Tendências recentes da mobilidade espacial da população no Estado do Rio de Janeiro

Antônio Tadeu Ribeiro de Oliveira*

A partir da inquietação sobre explicações que, embora fornecessem importante contribuição, soavam um tanto incompletas para explicar as migrações, este artigo propõe-se a refletir sobre a mudança do comportamento que vem ocorrendo nos deslocamentos populacionais no Brasil, a partir da década de 1980, observando, particularmente, os processos migratórios que envolveram o Estado do Rio de Janeiro, que se configura, simultaneamente, como área de atração e expulsão de população. Considerando-se a Demografia um campo do conhecimento que, na sua essência, traz a ideia de processo de mudanças, que refletem as relações sociais inscritas em cada momento histórico, parte-se da hipótese de que os processos de (i)mobilidade da força de trabalho responderia ao modelo de desenvolvimento vigente do capital. O presente estágio de desenvolvimento, em que prevalece o modelo de acumulação flexível, estaria determinando novas estratégias de localização das atividades produtivas, novos modos de regulação das relações capital-trabalho, bem como alterações nas estruturas das categorias ocupacionais, que, em última instância, estariam ditando o novo modo como o capital vem mobilizando a força de trabalho. Palavras-chave: Migração interna. Mobilidade espacial. Padrão de acumulação.

Introdução Nas últimas décadas do século XX e início do XXI, estão sendo observadas profundas alterações no comportamento do fenômeno migratório no Brasil, destacandose: inversão nas correntes principais nos Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro; redução da atratividade migratória exercida pelo Estado de São Paulo; aumento da retenção de população na região Nordeste; novos eixos de deslocamentos populacionais em direção às cidades médias no interior do país; aumento da importância e diversificação dos deslocamentos pen-

dulares; esgotamento e seletividade na expansão da fronteira agrícola; migração de retorno para o Paraná; o fato de 14 das 27 Unidades da Federação caracterizarem-se como espaços de rotatividade migratória, quando calculados os respectivos Índices de Eficácia Migratória; e a incerteza sobre o comportamento da mobilidade dos brasileiros na escala internacional, ressaltando-se a importância das migrações de retorno. Para tentar apreender essas transformações, focando-se especificamente o Estado do Rio de Janeiro (ERJ), a hipótese subjacente à presente investigação está vinculada à noção de que os processos

* Doutor em Demografia, técnico do IBGE e professor assistente do Centro Universitário da Cidade.

R. bras. Est. Pop., Rio de Janeiro, v. 27, n. 1, p. 89-113, jan./jun. 2010

Oliveira, A.T.R.

Tendências recentes da mobilidade espacial da população no Estado do Rio de Janeiro

de mobilidade e imobilidade da força de trabalho são determinados de acordo com as características do padrão de acumulação que vigoram numa determinada sociedade. No entanto, para abordar as relações entre os fatores macroeconômicos e o desenvolvimento dessa componente da dinâmica populacional, é importante situar o modo como a Demografia, enquanto campo do conhecimento científico, é tratada no escopo do presente artigo. Aqui, a Demografia é pensada de forma crítica, sendo a população em estudo produto de relações sociais e de produção, e sua composição e volume frutos de processos que se desenvolvem ao longo do tempo, ou seja, a referida população deve necessariamente estar inscrita historicamente, ao contrário do conceito de população, como se conhece nos dias de hoje, em que o povo seria o agregado de todos os indivíduos, sendo a categoria indivíduo (livre) a base do conceito moderno de população. Quer dizer, tanto no pensamento liberal quanto no demográfico, a unidade anularia a diversidade, o indivíduo é desprovido de suas roupagens sociais e históricas, embora esse não faça outra coisa senão fundar a diferença, a distinção, a diversidade e a alteridade que se escondem atrás dos números. Em suma, a população, vista na ausência das relações sociais, não passaria de uma abstração (CANALES, 2001). O conceito de processo, a ser adotado, é aquele que aponta para a realidade em movimento, na medida em que ela distingue modos de ser, aspectos, fases, elementos, referenciados às diferentes ações sociais, econômicas e políticas em que a população se organiza para produzir e reproduzir suas condições de existência. Dessa forma, a população evoluiria segundo os meios de reprodução que dispusesse. A expressão reproduzir guardaria duplo sentido: o produzir, pelo indivíduo, sua existência pessoal, sua sobrevivência; e o produzir a existência em geral, a da espécie, ou seja, reproduzir-se (PINTO, 1973).

Colocam-se como objetivos dessa pesquisa: mostrar que as mudanças no padrão de acumulação, nessa etapa de desenvolvimento do capitalismo, têm impactos sobre os deslocamentos populacionais; caracterizar como estrutural a crise econômica no Estado do Rio de Janeiro e descrever as diversas etapas dos processos migratórios; e relacionar as mudanças ocorridas no fenômeno migratório no Estado do Rio de Janeiro às transformações gerais implantadas nesse modelo de desenvolvimento, objetivando evidenciar, particularmente, o impacto dessas mudanças nas estruturas ocupacionais e na distribuição espacial das atividades econômicas. O trabalho é dividido em três partes e considerações finais. Na primeira, aborda-se o marco teórico e conceitual da discussão, procurando resgatar a correlação entre migrações e etapas do desenvolvimento do capital, debater com as mais diversas correntes de pensamento sobre o fenômeno migratório, baseando-se nas abordagens recentes, além de apresentar a discussão sobre as transformações do modelo fordista de acumulação do capital para o modelo flexível. A segunda parte é dedicada a mostrar que a crise econômica no Rio de Janeiro teve um caráter estrutural, que data do início do século XX, refletindo no comportamento dos deslocamentos populacionais até o registro de saldo migratório negativo nos anos 1980, como também nas transformações na distribuição espacial das atividades econômicas no Estado a partir dessa década. A parte final é voltada ao estudo da inserção nas categorias profissionais e da precarização da força de trabalho migrante, utilizando-se o quesito de data fixa,1 que descreverá os períodos de 1986-1991, 1995-2000 e a tendência para 2001-2006, para o Estado do Rio de Janeiro e sua Região Metropolitana. A mobilidade populacional na esfera do capitalismo Mesmo antes de o capitalismo se afirmar como modo de produção, os processos

1 O quesito de data fixa trata dos deslocamentos populacionais, com caráter de mudança de residência, entre duas datas

determinadas, neste caso cinco anos antes de cada data de referência dos levantamentos estatísticos considerados.

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Mais à frente. R. Marx (1973)./jun. A. fazendo com que se incrementassem as grandes possessões. no século XVIII. Chama-se primitiva porque seria a pré-história do capital e do regime capitalista de produção.2 apontava os reflexos desse fenômeno nos deslocamentos populacionais. Nessa fase de transição entre os modos de produção. Tratando esses elementos como fatos históricos. avançou a destruição das indústrias rurais secundárias. 1998). 1973). apresentaria um problema já na sua origem. Rio de Janeiro.Oliveira. Estes deveriam se tornar móveis. desocupados e mendigos.. ao mesmo tempo em que a mobilidade era produzida. editando leis que impedissem a imobilidade: todos os capacitados fisicamente deveriam trabalhar. no sentido de buscar alguma ocupação. Só a destruição da indústria doméstica rural poderia dar ao mercado interior de um país as proporções e firmeza que necessitava o regime capitalista de produção (MARX. (GAUDEMAR. com contratos anuais. ao mesmo tempo. 89-113. Diante dessa situação. jan. 27. 1977. nas mesmas ocupações da situação anterior. os bens de domínio público eram despojados e ocorria uma depredação sistemática dos terrenos comunitários. n.19) Isto significa que os movimentos populacionais que não se enquadrem nessa lógica do capital seriam indesejáveis. entre os elementos trazidos por Marx e Castel. [. pois é inerente a esse padrão de acumulação. bras. v. Destacam-se. Tendências recentes da mobilidade espacial da população no Estado do Rio de Janeiro de mobilidade espacial já respondiam aos efeitos daquela transição no modelo de acumulação. Só interessam ao capital aquelas que asseguram a sua valorização. Com a desapropriação dos camponeses e seu afastamento dos meios de reprodução. como as grandes fazendas capitalistas e fazendas de comerciantes. o Estado exercia seu papel. com esse tipo de força de trabalho devendo ficar imóvel. À medida que o camponês era substituído por pequenos colonos.. Pop.. Por outro lado. possibilitando a entrada de outra forma de produzir. desejava-se que permanecessem onde estavam. nem para a mudança nas formas de inserções ocupacionais. já inseridos. que se viram obrigados a se submeterem às ordens dos novos “patrões” ou a se deslocarem para tentar sua reprodução em outro lugar. quer correspondam a uma intensificação ou a uma produtivização acrescidas. A mobilização dos trabalhadores assume aspecto central porque a mobilidade 2 A acumulação primitiva seria o processo histórico de afastamento do produtor dos seus meios de produção. 1973). Est. na vontade de apenas encorajar estas únicas movimentações. aos “outros”. a abordagem clássica. ou naquelas em que seu senhor atual determinasse (CASTEL. duas dimensões que se contrapõem ao pensamento liberal: o grau de liberdade na tomada de decisão sobre migrar ou não migrar daquelas populações campesinas. p. Esse processo foi marcado pela expropriação da terra dos antigos lavradores. que apregoa a livre escolha individual no processo decisório sobre o ato de migrar e a “mão invisível” do mercado como fator de equilíbrio.] nem todas as movimentações de mãode-obra são equivalentes. conhecidas. a mobilidade dos “vagabundos” e a imobilidade dos que já estavam envolvidos em algum tipo de processo produtivo. Esse processo deixou a população campesina disponível como proletária a serviço da indústria (MARX.R. vistos como imóveis. 2010 91 . E é sem dúvida aí. marcada pelo processo de diferenciação entre a indústria e a agricultura. e o relevado destaque do papel do Estado no processo de transição de um modo de produção para outro. uma reflexão sobre a forma como se desenvolvem os deslocamentos de população sob a égide do capitalismo sinaliza que a contradição entre mobilidade e imobilidade permanece. as cidades não estavam preparadas para o afluxo de pessoas. Essas medidas visavam atingir aos vagabundos. do trabalho. 1. que reside o caráter novo das estratégias contemporâneas da mobilidade. p.T. ao tratar daquilo que denominou acumulação primitiva. Essas atitudes levavam ao paradoxo de desejarem provocar. quer se dirijam para os espaços da polarização capitalista próprios para os absorver.

