OS SONHOS

JOSÉ LAÉRCIO DO EGITO

Sobre o Autor - JOSÉ LAERCIO DO EGITO
Dr. José Laércio do Egito é médico, formado pela Universidade Federal de Pernambuco em 1.959, com formação em clínica geral e cirurgia, tendo posteriormente buscado outras formas de tratamento como Acupuntura e Homeopatia. Passou a transmitir seus conhecimentos nesta especialidade, sendo responsável pela divulgação e formação de muitos especialistas no Nordeste do Brasil. Praticamente quase todos os homeopatas atuais de Sergipe ao Amazonas Manaus foram seus discípulos. Publicou 4 livros de Homeopatia, sendo o Primeiro deles – “Contribuição para o Estudo da Teoria Miasmática” já na quarta edição no Brasil e com tradução na França, Alemanha e Inglaterra. Sua formação em Homeopatia feita na França e Argentina. Fundador da Sociedade de Homeopatia de Pernambuco, bem como o curso de especialização em Homeopatia em Pernambuco. Ministrou grande número de aulas em Manaus, Salvador, Fortaleza, Belo Horizonte e São Paulo. Homenageado em vários congressos, havendo sido Presidente de Honra do XVII Congresso Brasileiro de Homeopatia realizado em Natal, e do próximo a que ser realizado em Recife em 2.010. Dr. Laércio desde a infância se sentiu atraído estudo do misticismo, sem, entretanto, nunca misturar conhecimentos científicos oficiais com as suas convicções filosóficas em torno do sentido da vida em todos os seus aspectos. Tem cerca de 50 livros escritos sobre misticismo e religiões comparadas, oito deles já foram publicados. São obras no campo místico, área dos questionamentos que o envolveram a parir dos três anos de idade. Nasceu no município de São Vicente Ferrer, interior de Pernambuco, em um sítio, entrando assim precocemente em contato com a Natureza, que por certo aguçou sua curiosidade sobre o sentido da vida, sobre o ser vivo e sua relação com a Energia Universal. Visitou vários países a estudo e como participante de congressos e ministrante de palestras. Durante sua vida pertenceu a mais de 60 doutrinas, entre as quais Maçonaria (Brasil e França), Rosacrucianismo, Pitagorismo, Cabala, Hermetismo, Celtismo, Xamanismo e Nagualismo. Estudou por 3 anos vivencias de grupo céltico autêntico da Bretanha. Atualmente continua ativo em três Ordens Iniciáticas e em uma Religião. O Dr. Laércio considera muito importante em sua vida aquilo que um Mestre o ensinou, e também uma curta, mas forte experiência mística vivida com nativos HOPI no Arizona, cujo Xamã o orientou em curto tempo, porém suficiente ao desenvolvimento de muitos conhecimentos que, somados ao que aprendeu em múltiplas doutrinas, vem transmitindo em seus livros, palestras, cursos, publicações e conferências e em um dos seus sites (Acesso www.joselaerciodoegito.com.br). Uma característica que é peculiar ao Laércio é que jamais comercializou seus ensinamentos. Atualmente, em vez de publicar livros prefere disponibilizá-los gratuitamente na Internet (disponibilizado na área de Downloads). Atualmente reside na cidade de Gravatá - Pernambuco - onde continua dirigindo grupos de estudos filosóficos especialmente direcionados ao estudo de Religiões Comparadas. 2

Sumário

SONHOS ............................................................................................................................................. 4 SONHO - FANTASIA OU REALIDADE? ........................................................................................ 7 INTRODUÇÃO À NATUREZA DOS SONHOS ............................................................................ 10 SONHOS PERCEPTIVOS ................................................................................................................ 14 SONHOS BÍBLICOS ........................................................................................................................ 17 SONHOS PROJETIVOS ................................................................................................................... 21 TIPOS DE SONHOS PROJETIVOS ................................................................................................ 26 SONHOS LÚCIDOS ......................................................................................................................... 29 HIPÓTESES SOBRE O SONHAR ................................................................................................... 32 INTERPRETAÇÃO DE SONHOS ................................................................................................... 34 VISÃO HERMÉTICA DO SONHAR .............................................................................................. 37 ENERGIA E SONHOS ..................................................................................................................... 40 O PONTO FOCAL DA MENTE E OS SONHOS ............................................................................ 43 O PONTO DE PERCEPÇÃO E O SONHAR ................................................................................... 46 SONHO UM PORTAL PARA OUTROS MUNDOS ...................................................................... 48 O SONHO E A CREAÇÃO DE MUNDOS ..................................................................................... 51 MUNDO DOS SONHOS .................................................................................................................. 56

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SONHOS
“LEMBRE-SE: VOCÊ É DO TAMANHO DOS SEUS SONHOS”.

ROBERTO SHINYGHASHI

2006- 3359

T E M A 1. 7 1 6

A não ser que a pessoa domine a Arte do Sonhar, não tem como saber se um sonho é a realidade do dia a dia ou não; somente quando ela volta ao estado de vigília é que pode fazer a identificação. Contudo, não tem muito significado se uma vivência se trata de um sonho ou não, pois, na verdade, todos os sonhos são vivências. Dizer que um sonho é ilusão não tem sentido, desde que este mundo que consideram real também é uma ilusão. Portanto, podemos indagar: que diferença faz? Na Verdade o nosso mundo habitual existe apenas como uma posição específica no Consciência – “É”, a partir de onde a Mente saca as informações mediante e “monta” uma imagem perceptiva. O mesmo acontece com referência ao sonho, o que faz a diferença é o grau de fixação de cada um. Para entender melhor vamos usar uma metáfora. Considere um arquivo de programa de um computador. No ponto de registro não existe texto explicito algum assim como desenhos, planilhas, música etc.. Isso se considere como o “É” do computador. Embora não exista de forma explicita mesmo assim há um ponto no qual os registros estão presentes e donde podem ser acessados através de um toque do “mouse”. Este faz o papel de Mente, e o registro no HD o de Consciência. Para que se possa entender o mecanismo dos sonhos é preciso que antes seja entendido o papel da percepção, pois tanto o que se vivencia no estado de vigília, quanto em um sonho, em base, tratam-se de uma mesma coisa, a diferença, talvez, esteja no fator tempo de percepção. Como a pessoa passa muitas horas em vigília e poucas dormindo, e menos ainda sonhando, então as vivências do estado de vigília são aceitas como realidade enquanto aquelas oriundas deste estado não são levadas em consideração, mas se ocorresse o inverso, então, o sonho seria a realidade e este estado que chamamos de realidade seria um sonho. O mundo de uma pessoa existe onde se focalizam as suas percepções; quando desperto o mundo é o que ela vê, sente, detecta, e no sonho o plano de percepção é diferente, mas não o processo. Na verdade para o sonhador as imagens oníricas compõem um mundo tão real quanto aquele que chamam de mundo habitual – mundo da pessoa desperta. Não se tratam de dois mundos, ou de um mundo real e outro ilusório; ambos são de uma mesma natureza – imagens holográficas. Vamos iniciar com um exemplo que muitas vezes temos usado para ilustrar o papel da mente e dá consciência. Consideramos como analogia a Mente se fosse um disco fonográfico no qual todas as expressões de existência estivessem gravadas nele. Por outro lado, a agulha (ou feixe de laser) como sendo a mente. Assim como a agulha capta uma pequena fração do disco, o mesmo acontece com a mente, ela (agulha) capta da Consciência, ou seja, uma fração mínima de tudo o que ali está registrado. Essa fração se constitui a percepção e o que é “extraído” tudo o que constitui o mundo do ser. Assim podemos dizer que existem miríades de mundos, talvez em número infinito. Qualquer um pode ser acessado dependendo do ponto em que a mente aborda a Consciência. Tal como a música do disco, a que está sendo num determinado momento sendo tocada corresponde ao 4

ponto em que a agulha está tocando o disco. Mudando-se a posição da agulha outra musica passa a ser tocada. Na verdade ela não existe, mas é gerada a partir de informações contidas no disco. O mesmo acontece com referência à Mente e à Consciência. O ponto em que a mente aborda a Consciência dá origem a percepções que constituem o mundo. Este mundo que consideramos único não é mais que o resultado de uma captação feita pela mente a partir da consciência. Se ele for deslocado, o mínimo que seja, haverá consequentemente mudanças da percepção, e ocorrerá como conseqüência outra realidade passa a existir para a pessoa. A existência é a Consciência, fora dela Nada existe, portanto qualquer que seja o evento ele tem origem nela. É algo que é captado na consciência pela Mente, podemos dizer que a nossa realidade resulta da percepção obtida pela Mente a partir da Consciência. Deslocar esse ponto de focalização equivale a modificar. 1 Pequenas oscilações da agulha deforma a música, porém se forem grandes pode surgir uma das outras musicas que estejam gravadas. Pequenos deslocamentos ocasionam pequenas modificações não suficientes para ser tocada outra música. O mesmo acontece com a percepção, se o ponto detectado apenas comportar discreta alteração de posicionamento, então o mundo é o mesmo, apenas apresentando certas nuanças diferenciativas. Isso é o que acontece quando a pessoa passa por muitas situações tais como, sustos, medos, ingestão de drogas, hipotermia, febre, etc. Nessas situações ocorre modificação do ponto de sintonia e o resultado são distintas alterações de percepções que geram ilusões, alucinações, distorções da realidade habitual. O sonho tem tudo a ver com o deslocamento do ponto de focalização da Mente na Consciência. Na Consciência tudo está “registrado”, todas as possibilidades estão presentes independentemente de espaço e de tempo. O momento e o local atual para nós nada mais é do que um ponto focal captado pela mente no campo da Consciência. Por menor que seja um deslocamento desse ponto de percepção por certo a realidade será outra. Quando o deslocamento é mínimo as mudanças são igualmente mínimas, quando grande as mudanças podem ser inconcebíveis. No estado de vigília a área de percepção é muito fixa, só permitindo o fluir natural, aquilo que chamamos de passagem do tempo. Essa relativa fixidez é que permite o sentimento de aqui e agora, ou seja, do mundo tal como percebemos e pelo que nós consideramos real e mesmo único. Durante o sonho a fixidez do ponto atenua-se o que permite a ocorrência de deslocamentos e consequentemente de vivências. Desde que o ponto de sintonia saia de sua posição habitual ocorre a sintonia de outro ponto e a percepção do que ali estiver registrado. Isto é o que acontece no sonho comum, há um deslocamento não muito grande que permite distorções do padrão vivencial da pessoa, mas não ao ponto de representar um mundo totalmente distinto. Em síntese, podemos dizer que pequenas oscilações do ponto de abordagem da mente geram estados perceptivos distintos, entre eles o estado de sonho. Não se pode dizer que uma agulha que é deslocada no disco o que é reproduzido é aquilo que reproduz seja diferente daquilo que estava tocando antes, o novo trecho musical é tao real quanto aquele. O sonho é um deslocamento do ponto de percepção não muito distante do ponto original, mas ambas as percepções são similares, pelo que não se pode dizer o que é percebido no ponto A seja outra coisa, ou uma ilusão no tocante àquilo que é percebido num ponto B. Por tudo isso se pode afirmar que sonhar é perceber pontos distintos do “É”, ou seja, um afloramento de outros pontos de registro. Não se pode dizer que aquilo que é produzido pela agulha ao se deslocar pela superfície do disco seja uma emissão de natureza diferente daquela que estava sendo emitida antes, o novo trecho musical é tao real quanto o anterior. O sonho é um deslocamento do ponto de percepção para não muito distante do ponto original, mas ambas as percepções são similares, pelo que não se pode dizer que aquilo que e percebido no ponto A seja outra coisa de uma natureza diferente, ou uma fantasia
O Nagualismo (Carlos Castaneda) chama o ponto de percepção pelo nome de Ponto de Aglutinação, e corresponde ao que o Hermetismo chama de Ponto de Percepção ( Ponto em que a Mente aborda a Consciência).
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no tocante àquilo que é percebido num ponto B. Por tudo isso se pode afirmar que sonhar é perceber em outro ponto, a abordagem de outro ponto da Consciência, mas não se trata de uma fantasia diferente dessa que consideramos nossa realidade. É importante saber que esse mundo, mesmo constituído de miríades de coisas consideradas concretas, não é mais do que uma percepção da mente, e que não há limite para a amplitude do deslocamento, tudo é uma questão de disponibilidade de energia. Um deslocamento pode acorrer para outras realidades, outros mundos e serem percebidos como realidades concretas. Eles existem, não fisicamente, mas potencialmente. Coisa alguma existe fisicamente, essa condição é mais uma daquela peças que a mente impõe. Por isso o Hermetismo diz que este Universo é Mental. Ele é gerado pela percepção mental a partir de uma matriz – Consciência – mas nada implica que inúmeros outros possam vir a existir objetivamente – condição mental. Eles não existem concretizados, mas como infinitas possibilidades quânticas. Á primeira vista pode parecer entender isso, mas é fácil se for tomado uma analogia. Existem os programas de redação em computadores, como, por exemplo o Word da Microsoft. Nenhum escrito está explicito nele, mas mesmo assim ele pode dar origem a um numero inconcebível de textos distintos. Quantos textos podem ser gerados por um único programa? – É impossível se ter uma respostas porque tende a infinito o numero de textos que podem ser gerados. Nesse exemplo a Consciência pode ser comparada com um programa gerador de textos para o qual não existem limites. muitas condições que podem gerar sonhos, mas sempre o processo é o mesmo, um deslocamento do ponto de percepção. Assim, um sonho pode ser referente ao passado, ou ao futuro. Uma faixa já tocada é acessada pela agulha, ou outra que ainda não o foi. Nisso reside a natureza dos chamados sonhos premonitórios. Na consciência tudo quanto existe está registrado, tudo pode ser repetido, ou previsto conforme o acesso que for feito. O que temos dito nesta palestra diz respeito a pequenos deslocamentos, mas isso não que dizer que deslocamentos muito pronunciados não possam ocorrer. Nesse caso o sonho pode ser muito mais concreto, muito mais pronunciado e envolver valores incomuns. Ele pode se referir à existências totalmente fora da faixa habitual. ( Na analogia feita: A música pode ser outra totalmente diferente da original). O que importa no processo é o deslocamento da percepção. Este mundo, mesmo constituído de miríades de coisas consideradas concretas não é mais do que uma percepção da mente, resultante daquilo que existe como informação no ponto focalizado. Outros mundos muito concretos existem. Não existem fisicamente, mas potencialmente, como algo que lembra um registro no HD de um computador. Da forma que mente gera este mundo, por ser o universo uma artifício da Mente (O Universo é Mental) ela pode gerar incontável número de outros ( Na verdade ela não gera e sim apenas percebe). O verdadeiro iniciado sabe como viajar nesses planos, ou seja, como viajar e vivenciar estando de vigília e também em estados chamados sonhos. Quando o processo é efetivado, o mais importante é que a pessoa pode se da conta de que está vivenciando, vivendo outras realidades, o que não acontece num sonho comum, aquele do dia-a-dia. Neste caso ele só tem ciência quando volta ao estado comum de vigília, mas, com certa prática a pessoa pode saber que está sonhando e até mesmo assumir o comando das situações como acontece no estado de vigília (No estado de atenção chamado por Dom Juan de Segunda Atenção.

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SONHO - FANTASIA OU REALIDADE?
“ ONDE VIVES? PERGUNTA O POSSÍVEL AO IMPOSSÍVEL. E ESSE RESPONDE: NOS SONHOS ...”

RABINDRANATH TAGORE 1995

TEMA 0.358

Quando a pessoa adormece, dizem algumas doutrinas, há um desligamento parcial do espírito com o corpo. Assim sendo, o espírito como que viaja para lugares distantes. Na realidade ele não viaja, o que ocorre é uma projeção mental para além do lugar e tempo onde está o corpo físico. O ponto focal da consciência pode se manifestar em qualquer nível Cósmico. Via de regra ele se manifesta onde está o corpo físico, mas isso numa pessoa encarnada. Já dissemos na série de palestras sobre os corpos intermediários que a consciência se manifesta no derradeiro dos corpos intermediários. Numa pessoa encarnada ele se manifesta evidentemente ao nível do corpo físico dando até mesmo a impressão de que ela se situa no cérebro. Numa pessoa em que haja anulação do corpo físico ( por desencarne, anestesia, traumatismos com perda das percepções ) ela pode se manifestar num outro nível, num outro corpo astral. Mas, não é somente nas condições citadas que a pessoa toma ciência dos afloramentos da consciência em outros níveis. Muitas vezes uma projeção desse tipo ocorre espontaneamente. Tornar-se ciente num ponto afastado é necessário que a pessoa altere a sua vibração. Existem alguns métodos que possibilitam isso e que são ensinadas por algumas doutrinas. Carlos Castañeda menciona com freqüência os ensinamentos de Dom Juan referentes às condições que o “feiticeiro” atinge estados modificados de percepção através de deslocamentos daquilo que ele chama de Ponto de Aglutinação. Diz que é pelo deslocamento daquele ponto que os diversos níveis de consciência se manifestam. Isto é verdade e veremos alguns detalhes que julgamos importantes no desenvolvimento espiritual. Primeiramente queremos lembrar que em nível orgânico, em nível corporal, existe no cérebro um ponto correspondente á qualquer função. Tudo tem o seu lugar representativo no cérebro. Se, por exemplo, for estimulado o ponto da visão a pessoa terá sensação de luz, de cor e assim por diante. Também a acupuntura e reflexologia afirmam que no nariz, nas orelhas e nas plantas dos pés estão representados todos os pontos do corpo e que se um daqueles pontos for estimulado haverá uma resposta correspondente à função inerente a ele. Algo semelhante acontece com relação ao corpo bioplasmático, há um ponto energético representativo de cada nível de consciência. Assim sendo, atuando-se sobre o ponto energético (ponto de convergência) obtém-se um determinado estado de consciência. Portanto, deslocando-se o ponto energético (ponto de aglutinação citado por Carlos Castañeda ) o nível de consciência aflora num outro nível.2 “Assim como é em cima é embaixo”, portanto todas as coisas que existem num nível existem em a sua representação nos demais níveis. Como na Consciência está registrado tudo quanto há, então por uma abordagem mental é possível efetivar qualquer percepção, que dia
2 Temos evidenciado que a compreensão sobre o ponto de aglutinação citado seguidamente por Carlos Castañeda tem sido de difícil compreensão para muitos leitores daquele autor. Na realidade o ponto de aglutinação é um ponto de confluência, situado no corpo energético, dos distintos níveis de energia psíquica inerente aos estados de consciência da pessoa.

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respeito até mesmo a um mundo. Coisa alguma fica fora da Consciência, ela é o tudo, um infinito e como tal coisa alguma pode ficar de fora. Em resumo, na Consciência pontos representativos de todo o universo em todos os planos, vivenciá-los é apenas uma questão de sintonia mental. Estimulando-se ( o que eqüivale a fazer mudar de lugar ) o ponto energético correspondente aos níveis de consciência é possível se projetar a consciência para N níveis. Na realidade o que varia são os métodos de como agir sobre ponto energético segundo o que se pretende obter. Experiências fisiológicas mostram que estímulo exercido sobre pontos cerebrais obtém-se inúmeras respostas psíquicas e sensoriais. Por exemplo, se um determinado ponto do cérebro for estimulado mecanicamente a pessoa pode ter sensação tão real que é incapaz de perceber ser aquilo algo não real provocado por um estímulo mecânico. Por esse tipo de experiência é possível a pessoa sentir odores, perceber formas, cores, sensações auditivas e mesmo estados se cólera e de tranqüilidade, sensações eróticas, etc. Se, por exemplo, for estimulado um ponto correspondente a um odor a pessoa sentirá aquele odor de forma não fácil de concluir ser ele provocado por algo real ou simplesmente ser resultante de um estímulo mecânico cerebral. Agora vale outro ensinamento. Se aquele ponto em vez de ser levemente estimulado o for com intensidade está sujeito a ocorrer um dano com resultado definitivo, algo que passa a agir de forma perene e assim a pessoa jamais deixaria de sentir aquele odor. Isto é valido para qualquer outro tipo de sensação. O que descrevemos sucintamente sobre estímulos presta-se bem para o entendimento do que ocorre com referência ao ponto energético. Ao ser estimulado o ponto de convergência (= ponto de aglutinação) a pessoa vivencia outra realidade, quer em espaço, quer em tempo. Na realidade não é um deslocamento do ponto energético. Uma pessoa que tenha a capacidade de perceber o corpo energético vê aquele ponto de confluência nas diferentes situações. Vê que ele como que muda de posição dentro do campo energético. Na realidade ele não muda de lugar, na realidade podemos dizer que isso é só aparente, há deslocamento real do ponto de convergência energética e sim níveis de vibrações que dão uma sensação, pois o que se percebe realmente é a alteração vibratória. Um nível vibratório corresponde a um estado de consciência, uma vibração diferente corresponde a outra realidade e assim sucessivamente. No nível em que o ponto energético estiver vibrando ali está a consciência da pessoa. Não é raro ter-se percepções de outros níveis de consciência e de registros de memória. Isto em dado momento aflora parcialmente durante o sono e no estado de virgília é assinalado como um sonho.. Acontece que os sonhos não são claros exatamente porque as percepções ocorridas durante o sono são conscientizadas fragmentariamente, afloram segmentos de percepções de situações diferentes misturados, e mais porque os elementos constitutivos da mente (associação, imaginação, etc.) entram em ação e assim mascaram a percepção obtida no sonho. Esta é uma das razões pelas quais os sonhos são alheios aos princípios que regem o pensamento lógico. Via de regra eles violentam a lógica, a começar pela relação espaço tempo. Estas duas condições têm conotação totalmente diversa daquelas que ocorrem no estado de vigília. O que uma pessoa considera ilógico existe se fosse uma nada não se apresentaria como algo, assim podemos dizer que o ilógico também faz parte do registro geral – Consciência – e por isso pode ser acessado. Uma conseqüência disso é que aquilo que é lógico ou ilógico não são mais do que pontos de registros na consciência. Resulta que a lógica é algo próprio de cada posicionamento. Mas, não são apenas “viagens” que participam na elaboração dos sonhos. Quando uma pessoa adormece, ela praticamente está no mundo astral e todas as condições que já estudamos a respeito do astral se tornam presentes. Aquelas situações são rememoradas quando a pessoa volta ao estado de virgília e então tem a sensação de haver tido um sonho. Assim uma pessoa através do estado de sono pode ter acesso a diferentes níveis astrais que ela se dá conta como se fosse sonho.

