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Fatos curiosos a respeito de um

idioma com 4000 anos de história...








elaborado pela equipe de aprendahebraico.com.br

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Todos os direitos reservados


Nova versão !
2
a
edição - revista e ampliada !




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permitido seu repasse gratuito em forma impressa contanto que o
conteúdo não seja alterado e a questão da autoria deste trabalho seja
respeitada. É também permitida a reprodução e divulgação do arquivo
eletrônico associado a esta obra também com a ressalva de que não sofra
qualqer modificação e a questão da autoria deste trabalho seja respeitada. As
características gráficas da obra e sua editoração são propriedade de
aprendahebraico.com.br. A violação dos direitos autorais é punível como
crime (art. 184 e parágrafos, do Código Penal, conforme Lei número 10.695, de
07/01/2003) com pena de reclusão, de dois a quatro anos e multa,
conjuntamente com busca e apreensão e indenizações diversas (artigos 102,
103 parágrafo único, 104,105, 106 e 107 itens 1,2 e 3 da Lei número 9.610, de
19/06/1998, Lei dos Direitos Autorais.



































Você já parou para pensar?
Por que não participar de um
“Curso de Hebraico Bíblico”?


Você, que sempre se interessou em ler a Bíblia... Alguma
vez já parou para pensar que ela não foi escrita em
Português? Bem, você diria, ela veio do Grego e depois
foi traduzida para o Latim – e então para o Português...
É verdade, mas é importante saber que a Bíblia original
não foi escrita em Grego, e sim em Hebraico, a língua
Divina... Somente depois de muito tempo foi vertida para
o Grego.

O Hebraico é o idioma de D’us, empregado de fato em
quase tudo o que é narrado nos textos sagrados do
Antigo Testamento. E o mais importante: você sabia que
com as sucessivas traduções e adaptações ao longo de
milênios, muito se perdeu da essência dos textos
bíblicos?

E se lhe dissessemos agora que você poderá ler trechos
da Bíblia na língua em que ela foi realmente redigida? E
ainda: que você terá condições de comparar os textos
originais com as traduções e poder identificar aspectos
que não puderam ser traduzidos, pois apenas possuem
sentido em Hebraico?

Já pensou como você poderá impressionar sua família e
seus amigos com estes conhecimentos?



Você se destacará, terá a oportunidade de mostrar que
possui informações especiais – e até ensinar a outras
pessoas. Imagine: ler, compreender e escrever
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poderá acompanhar nosso curso a um preço menor que
um jantar simples para duas pessoas!

Claro, ninguém está lhe impondo absolutamente nada...
Trata-se de um mero convite... Você tem todo o direito de
dizer não, de recusar! Você é totalmente livre para
escolher o que deseja e o que quer fazer...

Não se sinta na obrigação de aceitar nossa proposta.

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Seu círculo de amizades se ampliará e sua vida poderá
mudar para melhor, muito melhor!

Poucas são as pessoas no mundo que conhecem o
Hebraico e, menos ainda, o Hebraico Bíblico!


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Você poderá se tornar uma delas! Você será um
indivíduo especial, será tido pelos outros como alguém
que se destaca na multidão.

Seus conhecidos se lembrarão de você como tendo uma
habilidade diferente, exclusiva, que o(a) tornará único(a)
em seu meio!

Poderá ministrar palestras a respeito do que está
aprendendo, estudando, e todos o(a) apreciarão por isto.

Pare por um momento e imagine seu ambiente de
trabalho. Como o seu dia-a-dia poderá se tornar melhor
quando você, nos intervalos do café, no seu horário de
almoço ou num momento de descontração conversar a
respeito dos seus conhecimentos de Hebraico Bíblico
com os colegas...

Com certeza seus superiores, seus chefes, também
saberão que você se tornou uma pessoa com habilidades
e atitudes respeitáveis e poderão reconhece-lo(a) por
isto!

As promoções normalmente ocorrem muito mais pelos
destaques que a pessoa demonstra, aquilo que ela
apresenta de diferente, de especial, características estas
que não necessariamente estão ligadas às atividades do
trabalho!

Ter como um elemento diferencial, como se fosse uma
marca - conhecer, conversar a respeito e inclusive dar
noções daquilo que você domina de Hebraico Bíblico aos


outros é um meio diferente, atraente, surpreendente de
aparecer e ser identificado(a) dentro de seu meio!

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Evidentemente, como dissemos anteriormente, você é
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isto de lado... até mesmo abandonar este livro que
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sempre!











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Prólogo

Este modesto texto, agora revisto e ampliado
relativamente à primeira edição, tem por objetivo
apresentar ao(à) leitor(a) particularidades, curiosidades e
alguns aspectos históricos inerentes ao idioma hebraico.
Esperamos com isto que todo(a) aquele(a) que tiver a
oportunidade de percorre-lo venha a conhecer um pouco
mais a respeito deste importante idioma, diretamente
conectado a uma bagagem cultural que se acumulou ao
longo de milhares de anos – o idioma da Bíblia. Como
tudo tem um começo, quiçá a leitura destas páginas venha
a incentiva-lo(a) também a estudar o Hebraico, seja em
sua versão clássica (empregada nos textos bíblicos,
visando conhecer e interpretar a mais importante obra da
humanidade em sua versão original), seja em sua versão
moderna, utilizada como idioma oficial do Estado de
Israel. Diga-se de passagem, o conhecimento de uma
versão não conflita com a outra, muito pelo contrário:
estabelece-se uma sinergia que possibilita ao(à) estudante
do Hebraico clássico e do moderno ampliar ainda mais
seus conhecimentos, a partir de uma abordagem paralela
de ambas as versões.

Para aqueles(as) que queiram se iniciar nesta empreeitada,
os autores deste livreto administram um Curso de
Hebraico (a distância, via Internet), denominado
aprendahebraico.com.br. Muito nos honraria sua visita
em nosso “site”:



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No momento estamos oferecendo o primeiro módulo do
Curso de Hebraico Bíblico, com o objetivo de alfabetizar
o(a) aluno(a) leigo(a) no idioma e prepara-lo(a) para alçar
voo rumo a etapas mais avançadas, passo-a-passo,
procurando desenvolver os conhecimentos até que o(a)
aluno(a) seja capaz de ler e entender as Escrituras no
idioma com que foram originalmente redigidas.

Desejamos a você uma excelente leitura e esperamos sua
visita!


A equipe de aprendahebraico.com.br





























Índice: Página:

- Alguns motivos (dentre muitos outros) que justificam o estudo do
Hebraico ...............................................................................................1

Introdução ............................................................................................1
1) Por que estudar Hebraico? ...............................................................1
2) Por que o Hebraico é escrito da direita para a esquerda? ................2

- Por que o Hebraico é tão importante? ...............................................3

Introdução ............................................................................................3
1) A criação de Eva (Gênesis 2:23 e 3:20)...........................................4
2) Personagens bíblicos .......................................................................4
3) A origem do nome Abrão (Gênesis 14:13) .....................................5
4) As poesias dos profetas (Isaías) ......................................................6
5) Poesias baseadas em acrósticos ......................................................7
6) Diferentes interpretações de textos bíblicos ...................................8

- Duas formas de ver o mundo: o ponto de vista grego e o hebreu .....9

Introdução ............................................................................................9
1) O lado abstrato e o concreto ............................................................9
2) Exemplo .........................................................................................13

- A aproximação com os hebreus, o idioma hebraico e os Estados
Unidos da América ..............................................................................15

1) O “Grande Selo” utilizado pelos Estados Unidos ...........................15
2) A escolha de um idioma oficial .......................................................16


- O que D. Pedro II e o Hebraico tem em comum? .............................18

- As letras hebraicas tem personalidades! O que cada uma
delas significa? ....................................................................................21

- Uma história do Zohar: as letras hebraicas dialogando com D’us ....57

Introdução ............................................................................................57

1) A história .........................................................................................57



Índice: Página:

- Códigos e mensagens contidos na Bíblia Hebraica ...........................64

Introdução ............................................................................................64
1) A origem dos textos bíblicos............................................................67
2) A Gematriá: os números associados ao alfabeto hebraico
guardam segredos! ..........................................................................68
3) O “Livro da Criação” ......................................................................69
4) A Gematriá aplicada ao Pentateuco ................................................70
5) A palavra “MACHSHÊV” em Hebraico ........................................71
6) A palavra “MACHSHÊV” nos textos bíblicos ...............................72
7) “O seu final está contido em seu início, e o seu início
em seu final” ...................................................................................74

- Qual é a letra mais utilizada na Bíblia Hebraica? E qual é a que
aparece menos vezes? ......................................................................80

- O sistema de escrita hebraica e a invenção que popularizou a
leitura: o registro dos sons vocálicos ...............................................81

- O sistema de pontuação criado pelos Massoretas de Tibérias...........84

- Conclusão .........................................................................................89

-1-
- Alguns motivos (dentre muitos outros) que justificam o
estudo do Hebraico.

Introdução

O Hebraico é também chamado de “Lashon Ha-Qodesh” -
Língua Sagrada, devido ao fato de ser o idioma através do
qual foi escrita a Torá. Pertence ao ramo das línguas
semíticas, que incluem o árabe , o aramaico e o siríaco,
sendo que os estudiosos creem que todas elas sejam
originadas de um mesmo idioma-raiz conhecido como
paleo-semítico.

1) Por que estudar Hebraico?

As justificativas para seu estudo são muitas e
interrelacionadas. No entanto, destacamos as seguintes:

1.1) O Hebraico é o idioma original da Bíblia e é a
chave para o entendimento da civilização judaico-cristã.
A Bíblia influencia direta ou indiretamente o
pensamento, a literatura, o comportamento – ou seja, a
cultura em todo o mundo.

1.2) O Hebraico moderno é o principal idioma de Israel,
o Estado Judeu que renasceu há pouco mais de sessenta
anos. Trata-se de um país que apresenta uma das
economias que mais rapidamente crescem no mundo,
notadamente na área de alta tecnologia.

1.3) O Hebraico é um fenômeno sem igual na história
da humanidade. Trata-se do único caso em que uma

-2-
língua-mãe resurgiu e se recriou (após um processo de
“quase coma” que durou cerca de dois milênios).

1.4) Aprender Hebraico consiste em um processo
lógico, natural e, por que não, divertido! E deve ser
assim... Foi deste modo que Israel conseguiu ensinar o
idioma a sucessivas ondas de imigrantes.

1.5) O alfabeto hebraico é, de fato, incomum para nós,
de origem latina. Porém, após aprende-lo, o estudante
nota que a gramática é sistemática e o vocabulário, em
grande parte, construído a partir de raízes formadas em
geral por três letras.


2) Por que o Hebraico é escrito da direita para a esquerda?

A opinião predominante é a de que a escrita neste idioma
se originou através de marcas executadas em placas de
pedra, através de cinzéis e martelos (cabe lembrar que há
quatro mil anos não se dispunha de papel, tinta e penas...
os registros escritos eram, então, efetuados em pedras ou
por meio de marcações em tabletes de cerâmica, barro,
etc.). Para uma pessoa destra, o cinzel é segurado pela
mão esquerda e o martelo, que golpeia o cinzel, com a
mão direita. A tendência dos movimentos, sob tais
circunstâncias, é o de desenvolver riscas da direita para a
esquerda – e não o contrário!






-3-
- Por que o Hebraico é tão importante?

Introdução

O Hebraico é o idioma original da Bíblia, o mais
importante dos livros já escritos. Um famoso poeta
israelita, Chaim Nachman Bialik (1873-1934) disse, a
respeito da bíblia traduzida para qualquer idioma: “Ler a
Bíblia traduzida é como beijar sua noiva através de um
véu...”. Em outras palavras, ler uma versão traduzida da
Bíblia é, evidentemente, melhor que nada, mas não é nem
um pouco tão surpreendente, interessante e revelador
comparativamente à leitura em Hebraico, ou seja, “com o
véu da noiva removido” !

Até mesmo anti-semitas declarados, como Martinho
Lutero (1483-1546) ao longo de parte de sua vida,
reconheceram a importância do Hebraico. Lutero dizia:
“Se eu fosse mais jovem,iria aprender Hebraico... Sem
este idioma não é possível compreender corretamente as
Sagradas escrituras...”

