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Os números sagrados na tradição pitagórica maçônica

Por: Arturo Reghini Liberdade vai buscando, que é tão querida Como sabe quem por ela rechaça a vida. Dante, Purgatório. I, 71-72[i]. Tradução: S.K. Jerez Segundo os antigos rituais e as antigas Constituições maçônicas, a finalidade da franco-maçonaria é o aperfeiçoamento do homem. Os antigos mistérios clássicos não tinham outro objeto e conferiam a télétê, perfeição iniciática. Este termo técnico estava vinculado etimologicamente aos três sentidos de fim, morte e perfeição, como já observa o pitagórico Plutarco. Jesus utiliza também a palavra téleios quando exorta seus discípulos a serem “perfeitos como vosso Pai que está nos céus”, inclusive se, por uma dessas frequentes incongruências das Santas Escrituras, afirma que “ninguém é perfeito exceto meu Pai que está nos céus”. Essa definição poderia parecer explícita e precisa; e, não obstante, uma ligeira mudança formal alterou fundamentalmente o conceito. Tomemos como exemplo o dicionário de Pianigiani que afirma que a finalidade da franco-maçonaria é o aperfeiçoamento da humanidade; grande quantidade de profanos, assim como numerosos maçons, aceitam essa definição. A primeira vista pode parecer que aperfeiçoamento do homem e aperfeiçoamento da humanidade significam a mesma coisa. Na realidade, se referem a dois conceitos profundamente distintos, e sua aparente sinonímia gera um equívoco e oculta uma incompreensão. Outros utilizam a expressão aperfeiçoamento dos homens, igualmente equivocada. Evidentemente, é quase impossível decretar qual é a expressão correta, porque qualquer franco-maçom pode declarar correta a que está mais de acordo com suas preferências, e ainda comprazer-se, talvez, no equívoco. Mas quando se trata de determinar, histórica e tradicionalmente, a interpretação correta e conforme com o simbolismo maçônico, a questão muda de aspecto e já não se trata de preferências particulares. O manuscrito encontrado por Locke (1696) na Bodleian Library – e que não foi publicado até 1748 – é atribuído a Henrique VI, da Inglaterra: define a franco-maçonaria como “o conhecimento da natureza e a compreensão das forças que há nela”; enuncia expressamente a existência de um vínculo entre a Maçonaria e a Escola Itálica, pois afirma que Pitágoras, um grego, viajou para instruir-se, ao Egito, à Síria e a todos os países onde os Venezianos [leia-se os Fenícios] haviam introduzido a Maçonaria. Admitido em todas as lojas dos Maçons, adquiriu um grande saber, voltou à Magna Grécia… e fundou uma importante loja em Crotona.[ii] Para dizer verdade, o manuscrito fala de Peter Gower; e, como o nome Gower existe na Inglaterra, Locke ficou bastante perplexo ante a identificação de Gower com Pitágoras. Mas outros manuscritos e as Constituições de Anderson mencionam explicitamente Pitágoras. O manuscrito de Cooke diz que a Maçonaria é a parte principal da Geometria, e que foi Euclides, sábio e sutil inventor, quem deu as regras desta arte e a chamou de Maçonaria. Há outros traços de reminiscências pitagóricas tanto nos “Old Charges” como no mais antigo dos rituais impressos[iii] (1724) que atribui uma importância particular aos números ímpares, de acordo, neste caso, com a tradição pitagórica.[iv] Todos os antigos manuscritos maçônicos concordam ao assinalar o aperfeiçoamento do homem, ou do simples indivíduo, como único objetivo da franco-maçonaria. As provas iniciáticas, as viagens simbólicas, o trabalho do aprendiz e do companheiro têm um caráter manifestamente individual e não coletivo. Segundo a mais antiga concepção maçônica, a “grande obra” do aperfeiçoamento é realizada trabalhando sobre a “pedra bruta”, ou seja, sobre o indivíduo, desbastando, polindo e esquadrinhando a pedra bruta até transformá-la em “pedra cúbica da Maestria”, graças às regras tradicionais da “Arte Real” maçônica de edificação espiritual. Existe uma perfeita analogia com uma tradição paralela, a tradição hermética, que, pelo