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Num estado de sonho a pessoa pode ter acesso a níveis com escala espaço / tempo
totalmente diversa e assim em certas condições pode ter acesso aos registros do tempo e colher eventos ainda por acontecerem no mundo objetivo. Neste caso são os sonhos premonitórios. Por meio dos sonhos premonitórios é que muitas profecias são feitas. O futuro já está registrado no tempo, ou como preferem chamar os orientais, nos registros akásicos, ou o Hermetismo registro da Consciência. Aqueles registros podem ser consultados e assim sendo uma consulta aos registros do tempo – consciência – pode aflorar parcialmente constituindo exatamente um sonho. No estado de sonho a mente de uma pessoa adormecida comporta-se num nível abaixo daquele que ocorre no estado de virgília, muito embora as experiências que ocorrem num sonho sejam muito mais elásticas desde que no estado de virgília há um enorme condicionamento físico da mente exercendo uma filtragem, enquanto que no estado onírico a barreia imposta pelo corpo físico é muito menor, por isso a clareza de consciência é menor do que no estado de vigília. Concluímos afirmando que sonho não é uma quimera, e sim uma realidade tal qual aquilo que se vivencia em estado de vigília. O estado onírico se for considerado uma ilusão, o mesmo acontece com o estado de vigília, afinal o Universo é Mental.

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INTRODUÇÃO À NATUREZA DOS SONHOS
“ NEM SEMPRE ESTÁ DORMINDO QUEM TEM OS OLHOS FECHADOS”.

1995

T E M A 0.3 56

Em todas as épocas o sonhar exerceu grande influência sobre as pessoas. Para uns, é algo sem significação, para outros é algo tão importante que muitos sonhos foram tidos como mensagens dos deuses. Na Bíblia há muitas citações a respeito de sonhos, muitos profetas receberam mensagens das divindades através deles. Há muitas referências aos anúncios feitos em sonhos pelos anjos anunciadores, assim aconteceu com o nascimento de Salomão e de Jesus. Teriam os sonhos importância real? - Certamente, pois na Bíblia está escrito: Quando os tempos forem chegados, as crianças terão visões e os velhos terão sonhos. A fisiologia até o momento não pode explicar o que na realidade são os sonhos, apenas ela consegue detectar quando uma pessoa está sonhando e alguns mecanismos cerebrais inerentes ao processo, mas de forma alguma o que ele é em essência, contudo através da metafísica no campo do Unismo isso se torna de fácil compreensão. Sendo algo muito enigmático, é muito elevado o número de tentativas de explicá-los, chegando mesmo a existir uma mística inerente aos sonhos. A arte divinatória tem nos sonhos um dos seus principais suportes operacionais. Sempre houve os que tentaram interpretar os sonhos. Na Grécia antiga as pitonisas previam o futuro e adivinhavam os acontecimentos pelos sonhos, tal como faziam também os antigos sacerdotes da Pérsia. Para os Cristãos e Judeus e o mais conhecido de todos os sonhos é aquele que José, filho de Jacó interpretou para um Faraó do Egito. Aquele sonho do Faraó constitui um dos tipos básicos e classificados como Sonho Profético. Na psicanálise o sonho tem um papel muito importante haja vista o que disse Freud: “O sonho é na vida real o que conduz ao conhecimento do inconsciente”. Os sonhos sempre foram envoltos por uma auréola de mistério, exatamente, não apenas porque representam um estado de consciência totalmente discrepante do estado de virgília, pois que, via de regra, são alheios aos princípios que regem o pensamento lógico. São condições que ocorrem como que fora do espaço-tempo comum. Na realidade é assim, somente a mente objetiva tem essa conotação de tempo, que vivenciamos no dia-a-dia, mas podemos afirmar que em outros níveis de consciência se tem uma sensação temporal característica. Conforme o plano de consciência em que se esteja a sensação de fluir do tempo vai desde o patamar típico do dia a dia comum até um patamar em que se torna zero ao nível do NADA. Por isso é que durante o sono a pessoa perde a noção de tempo físico, a noção de cronologia. Sonham10

se alguns segundos e tem-se a impressão de uma vivência correspondente a horas ou mesmo dias e meses do estado de vigília. Por outro lado, também cada ponto do “disco da consciência tem escala temporal própria. Isto é o tampo linear é função do ponto de aglutinação – ponto de detecção da Mente sobre a Consciência. Diz a medicina que o sonho é indispensável à saúde mental. Se privar uma pessoa do sonho por certo a sua mente entra em falência. Poucos sabem que existem distintos tipos de sonhos como veremos: • • • • • SONHOS DE TENSÕES SONHOS PROFÉTICOS SONHOS POR PERCEPÇÕES DO ESPÍRITO SONHOS POR PROJEÇÕES ASTRAIS. SONHOS POR VIVÊNCIA DE OUTRAS REALIDADES (MUNDOS).

Nesta palestra veremos dois dos cinco principais tipos de sonhos.
SONHOS DE TENSÕES:

A psicanálise admite que seja através dos sonhos que ocorre um extravasamento das tensões internas. Freud disse que no sonho a mente fica liberta da auto-sensura, e assim se dá vazão aos impulsos sem as contenções impostas pelo formalismo da vida. As preocupações geram tensões que fazem com que a mente cerebral torne-se muito ativa durante o sono. Assim, parte daquela atividade psíquica que ocorre durante o sono aflora em parte ao nível da consciência de virgília sob a forma de sonho. Via de regra, este tipo de sonho é algo confuso, incompleto e incoerente. Isso ocorre porque apenas parte daquela atividade é rememorada, além do mais como ele é formado a partir de fragmentos de várias situações diferentes estruturando um contexto muitas vezes sem segmento lógico algum. Portanto, o principal motivo do aspecto confuso apresentado pelos sonhos resulta da ação de filtro exercido pela auto-sensura que apenas deixa aflorar no estado de virgília apenas parte daquela atividade. Somente aquilo que não envolve um grande conflito para a consciência moral é que aflora, o mais fica totalmente bloqueado a nível de subconsciente. O filtro da censura, mesmo com a pessoa fora do estado de virgulais, somente deixa passar fragmentos esparsos do contexto, por isso é que os sonhos geralmente são confusos. Indubitavelmente um dos tipos de sonho é este: sonho de extravasamento da tensões. Ele nada mais é do que um afloramento de condições que no estado de vigia é contido pela censura pessoal. A dificuldade de muitos analistas é o não admitir que existam outras razoes, outros processos que se manifestam como sonho. É o querer que tudo seja tão somente um extravasamento do conteúdo inconsciente da pessoa. Nisso praticamente é que se baseiam algumas linhas de psicanálise. A psicanálise estabelece como norma de tratamento a utilização dos sonhos no sentido de tornar a pessoa consciente daquilo que está reprimido dentro dela. Dormindo a autosensura rompe-se em parte deixando aflorar o problema como sonho aquilo que estava reprimido em níveis profundos da mente cerebral e que era a causa de algum distúrbio somático ou de conduta. Por isso para Freud o sonho seria uma tentativa da mente de realizar um desejo que no estado de vigília, ou está contido por uma série de fatores, especialmente pela censura. De forma alguma negamos isso, apenas queremos salientar que tal representa apenas um dos tipos possíveis de sonho.
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Neste grupo situa-se grande parte dos sonhos eróticos. Para a psicanálise o sonho erótico
nada mais representa do que o afloramento das repressões exercidas sob a sexualidade. As religiões sempre exerceram grande repressão à sexualidade por várias razões. Algumas delas estudamos na palestra A MÍSTICA MATRIMONIAL. Assim se estabelece a censura moral para impedir que a pessoa utilize-se da sexualidade de forma indiscriminada. Parece ser isso uma imposição prejudicial desde que ela pode ser fonte de distúrbios. Mas Queremos dizer que mais sério é a liberdade sem limites como veremos depois. Mas, por outro lado a sexualidade pode servir de mecanismo para sonhos projetivos. Se a liberdade sexual por um lado diminuiria as tensões, por outro lado ela ocasiona seríssimos problemas para a pessoa, não apenas a nível social como especialmente a nível energético. Na temática referente às repressões de natureza sexual deve ser considerado tudo aquilo que já ensinamos sobre a Energia Sutil. Mas queremos dizer que nem sempre um sonho erótico representa um afloramento de uma repressão sexual, pois existe outro mecanismo que estudaremos numa palestra futura desta série e que é algo bem diferente e que está sujeito, a ser perigoso. SONHOS PROFÉTICOS:

Na Mente Cósmica – Consciência – tudo quanto há ou que possa vir a ser já existe e aquilo
que chamamos mente individual nada mais é do que uma parcela daquela. Assim sendo na consciência já está o presente, o passado e o futuro. Por tal razão é possível em determinadas situações a pessoa ter acesso a um nível que ela pode ter ciência até mesmo daquilo que ainda não se manifestou cronologicamente no seu mundo. Esse tipo de acesso à mente atemporal é possível mesmo no estado de virgília, porém é mais comum durante o sono quando há o silencio do diálogo interno, quando há contenção do pensamento. “ O pensamento é como um caçador ” disse o M. G. que está a todo tempo se movendo de um lugar para ouro, permanentemente espreitando. No estado de virgília a pessoa permanentemente está com a mente em grande atividade sob a forma de pensamentos. À cada segundo o pensamento muda de um lugar para outro, de uma coisa para outra, de uma circunstancia para outra. A pessoa tem um tagarelar interno permanente e isso constitui a primeira grande dificuldade ao acesso a níveis mais elevados de consciência. Durante o sono o diálogo interno é atenuado acentuadamente e assim torna-se mais fácil a pessoa ter acesso aos planos mais altos da sua natureza cósmica. Abordando a Centelha Cósmica inerente à cada pessoa é possível se ter acesso ao futuro e isso pode aflorar como um sonho. Aquilo que consideram realidade habitual é apenas um dos incontáveis posicionamentos – registros – de afloramento daquilo que existe na Consciência. Na realidade quando tal acontece trata-se de uma visão além do tempo cronológico. Tudo já existe na consciência, por isso é bastante uma consulta aos registros da consciência para que ocorra é provável a antevisão do futuro. A abordagem de distintos pontos da Consciência é mais fácil de ocorrer em estado onírico do que no de vigília. Quando a pessoa tem acesso aos registros do tempo, que é parte de sua própria natureza, durante o sono ela ao acordar, ao voltar ao estado de virgília tem uma sensação exata de haver tido um simples sonho. A mente tem um escudo protetor natural que protege a pessoa contra grandes perigos inerentes aos sonhos como estudaremos em outra palestra. Esse perigo diz respeito à identificação que pode ocorrer não apenas no estado de virgília como também no sonho. No estado de virgília a pessoa vive sem consciência de si, vive quase todo tempo identificado com as tensões, com aquilo que lhe chega pelos canais dos sentidos. Praticamente só em poucos momentos a pessoa está consciente de si. Durante o sonho ocorre exatamente o contrário, a pessoa mesmo que normalmente não esteja consciente de si mesmo assim ela assiste a coisa como um espectador. 12

Durante séculos o homem se recusou a aceitar o sonho como coisa de sua autoria. Ao
sonhar a pessoa tem a impressão dele ser apenas um espectador de seu próprio sonho, e só rara e vagamente ela percebe como se fosse uma produção pessoal, algo à semelhança de um filme em que ele é um espectador. Mesmo que ele seja um dos personagens naquele episódio do sonho mesmo assim ele sente-se como se fosse um mero espectador. Em tema futuro veremos uma situação muito séria exatamente quando em vez de for um espectador a pessoa se identifica com o próprio sonho. Quando isso ocorre podemos afirmar, por razoes que estudaremos numa próxima palestra, existe uma situação real de perigo. Para a psicanálise o sonho é uma produção da pessoa embora a sensação de quem sonhou do sonhador seja o oposto disso. Ele tem a sensação de haver sido algo que ele apenas assistiu, mesmo que haja sido um dos personagens. Outro ponto que merece consideração diz respeito à linguagem dos sonhos. Em uma palestra anterior em que tratamos de outros mundos dissemos que a linguagem de comunicação entre o mundo físico e o mundo hiperfísico se processa tem como expressão a linguagem simbólica. São os símbolos que servem de linguagem entre diferentes mundos. Assim, o conteúdo onírico tem grande percentual de símbolos.

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SONHOS PERCEPTIVOS
“ OS SONHOS ENQUANTO DURAM SÃO UMA VERDADE ”.

ALFRED TENNYSON. 1995

T EM A 0.359

Quando a pessoa adormece há uma atenuação da ligação entre o espirito e o corpo. Assim sendo o espírito como que viaja para lugares distantes. Na realidade ele não faz viagem alguma, o que ocorre é um afloramento da consciência para além do lugar onde está o corpo físico. Há projeção da consciência, mas não num nível tão intenso que ela se projete num outra dimensão, num outro plano, ou mundo. Sendo assim é como se fosse uma viagem na própria terra. Em tal situação o espirito visita lugares e torna-se ciente de um mundo de coisas. Quando a pessoa desperta tem lhe afloram as lembranças de tudo o que percebeu. É claro que a lembrança é incompleta, ele recorda fragmentariamente e muitas vezes um fragmento de uma “viagem” se une ao de uma outra tornando o sonho um tanto incoerente. Dissemos que o espirito viaja quando a pessoa está dormindo, na realidade não é bem uma viagem física e nem um deslocamento físico. Na realidade é um afloramento da consciência em outros níveis, mas sempre dentro do plano terreno. Há um afloramento nesse mesmo mundo porque e não em outro como acontece no quarto tipo de sonhos. Como veremos na próxima palestra, a consciência pode aflorar num nível de consciência alem do mundo em que estamos, isto é, num outro mundo com uma realidade totalmente diferente desta que Vivenciamos na matéria densa, ou seja, o afloramento pode ser numa outra oitava, numa árvore da vida diferente da nossa. Agora faremos algumas observações quanto a algo de real importância que é o ponto de convergência energética. Na próxima palestra nos aprofundaremos mais no estudo desse item, mas anteciparemos um pouco afim de que esta palestra possa ser mais bem compreendida. O ponto de convergência energética – Ponto de Sintonia da Mente sobre a Consciência) – é aquele representativo do nível de consciência do ser. Na realidade não se pode falar de uma representação espacial mesmo que de natureza energética. Será melhor dizer que é um ponto energético apenas. Mas quando percebido é como se houvesse uma área energizada em torno da pessoa e dento dela presente um ponto de concentração de grande intensidade energética. Quando uma pessoa habilitada observa o corpo energético percebe alguns vórtices de energia. Existem 7 vórtices que são os denominados chacras. São pontos que poderíamos analiticamente chamados de “plugs”, pontos por onde a energia penetra ou sai do corpo. Também é possível serem visualizados outros 7 vórtices que são os centros psíquicos. Há correspondência entre cada um destes pontos um determinado órgão físico. Analogicamente podemos compará-los a “antenas”, pontos em que não é energia em si, mas por onde através da energia as mensagens adentam o corpo. Mas além desses l4 pontos, existe mais um que poucas pessoas percebem sendo por isso pouco citado. Trata-se de um de um ponto para onde há uma convergência das forças inerentes aos 14 vórtices. É um ponto bem menos conhecido que os chacras e centros psíquicos embora tenham importância maior que qualquer um dos l4 existentes.
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Todos os l4 pontos convergem para um ponto energético único. Numa visão espacial
daquele ponto pode-se o percebes com diferente grau de intensidade energética assim como a ocorrência de mudanças de posição. O “lugar” do corpo energético em que o ponto de convergência se situa depende da natureza vibratória dos l4 canais. ( chacras e centros psíquicos.) De conformidade com o grau e o nível de consciência da pessoa ele pode estar num ponto ou noutro. É a partir do ponto de convergência que se estabelece o comando de todo o organismo, incluindo, por absurdo que possa parecer, o plano de existência do ser. O viver no plano denso, na terra, é função de um comando que surge a partir do ponto de convergência. O que parte dali é que através dos corpos intermediários funciona como modelo organizador biológico. Dali provém o estado de consciência e o comando de toda a estrutura orgânica. Qualquer modificação que ocorra no ponto de convergência resulta em algum tipo de alteração sobre o corpo denso e vice-versa. Disto resulta que através de praticas mistificas podem ocorrer manipulações do ponto de convergência havendo como resultado uma gama imensa de conseqüências. Muitas praticas existem que permitem quer sejam alterações na intensidade, quer alterações na aparente localização espacial do ponto de convergência. Na realidade tudo isso nada significa do que alterações no nível de vibração pessoal. Tudo o que modifique a resultante vibratória de uma pessoa por certo altera também a localização do ponto de convergência e isso determina reflexos imensos sobre o organismo. Num sonho perceptivo é possível se visualizar quando ocorre alguma alteração na intensidade do ponto de convergência e também quando há algum deslocamento (voltamos a insistir que não há realmente um deslocamento real e sim uma exteriorização superficial que parece ser um deslocamento. Isto na essência, no sentido prático, não faz diferença alguma, por isso pode-se aceitar como deslocamento). Num sonho perceptivo se for visualizado o ponto de convergência ver-se-á a ocorrência somente de pequenos deslocamentos. Nisto difere dos sonhos projetivos (estudados na palestra seguinte) em que o deslocamento é acentuado. Em decorrência do deslocamento pequeno, as modificações do ponto de afloramento da consciência situa-se dentro do nosso plano existencial, portanto é como se apenas houvesse ocorrido simplesmente uma “viagem” da qual a pessoa ao acordar tem recordações parciais. Quando há deslocamento para planos astrais geralmente é alcançado apenas o mundo astral mais próximo do plano material. Nesse nível de sonho, ou seja, nesse nível de afloramento da consciência, a pessoa pode perceber coisas, assistir, participar de eventos, auxiliar, aprender e ensinar. Muitos conhecimentos apresentados por pessoas, até mesmo descobertas científicas ocorrem por esse canal. Pelo que dissemos antes sim é que a Bíblia refere: “Deus fala uma vez, e segunda vez não repete uma mesma coisas. Por sonho de visão noturna, quando cai sopor sobre os homens, e estão dormindo no seu leito, então abre os ouvidos os homens, e admoestando-os lhe adverte o que devem fazer”. Bíblia, Jó, 33-14.

O que vamos revelar agora tem muito significado. Um estado de sonho pode ocorrer
espontaneamente, automaticamente, ou pode ser induzido mediante determinadas práticas. Portanto a própria pessoa pode induzir os seus próprios sonhos e deles tirar proveitos. Mas, por assim agir ela está sujeita a também ter sérios prejuízos espirituais.

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O trabalho desenvolvido pelos adeptos da projeciologia ocorre nessa área. Basicamente eles
se projetam acordados, mas pode ocorrer também através dos sonhos, seria melhor dizer que recordados como sonho. Mas, como toda moeda tem duas faces, ou seja, em decorrência da lei da polaridade, pessoas maldosas podem mesmo dormindo prejudicar outras pessoas e isso é possível de ser rememorado como um sonho.

Não é raro uma pessoa sonhar e saber que aquilo tudo não passa de um sonho e assim até
mesmo assim comandar, e se deslocar pela ação do querer. Mas, então esse tipo de sonho já está no limiar do quarto nível, que estudaremos na palestra seguinte, e que é perigoso porque está sujeito a ocorrência de situações sobre as quais é possível a pessoa não ter controle, ou por incapacidade de conhecimentos ou por carência de sutil.

Um dos problemas mais simples que ocorrem quando desses sonhos, com ciência de que se está sonhando, é a possibilidade de sugestionar outras pessoas. Na história da humanidade existiram pessoas altamente habilitadas para usarem esse tipo de sonhos visando à consecução de seus propósitos pessoais. Conhecem-se pessoas que usam isso como uma forma de magia para condicionar paixões e coisas assim; para induzirem pessoas a fazerem determinados negócios; para conquistas amorosas e muito mais. Por existir tal possibilidade é preferível que a pessoa simplesmente deixe o sonho evoluir
naturalmente e evitar tomar decisões, pois todo prejuízo que possa causar, todos os transtornos que possa motivar, mesmo ocorrendo numa situação que e a ela parece um mero sonho, por ter um reflexo na vida real, por certo ela terá que responder carmicamente.

Uma coisa que normalmente as pessoas menos afeitas aos conhecimentos místicos ignoram é que o mundo dos sonhos é tão real quanto este que Vivenciamos no estado de virgília. No mundo onírico o que parece irreal é este mundo que estamos. Quando uma pessoa sonha e sabe que está sonhando aquele mundo parece-lhe mais real que esse que vivenciamos quando no estado de virgília. Quando uma pessoa sonha e sabe que está sonhando o seu nível de consciência é no mínimo o quarto, aquele correspondente ao estado de virgília. Queremos salientar e dar maior ênfase ainda à afirmativa de que os sonhos podem ocasionar
sérios transtornos e por isso a pessoa por certo será responsável por tudo o que determinar, mesmo no estado de sonho consciente. Assim deve-se adormecer sem pensamento preso em negatividades. O adormecer deve ser um momento um tanto sagrado, um momento de recolhimento e de prece verbalizada ou mentalizada. Não se deve brincar com os sonhos do terceiro e quarto nível porque a pessoa fica sujeita a sérios transtornos. Não é sem razão que está escrito na Bíblia: “Porque os sonhos tem feito extraviar a muitos, que caíram, por terem posto neles a sua confiança”: Eclesiástico, 34-7.

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SONHOS BÍBLICOS
“ ONDE VIVES? PERGUNTA O POSSÍVEL AO IMPOSSÍVEL. E ESTE RESPONDE: NOS SONHOS DOS IMPOTENTES “

RABINDRANATH TAGORE.

1995

T E M A 0.3 6 1

O que falamos a respeito de sonhos nas palestras anteriores pode parecer um amontoado de
informações sem quaisquer sentidos, mas na verdade há um substancial embasamento tanto se forem analisados pelo prisma científico quanto religioso. Não é somente a psicanálise que tem grande parte da sua metodologia baseada na análise dos sonhos. Os profetas e iniciados de muitas doutrinas basearam-se muitas vezes em sonhos. Nos livros sagrados o sonho é mencionado amiúde quer norteando os profetas, quer estabelecendo normas de conduta para o povo. Como no mundo ocidental o livro sagrado básico é a Bíblia vamos por isso analisar as principais sonhos nela citados. Os sonhos do tipo perceptivos são mencionados na Bíblia muitas vezes. Como dissemos numa palestra anterior o mais citado é que foi interpretado por José, filho de Jacó, sobre um sonho que tivera o Faraó sobre 7 vacas gordas e 7 vacas magras. José interpretou como sendo 7 anos de fartas colheitas seguidas de 7 anos de penúria que viria a ocorrer. Aquele sonho do Faraó foi do tipo perceptivo. Por ele o rei estava recebendo um aviso de que viria a ocorrer 7 anos de fartura e 7 anos de penúria, simbolizados por 7 vacas gordas que eram devoradas por 7 vacas magras. Como podemos ver, tratava-se de um sonho de percepção de algo ainda por ocorrer, logo aquele sonho foi do tipo premonitório, profético. Como o sonho se manifestou através de uma linguagem simbólica o Faraó não o compreendeu pelo que necessitou de José para interpretá-lo. No caso citado antes, José interpretou um sonho tido pelo Faraó, mas anos antes ele mesmo havia tido um sonho profético que contou para seus irmãos”·. Parecia-me que atávamos no campo os feixe, e que o meu feixe como que se erguia, estava direito, e que os vossos feixes, estando em roda, se prostravam diante do meu feixe. Neste sonho José anteviu o futuro através de um sonho que mostrava que ele chegaria uma posição de superioridade sobre os seus irmãos, que chegou a ser superintendente do Egito e os seus irmãos sem reconhecê-lo prostram-se diante dele. Trata-se neste caso de um sonho perceptivo de conotação profética. José percebeu o que iria acontecer de uma forma simbólica. Os símbolos são a forma de linguagem mais comum dos sonhos perceptivos. Também é um sonho profético, pois dizia respeito uma situação que viria a acontecerão.

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Ainda na Bíblia são citados os sonhos dos prisioneiros e interpretados por José. O capitulo
40 versa sobre os sonhos dos prisioneiros, companheiros de infortúnio de José: José previu pelo sonho do Copeiro que este seria posto em liberdade três dias depois e que seria reconduzido à sua função no palácio. Interpretando o sonho do padeiro previu que este seria decapitado três dias depois. Foram sonhos perceptivos e proféticos. José percebeu o sentido e previu o futuro. No capítulo 42 é descrito o sonho do Faraó e a interpretação dada por José. Este sonho é do tipo perceptivo e premonitório, profético. No cap. 40-8 há uma clara referencia à natureza divina de alguns sonhos como evidencia a seguinte referência a José : “Porventura não pertence a Deus a interpretação?”- É uma afirmativa de que uma pessoa pode ter acesso às determinações divinas através de sonhos. Neste caso o sonho pode ser do tipo projetivo. Na Bíblia em Números, cap. 12 - 6 diz Deus de Israel: “Se entre vós algum é profeta do Senhor, eu lhe aparecerei em visão, ou lhe falarei em sonhos, mas não é assim a respeito do meu servo Moisés, o qual é fidelíssimo em toda a minha casa; 12-8 porque a ele eu falo face a face; e ele vê o senhor claramente e não sob enigma... Vemos por essa afirmativa que é possível tanto à força inferior quanto à FORÇA SUPERIOR se manifestarem visualmente ou através de sonhos. Em Gênesis 20-3 “Mas Deus apareceu de noite em sonhos a Abimelec, e disse-lhe: Eis que morrerás por causa da mulher que roubaste, porque ela tem marido”. Em Deuteronômio 13-1 “Se, se levantar no meio de ti um profeta, ou alguém que diga que teve um sonho, e predisser algum sinal ou prodígio, e suceder o que ele anunciou, e te disser: Vamos e sigamos os deuses estranhos que não conheces, e sirvamo-los não ouvirás a palavra de tal profeta ou sonhador, porque o Senhor vosso Deus vos pões à prova, para se tornar manifesto...” Aquele profeta ou inventor de sonhos será posto à morte, porque vos falou para vos afastar do Senhor, vosso Deus, que vos tirou da terra do Egito, e vos resgatou da casa da escravidão. Vemos que pelos sonhos uma pessoa está sujeita a ser enganada por forcas opostas.3 Em Samuel 28-6 : “...Consultor o Senhor, o qual não lhe respondeu nem por sonhos, e nem por sacerdotes, e nem por profetas.” Neste caso é Saul que quer saber sobre os filisteus. A referência bíblica deixa claro que Saul poderia ser atendido no seu desejo através de sonhos. Como não obteve a informação desejada ele mandou buscar uma necromante para invocar o espirito de Samuel e deste obter uma resposta. O versículo mostra que não apenas através de sonhos mas também através de invocação de espíritos isso é possível.4 Bíblia - REIS 3-4 “Apareceu o Senhor a Salomão, em sonho, de noite, dizendo: Pede-me o que quiseres... JUIZES 7-13 - Sonho profético de Gedeão. Bíblia Gênesis 31-24 “... Viu em sonhos Deus , que lhe dizia: Guarda-te de dizer contra Jacó alguma palavra áspera”. Referência a um sonho de Labão em que o Deus de Israel protegia Jacó. DANIEL 2 - Refere-se a sonho profético interpretado por Daniel para o rei Nabucodonosor. Bíblia - Daniel 1- 19. Daniel tem uma visão durante o sono. Os sábios da Babilônia não conseguiram interpretar o sonho mas Daniel sim. Desta forma ele evitou ser morto pelo que rei bem como todos os sábios da Babilônia que não haviam interpretado o sono do rei. Sonho de percepção premonitório.

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Nesta palestra estamos mencionando alguns versículos da Bíblia que mostram que os sonhos não são fantasias da mente e sim um meio de comunicação entre o mundo material e o mundo espiritual. Não estamos indicando qual a força referida nas diversas citações. Pelo que já estudamos a respeito do terceiro interesse é fácil distinguir QUEM é QUEM. 4 Na Bíblia em II SAMUEL fala das promessas feita pelo deus dele que se intitulava senhor dos exércitos.

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Mateus 1-20 “ ... andando ele com isto no pensamento, eis que um anjo do Senhor lhe
apareceu em sonhos, e lhe disse; José, filho de Davi, não temas receber em tua casa, tua esposa, porque o que nela foi concebido é do Espirito Santo. 1-21 Dará a luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados... Referencia aos sonhos ligados as nascimento e Jesus e aos Reis Magos. O Poder Superior falou através de um sonho a José, esposo de Maria anunciando a vinda de Jesus. Mateus 2-12 Os Reis magos “...e avisados por Deus em sonhos para não retornarem a Herodes, voltaram por outro caminho para a sua terra. Sonho perceptivo dos Reis Magos a respeito das intenções de Herodes contra Jesus. Atos dos Apóstolos. 2-17 - E acontecerá nos últimos dias que eu derramarei o meu Espirito sobre toda a carne; e profetizarão vossos filhos e vossas filhas, e os vossos jovens terão visões, e os vossos anciãos sonharão.... Em Jó 33-14: Deus fala uma vez, e na segunda vez não repete uma mesma coisa. Por sonho de visão noturna, quando cai sobre os homens, e dormindo nos seus leitos, então abrem os ouvidos dos homens, e admoestando-os lhes adverte o que devem fazer Jó. Neste versículo o sonho é classificado diretamente como sonho de visão. Jó: - No horror duma visão noturna, quando o sono costuma ocupar os sentidos do homens assaltou-me o medo, e o tremor, e todos os meus ossos estremeceram. E, ao passar diante de mim um espírito, os cabelos da minha carne se arrepiaram. Jó 4.13.13.15 Parou alguém diante de mim, cujo rosto eu não conhecia, um vulto diante dos meus olhos, e ouvi uma voz como de grande viração. Eclesiástico 347 “Porque os sonhos têm feito extraviar a muitos, que caíram, por terem posto neles a sua confirmação. Esta referência é muito importante porque mostra que há possibilidade de males decorrentes de sonhos. Na realidade os sonhos projetivos envolvem relações com seres de outros planos de existência, quer de nível inferior quer de nível superior. Evidentemente é muito mais fácil o contacto com formas de existências de oitavas inferiores do que superiores porque neste caso há necessidade de grande quantidade de energia sutil enquanto na outras situação é muito mais fácil a pessoa dispor da energia necessária. Em decorrência da possibilidade do deslocamento da consciência para outros níveis é que reside o perigo citado na Bíblia. O perigo é a pessoa ter o ponto de manifestação da consciência transferido através dos sonhos para um nível inferior e voltar envolvido com as influencias negativas daqueles mundos. Pior ainda é ela ir àqueles planos e depois não ter a suficiente quantidade de energia para voltar, neste caso, como já dissemos antes, a mente fica retida naqueles mundos enquanto a estrutura física permanece neste mundo. O que dissemos é evidente em muitos casos de alienação mental, é o caso de muitos alienados que existem no mundo. Muitas vezes quando a consciência pessoa retorna de um daqueles planos, em decorrência das tremendas discrepâncias das escalas de valores existentes entre os planos de oitavas ( “ árvores ” ) diferentes, ela passa a ter comportamento anômalo. O “choque” de valores faz com que a pessoa mude totalmente a sua maneira e de conformidade com o plano para onde ela se desloque e piorar, a manifestar qualidades negativas o que antes não fazia. O que dissemos antes explica o sentido da citação bíblica: “...porque os sonhos têm feito extraviar a muitos”... Esse mecanismo do sonhar é muito parecido com aquele que atinge pessoas que fazem uso de drogas psicoativas tóxicas. Eles fazem a “viagem” através de drogas que alteram a capacidade preceptiva mas que não fornecem suficiente energia para elevar o padrão vibratório da pessoa. São drogas que apenas rebaixam o padrão, o que significa que ela apenas leva a pessoa para algum dos mundos inferiores e o que é pior muito delas não tem energia suficiente para que a mente da pessoa 19

volte integralmente ao plano normal de existência. Como não há energia suficiente e na maioria das vezes nem sequer propósito positivo algum, então, com certeza a consciência se projeta via em algum dos “palácios da impureza”, em algum dos planos dos mundos inferiores onde passam a sofrer influencias ou mesmo podendo a chegar a ser totalmente dominado por forças negativas. Muitas vezes não há a energia suficiente para trazer de volta o foco da consciência e como resultado fica preso e cuja decorrência a pessoa passa a se apresentar na terra com um nível maior ou menor de alienação. O que acabamos de dizer refere-se a um grau muito intenso de deslocamento mental através dos sonhos mas às vezes alguma mudança de caráter pode ocorrer em decorrência de fantasias própria de níveis subconscientes da própria pessoa. Neste casos trata-se do primeiro tipo de sonho no primeiro tipo de sonho, daqueles em que o sonho nada mais é do que um afloramento de condições contidas nos planos mais profundos da mente da própria pessoa, de algo reprimido pela auto-sensura. Libertos que sejam sentimentos reprimidos a pessoa pode mudar de conduta e sendo assim atender à citação bíblica mencionada antes. Os sonhos têm contribuído positivamente até mesmo no desenvolvimento da civilização. Muitos pontos do desenvolvimento cultural e cientifico da humanidade foram direcionados por sonhos. Para não nos estendermos muito vamos citar apenas, na área científica, dois nomes. Kekulé, pesquisador da química inorgânica, descobriu o ciclo benzênico através de um sonho. Ele procurava construir a cadeia dos compostos orgânicos sob forma linear. Essa tentativa se estendia por muito tempo até que uma vez ele sonhou com uma serpente mordendo a própria cauda formando um circulo e a serpente se transformava numa cadeia de átomos. Então, ao acordar Kekulé fechou a cadeia linear de átomos de carbono formando assim o núcleo benzênico. Disto derivaram todas os conhecimentos básicos do que resultou o surgimento da química orgânica. Sem isso a química orgânica não teria se desenvolvido e o mundo seria totalmente com diferente, o desenvolvimento do mundo teria ficado estagnado. Outro exemplo é o de Singer. Este inventor tentou por muito tempo descobrir uma máquina para costurar e não conseguia porque tentava construí-la com uma agulha comum em que o orifício por onde é introduzido o fio se localiza na base. Foi quando através de um sonho ele viu que o orifício deveria ser colocado na ponta da agulha e não na base como acontecia com a agulha de costurar de mão. Baseado na visão do sonho ele conseguiu construir a primeira máquina e desde então o progresso na área foi acelerado imediatamente. Com essa série de temas referente aos sonhos acreditamos haver deixado um tanto mais claro a importância que eles apresentam. Na realidade os sonhos não são apenas fantasias e nem se deve dar a eles apenas um sentido simbólico . Bem mais que isso, muitos sonhos são portais para outros planos de realidade por isso devemos ter cuidados especiais quer na análise quer na condução dos próprios sonhos.

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SONHOS PROJETIVOS
“ GUARDA-TE DE SONHAR. O SONHO É A SEIRA DAS ALMAS: ANTA, CHAMA, VAMOS E NÃO VOLTAMOS ”.

GUSTAVE FLAUBERT 1995

T EM A 0.360

Na palestra anterior evidenciamos que durante o sono a consciência da pessoa pode se
manifestar em diferentes pontos deste plano material, isto eqüivale a um deslocamento físico, é como se o espirito durante o sono viajasse de um lugar para outro, visse lugares, pessoas, coisas e situações. Nesta palestra vamos estudar um nível muito mais profundo, aquele em que durante o sono a consciência se desloca para outros níveis fora deste plano material. De certa forma podemos dizer se desloca para outro mundo. No corpo energético sempre está presente o ponto de sintonia indicando o plano em que a consciência está aflorada. Qualquer alteração que se processe na pessoa há um reflexo naquele ponto e vice-versa. Se de alguma forma for modificado aquele ponto a consciência se manifesta num outro nível. Via de regra, modificar o ponto de convergência não é fácil para uma pessoa comum, porque ele é muito fixo no nível correspondente à natureza da pessoa, ao local e às circunstâncias em que está vivendo. Onde estiver o corpo ali é o ponto de maior estabilidade da pessoa e conseqüentemente representado naquilo que pode ser chamado a o ponto de convergência vibratória5, pois diz respeito à vibração básica da pessoa. Na medida em que o espirito se desenvolve sua vibração aumenta até atingir um ponto em que não mais corresponde ao nível da matéria densa e então a consciência estará em outro nível. O ponto de convergência de cada um apresenta-se estável, num mesmo nível que vai mudando na medida em que a pessoa vem se transformando; na medida em que o espírito vem se desenvolvendo. Assim podemos dizer que o ponto é mais estável naquele lugar representativo do grau da pessoa. Apresenta-se ali numa situação um tanto estável, estabilidade essa que só se modifica na proporção em que a pessoa for se transformando. Mas, em condições especiais podem ocorrer modificações no nível vibratório da pessoa e essa modificação está implícita no ponto de convergência. A recíproca é verdadeira, em certas condições pode-se através do ponto de aglutinação modificar a pessoa, transportá-la para outro nível de consciência. A modificação do estado de consciência como citamos acima, via de regra, é muito transitório porque há uma fortíssima tendência em trazer a pessoa de volta para o seu nível básico. Para quem pode ver em nível astral o ponto de convergência é deslocado, mas ele tende a voltar para o ponto básico. Para quem ver é como se o ponto de convergência estivesse preso por um elástico; quando ele é afastado logo é puxado pelo elástico para o ponto inicial. Há situações que acontece como se houvesse ocorrido uma rotura do elástico e neste caso não há retrocesso ao ponto inicial.

5 - Carlos Castañeda chama “ponto de Aglutinação”. Na realidade é um nome bem escolhido porque é o ponto em que a natureza da consciência da pessoa está reunida, como que aglutinada. Chamamos indistintamente “ponto de convergência”, ponto de representação energética”, ponto de convergência vibratória” São apenas palavras diferentes para representar uma mesma coisa.

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Temos ensinado que o grau do espírito está relacionado com o seu de vibração, que dos atos
e da maneira de ser estabelece-se uma resultante vibratória típica. Agora queremos salientar que aquela resultante vibratória está assinalada nos corpos intermediários, isto é, em nível de corpo energético. Dissemos, numa palestra em que tratamos de mundos paralelos, que, desde que a sintonia de um plano entre em batimento de onda com a de outro é possível até mesmo a ocorrência de transposições físicas. Falamos de casos de desaparecimentos fantásticos, assim como do aparecimento de coisas e até mesmo de seres no nosso mundo. O ponto de convergência está mais ativo na pessoa quando em estado de virgília. Quando ela adormece há um bloqueio do dialogo interno, do tagarelar do pensamento e assim as amarras que ancoram o ponto de convergência tornam-se menos intensas e, deste modo, com mais facilidade, aquele “elástico” puxa o ponto para outro nível. Automaticamente a consciência aflorará no nível correspondente. Quando em temas anteriores falamos em da consciência dissemos que é mais fácil uma projeção de cima par baixo do que de baixo para cima, isto é, mais fácil do energético para o físico do que o inverso. Disto advém que é mais fácil um deslocamento do ponto de convergência para localizações correspondentes aos planos inferiores da mente do que para planos superiores. É bem mais fácil se reduzir uma freqüência do que aumentá-la. Para diminuir há eliminação de energia e para aumentar é preciso incrementar energia. Energia para isso é a energia sutil e, como já vimos, o universo material não é muito pródigo desta energia. Nestas condições, durante o sono é muito comum uma pessoa ter a consciência projetada não apenas no mundo material, como dissemos no tema anterior, mas também num outro mundo, num plano fora do plano material. Isto envolve um tremendo perigo porque é provável que a consciência seja projetada num nível inferior, numa oitava inferior o que corresponde a um dos mundos infernais. A rigor isso nem pode ser chamado de sonho se assim é chamado é porque a pessoa tem a sensação de haver sonhado, na maioria das vezes de haver tido um pesadelo. A pessoa que tem tendência a esse tipo de sonho via de regra está sonhando e sabe que está sonhando. Num caso assim ela está dormindo fisicamente, mas está no quarto plano de consciência, no plano de virgília. Quando falamos que a virgília é o quarto nível; dissemos que o primeiro eqüivale ao coma, o segundo ao sono fisiológico, o terceiro ao do sonho. Na realidade não dissemos que o primeiro é o coma, e assim por diante dissemos que o nível de consciência eqüivale àquele nível. Vale salientar isso porque uma pessoa dormindo pode ter a consciência desperta do quarto nível, do quinto ou até de outro mais elevado. O estar dormindo diz respeito a uma condição fisiológica. Por isso na condição dormindo fisiologicamente a consciência pode estar bem desperta. Isso acontece quanto uma pessoa está dormindo, e está sonhando e sabe que aquilo é um sonho. É um estado pouco comum, mas de forma alguma raro. Não podemos afirmar que isso seja uma vantagem real porque é nesse estado que a pessoa está mais sujeita a se envolver com mundos altamente negativos. No sonho normal é mais difícil haver o envolvimento, pois a identificação é menor, mas quando se está sonhando e se sabe que aquilo é um sonho o nível de consciência está muito mais ativo e por conseqüência ele pode se identificar com muito mais intensidade com aquilo que esta “sonhando”. 6 A pessoa que perceber que está diante de uma situação em que tenha consciência que está sonhando o primeiro cuidado que ela deve ter é não seguir seja lá o que for, pois ele com certeza está pisando em “terreno minado” num estado em que as leis físicas e morais são diversas e que isso torna a pessoa altamente vulnerável.
6 - Para os que desejarem detalhes sobre o que acabamos de citar recomendamos a leitura do livro de Carlos Castañeda “A ARTE DO SONHAR”. Tudo aquilo que lá está descrito é real e muito mais ainda. Vale salientar que em nenhum momento o autor deu a entender que tudo aquilo não eram simplesmente outros mundos e sim que todos eram mundos inferiores, os chamados na Cabala de Palácios da Impureza”.

