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Tópicos em Linguística II A ORDEM DO DISCURSO: MICHEL FOUCAULT Controle e exclusão do discurso Em toda sociedade a produção de discurso é controlada, com

o objetivo de retirar os poderes e os perigos e conter acontecimentos aleatórios nessa produção. É controlando os nossos discursos que as instituições mantêm o poder. Assim, há diversas formas de controle ou de exclusão do discurso. São excluídos aqueles que vão contra a ordem vigente. Procedimentos externos São procedimentos impostos pela sociedade que impedem a produção do discurso, embora não seu pensamento. É possível pensar um discurso, mas não pronunciá-lo. INTERDIÇÃO DA PALAVRA: definição do que pode ser dito em cada circunstância. Podem ser três: 1. Palavra proibida ou tabu do objeto: há determinados assuntos dos quais não podemos falar, que não podem entrar em nosso discurso. Dentre esses assuntos, os dois principais são a sexualidade e a política. 2. Ritual da circunstância: há determinados discursos que só podem ser anunciados em determinadas ocasiões. 3. Direito privilegiado ou exclusivo do sujeito que fala: há determinados discursos que só podem ser proferidos por determinados sujeitos. SEGREGAÇÃO DA LOUCURA: o discurso do louco, segundo Foucault, "não pode transmitir-se como o dos outros": ou ele é tido como nulo, ou é dotado de poderes especiais, como de prever o futuro. Segundo Foucault, “louco é aquele cujo discurso não circula como o dos outros”. Na História há vários exemplos disso, principalmente de cientistas que contrariavam as verdades estabelecidas de suas respectivas épocas. Mesmo se você estiver falando a verdade, seu discurso não vai ser aceito. Se eu digo o que é proibido ou contrario alguma das interdições eu sou taxado de louco. VONTADE DE VERDADE: a vontade de verdade e as instituições que a cercam exercem pressão sobre a produção discursiva. Por exemplo, a subordinação da Literatura Ocidental ao verossímil e ao natural impostos pela Ciência. Sempre houve, e ainda há, em nossa cultura a noção de oposição entre certo e errado. Há uma verdade, e o resto não o é. “Essa divisão histórica deu sem dúvida a forma geral à nossa vontade de saber” Todo mundo quer que seu discurso seja aceito como verdade, pois isso é o mesmo que ter poder. O discurso nem precisa ser de fato verdadeiro; basta que ele seja passado como tal. Tendo isso em vista, nós não devemos olhar apenas a verdade, mas também, e principalmente, a vontade dessa verdade. Porque a verdade do discurso acaba sempre mascarando a sua vontade de verdade (devido ao apoio institucionalizado desta). A vontade de verdade é “uma prodigiosa maquinaria destinada a excluir todos aqueles que procuraram contorná-la e recolocá-la em questão contra a verdade, lá justamente onde a verdade assume a tarefa de justificar a interdição e definir a loucura”. Essas três formas de exclusão “tendem a exercer sobre os outros discursos uma espécie de pressão e como que um poder de coerção”. Impedem que o indivíduo anuncie seu discurso (ou faça com que ele tema anunciá-lo). Assim sendo, o discurso acaba se desenhando como uma forma de dominação. Um exemplo é o discurso jurídico, que usa uma linguagem excessivamente técnica e complicada. Isso faz com que o cidadão comum seja excluído desse campo discursivo e acabe como conseqüência lógica não brigando pelos seus direitos. A linguagem falada por economistas o famoso “economês” usados nos cadernos de economia. Uma linguagem técnica que impede a compreensão do texto. São textos feitos para quem já entende do assunto, o que perpertua a concentração do poder, do discurso. É importante lembrar que nenhum enunciado é neutro. Portanto, sempre desconfie de tudo o que você ler. O titulo, a imagem, cada uma das palavras, tudo possui um significado e não é escolhido à toa. Procedimentos internos São aqueles que partem do próprio discurso com a função de classificar, ordenar e ditar sua distribuição. Dizem respeito às dimensões de acontecimento e do acaso do discurso. • Comentário: há um desnível entre os discursos recorrentes ("são ditos"), constantemente revisitados, e os corriqueiros ("se dizem"). Aos que recorrem a outros maiores, dá-se o nome de comentário. Através desse desnível há a possibilidade da criação de diversos discursos, onde os comentários, independentemente de sua aparente novidade, hão sempre de ser uma repetição do texto primeiro.

