de ϕ, tamb´ em quando restrita a Wp ∩ Sm . Como se vˆ e, a cole¸ ca ˜o W := {Wp ∩ Sm , p ∈ Sm } comp˜ oe um recobrimento de Sm . Esse recobrimento ´ e um subrecobrimento de V, dado que, por constru¸ ca ˜o, cada conjunto Wp ∩ Sm est´ a contido em algum V ∈ V. Se W ∈ W e W ⊂ V ∈ V, denotemos por ϕW a restri¸ ca ˜o de ϕV a W .

−1 Claro est´ a que A := (W, ϕW ), W ∈ W ´ e um atlas para Sm . Desejamos agora mostrar que, com esse atlas, Sm ´ e uma variedade diferenci´ avel.

1 1 ′ ′ −1 := ′ ′ Considere-se a fun¸ ca ˜o de transi¸ ca ˜o H := ϕ− ϕ− 1 ◦ ϕ2 : U2 → U1 e sua inversa H 2 ◦ ϕ1 : U1 → U2 . Vamos demonstrar que ambas s˜ ao diferenci´ aveies (e, portanto, que s˜ ao difeomorfismos). 1 −1 −1 −1 −1 ′ Para H , notamos que H := ϕ− e 1 ◦ ϕ2 = H := Φ1 ◦ ϕ2 , pois ϕ2 (U2 ) ⊂ W e, em W , ϕ1 e Φ1 coincidem. Como Φ1 ´ ′ ′ ′ diferenci´ avel em W e ϕ2 ´ e diferenci´ avel em U2 , conclu´ ımos que H : U2 → U1 ´ e diferenci´ avel, por ser a composi¸ ca ˜o de duas ′ ′ ´ e diferenci´ avel. aplica¸ co ˜es diferenci´ aveis (regra da cadeia). De forma totalmente an´ aloga prova-se que H −1 : U1 → U2

Seja q ∈ Sm e sejam W1 e W2 dois elementos de W com intersec¸ ca ˜o W := W1 ∩ W2 n˜ ao-vazia e que contenham q . 1 −1 ′ := ′ U1 ∩ ϕ− Sejam ϕ1 : U1 → W1 e ϕ2 : U2 → W2 as respectivas parametriza¸ co ˜es. Seja U1 1 (W ) e U2 := U2 ∩ ϕ2 (W ), m ′ n−m ′ n−m dois subconjuntos abertos de R . Sejam Φ1 : U1 × R e Φ2 : U 2 × R , tal como definidas acima.

JCABarata. Curso de F´ ısica-Matem´ atica

Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.

Cap´ ıtulo 32

1532/2069

1 Todos esses fatos dizem-nos que Sm ´ e uma variedade diferenci´ avel com um atlas W, ϕ− W , W ∈ W . Se supormos as aplica¸ co ˜es ϕ como infinitamente diferenci´ aveis, ent˜ ao a variedade ser´ a infinitamente diferenci´ avel.

Vamos agora mostrar que essa variedade diferenci´ avel Sm ´ e uma subvariedade diferenci´ avel de Rn . Queremos, e um mergulho suave da variedade diferenci´ avel Sm na variedade diferenci´ avel portanto, provar que a inclus˜ ao iSm , Rn ´ e um mergulho topol´ ogico e uma imers˜ ao. Rn , ou seja, que iSm , Rn ´ e um mergulho topol´ ogico. Isso ´ e evidente, pois a imagem de i ´ e Sm ⊂ Rn e a topologia 1. iSm , Rn ≡ i : Sm → Rn ´ n definida em Sm ´ e justamente a topologia induzida pela topologia de R sobre Sm . e uma imers˜ ao. Seja p ∈ Sm e suponhamos que p perten¸ ca ` a carta local W ∈ W. Seja 2. iSm , Rn ≡ i : Sm → Rn ´ 1 −1 ϕ−1 ≡ ϕ− (W ) ∈ Rm . Naturalmente, temos que W a correspondente carta local de coordenadas. Seja U ≡ ϕ i ◦ ϕ = ϕ e idRn ◦ i = i.

e idˆ entica a ϕ : U → Rn , que ´ e diferenci´ avel, por hip´ otese. A aplica¸ ca ˜o i ´ e diferenci´ avel, pois idRn ◦ i ◦ ϕ : U → Rn ´ m n e injetora, pos hip´ otese. Como isso vale para cada p ∈ Sm Ipso facto, dip = D(idRn ◦ i ◦ ϕ)p = dϕp : R → R , que ´ e Tp Sm ≡ Rm e Ti(p) Rn ≡ Rn , isso estabeleceu que i ´ e uma imers˜ ao.

Assim, estabelecemos que uma superf´ ıcie regular de dimens˜ ao m de Rn , segundo a defini¸ ca ˜o da p´ agina 1530, ´ e uma n subvariedade diferenci´ avel de dimens˜ ao m de R . N˜ ao ´ e dif´ ıcil constatar que a rec´ ıproca ´ e igualmente verdadeira: toda subvariedade diferenci´ avel de dimens˜ ao m de Rn ´ e uma superf´ ıcie regular de dimens˜ ao m de Rn . Alguns dos exemplos de variedades diferenci´ aveis que discutiremos adiante, como o das esferas Sn (Se¸ ca ˜o 32.4.4, n p´ agina 1532) e o dos toros T (Se¸ ca ˜o 32.4.5, p´ agina 1534), s˜ ao exemplos de superf´ ıcies regulares. E. 32.26 Exerc´ ıcio. Mostre que o gr´ afico de uma fun¸ c˜ ao F : O → R, onde O ´ e um aberto em Rn , exemplo de variedade diferenci´ avel discutido na Se¸ c˜ ao 32.4.2, p´ agina 32.4.2, corresponde a uma superf´ ıcie regular de dimens˜ ao n em Rn+1 se e somente se a fun¸ c˜ ao F for diferenci´ avel. * ** * Em parte por motivos hist´ oricos, o estudo de superf´ ıcies regulares ´ e uma ´ area pr´ opria da Geometria Diferencial. Para excelentes textos sobre o tema, vide [167] ou [7].

32.4.4

As Esferas Sn

A esfera unit´ aria Sn , n ∈ N0 , ´ e o lugar geom´ etrico de todos os pontos de Rn+1 situados a uma distˆ ancia Euclidiana igual a 1 da origem: Sn := y 1 , . . . , y n+1 ∈ Rn+1 (y 1 )2 + · · · + (y n+1 )2 = 1 . Note-se que S0 = {−1, 1} ⊂ R. Consideraremos em Sn a topologia relativa induzida pela m´ etrica Euclidiana de Rn+1 . n Com isso, j´ a sabemos pelas Proposi¸ co ˜es 26.15, p´ agina 1274, e 31.13, p´ agina 1423, que S ´ e Hausdorff e segundo-cont´ avel (vide tamb´ em a discuss˜ ao sobre subvariedades topol´ ogicas ` a p´ agina 1489). Vamos agora mostrar que Sn ´ e localmente Euclidiana. Notemos tamb´ em que pelo Teorema 31.14, p´ agina 1442, Sn ´ e um espa¸ co topol´ ogico compacto na topologia relativa n+1 induzida pela topologia m´ etrica usual de R , por ser fechado (Sn ´ e o bordo da bola aberta em Rn+1 de raio 1 centrada na origem) e limitado. A esfera Sn possui um recobrimento formado pela cole¸ ca ˜o de hemisf´ erios abertos Hk, ± :=      y 1 , . . . , y n+1 ∈ Sn , ±y k > 0
n+1 n+1

=

y 1 , . . . , y n+1 ∈ Rn+1 ,

com
j =1 j =k

(y j )2 < 1 e y k = ±

1−

(y j )2
j =1 j =k

    

.