O problema da melhor apreensão do fenômeno residiria no fato de os pesquisadores darem ênfase ao dimensionamento dos deslocamentos espaciais. A forte crise econômica associada à capacidade ociosa das corporações obrigou o ingresso num período de racionalização. que geravam a migração e mobilizavam um exército industrial de reserva. novas linhas de produto. O que havia de especial no fordismo era a visão de que produção em massa significava consumo em massa. 1977). Esse modelo de intensa mobilização de força de trabalho. ficando a ideia de mobilidade da força de trabalho esquecida ou em segundo plano nos modelos explicativos (GAUDEMAR. com todos os seus reflexos na regulação da economia. aparecem pela necessidade de produção e consumo em massa. Assim.T. a mudança de um modo de produção para outro (GAUDEMAR. O modelo de produção fordista seria substituído então por um padrão de acumulação flexível.. econômicas. bem como da rotatividade da força de trabalho. bras. culturais. fundado em três grandes condições históricas. reestruturação e intensificação do controle do trabalho.Oliveira. Todavia.3 se esgota quando o padrão de acumulação fordista entra em crise e. em que estariam sendo verificados a emergência de modos flexíveis de acumulação do capital e um novo ciclo “compressão do tempo-espaço” na organização do capitalismo. medidas para acelerar o giro de capital passaram ao primeiro plano. 1. 89-113. A. Ela se apóia na flexibilidade 3 Endogeneidade da (re)produção da força de trabalho. etc. automação. essas mudanças mais seriam transformações de aparência superficial do que sinais de surgimento de alguma sociedade pós-capitalista ou mesmo pós-industrial inteiramente nova. “O período de 1965/73 tornou cada vez mais evidente a incapacidade do fordismo e do keynesianismo conter as contradições inerentes ao capitalismo” (HARVEY. Na ótica de Harvey (1992). p. p. desenvolvimento dos processos de circulação do capital e recomposição permanente dos processos de produção. teria ocorrido uma mudança abissal nas práticas políticas. Essa distinção marcaria também as transformações nas relações de produção. assume nova forma no modelo de acumulação flexível.] por um confronto direto com a rigidez do fordismo. de modo a deixar transparecer elementos teóricos que sustentarão a hipótese aqui defendida./jun. gerando uma onda de industrialização fordista em ambientes inteiramente novos. solapando o papel do dólar no cenário internacional. de modo a garantir a sobrevivência num quadro de profunda deflação. jan. os países em desenvolvimento iniciaram um movimento de ingresso tardio ao fordismo. A mobilidade da força de trabalho seria algo que estaria além das mobilidades geográficas ou migrações. sanado com aceleração da inflação. trata-se também de movimentos entre setores de atividades ou ocupações. 1992. Tendências recentes da mobilidade espacial da população no Estado do Rio de Janeiro da força de trabalho seria a mercadoria que faz a distinção entre o trabalhador livre e o escravo. sendo empregada de forma tradicional e local. 2010 . ao mesmo tempo em que as multinacionais se dirigiram para o estrangeiro. um novo sistema de reprodução da força de trabalho. com políticas de substituição de importações. esse modelo de acumulação começou a dar sinais de enfraquecimento nos anos 1960: a queda de produtividade e de lucratividade deu origem a um problema fiscal nos EUA. Est. Nessa mesma época. associados a essa etapa de desenvolvimento do capital. cuja capacidade de trabalho é estável. 135). v. 1977). Os movimentos populacionais. Pop.. Dessa forma. 92 R. de um estágio do processo de acumulação do capital para outro. ou seja.. que é marcado: [. Para tratar dos movimentos de população no pós-fordismo. relações de trabalho e política. Rio de Janeiro. 27. dando origem a inovações tecnológicas. que poderiam tratar da transição da modernidade para a pós-modernidade. aspectos intrínsecos ao regime fordista. n. se faz necessário contextualizar previamente que passagem é essa.R. segundo a hipótese adotada neste artigo. sociais. uma nova política de controle e gerência do trabalho. dispersão geográfica para zonas de controle mais fácil e fusões.

A flexibilização no contrato de trabalho. em particular pela flexibilização e precarização. não é a tecnologia nem as relações profissionais que modelariam diretamente o espaço. p. novos mercados e. Est. As economias de escopo derrotaram as economias de escala. novas maneiras de fornecimento de serviços financeiros. No caso das migrações internas no Brasil. nesse escopo. foram substituídas por uma crescente capacidade de manufatura e uma variedade de bens e preços baixos em pequenos lotes. A. como o fordismo. os autores consideram que todo modelo de desenvolvimento. deduzir o modelo de desenvolvimento das novas tecnologias. Essa maneira de abordar o processo de transição de um modelo para outro aciona. Rio de Janeiro. instabilidade e qualidades fugidias de uma estética pós-moderna que celebra a diferença. mas sim o modelo de desenvolvimento vigente. mas não seriam o elemento determinante do novo modelo de desenvolvimento. que tornavam o contrato salarial relativamente mais rígido. os patrões tiraram proveito do enfraquecimento do poder sindical e da grande quantidade de mão de obra excedente para impor regimes de trabalho mais flexíveis. abrindo. de caráter compulsório.. As economias de escala. em que a desregulamentação dos contratos busca justamente a flexibilização. por exemplo. e um conjunto de normas implícitas e de regras institucionais – modo de regulação. deve-se ter alguma cautela ao associar a reestruturação produtiva como principal fator determinante das transformações observadas nos deslocamentos populacionais. Assim. Pop. bem como conjuntos industriais completamente novos em regiões até então subdesenvolvidas [. Tendências recentes da mobilidade espacial da população no Estado do Rio de Janeiro dos processos de trabalho. as transformações no paradigma industrial não foram suficientes para determinar os próximos modelos de acumulação e regulação. com base nesse entendimento. Em face da volatilidade de mercado. 2010 93 . Ainda relativizando o papel das novas tecnologias. bras. do aumento da competitividade e do estreitamento das margens de lucros. mesmo aqueles em crise. enquanto a comunicação via satélite e a queda dos custos de transporte possibilitaram cada vez mais a difusão imediata dessas decisões num espaço cada vez mais amplo e variado. 1. 140) O mercado de trabalho passou por radical reestruturação. as estratégias de mobilidade espacial. dos mercados de trabalho. em que o empregador pode contratar e demitir. a efemeridade. Enfim. uma estrutura macroeconômica – padrão de acumulação. jan. relação completamente distinta daquela observada nos dias de hoje. a moda e a mercadificação de formas culturais..] os horizontes da tomada de decisão privada e pública se estreitaram. deve se apresentar como a conjunção de três aspectos compatíveis: uma forma de organização do trabalho – paradigma industrial. tanto em setores quanto em regiões geográficas. Autores como Lipietz e Leborgne (1988) chamaram atenção para a supervalorização do papel das novas tecnologias na geografia humana e econômica. 1992. Caracterizam-se pelo surgimento de setores de produção inteiramente novos. A era fordista caracterizava-se por possuir convenções coletivas. v. foi um ataque definitivo ao “excesso de rigidez” do contrato de trabalho fordista. A acumulação flexível envolve rápidas mudanças dos padrões de desenvolvimento desigual. (HARVEY. o espetáculo. R. Esses três aspectos deveriam estar associados a uma configuração internacional plausível. colocando limites à liberdade de demitir trabalhadores. o caminho para um novo padrão de acumulação (LIPIETZ. 89-113. 1988)./jun. n. um vasto movimento no emprego no chamado “setor de serviços”. deste modo. LEBORGNE. dos produtos e padrões de consumo. A estética relativamente estável do modernismo fordista cedeu lugar a todo fermento. incluindo. sobretudo. criando. a seu critério.. tem impacto sobre a força de trabalho. temporário ou subcontratado. Para os autores. Toda essa transformação.] Ela também envolve um novo movimento que chamarei de “compressão do espaço-tempo”[.Oliveira. As novas tecnologias teriam um papel a desempenhar.. reduzindo o emprego regular em favor do crescente uso do trabalho em tempo parcial. que mantém a essência do domínio do capital..T. p. Esses fatores em conjunto gerariam estratégias diferentes quando os indivíduos buscam garantir sua reprodução.R. buscadas na produção fordista de massa. não seria possível. taxas altamente intensificadas de inovação comercial. tecnológica e organizacional. 27.

2010 . seu processo de acumulação estaria degradando o trabalhador como ser político. redução do quadro funcional e produção sob encomenda. v. Ainda na linha da relação capitaltrabalho no novo padrão de acumulação. Est. que são essencialmente capitalistas. como sujeito da história. consultoria. sejam as de caráter interno ou internacional. p. Pode-se considerar a bipolaridade da força de trabalho na atual etapa do desenvolvimento econômico. devido ao encurtamento do período de vida profissional (CASTELLS. recrudesceram-se as relações de poder/dominação. Ou seja. naquele momento da história. aqueles que se defrontam de fato com coisas. n. por meio de reciclagem de pessoal. a convivência de modelos de acumulação distintos. A nova vulnerabilidade da mão de obra sob condições de flexibilidade imoderada afetou não apenas a força de trabalho nãoqualificada. 1. além do agravamento do problema social associado à exclusão. A abordagem de Benko (1996) parece bem instigante. 89-113. Esse processo de transição histórica para uma sociedade informacional e uma economia global caracterizou-se pela deterioração generalizada das condições de trabalho e de vida para os trabalhadores. tendo o Estado como ente regulador dessas relações. A grande perda da classe trabalhadora no mundo inteiro é a perda ou atenuação de direitos conquistados em mais de 100 anos de luta social. compram-se e vendem-se trabalhadores./jun. a inserção das atividades produtivas no espaço e o papel daquilo que o autor tratou como globalização/ mundialização passam a dimensão de como esses processos poderiam estar afetando a mobilidade espacial da força de trabalho. haveria de impactar as estratégias de venda de força de trabalho. A sociedade capitalista atual estaria recriando uma estrutura social baseada em princípios 94 R. A outra forma de flexibilidade estaria associada à mobilidade do emprego ou ao custo da mão de obra. Segundo Benko (1996). A mobilidade dos trabalhadores seria empregada na mudança entre empresas.. porque perde o poder de reivindicação. Nem todos os migrantes constituem “um problema social”. Rio de Janeiro. se adicionarmos a inserção ocupacional da mão de obra e a articulação entre espaços às dimensões do poder. Pop. Tendências recentes da mobilidade espacial da população no Estado do Rio de Janeiro em realidade. global e regional. A apresentação da relação capital-trabalho. um problema social. em suas novas formas de dominação. Neste caso. sobretudo. a passagem do trabalho com certas “garantias” e status para algo mais transitório e menos cidadão. em particular aquelas associadas à mobilidade espacial. mas também os qualificados. A mobilidade da força de trabalho refere-se a trabalhadores tanto não-qualificados como qualificados. 1999). território e relações de trabalho. Em outras palavras. Quando se trata da mobilidade. que demanda trabalhadores altamente especializados e semiqualificados e a estratégia do capital. mas nas migrações está envolvido. que reside na dificuldade de inclusão do migrante. Ainda hoje. profissões e regiões. espaços e situações que lhes são vedados nas próprias relações cotidianas. a dimensão do poder. terceirização. 2003). bras.R. sem dúvida. estabelecimento de negócios no exterior. Um poder hegemônico nas relações sociais exercido pela classe dominante. no atual modelo. ao se observar a flexibilidade da mão de obra. Estaria sendo gerado um novo tipo de desigualdade: entre os plenamente incluídos e aqueles cuja inclusão se situa à margem dessa mesma sociedade. jan. subjacente à palavra migração existe uma preocupação maior com o problema social associado a ela. sem dúvida. o surgimento dos métodos de produção enxuta seguiu de mãos dadas com as práticas empresariais reinantes de subcontratação.Oliveira.T. No estágio atual de desenvolvimento capitalista. redefinição de tarefas e redesdobramento dos trabalhadores. A. na forma patológica de sua inclusão (MARTINS. viabilizando a superação da crise na qual se encontrava o modo de produção. de buscar espaços onde a mão de obra seja mais barata e não haja restrições ambientais. em particular. 27. poderse-ia inferir que. a regulação se dá em função da necessidade de garantir a acumulação do capital em condições mais favoráveis. inovação tecnológica. esse conjunto de fatores estaria diretamente associado às formas como se comportam as migrações na contemporaneidade.

