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O ácido desoxirribonucleico (ADN, em português: ácido desoxirribonucleico; ou

DNA, em inglês: deoxyribonucleic acid), é um composto orgânico cujas moléculas


contêm as instruções genéticas que coordenam o desenvolvimento e funcionamento de
todos os seres vivos e alguns vírus. O seu principal papel é armazenar as informações
necessárias para a construção das proteínas e ARNs. Os segmentos de ADN que são
responsáveis por carregar a informação genética são denominados genes. O restante da
seqüência de ADN tem importância estrutural ou está envolvido na regulação do uso da
informação genética.

A estrutura da molécula de ADN foi descoberta conjuntamente pelo estadunidense


James Watson e pelo britânico Francis Crick em 7 de Março de 1953, o que lhes valeu o
Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1962, juntamente com Maurice Wilkins.

Do ponto de vista químico, o ADN é um longo polímero de unidades simples


(monômeros) de nucleotídeos, cujo cerne é formado por moléculas de açúcares e fosfato
intercalados unidos por ligações fosfodiéster. Ligada à molécula de açúcar está uma de
quatro bases nitrogenadas e é a seqüência dessas bases ao longo da molécula de ADN
que carrega a informação genética. A leitura destas seqüências é feita através do código
genético, o qual especifica a sequência linear dos aminoácidos das proteínas. A tradução
é feita por um RNA mensageiro que copia parte da cadeia de ADN por um processo
chamado transcrição e posteriormente a informação contida neste é "traduzida" em
proteínas pela tradução. Embora a maioria do ARN produzido seja usado na síntese de
proteínas, algum ARN tem função estrutural, como por exemplo o ARN ribossômico,
que faz parte da constituição dos ribossomos.

Dentro da célula, o ADN pode ser observado numa estrutura chamada cromossoma
durante a metafase e o conjunto de cromossomas de uma célula forma o cariótipo. Antes
da divisão celular os cromossomas são duplicados através de um processo chamado
replicação. Eucariontes como animais, plantas e fungos têm o seu ADN dentro do
núcleo enquanto que procariontes como as bactérias o têm disperso no citoplasma.
Dentro dos cromossomas, proteínas da cromatina como as histonas compactam e
organizam o ADN. Estas estruturas compactas guiam as interacções entre o ADN e
outras proteínas, ajudando a controlar que partes do ADN são transcritas.

O ADN é responsável pela transmissão das características hereditárias de cada ser vivo.

Índice
[esconder]

• 1 História
o 1.1 Descoberta
o 1.2 Elucidação da composição química
o 1.3 Descoberta da transformação
o 1.4 Experimento de Hershey-Chase
• 2 Propriedades físicas e químicas
o 2.1 Emparelhamento de bases
o 2.2 Fenda maior e menor
o 2.3 Senso e anti-senso
o 2.4 Supercoiling (super-helicoidização)
o 2.5 Estrutura alternativa da dupla hélice
o 2.6 Estruturas em quadruplex
• 3 Modificações químicas
o 3.1 Modificações de bases
o 3.2 Danificação do DNA
• 4 Funções biológicas
o 4.1 Genes e genomas
o 4.2 Transcrição e tradução
o 4.3 Replicação
• 5 Interacções com proteínas
o 5.1 Proteínas que se ligam ao DNA (DNA-binding)
o 5.2 Enzimas que modificam o ADN
 5.2.1 Nucleases e ligases
 5.2.2 Topoisomerases e helicases
 5.2.3 Polimerases
• 6 Recombinação genética
• 7 Evolução do metabolismo de ADN
• 8 Aplicações
o 8.1 Engenharia genética
o 8.2 Medicina forense
o 8.3 Bioinformática
o 8.4 Nanotecnologia de ADN
o 8.5 História e antropologia
• 9 Vida
• 10 Criação das moléculas
• 11 Evolução
• 12 Bibliografia
• 13 Ver também

• 14 Ligações externas

[editar] História
Ver artigo principal: Histórico do estudo do DNA

[editar] Descoberta
Friedrich Miescher

A história do DNA começa no final da década de 1860, com a chegada do médico suíço
Friedrich Miescher (1844-1895) à Universidade de Tübingen, uma pacata cidade no sul
da Alemanha. O jovem pesquisador estava disposto à dedicar-se ao estudo da química
da célula e escolheu essa universidade porque nela o químico Felix Hoppe-Seyler
(1825-1895) havia inaugurado um importante laboratório de química fisiológica. Na
época floresciam idéias a respeito das origens e das funções das células. Há pouco
tempo, a teoria da geração espontânea havia sido definitivamente desacreditada. A
teoria celular estabelecia-se como um dos pilares da Biologia. Por tudo isso, as células
atraíam a atenção de estudantes entusiasmados, como Miescher.

Felix Hoppe-Seyler foi quem primeiro descreveu as interações entre a hemoglobina, a


proteína responsável pela cor do sangue, e o gás oxigênio. Seu trabalho levou-o a
interessar-se aos glóbulos brancos presentes na circulação sangüínea. Foi por sugestão
de Hoppe-Seyler que Miescher começou a estudar a química das células do pus; o
material para a pesquisa era abundante, pois dezenas de bandagens com material
purulento eram diariamente descartadas por um hospital próximo à universidade.
Miescher trabalhou para desenvolver técnicas adequadas à retiração das células de pus
das bandagens e à preparação para a análise química. O objetivo inicial era investigar as
proteínas celulares, um grupo de substâncias descoberto cerca de 30 anos antes.

Em um dos seus muitos experimentos com células do pus, Miescher obteve um


precipitado que diferia quimicamente de todas as substâncias protéicas conhecidas. Ele
descobriu que a nova substância se concentrava no núcleo celular, na época considerado
uma estrutura de pouca importância para o funcionamento celular. Aprimorando os
métodos de extração e purificação da nova substância, Miescher demostrou que, além
de estar nas células do pus, ela também estava presente em materiais tão diversos
quanto o rim, o fígado , o testículo, a levedura e as hemácias nucleadas das aves.

A análise química mostrou que as quantidades relativas dos elementos hidrogênio (H),
carbono (C), oxigênio (O) e nitrogênio (N) presentes diferiam das encontradas em
proteínas; além disso, à substância descoberta Miescher denominou-a nucleína, pelo
fato de ela estar concentrada no núcleo das células.
O trabalho sobre nucleína só foi publicado em 1871, após certa resistência do editor da
revista científica, o próprio Hoppe-Seyler, que, no início, não acreditou nos resultados
apresentados por Miescher. Mesmo depois da publicação do trabalho, muitos
pesquisadores continuaram duvidando da existência da nucleína; na opinião deles, o
achado de Miescher devia ser uma mistura de fosfato inorgânico e proteínas.[1][2]

[editar] Elucidação da composição química

As desconfianças quanto à real existência da nova substância descrita por Miescher só


foram superadas por volta de 1889, quando Richard Altmann (1852-1900) obteve
preparações altamente purificadas de nucleína, sem nenhuma contaminação por
proteínas. Pelo fato de a substância ter caráter ácido, o que já havia sido detectado por
Miescher, Altmann sugeriu que ela fosse chamada de ácido nucleico em vez de
nucleína.

Outro pesquisador pioneiro na descoberta foi Albrecht Kossel (1853-1927). Em 1877,


ele juntou-se ao grupo de pesquisa de Hoppe-Seyler, então trabalhando na Universidade
de Estrasburgo (França), e começou a estudar a composição química das nucleínas.
Kossel detectou dois tipos de bases nitrogenadas já conhecidas, a adenina e a guanina.
Em 1893, identificou uma nova base nitrogenada, que era liberada pela degradação de
nucleína da células do timo; por isso denominou-a timina. Logo em seguida, descobriu
que a nucleína continha um quarto tipo de base nitrogenada, a qual denominou citosina.
Em 1894, o grupo liderado por Kossel descobriu que os ácidos nucleicos continham
também pentose, um açúcar com cinco átomos de carbono.