(Visita Interiora Terrae retificando Invenies Occultum Lapidem = Visita o interior da Terra. transformando-a em “pedra filosofal” segundo as regras da “Arte Real hermética”.I. que. Elias Ashmole (1617-1692). quando as lojas inglesas começaram a receber como irmãos os accepted masons (pessoas que não exerciam a profissão de arquiteto ou o ofício de pedreiro). O contato entre a tradição hermética e a maçônica fora da Inglaterra se produziu igualmente quase à mesma época. pode escrever que os maçons do século XVII[vi] se proclamavam adeptos do Arte Real porque em outro tempo houve reis que se interessaram pela obra das privilegiadas corporações dos construtores da Idade Média. substitui-se a ascese espiritual do indivíduo pela política coletiva. implica a existência no continente de lojas maçônicas independentes da Grande Loja Inglesa. a morte de Hiram não figura nos antigos manuscritos maçônicos. o que. e as Constituições de Anderson ignoram o terceiro grau. maçom erudito e hermetista. Posteriormente. A arte maçônica ou arte real. não há nada de extraordinário na presença de elementos e palavras hebraicas em uma época em que o hebreu era considerado como uma língua sagrada. e. e é difícil compreender como um Oswald Wirth. às vezes unicamente social. uma das ciências do quadrivium pitagórico. geométrico. Historicamente. de acordo com o ritual. Não dizemos seu patrimônio característico. a língua sagrada.I. entre os séculos XVII e XVIII. desse modo. De todas as maneiras. o interesse e a intervenção da franco-maçonaria nas questões políticas e sociais se manifesta apenas por volta de 1730. que de resto é muito próximo da franco-maçonaria. termos utilizados pelo neoplatônico Máximo de Tiro. não sabe ler nem escrever. com a introdução da francomaçonaria inglesa no continente. e as palavras sagradas do aprendiz e do companheiro (as únicas graduações ou graus então existentes) que se referem a esta lenda são hebraicas.R. O pouco que se sabe das antigas lojas de antes do século XVII mostra a presença e o uso nos trabalhos maçônicos de um simbolismo de ofício. o patrimônio simbólico e ritual arcaico e autêntico da fraternidade. junto com o simbolismo numérico e geométrico. as viagens simbólicas. enquanto que os dois símbolos fundamentais da ordem são os dois mais importantes do pitagorismo: o pentalfa ou pentagrama e a tetraktys pitagórica. esquecido e ignorado. A letra G do alfabeto greco-latino. aquela que Deus havia utilizado para falar ao homem no Paraíso Terrestre. Tradicionalmente a primeira concepção é sem dúvida a correta e na literatura maçônica do século XVIII estiveram muito em moda as comparações e identificações exageradas e fantasiosas entre os mistérios de Elêusis e a franco-maçonaria. efetivamente. É a humanidade ou a sociedade a que ela há que transformar e aperfeiçoar. trata-se de um fato cuja importância e significado não há que ser exagerado e que de nenhuma maneira é suficiente para se justificar a afirmação do caráter hebreu da francomaçonaria. segundo a concepção maçônica profana e mais moderna.menos desde 1600.L. É indiscutível que o patrimônio ritual e simbólico da ordem maçônica somente se harmoniza com a concepção mais antiga da finalidade da maçonaria. e unicamente em algumas regiões europeias. porque estes elementos aparecem também. arquitetônico. O verdadeiro fim da franco-maçonaria – o aperfeiçoamento do indivíduo – passa a segundo plano quando não é francamente descuidado. fazem sua aparição elementos herméticos e rosacrucianos como.T. Mas esta lenda não pertence ao patrimônio tradicional da Ordem. as terríveis provas. o trabalho de aperfeiçoamento deve ser realizado sobre a coletividade humana. no Companheirismo (compagnonnage). O frontispício de um texto hermético . a morte e a ressurreição de Hiram. Os trabalhos maçônicos acabam por ter então uma meta e um caráter primeiramente social. tal como assinala Gould em sua história da franco-maçonaria.O. inicial de geometria e de Deus (God) em inglês. o nascimento para a Luz iniciática. por exemplo. o testamento do candidato à iniciação. é por essa razão que o maçom. parece ser apenas uma inovação (sem utilidade para quem não sabe ler nem escrever). se encontra enxertada nela e ensina que a “grande obra” é realizada trabalhando sobre a “matéria prima”. que aparece na Estrela Flamígera ou no Delta maçônico. Pelo contrário. numérico. Com a lenda de Hiram e a construção do Templo faz sua aparição um elemento hebraico. não podem ser compreendidos em sua relação com os trabalhos maçônicos e com a finalidade da franco-maçonaria caso tudo deva ser reduzido a fazer apenas política. Os elementos de puro caráter maçônico constituem.[v] era identificada com a geometria. Operação que resume a máxima de Basílio Valentino: V. evidentemente. por retificação encontrarás a pedra oculta) ou a Tábua de Esmeralda. não se encontra ligado nem a uma civilização determinada nem a uma língua em particular e permanece independente de todo credo de ordem política e religiosa. pelo menos parcialmente. que modernos arabistas atribuem ao pitagórico Apolônio de Tiana. tendo por sua natureza um caráter universal.

