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CURSO DE

INTRODUÇÃO À ESTEREOLOGIA
PPGECM

ANGELUS G. P. DA SILVA
MARÇO/2007

INTRODUÇÃO À ESTEREOLOGIA
PROF. ANGELUS G.P. DA SILVA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA E CIÊNCIA DOS MATERIAIS UNIVERSIDADE ESTADUAL DO NORTE FLUMINENSE
MARÇO DE 2007

ÍNDICE
Capítulo 1- Introdução Capítulo 2 – Antecedendo a medição 2.2- Estruturas 2.2- Amostragem 2.3- Escolha da amostragem 2.3.1- A escolha dos planos de corte 2.3.2- A escolha de linhas de teste 2.3.3- A escolha de pontos 2.4- Outras considerações sobre desvios de medição e softwares de medição estereológica Capítulo 3- Fração volumétrica 3.1- Fração de pontos 3.2- Fração linear 3.3- Fração de área Capítulo 4- Cálculo de superfície Superfícies internas de espessura finita Interfaces de partículas dispersas em uma matriz Equação de Tomkeief para objetos tridimensionais Método de Saltikov para determinação da área superficial específica de partículas Capítulo 5- Medidas de comprimento 5.1- Comprimento de linhas em planos 5.2- Perímetro de curvas fechadas em planos 5.3- Comprimento de linhas no espaço tridimensional 5.4- Livre caminho médio em estrutura bifásica dispersa Capítulo 6- Relações gerais para corpos convexos 6.1- Considerações preliminares 6.2- Definições básicas 6.3- Penetração por linhas de teste 6.4- Penetração por planos 6.5- Relação entre área transversal média e altura projetada média 6.6- Relação entre área superficial e área projetada média 6.7- Relação entre área projetada média e intercepto linear médio Capítulo 7- O problema do unfolding Capítulo 8- Contigüidade 1 6 6 8 10 11 18 23 24 31 31 32 33 36 39 39 41 42 44 44 47 49 50 54 54 54 55 57 59 60 61 62 65

geólogos e biólogos em investigar e caracterizar as estruturas de seus “objetos” de estudo. observando os detalhes bidimensionais de cada lado da fatia. É óbvio. Esta é uma tarefa árdua. Adicionalmente. o interesse de engenheiros. Isto representa uma enorme dificuldade de observação. uma imagem bidimensional dos elementos tridimensionais reais da estrutura. A dimensão das imagens dos elementos no plano de corte é sempre uma unidade inferior à dimensão real do elemento estrutural. Este é o plano de projeção. A estrutura das rochas revela os mecanismos de sua formação. a medição de elementos estruturais interiores não é possível ou precisa a partir do exterior. Estruturas opacas devem ser observadas com uso de seções de corte ou por reconstrução a partir de fatias finas. O que se vê é um plano de corte da estrutura. A opacidade impede a visualização de seu interior. superficiais. porém a observação é dificultada pelo ajuste do foco do microscópio. A luz que é transmitida através dela.1 e 1. Consiste em secionar a estrutura e prepará-la adequadamente para observação por microscópio. Estes elementos projetam sombras em um anteparo exterior à estrutura. os elementos volumosos aparecem no plano de corte como uma área bidimensional. O segundo método consiste em fatiar finamente a estrutura e. tentar reconstruí-la tridimensionalmente. Os elementos lineares projetam uma sombra também linear e os puntiformes projetam pontos sobre o plano de projeção. respectivamente. os elementos volumosos projetam uma sombra bidimensional. Estruturas transparentes podem ser observadas dos modos descritos acima. No campo da biologia. ou podem ser observadas a partir de um plano de projeção. Os elementos superficiais aparecem como uma linha. Os elementos lineares surgem como pontos e os puntiformes aparecem somente se estiverem na região secionada. As imagens dos planos de corte e de projeção são as fontes de informação disponíveis para caracterizar a estrutura tridimensional.2 ilustram uma estrutura hipotética contendo os elementos estruturais fundamentais. de resultados por vezes insatisfatórios. 1 . Quando a estrutura é vista a partir de um plano de projeção. opacas ou semitransparentes e microscópicas. Uma estrutura qualquer é formada por elementos que podem ser classificados como volumosos. Os elementos superficiais também projetam uma sombra bidimensional. vistos a partir de um plano de corte e de um plano de projeção. a estrutura de células. órgãos e tecidos está intimamente relacionada a sua funcionalidade. As Figuras 1. pois. Quando a estrutura é secionada. As estruturas são geralmente tridimensionais. Estruturas transparentes permitem a visualização do interior.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA INTRODUÇÃO INTRODUÇÃO As propriedades dos materiais são influenciadas em grande medida por sua estrutura. por possuírem transparências distintas. Isto consiste de iluminar a estrutura em uma determinada direção. lineares ou puntiformes. O primeiro recurso é o mais utilizado. interage diferentemente com os diversos elementos da estrutura.

quando iluminada do topo. Por exemplo. podem ser consideradas elementos superficiais. a b Figura 1. que são na verdade elementos de volume. Deve-se levar em conta que alguns elementos podem ser ou estar aproximados. 2 .1: Estrutura tridimensional sendo secionada (a) e a visualização dos diferentes elementos estruturais em um plano de corte (b). produz na face inferior a projeção dos elementos estruturais (b).2: Estrutura tridimensional (a). inclusões muito finas podem ser consideradas pontos.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA INTRODUÇÃO Os elementos estruturais citados de forma genérica correspondem nos casos reais a grãos (elementos de volume). Membranas finas. a b Figura 1. contornos de grãos ou membranas (elementos superficiais) ou a linhas de discordância (elementos lineares).

Um exemplo prático de como a estereologia é empregada para caracterizar uma estrutura é mostrado a seguir.3. Esta imagem nada mais pe de que uma seção de corte da estrutura real. As seções de cor cinza são seções dos grãos da fase cinza. Existe uma fase matriz.1). chega-se a 9. Esta ferramenta denomina-se estereologia. A estereologia pode determinar sua área. este curso aborda somente os procedimentos para tratar imagens obtidas de estruturas secionadas. É possível ainda determinar qual a fração volumétrica que a fase cinza ocupa na estrutura. e uma fase cinza. se somente seus aspectos em duas dimensões são observados. Estas linhas viabilizam a medição. A interface entre as fases branca e cinza é uma superfície. denominadas linhas de ponto triplo. Em três dimensões. áreas de elementos superficiais planos ou não. Estes pontos também são usados na medição. As características estruturais que podem ser determinadas pela estereologia são: volumes de certos elementos estruturais (o que pode representar a determinação de composição de materiais ou frações de fases presentes). A estereologia pode ainda ser definida como um conjunto de procedimentos baseados em geometria e probabilidade que. Os grãos a fase cinza encontram-se muitas vezes agrupados. Os cálculos são surpreendentemente simples. da qual observam-se claramente seus contornos de grão. indicados em azul na Figura 1. Isto depende da escala em que foi feita a imagem. Contando-se quantos pontos de interseção das retas vermelhas coincidem com a fase cinza. cujos grãos situam-se tanto nos contornos de grão quanto no interior dos grãos da fase clara. entre outras. de coloração clara. produz informações sobre características da estrutura original. comprimentos de elementos lineares.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA INTRODUÇÃO A questão que emerge destes modos de observação de estruturas reais é: como caracterizar uma estrutura tridimensional. A fração volumétrica de uma fase é dada pela expressão (1. seja em um plano de corte seja em um plano de projeção? A resposta para esta questão é a seguinte: usando uma ferramenta que consiga transformar os aspectos em duas dimensões nos aspectos tridimensionais reais de interesse. O encontro destas linhas gera 56 pontos. nível de vizinhança entre fases presentes em uma estrutura (denominada contigüidade) e tamanhos de elementos volumétricos (como grãos). a partir de medições ou contagem de elementos estereológicos de uma imagem plana de uma estrutura tridimensional. 3 . O comprimento total das 15 linhas paralelas é de 1106µm. Sobre a imagem foi traçada uma malha de linhas vermelhas paralelas.3 exibe a seção de corte de uma estrutura hipotética de um material bifásico. A estereologia permite determinar o comprimento total das linhas de encontro entre conjuntos de três grãos. A Figura 1. Por ser mais direcionado à engenharia. o encontro de três grãos da fase cinza é uma linha.

New York. Sobre a imagem está traçada uma grade de linhas paralelas vermelhas. Practical Stereology. ISBN 0-306-46746-4 (1999).3: Imagem de seção de corte de uma estrutura hipotética. SV é a área da interface por unidade de área.2) A expressão (1. NY. 4 .16 56 (1. Os pontos azuis indicam a interseção das linhas vermelhas e a fase cinza. Plenum Press. R. Estes pontos estão identificados em amarelo na Figura 1. Russ.T Dehoff.1) na qual PP é a fração de pontos que coincide com a fase cinza em relação ao total de pontos e VV é a fração de volume da fase cinza. Estes pontos de interseção estão marcados em verde na Figura 1.3) determina o comprimento total das linhas triplas entre grãos da fase cinza.13 μ m3 1102 (1. São ao todo 8 pontos. A área total da imagem possui 5455µm2. SV = 2 PL = 2 72 μ m2 = 0.2) determina a área da interface entre as duas fases. 1999) VV = PP = 9 = 0. (Russ.3.3. contendo grãos de duas fases (branca e cinza). por unidade de comprimento das linhas vermelhas.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA INTRODUÇÃO Figura 1. 2ndEdition. A expressão (1. por unidade de comprimento. enquanto PL é o número de pontos de interseção entre as linhas vermelhas e a interface entre as fases branca e cinza.C. Os pontos verdes indicam a interseção das linhas vermelhas com a interface entre as fases branca e cinza e os pontos amarelos indicam a interseção entre as linhas de ponto triplo dos grãos da fase cinza e o plano da imagem. PA é o número de pontos triplos entre grãos da fase cinza na imagem. J. Ao todo são 72 pontos.

4 exibe a seqüência de etapas que antecedem a medição estereológica. porém esta influência é cumulativa em respeito às imperfeições. ceramográfica. Ou seja. AMOSTRA Preparação Metalográfica.3) A medição estereológica é apenas uma das fases de análise de imagens.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA LV = 2 PA = 2 INTRODUÇÃO 8 μm = 0. petrográfica ou biológica MICROSCÓPIO Observação e Tipificação da Estrutura Regras de Seleção Procedimento de Seleção de Imagens Registro da Imagem Armazenamento da imagem Processamento da Imagem MEDIÇÃO ESTEREOLÓGICA Figura 1. Estas etapas não serão objeto de estudo deste curso. de modo refletir no erro das medições estereológicos. O fluxograma exibido na Figura 1. 5 . A influência destas etapas na qualidade dos resultados será posteriormente discutida. os maus resultados em cada etapa anterior são acumulados. Para que ela posa ser realizada.4: Fluxograma de etapas de preparação e caracterização de imagens.0029 μ m3 5455 (1. outras etapas devem ser executadas anteriormente.

1 ilustra uma estrutura monofásica vista em uma seção de corte. As estruturas podem ainda ser consideradas orientadas ou aleatórias. Contudo. em geral. Esta fase une as partículas de carbeto e é denominada de fase ligante. Isto diz respeito a uma possível orientação espacial de todos ou de alguns elementos presentes na 6 . ela é dita estar dispersa entre as demais. Quanto maior a fração em volume desta fase. a fase dispersa. de modo que ela envolve a outra fase. Caso uma das fases esteja presente em pequena quantidade.3 mostra uma seção transversal de uma estrutura de um metal duro contendo 16% em peso de cobalto. Nas multifásicas.2 ilustra uma seção de corte de uma estrutura bifásica na qual grãos da fase dispersa estão em contato mútuo. maior a probabilidade de seus grãos estarem em contato. A fase matriz. Com respeito à quantidade de fases presentes podem ser ditas monofásicas ou multifásicas. A estereologia reconhece as diferenças entre as estruturas mono e multifásicas através de equações específicas. A conexão entre grãos de mesma fase pode ser caracterizada através de parâmetros estruturais denominados contigüidade e continuidade e está relacionada a propriedades dos materiais. Uma das fases pode ser porosidade. Figura 2. A Figura 2. existem casos em que a fase “envolvente” não é a de maior fração volumétrica. Durante a sinterização. A Figura 2. o espaço é preenchido por duas ou mais fases. A Figura 2.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA ANTECEDENDO A MEDIÇÃO ANTECEDENDO A MEDIÇÃO. 2. uma fase líquida rica em cobalto é formada e envolve as partículas de carbeto. como primeiros vizinhos. é a fase presente em maior fração volumétrica. como condutividade elétrica ou resistência à propagação de trincas.1: Seção de corte de uma estrutura monofásica. Note que os grãos preenchem todo o espaço.1. Em uma estrutura bifásica é comum empregar para as fases os nomes de fase dispersa e de fase matriz. ESTRUTURAS As estruturas de interesse para a engenharia podem ser classificadas de diversos modos.