27. portanto. o que também não ocorreu preteritamente com a passagem da manufatura para o modelo fordista. enquanto as formas líquidas vincular-se-iam ao paradigma emergente. Pop. majoritariamente. o tempo contaria mais do que o espaço. levam. “O espaço seria ocupado só por um momento” (BAUMAN. do ponto de vista aqui adotado. PICOUET. diminuiriam o significado do tempo.T. analogamente. Até há bem pouco tempo. 2003). 1999). foi um símbolo nacional e encarnava a ideia de progresso e civilização. os deslocamentos eram considerados definitivos nos locais de destino (DOEMENACH. que. na sua capacidade de se colocar como um movimento em busca de comprador. Não se pode perder de vista o ideal fordista de “se fazer carreira dentro da empresa”. bras. as tecnologias e formas organizacionais flexíveis não se tornaram hegemônicas em toda a parte. e de outras motivações. que. Cabe ressaltar que. por ser contínua e irrecuperável.. num tempo mais remoto. Essa “nova etapa” do desenvolvimento humano também é percebida na figura de uma metáfora que contrapõe as formas sólidas às líquidas. visando assegurar sua reprodução. como as outras metrópoles latino-americanas. entender o padrão de acumulação vigente. teriam dimensões espaciais mais claras. A cidade do Rio de Janeiro concentrou riqueza. por sua forma mais rígida. ao contrário dos sólidos. aos deslocamentos populacionais. Essa seria a metáfora do estágio presente da modernidade. O fluxo seria produto da pressão deformante. as vilas operárias. ao passo que os sólidos não sofrem o fluxo e podem voltar à forma original. por não se aterem à forma. 2010 95 . sendo que parcela importante dos deslocamentos populacionais passa a assumir outras características. que engendra os deslocamentos compulsórios (VAINER. o modelo socioeconômico dominante levava a movimentos espaciais fundados na ideia de fixação de residência. como busca por melhor qualidade de vida. Os líquidos. quebra-se o sentido de permanência. jan. Tendências recentes da mobilidade espacial da população no Estado do Rio de Janeiro estamentais (MARTINS. ao passo que a outros nem isso é permitido. que em algumas situações. O caráter estrutural da crise econômica e a mobilidade populacional no Rio de Janeiro Esta parte do artigo pretende relacionar os processos de mobilidade espacial no Rio de Janeiro a uma crise econômica de caráter estrutural. O modelo regulatório das relações de trabalho baseava-se em níveis de estabilidade maior. podem ser indutoras desses movimentos internacionais (MASSEY et al./jun. ou seja. Já para os líquidos. Mesmo de forma subalterna. e percebendo que se trata de relações sociais sob domínio do capital.R. Por fim. os deslocamentos de população correspondem à mobilidade da força de trabalho. 1993. nesse processo de transição. o papel das redes sociais. em que as primeiras estariam associadas ao paradigma anterior. alguns conseguem se inserir como produtores/consumidores de mercadorias. 1.Oliveira. à pós-modernidade e à flexibilidade. Ao se alterar a forma de regulação. que passa pela mudança no padrão de acumulação do capital.. educação e saúde. 1990). FAIST et al. 2001). sobretudo na escala das migrações. aspectos que estariam correlacionados aos processos de mobilidade e imobilidade da população. Isto não significa negar: a dimensão da violência. mas. em menor escala. à rigidez do fordismo. por não manterem sua forma com facilidade. Tendo por base as abordagens discutidas anteriormente. Rio de Janeiro. levando a novas estratégias de inserção espacial das atividades econômicas no Estado. SOARES. A. Est. 1997. chegou-se aos fundamentos que norteiam a argumentação: o entendimento de que. 89-113. constituindo-se como principal centro comercial e financeiro do país nos fins do R.. à modernidade e. 2003). p. Foi capital da República entre 1763 e 1960. não fixariam o espaço e nem prenderiam o tempo. Os sólidos. sendo necessário. de o empregado poder consumir a mercadoria que produzia na fábrica e ainda. n. v. muda de uma posição para outra. Harvey (1992) aponta como pista para melhor compreensão do fenômeno: a inserção ocupacional dos migrantes vis- à-vis a distribuição espacial das atividades econômicas seria elemento de fundamental importância. ao neutralizarem o impacto.

/jun. em 1973. Esse movimento inaugurou a primeira grande crise da economia fluminense. refletido também no crescimento demográfico. muitos dos quais migrantes recentes. 1995). e. formando os elementos que possibilitaram a transformação do capital cafeeiro em capital mercantil. A. e a fusão. os militares impuseram o terceiro grande “golpe” sobre a economia fluminense. Como o Estado do Rio de Janeiro era basicamente produtor de bens salários para o mercado local.R. Ainda assim. demissões e pela transferência de parcela importante do funcionalismo público federal. Tendências recentes da mobilidade espacial da população no Estado do Rio de Janeiro século XIX. educação. a situação do Rio de Janeiro como Distrito Federal. além de ter o aparato administrativo do país.T. 1991). apud SIMÕES. Isto estimulou uma acumulação local que determinou um significativo desenvolvimento econômico (MELO. Essa hegemonia econômica começou a ruir no início do século XX – transferindo-se paulatinamente para São Paulo –. os investimentos previstos no II PND para o Rio de Janeiro sofreram uma progressiva desaceleração com a não implementação de boa parte dos projetos direcionados ao Estado. sobretudo de imigrantes que se destinaram às culturas de café.4).. impactando a acumulação local (MELO. Contudo. Um paralelo pode ser traçado ao se comparar o desempenho da atratividade migratória do atual Distrito Federal. jan. sendo alvo. de uma série de investimentos infra-estruturais na área de saúde. até então. entre outros fatores. Ou seja: embora já houvesse uma desaceleração industrial. nos anos 1960. o que fez sua indústria chegar aos anos 1990 com aproximadamente 25% de capacidade ociosa (PPA. dado que estava ancorada nos recursos externos. se deu pela utilização de mão de obra livre e assalariada. Escoava a produção cafeeira do interior do Estado e de Minas Gerais. implementado no governo Geisel (1974-1979). Esta medida tinha como argumento central tornar mais dinâmicas as economias de dois espaços que se complementavam e fazia parte do projeto “Brasil Grande Potência”. em 1975. que. foi apenas um dos elementos que contribuíram para a derrocada do modelo fordista de acumulação. na década seguinte. do Porto de Sepetiba. Com a transferência da capital federal para Brasília. que se manifestou mais intensamente na década seguinte.. o Estado brasileiro viu desestabilizada ainda mais sua capacidade de financiamento. uma vez que aumentava os investimentos no Rio de Janeiro. 2010 . as outras duas foram a perda da capital federal. compensou a desaceleração industrial que já era sentida desde o início do século. portanto. p. mesmo girando sua economia em torno das atividades dos serviços. que deu uma sobrevida ao Rio de Janeiro como centro nacional. Rio de Janeiro. Em função disso. sua economia foi seriamente afetada pelo arrocho salarial. agora escassos. 2001). da ponte Rio-Niterói e da rodovia Rio-Santos. além dos projetos de implantação da Usina II da CSN e do complexo tecnológico-científico. transporte. em função da Primeira Guerra Mundial. estava determinado o segundo grande “golpe” sobre a economia carioca/ fluminense. Pop. com a construção da Usina Nuclear de Angra I. que. havia. p. com a crise do petróleo do final dos anos 1970. 1990. 96 R. em face da crise na lavoura cafeeira do Rio de Janeiro e da ruptura do comércio internacional. em contrapartida. entre o Estado da Guanabara (criado após a transferência da sede do governo central) e o antigo Estado do Rio de Janeiro. tinha os efeitos de sua crise estrutural suavizados pelo fato de manter a sede do poder político nacional4 (DAIN. Est. 27.) a visibilidade da crise do Rio de Janeiro foi postergada pela sobrevivência do Rio de Janeiro como capital federal. Cabe ressaltar que a crise do petróleo. superou em quatro vezes o volume de população estimado para 2000. sobretudo depois da década de 1920” (DAIN. o que refletia balanços altamente positivos nas trocas populacionais com as outras Unidades da Federação. 1995. 2001). n.. o que levou à dinamização da indústria paulista (CANO. bras. o II Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) sinalizava com alguma esperança. Ao realizar a fusão entre os Estados da Guanabara e do Rio de Janeiro. cujo objetivo principal era o 4 “(. de certa maneira. A perda da importância econômica. 1. v. 2004). chegando a aproximadamente dois milhões de habitantes. que afetou o acesso ao porto do Rio. 89-113. sobretudo baseado na atração populacional que exerceu.Oliveira.