ao contrário que certas designações vagas ou carentes de sentido como as “Nosso Senhor”. um irmão). A arte maçônica e a arte hermética. o qual. pensasse que um ateu é obrigatoriamente um imbecil. Aqui. reproduz junto aos símbolos herméticos (o Rebis) os símbolos estritamente maçônicos do esquadro e do compasso. por sua natureza. que acusam a franco-maçonaria de ateísmo. é muito importante observar que as Constituições de Anderson afirmam explicitamente que. Observemos que a adoção do simbolismo hermético não é efetuada em detrimento da universalidade maçônica nem de sua independência frente à religião e à política. com a condição de satisfazer o telhamento (uma espécie de exame que permitia reconhecer que alguém era. e. [x]na prática só se consideram hoje lojas regulares aquelas que. Isso posto. editado em 1618[vii]. igualmente. entre outras coisas. e somente ela. na Bíblia. e exaltam (ao contrário das diversas seitas cristãs) o princípio da tolerância de cada qual pelos credos dos demais. o ferreiro dos Deuses e Deus do fogo. Anderson não deixa de chamar de franco-maçons aos Free Masons. Neste opúsculo se vê. de fato. exigida ao profano para iniciá-lo ou ao maçom para considerá-lo como irmão. um sentido preciso e inteligível. Até 1717 cada loja. estranho. e que o erudito Vossius repetiu. se bem que teoricamente uma oficina podia e pode conservar sua autonomia ou filiar-se à Obediência de uma grande loja. a todo credo religioso ou político. ou simplesmente a arte. a Grande Loja de Londres. são emanações ou derivações da Grande Loja de Londres. presidia o fogo hermético (ou ardor espiritual). Os irmãos de uma oficina eram recebidos como visitantes nas demais oficinas. “Pai de todos os homens”. Um erro de etimologia. e 3o. Trata-se somente da franquia econômica e social que exclui aos escravos e servos. Seja como for. É. e pouco depois o pastor protestante Anderson redigia as Constituições maçônicas para as lojas sob a Obediência da Grande Loja de Londres. que se harmoniza com o caráter do simbolismo maçônico. Em uma de nossas obras da juventude[ix] demos uma interpretação errada da palavra de passe Tubalcaim. ressalvando somente que um maçom não será nunca um “ateu estúpido”. Tubalcaim é considerado como o primeiro ferreiro. ocorre o mesmo em um opúsculo italiano de alquimia[viii]. naquela época muito praticado. Em 1717. (O estúpido diz em seu coração: Deus não existe). possa conferir a “regularidade”. etc. pois ignorávamos a equivocada identificação de Vulcano com Tubalcaim que era aceita pelos hermetistas e eruditos dos séculos XVII e XVIII. pois. graus não existem no ritual de Prichard (1730). Poder-se-ia pensar que Anderson admite que o franco-maçom pode ser um ateu inteligente. mas é mais verossímil que. e que provavelmente foram introduzidas na franco-maçonaria e acrescentadas às palavras sagradas. é de grande interesse. Tubalcaim com um esquadro e um compasso em suas mãos. é um arte e não uma doutrina ou uma confissão. direta ou indiretamente. restando então examinar em que consiste essa freedom (liberdade) dos Freemasons. pois o simbolismo hermético ou alquímico é. fogo que realizava a grande obra da transmutação. também.importante. foi produzida uma mudança com a constituição da primeira Grande Loja. natural que tenham se sentido muito próximas uma da outra. No entanto. segundo os alquimistas e os hermetistas. constituindo provas do contato que havia se estabelecido entre a tradição hermética e a maçônica. Hoje. e os profanos. à qual designam com o termo Arte Real já utilizado por Máximo de Tiro. como bom cristão. mas somente o Venerável de uma oficina detinha a autoridade única e suprema entre os irmãos da mesma. Hermetismo e Maçonaria têm como fim a “grande obra da transmutação” e ambas as tradições transmitem o segredo de uma arte. a única condição é ser um homem livre de costumes irrepreensíveis. na suposição de que esta derivação. e das franquias e privilégios que a corporação dos franc-maçons desfrutava frente aos governos dos estados e das distintas regiões onde exercia sua atividade? Ou essa de- . era livre e autônoma. A qualidade de homem livre. ou o fazem de má fé ou ignoram que ela trabalha para a glória do Grande Arquiteto do Universo. impresso em lâminas de chumbo e que remonta praticamente a essa época. tem. nos parece evidente que esta palavra de passe e algumas outras vêm do hermetismo. o identificou com Vulcano. segundo a máxima que diz: Dixit stultus in corde suo: Non est Deus. As palavras de passe do 2o. Observemos ainda que esta designação. seria necessário fazer uma digressão e observar que nesta disputa tanto o que afirma como o que nega não possui em geral nenhuma noção se aquilo que afirma existe ou não e que a palavra Deus é empregada habitualmente em um sentido tão vago que toda discussão é inútil. para ser iniciado e pertencer à franco-maçonaria. na verdade. as Constituições da franco-maçonaria são explicitamente teístas.

Esquecer ou tentar desnaturalizar o caráter universal. chamada igualmente Maçonaria simbólica ou azul. e por outro lado não faria sentido pedir isso aos accepted Masons que não eram pedreiros de profissão mas sim franco-maçons. se faz nas asas de Hermes. para recomendar-lhe um iniciado. explorar também teu abismo… Lança-o. Pode ser que este caráter aconfessional e livre tenha inspirado igualmente à Maçonaria anterior a 1717 e que Anderson apenas o ratificou nas Constituições. O caráter fundamental das Constituições de Anderson reside. inclusive acentuando às vezes. mas que vive em Lyon. e há uma evidente analogia entre a prova do espaço que o iniciado deve enfrentar e as terríveis provas e viagens simbólicas da iniciação maçônica. a tolerância. e não manifesta nenhuma inclinação por trabalhos de ordem social ou político. ao serem diferentes. de Memphis…. sua pertinência a outros ritos e a outras lojas superiores não os põe acima dos mestres que querem apenas efetuar o trabalho