(32.95)

x ) = k. . . . • Proje¸ co ˜es estereogr´ aficas da esfera Sn Descreveremos agora um outro atlas infinitamente diferenci´ avel das esferas Sn . . 0) dado por hk. n} ´ e um atlas infinitamente diferenci´ avel (composto de 2n cartas locais de coordenadas). xn+1 ) ∈ Sn . . . . Cada Hk. l. 32. ± ao cont´ ınuas e ˙ e ϕk. . ± s˜ ao. xk . ±. . ± ˙ = hl. . . a esfera Sn ´ e uma variedade topol´ ogica de dimens˜ ao n e uma subvariedade topol´ ogica de dimens˜ ao n de Rn+1 . . −1). . . X n ) . ± ˙ s˜ infinitamente diferenci´ aveis em seus dom´ ınios. portanto. . x1 . E co ˜es ϕk. ± ˙ (x . . l. . . ±.JCABarata. . . para n ≥ 4 pode haver outras estruturas diferenci´ aveis distintas em Sn . . ou seja. . Essa reta intercepta o plano “horizontal” H em um ponto com coordenadas (X 1 . . A uni˜ ao desses 2(n + 1) conjuntos abertos ´ e igual a Sn . 1 − xn+1 1 (X 1 )2 + · · · + (X n )2 + 1 2X 1 . . xk . ± −1 ´ elementar constatar que as fun¸ Para k < l as express˜ oes s˜ ao an´ alogas. . X n ). 0. . n} em um ponto com coordenadas (X 1 . xn+1 ) = 1 (x1 . . . . n ≥ 1. . . 0) . Cap´ ıtulo 32 1533/2069 com k = 1. . .97) x1 . Como j´ a dissemos ` a p´ agina 1493 e comentaremos logo abaixo. . Para A2 temos uma constru¸ ca ˜o semelhante: considera-se p ∈ A2 e a linha reta que passa pelos pontos S e p. ±. mostre que Sn ´ e uma superf´ ıcie regular no sentido da defini¸ c˜ ao da p´ agina 1530. . hk. . ±. . X n ) = 1 (x1 . . denominada n–esfera padr˜ ao. Claro ´ e que   n 1 1 n h− k. xk−1 . . . Juntado os fatos supracitados. . . . . considera-se p ∈ A1 e a linha reta que passa pelos pontos N e p. . . Defina-se h2 : A2 → Rn como sendo a aplica¸ ca ˜o que associa p ∈ Sn a (X 1 . . . localmente Euclidianos e recobrem Sn . 1 + xn+1 . ´ e f´ acil constatar que h1 (x1 . ± ). y n . y k ∈ R ∀k = 1. . . ± x . 0). . . . ± ´ e homeomorfo a Dn (1. k = 1. obtido com uso da chamada proje¸ c˜ ao estereogr´ afica (tamb´ em denominada proje¸ c˜ ao planisf´ erica). 1) e S = (0. . X n ) . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. . x Os conjuntos Hk. . . . E. . ± as cartas locais Hk. xl+1 . . ± ◦ hk.96) onde y k significa que a k -´ esima coordenada y k ´ e omitida de (y 1 . xn . que denominaremos polo norte e polo sul. . . . xl+1 . . X n ). ± (y 1 . . o n disco aberto de raio 1 centrado na origem em R . l. . . . ±. . xk−1 . . . . xn ) ≡ (X 1 . . ˙ s˜ Se l < k e ± e ± ao sinais independentes. . . ±y k . . 0). . ´ e f´ acil constatar que h2 (x1 . Vide a discuss˜ ao sobre subvariedades topol´ ogicas ` a p´ agina 1489. . xk . . . . . respectivamente. l. . . . . conclu´ ımos que com a topologia relativa induzida pela topologia usual de Rn+1 . xn ) ≡ (X 1 . 2X n . y n+1 ) := y 1 . . . . . . ± → Dn (1. . . . . . Usando (32. ± ˙ y l . . . . xn  ∈ Sn . ± . . com o homeomorfismo hk ± : Hk.27 Exerc´ ıcio. Essa reta intercepta o plano “horizontal” H = {(y 1 . . . . xk−1 . . (32. . . Isso provou que Ah = {(Hk. ±. y k . . . . . Defina-se h1 : A1 → Rn como sendo a aplica¸ ca ˜o que associa p ∈ Sn a (X 1 . . . Se p ∈ (x1 . Com essa estrutura diferenci´ avel Sn ´ e uma variedade diferenci´ avel. 0. . X n ). . . xk . Se p ∈ (x1 . . . l. Esses abertos podem ser mapeados bijetivamente em Rn da seguinte forma. x ) = n = x1 . 1 n ϕk. X n ). . com y k = 1− (xj )2 . . Sejam os abertos A1 = Sn \ {N } e A2 = Sn \ {S }. . y n+1 ). . . . . . xn+1 ) ∈ Sn . . xl−1 . ± 1− j =1 (xj )2 . (32. . . . xl−1 . (X 1 )2 + · · · + (X n )2 − 1 . . sendo suas inversas dadas por j =1 1 1 n ϕ− ˙ (x . ± . Para A1 . ± ˙ associadas ` ˙ −1 s˜ ao dadas por ϕk. . y n+1 ∈ Dn (1. n + 1. xn+1 ) = 1 n A aplica¸ ca ˜o inversa h− e dada por 1 : R → A1 ´ −1 h1 (X 1 . . . . as fun¸ co ˜es de transi¸ ca ˜o ϕk. Sejam N e S ∈ Sn os pontos com coordenadas N = (0. . . . xl . l. . xn . . ± e Hl.97). .

1 co ˜es feitas acima. Vamos ilustrar essa constru¸ ca ˜o 1 no caso dos toros T ≡ S1 e T2 e mostrar que a ideia pode ser generalizada para a constru¸ ca ˜o de outras variedades especiais.JCABarata. τ ) formado pelo intervalo fechado I := [0. X ) = 1 (X 1 )2 + · · · + (X n )2 + 1 2X 1 . denotemos por I/∼ o conjunto das classes de equivalˆ encia de I por essa rela¸ ca ˜o. • O toro T1 ≡ S1 como espa¸ co quociente O variedade S1 . . Isso provou novamente que n S . ou toro n-dimensional. − (X 1 )2 + · · · + (X n )2 − 1 . . . 2π ] de R com a topologia relativa induzida pela topologia usual de R em I . preservam ˆ angulos entre curvas que se cruzam. 32. . h1 ). que coincide com o 1-toro. S10 tem 6. .. dada por h1 ◦h− ao infi2 . A esfera S tem 28 estruturas ´ um problema ainda infinitamente diferenci´ aveis. 32. . Prove todas as afirma¸ 1 representa. ´ um exerc´ ´ tamb´ E ıcio simples constatar que h1 e h2 s˜ ao homeomorfismos. Cap´ ıtulo 32 1534/2069 1 n A aplica¸ ca ˜o inversa h− e dada por 2 : R → A2 ´ 1 1 n h− 2 (X . . . o chamado n-toro. . s˜ ao variedades diferenci´ aveis. (A2 . S . Assim. definidas acima. . E em elementar verificar que a fun¸ ca ˜o de −1 n n transi¸ ca ˜ o h2 ◦ h1 ´ e definida em R \ {(0. Vide discuss˜ ao sobre o produto de variedades diferenci´ aveis ` a p´ agina 1494. Introduzamos uma rela¸ ca ˜o de equivalˆ encia em I da seguinte forma: dizemos que x ∼ y se x = y ou se x = 0 e y = 2π (ou vice-versa). . E 1 2 3 5 6 7 as esferas S . . 0)} com valores em R \ {(0. a garrafa de Klein e o espa¸ co projetivo bidimensional RÈ2 . i. 32. ´ e definido por Tn := S1 × · · · × S1 ≡ S1 n vezes . Como facilmente se constata. . . H´ a uma outra constru¸ ca ˜o dos toros Tn que faz uso da constru¸ ca ˜o de espa¸ cos quocientes.30 Exerc´ ıcio. como a tira de M¨ obius. Mostre que os atlas Ah e Ae definidos acima s˜ ao equivalentes. T ´ e uma variedade topol´ ogica n–dimensional. . Prove que as proje¸ co ˜es estereogr´ aficas. coincide com h2 ◦ h1 . X n ) = 1 (X 1 )2 1 + · · · + (X n )2 (X 1 .e.4. . A topologia usualmente adotada em Tn ´ e a topologia produto (n vezes) da topologia usual de S1 . .28 Exerc´ ıcio. . 1 −1 −1 sendo que sua inversa. pode ser alternativamente constru´ ıda com o seguinte procedimento. 0)} e ´ e dada por 1 h2 ◦ h− (X 1 . A variedade diferenci´ avel composta por Sn com a estrutura infinitamente diferenci´ avel de Ah ou de Ae (ambas s˜ ao equivalentes. E 4 aberto determinar quantas estruturas infinitamente diferenci´ aveis h´ a em S . Interprete geometricamente o que h2 ◦ h− E. S13 tem 3 etc. Considere-se o espa¸ co topol´ ogico (I. s˜ ao denominadas esferas ex´ oticas. Prove todas as afirma¸ co ˜es feitas acima. S . Ae = (A1 . h2 ) ´ e um atlas infinitamente diferenci´ avel em Sn (composto de 2 cartas locais de coordenadas). h2 ◦ h1 e sua inversa s˜ E. .31 Exerc´ ıcio. Claro deve estar que o que se passa nessa constru¸ ca ˜o de I/∼ ´ e que os pontos 0 e 2π de I s˜ ao identificados um com o outro (por pertencerem ` a mesma classe) e esses s˜ ao os u ´ nicos pontos . . Como sempre. . n ≥ 1. portanto. denotado por Tn .29 Exerc´ ıcio. 2X n . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. 32. que denotamos por τ . S8 tem 2. . que todas as cartas de um s˜ ao compat´ ıveis com todas as cartas do outro. S11 tem 992. s˜ ao difeomorfismos classe C ∞ . s˜ ao transforma¸ co ˜es conformes. 32. X n ) . S12 tem 1. S possuem apenas uma estrutura infinitamente diferenci´ avel. . As variedades compostas por Sn com outras ´ sabido que estruturas infinitamente diferenci´ aveis que n˜ ao a padr˜ ao (se as houver). S . ou seja. E. nitamente diferenci´ aveis em seus dom´ ınios e. S9 tem 8. Como S1 ´ e uma n variedade diferenci´ avel unidimensional. pelo exerc´ ıcio acima) ´ e por vezes denominada n–esfera padr˜ ao. . E.5 Toros (e Algumas Generaliza¸ c˜ oes) n Para n ∈ N.

