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CENTRO DE MASSA E APLICAÇÕES À GEOMETRIA

Emanuel Carneiro & Frederico Girão – UFC
Nível Avançado
1. INTRODUÇÃO
Chamaremos de sistema de massas um conjunto de n pontos
1 2
, ,...,
n
P P P no plano, sendo que ao
ponto ( , )
k k k
P x y · está associada uma massa ,
k
m ∈¡ de modo que
1 2
... 0.
n
m m m + + + ≠
Definiremos o centro de massa desse sistema como sendo o ponto ( , ) x y tal que:
1 1 2 2 1 1 2 2
... ...
;
n n n n
m x m x m x m y m y m y
x y
M M
+ + + + + +
· · ,
nde
1 2
...
n
M m m m · + + + ! a massa associada a ele.
Notação:
"uando ao ponto (x, y) esti#er associada uma massa m escre#eremos (x, y)$m%.
Obse!aç"es:
(i) &odemos interpretar fisicamente o centro de massa de um sistema como sendo o ponto onde ele
concentra toda sua massa. 'm termos práticos, isso nos ajuda a simplificar, por e(emplo, pro)lemas
de Din*mica onde há aplica+,es de for+as so)re o sistema.
(ii) &odemos considerar os pontos em
n
¡
. -este caso, o cálculo do centro de massa de um
sistema ! análo.o.
(iii) Claramente o centro de massa ! /nico.
#. PROPRIEDADES $%SICAS
Po&os'ção 1.
0eja (x, y)$m% o centro de massa do sistema
1 1 1 1 2 2 2
1( , )$ %, ( , )$ %,..., ( , )$ %2,
k k k
S x y m x y m x y m · e seja (a, b)$N% o centro de massa do sistema
2 1 1 1 2 2 2
1( , )$ %, ( , )$ %,..., ( , )$ %2.
l l l
S a b n a b n a b n · 'nt3o, se 0, M N + ≠ o centro de massa do
sistema
1 2
S S S · ∪ é o centro de massa do sistema 1( , )$ %, ( , )$ %2. x y M a b N
De(o)stação:
&or defini+3o o centro de massa do sistema
1 2
S S S · ∪ ! o ponto ( , )$ %, X Y M N + onde:
1 1
k l
i i i j j j
x a
m x n a
M N
X
M N M N
· ·
+
+
· ·
+ +
∑ ∑
que ! justamente a primeira coordenada do centro de massa do sistema 1( , )$ %, ( , )$ %2. x y M a b N
&ara a se.unda coordenada ! análo.o.
4 proposi+3o acima nos dá um al.oritmo para calcular o centro de massa de um sistema com n
pontos. &ara isso tomamos dois pontos
1 1 1
( , )$ % x y m e
2 2 2
( , )$ % x y m quaisquer desse sistema e os
su)stitu5mos pelo seu centro de massa com a massa
1 2
m m + . 6eca5mos assim num sistema com n
7 1 pontos e continuamos o processo. 4ssim o cálculo de centros de massa resume8se apenas ao
caso n 9 2, que estudamos a se.uir:
Ce)to *e (assa *e +( s'ste(a ,o( *+as (assas
centro de massa ( , )$ % x y M de um sistema
1 1 1 2 2 2
1( , )$ %, ( , )$ %2 x y m x y m ! colinear com os
pontos
1 1
( , ) x y e
2 2
( , ) x y pois
1 1
2 2 1 2 1 2 2 2 1 1
1
1
1
x y
x y x y xy x y xy x y x y
x y
· + + − − −

1 1 2 2 1 1 2 2
1 2 1 2
1 2 1 2
1 1 2 2 1 1 2 2
2 2 1 1
1 2 1 2
0
m x m x m y m y
x y y x
m m m m
m x m x m y m y
y x y x
m m m m
¸ _ ¸ _ + +
· + +

