Apologeticando

a defesa da Fé
Alexandre Martins, cm.

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Apologeticando
a defesa da Fé
2a edição revista e ampliada

São Gonçalo 2008

Perguntas a um Congregado Palavra do Assistente

do mesmo autor:

Copyright 2007 © Alexandre Martins Copyright 2008 © Alexandre Martins Capa: Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, Largo do Pelourinho, Salvador, BA - foto: Renato Soares®Imagens do Brasil <www.imagensdobrasil.art.br> Correção ortográfica: profa. Bruna da Silva Tavares Capas e diagramaçào: do autor O registro de direito das fotos bem como de ilustrações desta publicação - exceto 1a. capa - é de domínio público. Pedido de exemplares: rua Nilo Peçanha, 110 / 1101, São Gonçalo, RJ, CEP 24445-360, ou pelo correio eletrônico alexandremartins@bluebottle.com com o assunto “pedido de livro”.

Introdução
Apologética é uma palavra derivada de “apologia” (do grego απολογία, que vem de απο + λογος). É definida pelo dicionário Houaiss como sendo “defesa argumentativa de que a fé pode ser comprovada pela razão” ou “parte da teologia que se dedica à defesa do catolicismo contra seus opositores”, em derivação: “defesa persistente de alguma doutrina, teoria ou idéia”. Conforme Sproul, Gerstner, Lindsley (1984:13), ” ”Apologetics is the reasoned defense of the Christian religion” - a apologética é a defesa fundamentada da religião Cristã. Como defesa fundamentada da fé, a Apologética está para a Teologia como a Filosofia está para as Ciências Humanas. Ramm (1953:2) identifica na apologética o papel fundamental de mediar e conciliar tensões intelectuais: ...a apologética media tensões intelectuais. [Essa] mediação intelectual alivia as pressões mentais, resolvendo discrepâncias aparentes, harmonizando todos os elementos da vida mental. (...) Com o surgimento da mentalidade moderna e o conhecimento moderno, veio uma ampla gama de tensões para o apologeta Cristão mediar. Este pequeno livro vem à lume para contribuir na defesa da Fé cristã, tão volatizada por pseudo-intelectuais que desfiam um colar de baboseiras em textos divulgados mormente na Internet - a rede mundial de computadores. Neste século XXI, o “século da informação” como se quer crer, vemos que as informações são distorcidas a bel-prazer deste ou daquele grupo que tem intenções misteriosas em manipular a verdade. Nunca as

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informações foram tão rapidamente disseminadas e nunca tanto se produziu de conhecimento como nestas últimas décadas. Mas a pergunta é: será que as informações são corretas? Será que podemos confiar em tudo o que lemos ou ouvimos e vemos ? A Desinformação é algo meticulosamente pensado e exercido em todos os meios de comunicação de massa - os media - fazendo com que ajamos de determinada forma sem a nossa própria percepção. E este agir reflete algo já previsto por quem nos informa. Desinformação não é o ato de não-informar ou o de “retirar a informação”. Desinformação - que alguns atribuem a Lenin e sua “desinformátsya” - é “informar coisas para fazer com que tal pessoa (ou grupo) possa agir de modo que pense que está agindo por sua própria consciência”. É algo terrível, somente comparado com as mensagens subliminares que a ciência da Gestalt estuda. Mas as mensagens subliminares estão sendo pouco a pouco desmascaradas... Mas a desinformação, não. “A maior parte das nossas classes letradas não sabe sequer o que é desinformação. Imagina que é apenas informação falsa para fins gerais de propaganda. Ignora por completo que se trata de ações perfeitamente calculadas em vista de um fim, e que em noventa por cento dos casos esse fim não é influenciar as multidões, mas atingir alvos muito determinados - governantes, grandes empresários, comandos militares - para induzi-los a decisões estratégicas prejudiciais a seus próprios interesses e aos de seu país. A desinformação-propaganda lida apenas com dados políticos ao alcance do povo. A desinformação de alto nível falseia informações especializadas e técnicas de relevância incomparavelmente maior.”* Cumpre a nós, católicos, por força de um pensamento coerente e lógico, desfazer equívocos que são maquiavelicamente disseminados em círculos intelectuais, em meios de comunicação, etc. O leitor verá neste livro refutações a artigos e pensamentos que são à primeira vista bem coerentes e bem fundamentados,
(*) - Disponível em <http://www.olavodecarvalho.org/semana/desinf.htm> Acesso em 10/10/2007.

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mas que numa breve análise, tornam-se fúteis e até pobres de embasamento científico. Não é difícil, na sociedade brasileira moderna, refutar acusações como as que são vistas nesta obra. O nível de conhecimento histórico do estudante brasileiro - mesmo do ensino superior - foi distorcido por professores geridos ideologicamente por partidos políticos que, a pretexto de fazer uma contra-revolução ao Golpe de 1964, no fundo desejavam - e desejam - reescrever a História e as mentes de acordo com as suas próprias filosofias. Ora, se um professor é doutrinado ideologicamente desta forma, o mesmo necessariamente será feito por ele com seus alunos. Eis uma forma de desinformação. O tema da Desinformação é extenso e mereceria um outro livro. Mas aqui é apenas uma apresentação desta pequena Apologética Católica. Fique com “o outro lado da moeda” do que se aprende na escola e o que se diz nos jornais. Quando depararse com um texto como estes que citamos aqui, pense antes: “a quem interessa ?” Tenha a certeza, caro leitor, de que a verdade prevalecerá. Non ducor, duco*

o autor

(*) - Não sou conduzido, conduzo.

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Primeiro Conselho para o Apologista Católico
Este é um fragmento da obra de Atenágoras de Atenas, datada do séc II. É um texto de muita importância para aqueles que desejam defender a Verdade.

