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CORRELAÇÃO ENTRE PLUVIOMETRIA, PIEZOMETRIA E MOVIMENTOS DAS ENCOSTAS DOS QUILÔMETROS 87 E 101 DA RODOVIA BR-116/RJ (RIO-TERESÓPOLIS).

Glauco Aguilar Oliveira

Tese de Doutorado apresentada ao Programa de Pós-graduação em Engenharia Civil, COPPE, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Doutor em Engenharia Civil. Orientadores: Maurício Ehrlich Willy Alvarenga Lacerda

Rio de Janeiro Julho de 2012

CORRELAÇÃO ENTRE PLUVIOMETRIA, PIEZOMETRIA E MOVIMENTOS DAS ENCOSTAS DOS QUILÔMETROS 87 E 101 DA RODOVIA BR-116/RJ (RIO-TERESÓPOLIS).

Glauco Aguilar Oliveira

TESE SUBMETIDA AO CORPO DOCENTE DO INSTITUTO ALBERTO LUIZ COIMBRA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA DE ENGENHARIA (COPPE) DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO COMO PARTE DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE DOUTOR EM CIÊNCIAS EM ENGENHARIA CIVIL.

Examinada por: ________________________________________________ Prof. Maurício Ehrlich, D.Sc ________________________________________________ Prof. Willy Alvarenga Lacerda, Ph.D. ________________________________________________ Prof. André de Souza Avelar, D.Sc. ________________________________________________ Profa. Maria Claudia Barbosa, D.Sc. ________________________________________________ Prof. Michele Calvello, Ph.D.

RIO DE JANEIRO, RJ - BRASIL JULHO DE 2012

Oliveira, Glauco Aguilar Correlação entre Pluviometria, Piezometria e Movimentos das Encostas dos Quilômetros 87 e 101 da Rodovia BR 116/RJ (Rio-Teresópolis) / Glauco Aguilar Oliveira. – Rio de Janeiro: UFRJ/COPPE, 2012. XIX, 203 p.: il.; 29,7 cm. Orientador: Maurício Ehrlich Willy Alvarenga Lacerda Tese (doutorado) – UFRJ/ COPPE/ Programa de Engenharia Civil, 2012. Referências Bibliográficas: p. 137-146. 1. Movimento de encostas. 2. Pluviometria. 3. Piezometria. I. Ehrlich, Maurício et al. II. Universidade Federal do Rio de Janeiro, COPPE, Programa de Engenharia Civil. III. Título.

iii

Pais, Esposa e Filhos, Dedico este trabalho a vocês que sempre estiveram ao meu lado apoiando e me incentivando nesta difícil jornada. iv

Mauro. Agradeço também aos funcionários da Secretaria Acadêmica do PEC. v . à Janaína. em especial à Bete e Jairo. Juliana. dando conta das crianças quando essas não entendiam que o papai não podia brincar naquele momento em que estava focado no trabalho. Dr. pelo apoio incondicional. Eng. Helena. Clara. Aos professores Maurício Ehrlich e Willy Lacerda. Hélcio. Luíza. Maria Alice e Márcia Gusmão. Agradeço ao meu pai Armindo. incentivando. em especial à Dra. ao Bruno sempre me ajudando com os softwares. Aos professores membros da banca examinadora pelas considerações feitas que muito ajudaram no enriquecimento da tese. ao Leonardo Deoti e ao Mário Nacinovic. Sérgio. do meu lado todos esses anos. em especial aos amigos sempre presentes e dispostos a ajudar. sempre me apoiando. Luís Almeida. Agradecimentos especiais aos estagiários Júlio e Victor Barreto pela ajuda nos desenhos em CAD. não me deixando desanimar nos momentos mais difíceis. Gil. Glória. ao Mário Riccio. Carlinhos. Aos funcionários e técnicos do Laboratório de Geotecnia. À Concessionária Rio – Teresópolis. Bororó. fazendo de tudo para que eu pudesse alcançar meus objetivos. ao Renilson. que sempre me ajudaram com a parte burocrática. Edu.AGRADECIMENTOS Em primeiro lugar agradeço a DEUS por ter me dado a oportunidade e perseverança para poder dar este passo importante em minha vida. mas também pelo apoio e pela amizade dedicados ao longo de todo o trabalho. Matilde e Sebastião pelo suporte dado ao trabalho de campo na rodovia. Salviano. não só pela orientação. À minha mãe Fátima. À minha esposa Raquel. Serginho. A todos os amigos que torceram por mim e que não citarei aqui para não correr o risco de deixar alguém fora da lista. Luis André. que em muitas vezes se sacrificou no trabalho para cobrir minha ausência e me liberando para que pudesse me dedicar à tese. ao Marcelo.

confirmando os indícios de um paleotálus naquela região. Percebeu-se.). PIEZOMETRIA E MOVIMENTOS DAS ENCOSTAS DOS QUILÔMETROS 87 E 101 DA RODOVIA BR-116/RJ (RIO-TERESÓPOLIS). Busca-se explicitar os mecanismos e as condições de estabilidade da região estudada.Sc.3 e km 101. correlacionam-se chuvas. a direção e a profundidade dos movimentos observados mostraram-se condizentes com o perfil geológico-geotécnico encontrado no local. piezometria e movimentos de encostas em dois trechos da BR -116/RJ.Resumo da Tese apresentada à COPPE/UFRJ como parte dos requisitos necessários para a obtenção do grau de Doutor em Ciências (D. CORRELAÇÃO ENTRE PLUVIOMETRIA. levando em consideração as condições locais geológico-geotécnicas e de drenagem da área. Glauco Aguilar Oliveira Julho/2012 Orientadores: Maurício Ehrlich Willy Alvarenga Lacerda Programa: Engenharia Civil Neste trabalho. como seria de esperar. especialmente no km 87. Observou-se nos dois locais que a subida do lençol apresenta-se defasada de cerca de 7 dias do pico da chuva e que intensidades inferiores a 50 mm em 96 horas basicamente não foram sentidas pelos piezômetros. No km 101 as movimentações laterais foram monitoradas por inclinômetros e. Os fatores de segurança das encostas estudadas são satisfatórios. ocorreram com maior velocidade e maiores deslocamentos nos períodos chuvosos. Praticamente não se observaram movimentações nos períodos de estiagem. As sondagens geofísicas realizadas no km 101 indicaram a presença uma faixa de material menos resistivo que vai das partes superiores às camadas mais profundas. que o período de maiores registros pluviométricos vai de novembro a abril. vi . após quatro anos de monitoramento. Em linhas gerais. mas deve-se atentar para a manutenção dos DHPs que são de grande importância para a segurança da rodovia.

3 and km 101.). the direction and depth of the observed movements are in keeping with the local geological-geotechnical profile. These studies will allow a better understanding of the mechanism that lead the slope behavior at the monitored area.Abstract of Thesis presented to COPPE/UFRJ as a partial fulfillment of the requirements for the degree of Doctor of Science (D. occurred faster and with larger displacements at the rainy periods and registered practically no displacements at the dry season. It was noticed after four years of monitoring. In both areas was observed that the water table rising occurs about seven days after the rain pick and the readings lower than 50 mm in 96 hours. PIEZOMETRIC LEVELS AND SLOPE DISPLACEMENTS AT KILOMETERS 87 AND 101 FROM BR 116 HIGHWAY (RIO-TERESÓPOLIS) Glauco Aguilar Oliveira July/2012 Advisors: Maurício Ehrlich Willy Alvarenga Lacerda Department: Civil Engineering Rains. At the km 101. that the period of greatest precipitation records from November to April. piezometric levels and slope displacements are correlated in two areas at BR 116/RJ highway. lateral movements were monitored by inclinometers and as expected. The geophysical tests at km 101 indicated a less resistive zone from the surface to deeper layers. especially in km 87. vii . Stability analysis showed that the studied slopes have satisfactory values of safety factors and should only pay attention to the proper functioning of deep drains which are of great importance for the maintenance the water table to safe levels of stability. Anyway.Sc. CORRELATION AMONG PLUVIOMETRY. considering drainage and geologicalgeotechnical local conditions. basically weren’t felt by the piezometers. confirming the evidence of a paleotálus there.

.....................3 2.......2 2................... 8 Regime de escoamento nos solos ...........5 2.......5 2..............4........................................................................................... 8 Introdução ........4 2........4................4.....ÍNDICE 1 INTRODUÇÃO .1 Solos residuais ...........................................3 2..................................................................4 2.... 33 Aspectos Climatológicos ............................... 35 Precipitação ..................... 11 Ordem de grandeza do coeficiente de permeabilidade ........................................4 2..................4.............................3......................................................1 2..................................................... 3 2...................................3................... 1 1......................... 13 Considerações Gerais ....................2 Considerações Gerais..........................3.......................................... 13 Condicionantes de Movimentos de Massa ....................................... 12 Determinação da permeabilidade .........2 2.......................3............... 12 Movimentos de Massa ... 1 Organização da Tese ............................................................... 3 Colúvios ..................................................3.......5.............................. 35 viii .......................3 2..........................................4.....................5 2........1 2......................... 26 Mecanismos de Instabilização de Encostas ...1 1............................. 18 Etapas de Movimentos em Taludes ............ 9 Fatores que influenciam a permeabilidade ..................................1 2................................................................................................................................................. 2 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA .....2 2......................................................... 30 Efeito da Água sobre a Estabilidade de Taludes .................................................................... 4 Permeabilidade dos Solos .................................................

.................... 56 Ensaios de Permeabilidade ....1 4............ 76 5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS .................................................................... 57 Piezômetros e Medidores de Nível D`água ..................2 4..........3 4................................2................. 63 Inclinômetros ...................................5 4..........................................................4 4......................... 59 Piezômetro Casagrande .......5......... 66 Reconhecimento Geofísico km 101 ....................................................................................................... 47 Perfis Geotécnicos ............................................................................................................................2 2..3 3..................2 3.................4 3........1 4........5 Localização da Instrumentação....3 2........................................................... 46 Geomoforlogia da Região .......................... 38 Chuvas e movimentos de massa ....... 38 DESCRIÇÃO DO LOCAL ESTUDADO . 62 Piezômetro tipo Corda Vibrante ....................................... 43 Geologia da Região.................................................................................................................................................................4. 61 Medidor de Nível D`Água (MNA) ...............................................3 4.......6 4.................................................................. 68 Pluviógrafos ........................... 43 3...............................................................................................4 3 Formação da Chuva ...............4......7 Considerações Gerais.................................................... 78 5.......1 Pluviógrafos ..................................... 36 Região Sudeste do Brasil ................... 54 4 METODOLOGIA ADOTADA ........................... 55 4........................................1 3........... 55 Ensaios de Sondagem ..............................................5................................5................................................................................ 48 Clima da Região ...2 4...............................................................................................4............................................................ 78 ix ........

.....................................1 5.............................................................5 5......5.....................1 5...... 121 Km 87...3 5.........................................................3.....................................3 ....................3 5..................................................................... 99 Medidores de Nível D`água .............................................2 5....................1 5....... 88 Piezômetro Elétrico km 87 x Chuvas 96h/15d/30d .....4 5....9 ........ 131 6.. 97 Piezômetro Elétrico km 101 x Chuvas 96h/15d/30d ........6...............................................4 5...............5........................2 5.............................6 5.................. 125 Km 101 ......5 6 Piezômetros Casagrande ..........3 Considerações Finais ... 116 Movimentos x Piez........................ 83 Piezômetros Elétricos ..............................4.......................................2 6........................................................................................... 132 Sugestões Para Futuras Pesquisas ...3 5.............................8 ..... 136 7 8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...............................................6.. 102 MNAs x Piezômetros Elétricos x Piezômetros Casagrande – km 101 ....... 119 Km 86.............................................6........................................... 131 Conclusões ....................................... 126 CONCLUSÕES E SUGESTÕES PARA FUTURAS PESQUISAS ............................ 137 ANEXOS ................. 123 Km 87...3 ................. 104 Inclinômetros (km 101) ........6................................................................................................ 119 Km 86.........................1 5.............5..6.................2 5......5..............................2 5....................................1 6................................................................... Elétricos x Chuvas 96h/15d/30d – km 101 ................... 118 Análise de Estabilidade............................................................................... 147 x ...3................. 110 Leituras ........................................................................................ 110 Inclinômetros x Reconhecimento Geofísico ....................................

....... 180 Anexo III: Ensaios de Permeabilidade – km 101 ..... 23 Figura 2.................... 2004)..............................................7: Zonas fraca........ 24 Figura 2............... 35 Figura 2.........................1978).......... VV – côncavo .............convexo......8: Comparação de hipóteses quanto às condições de percolação de água subterrânea (PATTON e HENDRON... LV – côncavo ... LX – convexo ....2: Experiência de Reynolds: (a) montagem....... 1974).......... 2001)...... 28 Figura 2......... .. 201 ÍNDICE DE FIGURAS Figura 2........... 17 Figura 2..côncavo..... 34 Figura 2.......... 2001).... ......2 8.................. XX – convexo.retilíneo.5: Processos geomorfológicos dominantes em uma vertente..... 1974)............... XV – côncavo-convexo...9: Condições de percolação de água subterrânea antes e após um escorregamento (PATTON e HENDRON.......... 10 Figura 2...........8............ cisalhada e superfície de cisalhamento (LEROUEIL................... .... 36 Figura 2...... .................................... ......... .......... XL – retilíneo .........3: Principais tipos de movimentos de massa (VARNES.........retilínea. 195 Anexo IV: Testemunhos de Sondagens – km 101 ............... 2004)...........3 8.....4 Anexo I: Sondagens . VL – retilíneo ........côncavo.... ........... 26 Figura 2...... 1968 apud FREITAS........... .. 1968 apud FREITAS....................10: Chuva de convecção (FORSDYKE........................11: Chuva Orográfica (FORSDYKE... 147 Anexo II: Levantamento Geofísico ........... 1968 apud FREITAS......................... 37 Figura 2........... 1977).........1 8... ............. ....1: Perfil de solo residual de gnaisse (VARGAS.................... VX – convexo ...12: Seção vertical de uma superfície frontal (FORSDSYKE................. 2004).....................4: Formas de vertentes: LL – retilínea............ (b) resultados..6: Diferentes estágios do movimento (LEROUEIL... ........... 37 xi ..... 3 Figura 2.

......................4: Geomoforlogia da região......... 69 xii ..13: Deslocamentos laterais x Chuva acumulada de 25 dias (LACERDA..... ............... 64 Figura 4................................ 1997).............4: Medidor de Nível D`Água (MNA)........... ..9.... 66 Figura 4...km 101. 53 Figura 4................... 42 Figura 2..........................................1: Ensaio de Permeabilidade com carga constante......................................................................................................... 1997).................................... ............................................... ............7: Instalação inclinômetro I1 (km 101 – sentido Teresópolis).....8: Perfil geotécnico km 87................ ................................................................................................................3........ .........5: Piezômetro Elétrico.6: Posicionamento dos tubos de inclinômetros ................. .............3................. ......................... 44 Figura 3......1: Levantamento topográfico km 101......................................8.......................... ...... ................................... 58 Figura 4..........2: Instrumentação km 101........9: Perfil geotécnico km 101.......... 2011)................................... ....................................3: Instrumentação no entorno do km 87............. ................... 67 Figura 4....................................... .............................. 51 Figura 3..................... 45 Figura 3....7: Perfil geotécnico km 87............................................ 49 Figura 3....................................... ....................................................... 47 Figura 3........ .......8: Instalação do inclinômetro I2 (km 101 ......... ........................ .................... 45 Figura 3.........................9: Posicionamento das linhas de campo da investigação geofísica (Seções)......... 67 Figura 4................ 62 Figura 4........ 61 Figura 4...6: Perfil geotécnico km 86.................................... 42 Figura 3.............. 52 Figura 3.................................. 50 Figura 3..3: Fases de instalação de um piezômetro Casagrande ............14: Níveis piezométricos x Chuva acumulada de 25 dias (LACERDA..........5: Perfil geotécnico km 86....................... .. ......... 41 Figura 2.......................sentido Rio)...Figura 2....... 63 Figura 4.2: Piezômetro Casagrande...... ..........15: Chuvas x Eventos (D`ORSI...........................

... ............................ 82 Figura 5.... 75 Figura 4................. 75 Figura 4.. 73 Figura 4..........15: Paleotálus do entorno do km 101....4: Pluviógrafo km 90........9: Piezômetros Casagrande – km 86.. 71 Figura 4..........................3: Estação meteorológica Defesa Civil................. .... 72 Figura 4........14: Amostra retirada de sondagem no km 101 a 52.......14: Piezômetros Elétricos km 86................. 83 Figura 5... ........12: Piezômetros Casagrande km 87.................. 2008)......................11: Piezômetros Casagrande km 87......... 79 Figura 5................... 80 Figura 5...........5: Estação meteorológica Posto Garrafão.....12: Seção geoelétrica CRT-02 ...... 80 Figura 5......... 2008).................... 81 Figura 5......contato geológico (MARCELINO..................... 87 Figura 5............................................. .......................................................... ......11: Seção geológica da região (MARCELINO...... ..10: Contato de unidades geológicas (MARCELINO.............. ..8......................................................................9............7: Pluviógrafo Praça do Pedágio 1.................................... ...... ...............19 m de profundidade...............10: Piezômetros Casagrande – km 86...........6: Pluviógrafo Brasilinha. 84 Figura 5.................................................................Figura 4........................................ ... 2008).........................................16: Localização dos Pluviógrafos............ 78 Figura 5......15: Piezômetros Elétricos km 86...3.1: Estação meteorológica BOP............................ .......2: Pluviógrafo da Praça do Pedágio 2... 70 Figura 4.........8......... ....................13: Piezômetros Casagrande km 101....................................................... ......................13: Mapa de isolinhas de resistividade elétrica – Profundidade 47 m .... ......................................3..................... 86 Figura 5. 82 Figura 5..................................... .....................................8: Pluviógrafos – Acumulados Mensais..................... 86 Figura 5. 89 xiii ............................. 77 Figura 5.......................... 88 Figura 5............................ ................................ 85 Figura 5........... ............3..

......................................................... 103 Figura 5....23: PE km 87.... 98 Figura 5...............................35: Cotas Máx........ 98 Figura 5.............. – km 101 – (a): Pista RJ – (b): Crista RJ – (c): Pista AP...................27: Piezômetro elétrico km 101 x chuvas 96h/15d/30d.....3 – (a): Viaduto – (b): Crista AP...........18: Piezômetros Elétricos km 101..... ......... .... Casagrande – km 101.8 x PLV km 90 Acum 96 h > 10 mm.................... ...... ...........3.......km 101........... 105 Figura 5. 106 xiv .... Casagrande ......... x Piez... Elét... Elétricos – km 87........... .......... Piezômetro Elétrico .....26: PE km 86........3 x PLV km 90 Acum 96 h > 10 mm........ ..................16: Piezômetros Elétricos km 87....................................... e Mín... .....17: Piezômetros Elétricos km 87. 99 Figura 5...........Figura 5....31: Medidores de Nível D`água – km 101.................... 92 Figura 5...... 102 Figura 5....... 100 Figura 5..................... 105 Figura 5....................... x Piez............................ Elétricos – km 86....... ......... 104 Figura 5....................km 101. e Mín........ 101 Figura 5............................................ ........ 91 Figura 5............................... 95 Figura 5.36: Cotas Máx............................. x Piez...... ..................30: Bacia de drenagem km 101........22: Piezômetro elétrico km 87.. ...km 101.... 96 Figura 5........9....... 103 Figura 5... Elétricos x Piez..... 90 Figura 5...........20: Pluv.... e Mín...................... ......... 97 Figura 5......8 x PLV km 90 Acum 30 dias > 100 mm.....8 – (a): Pista RJ – (b): Pista AP..... 94 Figura 5............................24: PE km 87..........25: PE km 86................................29: PE km 101-AP x PLV km 94 Acum 30 dias > 150 mm.......28: PE km 101-AP x PLV km 94 Acum 96 h > 10 mm......................3 x PLV km 90 Acum 30 dias > 150 mm. 101 Figura 5. 99 Figura 5....................................21: Pluv..... ...................33: MNAs x Piez.....3 x chuvas 96h/15d/30d........... ........ .........................34: Cotas Máx................. .......32: Pluviógrafo Brasilinha – Chuvas acumuladas 96 h.................... MNA.19: Pluv..

..... ........53: Estudo de estabilidade km 86..... 117 Figura 5.3....... 121 Figura 5.. .... 122 Figura 5. ...48: Velocidade de deslocamento – I2 km 101.........38: Sentido do fluxo subterrâneo km 101 – MNA Min......8.... 109 Figura 5.......................Nível D`água máximo.. ........................40: Sentido do fluxo subterrâneo km 101 – Casagrande Min.......... ..........42: Sentido do fluxo subterrâneo km 101 – Piez.. 116 Figura 5.46: Inclinômetro I2 ...... Elétrico Max........... .. 120 Figura 5............km 101(leituras até abril/2012)...........39: Sentido do fluxo subterrâneo km 101 – Casagrande Max........ 123 Figura 5...Nível D`água na superfície..... ...... ..........37: Sentido do fluxo subterrâneo km 101 – MNA Max.............. 124 xv ...................... .. .. 111 Figura 5..45: Velocidade de deslocamento – I1 km 101...............................................56: Estudo de estabilidade km 86......... 109 Figura 5........... 115 Figura 5......... 120 Figura 5...... ...Nível d`água mínimo...........54: Estudo de estabilidade km 86......... .... ..........57: Estudo de estabilidade km 86.51: Movimentos x Variação Nível d`água x Chuvas – km 101.. .44: Inclinômetro I1 – km 101 (leituras até abril/2012)........52: Estudo de estabilidade km 86..................Nível d`água máximo..............Nível d`água mínimo....3..3... 117 Figura 5..........55: Estudo de estabilidade km 86............. 108 Figura 5............. .. .............................Nível d`água na superfície.. 114 Figura 5..Nível D`água mínimo..km 101 (leituras até maio/2009).............. 122 Figura 5. .............. Elétrico Max. 107 Figura 5......3.............8......................... ...........Figura 5....41: Sentido do fluxo subterrâneo km 101 – Piez.. ..... ...... 112 Figura 5..........43: Inclinômetro I1 – km 101(leituras até maio/2009).. 108 Figura 5. ..........49: Perfil CRT-02 e Posição do Inclinômetro I2.........58: Estudo de estabilidade km 87.............. ..50: Perfil CRT-03 e Posição do Inclinômetro I1.47: Inclinômetro I2 .... 113 Figura 5............... 107 Figura 5.. 118 Figura 5......8..................................................

...... 128 Figura 5.62: Estudo de estabilidade km 87.........63: Solução adotada em DHP (EHRLICH.. 150 Figura 8...............A....... 129 Figura 5............... 2010)....... 156 Figura 8.. 129 Figura 5..............3: Sondagem SM-06 – pista AP km 101 (2/4)....... ..................... ..............8: Sondagem SM-04– pista RJ km 101 (3/4)............... superfície do terreno (EHRLICH. ......... .............3.... ....... 124 Figura 5.. 127 Figura 5........... .....................A Máximo– Círculos com prof..Nível d`água na superfície........... Normal ........`.....A..............60: Estudo de estabilidade km 87..... .. 157 xvi . 154 Figura 8. .............. 2010)........... .............5: Sondagem SM-06 – pista AP km 101 (4/4)...... 2010) ............64: N................1: Localização das sondagens km 101.............. . 149 Figura 8...........65: N.... 147 Figura 8......................0 m (EHRLICH.....69: N.............Nível d`água máximo.........0 m (EHRLICH........ – N......9...Nível d`água na superfície.3.67: N. 125 Figura 5.. ....................... 126 Figura 5...........68: Ruptura do talude de montante e da pista..Figura 5............................... ................. 152 Figura 8.................. 151 Figura 8... 130 Figura 5......... 2010) .... 153 Figura 8.. 2010)..10: Sondagem SM-03 – bordo pista RJ km 101 (1/2)..6: Sondagem SM-04– pista RJ km 101 (1/4)....................9..............66: N.. ..........................A. 126 Figura 5............................2: Sondagem SM-06 – pista AP km 101 (1/4).. > 3............... 2010) ................A..........................59: Estudo de estabilidade km 87....... 130 Figura 8.........11: Sondagem SM-03 – bordo pista RJ km 101 (2/2) ... Normal – Material homogêneo (EHRLICH.. 129 Figura 5....A..... 148 Figura 8. ..7: Sondagem SM-04– pista RJ km 101 (2/4).... ........... ........4: Sondagem SM-06 – pista AP km 101 (3/4)............ 155 Figura 8........... ..9: Sondagem SM-04– pista RJ km 101 (4/4)..61 Estudo de estabilidade km 87......... ......... ....... Rebaixado em 3 m – Instalação de DHPs (EHRLICH.... Normal – Círculos com prof...Nível d`água máximo... > 3...

............... ...... 165 Figura 8............. ........................... 158 Figura 8.........km 87.8........3...................................3 (2/2).......3 (1/2).km 87.................23: Sondagem SR-04(SP-02) sob o viaduto – km 87....9 (2/2).........................32: Sondagem SP-1 bordo de pista RJ – km 86............................ 168 Figura 8....19: Sondagem SP-06– base do talude ...8..............21: Sondagem SP-02 – km 87.. 175 Figura 8..............................33: Sondagem SP-2 bordo de pista AP – km 86...... .....3 (1/2).......................3.............30: Sondagem SM-02 bordo de pista RJ – km 86................ 170 Figura 8....... ......km 87.................. 169 Figura 8.... .22: Sondagem SP-02 – km 87. 172 Figura 8.........14: Sondagem SM-01 – crista do corte . 177 Figura 8.........24: Sondagem SR-04(SP-02) sob o viaduto – km 87. 166 Figura 8..3 (1/2)............9 (1/2).............................. 176 Figura 8... .................3 (2/2)...................... . 167 Figura 8... 179 xvii ...8 (3/3).................................8 (1/3)...........................9.......................3....17: Sondagem SR-02– Sob o viaduto ..........................28: Sondagem SM-01crista do corte – km 86..........3 (1/2).. ....Figura 8........ ............ 161 Figura 8....... 163 Figura 8............ 174 Figura 8........ ...27: Localização das sondagens km 86.........29: Sondagem SM-02 bordo de pista RJ – km 86........ 162 Figura 8.......km 87...3............... ......km 87...................18: Sondagem SP-06– base do talude .....8 (2/3)..........15: Localização das sondagens km 87............. .... 159 Figura 8... 160 Figura 8.......... ..........26: Sondagem SR-01crista do corte – km 87..20: Sondagem SP-01B – km 87................. .3 (1/2)...................... ...km 87..........................16: Sondagem SR-02– Sob o viaduto . ....12: Sondagem SM-02 – km 87......... 173 Figura 8......25: Sondagem SR-01crista do corte – km 87.........13: Sondagem SM-01 – crista do corte ...... ............. 171 Figura 8.................. 164 Figura 8....................3 (2/2)... . .............31: Sondagem SM-02 bordo de pista RJ – km 86......3 (2/2)...3 (2/2).................. 178 Figura 8.

