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Sumário
1. Introdução .................................................................................................................. 3 2. A figura do estado nas relações internacionais ....................................................... 3 3. Ministério das Relações Exteriores – MRE ............................................................. 3
3.1. O perfil do atual Ministro das Relações Exteriores ..................................................................... 3 3.2. A missão do Itamaraty................................................................................................................. 4 3.3. Áreas de competência do MRE ................................................................................................... 5 3.4. Principais incumbências destinadas ao Itamaraty ...................................................................... 6

4. Caracterização da diplomacia brasileira ................................................................. 6
4.1. Instituto Rio Branco - IRBr ........................................................................................................... 6 4.2. O papel da diplomacia e a função de um diplomata................................................................... 7 4.3. A inserção e o caminho percorrido na carreira diplomática ....................................................... 8 4.4. O papel dos embaixadores nas relações internacionais ........................................................... 10

5. Análise da diplomacia presidencial dos últimos governos ................................... 11
5.1. A importância da diplomacia no âmbito presidencial............................................................... 11 5.2. Balanço da diplomacia nos governos FHC (95-02) e Lula (03-10) ............................................. 11 5.2.1. Panorama das visitas internacionais no governo Lula ....................................................... 16 5.2.2. Visitas de chefes de Governo e Estado ao Brasil na era Lula ............................................. 17

6. Balanço da Política Externa Brasileira (2003-2010)............................................. 18 7. Panorama da diplomacia brasileira na atualidade............................................... 19
7.1. Os desafios da presidente Dilma Rousseff ................................................................................ 19

8. Conclusão ................................................................................................................. 19 Referências .................................................................................................................... 20

O papel dos diplomatas assume uma importância cada vez maior neste sentido.1. Patriota foi Secretário-Geral das Relações Exteriores de outubro de 2009 a dezembro de 2010. Introdução A importância da diplomacia brasileira no atual contexto das relações internacionais assume um papel cada vez mais importante e significativo. procura visualizar as relações do país com o restante do mundo. com o propósito de dinamizar e interagir de maneira eficiente no âmbito internacional. comercial e também social. Ministério das Relações Exteriores – MRE 3. Antonio de Aguiar Patriota. 3. que possui suas bases ditadas na iniciativa privada. conversas e posições existentes entre as nações no mundo. nasceu no Rio de Janeiro. Trata-se de algo necessário visando fortalecer as negociações. As funções e atribuições relacionadas ao Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty). As relações internacionais servem como um ponto de partida para intermediar as indiferenças e necessidades de adequações entre países.3 1. A realização de uma abordagem direcionada ao panorama geral da diplomacia brasileira nos últimos anos. 2. seja no aspecto político. foi Embaixador do Brasil em . através de uma análise sobre os governos dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. O perfil do atual Ministro das Relações Exteriores O Ministro das Relações Exteriores. A figura do estado nas relações internacionais Ao contrário do comércio exterior propriamente exercido. Entre 2007 a 2009. Dentro deste contexto abordado. no dia 27 de abril de 1954. A posição reguladora exercida pelo governo no aspecto dos relacionamentos existentes entre os países torna-se evidente. consolidando-se como uma carreira de extremo reconhecimento. bem como a excelência exercida pelo papel do Instituto Rio Branco na formação dos diplomatas brasileiros são fatores fundamentais para o bom desempenho do país junto ao exterior nos últimos anos. as relações internacionais são caracterizadas por uma intensa intervenção do estado (governo) em suas ações. São responsabilidades assumidas pelos seus respectivos governos. também é realizada uma análise das particularidades e incumbências destinadas ao Itamaraty em sua atuação conjunta à política externa do país.

No ano de 2004. foi Subsecretário-Geral Político do Ministério das Relações Exteriores. mantendo relações diplomáticas com governos de Estados estrangeiros. Antonio de Aguiar Patriota assumiu o Ministério das Relações Exteriores em janeiro de 2011. No exterior. no ano de 1979. intitulada “O Conselho de Segurança após a Guerra do Golfo: a articulação de um novo paradigma de segurança coletiva”. 3. foi Representante Alterno junto à Organização Mundial do Comércio. ocupou o cargo de Secretário de Planejamento Diplomático do Ministério das Relações Exteriores. Um ano antes. Num âmbito geral. a estrutura do Itamaraty foi concebida para permitir melhor coordenação das questões de interesse para a política externa. Também tem como função assegurar a execução da mesma. no Rio de Janeiro. Entre 1992 e 1994.2. Antonio de Aguiar esteve a frente do posto de Chefe de Gabinete do Ministro das Relações Exteriores. na Missão Permanente do Brasil junto às Nações Unidas em Nova York (1994-1999). A denominação em questão tornou-se lei em 1967. organismos e organizações internacionais. Na oportunidade. por sua vez. Sua principal missão institucional é auxiliar o Presidente da República na formulação da política exterior do Brasil. serviu também na Missão Permanente do Brasil junto aos Organismos Internacionais em Genebra (1999-2003). por dois anos. Sua tese para o Curso de Altos Estudos do Instituto Rio Branco. Além disso. De 2005 a 2007. em 2003. foi publicada em 1988. nas Embaixadas do Brasil em Caracas (19881990) e em Pequim (1987-1988) e na Delegação Permanente em Genebra (1983-1987). Esta relação. a seu antigo proprietário. é fundamental para garantir a coerência e a solidez das posições que o país deve assumir no plano internacional. desde 1899. evitando assim a ocorrência de uma centralização. A missão do Itamaraty O Ministério das Relações Exteriores é um órgão político de administração direta. o Barão Itamaraty. o principal intuito é desenvolver e expor os interesses do Estado e da sociedade brasileiros perante o exterior. Concluiu o curso de preparação à carreira de diplomata do Instituto Rio Branco. O nome Itamaraty vem da associação da sede do Ministério na Rua Larga. Em Brasília. O . juntamente com o início do mandato da presidente eleita Dilma Rousseff. na Secretaria de Estado das Relações Exteriores (SERE). foi Subchefe da Assessoria Diplomática do Presidente Itamar Franco. Patriota integrou a Delegação brasileira ao Conselho de Segurança da ONU.4 Washington. A coordenação dentro do Itamaraty baseia-se nas relações existentes entre a SERE e os postos existentes no exterior.