“Em todo dogma ou doutrina que se atenha à verdade nesses assuntos nasce, como rebento, alguma mentira. E nasce não porque, de princípio, saia algo inerente por natureza ou como causa essencial de cada coisa, mas porque é procurado com afinco que honram o germe adúltero que corrompe a verdade. Pode-se comprovar isso primeiramente que há muito tempo especularam sobre esses assuntos e na divergência com seus predecessores ou mesmo com seus contemporâneos, e igualmente através da própria confusão em que se encontram os assuntos discutidos. Com efeito, é certo que essa laia de pessoas não deixou nenhuma verdade sem calúnia: nem a essência de Deus, nem seu conhecimento e sua operação, nem o seguimento encadeado dessas coisas que nos aponta a doutrina da piedade. Assim, existem alguns que, completamente e de uma vez para sempre, renunciam a encontrar a verdade sobre esses assuntos; outros a distorcem em vista de suas próprias opiniões; outros, por fim, fazem profissão de dúvida até sobre o evidente.

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Na minha opinião, aqueles que se preocupam com isso necessitam de duplos raciocínios: uns para defender a verdade, outros a respeito da verdade. Os raciocínios para defender a verdade se dirigem aos que não crêem ou duvidam; os raciocínios a respeito da verdade para os que têm sentimentos nobres e recebem com benevolência a verdade. Portanto, é preciso que aqueles que desejam examinar estas questões considerem o que lhes seja útil em cada caso e, de acordo com o caso, meçam seus raciocínios e ajustem convenientemente à sua ordem, e não descuidem do conveniente e do lugar que corresponde a cada coisa, acreditando que se deva conservar sempre o mesmo princípio. Com efeito, se se olha para a força demonstrativa e para a ordem natural, os raciocínios a respeito da verdade têm a primazia sobre os raciocínios em defesa da verdade; ao contrário, se olhamos, porém, a utilidade, os raciocínios em defesa da verdade são anteriores aos raciocínios a respeito da verdade. Assim é que o lavrador não pode convenientemente lançar as sementes na terra, se antes não arrancar todo o mato e o que pode prejudicar a boa semente; o médico também não pode aplicar medicamentos de saúde ao enfermo, se não limpa antes o mal interno ou não detém o mal que procura infiltrar-se; assim quem procura ensinar a verdade não poderá, por mais que fale dela, persuadir a ninguém, enquanto uma falsa opinião esteja agarrada à mente dos ouvintes e se oponha aos raciocínios.” Atenágoras de Atenas *

(*) - Atenágoras (†180) era filósofo em Atenas, Grécia, autor da “Súplica pelos Cristãos” - apologia oferecida em tom respeitoso ao imperador Marco Aurélio e seu filho Cômodo. Escreveu também o “Tratado sobre a Ressurreição dos Mortos”. Um dos Padres da Igreja, foi grande apologista.

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A Igreja de Roma e os Movimentos Heréticos
Guimarães, Carlos. A Igreja de Roma e os Movimentos Heréticos, disponível em <http://www.mundodemerlin.pro.br/home.htm>. Acesso em 5/4/2002.

Texto publicado na Internet* em meio a vários outros artigos pró ou contra a Igreja. O Autor, Carlos Antonio Fragoso Guimarães, nasceu aos 10/01/1969, em João Pessoa (PB), formado em Psicologia Clínica (UFPB) e Mestre em Sociologia (UFPB). Pianista, Organista da Catedral Metropolitana local até 1989. Segundo o professor Raúl Cesar Gouveia Fernandes (USP) 1, citando s. Agostinho, deve haver no pesquisador um aprêço pelo que pesquisa, ou seja, de sincera admiração. Tal não encontramos no artigo do psicólogo Carlos Guimarães, que, sem citar fontes, permeia de certa mágoa seu “estudo” sobre a História Eclesiástica. O que se pode deduzir desta sua análise parcial e pouco científica.

* - foram mantidas a grafia e redação do original, sem correção.
1

- Disponível em http://www.hottopos.com.br/videtur6/raul.htm>, Acesso em 05/04/2002

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Segue o texto (em itálico) com os respectivos comentários:
Durante a imersão da Europa nas trevas da Idade Média, surgiram vozes que se levantavam contra o abuso e a arrogância do poder de Roma. O termo “trevas da Idade Média” foi uma fórmula infeliz desenvolvida por autores que queriam justificar o chamado Iluminismo do Século XVI, como um período antagônico cíclico que seria, segundo eles, de barbárie.2 Estes movimentos conheciam boa parte da tradição espiritual do ocidente, e procuravam recuperar a pureza do cristianismo primitivo, sem as pesadas roupagens da ritualística e dos dogmas romanos. Não enumera o Autor a quais os “movimentos puristas” a que se refere. Se contarmos como Idade Média o período geralmente aceito entre 476 a 1453 d.C., poderemos apontar os seguintes movimentos religiosos: criação do Islã (no Oriente, em 622), o Monotelismo, os Iconoclastas, Godescalco, Fócio, Estêvão e Lisóio, Berengário, Valdenses, Flagelantes e outros. O 5° Concílio Ecumênico (ou 2° Constantinopolitano, Constantinopla, 533 - chamado de ecumênico por reunir a maioria dos bispos de todo o Mundo conhecido - , condenou a heresia Nestoriana - segundo a qual a pessoa de Jesus Cristo era um composto de dois filhos: filho de Deus e filho de um homem.

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- PERNOUD, Régine, O Mito da Idade Média, Lisboa, Europa-Am., s/d.

