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46 Scientific American Brasil | Julho 2012

AMBI ENTE
RISCOS E AMEAÇAS
NA REFORMA DO
CÓDIGO FLORESTAL
Reducionismo, imediatismo, pressão política
e desconsideração de conceitos básicos
ambientais ameaçam perigosamente as
potencialidades nacionais
Por Alexandre F. Souza, Adrian Antonio
Garda e Luiz Antonio Cestaro
EM SÍ NTESE
O atual Código Florestal protege áreas ambientalmente frá-
geis mas, ao mesmo tempo, estratégicas para a segurança da
sociedade, caso das margens de rios e reservatórios, encostas
íngremes e nascentes. Na comunidade científica é quase unâ-
nime a opinião de que uma das principais consequências da
aprovação da nova legislação ambiental será o aumento gene-
ralizado do desmatamento. Apesar de ocorrer em proprieda-
des rurais individualmente, os efeitos do desmatamento são
sentidos socialmente. Uma das grandes funções exercidas pe-
la vegetação é o sequestro natural de gás carbônico em gran-
des quantidades. Para ser efetiva, a mudança do Código Flo-
restal deveria ser baseada na melhor ciência disponível.
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Nas últimas décadas o Brasil rompeu com muitos padrões de
crescimento predatório, pelo pioneirismo na criação extensiva de
reservas indígenas, reservas de desenvolvimento sustentável e ex-
trativistas, parques e reservas da biodiversidade, ao mesmo tempo
que investiu em pesquisa e tecnologia agropecuárias que permiti-
ram um salto na produção nacional de grãos e de rebanhos. Evidên-
cia disso é que estamos entre os maiores exportadores de soja e de
carne do mundo. A atual proposta de modificação do Código Flo-
restal, no entanto, baseia-se nos mesmos argumentos e pontos de
vista que prevaleceram durante os séculos de colonização portu-
guesa, no período imperial e nas fases desenvolvimentistas mais re-
centes, tão bem sintetizadas pelo historiador americano Warren
Dean (1932-1994) em A ferro e fogo: a história e a devastação da Ma-
ta Atlântica brasileira.
Essa visão fica evidente nas frases de Josué de Castro (1908-
1973), que o ministro dos esportes Aldo Rebelo (PCdoB-SP) – que,
como deputado, foi o relator do projeto de lei para alterar a legisla-
ção florestal – utilizou para apresentar seu parecer. Citando a obra
de Castro, Rebelo registrou: “Assim se apresenta o caso da conquista
econômica da Amazônia: luta tenaz do homem contra a floresta e
contra a água. Contra o excesso de vitalidade da floresta e contra a
desordenada abundância da água dos seus rios... O homem tem de
lutar de maneira constante contra esta floresta que superocu pou to-
do o solo descoberto e que oprime e asfixia toda a fauna terrestre, in-
clusive o homem, sob o peso opressor de suas sombras densas, das
densas copas verdes de seus milhares de espécimes vegetais, do den-
so bafo de sua transpiração. Luta contra a água dos rios que trans-
formam com violência, contra a água das chuvas intermináveis, con-
tra o vapor d’água da atmosfera, que dá mofo e corrompe os víveres.
Contra a água estagnada das lagoas, dos igapós e dos igarapés. Con-
tra a correnteza. Contra a pororoca. Enfim, contra todos os exageros
e desmandos da água fazendo e desfazendo a terra”.
A visão de combate contra a Natureza contraria todo o desen-
volvimento do pensamento sociocultural humano que caminhou
no sentido de integrar o crescimento socioeconômico à sustenta-
bilidade ambiental. A visão de confronto aparece na reformula-
ção do Código Florestal e concede anistia a todos os proprietários
de terras que receberam multas por desmatar áreas de preserva-
ção permanente e reservas legais. Essa anistia ameaça a credibili-
dade dos órgãos de proteção ambiental em nível federal, estadual
e municipal, incluindo os milhares de servidores públicos que
frequentemente arriscam a própria vida em operações de fiscali-
zação em regiões remotas e perigosas. Além disso, outros órgãos
de fiscalização, nas esferas de segurança pública, vigilância sani-
tária e fazendária têm a credibilidade de seu trabalho erodida
por um efeito inevitável. A proposta de anistia também desacre-
dita publicamente os milhares de produtores rurais e empresas
que investiram tempo e recursos para que suas propriedades se-
jam ambientalmente sustentáveis e saudáveis, promovendo a
manutenção das áreas naturais como exigido pela lei.
