É provável que os encõmios imerecidamente derramados sobre os

moitos e que as honras devidas apenas ã excelência prestadas ãs épocas
pretéritas continuem a ser lamentados por aqueles que, incapazes de contribuir para a verdade, depositam suas esperanças de celebridade nas heresias do paradoxo; ou por aqueles que, forçados pela decepção a procurar recursos consoladores, estão propensos a esperar da posteridade o que o presente lhes recusa e se vangloriar de que a estima negada pela inveja será finalmente concedida pelo tempo. A antigüidade, como qualquer outro atributo que conquista a

atenção da humanidade, tem indubitavelmente devotos que a
reverenciem, não pela razão, mas pelo preconceito. Alguns parecem admirar indiscriminadamente o que quer que tenha sido preservado

há longo tempo, sem levar em conta que este às vezes coopera com a sorte; é provável que estejam todos mais dispostos a celebrar a
excelência passada do que a presente, e o espírito contempla o gênio

através das sombras dos séculos, como os olhos examinam o Sol
pelo recurso a um artefato opaco. O grande objeto de controvérsia da crítica é encontrar as deficiências dos modernos e as perfeições dos antigos. Avaliamos a capacidade de um autor ainda vivo pelas

suas tentativas malsucedidas e, quando morto, pelos seus êxitos.
Contudo, as obras cuja excelência não é absoluta e definida, mas gradual e relativa, as obras fundadas, não sobre princípios demonstrativos e científicos, mas tão somente na observação e na

experiência, apenas podem ser postas ã prova pela duração no tempo e constância do apreço. O que a humanidade há muito possui ela repetidas vezes examinou e comparou, e se persiste em conferir valor a sua propriedade é porque os numerosos cotejos confirmaram o parecer favorável. Assim como entre as obras da natureza ninguém pode rigorosamente qualificar um rio de profundo ou uma montanha de alta sem ter conhecido muitas montanhas e muitos rios, também

acerca dos produtos dos gênios nada se pode declarar excelente antes que seja comparado com outros da mesma espécie. A demonstração exibe sua capacidade de uma sé vez e nada tem a esperar ou temer do correr dos anos; mas as obras tentativas e experimentais devem ser avaliadas proporcionalmente ã habilidade geral e coletiva do homem, descobertas mediante uma longa sucessão de esforços. Acerca do primeiro edifício construído seria possível dizer com toda a segurança que era redondo ou quadrado, mas quanto a ser espaçoso ou alto coube necessariamente ao tempo determiná-lo. Revelou-se, de um golpe, que a escala pitagérica dos números era perfeita'; mas aindalnão nos é possível saber se os poemas de Homero transcendem os limites comuns da inteligência humana, senão pela observação de que nação apos nação e século ap-ás século mal conseguiram transpor seus episódios, dar novos nomes a seus personagens e parafrasear seus pensamentos. O respeito devido a escritos que subsistiram por muito tempo é fruto, portanto, não de qualquer confiança ingênua na sabedoria das eras passadas ou de uma convicção desalentadora da degeneração da humanidade, mas conseqüência de máximas aceitas e irrefutáveis de que aquilo que se conhece há mais tempo resistiu a um número maior de provas, e o que foi mais examinado, mais compreendido. O poeta cujas obras me coube editar pode agora começar a assumir a dignidade de um ancião e reivindicar o privilégio de uma fama estabelecida e de uma veneração incontestável. Ele sobreviveu de muito a seu século, o período comumente fixado como prova de mérito literáriof. Quaisquer benefícios que pudesse alguma vez ter auferido de referências pessoais, costumes locais ou opiniões efêmeras perderamse no tempo, e cada tema de gracejo ou motivo de pesar que os modos de vida fictícia lhe proporcionaram agora apenas obscurecem as cenas que outrora iliiminavam. Os produtos da preferência e da competição estão desaparecendo; a memoria de suas amizades e de seus inimigos pereceu; suas obras a nenhuma opinião provêem argumentos, nem a nenhuma facção fomecem injúrias; não podem favorecer a vaidade, nem recompensar a maldade, mas são lidas sem nenhum outro motivo
l) Aristoteles, Mefoflírícn 1.5. (N.T.) 2) Horácio, Epísrofus II.i.39. (N.T.)

que não o desejo de prazer e, portanto, louvadas apenas quando o proporcionam; contudo, assim desassistidas pelo interesse ou pela paixão, foram submetidas a variações de gosto e mudanças decostumes e, enquanto se transmitiam de uma geração a outra, novas honras a elas se acresceram. Mas porque ojuízo humano, embora gradualmente se aproximando da exatidão, jamais se toma infalível e a aprovação, embora constante, provavelmente seja ainda apenas o produto da convenção ou do uso passageiro, convém averiguar por que méritos especiais Shakespeare obteve e conservou a estima de seus compatriotas. Nada pode agradar a muitos, tampouco durante muito tempo senão as representações legítimas da natureza universal. Os costumes particulares podem ser conhecidos por poucos e, portanto, apenas poucos podem julgar quão fiéis são suas imitações. É' possível que as composições irregulares da inventiva extravagante encantem por algum tempo, graças aquela novidade para a qual nos impele o tédio da vida, mas os prazeres de uma admiração repentina logo se exaurem e o espírito somente consegue repousar na solidez da verdade. Shakespeare é, acima de todos os escritores, ao menos de todos os escritores modernos, o poeta da natureza, o poeta que apresenta a seus leitores um espelho fiel dos costumes e da vida. Suas personagens não se alteram segundo os hábitos de lugares específicos, desconhecidos pelo resto do mundo, segundo objetos de estudo ou profissões peculiares que se manifestam apenas em poucos, ou segundo os produtos de hábitos transitõrios ou opiniões temporárias: elas são a legítima prole da humanidade comum, aquelas que o mundo sempre proverá e a observação sempre encontrará. Suas figuras agem e falam sob a influência daquelas paixões e princípios que agitam todos os espíritos e que mantêm a esfera da vida em movimento. Nas obras de outros poetas, uma personagem é quase sempre um indivíduo; nas de Shakespeare, geralmente é uma espécie. É desse intuito abrangente que deriva tanto conhecimento. É

ele que difunde por todas as peças de Shakespeare máximas
práticas e sabedoria vernácula. Diz-se que cada verso de Eurípides era um preceito* e pode-se dizer que, com as obras de

Shakespeare, é possível formar uma ordem socialmente
r

3) Cícero, Crn'tnsƒniai`tíni'e.r X"v'I.S. (N .T.)

equilibrada e moderada. Contudo, seu verdadeiro talento não se mostra no brilho de determinadas passagens, mas no desenvolvimento de seu enredo e no teor de seu diálogo, e quem tenta enaltecê-lo mediante uma seleção de citações procederá como o pedante em Hieroclésí, que, ao põr sua casa ã venda, carregava um tijolo em seu bolso como amostra. ' Não será fácil avaliar quanto prima Shakespeare por conformar seus pensamentos ã vida real senão comparando-o com outros autores. Observou-se a respeito das antigas escolas de retórica que quanto mais os alunos as freqüentavam mais o estudante se tomava inepto para o mundo, pois nada aí encontrava que pudesse achar em qualquer outro lugari. O mesmo pode-se dizer de todos os palcos, exceto o de Shakespeare. O teatro, quando segue qualquer outra orientação, é povoado de caracteres nunca vistos, conversando em uma língua nunca ouvida, sobre assuntos que jamais serão abordados no comércio entre os homens. Porém, o diálogo desse autor muitas vezes é determinado tão obviamente pela ação que o provoca e se desenvolve com tanta facilidade e simplicidade que mal parece reivindicar a qualidade de ficção e sim ter sido engenhosamente coletado na conversação e nos eventos cotidianos. Em qualquer outro palco o agente universal é o amor, que preside ã distribuição de todo bem e de todo mal, assim como ã aceleração ou retardamento de cada ação. Introduzir no enredo um amante, uma dama, um rival; envolvê-los em deveres opostos, desconcertálos com interesses contraditórios e atormenta-los com a violência de desejos mutuamente incompatíveis; levá-los a encontros arrebatadores e a separações em meio a sofrimentos atrozes; encher sua boca de júbilo exaltado e de enorme angústia; afligi-los como nenhum outro ser humano jamais foi afligido; expõ-los como ninguém jamais o foi: é esse o ofício de um dramaturgo modemo. Para isso, viola-se a probabilidade, adultera-se a vida e corrompe-se a língua. Mas o amor constitui apenas uma das muitas paixões e, como não tem grande influência sobre o essencial da vida, exerce uma função

secundária nas obras dramáticas de um poeta que recolheu suas
r í

4) Hiameíís caaiineatarías ia Aurea Carmina. (N.T.) 5) Petrõnio, Sat)-rican l.i. (N.T.)

porém. que cativam o leitor com um gigante ou um anão. (N. embora algumas possam ser uniformemente préprias a cada personagem. que cada fala possa ser atribuída ao seu correspondente locutorfi.T. Shakespeare aproxima o distante e torna familiar o extraordinário. a glória de Shakespeare. que aquele que desorientou sua imaginação ao perseguir os fantasmas que outros escritores anteriormente criaram 1. era uma causa de felicidade ou de desgraça. Ele entendeu que qualquer outra paixão. Caracteres assim completos e gerais não foram facilmente encontrados e preservados e talvez nenhum outro poeta tenha conseguido manter suas personagens mais diferentes entre si. portanto. que seu drama seja o espelho da vida. como os escritores de ficções romanescas. Até mesmo onde o agente é sobrenatural o diálogo se assemelha ao real. e aquele que esperava fundar seu conhecimento acerca dos assuntos humanos na peça ou na narrativa seria duplamente ludibriado. suas cenas são ocupadas apenas por homens que agem e falam como o leitor imagina que ele proprio teria falado ou agido nas mesmas circunstâncias. como Pope.idéias do mundo real e mostrou apenas o que viu. Esta é.) . se fosse possível.) 7) Addison diz o mesmo. no Spectator Né 419. ` Outros dramaturgos somente conseguem chamar a atenção pelo recurso a caracteres exagerados ou desagradáveis. o evento que ele representa não se realizará. Outros escritores disfarçam as paixões mais naturais e os incidentes mais comuns a fim de que quem os veja no livro não os reconheça na vida real. porque há muitas que nada têm de característico. provavelmente será difícil encontrar uma que possa ser adequadamente transferida do possuidor atual para outro pretendente.T. seus efeitos provavelmente seriam tais como ele os determinou e pode-se dizer que não apenas mostrou a natureza humana como ela se comporta na realidade. mas também em aflições as quais não pode ser expostai. A escolha é correta quando há motivo para a escolha. a qualidades ou perversidades excepcionais ou sem precedentes. fosse ela normal ou excepcional. Shakespeare não tem herois. I _ _í I 6) No prefácio 'a sua edição de Shakespeare (1725). mas. em situações difíceis. (N. Não direi.