mascarava outras intenções de cunho político. O quarto agravamento da economia fluminense veio com a crise da década de 1980. levaram à perda da pujança do Estado do Rio de Janeiro e corroboraram com o declínio do dinamismo na sua atração migratória.791 -11.412 RMRJ -880 -593 -131 28 -525 873 -222 -309 29.810 1.037 -45.987 -9063 -8972 -2952 -4.157 411 -2. que atingiu o Estado já combalido em seu desenvolvimento econômico em face dos fatores listados anteriormente.213 8.296 -8.711 33 30 81. Todos esses processos.216 946 2.723 1.573 -2. TaBeLa 1 Saldos migratórios interestaduais.262 245 96 1.788 52.524 -756 2.4 mil pessoas) nas trocas populacionais com as demais unidades federativas (Tabela 1). Esse momento marcou a união entre dois Estados com características estruturais (administrativas e de infraestrutura) bastante distintas. o que levou ao aprofundamento das contradições existentes na UF. 2010 97 .539 -9.237 2.001 12.235 -11.069 -320 -364 -320 364 -647 -129 216 -268 -466 14. Autores como Cano (1989). pela primeira vez.660 -308 -4. Censos Demográficos de 1991 e 2000.478 13.617 7. como comprovaram os resultados das eleições realizadas em 1974.153 -2.637 1. Nesse período. Pop.908 1.330 -3.696 -4.605 370 1.228 -9.R.299 -6.411 -25.894 6.787 -28.491 -4.981 -412 195 -1442 -4322 37155 Interior 758 -71 22 -121 125 590 104 110 12.278 -580 76 -226 -335 -95 -12.636 -1.198 Total -95 -366 -268 -1.249 -1.494 11.150 -7.719 -29. Tendências recentes da mobilidade espacial da população no Estado do Rio de Janeiro desenvolvimento econômico do país por meio da industrialização pesada (SIMÕES. A.134 -53.961 4. por área geográfica do Estado.266 -11. no quinquênio 1986-1991.728 -883 -4. que já se manifestava na década de 1970. n.361 -4.966 -5.575 -11.272 2. pois o que estava por trás dessas medidas era enfraquecer a forte oposição ao regime militar.055 12.659 -438 -6.443 10.768 271 132 1.419 657 -1. O Estado perdeu população. R.633 -1492 -2339 -803 -5.096 -201 -370 36.325 -851 -3. o Estado do Rio de Janeiro experimentou saldo migratório negativo (57.584 2.926 8.297 442 1. 2004). que era intensa no Estado da Guanabara.Oliveira.352 2. de caráter estrutural nas dimensões política e econômica.599 574 592 3. Est. Contudo.081 -11.396 2.953 -1.932 -1.208 -9.628 -541 411 -1.837 1. Rio de Janeiro.609 7808 3285 10468 -1057 25783 9638 2236 886 10562 -20.100 1995/2000 RMRJ -853 -295 -289 -1484 245 1122 -72 -81 69.685 -111 28.989 -10. 1. Lessa (2001) e Motta (2001) entenderam a fusão como tendo sido feita de forma autoritária.856 -2.131 -57.579 -19.173 -1.215 Interior 140 -91 51 0 -3 223 20 -61 6. jan. bras. segundo Grandes Regiões e Unidades da Federação Estado do Rio de Janeiro – 1986-2000  Unidades da Federação Norte RO AC AM RR PA AP TO Nordeste MA PI CE RN PB PE AL SE BA Sudeste MG ES SP Sul PR SC RS Centro-Oeste MS MT GO DF Total 1986/1991 Total -740 -684 -80 28 -528 1.435 -53.854 -17. v. 89-113.710 -4.346 9.055 -7.077 -3. p. 27.T.945 Fonte: IBGE.301 773 5..317 512 209 1.056 3.320 3./jun.958 -18.

nos anos 1980. A. em especial. algo em torno de 82 mil pessoas. Nesse mesmo período. como exército industrial de reserva. Concomitantemente. Serrana (18%). que.Oliveira. violência. a RMRJ também apresentou perdas em relação à migração líquida com o interior do Estado. Mais de 50% da população posta em movimento saiu da metrópole com destino às outras regiões de governo. Minas Gerais e Paraná. n. Esse processo exerceu MAPA 1 Fluxos migratórios. para um melhor desempenho econômico dos espaços extrametropolitanos./jun.R.4%) e Norte-Fluminense (13. Costa Verde (15. jan. obtendo saldos migratórios positivos com um número maior de Unidades da Federação. entre outros fatores). que começou a dar sinais de esgotamento nos anos 1970. como pode ser observado no Mapa 1. o Rio de Janeiro seguia exercendo atração populacional sobre a Região Nordeste. p.T. Espírito Santo. força de trabalho sindicalizada. 89-113. v. Esses processos de declínio econômico e perda de população nas escalas inter e intraestadual seriam reflexos da mudança do modelo de acumulação concentrador das atividades econômicas e de população. parcialmente. 27. espaços menos afetados pela crise daquela década. já não sobrepujavam as ditas deseconomias de aglomeração (valor do solo. 98 R. Os fatores de aglomeração.. se dirigiram para as Baixadas Litorâneas (27. onde a reprodução da força de trabalho encontrava condições ainda menos favoráveis daquelas observadas no Estado. pela ordem. Pop. 2010 . Tendências recentes da mobilidade espacial da população no Estado do Rio de Janeiro sobretudo. bras. a diminuição na renda média fluminense foi quase três vezes a observada no país. mesmo nesse quadro de crise aguda no Estado. para as Unidades da Federação do Sudeste e Sul. infraestrutura urbana e mercado consumidor. Por outro lado. Segundo Penalva Santos (2003).5%). e no interior do Estado a situação era ainda pior.9%). para São Paulo. segundo regiões de governo de destino Região Metropolitana do Rio de Janeiro – 1986/1991 Fonte: IBGE. Censo Demográfico de 1991. Isto explicaria. 1. em especial. o que já apontava. Est. naquele momento. o capitalismo sofria com a crise do fordismo em escala global. a redução na atração dos fluxos interestaduais. as regiões de governo do interior apresentaram desempenho melhor do que o observado na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. poluição. Cabe destacar que. Rio de Janeiro.

para a Região das Baixadas Litorâneas (46. É possível perceber essa forte correlação entre os processos econômicos operados no Rio de Janeiro e os deslocamentos populacionais ocorridos nas escalas inter e intraestadual. Censo Demográfico de 2000. Boa parte desse comportamento nas Baixadas Litorâneas e no Norte do Estado deveu-se ao fato de. SERRA.Oliveira. 89-113. Norte-Fluminense (11%) e Costa Verde (10. com a aludida inflexão econômica. seguindo a rota dos investimentos econômicos (Mapa 2).R.. v. acentuando ainda mais a menor capacidade de retenção populacional da metrópole. em grande medida. MAPA 2 Fluxos migratórios. 1999. que buscaram novos espaços. p. na forma da crise dos anos 1980./jun. manifestou-se. com a RMRJ tendo contribuído com aproximadamente 55% das pessoas que empreenderam movimento migratório. 2010 99 . em meados da década de 1970. jan. quando comparada ao último quinquênio da década anterior. 27. Pop. na escala intraestadual. primeiramente. As bacias petrolíferas fizeram com que essa região passasse a estar inserida no contexto da globalização. destinando-se às periferias e aos centros médios (FARIA. No período 1995-2000. A. 2003). preferencialmente.T.1%). para logo na década seguinte aprofundar o modelo político neoliberal. R. n. passando a ser feitos em menores distâncias e com menor duração e. em suas dimensões econômica e política. fator que passou a ser a principal fonte de receita do Estado. irradiou-se por todo o planeta. O novo padrão de acumulação passou a ser flexível. bras. 2003).9%). No Brasil. o Norte Fluminense ter rompido sua trajetória de desenvolvimento em suas atividades econômicas. Esses migrantes seguiram. 2003). ficando num segundo momento o início do processo de inserção no novo modelo econômico (PIQUET. 1. Serrana (15%). Est. ANDRADE. Esse regime de acumulação. PENALVA SANTOS. a corrente principal seguiu partindo em direção ao interior do Estado do Rio de Janeiro. com a descoberta de petróleo na Bacia de Campos. 1991. Tendências recentes da mobilidade espacial da população no Estado do Rio de Janeiro forte influência sobre o comportamento dos fluxos migratórios. segundo regiões de governo de destino Região Metropolitana do Rio de Janeiro – 1995/2000 Fonte: IBGE. num mundo de maior complexidade e pouco relacionado com a cultura local (PIQUET. Rio de Janeiro.

em que se destacou a retomada da construção naval. tornando-se urbanos e retendo e atraindo população. sendo necessários investimentos em infraestrutura industrial e de serviços. Já a Região Serrana beneficiou-se dos investimentos nos setores de outros serviços e administração pública e a Região da Costa Verde dos setores de outros serviços e indústria de material de transportes. que reúnem parte dos municípios do Norte Fluminense (Campos dos Goytacazes. esses municípios passaram não só a reter população. Sudeste e Norte. Vimos também a importância da esfera pública no desempenho econômico da Região Serrana. formação profissional. e as perdas para Minas Gerais e Espírito Santo. foram essas cidades. 2010 . o interior experimentou saldos positivos no balanço com as Regiões Nordeste. é importante destacar que não se trata de uma questão meramente econômica. Est.. Casemiro de Abreu e Rio das Ostras). Cabo Frio. Com base nessas considerações. A. com sua mão de obra mais qualificada. 1998) aponta. esse desempenho foi sustentado pela chegada de imigrantes de alguns Estados nordestinos e de uns poucos da Região Norte.T. 2003). que melhor se apropriam da riqueza produzida. v. particularmente o turismo. Destacam-se os ganhos nas trocas com Paraíba. é bastante sofisticado (PIQUET. entre outros. somente a guerra fiscal não bastou. jan. por meio de escolas. Guimarães Neto (apud PACHECO. bras. No Norte Fluminense. Rio de Janeiro. Discutindo os processos mais gerais de desconcentração das atividades no modelo mundial de desenvolvimento econômico. Em realidade. 2003). o Estado inverteu o sinal do saldo migratório. à medida que a presença do Estado se faz necessária e manifesta-se por meio dos mais diversos tipos de políticas. Pernambuco e Ceará. 27. e. há uma dimensão de poder em todo esse processo. Bahia. em seus municípios estavam os principais investimentos em empresas de alta tecnologia.Oliveira. Para tanto. Em outra escala. no âmbito interestadual. Por outro lado. Quissamã e São João da Barra) e das Baixadas Litorâneas (Armação de Búzios. de forma a suprir parte da demanda por força de trabalho especializada (OLIVEIRA. Tendências recentes da mobilidade espacial da população no Estado do Rio de Janeiro A criação da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo e Gás e Limítrofes da Zona de Produção Principal da Bacia de Campos (Ompetro) proporcionou uma nova dinâmica no desenvolvimento econômico dos seus municípios-membros. As regiões nesse novo processo adquiriram certa autonomia para se colocarem no mercado enquanto espaço privilegiado de localização. como já assinalara 100 R. a presença do Estado. p. como também a exercer forte atração migratória sobre as outras regiões de governo do Estado do Rio de Janeiro. sobretudo as de cunho fiscal e dotação de infraestrutura. em especial sua Região Metropolitana. 89-113. 1. e as políticas de desenvolvimento regional. a relação com a crise mundial e a emergência de novas formas de acumulação. na Região de Governo no Médio-Paraíba. que. as políticas de incentivos fiscais. Pop. por exemplo.R. cujos efeitos se localizaram mais fortemente nos espaços mais desenvolvidos. Além disso. por conseguinte. ainda que incipiente num primeiro momento. Carapebus./jun. universidades e centros de pesquisa. no caso de Cabo Frio e Armação de Búzios. Destaca-se o município de Macaé. ou seja. foi dotando a região com centro de capacitação e formação de mão de obra. Ratificando as observações apresentadas anteriormente. sistemas de informação. que estabelecem novas formas de relações de produção com a força de trabalho (OLIVEIRA. As cidades localizadas nas Baixadas Litorâneas desenvolveram atividades de serviços. ainda no período 1995-2000. entre outros fatores explicativos da desconcentração: a desaceleração da economia mundial pós-crise de 1970. Macaé. Como consequência. Mais uma vez. Contudo. o setor público assumiu papel importante na atração dos investimentos industriais. 2003). agora positivo (como visto na Tabela 1). também é possível perceber a forte vinculação desses processos com a escala econômica global. n. limitando-se àquelas UFs onde essas condições eram ainda piores. a percepção de que o Rio de Janeiro teria voltado a ser um bom espaço para oferta de força de trabalho foi bastante restrita.