+ +
¸ , ¸ ,
¸ _ ¸ _ + +
− − −

+ +
¸ , ¸ ,
·
' al!m disso se chamamos
1 1
( , ) , x y A ·
2 2
( , ) x y B · e ( , ) x y G · #ale que:
1 2
0 m AG m BG + ·
uuur uuur
tal fato ! dei(ado como e(erc5cio para o leitor.
Obse!ação:
&ela equa+3o acima distin.uimos al.uns casos:
• 4s duas massas t:m o mesmo sinal. -esse caso o ponto G está entre A e B e #ale que
1 2
. m AG m BG ·
• 4s duas massas t:m sinais contrários. -esse caso G está fora do se.mento AB e #ale que
1 2
m AG m BG · .
-. APLICAÇÕES À GEOMETRIA
E.e(&/o 1: ;amos tomar um tri*n.ulo ABC qualquer e p<r massas i.uais em seus tr:s #!rtices, ou
seja consideraremos o sistema
$ %, $ %, $ %. A p B p C p
Chamaremos de G o centro de massa desse
sistema. Como encontrar o ponto G=
(hummm>) denotaremos C.?. 9 centro de massa.
A$p%
B$p% C$p%
M$2p%
N
P

-
G
;amos usar a proposi+3o da se+3o anterior. .C.?. de
$ % B p
e
$ % C p
! o seu ponto m!dio M.
&odemos ent3o trocar
$ % B p
e
$ % C p
por
$2 %. M p
@o.o o ponto G será o C.?. de
$ % A p
e
$2 %, M p
que está so)re 4? e di#ide 4? na raA3o
2
.
1
AG
GM
·
0ejam N e P os pontos m!dios de AC e AB. De modo análo.o poder5amos ter pro#ado que
G BN ∈ e que . G CP ∈ 'sta ! uma demonstra+3o diferente que as tr:s medianas concorrem em
G, que ! portanto o )aricentro do tri*n.ulo. 4l!m disso, se.ue do e(posto acima que:
2
1
AG BG OG
GM GN GP
· · ·
E.e(&/o #: Denote por a, b, c, os lados do tri*n.ulo ABC da maneira usual.
;amos p<r a.ora massas nos #!rtices do tri*n.ulo proporcionais aos lados opostos, ou seja,
considere o sistema $ %, $ %, $ %. A a B b C c 0eja o C.?. desse sistema.
;oc: merece um pr:mio se desco)rir quem ! >
A$a%
B$b%

4$a%
%
C$c%
!$bBc%
"
#

a
b
c
racioc5nio ! i.ual ao do e(emplo anterior. C.?. de $ % B b e
$ % C c
! um ponto ! no lado BC tal
que ,
!B c
!C b
· ou seja, ! ! o p! da )issetriA interna. @o.o será o C.?. de
$ % A a
e $ %. ! b c +
Ciramos da5 que A! ∈ e que .
A b c
! a
+
·
0ejam B" e C# )issetriAes internas. De modo análo.o poder5amos ter pro#ado que B" ∈ e que
, C# ∈ o que mostra que ! o incentro. 4s raA,es saem de .ra+a:
;
B a c C a b
" b # c
+ +
· ·
E.e(&/o -: 0eja p o semiper5metro do tri*n.ulo. 4.ora uma no#idade: o sistema de massas será
$ %, $ %, $ %. A p a B p b C p c − − − 0eja N o C.?. desse sistema.
;oc: realmente merece um pr:mio se desco)rir quem ! o N.
A$p 7 a%
B $p 7 b% C$p 7 c% X$a%
Y
$
N
p 7 c p 7 b
p 7 b p 7 c
p 7 a p % a
C.?. de $ % e $ % B p b C p c − − ! um ponto X so)re o lado BC tal que
,
BX p c
CX p b

·

donde
conclu5mos que
BX p c · −
e que . CX p b · − 'ste ponto X ! onde o e(inc5rculo relati#o ao
lado a toca este lado (como refer:ncia so)re este fato podemos indicar $1%). @o.o N será o C.?. de
$ % A p a −
e $ % $ %. X p c p b X a − + − ·
&ortanto N AX ∈ e
.
AN a
NX p a
·

0e considerarmos os pontos Y e $ onde os e(inc5rculos
relati#os aos lados b e c tocam estes lados, respecti#amente, podemos mostrar que N BY ∈ e
. N C$ ∈ Conclus3o: AX, BY e C$ sDo concorrentes em N que ! chamado Ponto de Na&el do
. ABC ∆ ra, ora, poder5amos sa)er disso usando o teorema de Ce#a (#eja por e(emplo $E%). Calma,
o melhor ainda está por #ir. 4s raA,es aqui s3o cortesias para nFs:
;
BN b CN c
NY p b N$ p c
· ·
− −
prF(imo resultado foi o que nos moti#ou a escre#er este arti.o. 'le mostra toda a )eleAa desta
teoria, enquanto outros m!todos s3o ineficaAes. &ara uma demonstra+3o completa (e )astante
e(tensa) do prF(imo resultado usando a .eometria plana clássica, #eja $2%.
Teoe(a -.1. No ABC ∆ considere os pontos , G e N como de'inidos acima.
(ale ent)o *+e , G e N s)o colineares e ainda:
2
1
NG
G
·
Po!a: 0eja p o semiper5metro do tri*n.ulo. Considere um sistema de massas
$ %, $ %, $ %. A p B p C p

Gá sa)emos que o C.?. desse sistema ! o )aricentro G. HaAendo uso da proposi+3o 1, podemos
di#idir esse sistema em dois su)sistemas
1
$ %, $ %, $ % S A a B b C c · e
2
$ %, $ %, $ %. S A p a B p b C p c · − − − C.?. de
1
S ! o incentro com massa $ % $2 %, a b c p + + ·
enquanto o C.?. de
2
S ! o ponto da -a.el N com massa $ % $ %. p a p b p c p − + − + − · @o.o G
será o C.?. de
$2 %, $ % p N p
o que implica , N, G colineares (com G entre e N) e ainda pela
equa+3o do momento linear:
2
1
NG
G
·
B$p% 9$b B (p 7 b)% C$p% 9$c B (p 7 c)%
,
G
O
$p%
N$2p%
x
2x
2y
y
A$p% 9$a B (p 7 a)%
Coo/0'o -.1.1. -m +m tri.n&+lo *+al*+er ABC/ sejam /G/N como acima/ O o circ+ncentro e o
ortocentro0 -nt)o os pontos / O/ N/ , 'ormam +m trapé1io0
Po!a: 0a)emos que ,, G, O s3o colineares (reta de 'uler) e que:
2
1
,G
GO
·
0e.ue ent3o do teorema anterior que O ! paralelo a N,, lo.o / O/ N/ , formam um trap!Aio, cujo
encontro das dia.onais ! G.
&odemos aplicar estes m!todos do centro de massa em pro)lemas que en#ol#em o ortocentro, o
)aricentro e os e(incentros, para sa)er que massas de#em estar nos #!rtices, #eja o pro)lema 1.
Di#irta8se resol#endo estes pro)lemas. ;ale usar tudo, mas e(perimente a sua mais no#a arma.
1. PRO$LEMAS RELACIONADOS
Pob/e(a 1
(a) ;erifique que o sistema , ,
cos cos cos
a b c
A B C
A B C
1 1 1
1 1 1
¸ ] ¸ ] ¸ ]
tem como C.?. o ortocentro do
tri*n.ulo.
()) ;erifique que o sistema
$ 2 %, $ 2 %, $ 2 % A sen A B sen B C sen C
tem como C.?. o circuncentro.
(c) &ro#e que o C.?. do sistema $ %, $ %, $ % A a B b C c − ! o e(incentro relati#o ao lado a. ;erifique os
análo.os para os outros e(incentros.
Pob/e(a #
0ejam A, B, C, 2 pontos conc5clicos. 0ejam , , ,
A B C 2
G G G G os )aricentros dos tri*n.ulos BC2,
AC2, AB2 e ABC. &ro#e que , , ,
A B C 2
G G G G s3o conc5clicos.
Pob/e(a -
0ejam ABC2 um quadrilátero no espa+o de forma que AB, BC, C2 e 2A sejam tan.entes a uma
esfera
γ
nos pontos X/ Y/ $/ 30 &ro#e que estes pontos s3o coplanares.
Pob/e(a 1
0ejam X/ Y e $ os pontos onde o inc5rculo do tri*n.ulo ABC toca os lados BC, AC e AB,
respecti#amente. ?ostre que o incentro de ABC ∆ está so)re a reta que passa pelos pontos m!dios
de BC e AX. (#eja uma solu+3o em $I%).
Pob/e(a 2
Considere J pontos em uma dada circunfer:ncia. Comamos tr:s destes pontos e marcamos seu
)aricentro
1
. G 'm se.uida, marcamos o ortocentro
2
, dos outros tr:s pontos e tra+amos o
se.mento
1 2
. G , ?ostre que todos os
J
20
E
¸ _
·

¸ ,
poss5#eis se.mentos
1 2
G , passam por um ponto
fi(o.
Pob/e(a 3
0eja ABC2 um quadrilátero con#e(o inscrit5#el com os lados opostos A2 e BC se encontrando em
P, e AB e C2 em 4. &ro#e que o quadrilátero -5G,, determinado em ABC2 pelas )issetriAes de
µ
2PC
e
µ
, C4B ! um losan.o.
Pob/e(a 4
0eja PABC um tetraedro e sejam
1 1 1
, , A B C os pontos m!dios das arestas BC, AC e AB,
respecti#amente. 0eja α um plano paralelo D face ABC que intercepta as arestas PA, PB, PC nos
pontos
2 2 2
, , A B C respecti#amente.
(a) &ro#e que
1 2 1 2 1 2
, , A A B B C C concorrem em um ponto 2.
()) Determine o lu.ar .eom!trico dos pontos 2 quando α #aria.
Pob/e(a 5
(a) Considere K pontos que formam um sistema ortoc:ntrico (cada um ! o ortocentro do tri*n.ulo
formado pelos outros tr:s). &onha massas i.uais nesses K pontos. &ro#e que o centro de massa ! o
centro do c5rculo dos no#e pontos de cada um desses K tri*n.ulos (#eja $1% e o pro)lema proposto -o.
10L na pá.ina J1).
()) (Meltrami) &ro#e que o C.?. do sistema formado pelo incentro e pelos tr:s e(incentros com
massas i.uais ! o circuncentro.
Pob/e(a 6
0eja ABC2 um quadrilátero con#e(o inscrit5#el com os lados opostos A2 e BC se encontrando em
P, e AB e C2 em 4. &ro#e que as )issetriAes dos *n.ulos
µ
2PC
e
µ
C4B e a reta que une os
pontos m!dios das dia.onais do quadrilátero ABC2 (dia.onal de 'uler) concorrem.
Pob/e(a 17
(Manco N?OPL) -o ABC ∆ acut*n.ulo, sejam A2, B- alturas e AP, B4 )issetriAes internas.
0ejam e O o incentro e o circuncentro do tri*n.ulo ABC, respecti#amente. &ro#e que os pontos 2,
- e s3o colineares se e somente se P, 4 e O s3o colineares.
A8a*e,'(e)tos: 4 nosso ami.o Carlos 0hine pela primeira #ers3o di.itada deste material, na
0emana l5mpica de 2001, em 0al#ador 8 M4.
RE9ER:NCIAS:
$1% Co(eter, Q.0.?.; RreitAer, 0.@., Geometry 6e7isited/ ?44, 1PJL.
$2% Gohnson, 6.4., Ad7anced -+clidean Geometry/ Do#er &u)lications, 1PJ0.
$E% Castro, @.R.?., ntrod+8)o 9 Geometria Projeti7a/ -+reka:/ #ol S, pp 1J82L, 2000.
$K% Qons)er.er, 6., Mat;ematical Morsels/ ?44, 1PLS.
$I% ?oreira, C.R.C., Ta.ner, '., <= Olimp>adas beroamericanas de Matem?tica/ 'N, 1PPJ.