Em 1909, Phoebis Levine e Walter Jacobs (1883-1967) conseguiram determinar a


organização das moléculas de fosfato, de pentose e base nitrogenada no ácido nucléico.
Esses três componentes estão unidos entre si formando uma unidade fundamental, o
nucleotídeo. Em 1930, Levine e colaboradores identificaram pentoses componente do
ácido nucléico das células do timo, que denominaram 2-deoxi-D-ribose, pelo fato de ela
possuir, no carbono 2 de sua cadeia, um átomo de oxigênio a menos que a ribose, uma
pentose já conhecida, encontrada pelos pesquisadores em dois tipos de ácidos nucléicos:
o ácido ribonucléico, ou ribose, e o ácido desoxirribonucleico, ou DNA, cujo açúcar é
a desoxirribose.

[editar] Descoberta da transformação


Frederick Griffith em 1936.

Frederick Griffith fez uma importante observação no curso dos experimentos com a
bactéria Streptococcus pneumoniae em 1928. Esta bactéria, que causa a pneumonia nos
humanos, normalmente é letal em camundongos. Entretanto algumas linhagens desta
espécie de bactérias desenvolviam-se menos virulentas (menos capazes de causar
doenças ou morte). Nos experimentos de Griffith, ele usou duas linhagens que são
distinguíveis pelo surgimento de suas colônias quando cultivadas em laboratório. Uma
linhagem era um tipo normalmente virulento e mortal para a maioria dos animais de
laboratório. As células desta linhagem estão envoltas em uma cápsula de polissacarídeo,
dando às colônias em aspecto liso, donde esta linhagem ser identificada com S. A outra
linhagem de Griffith era um tipo mutante não virulento que crescia em camundongos
mas sem ser letal. Nesta linhagem, a capa de polissacarídeo está ausente, dando às
colônias um aspecto rugoso . Esta linhagem é chamada R.

Griffith matou algumas células virulentas, fervendo-as. Ele então injetou as células
mortas por aquecimento nos camundongos. Os camundongos sobreviveram, mostrando
que os restos das células não causam morte. Entretanto os camundongos injetados com
uma mistura de células não virulenta mortas por aquecimento e células não virulentas
vivas, morreram. Além disso, as células vivas podiam ser recuperadas de camundongos
mortos. Estas células deram colônias lisas e foram virulentas em uma injeção
subseqüente. De algum modo, os restos das células S aquecidas haviam convertido
células R vivas em células S vivas.[3]

Streptococcus pneumoniae
A etapa seguinte era determinar que componente químico das células doadoras mortas
havia causado esta transformação. Esta substância tinha mudado o genótipo da
linhagem receptora e portanto podia ser uma candidata ao material genético. Este
problema foi resolvido pelos experimentos feitos em 1944 por Oswald Avery e dois
colegas, C M. Macleod e M. McCarty. Seu enfoque ao problema foi destruir
quimicamente todas as principais categorias de substâncias no extrato das células
mortas, uma de cada vez, e descobrir se o extrato havia perdido a habilidade em
transformar. As células virulentas tinham uma capa lisa de polissacarídeo, enquanto as
células não virulentas, não. Assim os polissacarídeos eram um candidato óbvio a ser o
agente transformante. Entretanto, quando os polissacarídeos foram destruídos, a mistura
ainda podia transformar. As proteínas, gorduras e ácido ribonucleico (RNA) foram
todos demostrados como não sendo o agente transformante. A mistura só perdia a sua
habilidade transformante quando a mistura doadora era tratada com enzima
desoxirribonuclease (DNase), que quebra o DNA. Estes resultados indicavam
fortemente que o DNA era o material genético. Hoje sabemos que os fragmentos do
DNA transformante que conferem virulência entram no cromossomo bacteriano e
substituem suas contrapartes que confere não virulência.[4]

[editar] Experimento de Hershey-Chase

Estrutura do fago T2

Alfred D. Hershey em 1969

Os experimentos feitos por Avery e seus colegas foram definitivos, mas muitos
cientistas mostraram-se muito relutantes em aceitar o DNA (e não as proteínas) como
material genético. Evidências adicionais foram dadas em 1952 por Alfred Day Hershey
e Martha Chase. O experimento de ambos usou o fago T2, um vírus que infecta na
bactéria a informação específica que dita a reprodução de novas partículas virais. Se
eles pudessem descobrir que material o fago estava injetando na bactéria hospedeira,
determinariam o material genético do fago.
O fago tem uma constituição molecular relativamente simples. A maior parte de sua
estrutura é de proteína, com o DNA contido dentro da capa de proteína de sua "cabeça".
Hershey e Chase decidiram marcar o DNA e a proteína usando radioisótopos, de modo
que pudessem rastrear os dois materiais durante a infecção. O fósforo não é encontrado
nas proteínas mas é uma parte integrante do DNA. Contrariamente, o enxofre está
presente nas proteínas mas nunca no DNA. Hershey e Chase incorporaram o
radioisótopo de fósforo (32P) no DNA do fago e o enxofre (35S) nas proteínas de uma
cultura separada de fagos. Eles então infectaram duas culturas de E. coli com muitas
partículas de vírus por células: uma cultura de E. coli recebeu fagos marcados com 32P e
a outra recebeu fagos marcados com 35S. Após dar tempo suficiente para que ocorresse a
infecção, os cientistas removeram as embalagens de fago (chamadas ghosts) das células
bacterianas por agitação em um liquidificador. Eles separaram as células bacterianas dos
envoltórios dos fagos em uma centrífuga e então dosaram a radioatividade nas duas
frações. Quando o fago marcado com 32P foi usado para infectar E. coli, a maioria da
radioatividade foi encontrada dentro das bactérias, indicando que o DNA do fago havia
entrado nas células. Quando era usado o fago marcado com 35S, maior parte do material
radioativo estava nas capas dos fagos, indicando que a proteína do fago nunca entrava
nas bactérias. A conclusão era inevitável: o DNA era o material hereditário. As
proteínas do fago eram apenas embalagens estruturais abandonadas após o DNA viral
entrar na bactéria.

[editar] Propriedades físicas e químicas

Estrutura química do ADN.

O ADN é um longo polímero formado por unidades repetidas chamadas nucleotídeos. [5]
[6]
A cadeia de ADN tem 2,2 a 2,4 nanómetros de largura, e um nucleotídeo possui
aproximadamente 0,33 nanómetros de comprimento .[7] Embora os monômeros
(nucleotídeos) que constituem o ADN sejam muito pequenos, polímeros de ADN
podem ser moléculas enormes, com milhões de nucleotídeos. Por exemplo, o maior
cromossomo humano (cromossomo 1), possui 220 milhões de pares de bases de
comprimento. [8]

Em organismos vivos, o ADN não existe como uma molécula única (cadeia simples),
mas sim como um par de moléculas firmemente associadas. [9][10] As duas longas cadeias
de ADN enrolam-se como uma trepadeira formando uma dupla hélice. Os nucleotídeos
estão presentes em ambas as cadeias da dupla hélice, unidos com nucleótidos da mesma
cadeia por ligações fosfodiéster e à cadeia complementar através de ligações de
hidrogénio formadas pelas suas bases. Em geral, uma base ligada a um açúcar é
chamada nucleosídeo e uma base ligada a um açúcar e um ou mais fosfatos é chamada
nucleotídeo. Portanto, o ADN pode ser referido como um polinucleotídeo. [11]

O cerne (backbone) da cadeia de ADN é formado por fosfato e resíduos de açúcar,


dispostos alternadamente. O açúcar no ADN é 2-desoxirribose, e é uma pentose (açúcar
com cinco carbonos). Os açúcares são unidos por grupos de fosfato que formam
ligações fosfodiester entre o terceiro e quinto átomos de carbono dos anéis de açúcar
adjacentes. Estas ligações assimétricas significam que uma cadeia de ADN tem uma
direção. Numa dupla hélice, a direção dos nucleotídeos de uma cadeia é oposta à
direção dos nucleotídeos da outra cadeia. O formato das cadeia do ADN é designado
antiparalelo. As terminações assimétricas das cadeias de ADN são designadas terminais
5’ (cinco linha) e 3’ (três linha). Uma das diferenças principais entre o ADN e o ARN
encontra-se no açúcar, com a substituição da 2-desoxirribose no ADN pela ribose no
ARN.

