United States under attack!

Anunciaram todas as emissoras de televisão do país mais poderoso do mundo. No dia 11 de setembro de 2001, dois aviões derrubaram as torres gêmeas do complexo de World Trade Center, em Nova Iorque. Outro avião se chocou contra o Pentágono e um terceiro, que se dirigia provavelmente para Washington, foi abatido perto de Pittsburg. O mundo ficou estarrecido, uma vez que os atentados nos EUA foram transmitidos pela televisão, ao vivo, e assistidos por pessoas de todos os países. Logo após os atentados, os dados começaram a chegar. Ás 07:59, horário de Boston, levantou vôo o Boeing 767 da American Airlines com destino a Los Angeles, transportando 92 pessoas. Ás 08:48 ele se chocou contra o 100º andar do World Trade Center. Um minuto antes da decolagem desta aeronave, havia subido aos ares um Boeing 767 da United Airlines, também com destino a Los Angeles, com 65 pessoas em seu interior, que se chocou contra a segunda torre às 09:03. A primeira torre foi ao chão às 09:59, e a segunda, às 10:28. Ás 08:10, levantou vôo um Boeing 757, da American Airlines. Destino: Los Angeles, de novo. Dentro dele, 66 pessoas. Ás 09:43, o aparelho se chocou contra o Pentágono, a 3 km da Casa Branca. Ás 08:01 havia decolado mais um avião, outro Boeing 757 da American Airlines. Seu destino: São Francisco. Dentro dele, 45 pessoas. Caiu às 10:10 em Shanksville, Pensilvânia, supostamente derrubado pelos próprios passageiros, que brigaram com os teroristas. As câmaras mostraram os prédios pegando fogo e os apresentadores das emissoras de televisão tentavam explicar o que parecia inexplicável: dois aviões haviam se chocado contra o símbolo maior do capitalismo dos EUA e outro queimava parte do quartel-general das Forças Armadas daquele país. Os aviões que operaram o maior ataque terrorista da História mostraram que as defesas do Estado mais poderoso do mundo não eram tão impenetráveis quanto se pensava. Quantos mortos? As primeiras notícias chegaram a apontar cerca de 6 mil vítimas. Quem tinha feito aquilo? Osama bin Laden, respondeu ao governo Bush, indicando o fundamentalista saudita como principal suspeito de ser o mentor dos atentados em New York e Washington. Assim que a situação se acalmou um pouco, começaram os trabalhos de resgates das vítimas, que incluíram centenas de bombeiros e policiais que tinham subido nas torres para ajudar na saída das pessoas que lá trabalhavam. Ao mesmo tempo, o Afeganistão tornou-se o alvo da coalizão antiterrorista liderada pelos EUA e pelo Reino Unido. Washington passou a exigir a entrega de Osama bin Laden e a destruição das bases de sua organização, a Al Qaeda, como condição para não atacar o país. O mulá Omar, líder do Talebã, reuniu a Shura, o conselho dos sábios islâmicos, e decidiu não expulsar Bin Laden, considerando não haver provas de seu envolvimento. O líder da Al Qaeda refugiou-se em local ignorado nas montanhas e Omar convocou os mulçumanos para uma guerra santa contra os "infiéis". No entanto, ignorando o apelo, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes cortaram relações com o Afeganistão e o Paquistão aliou-se aos EUA. O Talebã perdeu assim o apoio dos únicos países que reconheciam seu governo e ficou completamente isolado. A ofensiva militar dos Estados Unidos contra o Afeganistão, a partir de 7 de outubro de 2001, deu início a um novo capítulo na contubarda história desse país. Os ataques anglo-americanos bombardearam as principais cidades afegãs, as bases da Al Qaeda e as tropas talebãs que combatiam, na região norte, a Aliança do Norte, fiel ao governo de Rabbani. Os ataques aéreos atingiram depósitos da Cruz Vermelha, várias aldeias e áreas residenciais de Cabul e Qandahar, causando a morte de centenas de civis. Em dezembro de 2001, o ex-vice-ministro das Relações Exteriores do Afeganistão, Hamid Karzai, assumiu a chefia do novo governo afegão com o aval da ONU e dos EUA e o apoio dos monarquistas ligados ao rei deposto em 1973, Mohammed Zahir. Ao mesmo tempo, uma força de segurança, estabelecida por dezoito diferentes países, foi criada pelas Nações Unidas para garantir o governo de Karzai. Até meados de 2002, a situação no Afeganistão continuava tensa. Núcleos do Talebã e da Al Qaeda continuavam espalhados, sobretudo nas áreas montanhosas orientais e, diante da fragilidade do novo regime, vários chefes tribais mais uma vez pegaram as armas para tomar uma parcela do poder. Nesta nova onda de revoltas, tornaram a se manifestar as divisões tradicionais do Afeganistão, Rivalidades entre a etnia pashtun e minorias étnicas como os uzbeques e os tadjiques. E confrontos entre "senhores da guerra" famosos por suas lealdades oscilantes e traições. Em janeiro e fevereiro de 2002, ocorreram combates nas cercanias de Mazar-e-Sharif, a chamada capital norte do Afeganistão, aparentemente ocasionados por excessos de tropas uzbeques contra a população local, de etnia tadjique. Estas lutas têm gerado graves dificuldades ao chefe do governo provisório, Hamid Karzai, numa conjuntura em que as tropas estrangeiras das forças de paz são atacadas com mísseis em Cabul e surgem rumores da retomada das ações militares do Talebã, no sul do país. Em julho, o vice-presidente Abdul Qadir, da etnia de pashtun, foi assassinado, aparentemente por ordem dos "barões do ópio". Todos esses episódios intensificam o drama da população que sofre há mais de 20 anos em função das secas, da fome e da guerra civil e tem atualmente a expectativa de vida mais baixa do planeta.

Ataques de 11 de Setembro de 2001
13 de setembro de 2001: bombeiro de Nova Iorque olha para o que sobrou da Torre Sul do World Trade Center Os atentandos de 11 de setembro foram uma série de ataques contra alvos civis nos Estados Unidos em 11 de Setembro de 2001. Na manha deste dia, quatro aviões comerciais foram desviados, sendo que dois deles colidiram contra as torres do World Trade Center em Manhattan, Nova York. Um terceiro avião, American Airlines Flight 77, foi reportado pela autoridades norte-americanas como tendo sido intencionalmente derrubado contra o o Pentágono pelos sequestradores[1][2], no Condado de Arlington, Virgínia. Os destroços do quarto avião, United Airlines Flight 93, foram vistos espalhados num campo próximo de Shanksville, Pensilvânia. A versão oficial apresentada pelo governo norte-americano reporta que os passageiros enfrentaram os supostos sequestradores e que durante este assalto o avião caiu[1][2]. Os atentados causaram a morte de 2973 pessoas e o desaparecimento de 24 pessoas. Desde a Guerra de 1812, esse foi o primeiro ataque de efeitos psicológicos e altamente corretivos imposto por forças inimigas em território americano. Embora ainda não declaradas as respectivas autorias, esse inimigo invisível deixou um saldo de mortes próximo a 3000, ainda sem reivindicação de autorias permanece até hoje um mistério. Mesmo se tratando de vitimas inocentes, para se ter uma idéia quantitativa de seu arrasador resultado, só o ataque em si excedeu o saldo de aproximadamente 2400 militares norte-americanos mortos no ataque sem um aviso prévio dos japoneses à base militar de Pearl Harbor em 1941, além disso, essa terrível demonstração de impunidade tudo indica que foi caprichosamente planejada e direcionada aos ícones americanos, praticado impunemente tendo como arma simples aviões de carreira, o ato agravou-se muito mais por ter sido transmitido ao vivo pelas cadeias de TV do mundo inteiro com a própria tecnologia americana, tal ataque ainda sem precedentes em toda a história da humanidade, que feriu profundamente o orgulho americano, superou em muito o efeito moral imposto às tropas americanas pela força aérea japonesa. Os ataques Os ataques de 11 de Setembro designam uma série de ataques terroristas perpetrados nos Estados Unidos da América a 11 de setembro de 2001 a uma terça-feira envolvendo o sequestro de quatro aviões de passageiros: American Airlines Flight 11, um Boeing 767-223 partiu de Boston, Massachusetts com destino a Los Angeles, California as 7:59. Colidiu com o lado norte da torre norte (North Tower) do World Trade Center entre os andares 94 e 98 as 8:46:26, hora local a uma velocidade aproximada de de 789 km/h[1]. Neste avião viajavam 81 passageiros, nove assistentes de bordo e dois pilotos. United Airlines Flight 175, um Boeing 767-222, partiu de Boston, Massachusetts com destino a Los Angeles, Califórnia as 8:13, hora local. Colidiu com o lado sul da Torre Sul (South Tower) do World Trade Center entre os andares 78 e 84 as 9:02:54, hora local a uma velocidade superior a 805 km/h[1]. 2 pilotos, 7 assistentes de bordo e 56 passageiros viajavam a bordo deste avião. American Airlines Flight 77, um Boeing 757-223 partiu de Dulles, Virgínia com destino a Los Angeles, Califórnia as 8:20, hora local ( com 10 minutos de atraso). É geralmente aceite que este avião colidiu com o Pentágono. O Pentágono afirma que a colisão ocorreu as 9:37, hora local. Neste avião viajavam 58 passageiros, 4 assistentes de voo e 2 pilotos [3][4]. United Airlines Flight 93, a Boeing 757-222 partiu de Newark, New Jersey com destino a Sao Francisco, Califórnia. Os destroços deste avião foram encontrados espalhados num campo próximo de Shanksville, Pensilvânia. Neste avião viajavam 38 passageiros, 5 assistentes de bordo e 2 pilotos. Este avião teria possivelmente sido abatido ou eventualmente caido devido a confrontos directos entre os passageiros revoltosos e os seqüestradores. A queda do avião deu-se as 10:06, hora local. As perdas humanas nos ataques de 11 de Setembro de 2001 foram elevados: 265 nos aviões; pelo menos 2602 pessoas, incluindo 242 bombeiros, no World Trade Center e 125 no Pentágono. 3234 pessoas faleceram. Além das Torres Gêmeas de 110 andares do World Trade Center, cinco outras construções nas proximidades do World Trade Center e quatro estações subterrâneas de metrô foram destruídas ou seriamente danificadas. No total, foram 25 prédios danificados em Manhattan. Em Arlington, uma parte do O Pentágono foi seriamente danificada pelo fogo e outra parte acabou desmoronando. Alguns passageiros e tripulantes efectuaram chamadas telefônicas dos vôos sequestrados.Um total de 19 seqüestradores foram posteriormente identificados, quatro no vôo 93 da companhia United Airlines e cinco nos outros vôos. Segundo informações, os seqüestradores assumiram o controle das aeronaves usando facas para matar as atendentes de bordo, pilotos, e/ou pelo menos um passageiro. No vôo 77 da American Airlines, um dos passageiros relatou que os seqüestradores estavam na posse de punhais. Foi relatado o uso de um determinado tipo de spray químico nocivo, para manter os passageiros longe da primeira classe nos vôos 11 da American Airlines e 175 da United Arlines.Foram feitas

ameaças de bomba em três dos quatros aviões seqüestrados sendo que o vôo 77 da American Airlines foi o que não apresentou registo de ameaça de bomba. As gravações da caixa preta revelaram que os passageiros do vôo 93 da América Airlines tentaram assumir o controle do avião dos seqüestradores depois de estes terem recebido informações de que outros aviões sequestrados tinham embatido em edifícios nessa mesma manhã. O avião caiu num descampado entre Shanksville e Stonycreek Township no Condado de Somerset, Pensilvânia, às 10:03:11 da manhã, horário local (14:03:11 UTC),e segundo as gravações da caixa negra ,após os seqüestradores se aperceberem que perderiam o controlo da aeronave para os passageiros.Existe a possibilidade da quarta aeronave ter sido eventualmente abatida em vôo pela força aérea americana na tentativa inútil de se desviar dos caças, esta notícia foi eventualmente divulgada no início mas supostamente suprimida dos noticiários, a ser verdade poderia ser uma das explicações no padrão de destroços desta quarta aeronave. O espalhamento dos destroços sugerem que, antes do impacto com o solo, houve de fato uma desintegração da fuselagem da aeronave ainda em vôo, possivelmente causada por uma explosão no ar resultado eventual da ação de um abate provocada por míssil ar-ar ou de forma indireta, devido ao desgaste estrutural prematuro causado pela alternância da ação centrípeta que foi submetida a aeronave em fuga. É especulado embora sem dados concretos, que a difícil decisão para abater uma aeronave civil, com vidas humanas a bordo teria partido do próprio presidente dos Estados Unidos George W. Bush, que se viu na difícil posição de ordenar o ataque e abater a aeronave sobre uma aérea desabitada ou esperar que mais uma incursão kamikaze contra outra instituição governamental fosse concluída e mais vidas perdidas, além das que já estavam a bordo. 11 de Setembro Com freqüência as pessoas se referem aos ataques como " o 11 de Setembro " por estes terem ocorrido a uma terçafeira , no dia 11 de setembro de 2001. Sendo terça-feira ,a meio da semana, os vôos domésticos nos Estados Unidos transportam poucos passageiros ,tornando um vôo mais fácil de ser seqüestrado. Responsabilidade Em 29 de Outubro de 2004, Osama bin Laden assumiu explicitamente a responsabilidade pelos ataques. Ele afirmou que "nós decidimos destruir as torres na América ... Deus sabe que não nos ocorreu originalmente essa idéia, mas nossa paciência se esgotou diante da injustiça e inflexibilidade da aliança entre Americanos e Israelenses contra o nosso povo na Palestina e no Líbano, e então a idéia surgiu na minha mente." O grupo militante Islâmico al-Qaeda elogiou os ataques e os líderes do grupo havia previamente dado a entender que tinham participação nos ataques. De fato, pouco depois dos ataques, o governo dos Estados Unidos declarou-os, juntamente com o líder deles, Osama bin Laden, como principais suspeitos. Em 2004, a comissão do governo norteamericano que investigou os ataques oficialmente concluiu que os ataques foram concebidos e implementados por pessoal da al-Qaeda. A comissão que investigou os ataques relatou que, embora tenha havido contatos com o Iraque durante a presidência de Saddam Hussein, não foram encontradas "relações colaborativas" entre o Iraque e a al-Qaeda quanto ao ataque de 11 de Setembro em especial; Entretando entidades ligadas à casa branca afirmam que a al-Qaeda tinha conexões com grupos Iraquianos desde o início da década de 1990. Porém a veracidade dessas afirmações é questionada pela sociedade civil mundial. Entre os destroços do avião da Pensilvânia, restou praticamente intatcta a fotografia do passaporte de um dos supostos terrosistas, Ziad Samir Jarrah. Especulações e teorias da conspiração A partir das fatídicas colisões contra as estruturas que formam a alma dos americanos, tem havido muita especulação sobre seu planejamento na derrubada desses ícones, em especial relacionadas com a possibilidade de haver mais seqüestradores que iriam executar o ataque surpresa. Atrás dessa procura desesperada por informações, formou-se uma comissão para organizar as inúmeras hipóteses, no entanto até agora a comissão do 11 de Setembro não conseguiu explicar de forma racional e coerente os inúmeros fenômenos que rondam esses eventos e mesmo sabendo que existe muita informação disponível da internet, apoiada por milhares de peritos, que põe em litígio as versões oficiais do 11 de Setembro, apresentando para isso as mais variadas provas cientificas até agora nada de novo foi acrescentado, demonstrando que os políticos norte-americanos não são interessados em fazer justiça ou evitar outros ataques e sim explorar os eventos para alimentar a sua ambição política. Um dos problemas por explicar continua a ser o buraco feito no Pentágono pelo Boeing, pois esse mesmo buraco é completamente redondo e não constam no seu perímetro a existência das asas do avião, entretando várias testemunhas afiançam que se deram 2 explosões e nessa altura não viram o embate de nenhum avião. O quarto avião seqüestrado foi intencionalmente derrubado em um campo próximo a Shanksville, Pensilvânia, após os passageiros enfrentarem os terroristas segundo as fontes oficiais, a curiosidade é que não foi encontrado nenhum corpo ou