merece um exame mais detalhado. age como um tolo e Voltaire talvez creia ter-se ofendido a decência quando o usurpador dinamarquês é representado como bêbedo. negligencia a vestimenta. desejando um bufão. um senador de Roma. porém é mais conhecido como crítico.) . Dennis e Rymer*julgam que seus romanos não são suficientemente romanos e Voltaire acusa seus reis de não serem inteiramente majestosos. Dennis sente-se injuriado porque Menênio. mas ele pensa apenas em homens.T.T. descuida-se de distinções postiças e adventícias. (N. nem tragédias nem comédias. acrescentou a embriaguês a suas outras qualidades. Entre outras obras. uma vez que se aplica a todas as suas obras. escreveu The advancanicat and reƒormarion of modern poetry (1701). em novembro de 1765. Sua histõria requer romanos ou reis. Sua fidelidade ã natureza universal o expês ã censura dos críticos que fundam seu julgamento sobre princípios mais limitados. ao escrever cenas pelas quais um eremita possa avaliar os negocios do mundo e um confessor predizer o desenrolar das paixões. que 8) John Dennis (1657-1734) foi dramaturgo. no sentido exato e crítico. foi ao senado em busca do que este certamente lhe forneceria. satisfeito com a figura. Esray on the ganías and wrirings of Shaírerpaarc (1712). sabedor de que os reis apreciam o vinho como os outros homens e de que o vinho exerce seu efeito natural sobre os reis. no Moathiy Review. Sua intenção era mostrar um usurpador e. portanto. um dos mais rígidos críticos ingleses do século XVII. tinha homens de todas as índoles e. mostrando a condição real da natureza sublunar. se preserva o que há de essencial no caráter. Mas em Shakespeare a natureza sempre predomina sobre o acidental e. Apresentemos primeiramente o caso. para depois examiná-lo”. Essas objeções são insignificantes e produtos de espíritos mesquinhos. Ele sabia que Roma. (N. Thomas Rymer. A reprovação a que ele se expõs ao misturar cenas cõmicas e trágicas.) 9) Kenrick aprovou esta passagem na sua resenha. como qualquer outra cidade. As peças de Shakespeare não são. do mesmo modo que um pintor. um poeta não leva em conta distinções acidentais de país e de condição social. e sim composições de uma espécie diferente.foi capaz de recobrar-se de seus êxtases oníricos ao ler os sentimentos humanos na linguagem humana.

acaba IU) Horácio. às vezes leveza e riso.T. os poetas antigos selecionaram alguns os crimes. conhecidas pelos nomes de tragédia e comédia. uns as grandes vicissitudes da vida e outros os acontecimentos menos graves. refletindo o curso do mundo. Shakespeare reuniu as faculdades de provocar riso e tristeza não apenas em um mesmo espírito. alguns os horrores do infortúnio e outros as alegrias da prosperidade. outros as contradições. É indubitável que a mistura do drama pode instruir mais do que a tragédia ou a comédia. Objeta-se que essa mudança de cenas interrompe o desenvolvimento das paixões e que a ação principal. essa é uma prática que contraria as regras da crítica. mas também em uma só obra. porém esta sempre se abre aos apelos da natureza. de um único escritor que tenha se aventurado em ambas. e o elevado e o banal cooperam na ordem geral por meio de conexões inevitáveis. onde a perda de um é o benefício de outro. ao mesmo tempo. Desse modo. Sem dúvida alguma. e muitos malefícios e muitos benefícios são feitos e impedidos sem nenhum motivo. composições cuja finalidade era desenvolver diferentes fins mediante meios opostos. vv. o libertino está correndo para o seu vinho e o pesaroso enterrando seu amigo. pois inclui ambas em suas variadas situações e se aproxima mais da vida. misturados em uma proporção infinitamente variável e combinados de inúmeras maneiras. e as consideraram tão distantes uma da outra que não me recordo.abrange o bem e o mal. (N . dentre os gregos ou romanos. as vezes apresentam gravidade e tristeza. segundo as leis que o costume estabelecera.) . Arte poética II. a alegria e a tristeza. surgiram as duas formas de imitação. nos desdobramentos sucessivos do enredo. 343-344. O objetivo da obra escrita é a instrução. a finalidade da poesia é instruir por meio do prazer”. Desse caos de desígnios e desgraças. Em quase todas as suas peças alternam-se caracteres circunspectos e joviais e. onde a maldade de um é ãs vezes derrotada pela galhofa de outro. não progredindo mediante uma devida gradação de incidentes preparatórios. ao mostrar como grandes tramas e pequenos intuitos podem mutuamente se favorecer ou dificultar. onde.

por não ter a capacidade de comover. Sob essas classificações do drama. A peça histórica consistia em uma série de ações cuja sucessão era apenas cronológica. e isso era o suficiente para a crítica comum daqueles tempos. A ficção não tem o poder de comover a ponto de facilitar sua transferência e. ainda assim se deve igualmente levar em conta que a tristeza nem sempre é prazerosa e que aquilo que perturba um homem pode ser o alívio de outro. que diferentes espectadores possuem diferentes modos de ser e_ que. Mas uma história podia ter uma seqüência através de muitas peças. embora grave ou angustiante ao longo de seus incidentes intermediários. a composição de Shakespeare 1 I) John Hciiiing o Henry Condell. eram tragédias um dia e comédias em outro. independentes umas das outras e desprovidas de qualquer intento de propiciar ou de compor a conclusão. “editarain" siias peças ein 1623. àquela época. ela requeria apenas um fim mais funesto. Esse raciocínio é tão plausível que é aceito como verdadeiro até mesmo por aqueles a quem a experiência diária prova ser falso. todo prazer consiste na variedade. Nem sempre é possível estabelecer uma distinção rigorosa entre ela e a tragédia. Os atores que em sua edição classificaram as obras do nosso autor em comédias. não tinha limites. peças históricas e tragédias não parecem ter distinguido os três tipos segundo noções muito precisas e definidas".T. o que constitui critério de perfeição da poesia dramática. não obstante se admita que uma doce melancolia seja às vezes interrompida por uma jovialidade indesejada. constituía uma comédia.) . não constituía um poema em geral mais digno e elevado do que a comédia. meinbros da companhia de atores de Shakespeare. afiiial. modificandose o desfecho. (N. A tragédia. Essa concepção conservouse por muito tempo entre nós e se escreveram peças que. Não há nada na tragédia Aiitrív-:io a Cleópatra que se assemelhe muito mais ã unidade de ação do que na história Ricardo 11. Uma ação que terminava bem para os principais personagens. por mais que proporcionasse um prazer mais leve em seu desenvolvimento. As iiitercalações de cenas de diferentes tipos dificilmente deixam de causar as pretendidas oscilações da paixão. como não tinha um plano.

pois é mencionada nas Catttarjiiosizijicas. Quando se compreende o intento de Shakespeare. Mas. não havia um exemplo cuja celebridade refreasse sua exuberância. mas em suas cenas cómicas parece criar sem esforço o que nenhum zelo pode aperfeiçoar. Sua comédia encanta pelas reflexões e sua tragédia. ou iios quedamos mudos e imersos em calma expectativa. Shakespeare entregou-se ã poesia dramática com o mundo aberto diante de si.rertaçrio sobre a tragédia antiga e ttiodertia e novamente no Apeio. Hamlet abre-se. sem veemência ou exaltação. A cena dos coveiros. as palavras de Iago a Bnibâncio.r. Rymer havia anteriorinente censurado a cena de abertura do Oteio. mas não indiferentes. _ -Ii -_í__ 12) Voltaire censura a cena das duas sentinelas no seu Apeiri a todos as noções. segundo a qual em um momento o espírito se enternece e em outro se alegra.T. a opinião do público não se formata. a maior parte das objeções de Rymer e de Voltaire desaparecem. em Hamlet. o caráter de Polõnio é adequado e prestimoso. o que leva a um resultado não muito feliz. sem nenhuma impropriedade. portanto.ranio da tttagédia. contudo. sem nenhum dano ao plano da peça.segue o mesmo método: uma altemância de tristeza e alegria. (N. do instinto. Anos mais tarde ele voltaria ao mesmo tema na sua Carta ri Academia Fraricesa. ao passo que na comédia ele freqüentemente supera as expectativas ou as solicitações. Em suas cenas trágicas sempre falta algo. Na tragédia está incessantemente em busca de um motivo para comicidade. divertir ou entristecer.iiiíio Cárar. ou conduzir a narrativa. pelos caminhos do diálogo fluente e comum. muitas vezes sobressai seu cuidado e empenho ao escrever. pelas circunstâncias e pela ação. com duas sentinelas. na sua Di. o conduzia â comédia. como observou Ryiner. como em uma maneira de pensar própria a sua natureza.) . tanto no Apelo quanto no Prólogo do tradutor à sua tradução de . parece ter sido a que mais suscitou a ira de Voltaire. e até mesmo os coveiros podem ser ouvidos com aprovação”. Sua tragédia parece provir da habilidade. mas na comédia parece estar ã vontade ou entregue ao puro deleite. rimos ou nos entristecemos. qualquer que seja seu objetivo. em seu Breve re. as regras dos antigos ainda eram conhecidas de poucos. ele obedeceu a sua inclinação inata e esta. na maioria das vezes. Na tragédia. Iago grita na janela de Brabâncio. ele nunca deixa de atingir seu propósito: a seu comando. embora empregando termos que um público moderno dificilmente toleraria. sua comédia.

portanto. A areia acumulada por uma enchente é espalhada por outra. desejam distinguir-se do comum. são naturais e. mas não totalmente isento de mdeza . porém logo descoram em um matiz fosco. é mais agradável ao ouvido da época atual do que qualquer outro autor igualmente antigo. mas as distinções da paixão autêntica são as cores da natureza: elas impregnam o corpo todo e somente com ele perecem. quando o comum está certo. as peculiaridades efêmeras dos costumes individuais são apenas acasos superficiais.O vigor de suas cenas cêmicas resistiu melhor as mudanças ocorridas nos costumes ou nos vocábulos em um século e meio. Afirma-se que o diálogo informal de Shakespeare é fluente e claro. Como seus personagens agem segundo princípios gerados por paixões autênticas. suas satisfações e desgostos são comuns a todas as épocas e lugares. e entre suas outras qualidades merece ser estudado como um dos mestres originais de nossa língua. Os conjuntos acidentais formados por métodos heterogêneos são desfeitos pelo acaso que os reuniu. por um breve momento brilhantes e encantadores. Ele. mas como referências a uma verdade de cunho geral e predominante. um estilo que jamais se toma obsoleto. mas . portanto. sem nenhum resquício da exuberância anterior. mas a rocha permanece sempre em seu lugar. Essas observações não devem ser consideradas como invariavelmente constantes. deve-se procurar essa base no comércio cotidiano da vida. que incessantemente corrói o edifício de outros poetas.há uma conversação acima da grosseria e abaixo do refinamento na qual reside ajusteza e onde esse poeta parece ter colhido seu diálogo cómico. entre aqueles que falam apenas para serem compreendidos. muito pouco atingidas por convenções especiais. sem aspirarem ã elegância. mas a simplicidade uniforme das qualidades primitivas nem permite aumento nem admite declínio. como creio. Se há em cada nação. perenes. deixa incólume o diamante de Shakespeare. O fluxo do tempo. uma certa dicção tão conforme e inata ã analogia el aos princípios de sua língua que permanece estabelecida e inalterada. Os cultos estão sempre ã caça de novidades do momento e os eruditos distanciam-se das formas estabelecidas na fala_usual com a intenção de encontrar ou criar outras melhores.

considerada no seu todo. pois quem raciocina com sensatez necessariamente pensa segundo princípios morais. ele não distribui com justiça o bem e o mal nem cuida de mostrar no virtuoso a censura ao perverso. ã vista de sua recompensa. Desperdiça oportunidades de proporcionar o prazer ou a instrução que o curso de sua trama parece lhe impor e aparentemente rejeita situações mais comoventes em favor de outras mais fáceis. Seu primeiro defeito é aquele ao qual pode ser imputada a maioria dos males nos livros e nos homens. com protuberâncias e depressões. ditninuía os esforços exatamente onde deveria exercê-los com mais vigor. embora tenha partes impróprias para o cultivo. pode-se compor uma ordem de deveres sociais. pois o dever de um escritor é sempre tornar o mundo melhor. e a justiça é uma virtude independente do tempo e do lugar. Nenhum assunto pode ser discutido de maneira mais inofensiva do que as aspirações de um poeta morto ã celebridade. Quando se aproximava o fim de sua obra. improváveis. embora sua superfície apresente variações. do mesmo modo que a Terra. E evidente que na última parte de suas peças falta um cuidado maior. . embora seus sentimentos sejam por vezes forçados e suas ações. deixando seus exemplos agirem ao acaso. sem malícia invejosa ou veneração cega. sem dúvida. Os enredos são freqüentemente tão mal concebidos que um mínimo de reflexão pode aperfeiçoá-los e são desenvolvidos com uma tal displicência que ele mal parece se dar conta de seu próprio intuito. Shakespeare. mas seus preceitos e axiomas brotam casualmente. e não merece atenção o fanatismo que eleva a inventividade acima da verdade. e seu desfecho apresenta absurdos ou é mal construído. é esférica. e defeitos suficientes para obscurecer e superar qualquer outro mérito. Por conseguinte. possui defeitos. assim como um campo pode ser indubitavelmeiite fértil. elogiam-se suas personagens por serem naturais. Eu os exporei conforme me venham ã mente. e sua preocupação em agradar é tão maior do que em instruir que ele parece escrever sem nenhum objetivo moral. Esse defeito a barbárie de sua época não pode justificar. De suas obras. tanto quanto qualidades.ou obscuridade. Ele sacrifica a virtude ã conveniência. ele abreviava o empenho para agarrar o provento. conduz seus personagens indiferentemente para o certo e o errado e no fim deles se desembaraça sem nenhum outro cuidado.