assim como a postura do país com relação a questões que são ao mesmo tempo nacionais e globais (desenvolvimento econômico. . . econômicas. Áreas de competência do MRE . ao longo de todo o século XX. conflitos. organizações não governamentais). O Itamaraty é caracterizado pelo alto nível de seu corpo profissional e por sua competência no trato das questões internacionais. Questões relativas aos processos de integração e a constituição do Mercosul. .Política internacional. jurídicas. o Ministério passou a trabalhar em conjunto com os demais setores representativos nacionais. 3. entre outras) e a intenção brasileira de participar mais ativamente das Organizações e Fóruns Mundiais. alimentos transgênicos. O intuito. fizeram com que. Tais características. É neste cenário de transformação que a Diplomacia Presidencial se desenvolve e torna-se de extrema importância para a posição do país no exterior e a demonstração de sua real representatividade no cenário econômico e político internacional.Programas de cooperação internacional e de promoção comercial.5 Itamaraty. A redemocratização do Brasil nos anos 1980. têm ocasionado mudanças importantes no interior do Ministério das Relações Exteriores nos últimos anos (MRE). o Ministério construísse uma considerável independência com relação aos poderes executivo e legislativo e mantivesse um distanciamento quase absoluto com relação à sociedade civil. técnicas e culturais com Governos e entidades estrangeiras. são mais visíveis quando avaliam-se os debates do Itamaraty com vários setores da sociedade civil (empresários.Relações diplomáticas e serviços consulares. associações de classe. de um modo geral. meio ambiente. Desta forma. sindicatos. bem como com os setores mais representativos da sociedade brasileira.Participação nas negociações comerciais. é fortalecer a legitimidade e o poder de atuação da política externa brasileira perante as relações internacionais existentes. mantém um estreito relacionamento com os demais órgãos da Administração Pública nacional. de maneira crescente. Entretanto. . As mudanças em questão são perceptíveis à medida que se observa uma comunicação maior entre o MRE e outros Ministérios.3. neste caso. a conseqüente reorganização da sociedade civil e inserção internacional do país a partir dos anos 1990 exigiram um repensar no modus operandi (modo de operar) do Itamaraty. no entanto. financeiras.

acordos e demais atos internacionais. comerciais. jurídicas. o Curso de Aperfeiçoamento de Diplomatas (CAD). em linhas gerais.4.Apoio a delegações. . tendo em vista os interesses da segurança e do desenvolvimento nacionais. de instituições públicas e privadas. científicas. no plano internacional. Engloba o Curso de Formação (na etapa inicial da carreira). 3.IRBr O Instituto Rio Branco foi fundado em 1945 e é responsável pela seleção e treinamento dos diplomatas brasileiros. de políticas de interesse para o Estado e a sociedade em colaboração com organismos da sociedade civil brasileira.6 . em processo contínuo de formação. Iniciar os alunos nas práticas e técnicas da carreira. Desenvolver a compreensão dos elementos básicos da formulação e execução da política externa brasileira. culturais.1. Negociar e celebrar tratados. Instituto Rio Branco . para Segundos Secretários. técnicas e tecnológicas do Brasil com a sociedade internacional. 4.    Administrar as relações políticas. além do Curso de Altos Estudos (CAE) para voltado para a formação de Conselheiros. Os objetivos do IRBr. Propor ao Presidente da República linhas de atuação na condução dos negócios estrangeiros. Principais incumbências destinadas ao Itamaraty     Executar as diretrizes de política exterior estabelecidas pelo Presidente da República. comitivas e representações brasileiras em agências e organismos internacionais e multilaterais. de empresas e de cidadãos brasileiros no exterior. Caracterização da diplomacia brasileira 4. Promover os interesses governamentais. econômicas. Contribuir para a formulação e implementação. são os seguintes:    Harmonizar os conhecimentos adquiridos nos cursos universitários com a formação para a carreira diplomática. Recolher as informações necessárias à formulação e execução da política exterior do Brasil.

