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XIV – TREINAMENTO DE RESISTÊNCIA NA INFÂNCIA E JUVENTUDE

A capacidade de desempenho em resistência depende da idade biológica. Crianças e jovens precoces apresentam maior capacidade de resistência, enquanto os de desenvolvimento tardio apresentam menor desempenho. O sistema cardiovascular de crianças e jovens reage ao treinamento da mesma forma do que o de adultos, apresentado adaptações ainda mias positivas em função do treinamento. A capacidade de resistência favorece o desenvolvimento de outros fatores do desempenho como velocidade, força rápida, resistência em velocidade, força, resistência de força e habilidade geral. (WEINECK, 1999) Ø CAPACIDADE AERÓBIA Crianças e jovens apresentam, sob o ponto de vista metabólico e cardiopulmonar, grande capacidade de resposta a estímulos da resistência com mobilização aeróbica de energia. A proporção do aumento da capacidade máxima de consumo de oxigênio e com isto da capacidade de resistência aeróbica relaciona-se igualmente ao crescimento e ao treinamento. (DANIELS et al., citado por WEINECK, 1999). Com a idade passa a haver uma economia de trabalho, há uma redução do consumo máximo relativo de oxigênio com relação a uma dada velocidade e com isto, melhora a capacidade de resistência. Isto significa que crianças maiores apresentam uma maior resistência em uma dada velocidade do que crianças menores. Ø CAPACIDADE ANAERÓBIA Em oposição à capacidade aeróbia, observa -se que a capacidade anaeróbia de resistência em jovens e mais limitada que em adultos.

Portanto, no treinamento da resistência, as cargas e velocidades utilizadas para crianças devem ser menores, ou seja, cargas de curta duração com mobilização de energia via alática. O treinamento, na infância e adolescência, deve se adequar às condições fisiológicas características da idade.

as formas de treinamento adequadas são o método da duração e o método intervalado com mobilização energética via alática. aumento da atividade cardíaca e redução da resistência cardíaca periférica. observa-se nos primeiros um desenvolvimento adicional. também aumenta a distância percorrida. À medida que a idade aumenta. Crianças de apenas dois anos são capazes de correr por vinte minutos. O treinamento de resistência não deve ser muito unilateral ou direcionado para não alterar o equilíbrio hormonal. Ø TREINAMENTO DE RESISTÊNCIA EM IDADE INICIAL E AVANÇADA Na idade escolar inicial há um aumento absoluto do peso e do volume cardíaco. KURKO. resultando em um grande aumento do volume sistólico e redução crescente da freqüência cardíaca. KABACKOVA mostraram que crianças desde a idade pré-escolar já podem ser treinadas para resistência sem que haja conseqüências negativas (WEINECK. em crianças e jovens treinados em resistências com não treinados.Ø PROPORÇÃO DA FREQÜÊNCIA CARDÍACA Crianças treinadas em resistência reagem com uma menor freqüência cardíaca a uma dada estimulação do que crianças não treinadas. não representa motivo para preocupações. utilizado como parâmetro de resistência. (WEINECK. influenciando sua atividade motora natural rica em variedade de movimentos e motivação para o aprendizado de novos movimentos. A rápida queda da freqüência cardíaca após uma estimulação se deve a uma rápida regulação sistema circulatório. A partir do quarto ano de vida. . Para a idade pré-escolar. o desenvolvimento. O programa de treinamento deve ser variável e ter caráter de brincadeira. a diferenciação e o crescimento da criança. meninos e meninas apresentam diferenças na capacidade de resistência para corridas. Comparando-se o consumo máximo de oxigênio. 1999) Ø TREINAMENTO DE RESISTÊNCIA EM IDADE PRÉ-ESCOLAR Estudos realizados por FROLOV. Apesar de apresentarem freqüência cardíaca alta quando em atividade. 1999).