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O Monotelismo pregava que Cristo tinha somente uma vontade, a Divina. A Igreja, bem como as Escrituras, apregoam a dupla natureza de Cristo: humana e divina. O Arianismo - segundo o qual - ainda existia na Espanha, combatido por s. Isidoro de Sevilha (atualmente o santo protetor da Internet). Os Acéfalos foram condenados pelo 4° Concílio de Toledo (Espanha). Os Iconoclastas - do grego εικών = eikon (ícone), e κλαστειν = klastein (quebrar) quebradores de imagens de Cristo e dos santos, além de baderneiros públicos foram condenados por 350 bispos em Nicéia, no 7° Concílio (786) Godescalco, monge beneditino ambicioso, pregava que Deus predestinava certas pessoas para a Salvação em detrimento de outras. Foi condenado por Notingo, bispo de Verona (Itália). Seus erros foram repetidos por Lutero e Calvino, séculos depois. Fócio, ambicioso bispo que desejava ser Papa por méritos pessoais - usando de prestígio político passou de leigo cristão a monge, diácono, sacerdote e até a bispo em apenas uma semana - foi o início e a mais importante das causas que separaram as Igrejas do Oriente e do Ocidente até hoje. Foi condenado pelo 8° Concílio Ecumênico, não antes de lhe ter sido dada a voz para esclarecer-se, à qual respondeu esconjurando a todos. Estêvão e Lisóio pregavam a extinta heresia dos Maniqueus - segundo a qual existem dois deuses: um bom e outro mau - além de rejeitarem os Sacramentos e praticarem certas práticas como queimar crianças e dar as cinzas aos moribundos. Foram condenados por um Concílio de Orléans (França) e queimados vivos com seus adeptos. Berengário rejeitava a presença de Cristo na Eucaristia. Esclarecido de seus erros, retratou-se e morreu pedindo perdão a Deus pelos que talvez tivesse tirado do caminho da Verdade. Os Valdenses, de origem em Pedro Valdo, de Lion (França), cujo amigo, ao morrer repentinamente ao seu lado, lhe despertou repulsa por tudo quanto é riqueza. Pregou aos amigos a pobreza voluntária e começou a condenar a riqueza que possuía a Igreja, afirmando que o clero não poderia possuir

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bens sem cometer pecado. Apesar de condenados pelo 11° Concílio Ecumênico (1179), perduraram ocultos até a época dos Calvinistas (séc. XVI), unindo-se a estes. Flagelantes foram os que, visando aplacar a cólera de Deus, andavam em procissões pelas ruas se açoitando como forma de penitência. O que era devoção, virou superstição e depois heresia: sustentavam que ninguém se salvaria sem estas práticas. Foram condenados pelo papa Clemente VI (1349). Como se percebe, muitos movimentos surgiram nesta época, mas nenhum queria a “pureza cristã primitiva”. Entre as mais famosas dessas correntes rebeldes, predecessoras da Reforma Protestante, temos o movimento da Igreja Cátara, que representou de fato uma séria ameaça à hegemonia da Igreja Católica, Se os movimentos anteriores não acabaram com a Igreja, não seria a heresia cátara que conseguiria. Mesmo assim, os cátaros ou albigenses - assim chamados por surgirem na cidade de Albi (França) - foram grandes pertubadores políticos do seu tempo, a ponto de impedirem a proliferação da paz e a hegemonia dos soberanos dos países onde estavam. A esta desordem política, mais do que movimento religioso, foi combatida com a legislação da época: a ferro e fogo. E tal repressão feita pelo poder político, e não eclesiástico. De fato, longe de opor-se à “hegemonia” católica, o que estes movimentos mais faziam era instaurar o caos urbano.3 e a Ordem dos Templários, contemporânea dos Cátaros e, de início, apoiada pela própria Igreja de Roma. A Ordem dos Templários, fundada em 1118 pelo cavaleiro Hugo de Moyens para defender a civilização cristã dos
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- BETTENCOURT, d. Estêvão, OSB, cit., por prof. Felipe de Aquino, BETTENCOURT diponível em <http://www.cleofas.com.br/html/igrejacatolica/inquisicao/inqu isicaoespanhola.html>. Acesso em 5/4/2002.

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maometanos, alcançou seu ápice anos mais tarde, dificultando a própria vida das comunidades cristãs da Terra Santa, devido aos privilégios concedidos pelos Papas e Bispos a eles. Como as Ordens militares dos Templários e dos Hospitalares de São João começaram a competir entre si por conflitos de interesses, o príncipe São Luíz propôs sua fusão no Concílio de Lyon (França, 1274). A Ordem dos Hospitalários tornou-se a atual Ordem de Malta (www.malta.org). Antes de nos voltarmos a estas duas, temos de precisar o que foi e como se fez o poderio da Igreja Romana na Europa. A Ascenção da Igreja Católica Romana Ao longo do século V, a Igreja Romana viveu sérias ameaças à sua sobrevivência e, por volta de 490, a situação tornou-se desesperadoramente precária. Embora tenha sido a época da heresia ariana - de Ário, sacerdote egípcio, que pregava atual brasão da que Jesus era criatura de Deus e não seu Filho Ordem de Malta - este também foi o tempo do primeiro Concílio Ecumênico da Igreja, o de Nicéia (325). Foi o tempo do início do movimento monástico do Oriente com santo Antão e dos bispos Hilário de Poitiers, Eusébio de Vercelli e Ambrósio de Milão, doutos e santos. Não se entende o porquê da data de 490, pois foi durante o pontificado de são Gelásio, o qual compilou os livros do Antigo e Novo Testamento (usados até hoje), compôs um catálogo com os escritos dos primeiros papas, aboliu as festas em honra ao deus pagão Pã e praticou inúmeras obras de caridade, além de viver uma vida austera e santa.