Figura 2. Os grãos são orientados na direção de laminação.2: Plano de corte de uma estrutura bifásica de W-19%pesoCu. Estruturas assim podem ser obtidas por laminação. em que os grãos são alongados e orientados em uma direção definida. A Figura 2. Este tratamento não será apresentado no curso. Existem grãos de tungstênio isolados pela matriz e grãos que se tocam.4 exibe uma estrutura hipotética monofásica orientada. rica em Co. envolve os grãos de WC. Figura 2. 7 .3: Plano de corte da estrutura de uma liga de metal duro WC-16%pesoCo. às vezes como uma fina camada.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA ANTECEDENDO A MEDIÇÃO estrutura. Estruturas orientadas exigem um tratamento estereológico específico. A fase ligante. Os grãos arredondados (fase mais clara) de tungstênio estão imersos em uma matriz de cobre.

os grãos sofreram alongamento na direção horizontal. é de suma importância para a acurácia da medição que a amostragem sobre a qual são feitas as medidas espelhe o mais fielmente possível as características da estrutura real. o valor medido corresponde ao valor exato do parâmetro estrutural que se está determinando. mas não necessariamente. desconsiderando os erros próprios do ato de medir. configurando um gradiente. como será visto a seguir. mas também do procedimento utilizado para determinar as regiões empregadas na medida. Isto porque a dedução destas equações impõe como condição que toda a estrutura seja medida. A medição estereológica de estruturas homogêneas é muito mais simples de que a de estruturas heterogêneas.2. A característica que varia pode ser a fração de uma determinada fase da estrutura ou o tamanho de grão. alguma característica estrutural varia espacialmente. Os valores medidos na amostragem representarão os valores da estrutura inteira. como o tamanho de grão que varia conforme um gradiente linear de temperatura ao qual a estrutura possa ter sido submetida. Na operação. Nestas condições. Esta característica pode. Deste modo. como a precisão do instrumento usado na medição. O operador deve 8 . Nestas últimas. As estruturas podem ainda caracterizadas como homogêneas ou como heterogêneas. A este respeito.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA ANTECEDENDO A MEDIÇÃO Figura 2. Em um procedimento real de medição. as medições estereológicas apresentam um desvio do valor real. variar conforme um certo padrão. pois um número finito de elementos estruturais é medido. AMOSTRAGEM As equações estereológicas podem ser denominadas estatisticamente exatas. Isto significa que em situações reais. somente os elementos estruturais de uma amostragem retirada da estrutura são medidos e não todos os elementos desta estrutura. por exemplo. Na prática. as condições impostas para a dedução nunca são satisfeitas. 2. o seguinte lema deve ser observado: a amostragem deve ser representativa da estrutura e aleatoriamente determinada. Isto pressupõe um infinito número de medidas dos elementos estruturais.4: Plano de corte de uma estrutura monofásica deformada. cuja magnitude depende não apenas do número de elementos estruturais medidos. Seguir este lema exige de quem está caracterizando a estrutura conhecimento prévio sobre ela. Toda a atenção deve ser dada à escolha da amostragem a ser usada na medida.

Erros eventuais destas contagens resultam de desatenção ou de medição não sistemática. O plano de corte em si é também uma FME.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA ANTECEDENDO A MEDIÇÃO ter em mente o que deseja caracterizar e usa isto para selecionar as regiões da estrutura das quais será obtida a amostragem. um grão. Os valores referentes à contagem de eventos podem ser imediatamente determinados. rapidez e menores desvios de medida associados ao método. Estas ferramentas são pontos. As fontes de erro associadas à medição de comprimento são mais numerosas e por isso os erros são mais significativos de que aqueles envolvidos em contagem de eventos. A Figura 2. A escolha da amostragem depende de que tipo de medida deseja-se realizar. Os EEs que podem ser medidos são: iNúmero de grãos interceptados pelo plano de corte: 52 iiÁrea das seções dos grãos interceptados pelo plano de corte: ? iiiNúmero de grãos interceptados pelas linhas de teste traçadas sobre a imagem da estrutura: 47. Em muitos materiais. o comprimento do segmento ou a área da seção do grão. quando penetrado por uma linha (FME). aqueles que lidam com a contagem de elementos são os preferidos seja por medição manual seja por medição automatizada. Quando as FMEs são empregadas. se o operador deseja investigar propriedades volumétricas. Ou quando um plano intercepta um grão. somente os procedimentos estereológicos que utilizam a contagem de elementos serão considerados neste curso. ivNúmero de contornos de seções de grãos interceptados pelas linhas de teste: 91. As medidas de área necessitam do uso de equipamentos especialistas. gerando elementos ou eventos estereológicos (EE). Por exemplo. elas interagem com os elementos estruturais. Somente os três primeiros serão vistos neste curso.5 ilustra uma seção transversal de uma estrutura hipotética sobre a qual foram traçados FMEs (pontos e linhas). facilidade de medição. Por isso. vComprimento dos segmentos de interseção entre as seções dos grãos e as linhas de teste: ? viNúmero de pontos traçados sobre as seções dos grãos: 11. estes erros são mais 9 . a estrutura superficial difere por diversas razões da estrutura volumétrica. A medição dos elementos estereológicos pode ser simplesmente a contagem dos pontos. novamente. ele deve eliminar as regiões próximas à superfície da estrutura. com o auxílio de uma régua. Dentre todos os procedimentos de medição utilizados pela estereologia. Já as medições de comprimento e de área são mais trabalhosas. A estereologia faz uso de diversas ferramentas (denominadas a partir de agora de ferramentas de medição estereológica ou FME) para medir as imagens das estruturas. Um ponto é gerado. dá origem a um segmento que é a interseção da linha com o grão. Outras fontes de erro estão envolvidas e. O mesmo ocorre quando uma linha cruza uma membrana. planos e volumes. As medidas de comprimento podem ser feitas manualmente. Isto se deve a maior simplicidade. Uma seção deste grão é gerada. Por exemplo. linhas. que é um elemento estrutural volumétrico. A penetração do grão pela linha é a interação mencionada e o segmento é o elemento estereológico. A dificuldade de se medir estruturas heterogêneas decorre exatamente de se obter amostragens que representem com fidelidade os gradientes presentes.

Estruturas homogêneas não requerem cuidados especiais. conforme já mencionado. mas somente n coincidiram sobre a dada fase. serão feitas sobre a imagem de um plano de corte da estrutura. Existe uma relação entre o desvio de medida e o número de eventos contados para a determinação do parâmetro estrutural. esteja sendo medida por meio da contagem de pontos coincidentes com a dada fase. Figura 2. porém outras fontes de erro devem ser consideradas. Programas de computador especialistas em estereologia podem ser usados para a determinação de comprimentos e áreas. A primeira preocupação com respeito à amostragem será. Considere o exemplo em que uma estrutura bifásica.5: Estrutura bifásica hipotética sobre a qual foram traçadas retas e pontos. a de se escolher um plano de corte que seja representativo da estrutura e aleatório. Sobre esta imagem serão então traçadas linhas de teste ou uma malha de pontos. 2. Este assunto será abordado adiante.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA ANTECEDENDO A MEDIÇÃO significativos de que aqueles de contagem. Se N pontos foram traçados sobre a imagem. Estas e o próprio plano de corte são as ferramentas de medição estereológicas que podem ser usadas para medir. então esta fase ocupa uma fração n/N do volume total da estrutura e o desvio relativo associado a esta medida é 10 . a fração volumétrica de uma das fases. portanto. ESCOLHA DA AMOSTRAGEM As medições estereológicas que serão tratadas aqui. Através deste recurso.3. deve-se saber se a estrutura é heterogênea e que parâmetros estruturais serão medidos. O tipo de parâmetro a ser medido irá determinar o número de imagens usadas na medição. A segunda é a de escolher uma imagem deste plano que seja aleatória. uma vez que todos os planos de corte e todas as regiões de um dado plano de corte são equivalentes. Todavia. as medições de comprimento e de área são muito mais rapidamente feitas. Antes do início da escolha da amostragem. a escolha de planos de corte em estruturas heterogêneas é mais complicada.

o octaedro (oito faces triangulares). No segundo caso. há disponibilidade de amostras suficientes. Isto poderia ser feito. A caracterização estrutural pode ter como objetivo o controle de qualidade de peças em uma linha de produção. processadas sob as mesmas condições. 10% de desvio O desvio relativo associado à medição será de 100 relativo. Existem duas formas de se proceder isto. Em estruturas heterogêneas. Ou seja. porém seja grande. 11 . se a fase ocupar 25% do volume da estrutura e se 400 pontos forem n desenhados sobre a imagem da estrutura. O número de imagens usadas em uma medição estereológica está diretamente relacionado ao número de planos de corte escolhidos. 100 = 0. e que muitas imagens sejam usadas na medição. o número de seções de corte usadas na medição. Experimentos mostraram que assim a medição converge mais lentamente ao valor exato do parâmetro sob medida. cerca de 100 coincidirão com a fase medida.6 ilustra o cubo (seis faces quadradas). o ideal é que poucos EEs sejam medidos em cada imagem da estrutura. Isto limita o número de secionamentos da estrutura e assim. e serão assim usados. Portanto. Portanto. Como estes poliedros possuem um par de faces paralelas (mesma direção). é necessário prever o número de EEs a serem usados. Outra é a escolha sistemática. que abranja outros EEs. Para isto pode-se lançar mão de poliedros regulares. de Para controlar o desvio de medição. por exemplo. o desvio de medição tende a ser maior ou pode não ser controlado. A escolha sistemática de planos de corte consiste simplesmente de secionar a amostra em direções que são regularmente espaçadas entre si. Ambas são corretas. O ideal é que a distância entre dois pontos seja do tamanho dos grãos da fase cuja fração volumétrica está sendo medida. Não é recomendado aumentar o número de EEs. Sobre isto cabe uma observação de cunho prático. diminuindo a distância entre os pontos traçados. 2.3. para se realizar a medição com um desvio julgado razoável. Com isto.1. o dodecaedro (doze faces pentagonais) e o icosaedro (vinte faces triangulares). é comum que as amostras sejam únicas e pequenas. é possível dividir a amostra em partes menores e proceder como se cada parte fosse uma amostra diferente. Isto determinará o número de planos de corte e de imagens da estrutura que será usado na medida.1 . A Figura 2. mas a segunda forma faz os valores medidos convergirem mais rapidamente para o valor verdadeiro.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA ANTECEDENDO A MEDIÇÃO n . outro procedimento deve ser usado. aumentando a densidade de pontos ou de linhas de teste traçadas sobre a imagem. Uma é a escolha puramente aleatória. para eliminar esta duplicidade. todos os planos de corte são equivalentes. Dito de uma forma mais geral. bem como pode dar-se para o conhecimento da estrutura de amostras produzidas em um trabalho de pesquisa e desenvolvimento. A Escolha dos Planos de Corte Em estruturas homogêneas. A cada face destes poliedros está associada uma direção que é ortogonal à face. eles serão secionados ao meio. No primeiro caso. Caso a amostra seja única. para este tipo de estrutura é suficiente secionar a estrutura em planos paralelos. As direções de cada face estão regularmente espaçadas.

A direção de uma das faces é identificada na amostra. c) dodecaedro. a metade do octaedro será usada. Esta amostra será secionada naquela direção.7: Uma direção é identificada na amostra. Para tal número de planos de corte. A escolha sistemática dos planos de corte pode ser feita como descrito a seguir. d) icosaedro. a direção vertical. a) cubo.6: poliedros regulares. indicada pela haste azul.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA ANTECEDENDO A MEDIÇÃO a b c d Figura 2. 12 . Quatro amostras devem ser usadas (ou uma amostra grande dividida em quatro partes). Veja Figura 2. Passo 1: Uma direção natural ou característica será apontada na amostra. Esta direção pode ser uma direção de deformação. Neste caso. Suponha que quatro planos de corte devem ser produzidos. b) octaedro. Esta mesma direção será identificada em cada amostra.7. ou simplesmente a direção da gravidade no momento em que a estrutura foi formada.8. Passo 2: Uma amostra é inserida na metade do octaedro. Figura 2. Veja Figura 2. de um gradiente de temperatura no interior do forno no qual a amostra foi tratada ou de composição.

em princípio. conforme indica a haste azul inclinada na direção perpendicular a esta face.9: A amostra é então secionada em fatias na direção indicada. Veja Figura 2. é diferente e depende da geometria da amostra. a face lateral direita foi escolhida. Neste caso. é claro.8: A amostra é inserida no sólido e uma face é aleatoriamente selecionada. no interior do meio octaedro e uma direção diferente é escolhida. em geral. Passo 4: Outra amostra é colocada na metade do octaedro. A amostra é depois fatiada naquela 13 . das facilidades laboratoriais disponíveis. na mesma orientação da anterior e uma face diferente é escolhida.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA ANTECEDENDO A MEDIÇÃO Figura 2. A espessura de cada fatia depende. A direção perpendicular a esta face indica a direção do corte da amostra. Figura 2. Passo 3: Aquela amostra é secionada em fatias na direção perpendicular àquela identificada no passo anterior. Passo 6: A terceira amostra é colocada na mesma direção das anteriores. Passo 5: A segunda amostra é secionada em fatias da mesma espessura do caso anterior. O número de fatias produzidas em cada direção do corte.9. do número de imagens que é necessário para produzir o desvio planejado e.

Veja Figura 2. A um plano está associada uma direção perpendicular. Ver Figura 2. conforme ilustra a Figura 2. Uma das marcas angulares do transferidor é aleatoriamente escolhida. Ver Figura 2.10: Uma direção sendo identificada por dois ângulos.13. 14 . Isto determina o ângulo vertical θ. pois isto privilegia esta região. sobre um transferidor. Com estes dois ângulos. Figura 2. A escolha aleatória de planos de corte é um pouco mais trabalhosa. Se o objetivo é secionar apenas uma vez. Passo 3: A amostra é colocada agora ao lado de outro transferidor. É recomendável não secionar passando sempre pela região central da amostra. o ângulo horizontal φ e o ângulo vertical θ. Passo 4: A amostra pode ser secionada nesta direção em fatias de espessura arbitrária. deve-se escolher aleatoriamente o ponto em que será feito o corte. que é feita conforme descrição a seguir. tendo as fatias a espessura dos casos anteriores.11.12.10. Esta direção é representada por um vetor e este vetor é determinado por dois ângulos. Este transferidor possui ângulos senoidalmente espaçados.14. não sendo representativo da estrutura. A escolha da direção de corte consiste então na determinação destes dois ângulos. Passo 2: Um ângulo é aleatoriamente escolhido entre 0° e 180°. Figura 2.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA ANTECEDENDO A MEDIÇÃO direção. Passo 1: A amostra é colocada em uma posição com o seu eixo característico na vertical. Este será o ângulo horizontal φ. a direção de corte da amostra está definida. A última amostra é colocada e o procedimento é repetido.

noventa números entre 1 e –1. por exemplo.15 ilustra um transferidor assim gerado. Figura 2. Passo 5: Repetindo o mesmo procedimento para outra amostra. e em seguida determinar o arcseno destes números. os ângulos são mais espaçados de que próximo ao equador. Note que na proximidade dos pólos. tem-se um novo plano de corte aleatório. A Figura 2. Lembrar de posicionar sempre a amostra na mesma posição inicial. Isto gera 90 ângulos senoidalmente espaçados. O transferidor de ângulos senoidalmente espaçados pode ser obtido gerando-se.11: (a) Amostra com direção característica indicada por haste azul.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA ANTECEDENDO A MEDIÇÃO (a) (b) Figura 2. (b) Vista de topo de amostra sobre um transferidor. Isto deve ser assim porque ângulos igualmente espaçados privilegiam as direções mais próximas aos 15 . Uma haste lateral identifica uma direção horizontal indicada por um ângulo aleatoriamente sorteado entre 0 e 180º.12: Vista de topo de amostra sobre um transferidor. igualmente espaçados.

