O STF e a decisão da união homoafetiva.

No dia 5 de maio deste ano, o STF, por dez votos a zero, decidiu que a união contínua, pública e duradoura entre pessoas do mesmo sexo constituía “entidade familiar e, pois, su!eita ao tratamento dispensado no art" #$%& do '(di)o 'ivil, que trata da união est*vel" + decisão , importante por diversos prismas, ainda mais considerando-se que , dotada de efeito vinculante e efic*cia “er)a omnes , ou se!a, todos os !uízes e tribunais brasileiros não podem re!eitar os efeitos de “união est*vel para pessoas de mesmo sexo" .rimeiro/ ficaram claramente asse)urados 0s minorias sexuais os direitos de privacidade, intimidade, respeito 0 di)nidade 1umana, veda2ão de tratamento discriminat(rio, diversidade, pluralismo e liberdade sexual" 3espeito que deve ser realizado em dupla dimensão/ a4 absten2ão de condutas vedadas5 b4 )arantia de exercício dos direitos )arantidos constitucionalmente" 6bri)a27es que não somente abran)em o 8stado 9em suas tr:s esferas4, mas tamb,m os particulares, que ficam inibidos de !ustificar discrimina2ão nos campos educacional, laboral, sanit*rio e distintas formas de rela27es sociais" Se)undo/ resta confi)urada a ur):ncia de le)isla2ão refor2ando tais princípios, no tocante 0s minorias sexuais, como forma de refor2ar uma cultura democr*tica de direitos 1umanos e de sexualidade plural" +bre-se, assim, a discussão para a necessidade 9ou não4 de criminaliza2ão da 1omofobia 9dado o alto índice de 1omossexuais mortos no país4, de fixa2ão de par;metros para união civil e mesmo de casamento 9como recon1ecido em al)uns países, inclusive a <frica do Sul4 e tamb,m de ado2ão de crian2as" 8sta decisão , importante para o processo de aprofundamento democr*tico, que não se faz sem a “descoloniza2ão das rela27es sociais e, portanto, com o combate ao sexismo, ao patriarcalismo e ao colonialismo" + interseccionalidade das lutas , evidente" Terceiro/ um leque de direitos se abre a tais rela27es, tanto de inclusão em planos de saúde 9o que vin1a sendo recon1ecido por al)uns (r)ãos estatais4, previd:ncia social, declara2ão de imposto de renda 9o que 1avia causado pol:mica pela medida favor*vel adotada pelo =inist,rio da Fazenda4, dever de presta2ão de alimentos em caso de necessidade, divisão de bens adquiridos durante a união 9a)ora não mais como “sociedade de fato , como se fora uma rela2ão mercantil>empresarial, concep2ão !* ultrapassada para a união est*vel4, usufruto de bens do falecido, 1eran2a e outras consequ:ncias imprevisíveis, como salientou o =in" +?res @ritto 9relator4" Auarto/ a incapacidade e a in,rcia que o .oder Be)islativo tem incidido quando estão em !o)o quest7es que ten1am cun1o moral ou reli)ioso 9aborto, c,lulas tronco, uni7es 1omoafetivas, direitos sexuais e reprodutivos4, se!a por pressão de )rupos reli)iosos, se!a da pr(pria mídia, como se viu na campan1a eleitoral" + inclusão de diversos “amici curiae 9“ami)os da 'orte 4, para o !ul)amento da a2ão, tem !ustamente a fun2ão de pluralizar as vozes dentro do processo de controle de constitucionalidade, permitindo a exposi2ão de diversos pontos de vistas, de forma a dar maior le)itimidade democr*tica 0 pr(pria decisão do STF" Neste sentido, a atua2ão do Tribunal, por pressão do =inist,rio .úblico Federal e de um )overno estadual, , a forma de salientar o d,ficit de discussão democr*tico de tais quest7es dentro do .arlamento e tamb,m de demonstrar a voca2ão contrama!orit*ria dos direitos 1umanos" Auinto/ a discussão de interpreta2ão !udicial e eventual ativismo tão propalado deve ser equacionada em outros termos" 6 art" %%C, D &E, da 'onstitui2ão recon1eceu a união est*vel entre 1omem e mul1er como “entidade familiar e determinou facilitar-se sua conversão em casamento" +li*s, veio no contexto de um processo de inclusão de rela27es não matrimoniais que não tin1am efeitos !urídicos5 não pode, pois, ser utilizada para estabelecer novos padr7es de exclusão" 6 arti)o não estabeleceu, contudo, que somente esta união era recon1ecida, sob pena de o D FE que prev: “entidade familiar formada por “qualquer dos pais e seus descendentes não ter qualquer sentido"

