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ALUNO: Pedro Alexandre Cruz Barros DRE: 112209807 DISCIPLINA: Tópicos Especiais de Direito Constitucional (Novo Constitucionalismo Latino

-Americano) DOCENTE: Adriano Corrêa de Sousa

A REVOLUÇÃO BOLIVIANA DE 1952

1. A Bolívia pré revolução de 1952 Até o início da década de 1950 o estado Boliviano tinha sua economia voltada para a produção rural. Essa produção era conduzida majoritariamente pelos povos indígenas dos Aimarás e dos Quíchuas, porém estes meios de produção estavam concentrados nas mãos dos grandes latifundiários locais, conhecidos localmente como terratenientes. Os indígenas não possuíam quaisquer garantias trabalhistas de seus patrões, eram submetidos à jornadas de trabalho desumanas e tinham em troca apenas um pedaço de terra “doado” pelos terratenientes para servir de moradia e local de trabalho. Um outro forte setor do proletariado Boliviano era formado pelos operários do setor extrativista. Um ponto muito interessante de análise acerca do setor extrativista Boliviano e como ele também refletia a desigualdade social e concentração de capital nas mãos de poucos é que apenas três família controlavam toda a produção mineral do país. A depressão econômica de 1929, ocasionada pela quebra da bolsa de Nova Iorque, expôs as mazelas de um sistema econômico baseado na exportação de commodities, um modelo adotado por todos os países da América latina naquele período. O Brasil, por exemplo, viu-se em sérios apuros de igual forma, pois tinha na cultura cafeeira o principal núcleo da sua economia.

Os militares decidiram formar uma junta para governar o país. O MNR. quando houve uma distribuição das terras aos camponeses. surgiram diversos partidos com um viés revolucionário. Arrocho salarial e demissões em massa foram consequências imediatas o que aumentava ainda mais a insatisfação dos proletariado mineiro. Outro avanço que merece destaque foi a realização da reforma agrária. Nesse período de crise e forte agitação popular. que iam desde progressistas até simpatizantes da extrema direita. passando a abraçar um programa reformista. O . Em 1951. Durante o período revolucionário. visto que estiveram na linha de frente de diversas ocupações e exerceram a liderança do movimento. passou a sofrer fortes pressões das forças armadas Bolivianas e fugiu do país. dentre eles podemos citar a instauração do sufrágio universal.A classe trabalhadora da Bolívia foi quem mais sentiu os efeitos da devastadora crise econômica. O presidente da Bolívia até aquele momento. O dia 9 de Abril e a insurreição popular na Bolívia O dia 9 de Abril de 1952 está marcado na história Boliviana como o dia que deu início a revolução popular da Bolívia. porém esse episódio serviu ainda mais de combustível para a revolta popular. porém. que durou cerca de 12 anos(1952-1964). importantes avanços podem ser observados no que tange a conquista de alguns direitos pelo povo Boliviano. dentre eles podemos destacar o MNR (Movimento Nacional Revolucionário). A nacionalização das minas Bolivianas. em 1953. quando finalmente os povos indígenas conquistaram o direito de votar. Os sindicatos tiveram papel fundamental durante esse processo. O que antes era apenas uma reação a uma ditadura militar transformou-se em uma tomada de poder pelo povo. 2. que exigia a ascensão do MNR ao poder. tirando o controle da riqueza mineral do país das mãos da oligarquia que exercia controle político-econômico do país. além de devolver aos povos indígenas terras que haviam sido griladas pelos terratenientes. o MNR consegue o apoio do sindicato dos mineiros e rompe com o discurso fascista. Nesse mesmo ano o partido lança a candidatura de Victor Paz Estenssoro. Mamerto Urriolagoitia. embora incluísse em seu programa um desejo de quebra do status quo na Bolívia. reunia diversas correntes diferentes em seus quadros. Estes partidos exerceram um papel fundamental para o período revolucionário da Bolívia.

a Bolívia dá uma guinada à esquerda. Em 1964 a cúpula das forças armadas se aproveitaram de um período de turbulência política no país e promoveram um golpe militar patrocinado pelos Estados Unidos da América. Após quase 20 anos de ditadura militar. Mesmo o discurso Nacionalista e Anti-imperialista nós podemos perceber que foi usado de forma demagógica. incentivo à migração da população do altiplano até o sudeste da Bolívia e conservação dos recursos naturais”. o que vimos foi uma Bolívia.) os trabalhadores do campo não seriam mais servos. numa busca de atender aos anseios das comunidade indígenas tal qual motivou esses povos na luta revolucionária de 1952. Cada vez a Bolívia tornara-se depende dos Estados Unidos. de igual modo ao que acontecera nos países vizinhos da América do Sul. seguindo uma cartilha neoliberal das grandes potências. a Bolívia assistiu uma guinada à direita do mesmo grupo político que ascendeu ao poder com um discurso progressista. 3. O MNR e outras forças políticas nunca tiveram uma real pretensão de alterar a estrutura social Boliviana.. dentro dos avanços obtidos com a reforma agrária. assim como as outras nações latino-americanas. Atualmente. que “(. foram feitas apenas pequenas reformas que realmente representaram um grande avanço em relação ao cenário do período anterior -. nos anos 1980 e 1990. com o MAS de Evo Morales. de afirmação da ideia de unidade de nação na Bolívia e anti-imperialista. promovendo uma ruptura com o capitalismo e caminhar para uma sociedade mais igualitária. pois os Estados Unidos continuaram exercendo influência na Bolívia durante esse período. .. pequenas concessões. Ao contrário. contraindo vultuosos empréstimos da potência Norte-Americana.historiador Luiz Bernardo Pericás aponta ainda. o estímulo à produção e comercialização de produtor agrícolas. Conclusão Muito se questiona se realmente houve uma revolução durante o período compreendido entre 1952 e 1964 na Bolívia. Os últimos anos que antecederam ao golpe militar Boliviano de 1964.

Londrina.4. 2010 . Discurso. Sepech. A revolução Boliviana de 1952: Entre a ruptura e a desilusão. 1997. Processo e desenvolvimento da revolução Boliviana. Tiago Renato Tobias. Referências Bibliográficas PERICÁS. Colombia: Pap Polít. vol 3. 2010 GUEVARA-ORDÓÑEZ. Bogotá. Lutas Sociais. historia y construcción nacional em Bolívia. Luiz Bernardo. VIEIRA. Nadia Scarleth.