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Ela estava ainda muito longe de ter a hegemonia do poder espiritual na cristandade, e a implosão do Império tornava a ameaça de invasão bárbara o principal foco das atenções da população latina. Esta “hegemonia” já existia bem antes deste primeiro Concílio Ecumênico de Nicéia, ao qual compareceram 318 bispos de todo o mundo. A chamada “queda do Império Romano” somente ocorreria de fato na tomada de Roma pelos hérulos em 476 (o rei dos Hérulos, Odoacro, destronou o último imperador romano do ocidente, Rômulo Augustulus). Entre 384 e 399, com o apoio oficial, o bispo de Roma já era denominado papa, mas isto não significava muito pois sua condição oficial, em termos de cristandade, era bem diferente do que passou a ser alguns séculos mais tarde quando passou a desempenhar o papel de líder e cabeça suprema da cristandade. O 4° Concílio Ecumênico (Calcedônia, 451) do qual participaram 600 bispos, foi presidido pelo papa Leão I, com apoio do imperador Marciano depois que o herege Nestório, heresiarca dos Nestorianos, no conciliábulo de Éfeso torturou o bispo são Flaviano de Constantinopla, por haver tentado corrigilo de seus erros, falecendo este logo após. Neste Concílio os Bispos aclamaram Leão com as palavras “Assim o cremos todos. “ Pedro falou pela boca de Leão.” tão logo o papa ter lido uma carta condenando a heresia nestoriana. Neste mesmo Concílio os bispos designaram o Bispo de Roma como “Arcebispo universal, “ patriarca, intérprete da voz do bem-aventurado Pedro”. Na verdade, o papa era uma figura que representava apenas uma função centralizadora de interesses velados do colégio eclesiástico romano, que era apenas uma escola dentre muitas outras linhas diferentes do cristianismo, todas lutando por manterem-se vivas e

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adotarem livremente seus pontos de vista a respeito da mensagem do Cristo. Talvez o Autor se refira à criação do Colégio de Cardeais pelo Papa Nicolau II (1059), o qual para evitar a eleição de antipapas em outros países, restringiu a eleição do Bispo de Roma somente aos cardeais. Isto foi ratificado no 11° Concílio Ecumênico (Latrão, 1179), do qual participaram 302 bispos de todo o mundo. A Igreja de Roma lutava desesperadamente para sobressair-se dentre as demais, combatendo uma grande variedade de pontos-de-vista teológicos diferentes dos seus. A pesar de encravada no coração do Império, a Igreja de Roma não possuia maior autoridade que outras, como, por exemplo, a Igreja Grega ou a Igreja Celta. E sua autoridade não era maior que a de outras correntes cristãs. Desnecessário o comentário, visto os anteriores. Se a Igreja de Roma quisesse sobreviver e, ainda, criar uma hegemonia sobre todo o pensamento cristão, exercendo uma grande autoridade e poder, ela necessitaria do apóio de um reino forte e de uma poderosa figura secular que pudesse representá-la resgatando um pouco da mística do Império dos Césares, impondo grande reverência e respeito. Daí que, para que o mundo cristão evoluísse segundo a doutrina romana, a Igreja Católica deveria ser disseminada, implementada e imposta por meio da força secular - uma força suficientemente poderosa para enfrentar e finalmente exitirpar o desafio das outras escolas cristãs. Por volta de 486, o rei franco-merovíngeo Clóvis tinha expandido extraordinarimente a extensão de seus domínios, anexando reinos e principados adjacentes e vencendo várias tribos rivais. Cidades importantes

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passaram a fazer parte de seu reino, como Troyes, Rehims e Amiens. Em pouco mais de 10 anos de conquistas, Clóvis era o chefe mais poderoso da Europa Ocidental. E foi em Clóvis que a Igreja Católica tinha achado um campeão para seus interesses. E foi através de Clóvis que a Igreja Católica finalmente iria conseguir estabelecer uma supremacia que não foi questionada por mais de mil anos. Clóvis, neto de Meroveu, foi o fundador da dinastia Merovíngea, unificando as existentes tribos dos francos. Convertido ao cristianismo por sua esposa Clotilde - santa - formou o primeiro reino bárbaro cristianizado. Sucedeu-o a dinastia Carolíngea (741-987). Quem expandiu enormemente o império carolíngeo foi Carlos Magno (768-814), anexando a Itália e a Catalunha, tornando-se o único rei da Europa Cristã. Foi coroado imperador do Ocidente no Natal de 800. “Ora, como no santíssimo dia de Natal, ele tinha entrado na basílica de São Pedro, apóstolo, na ocasião da celebração das missas solenes, e estava diante do altar, com a cabeça inclinada, em oração, o papa Leão pôslhe a coroa na cabeça, e todo o povo romano rompeu em aclamações: “A Carlos Augusto, coroado por Deus, grande e pacífico imperador dos Romanos, vida e vitória!” Terminados estes louvores, foi Carlos adorado pelo papa à maneira dos príncipes antigos, e sem tomar, contudo, o título de Patrício, foi chamado Imperador e Augusto.”(Anais Reais, ano de 801). 4

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- ANAIS REAIS, ANO DE 801, citado por PEDRO, Fábio Costa, COULON, Olga M.A. Fonseca. História: Pré-História, Antiguidade e Feudalismo, 1989.

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Igreja Católica: Cotas e Reparações
de Walter Passos O autor, escritor baiano, escreve feroz artigo* anticlerical para defender a postura favorável às cotas de ingresso de estudantes afro-descendentes em instituições de Ensino Superior no Brasil. 1 Para conhecer o autor e entender seu pensamento: Walter Passos é Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrista e Presidente CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos: “O CNNC é afrocentrista, panafricanista e defende o Cristianismo de Matriz Africana. O CNNC é a única organização cristã do Brasil que defende o Afrocentrismo, Panafricanismo e Cristianismo de Matriz Africana e acreditamos no Yeshua Preto” - Pseudônimo: Kefing Foluke. Segue uma pequena autobiografia:
Na minha infância fui membro da Igreja Presbiteriana de Queimados-RJ e na adolescência e início da juventude da Igreja Presbiteriana do bairro da Piedade na cidade do RJ.

* - foram mantidas a grafia e redação do original, sem passar por nenhuma correção.