Uma cadeia de ADN

A dupla hélice do ADN é estabilizada por ligações de hidrogênio entre as bases presas
às duas cadeias. As quatro bases encontradas no ADN são a adenina (A), citosina (C),
guanina (G) e timina (T). Estas quatro bases estão representadas na figura ao lado e
ligam-se ao açúcar/fosfato para formar o nucleotídeo completo, que na figura é
mostrado como adenosina monofosfato.
Estas bases são classificadas em dois tipos; a adenina e guanina são compostos
heterocíclicos chamados purinas, enquanto que a citosina e timina são pirimidinas. Uma
quinta base (uma pirimidina) chamada uracila (U) aparece no ARN e substitui a timina,
a uracila difere da timina pela falta de um grupo de metila no seu anel. A uracila
normalmente não está presente no ADN, só ocorrendo como um produto da
decomposição da citosina. Uma raríssima exceção para esta regra é um vírus bacteriano
chamado PBS1 que contém uracila no seu ADN. Em contraste, após a síntese de certas
moléculas de ARN, um número significante de uracilas são convertidas a timinas pela
adição enzimática do grupo de metila. Isto acontece principalmente em RNAs
estruturais e enzimáticos como o ARN mensageiro e o ARN ribossomal.

A dupla hélice é uma espiral dextra. Como as cadeias de ADN giram uma ao redor da
outra, elas deixam espaços entre cada cerne de fosfato, revelando os sítios das bases que
estão localizadas na parte interna. Há dois destes espaços ao redor da superfície da
dupla hélice: um espaço é maior e possui 22 Å de largura e o outro, o espaço é menor
com 12 Å de largura. Proteínas como fatores de transcrição podem ligar-se a sequências
específicas do ADN de dupla cadeia, normalmente estabelecendo contato com os sítios
das bases expostos no espaço maior.

No topo, pareamento GC com três ligações de hidrogênio. Em baixo, AT com duas


ligações de hidrogênio.

[editar] Emparelhamento de bases

Cada tipo de base numa cadeia forma uma ligação com apenas um tipo de base na outra
cadeia. Este comportamento é designado de complementariedade de bases. Assim, as
purinas formam ligações de hidrogênio com pirimidinas, i.e. A liga-se com T e C com
G. Este arranjo de dois nucleotídeos complementares na dupla hélice é chamado par de
base. Além das ligações de hidrogênio entre as bases, as duas fitas são mantidas juntas
devido a forças geradas por interações hidrofóbicas entre as bases empilhadas, a qual
não é influenciada pela sequência do DNA. [12] Como as ligações de hidrogênio não são
ligações covalentes, podem ser quebradas e reunidas com relativa facilidade. Desta
forma, as duas fitas da dupla hélice de DNA podem ser separadas como um "zíper"
(fecho) por força mecânica ou altas temperaturas.[13] Como resultado desta
complementariedade, toda a informação contida numa das cadeias de DNA está também
contida na outra, o que é fundamental para a replicação do DNA. [5]

Os dois tipos de pares de base formam diferentes números de ligações de hidrogênio:


AT forma duas ligações de hidrogênio enquanto que GC formam três ligações de
hidrogênio. Desta forma a interação entre GC é mais forte que AT. Como resultado, a
percentagem de GC numa dupla fita de DNA determina a força de interação entre as
duas cadeias. [14] Uma parte da dupla cadeia de DNA que precisa de ser separada
facilmente, tal como a TATAAT Caixa de Pribnow nos promotores bacterianos, tendem
a ter as sequências com maior predomínio de AT, para facilitar a abertura da dupla
cadeia aquando da transcrição. No laboratório, a força desta interacção pode ser medida
encontrando a temperatura necessária para quebrar as ligações de hidrogénio, a
temperatura de desnaturação (também chamado Tm). Quando todos os pares de base
numa dupla hélice de ADN quebram as suas ligações, as duas cadeias separam-se e
existem em solução como duas moléculas completamente independentes. Estas
moléculas de DNA de cadeia simples não têm uma única forma comum, mas algumas
conformações são mais estáveis do que outras.[15]

TBP associada ao DNA

[editar] Fenda maior e menor

O DNA normalmente encontra-se em forma de uma espiral. Portanto, as fitas de DNA


giram uma sobre a outra e acabam por formar fendas entre os cernes de fosfatos,
deixando expostas as faces das bases nitrogenadas que não estão unidas por ligações de
hidrogênio com a base complementar.

Há dois tipos de fendas na superfície da dupla hélice: uma com 22 Å denominada fenda
maior e uma com 12 Å designada de fenda menor.[16] A principal função das “fendas”
do DNA é fornecer a informação acerca das bases que se encontram ligadas numa
determinada região da dupla cadeia sem a necessidade de a abrir. Como é de esperar, a
fenda maior oferece uma maior acessibilidade de ligação com proteínas do que a fenda
menor, mas isso não quer dizer que a fenda menor não possa interagir com proteínas.
Um exemplo disto é a TBP (TATA-binding protein) uma importante proteína para a
transcrição em eucariotas.[17]

[editar] Senso e anti-senso

Uma sequência de DNA é chamada de senso se possui a mesma sequência do RNAm.


A cadeia oposta (complementar) à cadeia "senso" é denominada sequência anti-senso.
Como a RNA polimerase sintetiza um RNA que é complementar à fita molde, então
podemos dizer que ela utiliza a cadeia anti-senso como molde para produzir um RNA.
As sequências senso e anti-senso podem existir em diferentes partes da mesma cadeia
de DNA, que pode ser de um lado ou do outro, dependendo de onde se encontra a
sequência codificadora.

Às vezes não é possível dizer qual é a cadeia senso ou anti-senso. Isto acontece devido à
existência de genes que se sobrepõem, e neste caso ambas as cadeias dão origem a um
RNA. [18] Nas bactérias, a sobreposição pode estar envolvida da regulação da
transcrição. [19] Já nos vírus, a sobreposição aumenta a capacidade do armazenamento de
informações em pequenos genomas virais. [20]

[editar] Supercoiling (super-helicoidização)

Da direita para a esquerda, a estrutura do DNA A, B e Z.

O DNA pode ser torcido num processo denominado super-helicoidização. No estado


relaxado do DNA, uma fita normalmente dá uma volta completa ao eixo da dupla hélice
a cada 10,4 pares de base, mas se o DNA está torcido, as cadeias ficam mais ou menos
enroladas. [21] Se o DNA está torcido na direção da hélice, é denominado um
supercoiling positivo e as bases estão unidas mais firmemente. Já o supercoiling
negativo refere-se a uma torção na direção oposta resultanto num afrouxamento das
bases. Na natureza, o DNA apresenta um ligeiro supercoiling negativo que é causado
pela ação de uma enzima denominada topoisomerase. [22] Estas enzimas também são
necessárias para aliviar o estresse de torção causado no DNA durante os processos de
transcrição e replicação. [23]

[editar] Estrutura alternativa da dupla hélice

O DNA pode existir em muitas formações diferentes. As formações mais comuns são:
DNA-A, DNA-B, DNA-C, DNA-D, [24] DNA-E,[25] DNA-H,[26] DNA-L,[24] DNA-P,[27] e
DNA-Z.[28] Porém, só as formações de DNA A, B e Z foram encontradas em sistemas
biológicos naturais. A formação que o DNA adopta depende de vários fatores da própria
sequência de DNA: a intensidade e direção do supercoiling, modificações químicas das
bases e a solução na qual o DNA está presente (ex.: concentração de metais, iões e
poliaminas). [29] Das três formações referidas, a forma “B” é a mais comum nas
condições encontradas nas células. [30]

A forma “A” corresponde à espiral dextra mais larga, com uma fenda menor larga e
superficial e uma fenda maior estreita e profunda. A forma “A” ocorre sob condições
não fisiológicas em amostras de DNA desidratadas, enquanto na célula pode ser
produzida por pareamento híbrido de DNA e RNA ou pelo complexo enzima-DNA. [31]
[32]
Em segmentos de DNA onde as bases foram quimicamente modificadas por
metilação, o DNA pode sofrer uma grande modificação na sua formação e adoptar a
forma DNA-Z. Aqui, a cadeia gira sobre o eixo da dupla hélice para a esquerda, o
oposto da forma mais comum – DNA-B. [33] Esta estrutura é rara e pode ser reconhecida
por proteínas especificas de ligação com o DNA-Z e podem estar envolvidas na
regulação da transcrição. [34]