PETERS citados por WEINECK (1999) explica a elevada concentração de lactato em crianças treinadas como sendo um requisito para a resistência. PAHLKE. força. (WEINECK. mas também da idade biológica da criança. seja aproveitada ao máximo e com máxima economia. Crianças e jovens precoces apresentam maior resistência. deixa claro que a exigência efetivamente anaeróbica devido à de um treinamento não pode ser representa um cumprida. Embora crianças treinadas e biologicamente maduras apresentem uma maior capacidade de mobilização anaeróbica de energia. Durante esta idade os exercícios de resistência de intensidade média executados sob condição de anaerobiose são mais úteis ao organismo infantil do que exercícios de caráter anaeróbico. O emprego correto das formas de treinamento da resistência de curta e média duração não deve ser excluído em hipótese alguma. Um treinamento de resistência de intensidade média não leva a um aumento da capacidade aeróbica. uma vez que estimula o metabolismo anaeróbico. Uma corrida de 800m ou de distância equiparável para crianças desta idade. e não o desenvolvimento de resistência ou aptidões específicas. velocidade e capacidades coordenativas. sua capacidade de eliminação do lactato não é maior. sobretudo de crianças não treinadas. fadiga permanente. são inadequadas por apresentarem altos valores de lactato. A função do esporte escolar é a obtenção da resistência básica geral. A reduzida capacidade de eliminação do lactato. que só se reduzem após uma hora do término do exercício. nesta idade. mas ao aumento do metabolismo anaeróbico.O desenvolvimento da capacidade de resistência não depende somente do grau de treinamento. BORBAMANN. componente negativo para o desenvolvimento do treinamento. 1999) Isto demonstra que os trajetos escolhidos nos esportes escolares para a avaliação de desempenho (na maioria das vezes de 600 a 800m) não são adequados à idade. Intensidades máximas e . uma vez que o desempenho necessário para percorrer tal trajeto provém sobretudo da capacidade glicolítica anaeróbica. A resistência básica é obtida nesta idade sobretudo através do método da duração obtendo a velocidade máxima de corrida para cada percurso de modo que a capacidade de desempenho.

O desenvolvimento da resistência atinge seu ápice na primeira fase puberal. quando há o crescimento longitudinal e na segunda fase puberal. Ø MÉTODOS DE TREINAMENTO PARA AS IDADES PRÉ-ESCOLAR E ESCOLAR AVANÇADA Os métodos e programas de um treinamento de resistência devem ser orientados para adaptar-se às atividades naturais da criança. Deste modo. largadas finais e intermediarias devem ser evitadas.submáximas. há também um grande aumento da musculatura. quando do crescimento transversal. sobretudo a força e resistência. O desenvolvimento completo da resistência não é atingido se o desenvolvimento puberal for insatisfatório. (KÖHLER citado por WEINECK. o treinamento empregado nesta fase decide sobre o desempenho a ser obtido posteriormente. Nem tudo o que é consagrado num treinamento clássico é adequado para um treinamento infantil. sobretudo devido à grande tolerância a estímulos existentes nesta fase da puberdade. Ø TREINAMENTO DE RESISTÊNCIA NA PRIMEIRA E SEGUNDA FASE PUBERAL O organismo infantil experimenta um período de grandes transformações durante a puberdade e apresenta capacidade máxima de adaptação e também de resposta a um treinamento. um estimulo continuo somente é aceito quando houver um pretexto num primeiro plano. 1999) Ø MÉTODOS E PROGRAMAS PARA O TREINAMENTO DE CRIANÇAS E JOVENS Os métodos mais adequados para o treinamento de crianças e jovens são o método da duração e o método intervalado curto. devido ao fato de que crianças requerem um longo período de recuperação. O objetivo máximo deve ser obter sempre alegria ma atividade exercida. O método das repetições e o método das competições – sobretudo com provas de intensidade média – são inadequados para crianças e jovens. . Isto só é possível se houver tempo suficiente para a recuperação. em função do aumento do peso e da altura.

XV – TREINAMENTO DE VELODICADE NA INFÂNCIA E NA ADOLESCÊNCIA ISRAEL citado por WEINECK (1999) acredita que as bases biológicas para a velocidade desenvolvem-se muito cedo. o desempenho não atingido oportunamente não será atingido posteriormente. ESCOLAR INICIAL E ESCOLAR AVANÇADA Nesta faixa etária o treinamento de resistência deve centralizar-se em jogos com ricos repertórios de movimentos e em corridas de resistência variáveis. constante e em longo prazo. a velocidade deve ter uma instrução precoce. Ø TREINAMENTO DE VELOCIDADE DA IDADE PRÉ-ESCOLAR Crianças na idade pré-escolar apresenta os requisitos elementares da velocidade – tempo de contato co o solo e freqüência dos passos – comparáveis aos de atletas de alto desempenho. A grande plasticidade cerebral e a instabilidade morfofisiológica do sistema neuromuscular possibilitam uma boa base para a formação dos componentes da velocidade na infância e na adolescência.A associação de um treinamento com outras atividades ajuda a motivar e conseqüentemente aumenta a resistência ao cansaço psicológico e físico. O importante é que a resistência deve ser ensinada de uma maneira variada lúdica. até mesmo . a fim de evitar sobrecarga das crianças e jovens treinados e de aproveitar seu potencial máximo. Por isso. e algumas vezes. sobretudo entre 8 e 16 anos. Ø PROGRAMA DE TREINAMENTO PARA A IDADE PRÉ-ESCOLAR. Ø MÉTODOS E PROGRAMAS PARA O TREINAMENTO PARA A 1ª E 2ª FASE PUBERAL Na escolha de métodos e programas para o treinamento para esta fase é importante ressaltar o método da duração e o método intervalado. Portanto.

superior. Ø TREINAMENTO DE VELOCIDADE NA ADOLESCÊNCIA Nesta fase é possível executar um treinamento sem limitações dos aspectos coordenativos e do condicionamento. e não apenas exercícios de reação e aceleração. Porém. O desenvolvimento da capacidade para a velocidade pode também ser explicado em função do grande impulso infantil para movimentar-se e pela curiosidade natural que desencadeia movimentos de todos os tipos. 1999) Este aumento da velocidade deve-se ao desenvolvimento aos fatores físicos do desempenho e dos processos neurais. não se deve perder esta oportunidade para a instrução de velocidade de uma forma lúdica. Portanto. Ø TREINAMENTO DE VELOCIDADE NA PRIMEIRA IDADE ESCOLAR A freqüência e a velocidade dos movimentos têm o seu maior desenvolvimento na primeira idade escolar. Ø TREINAMENTO DE VELOCIDADE DA IDADE ESCOLAR TARDIA Um treinamento de velocidade nesta faixa etária leva a um considerável aumento no desempenho em velocidade de corrida. (WEINECK. Através de circuitos e jogos os parâmetros da velocidade e da força rápida podem ser muito aprimorados nesta faixa etária. deve-se estar atento à adequação dos exercícios escolhidos para estimular o desenvolvimento neuromuscular infantil. Os métodos e programas de treinamento são semelhantes aos empregados para os adultos. Métodos e Programas para o Treinamento de Crianças e Jovens Ø MÉTODOS E PROGRAMAS PARA O TREINAMENTO ADEQUADOS À INFÂNCIA Os programas de treinamento empregados na infância devem ser qualitativa e quantitativamente adequados há enorme necessidade infantil de . diferindo somente na intensidade.