................................................... 187 Figura 8.......55: Testemunhos de sondagem de I3 km 101. 199 Figura 8......... 194 Figura 8................. 185 Figura 8........................36: Perfil de resistividade elétrica CRT-02............... 183 Figura 8........43: Isolinhas de resistividade elétrica – 10 m..................46: Isolinhas de resistividade elétrica – 65 m.... 182 Figura 8............................. ............................... 198 Figura 8............... 195 Figura 8...... .48: Sondagem km 101 I3 (1/4)................ ..... ...................... ...............38: Perfil de resistividade elétrica CRT-04............................ .53: Sondagem km 101 crista (2/2)....................................... ......................................42: Perfil de resistividade elétrica CRT-08................... ............... .. 193 Figura 8........................... 201 xviii ..........................Figura 8...................54: Testemunhos de sondagem de I3 km 101...... 181 Figura 8... 200 Figura 8......................41: Perfil de resistividade elétrica CRT-07................ 186 Figura 8..................................................37: Perfil de resistividade elétrica CRT-03..................... .........................................39: Perfil de resistividade elétrica CRT-05........... ................................................................53 m.....40: Perfil de resistividade elétrica CRT-06.................. ............. 188 Figura 8.................... 201 Figura 8......45: Isolinhas de resistividade elétrica – 47 m............ ..até 26................ ....51: Sondagem km 101 I3 (4/4).................................52: Sondagem km 101 crista (1/2)............. 184 Figura 8................. 192 Figura 8.............. ........................44: Isolinhas de resistividade elétrica – 27 m........................................ ... 190 Figura 8...34: Localização das linhas km 101.................................47: Isolinhas de resistividade elétrica – 85 m..............de 27 m até 40 m....................35: Perfil de resistividade elétrica CRT-01.................... ............................ 189 Figura 8...... 196 Figura 8......49: Sondagem km 101 I3 (2/4)....50: Sondagem km 101 I3 (3/4)............ 197 Figura 8.............................................. 191 Figura 8.................... ...........

Figura 8.56: Testemunhos de sondagem de I3 km 101- de 47 m até 55 m. ................. 202 Figura 8.57: Testemunhos de sondagem de I3 km 101- de 55 m até 58 m. ................. 202 Figura 8.58: Testemunhos de sondagem de I3 km 101- de 58 m até 65 m. ................. 203 Figura 8.59: Testemunhos de sondagem de I3 km 101- de 65 m até 70 m. ................. 203

ÍNDICE DE TABELAS

Tabela 2.1: Coeficientes de permeabilidade típicos (Lambe & Whitman, 1969). ......... 12 Tabela 2.2: Agentes e causas dos escorregamentos (GUIDICINI e NIEBLE, 1984). ... 31 Tabela 2.3: Fatores deflagradores dos movimentos (VARNES, 1978). ......................... 31 Tabela 4.1: Sondagens realizadas. .................................................................................. 56 Tabela 4.2: Vazão e Permeabilidade km 101. ................................................................ 59 Tabela 4.3: Informações dos Piezômetros e Medidores de nível D`água. ..................... 60 Tabela 4.4: Calibração dos Piezômetros Elétricos. ........................................................ 65 Tabela 4.5: Pluviógrafos em Funcionamento. ................................................................ 76 Tabela 5.1: Parâmetros de solo – km 86,3 .................................................................... 119 Tabela 5.2: Parâmetros de solo – km 86,8 .................................................................... 121 Tabela 5.3: Parâmetros de solo – km 87,9 .................................................................... 125

xix

1 INTRODUÇÃO

1.1

Considerações Gerais
A operação eficaz de uma Rodovia federal do porte da BR-116/RJ, trecho entre a

BR-040 e a BR-393, não depende somente de conhecimento técnico e experiência. É de suma importância aprofundar o conhecimento das condições reais de campo. Esta rodovia interliga duas importantes regiões do país – Sudeste/Nordeste, e tem destacada relevância para o escoamento da produção agrícola e grande volume de tráfego, principalmente nos finais de semana e feriados prolongados em virtude do forte apelo turístico da região, com maior concentração no trecho da Serra dos Órgãos. A realização do presente trabalho só foi possível graças ao convênio firmado entre a COPPE/UFRJ e a Concessionária Rio Teresópolis – CRT, através da Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT. Tem-se por objetivo nesse estudo monitorar as condições climáticas e correlacionar chuvas com o comportamento de encostas no trecho em questão. Os resultados do acompanhamento de campo permitirão a caracterização do regime de chuvas e melhor explicitar os mecanismos que governam a instabilização de encostas na região serrana. Em linhas gerais, tais problemas estão associados às condições geológico-geotécnicas e de drenagem. O problema de instabilidade das encostas se agrava no período compreendido entre os meses de novembro e abril, quando a intensidade das chuvas aumenta ocasionando vítimas em acidentes automobilísticos, escorregamentos de encostas e enchentes, muitas delas fatais. Buscar-se-á definir correlações entre chuvas, elevação dos níveis piezométricos e o comportamento das encostas. Foram escolhidos para monitoração mais completa dois trechos da BR-116 com histórico de problemas. No km 87, em Fevereiro de 2005, verificou-se rotura de toda seção da estrada (aterro a meia encosta) ao longo de um trecho de 40 m de extensão. A rotura atingiu cerca de 10 m de profundidade envolvendo a camada de aterro e também terreno natural situado abaixo. O material deslizado avançou na forma de uma corrida de lama em direção ao Condomínio da Granja Comary, tendo percorrido uma distância 1

de 120 m de extensão. Foi significativo o montante de precipitação antecedente à rotura. Verificou-se um total de 134 mm de chuvas nos 4 dias anteriores ao evento. No entanto, comparando-se esses valores com a série histórica não se pode dizer que o montante de chuva tenha sido excepcional. No km 101 tem-se um antigo histórico de movimentos lentos. No início da década de 70 efetuou-se um levantamento do aterro em cerca de 2 metros de forma a melhor confinar a base da pista e minimizar os movimentos. Após a intervenção os movimentos diminuíram, mas não cessaram por completo.

1.2

Organização da Tese
No Capítulo 2 faz-se uma rápida revisão bibliográfica, onde se discorre sobre

solos residuais e coluvionares descrevendo suas características e particularidades. Um trecho estudado conta com solo coluvionar, mais precisamente uma região de tálus e o outro trecho é formado por solos residuais. Trata-se também sobre a permeabilidade dos solos, mostrando sua importância para o comportamento das encostas. Outro item fala sobre movimentos de massa, descrevendo-se os tipos, as causas, consequências, influência da água e algumas medidas de mitigação de danos. Nesta revisão, também são tratados os aspectos climatológicos. No Capítulo 3 é feita a descrição dos trechos estudados, levando-se em conta localização, geologia e geomorfologia. Apresentam-se perfis geotécnicos dos pontos instrumentados e condições climáticas da área em estudo. A metodologia utilizada no monitoramento é apresentada no Capítulo 4. São descritas as sondagens efetuadas (SPT e Geofísica), assim como as instalações e princípios de funcionamento dos piezômetros elétricos e Casagrande, inclinômetros e pluviógrafos. No Capítulo 5 apresentam-se os resultados da instrumentação juntamente com a análise dos mesmos, buscando correlações entre o regime de chuvas, variação do nível do lençol freático e movimentação de encostas. As conclusões e as propostas para futuras pesquisas são apresentadas no Capítulo 6. 2

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 Solos residuais
Solos residuais são aqueles formados pela decomposição da rocha, que se mantiveram no mesmo local de sua formação. Entretanto, a tipicidade do solo resultante dependerá de uma série de fatores tais como a natureza da rocha matriz, o clima, a topografia e as condições de drenagem. Na ocorrência dos solos residuais é necessário que a velocidade de decomposição da rocha seja maior do que a velocidade de remoção por agentes externos. Assim se observa que neste tipo de solo há uma gradual transição do solo até a rocha, apresentando-se em horizontes com grau de intemperização decrescente. Um perfil típico de solo residual comumente encontrado na região CentroSul do Brasil é apresentado por VARGAS (1977) na Figura 2.1, que considera a subdivisão em quatro horizontes em função da intensidade de intemperismo. Esta subdivisão pode ser diferente de autor para autor, podendo variar entre três e seis horizontes.

Figura 2.1: Perfil de solo residual de gnaisse (VARGAS, 1977). 3

que normalmente associam-se a períodos de chuva prolongados. mas perderam a consistência da rocha. que são: a heterogeneidade da rocha matriz. em solos residuais. Os colúvios na maioria das vezes encontram-se preenchendo longos talvegues e têm espessura (D) pequena quando comparadas ao seu comprimento (L).Horizonte I: solo residual maduro – são aqueles que perderam toda a estrutura original da rocha matriz e tornaram-se relativamente homogêneos. mais arenosos. entre outras coisas. geralmente. SANDRONI (1977) e PINTO (2000) destacam dois aspectos importantes nos solos residuais. Sendo. os solos residuais de basalto são predominantemente argilosos. inclusive veios intrusivos. a indicação da rocha matriz. fissuras e xistosidade. Horizonte IV: rocha alterada . e a anisotropia. Trata-se de materiais que aparentam serem rochas alteradas. que são os solos que mantêm a estrutura da rocha matriz.apresenta um material de transição entre solo e rocha. Horizonte II: solo residual jovem .2 Colúvios LACERDA e SANDRONI (1985) definem o terreno ou depósito coluvionar como sendo “depósito composto por blocos e/ou grãos de qualquer dimensão. com pedregulhos. Tem-se primeiramente a 4 . por sua vez. a composição física do solo residual. mas que apresentam pequena resistência ao manuseio. deixando intactos grandes blocos da rocha original. observou que existem dois processos erosivos atuando ora de forma contínua ora intermitente. dando origem aos colúvios. e blocos de rocha envoltos por solo. É imperativa. LACERDA (2002). em sua maioria. os solos de gnaisse siltosos e os de granito. 2. Horizonte III: caracteriza-se por possuir uma camada intermediária entre o solo residual jovem e a rocha alterada.também chamado solo saprolítico. argilosos com coloração variando de vermelha. transportados por gravidade e acumulados no sopé ou a pequena distância de taludes mais íngremes ou escarpas rochosas”. em que a ação intempérica progrediu ao longo de fraturas ou zonas de menor resistência. Por exemplo. pois ela condiciona. marrom a amarela e com estrutura porosa.

carreando partículas mais finas para zonas inferiores do perfil. A matriz é sempre predominante em todo depósito. pode acrescentar vários metros de uma só vez aos depósitos da encosta. carreando-o e depositando-o a pequenas distâncias. em parte. Além disso.1997). tornando-se difícil a distinção exata no campo. O outro processo decorre de uma porção de solo residual que escorrega e paira sobre a própria encosta. O solo coluvionar segundo SOARES e POLITANO (1997).erosão superficial. Sendo certo que esta massa pode se apresentar de duas maneiras. pelo aumento de volume sofrido devido ao escorregamento. entretanto. 1993. ocorre devido à ação da gravidade. CLEMENTINO e LACERDA. 1992). em que a água ao escorrer pela superfície carreia partículas de solo para cotas mais baixas e ali as deposita. Este último. forma e até litologias variadas. com indícios de serem provenientes de movimentos de massa pretéritos que mobilizaram blocos rochosos de dimensões. Colúvios são constituídos por solos que sofreram um processo de transporte ao longo da encosta e não mostram qualquer estrutura da rocha de origem. assumindo. diferente daquele que é depositado suavemente e que acrescenta apenas alguns centímetros à camada superficial da encosta a cada evento. em geral.. quase sempre no sopé e a meia encosta. caso tenha se deslocado como um corpo rígido. Estes se apresentam em maior concentração de blocos à montante e maior volume de matriz coluvionar à jusante. uma no estado desagregado. Mostram ensaios realizados nos solos residuais intactos e nos colúvios provenientes do mesmo solo residual que o índice de vazios dos colúvios é nitidamente superior ao do solo residual a ele subjacente (PINTO et al.. com aumento de volume do solo residual e consequente aumento do índice de vazios. o solo coluvionar é lixiviado pela água infiltrada pela chuva. depósitos de tálus são aqueles formados por material detrítico da encosta à montante. 1992 e LACERDA e SILVEIRA. havendo uma diferença 5 . Os autores consideram o tálus como um caso específico do solo coluvionar. podem apresentar alguns blocos e/ou fragmentos de rocha imersos numa matriz de solo. ou ainda apresentar características do solo residual intacto. forma alongada em direção aos sopés das encostas (LARA et al. Os depósitos de tálus estendem-se preferencialmente pelas calhas de drenagem natural. já que a semelhança entre ambos é grande. frequentemente sobre o solo residual. estando dispostos de forma caótica e envoltos em matriz coluvionar. As principais características físicas deste solo são o aspecto “poroso” e o local de deposição. Por outro lado. Isto se elucida.

algumas vezes rupturas ocorrem com valores de poropressão inferiores àqueles necessários para que a trajetória de tensões atinja a envoltória de resistência ao cisalhamento. uma parte da mesma é interceptada pela vegetação. durante a fase de ocorrência de elevadas poro-pressões. Posto que quando a precipitação cai sobre um talude. com um risco de ruptura variável. Entretanto. então. A redução da poropressão afasta o estado de tensão da envoltória de ruptura e. já que a umidade do solo e o nível do lençol freático estão aumentando. que o longo tempo dos períodos geológicos deixa uma margem de segurança confortável às obras de engenharia.básica nas suas composições. consequentemente.. já que a precipitação é um dos principais fatores causadores dos deslizamentos. LACERDA (1989) sugere. diminuindo a resistência ao cisalhamento (GONZALEZ et al. No entanto. Segundo LACERDA (1989). Esse fato implica em altas taxas de deformação lenta do solo conhecida também como "Creep" quando ocorre de forma contínua e Rastejo quando o movimento é intermitente. Decerto.1999). cabe ressaltar. diminuindo as tensões efetivas e. porém jamais nulo. as quais são responsáveis pela coesão do material. O autor atribui isto à perda de resistência ao cisalhamento devido a variações cíclicas de poropressão que levam o solo a uma espécie de fadiga. sendo sua localização quase sempre no sopé e nos talvegues das encostas. às vezes misturados a um solo silto-arenoso. onde o tálus aparece com maior quantidade de blocos e matacões. gerando poro-pressões. provoca a diminuição da taxa de deformação por creep. Continuando-se o processo de infiltração mesmo após a chuva cessar. A elevação da poropressão desloca o estado de tensão efetiva do solo para as proximidades da ruptura. que em algum momento podem criar-se situações críticas para o talude. porém. Corroborando com a definição apresentada por AZAMBUJA (1963). que o limite 6 . outra se infiltra no solo ou é armazenada nas depressões do terreno para logo infiltrar-se no solo. por conseguinte. Ainda que se deva admitir que não exista uma encosta inteiramente estável ao longo do tempo. ocorre o acúmulo de deformações que provocam a quebra das ligações entre as partículas. segundo CARREGÃ e BALZAN (1997) a maior parte das encostas está submetida aos efeitos do tempo. Sabe-se que os fenômenos de deslocamentos de massa estão fortemente associados aos períodos chuvosos.

inferior a partir do qual o estado de tensões efetivas leva a deformações por creep e. Colúvios são frequentemente mais permeáveis do que os horizontes de solo subjacentes. Com relação à velocidade de movimentos em colúvios observados na Serra do Mar. COSTA e BAKER (1981). tende a diminuir a jusante do talude. eventualmente. Taludes com um manto de colúvio cobrindo o perfil de alteração são frequentemente encontrados ao lado de penhascos ou em encostas com muitos degraus. a alta frequência de escorregamentos. a combinação de altos níveis piezométricos. provoca(m) o rastejo de finas camadas de colúvios. pode resultar. portanto. 2001). podem atingir velocidades muito maiores. assim como a condutividade hidráulica. Durante períodos de alta pluviosidade ambos os lençóis. até 1700 mm/ano em caso de colúvios que sofreram cortes ou aterros. sazonalmente. significativos movimentos num talude de solo coluvionar (LACERDA. ao acúmulo de deformações. ou que foram sobrecarregados por escorregamentos recentes. Rupturas podem também ocorrer devido a escavações no pé do talude ou após a aplicação de sobrecargas sobre o mesmo. DEERE e PATTON (1971) assinalam que comumente este tipo de depósito está sujeito a rastejo. com direção aproximadamente paralela à superfície do talude.. Estes níveis d’água geram forças de percolação instabilizantes. Segundo DEERE e PATTON (1971). característica de algumas regiões tropicais. seja a envoltória de resistência ao cisalhamento residual. 1986) estimam que os colúvios cobrem mais de 95% da superfície de regiões tropicais úmidas. Zonas de condutividade hidráulica distintas podem ocorrer dentro das camadas de colúvio ou entre as mesmas. Frequentemente. No entanto. valores medidos por RODRIGUES (1992) durante obras da Rodovia Imigrantes mostram valores menores que 3 mm/ano para colúvios naturais. 1997 e SANDRONI et al. o solo coluvionar pode adensar sob o peso das sucessivas camadas depositadas e. O tamanho dos materiais. com uma ou mais camadas de solos ricos em argila. tem sido notada nos períodos de chuvas excepcionalmente altas e de longa duração. formando lençóis d`água em diferentes níveis. apenas uma camada de colúvio cobre o talude. uma complexa sequência de camadas coluvionares pode ser desenvolvida. provocando altas poropressões. e entre 85 e 91% das 7 . Com o tempo. É comum que a água possa mais facilmente entrar a montante do talude do que sair a jusante do mesmo. (apud TURNER. No entanto. tanto o superficial como o(s) subsuperficial(is).

adensamento. em função de diversos fatores que serão apresentados mais à frente. SILVEIRA e LACERDA (1992). observaram uma cimentação de partículas finas ao redor dos contatos das partículas de silte e argila que. 1993 e BACELAR. Quanto à estrutura dos colúvios. segundo PENTEADO (1978). Como já foi visto.1 Introdução A permeabilidade é a propriedade que o solo apresenta de permitir a passagem de água através dele. através de fotos de microscopia eletrônica de varredura na encosta de solo coluvionar do Soberbo. devido à sua natureza porosa. o qual preenche parte dos poros dos solos não inteiramente saturados de água. Nos colúvios facilmente encontrados na Região Sudeste do Brasil é comum a ocorrência de bananeiras. O conhecimento do valor da permeabilidade é muito importante em obras geotécnicas. O coeficiente de permeabilidade pode ser determinado através de ensaios de laboratório em amostras indeformadas ou de ensaios “in situ”. em obras de drenagem. por exemplo. na estimativa da vazão que percolará através do maciço e da fundação de barragens de terra. e ainda à existência de poros e canalículos derivados de raízes mortas e de origem animal. constituindo uma fase sólida. 2. Já no Brasil. 8 . envolvidos por uma fase líquida: água. constituído por grãos minerais e matéria orgânica.regiões montanhosas semiáridas. Os colúvios. Ensaios in situ e em laboratório mostram que esta permeabilidade é da ordem de 10-3 cm/s a 10-5 cm/s (SCHILLING. cerca de 70% das regiões são cobertas por colúvios. Portanto. embora fraca. etc. os mais graves problemas de construção estão relacionados com a presença da água. 1985). Este tipo de vegetação desenvolve-se bem em solos porosos e com saturação elevada. O conhecimento da permeabilidade e de sua variação é necessário para a resolução desses problemas. 2000). rebaixamento do nível d’água. o ar.3. são muito permeáveis. (apud LACERDA. Todos os solos são mais ou menos permeáveis. eventualmente presente. auxilia na extração de blocos indeformados. Há uma terceira fase. o solo é um material natural complexo.3 Permeabilidade dos Solos 2.

2 Regime de escoamento nos solos As bases teóricas sobre o regime de escoamento em condutos forçados foram estabelecidas por Darcy (1856) e Reynolds (1883).2(a).3.2(b). é algo tanto precário para as argilas. Reynolds variou o diâmetro “D” e o comprimento “L” do conduto e a diferença de nível “h” entre os reservatórios. Os resultados constam na Figura 2. principalmente nos mais laterizados. ou água flui através desses canalículos. o gradiente hidráulico “i = h/L” versus a velocidade de escoamento “v”. introduzir um corante no fluxo: se o corante escoasse com uma trajetória retilínea. mostrada esquematicamente na Figura 2. No caso o fluxo se verifica principalmente nos macroporos. sob a ação da gravidade. pelo qual percola a água. Esta experiência. Tem-se neste tipo de solo. uma vez que devido aos diminutos diâmetros que teriam tais canalículos e as formas lamelares das partículas de solo.No caso das areias o solo poderia ser visto como um material constituído por canalículos. caso contrário. interconectados uns aos outros. Reynolds comprovou que o regime de escoamento pode ser laminar ou turbulento. o valor de “vc” é relacionado teoricamente com as demais grandezas intervenientes através da equação: 9 . consistiu em permitir o fluxo de água através de uma tubulação transparente e. o regime seria turbulento. a formação de grumos. intervêm forças de natureza capilar e molecular de interação entre a fase sólida e a líquida. Infelizmente a quase totalidade das teorias para percolação de água nos solos é baseada nesse modelo. o regime de escoamento seria laminar. o modelo de um meio poroso. medindo a velocidade de escoamento “v”. pois as partículas teriam trajetórias paralelas. havendo proporcionalidade entre o gradiente hidráulico e a velocidade de fluxo. embora possa ser perfeitamente eficiente para as areias. onde estão plotados. por meio de um pequeno funil instalado no tanque superior. Verifica-se que há uma velocidade crítica “vc” abaixo da qual o regime é laminar. Nas argilas esse modelo simples do solo perde sua validade. Para velocidades acima de “vc” a relação não é linear e o regime de escoamento é turbulento. Ainda segundo Reynolds. 2. Assim sendo. nos quais ou há água armazenada. em equilíbrio hidrostático.

Onde: Re = número de Reynolds. que é uma velocidade muito elevada. μ = viscosidade do fluído. De fato. Substituindo na equação anterior os valores correspondentes à água a 20°C. Figura 2. (b) resultados. vc = velocidade crítica. Como consequência imediata haverá. Denominando o coeficiente de proporcionalidade entre “v” e “i” de permeabilidade ou condutibilidade hidráulica “k”. adimensional e igual a 200. vem: v = k . γ = peso específico do fluído. i 10 . o diâmetro dos poros pode ser tomado como inferior a 5 mm. segundo estudos de Reynolds. concluindo-se daí que a percolação ocorre em regime laminar. g = aceleração da gravidade.2(b)).2: Experiência de Reynolds: (a) montagem. obtém-se o valor de “vc” (em m/s) em função do diâmetro do conduto “D” (em metros): Nos solos.56m/s. D = diâmetro do conduto. proporcionalidade entre velocidade de escoamento e gradiente hidráulico (Figura 2. Levando este valor à equação anterior. a percolação da água nos solos se dá a velocidades muito inferiores à crítica. obtém-se vc = 0.

O tipo de fluído que se encontra nos poros. por exemplo. ilitas e montmorilonitas) possuem um valor de “k” muito baixo. Estes solos constituem o horizonte C dos perfis de solo. logo. Macroestrutura . macroestrutura e a temperatura. em geral. já nos solos finos (partícula com diâmetro inferior a 0. Estrutura . Nos solos pedregulhosos sem finos (partículas com diâmetro superior a 2 mm). principalmente. também denominados de solos saprolíticos. Por exemplo. por conseguinte. 11 . Índice de vazios . o valor de “k” é superior a 0.01cm/s.Principalmente em solos que guardam as características do material de origem (rocha mãe) como diáclases. constituindo-se por canalículos.01cm/s. Nas argilas existem as estruturas isoladas e em grupo. interconectados onde a água flui mais facilmente.3. Fluído . onde atuam forças de natureza capilar e molecular. Já nos solos arenosos.2. Nos solos. com a sua porosidade. composição mineralógica. com muitos cascalhos e baixo teor de finos. de argilo-minerais (caulinitas. de minerais silicosos (quartzo) o valor de “k” é da ordem de 1. que dependem da forma das partículas.É o arranjo das partículas. fluído. Composição mineralógica . Quanto mais poroso for um solo. que varia de 10-7 cm/s a 10-8 cm/s. Granulometria . estratificações. mais permeável (isto não se verifica para argilas moles). estrutura. maior será o índice de vazios. que são constituídos.3 Fatores que influenciam a permeabilidade Os principais fatores que influenciam no coeficiente de permeabilidade são: granulometria. fraturas. índice de vazios.A predominância de alguns tipos de minerais na constituição dos solos tem grande influência na permeabilidade. argilas moles que são constituídas. predominantemente. o fluído é a água com ou sem gases (ar) dissolvidos.0 a 0. juntas. Nas areias o arranjo estrutural é mais simplificado.O tamanho das partículas que constituem os solos influencia no valor de “k”.074mm) os valores de “k” são bem inferiores a este valor.A permeabilidade dos solos está relacionada com o índice de vazios.

4 Ordem de grandeza do coeficiente de permeabilidade A Tabela 2. Os ensaios de laboratório são realizados em células chamadas de permeâmetros. normalmente mais indicados como camada impermeabilizante de fundações e aterros sanitários. Os resultados destes ensaios ajudam na seleção de materiais. sendo que no seu interior é colocado o corpo de prova para execução do ensaio. isto significa que a água escoará mais facilmente pelos poros do solo. ou que apresentam drenagem livre. portanto. Permeabilidade Tipo de solo k (m/s) Alta Solos permeáveis Média Baixa Solos impermeáveis Muito Baixa Baixíssima Pedregulhos Areias Siltes Argila Argila > 10-3 10-3 a 10-5 10-5 a 10-7 10-7 a 10-9 < 10-9 2. menor a viscosidade d’água. devido aos baixos custos comparados com ensaios de campo.3.1 apresenta valores típicos do coeficiente de permeabilidade (médios) em função dos materiais (solos arenosos e argilosos).3. 1969). aqueles que têm permeabilidade superior a 10-7 m/s.5 Determinação da permeabilidade Os ensaios de condutividade hidráulica realizados em laboratório são mais utilizados na avaliação de solos compactados durante a fase de projeto. maior a permeabilidade.1: Coeficientes de permeabilidade típicos (Lambe & Whitman. Consideram-se solos permeáveis. os de parede flexível e os de 12 . 2.Temperatura . Tabela 2. Existem duas categorias de permeâmetros usados em laboratório.Quanto maior a temperatura. Os demais são considerados solos impermeáveis ou com drenagem impedida.

ora acima do mesmo. 2. para determinação dos coeficientes de permeabilidade do solo correspondente ao talude do km 101. De acordo com estes mecanismos dominantes. 13 . entre outras. Dentre os ensaios de campo têm-se os ensaios de bombeamento e os ensaios de permeabilidade de carga variável ou constante efetuados em tubos de revestimento ou piezômetros. Portanto.4 Movimentos de Massa 2.1 Considerações Gerais Movimentos de massa correspondem aos mecanismos de transporte de sedimentos. ora abaixo do nível d`água. os pesquisadores do assunto agrupam e categorizam os diferentes tipos de movimentos. representam somente pequenos volumes de solo em pontos individuais de uma grande massa. que são induzidos pela força gravitacional e pela ação conjunta ou isolada de fatores como a presença de águas superficiais e subterrâneas ou ações antrópicas como desmatamentos. solos ou rochas. foram realizados ensaios de carga constante. eliminam o problema do amolgamento das amostras indeformadas e a dificuldade de amostragem oferecida por algumas formações especialmente de solos arenosos.4. Por mais cuidadosos que sejam os ensaios de permeabilidade em laboratório. Por outro lado. cortes e aterros.parede rígida. Em função do método de execução os ensaios podem ser denominados. Em projetos importantes justifica-se a realização de determinações “in situ” da permeabilidade as quais envolvem grandes volumes de solo fornecendo valores médios de “k” que levam em conta variações locais no solo. a validade da aplicação dos valores neles obtidos aos problemas de percolação e drenagem dependerá de como possam ser considerados representativos da massa de solo. aproveitando-se os furos de sondagem para instalação do terceiro inclinômetro e outro furo realizado na crista do corte na pista sentido RJ. Na presente pesquisa. ensaio de carga constante. ensaio de carga variável e ensaio com vazão constante.