[editar] Estruturas em quadruplex

Ver artigo principal: G-quadruplex

Estrutura de um quadruplex de DNA formado por repetições teloméricas. A


conformação do esqueleto de DNA é diferente da típica estrutura helicoidal[35]

Nas extremidades do cromossomas lineares estão zonas especializadas do DNA


chamadas telómeros. A função principal destas regiões é permitir que a célula replique
as extremidades do cromossoma usando a enzima telomerase, porque enzimas que
permitem replicar DNA normalmente não conseguem copiar as extremidades 3' dos
cromossomas.[36] Estas tampas de cromossoma especializadas também ajudam a
proteger as extremidades do DNA, e evitam que o sistema de reparo de DNA da célula
as trate como danos que precisassem de ser corrigidos.[37] Em células humanas, os
telómeros tem normalmente vários milhares de repetições de uma sequência simples
(TTAGGG).[38]
Estas sequências ricas em guanina podem estabilizar as extremidades dos cromossomas
formando estruturas de unidades de quatro bases empilhadas, ao invés dos pares de base
usuais encontrados em outras moléculas de DNA. Aqui, quatro bases de guanina
formam uma placa chata e depois estas unidade chatas de quatro bases empilham-se no
topo umas das outras, para formarem estruturas G-quadruplex estáveis.[39] Estas
estruturas são estabilizadas por ligações de hidrogénio entre as margens das bases e por
quelação de um ião metálico no centro de cada unidade de quatro-bases.[40] Outras
estruturas podem também ser formadas, com o conjunto central de quatro bases a vir
quer de uma cadeia simples enrolada à volta das bases ou de diversas cadeias paralelas,
cada uma contribuindo com uma base para a estrutura central.

Além destas estruturas empilhadas, os telómeros também forma grandes estruturas em


forma de laço chamados telomere loops ou T-loops. Aqui, a DNA de cadeia simples
enrola-se à volta de um círculo grande estabilizado por proteínas que se ligam a
telómeros.[41] Mesmo no fim dos T-loops, o DNA de cadeia simples do telómero é
segurado sobre uma região de DNA de cadeia dupla pela cadeia do telómero que
desestabiliza o DNA de dupla hélica e o emparelhamento de bases de uma das duas
cadeias. Esta estrutura de cadeia tripla é chamada de laço de deslocamento ou D-loop.[39]

[editar] Modificações químicas

citosina 5-metilcitosina timina


Estrutura da citosina com e sem o grupo 5-metil. Depois de deaminação, a 5-metilcitosina tem a mesma
estrutura da timina

[editar] Modificações de bases

Ver artigo principal: metilação do DNA

A expressão de genes é influenciado pela maneira que o DNA está arrumado nos
cromossomas, numa estrutura chamada cromatina. As modificações de bases podem
estar envolvidas na arrumação, com as regiões quem tem expressão génica baixa ou
inexistente contendo usualmente níveis elevados de metilação das bases de citosina. Por
exemplo, a metilação de citosina produz 5-metilcitosina, que é importante na
inactivação do cromossoma X.[42] O nível médio de metilação varia entre organismos - o
verme Caenorhabditis elegans tem pouca metilação da citosina, enquanto que
vertebrados têm níveis mais elevados, com até 1% do seu DNA contendo 5-
metilcitosina[43] Apesar da importância da 5-metilcitosina, esta pode desaminar
transformando-se em timina. Citosinas metiladas são por isso especialmente
susceptíveis de sofrer mutações.[44] Outras modificações de bases incluem metilação de
adeninas em bactérias e glicolisação do uracilo para produzir a "base-J" em organismos
da classe Kinetoplastea.[45][46]
[editar] Danificação do DNA

Ver artigo principal: Mutação

Benzopireno, o maior mutagénio no fumo do tabaco, ligando-se ao DNA[47]

O DNA pode ser danificado por muitos tipos diferentes de mutagéneos, que mudam a
sequência de DNA. Mutagénios incluem agentes oxidantes, agentes alquilantes e
também por radiação electromagnética de grande energia tal como luz ultravioleta e
raios-X. O tipo de danificação de DNA produzido depende do tipo de mutagénio. A luz
ultravioleta, por exemplo, pode danificar o DNA produzindo dímeros de timina, que são
ligações cruzadas entre pirimidinas.[48] Por outro lado, oxidantes como radicais livres ou
peróxido de hidrogénio produzem múltiplos tipos de danos, incluindo modificações de
bases, em particular guanosina, e quebras das cadeias duplas.[49] Em cada célula
humana, cerca de 500 bases sofrer danos por oxidação por dia.[50][51] De entre estas
lesões oxidativas, a mais perigos são as quebras da cadeia dupla, pois estas são difíceis
de reparar e podem produzir mutações pontuais, inserções e delecções, assim como
translocações cromossómicas.[52]

Muitos mutagénios encaixam entre o espaço entre dois pares de base adjacentes, a
chamada intercalação. A maioria dos intercaladores são aromáticos e moléculas planas
e incluem brometo de etídio, daunomicina, doxorrubicina e talidomida. Para que um
intercalador encaixe entre pares de bases, as bases tem de se separar, distorcendo as
cadeias de DNA, desenrolando a cadeia dupla. Isto inibe quer a transcrição como a
replicação do DNA, causando toxicidade e mutações. Como resultado, os intercaladores
de DNA são muitas vezes carcinogénicos. Benzopireno, acridinas, aflatoxina e brometo
de etídio são exemplos bem conhecidos.[53][54][55] No entanto, devido à sua capacidade de
inibir a transcrição e replicação, estas toxinas também são usadas em quimioterapia para
inibir células de cancro com crescimento rápido.[56]

[editar] Funções biológicas


O DNA ocorre normalmente como cromossomas lineares em eucariotas, e como
cromossomas circulares em procariotas. O conjunto dos cromossomas numa célula
perfazem o seu genoma; o genoma humano tem aproximadamente 3 mil milhões de
pares de base dispostos em 46 cromossomas.[57] A informação transportada pelo DNA
está contida nas sequências de pedaços de DNA chamados genes. A transmissão da
informação genética dos genes é conseguida via a complementaridade do
emparelhamento das bases. Por exemplo, na transcrição, quando uma célula usa a
informação num gene, a sequência de DNA é copiado para uma sequência de RNA
complementar através da atracção entre o DNA e os nucleotídeos de RNA correctos.
Normalmente, esta cópia de RNA é depois usada para fazer uma sequência proteica
correspondente no processo de tradução que depende da mesma interacção entre
nucleotídeos de RNA. Alternativamente, uma célula pode simplesmente copiar a sua
informação genética num processo chamado replicação do DNA.

[editar] Genes e genomas

Ver artigos principais: Núcleo celular, Cromatina, Cromossoma, Gene, DNA


não-codificante.

O DNA genómico está localizado no núcleo celular dos eucariontes, assim como em
pequenas quantidades em mitocôndrias e em cloroplastos. Em procariontes, o DNA está
dentro de um corpo de forma irregular no citoplasma chamado nucleóide[58] A
informação genética num genoma está nos genes, e o conjunto completo desta
informação num organismo é chamado o seu genótipo. Um gene é a unidade básica da
hereditariedade e é uma região do DNA que influencia uma característica particular
num organismo. Genes contêm uma open reading frame que pode ser transcrita, assim
como sequências reguladoras tais como promotores ou enhancers, que controlam a
transcrição da open reading frame.