partes deles segundo o médico legista que lá se deslocou - "Apenas observei um monte de metal calcinado como se tivesse sido jogado do ar no local e policiais de um lado para o outro, mas nem um corpo...". O vigésimo seqüestrador Apesar de tudo não passar de suposição Binalshibh 'O Vigésimo seqüestrador' aparentemente iria participar dos ataques, mas freqüentemente foi negado-lhe entrada nos Estados Unidos recusa essa que deve tê-lo deixado muito deprimido. Mohamed al-Kahtani era outro terrorista em potencial, que também foi-lhe negada a entrada nos Estados Unidos no Aeroporto Internacional de Orlando em Agosto de 2001 sendo que posteriormente foi capturado e aprisionado encontrando-se hoje na Baía de Guantánamo. Zacarias Moussaoui era considerado um substituto para Ziad Jarrah , que em certo momento ameaçou abandonar o esquema por causa das tensões entre os envolvidos. Os planos para incluir Moussaoui nunca se completaram, pois a hierarquia da al-Qaida tinha dúvidas sobre a sua lealdade. No fim, Moussaoui não foi inserido no seqüestro. Os outros membros da al-Qaeda que tentaram sem sucesso participar dos ataques foram Saeed al-Ghamdi (não confundir com o seqüestrador bem sucedido de mesmo nome), Mushabib al-Hamlan , Zakariyah Essabar , Ali Abdul Aziz Ali , e Tawfiq bin Attash. Khalid Sheikh Mohammed , o articulador intelectual do ataque, queria eliminar mais um membro da operação -- Khalid al-Mihdhar -- mas foi impedido por Osama bin Laden.

11 de SETEMBRO - Evidências sobre as torres de Nova Iorque
Abaixo apresentamos várias evidências sobre o fato de que a derrubada das torres de Nova Iorque NÃO foi feita por terroristas: 1) No dia seguinte à derrubada, o governo dos EUA já tinha nome, endereço e fotos dos "terroristas". Por que não os pegaram antes então? 2) Já havia câmeras de TV profissionais colocadas estratégica, dissimulada e sorrateiramente para transmitirem o evento a todo o mundo, desde o seu início, em vários ângulos. 3) Os "atentados" aconteceram antes das 09:00, hora local, quando a maioria dos funcionários nem tinha chegado ainda, já que nos EUA a hora de trabalho começa por volta das 10:00 da manhã. 4) Mais de 80% dos trabalhadores das torres eram de imigrantes e, sabe-se bem, que os EUA não têm simpatia por imigrantes e não os recebem bem. 5) Existe uma informação não confirmada de que cerca de 3.000 trabalhadores judeus das torres não foram trabalhar naquele dia. 6) Você viu alguma lista de passageiros dos dois aviões ser divulgada? Claro que não, pois ninguém viu. 7) Sempre que há um acidente aéreo, familiares e amigos vão aos aeroportos buscar notícias sobre os passageiros. Você viu isso acontecer? Claro que não, ninguém viu, pois nada foi divulgado sobre isso, já que não havia o que divulgar. Aqueles aviões voaram por controle remoto. Sabemos que isso já é tecnologicamente possível hoje em dia. 8) O número dos vôos daqueles aviões era 093 e 011. Segundo foi divulgado o 093 devia ser relacionado ao ano de 1993, quando uma bomba explodiu na garagem de uma daquelas torres e, o número 011, deveria ser relacionado ao próprio dia 11 de setembro. Cá pra nós, acredito que seqüestrar um avião deve ser uma tarefa muito difícil; seqüestrar dois aviões deve ser mais difícil ainda; seqüestrar dois aviões no mesmo dia e horário deve ser bem mais complicado. Será que os terroristas ainda iriam ter exigência para escolher os números de vôos? Qual a vantagem disso pra eles? Seria a de aumentar a complicação? Nenhuma vantagem nem importância, claro! A ligação desses números aos "atentados" só tem serventia àqueles que pretendem montar e forjar provas contra alguém. 9) Sempre quando um grupo de terrorismo verdadeiro faz algum atentado,imediatamente esse grupo reivindica o atentado para si, pois isto traz prestígio àquele grupo. Você viu algum grupo fazer isso? Claro que não, nenhum grupo reivindicou aqueles "atentados". Mais uma evidência de que não há sentido em relacionar os números 093 e 011 aos "atentados" e atribuir os "atentados" a um grupo de terrorismo não-oficial. E o fato de ter ficado em aberto quem realmente praticou aqueles atos, faz com que os EUA ataquem todo mundo indiscriminadamente, isto é, bombardeiem os países cujos governantes eles têm interesse em derrubar. Se um grupo tivesse assumido os "atentados" então os EUA seriam forçados a combater somente tal grupo, o que não é de interesse pra eles, pois era pra deixar tudo em aberto mesmo para "terem" o perverso "direito" de atacar quem quiserem. 10) Seqüestrar e manter esses aviões seqüestrados apenas com canivetes ou faquinhas e sem nenhuma arma de fogo em punho parece ser tarefa cinematográfica e difícil de imaginar que nenhuma reação tivesse sido tomada com efeito.

11) O dia escolhido para os "atentados" foi o 11 de setembro ou 11/9. Porém, os países de fala inglesa invertem a ordem e escrevem 9/11. Este número coincide com o número 911, adotado e conhecido nos EUA como o número de emergências. 12) A área das torres, desde há muitos anos, já era deficitária economicamente. 13) Agora vamos analisar tecnicamente a queda das torres. Todo mundo viu e percebeu que as torres caíram como implosões perfeitas. Todo mundo estranhou isso. Mas, deixando as primeiras impressões de lado, vamos verificar como as torres foram construídas e entender as explicações técnicas dadas para as suas quedas quase perfeitamente verticais, sendo que os escombros ficaram exatamente dentro da área do respectivo terreno. As duas torres foram construídas diferentemente dos prédios de alvenaria. Elas eram formadas por 4 vigas de aço, uma em cada quina do prédio. Em cada andar e em cada uma dessas vigas saíam suportes, sobre os quais, os andares formados por camadas de aço, eram suportados. A explicação técnica divulgada foi a de que a laje mais superior, de camada bem espessa e pesada que servia para manter a estabilidade das torres contra o vento, com a debilidade dos andares do impacto começou a descer, a derrubar e a empurrar um andar sobre o outro, fazendo então os prédios caírem verticalmente. Embora seja difícil acreditar que abalos daquela ordem produzam efeitos tão ordenados, vamos,mesmo assim, aceitar como verdadeiras e válidas tais explicações bem como as quedas tão verticais e localizadas, já que as torres tinham construção não-convencional. A questão mais importante vem agora. Trata-se do terceiro prédio, aquele menor e que ficava atrás das duas torres. Este terceiro prédio foi construído de alvenaria e de forma convencional. A explicação para a sua queda foi a de que os abalos produzidos nas duas torres geraram abalos sísmicos equivalentes a de um terremoto e estes então derrubaram aquele prédio. Vocês viram como aquele prédio caiu de forma perfeitamente vertical, como uma implosão mais do que perfeita? Vocês também percebem como a mídia pouco mostra e pouco se refere àquele terceiro prédio? É incrível, pois os terremotos sempre ocasionam quedas laterais dos prédios afetados,nunca tão verticais. E, por que, esse terremoto escolheu um único prédio daquela área? 14) Há poucos dias, recebi uma foto que apresenta uma vista aérea da área das torres, porém, mostrando uma imagem invertida, ou seja, vendo-se em primeiro plano o "terceiro" prédio e depois as torres. Fica fácil de perceber e entender através desta foto que esse terceiro prédio simplesmente estava atrapalhando a área física do terreno das torres. E agora, recentemente, sabe-se que eles vão construir naquela área o maior edifício do mundo. Será que a área das torres não estava precisando ser limpada? 15) Portanto, já se nota que a derrubada das torres e do terceiro prédio atendeu e resolveu várias finalidades: a) colocar a culpa em terroristas e, mesmo sem prova nenhuma e com simples menção às torres, tentar justificar os ataques e invasões dos EUA contra Estados soberanos, dominá-los e obter as suas riquezas diretamente; b) a toda invasão feita pelos EUA eles invocam os "atentados" às torres ou aos terroristas.Ronald Reagan impressionava seu povo dizendo que a Nicarágua (!) iria invadir os EUA, a mídia insistia nisso e o povo bacon-com-hamburguer-e-batata-frita acreditava; c) limpar o terreno e resolver o problema da área economicamente deficitária, onde agora entendemos que o mesmo precisava ser utilizado para a construção de prédios mais altos e mais modernos do mundo, para eles mostrarem e imporem a sua pujança, cuja "pujança" cultural, porém, sucumbiu aos níveis mais baixos e bárbaros da história humana; d) eliminaram alguns imigrantes e dificultaram ainda mais a entrada de outros; e) com os ataques bélicos e invasões, usaram a ONU para desarmar o Iraque e a desmoralizaram mais do que já estava, ou melhor, eles vão se servir dela quando precisarem novamente e fizeram a ONU e o resto dos países de trouxa; f) com as invasões e ameaças dividiram a União Européia, mais do que já era dividida; g) desejam eliminar todos os mandatários e países que não se alinham com as políticas anti-democráticas norte- americanas, inclusive fazendo embargos criminosos; h) colocaram todos os países em estado de alerta e trouxeram de volta a corrida armamentista, tendo o Bush e o Dick Cheney, por exemplo, interesses nas indústrias do petróleo, construção civil e de armamentos dos EUA. i) 16) A conspiração para botar a culpa em outros não é nova naquelas bandas de lá. Na década de sessenta, a CIA propôs a John Kennedy um plano para matar 2.000 americanos com o fim de culpar Cuba, mas JFK não aceitou. 17) Dick Cheney, vice-presidente dos EUA no governo de Bush-filho, foi diretor da CIA no governo de Bush-pai. 18) Bill Clinton disse que Bush é um "animal político, capaz de fazer de tudo para se eleger". 19) Mentira é o que não falta para os Estados Unidos: eles utilizam todo o poder da mídia a seu favor para invadir e destruir países de forma bárbara bem como despreza o resto do mundo com o falso pretexto de encontrar armas de destruição em massa, mas exatamente os EUA usaram bombas nucleares de urânio na Guerra do Golfo e também na invasão ao Iraque em 2003 (Jornal da Band, 15/04/03). A fumaça em forma de cogumelo, característica e

exclusiva de bombas nucleares, pôde ser vista claramente durante os bombardeios dos Estados Unidos sobre Bagdá. Mas isto é minimizado e escondido por eles e pela mídia e tudo fica por isso mesmo.

