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Música Popular e Samba: Cultura Histórica, Memória, Identidade e Cultura Política no Brasil GABRIEL VALLADARES GIESTA

Introdução

Este trabalho tem como objetivo discutir as possíveis relações entre Cultura Histórica, Memória, Identidade e Cultura Política no Brasil a partir da temática da Música Popular e do Samba. Para fazê-lo, lançaremos mão da longa duração e de uma série de suportes teóricos que se imbricarão durante o texto. Antes disto, é preciso fazer uma breve seleção do que se encaixaria melhor, de forma a atender uma maior compatibilidade entre objeto de pesquisa e suporte teórico. Sendo assim, escolheu-se aqui, discutir a temática da relação entre a construção de uma determinada memória, cultura histórica nacional com aspectos da Cultura Política brasileira, principalmente no que concerne aos debates da questão racial, de longa data presentes em tais questões. Para fazê-lo, um bom caminho a se escolher é o da análise sobre os discursos em torno da música popular brasileira. Neste ínterim, tal rótulo (música popular brasileira) surge como espaço de embates e conflitos principalmente em diálogo com os debates sobre o que deveria ser símbolo da nacionalidade. Para analisar os “discursos em torno da música popular brasileira”, é necessário fazê-lo em sua polifonia, isto é, percorrendo as múltiplas vozes que falam neste contexto. Sendo assim, analisaremos como músicos, intelectuais, historiografia, entre outros, enunciam falas e narrativas sobre a música popular que estão em diálogo com a construção de memórias, identidades e também, com culturas políticas no Brasil. Tais vozes aparecerão no decorrer deste trabalho.

Mestrando em História Social pelo Programa de Pós-graduação em História Social do Território da UERJ – FFP. Bolsita pela CAPES.

Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH • São Paulo, julho 2011

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pois está diretamente relacionado ao conceito de Música Popular Brasileira. somada com a existência de modelos raciais que viam os afro-descendentes como estrangeiros ou cidadãos de segunda categoria. garantia-se à cidadania. tomam-se os referenciais teóricos e ideológicos europeus para firmar uma política com objetivo de transformar a nação subdesenvolvida em uma nação moderna e “civilizada”. pois desde o movimento abolicionista até as leis que davam fim gradual à escravidão tinham por base uma idéia simplista de que acabar com o cativeiro resolveria todos os problemas. que se adequariam perfeitamente ao contexto Latino-americano devido à crença na 1 Sobre isto. descobriríamos que tal noção ganha mais força e visibilidade no Brasil na época da Primeira República (1889 – 1930). Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH • São Paulo. resultaria na limitação dos espaços formais de atuação política para os negros. uma ciência evolutiva e determinista passava a negar a igualdade entre os homens e a transformava sistematicamente em utopia”. branca. julho 2011 2 . O imaginário da República no Brasil. Companhia das Letras. José Murilo de. ressurge a demanda para a formatação do que seria uma Identidade Nacional ideal: uma nova bandeira com os lemas positivistas é adotada. A formação das almas. Com a queda do regime monárquico e a República recém proclamada. O resultado final foi jogar uma imensa população discriminada e sem condições materiais em processos de competição desigual. e os debates sobre a composição racial da sociedade brasileira são colocados na ordem do dia. no corpo da lei da jovem República de 1889.Música Popular Brasileira: memória histórica. no caso. Sobre este último que nos concentraremos mais atentamente neste trabalho. “enquanto. a abolição como final por si. paralelamente. 1990. vendo este como único causador das distinções raciais no Brasil. heróis nacionais são eleitos1. Eram os anos do racismo científico e do Darwinismo social na Europa. A abolição da escravidão tem importante papel neste contexto. Tal problemática. No entanto. São Paulo. Segundo Lilia Schwarcz (1996). sobretudo com a mão-de-obra imigrante patrocinada pelo estado. identidade e cultura política Se fizermos um esforço para construir uma história social do conceito “Música Popular Brasileira”. Com a proclamação da República amplia-se a noção legal de cidadania no Brasil. ver CARVALHO.