Há também interessantes comparações baseadas no fato de
que, historicamente, a Bíblia foi traduzida do Hebraico
para o idioma Grego e deste para o Latim, seguindo-se
então as adaptações para as outras línguas tais como o
Português, Espanhol, Italiano, Francês, etc..:

“Os judeus bebiam da fonte original; os gregos bebiam do
riacho que dela brotava... já os latinos, aproveitavam-se
das poças...”


-4-
O objetivo destes comentários era, portanto, o de mostrar
como muitos conceitos, impossíveis de serem traduzidos,
se perdiam nas diferentes passagens de um idioma a outro.

Com o objetivo de ilustrar tais considerações, vejamos
pois alguns exemplos.


1) A criação de Eva (Gênesis 2:23 e 3:20)

Adão disse:

... ela será chamada mulher (em Hebraico, ISHÁ), pois foi
obtida através do homem (em Hebraico, ISH)... ISHÁ é
uma palavra derivada (obtida de) ISH.

Por outro lado, quando Adão denomina a mulher, temos:

... e Adão chamou sua mulher de Eva... (CHAVÁ, em
Hebraico, que significa ser vivente, que tem vida, que
existe ou, ainda, quem dá a vida, pois dela descenderam os
homens).

2) Personagens bíblicos

Análises e interpretações dos nomes hebraicos de vários
personagens bíblicos, tais como Caim, Seth, Noé, Isaac, os
doze filhos de Jacob, etc. nos conduzem às suas
personalidades e/ou feitos, algo impossível de ser
realizado em versões traduzidas. Como exemplo, vejamos
o caso de Adão. Em Hebraico transliterado, seu nome é
ADÁM (uma outra denominação para homem). O homem
foi criado a partir do pó da terra (em Hebraico, terra é

-5-
ADAMÁ). Então, ADÁM foi “tirado” da ADAMÁ. Na
palavra ADÁM temos DÁM, palavra hebraica que
corresponde a sangue. Assim, a vida de ADÁM está
associada a seu sangue - DÁM (sangue) está contido em
ADÁM.

3) A origem do nome Abrão (Gênesis 14:13)

Vejamos agora mais um exemplo muito interessante em se
tratando de nomes hebraicos encontrados na Bíblia. Por
que Abraão foi a primeira pessoa a ser chamada de hebreu
(em Hebraico, IVRÍ)? A primeira vez em que a palavra
IVRÍ é citada na Bíblia acontece em Gênesis 14:13, com a
frase “Abrão o hebreu”, sem qualquer explicação. Há duas
possibilidades: a primeira, que ele era descendente de Éber
(em Hebraico transliterado, ÉVER, conforme consta em
Gênesis 11:14). ÉVER é uma palavra semelhante a IVRÍ.
A outra versão, também plausível, é encontrada a partir do
significado da raíz (as principais letras que formam a
palavra) de ABRÃO – ayin-bet-reish, três letras que
também estão contidas na palavra IVRÍ e que consistem
na essência deste termo. As raízes, em Hebraico, possuem
significados. No caso, ayin-bet-reish está associada a
cruzar, atravessar (um rio, uma barreira, etc.) E isto foi
exatamente o que Abrão fez: ele cruzou uma fronteira,
num sentido espiritual e figurativo, ou seja, um paradigma
foi quebrado. Abandonou o politeísmo e aceitou o
monoteísmo (crença em um D’us único). Assim, com esta
interpretação, nas religiões monoteístas seus seguidores
cruzaram, atravessaram, saíram de um reino de escuridão e
pecados para chegarem à luz e à retidão ao aceitar a
existência de um único D’us.


-6-
4) As poesias dos profetas (Isaías)

As poesias bíblicas também constituem uma área das
Escrituras aonde o Hebraico assume características
especiais. O conhecimento do Hebraico é fundamental
para a correta absorção de suas mensagens. O estudo das
poesias bíblicas a partir de traduções perde muito (muito
mesmo...) em conteúdo. Vejamos alguns exemplos
característicos. O primeiro é extraído de Isaías 5:7 :

... Ele esperava justiça (em Hebraico transliterado,
MISHPÁT), mas deparou-se com opressão (MISPÁCH),
esperava retidão (TSEDAKÁH), mas encontrou o clamor
(TSEAKÁH) dos oprimidos...

Neste trecho nota-se claramente as rimas: MISHPÁT –
MISPÁCH e TSEDAKÁH – TSEAKÁH, o que denota a
escrita de Isaías numa forma poética que se perde nas
traduções!

Eis aqui um outro exemplo, tomado de Isaías 22:5 :

... Pois este é um dia de tribulações (MECHUMÁH), de
humilhações (MEVUSÁH) e de perplexidade
(MEVUCHÁH)...

Mais uma vez, atentemos para as rimas!

Agora, um outro trecho, oriundo de Isaías 24:17 :

... Terror (PÁCHAD), abismo (PÁCHAT) e ciladas
(PÁCH) vos alcançarão, ó habitantes da terra...


-7-
Observe as similaridades entre as palavras: PÁCHAD –
PÀCHAT e PÁCH, impossíveis de serem notadas em
qualquer outro idioma.

Finalmente, apreciemos o seguinte exemplo, presente em
Isaías 28:10 :

... de preceito em preceito, linha por linha, um pequeno
trecho aqui e outro alí...

Em Hebraico transliterado, teríamos:

TSÁV LA-TSÁV, TSÁV LA-TSÁV
KÁV LA-KÁV, KÁV LA-KÁV
ZE’IR SHÁM, ZE’IR SHÁM

Novamente, as rimas e as construções são únicas em
Hebraico. Ou seja, os Livros dos Profetas, recheados de
poesias, exibem toda a sua originalidade e riqueza quando
são lidos em Hebraico!

5) Poesias baseadas em acrósticos

A utilização de acrósticos (composições poéticas em que
as letras iniciais reunidas formam verticalmente uma
seqüência lógica de letras, uma palavra ou frase) é um
artifício muito empregado, por exemplo, nos Salmos.
Assim, alguns poemas bíblicos foram eleborados de tal
modo que o primeiro verso começa com a letra Alef, o
segundo com a letra Bet, o terceiro com a letra Gimel e
assim sucessivamente.


-8-
O Salmo 119, em Hebraico, é formado por grupos de oito
versos, cada grupo se iniciando com uma das vinte e duas
letras do alfabeto hebraico: Alef, Bet, Gimel, etc..


6) Diferentes interpretações de textos bíblicos

Conhecer Hebraico proporciona ao leitor o
desenvolvimento de habilidades que lhe possibilita
perceber diferentes níveis de significados nas Escrituras.
Assim, em Isaías 66:24 encontramos:

... Ao sair, verão os cadáveres dos homens que
transgrediram contra Mim. Pois não desaparecerá o verme
que os devora e o seu fogo não se apagará, e se
constituirão em horror para toda a carne...

Quando Isaías fala a respeito dos “cadáveres dos homens
que transgrediram”, afirmando que “não desaparecerá o
verme que os devora” e “o seu fogo não se apagará”, em
Hebraico temos ISHÁM (variante de ESHÁM) como “seu
fogo”, palavra esta formada a partir de “ESH” (fogo) e o
pronome possessivo seu (o sufixo ÁM). No entanto, esta
palavra também pode, paralelamente, ser lida como
ASHÁM (culpado), o que permite entender este trecho
como e sua culpa não será removida, eliminada,
“apagada”. Assim, a “culpa” destes homens que
transgrediram (e que morreram) está ligada “a seu fogo”,
ou seja, fornece o combustível para o fogo.

Talvez um dos mais importantes benefícios que podem ser
obtidos ao estudar Hebraico Bíblico seja o fato de ter-se a
mente renovada. O estudante pouco-a-pouco substitui o

-9-
mundo bíblico traduzido a partir do grego (ou seja, a visão
ocidental da Bíblia) e passa a estabelecer novos
paradigmas, ampliando seu leque de análises e
interpretações a partir da assimilação dos textos em sua
versão original.


- Duas formas de ver o mundo: o ponto de vista grego e o
hebreu.

Introdução

Como os povos grego e hebreu caracterizam o mundo?
Este é um aspecto fundamental em se tratando do modo
como a Bíblia foi traduzida do Hebraico para o Grego.
Vejamos agora algumas das principais considerações
relacionadas a estas duas culturas, muito distintas uma da
outra.

1) O lado abstrato e o concreto

Na humanidade encontramos diferentes visões dos textos
bíblicos. No entanto, dois modelos comportamentais,
apresentando naturezas opostas, se destacam: o modelo
oriental e o ocidental.

Ambos apresentam pontos de vista, ambientação, modo de
vida e propósitos que são estranhos um ao outro.

Os antigos hebreus baseavam-se no modelo oriental. Eram
pensadores segundo os procedimentos e comportamentos
orientais.


-10-
Por volta do ano 800 antes da era comum, a cultura grega
(com características ocidentais) começa a florescer. Os
gregos viam o mundo de uma forma muito diferente que a
dos antigos hebreus (estes, representando o oriente).
Aproximadamente no ano 200 antes da era comum os
gregos invadiram o território hebreu (além de outros),
determinando um choque entre ambas as culturas. Durante
os anos que se seguiram, sob forte influência por parte dos
gregos, sua cultura permeou de forma marcante aquela dos
antigos hebreus. Além disso, implicou também em
mudanças nos comportamentos romanos e europeus da
época. Estas influências foram de tal monta marcantes que
mesmo a moderna cultura hebraica, bem como a do
mundo ocidental de hoje (Europa, Américas) estão
mescladas com princípios estabelecidos pela cultura grega.

Aqui e nos demais países latinos, quando estudamos a
Bíblia (traduzida nos mais diferentes idiomas a partir da
versão grega – e não a hebraica), por estarmos
impregnados pela cultura ocidental, não percebemos o
contexto no qual ela foi escrita. Para que isto seja possível,
além de, evidentemente, conhecermos o Hebraico, faz-se
necessário também compreender as diferenças de
pensamento entre as culturas hebraica e grega. Em
particular, é extremamente importante destacar as
divergências que estão associadas às interpretações dos
termos bíblicos quando vistos pelos lados hebraico e
grego.

Os gregos procuravam representar sua visão do mundo
através da mente – ou seja, uma caracterização abstrata. Já
os antigos hebreus percebiam o mundo através dos
sentidos (abordagem concreta).

-11-
Em se tratando da abordagem concreta, a manifestação de
conceitos e de idéias envolvem os cinco sentidos: a visão,
o tato, o odor, o gosto e a audição.

De fato, os textos hebraicos são repletos de citações
envolvendo os sentidos, como por exemplo, no Salmo 1:3,
onde encontramos:

"Ele é como uma árvore plantada junto a correntes de
águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja
folhagem não murcha, e tudo quanto ele faz será bem
sucedido..."

Observe como, neste Salmo, o autor descreve os
pensamentos utilizando-se de uma terminologia concreta:
árvore, correntes de águas, fruto, folhagem e o
"murchar".

Por outro lado, quando nos voltamos à cultura grega, os
conceitos e idéias são manifestados de formas tais que não
utilizam os sentidos humanos. Em outros termos: trata-se
de uma concepção estranha para os antigos hebreus.

Vejamos um outro exemplo, através do Salmo 103:8,
abaixo reproduzido:

"D'us é misericordioso e piedoso, tardio em irar-se e
grande em benignidade..."

Aqui, as palavras misericordioso, piedoso, o ato de irar-se
e a benignidade são palavras tipicamente abstratas, que
não envolvem o uso dos sentidos! Mas se os antigos

-12-
hebreus utilizavam-se de um vocabulário concreto, como
explicar este Salmo, presente na Bíblia hebraica?

A questão deve ser vista sob outro ângulo: lemos aqui uma
tradução, originada do Grego para o Português (a versão
de outra versão, de uma terceira versão... etc.!). Foi o meio
que os tradutores encontraram para adaptar conceitos
concretos em outros, de natureza abstrata... Por que? Pois
uma tradução literal a partir do Hebraico não faria sentido
para o pensamento ocidental.