Introdução
A década de 80 conheceu o fim da Guerra Fria. O mundo bipolar acabou. “Otimistas” chamam o mundo atual de multipolar, enquanto pessimistas (na verdade realistas), o chamam de unipolar. Os Estados Unidos da América são a potência mundial. Controlam economias, influenciam políticas, desafiam o ambiente, mas sempre soberanos: tão fortes que não há oponentes visíveis. O mundo passou por transições. Do Keynesianismo para o Neoliberalismo, do Estado Forte para o Estado Mínimo (a economia sai das mãos do Estado para depender de particulares), do Estado Nação para a Nação Empresa (os países são na verdade uma grande rede de empresas, monopólios, cartéis, trustes etc.). Na década de 90 o G7 (grupo dos sete países mais industrializados (desenvolvidos) do mundo) organizou uma Conferência. O que, através da mídia, fez soar como o início de uma guerra contra o terrorismo dos radicais, na verdade era uma forma de diminuir as migrações da população periférica para os centros. Isso porque com o aumento da pobreza há um aumento do terrorismo. Pobreza é algo ruim, pensamos nós. E é verdade. Mas quem causa a pobreza? Tornou-se visível também na década passada que a união da Globalização e do Neoliberalismo (tão elogiados pela mídia) estava resultando num aumento do número de excluídos (pobres). Isso explica a volta de movimentos xenofóbicos como o neonazismo. Mas, talvez como conseqüência da Era da Informação, o número de conscientes vem aumentando. O povo, mais crítico, cansou de olhar impotente o mundo ser contorcido e dirigido por interesses particulares. Em 1999, as ONGs (Organizações Não-Governamentais) juntaram 200.000 pessoas e impediram o que viria a ser a Conferência de Seattle, que na verdade era uma conferência sobre como lidar com os excluídos. Mais recentemente, em 2001, vimos em Gênova um milhão de pessoas nas ruas. Nesse ano também, agora na Conferência de Durban sobre o racismo, o mundo observou perplexo e indignado a retirada de Israel e dos EUA dessa conferência. A imparcialidade americana vem tornando-se cada vez mais visível. Os soberanos estão transformando o mundo para agradar seus próprios interesses, e é surpreendentemente alto o número de pessoas medíocres, alienadas e desinformadas que os apóiam nisso. Os ataques de 11 de setembro não foram atentados aos civis. Foram atentados políticos, e se quiserem ser entendidos assim devem ser vistos. Foram atentados contra a Globalização e contra as políticas desumanas dos norteamericanos. Gerando fome e financiando o terrorismo, os EUA já mataram muito mais que 20.000, número extra-oficial de pessoas que estavam nas duas torres gêmeas durante as implosões. Os motivos e conseqüências dos ataques seguem nos capítulos adiante. EUA: mocinhos ou bandidos? O povo observa os ataques terroristas de 11 de setembro e não entende o porquê. Pior, acham que é uma injustiça um país tão bem estruturado como os EUA sofrer tão terrível tragédia. O que poucos sabem é o que os EUA fizeram para merecer isso. Veja bem, eu disse merecer isso. As duas Grandes Guerras ocorreram em palco estrangeiro para os EUA, e essa distância permitiu que eles apenas lucrassem com as guerras. Na Primeira Guerra Mundial, por quatro anos eles venderam armas e equipamentos. Na Segunda Guerra mundial eles o fizeram por seis anos. Os EUA lucraram com as guerras, e os países europeus se vêem endividados até os dias atuais. No final da Segunda Guerra, o mundo ficou chocado, mas parece já ter “desculpado”, ou pelo menos esquecido. Alegando que o ataque a Pearl Harbor feriu o orgulho americano, e num ato de extrema prepotência, os EUA atacam o já enfraquecido e derrotado Japão com duas bombas atômicas. Milhares (ou até milhões) de pessoas mortas, quilômetros de área industrial e rural contaminados. Até hoje nascem no Japão crianças deformadas por causa da radioatividade residual das bombas. Mas tudo bem. Não se fala disso na televisão; a mídia não lembra o povo desses ataques cruéis. Tudo bem, passou, o povo desconsidera. Os Estados Unidos da América são o alicerce principal de um sistema desumano e provadamente injusto, chamado Capitalismo. Através do Tratado de Breton Woods o dólar foi estabelecido como câmbio internacional. Os cofres do controverso FMI (Fundo Monetário Internacional – ajudar, através de empréstimos os países em dificuldades, estabelecendo metas econômicas) estão se esvaziando, não porque há muita demanda, mas porque os EUA pegam dinheiro e não pagam. Mas essa informação chegou até você?

Graças ao sistema capitalista, e aos EUA, 35.000 crianças morrem de fome todos os dias. Os grupos terroristas estão espalhados pelo mundo todo. Seja na Colômbia, na Irlanda, na Espanha, no Oriente Médio, volta e meia tornam-se visíveis. São grupos radicais e violentos sim, mas não existem por esporte ou entretenimento. Há motivos sérios para suas existências, motivos esses que a mídia não passa à população. Ao ver do povo, os terroristas existem por fanatismo, sem qualquer motivo. Pode ser chocante, mas boa parte do terrorismo mundial é financiado pelos próprios Estados Unidos. Mas vamos nos restringir aos conflitos no Oriente Médio. Um dos únicos produtos ao qual os EUA têm certa dificuldade de acesso é o petróleo. É um produto vital para a economia de qualquer país e não é barato. Como todos sabem, os principais países exportadores de petróleo são os países árabes, e outros daquela região. Eles controlam o mercado, e desagradam constantemente os EUA. Visando um acesso mais facilitado ao petróleo, os EUA se opõem aos árabes, e o fazem, principalmente, ajudando Israel. Na briga pela Terra Santa, judeus e árabes atacam uns aos outros há anos. Esses árabes palestinos aparecem na mídia como os selvagens e feudais inimigos da paz. Eles guerreiam através de atentados terroristas, o que choca o mundo com demasiada freqüência. O que poucos sabem é que suicidas, paus e pedras é tudo que eles têm. Através de sua Intifada, eles lutam contra tanques de guerra, aviões, mísseis e todo o arsenal poderosíssimo de Israel. Toda essa força provém dos EUA. Todas essas máquinas de matar que, a cada ataque, assassinam inocentes, são enviadas pelos bondosos e pacificadores EUA. Milhares de pessoas já morreram por causa disso. Com certeza mais que as que morreram nas implosões do World Trade Center. Na Conferência de Durban, Israel foi acusada de preconceito perante o povo palestino. As pressões internacionais eram fortes, fortes demais para que eles agüentassem. Numa atitude covarde, Israel se retira da Conferência, e numa atitude estúpida, os EUA os apóiam, e se retiram também. É tudo uma questão de interesses pessoais. Que os EUA sempre se opuseram ao terrorismo, isso é de conhecimento geral. O que poucos sabem é que os EUA se opõem ao terrorismo anti-EUA apenas. Cuba sofre ataques terroristas com uma freqüência assustadora. Um exemplo: freqüentemente, lanchas se aproximam da costa cubana, e alvejam o litoral, destruindo patrimônios estatais e matando civis. Cuba já conseguiu identificar alguns desses terroristas. Enviou relatórios aos EUA, pedindo ajuda, mas os EUA nada fazem. Cerca de 34% das emissões de poluição atmosférica mundial vem dos Estados Unidos. O efeito estufa em escala mundial já é visível, e as previsões são alarmantes. O Protocolo de Kyoto visava um acordo internacional para a diminuição da emissão de poluentes, mas os EUA se recusaram a assinar. O caubói texano presidente George W. Bush alegou que “reduzir as produções industriais causaria uma recessão na economia americana, o que é inaceitável”. Bush está despreocupado em relação à importante questão ambiental mundial, e demonstra uma perigosa inconseqüência. Mas, mesmo sendo o segundo presidente de mais baixo QI que já governou os EUA (perdendo apenas para seu pai), ele não faz isso por ignorância. Novamente, vemos que nos EUA tudo é uma questão de interesses. A campanha eleitoral de Bush foi financiada por empresas bélicas e petrolíferas. Faça aí uma ligação entre a Texaco, que o financiou, e o Texas, de onde ele vem. Agora eleito, Bush deve ser cordial a essas empresas e favorece-las. Tudo indica que a recessão americana por causa dos atentados será bem maior que a recessão que seria causada pela redução das indústrias. Os tão bonzinhos norte-americanos são na verdade uma bomba armada. Pesquisas mostram que 78% da população é a favor de uma retaliação, doa a quem doer. Assim, fica provado que 20.000 americanos são mais importantes que alguns milhões de árabes. A prepotência e narcisismo dos norte-americanos não são enfatizadas no jornal, são? É visível a mudança no tom dos discursos americanos após o atentado. O chamado “relativismo cultural” foi totalmente negligenciado, e o mundo voltou a ser dividido entre civilizados e bárbaros. Caiu por terra o respeito pelo que é politicamente correto. Os árabes agora são povos atrasados, preconceituosos e irracionais. O presidente do Conselho de Segurança Nacional americano do governo Bill Clinton aponta: “A vitória não virá num único ataque”. Movido pela raiva, inconseqüência e uma fome de guerra, W. Bush desconsidera completamente esse tipo de pensamento, e pensa que destruindo o Afeganistão o terrorismo mundial acabará. A emotividade americana está para causar muito mais mortes. Os americanos mostram para o mundo que se consideram superiores, e, o pior, ainda recebem apoio de outras potências: talvez por dívida de favores, talvez por medo de se opor ao holly (note-se aí a ambigüidade) Estados Unidos da América. O terrorismo é, na verdade, a arma das minorias. Os excluídos não possuem arsenal moderno, não têm tanques, nem porta-aviões, nem mísseis. Os detentores do poder de matar são apenas os países desenvolvidos, e qualquer forma de reação contra isso é mostrada pela mídia como errada e desumana. Talvez seja no mínimo justo, mas não correto, que façase terrorismo perante as potências. Quem foi o culpado? Os norte-americanos avisam: a situação não vai ficar assim, vai haver retaliação. O culpado será atacado e punido. A população apóia. Um milhão e quatrocentos mil reservistas estão dispostos a lutar pela justiça. O mundo observa receoso quais serão as atitudes militares perante o inimigo. Mas, espere. Quem é o inimigo?

Não existe uma “nação terrorista”. Os terroristas não vivem sob o mesmo teto. São organizados, mas supranacionais e completamente independentes. Para frustração dos EUA, eles não têm um alvo fixo. A única forma de acabar com o terrorismo mundial é elevando as condições de vida dos excluídos e diminuindo o abismo entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. Ou pelo menos tentar. Mas os EUA são poderosos demais. O dinheiro por eles gasto na indústria bélica anualmente é maior que o dinheiro necessário para erradicar a fome no mundo. A população está ciente dessa força, e quer vê-la sendo usada. Querem ver o tão cinematográfico poder norte-americano em ação. Sem prova substancial, o governo norte-americano suspeita de Osama bin Laden, milionário saudita financiador de milícias e grupos terroristas. Osama está como convidado no Afeganistão, que é controlado pelo talibã. Pronto. O Afeganistão será o bode-expiatório, e os EUA poderão descontar sua cólera. Osama foi também o principal suspeito do atentado a um shopping em Oklahoma, mas descobriu-se que o terrorista era um cidadão americano. Acredita-se que Osama bin Laden pode ter lucrado com a recessão econômica. O FBI tem quase certeza que Osama possui muitas empresas também nos EUA. Eles estão investigando agora quais empresas teriam contato com Osama. Essa desconfiança surgiu das vendas de ações (short sellings) de algumas empresas, como que “prevendo” que a bolsa cairia. "Suspeitos podem ter usados nomes falsos". Descobriu-se que as pessoas cujos nomes foram divulgados como sendo os sequestradores dos aviões podem ter usado nomes falsos. Isso foi comprovado porque os nomes divulgados correspondem a pessoas que ainda estão vivas. Há a suspeita de que os nomes falsos foram escolhidos como sauditas por causa da facilidade de diplomacia entre EUA e Arábia Saudita, o que permitiria uma entrada menos dificultada no país norte-americano. Ou seja, não sabe-se mais se os terroristas eram realmente muçulmanos ou não. Reações internacionais Como os outros países desenvolvidos podem achar cabíveis as pretensões americanas de ataque ao Afeganistão? Não há justificativa. Osama bin Laden é bilionário. O Sistema de Inteligência Norte-Americano não consegue interceptar as comunicações de Laden. Os ataques do dia 11 de setembro foram planejados e organizados sem que a CIA ou o FBI pudessem impedir. O que leva os EUA pensar que Laden ainda está no Afeganistão? Será ingenuidade? Ou será um ódio cego que precisa de uma válvula de escape? Todos os líderes mundiais concordam que o atentado foi terrível e que o terrorismo deve ser combatido. Entretanto, são menos divulgadas as posições mais detalhadas dos líderes internacionais. A Rússia condenou os ataques. O presidente Vladimir Putin classificou como "atos desumanos que não podem ficar impunes". Todos sabemos disso. O que poucos sabem é que a Rússia, assim como a Bélgica, acrescentou: “O que ocorreu foi terrível, mas não justifica uma guerra”. De acordo com a Índia, “guerra não é a solução”. A atitude militar equívoca dos EUA está gerando discordância entre os líderes mundiais. Tony Blair apóia os EUA, mas a China, por exemplo, diz que um ataque ao Afeganistão pode agravar seus problemas com o Tibet, e põe-se totalmente contra um ataque norte-americano. Não pode haver uma guerra, primeiro porque não estamos lidando com um país, segundo porque não justifica matar mais civis do que os que já morreram nos atentados. Um crise no Oriente Médio, devido a um ataque norte-americano, resultaria na alta do preço do barril de petróleo. O petróleo da Inglaterra, Alemanha, China, Rússia e outros vem dessa área. Esses países não aceitaram que isso ocorre sem que haja uma forte justificativa. Se os EUA tentarem uma Terceira Guerra Mundial serão barrados. Um fato que merecesse consideração é o de que, por mais que a mídia mostre que os presidentes pelo mundo todo condenam o ataque, boa parte da população da maioria dos países não concorda com isso. O presidente do Afeganistão quer entregar Laden, mas a população não. Houve o controverso vídeo que mostrava os palestinos comemorando. Com certeza há japoneses sentindo um gostinho de vingança. Aliás, o Exército Vermelho japonês, grupo terrorista, assumiu a autoria dos atentados, mas os EUA nem sequer prestaram atenção. Foi comprovado por pesquisa que os norte-americanos são o povo mais odiado do mundo. Abre-se aqui um destaque para o vídeo apresentado pela CNN pouco tempo após os ataques, mostrando a alegria dos Palestinos perante a tragédia americana. Um professor da Unicamp descobriu que essas imagens datavam de anos atrás, e esses palestinos comemoravam uma vitória sobre os israelenses. Isso não foi divulgado, obviamente. O computador desse professor foi atacado por hackers e tornado inoperante. A mídia