da Maçonaria universal dos três primeiros graus. reconhecidos por todos os ritos. seria ir contra o espírito da tradição maçônica e contra os termos das Constituições da Fraternidade. Do ponto de vista da iniciação maçônica. ou seja. acabou simbolicamente sua grande obra. e nos quais se baseiam os altos graus e as lojas superiores dos diferentes ritos. já não são universais. ou o são apenas na medida em que se baseiam sobre os três primeiros graus. ou se relacionam com os rosa-cruzes. O companheiro franco-maçom. também aqui se manifesta substancialmente o princípio da liberdade de consciência e. é o guia das almas no além clássico e nos mistérios iniciáticos. os da verdadeira franco-maçonaria. pois. Ambas as tradições paralelas. de onde se pode presumir que ela não se referia às franquias particulares das corporações de ofício. por causa da reputação que já possuis. aqui. e levado nas asas de Mercúrio voa das regiões do Austro às do Aquilão. referindo-se a pessoas que não são escravas dos preconceitos nem dos credos. e que quem gosta de reunir-se em ritos e corpos para efetuar trabalhos que não se opõem às obras maçônicas devem ter a liberdade de fazê-lo. pois. para impor aos irmãos das lojas pontos de vista ou objetivos particulares. os da Estrita Observância. pode aportar-se um esclarecimento graças a um documento de 1509 cuja existência ou cuja importância não foi. seu interesse pelo hermetismo. é evidente que ritos distintos como o de Swedenborg. como na Alemanha. Não obstante. começaram a multiplicar-se os novos ritos e os altos graus. A franco-maçonaria está completa nos três primeiros graus. a franco-maçonaria conservou em geral seu caráter universal de tolerância religiosa e filosófica e permaneceu à parte de todo movimento político e social. impõem idêntica condição para iniciar o profano: a de ser um homem livre. é um homem livre. os templários. . hermética e maçônica. os Escoceses. originário de Nuremberg. que deseja. ao seu lado. não está subordinada a nenhum credo filosófico particular nem a qualquer seita religiosa. toma também o cetro de Júpiter. Hermes Psicopompo. que permite também aos não cristãos pertencer à Ordem. destacada até o presente. e se nosso neófito quer jurar nossos estatutos. no princípio da liberdade de consciência e de tolerância. Landolfo. Os altos graus só poderiam ter uma função verdadeiramente maçônica se contribuíssem para uma interpretação correta da tradição maçônica e para uma compreensão e aplicação mais inteligente do rito. se destaca a qualidade de homem livre. suficiente para abrir ao profano a porta do templo ao qual aspira.nominação de maçons francos ou liberados deve ser tomada em outro sentido. inclusive quando a prova. Investigador curioso nos arcanos da natureza. o hermetismo. Os rituais destes altos graus são por vezes um desenvolvimento da lenda de Hiram. Trata-se de uma carta escrita em 4 de fevereiro de 1509 a Cornelius Agrippa por seu amigo italiano. Landolfo lhe escreve[xi]: “É alemão como tú. já que os irmãos que foram agraciados com eles são livres. Ao redor de 1740. resultaria vão querer buscar as provas documentais e a pergunta ficaria pendente. Nesta carta também. livre e tolerante da franco-maçonaria. os cátaros…. Nas Constituições de Anderson a franco-maçonaria conserva seu caráter universal. Isto não significa que se tenha que abolir os altos graus. mas conservando cuidadosamente os rituais e o rito dos três primeiros graus. da arte real. liberdade que seria inútil trazer à luz? Se fosse assim. Além disso. e já não têm um autêntico caráter maçônico. Ao ser implantada na América e no continente europeu. do ponto de vista estritamente maçônico. o pai dos filósofos segundo a tradição hermética. o gnosticismo. associa-o à nossa fraternidade”. ao que parece. para prová-lo ao espaço. Não obstante. Tratava-se de uma associação secreta hermética criada por Agrippa. completamente independente dos demais. uma vez que tenha chegado a mestre. são absolutamente supérfluos.

Este desvio e este compromisso é a causa principal. Ainda hoje. não aceitam a infalibilidade do papa. um grande espírito como Giuseppe Mazzini e grandes franco-maçons como Garibaldi. Afirmar que a revolução francesa seja obra da franco-maçonaria nos parece pelo menos exagerado. como o “malhete” do Venerável (traduzido. o movimento da Enciclopédia. as nossas bibliotecas e quebrou os bustos de Mazzini e Garibaldi que decoravam as nossas sedes. todos idealistas e espiritualistas. se converterá os outros às próprias crenças e que dessa forma se conterá o agnosticismo inglês e americano? Estas considerações exortam a conservar o caráter universal da franco-maçonaria acima dos credos religiosos e filosóficos e dos compromissos políticos. frequentemente esteve tentada. e muito particularmente. e nas lojas maçônicas italianas. nem por isso deixou de venerar. Isto não significa que se deva ignorar a política. nome genérico do maçom segundo os primeiros rituais ingleses e franceses) são prova de isso. nem todos os maçons esqueceram a verdadeira natureza da franco-maçonaria. não vão à missa. criou as divergências destes últimos cinquenta anos. A intolerância não pode tirar o espaço da tolerância e a tolerância pode tolerar . na Itália. tradução fonéticosemântica de Lufton. No Convento dos Philalèthes reuniram-se maçons de todos os ritos. no italiano. inclusive os irmãos que seguem a tradição maçônica francesa não esqueceram o princípio de tolerância. inúteis e insuportáveis para a livre consciência de tantos irmãos que. que havia fundado o rito da Maçonaria Egípcia. Com efeito. afastando-se dessa forma do espírito de imparcialidade absoluta e não confessional das Constituições de Anderson. A influência maçônica francesa ocorreu também na Itália. A efervescência das ideias nessa época. por “maglietto”) assim como outros termos (louveton. a presença de certos termos técnicos nos “trabalhos” maçônicos. Não obstante. republicana. e ainda está. repercutem na franco-maçonaria que se difunde ampla e rapidamente. E. muito antes da perseguição fascista. uma espécie de “rosário” ou de “vésperas” fastidiosas. que tiveram como consequência sua desunião e a debilitação ante os ataques e a perseguição dos jesuítas e os fascistas. depois da revolução e durante o império.