Analisemos um caso, a título de exemplo, ainda baseado
neste Salmo. A palavra ira (de irar-se), em Hebraico, é
fundamentada na raiz ÁF (em Hebraico, APÁIM, que
literalmente corresponde às narinas). Esta mesma raiz
designa o nariz, uma palavra, evidentemente, concreta.

Mas qual seria a conexão entre nariz e ira? A resposta é
muito simples! Ao nos irar, respiramos profundamente e
as narinas se alargam!

Assim, em Hebraico, uma palavra derivada de algo
concreto (o nariz, as narinas), representa a ira. Para os
antigos hebreus, a ira consiste no alargamento das
narinas... Literalmente, a tradução seria, palavra por
palavra: ... tardio em narinas (ou nariz)... algo,
evidentemente, "sem sentido"... (desculpe-nos pelo
trocadilho!).

Podemos também distinguir os raciocínios hebraico e
grego a partir da forma como objetos são descritos.
Enquanto os gregos os caracterizam através de sua

-13-
aparência, os antigos hebreus os analisavam por
intermédio das funções por eles exercidas.

2) Exemplo

Tomemos um exemplo básico com o objetivo de ilustrar
nossos propósitos. Como os gregos descreveriam,
digamos, um simples lápis, como o da figura abaixo?











Um lápis !

"O lápis é preto, cilíndrico e comprido".

Já uma descrição originada a partir da cultura hebraica
poderia caracterizar o lápis como:

"Trata-se de um instrumento com o qual posso escrever
palavras".

Aonde queremos chegar com estas considerações?



-14-
De fato, enquanto que a descrição grega utiliza-se de
adjetivos, tais como preto, cilíndrico e comprido, no lado
hebraico destaca-se um verbo: escrever.

A propósito, não é por acaso que o verbo é considerado
como o principal elemento no idioma hebraico... mas isto
é assunto para um Curso de Hebraico – e aqui fazemos um
pequeno intervalo para lembramos o "site" do nosso:

www.aprendahebraico.com.br

Em Hebraico, portanto, são utilizados muito mais verbos
que adjetivos... É um idioma rico em verbos e pobre em
adjetivos!




















-15-
- A aproximação com os hebreus, o idioma hebraico e os
Estados Unidos da América.

1) O “Grande Selo” utilizado pelos Estados Unidos

Freqüentemente vemos em filmes – no cinema e na
televisão, bem como em jornais e em revistas, o "Grande
Selo" dos Estados Unidos da América, abaixo
reproduzido.













O "Grande Selo" dos EUA.


No entanto, é interessante registrar que a primeira
recomendação para o "design" do Selo Oficial que seria
adotado pelos Estados Unidos ao conquistar sua
independência da Inglaterra foi, em grande parte, indicada
por Benjamin Franklin em 1776, contendo uma ilustração
na qual os Israelitas cruzavam o Mar Vermelho para
escapar do Faraó do Egito.



-16-













Aspecto do Selo originalmente sugerido.

Em torno deste proposto selo haveria uma inscrição:

"Resistência aos tiranos é obediência a D'us"


2) A escolha de um idioma oficial

Na mesma época havia um forte sentimento anti-britânico,
que originou uma discussão a respeito da adoção de um
outro idioma, que não o Inglês, como língua oficial do
recém-formado país. Sugeriu-se, dentre várias, o Grego e
o ... Hebraico!

Segundo o Marques de Chastellux, que viajava com
George Washington por volta de 1780, alguns americanos
propuseram a introdução de um novo idioma e certas
pessoas desejavam que o Hebraico viesse a substituir o
Inglês.


-17-
As origens destas afinidades com o idioma hebraico nos
remete ao ano de 1620, quando foram redigidas as
primeiras leis nas colônias inglesas do Novo Mundo.
Dentre os puritanos haviam aqueles que eram
simpatizantes do Hebraico. William Bradford (1590-
1657), que era governador da colônia de Plymonth por
mais de três décadas, nutria grande interesse pelo
Hebraico. Dizia que estudava Hebraico pois, após sua
morte, seria capaz de conversar na "língua mais antiga do
mundo", através da qual D'us e os anjos falavam.

Cotton Mather (1663-1728), ministro puritano de
Massachusetts, também manifestou respeito similar pelo
idioma hebraico. Uma frase famosa, citada por Mather
naquela época, era a seguinte:

"Eu afirmo que todos aqueles que venham a utilizar o
mesmo tempo que empregam ao fumar tabaco, no estudo
do Hebraico, rapidamente obterão sucesso na
aprendizagem da língua"

Voltando à questão da adoção de outro idioma que não o
Inglês quando do estabelecimento da nação norte-
americana, há quem diga que, quando da votação, o
Hebraico tenha perdido por apenas um voto... Todavia,
não se sabe, ao certo, se este fato realmente ocorreu ou se
trata de uma lenda!







-18-
- O que D. Pedro II e o Hebraico tem em comum?

D. Pedro II, o último Imperador do Brasil (entre 1841 e
1889) é reconhecido como sendo o mais culto dentre todos
os dirigentes que o País já teve, contando inclusive com os
atuais...

Uma faceta pouco divulgada de suas características
consiste no fato dele ser conhecedor de vários idiomas,
inclusive o Hebraico.

Há aqueles que interpretam seu grande interesse pelo
idioma hebraico como um meio de se desculpar pelas
atrocidades pelas quais os portugueses, sob o comando dos
reis de Portugal na época da Inquisição, haviam cometido.

Por outro lado, D. Pedro II estaria motivado em ler a
Bíblia em sua versão original. Escreveu um livro de
gramática hebraica e realizou diversas traduções a partir
do Hebraico. Conhecia profundamente o idioma de modo
a poder manter conversação com grande fluência.

Nahum Sokolov (1861-1936), decano dos jornalistas e
escritores israelenses, dizia a respeito de D. Pedro II:
“Nenhum de nossos eruditos pensou em evitar esquecer e
perder estas relíquias do folclore judaico” (em referência a
cantos litúrgicos e textos correlatos traduzidos por D.
Pedro II). Continua Sokolov: “Tivemos de aguardar o
Imperador do Brasil para que ele as analisasse e as
traduzisse, fielmente às versões originais”.

Além das referidas traduções D. Pedro II desenvolveu
comentários e destacou as riquezas literárias dos textos

-19-
hebraicos que estudara de modo a permitir que os leitores
admirassem as preciosidades da literatura hebraica.

Em 1876 D. Pedro II visitou a Terra Santa e rezou junto ao
Muro das Lamentações, em Jerusalém.

D. Pedro II em uma visita a Jerusalém (esta imagem foi
captada em 1876, por fotógrafo desconhecido).



-20-
É possível sugerir que D. Pedro II tenha sido o embrião, o
pioneiro no incentivo ao estudo do idioma hebraico no
Brasil. Devido a ele, muitos estudiosos passaram a se
interessar pelo Hebraico.






























-21-
- As letras hebraicas tem personalidades! O que cada uma
delas significa?







O Alef

Generalidades:
Primeira letra da palavra “alef”, que nos idiomas
semíticos, bem como no Hebraico, significa touro, boi.

Formas primárias da letra no alfabeto protosinaítico:
touro, cabeça de touro, chifres de touro (representação à
esquerda: cerca de 2000 anos antes da era comum;
representação à direita: cerca de 1000 anos antes da era
comum).





Aspecto da letra em Hebraico:

- na escrita cursiva: א

- na escrita quadrática: א

Significado original: energia suprema.




-22-
Significados secundários: força, ser, ser humano, ser
vivo, homem, possibilidade, início.

Significados mais comuns associados ao idioma
hebraico: boi, pecuária, príncipe, ensino, número 1000.

Valor numérico: 1.








O Bet

Generalidades:
Primeira letra da palavra “bait”, que em Hebraico, bem
como em outras línguas semíticas antigas significa casa.

Formas primárias da letra no alfabeto protosinaítico:
local de habitação, local com cobertura (observe a
representação à esquerda – cerca de 2000 anos antes da era
comum: trata-se da planta baixa de uma casa;
representação à direita: cerca de 1000 anos antes da era
comum).









-23-
Aspecto da letra em Hebraico:

- na escrita cursiva: ב

- na escrita quadrática: ב


Significados originais: interioridade, caracterização de
um local para conter a energia suprema que é representada
pela primeira letra (o “alef”).

Significados secundários: dentro, cobertura, interior,
intimidade, alimentação, vida em família, abertura para o
futuro e ao estranho que se apresenta à porta.

Significados mais comuns associados ao idioma
hebraico: casa, recipiente, família, dinastia, povo, tribo,
corrente de pensamento.

Valor numérico: 2.














-24-





O Gimel

Generalidades:
Primeira letra da palavra gimel, derivada de gamal, que
em Hebraico (bem como em outras línguas semíticas)
significa camelo.

Formas originais da letra no alfabeto protosinaítico:
camelo, corcova de camelo, pescoço de camelo
(representação à esquerda: cerca de 2000 anos antes da era
comum; representação à direita: cerca de 1000 anos antes
da era comum).






Aspecto da letra em Hebraico:

- na escrita cursiva: ג

- na escrita quadrática: ג


Significados originais: levar a força suprema para além,
para o exterior da habitação.




-25-
Significados secundários: sair de si, ruptura, se levar
junto ao outro, fazer o bem, fazer o bem pelo bem.

Outros significados associados ao idioma hebraico:
amadurecer, fazer sair do aleitamento, fazer com que algo
amadureça, se liberar, romper com algo, recompensa,
devolver ao semelhante, compensação, pensão, retiro,
segurança no retiro, na aposentadoria (lembrar a idéia de
um camelo que bebe muito antes de avançar pelo deserto
onde não encontrará água).

Depois da força suprema (o "alef") e do local em que ela
se encontra ("bet"), surge a possibilidade desta força se
exprimir, sair, se deslocar, de ir além de si, de se abrir para
o exterior, sair de casa, romper com a cobertura dos pais,
de encontrar seu próprio caminho.

Valor numérico: 3






O Dalet

Generalidades:
Primeira letra da palavra dálet, derivada de délet, que em
Hebraico significa porta, abertura.

Formas originais da letra no alfabeto protosinaítico:
batente de porta, abertura triangular, porta, fecho
(representação à esquerda: cerca de 2000 anos antes da era



-26-
comum; representação à direita: cerca de 1000 anos antes
da era comum).





Aspecto da letra em Hebraico:

- na escrita cursiva: ד

- na escrita quadrática: ד

Significados originais: porta e abertura (há relação com a
letra "gimel", que exprime o rompimento: sair pela porta
rumo a uma existência autônoma).

Significados secundários: circulação, escoamento,
escorrer, descendência, derramar, verter, derramamento,
entrar, sair, humildade.

Outros significados associados ao idioma hebraico:
pobre, indigente, falha, magreza, enfraquecimento,
diminuição, desfazer, desatar, retirar, livrar, parir, salvar,
se empobrecer, diminuir, retardar.

Valor numérico: 4.








-27-





O Hey

Generalidades:
A letra hey tem origem protosinaítica. Trata-se do som do
sopro, a expressão da oração, do pedido.

Formas originais da letra no alfabeto protosinaítico:
homem em posição de erguer os braços, clamando por
algo, invocando alguém (representação à esquerda: cerca
de 2000 anos antes da era comum; representação à direita:
cerca de 1000 anos antes da era comum).







Aspecto da letra em Hebraico:

- na escrita cursiva: ה

- na escrita quadrática: ה


Significados originais: sopro, choro, prece, interjeição:
HEY !




-28-
Com a letra "Hey" estamos em concordância com o sopro
fundamental que permite ao homem se inserir na
existência segundo ritmos e forças renováveis.

Significados secundários: respiração, respirar, roncar,
soprar, alma, vento, vida, esvaziamento do sopro (e da
energia), caracterização do feminino, do direcionamento e
do questionamento.

Outros significados associados ao idioma hebraico: eis
aqui, portanto, artigo definido (que), preposição indicando
questionamento, sufixo indicativo de feminino, direção.