A falsa dicotomia a que nos referimos inicialmente serve então
para, de maneira artificial, polarizar o debate e taxar de “radical”
quem se recusa a negociar determinados pontos. Nesse sentido é ne-
cessário esclarecer que boa parte das alterações no novo Código não
são combatidas por “ecologistas radicais” ou por “ONGs financiadas
por capital estrangeiro”. As mudanças têm sido criticadas e conde-
Uma das apreensões de setores da sociedade nacional
no debate sobre as mudanças do Código Florestal é que a conservação de ecossistemas nativos represen-
ta uma barreira para o crescimento da agricultura de exportação, o agronegócio, ou para o abastecimen-
to de alimentos assegurados pela agricultura familiar. Essa, no entanto, é uma noção fora da realidade.
Estimativa recente feita por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual
de Campinas (Unicamp) e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostra que a pretensa dico-
tomia entre a preservação da vegetação natural e a produção de alimentos não é real. E isso porque o
Brasil já tem uma área desprovida de vegetação natural suficientemente grande para acomodar a ex-
pansão da produção agrícola. Os maiores entraves para a produção de alimentos no Brasil não se devem
a restrições supostamente estabelecidas pelo Código Florestal, mas a um conjunto de situações que in-
cluem, entre outros, os seguintes pontos: enorme desigualdade na distribuição de terras; restrição a cré-
ditos agrícolas por parte de produtores que garantem a oferta de alimentos básicos; falta de assistência
técnica para aumento de produtividade; carência de investimentos em infraestrutura para armazena-
mento e escoamento da produção agrícola; restrições ao financiamento e não priorização do desenvolvi-
mento de tecnologias que permitam aumentos necessários na lotação de pastagens.
Os autores trabalham com ecologia vegetal
(Alexandre F. Souza e Luiz Antonio Cestaro)
e ecologia de anfíbios e répteis (Adrian Garda). Souza e
Garda são professores do Departamento de Botânica,
Ecologia e Zoologia, e Cestaro, professor do Departa-
mento de Geografa, todos da Universidade Federal do
Rio Grande do Norte (UFRN) em Natal.
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nadas pelos melhores cientistas do país (das áreas de ciência da con-
servação e ciências agrárias), com base na ciência de ponta. As con-
sequências de muitas das mudanças vão além da caricatura midiáti-
ca do protecionismo versus desenvolvimento. Assim, é preciso com-
preender o significado das mudanças propostas e suas consequên-
cias não apenas para a conservação da biodiversidade, mas para o
próprio segmento produtivo e para a sociedade brasileira.
O SIGNIFICADO DO CÓDIGO FLORESTAL
conservação (ciência que estuda como
conservar e usar de forma sustentável os recursos naturais bióticos)
é que, mesmo que sejam numerosos e extensos, parques e reservas
públicos isolados não são suficientes para que a biodiversidade da
Terra e o funcionamento de seus ecossistemas sejam garantidos de
forma permanente. A participação de áreas particulares é impres-
cindível para assegurar essa situação e isso significa que, de uma
maneira ou outra, temos, todos, responsabilidade no desafio de de-
senvolver o país de maneira ambientalmente saudável. A rede de
parques e reservas do Brasil dispõe de uma legislação própria, basea-
da na chamada Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conserva-
ção da Natureza (SNUC, Lei nº 9.985 de 2000). Já a conservação em
todas as áreas particulares obedece ao que conhecemos como Códi-
go Florestal (Lei nº 4.771), instrumento legal adotado em 1965.