Isto sugere que a superação da estagnação econômica. busca-se discutir a inserção ocupacional5 e a precarização nas relações de trabalho6 das pessoas que empreenderam algum movimento interestadual ou intraestadual que tenha envolvido o Estado do Rio de Janeiro. n. apenas 15% contribuem para a Previdência Social. jan. o que sugere que o indicador aqui adotado pode estar subestimando a situação de precarização do mercado de trabalho. localizada na metrópole. Além de buscar evidências empíricas que confirmassem a perda de mão de obra qualificada pelo Estado do Rio de Janeiro (ERJ) e pela Região Metropolitana do Rio de Janeiro (RMRJ). e a Região Metropolitana do Rio de Janeiro. 2003). não obstante a contribuição da indústria extrativa mineral.8 sendo essa última resultado da diferença entre a PEA ocupada e os imigrantes de data-fixa. Para tanto. Rio de Janeiro. Segundo a proposta.R. deve-se destacar que todos esses processos não ocorreram sem a presença de conflitos entre os sujeitos inscritos nesses territórios. Contudo. Pop. associada à despolarização espacial. a crise econômica dos anos 1980 não surgiu como o principal elemento explicativo das mudanças no comportamento do fenômeno migratório no âmbito do Estado do Rio de Janeiro. As comparações com a participação das outras áreas na produção de riqueza colocam o Estado do Rio de Janeiro numa posição ainda inferior. ou seja. Além disso. trabalhadores para consumo próprio. adotaram-se como recortes espaciais o Estado do Rio de Janeiro. é importante salientar que estudos da FGV-RJ apontam que./jun. e pela disponibilidade de novas vantagens locacionais na atração da atividade industrial para o interior do Estado. 8 Na prática. 1. bras. Inserção ocupacional e precarização da força de trabalho do migrante no Rio de Janeiro Nesta parte da investigação. é possível perceber que. Até aqui procurou-se demonstrar que o pano de fundo no comportamento dos deslocamentos populacionais no Rio de Janeiro foi a mudança no padrão de acumulação que ensejou novas estratégias de inserção das atividades produtivas e busca do desenvolvimento local na ordem econômica mundial vigente. Contudo. A. Para tanto. com exceção do Médio-Paraíba. a distribuição relativa da inserção por categorias ocupacionais do não-migrante em uma data-fixa considerada e a da PEA ocupada apresentaram percentuais muito semelhante. foram investigadas as categorias: População Economicamente Ativa (PEA) ocupada e “não-migrante de data-fixa”. com os dados do Produto Interno Bruto para as regiões de governo.7 como uma outra dimensão da manifestação da mudança no padrão de acumulação do capital. são os setores de serviços que ditam o ritmo das economias. em seu conjunto. não apenas a da metrópole como sugere a autora.. como assinalado por 5 Proposição de categorias ocupacionais de Ribeiro e Lago (2000). Penalva Santos (2003) assinala que a superação da crise econômica do Estado passou pela economia de serviços. um espaço de posições sociais e um espaço de indivíduos ocupando estes postos e dotados de atributos sociais desigualmente distribuídos e ligados às suas histórias. seu caráter era estrutural. dos 20 milhões de trabalhadores por conta própria. 2010 101 . era importante enfatizar que a crise na economia fluminense antecedia as mudanças no referido padrão de acumulação. 6 Na realidade foi estabelecida uma proxy para a medida de precarização.Oliveira. a estrutura social é entendida como. Est. 7 Para minimizar o efeito das diferentes estruturas etárias e permitir a comparação entre os três períodos de tempo investigados. pelo menos até o final da década de 1990. Para tanto. foram consideradas nessa situação as seguintes categorias: todos aqueles trabalhadores empregados sem carteira de trabalho assinada. são referências a espaços construídos socialmente (OLIVEIRA.T. que não o espaço estudado (migrante de data-fixa). R. simultaneamente. empregados e aprendizes sem remuneração. onde a indústria metalúrgica é a principal fonte de riqueza. decidiu-se pela não inclusão dessa categoria. 27. 89-113. Desse modo. ainda não estava presente. Tendências recentes da mobilidade espacial da população no Estado do Rio de Janeiro Pacheco (1998). Dada a dificuldade de se definir o que seria trabalho precário para a categoria conta-própria. O conceito de migrante continuará sendo o daquela pessoa que há cinco anos antes da data de referência do levantamento vivia em outro lugar. ou seja. p. foram considerados os indivíduos com 25 anos ou mais de idade. Os resultados nas trocas migratórias corroboram claramente a visão da autora. v. Contudo.

Ervatti (2003) e Simões (2004). Est. empregados domésticos (8. é possível perceber o deslocamento do perfil ocupacional da PEA ocupada. Esses são os aspectos que fundamentam a hipótese aqui defendida. bras. A. Aqui também as categorias ligadas ao setor da indústria. as trocas intraestaduais.10%) e construção civil (8. as ocupações de supervisão. para abordar a transformação das economias capitalistas avançadas a partir de 1970 é preciso considerar cuidadosamente essa marcada transformação da estrutura ocupacional. No mesmo sentido..16%). acreditando-se ser a mudança no perfil ocupacional a pista adicional para melhor apreender o modo como se operam os deslocamentos populacionais no Estado. Ressaltase também a pequena participação dos trabalhadores domésticos e da construção civil entre os emigrantes que deixaram o Rio de Janeiro. p. nos períodos 1986-1991 e 1995-2000.Oliveira. Por aí. n. também foram seguidas as sugestões apontadas por Harvey (1992). Harvey (1992) afirma que. em que prevaleciam. com esses espaços buscando inserirem-se no padrão de acumulação vigente. ocupações técnicas e trabalhadores de serviços auxiliares. percebeu-se. destacarem-se os serviços especializados (11. a segurança pública. mas é importante destacar que. principalmente.64%).18%). e considerando-se. inicialmente. porém é visível o aumento no aporte das ocupações ligadas aos serviços.08%) e serviços especializados (7. 1. naquilo que significou uma melhor distribuição pelas ocupações ligadas ao setor de serviços. dinâmica semelhante à da PEA do total do Estado. como demonstrado nas Tabelas 2 e 3.T. v. foi possível demonstrar como se alterou a estrutura ocupacional do Estado e de sua Região Metropolitana entre o momento de crise. com os serviços especializados passando a ter a maior participação relativa e os trabalhadores domésticos apresentando expressiva contribuição. empregados domésticos (9. e o período imediatamente posterior. Paralelamente. fosse ela moderna ou tradicional. os quais teriam como consequência as alterações no comportamento das migrações. os serviços especializados e empregados domésticos seguiram sendo a principal categoria ocupacional. Rio de Janeiro. anterior à inserção desses espaços na nova ordem econômica. Pop. perderam expressão relativa. as do comércio e as agrícolas (essas possivelmente associadas à migração de retorno).39%). destacando-se. ao passo que se reduziam. Já entre os emigrantes a mudança foi mais marcante e também mais bem distribuída por um leque maior de categorias ocupacionais. foi possível observar também o aumento na participação relativa de categorias como profissionais autônomos de nível superior. além da PEA ocupada. além dos serviços especializados. profissionais empregados de nível superior. que sinalizam essas transformações nos espaços selecionados para análise. Entre 2001 e 2006. 27. 89-113. Tentou-se buscar essa explicação nas migrações que envolveram o ERJ nos períodos 1986-1991. Esses aspectos também se repetiram entre os imigrantes./jun. o que sugere uma maior se- 102 R. 1995-2000 e 2001-2006. Observando-se a distribuição relativa das categorias ocupacionais na RMRJ. as participações relativas dos segmentos dos trabalhadores na indústria moderna e na tradicional. Contudo. entre esses. Quando são observados os dados referentes às trocas interestaduais que se deram no conjunto do Estado (Tabela 2). que tratam da precarização do mercado de trabalho e dos novos tipos de inserção ocupacional como sintomas da mudança do padrão de acumulação do capital. são os empregados domésticos que aportam com a maior contribuição relativa. os emigrantes intraestaduais apresentaram comportamento semelhante ao daqueles que empreenderam movimento para fora do Estado. Acredita-se ser esse um caminho importante para apreender o modo como se operam os deslocamentos populacionais no Estado do Rio de Janeiro. embora com percentuais distintos. jan. as categorias ocupacionais de escritório (9.R. 2010 . as ocupações técnicas. no período seguinte. as categorias ocupacionais da construção civil e dos empregados domésticos apresentaram peso relativo bem mais significativo do que para os emigrantes interestaduais. seja qual for a explicação completa. Tendências recentes da mobilidade espacial da população no Estado do Rio de Janeiro Oliveira (2001). para. Para os imigrantes o processo é bastante parecido.