Valor numérico: 5









O Vav

Generalidades:
A letra vav, em Hebraico, significa cravo, prego, gancho.

Formas originais da letra no alfabeto protosinaítico: o
vav consiste em um remo que permite impulsionar o
barco, ligando as duas margens do rio ou dois continentes
(representação à esquerda: cerca de 2000 anos antes da era




-29-
comum; representação à direita: cerca de 1000 anos antes
da era comum).





Aspecto da letra em Hebraico:

- na escrita cursiva: ו

- na escrita quadrática: ו

Significados originais: gancho, remo, prego, enganchar,
suspensão.

Significados secundários: coordenação, junção, canal,
tubo, sustentáculo, dedo.

O vav significa a “junção”, o “ligar”, o "unir". É posto no
início de uma palavra, nome próprio ou substantivo, verbo
ou adjetivo. Determina uma melhor precisão, completa o
sentido da palavra. O "vav" indica o masculino e a
possibilidade de união.

Significados mais comuns associados ao idioma
hebraico: prego, gancho.

Valor numérico: 6






-30-





O Zayin



Generalidades:
O Zayin representa a primeira letra da palavra "zayin", que
pode ser traduzida por arma ou, ainda, em outros
contextos, ornamento.


Formas originais da letra no alfabeto protosinaítico: o
zayin consiste em uma arma, provavelmente uma flecha
cuja representação foi reduzida a três traços (representação
à esquerda: cerca de 2000 anos antes da era comum;
representação à direita: cerca de 1000 anos antes da era
comum).





Aspecto da letra em Hebraico:

- na escrita cursiva: ז

- na escrita quadrática: ז




-31-
Significados originais: A flecha representa uma arma que
está associada a uma distância a transpor, a guerra.

Significados secundários: guerra, conflito, face-a-face,
revolução, fratura, distância, mudança, movimento,
atravessar, travessia, deixar o local, ficar a certa distância,
dinamismo.

Significados mais comuns associados ao idioma
hebraico: arma, ornamento, pênis.


Valor numérico: 7









O Chet

Generalidades:
O Chet é a letra inicial da palavra "chet" que, nos idiomas
semíticos indica a clausura, o obstáculo, o muro.


Formas originais da letra no alfabeto protosinaítico:
trata-se de uma barreira, um ambiente fechado
(representação à esquerda: cerca de 2000 anos antes da era


-32-
comum; representação à direita: cerca de 1000 anos antes
da era comum).





Aspecto da letra em Hebraico:

- na escrita cursiva: ח

- na escrita quadrática: ח


Significados originais: barreira, clausura, fechamento.

Significados secundários: falha, pecado, nicho, muro,
muralha, elemento de defesa, de bloqueio.

A energia suprema ("alef") não consegue se expressar, está
aprisionada dentro de um espaço fechado por todos os
lados. Prisioneira do tempo e do espaço. O bloqueio não
permite ao ser vivo desenvolver suas potencialidades, de
se abrir para o futuro.

Significados mais comuns associados ao idioma
hebraico: pecado.

Valor numérico: 8






-33-





O Têt

Generalidades:
A palavra “têt” não possui nenhum significado especial
em Hebraico.

Formas originais da letra no alfabeto protosinaítico:
dois bastões cruzados dentro de uma circunferência
(representação à esquerda: cerca de 2000 anos antes da era
comum; representação à direita: cerca de 1000 anos antes
da era comum).






Aspecto da letra em Hebraico:

- na escrita cursiva: ט

- na escrita quadrática: ט

Significados originais: proteção, escudo.

O têt é o símbolo do escudo. Esta letra é praticamente
inexistente nas inscrições protosinaíticas. Como




-34-
curiosidade, vale notar que ela não está contida no texto
dos dez mandamentos!

Significados secundários: cobertura, cobrir, local,
preservar, proteger, resistir, resistência, garantia,
salvaguarda, telhado.

Significados mais comuns associados ao idioma
hebraico: não há!

Valor numérico: 9









O Yud

Generalidades:

A letra YUD é a primeira letra da palavra "yad", que
significa mão, seja ela como um todo, seja a parte dos
dedos.


Formas originais da letra no alfabeto protosinaítico:
um ramo de papiro estilizado, braço estendido com a mão
aberta virada para cima (representação à esquerda: cerca



-35-
de 2000 anos antes da era comum; representação à direita:
cerca de 1000 anos antes da era comum).







Aspecto da letra em Hebraico:

- na escrita cursiva: י

- na escrita quadrática: י

Significados originais: mão, tomar, doar.

Significados secundários: demonstração, mandamento,
manifestação, mostra, ordem imperativa, contagem,
tempo, multiplicidade.

Significados mais comuns associados ao idioma
hebraico: mão, punho, extensão.

Valor numérico: 10










-36-





O Chaf


Generalidades:
A letra CHAF é a inicial da palavra hebraica "kaf", que é
traduzida como a palma da mão.

Formas originais da letra no alfabeto protosinaítico:
palma de uma mão, os cinco dedos da mão (representação
à esquerda: cerca de 2000 anos antes da era comum;
representação à direita: cerca de 1000 anos antes da era
comum).






Aspecto da letra em Hebraico:

- na escrita cursiva: כ

- na escrita quadrática: כ

Há também uma letra denominada CHAF FINAL,
utilizada quando o CHAF é a última letra da palavra:






-37-
- na escrita cursiva: ך

- na escrita quadrática: ך


Significados originais: prender, dar, concavidade da mão.

Significados secundários: trocar, comerciar, abrir,
acariciar, abençoar, cobrir, proteger.

Outros significados associados ao idioma hebraico:
quando, como, assim como.

Valor numérico: 20









O Lamed

Generalidades:
A letra lamed é a letra inicial de "lámed", palavra que
designa o aguilhão do boi (ponta de ferro fixada na
extremidade de um bastão, usada para picar os bois).


Formas originais da letra no alfabeto protosinaítico:
corda, cetro, aguilhão (representação à esquerda: cerca de



-38-
2000 anos antes da era comum; representação à direita:
cerca de 1000 anos antes da era comum).





Aspecto da letra em Hebraico:

- na escrita cursiva: ל

- na escrita quadrática: ל


Significados originais: provocar um avanço, dinamizar,
fazer passar de uma situação de repouso a outra, de
atividade.

Significados secundários: braço levantado, para o alto,
ultrapassar, expansão, extensão, altura, levantar os braços
para proibir ou interditar, se opor, oposição, rumo a algum
ponto.

Outros significados associados ao idioma hebraico:
aprender, ensinar, estudar.


Valor numérico: 30







-39-





O Mem

Generalidades:
O Mem é a letra inicial da palavra "mayim", cujo
significado é água.

Formas originais da letra no alfabeto protosinaítico:
fluxo de água, ondulações formadas pela água
(representação à esquerda: cerca de 2000 anos antes da era
comum; representação à direita: cerca de 1000 anos antes
da era comum).






Aspecto da letra em Hebraico:

- na escrita cursiva: מ

- na escrita quadrática: מ

Há também uma letra denominada de MEM FINAL,
utilizada quando o MEM é a última letra da palavra:







-40-
- na escrita cursiva:

- na escrita quadrática: ם

Significados originais: água, águas.

Significados secundários: movimento, corrente (no
sentido de fluir), questionamento a respeito da identidade,
questão sem resposta, identidade em movimento.

Outros significados associados ao idioma hebraico:
caracterização gramatical do masculino plural (terminação
IM – colocada no final de uma palavra); proveniente de,
originário de.

Valor numérico: 40









O Nun

Generalidades:
Primeira letra da palavra "nun". Corresponde à serpente
d’água, aquilo que é caçado na água.

Formas originais da letra no alfabeto protosinaítico:
cobra, serprnte, serpente d’água (representação à esquerda:



-41-
cerca de 2000 anos antes da era comum; representação à
direita: cerca de 1000 anos antes da era comum).





Aspecto da letra em Hebraico:

- na escrita cursiva: נ

- na escrita quadrática: נ

Há também uma letra denominada de NUN FINAL,
utilizada quando o NUN é a última letra da palavra:

- na escrita cursiva: ן

- na escrita quadrática: ן

Significados originais: o que está escondido no fundo,
nas profundezas marinhas, o peixe.

Significados secundários: aquilo que está escondido, o
íntimo, o feminino, lugar ou onde é possível se agachar,
lugar que contém, germe da vida, vida, algo que está para
nascer, criança, desenvolvimento, produção, produto,
vinda, advento, continuação, aumento, crescimento, aquilo
que é interno, escondido da observação.






-42-
Outros significados associados ao idioma hebraico:
peixes, crianças (sob o ponto de vista dos avós).

Valor numérico: 50









O Samech


Generalidades:
O Samech corresponde a um apoio, uma estrutura de
apoio.

Formas originais da letra no alfabeto protosinaítico:
um peixe, uma árvore com ramos (representação à
esquerda: cerca de 2000 anos antes da era comum;
representação à direita: cerca de 1000 anos antes da era
comum).












-43-
Aspecto da letra em Hebraico:

- na escrita cursiva: ס

- na escrita quadrática: ס

Significados originais: apoio, infra-estrutura, esqueleto
de um peixe vertebrado (em oposição ao animal não-
vertebrado, como o “nun”, que está associado à serprnte
d’água).

O Samech representa a espinha do peixe, a estrutura
esquelética, aquela que sustenta um organismo. Também
está vinculado à estrutura de uma casa, aquilo que a
sustenta, aquilo no qual é possível se apoiar. A
representação do Samech, através do símbolo




sugere a esquematização da coluna vertebral e da caixa
torácica. O Samech também se vincula ao bastão no qual
uma pessoa se apoia para andar. A marca do bastão no
solo, sua impressão é que dá a forma do Samech no
Hebraico como era representado no século I antes da era
comum.


Significados secundários: infra-estrutura de um
organismo ou sistema, esqueleto, escada, bastão, madeira,
estaca, sustentáculo, elemento de apoio, se apoiar.




-44-
Significados mais comuns associados ao idioma
hebraico: apoiar, se apoiar.

Valor numérico: 60.










O Ayin

Generalidades:
Primeira letra da palavra "ayin", que é traduzida como o
olho ou a fonte.

Formas originais da letra no alfabeto protosinaítico:
um olho, com ou sem pupilas (representação à esquerda:
cerca de 2000 anos antes da era comum; representação à
direita: cerca de 1000 anos antes da era comum).













-45-
Aspecto da letra em Hebraico:

- na escrita cursiva: ע

- na escrita quadrática: ע

Significados originais: ver, olhar, consultar.

Significados secundários: aparecer, aparecer e
desaparecer, visível, visível-invisível, fonte geradora,
interior-exterior, argola, em torno de, círculo, ciclo, globo,
globo ocular, obscuro, opaco, sombra, furo, órbita.

O AYIN representa também a fonte de água, o ponto de
passagem da água subterrânea à água que escoa, que brota
na superfície. Representa também o ser humano que não
se mostra totalmente - o que se vê é uma parte dele.

Outros significados associados ao idioma hebraico:
multiplicidade, semelhança, ver, observar, aprofundar.


Valor numérico: 70.











-46-







O PEI

Generalidades:
Primeira letra da palavra “pé”, que é traduzida como boca.


Formas originais da letra no alfabeto protosinaítico:
um retângulo horizontal ou com formato de boca; um
sorriso (representação à esquerda: cerca de 2000 anos
antes da era comum; representação à direita: cerca de 1000
anos antes da era comum).






Aspecto da letra em Hebraico:

- na escrita cursiva: פ

- na escrita quadrática: פ

Há também uma letra denominada de “PEI FINAL”,
utilizada quando o PEI é a última letra da palavra:





-47-
- na escrita cursiva: ף

- na escrita quadrática: ף


Significados originais: boca, fala, comer, respirar.

Significados secundários: desempenhar, escoar, exalar,
orifício, saída, palavra, conteúdo, fenda, memória
oralmente transmitida, interpretação.

Significados mais comuns associados ao idioma
hebraico: boca, abertura, lei oral.

Valor numérico: 80.









O TSÁDE

Generalidades:
Letra inicial da palavra “tsáde”, que está associada à caça.