CHRISTOFOLETTI. devido à atuação da gravidade. podendo ser acelerada pela ação de outros agentes. Nessa perspectiva de relação entre eventos naturais e ação antrópica. Os movimentos rápidos. MARQUES. além de também serem induzidos por esta ação. 1995)... denominados genericamente de deslizamentos e tombamentos. etc. A mobilização de material deve-se à sua condição de instabilidade. ZUQUETTE et al. 1996). que envolvem o desprendimento e transporte de solo e/ou material rochoso vertente abaixo. 1989. São vários os sistemas classificatórios de movimentos gravitacionais de massa. devido à sua interação com as atividades antrópicas e à variabilidade de causas e mecanismos (IPT. estrutura das rochas e atividades tectônicas. mas tornam-se um problema quando se encontram relacionados à ocupação humana. ocorrem os movimentos de massa. sismicidade) e pela redução da resistência do material (ação desagregadora de raízes. Como parte dessa dinâmica. em áreas naturalmente potenciais à sua ocorrência. quanto exógenas. 1974. fenômenos de origem natural ou induzidos antrópicamente e que acarretam prejuízos aos componentes do meio biofísico e social (VARNES. variando de rastejo/creep a movimentos muito rápidos (VARNES. 1994). ou seja. para possibilitar a elaboração de projetos de obras seguras ou até mesmo permitir tomadas de decisão em tempo hábil. O deslocamento de material ocorre em diferentes escalas e velocidades. 1971. Estes processos são parte da dinâmica natural da formação de encostas. mecanismos e frequências com que ocorrem. textura e estruturas favoráveis à instabilização). sendo os mais recentes baseados nos seguintes critérios citados por AUGUSTO FILHO (1995) e AUGUSTO FILHO e VIRGILI (1998): 14 . 1984. Daí a grande necessidade de se obter um melhor entendimento dos tipos. atuação de fauna e flora. rastejamentos. FERNANDES e AMARAL. CERRI. 1993. (CHORLEY e KENNEDY. como a água. Esses tipos de movimentos são deflagrados pelo aumento de solicitação de mobilização de material (erosão.A formação e dinâmica do relevo relacionam-se tanto com a interação de variáveis endógenas. têm grande importância. energia cinética da chuva. como o tipo. 1978). o fenômeno é enquadrado como sendo de risco. 1978. Movimentos de massa têm grande importância como agentes atuantes na evolução das encostas e pelas implicações econômico-sociais resultantes dos processos de risco. como as variáveis climáticas. CHORLEY et al.

rocha. detritos. levando-se em conta a sua estrutura. 1978). Rotacional: ocorrem em áreas com superfícies curvas. xistosidades. da seguinte maneira: · Rastejo ou fluência (creep): movimentos muito lentos que podem ser contínuos (fluência) ou intermitentes (rastejo). Inúmeros trabalhos tratam de forma completa a evolução. Os movimentos de massa podem ser classificados em dois grandes grupos. ou na porção em que o solo coluvionar intercepta o saprólito ou ainda junto a planos de fraqueza (falhas. segundo AUGUSTO FILHO (1992). 15 . -Modalidade de deformação do movimento. direção e sequência dos deslocamentos). BARATA (1969) atribui à ação das águas a principal causa dos deslizamentos. Este tipo de deslizamento é muito frequente na Serra do Mar. localizadas em topos de escarpas ou de morros ou em vertentes suaves. BARATA (1969).. podendo ser rotacionais. Neste último trabalho. segundo a causa. HUTCHINSON (1968). O primeiro grupo abrange os movimentos gravitacionais que podem ser classificados. formadas por material deposicional de grande espessura ou por rochas muito fraturadas. possuem comprimento maior que a largura. · Escorregamentos: movimentos rápidos que envolvem um deslocamento ao longo de uma superfície de cisalhamento bem definida.-Cinética do movimento – definida pela relação entre a massa em movimentação e o terreno estável (velocidade. Planar: ocorrem em áreas de elevada declividade onde o solo é pouco espesso.). GUIDICINI e NIEBLE (1984) e CRUDEN e VARNES (1996). textura e conteúdo de água. as restrições e outros aspectos importantes dos sistemas de classificação. dependendo do regime de chuvas. -Geometria – tamanho e forma das massas mobilizadas. dentre eles destacam-se os de VARNES (1958. planares ou em cunha. depósitos. os critérios. etc. etc. -Tipo do material – solo. a velocidade do movimento. a umidade do solo envolvido na movimentação e se o movimento é reativado. estando fortemente associado à saturação do solo devido à infiltração de águas pluviais. dependendo da forma da superfície de ruptura. os autores apresentam uma classificação dos tipos de movimento de massa e também levam em consideração o material envolvido.

O escorregamento é um movimento envolvendo material sólido (solo e/ou rocha) que ocorre ao longo de uma superfície de cisalhamento. corrida de detritos. uma vez que a umidade e/ou saturação do solo deflagram a desagregação e transporte desse material. São divididos conforme o material envolvido: corrida de lama. apresentando uma fricção constante. sem planos de deslocamento e velocidades muito altas. sendo que o deslocamento ocorre ao longo do eixo de interseção desses planos. ocasionados pela perda da resistência ao cisalhamento. A precipitação é. · Fluxo ou Corrida: movimentos extremamente rápidos. devido à maior participação da água. possui menor viscosidade e maior mobilidade que o escorregamento e apresenta vários planos de cisalhamento. 16 . A Figura 2. uma variável importante em todos os processos. Estes tipos de movimento requerem certo volume de material a ser mobilizado. 1989). A corrida de massa. etc. · Quedas: inclui queda e tombamento de blocos de rocha por ação da gravidade. apresentando dois planos de fraqueza. o que produz diferenciais de deslocamentos internos na massa e sua deformação (IPT. No caso dos escorregamentos e corrida de massa essa variável se torna ainda mais importante.3 apresenta os principais tipos de movimentos de massa gravitacionais. Possui gradiente vertical de velocidade decrescendo com a profundidade.Cunha: este tipo de escorregamento tem sua ocorrência associada à saprólitos e a maciços. em geral. semelhantes ao de um líquido viscoso. e. devido à destruição da estrutura.

os problemas 17 .Figura 2. mas em países cujo regime pluvial tem as características do ambiente tropical e cuja situação socioeconômica seja considerada como de subdesenvolvimento ou em desenvolvimento.3: Principais tipos de movimentos de massa (VARNES. Os problemas relativos à erosão e a processos de movimentos de massa encontram-se presentes em vários lugares do mundo. podendo ser: pluviais. que é o principal agente. fluviais e marítimas. No segundo grupo são incluídos os movimentos causados pela erosão.1978). As erosões também podem ser classificadas conforme a origem da água. que pode ser dividida em erosão superficial e profunda.

1995). parâmetros como uso/ocupação do solo. pedológicas e geomorfológicas. Deve-se salientar que as variáveis relacionadas aos processos de movimentos de massa atuam de forma interativa e. 1995. 1997. portanto. as variáveis climáticas. Geralmente. 1994). aos mecanismos de percolação de água e ao comportamento mecânico dos materiais. McKEAN et al. geotécnicas. existindo abordagens que enfatizam estas variáveis (PIKE. 1982. a elevada umidade provoca a saturação do solo que. 1990. por sua vez. O entendimento dos fenômenos envolvendo movimentos de massa necessita de conhecimentos relativos aos materiais envolvidos. A seguir é descrito o papel que cada uma exerce nos movimentos de massa.tornam-se mais acentuados devido à escassa estrutura para evitar ou controlar tal fenômeno (GUERRA. GUIMARÃES et al. principalmente. Há frequentemente a participação de fluxos d’água no decorrer do processo de instabilização. 1998).4. 1988. tanto para a moradia (principalmente por parte de população de baixa renda) quanto para o lazer.. antrópicas (estas relacionadas ao uso e cobertura do solo). por sua vez. 1984. 1994). A intensidade da chuva (dada em mm/hora) relaciona-se à energia cinética desta que. GUERRA. WALSH e BUTLER. à precipitação e suas consequências sobre os processos morfogenéticos.2 Condicionantes de Movimentos de Massa O estudo de movimentos de massa considera.. de áreas de risco. DIKAU. Nos domínios morfoclimáticos tropicais. geológicas. conforme o enfoque e a disponibilidade de dados. 2. O aumento de população tem levado à ocupação. Muitas vezes estes movimentos podem causar vítimas e prejuízos variados. dependendo das construções existentes no local e da magnitude dos deslizamentos. está relacionada à erosividade (potencial que um 18 .. morfometria e feições geomorfológicas são considerados nestes estudos (ZUQUETTE et al. GAO e LO. CHORLEY et al. não devem ser analisadas isoladamente. à morfologia das encostas. 1991. favorece os movimentos de massa. Essa situação tem levado ao aumento de frequência (repetitividade de um fenômeno ao longo do tempo) e magnitude (extensão e impacto) dos movimentos de massa (SELBY. a) Clima e Vegetação O papel do clima relaciona-se.

como solo ou rocha. além de certos tipos de sistemas radiculares conterem a erosividade por manterem a agregação do solo. Deve-se salientar que a vegetação pode atuar em alguns casos também como agente erosivo. podendo sulcar cicatrizes de antigos deslizamentos e reativá-los (STRAHLER. Porém. 1979.. devido à desagregação mecânica provocada por certos tipos de raízes (CHORLEY et al. além da resistência ao intemperismo. 1982. gerando e/ou reativando ravinas e canais de primeira ordem. portanto. As medidas de pluviosidade (totais diários. podendo saturar o solo e ao longo do processo tem-se a redução da tensão efetiva e consequentemente da resistência desse material. conforme SELBY.processo tem para causar desagregação de material. Nos períodos de elevada pluviosidade as águas das chuvas penetram entre as descontinuidades do dossel atingindo o solo. constituindo-se em caminhos preferenciais à 19 . o que ocorrem especialmente se não houver uma cobertura composta de flora de porte arbustivo (TRICART. 1979.. médias mensais. As variações microclimáticas. podem determinar pontos preferenciais de ocorrência de deslizamentos. o tipo de drenagem e textura. GUERRA.) fornecem uma aproximação da intensidade da chuva (GUERRA. THOMAS. como a compactação do solo pelo impacto de gotas de chuva e consequente aumento de escoamento superficial. O tipo de rocha define a permeabilidade e. Esses ravinamentos e/ou canais são especialmente observados em trechos de elevadas amplitude e declividade. em regiões tropicais úmidas. pois a cobertura vegetal intercepta as águas pluviais reduzindo a energia cinética e dificultando a infiltração. 1994). compactando-o. 1994). 1972. WOLLE. nem sempre isso ocorre. 1982 e IPT. No caso de precipitação prolongada. A vegetação. etc. WOLLE. b) Geologia Com relação às condicionantes geológicas consideram-se a litologia da área e as suas características estruturais. 1984. 1989) e consequente transporte de material. a infiltração torna-se contínua. como diferenças de precipitação ao longo de uma rodovia. como na faixa entre 35º e 40º. 1972. 1984). THOMAS. A presença de fraturas (tectônicas ou resultantes de alívio de pressão) acarreta importantes pontos de descontinuidades e de menor resistência. 1988). protege o solo de fatores que condicionam os deslizamentos. onde o dossel se apresenta menos contínuo. CHORLEY et al. SELBY. 1988. de maneira geral.

1984. Sem esta interferência os processos de decomposição seriam mais rápidos que os de transporte. o que causa deslizamento de lajes (WOLLE. GUIDICINI e NIEBLE.. O papel das atividades antrópicas como indutoras de deslizamentos é muito significativo. 1988. devido a fatores como a alta taxa de infiltração induzida pela umidade. CHORLEY et al. devido tanto às atividades agrícolas quanto à urbanização. O desmatamento favorece o surgimento de áreas de escoamento devido à compactação causada pelo impacto das gotas no solo. THOMAS. as fraturas e juntas podem apresentar elevada permeabilidade. sendo que a instabilização de encostas tem sido agravada pela remoção das matas (WOLLE. TRICART. c) Ação Antrópica A ação antrópica destrutiva sobre a vegetação tem gerado e/ou acelerado processos geomorfológicos de degradação. CERRI. afetando preferencialmente as zonas de fragilidade. 1988). 1984).erosão e movimentos de massa. sendo muito frequentes os deslizamentos em encostas ocupadas durante períodos de chuvas intensas (HANSEN. 1993). esses processos se tornam mais 20 . Além disso. de forma que com o desmatamento. este tipo de rocha pode se apresentar fortemente intemperizado. já destacado anteriormente. 1982. CHORLEY et al. FERNANDES e AMARAL. 1971. O corte de estradas e outras obras em áreas de declividade desfavorável e/ou que possuam características geológicas e geomorfológicas sujeitas a deslizamentos aceleram estes processos (GUERRA. 1988)..1984). 1972. O granito (rocha de ocorrência na área de estudo. Muitas destas descontinuidades encontram-se intemperizadas. mas em regiões tropicais úmidas devido às características climáticas. o tráfego de transporte pesado pode provocar vibrações que favoreçam processos de instabilização de encostas (WOLLE. como juntas de alívio e fraturas (TWIDALE. tornando estes mais intensos que os de deposição ou se sobrepondo aos processos pedogenéticos. ação bioquímica e intenso intemperismo químico (STERNBERG. 1993). 1994. 1996). 1949. Isso tem ocorrido de forma intensa no sudeste brasileiro. temperatura do solo. junto com o gnaisse) apresenta forte resistência ao intemperismo e baixas porosidade e permeabilidade. 1979. TWIDALE. Deve se destacar que independentemente do intemperismo. O volume de material removido e transportado por água pluvial está relacionado à densidade de cobertura vegetal e à declividade.

(1984) e CLOWES e COMFORT (1986) consideram na equação acima tanto os canais perenes quanto os ravinamentos. 1972. consequentemente. como a dissecação. NETTO. a capacidade de transporte de massas sólidas e líquidas. 1984). aspecto. IBGE (1995) e CREPANI et al. condicionando cursos de água e deslocamento de colúvio (CHRISTOFOLETTI. A velocidade de deslocamento de material e. amplitude de relevo. TARBOTON et al.. portanto. a drenagem exerce papel fundamental sobre o modelamento do relevo (formas de vertentes e vales). devido à elevada declividade e alto gradiente de energia. Autores como LINSLEY et al. 1972. NOGAMI. CHORLEY et al. CLARK e SMALL. 1979. 1974. CREPANI et al. é diretamente proporcional à declividade. sendo uma variável especialmente importante em regiões tropicais úmidas. (1949). principalmente nas regiões tropicais úmidas. Canais perenes ou temporários encaixados próximos às cabeceiras apresentam maior erosividade. TRICART.. A declividade fornece a medida de inclinação (em graus ou percentual) do relevo em relação ao plano do horizonte. pois os ravinamentos estão fortemente relacionados a estes processos. Esta variável tem grande importância nos processos geomorfológicos. onde a elevada precipitação leva ao aumento de frequência de canais de primeira ordem e de ravinas e. A densidade de drenagem fornece a intensidade da dissecação do relevo e é expressa por: Onde: Dd é a densidade de drenagem ƩL é a somatória dos comprimentos dos canais A é a área drenada. 1972. 1991. 1982. 1999. 1994).. Conforme observado por MEIJERINK (1988).intensos. principalmente em pontos de alta declividade (STRAHLER. THOMAS. o comprimento desses tem que ser considerado no cômputo de ƩL (TRICART. 21 . Esta abordagem é adequada ao estudo de movimentos de massa. d) Geomorfologia As condicionantes geomorfológicas incluem as formas de vertentes e as variáveis morfométricas. 1998). NETTO (1994). (1999). declividade. etc. Há relação direta entre a erosividade do canal e a declividade. CHORLEY et al.

caso essas sejam concordantes ao caimento da vertente mostram-se favoráveis a escorregamentos (STERNBERG. tem-se a altitude. na umidade do solo. como pode ser 22 . 1949.). 1991. Com relação à forma das vertentes.. THOMAS. 1979. CHRISTOFOLETTI (1981) e IPT (1989). 1979. 1974. IPT. opostas à insolação ou voltadas para a umidade transportada por ventos ou por pluviosidade. tornando exposta a rocha de base (TRICART. teoricamente. pode-se deduzir que regiões fortemente dissecadas (ou seja. 1970. dada pela diferença entre as cotas máximas e mínimas. em metros. THOMAS. FERNANDES e AMARAL. A amplitude de relevo refere-se à variação de altura. 1997). 1995. 1996). CHORLEY et al. convexas e retilíneas. Vertentes que retêm mais umidade. em geral. A amplitude está relacionada ao encaixamento dos vales. Encostas com declividade acima de 30º apresentam susceptibilidade a deslizamentos mais frequentes. O azimute também pode estar relacionado ao mergulho das camadas geológicas. consequentemente. A variação de exposição à pluviosidade. Assim. GAO e LO. McKEAN et al. gerando os demais tipos (côncavo-convexas. TRICART. 1988). retilínea-convexas. com alta densidade de drenagem) e alta declividade apresentam maior número de pontos favoráveis a riscos de escorregamentos. etc. TRICART (1972) e THOMAS (1979). existem três tipos básicos: as formas côncavas. já que. principalmente ao redor de cabeceiras de drenagem e em épocas de pluviosidade elevada. Quando esta variação tem como cota mínima o nível de base geral. CREPANI et al.. insolação e ventos de uma vertente está relacionada à sua orientação (aspecto). 1989. 1972. portanto. Acima de 60º o regolito é menos espesso e. principalmente se associada a elevadas declividades e dissecação (TUTTLE. o que causa diferenças na umidade retida na vertente e.. 1999). 1972.como citado por THOMAS (1979). maior é a capacidade de deslocamento de material. O fatiamento da altitude em intervalos de classe e sua representação por cores fornece a hipsometria (FERREIRA. PATTON. 1995. mas fenômenos desse tipo já foram verificados em áreas com manto de regolito de pequena espessura. maior a energia cinética aplicada às vertentes e. CHRISTOFOLETTI. 1984. Quanto mais elevado o valor da amplitude. como já indicado por TUTTLE (1970). GUERRA e GUERRA. estão. diminuiriam as possibilidades de escorregamentos. Estas formas encontram-se combinadas na natureza.

convexo.côncavo. sob clima úmido. CHORLEY et al. 1982. 1984. 1982. 1974. 1972. 1982). tanto a forma quanto o declive dos segmentos das vertentes. VX – convexo . SELBY. As caneluras (lapiés) e hollows originados pela elevada umidade dos domínios tropicais tornam-se zonas de fragilidade e oferecem propensão a deslocamento de blocos (TRICART. CLARK e SMALL. FERNANDES e AMARAL. DIKAU.. Figura 2.retilíneo. XL – retilíneo . LV – côncavo . XV – côncavo-convexo. McKEAN et al.côncavo.5 (CHORLEY e KENNEDY. Assim. As vertentes que apresentam configuração côncava ou que possuem segmentos côncavos em sua seção (hollows) por serem zonas de convergência de fluxo de água e por possuírem material disponível para a mobilização (pois tem maior volume de material depositado. 1990. conhecidas como meias laranjas com espesso manto de regolito resultante do 23 . aliados às demais variáveis citadas. 1982. 1996). VV – côncavo (Adaptada de CHORLEY et al. 1996). 1949.observado na Figura 2. LX – convexo .4. 1982. Ainda com relação ao relevo.retilínea. TWIDALE. determinam a ocorrência do tipo de processo. 1971. como colúvio ou tálus) são as mais favoráveis à ocorrência de deslizamentos (STERNBERG. XX – convexo. (1984)). VL – retilíneo . FERNANDES e AMARAL. as rochas cristalinas (especialmente granito e gnaisses) geram morros de vertentes dominantemente convexas. CLARK e SMALL. SELBY.. como ilustra a Figura 2. CHRISTOFOLETTI. 1991.4: Formas de vertentes: LL – retilínea.

causando o encharcamento e consequente escoamento superficial. Figura 2. como ocorre no Brasil). CHORLEY et al. A intensa pluviosidade (uma das características de terrenos montanhosos tropicais. 1979.intenso intemperismo químico.5: Processos geomorfológicos dominantes em uma vertente. faz com que estes tipos de terreno sejam bastante propícios a deslizamentos. THOMAS.. 1996).. CHORLEY et al. (Modificada de Clark e Small (1982)) As características do regolito também são importantes no condicionamento de deslizamentos. Os regolitos com alto percentual de argila favorecem a retenção de umidade.. PIKE. encontram-se formas mais verticalizadas. 1979. com presença de anfiteatros e vertentes côncavas. como espigões e serras. 1984. GONZALES et al. 1988. 1984). 1972.passagem do estado sólido para o viscoso. Estas formas apresentam-se escarpadas com elevados valores hipsométricos (e de amplitude altimétrica). vertentes longas e com altas declividades (TRICART. a argila tem grande propensão à liquefação . o que provoca a sua saturação e impermeabilização. conforme adição de 24 . 1995. Em setores onde se tem forte controle estrutural (como é o caso dos setores enfatizados na área de estudo). 1972. THOMAS. FERNANDES e AMARAL. Além disto. (TRICART.

quanto de tálus (material composto por fragmentos de rochas removidos e depositados em determinado ponto da vertente). 1972. causando a formação de montmorilonita. Esta tem seu volume expandido devido à umidade. IPT. 1995. 1996. quando saturadas. WOLLE. No caso de granitos e gnaisses (litologia que compõe a área de estudo enfocada neste trabalho) o intemperismo afeta minerais alcalinos (K. 1974. 1984). TWIDALE. 1984. no valor do pH presente em seus segmentos (BIRKELAND. 1984).. Deve-se lembrar que a forma e o aspecto (azimute) da vertente condicionam variações na umidade e. CHORLEY et al. (GUERRA.. ao sair de uma situação de estabilidade. 1996). Além da ação da pluviosidade. O tálus é resultante de movimentos de massa pretéritos e serve de fonte para novos movimentos de massa. THOMAS 1979. 1994). CHORLEY et al. 1996. ROMANOVSKII et al. consequentemente. CHORLEY et al. apresentam baixa coesão. O tipo e a forma de material depositado sobre as vertentes também é importante. onde se tem o rompimento desses depósitos (TUTTLE. o que provoca abertura de fendas. principalmente em faixas de declividade crítica (CHRISTOFOLETTI. A presença tanto de regolitos espessos. CLARK e SMALL. CRUZ. 1982. THOMAS. 1988.. 1996).água (IPT. etc. GONZALEZ et al. GUIDICINI e NIEBLE. há o trabalho de STERNBERG (1949) sobre as consequências da ação antrópica em áreas inadequadas. originando superfícies instáveis (WOLLE. 1984. ZUQUETTE et al. Embora o aspecto climático 25 . FERNANDES e AMARAL. contribui para a ocorrência desses processos (CRUZ. 1970. 1989.. esses depósitos podem ser instabilizados por termoclastia ou por solapamento da base. 1982. Mg) o que provoca a dissolução de bases e neutraliza a acidez da água subterrânea. ROMANOVSKII. 1984). devido à erosão fluvial (HANSEN. principalmente em períodos de elevada pluviosidade. 1996. 1993). 1989). 1988). 1989. BERGER. por sua vez. reduz a resistência à erosividade.. favorecendo movimentos de massa no Vale do Paraíba. A remoção de matéria orgânica do solo reduz a resistência dos seus agregados ao impacto das gotas o que. IPT. A saturação do solo pode atuar sobre pontos onde haja movimentos lentos (rastejamento) e também deflagrando movimentos rápidos. 1974. 1974. A interação das variáveis citadas torna possível a indicação de quais os sítios mais propensos à ocorrência desses processos.. BERGER. 1979.. Como exemplo. Em domínios morfoclimáticos tropicais o intemperismo químico causa o surgimento de carapaças lateríticas que. tornando mais instáveis as vertentes (TRICART. 1995. Ca.

Com relação ao aspecto (azimute) das vertentes. O autor chama a atenção para a influência do microclima. O autor constatou ainda a presença de erosão sobre cicatrizes de antigos escorregamentos. aliados ao esgotamento do solo.6 apresenta um esquema dos diferentes estágios do movimento de massa.3 Etapas de Movimentos em Taludes VAUNAT et al. A influência da fauna é também citada. a erosão foi mais intensa naquelas que possuíam flancos com orientação concordante ao mergulho das camadas. 26 . provocado pelo cultivo de café. pós-ruptura e reativação. 2001). (1994) e LEROUEIL et al. em função da velocidade dos deslocamentos e do tempo.tenha sido importante (devido à concentração de pluviosidade decorrente de uma frente fria estacionária) o autor observa que a remoção de cobertura vegetal em áreas instáveis e cultivo em áreas expostas às torrentes e em classes de declive impróprias foram os principais fatores para a elevada magnitude e impacto dos processos ocorridos. considerando que formigueiros construídos por saúvas induzem a movimentos de partículas do solo.6: Diferentes estágios do movimento (LEROUEIL. Figura 2. 2. que retira colóides orgânicos (responsáveis pela manutenção da estrutura do solo e pela resistência à erosividade).4. A Figura 2. ruptura. cujas variações estão relacionadas tanto à orientação das vertentes como às suas variações topográficas. (1996) sugeriram dividir os movimentos de massa em quatro estágios: pré-ruptura.

há uma ruptura localizada. A ruptura progressiva pode ocorrer em solos com diferenças apreciáveis entre a resistência de pico e pós-pico.Pré-ruptura A pré-ruptura inclui todos os processos de deformação que levam à ruptura. A parcela da tensão cisalhante que não é mais suportada pelos elementos “rompidos” será. mas também em argilas rijas e até mesmo em massas de rocha.Fragilidade do solo . ocorrendo antes do primeiro escorregamento.Tensões cisalhantes locais que excedam o pico de resistência do solo . o decréscimo na tensão normal efetiva e a diminuição nos parâmetros de resistência do solo (devido a creep. É importante que se esteja atento aos sinais dos fenômenos de pré-ruptura para que se 27 . O processo de transferência de carga continuará até que o somatório das tensões cisalhantes na superfície de ruptura supere o somatório da resistência do solo. Se o solo apresenta um comportamento de deformação suave. fadiga ou intemperismo).Não – Uniformidade na distribuição das tensões cisalhantes . as evidências de creep em taludes precariamente estáveis no estágio de pré-ruptura não existem somente em argilas moles. Se a tensão cisalhante atinge localmente o pico de resistência do material. De acordo com LEROUEIL (2001). que podem romper em seguida. As tensões cisalhantes geralmente não são uniformes no talude. transferida para os elementos de solo vizinhos.: erosão no pé ou carregamento no topo do talude). então. especialmente ao longo da superfície potencial de ruptura. Segundo TERZAGHI (1950). creep e ruptura progressiva. Normalmente há indicações de instabilidade antes do escorregamento principal.Deformações que excedam as condições limites podem desenvolver ruptura. Os principais fatores que podem levar à ruptura de um talude são as mudanças na geometria ou nas tensões cisalhantes (ex. os elementos “rompidos” de solo suportarão uma tensão cisalhante decrescente enquanto crescem as deformações. as condições necessárias para o desenvolvimento de ruptura progressiva são: . Este estágio é controlado em sua maior parte pelas deformações devido a mudanças no estado de tensões. A partir deste momento ocorrerá a ruptura generalizada.

há primeiramente a formação de uma zona de cisalhamento e depois o desenvolvimento dentro da zona cisalhada.7: Zonas fraca. mostram que existe uma estrutura intermediária ao redor da superfície de deslizamento.possa interpretá-los e reagir. em alguns escorregamentos. os animais “sentiram” o perigo com antecedência. conforme mostrado na Figura 2. Ruptura LEROUEIL (2001) assinala que a ruptura em si é caracterizada pela formação de uma superfície de ruptura ou deslizamento contínua através de todo solo ou massa rochosa. contudo. 2001). A superfície de deslizamento num talude tende a se desenvolver nas zonas de menor resistência (zona fraca). De acordo com a teoria de MOHR-COULOMB. 28 . Quando as superfícies de cisalhamento não podem se desenvolver devido às restrições cinemáticas. Observações. usualmente chamada de zona cisalhada. Figura 2. de uma superfície de deslizamento que é cinematicamente possível.7. cisalhada e superfície de cisalhamento (LEROUEIL. superfícies de cisalhamento formam uma inclinação de (45˚ + φˋ/2) com a direção da tensão principal menor. Esse é particularmente o caso em ensaios de cisalhamento direto e em vários taludes. TERZAGHI (1950) menciona que. ficando muito agitados ou fugindo.