) 15) Sir Philip Sidney (1554-1583).› Na narrativa. na verdade. Não há motivo para se admirar ao deparar com Heitor citando Aristóteles”. violências e aventura. tranqüilidade e segurança com os de tumulto. Esses defeitos esforçou-se Pope. mas toda vez que requerem sua inventiva ou exigem mais de suas faculdades o produto de seusespasmos são tumores. As efusões da paixão.Ele não levava em conta as diferenças de tempo ou de lugar. uma vez que vemos a amor de Teseu e Hipólita associado ã mitologia gótica de fadas.t¡ieare (1725).S`itaite. Spectator Nf* 39 e 285. os tempos da inocência.T. visto ser maior seu esforço.T. dando a uma época ou a uma nação. com maior empenho do que bom senso. confundiu em sua Arcadia a era pastoril com a feudal. suas pilhérias geralmente são grosseiras e suajocosidade libertina. 4 Na tragédia. nem seus cavalheiros nem suas damas são polidos e não se distinguem muito de seus bufões por nenhum traço exterior de refinamento. não foi o único transgressor da cronologia. ãs expensas não apenas da verossimilhança.ii. os costumes. Addison.) . mas também da probabilidade. Nas cenas cõrnicas. de algum modo. pois na mesma época Sidney”. mas talvez o afrouxamento daquela severidade não fosse de muito bom gosto. raramente ele é bem-sucedido quando suas personagens se envolvem em diálogos espirituosos e trocas de sarcasmo. (N. Contudo. é possível que tenha havido. tipos de jovialidade preferíveis a outros. seu desempenho parece ter sido invariavelmente pior. recebera Giordano Bruno na Inglaterra. aristocrata e erudito que. sem nenhuma hesitação. em transferir para os seus supostos intermediários”.) 14) Troiios e Cressitia II.166-167. formalidade e contenção. (N. com outros pares.T. que a necessidade impõe. “Us numerosos tropeços e erros crassos dos primeiros editores das suas obras são responsáveis pelo atiacronismo de Heitor-Aristóteles e pela convicção geral quaiito ã ignorância de Shakespeare. as instituições e os modos de pensar de outra. Uma das suas obras mais famosas é o Apoiogiefor poetry (1533). mesquinhez. são em sua maioria comoventes e intensas.T.” (N. (N. Shakespeare. e um escritor deveria escolher o melhor. a quem não faltavam os benefícios da erudição.) 16) Cf. tende a uma dicção desproporcionaltriente pomposa 13) Preƒace to . Se ele reproduzia a conversação de sua época é difícil dizer: imagina-se comumente que o reinado de Elizabeth tenha sido um tempo de magnificência. tédio e obscuridade'“.

mostrar sua riqueza de conhecimentos. abreviando-a. o que as miragens são para os viandantes: ele as segue em todas as aventuras. parece irrevogavelmente decidido a mergulha-los em tristeza e apaziguá-los com temas emoções por meio do declínio da grandiosidade. quando poderia fazê-lo de modo sucinto e simples. A suavidade e a comoção logo são seguidas de algum chiste inútil ou subterfúgio vulgar. inevitavelmente se desvia de seu caminho e se atola em dificuldades. pois sua força estava na natureza. e os sentimentos e as idéias pretensiosas fiustram a atenção que atraem mediante termos melodiosos e figuras bombásticas. Porém os admiradores desse grande poeta têm todos os motivos de lamentar quando ele. deve ser sempre curta e reanimada por muitas interrupções. manifesta-o por quaisquer palavras e deixa a tarefa de desembaraçálo e desenvolvê-lo para aqueles que têm mais tempo a lhe dedicar. na poesia dramática. ele raramente deixa de provocar indignação ou pena em seu leitor. ou a imagem grandiosa onde as dificuldades são muito grandes. Suas recitações ou monólogos são geralmente frios e fracos. debate-se com ele durante um certo tempo e. Shakespeare considerava-a incõmoda e. refreia-se. Abandona-se a sua má ascendência sobre seu espírito e suas seduções são irresistí- . ainda nascendo no espírito.e a uma enfadonha sucessão de circunlóquios. conta mal e prolixamente o episódio. Um sofisma é. das armadilhas da inocência ou dos sofrimentos do amor. são detidos e destruídos por uma súbita frieza. tentava encarecê-la por meio da nobreza e da pompa. dado não ser nem representada nem movimentada e impede o desenvolvimento da ação. Mal começa a se mover. caso persista. portanto. em vez de torná-la mais leve. como outros autores trágicos. Nem sempre a linguagem é intrincada onde o pensamento é sutil. para Shakespeare. aproveitar o ensejo de ampliação e. prestes a atingir sua' qualidade suprema. A narrativa. e o terror e a piedade. é por si entediante.1I'll'IE1l`-SB Em UITI FJ sentimento canhestro. que nao consegue nem exprimir nem abandonar. quando busca. O que faz de melhor ele logo deixa de fazer. _ _ E uma CHÍEICÍGFÍSÍICEI SLI3 VEZ Dll ULIÍFEI E`zI'l"lE11`í. ao contrário de indagar o que a ação demandava. a adequação das palavras ãs coisas muitas vezes é negligenciada.

qual ele invariavelmente porá de lado seu ofício ou descerá de sua dignidade. ao enumerar os defeitos desse escritor. que os incidentes sejam variados e comoventes. com todo o respeito devido ã erudição a que terei de me opor. mas a ordem geral avaiiça gradualmente. um evento está ligado a outro. ousarei põr ã prova minha capacidade de defendê-lo. verossímeis e definidas. e o fim da peça é o fun da expectativa. não se deve procurá-la. um meio e um fim. contente por fazê-lo.-lo ãs expensas da razão. e Shakespeare é o poeta da natureza. . coerentes. _ Suas histórias. esteja ele ampliando o conhecimento ou intensificando o sentimento. Há talvez alguns incidentes dispensáveis. do decoro e da verdade. dava-lhe tanto prazer que ele se eontentava em comprá. sua transgressão daquelas leis que foram instituídas e estabelecidas pela autoridade em comum dos poetas e dos críticos. Um sofisma. pois isso raramente ocorre na realidade. e as personagens. eu não tenha ainda mencionado sua desatenção as unidades. Mas seu plano geralmente obedece ã exigência de Aristóteles: um começo. não sendo nem tragédias nem comédias. Quanto as suas outras infrações da arte de escrever. Na verdade. não se esforça em esconder seu intuito apenas para revelá-lo depois. deixo ã crítica a tarefa de julgá-las.veis. Seja qual for a dignidade ou profundidade de sua indagação. do mesmo modo que em outros poetas há muitas falas que apenas preenchem o tempo no palco. para toda a aprovação a que têm direito nada mais se requer senão que os revezes na ação sejarn preparados a fim de que possam ser entendidos. sem nenhuma outra intervenção em seu favor senão a devida a todo mérito humano: que suas qualidades sejam avaliadas juntamente com seus defeitos. quanto ã censura que essa irregularidade possa lhe trazer. se um sofisma subitamente irrompe diante de si ele abandona sua obra. medíocre e inútil que fosse. ele manteve satisfatoriamente a unidade de ação. Um sofisma era para ele a funesta Cleópatra pela qual perdeu o mundo. Não se pretende nenhuma outra unidade e. Em suas outras obras. ou ainda entretendo a concentração com eventos ou prendendo-a pela ansiedade. Um sofisma é a maçã dourada pela . portanto. Julgar-se-á estranho que. seu enredo não obedece a uma complicação e elucidação metódicas. não estão sujeitas a nenhuma de suas leis. Porém. e a conclusão surge como uma conseqüência natural.

T. que não mudou de lugar e que esse lugar não pode se mover por si próprio. O espírito repele uma mentira tão evidente. e a ficção perde sua força quando se afasta da semelhança com a realidade. no momento em que é formulada. tê-lo transportado. o entendimento declara falsa. o espectador realmente se imagine em Alexandria e creia que sua 17) Pierre Comeille se pronnnciara acerca das três unidades. pela conclusão de que deram mais trabalho ao poeta do que prazer ao público. Os críticos afirmam ser impossível acreditar que uma ação desenvolvida no transcorrer de meses ou anos tenha se passado em três horas. com toda certeza. que nina fábula dramática tenha alguma vez realmente acontecido. São essas as palavras solenes com as quais um crítico triunfa sobre a desgraça de um poeta anõmalo e prevalece habitualmente sem nenhuma resistência ou objeção. ou. que o que era Tebas jamais pode ser Persépolis. ou que o espectador creia estar sentado no teatro enquanto embaixadores vão e vêm. em um intervalo de tempo tão curto. de dizer-lhe. com a pennissão de Shakespeare.) .etit. que ele assume como princípio inquestionável uma posição que. enquanto um proscrito anda ao léu e retoma.r de t"Acadéniie sur te Cid). (N. É mentira que uma representação seja confundida com a realidade. O espectador. portanto. que o que era uma casa não pode se tornar uma planície.As unidades de tempo e de lugar. Da estreita limitação do tempo nasce inevitavelmente a restrição do lugar. principalmente em lóóü. desde 1638 (Se. que se tenha nela jamais acreditado. não pode imaginar que vê o próximo em Roma. que está ciente de ter visto o primeiro ato em Alexandria. por um único instante. É chegada a hora. entre reis distantes. A objeção advinda da impossibilidade de passar a primeira hora em Alexandria e a seguinte em Roma pretende que. iniciada a peça. e é possível que um exame dos princípios em que se apóiam diminua sua importância e lhes retire a veneração que desde os tempos de Comeillef' lhes foi consagrada. A necessidade de se observarem as unidades de tempo e de lugar nasce da suposta necessidade de tomar o drama verossímil. ele sabe. uma distância a que nem mesmo os dragões de Medéia poderiam. enquanto exércitos são recrutados e cidades sitiadas. no terceiro dos seus Discours dratttatiques. ou então que aquele a quem viram fazendo corte a sua amada lamenta a perda prematura de seu filho.utitti. nao as levou em conta.

a duração real e a poética são a mesma coisa. Não há motivos para que um espírito. Sem sombra de dúvida. A verdade é que os espectadores estão sempre de posse de suas faculdades e sabem.caminhada para o teatro tenha sido uma viagem ao Egito e que viva na epoca de Antônio e Cleópatra. devesse contar as horas. sabemos que não há guerra alguma nem preparação para ela. encontra-se em um estado de exaltação fora do alcance da razão ou da verdade e das alturas da poesia divina pode desdenhar os limites da natureza terrena. pois. aquele que pode imaginar isto pode imaginar mais. estando tão estreitamente relacionadas. sabemos que não estamos nem em Roma nem em Pontos. não tem uma limitação determinada. de todos os modos de existência. não é possível presumir senão que o tempo passou? O tempo é. mas as diferentes ações que compõem uma história podem ocorrer em lugares muito distantes uns dos outros. que um aposento iluminado a velas é a planície de Farsãlia ou a margem do Grãnicos. se o espectador pode alguma vez ser levado a crer que Alexandre ou César são seus amigos íntimos. Eles vêm ouvir uma determinada quantidade de versos recitados com uma mírnica adequada e entonação nobre. em meia hora. Se no primeiro ato os preparativos para a guerra contra Mitridates na representação se passam em Roma. e que absurdo haverá em admitir que o espaço represente primeiro Atenas e depois a Sicília. no que diz respeito ã ação representada. o acontecimento da guerra pode sem nenhum contra-senso ser representado no desfecho como tendo ocorrido em Pontos. o tempo pode ser dilatado. ou para que uma hora não fosse um século nos cérebros ardentes que podem fazer do palco um campo. que o palco e apenas um palco e que os atores são apenas atores. o mais afeito ã imaginação. se for este o caso. que tampouco Mitridates ou Luculo se acham diante de nós. assim como se apresenta o lugar. O drama mostra imitações sucessivas e por que não poderia a segunda imitação representar uma ação acontecida anos antes da primeira se. pelo promontório de Action. A ilusão. vagueando em êxtase. que desde sempre se soube não ser nem a Sicília nem Atenas. do primeiro ao último ato. Os versos referem-se a alguma ação e ela deve se passar em algum lugar. ¡- . Aquele que toma o palco ao mesmo tempo pelo palácio dos Ptolomeus pode toma-lo. mas um teatro moderno? Por meio da imaginação. o período exigido pela trama transcorre em sua maior parte entre os atos.