negociar. O diplomata é responsável por acompanhar o rumo das discussões ou negociações internacionais e conduzir as relações exteriores de um país. exigência que se estendeu. a graduação plena tornou-se pré-requisito do Instituto visando à formação dos diplomatas brasileiros. O profissional da diplomacia deve ser preparado para tratar dos mais variados temas. A atuação do diplomata não ocorre apenas em âmbito comercial e político. entre outros.2. Desde 1994. representada pelas funções de informar. portanto. tráfico de rogas. Além disso. estabelecimento de relações amigáveis entre Estados e de cooperação entre os parceiros externos. normas de comércio e relações econômicas e financeiras. as mudanças nas necessidades da atividade diplomática resultaram em ajustes regulares nas normas e nos programas do Instituto. para o segundo ano. ou seja. em 1968.7 Ao longo de seus mais de 50 anos. O papel da diplomacia e a função de um diplomata Podemos designar diplomacia como um conjunto de pessoas. o corpo de diplomatas propriamente dito. A função principal deste profissional é informar. meio ambiente. servindo como uma espécie de intermediário. direitos humanos. deve trabalhar continuamente para marcar a presença e difundir a imagem de seu país no exterior. promovendo acordos e discutindo assuntos de interesse nacional. 4. A partir de 1967. as delegações em países estrangeiros e em organizações intergovernamentais. fluxos migratórios. o profissional que ocupa este cargo deve estar . Em 1985. assim como a rede de embaixadas. cabe ao mesmo representar o seu país diante de outros governos internacionais. consulados e outros organismos de representação do Estado no exterior. de instituições e de práticas pelas quais se materializam as escolhas no domínio das relações internacionais. era exigido ao menos o terceiro ano de determinado curso superior. Estado ou sujeito de direito internacional. tais como paz. O diplomata deve manter o seu país informado sobre o cenário internacional. representar. O objetivo principal é manter atualizada a formação do diplomata brasileiro. passou-se a exigir dos candidatos ao concurso o primeiro ano de curso superior. As relações diplomáticas estão definidas no plano internacional pela Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas de 1961 (CVRD). priorizando sempre o padrão de qualidade no processo de formação dos mesmos. segurança. As tarefas do diplomata estão sintetizadas no trinômio clássico. O diplomata é o profissional que trata da diplomacia entre os países. mas também no aspecto humanitário e social. negociar e representar as cores de seu país nas relações internacionais com as demais nações existentes no mundo. A diplomacia inclui.

4. com os parlamentares. por sua história e tradições diplomáticas. em boa medida. torna-se necessário acrescentar uma quarta tarefa.3. dando ênfase ao equilíbrio entre as nações. A esta fórmula que enfatiza a atuação do diplomata no exterior. assim como ocorre com outros países no território nacional brasileiro. Desta maneira. Esse é o seu campo mais tradicional de atuação. Identificar os interesses nacionais está na base do trabalho diplomático. A diplomacia deixou de ser uma atividade de gabinetes. uma crescente diversificação dos interlocutores externos. . O diplomata é. procurando manter um ponto de equilíbrio entre o país e o resto do mundo. O Brasil. um agente para as comunicações entre Estados soberanos. São cada vez mais freqüentes e intensos os contatos do agente diplomático com a sociedade civil do país em que está acreditado. de um exercício público de defesa dos interesses nacionais no plano externo. demonstrando a posição de atuação do país perante as demais nações. a atividade da diplomacia está indissoluvelmente ligada à presença física no exterior do referido agente governamental.8 preparado para defender os interesses nacionais em negociações externas de caráter bilateral ou multilateral. O diplomata deve manter-se em permanente processo de articulação com os demais funcionários governamentais. e com os setores organizados da sociedade civil. nas denominadas embaixadas brasileiras. Tais relações com os setores citadas se fazem necessárias. a cooperação entre povos e países no século XXI demandará esforço e atenção contínuos. Outra característica própria do diplomata que o diferencia dos demais servidores públicos envolvidos em negociações internacionais é o fato do mesmo poder residir no exterior. sendo assim fundamentais com o objetivo de definir os interesses nacionais e defendê-los de forma adequada no plano externo. cercada por segredos de Estado. As mudanças nas relações internacionais estão ocorrendo de maneira acelerada e intensa. Em outras palavras. que é a de articulação interna. Tratase hoje. no entanto. Há. Desde então. Em nome da sociedade brasileira e na defesa dos interesses nacionais. o Itamaraty concede importante contribuição ao ordenamento das relações internacionais. cabem ao diplomata a coordenação geral e a execução de pontos específicos da política externa nacional. Neste caso. O aspecto da residência foi instituído pela primeira vez entre as cidades-estado da Itália renascentista. A inserção e o caminho percorrido na carreira diplomática É possível afirmar que a diplomacia é a carreira do momento. tem autoridade para reivindicar um papel ativo na construção de um mundo mais próspero. O diplomata é também o responsável pela síntese dos interesses setoriais e pela visão de conjunto sobre as relações internacionais do país que representa. estável e justo. acima de tudo.

