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Empresa é responsável por ato de preposto que emite duplicata fraudulenta
Publicado em 05/2007. Elaborado em 01/2006.

Contestando ação de indenização por danos morais em virtude de protesto indevido, a empresa ré alegou que na verdade fora vítima de golpe aplicado por ex-empregado, que emitira e descontara duplicatas fraudulentas. A sentença condenou a empresa, pois o ato cometido por preposto é de responsabilidade da empresa, que agiu com culpa “in eligendo” e “in vigilando”. Processo: nº 075.05.008174-2 Classe - AÇÃO COM VALOR INFERIOR A 40 SALÁRIOS- MÍNIMOS (cognominada de ´Ação Declaratória de Inexistência de Débito com Pedido de Antecipação de Tutela c/c. Indenização por Danos Morais´) Autor - J.S.N. Ré - R.A. LTDA.

Nos Juizados Especiais Cíveis, o processo orientar- se-á pelos critérios da oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual e celeridade (art. 2º, da Lei nº 9.099, de 26.09.1995), razão pela qual foi o relatório dispensado (parte final do art. 38, da mesma Lei). Passo pois, de imediato, à fundamentação. Cuida-se de AÇÃO COM VALOR INFERIOR A 40 SALÁRIOS-MÍNIMOS, cognominada de ´Ação Declaratória de Inexistência de Débito com Pedido de Antecipação de Tutela c/c. Indenização por Danos Morais´, onde o caminhoneiro JSN alega, em síntese, que, ao buscar a concessão de crédito para a realização de financiamento, teria sido surpreendido pela notícia de inscrição de seu nome no cadastro de inadimplentes do SERASA, promovida pela ré, R.A. LTDA., em decorrência do não pagamento de débito vencido em 03.02.2002, no valor de R$ 360,00 (trezentos e sessenta reais). Contudo, referindo ter realizado transação comercial com a ré há mais de 07 (sete) anos, quitando, na oportunidade, todas as obrigações assumidas, desconhecendo, pois, a origem do título emitido e protestado em 2002, pretende o autor a confirmação dos efeitos da

2002. por exemplo. declarando-se indevida tal quantia. ou outro arbitrado pelo Juízo. CARLOS ANTÔNIO DE ARAÚJO CINTRA. O teor e natureza da documentação encartada aos autos. apresentado pelo BANCO DO BRASIL S/A. 02/05). da ´lex instrumentalis´.02. proferindo sentença: I . Candido Rangel. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais.antecipação da tutela concedida às fls. Carlos Antonio de Araujo.quando a questão de mérito for unicamente de direito. os próprios titulares dos interesses conflitantes. fornecem elementos suficientes à formação da convicção do julgador.. o Estado substitui. 330. GRINOVER.].00 (trezentos e sessenta reais). determinando imperativamente a norma jurídica por uma sentença de mérito. e ampl.. 607). delineados pelas argumentações tecidas tanto pelo autor. Importante destacar que possível e mesmo recomendável. Mesmo quando a matéria objeto da causa for de fato. (fls. (CPC 334)". rev. 1997. 6. quando a matéria for unicamente de direito. 83). mediante a qual se substitui aos titulares dos interesses em conflito para. ou seja. o julgamento da lide no estado em que se encontra. não houver necessidade de produção de prova em audiência. p.A. São Paulo: RT. nos termos do art. prelecionam que a jurisdição "é uma das funções do Estado. por cessão da R. bem como. bem como. ou. o julgamento antecipado é permitido se o fato for daqueles que não precisam ser provados em audiência. 3. ainda os limites da controvérsia. LTDA. agindo imparcialmente. sendo de direito e de fato. Teoria geral do processo. 330. que pode ocorrer quando a questão de mérito for unicamente de direito. a condenação da demandada ao pagamento do valor equivalente a 40 (quarenta) salários-mínimos. no valor de R$ 360. ou. os incontrovertidos etc. bem como pela demandada. quando não houver necessidade de fazer-se prova em audiência. NELSON NERY JÚNIOR e ROSA MARIA DE ANDRADE NERY lecionam que "o dispositivo sob análise autoriza o juiz a julgar o mérito de forma antecipada. ADA PELLEGRINI GRINOVER e CANDIDO RANGEL DINAMARCO. os notórios. do CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. 10/12. evidenciando a absoluta desnecessidade de dilatação da instrução do feito. a título de indenização pelo alegado dano moral que aduz ter sido vítima. Pelo exercício da jurisdição. como. ainda. inciso I. vencido em 03. seja expressado autoritativamente o preceito (através de uma sentença de mérito). imparcialmente. ed. buscar atuação da vontade do direito objetivo que rege a lide que lhe é apresentada em concreto para ser solucionada.. O aludido art. sendo de direito e de fato. seja realizado no mundo das coisas o que o preceito estabelece (através da execução forçada)" (CINTRA. através do processo. determina expressamente que ´o juiz conhecerá diretamente do pedido. (Código de processo civil comentado e legislação processual civil em vigor. que se torna factível através da execução forçada. Acerca do assunto. . p. a fim de que seja definitivamente baixado o protesto do título nº 20095.´ [. DINAMARCO. Ada Pellegrini. não houver necessidade de produzir prova em audiência. e o Estado desempenha essa função sempre mediante o processo.

o Estado exerce a função jurisdicional. e. assim de forma substitutiva à vontade das próprias partes. qual o direito que estas têm de cumprir. O Estado. Conquanto o ônus da prova caiba às partes (art. refere que ´o Juiz dirigirá o processo com liberdade para determinar as provas a serem produzidas. toda vez em que o seu cumprimento não se dê sem resistência. Magnânimo raciocínio é expresso por JOSÉ ROBERTO SANTOS BEDAQUE." (BASTOS. via Judiciário. são inúteis ou protelatórias. dentre as requeridas. de ofício ou a requerimento da parte.005699-8. por isso mesmo. deferir ou indeferir as diligências que. indeferindo as diligências inúteis ou meramente protelatórias. São Paulo: Saraiva.] "Ao lado da função de legislar e administrar.. da Lei nº 9. o Estado subtraiu a faculdade de exercício de seus direitos pelas próprias mãos. ainda. O art. para apreciá-las e para dar especial valor às regras de experiência comum ou técnica. 96.´ Já o art. 130. 6º. O lesado tem de comparecer diante do Poder Judiciário. p. Ao próprio particular (ou até mesmo às pessoas jurídicas de direito público).] "À função jurisdicional cabe este importante papel de fazer valer o ordenamento jurídico. da aludida legislação. podendo. 5º.´ Não diverge o art. de forma brilhante ensinam que "a função jurisdicional só se independentizou das demais no século XVIII com a prevalência da Teoria de Montesquieu consistente já agora na clássica separação do poder. Ives Gandra. 1. MARTINS. Celso Ribeiro.. da Capital. José Roberto dos Santos. a seu juízo. São Paulo: RT. depreende-se que a função precípua de aplicação do direito e da justiça. tomando conhecimento da controvérsia. "o caráter eminentemente instrumental das regras e princípios de processo civil impõe o julgamento antecipado da lide. segundo o qual ´o Juiz adotará em cada caso a decisão que reputar mais justa e equânime.. o qual. sempre que o elenco probatório constante nos autos seja suficiente para a formação segura do convencimento do Magistrado. para quem "tanto quanto as partes. determinar as provas necessárias à instrução do processo. 1999).099. preceitua que ´caberá ao juiz. 333) é o juiz que formula um juízo de conveniência. consentâneo aos hodiernos princípios instrumentais. O direito à prova . de forma coativa. selecionando. 1997. consistentes nos escopos da jurisdição" (BEDAQUE.CELSO RIBEIRO BASTOS e IVES GANDRA MARTINS. Pedro Manoel Abreu). Sendo o destinatário da prova. 11-13) De tal ensinamento. escapa das mãos dos particulares para repousar nas mãos do Estado.´ Sobre a matéria.. colhe-se da jurisprudência do TRIBUNAL DE JUSTIÇA de Santa Catarina que "em matéria de prova o poder inquisitivo do juiz é maior do que em qualquer outra atividade processual. 4. Des. tem o juiz interesse em que a atividade por ele desenvolvida atinja determinados objetivos. v. [. as necessárias à instrução do processo" (AI n. Rel. foi ele absorvendo o papel de dirimir as controvérsias que surgiam quando da aplicação das leis". atendendo aos fins sociais da lei e às exigências do bem comum. Comentários à constituição do Brasil. se substitui à própria vontade das partes que foram impotentes para se comporem. não é mero espectador da luta de partes. através de um de seus Poderes dita. Coincidindo com o próprio evoluir da organização estatal." [. Garantias constitucionais do processo civil. do CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.

à decisão. motivo pelo qual pugna pela concessão da tutela jurisdicional do Estado. 302. Des. assim ao princípio da economia processual e tornando mais célere o procedimento" (AC nº 96. LTDA. providenciou a baixa dos protestos junto aos Cartórios respectivos (docs..A. ou outro arbitrado pelo Juízo. ´in verbis´ que "jamais emitiu qualquer título contra o Autor.000. Eder Graf). com a condenação da demandada ao pagamento do valor equivalente a 40 (quarenta) salários-mínimos. na descoberta da verdade que conduz ao correto equacionamento do conflito de interesses deduzido em juízo. asseverou que "o que aconteceu.A. do CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.]. Rel. De imediato a Suplicada demitiu o funcionário e o representou criminalmente (doc. Quanto aos clientes que sofreram o protesto indevido.00 (quatrocentos mil reais)" (fls.. conforme afirma a inicial. 24/25) Após a perscrutação dos argumentos da ré. "se o Juiz. mais. a exemplo do que fez com o Autor também. 97. R. em decorrência do não pagamento de débito vencido em 03. a Suplicada não cometeu qualquer ato ilícito que autorize a indenização pretendida. que justificasse a emissão de título de crédito".N para com a R. anexos)". também ela foi vítima do golpe aplicado pelo funcionário. a Suplicada somente veio a tomar conhecimento. a procedência do pedido de declaração de inexistência de débito. promovida pela R. Sobre tais fatos. do art. que assim dispõe: ´cabe também ao réu manifestar-se precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. anexo). Deste modo. duplicatas "frias" e as descontou no Banco. muito embora não tenha estabelecido recente relação comercial com a demandada. . sofrendo um prejuízo superior a R$ 400. CELSO PESSOA DA SILVA. Silveira Lenzi). Encontra limites na satisfação dos fins para os quais foi assegurado. Des. porque. foi que um funcionário da Suplicada – SR.S. atendendo. Em contestação. Rel.. não houve qualquer relação negocial entre as partes.A. que em face do não pagamento as levou a protesto.. LTDA. não havendo preliminares argüidas.2002. passo. isto é. ao buscar a concessão de crédito para a realização de financiamento.008312-0. em face da pouca plausibilidade jurídica dos temas desenvolvidos na inicial. emitiu contra antigos clientes. o que traz como resultado. LTDA.005556-0 de Fraiburgo. de Joinville. buscando isenção da responsabilidade extracontratual aquiliana. concluindo que "Assim. Presumem-se verdadeiros os fatos não impugnados´ [. constato a absoluta incontrovérsia no que toca à inexistência de qualquer débito de J. a Suplicada. Contanto.02. Consoante já referido." (AC n. incidindo a respeito a disposição contida no ´caput´.não é absoluto. falsificando a assinatura do representante legal da empresa. pois na verdade. no valor de R$ 360.S. reconheceu. entende desnecessária a produção de provas outras afora as já existentes nos autos.N sustenta que. declarando-se indevida tal quantia. J. pode e deve proferir julgamento antecipado.00 (trezentos e sessenta reais). teria sido surpreendido pela notícia de inscrição de seu nome no cadastro de inadimplentes do SERASA. a título de indenização pelo alegado dano moral que aduz ter sido vítima. de imediato. de plano. na verdade. quando pressionada pelo Banco para pagar o débito e quando procurada por clientes que haviam sofrido o protesto.