(N. portanto. porém ninguém tomaria seu livro pelo campo de Agincourt. sob o nome de The pfeusure. Quando a imaginação se delicia com uma paisagem pintada. O pensamento que nos toca o coração não é o de que os males que presenciamos sejam reais. cena l. no jornal Tatter e depois no . porém. Comovemo-nos ao ler a historia de Henrique V. nãojulgamos que as árvores nos déem sombra. como uma mãe chora por seu filho quando se lembra de que a morte possa tira-lo de si. não é a de que creiamos nos atores. a grande tragédia é sempre menos.S'¡iecrarnr. eles não mais nos agradariam. de bom grado admitir sua contração quando vemos apenas sua imitação. conta-se entre os precursores da crítica literária moderna. A comédia doméstica é muitas vezes mais eficaz no teatro do que no livro. Perguntar-se-á como pode o drama comover se nele não se crê. como um retrato fiel a um original na realidade. não porque sejam confundidas com a realidade. junto com Steele. como uma representação para o espectador do que ele proprio sentiria se tivesse de fazer ou sofrer aquilo que se simula ter sido sofrido ou feito. 5* ato. de Addison (1713). mas qual entonação ou gesto podem aspirar ãdignidade ou ã eloqüência do monólogo do Catãom? 18) Carrão. mas a de que por um momento nos imaginemos infelizes.concebe-se com facilidade tanto um lapso de anos quanto o transcorrer de horas. Se há alguma ilusão. podemos agilmente encurtar o tempo das ações reais e. O temperamento de Petruchio pode ser acentuado pelo trejeito. se acreditãssemos que os assassínios e as traições fossem reais.r of the irnuginatiort. mas sim o de que sejam males aos quais nos mesmos poderíamos estar expostos.) .T. Joseph Addison (1672-1719). mas porque nos recordam a realidade. mas pensamos em como seria agradável estar diante de fontes borbulhantes e bosques oscilantes como esses. antes lamentamos a possibilidade do que cremos na presença da desgraça. Sua série de artigos mais famosa é formada pelos ensaios N" 411-421. O prazer na tragédia provém de nossa consciência da ficção. Acredita-se nele com toda a crença devida a um drama. Em pensamento. ou as fontes refrigério. Urna representação dramática é um livro recitado simultaneamente a elementos que aumentam ou diminuem seu efeito. As imitações causam dor ou prazer. Acredita-se nele todas as vezes que ele comove. mais conhecido hoje como o ensaísta que.

conseqüentemente. e seu sentido. diante de quem podem se passar em uma hora a vida de um heroi ou as convulsões de um império. ut non. não posso deixar de lembrar quanta perspicãcia e erudição podem se levantar contra mim.) . admite-se que entre os atos tenha-se passado um tempo mais longo ou mais curto. e essas censuras são proprias da crítica miúda e improcedente de Voltaire: Non asqae odeo pernriscrrir t`nu`s Longas surnr-no dies. molint o Coesore tollifg L I- Contudo. “Este longo dia não confundiu a grandeza e a baixeza a tal ponto que as leis. não creio que se deva lamentar o fato de que tenham sido conhecidas ou observadas por ele. é impossível verificar e inútil investigar. Uma vez que nada é essencial ao enredo senão a unidade de ação e dado que as de tempo e de lugar nascem obviamente de conjeturas infundadas e. Essas violações de regras meramente dogmãticas casam-se bem com a inclinação de Shakespeare para a abrangência. reduzem sua variedade. reprova-lo energicamente porque seu primeiro ato tenha se passado em Veneza e o seguinte em Chipre. não devendo o espectador levar mais em conta o espaço ou duração de um drama do que o leitor de uma narrativa. não 1_ i _ _ |. si voce Morelli Serverrtttr feges. não desejasse tomar conhecimento dos conselhos e advertências dos eruditos e dos críticos e que.A leitura de uma peça impressiona tanto quanto sua representação. Se Shakespeare tinha conhecimento das unidades e as rejeitou deliberadamente ou delas se desviou por uma feliz ignorãncia. a semelhantes autoridades receio opor resistência. . no contexto.. Tradução de Alceu Dias Lima. resolutamente persistiu em uma prática que provavelmente iniciara por acaso. que não se crê que a ação seja real e. é que: tanto a demagogia senatorial quanto o populismo dos generais são igualmente opressoras da liberdade individual sustentada pela lei civil. 138-140. Farsalía III. por fim. caso surgisse outro poeta semelhante.__| _ 19) Lucano. Podemos imaginar sensatamente que. nem que eu deveria.T. quando assim desprezo as regras dramáticas. portanto. não preferissem ser suprimidas por César. devessern elas ser defendidas pela voz de um Metelo." Trata-se de uma fala de César em resposta a seu opositor. (N. Metelo. quando lhe veio a fama. É evidente. ao restringir a extensão do drama.

Os feitos de todo homem. Aqueles que meus argumentos não conseguiram convencer a um julgamento favorável a Shakespeare.porque julgue ser esse assunto um daqueles que se deva a motivos melhores do que aqueles por mim encontrados. 610-615. Quem. mediante o qual se mostra antes o que é possível do que o que é necessário. e a indagação sobre a que distância ele pode estender suas metas ou com que alturas pode medir sua força natural é muito mais nobre do que aquela que se faz acerca do grau a ser atribuído a um desempenho em particular. para que sejam avaliados comjustiça. porém. como Enéias abandonou a defesa de Troia quando viu Netuno sacudir a muralha e Juno conduzir os sitiantesiü. sem o desprezo de qualquer outra qualidade. é que as unidades de tempo e de lugar não são essenciais a um bom drama.) . devem sempre ser sacrificadas aos encantos mais nobres da variedade e da instrução. há sempre uma comparação tácita entre as obras humanas e as suas habilidades. e quando avalio a celebridade e o poder daqueles que sustentam parecer contrário me sinto prestes a quedar em um silêncio reverente. como o resultado de um artifício desnecessário e faustoso. que. Talvez o que aqui escrevi. a curiosidade está sempre ocupada 20) Eneida II. embora para um leitor um livro não seja melhor ou pior segundo as circunstâncias do autor. Minha propria temeridade quase chega a me assustar. a principal beleza de uma cidadela é afastar o inimigo. (N. observa irrepreensivelmente todas as unidades merece a mesma aprovação concedida ao arquiteto que mostra todas as normas da arquitetura em uma fortaleza. não como um axioma mas como resultado de ponderação. A conclusão das minhas indagações. de cuja imparcialidade seria ridículo me vangloriar. peça um reexame dos princípios do teatro. embora possam ás vezes levar ao prazer. se refletirem sobre as condições de sua vida facilmente desculparão sua ignorância. sem diminuir sua resistência.T. e os maiores encantos de uma peça são imitar a natureza e instruir sobre a vida. e que uma peça escrita com uma obediência estrita as regras da crítica deve ser considerada como uma raridade de esmero. devem ser confrontados com as condições da época em que viveu e com as suas oportunidades particulares e.

tanto em descobrir os instrumentos como em avaliar a obra humana para saber quanto deve ser atribuído ãs capacidades originais e quanto a um auxílio casual ou fortuito. O povo era rude e ignorante. Thomas More escreveu várias ohms nessa língua e traduziu Lucianos. Um povo cujo interesse pela literatura acabou de ser despertado. eruditos e homens de Estado. ã época de Shakespeare. ainda desconhecendo a verdadeira natureza das coisas. quem escrevia para um público semelhante era obrigado 21) William Lil3. e saber ler e escrever era uma qualidade ainda valorizada por sua escassez. John Clerk foi capelão de Wolsey. dragões e encantamentos.) . Ao espírito que se regalou com as maravilhas voluptuosas da ficção não apetece a insipidez da verdade. Cheke e Gardiner e depois por Smith. tanto Sir Thomas Smith quanto Walter Haddon foram professores e. quem conseguiria deixar de se assombrar diante deles ao lembrar que foram construídos sem o uso do ferro? A Inglaterra. Tudo que se afasta das aparências habituais é sempre bem-vindo ao vulgo assim como ã ingenuidade infantil e. mais tarde. O grego era agora ensinado aos meninos nas principais escolas. em um país não esclarecido pelas letras. embora o editor nominal tenha sido James Bennet. ocuparam um alto cargo naquela universidade. Stephen Gardiner e Reginald Pole.' foi autor de urna famosa gramática do latim. Uma peça que imitasse apenas os acontecimentos ordinários do mundo causaria nos admiradores de Palmeirim e de Guy de Warwick uma impressão muito fraca. por Pole. ainda estava lutando para sair da barbárie. (N. A atenção de quem então aspirava ã instrução plebéia apoiava-se em aventuras. Clerk. A morte de Artur constituía a leitura favorita. não sabe como avaliar aquilo que se pretende imitar. Haddon e Asclrami". e quem aliava o requinte ãinstrução lia com grande empenho os poetas italianos e espanhóis. Os palácios do Peru ou do México eram habitações indubitavelmente acanhadas e desconfortáveis se comparadas com as moradias dos monarcas europeus. tal como os indivíduos. chanceler de Henrique Vlll e bispo de Bath e Wells. Linacer e More. A filologia tinha sido transplantada para cá no reinado de Henrique VIII e as línguas eruditas haviam sido cultivadas com êxito por Lilly. Mas a literatura ainda estava restrita aos eruditos notórios ou a homens e mulheres de alta posição. As nações. têm sua infância. contudo. Johnson editou as obras em inglês de Roger Ascham em 1761.T. a população inteira consiste no vulgo. tinham ligações com Cambridge.

os outros nos agradam por determinadas frases. A história de Hamlet é encontrada anteriormente naflismrín Deaica. conforme se crê. de Chaucer. 23) Colley Cibber. que. que. como os que eram bastante lidos e narrados. Os enredos do nosso autor são geralmente fornecidos pelos romances e é provável que ele tenha escolhido os mais populares. que os críticos agora têm de buscar em Saxo Grammaticus. Deve ter visto uma edição da narrativa Histtíi-iii da Hrunbiat. como os escritores antigos haviam se tornado conhecidos de seus conterrâneos por meio de versões. e aquela inverossimilhança que contrariava um conhecimento mais maduro era a principal qualidade das obras escritas para o interesse desassistido. quer pertençam ã história. Cibbefi recordava-se da história de Hamlet na prosa inglesa comum. (N. ele transformou algumas das Vidas de Plutarco em peças quando North as traduziu”. As histórias que encontramos agora somente em autores mais antigos eram a essa época acessíveis e conhecidos. forneciam-lhes novos assuntos. mas ele sempre nos deixa ansiosos pelo acontecimento e talvez tenha sido.) . são sempre repletos de incidentes. os quais atraíam mais facilmente o interesse de um povo rude do que o pensamento ou o raciocínio. Seus enredos. publicada pela primeira vez em 1608. teria sido copiado do Gamelyn.T. fomeeeu o enredo de Shakespeare.) . com a exceção de Homero. Suas histórias inglesas foram tomadas das crônicas e baladas” e.T.) 24) Johnson refere-se a Rei Leer e sunsjir'lrn. O enredo de Como quiseres.t. até mesmo sobre aqueles que o desprezam. pois seu público não poderia tê-lo seguido no emaranhado do drama se desconhecesse o fio da história. de Saxo. de Thomas Lodge (1590).T.T. era um pequeno lívreto naqueles tempos” e o velho sr. por sua vez. que todos se deixam cativar intensamente mais pelas tragédias de Shakespeare do que pelas de qualquer outro escritor. mas essa balada é posterior ã peça de Shakespeare. quer ã ficção. (N. e o poder do maravilhoso é tão grande. (N. o mais capaz de manter o principal objetivo 22) O Couro da Grrraalyrt não é mais atribuído a Chaucer. (N.) 25) A tradução de Sir Thomas North foi publicada pela primeira vez em IST9. Esse conto foi reaproveitado posteriormente no Resrriyrrde. publicada em 1514. ator e dramaturgo.a procurar acontecimentos inusitados e empreendimentos prodigiosos.

