A LYING GAME NOVEL

O ÚLTIMO LIVRO DA SÉRIE

SEVEN MINUTES IN HEAVEN

(Sete Minutos no Céu)

SARA SHEPARD

Garotas boas vão para o céu, garotas más vão para qualquer lugar. —HELEN GURLEY BROWN

as pistas drenando. Ela é a minha irmã gêmea idêntica. Ao meu lado. o único reflexo no espelho de três vias do fundo do closet era o dela. Mas as chances estavam rapidamente diminuindo.PRÓLOGO Um closet grande o suficiente para alguém andar nele deveria ser o sonho de toda garota. os mesmos olhos azul-marinho revestidos por cílios escuros. Mas de alguma forma. Mas talvez fosse por causa de suas perdas. Prateleiras cobriam as paredes cheias de bolsas de grife. A irmã que tinha sido forçada pelo meu assassino a assumir a minha vida. Por ser deixada no sistema de adoção de Las Vegas após nossa mãe. por causa de seu terror. Becky. no espaço estreito. Emma Paxton. abandoná-la. eu tenho estado invisível. esse closet seria o céu. certificando-se de que ela não saísse da linha. ideal para os dedos dos pés descalços tocarem pela manhã. Para mim. E o assassino ainda estava observando em algum lugar nas sombras. Emma tinha enganado todas as minhas amigas e os meus familiares para pensarem que ela sou eu. minha irmã gêmea. Emma foi mandada de casa em casa com suas camisetas de segunda mão abarrotadas em uma mochila. Agora Emma estava de meias e roupas íntimas com uma expressão atordoada em seu rosto enquanto olhava para o meu closet. Para a maioria das garotas. Ela estava lutando com unhas e dentes para descobrir o que aconteceu na noite em que eu morri. joias e dezenas de sapatos. Sutton Mercer. era apenas mais um lembrete de que o céu estava exatamente onde eu não estava. eu ainda permanecia entre os vivos. Desde que eu morri. passava os dedos através dos tecidos requintados das minhas roupas com seu coração apertado em um nó de tristeza. caxemira e algodão. Um tapete rosa grosso estava sobre o piso de madeira. que as escolhas mais simples se tornavam complicadas em sua mente agitada. afinal. Parecia ridículo que depois de tudo o que tinha acontecido — as perdas que ela sofreu. Roupas de luxo de todas as cores do arco-íris penduradas em filas cuidadosas: blusas e saias de seda. Eu tinha tantas roupas. ligada através de forças que eu desconheço com a irmã há muito tempo separada de mim que eu nunca tive a chance de conhecer. Emma nunca tinha tido esse tipo de closet em sua antiga vida. Mas mesmo que eu estivesse ao lado dela. Ela tem a exata cor castanha do meu cabelo e pernas longas. Desde a minha morte. tantos . o terror que ela viveu — o simples ato de se vestir poderia parecer tão devastador. e ela já tinha conseguido descartar a minha família e as minhas melhores amigas como suspeitos.

então ela tinha sido a última vítima do jogo mortal do meu assassino. insistindo que havia algo diferente nela e que ele iria descobrir o que era. Emma finalmente se levantou. antes que mais alguém que ela se importava pagasse o preço — e antes que o assassino também a matasse. A notícia enviou ondas de choque através da escola. Ela caiu no tapete de pelúcia. colocando os braços em volta dos joelhos enquanto as lágrimas escorriam pelo seu rosto. e embora ela não tenha sido a abelha rainha que eu era. em estampas selvagens brilhantes ou simplesmente com cores brilhantes. — O que você estava tentando me dizer? Tinha passado quase duas semanas desde Nisha Banerjee. Nisha já estava morta. Se Emma estivesse certa. ligando para ela continuamente. O luto por Nisha era um luxo que ela não podia usufruir. No momento em que Emma ligou para ela.vestidos: curtos e apertados ou longos e folgados. . porque ela estava tão distraída com o meu namorado secreto. Quem me matou ainda estava lá fora — e disposto a matar de novo para manter seu segredo enterrado. — O que aconteceu com você. De repente. com lantejoulas. minha antiga rival. Emma não tinha ligado de volta no início. Nisha? — ela sussurrou. foi encontrada flutuando de barriga para baixo em sua piscina. Ela precisava descobrir o que aconteceu na noite em que ela morreu. Nisha tinha estado desesperadamente tentando falar com Emma. Nisha era atlética e uma ótima nadadora — metade da escola já tinha ido a uma festa na piscina na casa dela alguma vez. Thayer Vega. Como ela poderia ter se afogado? Foi apenas um acidente? Ou poderia ter sido algo mais misterioso — uma overdose de drogas? Um Suicídio? Mas Emma e eu sabíamos a verdade. todo mundo a conhecia. esfregando as lágrimas impaciente. se Nisha descobriu algum tipo de informação sobre a minha morte. No dia de sua morte. O boato começou a crescer quase imediatamente. Nisha estava envolvida em dezenas de atividades. é claro. plissados ou com renda. mais do que uma meia dúzia na cor preta para escolher. Havia. e Emma tinha a sensação de que não era uma coincidência. Emma começou a tremer.

uma Latina esbelta usando um blazer roxo. . VIZINHO DE NISHA. Seus olhos azuis escuros estavam sérios. “sequestraram” ela do banco do parque onde ela tinha estado à espera de se encontrar com sua irmã gêmea pela primeira vez. até enlouquecer? — Lágrimas encheram os olhos de Clara. Mas eu acho que você nunca sabe os segredos que as pessoas estão escondendo. deixando sua casa para ir ao funeral. Talvez ouvindo repetidas vezes fosse fazê-la finalmente acreditar que era verdade: Nisha realmente tinha morrido. ela já sabia os detalhes. A casa de Nisha foi o primeiro lugar que ela foi como Sutton. Era o namorado dela. Mas no mês passado. — Eu não a conhecia tão bem — Ethan disse. e estava. Emma ficou estupefata. Emma estava na frente da escrivaninha de Sutton. Mas muitas perguntas permanecem. A câmera mudou o foco novamente. Seus olhos estavam arregalados e chocados e seu rosto estava pálido. que poderia ter sido intencional. Ela não sabia por que estava assistindo. Os joelhos de Emma enfraqueceram com a visão dele. na noite que Madeline Vega e as Gêmeas do Twitter. obviamente. Ele usava uma camisa de botão preta e uma gravata preta. Porque Nisha era tão determinada. dizia a legenda abaixo do seu rosto. A apresentadora. Ethan Landry. uma menina que Emma conhecia da equipe de tênis do time do colégio. enquanto se vestia para o funeral dela. — A menina foi encontrada por seu pai logo após às oito horas da segunda-feira passada. sabe? O quanto uma pessoa pode aguentar. estava na frente de um rancho contemporâneo que Emma conhecia muito bem. Em um comunicado oficial. Emma lembrou o quanto Nisha pareceu irritada quando Emma chegou à festa — Nisha e Sutton tinham sido rivais há anos.. A câmera mudou o foco para Clara. substituindo Clara por um adolescente. — Muitas pessoas estão dizendo que poderia ter sido. — Ela sempre me parecia bem equilibrada para mim.. COLEGA DE CLASSE DE NISHA apareceu na legenda da tela abaixo dela. Emma começou a construir uma amizade provisória com a cocapitã da equipe de tênis.CAPÍTULO 1 – UMA TEIA DE ARANHA QUE NÓS TECEMOS — Faz quase duas semanas que esta garota daqui foi encontrada morta na piscina de sua família — a voz da apresentadora entoou quando uma foto de Nisha encheu a tela em um sábado no final de novembro. Lilianna e Gabriella Fiorello.. a Polícia de Tucson determinou que não há nenhuma evidência de crime e estão tratando a morte como um acidente.. assistindo a cobertura local do noticiário sobre Nisha.

A família pediu que fossem feitas doações para o Hospital da Universidade do Arizona ao invés de flores. Nisha até mesmo tinha ajudado Emma a invadir os registros do hospital psiquiátrico para descobrir a verdade sobre o passado de Becky. finalmente.A câmara voltou para a apresentadora. Minha memória como garota-morta era frustrantemente irregular. Aqui é Tricia Melendez. ela tinha ligado para Emma uma dúzia de vezes pela manhã. Nós estávamos de mãos dadas quando nos aproximamos do caixão? Emma finalmente decidiu usar um vestido suéter de caxemira. Eu tentei lembrar do funeral do meu avô. e ela não parecia nem um pouco triste. Emma tinha acreditado que Becky era a assassina de Sutton — ela quis verificar o arquivo de sua mãe para descobrir se ela tinha tido comportamento violento. Ficava um pouco apertado.. Poderia ter sido. mas eu não descobri como prevê-los. percorrendo suas mensagens. e mesmo que o feriado tenha sido triste. as palavras de Clara ecoaram em seus ouvidos. . A fofoca não caía bem com Emma. tinha enviado uma única mensagem: ME LIGUE O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL. com os meus pais — mas poucos momentos concretos. Emma nunca tinha tido alguém para perder. tirando-o suavemente do seu cabide e colocando-o sobre sua cabeça. Emma estava no mínimo grata por alguns dias longe da escola e da especulação sobre Nisha. muito menos causá-los. Durante duas semanas terríveis. EU TENHO ALGO PRA TE DIZER. tentando decidir qual deles seria apropriado. Ela não tinha deixado nenhuma mensagem de voz. — Emma fechou o laptop com uma pancada e caminhou de volta para o closet. Ela nunca tinha ido a um funeral antes. Ela respirou fundo e começou a olhar os vestidos pretos de Sutton. quando Laurel e eu tínhamos seis ou sete anos. Ela tinha passado o fim de semana anterior com Nisha. que havia perdido os avós ou amigos da família. De vez em quando uma memória voltava para mim em um flash de detalhes repentinos. Eu não conseguia me lembrar se eu já tive motivos para usar preto de luto. — A cerimônia será realizada esta tarde no Parque Memorial All Faiths. então. parecia que tinha finalmente evaporado com uma pequena ajuda da bondade de Emma. Não importa quais inseguranças tinham mantido ela e Sutton em conflito. ela tinha se afogado. Agora. mas o corte era simples. Emma pegou o iPhone de Sutton. intencional. Quando ela alisou a malha delicada para baixo sobre seus quadris. O silêncio deixado pela sequência da apresentadora tagarela pareceu profundo e sepulcral.. Ao contrário da maioria dos adolescentes de sua idade. fim da transmissão. Horas mais tarde. Eu poderia lembrar vínculos emocionais vagos e indefinidos — com a minha casa. e não havia outra explicação. No dia que Nisha morreu. Quinta-feira tinha sido o dia de Ação de Graças.

Afinal de contas. — Ele estava falando de outras coisas além de Nisha. Mas o Sr. Mercer assentiu. Ela não sabia como responder a essa pergunta. Ela não podia mais se dar ao luxo de acreditar em coincidências. — Como você está lidando com tudo isso? Emma abriu a boca para dizer bem. Não há nenhuma prova de que alguém matou Nisha ou que sua morte tinha algo a ver comigo. Emma tinha recentemente descoberto que Becky era a filha dos Mercer — o que tornava Emma a neta biológica deles. Emma soltou um grampo de cabelo e olhou para cima. mas ela certamente não estava bem. ela podia ver a semelhança. Emma tinha visto Becky recentemente. sua própria mãe. criança — ele disse. Laurel. com exceção de um rabo de cavalo simples. A cor cinza do seu cabelo parecia mais evidente do que o habitual. na verdade. — Você já passou por tanta coisa. Ela tinha o nariz reto do Sr. Uma batida suave soou na porta. Eu gostaria de poder dizer-lhe que eu estou aqui para quando Emma se sentir tão sozinha. E ela não podia evitar de sentir que Nisha tinha sido sacrificada no mesmo jogo. Eu queria poder ficar atrás dela e ajudá-la. um tiro no escuro a trouxera para aqui? Travis. pela primeira vez depois de treze anos. dando-lhe um sorriso hesitante. Nisha morreu no mesmo dia em que ela queria falar urgentemente com Emma? Não. O Sr. Ela convenientemente chegou à Tucson no dia após a morte de sua irmã. Eu queria que nós pudéssemos ficar prontas juntas e que eu pudesse segurar sua mão durante o funeral. tinha encontrado um vídeo falso de Sutton que ele achou que fosse de Emma. Mercer abriu a porta. seu irmão adotivo maconheiro. mesmo enquanto ela pensava nas palavras. depois soltou um suspiro forte. E agora. colocando o celular e sua carteira em uma bolsa preta e branca. Agora que ela sabia disso. uma convicção sombria pairava sobre a dúvida e tristeza que ocupava seu coração. ele tinha guardado um monte de segredos recentemente. tentando enrolar seu cabelo para cima em um coque francês. Mercer e os lábios em forma de arco. Ela sentia-se como um peão em uma mão invisível. mas depois de um momento. O Sr.Poderia ser uma coincidência. usando um terno preto sob medida e uma gravata azul e vinho. Emma pensou. Mas. — Ei. Eu observei enquanto minha irmã se atrapalhava com um punhado de grampos. que a movia na hora que quisesse através de um tabuleiro de xadrez em um jogo que ela mal compreendia. Emma era horrível com coques — com qualquer tipo de penteado. ela fechou-a e deu de ombros. Mercer tinha escondido o reaparecimento de Becky de sua esposa e da irmã de Sutton. depois de passar dezoito anos sem sequer saber que tinha uma irmã. — Entre. nem tudo poderia ser uma casualidade. Como se a morte da sua amiga não bastasse. .

espumando pela boca. Ela pegou a pequena bolsa preta e branca que ela tinha enchido com lenços de papel. Mercer. A Sra. Laurel estava sentada com as pernas cruzadas. agora que ela sabia que existia. Seu avô assentiu.Emma tinha conseguido provar que Becky era inocente do assassinato de Sutton. — O funeral começa em uma hora — Laurel disse. A Sra. Elas tinham os mesmos olhos azul marinho e o mesmo corpo esguio. balançando um pé de um lado para o outro. mas ela nunca tinha percebido o quão doente Becky era. Seu cabelo loiro-mel estava amarrado para trás com o mesmo coque que Emma estava tentando fazer. e ela usava um pequeno bracelete de ouro com um pingente em formato de uma raquete de tênis. ansiosa. — Laurel e sua mãe já estão esperando. O quão instável. A luz nítida do início da tarde inundava pela janela alta. daqui a um minuto — o Sr. Ela nunca foi a qualquer coisa relacionada a uma reunião de família antes e não sabia o que esperar. mas a lembrança de Becky amarrada em uma cama de hospital. Mercer assentiu. Ela se levantou instavelmente sobre as sandálias pretas de Sutton e seguiu o Sr. e ele parou por um momento para recuperar a compostura. O relógio deu um único bong ressonante perto da porta de entrada. Assim como acontecia com o Sr. sentadas juntas no sofá de couro largo. ainda assombrava seus sonhos. Emma mordeu o lábio. Vocês são mais importantes para nós do que qualquer coisa. seu batom borrado onde ela estava mordendo o lábio. — Eu estou pronta para ir. Mercer para baixo da escada e através da porta de entrada brilhante. — Por que você não vem até a sala de estar primeiro. Emma podia ver sua própria semelhança com sua avó. e um majestoso piano Steinway estava brilhando debaixo de uma janela. — Ele limpou a garganta. Emma sentou-se cuidadosamente sobre a poltrona de camurça na frente de Laurel e da sua avó. — Sua voz falhou enquanto ele falava. Sutton? Eu acho que é hora de termos uma reunião de família. — Sua mãe e eu queríamos conversar com vocês primeiro. . Ela escolheu uma saia lápis preta e uma blusa de botão para a ocasião. — Não deveríamos ir embora? — Nós vamos. Ela estava pálida sob as sardas leves que enchiam seu nariz inteiro. Mercer parecia nervosa. A sala de estar dos Mercer foi decorada em cores luxuosas do Sudoeste — várias cores vermelhas terrosas e bege com estampas Navajo. Pinturas de flores do deserto penduradas nas paredes. Mercer disse. — Reunião de família? O Sr. — A morte de Nisha é um lembrete sobre o que é realmente importante na nossa vida. Ela tinha passado tantos anos querendo saber o que havia acontecido com sua mãe. Ao lado dela. Mercer e Laurel já estavam lá.

— Laurel. Laurel olhou atentamente para a mãe dela. Eu sei de tudo. — Pai. Queríamos proteger vocês. Mercer. a verdade é que Sutton é a nossa neta biológica. garotas. olhando para seu pai. Mercer interrompeu. como se estivesse se preparando. Mercer pareceu perceber a ansiedade de Emma e lhe deu um sorriso fraco. projetando o pescoço para frente em surpresa. — O quê? Isso é uma ótima notícia! — Não é só isso — o Sr. Mercer com sua testa enrugada em uma carranca. Emma de repente percebeu do que ele estava falando. — A voz do Sr. Laurel. eu sinto muito por nunca termos dito antes. — Ela é a minha irmã! — Laurel retrucou com a voz estridente. — Do que vocês estão falando? — Seu olhar deslocou-se para o Sr. Sua boca franziu para baixo com tristeza. Mercer. nós sabemos.. Queremos contar a vocês a verdade. por que você não me contou uma coisa dessas? — Manchas rosa de raiva apareceram no rosto de Laurel. Mercer tinham estado em contato com Becky. Nem a Sra. Seu pai e eu conversamos sobre isso. — Pensávamos que estávamos tomando a decisão certa.. Emma lançou um olhar em pânico para o Sr. encontrando os olhos de Laurel. nem Laurel sabiam que ela e o Sr. — Mas. Em seguida. dos nossos próprios erros. está tudo bem. — Querida. A Sra. Mercer tinha uma nota de súplica. Você não tem que nos dizer isso.. Emma engoliu em seco. — A mãe dela. Como ela poderia ser sua. Laurel. — Nós tivemos ela quando éramos muito jovens. Segredos só nos separam. Mercer continuou. ela balançou a cabeça lentamente. Mercer. Você não está em apuros.Laurel olhou para o Sr. querida.. — Sua mãe e eu não temos sido sempre honestos com vocês. — Eu sou a única que não sabe o que está acontecendo? Um silêncio constrangedor caiu sobre a sala. — Eu não entendo. Mercer. Becky. Emma pensou que ela estava falando de Sutton — mas então ela percebeu que Laurel estava se referindo a Becky. Ele agarrou a parte de trás da cadeira. Sutton foi adotada de uma estranha anônima. Quanto a Sra. O queixo de Laurel se abriu. Mercer ajustou a gravata desconfortavelmente. e isso prejudica nossa família. A Sra. — Isso é loucura. Becky saiu de casa antes mesmo de você nascer. Por um momento. Até onde ela sabia. Laurel nem sabia que Becky existia. — Querida. Mercer olhou para seu colo. ela tinha expulsado a mãe de Emma de casa há anos. garotas. é a nossa filha — o Sr. — Eu finalmente conheci a minha mãe biológica. Laurel congelou por um momento. Ele balançou a cabeça. Isso é impossível. enquanto o Sr. — Você escondeu a minha irmã de mim! .

— Eu a conheci em uma noite no Sabino Cânion.Os dedos de Emma agarraram seu vestido. — Não é tudo culpa de Becky — o Sr. Decidimos que seria melhor para todos nós se não tivéssemos contato com ela. Laurel. Todos olharam para a Sra. Emma tinha feito o seu melhor para descobrir o que tinha acontecido na noite em que eu morri. A visão de sua mãe em sofrimento pareceu atrapalhar a raiva de Laurel. — Foi muito intenso. inclinando-se para frente. Emma abriu a boca para responder. Sua voz era baixa e trêmula. também. — Me desculpe por eu ter escondido de você — Emma disse. Mercer falou. ela foi surpreendida ao descobrir que ela ainda estava com medo de mais uma Birra de Laurel. mas antes que ela pudesse. abaixando a mão para seu coração. . com a mão pressionando em seus lábios. e eu simplesmente não estava pronta para falar sobre isso. quando eu liguei para ela para buscar Thayer Vega. A Sra. Laurel estava certa. Ela brincou com o pingente de sua pulseira. Laurel. seus olhos arregalando quando ela fez a conexão. e levá-lo para o hospital depois que alguém. Depois de tudo que ela passou. — Becky magoou tanto seu pai e eu. Eu podia ver a memória transparecer no rosto de Laurel. — provavelmente o meu assassino — tentou atropelá-lo com o meu carro. estremecendo enquanto pensava em todos os outros grandes segredos que ela estava escondendo dos Mercer. quase mais alta do que um sussurro. seu rosto mais magoado do que com raiva. e seus olhos se suavizaram. Emma sabia como ela se sentia — as descobertas que ela fizera sobre Becky e os Mercer ainda estavam frescas para ela. — Ela é doente mental. Ela fez tanto dano a esta família ao longo dos anos. também. também. Ela é uma pessoa difícil de cuidar. emoções conflitantes passado pelo seu rosto. Mas ela não podia culpar Laurel pela reação dela. seus dedos pálidos por causa da força. — Problemática. Mercer interrompeu. que estava discretamente chorando. e sua mãe e eu realmente não sabíamos como lidar com isso quando ela estava crescendo. novamente. Mercer. Ela mordeu o lábio. — Onde ela está? Como ela é? — Laurel exigiu. Mercer continuou. Ela pegou uma almofada com franjas da cadeira ao lado dela e abraçou-a contra o peito como um bicho de pelúcia. Emma tinha passado tanto tempo pensando em Becky como sua mãe ausente que ela tinha quase esquecido que Becky e Laurel eram irmãs. Laurel voltou seu olhar para Emma. e pedaços da minha memória tinham voltado. Eu tinha visto Laurel naquela noite. — Há quanto tempo você sabe de tudo isso? Emma respirou fundo. não era justo que ela nunca tenha tido a oportunidade de conhecê-la. Laurel balançou a cabeça lentamente. meu namorado secreto e paixonite de longa data de Laurel. pensando em como Sutton responderia esta pergunta. a Sra. Essa palavra suave pareceu encher a sala. Na noite da festa do pijama de tênis de Nisha.

A sala estava tão tranquila que ela podia ouvir a respiração do Grande Dinamarquês da família, Drake, que tirava uma soneca em uma cama de cão gigantesca perto da lareira. O Sr. Mercer olhou pela janela, onde duas carriças estavam ocupadas construindo um ninho no deserto de salgueiro. Depois de um longo momento, Laurel riu baixinho. — O que foi? — Emma perguntou, inclinando a cabeça. — Eu acabei de perceber uma coisa — Laurel disse, um meio sorriso torcendo os seus lábios para o lado. — Isso faz com que você seja a minha sobrinha, não é? Emma riu também. — Eu acho que sim. — Tecnicamente, sim — o Sr. Mercer acrescentou. Ele desabotoou e reabotoou o paletó, parecendo visivelmente aliviado por ouvi-las rirem. — Mas como Sutton é oficialmente adotada, ela também é legalmente sua irmã. Laurel virou-se para Emma mais uma vez, e mesmo que seu sorriso parecesse um pouco tenso, seus olhos estavam amigáveis. — Isso tudo é muito louco... mas é legal sermos da mesma família. Biologicamente, eu quero dizer. Você sabe que você sempre foi a minha irmã. Mas eu estou feliz por compartilharmos o mesmo sangue, também. Flashes rápidos de memória lotaram a minha mente de nós pequenas. Laurel estava certa. Nós tínhamos sido irmãs. Nós brigávamos como irmãs, mas também tínhamos tomado conta uma da outra do modo que as irmãs deveriam fazer. O Sr. Mercer limpou a garganta enquanto passava a mão sobre sua mandíbula. — Tem mais uma coisa — ele disse. Os olhos de Emma foram em direção a ele. Mais? — Becky disse algumas coisas estranhas para mim antes de ir embora. É difícil saber no que acreditar. Becky não é sempre... confiável. Mas por alguma razão o meu instinto diz que ela pode estar falando a verdade dessa vez. Ela disse que ela teve outra filha. Que Sutton tinha uma irmã gêmea. O coração de Emma parou em seu peito. Por um longo momento, sua visão ficou borrada, a sala de estar dos Mercer transformou-se em uma paisagem como uma das pinturas de Dali manchando ao redor dela. Eles ainda não sabiam de toda a verdade. Quando ela olhou para os arquivos de Becky, duas semanas atrás, Emma descobriu que Becky ainda tinha outra filha, uma menina de doze anos que Becky disse que morava com o pai na Califórnia. — Uma irmã gêmea? — Laurel grunhiu. — Eu não sei se é verdade. — O Sr. Mercer olhou para Emma, seu rosto ilegível. — Becky parecia não saber onde sua irmã, sua gêmea, está agora, Sutton. Mas o nome dela é Emma. — Emma? — Laurel virou um olhar incrédulo para Emma. — Não foi disso que você se chamou no café da manhã no primeiro dia de aula? Emma pegou na barra do vestido de Sutton, se distraindo para ganhar tempo. Ela foi poupada de responder quando o Sr. Mercer falou novamente.

— Becky lhe disse sobre ela, não foi? — ele perguntou suavemente. — Naquela noite, no Sabino? Sua mente estava agitada, Emma conseguiu acenar com a cabeça, agradecida por o Sr. Mercer ter fornecido uma explicação. Era provavelmente verdadeira. Quando Emma tinha falado com Becky, na semana passada, Becky tinha falado sobre Emma como se ela já tivesse dito a Sutton sobre ela uma vez. De qualquer maneira, Emma sabia que tinha que ter muito cuidado aqui. — Tudo o que ela me disse foi o nome dela — Emma disse baixinho. — Eu deveria ter contado a vocês. Mas eu estava tão brava. Eu estava tentando descobrir se vocês sabiam sobre ela, também, ver se vocês reconheciam o nome. Eu achei que talvez eu pudesse provocar para vocês terem que me dizer. Outro silêncio tenso preencheu a sala. Com o canto do olho, ela observou Drake levantar da cama e olhar ao redor, abanando o rabo hesitantemente. O ponteiro de segundos do relógio Cartier do Sr. Mercer clicou audivelmente. Parecia lento em comparação com o coração acelerado de Emma. A Sra. Mercer finalmente interrompeu o silêncio. — Eu sinto muito por termos mentido para você, Sutton. Para vocês duas. Vocês têm todo o direito de estar com raiva. Eu espero que um dia vocês possam nos entender, e talvez até mesmo nos perdoar. Meu próprio coração doeu ao ver a expressão no rosto da minha mãe, cheia de angústia. É claro que eu a perdoou, mesmo que eu soubesse que nunca poderia dizer isso a ela. Eu só torcia para que ela fosse capaz de se perdoar quando toda a verdade vier à tona, quando ela perceber o quão caro todos esses segredos custou a nossa família. Que alguém tinha usado eles contra nós — contra mim — forçando Emma a tomar o meu lugar depois da minha morte. — E agora? — Laurel perguntou com os olhos em Emma. Seu queixo estava imóvel com determinação. — Temos que encontrar essa garota, Emma, certo? Quero dizer, ela é nossa irmã. Nossa sobrinha. Nossa... uh, seja lá o que for. A Sra. Mercer assentiu com firmeza. — Nós vamos tentar localizá-la. Gostaríamos de, pelo menos, conhecê-la, certificar de que ela esteja segura e feliz onde está. Talvez fazer dela uma parte da nossa família, se ela quiser. — Ela inclinou a cabeça para Emma interrogativamente. — Ela lhe disse mais alguma coisa, Sutton? Onde Emma poderia estar, ou qual seria o sobrenome dela? Emma mordeu com força o interior de sua bochecha para impedir que as lágrimas escapassem. Era tão injusto — eles queriam procurar por ela, queriam mantê-la segura, e ela estava bem na frente deles, correndo um perigo que ela nunca tinha corrido. — Não — ela sussurrou. — Becky não me disse mais nada. O Sr. Mercer suspirou, depois se inclinou para beijar o topo da cabeça de Emma. — Não se preocupe — ele disse. — De uma forma ou de outra, nós vamos encontrá-la. E nesse meio tempo, eu prometo que vamos ser honestos uns com os outros a partir de agora.

precisava manter sua família segura.

