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Descrição fenomenológica do ato de conhecer como relação sujeito e objeto

A corrente fenomenológica encara o conhecimento enquanto ato, descrevendo a sua estrutura e analisando-o nos seus elementos fundamentais. Os fenomenólogos ao referir os elementos que condicionam os atos concretos de conhecimento de cada ser humano, nas circunstâncias da sua vida. Diferentemente, perspetivam o conhecimento como um fenómeno puro, isto é, desligado de quaisquer particularidades. A sua análise não interessa a discriminação da natureza dos objetos de conhecimento. Também não interessa se se conhece mediante estes ou aqueles processos cognitivos, nem se se trata de conhecimento científico, filosófico ou do senso comum. Assim, a fenomenologia do conhecimento é um método que põe de lado todas as variáveis interferentes no conhecimento natural para considerar pura e simplesmente o conhecimento em si mesmo, a sua estrutura essencial e os seus elementos , desligados do que quer que seja. Perspetivado como um fenómeno que ocorre sempre que um sujeito conhece um determinado objeto, os fenomenólogos procuram descrevê-lo para clarificar os elementos cuja presença se torna imprescindível para que ocorra o fenómeno cognitivo. Para nos orientarmos nesta análise, vamos utilizar um texto de N. Hartmann inserido na sua obra Les principes d'une métaphysique de la connaissance:
1. Em todo o conhecimento encontram-se face a face um "cognoscente" e um "conhecido", um sujeito e um objecto. A relação que existe entre os dois é o próprio conhecimento. A oposição dos dois termos não pode ser suprimida; esta oposição significa que os dois termos estão originariamente separados um do outro, transcendentes um em relação ao outro. 2. Os dois termos da relação não podem ser separados sem deixarem de ser sujeito e objecto. O sujeito só e sujeito em relação a um objecto e o objecto só é objecto em relação a um sujeito. Cada um deles só é o que é pela sua relação com o outro. Eles estão ligados um em relação ao outro por uma relação estreita; condicionam-se reciprocamente. A sua relação é uma correlação. 3. A relação constitutiva do conhecimento é dupla, mas não é reversível. O facto de desempenhar o papel de sujeito em relação a um objecto é diferente do facto de desempenhar o papel de objecto em relação a um sujeito. No interior da correlação, sujeito e objecto não são, portanto, permutáveis. (...) 4. A função do sujeito consiste em apreender o objecto; a do objecto consiste em poder ser apreendido pelo sujeito e em sê-lo efectivamente. 5. Considerada do lado do sujeito, esta "apreensão "pode ser descrita como uma salda do sujeito para além dos limites da sua própria esfera e como uma incursão na esfera do objecto, a qual é, para o sujeito, transcendente e heterogénea. O sujeito capta as determinações do objecto e, ao captá-las, introdu-las na sua própria esfera. (...) O objecto, mesmo quando apreendido, permanece para o sujeito como algo de exterior; ele é sempre o objectum, quer dizer, aquilo que está diante. 6. O sujeito não pode apreender o objecto sem sair de si (sem se transcender); mas não pode tomar consciência do que é apreendido sem entrar de novo em si, sem se encontrar de novo na sua própria esfera. Portanto, o conhecimento realiza-se, por assim dizer, em três tempos: o sujeito sai de si, ele está fora de si e entra finalmente em si. 7. O facto de o sujeito sair de si para apreender o objecto não muda nada neste. O objecto não se torna, por esse motivo, imanente. As características do objecto, embora sejam apreendidas e como que introduzidas na esfera do sujeito, não são, contudo, deslocadas. Apreender o objecto não significa fazê-lo entrar no sujeito, mas sim reproduzir neste as determinações do objecto, numa construção que apresentará um conteúdo idêntico ao do objecto. Esta construção operada no conhecimento é a "imagem" do objecto. Oobjecto não é modificado pelo sujeito, mas sim o sujeito pelo objecto. Só no sujeito é que alguma coisa mudou conhecimento. No objecto nada de novo é criado; mas no sujeito nasce a consciência do objecto, com o seu conteúdo, a imagem do objecto. N.Hartmann

Na descrição fenomenológica, os conceitos-chave são os seguintes: • Conhecimento: Ato pelo qual o sujeito apreende ou representa o objeto. • Sujeito cognoscente: Não é um sujeito real, empírico, uma pessoa identificável. Trata-se de um sujeito gnosiológico, entendido como o que apreende ou representa o objeto. • Objeto conhecido: Não significa "coisa" ou objeto da experiência. Refere-se a tudo aquilo que é suscetível de ser apreendido. Assim, uma pessoa, uma ideia, um sentimento, uma teoria, uma ação, uma doença, um valor, uma cultura, uma raiz quadrada, um teorema, a Pré-História, a filosofia do Renascimento podem ser objetos de conhecimento, desde que em face de um sujeito que os conheça. • Representação: Resultado do ato de conhecer. Depois de apreendido, o objeto fica na consciência do sujeito sob a forma de imagem e ideia e não sob forma física.

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