A ruptura é comandada pela resistência ao cisalhamento dos solos envolvidos no escorregamento. que foi observado durante um tipo de ensaio de cisalhamento numa amostra de argila. o mecanismo de ruptura é caracterizado pela formação inicial de superfícies de cisalhamento simples isoladas. e -A superfície de cisalhamento em si.Alguns autores. RIEDEL (1929) foi o primeiro a descrever como processo. É caracterizada por um acréscimo de velocidade seguido de um decréscimo 29 . -Zona cisalhada. principalmente dos que compõem a zona cisalhada. Segundo LEROUEIL (2001). para depois formar uma superfície contínua. Entretanto. não existe evidência que zonas fracas e zonas cisalhadas possam ser observadas em todos os casos. onde foram observadas três zonas distintas: -Zona fraca. De acordo com as observações do autor. geralmente amolgada. onde o solo atinge a ruptura local e geralmente torna-se desestruturado. dependendo do material e dos deslocamentos envolvidos. como SKEMPTON e PETTLEY (1967) e PICARELLI (1991) estudaram a formação da zona de cisalhamento. com espessura variando de poucos centímetros a poucos decímetros. Portanto. O projeto de engenharia mais econômico é aquele que emprega os parâmetros de pico do solo. adjacente à superfície de cisalhamento. ao longo da qual existe a possibilidade de orientação de partículas. Durante ruptura progressiva. entre a de pico e a residual. nem sempre se pode contar com a resistência de pico. é necessário o estudo das duas resistências para melhor entendimento do processo de ruptura. a média da resistência mobilizada na ruptura do talude geralmente será intermediária. Pós-ruptura O estágio da pós-ruptura inclui movimentos da massa de solo envolvida no escorregamento desde o momento logo após a ruptura até cessar totalmente o movimento. Observações de umidade em torno da superfície de cisalhamento desenvolvida em argilas sobreadensadas mostram um aumento de umidade que pode ser relacionado à expansão induzida pelo cisalhamento segundo SKEMPTON (1985) e PICARELLI (1993).

em que os movimentos acontecem ao longo de uma ou mais superfícies de cisalhamento pré-existentes.progressivo. desagregação e remoldagem do solo (Ed). o fenômeno de reativação pode ser dividido em escorregamentos ativos e escorregamentos reativados. pode-se imaginar que existam causas ou agentes que provocaram o escorregamento. morfológicas. e para gerar movimento (Energia Cinética. Existem agentes ou causas intrínsecas. D’ELIA et al. que são as que predispõem o movimento. A restante será dissipada em quebra. Para os escorregamentos reativados. No escorregamento ativo. 1990). 2.. Parte da Energia Potencial dissipará através de Atrito (Ef). Escorregamentos reativados podem ser associados com deslocamentos repentinos e bastante rápidos (HUTCHINSON. As causas ou agentes extrínsecos são as que deflagram o 30 . representadas pelas condições geológicas.4 Mecanismos de Instabilização de Encostas De um modo geral. alguma Energia Potencial (Ep) torna-se disponível e o que ocorre depois depende de como essa energia é distribuída. os mecanismos que podem produzir tais movimentos são: aumento rápido de poropressão devido ao preenchimento das trincas ou ruptura de tubulações. 1987. 1998). Após um tempo durante o estágio de pós-ruptura: ΔEp + ΔEf + ΔEd + ΔEk = 0 Reativação A reativação do movimento caracteriza-se pelo deslizamento da massa de solo ao longo de uma superfície de cisalhamento pré-existente.4. climáticas e hidrológicas. Ek). No momento da ruptura. variação de tensões devido a escavações e mudança rápida na distribuição do carregamento ao longo da superfície de cisalhamento. que é a menor resistência do solo. a taxa de deslocamento varia com as mudanças sazonais na poropressão. Segundo LEROUEIL (2001). Isto é particularmente verdadeiro para escorregamentos translacionais em que as forças instabilizantes não mudam significativamente com o tempo. a resistência ao cisalhamento mobilizada corresponde à condição residual. As taxas de deslocamento são geralmente pequenas. Para estes autores. variando entre alguns centímetros e alguns metros por ano (URCIUOLI.

movimento. Podem ser naturais (degelo, chuvas excepcionais, terremotos) ou provenientes da ação do homem: corte/aterros, desmatamento, túnel, explosivos, vazamento de água/esgoto, etc. Os mecanismos deflagradores dos escorregamentos são apresentados de forma resumida por GUIDICINI e NIEBLE (1984) na Tabela 2.2 e por VARNES (1978) na

Tabela 2.3. Tabela 2.2: Agentes e causas dos escorregamentos (GUIDICINI e NIEBLE, 1984). Agentes Causas Efetivos Predisponentes Internas Externas Intermediárias Preparatórios Imediatos
Pluviosidade, erosão pela água e vento, Complexo congelamento e geológico, degelo, variação complexo da temperatura, morfológico, dissolução complexo climato- química, ação de fontes e hidrológico, gravidade, calor mananciais, oscilação do solar, tipo de freático, ação de vegetação. animais e antrópica. Elevação do nível piezométrico em massas Chuvas Mudanças na "homogêneas", intensas, Efeito das geometria do elevação da coluna fusão do gelo oscilações sistema, de água em e neves, térmicas, efeitos de descontinuidades, erosão, redução dos vibrações, rebaixamento terremoto, parâmetros de mudanças rápido do lençol ondas, vento, resistência por naturais na freático. Erosão ação do intemperismo. inclinação das subterrânea homem. camadas. retrogressiva (piping), diminuição do efeito de coesão aparente.

Tabela 2.3: Fatores deflagradores dos movimentos (VARNES, 1978).

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Levando-se em conta a condição ambiental do Rio de Janeiro, alguns desses fatores acabam sendo realçados: - Elevação do nível piezométrico em períodos chuvosos gera aumento da poropressão e consequente redução da resistência ao cisalhamento, podendo levar os taludes à ruptura. - Diminuição da coesão aparente em massas de solo, com aumento do grau de saturação, face à variação de permeabilidade através do maciço terroso e consequentemente, formação de linhas de fluxo subverticais. Esse mecanismo pode levar à ruptura alguns taludes mesmo sem a formação ou elevação do N.A. Esse é o principal mecanismo deflagrador de escorregamentos planares de solo na Serra do Mar, no litoral Paulista, de acordo com AUGUSTO FILHO e VIRGILI (1998). - Elevação da coluna d`água em descontinuidades, mais intensa nos maciços rochosos, conduz à diminuição tanto das tensões normais efetivas como podem gerar esforços laterais cisalhantes e assim contribuir na condução do processo de instabilidade. - Ação antrópica – Representada pela ocupação e uso do solo, constata-se que o homem vem se constituindo no mais importante agente modificador da dinâmica das encostas. Mais de 90% dos escorregamentos verificados em Petrópolis (RJ), em 1988, foram induzidos pela ocupação desordenada das encostas deste município, segundo COSTA NUNES et al. (1990) e NAKAZAWA e CERRI (1990).

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As principais alterações provenientes da ação do homem e que induzem os movimentos gravitacionais de massa, de acordo com AUGUSTO FILHO (1995), são: -Remoção da cobertura vegetal. -Lançamento e concentração de águas pluviais e/ou servidas. -Vazamentos na rede de abastecimento, esgoto e presença de fossas. -Execução de cortes com geometria incorreta (altura/inclinação). -Execução deficiente de aterros (geometria, compactação e fundação). -Lançamento de lixo nas encostas/taludes.

2.4.5 Efeito da Água sobre a Estabilidade de Taludes A presença de água no interior do talude representa um dos principais fatores atuantes no desencadeamento de processos de instabilidade. O conhecimento do comportamento geral do lençol de água subterrâneo é essencial na análise da estabilidade de uma encosta. A literatura geotécnica clássica costuma apresentar o modelo de fluxo subterrâneo através de linhas subparalelas à superfície do lençol freático (Figura 2.8 (a)). Embora esta consideração de fluxo em encostas coluvionares possa ser aplicada, o fluxo subterrâneo encontrado na natureza é mais complexo. De acordo com PATTON e HENDRON (1974), o fluxo no interior de uma encosta, apresentando caráter de isotropia e homogeneidade da permeabilidade, não se processa de forma subparalela à superfície do lençol freático, como mostra a Figura 2.8 (a). A maior diferença ocorre na área de descarga. Os autores exemplificam essa diferença comparando as condições de percolação de água subterrânea antes e após um escorregamento, como mostra a Figura 2.9. Após a instabilidade da massa superior, há o aparecimento de pressões de água por confinamento proveniente de materiais escorregados. Observam-se claramente as modificações sofridas pelas linhas de fluxo. Segundo a hipótese de fluxo subparalelo à superfície do lençol freático (Figura 2.8 (a)), a colocação de um tapete impermeável junto à base da encosta, por exemplo, não alteraria as condições de fluxo subterrâneo, 33

pois as primeiras linhas de fluxo se desenvolvem paralelamente à superfície do terreno, não sendo afetadas pela colocação do tapete. Se o colúvio é de pequena espessura relativamente a seu comprimento, sendo, portanto considerado como um “talude infinito”, as hipóteses (a) da Figura 2.8 e Figura 2.9 podem ser adotadas. No entanto, na parte mais baixa da encosta a percolação apresentaria tendência ascendente, como a hipótese (b) mostra, podendo aí ter início instabilizações que afetarão todo o colúvio. O nível piezométrico oscila sazonalmente de acordo com as estações do ano, variando com o regime de chuvas local, como já comentado anteriormente. Segundo LACERDA (1989), esta oscilação do nível piezométrico pode causar rupturas por fadiga devido às variações cíclicas da poropressão. De acordo com SANTOS JR (1996), o aumento de poropressão até próximo ao valor que ocasionaria a ruptura acarreta aumento da taxa de deformação por creep ou ruptura por acúmulo de deformação na ciclagem da poropressão. A longo prazo, a resistência do solo neste caso aproxima-se da condição residual (LACERDA, 1997).

Figura 2.8: Comparação de hipóteses quanto às condições de percolação de água subterrânea (PATTON e HENDRON, 1974). 34

5. uma melhor análise de estabilidade da encosta. O fluxo subterrâneo de uma encosta depende de inúmeros fatores. precipitação descreve qualquer tipo de fenômeno relacionado à queda de água da atmosfera. proporcionando assim. A 35 . LACERDA (1989) mostra que o aumento das poropressões e o início de um debris flow podem não resultar somente de infiltração vertical. mas também de fluxo d’água ao longo de camadas mais permeáveis ou de fissuras da rocha. 1974).9: Condições de percolação de água subterrânea antes e após um escorregamento (PATTON e HENDRON.( ( a) b) Figura 2. Isso inclui neve.5 Aspectos Climatológicos 2. 2. Comumente os termos precipitação e chuva se confundem. melhor será o entendimento a respeito de como ele se processa. sendo responsável por retornar a maior parte da água doce ao planeta. uma vez que a neve é incomum no país. permeabilidade dos materiais envolvidos. tais como: geometria da encosta. e as outras formas pouco contribuem para a vazão dos rios. Buracos de animais e furos de raízes também podem influenciar o fluxo interno no talude. existência de falhas e diques. entre outros. chuva e chuva de granizo. Quanto mais informações conhecidas.1 Precipitação Em meteorologia. A precipitação é uma parte importante do ciclo hidrológico.

10. 2.importância dada à precipitação deve-se às consequências que o seu excesso pode ocasionar. Estudos em Hong Kong e no Brasil mostraram que eventos de escorregamentos catastróficos ocorrem para chuvas continuadas e com intensidade igual ou maior que 60 mm/h (PEDROSA. na América do Sul. A elevação das massas de ar.5. particularmente sobre a Região Metropolitana do Rio de Janeiro também ocorrem tempestades convectivas associadas a entrada de brisa marítima ao final da tarde com graves conseqüências sobre as centenas de áreas de risco ambiental. Na região Sudeste. ocorre comumente de três formas. 2004). Um parâmetro importante é o da intensidade da chuva (I). cidades e oceanos tropicais). Figura 2. 2004).2 Formação da Chuva A formação da chuva está intimamente ligada à ascensão das massas de ar.10: Chuva de convecção (FORSDYKE. as quais originam os três tipos básicos de chuva (STUDART. dada geralmente em mm/h. São eles: Chuva Convectiva: são também chamadas de chuvas de verão na região Sudeste do Brasil e são provocadas pela intensa evapotranspiração de superfícies úmidas e aquecidas (como florestas. O ar ascende em parcelas de ar que se resfriam de forma praticamente adiabática (sem trocar calor com o meio exterior) durante sua ascensão. 1994). 1968 apud FREITAS. principalmente em eventos de chuvas intensas. 36 . Este tipo de chuva pode ser visualizado na Figura 2.

Por ser mais pesado. Figura 2. chegar até o estado da Bahia.12: Seção vertical de uma superfície frontal (FORSDSYKE. o ar frio faz o ar quente subir na atmosfera. Esse tipo de precipitação pode estar associado à presença do efeito Fönh. como as de inverno no Brasil Meridional que caminham desde o Sul (Argentina) e se dissipam no caminho podendo. Figura 2.12). 2004). como é normal nas encostas voltadas para o mar. que condiciona a existência de áreas mais secas a sotavento dessas barreiras. 1968 apud FREITAS. 37 .11 mostra sua formação. eventualmente. Chuva Frontal: são causadas pelo encontro de uma massa fria (e seca) com outra quente e úmida. São comuns nos litorais.Chuva Orográfica: são também chamadas de chuvas de serra e ocorrem quando os ventos úmidos se elevam e se resfriam pelo encontro de uma barreira montanhosa. 1968 apud FREITAS. típicas das latitudes médias. paranaense. Com a subida da massa de ar quente e úmida.11: Chuva Orográfica (FORSDYKE. catarinense e paulista e em todo o litoral brasileiro na Serra do Mar. A Figura 2. há um resfriamento da mesma que condensa e forma a precipitação (Figura 2. 2004).

LUMB (1975) estudou a correlação entre deslizamentos e as chuvas antecedentes em Hong Kong e concluiu que. aumentando assim o risco de 38 . associados aos fatores dinâmicos. de acordo com GOULART (1989) apud FREITAS (2004). que possui elevada temperatura e forte umidade específica fornecida pela intensa evaporação marítima. janeiro. mas nem sempre é condição suficiente para o desencadeamento de acidentes. por sua vez. a chuva acumulada antecedente reduz gradativamente a resistência efetiva desses solos. Os fatores dinâmicos. pois a chuva é o mais frequente fator que causa escorregamentos em muitas regiões do mundo. A relação entre chuvas e movimentos em encostas tem atraído o interesse de inúmeros estudiosos.4 Chuvas e movimentos de massa Em regiões tropicais brasileiras é de conhecimento generalizado a vinculação dos escorregamentos à estação de chuvas. acarretando maior frequência de invasões de frentes frias e de linhas de instabilidades tropicais. que vai de novembro a abril com incidência de eventos de chuva intensa nos meses de verão (dezembro.5. referem-se às massas de ar. uma vez que a infiltração das chuvas provoca aumento no grau de saturação do maciço. Os fatores estáticos referem-se à localização geográfica e à topografia da região. A região Sudeste está exposta ao fluxo de ar frio vindo do Polo Sul sobre as águas quentes do oceano Atlântico. 2.3 Região Sudeste do Brasil Fatores estáticos e dinâmicos são responsáveis pelo comportamento pluviométrico da região Sudeste do Brasil. A ocorrência de um elevado índice pluviométrico é condição necessária. sendo citados alguns a seguir. A região Sudeste permanece a maior parte do ano sob o domínio da massa Tropical Atlântica. determinam os índices pluviométricos.5. fevereiro e março). Os fatores estáticos criam pré-condições à precipitação que. Diversos trabalhos abordam o tema sob diferentes aspectos.2.

tais como: chuvas de curta duração e alta intensidade. o ambiente climático e geológico de Hong Kong é semelhante ao do Rio de Janeiro. 7. mesmo em presença de reduzidas intensidades horárias localizadas. 39 . os registros pluviométricos das 24 a 72 horas que antecedem o evento refletem bem o provável risco e que índices de pluviosidade superiores a 12% da pluviosidade média anual nesse período parecem um dos agentes detonadores de escorregamentos. Os autores concluíram que a principal causa dos eventos de escorregamentos catastróficos é o pico de chuva horária. Segundo os autores. (1984). TATIZANA et al. independentemente de chuva acumulada. Segundo o autor. Os autores consideram significativa a influência do histórico de pluviosidade elevada antes de um episódio de chuva pelo fato de permitir risco potencial ao escorregamento. Ambas as cidades situam-se no paralelo 23. 60. De acordo com os autores. 30. justificando o possível fechamento de estradas.escorregamento. GUIDICINI e IWASA (1976) selecionaram 101 episódios de chuvas intensas no Brasil e avaliaram a importância das chuvas antecedentes para 3. (1986). A influência da intensidade da chuva nos escorregamentos em Hong Kong foi estudada também por BRAND et al. onde K é um parâmetro que depende das condições geotécnicas da encosta. (1987) fizeram correlações para deslizamentos na Serra do Mar em Cubatão/SP para intensidade horária I(AC) e chuva acumulada de 4 dias (AC 4d) e obtiveram envoltórias de escorregamentos cujo modelo matemático é expresso por . baseando-se em estudos de estabilidade de taludes em solos residuais sugerem o valor de 50 mm/h como a precipitação crítica a partir da qual podem ser desencadeados deslizamentos. a associação entre precipitação pluviométrica e escorregamentos depende de alguns fatores. 15. precipitações pluviométricas maiores que 100 mm nas 24 horas que antecedem o evento e maiores que 200 mm nos 15 dias que antecedem o evento são alguns dos requisitos para análise de susceptibilidade a escorregamentos. do modelo de ruptura e da intensidade de escorregamentos. uma ao Norte e outra ao Sul da Linha do Equador. Os deslizamentos induzidos pela intensidade de chuva horária são explicados pelas características de alta permeabilidade dos solos residuais estudados e o modo de ruptura do tipo rápido dos escorregamentos. VARGAS et al. com intensidade maior ou igual a 70 mm/h. 90 e 120 dias nos efeitos deflagradores de deslizamentos. Diga-se de passagem.

As precipitações pluviométricas registradas nos meses de janeiro e fevereiro que antecederam o deslizamento foram de 611 mm e 531 mm. no período de 1979 a 1998. Fizeram correlações de precipitações pluviométricas com tipologias e distribuição geográfica de acidentes. causados por chuvas no triênio 1998/2000. na Espanha. SOARES e POLITANO (1997) estudaram o deslizamento conhecido como “Deslizamento de Piraquara” ocorrido em Angra dos Reis . K = 3. A causa principal foi a saturação do aterro rodoviário e a elevação do lençol freático dentro da massa de solo coluvionar.4mm em 10 minutos na noite do acidente.406 para escorregamentos generalizados e. Os taludes são recobertos principalmente com uma grande camada de colúvio acumulada acima do maciço rochoso. as precipitações pluviométricas médias necessárias para que ocorra um acidente situam-se nos níveis de 30 mm/h. ALMEIDA e NAKAZAWA (1991) fizeram um estudo probabilístico do risco de escorregamentos baseado em índices pluviométricos para o Município de Petrópolis/RJ e chegaram a resultados que mostraram que a precipitação acumulada de 4 dias com pluviosidade superior a 300 mm representava melhor a probabilidade de escorregamento.646 para escorregamentos do tipo “corrida de lama” (“debris-flow”). O autor mostrou que não há evidências de um valor limite para precipitação pluviométrica diária relacionada às condições de 40 .Rio de Janeiro em fevereiro de 1985 em uma encosta da Serra do Mar que envolveu uma massa de solo coluvionar. do tipo escorregamento de solo.579 para escorregamentos esparsos. K = 5. Os autores relataram uma precipitação de 11. 70 mm/24h e 100 mm/96h. num período de intensa precipitação pluviométrica. respectivamente. K = 10.603 para escorregamentos induzidos (provocados por ação antrópica). FEIJÓ et al. (2001) analisaram 542 laudos técnicos de vistoria da Fundação GEORIO em acidentes geotécnicos ocorridos nas encostas da cidade do Rio de Janeiro. apresentando elevada condutividade hidráulica devido ao alto índice de vazios. COROMINAS (2001) analisou um total de 102 incidentes ocorridos em serviços de manutenção de estradas da região do Pireneu Oriental.Propõem os seguintes valores para este parâmetro: K = 2.8 milhões de metros cúbicos. Para acidentes ocorridos em encostas naturais. aterro e solo residual com volume superior a 2.

1997). Muitos trabalhos fazem correlações entre precipitações diárias e/ou acumuladas com deslocamentos obtidos através de instrumentação de campo (VARGAS et al.13 traz os movimentos de inclinômetros registrados em um colúvio em Angra dos Reis no Rio de Janeiro. 1986.. 1997) mostrou que a chuva acumulada de 25 dias apresentou a melhor correlação para a interpretação das movimentações de encostas no Rio de Janeiro. Figura 2. A experiência acumulada na COPPE/UFRJ (MOREIRA. 1988. PEDROSA. LACERDA (1997) percebeu também uma relação direta entre os níveis piezométricos de dois piezômetros. 1997). A Figura 2. Relatou ainda que poucos incidentes aconteceram sem a ocorrência de um evento de chuva isolada.. SHILLING.. 1988 e LACERDA. LACERDA (1997) verificou que se iniciavam movimentos ao longo da superfície de deslizamento sempre que a chuva acumulada de 25 dias alcançava a marca de 200 mm.14. CARVALHO et al. GUSMÃO et al. PEDROSA et al. (1991) apud COROMINAS (2001) sugerem chuvas de 200 mm em 24 horas como indicadores de iminência de escorregamentos. 1996 e LACERDA. com a chuva acumulada de 25 dias. 1974. 1997). 1993. 1993. Alguns autores estudaram a influência da precipitação pluviométrica nas variações de nível d’água (CASCINI e VERSACE.13: Deslocamentos laterais x Chuva acumulada de 25 dias (LACERDA. instalados em profundidades diferentes no mesmo local.umidades existentes através das chuvas antecedentes.. 41 . BORDA GOMES. 1994 e LACERDA. 1994. como pode ser visto na Figura 2. BHANDARI et al.

14: Níveis piezométricos x Chuva acumulada de 25 dias (LACERDA.15: Chuvas x Eventos (D`ORSI.15). 1997).Figura 2.9796 70 60 50 Ev24 Ev22 40 30 Ev21 Ev26 20 10 Ev27 0 Ev29 0 50 100 150 200 Eventos (Simples) Eventos (Importante) Eventos (Muito Importante) mm/h 250 300 mm/24h Figura 2. A utilização da intensidade pluviométrica horária (mm/h) com a acumulada nas 24 horas antecedentes foi a combinação que apresentou os melhores resultados na definição desse limiar crítico (Figura 2.74 80 R² = 0. Análises de D`ORSI (2011) possibilitaram a determinação de um limiar pluviométrico (Threshold) a partir do qual é alta a probabilidade de ocorrência de escorregamentos que atinjam as pistas de rolamento. 42 .74x-0. 2011). Chuvas 110 Ev25 100 90 y = 686.

Não só a chuva é a causa do escorregamento. muitas tentativas têm sido efetuadas para determinar a chuva mínima ou intensidade requerida para causas de ruptura de taludes. seja pela ligação entre os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais. seja pelo turismo impulsionado pela Serra dos Órgãos. Têm-se abaixo a planta com o levantamento topográfico do km 101 (Figura 3. 43 .9. Neste trecho também são acompanhadas as mudanças de poropressão e pluviometria. A variedade de sugestões deve ser usada com bastante cautela. já que a região tem histórico antigo de movimentos lentos. região.3). também se devem considerar as propriedades dos solos envolvidos. Mesmo que a maior parte das pesquisas concorde que chuvas antecedentes são fatores importantes no desencadeamento de escorregamentos. via de grande importância no cenário econômico brasileiro. dentre outros fatores. Uma extensa gama de valores e métodos de análise é sugerida por diversos autores. que variam de país. É importante destacar o papel da permeabilidade na resposta dada aos escorregamentos precedidos de chuvas. existe um pequeno consenso no período crítico de chuva acumulada antecedente e também na intensidade horária crítica para a ocorrência de deslizamentos. logo após a entrada para a cidade de Teresópolis no sentido Além Paraíba.Como se observa. visto que são obtidas utilizando dados muito heterogêneos. O primeiro trecho fica em torno do km 101. cidade e local específico. 3 DESCRIÇÃO DO LOCAL ESTUDADO 3.3 e vai até o km 87. pois são específicas para cada região. o uso do solo. O segundo sítio estudado inicia-se no km 86. bem próximo do município de Guapimirim.1 Localização da Instrumentação A área estudada compreende dois trechos da rodovia BR 116/RJ. A comparação direta entre chuvas e deslizamentos publicados é uma tarefa difícil. onde são monitoradas as variações de nível d`água com piezômetros e os deslocamentos horizontais através de inclinômetros.2 e Figura 3.1) e as fotografias aéreas das regiões instrumentadas (Figura 3. as geometrias dos taludes.

Figura 3. 44 .1: Levantamento topográfico km 101.

Figura 3.2: Instrumentação km 101. Figura 3. 45 .3: Instrumentação no entorno do km 87.

263 m na Pedra do Sino. estes solos apresentam perfis bastante profundos.600 hectares) a altitude varia de 200 m a 2. é o que cobre a maior parte da área. com idade estimada no período Pré-Cambriano A ou Superior Novo. A região abrangida pelos municípios de Teresópolis. ponto mais alto da Serra do Mar. sendo pouco nítido o contraste entre seus horizontes. O grupo dos Latossolos. por algum tempo. sofrem a influência de excesso de umidade. De um modo geral. a área em estudo se enquadra dentro da unidade geológica da Serra dos Órgãos. biotita. Na região de Teresópolis. escalonadamente combinados à erosão. pouco diferenciados. quartzo e muscovita. xistos e quartzitos. Segundo MARCELINO (2008). que determinam os limites bem definidos da Serra do Mar. tendo como exemplos típicos o topo do Nariz do Frade e a Pedra da Cruz. Esses gnaisses constituem-se em sua grande maioria de oligoclásio. compreendendo Latossolo Amarelo. Essas rochas gnáissicas ocorrem associadas a pequenos maciços de granitos antigos laurentianos compostos de: microclineo (alotriomorfa).3. Na região do Parque.2 Geologia da Região. Os solos hidromórficos. nas regiões mais 46 . Estão presentes pelo menos cinco tipos de solos e diversas associações entre eles. associações com migmatitos. a região é bastante complexa. trecho da Serra do Mar na região central do Estado do Rio de Janeiro. com falhamentos de grande extensão. Os três tipos de solos que fazem parte do grupo de Latossolos apresentam um conjunto de características que permitem a inclusão de todos em uma só unidade taxonômica. os granitos apresentam uma granulação grosseira. próximos de rios. Em uma área relativamente pequena (10. Estruturalmente. A área em que se insere a Serra dos Órgãos apresenta grande diversificação em tipos de solos. esse tipo de solo é encontrado ao sul dos limites. Petrópolis. Latossolo Vermelho Amarelo e Latossolo Vermelho. durante o ano. constituído essencialmente de gnaisses granitóides da era Proterozóica. rochas carbonáticas. também. presentes apenas em locais mais baixos. Podem ocorrer. A região apresenta relevo bastante acidentado com grande variação de altitude. hornblenda com variedades leucocráticas e hololeucocráticas. Guapimirim e Magé pertence ao sistema orográfico da Serra do Mar. albita-oligoclásio.