Desde os anos quarenta. normas de comércio e relações econômicas e financeiras até direitos humanos. tráfico ilícito de drogas. não há um único diplomata brasileiro em atividade que não tenha passado pelo concurso público de acesso ao Instituto. Primeiro-Secretário. Portanto. A preparação intensa é indispensável. O acesso a carreira diplomática se dá unicamente por concurso público. visando assim estreitar cada vez mais as relações já existentes. meio ambiente. exigindo uma visão que a representação do cargo realmente possui. Esses. os candidatos muitas vezes fazem aulas preparatórias de várias matérias com professores-diplomatas. Contudo.9 No Brasil. a Secretaria de Estado das Relações Exteriores em Brasília e a rede de postos no exterior). englobam uma série de temas. onde negocia em nome do Brasil. órgão que está diretamente relacionado ao Ministério das Relações Exteriores. sem a formalização adequada e deixando de lado os pilares da profissionalização que ocorre no Brasil. colher as informações necessárias à formulação da política externa brasileira. o candidato entrará para a carreira diplomática como Terceiro-Secretário. ou seja. por sua vez. participar de reuniões internacionais. com uma estrutura organizada em bases estáveis e transparentes (essencialmente. Cabe também ao diplomata assistir as missões no exterior de setores do governo e da sociedade. também é concedida ênfase a tudo que diga respeito ao fortalecimento dos laços de amizade e cooperação do Brasil com seus múltiplos parceiros externos. a profissionalização dos serviços diplomáticos não pode ser observada como uma realidade universal. já que o diplomata tem de ser capaz de representar positivamente o Brasil perante a comunidade de nações. com provas objetivas. Conselheiro. assim como criar novas aproximações no cenário internacional. Os cargos seguintes na carreira são os de Segundo-Secretário. Todos os diplomatas têm de ser aprovados no Concurso de Admissão. a indicação para missões em Embaixadas no exterior ainda ocorre em bases aleatórias. Aprovado no Concurso de Admissão do Instituto Rio Branco (IRBR). Naturalmente. bem como proteger seus compatriotas e promover a cultura e os valores de nosso povo perante as demais nações no âmbito internacional. Em muitos países. Ministro de Segunda Classe e Ministro de Primeira Classe (Embaixador). o serviço diplomático é uma carreira de Estado. Durante o processo de preparação para o concurso. O treinamento durante a carreira é intenso e contínuo. O principal ponto de referência do diplomata são os interesses do país. fluxos migratórios. O concurso do Instituto Rio Branco é considerado de extrema dificuldade. envolvendo na maioria das vezes um grande esforço financeiro e . dissertativas e orais de diversas disciplinas. a seleção e a formação dos diplomatas brasileiros é feita exclusivamente pelo Instituto Rio Branco. que vão desde paz e segurança.

congressos de parlamentares. legou ao Brasil um padrão de excelência que foi mantido. mas também com a sociedade da qual provém e representa externamente. após um caminho percorrido dentro da formação oferecida pelo Instituto Rio Branco (IRBr). nas etapas finais do mesmo. caracterizando como uma decisão coerente e até certo ponto mais justa perante os profissionais formados na respectiva área. 4. conferências de organizações não-governamentais. José Maria da Silva Paranhos Junior. A quase totalidade dos Embaixadores do Brasil. O Itamaraty tem tradição de bem servir ao interesse público. mas de grande tensão. numa indicação clara de que os temas internacionais interessam crescentemente um número maior de representantes da sociedade. sucedem-se reuniões de Chefes de Estado e de Governo. Para o Itamaraty. porém. Isso porque. O papel dos embaixadores nas relações internacionais Os Embaixadores (ou seja. No exercício de suas funções de defender os interesses do Brasil no exterior e de contribuir para o entendimento entre os países. Esse é um dos aspectos essenciais da tradição de estabilidade e de profissionalismo do serviço diplomático brasileiro.10 dedicação. o Barão do Rio Branco. ao mesmo tempo. chefes de representações diplomáticas no exterior) são normalmente selecionados entre os ocupantes do cargo de Ministro de Primeira Classe e. sem que essas sejam necessariamente membros da carreira de diplomata. tem sido escolhida entre funcionários de carreira. patrono da diplomacia brasileira. durante cerca de mês. o diplomata tem de estreitar a coordenação não só com seu governo. A vocação de serviço público do diplomata brasileiro é devidamente exercida. A noção de diplomacia pública que orienta as atividades do Itamaraty constitui como uma fonte de renovação e. .4. Na capital do Brasil. seminários técnicos. Trata-se do principal cargo a ser alcançado dentro da carreira diplomática brasileira. dispõe da faculdade de indicar para o cargo de Embaixador pessoas de sua confiança. no entanto. tal evolução enriquece e pauta a atuação do diplomata em sua função. encontros empresariais. em alguns casos. priorizando a legitimidade da carreira diplomática. O Presidente da República. são realizadas as últimas provas com vistas a adentrar na carreira de diplomata. os candidatos aprovados vão a Brasília. O concurso também é vivido como um momento muito importante. entre os Ministros de Segunda Classe. Atualmente.

que foi caracterizado. mantendo as diretrizes que . No decorrer de seus oito anos consecutivos de mandato. 5. Em linhas gerais. Análise da diplomacia presidencial dos últimos governos 5.1. A diplomacia presidencial de Fernando Henrique Cardoso é marcada por uma aceitação explicita da chamada “Nova Ordem Mundial”. é somente a partir do governo de Fernando Henrique Cardoso (19952002) que tal prática ganhou relevância no país. pelo intenso programa de privatizações (e o conseqüente afastamento do Estado). pode-se afirmar que o governo Lula caracteriza-se por uma continuidade com relação ao governo anterior. onde presidente cumpre com a sua longa experiência internacional e diplomática. Ela é também um instrumento essencial para que o Itamaraty possa operar em sintonia perfeita com a presidência. A importância da diplomacia no âmbito presidencial A diplomacia presidencial não é apenas uma exigência da diplomacia moderna. o Presidente passou a interferir diretamente na condução da política externa do país. edificada por um concerto de grandes potências e pelos princípios neoliberais difundidos pelo Consenso de Washington. parte deste objetivo foi alcançada. criação da Lei de Responsabilidade Fiscal (na busca da diminuição do déficit público). Esta continuidade pode ser verificada principalmente na opção do governo pela estabilidade financeira. deixando assim as políticas sociais em segundo plano. através da inserção internacional. Esta ratificação do presidente com relação aos pilares da globalização é explicitada através dos caminhos percorridos pelo país durante seu governo. FHC explicitou a relevância do Presidente como ator nas relações internacionais.11 5. Em linhas gerais. Porém. entre outras ações. Por outro lado. Balanço da diplomacia nos governos FHC (95-02) e Lula (03-10) Embora as origens da Diplomacia Presidencial no Brasil remontem ao início do período republicano. com o restante do governo e com os nossos parceiros no cenário exterior. De certa forma. controle da inflação e estabilização da moeda com a elaboração do Plano Real. o legado deixado por FHC não representou totalmente aquilo que havia sido proposto num primeiro momento. Amparado pelo seu prestígio internacional e desafiado pelos novos temas que passaram a compor a agenda da diplomacia brasileira. a grande preocupação do governo de Fernando Henrique Cardoso era a estabilidade econômica. embora sempre tendo como referência o Itamaraty. FHC acreditava que a simetria social seria alcançada como reflexo natural do crescimento da economia.2.

que se caracterizou por uma maciça presença presidencial nos assuntos referentes às relações internacionais. Porém. Do ponto de vista do conteúdo. também evidenciou uma aceitação tácita do princípio da igualdade. até mesmo os conselheiros presidenciais eram diplomatas. a política externa conduzida no governo FHC tinha no Itamaraty seu foco principal. bem como no papel do Itamaraty. ocorreu sob uma nova roupagem. por sua vez. com reforço conseqüente deste no plano político. Durante seus oito anos como presidente da república. caracterizou-se por um multilateralismo moderado e atribuiu grande ênfase ao direito internacional.12 já haviam sido traçadas e fazendo avançar o processo de inserção internacional do país iniciado nos anos 1990. com maior ênfase retórica em relação à administração exercida anteriormente. . Apesar das semelhanças. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ostentou um forte multilateralismo e defendeu a soberania e a igualdade de todos os países. especial ênfase foi concedida nos processos de integração da América do Sul e do Mercosul. No governo Lula. e sob o conceito do “Ativismo Diplomático”. a Diplomacia Presidencial de Lula apresenta características próprias com reflexos diretos na elaboração e execução da política externa. estabilizando assim. entre os anos de 1995 e 2002. em certos momentos. por sua vez. as relações internacionais do Brasil neste sentido. De um modo geral. a assunção declarada do desejo de ocupar uma cadeira permanente num Conselho de Segurança reformado e a oposição ao unilateralismo ou unipolaridade. ou seja. a existência de grandes potências e o papel exercido pelas mesmas no sistema internacional. de certo modo. foi evidente o projeto de reforçar a capacidade de “intervenção” do Brasil no mundo. O governo Fernando Henrique Cardoso. No plano político. Pode-se afirmar que no governo Lula houve um dinamismo da diplomacia brasileira sem precedentes e uma participação pessoal do presidente nos assuntos internacionais de maneira considerada intensa. com a defesa ativa do multilateralismo e de um maior equilíbrio nas relações internacionais existentes. como também procurou intensificá-la em diversos aspectos importantes. Em seu mandato. o Itamaraty partilhou a formulação e até mesmo a execução da política externa com assessores presidenciais. assim como de busca de alianças privilegiadas no Sul. o ex-presidente Lula procurou buscar maior cooperação e integração com países similares (outras potências médias) e vizinhos regionais. O governo de Luis Inácio Lula da Silva não só deu continuidade a prática da diplomacia presidencial iniciada anteriormente por FHC. a diplomacia do governo Lula apresentou uma postura mais assertiva e enfática em torno da chamada defesa da soberania nacional e dos interesses nacionais. No plano econômico. Isso.