Num acontecimento como esse ataque aos EUA, a mídia é de extrema importância. Através dela vemos o mundo, e tudo o que temos para acreditar é o que elas nos mostram. Passar informação é um dever e um privilégio. Mas requer ética, requer imparcialidade, e esses valores estão em falta. As grandes empresas (televisivas principalmente) manipulam a verdade, e direcionam as opiniões dos espectadores de acordo com seu interesse. Isso não é uma suspeita, é fato provado. Você nunca ouviu falar, logicamente, porque elas mesmas não vão divulgar. Mas com meios de comunicação de massa nas mãos do povo, como a Internet, alguns informados têm a oportunidade de mostrar a verdade a um número cada vez maior de pessoas. As empresas televisivas nacionais e internacionais pecaram seriamente. De forma covarde, ela separou agressores e vítimas como BEM X MAL. Apontaram o coitado e sofrido povo americano como o BEM, como a justiça e fraternidade, como os defensores do bem mundial, e jogaram sobre os povos muçulmanos a máscara do MAL. O Oriente Médio nunca foi tão mal-visto. Pior que isso, toda a religião islâmica teve sua imagem manchada. De acordo com a mídia, o islamismo era uma religião de terroristas. Formaram uma inverdade: os terroristas eram muçulmanos então os muçulmanos são terroristas. Foi com profunda e ainda sim crescente indignação que li a revista Veja do dia 19 de setembro. Desde a Carta ao Leitor, de modo parcial, preconceituoso e mentiroso, os textos levavam a acreditar no BEM X MAL acima descrito. Vou detalhar adiante. Não copiarei inteiramente a Carta ao Leitor. Vale a pena comprar a revista, porque a imparcialidade e preconceito se espalham pela revista inteira, e não apenas por um ou dois textos. A segunda frase diz que “O atentado foi cometido contra um sistema social e econômico que, mesmo longe da perfeição, é o mais justo e livre que a humanidade já conseguiu fazer funcionar ininterruptamente até hoje”. Ora, agora o Capitalismo é justo, e gera liberdade. Onde está a justiça no Capitalismo? Esse sistema político e econômico mundial é o maior gerador de diferenças sociais. A cada dia o número de miseráveis aumenta. Milhares de pessoas nascem diariamente com a vida já perdida, sem expectativa alguma de ascensão social. Toda a miséria mundial tem como causa esse sistema, que, de acordo com o texto, é JUSTO. Adiante temos: “Não foi um ataque de Davi contra Golias. Nem um grito dos excluídos do Terceiro Mundo que, de modo trágico mas efetivo, se fez ouvir no império. Foi uma agressão perpetrada contra os mais caros e mais frágeis valores ocidentais: a democracia e a economia de mercado.” Para início de conversa, os excluídos não são os terceiro-mundistas (aliás, o termo Terceiro Mundo já não é mais empregado), eles estão em qualquer lugar, e mesmo os tão desenvolvidos Estados Unidos abrigam alguns milhões de excluídos. Esses excluídos não surgiram por mágica: eles são resultado da “justiça” do capitalismo. Pergunte a algum intelectual ocidental se ele se orgulha da democracia e da economia de mercado desse lado do mundo. Você se orgulha? Os, de acordo com a Veja, “mais caros e frágeis valores ocidentais” são a vergonha do Ocidente. As democracias por aqui não funcionam, e as economias de mercado são completamente desprovidas de compaixão, ética ou justiça. “O que realmente incomoda a ponto da exasperação os fundamentalistas, apontados como os principais suspeitos de autoria dos atentados, não é só a arrogância americana ou seu apoio a Israel.” Palestinos e israelenses guerreiam a anos. Os israelenses com tanques e armas modernas e pesadas, fornecidas pelos EUA, e os palestinos com paus, pedras e homens suicidas. Em seu mandato, Bill Clinton tinha uma visível preocupação com esse assunto, e freqüentemente estava entre os dois lados para tentar encontrar uma solução. Mas desde que George W. Bush assumiu, não houve uma sequer tentativa de paz naquela região. A prepotência e egoísmo do caubói texano tiveram como resultado os atentados às torres gêmeas e ao pentágono. A ajuda dos EUA à Israel (pateticamente visível na saída da Conferência de Durban), somada ao descaso americano com relação aos conflitos árabes versus israelenses, resultou numa indignação enorme dos, supõe-se, palestinos, e, cena de filme americano, ´se o problema dos conflitos não era de interesse americano, agora é´. “O que os radicais não toleram, mais que tudo, é a modernidade. É a existência de uma sociedade onde os justos podem viver sem ser incomodados e os pobres têm possibilidades reais de atingir a prosperidade com o fruto de seu trabalho.” Agora os muçulmanos são seres atrasados que abominam a tecnologia? São pró-regresso, e querem voltar no tempo através da destruição do presente? O Capitalismo gera uma sociedade justa? No mundo onde você vive, os pobres têm possibilidades reais de prosperidade? Se alguém souber de onde saem tantas mentiras patéticas, por favor me diga por e-mail, porque ainda estou chocado. E, para o grande final: “[os terroristas que atacaram os Estados Unidos] são enviados da morte, da elite teocrática, medieval, tirânica que exerce o poder absoluto em seus feudos. Para eles, a democracia é satânica. Por isso tem de ser combatida e destruída”. Incrível, não? Num texto extremamente piegas e apelativo, o autor (obviamente, que não se identificou) aponta descaradamente os muçulmanos como ´enviados da morte´, medievais, e diz que o sistema vigente no Oriente Médio é o feudalismo; diz que, para eles, a democracia é coisa do Diabo. Essa bela e justa democracia defendida pela Veja é a causa da miséria oriental. Olhe países como Paquistão, Afeganistão etc. Tudo que se pode ver é miséria, é dor, é condição desumana de existência. Isso é justiça? Passeatas já foram organizadas, livros já foram lançados, mártires já surgiram, e nada muda. Os poderosos mantém-se no poder, e os miseráveis reproduzem-se e multiplicam-se.

O texto da (respeitada) Revista Veja não pode ser definido como outra coisa senão patético. É um absurdo que uma via de informação tão influente e conceituada consiga compactuar com tamanhas inverdades, levando ignorância e erro à massa. No texto da página 48 para a página 50 da mesma revista Veja, encontramos uma declaração do subsecretário de defesa americano, Paul Wolfowitz, que diz: “É preciso também eliminar os santuários, os sistemas de apoio e acabar com os Estados que patrocinam o terrorismo.” Se essa frase fosse verdadeira, a solução seria um suicídio americano. Ora, os EUA, como explicado em outro capítulo, são os maiores patrocinadores do terrorismo mundial. Na página 56, a foto e a legenda demonstram como a Veja quer apontar os palestinos como o MAL. A foto mostra vários palestinos comemorando, um deles um adolescente empunhando uma arma de fogo, e a legenda diz: "A FAVOR DO TERRORISMO: Palestinos comemoram atentados contra os americanos em um campo de refugiados no sul do Líbano: alegria com a desgraça do “grande Satã”". Pessoalmente: sou assinante Veja, e sempre admirei a Revista pela imparcialidade e seriedade. Esperei a revista dessa semana, aguardando alguma informação útil que pudesse ser exposta nesse site, mas confesso que fiquei extremamente desapontado e ainda estou indignado. É necessário cada vez mais que as pessoas tenham senso crítico, e possam perceber a imparcialidade. A mídia tem o papel de informar, e não de formar opinião. “A mídia deve sentenciar verbos e substantivos, não adjetivos.”

tentado Terrorista nos Estados Unidos World Trade Center e Pentágono Ataque ao Afeganistão
11 de Setembro de 2001: Um poderoso e terrível ataque terrorista, ocorreu na manhã do dia 11 de Setembro de 2001
(exatamente às 8h48m e 9h03m locais), atingindo as duas torres do maior conjunto comercial do mundo, o World Trade Center, em Nova Iorque, que veio abaixo horas após ter sido parcialmente destruído por duas aeronaves comerciais Boeing 767, com um total de 157 passageiros a bordo. Eles haviam decolado de Boston (às 7h58m com 65 passageiros e às 7h59m com 92 passageiros e ambos com destino a Los Angeles). Logo em seguida outra aeronave Boeing 757 da American Airlines, que havia decolado às 8h10m do Aeroporto de Dulles em Washington, com destino a Los Angeles, com 64 ocupantes (58 passageiros, 4 comissários e 2 pilotos), atingia em cheio o prédio do Pentágono, destruindo parte do conjunto e matando muitos funcionários do governo federal americano (exatamente às 9h43m). Outra aeronave Boeing 757, que havia decolado do Aeroporto de Newark em Nova Iorque às 8h01m com destino a São Francisco, foi sequestrada e derrubada, às 10h10m, caindo em Shanksville, a 130 quilômetros ao sul de Pittsburgh, na Pensilvânia, com 38 passageiros, 5 tripulantes e 2 pilotos (45 pessoas). No total foram quatro sequestros simultâneos, todos perfeitamente estudados e friamente consumados por terroristas árabes, provavelmente bancados pelo milionário saudita Osama Bin Laden, que hoje vive no Afeganistão e possui uma fortuna pessoal estimada de US$ 300 milhões (R$ 1,1 bilhão se convertido à época). Pentágono: O avião atingiu a ala sudoeste do edifício e atravessou os anéis E, D e C. Calcula-se que tenham morrido em torno de 130 funcionários do governo americano. O local atingido abriga gabinetes executivos do Exército, além dos escritórios da Secretaria de Guerra. Fica em frente ao heliporto usado por autoridades. Previa-se que o presidente George W. Bush usaria essa instalação ainda naquela manhã, quando retornasse da Flórida. Ou seja, tudo leva a crer que os terroristas possuiam informantes dentro do próprio governo dos Estados Unidos. Um dos pilotos que comandou a destruição possuia dois cursos superiores na Alemanha e teve diversos treinamentos nos Estados Unidos. Daí se pode observar que o plano foi orquestrado friamente e por pessoas de alto gabarito e muita determinação Inaugurada em 1943, a sede do Departamento de Defesa dos EUA reúne os comandos das Forças Armadas e de 14 agências. O então presidente Franklin Roosevelt juntou ali repartições militares antes espalhadas por 17 edifícios, unificando o trabalho das equipes que traçavam estratégias contra o Eixo. O prédio foi construído em 16 meses com projetos de 1.000 arquitetos e mão-de-obra de 14.000 operários. O Pentágono tem 344.000 metros quadrados e 28 quilômetros de corredores. As edificações internas são dispostas em anéis concêntricos. Cada uma tem cinco andares. World Trade Center: O complexo de sete torres ocupava 64.750 metros quadrados. Os dois prédios principais tinham 110 andares cada um. A altura do WTC-1 era de 417 metros e a do WTC-2, dois metros menos. As outras torres variavam entre 8 e 47 andares. O conjunto abrigava escritórios de 400 empresas de 25 países e 50.000 pessoas trabalhavam nas torres norte e sul. Havia seis subsolos, com um centro comercial, estacionamento para 2.000 carros, acesso para duas estações de metrô e uma de trens. O conjunto gerava 50 toneladas de lixo por dia e consumia 8,5 milhões de litros de água

potável. As máquinas de ar condicionado sugavam 363 000 litros de água por minuto do Rio Hudson e a antena de 110 metros do prédio WTC-1 era usada por dez emissoras de TV de Nova Iorque. O ataque ao WTC: As torres gêmeas do World Trade Center foram construídas para resistir ao impacto de um Boeing 727. Não caíram quando os aviões entraram pelas janelas, numa manobra que revelou a enorme perícia de quem os pilotava. O modo como os terroristas acertaram os prédios dá indícios de um planejamento milimétrico. Na velocidade máxima, acima dos 800 quilômetros por hora, um grande avião empurra tamanha quantidade de ar a sua frente que é virtualmente impossível que acerte um paredão numa colisão frontal. “A turbulência seria tão forte diante da parede que tiraria o Boeing da trajetória”, explica David Barioni Neto, vice-presidente técnico da companhia aérea Gol. Por isso eles voaram mais lentamente — calcula-se que a 450 quilômetros por hora — e optaram pela trajetória curva para chegar ao objetivo. No caso do Pentágono, em que não há imagens do momento do impacto, o problema é parecido. Descer uma aeronave de 115 toneladas numa pista de aeroporto exige combinar velocidade e aerodinâmica com equipamentos de precisão. Pousar sobre um alvo específico é quase uma loteria. Em todos os momentos, os extremistas mostraram o conhecimento de quem passou muito tempo num simulador de vôo, além de prática efetiva. Desligaram, por exemplo, os transponders que emitem sinais eletrônicos sobre a localização das aeronaves. Passaram também a voar em baixa altitude, fora do alcance dos radares. E, pelo menos num caso, foram eles que mandaram os passageiros ligar por celular para avisar do seqüestro. Queriam publicidade máxima de seus atos e agiram como se tivessem antecipado o cenário que construiriam. Mesmo bastante avariadas, as torres não teriam caído só com os choques dos 767 contra suas estruturas. Cada aeronave colidiu contra as armações de aço e vidro com uma força de impacto equivalente a mais de 1.000 vezes o próprio peso. A maior parte da estrutura dos aviões é de alumínio. Numa batida dessas, seu corpo vai se deformando, franzindo, até transferir sobre a superfície atingida uma força capaz de rasgá-la. Nesse ponto, tudo o que está em seu interior já foi arremessado para a frente como se houvesse uma freada instantânea. Só então o resto da fuselagem penetra na estrutura. Quando isso aconteceu, os prédios tremeram, oscilaram e rangeram, como contam os sobreviventes do atentado terrorista em Nova York, mas se mantiveram de pé. Muita gente que estava nos andares inferiores escapou da morte na hora seguinte. Pessoas que estavam acima do 103º andar no edifício norte, o primeiro a ser acertado, ou do 93º da torre sul não tiveram a mesma chance. Os aviões em chamas praticamente dividiram seus alvos em dois blocos. Tudo o que havia nos pavimentos diretamente atingidos, móveis e pessoas, foi pulverizado pela explosão ou arremessado para fora pelo deslocamento de ar. Quem estava acima do ponto de colisão não tinha chance de passar pela parede de chamas que tomou quase dez andares de cada construção. Todas essas pessoas acabariam morrendo — no fogo, num salto de mais de 300 metros ou no desabamento. Foram os incêndios, combinados com uma característica tecnológica dos arranha-céus, que os puseram abaixo. No impacto, cada área atingida alcançou imediatamente a temperatura de 450 graus Celsius, o ponto de combustão do querosene de aviação. Cada Boeing levava combustível suficiente para voar por mais 4.000 quilômetros — ou para queimar por algumas horas. Divisórias e móveis de madeira e plástico incendiaram-se também. A temperatura chegou aos 1.000 graus. O aço não se funde nesse ponto, mas perde dureza. Sustentados pelas colunas de aço de sua armação exterior, como gaiolas, os edifícios tiveram várias delas cortadas pelo efeito faca da penetração dos aviões. Depois, chegaram depressa ao ponto de colapso estrutural por causa do peso nas partes superiores aos pontos em que aconteceram os choques. O topo de cada torre sustentava um engenho cuja função era contrabalançar os efeitos do vento. Para garantir a resistência da estrutura a ventanias de até 320 quilômetros por hora, que deslocavam lateralmente a parte mais alta dos edifícios mais de 1 metro, essa placa de aço e concreto, montada sobre roletes, movia-se sempre na direção oposta à inclinação, impedindo que se alterasse o centro de gravidade do conjunto. Essa plataforma pesava 600 toneladas. Cada laje dos blocos tinha mais 40 toneladas. Havia dezoito lajes acima dos andares avariados na torre sul e oito sobre os que ardiam no outro prédio. Quando o aço começou a se deformar, pelo calor, todo esse volume veio abaixo e funcionou como um martelo — um martelo que ganhava mais peso a cada andar que ia sendo esmagado. Técnicos em edificações supõem que os terroristas imaginaram esse efeito cascata de destruição ao planejar os atentados. “Se tivessem atingido o primeiro terço inferior dos prédios provavelmente eles ainda estariam de pé”, diz o arquiteto paulista Rubens Ascoli Brandão, que defendeu há quatro anos uma tese sobre o World Trade Center. “As colunas externas, que seguram tudo, começam muito grossas embaixo e vão afinando à medida que têm de suportar menos peso.” No ponto em que acertaram, os pilotos conseguiram produzir os piores efeitos. O World Trade Center agüentou os aviões, agüentaria focos de incêndio e até bombas. Mas impacto, chamas e explosões foram agressões demais. “Na hora da pancada, o chão se mexeu e eu me senti como se estivesse pisando numa gelatina”, recorda o brasileiro Guilherme Castro, de 27 anos, funcionário de uma corretora que ocupava o 25º andar da primeira torre atingida. Na descida, ele encontrou uma escada bloqueada. Voltou e tomou outro caminho. Mais no alto, as torres tinham andares livres — o 44º e o 78º —, com casas de máquinas e grandes vãos horizontais para passagem de vento. Nesses pontos, era difícil encontrar a continuação das escadas. Houve quem morresse por causa disso. Quando Castro finalmente chegou à calçada, ouviu um estrondo ao passar por vítimas que eram socorridas na rua por bombeiros e policiais. Era o avião que atingia a segunda torre. Em seguida, vieram os desabamentos. Uma enorme nuvem de pó rolou sobre as ruas. Ela também penetrou no sistema de metrô da cidade, pelas estações que ficavam embaixo do World Trade Center, e seguiu por quilômetros dentro dos túneis. Os subterrâneos do complexo foram soterrados. “Estávamos bem lá embaixo quando o metrô parou”, recorda Luciana Salles, que ia com o marido, Alexandre, visitar a Estátua da Liberdade. “Um funcionário nos guiou pelos trilhos, no meio da

poeira,

até uma

grade

de

ventilação.