Por um momento breve e frenético, Emma pensou em confessar. A ideia a aterrorizava — eles ficariam devastados. Ela teria que dizer a eles que a garota que eles haviam criado como a própria filha deles estava morta e que ela ajudou a encobrir. Mas seria um alívio, também. Ela teria a ajuda deles na investigação, talvez até mesmo a proteção deles. Ela seria capaz de deixar o grande peso que ela vem carregando desde a primeira manhã que ela acordou em Tucson. Mas então ela pensou no assassino, sempre observando-a — deixando bilhetes no carro dela, estrangulando-a na casa de Charlotte, soltando luminárias no palco de teatro da escola. Ela pensou em Nisha, ligando para ela continuamente, e então, apenas... morrendo. Ela não podia expor sua família a esse tipo de perigo. Ela não podia arriscar. A Sra. Mercer pigarreou. — Eu sei que vocês vão querer dizer a suas amigas, mas por enquanto, eu apreciaria se pudéssemos manter esta informação em segredo. Seu pai e eu ainda estamos debatendo a melhor forma de como procurar Emma, e... ainda temos muita coisa para conversar. O queixo de Laurel endureceu agressivamente por um momento, e Emma tinha certeza de que ela ia discutir. Mas então ela pegou a mão da Sra. Mercer e a apertou. — Claro, mamãe — ela disse com a voz suave. — Podemos manter isso em segredo. No corredor, no relógio havia se passado quinze minutos. — Nós temos que ir — o Sr. Mercer disse suavemente. — Nós vamos nos atrasar. — Eu tenho que ir ao banheiro — Emma disse, necessitando de um segundo para se recompor. Ela pegou sua bolsa e correu pelo corredor. Assim que ela estava sozinha, Emma se inclinou sobre a pia. No espelho, sua pele parecia leitosa e pálida, seus olhos azuis mais brilhantes do que o habitual. Eu estou fazendo a coisa certa, ela disse para si mesma. Não importa como, ela Eu fiquei contente por Emma estar tomando conta da minha família. Mas enquanto eu olhava para o rosto dela, tão dolorosamente como o meu, eu não pude evitar de me perguntar: Quem iria manter Emma segura?

CAPÍTULO 2 - UMA QUESTÃO DE TÚMULO
— É com muita tristeza que hoje nós nos despedimos de Nisha. Ela era uma garota cheia de vida e talentosa, e nós vamos sentir falta dela. O funeral foi uma cerimônia fúnebre, situada entre os plátanos e tamarix do cemitério. O sol brilhava do seu ângulo de fim de outono no céu, enviando um brilho melancólico sobre as lápides cinza e branco. Emma estava sentada em uma cadeira dobrável entre Madeline Vega e Charlotte Chamberlain, as duas melhores amigas de Sutton. Logo atrás delas estavam as Gêmeas do Twitter, com seus celulares dentro de suas bolsas, pela primeira vez. Laurel estava sentada ao lado delas, soluçando com lágrimas silenciosas. A escola inteira tinha vindo, inclusive a maioria dos professores delas e a Diretora Ambrose. Emma avistou Ethan de pé, na sombra de uma árvore, usando a camisa e gravata preta que ele estava usando na entrevista coletiva. A oficiante, uma mulher de quadris largos usando um sári branco, continuou. — É especialmente cruel perder alguém tão jovem. Nisha era cheia de potencial. A tentação de enfatizar tudo o que ela poderia ter feito se tivesse sobrevivido é grande. Queremos nos lamentar pelo quanto ela poderia ter mudado o mundo, por quanto ela poderia ter ido longe. Atrás da mulher de sári estava o caixão, o carvalho polido brilhando à luz do sol. Estava fechado; não havia visualização. A cerimônia foi planejada para ser curta. Antes que a oficiante se levantasse para falar o discurso fúnebre final, tinha havido várias leituras dispersas dos amigos de Nisha, e a Hollier High cantou em coro “Wind Beneath My Wings”. Particularmente, Emma poderia imaginar Nisha rindo com essa escolha — ela não tinha sido uma garota sentimental. Mas não havia um olho seco na plateia. Charlotte tinha explodido em soluços enquanto arfava, seu rímel escorrendo pelo rosto, e Madeline, pálida e trêmula, estava enrolando a saia em seus punhos. Eu observei a multidão melancolicamente. Um dia eu teria um funeral? O que as pessoas diriam sobre mim, então? Eles chorariam? Observando o caixão e o buraco profundo ao lado dele, um arrepio passou por mim — em algum lugar, os meus próprios restos estavam escondidos, separado violentamente do meu espírito e deixado para apodrecer. Olhei em volta novamente, meio na esperança de encontrar uma Nisha impalpável. Mas eu era a única fantasma por aqui, pelo que eu sabia. A oficiante tinha uma voz ressonante e musical, com o mesmo sotaque leve anglo-indiano que o Dr. Banerjee tinha. — Mas eu acredito que ofendemos Nisha focando no que ela poderia ter sido. Enquanto nos despedimos, eu peço

— Eu ainda não acredito que as pessoas acham que ela fez isso de propósito — Madeline disse com seus olhos castanhos arregalados. parecia que vocês estavam se dando bem recentemente. Emma olhou para cima bruscamente. Ela parecia triste? — Lili perguntou. mas cachos caíam em ambos os lados do seu rosto redondo e sardento. — Com licença — ela disse a suas amigas. — O que você acha. usava o que parecia um tutu preto de loja de brechó. — Ela se foi. Ela definitivamente pareceu gostar de participar da produção. — É. e havia um olhar distante em seu rosto. mesmo quando Becky tinha sido violenta. mas pensem no que ganhamos por termos tido Nisha em nossas vidas. Essa tinha sido a primeira brincadeira do Jogo da Mentira que Nisha participou — embora ela tivesse sido vítima de algumas. lágrimas escorrendo pelo seu rosto. Emma tinha visto o médico algumas semanas atrás. A treinadora Maggie estava com um grupo de jogadoras de tênis. quando ele estava tratando sua mãe. ela era. — Isso realmente importa? — Emma disse com a voz embargada. Como sempre. Sutton? — Gabby perguntou. Clara estava com elas. — Eu não acredito que isso está acontecendo. — Ela estava bem no domingo. . botas de combate até o joelho e um pequeno véu preso em seu cabelo. — Eu quero dizer. Seus longos cachos vermelhos estavam presos atrás de sua cabeça.que não enfatizem no que foi perdido. Ela balançou a cabeça. as roupas das Gêmeas do Twitter estavam em perfeito contraste. — Eu sei. Ele tinha sido paciente e gentil. e caminhou ao redor das cadeiras agora vazias em direção a onde ele estava sentado. Lili. seu batom era um vermelho cuidadosamente aplicado. o seu pior pesadelo estava se tornando realidade — e tão cedo. Gabby usava um vestido de bainha simples e brincos de pérola em suas orelhas. As pessoas acenaram para ela enquanto ela passava. Um pequeno conjunto de cordas tocava um arranjo instrumental dos Beatles de “Let It Be” enquanto todos se levantaram de suas cadeiras e começaram a se misturar. parecendo chocada e inconsolável. Agora. Eu não acredito que ela está morta. As meninas ficaram em silêncio. Charlotte enxugou os cantos dos olhos com um lenço de papel que ela tinha retirado do fundo de sua bolsa. que não se moveu do seu assento. O “porque” não muda isso. por outro lado. Banerjee. logo após a morte de sua esposa. Do outro lado do gramado. Emma viu quando a oficiante do funeral inclinou-se para falar com o Dr. Isso simplesmente não faz o mínimo de sentido. não foi? Domingo foi a noite em que elas tinham planejado uma sessão espirita falsa para a brincadeira com uma garota chamada Celeste Echols. Ela é uma boa nadadora e tal — Laurel sussurrou entre lágrimas.

Emma hesitou. ele tinha um arquivo de três centímetros com as brincadeiras do Jogo da Mentira de Sutton. eu sou médico — o pai de Nisha falou rudemente. — Tranquilizante.A oficiante abraçou o Dr. . Ela queria lhe dizer o quanto lamentava por sua perda e que Nisha havia se tornado uma boa amiga para ela.. A voz de Quinlan era um ruído baixo e simpático. Mas Nisha teve um ano muito ruim. e ele tinha prendido Emma por furto há dois meses. — Eu sei que isso é difícil de ouvir. — Olha. juntou-se à multidão. — Não. Quinlan suspirou. Banerjee balançou a cabeça violentamente com o que quer que Quinlan tinha acabado de dizer. — A voz de Quinlan estava paciente. adolescentes experimentam coisas novas e nem sempre conhecem os seus limites. — Eu sei. Banerjee permaneceram dobradas primorosamente em seu colo. seus lábios virados para baixo sob o bigode. Isso é um. nem contusões. ela queria saber o que ele pensava sobre a morte de Nisha — onde sua filha tinha estado antes de morrer. Nós checamos os registros dela. Mas mais do que isso. Sanjay.. Mas os médicos legistas encontraram quantidades extremamente altas de diazepam na corrente sanguínea dela. mas firme. Os nós dos seus dedos ficaram brancos enquanto ele apertava os dedos com mais força. Mas sem contusões? Sem concussões? — Ele fez uma pausa. Inclinando-se para trás contra o mármore frio. — As mãos do Dr. e estava prestes a se afastar dos dois homens quando a palavra “autópsia” foi trazida até ela.. — Não houve sinais de luta. em seguida. sua boca se contorcendo por um momento antes que ele pudesse falar. — Nisha nada desde que ela tinha dois anos. nem impressões de mãos. Banerjee. Eu sei. Mas Sanjay. Ele virou o chapéu continuamente em suas mãos. O Dr. mas seus músculos estavam apertados em seu rosto.. — Minha filha foi assassinada. deixando-o sozinho. — Então o que você está. alguém se sentou ao lado do Dr. Ela teria que ter tropeçado e batido a cabeça para ter tido um acidente. esfregando o queixo mal barbeado. Quinlan não era muito fã de Sutton Mercer. — Quinlan parecia desconfortável. Banerjee uma última vez. — Eu não quero parecer estar acusando ela de nada. — Ela não tem uma receita para tranquilizantes. — Eu odeio dizer isso. Seu corpo ficou tenso quando ela reconheceu o Detective Quinlan usando uniforme cerimonial azul e chapéu nas mãos. Ela instintivamente se escondeu atrás de uma lápide a poucos metros de distância. Antes que ela pudesse decidir o que dizer. — Tem mais uma coisa — ele disse em voz baixa. Ela ouviu o “sinto muito” e “trágico”. Emma aguçou seus ouvidos para ouvir o que ele estava dizendo. Nenhum ferimento defensivo. Quinlan hesitou. Foi apenas um acidente.

A voz do Dr. As suspeitas de Quinlan eram sempre rápidas quando Sutton Mercer estava envolvida. nenhum indício. com exceção dos seus olhos. Banerjee finalmente disse. Por um momento. Quinlan assentiu. — Vamos lá. O Dr. garotos que pareciam muito agressivos com ela. e sua própria história viria à tona facilmente com a inspeção. Nenhum que eu soubesse. Ela ainda não tinha pensado nisso — é claro que eles tinham enterrado Nisha perto de sua mãe. ou se ela tinha algum inimigo. — Se houver alguma pessoa que você tenha uma sensação suspeita. Dê-me algo com o que trabalhar. Quinlan deu de ombros. Eu vou atrás deles. e ele deu-lhe um olhar um pouco maníaco. — Olha — ele finalmente disse em uma voz que Emma teve que se esforçar para ouvir. — Eu sinto muito — ela sussurrou. Seu olhar caiu sobre o túmulo que ela estava se escondendo. Seu rosto estava controlado. — Com uma delicadeza surpreendente. Banerjee ficou imóvel por um longo momento. . eu não tenho nenhuma evidência. Eles estavam vermelhos e selvagens. ele provavelmente iria desprezar como outra brincadeira em busca de atenção. Mas o que o assassino estava procurando? Ele já tinha achado. uma onda de culpa brotou em Emma. olhando para suas mãos. Banerjee estava severa. Emma iria acabar em uma lista de suspeitos. JESMINDER BANERJEE. e não encontramos impressões digitais de ninguém lá dentro. seu coração martelando. Seus óculos estavam tortos no nariz. Banerjee balançou a cabeça. ele ajudou o Dr. — Não havia nenhum sinal de arrombamento. — O quarto dela estava todo bagunçado. ou ainda estava lá no quarto de Nisha? Emma olhou para o caixão de Nisha por um longo momento. O Dr. nenhuma pista. Só suas e dela. Emma caiu contra a lápide. Então o quarto de Nisha tinha sido revirado. AMADA ESPOSA E MÃE. — Ela não tinha inimigos. e os dois homens foram até a mesa do banquete montada à sombra de um cedro. Quinlan olhou sem jeito ao redor. A própria Nisha deve ter feito isso. Sua voz soava tensa. Shane. Ela deveria dizer a eles sobre as chamadas e as mensagens frenéticas de Nisha? Seu estômago se apertou com a ansiedade. — As mãos dele se soltaram uma da outra e voaram para cobrir seu rosto. Mas agora. Alguém estava procurando algo. — Eu preciso de um pouco de água — o Dr. Às vezes as pessoas fazem coisas estranhas quando estão em um estado alterado. Na pior das hipóteses. pessoas estranhas que já andaram pela casa. dizia. A mãe de Nisha. a madeira marrom profunda brilhando ao sol. Sanjay. Alguém entrou e vasculhou o lugar inteiro. me dê os nomes deles. como se ele estivesse lutando para manter a calma. Atrás da lápide. Na melhor das hipóteses. Emma quase sentiu pena dele. — Eu não sei quem gostaria de fazer algo assim com a minha menina — ele gemeu com a voz trêmula de novo. Banerjee a se levantar.

— Quer calar a boca por cinco minutos? Eu estou começando a pensar que Nisha estava certa sobre você. Emma deu um passo hesitante na direção dele. — Garrett. Garrett piscou e. como se quisesse dar um soco nela. Ele se afastou de sua mão com os braços esticados de raiva. tocando em seu ombro. No estacionamento distante. Todo o corpo de Emma ficou tenso com a expressão selvagem no rosto dele. sua atual namorada. — Vamos — ela sussurrou. Emma conhecia Nisha por alguns meses. Mas Sutton tinha crescido com Nisha. Ele saiu com Nisha por algumas semanas. de repente seu rosto obscureceu em uma carranca. — Como é? — ela falou irritada. eu sei que você está chateado. e apesar de terem terminado. Louisa observava seu irmão com os olhos ansiosos se movendo rapidamente. ele ofereceu sua virgindade para ela como um presente de aniversário. Surpresa. conduzindo-a para longe deles. Atrás dele. A multidão estava começando a diminuir. ele obviamente não estava lidando bem com a morte dela. . com um vaso de lírios murchos na frente dele. e Celeste.. — Como você está? — Emma perguntou desajeitadamente. O queixo de Emma caiu. Garrett tinha sido o namorado “oficial” de Sutton no momento de sua morte. Garrett parecia arrasado.. Louisa. embora ela estivesse saindo com Thayer secretamente ao mesmo tempo. Ela mal a conhecia? Claro. como se não estivesse reconhecendo-a. — Te interessa? Você quase não conhecia ela — ele sibilou. Agora. em seguida. seu cabelo loiro sem brilho e sujo. Seus olhos estavam vermelhos. Ele virou-se violentamente para que seu nariz estivesse a centímetros do dela. Laurel apareceu ao lado de Emma e agarrou-a pelo braço. confusa. Louisa olhou de Emma para Garrett. Quando Emma tomou o lugar dela. Ele franziu seus lábios em desprezo. Emma se sentiu congelada no lugar. e depois que ela fugiu em pânico. em direção ao estacionamento.Emma se levantou e atravessou a lápide. ela podia ouvir os carros abrindo e fechando as portas. a maioria dos outros estudantes tinha se levantado e escapulido sem jeito. Ele a olhou por um momento. — Você não sabe de nada — ele rosnou. — Quando vocês tiveram essa conversinha acolhedora sobre mim? — Não é da sua conta — ele gritou. colocando a mão em seu braço. Ela passou por um grupo de estudantes de Hollier que estava próximos um do outro perto de um mausoléu castigado pelo tempo. — Celeste começou. então olhou-a fixamente. Garrett Austin estava entre a sua irmã mais nova. Ele olhou para cima e notou Emma. Emma podia ver que Celeste parecia chocada por sua raiva. o tom gracioso tinha desaparecido de sua voz. eles tinham terminado. Ela instintivamente deu um passo para trás. A expressão de Celeste escureceu.

— Eu sei.mesmo quando a voz de Celeste se elevou com raiva por trás delas. quando você estava usando uma saia muito curta. Ele não é exatamente paciente. tentando encobrir sua confusão. Ela deixou Laurel levá-la por fileiras e mais fileiras de lápides. — Como é? Vocês costumavam fazer isso o tempo todo. e Emma não queria ser pega na zona de explosão. Garrett. obviamente. Sutton. Venha. levantando a sobrancelha. — É — Emma gaguejou. — Eu não acredito que ele gritou com a namorada dele desse jeito — Emma disse. quando você não fazia o que ele queria. Quando você não retornava as ligações rápido o suficiente. — Discutindo em um funeral? Que falta de educação. vamos embora. . ele costumava surtar com tudo. sentindo-se um pouco tonta. Do outro lado do cemitério. Laurel parou por um momento. Emma olhou para a irmã de Sutton. se ele explodisse. Elas começaram a andar novamente. suas vozes estavam tensas. tinha pavio curto. Laurel deu de ombros. Por que ele disse que ela mal conhecia Nisha? Eu também não sabia. Mas algo me dizia que era melhor Emma descobrir isso rapidamente. — Qual é. A cabeça de Emma girou. as vozes de Celeste e Garrett ainda eram audíveis.

Thayer. então pulou para dentro do mato. qual a agenda dela. — Ela pensou em todos os episódios de CSI que ela já tinha visto. O assassino se certificou disso. E se eles descobrirem. — Temos certeza de que não foi. Ethan assentiu. O assassino de Sutton teria dificuldade de observá-la aqui. o Sr. depois entregou a Ethan. — Todos nós estamos em perigo. — Eu não sei quanto tempo eu tenho antes de eles descobrirem. — Ela estremeceu. assinalando um por um os amigos e a família de Sutton.CAPÍTULO 3 – ENFIM SÓS Na tarde seguinte. sabendo que eu não seria uma substituta realista a menos que eu estivesse usando ele. então nós já descartamos Laurel. Ethan. Charlotte. e Emma e Ethan estavam de mãos dadas com os dedos entrelaçados enquanto caminhavam. o assassino o tirou do pescoço dela e entregou para mim. Ela sentia como se alguém estivesse seguindo-a desde o momento em que ela chegou à Tucson. Madeline. Becky e as Gêmeas do Twitter — ele disse. se você tivesse uma conexão com a Internet e uma ou duas testemunhas. Ele deslizou um braço ao redor dela e puxou-a contra o seu lado protetoramente. Emma gostava da paisagem árida. Mercer. — Ok. As rochas brilhavam douradas e avermelhadas no sol de fim de dia. — Ela olhou para ele miseravelmente. Onde ela mora. — Você. e eu não cobri meus rastros. eu vou ser a suspeita número um. respirando o cheiro de limpeza da lavanderia de sua camisa de flanela. eu. Era ridiculamente fácil rastrear o paradeiro das pessoas. Ele ouviu atentamente com os olhos no caminho à frente. Emma sentou no topo da mesa de piquenique e remexeu em sua mochila procurando uma garrafa de água. Um guaxinim gordo olhava com indiferença em cima de uma embalagem do McDonalds quando eles se aproximaram. — O assassino sabe demais sobre Sutton para que tenha sido aleatório. Enquanto eles caminhavam. Emma apertou um cachecol de caxemira cinza em volta do pescoço... um crime aleatório? Quero dizer. mas não havia muita cobertura nesta vasta extensão de trilha. Ela descansou em seu ombro. Ela tomou um longo gole.. — Eles vão procurar por mim. talvez tenha sido um vagabundo ou algo assim? Emma sacudiu a cabeça. e rápido. Emma e Ethan se aproximaram de uma trilha montanhosa vazia no Parque Montanhoso de Tucson. a minha família. tremendo com o ar do inverno frio. — Este assassinato foi pessoal. Eles chegaram em um promontório com uma área de piquenique coberta com uma vista sobre o parque. Temos que resolver isso. — Eu acho que você está certa. a importância de seu medalhão. ela disse a Ethan sobre a reunião familiar dos Mercer. tipo. ..

Ele balançou a cabeça. mas eu nunca descobri o motivo. — Garrett não me parece um planejador. porém. Ethan lambeu os lábios. na primavera. — Uau. Eu acho que elas se dão bem. — Eu não sabia que a minha namorada era uma especialista em psicologia criminal. — Outro pensamento surgiu em sua cabeça. — Ela enrolou uma mecha de cabelo em torno de seu dedo indicador com tanta força que prendeu sua circulação. não é? Nós não temos nenhuma evidência ligando-o à cena. Sua boca se abriu. — Se eu não sou agora. me observar para se certificar de que eu estava mantendo o segredo. — Ethan esfregou o queixo pensativamente. Ele me deixou decidir tudo. Ela é meio quieta. — Ela contou a Ethan sobre o comentário de Garrett que ela “mal conhecia” Nisha. e a revelação de Laurel de que Garrett tinha um temperamento ruim com Sutton. e só percebeu há duas semanas. Em um encontro de verdade que ela tinha tido com ele. — Eu realmente não sei muito sobre Garrett. — E Louisa? Você a conhece? — ela perguntou. Emma suspirou. em seguida. eu vou ser no momento em que isso acabar. eu não consegui descobrir como o assassino entrou na casa de Charlotte naquela noite que ele me estrangulou. Garrett tinha mencionado algo sobre a irmã dele. realmente bons em se camuflar. — Ele poderia ter os códigos de alarme — Emma concordou. ela não tinha sido capaz perguntar de uma maneira sutil sobre o que ele estava falando. Emma mordeu a unha. — Emma tomou outro gole de água e suspirou. talvez ele seja apenas um bom ator.. mas nós realmente não andávamos nos mesmos círculos. o que a fez inclinar-se para frente. Mas se foi Garrett. Eu sei que ele ficou sem ir por um bom tempo por causa de uma emergência familiar. — Mas por outro lado. — Garrett. no entanto. — Ele saiu com ela antes de sair com Sutton. Ethan levantou uma sobrancelha. me trazer para Tucson. Tivemos História Avançada juntos no ano passado. incertos. — E então ele namorou Nisha. Charlotte me apoiou quando aquilo tudo aconteceu com Louisa. — Se foi Garrett. — Sabe. Talvez ela tenha descoberto alguma coisa enquanto eles estavam namorando. — Não muito bem. faz sentido. E então Nisha também morreu. Eles olharam um para o outro. Seus lábios se torceram em um sorriso irônico. A frase não dita pairou entre eles. . — Isso tudo é apenas especulação. — Eu a vi com Celeste.. ele disse. Na época. então parou. Mas Garrett não conseguiu nem mesmo escolher um restaurante quando saímos. Quem fez isso teve que planejar um álibi bastante complicado — esconder o corpo de Sutton e o carro dela.— Você sabe quem nós não investigamos? — Emma disse em voz baixa. Os psicopatas não são assim? Eles são manipuladores. — Ela olhou para Ethan significativamente.

as memórias de seu breve “relacionamento” com Garrett parecia muito mais assustador. — Esse seria um motivo real — Ethan disse. De repente. quase violento. ela pensou. Emma pensou no Baile de Boas Vindas. — Eu vou perguntar por aí — ela disse. tampouco. — Em casos de assassinato a polícia quase sempre desconfia dos maridos ou namorados primeiro. ela avistou um falcão à deriva preguiçosamente em uma rajada de vento. Mas. Ele amava você. Ela balançou a cabeça.— Sim. mas talvez ele tenha testado ela. — Talvez Charlotte ou Mads saibam de alguma coisa que possa ser útil. seus cabelos na parte de trás do seu pescoço espetados para cima. Ela olhou para a paisagem. eu sentia uma espécie de formigamento quente por Garrett cada vez que Emma via ou falava com ele. tudo o que eu sentia era uma agitação ansiosa. A simples menção do nome dele era suficiente para provocar uma boa meia hora de silêncio meditativo de Ethan. Ela mastigou a casca de chocolate e sorriu para ele. ela estava simplesmente feliz por estar com Ethan. eu não me lembrava de brigar da forma que Laurel disse que nós brigávamos. mas nós definitivamente temos razões suficientes para suspeitar dele — Ethan argumentou. Ethan tinha estado com ciúmes de Thayer desde o início — e não tinha ajudado quando ele pegou Thayer beijando Emma há uma semana. longe dos olhares indiscretos. Eles mal tinham estado sozinhos desde a noite da festa de Charlotte. Todo mundo viu aquela briga entre vocês antes dele ir embora. Ele estava bêbado. — E se ele descobriu sobre Sutton e Thayer? — Sua garganta ficou seca com o pensamento. e ela estremeceu. treinado ela para que ninguém descobrisse que Sutton estava morta. finalmente. enquanto torcia o pulso dela para mantê-la lá contra sua vontade. A poucos quilômetros de distância. o ar fresco da montanha em seus pulmões. E agora ela se lembrou de outra coisa — ele mencionou Thayer. mas ela não disse isso em voz alta. Eu tinha certeza de que eu tinha estado apaixonada por ele em vida. agora. E se ele estivesse tentando transformá-la na Sutton que ele sempre quis? Eu forcei meu cérebro pela memória do meu verão com Garrett. quando eles fizeram amor pela primeira . mesmo que eu não conseguisse me lembrar o motivo. Eu não me lembrava de nada suspeito — mas por outro lado. A imagem da cama de Sutton coberta de pétalas de rosas apareceu de volta para ela. — Ele poderia ter seguido ela até o cânion naquela noite e pego eles juntos. escolheu um M&M e colocou na boca de Emma. De repente. Ethan abriu um pacote de gorp. quando Garrett tinha encurralado ela em um armário de vassouras para gritar com ela sobre o término deles. Ele agiu como se ele realmente achasse que ela era Sutton. Nos dias depois que eu acordei pela primeira vez desde a minha morte. — Ou Thayer.

mesmo que sua tentativa idiota de conversa safada tenha me feito desejar poder colocar meus dedos em meus ouvidos. ela estava mais feliz do que nunca. Aqui. — Eu definitivamente preciso disso. mas um sorriso bobo se espalhou pelo seu rosto. Ele inclinou a cabeça para ela. Todas as suas preocupações persistentes — sobre o assassino. — Ela deixou cair um doce amarelo de volta no saco com desagrado. Emma merecia todo o conforto que ela pudesse conseguir depois de tudo o que ela passou. — Os vermelhos são para confessar quando você ama alguém. As bochechas de Ethan ficaram rosa. — Os laranjas dão boa sorte — ela disse. — Hã? — Você sabe. — Você cresceu ouvindo as histórias sobre os M&Ms? — ela perguntou timidamente. afastando as nozes e as passas para encontrar mais doces. Mas ela e Ethan foram feitos um para o outro — e se houvesse uma esperança na armadilha que o meu assassino a tinha prendido. puxando-a de repente... A memória enviou uma onda de prazer tímido através de suas bochechas e fez ela ficar tonta. — Eu não preciso de um desses — ele sussurrou em seu ouvido. — O amarelo você dá a alguém se você só quiser ser amigo da pessoa. A pele de Emma vibrou quando ele a puxou para um beijo apaixonado. — Excitado. — Ela jogou-o na boca. mas ele balançou a cabeça.vez.. que abriu caminho para mais beijos. hein? Ela segurou um na frente dos lábios dele... sobre a família dela — desapareceram. sobre Nisha. segurando um. excitado. eu estava grata pelo menos por isso. — Você já me deixa louco o suficiente. . em seu colo. as lendas urbanas sobre o que as cores diferentes significam? — Ela pegou o saco de gorp dele. você pode ficar com esse. E o verde? — Ela lhe deu um sorriso perverso. Enquanto ela estava nos braços de Ethan. — Eles são para se você quiser deixar alguém. Eu estava feliz por minha irmã estar tendo um pouco de ação.

