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Tecnologia 32nanometros

Como já falamos aqui, a Intel anunciou seus planos de investimentos para migrar do atual
processo de 45 nm para 32 nm e, de quebra, revelou mais detalhes sobre o processador que irá
suceder o Core i7 “Nehalem”, conhecido como Westmere. Vi um protótipo dele no último IDF
2008 em São Francisco (acima).
Como estamos num ano Tick — época de introduzir um novo processo de fabricação — o
Westmere é, na sua essência, uma versão de 32 nm do atual Nehalem e seus acompanhamentos.
Sob esse ponto de vista, não devemos esperar grandes novidades na sua microarquitetura, apesar de
que alguma coisinha sempre é colocada nessas ocasiões. A grande sacada desse produto é que ele
começa a pôr em prática um recurso já dito no ano passado: que o Nehalem possui uma
microarquitetura bastante flexível, o que permite rearranjar seus componentes internos resultando
em produtos com mais ou menos recursos e até diferentes preços.
Isso permitirá que o Core i7 seja mais facilmente assimilado pelos diversos segmentos do mercado
— notebooks, desktops e até servidores — com produtos que chegam ao mercado a partir deste e no
próximo ano.
Depois de atender o mercado de desktops topo de linha no final do ano passado, o Core i7 estreia no
segmento de mainstream inicialmente com os processadores Lynnfield e Clarksfield ainda
baseados no Nehalem de 45 nm com quatro núcleos + HT (totalizando 8 threads) tanto para para
desktops de linha e notebooks leves e finos. Esses chips devem dominar os lançamentos até
meados do segundo semestre desse ano, época em que os primeiros processadores Westmere de 32
nm cheguem ao mercado, numa versão de dois núcleos + HT (totalizando 4 threads) e um
processador gráfico integrado (iGFX): o Clarksdale para desktops e o Arrandale para portáteis.
Segundo Stephen Smith, VP de operações do grupo de Digital Enterprise da Intel, a aceleradora
gráfica integrada ainda é um componente de 45 nm encapsulado ao lado do núcleo do processador
de 32 nm. Ao mesmo tempo que os chips são produzidos pelo novo processo, os chipsets migram
para 45 nm entre eles a nova família de chipsets da série 5, que será responsável pelas interfaces de
E/S, saída de vídeo e funções opcionais com o vPro. Smith também destacou a flexibilidade do
projeto do Westmere, o que permitirá o rápido desenvolvimento de novos produtos como o
Gulftown, uma versão do Westmere com seis núcleos e 12 threads.
Tanto o Lynnfield quanto o Clarksdale fazem parte das novas plataformas para desktops
codinome Piketon e Kings Creek. No caso dos notebooks o Clarksfield e o Arrandale serão a
base do Calpella, plataforma móvel que deverá suceder o atual Montevina, conhecida
comercialmente como Centrino 2. Em 2010 (ano “Tock”) a Intel deve anunciar sua nova
microarquitetura que sucederá o Nehalem/Westmere, cuja única informação disponível é seu
codinome: Sandy Bridge.
Curiosamente, alguns já chamam esses chips de Core i5, o que iria de encontro com um papinho
que tive com alguns executivos da Intel que descartaram a especulação de que o sufixo i7 seria algo
como “Intel de sétima geração” e sim descreveria famílias de produtos — algo como Core i3 para
processadores móveis, Core i5 para processadores de entrada/mainstream, Core i9 para servidores
e assim por diante — o que meu colega Andreas Stiller do C’t chamou de sistema BMW.
Se comparado com a atual plataforma Penryn onde o processador se comunica com o resto da
placa-mãe pelo barramento frontal (FSB), o núcleo do Westmere tem acesso direto ao controlador
de memória DDR3 em dual-channel e à aceleradora gráfica (iGFX) que Smith afirma oferecer
melhor desempenho por meio de uma maior integração de componentes. Note a existência de um
canal PCI-e que se comunica diretamente ao processador o que permite um uso mais eficiente de
uma placa de vídeo discreta.
Entre as outras novidades que estreiam com o Westmere está o set de instruções AES, formado por
sete instruções (como no SSE 4.1) específicos para acelerar algortitmos de encriptação e
decriptação de dados (AESENC, AESENCLAST, AESDEC, AESDECLAST, AESIMC,
AESKEYGENASSIST e PCLMULQDQ) permitindo, assim, criptografar todo o conteúdo de um
disco em tempo real, aumentando ainda mais a segurança de seus dados.
Depois dos desktops e notebooks, será a vez dos servidores receberem seus chips
Nehalem/Westmere que serão conhecidos comercialmente como XEON (uia!). Os servidores de
entrada (plataforma Foxhollow-EN) com um soquete serão atendidos inicialmente por uma versão
do Lynmfield (rebatizado como Xeon série 3000) sendo posteriormente sucedido pelo Clarksdale
de 32 nm. O mesmo ocorrerá com os Xeon série 5000 com a plataforma Tylersburg-EP (Efficient
Performance) com dois soquetes e o Xeon série 7000 com a Boxboro-EX (EXpandable)
plataforma com quatro ou mais soquetes.
No geral a mensangem para o mercado é a de sempre: com a chegada do processo de 32 nm os
chips ficam menores, mais rápidos, mais eficientes e, por que não, econômicos? Essas
características podem assegurar que o pessoal de Santa Clara passe mais um ano cantando de galo e
sapateando em cima da concorrência.
Dito isso, QUE VENHA O CORE i7! (testes no Zumo já estão programados).