Saímos

numa

rua

repleta

de

corpos

e

pedaços

de

pessoas.”

Era tal a quantidade de pó e fumaça sobre Nova York que o fog pôde ser visto até por astronautas embarcados na Estação Espacial Internacional, que sobrevoava o Estado do Maine na manhã da terça-feira, a mais de 300 quilômetros de altura. O impacto dos Boeing com a estrutura de aço também repercutiu longe. Um deles foi registrado numa estação de sismologia da Universidade Columbia, a 20 quilômetros do centro de Nova York. Na escala que mede terremotos, alcançou 2,4 pontos — um tremor bastante sensível para quem via o horror a partir das ruas. Os prédios foram construídos com fundações que penetram por mais de 20 metros numa camada de rocha abaixo dos seis subsolos. As mortes de quem saltava, transmitidas para todo o planeta, foram vistas ao vivo por mais de 150 milhões de pessoas. Por que eles saltavam? Por que não aguardaram pelo socorro até o último momento? “Porque o suicídio é uma reação-limite mas esperada do ser humano”, diz Márcio Bernik, coordenador do Ambulatório de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria da USP. “Diante da certeza de uma morte lenta e sofrida, as pessoas acabam escolhendo um meio mais rápido.” Um bombeiro que atuou no incêndio do prédio Joelma, em São Paulo, há 27 anos, conta que o calor era tão intenso que a pele de seu rosto, seu pescoço e suas mãos começou a se soltar. No World Trade Center, a temperatura era muito maior. Ainda houve quem esperasse por socorro, nas janelas, e um helicóptero se aproximou da torre norte a ponto de dar às pessoas a esperança de resgate. Minutos depois o outro prédio ruiu, e a operação se revelou impossível. No final, pessoas de 60 nacionalidades diferentes faleceram no acidente que destruiu o World Trade Center, um complexo de escritórios e empresas multinacionais que abrigava mais de 20.000 pessoas trabalhando no dia a dia. Outras milhares de pessoas visitavam os edifícios, que ainda estavam relativamente vazios, em razão do horário. As nacionalidades das pessoas desaparecidas segundo fontes do Departamento de Estado do governo americano e do Consulado-Geral do Brasil em Nova York são: 3 613 Estados Unidos, 403 Holanda, 250 Índia, 208 Colômbia, 206 Alemanha, 200 Grã-Bretanha, 200 Paquistão, 150 Canadá, 133 Israel, 96 Rússia, 86 Itália, 71 El Salvador, 68 Portugal, 55 Austrália, 55 Bangladesh, 40 Áustria, 34 Irlanda, 34 Equador, 30 Polônia, 30 Coréia do Sul, 25 República Dominicana, 23 Japão, 20 Grécia, 17 México, 10 República Tcheca, 10 Eslováquia, 10 França, 8 Marrocos, 8 Iêmen, 7 Honduras, 7 Jamaica, 7 Taiwan, 6 Argentina, 6 Guatemala, 5 BRASIL, 5 Irã, 4 Bélgica, 4 Belize, 4 China, 4 Trinidad e Tobago, 3 Barbados, 3 Líbano, 3 Panamá, 3 Peru, 3 Venezuela, 2 Jordânia, 1 Bahamas, 1 Chile, 1 Costa Rica, 1 Dinamarca, 1 Egito, 1 Gana, 1 Indonésia, 1 Nova Zelândia, 1 Paraguai, 1 Sri Lanka, 1 Santa Lúcia, 1 Turquia, 1 Ucrânia e 1 Bielo-Rússia. O antes, o durante e o depois: Os funcionários da corretora Cantor Fitzgerald, na torre norte do World Trade Center, costumavam assumir o posto de trabalho, entre o 101º e o 105º andares, por volta das 7 horas da manhã. Ligados à operação da bolsa de valores, eles adiantavam a programação do dia e estavam com tudo arrumado quando se iniciava o pregão, às 9 e meia. Mais de 700 deles morreram quando os andares foram atingidos em cheio pelo Boeing 767 em 11 de setembro. Nenhum teve o corpo localizado até o fim da semana passada, e provavelmente só alguns dos que foram atirados para fora do prédio no momento da explosão poderão ter os restos mortais entregues à família. Quanto mais os bombeiros e voluntários escavam a cordilheira de entulho das torres do World Trade Center — uma pilha de prejuízos na casa das três dezenas de bilhões de dólares —, mais fica claro que milhares de parentes e amigos não poderão chorar sobre os corpos de seus mortos. Até o fim da semana passada, 60 000 toneladas de aço, vidro e concreto tinham sido tiradas do local. Isso não dá um décimo do volume deixado pelo atentado terrorista. Mas a montanha de destroços já foi vasculhada, num processo que levou a encontrar apenas 241 corpos — com um total de identificados abaixo de duas centenas. As autoridades registraram 6 300 pessoas desaparecidas. De mais de metade delas já há amostras de DNA enviadas pelos familiares — fios de cabelo, roupas, escova de dentes. Noutros casos, pais e descendentes doaram amostras de material genético para comparação com o de vítimas desfiguradas. Mas só 400 partes de corpos foram encontradas. “São mínimas as possibilidades de ainda haver sobreviventes”, resignou-se na terça-feira o prefeito Rudolph Giuliani. Dos escombros dos prédios, apenas sete vítimas saíram com vida. Dessas, quatro eram bombeiros aprisionados pelo desabamento do primeiro edifício. Dois outros bombeiros passaram horas perdidos num buraco de 5 metros de profundidade, no qual caíram quando tentavam escalar as ruínas de uma ala do conjunto. Somente uma mulher, Genelle Guzman, de 31 anos, pode ser considerada sobrevivente da catástrofe. Descendo pelas escadas, ela estava no 13º andar quando a estrutura ruiu. Duas grandes placas de concreto acabaram criando uma tenda sobre seu corpo, que a protegeu do esmagamento. Ela foi encontrada 26 horas depois e se tornou a exceção ao destino de quem não conseguiu fugir do local antes do desmoronamento. Quando vem abaixo uma estrutura de aço e concreto de mais de 400 metros de altura, tudo se mistura na queda. Andares mais altos, construídos com materiais mais leves, podem acabar embaixo das partes mais pesadas, as inferiores. Não há lógica nos escombros. As equipes de resgate utilizam equipamentos e técnicas especiais para examinar os destroços. Com a coordenação de técnicos experimentados no trabalho em áreas atingidas por terremotos e furacões, elas agiram seguindo um manual específico para essas situações. Primeiro, bombeiros encharcaram toda a superfície, para resfriar o material e diminuir a poeira no ar. A água penetra no entulho, ajuda a reduzir focos de incêndio internos e, como já se viu em outros casos, permite que eventuais sobreviventes presos lá dentro tenham chance de se manter hidratados até ser alcançados pelo socorro. Na noite posterior ao atentado, uma chuva forte ajudou nesse trabalho. Os primeiros a entrar na

área são especialistas em estruturas, que avaliam o risco de novos desabamentos e providenciam calços e redes para que outros trabalhem com segurança. No passo seguinte, cães percorrem o terreno, para farejar vítimas soterradas. Quando encontram um morto, deitamse no local. Se acham alguém vivo, começam a cavar. Cerca de 300 cachorros foram mandados para o WTC. Voluntários organizaram na rua um hospital veterinário para eles. A cada duas horas, os animais têm de parar para lavar os olhos, tomar injeção de antibiótico, fazer curativos em ferimentos provocados por escombros, tratar queimaduras e recuperar o faro. Até eles enfrentam dificuldade para trabalhar entre corpos em decomposição. Cada pequeno destroço é catado e depositado em baldes. Partes de corpos vão para caminhões frigoríficos e dali para os necrotérios. O prefeito encomendou 30.000 sacos especiais para transportar mortos, membros ou órgãos achados na área. Quase nada ainda foi usado. O entulho segue para um aterro, onde será descarregado diante de outras equipes, que o examinarão novamente. O FBI fica com o que seja supostamente peça de algum dos aviões. Nos restos dos prédios, só então os serralheiros iniciam o corte das vigas e pilares grandes, que são removidos por guindastes que podem erguer um peso equivalente ao de 25 ônibus urbanos. Essa ordem de trabalho evita mais impacto sobre os soterrados, mas no WTC ela pouco ajuda. Os estragos provocados pelo atentado criaram um cenário inédito na história das catástrofes. Ali aconteceram, conjuntamente, uma explosão com o poder de destruição de 100 toneladas de dinamite, um incêndio de graduação comparável à de um forno crematório e o desmoronamento de duas das maiores estruturas verticais fincadas no planeta. Isso acabou pulverizando os restos mortais de centenas das vítimas. As pessoas que viajavam no avião foram esmagadas na frenagem brusca e desintegradas a seguir na explosão. Quem estava nos andares em que o combustível explodiu sofreu carbonização imediata, caso dos funcionários da corretora Cantor Fitzgerald. Nos andares acima daquele ponto, o incêndio matou também algumas centenas de pessoas. Naquele horário havia cerca de 100 clientes tomando o café da manhã no restaurante Windows on the World, no 107º andar, servidos por aproximadamente setenta empregados da casa. Um pavimento abaixo, um congresso da consultoria financeira inglesa Risk Water reunia oitenta pessoas. Naquele dia, 161 inscritos se atrasaram — e se salvaram. Lá embaixo, a queda de escombros e depois o desabamento completaram o drama. As listas de vítimas mostram que houve menos mortos na torre sul porque, mesmo com seu desabamento ocorrendo primeiro, nesse prédio muita gente teve chance de descer, até pelos elevadores, logo que o edifício ao lado foi acertado pelo avião. A energia elétrica no complexo caiu muito tempo depois do primeiro impacto. No banco Morgan Stanley, que ocupava 31 andares da torre sul, quarenta dos 3.500 empregados estão desaparecidos. Um chefe de segurança insistente e treinado conseguiu que a imensa maioria iniciasse a descida no momento em que a outra estrutura foi atingida. Queimados, asfixiados ou atingidos pelo desmoronamento, todos os mortos acabaram esmigalhados. Não foram poucos os casos em que corpos irreconhecíveis portavam um celular — e a identificação foi feita com a ajuda de técnicos das companhias telefônicas, que descobriram o número daqueles aparelhos. No mar, à profundidade de 600 metros, a pressão é de 200.000 toneladas — mais que suficiente para fazer sumir um corpo humano. Cada torre do WTC produziu cerca de 400.000 toneladas de entulho. Só de aço, há material suficiente para a construção de duas dezenas de monumentos iguais à Torre Eiffel. Nessas condições, com areia, móveis, papéis, equipamentos, vidro, ferro, tecidos e plásticos misturados, boa parte das vítimas simplesmente desapareceu. De todos os pontos atingidos nos atentados, a grande esperança de encontrar sobreviventes repousava, num primeiro momento, nos escombros da parte atingida no Pentágono, em Washington, e nos subsolos do World Trade Center. Os dois lugares frustraram as equipes de socorro ainda mais que as torres. No Pentágono, que teve 118 corpos encontrados de um total de 189 desaparecidos na área em que o Boeing caiu, apenas um sobrevivente foi localizado debaixo dos escombros e morreu pouco depois. Ainda não se sabe tudo o que aconteceu nos seis subsolos do complexo WTC. Câmaras especiais mergulhadas entre os detritos amontoados e equipes de prospecção que entraram pelos túneis das duas estações de metrô e do terminal de trens que funcionavam a 26 metros de profundidade já mostraram que essas instalações, embora atingidas pelos escombros, resistiram quase a ponto de poder ser usadas imediatamente. Parte das garagens subterrâneas, sob edifícios que não desabaram, também agüentou, mas lá dentro só se acharam mortos, um deles num carro com os faróis acesos. Construído numa área pantanosa, o WTC tinha fundações impermeabilizadas como uma piscina ao contrário, que impediam a entrada de água. Elas trincaram e teme-se, agora, que a retirada do entulho facilite o rompimento desses diques. A remoção do material que está na superfície deve demorar três semanas. A recuperação da área, pelo menos um ano. As temperaturas eram altíssimas nos subterrâneos porque os incêndios se mantiveram dentro das pilhas de destroços. Nesses casos, sempre que se perfura um túnel para descer mais alguns metros na escavação, há o risco de levar novas doses de oxigênio para baixo, realimentando as chamas. Foram detalhes como esses que levaram os responsáveis pelo resgate a cortar a presença de voluntários não experientes na área mais atingida. Nos primeiros dias, mais de 10.000 pessoas chegaram a trabalhar nos resgates. Um navio da Marinha americana, o U.S. NS Confort, ancorou perto do local para ajudar a abrigar voluntários. Havia gases tóxicos no ar — o que levou a que se vasculhassem algumas áreas com robôs experimentais cedidos pela Universidade do Sul da Flórida. Os detritos eram tão difíceis de ser escalados que os integrantes das equipes de frente estragavam, cada um, até dois pares de botas por dia. Mas botas, braços, roupas e alimentos não faltaram. As doações de sangue foram interrompidas quando se alcançou a marca de 100.000 litros. Não havia feridos para recebê-los. Registrou-se também a doação de 300 milhões de dólares às famílias das vítimas e para operações de busca.