90 10.22 3.03 5.82 4.06 2.18 4.33 2.15 6.05 9..64 3.19 38.72 3.15 2. Pop.54 1. A.42 3.25 5.39 48..25 5.00 10..72 0.90 1..20 0. 1.80 1. .00 16.16 9.15 5.TaBeLa 2 Distribuição da PEA. 2010 1986/1991 PEA 12.08 3.73 11.60 1.82 6.74 5.22 4.75 3.70 1..61 5.36 5.13 3.63 6.33 2.17 3.60 3.84 4.92 4.21 7.33 5.07 8..15 4.29 0. Est.93 5.90 3.08 1. v.49 2.14 1. Censos Demográficos de 1991 e 2000 e Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2006.58 2.27 43.13 1.72 3.62 2.67 1.72 0.00 39.15 0. R.11 3.06 2.20 8. 27.78 4.28 11.67 2. 89-113.06 6.82 1.01 6.77 1.10 3.07 4.70 4.17 3.37 4.38 1.86 3.60 2.53 4.97 10.12 4. 0.84 3.75 7.29 46.57 100.R.45 5. 100.21 14.12 5.90 1.52 31.24 6.56 3..13 0. n.61 1.66 1.80 5.83 3.93 8.29 0.81 3.23 9.12 3.85 7.52 2.68 1.56 4.95 2.76 5.25 8.02 4.23 1.32 8.33 30.80 4.36 4.12 0.70 3.49 4.26 47. . bras.02 3.69 3.80 3.00 21.92 6.12 5.78 3. 1.28 33.69 5.61 .37 2.21 6.69 3.49 0.94 2.42 0.15 16.41 50.35 4.66 0.28 39.00 8.21 2.56 3.10 0.23 6.35 6.55 1.33 7.12 47.95 1.32 5.14 1.83 3. segundo categorias ocupacionais Estado do Rio de Janeiro – 1986-2006 Em porcentagem Oliveira.17 100.04 44.91 2.46 0.52 .79 0.T.47 2.33 0.66 7.00 19.25 3.32 3.12 0.96 0.58 6.30 41.67 1.58 6.80 2.00 18.36 0.60 4.33 3..00 Imigrantes Emigrantes PEA Imigrantes Emigrantes PEA Imigrantes 19.00 11.28 .75 4.39 1.37 2.87 4.06 100.13 1.26 1.16 7..24 1.53 .17 48.74 4.99 1..54 1.86 10.00 6.12 3.87 7.89 13.80 6.15 4.21 100.25 6.98 1.83 4.72 0. 100.64 3.09 6.78 35.75 2.83 0.31 48.45 6.01 3.83 4. justiça e correios 61-Trabalhadores do comércio 62-Prestadores de serviços especializados 71-Trabalhadores na indústria moderna Inferior 10-Ocupações agrícolas 63-Prestadores de serviços não-especializados 72-Trabalhadores da indústria tradicional 73-Trabalhadores dos serviços auxiliares 74-Trabalhadores da construção civil 81-Trabalhadores domésticos 82-Ambulantes e catadores 98-Mal definidas Total Tendências recentes da mobilidade espacial da população no Estado do Rio de Janeiro 103 Fonte: IBGE.20 2.00 12.99 3.88 0.99 4.78 2.69 2./jun..94 2.58 6.83 0.96 6.12 5.30 3.62 0.37 7.76 2.89 1. Rio de Janeiro.78 2.00 12.62 8.00 1995/2000 2001/2006 Emigrantes Categorias ocupacionais Superior 21-Grandes empregadores 22-Dirigentes do setor público 23-Dirigentes do setor privado 31-Pequenos empregadores 41-Profissionais autônomos de nível superior 42-Profissionais empregados de nível superior 43-Profissionais estatutários de nível superior 44-Professores de nível superior Média 32-Ocupações artísticas e similares 51-Ocupações de escritório 52-Ocupações de supervisão 53-Ocupações técnicas 54-Ocupações médias da saúde e educação 55-Ocupações da segurança pública. dos imigrantes e dos emigrantes ocupados.07 3.53 100.51 5.33 6.91 5.82 3. jan.50 5.56 2.50 38. p.92 10.41 1.85 3.25 100.06 3.39 4.06 100.23 2.64 5.90 3.

Assim. pequenos empregadores e profissionais empregados de nível superior. Est. ao passo que aquelas que deixaram esses dois espaços assumiram estruturas distintas e foram se adequar à necessidade de acumulação de cada área específica de atração. serviços especializados9 – e mão de obra pouco qualificada inserida nos serviços domésticos. jan. situadas no estrato mais baixo. o Estado registrou saldo favorável entre os segmentos menos qualificados. construção civil e prestadores de serviços não-especializados. Entre outras abordagens. e. a bipolarização das categorias ocupacionais. e sua metrópole. o Estado. 104 R. Por sua vez. De acordo com Sassen (1988). e a perda de trabalhadores nas indústrias moderna e tradicional. 9 Cabe salientar que os serviços especializados das categorias ocupacionais tratados aqui diferem desses assinalados por Lessa (2001). 2010 ./jun. Tendências recentes da mobilidade espacial da população no Estado do Rio de Janeiro letividade nas trocas entre as Unidades da Federação (Tabela 3). com base nos dados do IBGE. a redução do papel da indústria e a hegemonia do setor de serviços. 1.R. O levantamento empírico. entre outros. ocorrerá participação significativa de empregos de baixa remuneração. o Estado perder mais mão de obra qualificada do que sua capacidade de atração de migrantes com esse mesmo perfil. n. as ocupações técnicas. biscateiros. que cresceu dentro do processo de terciarização da economia metropolitana e da expansão do setor informal. por outro. de forma que se manifestam empregos mal remunerados. ambulantes. nas trocas migratórias. sobretudo entre a PEA ocupada e os imigrantes. no período 1995-2000. Outro aspecto que fica evidenciado nas diferentes estruturas ocupacionais dos segmentos populacionais investigados é o tipo de força de trabalho que interessa ao capital mobilizar.Oliveira. Ainda nesse aspecto. Nos dois períodos analisados. em relação a certas atividades mais instáveis.. observase a presença de setores tanto atrasados como avançados nas economias altamente desenvolvidas. entre essas categorias com saldo negativo. A. O caso do Estado do Rio de Janeiro é ainda mais interessante. bras. o que reforça claramente a proposição de Gaudemar (1977). deve ser a facilidade com que os níveis de emprego podem ser ajustados para cima e para baixo. a PEA ocupada no ERJ e na RMRJ apresentava conformação diferente da mão de obra migrante. percebe-se claramente que. Na linha da bipolaridade. sobretudo para o Nordeste. Lessa (2001) também já havia observado que a estrutura do emprego no Rio de Janeiro continuou convivendo com profissionais altamente qualificados nas áreas de pesquisa e desenvolvimento e produção de tecnologia de ponta – ou seja. o que sinaliza o esvaziamento dessa atividade econômica no Estado. independentemente da posição que a cidade ocupa nas novas hierarquias transnacionais. perderam mão de obra qualificada e mobilizaram em maior número população no segmento menos qualificado da estrutura ocupacional (Tabelas 4 e 5). Rio de Janeiro. Ainda de acordo com a autora. Destacam-se. corrobora a postulação teórica nos dois sentidos de percepção da mudança do padrão de acumulação: por um lado. nesse novo modelo de desenvolvimento. embora num volume menor do que o observado no quinquênio 1986-1991.T. mesmo num quadro de saldo migratório positivo nas trocas totais. atribuído possivelmente às migrações de retorno. no geral. que se revestem em componente fundamental dessa economia. Cabem aqui dois parênteses: o expressivo saldo negativo apresentado pelas ocupações agrícolas. Pop. em que sobressaem as categorias ocupacionais dos trabalhadores domésticos. No Rio de Janeiro isto não é diferente: o problema reside no fato de. p. 89-113. tendo em vista que. em particular. Constatou-se que as forças de trabalho imigrantes atraídas para o Estado e para a metrópole são muito semelhantes. v. Natal (2001) aponta que o desenvolvimento econômico fluminense pareceu estar fortemente ancorado ao setor de serviços. 27. segurança pública e justiça. uma das formas de atração populacional das cidades. o Estado perde população para as demais Unidades da Federação entre as ocupações de nível superior e médio. devido à fluidez de seus mercados de trabalho.

91 4.00 Emigrantes 19.16 0.25 1.31 50.09 0.11 1.10 3.69 2.53 1.17 1.81 6.55 6.50 0.99 5.01 3.00 1995/2000 Imigrantes 12. 1.71 2.20 4.02 2.56 3.00 100.93 4.21 8.56 4.81 0.38 4. 2010 2.93 0.98 1.96 R.67 12.62 100.57 4.15 3.26 Superior 21-Grandes empregadores 22-Dirigentes do setor público 23-Dirigentes do setor privado 31-Pequenos empregadores 41-Profissionais autônomos de nível superior 42-Profissionais empregados de nível superior 43-Profissionais estatutários de nível superior 44-Professores de nível superior Média 32-Ocupações artísticas e similares 51-Ocupações de escritório 52-Ocupações de supervisão 53-Ocupações técnicas 54-Ocupações médias da saúde e educação 55-Ocupações da segurança pública.90 13.67 4. bras.97 7.99 7.74 2.82 2.74 4.85 2.70 0.93 7. v.84 3.78 0.47 0. .90 7.26 100.34 48.53 5.28 38. jan.39 2.46 5.36 0.24 1. n.19 0.48 6.41 4.49 5.TaBeLa 3 Distribuição da PEA.74 5.42 1.79 2. A.21 5.23 5.76 46.91 4.27 41.37 3.54 41.59 3.86 2.31 8. 27.25 2.00 3.R.10 1. Categorias ocupacionais PEA 12.85 5.01 1./jun.21 2.70 0.76 1.49 3. justiça e correios 61-Trabalhadores do comércio 62-Prestadores de serviços especializados 71-Trabalhadores na indústria moderna Inferior 10-Ocupações agrícolas 63-Prestadores de serviços não-especializados 72-Trabalhadores da indústria tradicional 73-Trabalhadores dos serviços auxiliares 74-Trabalhadores da construção civil 81-Trabalhadores domésticos 82-Ambulantes e catadores 98-Mal definidas Total Tendências recentes da mobilidade espacial da população no Estado do Rio de Janeiro 100.29 1986/1991 Imigrantes 11.46 8.19 0.86 11.75 0. Censos Demográficos de 1991 e 2000.74 3.99 2.98 3.72 3.16 4.38 2.72 42.00 100.50 6.74 9.41 1.36 2.52 3. Rio de Janeiro.23 2.15 6.77 5. segundo categorias ocupacionais Região Metropolitana do Rio de Janeiro – 1986-2006 Em porcentagem Oliveira.63 5.89 1.77 1.77 2.88 PEA 13.82 6.41 0.62 3.17 9.71 5.00 100.86 2.46 1.20 7.33 3.86 3.76 3.80 35.52 4.75 49.T.19 2.61 14.48 46.97 0.20 1.31 5.86 3.44 7.11 7. dos imigrantes e dos emigrantes ocupados.20 2.14 0.19 1. 89-113. Pop.33 0.60 2.12 10.32 0.61 2.23 4.04 8. Est.15 10.84 4.79 Emigrantes 17. p..66 3.38 3.22 4.01 7.50 3.33 2.29 7.31 40.65 0.00 105 Fonte: IBGE.55 3.25 6.99 31.31 1.60 2.58 5.90 2.01 6.22 5.82 7.67 1.04 3.04 2.97 6.90 2.20 4.35 0.57 4.