Procura distinguir os meios de exclusão. Atualmente. ao contrário. oposições e lutas sociais. O comentário é repetir um discurso já existente.como o autor. Também investiga como esses meios se formaram. Quase tudo o que falamos já foi dito antes. crescimento e variação. criam um efeito preestabelecido sobre aqueles a quem se dirigem. Por exemplo. um recorte desse indivíduo. a medicina. Os discursos são praticas descontínuas que podem se ignorar ou se excluir. tende a difundir-se. A única condição necessária para pertencer a esse tipo de discurso é aceitar certa regra de conformidade com seu conteúdo. todos os indivíduos tem acesso aos mais diversos tipos de discurso. • Autor: não deve ser entendido como o indivíduo que produz o discurso. impor regras aos indivíduos que os produzem e limitar o acesso ao seu conteúdo. porém o número de indivíduos que os falam tende a ser limitado e a distribuição de seus conteúdos é sujeita a regras estritas. Analisa como foi a formação das séries de discurso (se por intermédio. apoio ou apesar dos sistemas de exclusão). como se modificaram durante o tempo. da mesma maneira que ela liga indivíduos a uma mesma enunciação. O MÉTODO DE FOUCAULT • • • • Inversão: consiste em reconhecer nas fontes tradicionais de discursos . • Ritual: define a qualificação dos que pronunciam o discurso. um corpo de proposições consideradas verdadeiras. Descontinuidade: não existe um grande discurso ilimitado que está escondido pelos procedimentos de controle. São regras pertencentes a determinado campo do saber ou ciência às quais o discurso deve se adaptar para ter validade ou credibilidade • Esse campo diz respeito às regras impostas para a construção de um discurso em um determinado campo de conhecimento (como o a linguística. os discursos religiosos e judiciários que. a que necessidades vieram responder. É pela função do autor que o indivíduo irá distinguir o que escrever ou não. o que entrará para sua obra dentro de tudo aquilo que ele diz todos os dias. • • • Análise dos discursos Foucault aborda as duas perspectivas que devem ser usadas em conjunto para uma análise completa. etc) que dizem respeito à sua construção. comportamentos. qual foi a norma específica que as nortearam e quais foram as suas condições de aparecimento. • . além dos gestos. mas sim uma violência imposta às coisas e uma prática a elas imposta. mas sim como um "princípio de agrupamento do discurso".o papel de limitar e recortar o discurso. ela lhes afasta de todos os outros. • Perspectiva crítica: põe em ação o princípio da inversão. limitação e apropriação do discurso. Perspectiva genealógica: põe em ação os três outros princípios. com o objetivo de determinar condições para o emprego de discursos. Sociedade de discurso: as sociedades de discurso produzem e conservam discursos.Estamos sempre nos remetendo a outros discursos. utilizando rituais para fixar os sujeitos falantes e a eficácia de suas palavras. Porém. porém a distribuição deles ainda segue as linhas marcadas politicamente pelas distâncias. bem como a "um domínio de objetos. qual a limitação que realmente exerceram e em que medidas foram modificadas. circunstâncias e o conjunto de sinais que devem acompanhá-lo. um jogo de regras e de definições. Especificidade: o discurso não é um jogo de significações prévias nem cúmplice do nosso conhecimento. de técnicas e de instrumentos" necessários para sua aceitação dentro do "verdadeiro" de determinada disciplina. Disciplinas: princípio que se dá pela delimitação de um "campo de verdade" onde o discurso deve inserir-se. a disciplina e a vontade de verdade . Apropriação social dos discursos: é como Foucault classifica o sistema educacional. mas sim partir do próprio discurso para as condições externas de possibilidade. um conjunto de métodos. Exterioridade: não se deve ir do discurso ao seu núcleo interior. PROCEDIMENTOS DE IMPOSIÇÃO DE REGRAS AOS SUJEITOS DO DISCURSO Foucault apresenta três processos que agem sobre os sujeitos que proferem os discursos. Doutrinas: a doutrina.