Landry tinha sido diagnosticada com câncer. um bangalô cor de areia com a tinta do tapume lascada. tocando a boca com os dedos como se pudesse de alguma forma manter a memória do beijo. Emma suspeitava que Ethan tentava preservar o lugar. Seu cheiro de roupa limpa ainda permanecia no carro. Parecia que tinha sido bonita algum dia. — Boa noite — ele sussurrou. e ela o observou enquanto ele subia os degraus da varanda e entrava. mas tinha caído em desuso. Emma sorriu para si mesma. — Boa noite — ela disse enquanto se afastava. como se fosse um jornal. E se o assassino não tivesse conseguido encontrar o que estava procurando? E se o Dr. então saiu do carro e caminhou até a entrada de sua casa. inclinando-se sobre a caixa de engrenharem e dando o beijo suave mais imaginável em seus lábios. a casa dos Banerjee estava escura e silenciosa. Ela podia distinguir o brilho da piscina no quintal. mas ela podia ver que a maioria das janelas estava escura. Um muro baixo com uma filigrana forjada de ferro cercava o quintal. Ao lado. deu marcha ré no carro e recuou da garagem.CAPÍTULO 4 . Ela fez uma pausa com o pé no freio. Banerjee tinha dito sobre o quarto de Nisha ter sido revirado. O título passou diante dos seus olhos.ADEUS. Por apenas um momento. O Garoto Bonito é uma Imensa Distração para a Detective Amadora. Quando ela virou para a rua. tanto quanto podia. Ela balançou a cabeça para limpá-la. Do outro lado da rua. em seguida. Uma dor aguda atingiu seu coração. abrindo o livro de cálculo ou ligando seu laptop com seus olhos azuis escuros pensativos sob sua testa franzida. nada no mundo existia além do lugar onde os lábios deles se encontraram. Emma pensou no que o Dr. Ele deu-lhe um longo olhar. Landry tinha ido embora há mais ou menos alguns anos atrás. Os faróis do carro jogavam sombras profundas ao redor dele — na estrutura longa e magra do seu corpo. era uma das menores do bairro. um velho hábito que ela tinha. seus olhos foram em direção à casa de Nisha. Emma parou o Volvo vintage de Sutton na garagem de Ethan para deixá-lo em casa. mas era difícil para ele com o seu pai desaparecido — o Sr. Foi ali que aquilo tinha acontecido. o Sabino Cânion pairava ameaçadoramente. Ela fechou os olhos. quando a Sra. MINHA AMIGA/INIMIGA Algumas horas mais tarde. Ela observou quando a luz do quarto de Ethan estalou um momento depois e o imaginou sentado em sua escrivaninha. Banerjee e os policiais já houvessem vasculhado o . A casa de Ethan. Ethan se virou para ela.

ela achou que tinha ouvido passos e. A luz automática da varanda acendeu quando ela estava a poucos metros da porta. — Olá. ele olhou para Emma. fazendo um olho parecer grotescamente amplo enquanto o outro parecia turvo. — O que foi? Você sabe o que aconteceu com ela? Emma mordeu o lábio.. sua coragem diminuindo — era insensível fazer várias perguntas a um pai de luto sobre a morte de sua filha? O que ela iria perguntar. Banerjee. Banerjee abriu a porta. eu queria muito te perguntar uma coisa.. — Mas eu queria saber se eu poderia. Você trouxe Agassi para casa? — Hum. como se não lembrasse quem ela era. O assassino poderia estar observando-a nesse exato momento. — Eu sinto muito. em seguida. o quintal dos Banerjee tinha um jardim com paisagismo xeriscape cheio de pedras brancas e cactos florescendo. Eu só quero dizer adeus. também — um figo meio podre continuava no mesmo lugar de onde havia caído sob uma figueira. . ir no quarto de Nisha? Eu não vou mexer em nada. Ela engoliu em seco. Ele piscou para ela. Eu não sei o que aconteceu também. O gato se esfregou em torno de seus tornozelos com um ronronar baixo e esperançoso vindo de sua garganta. seus olhos como lâmpadas brilhando no escuro. Seus olhos pareceram se concentrar severamente. e o seu olhar de ligeira confusão evaporou imediatamente. Mesmo que só fosse um pouco depois das sete. o Dr. Banerjee? E se o assassino de Sutton decidisse que ele. Em contraste com o quintal coberto de ervas daninhas de Ethan. Dr. Galhos e folhas flutuavam na água salobra em um bebedouro de pássaros de mármore. Por um momento ele olhou para ela sem expressão. — Agassi? — Então. um grande gato malhado com pêlo emaranhado miou de forma lastimosa para ela. Seu cabelo se elevava em uma nuvem selvagem ao redor de sua cabeça. Quando Emma se aproximou da varanda. sabia demais? Ela tocou a campainha antes que pudesse mudar de ideia. Seus óculos de lentes grossas estavam tortos em seu rosto. por fim.quarto seria um tiro no escuro. — Ela trocou seu peso. assim como Nisha. Mas havia sinais de negligência aqui. Ela virou o carro em direção ao meio-fio e parou-o. ele usava um roupão de banho longo e xadrez entreaberto sobre um par de shorts de malha e uma camiseta manchada de café que dizia PAI DE JOGADORA DE TÊNIS. Banerjee observou-o ir com uma carranca distraída. o gato passou por suas pernas para o corredor escuro à frente. Emma parou na porta. Após um longo momento. — Sutton — ele disse. O Dr. E se ela só piorasse as coisas para o Dr. afinal? Ela olhou para trás para a forma escura e gigantesca do cânion. Mas ainda valia a pena tentar. Sobre Nisha. O som da campainha soando tão de repente na noite tranquila a fez saltar. Antes que Emma pudesse dizer qualquer coisa.

A colcha roxa estava esticada e oito almofadas macias estavam apoiadas no topo. muito menos onde Nisha poderia ter escondido.O Dr. Banerjee tirou os óculos e limpou-os na bainha de sua camisa suja. Caso contrário. A casa estava quase completamente escura. Sua visão ficou um pouco distante de novo. Agassi entrou furtivamente pela porta e saltou suavemente na cama. Caixas de pizza e recipientes chineses estavam empilhados precariamente. — Claro. como uma propaganda de um hotel cinco estrelas. . durante sua segunda semana em Tucson. Ele passou os dedos pelos cabelos e os deixou mais selvagens do que nunca. A luminária em forma de flor no corredor do quarto de Nisha exalava iluminação suficiente para Emma andar. e a visão de suas meias de tênis absolutamente brancas ajeitadas filas por filas enviou uma onda de tristeza através de Emma. Quando ela acendeu a luz agora. procurando na parte de trás de cada gaveta por um compartimento escondido ou um bilhete colado fora de vista. Todos os livros dela estavam em ordem alfabética nas prateleiras. Ela ficou de joelhos e analisou a escrivaninha. Nada parecia fora do lugar. Quando passou pela cozinha bronze brilhando. ela ficou surpresa com o quão pouco ele havia mudado desde então. olhando através das pilhas bem arrumadas de blusas e camisetas. Ela soprou uma mecha do seu cabelo para longe do seu rosto e suspirou profundamente. eles pareciam mais manchados do que antes. Emma começou com a cômoda. em seguida. Emma tinha ido ao quarto de Nisha uma vez antes. ela viu os restos de embrulhos de comida de uma semana empilhados sobre as bancadas. Ela nem sabia o que estava procurando. tocou debaixo da cama. Ela teria apenas que torcer para que ela soubesse quando visse. Banerjee tinha ajeitado tudo. Em algum lugar dentro da casa. Emma ficou indecisa no meio do tapete. Enquanto ela olhava ao redor. — Eu acho que deveria alimentá-lo — ele disse vagamente. Ele estendeu a mão e acariciou o cotovelo dela. Na época Nisha ainda era suspeita. Uma mosca circulava uma samosa meio comida em um prato de cerâmica. e ela tinha escapado durante um jantar de tênis para tentar encontrar pistas. O Dr. Não havia nenhum sinal da confusão que o assassino de Nisha fez — parecia que o Dr. parecia que Nisha poderia ter acabado de sair. Sutton. Nisha tinha mantido seus pertences separados por cores e perfeitamente organizados. Quando ele colocou-os de volta. e até mesmo levantou o tapete do chão. Banerjee teve um sobressalto. desapareceu no corredor. A única evidência de que alguém tinha remexido no quarto recentemente era uma gaveta com o painel frontal quebrado na cômoda. Um sorriso triste curvou seus lábios levemente para cima. o gato soltou um miado alto suplicante. Um recipiente do sorvete Ben&Jerry estava caído sobre uma poça derretida de cereja. como se o esforço necessário para concentrar sua atenção finalmente tivesse se esgotado. — Apenas vá embora quando você terminar — ele disse.

Nisha e Sutton. passando seu olhar mais uma vez em torno do quarto de Nisha. Então Emma notou uma nova foto que não tinha estado lá da última vez. Nisha. Eu não conseguia me lembrar por que tínhamos nos odiado tanto depois. ligou a máquina de lavar louça. Nisha era amiga de Sutton — ou pelo menos amiga o suficiente para convidá-la para uma festa de aniversário. Ela encontrou um rolo de papel toalha sob a pia e limpou os balcões. A maioria das fotos era de Nisha jogando tênis. Naquele dia. Michelle Kwan fazia o Toe Loops parecer tão fácil. e várias de Agassi com uma aparência brilhante e bem tratada. e a menina do meio usava uma tiara em seu cabelo escuro. e nós duas estávamos dispostas a lutar por elas. Então. o assassino de Sutton tinha estado um passo à frente dela desde que ela chegou em Tucson. Em algum lugar na casa ela podia ouvir o murmúrio de um aparelho de televisão.Nisha mantinha suas fotos atrás de um painel de vidro perto de sua cabeceira. com as palavras MEU OITAVO ANIVERSÁRIO. Afinal. Era uma foto mais antiga. Ela apagou a luz e começou sua longa caminhada de volta ao corredor. Parecia que Nisha tinha colocado lá recentemente. Por que desta vez seria diferente? Ela estava na porta. Ela mostrava três meninas em patins de gelo. amiga o suficiente para andar de patins de braços dados com ela. Adeus. Emma ajoelhou-se de frente para ele com os olhos deslizando sobre a colagem. Eu sinto muito que você tenha sido envolvida nisso. de braços dados e rindo tanto que uma das meninas da ponta — uma garotinha loira com o cabelo em tranças — parecia estar prestes a cair. Os lábios de Emma torceram para baixo. depois que ela começou a sair com Emma. ela já estava nas mãos do assassino. Sutton estava com um dente faltando. ela foi até o balcão e começou a recolher os recipientes de comida vazios. Era Laurel. Talvez fôssemos apenas semelhantes em todas as formas erradas. mas passamos a maior parte do nosso tempo caindo sobre nossos traseiros e rindo de nós mesmas. Nisha e eu tentamos ensinar uma a outra alguns dos truques que tínhamos visto durante os Jogos Olímpicos. eu ouvi um som distante de riso infantil ecoando pelos corredores da minha memória. movendo-se tão silenciosamente como pôde. . Havia também algumas dela com uma mulher que Emma supôs ser a mãe dela com brincos de pérola elegantes e batom cor de vinho. Todas usavam vestidos de festa rodado. na pista de gelo. Uma estrela roxa brilhante tinha sido pintada em uma de suas bochechas. A data era de vinte de abril. ela pensou. em seguida. Emma virou a foto. Por um momento. Queríamos as mesmas coisas. Se alguma vez houve uma evidência aqui. Antigamente. impulsivamente. ela deu uma parada súbita enquanto mordia o canto do lábio. Na porta da cozinha. um pouco amassada e sem moldura. Emma se levantou e suspirou.

passando pela luminária noturna. quem fez isso com a gente vai pagar.Em seguida. os vasos elegantes e todas as outras coisas que o Dr. Eu adicionei a minha despedida com a da minha irmã. Adeus. Nisha. ela enfiou os recipientes dentro de um saco de lixo e levou-os com ela. . Banerjee tinha compartilhado uma vez com a sua família — e então de volta para a escuridão adiante. Eu prometo. pela bela mobília. as tapeçarias coloridas.

Seu cabelo escuro caía sobre um olho. esperando para falar com ela. Então ela se sobressaltou. — Você está indo para o pátio? — Eu não estou com nenhuma pressa — ela disse. Ele era um bom ouvinte. erguendo a mochila mais alto em suas costas. . Ela começou a pensar que os dois poderiam colocar o relacionamento dele com Sutton de lado e serem amigos — até que ele a beijou na festa de Charlotte. ela e Thayer tinham começado a construir uma amizade cautelosa.CAPÍTULO 5 . Ela não tinha certeza se estava pronta para enfrentar a equipe de tênis. ela sabia que ele ainda estava desconfiado. a única pessoa que me conheceu de verdade. e sua mochila estava pendurada casualmente sobre um ombro. há duas semanas. eu levo você até os vestiários — Thayer disse. Ela o afastou. e fechou a porta. olhando para seu reflexo no pequeno espelho dentro do armário de Sutton. — Ei — Emma disse. — Entendo. e quando Becky apareceu novamente na vida de Emma. Mercer para manter a notícia sobre a outra filha de Becky em segredo — se Thayer descobrisse que Sutton tinha uma irmã gêmea separada dela há muito tempo. dizendo que sabia que algo estava errado com ela. Emma tinha a sensação de que não demoraria muito para ele descobrir quem ela realmente era. No mês passado. Ele apenas olhou para ela. tensa e ansiosa para seus ouvidos. ele foi uma das poucas pessoas que ela sentiu segurança em revelar. na escola. — Como você está se sentindo? — Eu? Eu estou bem. Thayer tinha sido o único menino que eu amei. — A voz de Emma soou muito alta. Ele usava um suéter cinza de manga comprida bem apertado sobre o seu peito musculoso. sorrindo tristemente. abraçando os livros junto ao peito e dando-lhe um sorriso trêmulo. Ele a confrontou dois dias depois. ela ordenou a si mesma. Emma piscou com uma lágrima. — Vai ser como um segundo funeral. — Ei — ele disse. não ainda. Thayer Vega estava parado ali. Seria uma prática de tênis emocional. Uma onda de alívio tomou conta dela quando ela se lembrou do apelo da Sra. — Vamos lá. Emma lentamente juntou seus livros do seu armário. e mesmo que ela tivesse conseguido desprezar suas acusações. — Ele analisou o rosto dela por um momento. mas não antes que ele tivesse a chance de perceber que algo estava errado.SEU CORAÇÃO TRAIDOR Depois que o último sinal soou no dia seguinte. Se recomponha. Meu coração de garota-morta deu uma sacudida com a visão dele.

Garrett — ela retrucou. Mamãe e papai prepararam um peru grande no jantar porque já tinham feito as compras e não queriam jogar no lixo. ele não tinha conseguido controlar Sutton. sorrindo com a lembrança do Grande Dinamarquês. Talvez. Exceto por Drake — ela acrescentou. — Embora eu adoraria vê-lo acabar com você novamente. Mas talvez ele tenha se referido as mentiras de Emma sobre ser Sutton. na pior. Isso parece horrível. Um dia ela teria pensado que ele estava apenas se referindo a infidelidade de Sutton. que tinha casualmente passado por uma bancada e sentido o cheiro de um prato de batata-doce. Emma ficou tensa ao lado dele. e seus lábios se torceram em uma diversão amarga. Ele deu de ombros. Ele estava sozinho. — O de sempre. — Eu sinto muito. e sua bolsa de equipamentos estava largada no chão ao lado dele. mas eles devem ter apenas guardado tudo no congelador. Ele deu uma risada amarga. Mamãe queimou o peru. Garrett deu-lhe um olhar longo e frio com seu sorriso se alargando lentamente. Ela lhe deu um olhar simpático. sarcasticamente. Ao atravessarem os azulejos de um pequeno pátio. . com exceção de uns alunos de teatro usando roupas pretas para a produção escolar de As Bruxas de Salém. seu olhar preso intensamente sobre ela. — É. — Não lhe interessa com quem eu ando. Ele ficou com as pernas abertas plantadas e cruzou os braços sobre o peito. e o meu pai jogou um copo de vinho nela. Ninguém teve muito apetite. — Isso é apenas o habitual da Casa dos Vega. Vega. lembrando das palavras de Laurel. Eu mesmo deveria ter feito isso há muito tempo. Os corredores estavam quase vazios agora. sabia disso? É quase como se você acreditasse em suas próprias mentiras. — Cuida da sua vida. Um menino cheio de espinhas carregando uma tuba correu para fora da ala de música e desapareceu através das portas que davam para o campo de futebol. Talvez isso o tenha deixado furioso. Thayer. E nenhum de nós estava muito no humor para coisas de família de qualquer jeito. Seus olhos estavam severos e raivosos. Parecia que ele tinha sido mais controlador do que ela poderia imaginar.— Vocês tiveram uma boa ação de graças? — Emma perguntou. — É melhor vocês não deixarem Landry pegar vocês andando tão amigáveis por aí — ele disse. Ela prendeu a respiração bruscamente. no final das contas. A família de Thayer era na melhor das hipóteses volátil e. tentando criar uma conversa fiada enquanto eles andavam pelo corredor. Era Garrett. cara — Thayer respondeu. Emma ouviu uma risada sombria de um banco no canto. completamente violenta. Mads e eu acabamos escapando e ficando no Burger King. — Você é hilária. Emma assentiu.

e uma carranca enrugava sua testa. Ele tem dito umas coisas estranhas para mim desde que eu voltei. Para eu ter cuidado. mas o fotógrafo tinha de alguma forma pego um pequeno sorriso em seus lábios. Sutton. Ele foi bem agressivo. mas não . é melhor eu ir me trocar. — Você acha que poderia ter sido Garrett? — Garrett. você lembra de alguma coisa do rosto que você viu através do para-brisa naquela noite no Sabino? — ela sussurrou. Ela dava a câmera um olhar sério. Ela mordeu o lábio e respirou fundo. certo? Thayer assentiu. Ao redor da foto. Obrigada por. vir comigo. — Que coisas estranhas? — Apenas besteiras machistas. Eu realmente não consegui ver nada. — Cara. — Ela suspirou. — Você sabe que Garrett sabe sobre nós. Thayer virou-se para olhar para ela de novo. já chega. — Sua testa estava franzida. eu acho. Eu gostaria de ter algumas respostas. Eles pararam no corredor esportivo fora dos vestiários. Mas ele me encurralou na escola em uma festa algumas semanas atrás. — Você tem alguma razão para pensar que foi ele? — Não. balançando a cabeça lentamente para Garrett. Vamos. obviamente tentando aparentar digna do futuro que ela imaginava que teria na Ivy League. como se estivesse procurando por algo em suas feições. — Ele colocou a mão suavemente sobre as costas dela e a conduziu através da porta para a ala de atletismo. poemas. Thayer acenou com a cabeça. Na foto. A garganta de Emma ficou seca. Ela suspirou. Seu rosto estava tempestuoso. O retrato sênior de Nisha estava emoldurado com veludo preto e pendurado em um quadro de cortiça ao lado do guichê. Então ele as relaxou. Ele olhou para os dedos dela em sua manga por um longo tempo.. ele estava caindo de bêbado. então olhou para cima para encontrar seus olhos. também. Nós nunca fomos muito amigos. esse tipo de coisa. — Thayer deu de ombros. as pessoas tinham prendido bilhetes e cartões.. o vestido azul cobalto brilhava contra sua pele escura. — Isso é tão horrível — Emma sussurrou. letras de músicas e mensagens com caneta rosa brilhante que Nisha teria ridicularizado como muito feminino. Ela parou de andar e tocou em seu braço. — Thayer. — Eu desconsiderei no começo. — Eu não sei. — Tem muitas coisas na minha vida que não fazem nenhum sentido no momento. estava tão escuro. e os cantos de sua boca viraram para baixo enquanto ele olhava para a foto.As mãos de Thayer cerraram em punhos por um momento. seu olhar era perspicaz e intenso. — Eu desconfiava. — Bem. a não ser por ele estar com raiva de nós dois. Isso é patético até mesmo para você. — Ele piscou de surpresa. Emma olhou para Thayer pelo canto do olho enquanto eles caminhavam.

— Algo em você mudou totalmente. Sutton. — Eu tenho que ir. olhou rapidamente para longe. . — É estranho — ele disse em voz baixa. — Emma respondeu com seu coração balançando nervosamente. de repente com medo dos olhos castanhos de Thayer. enquanto que tudo o que eu tinha eram algumas cenas dispersas. — Eu não sei. Ela e eu observamos juntas ele se afastar. — Ele se virou para as portas duplas de vidro e se afastou dela. em seguida.soubesse o quê. de alguma forma. Mas ele não olhou para trás. — Ele enfiou as mãos nos bolsos. Emma se esquivou. Ela olhou para a expressão magoada e confusa de Thayer. — Vejo você por aí. Eu iria conseguir todas essas lembranças de volta? A respiração de Emma parecia estranhamente baixa. nem sequer uma vez. — Certo. Thayer tinha tantas memórias do nosso tempo juntos. e só está me vendo de uma forma diferente. — Ou talvez você tenha amadurecido. Thayer balançou a cabeça. Sutton. Ok. — Talvez eu tenha amadurecido. mas eu sei que nada pode mudar o que eu sinto por você. para que ele soubesse que eu ainda estou aqui e que eu ainda estou apaixonada por ele. Eu queria chamá-lo e detê-lo. Mas foi misturado com um profundo sentimento de tristeza. Um alívio inundou meu corpo — o garoto que eu amava tão desesperadamente ainda me amava. Às vezes parece que você se transformou em uma pessoa totalmente nova enquanto eu estive fora.

eu me recusei a ir a menos que eu pudesse levar as minhas amigas. A mandíbula de Madeline caiu. — Minha mãe decidiu que vamos para Barbados no Natal. apontando para uma mancha na coxa de Emma. — Sutton? E você? Emma mal podia processar o convite de Charlotte. — Então. Você sempre convence. — Eu acho que ela decidiu faltar aula. então. — Oh meu Deus — Madeline deu um grito atípico com seus olhos brilhantes. Imagens de praias com areia branca e água azul brilhante imediatamente apareceram em sua mente.CAPÍTULO 6 – O SEGREDO DO CÂNION O zumbido de rodas de cerâmica promovia um ruído suave de fundo enquanto Emma estava sentada no estúdio de cerâmica na quarta-feira de manhã. Charlotte colocou o vaso para baixo. bebendo água de coco e observando os meninos em pranchas de surf. — Em poucas semanas estaremos deitadas na praia. Ela mergulhou os dedos no balde de argila que ela tinha pego do tonel na parte de trás da sala e passou levemente em seu projeto. — Eu não aguento mais isso. lutando para fazer uma asa para um jarro torto. — Você está brincando? — Eu já brinquei em relação às férias? — Charlotte piscou. Isso pareceu confirmação o suficiente para Charlotte. vadias. — Eu topo! Charlotte olhou para Emma em expectativa. A única “praia” que ela já tinha estado foi em uma falsa em um parque aquático fora de Vegas. começou uma descrição da casa particular que seus pais tinham alugado. — Eu gostaria de ter faltado com ela. Não era do feitio de Laurel faltar aula sem as outras garotas do Jogo da Mentira. — Você sujou seus jeans com alguma coisa — ela disse. cadê Laurel? — Madeline perguntou. com adolescentes gritando e um rio tranquilo que provavelmente era cheio de xixi. porque nós vamos para a terra do rum e da Rihanna. embora ela tenha problemas maiores agora do que os jeans da J Brands de Sutton. É melhor isso sair quando eu lavar — Emma resmungou. claro. — Emma encolheu os ombros. você vai convencê-los. Ele está se comportando melhor depois que a minha mãe encontrou uma mensagem safada no celular dele. Madeline franziu o nariz em desgosto. olhando ao redor. Mas. E. se esticado para dar um tapinha nas costas de Madeline. Façam as malas. — Oh. papai também vai. mas várias coisas estranhas tinham acontecido ultimamente. os bares de praia . ela hesitou. — Aqui vai uma coisa para nos animar — Charlotte disse. — Mads suspirou quando sua caneca desabou novamente. — Ela riu de excitação. — Eu vou ter que pedir a mamãe e o papai — ela disse. — Eca. sorrindo. De qualquer forma.