[xii] Foi a selvageria furiosa e o vandalismo dos incultos fascistas que devastou os nossos templos. Carducci. Por outro lado. É necessário criar mal-estar e irritação nas nossas colunas sem uma contrapartida apreciável? Pode acreditar-se que. animados todos eles pelo mesmo desejo de restabelecer a unidade. A franco-maçonaria francesa e a italiana mantiveram estreitas relações durante todo o último século. Por outro lado. Só Cagliostro. inclusive católicos e monárquicos. ao mesmo tempo em que afloram os altos graus. filho de Gabaon. judeus ou livre pensadores. devemos nos proteger dela. e por vezes uma atitude revolucionária. pois ainda que tenha sido tolerante diante de todas as opiniões. o interesse da ordem se dirige para as questões políticas e sociais e nelas se concentra. Se este hábito criticável adquirir importância. a conferir um certo tom cristão ao seu espiritualismo. Não se pode negar que o fato de obrigar a prestar juramento sobre o Evangelho de São João não é uma prova de tolerância perante profanos e irmãos agnósticos ou pagãos. há de se reconhecer que se a franco-maçonaria inglesa conservou sempre um caráter espiritualista e nunca lhe ocorreu negar a existência do Grande Arquiteto do Universo. que no período que antecedeu a revolução francesa. por esses meios. se negou a comparecer a este Convento por razões que seriam muito extensas para explicar. Domizio Torrigiani e Giovanni Amendola. Alguns quiseram considerá-la como “tradicional” quando no máximo representa a tradição maçônica francesa. Filopanti. literalmente. terminará por reduzir os trabalhos da Loja a um simples serviço religioso corriqueiro ou puritano. Há que se recordar também. Bovio. A intolerância acentua-se com o mau costume de impingir a leitura e o comentário dos versículos do Evangelho durante os trabalhos da Loja. uma Maçonaria comprometida e interessada nas questões políticas e sociais. nem tampouco a autoridade da Bíblia. A franco-maçonaria francesa tornou-se então e seguiu sendo desde esse momento. da oposição que seguidamente nasceu entre a Maçonaria anglo-saxônica e a francesa. Seja como for. que unicamente constava de três graus e era exclusivamente dedicado à obra de edificação espiritual.É na França onde aparece a primeira alteração. que não têm uma especial simpatia pelo Evangelho de São João e ignoram tudo da tradição joanista. na Inglaterra e na América. não se pode dizer que a franco-maçonaria italiana se converteu numa franco-maçonaria materialista. é inegável que a franco-maçonaria sofreu na França – e seria difícil que isso não tivesse ocorrido – a influência do grande movimento profano que levou à revolução e culminou no império. se não a única. bem distinta da antiga tradição. pela primeira vez. mas também materialista e positivista que seguia a moda filosófica da época. mesmo quando ficaram desorientados pela plêiade de ritos diversos e opostos. Pascoli. havia irmãos de todas as crenças religiosas e de todos os partidos políticos.

conduzido com competência e habilidade. 141). Desse modo o leitor se vê levado a concluir que. tão rápido como se começa a raciocinar. Índia. a Igreja católica excomungou a francomaçonaria. mais que “words. Isso posto. civilizações e religiões. uma confissão ou o recitar de certas fórmulas. como dizia Hamlet. se tem desvelado as cerimônias maçônicas expondo-as ao ridículo. reveste-se de novas formas e é necessário que nos protejamos dela. se tem afirmado que a franco-maçonaria é apenas o instrumento dos judeus. não são. a perseguição à franco-maçonaria durante estes últimos vinte anos foi iniciada e mantida pelos jesuítas e pelos nacionalistas[xiii]. foram habilmente substituídas nele por uma crítica insidiosa. Na página 153. que os trabalhos maçônicos consistiam de orgias abomináveis. naturalmente. A sabedoria não pode ser compreendida racionalmente. no fundo. de acordo com a sua civilização e a sua inteligência. incerta. Há que se pensar que. destinada a impressionar o leitor culto e o espírito dos nossos irmãos. pensou-se em suprimi-los ou em retirar-lhes a possibilidade de se reunirem para trabalhar ou de responder e defender-se. sabiam muito bem que se tratava apenas de calúnias. Enquanto não se reflete sobre isto. “esta tradição secreta coincide (pág. apoiando-se em sentimentos moralistas e patrióticos. Afirmaram. ainda que a verdadeira religião e a verdadeira filosofia existam. não vacilaram em provocar a aversão do mundo civilizado. Por outro lado. assim. Desde o momento em que apareceram as Constituições de Anderson com o seu princípio de liberdade e de tolerância. Malásia. com as doutrinas gnósticas“. uma vidya. Nas páginas precedentes mostramos que a franco-maçonaria não ensina nenhuma doutrina e nem deve ensiná-la. de difundir a franco-maçonaria por toda a Terra e estabelecer uma fraternidade entre os homens de todas as raças. se tem acusado os maçons de trair a sua pátria pelo caráter internacional da Ordem. A arte maçônica ou arte real é a arte de trabalhar a pedra bruta para tornar possível a transmutação humana e a percepção gradual da luz iniciática. A francomaçonaria é. o mundo do Islã. porque cada qual entende as palavras destes credos e fórmulas à sua maneira. cada uma convencida de que detém a verdade. nem de uma bagagem doutrinal considerada detentora e portadora da verdade. E quando os olhos se abrem à luz com o nascimento na nova vida. naturalmente. que a franco-maçonaria tenha o monopólio da arte real. é uma ilusão crer que pode conquistá-las ou comunicá-las mediante uma conversão. ao estar desprovida de conteúdo. aproximamo-nos dessa