Porém. as medidas de incentivo a imigração. ver ABREU. valorizavam abertamente o que seriam os aspectos “mestiços” da cultura brasileira em contraposição a uma série de políticas e defesas do embranquecimento da sociedade e contra a mestiçagem. em grande parte. a América deveria ser branca. 2004. 2008. folclore e nação no Brasil. julho 2011 3 . defendidas pelo deputado Bento de Paula e Souza como uma necessária “Transfusão de Sangue Novo”. Afro-Latin América.inferioridade dos negros. Segundo tais pensadores. Record. em meio aos debates sobre o que seria representante maior da nacionalidade (ou o que seria eleito a sê-lo). A reforma urbana de Pereira Passos. 3 Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH • São Paulo. tais manifestações culturais ainda se afirmaram e. mesmo havendo toda uma produção de desvalorização da miscigenação e das características negras e africanas. ANDREWS. “é possível afirmar que a idéia de uma „música popular brasileira‟ – hoje divulgada tão naturalmente. foram valorizadas. surpreendentemente talvez. Medidas higienistas.” (ABREU e VIANNA. George Reid. Carolina. naturalmente superior à negra. Martha e VIANNA. com algumas limitações. condenando a mestiçagem como degeneração da raça branca. a perseguição e desvalorização da capoeira. músicas e religiões afro-brasileiras são alguns dos muitos exemplos. Neste caso. mestiços e mulatos. os polêmicos debates sobre o caráter nacional brasileiro e os esforços intelectuais em construir originalidades culturais que pudessem integrar o Brasil no concerto internacional dos países ditos modernos e civilizados. essa História acompanhou de perto. para ser civilizada. através da eleição do samba ou da poderosa sigla MPB – possui uma História.3 É neste momento que.2 Muitos foram os teóricos que pregavam pelo “embranquecimento” da população como meio de “civilizar” o Brasil. Segundo ABREU e VIANNA (2008). Ao fazê-lo. 1890-1920. 1800-2000. o que explica. por certos setores da elite. até mesmo. estéticas e de controle das manifestações culturais também foram presentes. Envolvida em muitas disputas intelectuais. 2008) 2 Cf. a música aparece como grande representante. In: Carvalho. carnaval. Sobre isto. alguns intelectuais e folcloristas passaram a estudar e valorizar manifestações culturais dos setores populares no Brasil. Música popular. José Murilo. Nação e Cidadania no Oitocentos. New York: Oxford University Press. entre o final do século XIX e início do XX. indígenas. Tais pesquisadores passaram a reivindicar maior atenção ao que seria tipicamente brasileiro: o folclore.

A partir de então. pois Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH • São Paulo. Neste contexto. Evidentemente. democráticos e cordiais. como Alexina de Magalhães. como o caso de Guilherme de Melo que. principalmente o trabalho do antropólogo Hermano Vianna (2007) já ganhou bastante visibilidade. julho 2011 4 . que se inicia na primeira república e é institucionalizada no governo Vargas. publicada em 1908. Sobre o conceito de Cultura Histórica. muitos destes fizeram assertivas racialmente discriminatórias. porém abriram um espaço de visibilidade importante. identidade e cultura política brasileira. 1908 apud ABREU e VIANNA. Porém. RÜSEN (2009) defende que se trata de uma noção ampla. o africano e o espanhol” (MELO. Osório Duque Estrada. que o conceito de Música Popular Brasileira começa a ganhar força e a se delinear da forma que foi significado por boa parte do século XX no Brasil. ao escrever uma História da Música. onde a questão da contribuição negra e mestiça estará em debate. Brito Mendes. Tais características teriam sua manifestação cultural representada no Samba Carioca. levantados por ABREU e VIANNA (2008). dos setores populares. proveniente. por excelência. Alguns exemplos são explícitos. 2008). entre muitos outros. pode-se dizer que é neste momento. racialmente misturados. Coelho Neto. este quadro identitário é fruto de um processo histórico e da construção social de uma memória. que seriam. onde a mestiçagem tem importante papel. Evidentemente.Portanto. Outros intelectuais no Brasil da Primeira República. não busco aqui entender como este processo se deu. Sendo assim. defendia a vitalidade da música brasileira a qual teria como base a “fusão do elemento indígena com o português. Sobre isto. é importante entender como as narrativas que tratam destas questões fazem parte da cultura histórica. Isto é. antes mesmo de Gilberto Freyre e Vargas. enquanto símbolo de uma originalidade a qual representa a nacionalidade brasileira através da música. prioritariamente. que começa a se construir uma narrativa e uma memória histórica em que a identidade brasileira é construída com base em um ideal de mestiçagem. irão fazer o mesmo que Guilherme de Melo. o samba carioca entrará na memória nacional de muitos brasileiros como símbolo máximo da identidade do país e de seu povo.