A resposta é que Addison fala a língua dos poetas. ou se seu exemplo foi prejudicial ã nação. entremeado de sombras e perfumado de flores. enchendo os olhos com pompa solene e brindando o 26) Apelo o todos as noções. mas suas expectativas e receios não fazem o coração. ãs vezes se intercalando com ervas e sarças e às vezes abrigando sob suas copas murtas e rosas. mas retorna. ' A obra de um escritor correto e metódico é um jardim arranjado minuciosamente e cultivado cuidadosamente. Corão proporciona um esplêndido espetáculo de costumes artificiais e fictícios e manifesta sentimentos legítimos e nobres. eloqüente ou sublime. a de Shakespeare é uma floresta na qual carvalhos estendem seus galhos e pinheiros se erguem para o céu. Ele sabia como agradar mais.bater. a composição nos lembra apenas o escritor. mas pensamos em Addison. A medida que o conhecimento avança.T. As exibições e a agitação que povoam suas peças derivam da mesma fonte. colocamo-lo ao lado dos mais belos e mais nobres produtos que o juízo difunde ao se aliar ã instrução. deve haver ação tanto quanto palavras e que a declamação pura é ouvida com muita frieza.de um escritor ao incitar uma curiosidade incessante e insaciável e obrigando quem lê sua obra a prosseguir em sua leitura até o fim. Encontramos em Corão inúmeros encantos com que seu autor nos cativa. ainda que melodiosa ou requintada. o prazer passa da vista para o ouvido. não vemos nada que nos informe acerca dos sentimentos ou atos humanos. elevada e harmoniosa. Voltaire manifesta seu espanto diante da tolerância com que uma nação que assistiu ã tragédia Corãoiê recebe as extravagâncias de nosso autor. ao declinar. Aqueles a quem se exibiam os esforços do nosso autor eram mais versados em pompas ou cortejos do que na linguagem poética e talvez lhes fizessem falta acontecimentos que pudessem ser vistos ou postos em evidência como se fossem explicações sobre o diálogo. (N. e quanto a saber se o prazer causado por seus 'artifícios é mais conforme ã natureza. nossa opinião ainda continua sendo a de que. em nosso palco. deste para aquela. mas Otelo é o fruto vigoroso e ardente da observação fecundada pelo gênio. em uma dicção fluente. pronunciamos o nome de Coriio. e Shakespeare a dos homens.) .

como qualquer outro homem. depois de um sonho agradável.) . portanto. or theƒox. seu amigo. afirma que “ele possuía algumas poucas tinturas de latim e menos ainda de grego”. desejado o mesmo em ocasião idêntica. aviltados por impurezas e misturados com um amontoado de minerais inferiores. Shakespeare abre uma mina que contém ouro e diamantes em uma abundância inesgotável. Há algumas passagens que podem ser consideradas como imitações. ou essas observações sobre a vida ou axiomas morais que surgem nas conversas e são amplamente transmitidas através de provérbios.T. Outros poetas exibem mostruários com raridades valiosas frnamente executadas.T. decidir a controvérsia. há uma tradução de I prae. mas são tão poucas que a exceção apenas confirma a - 27) Ben Jonson (1573-1637). o autor imita Anacreonte. encenada no Teatro Globe em 1609. _ É antiga a discussão quanto a Shakespeare dever sua superioridade a sua própria capacidade inata ou ãs habituais vantagens proporcionadas pela educação acadêmica. (N.i. sequer”. Sua prova deveria. Prevaleceu sempre uma tradição de que a Shakespeare faltava erudição. embora empanados por crostas. Disseram-me que quando Calibã. aos preceitos da ciência da crítica e aos exemplos de autores antigos. contemporâneo de Shakespeare e autor de Voipone. Alguns julgaram ter descoberto uma oculta erudição em muitas imitações de escritores antigos. “Vá. que havia. esmeradamente moldadas e resplandecentes pelo polimento. eu o seguirei”. nesta famosa frase. diz “Implorei para dormir novamente”. 144. Encontrei a observação de que.) 28) Ricardo Ni l. nem era muito versado nas línguas mortas. como as que ocorrem àqueles que refletem sobre os mesmo assuntos. escreveu em uma época em que o caráter e as conquistas de Shakespeare eram do conhecimento de muitos.espírito com uma infinita diversidade. (N. a menos que algum testemunho de igual calibre pudesse a ela se contrapor. Jonsonii. de que não havia recebido uma educação regular. [Jonson] além de não ter uma inclinação concebível para a mentira. mas os exemplos que creio ter salientado foram tirados de livros traduzidos em seu tempo: eram ou coincidências de pensamento comuns.

o Essa). mas se trata de um conhecimento que os livros não proporcionam.) .regra. inclino-me a crer que lia pouco mais do que o inglês e escolheu para seus enredos apenas as histórias que encontrou traduzidas. Quem quer entender Shakespeare não deve apenas examiná-lo em seu gabinete. mas o que era conhecido de seu público. Shakespeare não poderia tê-lo feito. É muito provável que tenha aprendido latim o suficiente para conhecer a construção da frase. e do que pode ser considerado como um sumário da teoria crítica do século XVIII.T. com muita justeza. (N. de Plautoii. observa-se que seguiu a tradução inglesa onde ela se afasta do italiano. tradutor de Ilíada e autor de. poderia ter usado mais se mais houvesse obtido. da única peça de Plauto existente então em inglês.W. (N. que quem copiou essa teria copiado outras e que aquelas que não tinham sido traduzidas lhe eram inacessíveis? Não se sabe com certeza se ele sabia as línguas modernas. não o que ele próprio conhecia. não há fundamentos suficientes que me permitam defini-la. pois a tradução de W. deve procurar seu significado ãs vezes entre os passatempos do campo e às vezes entre os trabalhadores das oficinas.) 30) Alexander Pope (1688-1744). Popeif' observou. porém. No que tange a sua habilidade nas línguas modemas. não obstante a poesia italiana fosse então muito apreciada. tomada dollfíenaechrni. por outro lado. mas nunca a ponto de ler fluentemente os autores romanos. o Essay an criricisrn.T. do Menaeclani foi publicada em 1595. entre outras obras. 29) Segundo Sherho. Não seria muito mais provável. A Canredia das erros foi. Ele devia copiar. embora tivesse um certo conhecimento da língua. que há muito saber espalhado por suas obras. mas isto. não constitui prova de sua ignorância do original. considerado por seus contemporâneos um dos maiores poetas ingleses. ele podia pedir que fossem escritas e provavelmente. Editom Nova Alexandria). an man (traduzido para o português por Paulo Vizioli. não poderia tê-las escrito sem um auxílio. como não se encontraram imitações dos autores franceses ou italianos. reconhecidamente. assim como usou o que tinha. Na história de Romeu e Julieta. O fato de que em suas peças haja algumas cenas em francês não prova muita coisa. ele as obteve de citações acidentais ou de transmissões orais e. portanto.

dmmaturgo. Mas isso em comum e ocorre também com Dryden. É difícil saber de que modo ele procedeu para seu aperfeiçoamento. foram as melhores. entre outros. (N.” Mas ã faculdade inata é dado apenas utilizar. talvez nao devamos procurar seu início nas obras menos perfeitas. podia comunicar somente o que aprendera e. os instrumentos que o empenho fornece. Ele encontrou o teatro inglês em um estágio extremamente rudimentar. e nossa língua não era naqueles tempos tão desprovida de livros que ele não pudesse se entregar prodigamente a sua curiosidade. porque precisava ampliar suas idéias ii» "" 3 I) Johnson tinha pouco conhecimento do teatro na época de Shakespeme. quando as imagens provêm do estudo e da experiência. pois a cronologia de suas obras ainda está por se estabelecer. (N . assim como alguns gregos. pode auxiliar apenas a põ-los em prática. Rorve e Hanmer. a maior parte dos objetos da investigação humana havia encontrado escritores ingleses. ou a ocasião proporciona. na sua juventude. conforme objetivos determinados. a participação da arte em suas realizações foi tão pequena em comparação com a natureza que. A natureza não fornece conhecimento a ninguém e.T.¶'Mr: Wiiliarn Shakespeare (1709). tendo recebido o título de Poeta Laureado quando da ascensão de George I ao trono. (N. Nem personagem nem diálogo eram ainda conhecidosih Pode-se dizer sem medo de errar que nos foram apresentados por Shakespeare e em algumas de suas cenas mais bem-sucedidas levou-os ao seu apogeu. e a poesia fora cultivada não apenas com empenho mas também com êxito. como nos outros escritores. porém ` sem maior fõlego. há provas suficientes de que era um leitor muito bom.T. embora favorecido pela natureza.T. Shakespeare. pelo que sei. sem percorrer a literatura estrangeira. Segundo Rovveii. escreveu peças consideradas agradáveis.) 32) Nicholas Rowe (1674-1713). Mas a maior parte de sua excelência era fruto de seu próprio gênio. Esse cabedal de conhecimentos bastava para que um espírito tão talentoso dele se apropriasse e o aperfeiçoasse.Todavia.) 33) Same account aftíte life r. a Reforma havia provido o reino de erudição teológica. não houvera tentativas na tragédia ou na comédia mediante as quais teria sido possível descobrir até que ponto uma ou outra poderiam agradar. Muitos dos autores romanos foram traduzidos.) . por terem sido as mais vigorosas.