se a reli)ião cat(lica tem um re)ime mais favor*vel !* le)islado. ele tem sido um empecil1o para tratamentos discriminat(rios 9dimensão ne)ativa4. neste sentido. moradia comum.m.rimeiro/ a !urisprud:ncia tem explorado muito pouco al)umas facetas do princípio da i)ualdade" No )eral. etc4" + pluralidade de famílias recon1ecidas na 'onstitui2ão escapa do padrão 1eterocentrado 9vide a previsão de “entidade familiar para família monoparental4" 8 obri)a. servidor do T3F-FO 3e)ião desde #LPL. nem de ativismo !udicial indese!*vel.. mas sim a necessidade de interpreta2ão de v*rios arti)os con!u)ados envolvendo prote2ão de família. etc4" +ssim. sexuais. conven27es e decis7es de cortes internacionais de direitos 1umanos" Terceiro/ a insist:ncia nas demandas de recon1ecimento de união est*vel e “casamento )a? não pode conduzir 0 “normaliza2ão e estabelecimento de um padrão “1eteronormativo de conduta para aceita2ão de direitos de 1omossexuais 9família constituída.8 mesmo o DFE estabeleceu uma das formas de “entidade familiar asse)uradas pela 'onstitui2ão. or)anizador do livro “Gireitos 1umanos na sociedade cosmopolita 98d" 3enovar. por exemplo. a '-K$5>%KK$ e '-K%L>%KKL. mas sim de pura e simples aplica2ão de tratamento isonJmico. mas não pensado como possibilidade de extensão do re)ime mais favor*vel !* existente. de forma a abarcar minorias 9reli)iosas. o que impede sua extensão 0s reli)i7es afro-brasileirasH No mesmo sentido.ablo 6lavide 98span1a4. pensar a questão de trans):neros. tanto no sistema re)ional quanto no sistema universal. pela 'orte 'onstitucional 'olombiana4 e mesmo no direito internacional de direitos 1umanos. i)ualdade e fraternidade 9o princípio “esquecido da 3evolu2ão Francesa4" Gisto tudo al)umas considera27es para a defesa de direitos 1umanos devem ser ressaltadas" . %KKF4" . o que nunca causou qualquer pol:mica" 6 sil:ncio da 'onstitui2ão não si)nifica uma proibi2ão. doutorando Nniversidad . liberdade. fil1os ou cac1orros. intersexuais e demais formas alternativas de sexualidade" César Augusto Baldi. tamb. salientadas na peti2ão inicial da . ali*s. mestre em Gireito 9NB@3+>3S4. não proibindo o recon1ecimento de comunidades formadas por av(s e netos. al)umas. tios e sobrin1os. di)nidade da pessoa 1umana. inexistiria obst*culo para as minorias sexuais" Não se trata.rocuradoria-Meral da 3epública" 6 colonialismo interno !urídico que somente con1ece decis7es de 8stados Nnidos e de al)uns países europeus deve ser combatido com uma :nfase no con1ecimento de tratados. travestis. na esteira de doutrina portu)uesa" Se)undo/ os votos proferidos revelam um absoluto descon1ecimento de decis7es similares no contexto americano 9dentre elas. nem de viola2ão ao “princípio do Iudici*rio como le)islador ne)ativo .

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