Em muitas espécies, apenas uma pequena fracção da sequência total do genoma codifica
uma proteína. Por exemplo, apenas 1,5% do genoma humano consiste de exões (que
codificam proteínas), com mais de 50% do DNA humano consistindo de sequências
repetitivas.[59] As razões para a presença de tanto DNA não-codificante em genomas
eucarióticos e as extraordinárias diferenças no tamanho do genoma, ou valor C, entre
espécies representam um enigma ainda não decifrado conhecido por "C-value enigma"
(paradoxo do valor C).[60] Contudo, sequências de DNA que não codificam proteínas
podem ainda codificar moléculas de RNA não-codificante funcional, que estão
envolvidas na regulação da expressão génica.[61]
T7 RNA polimerase (azul) produzindo um mRNA (verde) a partir de um molde de
DNA (laranja).[62]

Algumas sequências de DNA não-codificante tem um papel estrutural nos


cromossomas. Os telómeros e centrómeros contêm tipicamente poucos genes, mas são
importantes para a função e estabilidade dos cromossomas.[37][63] Uma forma abundante
de DNA não codificante em humanos são pseudogenes, que são cópias de genes que
foram desabilitados por mutação.[64] Estas sequências são usualmente apenas fósseis
moleculares, apesar de poderem servir ocasionalmente como material genético em bruto
para a criação de novos genes através do processo de duplicação de genes e divergência.
[65]

[editar] Transcrição e tradução

Ver artigos principais: Código genético, Transcrição (genética), Síntese


proteica.

Um gene é uma sequência de DNA que contêm informação genética e pode influenciar
o fenótipo de um organismo. Dentro de um gene, a sequência de bases ao longo de uma
cadeia de DNA definem uma cadeia de RNA mensageiro, que por sua vez define uma
ou mais sequências proteicas. A relação entre a sequência de nucleótidos de um gene e a
sequência de aminoácidos de uma proteína é determinada pelas regras de tradução,
conhecidas colectivamente como o código genético. O código genético consiste de
'palavras' de três letras chamadas codões formadas por uma sequência de três
nucleótidos (p.e. ACU, CAG, UUU).

Na transcrição, os codões de um gene são copiados para um RNA mensageiro pela


RNA polimerase. Esta cópia de RNA é depois descodificada por uma ribossoma que lê
a sequência de RNA emparelhando o RNA mensageiro a RNA de transferência, que
carrega aminoácidos. Uma vez que há quatro bases em combinações de 3-letras, há 64
codões possíveis (43 combinações). Estas codificam os vinte aminoácidos, dando à
maioria dos aminoácidos mais do que um codão possível. Há também três codões 'stop'
ou 'nonsense' significando o fim da região codificante; estes são os codões UAA, UGA
e UAG.

Replicação de DNA. A dupla hélice é desdobrada por uma helicase e por uma
topoisomerase. Em seguida, uma DNA polimerase produz uma cópia da cadeia líder.
Outra DNA polimerase liga-se à cadeia atrasada. Esta enzima produz segmentos
descontínuos (chamados fragmentos de Okazaki) antes que a DNA ligase os juntar.

[editar] Replicação

Ver artigo principal: Replicação do DNA

A divisão celular é essencial para que um organismo cresça, mas quando uma célula se
divide tem de replicar o DNA do seu genoma para que as duas células-filha tenham a
mesma informação genética que a célula parental. A estrutura em dupla-hélice do DNA
fornece um mecanismo simples para a sua replicação. As duas cadeias são separadas e
depois sequências de DNA, complementares a cada uma das cadeias são recreadas por
uma enzima chamada DNA polimerase. Esta enzima constrói a cadeia complementar
encontrando a base correcta através de emparelhamento com a base complementar, e
ligando-a à cadeia original. Como as polimerases de DNA só conseguem fazer a
extensão de uma cadeia de DNA na direcção 5' para 3', outros mecanismos são usados
para copiar a cadeia antiparalela da dupla hélice.[66] Desta forma, a base presente na
cadeia antiga dita que base vai aparecer na nova cadeia e a célula acaba com uma cópia
perfeita do seu DNA.

[editar] Interacções com proteínas


Todas as funções do DNA dependem de interacções com proteínas. Estas interacções
com proteínas podem ser não-específicas, ou a proteína pode ligar-se especificamente a
uma única sequência de DNA. Algumas enzimas também se podem ligar ao DNA.
Destas, as polimerases que copiam as sequências de DNA na transcrição e replicação
são particularmente importantes.

[editar] Proteínas que se ligam ao DNA (DNA-binding)


Interacção do DNA com histonas (mostrado em branco, em cima). Os aminoácidos
básicos destas proteínas (em baixo à esquerda, em azul) liga-se aos grupos fosfato do
DNA (em baixo à direita, em vermelho).

Proteínas estruturais que se ligam ao DNA são exemplos bem estudados de interacções
não-específicas DNA-proteínas. Nos cromossomas, o DNA está ligado a proteínas
estruturais formando complexos. Estas proteínas organizam o DNA numa estrutura
compacta, a cromatina. Em eucariontes esta estrutura envolve a ligação do DNA a um
complexo de pequenas proteínas básicas chamadas histonas, enquanto que em
procariontes estão envolvidas vários tipos de proteínas.[67][68] As histonas formam um
complexo em forma de disco, o nucleossoma, que contem duas voltas completas de
DNA de cadeia dupla enrolado à sua volta. Estas interacções não específicas formam-se
quando os resíduos básicos das histonas fazem ligações iónicas ao esqueleto açúcar-
fosfato acídico do DNA, e por isso são largamente independentes da sequência de bases.
[69]
Modificações químicas nestes resíduos de amino-ácidos inclui metilação,
fosforilação e acetilação.[70] Estas mudanças químicas alteram a força da interacção
entre o DNA e as histonas, tornando o DNA mais ou menos acessível a factores de
transcrição e mudando a taxa de transcrição.[71] Outras proteínas com ligação a DNA
não-específicas incluem o grupo de proteínas de alta mobilidade, que se ligam a DNA
dobrado ou distorcido.[72] Estas proteínas são importantes pois dobram conjuntos de
nucleossomas e organizam-nos em estruturas maiores que perfazem os cromossomas.[73]

Um grupo distinto destas proteínas são as que se ligam especificamente a DNA de


cadeia simples. Nos humanos, a proteína de replicação A é o membro desta família
melhor compreendido e é usado em processos onde a dupla hélice é separada, incluindo
durante a replicação do DNA, recombinação e reparo.[74] Estas proteínas parecem
estabilizar DNA de cadeia dupla e protegem-no da formação de hairpin loops ou de ser
degradado por nucleases.

O factor de transcrição do hélice-volta-hélice lambda repressor ligado ao seu alvo de


DNA.[75]

Em contraste, outras proteínas evoluiram de modo a ligar-se a sequências de DNA


específicas. Os factores de transcrição são dos mais intensivamente estudados, que são
proteínas que regulam a transcrição. Cada factor de transcrição liga-se a um conjunto
particular de sequências de DNA e activa ou inibe a transcrição de genes que tenham
estas sequências perto dos seus promotores. Os factores de transcrição fazem isto de
duas maneiras. Primeiro, podem ligar-se à polimerase do RNA responsável pela
transcrição, quer directamente quer através de proteínas mediadoras; isto posiciona a
polimerase no promotor e permite que comece a transcrição.[76] Em alternativa, os
factores de transcrição podem ligar-se a enzimas que modificam as histonas no
promotor; isto muda a acessibilidade do molde de DNA à polimerase.[77]

Como estes locais de ligação podem ocorrer pelo genoma inteiro de um organismo,
mudanças na actividade de um tipo de factor de transcrição pode afectar milhares de
genes.[78] Por consequência, estas proteínas são muitas vezes alvo de processos de
transdução de sinal que controlam respostas a mudanças ambientais ou diferenciação e
desenvolvimento celular. A especificidade da interacção destes factores de transcrição
com o DNA provem das proteínas que fazem contactos múltiplos com a beira das bases
de DNA, permitindo a "leitura" da sequência de DNA, A maior parte destas interacções
com bases fazem-se na fenda maior, onde as bases estão mais acessíveis.[79]

A enzima de restrição EcoRV (verde) num complexo com o seu ADN substrato DNA.
[80]