Alguns de seus pais adotivos tinham tentado comemorar o feriado. Isso explicava o motivo de ela não estar em aula. Ethan estava aqui. Algo aconteceu. Emma tinha certeza de que o Natal com os Mercer seria diferente. Havia geralmente alguns presentes impessoais de uma instituição de caridade — e três anos seguidos. sua voz nasalada estava abafada. mas Emma saiu em uma velocidade perigosa. estava na porta. Os olhos de coruja da Sra. Ela imaginou Laurel tocando canções no piano. abriu a porta e saiu para o corredor. Ela sabia que isso era piegas. Ela olhou freneticamente ao redor até que avistou a Sra. mas ela tinha ficado pálida. Gilliam estava claramente tentando parecer calma. batendo contra a estante atrás dela. em seguida. Algo tinha acontecido com Laurel. caminhou rapidamente pela sala para sussurrar algo em seu ouvido. Mercer — Peggy gritou atrás dela. totalmente desafinado. Ela nunca teve um Natal de verdade antes. a porta do estúdio de cerâmica se abriu. e as celebridades que iriam secretamente. Emma e eu pensamos imediatamente.que serviam piña coladas todas as tardes. Suas pulseiras tilintaram em desarmonia quando ela fez um gesto na direção de Emma. mas nunca realmente fez Emma se sentir bem-vinda ou incluída. Seu cabelo grisalho normalmente bem arrumado estava se soltando do seu coque. Naquele momento. — O que está acontecendo? — ela conseguiu perguntar através de sua garganta sufocada. e beberiam gemada perto da lareira — embora ela provavelmente não ficasse abaixo de dez graus no Arizona. — Ande. Apenas vá. não se preocupe com isso. mas ela mal podia esperar para ver a sala brilhando com os enfeites e perfumada com o cheiro de uma árvore. Eles pendurariam meias e enfeites. Peggy falou dessa vez. E ela sempre quis beijar um garoto debaixo de uma árvore de natal. Além disso. Srta. A verdade era que ela estava ansiosa para comemorar as férias com os Mercer. não corra. ele sempre está lá — Char estava dizendo. — A Sra. Mercer usando uma blusa de Natal feia e um chapéu de Papai Noel enquanto assava biscoitos de açúcar. não em Barbados. mas Emma não estava escutando. Ela não se importava com os presentes. Laurel. O coração de Emma parou de medo. Emma estava de pé sem perceber inteiramente. — Sutton. ela havia recebido conjuntos de mesa baratos de doadores bem-intencionados — e talvez um jantar com um peru seco. mas ela não se importava. com certeza. A tigela de Charlotte escorregou de sua mão e se espatifou no chão. — Rob Pattinson. passando pelos cartazes DIGA NÃO ÀS DROGAS! e WILDCAT PRIDE. você precisa ir ao escritório. Gilliam foram em direção à Emma. seus sapatos deslizando perigosamente no . A gerente de escritório da escola. a Sra. Ela nunca teve um Natal piegas para ficar farta. Gilliam. Mercer cantando. o Sr. uma mulher gentil chamada Peggy. — Eu limpo para você. — Seus pais estão aqui para vê-la.

correndo em direção à Laurel e abraçando-a com força. o amado Volvo de Sutton brilhava ao sol. Pela primeira vez.. ela esbarrou em alguém — alguém que cheirava familiar. Ela virou em uma esquina e seu quadril bateu em uma lixeira. Ela sabia o que ele diria em segundos antes que ela pudesse ouvir. O assassino tinha atacado outra vez? A morte de Laurel iria parecer com um suicídio.. pegando Emma pelo cotovelo e levando-a para a porta. o que está acontecendo? Emma se afastou para olhar por cima do ombro. papai? — Vamos sair daqui — ele disse em voz baixa. fazendo um gesto para que elas se sentassem. — Você está bem. fazendo-o rolar pelo chão. E ao lado dela estava Laurel. mas ela estava claramente abalada.. Atrás dele. — Ela olhou para o Sr. Ela precisava abraçar Laurel o suficiente por nós duas. ele encontrou os olhos dela. que bom te ver. goma de menta e hospital. — Oh meu Deus — Emma exclamou. uma voz trêmula falou por trás do Sr. Ele ainda estava usando um jaleco e um crachá do hospital.linóleo desgastado. eu estava grata pela tendência de Emma para mostrar mais emoção do que eu jamais mostraria. — Sutton. Ele a puxou e abraçou-a com força. Uma pequena faixa de gramado estendia-se entre o edifício e a calçada. A poucos metros de distância. Por um momento. Ele inalou profundamente. — Eu apenas pensei. rígida em seus braços com seu coração ainda acelerado. ele obviamente tinha vindo direto do trabalho. Eu estava preocupada que você. O que ela viu ali parou sua respiração irregular em sua garganta. uma mesa de piquenique velha cheia de pichações feitas há anos era presa a uma placa de estacionamento para deficientes. você não estava na sala de aula.. e então. Laurel e a Sra. — Hum. como a de Nisha? Em seguida. Mercer. Assim que ela estava prestes a entrar no escritório. franzindo a testa. Mercer levantou-se com os olhos inchados de lágrimas. — Graças a Deus — ele murmurou com seus olhos passando sobre suas características como se ele estivesse checando cada uma delas. a Sra. O Sr. . como grama recém-cortada. também? — Laurel tentou brincar. Eles saíram pelo estacionamento dos estudantes. Mercer. finalmente. Mercer.. Emma ficou ali. — O que está acontecendo. Mercer levou todos suavemente em direção à mesa.. Mercer os seguiram. O abismo de medo no peito de Emma se abriu mais ainda quando o avô dela se sentou lentamente ao seu lado. Uma única lágrima quente deslizou no rosto de Emma. mas ela não parou. Ela deu um passo para trás e torceu uma mecha de cabelo nervosamente ao redor do seu dedo. Era o Sr.

como um espelho quebrando diante dos meus olhos.— A polícia encontrou um corpo no Sabino Cânion — ele disse. Ela abriu a boca e soltou um soluço angustiado. Meus pais e minhas irmãs foram para longe da minha visão. As mãos de Emma se apertaram contra suas coxas. eu estava de volta ao cânion. . — Eles acham que é a sua irmã. na última noite da minha vida. cada vez mais frenético. E assim. Um sentimento de pânico agarrou-se dentro de seu peito. até que ela não pôde afastá-lo por mais tempo. A tarde ensolarada fragmentou em mil pedaços.

egoísta! — minha voz ecoa em todo o cânion. A lua parece fantasmagórica. apenas. as luzes de Tucson estendem-se aos meus pés. jogando mais uma pedra no ar da noite.. Por eles não conseguirem solucionar seus próprios problemas. O acidente. Entre a escuridão e toda a choradeira dessa noite. até os grilos estão silenciosos. — Egoísta — eu grito.CAPÍTULO 7 . depois que eu passei tanto tempo ansiosa para vê-lo. eu tenho uma irmã gêmea. conduzido por alguém que eu não pude ver. — Você é.. Eu me sinto mais sozinha do que eu jamais me senti na minha vida. jogando-as com tanta força quanto eu posso para o outro lado do cânion. me escondendo do mundo como eu fazia quando eu era criança. A raiva passa através de mim. ainda mais do que nos anos que eu me perguntei por que a minha mãe biológica me abandonou. Os músculos do meu ombro flexionam e queimam com o esforço. eu percebo agora. meus olhos tinham começado a ficar tensos. e eu descanso as minhas mãos sobre o meu rosto por um longo momento. eu nunca vou me sentir completa. Então. voltando para mim cada vez mais fraca até que ela desaparece. Dói porque sem esta peça que falta. Eu sempre acordava com uma sensação de paz e de alguma forma de tristeza. Nesse momento. eu tenho estado longe da minha gêmea. Meu pai. Muito abaixo de mim. E então a própria Becky — minha triste e atormentada mãe biológica — me dizendo que em algum lugar lá fora. que veio me dizer que eu sou neta dele. A pressão das minhas mãos me acalma.. Uma parte de mim sempre sentiu falta dela. Eu fui separada da única pessoa que poderia me entender. afastando tudo ao meu redor — mas não pode afastar as memórias que ficam aparecendo no meu cérebro. Eu penso nos meus antigos sonhos. Eu estou com raiva de Becky. Uma parte de mim sempre soube. as minhas mãos estão vazias. que minha mãe biológica é sua filha Becky. onde meu reflexo saía do espelho e nós brincávamos juntos. essa outra garota que se parecia comigo e ainda assim não era eu. brilhando através das nuvens espalhadas e lançando sombras estranhas por todo o desmatamento deformado e grotesco. Eu fico ali por um momento com a minha respiração ofegante e meus . por que os meus pais gostavam mais de Laurel. Isso dói.. A briga com Thayer. o som horrível de Thayer fraturando a perna quando o meu próprio carro se chocou contra ele. além do vento ecoando melancolicamente por entre as árvores. Eu estou com raiva dos meus avós. até que não há som no cânion. A brisa é nítida em minhas bochechas úmidas. que poderia ter feito eu me sentir menos sozinha.UMA MÃO NO ESCURO Os passos de Becky desaparecem na escuridão aveludada. Eu nunca queria deixá-la. Eu me inclino para baixo e pego um punhado de pedras.

olhando para a foto e piscando para conter as lágrimas. e eu não me importo com quem saiba. Nós damos força um ao outro. eu sei. provavelmente. eu começo. Afastando-me da paisagem urbana. Deve ser alguma pessoa com hábitos noturnos indo para casa. A única pessoa que eu deixaria me ver quando estou vulnerável desse jeito é Thayer. eu estou superada pela súbita necessidade de dizer tudo. Foi Thayer que quis manter nosso relacionamento em segredo. eles já tenham sido punidos o suficiente por seus erros. Nós magoamos as pessoas. incluindo a nós mesmos. apenas talvez. Quando não estamos brigando. Eu poderia jogá-las durante toda a noite. e ele vai dizer algumas coisas más e cruéis. Eu suspiro. as mentiras que eu tenho que dizer. Eu deveria começar a caminhar de volta para o estacionamento. magro e cheio de lágrimas. Eu dou uma inspirada profunda do ar frio e fresco da noite. é melhor fazer isso enquanto as emoções estão frescas e recentes. Eu paro e ouço com meu coração acelerado. Algo se move nos arbustos. como a água de uma esponja. Eu não quero magoar Garrett. Eu amo Thayer. mas eu só quero olhar a foto dele. Mas estou cansada de mentiras. afinal de contas. e apesar de eu amar seu sorriso arrogante. Eu não tenho medo do quão verdadeiro o nosso amor é. Lembrome do olhar ferido no rosto do meu avô quando eu gritei com ele mais cedo nessa noite. mas seja lá o que for fica em silêncio.dedos cerrados. Eu poderia pegar mais pedras. Garrett vai ficar magoado. eu consegui tirar esta foto antes que ele percebesse. Estou muito longe de perdoá-los. arrancar o curativo agora? Do que continuar iludindo ele? Eu abro um e-mail no meu celular da nossa conta secreta e começo a digitar. Laurel ou Madeline. A única coisa que nos mantém separados é o segredo que eu tenho escondido. Eu pego o meu celular e disco o número de Thayer — não tem área aqui. Eles já sofreram mais do que eu desejaria a qualquer um deles. Thayer normalmente sorri para a câmera. E eu concordei. e para o outro lado da rua até a casa de Nisha para pedir para alguém me levar para casa. ele está olhando para o Wasson Peak. Todos os nossos encontros escondidos são tão ruins quanto os segredos que os meus pais guardaram de mim. É a minha foto favorita dele. Elas sempre esperam que eu mostre um mínimo sinal de fraqueza. Mas não é melhor. Caro Thayer. Esse é o lado sério e pensativo de Thayer — este é quem ele é quando está comigo. Mas de repente eu penso no rosto devastado de Becky. a leve semelhança com o meu próprio rosto é inconfundível. que é a assinatura dele. Mas eu não quero ver nenhuma das minhas amigas agora. . Eu vou terminar com Garrett e contar a todo mundo sobre Thayer. Mas talvez. E a raiva começa a sair de mim. eu me sento exausta no banco novamente. nós somos perfeitos juntos. Seu rosto vai ficar roxo de raiva.

eu fingi parar o meu carro sobre os trilhos do trem. — Olá? — eu chamo. . Eu soo mais corajosa do que eu me sinto. Falar as palavras de segurança foi a única forma de manter o jogo interessante. Mas ninguém responde. a frase só deveria ser usada se estivéssemos realmente em apuros. Não parece um animal para mim. No Jogo da Mentira. O que acontece no Jogo da Mentira permanece no Jogo da Mentira. Eu faço uma pausa. Mas durante essa brincadeira eu tinha feito o imperdoável: Eu disse: Que eu morra se estiver mentindo. Eu costumava ansiar por aquela adrenalina. ordenando a mim mesma a não parecer assustada. Talvez ele tenha pedido para ela vir me buscar e ela tenha decidido me fazer um pouco de medo. Eu salvo o e-mail e levanto do banco. Nós estávamos tão acostumadas com as brincadeiras umas das outras que nós reconhecíamos a milhas de distância e sabotávamos antes mesmo que ela tivesse a chance de realmente começar. — Tem alguém aí? Diga alguma coisa — eu grito. quando estávamos esperando conseguir uma mesa no Cafe Poca Cosa e se assustou — ele perguntou o que tinha acontecido. Que eu o amo. Alguém está no cânion comigo. Tudo transborda para fora de mim. Mas. Eu mereço isso. meus nervos estão alertas. o meu pulso bate contra os meus ouvidos. você nunca sabe quando uma de suas amigas está filmando você enquanto você está parecendo uma idiota ou preparando uma brincadeira para você. Talvez Becky tenha voltado para me contar mais sobre a minha irmã. Alguém pode estar me filmando das árvores. me punir por estar aqui com seu irmão. eu usei três frascos de corretivo em uma semana tentando encobri-lo. outro farfalhar suave nos arbustos. Eu dou alguns passos em direção à origem do som. já é tarde. Na hora me pareceu ser uma ótima ideia.E então eu continuo escrevendo. E então eu ouço outro barulho. mas não consigo ver nada além das árvores e das pedras que circundam a pequena clareira. mas eu simplesmente ignorei a pergunta. desde então. Isso costumava ser divertido. Você está sempre esperando a sua punição. Antes de eu destruir a pausa de emergência. eu não estou no clima para essa merda. Ou talvez o meu pai tenha vindo me buscar. Meu sangue acelera novamente. As minhas amigas fizeram um sequestro falso uma semana depois e filmaram a minha irmã me estrangulando com o meu próprio medalhão. Eu digo a ele tudo o que eu guardei por tanto tempo. Isso deixou um grande hematoma na minha garganta. — Qual é. Nossas brincadeiras estavam começando a ficar previsíveis e sem graça. Garrett viu em uma noite. Que eu estou pronta para passar para a próxima fase do nosso relacionamento. Apenas algumas semanas antes. aquela sensação de estar um pouco fora de controle. Mas isso foi antes de termos uma pausa de emergência. o jogo ficou um pouco interessante demais. Foi uma boa brincadeira. Poderia ser Madeline — Thayer poderia ter ligado para ela do hospital.

— Garotas? — Minha voz soa muito alta. Quem quer que o atropelou ainda pode estar aqui. Quando a lua desaparece atrás de um denso e aglomerado de nuvens. Laurel vai ficar mal-humorada e vai dizer que eu só quero acabar com o jogo para magoá-la depois que ela se esforçou tanto para entrar. E assim que eu percebo quem ele é. . Minha boca está seca. Eu penso no estranho no meu carro. mas é como se a minha garganta estivesse cheia de areia. Eu tento imaginar as reações delas com essa ideia. Talvez seja a hora de acabar com o Jogo da Mentira. O cheiro de uísque se mistura de forma repugnante com o de hortelã. vadias. eu estou literalmente pirando porque eu acho que as minhas amigas estão fazendo alguma coisa. Madeline vai fazer chantagem e tentar me persuadir. atropelando Thayer. Estou cansada de não poder confiar em ninguém — nem mesmo nas minhas melhores amigas. eu tento tocar o caminho no escuro. Eu começo a descer lentamente. — Eu me afasto do banco. depois de tudo o que eu passei. — Sutton — uma voz rosna atrás de mim. e não é tão divertido quanto eu esperava — eu estive inquieta desde então. se escondendo nas sombras. Isso não parece como uma amizade deveria ser. coberto de raízes e pedras.Antes daquela noite. Mas eu conheço essa voz. olhando para a escuridão. Eu tento engolir. E agora não há como voltar atrás. O caminho para o estacionamento é íngreme e traiçoeiro. Eu limpo a minha garganta e tento novamente. É nesse momento que eu sinto a mão de alguém no meu ombro. Mas eu estou odiando isso hoje e todas as noites. Charlotte vai ficar toda mandona em relação a mim e me dizer que não sou eu que decido. É Garrett. você não pode corrigir isso. Depois de ter quebrado uma regra como essa. minhas mãos estão tremendo enquanto eu jogo a bolsa por cima do ombro e vou em direção a trilha. — Ok. áspera e com raiva. — Mads? Char? — Eu dou mais um passo em direção às árvores. A atuação de perseguição idiota não está enganando ninguém. sempre esperando outra surpresa. As apostas subiram. nunca tínhamos feito uma brincadeira tão corporal umas com as outras. eu sei exatamente no problema que eu me meti. me inclinando para trás para me equilibrar. A poucos metros de distância uma coruja dá um silvo suave e me faz saltar.

Sutton — ele murmurou. você não esteve desaparecida. primeiro. Tão violento. sua respiração ficou dolorosamente congelada em seu peito. Eles nos chamaram. — Sim. — Sua voz falhou. e Laurel colocou um braço reconfortante em torno dos seus ombros. Deus. Seu casaco estava abotoado errado.. O mundo deslizou dentro e fora de foco ao redor dela.. — Garrett tinha voltado — eu corrigi a minha irmã em silêncio. Por que eu tinha ficado com ele. que havia sido roubada em sua primeira noite em Tucson. aquela voz no meu ouvido. Eu identifiquei o corpo. . Depois de tanto tempo.. O estômago de Emma revirou violentamente.. A respiração de Emma continuava presa em sua garganta então ela tinha a impressão de que estava a um passo de hiperventilar. Sutton. Mercer abafou um soluço. E a segunda. A carteira de motorista dela? A carteira de motorista de Emma? A carteira de motorista dela. há alguns meses.. Eles pensaram que era algum tipo de identidade falsa — a Sra. Se a polícia a tinha encontrado com o corpo. — Mas é claro. — Minha. nem parecia real. o assassino tinha voltado para a cena do crime para plantar provas. como se pouco tempo houvesse se passado desde aquela noite no cânion. — Eu sinto muito. pelo menos. ouvir isso fez parecer mais real. notando pela primeira vez a lama nos cotovelos do seu jaleco e os galhos presos em seus sapatos. Alguém tinha finalmente encontrado o meu corpo. e as mãos dela continuavam sacudindo nervosamente em sua boca como se ela quisesse que as palavras parassem de sair de sua boca. isso significava duas coisas: a primeira. minha irmã? Do outro lado da mesa. É claro que ela sabia o tempo todo que Sutton estava morta. Garrett. Parecia tão óbvio agora. mas não tinha sido capaz de confirmar.. Mercer. O corpo. que o assassino tinha roubado — ela tinha suspeitado. — A foto. — Isto é — o Sr. sabendo de tudo isso? Como eu pude ser tão estúpida? — A polícia achou que fosse você. Era Emma. Mercer continuou com seus olhos assombrados. Eu ainda podia sentir aquela mão no meu ombro. não estava em boa forma. junto com a mochila dela. ela era exatamente como você. Ele tinha sido tão ciumento. mas de alguma forma.CAPÍTULO 8 – O ANDAMENTO DO JOGO Os pulmões de Emma estavam apertados como se o ar tivesse saído dela. Mercer disse suavemente.. — não havia muito para identificar. O corpo dela não estava. e o corpo tinha estado no cânion.. a Sra. e nós explicamos sobre Becky e o que nós tínhamos acabado de descobrir sobre Emma. Mas eles encontraram a carteira de motorista dela na bolsa dela. Emma virou-se para olhar para o Sr.

— Um calouro da universidade. eventualmente. as árvores e as montanhas estivessem supersaturado com cor. — Um garoto — o Sr. — Ele passou as mãos sobre os olhos rudemente. mas. o pé de fora. Ao lado dela. era difícil se livrar dessa imagem. como se ele estivesse tentando esfregar a memória do que ele tinha visto. — Eles não sabem de certeza até após uma autópsia — ele disse. eu . trocando olhares com sua esposa. Ninguém parecia suspeitar. exatamente como o de Nisha. — Quando eu a vi de primeira. seus pulmões encheram. não mais. finalmente. sua boca apertada em seu rosto. Para todos os efeitos. Eu queria saber como ele tinha me matado. um suicídio. — Quem a encontrou? — ela sussurrou através de suas mãos. O Sr. Mesmo que Emma não quisesse imaginar o corpo. Sutton Mercer — ou agora. Eu forcei minha mente. Vários ossos foram quebrados. O mundo de repente parecia ter um brilho surreal. É claro. Ela tentou não pensar no corpo de Sutton — uma garota que era exatamente igual a ela. Ela respirou fundo e. Pelo menos não até agora. Eles nunca encontrariam uma prova de que eu fui assassinada? Eu tentei voltar para a memória. Mas era como tentar voltar a dormir e continuar um sonho que foi interrompido. Mercer continuou. Seu coração batia tão alto em seus ouvidos que por um momento. que o corpo não era de Emma.. eu não pude evitar. como se o céu... Eu não conseguiria. Ela estava coberta com folhas. Emma Paxton — tinha simplesmente tropeçado e morrido. para a mão de Garrett no meu ombro.Emma colocou as mãos sobre o rosto. — Mas parece que ela caiu do penhasco. ainda. ou. Laurel estava olhando para ela. — Eles disseram que a investigação estava “em andamento” seja lá o que isso significa. Mercer estavam úmidos com compaixão. o Sr. decomposta. esse corpo não era eu. bem. Mas ele viu. O assassino tinha feito a morte de Sutton parecer um acidente. Então vamos ter que esperar pelo relatório do médico legista para ter certeza. Eu era um esqueleto agora com órbitas vazias olhando para o céu? Eu senti um tipo estranho de desapego.. Mercer disse. Emma afastou as mãos de seu rosto. — Como ela morreu? — a voz de Emma era apenas um sussurro. Mesmo que eu tivesse vivido nele por dezoito anos. Ele estava caminhando nas principais trilhas e encontrou-a no fundo de uma ravina. Mercer colocou a mão em suas costas e a esfregou suavemente. tentando me conectar com o que eles tinham encontrado lá no cânion. para que ninguém pudesse vê-la da trilha. Algo ilegível passou pelo seu rosto e desapareceu. Mas agora que ela sabia que era real. esperando que eu pudesse ativar o resto. ela não conseguia ouvir mais nada. Os olhos da Sra. — Eles não responderam a nenhuma das minhas perguntas quando eu identifiquei o corpo — o Sr. Mercer hesitou.

. — Eu estou tão aliviada que não é a nossa bebê. — Não! — eu gritei. Eles tinham o direito de se lamentar por Sutton. que ela já tinha morrido há muito tempo e que eu tinha acabado de te ver nessa manhã. Qualquer coisa. — Eu tenho que dizer uma coisa — ela disse. de onde ele tinha vindo. Um bilhete de estacionamento. ela ainda poderia fingir para si mesma que o bilhete poderia ser qualquer coisa. movendo-se roboticamente. Ela segurou-o em sua mão por um momento. Ela levantou-se. Mesmo que o meu cérebro me dissesse que não podia ser. incapaz de encontrar os olhos deles. mas se ela não o abrisse. mas ela não iria resolver nada confessando agora. sentindo os olhares dos Mercer sobre ela. Sua mente estava estranhamente calma enquanto ela caminhava para o carro e cuidadosamente afastava o limpador de para-brisas para pegar o pedaço de papel. — O que foi. Eu apreciei seus motivos. que sua irmã tinha restaurado com a ajuda do Sr. procurou algo dentro e tirou um pequeno pacote de lenços de papel que ela entregou à sua mãe. fazê-la ouvir a minha voz apenas uma vez. Ela apertou a mão sobre a boca para não deixar escapar um soluço. Mercer e Laurel chorando juntas foi a gota d’água. Como ela achava que iria resolver meu assassinato por trás das grades? — Eu. eu estava absolutamente certo de que era você. Não era justo. Ela estava usando um moletom rosa que eu podia jurar que já tinha visto você usando antes. tentando de alguma forma chamar a atenção de Emma. Mercer.. Um bilhete estava debaixo do limpador de para-brisas do Volvo. Ela sabia. Mercer gritou. Emma sentiu o próprio lábio tremer com a visão de sua avó tão desconsolada. — Emma olhou para o estacionamento enquanto ela falava.. De onde ela estava sentada ela podia ver o Volvo vintage de Sutton. Mas agora nós nunca vamos conhecê-la.tive certeza de que era você. Ela não podia mais fazer isso. Mercer perguntou suavemente. Laurel pegou sua bolsa. Mas Emma. Os ombros da senhora Mercer estremeceram quando ela começou a chorar novamente. um bilhete de amor. — Mas você está bem. O sol iluminava os para-brisas dos carros. Emma era nossa também. Eu nunca estive tão assustado. Eu sei que nós nunca a conhecemos. Ela tinha acabado de ver alguma coisa. — Ele a puxou para um abraço bruto. A visão da Sra. querida? — a Sra. se ela não visse a escrita irregular familiar. sem nem mesmo olhar. Estou muito grata por isso. Um calafrio passou por Emma. — Eu só não sei o que sentir — a Sra.. menos o que realmente era. com sua voz soando desafinada e distante em seus ouvidos. Mas Emma não respondeu. . Os Mercer tinham o direito de saber que era o bebê deles no cânion. Graças a Deus você está bem. um panfleto para uma festa. De qualquer um.

Eu acho que eu estou em choque. — Desculpe. sacudindo a cabeça. MantenhaMantenha-se no jogo. — Sutton? De volta ao gramado. Sutton não fez o que eu disse a ela. Quanto tempo isso tinha estado lá? Como o assassino tinha descoberto tão rapidamente que o corpo havia sido encontrado? O estacionamento brilhava fortemente ao seu redor. e um olhar malicioso e alegre iluminava seus olhos. Garrett colocou o caderno de volta para baixo. — Parece que você viu um fantasma. Então. Um menino estava olhando para fora de uma janela com um caderno aberto sobre a mesa à sua frente. Ela desdobrou o bilhete. Era Garrett. Então Emma olhou para a escola. Ele a olhou com avidez. Mercer tinha dado alguns passos incertos em direção a ela. Rabiscado com uma intensidade selvagem. Era do mesmo papel pautado que os outros bilhetes que ela tinha recebido. ou Nisha não vai ser a única pessoa que você gosta que vai morrer por sua causa. Vadia. As letras esculpidas estavam escritas tão rudemente no papel que quase o tinha rasgado em alguns lugares.. Quem me dera. Ainda olhando para frente. quase ansiosamente. eu pensei sombriamente.Mas ela tinha que abri-lo. provavelmente. A várias fileiras de distância. Mercer e Laurel olhavam com grandes olhos da mesa de piquenique. Ele não olhou para ela outra . ainda estava observando. O olhar dela se ergueu. determinada a não revelar como ela estava apavorada. letras irregulares. Eu. A Sra. Emma apoiou-se contra a lateral do carro. e ela segurou o olhar de Garrett. tentando ver quem poderia tê-lo deixado. duas meninas usando óculos aviador saíram de um Miata prata. — Um panfleto. Seus lábios estavam torcidos em um sorriso astuto e desagradável. uma estava bebendo um Frappuccino.. como se ele mal pudesse esperar para ver o que ela faria em seguida. Ela olhou freneticamente de um lado para o outro nas fileiras de carros. sem olhar para ela. o Sr. Seus joelhos começaram a tremer. Porque a pessoa que o havia deixado. Papel pautado. Emma se recusou a desviar o olhar. franzindo a testa. — O que é isso? Você está bem? — Laurel perguntou. Ele virou-se para seu caderno e estava rabiscando algo freneticamente. ele levantou o caderno para que ela pudesse ler o que ele havia rabiscado ali. Não cometa o mesmo erro. De um lava-jato — Emma murmurou. e seu sangue gelou. — Ela olhou de novo para Garrett. Adrenalina surgiu através de seu corpo. e ela pagou o preço.