Este será o ângulo θ. nestes planos. após as etapas de lixamento e polimento. Uma vez determinados os planos de corte. as imagens que serão utilizadas para as medidas. Um ângulo é aleatoriamente sorteado para identificar uma direção (indicada pela haste inclinada). Figura 2. Isto é feito sob microscópio (supondo o caso comum em que os traços estruturais são visíveis apenas ao microscópio). e eventual ataque químico.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA ANTECEDENDO A MEDIÇÃO pólos.14: A amostra é secionada perpendicularmente à direção vertical sorteada. deve-se determinar. a amostra é posicionada no 16 . A direção correspondente ao ângulo horizontal escolhido no passo anterior é indicada pela haste azul vertical. Escolhendo aleatoriamente um número entre 1 e 90 gera um ângulo. Figura 2. A amostra pode também ser fatiada.13: A amostra é posicionada sobre um transferidor senoidal de modo que sua direção característica coincida com o ângulo zero do transferidor (haste horizontal). Uma vez que o plano de corte esteja devidamente preparado para observação.

uma matriz de imagens pode ser produzida de um único plano de corte. Isto garante que o local em que será registrada a imagem da estrutura é aleatoriamente escolhido.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA ANTECEDENDO A MEDIÇÃO microscópio e movida aleatoriamente sem que seja observada. Figura 2. como ilustra a Figura 2.15: Transferidor com ângulos senoidalmente espaçados entre –90° e 90°. Outras imagens podem ser feitas sobre o mesmo plano de corte. Desta forma. 17 . é recomendado observá-lo e ajustar o foco para o registro fotográfico.16. Somente após este local ter sido determinado. deslocando a amostra lateralmente e/ou verticalmente de distâncias iguais.

as linhas de teste traçadas sobre estes planos serão automaticamente também aleatórias.2. Basta colocar um transferidor sobre a imagem da estrutura e escolher aleatoriamente um ângulo entre 0 e 180°C. 18 .3.3.1. estas devem interceptar a estrutura de modo que qualquer região da estrutura tenha a mesma probabilidade de ser interceptada pelas linhas. Entretanto. Em seguida traçar um feixe de retas paralelas igualmente distanciadas na direção escolhida.17. Veja Figura 2. tais linhas devem ser traçadas sobre planos de corte.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA ANTECEDENDO A MEDIÇÃO Figura 2. As demais imagens são feitas deslocando-se a amostra regularmente lateral e verticalmente. Se os planos de corte tiverem sido determinados conforme os procedimentos descritos na seção 2.16: Uma primeira imagem é feita sobre o plano de corte em um local aleatoriamente escolhido. 2. A Escolha de Linhas de Teste Caso linhas de teste devam ser usadas como FMEs.

A amostra pode ser fatiada ou um 19 . Os passos para isto são descritos a seguir: Passo 1: A amostra é posicionada com sua direção característica na vertical sobre um transferidor. Um ângulo é aleatoriamente escolhido. Este procedimento é adequado ao caso em que nenhum EE que requer planos aleatórios é necessário para a medição estereológica em curso.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA ANTECEDENDO A MEDIÇÃO Figura 2. Figura 2. Passo 2: A amostra é secionada paralelo à direção característica (ângulo vertical de 0°) e também ortogonal à direção horizontal escolhida.18: Vista de topo de amostra colocada sobre um transferidor. É possível traçar linhas aleatórias sobre planos não aleatórios. Veja Figura 2. Este ângulo dará a direção horizontal do plano de corte. correspondendo à direção apontada pela haste azul inclinada.18.17: Feixe de retas paralelas ortogonal a uma direção definida por um ângulo aleatório θ com respeito a um eixo de referência de direção arbitrária (DA). A direção característica é vertical e um ângulo é aleatoriamente sorteado.

20 . Veja Figura 2. Passo 3: As imagens deste plano de corte podem ser tomadas conforme descrição no final da seção anterior.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA ANTECEDENDO A MEDIÇÃO plano de corte apenas pode ser obtido secionando-se a amostra em um ponto aleatoriamente escolhido ao longo da direção escolhida. Figura 2. Note que o plano de corte é paralelo à direção característica.20: Matriz de ciclóides traçada sobre a imagem de um plano de corte. estando seus eixos paralelos entre si e perpendicular à direção característica. A amostra poderia também ser fatiada.19.20. Uma matriz de ciclóides é traçada sobre cada imagem.19: A amostra é secionada em um plano ortogonal à direção horizontal sorteada. Ver Figura 2. O eixo das ciclóides deve ser ortogonal à direção característica da amostra. Figura 2. A direção característica da amostra deve estar identificada em cada imagem.

Isto deve ser repetido para tantas amostras quantas necessárias. A curva mostrada na ilustra a trajetória ao longo de um giro completo do disco.23.22 para um giro completo. Para um disco de raio unitário que gira com velocidade angular unitária. Uma ciclóide é a curva descrita por um ponto no contorno de um disco que gira. 21 . Figura 2.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA ANTECEDENDO A MEDIÇÃO Passo 4: Outra amostra deve ser posicionada da mesma forma que a primeira e um outro ângulo horizontal deve ser escolhido. R é o raio do disco e ω é a velocidade angular do disco. a ciclóide correspondente é mostrada na Figura 2. obtêm-se uma matriz de ciclóides.1 2. os pontos dados pelas seguintes equações paramétricas: x = Rω t − R sin(ω t ) y = R − R cos(ω t ) 2. Conectando uma ciclóide a outra e dispondo-as paralelamente.2 em que x e y são as coordenadas do ponto sobre a borda do disco no instante t. Esta amostra deve ser secionada como descreve o passo 2.22: A ciclóide é uma curva que descreve a trajetória de um ponto desenhado sobre o contorno de um disco que gira. em um plano cartesiano. como mostra a Figura 2. Esta curva pode ser obtida traçando-se.

Caso deseje-se traçar retas como linhas de teste e não ciclóides. Um feixe de retas paralelas é traçado sobre a imagem naquela direção. 22 . O ângulo horizontal pode ser aleatoriamente escolhido com a ajuda de um transferidor comum. Assim. mas o ângulo vertical deve ser escolhido com um transferidor de ângulos senoidalmente espaçados.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA ANTECEDENDO A MEDIÇÃO Figura 2. Veja Figura 2. Note que as porções da curva com alta inclinação (próximas da vertical) são bem mais curtas de que as porções de baixa inclinação (próximas da horizontal). como o mostrado na Figura 2. as retas traçadas terão o ângulo horizontal do plano de corte e o ângulo vertical indicado pelo transferidor. Um número entre 0 e 90 é aleatoriamente escolhido.15. Tal vetor é definido por dois ângulos. o feixe de ciclóides deve ser disposto com seu eixo ortogonal à direção característica da estrutura. Neste tipo de transferidor.23: Matriz de ciclóides. pois esta curva já é “senoidalmente calibrada”. Isto deve ser assim. Cada imagem registrada deve ser colocada sobre um transferidor com ângulos senoidalmente espaçados. O mesmo deve ser feito para outras amostras.10. Estas curvas funcionam como linhas de teste em medições estereológicas. O uso de ciclóides elimina este problema.24. Por esta razão. como ilustra a Figura 2. os ângulos de alta inclinação estão mais distanciados entre si de que os de baixa inclinação. Isto gera o ângulo vertical da reta. como já mencionado. o procedimento deve ser alterado. pois do contrário retas de alta inclinação seriam preferencialmente escolhidas. Isto é feito porque uma reta é identificada por um vetor paralelo a ela. O procedimento é alterado a partir do terceiro passo: Passo 3 alterado: As imagens deste plano de corte podem ser tomadas conforme descrição no final da seção anterior. A direção característica da amostra deve estar identificada em cada imagem.

O modo sistemático é preferível. pois o valor medido apresenta menor desvio para um dado número total de pontos traçados. Isto pode ser feito da seguinte maneira. A Escolha de Pontos Pontos são os EEs mais fáceis de serem traçados sobre uma estrutura justamente por não possuírem dimensão. 2. Passo 2: Imagens de cada plano são tomadas conforme já descrito no final da seção 2. 23 . Passo 1: A amostra é secionada em fatias paralelas de espessura arbitrária (dependente apenas do número de imagens necessárias para se obter um desvio de magnitude desejada). Os pontos podem ser traçados sobre a imagem de duas maneiras: de modo aleatório ou de modo sistemático.3. as seções dos grãos secionados pelo plano de corte. Assim.3.3. como planos e retas.24.24: Feixe de retas paralelas traçadas sobre o plano de observação com a ajuda de um transferidor senoidal. por exemplo. Um ângulo é aleatoriamente sorteado e o feixe de retas é traçado com a inclinação daquele ângulo. não possuem também orientação.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA ANTECEDENDO A MEDIÇÃO Figura 2.1 e pontos são traçados sobre estas imagens. O transferidor é posicionado em alinhamento com a direção característica. O feixe de retas possui direção aleatória. Para traçar pontos. deve-se apenas atentar para que eles sejam homogeneamente dispersos através da estrutura. As duas maneiras são ilustradas na Figura 2. Como já mencionado. Isto deve-se ao fato de que no método aleatório aparecem pontos tão próximos que coincidem sobre um mesmo elemento estrutural sendo medido. é recomendado que a distância média entre os pontos não seja inferior ao tamanho médio dos elementos estruturais que se deseja medir.

FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA ANTECEDENDO A MEDIÇÃO a b Figura 2. Contraste e resolução são altamente influenciados pelas diferentes etapas de registro das imagens e não apenas pela estrutura em si.4. A preparação dos planos de corte envolve procedimentos distintos. Um fator que afeta significativamente o erro de medição é a qualidade das imagens da amostragem empregada na caracterização estereológica. Obviamente. A primeira é a preparação adequada dos planos de corte. A segunda é o uso do microscópio para a observação da estrutura. estes procedimentos consistem de dar ao plano de corte um aspecto plano e livre de riscos e 24 . OUTRAS CONSIDERAÇÕES SOBRE DESVIOS DE MEDIÇÃO E SOFTWARES DE MEDIÇÃO ESTEREOLÓGICA. obviamente mais fielmente a imagem representará a estrutura real. Isto significa que abaixo desta distância não será mais possível discernir elementos da estrutura como sendo distintos. dependentes da natureza da estrutura. Resumidamente. Contraste é definido como a diferença de cor ou de tom de cinza entre os elementos distintos da estrutura. A terceira é a captação das imagens e um eventual tratamento digital dela. Isto estará refletido no contraste das imagens da estrutura. A qualidade das imagens pode ser definida por dois parâmetros: contraste e resolução. existem estruturas em que o contraste natural entre seus elementos é pobre. Quanto maior a resolução. Este fator é altamente dependente da habilidade do operador e da qualidade do equipamento usado para a tomada das imagens da estrutura. O processo de registro das imagens envolve diversas etapas. Amostras metálicas submetem-se a procedimento metalográfico.24: Malhas de pontos que se pode traçar sobre as imagens para medir. (a) malha de pontos ordenados. Resolução é definida como a distância mínima entre dois pontos na estrutura em que é possível identifica-los como pontos distintos e não como um só ponto ou uma mancha. (b) malha de pontos aleatórios. 2. cerâmicas a ceramográfico e as geológicas a petrográfico. Quanto maior esta diferença mais fácil será identificar estes elementos e seus limites na estrutura. Medições estereológicas em tais imagens resultarão em desvios maiores.

compromete definitivamente a qualidade da imagem. Os recursos que possui o microscópio usado para a observação do plano de corte preparado e a habilidade com a qual é manejado são outros fatores que definem a qualidade da imagem produzida. As diferenças entre os procedimentos metalográfico. Os equipamentos mais comumente usados para o registro das imagens são a câmera fotográfica com filme de celulóide e a câmera digital. eles reagem mais rapidamente com o agente químico. da existência de uma rotina de preparação específica para o material sendo trabalhado e da experiência de quem prepara a amostra. Então. Procedimentos posteriores raramente conseguem revelar elementos estruturais não mostrados devido à má preparação. Em algumas ocasiões. Por exemplo. o nital (solução de ácido nítrico e álcool etílico) é um reagente usado em aços. intensidade de iluminação. ceramográfico e petrográfico referemse aos materiais. no caso específico do uso de microscopia ótica. os limites entre grãos vizinhos de uma mesma fase podem ser identificados. em geral. porém. Em muitos materiais. uso de luz polarizada. O equipamento usado para registrar a imagem é outro fator a ser considerado. A descrição da preparação das amostras não é o escopo deste curso. a superfície polida deve ser quimicamente atacada e/ou sofrer um tratamento térmico. a medição é feita diretamente ao microscópio. Recursos tais como ampliação usada na observação. Isto facilita sua visualização ao microscópio.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA ANTECEDENDO A MEDIÇÃO ondulações o máximo possível para que as imagens destes elementos não se confundam com elementos estruturais verdadeiros e para que a intensidade do feixe de luz refletida seja aumentada. Dito de outro modo: a má preparação do plano de corte. ou recuperar distorções de elementos estruturais introduzidas durante a preparação ou ainda eliminar totalmente elementos que não pertencem à estrutura real. Isto exige um aparato adicional conectado ao microscópio. ajuste fino de foco. Isto é feito com o objetivo de aumentar o contraste entre diferentes elementos estruturais. A boa preparação do plano de corte é uma condição necessária. Assim. mas não suficiente. Em casos menos comuns. As do último tipo estão sendo cada vez mais usadas. a resolução de tais equipamentos ainda não é comparável àquela das câmeras de filme de celulóide. Entretanto. são impressas em papel fotográfico e são então convertidas ao formato digital por meio de 25 . campo escuro são opções e/ou cuidados a serem tomados para aumentar a qualidade das imagens. originando um baixo relevo na superfície. Este método. pois geram imagens em formato que pode ser usado em computadores e podem receber tratamento posterior em programas de edição de imagens. não permite a posterior repetição da medição. A preparação de amostras biológicas segue um procedimento completamente diferente. O sucesso da boa preparação é resultado da disponibilidade de equipamentos adequados ao trabalho. O caso mais comum é registrar a imagem e depois executar o procedimento de medição. para o registro de imagens de boa qualidade. Os contornos de grão são revelados por serem mais reativos. equipamentos e tempos usados para lixamento e polimento dos planos de corte. Seu efeito é revelar os contornos de grão e os grãos perlíticos. as imagens são registradas por uma câmera de celulóide.