beneficiada pela imagem positiva que o presidente Lula adquiriu internacionalmente. os dois mandatos exercidos por Lula na Presidência geraram um legado para a diplomacia brasileira que se projeta para além dos oito anos transcorridos. Para alguns analistas.13 Enquanto FHC buscou desenvolver relações políticas com outras potências médias. No entanto. Sua presença foi importante para afirmar o compromisso do Brasil com o desenvolvimento. Cabe agora. . assim como de alguns setores domésticos. a presidente Dilma Rousseff manter tais relações exteriores e continuar trabalhando neste sentido. a proximidade entre Brasília e Teerã atraiu críticas de alguns membros da comunidade internacional. A diplomacia brasileira procurou explicitar que defendia o direito do governo iraniano de possuir um programa nuclear para fins pacíficos e condenava o discurso anti-semita e de negação do Holocausto por parte do presidente iraniano. que ocorreram certas mudanças de metas. colocou-se para a sua sucessora o desafio de decidir de que forma irá lidar com o seu legado na política externa. não houve uma total ruptura em termos de política externa entre os governos Fernando Henrique Cardoso e Lula. tanto a nível doméstico quanto internacional. Os dois governos. É possível identificar. Uma das iniciativas da diplomacia brasileira que mais suscitou repercussão. como Estados Unidos e Israel. Dentro de um contexto global. A atuação internacional do Brasil nos últimos oito anos foi caracterizada por uma forte diplomacia presidencial. Com isso. portanto. O tema havia adquirido força internacionalmente em meados dos anos 1990 e retornou às discussões na ONU em 2005. apesar de representarem tradições diplomáticas distintas. Tanto a continuidade quanto uma eventual revisão da política externa e da atuação internacional do país acarretarão em conseqüências para a inserção internacional do Brasil. Também houve uma postura brasileira favorável ao desenvolvimento de tecnologia nuclear por parte daquele país. no entanto. tendo em vista que o último deu continuidade a algumas iniciativas já tomadas na administração do primeiro. visando assim o fortalecimento e a representatividade do Brasil no cenário internacional. Foi o caso da obtenção de um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Além da aproximação com o Irã. mantiveram dois importantes objetivos em comum. refletida na troca de visitas presidenciais ao longo de 2009 e 2010. Lula procurou adotar uma estratégia de alianças com outras potências médias e economias emergentes. a busca por um maior protagonismo internacional retomou um tema da política externa brasileira que remonta ao final da Segunda Guerra Mundial e até mesmo à Liga das Nações. foi à aproximação com o Irã. casos da busca pelo desenvolvimento econômico e da autonomia internacional. justiça e equidade social a nível global.

a diplomacia brasileira também consolidou a postura de procurar aproximação com países que possuem o mesmo perfil e que compartilham interesses comuns aos do Brasil. em 2008. uma iniciativa de cooperação que inclui Brasil. criado originalmente em junho de 2003 pela Declaração de Brasília. Cabe uma análise para saber se estes continuarão sendo parceiros ou se tornarão . apresentou uma proposta de reforma do Conselho de Segurança. Índia e China) cujo primeiro encontro oficial ocorreu no ano de 2009. consolidou a estratégia brasileira de fortalecer e unificar política e comercialmente a América do Sul. fomentar a confiança mútua entre os membros e contribuir para a cooperação frente a desastres naturais. O órgão tem como objetivos articular uma posição comum entre os países sul-americanos a respeito de operações de paz e crises humanitárias. nos oito últimos anos. Como outros exemplos de parcerias realizadas pelo governo exercido nos últimos oito anos. O Conselho refletiu a maturidade dos países da região em assumirem a resolução dos problemas e das crises políticas regionais sem a necessidade da interferência de países externos. Alemanha. principalmente dos Estados Unidos. Em termos da institucionalização no continente sul-americano. promover o intercâmbio de experiências entre os Estados na área.14 Apesar de ter suscitado algumas controvérsias em relação ao caráter do regime político liderado pelo presidente Hugo Chávez. realizar exercícios militares que simulem crises humanitárias. por sua vez. Porém. Apesar de os BRICS ainda não tenham adquirido status de organização formal. o processo de incorporação da Venezuela ao Mercosul. uma iniciativa importante ocorreu com a criação do Conselho Sul-Americano de Defesa (CSD). O interesse comum pela reforma do Conselho de Segurança levou o país a estabelecer o G-4. Além da aproximação com os países do entorno regional. o grupo tem sido uma voz cada vez mais importante reivindicando mais espaço no sistema internacional para os países emergentes. é possível destacar também o Fórum Índia. Rússia. o país deu um passo importante ao procurar uma posição mais atuante em relação ao conflito no país. Índia e Japão. Neste caso. aprovado pelo Senado brasileiro em dezembro de 2009. Este. enquanto o Brasil expressou reservas quanto ao estabelecimento de bases americanas em território colombiano. Uma questão fundamental para este último bloco será a definição do futuro dos países envolvidos. Em relação a Colômbia. Brasil e África do Sul (IBAS). Houve também a iniciativa dos BRICS (Brasil.Americana de Nações (UNASUL). procurou agir como mediador e se envolvendo em iniciativas de liberação de reféns das FARC. estimular a integração e o fortalecimento da indústria de defesa na região. não se propondo em nenhum momento a exercer o papel de uma aliança militar. como parte da União Sul.