Formas originais da letra no alfabeto protosinaítico: a
de um caçador deitado (representação à esquerda: cerca de


-48-
2000 anos antes da era comum; representação à direita:
cerca de 1000 anos antes da era comum).






Aspecto da letra em Hebraico:

- na escrita cursiva: צ

- na escrita quadrática: צ

Há também uma letra denominada de “TSÁDE FINAL”,
utilizada quando o TSÁDE é a última letra da palavra:


- na escrita cursiva: ץ

- na escrita quadrática: ץ


Significados originais: caçar, pescar, capturar, idéia de
cessação, de parada de movimento.

Significados secundários: seduzir, cativar, emboscar,
aprisionar, impedimento, retenção.

Também corresponde a alvo, objetivo.





-49-
Significados mais comuns associados ao idioma
hebraico: caça, captura.

Valor numérico: 90.









O Kuf

Generalidades:
Letra inicial da palavra “kof”, que significa macaco ou,
também, o buraco de uma agulha.


Formas originais da letra no alfabeto protosinaítico:
agulha e buraco da agulha, clava, rosto visto de frente,
machado, cortador (representação à esquerda: cerca de
2000 anos antes da era comum; representação à direita:
cerca de 1000 anos antes da era comum).











-50-
Aspecto da letra em Hebraico:

- na escrita cursiva: ק

- na escrita quadrática: ק


Significados originais: macaco, buraco de agulha.

Significados secundários: limitação, corte, interrupção,
não-totalidade, não-infinito, amputar, retalhar.

A existência individual é separada, cortada do mundo
exterior. O indivíduo anônimo sai da massa e adquire
características próprias.

Muitas palavras que se iniciam pela letra KUF apresentam
a idéia de corte, separação, interrupção – daí a idéia de
machado, de cortador.

Significados mais comuns associados ao idioma
hebraico: macaco e buraco de agulha.

Valor numérico: 100.










-51-





O Reish

Generalidades:
Letra inicial da palavra “rosh” que corresponde a cabeça
ou início.

Formas originais da letra no alfabeto protosinaítico:
perfil de cabeça (por vezes portando uma cobertura ou
lenço) (representação à esquerda: cerca de 2000 anos antes
da era comum; representação à direita: cerca de 1000 anos
antes da era comum).






Aspecto da letra em Hebraico:

- na escrita cursiva: ר

- na escrita quadrática: ר


Significados originais: cabeça, início, o começo.

Retornar à origem consiste em descobrir a força de
recomeçar novamente para realizar o “feito fundador”, a




-52-
vida no sentido de “viver é nascer a cada momento”.
Reencontro da força suprema, aquela que torna possível o
ínicio.

Significados secundários: cérebro, crânio, criação, criar,
começar, começo, o cume, o auge, chefe, presidência,
novo, primeiro, ramificação, prioridade, gênese.

Extremidade no sentido de bivalência: alto e baixo, rico e
pobre, primeiro e último, o mestre e o escravo.

Significados mais comuns associados ao idioma
hebraico: a cabeça, o chefe, a extremidade, a ponta.

Valor numérico: 200.










O Shin


Generalidades:
Letra inicial da palavra “shen” (tradução: dente). No
plural, tem-se “shinayim” (dentes).




-53-
Formas originais da letra no alfabeto protosinaítico:
aspecto de dentes ou, ainda, de um arco (representação à
esquerda: cerca de 2000 anos antes da era comum;
representação à direita: cerca de 1000 anos antes da era
comum).






Aspecto da letra em Hebraico:

- na escrita cursiva: ש

- na escrita quadrática: ש



Significados originais: mastigar, mascar, reduzir,
analisar, moer, triturar, atirar uma flecha com um arco.

Significados secundários: rasgar, destacar, emanar,
emitir, enviar, lançar, atirar, projetar, empurrar, espalhar,
transmitir, esticar.

Há interpretações segundo as quais o formato da letra Shin
corresponde a um arco. Enquanto que a representação de
um “dente” remete a significados tais como o moer, a
quebra, a redução – ou seja – aquilo que permite a
integração do mundo exterior junto ao mundo interior (a
redução de um todo em múltiplas partes), a identificação
sugerida referente a um “arco” pode se juntar ao contexto


-54-
de outras letras. Por exemplo, o GIMEL (camelo, que
permite a travessia através de grandes distâncias) e o
LAMED (movimento, transcendência), considerando-se
que o SHIN como arco permite lançar a flecha, unindo o
conceito de movimento e distância. Ao se considerar o
“arco”, tem-se duas noções complementares: o movimento
em potencial e o movimento ocorrendo efetivamente. Daí
os significados adicionais de desprendimento, expansão,
emissão, espalhamento, envio, projeção, lançamento – ou
seja, o atirar.

Significados mais comuns associados ao idioma
hebraico: dente e pronome relativo “que”.

Valor numérico: 300.









O TAV

Generalidades:
Letra inicial da palavra “tav”. Trata-se da marca, do sinal,
do símbolo.

Formas originais da letra no alfabeto protosinaítico:
dois bastões cruzados (representação à esquerda: cerca de



-55-
2000 anos antes da era comum; representação à direita:
cerca de 1000 anos antes da era comum).






Aspecto da letra em Hebraico:

- na escrita cursiva: ת

- na escrita quadrática: ת


Significados originais: um sinal, marca de aliança.

Há também no TAV uma concepção de perfeição ou de
encaminhamento rumo à perfeição. A letra TAV possui
um significado que pode ser interpretado num contexto
positivo ou negativo: a perfeição é também o terminar, o
findar, completar, acabar – ou seja, a morte. Para se chegar
à perfeição é necessário completar aquilo que falta. O
TAV seria, assim, o complemento. TAV representa um
sinal. Há outra palavra em Hebraico que caracteriza sinal:
תוא (alef-vav-tav). Pronuncia-se “ót”. A palavra “ót” está
vinculada a um sinal de aliança (os dois bastões cruzados).
Como sinais de aliança tem-se, na Bíblia, o arco-íris, a
circuncisão e o Shabat (o Sábado) – sinais de aliança entre
D’us e o homem. O que está por detrás destes sinais é a
necessidade de se retirar da totalidade: no homem
circuncisado, sua perfeição está na imperfeição, ou seja,
na possibilidade de continuar a se aperfeiçoar. Quando da


-56-
criação do mundo, D’us se retira e caracteriza o repouso –
no sétimo dia, um vazio.
É necessária esta interrupção, este vazio para que haja uma
renovação das energias, para tornar possível a atividade e
o movimento.

Significados secundários: encontro, símbolo, o
completar, designar, o inteiro, mútuo, perfeito, perfeição,
encerramento, precisão, fim de um processo, retiro, falta,
um vazio.

Significados mais comuns associados ao idioma
hebraico: nota musical, marcação, sinal.

Valor numérico: 400.



















-57-
- Uma história do Zohar: as letras hebraicas dialogando
com D’us.


1) Introdução


O conjunto de livros conhecido como Zohar (termo
hebraico que significa “esplendor”) é tido como um dos
principais textos do misticismo judaico. Consiste em
comentários sobre a Torá, abrangendo uma discussão
mística sobre a natureza de D’us e a respeito da origem e
estrutura do Universo, dentre outros temas. A parábola que
você terá oportunidade de ler a seguir foi extraída do
capítulo introdutório. Consiste em argumentações que as
letras do alfabeto hebraico apresentam a D’us com o
objetivo, cada qual, de ser a primeira a iniciar o livro de
Gênese (Bereshit, em Hebraico).


2) A história


Conta o Sêfer HaZôhar (Livro do Esplendor) que há uma
razão pela qual o Sêfer Bereshit (Livro do Princípio –
Gênesis) se inicia com a letra “Bet”, ao invés de, como
seria lógico (em termos humanos, ao menos), começar
com a Letra “Alef”, que é a primeira letra do alfabeto
hebraico.

O motivo pode ser melhor compreendido através do
acompanhamento da seguinte fábula, contida no Zôhar:
“Quando o Santo, Bendito Seja Ele, estava por fazer o

-58-
mundo, todas as letras do alfabeto eram apenas
embrionárias e durante dois mil anos antes da criação, o
Santo, Bendito Seja Ele, as tem contemplado e jogado
com elas.

Quando criou o mundo, todas as letras se apresentaram
perante Ele pela ordem inversa. A letra “Tav” se adiantou
à frente e pediu: Faz o que Te apraz, oh Senhor do mundo,
coloca-me em primeiro lugar na criação do mundo, visto
que sou a letra final da palavra “emet” (significa verdade)
que está gravada em Teu selo e dado que Tu és chamado
por esse nome – Emet- é mais apropriado para o Rei
começar com a letra final de Emet e comigo criar o
mundo. O Santo, Bendito Seja Ele, lhe disse: és digna e
tens mérito, porém, não é adequado que Eu comece por ti
a criação do mundo, visto que estás destinada a servir
como um símbolo na fronte dos fiéis, os quais receberam a
Lei desde “Alef” até “Tav”, e pela ausência deste sinal os
demais serão mortos e, além disso, tu constitui a conclusão
da palavra “mavet” (que significa morte). Assim, não cabe
iniciar contigo a criação do mundo.

Então a letra “Shin” se apresentou e pediu: oh, Senhor do
mundo, que te alegres em começar por mim o mundo, pois
sou a letra inicial de teu nome “Shaday” e é mais
adequado criar o mundo mediante este Santo Nome. Em
resposta, Ele disse: és digna, és boa, és verdadeira, porém
não posso começar por ti a criação do mundo, pois fazes
parte do grupo de letras que expressam falsidade
(“Sheker” – que significa mentira), alem disso, não és
capaz de existir a menos que a letra “Kuf” e a letra
“Reish” te levem em sua companhia; daí é, que uma
mentira para ser acreditada, deve sempre começar com

-59-
algo verdadeiro. Pois a letra “Shin” é uma letra de
verdade, esta é a letra pela qual os Patriarcas comungavam
com D’us, porém “Kuf” e “Reish” são letras que
pertencem ao lado mau, que para permanecerem firmes se
ligam à letra “ Shin” formando assim uma conjuntura
(“Késher” – palavra formada pelas letras “Kuf”, “Shin” e
“Reish”). Havendo ouvido tudo isto, a letra “Shin” partiu.

Entra a letra “Tsade” e diz: oh, Senhor do mundo, que te
agrade criar por mim o mundo, pois sou o sinal dos justos
(a letra “Tsade” é a letra inicial da palavra “Tsadikim” -
justos) e de Ti mesmo, que és chamado Justo, como está
escrito, “pois o Senhor é justo, Ele ama a justiça”, por isto
se enquadra bem que o mundo seja criado por mim. O
Senhor lhe deu esta resposta: “Tsade”, tu és “Tzadik” e
significa justo, porém deves ser escondida e não deves sair
abertamente enquanto possas dar ao mundo causa para
ofensa. Pois tu consistes da letra “Nun” levando por cima
a letra “Yud”, que representam juntas o princípio
masculino e o feminino. E este é o mistério da criação do
primeiro homem, que foi criado com dois rostos,
masculino e feminino, combinados. Da mesma maneira, a
letra “Nun” e a letra “Yud” ao formar o “Tsade” estão
dirigidas de costa a costa e não de rosto a rosto. O Santo,
Bendito Seja Ele, lhe disse logo: oportunamente te
dividirei em duas de modo a aparecer rosto a rosto, porém
tu ascenderás em outro lugar. E então, ela partiu.

A letra “Fei” se apresentou e pediu assim: Que Te alegres,
Senhor do mundo, em criar através de mim o mundo, pois
eu significo redenção e liberação (“Purkaná”, “Pedút”),
que hás de outorgar ao mundo. Daí que por mim o mundo
haveria de ser criado. O Senhor contestou: tu és digna,

-60-
porém tu representas transgressão (“Pésha”) e, mais ainda,
estás formada como uma serpente que tem sua cabeça
enrolada em seu corpo, simbolizando o homem culpado
que oculta sua cabeça e estende sua mão.

A letra “Ayin” foi igualmente rechaçada devido ao fato de
que com ela começa a palavra iniqüidade (“Avon”), apesar
de sua alegação de que representa a humildade (“Anavá”).

