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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO NORTE FLUMINENSE DARCY RIBEIRO LABORATÓRIO DE CIÊNCIAS FÍSICAS MONOGRAFIA DE LICENCIATURA EM FÍSICA

ESTUDO DE AMOSTRAS DE BIODIESEIS EXÓTICOS ATRAVÉS DA TÉCNICA DE LENTE TÉRMICA EM FUNÇÃO DA TEMPERATURA

LUIZ FERNANDO MILLERI SANGIORGIO

DEZEMBRO DE 2009

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO NORTE FLUMINENSE DARCY RIBEIRO LABORATÓRIO DE CIÊNCIAS FÍSICAS MONOGRAFIA DE LICENCIATURA EM FÍSICA

Monografia apresentada ao Centro de Ciência e Tecnologia do da Norte

Universidade

Estadual

Fluminense para a obtenção do Grau de Licenciado em Física.

ESTUDO DE AMOSTRAS DE BIODIESEIS EXÓTICOS ATRAVÉS DA TÉCNICA DE LENTE TÉRMICA EM FUNÇÃO DA TEMPERATURA

_____________________________________ LUIZ FERNANDO MILLERI SANGIORGIO Matrícula n°: LF10811213-7 e-mail: luizsang@yahoo.com.br

ORIENTADORA: PROF. Drª. MARIA PRISCILA PESSANHA DE CASTRO

DEZEMBRO DE 2009

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ESTUDO DE AMOSTRAS DE BIODIESEIS EXÓTICOS ATRAVÉS DA TÉCNICA DE LENTE TÉRMICA EM FUNÇÃO DA TEMPERATURA

LUIZ FERNANDO MILLERI SANGIORGIO

Monografia apresentada ao Centro de Ciência e Tecnologia do da Norte

Universidade

Estadual

Fluminense para a obtenção do Grau de Licenciado em Física.

Aprovado em 9 de dezembro de 2009 Comissão Examinadora:

_______________________________________________________________ Prof. Drª. Maria Priscila Pessanha de Castro (Orientadora) (UENF – LCFIS)

_______________________________________________________________ Prof. Dr. Marcelo Silva Sthel (UENF – LCFIS)

______________________________________________________________________ Ms. Milena Filadelpho Coutinho (UENF – LCFIS)

DEZEMBRO DE 2009

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“Os Grandes homens são necessários para nossa vida, para que o movimento da História mundial possa se libertar

esporadicamente, espasmodicamente, de modos de vida obsoletos e de falas inconseqüentes.”

Jacob Burckhardt

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DEDICATÓRIA Aos meus pais. v .

por ter sido minha inspiração e a razão de todo esse esforço. pelas vi . Ao meu irmão Arthur pela amizade e pela união apesar da distância. A Dona Doralice pela amizade e pelas guloseimas maravilhosas. . por estar sempre ao me lado dando força para continuar. Álvaro (Nego Loro). amo muitos vocês. Silas (Bocão) e Rodolfo (Gordo) pelos momentos de conversa na praça de madrugada. pelo amor incondicional. Luiz e Maria Arlete. Aos meus Avôs Darling e Celicia pelo amor incondicional. Aos amigos do Peito Thyago (Bozó). festas churrascos. pela paciência em alguns momentos. pelo apoio. Aos amigos Rodrigo e Ana Luiza pela amizade. pela paciência em momentos difíceis e pelo amor infinito que sentimos um pelo outro. pela educação que me foi dada e por ajudar a tornar esse sonho uma realidade mesmo estando tão longe.Drª Maria Priscila Pessanha de Castro pela pessoa sensacional e amiga que é. em especial: Aos meus pais. Ana Maria pela amizade. cervejadas e pelas amizade que apesar da distância permanece forte. A minha namorada Ana Elisa pelos momentos maravilhosos que passamos juntos. Aos amigos Marcus Vinicius. acolhimento e hospedagem nos fins de semana e verão. pela total dedicação. pelos bons momentos da juventude de curtição. A Prof.AGRADECIMENTOS Gostaria de agradecer.

Samara. Por fim a todos meus amigos e familiares que não foram citados por me apoiarem e torcerem por mim. Milena. TECNORTE. como PIBICUENF. Aos órgãos financiadores de todos os projetos e minha bolsa. Erick. Willy pelos momentos de descontração no laboratório.valiosas discussões e pela colaboração na elaboração dessa monografia. Guilherme. Leonardo. Aos amigos do laboratório Wellington. Luiza. Marcelo Silva Sthel pelas amostras analisadas neste trabalho e pelas conversas e momentos de descontração. Milena. Ao Prof. Aos Amigos do LCFIS Guto. Dr. Chico. Sâmylla e Fayad pelo companheirismo e pela amizade. Wellington. Aos professores do LCFIS que fizeram parte de minha formação e passaram um pouco do seu conhecimento. FAPERJ. Aline e Chico pela ajuda nas horas de trabalho para as medidas das amostras e pelas conversas e momentos de descontração. Ao técnico Luiz sempre oferecendo ajuda e solucionando problemas com equipamentos. Aos amigos de sala de aula Mila. Talis. vii . por ser uma excelente orientadora e pela confiança em mim depositada.

...................................................................CONFIGURAÇÃO EXPERIMENTAL..............5 3......................................................................................................1 2.....................................PRODUÇÃO DE BIODIESEL..........................................................................INTRODUÇÃO..............................................................17 5.........................REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS....................XII 1....CONCEITOS BÁSICOS DA TÉCNICA DE LENTE TÉRMICA................IX LISTA DE TABELAS.............1..........................................................................16 5..................2................................................................2..........2.......................................................................................22 5..................................X RESUMO......TÉCNICAS FOTOTÉRMICAS E PROPRIEDADES TÉRMICAS............................................................27 7.............METODOLOGIA.......2........................2...........................................RESULTADOS E DISCUSSÕES.....16 5.2 3..............BIODIESEIS EXÓTCOS..........................4 3............................MATÉRIA-PRIMA.............................................................................33 viii .................24 6.........BIODIESEL.....................XI OBJETIVO......................9 5................6 4..........................................32 8..............ETAPAS DA PRODUÇÃO DE BIODIESEL..SUMÁRIO LISTA DE FIGURAS........MODELOS MATEMÁTICOS DA TÉCNICA............CONCLUSÕES............................................................1..................................................................................................................1..........................

.21 Figura 11 ...................................Formação da Lente Térmica na Amostra...........................28 Figura 16 ..........26 Figura 14 ................Variação do Índice de Refração em Função da Temperatura.......7 Figura 2 ........Aparato Experimental da Técnica de Lente Térmica....9 Figura 3 – Principio de Funcionamento das Técnicas Fototérmicas.......Sinal de Lente Térmica em função do tempo para amostra de Biodiesel de Oliva Pe = 3..............................20 Figura 9 ..............................97 mW....................Configuração de feixe Duplo de Modo Descasado............................19 Figura 7 .....29 ix ......Configuração de Feixe Duplo Modo Casado................. (a) Divergente............................................Figura 11 ..........................................................27 Figura 15 ...................LISTA DE FIGURAS Figura 1 ...............5mW.....................Curva Típica do Sinal de Lente Térmica........... (b) Convergente..........................Transesterificação de triglicerídeo com álcool.............21 Figura 10 .........Divergência do Laser após Passar Pela Amostra..............25 Figura 13 .............................................Fluxograma do Processo de Produção do Biodiesel...Sinal de Lente Térmica em função da Potência............16 Figura 4 – Processo Excitação e Desexcitação..........................24 Figura 12 .....................................................................19 Figura 8 ......................Sinal de Lente Térmica em função do tempo para amostra de Biodiesel de Óleo de Arroz Refinado PE = 3.........16 Figura 5 ..18 Figura 6 ......θ/P em função da Temperatura......................Configuração de Lente Térmica de Feixe Único Intracavidade.............