[editar] Enzimas que modificam o ADN

[editar] Nucleases e ligases

As nucleases são enzimas que cortam as cadeias de ADN mediante a catálise da


hidrólise das ligações fosfodiéster. As nucleases que hidrolizam nucleótidos apartir dos
extremos das cadeias de ADN denominam-se exonucleases, enquanto que as
endonucleases cortam no interior das cadeias. As nucleases que se utilizam com maior
frequência em biologia molecular são as enzimas de restrição, endonucleases que
cortam o ADN em sequências específicas. Por exemplo, a enzima EcoRV, mostrada à
esquerda, reconhece a sequência de 6 bases 5′-GAT|ATC-3′ e faz um corte em ambas as
cadeias na linha vertical indicada, gerando duas moléculas de ADN. Outras enzimas de
restrição geram, no entanto, extremidades coesivas, já que cortam de forma diferente as
duas cadeias de ADN. Na natureza, estas enzimas protegem as bactérias contra as
infecções de fagos, ao digerir o ADN do fago quando entra através da parede
bacteriana, actuando como um mecanismo de defesa.[81] Em biotecnologia, estas
nucleases específicas utilizam-se na clonagem molecular e na técnica de impressão de
ADN (DNA fingerprinting, em inglês).
As enzimas denominadas DNA ligases podem reunir pedaços de ADN cortados ou
quebrados.[82] As ligases são particularmente importantes na replicação do ADN da
cadeia atrasada de ADN, já que unem os fragmentos curtos de ADN generados no garfo
de replicação para formar uma copia completa do molde de ADN. Também se utilizam
no reparo de ADN e na recombinação genética.[82]

[editar] Topoisomerases e helicases

As topoisomerases são enzimas que possuem a actividade nuclease e ligase. Estas


proteínas mudam a quantidade de ADN superenrolado. Algumas destas enzimas
funcionam cortando a hélice de ADN e permitindo a uma secção que faça rotação, de
maneira a reduzir o grau de superenrolamento; uma vez feito isto, a enzima volta a unir
os fragmentos de ADN.[22] Otros tipos de enzimas são capazes de cortar uma hélice de
ADN e depois passar a segunda cadeia de ADN através desta quebra, antes de reunir as
hélices.[83] As topoisomerases são necessárias para muitos processos em que intervém o
ADN, como a replicação do ADN e a transcrição.[23]

As helicases são proteínas que pertencem ao grupo dos motores moleculares. Utilizam
energia química armazenada nos trifosfatos de nucleósidos, fundamentalmente ATP,
para romper ligações de hidrógeno entre bases e separar a dupla hélice de ADN em
cadeias simples.[84] Estas enzimas são essenciais para a maioria dos processos em que as
enzimas necessitam de aceder às bases do ADN.

[editar] Polimerases

As polimerases são enzimas que sintetizam cadeias de nucleótidos a partir de trifosfatos


de nucleósidos. A sequência de seus produtos são cópias de cadeias de polinucleótidos
existentes, que se denominam moldes. Estas enzimas funcionam adicionando
nucleótidos ao grupo hidróxilo em 3' do nucleótido anterior numa cadeia de ADN. Por
consequência, todas as polimerasas funcionam na direcção 5′ --> 3′.[85] Nos sítios activos
destas enzimas, o trifosfato de nucleósido que se incorpora emparelha a sua base com a
correspondente no molde: isto permite que a polimerase sintetize de forma precisa a
cadeia complementar ao molde.

As polimerases clasificam-se de acordo com o tipo de molde que utilizam:

• Na replicação do ADN, uma ADN polimerase dependente de ADN realiza


uma cópia de ADN a partir de uma sequência de ADN. A precisão é vital neste
processo, por isso muitas destas polimerases possuem uma actividade de
verificação de leitura (proofreading). Mediante esta actividade, a polimerase
reconhece erros ocasionais na reacção de síntese, devido à falta de
emparelhamento entre o nucleótido erróneo e o molde, o que gera um
desacoplamento (mismatch). Se se detecta um desacoplamento, activa-se uma
actividade exonuclease na direcção 3′ --> 5′ e a base incorrecta é eliminada.[86]
Na maioria dos organismos, as ADN polimerases funcionam num grande
complexo denominado replissoma, que contém múltiplas unidades acessórias,
como helicases.[87]
• As ADN polimerases dependentes de ARN são uma classe especializada de
polimerases que copiam a sequência de uma cadeia de ARN em ADN. Incluem
a transcriptase reversa, que é uma enzima viral implicada na infecção de células
por retrovírus, e a telomerase, que é necessária para a replicação dos telómeros.
[36][88]
A telomerase é uma polimerase inusual, porque contém o seu próprio
molde de ARN como parte da sua estrutura.[37]
• A transcrição é levada a cabo por uma ARN polimerase dependente de ADN
que copia a sequência de uma das cadeias de ADN em ARN. Para começar a
transcrever um gene, a ARN polimerase une-se a uma sequência do ADN
denominada promotor, e separa as cadeias de ADN. Então copia a sequência do
gene num transcrito de ARN mensageiro até que alcança uma região do ADN
denomimada terminador, onde se detém e se separa do ADN. Como ocorre com
as ADN polimerases dependentes de ADN em humanos, a ARN polimerase II (a
enzima que transcreve a maioria dos genes do genoma humano) funciona como
um grande complexo multiproteíco que contém múltiplas subunidades
reguladoras e accessórias.[89]

[editar] Recombinação genética

Estrutura de um intermediário em junção de Holliday na recombinação genética. A


quatro cadeias de ADN separadas estão coloridas em vermelho, azul, verde e amarelo.
[90]

Ver artigo principal: Recombinação genética


A recombinação implica a rotura e reunião de dois (M e F) para produzir dois
cromossomas novos, reorganizados (C1 e C2).

Uma hélice de ADN normalmente não interage com outros segmentos de ADN, e nas
células humanas os diferentes cromossomas ocupam áreas separadas no núcleo celular
denominadas “territórios cromossómicos”.[91] A separação física dos diferentes
cromossomas é importante para que o ADN mantenha a sua capacidade de funcionar
como um armazém estável de informação. Um dos poucos momentos em que os
cromossomas interagem é durante o sobrecruzamento cromossómico (chromosomal
crossover, em inglês), durante o qual se recombinam. O sobrecruzamento
cromossómico ocorre quando duas hélices de ADN se rompem, sofrem intercâmbio e se
unem novamente.

A recombinação permite aos cromossomas trocar informação genética e produzir novas


combinações de genes, o que aumenta a eficiência da selecção natural e pode ser
importante na evolução rápida de novas proteínas.[92] Durante a profase I da meiose,
uma vez que os cromossomas homólogos estão perfeitamente emparelhados formando
estruturas que se denominam bivalentes, produz-se o fenómeno de sobrecruzamento ou
entrecruzamento (crossing-over), no qual os cromatídeos homólogas não irmãos
(procedentes do pai e da mãe) trocam material genético. A recombinação genética
resultante faz aumentar em grande medida a variação genética entre a descendência de
progenitores que se reproduzem por via sexual. A recombinação genética também pode
estar implicada na reparação do ADN, em particular na resposta celular às roturas da
dupla cadeia (double-strand breaks).[93]

A forma mais frequente de sobrecruzamento cromossómico é a recombinação


homóloga, na qual os dois cromossomas implicados compartilham sequências muito
similares. A recombinação não-homóloga pode ser danosa para as células, já que pode
produzir translocações cromossómicas e anormalidades genéticas. A reacção de
recombinação é catalisada por enzimas conhecidas como recombinases, tais como a
RAD51.[94] O primeiro passo no processo de recombinação é uma rotura da dupla
cadeia, causada por uma endonuclease ou por dano no ADN.[95] Posteriormente, uma
série de passos catalisados em parte pela recombinase conduz à união das duas hélices
formando pelo menos uma junção de Holliday, na qual um segmento de uma cadeia
simples é anelada com a cadeia complementar na outra hélice. A junção de Holliday é
uma estrutura de união tetraédrica que pode mover-se ao longo do par de cromossomas,
intercambiando uma cadeia por outra. A reacção de recombinação detém-se pelo corte
da união e a reunão dos segmentos de ADN libertados.[96]