O Código Florestal protege áreas ambientalmente frágeis e, ao
mesmo tempo, estratégicas para a segurança de toda a sociedade,
caso das margens de rios e reservatórios, encostas íngremes e
nascentes. Essas áreas são denominadas de Áreas de Preservação
Permanente (APP). Além disso, determina que uma porção da
propriedade rural permaneça coberta pela vegetação nativa ori-
ginal, denominada de Reserva Legal (RL). Baseando-se em resul-
tados científicos, o Código Florestal reconhece 14 funções ecoló-
gicas das APPs e RLs: preservação dos recursos hídricos, paisa-
gem e biodiversidade; garantia do fluxo gênico de fauna e flora;
proteção do solo; garantia do bem-estar das populações huma-
nas e do uso sustentável dos recursos naturais; garantia da con-
servação e reabilitação dos processos ecológicos; promoção do
abrigo e proteção da fauna e flora nativas; proteção sanitária,
controle do fogo e da erosão, favorecimento da erradicação de es-
pécies invasoras e proteção de plantios com espécies nativas.
O projeto aprovado pelos deputados e senadores, e alterado pela
presidente, propõe diversas modificações no atual Código Florestal.
As principais, resumidamente consideradas, incluem, por exemplo,
substituição do “leito maior” por “calha” e “leito regular”. Essa me-
dida, aparentemente simples, na realidade equivale a alterar o cri-
tério de medida dos limites das áreas protegidas de APP de margem
de rios. Atualmente, a Lei do Código Florestal prevê que os limites
sejam medidos a partir do “leito maior sazonal” do rio, o que signi-
fica a média das maiores cheias anuais. O novo texto troca “leito
maior” por “leito regular” ou “calha do rio”, que equivale ao curso
seguido pelo rio na maior parte do ano. Essa mudança reduz drasti-
camente a área ribeirinha protegida por Áreas de Preservação Per-
manentes, sobretudo nos rios maiores, pois grande parte da área
atualmente protegida de um ponto de vista legal ficará localizada
dentro do próprio leito maior do rio.
Apenas com essa medida grande parte das florestas ribeirinhas
brasileiras perdem sua proteção legal, visto que a planície de inunda-
ção (área alagada todo ano durante as enchentes) passa a ser descon-
siderada no cálculo da APP. Também para fins de recomposição, a
nova proposta reduz a APP de margens de rios (com até 10 metros de
SEQUÊNCIA MOSTRA variação no nível do rio Piranhas,
em Açu, no Rio Grande do Norte, durante período de seca (no
alto), chuvoso (no meio) e de cheia excepcional (embaixo). An-
tigo Código calculava área de proteção com base na média dos
maiores alagamentos; nova legislação não considera oscila-
ções do volume fuvial, o que reduz a proteção às APPs.
50 Scientific American Brasil | Julho 2012
plantas agrícolas, entre numerosos outros. As mudanças trazidas
pela lei em discussão ameaçam diretamente a manutenção da vida
econômico-social nacional brasileira ao comprometer serviços
ecossistêmicos fundamentais.
As áreas de várzea, por exemplo, são regiões relativamente
planas às margens de rios, inundadas periodicamente durante a
época das cheias. As várzeas abrigam vegetação com espécies de
plantas e animais especializados em ambientes sujeitos a inun-
dações periódicas. Como as florestas que margeiam os rios, lagos
e reservatórios, as várzeas asseguram serviços ecossistêmicos
fundamentais. É através delas que boa parte da água de escoa-
mento das chuvas é filtrada e atinge os rios com muito menos re-
síduos de solo e poluentes químicos gerados nos processos pro-
dutivos agropastoris. Como se não bastasse, pelo fato de grande
parte da energia elétrica gerada no Brasil depender de recursos
hídricos, é fundamental que rios não sejam sobrecarregados
com sedimentos capazes de assorear os lagos de hidrelétricas.