ϕ2 ) . garrafa de Klein e para o espa¸ co projetivo bidimensional RÈ2 . j´ a que os demais comp˜ oe classes de equivalˆ encia de um u ´ nico elemento. y ). Todo (x. π ) ∪ (−π. −y ) ∼ (−π. sen (ϕ1 ) × cos(ϕ2 ). y ) e (π.1. −π ) ∼ (x. π ) × (−π. π ) valem (−π. Definamos em M uma rela¸ ca ˜o de equivalˆ encia da seguinte forma: 1. −π ). −π < y < π ∪ (π. de acordo com um esquema representado na Figura 32. p´ agina 1536. Para um melhor entendimento das identifica¸ co ˜es implicadas por essa rela¸ ca ˜o de equivalˆ encia. Uma curiosidade: o nome “garrafa de Klein”. ´ e a forma como definimos as rela¸ co ˜es de equivalˆ encia. π ) ∼ (x. generaliza¸ • Generaliza¸ co ˜es: a tira de M¨ obius (−π. ϕ1 . Tamb´ em ilustrados est˜ ao os esquemas de identifica¸ co ˜es para a tira de M¨ obius. π ] × [−π. p´ agina 1536. 2π ) e ´ e elementar constatar que a aplica¸ ca ˜o de I/∼ 1 1 sobre S dada por I/ ∼ ∋ [ϕ] −→ cos(ϕ). Foi Listing que cunhou a palavra “Topologia”. π ] e que a aplica¸ ca ˜o de I 2 /∼ sobre T2 dada por I 2 /∼ ∋ (ϕ1 . sen (ϕ2 ) ∈ A chamada tira de M¨ obius27 ´ e uma variedade bidimensional constru´ ıda por um procedimento semelhante ao usado 2 para construir T como um espa¸ co quociente. • O toro T2 como espa¸ co quociente Para T2 tem-se uma constru¸ ca ˜o semelhante. −y ) e (π. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. em verdade. 2. −π < y < π . A diferen¸ ca. ϕ2 ∈ T2 ´ e bijetora e que. π ) e (x. Com ela s˜ ao identificados pares de pontos localizados no bordo de I 2 . ϕ ∈ [0. Introduzamos uma rela¸ ca ˜o de equivalˆ encia em I 2 da seguinte forma: 1. A chamada tira de M¨ obius ´ e definida como o conjunto das classes M/∼ munida da topologia quociente. 2. y ). sen (ϕ) ∈ S ´ e bijetora e que. ´ elementar constatar que se trata realmente de uma rela¸ E ca ˜o de equivalˆ encia. Seja M o subconjunto de R2 definido por M := (−π. A generaliza¸ ca ˜o para o caso do n–toro ´ e imediata e dispensa maiores coment´ arios. ´ elementar constatar que se trata realmente de uma rela¸ E ca ˜o de equivalˆ encia. ϕ2 ) −→ cos(ϕ1 ). Isso permite-nos identificar I/∼ e o 1–toro T 1 ≡ S1 . A “tira de M¨ obius” foi descoberta (ou inventada) simultaneamente em 1858 por M¨ obius e por Johann Benedict Listing (1808–1882). π ] no qual. ´ e um homeomorfismo. Consideremos M munido da topologia relativa induzida pela topologia usual de R2 . y ). Seja I 2 = [−π. 3. adotamos a topologia relativa induzida pela topologia usual de R2 . ´ e um homeomorfismo. para a co ˜es das quais trataremos no que segue.1. y ) ∈ M ´ e declarado equivalente a si mesmo. Seja definida em I 2 a seguinte rela¸ ca ˜o de equivalˆ encia: Ferdinand M¨ obius (1790–1868). A Figura 32. Para todo x ∈ I tem-se (x. y ) ∼ (π. E acil ver que I 2 /∼ = (ϕ1 . Para todo y ∈ (−π.1. y ) ∼ (−π. Adotemos em I/∼ a topologia quociente τ /∼. y ) ∼ (π. basicamente. A garrafa de Klein28 ´ e uma variedade bidimensional constru´ ıda da seguinte forma.JCABarata. vide Figura 32. Para todo y ∈ I tem-se (−π. 28 Felix Christian Klein (1849–1925). p´ agina 1536. y ) ∈ I 2 ´ e declarado equivalente a si mesmo. como antes. em verdade. Klein descreveu essa superf´ ıcie em 1882. 27 August • Generaliza¸ co ˜es: a garrafa de Klein . hoje universalmente adotado. π ] ⊂ R2 munido da topologia relativa induzida 2 pela topologia usual de R . Isso permite-nos identificar I 2 /∼ e o 2–toro T2 . Todo (x. π ] × [−π. Seja I 2 = [−π. ´ f´ Considere-se o conjunto quociente I 2 /∼ com a topologia quociente. Cap´ ıtulo 32 1535/2069 O conjunto das classes de equivalˆ encia ´ e I/∼ = [ϕ]. parece provir de uma confus˜ ao na tradu¸ ca ˜o das palavras alem˜ as “Fl¨ ache” (superf´ ıcie) e “Flasche” (garrafa). distintos de I a serem identificados. y ). ilustra o esquema de identifica¸ co ˜es nas arestas do quadrado de lado 2π implicado pela rela¸ ca ˜o de equivalˆ encia acima.