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Muitos magos, feiticeiros, místicos e pessoas ingênuas têm se deixam envolver, tem se
identificado com aquilo que vê e se deixa envolver até um nível de ser dominado totalmente. Num caso assim o retorno é difícil e podem haver situações em que o espírito fique preso num daqueles mundos por milênios. Terá o mesmo problema de um ser dos palácios da impureza para voltar a encarnar na terra. Os seres que têm existência naqueles níveis fazem de tudo para reter a pessoa, pois ela serve como ponte energética, serve de elo entre os dois mundos, através do que eles captam energia sutil. O mundo quanto mais inferior menos dispõe de energia sutil, assim para os seres dos palácios da impureza um elo com a terra, uma ponte é importante para a captação da energia sutil. E através da consciência dos seres aprisionados que eles podem colher energia. Como são seres conscientes, mesmo que diabólicos, eles lançam mão de mil laços para fisgar a pessoa. Podemos afirmar que diariamente um grande número de espíritos encarnados na terra por esse meio, ou por outros, tornaram-se “prisioneiros” dos planos infernais. Por isso é importante o lado sagrado do local em que se dorme. É muito perigoso se pernoitar em ambientes desconhecidos, especialmente em motéis e outros lugares em que ocorrem manifestações instintivas. Quando por alguma razão a pessoa tiver que dormir num lugar assim deve fazê-lo buscando escudos protetores. Para a pessoa que não sabe criar uma defesa psíquica é totalmente uma oração sincera, um pedido aos senhores do bem ou, como muitos preferem chamar, ao “anjo da guarda” para ser guarnecido devidamente. Esse tipo de sonho é perigosíssimo, pois se uma pessoa perde a ligação com o mundo em que vive ela está sujeita a ir e não voltar. Isso é algo como aquilo que a Igreja Católica refere a respeito do purgatório. Um lugar infernal que só depois de grandes sofrimentos é que o espirito consegue novamente sair de lá. O espirito retido num daqueles planos pode ser resgatado, tanto é assim que a própria Igreja Católica diz que a pessoa que usar um escapulário, e outros “talismãs” se for para o purgatório a Virgem Mãe a retirará de lá. Isto tem um fundo de verdade. Claro que a Virgem tem a energia para isso, mas há seres, há mestres encarnados e desencarnados que têm também essa capacidade de resgatar espíritos aprisionados nos planos inferiores. Assim como um espírito pode ser resgatado dos planos infernais a reciproca é verdadeira, um espirito pode ser levado e deixado lá. Todo esse mecanismo envolve altíssimos coeficientes de energia sutil. Nem sempre ocorre transposição de um para outro mundo apenas nível de consciência. Muitas vezes pode até mesmo ocorrer transposição física, nesse caso, por incrível que pareça, a pessoa simplesmente desaparece do plano material. Acredite aquele que quiser acreditar, não faz diferença, mas isto pode ser tido como uma certeza. Nos sonhos conscientes esse mecanismo é bem mais fácil do que no estado de virgília razão pela qual nesse tipo de sonho a pessoa deve se conduzir com extrema cautela. Também a transposição é prática citada no Espiritismo com o nome de Transporte. Um objeto físico é transportado de um lugar para outro, muitas vezes surge de um lugar ignorado. A parapsicologia tem estudado esse fenômeno e tem registrado muitos casos autênticos de desmaterialização. A literatura religiosa de muitos povos cita casos de transporte e de desmaterialização. O próprio catolicismo cita casos de pessoas que agiram como se estivessem em dois lugares ao mesmo tempo denomina o fenômeno com o nome de dom de ambigüidade, sendo um dos casos mais conhecidos citados pela Igreja Católica aquele ocorrido com Santo Antônio de Pádua, em que ele estando em Pádua se manifestou fisicamente em Lisboa no mesmo momento a fim de salvar o próprio pai. Todos os fenômenos acima quando se manifestam, se uma pessoa estiver vendo em nível de energia, com certeza vê o ponto de convergência se deslocar dentro do corpo energético. Com certeza o deslocamento nos casos clássicos, citados pela literatura espírita e parapsicológica, não é 23

muito grande porque se o for o corpo simplesmente deixará o plano material e se manifestará em outro mundo qualquer (= plano). Na da transição (morte do corpo físico) sempre um deslocamento do ponto porque não para uma localização que represente a transposição da matéria e sim para um ponto em que somente a consciência é deslocada. Quando fizemos uma analogia com os centros nervosos centrais dissemos que um estimulo faz surgir uma determinada sensação, mas queremos dar ênfase agora, se o estimulo for muito forte pode ocasionar dano cerebral de um centro e a manifestação correspondente não será apenas transitória e sim definitiva. No campo energético do ser essa mesma condição se faz presente, uma ação muito intensa sobre o ponto de convergência energética pode deslocá-lo de uma forma tal que depois ele não mais retorna à sua localização habitual. Num caso assim possivelmente ocorre uma rotura do elo que faz o ponto de convergência energética voltar para o seu ponto básico sempre que dele for afastado. Neste caso é como se aquele o “elástico” da analogia que fizemos antes fosse rompido e assim sendo a consciência não mais volta ao ponto original. Numa situação como a acabamos de referir, se o ponto apenas houver sido deslocado, apenas o nível de consciência da pessoa será desviado para outro plano, mas não o corpo físico. O corpo físico havendo permanecido na terra a pessoa recobra os sentidos físicos, mas será um desses tipos alienados sem que o corpo esteja presente num lugar, mas a sua mente não. Muitos alienados, pessoas que vivem aqui, mas mentalmente estão como que fora deste plano e que mais parecem mentecaptos, na realidade são pessoas com o corpo físico num nível e a consciência num outro; o corpo e a mente realmente estão em mundos diversos. Também queremos dizer que uma situação de êxtase é assim, durante algum tempo o corpo está neste plano, mas a consciência está num nível muito levado. Nesse caso não há danos porque descer é muito mais fácil, o nível de positividade administra tudo de uma forma amena e perfeita. Estando num nível superior a pessoa não requer acréscimo de energia para voltar. Estando num nível inferior dá-se exatamente o inverso, è preciso muito energia para voltar, para acelerar a vibração e isso não é fácil. Os seres dos mundos inferiores são ávidos por energia sutil desde que aqueles mundos carecem de fontes geradores específicas em abundância como acontece em nosso plano habitual. Por isso lançam mão de muitos disfarces para atrair os espíritos do plano terreno para sugar-lhe energia e assim satisfazer seus intentos. Já referimos em palestras anteriores que no orgasmo há grande desprendimento de energia sutil não importando se a pessoa esteja ou não dormindo. Já dissemos que uma parte dos sonhos eróticos são do primeiro tipo, uma liberação de algum conteúdo sexual reprimido. Mas são comuns sonhos eróticos induzidos nesse quarto tipo de sonhos. Formas de consciência alienígenas dos mundos inferiores induzem as pessoas adormecidas a se excitarem sexualmente. Manipulam a mente das pessoas para que tenham sonhos eróticos com orgasmo, pois haverá assim haverá liberação de energia sutil para ser assimilada. A pessoa torna-se tal qual uma vaca leiteira ordenhada para saciar a sede de energia sutil dos seres dos mundos inferiores. Quando acordam lembram-se de tudo sob a forma de sonho. Num sonho erótico há uma fora de satisfação sexual, sem duvidas, mas a perda de energia sutil é tremenda. Uma pessoa vampirizada pelos seres dos mundos inferiores não tem muitos anos de vida, a sua energia sutil decai rapidamente. Os seres dos palácios da impureza se apresentam nos sonho como uma beldade qualquer, até mesmo assumindo o aspecto de uma pessoa querida, bonita e boa. Mas isso é só uma aparência, um laço, um engodo. Por detrás está na verdade um demônio qualquer. Muitas vezes o domínio exercido se torna tão intenso que as formas que se apresentam nos sonhos têm uma aparência bem próxima daquela que lhe é própria. 24

A literatura da Idade Média fala muito de relações sexuais entre pessoas. São formas que
recebem o nome de íncubus e súcubos. Jamais devemos pensar naqueles seres ao adormecer, deve ser evitado adormecer com o pensamento preso em sexualidade, pois isso facilita muito o trabalho dos vampiros sexuais oriundos dos mundos infernais. Podemos dizer que o tabu da sexualidade tem raiz no desprendimento de energia sutil. Isto é o que faz o sexo para muitas religiões ser considerado um pecado. Assim é tido pelo envolvimento energético em nível de energia sutil e a avidez dos seres inferiores por esse tipo de energia. Poucas pessoas sabem o porquê do sexo ser considerado coisa demoníaca. É o lado oposto da sexualidade, ele tem um lado divino, mas a reciproca é verdadeira e a causa isso é a energia sutil. Para concluir esta palestra queremos salientar que é importante um direcionamento positivo da mente no momento de se adormecer, pois assim podemos estabelecer ligação com os mundos superiores, com formas de consciências do lado do PODER SUPERIOR.

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TIPOS DE SONHOS PROJETIVOS
“SER PEDRA É FÁCIL, O DIFÍCIL É SER VIDRAÇA”
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Sonhar resulta de um deslocamento do ponto de percepção da mente durante o sono, mas que ao despertar a pessoa tende a esquecer, no todo ou em parte, aquilo que vivenciou. Mais ainda, tende a não considera-lo como uma vivência idêntica àquela do estado de vigília. Há dois aspectos que merecem ser considerados. O esquecimento após a volta ao estado comum de percepção (estado de vigília), e o se dar conta de estar sonhando durante o processo do sonhar. Há casos em que a pessoa chega a sonhar e saber durante o sonho que está sonhando. Mas que isso, a pessoa pode chegar a ter controle sobre o sonhar e assim comandar atos como o faz no estado de vigília. Isso permite uma ampliação acentuado o campo de vivências. Para isso basicamente é preciso apenas haver disponibilidade de energia sutil. Se houver, a pessoa tem todo o universo para nele se deslocar (crear), ou seja, formas de sair deste mundo e existenciar inúmeros outros. O limite de percepção de mundo é ditado apenas pelo quanto de energia. Havendo suficiente energia a pessoa cria para si o mundo que bem entender, e fica liberto de tudo o que lhe prende aqui. Há condições peculiares inerentes ao sonhar; uma é fazê-lo se dando conta de que está sonhando; e outra é recordar com clareza aquilo que foi vivenciado durante um sonho. O mundo nada mais é do que um processo perceptível. Tudo está contido da Consciência, todas as expressões de existência independentemente de espaço e de tempo. O aqui e agora nada mais é do que a captação pela mente a partir de um determinado “posicionamento” mental, ou seja a posição da mente sobre a consciência7. O mundo é fruto do que está sendo captado pela mente a partir da. Este mundo que julgamos único e denso, na verdade não é mais do que uma ilusão resultante da percepção de onde a Mente está abordando a Consciência. Isso representa o Primeiro Princípio Hermético que diz: O Mundo é Mental. O ponto de focalização mental não é fixo, ele flutua num continuo progressivo e isso dita o sentido de passado, presente e futuro. Na analogia que temos usado; é o deslizar da agulha sobre o disco que gera a manifestação da “musica” – vivência – que está sendo tocada no momento – presente – ou que já foi tocada – passado – ou que ainda será tocada – futuro. Considere-se que nada implica que a agulha obrigatoriamente tenha que seguir o deslocamento do disco, ela pode em certas condições, “pular” para trás, para diante, acelerar o movimento ou retarda-lo, ou mesmo pular para posições vizinhas ou mesmo distantes do ponto. É o ponto onde a agulha se situa que determina o presente, o aqui e agora, gerando um estado de percepção mental que consideramos realidade. O que dita o mundo real é o grau de fixidez do ponto de percepção; no estado de vigília ele é bem mais fixo do que no de sonho. O sonho equivale a uma abordagem rápida de outros pontos, mas que em essência não é diferente da abordagem que ocorre no estado de vigília. Um sonho é um estado de percepção de um ponto fora daquele que está sendo abordado no dia a dia. O estado de vigília é ditado pela maior “aderência” a uma posição no disco, ou, uma maior fixidez do ponto de percepção da Mente diante de um determinado posicionamento em nível da Consciência.
Em algumas palestras comparamos a relação Consciência / Mente como um disco fonográfico e uma agulha. Onde a agulha estiver é reproduzido – percebido – precisamente o que estiver contido naquele ponto.
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O ponto habitual de percepção é o chamado nosso mundo, por isto este não pode ser considerado como sendo uma realidade concreta, mas sim como uma imagem virtual. Ele é criado pela Mente, mas acontece que ele não é único, uma quantidade incalculável de outros pontos estão presentes na Consciência e a abordagem de qualquer deles resulta em mundos tão objetivos quanto este. O sonhar é uma abordagem de distintos pontos da Consciência. Se a abordagem habitual compõe este mundo, deslocar o ponto de percepção é como que “viajar” por outros mundos. Em um determinado ponto a mente está criando este mundo, em outros ela igualmente pode criar outros distintos. (Na verdade não é abordar outros mundos, mas compô-los mediante informações contidas na Consciência). Assim como a mente está gerando o aqui e agora pela abordagem de um determinado ponto, ela igualmente pode gerar infinitos mundos através da abordagem distintas, ou melhor, gerar tal como este, um incalculável número de mundos, Este é mero mundo virtual, e não há limites para outros. Nada indica que a mente só possa gerar um mundo. O sono é um estado fisiológico que afrouxa a fixação do ponto de percepção. É a análise racional faz com que o ponto se desloque com dificuldade no estado de vigília, sendo muito mais fácil quando a pessoa está dormindo. A vantagem desse processo é contar com um menor nível de fixação do ponto o que permite maior volatilidade, consequentemente mais fácil deslocamento. Toda dificuldade no uso dos sonhos reside na capacidade do não estar ciente durante e sonho. A condição da pessoa se sentir “aqui e agora” é um artifício mental. Só existe um Ser, mas a Mente estabelece uma forma de descontinuidade, fazendo com que eles pareçam uma multiplicidade. Vale aquela analogia do peixe num aquário. Mesmo que ele seja um só, ainda assim sua imagem pode ser filmada e projeta em incontável número de telas. Nenhuma daquelas imagens é o Ser real, é apenas um reflexo dele. Se a percepção for associada à imagem refletida, então ocorre como se houvesse seres distintos e o cenário onde estivesse sendo projetados o seu mundo. Um sonho consiste no ser evidenciar outras telas, outros mundos. Todos são projeções, mas ele (a pessoa) não tem como verificar, não tem como detectar e identificar alguma delas. Assim sendo, viver o agora é vivenciar uma projeção, sendo a mais fixa exatamente aquela que é aceita como realidade, a principal apenas por ser a mais fixa diante de outras possíveis. Tudo isso pode ser efetivado de forma objetiva, ou em sonho. Em sonho é mais fácil pela atenuação do ponto de fixação, embora requeira certa disciplina mental. Podemos agora dizer que os sonhos podem ser projetados, isso quer dizer a percepção do ser pode ser deslocada para distintos posicionamentos, e,então estaremos diante de sonho projetivos, sonho direcionados intencionalmente para fora do mundo habitual (a percepção tirada para fora do local habitual. Assim pode haver direcionamento para aquela condição que chamamos de passado, ou de futuro, para pontos próximos ou distantes. Há exercícios mentais que favorecem essas percepções, mas, na verdade, o fundamental é
ter energia suficiente. Atingido esse certo limiar, o passo seguinte é sonhar dentro de um sonho, que significa uma sucessão de percepções de mundos. Na verdade eles não existem já criados, mas como um potencial que pode ser despertados e efetivados instantaneamente. Costumamos comparar isso a um programa de escrita em um computador, como, por exemplo, o Word. Incontável número de textos pode ser criados a partir dele, mas nenhum já está criado antes que alguém exerça o comando de escrever. O programa tem um potencial de gerar textos mediante um comando; isto mesmo é o que acontece com o criar mundos. Este mundo é virtual, mundo criado; não há limites para que outros não posam ser. Esse processo de criação de mundos não indica que tal só possa ocorrer através de sonhos, ele pode naturalmente ocorrer em vigília. A Mente crea e então se segue a percepção daquilo que foi creado pela Mente pela mente como um determinado mundo. Quando isso ocorre com a pessoa dormindo é tido como sonho, e quando em estado de vigília, como uma percepção, mas o processo é o mesmo. É mais comum percepções durante o dormir porque o ponto de percepção está menos 27

fixo. Praticamente a pessoa sonha muitas vezes durante ao sono, mas só bem mais raramente tem percepções de vigília. Num sonho a pessoa como que vai se projetando de um cenário para outro – de um mundo para outro –, mas o mesmo pode acontecer também no estado de vigília, ir – percebendo – mundos e sucessivamente projetando neles a sua percepção. Naturalmente o índice de energia para efetivação desse processo é bem menor do que no estado de vigília porque durante o sono o grau de fixação do ponto é bem menor. Vimos nesta palestra que os sonhos podem ser fontes de projeções do ser para vivência de outros mundos. Estamos neste mundo sendo ele mental, por isso podemos vivenciar e até mesmo passar a ter outro como real, tudo vai depender apenas do nível de fixação estabelecido. Este mundo se parece real para nós porque a nossa mente está relativamente visa nesse nível de consciência, mas se ocorrer m descolamento para outro ponto e nele se estabelecer um suficiente grau de fixação, então este ponto passara a ser a realidade da pessoa, ele passa a ser o mundo real. Não queremos dizer que a operacionabilidade desse processo mental seja fácil; na verdade é muito difícil a pessoa de deslocar deste mundo considerado real para outro, mas, na verdade, é assim, vivencia-se um mundo criado pela mente, mas se pode vivenciar incontáveis outros.

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SONHOS LÚCIDOS
“A NATUREZA DO UNIVERSO TRANSCENDE AO “MAIS ALTO NÍVEL DE COMPREENSÃO HUMANA”.

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Nem as neurociências e nem a psicanálise têm explicações para os sonhos, e mais ainda para
aquele tipo denominado de Sonho Lúcido que tem se constituído um desafio. Na verdade as neurofisiologias juntamente com a psicanálise têm dado uma contribuição ao estudo dos sonhos. Tudo o que dizem mesmo sendo verdadeiro, ainda assim o que abordam é tão somente a uma etapa intermediaria dos sonhos. De forma alguma são sequer tocam de leve na gênese dos sonhos, apenas estudam os processo ao nível cerebral. Enquanto isso algumas doutrinas, principalmente o Nagualismo e o Hermetismo é que vão até a causa primeira. Somente se admitindo a natureza unista do Universo é que se pode entender o que em nível ais profundo acontece no processo do sonhar. Na palestra 1.781 apresentaremos os mais destacados estudos sobre os sonhos tal como apresentado pelos neurofisiologistas e psicólogos, e as comparações com os conceitos unistas. Nesta palestra daremos ênfase a um dos tipos de sonhos para os quais a ciência não tem sequer uma hipótese que mereça consideração. Trata-se dos chamados Sonhos Lúcidos, aquele em que o sonhador sabe que está vivenciando um sonho. Durante o sonho algumas pessoas sabem que estão vivenciando um sonho, ou seja, que estão sonhando. “Mesmo estando dormindo profundamente ainda assim elas são capazes de exercer um alto grau de domínio sobre o conteúdo do sonho” – palavras de Stephen LaBerge. Comumente, durante um sonho a pessoa não pensa sobre o fato de estar sonhando, mas nem sempre é assim, pois há casos que se constituem um total desafio à ciência neurofisiológica e a psicologia tradicional, exatamente porque é viável pensar e tomar decisões durante o sonho. As suposições atribuídas aos sonhos lúcidos, e também aos sonhos proféticos, não auxiliam em nada o porquê e como acontece aquele tipo de sonho, pois nenhuma atividade cerebral permite que o futuro seja percebido num sonhar presente e nem que muitas das atividades exercidas no estado de vigília possam ser levadas a efeito num sonho. No Sonho Lúcido a pessoa tem pleno domínio de suas faculdades cognitivas, tais como, raciocinar com clareza, ter consciência das condições de quando acordado, incluindo o fato de que foi dormir, e se tornou consciente dentro do sonho; de agir voluntariamente e refletidamente e de agir de acordo com planos feitos antes de adormecer. No Sonho Lúcido, mesmo que a pessoa esteja em estado de sono profundo, ainda assim ela experimenta de forma vívida um mundo onírico o qual que parece plenamente real, tal qual o mundo habitual. Nele os sentimentos e as impressões vivenciadas são idênticas às do estado de vigília. Um dos pontos a ser considerado é que no sonho comum a pessoa não tem controle algum, e na maioria das vezes o que acontece tem conotação aberrante, ou mesmo disforme e sem um padrão de coerência qualquer. Enquanto isso num sonho lúcido tudo pode ter lógica, mesmo que se trate de situações aberrantes ainda assim é possível haver coerência. No sonho comum a pessoa não tem como se deslocar intencionalmente, e quando se desloca ela não comanda o deslocamento e nem 29

sequer sabe para onde vai ou de onde veio, pois não é ela quem intencionalmente direciona o deslocamento. No sonho lúcido dá-se o contrário, a pessoa tem toda a possibilidade de se locomover, é como acontece no dia-a-dia, com a diferença apenas de estar dormindo, e saber que está em um estado onírico. No sonho lúcido é possível haver tomada de decisões racionais, o que não é no sonho comum. No passado recente, muitos pesquisadores de sonhos acreditavam que o sonho lúcido não era algo mais do que imaginação, contudo foi há poucas décadas essa hipótese foi afastada com base em experiências feitas em laboratórios de sono de respeitáveis universidades. Contatou-se que durante a fase REM do sono os olhos se movimentam de um lado para outro quando a pessoa adormecida está sonhando. Em 1980, no laboratório de pesquisa do sonho na Universidade de Stanfor os pesquisadores Vicent Zarcone, William Dement e Stephen LaBerge pediram a cinco voluntários que habitualmente tinha sonhos lúcidos para que movimentasse os olhos de um lado para outro segundo um padrão preestabelecidos, ou seja, pediram para que realizassem determinada seqüência de movimentos oculares voluntariamente tão logo percebesse que estavam sonhando. O resultado foi que todos os movimentos foram apresentados e registrados conforme o padrão estabelecido durante a fase REM do sono. Dessa forma ficou provado que o sonhador afirmar sua capacidade de ação durante o sonho não se tratava de imaginação, mas sim de uma ação durante o sonho. Um ponto muito importante a ser considerado no sonho lúcido é que a pessoa tem capacidade de agir de forma consciente tal como o faz normalmente no estado de vigília, ou seja, no sonho lúcido tem capacidade de exercer atos voluntários, entre as quais a de locomoção, e bem mais, de se deslocar de forma instantânea de um lugar para outro como se estivesse com ausência de peso sem necessidade de membros ou de veículos. O sonhador lúcido, com o tempo aprende a se deslocar para qualquer lugar, de inicio apenas para as imediações, podendo chegar, com a prática, a lugares muito afastados, até mesmo para outros mundos, tudo depende dele ter suficiente energia. Para efetivar um deslocamento, basta ter a intenção ou fixar a atenção em algum objeto distante, tal como uma árvore, uma montanha, etc. e intencionar ir até lá. Para lugares desconhecidos o processo consiste em expressar verbalmente o desejo ou mentalizar outro mundo 8. Para a ciência não é fácil explicar o porquê desse deslocamento para planos totalmente distinto do ambiente pessoal. A psicologia acadêmica e os neurocientistas dizem que isso pertence ao reino da fantasia mental, que o sonhador ao narrar um mundo distinto o habitual, na verdade, ele está apenas delirando vivenciando estado de fantasia. Contudo, algumas doutrinas dizem que aquelas viagens e aqueles mundos são tão reais quanto o mundo de vigília. O Hermetismo ensina que tudo é UM, que tudo quanto há está contido no “E” – Eterno Agora – e passível de ser acessado. Diz que o mundo pessoal é o local do”disco da consciência” em que a percepção está ativa. Sendo assim, todo o processo de ser ter ciência do existir consiste na localização do ponto de percepção. O Sonho Lúcido ocorre quando a pessoa consegue manter ativa a percepção durante o sono. Sonhar reflete a detecção do que está implícito numa determinada “localização” da Consciência, precisamente aquela em que a percepção – mente – estiver ativa. Por isso, afirma-se que tantos são os mundos quantos os pontos abordáveis. Deslocar o ponto e percepção equivale a crear um mundo. Os deslocamentos do ponto durante o sono ocorrem sem que a pessoa comande o processo os locais na Consciência para onde o ponto mental de percepção houver sido “deslocado’, e isso se reflete como sonho se a pessoa estiver dormindo. No sono há como que um "afrouxamento” na fixação do ponto e assim a percepção pode flutuar geralmente de forma aleatória. Mas, quando a pessoa pode se da conta de estar sonhando, então ela pode fazer uso desse “afrouxamento” e assim conseguir com facilidade comandar o deslocamento e então ter percepções de planos e mundos inusitados.

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O Universo e mental, assim a visualização mesmo de algo imaginário pode se efetivar.

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O deslocamento do ponto mental ao longo da Consciência é muito mais fácil de ocorrer quando a pessoa está dormindo, por ser a ocasião em que há afrouxamento dos laços de fixação do ponto focal – ponto de aglutinação, como chamava Dom Juan. Por isso é quando a pessoa consegue um estado de sonho lúcido ela tem muitíssimo mais possibilidades de efetivar deslocamentos Fo ponto de percepção – “agulha da vitrola citada como analogia nesses temas – e assim perceber “realidades existenciais” diferentes daquelas que lhes são habituais, ou seja de “conteúdos” do ponto mental que integra o seu mundo habitual do seu estado de vigília. Como tudo já está na Consciência qualquer ponto pode ser interceptado, quer diga respeito àquilo que no tempo linear é tido como passado ou como futuro. Durante o sonho a pessoa pode deslocar, bem mais facilmente a percepção, posicioná-la em outro ponto da consciência e assim ter visões proféticas. Se isso ocorre num estado comum de sonhar, é então sentido como sonho profético, e se ocorrer num sonho lúcido, ou em outro estado de deslocamento de forma consciente do ponto, então se tratará de profecias, ou visão de futuro. Vemos, portanto, como é simples a explicação dada pelo Hermetismo para algo que a psicologia e a neurofisiologia tentam explicar sem sucesso. Para eles é difícil dar explicações convincentes sobre esses ventos porque desconhecem, ou não aceitam, que o universo é Uno e, portanto, tudo já está registrado, mesmo que seja como informação, em algum ponto da consciência, e de onde qualquer coisa é passível de ser acessada. O desconhecer, ou não aceitar, que o sonho, em primeiro nível, seja apenas fruto de uma percepção, é o que torna difícil o entendimento de incontáveis condições, entre elas o sonho profético, a existência de muitos mundos, e o deslocamento de um ponto para outro, ou seja, de um mundo para outro. No exemplo do disco de vitrola, tudo quanto há consta do “disco cósmico”, e que o ponto focal da mente corresponde à agulha – feixe laser. Sonhar é detectar o que está fora do ponto habitual e que é efetivado durante o sono e, se a pessoa tiver a capacidade de manter ativa a percepção durante o sono então ocorre o chamado Sonho Lúcido.

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HIPÓTESES SOBRE O SONHAR

“ NOSSOS PONTOS DE AGLUTINAÇÃO ESTÃO CONSTANTEMENTE SE MOVENDO, MOVIMENTOS IMPERCEPTÍVEIS ”. O PODER DO SILÉNCIO – CASTANEDA

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T E M A 1. 7 8 1

O sonho é, sem dúvidas, a manifestação da mente que mais tem intrigado os povos de todas
as culturas, desde a Antiguidade até os nossos dias. Por isso, todas as civilizações têm dedicado atenção aos sonhos, especialmente no afã de interpretá-los bem como entender qual o papel deles. Na Antiguidade muitos povos consideravam-no mensagens dos deuses, e também de demônios. Até meado do século passado, a ciência não contava com nenhum elemento que pudesse servir de explicação do porque dos sonhos, qual o papel deles e como eram processadas ao nível cerebral, por isso as pessoas mais racionais simplesmente os deixavam de lado, por considerá-los simples expressões da imaginação e, conseqüentemente, sem valor prático tanto no tocante ao significado simbólico quanto fisiológico. Somente a partir da segunda metade do Século Vinte foi que passou a ser atribuído certo valor prático ao sonhar, especialmente no campo da psicologia. Isso aconteceu graças aos trabalhos de Freud, considerado o Pai da Psicanálise, e seus seguidores mostraram o papel dos sonhos no que diz respeito ao comportamento mental. A seguir a ciência - neurociência – entrou em campo na tentativa de elucidar o mecanismo cerebral implícito no sonhar. As pesquisas visaram não à interpretação, mas sim quais os mecanismos cerebrais envolvidos no sonhar. Assim foram criados em muitas universidades departamentos direcionados ao estudo aos distúrbios do sono em geral, e do sonho em particular. As pesquisas de Freud no campo da psicologia vieram mostrar que todo sonho reflete algum desejo, em especial os de fundo sexual. Um dos discípulos de Freud, G. Jung aprofundou mais o estudo dos sonhos chegado à idéia da existência de um inconsciente coletivo. Na verdade esse foi um passo dado no sentido do verdadeiro mecanismo da gênese do sonho, como veremos em outra palestra é o que ensina o Hermetismo baseado do Primeiro Princípio Hermético. A partir da tese psicanalista freudiana de que o sonho é uma realização de desejos o estudo em torno das repressões se intensificou. Freud disse ser o desejo o que move e dá alento ao existir. Os desejos não atendidos gerariam uma tensão que se exteriorizaria como distintas formas de psiconeuroses que podiam ser abordadas através de uma análise do conteúdo onírico, portanto, ressaltando o apoio à importância da interpretação dos sonhos. Assim, eles deixariam de ser considerados como meio previsões – arte adivinhatória –, para então ser considerado meio de abordagem de tensões psicológicas reprimidas gênese de neuroses. Ficou patente que os sonhos exteriorizavam sintomas oriundos de desejos não atendidos; eles queriam dizer alguma coisa relativa às repressões, portanto datados de significação, e não meras fantasias como se acreditava até então. Esse nascer da psicanálise incentivou em diversas instituições a criação de laboratórios especializados para o estudo do sono. A partir daí surgiram muitas conclusões bem interessantes relativas ao entendimento do comportamento do cérebro durante o sono em geral e do sonho em 32

particular. Mesmo mediante rigorosas pesquisas o estudo do sonho até hoje não elucidou a origem do sonhar em sua essência, quando muito mostram as localizações cerebrais das atividades neurológicas, apenas mecanismos que se fazem presentes no processo do sonhar. Com o monitoramento da atividade cerebral durante o sono, é possível se estabelecer uma relação objetiva entre a atividade onírica e o funcionamento do sistema nervoso central. Na medida em que foram surgindo métodos de registro de atividades cerebrais com o EEG – eletroenfalografia – houve grande avanço no sentido da elucidação do que ocorre no cérebro durante o sono em geral e o do sonho em particular. O sono pode ser medido em estágios. Ao dormir o cérebro passa por 4 fases distintas, sendo a primeira a que ocorre imediatamente depois do adormecer. Em seguida vem a fase de sono leve, que é seguida por duas fases de sono profundo – fase REM. É nessa fase que se pode constatar a ocorrência de sonhos graças à movimentação dos globos oculares. Nessa fase, embora o sono se apresente profundo, ainda assim a atividade cerebral é igual, o mesmo maior do que no estado de vigília. No período inicial do estudo do mecanismo do sonho através da EEG acreditou-se se tratar de uma atividade mental diretamente associada á fase REM do sono, cuja correspondência neurofisiológica está ligada à ponte – grupo de neurônios - com localização no tronco cerebral. Hoje se sabe que, embora exista forte relação entre o sonho e a ponte ainda assim o sonho não tem origem somente a partir na citada localização, não são apenas os neurônios da ponte quem determina o sonhar. Chegaram a essa conclusão porque ocorrem sonhos em todas as fases do sono e não apenas na fase REM, embora que seja esta a fase que os sonhos tendem a ser mais detalhados. Observações feitas em animais de laboratório, e bem como em pessoas em que por alguma injúria neurológica houve destruição da ponte quando então deixa de existir a REM ainda assim há ocorrência de sonhos mesmo com menor freqüência, intensidade, e clareza. Apesar da forte correlação ente sonho e a fase REM do sonho, já não é mais possível aceitar que a atividade onírica ocorre exclusivamente durante essa fase. Graças ao REM se sabe que muitas são as espécies animais com capacidade de sonhar. Perturbação do REM podem se manifestar como pesadelos, inquietude no dormir e terrores noturno. Vale salientar que o sonho não é algo inerente à fase REM, e hoje já é citada a existência de áreas ligadas ao sonho, situada na parte mais alta do cérebro em áreas que parecem nada ter a ver com o sono REM, mas sim com o sonhar, pois podem ser estimuladas por algumas substancias psicoativas, como a L-Dopa e dopamina que não afetam o sono REM, mas que provocam acentuado aumento da freqüência, intensidade e clareza do sonho. No sono REM sempre ocorrem sonhos, mas nem todos os sonhos correspondem à fase REM. Estando em REM a pessoa está sonhando, por certo, mas, muitas vezes, nem sempre quando se está sonhando o sono é de conotação REM. Pode-se afirmar isso porque a eliminação de aras do tronco cerebral responsável pela fase REM não elimina a capacidade de sonhar. Vimos que existem muitos estudos sobre o sonho, mas de forma alguma é explicado o que ocorre no processo em sua base e a natureza daquilo que promove o sonho. A ciência afirma que eles são motivados por repressões, especialmente na área do prazer, mas não há como explicar sonhos que culminam com descobertas científicas e expressões artísticas.

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INTERPRETAÇÃO DE SONHOS
"Nunca se afaste de seus sonhos, pois se eles se forem, você continuara vivendo. mas terá deixado de existir". (Charles Chaplin)
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As pessoas têm um desejo quase mórbido no tocante à interpretação dos sonhos, assim
como os estudiosos, indo mais longe, o têm no desejo de saber o que na verdade é o sonho. Sem dúvidas os mais avançados estudos levam a crê que os sonhos não são meros devaneios da mente e sim que existe uma conotação muito mais profunda em torno do seu significado. Desde a Antiguidade os sonhos sempre intrigaram as pessoas, suscitando os mais variados estudos e interpretações, de início através dos místicos, e profetas e posteriormente na Idade Moderna através dos psicanalistas e neuro-fisiologistas. E m todas as culturas clássicas, e filosofias, a interpretação dos sonhos sempre esteve presente, tanto nas do Oriente Médio quanto nas do Mundo Ocidental, como se pode ver pelos escritos de Aristóteles e Hipócrates. Sobre interpretação de sonhos, a obra mais significativa da Antiguidade foi escrita em 5 volumes por Artemidoro sob o título Oneirocrítica. Autor importante que viveu no Século II d.C. na cidade de Daldis na Ásia Menor. Também vale citar Ambrósio Teodósio Macróbio, cristão neoplatônico, que viveu no século IV d.C. que diz da importância da atividade onírica para o conhecimento da própria alma. Em Roma a interpretação dos sonhos não era tão valorizada quanto na Grécia, em embora que Tertuliano que viveu no século II afirmasse que os sonhos provinham dos deuses. e também dos demônios . A Bíblia várias passagem mencionam os sonhos mencionam os sonhos assim também o Talmud – coleção de comentários religiosos judaicos coleados entre os séculos II a. C. que diz: “Um sonho não interpretado é como uma carta que não foi aberta” O Cristianismo em seu inicio aceitava a idéia que os sonhos eram de origem divina. Isso justifica o porquê de Cipriano, bispo de Cartago em volta de 250 a.C. afirmava que os Concílios da Igreja eram guiados por Deus através dos sonhos. Mesmo Santo Agostinho descreveu certos sonhos como dádivas do Senhor. Conta que Sinésio escreveu em uma só noite um tratado sobre os sonhos, defendendo a idéia de que eles são proféticos. Não se pode esquecer que boa parte do Corão, livro sagrado, diz a tradição Mulçumana, foi transmitida ao Grande Iniciado Maomé através de sonhos. Também nas culturas primitivas americanas os sonhos têm relevante papel, pois graças a eles era possível localizar os melhores campos de caça, ervas curativas, etc. Os sonhos chegam a fazer parte do ritual de passagem dos jovens na cultura Ojibwa – nativos que vivem nos Estados Unidos e no Canadá – antes da vida sexual ativa o jovem passa por um ritual de passagem em que é submetido a um jejum prolongado e depois levado para um lugar isolado onde adormece e durante 34

o sonho percebe e interage com imagens protetoras não humanas. Também vale salientar que a interpretação dos sonhos é fundamental na iniciação do xamã.

No mundo moderno, sem dúvida, quem mais deu ênfase à interpretação dos sonhos foi Freud
e seus seguidores. Ele se deu conta de que a interpretação os sonhos é muito importante porque eles resultam de repressões, reflexos dos conflitos pessoais, especialmente na esfera sexual. Os sonhos estudados por Freud constam em sua obra são estudados em as suas idéias foram estrepitadas na obra A Interpretação do Sonhos. Para ele os sonhos têm um conteúdo manifesto, aquilo que aparece sob forma de imagens, e um latente, de significado oculto. O conteúdo latente é disfarçado através de processos simbólicos quando a fantasia inconsciente se manifesta sob a forma de um objeto; um bastão pode ser o pênis; uma caixa ou uma caverna, a vagina, e assim por diante. É bom que se leve em conta que o sonho envolve uma atividade cerebral intensa, o que pode ser constatado através do eletro-encefalograma. A visão da V.O.H. sobre o sonho é mais vasta, pois mostra que o processo ele tem como base o próprio “E”, enquanto todos os sistemas consideram-no ou como uma atividade mental ou intercessão de demônios e deuses. Somente a V.O.H. mostra que o sonho é uma abordagem perceptiva do conteúdo da Consciência. As pessoas procuram interpretar sonhos em decorrência deles comumente serem confusos. Por que os eles são confusos? - Em parte porque são captações daquilo que existe no “É” onde tudo está contido potencialmente, tanto as condições que consideramos lógicas quando as absurdas. Existe outro motivo: Reportemos à metáfora do disco de vitrola. Quando a mudança da posição da agulha é aleatória, como acontece durante o sono, então ocorre captação de informações de pontos distintos. Num disco, se a agulha pular sucessivamente de pontos acaba a música sendo incoerente por conter fragmentos de muitas sem que guardem uma seqüência harmônica. O mesmo ocorre na captação da Mente a partir da Consciência. Durante o sono o ponto focal flutua por estar menos fixo do que acontece no estado de vigília. Aquela flutuação faz com que aquilo que é captado, se compõe de fragmentos mediante os quais a Mente estabelece associações 9. Assim, ela junta eventos, ou coisas realmente díspares. Na metáfora do disco, podemos dizer que ao se deslocar aleatoriamente músicas distintas são captadas, e a mente junta um pedado de uma com outras, o que no final se reflete como um conglomerado de sons que não caracteriza uma determinada música, resultando numa verdadeira cacofonia, uma melodia composta por uma somatória de sons sem quaisquer sentido musical harmônico. A seu modo, também é isso o que acontece nos sonhos, “fatias” de um mundo são captadas e mescladas com as de outros. Sendo assim a pessoa retorna ao mundo de vigília não com imagens coerentes, uma recordação que não fazer sentido algum. Por isso é preciso organizar um tanto para que possa aparecer alguma coerência. As pessoas gostam de interpretações de sonhos, porém isso só tem significado quando um sonho resulta de um deslocamento mental ordenado. Como isso não é o que habitualmente acontece então surge uma sensação enigmática que requer interpretação. Em casos assim vale interpretar o sonho, pois na verdade são eventos que após serem expurgados podem se tornar coerentes. O sonho tem valor por refletir um deslocamento e detecção que pode ser convertido em um padrão harmônico. Assim aquilo que é incoerente pode se tratar de percepção de um nível à frente – permitindo perceber o futuro –, ou o passado10 dando chance a interpretações pretéritas. Nesse caso a pessoa pode entender episódios que passaram “batidos”. Mas, quando a imagem de um sonho reflete partes de vivencias distintas, algo que se assemelha a uma “colcha de retalhos”, então não vale à pena tentar interpretações, são parcelas distintas sem interconexão alguma, pelo que deve ser colocada no grupo das fantasias mentais.

No livro sobre a Mente falamos da tendência que ela tem em fazer associações. Associação é uma entre as dez capacidades que caracterizam a Mente. 10 Passado e futuro são condições muito relativas e que só tem algum sentido em nível de Mundo Imanente.

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Vamos referir à citação bíblica das estória de José do Egito. Não estamos afirmando que tal realmente haja acontecido como consta na Bíblia. Em caso afirmativo, por certo foi uma percepção de uma faixa avançada da linha do tempo do “disco” da Consciência. Como ele também acontece com relação a todos os chamados sonhos proféticos. Neles õ ponto de percepção é levado para um ponto distinto da consciência e no estado de vigília recorda aquilo que foi detectado. Um sonho, segundo os conhecimentos do Hermetismo, é fruto de um posicionamento da mente sobre a consciência. Sonho é um reflexo do deslocamento da mente do sonhador para outros posicionamentos da percepção e assim tomar ciência do que for ali encontrado. Assim fica fácil se entender os chamados sonhos proféticos, eles refletem deslocamentos na linha do tempo para pontos ainda não vivenciados. Durante o sonho a percepção não se desloca apenas para um ponto, assim sendo, quando a pessoa acorda o que aparece na tela mente é uma mistura de visões incoerentes, e isso é o que torna os sonhos confusos. O escritor espanhol Calderón de La Barca (1600 – 1681) “La vida es sueño e los sueños, sueños son”.Em contraposição podemos considerar mais justo: “Os sonhos não são apenas sonhos, são uma porta de entrada para a nossa vida, que é esplendida e desafiadora mistura de sonho e realidade”.

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VISÃO HERMÉTICA DO SONHAR
“SONHAR É UM INSTRUMENTO ARTÍSTICO POR EXCELÊNCIA ”.

SALVADOR DALÍ
2007–3360

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Pelo que estudamos nas palestras recentes podemos ter em mente a indagação de até que
nível a Psicologia e a Neurofisiologia têm chegado, na tentativa de em essência explicar o significado do sonhar. Tudo o que tem sido escrito sobre isso não atende a muitos aspectos do sonhar, tais como os Sonhos Lúcidos, e os Sonhos Premonitivos – Proféticos – pois uma condição gerada no cérebro não tem como poder servir para prever o futuro. Uma previsão de futuro pode ser feita a partir de dados, estabelecendo uma probabilidade que por refletir exatidão, mas no caso de uma previsão exata seria precisa a existência de um incomensurável banco de dados a partir do qual um modelo pudesse vir a ser estabelecido. No cérebro não pode existir isso porque nele só há registro de informações dos conhecimentos e vivencias adquiridas durante a vida. Por isso tomando-se como base apenas a estrutura cerebral, não tem como explicar eventos futuros complexos e amplos, isso por haver carência de dados em número suficientemente elevado para sobre eles ser estabelecido um modelo exato. No caso de sonhos premonitivos ou explicativos exatos com um que aconteceu com Mendeleiev pode ser justificado, como eventos ainda não ocorrido, e mais ainda, como modelos ainda não surgidos podem ser percebidos em estado de sonho? – Até mesmo descobertas cientificas e criações artísticas ainda inexistentes podem ser antecipadas em visões oníricas. A neufisiologia não tem como explicar, por exemplo, um sonho tido por Dimitri Mendeleiev, que o levou à descoberta da “tabela dos elementos” a qual veio se constituir um modelo clássico em química. Uma descoberta pesquisador russo Mendeleiev foi muito importante e conforme ele declarou, ela apenas lhe foi mostrada através de um sonho. Trata-se de uma tabela que permitiu a previsão da existência de muitos elementos químicos então desconhecidos. Na época só eram conhecidos cerca de 50 elementos e na tabela havia bem mais de 100. Isso vem sendo confirmado com exatidão até hoje quando esse número já foi elevado mais alem, em torno de 120 elementos. Até mesmo propriedades químicas de novos elementos podem ser conhecidas com o auxilio da citada tabela. Numa época em que só se conheciam cerca de 50 elementos Mendeleiev viu em sonho mais do que o dobro o que se confirmando com exatidão. Evidentemente no cérebro de Dimitri Mendeleiev não podia haver registros de elementos desconhecidos de onde pudessem ser colhidas em sonho as informações, então o sonho dele não foi uma evocação em nível cerebral, como é explicado pela neurofisiologia. O sonho de Kekulé sobre os compostos benzênicos até pode ser enquadrado nas hipóteses formuladas pela neurofisiologia, mas não o de Mendeleiev, pois não é fácil entender como perceber o número de elementos químicos ainda não conhecidos, e de suas propriedades. Através de um sonho aquele pesquisador criou a tabela dos elementos químicos que até hoje é tida como exata. Segundo ele ela foi visualizada por ele em sua integra durante um sonho. Ainda hoje não foram isolados alguns elementos, mas graças à tabela é possível se prever suas existências e propriedades químicas. Nos derradeiros anos foram descobertos alguns elementos “novos” e que mostram a exatidão daquela tabela vista por Mendleiev em sonho. 37

Coisas assim mostram que no sonho são mostradas coisas ainda não descoberta e nem ao menos suspeitas de existirem. Isso mostra que o sonho tem poder de solucionar grandes enigmas e de efetivar “criações novas” como as que ocorrem não somente no campo da ciência como também no campo das artes em geral. Podemos afirmar que as dificuldades encontradas pela ciência para explicar muitos questionamentos residem no fato dela não saber, ou de não querer aceitar a verdade de que tudo quanto há já existe no “E” – Consciência Cósmica. A V∴O∴H∴ afirma que tudo preexiste. Tudo quanto há preexiste no nível do “disco da Consciência”. Tudo quanto se afirma existir é apenas um efeito de percepção. Onde ela é focada o ser se dá conta da existência de algo, de que aquilo existe realmente. Nosso aqui e agora é tão somente fruto do que está sendo focalizado pela mente em nível de percepção. A nossa realidade decorre do ponto de focalização da mente; o dia-a-dia resulta de um nível de percepção; resulta de um ancoramento da percepção em um determinado ponto de registro da Consciência. Tudo aquilo que for “sacado” dele se constitui a realidade pessoal. A mente vive focada em um ponto que não é estático, mas sim estacionário “diante” da consciência graças a uma força de coesão que mantém a percepção sem grande flutuação, embora seja possível aquele ponto ser deslocado de sua posição habitual. Voltemos à analogia que temos freqüentemente feito, comparando a mente e a consciência com se fosse um disco e uma agulha de vitrola. No disco de vitrola, o ponto de incidência da agulha dita aquilo que é reproduzido no momento, é, por assim dizer, o aqui e o agora que está sendo vivenciado. Em se tratando da Mente/Consciência é a mesma coisa, a Mente capta aquilo que está registrado no ponto de incidência na Consciência. Na analogia podemos sentir que a manutenção da agulha num determinado ponto do disco requer certa força mantenedora da posição, mas é plenamente possível haver mudança, é possível o deslocamento da agulha para qualquer ponto do disco, desde que um impulso seja adicionado. O ponto focal da Mente é mantido por uma força de coesão que no estado de vigília é relativamente forte, e é por isso que a percepção da pessoa tem dificuldade de ser deslocada. Para que isso aconteça é mister certo nível de prática e de energia. Durante o sonho naturalmente há uma atenuação da força de fixação e assim ocorre uma flutuação da percepção que passa a abordar outros pontos ( na analogia: a agulha se desloca na superfície do disco com certa facilidade). Cada ponto acessado pela flutuação da percepção mental durante o sono se manifesta como sonho. Na verdade o ponto acessado não é menos real do que aquele que caracteriza o estado de vigília. O sonhar é, portanto, perceber distintos pontos do nível da consciência (pontos do disco). Percepção do futuro é igual à acessamento de pontos ainda não percebidos. Por isso no sonho a percepção pode se fazer sentir independentemente em nível de passado, de futuro ou de detecção de qualquer expressão de existência, pois na consciência não existe tempo linear e sim todas as possibilidade de existência, que, talvez, seja em numero infinito. Um ponto já percebido pode voltar a ser visto e isso é recordação, enquanto que um ainda não acessado é futuro. No sonho a percepção flutua e assim pode abordar pontos correspondentes a passado e a futuro. Coisas ainda não descobertas já constam no “E” e dessa forma muitas coisas ainda a serem descobertas podem ser percebida. Isso foi o que aconteceu no sonho de Mendeleiev, ele viu o futuro. O mesmo pode ser dito com referência ao sonho de Kekulé que o levou a descobrir o ciclo benzênico abrindo uma porta para o desenvolvimento da química orgânica. Medos, sustos, stress, assim como drogas psicoativas apenas agem como elemento desencadeador de mudanças de posicionamento do ponto de percepção. As percepções não são geradas no cérebro, é algo de nível muito mais elevado. Nenhuma substancia é capaz de gerar imagens de futuro, elas apenas podem levar a percepção para outros pontos de detecção, que chamam d planos ou de mundos. Na fase REM o deslocamento do ponto de detecção é mais fácil, por isso o sonho nessa fase é mais claro. É natural que a funções cerebrais estejam mais ativas.
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Quando a pessoa consegue se manter ciente na fase REM então ocorrem o Sonho Lúcido. Ela mesmo estando dormindo ainda assim toma ciência do que a mente está detectando. Assim como a pessoa pode direcionar sua mente para um ponto qualquer da consciência, nada implica que isso aconteça durante o sono, bastando para tanto que por estar desperta e ativa direcione o foco de percepção para algum lugar. Normalmente evito falar de vivências pessoais, mas vou fazer uma exceção pela sua
importância como ilustração do que dissemos nesta palestra. Certa vez em estado modificado de percepção, vi uma seqüência incomensurável de pinturas(quadros), muitos deles já existia pintados e eu as conhecia; um número muitos maior que certamente já existiam pintados, e mais ainda outros que por certo ainda não haviam sido trazido para o nosso plano de existência (mundo). Outra feita, a percepção foi de musicas, musicas conhecidas, musicas desconhecida e um numero talvez infinito de músicas inéditas. Com essas percepções pude entender que aquilo que chamam de criar algo na verdade é de trazer ao nível da percepção de outras pessoas. Então tenho como entender o que aconteceu com Kelulé, com Medeleiev, com Salvador Dali e inúmeros outros. Eles apenas perceberam aquilo que já existe no “E”, mas que ainda não fora vivenciado no mundo habitual

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ENERGIA E SONHOS
A NOITE É TEMEROSA...

2008 - 3361

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O Universo pode ser considerado como um campo de interações energéticas que compreendem ganhos, conservação e perdas. Todas elas são fundamentais para o ser, por isso o Iniciado deve desenvolver certa capacidade de domínio sobre elas, especialmente no que diz respeito Às perdas envolvem as perdas fundamentais para a vida e as inúteis. Temos que saber administrar as perdas muito bem do contrário todas as manifestações pessoais envolvem grandes dificuldades. Em temas anteriores escrevemos sobre os “sugadores de energia” que constantemente vivem assediando as pessoas, aos quais as religiões dão o nome de demônios. Não vale aqui explicar se realmente podem ser tidos como demônios, mas definir isso não leva a lugar algum. Sendo assim, como o termo mais usual é “ser demoníaco”, então é vamos intitulá-los nessa palestra. A primeira indagação que a pessoa sente anseio de fazer, quando se dá conta da existência de demônios – sugadores – é respeito à origem dos seres no plano universal, como eles se situam dentro do contexto. As religiões cristãs atribuem a origem aos “anjos caídos”, contudo o Hermetismo fala de forma um tanto diferente e que podemos adiantar a origem se situa na natureza bipolar da creação.11 Há incontáveis formas dos sugadores atacarem os seres humanos. Por qual razão eles atuam assim? Precisamente porque eles necessitam de muita energia sutil, que não conseguem facilmente em seu plano de existência, ali a energia sutil não é abundante e eles, ao contrário dos humanos, não têm a capacidade de consegui-la a partir da energia de nível comum que inunda todo o universo. Os sugadores promovem um imenso número de modos de provocar os seres humanos para que estes emitam energia; é como um “desmame energético” em que nós somos ordenhados. Já dissemos que as emoções são o maior meio de “ordenha” provocado pelos sugadores, um modo de provocar a emissão de energia, para que eles possam se abastecer. Existem muitas formas de auto-proteção contra os sugadores, porém a mais comum é são aquela que podemos criar intencionalmente, para isso é preciso a pessoa estar em estado de vigília. Por isso uma tremenda perda de energia acontece durante o sono. Nesse caso não é tão fácil a pessoa se defender por estar adormecida. Acontece que o ser humano é muito propenso a jogar energia fora, pois poucas pessoas sabem o quanto ela é valiosa. Podemos dizer que tudo o que as doutrinas e religiões ensinam e vetam quanto à conduta pessoal, no final, isso visa tão somente a defesa contra as perdas. As Igrejas Cristãs dizem ser preciso a pessoa estar sempre vigilante contra as tentações demoníacas. Isso também é uma recomendação básica praticamente em todas as doutrinas. Mas, na verdade, em outras palavras isso visa não perder energia, não jogá-la fora, não desperdiçá-la. As religiões estabelecem uma
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A origem dos sugadores de energia (demônios) será alvo de estudo no futuro.

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gama muito vasta de conceitos de atos pecaminosos, embora não expliquem a razão disso, mas no fundo visa exatamente o controle da energia. Tudo aquilo que reflete perda desnecessária de perda de energia elas etiquetam de pecado. A ética e a moral das religiões, mesmo que os próprios orientadores desconheçam, têm como objetivo a poupança de energia. O ser para se libertar dos grilhões do Mundo Imanente precisa dispor de um gradiente muito elevado de energia, por isso algumas doutrinas, entre elas a V O H , mostram claramente o porquê disso. Na verdade a recomendação das religiões no tocante a pecados tem eco nas doutrinas iniciáticas como perda de energia. As religiões não falam de energia, dizem diferente de certas doutrinas, dizem que a pessoa para se salvar é preciso não pecar. Paralelamente o Hermetismo afirma que para se salvar é preciso tem um quanto elevado de energia, evitar perder energia, cujo objetivo é se tornar um ser de grande poder de poder pessoal. Somente tendo suficiente energia é que a pessoa pode se libertar das “garras” do mundo da ilusão – Mundo Imanente. As religiões não explicam porque não se devem fazer isso ou aquilo, que muitos atos são pecados, que vão contra a vontade de Deus, mas não explicam porque Deus impõe tais ou quais padrões de comportamento existencial, qual o objetivo disso... O Hermetismo, pelo contrário, mostra o porquê de muitas coisas deverem ser evitadas pela pessoa. As religiões privam a pessoa de muitas coisas, interditam determinadas práticas e condutas, que por não serem explicadas acabam sendo meras repressões. O Hermetismo não interdita nenhum tipo de conduta, não reprime a pessoa, desde que apenas mostra o que bom fazer ou não. Ele da ênfase dizendo por que a pessoa deve se abstiver de muitas atividades e atitudes. Libera o ser da idéia de pecado, de condenação divina; em especial mostra onde e quando agir ou não agir de determinado modo, ou seja, ele ensina a administrar de forma distinta aquilo que as religiões impõem como códigos imposto como ameaça de ser pecado, ou coisa assim (infrigência de códigos = pecado). As religiões ensinam desde criança a pessoa orar antes de dormir, mas não explicam bem o porquê dessa prática. O Hermetismo diz o mesmo, mas explica, diz que durante o sono a pessoa comum fica a mercê de muitas forças sugadoras. Na verdade a noite é temerosa, nela a pessoa dorme e é durante o sono que tremendas perdas de energia podem ocorrer. Muitas vezes isso pode ser evidenciado através de sonhos, mas nem sempre a pessoa sequer se lembra que sonhou. É fundamental ela saber administrar o sonho, mas isso não e fácil. Entre as recomendações que visam o desenvolvimento espiritual uma das mais necessárias é saber como administrar os sonhos. Nesse campo as religiões não oferecem meios, nem mesmo explicam porque algo deve ser feito, apenas diz que a pessoa deve orar antes de dormir para evitar o assedio satânico. Uma das razões do desenvolvimento espiritual ser é muito demorado decorre exatamente porque a prática de muitas métodos envolverem um aprendizado difícil e até mesmo espinhoso. Por essa razão é que, no dizer das religiões, a salvação é um processo muito difícil. O campo sexual é tremendamente fértil na emissão de energia, por isso as religiões primam em dizer ser necessário a abstinência sexual, a menos que a pessoa conte com o beneplácito do matrimônio religioso. O Hermetismo diz que isso não tem importância espiritual alguma, que o importante é amestrar a perda energética desde que ela sempre ocorre independentemente do casamento. O casamento não imuniza a pessoa contra a perda de energia através do orgasmo, portanto o matrimonio é uma prática meramente formal. Casada ou não, a pessoa tende a ser altamente espoliada através do coito. É um absurdo normalmente se pensar ser possível viver sem atividade sexual, a exceção à regra é mínima. Na quase totalidade dos casos de abstinência o que existe não é libertação e sim repressão. Sendo a sexualidade algo tão poderoso na própria natureza biológica, então é quase impossível viver sem ela, portanto o que cabe fazer é administrá-lo bem, de forma responsável para que a perda da energia desprendida seja mínima. Nenhuma religião confere através do ato litúrgico – sacramento do matrimonio – defesa contra a espoliação de energia. O ato sexual quer dentro do casamento religioso quer fora dele, é um canal imenso de drenagem energética, e não é nenhum ritual religiosos que evita que isso aconteça. 41

É através de sonhos que a pessoa mais emite energia durante o sono. Um sonho é uma forma de
vivência ilusória, mas o estado de vigília também o é. Assim como as atitudes pessoais em estado de vigília são tal qual as do estado onírico. Tudo o que ocorre em sonho tem a mesma natureza do que ocorre no estado de vigília, portanto se emoções atuam como emissor de energia no plano de vigília também o faz no plano onírico – sonhos. No sonho a pessoa pode brigar, ter emoções de todos os tipos, e mesmo ter atividade sexual intensamente. Tudo isso atua como canal de fluxo de energia do organismo para o exterior, o que possibilita perdas ou mesmo ser captado pelos sugadores. Doar energia para quem precisa até pode parecer um ato de bondade, mas, em se tratando de um sugador, é perigoso porque ele tende a dominar a pessoa, a usá-la sem nada dar em troco, usando-a como se fosse uma “vaca leiteira”. Por isso a pessoa não age como doador, mas sim como espoliado. Os sugadores não têm limite, sempre querem mais e mais energia, não importando os danos causados a doador, retardando a sua libertação, mantendo-o preso ao mundo imanente. Os adeptos das religiões não se dão ao trabalho de indagar do porquê do demônio querer conquistar a pessoa? O que ele ganha com isso? As religiões não têm explicação para isso, mas algumas doutrinas sim, entre elas o Hermetismo, que afirmam que o que interessa a um elemento satânico é simplesmente a energia, pois tudo no universo é regido por ela, e assim sendo quanto mais ele dispuser maior será o seu poder. Até mesmo no nível humano, não se pode comparar um “homem de poder” – rico em energia – com uma pessoa comum. Há muitos meios da pessoa se defender das perdas de energia. Isso é mais fácil quando em estado de vigília desde que nesse nível a pessoa pode através até pelo uso do pensamento do controle do pensamento se defender contra a atuação de sugadores, mas durante o período de sono não é assim. A mente fica “solta” sem qualquer controle pessoal. Na verdade, o Iniciado aprende a se manter em constante vigia no tocante às perdas energéticas, o que é também possível durante o sonho, e especial durante os sonhos, contudo para isso é preciso certo treinamento que não é tão fácil como se possa julgar.

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O PONTO FOCAL DA MENTE E OS SONHOS
“OS SONHOS, ENQUANTO DURAM, SÃO UMA VERDADE. O VIVER NÃO SERIA APENAS UM SONHAR?” ALFRED TENNYSON

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T EM A 1.459

Já estudamos muitos tipos de sonhos12 basicamente em níveis de imanência, e nesta palestra
visamos mostrá-los em nível de posições de mundos detectados pela mente no “É”. Este mundo só é real para o nosso intelecto porque a nossa atenção se fixa nele como se fosse real, não dando margem a qualquer dúvida. Dissemos na palestra anterior, que a pessoa só acredita ser este o único e absoluto mundo porque o ponto focal da mente está bem fixado naquilo que percebe, o que torna difícil a aceitação de que ele é apenas um em meio a um conjunto de mundos consecutivos, arrumados pela mente a partir das unidades de consciência. Muitos são os fatores que prendem o ser a um mundo peculiar fazendo com que ele passa a aceitar como o. Esse mundo verdadeiro, contudo, muda a cada momento; as circunstancias mudam, a seqüência temporal muda, contudo todas essas mudanças não são percebidas pela pessoa como opções simultâneas, e sim como um peculiaridade natural ligada ao fluir do tempo. Mas não existe fluir de tempo, o que existe é a mudança de percepção, é a ordem em que a mente passo a passo vai acessando outros níveis da consciência. Não sabemos o que motiva esse deslocar natural. A mente não está fixada numa mesma área na consciência pois se assim fosse o mundo estaria cristalizado, coisa alguma mudaria, tempo algum transcorreria, nenhuma ação, nenhum dinamismo. O fator causal do dinamismo pertence ao reino do incognoscível. Embora desconheçamos o que motiva e quais os mecanismos impulsionadores da marcha do ponto focal diante da consciência, a causa do acessamento constante que compõe o “nosso” tempo. Mas, se sabe que em determinadas circunstâncias, bruscas e profundas modificações de percepção podem ocorrer. Comparando a consciência a um disco e a mente (percepção) a agulha, podemos dizer que existe o deslocamento relativo desta reproduzindo uma música, mas que qualquer impacto no aparelho pode fazer a agulha pular para uma outra faixa que pode ser totalmente distinta. O mesmo acontece coma mente e a consciência, há um deslocamento perene fazendo com que os registros de consciência fluam num progredir suave, este progredir constitui juntamente com o que esta sendo acessado, o nosso mundo, mas certos impactos podem fazê-la se deslocar e assim gerar outros universos. Não sabemos o que move normalmente a consciência, o que faz brotar dela um tanto de coisas que até mesmo podem compor universos inteiros, mas que, mesmo diante da vastidão quase infinda deles, ainda assim quase nada significam diante da totalidade dos registros da Consciência. Pelo que se pode entender tudo isto é gerado pela Mente – O Universo é mental – , que vezes comparamos a algo – mente – captando as percepções do “banco de dados” do “É”. Contudo não se trata de um deslocamento, mas sim de um afloramento dos registros da consciência. Analogicamente é como se a Consciência estivesse dentro de uma campânula e que dela saíssem as unidades por um pequeno orifício. Mesmo assim ainda continua a indagação do porque sair determinados dados e não outros, quem ou o que está neste comando determinante.
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Temas 356, 359, 360 e 361.

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Qual é o querer que está no comando, determinando o critério de escolha. Sabemos que o orifício pode ocorrer em outro ponto da campânula e então ser emitido outros dados que se manifestarão como mente ligada a outras realidades, a um outro mundo. Seja comparado o processo com uma agulha, feixe laser, ou como orifício, o que se sabe é que isto constitui uma limitação que não permite o acesso à totalidade da consciência, mas persiste a indagação sobre o que limita o orifício, o que determina a posição natural da agulha. Não é fácil se entender o porquê a consciência não se manifesta como um todo, talvez porque isso invalidaria o conceito do existir, nada haveria em ação, seria como que um total inexistir. A vida é constituída de eventos. Na plenitude da consciência nenhum evento ocorre, tudo simplesmente “É”. Os eventos como que são lançados dele, mas se desconhece que poder comanda o querer para que isto ocorra. Em outras palavras, o que retém a agulha numa determinada faixa. Já dissemos algumas vezes nestas palestras que a percepção não está retida de forma total, que ocorre um “suave” deslocamento que em certas condições pode se acelerar muito, ou mesmo dar grandes pulos para trás ou para diante. Na linguagem de Dom Juan: O ponto de aglutinação se desloca suavemente, mas em dadas circunstancias ele pode se deslocar para qualquer outro ponto do “casulo” ocasionando as mais dispares percepções. Disse (Arte do Sonhar): “O nosso mundo, que acreditamos ser único e absoluto, é apenas um em meio a um conjunto de mundos consecutivos, arrumados como as camadas de uma cebola. Apesar de sermos energeticamente condicionados a perceber apenas o nosso mundo, ainda temos a capacidade de entrar nessas outras regiões – que são tão reais, únicas, absolutas e envolventes como o nosso mundo” Por certo um dos fatores que retém a mente em um posicionamento mais ou menos fixo é a convicção de habitarmos um mundo único e que só é real aquilo que percebemos, sem nos darmos conta de que as percepções são algo extremamente falho e limitativo. Um outro fator é o medo da perda da auto-identificação, isto faz com que a mente se apegue ferozmente ao ambiente, se apegue a algo que ela deveria sentir como efêmero, como uma sombra ou ilusão da realidade. Levada pelo princípio do movimento, a mente não para, pois para ela o parar equivale a um não existir. Ela associa o diálogo interno com o existir. O tagarelar sempre diz respeito as coisas circunstantes, ao mundo, e isto prende a pessoa a esse mundo (segura a agulha da vitrola numa determinada faixa), Como o impulso do movimento do existir é muito forte, ele consegue fazer com que não seja vista a totalidade e que não ocorram saltos bruscos. Se a pessoa não estivessem tão prezas ao aqui e ao agora, mesmo que não conseguisse ver a consciência como um todo, ainda assim poderia perceber sucessivos mundos, infinitas realidades. Quando ocorre um afrouxamento nos elementos retentores da mente num determinado ponto focal ela então pode se deslocar com mais facilidade. Dormindo, a pessoa não tem a sofreguidão de se manter neste mundo, não se gera um intento forte, por isto o deslocamento é mais fácil, e isto faz com que outras percepções, e até mesmo outros mundos, se façam sentir. Isto compõe grande parte dos sonhos. Nos temas citados em rodapé falamos de muitos tipos de sonhos, vezes são meros afloramentos do conteúdo daquilo que chamam impropriamente de subconsciente, mas outras vezes são frutos dos posicionamentos do foco da mente diante da consciência. A ciência pode detectar se a pessoa está sonhando pelas variações que ocorrem nas ondas cerebrais vistas através de um encefalograma, mas para quem pode ver o ponto de aglutinação isto ainda é mais perfeito porque se torna perceptível o deslocamento do ponto de aglutinação de um local para outro dentro da área correspondente aos posicionamentos do ponto. Os sonhos de natureza cerebral são fáceis de entender como sendo resultantes de exacerbação das funções cerebrais motivado por tensões emocionais, por preocupações e outros fatores de natureza psicológica. Mas quando se trata do deslocamento do ponto focal, ainda não sabemos dizer o que o ocasiona. 44

As vivências bizarras que ocorrem em muitos sonhos se podem evidenciá-las pelo
deslocamento do ponto para pontos incomuns, contudo não sabemos o porquê eles se deslocam para determinados pontos, são desconhecidas as causas determinantes. O que sabemos é que são frutos de deslocamentos do ponto focal, mas tais sonhos nada mais se sabe além do próprio deslocamento. Uma simples observação mostra que se tratam de deslocamentos aleatórios, e indiscriminados do ponto focal da mente. Quando a pessoa dorme ocorre um afrouxamento dos laços mantenedores da mente no mundo habitual, e então a mente passa a se deslocar, e conforme o ponto atingido, surge então a percepção correspondente. Mas o deslocamento que o ser pode determinar em estado de vigília, ou mesmo aquele que é efetivado pela ação de terceiros, pode ser programado. Isto quer dizer que a pessoa pode direcionar os sonhos e como ensina Dom Juan e Castaneda, isso pode ser feito visando determinados fins, ter percepções intencionais. O que visamos nesta palestra é mostrar que o deslocamento do ponto mental é o responsável pelos sonhos lúcidos. Castaneda, em seus magníficos livros fala disto diversas vezes, especialmente em “A ARTE DO SONHAR”, livro dedicado a essa temática. Ali ele descreve tudo isso de forma muitíssimo mais completo do que estamos fazendo, apenas o nosso objetivo é dizer que é a mente é quem gera os sonhos segundo o posicionamento que ela assume.

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O PONTO DE PERCEPÇÃO E O SONHAR
S EG U NDA P A RTE
“VOCÊ NÃO PODE MUDAR O PASSADO... AS PODE MUDAR O FUTURO COM OS SEUS ATOS DE HOJE”
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T E MA 1.723

Todas as manifestações da existência não são mais do que resultados de focalizações da Mente sobre o registro da Consciência. É o ponto de sintonia da Mente quem determina a percepção seja qual for. Temos dito que o mundo é Nada mais é do que a percepção obtida, por isso se modificando o ponto de sintonia muda-se a percepção e essa mudança implica em outros mundos, pois sendo modificada a percepção também o resultado será outro. Na analogia com o disco: A musica que está sendo tocada decorre do ponto em que a agulha estiver acessando o disco. Castaneda citando Dom Juan dizia: “O nosso mundo que acreditamos ser único e absoluto, é apenas um em meio a um conjunto de mundos consecutivos, arrumados como as camadas de uma cebola”. Dizia que, apesar de sermos energeticamente condicionados a perceber apenas o nosso mundo, ainda temos a capacidade de entrar em outras regiões – que são tão reais, únicas, absolutas e envolventes como o mundo habitual. De um modo geral, os ensinamentos da V.O.H. dizem algo parecido, dizem o mesmo, apenas afirmando que os mundos não são persistentes, eles são infinitos, mas são creados pela mente, assim como este que vivenciamos aqui e agora. Os mundos que se visita, para os quais a pessoa se desloca não pré-existe estruturado, a Mente é quem os estrutura. Este nosso mundo resulta de um ponto de focalização da Mente nobre a Consciência, tudo o que nele acontece e existe está implícito em pontos do “E”. ( Dom Juan chamava de Ponto de Aglutinação). Embora este mundo se nos pareça tão real e concreto mesmo assim isso não é mais do que o resultado de uma percepção abstrata. O mesmo acontece com incontáveis outros, eles podem ser gerados pela mente a partir da Consciência. Na medida em que a localização vai mudando as percepções também juntamente com as realidades e os mundos ilusões mentais vão sendo percebidos. Em essência tudo o que se percebe nada mais é do que energia, que pode ser organizada de forma que se apresenta como matéria. A própria equação de Einstein mostra isso E=mc2. Uma das características da energia é que é não pode ser percebida diretamente, ela precisa de algum “espelho” para se refletir, embora tal “espelho” seja constituído por ela mesma. No campo místico se diz que a Consciência para se manifestar precisa de moldes, de superfícies nas quais se reflete, mas esses moldes, essas estruturas refletoras também são formas especiais dela perore. Este mundo é de energia que se manifesta por objetos – concretos, ou condições. Não é por ser esse mundo algo estruturado que pé percebido, mas sim o inverso, aquilo que se percebe é estruturado pela Mente, por isso o Primeiro Princípio Hermético diz: O UNIVERSO É MENTAL. Pergunta-se: por que somente a percepção que temos gera esse mundo e não outros? Na verdade a possibilidade de mundos creados é incomensurável, qualquer um pode gerado pela Mente e subsequentemente abordado. A Mente gera este e qualquer outro, bastando que haja um intento e a energia necessária. É fundamental se conhecer as possibilidades ligadas aos sonhos. Eles são frutos dos registros registro da percepção, vezes naquilo que compõe registros presentes no cérebro – como já descrevemos em alguns temas sobre sonhos – e vezes do próprio. Os místicos falam disso, de um outro sonhar, que resulta de percepções de realidade oriundas de focalizações da Mente sobre algum
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ponto da Consciência. No exemplo da vitrola: de outros pontos para onde a agulha se deslocou. Quando a pessoa desloca o ponto ela tem percepções, e quando volta ao seu mundo habitual ela tem a sensação de haver sonhado, pois no sonho habitual o que acontece é exatamente isso, percepção de um ponto distinto a partir do “E”. Isso envolve o dormir porque nesse estado o ponto flutua mais livremente do que em estado de vigília; quando a pessoa volta, ela acordou e o que persiste na lembrança constitui o sonho. Mas, esse deslocamento necessariamente não dependendo de dormir ou não. O deslocamento pode ser atingido também no estado de vigília. Para isso basta certa prática do como deslocar o ponto de percepção para atingir aquilo que Don Juan chamava de “A Segunda Atenção”. Nesse processo a pessoa pode ir até onde? Podemos parafrasear o ditado: “O Céu é o limite”. Não há limitação alguma, pois a Consciência e ilimitada e qualquer ponto dela pode ser acessado, tudo depende do intento e da disponibilidade de energia. Uma grande viagem naturalmente requer muito mais energia do que uma pequena. Essas viagens são careações de mundos, não são na verdade uma viagem e sim uma creação. Disse Dom Juan: “Não é difícil perceber (ver); a dificuldade está em romper o muro retentor que todos temos em nossas mente e que nos mantém no lugar.) Para rompê-lo, tudo que precisamos é de energia. Assim que temos a energia, o processo acontece por si mesmo, o truque é abandonar a nossa auto-complacencia e falsa segurança”.

O que existe basicamente no Universo é Consciência, é ela quem dita que eu seja quem sou, ou
seja, o se dar conta de si mesmo A “consciência minha” agora está se manifestando sob uma forma humana, mas poderia sesta rendo por outra forma. Assim a consentia é uma só manifestada nessa forma humana apenas poderia estar sendo na forma de uma águia ou de outro animal. Assim na verdade não importa se a fração em mim manifesta no aqui e agora, possa se manifestar em uma forma qualquer. Por isso sabendo deslocar o ponto de percepção outra forma pode corresponder e naturalmente a consciência que chamo de minha se tornar expressa em algo distinto, em uma forma animal. Assim as transformações xamânicas podem ser projeções de imagens mentais, mas também podem ser objetivas. Nesse caso, se tornar uma águia pode ser algo objetivo. A recíproca é verdadeira por isso é natural a volta a forma original. Sonhar é deslocar o ponto, quer seja dormindo ou em vigília. A pessoa adquire controle sobre o sonhar em função da disponibilidade de energia sutil. Assim ele tem todo o universo para se deslocar (crear), forma de sair deste mundo e existência outros e outros. Ele crea para si o mundo que bem entender, e fica liberto de tudo isso que o prende aqui. O existir nesse mundo a que tanto as pessoas amam é como um casulo que prende o ser. Na verdade é uma forma de vida confinada, e o que é pior, vive sendo energeticamente espoliado por outros seres. O casulo que limita o Ser é estabelecido pelas percepções, pelo posicionamento do ponto de acessamento da Mente sobre a Consciência (libertar a agulha desse ponto é tornar livre o ser, é a manifestação de ser livre para flutuar na existência sem amarras.

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SONHO UM PORTAL PARA OUTROS MUNDOS
“ COM O CONHECIMENTO SE ACRESCENTAM AS DÚVIDAS”. GOETHE
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É dada ao ser humano a possibilidade não apenas perceber outros mundos além deste em que vive, mas até mesmo se transportar fisicamente para eles; para isso basta exercer uma perfeita concentração mental e ter bastante energia. Para penetrar pelo portal de outros mundos, quando no estado de vigília há necessidade de muita disciplina e concentração mental. Contudo, não pode haver boa concentração mental sem que o “diálogo interno” seja silenciado, portanto para que haja um deslocamento o primeiro passo é parar o diálogo interno, isso é, não procurar ver coisa alguma do seu meio ambiente, não pensar em coisa alguma a não ser na visualização de um deslocamento. Por isso, antes de se tentar acessar outros mundos se faz necessário primeiramente aprender a parar o diálogo interno. Há pessoas que têm certa facilidade para transporem portais que separam os mundos, que em muitas ocasiões isso ocorre espontaneamente, é como um dom o que na maioria das vezes resulta de encarnações anteriores. O processo não é fácil porque a mente da pessoa vive fortemente ancorada no seu mundo habitual. Durante a vida a dúvida quanto à existência de outros planos de existência como que consolida – cristaliza – a posição mental num ponto que corresponde ao mundo habitual. A dúvida auxilia a fixar a percepção de modo que somente aquele deslocamento mínico que diz respeito ao dia-a-dia se faz sentir. Em segundo, podemos citar o medo que muitas pessoas têm quanto ao ter percepções a novas e diferentes das habituais. Tudo isso faz com que o ponto de percepção não se desloque facilmente. A vida inteira a pessoa vai sendo induzida a não aceitar nada além do que pode ser detectado neste plano existencial e isso acaba por estabelecer laços que “seguram” a mente num plano que passa a ser o seu habitual. Por isso não é fácil em condições normais a pessoa deslocar o seu ponto de percepção. Para isso primeiro é preciso parar o diálogo interno e afastar qualquer sentimento de dúvida quanto à possibilidade da existência de outros planos. Uma criança é bem mais fácil perceber outros planos porque ela ainda não ancorou o ponto com muita intensidade. Depois, na medida em que cresce vão lhe dizendo que tudo aquilo que percebe é mera fantasia, ou até mesmo sendo ridicularizada em falar sobre o que tenham percebido. Assim é estabelecido um processo de inibição, que reflete na cristalização da percepção; por isto é que o primeiro portal não é facilmente transposto. Um segundo portal é através de sonhos isso porque durante o sono há um afrouxamento dos liames que fixam a percepção num mesmo ponto. Durante o dormir é mais fácil a pessoa libertar o seu ponto de percepção permitindo ultrapassar deste plano para outro qualquer. O sonhar, portanto é um portal para outros mundos, um estado que permite a percepção de outros mundos. Enquanto a pessoa dorme há um “afrouxamento das amarras” e o ponto passa a flutuar, e cada ponto atingido na flutuação se reflete como imagens que são sentidas como sonho. Os sonhos que a pessoa tem todas as noites resultam de percepções originadas pela flutuação do ponto de aglutinação – ponto de percepção. Na verdade o ponto durante o sono comum não se distancia muito do original, por isso nesse tipo de sonho as coisas podem ser um tanto
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enigmática, mas geralmente não chegando a ser aberrantes, como aquela que ocorrem numa viagem mais profunda. Alguns videntes podem perceber o ponto – ponto de aglutinação – e ver que enquanto a pessoa dorme o ponto flutua, se desloca de um ponto para outro aleatoriamente, mas não atinge pontos afastados. Embora qualquer sonho seja o resultado de uma mudança de ponto de percepção, acontece porém que a pessoa não tem controle algum, portanto que não é dado um direcionamento. No sonho comum a pessoa está à mercê do processo, não dirige nada. Certas pessoas, contudo, como que acordam dentro do sonho, ou seja continuam sonhando mas sabendo que aquilo é um sonho. Nesse caso ela pode facilmente direcionar a percepção para qualquer lugar, apenas sendo necessário que saiba como manipular o sonho. É possível sair de um sonho intencionalmente e penetrar em outro formando uma cadeia de sucessões de mundos. Para ter sonhos conscientes, também chamados de sonhos lúcidos, é preciso certo treinamento, mesmo que às vezes eles aconteçam naturalmente. Para facilitar os sonhos lúcidos a pessoa deve fazer silenciar o diálogo interno, mas para isso é preciso certo treinamento. Castaneda recomenda para parar o diálogo, antes de adormecer colocar alguma coisa entre os dedos, algo que possa exercer certo nível de pressão. Por exemplo, por entre os dedos cristais de quartzo com cinco a sete centímetros de comprimento, ou algumas pedras de rio finas e lisas. Dobrar ligeiramente os dedos e apertar os cristais, ou as pedras. Igualmente eficazes são pinos de metal do tamanho e da grossura dos dedos. Os cristais são os mais recomendados, mas com a prática qualquer coisa serve. Diz ser bem eficiente cristais nos espaços interdigitais. Também Castaneda diz que é muito importante durante o sonho visualizar a mão. Em nossa opinião, quando a pessoa se dá conta para visualizar a mão durante o sonho ela já está consciente de que tendo um sonho lúcido. Afirmamos que esse método é bom apenas para a pessoa se certificar de que está sonhando acordado, por certo ela já está ciente de que está desperto durante o sonho, mas não como um meio de levar a pessoa se tornar consciente dentro de um sonho. É difícil a pessoa não iniciada – pessoa comum – aceitar a idéia de que existem outros mundos; isso é uma decorrência de ter na mente cristalizada a idéia de que esse plano é único. Mais difícil ainda é aceitar que outros planos e mundos podem ser detectados, explorados e mesmo vivenciamos. Ainda mais inusitado é saber que tais mundos podem ser não apenas explorados em nível de percepção, e mais ainda saber ser possível uma pessoa se transportar fisicamente para um deles. Parece o cúmulo do absurdo a afirmativa de que é possível a pessoa poder se transportar fisicamente para mundos incomuns. Mas o autêntico iniciado não tem a mínima dúvida quanto a essa possibilidade. Analise isso: “Nós somos energia condensada e mantida numa forma, e numa posição especifica pela fixação do ponto de aglutinação, ou seja, num determinado posicionamento. Se esse posicionamento for modificado então a forma e a posição dessa energia irá mudar de acordo. Tudo o que tem que ser feito para que ocorra uma transposição é colocar o ponto de aglutinação no posicionamento exato”. É possível se vivenciar mundos alem da imaginação. Penetrar em outros mundos é fácil, o que é difícil é ter suficiente energia. É fácil mas muito cheio de percalços e mesmo de perigos. Por isso Dom Juan disse: “O caminho do sonhar é cheio de armadilhas ... evitá-las é o problema pessoal de cada sonhador”. O mundo por detrás do portão do sonhar é muito traiçoeiro, talvez porque a pessoa pouco sabe a respeito dele e ali existem incontáveis formas seres que têm por objetivo vampirizar a energia pessoal. Em outros mundos há uma variedade enorme de formas de existência, e que é dado ao Iniciado conhecê-las. Já falamos dos inorgânicos, mas esses são apenas uma classe integrante de um mundo apenas; existem muitos outros e cada um portando seus próprios habitantes, mas sempre se trata terrenos desconhecidos, com objetivos e leis próprias, por isso o visitante deve ter muitas cautela e estar devidamente preparado.

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Dom, Juan dizia a Castaneda: “Quero que seja ainda mais disciplinado e que trate com luvas de pelica tudo que for relacionado ao sonhar. Seja vigilante, acima de tudo. Não posso prever de onde virá o ataque”. A projeciologia pode levar a pessoa a muitos mundos, e os praticantes sabem bem o quanto é comum se defrontarem com seres inóspitos. Só seres que estão sempre prontos a atacar. Neste mundo uma pessoa com muito dinheiro não se aventura em bairros de marginais, pois ali ele está sempre em perigo, sempre sujeito a ser atacado e tomado o seu dinheiro. O mesmo acontece em muitos outros mundos, lá a pessoa facilmente é atacada por seres cuja intenção é roubar-lhe a energia. Como sair e voltar ao mundo habitual quando se está vivenciando outro através do sonhar? Num sonho lúcido a pessoa pode se deslocar para incontáveis mundos, basta desejar e espessar verbalmente. Para voltar o sonhador deve fixar sua atenção em algo do mundo habitual, algo que tenha levado consigo. Para isso os feiticeiros recomendam a pessoa ter consigo algo da terra, quer seja um objeto tal como um anel, mas podemos dizer que até mesmo a veste serve perfeitamente. O importante é ele saber que deve fixar sua atenção no objeto e mentalizar o seu mundo habitual. No filme Amor Alem da Vida o ator penetrou no passado somente quando deixou de ter um gravador de som de sua época. Ele voltou ao presente quando fixou a atenção em uma moeda atual. Não existem apenas mundos tétricos e hostis para os humanos, também há outros bem interessantes e acolhedores. Seria falar de uma sucessão enorme de mundos nessa palestra, o que não é o nosso objetivo agora. Só como ligeira citação: Há mundos em que a linguagem é totalmente ausente, os meio de comunicação são bem diferentes. Não estamos falando apenas de telepatia, ou de formas de linguagem sonora, mas sim de outras expressões, tal como a linguagem feita através de flores, ou de formas geométricas, ou de números, ou de sons musicais. Por outro lado, também se conhece mundos em que ritmo musical é desconhecido, os seres inteligentes lá existentes não têm memória para música, desconhecem o sentido de melodia, portanto são incapazes de criar músicas tal como a conhecemos. Por isso a linguagem deles é muito monótona, é uma forma de expressão sonora monocórdica, mesmo assim eles podem ouvir sons melódicos, mas são incapazes de produzi-los ou mesmo de reproduzi-los vocalmente. Quando ouvem ficam extasiados, mas incapazes de reproduzi-la ou de compô-las. No estudo do Hermetismo superior, na Quarta Câmara a pessoa aprende a administrar a energia e conservá-la para feitos mágicos. Deve acumular energia para poder por em prática muitas atividades e em especial fazer viagens para outros mundos, para vivenciar outras realidades. Aquele que se propuser a conhecer outros mundos, tem que acumular energia bastante para consegui ir atravessar incontáveis portais intermúndios. Só assim poderá ter vivências espetaculares, sensacionais, umas terríveis e outras maravilhosas. As portas do mundo mágico só se abrem para dar passagem ao viajante ousado. Nessa palestra referimos mais nessa palestra viagens através do sonho, por ser a mais fácil, mas ela podem ser feita por muitos outros meios, sem necessidade do sonho. Para isso a projeciologia ensina métodos. Sabemos que o que estamos afirmando parece ser delírio, ou mesmo alienação mental devido ao caráter inusual, mesmo assim tudo que temos dito, e muito mais, é verdade tendo como base aquilo que preceitua o Primeiro Principio Hermético: O Mundo é mental. Assim existem tantos planos e mundos quantos a mente possa conceber. O iniciado deve ser prudente quando narrar suas experiências para evitar ser considerado um mentalmente insano. Por isso o Hermetismo recomenda: Ousar e calar. Não se deve duvidar antes de praticar.

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O SONHO E A CREAÇÃO DE MUNDOS
“O CONHECIMENTO CONDUZ À UNICIDADE, COMO A IGNORÂNCIA À DIVERSIDADE”. Ramakrishna

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Nosso mundo habitual resulta das percepções mentais, razão pela qual o primeiro dos Sete
Princípios Herméticos diz: O Universo é Mental. Segundo os ensinamentos de Dom Juan, o Universo é o resultado do posicionamento daquilo que ele chama de “O Ponto de Aglutinação”, cujo equivalente no Hermetismo é o “Ponto de Sintonia da Mente sobre a Consciência”. Tudo quanto existe está registrado na Consciência de onde pode ser acessado pela Mente, e aquilo que ela acessa pode constituir um mundo independente, ou condições que podem determinar modificações no modelo comum de mundo das pessoas que habitam na terra. Não seria cabível se indagar se a sucessão de mundos é penetrável, pois, na verdade, eles não são estruturas, são registros das expressões mentais existentes em todo o Cosmos, imagens mentais ordenadas pela Mente dos seres em que cada um tem um mundo ordenado a seu modo. Levar o ponto de sintonia para qualquer “lugar” fora do habitual acarreta a manifestação de percepções distintas daquelas que compõem o mundo habitual. Esse deslocamento pode ser feito desde que haja dois fatores: Intento e energia. Atendido esses dois fatores, facilmente é possível promover um deslocamento que resulta num acessamento das percepções que compõem tanto mundos de outros seres, quando mundos totalmente inéditos. É uma arte mágica deslocar à vontade o ponto de sintonia e assim poder ampliar o âmbito do que pode ser percebido. Uma percepção de um mundo não é algo fugaz, ela pode ser mantida estabilizada desde que a pessoa consiga ancorar o ponto de sintonia no nível percebido; ocorrendo então uma “cristalização” da percepção. Isso equivale a crear um mundo no qual ele pode existir, afinal o mundo habitual onde nós acreditamos existir não é mais que isso. O mundo habitual é apenas uma creação mental muito intensa que assim nos dá a ilusão de concretitude. As vivências em outros mundos podem ser feitas, estabelecidas, mas há uma grande resistência para que o foco de atenção da Mente possa se deixar levar para pontos de sintonia adequados. Há como que uma inércia tendente a manter o ponto ancorado num nível corriqueiro compondo o mundo habitual. Para deslocar o ponto de sintonia é preciso haver bastante energia. Um dos fatores que mais contribui para a fixação do ponto de fixação no mundo habitual é a fé, é a certeza de que tudo isso que percebemos no modelo de mundo habitual é real. Duvidar disso é um elemento favorecer as vivências em outras realidades, outros mundos. Percepção a respeito de um outro mundo distinto deste, é favorecida pelo pensamento. Ele contribui para deslocamento do ponto, mas precisa haver energia a ser comandada por um forte intento. Se não for assim o pensamento dificulta o processo, pois quando vagueante dificulta a fixação capaz de condicionar uma imagem que possa ser considerada como um mundo. A fé contribui decisivamente para a fixação do ponto, por isso para dele sair se faz precisa a pessoa duvidar da realidade do mundo habitual e da fé na possibilidade de que existem incontáveis outros. 51

A dúvida enfraquece a “força de fixação” do ponto (força de aglutinação), por isso para a pessoa vivenciar outras realidades é de fundamental importância duvidar de que o mundo habitual é único e de que não possam existir muitos outros. Por isso existem muitos mecanismos que permitem a quebra da resistência. Todos dos fatores que abalam a mente podem atenuar a fixação, assim agem os fatores emocionais muito fortes, determinadas substâncias psico-ativas, as sugestões de tipo hipnótico, traumatismos cranianos, etc. Muitas são as substancias que agem assim, algumas são de natureza endógena, como a melantonina, a histamina e derivados, serotonina, e diversas substâncias do grupo das morfinas, muitas são geradas por alimentos, mesmo por estado de fome e de sede, por canção muscular, etc. A par existem as substancias exógenas oriundas dos três reinos da natureza; muito comuns as de origem vegetal e mesmo animal. Nos três reinados. Grande parte desses fatores pode causar ruptura na integridade mental e acarretar danos, muita vezes irreparáveis. O estado de esquizofrenia resulta disso, da presença ou ausência, de determinadas substâncias que atuam em nível de neuro-receptores. Dizem que a esquizofrenia (alucinações) resulta de distúrbios da estrutura cerebral Em parte isso é verdade, mas na essência é que a desestruturação dá lugar para deslocamento da mente originando visões. Nesse caso o que acontece é que o processo ocorre desordenadamente, sem uma orientação precisa. Trata-se de uma captação aleatória de fragmentos de registros dando lugar a percepções incoerentes. A Consciência comporta-se como se fosse uma colcha de re talhos em que as frações podem ou não serem distribuídas de forma harmônica, ou desarmônica; daí o resultado poder ser uma imagem mental de mundo coerente ou incoerente’. Através dos séculos feiticeiros e iniciados aprenderam como conduzir o processo de interação entre distintas realidades sem provocar danos estruturais ao cérebro, aprenderam como ordenar aquilo que é captado dando certa coerência ao que é observado (criado pela mente). Para se sair do mundo cotidiano é necessário muito energia, tanto mais quanto mais “consciente” a pessoa se torne. Se houver pouca energia a percepção será muito tênue. Mas se o índice for mais vasto, então, a pessoa pode se dar conta de uma outra realidade, e mesmo se manter ali por certo tempo. Para se manter consciente em uma dessas investidas em outro mundo é preciso de um forte intenso no que pode ser auxiliado pela persistência. Vale o ditado “Água mole e pedra dura, tanto bate até que fura”. No início o discipulo encontra grande residência em provocar um deslocamento, mas com um intento inflexível, com “teimosia” ela acaba por conseguir. Daí por diante é como andar de bicicleta, só é difícil a primeira vez, a partir de então se torna algo muito fácil. O único requisito básico é o ter energia.

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SONHOS E MUNDOS
“Antes que se possa escutar, deve-se ter perdido a capacidade de ouvir”

2006- 3359

T E M A 1. 7 1 4

Em palestra anterior afirmamos que quando a pessoa está dormindo ocorrem deslocamentos do foco mental que se efetivam sob a forma de sonho. No estado de vigília há uma maior fixação do ponto de focalização, a atenção está muito direcionada para um mesmo ponto, por isso é chamada de Primeira Atenção. A atenção está focalizada apenas no nível que compreende o nosso mundo. Em decorrência disso, deslocar intencionalmente o ponto de focalização mental não é muito fácil. Por outro lado, durante o sono, quando a pessoa está dormindo a focalização da mente sobre a consciência está menos fixa o que permite a ocorrência de flutuações aleatórias até mesmo de forma espontânea, e é isso que gera percepções que se manifestam como sonhos. Em tal condição mesmo que não haja intencionalidade – intento – as flutuações ocorrem e a pessoa sonha independentemente de estar querendo sonhar. Tudo quanto o ser percebe resulta de focalizações da Mente sobre a Consciência; deslocar o ponto de focalização, por menos que seja, por certo haverá modificações de percepções, pois tudo quanto há são registros – memória - da Consciência e o deslocamento significam sair de um registro e acessar outro. Durante o estado de vigília o ponto de focalização (representado ao nível do corpo astral pelo chamado Ponto e Aglutinação, na linguagem de Dom Juan ) se desloca de forma lenta e mais ou menos uniformemente. Na metáfora do disco e da agulha, podemos dizer que durante a vigília corresponderia a deslocamento natural determinado pelo rodar do disco, que lentamente faz com que a agulha saia de um ponto e focalize o seguinte, sucessivamente. Mas, em certas condições, podem ocorrer grandes ou pequenos deslocamentos. Durante o sono esse fluir parece ficar interrompido e em substituição ocorrem pequenos deslocamentos aleatórios e assim as percepções resultantes são sentidas como sonhos. Quando uma pessoa está em estado de vigília a “primeira atenção” predomina; há uma fixação muito forte a um modelo de existência que é tido como “mundo real”. Ao despertar o ponto focal da mente retorna ao nível anterior e a pessoa se sente no mundo real. Contudo, se ela não voltasse ao nível de percepção habitual, por certo o seu mundo seria exatamente o do sonho. Quando a pessoa está num nível outro qualquer parece sonho, tanto é assim que ela pode ter um sonho dentro de outro sonho e assim sucessivamente. É possível a pessoa manter o ponto em que vivencia um sonho e não retornar. Para isso depende do coeficiente de energia disponível e do intento. A pessoa pode deslocar seu ponto de sintonização; quando o faz em estado de vigília e isto é sentido como uma projeção de consciência, uma viagem astral ou vivência em outra realidade situada como passado, futuro ou mesmo de outro contexto relacionado com espaço. Quando isso é feito durante o sono acontece, quando a pessoa sonha e sabe que está sonhando, então pode se deslocar a partir daí para outras realidades. Trata-se de um sonho dentro de outro sonho. Durante o dormir ocorrem os sonhos que são deslocamentos, algo como flutuações em torno daquele que constitui o dia a dia da pessoa. Ocorrem percepções sem que haja grandes
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deslocamentos, mas isso não quer dizer que deslocamentos muito pronunciados não possam ocorrer, tanto em estado de vigília quanto no de sono. Dependendo do intento da pessoa, o ponto pode se efetivar com maior ou com menor intensidade ou seja, ser mais ou ser menos fixo. O pondo no dia a dia é muito intenso porque a pessoa tem fé, acredita nele, não estabelece dúvidas, e isso responde pelo grau de fixação. A realidade de algo é ditada pelo nível de crença. Este mundo que vivenciamos é tido como realidade única exatamente porque as pessoas acreditam que assim seja. No tocante ao sonho dá-se o inverso, a própria pessoa não crê que aquilo seja real, pois o intento é fraco, se é que existe realmente. Por isso os mundos vivenciados em sonho são tênues, mas se houver fé na possibilidade de gerar mundos através de sonhos ele pode ser bem consistente. Neste caso o sonho pode ser muito mais concreto, aparentemente muito mais real e envolver valores incomuns, chegando ao nível da pessoa não ser capaz de distingui-lo deste que chamamos de mundo real (preferimos chama-lo de mundo habitual). A par do mundo habitual a pessoa pode vivenciar inúmeros outros, e quando isso acontece ela não crê ser objetivos por serem pouco consistentes, e por isso dá o nome de sonho. Não verdade são creações mentais assim como também o habitual também o seja. Dependendo do nível em que a percepção é levada pelo intento um sonho pode dizer respeito às existências totalmente fora da faixa de percepção habitual, nesse caso a natureza do mundo pode ser totalmente diferente, ou mesmo muito aberrantes. Na analogia com o disco, podemos dizer: Uma pequena variação de posição da agulha motivada por um deslocamento na faixa pode provocar certa alteração na música que está sendo tocada, mas diante de um deslocamento mais amplo pode acontecer que a música passe a ser outra totalmente diferente da original. Para entender bem os sonhos, basta considerar que no sonhar habitual, naquele que ocorre sem um intento, sem um comando direcionado, eles resultam de flutuações aleatórias do ponto de percepção favorecida pelo abrandamento da capacidade de fixação, côo acontece no estado de vigília. Neste caso o mudar a percepção do nível do dia-a-dia – habitual – é deveras difícil, mudar o do sonho é muito fácil desde que a pessoa saiba que está sonhando. Neste caso o difícil é a pessoa estar consciente – se dando conta – do sonho, saber que ela pode mudar de intento. No sonho comum a pessoa como que perde a sua identidade, perde a facilidade de dizer eu sou fulano e agir como tal. Uma pessoa treinada pode ter quanto sonhos ela quiser, mas para isso é preciso dispor de muita energia e forte intento. Mas a primeira habilidade a ser adquirida é sonhar sabendo que está sonhando. O ponto de partida é um sonho comum, mas depois a pessoa pode entrar em um nível em que chega a um estado idêntico ao de sonho sem precisar estar dormindo. A indagação que pode ser feita é se é possível permanecer num dos mundos oníricos. A resposta é afirmativa. Para permanecer há um ponto a ser considerado; não acordar dentro do mundo habitual, ou e sim em outro qualquer, ou seja, evitar sair de um sonho e acordar em outro. Mas essa prática, se por um lado é algo magnífico, por outro também pode ser perigoso, desde que pode se manifestar um mundo tão absurdo, com características tão bizarras, que a pessoa fique muito chocada ao ponto de gastar lá sua energia se defendo de situações inusitadas. Desse modo ela pode não ter condições de voltar. Sair de uma situação dessa somente se houver um resgate vinco de fora. Castaneda refere que certa feita teve que ser resgatado por uma das discípulas de Dom Juan. Se assim não fosse ele ficaria retido em outro mundo. Por outro lado, se o mundo for delicioso nada indica que a pessoa queira ficar e o faça. Ficar lá não é difícil o que é difícil é ter energia para chegar lá. Dom Juan citava que no passado um grande número de feiticeiros foram e não mais regressaram. Na verdade no que estamos comentando não há viagem alguma, mas sim, apenas focalização mental. Esse mundo é um foco mental o qual nós vivenciamos como real, mas outro qualquer pode ocupar essa posição. Quando um iniciado – feiticeiro – atinge esse grau de domínio sobre a mente, então sua vida pode ser indescritível, pode vivenciar quantos mundos quiser e quantas situações aprouver. Nesse nível, o ser fica muito diferente, mesmo que ele volte para essa realidade comum, 54

ainda assim as coisas daqui não o satisfazem por poder dispor de muito mais que o mundo habitual pode lhe oferecer. O único problema diz respeito ao índice de energia sutil, a energia é a única coisa da qual depende para vivenciar paraísos inusitados. Nesses deslocamentos a pessoa pode se defrontar com seres inusitados, seres maléficos e seres benéficos. Por isso no sonhar a pessoa deve saber, e poder, regressar de lá para outro mundo, ou mesmo para o habitual, diante de qualquer ameaça, pois do mesmo jeito que uma pessoa pode ser espoliada, ou fisicamente ser morta, perseguida, ou cativa de outra pessoa, nos mundos possíveis isso pode acontecer até mesmo com maior intensidade do que neste habitual. Carlos Castaneda cita o que Dom Joan disse a respeito: “Esses lugares existem em posições específicas do Ponto de Aglutinação. Exatamente como o seu mundo existe no ponto de aglutinação na posição habitual”. Há concordância entre os ensinamentos do Nagualismo ensinado por de Carlos Castaneda / Dom Juan e o que diz a V.O.H. a respeito das percepções em geral e dos sonhos em particular. A diferença é que Dom Juan cita o “Ponto e Aglutinação” como o local em que se processam as modificações, e pelos ensinos da V.O.H. ele se situa essencialmente no plano de interação Mente /Consciência. Nós comparamos com a localização de um registro na memória de um Computador. Nessa analogia a Consciência é comparada com o registro no HD, e o Mouse como a Mente. Nesse caso o chamado “Ponto de Aglutinação” compreende os ícones, sobre os quais o internauta clica para fazer aparecer um determinado programa. Num futuro não muito remoto o clicar do Mouse não fará aparecer apenas uma imagem em tela, mas uma imagem virtual em 3 dimensões, ou por certo algo muito mais denso e real, com o que a pessoa possa interagir.

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MUNDO DOS SONHOS
A FÉ GERA O MUNDO, E O MUNDO GERA A FÉ.

2005- 3358

T E M A 1. 5 49

O mundo básico, este em que vivenciamos, como vimos em palestra anterior, não pode ser fruto da manifestação limitada de uma pessoa, por ser ele tremendamente amplo e complexo. A mente, em nível de individuo, só poderia criar um mundo muitíssimo mais reduzido, compatível com o seu conhecimento próprio ou, no máximo, com a capacidade de sua imaginação. A mente só crea aquilo que tem registro de memória ou que pode ser imaginado. Somente se pode criar um mundo com base em elementos conhecidos ou, pelo menos, imagináveis. Como uma mente de um ser humano poderia construir um modelo matriz contendo coisas inimagináveis? Indagamos, ela poderia incluir, por exemplo, aves desconhecidas, ou incluir bactérias, todas as variedades de espécies da fauna e flora, etc., e muitas outras coisas que nem mesmo ramos da ciência especializados atual suspeita?. Se um ser incluísse modelos de dinossauros no seu mundo criado, no mínimo ele deveria ter capacidade de imaginá-los. Em qualquer campo a imaginação é à base da creação. Neste nosso modelo coisas das mais inimagináveis vêm sendo descobertas a cada dia e como tais ou são imaginadas ou já constam na matriz deixada pelo “creador”. Se não existisse um texto matriz então nenhum texto básico tão amplo poderia ser redigido pela limitação de qualquer indivíduo, como este que transcende qualquer capacidade individual. Ao ser só resta a possibilidade de gerar primariamente mundos altamente limitados, ou apenas oriundos de modificações parciais e limitadas do mundo que ele vivencia. Para um melhor entendimento devemos considerar o sonho. Um sonho é uma manifestação de mundo tão real quanto esse que vivenciamos e assim o consideramos. Pode-se ver claramente a limitação que existe nos mundos dos sonhos. Aquilo que temos dito sobre a impossibilidade de este mundo vivenciado ser uma criação básica do ser, pode ser sentido se analisarmos um sonho. Isto pode ser visto quando comparado o mundo habitual com um que se manifeste através de um sonho. Primeiramente devemos ver que o habitual oferece uma tremenda riqueza de detalhes, o que não acontece num mundo de sonho. Neste a mente cria um lugar, um ambiente, no qual ela coloca coisas, que passam a ser tão reais para o sonhador quanto o que ele vivencia em estado de vigília. Muitos podem duvidar de que um sonho seja a manifestação de um mundo distinto desse de nossa realidade habitual, dizendo ser uma fantasia, uma ilusão da mente, mas é precisa se ter em mente que este mundo habitual também é uma ilusão – Mundo de Maya. Ninguém que desconheça determinadas nuances da mente duvida de que um sonho seja um mundo, que muitos dizem ser imaginário por ser tratar de algo subjetivo, contudo só subjetivo quando analisado a partir do mundo habitual, ou seja quando a pessoa acorda, quando ela “volta” para o se mundo do dia a dia, mas enquanto está sonhando o real é o do sonho. O mundo habitual é imenso e complexo, enquanto que o mundo de um sonho é muito limitado. Jamais se vê em um sonho algo que não seja conhecido, ou que passível de ser idealizado pela pessoa. No mundo habitual isto não é verdade, a cada momento surgem elementos totalmente 56

desconhecidos. No mundo de um sonho o desconhecido inexiste, e aquele mundo vivenciado é limitadíssimo. Nele a riqueza de detalhes é mínima, a riqueza de coisas idem; mas as complexidades quase não existem. Qualquer mundo vivenciado em sonho é incomensuravelmente mais simples, mais limitado, do que o mundo que o que é vivido em estado de vigília, mas nem por isto menos real para o sonhador. Por outro lado, um mundo gerado pela mente em um sonho – mundo onírico – é muito limitado, ele não tem amplitude comparável a qualquer mundo gerado em estado de vigília, até mesmo pelo mais erudito e sábio. As pessoas têm tremenda dificuldade em admitir que este mundo habitual seja mental e que nele podem ocorrer modificações sucessivas. Só vêem o mundo como um fluir contínuo, dentro daquela condição que é impropriamente chamada de evolução, mas não admitindo que haja saltos. Já foi dito: “A natureza não dá saltos”, mas isto é uma afirmativa muito relativa, pois muitos fenômenos da área psíquica, e mesmo material, mostram que sim, embora que a existência de tais “fenômenos” seja posta em dúvida pela ciência ortodoxa. Os mundos dos sonhos normalmente são admitidos pelas pessoas como sendo artifícios da mente, contudo a ciência até hoje não disponha de uma hipótese satisfatória que explique satisfatoriamente o que é o sonho. Quando uma pessoa está sonhando ela não tem como sentir que aquele mundo não é real. Mesmo quando ela tem sonhos lúcidos – sonho que a pessoa sabe que aquilo está sonhando – ainda assim o mundo onírico vivenciado é tão real para ela quanto o de vigília, apenas que ela sabe estar vivenciado um mundo de sonho, mas ao mesmo tempo sabendo que existe um mundo de vigília, mas não tem como evidenciar que aquilo que esteja sendo vivenciado não é uma realidade. Tanto é assim que até funções fisiológicas se alteram, a pessoa pode ter angustia, taquicardia, e inúmeras sensações que se refletem no corpo físico. Há casos em que a pessoa morre vitimada por uma vivência emocional durante o sonho. Se uma vivencia de certo tipo pode prejudicar, pode desequilibrar, ou até mesmo “matar” no mundo habitual, o mesmo pode ocorrer na vivência de um sonho. Vejam o quanto grande é a interpendência existente entre o “mundo real” e o “mundo do sonho”. A Psicologia não duvida que o sonho seja uma criação mental e que o inimaginável se manifesta como sonhos. Inúmeras vezes sonha-se com coisas aparentemente irreais, com absurdos que contrariam a lógica, e que não existem manifestados no mundo habitual. Isto acontece porque, mesmo não sendo algo manifestado no mundo habitual, mesmo assim, é passível de ser imaginado pela pessoa. Vale salientar que não é preciso que a pessoa se dê conta de que está imaginando, pois o pensamento tem um nível subliminar, um nível impropriamente chamado subconsciência inundado de “recalques”, de anseios, de fantasias, e muito mais que a psicanálise chega a abordar. Até mesmo instrumentalmente isto pode ser constatado. Há atividades mentais em que pessoa está “desligada” da “realidade” constatáveis mediante um eletro encefalograma. O cérebro sempre está ativo, mobilizando, comparando e associando registros de memória mesmo que a pessoa esteja “desligada”. Uma pessoa em estado de coma o E.E.C. registra atividades cerebrais, mas que queremos salientar é que elas não dizem respeito apenas a comandos orgânicos, também dizem respeito a atividades mentais de nível subjetivo, mas que não chegam ao nível de intelecto. Mesmo que não sejam muito aceitos pela psicologia mesmo assim há depoimentos de pesquisadores que têm analisado uma gama de experiências intituladas de “vivências pré-morte” que indicam atividades psíquicas em condições finais de vida biológica. Pessoas que “recobraram a consciência” em situações extremas se recordam do ambiente e até mesmo do que sentiram do mundo habitual naqueles instantes, como por exemplo atividades desenvolvidas para salva-la e, mais ainda, o que pensaram de tudo aquilo. Se verdade, isto mostra que certas atividades da mente não se processam apenas no estado de vigília. Assim muitas ideações independem do pensamento ativo, por isso não é necessariamente preciso algo se fazer presente na “tela” do intelecto para gerar um mundo; pensamentos e anseios subliminares podem indubitavelmente fazer isso.

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Uma pessoa que esteja sonhando e se dando conta daquilo se tratar de um sonho pode
evidenciar o quanto aquele mundo é limitado se comparado com o mundo habitual. Isto acontece porque no sonho ele vivencia um modelo mental próprio e não uma simples modificação operada na matriz. Assim no mundo creado – mundo onírico - todas as limitações impostas por sua capacidade de agir ou de imaginar, se fazem presentes, enquanto que no mundo “real” ele está dentro de um mundo que não é o seu próprio, ele está dentro do mundo cuja matriz não é propriamente gerada por ele, um mundo que chamam de Mundo de Deus. Ele não precisa compor um mundo integral, um texto existencial completamente novo, mas apenas promover pequenas modificações, manipular o básico com alguns acréscimos ou eliminações. Esse mundo é uma ilusão – Mundo de Maya – que as religiões com base nos Vedas dizem não ser mais que um “Sonho de Brahman”. Sendo assim todos os seres que nele vivem, na verdade o fazem em um mundo de ilusão, em um mundo de sonho. Então quando se adormece e se sonha, na verdade se está vivenciando de um sonho dentro de outro sonho. Vivenciando outra ilusão a partir de outra ilusão. Um sonho do dia a dia é portanto um sonho dentro de outro sonho, um mundo de ilusão dentro de outro mundo de ilusão. Quando uma pessoa está sonhando ela está em um mundo dentro de outro mundo, em um sonho dentro de outro sonho. Vemos, portanto, que uma pessoa pode ver a si mesma dentro de uma seqüência de sonhos, integrando uma cascata de sonhos, envolto em uma sucessão de ilusões. Neste momento vale se indagar se esse mundo habitual é o primeiro dessa cadeia. A resposta para esta indagação pode ser encontrada desde que seja aceito que todas as formas de existência em nível de Imanência são meras imagens holográficas.

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