Essa é uma guerra em que os americanos começam respondendo a um atentado com recorde de vítimas também com um recorde de solidariedade. A vulnerabilidade e o Islã: Durante a maior parte da terça-feira, 11 de Setembro, os assessores do presidente dos Estados Unidos acharam que ele não deveria retornar a Washington. Era perigoso demais. George W. Bush seria depois criticado por ter ziguezagueado entre bases militares em vez de retomar logo sua cadeira no coração do poder americano, a Casa Branca. O fato é que se temia outro ataque terrorista bem-sucedido, dessa vez à sede da Presidência. As implicações contidas na hesitação de Bush são tremendas. Mostram até que ponto o mundo mudou depois dos ataques às torres do World Trade Center e ao Pentágono. A alteração mais imediata diz respeito ao fim do mito da invulnerabilidade do território americano. O país mais poderoso do mundo viu ícones de sua identidade nacional ser alvejados com desconcertante facilidade. Por volta das 9 horas da manhã, dois aviões de passageiros seqüestrados puseram abaixo as torres gêmeas do World Trade Center, cujo destaque no horizonte de arranha-céus de Nova York simbolizava a supremacia econômica da superpotência. Um terceiro aparelho despencou sobre o Pentágono, sede do poder militar do império, nos arredores de Washington. Um quarto avião tomado por terroristas espatifou-se no solo em campo aberto. “Foi um ato de guerra”, definiu o presidente Bush. Tratou-se, de fato, de uma ofensiva terrorista em larga escala, sem similar na história, com milhares de mortos inocentes. Uma das primeiras coisas que se ouviram foi o clamor por revanche. Os americanos achavam que era preciso dar o troco — mas contra quem? “Não se trata apenas de capturar essas pessoas e fazer com que paguem pelo que fizeram”, disse o subsecretário de Defesa, Paul Wolfowitz. “É preciso também eliminar os santuários, os sistemas de apoio e acabar com os Estados que patrocinam o terrorismo.” O número oficial de mortos foi superior a 6.000, cinco prédios nova-iorquinos tinham desabado e outros, com estruturas abaladas, ameaçavam vir abaixo. (outros prédios grandes, porém menores também ruiram posteriormente). Dez anos atrás, depois do colapso da União Soviética, o presidente George Bush, pai de George W., anunciou uma nova ordem mundial, cuja base era o triunfo dos valores americanos e da democracia liberal. Parecia que o derradeiro desafio da humanidade era promover o comércio global. Vive-se agora uma realidade muito mais perigosa. A única superpotência tornou-se alvo de fanáticos dispostos a tudo. Como a nação mais poderosa do planeta pode proteger-se das atrocidades terroristas? A questão talvez tenha de ser formulada de outra forma: qual deve ser o papel dos Estados Unidos nessa nova conjuntura? Bush pode decidir mudar sua política de distanciamento em relação às áreas de conflito no exterior. Em vez de tomar decisões unilaterais, como tem feito desde que assumiu, em janeiro, o presidente pode admitir que os Estados Unidos sozinhos são incapazes de garantir a própria segurança. Precisam da ajuda dos outros países democráticos para uma ação conjunta e persistente contra o terrorismo. Ou, ao contrário, talvez a Casa Branca resolva ser ainda mais isolacionista, olhando para o próprio umbigo e tentando manter longe as encrencas do Terceiro Mundo. Os acontecimentos empurraram o presidente dos EUA para um teste de liderança que raros de seus antecessores enfrentaram. Em editorial, o influente Washington Post diz que mesmo o presidente Roosevelt, depois do ataque japonês em Pearl Harbor, podia ver um inimigo definido com clareza. “A enormidade que confronta Bush exige habilidades difíceis de encontrar em qualquer presidente, ainda mais em um com apenas oito meses de mandato e sete anos de vida pública”, escreveu o jornal. O momento pertence aos guerreiros, reação natural diante da enormidade da agressão. Não é de espantar que, após os atentados, o tom do discurso americano tenha mudado. Desapareceu como por mágica o relativismo cultural e seu corolário, o respeito por aquilo que possa ser considerado politicamente correto. O relativismo cultural, teoria formulada na década de 30 pelo antropólogo americano Melville Jean Herskovitz, preconiza que nenhuma cultura é superior a outra. Que cada uma deve ser entendida dentro de seu próprio contexto e, por isso mesmo, não cabem comparações entre elas. Em 1947, Herskovitz apresentou à Organização das Nações Unidas uma “recomendação” para que fossem respeitadas as culturas dos diferentes povos do mundo. É dessa perspectiva que alguns estudiosos acham possível justificar, por exemplo, a prática de muçulmanos africanos de extirpar o clitóris das adolescentes. Do relativismo cultural nasceria na década de 80 o discurso politicamente correto, que aboliu do vocabulário palavras e expressões que soam pejorativas a minorias étnicas, homossexuais e portadores de deficiência física. Entre os governos, o politicamente correto baniu de documentos e discursos termos que pudessem soar chauvinistas e prepotentes. Com os atentados, o relativismo sofreu um abalo: por alguns dias, pelo menos, o mundo voltou a ser dividido entre países civilizados e nações bárbaras. E, contra os bárbaros, políticos e analistas pediram “vingança”. Com a autoridade de veterano do Vietnã e da Guerra Fria, o ex-secretário de Estado Henry Kissinger aconselhou os americanos a cuidar dos feridos e restaurar algum tipo de vida normal, como primeira resposta ao terrorismo. Depois, o governo deve empenhar-se numa resposta persistente para levar à destruição o sistema responsável pelo atentado. “A vitória não virá num único ataque”, afirma Samuel Berger, presidente do Conselho de Segurança Nacional no governo Bill Clinton. “É preciso desencadear uma guerra fria ao terror.” Os americanos gastam 30 bilhões de dólares por ano em inteligência, e só a CIA, o serviço de espionagem, tem 2.000 agentes no exterior. O sistema caríssimo de vigilância eletrônica por satélites é capaz de fazer fotos tão detalhadas que se podem identificar pontas de cigarros jogadas fora pelos guerrilheiros no Afeganistão. A rede de vigilância envolve ainda aviões, navios e 5.000 pontos de captação de informações no mundo inteiro. A tecnologia empregada permite rastrear uma ligação de celular em qualquer lugar. Como nada disso funcionou? Nenhum dos treze órgãos encarregados de monitorar, receber e analisar todo tipo de informações relacionadas à segurança conseguiu evitar a entrada no país e a comunicação

entre os terroristas. Não espanta tanto o frágil sistema de segurança nos congestionadíssimos aeroportos americanos. Mais difícil de explicar é como são tão desprotegidas até mesmo as instalações militares e a sede do governo em Washington. A hesitação em voltar a Washington pode ter valido pontos negativos na popularidade do presidente Bush, mas tinha fundamentos mais fortes. Como se saberia depois, a Casa Branca e o avião presidencial, o Air Force One, estavam entre os alvos dos terroristas. Parte dos problemas em evitar os ataques decorre do caráter especial do terrorismo islâmico. Os espiões americanos têm dificuldade em infiltrar os grupos, pois não são bem-vindos nem podem contar com a colaboração das autoridades na maioria dos países muçulmanos. Mas operações de grande porte deixam pistas bem concretas. Para um homem-bomba na Palestina basta enrolar explosivos em torno da cintura e procurar vítimas indefesas entre os israelenses. Um ataque como o da semana passada exige planejamento sistemático, boa organização, bases de apoio e algum dinheiro. Não é possível improvisar numa operação dessa magnitude. O FBI acredita que cada avião foi tomado por um grupo de quatro ou cinco homens. Outra meia centena de conspiradores fez o trabalho de retaguarda. Por que os americanos, tão bem equipados tecnologicamente, tão armados de sistemas de segurança, não tomaram conhecimento de um movimento sequer desses criminosos? A última vez que os Estados Unidos testemunharam um ataque terrorista de grandes proporções foi em 1995, na cidade de Oklahoma, com 168 mortos. Foram rápidos em acusar fanáticos muçulmanos. Logo descobriram que o culpado era um fanático doméstico, Timothy McVeigh. Réu confesso, foi executado em junho. A comunidade árabe nos Estados Unidos costuma usar o episódio como comprovação de preconceito e discriminação. Há mais de 1 bilhão de muçulmanos espalhados por quase todos os países. Na maioria, são moderados. A minoria radical, no entanto, tem uma disposição fanática para matar e morrer e se une num ódio incontrolável contra os Estados Unidos, em sua opinião um país satânico. Em sua visão, atacar o demônio americano garante ao fiel um lugar de honra no paraíso. Como se pode lidar com terroristas cujo objetivo é retornar ao século VIII? Eles não fazem exigências, não pedem dinheiro para libertar reféns. Só querem ver sangue. Os Estados Unidos tinham passado praticamente incólumes ao terrorismo. Há décadas a Europa e o Oriente Médio sofrem com bombas e tiroteios de várias maneiras. Só nos anos 90 houve os primeiros atentados, mas todos de pequena monta. O mais sério foi perpetrado exatamente contra o World Trade Center, em 1993. Um grupo de egípcios, paquistaneses e palestinos colocou um carro-bomba no subsolo de uma das torres gêmeas, matando seis pessoas. O objetivo era convencer os Estados Unidos de que estavam em guerra com o Islã. É espantoso que, apesar disso, a maioria dos americanos se acreditava livre dos horrores vistos em outros países pela televisão. Os planos de contingência previam ataques com armas biológicas ou químicas — ninguém imaginou seqüestradores armados com facas em aviões comerciais. Apesar dos prognósticos de que os Estados Unidos podem tornar-se menos cordiais em suas relações internacionais, o mundo tende a se transformar em um só. Também nesse aspecto há mudanças em curso. A oposição à globalização já existia como fenômeno ambientalista, de minorias, das ONGs e dos sindicatos. Agora também deve levar em conta essa nova complicação: o Islã como fonte de preocupação para a paz mundial. A globalização incomoda a turma do turbante pela modernidade que traz no bojo. O fundamentalismo islâmico é, em boa medida, a manifestação de uma elite que exerce sobre seus povos uma tirania milenar, baseada na religião e nos costumes imutáveis. Se é contra a civilização ocidental é porque não pode conviver com seus princípios básicos, notadamente a liberdade política e individual. O universo dos fundamentalistas é aquele em que se queimam livros, se proíbem filmes e música. As mulheres são cobertas de véus e devem submissão ao poder masculino. Os fundamentalistas usam Deus como desculpa para todas as coisas — inclusive as mais terríveis atrocidades, como as cometidas em Nova York e Washington. Os aviões não foram jogados contra prédios, mas contra um sistema de vida. Esta guerra está apenas começando. Maomé e religião: Primeiro é preciso considerar que o Islã é o segundo maior grupo religioso do planeta. A grande maioria dos muçulmanos está na Ásia e na África, mas entre os americanos eles já são quase 7 milhões — e o número de adesões é crescente. Depois, é preciso admitir que os muçulmanos ocupam países paupérrimos, como o Sudão, mas também controlam áreas que são grandes produtoras de petróleo. E, finalmente, deve-se levar em conta que, embora os islamitas em sua maioria sejam pessoas pacíficas e generosas, há um grupo radical e violento cuja influência entre os seguidores de Maomé vem se tornando mais importante a cada ano. E que esse grupo foi capaz de explodir o World Trade Center, ícone do capitalismo, matando mais de 6 000 pessoas. As faces do Islã são tão diversas como os países nos quais se estabeleceu. Mas de maneira geral os muçulmanos formam um povo profundamente religioso. Seguem os mandamentos de Maomé, o profeta que nasceu em 570, em Meca, na Arábia Saudita. Maomé viveu os primeiros cinco anos da infância no deserto. Depois, foi ser pastor de carneiros e, quando completou 20 anos de idade, trabalhou como caravaneiro de uma viúva rica, Khadidja. Ela era dez anos mais velha que ele. Os dois se casaram, tiveram uma filha e, por volta do ano 612, Maomé começou a ter visões. Ele criou então uma religião que absorveu toda a tradição judaica e cristã. Dizia que Abraão, Moisés e Jesus eram profetas de uma mesma linhagem. Ele próprio era o último e o mais importante dos profetas de Alá. Seus ensinamentos, portanto, eram os que deveriam ser seguidos. E todo muçulmano teria como missão espalhar a fé islâmica pelo planeta. Nos ensinamentos de Maomé há preceitos religiosos, regras para a organização do Estado, instruções para o relacionamento entre pessoas e até normas para o dia-a-dia do tipo: as pessoas devem cortar as unhas começando pelo dedo mínimo da mão direita e