.............................30 Tabela 8 – Número de Prandtl de Alguns Biodieseis Estudados.........Matérias-Primas Utilizadas na Produção de Biodiesel em 2008 (%)....................3 Tabela 2 – Comparação das Rotas Metílicas e Etílica..................................6 Tabela 5 ..............................................5 Tabela 3 – Vegetais Utilizados na Produção de Biodiesel.........................31 x ..................................................................................................................................LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Emissões de Poluentes das Misturas..........................................5 Tabela 4 – Vantagens e Desvantagens do Metanol e Etanol na Produção de Biodiesel....28 Tabela 7 – Porcentagem das Concentrações dos Ácidos Graxos Predominantes nos Biodieseis Estudados.............10 Tabela 6 – Difusividade Térmica das Amostras de Biodieseis Estudadas......

Lente Térmica e Caracterização xi . liberam grandes quantidades de gases poluentes que potencializam o efeito estufa.RESUMO Este trabalho tem como ponto principal o estudo das propriedades térmicas de biodieseis exóticos e também analisar o seu comportamento quando variamos sua temperatura. reduz a emissão de gases do efeito estufa. poluem o meio ambiente. Os combustíveis fósseis. A caracterização térmica por meio das Técnicas Fototérmicas vem sendo muito utilizada no estudo de diversos materiais. por ser não destrutiva e por ser sensível. Diante disso faz-se necessário buscar novas alternativas energéticas. Biodiesel. Atualmente o Brasil vem investindo no biodiesel que é uma fonte renovável. biodegradável. PALAVRAS CHAVES: Energia Alternativa. gera empregos e não há necessidade de adaptação nos motores do ciclo diesel. Devido a isto é de suma importância a busca de novas metodologias para a caracterização deste material. A Técnica Fototérmica escolhida para a caracterização térmica do biodiesel foi a Técnica de Lente Térmica. não renováveis.

Divulgação da Técnica de Lente Térmica como técnica de caracterização térmica do biodiesel. Divulgação científica sobre a importância da utilização do biodiesel como combustível.OBJETIVOS Esta monografia tem como objetivos: Determinar propriedades térmicas de biodieseis exóticos como a difusividade térmica através da Técnica de Lente Térmica. xii . e realizar um estudo em função da temperatura.

Esse efeito é de vital importância. A concentração atmosférica global de dióxido de carbono aumentou de um valor préindustrial de cerca de 280 ppm para 379 ppm em 2005. 2006). fazendo com que ocorra um aumento da temperatura. na cidade de Kyoto. Devido a isso. Uma medida importante para eliminar a emissão deste gás seria a substituição do combustível fóssil por um combustível renovável. O aumento global da concentração de CO2 se deve principalmente ao uso de combustíveis fósseis (IPCC. 2007). que teve seu início em 1931 com a obrigatoriedade de se misturar 5% (E5) de etanol à gasolina. e como conseqüência uma quantidade maior de calor fique retida na atmosfera. O dióxido de carbono é o gás de efeito estufa antrópico mais importante. e esse pioneirismo se consolidou devido à crise do petróleo (1974/1975). 40% da frota de veículos de passeio do país utilizam o etanol como combustível (MAPA. Essa concentração aumentou bastante em conseqüência das atividades humanas desde a Revolução Industrial (1750) e agora ultrapassam em muito os valores pré-industriais. diversos países estão elaborando ou executando planos para usar combustíveis renováveis (MAPA. pois sem ele não haveria vida na Terra). o país implantou o programa "Proálcool" para estruturar o sistema de produção e uso de etanol e. provocando um aumento na temperatura da superfície terrestre e da atmosfera. causando efeitos profundos no ecossistema e na humanidade. três décadas após o início do Programa. INTRODUÇÃO O Aquecimento Global ocorre devido ao aumento da concentração de gases que potencializam o efeito estufa na atmosfera (é um processo que ocorre quando uma parte da radiação solar refletida pela superfície terrestre é absorvida e espalhada por determinados gases presentes na atmosfera fazendo com que o calor fique retido. hoje. Em 1997. O problema é quando se aumenta a concentração desses gases. O Brasil foi o país pioneiro a elaborar programas para o uso de energias renováveis. Isto se deve provavelmente a atividades humanas.1. durante a realização da Terceira Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas 1 . 2006).

Dentre essas novas energias. de origem fóssil (PRATES. a Lei 11. No Brasil. Para poder atender a quantidade especificada no Protocolo de Kyoto.2%.097/05 define biodiesel como “biocombustível derivado de biomassa renovável para uso em motores a combustão interna com ignição por compressão ou. 2 . com transporte. 2004). além de emitir pela queima em motores de combustão interna uma quantidade menor de gases indesejáveis como o CO2 que gera efeitos indesejáveis (MENDONÇA. reguladas pela Resolução da ANP 42. As especificações para biodiesel no Brasil. 2. BIODIESEL O biodiesel é um combustível biodegradável derivado de fontes renováveis. em 2008). conforme regulamento. a que vem tendo maior destaque tanto Brasil como no mundo é o biodiesel. Em consenso. para geração de outro tipo de energia. de forma a permitir a produção do biodiesel com base em diversas matérias-primas. de 24 de novembro de 2004. os países ali relacionados buscaram novas tecnologias para produção de Energia limpa (renovável). que possa substituir parcial ou totalmente combustíveis de origem fóssil” (ANP. 2007). O Protocolo de Kyoto estabelece que dos 179 países participantes que assinaram o Protocolo 38 deles teriam até 2012 para reduzir suas emissões de gases do efeito estufa em 5. armazenamento e manuseio mais seguros se comparados com o diesel.foi apresentado um protocolo que visava transformar as reduções voluntárias em obrigatórias. Pode ser utilizado puro ou misturado em quaisquer proporções com o óleo mineral. sendo que as reduções deveriam ser comprovadas no período entre 2008 e 2012 (MARCHEIR e AMARAL. mas também para a diversificação da produção em termos regionais (ANP. 2007). seja proveniente de óleo vegetal ou de gordura animal. Essa flexibilização das especificações contribuiu não só para maior competitividade entre matérias-primas. relação a 1990. são menos restritivas que na Europa. é biodegradável e não-tóxico. o biodiesel não é considerado uma substância inflamável. 2004).

Este crédito pode ser negociado no mercado internacional).65 Apesar de todas as vantagens do biodiesel ele possui um problema que é a liberação de NOx no momento da combustão. resultando numa qualidade de vida melhor e o meio ambiente mais limpo de acordo com a tabela 1. durante o crescimento das próximas safras das biomassas. causadores de doenças Redução de gases que acentuam o efeito estufa. como: • • • • • Desnecessidade de adaptação nos motores do ciclo do diesel. Tabela 1 – Emissões de Poluentes das Misturas POLUENTE GASES DO EFEITO ESTUFA ENXOFRE MATERIAL PARTICULADO NOX FONTE: OLIVERA. de passageiros e de carga mais limpo. para dar origem à glicerina e ao biodiesel) é de origem vegetal (rota etílica). • Geração de empregos. diminuído gastos com saúde publica. Também foi observado que quando a reação de transesterificação (quando se processa um óleo animal ou vegetal com um álcool (metanol ou etanol) na presença de um catalisador.5 9. REDUÇÃO/ AUMENTO R R R A B100 78 98 50 13 B20 B10 PERCENTUAL (%) 15 19 10 2. Geração de crédito de carbono (são certificados emitidos quando ocorre a respiratórias. Redução de materiais particulados e enxofre.95 2.5 5 1. e esse gás pode gerar chuva ácida e formação de ozônio que é um gás estufa na atmosfera.3 B5 3. das quais se produz o álcool e o 3 . a emissão de dióxido de carbono (CO2) produzido pela combustão do biodiesel é reabsorvida na integra pela fotossíntese.75 4. 2001. Uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) equivale a um crédito de carbono.5 0.Em um levantamento feito por Oliveira e Costa (2002) constataram-se alguns benefícios que o biodiesel traz. A substituição do petrodiesel (diesel derivado do petróleo) pelo biodiesel possibilita um transporte rodoviário.5 7. redução de emissão de gases do efeito estufa. Menor volume de importação de diesel mineral.