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Apologeticando Nas sextas-feira-santa a minha família agia diferentemente de todas as famílias presbiterianas, sendo meus pais baianos, esse dia apresentava uma sacralidade diferente da visão reformada calvinista, porque a minha mãe, também presbiteriana, mantinha a tradição dos antepassados como se fosse um ritual a preparação de comidas baianas: moqueca de peixe com bastante leite de coco, caruru, vatapá, feijão com leite de coco, arroz com leite de coco, muita pimenta, etc. um cheiro forte de azeite de dendê pela casa, quiabos sendo cortados, cocos ralados, e aquele trabalhão de ver minha mãe mexendo o vatapá, no sentido horário pra não embolar e só uma pessoa mexendo, tudo um respeito simbólico pela data. Durante minha infância não se ligava o rádio, não se falava alto, não podia falar palavrão e nem apanhar, isso pra mim era uma felicidade, comer bastantes comidas gostosas e não tomar uns catilipapos de minha mãe, porque sempre eu estava aprontando e recebendo as “admoestações necessárias”, mas, no sábado de aleluia, dia da malhação de Judas, eu não podia vacilar. Só não gostava do silêncio imposto dentro da casa, mas passávamos o dia todo ouvindo de minha mãe histórias sobre a Paixão de Cristo, do seu sofrimento e das lágrimas e dor de Maria, porque no linguajar simples e sábio dela: - “Maria sofreu muito ao ver o filho que saiu de suas entranhas ser crucificado”. Minha mãe era muito religiosa, sempre orava diversas vezes ao dia e sempre pedia a Deus que me livrasse do mal. Um dia ela me contou que Deus também tinha o nome de Nzambi e meu pai, ao ouvir, disse que ELE também se chamava Olorum e até hoje respeito esses nomes africanos de Deus. Hoje eu entendo essas diferenças lingüísticas e o motivo dos dois ensinamentos. Nesse ínterim de todos os anos, apesar de viver no Rio de Janeiro, conheci grande variedades de comidas baianas, porque todas eram feitas dentro da minha casa, seja o abará, acarajé, bolinho de estudante, peixe assado na bananeira, efó, acaçá e outros. Verdadeiros rituais alimentares, essa preocupação da minha mãe de viver fora da Bahia e manter a tradição ancestral, foi de suma importância na minha concepção africana hoje, de continuar a tradição familiar na “sexta-feira santa”, vivendo na Bahia de reunir-me com a minha família e saborearmos as deliciosas comidas cheias de dendê, leite de coco, gengibre, camarão, amendoim, castanha, pimenta, etc.

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Alexandre Martins, cm. E milhares de famílias de pretos evangélicos estão deixando a tradição alimentar ancestral de reuniões familiares na diáspora na sexta-feira chamada santa, por discordarem do catolicismo e das alimentações de origem africana. “Sexta-feira santa” sem vatapá, caruru, moqueca de peixe com leite de coco, moqueca de ovos com leite de coco e outras iguarias vindas dos nossos ancestrais pretos, não é “sexta-feira santa”. Eu vou continuar mantendo a tradição da reunião familiar e comer o gostoso vatapá feito pela minha filha Aidan. (Disponível em http://cnncba.blogspot.com/. Acesso em 22/03/ 2008).

O modelo de cotas atual foi copiado do existente nos Estados Unidos da América no século XX2 e reflete uma tentativa de correção de injustiças sociais lá existentes na época. Acredita-se que a transposição do modelo para o Brasil do século XXI é irresponsável e temeroso.3 O que impressiona é o cabedal de erros históricos amealhados pelo escritor para justificar sua posição de ser o projeto de cotas para negros em universidades uma atitude de justiça para com os marginalizados africanos dos séculos passados. Analisemos: O Catolicismo Romano foi baseado na escravidão desde os seus primórdios; na Igreja Primitiva e Feudal proclamava igualdade dos homens no céu e a desigualdade na terra. No Concílio de Granges, no ano 324, a Igreja definiu claramente a sua posição ao pôr sob pena de excomunhão, todo aquele que piedosamente induzisse um escravo a fugir, desprezar o seu senhor, ou simplesmente não o servir respeitosamente de boa vontade. Por “Igreja Primitiva”, há consenso em todas as atuais denominações cristãs que o termo se refere às primeiras Comunidades dos seguidores de Jesus Cristo, inclusive as

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administradas pelos próprios Apóstolos ou de seus sucessores diretos4. O Novo Testamento não cita nenhuma passagem apoiando a escravidão, ao contrário, o Apóstolo Paulo refere-se à igualdade entre os Homens: Gl 3,28; Rm 10, 12; Cl 3,11; 1Cor 12, 13. Na Igreja durante o Feudalismo - período este compreendido entre os séculos XI e XIII 5 - não se apoiava a escravidão. Contudo, o escritor confunde-se quando cita Idade Feudal (ou Feudalismo) com o período total da Idade Média (séculos V a XV). É de se considerar que a Escravidão sempre existiu na História da Humanidade 6 e não era de uma hora para a outra que seria extinta. Diz D. Estêvão, OSB: “...medievais, contudo, continuavam a fazer, de seus prisioneiros de guerra, escravos. Precisamente no século IX surgiu no latim medieval a palavra sclavu, outra forma de slavus, que se sclavu tornou esclave (escravo) no francês do século XIII. Isto se explica pelo fato de que as populações eslavas dos Bálcãs forneciam o principal contingente dos escravos do Ocidente.” 7 Estranho que na História da Igreja8 não se tenha notícia do citado “Concílio de Ganges” em 324 ! Existe, sim, o Concílio de Nicéia I (em 325), cujas decisões principais foram: a) confissão de fé contra Ario (heresiarca da época), b) fixação da data da Páscoa a ser celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia da primavera (no Hemisfério Norte); c) estabelecimento da ordem de dignidade dos Patriarcados: 1º - Roma, 2º - Alexandria, 3º - Antioquia, 4º Jerusalém. Como os Concílios têm o nome do local onde são realizados, então o de Ganges teria sido realizado na Índia, onde existe o famoso rio de mesmo nome, sagrado para os hindus. Estranho, não ?