Garrett — o doce e carinhoso Garrett. — Vamos levar vocês para casa — o Sr. mas o brilho do sol de fim de tarde escondeu Garrett de vista. Um lado temperamental. Mercer disse. E naquela noite no cânion. Ela sabia que ele já tinha visto tudo o que ele precisava ver. . Eu podia imaginá-lo tão claramente como se ele estivesse na minha frente. Não importava. À medida que eles se afastaram da escola. um lado violento.vez — mas ele não precisava. Um lado raivoso. arrastando-as em direção a seu SUV. meu superávido namorado — tinha outro lado. Emma arriscou um olhar de volta para a janela.

Ela abriu a porta. Ele usava um terno marrom mal ajustado. — Eu esperava por você amanhã. Ela deveria ter esperado por isso — os policiais fariam perguntas. e seus sapatos brilhavam como se ele tivesse acabado de tirá-los da caixa. pensando na expressão no rosto de Garrett naquela janela enquanto ele a olhava. — Detetive — ele disse. se aproximando para apertar a mão do homem. — Mas as palavras morreram em sua garganta. mas ela desligou-o sem sequer olhar. Especialmente Ethan. e os Mercer eram os parentes mais próximos de Emma Paxton. Durante toda a tarde ela dobrou e desdobrou o mesmo bilhete. Minha irmã tinha que ter cautela. O pensamento a paralisava. pegando o dinheiro que o Sr. Mads e Char. A campainha tocou novamente. Sua expressão era ilegível por trás do bigode que pairava sobre seu lábio superior. olhando para o rabisco com raiva. — Obrigada por esperar. E se a mensagem fosse interceptada de alguma forma? E se o assassino descobrisse que Ethan sabia seu segredo? Seu primeiro bilhete ameaçador tinha dito Não diga a ninguém. e ele não era tão burro quanto parecia. — Boa noite. Ninguém tinha tido vontade de cozinhar o jantar. lutando para manter a calma. . Srta. Emma deu um aceno brusco. Mercer entrou na sala. Todo mundo. Nisha não vai ser a única pessoa que você gosta que vai morrer por sua causa. Mercer — ele disse. Mercer havia deixado na mesa da entrada. Desde que ela chegou em casa seu celular tinha sido preenchido com mensagens. Seus olhos eram frios e cinzentos da cor de granito. passos soaram quando o Sr. Ela não conseguiria fazer um movimento sem colocar em perigo alguém que ela amava. Era o Detective Quinlan. todo mundo estava em risco agora — e o assassino estava a um passo à frente dela em toda ocasião. POLICIAL MAU — Eu atendo — Emma falou da cozinha.CAPÍTULO 9 . — Estou indo — ela gritou quando o entregador bateu. Não era o cara da pizza..POLICIAL MAU. assim eles decidiram pedir pizza gourmet de um lugar chamado Flying Pie. — Eu sinto muito pela sua perda. Thayer. impecavelmente limpo e apertado. Atrás dela. Eu passei a maior parte da minha vida tentando ser mais esperta do que esse homem. Ela leu as palavras continuamente.. Ethan — a ideia de falar com qualquer um deles fez seu estômago revirar.

Ela pousou a pilha de pratos. e aqui está o que eu descobri até agora. em seguida. Mercer. — Ele olhou ao redor da cozinha. Sra. Mercer deu um sorriso pálido. Mercer fez um gesto para Quinlan se sentar em uma das cadeiras de jantar. Mercer disse. sem se entregar — ou então ela seria pega em uma mentira muito maior. A Sra. Se eles estavam investigando Emma Paxton. Eu sei que tem sido um longo dia. não demoraria muito para eles verificarem a conta do Facebook de Sutton e descobrirem que as gêmeas haviam mantido contato. As duas pararam o que estavam fazendo quando viram Quinlan. — Desculpe interromper na hora do jantar. sentou-se de frente para ele. — Ela me enviou mensagens no Facebook na noite antes de ela desaparecer. — Muito obrigado. — Posso pegar algo para você beber. — O que estamos tentando descobrir é como ela chegou aqui. ela foi determinada como uma fugitiva. A mãe adotiva dela informou o seu desaparecimento. — Em estado de choque. Crianças adotadas fogem o tempo todo. Entre. Sutton? Emma respirou fundo. pegando uma travessa em formato de abacaxi do balcão e analisando-a em suas mãos. Ela tinha que dizer a eles o máximo de verdade que pudesse. Emma se arrastou atrás deles com o coração batendo forte em seus ouvidos. Emma caminhou até ficar ao lado de Laurel. Emma Paxton desapareceu em setembro pela primeira vez após uma discussão com a família adotiva.— A casa de vocês é no caminho da minha. que lhe deu um olhar arregalado e furtivo. — Eu estive investigando em Las Vegas. Fizemos planos para nos encontrar no cânion no dia seguinte. mas por não haver sinais de rapto ou crime. O detetive pegou um pequeno caderno de bolso e abriu. Faltava apenas algumas semanas para Emma completar dezoito anos. . Detetive? Eu posso fazer uma xícara de café. principalmente. Eu pensei em passar por aqui e ver como vocês estão. Mercer e Laurel estavam na ilha da cozinha separando os pratos e os guardanapos para a pizza. Ela lambeu os lábios. O Sr. seu marido ficou de pé atrás dela com uma mão em seu ombro. tentando acalmar o pânico crescente em seu peito. Há algo que você possa me dizer sobre isso. O bigode de Quinlan se contraiu de uma forma quase imperceptível. O Sr. — Não se incomode. Ele deu um sorriso de desculpas. assim o Departamento de Polícia de Las Vegas supôs que ela apenas tinha fugido sozinha. — S-sim — ela gaguejou. — Não tem problema — a Sra. A Sra. Ninguém teve notícias dela desde então. — Ele balançou a caneta algumas vezes e olhou para Emma. Mercer levou o detetive até a cozinha.

— E como eu disse. Laurel estendeu seu braço tranquilizadoramente através de Emma. — Becky tem problemas — ela disse. — Ela voltou a pensar naquela noite — o quão ansiosa e esperançosa ela tinha se sentido. Durante a mais recente estadia de Becky na cidade. Mercer viraram para olhar para ela. o único som no silêncio denso. Detetive Quinlan. — Sim — ele disse finalmente. A caneta de Quinlan riscava rapidamente em toda a página. Ao lado dela. Emma olhou para seus pés. ela tinha sido presa por apontar uma faca para um estranho durante um surto psicótico.. Emma encontrou os olhos de Quinlan. Ela parecia estranhamente velha. Mas ela olhou fixamente para o detetive por um longo momento. Emma podia sentir um tremor em seus lábios. se eu não disse antes — ela disse. Mercer. Laurel ficou boquiaberta silenciosamente. Mercer. Ela nunca apareceu onde nós combinamos de nos encontrar. mas ela não afastou seu olhar de Quinlan.As cabeças do Sr. grata pela explicação de Laurel. No interior. — Isso tudo aconteceu logo depois que eu conheci a minha mãe biológica. Como eu iria saber que Emma não era como ela? — A amargura em sua voz — a raiva direcionada a Becky — era genuína. o seu coração estava acelerado. desesperada. Emma estava disposta a apostar que não foi o primeiro encontro dela com os policiais. ela não confiava em si mesma para encontrar os olhos de ninguém. . Um pesar torceu em seu peito. seus rostos cheios de tristeza e confusão.. — O quê? — O Sr. A cor tinha sumido do rosto da Sra. Emma olhou para os Mercer. e eu achava que tinha sido uma brincadeira. Mercer perguntou com suas sobrancelhas arqueadas tão altas quanto elas poderiam ir. — Eu esperei ela por horas. — Ela foge da cidade na hora que ela fica um pouco chateada. e da Sra. Mercer deu um passo em direção a ela como se fosse consolá-la. mas ela manteve sua cabeça firme. Uma única lágrima deslizou pelo seu rosto. o quão animada para finalmente conhecer sua família. O Sr. e seu rosto estava enrugado. inventando rapidamente. — Eu sei sobre a sua mãe. eu não estava totalmente convencida de que não era uma brincadeira. Eu não queria que todos me vissem agindo. — Era isso que você estava tentando nos dizer nessa tarde. seus nervos em chamas. Você sabe alguma coisa sobre onde a minha mãe nasceu? Quinlan olhou para o Sr. — E você não contou a ninguém sobre isso? Não se preocupou com a sua irmã? — Quinlan disse com ceticismo. — Me desculpem. na escola? — Sim — Emma concordou rapidamente. A listra cinza do cabelo da senhora Mercer parecia se destacar mais do que o habitual. — Eu não tinha certeza se era verdade ou não.

Mercer ainda estava escondendo o rosto entre as mãos. — Então você pode explicar por que você entrou na delegacia dois dias depois se chamando de Emma Paxton? A pergunta caiu como uma bomba. — Nós encontramos Becky lá. Mas foi o Sr. chorando em silêncio. — No caso de você não ter notado — ela disse secamente. — Tudo bem — Quinlan disse. seu rosto branco como um papel. é lógico que ela iria procurar por Emma primeiro. Foi uma noite muito emocional. Eu sou a gêmea que ela deu. Quinlan franziu os lábios ligeiramente. — O tempo estimado entre a morte da Srta. e algumas horas depois. A Sra. — Ela fez o quê? — ele perguntou. Mercer quem respondeu. Emma é a gêmea que Becky ficou. Mercer parecia dividido entre consolar a esposa e ir consolar sua filha. Mercer. — nós estamos de luto. Mercer piscou para Quinlan. Ao lado dela. Laurel falou. e Emma sabia o que ela estava pensando. A gêmea que ela não quis. Emma deu de ombros. O Sr. Mercer deu um gemido estrangulado e escondeu o rosto entre as mãos. O Sr. Você estava no Sabino Cânion entre essas datas? Laurel teve um pequeno sobressalto. No dia trinta e um de agosto foi a noite que Thayer e Sutton tinham ido no Sabino Cânion em um encontro. Um silêncio longo e estranho seguiu depois desse discurso. — Eu achei que Becky tinha entrado em contato com Emma logo antes de vir me ver. Quinlan virou seu olhar de aço de volta para Emma. anotando algo em seu caderno. voltou algumas páginas para procurar alguma coisa. Sutton não sabia sobre Becky até então. As sobrancelhas peludas de Quinlan arquearam no alto de sua testa. — Se ela quisesse finalmente nos encontrar depois de todos esses anos. — Becky me contou sobre Emma. eu recebi a mensagem de Emma. — Ele olhou para a Sra. . embora um brilho fino de suor houvesse aparecido em suas têmporas. — Tudo bem — ele disse. — Ela deixou sua voz vacilar. Laurel parecia estar examinando o ladrilho de mosaico marrom no chão. falando a segunda palavra com ceticismo. A mão da Sra. Paxton é entre trinta de agosto e dia primeiro de setembro. e Laurel teve que levá-lo ao hospital. Mercer voou para longe do seu rosto quando ela se virou para olhar para Emma. Afinal. — Isso foi antes ou depois de você ter falado com Emma no Facebook? — Um pouco antes — ela disse. quando Thayer foi atingido por alguém dirigindo o carro de Sutton. — Isso é uma completa coincidência. em seguida. mas ela torceu que não estivesse exagerando. — Sutton e eu estávamos no Sabino Cânion no dia trinta e um de agosto. Emma engoliu em seco.A Sra. Mas antes que ele pudesse se mover. Laurel ficou rígida. Uma onda de gratidão por minha irmã me encheu.

mas. — Ela segurou o olhar dele. ela pensou. Ela desviou o olhar de Quinlan para seus avós. — ela parou de falar.. O colarinho de Emma. Deveríamos ter dito a verdade muito mais cedo. — Eu estava ocupada e não atendi. Uma pontada de vergonha atravessou o peito de Emma. Sutton. você não faz ideia do que ela queria? . e então eu vou deixar vocês em paz por essa noite. com os olhos vidrados de lágrimas. O Sr. Mercer disse.. Com raiva dos meus pais.. — Você está certa. Quinlan ficou imóvel na cadeira. tentando canalizar um pouco da atitude de Sutton. Mercer olhou severamente por um momento. como se estivesse envergonhado. Eu não sabia que alguma coisa tinha acontecido com ela.. — Eu tenho mais uma pergunta. um sopro de ar saindo fortemente através de sua boca. Eu tentei ligar de volta mais tarde. em seguida.. Eu queria que você me punisse por aquilo. mas na hora que eu liguei.. sim — ela disse em voz baixa.. temos olhado os registros telefônicos de Nisha Banerjee para tentar descobrir o que pode ter acontecido nas horas que antecederam a morte dela. Sutton entrou na delegacia insistindo que ela não era Sutton e sim Emma. observando-a cautelosamente. — Agora eu não tenho tanta certeza. com raiva de Emma por ter me feito esperar. Nada mal. Ela fazia uma boa Sutton Mercer raivosa. ele desviou o olhar. de repente. Como eu disse. — . Eu imaginei que fosse outra brincadeira. impotente.— É. Ele deixou o silêncio se esticar por um batimento cardíaco antes de falar novamente. Mercer olhava miseravelmente para ela. Eu espero que um dia você possa me perdoar. — Eu sinto muito — o Sr. estranhamente orgulhosa da performance de Emma. — Eu estava louca. ela não apareceu. quando combinamos de nos encontrar. Que você dissesse aos meus pais.oito vezes. obrigando-se a manter o olhar de Quinlan. Eu tinha acabado de descobrir que tinha uma irmã gêmea. tentando imaginar como Sutton iria lidar se estivesse sendo interrogada quando sua irmã separada dela há muito tempo tivesse acabado de morrer. — Ele balançou a cabeça. Ela engoliu em seco. Mercer achava que ele tinha sido o errado. quando nada disso tinha sido culpa dele. No primeiro dia de aula. Parece que ela ligou e mandou uma mensagem para você. — Foi uma brincadeira. como se pudesse castigá-la. e então eu descobriria se Emma era mesmo real. eu pensei. no entanto. Ela estava esperando por isso desde o funeral. — Ele olhou para suas anotações. — Então. e que algo terrível tinha acontecido com sua irmã gêmea. afinal. Agora. com raiva de Becky. Eu devo ter transmitido a minha raiva para ela. Emma assentiu. Mas tudo o que ela disse foi: — Isso não importa agora. — Bem. O detetive levantou uma sobrancelha. A Sra.. Sutton. depois do tênis. Agora o Sr. parecia que a estava sufocando.

Eu tenho certeza de que os meios de comunicação vão ter um dia de campo lá. Mercer perguntou. franzindo a testa para Quinlan. Emma se apoiou contra a ilha da cozinha. O detetive balançou a cabeça. Eu queria saber. Nisha não tinha um hábito de ligar para ninguém freneticamente. Ela conseguiu se esquivar da verdade mais uma vez. Eu vou depois da escola. e ela não queria deixá-lo mais suspeito. Quinlan parecia simpático. pegadas próximas ou qualquer coisa — mas ele já estava olhando para ela estranhamente. — Não podemos manter isso em segredo? — ela perguntou suplicante. Estamos tentando conseguir um cronograma do que aconteceu com Emma. — Sutton. — Provavelmente nada — ele disse. — A voz de Emma falhou. ela apenas balançou a cabeça. — Laurel deu a Emma um olhar magoado e apertou-lhe o braço. — Vai ter uma conferência de imprensa agendada para oito horas. — Eu tenho que avisar a vocês. isso vai se tornar público amanhã. — Público? — Emma perguntou. — O detetive levantou-se. mas ele balançou a cabeça.— Não. — Nós ainda não tivemos tempo de assimilar tudo isso. com os olhos brilhando intensamente. se havia alguma evidência de assassinato. Você pode ir para a delegacia na sexta-feira? Emma queria fazer algumas perguntas a Quinlan. Quinlan lançou-lhe um olhar penetrante. Mercer levantou-se da cadeira. — Eu te levo até a porta. A Sra. O detetive seguiu o avô de Emma de volta para a porta da frente. — Claro. Banerjee sobre isso. — Eu perguntei ao Dr. Mercer murmurou. — Talvez eu pudesse tê-la ajudado. agora que os policiais haviam encontrado o corpo de Sutton? . — Ele tirou a carteira do bolso de trás e tirou um cartão de visita. Detetive Quinlan. — Claro — o Sr. Vocês devem estar preparados para isso. Quinlan parou onde estava. Ao passarem por ela. — O que isso tem a ver com Sutton? — o Sr. — Vou deixar isso aqui. Quanto tempo mais ela seria capaz de esconder sua identidade. Mas ela tinha a sensação de que Quinlan não tinha terminado com ela ainda. também — sobre o estado do corpo. a força saindo dela subitamente. Em vez disso. fechou o caderno e deslizou-o de volta no bolso do peito. Temo que a história vá se espalhar bem rápido. olhando para cada um deles. mas ele não sabia. franzindo a testa. eu realmente preciso ver aquelas mensagens do Facebook. Então ele foi embora. e elas vão ajudar. Seu olhar se demorou mais tempo em Emma. Me liguem se vocês lembrarem de mais alguma coisa que vocês achem que pode ser útil. — Mas isso parecia incomum. — Já há uma meia dúzia de helicópteros de notícias circulando o local onde a encontramos. Eu só estou tentando ter certeza de que temos todos os fatos.

E eu sabia por experiência própria o que acontecia no final de um Jogo da Mentira. Você era pega. .Os segredos de Emma — e os meus — foram se desvendando mais rápido do que ela pôde inventar novas mentiras para encobri-los.

— Ethan. Por que você não respondeu as minhas mensagens? Ela tropeçou para os braços de Ethan. — Vai ter uma conferência de imprensa. e eu não consegui te encontrar. — Os policiais. — Vai se tornar público. E agora não é só com o assassino que temos que nos preocupar. — O assassino está ameaçando a minha família e as minhas amigas agora! — ela exclamou. então ele abraçou ela protetoramente. — Eu tenho sido tão egoísta. também. seu rosto desapareceu das sombras enquanto ele deixava o brilho quente da varanda. dando alguns passos para trás. Eles vão descobrir tudo. E olha. Eu não poderia suportar se alguma coisa acontecesse com você. — Charlotte e Madeline disseram que você tinha faltado aula. Os meios de comunicação. Estou colocando os Mercer em perigo.CAPÍTULO 10 – APOIANDO O SEU HOMEM (E VICE-VERSA) O último fragmento de luz da noite iluminava a madeira rachada dos degraus da frente da casa de Ethan quando Emma parou na frente da casa algumas horas mais tarde. Eu nunca deveria ter lhe contado a verdade! Eu nunca deveria ter deixado você me ajudar com o caso. Eu não quero te envolver nisso. com medo de que o assassino estivesse . de repente. Um soluço brotou de dentro dela enquanto ele silenciosamente olhava o bilhete. Estou colocando você em perigo! — Lágrimas correram pelo seu rosto. uma lata de cerveja estava em sua mão e seu laptop estava apoiado em um enorme carretel de madeira usado como uma mesa. Ela sentiu o corpo dele ficar tenso. — Eu estava sentado aqui observando os policiais irem para o estacionamento durante toda a tarde. esta pessoa está me observando o tempo todo para ter certeza que eu não fale nada. — Ela saiu de seu alcance. Ethan estava sentado no balanço antigo da varanda. enterrando o rosto em sua camisa. então ergueu-o para a luz. No Sabino Cânion. antes que ela pudesse dizer qualquer coisa. Quando ele a viu. ele ficou de pé e caminhou rapidamente em direção a ela. O lugar estava cheio de repórteres. — O corpo de Sutton. Ela entregou-lhe a bola de papel amassada que havia sido deixado em seu para-brisa à tarde. Ele sacudiu a cabeça em direção ao cânion em resposta. — Ela olhou freneticamente ao redor. — Isso explica tudo. Um gemido escapou dos seus pulmões. Ethan — ela disse. — Ela olhou para ele rapidamente. Ele tirou seus braços ao redor dela para esticar o bilhete amassado contra sua coxa. — O que está acontecendo? — ele perguntou. — Eles a encontraram — ela sussurrou.

— Ela apertou o rosto contra seu ombro. Eu estava apenas me adiantando. O laptop de Ethan estava aberto. Ao lado. O telescópio de Ethan estava perto da grade. fazendo tudo com os atalhos que ele tinha programado. — Ethan. A rua inteira parecia assombrada por ela agora. — Ethan — ela sussurrou. Ele segurou Emma pelos ombros e afastou-a um pouco para longe dele. a forma que ele a observava enquanto ela olhava o bilhete. — Se eles descobrirem quem eu sou. Ela lutou por um momento de pânico e depois derreteu em seus braços. Duas pequenas mariposas marrons atiraram-se na lâmpada simples que pendia sobre os números da casa. — Ele apenas ficou lá sorrindo para mim. o cursor piscava em um documento aberto. na escuridão. mas seus olhos brilhavam com determinação. observando-a agora. desculpe. E você vai parecer meu cúmplice. eles vão pensar que eu matei ela. — Eu não me importo — ele disse com a voz abafada. Emma passou os dedos pelo cabelo nervosamente. Você não pode me deixar agora. angulado em direção ao céu. Com você. nunca usando o mouse. mas qualquer um poderia estar lá fora. Ethan tinha meticulosamente modificado o aparelho por dentro. A ideia de investigar sem ele era como passar seu coração através de uma máquina trituradora. Como se ele estivesse se divertindo enquanto me observava me contorcer. eu estou aqui por você. A rua estava calma agora. Ele sentou-se no balanço da varanda. — Eu não vou deixar isso acontecer. seu rosto enterrado em seu cabelo. Emma adorava a forma que suas mãos voavam sobre o teclado. Não importa. a casa de Nisha estava escura e silenciosa. — Você achou uma prova? — ele perguntou. Mesmo que seu computador fosse velho e amassado. — Eu não vou deixar você passar por isso sozinha — ele disse ferozmente. Ela se perguntou o quanto de trabalho escolar Ethan tinha parado desde que ela chegou em Tucson. Emma. forçando-a a encontrar seu olhar. Com outro olhar para cima em direção ao cânion. A mandíbula de Ethan ficou tensa. Metade do seu rosto estava na sombra. ele pegou a mão dela e levou-a para a varanda mal iluminada. O livro Crime e Castigo de Dostoievski estava aberto com a lombada para cima no assento ao lado dele. — Enquanto falava. Ela disse a ele sobre ver Garrett na sala de aula. Ethan diminuiu a distância entre eles e puxou-a contra seu peito. — É pra entregar no final do mês. — Eu não me importo com o que ninguém pensa.ali. — Oh. ele saiu do documento e abriu o Facebook. Suas lágrimas umedeceram o algodão de sua camisa. — Eu acho que Garrett pode ser o assassino. Ela queria desesperadamente acreditar nele. eu não quero que o que aconteceu com Nisha aconteça com você também. pegou seu computador e colocou em seu colo. . Seus olhos se arregalaram. Você estava fazendo lição de casa? — ela perguntou com outra pontada de culpa atravessando-a.

e ela deu um pequeno gole. sentada ao lado dele no balanço. relendo a primeira atualização de setembro. Esfregando o rosto. Ele tinha dito como se fosse a palavra mais obscena e ofensiva que ele já tinha ouvido. Mas eu não conseguia me lembrar além do momento em que ele agarra o meu ombro e diz o meu nome. Às vezes ele compartilhava as notícias de futebol ou um clipe do Saturday Night Live. erguendo uma taça para a câmera em um restaurante chique. — Não teria . — A tela estava cheia de centenas de fotos de Garrett — ganhando jogos de futebol. — Nós definitivamente não somos mais amigos. Você já se sentiu cansado de todas as mentiras que as pessoas contam? Emma e Ethan trocaram olhares. Eu olhei para a tela com a minha mente agitada. mas agora o sal de suas lágrimas estavam secando em seu rosto e fazendo a pele ficar dura. me levassem de volta para aquela noite para que eu pudesse finalmente ver como ele tinha me matado. Ethan assentiu. porém. As bolhas se agitaram em seu estômago trêmulo. ela se aninhou no ombro de Ethan quando ele abriu o perfil de Garrett. Então eles viram uma atualização de status do dia trinta e um. — Que bom que o perfil dele é público — Emma disse. querendo que essas palavras despertassem a minha memória. coisas como: Alguém viu The Voice hoje à noite? Ceelo trouxe o papagaio dele! Eu quero passar cinco ou mais meses antes de ter que fazer outra prova de trigonometria. Parece que ele postava várias vezes ao dia. — Eu quero saber para onde Garrett foi na noite do assassinato de Sutton — ele disse. — Vá para a noite do dia trinta e um — Emma disse com a mão no ombro de Ethan. — Nada interessante — Ethan disse. — Isso poderia ser sobre Sutton e Thayer — Emma disse em voz baixa. diminuindo a velocidade quando chegou em setembro. A atualização mais recente dizia: Descanse em Paz Nisha B. Ele deslizou para baixo ao longo dos meses. sem camisa e cheio de óleo em uma praia em algum lugar. garota. O status tinha sido atualizado às 2:38 da manhã. Sutton. a maior parte das atualizações de status dele eram muito banais. Antes disso. Emma fez uma careta quando viu a frase Garrett passou de “em um relacionamento” para “solteiro” na atualização no dia do aniversário dele. esticando o pescoço para ver. as pessoas sempre tem o que merecem.— O que você está fazendo? — ela perguntou. Em algumas ele estava junto com a irmã dele com um braço envolto protetoramente ao redor dela. Então seus olhos caíram sobre o último post de Garrett antes do assassinato de Sutton. — Garrett provavelmente sabia sobre o vídeo do enforcamento — Emma disse baixinho. Eventualmente. e ela estremeceu. Ela tinha parado de chorar. Ele entregou-lhe a lata de cerveja. Você vai fazer falta. no final da tarde do dia trinta. Ela inclinou-se e olhou para o monitor.