3. 2009). outro aspecto favorável diz respeito à questão ambiental. enquanto o metanol é de origem fóssil (hidrocarbonetos). devido suas vantagens técnicas e econômicas. tendo em vista que o etanol é de origem vegetal (cana-de-açúcar). sendo ambos considerados biodieseis. De acordo com Duarte (2009) os benefícios do primeiro ano de obrigatoriedade do biodiesel já são notáveis. 4 . No início de 2010 já passaremos a utilizar 5% de biodiesel no diesel. PRODUÇÃO DE BIODIESEL O processo de produção do biodiesel ocorre através de diferentes tipos de processos e reações químicas. 2003).óleo. Dentre esses. craqueamento térmico e transesterificação. Além disso. o que vem tendo maior destaque. enquanto na reação de transesterificação de origem mineral (rota metílica). As duas reações são equivalentes do ponto de vista objetivo. haja vista que os ésteres metílicos e ésteres etílicos têm propriedades equivalentes como combustíveis. facilitando o abastecimento. Em julho de 2009 o Brasil passou a usar 4% de biodiesel misturado ao diesel. No Brasil a rota etílica possui vantagens devido à grande oferta de etanol em todo o país. 2002). 78% dióxido de carbono (CO2) é absorvido (OLIVEIRA e COSTA.1 bilhões de litro de diesel fóssil no ano (DUARTE. micro-emulsão. como mostra a tabela 2 (PARENTE. no acumulado do ano isso gerou um ganho de U$$ 976 milhões na balança comercial o que corresponde à diminuição na importação de 1. tais como: pirólise. Em julho de 2008 a concentração de biodiesel adicionado ao diesel passou de 2% para 3%. Antecipando as expectativas que era de começar a utilizar 5% em 2013. Porém em todo o mundo o biodiesel vem sendo obtido via metanol. A reação de transesterificação pode ocorrer tanto pela rota etílica (etanol – vegetal) quanto pela rota metílica (metanol – mineral). e sendo mais viável até o momento é a transesterificação.

Excesso Recomendado de Álcool.000 litros de biodiesel . 2008 – Adaptação de IAPAR. Tabela 3 – Vegetais Utilizados na Produção de Biodiesel Espécie Material Óleo (%) Proteína bruta Babaçu Amêndoa 65-68 8.47 Resultados obtidos com espécies potenciais na produção de óleo e uso no biodiesel _LNA Ibiporã (PR).10 Algodão Semente 18-20 22.Tabela 2 – Comparação das Rotas Metílicas e Etílica Quantidades e Condições Usuais Médias Aproximadas .94 Canola / Colza Semente 38-48 24-27 Cártamo Semente 34-40 17. por destilação. entre outras matérias graxas de origem animal.58 38.58 Soja Semente 18-20 42. comerciais e industriais.42 20. óleo de mocotó banha de porco.55 Crambe Semente 28-38 24. MATÉRIA-PRIMA Segundo Parente todos os vegetais enquadrados na categoria de triglicerídeos (tabela 3). Rotas de Processo Metílica Etílica 90 kg 190 100% 60 ºC 40 minutos 130 kg 360 650% 85 ºC 90 minutos 3. recuperável.Preço Médio do Álcool.80 12. 5 .14 Amendoim Semente 54-56 33.00 22.05 Gergelim Semente 44-58 38-40 Girassol Semente 40-45 15.93 Fonte: Ademir Calegari.57 Pupunha Semente Inteira 60 7.Temperatura Recomendada de Reação –Tempo de reação FONTE: PARENTE.88 30. Dados corrigidos para 100% de matéria seca. podem ser transformados em biodiesel (PARENTE.Quantidade Consumida de Álcool por 1. 2006). 2003.36 Linho Semente 33-43 26.11 31.71 Tunge Semente 30-35 15. após reação . óleos e gorduras de animais semelhantes às dos óleos vegetais fixo como: sebo bovino.02 32. IAPAR Extrato etéreo 53.39 24. gorduras residuais resultantes de processos domésticos. US$ /kg .81 50-52 48.14 38.79 Pinhão-manso Semente 32-40 29. óleo de peixe.77 32.1.57 Nabo forrageiro Semente 32-35 21.

a tabela 4 mostra as suas vantagens e desvantagens. os catalisadores são conceitualmente classificados como substâncias de elevada atividade e promotoras de uma reação química específica. a 1000 ppm (OLIVÉRIO. contudo. ainda temos mais duas fontes de insumos para a produção de biodiesel que são: o álcool e os catalisadores. devido o processo de produção ocorrer de forma mais rápida. tais como os metóxidos e etóxidos de sódio e potássio. no máximo. Além dos triglicerídeos. 3. impurezas de até 0.1%. do que a mesma quantidade na presença de catalisador ácido. De caráter alcalino.É fundamental.2. observando-se maior rendimento e seletividade.1% de ácido graxo livre. além de apresentar menores problemas relacionados à corrosão dos 6 . 2006). ETAPAS DA PRODUÇÃO DE BIODIESEL A reação de transesterificação é quando se processa um óleo animal ou vegetal com um álcool (metanol ou etanol) na presença de um catalisador. no entanto focalizaremos o catalizador alcalino. O óleo vegetal. 0. para dar origem à glicerina e ao biodiesel. O álcool é utilizado no processo de transesterificação e pode ser metílico (metanol – mineral) ou etílico (etanol . deve ter.vegetal). apresentam elevada atividade e são promotores de reações específicas (KHALIL.1%. 2006). por exemplo. fósforo que não ultrapasse a proporção de 20 ppm (parte por milhão). que essa matéria-prima atenda a algumas especificações. 2006). umidade máxima de 0. Tabela 4 – Vantagens e Desvantagens do Metanol e Etanol na Produção de Biodiesel Álcool Vantagens Desvantagens METANOL Menor custo Menor Consumo Maior reatividade Não Higroscópico Maior Rendimento Maior oferta Renovável Biodegradável Não Renovável Risco à saúde Produto importado Não biodegradável Maior consumo Maior custo Higroscópico Menor reatividade ETANOL FONTE: (KHALIL. insaponificáveis limitadas a 1% e ceras limitadas. Essareação pode ser realizada tanto em meio ácido quanto em meio básico.

R2. No primeiro passo. (a) Equação genérica. descritas abaixo: (PARENTE 2003). Faz-se necessário que a matéria prima tenha o mínimo de umidade e de acidez. há a conversão de triglicerídeos em diglicerídeos. ocorre a conversão dos diglicerídeos em monoglicerídeos.. com a máxima taxa de conversão. ao invés de metóxido de sódio. sendo que o uso de hidróxido de sódio. que por sua vez são convertidos em glicerol. através de uma lavagem com uma solução alcalina de hidróxido de sódio ou de potássio. • Preparação da Matéria Prima Visa criar as melhores condições para a efetivação da reação de transesterificação. Figura 1 .Transesterificação de triglicerídeo com álcool. o que é possível submetendo-a a um processo de neutralização. 2001) 7 . liberando uma molécula de éster metílico (se o álcool utilizado for o metanol) para cada etapa anterior. (b) três reações consecutivas e reversíveis. Os catalisadores mais eficientes para esse propósito são hidróxido de potássio (KOH) e hidróxido de sódio (NaOH). R1.equipamentos. Um esquema representando a reação de transesterificação pode ser visto na Figura 1. • Reação de Transesterificação A transesterificação com um álcool consiste em número de reações consecutivas e reversíveis. seguida de uma operação de secagem ou desumidificação. R3 e R' representam grupos alquila (FUKUDA et al. é preferido por causa dos perigos e inconvenientes do uso de metal de sódio O processo de produção do biodiesel esta dividido em oito etapas. Em seguida. A especificidade do tratamento depende da natureza e condições da matéria graxa empregada como matéria prima.