Logo apareceu a letra “Samech” e disse: oh, Senhor do
mundo, queira por favor criar através de mim o mundo,
pois represento o sustento (“Semichá”) dos caídos, como
está escrito “O Senhor sustém a todos os caídos”. O
Senhor lhe respondeu: esta é justamente a razão pela qual
deves permanecer em teu sítio e não abandoná-lo, pois
qual seria a sorte dos caídos ao verem que não mais se
encontram sustentados por ti? E Ela partiu imediatamente.

A letra “Nun” entrou e alegou seus méritos como sendo a
letra inicial de “tremendo” (“Norá”) em louvores, assim
como “formosa” (“Navah”), é o louvor para os justos”. O
Senhor disse: oh, “Nun”, retorna ao teu lugar, pois é em
consideração a tí, como representante dos que caem
(“Noflim”), que a letra “Samech” voltou ao seu sítio.
Permanece pois, debaixo da proteção dela. A letra “Nun”
voltou imediatamente ao seu sítio.

A letra “Mem” apareceu e disse: oh, Senhor do mundo,
por favor, cria através de mim o mundo, pois eu começo a
palavra “Melech” (que significa rei) e que é Teu título. O
Senhor replicou: seguramente assim é, porém não posso
empregar-te na criação do mundo pelo fato de que o
mundo requer um Rei; retorna pois ao teu lugar, junto com

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a letra “Lamed” e a letra “Chaf”, dado que o mundo não
pode existir sem “Melech” (palavra formada pelas letras
“Mem”, “Lamed” e “Chaf”).

Neste momento a letra “Chaf” desceu de seu trono de
glória e estremecida e temerosa disse: oh, Senhor do
universo, queira começar através de mim a criação do
mundo, pois sou Tua própria “Kavod” (honra). E quando a
letra “Chaf” desceu de seu trono de glória, começaram a
sacudir duzentas mil palavras - o trono tremeu, todos os
mundos estremeceram e estavam a ponto de cair em ruína.
O Santo, Bendito Seja Seu Nome, lhe disse: “Chaf”,
“Chaf”, que fazes aqui? Não criarei o mundo contigo.
Retorna ao teu sítio, pois a destruição (“kelayá”) ocorre
através de você (“Chaf” é a letra inicial de “kelaiá”).
Retorna, pois, ao teu lugar e permanece ali. Imediatamente
ela partiu e voltou ao seu sítio.

A letra “Yud” se apresentou então e disse: por favor, oh,
Senhor, outorga-me o primeiro posto na criação do
mundo, porque eu sou a primeira letra no Sagrado Nome
(tetragrama). O Senhor lhe disse: é suficiente para ti que te
encontres gravada e marcada em Mim mesmo e que sejas
o conduto de Minha vontade; não haverá de ser separada
de Meu Nome.

A letra “Tet” veio então e disse: oh, Senhor do universo,
por favor, queira colocar-me na cabeça ao criar o mundo,
pois através de mim és chamado de “Bom e Reto” (“Tav
veYashar”). E Ele disse: não criarei o mundo por teu
intermédio, porque a bondade que tu representas está
escondida e guardada dentro de ti mesmo, como está
escrito: “Quão grande é a tua bondade, que guardaste para

-62-
os que te temem...” Desde então está entesourada em ti
mesma, não tens parte no mundo que Estou para criar, pois
somente se encontra no mundo por vir. E ademais, a letra
“Chet” está ao teu lado, e quando vos juntais se forma a
palavra pecado. Por isto estas duas letras não se encontram
no nome de nenhuma das tribos. Assim, ela partiu
imediatamente.

Então a letra “Zayin” se apresentou e fez a exposição de
suas pretensões, dizendo: oh, Senhor do mundo, queira por
favor colocar-me à cabeça da criação, pois eu represento a
observância do “Shabat” (Sábado) como está escrito:
“Recorda (“zechor”) o dia do Shabat para o santificar”. O
Senhor replicou: não criarei o mundo através de ti, pois tu
representas a guerra, porque a tua forma é como uma
espada pontiaguda ou uma lança. A letra “Zayin” partiu
imediatamente de Sua presença.

A letra “Vav” entrou e expôs a suas intenções dizendo: oh,
Senhor do mundo, por favor, empregue-me como primeira
na criação do mundo, pois eu sou uma das letras de Teu
Nome. O Senhor lhe disse: a ti, “Vav” como também à
letra “Hey”, que vos baste ser duas das letras de Meu
Nome, gravadas e impressas em Meu Nome. Por isso não
vos darei o primeiro lugar na criação do mundo.

Então apareceu a letra “Dalet” e também a letra “Gimel” e
apresentaram suas reinvidicações. O Senhor lhes deu uma
resposta parecida dizendo: Há de bastar-vos o dever de
permanecerem juntas, uma ao lado da outra, porque não
deixará de haver indigentes na Terra, que assim
necessitarão de benevolência. Pois a “Dalet” significa
pobreza (“dal”) e a “Gimel” significa benevolência

-63-
(“gemol”). Por isto não vos separeis uma da outra e que
vos baste o sustento mútuo.

Então entrou a letra “Bet” e disse: oh, Senhor do mundo,
por favor, queira colocar-me como primeira na criação do
mundo, pois represento as bênçãos (“Brachot”, em
Hebraico) oferecidas a Ti, nas esferas superiores e
inferiores. O Santo, Bendito Seja Ele, lhe disse:
seguramente contigo criarei o mundo e tu estarás no início
da criação do mundo.

A letra “Alef” permaneceu em seu sítio sem se apresentar.
Disse o Santo, Bendito Seja Seu Nome: “Alef”, “Alef”,
porque não vens tu diante de Mim como as demais letras?
E ela respondeu: porque vieram todas as outras letras e
abandonaram Tua Presença sem lograrem nenhum êxito.
Que posso eu lograr, então? E, ademais, desde que Tu
dotaste a letra “Bet” com este grande dom, não seria
adequado para o Rei Supremo retirar o dom que já Tens
dado à Tua servidora e outorgá-lo à outra. O Senhor lhe
disse: “Alef”, “Alef”, mesmo começando a criação do
mundo com a letra “Bet”, tu serás a primeira de todas as
letras. Minha Unidade somente se expressará pela letra
“Alef”. Todos os cálculos e cada ação do mundo
começarão através de você. Nenhuma unificação será
efetuada exceto através do letra “Alef”.


Adaptado de: HaZôhar, Tishby-Lachover
MishnatHaZôhar - vol. 1 2b-3b.




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- Códigos e mensagens contidos na Bíblia Hebraica:


Introdução

Todos nós estamos acostumados com os assim chamados
“códigos verificadores” em nossos documentos. Por
exemplo, no CPF temos dois dígitos ao final, após o
tracinho. Nas contas bancárias sempre encontramos um ou
mais dígitos verificadores assim como nas novas carteiras
de identidade, que apresentam, logo após o número do
RG, um dígito de controle.

Formalmente, estes códigos de verificação são
denominados de “checksum” ou, em Português, “soma de
verificação”. Trata-se de um artifício bastante empregado
nas técnicas computacionais com o objetivo de verificar a
integridade de dados transmitidos ou armazenados em
algum meio.

O princípio de operação deste “checksum” é baseado em
cálculos matemáticos, sendo o mais comum deles o CRC
(ou “cycle redundancy check” – verificação de
redundância cíclica).

É possível também realizar operações de checagem mais
simples, tal como a mera soma de verificação dos dados
antes de seu envio ou do armazenamento em alguma
mídia, gerando, por exemplo, um ou mais dígitos que são
agregados ao final da informação (tal como os dois
números após o tracinho de seu CPF).


-65-
Quando a informação é recebida ou recuperada do
armazenamento, as operações de soma antes efetuadas
com estes números (exceto aqueles que foram agregados
posteriormente) são refeitas e comparadas com os dígitos
de controle (aqueles que foram adicionados quando do
processo inicial). Se o valor obtido for o mesmo, parte-se
do princípio que as informações não sofreram alterações e,
portanto, não estão corrompidas (entenda-se alteradas).

Este processo elementar de soma aqui descrito é, no
entanto, vulnerável pois não deteta certos tipos de falhas.
Por exemplo, a simples soma dos valores dos caracteres
numéricos é suscetível à troca de ordem destes (princípio
da comutatividade da soma: 3+4 = 4+3, por exemplo). Daí
a necessidade de se empregar métodos mais elaborados
para a obtenção dos dígitos de controle, tal como o CRC
anteriormente citado, dentre muitos outros.

Em resumo, a presença de caracteres de verificação (tais
como os dígitos de controle adicionais nos RG’s, contas
bancárias e CPF’s comentados) consistem em mecanismos
de confirmação utilizados para verficar a validade e a
autenticidade de informações, evitando deste modo
fraudes e erros de transmissão e digitação.

Vejamos em exemplo de cálculo bem simples. Digamos
que queiramos acrescentar, à seqüência 7.429.825 um
dígito de controle baseado na soma dos valores numéricos
desta numeração (na prática, ninguém faria isto devido às
chances de troca de valores, já explicadas). Teríamos
então:

7 + 4 + 2 + 9 + 8 + 2 + 5 = 37

-66-
3 + 7 = 10
1 + 0 = 1

O dígito adicional seria, então, o “1”: 7.429.825-1

Se, ao escrever o número originalmente apresentado
trocassemos, por engano, o último “5” por um “6”, a soma
seria 38, o que determinaria um “checksum” de:

3 + 8 = 11
1 + 1 = 2

que difere do “1” original. Seria então possível concluir
que houve algum erro no registro da informação principal
(7.429.825). Observe também que, se trocassemos entre si
o “8” e o “9”, o dígito de controle seria o mesmo, ou seja,
o erro não seria percebido.

Nem pense em fazer esta conta com seu CPF ou RG! Os
processos matemáticos reais empregados para a obtenção
do(s) dígito(s) verificador(es) são muito mais elaborados
do que este que utilizamos como exemplo... aliás, um
exemplo meramente didático para que você possa
compreender aonde pretendemos chegar. Diga-se de
passagem, nos computadores emprega-se notação binária
(seqüências de “1” e “0”) para a representação de
caracteres, sendo os cálculos dos dígitos de controle
efetuados num esquema completamente distinto da base
decimal com a qual estamos habituados.





-67-
1) A origem dos textos bíblicos:

O Pentateuco, como são chamados os cinco livros que
constituem a Bíblia Hebraica (Gênesis, Êxodo, Levítico,
Números e Deuteronômio) foi, segundo o Judaísmo,
ditado diretamente por D’us a Moisés, numa seqüência
letra-a-letra. Desde os primórdios e até os dias de hoje, ele
tem sido minuciosamente copiado. Denominado em
Hebraico de “Torah”, é formado por um rolo (vide figura)
no qual as letras e as palavras são copiadas manualmente,
sempre de um rolo anterior, obedecendo a padrões de
posicionamentos e espaçamentos entre letras e palavras e
com uma eterna ressalva aos copistas: se, por acaso, for
adicionada ou omitida uma única letra do texto, o
Universo será destruído (se literal ou figurativamente, é
impossível afirmar!).














A “Torah” é formada por um rolo no qual as letras
e as palavras são copiadas manualmente.



-68-

Uma pergunta intrigante e que desafia a lógica e as
tendências humanas naturais é a seguinte: o que faz com
que esta especial seqüência de letras seja tão importante?
A tal questionamento poderíamos acrescentar outro: como
esta seqüência de letras conseguiu se manter inalterada por
mais de 3.500 anos, cópia após cópia?

Obviamente, há três ou quatro milênios não haviam
computadores... Então, o que poderia ser feito caso alguém
planejasse redigir um extenso documento que,
garantidamente, pudesse ser copiado sucessivamente, cada
qual de outro, anterior, e isento de erros? A solução estaria
na utilização de identificadores matemáticos que
pudessem ser reconhecidos por alguém - em gerações
futuras... Tais identificadores deveriam funcionar como
elementos de checagem da integridade destes documentos!

2) A Gematriá: os números associados ao alfabeto
hebraico guardam segredos!