Além disso, com o assoreamento dos rios, a navegabilidade e o
transporte de passageiros e produtos correspondentes ficam
ameaçados. Em relação às várzeas, nas épocas de cheias elas ab-
sorvem grande parte da água excedente que transborda dos li-
mites dos rios, formando lagoas temporárias. Na falta desses
ambientes situações podem ser enormemente agravadas, como
demonstram os “piscinões”, dispendiosas obras públicas execu-
tadas pelo governo de São Paulo na tentativa de controlar as
inundações provocadas pelo Tietê e outros cursos d’água, que
fluem por áreas indevidamente ocupadas e/ou com capeamento
asfáltico que inviabilizam a absorção da água pelo solo. A ocupa-
ção humana de áreas de várzea e margens de rios expõe as popu-
lações, além de instalações como fazendas e fábrica, a desastres
produzidos por inundações naturais de rios.
Outro serviço ecossistêmico fundamental prestado pela vegeta-
ção natural é a recarga dos aquíferos, grandes reservatórios subter-
râneos de água doce de onde milhares de poços retiram água para
uso tanto residencial como agropecuário e industrial. Do ponto de
vista alimentar, tanto a pesca artesanal quanto a industrial de água
doce são influenciadas pela manutenção da qualidade das águas
fluviais, pois a sobrevivência e reprodução das inúmeras espécies
de peixes dependem da qualidade do hábitat dessas espécies.
Grande parte da produção agrícola nacional está intimamen-
te associada a serviços fornecidos pelos ecossistemas, como a po-
linização executada por abelhas nativas. O valor econômico dos
serviços de polinização prestados apenas por abelhas, entre ou-
tros polinizadores, tem sido estimado com base nas culturas agrí-
colas e pastagens em US$ 40 bilhões apenas nos Estados Unidos,
onde as estatísticas são mais frequentes e atualizadas. Deve atin-
gir pelo menos US$ 200 bilhões ao ano em escala global. Um es-
tudo recente demonstrou que a manutenção de polinizadores
nativos melhora a produção de café, o que significava que, na
área estudada, a renda aumentava em média em US$ 60 mil nas
imediações (distâncias menores que 1 km) das florestas. Grande
parte das pragas agrícolas está submetida a algum grau de con-
trole biológico por parte de espécies nativas que competem ou se
alimentam diretamente dessas pragas. A perda da vegetação na-
tiva ameaça, portanto, a agricultura nacional (tanto familiar
quanto de exportação) com surtos repetidos e disseminados de
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largura) dos 30 metros atuais para faixas que dependem do tamanho
da propriedade, podendo ser de apenas 5 metros, em alguns casos.
As mudanças propõem ainda que, nas várzeas, mangues e ma-
tas de encosta, topos de morros e áreas com altitudes acima de
1.800 m passem a ser permitidas atividades econômicas agrossilvo-
pastoris. Ocorre que todos estes ambientes são reconhecidamente
frágeis e apresentam dificuldade de recuperação a impactos, além
de prestarem diversos serviços ambientais. Todas essas áreas são
ecossistemas únicos, com faunas e floras exclusivas. São essas áreas
que estão envolvidas nos alagamentos dentro das cidades durante
as inundações ou deslizamentos de terra durante as chuvas de ve-
rão, provocando transtornos que vão de perdas materiais a mortes.
Adicionalmente, a nova proposta permite que as Áreas de
Preservação Permanente sejam incluídas para o cálculo do per-
centual da Reserva Legal. Essa alteração no código anterior li-
berará as áreas de vegetação nativa presentes nas propriedades
para desmatamento e fragmentação florestal, ambos nocivos
em termos ambientais.
O CÓDIGO E OS SERVIÇOS ECOSSISTÊMICOS
unânime a opinião de que uma
das principais consequências da nova legislação será o aumento ge-
neralizado do desmatamento. A principal razão para justificar essa
projeção é fácil de compreender: apenas a permissão automática de
desmatamento contida na nova lei para propriedades com até 4
módulos fiscais provocaria nos estados do norte do Brasil desmata-
mento de até 71 milhões de hectares de florestas nativas, segundo
nota técnica para a Câmara de Negociação do Código Florestal do
Ministério Público Federal.