Shakespeare não gozara de tal vantagem. porque isso favorecera sua curiosidade.como os outros mortais pela aquisição gradativa. desenvolver os princípios seminais do vício e da virtude ou sondar as profundezas do coração. e disso deriva quase todo o mérito original e inato.T. conseguiu mostrar melhor a vida. ao facilitar seu caminho. estavam ainda por fazer. durante algum tempo. e instruir com maior eficácia. mas muitas vezes com uma sutileza inútil. A discussão acerca da benevolência ou malignidade inatas do homem ainda não havia começado. A especulação ainda não havia tentado analisar o espírito. As narrativas com as quais se saciava a infância do saber exibiam somente os aspectos superficiais da ação. cientistae um dos fundadores da Royal Society. Nosso autor tinha de fornecer tanto a matéria quanto a forma. de ocupações muito 34) Robert Bovle. Shakespeare deve ter observado a humanidade com uma perspicácia extremamente minuciosa e atenta. Boyleif dava-se por feliz em ser bem-nascido. (N. a vestimenta varia um pouco. mas omitiam as causas e eram construídas com o intuito antes de se deliciarem com maravilhas do que com a verdade. Os outros escritores tomam seus personagens emprestados aos seus predecessores e os diversificam apenas mediante a anexação de atributos acidentais dos costumes contemporâneos. em busca das causas da ação. mas o corpo é o mesmo. re. A humanidade não havia ainda sido objeto de estudos teóricos. Todas essas investigações que desde a época em que a natureza se tornou o assunto da moda foram freqüentemente feitas com um discernimento preciso. veio a Londres como um aventureiro pobríssimo e viveu. Há um cuidado na observação e uma exatidão no discernimento que os livros e os preceitos não podem proporcionar. pois exceto os personagens de Chaucer. participando o mais possível de seus negócios e divertimentos. seguir as paixões até suas origens.) . ao qual não creio que ele deva muito. não havia escritores em inglês e talvez nem muitos nas outras línguas modernas que mostrassem a vida em suas cores originais. visto que estava ele próprio mais plenamente instruído. tornou-se como eles mais sábio com a idade.latavam os eventos. uma vez que a conhecia melhor. quem quisesse conhecer o mundo tinha de coligir suas próprias observações.

precisam obter seus sentimentos e descrições diretamente do conhecimento. suas descrições podem ser confirmadas por qualquer um e seus sentimentos reconhecidos por qualquer coração. seu espírito desvencilhou-se dos empecilhos impostos pela sua sorte. Muitas obras de gênio e erudição foram produzidas em condições de vida que parecem muito pouco favoráveis ao pensamento ou ã investigação.) . são tantas que quem as observa tende a julgar que vê o empenho e a perseverança predominar sobre toda influência exterior e eliminar todo auxílio e obstáculo diante deles. Tampouco sua atenção se restringiu ás ações dos homens. foi capaz de adquirir um conhecimento preciso de muitos modos de vida e muitas combinações de tendências inatas. Não obstante tenha tido de enfrentar tantas dificuldades e podido recorrer a tão pouca assistência para snperá-las. 224. qualquer que seja seu assunto. e a imitação. suas descrições têm sempre algumas singularidades. após uma breve celebridade. mas foi ele próprio imitado por todos os escritores posteriores. de marcá-las com diferenças sutis. em parte a natureza. “como as gotas de orvalho najuba do leão'*”. exata. ele não tinha a quem imitar. coletadas na contemplação das coisas que realmente existem. Pode-se observar que os poetas mais antigos de muitas nações conservam sua reputação e que os talentos das gerações seguintes.T. de diversificá-las em grande número. sejam quem forem. Os primeiros. Aqueles que sua fama atrai para as mesmas investigações copiam em parte a eles. ele foi um observador minucioso do mundo inanimado. Shakespeare. sempre por um pequeno desvio. até que os livros de uma época adquiram uma autoridade que substitui a natureza. nem restringido pela conversação limitada ã qual estão condenados os homens miseráveis. O gênio de Shakespeare não põde ser vergado pelo peso da pobreza.iii. assim como de mostrálas em toda a sua luz mediante combinações características. Nesse aspecto de suas realizações. (N.inferiores. torna-se por fim extravagante e displicente.tiria III. a semelhança é. portanto. a vida ou a í 35) Troilos e Ct¬es. mergulham no esquecimento. e cabe duvidar de que se possam coligir em seus sucessores um número maior de máximas de conhecimento teórico ou mais regras de prudência prática do que os proporcionados por ele a seu país.

com certeza suas obras eram transcritas para os autores por quem dificilmente as entendia. (N. a maioria não foi publicada até cerca de sete anos. Aqueles que perceberam a necessidade de. a negligência e a inabilidade foram suficientemente demonstradas pelos últimos organizadores. igualmente inábeis. até certo ponto. 41) Otelo IIl. Das peças que levam o nome de Shakespeare nas últimas edições. que multiplicavam ainda mais os erros.. muito numerosas e grosseiras. apresentando-as ao mundo em seu estado original. Warburton imagina. impressas sem a correção das provas.ii. mas agora rasgamos o que não conseguimos desembaraçar e jogamos fora o que porventura não entendemos. As falhas existem em número maior do que poderia ter havido sem a concorrência de muitas causas. De todos os editores. Nesse estado permaneceram não. O estilo de Shakespeare era em si mesmo incorreto. algumas vezes. enfim. talvez além da possibilidade de recuperação. provavelmente sem o seu conhecimento.) . como o Dr. Alterar é mais fácil do que explicar. eram transmitidas por copistas. As falhas de todos eles são. aventar hipóteses estavam inclinados a se deixar levar um pouco mais longe. Tivesse o autor publicado suas próprias obras. mas também atraíram a suspeita para outras que são somente obscurecidas pelo estilo ou pela inabilidade e pedantismo do escritor. antes que a fadiga o entediasse ou a enfermidade o incapacitasse.embora recolhido ao conforto e ã abundância.269-270. confuso e ininteligível.T. e as poucas que vieram ã luz durante a sua vida são claramente lançadas ao mundo sem a assistência do autor e. talvez mutiladas pelos atores a fim de encurtar as falas e. poderíamos sentar-nos calmamente para deslindar seus enredos e esclarecer suas passagens obscuras. não compilou suas obras nem desejou salvar as que já haviam sido publicadas da falsificação que as obscurecia ou garantir às restantes um destino melhor. e não apenas adulteraram muitas passagens. portanto. mas enquanto não havia inteiramente “caído no vale dos anos”'". clandestinos ou declarados. na verdade. e a temeridade é uma qualidade mais comum do que o zelo.

porque estavam abandonadas”. portanto. reimpressa no primeiro volume da edição de Johnson. mas porque as obras de nosso autor poderiam se apresentar como as de seus pares. com uma crítica muito sumária. Rovve levou a cabo uma edição”. cit. se feitas por eles.tpeat:e. reconhecendo que. quando o sr. Rovve foi clamorosamente censurado por não cumprir o que não havia prometido.que seus antecessores aceitaram sem notar e. que jamais alguém pensara em examinar. a versão de Same account af the life of Mr. Há muitos anos a nação contentara-se razoavelmente com o desempenho do sr. com os aditamentos de urna biografia e de um prefácio. embora seja desprovida de elegância ou vigor. (N. (N. Ao que parece. Confrontou as cópias antigas. contudo. embora não pareça ter-se importado com outro tipo de adulteração além dos enos do impress_or. não porque um poeta devia ser publicado por outro.T. com a exibição dos absurdos que acarretavam. nota 7.T. e devolveu a muitos versos sua forma original. (N . com exposições pomposas da nova interpretação e autocongratulações pela ventura de descobri-la. l--lfittiatrt Stt. e é hora de fazer-lhe justiça. Quanto aos outros editores.T. Por fim. mas porque a arte da edição ainda não havia sido empregada nas línguas modernas e nossos ancestrais estavam tão acostumados com o desleixo dos impressores ingleses que conseguiam a ele se resignar.) 44) Segundo Sherbo. pois narra tudo que até o presente se pode saber e.ake. mesmo assim fez muitas emendas . assim como tomei emprestada a Rowe a biografia do autor.) .. Pope a informou do verdadeiro estado do texto de Shakespeare. Pope julgava essa tarefa indigna de suas habilidades. é na verdade a revisão do original feita por Pope (ap. demonstrou que ele estava extremamente deturpado e deu motivos para crer que havia meios de o corrigir. conservei seus prefáciosfê.) 43) A edição de Rorve foi publicada em 1709. pois Rowe não parece ter dado muita importância ã correção ou ã explicação.caso não houvessem sido feitas anteriormente -. p. encheriam páginas e páginas com censuras ã estupidez responsável pelas faltas cometidas. rejeitou tudo que não lhe agradava e rendeu mais á amputação do que ã cura. 93). mostrando-se incapaz de superar seu desprezo pelo 42) Prefácio de sua edição das obras de Shakespeare (1747). merece constar de todas as edições posteriores. Rovve.

submetia-a a suas necessidades.) . Porem. Shakespeare dava mais atenção ã stícessão de idéias do que ãs palavras e. quanto a suas correções em geral. conseqüentemente. Raramente se pronuncia sobre o que não entende sem tentar descobrir ou deduzir um sentido e ãs vezes prontamente logra o que um pouco mais de atenção teria encontrado. como sua linguagem não se destinava ao leitor. A atenção dada por Hanmer ã metrificação foi demasiadamente censurada. (N. Quando não tem muita certeza de que o autor pretendia estar gramaticalmente correto. com a silenciosa aquiescëncia dos demais. graças ao silêncio laborioso de alguns editores. cuja edição fora publicada em 1747. brandura para com a reputação em vida e reverência ao gênio e ã erudição.T. diligentemente o corrige. mas não tem o direito de se sentir ofendido pela liberdade quem dela tantas vezes deu exemplo. sem nenhuma informação sobre copias variantes. O ritmo estava alterado em tantas passagens. acolhi todas as suas notas e acredito que qualquer leitor desejaria mais. _ Do último editor é mais difícil falar”. inventadas ou tomadas de empréstimo. sua confiança tanto em si quanto nos outros era exagerada.T. Nomeado bispo de Gloucester em 1759. foi muito natural que reivindicasse o que generosamente concedia. que ele se julgou autorizado a estender um pouco mais a licença já tão tolerada. dando a conhecer a quantidade de correções ocultas. Deve-se respeito ã alta posição. ele apropriou-se do trabalho de seus predecessores e privou sua propria edição de parte de sua autoridade”. ele está convencido da correção de tudo que fora feito por Pope e Theobald. ao inserir na página suas correções.opiniões e tradições parece ter sido abrangente. a fim de se comunicar com o público.) 48) William Warburton. e muitas vezes é erudito sem disso fazer alarde. Na verdade. uma edição anõnima de Shakespeare fora publicada em 1745. parece não suspeitar da falibilidade de um crítico e. assim como as roubadas na versão de Hanmer. Como ele nunca escreveu sem antes proceder a uma cuidadosa investigação e uma reflexão rigorosa. (N . nem muito cioso do modo como julgam as notas que ele nunca deveria ter considerado 47') Segundo Sherbo. é preciso confessar que na maioria das vezes são justas e feitas comumente de modo a violentar o texto o mínimo possível.

aquela precipitação gerada pela consciência da pronta perspicácia e aquela confiança que tem a presunção de realizar pelo exame da superfície o que tão somente o esforço pode conseguir pelo mergulho nas profundezas. inserindo no texto a leitura apresentada. sem intenção de insultar. aos quais o talento e a razão devotaram suas habilidades. Quem quer que examine as revoluções na erudição e os vários problemas de maior ou menor importãncia. e em parte censurei sem restrições. deve lamentar o insucesso da investigação e os lentos progressos da verdade. Suas notas revelam as vezes interpretações despropositadas e suposições improváveis. em parte as acolhi com a mais viva aprovação. Mas a quantidade de suas correções oportunas e justas é igualmente freqüente e sua . em parte deixei ao leitor a decisão. Quanto ãs demais. creio eu. O primeiro cuidado do construtor de um sistema é demolir os edifícios intactos.como parte de suas ocupaçoes importantes e as quais. A principal aspiração de quem comenta um autor é mostrar o quanto os outros comentadores o deturparam e obscureceram. Desse modo. não mais classifica como uma de suas efusões bem-sucedidas. As opiniões predominantes em uma época. Não me apraz observar. Desse modo. De suas notas rejeitei geralmente aquelas contra as quais a voz corrente do público se manifestou ou aquelas cuja propria incongruéncia prontamente interdita e que. o proprio autor desejaria ver esquecidas. quando pondera que a maior parte do esforço de todo escritor consiste apenas na destruição daqueles que o precederam. o espírito humano mantém-se em movimento. tomadas como verdades acima da controvérsia. sem que progrida. espero. imagino. ãs vezes ele atribui ao autor um significado mais profundo do que a frase admite e em outras descobre disparates quando o sentido é evidente para qualquer outro leitor. às vezes a verdade e o erro e por vezes oposições entre dois enganos alternam- . uma vez mitigado o ardor da composição. dado serem discutíveis. O primeiro e fundamental defeito de seu comentário é a aquiescência aos seus pensamentos imediatos. são refutadas e rejeitadas em outra e ressurgem como aceitas em épocas muito distantes. a quantidade de papéis gasta em refutações. ao rever meus escritos. mas. embora especiosas. sem amarga malevoléncia e.LF interpretação de passagens obscuras. eruditas e zugutas. seguramente.