o qual deverá ter suas características enquadradas nas especificações das normas técnicas estabelecidas para o biodiesel como combustível para uso em motores do ciclo diesel. é submetida a um processo de evaporação. • Recuperação do álcool da glicerina A fase pesada. resultando finalmente o biodiesel.• Separação de fases Após a reação de transesterificação que converte a matéria graxa em ésteres (biodiesel). • Recuperação do álcool dos ésteres Da mesma forma. impregnada dos excessos utilizados de álcool. A fase mais pesada é composta de glicerina bruta. a massa reacional final é constituída de duas fases. mas separadamente. contendo água e álcool. contêm quantidades • desidratação do álcool é feita normalmente por destilação. e de impurezas inerentes à matéria prima. denominado comercialmente de glicerina destilada. o álcool residual é recuperado da fase mais leve. conforme a natureza do álcool originalmente adotado. Purificação dos ésteres Os ésteres deverão ser lavados por centrifugação e desumidificados posteriormente. de água. separáveis por decantação e/ou por centrifugação. após os processos de recuperação. Essas etapas da produção de biodiesel podem ser ilustradas no fluxograma a seguir (Figura 2) 8 . • Destilação da glicerina A purificação da glicerina bruta é feita por destilação a vácuo. eliminando-o da glicerina bruta. necessitando de uma separação. resultando num produto límpido e transparente. liberando para as etapas seguintes. A Os excessos residuais de álcool. também impregnado de excessos reacionais de álcool e de impurezas. A fase menos densa é constituída de uma mistura de ésteres metílicos ou etílicos. • Desidratação do álcool significativas de água. os ésteres metílicos ou etílicos.

4% do sebo e os outros 2. 9 . 19.1%. 2009). BIODIESEIS EXÓTICOS O balanço feito pelo MME (Ministério de Minas e Energias) no ano 2008 mostra como o Brasil é dependente da soja como matéria-prima para produção de biodiesel.Figura 2 – Fluxograma do Processo de Produção do Biodiesel 4. como podemos observar na tabela 5 (DUARTE.5% da produção anual é proveniente dela. onde 78.

surgem novas alternativas que ainda estão em estudo. biodiesel do óleo de peixe que é uma novidade.93 16. arroz.00 0. mas acabou perdendo seu espaço.08 0.00 100 Out 80.34 1.79 0.77 0.00 0.00 100 Mai 74.28 21.01 0.25 0.26 0.30 0.00 100 Fev 77.00 0.53 19. Gás Natural e Biocombustíveis) a mamona é menos recomendável para fabricação de biodiesel quando comparada com outras matérias-primas. o seu preço tem uma alta volatilidade no mercado internacional além de ser utilizada na alimentação. mas que são promissoras como: pinhão-manso que chega ao mercado agora em 2009 .20 0.07 0.08 0.03 100 Jul 80.00 0.04 0.00 100 Nov 85.00 100 Jun 82. o Crambe.43 0.02 0.00 0.00 0.00 100 Abr 77.00 0.33 24. ela sequer serve sozinha para produzir biodiesel.75 20. Por isso há a necessidade de se buscar novas matérias-primas e novas tecnologias para a produção de biodiesel.84 0.00 0.00 0.Matérias-Primas Utilizadas na Produção de Biodiesel em 2008 (%) Jan Óleo de Soja Sebo Óleo de Algodão Óleo de Dendê Óleo de Mamona Gordura de Porco Óleo de Fritura Usado TOTAL 78.61 0.29 0.09 0.20 0. Devido à baixa produtividade concentrada na agricultura de pequena escala.00 0. 2008). a ANP considera sua viscosidade imprópria para produção de combustível sem a adição do óleo de outras matérias primas.57 2.26 0.14 0. Mesmo assim há muito espaço para a mamona na indústria química (CIMM. A mamona era vista como a “galinha dos ovos de ouro” na produção do biodiesel. Crambe abyssinica Hochst Conhecido como crambe.17 1.14 11. pertence à família das crucíferas e é uma planta anual de inverno resistente à seca.06 0.00 0.05 0.25 0.76 18.Tabela 5 . algas e outros que foram mostrados na Tabela 3 (DUARTE.80 21.44 0.92 0.64 2.00 0. Com a soja sendo uma matéria-prima não ideal e a “falência” da mamona.00 100 Mar 67.13 0.00 0.00 0.76 0.05 0.54 0.00 100 Ago 77.00 0.01 100 Set 80.00 1. 2009).81 16.00 0.20 18.26 6.46 0.44 25. O Brasil é o primeiro país a estudar sua 10 . adaptado das informações fornecidas pelo MME A soja não é uma matéria-prima ideal para produção de biodiesel devido ao fato de ela render somente 20% de óleo. café.00 0.00 100 Fonte: BiodieselBR.09 3.com.50 0. Segundo técnicos da ANP (Agência Nacional do Petróleo.

em torno de R$ 300 a R$ 500 por hectare. • A lavoura é toda mecanizada e pode ocupar a mesma área da safra de verão. 11 . onde também se encontra a produção de soja. • Em boas condições de clima (baixa umidade do ar e pouca chuva) a cultura apresenta pequena incidência de doenças e o ataque a pragas é muito baixo. • Sua produtividade varia de 1000 a 1500 quilos de por hectare podendo alcançar 1800 a 2000 kg/ha em boas condições de solo e clima. usando o mesmo maquinário com algumas modificações. • Custo de produção barato. Algumas das razões para o crambe ser um das grandes apostas de 2009 são: (GUIRRA. • Esse elevado teor de ácido erúcico garante ainda um mercado alternativo para produção de plásticos biodegradáveis e lubrificantes. ainda em 2009 deverá ter sementes prontas para o uso (GUIRRA. 2009). • Ciclo curto de apenas 90 dias desde o plantio até sua colheita. • Em áreas experimentais a produção de óleo ficou em torno de 350 a 450 quilos por hectare. • • Boa produtividade. • É recomendado o seu plantio entre a região Sul e o Cerrado (Mato Grosso do Sul. As pesquisas com o crambe começaram em 1995 na Fundação MS que hoje possui o registro do cultivar FMS Brilhante. Precocidade de colheita e se apresenta como ótima opção para a safrinha. variando entre 28% a 38%. • Pode ser cultivada no período outono/inverno. • Produz um biodiesel de qualidade que não compete com a alimentação humana por possuir um teor de aproximadamente 60% de ácido erúcico que é tóxico para o ser humano e os animais. • Baixo custo de plantio. norte do Paraná e oeste de São Paulo). 2009).viabilidade na produção de biodiesel. ocupando assim áreas agrícolas ociosas que são usadas somente na safra de verão da soja. • Possui um auto teor de óleo.