terminando no polegar. Segundo sua doutrina, todo muçulmano nasce puro, e ganha o reino dos céus se cumpre com suas obrigações, todas muito bem definidas. Os cinco pilares da religião islâmica são: • a propagação da crença num deus único; • a oração, que deve ser feita cinco vezes ao dia; • o jejum durante o mês do Ramadã (em que o Corão foi revelado a Maomé); • o zakat, doação anual que todos estão obrigados a fazer ao governo para redistribuição posterior; • a peregrinação anual a Meca. O problema está justamente no primeiro dos itens acima. Segundo o Corão, os crentes devem defender sua fé, divulgá-la e lutar pela justiça e pelo bem. Ocorre que, há cerca de três décadas, vem crescendo o número de grupos que interpretam o texto sagrado de forma radical e pegam em armas para impor a fé islâmica. Hoje, todo o governo secular muçulmano enfrenta o desafio desses grupos radicais. Eles reclamam não apenas que os líderes políticos abandonaram a lei do Corão, mas que fizeram isso sem resolver os problemas crônicos de desemprego, corrupção e desesperança que afligem seus povos. Os americanos são odiados e atacados por seu apoio a Israel, a governos ditatoriais, como o do xá Reza Pahlevi, do Irã (deposto em 1979), por manterem tropas no território santificado da Arábia Saudita, berço do islamismo, e por serem o símbolo do capitalismo, que os mais conservadores consideram uma ameaça. A tradução da palavra Islã é “rendição” — rendição dos infiéis à doutrina de Maomé. Os muçulmanos comuns, quando morrem, ficam numa espécie de estágio intermediário aguardando o juízo final, quando será decidido se irão para o céu ou para o inferno. Mas a fé islâmica reverencia os mártires da luta religiosa, que vão diretamente para o céu, sem escalas — e o céu dos muçulmanos é maravilhoso. Na descrição do texto sagrado, ele tem leitos incrustados com ouro e pedras preciosas, onde os homens são servidos de frutas e bebidas de sua predileção por jovens que fazem sexo, mas permanecem sempre virgens. Cada homem tem direito a 100 virgens. Mulher, no universo muçulmano, é um ser especial. Tem de vestir uma bata longa que esconda as formas do corpo e cubra o cabelo. Em países mais tradicionais, mulheres que deixam o lenço escorregar em local público são chicoteadas. Elas sofrem ainda outras restrições no Islã. Não podem estudar, trabalhar, discutir com seus maridos — aliás, é permitido a eles bater nas esposas. E, se ficam viúvas ou órfãs, não têm direito a herança. Essas são normas que vêm do século VII. Ainda valem em muitas regiões porque o Corão é tido, entre os islamitas, como uma versão concreta do sagrado. Conforme a crença muçulmana, o Corão já existia, no céu, antes que Maomé pusesse as palavras no papel. É, portanto, intocável. No capítulo que trata das obrigações missionárias do povo, o Corão esclarece: “Não há compulsão no Islã”. Os povos não podem ser convertidos pela força. Mas a força pode e deve ser usada para banir a hostilidade ao islamismo. O texto sagrado, está-se vendo, autoriza a guerra contra os inimigos do povo muçulmano. E ainda ensina: “Quando empreendida, a luta deve ser levada a cabo com vigor”. A história do Islã tem catorze séculos. Durante oito deles, os muçulmanos dominaram um terço do mundo conhecido. Invadiram grande parte da Europa e a Pérsia, chegaram à Indonésia. Naquela época, eles formavam um povo ilustrado que impunha sua cultura em ambientes medievais decadentes. Foi um tempo de glória. A força dos radicais muçulmanos, atualmente, está no apelo que fazem à memória dos tempos de prestígio de seu povo. E a uma interpretação meio enviesada do Corão. Em sua versão, o suicídio no campo de batalha é uma das espécies de martírio, em favor da fé, premiadas com as delícias do céu. O terrorismo: Terroristas são como baratas. Para cada uma avistada, há centenas de outras escondidas. Os agentes do FBI que investigam os atentados a Nova York e Washington começavam, na semana passada, a descer aos ninhos do terrorismo islâmico. Até onde puderam sondar não há ainda um fundo ao alcance da vista. A rede do terror parece ter seu epicentro na paisagem lunar e estéril do Afeganistão. Mas a raiz do mal se nutre de apoio logístico direto dos órgãos de segurança de um grupo de países dominados pelo islamismo, como o Iraque, o Iêmen e a Argélia. O terror conta com a neutralidade e até a simpatia de líderes e instituições religiosas de dezenas de nações de população muçulmana, como o Egito e o Sudão. De um outro grupo de países os terroristas recebem ajuda financeira. Alguns estão tão distantes dos conflitos que chega a ser estranho ver seus nomes na lista dos lugares que os investigadores acham que vale a pena manter sob vigilância. É o caso do Paraguai — e, naturalmente, dos próprios Estados Unidos. “Agora mesmo, entre nós, estão circulando livremente pessoas diretamente relacionadas com o atentado”, disse John Ashcroft, secretário de Justiça dos Estados Unidos. Os agentes do FBI reunidos sob a sigla PENTTBOM, que identifica os dois alvos dos terroristas, o Pentágono e as torres gêmeas de Nova York, mantinham sob custódia na semana passada duas dezenas de pessoas que podem ter alguma relação com os atentados. Quatro delas foram declaradas suspeitas de ter dado auxílio material aos terroristas. Uma foi detida, pois se acredita que tenha sido testemunha dos preparativos dos ataques. O principal suspeito de ter ajudado os terroristas é Albader Alhazmi, um pacato radiologista que há alguns anos pratica sua especialidade em San Antonio, no Texas. Outros presos são imigrantes árabes que, detidos por portar documentos falsos na semana passada, mentiram sobre o país de origem. Passaram a ser considerados suspeitos. Desconfiar de estrangeiros é um pesadelo para a democracia americana, cujo vigor se mantém justamente por atrair imigrantes de todas as partes do mundo, num ritmo que nenhum outro país consegue, nem quer,

igualar. “Estamos em guerra em casa contra um inimigo dissimulado que vive entre nós com um estilo de vida absolutamente normal”, afirmou Ashcroft. “Fora de casa há uma rede organizada que ampara e incentiva os criminosos. Nosso objetivo é descobrir e desmantelar essas conexões.” O governo Bush vai pedir ao Congresso, que os cidadãos americanos sejam submetidos, pela primeira vez em sua história, a uma lei marcial. “A lei antiterror diminui a liberdade de todas as pessoas deste país”, lamentou o senador Patrick Leahy, um democrata que chegou a esboçar um decreto alternativo, menos invasivo que o da administração Bush. Algumas liberdades sagradas dos americanos serão tocadas. Entre elas, a que proíbe o governo de bisbilhotar a vida econômica dos cidadãos. Pela nova Lei, o FBI ganha o direito de, sem ordem judicial, requisitar número e faturas de cartão de crédito de suspeitos de ajudar terroristas. A nova lei vai triplicar o número de guardas de fronteira e ordenar que cada vôo só saia do chão com um guarda armado em trajes civis. Guerra - Os Estados Unidos se prepararam friamente para responder ao ataque terrorista e, iniciou no mês de Outubro, um maciço ataque por terra, mar e ar, contra os terroristas, bombardeando instalações militares, aeroportos e pontos de apoios dos muçulmanos, no Afeganistão. A Inglaterra inicialmente e, posteriormente o França, Canadá, Austrália e Alemanha, com apoio da ONU e OTAN, caçam a todo custo o terrorista e milionário saudita Osama Bin Laden, que foi o cabeça e o mentor principal do atentado contra os Estados Unidos e tentam destruir o Taliban, que apoia Bin Laden e são considerados os executores do plano. É uma guerra onde muitos morrerão e com um final ainda imprevisível. O Taliban e os terroristas se defendem como podem, civis estão sendo mortos e ataques químicos e biológicos como o da bactéria Antraz começam a desencadear mortes também nos Estados Unidos, que estão em estado de alerta máximo. Questões obscuras sobre os atentados Depois de um ano, ainda não foi fornecida nenhuma prova concreta sobre a autoria dos atentados. Aliás, talvez nunca se venha a saber exatamente a real dimensão da trama. Neste caso, deve-se fazer as perguntas adequadas e tentar encaixar as peças disponíveis do quebra-cabeça: 1) Qual era a situação e os interesses em jogo nas relações internacionais antes dos atentados? 2) Considerando isto e a resposta dada a eles, a quem poderia interessar perpetrá-los? 3) Os presumíveis autores teriam sido os idealizadores ou apenas simples executores? É interessante recordar que 2001 havia sido designado pela ONU como "O Ano do Diálogo entre Civilizações", mas, em sentido contrário, parece que certos atores poderosos estavam dispostos a tornar o livro de Samuel Huntington (Choque de Civilizações) uma realidade dominante da política internacional. É cada vez mais difícil crer que os primitivos "homens das cavernas" afegãs tivessem condições de, sozinhos, idealizar e executar um atentado tão complexo e eficaz. Além do mais, em termos simbólicos, os sinais enviados através deste ato violento parecem ser demasiado sutis para ter sido pensados por cérebros dotados de uma lógica tão rasteira. Até porque a resposta seria a possível eliminação do Grupo Al Qaeda e do regime Talibã. Sem aderir a teorias conspirativas, é importante lembrar que dois dias antes do atentado o Comandante Massud foi assassinado, e este líder da Aliança do Norte seria, num governo pós-Talibã, um homem independente (inclusive era aliado da Rússia e Irã). Portanto, isto sugere que a guerra já estava planejada antes dos atentados, e que o futuro governo deveria ser dócil ao Ocidente, como de fato foi. A crise como mal-estar ocidental Antes e depois do atentado era patente o mal-estar ocidental, em particular norte-americano. Os escândalos que caracterizaram os anos finais do governo Clinton revelam um confronto interno, que ficou patente na complicada e questionada eleição de Bush, a qual desgastou a imagem da democracia americana. Paralelamente, a economia americana desacelerava seu crescimento e os mercados internacionais e bolsas de valores ingressavam numa era de instabilidade, agravada pelo colapso econômico-financeiro de vários países. Então o século XXI inicia com um governo fraco e deslegitimado, o que é agravado por atitudes unilaterais como a não adesão americana ao Protocolo de Kyoto ou omissões como a ausência de mediação no Oriente Médio. Em seguida ocorre o 11 de setembro, chocando e traumatizando a população americana e do Primeiro Mundo, mas dando aos EUA uma nova iniciativa. Seguem-se medidas de segurança com custos insuportáveis, cerceamento das liberdades civis e um reforço das atitudes belicistas e unilateralistas que não param de surpreender a comunidade internacional. Mas tudo isto deu à administração americana um eixo definido de política externa, embora com crescente resistência mundial, começando por seus próprios aliados. Assim, como tudo na história, um ano depois o balanço é ambíguo. Por um lado, a auto-confiança da população foi derrubada e a crença internacional de que a segurança americana era inexpugnável já não existe, embora pouco se fale disto no momento. Num quadro de instabilidade econômica doméstica e global, se revelam igualmente fraturas internas nos EUA e no Ocidente. Aparência e essência do novo sistema internacional

Apesar do fato de que os focos de tensão são hoje mais numerosos e perigosos que um ano atrás, o 11 de setembro foi uma dádiva para a administração Bush, que pôde colocar em marcha seus contraditórios projetos. Baixada a poeira, os atentados terroristas parecem, cada vez mais, com o ataque japonês a Pearl Harbour, só que com sinal invertido. Se aquele ataque à mais afastada guarnição militar americana marcava o início da hegemonia dos EUA no sistema internacional, este atentado ao coração da América pode representar o início de uma tendência oposta. Muitos vêem nas ações político-militares unilaterais da administração Bush uma retomada do poder americano, configurando uma nova hegemonia "unipolar" para o século XXI, que, como o anterior, seria novamente americano. Na verdade trata-se de uma reação para evitar uma tendência histórica que emerge lentamente, a de construção de um sistema mundial multipolar, num quadro de equilíbrios entre EUA/NAFTA, União Européia, Rússia/CEI, Japão/Tigres Asiáticos, China, Índia, África do Sul/SADC e Brasil/Mercosul. Uma situação aparentemente contraditória, mas que evoca a imagem do mar, com o vento soprando as ondas numa direção, enquanto poderosas correntes submarinas movem-se em sentido oposto.

PETRÓLEO ANTES: O barril de petróleo valia menos de 30 dólares antes do ataque terrorista às Torres Gémeas. Nos anos anteriores, apenas a Guerra do Golfo tinha feito disparar o preço do crude, principalmente devido ao impacto da invasão do Koweit por parte do Iraque. A oferta satisfazia plenamente a procura, pelo que o mercado se mantinha em equilíbrio. Esta estabilidade teve, no entanto, um efeito “perverso”: antes do 11/09 assistia-se a um desinvestimento no desenvolvimento de infraestruturas de exploração e refinação de petróleo. DEPOIS: A caça aos terroristas feita pelos EUA após o 11 de Setembro foi uma das principais causas da subida do preço do petróleo. A escalada não aconteceu imediatamente após o contra-ataque americano no Afeganistão e do Iraque (apesar deste estar a produzir um milhão de barris abaixo das suas potencialidades), mas sim com o “anti-americanismo” que surgiu em vários Estados islâmicos. E alguns deles, como é o caso do Irão, são dos maiores produtores de petróleo do Mundo. Esta instabilidade geopolítica levou o crude a atingir quase os 80 dólares o barril, com previsões a colocarem-no, a prazo, acima dos 100 dólares. BAGAGENS ANTES: Há cinco anos, as coisas eram bastante simples: chegar ao aeroporto praticamente em cima do fecho do ‘check in’ e utilizar todos os argumentos para não ter de despachar a mala, embora a dimensão fosse superior à regulamentar (55x40x20cm) para a bagagem de mão. Seguia-se em passo acelerado, com uma passagem rápida pelo raio-x, porque não era necessário tirar sapatos e cintos, nem se corria o risco de ficar sem o corta-unhas ou o canivete suíço. Há cinco anos, os líquidos, pós e outros produtos não eram considerados de risco. Só mesmo o transporte de produtos alimentares para alguns estados americanos. DEPOIS: No dia 11 de Setembro de 2001, voar ganhou novos contornos. Passou a ser proibido transportar vários objectos de corte e aerossóis. Foi o fim dos talheres de metal na classe económica. Os detectores de metais foram regulados para o máximo. O reforço policial tornou-se ostensivo. Depois, quando tudo parecia estar a voltar ao normal, as ameaças de Londres do mês passado criaram ainda maiores proibições: nada de cremes, líquidos e géis. Nem sequer bagagem de mão. Tudo o que era transportado devia estar à vista em invólucros transparentes. A cautela vai-se agora esbatendo a pouco e pouco. SIGILO BANCÁRIO ANTES: Antes dos atentados, a coordenação entre agências de segurança e bancos era reduzida. Antes do 11 de Setembro faltavam pretextos para uma alargada discussão em torno do levantamento do sigilo bancário. Apesar de ter conhecimento do financiamento de grupo terroristas - com a Al-qaeda à cabeça - o foco estava na busca e destruição de alvos. Depois, tornou-se uma prioridade“cortar o mal pela raiz” e as instituições bancárias teriam um papel activo neste combate. A administração americana chegou mesmo a congelar contas de alegados suspeitos e instituições com ligação ao terrorismo. DEPOIS: Cinco anos após os ataques que deitaram por terra as torres gémeas em Nova Iorque, a discussão em torno do sigilo bancário e da investigação ao financiamento de grupos terroristas está longe de estar terminada. Em Portugal, o debate tem girado em torno do combate à fraude e à evasão fiscal, parecendo esquecida a questão levantada pelo 11 de

Setembro. Actualmente, o tribunal pode decretar o levantamento do sigilo a pedido do Ministério Público, no âmbito de suspeitas fundamentadas sobre os subscritores de determinada conta bancária. . SEGUROS ANTES: A probabilidade de as duas torres caírem simultaneamente era considerada tecnicamente nula, pelas companhias de seguros. Elas apenas desenhavam um cenário hipotético, onde qualquer dano grave seria sempre inferior ao que a realidade veio confirmar. As companhias de seguros e resseguradoras mundiais não estavam preparadas para o montante de prejuízo apurados. A cobertura de actos de terrorismo constava das apólices de edifícios, mas não era algo que fosse equacionado na hora de pagar um sinistro. Tudo mudaria a 11 de Setembro. DEPOIS: A percepção do risco seguro mudou com o ataque terrorista. A queda das duas torres provocou o pânico em Nova Iorque, no mundo e no sector segurador. No total, os prejuízos apurados no 11/09 elevaram-se a 50 mil milhões de euros, um valor só ultrapassado pelos danos causados pelo furacão Katrina. A reeseguradora Copenhagen Re faliu. Face à dimensão dos danos provocados, muitas seguradoras deixaram mesmo de cobrir actos de terrorismo, pois os preços exigidos pelas resseguradoras tornaram-se incomportáveis.