a Figura 32.2 e 32. Cap´ ıtulo 32 1536/2069 1. Para um melhor entendimento das identifica¸ co ˜es implicadas por essa rela¸ ca ˜o de equivalˆ encia. −π ) ∼ (−x.6. Para todo x ∈ [−π. p´ agina 1536. 30 David Hilbert (1862–1943). Boy. 2. Boy. pode ser constru´ ıdo de forma semelhante ` a que empregamos acima. por´ em. encontrando o exemplo de superf´ ıcie que leva seu nome. −π ). ´ e um espa¸ co topol´ ogico homeomorfo ao espa¸ co projetivo bidimensional RÈ2 a ser introduzido na Se¸ ca ˜o 32. 151–184 (1903). y ) ∼ (π. O Toro T2 e a tira de M¨ obius podem ser mergulhadas em R3 .1: Os esquemas de identifica¸ co ˜es das arestas dos quadrados de lado 2π que conduzem ao toro T2 . p´ aginas 1537 e 1538. constatou que uma tal imers˜ ao era. y ) ∈ I 2 ´ e declarado equivalente a si mesmo. Math. Boy RÈ podem apenas ser imersas em R3 .JCABarata. J´ a a garrafa de Klein e o espa¸ co projetivo bidimensional 2 ao de RÈ2 exibida na Figura 32. −y ) e (π. y ) e (π. Como aux´ ılio visual ` a compreens˜ ao ´ e interessante mencionar que as superf´ ıcies bidimensionais supra-constru´ ıdas possuem mergulhos ou ao menos imers˜ oes em R3 . π ] × [−π.1.4. y ) ∈ I 2 ´ e declarado equivalente a si mesmo. 3. podemos conceber RÈ2 como o conjunto composto pelo hemisf´ erio superior de S2 unido ao equador.1. No caso da tira de M¨ obius apenas as arestas verticais s˜ ao coladas. Deixamos ao leitor a tarefa de constatar que I 2 /∼. π ] valem (x. Para todo y ∈ [−π. poss´ ıvel. p´ agina 1536. y ). respectivamente. respectivamente. adotamos a topologia relativa induzida pela topologia usual de R2 . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. fa¸ camos os seguintes coment´ arios. π ] no qual. sim.4. As arestas verticais s˜ ao coladas umas nas outras respeitando a orienta¸ ca ˜o indicada pelas flechas. y ) ∼ (π. Assim. ´ elementar constatar que se trata realmente de uma rela¸ E ca ˜o de equivalˆ encia. π ) ∼ (x. p´ aginas 1537 e 1538. π ] valem (−π. ` a tira de M¨ obius.2 e 32. Todo (x. Seja definida em I 2 a seguinte rela¸ ca ˜o de equivalˆ encia: 1. p´ agina 1537.6. vide Figura 32. aria S2 na qual identificamos Na Se¸ ca ˜o 32. −π ). o qual ser´ a introduzido na Se¸ ca ˜o 32. π ) e (−x. 57. 2. A chamada garrafa de Klein ´ e definida como o conjunto das classes I 2 /∼ munida da topologia quociente. Ann.1. π ) ∼ (x. π ) e (−x. 3. ´ elementar constatar que se trata realmente de uma rela¸ E ca ˜o de equivalˆ encia. ` a garrafa de Klein e ao espa¸ co projetivo bidimensional RÈ2 . A imers˜ 30 2 encontrou-a em 1902 ap´ os seu orientador.4. y ) ∼ (−π. π ] valem (−π. π ] valem (x. Hilbert . Idem para as arestas horizontais. Toro Moebius Klein Espaço projetivo Figura 32. As Figuras 32. D. . Todo (x. “Uber die Curvatura integra und die Topologie geschlossener Fl¨ achen”. ent˜ ao. • Generaliza¸ co ˜es: o espa¸ co projetivo RÈ2 O espa¸ co projetivo bidimensional RÈ2 .2. mostram o resultado na forma de superf´ ıcies mergulhadas ou imersas em R3 . ser u ´til no sentido de auxiliar na identifica¸ c˜ ao de I 2 /∼ com RÈ2 . Vide Figuras 32. munido da topologia quociente. Como ajuda. Para todo y ∈ [−π. A referˆ ¨ encia ao trabalho original ´ e: W.6 mencionamos que RÈ2 pode ser entendido como a esfera bidimensional unit´ os pontos ant´ ıpodas.3. Com essas informa¸ co ˜es.3 ´ e denominada superf´ ıcie de Boy29 . pode. y ). p´ agina 1536. vide Figura 32. ter-lhe sugerido provar que RÈ n˜ ao possuia imers˜ oes em R3 . −y ) ∼ (−π. Para um melhor entendimento das identifica¸ co ˜es implicadas por essa rela¸ ca ˜o de equivalˆ encia. Seja I 2 = [−π. 29 Werner Boy (1879–1914). respectivamente. como antes. sendo que neste u ´ltimo os pontos ant´ ıpodas s˜ ao identificados. Para todo x ∈ [−π. −π ) ∼ (−x.

RÈn = [x]. A restri¸ ca ˜o de π a Sn ´ e sobrejetora em eS ´ e compacto. Defina-se tamb´ em B [x]. Com isso. π/2).3. Constate que B [x]. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. Como π ´ e cont´ ınua e compacto com a topologia quociente.32 Exerc´ ıcio–dirigido. n Com a topologia quociente mencionada acima. {x. Uma forma alternativa de caracterizar RÈn ´ e a seguinte. Introduzimos em Rn+1 \ {0} uma rela¸ ca ˜o de equivalˆ encia dizendo que x ∼ y (para x. Cap´ ıtulo 32 1537/2069 Figura 32.JCABarata. Logo. E. α ´ e o conjunto de todos os pontos de Sn que formam um ˆ angulo menor que α com x ou com −x. RÈn ´ e definido como a cole¸ ca ˜o das classes de equivalˆ encia por essa rela¸ ca ˜o. α ´ e o cone duplo de ˆ angulo de abertura 2α com v´ ertice na origem. α ⊂ Sn por A [x]. x ∈ Rn+1 \ {0} . vide Se¸ ca ˜o 31. −x} = π −1 [x] ∩ Sn o conjunto composto pelos dois pontos da esfera unit´ aria obtidos pela intersec¸ c˜ ao da linha reta que passa por ´ claro que [x] = λ x. π Sn = RÈn . Seja tamb´ em π : Rn+1 \ {0} → RÈn a aplica¸ ca ˜o quociente. λ ∈ R \ {0} . α = ˜ Constate que A [x]. ˜ ˜ ˜ ˜ B [x]. O conjunto RÈn ´ e feito um espa¸ co topol´ ogico de forma natural ca ˜o de equivalˆ encia de adotando-se em Rn+1 \ {0} a topologia usual e em RÈn a topologia quociente definida pela rela¸ acima (para a defini¸ ca ˜o de topologia quociente definida por uma rela¸ ca ˜o de equivalˆ encia. −x} ⊂ A [x]. 32. Observe que se y ∈ B [x]. α ⊂ Rn+1 \ {0} por ˜ y ∈ Sn tais que ˜ ˜R x. com y ∈ A [x]. Trata-se da maior topologia em RÈn para a qual a aplica¸ Cada elemento x de Rn+1 \ {0} ´ e da forma x = λy com y ∈ Sn e λ ∈ R \ {0}. α . E ˜ ˜ Para [x] ∈ RÈn e α ∈ (0. 32. podemos tomar RÈn como o conjunto obtido identificando-se os pontos ant´ ıpodas de Sn .4. α . y > cos α . defina-se A [x]. α = λ y . p´ agina 1466). dada por π (x) = [x].) e da tira de M¨ obius (dir. Uma demonstra¸ ca ˜o desse fato ´ e indicada no exerc´ ıcio que segue. ent˜ ao π (x) = π (y ) se e somente se x = ±y . ent˜ ao ˜ ˜ .6 Espa¸ cos Projetivos Reais e a cole¸ ca ˜o de todos os subespa¸ cos unidimensionais de O espa¸ co projetivo real n-dimensional (n ∈ N). y ∈ Rn+1 \ {0}) se e somente se existir α ∈ R n˜ ao-nulo tal que x = αy .). seja π (x) = [x] o correspondente elemento de RÈn e seja {x . A prova da identidade das duas defini¸ co ˜es ´ e deixada como exerc´ ıcio ao leitor. ´ n+1 R .2: Mergulhos em R3 do 2-toro (esq. α e λ ∈ R \ {0} . Isso pode ser obtido formalmente introduzindo-se n em S uma rela¸ ca ˜o de equivalˆ encia: x ∼ y se e somente se x = ±y . ca ˜o quociente π ´ e cont´ ınua. x ∈ Rn+1 \ {0}. y ∈ Sn . Dessa forma.4. RÈn ´ e um espa¸ co topol´ ogico Hausdorff. Para x ∈ Rn+1 \ {0}. Em particular. Vamos denotar por [x] a classe de equivalˆ encia de x ∈ Rn+1 \ {0}. denotado por RÈn . Naturalmente. conclu´ ımos que RÈn ´ RÈn . mas ´ e f´ acil ver que se x.