3 Geomoforlogia da Região A geomoforlogia da região estudada conta com uma cadeia montanhosa pertencente à Serra do Mar.4).próximas da faixa litorânea. compondo assim várias bacias de drenagem (Figura 3. muitos deles simétricos. por exemplo. quando presentes. 3. Essas montanhas formam diversos vales. O trecho do km 101 encontra-se no fundo de um desses vales e foi formado pelo depósito de material escorregado e transportado do alto dos picos rochosos. São solos muito rasos. k m 87 Figura 3. gerando ali um grande Paleotálus que será mostrado durante o trabalho.4: Geomoforlogia da região. cujos horizontes não se apresentam diferenciados ou estão pouco desenvolvidos. que permite um maior acúmulo de água nos solos. apresentando elevadas variações de altitude. 47 . de relevo mais suave. indo de 200 m até mais de 2000 m da Pedra do Sino. O Litossolo é encontrado somente em regiões de cotas elevadas.

São destacados nestas figuras os tipos de solo.3. formando um grande Paleotálus com profundidades em torno de 70 m. na Figura 3. representado pela Figura 3. concluiu-se através da análise dos ensaios geofísicos.3. testemunhos de sondagens. instrumentos e suas posições.9. km 87. No perfil geotécnico do km 101. que no local tem-se de fato um grande depósito de material escorregado das altitudes superiores ao longo de milhares de anos. os perfis geotécnicos conforme assinalados nas sondagens efetuadas nos pontos instrumentados localizados no km 86. espessura das camadas. Os perfis foram traçados com base nos ensaios de sondagem e por levantamentos topográficos executados pela CRT (Concessionária RioTeresópolis).4 Perfis Geotécnicos Apresentam-se neste item. 48 .9 e km 101 respectivamente. No Anexo IV apresentamse fotos de amostras retiradas no local quando da realização da perfuração para instalação do inclinômetro I3.3. geologia da região e histórico de movimentações do tipo Rastejo. km 86. km 87. posição do lençol freático.5 a Figura 3. apesar das sondagens indicarem camadas de solo residual jovem e maduro.9.8.

49 .3.Figura 3.5: Perfil geotécnico km 86.

Figura 3.6: Perfil geotécnico km 86. 50 .8.

51 .Figura 3.7: Perfil geotécnico km 87.3.

8: Perfil geotécnico km 87. 52 .9.Figura 3.

Figura 3.9: Perfil geotécnico km 101. 53 .

instabilizando-a e provocando precipitação em toda a região Sudeste (Chuvas convectivas). Janeiro e São esse Paulo. menos úmido e mais estável. ocasionando as chamadas chuvas orográficas. com 54 . A ação dos anticiclones móveis. a umidade de origem marítima é parcialmente bloqueada pelo relevo (chuvas orográficas).3. No verão. correspondendo a um agravamento das condições climáticas das áreas envolventes. associada à dinâmica da frente polar é particularmente intensa no inverno. portanto. O inverno é relativamente frio e a amplitude térmica anual não é muito elevada. de trajetória continental. além dos efeitos desestabilizadores desencadeados pelos avanços da frente polar e oscilações da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). especialmente quando reforçada pelo ar polar do Pacífico. as frentes frias originárias da Massa Polar Atlântica podem provocar geadas. as temperaturas raramente ultrapassam os 30°C. O autor também ressalta que os climas de altitude apresentam características térmicas e de precipitação que são comandadas pela altitude. Ocasionalmente. o Anticiclone Subtropical do Atlântico Sul tende a deslocar-se para o continente. Nessa época do ano. segundo a classificação climática de Köppen-Geiger.5 Clima da Região O clima predominante na região estudada se enquadra como tropical de altitude – Cwb. as temperaturas médias anuais ficam abaixo de 18°C e a pluviosidade se eleva (sobretudo nas encostas litorâneas) em posição de barlavento. a ativa evaporação sobre os oceanos transfere enorme volume de vapor d'água para a atmosfera. de No Brasil. No inverno. ocasionando excepcional acréscimo na queda das chuvas nas áreas serranas e graves problemas ambientais. É um tipo climático que predomina do Espírito nos planaltos e serras do Santo e partes dos Sudeste estados brasileiro. De acordo com ROSS (2005). domínio tropical de marcante individualidade abrange o sul de Minas Gerais e do Rio onde altitudes acima de 600 metros determinam condições especiais de clima. A dinâmica atmosférica é basicamente controlada pela célula de alta pressão subtropical do Atlântico Sul (que configura a Massa Tropical Marítima). sendo ocasionalmente afetada pela Massa Tropical Continental (originária da baixa pressão do Chaco/Pantanal). reduzindo a nebulosidade e as precipitações. No verão.

deslocamento de encostas. 55 . através de uma empresa especializada. Um terceiro tubo foi instalado na região.1 Considerações Gerais A metodologia adotada contou com a execução de sondagens a percussão e rotativas para reconhecimento do subsolo e aproveitamento dos furos para realização de ensaios de permeabilidade in situ no km 101 e instalação dos piezômetros elétricos e do tipo Casagrande em toda a região estudada. com alternância de estação seca e chuvosa. 4 METODOLOGIA ADOTADA 4. medidores do nível do lençol freático. O comportamento térmico é próximo (ou igual) ao do clima subtropical. assoreamentos. descartou-se o referido instrumento. no entorno do km 101 devido a um antigo histórico de movimentação do tipo creep nesta área da rodovia. enchentes. onde se assinala a isoieta de 4. enquanto o comportamento pluviométrico é igual ao do clima tropical.000 mm na região de Bertioga e Taiaçupeba. Foi realizado também um estudo de reconhecimento geofísico. No km 101 foram instalados também. Nas áreas interiorizadas do Sudeste a precipitação é mais reduzida. Pluviógrafos espalhados pela serra entre as duas praças de pedágio monitoram o regime de chuvas na região. As chuvas de verão são mais intensas devido à ação da massa tropical atlântica. As médias pluviométricas mais elevadas aparecem no trecho paulista da Serra do Mar. como quebra do tubo por carro desgovernado que saiu da via chocando-se com o mesmo pouco após sua instalação e pela construção da 3a faixa de pista que passa sobre a posição deste furo. Busca-se através dessa metodologia correlacionar o regime de chuvas com as oscilações de poropressão e movimentações no interior do maciço. que acompanham os deslocamentos horizontais do talude neste trecho. Duas sondagens executadas no km 101 foram utilizadas para o posicionamento de dois inclinômetros. além de elevado número de vítimas e prejuízos materiais. mas após diversos problemas.

1 abaixo a relação das sondagens executadas e o posicionamento das mesmas.4.75 Rotativa 951.1 Rotativa 950. Sondagens de simples reconhecimento com SPT – Método de ensaio. Segue na Tabela 4.3 87.26 Percussão 953. Tabela 4.65 Percussão 951.28 Rotativa 924.45 Percussão 922.2 Ensaios de Sondagem A execução das sondagens teve como objetivo o reconhecimento dos subsolos das regiões estudadas para um melhor conhecimento dos tipos de solo existentes.1: Sondagens realizadas.04 Percussão 931. piezômetros elétricos.02 Mista 932. espessura das camadas.8 Nome SP-01 SP-02 SR-01 SPR-02 SR-01 SR-02 SP-01 SP2/SR4 SP-03 SP-04 SP-05 SP-06 SP-01 SP-02 SR-01 SR-02 SR-03 SM-06-1 SM-04-1 SR-01 Tipo Cota Terreno (m) Percussão 911.98 Rotativa 943.89 56 87.55 Mista 238. Casagrande e dos inclinômetros.9 101 .1 Percussão 947. números de golpes (n-SPT) e também o aproveitamento dos furos para a instalação dos medidores de nível d`água.38 Rotativa 950.01 Rotativa 240. As sondagens realizadas no trecho estudado e disponibilizadas pela Concessionária Rio .Teresópolis (CRT) encontram-se no Anexo I. A execução de sondagens a percussão seguiu em conformidade com a NBR 6484 – Solo.29 Mista 239.5 Mista 929.8 Percussão 916.38 Rotativa 963. Km 86.12 Percussão N/D Percussão 950.

Ao atingir a cota de ensaio. 57 . visível a olho nu. O rebaixamento do nível d’ água no furo foi acompanhado até quando este atingiu 30 minutos de ensaio ou 20% da carga inicial aplicada. estável por cerca de 30 minutos para “saturação”. levantou-se em 1 m a composição de perfuração. tomando-se este instante como tempo zero. 5 minutos.4. o trecho ensaiado correspondeu ao intervalo entre o final do revestimento e o fundo do furo.56 m lineares de perfuração. Considerando-se que os ensaios se encontram. bastante vinculados ao método de prospecção. Foram executados 04 (quatro) furos de sondagem rotativa. 1 minuto. Para realização dos ensaios foram obedecidas as normas e diretrizes abaixo: • NBR nº 6484 / 1980 – Execução de sondagens de simples reconhecimento dos solos. Em sondagens revestidas. contratada pela Concessionária Rio – Teresópolis (CRT).. sendo dado por concluído.3 Ensaios de Permeabilidade Ensaios de infiltração com carga constante foram realizados em 2 furos de sondagem executados no km 101. 20 minutos e por fim 30 minutos. • “DIRETRIZES” ABGE Boletim Nº 4 / junho1996 – Ensaios de Permeabilidade em Solos. totalizando 117. 10 minutos. optou-se por apresentar os ensaios em furos de sondagem. utilizou-se água sem material em suspensão. Esses ensaios foram feitos pela empresa Grupo Mares Serviços Técnicos Ltda. mantendo a circulação d’ água até que se observasse a água de retorno sem detritos. • NBR nº 7250 / 1982 – Identificação e descrição de amostras de solos obtidas em sondagens de simples reconhecimento dos solos. 2 minutos. Durante a perfuração do trecho ensaiado. na prática. O ensaio foi executado enchendo-se o furo até a boca. Foi medido o fornecimento de água a intervalos curtos no início e mais longos em seguida em 30 segundos. sendo o nível d’ água do furo mantido na boca.

2 a seguir. abaixo ou acima do N. profundidade do trecho ensaiado e posição do ensaio em relação ao nível d`água são apresentados na Tabela 4.A. 58 .1 abaixo. bem como os resultados dos ensaios de caracterização (Alteração.1: Ensaio de Permeabilidade com carga constante. são apresentados no Anexo III deste volume.Os boletins das sondagens executadas. porém todos enquadrados no caso B e utilizando a expressão abaixo: hc = depende da posição do ensaio. assim como o relativo furo de sondagem. Para o cálculo da permeabilidade foram utilizados os dados fornecidos pela empresa Grupo Mares Serviços Técnicos Ltda e seguido o modelo da Figura 4. Alguns ensaios foram realizados acima do nível d`água e outros abaixo. Os valores de vazão e permeabilidade. Figura 4. RQD e Dureza). com os valores de vazão e coeficiente de permeabilidade em cada trecho. Fragmentos.

13E-02 2.75 3.55 6.Tabela 4. com exceção do km 101 que recebeu dois elétricos e dois do tipo Casagrande no lado da pista sentido Rio de Janeiro.33E-03 4.85E-05 17. Os medidores estando de um mesmo lado da rodovia foram instalados próximos um do outro.3).12E-07 6.37E-06 13.27E-02 6.2: Vazão e Permeabilidade km 101.55 8.13E-02 4.41E-06 19. Na 59 .8 6.53E-01 1.33E-02 3.48E-06 8.65 1. 4. foi instalado no trecho estudado para o monitoramento das poropressões no interior dos taludes instrumentados.5 Abaixo do Nível 4. Os piezômetros elétricos estão em profundidades maiores evitando-se assim a perda de saturação da pedra porosa.5 Acima do Nível 5.07E-02 2.40E-02 4. sendo metade deles do tipo corda vibrante e os outros 11 do tipo Casagrande.62 Abaixo do Nível 1.01E-06 22.15E-06 16.16E-01 4.67E-03 1.5 3.60E-02 2.5 5.93E-07 39.04E-06 1.4 Piezômetros e Medidores de Nível D`água Um total de 22 piezômetros.67E-03 4.03E-01 k Profundidade Posição (cm/s) (m) Ensaio 8. porém em profundidades diferentes visando-se cobrir toda a faixa de variação do nível do lençol freático.71E-06 10.5 D'Água 6.6 D'Água 1.56E-05 28. Em Janeiro de 2010 foram instalados 3 medidores de nível d`água (MNA) no km 101 dispostos um ao lado de cada piezômetro Casagrande.93E-03 8.63E-06 25.7 D'Água km 101 SR1 Inc I3 km 101 Crista Corte Verifica-se que os coeficientes de permeabilidade ficam entre 10-5 cm/s e 10-7 cm/s indicando uma condutividade baixa. Os piezômetros foram dispostos da seguinte forma: em todos os km monitorados da rodovia foi colocado um piezômetro elétrico e um Casagrande de cada lado da pista (no bordo pista.92E-07 6. na crista do corte do talude ou sob o viaduto no caso do km 87.62E-05 34. Posição Furo Boletim 1/10 2/10 3/10 4/10 5/10 6/10 7/10 8/10 9/10 10/10 1/4 2/4 3/4 4/4 Vazão (l/min) 6.27 4.

65 920.73 23.9 87.8 87.10 11.00 14.50 933.57 12. corte 2 Elétrico 938. Cota do Profund.00 MNA-RJ c.8 86.00 MNA .3 87.22 SR-01 bordo 1 MNA 235.9 101 101 101 101 101 101 101 101 101 Os instrumentos elétricos são automáticos e foram programados para realizarem leituras de poropressão de 4 em 4 horas nos miniloggers ligados aos mesmos. corte 1 Elétrico 240.65 SR-04=SP-02 sob o vdt 1 Elétrico 929.25 944. Cota de Código de Posição Pista Tipo terreno (m) fundo Referência bordo 1 Casagrande 938.60 934.3 87.28 15.99 13.89 19.80 927.93 8.42 14. como posicionamento.58 12.58 S/N 92211 c.3 86.90 933.09 SR-02 c.50 S/N 86679 bordo 1 Casagrande 951.57 223.57 17.00 MNA-Crista bordo 2 MNA 238.3 86. corte 2 Elétrico 960.86 23.07 7.3 abaixo são dispostas as informações dos piezômetros e medidores de nível d`água.45 230. profundidade de instalação. corte 2 Elétrico 941.98 S/N 92210 bordo 2 Elétrico 238.68 902.68 S/N 87434 bordo 2 Casagrande 238.84 S/N 86675 Sob o vdt 1 Casagrande 932.55 24.77 SR-01 bordo 1 Elétrico 929.64 10.11 SR-02 bordo 2 Elétrico 939.*Pista 2 – Sentido Além Paraíba km 86.36 7.67 SR-01 bordo 1 Elétrico 938. Os dados são recolhidos de forma mensal e processados transformando-se em gráficos de Cota piezométrica x tempo. Esse intervalo de leituras pode ser alterado em função da necessidade de se acompanhar as variações com maior ou menor frequência.25 932.05 SR-03 bordo 1 Elétrico 951.83 SR-02 c.30 217.00 218.05 S/N 92214 c.81 S/N 86680 c.30 915.07 18.3 86.8 86.3 87.07 223. corte 2 Casagrande 963.58 227. corte 2 Casagrande 943.91 SR-03 bordo 1 Elétrico 235.57 S/N 86678 bordo 1 Casagrande 235.3 86.50 905.20 911.24 S/N 92209 bordo 1 Casagrande 929.88 12.68 SR-01 c. Tabela 4.01 17.93 SR-01 c.36 8.55 18.AP *Pista 1 – Sentido RJ .90 225. As leituras dos piezômetros Casagrande e medidores de nível d`água são efetuadas semanalmente de forma manual pelo pessoal da CRT (Concessionária Rio Teresópolis). corte 1 Casagrande 241.3: Informações dos Piezômetros e Medidores de nível D`água.3 87.56 S/N 92213 c.90 930.10 227.9 87.corte 1 MNA 241.43 S/N 92212 bordo 2 Casagrande 940.75 923. corte 2 Casagrande 950.9 87.Tabela 4.8 86.85 233. 60 .18 18. etc.58 11.45 920.48 17.90 947.50 926.45 26.

em linhas gerais. desde que o mesmo tenha diâmetro igual ou superior a 12 mm. Mede-se a poropressão através da altura de coluna d’água no tubo. Quando o torpedo atinge a água do tubo de acesso. este instrumento apresenta um tempo de resposta mais elevado. ou seja.1 Piezômetro Casagrande O piezômetro Casagrande (Figura 4. de baixo custo. fecha-se um circuito elétrico que toca a buzina no carretel. 61 . A leitura é realizada com um instrumento indicador de nível d’água que consta de um torpedo contendo uma chave elétrica. a mesma tendência observada nos piezômetros elétricos. eventuais bolhas de ar que por ventura venham se formar. Não se deve usar lama de perfuração. profundidade do nível d água no tubo.4.2: Piezômetro Casagrande. que pode impermeabilizar as paredes do furo e prejudicar o funcionamento do instrumento. Por outro lado. podem escapar pelo tubo de acesso. No caso em questão as leituras semanais efetuadas nestes piezômetros apresentaram. bastante confiável e auto-desaerável. Com isso determina-se a Figura 4.2) consta de um tubo vertical ligado a uma ponta porosa por onde a água pode livremente entrar ou sair. Para a instalação do Piezômetro Casagrande executa-se furo por percussão ou rotativa com diâmetro entre 75 a 100 mm. um fio graduado e um carretel.4. O piezômetro Casagrande apresenta algumas vantagens por ser simples.

Na fase 4 o furo é preenchido até a superfície com calda de bentonita e cimento na relação 10:1 em volume. em geral. situado na região de variação do NA. A fase 3 consta do selo impermeável com bolas de bentonita com altura de pelo menos de 0. mas com um bulbo de maior comprimento.3. instala-se um tubo de acesso vertical de PVC com diâmetro entre 12 e 32 mm tendo na sua extremidade o elemento poroso. Fase 1). Tem o mesmo princípio de funcionamento e processo muito semelhante de instalação.2 Medidor de Nível D`Água (MNA) O medidor de nível d’água (MNA) é uma variação do piezômetro Casagrande. de um metro de altura com areia grossa lavada (Fase 2).3: Fases de instalação de um piezômetro Casagrande 4.4. 62 . Figura 4. O esquema de instalação e funcionamento do MNA é mostrado na Figura 4. por onde a água entra ou sai do instrumento (Figura 4.5 m.Estando o furo pronto.4. Finalmente (fase 5) executa-se uma caixa de proteção. Em seguida executa-se o bulbo de areia.

Este berço é dotado de O’rings para vedação e garantia da fixação do mesmo no ponto desejado dentro de um tubo de PVC. A alteração da tensão no fio é proporcional às variações da pressão sobre a face externa da membrana metálica promovida pela água subterrânea (poropressão). passa funcionar como um piezômetro CASAGRANDE. Foi projetado um dispositivo que possibilita o resgate futuro dos piezômetros elétricos. cuja face externa faz contato com a água do solo no ponto onde se deseja medir a poro pressão. que é associado a um cabo de nylon que possibilita sua remoção.Figura 4. 4.4: Medidor de Nível D`Água (MNA).4. permitindo uma possível reutilização dos mesmos ao final do período de monitoração. é composto de um cilindro plástico em cuja parte inferior encontra-se uma membrana metálica engastada nos bordos. o tubo de PVC. e a face interna é instrumentada com um fino fio tensionado (corda vibrante) cuja frequência de vibração é alterada em função do tensionamento do fio. resgatando o piezômetro elétrico.5). O arranjo desenvolvido consta de um berço ao qual se acopla o piezômetro. aqui denominado piezômetro elétrico. Após remoção do piezômetro elétrico.3 Piezômetro tipo Corda Vibrante Este piezômetro (Figura 4. O sistema 63 . que dispõe de um filtro em sua extremidade inferior.

tendo sido demonstrado o atendimento aos requisitos necessários. Ao contrário do que se verifica nos piezômetros do tipo CASAGRANDE.4 traz o resumo das constantes obtidas na COPPE e as constantes vindas de fábrica. os piezômetros elétricos necessitam de calibração antes de sua instalação. e em seguida.60 m abaixo da cota de instalação do piezômetro.5: Piezômetro Elétrico. A instalação dos piezômetros elétricos seguiu os seguintes procedimentos: 1. não chegando a 8 % o maior valor e as outras ficando abaixo de 4. A calibração consiste em correlacionar as variações de frequência (sinal elétrico) com as variações de pressão de água atuantes no sensor. Para tal foi utilizado um dispositivo que permite controlar a pressão de água.5 %. Lavagem do furo até verificar-se a não existência de vestígio de bentonita. Figura 4. Posicionamento do fundo do revestimento em profundidade no mínimo 0.foi testado em laboratório. lendo-se as variações de frequência e de temperatura nos piezômetros. preenchimento do furo com água limpa. 64 . Dez dos onze piezômetros instalados foram calibrados no Laboratório de Geotecnia da COPPE/UFRJ. 2. Verifica-se que as diferenças entre elas são muito pequenas. A Tabela 4.

4% 0.47 -0.1% 0. Piezômetro 87434 86680 86677 86679 86678 86675 92213 92209 92212 92211 92210 Constante COPPE -0.0% 65 . Içamento do revestimento e execução de selo com o lançamento de bolas de bentonita até se obter uma camada impermeabilizante de cerca de 100 cm sobre a camada de areia.93 -0. 5. 7.3.48 Dif. -3. Retirada do revestimento e preenchimento do furo até a superfície com uma mistura de bentonita e solo do furo de sondagem.48 -0.88 -0.87 -0.66 -0.96 -0.88 -0.4% -2.51 -0.3% -4.0% -2.42 -0.5% -2.88 -0.1% -2. 8. Tabela 4. Içamento do revestimento e novo lançamento de areia saturada até se formar uma camada de cerca de 50 cm sobre o piezômetro.9% -1. Ao final da instalação faz-se uma leitura no piezômetro instalado.43 -0.3% -7.89 -0.9 -0.89 -0.89 -0. 4.4: Calibração dos Piezômetros Elétricos.51 -0. Durante o processo deve ser mantido o nível d água na boca do furo objetivando não perder-se a saturação do piezômetro (no caso de piezômetro elétrico). 6.48 Constante Fábrica -0.86 -0.9 -0. Introdução do piezômetro no furo de sondagem e descida até a cota prevista para a instalação. Içamento do revestimento e lançamento de areia saturada até atingir-se a cota de instalação do piezômetro.

5 Inclinômetros No km 101 foram instalados em três locais. no entanto. tubos para medidas inclinométricas. O tubo do inclinômetro do lado da rodovia sentido Rio de Janeiro (I2) foi instalado a uma profundidade de 48 m.6: Posicionamento dos tubos de inclinômetros .8 ilustram a instalação dos inclinômetros. Os pontos I1 e I2 estão praticamente transversais à pista e I3 dista cerca de 50 m de I1 (sentido do Rio de Janeiro). pelos problemas já relatados.6 traz o posicionamento dos tubos de inclinômetros.7 e Figura 4. O inclinômetro I3 foi instalado a 65 m de profundidade. As Figura 4.km 101. I2 I1 I3 Figura 4.4. Dois ao lado da pista sentido Teresópolis e outro no bordo da pista sentido Rio de Janeiro. Os tubos de inclinômetros foram nomeados conforme a ordem de instalação. o furo de sondagem onde foi instalado esse tubo chegou a 51. As leituras tiveram frequência mensal. empregando-se revestimento de 100 mm de diâmetro. 66 . não foi possível a monitoração neste ponto. As perfurações foram executadas com equipamento rotativo.52 m de profundidade. A Figura 4. I1 ladeia a pista no sentido Teresópolis.

8: Instalação do inclinômetro I2 (km 101 .7: Instalação inclinômetro I1 (km 101 – sentido Teresópolis).sentido Rio). Figura 4. 67 .Figura 4.

os processamentos utilizados e a interpretação dos resultados indicando as condições geológico-geotécnicas da área. tendo a CRT-03 e a CRT-04 no terreno margeante à pista da rodovia e as seções CRT-05. tendo 12 níveis de investigação.. com o último nível na profundidade de 85 metros.6 Reconhecimento Geofísico km 101 No período de 30 de junho a 03 de julho de 2008 foi realizado pela Geopesquisa Investigação Geológica Ltda. entulhos.880. O levantamento geofísico realizado teve por objetivo avaliar de forma indireta as condições geológico-geotécnicas da região do km 101 da rodovia BR-116. visando o mapeamento do topo rochoso e demais estruturas relevantes em subsuperfície.4. Cada seção (CRT-01 a CRT-08) contava com 360 m de comprimento perfazendo um total de 2. Estes dados resultaram na emissão de um relatório técnico (MARCELINO. o método utilizado. o qual contém informações sobre a aquisição de dados. Nas seções de imageamento elétrico o espaçamento dos pontos de leitura foi de 10 metros. A disposição das linhas no campo foi estabelecida em função da disponibilidade de áreas livres (sem obstáculos na superfície – estruturas de concreto.9). a CRT-01 e a CRT-02. 68 . árvores e tanques). sendo duas. Foram realizadas oito seções. As localizações das aquisições de imageamento elétrico realizadas na área de estudo são ilustradas no mapa de localização (Figura 4. que liga as cidades do Rio de Janeiro e Teresópolis.00 metros de aquisição elétrica. posicionadas no lado esquerdo da pista sentido Teresópolis e as demais (6) no lado direito da pista. o levantamento geofísico na região do km 101 da rodovia BR-116. CRT-06 CRT-07 e CRT-08 no interior da propriedade existente na área. 2008).

69 .9: Posicionamento das linhas de campo da investigação geofísica (Seções).Figura 4.

