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ASPECTOS DE COGERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA E VAPOR PARA PROCESSOS EM GERAL
Roma, Alexandre – Engo.
ITA – Instituto Tecnológico de Aeronáutica Divisão de Engenharia Aeronáutica e Mecânica - Grupo de Turbinas Praça Mal. Eduardo Gomes, 50 - Vila das Acácias 12228-900 São José dos Campos - SP – Brasil roma@ita.br Objetivo.O objetivo deste documento é servir de base para o um melhor entendimento dos aspectos de geração conjunta de energia elétrica e vapor em processos industriais, além de possibilitar a abertura de discussões sobre tipos de turbinas possíveis de serem aplicadas a estas configurações de geração conjunta. Neste documento, será considerado na maior parte do tempo, uma visão de geração de energia elétrica através da utilização de turbina a vapor operando em controle de processo, podendo ser esta de contra-pressão ou condensação, com ou sem tomada ou extração de vapor. Palavras Chave. Cogeração, Consumo, Vapor, Processo, Turbina, Rendimento.

1. Introdução A cogeração, também conhecida como geração conjunta de energia elétrica e vapor para processo em geral, esta geração conjunta representa uma utilização mais eficiente e portanto mais viável de centrais termoelétricas, reduzindo a utilização de equipamentos que contribuem para pontos de maior perda dentro dos ciclos térmicos, como é o caso dos condensadores.. O condensador por exemplo é um dos elementos do ciclo térmico onde é rejeitado o calor latente contido no vapor de escape da turbina. Este calor representa considerável parcela do calor cedido ao fluido de trabalho no gerador de vapor. Os esforços normalmente realizados para aumentar os rendimentos das centrais térmicas são no sentido de minimizar as perdas no condensador. O aproveitamento no processo do vapor de escape da turbina anula ou reduz as perdas de calor que se processariam no condensador. Exemplos de ciclos:
Vapor Vivo Redutor Gerador Vapor Vivo Redutor Gerador

Turbina

Turbina

Condensador

Água de resfriamento

Vapor para processo

Condensado

Retorno de condensado

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normalmente é o controle ativo é o de carga. sendo que o vapor para processo é o do escape da turbina.Roma. Pagina:2/2 . & [t / h] m 270 240 210 180 150 120 90 60 30 0 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 T [h] Figura 2. uma data turbina a vapor operando em controle de contrapressão.1.Alexandre. Considerações: Gerador acionado por turbina a vapor de contra-pressão.: 001/05 (Aspectos de cogeração de energia e vapor para processos em geral) 2. Gráfico do consumo de vapor para demanda de energia elétrica pelo tempo Vale observar que a construção do segundo gráfico é completamente independente da construção do primeiro e vice. onde deseja-se uma pressão constante para o consumo de vapor de processo. Gráfico do consumo de vapor de processo pelo tempo 2. Cogeração É apresentado um procedimento que permite a visualização de geração conjunta. & [t / h] m 270 240 210 180 150 120 90 60 30 0 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 T [h] Figura 1. Consumo de vapor .2.Processo É apresentado um gráfico hipotético de consumo de vapor de processo em função do tempo (ciclo de 24 hs) para uma determinada industria. onde é considerado para tal. Na maioria dos casos onde deseja-se operar a turbina a vapor visando uma demanda de energia elétrica. Consumo de vapor – Energia Elétrica É apresentado um gráfico hipotético de consumo de vapor de escape para suprir uma determinada demanda de energia elétrica em função do tempo (ciclo de 24 hs). operando em controle de pressão de escape. 2. com conseqüente variação de potência gerada pelo turbogerador em questão. possibilitando concluir quais as medidas que resultariam em um aumento da eficiência do sistema.

Alexandre. Superposição de curvas (Figura 1 e Figura 2) 2. & [t / h] m 270 240 210 180 150 120 90 60 30 0 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 T [h] Figura 4. Observações e conclusões 2.2. Demanda de energía elétrica maior que consumo de vapor de processo.3. A superposição dos sois gráficos permite uma série de conclusões e observações. Consumo de vapor – Processo X Energia Elétrica.4. Envoltória da superposição A envoltória da superposição das duas curvas representa o consumo total de vapor do sistema ao longo do tempo (ciclo de 24 hs).Roma.: 001/05 (Aspectos de cogeração de energia e vapor para processos em geral) 2.4.1. sendo a área abaixo da envoltória a representação do consumo diário de vapor do sistema. 2.4. Envoltória da superposição. & [t / h] m 270 240 210 180 150 120 90 60 30 0 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 T [h] Figura 3. Nos períodos em que a curva de demanda de energia elétrica está acima da curva de consumo vapor de processo significam períodos nos quais a quantidade de vapor utilizada na geração de energia elétrica é superior a quantidade requerida pelo processo. & [t / h] m 270 240 210 180 150 120 90 60 30 0 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 T [h] Pagina:3/3 .

define a capacidade do condensador em operação normal.Alexandre.3.DESMI Torre de Resfriamento Figura 5. Esquema básico de cogeração com consumo de vapor não coincidentes Pagina:4/4 .Roma. Nos períodos que a curva de consumo de vapor de processo esta acima da curva de demanda de energia elétrica. são períodos nos quais a quantidade de vapor requerido no processo é superior ao vapor necessário para geração de energia elétrica. 2. A maior diferença entre as duas curvas nestes períodos. A maior distância entre as duas curvas no período adotado.: 001/05 (Aspectos de cogeração de energia e vapor para processos em geral) Nestes períodos é necessária a utilização de condensador e a área definida pela intersecção das duas curvas (Hachuras em azul) representa a quantidade total de vapor a ser condensado. Vapor Vivo Redutor Gerador Caldeira Valvula Redutora de Pressão Turbina Vapor de Processo Condensador Água de resfriamento Condensado de processo Desaerador Tratamento de água .4. define a capacidade das válvulas redutoras em operação normal. Demanda de energía elétrica menor que consumo de vapor de processo. & [t / h] m 270 240 210 180 150 120 90 60 30 0 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 T [h] Nestes períodos é necessária a utilização de válvulas redutoras de pressão (by-pass) para complementação do vapor de escape das turbinas.