α := π −1 B [x].98) > cos(α) . (32. α ´ e um subconjunto aberto de Rn+1 \ {0}. temos que x1 ± x2 = 0 para ambos os sinais. 2. E n i i +1 n+1 i ´ evidente que A1 comp˜ oe .) e do plano projetivo bidimensional RÈ2 . α . . para demonstrar que o RÈn ´ e uma variedade topol´ ogica com a topologia ´ o que faremos no que segue. como x1 . α s˜ ao disjuntos. Cap´ ıtulo 32 1538/2069 Figura 32. Defina-se. Isso prova que para tais valores de α devemos. mas que 0 ∈ B [x]. ˜ ˜˜ ˜˜ ˜R ˜ Agora. Claro est´ a tamb´ em que C [x]. α ´ e uma vizinhan¸ ca aberta de [x]. . π/2) for escolhido pequeno o suficiente. xi = 0 .98) para ambos k = 1. ˜teremos. p´ agina 1490. α Vamos agora considerar [x1 ] e [x2 ]. defina-se Ai ⊂ Rn+1 \ {0} como sendo o conjunto de todos os elementos de Rn+1 \ {0} ´ evidente que Ai ´ e um aberto em cuja i-´ esima coordenada ´ e n˜ ao-nula: Ai := (x1 . dois elementos distintos de RÈn . xn+1 ) ∈ Rn+1 \ {0}. 2 e. . pois ambas as superf´ ıcies exibem auto-intersec¸ co ˜es. n˜ ao de mergulhos. . . ter C [x1 ]. Como supomos que [x1 ] = [x2 ].99) ˜ ˜ Segundo o Corol´ ario 32. Logo. α . α e C [x2 ]. α ⊂ RÈn por C [x]. ˜ ˜ ˜ ˜ ˜ ˜ xk − z < 2 sen (α/2) para ambos k = 1. Afirmamos que para α pequeno o suficiente os abertos C [x1 ]. . onde ±xk s˜ ao os dois elementos de [xk ] em S . ˜ ˜ x1 − x2 ≤ x1 − z + z − x2 < 4 sen (α/2) . x2 e z s˜ ao vetores de norma 1. n x1 . xk − z R = 2 − 2 xk . por fim. podemos garantir que ambos os produtos escalares x1 . ˜ ˜ ˜ ˜ ˜ ˜ xk − z . Ent˜ ao. ou seja. z R sejam n˜ ao-negativos. Para ver isso. .2. z > cos(α) e x2 . ˜ ˜ ˜ ˜ o˜ Trocando eventualmente sinal de x1 e/ou de x2 . ou seja um recobrimento de RÈ por abertos pois. C [x]. portanto. mostre que B [x]. Trata-se de um aberto em RÈn . como x1 − x2 > 0. Seja A∼ o correspondente aberto em RÈ . . An R \ {0}. . essa desigualdade ´ e imposs´ ıvel se α ∈ (0. α . . k = 1.3: Imers˜ oes em R3 da garrafa de Klein (esq. A∼ ≡ π (A ). estabelecendo que o espa¸ co projetivo real RÈn tem a propriedade de Hausdorff. . suponha que exista [z ] ∈ C [x1 ]. z R > cos α. a chamada superf´ ıcie ´ de Boy (dir. se [x] ∈ RÈ . E claro que se trata de imers˜ oes.JCABarata. implicando que [x] ∈ Aj ∼. Com essa escolha. Mais importante. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. ˜ ˜ = Por´ em. tem-se que ˜ ˜ ˜ xk − z 2 ˜ ˜ x1 . quociente basta agora provar que ele ´ e localmente Euclidiano. z R < 2 1 − cos(α) = 4 sin(α/2) 2 (32. pois B [x]. E ∼ ∼ n n ao ao menos uma das coordenadas de x ´ e n˜ ao-nula. α . . −y ∈ B [x]. z R > cos α e x2 . ent˜ x ∈ Aj para algum j . ´ e um subconjunto aberto de Rn+1 \ {0}. . α ∩ C [x2 ].). z R e x2 . z R ˜˜ (32. n + 1. em verdade. 2. α ∩ C [x2 ]. E Para cada i = 1. α = ∅. portanto.

. . Note-se que a aplica¸ ca ˜o ϕi est´ a bem definida. por RÈn e sua uni˜ 1 conveniˆ encia) s˜ ao dadas por ϕj ◦ ϕ− i .3. E. . 32. Sejam H± ≡ Hn+1. xi yi . . . . . . 0) ∪ Sn−1 . xi . xi . . . ´ tremos que se trata tamb´ em de uma variedade diferenci´ avel. . . . . 1. si+1 . sj sj sj sj sj sj sj . . em verdade. ´ claro que Dn (1. Em Dn (1. uma uni˜ ao disjunta. . 0). . Por essa express˜ ao ´ e f´ acil constatar que ϕj ◦ ϕ− s˜ ao difeomorfismos infinitamente i i j i j diferenci´ aveis de ϕi (A ∩ A ) em ϕj (A ∩ A ). . . . . . 0) da seguinte forma: 1. . . .33 Exerc´ ıcio. . . 0) . Assim. Mais precisamente. Os pares (Ai . (x1 . 0) adotamos a topologia relativa induzida pela topologia de Rn e em Fn a correspondente topologia quociente. L´ a discute-se que esse grupo pode ser entendido com o conjunto obtido tomando-se a bola fechada de raio π em R3 e identificando-se os pontos ant´ ıpodas da superf´ ıcie. . . + ⊂ Sn dois hemisf´ erios n abertos de S definidos em (32. . . . . . sn ∈ ϕi (Ai ∩ Aj ). . j =1 (y ) ≤ 1 . . sn i = sj −1 sj +1 si−1 1 si sn s1 . 0) por essa rela¸ ca ˜o. comentemos que encontramos esse objeto em nossa discuss˜ ao sobre o grupo SO(3) na Se¸ ca ˜o 20. si−1 . .. . . . pode ser n ao variedades identificado com o espa¸ co projetivo real n-dimensional. 0)/ ∼. 2. H± = x1 . yi . . . xi . ent˜ ao y ∈ Ai e vale 1 i−1 i+1 n+1 i−1 i+1 n+1 1 y y y x x x x = y (justifique!). . . Antes de prosseguirmos. . n + 1. . .    n   (xj )2  ∈ Rn+1 . . .2.. Dois pontos y1 e y2 em Sn−1 s˜ ao equivalentes se e somente se y1 = ±y2 . Deve ser claro que o que e manter os pontos do interior Dn (1. Prove todas as afirma¸ co ˜es feitas acima. . Seja Fn := Dn (1. Todo y ∈ Dn (1.. Podemos definir uma rela¸ ca ˜o de equivalˆ encia “∼” em Dn (1. .34 Exerc´ ıcio instrutivo. . . 0) para Fn ´ superf´ ıcie Sn−1 . xn+1 ) ∈ Ai . . . . . 0) enquanto que Sn−1 ´ e a superf´ ıcie (ou bordo) de Dn (1. i i i x x x xi .. . . afirmamos que Fn e RÈn s˜ diferenci´ aveis difeomorfas. MosCom isso. yi 1 com ϕ− : Rn → Ai ∼ dada por i 1 1 ϕ− s . sn i = s1 . . p´ agina 989. . estabelecemos que RÈn . . E. vemos que RÈn ´ • RÈn e a bola fechada em Rn com a identifica¸ c˜ ao dos ant´ ıpodas de sua superf´ ıcie Como antes. 0) = (y 1 . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. o espa¸ co Fn . . A aplica¸ ca ˜o ϕi ´ e um homeomorfismo. . sn . Temos. RÈ . xn ) ∈ Dn (1. 0) a bola fechada de Rn de raio 1 e centrada n j 2 na origem: Dn (1. . . . SO(3) pode ser entendido como o espa¸ co projetivo real tridimensional RÈ3 . 1 com s1 . . O que pretendemos fazer em seguida ´ e mostrar que. . . . . seja Dn (1. ± 1 −   j =1 . As fun¸ co ˜es de transi¸ ca ˜o de ϕi (Ai ∩ Aj ) em ϕj (Ai ∩ Aj ) (aqui tomamos i > j . y n ) ∈ Rn .. . . . xn+1 ) := x1 xi−1 xi+1 xn+1 . 32. . sendo que Dn (1. como mostraremos.. . para cada n ∈ N. e uma variedade topol´ ogica segundo-cont´ avel. Reunindo os resultados. ϕ ) comp˜ o e cartas locais de coordenadas em i ∼ ao comp˜ oe um atlas. .JCABarata. 0) = Dn (1. . com a topologia quociente. 0) e identificar os pontos ant´ ıpodas da fazemos ao passar de Dn (1. Cap´ ıtulo 32 1539/2069 n Para cada i = 1. defina-se ϕi : Ai ∼ → R por ϕi (x1 . yi . a cole¸ ca ˜o das classes de equivalˆ encia de Dn (1. e uma variedade infinitamente diferenci´ avel de dimens˜ a o n. 0) ´ e declarado equivalente a si mesmo. 0) a bola aberta de raio 1 em Rn e seja Dn (1. sendo que 1 1 ϕj ◦ ϕ− s . 0) ´ e o interior da bola fechada E Dn (1. Verifique que ϕi e sua inversa s˜ ao de fato cont´ ınuas. com (x1 . .95). pois se x ∼ y com x ∈ Ai . Passemos agora ` a discuss˜ ao de como Fn pode ser identificado com RÈn . . xn .