O alfabeto hebraico é formado por vinte e duas letras. No
entanto, cinco delas possuem uma variante que é utilizada
quando tais caracteres terminam uma palavra.

A Gematriá (pronuncia-se com “g” de gato) é baseada
numa correspondência entre as letras hebraicas e seus
valores numéricos. Há várias técnicas em se tratando do
estabelecimento desta correspondência, porém a mais
conhecida é denominada de “valor absoluto”, sendo
abaixo apresentada:


-69-















Mapeamento dos valores absolutos: correspondência
entre caracteres hebraicos e valores numéricos.


A “Kabalá” (e não Cabála, como popularmente é dito),
abrange conceitos do Misticismo Judaico e utiliza
intensamente a Gematriá.

3) O “Livro da Criação”

O “Sefer Yetzirah”, cuja tradução é “Livro da Criação”,
consiste em um registro escrito de conhecimentos os quais
acredita-se terem sido originados e repassados a partir do
patriarca Abraão, o primeiro hebreu.

Segundo o “Sefer Yetzirah”, as letras hebraicas são
classificadas em letras mães, duplas e elementares. Na
tabela abaixo separamos as letras nestas três categorias: há
3 letras mães, 7 duplas e 12 elementares.


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categoria: quantidade: letras:

letras mães

3
ש מ א ש מ א ש מ א ש מ א

letras duplas

7
ת ר פ ד כ ג ב ת ר פ ד כ ג ב ת ר פ ד כ ג ב ת ר פ ד כ ג ב

letras elementares

12
ק צ ע ס נ ל י ט ח ז ו ה ק צ ע ס נ ל י ט ח ז ו ה ק צ ע ס נ ל י ט ח ז ו ה ק צ ע ס נ ל י ט ח ז ו ה
Classificação do alfabeto hebraico
em três categorias.


4) A Gematriá aplicada ao Pentateuco:

Ao se analisar os cinco livros que compõem o Pentateuco
(Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio) é
possível determinar a quantidade de letras bem como a
soma de seus valores numéricos, ou seja:

livro quantidade de letras valor numérico
(somatória)
Gênesis


78.064

5.106.274

Êxodo


63.529

4.639.025

Levítico


44.790

3.137.240

Números


63.530

4.350.277

Deuteronômio


54.892

3.777.010
Total

304.805 21.009.826
Cálculos numéricos associados
aos cinco livros da“Torah”.

-71-

5) A palavra “MACHSHÊV” em Hebraico:

Em Hebraico, a palavra “computador” corresponde a
“MACHSHÊV” (versão transliterada, sundo que o “CH” é
lido, aproximadamente, como um “RR” saído do fundo da
garganta, como em “carro” – MARRSHÊV).

Utilizando as letras quadráticas convencionais, escreve-se:

בשחמ בשחמ בשחמ בשחמ

Em geral as palavras hebraicas possuem uma raíz. A raíz
de “MACHSHÊV” é dada pelas letras ח חח ח - -- - ש שש ש - -- - ב בב ב .

É importante comentar a questão da raíz de uma palavra
pois, em Hebraico, ela denota a essência daquilo que ela
corresponde. No caso, ח חח ח - -- - ש שש ש - -- - ב בב ב consiste em uma raíz
associada aos termos “pensamento”, “raciocínio” – e
“MACHSHÊV”, ou seja, בשחמ בשחמ בשחמ בשחמ pode então ser entendido
também como algo que raciocina – ou seja, um
“computador” (mesmo que, efetivamente, hoje em dia ele
ainda não tenha atingido o estágio de raciocínio próprio..).

A palavra “MACHSHÊV” pertence ao Hebraico Moderno,
mas se Moisés aparecesse hoje em uma típica cidade
israelense e ouvisse a palavra “MACHSHÊV”, mesmo
sem nunca ter visto um computador, saberia, pela análise
da raíz e de seu prefixo, que se trata de algo que pensa,
que raciocina...

Estamos desenvolvendo estes comentários para mostrar
que o Hebraico é um idioma que procura seguir uma

-72-
estrutura lógica, matemática, e que o significado de
palavras pode, em muitos casos, ser deduzido.

Agora, partindo-se do princípio de que a Bíblia Hebraica
possui informações codificadas, e que tais informações
foram ali postas para serem identificadas em tempos
futuros, seria bastante razoável inferir que a busca destas
informações escondidas viesse a ser efetuada por meio de
computadores. E, em Hebraico, “MACHSHÊV”, com
vimos, significa “computador”.

Que tal então iniciar a procura destas codificações
buscando, nos textos bíblicos, através da eliminação dos
espaços entre as palavras, a localização de seqüências de
letras que correspondam a “computador”, ou seja, a
בשחמ בשחמ בשחמ בשחמ ?

6) A palavra “MACHSHÊV” nos textos bíblicos:

Kevin Acres escreveu um interessante artigo, intitulado
“Data Integrity Patterns of The Torah” e nele discute
várias questões relativas à busca de codificações nos
textos bíblicos, dentre elas, a presença da palavra
“MACHSHÊV” no primeiro livro do Pentateuco, o
Gênesis. Kevin Acres realizou o experimento e, segundo
seu trabalho, os seguintes resultados foram obtidos:

1) Quantidade de seqüências que correspondem às
letras בשחמ בשחמ בשחמ בשחמ : 3.
2) Posição da primeita letra ( מ ממ מ ) no encadeamento
formado por todas as palavras, uma junto à
outra, sem espaçamentos:


-73-


ocorrência número:
posição numérica da
primeira letra ( מ ) :
capítulo / versículo /
posição da letra ( מ ) no
versículo:
1

7088 6 / 5 / 31
2

77684 50 / 20 / 4
3

77700 50 / 20 / 20

Posicionamento da palavra בשחמ בשחמ בשחמ בשחמ no encadeamento
estabelecido por todas as palavras do Gênesis na Bíblia
Hebraica, uma ao lado da outra, sem espaçamentos.


Há uma série de aspectos, nesta tabela, que chamam a
nossa atenção, quais sejam:

1) Os dígitos que correspondem à quantidade de
letras no Gênesis (78.064) estão todos presentes
em se tratando da posição numérica da palavra
“MACHSHÊV” (com base na primeira letra (מ ממ מ),
quais sejam, 7088, 77684 e 77700). Com efeito,
nestes três referenciais temos o “7”, o “8”, o “0”,
o “6” e o “4”.

2) Observe a seqüência de dígitos “7”: na primeira
ocorrência, um “7”. Na segunda, dois e na
terceira, três.

3) Ainda trabalhando com os dígitos “7”, note que
a quantidade de letras do Gênesis (78.064)
corresponde a:



-74-

77700 + (7 x 7 x 7) + (7 + 7 + 7).


Será que se trata apenas de uma coincidência??



7) “O seu final está contido em seu início, e o seu início
em seu final”:

O já comentado “Sefer Yetzirah” – “O Livro da Criação”
apresenta, em seu capítulo 1, versículo 7, esta intrigante
afirmação: “O seu final está contido em seu início, e o seu
início em seu final”. O mesmo artigo anteriormente citado
tenta analisar esta frase através de Gênesis 1:1 (o início da
Bíblia), em Hebraico.

O primeiro versículo de “Bereshít” – termo hebraico para
o Gênesis, possui 7 palavras e 28 letras. A primeira
palavra é formada por 6 letras.

Na matemática há um conceito denominado de “número
perfeito”. O que vem a ser “número perfeito”? Trata-se de
um número que corresponde à soma de seus divisores. Por
exemplo, 6 = 1 + 2 + 3, sendo 1, 2 e 3 divisores de 6.
Outro número perfeito, seqüencialmente ao 6, é o 28, pois
28 = 1 + 2 + 4 + 7 + 14, com 1, 2, 4, 7 e 14
correspondendo a divisores de 28.

São poucos os números perfeitos conhecidos, sem que
atingam cifras astronômicas, a saber:

6 , 28 , 496 , 8.128 , 33.550.336 , 8.589.869.056 , . . .

-75-

Estaríamos assim diante de um simples acaso? O fato é
que o primeiro versículo do Gênesis possui 28 letras e a
primeira palavra do versículo contém 6 letras! Justamente
os dois primeiros números perfeitos!

Ao mesmo tempo, observe o resultado da subtração dos
dois primeiros números perfeitos: 28 – 6 = 22, igual à
quantidade de letras do alfabeto hebraico.

Mas não paramos por aqui! Os números perfeitos
apresentam uma propriedade muito especial, pois podem
ser dispostos numa representação triangular. Vejamos
como isto acontece para os números “6” e “28”:























Triângulo associado aos dois primeiros
números perfeitos.


-76-

Observe os triângulos formados pelos números 1 a 6
(A,B,C) e de 1 a 28 (A,D,E).

Tomemos agora o primeiro versículo do Gênesis:

ץראה תאו םימשה תא םיקלא ארב תישארב ץראה תאו םימשה תא םיקלא ארב תישארב ץראה תאו םימשה תא םיקלא ארב תישארב ץראה תאו םימשה תא םיקלא ארב תישארב : :: :

redispondo-o segundo esta montagem triangular, da
primeira até a vigésima-oitava letra.

Teremos então:

























O primeiro versículo do Gênesis, disposto
numa montagem triangular.


-77-

Observe que a última letra à esquerda, na base do
triângulo, originalmente em sua forma final (“TSADI
SOFIT”) apresenta, a seu lado e entre parênteses, o
formato básico, quando é posta no início ou na parte
interna de uma palavra (“TSADI”). O mesmo ocorre com
os dois “MEM SOFIT” deste versículo: ao lado deles
representamos sua versão, digamos, “normal” (“MEM”).

Ao analisar o triângulo assim formado pode-se constatar
que a primeira palavra do versículo ( תישארב תישארב תישארב תישארב ), lida como
“BERESHÍT”, forma um triângulo onde cada lado possui
três letras.

























O triângulo menor, em destaque, contendo
a palavra “BERESHÍT”.



-78-

Por sua vez, o primeiro versículo como um todo estabelece
um triângulo com 7 letras em cada lado. Finalmente,
perceba que o triângulo interno, contido no triângulo
principal, contém 10 letras – ou, reinterpretando, 3 + 7
letras...
























O triângulo interno, contido no triângulo
principal, contém 10 letras.


O que pode ser dito a respeito destas constatações? Vimos
que, segundo o “Sefer Yetzirah”, o alfabeto hebraico pode
ser decomposto em 3 letras mães, 7 letras duplas e 12
elementares. No primeiro versículo do Gênesis, os
números “3” e “7” se mostram importantes.



-79-
Por outro lado, o valor total de todas as letras do último
livro da Bíblia Hebraica, o Deuteronômio, corresponde,
como vimos, a 3.777.010. Vejamos: com base no primeiro
versículo do Gênesis, podemos formar um triângulo com 7
letras em cada lado. Então: 3 lados de 7 letras: 7, 7 e 7. O
triângulo interno, por sua vez, contém 10 letras. Observe
agora:

“3 777 010”


3 e 777 - corresponde a 3 lados de 7 letras cada;

010 - temos 10 letras no triângulo interno.


O “10” equivale, nesta comparação, a “010” do ponto de
vista da representação da quantidade de letras contidas no
triângulo interno.

Mas ainda não terminamos nossas considerações: vejamos
agora a questão da quantidade de letras que estão
presentes no Deuteronômio: 54.892. Atente para a soma
destes dígitos: 5 + 4 + 8 + 9 + 2 = 28. Ao contar a
quantidade de letras do primeiro versículo do Gênesis, que
é a mesma contida no triângulo já mostrado, também
chegamos a 28! Muita coincidência entre o que acontece
no início da Bíblia Hebraica (primeiro versículo do
Gênesis) e em seu final (Deuteronômio)? Lembre-se: “O
seu final está contido em seu início, e o seu início em seu
final”. Esta afirmação do “Sefer Yetzirah” – “O Livro da
Criação” estaria relacionada a estes cálculos?


-80-

- Qual é a letra mais utilizada na Bíblia Hebraica? E qual é
a que aparece menos vezes?