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A Igreja sempre considerou o escravo como uma propriedade divina, e a escravidão um direito justo. Santo Agostinho defendeu ardorosamente a escravidão e Santo Isidoro de Sevilha disse:” Deus concedeu a misericórdia dos escravos pertencerem a um amo, em um projeto redentor dos seus pecados”. Diversas bulas e tratados teológicos foram escritos, considerando os escravos perversos geneticamente que precisavam pagar penitência com a vida escravizada. Não se encontram documentos que provem os fatos. É estranho uma instituição com 2000 anos e com cerca de 1 bilhão de adeptos em todo o Mundo se basear apenas em suposições para disseminar suas idéias. Seria como se todos os seus adeptos e seguidores fossem iletrados e que não houvesse neles ao menos um estudioso ou doutor que pudesse refutar suas colocações sem fundamento básico. QUAIS Bulas ? QUAIS Tratados ? Os de Calvino ? Os de Lutero ? Surgiram e ainda surgem heresias por toda a parte. E isso Bartolomeu de Las Casas desde o século II... A Posição Oficial d a Igreja não deve ser confundida com opiniões de cristãos, mesmo sendo clérigos. Ainda assim vários outros defenderam a posição contra a Escravidão, como o bispo de Chiapas (México), Frei Bartolomeu de las Casas (1474-1566), que levantou-se em defesa dos índios.9 Santo Agostinho (354-430), Bispo de Hipona, África, dizia que “nem a escravidão é de direito natural, mas conseqüência do pecado original, que perturbou a natureza humana, individual e social. Ela não pode ser superada naturalmente, racionalmente, porquanto a natureza humana já é corrompida; pode ser superada sobrenaturalmente, asceticamente, mediante a

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conformação cristã de quem é escravo e a caridade de quem é amo.” 10 Reflexo da mentalidade da época, que o Cristianismo a muito custo poderia minimizar. Para analisar - historicamente, como convém a sérios historiadores - o contexto social da época em questão, leiamos um texto de um pesquisador atual: “ “Durante séculos homens e mulheres, hoje universalmente reconhecidos como heróicos e cheios de generosidade, conviveram com o fato da escravatura sem que lhes ocorresse a idéia de mover uma revolução, violenta ou não, contra a mesma. Pode-se começar a enumeração por S. Paulo Apóstolo, este, embora tenha professado os princípios que logicamente levariam à extinção da escravatura, não viu em sua época as condições para propugnar explicitamente tal conseqüência. O mesmo aconteceu com S. Agostinho († 430), S. Tomás de Aquino († 1274), S. Francisco de Assis († 1226), S. Teresa de Ávila († 1582) ... Em sua consciência subjetiva não chegavam a ver na escravatura um mal a ser incondicionalmente combatida como hoje é combatido.”11 Sobre Bulas relativas à escravidão pode-se citar a Bula “Veritas Ipsa” de 2/6/1537 do Papa Paulo III. Nesta o Pontífice expõe o equívoco subjacente à instituição da escravatura: “O comum Inimigo* do gênero humano, que sempre se opõe às boas obras para que pereçam, inventou um modo, nunca dantes ouvido, para estorvar que a Palavra de Deus não se pregasse às gentes, nem elas se salvassem. Para isso moveu alguns ministros seus que, desejosos de satisfazer às suas cobiças, presumem afirmar cruz da Ordem de a cada passo que os índios das partes ocidentais Cristo e meridionais e as mais gentes que nestes nossos

(*) - o Demônio, N.doA.

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tempos têm chegado à nossa notícia, hão de ser tratados e reduzidos a nosso serviço como animais brutos, a título de que são inábeis para a Fé católica; e, com pretexto de que são incapazes de recebê-la, os põem em dura servidão em que têm suas bestas, apenas é tão grande como aquela com que afligem a esta gente”. Neste texto merece atenção especial a menção de índios e das mais gentes, que são os africanos. A uns e outros Paulo III quer defender. Por isto acrescenta: “Pelo teor das presentes determinamos e declaramos que os ditos índios e todas as mais gentes que daqui em diante vierem à notícia dos cristãos, ainda que estejam fora da fé cristã, não estão privados, nem devem sê-lo, de sua liberdade, nem do domínio de seus bens, e não devem ser reduzidos à servidão” (grifo nosso). Aos 22/4/1639 o Papa Urbano VIII publicou o Breve “Commissum Nobis” incutindo a liberdade dos índios da América. Este documento chegou ao Rio de Janeiro por meio do Pe. Francisco Dias, que iria até Buenos Aires com mais trinta companheiros. Trazia também uma nova lei de Sua Majestade, que mandava dar a liberdade a todos os cativos sob pena de castigos do Santo Ofício e de confiscação dos bens. – No seu Breve, o Papa mandava, sob pena de “excomunhão papa Urbano VIII reservada ao Pontífice”,12 que ninguém prendesse, vendesse, trocasse, doasse ou tratasse como cativos os índios da terra. Dispunha outrossim que a ninguém seria lícito ensinar ou apregoar o aprisionamento dos mesmos. Infelizmente, o Marquês de Pombal, por alvará de 8/5/1758, mandou executar esta Bula em todo o Brasil apenas no tocante aos indígenas. Na verdade, o teor do documento refere-se a todos os homens, incluídos os de origem africana trasladados para o Brasil.

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De novo a ignorância sobre leis e direitos adquiridos por diversas classes da sociedade, como lei trabalhistas, de funcionalismo, de educação pública e até mesmo de ordem econômica ! Conclui o escritor: A Igreja poderá verdadeiramente dar esse passo... Se quiser! Assim não fazendo, comprovará que a Instituição continua do lado dos opressores e pregando que “Ela deve ser rica na terra e os negros ricos nos céus”. Uma ameaça ! Além de citar para epílogo uma frase de “efeito”...

Conclusão:
Nós, brasileiros, somos um povo em ser, impedido de sê-lo. Um povo mestiço na carne e no espírito, já que aqui a mestiçagem jamais foi crime ou pecado. Nela fomos feitos e ainda continuamos nos fazendo. Essa massa de nativos viveu por séculos sem consciência de si... Assim foi até se definir como uma nova identidade étnico-nacional, a de brasileiros. Darcy Ribeiro in “O Povo Brasileiro” É conhecida a ignorância da grande massa popular sobre a História Geral, mormente da de nossa Pátria. Que dizer então de alguma mais específica, como a História da Igreja Católica! São João Bosco, no século XIX, já o sabia, a ponto de fazer uma grande obra denominada “História Eclesiástica”, para uso nas Escolas Profissionais Salesianas, destinadas aos jovens pobres.