4. Claro est´ a que RÈn coincide com Gn+1. Fibrados Comecemos definindo a no¸ ca ˜o de fibrado coordenado. a variedade de Grassmann Gn. A eles dedicamos o Cap´ ıtulo 21. Mostre que M1 ´ difeomorfas. H− e do seu equador. que podemos identificar n−1 ´ claro dessa discuss˜ com S . Vide Cap´ ıtulo 21 e outras referˆ encias l´ a citadas. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. 0) ∋ (x1 . ± 1− n j 2 j =1 (x ) ∈ H± . n n Conclu´ ımos disso que F e RÈ podem ser identificados. k ´ e definida como a cole¸ ca ˜o de todos os subespa¸ cos vetoriais k –dimensionais de Rn . podemos afirmar que Mn ´ e obtida de Sn identificando-se os Definamos Mn := Sn /∼ pontos ant´ ıpodas.. Para n ∈ N e k ∈ N com k ≤ n. que M pode ser identificado com Dn (1. Nesse sentido. ou simplesmente fibrados. Como fizemos anteriormente. 0) s˜ ao espa¸ cos topol´ ogicos homeomorfos (e. vide e. que RÈ1 e S1 s˜ ao duas variedades diferenci´ aveis E. 32. Um grupo de Lie ´ e uma variedade diferenci´ avel que seja tamb´ em um grupo para o qual a opera¸ ca ˜o de multiplica¸ ca ˜o e de invers˜ ao sejam cont´ ınuas. . Vamos agora introduzir em Sn uma rela¸ ca ˜o de equivalˆ encia “∼ ˙ ” da seguinte forma: x ∼ ˙ y se e somente se x = ±y. ou seja. Grosseiramente. O que podemos dizer sobre a rela¸ ca ˜o entre Fn e RÈn enquanto variedades? Isso fica para o leitor: co ˜es e constru¸ co ˜es de acima. o que dissemos ´ e que podemos identificar Mn com H+ ∪ Mn−1 . Para mais detalhes sobre Grassmannianas. podem ser identificados). . ou Grassmanniana. E ao que Mn pode n ser identificado com o conjunto H+ em uni˜ ao com o equador de S sendo que nesse equador identificamos os pontos ant´ ıpodas. Vide (32. . Cap´ ıtulo 32 1540/2069 ´ f´ E acil ver disso que H± e Dn (1. Trata-se de uma variedade diferenci´ avel de dimens˜ ao (n − k )k . . pelo que vimos mais acima. Fibrados Vetoriais e Principais Um tipo de variedade diferenci´ avel de particular importˆ ancia ´ e composto pelos chamados espa¸ cos fibrados. ˙ . p´ agina 1073. e difeomorfo ao c´ ırculo S1 e. portanto. • Variedades de Grassmann J´ a dissemos no in´ ıcio desta se¸ ca ˜o que o conjunto RÈn pode ser identificado com a cole¸ ca ˜o de todos os subespa¸ cos n+1 vetoriais unidimensionais de R . sendo o homeomorfismo dado por Dn (1. O conjunto Sn pode ser escrito como a uni˜ ao de H+ .36 Exerc´ ıcio. . Mas n ´ claro que esse u isso significa.97). 0) ∪ Mn−1 . 32. • Fibrados coordenados. Os pontos de H− s˜ ao exatamente os ant´ ıpodas dos pontos de H+ . podemos dizer que um fibrado ´ e uma variedade diferenci´ avel que localmente (mas n˜ ao necessariamente globalmente) ´ e o produto de duas variedades diferenci´ aveis. . . xn ) −→ x1 . j´ a observamos (` a p´ agina 1537) que o espa¸ co projetivo real RÈn pode ser identificado com Mn . sendo que as fun¸ co ˜es de transi¸ ca ˜o respeitam a a¸ ca ˜o de um grupo (de Lie) sobre uma das variedades.35 Exerc´ ıcio. ou seja. portanto.8 Fibrados.JCABarata. Mostre. usando as defini¸ difeomorfas. 32. Um fibrado coordenado F ´ e uma variedade diferenci´ avel formado pelos seguintes ingredientes: 31 Hermann G¨ unther Grassmann (1809–1877). ˜ ˜ ˜ ˜ Por outro lado. 1 . O estudo de espa¸ cos fibrados ´ e bastante vasto e nesta breve se¸ ca ˜o limitamo-nos a apresentar defini¸ co ˜es b´ asicas para futura referˆ encia.7 Grupos de Lie Uma classe importante de variedades diferenci´ aveis ´ e composta pelos chamados Grupos de Lie. [154]. portanto. . o espa¸ co projetivo real pode ser generalizado na no¸ ca ˜o de variedade de Grassmann31 .g. que Fn e RÈn s˜ ao duas variedades diferenci´ aveis E. O equador de Sn ´ e Sn−1 e. o espa¸ co projetivo real n-dimensional pode ser entendido tamb´ em como o conjunto obtido tomando-se a bola fechada de raio 1 e centrada na origem em Rn+1 e identificando-se os pontos ant´ ıpodas de sua superf´ ıcie.96)–(32. . trata-se do conjunto consiste na bola unit´ aria fechada em R com os ant´ conjunto que denominamos Fn anteriormente. 32. E ´ ltimo n ıpodas da superf´ ıcie identificados.4. xn .