então. Portanto. de la creación artística. A consciência histórica seria. 2009). “el entreveramiento entre la interpretación del passado. relacionando-o em contextos mais amplos se quisermos vê-los como parte da cultura histórica nacional. já citado neste artigo. pág. Além disto. 2009. que necessitam de consentimento. Antes disto. Segundo RÜSEN (2009). a memória histórica é um procedimento da consciência histórica.” (JEISMAN apud RÜSEN. de la educacíon escolar y extraescolar. Desta forma. para melhor entendermos o conceito de cultura histórica. mas sim carregado de significado e sentido. é preciso entender outros dois conceitos: memória histórica e consciência histórica.“contempla las diferentes estratégias de la investigación científicoacadémica. RÜSEN (2009) conclui: “La Cultura Historica es. julho 2011 5 . podemos concluir que o passado é “vivo” nas recordações e operativo nas orientações culturais da práxis. Portanto.2) Esta fala do autor nos obriga a analisar os discursos sobre a música popular brasileira para além do âmbito científico-acadêmico. que se señala al sujeto una orientación temporal a su práxis vital. como concreciones y expressiones de uma única potencia mental. a imaginação histórica não faz o passado irreal. la memória histórica (ejercida en y por la conciencia histórica). 2009. a memória histórica tem importante papel na legitimação de formas de domínio. Evidentemente. pág. mesmo com todos os problemas relativos ao “presentismo” e aos regimes de historicidade pós-modernos. en cuanto ofrece una direcionalidad para la atuación y uma autocomprensión de si mismo” (RÜSEN. Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH • São Paulo. que na maioria dos casos se refere diretamente ao sujeito recordante. de la lucha política por el poder. del ócio y de otros procedimientos de memória histórica pública. podemos definir tranquilamente as narrativas sobre a música popular brasileira como construções de uma memória histórica. 12) De acordo com estes termos. tendo como base os dois conceitos trabalhados acima. pois o conteúdo nacional que envolve tais questões faz com que elas se caracterizem sim enquanto representação de um passado nacional. nosso segundo conceito. por tanto. la compreensión Del presente y La perspectiva Del futuro. O primeiro seria uma operação mental referida ao próprio sujeito recordante na forma de atualização ou representação de seu próprio passado.” (RÜSEN.

O campo da MPB e o Mercado modern de música no Brasil: do nacional-popular à segmentação contemporânea. Alguns sambas durante todo o século XX são representativos se quisermos situálo dentro do campo da música popular brasileira4. uma narrativa a qual não deixa de citar as perseguições (muitas vezes reservadas ao passado) e dificuldades vividas. n. Rita. Ela só pode se afirmar. 2008. In: ArtCultura – Revista de História. as diversas influências as quais a música popular brasileira recebeu. precisou da contrapartida da população. pois tinha como base uma realidade social a qual dava base para sua construção: a fluidez/circularidade social na cidade do rio de janeiro. bem ou mal.jun. julho 2011 6 . a vitória de uma memória histórica que valoriza a mestiçagem como símbolo de unidade e afirmação nacional. e as lutas de alguns sambistas para profissionalizar sua música e afirmá-las como autênticas dentro do rol simbólico de representantes culturais da nação. 83-97). o qual defendo a hipótese de que esteve em diálogo direto com os debates e construções de uma memória histórica. principalmente. porém voltado em um sentido de valorização da mestiçagem.isto não se faz de forma apenas impositiva. pois o sistema político que busca se legitimar através da memória histórica. tanto da música popular quanto na identidade brasileira.. v. pois se analisarmos mais atentamente. Cultura e Arte. por duas características: o apelo nacional-popular e a afirmação de uma determinada autenticidade. 16. Podemos encontrar neles algumas questões características que estão em diálogo com a construção de uma memória histórica nacional e afirmação de identidades: a importância da contribuição do negro na construção da cultura autenticamente nacional. todos estes fatores estavam realmente presentes em torno da música popular brasileira e deram sustentação a narrativas as quais os supervalorizaram a construção de uma determinada memória histórica. Uberlândia. 10 (p. 4 Sobre isto. porém a questão é que. identidades e cultura política nacionais. a composição etnicamente misturada da população. precisa da contrapartida das memórias históricas dos afetados. e. jan. ver MORELLI. Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH • São Paulo. Em seu texto. por fim. de um consentimento que não pode ser simplesmente forçado. a autora defende que o campo da MPB se define. Não é meu objetivo aqui discutir o quão verídicas são estas afirmações. Tais assertivas estão em plena consonância com nosso objeto de pesquisa. Ou seja. uma música que representa esta história do país e canta para ele.