Algas São organismos unicelulares dos mais simples. de suplementos 12 . o biodiesel não utilizaria água destinada ao consumo humano ou plantio. Algumas espécies de microalgas. 2008). podem ser compostas por 60% de óleo. e assim diminuir a emissão do principal gás que potencializa o efeito estufa. não necessitando de terras férteis. especialmente no grupo das diatomáceas. Os resíduos que sobram do processo de prensagem das algas é um valioso fertilizante orgânico e pode servir para produção de etanol. Algumas espécies chegam perto de se triplicarem de um dia para outro (RODRIGUES. Além de alta produtividade ela não compete com a alimentação humana. pois em tempos de altas inflações é sempre útil poder contar com uma fonte de óleo virtualmente imune aos focos de pressão inflacionária (RODRIGUES. e isso é uma vantagem para indústria do biodiesel. Dessa forma com o uso de algas. que é de onde vem aproximadamente 80% do biodiesel produzido no Brasil. Segundo Rodrigues (2008) a produção de óleo deverá se situar entre 7. Isto é um ponto positivo. A HR Biopetroleum tem conseguido obter índices de produtividade da ordem dos 9. Muito superior quando comparado com os 5 mil litros por hectare do dendê. 2008). Estudos enfatizam a possibilidade de instalar os tanques em áreas desérticas. Os dejetos de esgoto também podem ser utilizados para sua alimentação (RODRIGUES. já que os gases emitidos por indústrias podem ser utilizados para alimentar as algas. 2008). que é a oleaginosa mais produtiva até o momento no Brasil e aos míseros 500 litros por hectare da soja.2 mil litros de óleo por hectare. As microalgas não fazem parte do grupo das commodites. o que diminuiria os discursos que colocam os biocombustível na linha de fogo como o causador da alta dos alimentos. Para que haja boa produtividade de algas é necessário que se tenha alimento em abundância e a sua principal fonte de alimento é o CO2 (dióxido de carbono). salgadas e até mesmo contaminadas por esgoto. além disso se multiplicam de forma assombrosamente rápida.7 mil e 23 mil litros por hectare cultivado ao ano. São plantas aquáticas bastante versáteis que podem ser cultivadas em águas salobra.

2008). gordura de frango. que implicam em problemas sociais. O biocombustível originado a partir deste material residual apresenta propriedades comparáveis como as propriedades do petrodiesel. 2008). Considerando a sua alta produção e baixo custo de comercialização. A produção de biodiesel a partir de gordura animal proporciona uma grande vantagem ambiental evitando a disposição inadequada de resíduos animais. A fabricação de biodiesel a partir de resíduos de peixe contribuirá para a redução dos mesmos. Dentre as gorduras animais as mais utilizadas são o sebo bovino. além de servir como fonte de energia (MORAES. Este material graxo é um resíduo industrial que pode ser reaproveitado e utilizado para produção de energia. 2008). Gordura Animal O Brasil possui o segundo maior rebanho de gado bovino do mundo. 13 . O óleo de resíduos de peixes pode ser aplicado para a obtenção de biodiesel.vitamínicos e para alimentação animal. o sebo bovino apresenta-se como uma opção de matéria-prima para a produção de biodiesel (MORAES. Estas gorduras são de fácil obtenção e apresentam um custo relativamente barato como subprodutos em indústrias alimentícias. ambientais e econômicos.5 milhões de toneladas métricas de resíduos. A matéria graxa de origem animal apresenta maiores percentagens de oxigênio quando comparada ao diesel mineral e este fator proporciona uma combustão eficiente. Depois que extraído o óleo o processo de produção do biodiesel segue o mesmo caminho das demais oleaginosas (RODRIGUES. já que a produção pesqueira mundial gera anualmente um montante de aproximadamente 66.000 toneladas de sebo bovino. banha de porco e óleo de peixe. Segundo MORAES (2008) as gorduras animais representam uma fonte de biomassa que já está sendo bastante utilizada como matéria-prima para produção de biodiesel. produzindo anualmente 200. que na maioria dos casos não recebem nenhum tipo de tratamento e acabam chegando aos rios e córregos provocando inúmeros problemas no meio ambiente.

o pinhão manso só perde em produtividade para o dendê e a macaúba. De acordo com DUARTE (208) o pinhão-manso só produz comercialmente em regiões com um regime hídrico adequado. É uma espécie considerada tóxica devido às suas propriedades purgativas. boa adaptação a diversas regiões do Brasil e um elevado potencial de produção podendo chegar a três mil litros de óleo por hectare após estabilização da produção. Além da planta não competir com os alimentos. 2008). que demora de 4 a 5 anos. Também conhecido como pinhão-manso é uma das grandes apostas para produção de biodiesel. pois se trata de florestamento ou de reflorestamento em áreas degradadas. o que significa seqüestro de carbono. O pinhão-manso apresenta um perfil de ácidos graxos adequados para a produção de biodiesel. não é recomendada para consumo animal. O fruto é proveniente de um arbusto perene que atinge de três a cinco metros de altura. ela pode ser guardada por muitos meses antes do beneficiamento sem estragar. enquanto o dendê. em boas condições de umidade e solo pode produzir mais de uma safra por ano. Possui uma vida econômica em torno de 35 a 40 anos. sendo facilmente enquadrado nas especificações internacionais. ou seja.500 mm de água por ano. que varie de 1. mas há a necessidade de combate preventivo à cigarrinha. tenha um período seco bem definido e solos corrigidos e tratos culturais adequados. o que acaba servindo como adubo orgânico e proteção às raízes contra o frio e congelamento e não suporta alagamentos.colheita (DUARTE. ela é ecologicamente correta. gosta de solos bem drenados e arejados. O pinhão-manso é pouco perseguidor por pragas e doenças. no armazenamento de suas sementes também tem uma vantagem. pedregosos e salinos com temperatura variando entre 20 e 30 ºC. 14 . Com o devido cuidado. No Brasil. muitas vezes utilizado como cerca viva (DUARTE. 2008). Requer baixa exigência de nutrientes.200 a 1. O óleo dele é de excelente qualidade para a produção de biodiesel. Jatropha curcas L. Perde as folhas no inverno. macaúba e pequi (tem alta produção de óleo) devem ser processados em até 24 horas pós. sendo que começa a produzir a partir do terceiro ano. podendo sobreviver em solos arenosos. formiga saúva.

A glicerina proveniente da transesterificação do óleo da semente. cupins e outras doenças consideradas leves. Necessita de colheita manual o que torna processo um pouco mais caro. 15 . e a casaca do fruto resultam em uma tintura azul escuro (DUARTE.raparapa. 2008). K) e pode ser usado como adubo orgânico. porém alavanca o aspecto social (DUARTE. 2008). O pinhão-manso ainda tem como co-produtos a torta da semente que possui alto teor de minerais (N. P.

em geral deseja-se conhecer alguns parâmetros. ou também por outros processos de desexcitação como fotoelétrico. A importância desses 16 . fotoquímico. O que as técnicas fototérmicas nos permitem.5. que pode ser térmica. como condutividade térmica. METODOLOGIA 5. com a finalidade de investigar propriedades térmicas e ópticas de materiais. TÉCNICAS FOTOTÉRMICAS E PROPRIEDADES TÉRMICAS As técnicas conhecidas como Fototérmicas se baseiam na deposição de calor em uma amostra através da absorção de um feixe concentrado de luz.1. que em geral é produzido por um laser (figura 3). Elas são usadas em grande variedade de aplicações. luminescência. nos quais pode resultar no final em aquecimento indireto da amostra. é determinar os parâmetros efusividade (εa) e difusividade térmica (D). Tais parâmetros não são obtidos diretamente através das técnicas que serão apresentadas. Quando se estudam as propriedades térmicas de um determinado material. seguido por um processo de desexcitação (figura 4). produzindo calor diretamente na amostra. Figura 3 – Principio de Funcionamento das Técnicas Fototérmicas. Estado de energia excitado Decaimento radiativo Excitação do LASER Decaimento não radiativo Estado de energia em equilíbrio Figura 4 – Processo Excitação e Desexcitação.