definida por Tλ1 . dotado de uma a¸ ca ˜o ` a esquerda32 cont´ ınua α : G × F → F sobre F . No caso de variedades topol´ ogicas n˜ ao diferenci´ aveis h´ a uma no¸ ca ˜o correspondente de fibrado onde. Para cada λ ∈ Λ o difeomorfismo ϕλ satisfaz π ϕλ (b. f ) ∈ π −1 (b) ´ e um difeomorfismo. que denotaremos por ϕλ. Cap´ ıtulo 32 1541/2069 1. Um fibrado ´ e uma classe de equivalˆ encia de fibrados coordenados pela rela¸ ca ˜o de equivalˆ encia acima. A semelhan¸ ca com as transforma¸ c˜ oes de calibre. λ ∈ Λ }. um fibrado coordenado F depende do particular recobrimento {Bλ .1. 4. Para cada λ ∈ Λ e cada b ∈ Bλ . Uma variedade diferenci´ avel F . os seguintes requerimentos estruturais s˜ ao necess´ arios: 1. 3. λ ∈ Λ} de B por abertos (em sua topologia). λ ∈ Λ′ } e uma cole¸ ca ˜o de difeomorfismos {ϕ′ λ . Seja Bλ1 ∩Bλ2 = ∅ e seja a chamada fun¸ Ent˜ ao existe uma fun¸ ca ˜o cont´ ınua tλ1 . Seja um segundo fibrado coordenado F′ . o qual ′ ′ difere de F por ter um recobrimento {Bλ . adotamos homeomorfismos e onde o grupo G pode ser um grupo topol´ ogico geral. c˜ ao de transi¸ c˜ ao Tλ1 .9. a aplica¸ ca ˜o F ∋ f → ϕλ (b. 32 Para a defini¸ ca ˜o da no¸ ca ˜o de a¸ c˜ ao de um grupo. λ2 (b). f Um fibrado vetorial ´ e um fibrado no qual fibra F ´ e um espa¸ co vetorial topol´ ogico V e a a¸ ca ˜o de G se d´ a por uma representa¸ ca ˜o (cont´ ınua) de G em V . sendo que a pr´ e-imagem π −1 (b) de qualquer b ∈ B ´ e homeomorfa a F . denominado grupo de estrutura. f para todo b ∈ Bλ1 ∩ Bλ2 e todo f ∈ F . bem conhecidas no Eletromagnetismo e na F´ ısica Quˆ antica. Fora isso. λ ∈ Λ} ∪ {ϕ′ . b (f ) = α tλ1 . O u ´ltimo ponto descrito acima significa que duas trivializa¸ co ˜es diferem em uma regi˜ ao comum apenas pela a¸ ca ˜o (cont´ ınua) de elementos de G sobre cada fibra. 2. b . Um recobrimento {Bλ . f ). podemos escrever ϕλ2 b. α tλ1 . ao inv´ es de difeomorfismos. −1 Cada ϕλ ´ e dito ser uma trivializa¸ c˜ ao local. Denotaremos a a¸ ca ˜o de g ∈ G por α sobre f ∈ F por αg (f ) ou por α(g.JCABarata. λ2 . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. f para todos (b. f ) ∈ Bλ1 ∩ Bλ2 × F . λ ∈ Λ} da variedade base B e da particular cole¸ ca ˜o de difeomorfismos {ϕλ . λ2 : Bλ1 ∩ Bλ2 → G tal que Tλ1 . λ2 (b). b )−1 ◦ϕλ2 . • Fibrados vetoriais = ϕλ1 b. sendo que para cada λ ∈ Λ existe um difeomorfismo ϕλ : Bλ × F → π −1 (Bλ ). λ ∈ Λ } for tamb´ e m um fibrado coordenado. p´ agina 102. Um grupo de Lie G. Uma variedade diferenci´ avel B. λ2 . • Fibrados principais Um fibrado principal ´ e um fibrado no qual fibra F ´ e o pr´ oprio grupo de estrutura G e a a¸ ca ˜o de G se d´ a por multiplica¸ ca ˜o (do grupo) ` a esquerda. b := (ϕλ1 . 5. Note-se que os elementos de G podem mudar de um ponto a outro. n˜ ao necessariamente um grupo de Lie. Dizemos que F e ′ ′ F s˜ ao equivalentes se o fibrado coordenado obtido com o recobrimento {Bλ . (Que se trata de uma rela¸ c ˜ ao λ de equivalˆ encia demonstra-se usando os mesmos argumentos usados na rela¸ ca ˜o de equivalˆ encia entre atlas infinitamente diferenci´ aveis). Uma fun¸ ca ˜o sobrejetora π : F → B denominada proje¸ ca ˜o. denominada fibra. n˜ ao ´ e casual. denominada espa¸ co base. Na defini¸ ca ˜o acima. 2. . λ ∈ Λ} ∪ {Bλ . f ) = b para todo (b. vide Se¸ ca ˜o 2. Defini¸ c˜ ao. λ2 . λ ∈ Λ} adotados.1. λ ∈ Λ′ } e com a cole¸ ca ˜o ′ de difeomorfismos {ϕλ . b . pois ϕλ mapeia π −1 (Bλ ) sobrejetoramente no produto Cartesiano Bλ × F . 3. b : F → F . f ) ∈ Bλ × F . Com isso.

xm ). h(p) pode ser feito da seguinte forma.81) • Prova de (32. Seja ht (q ) ≡ h φA t (q ) k 1 Por defini¸ ca ˜o temos y0 (x .47). h(p) B φA t (p) = ∂xl k ∂yt bk h φA t (p) ht (p) ∂ ∂xl . . . . nas cartas de coordenadas h e ht respectivamente. . . pela u ´ltima express˜ ao. Se A ´ e uma matriz invers´ ıvel que depende de t. . Prova das Rela¸ co ˜es (32. . ent˜ ao vale que facilmente se demonstra do fato que A−1 A = ½. q ∈ U . ht (p) h φA t (p) temos: d k b h φA t (p) dt = ∂bk h φA t (p) b ∂yt d b y h φA t (p) dt t = ∂bk h φA t (p) b ∂yt ab (ht (p)) . . Adotamos tamb´ como antes a conven¸ ca ˜o que φA 0 (q ) = q para todo q ∈ U . . . k k 1 Podemos usar ht (q ) como uma carta local de coordenadas. Seja (U. xm ). . Assim. Cap´ ıtulo 32 1542/2069 Apˆ endices 32. Note-se que. xm ) . xm ) = ak (ht (q )) = ak yt d k 1 dt yy (x . .A Derivadas de Lie. Definamos h(q ) = (x1 .JCABarata. . o bk h φA t (p) ht (p) ∂xl k ∂yt ht (p) d k b h φA t (p) dt ∂ ∂xl . acima. . . dφA −t Desejamos calcular d dt φA t (p) φA t (p) ∂ k ∂yt = ht (p) ∂xl k ∂yt ht (p) ∂ ∂xl . em t = 0 a express˜ ao local de B .70) e (32. . . . . fica ∂ ∂ . . dada por t (p) . temos b d ∂yt dt ∂xc = d ∂xl k dt ∂yt ht (p) = − ∂xl b ∂yt ht (p) ht (p) ∂xc k ∂yt ht (p) = − ∂xl b ∂yt ht (p) ∂ d b y ∂xc dt t ht (p) ∂xc k ∂yt ∂xl b ∂yt ht (p) = − Para d k dt b ht (p) ∂xc ∂ab h ( p ) t k ∂xc ∂yt . xm ). . . . temos dφA −t Assim. com coordenadas yt ≡ yt (x . . xm ) .70) ´ e mais facilmente realizada em coordenadas locais. . xm ). . h(p) dφA −t φA t (p) B φA e. tem-se y0 = x . . yt (x . . . h) uma carta contendo p e escolhamos um intervalo de valores de t pequeno o suficiente para que φA em t (p) esteja sempre em U .70) A prova da igualdade (32. . A k k como h0 (q ) = h φ0 (q ) = h(q ). . . . . xm ) = xk e = 1 1 m 1 yt (x . . lembrando que. . . 1 1 (x . Sejam Ap = ak h(p) ∂ ∂xk e h(p) Bφ A = bk ht (p) t (p) ∂ k ∂yt ht (p) as express˜ oes locais de A e B . . . a qual ´ ∂ ∂xl + h(p) d ∂xl k dt ∂yt O c´ alculo de d −1 dt A d ∂xl k dt ∂yt ht (p) d −A−1 dt A A−1 . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. Bp = bk h(p) = bk h(p) k ∂xk h(p) ∂y0 h(p) Por (32. . y m (x1 . .