Exemplos disso são os direitos humanos e democracia. A emergência de China e Índia.15 competidores. os países em desenvolvimento passaram a ter mais voz e voto dentro do sistema financeiro internacional. Além dos interesses comuns. reforma do Conselho de Segurança. Prova disso é que o ex-presidente realizou um total de 28 visitas ao continente e abriu novas embaixadas nos países africanos. proliferação nuclear e questões fronteiriças. poderá ofuscar o próprio papel do Brasil e as suas empresas. as negociações entre a União Européia e o Mercosul permanecem paralisadas desde a sua suspensão em 2004. Em relação à Europa. principalmente em regiões como o continente africano e na própria América do Sul. Trata-se de um grupo de países em desenvolvimento (Brasil. No que diz respeito aos países desenvolvidos. Tal fato ocorreu devido a divergências comerciais. Índia. já que existem pontos de fricção e de afastamento em diversos aspectos. No caso da África. a produção e comércio de agrocombustíveis e aumento do comércio bilateral. E os motivos para isso são diversos. além disso. o G-20. Na oportunidade. Brasil e União Européia estabeleceram uma parceria estratégica manifestando o interesse em promover maior cooperação política. a Alemanha é o principal parceiro econômico . principalmente em áreas de interesse comum. China. Dentro do G-20. seja pela proximidade cultural. Curiosamente. principalmente quanto às criticas do Brasil aos subsídios europeus. englobando assim a reforma da ONU. pela contribuição da matriz africana à formação do povo brasileiro e pela proximidade lingüística e principalmente devido ao interesse comercial em buscar no respectivo continente mercados e oportunidades para as empresas e produtos brasileiros. México e África do Sul) convidado originalmente a participar do encontro do G-8 em 2005 e com os quais os cinco têm procurado desde então estabelecer relações próximas. o governo Lula deu continuidade aos esforços de cooperação iniciados no governo anterior. o combate aos efeitos das mudanças climáticas. vindo até mesmo a substituir a importância do G-8 como fórum de negociação internacional para assuntos de ordem da economia mundial. o Brasil teve atuação destacada na III Cúpula do G-20 Financeiro. a região tem sido alvo do interesse da diplomacia brasileira. Especificamente em relação à Alemanha. a região se constituiu como uma prioridade durante o governo Lula. uma iniciativa co-patrocinada pelo Brasil. Apesar da importância desse acordo. como a reforma do Conselho de Segurança e os agrocombustíveis. Historicamente. realizada em Pittsburgh (EUA). o Brasil foi incluído pelos membros do G-8 no Outreach-Five. no ano de 2007. acesso a mercados e a recursos energéticos. tem adquirido cada vez mais relevância no cenário internacional. principalmente no Fundo Monetário Internacional (FMI). em setembro de 2009.

Daí. Em relação aos Estados Unidos. adotou-se o princípio da não indiferença e atuação por meio de uma diplomacia solidária. Entre os anos de 2003 e 2010. merece destaque a contribuição do Brasil aos esforços da comunidade internacional. p. Uma parceria estratégica entre o Brasil e França foi estabelecida em 2006 e consolidada em 2008. Após o terremoto de 12 de janeiro de 2010. 185-186). representada pelas Nações Unidas. devido aos inúmeros interesses econômicos existentes. apesar do fim do governo Bush e do início do governo Obama conferir novos ares para a relação bilateral. a adoção desses princípios pode ser entendida como motivada pela própria trajetória pessoal do ex-presidente e seus esforços a favor do combate à fome. Panorama das visitas internacionais no governo Lula Durante seus oito anos consecutivos de mandato. Segundo analistas. por sua vez. Dentre as iniciativas implantadas pela diplomacia brasileira nos últimos oito anos. solidariedade para com um país-irmão do continente americano e também como contribuição para manutenção da segurança e da estabilidade na região da América Latina e Caribe. Durante o governo Lula. por sua vez. Obama discutiu com a presidente Dilma Rousseff possibilidades de parcerias e uma maior integração comercial e política entre as duas nações. Prova disso é que. onde esteve presente em 62 oportunidades.1. Na oportunidade. o destino mais constante de Lula foi o continente sulamericano. a relação entre ambos os países permanece cordial. o ex-presidente da república Luis Inácio Lula da Silva realizou inúmeras viagens internacionais. 5. Desta forma. com o objetivo de fortalecer a diplomacia brasileira e elevar o nome do país junto ao exterior. o Brasil reforçou seu compromisso com o Haiti. foi dada ênfase em prol das causas sociais na política externa durante os oito anos de diplomacia do governo Lula. o Brasil tem procurado manter a posição de destaque e de influência em relação à resolução do problema de fragilidade estatal naquele país. A participação brasileira na missão foi destacada como parte dos compromissos do país como membro da ONU. vem à relação estreita do ex-presidente nacional com os políticos dos países latinos. casos da Venezuela e da Argentina. em relação ao Haiti. o presidente americano Barack Obama esteve presente no Brasil. Todas elas. Grande parte das visitas ocorreu em dois países.2. Frente ao aumento da atenção da comunidade internacional para com o Haiti no pós-terremoto. 2010. A América Central foi o segundo continente mais visitado pelo ex- .16 do Brasil na Europa (FERES. fortalecendo assim as relações com os países vizinhos. tornando-se um dos primeiros países a desembolsar os recursos prometidos para o processo de reconstrução. recentemente.