Vejamos o texto da Lei: "Art. pois os não impugnados podem ser presumidos verdadeiros (art. sem todavia especializar a resposta diante de todo um sistema introduzido no Código que desce aos mínimos detalhes quanto à matéria a ser detidamente especificada pelo réu em sua resposta." (Lei nº 9. [." "Em atenção ao princípio da eventualidade (ou preclusão). Revista da Faculdade de Direito da USF.]. ´apud´ CECCATO. os doutos julgadores da 4ª TURMA DE RECURSOS asseveraram que "a exemplo do art. Adriana Barreira Panattoni. Traz-se a colação: "O conteúdo da resposta é significativamente amplo. Op. devemos entender a articulação de múltiplas questões jurídicos com o escopo de obter do Estado-juiz o reconhecimento da existência de fato impeditivo. 30.Sobre a matéria. exaltaram que "a contestação. e deve ser precisa. 16. Da jurisprudência da 4ª TURMA DE RECURSOS de Santa Catarina. que será oral ou escrita. ante a incidência do princípio da eventualidade. até a própria defesa contra o mérito. p. além das matérias enumeradas como preliminares. em termos muito semelhantes ao que se verifica no processo civil tradicional. neste tipo de rito sumaríssimo. compete ao réu impugná-los com a mesma especificidade. Complementa ADRIANA BARREIRA PANATTONI CECCATO. bem como os fundamentos jurídicos do pedido. colhe-se que "é dever da parte. ora apelante. 300 do CPC.. serão havidos como verdadeiros. conterá toda matéria de defesa.. acentuando que "se o réu não impugna um fato. Aliás. A contestação. ou seja a preclusão. p. estes presumem-se verdadeiros. no magistério de João Monteiro. desde todo um elenco de preliminares. CONTUMÁCIA: Contumacy (Contempt of Court). no art.099/95). 1999. 11). A impugnação é de cada fato. era ofertar a contestação incluindo toda a matéria. escrita ou oral. Se o réu silencia sobre um. ou uns dos fatos expostos pelo autor na petição inicial. com algumas restrições. Assim como o autor deve fazer constar da inicial o fato. o réu não poderá em qualquer momento procedimental seguinte completar ou ampliar a sua defesa.. 301 do CPC)" (Apelação Cível nº . a contestação no sistema especial deve conter toda a matéria de defesa. O dever então. ou se terá aqueles por verdadeiros. tempo em vista o largo espectro da diversificação de matérias que poderão ser objeto de fundamentação. Concluindo. da parte requerida. . por força de lei. em especial as razões de fato que determinam a impugnação do pedido". 11). ou fatos. as quais veremos mais adiante. discutir todas as questões de defesa. exceto argüição de suspeição ou impedimento do Juiz. não existe mesmo nenhuma outra oportunidade para que o réu volte a se manifestar. que se processará na forma da legislação em vigor.." (PIMENTEL. colhe-se do ensinamento de WELLINGTON MOREIRA PIMENTEL que "nem se poderá falar em contestação por simples negação geral que. v. modificativo ou extintivo do direito do autor. isto é. se dá quando o réu nega geralmente os artigos da ação. 301 do CPC:. A imposição da especificação dos fatos impugnados é uma conseqüência do princípio da igualdade processual das partes. ao apresentar resposta. Wellington Moreira. ou fatos. daquilo que não fora suscitado." (CECCATO. deve constar da resposta o fato ou fatos impugnados.. cit. deve impugnar de forma específica os fatos narrados na petição inicial. Adriana Barreira Panattoni. que tem como característica a oralidade em seu grau máximo. " "Pela expressão ´toda matéria de defesa´ que a peça contestatória poderá conter." Destacando a lição de RICARDO CUNHA CHIMENTI.

Relator: Juiz GUILHERME NUNES BORN.. 933 podemos inferir a culpa in eligendo e a culpa in vigilando para ensejar a responsabilidade civil. Feita tal ponderação.. 932. consoante já se viu. "salvo se o causador do dano for descendente seu. inciso III). Ocorre que o art.000. bem como daqueles que. possibilitando a perpetração do alegado embuste.] Do art. Dúvida não há que a demandada agiu de forma negligente. por ação ou omissão voluntária. a culpa pode se configurar em ambos os casos: in eligendo e in vigilando. Apelantes: Maria da Graça Guzella Veiga e Rodrigo Guzella Veiga. inexiste. Apelado: Adão Joaquim. do CÓDIGO CIVIL estatui que ´aquele que. a interpretação jurisprudencial orientava-se no sentido de não aceitar a prova da ausência de culpa in eligendo do patrão. tenham participado de produtos de crime. não teria sido vítima de um prejuízo que. ou em razão dele" (art. clientes etc) pelos atos de seus prepostos "no exercício do trabalho que lhes competir. [. ou seja.00 (quatrocentos mil reais). Julgado em 17 de junho de 2004). 934). independentemente de culpa. ENOQUE RIBEIRO DOS SANTOS leciona que "o empregador responde perante terceiros (inclusive em face de outros empregados.000. os quais assentam-se na causação de dano moral pelo protesto de título oriundo de débito que. sob o argumento de que a emissão do título de crédito teria sido efetuada por um funcionário. causando-lhe prejuízo direto de mais de R$ 400. passo à análise dos fatos efetivamente controvertidos.. segundo alega. comete ato ilícito´.451. No que respeita ao empregador. no que respeita aos atos praticados pelo empregado.00 (quatrocentos mil reais).É presumida a culpa do patrão ou comitente pelo ato culposo do empregado ou preposto". mediante ´falsificação´ da assinatura do representante legal da empresa. honorários advocatícios e juros de mora acrescidos à prestação principal. No caso de responsabilidade do empregador por atos de seus empregados.culpa presumida . Consoante já referido. como se depreende da Súmula 341 do TST: "Empregador . Devese registrar que. Isso pelo fato de a obrigação principal decorrer da obrigação contratual assumida pelo empregador. da Comarca de Tubarão. da qual ele não pode se esquivar. Houvesse ela empregado meios de controle financeiro adequados. Na hipótese de inadimplência contratual do empregador por culpa do empregado. negligência ou imprudência. 186. vigora o princípio do ..] Agora no novo Código Civil. absoluta ou relativamente incapaz" (art. ainda que exclusivamente moral. a demandada busca a isenção da responsabilidade indenizatória. bem como pela indenização complementar referida no parágrafo único do art. mesmo que o inadimplemento decorra de ato culposo de seu empregado ou preposto. o empregador ou a empresa. ascende à casa de mais de R$ 400. mesmo gratuitamente. passaram a responder objetivamente pelos danos causados. o que lhe assegura o direito de regresso. em todos os casos de responsabilidade indireta. [. violar direito e causar dano a outrem. 404 do novo Código Civil. Acerca da matéria. deixando de fiscalizar a atividade desenvolvida por seu preposto. este apenas responderá regressivamente pelas custas.2.

exceto na hipótese da responsabilidade paterna. III . o constrangimento reclamado pelo apelante se encontra pacificado. por seus empregados." Prosseguiram destacando os ilustres integrantes da colenda Superior Instância. quando mais. no exercício do trabalho que lhes competir. X. foram declaradas viciosas e por isso nulas. sem a motivação. inclusive suportando frustração de relação comercial lastreada na fidúcia creditícia.direito de regresso daquele que suporta seus efeitos contra o agente que tiver praticado o ato antijurídico. ficando exposto a situação vexatória e constrangedora. plenamente demonstrada a responsabilidade lastreada na culpa ´in eligendo´ e ´in vigilando´ de R. em decorrência do abalo de crédito superveniente ao protesto contra si lavrado. ou em razão dele.o empregador ou comitente.LTDA. em descompasso com a legislação. a 4ª TURMA DE RECURSOS. já transitada em julgado neste aspecto. destacando que "o fundamento do pedido de danos morais. posteriormente. O protesto de título com a conseqüente inclusão do nome no SERASA é fato moralmente . tem ele seu nome incluso em protesto de título e. do CÓDIGO CIVIL Brasileiro.. 186.JUL/AGO de 2003). 5º.. inc. passo à análise do pleito de indenização pelo aludido dano moral. Não resta dúvida. teria sofrido dano moral. Publicada no Juris Síntese nº 42 . bem como pelo art.174.S. do CÓDIGO CIVIL preceitua que ´são também responsáveis pela reparação civil: [. 1995. devolvendo-a ao estado em que se encontrava antes da ocorrência do ato ilícito. viciosos e.]. A sentença. serviçais e prepostos." (Stoco. também determinou o cancelamento do instrumento de protesto e a inscrição junto ao SERASA. Sustenta J.N que. São Paulo: Revista dos Tribunais.]. se firmou em mera conseqüência da declaração de nulidade das duplicatas. como já consignado. Certo restou ter o apelante seu nome incluso no rol do SERASA e com protesto de duplicatas de modo indevido. rev. e ampl. por ocasião do julgamento da Apelação Cível nº 2. sedimentou que "torna-se indiscutível que a emissão das duplicatas que geraram o instrumento de protesto e a inscrição no SERASA. Enoque Ribeiro dos.. O aludido art.. Assim. 439).A. "indenizar significa reparar o dano causado à vítima. pela decorrência de emissão infundadas destes títulos. Responsabilidade civil e sua interpretação jurisprudencial: doutrina e jurisprudência. Além disso. que tem condição de título causal e é anulada por inexistir negócio subjacente embasando sua emissão. Rui. Sobre a matéria. no SERASA. A partir daí. Portanto. 2. integralmente. 932. p. ed. restaurando o ´status quo ante´. da Constituição federal de 1988. isto é. age com negligência a pessoa jurídica que emite duplicata.´ [.. O direito à indenização por dano moral é assegurado pelo art. A responsabilidade subjetiva e objetiva da empresa em face do novo código civil. o fato da inscrição junto ao SERASA e o protesto das duplicatas emitidas contra o apelante foram sem a devida motivação. em face de motivos de ordem moral e de organização familiar" (SANTOS. Se possível. Necessário analisarmos a ação da apelada com o enfoque de que o protesto e a inscrição no SERASA foram irregulares.

. temos efetivamente a suposta ocorrência de emissão de duplicata com saque sem causa. protestadas.Parcial acolhimento à insurgência da autora. 604.Não comprovação da causação de prejuízos efetivos . cujo pagamento foi assumido pela sacada. impondo-se a este a responsabilidade indenizatória por perdas e danos decorrentes de protesto indevido de título.. o protesto é maculado com a pecha de ilegal e indevido. nem obrigações para aquele contra quem é ela sacada.duplicata não aceita e destituída de fundamento quanto a negócio mercantil subjacente. E." Extrai-se.típica obrigação civil. Desnecessária torna-se. 1º. copia-se: 1. podendo ser inferir em ilícito penal. em hipótese tal. Apelo da demandada desprovido . Formalizado o público e indevido protesto de duplicata. título de natureza essencialmente causal. não gerando direitos para quem a emite. conquanto aquela espécie de cambial deve corresponder a uma efetiva circulação mercantil de mercadorias. reclamando nota fiscal e a correlativa fatura.. que a indenização por danos morais. A fixação do dano moral em salários-mínimos torna a sentença ilíquida. CPC."(grifo nosso). Aplicável ao caso concreto: ".. mas em diferença existente entre alíquotas de ICMS praticadas em dois Estados da Federação. ainda.Protesto de duplicata . AUSÊNCIA DE PROVA QUE JUSTIFIQUE A EMISSÃO DO TÍTULO. ". danos morais. é mera conseqüência da declaração de nulidade de duplicatas. Protesto o titulo assim criado. O quantum da indenização por dano moral deve compensar a lesão sofrida pelo ofendido e contém caráter sancionador. O protesto de duplicata mercantil emitida em desconformidade com a lei é indevido. a sugerir uma reparação civil. a questão de ser insustentável a regularidade do protesto sofrido pelo apelante." (grifo nosso). ART. a concorrência de eventuais prejuízos econômicos.. cabível o seu cancelamento e presumíveis os danos morais sofridos pela pessoa do sacado/protestado. "DANOS MORAIS ." Noutro aspecto. quando reconhecida a nulidade dos títulos que o sustentou. acarretando.Protestar título emitido sem nenhuma relação de causa e efeito. nesse contexto. Recursos conhecidos e desprovidos. resulta tão-somente da ofensa aos valores extrapatrimoniais que integram o patrimônio moral da empresa comercial que sofreu o protesto. posto que a reparabilidade. . § 1º. não em transação mercantil.. Evidente resta. Emitida fora dessas hipóteses é ela nula. estribados em abalo de crédito. à vista dos prejuízos de ordem moral e material sofridos pela apelada..474/68.. configura conduta extremamente desastrosa. Amparando-se o saque de duplicata.. a emissão de duplicata mercantil revela-se destituída de causa legal hábil. art. Outrossim. só se legitima com supedâneo em uma operação de compra e venda mercantil ou de prestação de serviços. . enviando-a indevidamente a protesto.DANOS MORAIS DEVIDOS. do corpo do Acórdão que ". Tem-se pois." Bem como. A duplicata. 2.Irrelevância . Lei nº 5. posto que liquidável por mero cálculo aritmético.Reparação devida -. É nula de pleno direito duplicata fundada em contrato de compra e venda de imóvel .. A respeito. 3.Emissão ao arrepio da lei .danoso. reforçando a infração civil autorizadora dos danos morais. face à inocorrência do negócio jurídico subjacente.... 4. àquela que teve contra si o título protestado. sendo desnecessária a demonstração de prejuízo. mas não a nulifica. dada a ausência de causa originária das mesmas. essa indenização não pode propiciar o enriquecimento sem causa do indenizado.

relator da Apelação Cível nº 2001. visto que. qual seja.10.S. Dano Moral. revela-se indiscutível o sofrimento experimentado pelo autor. estribados em abalo de crédito. e carece de . 473-474). de modo que não torne a praticar o ato lesivo. leciona que "a indenização a título de dano moral pela inclusão do nome de alguém junto ao SPC ou SERASA. restou atingido em sua credibilidade.2003). p. Desnecessária torna-se. o mestre YUSSEF SAID CAHALI. nem obrigações para aquele contra quem é ela sacada. há o dano moral. cuja avaliação deve ser deixada ao Juiz e que há de ser concedido em todos os casos." (PARIZATTO. nesse contexto. p. Na situação versada nos presentes autos.2003. tão-somente quando se tratar de inclusão indevida. 45) (grifei). 2. ocorrerá. judicioso é o ensinamento do Desembargador JOSÉ VOLPATO DE SOUZA.08. v. bastando ao Juiz. Não há que se vincular. apurar a sua efetiva ocorrência. a possibilidade de indenização do dano à prova inequívoca de sua existência. a concorrência de eventuais prejuízos econômicos. Apelante: ALCIDES MARTINS DE SOUZA." (Apelação Cível nº 2. ed. a indenização não deve ser arbitrada em valor que ocasione à ruína do ofensor. produz nessa pessoa uma reação psíquica de profunda amargura e vergonha.Dada serem elas sem causa. àquela que teve contra si o título protestado. que "a duplicata emitida sem contraprestação é nula. Julgado em 16. prolatada em 11. sem indenização do que tenha sido pago a título de dano material". da comarca de Tubarão. Assim. Doutrinando sobre o assunto. A fixação da indenização por danos morais tem duplo caráter. (Da responsabilidade civil. O protesto de duplicata mercantil emitida em desconformidade com a lei é indevido. conhecedor dos fatos. Relator Juiz Guilherme Nunes Born. Leciona JOSÉ DE AGUIAR DIAS que "quanto ao dano material deve ser efetivamente provado pela vítima. mas também não deve ser tão irrisória que não constitua efetiva punição. deve buscar reparar a dor da vítima e servir de punição ao lesante. traduzindo-se pelos reflexos psíquicos e sensoriais disso decorrentes. não gerando direitos para quem a emite. Além desse. ficando privado de contratar e dispor de seu crédito. Impende destacar que o dano moral resulta da dor íntima em razão da ocorrência sofrida. Apelada: CERÂMICA MACCARI LTDA.N. pois. tomando por base o fato gerador do dano. acarretando. 6.. diante da obstrução de seu crédito. José Roberto. posto que a reparabilidade. ´in casu´.174. incentivando a reincidência da conduta lesiva". aponta que "o injusto ou indevido apontamento no cadastro de ´maus pagadores´ do nome de qualquer pessoa que tenha natural sensibilidade aos rumores resultantes de um abalo de crédito. 2. de Tubarão. Já o magnânimo JOÃO ROBERTO PARIZATTO.011734-7. danos morais. realizada por engano do credor. à evidência. Essa dor é o dano moral indenizável. o abalo de crédito infligido a J. Sobre a matéria. porém. ed. que lhe acarreta sofrimento e lhe afeta a dignidade. resulta tão-somente da ofensa aos valores extrapatrimoniais que integram o patrimônio moral da empresa comercial que sofreu o protesto. ´verbi gratia´ quando já saldada a obrigação ou inexistente essa. em hipótese tal.

para o qual não se encontra estimação perfeitamente adequada. indiretamente e parcialmente embora. 431) (grifei). São critérios de fixação do quantum estabelecidos por WLADIMIR VALLER: "a) a importância da lesão. cuida-se de incumbência do magistrado. decidindo com fundamento e moderação. que não importando uma exata reparação. Assim sendo. ao fixar o quantum da indenização. 1994. Dano moral. 2. São Paulo: Revista dos Tribunais. inclusive nos de danos patrimoniais. sua decisão será examinada pelas instâncias superiores e esse arbítrio está autorizado por lei (arts. na reparação do dano moral o juiz deverá apelar para o que lhe parecer eqüitativo ou justo. mas como um homem de responsabilidade.00 (três mil reais). d) a relação de parentesco com a vítima quando se tratar do chamado dano por ricochete. e) a situação econômica das partes. em muitos casos. e ampl. examinando as circunstâncias de cada caso. 1998. verificando os elementos probatórios.demonstração. por meio de uma soma. pois emerge do agravo de forma latente. mas pelas vantagens que o seu valor permutativo poderá proporcionar. ou da dor sofrida. sofrendo-a qualquer um que tenha o mínimo de respeito e apreço por sua dignidade e honradez" (CAHALI. do Código Civil). como e quando possível. c) ao caráter permanente ou não do menoscabo que ocasionará o sofrimento. (A reparação do dano moral no direito brasileiro. Essa será estabelecida. . sendo até mesmo concedido ao juiz. O dinheiro não os extinguirá de todo: não os atenuará mesmo por sua própria natureza. fixando moderadamente uma indenização. não há que se falar em excessivo poder concedido ao juiz" (Danos e interpretações pelos tribunais). em R$ 3. rev. Relativamente à fixação do ´quantum´ indenizatório. Yussef Said. 1549 e 1533. o juiz não procederá a seu bel-prazer. bem como os demais pré-requisitos – tanto de ordem objetiva quanto subjetiva que levo em consideração – tenho por bem arbitrar a indenização. p. f) a intensidade de dolo ou ao grau da culpa". Desse modo. o suplício moral que os vitimados experimentaram". ed. não é isso razão para que se lhe recuse em absoluto uma compensação qualquer. mas ele agirá sempre com um prudente arbítrio. Portanto. compensando. assevera ARTUR OSCAR DE OLIVEIRA DEDA. quantia esta que servirá de lenitivo ao abalo sofrido pelo autor.000. Arbítrio prudente e moderado. p. não é mesmo que arbitrariedade. atual. b) a idade e o sexo da vítima. Ensina o saudoso PONTES DE MIRANDA que "embora o dano moral seja um sentimento de pesar íntimo da pessoa ofendida. observados os critérios supramencionados de fixação do ´quantum´. assim como sua duração e seqüelas que causam a dor. todavia representa a única salvação cabível nos limites das forças humanas. ouvindo as razões da parte. 301). disso. Além. São Paulo: EV Editora. mas que impede alcance a culminância do enriquecimento indevido. à míngua de critérios legais particulares. Complementa WILSON BUSSADA que "realmente. (RTJ 57/789-90). que deve fundamentar o seu arbitramento na eqüidade e em diretrizes estabelecidas pela doutrina e jurisprudência.

Registre-se. da Lei nº 9.02.A. bem como. com as cautelas de praxe. 2º. por resultado.2002 .. ´caput´.N o valor de R$ 3. decidiu que "o arbitramento.174. 333. 55. proporcionalmente ao grau de culpa e ao porte econômico das partes. proporcionalmente ao grau de culpa. para o efeito de (1) tornar definitivos os efeitos da antecipação de tutela concedida às fls. julgo parcialmente procedente o pedido.. com manifestos abusos e exageros.099/95. nos autos da já mencionada Apelação Cível nº 2." E. ´caput´." Posto isto e do mais que dos autos consta – especialmente os princípios gerais de direito aplicáveis à espécie – com arrimo na disposição contida nos arts.fl. ". 186. II. acrescida dos juros legais a contar da data do evento danoso (26. com razoabilidade. c/c. sendo Apelada CERÂMICA MACCARI LTDA. obedecendo sempre aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade.De destacar que tal arbitramento guarda adequação com o posicionamento sedimentado na 4ª TURMA DE RECURSOS. 302. Face ao disposto em o art. 481.S. deve operar-se com moderação. 30 de janeiro de 2006. Publique-se. não se justificando que a reparação venha a constituir-se em enriquecimento sem causa. os arts. valendo-se de sua experiência e do bom senso. da Lei nº 9.. onde figura como Apelante ALCIDES MARTINS DE SOUZA. arts. que. Ademais.. LTDA... atento à realidade da vida e às peculiaridades de cada caso. devendo o arbitramento operar-se com moderação. da comarca de Tubarão. 08). orientando-se o Juiz pelos critérios sugeridos pela doutrina e pela jurisprudência. ambos do CÓDIGO CIVIL.00 (três mil reais) – a título de indenização pelo dano moral decorrente do inadequado protesto do título de crédito referido – quantia esta monetariamente corrigida a contar desta decisão. 932 e 933. à gravidade da lesão e deve servir também como medida educativa. entendo ser incabível a condenação nas custas processuais e honorários advocatícios. cabendo ao ESCRIVÃO JUDICIAL formalizar o elenco de diligências pertinentes. inibindo sua conduta antijurídica.. 5º e 6º.A indenização por danos morais deve ser fixada em termos razoáveis. indevidamente levada a protesto. via de conseqüência (2) declarando inexistente o débito representado pela duplicata nº 20095. como assinalado em diversas oportunidades.099/95. do CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Luiz Fernando Boller JUIZ DE DIREITO Autores . a pagar a J. Tubarão. (3) condenando R.000. inc. deve ela contribuir para desestimular o ofensor a repetir o ato. e. Intimem-se. 10/12.

.br/jurisprudencia/16769>. Acesso em: 27 fev. Disponível em: <http://jus. Teresina. 1413. 2014.Informações sobre o texto Como citar este texto (NBR 6023:2002 ABNT): Empresa é responsável por ato de preposto que emite duplicata fraudulenta. n.com. 15 maio 2007. ano 12. Jus Navigandi.