Geralmente. PORTO e WHINNERY. 5. portanto baixos valores de efusividade térmica conduzem a altas amplitudes na temperatura da superfície (ou interface). e indica a taxa na qual o calor está se distribuindo no material. A técnica fototérmica utilizada será a Lente Térmica (LT). Ka = εa (Da)1/2 (1) Onde a difusividade térmica (Da) é. exclusivamente. D = Ka / Ca = Ka / ρa ca (2) onde ρa é a densidade ca e o calor específico. a difusividade térmica é área por unidade de tempo. por definição. Porto. mas também da taxa na qual energia pode ser armazenada. isso não significa que um determinado tipo de amostra só possa ser estudado. Leite e Sérgio P. por definição é a razão entre a temperatura e a densidade de fluxo de calor. por um determinado tipo de técnica. CONCEITOS BÁSICOS DA TÉCNICA DE LENTE TÉRMICA A primeira publicação sobre o efeito de Lente Térmica foi realizada por Gordon e colaboradores entre estes estavam os brasileiros Rogério C. 1999). para a caracterização térmica dos biodieseis. A efusividade térmica (εa). devido a sua importância no que se refere à questão ambiental. C. o que ocorre. A técnica de lente térmica consiste na absorção da energia de um feixe laser pela amostra produzindo um aquecimento na região iluminada. LEITE. como o laser tem 17 . de modo que. S.parâmetros reside no fato de estarem diretamente relacionados com a condutividade térmica (Ka ) (PEREIRA. é que as técnicas fototérmicas se complementam.2. Portanto. Como a impedância térmica é quem determina a magnitude das ondas térmicas na superfície (interface entre dois meios) de um dado material. a razão entre a condutividade térmica (Ka ) e capacidade calorífica por unidade de volume (Ca=ρa ca). Dimensionalmente. Essa taxa depende não somente da condutividade térmica. 1965). juntamente com outros colaboradores em 1965 (GORDON.

ρ (gcm-3) a densidade. Isto faz com que a região iluminada se comporte como uma lente que poderá mudar a intensidade do centro do feixe laser. Figura 5 . como pode ser verificado na figura 5. que ocorre devido a variação de temperatura causada pelo laser.Formação da Lente Térmica na Amostra Essa lente está relacionada com o índice de refração que depende da temperatura e pode se comportar de duas maneiras: divergente ou convergente Para a maioria dos líquidos há a formação de lente divergente enquanto para a maioria dos sólidos há a formação da lente convergente. Neste processo da interação da luz com a amostra as propriedades ópticas e térmicas são retiradas de seu equilíbrio e consequentemente podem ser estudadas. ocasionando uma variação de densidade do meio e consequentemente uma variação no índice de refração. Este processo tem um tempo característico e é dado por: we2 tc = 4D (3) sendo We (cm) o raio do feixe de excitação na amostra. há uma lente convergente (figura 6). variação do índice de refração em função da temperatura (dn/dT) e a difusividade térmica (D). D=k/ρc a difusividade térmica.t) é maior que na borda. tais como o coeficiente de absorção óptica (A). e quando for positiva. Quando (dn/dT) é negativa dizemos que temos uma lente divergente. Esta mudança depende das propriedades ópticas e térmicas do material analisado. fazendo com que ocorra uma variação do caminho ótico percorrido pelo laser. c (Jg-1K-1) o calor específico e k (W/Kcm) a condutividade térmica. 18 . o calor se difunde radialmente de forma que no centro do feixe a variação de temperatura ∆T(r.um perfil gaussiano no modo fundamental (TEM00).

Configuração de Lente Térmica de Feixe Único Intracavidade 19 ..tubo laser Ep –Espelho de reflexão parcialE E .Cubeta Figura 7 . n Τ convergente divergente Figura 6 .Obturador I . 1964. Com a dificuldade de se alinhar a cubeta dentro da cavidade laser houve a necessidade de aprimorar a técnica de forma que ficasse mais simples o posicionamento da amostra e com limites de detecção melhores. é extremamente inconveniente pela dificuldade de se alinhar a cubeta dentro da cavidade do laser (GORDON et al..Variação do Índice de Refração em Função da Temperatura A primeira configuração experimental da técnica de Lente Térmica pode ser observada na figura 7.Íris A – Abertura F E TL . a geometria de intracavidade (dentro da cavidade laser). No entanto. A F Ep O I1 C I2 TL MP F . tais como o coeficiente de absorção óptica (A). GORDON et al. variação do índice de refração com a temperatura (dn/dT) e a difusividade térmica (D). 1965 e HU et al. embora possa fornecer ótimos valores de limites de detecção para medida de absorção. A configuração de lente térmica de feixe único é relativamente simples.Espelho esférico MP.Fotodiodo O .Esta mudança depende das propriedades do material analisado.Medidor de potência C . 1973)..

SIEBERT e FLYNN (GRABINER et al. é que a sensibilidade pode ser significativamente aumentada com Wp > We.Lente Térmica de Feixe Duplo Modo Casado 20 . onde Wp é o raio do laser de prova e We é o raio de do laser de excitação. Nesta configuração. mais flexível e resultava em medidas mais sensíveis do coeficiente de absorção. somente o feixe de excitação é modulado. A configuração de feixe duplo pode se apresentar de dois modos: no modo casado (Figura 8) e no modo descasado (Figura 9). 1973) demonstraram que o efeito de LT extra-cavidade era mais simples de ser tratado teoricamente. No modo descasado. Esses experimentos de LT extra-cavidade podem ser feitos tanto na configuração de feixe único quanto de feixe duplo. enquanto o feixe de prova incide linearmente na amostra. 1972) realizaram as primeiras medidas de Lente Térmica com a amostra fora da cavidade laser e em 1973 HU e WHINNERY (HU e WHIN. Na configuração de feixe duplo um feixe de maior intensidade (feixe de excitação) é usado para provocar o efeito de LT. não é absorvido por ela e sofrerá alterações na intensidade do feixe.Em 1972 GRABINER. Este aumento na sensibilidade é uma conseqüência da difusão de calor que faz com que o perfil do índice de refração ∆n(r) seja mais longo do que o perfil de intensidade do feixe de excitação. A vantagem na configuração descasada em relação ao modo casado ou de feixe simples. 2W Figura 8 . o feixe de excitação tem seu raio na amostra e o feixe de prova tem a amostra na sua posição confocal. que será percebido com o auxilio de um detector. e outro de menor intensidade é utilizado como feixe de prova.

Configuração de feixe Duplo Modo Descasado. 2006). 21 . Na configuração de feixe duplo modo descasado We e W0p são os raios do feixe de excitação e prova nas respectivas posições focais. Sendo Z1 a distância entre a amostra e foco do feixe de prova e Z2 a distância entre amostra e o plano detector. O grau de divergência (ou convergência) do feixe depende da potência do laser e do coeficiente de absorção da amostra. possibilitando medir a magnitude do efeito e determinar as propriedades termo-ópticas do meio onde se encontra a amostra. condutividade térmica (k) e a taxa de variação do índice de refração com a temperatura (dn/dT) (SILVA. D Amostra Íris Figura 10 . A conseqüente mudança de fase do feixe de prova proveniente da formação da lente na amostra é observada por variações na intensidade do centro do feixe. As principais propriedades térmicas possíveis de se medir com a técnica de LT são: difusividade térmica (D). Wp é o raio do feixe de prova na amostra.Divergência do Laser Após Passar Pela Amostra.Feixe de z Excitação Z2 2Wp 2We 2 W op Feixe de Prova Z1 Figura 9 . por meio de uma íris posicionada na frente de um detector que se encontra no campo distante (figura 10).