visão. Recentemente. ainda que frequentemente de uma forma corrompida. As habituais e costumeiras calúnias. chegou a hora. uma esfinge sem segredo. mas a lepra da intolerância propaga-se sempre. que não consiste nem de uma fé codificada. para ganharem a simpatia destes senhores. deve-se crer que somente uma doutrina pode ocupar o vazio. nem expressada. Os franco-maçons. dado que não ensina nenhuma doutrina. É uma visão. Esta crítica afirma que. e com isso se tem manipulado os rituais. sempre para enganar e levantar os crentes e o público em geral contra a “Sociedade Secreta”. essencial e necessariamente indeterminada. um credo religioso ou filosófico. e no fundo. words“[xiv]. culpável precisamente de tolerância. a tradição secreta não contém senão o vazio absoluto (pág. a Maçonaria não tem nenhum valor.155). segundo o autor. para chegar a concluir que a Tradição Secreta contém o vazio ao não conter uma doutrina. se não nos enganamos. com o seu vandalismo contra a franco-maçonaria. um conjunto de postulados ou de preconceitos ideológicos e moralistas. surgem seitas e heresias. No decurso dos dois últimos séculos a maior parte dos inimigos da franco-maçonaria recorreram sistemática e unicamente à injúria e à calúnia. à qual os não crentes devam ser convertidos. nem comunicada. têm se mostrado refratárias. tem-se a ilusão de que essas palavras são compreendidas de igual maneira. pois. enquanto os fascistas. como nada conseguia convencê-los. Os jesuítas perderam esta guerra. Não se compreende muito bem então como se pode afirmar igualmente que este vazio absoluto. Na Itália.tudo exceto a intolerância deliberadamente hostil. o autor afirma ainda: “o sistema iniciático supõe que o homem possa chegar a com- . Mas não pretendamos demasiado. words. 139) e conclui afirmando que “na Escola Iniciática ou por meio dela a Tradição Secreta não tem ensinado absolutamente nada à humanidade” (pág. um escritor católico[xv] publicou um estudo histórico sobre “Tradição Secreta”. China. e o encarniçamento contra a franco-maçonaria nunca seria desmentido. destinadas a impressionar os profanos. Japão. E. O que não significa. Para levar a bom termo esta tarefa é necessário que a franco-maçonaria não assuma uma fisionomia e um tom pertencente a uma minoria perante a qual as grandes civilizações orientais. destacando que esta atitude é um de seus méritos. no que diz respeito à Itália. Isso é possível desde que a franco-maçonaria não se circunscreva a uma crença qualquer e permaneça fiel ao seu patrimônio espiritual.

não deixa de ficar estabelecida a posição que a Aritmética ocupa segundo Dante. que ilustra seu caráter matemático. O esquadro e o compasso são os dois símbolos de ofício fundamentais na arte maçônica. sistemas e teorias. Os instrumentos maçônicos têm. mas certamente não basta fumar cachimbo e degustar um café para alcançar-se o conhecimento. A Bíblia afirma que Deus fez omnia in numero. pauci electi sunt[xix]. Deixamos aos profanos a consoladora e ingênua ilusão de crer que é possível formular de alguma maneira esta verdade e este conhecimento em credos. Preocupavam-se com a orientação da igreja. os problemas inexplicados do cosmos e do além”. E ambos são um pouco como o tabaco e o café: dois venenos que se compensam. . mas existe uma arte secreta. pelo contrário. as questões de relação e proporção tinham uma importância capital. A arte dos construtores estava relacionada à ciência da geometria. uma proporção. Na arquitetura antiga. a aritmética. por um esforço da inteligência. a física moderna continua considerando os números e as relações numéricas. e ao segredo da arte real corresponde o segredo arquitetônico dos construtores das grandes catedrais medievais. pondere et mensura[xxi]. pois saber não é crer. A fé isoladamente conduz ao desespero filosófico. é suficiente com ter fé no Dogma. uma ordem. É natural que os franco-maçons venerem o Grande Arquiteto do Universo. a geometria. com o número de naves. uma ordem. assim o olho do intelecto não pode olhar o número que é infinito”[xxii]. a primeira estava na base de todas as demais. Por outro lado. Mas dizia também a seus discípulos que a eles “lhes era dado entender o mistério do reino dos céus”. mas non sufficit[xvii] para entender os mistérios. tanto a Bíblia como a arquitetura aconselhavam considerar os números. Evidentemente só fides sufficit ad firmandum cor sincerum[xvi]. De fato. É certo que está perfeitamente orientada e que a face volta para o setentrião é exatamente perpendicular ao eixo de rotação terrestre. a força intangível de seu dogma que deve ser único porque não podem existir duas verdades” e que o sistema iniciático é incompatível com o cristianismo. mas não todos e. é certo. a música e a astronomia. doutrinas. em função da posição que este tinha na época de sua construção. De fato compreendemos que a verdade é necessariamente inefável e indizível. por exemplo. assim da luz da aritmética se iluminam todas as ciências” e da mesma forma “que o olho não pode olhar ao sol. chamada arte real ou mais simplesmente Arte. baseando-se em um módulo secreto ao qual alude Vitrúvio. não eram guiados somente por alguns critérios estéticos. Além disso. Com isso não queremos diminuir de nenhuma maneira o valor da fé e do raciocínio. e o conhecimento e o paraíso estão ao alcance de todos os bolsos a preços realmente insuperáveis. mesmo que não se defina o que se deve entender por esta fórmula. E entre as quatro ciências liberais do quadrivium pitagórico. Sem entrar na crítica desta passagem. procedendo com a maior circunspeção. Segundo a Igreja católica. uma harmonia. inclusive. O que é igualmente válido para o simples raciocínio. É a arte da edificação espiritual à qual corresponde a arquitetura sagrada. que não conhecemos iniciados que façam suposições. e aceitando apenas o determinismo limitado pela lei das probabilidades. pois. ainda que se negue a reconhecer no cosmos uma unidade. especialmente