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Grupo 5

“Flexigurança: Uma crítica conceptual”
Conceitos-chave Política de Emprego: A política de emprego é um instrumento de garantia do direito ao trabalho e tem por objetivo a prevenção e resolução dos problemas de emprego, incluindo a melhoria da qualidade do emprego, a promoção do pleno emprego e o combate ao desemprego no quadro do desenvolvimento socioeconómico, no sentido de melhorar os níveis de bem-estar da população. Estratégia Europeia de Emprego: Mecanismo destinado a coordenar as políticas de emprego dos Estados-Membros. Flexigurança: Estratégia política que simultânea e deliberadamente tenta por um lado desenvolver a flexibilidade dos mercados de trabalho, das organizações e das relações laborais, e por outro, aumentar a segurança social e laboral, principalmente para grupos mais desfavorecidos. Problemática da Questão O desafio da flexigurança inscreve-se, em larga medida, na estratégia europeia de emprego, sendo compatível com a orientação da Comissão Europeia na área da política económica e social em geral e da política de emprego em particular. O seu papel, tanto a nível académico como político, tem vindo a ganhar relevo, no entanto, é alvo de muitas críticas. Neste artigo os autores irão analisar algumas problemáticas nomeadamente, a sua ambiguidade, a dificuldade em criar complementaridades institucionais, o conflito de interesses entre trabalhadores e empregadores e a visão reducionista de flexibilidade e segurança. Por último, os autores concluem que a abordagem da flexigurança deve ser abandonada ou substancialmente melhorada, apresentando algumas sugestões. Da segurança para flexibilidade para flexigurança Até 1970, na Europa Ocidental, as regulações do mercado de trabalho enfatizavam a segurança e protecção dos trabalhadores de forma a tornar menores as disparidades
Ana Braga 2010130386 Madalena Carvalho 2010130001 Manuel Gaspar 2010130747

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reduzindo a dependência dos cidadãos no mercado para o seu bem-estar. Recentemente têm sido feitas tentativas de unir estas duas ideias opostas. é importante analisar as suas fraquezas e refletir sobre a sua aplicação. uma abordagem política que procura combinar a flexibilidade dos mercados de trabalho para os empregadores com a segurança do emprego para os trabalhadores. visões opostas dos problemas do mercado de trabalho e das soluções a adoptar podem traduzir de igual forma o conceito de flexigurança. combinando legislação de proteção do emprego pouco restritiva com a proteção do rendimento dos desempregados e elevados níveis de despesa com políticas ativas no mercado de trabalho. modernização do sistema social de modo a aumentar a mobilidade do mercado de trabalho e no diálogo social. A globalização é um dos principais factores contextuais que estão por detrás desta tentativa de conferir mais flexibilidade aos mercados de trabalho. de modo a conseguirem ajustar-se e a competir-se num mercado cada vez mais global. Apesar do consenso existente relativo à sua implementação. ao estarem protegidos contra certos riscos como pobreza. aprendizagem ao longo da vida. O caso dinamarquês. o que questiona a sua utilidade como guia de Ana Braga 2010130386 Madalena Carvalho 2010130001 Manuel Gaspar 2010130747 2 . intitulado “Triângulo Dourado”.Grupo 5 existentes entre trabalhadores e empregadores. surgindo então o conceito de flexigurança por volta dos anos 90. A flexigurança não se traduz num único modelo laboral ou estratégia mas sim num leque de possibilidades ou combinações. Primeiro. Depois de 1970 começa a transparecer-se uma necessidade de maior flexibilização por parte das empresas. políticas de mercado de trabalho ativas e eficientes. A descrição vaga do conceito de flexigurança é vista pelos autores como uma fraqueza desta abordagem por diversas razões. Assenta em princípios como contratos de trabalho flexíveis e seguros. é um bom exemplo da tentativa de implementação desta prática. e simultaneamente unir uma forte procura por maior flexibilidade no mercado de trabalho como uma igual procura pela proteção laboral. a estratégia da flexigurança passa por criar situações benéficas tanto para os sindicatos como para as entidades patronais. doença. De acordo com os autores do artigo. Outros factores são o desafio demográfico de uma sociedade em envelhecimento rápido e a feminização crescente da mão-de-obra. Um dos problemas que surge é a questão da ambiguidade do conceito. sem comprometer a segurança dos trabalhadores. invalidez ou envelhecimento.

pelo que qualquer política deve ser baseada no consenso gerado pelo diálogo social. no entanto. Políticas ativas e dinâmicas de governação têm um papel fundamental no funcionamento e manutenção das complementaridades institucionais ao longo do tempo.Grupo 5 política. mas sim no decorrer do funcionamento das instituições. contudo interpretam a sua aplicação na condução de políticas de maneiras diferentes. discordam nas medidas que devem ser aplicadas para equilibrar flexibilidade e segurança. a abordagem flexigurança pode criar uma situação benéfica tanto para os trabalhadores como para os empregadores. o qual o conjunto de interdependências deve acompanhar. ou não possuir a capacidade de os criar. pode não apresentar os mesmos resultados positivos que a original e não ser tão eficiente. Muitas das complementaridades existentes surgiram não de modo programado. Surge aqui a terceira problemática do conceito uma Ana Braga 2010130386 Madalena Carvalho 2010130001 Manuel Gaspar 2010130747 . Muito dificilmente uma coordenação “espontânea” do mercado irá produzir tais 3 complementaridades devido à imprevisibilidade do comportamento individual dos atores. uma vez que as instituições e o contexto onde estão inseridas apresentam um carácter dinâmico. De uma maneira sumária. Esta ideia sugere que complementaridades que surjam no seio de duas instituições melhorarão o desempenho de ambas. de igual forma. podemos dizer que o conjunto de interdependências difere de contexto para contexto e é necessário que os decisores políticos tenham isso em consideração. Segundo. Aplicada da forma correcta. Outra das problemáticas que surge com a flexigurança é a dificuldade em criar complementaridades institucionais. Adotar uma política sem ter em conta outros fatores (complementaridades) que contribuem para o bom funcionamento desta. Os Estados Membros da EU reconhecem que no mercado de trabalho actual é necessario melhorar as medidas de política que tratem tanto da flexibilidade como da segurança para sindicatos e entidades patronais. Assim muito dificilmente a implementação de uma política demonstra os mesmos resultados em contextos institucionais diferentes. várias instituições Europeias (como Business Europe e ETUC) têm consciência da importância do conceito flexigurança. Tal demonstra como os parceiros sociais concordam no discurso geral da flexigurança. A flexigurança é proposta como uma situação em que ambos os sindicatos e entidades patronais saiam beneficiados. Contudo o surgimento e a manutenção destas revelam-se complicados.