Isto pode ser tratado calculando a evolução temporal do perfil de temperatura na amostra ∆T(r. A propagação de um feixe 22 .5. e para isso consideramos que a parte central do feixe tenha um perfil gaussiano.t). que são essenciais para a otimização da montagem objetivando obter de uma forma precisa às propriedades térmicas. gerado após uma energia de radiação laser ter sido absorvida pela amostra. podemos escrever: ⎡ ⎛ Z ⎞2 ⎤ ω ( Z ) = ωo2 ⎢1 + ⎜ ⎜Z ⎟ ⎟ ⎥ ⎢ ⎣ ⎝ c⎠ ⎥ ⎦ (5) onde W0 é o diâmetro do feixe na posição focal. podemos escrever: I (r = 0) = 2P πω 2 ( Z ) (4) onde P é a potência do laser e w é o diâmetro do feixe analizado em função da distância Z até a lente. O efeito de Lente Térmica (LT) é causado pela deposição de calor no material. Para intensidade do feixe. criando uma distribuição de temperatura. escrita como: −1 2 2P ⎡ ⎛ Z ⎞ ⎤ ⎢1 + ⎜ ⎟ I (0) = ⎟ ⎥ Z πω 02 ⎢ ⎜ ⎣ ⎝ c⎠ ⎥ ⎦ (6) Lembrando que : Z c Onde ω0 é o raio e = πω 02 / λ λ o comprimento de onda do feixe. MODELOS MATEMÁTICOS DA TÉCNICA Fazendo uso de um modelo teórico é possível localizar a posição e o raio do feixe na cintura. 5 na equação 4 obtemos a dependência da intensidade axial em função da distância Z. Z é distância da lente até o detector e Zc é o parâmetro confical. Substituindo a eq.2-1.

θ = ( PALeff / Kλ p ) dn dT (9) −1 sendo P (mW) a potência do feixe de excitação. No regime contínuo. 1992 e BAESSO ate l. L eff = (1 − e ) A a espessura efetiva e L (cm) a espessura da amostra e K a condutividade térmica.. V=Z/Zc.através da lente formada resulta em uma variação na intensidade axial. I(t) é dado por (SHEN et al. A amplitude do sinal de LT. Ao ajustarmos as curvas características do sinal de LT e. é proporcional a sua variação de fase dada por: (BAESSO et al. a qual pode ser calculada usando a teoria da integral de difração. λp (nm) o comprimento de onda do feixe de prova.. tc é o tempo característico da difusão de calor e é dado por : tc = we2 / 4 D (8) onde é D difusividade térmica e We o raios do feixe de excitação. dn/dT é a variação do indice de refração em função da temperatura. mantendo os 23 . 1992): 2 ⎡ ⎛ ⎜ ⎢ θ −1 ⎜ I(t ) = I(0 ) ⎢1 − tan ⎜ (1 + 2m )2 + V 2 ⎢ 2 ⎜ ⎢ ⎝ ⎣ [ ] ⎞⎤ ⎟⎥ 2mV ⎟⎥ ⎛ t c ⎞ + 1 + 2m + V 2 ⎟ ⎥ ⎜ 2t ⎟ ⎟ ⎝ ⎠ ⎠⎥ ⎦ (7) onde m=(Wp/We)2. Wp e We são os raios do feixe de prova e de excitação. θ é o sinal de Lente Térmica. A figura 11 mostra os tipos de formato da Lente Térmica que pode apresentar um formato divergente (a).. Zc é o parâmetro confocal do feixe de prova e I(0) o valor de I(t) quando t ou θ é zero. θ . 1994). onde se detecta uma diminuição na intensidade do sinal característico na maioria dos líquidos ou apresentar um formato convergente (b) detectado pelo aumento na intensidade do sinal característico na maioria dos sólidos. respectivamente. A (cm ) o coeficiente de absorção − AL da amostra. I(t).

025 1.015 0.000 0.2 0.005 0. onde está configuração apresenta uma alta sensibilidade.85 -0.5 0. O alinhamento é feito de maneira que o laser de prova cruze a cintura do feixe do laser de excitação. presa por um suporte fixo.2-2 CONFIGURAÇÃO EXPERIMENTAL A configuração de LT que utilizamos foi a de feixe duplo de modo descasado (figura 12).parâmetros m e V fixos.1 0. passa por duas lentes convergentes com comprimento focal de 10 cm e 12.90 1.05 0.6 0. obtemos os valores da amplitude do sinal (θ) e do tempo característico (tc).Curva Típica do Sinal de Lente Térmica. posição em que se encontra a amostra.8 1. focalizado na cubeta de quartzo (amostra) de espessura de 2mm.5 cm (entre as quais está localizado um obturador). este atinge um espelho e é focalizado na amostra por uma lente de distância focal de 20 cm para provar a LT formada.3 0. 24 . Ao passar pela amostra o feixe de prova percorre um longo caminho garantindo que apenas o centro do feixe do laser seja detectado e convertido em sinal elétrico.995 Tempo (s) 0.00 0.030 1.8 nm e sem absorção pela amostra.010 1. 1. obtêm-se o valor da difusividade.4 0. E consequentemente. O laser de prova utilizado é o He-Ne de baixa potência com comprimento de onde de 632. (a) Divergente.7 0. O feixe de excitação que chega até a amostra para excitá-la.95 0. A montagem consiste na utilização de um laser de Argônio Ar+ (Coherent Innova I308C) de alta intensidade com comprimento de onda de 488 nm para excitar.5 cm. por dois espelhos (onde encontra-se um polarizador entre os mesmos) e por uma lente de foco 17.00 1. (b) Convergente 5.0 0.020 1.1 0.10 Tempo(s) (a) (b) Figura 11 . com um ângulo pequeno.

A lente formada se comporta de forma divergente por se tratar de um líquido e o sinal decai em função do tempo de formação da lente (figura 11). A figura 13 apresenta a curva característica do sinal de LT que a partir do ajuste matemático (equação 7) se obtém a difusividade térmica. através de ajuste matemáticos (equação 7) teremos a difusividade térmica (D) do biodiesel e a variação de fase (θ).Figura 12 . biodiesel de pinhão-manso. Para a caracterização térmica dos biodieseis como já foi mencionado anteriormente utilizaremos a técnica de lente O sinal de Lente Térmica é obtido a partir do desvio do caminho óptico que é captado por um detector que converte o sinal luminoso em elétrico onde será analisado pelo sistema de aquisição. biodiesel de dendê e biodiesel de peixe. onde o sinal luminoso será convertido em sinal elétrico e sendo captado pelo sistema de aquisição (osciloscópio digital Tektronix modelo TDS 1002) que envia os dados para o computador onde será tratado por um software de análise de gráfico e será fornecido a curva característica de lente térmica. As amostras que serão analisadas são: biodiesel de oliva. 25 .Aparato Experimental da Técnica de Lente Térmica Quando o LASER de prova passa pela lente formada há um desvio de seu caminho ótico que será captado pelo detector. biodiesel de crambe. biodiesel de arroz.

90 0.00 0.0 0.6 0.85 0.5mW 26 .1.75 Biodiesel de Oliva Fit teórico LT sinal 0.80 0.Sinal de Lente Térmica em função do tempo para amostra de Biodiesel de Oliva Pe = 3.4 tempo (s) 0.95 0.2 0.8 Figura 13 .

a espessura da amostra (L). resultado que é esperado.05 0.5 2. a variação de temperatura dentro da amostra devido à incidência do feixe de laser é baixa e os possíveis efeitos de convecção que eventualmente possam surgir são desprezíveis (GORDON et al.20 0.0 Potência (mW) Figura 14 – Sinal de Lente Térmica em função da Potência 27 .25 0.5 4.0 3.0 -0.0 4.5 1.05 -1. observamos um comportamento linear (Figura 14) devido o coeficiente absorção (A). RESUTADOS E DISCUSSÕES Para todas as amostras primeiramente é realizada a medida do sinal de Lente Térmica em função da potência.5 5.5 0.5 3.10 0..15 0. No estudo de líquidos.6. reescrevendo a equação 9 temos: θ = Px (10) onde x representa as constantes ( AL / Kλ p ) dn dT . então temos que os dados experimentais se comportam como uma reta. 0.5 6. isso significa que. a condutividade térmica (K) e a variação do índice de refração em função da temperatura (dn/dt) serem constantes para uma determinada amostra. 1965).0 Peixe Dendê Oliva Pinhão Manso Arroz Crambe Ajuste Linear Peixe Ajuste Linear Dendê Ajuste Linear Oliva Ajuste Linear Pinhão Manso Ajuste Linear Arroz Ajuste Linear Crambe Sinal de LT 0.00 -0.0 2.30 0.0 1. o comprimento de onda do LASER de prova ( λ p ).0 5.