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Apêndice

Igreja Evangélica e a Consciência Negra
O Professor e Pesquisador metodista José Carlos Barbosa (doutor em história Pela Universidade de Sevilha, na Espanha), coordenador do Centro de Pesquisa Metodista e autor do livro “ “Negro não entra na Igreja, espia da banda de fora”,em sua fala no encontro de Lideranças Negras Evangélicas comentou o seu trabalho de pesquisa que mostra a relação do protestantismo no Brasil com o negro e a escravidão. Com uma abordagem muito interessante, o professor fez o grupo viajar no tempo, estudando a relação inicial do catolicismo com o índio e com o negro, a relação dos protestantes europeus e norte americanos, imigrantes que aqui se estabeleceram a partir das primeiras décadas do século XIX, com os negros, e ainda, o relacionamento dos missionários vindos do sul dos Estados Unidos, com os negros. O professor explicou como surgiu o seu interesse pela questão do negro, falando de um documento que relatava o naufrágio de um navio negreiro e escrito por um sobrevivente branco. O navio vinha da África para o Brasil trazendo negros para vendê-los. O sobrevivente com uma linguagem, profundamente religiosa, agradecia a Deus pelo milagre de ter salvado a sua vida. Mas, lamentava o afundamento do navio e a perda econômica da carga - homens e mulheres negros. Aquele

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documento lhe chocou profundamente, por ele não conseguir entender como aquele homem conseguia falar em Deus, ir à Igreja e ter um pensamento daquele. Um discurso profundamente piedoso e uma pratica tão cruel. Decidiu pesquisar o assunto e achou uma farta informação sobre como o catolicismo lidava com a escravidão. Mais quase nada, e nenhuma pesquisa mais profunda sobre o assunto, com relação ao protestantismo, o que o levou a estudar a questão. A contribuição que o professor Jose Carlos nos trouxe foi de grande importância, nos trazendo pistas para nossa atuação na questão negra nas igrejas. Um dos pontos importantes é que os protestantes vieram para o Brasil a fim de propagar o evangelho e ganhar membros da elite. Sua meta era plantar a igreja evangélica no país. Enfrentaram grande oposição do clero católico e tiveram grande dificuldade pelo fato da população ser analfabeta, o que fez com que sua estratégia fosse abrir escolas. O professor afirmou que os primeiros protestantes que aqui chegaram em sua grande maioria eram escravistas, não tendo nenhum interesse em se opor à escravidão. Apesar de toda essa incompatibilidade no campo do protestantismo, entre a escravidão e a fé cristã, houve algumas vozes na Europa, Estados Unidos e Brasil, que não concordavam com a escravidão, como John Wesley e, no Brasil, Robert Kalley que chegou a expulsar um membro da sua igreja por não ter libertado os seus escravos. O professor também lembra que, ao terminar a guerra do norte e sul, nos Estados Unidos, (chamada Guerra de Secessão), os sulistas continuaram a querer a permanência do escravismo e o norte o seu fim). Muitos sulistas vieram para o Brasil e buscavam produzir o modelo escravista, tentando justificar a escravidão teologicamente. Os evangélicos, no processo da abolição da escravatura no Brasil, de acordo com o professor, só se manifestaram quando o Brasil inteiro já estava envolvido nessa luta. Ele cita um documento muito importante, escrito pelo pastor presbiteriano Carlos Eduardo Pereira, publicado, em 1886, no jornal “Imprensa evangélica”, condenando a escravidão à luz da Bíblia. Segundo o professor, os evangélicos não tiveram um papel relevante na Abolição da Escravidão do negro. A partir da

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sua palestra, os participantes do Fórum tiveram subsídios para legitimar a proposta do movimento negro evangélico, afirmando que o seu trabalho de pesquisa veio de encontro às necessidades da nossa luta, dando base e conteúdo para até pensarmos em reivindicar reparações e políticas de ações afirmativas em nossas igrejas para o afrodescendente, no sentido material, bem como uma releitura bíblica teológica. Por exemplo, cotas para negros e bolsas de estudos em colégios e universidades protestantes e reparações teológicas. Olhando a nossa situação atual com relação à Igreja Evangélica e à Consciência Negra, podemos ver o tamanho da luta que temos pela frente. Começando pelas Igrejas Históricas onde a questão tem se desenvolvido de maneira mais efetiva: A Igreja Metodista é a única denominação protestante que tem uma Pastoral de Combate ao Racismo, que, por outro lado, não tem apoio nem recursos humanos e financeiros para o seu funcionamento. É só para inglês ver. A Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil vem tentando criar a sua Pastoral da Negritude, devido aos esforços do Grupo de Negros e Negras da Escola Superior de Teologia da denominação; Uma das novidades que podemos comemorar vem da Igreja Presbiteriana Unida que oficializou o Dia da Consciência Negra em sua agenda com uma liturgia nacional, e também criou um projeto especifico para trabalhar o racismo e a negritude. Grande parte das Igrejas Históricas indica representantes junto à CENACORA - Comissão Ecumênica Nacional de Combate ao Racismo - uma organização do Movimento negro evangélico. Mas, muitas vezes, essas indicações têm servido de desculpa para essas igrejas não atuarem de uma forma mais direta, cumprindo realmente o seu papel profético diante do racismo e da questão negra. O fato é que essas igrejas, ao terem um representante na CENACORA, imaginam que estão fazendo a sua parte. Não compreendem que o verdadeiro papel da CENACORA é assessorar essas igrejas e suas pastorais a desenvolverem atividades e ações de combate ao racismo e não