Os valores medidos são influenciados pelas características físicas de cada litotipo (silte. Seções de imageamento elétrico realizadas na área de estudo são apresentadas no Anexo II. Os resultados do imageamento elétrico permitiram identificar as interfaces geológicas presentes na área. 2008). da variação da resistividade elétrica do terreno. A região onde foram realizadas as investigações geofísicas compreende exatamente a interface de duas diferentes unidades geológicas (Figura 4. areia. Figura 4.).11. 70 . (vide Anexo II). geraram-se mapas.Os estudos geofísicos objetivaram fornecer um quadro geral da caracterização geológica da área do km 101. o terreno tem como configuração regional um substrato granítico (Suíte Serra dos Órgãos) sotoposto à Suíte Santo Aleixo composta basicamente por gnaisses.10). Segundo TELFORD et al. que permitem ilustrar a visualização em planta. as faixas de valores físicos podem variar de acordo com as propriedades de cada material e representar mais de um tipo. 2008). etc. (1990) (apud MARCELINO. argila.10: Contato de unidades geológicas (MARCELINO. A análise dos resultados dá-se através do processamento e correlação com os dados diretos de campo. Conforme apresentado na Figura 4. Através da interpolação dos dados elétricos obtidos pelas seções de resistividade.

m a 9.000 Ω. pode-se notar em alguns perfis a existência de outra tendência de variação da resistividade. 71 .Figura 4. Os horizontes geoelétricos (caracterizados a partir da variação dos valores de resistividade ao longo dos perfis).11: Seção geológica da região (MARCELINO. 2008). tendo valores mais baixos nas porções mais superficiais do terreno e mais elevados nas porções mais profundas. a Sul (S) e Sudoeste (SW) da área. Entretanto. Os valores de resistividade medidos na área variam de 20 Ω.m. apresentam uma variação crescente dos valores de resistividade elétrica com o aumento da profundidade. região que apresenta baixos valores de resistividade em porções mais profundas também.

da ordem de 200 Ω.contato geológico (MARCELINO.12) apresenta uma gradação regular do padrão de principal de resistividade. associado ao alto grau de erosão local e aos inúmeros pontos de drenagens devido às escavações. Este padrão condutivo pode ser relacionado a uma variação do padrão litológico local e dos padrões dos substratos mapeados nos perfis posicionados no lado oposto da rodovia. que por sua vez aumentam a condução elétrica. A seção CRT-02 (Figura 4. que podem ser correlacionados ao afloramento do substrato granítico intemperizado. correlacionados à alteração da rocha com profundidade aproximada de 25 metros e valores mais elevados de resistividade nas porções de maior profundidade que podem ser correlacionados à rocha com menor grau de alteração. Dentro deste contexto. da variação da 72 . aumento do nível de saturação em água através da presença de fraturas e percolação de água. Através da interpolação das seções em diferentes profundidades foram gerados mapas de resistividade elétrica que ilustram a visualização em planta. que corresponde às porções iniciais dos comprimentos dos perfis elétricos.m.A seção CRT-01 apresenta valores intermediários de resistividade em quase toda sua extensão. 2008). As seções posicionadas no lado direito da pista da rodovia (SE) apresentam padrão de diminuição dos valores de resistividade elétrica ao Sul(S)–Sudeste(SE) da área. o terreno pode apresentar variações dos níveis de compactação e alteração da rocha. diminuindo ainda mais a resistividade do terreno. das proporções dos materiais constituintes (argila-silte). Figura 4. aterramento e retirada de vegetação para implantação de outdoors à beira da estrada (porção central do perfil). Possui menores valores de resistividade em porções superficiais.12: Seção geoelétrica CRT-02 . As variações de litologia associadas à presença das inúmeras drenagens presentes e do córrego situado na porção sul da área podem intensificar a alteração das rochas. de acordo com as características da rocha e dos agentes de intemperização.

73 . a definição dos limites da anomalia condutiva. que apresenta orientação Noroeste .13: Mapa de isolinhas de resistividade elétrica – Profundidade 47 m (adaptado de MARCELINO. observam-se valores mais resistivos em quase toda sua extensão.m. 2008). a partir dos dados elétricos foi possível identificar. mas com padrão de diminuição da anomalia condutiva com o aumento da profundidade. ainda possui valores pontuais de baixa resistividade. caracterizando a diminuição da alteração da rocha e a presença da rocha sã em dadas profundidades. Além do panorama geral da área. O mapa geral mais superficial. indicando forte alteração da camada rochosa. possui a anomalia condutiva em quase toda extensão da área investigada. O mapa em 65 m de profundidades apresenta valores mais resistivos em suas margens.Sudeste (NW/SE) (Figura 4.resistividade e por sua vez a gradação dos níveis de alteração da rocha e as estruturas geológicas presentes (Anexo II). Além da diminuição da resistividade é possível identificar. feições que caracterizam de forma pontual a anomalia condutiva. da ordem de 100 Ω. Na fatia mais profunda estudada. 27 m e 47 m ilustram ainda baixos valores de resistividade. também. no entanto. N Direção da estrutura condutiva Figura 4. caracterizando a diminuição da alteração da rocha. profundidade de 10 m. também. Os mapas das profundidades de investigação intermediárias. com 85 m de profundidade.13).

14). à cota 140. Por sua vez. Tais estudos. 74 . Para o inclinômetro posicionado no trecho inferior (comprimento do tubo igual a 50 m. A profundidade da língua apresenta-se igual a 30 m no trecho no qual estão instalados os piezômetros situados na encosta que ladeia a rodovia no sentido RJ (CRT02). situado entre os perfis CRT-03 e CRT-04) a profundidade da língua varia entre 50 m a 70 m. Este alto condutivo pode ser relacionado a variações dos níveis de compactação e das proporções dos materiais constituintes (argila-silte) do substrato. depositados ao longo de milhares de anos num antigo talvegue. quando submetidos a elevados e constantes esforços em superfície (pressão devido ao deslocamento de elevadas cargas – automóveis e caminhões). 1 piezômetro Casagrande e 1 elétrico (pista sentido Teresópolis).Os perfis CRT-03 e CRT-04 apresentam a anomalia de baixa resistividade aproximadamente entre 70 m e 170 m de seus comprimentos e desde a superfície até aproximadamente 60 m de profundidade. como é verificado no local. indicam que a área estudada se trata de um paleotalus. Os ensaios geofísicos indicaram claramente a presença de uma língua de material menos consolidado na região do km 101 que segue das partes superiores para as cotas mais baixas. bem como o aumento do nível de saturação em água. e tem as seguintes características: . obtidos nas sondagens-SPT efetuadas (Figura 4. ou seja. . perfil CRT-08). com registros de movimentação lateral acumulada da ordem de 80 mm desde o início de operação em agosto de 2007.Largura: de ~150 m (a 27 m profundidade) a ~100 m (a 47 m profundidade).Profundidade: 30 m a 70 m (da cota 215. Verificou-se que essa língua apresentase inclinada (~45 graus) em relação ao eixo da rodovia (sentido Rio de Janeiro). É neste trecho entre os perfis CRT-03 e CRT-04 que estão instalados 1 inclinômetro (I1). perfil CRT-02. blocos de rocha (granito) vindo da escarpa acima. Região que corresponde a um dos pontos de maior recalque da pista da rodovia BR116 (segundo o encarregado local). tais características litológicas/eletrorresistivas podem acarretar em uma maior compactação do terreno. provocando o rebaixamento do terreno e fraturamento do revestimento da pista. associados aos testemunhos arredondados.

Figura 4. 75 . fica claro o paleotálus indicado pelo estudo geofísico e discutido nos parágrafos acima. São blocos que escorregaram do alto da cadeia montanhosa há milhares de anos e se depositaram numa região de cotas mais baixas. em um grande talvegue que é a região do km 101.15: Paleotálus do entorno do km 101.Figura 4.14: Amostra retirada de sondagem no km 101 a 52.15.19 m de profundidade. Na Figura 4. em função das obras de construção da 3a faixa de pista no km 101. Observam-se diversos blocos de rocha arredondados em meio à matriz de solo.

km 105 (Brasilinha) e km 133. 1986. objetos de estudo desta pesquisa. 48h.5 traz as coordenadas e detalhes dos pluviógrafos.7 Pluviógrafos A Pluviometria conta com três estações meteorológicas completas nos km 40 (BOP). A tabela 7. km 81 (Defesa Civil) e km 94 (Posto Garrafão) e mais quatro pluviógrafos instalados nos km 71 (Praça de Pedágio 2). 24h.teleaneel.br em forma de gráficos e também em tabelas com leituras de chuvas acumuladas em intervalos de 15 min.4. km 90. As leituras são feitas de forma automática com valor da caçamba de 0. temos a imagem retirada do site GOOGLE EARTH com os pontos onde estão instalados os pluviógrafos e a localização dos km 101 e 87. 2001). Tabela 4.5 (Praça de Pedágio 1). Esses valores foram escolhidos em função da observação de trabalhos anteriores onde os autores concluíram que as chuvas acumuladas críticas ocorrem com esses intervalos (VARGAS et al. Todos os dados ficam disponíveis no site www. FEIJÓ et al. 1991. que forneceu seus últimos registros em março de 2010. ALMEIDA e NAKAZAWA. 76 . Na Figura 4.5: Pluviógrafos em Funcionamento. 72h e 96h. 1h.16 abaixo.com.2 e os dados são enviados via telefonia celular – GPRS. Todos os instrumentos funcionam normalmente até os dias atuais com exceção do pluviógrafo da Praça do Pedágio 2 (km 71).

77 .Figura 4.16: Localização dos Pluviógrafos.

7. Os mesmos serão analisados individualmente e também através de correlações entre os dados obtidos em cada instrumento.km 40 500 400 mm/ 96 h 300 200 100 0 abr-09 abr-10 abr-11 dez-09 dez-10 ago-09 ago-10 ago-11 dez-11 jun-09 out-09 jun-10 out-10 jun-11 out-11 Figura 5. além de várias interrupções de leituras por problemas técnicos. do regime de chuvas pelas leituras dos pluviógrafos e das movimentações laterais da encosta do km 101 através dos gráficos dos inclinômetros e também os resultados dos estudos geofísicos efetuados pela empresa Geopesquisa Investigações Geotécnicas.1 à Figura 5.1: Estação meteorológica BOP. Cada estação teve data de início de operação diferente. Isto pode ser observado na Figura 5.1 Pluviógrafos Os registros de precipitação ocorridos durante o período instrumentado serão apresentados neste item através de gráficos com chuvas acumuladas de 96 horas. BOP .8 tem-se o gráfico de acumulados mensais de chuvas com todos os instrumentos utilizados. Na Figura 5.5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS Neste capítulo serão apresentados os resultados do monitoramento das poropressões através dos piezômetros. abr-12 fev-11 fev-09 fev-10 fev-12 78 . 5.

assinalou acumulados maiores que 100 mm/96h com máximas acima de 140 mm/96h.2: Pluviógrafo da Praça do Pedágio 2.km 71 500 400 300 200 100 0 mm/96h jan-08 jan-09 nov-08 mar-09 mar-08 nov-09 jan-10 jul-08 set-08 jul-09 set-09 mar-10 mai-08 mai-09 Figura 5. como se pode observar no gráfico da Figura 5. registrou suas primeiras chuvas em janeiro de 2008. km 71 (PN 2). deixando de registrar chuvas ocorridas no mês de março. A Figura 5. Verifica-se também que diversos eventos chuvosos superam a marca de 150 mm para o acumulado de 96 h. PN2 .A estação meteorológica BOP-km 40 teve início de operação em Fevereiro de 2009 apresentando alguns problemas técnicos no decorrer do tempo.2 traz o pluviograma desta estação com chuvas acumuladas de 96 h x Tempo. mai-10 79 .1. passou também por problemas técnicos deixando de salvar algumas leituras e parou de funcionar em março de 2010. A estação situada na Praça de Pedágio 2. Com comportamento semelhante à estação BOP. chegando ao máximo de 190 mm/96 h em jan/12 durante o período medido.

o equipamento estava funcionando normalmente. (Figura 5. mas não houve chuva no período.3: Estação meteorológica Defesa Civil.Defesa Civil . O km 81 apresenta chuvas mais contínuas com acumulados razoáveis e apenas dois eventos acima de 150 mm/96 h de dezembro/08 a abril/12.4: Pluviógrafo km 90. A estação “Defesa Civil” foi posicionada na altura do km 81 da BR 116/RJ.3). Esta estação passou por alguns problemas e não foi possível registrar os dados referentes às chuvas durante o mês de janeiro de 2009.km 81 500 400 mm/ 96 h 300 200 100 0 dez-08 dez-09 dez-10 mar-09 mar-10 mar-11 dez-11 jan-12 jun-09 set-09 jun-10 set-10 jun-11 set-11 Figura 5. km 90 500 400 mm/96 h 300 200 100 0 abr-08 abr-09 abr-10 abr-11 out-08 out-09 out-10 Figura 5. Note que durante o final de janeiro de 2011 até julho/11. 80 out-11 abr-12 jan-08 jan-09 jan-10 jan-11 jul-11 jul-08 jul-09 jul-10 mar-12 .

5). Esta estação foi a que registrou os maiores índices pluviométricos dentre os trechos monitorados (Figura 5. Pode-se observar pelo gráfico da Figura 5. não significando a ausência de chuvas em outros meses. alguns acima de 150 mm e registro máximo acima de 230 mm/96h.km 94 500 400 mm/96h 300 200 100 0 jan-09 mar-09 jul-09 jan-10 mar-10 jul-10 jan-11 mar-11 jul-11 mai-09 nov-09 mai-10 nov-10 mai-11 nov-11 jan-12 set-09 set-10 set-11 Figura 5. Começou a operar em janeiro de 2009 onde registrou o maior acumulado de 96 horas com pouco mais de 450 mm e vários outros registros acima de 200 mm/96h. A estação “Posto Garrafão” apresenta-se situada em um dos pontos mais altos da rodovia.6. Garrafão .5: Estação meteorológica Posto Garrafão.4 que o local apresenta diversos picos acima de 80 mm/96h e quatro eventos em torno de 150 mm/96h. As leituras da estação Brasilinha. já que é possível perceber no gráfico diversos eventos com acumulados maiores que 75 mm. Observa-se que apesar das diferenças em termos de intensidade pluviométrica. apresentadas na Figura 5. mostram que a região do km 105 pode ser considerada de alta intensidade pluviométrica.O pluviógrafo do km 90 foi instalado em janeiro de 2008 e vem funcionando perfeitamente até os dias de hoje. o período compreendido entre os meses de dezembro a abril corresponde a estação chuvosa da região. mar-12 mai-12 81 .

anotando seu máximo de 256 mm/96 h em dezembro de 2009. O pluviógrafo da Praça de Pedágio 1 (km133. O equipamento do km 133. PN 1 .5 registrou fortes acumulados de chuva. 82 out-11 jan-12 jul-08 jul-09 jul-10 jul-11 jan-12 . com as leituras expostas no gráfico da Figura 5.km 133.7: Pluviógrafo Praça do Pedágio 1. assim como a estação de Brasilinha são os instrumentos instalados a mais tempo e não apresentaram avarias durante o período de medição.6: Pluviógrafo Brasilinha.5 500 400 mm/96 h 300 200 100 0 abr-08 abr-09 abr-10 abr-11 abr-12 abr-12 jan-08 jul-08 jan-09 jul-09 jan-10 jul-10 jan-11 jul-11 out-08 out-09 out-10 jan-08 jan-09 jan-10 jan-11 out-11 out-08 out-09 out-10 Figura 5.Brasilinha .7.5).km 105 500 400 mm/96h 300 200 100 0 abr-08 abr-09 abr-10 abr-11 Figura 5.

enquanto que o piezômetro do bordo da pista 2 ( sentido Além Paraíba) teve sua cota de fundo a 8. O posicionado no bordo da pista 1 (sentido RJ) foi situado a 14.5 Figura 5.45 m abaixo do nível do terreno. porém o gráfico aponta alguns meses com leituras mensais extraordinárias. 83 jan-08 mar-08 mai-08 jul-08 set-08 nov-08 jan-09 mar-09 mai-09 jul-09 set-09 nov-09 jan-10 mar-10 mai-10 jul-10 set-10 nov-10 jan-11 mar-11 mai-11 jul-11 set-11 nov-11 jan-12 mar-12 mai-12 km 40 km 81 km 90 km 94 km 105 km 133.3. aproveitando-se o furo de sondagem SR-01. Verifica-se que as médias mensais na chamada estação chuvosa ficam em torno de 400 mm/mês.Pluviógrafos 2500 2000 mm/mês 1500 1000 500 0 Na Figura 5. em especial na estação Garrafão situada no km 94. Observa-se que o piezômetro localizado junto à pista no sentido Além Paraíba (AP) vem se mostrando praticamente vazio e constante desde o início de sua operação. 5. Os piezômetros neste trecho foram instalados no dia 06/5/08. .95 m de profundidade. Na Figura 5.2 Piezômetros Casagrande Resultados de monitoramento de poropressões através dos piezômetros Casagrande são apresentados neste item. utilizando o furo SR-02.8: Pluviógrafos – Acumulados Mensais.9 apresenta-se resultados obtidos nos piezômetros instalados no km 86.8 têm-se os acumulados mensais de todos os pluviógrafos instalados.

o nível d’água foi baixando sucessivamente até alcançar a cota 923. que indicava o nível do lençol freático bem mais profundo. ficando bem próxima da cota de fundo do piezômetro.0 m. colocou-se água diretamente dentro do mesmo enchendo-o até a boca do tubo. As medições efetuadas nos piezômetros Casagrande instalados no km 86. observa-se que as leituras mostravam-se incoerentes. No dia 29/01/09 procedeu-se um teste neste piezômetro.32) registrada foi em 26/1/09. conflitando com o piezômetro elétrico instalado bem próximo.km 86. A água jogada no tubo não baixou imediatamente.47.3 933 932 931 930 929 928 927 926 925 924 923 mar-08 mai-09 mai-10 mai-11 ago-08 ago-09 ago-10 ago-11 mai-12 Cota Piezométrica jun-08 fev-09 fev-10 fev-11 fev-12 Pista RJ Pista AP Cota de fundo RJ Cota de fundo AP Figura 5.3.No caso do piezômetro posicionado na pista sentido RJ. ago-12 nov-11 dez-07 nov-08 nov-09 nov-10 84 . Após esse procedimento.8 são apresentadas na Figura 5. na próxima leitura efetuada no dia 02/2/09 observou-se uma queda de aproximadamente 4. A maior cota piezométrica (931.9: Piezômetros Casagrande – km 86. ficando o nível piezométrico na cota 927. no entanto.10. Casagrande .

10 (embaixo do viaduto construído após o acidente) e o outro está posicionado na crista do talude na cota 950.Piezômetros Casagrande . Um dos piezômetros foi posicionado na cota 932. O Casagrande instalado no bordo da pista sentido Rio de Janeiro registrou maiores oscilações. com o objetivo de manter o nível do lençol bem abaixo da cota crítica. em laudo técnico sobre condições de estabilidade encomendado pela Concessionária Rio .11 o gráfico com as leituras dos piezômetros instalados no km 87. mesmo assim essas leituras ficaram um pouco distante do nível d’água crítico para este piezômetro. porém.28.3.3 e km 87.10: Piezômetros Casagrande – km 86.8 935 Cota Piezométrica 930 925 920 915 910 905 900 jan-05 mai-05 set-05 jan-06 mai-06 set-06 jan-07 mai-07 set-07 jan-08 mai-08 ago-08 dez-08 abr-09 ago-09 dez-09 abr-10 ago-10 dez-10 abr-11 ago-11 dez-11 abr-12 ago-12 dez-12 Crista AP Pista RJ Cota de fundo AP Cota de fundo RJ NA Crítico Pista RJ Figura 5. Este trecho conta com quatro níveis de drenagem profunda.Teresópolis (CRT). um viaduto foi construído no local de forma a recompor as pistas e também foram instalados drenos sub-horizontais.9 também foram calculadas por EHRLICH (2005) e (2006) respectivamente. Apresenta-se na Figura 5. ficando por várias vezes vazio. O piezômetro colocado na crista do talude do km 86. Após o colapso.Km 86. 85 . As cotas críticas dos km 87. com objetivo de manter as cotas piezométricas baixas. Esta cota crítica foi definida por EHRLICH (2006).8.8 apresentou pouca variação do nível d’água desde a sua instalação em março de 2005. região onde ocorreu um grande deslizamento em Fev/2005.

86 .0 930.0 Cota Piezométrica 938.0 926. Os piezômetros vêm atestando o bom funcionamento dos drenos. Poropressões medidas nos piezômetros Casagrande instalados no km 87.km 87.Piezômetros Casagrande .12.9. Piezômetros Casagrande .3 942.0 914.0 918.0 934.9 960 Cota Piezométrica 955 950 945 940 935 930 fev-05 jun-05 out-05 fev-06 jun-06 out-06 fev-07 jun-07 out-07 fev-08 jun-08 set-08 jan-09 mai-09 set-09 jan-10 mai-10 set-10 jan-11 mai-11 set-11 jan-12 Crista Pista RJ Cota de fundo crista Cota de fundo RJ NA Crítico Pista RJ Figura 5.0 922.3.9 são apresentadas na Figura 5.11: Piezômetros Casagrande km 87. podendo indicar o momento adequado para manutenção ou até a troca dos mesmos.km 87.0 fev-05 jun-05 out-05 fev-06 jun-06 out-06 fev-07 jun-07 out-07 fev-08 jun-08 set-08 jan-09 mai-09 set-09 jan-10 mai-10 set-10 jan-11 mai-11 set-11 jan-12 mai-12 set-12 Crista Viaduto Cota de fundo crista Cota de fundo viaduto NA Crítico Viaduto Figura 5.12: Piezômetros Casagrande km 87.

neste caso nada foi feito e a redução brusca da cota piezométrica se deu de forma espontânea. Apresentam-se a seguir. o piezômetro colocado no bordo de pista sentido Rio de Janeiro se manteve praticamente estável.Ao longo do período de Mar/2005 a Jun/2008. Piezômetros Casagrande . Os drenos instalados no local estão funcionando adequadamente. que ocorreu no período entre nov/10 e nov/11. Duas baterias de drenos sub-horizontais encontram-se instaladas no local desde o final de 2005.13. conforme apresentado na Figura 5. Percebe-se redução nos registros piezométricos dos 3 medidores após a instalação dos drenos (DHPs). DHPs fev-08 abr-08 jun-08 jul-08 set-08 nov-08 jan-09 mar-09 mai-09 jul-09 set-09 nov-09 jan-10 mar-10 mai-10 jul-10 set-10 nov-10 jan-11 mar-11 mai-11 jul-11 set-11 nov-11 jan-12 mar-12 mai-12 jul-12 SR-01 crista SR-03 AP SR-02 RJ Figura 5. O comportamento observado deve ter origem semelhante ao ocorrido com o piezômetro Casagrande situado no km 86. Em operação desde maio de 2008.km 101 244 Cota Piezométrica 240 236 232 228 224 Inst. os resultados das leituras efetivadas nos piezômetros instalados no km 101. os três instrumentos vêm apresentando comportamento semelhante no que diz respeito às variações de poropressão. No sentido oposto. as leituras do nível piezométrico começaram a cair praticamente até a cota de fundo do piezômetro e permanece nessa posição até os dias atuais. sendo 1 no bordo da rodovia e outro posicionado em cota mais elevada. No entanto.13: Piezômetros Casagrande km 101. A partir de Jun/2008. chamado aqui de piezômetro SR-01 crista. conforme discutido anteriormente. junto à pista sentido Além Paraíba foi instalado o piezômetro SR-03 AP.3. Registraram aumento nos meses chuvosos (novembro a abril) e queda no período 87 . lembrando que foram colocados 2 no lado da pista sentido RJ.

verifica-se que o nível piezométrico está bem próximo das cotas de posicionamento dos instrumentos.0 917. quando também se monitorou chuvas significativas no posto Garrafão (em 88 . 86.seguinte.3 AP 86.3.3. Piezômetros Elétricos .3 922.3 RJ Figura 5.0 915.0 916.0 919. com exceção de um pico ocorrido em janeiro de 2009. 87.9 e 101.8.3 RJ Cota de fundo 86.3 AP Cota de fundo 86.14 apresenta-se gráfico com as variações de poropressão medidas no km 86. A aquisição dos dados é efetuada por miniloggers. funcionando 24 horas por dia e 7 dias por semana.km 86.3. Praticamente não houve variações. de acordo com as leituras registradas.3 pelos piezômetros elétricos instalados ao lado das pistas. O fluxo do lençol subterrâneo se dá em direção ao piezômetro SR-02 RJ com o nível piezométrico mais baixo em relação aos demais.3 Piezômetros Elétricos Apresentam-se os resultados observados nos piezômetros tipo Corda vibrante instalados nos km 86.3.0 abr-08 jun-08 jul-08 set-08 nov-08 jan-09 mar-09 mai-09 jul-09 set-09 nov-09 jan-10 mar-10 mai-10 jul-10 set-10 nov-10 jan-11 mar-11 mai-11 jul-11 set-11 nov-11 jan-12 mar-12 mai-12 jul-12 86. sentido RJ e sentido Além Paraíba.0 918. Na Figura 5. 5. No km 86. O intervalo das leituras é de 4 horas.14: Piezômetros Elétricos km 86.0 920. 87.0 Cota piezométrica 921.

15 apresentam-se leituras dos piezômetros do km 86.8 crista.3 AP não registrou leituras acima de sua cota de fundo (920.8. posicionado na crista do talude do lado da rodovia sentido Além Paraíba. identificados como km 86. No piezômetro km 87. Piezômetros Elétricos km 86.4 mm em 24 h seguida de 96.16 abaixo.8 RJ.0 920.4 mm no dia 23/1/09).8 Crista km 86. As medições do piezômetro km 86.8 RJ Cota de fundo 86.0 910.8 crista apresentam comportamento semelhante ao km 86. enquanto que o piezômetro 86.8 crista Cota Crítica 86.0 Cota Piezometrica 930.3 (sob o viaduto e na crista do talude).8 935.3 crista verifica-se ocorrência de leituras positivas de poropressão 89 . O bom funcionamento dos drenos contribui para manter o nível do lençol freático longe da cota crítica neste trecho. se mostrando vazio durante praticamente todo o período de monitoramento e registrando leituras somente nos picos de chuva ocorridos em janeiro de 2009 e novembro de 2009.8 RJ.15: Piezômetros Elétricos km 86.0 e manteve este nível até as leituras finais de abril de 2012.2 mm no dia seguinte e de 31.8 RJ Figura 5. Observam-se nas leituras do km 86. Na Figura 5.0 abr-08 jun-08 jul-08 set-08 nov-08 jan-09 mar-09 mai-09 jul-09 set-09 nov-09 jan-10 mar-10 mai-10 jul-10 set-10 nov-10 jan-11 mar-11 mai-11 jul-11 set-11 nov-11 jan-12 mar-12 mai-12 jul-12 km 86.3 crista.0 905. Segue na Figura 5.8.0). as medições de poropressão efetuadas nos piezômetros elétricos instalados no km 87.0 925.8 RJ Cota de fundo 86. instalado no bordo da pista sentido Rio de Janeiro e km 86.0 900. aumento de poropressão com a chegada dos meses chuvosos e redução das leituras com a passagem desse período.21/1/09 de 163. A partir de julho/2010 a cota piezométrica do instrumento situado no bordo de pista sentido RJ alcançou o patamar de 917.0 915.

3 Viaduto 87. outubro e novembro de 2009 e novembro de 2010.0 915. não fornecendo mais leituras a partir de maio de 2010.0 935. Piezômetros Elétricos km 87. queda nas leituras após a limpeza efetuada nos DHPs.0 mar-08 mai-09 mai-10 mai-11 Limpeza DHPs ago-09 mai-12 set-07 jun-08 fev-09 fev-10 fev-11 nov-08 nov-09 nov-10 nov-11 fev-12 87.9. também.somente no período referente as fortes chuvas de janeiro. Observa-se.3 viaduto Cota de fundo 87. Para o piezômetro instalado sob o viaduto é possível observar que a variação da poropressão acompanha os períodos de chuvas e estiagem. devido a essa grande oscilação no nível do lençol freático. No período de maio a setembro ocorre uma queda significativa no nível do lençol subterrâneo. ago-12 ago-08 ago-10 ago-11 dez-07 90 .9 praticamente não acusaram poropressão durante todo o período monitorado.0 920.0 Cota Piezométrica 930.16: Piezômetros Elétricos km 87.3 940. O lençol subterrâneo se encontra em níveis baixos provavelmente devido à existência de duas baterias de drenos que têm se mostrado muito eficientes. essas variações podem alcançar a ordem de 7. Na Figura 5.5 m de coluna d’água.17 apresentam-se as leituras do km 87.3.3 Crista Figura 5. É preciso observar a eficiência dos drenos instalados neste local. Este piezômetro apresentou problemas elétricos. Os piezômetros do km 87.3 crista Cota Crítica 87. Registros de poropressão positiva foram verificados somente no piezômetro instalado na crista do talude e nos dias que sucederam os eventos chuvosos ocorridos em janeiro de 2009 e no período de nov/09 a jan/10.0 925.