É possível constatar, pela tabela abaixo, na qual
apresentamos o alfabeto hebraico em sua ordenação
natural, que o “YUD” é a letra mais empregada na Bíblia
Hebraica: 31. 522 ocorrências. É também interessante
notar que esta, que é a letra mais utilizada, também é a
menor delas... Por sua vez, o “TET” está presente em
apenas 1.802 vezes. É a letra que está na “lanterninha”...




















Tabulação da quantidade de vezes em que cada letra é
empregada na Bíblia Hebraica – total de letras: 304.805.


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Finalmente: na seqüência das letras do alfabeto hebraico,
aquela que aparece menos vezes nos textos bíblicos (o
“TET”) está posta ao lado da letra que é a mais empregada
(o “YUD”) – correspondendo à nona e à décima letra,
respectivamente ! O contraste entre o menor e o maior...
Mais uma obra do acaso ?


- O sistema de escrita hebraica e a invenção que
popularizou a leitura: o registro dos sons vocálicos:


Há cerca de 3000 anos os antigos Hebreus estabeleceram
aquilo que viria a ser o percursor de quase todos os
modernos sistemas de escrita. Para aqueles que atualmente
podem ler e escrever, a escrita é considerada como uma
extensão evidente do processo de fala. No entanto, para
quem ainda estava experimentando as primeiras técnicas
de escrita, o fato dela estar diretamente ligada à fala não
era tão óbvio...

Pode-se afirmar que foi com os Hebreus que,
efetivamente, a escrita alfabética se desenvolveu, apesar
de tentativas terem sido anteriormente experimentadas por
outras culturas.

Com efeito, por volta do ano 1000 antes da era comum, os
Fenícios escreviam através de um sistema consonantal
baseado em 22 letras. No entanto, apesar da escrita ter sido
estabelecida, a leitura não era uma tarefa tão simples, pois
a técnica fenícia não permitia a inclusão de sons vocálicos
junto às consoantes.

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Os Hebreus, por sua vez, solucionaram este problema.
Através de três letras do alfabeto hebraico, quais sejam, o
“VAV” ( ו וו ו ), o “HEY” ( ה הה ה ) e o “YUD” ( י יי י ) foi possível
representar sons vocálicos.

Na verdade, tais letras são, efetivamente, consoantes.
Todavia, foram utilizadas com “dupla função”: em
condições especiais, eram interpretadas como sons
vocálicos. Tais letras foram denominadas de “guias de
leitura”, ou, ainda, “mães de leitura” (em latim, “matres
lectiones”), tendo sido empregadas para distinguir
palavras que eram escritas com as mesmas letras
consonantais, mas que devessem ser pronunciadas
diferentemente (cabe aqui citar que, na verdade, a
consoante “ALEF” também poderia ser enquadrada como
“guia de leitura”, porém não no mesmo contexto destas
que estamos considerando).

A, digamos, “invenção” desta importante ferramenta – o
registro das vogais – revolucionou o comportamento
humano pois, a partir daí, popularizaram-se os processos
de escrita e de leitura, não sendo mais estas técnicas de
domínio exclusivo das elites e dos escribas.

As letras “YUD”, “HEY” e “VAV” que, quando
assumiam o papel de vogais denotavam o sons “I” ou “E”
(“YUD”), “A” (“HEY”) e “O” ou “U” (“VAV”), foram
empregadas exclusivamente como consoantes por, no
mínimo, centenas de anos antes desta transformação
(início do primeiro milênio antes da era comum). Durante
o estágio pré-vocálico da escrita, apenas as consoantes de
uma palavra eram efetivamente registradas.

-83-

Você, caro leitor, a esta altura poderia questionar: por que
houve a necessidade de tanto tempo para que uma
(aparentemente simples) invenção – a inclusão de vogais
no processo de escrita – viesse a acontecer?

Há muitas teorias a respeito, mas uma delas merece
especial atenção.

Naquela época, nas diferentes culturas, as pessoas que
sabiam escrever não apenas consideravam a inclusão de
vogais desnecessária como também indesejável. O fato
deles poderem escrever e ler as consoantes, associando-as
de memória com as vogais pertinentes, pois conheciam as
palavras por te-las decorado, trazia a estes indivíduos – os
escribas e as elites – uma aura de exclusividade, de
respeito e de “status”. Eram os “escritores profissionais”.
Em decorrência disto, não queriam que as massas
populacionais lessem – mantendo-as distantes destas
ferramentas e, em conseqüência, da aquisição de
conhecimentos.

E, neste ponto, entram os Hebreus. Criam artifícios que
vem a permitir a disseminação das técnicas de leitura. A
leitura não mais estaria restrita aos escribas. A partir deste
momento, ela se populariza (bem como a escrita...). E, daí,
o acesso ao conhecimento.

Os antigos hebreus então reconheceram, identificaram o
poder da leitura e da escrita aperfeiçoando-as através do
registro vocálico.



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De fato, basta uma consulta a Deuteronômio 6:9, onde se
lê: “escreva-as (instruções dadas por D’us) nos umbrais
das portas de sua casa e em seus portões”.






Deuteronômio 6:9, em Hebraico: “escreva-as nos
umbrais das portas de sua casa e em seus portões”.


Pode-se concluir então que aqueles que recebiam estas
ordens através dos textos bíblicos sabiam, efetivamente,
escrever e ler ou, no mínimo, era o que deles se esperava.


- O sistema de pontuação criado pelos Massoretas de
Tibérias:

Com a dispersão do povo hebreu causada pelos romanos,
nos primeiros séculos da era comum, o Hebraico quase
que deixou de ser uma língua falada. Receava-se que os
textos bíblicos se perdessem ou que viessem a ser
alterados, seja por falta de conhecimento por parte das
novas gerações de então no que se refere às corretas
técnicas de leitura ou por reinterpretações e modificações
que tenderiam a acontecer.

Por volta dos anos 600 a 800 da era comum, grupos de
estudiosos denominados de Massoretas tentaram criar
sinalizações auxiliares junto ao alfabeto hebraico com o
objetivo de garantir a fidelidade e a uniformização dos
לע םתבתכו לע םתבתכו לע םתבתכו לע םתבתכו - -- - ךירעשבו ךתיב תוזזמ ךירעשבו ךתיב תוזזמ ךירעשבו ךתיב תוזזמ ךירעשבו ךתיב תוזזמ

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procedimentos de escrita e leitura, principalmente no que
se refere à Bíblia Hebraica e os textos a ela associados.

Um destes grupos, denominado de Massoretas de Tibérias
(uma região próxima ao Lago Tiberíades, no norte de
Israel), alcançou extraordinário sucesso com suas
propostas, as quais são empregadas até os dias de hoje.

Os Massoretas consideravam que nos textos hebraicos,
apesar das consoantes estarem acompanhadas de
mecanismos que eram utilizados também como indicativos
de sons vocálicos (as três consoantes que funcionavam
como “guias de leitura”), estes ainda não eram suficientes
para garantir uma leitura e pronúncia adequadas das
palavras. Com efeito, mesmo tendo em consideração que
tais mecanismos já eram empregados durante mais de
1.600 anos (no mínimo) antes dos Massoretas criarem suas
propostas, até mesmo falantes do Hebraico necessitavam
ter muita prática para desenvolver uma leitura correta.

Foi criado então um conjunto de marcações diacríticas
que, juntado às consoantes, determinavam orientações
referentes à correta pronúncia das palavras.







Deuteronômio 6:9, em Hebraico: “escreva-as
nos umbrais das portas de sua casa e em seus
portões” acompanhado dos sinais diacríticos
criados pelos Massoretas de Tibérias.

ל ַ ע ם ָ תּ ְ ב ַ ת ְ כוּ ל ַ ע ם ָ תּ ְ ב ַ ת ְ כוּ ל ַ ע ם ָ תּ ְ ב ַ ת ְ כוּ ל ַ ע ם ָ תּ ְ ב ַ ת ְ כוּ - -- - ֶ תי ֵ בּ תוֹז ֻ ז ְ מ ֶ תי ֵ בּ תוֹז ֻ ז ְ מ ֶ תי ֵ בּ תוֹז ֻ ז ְ מ ֶ תי ֵ בּ תוֹז ֻ ז ְ מ , ,, , י ֶ ר ָ ע ְ שׁ ִ בוּ י ֶ ר ָ ע ְ שׁ ִ בוּ י ֶ ר ָ ע ְ שׁ ִ בוּ י ֶ ר ָ ע ְ שׁ ִ בוּ . .. .

-86-

Marcações ou sinais diacríticos consistem em sinais
gráficos que são colocados sobre, sob, ao lado ou dentro
de uma letra com o objetivo de determinar alterações
sonoras ou também para identificar qualquer outra
característica linguística.

Como exemplo, tomemos as letras “SHIN” ( ש שש ש )e “MEM
SOFIT” ( ם םם ם ). Vamos uni-las:

םש םש םש םש


Estas duas letras, juntas, dependendo de como são
pronunciadas, podem significar, dentre outras
possibilidades:

a) “NOME” (se pronunciada como “SHÊM”)
b) “ALÍ”, “LÁ” (se pronunciadas como “SHÁM”).

Observe que םש םש םש םש não está associado a nenhum “guia de
leitura” (as letras “HEY, “VAV” e “YUD”). A correta
leitura, se “SHÊM” ou “SHÁM” dependerá, então, do
contexto da frase em que a palavra estiver contida.

Este, por sinal, era um problema que persistia no Hebraico
mesmo após a introdução do conceito de “guias de
leitura”. Além disso, nem todas as palavras continham tais
guias, como é o caso do exemplo em análise.


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Os Massoretas de Tibérias propuseram, então, a
introdução de marcações junto às letras que viessem a
indicar sua pronúncia correta mesmo se a palavra estiver
isolada de seu contexto. Assim, se entendida como
“NOME”, as duas letras acima apresentadas seriam
escritas da seguinte forma:
ם ֵ שׁ ם ֵ שׁ ם ֵ שׁ ם ֵ שׁ

ou seja, com dois pontos horizontais sob a letra “SHIN”,
representando a vogal “E” fechada (“Ê”). Por outro lado, a
palavra “ALÍ” ou “LÁ” seria escrita como:

ם ָ שׁ ם ָ שׁ ם ָ שׁ ם ָ שׁ

Observe a marcação ( T ) sob a letra “SHIN”. Ela
corresponde à vogal “A”.

Continuando com a proposta dos Massoretas de Tibérias,
observe que acima do “SHIN”, à sua direita, foi posto um
pequeno ponto. O objetivo é o de distinguir duas
pronúncias possíveis para esta letra. Com um pontinho à
direita, como é o caso, lê-se como “SH”. Se o ponto
estiver à esquerda, tal como:

שׂ שׂשׂ שׂ

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então lemos esta consoante como “S”. Por exemplo,
juntando o “SHIN” com o “MEM SOFIT”, supondo que o
ponto esteja sobre o “SHIN” e posto à sua esquerda, além
da marcação ( T ) – indicativa da vogal “A” – sob ele,
poderíamos ler a palavra assim formada como:

ם ָ שׂ ם ָ שׂ ם ָ שׂ ם ָ שׂ

que é pronunciada como “SÁM”. “SÁM” é um verbo, no
caso, na terceira pessoa do singular, no tempo passado – e
significa “PÔS”, “COLOCOU” (nada a ver com
“NOME”, “LÁ” ou “ALÍ”). Observe mais uma vez as
diferenças:

ם ָ שׁ ם ָ שׁ ם ָ שׁ ם ָ שׁ

“SHÁM”


e:

ם ָ שׂ ם ָ שׂ ם ָ שׂ ם ָ שׂ

“SÁM”

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sendo que “SHÁM” corresponde a “LÁ”, “ALÍ”, enquanto
que “SÁM”, como acabamos de ver, a “ELE PÔS”, “ELE
COLOCOU” (um verbo!).

Juntamente com as sinalizações indicativas da correta
pronúncia das palavras, foram estabelecidas pelos
Massoretas marcações referentes à pontuação de frases
além de outras, que determinaram um sistema musical
com o objetivo de cantar os textos bíblicos nas atividades
litúrgicas.


- Conclusão:


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