Na infância. Este treinamento deve ser executado como um treinamento compensatório e de flexibilidade para o relaxamento da musculatura suscetível a encurtamento. dos ombros e da coluna aumenta. no sentido de manter a flexibilidade máxima. Estudos de acompanhamento de flexibilidade mostram que o encurtamento e o enfraquecimento de determinados grupos musculares aparecem já na infância. O objetivo do treinamento deve ser a manutenção da flexibilidade infantil. (WEINECK. desde a infância. (WEINECK.movimentação. ser o mais exigente possível. 1999) Ø TREINAMENTO DE FLEXIBILIDADE NA IDADE PRÉ-ESCOLAR Nesta idade. Enquanto a capacidade de flexão do quadril. O principal é que haja concordância entre os métodos de treinamento e o conteúdo a ser ensinado. 1999) Ø TREINAMENTO DE FLEXIBILIDADE NA PRIMEIRA IDADE ESCOLAR O desenvolvimento da flexibilidade apresenta tendências contraditórias nesta faixa etária. os aparelhos motor ativo e passivo apresentam uma alta flexibilidade e o sistema ósseo e articular ainda não se encontram consolidados. com o treinamento básico. Em razão disto deve-se incluir no treinamento de flexibilidade exercícios de . a capacidade de extensão da perna com a articulação pélvica e das articulações dorsais do ombro se reduz nesta faixa etária. os requisitos da velocidade e da força rápida devem ser quase que exclusivamente aprimorados através do jogo. Um treinamento de flexibilidade forçado durante uma fase de mudança de estatura e de crescimento das extremidades representa um perigo para o aparelho motor passivo e ativo. XVI – TREINAMENTO DE FLEXIBILIDADE NA INFÂNCIA E NA JUVENTUDE Como a flexibilidade é maior quanto mais jovem for o atleta. o treinamento de flexibilidade deve. integrando atividades lúdicas e muita variabilidade de exercícios de acordo com a faixa etária.

Ø TREINAMENTO DE FLEXIBILIDADE NA IDADE ESCOLAR TARDIA As flexibilidades da coluna vertebral. intensidade e tipos de exercícios devem ser cuidadosamente escolhidos devido à falta de resistência mecânica. Entretanto. deve-se fazer um treinamento imediato cujas de flexibilidade cargas. Ø INSTRUÇÃO DA FLEXIBILIDADE NA PUBESCÊNCIA Em função do crescimento longitudinal nesta faixa etária. a flexibilidade piora. 1999). Por esta razão. mas o treinamento de flexibilidade é sempre prioritário. Ø TREINAMENTO DE FLEXIBILIDADE NA ADOLESCÊNCIA Na adolescência há um desenvolvimento no sentido psíquico e intelectual além do crescimento longitudinal e por isto considera-se que já se pode adotar um treinamento semelhante ao adotado para adultos. devido a seu efeito profilático de lesões. Por isto. .alongamento. e por testa razão os exercícios de alongamento devem ser cuidadosamente escolhidos. O treinamento de modalidades esportivas que requerem grade velocidade pode ser iniciado. a flexibilidade deve ser treinada até o fim da idade escolar tardia. deve-se ficar atento para of ato de que na primeira fase puberal há uma redução de tolerância a cagas. da pelve e da articulação dos ombros somente apresentam melhorias quando exercitadas (MEINEL citado por WEINECK.

– Biologia do Esporte 9ª Ed. GUEDES. – Treinamento Ideal. 2000. 1999. Rio de Janeiro: Ed. Rio de Janeiro: Ed. Artemed. OLIVEIRA. – Ed Atheneu. & KRAEMER. . São Paulo: Ed. Idosos. Mauricio de Arruda. São Paulo: Ed.1ª ed. 2000. 9ª Ed. Fundamentos do Treinamento de Força Muscular. WEINECK. 1991. Sprint. Osteoporóticos. Sprint. Jürgen. WEINECK. Crianças. Obesos.BIBLIOGRAFIA CAMPOS. FLECK. Manole. 1999. Dilmar. Porto Alegre: Ed. Steven J. Musculação: Diabéticos. Manole.Personal Training na Musculação. William J. 1998. Roberto César de .Personal Training – Uma Abordagem Metodológica. . 2ª ed. Jürgen.