022 -1.056 -207 -641 -296 -2. 89-113.607 -1.935 -5..996 -435 -702 -38. a perda foi generalizada em todos os três estratos.984 -2.140 1. o aumento da precarização nos três segmentos populacionais 106 R. Esses resultados sinalizam a força da atividade de serviços.339 -3.813 4. bras.031 12. Destacam-se.075 -8. p.669 -979 764 5.R. v. as ocupações técnicas. Censos Demográficos de 1991 e 2000 e Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2006.630 -2.650 -3.106 pessoas e o superior 2. -19. 1.567 846 -2. seja em sua metrópole. 2010 .412 -2. que também se mostrou mais promissor ao empreendedorismo do que a RMRJ. 27.071 -6. jan.367 -1.236 -2.T. Pop.535 -3.Oliveira. segundo categorias ocupacionais Estado do Rio de Janeiro – 1986-2006 Categorias ocupacionais Superior 21-Grandes empregadores 22-Dirigentes do setor público 23-Dirigentes do setor privado 31-Pequenos empregadores 41-Profissionais autônomos de nível superior 42-Profissionais empregados de nível superior 43-Profissionais estatutários de nível superior 44-Professores de nível superior Média 32-Ocupações artísticas e similares 51-Ocupações de escritório 52-Ocupações de supervisão 53-Ocupações técnicas 54-Ocupações médias da saúde e educação 55-Ocupações da segurança pública.241 -671 -870 -622 -4.. entre essas categorias.055 -2.045 -1.564 -1.444.476 -3. a força de trabalho no segmento inferior foi a menos mobilizada pelos espaços extrametropolitanos.611 -1. 2. . seja no total do Estado. Adiciona-se a esses aspectos a intensa precarização do mercado trabalho.673 3.343 -2.146 -3.910 1991/2000 -9.562 346 401 -16. nos dois períodos observados (Tabela 5).307 -134 1.708 -7. trabalhadores do comércio e os de escritório.179 -2. também característica do novo padrão de acumulação.153 e 8. -943 367 2. que atingiu de forma mais aguda a força de trabalho migrante.185 -464 -229 -326 -2.934 . sejam eles técnicos ou administrativos.103 -476 . As Tabelas 6 e 7 mostram. No caso da RMRJ.723 -84 -129 -7.557 11. Est.695 trabalhadores.592 -3.491 -1.259 -21.277 -2.521 -794 -3.115 -695 -1.099 -1. nas atividades econômicas no interior do Estado.518 Fonte: IBGE.625 -353 -997 6.977 7. Rio de Janeiro..552 -2. pequenos empregadores.515 e 4. n.030 477 -428 9./jun.005 -1.294 -896 -3.320 -4. Tendências recentes da mobilidade espacial da população no Estado do Rio de Janeiro TaBeLa 4 Saldos migratórios.387 -988 -1.023 -1. nos mesmos períodos.257 -9..919 67 1.078 -527 11.608 2001/06 -1. no geral. justiça e correios 61-Trabalhadores do comércio 62-Prestadores de serviços especializados 71-Trabalhadores na indústria moderna Inferior 10-Ocupações agrícolas 63-Prestadores de serviços não-especializados 72-Trabalhadores da indústria tradicional 73-Trabalhadores dos serviços auxiliares 74-Trabalhadores da construção civil 81-Trabalhadores domésticos 82-Ambulantes e catadores 98-Mal definidas Total 1986/91 -10.358 -3.273 -351 -573 -30. Contudo. nos quinquênios 1986-1991 e 1995-2000.. A.155 Total -19.938 23 -2.516 -30. para o Estado do Rio de Janeiro.267 7.377 -3.005 -1.. enquanto o estrato médio perdeu 4.030 330 -3.929 -1.706 -3.377 -4.953 -2.830 e 2.055 -1. respectivamente.874 -3.694 -2..259 -4.

ficando próxima a 30% em 2000. Diante desse quadro. Censos Demográficos de 1991 e 2000. com destaque para um segmento não intensivo em mão de obra.444 -151 -210 -38 -1. A. Rio de Janeiro.106 -388 -986 -1. aliada a um mercado de trabalho em que a flexibilização e a precarização imperam.534 -952 -1. pode-se deduzir que a transformação nas ocupações.R. Tendências recentes da mobilidade espacial da população no Estado do Rio de Janeiro TaBeLa 5 Saldos migratórios. jan. 2010 107 .065 -658 -231 -641 -8. 1986/91 -2. com os imigrantes mais bem posicionados no quinquênio 1986-1991. 1. n. p. embora esse crescimento tenha sido mais intenso na PEA ocupada. Na Região Metropolitana. 58% a mais de pessoas nessas condições.017 -1. segundo categorias ocupacionais Região Metropolitana do Rio de Janeiro – 1986-2000 Categorias ocupacionais Superior 21-Grandes empregadores 22-Dirigentes do setor público 23-Dirigentes do setor privado 31-Pequenos empregadores 41-Profissionais autônomos de nível superior 42-Profissionais empregados de nível superior 43-Profissionais estatutários de nível superior 44-Professores de nível superior Média 32-Ocupações artísticas e similares 51-Ocupações de escritório 52-Ocupações de supervisão 53-Ocupações técnicas 54-Ocupações médias da saúde e educação 55-Ocupações da segurança pública. embora também tenha sido significativo o aumento da precarização da força de trabalho.830 -898 165 -514 -368 -426 -274 -427 -87 -9.497 1991/2000 -4. a situação se alternou. estaria produzindo como resultado no fenômeno dos desloca- R.153 -325 -768 -418 -992 -45 -478 -840 -336 49 -2. 89-113. O detalhe importante é que a mão de obra emigrante coloca-se em patamares ligeiramente melhores do que aqueles alcançados pelos imigrantes. bras. esse fenômeno foi menos agudo nos grupos ana- lisados (Tabelas 8 e 9). Pop.246 investigados.Oliveira. Est. a parcela relativa de força de trabalho em situação de precariedade é superior.515 -179 -27 -18 -918 -352 -165 -523 -332 -4. ou seja. justiça e correios 61-Trabalhadores do comércio 62-Prestadores de serviços especializados 71-Trabalhadores na indústria moderna Inferior 10-Ocupações agrícolas 63-Prestadores de serviços não-especializados 72-Trabalhadores da indústria tradicional 73-Trabalhadores dos serviços auxiliares 74-Trabalhadores da construção civil 81-Trabalhadores domésticos 82-Ambulantes e catadores 98-Mal definidas Total Fonte: IBGE./jun. invertendo-se a posição no período 1995-2000. Entre os migrantes. v. Aqui também a PEA ocupada encontra-se numa situação melhor nos dois períodos.214 -928 -756 -331 -2.695 -439 -239 -309 -653 -258 -107 -362 -329 -15.T..451 -1. Já entre os que empreenderam movimento. 27.

abs.515 65. Censo Demográfico de 2000. Rio de Janeiro./jun.120 52.710 % 20.318 % 15.787 2. TaBeLa 8 Distribuição da PEA.079 1. abs. 8.4 100. 636.1 74. abs.9 100.020.370.6 69. 27.345 77.012 14.8 100. bras. segundo situação de precariedade das relações de trabalho Estado do Rio de Janeiro – 1995/2000 Precariedade das relações de trabalho Precária Não-precária Total PEA total ocupada N. jan. abs. abs.0 Emigrantes N. 905. abs.0 83.0 Imigrantes N. 13.T.288 2.Oliveira. segundo situação de precariedade das relações de trabalho Região Metropolitana do Rio de Janeiro – 1986/1991 Precariedade das relações de trabalho Precária Não-precária Total Fonte: IBGE. segundo situação de precariedade das relações de trabalho Região Metropolitana do Rio de Janeiro – 1995/2000 Precariedade das relações de trabalho Precária Não-precária Total Fonte: IBGE.959 54.533.2 84.0 Imigrantes N. PEA total ocupada N. PEA total ocupada N. 5.7 100.223 3. 2010 .8 100. 517. dos imigrantes e dos emigrantes ocupados.4 100. se habilidades laboriosamente adquiridas passam a ser dívidas um dia depois de se tornarem bens? Quando profissões desaparecem sem dar notícias e as especialidades de ontem são os antolhos de hoje? E como se pode fixar e separar um lugar no mundo se todos os direitos adquiridos não o são senão até a segunda ordem.0 Emigrantes N.830 % 25.7 70.798 11.0 Emigrantes N.465. dos imigrantes e dos emigrantes ocupados.277 % 33.7 100.9 73.382.897. 2. A.3 100. dos imigrantes e dos emigrantes ocupados.3 74. abs.0 TaBeLa 9 Distribuição da PEA.532.1 100. Isto fez com essas categorias ocupacionais fossem buscar sua reprodução em outros espaços que se apresentaram mais dinâmicos ou onde os riscos envolvidos na precarização tenham sido menores. abs.0 Fonte: IBGE. Tendências recentes da mobilidade espacial da população no Estado do Rio de Janeiro TaBeLa 6 Distribuição da PEA.955 3.6 66.7 79. Pop. Censo Demográfico de 1991.3 77.R.154 % 22.107 2. 89-113.0 mentos populacionais a baixa atratividade nos grandes centros.531 2.512 75.631 % 30. TaBeLa 7 Distribuição da PEA. abs.784 10.8 100. n. Bauman (2001) coloca a seguinte questão: como poderia alguém se preparar para a vocação da vida. abs. 361. 5.665 47. v. 23.062 % 17.2 69.2 79.304 % 29. segundo situação de precariedade das relações de trabalho Estado do Rio de Janeiro – 1986/1991 Precariedade das relações de trabalho Precária Não-precária Total PEA total ocupada N. abs.687 13.278 27.554 2.0 Emigrantes N.633 % 25.. dos imigrantes e dos emigrantes ocupados. abs.0 Fonte: IBGE.345 19. quando a cláusula da retirada à vontade está 108 R. 16. p.0 Imigrantes N.050. 22.3 100.511 % 26.818 19.472 % 20. 1. Est. Censo Demográfico de 2000.479 17.194 81. Censo Demográfico de 1991.622 % 30.489 61.0 Imigrantes N.0 100.

entre os migrantes. destacando-se aquela nos serviços especializados. com a ruptura do modelo anterior. que o capital passou a ter maior flexibilidade para investir e produzir em qualquer região. mobilizando a força de trabalho necessária. 1. são esmiuçados. conforme percebeu-se ao longo dessa investigação. 89-113. 27. quadro marcado pelo desencadeamento da guerra fiscal entre cidades/Estados.3). na construção civil e serviços não-especializados. na escala intraestadual. 2003). v.. mais uma vez. refere-se ao grau de precarização das relações de trabalho. é o redirecionamento dos fluxos migratórios para novos espaços. Rio de Janeiro. As cidades médias no interior do Estado beneficiaram-se em maior medida com a retomada do crescimento econômico. nota-se claramente que as formas como os distintos espaços se inseriram no novo modelo de desenvolvimento.. Isto gera disputas entre os espaços para receber essas inversões de capital. que.T. Os governos locais passam a ter que promover o desenvolvimento econômico.)” (BAUMAN. O modo de inserção determinaria a mobilidade ou a imobilidade da mão de obra. mas também como definidor do destino a ser seguido. Outro importante resultado. presente também nas observações dos autores citados anteriormente. A. conforme o modelo de desenvolvimento em vigor. 114). que atingiu em maior medida a força de trabalho migrante. as pistas sugeridas por Davidovich (1986). na estrutura das categorias ocupacionais dos não-migrantes e. jan. 2010 109 . n. a mobilidade espacial também estaria sendo determinada por esses processos. sobretudo. confirmandose a tendência em 2006. 2003). no seu novo padrão de acumulação.. Consequentemente. “O nome do jogo é mobilidade: a pessoa deve poder mudar quando as necessidades impelem. Embora a obtenção de evidências empíricas ainda seja limitada. 2001. poderia ajudar de forma incisiva na melhor compreensão do fenômeno da mobilidade espacial. Tendências recentes da mobilidade espacial da população no Estado do Rio de Janeiro escrita em todo o contrato de parceria? O mundo construído de objetos duráveis foi substituído pelo de produtos disponíveis projetados para a imediata obsolescência. maior atração populacional também (PENALVA SANTOS. sobretudo cidades médias. Isso seria uma R. p. na medida em que foi possível constatar a mudança. p. expuseram a contradição central da mobilização da força de trabalho sob a dominação do capital. Quando os processos migratórios no Rio de Janeiro. bras. como os trabalhadores domésticos. Lipietz e Leborgne (1988) e Harvey (1992) apontam no sentido de corroborar a confirmação da hipótese subjacente à pesquisa. ou os sonhos o solicitam (. o que poderia ter constituído um elemento definidor não só na estratégia de adotar a migração como forma de garantia da sua reprodução. contradição inerente ao modo de produção capitalista. Est. O reflexo disso. de 1991 para 2000. em especial os profissionais liberais e pequenos empreendedores. a inserção econômica dos espaços ditaria a nova divisão social do trabalho. em face das suas vantagens locacionais na atração das atividades dos setores primário e industrial. é com base nos anos 1980. tanto do ponto de vista simbólico quanto no efeito real dos balanços demográficos (MARTINS. nas décadas de 1980 e 1990. Observou-se aumento da participação da força de trabalho das camadas superiores. 2003. nesse caso. no momento atual. Este elenco ainda incompleto de questões.R. aliando-se a outras contribuições. passam a obedecer à lógica de inserção locacional do capital.Oliveira. do ponto de vista demográfico. Concomitantemente. seguiram tendo relevância algumas categorias nos segmentos mais baixos da escala ocupacional. Conclusões Por tudo o que foi discutido e demonstrado nessa investigação. notadamente marcando que tipo de categoria ocupacional foi mobilizada pelo capital. o que significou. De acordo com a proposta aqui defendida para a apreensão do fenômeno da mobilidade espacial. Pop./jun. Deve ser percebido que muda o sinal da migração. p. e da mão de obra no estrato de serviços. “Não é um capital localizado em seu circuito de reinversão” (PIQUET.

Tendências recentes da mobilidade espacial da população no Estado do Rio de Janeiro das consequências da mudança na forma como o capital se organiza para acumular. 1992. 2 e 6. O recente desempenho das cidades médias no crescimento populacional urbano brasileiro. Caxambu. DAVIDOVICH. El caracter de reversibilidad en el estudio de la migracion. 1989. Cinqüenta anos de urbanização no Brasil: tendências e perspectivas. v.381-417. que se refletiria no comportamento dos deslocamentos de população. Um foco sobre o processo de urbanização do Estado do Rio de Janeiro. bras.-set. ERVATTI. Tradução Plínio Dentzien. Mobilidade do trabalho e acumulação do capital. CASTELLS.1/2. 89-113.. MG... Notas de Poblacion.-mar. Rio de Janeiro. São Paulo: Edições Loyola. Rio de Janeiro: Ence/IBGE. DF: Colégio de México. _________. v. La movilización general. v. FARIA. como no passado. 4ª ed. 1999. Modernidade líquida. DAIN.Oliveira. J. Estudios Sociológicos XIX. v. 1-18. Disponível em: <http://www.T. n. BAENINGER. capítulos 1. Reflexões sobre o Brasil e a nova (des)ordem internacional. _________. 2008. México. 1990. 1. abr.br/home/estatistica/ 110 R. 1996.. V. R. 1999. G. Economia. prefácio. prefácio. 2001. Anais. BAUMAN. Tradução de Adail Ubirajara Sobral e Maria Stela Gonçalves. São Paulo: Editora Paz e Terra. Rotatividade migratória: um novo olhar para as migrações no século XXI. L. 2001. 16. 48. I. São Paulo. V. F. In: SEMINÁRIO RIO DE TODAS AS CRISES. 49-69. Madri: Las Ediciones de La Piqueta. Santiago do Chile. 333-371. Poleti. n. S. Traduccíon de José Saavedra. Rio de todas as crises: crise econômica. 9. Z. BENKO. p. _________. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD 2006. Discurso demográfico y posmodernidad. A. Cebrap. 1995. R. jul. p. Rio de Janeiro: Iuperj. Condição pós-moderna . Revista de Economia Política./jun. In: ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDOS POPULACIONAIS. GAUDEMAR. Petrópolis: Editora Vozes. Referências ANDRADE T. espaço e globalização na aurora do século XXI.. Anais. A. A atração por ela exercida estaria muito mais para espaço de sobrevivência do que área percebida como possibilidade de ascensão social. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. Tradução Mauro Gama e Cláudia Martinelli Gama. capítulo 8. 1999. R. Centro Latinoamericano de Demografia. HARVEY. Tradução Iraci D. Dinâmica migratória no estado do Rio de Janeiro na década de 90: uma análise mesorregional. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. 29. 98119. n. E. jan. Rio de Janeiro. SERRA. W. n../dez. 2003. M. jan.ibge. p. D. São Paulo: Abep. O mal-estar da pós-modernidade. 49. CANALES. Dissertação (Mestrado em Estudos Populacionais). ampliada. Tradução Roneide Venâncio Majer. 16. Rio de Janeiro. n. P. 2010 . H. capítulos 4 e 6. p. CASTEL. Lisboa: Editorial Estampa. PICOUET.R. 1986. Una revisión crítica del pensamiento malthusiano. de. Novos Estudos. São Paulo: Editora Hucitec. A sociedade em rede. 1991. p. Urbanização: sua crise e revisão de seu planejamento. p.gov. n. IBGE. A. Pop. Tradução de Maria do Rosário Quintela. R. 19-42. São Paulo. 80. M. Campinas: Editora Unicamp. 27. Est. septiembre 1981. n. 1. Revista Brasileira de Geografia . Revista Brasileira de Estudos de População. p. DOMENACH. n. CANO. 56. 1977. As metamorfoses da questão social – Uma crônica do salário. 1998.3. capítulo 1. jan. sobretudo quando se pensa o resultado da metrópole fluminense nas décadas de 1980 e 1990. março 1991.

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T. The mobility of labor and capital: a study in international investment and labor flow. 3. Cambridge: Cambridge University Press. observando. (Coord. In: MARAFON. La presente etapa de desarrollo. Estándar de acumulación. Migrações Internacionais: contribuições para políticas. así como modificaciones en las estructuras de las categorías ocupacionales. se parte de la hipótesis de que los procesos de (in)movilidad de la fuerza de trabajo responderían al modelo de desarrollo vigente del capital.. n. C. J. Abep. p. 2010 . involucra la idea de proceso de cambios. indocumentados: as novas categorias de uma sociologia dos deslocamentos compulsórios e das restrições migratórias In: CASTRO. As cidades na economia mundial. Como la demografía es considerada un campo del conocimiento que.R. restrições à livre circulação: elementos para um reconhecimento teórico da violência como fator migratório. G. p. desde la década de 1980. 231-261. SOARES. M. 177-184. que se configura. M. Estudos de geografia fluminense.. Abstract Recent trends in spatial mobility of the population in the State of Rio de Janeiro This article addresses dissatisfaction with explanations of migrations that. _________. B. W. estarían indicando el nuevo modo en que el capital viene movilizando a la fuerza de trabajo. Pop. reassentados. 4 e 6. Rio de Janeiro: Livraria e Editora Infobook. p. G. jan. SASSEN. Anais. Anpur.). VAINER.111-129. In: MARTES. 819-835. bras. Est. 21. São Paulo: Abep. los procesos migratorios que incluyeron al Estado de Río de Janeiro. nuevos modos de regulación de las relaciones capital-trabajo. nonetheless sound somewhat incomplete. capítulos 1. RIBEIRO. en la que prevalece el modelo de acumulación flexible. 67-82. exilados. although they have provided important contributions. clandestinos. Rio de Janeiro. Reorganização do espaço produtivo e a questão da recuperação da economia fluminense: uma análise com base nos migrantes qualificados. 2001. jan. que reflejan las relaciones sociales inscritas en cada momento histórico. v. MG. como área de atracción y expulsión de población. Resumen Tendencias recientes de la movilidad espacial de la población en el Estado de Río de Janeiro A partir de la inquietud en cuanto a explicaciones que. este artículo se propone reflexionar sobre el cambio en el comportamiento que se viene dando en los desplazamientos poblacionales en Brasil. 2000. 2002. M. 27. SIMÕES. S. Deslocamentos compulsórios. 13-26. Brasil 2000. A. São Paulo. Deslocados. en última instancia. In: ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDOS POPULACIONAIS. 2003. Tendências recentes da mobilidade espacial da população no Estado do Rio de Janeiro Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais. Recife. v. nov. 1. A emigração de valadarenses à luz dos fundamentos teóricos da análise de redes sociais. p. p. FLEISCHER. A. Caxambu. n. São Paulo: Studio Nobel./jun. Brasília: CNPD. B. n. Revista Brasileira de Estudos de População. C. A. 11.. estaría determinando nuevas estrategias de localización de las actividades productivas. 1998. The article proposes 112 R. p. gênero e redes sociais. Palabras-clave: Migración interna. A. p. que.. Fronteiras cruzadas: etnicidade.). refugiados.-jul. S. en su esencia. 89-113. 2004. simultáneamente. particularmente. parecían algo incompletas para explicar las migraciones. F. aunque daban una importante contribución. Considerações sobre o espaço fluminense: estrutura e transformações. São Paulo: Paz e Terra. _________.. (Orgs. G. 1988. 1988.Oliveira. Movilidad espacial. RIBEIRO. 1.

Tendências recentes da mobilidade espacial da população no Estado do Rio de Janeiro a discussion on changes in behavior taking place in demographic displacements in Brazil since the 1980s./jun. n. Brazil (of which the city of Rio de Janeiro is the capital). The author sees demography as a field of knowledge that. especially in terms of the migratory processes in the State of Rio de Janeiro. In terms of the model of flexible accumulation. Recebido para publicação em 04/05/2009 Aceito para publicação em 10/09/2009 R. in essence. p. The state is both an area of attraction and of expulsion of population. the present stage of development seems to be determining new strategies for locating productive activities. Rio de Janeiro.. Est. new modes for regulating relationships of capital. Spatial mobility. v. 89-113. A. 27. Keywords: Domestic migration. 1. implies the idea of processes of change that reflect the social relationships inscribed during each historical moment The article is thus based on the hypothesis that processes of (im)mobility of the labor force could explain the current model of capitalistic development. bras.T. Pop. In the final countdown. as well as changes in the structures of occupational categories.R.Oliveira. 2010 113 . Accumulation patterns. these factors are dictating a new mode for capital to mobilize the labor force. jan.

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