Apesar de ser levado a cabo pelas propriedades rurais individual-
mente, os efeitos desse enorme desmatamento afetarão um núme-
ro significativo de brasileiros. Isso ocorre porque somos todos bene-
ficiados pelos chamados serviços ecossistêmicos. É dessa forma que
nomeamos os inúmeros processos pelos quais os ecossistemas pro-
duzem efeitos que, quase sempre, interpretamos como óbvios e na-
turalmente assegurados, como água limpa, madeira, polinizadores
para plantações, ambientes de reprodução para peixes, ostras e
ÁREAS DE VÁRZEA que evitam assoreamento de rios fcam
ameaçadas com mudanças no Código Florestal.
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pia¸as anlos manlidas o sob conliolo naluial pola
biodivoisidado das floioslas nalivas.
Poi fim, uma das ¸iandos funçoos oxoicidas po-
la vo¸olação o o soquoslio naluial do ¸ás caibônico
om ¸iandos quanlidados o sua iolonção na biomas-
sa vo¸olal sob a foima do iaízos, lioncos, ¸allos o
follas. A dosliuição do vaslas oxlonsoos do floios-
las lovou o Biasil (aposai do suas fonlos “limpas”
do onoi¸ia ololiica, ao monos om compaiação com
combuslívois fossois) ao quailo lu¸ai na lisla do
paísos quo mais conliibuom paia o aquocimonlo
¸lobal. Nosso piocosso, o lançamonlo do ¸ás caibô-
nico na almosfoia pola indúsliia, a quoima do ¸a-
solina o oloo diosol om voículos o o dosmalamonlo
lôm olovado a lompoialuia da almosfoia loiioslio.
A consoquôncia dosso aquocimonlo ¸lobal o o doso-
quilíbiio do clima planoláiio, com o aumonlo da
fioquôncia o inlonsidado do socas, lomposlados, lu-
foos, lompoialuias oxliomas do fiio o caloi, com
¸iandos poidas maloiiais o lumanas. Na Jö- Confo-
iôncia sobio o clima om Coponla¸uo, na Dinamaica, om 2uu9, o
Biasil apiosonlou a ousada mola do ioduzii do 86,J% a 88,9% su-
as omissoos do ¸asos do ofoilo oslufa oslimadas paia 2u2u. La-
monlavolmonlo, a iofoimulação do Codi¸o Floioslal vai na con-
liamão dossa pioposla, o amoaça posicionai o Biasil como o
piincipal iosponsávol mundial polo aquocimonlo ¸lobal.
CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE
o nn\sii í rM i\ls mo¸adivoiso. Mo¸adivoisidado o a oxpiossão usa-
da paia caiacloiizai os paísos mais iicos om biodivoisidado. Cam-
poão inconloslávol do biodivoisidado loiioslio, o Biasil ioúno qua-
so J2% do loda a vida naluial do planola. Conconlia öö mil ospocios
do planlas supoiioios (22% do lodas as quo oxislom no mundo),
muilas dolas ondômicas (ou so¦a, quo so ocoiiom aqui): ö2+ ospo-
cios do mamífoios; mais do 8 mil ospocios do poixos do á¸ua doco;
onlio Ju milloos o Jö milloos do insolos (a ¸iando maioiia ainda
poi soi dosciila); o mais do 7u ospocios do psilacídoos (aiaias, pa-
pa¸aios o poiiquilos). O númoio do ospocios do poixos onconliadas
na bacia do iio Amazonas supoia J.8uu, quanlidado supoiioi a on-
conliada nas domais bacias fluviais do planola. É o campoão mun-
dial no númoio do ospocios do anfíbios, o o so¸undo no númoio do
avos o do ioplois. Giando pailo dossa biodivoisidado oslá disliibuí-
da na vo¸olação das váizoas, floioslas iiboiiinlas o áioas ín¸iomos
piolo¸idas polo Codi¸o Floioslal anloiioi, piincipalmonlo nas io¸i-
oos Sul o Sudoslo, quo, lisloiicamonlo, sofioiam maioi dosmala-
monlo. So¸undo o Piincípio da Piocaução, a sociodado lumana
não dovo doscailai sislomas comploxos como as ospocios o sous
ocossislomas anlos do loi uma compioonsão complola do sous bo-
nofícios polonciais o das consoquôncias do sua oliminação paia a
conlinuidado da vida lumana.