[editar] Evolução do metabolismo de ADN


Ver artigo principal: Hipótese do mundo de ARN

O ADN contém a informação genética que permite à maioria dos organismos vivos
funcionar, crescer e reproduzirem-se. No entanto, não é claro durante quanto tempo
exerceu esta função nos ~3000 milhões de anos desde a história da vida, já que se
propôs que as formas de vida mais precoces poderiam ter utilizado ARN como material
genético.[85][97] O ARN poderia ter funcionado como parte central de um metabolismo
primigénio, já que pode transmitir informação genética e simultaneamente actuar como
catalizador, formando parte das ribozimas.[98] Este antigo mundo de ARN onde os ácidos
nucleicos funcionariam como catalisadores e como armazéns de informação genética
poderia ter influenciado na evolução do código genético actual, baseado em quatro
nucleótidos. Isto se deveria a que o número de bases únicas num organismo é um
compromisso entre um número pequeno de bases (o que aumentaria a precisão da
replicação) e um número grande de bases (que por sua vez aumentaria a eficiência
catalítica das ribozimas).[99]

Infelizmente, não dispomos de evidência directa dos sistemas genéticos ancestrais,


porque a recuperação do ADN a partir da maior parte dos fósseis é impossível. Isto se
deve a que o ADN é capaz de sobreviver no meio ambiente durante menos de um
milhão de anos, e logo começa a degradar-se lentamente em fragmentos de menor
tamanho em solução.[100] Algumas investigações pretendem a obtenção de ADN mais
antigo, por exemplo o isolamento de uma bactéria viável a partir de um cristal salino de
250 milhões de anos de antiguidade,[101] mas estes dados são controversos.[102][103]

No entanto, podem utilizar-se ferramentas de evolução molecular para inferir os


genomas de organismos ancestrais a partir de organismos contemporâneos.[104][105] Em
muitos casos, estas inferências são suficientemente fiáveis, de maneira que uma
biomolécula codificada num genoma ancestral pode ser ressuscitada no laboratorio para
ser estudada hoje.[106][107] Uma vez que a biomolécula ancestral foi ressuscitada, as suas
propriedades podem oferecer inferências sobre ambientes e estilos de vida primigénios.
Este processo relaciona-se com o campo emergente da paleogenética experimental.[108]
Apesar de tudo, o processo de trabalho até atrás desde o presente tem limitações
inerentes, razão pela qual outros investigadores tratam de elucidar o mecanismo
evolutivo trabalhando desde a origem da Terra até adiante no tempo. Dada suficiente
informação sobre a química no cosmos, como as substâncias cósmicas poderiam haver-
se depositado na Terra, e as transformações que poderiam ter tido lugar na superfície
terrestre primigénia, talvez poderíamos ser capazes de aprender sobre as origens para
desenvolver modelos de evolução da informação genética até diante no tempo.

[editar] Aplicações
[editar] Engenharia genética

Ver artigos principais: Engenharia genética, biologia molecular.

A investigação sobre o ADN tem um impacto significativo, especialmente no âmbito da


medicina, mas também na agricultura e criação de gado (onde os objectivos são os
mesmos que com as técnicas tradicionais que o homem utiliza desde há milénios - a
domesticação, a selecção e os cruzamentos dirigidos - para obter raças de animais e
plantas mais produtivos). A moderna biologia e bioquímica fazem uso intensivo da
tecnologia do ADN recombinante, introduzindo genes de interesse em organismos, com
o objectivo de expressar uma proteína recombinante concreta, que pode ser:

• isolada para seu uso posterior: por exemplo, podem-se transformar


microorganismos para os converter em autênticas fábricas que produzem
grandes quantidades de substâncias úteis, como a insulina, que posteriormente se
isolam e se utilizam em terapias.[109][110][111]
• necessária para substituir a expressão de um gene endógeno danificado que dê
lugar a uma patologia, o que permitiria o restabelecimento da actividade da
proteína perdida e eventualmente a recuperação do estado fisiológico normal,
não patológico. Este é o objectivo da terapia genética, um dos campos em que se
está a trabalhar activamente em medicina, analisando vantagens e
inconvenientes de diferentes sistemas de administração do gene (virais e não
virais) e os mecanismos de selecção do ponto de integração dos elementos
genéticos (distintos para os vírus e transposões) no genoma alvo.[112] Neste caso,
antes de apresentar-se a possibilidade de realizar uma terapia génica numa
determinada patologia, é fundamental compreender o impacto do gene de
interesse no desenvolvimento de dita patologia, para o qual é necessário o
desenvolvimento de um modelo animal, eliminando ou modificando dito gene
num animal de laboratório, mediante a técnica knockout.[113] Só no caso de os
resultados no modelo animal sejam satisfatórios se procederia a analisar a
possibilidade de restabelecer o gene danificado mediante terapia génica.
• utilizada para enriquecer um alimento: por exemplo, a composição do leite (que
é uma importante fonte de proteínas para o consumo humano e animal) pode
modificar-se mediante transgénese, adicionando genes exógenos e inactivando
genes endógenos para melhorar o seu valor nutricional, reduzir infecções nas
glândulas mamárias, proporcionar aos consumidores proteínas antipatogénicas e
preparar proteínas recombinantes para o uso farmacêutico.[114][115]
• útil para melhorar a resistência do organismo transformado: por exemplo, em
plantas podem-se introduzir genes que conferem resistência a agentes
patogénicos (vírus, insectos, fungos), assim como a agentes estressantes
abióticos (salinidade, seca, metais pesados).[116][117][118]

[editar] Medicina forense

Os médicos forenses podem utilizar o ADN presente no sangue, no sémen, na pele, na


saliva ou em pelos, existentes na cena de um crime, para identificar o responsável. Esta
técnica denomina-se impressão genética, ou também perfil de ADN. Ao realizar a
impressão genética, compara-se o comprimento de secções altamente variáveis do ADN
repetitivo, como os microssatélites, entre pessoas diferentes. Este método é
frequentemente muito fiável para identificar um criminoso.[119] No entanto, a
identificação pode complicar-se se a cena do crime estiver contaminada com ADN de
pessoas diferentes.[120] A técnica da impressão genética foi desenvolvida em 1984 pelo
geneticista britânico Sir Alec Jeffreys,[121] e utilizada pela primeira vez em medicina
forense para condenar Colin Pitchfork por causa dos assassinatos de Narborough (Reino
Unido) em 1983 e 1986.[122] Pode-se requerer às pessoas acusadas de certos tipos de
crimes que proporcionem una amostra de ADN para ser introduzida numa base de
dados. Isto tem facilitado o trabalho dos investigadores na resolução de casos antigos,
onde só se obteve uma amostra de ADN da cena do crime, em alguns casos permitindo
exonerar um convicto. A impressão genética também pode ser utilizado para identificar
vítimas de acidentes em massa,[123] ou para realizar provas de consanguinidade.[124]

[editar] Bioinformática

Ver artigo principal: Bioinformática

A bioinformática implica a manipulação, busca e extracção de informação dos dados da


sequência do ADN. O desenvolvimento das técnicas para armazenar e procurar
sequências de ADN gerou avanços no desenvolvimento de software para computadores,
para muitas aplicações, especialmente algoritmos de busca de frases, aprendizagem
automática e teorias de bases de dados.[125] A busca de frases ou algoritmos de
coincidências, que procuram a ocorrência de uma sequência de letras dentro de uma
sequência de letras maior, desenvolveu-se para buscar sequências específicas de
nucleótidos.[126] Em outras aplicações como editores de textos, inclusive algoritmos
simples podem funcionar, mas as sequências de ADN podem gerar que estes algoritmos
apresentem um comportamento de quase o pior caso, devido ao baixo número de
caracteres. O problema relacionado do alinhamento de sequências persegue identificar
sequências homólogas e localizar mutações específicas que as diferenciam. Estas
técnicas, fundamentalmente o alinhamento múltiplo de sequências, utilizam-se ao
estudar as relações filogenéticas e a função das proteínas.[127] As colecções de dados que
representam sequências do ADN do tamanho de um genoma, tais como as produzidas
pelo Projecto Genoma Humano, são difíceis de usar sem anotações, que marcam a
localização dos genes e dos elementos reguladores em cada cromossoma. As regiões de
ADN que têm padrões associados com genes que codificam proteínas ou genes
codificantes de ARN, podem identificar-se por algoritmos de localização de genes, o
que permite aos investigadores predizer a presença de produtos génicos específicos num
organismo mesmo antes que se tenha isolado experimentalmente.[128]

[editar] Nanotecnologia de ADN

Ver artigo principal: Nanotecnologia

A nanotecnologia de ADN utiliza as propriedades únicas de reconhecimento molecular


de ADN e outros ácidos nucleicos para criar complexos ramificados auto-ensamblados
com propriedades úteis. Neste caso, o ADN utiliza-se como um material estrutural, mais
que como um portador de informação biológica.[129] Isto conduziu à criação de lâminas
periódicas de duas dimensões (ambas baseadas em azulejos, assim como usando o
método de "ADN origami"), para além de estruturas em três dimensiones com forma de
poliedros.