— Invadir o computador e esperar que você veja. . Especialmente agora. e eu não podia contar a ninguém. Por que ele não procurou você no Facebook pela conta de Sutton? — Eu não usava muito o Facebook quando eu era Emma. Isso permanece no registro para sempre. Banerjee tinha ido ficar com seus amigos ou sua família. ele me respondeu como Sutton. de alguma forma. soando mais corajosa do que ela se sentia. Como se ele tivesse planejado tudo isso para usar para encobrir o assassinato. O pensamento enviou um arrepio gelado na espinha dela. Ethan olhou para a tela do computador. — Tenha cuidado.sido difícil para ele invadir o computador de Laurel em algum momento. Emma olhou para a casa de Nisha. Você apenas tem que saber como procurá-los. ele teria descoberto sobre Travis. nós seríamos capazes de ver se ele enviou o link — ele disse. pensativo.. — Como é que vamos provar que ele fez isso. Em algum lugar longe à distância uma sirene de ambulância soou. — Ela suspirou. — Ethan parecia preocupado. — Bem. Eu finalmente sabia quem tinha me matado. — Talvez eu possa descobrir uma forma de pegar o celular dele. Eu não tinha muitos amigos. Os cães da rua latiram em resposta. Ela se perguntou se o Dr. — Mesmo que ele tenha apagado as mensagens. Como Garrett sabia sobre Emma. agigantando-se como uma sombra escura.. Ele provavelmente está ficando desesperado. Meu perfil era secreto. — Se tivéssemos acesso as mensagens ou os e-mail de Garrett. que estava completamente escura. Assim como eu. colocando a cabeça para trás contra o tapume da casa. no entanto? — ela perguntou. Emma. Então quando eu fiz isso. Tem uma melhor forma de fazer isso do que pegar o vídeo de Sutton em AZ e enviar para o meu irmão adotivo nojento? Obviamente eu iria procurar por uma garota que se parecia comigo. — Ele é perigoso. e rápido. enterrando sua tristeza em seu trabalho como ele tinha feito quando sua esposa morreu. Emma olhou para fora do cânion. — E Garrett precisava de mim para vir à Tucson e assumir a vida de Sutton. quando ele esteve na casa. O que significa que ele já sabia que você existia. — Eu não entendo — Ethan disse. Se ele fizesse alguma pesquisa sobre mim. isso parece premeditado. eu também — Emma disse. — Vou ficar de olho nele — ela disse. imóveis agora. Ela podia ver as cortinas de organza curtas do quarto de Nisha. como um segredo. quando nem mesmo os Mercer sabiam que ela existia? Mas era a única explicação para ele descobrir sobre Travis. Talvez ele estivesse no hospital. — Emma. Ethan olhou para ela. Eu nunca me senti tão indefesa. tão insegura. me parece tão complicado.

na parte inferior desta vista panorâmica. circulando a família dela. você conhecia Emma? O que você acha que aconteceu com ela. Isto irá assombrá-lo pelo resto de sua vida. Os repórteres pareciam com abutres. Emma imaginou que ela achava que isso daria a impressão de “ao ar livre”. seus olhos nunca deixavam a televisão de quinze polegadas que estava apoiada no final da ilha. Emma quis ser uma repórter investigativa quando crescesse. Ela estava na frente de uma área de piquenique com bancos pintados de verde e um toldo. o pé em um ângulo estranho. Nevada. Mas agora que ela estava experimentando um assédio da mídia pessoalmente. Durante a maior parte de sua vida. Os Mercer se recusaram a abrir a porta. — Ele parecia aterrorizado. — Você está procurando respostas nos lugares errados — o horóscopo de Emma tinha dito. — A foto dela do ano escolar anterior piscou na tela. — Ela estava coberta com folhas e galhos — ele disse com a voz embargada. A Sra. — Tudo o que eu pude ver foi. esperando que um deles mostrassem sinais de fraqueza. Sua franja estava mais curta nessa época. ela tinha . até que elas olharam para o gramado da frente e viram a multidão de vans de notícia reunida na frente. Não me diga. a mesma mulher que cobriu a morte de Nisha apenas alguns dias antes. ela não tinha tanta certeza. Mercer passou uma cesta de pães quentes para Emma. — Sutton! Sutton. A repórter retornou.. as mechas de seu cabelo voavam livres de seu rabo de cavalo com a brisa. Emma usava um vestido envelope vintage que ela comprou em uma venda de garagem em Green Valley. piscando na luz brilhante como uma criatura noturna durante o dia. assando biscoitos e folheando revistas. Ambas Emma e Laurel tinham ficado surpresas quando os Mercer disseram que elas iriam faltar à escola naquele dia. e ela revirou os olhos.. de pé na frente de um edifício de dormitório do campus. A tela da TV mudou o foco para um jovem de óculos e um rabo de cavalo loiro.CAPÍTULO 11 – A REALIDADE ATINGE A TV — O corpo da menina foi encontrado a apenas meia milha de distância do final da Estrada do Sabino Cânion. mas toda vez que os repórteres viam alguém na frente de uma janela. Sutton? — Então Laurel e Emma passaram a maior parte do dia na cozinha. estava usando um colete amarelo Norte Face. — A apresentadora. mas pareceu um consenso implícito fazer isto esta noite. Emma pensou tristemente. Os Mercer quase nunca jantavam de frente para a TV. eles começavam a fazer perguntas. — O corpo foi identificado como Emma Paxton de Las Vegas.

Mercer olhou para a tela com uma expressão chocada e extasiada. um pouco menos confiante. mas não havia nada que eu pudesse fazer. Os apresentadores tinham dito o nome dela tantas vezes que era quase fácil acreditar que a pobre Emma Paxton. Era estranho para mim. ela foi embora à noite. — É tão estranho — Laurel disse. — Eu só bebi muito rápido. conversou com o nosso correspondente de Nevada. — Ela se parece com você. ela mentiu para mim. Clarice Lambert. Ela se sentia estranhamente exposta cada vez que sua foto aparecia na tela. estava Clarice e seu filho. Mercer colocou a mão em suas costas. Nem deixou um bilhete ou uma mensagem dizendo para onde estava indo. também. Emma se engasgou com um gole de água. Clarice estava usando um vestido de tiras que serviria em alguém muito mais jovem do que ela. — Ela respirou fundo. Ela tossiu. Eu seria enterrada em Las Vegas. Ela tinha quase dezoito anos. Mercer deixou cair o garfo em seu prato de lasanha intocado. como se os Mercer de repente pudessem ser capazes de ver que a garota da foto estava sentada bem na frente deles. longe da minha família e das minhas amigas? A minha lápide teria o nome da minha irmã? E se Emma nunca encontrasse o meu assassino — ela iria viver como eu para sempre. Ainda assim. seu cabelo platinado estava amontoado em cima de sua cabeça. em frente à pequena casa de bangalô que ela morou por poucas semanas. a foto fez os Mercer se mexerem em seus assentos. obviamente. até que ela finalmente fosse enterrada como Sutton Mercer com uns noventa anos? — Paxton desapareceu há quase três meses de Las Vegas. apertando sua garganta. Travis estava desengonçado ao lado dela com um boné de beisebol colocado torto sobre sua orelha e uma expressão hipócrita em seus lábios largos de peixe.deixado crescer para parecer com o penteado de Sutton. após uma discussão com sua família adotiva. O sorriso dela talvez estivesse um pouco mais cauteloso do que o de Sutton. Travis. — Ela era. Tudo o que Emma pôde fazer foi acenar. — Querida? — a Sra. — Ela me roubou. Claro que eu me preocupei. . Eu observava como meus pais ficavam tristes por causa de uma garota que eles nunca tinham conhecido enquanto a própria filha deles tinha morrido. enviando-a pelo tubo errado. a guardiã dela na época. e quando eu ia envolver a polícia. Ela tinha uma expressão ligeiramente escandalizada e chocada em seu rosto. limpando os cantos dos olhos. uma garota problemática — Clarice disse. Assistir a cobertura de notícias da própria morte dela foi vertiginosamente surreal. — Eu estou bem — ela disse rapidamente. Na tela. e a Sra. O Sr. estava morta — que ela realmente era Sutton Mercer agora. a criança adotada.

Do outro lado da mesa. A . Por que a repórter está falando com ela? Ela nem conhecia Emma. E se ela reconhecesse o que Travis estava descrevendo? Mas Laurel apenas brincou com sua comida com um olhar distraído no rosto. gargalhando por causa da fase do colegial quando ela pontilhava todos os seus “is” com corações. Se ela já tinha retirado do ar. e cerca de dois mil dólares em dinheiro. — Quando os investigadores tentaram encontrar o vídeo. encontrou um armário da menina desaparecida na estação Greyhound.. O próprio O corpo de Emma estremeceu involuntariamente. muito menos relacionado a qualquer pessoa que ele conheça. — Ela sempre teve dinheiro. Laurel tinha organizado essa brincadeira — e ela era a única que tinha o vídeo salvo em seu disco rígido. Laurel pousou seu copo com um thunk alto. Mas as nossas fontes dizem-nos que Paxton estava planejando se encontrar com sua família biológica em Tucson. sua mente retornando para quando ela soube do vídeo. Clarice a tinha expulsado de casa depois que Travis incriminou-a por roubar da bolsa dela. Eu arregalei os olhos para a TV — eles iriam mostrar o vídeo do enforcamento? Eu não queria que os meus pais me vissem assim. ou foi um caso de identidade equivocada. ela imaginou Quinlan e seus amigos lendo em voz alta e rindo. ainda está sob investigação. Emma olhou para ela.. Garota Vai pensamento a fez querer esconder o rosto entre as mãos. A voz da locutora voltou. Talvez ela estivesse envolvida com algum tipo de fetiche de masmorra ou algo assim. — Enquanto isso. ela amarrada e sendo estrangulada e. contendo roupas. O estômago de Emma revirou. o Departamento de Polícia de Las Vegas. que está ajudando a polícia de Tucson com a investigação. Enquanto isso. Eu encontrei um vídeo dela online. Eu me perguntei se ele já tinha ouvido falar a frase “fetiche de masmorra” antes. — Sua palavra seguinte foi substituída por um sinal sonoro alto. Travis estava com o microfone agora. Ela imaginou a polícia folheando os diários de composições iniciantes. dizendo que o caso ainda está sob investigação. — Emma era uma menina selvagem — ele disse com um sorriso.Sozinha para o Baile de Boas Vindas e Fica perto da Mesa de Refresco a Noite Toda. Eles pegaram os diários dela? Suas bochechas pareciam estar em chamas. As câmeras voltaram para a apresentadora. ou lendo as suas manchetes falsas em voz alta para uma sala cheia de policiais. que segurava o microfone perto dos lábios e olhava seriamente para a câmera. o meu pai olhava confuso. — Ela se envolvia com várias coisas loucas. eles não encontraram nenhum vestígio. o Departamento de Polícia de Tucson tem se recusado a dar uma causa oficial à morte. Ambos olharam para a tela. a minha mãe fez uma careta perturbada. também. Ainda não sabemos se ela conseguiu falar com eles. o que pareciam ser diários.

— Eu gostaria de ter descoberto sobre ela mais cedo.. Mercer clicou no controle remoto e deixou o som mudo. Mercer. a Sra. Seu rosto obscureceu. E por alguma razão louca. ela não nos disse sobre esta outra garota que poderíamos ter. O que aconteceria se os Mercer fossem procurá-la como uma família? Ela se imaginou sendo chamada em sua classe em Henderson. Isto é tudo culpa de Becky. se Emma não tivesse vindo para Tucson para encontrá-los. Parece que ela poderia ter precisado da nossa ajuda. Ela teve um ataque de nervos em seguida.. — Pobre Emma. Mas a sua mulher fez uma careta. então balançou a cabeça. — Já que ela era tão problemática como disse essas pessoas. Mercer. e começou a recolher os pratos. E Sutton. a Sra. ela seria chamada para conhecer a sua família. ela rouba. — O que você quer dizer? — Emma perguntou. agarrando a bandeja Pirex de lasanha do centro da mesa. e pela expressão do rosto de Laurel. Ela nos manteve em constante agonia. — Esta menina que poderíamos ter salvo. Qual foi o motivo de ficar com Emma se ela só iria abandoná-la cinco anos depois? Qual tinha sido o motivo de separar as gêmeas? Era tão injusto. sua gárgula. — Você passou a maior parte do dia no nosso gramado da frente. Mercer parou. olhando para sua avó. Sua irmã gêmea. desconfiada com a possibilidade de uma nova rival. Laurel e Emma se olharam com olhos arregalados e assustados. A culpa é sempre de Becky. Mercer com um sorriso nervoso. mas animado contraindo os cantos de seus lábios. — Então ela suspirou. gentil e tranquilizador. Ela mente. — As lágrimas brotaram de seus olhos. Ele colocou-a de volta na mesa e puxou sua esposa em seus braços. Sua irmã. mas ela não pareceu notar. Emma não podia deixar de concordar com a Sra. Mercer disse suavemente. O Sr. Emma nunca tinha visto a Sra. Mercer levantou-se e gentilmente arrancou a bandeja das mãos dela. Se Sutton não tivesse morrido. Mas nesta realidade alternativa. Ela puxou tão violentamente que um pequeno respingo de molho voou e pousou em seu suéter. Sua família verdadeira e de sangue. assim como ela tinha sido no dia em que encontraram o corpo de Sutton. — Com isso. Mercer tão emocional. franzindo o lábio. — Kristin — o Sr. e ela não se importa com quem ela fere no processo. ela guarda segredos. — a Sra. — Pedidos — ela retrucou. Laurel. nos fazendo nos perguntar onde ela estava e se ela estava bem. mas esperançosa e ansiosa para que ela gostasse dela.. Ela queria perdoar Becky — Becky era a mãe dela. . ela também não. as coisas poderiam ter acontecido por conta própria com a confissão de Becky para o Sr. afinal de contas — mas às vezes ela estava com tanta raiva que ela poderia gritar. — Você sabe que é verdade. soluçando contra seu peito enquanto ele acariciava suas costas. Mercer. Ela imaginou: o Sr..família até agora tem recusado os nossos pedidos de entrevista.

O Sr. e ela me prometeu que não seria permitido imprensa no campus. Então o Sr. Ela sentou-se com os olhos ainda úmidos. — Ela parecia horrível. O QUE ESTÁ ACONTECENDO???? Charlotte tinha perguntado. Eu tenho certeza que suas amigas vão ter um monte de perguntas para vocês. Emma sabia que ele estava falando mais sobre o seu próprio relacionamento com Becky do que com qualquer outra coisa. aquela mulher com um penteado brega de salão de empregada? — Laurel disse. — Não. Para a realidade em que Sutton tinha morrido. Isso era um eufemismo. — Meninas — o Sr. também. obrigada. ecoando em torno da cozinha silenciosa.— Como ela era? — Laurel perguntou suavemente. — Vocês não sabem disso. ela acrescentou. franzindo a testa para elas de onde ele estava parado com a Sra. o número de telefone de uma rede de pizzarias regionais estava escrito na lateral. sua mente correndo para voltar ao presente. Mercer em seus braços. Seu estômago parecia com um peso de chumbo. Emma teve um susto. Mercer enxugou os olhos com um guardanapo de pano com um abacaxi impresso. mordendo seu lábio inferior. O Sr. — Quem. — Então. — Laurel atirou seu próprio guardanapo na frente dela. A Sra. porque ela não pôde resistir. enquanto Madeline parecia animada que um repórter “mega-sexy” tinha encurralado ela fora do campus . Eu não soube muito sobre ela. mamãe. e começou a limpar o resto dos pratos. em seguida. ansiosa. interrompendo os pensamentos de Emma. certo? Emma passou o dedo pela condensação do lado de fora do copo. — Nós temos que ir para a escola amanhã? — Laurel perguntou. — Você falou com ela. Ela parecia terrível. e a Sra. Na TV muda o Papai Noel entregava pizzas em seu trenó. — Emma — ela disse. — Eu gostaria de poder esconder vocês para sempre — ele disse. Durante todo o dia ela vinha recebendo mensagens de Madeline e Charlotte. mas ela estava feliz que Laurel pelo menos houvesse se aliado a ela. Pode ser difícil saber o que fazer com alguém que tem problemas. — Só um pouquinho. — Alguém quer sobremesa? Tem um pouco de sorvete na geladeira. se afastou do seu marido. Emma sacudiu a cabeça. — Como era quem? — ela perguntou. Nós conversamos com a diretora esta tarde. Mercer trocaram olhares inquietos do outro lado da cozinha. Tenho certeza de que a mulher fez o seu melhor por Emma. Eu sei que não vai ser fácil. Emma revirou os olhos. — Eu sei que a mãe adotiva dela tinha acabado de expulsá-la de casa. Os pratos e talheres batiam uns nos outros. e ela estava sozinha. Mercer puxou uma cadeira para a sua esposa. — mas eu não sei se vocês deveriam perder mais nenhuma aula. Mercer voltou para a mesa enquanto enxugava as mãos em um pano de prato. Mercer disse.

O último post de Gabby tinha sido: Hollier High precisa de um herói. — Você conhece essa garota? Emma sentou-se lentamente. mas ela as ignorou. quando o noticiário voltou dos comerciais. claramente com alarmes em seus rostos. As atualizações das Gêmeas do Twitter foi a descrição mais útil em tempo real do dia escolar. Lágrimas brilhavam em seus olhos. Ela usava óculos de armação de plástico preta. e seu cabelo escuro tinha um corte edgy curto e bagunçado. e ela estaria no centro deles. Até mesmo imaginar fez o seu coração bater mais rápido — mas não tão rápido quanto um momento depois. Emma limpou a garganta e se forçou a falar. Emma correu para aumentar o volume. — Emma era a minha melhor amiga. conversando com uma garota usando um avental sobre uma camiseta vintage Bad Religion.apenas não entendo como isso pode ter acontecido — a garota estava dizendo. juntamente com uma foto tirada do seu celular de uma fila de vans de notícias do lado de fora do campus. ISSO É TÃO LOUCO. Os Mercer observaram Emma. A menina na tela era Alex Stokes — a melhor amiga de Emma de Henderson. — É só que essa . Como os paparazzi me encontraram de novo? Lili tinha respondido pouco tempo depois: para perguntar se ela conhecia Sutton. A única pessoa que tinha mantido contato com ela desde que ela chegou a Tucson. Seu avô olhou para ela e para o aparelho de TV. e estava segurando o lado da mesa com tanta força que os nós dos seus dedos estavam brancos. ela mandou uma mensagem.O circo de repórteres em Hollier. congelado no ar. Ela estava de pé do lado de fora do Sin City Java. onde ela era uma balconista em tempo parcial. seus olhos redondos e perplexos. Emma deu um pulo. Elas tinham narrado cada rumor que circulava e detalhado o que tinha se falado na reunião escolar em que a diretora havia anunciado a descoberta de outro corpo. balançando a cabeça negativamente. O copo de Laurel havia pairado no meio do caminho dos seus lábios. enxugando os olhos. pessoal. Vibrações de dor dispararam através do seu quadril.. A Sra. — . Um repórter do sexo masculino com um cabelo parecendo um capacete estava na frente de uma loja de café. Tenham cuidado. volte e lidere o seu povo! Ela sabia que os corredores iriam estar movimentados com os rumores no dia seguinte. e depois de volta para Emma. mas eles ainda a estavam encarando. Mercer deu-lhe um olhar preocupado. batendo o joelho na perna da mesa. Sem nem mesmo perceber.. Ela tinha derrubado sua cadeira. No início da manhã Gabby tinha twittado: A expectativa de vida de meninas adolescentes parece estar caindo em Tucson. Sutton Mercer.

— Ela ficou ereta e. — A Sra. — Só cansada. — Emma deu um sorriso fraco. ou ela iria querer saber por que a piscina está aberta à meia noite de uma sexta-feira. Ela se esforçou para não subir três degraus de uma vez só. — Nós costumávamos nos encontrar no centro de recreação e conversar por horas. As duas riram sobre isso mais tarde. empurrou a cadeira contra a mesa. querida? — Não. Quando a mãe solteira de Alex veio para casa mais cedo e perguntou onde sua filha estava. o alívio inundou o corpo de Emma. aparentemente. Obrigou-se a caminhar lentamente. do túmulo. cada sorriso. Emma olhou para o rosto de sua amiga. Ela podia sentir os olhos deles seguirem-na para fora da porta da cozinha. eu estou bem. invisível para as pessoas ao seu redor. Emma de repente sentiu falta da sua antiga melhor amiga mais do que nunca. Emma tinha mentido para Alex. Desde então “centro recreativo” tinha se tornado sinônimo de “eu te protejo”. Alex era a única pessoa de sua antiga vida que realmente se preocupava com ela. É tão triste. uma noite Alex tinha fugido após seu toque de recolher para um encontro com um rapaz da Universidade de Nevada. Isso tudo começou quando Emma estava com os Stokes. — Você precisa de alguma coisa. Emma tinha balbuciado que Alex estava nadando no centro recreativo. Ela conhecia as fotos de cor agora. Alex não iria expô-la.garota parecia se importar tanto com Emma. cada roupa. E então ela olhou diretamente para a câmera. E agora Alex poderia expor todas as suas mentiras. — Eu acho que eu preciso descansar um pouco — Emma disse com cautela. Ainda bem que o relógio interno da minha mãe fica com defeito depois das noites de trabalho. Ela tinha trocado mensagens com Alex por três meses — depois de “Emma Paxton” ter morrido. Mas lá estava Alex. passando a parede da galeria de fotos de família que se estendia até a escada. cuidadosamente. que os Mercer tinham deixado ela ficar com eles por um tempo. — Nós éramos unha e carne — Alex disse. lágrimas deslizando por seus longos cílios escuros. Alex tinha brincado. ela também seria a única pessoa que poderia descobrir a verdadeira identidade de Emma. O “centro recreativo” tinha sido o código privado delas para qualquer tipo de quebra de regras. — Vocês me dão licença? — É claro. Alex a estava protegendo. dizendo que ela estava do seu lado. Desde que chegou em Tucson. Ela disse a sua antiga amiga que ela e Sutton estavam se dando perfeitamente bem. Mercer ainda estava olhando para ela com preocupação evidente em seu rosto. Tudo o que ela tinha a fazer era mencionar as mensagens que ela tinha recebido de sua melhor amiga. e Emma seria desmascarada. Ouvir a notícia de sua própria morte tinha feito ela se sentir horrivelmente sozinha — como se ela fosse um fantasma vivo. Ninguém mais parece sentir falta dela. assim como ela estava mentindo para todos. E assim. os desenhos dos papéis de embrulho dos aniversários e das fotos de .

Ela empurrou o celular dentro e enfiou-a no fundo da gaveta. Quando chegou ao quarto de Sutton. OBRIGADA POR TUDO. mas ela se forçou a apertar ENVIAR. às vezes era difícil lembrar disso. Na gaveta de roupas íntimas de Sutton ela encontrou uma caixa de absorventes — o esconderijo de seus dias de criança adotada. Eram os melhores momentos da vida de Sutton — não dela. eles tinham encontrado o armário da Greyhound. O QUE DIABOS ESTÁ ACONTECENDO? VOCÊS ESTÁ BEM? Emma fez uma careta. Ela torcia para que Alex fosse discreta até que estivesse tudo acabado e Emma pudesse explicar. não mais.Natal. onde ela tinha escondido o antigo BlackBerry que ela trouxe de Las Vegas. Afinal. então desligou o BlackBerry. Ninguém nunca pensava em olhar na caixa de absorventes de outra pessoa. Mas eu não pude deixar de desejar que Emma tivesse quebrado o BlackBerry e jogado fora os pedaços. . Nada era seguro. Emma remexeu no fundo da gaveta da escrivaninha maior. Ela apertou o botão para responder. NÃO ENTRE EM CONTATO COMIGO DE NOVO — É PERIGOSO. Seu coração estava doendo ao saber que ela estava prestes a afastar uma das poucas pessoas no mundo que realmente a conheciam. Como ela havia previsto. Alex havia enviado uma mensagem para ela. A última coisa que ela precisava era que sua melhor amiga acabasse na lista do assassino — ou fizesse Emma ser presa. desejando que Alex estivesse na frente dela nesse exato momento para que ela pudesse abraçá-la com alívio. e ainda depois de tanto fingir. Emma precisava apressar-se e provar que Garrett tinha me matado — antes que ele colocasse a culpa nela. EU NÃO POSSO EXPLICAR AGORA. TE AMO SEMPRE.

CAPÍTULO 12 – PERCA DE TEMPO — É como se ela estivesse mentindo para seu diário — Emma disse. vasculhando as inúmeras anotações sem nenhuma sorte. Mas era tão confuso como todas as outras vezes que ela o leu. Sem outras pistas. de alguma forma. Como teria sido se suas situações fossem inversas — se Sutton tivesse sido forçada a descobrir quem era Emma através dos seus diários? Sua gêmea provavelmente ficaria tão irritada quanto Emma estava agora — afinal. Nós apenas temos que descobrir em quê. rolando de costas e folheando o diário pela centésima vez. — As amigas dela estavam sempre à procura de formas de atingi-la. — Ela fechou o diário em frustração. menos nós encontramos — ela disse. nenhuma de suas manchetes falsas bonitinhas ou listas tinham qualquer informações reais nelas. Esse cara é inteligente. e ela nem sequer os admitia para si mesma. ele vacilou. — Do outro lado da linha. 1 C-Word: O “C” significa cunt que é uma gíria ofensiva para vagina. Em um lar adotivo nunca se sabia quem ia mexer em suas coisas. Emma tinha sido sempre cuidadosa de não colocar muitos detalhes ou nomes. ganhei de G um perfume Burberry Sport pelo nosso 1° mês de aniversário e é tão cheiroso. Ela não gostaria de dar-lhes algo que elas pudessem usar em uma brincadeira contra ela. . ela podia ouvir um rangido suave. mesmo com a ajuda de Ethan para tentar interpretá-lo. Nada sobre o temperamento de Garrett ou as brigas que eles tiveram ou o fato de que ela ainda estava saindo escondida com Thayer. mas nenhuma delas tem alguma utilidade. — Eu olhei todas as páginas que diziam alguma coisa sobre G. no entanto. e eles tinham estado no telefone por quase uma hora. Ela tinha todos esses segredos. esparramada sob seu estômago através da cama luxuosa de Sutton. Eu tenho certeza disso. se você sabe o que quero dizer. — 21 de Julho: Huuuum. — 20 de julho: C está sendo uma c-word1. É o pior palavrão que se pode falar para uma menina e que significa algo bem pior do que vadia. usando a camisa de flanela azul que sempre cheirava a baunilha. — Parece que quanto mais olhamos. — Temos que continuar procurando. Emma suspirou. ela voltou-se para o diário secreto de Sutton para conseguir respostas. Ela imaginou Ethan com as pernas em cima do parapeito da varanda com uma tigela de pipoca salgada em seu colo. Ela não pôde evitar um pequeno arrepio de prazer passar ao longo de sua espinha com o pensamento. — Emma virou a página. mas em algum lugar. Ela precisa superar isso. — Não faz sentido. Era mais ou menos dez da noite.

e quando atingiu uma mesinha no pé da escada. Por um momento. Ninguém jamais perguntou o que ela queria para o Natal antes. certo — Emma disse. sentindo-se subitamente quente apesar do frio. Mercer disse. cobrindo o receptor. depois que ela terminou a chamada. Ela vestiu uma jaqueta Juicy Couture que ela tinha encontrado no closet de Sutton enquanto o Sr. Em seguida. Vejo você amanhã. Seus dedos agitaram-se com o som de seu barítono sexy dizendo essas três pequenas palavras. Mercer estava no corredor. eu preciso ir. Ele se ergueu e colocou as patas sobre o Sr. e uma família tinha amarrado piscas-piscas coloridos em torno de um cacto arborescente alto em seu quintal. choramingando de excitação. Mercer. ok? — Eu te amo — ele sussurrou. — Oh. Mercer amarrava a coleira do cão. Drake tinha avistado a coleira e estava andando em círculos ao redor da porta de entrada quando eles desceram as escadas. eles ativaram algum dispositivo oculto que começou a tocar “Um Natal Brilhante” de um alto-falante metálico por trás da caixa de correio. Ela estava quase aliviada por ter que voltar para a escola no dia seguinte. Quer ir dar uma caminhada? — Sim! — Emma nunca se sentiu tão loucamente agitada em sua vida. — Ei. ela apertou o celular contra seu coração e sorriu. Quando Emma e seu avô se aproximaram do quintal. Drake olhou para o filme com cautela. se pressionando protetoramente contra a perna de Emma enquanto eles caminhavam. Decorações de Natal começaram a surgir em todo o bairro. como se tivesse perdido a noção dos meses. as fotos de Laurel e Sutton apoiadas em cima despencaram como um conjunto de dominós. — Um segundo — ela gritou. tentando soar severo. mas a visão fez Emma sorrir. — Parece que a mídia se afastou da nossa casa essa noite. alisou o cabelo e foi até a porta. Em seguida. Seu rabo voava de um lado para o outro descontroladamente. Ela sabia que Sutton não tinha nenhum problema em pedir roupas de grife e coisas caras . O Sr. Copos-deleite em vasos de terracota ladeavam algumas passarelas do deserto. Qualquer coisa seria melhor do que não fazer nada. ela baixou a voz. O Sr. A noite estava vívida e tão límpida que as estrelas pareciam perfurações no céu.Uma batida suave soou na porta. Mercer parecia surpreso com as decorações. usando um casaco de lã curto e segurando a coleira de Drake em uma das mãos. Os Paulson tinham exagerado completamente — eles haviam montado um globo de neve inflável gigante. constantemente balançando e fazendo ruídos enquanto a neve falsa circulava através dele em uma cena de inverno que continha tanto um Papai Noel quanto um boneco de neve. ela se levantou da cama. — Eu ainda não tive a chance de perguntar a vocês o que vocês querem para o Natal — ele disse. — Deita! — o Sr.