Os assuntos que lhe cabe discutir são de somenos importância. ou críticas. seja porque todas as divergências de opinião. cuidado que não observaram entre si. está acima da disputa. que ele somente pertence. não envolvem nem a propriedade nem a licença.) . grandes ou pequenas. Não é fácil descobrir a que realmente se deve a acrimõnia de um escoliasta. ao primeiro pretendente. nas quais se corrigem as adulterações. nas quais se apontam defeitos ou méritos. enfurecem os homens orgulhosos. (N. seriam todos indiferentes pode atrair a atenção quando se lhe acrescenta a reputação de um nome. o segundo pode provar suas pretensões apenas a si mesmo e nem sempre é capaz. sem que envolvessem paixões. nas quais se elucidam dificuldades. seu volume deve ser aumentado pela ira e pela grita: aquilo a que. quando não atribui a outro. Um comentador. Henrique V! IV. de distinguir da lembrança a invenção. As notas que tomei emprestadas ou escrevi são ou explicativas. espalhar ã larga sua pequena fortuna e fazer com que provoque um grande efeito aquilo a que nenhuma arte ou empenho consegue infundir ânimo. até mesmo naqueles que não mais conseguem defendê-la.T. Porém. Em alguns casos.i. É possível que a frivolidade do assunto leve ã veemência da ação: quando o fato investigado esta tão prõximo da inexistência que escapa ã atenção. que a mim pertencia. 54) Shakespeare.que. pois seu direito. 106. foi porque acreditei. tampouco levam em consideração o interesse de seitas ou partidos. vislumbra-se nos comentários um traço involuntãrio de invectiva e desdém mais impaciente e virulento do que o manifestado pelo mais colérico dos polemistas políticos contra aqueles que foi contratado para difamar. com razoável segurança. em seu estado original. com efeito. Tratei a todos com delicadeza. ou retificativas. talvez outros tenham se antecipado a mim. ao escrever. As diversas maneiras de ler e as diferentes interpretações de um trecho parecem ser questões que poderiam exercer a argúcia. sente-se bastante tentado a suprir pelaviolência o que lhe falta em mérito. seja porque “as questiúnculas são o orgulho dos homens medíocres” e a vaidade se aproveita dos menores motivos. mas toda vez que percebo estar usurpando as observações de outro comentador de bom grado transfiro as honras.

aqueles que podem contribuir ainda mais para a sua elucidação comunicam suas descobertas e o tempo traz ã luz o que havia escapado ao empenho. espero. embora obscuras para mim. formalidades sociais. rico em alusões improvisadas e insinuações extravagantes. Todos os comentários individuais. entre papéis ignorados e inaproveitáveis. Essas desaprovações são meramente relativas e devem ser toleradas em silêncio.As explicações transcritas de outros. encontrei muitos trechos que provavelmente constituem um obstáculo ã maioria dos leitores e julguei meu dever facilitar sua leitura. Não se deve esperar de um escoliasta uma explicação perfeita de um autor que não seja regular e coerente. O que é possível saber é obtido por acaso. mas inconstante e caprichoso. Depois de todos os esforços de todos os editores. são em geral por mim consideradas corretas. em poucos anos são irremediavelmente apagados. as vezes mediante observações sumárias ou indicações secundárias. quando um autor conquistou a atenção do público. regras de convivência. folheados comumente com outros propósitos. são tão efêmeros e fortuitos que dificilmente são conservados ou recuperados. Procurei não ser nem inutilmente repetitivo nem excessivamente lacõnico. Ao tempo fui obrigado a confiar muitas passagens que. e os costumes demasiado insignificantes para atrair a atenção da lei. de qualquer forma. por mais que pondere. que naturalmente ocorrem no diálogo cotidiano. . É inevitável que um comentador escreva muito pouco para alguns e demasiado para outros. contudo. tacitamente admito não ter nada melhor a propor. acabará por explicar muitas linhas que ao letrado parecerão bastante claras e se omitir em outras para as quais o desprovido de instrução necessitará de seu auxílio. tais como tipos de vestimenta. e espero haver tornado o pensamento do meu autor acessível a muitos que receiam folheálo e oferecer ao público um prazer inofensivo e adequado. mas muito não é possível a nenhum. quando os nomes são omitidos. caso eu não tenha acrescentado outra interpretação. tendo. esclarecido algumas que outros omitiram ou entenderam mal. disposição do mobiliário e práticas de cortesia. O que ele pode fazer é decidir o que é necessário segundo lhe dita a experiência e. Um pouco desse conhecimento todos os homens possuem. talvez algum dia sejam explicadas.

Ao leitor. e sim distribuída segundo o capricho que me permiti nesta parte de meu trabalho. As qualidades ou defeitos poéticos não fiz muito empenho em comentar. para as quais a atenção do público havia sido atraída graças ã violência da disputa entre Pope e Theobald e mantida pela perseguição que. como uma espécie de conspiração. O julgamento. desde então se promoveu contra todos os editores de Shakespeare. deve-se esperar que haja muito a louvar nas peças desaprovadas e. contendo uma desaprovação das falhas em geral ou elogio ãs qualidades. é aperfeiçoado pela prática. julgamento cujo grau de coincidência com a opinião corrente ignoro. nem o perigo deve ser evitado nem a dificuldade recusada. do mesmo modo que a memoria se entorpece com o uso de um livro de anotações. muito a ser desaprovado. pois o que é mais difícil nem sempre é-mais importante. e seu progresso é retardado pela submissão a decisões ditatoriais. o do especulador.como por exemplo as que cada editor acrescentou segundo sua vontade e ãs vezes por meio de comentários mais pormenorizados do que o assunto parecera merecer. O aspecto no qual todos os editores. como qualquer outra faculdade. em sua crítica. nas louvadas. perigoso e difícil. Algumas das interpretações resultantes dessa competição entre . dando oportunidade ã mais arrogante exibição e incitando a mais aguda acrimõnia. é a correção de passagens adulteradas. Ao fim da maioria das peças acrescentei breves apreciações. e para um editor nada que torne obscuro seu autor é insignificante. tentou-se sua restauração apenas por meio do cotejo de copias ou da argúcia especulativa. portanto. Contudo. creio eu. como somente uma cõpia da maioria das peças foi conservada. É inquestionável que muitas passagens se deterioraram ao longo de todas as edições. . O ofício do cotejador é seguro e fácil. raramente agrada ver seu julgamento antecipado. contudo. é natural se deliciar mais com o que nos próprios encontramos ou fazemos do que com o que recebemos. sucessivamente concentraram grandes esforços. Não entrei em nenhum pormenor ou particularidade e. nenhuma pretensão de idiossincrasia fez com que dela me desviasse. Algumas peças contêm um número maior e outras menor de comentários apreciativos. mas essa diferença não está proporcionalmente relacionada ao mérito.

a meu ver. embora incorretas. como suficientemente provadas. simplesmente rejeitei. quando se tratava apenas da inversão de uma palavra ou da inserção ou omissão de uma partícula. Algumas dessas alterações consistem apenas na rejeição de uma palavra por outra que lhe parecia mais elegante ou mais clara. e outras ainda. neste último caso não fui tão rigoroso. restou-me. quando o resultado era praticamente imperceptível. algumas vezes. Outras. permitiram que muitas passagens desautorizadas fossem conservadas e se contentaram com a versão do texto estabelecido por Rowe. há as que. mesmo quando tinham conhecimento de sua arbitrariedade e. a ela não me entreguei temerária ou liberalmente. Forneci uma enumeração das edições que a sorte ou a generosidade depositaram em minhas mãos. Mas não deixei que essa prática fosse levada muito longe e restaurei a dicção original onde quer que. elas devem ser consideradas. As correções realizadas mediante a comparação de copias foram inseridas no texto. sem reparos ou aprovação. a fim de não ser acusado de desdenhar do que não era capaz de fazer. pois a história de nossa língua e o verdadeiro vigor de nossas palavras somente podem ser conservados se livrarmos da adulteração os textos dos autores. porém os compiladores dessas raridades não me pareceram muito expansivos.retificações feitas até o presente como produtos do empenho de cada editor foram por mim antecipadas no texto. outras incluí nas notas. Organizadas as observações de outros. suavizaram a cadência ou regularizaram o metro. com todo o alarde de seu zelo. indeciso entre a objeção e a defesa. Pelo exame das copias antigas. logo descobri que os últimos editores. por algum motivo. pudesse ser preferida. algumas vezes mantive o verso. Tenho por princípio que a . Essas adulterações muitas vezes retifiquei discretamente. bastante numerosas. por serem claramente equivocadas. poderiam descobrir que estavam erradas. sem nenhuma observação e outras vezes acompanhadas de uma justificativa da mudança. pois a variação das copias é tão grande que facilmente se podem pemiitir algumas licenças. foram inseridas e acompanhadas das devidas restrições. Cotejei as copias que pude obter e mais desejaria. por fim. que me pareceram especiosas. procurar reparar seus equívocos e remediar suas omissões. com um pouco mais de reflexão. Por inevitável que muitas vezes seja a especulação.

Algumas que estão divididas nas recentes edições não o estão no primeiro fõlio. Adotei a opinião dos romanos de que é mais honroso salvar um cidadão do que matar um inimigo e tive mais cuidado em proteger do que atacar. (N. Uma pausa inicia um novo ato. em toda imitação. não deve ser perturbada em favor da elegância. em primeiro lugar. Mas é evidente que muitas vezes cometeram erros singulares por ignorância ou negligência e que. Em toda ação real e. seja desprovida de legitimidade. célebre erudito francês. mas poucas.) . sem interrupção segundo mude a cena ou se requeira o transcorrer de um tempo considerável. os intervalos podem ser mais ou menos numerosos. embora não se deva dar muito crédito ã fidelidade nem ao bom senso dos primeiros editores. da clareza ou do simples aperfeiçoamento' do significado. ainda assim é provável que aqueles que tiveram a copia diante de seus olhos leram-na mais corretamente do que quem o fez apenas na imaginação. nem o proprio Huetfi me acusaria de me esquivar ao trabalho da pesquisa pela ambição de mudar. Shakespeare sabia-o e assim procedeu. não obstante crer que ela. Mas empenhome sempre. quando muito. suas peças foram escritas e inicialmente impressas sem quebra de continuidade e deveriam hoje ser apresentadas com breves pausas. e outras que nele se encontram divididas não o estão nas copias anteriores. onde uma passagem pareceu inextricavelmente confusa. Conservei a distribuição usual das peças em atos. em quase todas as peças. autor do De írtterpretutíone íífirí duo ( 1661). portanto. Esse 1_ I-I ii | i ¡- 55) Daniel Huet. passa-se sem a alteração do tempo ou mudança de lugar. sendo pois acidental e arbitrária toda restrição a cinco atos. em examinar o texto antigo e tentar saber se há alguma fenda por meio da qual ele possa ser elucidado. das obras de nosso autor podem ser estritamente dispostas desse modo. Essa é a crítica que tentei exercer e. mantendo-se entre a ousadia e a timidez.T. Isso porque. Salvei muitos versos das violações da temeridade e preseivei várias cenas da usurpação da emenda. portanto. a crítica pode fazer a devida tentativa.interpretação dos livros antigos está provavelmente certa e. esforcei-me em descobrir como o sentido podia lhe ser devolvido com a menor violência possível. Um ato. Nesse modesto empreendimento não fiii malsucedido. portanto. A convenção atual do teatro requer quatro intervalos na peça. no drama.