[editar] História e antropologia

Ver artigos principais: Filogenia, Genealogia molecular.

O ADN armazena mutações com o tempo, que se herdam, e portanto contém


informação histórica, de maneira que comparando sequências de ADN, os geneticistas
podem inferir a história evolutiva dos organismos, a sua filogenia.[130] O campo da
filogenia é uma ferramenta potente na biologia evolutiva. Se se compararem as
sequências de ADN dentro de uma espécie, os geneticistas de populações podem
conhecer a história de populações particulares. Isto pode-se utilizar numa ampla
variedade de estudos, desde ecologia até antropologia; por exemplo, evidência baseada
na análise de ADN está a ser utilizada para identificar as Dez Tribos Perdidas de Israel.
[131][132]
Por outro lado, o ADN també se utiliza para estudar relaciones familiares
recentes.

[editar] Vida
Cada ser vivo que habita a Terra possui uma codificação diferente de instruções escritas
na mesma linguagem no seu ADN. Estas diferenças geram as diferenças orgânicas entre
os organismos vivos.

Diferentes níveis de condensação do ADN. (1) Cadeia simples de ADN . (2) Filamento
de cromatina (ADN com histonas). (3) Cromatina condensada em intérfase com
centrómeros. (4) Cromatina condensada em prófase. (Existem agora duas cópias da
molécula de ADN) (5) Cromossoma em metáfase

A dupla cadeia polinucleotídica constitui a molécula de ADN, cuja seqüência de


nucleotídeos codifica as instruções hereditárias, organizadas em genes, que codificam as
inúmeras proteínas existentes nas mais variadas células. As moléculas de ADN contêm
portanto a informação genética necessária para a codificação das características de um
indivíduo, como a cor do cabelo em humanos, o formato da folha em Angiospermas e a
sua morfologia.

O ADN de todas as células do corpo humano seria equivalente, se fosse visível a olho
nu, em comprimento, a oito mil vezes a distância da Terra à Lua.

[editar] Criação das moléculas


Erupções vulcânicas seriam comuns na terra primitiva

Presume-se que a Terra, ao se formar de poeira e gases interestelares há


aproximadamente 4,6 bilhões (ou mil milhões (Português de Portugal)) de anos, já continha os
elementos que posteriormente seriam a base da vida.

Através dos registos fósseis estudados, alguns cientistas afirmam que a vida se
desenvolveu em torno de 4 bilhões de anos atrás nos oceanos primitivos do planeta.
Segundo alguns, a complexidade das primeiras formas vivas era muito menor que a de
qualquer organismo unicelular, que pode ser considerado um ser vivo altamente
sofisticado em relação àquelas.

Presume-se que em reacções das mais diversas, influenciadas pela luz ultravioleta do
Sol, relâmpagos, etc, iniciaram as composições de moléculas bastante simples. Estas
eram ricas em hidrogénio procedente da atmosfera primitiva.

Ao avançar do tempo, iniciou-se um processo que levou aqueles fragmentos primitivos


a se combinarem e recombinarem, o que gerou moléculas cada vez mais complexas.

Os oceanos da Terra assemelhavam-se a um caldo orgânico porém, ainda não eram


vivos. À medida em que a complexidade das moléculas aumentava, começaram a surgir
algumas que iniciaram um processo grosseiro de copiarem a si mesmas.

Estas eram provavelmente as primeiras ancestrais do ácido desoxirribonucléico, ou


ADN, molécula principal da vida na Terra.

[editar] Evolução

A Wikipédia possui o
Portal de Evolução

Ver artigos principais: Introdução à evolução e Evolução.

Alguns cientistas afirmam que o planeta Terra era um Jardim do Éden molecular, há
cerca de quatro mil milhões de anos. As moléculas reproduziam-se de forma ineficiente,
produzindo-se cópias grosseiras. Neste tipo de cenário ocorreram as primeiras
replicações, mutações, e extinções de forma selectiva e aleatória. As variedades menos
eficientes foram sendo eliminadas, enquanto aquelas que conseguiam sobreviver
tornaram-se cada vez mais eficientes a cada geração - evolução.

Avançando-se no tempo, as moléculas orgânicas foram adquirindo mais e mais funções


especializadas, foram-se juntando aos poucos e de forma casual. A princípio, pode-se
dizer que estas colectividades moleculares formaram algo parecido com o primeiro ser
vivo composto a partir de algum momento por um ADN funcional.

[editar] Bibliografia
• Introdução à genética, Riffiths, Wessler, Lewontin, Gesbart, suzuki, Miller, 8º
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[editar] Ver também


• Ácido ribonucleico
• Exão
• Gene
• Intrão
• Proteína
• Seqüência de ADN
• Transcrição

[editar] Ligações externas

O Wikimedia Commons possui multimedia sobre Ácido desoxirribonucleico

• The Secret Life of DNA - DNA Music compositions (em inglês)


• The Register of Francis Crick Personal Papers 1938 - 2007 (em inglês) na
Mandeville Special Collections Library, Geisel Library, University of
California, San Diego
• DNA Interactive (em inglês) Sítio do Dolan DNA Learning Center que inclui
dezenas de animações assim como entrevistas com James Watson e outros
(requer Adobe Flash)
• DNA from the Beginning (em inglês) Sítio da DNA Learning Center sobre
DNA, genes e hereditariedade desde Mendel até ao Projecto Genoma Humano
• Double Helix 1953–2003 (em inglês) National Centre for Biotechnology
Education
• Double helix: 50 years of DNA (em inglês) , Nature
• Contribuição de Rosalind Franklin para o estudo do ADN (em inglês)
• U.S. National DNA Day (em inglês) — Veja vídeos e participe em chat em
tempo real com cientistas de topo
• Genetic Education Modules for Teachers (em inglês) — DNA from the
Beginning Study Guide
• Oiça Francis Crick e James Watson a falar para a BBC en 1962, 1972 e 1974
(em inglês)
• DNA sob microscópio electrónico (em inglês)
• Enrolamento de DNA para formar cromossomas (em inglês)
• DISPLAR: Predição de sítios de ligação ao ADN em proteínas (em inglês)
• Dolan DNA Learning Center (em inglês)
• [Olby, R. Olby] (em inglês) ] (2003) "Quiet debut for the double helix" Nature
421 (January 23): 402–405.
• guia básico animado de clonagem de ADN (em inglês)
• DNA the Double Helix Game (em inglês) - Do sítio oficial do Prémio Nobel

Ácidos nucleicos
Bases nitrogenadas: Adenina - Timina - Uracilo - Guanina - Citosina - Purina - Pirimidina
Nucleosídeos: Adenosina - Uridina - Guanosina - Citidina - Desoxiadenosina - Timidina -
Desoxiguanosina - Desoxicitidina - Inosina
Nucleotídeos: AMP - UMP - GMP - CMP - ADP - UDP - GDP - CDP - ATP - UTP - GTP - CTP -
AMPc - GMPc
Desoxinucleotídeos: dAMP - dTMP - dUMP - dGMP - dCMP - dADP - dTDP - dUDP - dGDP -
dCDP - dATP - dTTP - dUTP - dGTP - dCTP
Ácidos nucleicos: DNA - RNA - PNA - RNAm - miRNA - RNAr - RNAt - DNAmt -
Oligonucleotídeo