Os objetivos de tais tratamentos são: tentar eliminar traços das imagens sabidamente não pertencentes à estrutura. portanto. reforçar traços estruturais não muito nítidos. Deve-se. eliminar gradientes de luminosidade na imagem. 26 . Não é raro que antes de se proceder a medição. alterará traços verdadeiros da estrutura que foram registrados sobre a imagem.25: O registro da imagem para medição pode ser feito de várias formas diferentes. as imagens sofram um retoque em programas de edição de imagens.25 esquematiza as opções de registro e tratamento de imagens. automaticamente ou de modo semi-automático. etc. não importando com qual objetivo. Ele traça as FMEs sobre as imagens e procede a contagem de EEs. Medições manuais podem durar horas de trabalho contínuo. aumentar o contraste entre os elementos estruturais. considerar a razão custo/benefício dessas intervenções. A Figura 2. E isto resultará em desvio do valor medido. No primeiro modo. Figura 2. a medição de comprimentos e de áreas que forem necessárias. Considerando que as imagens da amostragem foram feitas e estão com qualidade aceitável. É neste modo de medição que os procedimentos de contagem de eventos mostram sua vantagem sobre aqueles que envolvem medidas de comprimento e de área. a medição pode ser realizada.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA ANTECEDENDO A MEDIÇÃO um scanner. A medição estereológica pode ser executada manualmente. todo o trabalho é realizado pelo operador. Este procedimento é equivalente ao registro diretamente por câmera digital e vem acompanhado de perda de qualidade de imagem. É importante salientar que qualquer intervenção que se faça sobre a imagem.

26: (a) Imagem de microscopia eletrônica (modo ERE) de uma estrutura de metal duro. Dezenas de imagens podem ser tratadas e medidas em questão de segundos. Assim. através da contagem de pontos coincidentes com a fase cuja fração se quer determinar. Os programas mais modernos e robustos trazem embutidos recursos de edição de imagens. Com respeito a isto. Isto 27 . comprimento e área) sem a assistência do operador. provocando erros de medição. (b) Zoom de uma interface carbeto/metal/carbeto. O programa deve reconhecer perfeitamente toda a extensão e os contornos daquela fase para que pontos traçados sobre ela possam ser corretamente contabilizados. Suponha que um determinado programa está sendo empregado para a determinação da quantidade de uma certa fase em uma estrutura multifásica. O desempenho dos programas de medição estereológica é altamente dependente da qualidade e da complexidade da estrutura. O ponto fraco destes programas é o reconhecimento dos elementos estruturais e dos elementos estereológicos a serem medidos. No entanto. Os algoritmos de reconhecimento baseiam-se principalmente nas características dos pixels de um dado elemento estrutural. estes elementos podem ser reconhecidos como elementos idênticos. Pixels de características semelhante são associados a um tipo de elemento estrutural. Nota-se que os grãos de carbeto apresentam diversas tonalidades de cinza e que a fronteira da camada de metal ligante não está nitidamente identificada. o olho humano é muito superior aos algoritmos de reconhecimento empregados pelos programas de computador. as imagens podem ser trabalhadas também por rotinas automáticas e logo em seguida medidas pelo mesmo programa. nem tudo funciona maravilhosamente como as sentenças anteriores induzem a pensar. a b Figura 2. Estruturas naturalmente complexas e/ou mal preparadas apresentam elementos estruturais de aparência semelhante. que apenas indica que medições serão feitas em quais imagens. Caso elementos diferentes possuam pixels de características parecidas. O programa realiza as medidas e fornece um relatório com os resultados estatisticamente tratados.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA ANTECEDENDO A MEDIÇÃO A medição automática envolve a utilização de programas de computador que realizam todo o procedimento de medida (contagem.

somando o comprimento das arestas dos pixels que compõem a linha.26(a) exibe a estrutura de uma liga de metal duro.26(a) que sofreu coloração de pixels de alguns tons de cinza. Erros de medição de comprimento e de área também são cometidos por programas de computador. O programa mede a área de uma região multiplicando o número de pixels da região pela área do pixel. enquanto que partes não pertencentes à região podem ter a área computada como pertencente à região. marcando a fronteira grão/matriz.28(b) mostra que medindo comprimentos através da soma das arestas resulta em valores maiores de que o real. Em que ponto irá o programa reconhecer o contorno de grão? A Figura 2. A Figura 2. A Figura 2. resultando em erros. Obviamente. O julgamento humano ainda é superior.26(b).b) ilustra ambos os casos. Pixels de vários tons claros de cinza foram coloridos. contornos curvos.28(a) mostra que não é possível ajustar. outras regiões que poderiam pertencer aos grãos de carbeto não seriam contabilizadas. registrada no modo de elétrons retro-espalhados de um microscópio eletrônico de varredura. a medição manual possui também suas fontes de erro.27 ilustra a mesma imagem mostrada na Figura 2.28(a. Perceba que o tom de cinza dos pixels não varia bruscamente. com pixels retangulares. Porém a maior diferença entre os métodos manual e automático diz respeito à eficiência de reconhecimento dos elementos estruturais. que é fixa.27: Região ampliada da Fig. Figura 2. A Figura 2. E mede o comprimento de uma linha.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA ANTECEDENDO A MEDIÇÃO confunde o programa. 28 . A Figura 2. há uma variação gradual.2. Um programa que use este algoritmo de reconhecimento trabalha com imprecisões para identificar os limites das fases. A Figura 2. Caso o programa reconheça a região colorida como os grãos de carbeto. Ao invés disso. porém com uma alteração. Assim.26(b) exibe um zoom da mesma estrutura. destacando a interface de dois grãos de carbeto com a fase ligante. partes da região não terão a área computada. Os grãos de carbeto de tungstênio (mais claros) estão dispersos em uma matriz rica em cobalto.

é possível desenvolver um método de reconhecimento dos elementos estruturais que apresente desempenho comparável ao do olho humano e que este desempenho se mantenha imagem após imagem. As imagens são registradas segundo o mesmo procedimento e eventualmente editadas semelhantemente. É sempre maior. A preparação do plano de corte é feita de um mesmo modo. Nestas condições. Os pixels não conseguem preencher os contornos curvos. 29 . de peças fabricadas quase que da mesma maneira. (b) Uma reta inclinada representada em nível de pixels. a medição automática é incomparavelmente superior. o mesmo tipo de estrutura. Multiplicar o número de pixels por sua área não iguala a área da região. são examinadas. A soma das arestas dos pixels não é igual ao comprimento da reta. O resultado é a medição de imagens de qualidade uniforme. O método automático leva vantagem em rotinas de controle de qualidade em estruturas. A amostragem segue uma rotina pré-estabelecida. de estruturas que possuem praticamente os mesmos elementos.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA ANTECEDENDO A MEDIÇÃO A escolha do procedimento manual ou automático para a execução da medida deve ser resultado da análise da relação custo/benefício. Em situações como esta. Nestes casos. a b Figura 2.28: (a) Representação de uma região preenchida por pixels.

com as facilidades de medição da máquina. de edição das imagens. Ela une a capacidade de reconhecimento do cérebro humano. A medição semi-automática é uma forma híbrida. tem-se uma situação distinta. Geralmente há poucas amostras e suas estruturas possuem características variáveis. Para estes casos. nem de desenvolvimento de uma rotina de reconhecimento. Não compensa o trabalho de otimizar um método de preparação da superfície de corte. 30 . quando se trabalha com amostras produzidas em um trabalho de pesquisa e desenvolvimento. a medição manual é mais eficiente.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA ANTECEDENDO A MEDIÇÃO Por outro lado. via ação do operador.

grãos vermelhos. imersos em uma fase matriz. Esta determinação pode ser feita de três maneiras distintas: fração de pontos. Estes parâmetros serão definidos adiante.1: fase α. é dada por (3. 3.1) (3. a probabilidade de que este ponto atinja a fase α. Figura 3. As fórmulas será a seguir demonstradas. como ilustrado na Fig. As relações são: VV = PP VV = LL VV = AA Em que VV→ é a fração volumétrica AA→ é a fração de área LL→ é a fração linear e PP→ é a fração de pontos.1. Se colocarmos um ponto aleatório em qualquer posição do volume teste.1. fração linear e fração de área. e seu uso descrito. Esta estrutura é bifásica.3) 3. Volume teste cúbico.FRAÇÃO DE PONTOS Considere uma estrutura hipotética contida em um volume teste V cúbico de arestas l. (3.4) 31 .2) (3. havendo grãos de fase α (o grão) imerso em uma fase matriz β. P.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA FRAÇÃO VOLUMÉTRICA FRAÇÃO VOLUMÉTRICA A determinação de frações volumétricas de fases em uma estrutura é a medição mais conhecida e mais fácil de fazer em estereologia.

sendo N S = NP = N α .y) do plano de base do volume teste.2. 3. Supondo que as imagens da estrutura foram selecionadas de acordo com o procedimento explicado na seção (2. (3. a expressão equivale a (3. Uma vez traçada a grade de pontos. Sendo assim.1). portanto a (3.y) o comprimento da interseção da fase α com a reta localizada no ponto (x. y )δ xδ y O volume da fase α pode então ser calculado por (3. 3. (VV )α = ( PP )α Eliminando a referência à fase α. Seja l a aresta do cubo.2. Isto influi no número de imagens a ser feito. V conforme ilustrado na Fig. Se as arestas δx e δy tenderem a zero. Seja Lα(x. por exemplo). δVα. tem-se a fração volumétrica da fase α. Seja (VV )α = α a V fração da fase α na estrutura. Vα V (3. Suponha um elemento de volume δ V = lδ xδ y cruzando verticalmente a estrutura.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA FRAÇÃO VOLUMÉTRICA P= em que Vα é o volume da fase α. Chega-se. contida no elemento de volume δV seja δ Vα = (VV )α δ V . Isto é NS. a qual não deve ser inferior ao tamanho característico da fase α (tamanho de grãos.5) 3. (PP)α. Dividindo NS pelo número total de pontos.4) Se N pontos forem colocados aleatoriamente no volume teste.3). A utilização prática desta expressão é descrita a seguir.6) 32 . Suponha uma reta no interior do elemento de volume paralela a seu eixo principal e localizada no centro de sua base.2. espera-se que o volume da fase α. Esta reta pode interceptar grãos da fase α. procedese uma contagem de quantos dos pontos traçados estão sobre a fase α. o elemento de volume tende à reta.5). e o lado direito representa a fração volumétrica da fase α.3.7) (3. é traçada sobre a imagem. em posição aleatória no plano X-Y. O lado esquerdo representa a fração dos pontos que coincide N V com a fase α. (VV)α. O número de pontos utilizados depende do desvio que se deseja ter. Deve-se observar a distância entre os pontos. V N V chegamos a S = α .6) δ Vα = Lα ( x. Uma grade de N pontos regularmente espaçados. ou aleatoriamente determinados. espera-se que um V número NS deles atinja a fase α. Manipulando esta expressão. O volume da fase α contida no elemento de volume é descrita por (3.FRAÇÃO LINEAR Considere a estrutura e o arranjo ilustrados na Fig.