na arquitetura sagrada. Mas nos é impossível admitir que a fé em um dogma possa constituir um conhecimento. que esta pirâmide se encontra exatamente a 30o de latitude para formar com o centro da Terra e o Polo Norte um triângulo equilátero. e em particular dos templos. Ao conhecimento multi vocati sunt[xviii]. até Jesus sabia que suas parábolas eram apenas parábolas.preender. um sentido figurado na obra da transmutação. e a régua e o compasso os dois instrumentos fundamentais na geometria elementar. uma harmonia. Existe toda uma literatura referente à arquitetura egípcia e sobretudo à pirâmide de Queops. Hoje em dia. etc. Resumindo: não existe uma doutrina maçônica secreta[xx]. A arquitetura clássica estabelecia a proporção das diferentes partes de um edifício. e ainda menos que criem ilusões sobre a possibilidade de resolver por meio de sua inteligência ou de elucubrações os problemas inexplicados. entre estes muitos. Dante comparava o céu do Sol com a aritmética porque “como da luz do Sol todas as estrelas se iluminam. E. fórmulas. Quanto aos construtores da Idade Média. Os pitagóricos criaram a palavra cosmos para indicar a beleza do universo no qual reconheciam uma unidade. A estas afirmações respondemos que ignoramos a existência de um sistema iniciático. e tanto Einstein como Bertrand Russell constataram e reconheceram que a ciência moderna retornava ao pitagorismo. não ficam senão eles. Na página 152 escreve: “a Igreja católica opõe às vãs elucubrações dos que se autodenominam iniciados. uma lei.

. Considérations sur le Rituel de l’Apprenti Franc-Maçon. antigamente a acepção da palavra geometria era menos específica que hoje. Para estudar as propriedades dos números sagrados dos franco-maçons e sua função na franco-maçonaria. “Aparte de algumas propriedades geométricas atribuídas. que exerceu sobre ele uma grande influência. les Nomes Sacrés dans la Tradition Pythagoriciene Maçonique. porque os pitagóricos foram os criadores destas ciências liberais. E o estudá-la tanto do ponto de vista aritmético ordinário como do ponto de vista da aritmética simbólica ou formal.diz Paul Tanery . o que permite dizer quando se quer sustentar que a Maçonaria se inspirou em Platão. afirma categoricamente que a ordem Maçônica é idêntica à ordem pitagórica. a afinidade entre ambas as ordens é certa. Aritmosofia. arte real da arquitetura e edificação espiritual é a mesma que inspira a máxima platônica: “Que ninguém entre aqui se não é geômetra”. Cagliostro..] “inclusive é impossível chegar a uma verdadeira fé em Deus caso não se conheça a matemática. tradicional na franco-maçonaria. E os Pitagóricos foram os primeiros a estudar a aritmética e os números”. como a chama Pico da Mirandola. Assim a identificação da arte real com a geometria. não se refere à geometria tomada em seu sentido moderno. em última análise. A compreensão dos números pitagóricos facilitará a dos números sagrados da Maçonaria. exige o conhecimento da aritmética. E não é anterior. a do estudo da antiga aritmética pitagórica. segundo o que se pode deduzir historicamente e a partir dos testemunhos de Proclo. documents et études. nas medidas. les Mots sacrés et de passe des trois premiers grades et le plus grand mystère maçonique. mas também à aritmética. em particular. provém direta ou indiretamente da geometria e da aritmética pitagóricas. que. mas somente de uma filiação espiritual. Mas em obras que indiscutivelmente são de Platão podemos ler: “…a geometria é um método para dirigir a alma para o ser eterno. e uma obra inédita em sete tomos: Dei Numeri Pitagorici. é seguro e manifesto.brotou completa do cérebro de Pitágoras da mesma forma que Minerva saltou inteiramente armada do de Júpiter. O arcipreste Domenico Angherà no prefácio que escreveu para a reedição dos Estatutos Gerais da Sociedade dos Franco-maçons do Rito Escocês Antigo e Aceito (1874). A arte geométrica da franco-maçonaria. Manteve correspondência com René Guénon. e geometria significava genericamente toda a matemática. que já haviam sido publicados em Nápoles em 1820. fundou e dirigiu as revistas Atanor – onde este último publicou em primeira versão o Esoterismo de Dante e o Rei do Mundo .. a Tales. pois apenas é mencionada por um comentarista bastante tardio. e foi também chefe de redação da Rassegna Massonica. Além disso. a via que se oferece por ela mesma é. devemos observar que a relação entre geometria. Notes brèves sur le Cosmopolite. A geometria. capaz de voltar as atividades da alma para as coisas supra-humanas”. Estas concepções e atitudes de Platão devem ser as da Escola Itálica ou pitagórica. a astronomia e a íntima união desta última com a música”[xxiii]. Ambos os sentidos se encontram estreitamente ligados no desenvolvimento da aritmética pitagórica. pois. ou seja. sem dúvida equivocadamente. escreveu numerosos artigos. a geometria . se volta sempre à geometria e à aritmética dos pitagóricos. correspondente à tarefa filosófica e espiritual que Platão atribui à geometria.Assim. Mas ainda temos de fazer algumas observações. O vínculo entre a francomaçonaria e a ordem pitagórica. todos editados hoje por Archè. não há nada de surpreendente no fato de que os franco-maçons tenham identificado a arte arquitetônica com a geometria e tenham dado ao conhecimento dos números uma importância tal que ela (geometria) justifica sua tradicional pretensão de serem os únicos a conhecer os “números sagrados”. Isso posto. uma escola preparatória para um espírito científico. matemático e filólogo. [. pois. sem que se trate de uma derivação histórica ininterrupta. Entre suas obras. . Mas mesmo sem ir tão longe. ocupou um alto cargo na Maçonaria italiana (Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceito. Máxima cuja atribuição é algo duvidosa. Arturo Reghini (1878-1946). Milano. em seu aspecto métrico. e membro honorário de Supremos Conselhos de outros países).e Ignis (1924-25) e contribuiu com a Ur (1927-28).