Ao conliáiio da impiossão quo iolaçoos do ospocios amoaça-
das possam passai, muilos animais o planlas nalivos so doslo-
cam conslanlomonlo polas amplas paisa¸ons biasiloiias. Esso
fluxo o nocossáiio paia quo a ocupação lumana do novas áioas
possa ocoiioi adoquadamonlo o paia quo o fluxo do ¸onos o as
mi¸iaçoos so manlonlam. Nosso sonlido, as floioslas ao lon¸o
dos iios o as áioas do Rosoiva Lo¸al dosomponlam papol funda-
monlal como coiiodoios do mi¸iação o ponlos do passa¸om pa-
ia millaios do somonlos o animais, foinocondo o quo os posqui-
sadoios clamam do conoclividado: o ¸iau om quo os difoionlos
lioclos do ocossislomas nalivos poimanocom li¸ados. Som os-
sas li¸açoos, fia¸monlos isolados do vo¸olação naliva londom a
poidoi suas ospocios ao lon¸o do lompo, vílimas da ponoliação
do vonlo, caloi, animais do ciiação o oulios olomonlos piodomi-
nanlos nas áioas do onloino.
POR UM CÓDIGO CIENTÍFICO
i\n\ sin iiifiv\, \ Mri\xç\ do Codi¸o Floioslal dovoiia soi basoada
na molloi ciôncia disponívol. O plano¦amonlo do uso da paisa¸om
o fundamonlal paia quo so possam ulilizai do manoiia iacional os
iocuisos do piosonlo o do fuluio. Exislom foiiamonlas disponívois
o iocuisos lumanos capacilados no Biasil paia implomonlação do
uma lo¸islação adoquada paia alin¸ii os ob¦olivos nocossáiios do
cioscimonlo quo lianscondam o imodialismo. Paia isso o piociso
dai ospaço paia nossos ospocialislas o condiçoos paia quo a comu-
nidado cionlífica clo¸uo as molloios, mais adoquadas o ioalmonlo
nocossáiias mudanças da lo¸islação floioslal. Valo moncionai a
¸iando conquisla cionlífica do Codi¸o: a oi¸anização do divoisos
soloios da acadomia, piodulivos o consoivacionislas, om loino do
uma lo¸islação. Som sombia do dúvida, o maioi movimonlo cionlí-
fico dosdo a Rio 92. A sanção do novo Codi¸o Floioslal com volos o
alloiaçoos foilas pola piosidonla Dilma Roussof não dovo iopioson-
lai o fim da mobilização poi uma lo¸islação mais iacional o suslon-
lávol, mas o início do uma nova faso do osfoiço poimanonlo paia
quo ola so loino uma ioalidado.
PARA CONHE CE R MAI S
O Código Florestal e a Ciência: contribuições para o diálogo. SBPC & ABC, 2011. Dis-
ponível em http://www.abc.org.br/IMG/pdf/doc-547.pdf
A falsa dicotomia entre a preservação da vegetação natural e a produção agropecuá-
ria. L. A. Martinelli, C. A. Joly, C. A. Nobre e G. Sparovek, em Biota Neotropica 10(4), 2010.
Impactos potenciais das alterações propostas para o Código Florestal Brasileiro na bio-
diversidade e nos serviços ecossistêmicos. J. P. Metzger, T. M. Lewinsohn, C. A. Joly, L. Ca-
satti, R. Rodrigues e L. A. Martinelli. Associação Brasileira de Ciência Ecológica, 2010.
Proceedings of the National Academy of Sciences. T. H. Ricketts, G.C. Daily, P.R Ehrlich
e C.D. Michener, págs. 12579-12582, 2004.
Saving pollinators. A. Emblidge e E. Schuster, ZooGoer, 1999. (disponível on-line)
Videoaula on-line “Cientista explica mudança no Código Florestal”: http://www.youtu-
be.com/user/alexfadigas?blend=6&ob=5#p/a/u/1/pf9TJiCj-jE
QUEIMADAS INDISCRIMINADAS transformam forestas em
pastagem: pata do boi amplia as fronteiras do agronegócio.