— Ela colocou uma expressão impassível que o fez rir. Nós não a tínhamos visto por mais de seis meses. Eles caminharam em silêncio por um tempo. — Você era um bebê tão doce. E ser parte desta família. sua respiração soprando para o ar frio da noite. O Sr. você mesma era tão surpreendente que era difícil saber o que pensar. e ela se perguntou se era a perda de uma neta que ele não conhecia que o tinha afetado tão profundamente. mas tudo o que ela queria era resolver o assassinato de sua irmã. Becky não tinha estado em sua vida por treze anos. ela tocou a campainha com você nos braços. — Pai. Que ele finalmente veria que eu tinha morrido. Mercer suspirou. Isso ajudaria? Ela perdeu o rastro de Emma há muito tempo. Becky tinha apenas dezoito anos quando chegou em casa com você. Emma brincou com o zipper de sua jaqueta. — Você soube de Becky? — ela perguntou timidamente. Mercer estranhamente se movia com os seus ombros curvados. Cada vez que eu via meu pai adotivo passar o braço em volta dos ombros dela. você já suspeitou? Antes de Becky dizer. Não era ciúme. — Eu queria tentar falar com ela. E pequeno. Ela nunca tinha percebido isso antes. mas agora que ela o fez. mas a ideia de que Emma pudesse morrer e Becky nunca sequer saber a fez se sentir pequena e sozinha. Era pouco antes do dia de Ação de Graças. Becky nos disse que você era prematura de várias . eu quero dizer? Você já pensou que poderia ter tido duas de nós? O Sr. por outro lado. — Não — ele disse com a voz baixa. o pensamento pressionou duramente e friamente sobre o seu coração. mas quem sabe onde ela está agora? E talvez seja melhor ela não saber. A ideia formou um nó na garganta de Emma. eu tinha certeza de que seria o momento que ele perceberia que ela era uma impostora. — Tenho certeza de que posso pensar em algo. incrivelmente minúsculo. Eu sabia como Emma se sentia. sua voz de repente baixa. — Um sorriso carinhoso curvou em seu rosto. Mercer se virou para olhar para ela.de seus pais. Ele parecia cansado e introspectivo. Ela poderia ter sofrido terrivelmente a cada dia desde que Becky a tinha deixado — ela poderia ter morrido centenas de vezes. de repente. Nós nem sequer sabíamos que ela estava grávida. exatamente — eu não invejava o amor deles por Emma — mas o mundo tinha seguido em frente. Ele olhou para frente para a escuridão. — Eu sei que é difícil até mesmo pensar em presentes em um momento como este. e ninguém tinha notado que a menina que vivia a minha vida nem ao menos era eu. e Becky não teria ideia. O Sr. e então. Seria melhor se ela nunca soubesse o que aconteceu com ela. seus lábios se torceram enquanto ele pensava. — Não. e você tinha apenas alguns meses de idade. Mas. ou algo completamente diferente. como se estivesse protegendo a si mesmo de algo que Emma não podia ver.

Nós dois estamos nos sentindo terríveis. — É alguém que você conhece? — o Sr. Por um momento ela pensou em se separarem. Ele já tinha atropelado alguém em um carro uma vez. Ela queria ver se o Audi iria segui-los. mas depois ela percebeu que não seria nada bom — Garrett seria capaz de pegálos. não é? Com as notícias sobre Emma? Eles estavam passando embaixo de um poste. apenas um momento depois de mim. os faróis se viraram. A coleira de Drake tilintava enquanto ele trotava na frente deles. Quando viraram a esquina. se soubéssemos. entrelaçando seu braço com o do Sr. — É claro que ela está. Sutton? — ele disse. Ela agarrou o braço do Sr. Ela estremeceu quando a porta se abriu e se preparou para ver Garrett com toda a . se ele quisesse fazer isso de novo. olhando por cima de seu ombro. — A mamãe está sendo terrivelmente afetada por isso. Garrett tinha ido buscá-la de carro na noite em que ele a tinha levado para um piquenique. Com um súbito rugido do motor. Ela passou por uma caixa de correio com festões enrolados no poste. Quem ela conhecia que tinha um Audi? Era difícil enxergar no escuro. — Precisamos ir para casa — ela murmurou com urgência. — Prata — eu sussurrei. o carro deu uma guinada ao virar a esquina atrás deles. tentando olhar para trás para o carro. Nós teríamos amado as duas. Poderia facilmente ter sido você que Becky manteve em segredo de nós.semanas. Ela prendeu a respiração. — O que houve. Mercer enganchou seu braço no dela. e com a luz amarela brilhosa ela podia ver as sombras profundas no rosto do Sr. não haveria nada para detê-lo. inclinando para bloquear o caminho deles. — Quem é? — Apenas confie em mim. Pensar em como as coisas eram difíceis para ela é difícil. Sutton. Drake latiu furiosamente. — Vamos por este caminho — ela disse. em seguida. Mercer e puxando-o por uma rua lateral. Ela puxou-o para frente. Seu coração acelerou quando o carro se arrastou para mais perto.. — Nós amamos você desde o momento em que te vimos. Emma era como você no início. Emma pensou. — Ela puxou-o detrás dela. e o meu. Continue andando. Garrett. Como previsto.. é tarde demais para fazer qualquer coisa por Emma. Ou talvez prata. Emma assentiu. agora sabemos que o motivo do seu tamanho era porque você tinha uma irmã gêmea. também. Mercer. é claro. mas parecia ser branco. andando mais rápido.. E agora.. Emma olhou em volta e viu um Audi de porte médio andando lentamente no rastro deles. desviando através de um gramado lateral para eles se manterem o mais longe do carro que pudessem. os faróis acenderam por trás deles. o Sr. E isso parte o coração da sua mãe. sabendo a quem pertencia o carro. Mercer perguntou. porque é muito fácil imaginar você no lugar dela. ele se recuperou. imediatamente inquieta. bem. Ao lado dela. Eu tinha estado nesse carro quase todos os dias no verão passado. de repente. — Sua voz falhou por um momento. Mercer.

Eu garanto. . querida. pronta para empurrar o Sr. Mercer disse com firmeza. Emma caminhou até onde o cartão estava e pegou-o. Mercer e Drake em uma nuvem de fumaça do cano de escape. — Você sabia que era um repórter? — ele questionou. Mercer e ficar na frente dele. Guarde seus insultos para as meninas gordas da escola. — Ela levantou os punhos e fingiu esmurrar. — Idiota fofoqueiro de segunda categoria? Emma abriu um sorriso envergonhado. — Nós não temos nenhum comentário para fazer neste momento — o Sr. Qual é. — Só estava tentando chamar a atenção de vocês.. Agora ele deu um rosnado baixo e ameaçador. O Sr. eu suspeitava — ela gaguejou. o Sr. você não quer contar o seu lado da história? O temperamento de Emma chamejou. — Não para algum idiota fofoqueiro de segunda categoria. e estava carregando um gravador de áudio digital quando se aproximou deles. e Drake tinha chegado mais para perto do repórter. colocando a mão em seu ombro. — Eu gostaria de poder protegê-la contra eles. — É um direito de vocês. — Ele se inclinou lentamente para colocar um cartão de visita no meio-fio. — Ele esfregou Drake atrás das orelhas. — Ted e Sutton Mercer? — Um sorriso sem vergonha se espalhou em seu rosto. O repórter parecia ter notado isso também. me liguem. olhando para Drake por todo o caminho. Mas não era Garrett. Então ele riu. papai. Sutton. — Você quase nos atropelou! O sorriso do repórter não vacilou. Então ela rasgou em pedaços pequenos e jogou-os no ar. Ele endireitou-se em toda sua estatura e abraçou Emma com um braço. e então foi embora. Mercer parecia indignado. Ele suspirou. — Eu. Os jornalistas são os únicos que vão precisar de proteção. Mas a história vai ser um sucesso. Ele usava óculos de armação fina. Era um homem magro de queixo pontudo usando uma jaqueta jeans e um velho cachecol marrom de malha. Ele tateou a maçaneta da porta. Ele ergueu as mãos no ar e se afastou lentamente. se ela precisasse. deixando Emma. e vai sair uma grande quantidade de mentira. Mercer olhava para ela com uma expressão indecifrável em seu rosto. O repórter recuou para o lado do seu carro. — Isso mesmo. Emma notou que ele tinha soltado a coleira um pouco. Eles vão estar em todo o lugar. — Vocês se importam de me dar uma declaração para a revista The Real Deal? O Sr. O homem deu uma gargalhada. Meu número está no cartão.sua fúria. Drake não tinha parado de latir. O rabo do cão balançou violentamente de um lado para o outro.. — Eu já sei de tudo. — Se vocês começarem a sentir que não estão sendo devidamente representados pelos meios de comunicação.

e quando ele viesse. assim como Emma. Ela era a única pessoa que poderia protegê-lo. mais cedo ou mais tarde. Mas. enquanto eles caminhavam de volta para casa. ela tinha que estar pronta. que seria o contrário. . ele colocaria em prática suas ameaças. Desejei que o meu pai pudesse proteger Emma.Eu estava parada atrás do meu pai e da minha irmã. Ele viria atrás da nossa família. também — eu gostaria de poder manter todo o perigo que agora a estava ameaçando à distância. Mas eu sabia. Não tinha sido Garrett no carro dessa vez.

agradecida. para o crédito delas. Na noite anterior. Eu não me importo com o que vocês dizem. apesar de tudo. Ela suspirou. Lembra do ano passado quando ela disse a todo mundo que tinha sido assaltada? Emma mantinha a respiração constante e calma enquanto caminhava. ambas parecendo pálidas e preocupadas. e agora eles não estavam nem sequer se preocupando em esconder isso. — Sim. — Eu não acredito que estas pessoas estão fazendo isso. O momento que ela precisava canalizar a atitude vadia de Sutton era esse. Emma tinha se acostumado com o amplo espaço dado a ela pela maioria dos estudantes de Hollier High. Ela não queria ter que explicar mais de uma vez. . ela participou de um vídeo-chat de três vias com Charlotte e Madeline para contar a elas tudo o que tinha acontecido. — Você não tem nada para fazer? — Madeline grunhiu para um menino baixo usando uma camisa de flanela que parecia estar a alguns metros de distância. quando as multidões se separaram na frente dela e Laurel quando elas caminharam pelo corredor. Ela nunca tinha se acostumado com todo mundo olhando para ela. Quando elas a viram elas se apressaram para frente para se aproximar dela. Mas no dia seguinte. e ninguém queria ser pego no fogo cruzado de uma brincadeira do Jogo da Mentira. — Você está bem? — Emma tomou o café. olhando para Emma. certo.CAPÍTULO 13 – AÇÃO DE IRMÃ Desde que ela tinha tomado o lugar de Sutton três meses atrás. pareceu diferente. Em ambos os lados. Mas. — Aí está você — ela murmurou com a voz baixa. passando a mão sobre os cabelos pretos e lisos. — Você soube que a menina morta era a irmã dela? — A irmã gêmea dela. tentando não deixar o pânico tomar conta dela. Sutton era famosa. Charlotte ergueu dois copos de café de papel e tentou entregar-lhe um e abraçá-la ao mesmo tempo. Ela dobrou a esquina e viu Charlotte e Madeline em pé perto do seu armário. ouvindo. Emma sorriu em agradecimento. ela podia ouvir sussurros pouco abafados. as duas meninas pareciam mais preocupadas com ela do que qualquer outra coisa. Nesse momento elas só tinham visto o noticiário — Madeline não conseguia parar de dizer que era “muito estranho” e Charlotte parecia quase magoada por “Sutton” não ter contado a elas sobre sua irmã gêmea. — Eu não acredito que você está tão calma — Charlotte disse. isso é algum tipo de brincadeira. — Eu estaria louca. Ele deu um pulo e se afastou parecendo apavorado.

— Você é a gêmea. Thayer soltou um gemido — algo entre um grunhido e um grito — e agarrou a frente da camiseta de Emma. passando as mãos por seu cabelo como um homem possuído. Ela deu uma respiração profunda e agradável. Emma olhou em volta freneticamente. e Emma de repente ficou dolorosamente consciente do quanto mais alto e mais forte ele era do que ela.— Bem. fazendo o seu melhor para disfarçar o seu coração acelerado. Os músculos do seu pescoço estavam rígidos. Ele ficou olhando para ela. Ela ajustou a bolsa em seu ombro. Os olhos de Thayer se estreitaram. Na verdade. Eu não sei por que ou como. ainda segurando o braço dela em um aperto forte. — Me diga a verdade — ele rosnou. — Você tem que me dizer a verdade — ele sibilou. mas ele deixou o braço dela cair de repente. a minha irmã é uma ótima atriz — Laurel disse. ok? — E antes que elas pudessem dizer qualquer coisa em resposta. O sino tocou para a aula começar. Ela estava sozinha. mas ele não a soltou. Ele deu uma respiração profunda e irregular. Emma choramingou. todo mundo estava a caminho das classes. — Agora. seu hálito quente no rosto dela. Parte de mim queria que Emma estendesse a mão e tocasse nele. — Bem. Thayer. tentando sair de seu aperto. Com isso. Thayer. Ela deu um passo em direção aos bancos sombreados. O pátio estava profundamente sombreado. eu não estou tão calma quanto pareço. Ela gritou instintivamente e recuou. — Me solta. Mas eu sabia que você não era ela. entrar em outra sala de aula e lidar com mais perguntas. — Thayer. olhares e cochichos sarcásticos. como se tivesse estado em chamas. Então uma mão apareceu e agarrou seu pulso. mesmo que apenas por um segundo. puxando-a para frente. Eu nem sequer conheci Emma. Olheiras pendiam sob seus olhos. mas ninguém os viu. Eu vou sair. — Não minta para mim! O que você fez com ela? . que brilhavam com um brilho maníaco. ela correu pela porta de vidro para o pátio. eu preciso de um pouco de ar. o sol da manhã ainda estava muito baixo para alcançar os cantos da pequena praça. Um punhado de acácias em plantadores de terracota pontilhava o local. olhando fixamente para Emma enquanto falava. Mas ela simplesmente jogou o cabelo e olhou para ele friamente. você está louco. Logo ela teria que voltar para lá. mas neste momento ela poderia apenas ficar quieta. E então ela viu quem era. — Eu sei que você não é Sutton — ele disse. Emma se contorceu sob os olhares de suas amigas. assim eu poderia senti-lo. Thayer — ela disse com firmeza. mas a mão apertou com mais força em torno dela. Eu percebi desde a primeira vez que eu te vi. não é? Você trocou de lugar com ela.

. e ela pagou o preço. O coração de Emma torcia em seu peito. e talvez a gente não deva nem se preocupar em tentar ser amigos. Mantenha-se no jogo. O quanto ela estava arrependida por tê-lo magoado.eu disse a ela. As mãos de Thayer estavam cerradas em punhos.. ele andou de um lado para o outro em um percurso curto e rápido. Por um momento. Thayer abriu a boca para dizer algo. torcido de raiva. Ela está. Ela lutou contra o desejo de . tentando encontrar a garota que ele amava dentro delas. ela nunca se perdoaria. Lágrimas brotaram dos olhos de Emma. tremendo incontrolavelmente. — Ela está morta? Os olhos castanhos de Thayer analisaram o rosto dela com nostalgia desesperada. A mão de Thayer caiu molemente para longe dela. — Thayer. Não cometa o mesmo erro. como uma pantera à procura de sua presa. Emma nivelou um olhar de aço com o do garoto na frente dela. Ele deu um passo para frente. o rosto de Thayer era uma máscara grotesca. porque isso significaria que eu realmente não tinha trocado você por Ethan. Ele soltou sua camiseta de forma tão abrupta que ela tropeçou. cutucando um dedo em seu peito selvagemente. ou Nisha não vai ser a única pessoa que você gosta que vai morrer por sua causa. Sutton não fez o que Garrett já tinha tentado atropelar Thayer com seu carro. Todo mundo na escola está olhando para mim como se eu fosse uma aberração. e ele ficou ali atordoado. — Você está drogado? Ou apenas com ciúmes? Você adoraria se eu fosse Emma.. Emma abraçou-se. Bem. Se ele matasse Thayer. O que você e eu tínhamos acabou. como se ela o tivesse esbofeteado. O quão profunda sua própria tristeza era. Você foi embora. e enxugou as lágrimas de suas bochechas. deixando nada além de angústia. pare com isso! — eu gritei inutilmente. Mas uma voz cruel e irritante recitou a ameaça em sua mente. observando suas características. mas ela falou antes dele. algo em sua expressão mudou. impotente para acalmá-lo. Então. — Eu só preciso saber.. Reunindo cada pitada de frieza de Sutton Mercer que lhe restava. adivinha só? Foi exatamente isso o que aconteceu. Fim da história. a raiva tinha desparecido. Ela gostaria de poder dizer a ele como ela se sentia presa. Mas quando ele parou e se virou para ela. E agora você me acusa de tomar o lugar dela em algum tipo de doentio enredo de Parent Trap. — Ela está tentando me ajudar. — Ela se levantou em toda sua estatura. — Por favor — ele sussurrou. e cada movimento que ele fez parecia tenso com força mal controlada. Eu só podia olhar e observar. — Minha irmã morreu naquele cânion. mas parou quando a viu estremecer. — Como você se atreve? — ela perguntou com sua voz tão afiada e fria como vidro. Eu me apaixonei por Ethan. impotente para falar com ele. se você for ser tão cruel. mas quando ele viu que ela estava chorando. — Mas eu estava impotente. — Ele se engasgou com a palavra.

tudo o que eu sentia era um medo frio e nauseante. Machucá-lo era a única forma de mantê-lo seguro. com a garganta ardendo em cada palavra. — Ei. desesperada para dizer alguma coisa. Emma? E antes que ela pudesse se conter. ela parou. Emma virou-se.se aproximar dele. . para retirar tudo o que tinha dito. para corrigir seu erro — mas Thayer já tinha ido embora. Porque o que Thayer sabia poderia matá-lo. qualquer coisa. Ela pegou sua bolsa e virou-se para voltar para a aula. Eu estava esperando por todos esses meses para alguém perceber que Emma não era eu. Mas agora que isso tinha finalmente acontecido. — Foi o que eu pensei — ele disse em voz baixa.

onde a ansiedade disputava com outra coisa — uma alerta feroz. Eu ainda acho que ele é um suspeito. E mesmo que ela soubesse que Ethan não poderia realmente protegê-la se o assassino estivesse determinado a matar novamente. Mas e se ele me pegar em uma mentira? E se ele descobrir alguma coisa? Os olhos de Ethan se estreitaram. e cerrou sua mandíbula silenciosamente por um momento.. sua força sólida era reconfortante. Ethan parou. Uma grande janela tinha vista para o campo de futebol. o olhar de Ethan mudou. dopado com os analgésicos nessa mesma hora. Ela puxou-o para trás de um vaso de plantas.CAPÍTULO 14 – MORRA DE INVEJA. mas era óbvio que eles estavam gritando um com o outro. provavelmente. — A única forma de ele poder ter certeza é se ele a matou. — Olha — ele sibilou. que ela levou no sentido de “Ok-tá-certoele-tem-um-álibi-mas-eu-não-tenho-que-gostar-disso”. Thayer tinha suspeitado desde que ele a beijou na festa de Charlotte. — Eu quero dizer. Ela sentiu seus músculos lentamente relaxarem e acalmarem com a presença dele. — Thayer estava indo para o hospital quando Sutton morreu. a vergonha atravessando-a de novo. ele não tem como provar. Ele estava. Emma suspirou e encostou a cabeça no ombro de Ethan. você não é — Ethan disse ferozmente. Ethan sabia sobre o beijo — ele pegou-os se beijando — mas ela não queria trazer esse assunto à tona novamente. Garrett e Celeste tinham aparecido no campo de futebol. Ela mordeu o lábio. Emma não podia ouvir uma palavra através do vidro. Celeste ficava balançando a cabeça negativamente. NANCY DREW Emma encontrou Ethan no caminho para a aula de alemão. e eu reagi — ela admitiu. Ela se virou para olhar para onde ele estava apontando. Ethan deu um suspiro evasivo. . — Thayer sabe — ela sussurrou com urgência. Ela balançou a cabeça com impaciência. — O quê? Como? — ele finalmente perguntou em voz baixa. o quanto ele só queria saber se era realmente a garota que ele amava no cânion. Emma olhou para seus olhos azuis escuros. — Ele me chamou de Emma. talvez.. Não tinha como ele ter voltado para o cânion com uma perna quebrada. — Eu sou uma idiota. — Não. mas antes que ela pudesse falar. — Ela abriu a boca para dizer-lhe o quão desesperado Thayer parecia por saber da verdade. Ele estava olhando para algo fora da janela.

um protetor de boca de atleta em uma caixa de plástico.. Ambos observaram quando Celeste levantou uma mão com desdém. — O que eu deveria ter feito há muito tempo — ela disse. incerto. — Onde diabos você aprendeu isso? — Ethan perguntou. Ele balançava as mãos violentamente na frente dela. Ela agarrou a mão de Ethan e correu pelo corredor até onde os armários altos ficavam. parecendo impressionado. se afastando de mim enfurecido. e em seguida. de repente. Ela olhou de um lado para o outro no corredor para ver se alguém tinha ouvido. Emma caminhou rapidamente até ele e analisou a fechadura. endireitando-se. — O que você está fazendo? — Ethan sussurrou.suas longas tranças loiras chacoalhando ao redor de sua cabeça. cercados por várias coisas — um pente de plástico. O armário cheirava fortemente a manteiga de amendoim e algum tipo de loção pós-barba almiscarada. Ethan franziu a testa. Eu lembrei-me de como seus dedos deixaram manchas de sangue no linóleo limpo atrás dele. — Nossa chance de quê? — ele perguntou. — Uau — Emma arfou. O rosto de Garrett estava com uma cor vermelha de raiva. cerrando sua mandíbula. recostando-se contra os armários e olhando por cima da cabeça. Eu conhecia essa expressão.. intenso — Ethan disse. Eu lembrei-me de suas mudanças de humor. — Isso foi. cruzando os dedos de ambas as mãos. Então ele se virou e foi para o outro lado do campo. — Agora é a nossa chance — Emma disse. em direção ao pequeno bosque de cedro que separava o campus da rua movimentada. — Minha amiga Alex me ensinou em Henderson. Surpreendeu-me. A porta se abriu. Garrett ficou olhando para ela por um longo momento com o peito arfando de raiva. — Você fica de vigia. parecendo a ponto de estrangulá-la. Era óbvio que era dele — os bilhetes de boa sorte que os torcedores de futebol tinham feito para as finais ainda estavam lá orgulhosamente em letras com glitter vermelho e dourado. Lembrei-me dele socando um armário e deixando um amassado no metal. então virou-se para caminhar de volta em direção à escola. um punhado de dinheiro trocado. Livros estavam bem empilhados na prateleira de cima. ela deu um chute na base do armário. ok? Ele balançou a cabeça. Ela virou lentamente a combinação para zero. estremecendo com um som metálico vacilante no corredor vazio. O armário de Garrett ficava em um beco sem saída na esquina de uma máquina de Coca-Cola. Um casaco com capuz estava pendurado no gancho. Pendurado na parte . Novas memórias flutuaram vagamente à superfície. Ela sorriu. sem responder. o quão familiar ele ficou. mas ela olhou de um lado para o outro no corredor vazio. Eu conhecia esse rosto. do seu mau humor.

imaginando os tipos de coisas que ela poderia encontrar no armário dele. ele pegou uma pequena chave de prata pendurada em um chaveiro de metal. Sua mão começou a tremer tanto que as iniciais ficaram turvas em sua visão. o som de passos ecoou vindo da esquina. — Vire — Ethan disse. A segunda palavra estava muito riscada para decifrar. Talvez isso seja inútil. meias brancas. como se fosse algo sujo. — Ela mordeu o lábio com seus olhos passando pelas coisas de Garrett. Teria sido horripilante encontrar uma mecha de cabelo de Sutton ou um pedaço da roupa dela — ou pior. e uma instantânea de Celeste em uma poltrona estofada em um escritório repleto de livros. Eu acho que ele não vai ter uma placa dizendo FUI EU dentro do armário. decepcionada. ela podia distinguir a palavra ROSA. De um lado do metal. Ela olhou para onde ele estava. Ethan se aproximou dela. Emma sacudiu a cabeça. Ela virou e olhou para o chaveiro. alguém tinha arranhado as iniciais SM no metal. Abaixo disso havia o número 356. mas tudo o que tinha era um par de chuteiras de futebol. quase um sussurro.interna da porta estava um espelho magnetizado. e com cuidado. Era muito pequena — pequena demais para ser uma chave de casa. franzindo a testa. ao lado dela. olhando para o armário. uma enorme garrafa de água de plástico verde e uma garrafa de algo que cheirava a uísque. Ele acenou para o chaveiro na mão dela. colocando uma mão em cada um dos seus ombros para mantê-la estável. — Isso significa alguma coisa para você? — Ela não conhecia ninguém chamado Rosa em Hollier. uma foto de Garrett e Louisa em pé na frente do Majestoso Cânion. — Ethan? — Ela se levantou lentamente. se Garrett tivesse guardado uma lembrança. — Ela estremeceu. — O que isso significa? — Sua voz era rouca. Ela se agachou para abrir o ziper de uma mochila Nike largada no chão do vestiário. — O que você está procurando? — Ethan sussurrou. e ele deixou a chave cair na palma de sua mão. Ela franziu o cenho. — Ethan? Ele estava olhando para algo na prateleira de cima. calções de malha. ainda de joelhos. Antes que Ethan pudesse responder. com seus olhos girando em seu rosto. e suspirou. — Eu acho que isso foi uma perca de tempo — ela disse. Ela inclinou a cabeça intrigada. Ela fechou-a. Ele estendeu a mão lentamente para cima. No verso do chaveiro. Emma empurrou a chave em seu bolso da calça jeans e fechou o . Ethan não respondeu. — O que é isso? Ela estendeu a mão. — Eu não sei. — Eu li que alguns assassinos gostam de manter lembranças de seus crimes para que eles possam revivê-los mais tarde. uma foto antiga da revista Sports Illustrated com Mia Hamm celebrando uma vitória enquanto arrancava sua camisa.