ou que predomina este comportamento. embora resumido.1. Fluxo de energia em uma central termelétrica com geração conjunta de energia e vapor Pagina:5/5 . implicando desta forma em uso freqüente das válvulas redutoras. pode significar que o sistema foi dimensionado com uma pressão de vapor principal desnecessariamente alta. pois estas turbinas apresentam consumos específicos mais baixos em conseqüência de um melhor aproveitamento do vapor. Se são freqüentes e prolongados os períodos em que a curva de vapor de processo se situa acima da curva de energia elétrica. Nos casos em que a curva de consumo de vapor para suprimento de demanda de energia elétrica se apresenta acima da curva de vapor de processo. sendo o seu uso previsto apenas em períodos de entrada em operação ou de operação normal. Nesses casos porém é necessário compatibilizar o consumo de vapor de processo com os limites de extração de uma turbina econômica. Observações e comentários Como o sistema de geração de vapor deverá ser dimensionado em função do maior pico da curva envoltória. Ao longo de todo processo de transformação da energia química potencial do combustível em energia elétrica. o dimensionamento deverá prever a operação nestas condições especiais. Nestes casos ou mesmo nos casos de utilização normal destes componentes. É importante ainda comentar que elementos tais como: condensadores e principalmente válvulas redutoras de pressão são instaladas no sistema com o objetivos de introduzir maior flexibilidade de operação. Uma outra forma de reduzir as áreas correspondentes aos períodos de condensação é utilizar em paralelo com a turbina de contra-pressão uma turbina de condensação ou de contra-pressão menor e portanto de consumo específico menor nos últimos períodos em que a demanda de energia elétrica supere proporcionalmente o consumo de vapor de processo. 3. Estes são apenas algumas observações e comentários que podem ser tiradas destes conceitos. a primeira providência para a otimização do sistema é procurar reduzir a altura dos picos através de uma melhor programação na produção. Os comentários tem desta forma o objetivo de orientar a seleção do sistema chamando a atenção sobre aspectos básicos. O Diagrama apresentado na figura abaixo.Alexandre. È importante contudo lembrar que existem limitações reais para o uso dos equipamentos componentes do ciclo o que irá muitas vezes obrigar o sistema a operar fora das condições ideais. Fluxo de energia e rendimentos da instalação. o sistema poderá ter sido dimensionado com condições iniciais de vapor muito baixas.: 001/05 (Aspectos de cogeração de energia e vapor para processos em geral) 3. ocorrem perdas de energia útil disponível. permite uma visualização das perdas ao longo do processo de transformação de energia. Energia Química Caldeira Energia Térmica Turbina Energia Mecânica Gerador Energia Elétrica Consumo Auxiliares Energia Elétrica Disponível Energia Térmica Disponível Perdas Gerais: Rendimentos e Distribuição Figura 6. Este pode ser também o caso da utilização da turbina multi-estágio com extração. Como a utilização do condensador representa sempre a ocorrência de perdas no sistema a produção deverá ser programada de forma que sejam mínimas as áreas correspondentes ao uso do mesmo. O sistema poderá ser otimizado utilizando pressão e temperatura de vapor vivo maiores.Roma.

Referências Van Wylen. com sua energia remanescente. Combined Cycle Power Plants. nos processos de aquecimento. Fluxo de energia em uma central termelétrica com condensação pura O rendimento líquido desta instalação é dado pela relação entre a energia elétrica disponível e a energia potencial do combustível. Desta forma a energia perdida no condensador seria eliminada ou bastante reduzida. Pagina:6/6 . Gordon J.. ou seja: η= Energia Elétrica Disponível Energia Química Potêncial do Combustível Em certos tipos de instalações industriais. que utilizam vapor de aquecimento (Energia Térmica) em seus processos. Esta configuração conhecida como cogeração (Energia Elétrica e Vapor de Processo) corresponde à utilização mais eficiente e portanto mais viável de centrais termelétricas. New York.. 3a ed . Ed. EUA. existe a possibilidade de se adotar uma configuração de uma central termelétrica com um rendimento global muito maior. 1996. 1993. ou seja: η= Energia Elétrica Disponível + Eneria Térmica Disponível Energia Química Potêncial do Combustível Consumo Auxiliares Energia Elétrica Energia Elétrica Disponível Energia Química Caldeira Energia Térmica Turbina Gerador Energia Mecânica Perdas Perdas Para Condensação Figura 7. EUA.Roma.Alexandre. “Fundamentals of classical Thermodynymics”. Esta configuração consiste basicamente no aproveitamento do vapor de escape das turbinas.Michigan. “Akcom – a modular system incorporating gas and steam turbines”. Heinz P. Essen. AEG Kanis. Germany. inc1989.: 001/05 (Aspectos de cogeração de energia e vapor para processos em geral) O rendimento líquido instalado é dado pela relação entre energia elétrica disponível mas Energia Térmica Disponível e a Energia Química Potencial do combustível. John Wiley & Sons. A condição básica para seleção de uma central Termelétrica e cogeração é que haja a necessidade simultânea e em mesmo local de Energia Térmica e Energia Elétrica. MacGraw-Hill. ”A Practical guide to steam turbine technology”. 1933. Em termos de esquema de interligação de equipamentos bastaria que substituíssemos o condensador existe por trocadores de calor do processo industrial. 5. Bloch.

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