AVIAÇÃO ANTES: O sector já não andava bem. O abrandamento da economia tinha reduzido as viagens e várias companhias estavam em contenção de custos. O 11 de Setembro e o medo de outras acções terroristas só veio aumentar as dificuldades. As nove maiores empresas norte-americanas tiveram 5 mil milhões de euros de prejuízo em 2001. A partir daí, os voos decresceram 20% e as tarifas baixaram. Em 2002, a British Airways apresentou 156 milhões de euros de prejuízo e isso foi considerado muito melhor do que o esperado. DEPOIS: Este mês a IATA (International Air Transport Association) reviu as suas previsões para o sector e anunciou, para 2006, um prejuízo de 1,33 mil milhões de euros. O valor é mais animador do que o de Junho (o preço do petróleo estava mais alto), que apontava para perdas de 2,34 mil milhões de euros. No caso da indústria norte-americana, o principal problema são os custos de reestruturação, mas a Europa está a recuperar o tráfego ‘premium’. Nos primeiros sete meses de 2006, o número de passageiros cresceu 6,4%. ENERGIA ANTES: Os EUA lideravam o consumo energético, com valores superiores ao total europeu. O petróleo era a principal fonte de energia primária, fornecendo 40% das necessidades mundiais. No conjunto das economias mundiais, a produção de energia aumentou 0,3% em 2001, crescendo pelo terceiro ano consecutivo abaixo dos 0,5%. A recessão mundial foi determinante para este cenário, agravada pelos acontecimentos de 11 de Setembro. Apesar de algumas preocupações não existia então uma estratégia para as emissões de CO2. Nem uma alternativa estratégia ao petróleo. DEPOIS: O gás natural e o carvão ganharam protagonismo face ao petróleo. A aposta da Europa no gás natural e a subida do preço do crude em resultado da crescente tensão nos países produtores de petróleo determinam esta tendência. A China regista hoje um brutal crescimento no consumo de energia, suportado pelo uso do carvão. Entre 2002 e 2005, aumentou o consumo de fontes primárias de energia em mais de 47%, comparativamente à Europa e EUA que cresceram cerca de 2%, controlados por Quioto. Hoje, a Rússia - e o gás russo - são os novos players no mercado mundial. ECONOMIA ANTES: “Em 2001, a economia asiática continuará a recuperar, com abrandamento nos EUA e na Europa. O ‘outlook’ global mantém-se relativamente favorável: a inflação deverá manter-se nos actuais níveis, mantendo-se o crescimento económico” As previsões da OCDE para 2001 apontavam ainda para um crescimento na ordem dos 3,2%, um ponto abaixo dos valores em 2000. A este cenário, o Deustche Bank juntava mais dois dados: uma alta nos preços do petróleo e políticas monetárias mais restritivas. Meses depois, tudo mudaria com os atentados. DEPOIS: Desde 2001, a economia mundial expandiu-se mais de 20%, com os países em vias de desenvolvimento a registarem crescimentos na ordem dos 30%. “A gestão de crise no pós 11 de Setembro também minimizou os efeitos do terrorismo a longo prazo”, segundo uma análise recente do economista Robert Samuelson. Por outros lado, o

proteccionismo comercial e os epicentros nacionalistas um pouco por todo o mundo são uma consequência directa do medo terrorista. Apesar destes sinais, “o estrago feito pelo 11 de Setembro é pálido face ao efeito global na economia. Que não foi muito”, assegura Samuelson. BOLSA ANTES: O ‘crash’ bolsista já era evidente nas bolsas mundiais antes do 11 de Setembro. A bolha tecnológica tinha rebentado no final do primeiro trimestre de 2000 e os mercados estavam em queda acentuada. As gestoras das maiores bolsas mundiais não estavam, no entanto, preparadas para algo semelhante aos ataques. Fisicamente, a única a ser penalizada foi a bolsa de Nova Iorque, que teve de ficar fechada durante cinco sessões nos dias que se seguiram. Mas no resto do mundo, as bolsas também não estavam ‘fisicamente’ preparadas para o 11 de Setembro. DEPOIS: Após uma queda inicial, os atentados foram seguidos por uma subida da bolsa nos quatro meses seguintes. Depois disso, o ‘crash’ manteve-se até ao início de 2003. Para evitar mais perdas, os investidores criaram cada vez mais um gosto por investimentos alternativos. Hoje, cinco anos depois dos atentados, muita coisa mudou nas bolsas mundiais. A principal alteração prende-se com protecção dos seus dados e na tentativa de evitar que um atentado semelhante aos de 11 de Setembro obrigassem - mesmo que temporariamente - ao encerramento das sessões e das praças atingidas. GUERRA ANTES: Há cinco anos, a herança de Westfália ditava ainda o curso da resposta armada. O princípio de não -ingerência nos assuntos de outro Estado impunha que só em caso de ataque externo fosse possível uma resposta armada. Apesar das excepções, era essa a regra da ‘pax americana’: em 1991, só a invasão do Kuwait pelos exércitos fiéis a Saddam Hussein tinha legitimado um esforço concertado da comunidade internacional. Depois do fim da Guerra Fria,. os EUA só tinham estado no Médio Oriente e na antiga Jugoslávia, nas duas ocasiões com parceiros internacionais. DEPOIS: Em poucos meses, a ofensiva contra o terrorismo estreava um novo conceito de guerra: atacar antes de ser atacado. Com o Afeganistão, a “guerra preventiva” entrava nos compêndios da história, apesar das reticências colocadas pelo Conselho de Segurança e à ausência de um mandato internacional. A busca e captura de Osama Bin Laden reforçou as estratégias de vigilância e ataque furtivo, bem como a adaptação dos meios americanos à guerrilha nas montanhas do Afeganistão. Dois anos depois, seguir-se o Iraque na lista de alvos do eixo americano-britânico. GEORGE W. BUSH ANTES: 2001. Em Janeiro, o novo presidente sucedia a Bill Clinton e concretizava, nos primeiros meses que se seguiriam, o plano republicano para a Casa Branca. Com a economia a crescer apenas 1,7% ao ano - menos três pontos do que em 2004 - o novo presidente anunciava novos cortes fiscais apoiados pelo excedente orçamental. Nos primeiros seis meses do seu mandato, o Presidente respondia assim àquelas que eram então as necessidades prementes da América: combater as altas taxas de desemprego e desenhar um novo sistema de saúde público. Prioridades que mudariam a partir de Setembro. DEPOIS: “Sou um presidente de guerra. Não queria que fosse assim, mas é. E vejo os perigos que existem.” Pela primeira vez depois do Iraque, a América unia-se contra um inimigo comum, curando as feridas internas com uma ofensiva alémfronteiras. Para combater esses perigos, o Congresso americano aprovou - por iniciativa de George W. Bush - um reforço de verbas para a Defesa e segurança Interna, abrindo também o caminho à chamada de reservistas para o Afeganistão e Iraque. Num país em guerra, Bush conseguiu ainda derrotar um heroi do Vietname - John Kerry - mantendo-se à frente dos destinos da América até 2008. O EIXO DO MAL ANTES: 23 de fevereiro de 1998. O primeiro atentado da Al-Qaeda contra os EUA acrescentava dois nomes à lista de inimigos da América: Osama bin Laden e Ayman al-Zawahiri, para quem “matar americanos e seus aliados, civis e militares” era “um dever individual de todos os muçulmanos.” Forjada na luta contra a presença russa no Afeganistão, a nova rede islâmica ganhava com o 11 de Setembro um lugar entre os mais odiados pelo mundo ocidental , nos anos seguintes. Mais abaixo, o crescendo islâmico no Irão e na Palestina também ameaçaca já o peso judaico - e americano - na região. DEPOIS: A 29 de Janeiro de 2002, George W. Bush apontava os inimigos do mundo ocidental: Iraque, Irão e Coreia do Norte. Um “eixo do mal” dotado de armas de destruição maciça e ao mesmo tempo patrocinadores do terrorismo mundial.

Hoje, o Iraque já não é uma ameaça e as prioridades americanas estão viradas para Teerão e Pyongiang . Há poucas semanas, a revista ‘New Yorker’ revelava os planos do Pentágono para invadir o Irão, uma tensão recentemente pelo conflito israelo-libânes e pelo desenvolvimento do programa nuclear iraniano. Armas que a Coreia do Norte já assumiu ter. ELECTRÓNICA ANTES: Vivia-se o rescaldo do rebentamento da bolha tecnológica, que colocara um fim abrupto aos devaneios dos investidores nas ‘dot-com’. Ainda assim a Internet florescia, e não havia a noção de que tudo o que tinha de bom também tinha de perigoso. Surpreendentemente, não havia grande cruzamento entre as bases de dados do Departamento de Segurança (DHS) e outras entidades securitárias.O FBI pensava que a sua missão era perseguir e capturar suspeitos. E as consequências materiais e humanas do 11 de Setembro provaram que teria de ser muito mais que isso. DEPOIS: Ao contrário do que se pensava, não houve muitas novidades estrondosas na tecnologia de topo. Ainda assim, os ataques fizeram disparar o mercado da segurança, não só com o salto de tecnologias que melhoram a identificação de pessoas nas câmaras de vigilância, mas também com o investimento nos sistemas biométricos para autenticar indivíduos. Nos EUA, foram investidos milhões de dólares em aparelhos detectores de explosivos e na melhoria dos satélites que alertam para casos de emergência. UNIÃO EUROPEIA ANTES: O terrorismo, em regra geral, era um termo usado pelos MNE para falar da situação no Médio Oriente, raramente aparecia nas conclusões dos conselhos de ministros da área da justiça que se ocupava mais de questões de imigração ilegal, crime organizado… Mas parte da notoriedade de Vitorino na Europa foi granjeada por ter impulsionado nova agenda que está hoje a ser aplicada: criar um espaço de segurança e justiça europeu assente na cooperação dossistemas judiciais. Já estava tudo no papel mas como toda a legislação europeia arrastava os pés. DEPOIS: Onze dias depois, a 20 de Setembro uma reunião extraordinária fixou um plano de adopção recorde de medidas que vinham sendo adiadas. Todos os instrumentos foram direccionados para o terrorismo. Hoje há operações conjuntas de forças policiais no quadro da Europol, há uma política articulada de controlo de lavagem de dinheiro, há uma política de controlo de dados de telecomunicações e um mandato de procura europeu. Mas talvez umas das grandes mudanças na política de segurança foi a prevenção do terrorismo procurando antecipar a radicalização, por exemplo de jovens islâmicos. LIVROS ANTES: Em 2000, o Booker Prize era atribuído a “The Blind Assassin”, de Margaret Atwood. O tema? O pós-segunda grande guerra. O Nobel ia para Gao Xingjian, nascido na China, pelo despertar de uma nova literatura na Ásia. A literatura procurava novas fronteiras (o primeiro Nobel português, de Saramago, foi em 1998) e mostrava-se aberta ao mundo. Os crimes, como a guerra, nunca desapareceram verdadeiramente das livrarias. E Bush, eleito na Flórida por poucos votos, foi sempre objecto de sátira. Mas o mundo ainda não tinha visto as torres a cair. DEPOIS: Qual foi o “bestseller” pós-11 de Setembro nas prateleiras do mundo? A resposta parece não ajudar: o Código Da Vinci terá pouco em comum com os atentados, para além do reforço da procura de conspirações que mudaram a história. Mas não foi só aí que o 9/11 mudou as letras. Ian McEwan, que tinha ganho um Booker Prize com Amsterdão, passou pelo medo em ‘Sábado’ - dando um sinal muito seguido pelo mundo. A literatura muçulmana voltou ao mundo dos prémios. E as livrarias encheram-se de livros que procuravam Bin Laden ou questionavam a luta contra o terror de Bush. FILMES ANTES: Antes do atentado, a confiança americana parecia inabalável. Facto que nunca deixou de se reflectir na maior indústria do mundo de cinema. O mainstream dos grandes estúdios refelctiam em muito uma postura de “força inabalável de uma nação” em filmes como “Air Force One”, “Armagedon” e “Dia da Independência”. Com os americanos como actores principais na missão de salvar o mundo contra ameaças externas. Mas filmes mais discretos como South Park - de 1997 começavam a abrir a cortina para uma nova era. DEPOIS: Logo após os atentados, os argumentos dos filmes norte-americanos fugiram - propositadamente ou não - à tentação de reproduzir os acontecimentos desse dia. Nos dois anos seguintes foi dado aos americanos um “tempo de luto” para sarar feridas. Spike Lee, com o memorável “Última Hora” e Michael Moore - de forma mais polémica no segundo caso com Fahrenheit 9/!1 - inauguraram o tema. Mas os documentários sobre o tema só apareceriam cinco anos depois. Há

poucas semanas estreou United 93. Para breve está anunciado o ‘World Trade Center’ de Oliver Stone, onde o tema é frontalmente abordado pela primeira vez.