(VV )α = ( LL )α (3. Chega-se. Esta fatia contém um plano paralelo à 33 . 3. sendo Lα. à expressão seguinte. esta expressão é usada da seguinte maneira: supõe-se inicialmente que as imagens e a grade de linhas paralelas foram selecionadas e traçadas conforme o procedimento descrito na seção 2.8) Figura 3. 3. A Fig.2. portanto. eliminando-se o índice referente à fase α. Observe que integral dupla é o volume da fase α.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA FRAÇÃO VOLUMÉTRICA Vα = ∫ 0 1 ∫ Lα ( x.7) O valor médio de Lα(x. Divide-se isto pelo comprimento total de todas as retas de teste. chegase a Vα = l 2 Lα .4 descreve um volume teste de uma estrutura bifásica sendo interceptada por um elemento de volume na forma de fatia fina de espessura δy.y) é dado por 1 Lα = 2 l ∫∫ Lα ( x.3 ilustra o procedimento. obtêm-se finalmente Vα Lα Lα = l2 3 = V l l O termo da esquerda é a fração volumétrica da fase α e o termo da direita é definido como a fração linear da fase α.2: Volume teste cúbico da estrutura sendo interceptado por elemento de volume vertical dentro da qual há uma reta teste. FRAÇÃO DE ÁREA A Fig. Seja l a aresta do cubo. Dividindo ambos os lados pelo volume do cubo teste. 3.3.3. Estes comprimentos são somados. torna-se igual à expressão (3. Este é o resultado final. y)dxdy = l b 1 2 Vα (3. O volume do elemento é dado por δ V = l 2δ y . a qual. Manipulando esta expressão.9) Na prática. Mede-se o comprimento dos segmentos das retas de teste que interceptaram a fase α. y)dxdy 0 0 (3.2).

4: volume teste sendo interceptado por uma fatia vertical na qual passa um plano paralelo.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA FRAÇÃO VOLUMÉTRICA sua face maior e que passa no centro de sua espessura. O volume da fase α contida no elemento de volume é dado por δ Vα = (VV )α δ V = (VV )α l 2δ y Seja Aα(y) uma função que dá o valor da área da fase α que é interceptada pelo elemento de volume que corta o cubo teste na coordenada y.3: segmentos de interseção entre as retas de teste e as seções dos grãos. Seja (VV )α = volumétrica da fase α na estrutura. Figura 3. Vα a fração V Figura 3. então o volume da fase alfa dentro do cubo teste é 34 .

o de contagem de pontos é o mais simples. fácil e preciso.3. a expressão toma a forma seguinte. Note que dos três métodos equivalentes descritos.11) Como a integral corresponde ao volume da fase α. se retirarmos o índice da fase α. então temos Aα = escrevemos esta expressão e dividimos ambos os lados pelo volume teste Vα l A = Aα = α V V Aα Vα .3). 35 . Simples porque o procedimento de escolha das imagens e da grade de pontos é o menos complicado de todos. Rel O lado esquerdo é a fração volumétrica da fase α e o lado direito é a fração de área desta fase. Fácil porque o procedimento envolve apenas a contagem e não medidas de comprimento ou de área. Na prática esta expressão é aplicada do seguinte modo: supondo que o plano teste e suas imagens foram obtidos segundo o procedimento descrito na seção (2.1). Assim. emprega-se um programa que meça a área das seções dos grãos da fase α e divide-se este valor pela área da imagem.10) e seu valor médio é dado por Aα = 1 Aα ( y )dy l∫ 0 l (3.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA FRAÇÃO VOLUMÉTRICA l Vα = ∫ Aα ( y )dy 0 (3.12) Que é equivalente à expressão (3. Preciso porque os erros envolvidos em contagem são sempre inferiores aos envolvidos em medidas de comprimento e de área. (VV )α = ( AA )α (3. O resultado é o valor desejado.

preservando a estrutura. é possível determinar áreas de superfícies em estruturas. A probabilidade P1 deste elemento de volume ser interceptado pela reta vertical é dada por P 1 = δ A cos θ l2 (4. Considere a Figura 4.1. dentro do qual há um elemento de superfície de área δA.1) em que o numerador é a área da sombra que o elemento de superfície projeta sobre o plano X-Y e θ é o ângulo entre uma reta perpendicular à reta teste e a linha ortogonal ao elemento de superfície.1: elemento de superfície inclinado de θ sendo interceptado por reta teste. Superfícies podem ser contornos de grãos. Se mudarmos a orientação do cubo. Figura 4. Suponha que este volume teste seja interceptado por uma reta paralela ao eixo Z. encontramos 36 . a probabilidade de a reta interceptar o elemento de superfície na j-ésima posição é dada por j P 1 = δ A cos θ j l2 (4. interfaces ou membranas. o ângulo θ irá mudar. de posição arbitrária no plano X-Y. Trata-se de um volume teste de volume V e de arestas l. Se procedermos ao mesmo cálculo de P1 para diversas orientações do cubo teste.2) Se calcularmos a probabilidade média para todas as orientações.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA CÁLCULO DE SUPERFÍCIE CÁLCULO DE SUPERFÍCIE De modo bastante simples.

se ao invés de uma.6) Considerando que o comprimento total das N linhas é L = Nl . logo a expressão (4. o vetor perpendicular a cada segmento terá ângulos diferentes com respeito à direção Z. Medimos o comprimento total das linhas de teste e contamos o número de vezes que as linhas de teste interceptam a superfície.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA CÁLCULO DE SUPERFÍCIE P 1 = δ A cos θ j l 2 = δA l2 cos θ j (4.4) Suponha agora que uma superfície de área A está inserida no volume de teste.6) por l. fechada ou aberta. Ele representa o número de vezes que as retas de teste interceptaram a superfície por unidade de comprimento de reta de teste. denotado por PL. que é dado por A N C = NP 1 = NA 2l 2 (4. SV. esta expressão é usada da seguinte maneira: 1. Como foi dito.5) Note que o termo entre parêntesis é a área total da superfície. chegamos a NA l L A = 2l 2 l V 2 (4.3. podemos mesmo ser descontínua.7) 2 NC A A = . A probabilidade de uma reta de teste interceptar a superfície inteira é dada por A P 1 = ∑P 1 = n 1 n δA 2l 2 = (nδ A) A = 2 2 2l 2l (4. Como a superfície pode ter qualquer forma. temos NC = Re-escrevendo (4. traçarmos N retas de teste verticais e paralelas através do cubo de teste. não importa se a (4.3) torna-se 2 P 1 = 1δA 2 l2 (4.2).8) 37 . As imagens e as retas de teste são produzidas segundo o procedimento descrito na seção (2. Enquanto que tem um L significado especial. Agora.7). Definimos como sendo a área de V L V NC superfície por unidade de volume da estrutura. então multiplicando numerador e denominador do lado direito de (4.3) mas cos θ j = 1 . Podemos finalmente escrever SV = 2 PL Na prática. Dividimos a superfície em n segmentos de superfície de mesma área δA. 2. espera-se que um número NC delas intercepte a superfície.

Figura 4. 4. A superfície é vista na imagem como uma linha. a probabilidade de uma reta interceptar um segmento inclinado em θ depende deste ângulo. Se dividirmos este hemisfério em segmentos de área igual. contínua ou descontínua. Dividimos este número pelo comprimento total das linhas e empregamos em (4. sendo menor para ângulos menores. Um anel de “largura” angular dθ está destacado. Qualquer segmento de superfície deste anel terá o vetor perpendicular a ele inclinado em θ com respeito ao eixo vertical. 3. ou seja. As áreas de ambas podem ser determinadas. π 2 π 2 cos θ = ∫ P (θ ) cos θ dθ = ∫ senθ cos θ dθ = 0 0 1 2 (4. Esta será a área por unidade de volume da estrutura. 1 .8). Para determinar a área da superfície basta multiplicar o valor encontrado no item anterior pelo volume de teste. Trata-se 2 de um hemisfério e um eixo vertical. As retas de teste cortam 24 vezes as interfaces dos grãos e 4 vezes as membranas. portanto. 4. Para isso considere a Fig.10) 38 . para segmentos mais próximos do topo do hemisfério. fechada. Sendo assim.2: Corte de estrutura contendo dois tipos de superfícies: interface dos grãos e membranas descontínuas (vistas apenas como linhas). Temos agora que demonstrar que cos θ j = A probabilidade de termos um segmento com inclinação entre θ e θ+dθ é dada por P (θ )dθ = área do anel (2π rsenθ )(rdθ ) = = senθ dθ área do hemisfério 2π r 2 (4.3. O valor médio de cosθ é. A área de cada anel varia em função de θ. vemos que a probabilidade de termos um segmento inclinado com ângulo θ depende da área de cada anel.9) sendo r o raio do hemisfério.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA CÁLCULO DE SUPERFÍCIE superfície seja aberta.

o tratamento segue aquele descrito no item anterior. por unidade de comprimento. além disso. 39 . quando o número de tangentes é muito elevado. conforme as situações ilustradas na Fig. No caso de estarmos contando quantos interceptos foram gerados.4. o que está sendo tratado como uma superfície possui espessura finita. Neste caso. Deste modo. sua superfície passa a ser o dobro maior. existem duas alternativas. posicionado em uma inclinação θ. vê-se que a linha teste intercepta tangencialmente um dos grãos de α. é importante salientar uma diferença entre contagens que podem ser feitas em uma estrutura. Em muitas ocasiões. ao invés obtidos a partir do outro. a contagem de intercepto será 4. Uma outra forma de contagem é a do número de grãos interceptados pela linha teste.5. introduziu-se o parâmetro PL como sendo o número de vezes que retas de teste cruzavam a interface. No caso visto em (b).3: Hemisfério com anel de largura angular dθ. temos que PL = 2 N L .FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA CÁLCULO DE SUPERFÍCIE Figura 4. Sua área varia conforme a inclinação. Para este caso. multiplicamos este valor por dois. O número de segmentos de área igual em cada segmento depende da área do respectivo segmento. Assim.Pode ser mais conveniente tratar o corpo como tridimensional. PL e NL devem ser contados separadamente. ao contarmos o número de vezes que as retas de teste interceptam a superfície. No caso ilustrado em (a). Esta contagem é 3. Nestes casos. Superfícies internas de espessura finita. Na seção anterior. Quando isto ocorre. ou ainda o número de interceptos entre os grãos e a linha teste (segmentos vermelhos cheios). dividido pelo comprimento da linha de teste. A contagem é 6 (pontos azuis). Supomos que estamos contando o número de vezes que a linha teste cruza a interface entre um grão da fase α e a fase matriz. consideramos a área das superfícies da frente e de trás. situações de tangência são também contadas como ½. o intercepto é contado como ½. a relação PL = 2 N L não vale. Assim. trata-se de fato de um corpo tridimensional. denotado por NL.Pode ser interessante considerar o corpo como uma verdadeira superfície. ou seja. todos os grãos são convexos. 4. Assim. Vamos considerar o caso de uma estrutura binária de partículas de uma fase α imersa em uma matriz. Neste caso. 2. 1. temos que todos os grãos de α estão totalmente dispersos na matriz. Interfaces de partículas dispersas em uma matriz Neste ponto. Contudo.

Eles se tocam sem deixar vazios. PL = N L . Note que cada segmento de intercepto de grão não totalmente incluído no campo é contado como ½. 4.4: situações em que se deseja calcular a contagem de segmentos de interceptos e o número de interceptos da linha teste com a interface dos grãos.5: contagem de interceptos em estruturas monofásicas.5. O número de interceptos é de 4. A situação (e) representa o caso em que se deseja determinar o número de grãos que foram interceptados pelo plano de corte na área delimitada retangular. Os grãos que são cortados pelo contorno são contados parcialmente (1/2). 4. os grãos pertencem a uma fase somente. Para este caso. conforme ilustrada na Fig. Para casos assim.4 e a estrutura monofásica. 40 . O número de interceptos da reta com a interface é de 8. Assim. Este tipo de grãos pode ser interceptado pelas retas de teste mais de uma vez. tem-se que existe um grão côncavo. Já a contagem do número de segmentos de interceptos é 4. Os grãos totalmente no interior do retângulo são contados integralmente. sendo seis de interfaces α-matriz e uma da interface α-α. Para este caso. o resultado é 4.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA CÁLCULO DE SUPERFÍCIE Na situação (c). usamos a relação ( N L )α = 2( PL )αα + ( PL )α M 2 em que (NL)α é a contagem do número de interceptos com a fase α por unidade de comprimento. como aquelas mostradas na Fig. Na situação (d). Figura 4. No caso. é válida a relação PL = 2 N L . Note aqui a diferença entre contar grãos e contar interceptos. Em casos assim. Digno de observação ainda é a diferenciação entre estruturas do tipo dispersa. Figura 4. a contagem é 7. Neste tipo de estrutura. a interface comum é contada apenas uma vez. tem-se que dois grãos da fase α possuem uma interface comum.