0 2 1 .840 ± 0.040 ± 0. não apresentaram uma variação significativa.Apresentamos como resultado a curva característica do sinal de Lente Térmica da amostra de biodiesel de óleo de arroz refinado (figura 15).6 0.2 0 .8 4 0.9 6 Sinal LT 0 .970 ± 0.8 6 0 .8 Tempo ( s) Figura 15 .8 8 0 .002 2.004 0.004 0. E como foi mostrado anteriormente a partir de ajustes matemáticos (equação 7) obtivemos a difusividade térmica dos biodieseis que se encontram na tabela 6.003 0.0 0 0 .370 ± 0.990 ±0.9 2 0 .930 ± 0.97 mW Tabela 6 – Difusividade Térmica das Amostras de Biodieseis Estudadas AMOSTRA Biodiesel de Óleo de Dênde Biodiesel de Óleo de Crambe Biodiesel de Óleo de Pinhão Manso Biodiesel de Óleo de Oliva Biodiesel de Óleo de Arroz Biodiesel de Óleo de Peixe Destilado Biodiesel de Óleo de Peixe D(cm2/s) x 10-3 0.9 4 0 .9 8 0 . exceto a amostra de Biodiesel de Peixe. De onde podemos observar que os biodieseis de peixe possuem em média uma difusividade térmica aproximadamente duas vezes maior que a média dos demais biodieseis. 0 0 .004 2.003 Como se pode observar na tabela acima os valores de difusividade térmica à temperatura ambiente.9 0 0 .990 ± 0. Biodi esel de Óleo de Arr oz R efin ado Fit teórico 1 . O nosso objetivo inicial seria determinar as difusividades 28 .003 1.4 0 .Sinal de Lente Térmica em função do tempo para amostra de Biodiesel de Óleo de Arroz Refinado PE = 3.

A potência permanece fixa e variamos a temperatura de 15 a 60 ºC em intervalos de 5ºC e a cada mudança de temperatura maximizamos o sinal. Para estudar o comportamento das propriedades térmicas em função da temperatura (figura 16) utilizamos um dispositivo que consistia basicamente de um termopar (dispositivo elétrico utilizado para medir temperatura) para monitorar a teperatura e um peltier (dispositivo com propriedades termo-elétricas constituído de dois semi-condutores que quando aplicados a uma fonte de tensão continua tem a propriedade de deslocar calor para uma superfície dissipadora criando uma diferença de temperatura entre a suas faces. viscosidade. 0.05 0.02 0. podendo aquecer o esfriar uma amostra) para variar a temperatura. 2009) relataram que a taxa de emissão de NOx está relacionada com os valores de densidade.07 0. Karavalakis.06 0. Desta forma não foi possível discriminar os diferentes tipos de Biodiesel.dos diferentes Biodieseis e discrimina-los quanto ao valor de difusividade. 29 . Stournas e Bakeas (KARAVALAKIS et al. dependem da temperatura. densidade.08 0.03 0. Uma das razões para realizar este tipo de estudo deve-se ao fato que algumas propriedades do Biodiesel. tais como: viscosidade. Como foi dito anteriormente uma das desvantagens do Biodiesel é o aumento da emissão do NOx. Uma alternativa encontrada para solucionar esta questão foi analisar esta propriedade (difusividade) em função da temperatura.01 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 Oliva Arroz Pinhão Crambe θ/P Temperatura (°C) Figura 16 – θ/P em função da Temperatura.. etc. Estas propriedades estão altamente relacionadas com a qualidade do Biodiesel..04 0.

Tabela 7 – Porcentagem das Concentrações dos Ácidos Graxos Predominantes nos Biodieseis Estudados Biodiesel Composição em ácidos gordos (%) C16:0 C18:1 C18:2 C18:3 C20:5 C22:1 C22:6 * * * 13 * 57 * * Dendê Oliva Pinhão 44. 1973) Pr = V/D (11) onde V é a viscosidade cinemática e D é a difusividade térmica. A razão de encontrarmos este comportamento similar pode ser devido ao fato que dos Biodieseis estudados oliva. pinhão manso e arroz apresentam o mesmo número de ligações duplas (C18:1). et al. 30 .4 63 41. até sua estabilização. Exceto para a amostra de Crambe (figura 16).No estudo do sinal de LT em função da temperatura observou-se um comportamento similar para todas as amostras onde ocorre um valor de mínimo à temperatura ambiente seguido de um acréscimo à medida que aumenta ou diminui a temperatura. enquanto o crambe possui mais carbono em sua composição (C22:1).6 * * 40. Como pode-se verificar na tabela abaixo.. (TOULOUKIAN.2 * * * * * * * * * * * * * * * Manso Peixe Arroz Crambe 22 * * * * * 35 * * Uma proposta alternativa para identificar o tipo de biodiesel a partir das propriedades fisico-químicas é relacionar a difusividade térmica e a viscosidade cinemática através do número de Prandtl (Pr).1 * 42.

junto com o biodiesel de peixe. e devido a essas cadeias longas com varias ligações duplas é que o biodiesel de peixe possui maior difusividade e maior inclinação no gráfico. pinhão manso e arroz suas difusividades térmicas e número de Prandtl ficarão bem próximos uns dos outros à temperatura ambiente.Com a viscosidade cinemática do ácido graxo predominante no biodiesel em estudo e sua difusividade térmica é possível encontrar o número de Prandtl (Tabela 8) e fazer uma relação com o gráfico da figura 14. possui a difusividade térmica próxima dos biodieseis de origem vegetal. Acreditamos que isso esta relacionado ao alto teor de C16:0 ( ácido palmítico) no biodiesel de dendê. No gráfico da figura 14 observamos o crambe perto dos demais biodieseis que possuem uma ligação dupla apenas em suas cadeias de ácidos graxos. O biodiesel de dendê apesar de ter a número de prandtl. que também é encontrado no biodiesel de peixe. o biodiesel de peixe possui cadeias C20:5 e C22:6. 31 . E com relação ao gráfico da figura 14 temos esses biodieseis na mesma região. oliva. se encontra com uma inclinação maior. e difusividade térmica à temperatura ambiente próximos dos biodieseis citados acima. Tabela 8 – Número de Prandtl de Alguns Biodieseis Estudados Biodieseis Oliva Dendê arroz Pinhão Manso Crambe Pr (Nº Prandtl) 56 59 53 56 79 Observamos na tabela 6 que os biodieseis de origem vegetal onde possui uma concentração maior do ácido graxo C18:1 (ácido oléico). Além disso. porém o número de Prandtl é consideravelmente maior que os demais esperamos que isso esteja relacionado com o fato de sua cadeia de ácidos graxos ser maior. O biodiesel de Crambe é composto na sua maioria por uma cadeia C22:1(ácido erúcico).

CONCLUSÕES Observamos um comportamento linear do sinal de lente térmica de nossas amostras em função da potência. A técnica de LT é muito sensível devido aos baixos erros encontrados nas medidas. isso denota que não estão ocorrendo processos de convecção durante o processo de formação da lente. então não podemos ter certeza se o número de Prandtl pode ser utilizado para discriminar os biodieseis. Observamos neste estudo e em outros já realizados que os biodieseis provenientes de gordura animal apresentam uma difusividade térmica maior do que os biodieseis provenientes de gordura vegetal. 32 . esta tendência pode estar relacionada ao fato de que os biodieseis de gordura animal possuírem cadeias de carbono maiores que os biodieseis de gordura vegetal e também devido ao número de ligações duplas na cadeia.7. Precisaríamos fazer um estudo com um maior número de amostras com diferentes concentrações ácidos graxos predominante para afirmar que o número de prandtl poderá ser utilizado para especificar o biodiesel. A maioria de nossas amostras tinha como ácido graxo predominante o ácido oléico (C18:1).

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