que ocorreram em números considerados expressivos Figura 1 – Visitas realizadas pelo ex-presidente Lula durante seus oito anos de mandato 5. África e Ásia. São ressaltadas também as visitas multilaterais. continente em que o ex-presidente esteve presente de forma diplomática em várias oportunidades. Visitas de chefes de Governo e Estado ao Brasil na era Lula A maioria dos visitantes que estiveram presentes no Brasil durante os oito anos de mandato de Lula é oriunda da América do Sul.2. Europa.17 presidente. Figura 2 – Visitas de chefes de Estado e Governo ao Brasil entre 2003 e 2010 . englobando também os países do Oriente Médio. seguido da América do Norte.2.

orientou-se pela concepção de que o Brasil deve assumir um papel crescente no cenário internacional. O Brasil atravessou a crise aguda de 2008 e 2009 contrariando os preceitos neoliberais. Os esforços da política externa foram recompensados com a diversificação da pauta exportadora do País. em particular no esforço de reforma da governança política e econômica global. demonstrando que a ação dos governantes é essencial para combater a desordem que se instalou nas finanças internacionais. contribuindo assim para o desenho de um novo quadro de relações multilaterais. que havia sido esquecida. reagindo com indispensáveis intervenções do Estado. projetando uma imagem externa altiva e soberana. o que se revela particularmente importante diante das medidas cambiais unilaterais adotadas por grandes economias. . cujas conseqüências alimentam um novo ciclo de desequilíbrio. Balanço da Política Externa Brasileira (2003-2010) A política externa. áreas tradicionais de vinculação política. no período de 2003 a 2010 (governo Lula). Para este continente foram dedicados esforços necessários no sentido de avançar no processo de integração.18 6. com a articulação dos países emergentes em torno do G-20. Europa e América do Norte. com efeitos perversos na vida cotidiana de milhões de pessoas. permanecem como parceiros relevantes do Brasil. Em linhas gerais. incluindo os arquipélagos de Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. O País fez uso de sua diplomacia presidencial de forma intensa. e propondo maior coordenação das políticas internacionais. novo centro dinâmico da economia mundial. mas lançou eixos a serem perseguidos no longo prazo.  A África Ocidental.   A Ásia. é espaço essencial para a participação do Brasil no mercado global. com a proposição de metas ousadas de enfrentamento de mudanças climáticas e com o fortalecimento do conjunto das economias da América do Sul. econômica e cultural. a política externa tem sua consistência ancorada em quatro eixos fundamentais:  A América do Sul é o eixo prioritário da política externa brasileira. A contribuição brasileira não apenas atendeu a interesses de curto prazo. representam uma antiga fronteira. tendo o Mercado Comum do Sul (Mercosul) como núcleo central. mas cujos laços precisam ser reatados. internamente.

É essencial ressaltar que a complexidade de muitas questões exige uma renovação constante dos debates entre as partes. o principal desafio de sua gestão está em manter a boa posição internacional do Brasil deixada como legado pelo ex-presidente Lula nos últimos oito anos de governo. Já a estréia do governo Dilma no G-20 encontra uma pauta que aborda o desequilíbrio econômico focando antigos e novos temas. O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) desempenha um papel de extrema importância junto à política externa. consolidando-se como um instrumento essencial para intermediar as relações internacionais do país. fortalecendo assim os laços do país com as demais nações. Dilma recebeu a visita do presidente americano Barack Obama. É o caso da guerra cambial. 8. procurando conduzir o caminho do país perante as negociações internacionais. déficit ou dívida pública e reservas internacionais. visando assim o estreitamento das relações do país com os Estados Unidos. São temas debatidos com intensidade desde a crise mundial em 2009. e sobre os quais o Brasil tem apresentado desempenho elogiável. variações das contas correntes (que inclui as exportações).1. Através do Instituto Rio Branco. . Os desafios da presidente Dilma Rousseff Para a presidente Dilma Rousseff.19 Foi à consistência dos eixos em questão que permitiu um reposicionamento do Brasil em situação de destaque no cenário internacional e que abre importantes perspectivas. Logo em seu terceiro mês de mandato. que acabou desestabilizando-se devido à aproximação de Luiz Inácio Lula da Silva com o Irã. O interesse do presidente Barack Obama em visitar a presidente Dilma Rousseff logo no início do seu governo tende a abrir caminho para nova etapa de entendimentos bilaterais. o Itamaraty trabalha com o intuito de formar profissionais qualificados e capacitados para exercer a diplomacia. tanto nos aspectos políticos quanto comerciais. Panorama da diplomacia brasileira na atualidade 7. através da abertura de um amplo leque de oportunidades. Conclusão A diplomacia brasileira demonstra a sua importância no âmbito internacional. 7. bem como por outros acontecimentos diplomáticos.

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