Leyden. XIII. Preston. Reghini. II. non ite cum Jesuitis.] è infinito”. Milão 1941 [xvi] a fé é sincera o suficiente para compreender (N. Discours philosophiques. pág. orgão da Companhia de Jesus. Cartas.. finalmente. Ao invés de reconhecer que seu ponto de vista não é defensável.] il numero [. 110. 2ª edição. Purgatorio. A. Dante.. Spirit of Masonry. palavras (N. Wirth já havia dito a mesma coisa em 1941: “Como o método iniciático se nega a inculcar o que quer que seja. tradução Formey. O Banquete. Raffaele Del Castillo. patriota italiano que luchó para libertar a Itália do domínio austríaco. fundador da “Jovem Itália” (sociedade secreta que trabalhava para o estabelecimento da república na Itália). apenas é admissível que se tenha ensinado uma doutrina positiva no seio dos Mistérios”. Reghini. pág. números 9 e 10. Pietro Negri [= A. 71-72. La tradizione segreta. [xi] Cornelius Agrippa. 119.] che l’occhio dell’intelletto non può mirare [. Giosue Carducci (1835-1907) poeta. [x] O. . ao contrário – e sem nenhuma prova – que a Maçonaria pretendeu ensinar uma doutrina secreta.[i] Libertà va cercando ch’è si cara Come sa chi per lei vita rifiuta. en UR.) [xv] Cf.. Giovanni Bovio (1841-1903) filósofo e político radical de esquerda. cf. pág. e constata que não se encontra traço desta doutrina positiva. A.. Illustrations of Masonry. os artigos de Emilio Bodrero em Civiltà cattolica. Le Livre du Maître. [viii] Cf. peso e medida (N. Quirico Filopanti (1812-1894) patriota e universitário. G. 15 e 19. (Dante. Giovanni Pascoli (1855-1912) poeta. I. Domizio Torrigiani (1879-1932). junio-julio 1923. Noterelle iniziatiche. Francfort.. Reghini. Un codice plumbeo alchemico italiano.) [xxii] “come del lume del Sole tutte le stelle si alluminano. pág. Giovanni Amendola (1882-1926) político. do papado. O vos qui cum Jesu itis. IV. Londres 1724. no Livre du Maître. dos Bourbons (reino das Duas Sicílias) e. Oswald Wirth. e em Roma Fascista. Cf. também a monografía de A.T. 7. 91. 1927 [ix] Cf. Sull’origine del simbolismo. 1923. Égloga VIII [v] Máximo de Tiro. [vi] Cf. 189.. [xiv] palavras. en Rassegna Massonica.T. [vii] Johannes Daniel Mylius. così del lume dell’aritmetica tutte le scienze si alluminano [. periódico.T. também Ignis y Rassegna Massonica. De Castro.[xxi] Todas as coisas em número. cf. Le scienze esatte nell’antica Grecia. 1764: Discurso XI. Bucólicas. Mondo segreto.) [xix] poucos foram escolhidos (N. filósofo. Basilica Philosophica.T. acusa a Maçonaria de ser redundante e incapaz. [iii] The Grand Mystery of Freemasons discovered wherein are the several questions put to them at their Meetings and installation. Todi 1922.[xiii] Cf. Giuseppe Garibaldi (1807-1882). 173. Wirth expressa categoricamente esta opinião.T.) [ii] Hutchinson. ano de 1925. [iv] Virgilio. Del Castillo sustenta. pág.) [xx] O.) [xviii] muitos são chamados (N. Le Livre du Maître.) [xvii] não suficiente (N.T. fundador do Movimento União Democrática Nacional. Reghini]. prefacio da versão italiana da Filosofía Oculta de Agrippa [xii] Giuseppe Mazzini (1805-1872). 1618. Milão 1914. Le parole sacre e di passo ed il massimo mistero massonico. palavras. [xxiii] Gino Loria.