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servir de muleta para as isentarem da sua responsabilidade diante da questão. As igrejas evangélicas participantes da CENACORA são: Igreja Congregacional, Igreja Presbiteriana Independente, Igreja Metodista, Igreja Luterana, Igreja Anglicana, Igreja Siriana Ortodoxa e Igreja Católica Romana. A Igreja Batista é a única que não tem nenhum tipo de trabalho oficializado por suas lideranças com relação ao afrodescendente, mas, tem projetos desenvolvidos por pastores e membros, isoladamente, sem um apoio explicito da denominação. Existe um fato muito interessante com relação à Igreja Batista Brasileira: as uniões e convenções batistas do mundo inteiro adotaram o Pacto de Atlanta, garantindo que a primeira década do século 21 será aquela em que os batistas do mundo inteiro trabalharão pela justiça racial para todos os povos. Já se passaram 4 anos da década e os batistas brasileiros nem sequer sabem do pacto. Mesmo com pastorais, representantes indicados e pequenos trabalhos as igrejas históricas não têm a questão do afrodescendente como parte da sua agenda e missão, nem têm investido recursos para uma atuação mais eficaz diante do problema, notando-se uma certa incoerência entre o discurso e a pratica do quetem pregado como Igrejas cristãs. Nas Igrejas pentecostais não existe nenhum trabalho oficializado por suas lideranças com relação ao negro. O que existe são manifestações de pessoas e organizações oriundas das igrejas desse seguimento, sem nenhum vínculo com as denominações ou oficialização por suas lideranças. Nas igrejas pentecostais é onde se encontra a maior parcela de afrodescendentes, não por que esse segmento optou pelo negro, mais pelo negro ter optado pelo pentecostalismo,por ter se identificado melhor com essas denominações. Nas Igrejas Neopentecostais a situação é mais complicada ainda. Além de não existir nenhum trabalho oficializado não há espaço para o surgimento dequalquer tipo de proposta, realizado por membros dessas igrejas. Isso, devido a sua característica como a doutrina da prosperidade, a batalha espiritual, as

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maldições hereditárias, e outras. Fazendo que seus membros vivam voltados somente para os compromissos da igreja e das “coisas espirituais”. Dos neopentecostais a única denominação que tem abordado a questão do negro é a Universal, porém isso acontece mais em razão da sua forma estratégica e política de atuação.

Conclusão
No geral, as igrejas brasileiras não tém respondido de uma forma cristã à situação do afrodescendente. No passado, por se cúmplice da escravidão, após a Abolição, de forma silenciosa, e hoje continuando omissa. Nos anima o fato de que entre os afrodescendentes tenha crescido uma significante conscientização da sua negritude e isso, de certa forma, tem fortalecido a nossa luta. Podemos sentir o mover de Deus despertando as consciências adormecidas por anos de opressão. Existem grandes barreiras para chegarmos a uma situação ideal em nossa luta, das quais, as principais são: - Falta de interesse das lideranças das igrejas evangélicas. - Falta de material com a temática do negro nas igrejas. - Falta de estrutura e recursos financeiros. - Falta de um movimento articulado que tenha visibilidade e legitimidade. Por fim, a demonização de tudo que se refere ao negro, dificultando a introdução da questão nas igrejas evangélicas. Os desafios são muitos mas existem prioridades e uma delas é a conscientização dos pastores, pastoras e lideranças negras para que, através deles e delas, a temática possa chegar aos membros de suas igrejas. Outra prioridade é a questão da informação, divulgação e capacitação das lideranças para a fomentação da causa. Também se torna urgente a consolidação do movimento negro evangélico para fortalecer as bases e lideranças.

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Faz-se também necessário um ciclo de debates sobre vários temas pertinentes e que nos faça pensar a relação entre o movimento negro, os negros evangélicos, e as igrejas.
Síntese do Encontro do Fórum de Lideranças Negras Evangélicas, em 18 de Outubro de 2003.http://br.msnusers.com/Afro descendentesnasIgrejasEvangelicas/isenecon.msnw acesso em 31/10/ 2007

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O Evangelho segundo os evangélicos
INTRODUÇÃO
Ao ver o título deste texto possivelmente alguns poderiam pensar que se trata de algo ofensivo, mas não é assim. O objetivo desta instrução não é atacar nem ofender aos nossos irmãos evangélicos. Meu desejo é simplesmente mostrar a Verdade do Evangelho tal como é, num ambiente ecumênico, de amor ao irmão e de amor à Verdade. Jesus Cristo disse: “conhecereis a verdade e a verdade vos livrar.” (Jo 8,32) e é essa verdade que queremos proclamar sem comentários, nem interpretações, nem agregados. Queremos proclamar o Evangelho completo do Nosso Salvador e Senhor Jesus Cristo. Se você for evangélico compare todas as passagens que damos da sua própria Bíblia (a de João Ferreira de Almeida, porexemplo) usada neste texto, e peça a Deus que lhe ilumine e te guie até a verdade plena. Se você for católico, agradeça a Deus e reze para que você viva como um autêntico cristão, seguindo o Evangelho de Jesus Cristo.

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Índice
Introdução Primeiro Conselho para o Apologista Católico A Igreja de Roma e os Movimentos Heréticos Igreja Católica: Cotas e Reparações Aborto & Prostituição “Amizade Gospel” Apêndice Igreja Evangélica e a Consciência Negra Cotas x Universalização Meu amigo, o negão Almeida Eu fui abortada! Mercado e moralidade O Evangelho segundo os evangélicos Por que nem todas as religiões são iguais? Mitos sobre pedofilia entre os Sacerdotes Danos causados por algumas seitas e NMR Glossário Católico 103 109 114 117 120 125 135 142 152 161 5 9 13 37 77 83

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ssim é que o lavrador não pode convenientemente lançar as sementes na terra, se antes não arrancar todo o mato e o que pode prejudicar a boa semente; o médico também não pode aplicar medicamentos de saúde ao enfermo, se não limpa antes o mal interno ou não detém o mal que procura infiltrar-se; assim quem procura ensinar a verdade não poderá, por mais que fale dela, persuadir a ninguém, enquanto uma falsa opinião esteja agarrada à mente dos ouvintes e se oponha aos raciocínios.”
(Fragmentos de Atenágoras de Atenas - séc II)

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