0 932. Os instrumentos demonstram comportamento similar entre si no que diz respeito às variações de poropressão e conforme observado no km 87. e o dos meses com menores índices pluviométricos ( maio a outubro). de outubro a abril.9 RJ Figura 5. Tal fato mostra a eficiência dos drenos e mostra também que os piezômetros são grandes aliados na verificação do bom funcionamento do sistema drenante. queda significativa das cotas piezométricas após a instalação dos drenos horizontais (DHPs) neste trecho. O piezômetro 101 crista parou de funcionar em agosto de 2009.0 936.3.Piezômetros Elétricos km 87. estão bem aquém dos medidos nos anos anteriores.0 mar-08 mai-09 mai-10 mai-11 ago-08 ago-09 ago-10 ago-11 mai-12 jun-08 fev-09 fev-10 fev-11 fev-12 87.9 RJ Cota de Fundo 87.0 928.0 944. Os picos alcançados no período chuvoso de 2012. Os picos de chuvas ocorridos em janeiro de 2009 também foram sentidos por esses piezômetros. ago-12 nov-10 nov-08 nov-09 nov-11 91 .0 940.Verifica-se também.9.9 crista Cota de Fundo 87.18. As leituras dos piezômetros elétricos do km 101 encontram-se apresentadas na Figura 5.0 Cota piezométrica 948. enquanto que o 101 RJ apresentou problema no seu minilogger em março/09 sendo substituído em dezembro do mesmo ano e o minilogger do piezômetro 101 AP acusou uma pane em novembro de 2009 e sua reposição ocorreu em maio/10. entre dezembro e abril.9 crista 87.17: Piezômetros Elétricos km 87.9 952. No gráfico esses períodos podem ser identificados por trechos em branco. entre a leitura antes da interrupção e o retorno do funcionamento. percebe-se situações bem distintas entre o período chuvoso.

5 225. Apresenta-se a seguir o cotejamento das leituras dos piezômetros elétricos e de chuvas acumuladas em 96 horas. mensuradas nos pluviógrafos. Na Figura 5. Observa-se mais claramente nos piezômetros instalados no km 86. No km 87. um reflexo nas leituras piezométricas (Time Lag). km 87.5 mar-08 mai-09 mai-10 mai-11 ago-08 ago-09 ago-10 ago-11 mai-12 fev-11 set-07 jun-08 fev-09 fev-10 nov-08 nov-09 nov-10 nov-11 fev-12 101-AP 101-Crista 101-RJ Figura 5. Na Figura 5. Tal fato pode ter relação com o acumulado de chuvas de anteriores.0 Inst. Da mesma forma.19.18: Piezômetros Elétricos km 101. com repostas em períodos aproximados de 92 ago-12 dez-07 . Os pluviógrafos em questão são o do Posto Garrafão (km 94) e Brasilinha (km 105). verifica-se que após registros de chuva acumulada de 96 horas maiores que 150 mm.19 a Figura 5. referente aos piezômetros situados no km 86. há uma grande redução dos níveis piezométricos devido à diminuição das chuvas. escolhidos em função de sua proximidade em relação à área estudada. aproximadamente 1 semana depois.0 Cota Piezométrica 232. a altura do lençol freático também sobe significativamente no início do período chuvoso. como será discutido mais a frente.5 230.Piezômetros Elétricos km 101 235.8 pista RJ. Enquanto que os picos de chuvas maiores que 100 mm acumuladas em 96 horas são responsáveis pelos picos registrados pelos piezômetros elétricos.20(a)) se mostrou sensível aos picos pluviométricos maiores que 150 mm.3 o piezômetro sob o viaduto (Figura 5.8.3 viaduto e em todos do km 101 que logo após a passagem do período de maiores índices pluviométricos (Novembro a Abril). DHPs 222.0 227. ocorre.21 apresentam-se os resultados deste estudo.

Os registros menores de 50 mm/96 h não demonstraram efeito direto nos picos piezométricos. Os três piezômetros do km 101 apresentaram comportamentos similares aos demais.3 crista. porém promovem o inicio da elevação nos níveis piezométricos. As variações de poropressão acompanharam principalmente as chuvas maiores de 100 mm no acumulado de 96 horas.sete dias. o lençol freático sempre esteve abaixo da cota de fundo deste piezômetro. Na Figura 5. não se percebeu alterações no comportamento do piezômetro. O tempo de resposta ficou entre 3 e 7 dias. Para as chuvas acumuladas menores que 50 mm. Nota-se que com exceção dos eventos de Jan.20 (b) têm-se os resultados correspondentes ao piezômetro instalado no km 87. Out e Nov/09 e Nov/10. como já comentado.21(a). ( a) 93 . (b) e (c). observados nas Figura 5.

8 AP Figura 5.8 RJ 500 400 mm/96h 300 930 Cota piezométrica 925 200 100 0 mar-09 mar-10 mar-11 mar-12 jun-09 set-09 jun-10 set-10 jun-11 set-11 dez-08 dez-09 dez-10 dez-11 jun-12 920 ( b) (b) Garrafão km 94 PE 86. x Piez.500 450 400 350 mm/96h 300 250 200 150 920 910 905 100 50 0 mar-09 mar-10 mar-11 mar-12 dez-08 dez-09 dez-10 dez-11 900 set-12 jul-08 set-08 jun-09 set-09 jun-10 set-10 jun-11 set-11 jun-12 (a) a) a) Cota piezométrica 915 ( ( Garrafão km 94 Brasilinha km 105 PE 86. 94 .19: Pluv.8 – (a): Pista RJ – (b): Pista AP.8 AP Brasilinha km 105 Cota fundo PE 86. Elétricos – km 86.

Cota piezométrica Cota piezométrica ( 95 ( . x Piez.20: Pluv.3 viadutoa) (b) b) (a) Figura 5.3 crista mai-10 ago-10 nov-10 fev-11 mai-11 ago-11 nov-11 fev-12 mai-12 ago-12 910 915 920 925 930 935 Brasilinha km 105 fev-11 mai-11 ago-11 Brasilinha km 105 nov-11 fev-12 mai-12 ago-12 880 890 900 910 920 Cota fundo PE 87. Elétricos – km 87.3 – (a): Viaduto – (b): Crista AP.3 crista PE 87.mm/96h 100 200 300 400 0 100 set-07 dez-07 mar-08 jun-08 ago-08 nov-08 fev-09 mai-09 ago-09 nov-09 fev-10 mai-10 ago-10 nov-10 200 300 400 500 0 jun-08 ago-08 nov-08 fev-09 mai-09 ago-09 nov-09 fev-10 Garrafão km 94 Garrafão km 94 mm/96h 500 PE 87.

x Piez. – km 101 – (a): Pista RJ – (b): Crista RJ – (c): Pista AP. Cota piezométrica Cota piezométrica Cota piezométrica 96 ( .mm/96h 100 200 300 400 0 100 200 300 400 500 0 150 200 250 300 350 set-07 dez-07 mar-08 jun-08 ago-08 nov-08 fev-09 mai-09 ago-09 nov-09 fev-10 mai-10 ago-10 nov-10 fev-11 mai-11 ago-11 mm/96h mm/96h 500 100 set-07 dez-07 mar-08 jun-08 ago-08 nov-08 fev-09 mai-09 50 0 dez-07 fev-08 abr-08 Garrafão km 94 Garrafão km 94 Garrafão km 94 jun-08 jul-08 set-08 nov-09 fev-10 mai-10 ago-10 nov-10 fev-11 mai-11 ago-11 nov-11 fev-12 mai-12 ago-12 220 225 230 235 222.21: Pluv.5 ago-09 nov-08 jan-09 Brasilinha km 105 Brasilinha km 105 PE 101 AP 210 220 230 Brasilinha km 105 mar-09 mai-09 jul-09 nov-11 fev-12 mai-12 ago-12 200 210 220 230 PE 101 RJ set-09 PE 101 Crista nov-09 190 200 (c) (a) c) (b) Figura 5. Elét.5 227.5 232.

entre outubro e novembro.22.3. Figura 5.22: Piezômetro elétrico km 87.3.3 x chuvas 96h/15d/30d. O cotejamento dos dados é apresentado na Figura 5. 15 dias e 30 dias no comportamento das leituras piezométricas obtidas através do piezômetro elétrico do km 87. Os acumulados de 96 h são responsáveis pelos picos piezométricos. Observa-se nos gráficos abaixo a relação direta entre as chuvas e as variações no piezômetro.5. enquanto que as chuvas acumuladas de 30 dias respondem pela subida dos níveis freáticos. houve queda nas leituras de piezômetro em função da limpeza nos drenos realizada em out/11.1 Piezômetro Elétrico km 87 x Chuvas 96h/15d/30d Neste subitem será verificada a influência das chuvas acumuladas de 96 horas. Apesar dos elevados índices pluviométricos no início de 2012. 97 . antes do período chuvoso.

3 e 87.23: PE km 87. O pluviógrafo em referência está localizado no km 90.0 cota piezométrica 922.3 x PLV km 90 Acum 30 dias > 150 mm.9) não apresentaram variações relevantes de leituras ao longo de todo o período em estudo. Os demais pontos no entorno (km 86.24 mostram cotejamento entre os picos das leituras piezométricas registrados no piezômetro elétrico situado no km 87. nas leituras do km 86. 98 .0 922. 700 600 500 400 300 200 100 0 918. esta relação não apresentou boa linearidade.A Figura 5.23 e Figura 5.25 e Figura 5.26).0 mm/30 dias 919. A correlação se mostrou adequada somente para acumulados pluviométricos superiores a 150 mm.0 924. respectivamente.0 Figura 5.3 (sob o viaduto) e as chuvas acumuladas de 96h e 30 dias.0 923. Dessa forma não foi possível efetuar.0 919. para estes pontos. Observa-se uma correlação satisfatória entre os picos piezométricos e as chuvas acumuladas nos 30 dias antecedentes a essas leituras.0 Figura 5.3 x PLV km 90 Acum 96 h > 10 mm. Por outro lado. bem próximo ao piezômetro.0 920.0 924.0 cota piezométrica 923. para as chuvas acumuladas de 96 h. 200 150 mm/96h 100 50 0 918.0 921.0 921.0 920. a busca de correlações entre as leituras dos piezômetros e as chuvas observadas.24: PE km 87. No entanto.8 não se observam boas correlações entre chuvas e Leituras piezométricas para o acumulado de 96h e 30 dias (Figura 5.

4 915.0 915.3 915.6 915. Após a instalação dos drenos horizontais (DHPs).9 915.2 915.3 915. enquanto que as chuvas acumuladas de 30 dias respondem pela subida dos níveis freáticos. 500 400 mm/30 dias 300 200 100 0 914. em linhas gerais. verifica-se. entre outubro e novembro.2 Piezômetro Elétrico km 101 x Chuvas 96h/15d/30d Neste subitem será verificada a influência das chuvas acumuladas de 96 horas.60 50 40 mm/96h 30 20 10 0 914.5 915.0 915.1 915. apesar dos elevados índices pluviométricos registrados no período.27. Observa-se nos gráficos abaixo a relação direta entre as chuvas e as variações no piezômetro.8 x PLV km 90 Acum 96 h > 10 mm.1 915. Os acumulados de 96 h são responsáveis pelos picos piezométricos. queda nas leituras piezométricas. 99 .3. 15 dias e 30 dias no comportamento das leituras piezométricas obtidas através do piezômetro elétrico do km 101.4 915.5 915. O cotejamento dos dados é apresentado na Figura 5.26: PE km 86.6 cota piezométrica Figura 5.2 915.25: PE km 86. 5.9 915.8 x PLV km 90 Acum 30 dias > 100 mm. entre Nov/10 e Nov/11. antes do período chuvoso.7 Cota piezométrica Figura 5.

Inst. Os pontos que assinalaram boa 100 . Nas Figura 5.30. DHPs Figura 5. registradas no Posto Garrafão km 94. respectivamente. Tal se deve à falta de um pluviógrafo na área de maior influência das águas das chuvas no km 101.27: Piezômetro elétrico km 101 x chuvas 96h/15d/30d. representada pela sua bacia de drenagem e ilustrada pela Figura 5.29 verificam-se correlações deficientes entre os picos pluviométricos medidos no km 101 e as chuvas acumuladas de 96 h e 30 dias.28 e Figura 5.

correlação, provavelmente foram em função de chuvas que caíram na região do km 94 e que devem ter se estendido também à bacia de drenagem do km 101. Tal aspecto deve ser levado em consideração quando da definição dos pontos de instalação de pluviógrafos, que devem considerar a influência da geomoforlogia da região no comportamento do lençol subterrâneo.

250 200 mm/96h 150 100 50 0 227,0 227,5 228,0 228,5 229,0 229,5 230,0 230,5 231,0 231,5 232,0 cota piezométrica

Figura 5.28: PE km 101-AP x PLV km 94 Acum 96 h > 10 mm.

600 500 400 mm/30 dias 300 200 100 0 226,0

227,0

228,0

229,0

230,0

231,0

232,0

cota piezométrica

Figura 5.29: PE km 101-AP x PLV km 94 Acum 30 dias > 150 mm.

101

Figura 5.30: Bacia de drenagem km 101.

5.4 Medidores de Nível D`água
As leituras dos medidores de nível d`água instalados no km 101 serão apresentadas neste item juntamente com as leituras de piezômetros do tipo Casagrande e Corda vibrante e também com as leituras de pluviógrafos, sempre buscando correlações entre as chuvas e variações do nível freático. A Figura 5.31 traz as leituras dos MNAs com início de monitoramento a partir de fevereiro de 2010. Observa-se que os três instrumentos demonstram comportamentos semelhantes em relação às variações de níveis d`água, apontando aumento nos meses mais chuvosos e redução nos períodos de menores índices pluviométricos. Os MNAs apresentaram queda nas leituras a partir de agosto/11 por conta da instalação de drenos horizontais profundos (DHPs). Verificamse também alguns registros fora da tendência das curvas, provavelmente ocorridos por erros de leitura do operador. Cotejando-se as leituras de nível d`água com as chuvas acumuladas de 96 horas apresentadas na Figura 5.32, verifica-se que mesmo com um grande aumento dos índices pluviométricos no período compreendido entre dez/11 e mar/12, houve queda nas cotas freáticas demonstrando eficiência dos drenos (DHPs) instalados no local. 102

mm/96h Cota Nível d`água 200 250 300 238 236 234 232 230 228 226 224 222 220 100 150 50 101 RJ 101 AP 0

MNAs - KM 101

Instalação DHPs

Figura 5.31: Medidores de Nível D`água – km 101.

Brasilinha - km 105
101 Crista

Figura 5.32: Pluviógrafo Brasilinha – Chuvas acumuladas 96 h.
fev-10 mar-10 abr-10 mai-10 jun-10 jul-10 ago-10 set-10 out-10 nov-10 dez-10 jan-11 fev-11 mar-11 abr-11 mai-11 jun-11 jul-11 ago-11 set-11 out-11 nov-11 dez-11 jan-12 fev-12 mar-12 abr-12 mai-12

fev-10 mar-10 abr-10 mai-10 jun-10 jul-10 ago-10 set-10 out-10 nov-10 dez-10 jan-11 fev-11 mar-11 abr-11 mai-11 jun-11 jul-11 ago-11 set-11 out-11 nov-11 dez-11 jan-12 fev-12 mar-12 abr-12 mai-12

103

5.4.1 MNAs x Piezômetros Elétricos x Piezômetros Casagrande – km 101 Neste subitem serão apresentados de forma conjunta, os resultados de monitoramento dos medidores de nível d`água (MNAs), piezômetros elétricos e piezômetros Casagrande desde fevereiro de 2008 até abril de 2012 (Figura 5.33). As variações entre as cotas chegaram a ultrapassar 6 m, mostrando uma oscilação bem significativa dos níveis do lençol freático. Da mesma forma que no gráfico anterior, em função da tomada de dados ser feita de forma manual, deve-se desconsiderar algumas leituras dos piezômetros Casagrande e medidores de nível d`água que se mostram inconsistentes com a tendência da curva. Conclui-se pelo gráfico abaixo que há uma rede de fluxo complexa no km 101, já que os piezômetros Casagrande estão instalados em posições superiores aos medidores de nível d`água e ainda sim registram cotas piezométricas maiores indicando fluxo ascendente nas camadas menos profundas. O inverso ocorre com os piezômetros elétricos que estão instalados em maiores profundidades e seus registros piezométricos são de valores inferiores às cotas anotadas nos MNAs, mostrando que há fluxo descendente nas camadas mais profundas. Após a instalação dos DHPs, observa-se, em linhas gerais, uma tendência de queda dos valores medidos nestes instrumentos.

242 240 238 236 234 232 230 228 226 224 222 mar-09 mar-10 jan-08 set-08 jun-09 set-09 jun-10 set-10 abr-08 jul-08

Cota Piezométrica

Inst. DHPs
mar-11 mar-12 jun-11

dez-09

dez-08

dez-10

set-11

PE101-AP MNA 101 Rj

PE101-RJ CG 101 AP

MNA 101 crista CG 101 RJ

MNA 101 AP CG 101 crista

Figura 5.33: MNAs x Piez. Elétricos x Piez. Casagrande – km 101. 104

dez-11

35: Cotas Máx.A Figura 5.36 apresentam as cotas máximas e mínimas registradas nos medidores de nível d`água.34: Cotas Máx. e Mín. respectivamente.km 101. e Mín. Figura 5.34. piezômetros Casagrande e piezômetros elétricos do km 101. Figura 5. 105 . Figura 5. Casagrande . MNA.35 e Figura 5.km 101.

42. fazendo-se a triangulação dos instrumentos do trecho. verificado através das leituras dos medidores de nível d`água.km 101. As resultantes dos gradientes de fluxo. tanto em relação à condição máxima / mínima. o km 101 apresenta um fluxo subterrâneo complexo. foram calculadas e apresentadas nas Figura 5.Figura 5. e verificou-se significativa variação na orientação desses fluxos. e Mín. Piezômetro Elétrico . no mesmo instante. dos piezômetros Casagrande e dos piezômetros elétricos. As análises levaram em conta as leituras máximas e mínimas de cada medidor. 106 . quanto em relação à diferença de instrumento. não se notou diferenças de direção de fluxo referente ao piezômetro elétrico que representa o fluxo d`água das camadas mais profundas.36: Cotas Máx. No entanto.37 a Figura 5. Como comentado anteriormente.

Figura 5.Figura 5.38: Sentido do fluxo subterrâneo km 101 – MNA Min.37: Sentido do fluxo subterrâneo km 101 – MNA Max. 107 .

40: Sentido do fluxo subterrâneo km 101 – Casagrande Min.Figura 5. 108 . Figura 5.39: Sentido do fluxo subterrâneo km 101 – Casagrande Max.

Elétrico Max.41: Sentido do fluxo subterrâneo km 101 – Piez. Figura 5. Elétrico Max.42: Sentido do fluxo subterrâneo km 101 – Piez.Figura 5. 109 .

Nas Figura 5.1 Leituras Na Figura 5.7 mm por mês ou 20 mm por ano.48 vê-se que os resultados observados no inclinômetro I2 (pista RJ) apresentam comportamento muito semelhante aos medidos no 110 .5 Inclinômetros (km 101) Este item foi subdividido em 2 partes. em função dessa intermitência.5.46) onde é possível verificar as mudanças das taxas de deslocamentos acumulados em função dos meses. Nesse período os deslocamentos acumulados já alcançaram a marca de 70 mm. segundo a sondagem realizada no local.44 e Figura 5.46. As leituras dos inclinômetros foram dispostas em 2 gráficos cada.43 e Figura 5. Tal fato se deve às obras de escavação executadas no km 101 para construção da 3a faixa de pista.43 e Figura 5. porém. 5. fornecendo uma média anual de deslocamento de aproximadamente 35 mm. A retirada de material alivia a sobrecarga sobre o tálus diminuindo os movimentos.47 e Figura 5. que as maiores movimentações laterais estão a 10 m de profundidade. tem-se uma média de 1. observa-se na Figura 5. Na primeira apresentam-se os resultados das leituras e na 2ª apresenta-se a análise dos resultados cotejados com os observados no estudo geofísico.5. com taxa de deslocamento de até 20 mm/mês em período de chuvas intensas. Primeiramente temos as leituras até maio de 2009 (Figura 5.44 observa-se no bordo de pista sentido Além Paraíba. o que faz o movimento ser considerado extremamente lento. Nos mais de 4 anos de monitoramento (Ago/07 a Abr/12). Esta situação aliada à instalação de drenos profundos que foi executada no trecho. e a passagem por períodos menos chuvosos explicam a redução dos movimentos na encosta estudada. podendo o movimento ser classificado como rastejo. que nos dois anos seguintes os deslocamentos acumulados aumentaram apenas em 10 mm. Figura 5. entre Nov/10 e Nov/11.47. Percebe-se também que a velocidade de deslocamento não é uniforme e possui maiores valores nos períodos chuvosos.45). onde ocorre a transição do solo residual jovem para granito alterado (paleotálus). em função da grande quantidade de registros e também mudança de comportamento. chegando à taxa de 20 mm/mês (vide Figura 5.

5 m de profundidade. Figura 5. A diferença fica por conta da superfície de cisalhamento que é mais profunda e neste caso. 111 . se localiza a aproximadamente 17.43: Inclinômetro I1 – km 101(leituras até maio/2009).inclinômetro I1.

Figura 5.44: Inclinômetro I1 – km 101 (leituras até abril/2012). 112 .

Como comentado anteriormente.45 e Figura 5. Esses movimentos não representam o comportamento da encosta e sim incidentes ocorridos com operários e máquinas que trabalhavam no trecho para construção da 3a faixa da rodovia e na instalação dos drenos.45: Velocidade de deslocamento – I1 km 101. quanto à taxa de velocidade de movimentos (mm/mês). não representando movimentos dos tubos de inclinômetros.48.47 observam-se grandes deslocamentos na porção superior de I2. tem . Olhando a Figura 5.se impressão que os movimentos estão aumentando. que está diretamente ligado aos meses com elevados índices pluviométricos. o comportamento do inclinômetro I2 é bem semelhante ao do I1.Instalação DHPs Figura 5. A Figura 5. tanto no que diz respeito aos períodos de maiores movimentações. nos primeiros 3 metros de profundidade.48 trazem alguns registros inconsistentes com as tendências de suas curvas. Na Figura 5. Tal fato se deve a problemas pontuais nos aparelhos de aquisição de dados. com superfície de deslizamento em 17. estão um longo período na casa de 80 mm. 113 .50 m de profundidade. no entanto. os deslocamentos acumulados.

46: Inclinômetro I2 .km 101 (leituras até maio/2009).Figura 5. 114 .

km 101(leituras até abril/2012). 115 .Figura 5.47: Inclinômetro I2 .

5.2 Inclinômetros x Reconhecimento Geofísico O levantamento geofísico foi útil na caracterização das camadas formadoras do perfil do terreno e apontou a existência de uma língua de material menos consolidado que segue das partes de menor profundidade para as porções mais inferiores.Instalação DHPs Figura 5.49 e Figura 5. apresentando profundidades que variam de 30 m a 70 m e largura variando de 150 m (a 27 m de profundidade) a 100 m (a 47 m de profundidade). O inclinômetro I1 foi instalado entre as seções CRT-03 e CRT-04. favorece o aparecimento de movimentações do tipo lenta (rastejo) neste trecho.48: Velocidade de deslocamento – I2 km 101. condizente com as sondagens efetuadas.50 m de profundidade (Figura 5. enquanto que o inclinômetro I2 está posicionado bem próximo à seção CRT-02. e no segundo inclinômetro o maior ponto de deslocamento se situa em 17.46). as maiores movimentações em I1 ocorrem na cota de profundidade igual a 10 m. Como foi discutido anteriormente.43. Como indica a Figura 5. Apresenta-se na Figura 5. ou seja. a região estudada se trata de um paleotálus. um depósito de blocos de rocha vindos da escarpa acima acumulados ao longo de milhares de anos. 116 .50 os perfis longitudinais CRT-02 e CRT-03 indicando a posição dos inclinômetros instalados. O fato de se tratarem de blocos soltos e material menos consolidado somados ao efeito da intemperização agindo por todo esse tempo.5. Esses instrumentos estão posicionados dentro da língua de material menos resistivo.

50: Perfil CRT-03 e Posição do Inclinômetro I1. A zona de movimentação deste instrumento também se localiza dentro da zona menos densa. 117 . o inclinômetro I1 também se encontra instalado no meio da área que apresenta a anomalia condutiva.49: Perfil CRT-02 e Posição do Inclinômetro I2. 10. com espessura maior que a do perfil CRT-02.5 m I 2 Movimentação I2 Figura 5.0 m Movimentação I1 I 1 Figura 5. na mudança de materiais de diferentes resistividades elétricas (zona verde/zona amarela). Verifica-se na figura acima que o tubo do inclinômetro I2 passa pela zona de anomalia condutiva e que a superfície de maior movimentação deste inclinômetro coincide com uma zona de transição entre um material menos resistivo e menos consolidado e uma região de maior resistividade elétrica (rocha sã). Como pode ser visto na Figura 5.~17.50.

As chuvas antecedentes de 30 dias são responsáveis pela subida das cotas piezométricas no início do período chuvoso que vai de novembro a abril.3 Movimentos x Piez. Elétricos x Chuvas 96h/15d/30d – km 101 Apresenta-se na Figura 5. os picos de chuvas acumuladas de 96 h maiores que 100 mm têm reflexo nas leituras piezométricas com defasagem de aproximadamente 7 dias. Verifica-se a relação direta entre o aumento das chuvas. o cotejamento das leituras de deslocamentos acumulados dos inclinômetros I1 e I2 com as leituras dos piezômetros elétricos e medidores de nível d`água (MNAs) do km 101 e os registros das chuvas acumuladas de 96 horas. 15 dias e 30 dias.51. Como discutido anteriormente. os movimentos praticamente cessaram após a instalação dos drenos horizontais profundos (DHPs). apesar de elevados índices pluviométricos. a subida dos níveis piezométricos e os movimentos laterais na encosta. Figura 5.5. 118 . As leituras de piezômetros também sofreram queda em função dos drenos.51: Movimentos x Variação Nível d`água x Chuvas – km 101.5. Observa-se que.

os parâmetros de solo conforme a Tabela 5. Foram feitas análises do comportamento das encostas instrumentadas.3 Adotaram-se para o km 86.0 da empresa Rockscience.54. Considerando-se a situação mais desfavorável.6. como se observa o talude é estável em ambas as condições. chegando à condição de ruptura.1: Parâmetros de solo – km 86. Tal mostra a importância do controle das águas subterrâneas para a estabilidade do trecho. 5.3 Material γ (kN/m³) Coesão (kPa) Ângulo de Atrito Aterro silto argiloso Areia Fina e Média compacta 18 20 10 2 25˚ 30˚ A Figura 5.53). Foram utilizados métodos de ruptura circular (Morgenstern e Price) para diferentes condições de posicionamento do nível freático.1 Km 86. porém improvável.6 Análise de Estabilidade Serão apresentadas neste item as análises de estabilidade dos trechos monitorados. o nível máximo e uma última análise considerando o nível do lençol coincidindo com a superfície dos taludes estudados.1. Tabela 5. Verificam-se fatores de segurança altos dando tranquilidade à segurança da encosta.3.5.52 traz os resultados da análise de estabilidade do km 86. como pode ser observado na Figura 5. ocorre quedas significativas nos valores de FS. 119 .3 levandose em conta o nível d`água mais baixo registrado em todo o período de instrumentação. Observa-se uma redução de FS para o talude à jusante na situação da encosta com o nível máximo do lençol (Figura 5. com o nível do lençol coincidindo com a superfície do talude e da pista. Foi utilizado o software SLIDE 5. levando em conta o nível d`água mínimo medido no período. No entanto.

Figura 5.52: Estudo de estabilidade km 86,3- Nível D`água mínimo.

Figura 5.53: Estudo de estabilidade km 86,3- Nível D`água máximo.

120

Figura 5.54: Estudo de estabilidade km 86,3- Nível D`água na superfície.

5.6.2 Km 86,8 Verifica-se na Figura 5.55 e na Figura 5.56 que a encosta do km 86,8 encontrase em condição estável (FS=1,2), tanto para a condição de nível d`água mínimo quanto para o nível d`água máximo, entretanto se considerarmos o nível freático coincidente com a superfície da encosta e da rodovia, é possível observar na Figura 5.57 a indicação de ruptura no talude de montante da rodovia, assim como, ruptura da própria pista (FS=0,6). Por isso, é de suma importância a manutenção dos drenos instalados no local para garantir que lençol se mantenha em níveis de segurança para a encosta. Os parâmetros utilizados nas análises são apresentados na Tabela 5.2 abaixo.

Tabela 5.2: Parâmetros de solo – km 86,8 Material γ (kN/m³) Coesão (kPa) Ângulo de Atrito Aterro silto argiloso Residual Maduro Residual Jovem 18 18 20 10 7 15 25˚ 30˚ 32˚

121

Figura 5.55: Estudo de estabilidade km 86,8- Nível d`água mínimo.

Figura 5.56: Estudo de estabilidade km 86,8- Nível d`água máximo.

122

Figura 5.57: Estudo de estabilidade km 86,8- Nível d`água na superfície.

5.6.3 Km 87,3 A encosta do km 87,3 sofreu, conforme informado no início do trabalho, ruptura de grandes proporções, levando abaixo trecho da rodovia BR116. Foi construído viaduto no local, instalados drenos profundos (DHPs) e piezômetros na crista do talude e sob a pista, que são monitorados até os dias atuais. Após as análises com nível d`água mínimo, Figura 5.58, nota-se que a encosta encontra-se ,em linhas gerais, em níveis seguros de fator de segurança, no entanto, verifica-se pela Figura 5.59, que considera o nível máximo medido, uma redução considerável no fator de segurança do talude à jusante (de 2,6 para 1,9) não comprometendo ainda a segurança da rodovia. Entretanto, se o nível do lençol alcançar a superfície (Figura 5.60), os fatores de segurança chegam a níveis de instabilidade (0,6 e 0,9), tanto no talude de montante quanto no de jusante, indicando rupturas significativas abrangendo inclusive do trecho onde se encontram as fundações do viaduto. Mais uma vez destaca-se a grande importância do perfeito funcionamento dos drenos. A manutenção e observação dos mesmos devem ser constantes. As análises foram realizadas considerando-se como parâmetros, peso específico igual a 20 kN/m3, a coesão igual a 10 kPa e o ângulo de atrito de 30˚ para a camada de Silte arenoso. 123

Figura 5.3.59: Estudo de estabilidade km 87.58: Estudo de estabilidade km 87. 124 .3. Figura 5.Nível d`água máximo.Nível d`água mínimo.

não houve variação significativa do nível d`água.3: Parâmetros de solo – km 87. Tabela 5.62. isto é.4 Km 87. Esta condição na realidade representa a cota de instalação dos piezômetros.5 para a condição de nível d`água máximo (Figura 5. Esta situação é bastante improvável. a encosta conta com DHPs no pé do talude de jusante. durante todo o período de monitoramento os medidores estiveram praticamente vazios. Além do mais.9 O km 87.5 para 0. apesar das variações pluviométricas. Figura 5.61).6.Nível d`água na superfície.Figura 5. Os parâmetros de solo utilizados nas análises são apresentados na Tabela 5.3. o fator de segurança sofre uma forte queda.60: Estudo de estabilidade km 87.7) indicando ruptura no talude a jusante.9 Material γ (kN/m³) Coesão (kPa) Ângulo de Atrito Aterro Areia média Areia fina Residual jovem 18 19 20 20 10 2 2 15 25˚ 30˚ 35˚ 32˚ 125 . 5. com fator de segurança mínimo igual a 1. o que mantém o lençol em patamares seguros.9 apresentou condição segura. (de 1. chegando a atingir o bordo de pista sentido RJ. Entretanto. com a situação hipotética do lençol d`água na superfície do talude e da rodovia.3 abaixo. visto que durante toda a monitoração do trecho.

` 5.Figura 5. Figura 5. 2010 em memorial descritivo solicitado pela Concessionária Rio – Teresópolis (CRT) para solução dos problemas de rastejo que afetam esta região há muitos anos.9.6.9.Nível d`água máximo.62: Estudo de estabilidade km 87.5 Km 101 As análises de estabilidade do km 101 foram efetuadas por EHRLICH.61 Estudo de estabilidade km 87.Nível d`água na superfície. 126 .

posicionadas a 10 m e 15 m abaixo do nível da pista da rodovia. Na primeira e segunda linha foram instalados 23 e 15 drenos. perfazendo um total de 50 drenos (Figura 5. Foram efetuadas análises de estabilidade utilizando métodos de ruptura circular (Morgenstern e Price) para diferentes condições de posicionamento do nível d’água. corrigindo imperfeições existentes de forma a compatibilizá-la com a terceira faixa.  = 30o e coesão nula. Os drenos de PVC de 50 mm de diâmetro foram perfurados nos últimos 35 metros e implantados com inclinação de 15º com a horizontal. de 19 kN/m3. Figura 5. respectivamente. Considerando-se o N. linhas de drenos subhorizontais.64). de 50 m comprimento.63: Solução adotada em DHP (EHRLICH. Os resultados desse estudo são apresentados abaixo. na posição medida. 2010) . À jusante da rodovia o fator de segurança é baixo (FS~1. À jusante foram instalados 38 DHPs em duas linhas. Os círculos com valores mais críticos apresentam-se próximos à superfície do talude. Tinha-se por objetivo promover um rebaixamento de cerca de 5 m da cota do nível d’água subterrâneo. Considerou-se nas análises os solos homogêneos com peso especifico. À montante o fator de segurança está 127 .De forma a melhorar as condições de estabilidade do trecho e promover a minimização das movimentações. À montante foram instalados 12 DHPs espaçados cerca de 15 m horizontalmente. O talude a jusante da estrada tem inclinação.A. acompanhando a descida da mesma. têm-se condições críticas de estabilidade no talude (Figura 5.2). . estabeleceram-se no local. DHPs.63). Como se observou nos resultados da instrumentação tinham-se movimentações significativas em períodos mais chuvosos quando o nível d’água se apresentava mais elevado. Após a implantação dos drenos foi efetuado o renivelamento da pista no trecho. s. de cerca de 13º e tomaram-se por base os níveis de água observados na monitoração.

65).A já se apresentar naturalmente elevado neste talude. Os resultados demonstram que o rebaixamento de 3 m do nível d’água no talude de jusante promove um significativo acréscimo na estabilidade.69). na superfície do talude ter-se-iam rupturas superficiais à montante (Figura 5.66 considerando o N. normal e a Figura 5. Com o intuito de se verificar rupturas profundas foram considerados somente círculos com profundidades superiores a 3.64) para 2.A. (Figura 5.67 o nível d`água máximo medido. Normal – Material homogêneo (EHRLICH.A. Conforme estas análises. com o rebaixamento o fator de segurança do talude à jusante da rodovia passaria de 1. as análises apresentam elevados valores de fator de segurança. Considerando-se uma hipótese mais desfavorável com o N.0 m.0 (Figura 5. Figura 5. O fator de segurança sofreu pouca alteração à jusante da pista. visto o N.2 (Figura 5.64: N.68).próximo à unidade. O fator de segurança à jusante da pista não se altera. 2010) . A Figura 5.A. 128 . Considerando círculos correspondentes às superfícies de deslocamento medidas nos inclinômetros.

66: N.67: N.0 m (EHRLICH. 129 . superfície do terreno (EHRLICH.0 m (EHRLICH. 2010).A.A. > 3. 2010).Figura 5. Figura 5. Figura 5.A Máximo– Círculos com prof.65: N. > 3. Normal – Círculos com prof. 2010) .

68: Ruptura do talude de montante e da pista. 2010).Figura 5. – N.69: N. 2010).A. Rebaixado em 3 m – Instalação de DHPs (EHRLICH.A. Figura 5. 130 . Normal (EHRLICH.

bem próximos aos respectivos piezômetros. Os piezômetros elétricos mais antigos operam desde 2007. Estas estações apresentaram alguns problemas técnicos durante o período de monitoramento. O minilogger do piezômetro instalado no km 101 pista sentido RJ parou em março /2009 e foi substituído em dezembro do mesmo ano.5).6 CONCLUSÕES PESQUISAS E SUGESTÕES PARA FUTURAS 6. O que estava do outro lado da rodovia (km 101 AP) deixou de funcionar 131 .9. Três Medidores de Nível D`água (MNAs) foram instalados em fevereiro de 2010 no km 101.9 e a partir de maio de 2008 nos km 86.3 e km 87. Apenas um pequeno entupimento causado provavelmente por algum vândalo no instrumento localizado no bordo de pista sentido RJ do km 86. As estações pluviométricas BOP (km 40). operam com leituras remotas desde o início de 2009. Posto Garrafão (km 94) e Defesa Civil (km 81). é considerado satisfatório o funcionamento dos mesmos.3 foi constatado e rapidamente resolvido. em março de 2010. Todos os piezômetros Casagrande estão trabalhando em perfeitas condições e operam desde março de 2005 para os km 86. sofreu uma pane e parou de funcionar.8.3 e km 101. mas nada que atrapalhasse o estudo como um todo.1 Considerações Finais Os pluviógrafos da Praça de Pedágio 1 (km 133. a falta de substituição das mesmas em alguns miniloggers gerou pequenos transtornos na aquisição de dados. no bordo de pista sentido AP e também na crista do talude. de maneira geral. Devido a não possibilidade de se verificar a carga das pilhas. no bordo de pista sentido RJ. km 87. Os mesmos continuam operando normalmente até os dias atuais. O pluviógrafo da Praça de pedágio 2 (km 71) teve seus primeiros registros também no início de 2008. e estação Brasilinha (km 105) estão em operação desde janeiro de 2008 e vem apresentando um bom funcionamento desde então. porém. porém. entretanto a instalação de todos os instrumentos deste tipo só foi concluída em janeiro de 2009 com o início do funcionamento do piezômetro colocado na crista da encosta do km 87.

atingindo maiores velocidades nos períodos chuvosos e afeta a região há mais de 40 anos. podendo atingir picos significativos com acumulados diários maiores que 150 mm. também conhecidas como chuvas de relevo. As orográficas. às chuvas do tipo convectivas e orográficas. onde é comum a presença de aterros a meia encosta e apresentam mecanismo de ruptura circular com superfície de deslizamento passando pelo contato do aterro com o solo residual. como uma montanha. ou seja.em novembro de 2009 e foi trocado em maio de 2010.9 crista. Bem diferente do que acontece com a região do km 87. mas o mesmo ficou bem no meio do novo traçado da rodovia. para construção da 3a faixa de pista. provocando chuva. O tubo de I1 sofreu quebra no seu metro inicial em função de operação de retro escavadeira no local. As chuvas convectivas são responsáveis pelos altos picos diários registrados e são conhecidas como chuvas de verão. com fim de operação em maio de 2010. ocorrem quando massas de ar carregadas de umidade sobem ao encontrar uma elevação no relevo. I2 também sofreu com as máquinas e operários das obras da pista e instalação dos drenos. onde é realizada a pesquisa. Uma emenda no tubo foi realizada e as leituras vêm se apresentando de forma consistente. fica sujeita. Os inclinômetros I1 e I2 posicionados no km 101 nas margens da pista sentido Teresópolis e pista sentido Rio de Janeiro respectivamente. Em muitos 132 . em sua maioria. O mesmo ocorreu com o instrumento do km 87. A região de Teresópolis.2 Conclusões Os pluviógrafos através dos seus registros de chuvas mostraram que a estação chuvosa ocorre entre os meses de novembro e abril. não sendo mais possível a leitura do referido tubo. O inclinômetro I3 chegou a ser instalado. O piezômetro instalado na crista do km 101 perdeu contato com seu minilogger em Ago/2009 e não foi possível a sua substituição. movimentos lentos que ocorrem de forma intermitente. nos 3 m iniciais a partir da superfície. anotando deslocamentos inconsistentes com o restante da curva. oferecem leituras desde agosto de 2007 com pequenos registros de problemas. O mecanismo de ruptura que o governa o comportamento do km 101 é de Rastejo. 6.

Por último. localizada no km 40. variando entre 50 e 60 mm/96h. registrando eventos com a mesma ordem de grandeza. em linhas gerais. Os piezômetros Casagrande conhecidos por: km 86. nos meses anteriores. Os outros medidores apresentaram leituras de poropressão acompanhando os índices pluviométricos. 87.casos. Por outro lado. a estação localizada no km 133. respectivamente. O pluviógrafo do km 71 (Praça de pedágio 2) apresentou comportamento semelhante. isto é. indica chuvas mais contínuas e menos intensas. O MNA 101 RJ apontou queda em agosto de 2011. 87. com diversos registros maiores que 200 mm/96h e leitura máxima acima de 450 mm/96h. A chuva orográfica é uma das causas da alta pluviosidade da Serra do Mar. com leituras até março de 2010 devido à problemas técnicos. a estação de Brasilinha (km 105) vem funcionando em perfeito estado desde a sua instalação. provavelmente devido à instalação de uma bateria de drenos horizontais logo acima do mesmo. A estação do km 81 (Defesa civil) apontou somente 2 registros de chuvas acumuladas em 96 h maiores que 100 mm.9 RJ se mantiveram vazios durante o período monitorado. 86. com exceção da estação Garrafão que apresentou 2 leituras mensais extraordinárias em outubro e novembro de 2009 com 800 mm/mês e 2000 mm/mês.3 RJ e 87.8 AP. considerando-se todos os pluviógrafos. porém.5 e conhecida por Praça de pedágio 1 ou PN 1 vem funcionando sem interrupções e anotando fortes índices pluviométricos com acumulado máximo de 220 mm/96h. Os acumulados de chuvas mensais ficaram em torno de 400 mm/mês nos meses considerados “chuvosos” (Novembro a Abril). comportamentos semelhantes em relação às variações dos níveis piezométricos. com direção ao longo da rodovia no sentido RJ. Os Drenos Horizontais Profundos (DHPs) instalados nas encostas estudadas são responsáveis pela manutenção das baixas cotas piezométricas. do outro lado da montanha. essas massas de ar não precipitam a sotavento.3 AP. em suas leituras. a estação Garrafão situada no km 94 em um dos pontos mais altos da rodovia. Com muitos acumulados superando 75 mm/96h e acumulado máximo de 230 mm/96h. Os medidores de nível d`água localizados no km 101 apresentaram. no entanto. A estação BOP. anotou diversos eventos pluviométricos com acumulados maiores que 100 mm/96h e acumulado máximo de 150 mm/96h. As leituras dos piezômetros do km 101 indicam que o fluxo se dá.3 AP. 133 .

Os 134 . para um mesmo ponto monitorado. verifica-se que os acumulados mensais durante o período de baixos índices pluviométricos são responsáveis pelo aumento das cotas piezométricas antes do período considerado chuvoso.3 viaduto). Verificou-se também que a direção deste fluxo varia em relação ao medidor analisado e à condição de nível piezométrico máximo ou mínimo. observou-se que. de agosto de 2007 a abril de 2009 e o segundo de maio de 2009 a abril de 2012. no entanto. em linhas gerais. Para os outros trechos monitorados. quanto menor a profundidade de instalação do medidor.3 e do km 101 (relação não tão boa quanto à do km 87. maior a sua cota piezométrica indicando complexo fluxo subterrâneo. Cotejando-se os resultados das leituras dos medidores de nível d`água com os piezômetros elétricos e Casagrande do km 101. os piezômetros registraram picos nas medidas de poropressão. por conta da proximidade com a área estudada e grande quantidade de dados. tanto elétricos quanto Casagrande. Mostraram também que a variação de poropressão acompanha o regime de chuvas e pode alcançar valores da ordem de 7 m (Piezômetro km 87.3). como observado no piezômetro do km 87. contudo este fluxo. com sentido ascendente nas camadas superiores e descendente em maiores profundidades. Percebeuse que os piezômetros elétricos foram sensíveis às chuvas acumuladas maiores que 100 mm/96h e que aproximadamente sete dias após estes registros. Para se correlacionar as chuvas com as leituras piezométricas foram considerados os pluviógrafos Posto Garrafão (km 94) e Estação Brasilinha (km 105). demonstraram o mesmo comportamento do lençol freático para os instrumentos instalados no mesmo km. Os picos pluviométricos com intensidades menores que 50 mm em 96 horas basicamente não foram sentidos diretamente pelos piezômetros. Verificou-se que as correlações diretas entre picos piezométricos e chuvas antecedentes foram satisfatórias apenas para as chuvas acumuladas de 30 dias maiores que 150 mm. estas correlações se mostraram muito deficientes.As leituras dos piezômetros. Os dois inclinômetros localizados no km 101 mostraram comportamentos bem similares tanto na velocidade e períodos de deslocamento quanto no valor de deslocamento acumulado em 4 anos e 8 meses de monitoramento (~90 mm de resultante). vai em direção a descida da rodovia sentido RJ. As leituras dos inclinômetros apresentaram 2 períodos distintos: O primeiro.

composta basicamente de gnaisses. Tal se deve às obras de escavação no km 101 para a construção da 3a faixa de pista. sotoposto à suíte Santo Aleixo. De acordo com o perfil geológico desta região (Figura 4. apontaram claras mudanças nas taxas de deslocamentos acumulados em função dos índices pluviométricos. perfil CRT-02) a 70 m (cota 140. por ser intermitente com velocidade de deslocamento não uniforme. Os dois inclinômetros estão instalados nesta zona de anomalia condutiva (língua) e o sentido de movimentação coincide com o sentido de orientação desta área de material de menor resistividade. em torno de 9 m. aliada à instalação de drenos horizontais profundos e passagem por períodos menos chuvosos explicam a redução dos movimentos na encosta. que para I1 fica em 10 m de profundidade enquanto que em I2 a cota da superfície de cisalhamento está a uma profundidade de 17. o substrato granítico é encontrado nos grandes picos. Outro dado importante que reforça a teoria da existência de um depósito de blocos de rocha na região do km 101 é o fato das sondagens revelarem a ocorrência de “Granito Alterado” se iniciando em pequenas profundidades. Verificou-se no km 101 através dos ensaios geofísicos a ocorrência de uma língua de material menos consolidado que segue das partes de menor profundidade para as áreas mais profundas. A retirada do material aliviando a sobrecarga sobre o tálus. I1 e I2 alcançaram 70 mm de deslocamento acumulado nesses 22 meses de monitoramento. associados aos testemunhos obtidos nas sondagens efetuadas anteriormente. blocos de rocha vindo da escarpa acima. apresentando maiores taxas nos períodos chuvosos. ou seja. e se estendendo até o limite das sondagens (~50 m). a partir de maio de 2009. No período seguinte. depositados ao longo de milhares de anos num antigo talvegue. Esta língua apresenta-se inclinada (~45º) em relação ao eixo da rodovia no sentido Rio de Janeiro e tem profundidade variando de 30 m (cota 215.5 m. Tais estudos.registros até mai/09. O movimento é caracterizado por rastejo. com taxa mensal de 20 mm em períodos de chuvas intensas.11). indicam se tratar de um paleotalus. perfil CRT-08) e largura entre 150 m (a 27 m de profundidade) e 100 m (a 47 m de profundidade). os acumulados aumentaram apenas em 10 mm. A diferença entre I1 e I2 fica por conta apenas da superfície de cisalhamento. tanto para I1 quanto para I2. 135 .

no talude de jusante. Essas condições combinadas poderiam desencadear novo deslizamento com consequências gravíssimas. sem levar risco iminente para a rodovia. Deve-se atentar para a manutenção permanente dos drenos (DHPs). pois durante todo o período monitorado.3 e km 101. esta situação é bastante remota. Tais análises deveriam considerar as áreas das bacias de drenagem nas medidas pluviométricas e sua consequente influência na água subterrânea.3 Sugestões Para Futuras Pesquisas Aprofundamento do entendimento dos mecanismos de movimentação na área com base em correlações mais ajustadas entre chuvas e leituras piezométricas. prolongadas e mau funcionamento dos drenos. especialmente km 87. significativa no trecho. No entanto. pois estes são de valiosa importância na estabilidade dos taludes. em especial do talude de jusante.2 para 1. A encosta do km 87.6 indicando ruptura 6.5 para a condição de nível d`água máximo medido. as encostas analisadas apresentaram boas condições de estabilidade levando-se em conta a cota máxima do nível d`água medido pela instrumentação em um período de mais de 4 anos.De maneira geral. não se deve descuidar da manutenção dos drenos. O fator de segurança de 1. com fator de segurança igual a 1.7) se considerar o lençol no nível do terreno e do talude.9 apresenta-se estável. No km 86.2 para o km 86. O km 87.3 é a que apresenta condições mais reais do nível do lençol chegar à superfície caso haja chuvas fortes.8 indica condição estável. porém.4 quando se passou da condição de nível d`água mínimo para máximo. chegando à instabilidade (FS=0. O rebaixamento do nível d`água no km 101 através do bom funcionamento dos DHPs é importante para a redução dos deslocamentos laterais lentos (rastejo) que afetam a região há mais de 30 anos e para o aumento do fator de segurança da encosta. este FS cai para 0. 136 .3 houve redução no fator de segurança mínimo da encosta saindo de 2. apesar das variações dos índices pluviométricos. os piezômetros praticamente não registraram oscilações em suas leituras. pois se considerando o nível d`água coincidente com a superfície do terreno.

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1: Localização das sondagens km 101.1 Anexo I: Sondagens Figura 8.8 ANEXOS 8. 147 .

Figura 8. 148 .2: Sondagem SM-06 – pista AP km 101 (1/4).

3: Sondagem SM-06 – pista AP km 101 (2/4). 149 .Figura 8.

150 .Figura 8.4: Sondagem SM-06 – pista AP km 101 (3/4).

Figura 8.5: Sondagem SM-06 – pista AP km 101 (4/4). 151 .

Figura 8. 152 .6: Sondagem SM-04– pista RJ km 101 (1/4).

153 .7: Sondagem SM-04– pista RJ km 101 (2/4).Figura 8.

154 .Figura 8.8: Sondagem SM-04– pista RJ km 101 (3/4).

Figura 8. 155 .9: Sondagem SM-04– pista RJ km 101 (4/4).

10: Sondagem SM-03 – bordo pista RJ km 101 (1/2).Figura 8. 156 .

11: Sondagem SM-03 – bordo pista RJ km 101 (2/2) 157 .Figura 8.

158 .12: Sondagem SM-02 – km 87.Figura 8.9.

13: Sondagem SM-01 – crista do corte .Figura 8.9 (1/2). 159 .km 87.

14: Sondagem SM-01 – crista do corte .km 87.Figura 8.9 (2/2). 160 .

Figura 8. 161 .15: Localização das sondagens km 87.3.

3 (1/2). 162 .Figura 8.km 87.16: Sondagem SR-02– Sob o viaduto .

Figura 8.17: Sondagem SR-02– Sob o viaduto . 163 .3 (2/2).km 87.

164 .km 87.18: Sondagem SP-06– base do talude .Figura 8.3 (1/2).

19: Sondagem SP-06– base do talude .3 (2/2).km 87. 165 .Figura 8.

3.Figura 8.20: Sondagem SP-01B – km 87. 166 .

167 .Figura 8.21: Sondagem SP-02 – km 87.3 (1/2).

22: Sondagem SP-02 – km 87.Figura 8. 168 .3 (2/2).

23: Sondagem SR-04(SP-02) sob o viaduto – km 87. 169 .3 (1/2).Figura 8.

24: Sondagem SR-04(SP-02) sob o viaduto – km 87. 170 .3 (2/2).Figura 8.

3 (1/2).25: Sondagem SR-01crista do corte – km 87.Figura 8. 171 .

26: Sondagem SR-01crista do corte – km 87. 172 .Figura 8.3 (2/2).

Figura 8.27: Localização das sondagens km 86. 173 .8.

174 .28: Sondagem SM-01crista do corte – km 86.Figura 8.8.

29: Sondagem SM-02 bordo de pista RJ – km 86.8 (1/3). 175 .Figura 8.

Figura 8.8 (2/3). 176 .30: Sondagem SM-02 bordo de pista RJ – km 86.

31: Sondagem SM-02 bordo de pista RJ – km 86.Figura 8. 177 .8 (3/3).

Figura 8. 178 .3.32: Sondagem SP-1 bordo de pista RJ – km 86.

Figura 8.3.33: Sondagem SP-2 bordo de pista AP – km 86. 179 .

2 Anexo II: Levantamento Geofísico 180 .8.

34: Localização das linhas km 101. 181 .Figura 8.

Figura 8. 182 .35: Perfil de resistividade elétrica CRT-01.

36: Perfil de resistividade elétrica CRT-02. 183 .Figura 8.

37: Perfil de resistividade elétrica CRT-03.Figura 8. 184 .

185 .Figura 8.38: Perfil de resistividade elétrica CRT-04.

39: Perfil de resistividade elétrica CRT-05.Figura 8. 186 .

187 .40: Perfil de resistividade elétrica CRT-06.Figura 8.

41: Perfil de resistividade elétrica CRT-07.Figura 8. 188 .

42: Perfil de resistividade elétrica CRT-08.Figura 8. 189 .

Figura 8.43: Isolinhas de resistividade elétrica – 10 m. 190 .

44: Isolinhas de resistividade elétrica – 27 m.Figura 8. 191 .

192 .Figura 8.45: Isolinhas de resistividade elétrica – 47 m.

46: Isolinhas de resistividade elétrica – 65 m. 193 .Figura 8.

47: Isolinhas de resistividade elétrica – 85 m. 194 .Figura 8.

195 .48: Sondagem km 101 I3 (1/4).3 Anexo III: Ensaios de Permeabilidade – km 101 Figura 8.8.

196 .49: Sondagem km 101 I3 (2/4).Figura 8.

50: Sondagem km 101 I3 (3/4).Figura 8. 197 .

198 .51: Sondagem km 101 I3 (4/4).Figura 8.

Figura 8.52: Sondagem km 101 crista (1/2). 199 .

Figura 8. 200 .53: Sondagem km 101 crista (2/2).

54: Testemunhos de sondagem de I3 km 101.até 26.4 Anexo IV: Testemunhos de Sondagens – km 101 Figura 8.de 27 m até 40 m.55: Testemunhos de sondagem de I3 km 101.8. Figura 8.53 m. 201 .

Figura 8.56: Testemunhos de sondagem de I3 km 101.Figura 8.de 55 m até 58 m. 202 .de 47 m até 55 m.57: Testemunhos de sondagem de I3 km 101.

de 58 m até 65 m.59: Testemunhos de sondagem de I3 km 101. 203 .de 65 m até 70 m.58: Testemunhos de sondagem de I3 km 101.Figura 8. Figura 8.