(4. Assim. Uma grade de retas é traçada sobre o plano de corte. tem-se o intercepto linear médio L3 = 1 N ∑ (L ) i =1 N 3 i (4.14) Se for considerada uma única partícula dentro de um volume de teste.8) pode ser reescrita como ( SV )α = 4( N L )α Equação de Tomkeief para objetos tridimensionais.13). Substituindo as duas expressões em (4. definir um tamanho característico não é nada óbvio. Medimos o comprimento total dos segmentos e dividimos pelo comprimento total das retas de teste. se um número elevado de segmentos aleatoriamente escolhidos é medido. a expressão (4. Isto é NL. Primeiramente suponha uma esfera. É intuitivo propor que seu tamanho é o diâmetro.13) As expressões (4. Contamos o número de segmentos de interceptos lineares e dividimos pelo comprimento total de retas de teste. Os objetos são secionados. quando se trata de geometria não regular.12) Em que o índice 3 significa que se trata de um comprimento característico do espaço tridimensional.11) Podemos usar a expressão (4. tem-se que (VV)α é o próprio volume da partícula e (SV)α é sua superfície. Isto é LL.8) para demonstrar um resultado um resultado interessante que define um comprimento característico de objetos tridimensionais. Medindo o comprimento do segmento de interseção entre cada reta e o objeto (intercepto linear) e fazendo a média aritmética. O intercepto linear médio é dado por L3 = LL NL (4. Sabemos que VV = LL e que ( SV )α = 4( N L )α .15) Isto significa que o intercepto linear médio de uma esfera de raio R é 41 . Esta medição pode ser feita da seguinte maneira: objetos iguais são embutidos em uma resina. temos L3 = (V ) LL (VV )α = =4 V α N L ( SV )α ( SV )α 4 (4.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA CÁLCULO DE SUPERFÍCIE Em casos como aqueles representados por (a) e (c).12) e (4. Fazemos um corte nessa estrutura. Supõe-se que estes objetos estão aleatoriamente orientados no espaço e homogeneamente dispersos na resina. Suponha um objeto interceptado por um número muito grande de retas aleatoriamente orientadas.14) torna-se L3 = 4 V S (4. No entanto. (4.13) são equivalentes. Uma das maneiras de se definir isto é usando o conceito de intercepto linear médio.

seciona-se a estrutura e prepara-se o plano de corte adequadamente.6. Dividindo numerador e denominador pelo número de partículas por unidade de volume NV. Para o caso de um pó. Logo.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA CÁLCULO DE SUPERFÍCIE 4π R 3 4 L3 = 4 3 2 = R 4π R 3 Considerando agora um conjunto de partículas de diferentes formas e tamanhos. ou grãos. pelo volume da estrutura. Dividindo a área total pelo volume total tem-se a área superficial específica do pó. Dividindo-se o volume total das partículas. ∑S ∑V ∑S i i i S V = T = V ∑Vi VV VT Sabe-se. mas todas convexas. a grade de retas gera também a grade de pontos. Partículas do pó serão secionadas. Assim. Uma grade de linhas é traçada sobre a imagem. temos finalmente 42 . 4.16) Em que o numerador é o volume médio de partícula e o denominador é a área superficial média das partículas. tem-se (VV )α NV V L3 = 4 =4 α Sα ( SV )α NV (4.14) continua válida.17) Método de Saltikov para determinação da área superficial específica de partículas. Sα 4 = Vα L3 (4. como ilustra a Fig. tem-se a área total por unidade de volume. tem-se a fração volumétrica das partículas ou dos grãos dispersos na estrutura. contudo que SV = 2 PL e que VV = PP . Dividindo-se agora a área total pelo volume da estrutura. deve-se embutir uma porção representativa de partículas em uma resina. a expressão (4. Isto dá indicação da reatividade química e da sinterabilidade de um pó. Esta expressão pode ser rearranjada para determinar a superfície específica média das partículas a partir da medição do intercepto linear médio. Saltikov propôs um método para determinar a área superficial específica de um pó ou de grãos de uma fase dispersa. Prepara-se adequadamente uma seção de corte. A área total será a somatória das áreas individuais e o volume total será o somatório dos volumes. Para o caso de uma estrutura com grãos dispersos em uma matriz. Os pontos de encontro entre as linhas de teste formam a grade de pontos. Seja Si a área superficial da i-ésima partícula e Vi seu volume.

43 . Dividindo-se isto pelo total de pontos da grade de pontos. obtêm-se PL. Na Fig. 4. tem-se PP. Dividindo-se isto pelo comprimento total das linhas de teste.6: ilustração de aplicação do método de Saltikov para determinação da área superficial específica. o número de vezes que as retas de teste cruzam a interface das partículas ou grãos é 10.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA CÁLCULO DE SUPERFÍCIE SV 2 PL = VV PP (4.18) O uso desta expressão é muito simples. 6. Figura 4.5. O número de pontos da grade que cai dentro das partículas ou grãos é 4.

por conseguinte a probabilidade P1. Escolhendo um número muito grande de eixos com diferentes orientações.1. Este é o caso de se calcular o comprimento de linhas de contorno de grão em uma imagem de plano de corte. 5.1: Segmento de comprimento δL é interceptado por uma reta de teste. ou o de calcular o comprimento de trincas no plano de corte. ao invés 44 . Suponha um segmento pequeno de uma linha em um plano cartesiano.1) Obviamente.Comprimento de linhas em planos. conforme mostra a Fig. muda o ângulo de inclinação θ e. Mudando a orientação dos eixos. O ângulo de inclinação do segmento em relação à reta vertical é θ. A inclinação entre o segmento e a reta de teste é de θ. Um exemplo típico o comprimento de linhas de discordâncias. o ângulo de inclinação depende da orientação dada aos eixos cartesianos.2) Como não podemos ficar medindo o ângulo de inclinação de cada segmento de reta com a reta de teste utilizada. a probabilidade P1 deste segmento ser interceptado pela reta é P 1 = δ Lsenθ l (5. Um é o do comprimento de linhas em um plano. o segmento é aproximado por um segmento de reta. Suponha também que o quadrado teste é interceptado por uma reta vertical que corta o eixo X em um ponto aleatório.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA MEDIDAS DE COMPRIMENTO MEDIDAS DE COMPRIMENTO Existem dois cálculos de comprimento em estruturas que interessam. Seja l a aresta do quadrado teste. é razoável trabalhar com a probabilidade média. De tão pequeno. então sua sombra projetada sobre o eixo X é δLsenθ. a probabilidade de o segmento ser interceptado pela reta teste para a j-ésima orientação é j P 1 = δ Lsenθ j l (5. Figura 5. Se o comprimento do segmento é δθ. O outro tipo de cálculo refere-se ao comprimento de uma linha no espaço tridimensional.1. 5.

4) Suponha agora uma linha qualquer. A expressão (5.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA CÁLCULO DE SUPERFÍCIE de com a probabilidade de cada caso. enquanto N que a razão C é o número de vezes que a linha foi interceptada pelas linhas de teste LT por unidade de linha teste.6) O comprimento total das N retas de teste é LT = Nl . a probabilidade média dele ser interceptado por uma reta teste é dada por P 1 = δ Lsenθ j l = δL l senθ j (5. as igualdades a seguir são válidas N Nl LT = 2 = l l AT em que AT é a área do quadrado teste. temos NC = ou ainda 2 LT π AT (5. Espera-se que o número de retas que interceptaram a linha seja N C = NPT = 2 NL π l (5. Assim.9) 45 .8) pode ser re-escrita como LA = π 2 PL (5.3) Porém. Substituindo a expressão acima em (5. de comprimento total L. então (5.3) torna-se P 1 = 2 δL π l (5.5) Suponha que temos agora N retas de teste verticais. senθ j = 2 π .7) L π NC = AT 2 LT (5. A probabilidade PT desta linha ser interceptada pela reta de teste é n ⎛ 2 δ L ⎞ 2 (nδ L) 2 L PT = ∑ P = 1 i = n⎜ ⎟= π l ⎝π l ⎠ π l i =1 (5. Dividimos esta linha em n segmentos iguais de comprimento δL. contínua ou descontínua.8) O termo da esquerda é o comprimento da linha por unidade de área teste. Sendo assim. para um dado segmento.6).

Figura 5. 5. Conta-se quantas vezes a linha foi interceptada pelas retas de teste. O quadrante foi usado por questão de simetria.9) para determinar LA.10) Ou seja. Continuando π π senθ = ∫ P (θ )senθ dθ = 0 2 senθ dθ = π∫ π 0 2 2 2 (5. a razão entre a projeção mencionada e o comprimento de um quadrante do círculo. Multiplicando-se este valor pela área do quadrado teste. 5.3 ilustrando um P (θ )dθ = Rdθ 2 = dθ πR π 2 (5. inclinado de um ângulo θ em relação ao eixo vertical. cuja inclinação varia entre dθ dθ θ− eθ + é definida como P(θ)dθ. Este é PL.2: Determinação de comprimento de linha através da contagem de interceptos dela por retas de teste. sendo R o raio do círculo. esta expressão é usada da maneira ilustrada na Fig. uma vez que os demais eram redundantes. Para isto considere a Fig.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA MEDIDAS DE COMPRIMENTO Esta expressão continua válida mesmo se forem usadas ciclóides ou círculos ao invés de retas de teste. Note que tal situação produz uma projeção 2 2 sobre o círculo de comprimento Rdθ. Assim. Divide-se este valor pelo comprimento total das retas de teste. temse o comprimento da linha.11) 46 . Na prática. Substitui-se na expressão (5. Calcula-se o comprimento total das retas de teste. A probabilidade de ocorrer um segmento como este. Resta demonstrar que senθ = 2 segmento de comprimento δL na origem. a probabilidade mencionada é escrita por π . Uma grade de retas é traçada sobre a imagem.2.

5. Haverá muitos interceptos entre as retas e as seções. Esta seção é uma curva fechada. o intercepto linear médio pode ser definido equivalentemente por L2 = Sabemos que LL = AA e que N L = LL NL (5. podendo ser côncava ou convexa. Suponha ainda que esta seção é interceptada por uma reta.12) Uma forma equivalente de definição e de medição deste intercepto médio é pegar o grande número de seções exatamente iguais aleatoriamente orientadas sobre um plano e traçar sobre elas uma grade de retas de teste. denominado intercepto linear e representado como L2.13) pode ser re-escrita como 2 L2 = 2 AA PL (5. Utilizando um número muito grande de retas aleatoriamente orientadas que cortam a seção. Há uma seção dele no plano. o perímetro médio das seções é dado por 47 . haverá muitos interceptos lineares. Suponha um grão sendo secionado por um plano teste.2. e não de um intercepto de um grão tridimensional.13) PL . A expressão (5. A média aritmética destes interceptos é definido como o intercepto linear médio L2 = 1 N ∑ (L ) 1 N 2 i (5.14) Supondo agora que todas as seções são convexas.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA CÁLCULO DE SUPERFÍCIE Figura 5. Isto dará origem a um segmento de interseção entre a reta e a seção.3: A probabilidade de um segmento ter angulação em certo intervalo é proporcional à projeção deste intervalo angular sobre o perímetro do círculo. Definindo LL como sendo o comprimento de todos os interceptos por unidade de reta de teste e NL como sendo o número de interceptos por unidade de reta de teste.Perímetro de curvas fechadas em planos. em que o índice 2 indica que trata-se de um intercepto obtido de uma seção planar.

Substituindo (5. Há 16 interseções e 4 seções.14) em três dimensões.16) e (5.16) Esta expressão permite o cálculo do perímetro médio de seção através da contagem de pontos e da contagem de seções. Ela é equivalente é duas dimensões à expressão (4.16). O comprimento total das retas de teste é medido.17) em (5. Uma grade de retas de teste é traçada sobre as seções convexas existentes em uma área de teste de área conhecida. o perímetro médio e a área média de seção. Utilizando a expressão (5. Contamos o número de seções existentes na área teste e dividimos por sua área.18) Esta expressão relaciona o intercepto linear médio.14). Este é PL. Figura 5.17) Em que NA é o número de seções por unidade de área teste e AA é a área de todas as seções dividida pela área do quadrado teste.15) em que LA é o comprimento total dos perímetros (comprimento de linha) por unidade de área teste e NA é o número de seções (e não de interceptos lineares – por isso a suposição de seções puramente convexas) por unidade de área teste. obtemos L2 = 2 AN A 2 =π π N A LP A LP (5. A área média de seção é dada por A= AA NA (5. chega-se ao perímetro médio. 48 . Este é NA.9). Aplicando a expressão (5. Contamos o número de interseções entre o perímetro das seções e as retas de teste dividimos pelo comprimento total das retas de teste.4: Contagens utilizadas para determinação de perímetro médio de seção. Veja na Fig. obtemos LP = π PL 2 NA (5.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA MEDIDAS DE COMPRIMENTO LP = LA NA (5.4 o procedimento ilustrado. 5.

que é um parâmetro bidimensional. a um parâmetro tridimensional.21) Considerando a expressão (5.3.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA CÁLCULO DE SUPERFÍCIE Para uma única seção.17) torna-se 1 1 = PL N L (5.13) torna-se L2 = e a expressão (5. a área média é a área da própria seção e o perímetro médio é o perímetro da própria seção. Portanto. ao intercepto linear médio do grão. Se existem muitas seções de grãos no plano de corte examinado.19) Esta expressão pode ser empregada no espaço tridimensional. L2 . possibilitando o uso do perímetro médio de seção e área média de seção. o perímetro médio de grão é PL LA πA 2 LP = 2 =2 = π APL = 1 NA L2 A Ou ainda LP π = A L2 π (5. tem-se que PL = N L e LL = AA = 1 .5. O segmento projeta sobre o eixo Y uma sombra de comprimento δLcosθ.23) 5. 5. os quais podem ser determinados em seções de corte por softwares analisadores.20) A= 1 NA (5. a medida de intercepto médio nas seções do plano de corte. L3 . 49 . Este segmento está inclinado de um ângulo θ em relação ao eixo Y.22) (5. Para uma estrutura monofásica. Da mesma forma. a expressão (5. converge para o valor do intercepto linear do grão. pois cada contorno de grãos representa o perímetro de cada grão em contato. caso uma condição especial seja atendida. Isto significa que a expressão pode relacionar o perímetro de seção de grão. Suponha um segmento de linha com comprimento δL dentro de um volume de teste cúbico de aresta l. Supondo que todos os grãos são convexos. então a área média de seção no plano de corte converge para a área média de seção dos grãos. temos para uma única seção L2 = π A LP (5.Comprimento de linhas do espaço tridimensional.9) que dá o comprimento de uma linha e lembrando que em uma estrutura monofásica o perímetro deve ser contado em dobro. como ilustra a Fig.