Uma vez que restringi meus võos imaginativos às notas de rodapé. enquanto o texto permanece ileso. feito sem alarde. Ao devolver as obras do autor a sua integridade. Se minhas interpretações têm escasso valor. é difícil manter os olhos constantemente fixos em átomos efêmeros ou um pensamento dispersivo sempre concentrado na verdade efêmera. A maioria dos leitores. considerei a pontuação como de minha inteira competência. Algumas vezes as inseri ou omiti. portanto. pois a arte de redigi-las não apresenta dificuldade. sem mais comentários. depois que editei umas poucas peças. A esses respondo sem hesitação que estão emitindo juízos sobre uma arte que não entendem. Eu poderia ter escrito notas mais longas. não foram presunçosamente apresentadas ou tediosamente impostas. não possointeiramente reprová-los por sua ignorância nem afiançar que se tomariam. A mesma liberdade foi tomada com umas poucas partículas ou outras palavras de pouca importância. pois a cada dia aumenta minha dúvida quanto ãs minhas correções. primeiramente. dado que não são consideradas necessárias ou indubitáveis nem mesmo por quem as propõe. pois que cuidado poderia ter com dois pontos e com vírgulas quem deturpou palavras e sentenças? Tudo que seria possível fazer mediante a correção da pontuação foi. essas mudanças podem ser apresentadas sem perigo algum. mais aprendo a nela pouco me fiar. contudo. mais úteis. Quanto mais uso faço da conj etura. mais felizes ou mais sábios por meio da crítica letrada. admirar-se-á de que a simples bagatelas se tenha despendido tanto trabalho. e. Fiz o que por vezesos outros editores sempre fizeram e que. em algumas peças com muito cuidado e em outras com menos. em geral. o estado do texto pode suficientemente justificar. atacando a . não se deve censurá-los com muita severidade. em vez de nos censurar por ninharias passageiras. dado que a eles me permiti unicamente em seus proprios domínios.método suprimiria de uma so vez inúmeros absurdos. Esse trabalho se faz. debatido com tanta consideração e em temios tão solenes. resolvi não inserir no texto nenhuma das minhas interpretações. Não há nenhum mal na conjetura quando ela se apresenta como tal. realmente. Congratulo-me hoje por essa cautela.

estabelecendo depois a verdadeira interpretação com uma longa paráfrase. Criticícs I saw. como os outros. caso se leve . with Jabour.: efiace. Presenciei a cada página o Engenho em luta com seus proprios sofismas e a Erudição confusa com a multiplicidade de seus pareceres. com a labuta. não o farois. concluindo com ruidosos aplausos pela descoberta e um desejo prudente do progresso e florescimento da genuína crítica.T. enquanto proscrevia suas emendas. Or disappear'a'. Vi pessoalmente tantas críticas temerárias acabarem mal que me rendi à cautela.) . A 1 4 ""- 56) Plínio.r. e a retificação.estupidez. logo cedem seu lugar.) 57) Temple offome II. a elementaridade e a inépcia da antiga exegese.¡ On desapareceram.T. A justeza de uma boa restauração imediatamente se impõe e o preceito moral quod dubitas ne fecerisifi pode perfeitamente aplicar-se ã crítica.37-40: "Críticos vi que outros nomes apagam] E põem o seu próprio. Fui obrigado a reprovar quem admirava e não pude deixar de refletir. in the place.ther. Nao deveria causar admiração nem a outros nem ao proprio crítico especulativo que ele possa muitas vezes se equivocar. Epístolas Lxviii: "Quando em dúvida. like o. sempre suspeitei de que a interpretação está certa quando requer muitas palavras para provar que está errada. Their cova. Porém. errada quando não pode ser admitida como certa senão a custa de muito esforço. Popefl 1. deixando atrás de si o outro". É natural o marujo temer a praia que vê repleta de destroços. a negligência e a mediocridade asinina de todos os editores antecedentes e mostrando.HJ- em conta que sua arte não se pauta por um método ou uma verdade fundamental e axiomática que regule asserções subordinadas. soon their place resiga 'd. que muito breve a mesma sorte me caberia e que muitas das versões que havia corrigido poderiam serjustificadas e reestabelecídas.l O seu próprio. that other ir name. Aadƒar their' own.” (N. Tudo isso se pode fazer e quiçá algumas vezes até mesmo sem nenhuma impertinência. em seu lugar. em tudo que antes e depois se fez. (N. and left the first behind.

Dr. e quem uma vez logrou uma alteração feliz sente um prazer intenso demais para ponderar sobre as objeções que se poderão erguer contra ela. escrivão da biblioteca do Vaticano. Contudo. há mais do que um manuscrito e eles poucas vezes concorrem para os mesmos equívocos. As palavras possuem não apenas uma regência conhecida mas também quantidades fixas que orientam e restringem a escolha. A especulação proporciona toda a alegria e todo o orgulho da invenção. e quando é mais bem-sucedido produz apenas uma versão dentre as muitas plausíveis e aquele que sugere uma outra sempre poderá reclamar seus direitos. (N.) . Os críticos dos autores antigos. Eles se ocupam de línguas gramaticalmente estabelecidas. Scaliger põde confessar a Salmasius a escassa satisfação que lhe proporcionaram suas correções. posreaqaarn in meliores codices ine£di:nus“`. Contudo. Triste é a condição na qual o perigo se oculta sob o prazer. famoso como editor de Milton e tido como um dos maiores editores da Inglaterra. tiveram muitos recursos de que o editor de Shakespeare está inevitavelmente desprovido. Lívio. um eventual descuido na conexão entre as partes bastam para fazê-lo não apenas cometer erros mas erros ridículos. as correções 53) Joannes Andreas. (N. quando posteriormente nos deparamos com outras melhores". Lipsius pêde queixar-se de que os críticos estavam cometendo erros ao tentarem eliminá-los: Utolim vftíis. ira nunc re:-nediis laborarnrff. cuja construção contribui de tal modo para a argúcia que há em Homero um número muito menor de passagens ininteligíveis do que em Chaucer. Dificilmente se resiste ãs tentações da correção. Aulo Gélio e outros autores clássicos. agora lutamos contra as coneções”. quorum nos puder. Prefácio “Ad lectorem” para seu Annaíes Cornelii Tania' ííber coinentaríns sív notae (1581): “Assim como antes trabalhamos duramente nas adulterações. Richard Bentley. (N. e eu jamais pretenderia depreciar um trabalho ao qual se entregaram tantos espíritos brilhantes desde o florescimento da erudição até nossa própria época.T. ã época de Paulo ll e de Sextus Il. no exercício de seu intelecto.) 60) Justus Lipsius ( I 54?-1606). De fato.probabilidade de erro renova-se a cada tentativa. um ligeiro equívoco na compreensão de uma passagem. do Bispo de Aleria ao inglês Bentley“. editou Heródoto. onde se deve apenas fazer conjeturas. Tanto Scaliger quando Salmasius foram grandes humanistas.T.T. Illudnnt nobis conjectarae nosrrae. envemonhando- nos. Geralmente. epístola CCXLVIII: “Nossas especulações troçam de nús.) 59) Epínoíae (1627). erudito flamengo. a crítica especulativa foi muito proveitosa ao mundo letrado.

mas quando não me foi possível esclarecê-lo reconheci minha ignorância.de Scaliger e Lipsius. com pedante superioridade. porém não se deve imputar ao descaso aquilo que. Eu poderia facilmente ter acumulado uma grande quantidade de erudição aparente a proposito de cenas pouco complexas. o que é igualmente difícil para o leitor e para mim. desdenhe igualmente lembrar-se da reputação de Theobald e de Pope. As passagens especiais são esclarecidas pelas notas. por fim. não cumpri. ou que. Não omiti. A expectativa da ignorância é infinita e a do conhecimento. em muitos outros recuei e confessei meu repúdio. É possível que não me censurem mais por ter cometido erros do que por ter feito pouco. ler cada peça da primeira ã última cena. Quando estiver inteiramente absorto. depois de todos os meus esforços. os pensamentos desviam-se do assunto principal. o leitor . tendo sido comentado ã saciedade por outros. por criar no público expectativas que. quando os prazeres da novidade tiverem cessado. não sendo necessário. por entre a perfeição e a adulteração. e. contudo. muitas vezes tirãnica. que conserve sua compreensão do diálogo e seu interesse pelo enredo. não obstante sua argúcia e erudição extraordinárias. são muitas vezes vagas e discutíveis como a minha ou a de Theobald. É difícil contentar aqueles que desconhecem o que exigem ou aqueles que exigem propositalmente o que julgam impossível obter. Na obra inteira nem urna única passagem que me pareceu deturpada deixei de tentar restaurar. E. que atente para a exatidão e leia os comentadores. Que leia do começo ao fim. mas o efeito veral da obra se enfraquece. O espírito sente-se aliviado com a -D interrupção. não estando familiarizado com a capacidade de Shakespeare e que almeja sentir o maior prazer que o teatro pode proporcionar. não desça a cada correção ou explicação. não poupei esforços em executar minha tarefa. Possa todo aquele que. nada mais lhe acrescentei. As notas são muitas vezes necessárias. Na verdade. Quando sua fantasia alçar võo. a ninguém desapontei mais do que a mim mesmo. assim como nenhuma obscura que eu não tenha me empenhado em elucidar. porém males necessários. Em muitos casos fracassei como os demais. por entre o brilho e a obscuridade. ignorando inteiramente todos os seus comentadores. não foi feito.

T. há uma espécie de distância intelectual necessária ã compreensão do plano global e das verdadeiras proporções de toda grande obra.) . Mas é sempre grandioso quando alguma ocasião solene se lhe apresenta. que sua linguagem tenha se tornado obsoleta ou seus sentimentos. possuía a alma mais completa. quando nem aversão fora ainda retiftcada em suas alusões entendidas. admirado. olhava para dentro de si e lá a encontrava. mas a sua boa estrela: quando descreve algo. Não se pode dizer que ele seja sempre o mesmo. 1' 61) Essny of drainatic poesy 1. Porém é ocioso alimentar desejos que estão além do alcance dos homens. estudado e imitado quando ainda se encontrava adulterado por todas as inadequações que a ignorância e o descaso poderiam ter acumulado sobre ele.25: “Como os ciprestes habitualmente estão entre os carregados vimeiros“. vos também o sentis. Todas as imagens da natureza ainda nele moravam e ele as pintou graças. Ninguém pode dizer que ele se tenha alguma vez se defrontado com um assunto ã altura do seu engenho sem que se tenha então alçado acima dos demais poetas: Quantum lenta solent inter viburna cupressi. uma observação minuciosa revela as menores graciosidades. Não se devem investigar as partes antes que o todo tenha sido examinado. obscuros. Muitas vezes é banal e insípido.“ É lamentável que um semelhante autor requeira um comentário. (N. seu genuíno entusiasmo em linguagem bombástica. Écloga 1. ele não necessitava das lentes dos livros para ler a natureza. mas a beleza do todo não mais se discerne. Não é muito agradável pensar quão pouco a sucessão de editores acrescentou ã capacidade de agradar que tem o seu autor.entediado não imagina por que motivo e finalmente abandona o livro que tão cuidadosamente estudara. mesmo então Dryden declarou '“que Shakespeare foi o homem que. se o fosse. Ele foi lido. A citação latina é de Virgílio. Aqueles que o acusam de ser pouco instruído fazem-lhe o maior elogio: sua erudição era inata. contudo. e que. seria uma ofensa compará-lo com o maior da humanidade.79-SD. não ao esforço. sua veia cêmica degenera em trocadilhos. que o que inevitavelmente acontece a' todos tenha ocorrido a Shakespeare. em virtude do acaso ou do tempo. além de vê-lo. de todos os poetas modernos e talvez os antigos.

Samael Johnson . Como os candidatos ã fama inferior. sofreu-o em virtude do desprezo que voltava ã fama. Toda obra dessa espécie é por natureza deficiente. submeto-me ao julgamento do público e desejaria poder fazer meu comentário com uma confiança igual ao encorajamento que tive a honra de receber.mais do que padeceu qualquer outro escritor desde a utilização dos tipos. que desdenhou de suas próprias realizações quando comparadas com sua capacidade e julgou indignas de serem conservadas essas mesmas obras cuja restauração e exegese os críticos das épocas seguintes deveriam disputar em busca da celebridade. ou talvez em virtude daquele espírito superior. e eu deveria me sentir menos ansioso pela sentença se ela devesse ser pronunciada apenas pelos talentosos e pelos letrados.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful