O presidente do Conselho Executivo da Secundária D. Manuel Martins, em Setúbal, acusa um aluno de o ter agredido.

Uma semana depois da alegada agressão por um aluno de 14 anos em plena escola, o presidente do Conselho Executivo, António Pina, confessou ontem ao DN ainda não ter recuperado psicologicamente do incidente, pelo que tem evitado falar do caso. O aluno, que diz ter sido ele o ameaçado e agredido, está a ser alvo de um processo disciplinar e encontra-se suspenso. Nas primeiras declarações à imprensa sobre o incidente que está a gerar a indignação na comunidade escolar de Setúbal, António Pina admitiu que "talvez não tivesse dado a devida atenção aos relatórios da sala de aula, que já falavam da agressividade do aluno", sustentando que a sua intervenção junto do jovem foi na tentativa de "defender a sala de aula e a própria professora", embora concorde que se expôs demais, em lugar de ter entregue o caso à segurança da escola ou a estruturas intermédias, como director de turma". Segundo o relato feito ao DN por António Pina, o aluno, referenciado na escola como sendo "problemático", terá apertado o pescoço a uma colega, com "troca de palavrões", em plena aula, revelando-se infrutífera a intervenção da professora". "Ele não largou a colega", diz António Pina, justificando assim a chamada do jovem ao Conselho Executivo. "Eu adverti-o para o que tinha feito, mas o aluno não reconheceu o erro e ameaçou fazer o mesmo. Acabei por levantar a voz, já exaltado, e ele avançou para mim metendo a mão no bolso, como se estivesse à procura de qualquer coisa", prossegue, recordando que nesse momento receou pela sua integridade física, empurrando o jovem "para o afastar" de si. O aluno viria a abandonar o Conselho Executivo "sempre com ameaças", refere António Pina, o que levou este e um segurança a ir à procura do menor "para o tentar acalmar". Foi num corredor junto às escadas do edifício que o encontraram. O que se seguiu foi observado por funcionários e alunos. "Ele atira-se a mim. Eu tento agarrar-lhe uma perna, mas levo um pontapé, tipo coice, e caí das escadas. Tenho apenas 1,60 metros, sou franzino e só sei gritar para tentar impor respeito. Estou há 13 anos neste cargo, tenho conseguido gerir situações complicadas, mas nunca imaginei que passaria por uma coisa destas com um aluno de 14 anos." O presidente recebeu tratamento hospitalar, devido a um ferimento na face, tendo sido o caso acompanhado por agentes da PSP, pertencentes ao programa "Escola Segura", que entregaram o aluno aos pais. Segundo apurou o DN, o jovem já foi ouvido no processo de instrução que decorre na escola - é esta que nomeia o instrutor onde garantiu ter sido ele a vítima de agressões e ameaças por parte do presidente, queixando-se de ter sido "encerrado" numa sala durante algum tempo. Confrontado com estas alegações, António Pina Pina apenas sorri e faz silêncio.|

In Diário de Notícias de 22/02/08