27) pode ser rearranjada para N L =2 C VT AT (5. Suponha agora uma linha e não mais um segmento de linha. o ângulo de inclinação muda e com isso muda a probabilidade.27) em que AT é a área de todos os N planos de teste e VT é o volume do cubo teste. O segmento faz um ângulo θ com o eixo Y. O termo da direita é o número de interseções entre os N planos e a linha teste. Como das outras vezes.24) Se mudarmos a direção do cubo de teste.26) Se N planos paralelos ao primeiro forem colocados no cubo. Espera-se que um número deles intercepte a linha. como vimos. Esta linha tem comprimento L e pode ser dividida em n segmentos de comprimento δL. N planos 50 . Ela é dada por P 1 = δ L cos θ j l = δL l cos θ j = 1 δL 2 l (5.25) pois. A probabilidade de o segmento ser interceptado pelo plano é dada por P 1 = δ L cos θ l (5. o valor médio do cosseno é meio. Contudo. A probabilidade de um plano cortar esta linha é dada por PT = ∑ i =1 n 1 δ L 1 nδ L 1 L = = 2 l 2 l 2l (5.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA MEDIDAS DE COMPRIMENTO Figura 5. A expressão (5.5: Segmento de linha interceptado por plano vertical. mudamos a orientação do volume de teste e tiramos a probabilidade média de um plano interceptar o segmento.28) O termo da esquerda é o comprimento da linha por unidade de volume. Um plano paralelo ao plano X-Z corta o cubo de teste cortando o eixo Y em um ponto qualquer. Este número é dado por N C = NPT = NL NL l 2 L Nl 2 L AT = = = 2l 2l l 2 2 l 3 2 VT (5.

a probabilidade de ocorrer um segmento com inclinação entre dθ dθ θ− e θ+ é igual à área do anel projetado pela variação angular dθ sobre a 2 2 casca esférica. portanto. A demonstração de 1 segue o mesmo raciocínio usado no capítulo 4. (5. 2 Devemos apenas adaptar o procedimento para um segmento linear e não de siperfície. A expressão pode ser finalmente escrita como LV = 2 PA (5.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA CÁLCULO DE SUPERFÍCIE interceptar uma só linha é estatisticamente equivalente a N linhas iguais interceptarem um plano. P (θ )dθ = senθ dθ O valor médio é.3. Dividindo o resultado da contagem com a área da região. Um plano. é possível determinar o intercepto linear médio dos grãos da fase α. 51 .7 exibe uma imagem de uma estrutura bifásica hipotética.Livre caminho médio em estrutura bifásica dispersa.4. A Fig. ou diversos planos aleatórios. 5.30) 5.6. A interseção deste plano com a linha são pontos. Igualmente. pois todos os segmentos existentes naquele anel possuem a inclinação mencionada. é selecionado conforme o procedimento descrito na seção (2. 5. Figura 5. medindo o comprimento total dos interceptos dos grãos e dividindo-o pelo número destes interceptos. determinamos PA. Traçando uma grade de linhas sobre a imagem. Determinamos a área em que estes pontos são contados e contamos os pontos. medindo-se o comprimento total dos interceptos com a fase β e dividindo pelo número de interceptos. esta expressão pode ser usada da seguinte maneira.6: o segmento colocado na origem possui a mesma inclinação de qualquer segmento no anel. dividida pela área do hemisfério.29) Na prática. cos θ j = Segundo a Fig. determina-se o intercepto linear médio da fase β. Este parâmetro recebe o nome alternativo de livre caminho médio por ser a fase β a matriz da estrutura. determinado do mesmo modo que no capítulo 4.1) e imagens são registradas. constituída de grãos esféricos de uma fase α dispersos em uma matriz de fase β. A probabilidade de encontrarmos um segmento com esta inclinação é proporcional à área do anel.

O livre caminho médio da fase matriz β é definido como ( L3 ) β ≡ λ = ( LL ) β ( N L )β (5. 5. Considerando ainda que como a estrutura é binária. ( N L ) β = ( N L )α .7: Plano de corte de uma estrutura binária constituída de fase matriz e fase dispersa de seções circulares. Com isso. o livre caminho médio está relacionado à dureza e à tenacidade do material.31) é válida em 2D e 3D. Neste último caso. Manipulando adequadamente a expressão (5. sendo responsável pela condutividade elétrica.31) Porém. Sobre a imagem está traçada uma grade de retas de teste com as quais se pode medir o intercepto linear e o livre caminho médio. Veja na Fig.8.32) Figura 5. pois a definição de livre caminho médio (5.33) Podemos encontrar o significado do termo σ.31) torna-se λ= 1 − (VV )α ( N L )α (5. Seja o diâmetro destes grãos L3 e a distância 52 . uma linha de círculos representando seções médias de grãos. ( LL ) β = (VV ) β .32) λ= 1 − (VV )α ( N L )α = (VV )α 1 − = σ − ( L3 )α ( N L )α ( N L )α (5. grãos e fase matriz estão alternadas.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA MEDIDAS DE COMPRIMENTO O livre caminho médio ganha um significado especial. pois em alguns materiais compósitos a fase matriz desempenha um papel de aglutinante da fase dispersa. Adicionalmente. ele é um parâmetro tridimensional. ou pela tenacidade do material. sobre uma linha. Ao contrário do que é afirmado por alguns autores de que o livre caminho médio representa um parâmetro bidimensional. a expressão (5. então (VV ) β = 1 − (VV )α . pois sendo a estrutura dispersa.

36) finalmente como (VV )α λ = L3 ⎢ ⎡1 − (VV )α ⎤ ⎥ ⎢ ⎣ (VV )α ⎥ ⎦ (5. o livre caminho médio da matriz aumenta. Assim.35) torna-se λ=4 4 ( SV )α 1 − (VV )α ( SV )α = ( SV )α 4 − 4 (VV )α ( SV )α = ( SV )α 4 − L3 (5. O intercepto médio e o livre caminho médio podem ser escritos como na equação (4. então (5. então σ pode ser interpretado como a distância média entre os centros de grãos vizinhos. nota-se que mantendo a fração volumétrica da fase α constante. É deste artifício que se vale alguns compósitos de fase dispersa dura para aumentar a tenacidade de um material mantendo inalterada sua composição. Figura 5.36) Porém.14) L3 = 4 e (VV )α ( SV )α (5. podemos re-escrever (5.37) Nesta expressa.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA CÁLCULO DE SUPERFÍCIE entre os contornos de dois grãos próximos λ.35) como (VV ) β = 1 − (VV )α e ( SV )α = ( SV ) β . 53 .8: O termo σ significa a distância entre os centros de grãos vizinhos de tamanho característico sendo o intercepto linear médio. = L3 . aumentando o tamanho dos grãos de α.34) λ=4 (VV )β ( SV )β (5.

aleatoriamente distribuídas no espaço. Algumas delas são úteis de fato apenas se certas propriedades tais como área superficial.Área superficial do corpo convexo.Intercepto de um corpo convexo. V. A.2. Antes de iniciar as demonstrações faz-se necessário uma descrição dos diversos parâmetros geométricos relacionados aos corpos. O segmento formado pela interceptação do corpo convexo por uma reta.Área de seção de um corpo convexo. Elas não são apropriadas para se trabalhar com conjunto de corpos. A área da seção formada pelo corte do corpo por um corpo convexo. 1. L3 : é calculado tomando-se a média aritmética de uma grande quantidade representativa de interceptos do corpo.Volume do corpo. Para a derivação das relações a seguir. alguns pontos descritos a seguir são supostos verdadeiros: 1. 2. 4. 3.A fração de linhas paralelas e uniformemente espaçadas que interceptam um corpo dentro de um volume teste é igual à razão entre a área projetada do corpo e a do volume teste. 2.Definições básicas.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA CORPOS CONVEXOS RELAÇÕES GERAIS PARA CORPOS CONVEXOS Existe uma série de expressões matemáticas simples que relacionam importantes parâmetros geométricos de corpos convexos de qualquer forma. 54 . Estas relações estão limitadas a um corpo só. 6.Um plano ou linha de teste que intercepta um corpo n vezes é estatisticamente equivalente a n planos ou linhas de teste aleatórias interceptando o corpo uma única vez cada. Elas são úteis quando se está trabalhando com grãos convexos e se deseja explorar alguma de suas propriedades geométricas.A área projetada média calculada tomando todas as orientações possíveis da partícula é igual à área projetada média de muitas partículas de mesma forma e tamanho.Considerações preliminares.1. volume etc são perfeitamente conhecidas. S.Intercepto médio de um corpo convexo. 3. Esta seção será obrigatoriamente convexa. 6. A fração de planos paralelos e uniformemente espaçados que interceptam um corpo dentro de um volume teste é igual à razão entre a altura projetada do corpo e do volume teste. 5. L3. Em seguida essas relações serão apresentadas e deduzidas.

FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA

CÁLCULO DE SUPERFÍCIE

6- Área média de seção de um corpo convexo, A : é calculada tomando-se a média aritmética de uma grande quantidade representativa de áreas de seção do corpo. 7- Área projetada de um corpo convexo, A’. A Fig. 6.1 ilustra o que é a área projetada de um corpo. Iluminando um corpo em dada direção, uma sombra do corpo será projetada naquela direção. A área da sombra é definida como a área projetada do corpo naquela direção. É equivalente à seção de choque do corpo. Obviamente, este parâmetro depende do tamanho e da forma do corpo e da direção tomada. 8- Área projetada média de um corpo convexo, A ' : é a média aritmética das áreas projetadas tomadas em muitas direções estatisticamente representativas de todas as direções possíveis. 9- Altura projetada de um corpo convexo, H’. A Fig. 6.1 também ilustra o significado deste parâmetro. Ele é a altura da sombra projetada do corpo. Portanto também depende da direção. Pode também ser denominada distância efetiva de corte, pois o corpo será necessariamente cortado ao menos uma vez por planos paralelos com distância menor do que essa. 10- Altura projetada média de um corpo convexo, H ' : é a média aritmética das alturas projetadas tomadas em um grande conjunto representativo de direções.

Figura 6.1: Corpo convexo prismático em um volume teste cúbico. Há três projeções do corpo nas três direções principais. A área de cada sombra é a área projetada. Em cada sombra projetada há uma linha indicando a altura projetada do corpo.

6.3- Penetração por linhas de teste.
Suponha um corpo convexo no interior de um volume cúbico teste de aresta l. Uma reta de comprimento l intercepta o volume teste na direção Z, mas em um ponto (x,y) aleatório. A probabilidade de ocorre a interceptação do corpo pela reta é dada por

55

FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA

CORPOS CONVEXOS

P 1 =

A' l2

(6.1)

em que A’ é a área projetada do corpo naquela direção e o denominador é a área da face do cubo. Se N retas paralelas interceptarem o volume teste em posições (x,y) aleatórias (veja Fig. 6.2), espera-se que um certo número n delas intercepte o corpo

n=P 1N =

A' N l2

(6.2)

Figura 6.2: Conjunto de retas verticais interceptando volume teste no qual existe um corpo convexo. Um número de linhas proporcional à área projetada do corpo na direção Z irá interceptar o corpo. O comprimento total das linhas de teste é

LT = Nl
Dividindo (6.2) por (6.3), tem-se

(6.3)

n A' N A' A' = = = = N1L LT Nll 2 l 3 V

(6.4)

Em que N1L é o número de vezes que o corpo foi interceptado pelas retas por unidade de comprimento das retas. Suponha que sejam colocados agora no cubo teste ℵ corpos convexos iguais, porém aleatória e independentemente orientados. Cada corpo terá uma área projetada na direção das retas. Os valores das áreas projetadas variam desde um valor mínimo a um valor máximo. Dividindo este intervalo de áreas projetadas em classes, para um corpo com área projetada da i-ésima classe, vale a seguinte expressão para o número de retas que interceptam o corpo

N1iL =

Ai' V

(6.5)

56

FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA

CÁLCULO DE SUPERFÍCIE

Supondo que há ℵi partículas com esta classe de área projetada, então o número de vezes que as N retas interceptam essas ℵi partículas por unidade de comprimento é A' i NL = ℵi i (6.6) V Considerando agora todas as classes de área projetada, o número de vezes que as N retas interceptam o conjunto de ℵ partículas é ℵ A' 1 i NL = ∑ NL (6.7) =∑ i i = ⎡ ℵ1 A1' + ... +ℵi Ai' + ...⎤ ⎣ ⎦ V V Dividindo isto pelo número total de partículas ℵ, tem-se N L 1 ⎡ ℵ1 A1' + ... +ℵi Ai' + ... ⎤ A ' = ⎢ ⎥= ℵ V⎣ ℵ ⎦ V

(6.8)

Pois o termo entre colchetes é a média ponderada da área projetada do corpo, tendo o número de partículas em cada classe de área projetada como peso. A expressão (6.8) pode ainda ser re-escrita como ℵ N L = A ' = A 'ℵV (6.9) V Em que NL é o número de vezes que as ℵ partículas são interceptadas por unidade de comprimento, e ℵV é a densidade volumétrica de partículas. Esta expressão relaciona o número de partículas existentes no espaço ao número dessas partículas que são atingidas por uma reta de teste que atravessa este espaço.

6.4- Penetração por planos.
Suponha um corpo convexo dentro de um volume teste cúbico de aresta l, conforme mostra a Fig. 6.3. Este volume teste é interceptado por um plano paralelo a X-Y em algum ponto Z aleatório. A probabilidade deste plano interceptar o corpo convexo é dada por

P 1 =

H' l

(6.10)

sendo H’ a altura projetada do corpo na direção Z. Caso N planos paralelos ao mostrado na Fig. 6.3 cortarem o volume, um certo número deles cortará o corpo H' (6.11) n=P 1N = N l A área total dos N planos é AT = Nl 2 . Dividindo o número de vezes que o corpo é interceptado pelos N planos pela área total dos planos, encontra-se n NH ' H ' = = = N1 A (6.12) AT lNl 2 V Suponha agora que ℵ corpos idênticos, mas aleatoriamente orientados são colocados no cubo. O número de corpos é tal que o universo das orientações possíveis esteja

57

58 . então.15) N A 1 ℵi H i' H ' = ∑ = ℵ V ℵ V (6.3: Corpo convexo em um volume teste cúbico sendo interceptado por um plano de corte. pode-se finalmente escrever NA = H ' ℵ = H 'ℵV V (6.13) V Suponha agora que ℵ corpos idênticos. A probabilidade disso ocorre é proporcional à altura projetada do corpo na direção ortogonal ao plano de corte. são colocados no volume teste.16) Como o somatório representa a média ponderada da altura projetada. a expressão (6. destes ℵ corpos idênticos. Este intervalo de alturas projetadas é dividido em classes.14) V Figura 6. Para corpos com a i-ésima classe de altura projetada. o número de vezes que estes corpos serão interceptados é H' i NA = ℵi i (6. Se. Haverá uma altura projetada mínima e outra máxima. O número de interceptações com todo o conjunto de prismas será H i' 1 N A = ∑ ℵi = ∑ ℵi H i' V V Dividindo isto pelo total de corpos (6. tendo o número de corpos em cada classe de altura projetada como peso. ℵi tiverem altura projetada na i-ésima classe. Cada orientação possui uma altura projetada.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA CORPOS CONVEXOS representado.17) Esta expressão relaciona o número de corpos existentes no espaço ao número destes corpos que são interceptados pelo plano de corte.12) passa a ser escrita como H' N1i A = i (6. mas aleatória e independentemente orientados.

deve-se fazer a média aritmética das alturas projetadas do corpo na direção Z em um conjunto representativo do universo de orientações possíveis. sendo sua altura projetada no eixo Z de H’. NP.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA CÁLCULO DE SUPERFÍCIE 6. Suponha um corpo convexo de volume V e sua altura projetada H’ na direção Z.19) sendo Ai a área da i-ésima fatia.5. Esta fatia corresponde a uma coordenada z. Para um número representativo de posições do corpo. A altura projetada do corpo varia conforme a posição em que ele se encontra.22) Considerando agora todas as diferentes e representativas posições do corpo. Suponha o corpo em uma dada posição.20) na qual Nj é o número de fatias em que o corpo foi fatiado na j-ésima posição. a área média de seção transversal do corpo pode ser determinada por ∑A N A= ∑N j j j j j (6.23) 59 . A área transversal média do corpo calculada em uma dada posição j do corpo é Aj = ∑A i i j Nj (6.21) Aj = ∑ A δ z ∑ A δ z ∑ δV i i Nj δz = i i N jδ z = i i H ' j = V H ij (6. O volume do corpo é dado por V = ∑ δ V = ∑ Aiδ z i i (6.18) sendo A a área da seção transversal daquela fatia correspondente. O volume de cada fatia é dada por δ V = Aδ z (6. Para calcular a altura projetada média do corpo. tem-se ∑H j ' j NP (6. tem-se que a altura projetada média do corpo é H'= Para uma dada posição j.Relação entre área transversal média e altura projetada média. O corpo é fatiado ortogonalmente ao eixo Z em fatias de espessura δz bem pequena.

Relação entre área superficial e área projetada média. o que inclui todas as posições j e o número de seções em cada posição. Suponha que este corpo é iluminado na direção Z de cima para baixo.4.24) Mas o volume do corpo independe da posição. Multiplicando numerador e denominador por δz. As superfícies superior e inferior do corpo projetam sombras semelhantes. 6.4: Corpo convexo projetando uma sombra no plano X-Y. ambas as porções projetariam a mesma sombra. Se o corpo fosse dividido em duas partes. O somatório do numerador inclui a área média de seção para uma dada posição j e o peso daquela posição no conjunto total das posições.6. A parte inferior fica na sombra.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA CORPOS CONVEXOS Onde o denominador é o número total de fatias (seções consideradas). A parte superior é iluminada. Ele projetará uma sombra sobre o plano X-Y. tem-se ∑A N δz ∑A H A= = ∑N δz ∑H j j j j j j ' j j j ' j ∑V = ∑H j j j ' j (6. Se a superfície é dividida em n segmentos de área δSi. Suponha um corpo convexo no interior de um cubo teste de aresta l.24). Figura 6. então cada segmento projetará sobre o plano X-Y uma área 60 . A superfície do corpo é dividida em duas.25) 6. então (6. segundo o critério das superfícies iluminada e sombreada. Substituindo isso em V=A ∑H j ' j NP = AH ' (6. Nj. como o mostrado na Fig. tem-se finalmente que ∑V j j = N PV .

Manipulando adequadamente as expressões S = 4 A ' e L3 = 4 V .26) δ Ai' = δ Si cos θi Sendo θi o ângulo entre o eixo Z.30) V = A ' L3 61 .FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA CÁLCULO DE SUPERFÍCIE (6.28) A média do cosseno já foi calculada anteriormente (Capítulo 4) e o somatório de δSi é a área total da superfície.7.29) 6.27) Para aquela direção de iluminação particular.Relação entre área projetada média e intercepto linear médio. chega-se a S (6. a seguinte expressão é verdadeira. então S = 4A' (6. Fazendo o mesmo para muitas diferentes posições. de iluminação. e o vetor normal ao segmento δSi. Assim. sendo o fator dois no lado direito referente ao fato de que as superfícies (iluminada e sombreada) projetam sombras (sobrepostas) idênticas (mesma área) ∑ δ S cos θ i =1 i n i =2 A ' (6. pode-se determinar a área projetada média 2A' = ∑ δ S cosθ i =1 i n i = ∑ δ Si cos θi = i =1 n 1 n ∑ δ Si = 2 A ' = 2 A 2 i =1 (6.

A este procedimento dá-se o nome de unfolding.. Será demonstrado em seguida o fundamento do procedimento de unfolding a partir de contagem de grãos em linhas de teste. Alguém que estivesse realizando uma medida estereológica usando linhas de teste e pudesse diferenciar entre os dois tipos de grãos da estrutura poderia erroneamente afirmar que os grãos do tipo 1 são mais numerosos. então 1 2 2 NL = 2 A1'ℵV = 2NL (7. Supondo que ' A1' = 2 A2 .17) 1 ' 1 ' 2 2 NA = H1 ℵV = 2H2 ℵV = 2N A (7.. Este intervalo de tamanho de grão é dividido em R classes.. mas de volumes ' ' ' as áreas projetadas médias de cada um deles e H1 e H2 suas distintos. A população de cada tipo de grão é ℵ1 e ℵ2. Em um plano de corte da estrutura. Suponha que em uma estrutura existem ℵ grãos de mesma forma. então.ℵV volume é dada por {ℵV }. pelas relações (6... em que a quantidade de grãos pertencentes a cada classe de tamanho de grão por unidade de 1 i R . Esta quantidade é dada pela expressão (6. seções de grãos de ambos os tipos estão ' ' presentes.1) 1 2 = ℵV . sendo ℵ1 =ℵ2.9) e (6. vê-se que esta expressão indica a presença maior de grãos de maior altura projetada média no plano de corte.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA UNFOLDING O PROBLEMA DO UNFOLDING Conforme visto no capítulo anterior. 62 .. é possível relacionar o número de grãos existentes no espaço ao número desses grãos que estão presentes em retas traçadas através da estrutura para medidas estereológicas e ao número de grãos presentes em planos de corte que secionam a estrutura para medidas estereológicas. Supondo que H1 = 2H2 . Suponha que uma estrutura possua uma população de grãos de tamanhos que varia em certo intervalo. segundo (6. Isto é importante. Isto pode conduzir à falsa idéia de que a população daquele tipo de grãos é maior. certa quantidade de grãos será interceptada pelas retas. tendo este detalhe em mente.9) e (6.17).. Traçando retas de teste através da estrutura. Contudo. Esta relação significa que a população de grãos do tipo 1 interceptada pois ℵV pelas retas de teste é o dobro da população de grãos do tipo 2. embora elas sejam iguais no espaço. como mostra o exemplo a seguir.17) para retirar informações acerca da verdadeira população de grãos da estrutura a partir de contagem de populações feitas com uso de retas de teste e de planos de teste..2) Do mesmo modo. é possível usar as expressões (6. Sejam A1' e A2 alturas projetadas médias.ℵV .9).

63 . Um grão da i-ésima classe de tamanho tem probabilidade Pi. Para a i-ésima classe de tamanho. cujo comprimento varia em determinado intervalo.5) Depois de considerada a expressão (7. o número de interceptos lineares da j-ésima classe por unidade de comprimento produzidos por grãos da iésima classe de tamanho é dado por i . Este intervalo de interceptos lineares pode ser dividido j o número de interceptos lineares da j-ésima classe por unidade em S classes.7) O chi-quadrado é definido como sendo χ = ∑ Δ =∑ ( S S 2 2 j =1 j =1 j −N j N L L ) 2 ⎡⎛ R i ⎞ j ⎤ = ∑ ⎢⎜ ∑ Pi . mantendo como vínculo que os valores i ℵV nunca podem ser negativos.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA CÁLCULO DE SUPERFÍCIE Quando uma grade e linhas de teste é traçada através da estrutura.3) Sendo Ai' a área projetada média dos grãos da i-ésima classe. Suponha agora que retas são traçadas sobre imagens da estrutura e que os interceptos entre as retas e as seções dos grãos são medidos e. Seja N L de comprimento. j Ai'ℵV ⎟ − NL ⎥ j =1 ⎣⎝ i =1 ⎠ ⎦ S 2 (7. j = P N i = P A'ℵi N L i. a quantidade de grãos interceptados por unidade de comprimento da linha teste é de i i NL = Ai'ℵV (7. É possível deduzir expressão equivalente para a população de grãos interceptada por planos de corte. j = ∑ Pi . Estes valores correspondem à verdadeira (estimada) população de grãos da estrutura.j L i.j de produzir um intercepto linear da j-ésima classe. j Ai'ℵV L i =1 i =1 R R (7.6) é dada por j −N j Δ=N L L (7. O número total de grãos interceptados pelas retas de teste por unidade de comprimento é i i NL = ∑ NL = ∑ Ai'ℵV i =1 i =1 R R (7. Seja N L então a diferença entre este valor medido experimentalmente e o estimado pela expressão (7. seguida. j i V (7. grãos de cada classe de tamanho são interceptados. O número de interceptos lineares da j-ésima classe por unidade de comprimento pode ser escrito como i j = N N ∑ Li . determinada a partir da população de grãos interceptados por retas de teste. classificados. em j o número de interceptos lineares da j-ésima classe.3).8) Esta expressão tem que ser minimizada. Com isso.6) Esta é a expressão básica.4) Cada encontro entre grão e reta de teste gera um intercepto linear.

Os interceptos lineares são medidos e classificados.9) Repetindo este procedimento para grãos de todas as classes de tamanho. sendo N um valor satisfatoriamente elevado. j = Nj N (7. Elas devem ser determinadas numericamente. 64 . Isto requer o uso de expressões como algumas introduzidas no capítulo 6. O grão com a geometria e tamanho desejados é definido e executa-se a interceptações deste grão por N retas aleatoriamente orientadas.j. envolvendo volume e área superficial de corpos convexos. A probabilidade Pi.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA UNFOLDING Resta ainda falar sobre a determinação da probabilidade Pi. A determinação da área projetada é mais complicada. Seja Nj o número de interceptos da j-ésima classe. determinase todos os valores de Pi. então a probabilidade de um grãos daquela classe de tamanho produzir um intercepto da j-ésima classe é dada por Pi .j pode ser determinada através de simulação computacional.j e da área projetada média.

A ocorrência de contatos entre grãos da fase matriz afeta a condutividade elétrica do compósito. Esta interface é contada em dobro uma vez que são duas superfícies de grão juntas. 8. Denominando a fase dispersa de α e a fase matriz de β. Existe um parâmetro estereológico relacionado a contatos entre grãos da mesma fase. Figura 8. isto não se verifica. Eles possuem uma interface. Os contatos afetam a tenacidade à fratura. Caso a fase dispersa seja condutora elétrica e a fase matriz seja isolante. havendo uma fração considerável de grãos da fase dispersa em contato mútuo. contudo. Outro exemplo é o de uma fase matriz dúctil e uma fase dispersa frágil. Outras razões existem para se ter estruturas em que os grãos da fase dispersa não estejam completamente separados. A existência de tais contatos pode influenciar certas propriedades do material.1) (SV)α-α é a área da interface entre grãos da fase α por unidade de volume. Na maioria das estruturas. (SV)α-β é a área da interface entre a fase α e a fase β por unidade de volume. Isto é tanto mais comum quanto maior for o teor da fase dispersa e quanto maior a tendência de aglomeração dos grãos desta fase.1: Grãos esféricos de fase α em uma matriz β. 65 . Os grãos de α mantêm contato. A estrutura é cortado por um plano. a interface entre a fase α e a fase β de α-β e a interface entre dois grãos da fase α de α-α. É a contigüidade. São grãos de uma fase com certo nível de contato. uma vez que eles funcionam como caminhos de propagação de trincas. contabilizando aqui a área da interface.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA CÁLCULO DE SUPERFÍCIE CONTIGÜIDADE Muitas das estruturas aqui exibidas e trabalhadas são bifásicas cujos da fase dispersa encontram-se completamente separados entre si. A contigüidade é definida como a razão entre a área desta interface e área superficial total dos grãos. Veja a Fig.1. a contigüidade pode ser matematicamente definida como Cα −α = 2 ( SV )α −α + ( SV )α − β 2 ( SV )α −α (8.

1). Substituindo (8.FUNDAMENTOS DE ESTEREOLOGIA CONTIGÜIDADE A área de uma interface pode ser medida a partir da contagem de interceptos entre a interface e linhas de teste através de SV = 2PL (8.3) A Fig. Há 6 interseções entre as retas e a interface α-β e uma interseção entre as linhas e a interface α-α.2 ilustra o processo de medição da contigüidade.2) Sendo PL o número de vezes que a interface foi interceptada pelas linhas de teste por unidade de comprimento. 66 . A grade de linhas de teste intercepta as interfaces e são contabilizadas estas interseções. Uma grade de retas de medição é traçada sobre a imagem.1.2) em (8. Figura 8.2: Imagem do plano de corte mostrado na figura 8. tem-se Cα −α = 4 ( PL )α −α + 2 ( PL )α − β 4 ( PL )α −α (8. 8.