81). Por (32. usando a regra da cadeia d ωb ht (p) dt = ∂ωb j ∂yt ht (p) aj ht (p) e b d ∂yt h(p) dt ∂xl b ∂yt ∂xl = ∂ab h(p) .58)) yt yt . Prova da Rela¸ c˜ ao (32.81). a qual segue passos semelhantes. d dφA −t dt B φA t (p) = − + ∂xl b ∂yt ∂xl k ∂yt ∂xc ∂ab ht (p) k c ∂x ∂yt bk h φA t (p) ht (p) φA t (p) ht (p) ∂ ∂xl .81) Passamos agora ` a demonstra¸ ca ˜o de (32.60) = [A.70). ficamos com (LA B )(p) := d dφA −t dt φA t (p) B φA t (p) t=0 = ∂xl ∂bk ∂xc k ∂xl ∂ab b b h(p) h ( p ) a ( h ( p )) − h ( p ) ∂xk ∂xb ∂xb ∂xc ∂xk ak (h(p)) ∂bl ∂al k h ( p ) h ( p ) − b h(p) ∂xk ∂xk ∂ h(p) ∂xl ∂ ∂xl h(p) = (32. temos (verifique!) dφA t ∗ φA t (p) ω φA = ωb φA t (p) t (p) b ∂yt h(p) dxl |p . demonstrando (32. acima. com p ∈ U . Usaremos a mesma nota¸ ca ˜o e defini¸ co ˜es da prova de (32.JCABarata. tomando t = 0 e recordando que y0 = xj (o que faz com que = δ bl para t = 0). Vamos escrever Ap = ak h(p) ∂ ∂xk e h(p) k ω φA = ωk ht (p) dyt t (p) ht (p) como express˜ oes locais de A e ω . p = aj h(p) ∂ωl ∂ab h ( p ) h ( p ) + ω h(p) b ∂xj ∂xl 32. ⊗R · · · ⊗R dxy ⊗R dxi yt t Em uma carta (U. ∂xl Podemos agora calcular a derivada em t usando a regra de Leibniz. B ]p . temos dxl |p . LA B ´ eau ´ltima express˜ ao calculada em t = 0. • Prova de (32. Cap´ ıtulo 32 1543/2069 Assim. Temos. Lembrando que y0 = xa .70). podemos escrever (vide (32. LA ω provando (32.69).B Derivadas de Lie. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. nas cartas de coordenadas h e ht respectivamente.88) T φA = T i1 ···iaia+1 ···ia+b (yt ) t (p) ∂ ∂xi1 ⊗R · · · ⊗R ∂ ∂xia ia+b a+1 . ∂xl j Assim. h(p) ht (p) ∂ ∂bk b h φA t (p) a (ht (p)) b ∂xl yt h(p) a Pela defini¸ ca ˜o (32. h).51).

obteremos. Analogamente. Os b termos seguintes envolvem il as derivadas de cada um dos fatores L jl (t) e ser˜ ao da forma T i1 ···iaia+1 ···ia+b h(p) δi1 j1 · · · δia j1 δ ia+1 ja+1 · · · N iljl · · · δ ia+b ja+b . com k = 1. ao calcularmos a derivada em rela¸ ca ˜o a t da express˜ ao acima em t = 0. com o fator Mik jk substituindo um fator δik jk na k -´ esima posi¸ ca ˜o. . a. h(p) h(p) O ponto de termos procurado escrever tudo dessa forma.82). . . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. dφA t ∗ dxi yt φA t (p) Note-se que.JCABarata. uma soma de a + b + 1 termos. pela regra de Leibniz. . sendo que. . respectivamente: Mi j = − Com isso. e ser´ a d i1 ···ia T ia+1 ···ia+b (yt ) dt δi1 j1 · · · δia j1 δ ia+1 ja+1 t=0 ···δ ia+b ja+b . podemos escrever dφA −t ⊗R · · · ⊗R dφA −t a ∂aj ∂xi h(p) e N ij = ∂ai ∂xj h(p) . dKi j (0) dt e N ij := dLij (0) . O termo primeiro ser´ a envolver´ a a derivada de T i1 ···iaia+1 ···ia+b (yt ). Os a termos seguintes envolvem as derivadas de cada um dos fatores Kik jk (t) e ser˜ ao da forma T i1 ···iaia+1 ···ia+b h(p) δi1 j1 · · · Mik jk · · · δia j1 δ ia+1 ja+1 ···δ ia+b ja+b . com l = a + 1. φA t (p) φA t (p) ⊗R dφA t ∗ φA t (p) ⊗R · · · ⊗R dφA t b ∗ φA t (p) T φA t (p) = T i1 ···iaia+1 ···ia+b (yt )Ki1 j1 (t) · · · Kia j1 (t)L a+1 ja+1 (t) · · · L a+b ja+b (t) × ∂ ∂xj1 ⊗R · · · ⊗R ∂ ∂xja +1 a+b ⊗R dxha (p) ⊗R · · · ⊗R dxh(p) i i j j . com o fator Nil jl substituindo um fator δil jl na l-´ esima posi¸ ca ˜o. a + b. . ´ e que agora toda a dependˆ encia em t aparece no produto de a + b + 1 fatores da segunda linha. naturalmente y0 = h(p) Observemos agora que dφA −t para alguma matriz Ki (t). . = Lij (t)dxj h(p) . Cap´ ıtulo 32 1544/2069 onde usamos a abrevia¸ ca ˜o yt ≡ h φA t (p) . . escrevemos. .79) e (32. dt As matrizes Mi j e Ni j foram obtidas explicitamente em (32. temos LA onde Mi j := ∂ ∂xi = Mi j h(p) ∂ ∂xj e h(p) j i LA dxi h(p) = N j dxh(p) . acima. por raz˜ oes ´ obvias. cada um correspondente ` a derivada daqueles a + b + 1 da segunda linha. dado que dφA −t j φA t (p) ∂ ∂xi = Ki j (t) yt ∂ ∂xj h(p) ∂ ∂xi yt φA t (p) ´ e um elemento de Tp M . Ki j (0) = δi j e Lij (0) = δ ij Pela defini¸ ca ˜o de derivada de Lie para campos vetoriais e co-vetoriais. Assim.

.JCABarata. como desej´ avamos provar. (LA T )p = LA T i1 ···iaia+1 ···ia+b a h(p) h(p) ⊗R · · · ⊗R h(p) a+b ⊗R dxha(+1 p) ⊗R · · · ⊗R dxh(p) i i + T i1 ···iaia+1 ···ia+b h(p) k=1 a+b ∂ ∂xi1 h(p) ⊗R · · · ⊗R LA ∂ ∂xik h(p) ⊗R · · · ⊗R ∂ ∂xia h(p) a+b ⊗R dxha(+1 p) ⊗R · · · ⊗R dxh(p) i i + l=a+1 ∂ ∂xi1 h(p) ⊗R · · · ⊗R ∂ ∂xia h(p) il a+b ⊗R dxha(+1 p) ⊗R · · · ⊗R LA dxh(p) ⊗R · · · ⊗R dxh(p) .88). i i que ´ e a rela¸ ca ˜o (32. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. Cap´ ıtulo 32 1545/2069 Agora. temos que d i1 ···ia T ia+1 ···ia+b (yt ) dt que Mik jk Conclu´ ımos que ∂ ∂xi1 ∂ ∂xia ∂ ∂xjl = LA h(p) = t=0 LA T i1 ···iaia+1 ···ia+b h(p) = A T i1 ···iaia+1 ···ia+b h(p) . ∂ ∂xil e que h(p) il l N iljl dxj h(p) = LA dxh(p) .

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful