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Ana Verina Faria Fernandes

Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica?

Universidade Fernando Pessoa

Porto, 2011

Ana Verina Faria Fernandes

Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica?

Universidade Fernando Pessoa

Porto, 2011

2011 .Ana Verina Faria Fernandes Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? Atesto a originalidade do trabalho: _________________________________________ Trabalho apresentado à Universidade Fernando Pessoa como parte dos requisitos para obtenção do grau de Mestre em Ciências Farmacêuticas. Orientador: Professora Doutora Branca Silva Co-Orientador: Professora Doutora Márcia Carvalho Porto.

Contudo. quando este se encontra sob stress ou com as resistências naturais diminuídas por infecções. i . Estudos científicos parecem indicar que o ginseng aumenta a capacidade de resistência às doenças. quando o seu teor global de ginsenósidos (saponósidos triterpénicos tetracíclicos poli-hidroxilados) . à fadiga e ao stress. Estão ainda descritas as suas actividades antiviral. urticária e diarreia matinal. antiagregante e antioxidante e de tónico cardíaco.atinge a concentração máxima. ou mesmo quando haja perda de vitalidade física e intelectual por efeito do envelhecimento. hipertensão arterial. A planta medicinal (fármaco) é constituída pelas raízes secas (inteiras ou fragmentadas) de plantas com 4 a 6 anos de idade. em particular os relacionados com os seus ginsenósidos e respectivas actividades biológicas. insónia. As acções manifestadas por esta planta medicinal originaram a criação de um novo grupo de fármacos denominados de adaptogénios. Estes produtos são caracterizados por serem capazes de normalizar lentamente o organismo. Este trabalho pretende rever a literatura científica disponível no que concerne aos estudos científicos já realizados ao ginseng. com efeitos idênticos aos causados pelo emprego de corticosteróides tais como nervosismo.a principal classe de compostos bioactivos do ginseng . é de referir que o uso continuado deste fármaco pode originar a “síndrome de abuso do ginseng”.Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? Sumário O ginseng (Panax ginseng) é uma espécie botânica utilizada há milhares de anos pela Medicina tradicional chinesa para aumentar a longevidade e melhorar a qualidade de vida.

antioxidant and cardiotonic. This paper aims to review the available scientific literature regarding the studies already conducted with ginseng. These drugs can slowly rebalance the human body when stressed or with a diminished resistance due to infections. Other activities reported are antiviral. Scientific studies seem to indicate that ginseng increases the resilience to disease. the prolonged use of this drug can lead to “ginseng abuse syndrome”. They can also be used when physical or intellectual vitality is somewhat decreased due to aging. causing identical effects to those observed with the use of corticosteroids including nervousness.the main class of bioactive compounds in ginseng reaches its maximum.Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? Abstract Ginseng (Panax ginseng) is a botanical species used for thousands of years by traditional Chinese medicine to increase longevity and improve life quality. The medicinal plant (drug) is constituted by the dry roots (whole or in fragments) from 4 to 6 years old plants. The actions expressed by this medicinal plant originated the creation of a new group of drugs named adaptogens. At that age. However. fatigue and stress. hypertension. insomnia. antiaggregant. skin eruptions and morning diarrhea. their overall content of ginsenosides (polyhydroxylated tetracyclic triterpenoid saponins) . especially ones associated to its ginsenosides and their corresponding biological activities. ii .

Professora Doutora Branca Silva. iii . Não foi por mero acaso que procurei a Professora Doutora Branca Silva e a Professora Doutora Márcia Carvalho para me acompanharem nesta recta final de uma fase tão importante da minha vida.Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? Agradecimentos À minha orientadora. As competências e o rigor que desde sempre pautaram as suas docências nunca desiludiram. pelo apoio inextinguível e pelo orgulho que insistem sentir por tudo aquilo em que me empenho. Eva e Avelino. pelo apoio inesgotável e pela partilha dos afectos e das alegrias e angústias do conhecimento. pela análise crítica essencial a este trabalho. Aos meus pais. pelo incentivo e ainda por toda a confiança em mim depositada. pela disponibilidade manifestada. pelo seu apoio incansável. pelos conhecimentos transmitidos. por todos os conhecimentos transmitidos. Ao meu marido. Luis. À minha co-orientadora. o meu mais absoluto pilar. Professora Doutora Márcia Carvalho. pelo crescimento científico que me proporcionou.

....................... Definição ..................1............................................................4............................................................................... Actividade antioxidante ... Aplicações etnomedicinais............. Actividade protectora cardiovascular .... 9 3....................................... 23 4................................................................................................................. 21 4..................... 3 2.................................................................... Actividade anticarcinogénica .... Ginsenósidos ................................ 27 V................................................................................................................................. vi Índice de Tabelas .......................................................................2... vii Abreviaturas................................................................ Actividade adaptogénica e imunomoduladora ........................... 30 VI............ Interacções Medicamentosas ........................................................... 5 2.............Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? Índice Índice de Figuras .... Efeitos Secundários ............................. Actividade neuroprotectora ... 32 6............................................. 10 IV............................2............................................................ Actividade Biológica ........ 16 4...................................5.......................................................2.......................................................................1................. Introdução.....................................................................3................................ habitat e distribuição geográfica .................................................. Anticoagulantes orais ....1........... Composição Química ............ Antidepressivos ................................................................... viii I....................................... 25 4.................. Origem.................................................. Generalidades .......................................... 14 4................................................... 1 II.......................................... 34 iv ........ 7 III............................. 32 6...........3........................1.......................................................................................... 3 2.................

..........7.............3............ 37 VIII... Anti-hipertensores ...................................................................... Hipoglicemiantes ..................... 35 6.......... Extracto de Ginkgo biloba ................................. 35 6...... 34 6..... Estrogénios.............................. 42 IX............6......... Bibliografia.............. Vacinas...................................................................................... Conclusões .....................................................................................................5............................... 44 v ........Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? 6............ 34 6........................................ 36 VII......4.............................................................................................................................................................................................................................. Controlo de Qualidade e de Autenticidade ....................................

...................... ginseng.... 19 vi ....Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? Índice de Figuras Figura 1................ e ocotilol.................. de morfologia antropomórfica ....... .......................... 12 Figura 8.................. 6 Figura 5....... CRH= hormona libertadora de corticotropina........ protopanaxatriol........................................................................................................................ 11 Figura 7. ginseng... Cápsulas de extracto puro de P. ginseng em planícies com elevado índice de humidade e zonas de sombra................................... Diferentes tipos de ginseng comercializados: fresco (1).............................. Gravura representativa do aspecto geral da planta madura (6-7 anos) de Panax ginseng ...................................................................... provocando o aumento da esteroidogénese adrenal por acção indirecta através da glândula pituitária................ ginseng G115® (Pharmaton)................................ ACTH= hormona adenocorticotrópica .......Estrutura química dos ginsenósidos mais comuns isolados do P... Raiz de P..... Local da acção adaptogénica dos ginsenósidos........... 12 Figura 9.................................... 3 Figura 2... 5 Figura 4............. Estrutura química base dos derivados do ácido oleanólico ............ 4 Figura 3........... comercializadas em Portugal como tónico e energizante natural Ginsana® .................................................. Plantação de P............. vermelho (3) ....... 8 Figura 6. branco (2).................. Estrutura química base dos ginsenósidos do tipo damarano: protopanaxadiol...

........ ginseng . britânica (BHP)......................... 18 Tabela 3............. Possíveis interacções entre medicamentos fitoterápicos à base de P.Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? Índice de Tabelas Tabela 1.................. espanhola (RFE) e portuguesa (FP) ......................................... Ensaios de controlo de qualidade para a raiz de Panax ginseng... 33 Tabela 4.. ginseng e fármacos.............................. 41 vii .. 38 Tabela 5.............................. estabelecidos por diversos organismos internacionais............................. Acções biológicas associadas aos ginsenósidos isolados do P. norte-americana (USP)............... Diferenças entre os efeitos dos estimulantes e os dos adaptogénios .. no que concerne ao controlo de qualidade de extracto seco de raiz de P......... Limites quantitativos de ginsenósidos marcadores............................................................. ginseng ........... 15 Tabela 2............................................... segundo as Farmacopeias japonesa (JP).....................

Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? Abreviaturas ACTH – Hormona adenocorticotrópica ADN – Ácido desoxirribonucleico AINES – Anti-inflamatórios não esteróides BHP – Farmacopeia Herbária Britânica CAT – Catalase CRH – Hormona libertadora de corticotropina DAD – Detecção por diode array 2 D-RMN – Ressonância magnética nuclear de deutério ELISA – Ensaio imunoenzimático ERO – Espécies reactivas de oxigénio FDA – Food and Drug Administration FP – Farmacopeia Portuguesa GABA – Ácido -aminobutírico GC – Cromatografia gasosa GPx – Glutationa peroxidase GSH – Glutationa reduzida HDL – Lipoproteína de alta densidade viii .

Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? HPLC – Cromatografia líquida de alta performance 1 H-RMN – Ressonância magnética nuclear de protão IECA – Inibidor da enzima de conversão da angiotensina IMAO – Inibidor da monoamino oxidase IV – Infra-vermelho JP – Farmacopeia Japonesa LDL – Lipoproteína de baixa densidade MPTP – 1-Metil-4-fenil-1.2.6-tetrahidropiridina MS – Espectrometria de massa NK – Natural killer NO – Óxido nítrico OMS – Organização Mundial de Saúde RFE – Real Farmacopeia Espanhola SOD – Superóxido dismutase SNC – Sistema nervoso central TLC – Cromatografia em camada fina UV – Ultra-violeta USP – Farmacopeia Norte-americana ix .3.

a utilização das plantas em aplicações medicinais tem persistido.000 A. ao contrário da visão actual. estimulante e reconstituinte (Cunha e Roque. sendo considerado ilegítimo. que via o paciente de modo fragmentado. sugerindo-o como uma alternativa viável e relevante aos tratamentos medicamentosos tradicionais de doenças cardiovasculares. considerando-se uma área de grande relevância no que se refere a aspectos culturais e medicinais. que compilavam as plantas com aplicações medicinais e as respectivas indicações terapêuticas (Cunha et al. mais abrangente. pelo que era utilizado na Idade Média no tratamento de todo o tipo de patologias (Cunha e Roque. que o ginseng emerge dos tratados da Medicina ancestral chinesa. uma vez que deu origem à Medicina actual. Actualmente. e este conhecimento era. 2005). denominou-se o género de “Panax”. pelo facto da Medicina oficial e institucional não conseguir suprir as necessidades da população em geral e pela transmissão de informação da cultura popular associada aos efeitos benéficos de determinadas plantas. 2009). Encontra-se também 1 . O conflito entre as formas de cura ditas “alternativas” e o saber científico ocorre a partir do momento em que os considerados leigos exerciam formas alternativas de cura. neurológicas e oncológicas. Na China. numa referência clara a panaceia.C. em geral. mas principalmente na prevenção das mesmas. já existiam tratados de Fitoterapia. 2005). em cuja comunidade se revela muito popular. em 3. a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a importância de fitoterápicos como o ginseng. aliado à era da globalização. especialmente como tónico físico e mental. No entanto. Introdução A utilização da Fitoterapia vem desde épocas imemoriais. É precisamente neste contexto. Até há bem pouco tempo a Medicina apresentava uma perspectiva demasiado tecnicista..Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? I. entre outros motivos. do homem como um todo. Por se considerar que esta planta seria capaz de restabelecer a saúde. com recurso a agentes terapêuticos pouco habituais. desvinculado do conhecimento académico..

é importante a participação dos profissionais de saúde no desenvolvimento. consistindo no principal objectivo deste trabalho. incluindo todos os estudos laboratoriais e clínicos com o ginseng. no aconselhamento e na dispensa de fitoterápicos como o ginseng. torna-se essencial a compilação de toda a informação disponível. no controlo.Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? indicado para casos de fadiga e debilidade. de forma a torná-la mais acessível aos profissionais de saúde e a todos os interessados em geral. 2 . no sentido de promover o bem-estar e a qualidade de vida. possibilitando alternativas de valor acrescentado aos utentes. Para tal. Desta forma. visando uma integração da sabedoria popular no conhecimento utilizado pelo sistema de saúde oficial. aumentando as capacidades físicas e cognitivas.

P. nordeste dos Estados Unidos da América e Canadá). No entanto. como P. Figura 1.1. Pseudoginseng (região dos Himalaias) e outras espécies de géneros diferentes.Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? II. P. tornou-se vulgar designar erroneamente por “ginseng” outras espécies. Sibéria) e de Pfaffia paniculata (“ginseng brasileiro”. 2008). Generalidades 2.jpg?w=243&h=300. vietnamensis (Vietname central). Awang e Li. Meyer (família Araliaceae). como o caso de Eleutherococcus senticosus (“ginseng siberiano”. Definição A denominação de “ginseng” refere-se à raiz ou rizoma de Panax ginseng C. 2004. P. Fonte: http://1dentalhealthblog. notoginseng. Gravura representativa do aspecto geral da planta madura (6-7 anos) de Panax ginseng.wordpress.com/2010/07/panax_ginseng.A. (sul da China e norte do Vietname). também conhecida por “ginseng coreano” devido à sua origem. Brasil) (Helms. algumas do mesmo género. 3 . uma planta perene de pequenas flores brancas (que florescem a partir do terceiro ano do seu ciclo de vida) e bagas vermelhas (frutos). quinquefolium (“ginseng americano”. japonicus (Japão) e P. 1999).files. apesar de actualmente ser cultivada em todo o mundo (Figura 1) (WHO.

vermelho (3). nas propriedades medicinais e nos efeitos terapêuticos correspondentes.made-in-china. processo que altera a cor do produto (vermelho-acastanhado) e que permite conservar a raiz por um grande período de tempo. que se resume à raiz não processada.jpg. 2008):    Fresco. ao qual são retiradas as raízes secundárias e as radículas. Assim. Awang e Li. a investigação científica tem provado aplicações terapêuticas distintas para cada uma delas.com/2f0j00LCktJjKzZbpG/White-Ginseng-Root. que consiste no ginseng fresco pelado e desidratado à temperatura ambiente.com/albums/rr224/peterli1981/418. Branco.photobucket. 1998. 2008.Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? Cada uma destas espécies apresenta grandes similaridades mas também grandes disparidades na respectiva constituição química. apesar de determinadas acções serem sobreponíveis entre as várias espécies. nomeadamente reacções de hidrólise (Awang e Li. geralmente de cor brancaamarelada clara. Choi. 2008. obtido através da exposição das raízes ao vapor de água. Diferentes tipos de ginseng comercializados: fresco (1). O ginseng comercializado pode classificar-se em três categorias. Fonte: (1) http://image. Lau et 4 . (2) http://www. de acordo com o processamento a que é sujeito (Figura 2) (Yun e Choi.jpg. branco (2).jpg O processamento do ginseng vermelho desencadeia determinadas alterações químicas nos seus constituintes. com posterior secagem. com retirada das raízes secundárias e das radículas mas não da periderme. Vermelho. Figura 2.kanglihealth.com/images/12. (3) http://i486.

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al., 2009). No entanto, estas reacções têm resultados benéficos, no sentido de potenciar a sua acção biológica, como será explicitado mais adiante, neste trabalho.

2.2. Origem, habitat e distribuição geográfica

Panax ginseng C.A. Meyer é uma planta nativa do nordeste da China e da Coreia, amplamente utilizada como agente fitoterapêutico na Ásia oriental, pelo menos desde há 4000 anos (Coon e Ernst, 2002; Kennedy e Scholey, 2003; Yun, 2003; Tracy, 2007). Cunhado pelo botânico C. A. Meyer, o nome do género, “Panax”, tem origem grega, resultante da contracção das palavras “pan” (todo) e “akos” (cura), que significa “panaceia”, o que converge na crença de que será capaz de beneficiar todo o corpo (Nocerino et al., 2000; Choi, 2008; Jia et al., 2009). O termo “ginseng” deriva de um termo chinês que designa “raiz-homem”, devido às semelhanças morfológicas da raiz da planta com o corpo humano (Figura 3) (Yun, 2001; Radad et al., 2006).

Figura 3. Raiz de P. ginseng, de morfologia antropomórfica (adaptado de Yun, 2001).

Quanto à sua distribuição geográfica, há que distinguir duas categorias de P. ginseng: o cultivado e o selvagem (espontâneo). O ginseng pode então ser cultivado, geralmente em planícies, e colhido após um período de 5 a 6 anos, quando atinge a maturação (Figura 4) (Schlag e McIntosh, 2006). Já a planta espontânea surge em zonas montanhosas (800-1500 m de altitude) e caracteriza-se por um crescimento mais lento e 5

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por uma maior susceptibilidade às alterações climatéricas, desenvolvendo-se melhor em zonas com flutuações de temperatura e com menor exposição directa à luz solar, como a sombra de densas e húmidas florestas (Jung et al., 2006).

Figura 4. Plantação de P. ginseng em planícies com elevado índice de humidade e zonas de sombra (adaptado de Yun, 2001).

Data do ano de 1122 A.C. o primeiro registo do cultivo de P. ginseng na Coreia, por transplantação de sementes germinadas (Yun, 2001). Em 1709, Jartoux, um jesuíta francês enviado para a China em missão apostólica reconhece a planta, associando-a aos efeitos terapêuticos descritos nos tratados de plantas medicinais da época, e envia-a a um seu colega, o padre Lafitau, no Canadá (Yun, 2001). Este, por seu turno, consegue cultivá-la nas suas propriedades.

No entanto, a demanda pelo ginseng supera largamente a oferta, pelo que, em 1878 se tenta a produção em larga escala no Jardim Botânico da Jamaica e, mais tarde e com maior sucesso, no continente americano (Yun, 2001). Actualmente, podem encontrar-se plantações de P. ginseng em países como a Coreia, Japão, China, Rússia, Estados Unidos da América e Alemanha (Wu e Zhong, 1999).

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Todas as partes da planta contêm compostos farmacologicamente activos, apesar de estarem mais concentrados na raiz, pelo que se podem encontrar no mercado em diversas formas e preparações, isoladas ou em misturas com outros ingredientes: raiz fresca, extractos alcoólicos, cápsulas, tisanas, extractos secos pulverizados, cigarros, entre outras (WHO, 1999; Wu e Zhong, 1999; Coon e Ernst, 2002).

Podem encontrar-se monografias sobre o ginseng nas Farmacopeias de alguns países, incluindo China, Japão, Estados Unidos da América, Reino Unido, Suíça, França, Alemanha, Áustria, Espanha e Portugal, onde se referem as suas propriedades como tónico adaptogénico, estimulante e afrodisíaco (Attele et al., 1999; Kitts e Hu, 2000; Coon e Ernst, 2002; Choi, 2008; Jia et al., 2009).

2.3. Aplicações etnomedicinais

A Medicina tradicional chinesa proclama desde tempos imemoriais os efeitos bioactivos benéficos do ginseng no bem-estar e na saúde humana como agente anti-fadiga, antiidade, antitumoral e fortalecedor do sistema imunitário (Schlag e McIntosh, 2006; Saw et al., 2010). Neste contexto, é frequentemente utilizado e considerado eficaz em cefaleias, tonturas, cansaço físico e mental, asma e impotência. Atribui-se ainda ao ginseng a capacidade de restabelecer distúrbios das vísceras (baço, estômago, fígado, cólon), de incrementar a resistência a agentes externos causadores de doença (actividades antimicrobiana e antioxidante) e de promover as capacidades físicas e mentais (Park et al., 2005b). No entanto, apenas recentemente se confirmaram cientificamente algumas das (inúmeras) presumíveis propriedades, pelo que o seu uso no Mundo Ocidental é limitado. Apesar disso, o extracto da raiz de P. ginseng é profusamente consumido a nível mundial, geralmente sob a forma de suplementos alimentares (monopreparações ou misturas de agentes fitoterápicos; comprimidos, cápsulas, solução oral), como tónico adaptogénico, anti-fadiga e anti-stress (Figura 5) (Kennedy e Scholey, 2003).

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Figura 5.pt/img_upload/produtos_saudebeleza/8718_3_ginsana-extracto-puro-de-ginsengg115. desde tisanas a sopas e cosméticos (Wu e Zhong. Fonte: http://s2. 1999). comercializadas em Portugal como tónico e energizante natural Ginsana®.jpg.Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? No continente asiático o seu uso amplifica-se em diversas formas de administração. ginseng G115® (Pharmaton).kuantokusta. Cápsulas de extracto puro de P. 8 .

como já foi mencionado. à qual se liga um ou mais monossacarídeos (oses). thujopseno. nos quais se incluem o falacrinol. Composição Química A planta de ginseng tem sido amplamente estudada. já referidas anteriormente: a planta cultivada e a selvagem (espontânea). Das diferentes condições de crescimento resulta uma variação da composição química entre as duas categorias. como α-cadinol. 2005. Flavonóides. na contenda da descoberta de novos compostos farmacologicamente activos. Shi et al. branco ou vermelho. em relação aos restantes compostos. α-bisabolol. Apesar da grande diversidade de espécies químicas presente na raiz de ginseng. 1999. Óleos essenciais sesquiterpénicos (0.. se se trata de ginseng fresco. 2006. dos quais se destacam os panaxanos. 2006. e ácido n-hexadecanóico. Além disso.. ginseng. 2007).05%). dos quais mais de 150 são saponinas. ou seja. das raízes e também de outras partes da planta. que consistem num tipo de glicosídeo constituído pela sapogenina triterpénica. no âmbito da Medicina. são os ginsenósidos que apresentam actividade biológica pronunciada.. Vitaminas do grupo B. Neste ponto. 9 . de acordo com o tratamento a que é sujeita. Schlag e McIntosh. É precisamente por este motivo que os ginsenósidos têm sido profusamente analisados. como folhas. flores e frutos (Bruneton. deve também atender-se ao processamento a que a raiz é sujeita. o falcarintriol e o ácido linolénico. além de se encontrarem em quantidades elevadas. 2009):  Saponinas. Como resultado. polissacarídeos heterogéneos do tipo peptidoglicano. Jia et al. Polienos. foram isolados dezenas de compostos distintos.      Polissacarídeos. Cunha e Roque.Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? III. pelo que geralmente se detecta uma maior concentração de compostos biologicamente activos na planta selvagem (Jung et al. já que a mesma raiz pode exibir um perfil químico distinto. designadas por “ginsenósidos”. há que distinguir as duas categorias de P.

Rd... de esqueleto triterpénico pentacíclico (Figura 8) (Sparg et al. por seu lado. São os grupos hidroxilo dos ginsenósidos que permitem a interacção com a extremidade polar dos fosfolípidos membranares e o grupo -OH do colesterol. através de ligações glicosídicas ( Figura 6) (Radad et al. 1999. Qi et al. o esqueleto triterpénico hidrofóbico interage com as cadeias hidrofóbicas de ácidos gordos e do colesterol (Jia et al. se divide em três subgrupos. 2004).. 10 . o Ra fica mais próximo do ponto da aplicação na placa de TLC do que o Ro que. os ginsenósidos integram-se nas subclases Ra. Rg. é o que mais se distancia do mesmo ponto. Rc. Radad et al. De uma maneira geral.. que. Rh e Ro. As propriedades biológicas de cada ginsenósido estão directamente relacionadas com o tipo. e ocotilol. Re. Por outro lado. Lou et al. os ginsenósidos caracterizam-se pela sapogenina triterpénica tetracíclica (tipo damarano). com um anel epóxido pentacíclico ligado ao C20 (Figura 7) (Attele et al. C6 e C20. com polaridades decrescentes de “a” a “o”. apresentando uma estrutura básica semelhante. Assim. 2009).1. Rb. pelo factor de retenção (Rf) (Park et al. Para facilitar a nomenclatura. de acordo com as analogias estruturais e respectiva hidrofilia da aglicona: protopanaxatriol. 2005b. por sua vez. 2006.. 2010). ou seja.. Ginsenósidos Os ginsenósidos.. Os ginsenósidos do tipo oleanano classificam-se de acordo com o éster osídico derivado do ácido oleanólico. 2006).. a posição e o número dos resíduos osídicos associados a C3. protopanaxadiol. aos quais se atribuem os principais efeitos terapêuticos da planta. 2006). Rf. são saponósidos triterpénicos tetracíclicos polihidroxilados. apesar dos mecanismos de acção ainda não serem totalmente conhecidos. diferenciando-se pela respectiva mobilidade numa placa de cromatografia de camada fina (TLC).Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? 3.

11 . e os malonil-ginsenósidos Rb1. 1999). Rc. Ra1_3. Rd2 e Rh2. Rb2. Rc2. Xil =-D-xilopiranosilo. H3C OH 21 H 12 11 13 1 2 10 5 OR 2 22 20 17 16 23 24 CH3 26 25 CH3 22 9 CH3 16 8 H 15 CH3 27 14 H CH3 30 7 R1O 3 4 H3C 28 H 6 CH3 R3 29 Ginsenósido Protopanaxadiol Ra1 Ra2 Rb1 Rb2 Rb3 Rc Rd Protopanaxatriol Rf Rg1 Rg2 Rh1 R1 –H –Glu-(12)-Glu –Glu-(12)-Glu –Glu-(12)-Glu –Glu-(12)-Glu –Glu-(12)-Glu –Glu-(12)-Glu –Glu-(12)-Glu –H –H –H –H –H R2 –H –Glu-(16)-Ara(p)-(14)-Xil –Glu-(16)-Ara(f)-(12)-Xil –Glu-(16)-Glu –Glu-(16)-Ara(p) –Glu-(16)-Xil –Glu-(16)-Ara(f) –Glu –H –H –Glu –H –H R3 –H –H –H –H –H –H –H –H –OH –O-Glu-(12)-Glu –O-Glu –O-Glu-(12)-Rmn –O-Glu Ara(p)=-L-arabinopiranosilo. Ara(f)=-L-arabinofuranosilo. o (20S)-ginsenósido Rg3.Estrutura química dos ginsenósidos mais comuns isolados do P. Glu=-D-glucopiranosilo. Rb1. Rc. e Rd (WHO.Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? Nas saponinas derivadas do protopanaxadiol incluem-se os ginsenósidos Ra1. Rd. Figura 6. Ra2. Rb2. Rb1_3. Rmn=-L-ramnopiranosilo. ginseng. Rb3.

12 . Estrutura química base dos ginsenósidos do tipo damarano: protopanaxadiol. o 20-gluco-ginsenósido Rf. e os (20R)-ginsenósidos Rg2 e Rh1 (WHO. and Rh1. H3C CH3 H CH3 H R1O H3C CH3 C CH3 COOR 2 H CH3 Derivados do ácido oleanólico Figura 8.Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? OR 2 H3C OH H H CH3 CH3 H R 1O H3C CH3 C CH3 CH3 H3C OH H OR 2 CH3 CH3 H R 1O H3C CH3 C CH3 H CH3 H CH3 Derivados do protopanaxadiol H CH3 Derivados do protopanaxatriol OH Derivados do ocotilol HO H3C CH3 O OH H CH3 CH3 H R 1O H3C CH3 C CH3 H CH3 OR Figura 7. Estrutura química base dos derivados do ácido oleanólico. Rg2. Re3. Na classe dos derivados do protopanaxatriol encontram-se os ginsenósidos Re2. Rf. Rg1. protopanaxatriol. 1999). e ocotilol.

que inclui os mais abundantes (correspondendo a cerca de 70-90% do conteúdo total em ginsenósidos nas raízes da planta).Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? Apesar da grande diversidade de ginsenósidos. ginseng. Rd. 2006). Rf. os derivados do protopanaxatriol e do protopanaxadiol são largamente os mais abundantes. Rg1 e Rg2 (Figura 6) (WHO.. 13 . Dos saponósidos totais encontrados na planta de P. 2010). Rc. Schlag e McIntosh. correspondendo a fracções desde 80-90% dos ginsenósidos totais (Qi et al. correntemente utilizados como marcadores de qualidade em testes laboratoriais: Rb1. Rb2. destaca-se um grupo relativamente pequeno. 1999.

reduzindo a mobilidade de zoósporos. Na realidade. com a capacidade de favorecer a recuperação da homeostasia e do equilíbrio metabólico. baseando-se em estudos clínicos. 1999.Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? IV.. cuja actividade biológica é geralmente superior 14 . indicado ainda para o alívio do stress e como antipsicótico. ao nível do sistema nervoso central (SNC)... Jia et al. com efeito inibidor tumoral e elevado potencial na prevenção destas patologias. como antimicrobiano. cuja capacidade de direccionar a sua acção a diversos tipos de células e de tecidos. Como já mencionado anteriormente. atendendo à respectiva farmacodinamia. Actividade Biológica A literatura científica relativa aos efeitos terapêuticos do ginseng é bastante extensa. e antiviral. a farmacologia geral do ginseng torna-se bastante complexa. os seus ginsenósidos sofrem reacções de hidrólise. potenciando as capacidades de memorização e de aprendizagem e como neuroprotector. registando-se assim efeitos farmacológicos em diversos níveis: como adaptogénico. tem sido amplamente investigada (Tabela 1). Leung e Wong. produzindo um vasto leque de respostas farmacológicas. durante a fase de metabolização. 2009). Uma vez que os vários ginsenósidos podem despoletar efeitos distintos. como estimulante. pelo que são os ginsenósidos monoglicosados e os aglicosados que conseguem atingir a circulação plasmática (Tawab et al. 2010).. Sparg et al. nomeadamente ao nível do sistema imunitário. utilizado na profilaxia da hipertensão e da hiperglicemia. 2000. pré-clínicos e laboratoriais. e ainda como estimulante da libido (Nocerino et al. As saponinas isoladas do Panax ginseng exibem actividade antifúngica. Deste processo resultam derivados parcialmente desglicosilados. quando se sujeita o ginseng ao tratamento térmico sob vapor. 2004). 2003. Atribuem-se estes efeitos aos compostos activos maioritários. os ginsenósidos. os ginsenósidos sofrem a clivagem das ligações glicosídicas por acção da -glucosidase da flora bacteriana intestinal.. inibindo a replicação de ácido desoxirribonucleico (ADN) viral e a síntese de proteínas da cápside do herpesvírus tipo 1 (Simões et al.

1997. 2002.clínicos Rb1. 2007b. 1990. 2007.Tónico cerebral (aprendizagem e memória) . 2010..Antioxidante .Afrodisíaco . 2000. Panossian e Wagner.in vitro .in vivo . 2005.clínicos Ro.in vitro .. Naval et al. Tohda et al. Park et al. 2006. Rd. 2008. Alvo Acção biológica Classificação dos estudos Ginsenósidos activos Referências bibliográficas (WHO. Tohda et al. 2005... 2009.Imunoestimulante . Fu e Li. 2008. 2006) Todo o organismo . Re.. Chen et al. Leung e Wong. Radad et al. Acções biológicas associadas aos ginsenósidos isolados do P. 2005. 2004... 2003.in vitro .. 2006) (Kuo et al. Rc. Park et al.clínicos Rb1.. Jeon et al. Li et al. 2004. Rg1 e Rg3 Sistema Cardiovascular .. 2006. 2008) (Park et al. 2003. Rg1. 2009) (Cho et al...clínicos Rb1... Rg1 e Rg3 . Rd.in vitro . Rd.. Scott et al.in vivo .in vivo .... Rb2. Re. Rc.. ginseng. Kennedy e Scholey.Anti-alérgico . Re. Rb2. Lee et al. 2004. Leung et al.. Rc. Rb2.. 2011) (WHO.clínicos Rb1.. 1999. 1999.. 2010.. 2006. 2010). Joo et al. Panossian. 2002. 2002. Rg5 e Rh2 Comportamento .Neuroprotector Sistema Nervoso Central (SNC) .. Rg3. Rg2 e Rg3 .Cicatrizante . 2003. 2001. 2007.. Radad et al. 2009. Rb2.. Friedl et al.. Sung et al. daí que o ginseng vermelho seja considerado mais potente do que o ginseng branco ou fresco (Awang e Li. Tabela 1.Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? à dos ginsenósidos originais... Stavro et al. 2008.in vivo Rb1.Adaptogénio . Ho et al. Sun et al.. Helms. Saw et al. Musende et al. 2005b. López et al. Rg1 e Rg3 Carcinogénese . 2011) (Radad et al..Tónico . 2001. Chen et al. Kennedy e Scholey.Antihipertensor -Anti-aterosclerótico . Cheng et al. Christensen.in vivo . 2002.Anti-carcinogénico . 1990. Radad et al. Lau et al. Lau et al. Jia e Qian. 2008) (Kim et al.Anti-inflamatório . 2005a.in vitro 15 .in vitro . Rg1 e Rg2 Sistema Imunitário .

Jia et al. 2010).1. Coon e Ernst. Leung e Wong. 1996). Um exemplo clássico que ilustra esta relação causa-efeito consiste num estudo que regista a resposta imunológica a uma vacina para a hepatite B entre estudantes universitários. é feita uma descrição pormenorizada dos efeitos farmacológicos mais significativos e com maior interesse. amplamente conhecido no mercado pelo nome de “Ginsana®”. patenteado pela Pharmaton SA (Figura 5) (Kitts e Hu. Actividade adaptogénica e imunomoduladora As situações de stress agudo ou crónico são capazes de induzir efeitos imunomodeladores em humanos e em modelos animais. de acordo com a natureza e duração da exposição (Padgett e Glaser. 2009.. No caso do Panax ginseng C. a comunidade científica tem recorrido à padronização dos extractos das várias espécies de ginseng.. 2003). Em seguida. associada aos efeitos terapêuticos de cada um dos constituintes. é lógico associar uma maior probabilidade de desenvolver doença e períodos infecciosos mais prolongados aos indivíduos que revelam uma resposta imune mais fraca (WHO. o estatuto socioeconómico e o desgaste físico e psicológico da época de exames (Jabaaij et al. 2002. Na sequência deste processo. utiliza-se o extracto G115® (conteúdo total em ginsenósidos de 4%). considerando parâmetros de stress como a pressão.A. actividade e toxicidade (Cunha et al. Meyer. 4. com consequências adversas para o estado de saúde. a ansiedade. no sentido da promoção da saúde e qualidade de vida.Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? A complexidade da composição química do ginseng. função dos linfócitos T) mais lento e de menor intensidade.. 1999). Para contornar este problema. para efeitos de controlo de qualidade e maior rigor nas determinações de eficácia. relativamente aos menos afectados pelo stress. dificulta bastante a avaliação da sua actividade biológica. 16 . 2009). os indivíduos mais fragilizados exibiram um perfil de resposta imune (produção de anticorpos anti-hepatite B. podendo inclusivamente exacerbar ou suprimir diversos factores da função imunológica. 2000. Como resultado.

incluindo a perda de vitalidade resultante do envelhecimento (Cunha e Roque. um dos pioneiros nos estudos experimentais farmacológicos com ginseng. e (3) a inocuidade. 2005). 2005. 2006). da capacidade de concentração e da vitalidade. Radad et al. usou o termo “adaptogénio” para caracterizar determinados efeitos associados a esta planta. (2) a indução da reposição da homeostasia em estados patológicos ou de stress. o ginseng é comummente administrado em indivíduos saudáveis. tais como cafeína. tuberculose e cancro (Panossian. estimulantes são compostos que estimulam a actividade do sistema nervoso simpático. em termos genéricos. alcoolismo. não afectando qualquer função orgânica (Brekhman e Dardymov. o conceito de adaptogénio foi reformulado. que podem originar o efeito rebound. nomeadamente: (1) o aumento da performance e da resistência física. 1969. à semelhança dos estimulantes “tradicionais”. 2003. o conceito de “um fármaco para cada doença” não se adequa a um fármaco adaptogénio. anfetaminas e cocaína (Panossian. química. Os primeiros estudos dirigidos aos adaptogénios tinham como objectivo demonstrar as suas capacidades de potenciar as capacidades de trabalho físico e mental em humanos. No entanto. Panossian e Wagner. Nesta perspectiva. biológica e psicológica. pode ser prescrito como adjuvante no tratamento de patologias como neurose. Panossian. Por definição. em estados de fadiga e de stress. 2003). 2005). A este tipo de compostos activos estão frequentemente associadas situações de dependência.. sendo então definido por uma substância capaz de incrementar a capacidade de adaptação do organismo a factores externos/ambientais adversos e de minimizar eventuais danos por estes provocados. depressão. Panossian e Wagner. nicotina. produzindo uma sensação de euforia e o aumento do estado de alerta e da capacidade de concentração (Panossian e Wagner. como estimulante ou tónico. cuja eficácia se baseia na combinação de diversas substâncias activas presentes no extracto de uma única planta.Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? Brekhman. Em automedicação. distúrbios mentais e do sono e sintomas psicóticos. Actualmente. 2005). 2003. 17 . de tolerância e de abuso.

em dose única. associando-se à regulação metabólica dos vários elementos do sistema de resposta aos agentes de stress. modulando a sua actividade. 2003b). Panossian e Wagner. estimulam o sistema nervoso por mecanismos distintos. Cunha e Roque. pelo que não produzem os efeitos negativos dos estimulantes “tradicionais” (Panossian. as glândulas supra-renais produzem cortisol como resposta adaptativa.Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? Os adaptogénios. 2005. Na sequência do processo. Rc. Rd. 2005). Estimulantes Recuperação após carga física exaustiva Depleção de energia Desempenho em stress Sobrevivências ao stress Qualidade da recuperação Insónia Reduzida Verificada Diminuído Diminuída Má Verificada Adaptogénios Elevada Não verificada Aumentado Aumentada Boa Não verificada Em termos fisiológicos. Assim. Numa situação de stress.. Panossian e Wagner. 2008). Re e Rg3 afectam os níveis séricos de cortisol. Tabela 2. Na tabela seguinte são apresentadas as principais diferenças entre os efeitos dos adaptogénios e os dos estimulantes. 2003. de acordo com o tipo de administração (WHO. 2005). concentrações séricas elevadas de cortisol sinalizam uma boa capacidade de resposta do organismo a um qualquer agente de stress. os estudos mostram que a administração de uma toma única de adaptogénios activa a formação de corticosteróides por acção sobre o eixo hipotálamohipófise-córtex supra-renal (Figura 9) (Kennedy e Scholey. Assim. Rb2. 2003. os adaptogénios produzem um aumento da produção de cortisol. enquanto que a administração repetida resulta na normalização dos níveis hormonais (hormona 18 . 2003. Estudos demonstram que ginsenósidos como Rb1. Panossian e Wagner. pelo que o nível sérico deste corticosteróide é frequentemente referido como marcador anti-stress.. Kennedy e Scholey. como o fígado e os sistemas imunitário e cardiovascular (Christensen. Diferenças entre os efeitos dos estimulantes e os dos adaptogénios (Panossian. 2003. por seu lado. 1999. Kim et al. 2003a. Kim et al. 2005). são também conhecidos locais de acção secundários.

1999. o nível basal de cortisol será superior em relação ao do primeiro sujeito e. ACTH) e do cortisol em valores residuais superiores aos considerados normais (WHO.. 2008). Panossian e Wagner. 19 . provocando o aumento da esteroidogénese adrenal por acção indirecta através da glândula pituitária.Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? libertadora de corticotropina. 2005). Este fenómeno consiste numa espécie de treino adaptativo do organismo ao stress. a actividade adaptogénica atribuída aos ginsenósidos permite favorecer a resposta ao stress. Figura 9. uma vez que está directamente associada ao aumento da resistência às agressões externas. perante uma corrida idêntica. 2005. o aumento da produção de cortisol será mediano e não tão significativo. com aumento de formação de cortisol. Um indivíduo que não pratique exercício físico responde de forma aguda durante uma corrida. Neste ponto. Local da acção adaptogénica dos ginsenósidos. hormona adenocorticotrópica. ACTH= hormona adenocorticotrópica (Nocerino et al. 2000). por exemplo. no sentido de preservar a homeostasia e de reduzir eventuais danos consequentes (Panossian e Wagner. Em suma. CRH= hormona libertadora de corticotropina. à semelhança do que acontece com o exercício físico. faz sentido referir conjuntamente a actividade imunomodeladora dos ginsenósidos. CRH. No caso de um segundo indivíduo que pratique regularmente uma qualquer actividade física. Christensen. uma vez que o seu organismo se encontra mais bem adaptado à situação.

na sequência da infecção viral. Estudos pré-clínicos demonstram que a administração de extracto de ginseng durante uma semana produz um efeito protector à infecção pelo vírus influenza de 20-30% (Quan et al. Por outro lado. a co-administração do antigénio viral inactivado com o ginseng confere uma maior capacidade de anular a imunopatogenicidade. de forma a impedir uma resposta imunitária exacerbada (Kim et al. 2007.Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? A investigação mais recente vem demonstrar que o ginseng produz múltiplos efeitos ao nível da activação do sistema imunitário (acção imunoestimuladora): incremento da proliferação dos linfócitos.. apesar de o mecanismo ainda não ser totalmente conhecido. promovendo a diferenciação e a resposta e retardando a depleção das células Th. de leucócitos e das citoquinas produzidas. sendo capaz de iniciar uma resposta imune suficientemente potente (Hu et al. Sung et al. 2003. Sun et al. e aumento da actividade das células natural killer (NK) (Sun et al.. É neste sentido que os ginsenósidos manifestam a sua função imunomodeladora.. dependendo do agente que despoleta a reacção imunológica (Attele et al. 2009. 2005. 2009). 20 . modelando a activação e função de macrófagos. enquanto que os ginsenósidos Re e o mesmo Rg1 podem produzir um efeito supressor da proliferação de células T CD8+ e da actividade das células NK (Cho et al... 2008).. Song e Hu. É sabido que os vários ginsenósidos podem actuar de forma distinta. 2009). Skopińska-Różewska. 2008. estímulo da produção de citoquinas. 2007). Rivera et al... Chae et al. 2007.. Chen et al. Sun et al. 2003. 2004. 1999. Tracy.. Rivera et al. a utilização do ginseng como adjuvante à vacinação assegura que o procedimento se assemelhe o mais possível ao processo biológico da infecção.. 2007).. Lee et al.. o Rg1 afecta directamente a actividade das células T CD4+. Os níveis séricos de anticorpos IgG e IgA são também aumentados aquando da administração de ginseng (Quan et al. potenciação da actividade fagocitária dos macrófagos e das células polimorfonucleares. 2002. Cho et al. A título de exemplo. 1990. 2002). Song e Hu. 2010).. Apesar de este valor ser consideravelmente inferior ao conseguido através da vacinação.. 2005.. os níveis de linfócitos T. 2007.

asma e aterosclerose (Christensen. Estão envolvidas nos mecanismos de processos inflamatórios mas também actuam como mensageiros na manutenção de diversas funções celulares (Thannickal e Fanburg. e radicais livres. 2006)... Chen et al.2. nomeadamente neurodegenerativas. 21 .. Jung et al. 2008).. 2006). que incluem formas moleculares de oxigénio. 2002. radiação ultra-violeta. Estas espécies radicalares não têm um papel etiológico na maioria dos estados patológicos. como o peróxido de hidrogénio (H2O2). entre outras) (Finkel e Holbrook. 2011). prevenindo assim reacções agravadas. 2000. Kim et al. Droge. o equilíbrio entre a formação e a depleção de espécies radicalares no organismo deve ser regulado de forma a que as reacções e processos metabólicos dependentes das mesmas possam ocorrer de forma adequada. Estes efeitos farmacológicos revelam as potencialidades dos ginsenósidos na prevenção e tratamento de infecções. mas participam directamente nos mecanismos fisiopatológicos que determinam as complicações associadas (Finkel e Holbrook. 2000. 2005a. São estes os compostos produzidos e acumulados durante o processo de stress oxidativo. calor. 2011). Actividade antioxidante Da redução do oxigénio molecular (O2) resultam espécies reactivas de oxigénio (ERO).. neoplasias e envelhecimento precoce (Chae et al. solventes orgânicos. 2000. tumores e doenças inflamatórias crónicas como artrite reumatóide. Assim..Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? Os ginsenósidos Rb1. como o anião superóxido (O2-) e radical hidroxilo (HO•). rubor. gerados por fontes endógenas (processos biológicos) ou exógenas (poluição. distúrbios metabólicos. 2010. edema). 4.. 2000. que contribui para o despoletar e progressão de uma miríade de patologias. 2008). a expressão do gene COX2 e ainda a libertação de histamina. Ullrich e Bachschmid. fenómenos responsáveis pelos sintomas clássicos da resposta inflamatória (dor. Droge. vasculares.. como já foi referido (Park et al. 2000. Jung et al. 2002). UV. Zhao et al. a fim de manter a fisiologia celular (Keum et al. Rg1 e Rg3 inibem a produção de citoquinas.

impedindo a sua formação ou sequestrando-as de forma a impedir que interajam com os alvos celulares (Thannickal e Fanburg. 2010). 2003. que metaboliza estas espécies reactivas. carotenóides (por exemplo licopeno. ADN) e estruturas celulares. 2009). e a glutationa peroxidase (GPx). processo que ocorre principalmente ao nível das membranas ricas em ácidos gordos insaturados. Droge. adquiridos através da alimentação. Rc. Diversos estudos in vitro e in vivo demonstraram a actividade antioxidante do ginseng associada à sua capacidade sequestradora de radicais livres (Kim e Park. Jia et al. O sistema antioxidante não enzimático consiste na actividade específica de determinados compostos. 2000).. originando alterações morfológicas e funcionais (Keum et al. 2000. zinco). que favorece a ocorrência de lesões oxidativas em macromoléculas (por exemplo proteínas.. catalisando a conversão deste em H2O2. entre os quais se incluem certos oligoelementos (por exemplo cobre. 2011). que reduz hidroperóxidos a álcoois e H2O2 a água. que protege as células aeróbias da acção do radical superóxido. 22 . E. 2006). selénio. de forma a poderem ser excretadas de forma inócua pelo organismo (Finkel e Holbrook. ou seja. Rb2. ácido ascórbico) e flavonóides (Droge. que converte o H2O2 em água e O2.. utilizando a glutationa reduzida (GSH) como agente redutor (Finkel e Holbrook.. exibem um efeito protector contra a peroxidação lipídica induzida por ERO ou por outros agentes. 2000.Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? Neste ponto. Chae et al. que pode ser enzimático ou não enzimático. Atribui-se este efeito a três enzimas essenciais à sobrevivência celular: a superóxido dismutase (SOD). betacaroteno). Magder.. de stress oxidativo. Zhao et al. 2000. Rd e Rg1. 2000. podendo inclusivamente resultar na morte celular (Keum et al. 2002). mais concretamente os ginsenósidos Rb1. o organismo responde através de um sistema antioxidante. 2002). Qualquer desequilíbrio decorrente da diminuição dos antioxidantes endógenos ou do aumento da formação de espécies oxidantes gera um estado pró-oxidante. Extractos deste fitoterápico. a catalase (CAT). vitaminas (A. O sistema enzimático constitui a primeira linha de defesa às ERO.

. como o ginseng. Wang et al. induzem a expressão da SOD ao nível da transcrição. os mecanismos subjacentes não são ainda bem conhecidos e serão necessários estudos complementares para certificar estes efeitos. 2004. que.. e não específicos (Yun. Assim. Yun propõe a classificação dos agentes anticarcinogénios preventivos não tóxicos em três categorias: órgão-específicos. Bermejo et al. Sugere ainda que os ensaios clínicos deverão incidir. Sabe-se ainda que os derivados do panaxadiol. quando administrado durante oito semanas. 2003). 2004). 23 . As evidências positivas relacionadas com a actividade antioxidante do ginseng apontam-no como um potencial agente terapêutico suplementar em situações de fadiga. na profilaxia de doenças neurodegenerativas. 2010). como o Alzheimer. a prevenção primária assume elevada importância e é nesse sentido que a comunidade científica dirige a investigação. as neoplasias continuam a atingir níveis alarmantes no que diz respeito a taxas de incidência (Entschladen et al. de forma a identificar e caracterizar agentes preventivos (preferencialmente naturais) não tóxicos. Actividade anticarcinogénica Apesar dos avanços no diagnóstico precoce. 2010). principalmente o ginsenósido Rb2. multi-órgão-específicos.. sobretudo crónica. 2006. sobre os agentes não específicos. de envelhecimento. numa primeira fase. reduzindo os níveis séricos de ERO (Kim e Park. como o ginseng. 2003). numa perspectiva de tempo e de custoefectividade.3.Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? Outro estudo revelou que. o ginseng potencia a actividade da SOD e da CAT. entre outras (Cho et al. na descoberta de novos agentes quimioterápicos e no desenvolvimento da terapia génica. Chae et al. na prevenção de neoplasias. 4... permitirão desenvolver fármacos para uso genérico na prevenção de neoplasias. Apesar dos estudos realizados demonstrarem os efeitos antioxidantes do ginseng. 2001. 2008. Yun. promovendo também por esta via a regulação das ERO (Helms.

Na sequência das mutações sucessivas. 2004). as células tumorais vão perdendo a capacidade de indução da apoptose que. uterinos e mamários.. 2005. Jia e Qian.. 2007b. induz o caos celular. 2009). Sun et al. 24 . Leung et al. perpetuadas através da divisão celular mitótica (Helms. durante as quais se estabelece e desenvolve uma lesão pré-maligna proliferativa (tumor).. A progressão pode demorar anos ou até décadas. 2010). Yun. Rg5 e Rh2 inibem a carcinogénese em tumores induzidos pulmonares... com desenvolvimento de novas linhagens celulares com capacidades proliferativas e invasivas aumentadas (Entschladen et al. aliados às propriedades antioxidantes e imunomodeladoras. Na mesma fase. Musende et al.. 1997. Também os ginsenósidos Rb1 e o Rh2 demonstraram acção citotóxica em ensaios in vivo. exacerbando sinalizadores homeostáticos (por exemplo deficiências em factores de crescimento) e activando intermediários da cadeia proteolítica (como as caspases. permitindo o acesso de oxigénio e de nutrientes às células neoplásicas (Qi et al. processo crucial para a metástase que consiste na vascularização do tumor. 2001. 2004. que se podem manifestar por mecanismos distintos. que ocorre de forma rápida (horas a dias) e que consiste na ocorrência de alterações irreversíveis ao nível dos ácidos nucleicos.Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? O processo contínuo da carcinogénese passa por uma fase de iniciação. Vários estudos clínicos e pré-clínicos demonstraram os efeitos anticarcinogénico e antimutagénico dos ginsenósidos. 2006). somada à falência na comunicação intercelular. Cheng et al. Certos ginsenósidos mostram actividade citotóxica e inibitória do crescimento da massa tumoral. em especial do ADN. sabe-se que o ginsenósido Rb2 inibe a angiogénese. 2003). enzimas que quando activadas clivam proteínas vitais à sobrevivência celular) no processo apoptótico (Park et al. enquanto outros inibem a metástase (Yun. Alguns estudos pré-clínicos demonstraram que os ginsenósidos Rg3. 2004. reduzindo a massa tumoral e melhorando a qualidade de vida (Helms.. 2004). o Rg3 reduz a adesão da massa tumoral a matrizes extracelulares em neoplasias pulmonares e do cólon com elevado índice metastático (Yue et al. Na fase de proliferação da carcinogénese. 2011)..

a sua aplicação combinada com quimio e radioterapia tem demonstrado resultados favoráveis em ensaios clínicos (Yun. 4. mais concretamente impedindo a formação do tromboxano A2 pelas plaquetas (Kuo et al. atenuando efeitos adversos e fomentando o apetite do paciente (Helms. 25 . 2011). 2004. Rg1 e Rg2. constituir um agente complementar ou coadjuvante à quimioterapia.. Qi et al. devido à acumulação de alterações celulares graves (Yun. Lau et al. Actividade protectora cardiovascular São vários os estudos que reportam o efeito antihipertensor do ginseng e preventivo no processo aterosclerótico. uma vez que podem despoletar e promover estados inflamatórios que. que têm um papel importante na fase inicial da carcinogénese. 2005b). 2009). 1990..Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? Considere-se ainda a patogenia das ERO. 2001. Apesar das evidências obtidas nos estudos clínicos não serem suficientes para afirmar que o ginseng cura o cancro.. inibem a agregação plaquetária. Jia e Qian. potenciando a resposta imunitária. a actividade antioxidante do ginseng assume especial relevância. Associada aos diferentes mecanismos de acção dos ginsenósidos capazes de modificar as respostas biológicas neste tipo de patologia. A este nível. 2004. Jia e Qian. a actividade adaptogénica destes acentua a eficácia das terapias convencionais. O ginseng pode. se associam a neoplasias de alto risco.. que frequentemente origina o enfarte do miocárdio (Persson et al. 2011a)..4. quando prolongados (inflamação crónica). 2001.. assim. diminuindo as concentrações séricas de ERO e optimizando o sistema de defesa endógeno contra estas espécies químicas. 2006. Estes factos resultam essencialmente do efeito vasodilatador. nomeadamente Ro. associado ao efeito antiagregante plaquetário. Jia et al. como já foi referido anteriormente. 2009). 2011). parâmetros importantes na prevenção de doenças cardiovasculares e no aumento da esperança de vida (Park et al. Estudos in vitro demonstraram que determinados ginsenósidos. Helms.

.Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? O outro efeito importante dos ginsenósidos consiste na sua capacidade de reduzir a actividade simpaticomimética. induzindo o relaxamento do músculo liso da parede dos vasos sanguíneos (Choi. Ao nível celular. apesar de os factos indiciarem a acção farmacológica ao nível dos receptores e outras proteínas membranares específicas (Attele et al. em que se administrou ginseng a pacientes diabéticos não insulinodependentes durante seis semanas.. facto que suporta os estudos que comprovam a capacidade do P. sem se observarem quaisquer efeitos nos níveis de 26 . 2002.. Desconhece-se ainda o mecanismo. por seu lado. 2006). Cho et al.. 2011a).. Já o ginsenósido Rg1 revela propriedades hipertensoras. A administração intravenosa e oral de P. diminuindo assim a pressão arterial. na sequência da isquémia nos processos trombóticos e tromboembólicos (Qi et al. ginseng conseguir normalizar a pressão arterial em estados de hiper e de hipotensão e. não afectar indivíduos normotensos (López et al. 2008). Neste ponto é importante realçar a actividade antioxidante dos ginsenósidos ao nível dos cardiomiócitos. prevenindo danos originados pela reperfusão pós-isquémica (Guan et al. Stavro et al. Apesar destes resultados terem sido corroborados por outros ensaios clínicos e pré-clínicos (Ismail et al. promovendo a hiperpolarização celular e. Este. 2000. por outro lado. Re e Rg) activam os canais de Ca2+ do endotélio (a fina camada de células mais interna dos vasos sanguíneos). Park et al. provocando a vasodilatação. Scott et al. 1999). López et al.. 2001. 2000. a libertação de óxido nítrico (NO) (Jeon et al. tornando-os menos susceptíveis ao stress oxidativo. Poindexter et al. 2002.. 2005b). 2006). o ginseng parece ser eficaz inclusivamente em hiperlipidemias.. 2006. sabe-se que determinados ginsenósidos (Rb1. 1999.. consequentemente.. surgiram evidências contraditórias. ginseng induz um decréscimo no consumo de oxigénio pelo miocárdio e produz o já referido efeito vasodilatador. nomeadamente num estudo realizado por Sotaniemi.. 2003. 2001). Friedl et al. Kim e Park.. induz o relaxamento do músculo liso da parede do vaso. 2004. Segundo alguns ensaios clínicos. já que a sua administração oral em humanos com dieta rica em colesterol fez diminuir os níveis séricos de triglicéridos. 2002).. Stavro et al.. colesterol total e a agregação plaquetária e ainda aumentar a lipoproteína de alta densidade (colesterol HDL) (Cupp e Morgan.

O ginsenósido Rb1 induz a formação e extensão em comprimento do axónio e/ou das dendrites neuronais (efeito neurotrópico). para a protecção das células ao nível do SNC (Ye et al. por si só. 2011).. 2007). o Rg2 e o Rg3 conseguem proteger os neurónios da citotoxicidade induzida pelo glutamato e do stress oxidativo provocado pelo H2O2. 2010). compensando perdas de neurónios vizinhos e prevenindo. 2011). situação característica das manifestações de demência (Tohda et al. Fu e Li. e crónicas. 2003. Actividade neuroprotectora As actividades adaptogénica e antioxidante atribuídas ao ginseng contribuem. No entanto. contribuindo para a degeneração neuronal em situações agudas. 2006. Note-se que o glutamato é um neurotransmissor libertado para a fenda sináptica. aquando da transmissão do impulso nervoso. 2003)..5.. Ho et al. 2007.. 1990.. Chen et al. a perda de capacidade cognitiva. Radad et al. 27 . com um grupo de pacientes hiperlipidémicos sujeitos a um tratamento diário com ginseng durante oito semanas. No entanto. como acidente vascular cerebral e choque hipoglicémico.Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? lipoproteína de baixa densidade (LDL) e de HDL. 4. assim como promovem a multiplicação do número de dendrites em cada neurónio (Kim et al. com resultados idênticos (Morteza et al. consequentemente. 2002. É evidente que estes resultados deverão ser confirmados por novos ensaios. o Rb1.. Kennedy e Scholey. Paralelamente. prevenindo a apoptose e estendendo a rede neuronal (Kennedy et al. Li et al. Naval et al. 2011). estão demonstradas outras acções específicas dos ginsenósidos sobre células do SNC. realizado por Morteza.. ligando-se aos receptores da célula pós-sináptica. o Rg1. 2002. nomeadamente na doença de Alzheimer (Kennedy e Scholey.. 2006.. e num outro.. 2000). colesterol total e triglicerídeos (Cupp e Morgan. cujos efeitos incluem o aumento do tempo de sobrevivência das células neuronais e a sua recuperação de danos diversos. este neurotransmissor pode ser neurotóxico quando acumulado em excesso nas sinapses.

está também demonstrado que o ginseng modela a actividade dopaminérgica. Shim et al. a cocaína. podendo ser utilizados em casos de perda de memória. 2011). Assim. Ye et al. Acrescente-se a estes dados a inibição induzida pelo ginseng. 2002). no que diz respeito ao incremento dos níveis de concentração. Estes resultados explicam os efeitos favoráveis da administração do fitoterápico. ginseng facilita a sinaptogénese em culturas de células neuronais do córtex cerebral. à região do neurónio especializada na neurotransmissão) de animais (Attele et al. a sua recaptação e ainda o número de locais disponíveis para essa mesma recaptação. 2006).Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? Estudos in vitro demonstraram que alguns ginsenósidos. do processamento cognitivo e a diminuição do tempo de reacção das funções sensoriais e motoras (Zhao et al. 2000). de Alzheimer e de Huntington (Ho et al. ginseng).. Estas evidências sugerem que estes compostos permitem melhorar a função colinérgica... modelam a transmissão do impulso nervoso. sabese que estes ginsenósidos conseguem regular a libertação de acetilcolina na fenda sináptica.. nomeadamente o Rb1 e o Rg1 (dois dos mais abundantes no extracto seco da raiz de P.. ao nível dos receptores pré e pós-sinápticos. 2011).. como a morfina... Shim et al.. 1999. a metanfetamina e a nicotina. 28 . 2010. nomeadamente nas doenças de Parkinson. glutamato.. 2000. Por outro lado. de forma dependente da dose. Na sequência destas evidências. Radad et al. ou seja. Estudos in vitro revelaram que o extracto das raízes de P. no mesmo sentido da sua actividade adaptogénica. por dessensibilização dos receptores correspondentes (Attele et al. 2002. em especial na zona do hipocampo (Lee et al. procurando sempre minimizar qualquer dano celular (Radad et al. novos estudos in vivo e in vitro descrevem os benefícios do fitoterápico na profilaxia e cuidados paliativos de patologias neurodegenerativas. aumentando ou diminuindo a disponibilidade dos neurotransmissores. 2006). Fu e Li. bloqueando inclusivamente a taquifilaxia induzida por psicoestimulantes.. 2011. Liao et al. 1999. da recaptação de outros neurotransmissores como o ácido -aminobutírico (GABA) (por competição com os respectivos receptores). noradrenalina e serotonina em sinaptossomas (fracção subcelular que corresponde ao terminal nervoso intacto.

promovendo a extensão das dendrites.. 2011). Nestes estudos.. 2011). Ho et al.. Fu e Li. os animais tratados com o extracto de ginseng exibem menor perda neuronal selectiva. no entanto. 2002.6-tetrahidropiridina (MPTP) e seus metabolitos activos (van Kampen et al. Também nestes casos se desconhecem os detalhes do mecanismo de acção. 2008.. suprimem o stress oxidativo originado pela autooxidação da dopamina e potenciam o factor de crescimento neuronal (Liao et al. que estes ginsenósidos atenuam a apoptose induzida pelo MPTP. 2006. efeito também associado à imunorreactividade diminuída na zona lesada relativamente aos animais não tratados. característica da doença de Parkinson.Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? Também os estudos realizados in vivo. 2010). como consequência da degenerescência neuronal característica da doença de Alzheimer (Chen et al.2. Rd e Rg1 aumentam a sobrevivência de células dopaminérgicas em cultura.. como a 1-metil-4-fenil1.3. 2003). constituindo assim as placas senis.. Joo et al. 2006. após exposição ao glutamato e à MPTP (Radad et al. ao nível dos neurónios dopaminérgicos da substância nigra pars compacta. Os ginsenósidos Rb1. Ye et al. O ginsenósido Rg3 promove a acção fagocitária da microglia na remoção da proteína fibrilar -amilóide que se acumula nos neurónios até provocar a morte celular. Sabe-se. 29 . em modelos animais (roedores) demonstraram que a administração oral de extracto de ginseng G115® protege significativamente dos efeitos neurotóxicos de agentes indutores de parkinsonismo..

ou distúrbios de sono (Lee e Son.. 2011). Apesar de raros e de a incidência exacta destes efeitos ser desconhecida (apenas cerca de 40% dos estudos clínicos randomizados procura avaliar este ponto). 2002). Também foram reportados efeitos estrogénicos em mulheres (pré e pós-menopausa). quando administrado na dose recomendada em monopreparações (Coon e Ernst. tensão nervosa e irritabilidade. que a dose recomendada do extracto padronizado de ginseng não provoca qualquer alteração no estado hormonal de homens ou mulheres (Tracy. 2011). Tracy. edema. como mastalgias e metrorragias. diarreia. sobretudo matinal (WHO. Coon e Ernst. 1999. 2005. sobretudo na menopausa. A sintomatologia que o caracteriza assemelha-se aos efeitos originados pelos corticosteróides. 2000. Gardiner et al. os mais frequentes são de natureza gastrointestinal.. a incidência de efeitos adversos é relativamente reduzida. 2005). 2004. 1999. Nocerino et al. 1999. No entanto. como náuseas. na sequência do uso de ginseng. 2002. que inclui: insónia. em 1979. como resultado da sobredosagem continuada durante um mês (WHO. estudos clínicos posteriores demonstraram. o que esclarece os efeitos estrogénicos (modelação do sistema endócrino). ginseng (Leung e Wong. 2009). Na sequência destes dados. Cunha e Roque. de baixa intensidade/gravidade e geralmente reversível (Coon e Ernst. associados aos suplementos alimentares que contenham extracto de P. 30 . e os ginsenósidos Rh1 e Rb1 são ligandos dos receptores de estrogénio. no entanto. resultantes da excitação do sistema nervoso central. Kabalak et al. flatulência. Efeitos Secundários Numerosos estudos clínicos reportam uma baixa incidência de efeitos secundários associados ao ginseng. 2010.. vómitos. Cunha e Roque. erupções cutâneas.. 2002). administrado por via oral ou tópica (dermocosméticos) (WHO. 2007). registou-se pela primeira vez o “síndrome de abuso do ginseng”.Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? V. dor abdominal. Cunha et al. Sabe-se ainda que os ginsenósidos Rg1 e Re são ligandos funcionais dos receptores de glucocorticóides. hipertensão. diarreia. 2007). Na dosagem recomendada.

Muitos autores têm questionado a qualidade metodológica de grande parte dos estudos clínicos e epidemiológicos sobre a segurança do P. Assim. após a mãe ter utilizado ginseng durante a gravidez (Ernst. garantir-se a ausência de contaminantes. ginseng e um dos principais erros apontados centra-se na utilização de suplementos de ginseng cujo extracto não está padronizado (Gillis. pelo que será necessário aprofundar estes estudos e averiguar a contribuição destes compostos nos efeitos reportados. simultaneamente. Ernst. Coon e Ernst. a conclusão que se consegue obter da maioria dos estudos é que o extracto de ginseng deve ser administrado nas doses recomendadas e deve. 2002b). Há registos de uma morte neonatal e dois casos de androgenização neonatal (desenvolvimento de características masculinas) em bebés do sexo feminino. 1997. Estes registos contrapõem o efeito estrogénico dos ginsenósidos descrito anteriormente. 2002. 31 .Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? O ginseng está desaconselhado a mulheres grávidas ou em fase de amamentação. 2002a).

que muitas vezes se esquece de referir a sua toma ao médico. Colalto. Interacções Medicamentosas Uma vez que o P. heparina. como ibuprofeno e naproxeno (Abebe. ginseng é comercializado sob a forma de suplemento alimentar. 2002). Coon e Ernst.1. Jiang et al. 2010). Estudos posteriores em humanos sugerem ainda que o ginseng poderá reduzir a acção anticoagulante da varfarina e. recomenda-se a monitorização do tempo de pró-trombina no uso simultâneo de anticoagulantes orais e fitoterápicos à base de ginseng (Basila e Yuan. clopidogrel e também com AINES. 32 .. No entanto. antiinflamatórios não esteróides (AINES). nomeadamente Ro. 2008. Izzo e Ernst. inibem a agregação plaquetária (Kuo et al. 6. 1999. os estudos in vitro demonstraram que determinados ginsenósidos. como os resultados destes estudos são antagónicos. 2009). Os estudos disponíveis sugerem uma potencial interacção entre medicamentos fitoterápicos à base de ginseng e antidepressivos.Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? VI. contraceptivos orais à base de estrogénios. os seus efeitos terapêuticos são subvalorizados pelo consumidor. Rg1 e Rg2. Anticoagulantes orais Como já foi mencionado anteriormente. mais concretamente a detecção de eventuais interacções com fármacos que possam ser administrados em simultâneo. 2002b. 2005.. 2006).. Lee et al. por outro lado. 2002. Esta ocorrência dificulta a farmacovigilância. antihipertensores e hipoglicemiantes. 1990. apesar de nem sempre estar especificada a espécie e a quantidade de ginseng presente no extracto (Tabela 3) (WHO. Ernst. 2006.. Jiang et al. anticoagulantes orais. potenciar o risco de hemorragia na toma concomitante com ácido acetilsalicílico.

2006. clopidogrel (Anticoagulantes orais) Fenelzina (Antidrepressivos IMAO) Contraceptivos orais à base de estrogénios (Estrogénios) Nifedipina Potenciação do efeito anticoagulante ↑ risco de hemorragia Cefaleia. Rivera et al. 2006.. mania Mastalgia. parvovírus porcino. heparina.. febre aftosa. Kennedy et al. hipotensão Não estabelecido Actividade estrogénica sinérgica Efeito antagónico sobre os canais de Ca2+ Ensaios in vitro (Anti-hipertensores inibidores dos canais de Ca2+) Ensaios in vivo (Guan et al. in vivo e clínicos Casos reportados (farmacovigilância) Ensaios in vitro. 2008.. 2010) Ácido acetilsalicílico. 2008. insónia. in vivo ↑ libertação de NO (vasodilatação) Hipotensão. rhusiopathiae) Ensaios in vivo ↑ da resposta imunológica (mais potente e mais rápida) ↓ dos sintomas adversos 33 . 2005) (Chavez et al.... obstipação. Scott et al.. Possíveis interacções entre medicamentos fitoterápicos à base de P. 2011) (Wesnes et al.. 2003.. in vivo e clínicos ↑ secreção e sensibilidade à insulina Hipoglicemia grave Extracto fitoterápico de Ginkgo biloba Ensaios clínicos Potenciação do efeito adaptogénico (sinergismo) ↑ desempenho da memória e funções cognitivas Vacinas contra vírus influenza H3N2.. in vivo e clínicos Casos reportados (farmacovigilância) Casos reportados (farmacovigilância) Mecanismo de interacção Redução do efeito anticoagulante Possíveis efeitos ↑ risco de tromboembolia Referências (Jiang et al. Vuksan et al. Zhai et al. S. Fármacos (Classe farmacológica) Varfarina (Anticoagulantes orais) Ensaio Ensaios in vitro. Friedl et al. metrorragia Cefaleia. 2003. ginseng e fármacos.. edema Insulina (Hipoglicemiantes) Ensaios in vitro. aureus. Kim e Kim.Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? Tabela 3.. Song et al. Basila e Yuan. De Souza et al. tremor. 2001. 2009. 2010.. Colalto. 2010) (Abebe.... doença de Newcastle. 2002. Yi et al. Song et al. 2001. Persson et al. 2006. 2011) Enalapril (Anti-hipertensores IECA) Ensaios in vitro. 2002) (Hu et al. 2000. 2009) (Dog et al.. E. 2003... 2010) (Dey et al. 2006) (Jeon et al. Izzo e Ernst. 2000.

e porque os mecanismos de interacção não estão totalmente esclarecidos. Anti-hipertensores Foram também publicados ensaios in vitro e in vivo que atestam o efeito vasodilatador e. cefaleias. sendo necessária a avaliação adequada dos casos reportados e a prossecução de estudos clínicos que suportem estes factos. 6. já referidos anteriormente como efeitos adversos do P. 6. consequentemente. 2009). irritabilidade e sintomas de mania (Chavez et al. Estrogénios O uso concomitante de estrogénios e fitoterápicos à base de ginseng pode provocar o exacerbamento da actividade estrogénica do fármaco. Yi et al.. em especial os inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA) a fim de evitar o agravamento do efeito terapêutico em reacção adversas. como edema e hipotensão (Persson et al. a vasodilatação. Antidepressivos O uso concomitante de ginseng e antidepressivos inibidores da monoamino oxidase (IMAO). ginseng. associado ao extracto padronizado G115® de P. Apesar do mecanismo envolvido nesta interacção permanecer desconhecido. consequentemente. Recorde-se ainda que os ginsenósidos activam os canais de Ca2+ do endotélio vascular.4. 2010). hipotensor. Assim sendo. insónia.. deve-se evitar a sua associação a fármacos anti-hipertensores.3. promovendo a libertação de NO e.Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? 6. pode estar relacionado com a actividade do ginseng sobre o sistema nervoso central (SNC). 2010).2. surgindo consequentemente sintomas como mastalgia e metrorragia. Izzo e Ernst. diminuindo 34 . 2006. mais concretamente com a fenelzina.. poderá desencadear tremores. 2006. ginseng (Dog et al..

tiazolidinadionas) ou com insulina (Vuksan et al. Hipoglicemiantes Com base em ensaios clínicos. o que exige uma monitorização rigorosa da glicémia. 2001). 6. 35 . uma vez que estimulam a libertação de insulina a partir das células-beta das ilhotas de Langerhans. Na sequência destes factos. 2008. que diz respeito ao efeito sinérgico entre os extractos fitoterápicos de Ginkgo biloba e de P..Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? assim a pressão arterial (Jeon et al. geralmente utilizados em patologias cardíacas. avaliada por ensaios clínicos. 6. paralelamente.. Kim e Kim. 2008). De acordo com os resultados obtidos. nomeadamente a insuficiência cardíaca e arritmia (Guan et al. em caso de uso concomitante de extracto de ginseng com fármacos hipoglicemiantes orais (por exemplo metformina. o ginseng poderá também interagir por efeito antagónico com a efectividade de fármacos bloqueadores de canais de cálcio (por exemplo a nifedipina). Poderá então diminuir drasticamente os teores de açúcar no sangue e este efeito confere algum risco para diabéticos. 2006).5.. aumentam a sensibilidade à insulina (Dey et al. 2011). 2001.. mais potente do que cada um dos fitoterápicos administrado individualmente. Friedl et al. De Souza et al.. a administração combinada dos dois extractos produz um efeito benéfico no desempenho da memória e nas funções cognitivas... retardam a absorção rápida ao nível intestinal e. o mecanismo de acção hipoglicemiante (antidiabético) dos ginsenósidos pode considerar-se multifactorial. in vitro e in vivo. ginseng (Wesnes et al.6. Kennedy et al. 2000... Scott et al. 2000. 2002). Extracto de Ginkgo biloba Há que referir ainda uma interacção positiva. no pâncreas (acção secretagoga). 2003.

o ginseng poderá ainda potenciar os efeitos de outros fármacos simpaticomiméticos (estimulantes do SNC. 2009. Erysipelothrix rhusiopathiae. Zhai et al. não foram ainda publicadas evidências que atestem este efeito.. teofilina. Vacinas A segunda interacção positiva refere-se ao efeito imunogénico associado os ginsenósidos. 2003. Staphylococcus aureus. Song et al.. portanto.Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? 6. Song e Hu. Rivera et al. 2004).. como é o caso da varfarina. epinefrina). A utilização do ginseng. como cafeína. Em teoria. conferindo-lhe potencialidades como adjuvante de vacinas (Hu et al. ser acautelada e supervisionada. 2010. No entanto. 2003.. 2011). Song et al. 2009. em especial no caso de fármacos com janela terapêutica estreita. que potencia a qualidade e reduz o tempo da resposta imunológica a diferentes antigénios administrados em ensaios in vivo (vacinas contra vírus influenza.7. teobromina. no sentido de melhorar o desempenho e a resistência física e mental (Kennedy et al. e doença de Newcastle). parvovírus porcino.. febre aftosa. 36 . associada à administração de qualquer um dos fármacos referidos anteriormente deve..

. espectroscópicos e cromatográficos. ginseng disponibilizados no mercado.. nomeadamente a japonesa. o que implica numa primeira fase. determinar a espécie a partir da qual se pretende obter um determinado fitoterápico (Dong et al. espanhola e portuguesa. 2011b). como testes químicos. temperatura. Através de métodos analíticos adequados. britânica. é possível garantir o controlo de qualidade e de autenticidade do extracto de P. ou seja. 2007). ginseng apresenta uma aparência muito semelhante às de P. De salientar que a composição em ginsenósidos varia de acordo com as condições de cultivo (tipo de solo. na tentativa de responder ao aumento do consumo e de reduzir os custos associados aos produtos contendo extracto de raiz de P. prevenindo efeitos adversos ou indesejáveis.Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? VII. 2009). A raiz seca e pulverizada de P. Qi et al.. são misturados extractos de outras partes da planta e/ou de outras espécies de ginseng (Wang et al. os respectivos valores de mercado podem ser muito variáveis. resultantes das adulterações do extracto. 2003). o que dificulta a diferenciação morfológica das espécies (Wan et al. 2009. Uma vez que saponinas diferentes podem manifestar actividades farmacológicas distintas ou até mesmo antagónicas. notoginseng. o que propicia a adulteração dos extractos fitoterápicos com outras espécies do género Panax (Leung et al. Note-se que as monografias referem-se à raiz seca da planta. Controlo de Qualidade e de Autenticidade Tem-se verificado que. quinquefolius e de P. Na Tabela 4 resumem-se os ensaios de controlo analítico e os limites admitidos de algumas Farmacopeias. Paralelamente. é de extrema importância conhecer o conteúdo real e as respectivas proporções dos ginsenósidos nos extractos utilizados.. pulverizada ou inteira. estado de 37 . precisos e rigorosos. intensidade da exposição solar. ao ginseng branco. ginseng.. humidade. de acordo com os preceitos definidos pelas várias Farmacopeias que integram a monografia deste fitoterápico (Rapaka e Coates. norte-americana. Apenas desta forma se consegue garantir o efeito terapêutico pretendido e a segurança do fármaco administrado.. Wang et al. 2006). 2007a.

2006. Schlag e McIntosh. britânica (BHP). segundo as Farmacopeias japonesa (JP). Ensaios de controlo de qualidade para a raiz de Panax ginseng. Como já foi referido anteriormente.Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? desenvolvimento da planta) e com o tipo de processamento (Dong et al. 2005). Está disponível no mercado o 38 . BHP e FP USP RFE e FP USP e BHP JP USP. norte-americana (USP). quinquefolium Panax quinquefolium FP Teor mínimo em ginsenósidos Rg1 e Rb1 de 0. Lee et al. 2002. 2011). Tabela 4.. respectivamente HPLC-UV (203 nm) Teor mínimo em ginsenósidos Rg1 + Rb1 de 0.2 ppm USP FP JP e USP BHP JP JP USP JP Os regulamentos da Food and Drug Administration (FDA) exigem a padronização dos extractos botânicos utilizados em suplementos alimentares..4% Extracto solúvel em álcool (70%) Metais pesados Arsénio Bactérias totais BHC e DDTs totais > 14% > 20% 15 ppm 2 ppm 10000 bactérias/g < 0. a tarefa não está facilitada para um extracto de P. 2003.1%.2% Cinzas insolúveis em ácido clorídrico 1% 2% Caso não se verifique no cromatograma de HPLC-UV o pico correspondente ao ginsenósido Rf. ginseng.2% e 0. Ensaio Elementos estranhos (matéria orgânica estranha) Perda por dessecação Valor 2% 10% 12% 7% Farmacopeia(s) JP. devido à complexidade e heterogeneidade da sua composição. RFE e FP BHP Cinzas totais 8% 4. há contaminação com P.. USP e FP RFE. espanhola (RFE) e portuguesa (FP) (López et al. INFARMED.

Lee et al.. 2008).8%) quando comparado com o do P. espectrometria de massa (MS). espectroscopia de infravermelho (IV) e espectroscopia de Raman. geralmente HPLC e GC acopladas a detecção por diode array (DAD). Kang et al. derivados do protopanaxatriol) (Angelova et al. 2005. 2011b). 1H-RMN. ressonância magnética nuclear de protão (1H-RMN)... se se pretende determinar o conteúdo total em saponinas. a cromatografia gasosa (GC) e a TLC. No entanto. Na prática. constituindo assim os métodos clássicos na autenticação da espécie (Fuzzati. que constitui uma referência para o P. nas quais se utilizam marcadores específicos que permitam distinguir as várias espécies de ginseng. quinquefolius (7. 2009). O conteúdo total em ginsenósidos é superior no P... Wan et al. o seu perfil químico permanece desconhecido.. 2007. utilizam-se tecnologias hifenizadas. ou seja. Fuzzati. Qi et al. com um conteúdo total em ginsenósidos de 4%.0-7. A determinação do perfil químico completo exige alguma complexidade de métodos analíticos. 2008. espectroscopia UV e ensaio imunoenzimático (ELISA) (Angelova et al. 2009... 39 . Para a autenticação de um extracto bruto (que não foi submetido a técnicas de purificação) não é necessário traçar um perfil químico completo. GC. 2008). 2009.. notoginseng (9. INFARMED. Para tal...Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? extracto G115® (Pharmaton SA). como HPLC. 2004. tendo em conta parâmetros como métodos de extracção. ginseng (4. sendo a diferença mais significativa neste último (Lu et al. 2009.. 2011b). 2008. purificação e detecção e análise de resultados. Wang et al. Dos métodos descritos nas Farmacopeias e em artigos científicos para a determinação do conteúdo em ginsenósidos.3%) e o do P. 2008. especialmente em ensaios clínicos. como já foi referido anteriormente. recorre-se a técnicas analíticas simples. 2007. um determinado ginsenósido (marcador) ou um grupo de constituintes (p. assim como a respectiva origem geográfica e a idade da planta (Dong et al. 2003. Lu et al. ginseng. citam-se frequentemente a cromatografia líquida de alta performance (HPLC).8-5. 2004. Guan et al. Qi et al. Lee et al. Wang et al.2%). A metodologia utilizada depende da abordagem analítica...e.

na ordem de 0.. quinquefolius. Guan et al. podendo sobrepor-se aos valores de 0. Qi et al. 40 . atendendo a que não dependem das condições ambientais ou de processamento para apresentar resultados fidedignos (Hon et al.. Rd. ginseng (Schlag e McIntosh. 2011b).Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? Por outro lado. o notoginsenósido R1 e o pseudoginsenósido F11 identificam o P. Qi et al. 2007. o F11 e o Rf exibem pesos moleculares e tempos de retenção semelhantes. Rc.. À luz dos desenvolvimentos na biotecnologia molecular. mais concretamente Rg1/Re. quinquefolius. Também nesta última espécie se pode encontrar o ginsenósido Rb2 em quantidades elevadas. Li et al. 2000. Wan et al. propõem-se aplicações de ferramentas genéticas nas metodologias de autenticação do ginseng. 2000. 2007. nos extractos de P. enquanto que ao P. Note-se que outros ginsenósidos maioritários são utilizados como padrões de referência no controlo de qualidade e autenticação.. incluindo Rb1. Alguns autores alegam que estes métodos oferecem fortes vantagens. 2010. ginseng. Qi et al. 2000.. 2007. Li et al. No entanto. 2010). Em relação a Rg1/Rb1.. Re e Rg1 (Tabela 5) (Kitts e Hu. Assim como se utiliza o Rf como marcador para P. notoginseng e o P. Wan et al. Qi et al. Rb2. como por exemplo HPLC-MS e 2D-RMN (Li et al. 2009. 2011b). Wan et al. 2011b). Lee et al. Wan et al.00 registados para o P. Rg1/Rb1 e Rb2/Rb1 (Schlag e McIntosh.00 (Schlag e McIntosh. mais precisamente ao nível do ADN. 2006.. ginseng.8-3.. respectivamente (Li et al. 2011b). Qi et al..4. 2011b).0. Wang et al. 2003. o ginsenósido Rf apenas está presente no P... podendo ser considerado como o seu marcador químico. pelo que só podem distinguir-se por técnicas com grande especificidade. Rg1/Re e Rb2/Rb1 apresentam valores abaixo de 0.. 2007.... 2011b). portanto. Uma forma de contornar estas limitações dos marcadores analíticos consiste nas proporções relativas entre determinados ginsenósidos. quinquefolius.. Para o P. 2006. Será.. 2006. de 1. preferível utilizar mais do que um marcador na autenticação destas espécies para garantir resultados fidedignos. ginseng se associam valores mais elevados. 2011). enquanto que nas outras espécies é detectado apenas em quantidades residuais (Qi et al.8-3. 2007. regista-se um limite superior mais elevado..

Rb2. mais consumidos a nível mundial.5% Referência Farmacopeia Europeia USP OMS Farmacopeia Europeia USP FP USP Rg1 > 0. A introdução de monografias em diversas farmacopeias permite uma primeira abordagem sobre este ponto. Qi et al. Jia et al. Rc. 2011b).. consequentemente. 2009. Marcador Rb1 Limite > 0. estabelecidos por diversos organismos internacionais. de forma a estabelecer parâmetros de qualidade que permitam o controlo dos produtos comercializados.4% > 0. Re.4% > 0.Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? Tabela 5.1% > 1. num contexto globalizante. ginseng (WHO.4% > 3. será ainda necessário harmonizar as especificações e os métodos analíticos. e Rd > 0.0% (teor total) Uma vez que o ginseng constitui um dos fitoterápicos mais populares e.2% Rg1 + Rb1 Rb1. Limites quantitativos de ginsenósidos marcadores. no que concerne ao controlo de qualidade de extracto seco de raiz de P. 41 .. 1999. Rg1. é de extrema importância que as autoridades competentes adoptem metodologias analíticas comuns. No entanto.

actua como vasodilatador que. aumentando a sua eficácia e minimizando os respectivos efeitos adversos. assegurando assim resultados reprodutíveis nos ensaios clínicos e 42 . Como consequência. de forma a poderem actuar consoante as necessidades do organismo. associado ao efeito inibidor da agregação plaquetária. regula o sistema imunitário. Adicione-se ainda a actividade antioxidante dos ginsenósidos. além de desvelar novas potencialidades como agente terapêutico na Medicina moderna ocidental. Um dos passos importantes no suporte das indicações terapêuticas do ginseng consiste na sua padronização. sem desconsiderar outros compostos nele presentes que. considerar esse mesmo efeito na mistura complexa. potenciando o efeito isolado de cada um dos seus constituintes. pelo que se interligam mecanismos distintos. já que para isso é necessário isolar cada constituinte e avaliar o seu efeito e. sobre cada um deles em várias frentes. Os múltiplos ginsenósidos têm vindo a ser extensivamente estudados. Assim. acaba por contrapor a tendência actual da utilização de um fármaco específico para cada patologia. desconhecem-se ainda grande parte dos mecanismos de acção. ginseng actua ao nível do SNC. promove a homeostasia. conferindo uma maior resistência física e mental aos agentes de stress e potenciando as funções cognitivas. o P. no que respeita ao ginseng e às suas características fitoterapêuticas. associados. activando mecanismos neuroprotectores. produzem efeitos terapêuticos complexos e multidireccionados. de forma a potenciar a resposta sem provocar desequilíbrios nefastos. pelo que se confirma constituírem a principal fracção com actividade biológica do ginseng.Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? VIII. simultaneamente. uma vez que actua em diversos órgãos simultaneamente e. em termos de perfil químico. Conclusões A investigação científica tem vindo a corroborar os preceitos da Medicina tradicional asiática. de extrema importância nos efeitos anticarcinogénico e neuroprotector. Neste sentido. daí a categorização do ginseng como adaptogénio. de um extracto da planta. modelando a sua resposta. Certos ginsenósidos apresentam actividades biológicas antagónicas. lhe confere propriedades protectoras do sistema cardiovascular.

A atenção deve dirigir-se aos estudos que permitam elucidar os mecanismos moleculares e vias de actuação para um conhecimento mais profundo que permita assegurar uma administração segura e eficaz do ginseng como agente terapêutico. através de ensaios clínicos apropriados (duplo cego. randomizados e de múltiplos centros). ginseng pela Medicina tradicional chinesa. ao respectivo teor em ginsenósidos totais e/ou determinados compostos específicos (saponinas. é necessária a confirmação de todas as acções farmacológicas associadas ao P.Ginseng (Panax ginseng): Mito ou Verdade Científica? laboratoriais e uma associação efectiva da composição do extracto testado a uma determinada acção biológica. compostos fenólicos). De acordo com os recursos tecnológicos que a comunidade científica tem em mãos actualmente. Apenas nos estudos mais recentes se utilizam extractos padronizados. com referências às dosagens. 43 .

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