a cultura histórica: “Es. por causa do samba/ Madame diz que o samba tem pecado/ que o samba. agoniza mas não morre/ Alguém sempre te socorre/ Antes do suspiro derradeiro/ Samba. um processo dinamico de diálogo social. Auscultar la negociación social sobre el passado lleva a comprender los dilemas sociales del presente y revela cuáles son lãs problemáticas axiológicas y políticas presentes em el espacio público. 1955) Eu sou o samba/ A voz do morro. do país/ viva o samba/ vamos cantando/ Essa melodia pro Brasil feliz Mesmo nas músicas acima. democrata/ brasileiro na batata/ é que tem valor AGONIZA MAS NÃO MORRE (Nélson Sargento) Samba. podemos perceber que o fato de determinadas memórias saírem “vencedoras” não significa que a Cultura Histórica é um bloco único e homogêneo. destemido/ Foi duramente perseguido/ Na esquina. democrata/ é música barata/ sem nenhum valor/ Vamos acabar com o samba/ madame não gosta que ninguém sambe/ vive dizendo que o samba é vexame/ prá que discutir com madame/ No carnaval que vem também concorro/ meu bloco de morro vai cantar opera/ e na avenida. toda a tua estrutura/ Te impuseram outra cultura e você não percebeu QUEM É DE SAMBAR (Sombrinha e Marquinho PQD) Meu samba é a arte mais pura/ É a nossa mistura.. Los debates sociales sobre el passado son sumamente relevantes. porque em ellos no está em juego um simple conocimiento erudito sobre la historia. 2009. 3) Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH • São Paulo. (. que pugnan por imponerse socialmente. se negocian y se discuten interpretaciones del passado. vem agora./ Cultura que é bem popular/ É. pág. julho 2011 7 . sim senhor/ Quero mostrar ao mundo que tenho valor/ Eu sou o rei dos terreiros/ Eu sou o samba/ Sou natural daqui do Rio de Janeiro/ sou eu quem levo a alegria/ Para milhões de corações brasileiros/ Mais um samba/ queremos samba/ quem está pedindo é a voz do povo. entre mil apertos/ vocês vão ver gente cantando concerto/ Madame tem um parafuso a menos/ só fala veneno/ Meu Deus. mas sei que tem gente no fundo/ Querendo sambar/ Quem é de sambar. sou eu mesmo. devia acabar/ Madame diz que o samba tem cachaça/ mistura de raça. más bien. mistura de cor/ Madame diz que o samba. La historia es la arena donde se debate la identidad presente y futura de la comunidad. coitado. o fato da mestiçagem e a fábula das três raças terem grande força na memória histórica nacional não significa a inexistência de espaço para vozes dissonantes. sino la autocomprensión de la comunidad em el presente y su proyección em el futuro. que horror/ O samba brasileiro. por tanto. no botequim e no terreiro/ Samba. Ou seja. segundo Sánchez.” (SÁNCHEZ. A VOZ DO MORRO (Zé Keti. te envolveu/ Mudaram. múltiples narrativas y distintos enfoques. Isto porque. negro forte. inocente pé no chão/ a fidalguia do salão/ Te abraçou.. mas sei que tem gente no fundo/ Querendo sambar/ Meu samba merece respeito/ E não dá o direito/ A quem só quer discriminar/ É.PRÁ QUE DISCUTIR COM MADAME (Janet de Almeida e Haroldo Barbosa) Madame diz que a raça não melhora/ que a vida piora.) abarca. por que se difunden.

Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH • São Paulo. Desde que o Samba é Samba: a questão das origens no debate historiográfico sobre a música popular brasileira. por exemplo). deixa de ser expressão de vaidades e idiossincrasias pessoais. defendia um lugar social para o samba (o morro) e formas musicais que trariam uma marca de origem (a “roda”). Porém. Francisco Guimarães. 2000. com a maior visibilidade que o gênero musical começa a ganhar. NAPOLITANO e WASSERMAN (2000) dirão: “A grosso modo.5 Interessante notar como em ambos os autores. pág. diz que “O 5 Sobre isto. o que. De um lado. 171) Anteriormente. ainda que desprovido de intencionalidade e articulações mais amplas. podemos dizer que a necessidade de afirmação de uma autenticidade oriunda dos morros para o samba surge com os “sambistas do Estácio”. Já Orestes Barbosa defendia que o samba se consagrou no processo de diluição dos espaços sociais do Rio de Janeiro. o famoso debate musical entre Noel Rosa (branco. no fim da década de 1920. aproximando-se da tradição nacional-popular que definimos anteriormente. Marcos e WASSERMAN. um autor que iremos nos aprofundar mais tarde. julho 2011 8 . Tendo em vista esta conjuntura mais ampla. ocorrido entre 1933 e 1935. como Sinhô. participar de bandas de jazz e tocar instrumentos clássicos. vendo a incorporação deste gênero musical por setores mais amplos da sociedade como ameaça a sua autenticidade. sendo que se pegarmos uma geração anterior de sambista perceberemos que outros locais são definidos como espaços de produção do samba (Casa da Tia Ciata. VIANNA (2008). Torna-se altamente emblemático. Donga e Pixinguinha não viam problemas em ler partituras.” (NAPOLITANO e WASSERMAN. de classe média. Sobre isto. o lugar do morro como lugar mítico de origem do samba é valorizado.Nas décadas de 20/30 os debates sobre as origens do samba e sobre sua identidade mostram como estamos longe da unanimidade. Maria Clara. freqüentador da „marginalidade‟ boêmia da lapa). em torno das „qualidades‟ do malandro e do lugar do samba „autêntico‟. o repórter conhecido como vagalume. pobre. teria ajudado o gênero musical a se firmar como símbolo nacional. Cidade Nova. ver NAPOLITANO. das tensões em torno do processo de redefinição cultural e estética daquele gênero. Sobre a posição de Vagalume e Orestes Barbosa. segundo o cronista. estas duas posições irão marcar o debate em torno do samba pelas próximas décadas. morador de Vila Isabel) e Wilson Batista (negro. os sambistas da cidade nova.

tudo que não se enquandrava em determinadas características (o caráter nacional-popular. como veremos.) ela visa inserir os indivíduos em cadeias de filiação identitária. Isto será feito. A historiografia da Música Popular Brasileira: relações entre história e memória Nesta parte do trabalho. o lugar social do morro. respectivamente. “a memória também tem um papel pragmático e normativo. Veremos isto mais claramente abaixo. pois.. por adotar as guitarras elétricas.. há também uma seleção do que se falar e do que não se falar. analisaremos as falas de alguns pesquisadores que buscaram definir uma história da música popular brasileira. a história também têm seu papel e suas relações nos debates e construções de memórias. pois segundo CATROGA (2001). Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH • São Paulo. especificamente focado no samba.” (VIANNA. também.”. ou pelo menos de mais próximo das „raízes‟. e não o contrário. (. porém só após muito debate e polêmicas. quando discutiremos o lugar da historiografia nestas questões.interessante é que o „autêntico‟ nasce do „impuro‟. alguns destes gêneros conseguirão entrar para a seleta memória da música popular brasileira. julho 2011 9 . Portanto.. também. suas ligações com a memória. Podemos citar exemplos: a bossa nova. 122). mas em momento posterior o „autêntico‟ passa a posar de primeiro e original. Neste caso. para depois entrarmos diretamente em nosso objeto de pesquisa. Evidentemente que memória e identidade estão interligadas. antes de se firmar como MPB sofreu fortes críticas por ser uma música de classe média a qual adota abertamente a influência do Jazz. o funk e o hip-hop por serem influenciados pela música norte-americana e caribenha. o papel da cultura negra na miscigenação) causa grande polêmica para se enquadrar no rótulo de música popular brasileira. Estas questões colocadas são importantes para mostrar como ocorreram embates em torno do que seria uma identidade ideal para o samba entre os próprios sambistas.. Sendo assim. No que concerne a música popular brasileira. Evidentemente. o tropicalismo. este debate girou principalmente em torno de se valorizar ou não o que seriam consideradas “influências externas” ao que seria autêntico nela. a construção de uma memória sobre o gênero. pág. 2008. faremos uma breve análise sobre questões relativas a escrita da história. quando já se inciava.

tal assertiva só é possível ser feita devido ao fim do cientificismo e positivismo que imperava na História. grupos e demais meios os quais nossos autores circulam. tal elaboração não cabe no espaço deste artigo. assegurada pela única e exclusiva modificação de seus conceitos. mostrar como estes tipos de produções e narrativas sobre a MPB dialogam com o contexto brasileiro no que tange a posicionamentos político-culturais da sociedade. com maior espontaneidade. impossível analisar o discurso histórico independentemente da instituição em função do qual ele se organiza silenciosamente. 1982. fazem parte da construção de uma memória histórica. “toda pesquisa historiográfica se articula com um lugar de produção sócio-econômico. julho 2011 10 . conclui CERTEAU (1982): “estes traços remetem o „estatuto de uma ciência‟a uma situação social que é o seu não-dito. com uma linguagem ensinável.” (CERTEAU.71) Os postulados acima feitos pelo autor sobre o lugar social da operação histórica serão os norteadores do trabalho nesta parte do artigo. para aplicar satisfatoriamente as idéias de CERTAU (1982) seria necessário pesquisar as instituições. abrindo espaço para a consciência de que existe uma subjetividade do autor e de suas escolhas. É. Com isto em mente. pois. pág. subjetivo e propício a julgamentos (diferentemente da argumentação racional do discurso historiográfico). e assim sendo. político e cultural”. a distinção radical entre memória histórica e memória coletiva só tem legitimação dentro de concepções cientificistas. destinada a papéis úteis. pág.Segundo Michel De Certeau (1982. há uma relatividade na história. limitando-se ao verossímel e com forte apelo emocional. Porém. reivindicando uma exatidão explicativa. meio social em que é produzido. De fato. sem que intervenha uma transformação das situações assentadas. lugar social. Ou seja. De acordo com o autor. O que pretendo fazer aqui é relacionar/posicionar os discursos “historiográficos” sobre a música popular brasileira em seu meio social. Já a memória coletiva seria anônima. identidades e cultura política nacional. ou sonhar com uma renovação da disciplina.66). Sendo assim. a memória histórica seria um produto artificial. fica mais fácil evidenciar as possíveis articulações entre um saber e um lugar. Isto é. fruto da transmissão oral. Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH • São Paulo. Nestas concepções. Segundo Fernando CARTROGA (2001).

poderemos observar uma série de características semelhantes tanto na história quanto na memória. além disso. A história – essa versão feminina do passado – é. por regra geral. o instrumento privilegiado para diferenciar „nós‟ dos „outros‟. 40) Em seu livro. Tinhorão irá se esforçar na busca pelas marcas da Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH • São Paulo. “a história parece ser muito eficaz para nos fazer membros do grupo social com o qual compartilhamos „algo‟. por uma questão de objetivo. fontes. porque não. que. pois. Podemos dizer que se tratam de debates em torno de identidades. pág. por outro lado. esse mesmo relato nos separa daqueles que não pertencem ao grupo. meta ilusoriamente defendida por paradigmas ainda imbuídos de positivismo” (CATROGA. pág. posicionamento de quem opera o resgate ao passado. Nestes termos. se abandonarmos tal cientificismo positivista. também. CATROGA (2001) também defende que “a historiografia contemporânea também opera com uma perspectiva não contínua de tempo e reconhece a impossibilidade de se aceitar o vazio entre o sujeito-historiador e o seu objeto. o que matiza as pretensões à verdade total e definitiva. tendo relação com o presente na medida em que são operações de reviver um passado feitas no presente e à partir dele. Herdeiro da tradição folclorista.” (CARRETERO. Catroga não chega a se aprofundar nas diferenças entre história e memória (questão do métodos. 33) Um importante pesquisador da historiografia da música no brasil que irá defender diretamente uma certa concepção de música popular é José Ramos Tinhorão. Ou seja. este também não é o objetivo deste artigo. 2010. instância na qual se constrói uma identidade relacional. Além disto. No entanto. julho 2011 11 .Porém. apenas pontuando que as duas têm suas especificidades. ambas fazem seleções do que ser lembrado/esquecido. pois é de maior produtividade se entendermos as relações entre memória e história no que envolve nosso tema: a Música Popular Brasileira. como parte ativa de uma cultura histórica nacional. entre outros). é formulado por meio de um relato original. CATROGA (2001) mostra que. 2001. uma análise mais minuciosa e reflexiva nos faz perceber que a historiografia sobre a MPB e o samba também esteve envolvida e participou ativamente da construção de uma memória sobre este campo e.

no entanto. História Social da Música Popular Brasileira. Tinhorão irá criticar abertamente a Bossa nova e o surgimento do grupo de Vila Isabel. A idéia básica que está presente em quase toda a sua obra é a definição de um tipo de nacionalismo que enfatiza a ligação direta entre “autenticidade” cultural e base social (setores pobres. Pequena História da Música Popular. Tinhorão. Sérgio Cabral. 1998. Essas práticas. pág. uma cultura de resistência não oficial e alternativa. Segundo SANDRONI (2008).6 Outro autor de relevância é Muniz Sodré. 1998) também denunciará a expropriação cultural. sobreviveram em certa medida. pois não conseguem enxergar as nuances nas relações entre “classes dominantes” e cultura popular. 1998. porém Sodré o fará tendo como foco a valorização da Síncopa e do Samba como manifestação cultural autenticamente negra. introduz sua visão do que seria uma “diáspora africana no Rio de Janeiro” (SODRÉ. São Paulo: Editora 34. Ao fazer isto. existem dois paradigmas que coexistem na historiografia do samba e da música popular no Brasil: “As crenças dos negros.” (SANDRONI. 110) Estas concepções. o que acarretaria a perda dos referenciais de origem autenticamente brasileiros. não pretendo averiguar o quão verossímel essas 6 Entre as muitas obras de Tinhorão. num Brasil por três séculos escravocrata. pois considerava que se tratava de uma expropriação da música popular por setores da classe média. 2008.origem da música brasileira. nos anos 30. 1978. São Paulo: Ática. Sobre isto. Com uma certe especificadade em relação aos discursos até então analisados aqui. enxergando tal relação apenas pelo viés do repúdio total. mestiços e negros da sociedade brasileira). teriam sido vítimas. ou de modo geral as práticas sociais e culturais que lhes eram próprias. da tradição nacional-popular. 16) e se afasta. presentes em autores como Arthur Ramos. julho 2011 12 . de interdições e recalcamentos: tese repressiva. grosso modo. pág. Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH • São Paulo. Muniz Sodré colocará o Samba no rol de manifestações culturais negras. e ___________. pois teriam sido encobertas e limitadas a determinados lugares onde os senhores não podiam descobri-las: concepção tópica. podemos citar TINHORÃO. ou seja. Muniz Sodré e até mesmo na fala dos próprios sambistas. seriam “exageradas” segundo SANDRONI (2008). Em seu livro Samba: o dono do corpo (SODRÉ. José Ramos.

Vianna rejeita as teses que vêem o samba como manifestação cultural negra. Porém. VIANNA (2007) não consegue fugir. da idéia de um Brasil que é resultado da convivência de três raças. em alguns momentos. Evidentemente. com miscigenação ou não. defendendo. porém é flagrante a presença. bem ou mal. a qual teria sido expropriada pelos brancos e setores de classe média. o samba aglutina Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH • São Paulo. mas que consegue resistir para virar símbolo de um grupo social. alguns pesquisadores contemporâneos têm tentado fugir destas concepções repressivas e tópicas ao fazerem suas análises. estão inseridas de forma ativa na cultura histórica nacional. o qual. Porém. Essas narrativas as quais envolvem uma cultura popular perseguida no passado. claro. Conclusão: refletindo sobre “articulações” a partir do conceito de cultura política Certos ou não em suas teses. o caráter artificial e inventado do samba. VIANNA (2007) não deixa de citar conflitos em torno da música e de. reconhecer um lugar cultural específico para o Samba. Desta forma. fazem parte ao mesmo tempo que formam uma memória histórica nacional integrante de nossa cultura histórica. em alguns momentos. superou grandes adversidades e explorações para firmar-se enquanto país. tal afirmação precisa ser melhor averiguada. mas sim apontar uma questão que não estava no centro das preocupações de Sandroni. O samba seria fruto da fluidez do processo social do Rio de Janeiro o qual proporcionava encontros entre diversos setores da sociedade. de uma certa alternância entre repressão/valorização do samba.narrativas são. Ou seja. mesmo com o objetivo de não fazê-lo. encontramos nos discursos analisados acima questões que também estão presentes nos debates sobre a identidade nacional: o Brasil é um país mestiço ou plural? Afirmar a mistura enquanto fator de unidade ou investir nas diferenças? Mais do que qualquer outro gênero da música popular. em um dos maiores símbolos culturais da nacionalidade: a música popular brasileira e o samba. Um marco entre estes pesquisadores é o trabalho do antropólogo Hermano Vianna (2007). o qual contribui mostrando as relações do samba com autoridades e setores da elite do Rio de Janeiro. da onde saiu o samba. assim. Porém. o foco de sua tese é a crítica à idéia de autenticidade. Essa história. também estará presente. em nossa memória histórica. julho 2011 13 .

Belo Horizonte: Autêntica. vencedora a qual hipervaloriza uma história e identidade brasileira como. fica mais difícil tanto denunciar processos discriminatórios quanto afirmar identidades que não se enquadrem neste perfil. da mestiçagem (muitas vezes. 2009. que constituem a identidade das grandes famílias políticas e que vão muito além da noção reducionista do partido político. se estes forem relacionados em um contexto identitário amplo nacional: debates em torno da memória histórica da música e defesas por tipos ideais da música popular brasileira a qual seria representante da identidade nacional. configurando-se como um empecilho para um país plural baseado no respeito à diversidade. se entendermos cultura política como “um grupo de representações. pág. Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH • São Paulo. ambas as concepções estão presentes até no mesmo autor). a relação entre conflitos de culturas políticas e narrativas sobre a música popular é flagrante.7 Não se pretende neste artigo entrar em tais polêmicas. em um país onde é moda valorizar a mistura. assim. ver MUNANGA. No caso da questão racial. Todas estas características podem ser encontradas nos debates sobre música popular. 2004. grosso modo. miscigenação e a convivência entre as raças. julho 2011 14 . De forma bastante ligeira. De um lado. Isto. 31) Segundo BERNSTEIN (2009) as culturas políticas fazem referências históricas. por excelência mestiça. as articulações entre cultura política e cultura histórica. A lógica é simples. Do outro lado. Kabengele.” (BERNSTEIN. traduzidos nas polêmicas entre definir o samba enquanto manifestação cultural negra ou enquanto fruto de misturas. mas sim mostrar que tais debates estão presentes na construção de uma memória histórica da música popular.fortemente tais conflitos. temos uma memória. 7 Sobre estas questões. portadoras de normas e valores. pois segundo GOMES (2007). Rediscutindo a Mestiçagem no Brasil: Identidade nacional versus identidade negra. Evidencia-se. Podemos dizer isto. podemos dizer que uma grande polêmica no Brasil gira em torno da mestiçagem. Isto se daria. devido ao fato da ideologia de valorização da mestiçagem dificultar a afirmação de identidades negras e indígenas. existem intelectuais e movimentos sociais que acusam tais narrativas de acobertar as diferenças e desigualdades no Brasil. tendo em vista que as polêmicas em torno da questão racial e da identidade nacional estão de longa data presentes nas culturas políticas brasileiras. compreendem uma representação ideal de sociedade e estão longe de existirem de forma unívoca e pacífica.

historiografia e ensino de história. O imaginário da República no Brasil. New York: Oxford University Press. 1982. mítico ou ambos –. 2007. período pelo qual a questão racial esteve em voga. Serge. BERNSTEIN. que conota positiva ou negativamente períodos. personagens. p. Afro-Latin América. p. Isto se deve ao fato destes autores estarem inseridos no contexto destas culturas históricas. 1800-2000. dialogam. Martha e Vianna. BIBLIOGRAFIA ABREU. julho 2011 15 . A escrita da história. 2001. Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH • São Paulo. p. 65-119. Cecília et al. Nação e Cidadania no Oitocentos. criticam e. CERTEAU. 1990. Essa leitura do passado também envolveria um „enredo‟ – uma narrativa – do próprio passado. pág. Rio de Janeiro: Forense Universitária. acima de tudo. eventos e textos referenciais. 29-46. Porto Alegre: Artmed. Culturas Políticas e historiografia. 1890-1920. CATROGA. CARVALHO. Mario. In: CARVALHO. 48) Ao analisamos os discursos sobre a música popular brasileira. 2008. Rio de Janeiro: FGV. culturas políticas e identidades. Lisboa: Quarteto. podendo-se então conformar uma cultura histórica articulada a uma cultura política. 43-64. In: AZEVEDO. CARRETERO. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. Companhia das Letras. GOMES. ANDREWS. In: _______. Cultura Política e leituras do passado. na política nacional. Fernando. Martha et al. Memória.31-67.. Evidentemente. história e historiografia. 2007. de diferentes formas. fazem parte desta realidade. tais articulações ficam claras durante grande parte do século XX no Brasil. Sendo assim.. Cultura política. Música popular. São Paulo. Record.) incorporaria sempre uma leitura do passado – histórico. José Murilo de.“o processo de constituição de culturas políticas (. 2004. 2009. José Murilo.” (GOMES. Cultura Política e cultura histórica no Estado Novo. folclore e nação no Brasil. memória e historiografia. Carolina. A formação das almas. Michel de. A operação historiográfica. p. porém o que objetivou-se explicitar aqui é que é impossível não fazê-las. 2010. Ângela de Castro. George Reid. muitos dos autores aqui citados podem até mesmo não ter tido o objetivo e nem mesmo pensaram nestas relações ao pesquisarem. Documentos de Identidade: a construção da memória histórica em um mundo globalizado. In: ABREU.

2007. 31 p. São Paulo: Ática.culturahistorica. In: Negras Imagens: ensaios sobre cultura e escravidão no Brasil. 2008.. (2009) Cultura Histórica. 20. Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH • São Paulo.es/tema. Cultura e Arte. julho 2011 16 . n. São Paulo: EDUSP/Estação Ciência. Samba. Muniz. Disponível em: http://www. Rita.jun. TINHORÃO. 83-97). Jörn. 1996.. v. vol. História Social da Música Popular Brasileira. 2008. 2004. Hermano. UFRJ.. O Mistério do Samba. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. UFRJ. Ed. Lilia M. p. 5 p. 10 (p. Maria Clara. Rediscutindo a Mestiçagem no Brasil: Identidade nacional versus identidade negra. NAPOLITANO. o dono do corpo. 2000. Desde que o Samba é Samba: a questão das origens no debate historiográfico sobre a música popular brasileira. eds. O campo da MPB e o Mercado modern de música no Brasil: do nacionalpopular à segmentação contemporânea. Lilia Moritz Schwarcz e Letícia Vidor de Sousa Reis. 39. Pequena História da Música Popular.culturahistorica. Uberlândia. MUNANGA. 153-177. In: ArtCultura – Revista de História. Questão racial no Brasil. SODRÉ. jan. Belo Horizonte: Autêntica. 1978. 1998. Feitiço Decente. (2009) ¿Qué es la cultura histórica?: reflexiones sobre una nueva manera de abordar la historia. In: Culturahistorica. In: Culturahistorica.es/tema. José Ramos.html SANCHEZ.html SANDRONI.MORELLI. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. SCHWARCZ. 16. VIANNA. Marcos Fernando. n. Carlos. Transformações do samba no Rio de Janeiro (1917 – 1933). RÜSEN. Marcos. Disponível em: http://www. São Paulo: Editora 34. Ed. _____________________. Rio de Janeiro: Mauad. & WASSERMAM. Kabengele. Revista Brasileira de História. 1998. 2 ed.