a orientação política do Governo poderá também favorecer um dos grupos em detrimento do outro. tipos de empresas. muitas vezes difíceis de ser conjugados para além de que estes não se apresentam como grupos homogéneos.Grupo 5 vez que sindicatos e patronatos têm interesses diferentes. entre outros. A preocupação com a regulação do mercado de trabalho nacional e com a melhoria do bem-estar deixa escapar outras regulamentações importantes para a flexigurança como os acordos coletivos. pelo que uma decisão pode. se não tiverem em conta estas diferenças. Os acordos coletivos têm um papel importante na flexibilização e segurança do mercado de trabalho. Ana Braga 2010130386 Madalena Carvalho 2010130001 Manuel Gaspar 2010130747 . o que não se verifica. as políticas empresariais e as regras informais. Algumas empresas têm dimensão suficiente para elas próprias aplicarem Ana Braga 2010130386 Carvalho 2010130001 medidas para reduzir a incerteza dos seus trabalhadores. Por outro lado. o sector informal ainda tem uma dimensão considerável em alguns países da UE. Madalena motiva-los e aumentar a Manuel Gaspar 2010130747 4 produtividade. as regras informais impõe-se como uma alternativa viável para atingir a flexigurança. Por exemplo. o nível de exposição à competição internacional (abertura do setor). Flexigurança é baseada numa visão reduzida dos conceitos de flexibilidade e de segurança. As reformas nacionais (de flexigurança) podem melhorar a situação do mercado de trabalho de algumas regiões e piorar a de outras. ou o impacto dos fluxos migratórios (percentagem de imigrantes a trabalhar no setor ou empresa) podem influenciar o efeito das políticas nacionais implementadas com o objetivo da flexigurança. regiões. por exemplo. O diálogo e negociações relativas à flexigurança estabelecem-se entre instituições nacionais e resultam em políticas de igual extensão. podendo até aumentar as disparidades entre as regiões mais desenvolvidas e as menos desenvolvidas. Por fim. limitada ao mercado de trabalho e bem-estar nacionais. De facto. existem diversas diferenças entre sectores económicos. Isto indica que o mercado de trabalho nacional é visto como sendo homogéneo. beneficiar um grupo de trabalhadores mas prejudicar outro. São assim ignorados fatores essenciais para criar segurança e flexibilidade. e como as regulamentações formais não são muito eficazes neste setor. grau de sindicalização. nível de habilitações literárias.

apresentando algumas sugestões. Um exemplo muito claro de uma fonte de segurança que se encontra fora do leque das políticas de flexigurança é o mercado financeiro e o seu papel no aumento do poder de compra dos trabalhadores. criação de emprego. Já a segunda traduz-se em prestar maior atenção à governação e coordenação política. uma vez que “tem potencialidades para contribuir ativamente para a criação de um mercado de trabalho mais competitivo e produtivo. Em termos analíticos é apresentada como um instrumento utilizado para comparar casos específicos analisando as melhorias quer em termos de flexibilidade quer segurança. devido ao papel fundamental das complementaridades na condução da flexigurança. capacidade de criação de emprego das economias nacionais. essa responsabilidade deve ser partilhada por todos os parceiros interessados e a todos os níveis. quer a nível regional quer nacional. Nas economias anglo-saxónicas o crescimento do mercado de crédito forneceu oportunidades de financiamento aos trabalhadores das classes baixa e média. respeitando simultaneamente os princípios fundamentais do modelo social europeu”. existem outras fontes de flexibilidade e segurança. Aliás. Em termos programáticos é necessária uma clarificação do conceito com vista à redução da sua ambivalência. fazer a inclusão de outros fatores relevantes que influenciam a flexibilidade e a segurança. começando por fazer uma distinção entre a sua análise analítica e programática. Em suma. que são muitas vezes deixadas de parte. Os autores sugerem ainda que se incluam os fatores de heterogeneidade.Grupo 5 Para além disto. com níveis de emprego mais elevados. Por último. A primeira baseia-se em explicitar claramente o conceito de flexigurança. na adoção de políticas para que se obtenham descrições dos modelos nacionais mais precisas e detalhadas. e melhor previsão do impacto destas. como as famílias. para que a abordagem de flexigurança possa ser bem sucedida. funcionamento do sistema produtivo e do mercado financeiro. 5 Ana Braga 2010130386 Madalena Carvalho 2010130001 Manuel Gaspar 2010130747 . Conclusão Os autores concluem que a abordagem da flexigurança deve ser abandonada ou substancialmente melhorada. flexibilidade e segurança deverão reforçar-se mutuamente embora seja do senso comum que tal não é facilmente atingível. alterações na competitividade internacional. bem como a relação entre eles.