Ela não sabia como Garrett era. Emma mexia com a alça de sua bolsa. — Eu estou bem. uh. sabe? . Ela se debateu por um momento. ela parecia pesada com a tristeza. Emma podia ver um pedaço de papel dobrado em seus dedos. — Eu não tive a intenção de. Os passos de Ethan desapareceram no corredor. Seus olhos estavam vermelhos e sua voz cheia de lágrimas. em seguida. Eles são sempre intensos. mas as palavras atingiram Emma como um choque elétrico. posso te encontrar mais tarde? Ele pareceu assustado por um momento. Celeste estava claramente tentando soar indiferente. — Aqui — Ethan arfou. por um momento agradável o beijo tomou conta dela e seu pânico diminuiu. e dezenas de incompatíveis brincos de prata pendurados em suas múltiplas perfurações das orelhas. uh. Celeste. olhando para todos os lugares. olhando para qualquer outro lugar. Ela olhou para Ethan. com uma túnica verde estampada com símbolos celtas e um par de leggings. mas hoje. mexendo em seus livros. que estava um pouco distante. Ela arregalou os olhos de forma significativa para ele. — Eu sei que nós não somos exatamente amigas. apoiando-a contra a parede e olhando-a nos olhos. interromper. Ele apertou seus lábios contra os dela. Emma empurrou gentilmente Ethan para longe dela. Geralmente ela tinha uma sensibilidade volátil e alegre. e mesmo que o sangue dela ainda estivesse correndo em seus ouvidos. Ela estava usando seu estilo habitual Arwen-da-TerraMédia. — Ei. você sabe como Garrett é. não de verdade — mas de pé em frente a ela estava alguém que sabia. tentando comunicar que ela queria falar com Celeste sozinha. Eu deveria ir para a aula de qualquer forma. que tinha parado no meio do caminho quando os viu. Vejo você por aí. Celeste trocou seu peso. ela ficou quieta quando percebeu o que ele estava fazendo. — Oh! Eu sinto muito! Ambos olharam para cima para ver Celeste. Quero dizer. Ela enxugou furiosamente o rosto e tentou forçar um sorriso. Deveria ser um bilhete para colocar no armário de Garrett. — Ele é um ariano. Então ela olhou freneticamente ao redor em busca de um lugar para se esconder. Celeste ficou indecisa no corredor. Ele se afastou de onde ele estava encostado na parede.armário o mais silenciosamente que pôde. — Oh. sim. eu só não quero que você se magoe. menos para Celeste. Celeste. Celeste suspirou. menos para eles. A máquina de Coca-Cola cantarolava alto. Ethan. mas eu. — Você está bem? — Emma perguntou. suas pulseiras tilintaram musicalmente umas contra as outras. Pulseiras tilintavam em seus pulsos. desorientada — mas. olhando através de seus cílios molhados para encontrar os olhos de Emma.

obviamente. sua voz estava calma e tímida. — Oh. alguém se recusava a falar. — Eu não deveria ter dito nada. Ela mordeu o lábio. Claro. a memória formigou na parte de trás da minha mente. . Algo tinha acontecido com a irmã mais nova de Garrett — algo muito.. Ela colocou a bolsa de Sutton debaixo do braço e se dirigiu para a saída.. Emma se xingou mentalmente. — Eu só acho que você deveria ser cuidadosa. tome cuidado — Emma disse. Quero dizer. pensando no que ela tinha acabado de ver da janela. Mas depois de um momento. Emma assentiu cuidadosamente. O espírito dele está tão ferido.. reconhecendo que era a hora de ir embora. Ele tem um. — Bem. Mas a coisa toda. deixando Emma com mais perguntas do que respostas. Celeste estreitou os olhos. — Eu soube sobre a sua irmã — ela disse. O estranho é que Louisa está realmente indo bem. desconfiada. — Ei.. — Eu não estou tentando fofocar — ela recuou. Eu sabia que ele estava chateado com isso. mas eu podia senti-la lá. temperamento assustador. e quando ela precisava saber de algo. Celeste falou.. Garrett não tinha parecido intenso — ele parecia querer machucar alguém. Fofoca sempre fluía livremente em Hollier. o arruinou. Ela olhou por cima do ombro como se tivesse procurando por bisbilhoteiros. hum. — É. muito ruim.. Sutton Mercer não era exatamente conhecida por sua preocupação com os outros. depois que meus pais se divorciaram. mas eu realmente não sei com o que ele estava chateado — Emma falou. abraçando os ombros. então. Celeste ficou no meio do corredor.. Celeste. olhando Emma cautelosamente. Ficou irritantemente fora de alcance. Mas ele não quer nem tentar. por causa do que aconteceu com Louisa? Celeste deu-lhe um olhar estranho. Sutton? Emma fez uma pausa e virou-se.— Hum. Eu não tenho direito de contar. bem. um pouco além da minha memória.. Garrett é bastante volátil. — Então você acha que ele está com raiva por causa de. — Nós costumávamos brigar muito quando estávamos juntos. certo — Emma disse. como se ela estivesse relutante em confiar demais. — É que tudo volta para Louisa. tipo. Eu fico pedindo para ele meditar comigo. Ajudou muito. a mãe dela colocou-a na terapia. A cor sumiu do rosto de Celeste. Mas algo que Celeste tinha dito foi estranho. de modo que ela está conseguindo ajuda. Talvez ruim o suficiente para transformar o irmão dela em um assassino. eu nunca ouvi a história toda. Emma não podia culpá-la — as garotas do Jogo da Mentira tinham feito uma brincadeira com ela há algumas semanas. Celeste recostou-se contra a parede dos armários. — Eu sinto muito. Quero dizer. — Então ela virou-se e desapareceu.

Pensar em Garrett tinha assombrado Emma durante todo o dia. . e outro. a chave pequena e brilhante com as iniciais da irmã dela riscadas no chaveiro. alguém no country clube gritou: — Fore! — Foi enfatizado pelo pock suave de uma bola sendo tacada à distância. mas o Audi prata de Garrett não estava em lugar nenhum. Ninguém sabia que ela estava aqui.CAPÍTULO 15 . Quando ela pôs os pés no quintal dos Austin. e depois outro. Ela não tinha dito a Ethan que ela viria. Soava como uma voz de menina chorando de dor. Seu rosto vermelho e irritado quando ele gritou com Celeste. a temporada tinha acabado. Ela peregrinou por todas as salas de Sutton desorientada. Emma estava no carro de Sutton na frente da casa há cerca de 10 minutos.ATRÁS DAS LINHAS INIMIGAS A casa de Garrett era um pequeno sítio em uma rua tranquila perto do country clube. A escola tinha acabado de liberar. E Garrett estaria na sala de musculação de Hollier com o resto da equipe de futebol pelas próximas duas horas. apenas despertando durante o quarto período de alemão para olhar fixamente para a parte de trás da cabeça de Garrett. um pânico surgindo na boca do seu estômago. Peixes dourados e enormes flutuavam preguiçosamente em um lago de carpas debaixo de um pequeno grupo de árvores paloverde. Ele teria descoberto uma forma de detê-la. Emma saltou. rodeado de telha de ardósia. A única coisa que ela podia ouvir era a vibração suave e constante das aves acima. como se assim ela pudesse ler seus pensamentos se ela se esforçasse o suficiente. Ela iria procurar respostas. Outro grito surgiu. Mas ela não iria conseguir encontrar a prova de que ela precisava se nunca tentasse. ela preparou-se e saiu do carro. dando respirações profundas e tranquilizadoras. Ela iria tentar entrar no quarto de Garrett. um grito bizarro e agudo atravessou o ar. e vigiando a casa. baixos bancos de pedra e grandes plantas em vasos de barro. A poucos quarteirões de distância. Um Subaru Outback azul escuro estava estacionado na garagem. o sorriso em seus lábios quando ele levantou o papel que dizia VADIA. Nenhum tráfego agitado e ninguém na vizinhança parecia estar fora ajeitando o quintal ou desfrutando do sol dourado de novembro. Finalmente. mas eles malhavam juntos durante todo o ano. A rua de Garrett parecia estranhamente vazia quando o GPS de Sutton levou-a para a casa dele. mesmo que isso significasse colocar sua própria vida em risco. Até que ela não pôde aguentar mais. ecoando nas calçadas.

olhando esperançosa para sua mão. Ela estendeu a mão para ajudar Emma a descer do banco. os mesmos olhos castanhos — embora. Mas quando os pavões finalmente se afastaram. Emma deu à mulher um sorriso hesitante. e ela atravessou a porta correndo. Mas é claro — os pais de Garrett estavam divorciados. Mas tão rapidamente quanto tinha aparecido. Por uma fração de segundo. querida — ela disse friamente. brincos de âmbar pendiam dos seus lóbulos. procurando a origem do som. para começar. Emma prendeu a respiração quando a mulher fez movimentos com as mãos para expulsar os pássaros e eles se ergueram e olharam malignamente. assim que os pássaros voaram em sua direção. Emma se amaldiçoou interiormente. — Eu não tenho nenhum milho. e uma mulher com os cabelos loiros areia colocou a cabeça para fora. alguma coisa? Você sempre me chamava de Vanessa. uh. Seus olhos se arregalaram. a mulher abriu um sorriso caloroso. — Eles tem estado tão agressivos ultimamente. Essa devia ser a mãe de Garrett. — Além disso. Eles a ladearam. em seguida. Ela girou em círculos. — Assim que as palavras saíram de sua boca uma sombra se moveu sobre a expressão da mulher. ela tinha os cantos arredondados como um ursinho de pelúcia debaixo de suas calças de linho folgadas e suéter marrom. — Sutton — ela exclamou. Anéis de âmbar brilhavam em cada dedo. ou que tipo de relacionamento Sutton tinha com a mãe do seu namorado. inclinando a cabeça para olhar para ela com seus olhos redondos. seus desgraçados. por ter irritado eles. Os pavões giraram a cabeça em seus longos pescoços para olhar para ela. — Faz tanto tempo que não te vejo! Desculpe-me pelos meninos — ela disse. A porta da frente se abriu. enquanto seu filho era todo musculoso. em algum lugar da sua casa. dois enormes pavões vieram apressados para fora do quintal com suas caudas arrastando atrás deles. — Fora! — ela disse. Obrigada por me salvar. Ela tinha o mesmo cabelo. Emma gritou quando eles vieram em linha reta em direção a ela. chamando: — Rocko! Salvador! — Então ela viu Emma encolhida no banco. a expressão escurecida da mulher tinha desaparecido. por que você está me chamando de Sra. e um caminhou até ela. . — Esse é o nome da madrasta de Garrett. — Lembra? Meu nome de solteira é Ramsey. Mas. Sra. — Me desculpe. Eu não sei o que deu neles. e um par de óculos olho de gato estava pendurado em seu peito preso em uma corrente feita de contas de âmbar. Ela saltou em cima de um banco de pedra ao lado do lago. Um deles jogou a cabeça para trás com sua garganta estremecendo quando deu o grito que ela tinha confundido com o de um ser humano. Austin.Cada grito de lamento parecia cortar o peito de Emma. ela tinha certeza de que Garrett tinha trazido outra vítima para aqui. eu. Ela não sabia o que Garrett tinha dito a sua mãe após a separação deles. suspirando para os pavões.

Ele está aqui? Vanessa balançou a cabeça. Ela parecia tão doce. Eu lembrei-me de um jantar com a família de Garrett estilo piquenique no chão da sala de estar deles. ele ainda está na escola. Eu lembrei-me da impressão que eu tinha de que havia uma tristeza persistente em torno dela. era quase impossível definir precisamente uma memória específica. A mulher deu um tapinha no ombro de Emma. — Mas você significou muito para ele. Quando ela sorriu. Emma respirou fundo. — Você não se importa? — Nem um pouco. e eu sempre uso essa camisa quando eu assisto o jogo com o meu pai. — Não. Se você for corajosa o suficiente para entrar naquela bagunça. Estou feliz por vocês estarem tentando ficar um na vida do outro. sorrindo melancolicamente. eu não tenho tanta certeza. franzindo os lábios em um biquinho. não é? Mas eu estou tão contente de vê-la agora. Emma forçou uma risada inexpressiva com a escolha de palavras de Vanessa. Como de costume. Isso significa que você e Garrett são amigos de novo? Emma hesitou. A mãe de Garrett não era nada como ela esperava. a mesma que a de Garrett.Vanessa. mas eu podia me agarrar a fragmentos delas. a ideia de ter que mentir para ela fez Emma ficar um pouco enjoada. — Oh. Era um restante da amargura do divórcio. Algo agitou-se na parte de trás da minha mente. você tem a minha bênção. — Vanessa abriu a porta da frente com outra risada. não é? — Ela deu um riso ofegante e sem fôlego. — Faz. — Oh. Vanessa. — Eu sei o quão difícil pode ser às vezes — ela disse com sua voz baixa. — Você foi a única namorada que nunca deixou ele se safar de um assassinato. Eu estava realmente querendo usá-la neste fim de semana. — Vanessa tinha uma covinha na bochecha esquerda. Sutton. Eu sempre achei que você era boa para ele. — Eu vim porque eu acho que Garrett ficou com a minha camisa do Wildcats. — Por que você não corre lá no quarto dele e vê se você encontra? Emma sentiu uma pontada de culpa com a facilidade com que a mulher sugeriu. Emma mordeu o lábio. cara. Eles vão jogar no Novo México. ela parecia cansada. Emma seguiu-a até uma porta de entrada com piso de assoalho . — Desculpe. É que faz tanto tempo. seus brincos de âmbar balançaram com o movimento. Mas ela tinha que entrar no quarto de Garrett de alguma forma. mas que eu não tinha certeza do motivo. Emma fingiu estar desapontada. — Você achava? — É claro. Vanessa assentiu. ela pareceu mais jovem. ou algo mais sombrio? Eu me esforcei novamente para trazer uma memória da irmã de Garrett — o que havia acontecido com ela? — Mas nada veio para mim. — Nós estamos tentando — ela disse evasivamente. — Ele não vai estar em casa por algumas horas. Músculos de aço. e por um momento. — Ela limpou a garganta. é assim que ele chama.

A janela sobre a porta tinha um vitral colorido com a vista do sol nascendo sobre as montanhas. Bingo. Embalagens de PowerBar e garrafas de Gatorade vazias estavam reunidas em cada superfície. . querida. — Muito obrigada. outras com peças de máquinas substituindo os braços ou olhos. As escadas terminavam em um patamar que tinha vista para a sala de estar. que sempre a tratava como se fosse da família. Ao lado havia um banheiro com azulejos azuis e amarelos. Fotos de jogadores de futebol e carros de corrida italianos eram pregados nas paredes. Havia evidência do seu romance atual com Celeste. — A mãe de Garrett apertou-a em um abraço rápido. onde seria — e o que seria? Ela abriu as gavetas dele. Vanessa lembrava a mãe de Alex. Eu voltarei em apenas um minuto. Emma virou-se e deu a Vanessa seu melhor sorriso de impressionar-osadultos. olhando através das pilhas desorganizadas de clipes de papel. metade no chão. e logo ao lado. O coração de Emma doeu um pouco. Garrett sempre parecia tão simples para ela. Havia uma grande colagem pendurada na porta na altura do nível do olho — parecia que o artista tinha rasgado fotos de modelos de moda e. Emma achou que era seguro deduzir que esse era o quarto de Louisa. Roupas sujas estavam espalhadas em cada centímetro quadrado do piso. No quarto de Garrett parecia que uma bomba tinha explodido. remendado-as juntas novamente em formas alienígenas e surreais. ela claramente não conhecia nada sobre Garrett. sua melhor amiga. Uma música ambiente assustadora saía de debaixo de uma das portas dos quartos fechados. e um cheiro penetrante de meias suadas enchia o ar. algumas com corpos de animais. Ela deu à mãe de Garrett outro pequeno aceno e subiu as escadas de dois em dois degraus com o coração acelerado. Uma foto de Celeste sentada em um balanço e olhando para algum lugar à distância estava atrás do quartzo. Vanessa não tinha exagerado. Ela não esperava que a casa de Garrett fosse assim. Se Garrett estava escondendo algo sobre o assassinato. Ela olhou ao redor por um momento. em seguida. na forma de um pedaço de quartzo violeta ao lado do computador dele — Emma assumiu que era para concentrar sua energia ou algo parecido. Ela timidamente abriu a porta e olhou para dentro. As decorações eram luxuosas e excêntricas. O teto alto e inclinado era feito de estanho vermelho estampado com um desenho elaborado de videira. — Fique a vontade. e a filtragem da luz através dele lançava um brilho alaranjado sobre a sala.de madeira de cerejeira e luminárias de bronze antigas. Os olhos de Emma se lançaram com incerteza ao redor do quarto. e um suporte atlético pendia na pequena estatueta de ouro no topo de um troféu de melhor jogador em sua mesa. marcadores e tachinhas. ela supôs que seria o quarto de Garrett. Sua colcha verde escura estava metade na cama. ela cheirava a perfume de jasmim e terra. Mas por outro lado.

jogando o frasco no chão e olhou para cima e viu a irmã de Garrett na porta. onde tinham sido derrubadas por um casaco apressadamente arremessado. A voz do detetive Quinlan voltou para ela. eu não sei como eu poderia ter encontrado nessa bagunça. Algumas fotos estavam viradas para baixo sobre a escrivaninha. Louisa usava shorts jeans cortados. — Ela deu uma risada nervosa. — Sua mãe me deixou entrar. Nisha sorria para a câmera usando tênis brancos. Emma não tinha sequer ouvido ela abrir a porta. Sutton dava o seu melhor beicinho de estrela de cinema em uma poltrona. tropeçando em uma bota de caminhada perdida no caminho. — Oh. Quero dizer. O tempo congelou. . Mas Garrett tinha. uh. O que ele pensava quando olhava para elas? Ele revivia o que tinha feito conosco? Ele dizia a si mesmo que eu merecia isso por magoá-lo? Um tremor se moveu através de mim enquanto eu olhava para o meu próprio sorriso tímido congelado para sempre no tempo. e ela usava dezenas de pulseiras pretas de plástico em seus braços. colocando um sorriso animado no rosto.encontraram quantidades extremamente altas de diazepam na corrente sanguínea dela. Os porta-retratos balançaram em suas mãos. Era diazepam. calças justas verdes brilhantes. ela se sentiu muito menos segura do que ela se sentia um momento antes. Ela estava na porta. Em uma delas. depois de ambas terem terminado com ele? Eu olhei para as fotos. Eu achei que tinha deixado uma blusa aqui. Mas os médicos legistas — O que você está fazendo aqui? A voz cortou os pensamentos de Emma como uma faca. Ela pulou. Ela as pegou e as virou para cima — quando ela o fez.. Nisha não tinha uma receita médica. Louisa — ela gaguejou. Alguns comprimidos se sacudiram dentro. oi. — Faz tempo que não te vejo. Ela franziu o cenho. Por que ele mantinha essas fotos aqui em cima da escrivaninha. ela chutou um frasco com prescrição médica laranja com a ponta de seu dedo do pé. De repente. mas Louisa não sorriu. — Louisa levantou uma sobrancelha. Emma engoliu em seco. Ela olhou para a letra preta nítida no rótulo até as letras não fazerem mais sentido.. seu coração começou a bater acelerado em seu peito. até que parecia um amontoado de símbolos alienígenas. Ela voltou para a porta. botas e uma camiseta preta que deixava um ombro descoberto. usando um biquíni verde-jade e uma saída de banho florida. Emma colocou as fotos de volta onde ela as encontrou. Quando ela se virou para ir embora. E na outra. inclinando-se para pegá-lo. mas eu não achei. parecendo tanto curiosa quanto levemente irritada. Seu cabelo tingido de preto estava cortado em um corte desgrenhado.

quase apologético. Mas você torna tudo muito pior. ela foi embora. Eu passei o resto da noite tentando fazê-lo se acalmar. Ele fica bem pior quando você está por perto. você vai ficar muito. Você deve isso a ele. Sutton. Nós duas sabemos que o meu irmão tem problemas. finalmente. — Eu não estou tentando criar nenhum problema — Emma disse com cuidado. Eu não sei o que aconteceu entre vocês. Seu humor estava frenético porque ele tinha acabado de matar a sangue frio? Uma frustração estendeu-se através de mim. Emma se contorceu. — Ela suspirou. eu não estou tentando ser mal-intencionada. Mas sua testa estava enrugada em uma expressão preocupada. — Eu pensei que vocês tinham terminado. Se eu pudesse mostrar-lhe o que eu sabia — que Garrett tinha estado no cânion comigo. Louisa falou. — E com isso. Não havia maldade na voz de Louisa — apenas um tom de falando algo trivial. Se eu pudesse transmitir as minhas memórias direto em sua cabeça. mas depois vocês estavam juntos na festa de Nisha. — Isso não importa. Não há nenhuma forma de vocês serem amigos depois de tudo isso. muito longe. mas nos últimos meses ele tem estado um desastre total. Ele não quis me dizer onde ele tinha estado. intangível — e impotente. eu era nada mais que uma sombra: em silêncio. Nós duas sabemos que o meu irmão tem Um medo nauseante e tortuoso tomou conta dela. — Desde antes disso. ok? Apenas fique fora da vida dele.problemas. Mas. — Eu não estou dizendo que a culpa é sua. Olha. as palavras de Louisa girando em torno de sua mente. Louisa encolheu os ombros. Que ele me matou. — Ela deu um pequeno sorriso a Emma. Eu mataria ele eu mesma. Na noite antes da festa de Nisha ele chegou em casa histérico às três da manhã. então eu não sabia o que pensar. A noite antes da festa de Nisha foi na noite que Sutton morreu. mas ele estava ofegante e apressado. — Você deveria ficar longe de Garrett. A menina mais nova deu-lhe um olhar longo e firme. Ela se sentia como se ela estivesse sendo interrogada por um policial. Mas você torna tudo muito pior. — Ele tem estado irritado desde a nossa separação? Louisa deu um bufo impaciente. mas graças a ele. Emma piscou. Se você realmente quer o que é melhor para ele. Eu me senti como se eu estivesse sendo engasgada por todas as coisas que eu não poderia dizer a Emma. . Emma ficou paralisada no meio do quarto de Garrett. Sutton. Um arrepio rastejou pela espinha de Emma.

dizia a manchete sob o seu belo rosto. e então foi acusada de alarme falso. quase como se a delegacia estivesse debaixo d’água. oficiais caminhavam rapidamente e determinadamente pelo labirinto de mesas atrás da área de recepção. também. o edifício cinzento e monótono lhe era familiar. Agora. sintonizada com o noticiário nacional. Ela olhou para longe da TV e engasgou. mas ela disse que não. ela pensou sombriamente. Próximo a ele estava um homem careca de meia-idade em um terno cinza sob medida. Ela já tinha mentido para os Mercer o bastante. Eles caminharam até a recepção. Então se tornou nacional. Mercer tinha se oferecido para encontrá-la lá. onde . e ele tinha raspado uma patética camada de bigode em seu lábio superior.LEI E ORDEM: UNIÃO DE GÊMEAS HÁ MUITO TEMPO SEPARADAS No final da tarde. Seus lábios se moviam silenciosamente. Telefones tocavam em todos os cantos.CAPÍTULO 16 . seu antigo irmão adotivo. O som estava desligado. Esse. Atrás dela. desapareceu novamente. Ele carregava uma maleta. Uma televisão de tela plana tinha sido encaixada na parede da sala de espera. Mas agora. também. ela não queria que eles testemunhassem isso. Não lhe admirava que a delegacia estivesse olhando-a mais atentamente do que o habitual. a porta se abriu e se fechou. quando ela leu o arquivo de Quinlan da sua irmã gêmea. O CORPO DA GAROTA FOI ENCONTRADO NA QUARTA-FEIRA. embora ele obviamente tenha tentado se vestir bem. era o lugar onde ela tinha sido trazida depois de ter sido presa por furto. Emma parou o Volvo de Sutton em um espaço de estacionamento de frente para a delegacia para o interrogatório com Quinlan. um feixe de luz entrou rapidamente pela sala e. estava ali parecendo um ordinário como sempre. balançando de um lado para o outro como se fosse algum tipo de arma. uma sensação inerte e de sonolência permanecia no ar. mas as manchetes surgiam rapidamente na parte inferior da tela. Ela deu um solavanco quando se deu conta de que o repórter grisalho da CNN estava de pé do lado de fora do centro de visitantes do Sabino Cânion. O DEPARTAMENTO DE POLÍCIA DE TUCSON AINDA VAI LIBERAR A CAUSA OFICIAL DA MORTE. Ele usava uma camisa de botão que grudava em torno de sua cintura. onde estava mal encaixada na calça. Travis Lambert. soando apenas um pouco depois do outro para seus tons colidirem dolorosamente. O Sr. em seguida. Todas as vezes que ela esteve aqui antes. Este foi o lugar onde ela primeiro tentou avisar que Sutton estava desaparecida.

— Vocês podem me seguir — ela disse. — Vamos lá. Você não tem ideia de quem diabos ele é. de agir como se ele fosse apenas alguém que uma garota como ela não perdesse tempo. É claro que ela ainda era a pobre e impotente Emma. temos uma reunião. e o advogado entrou. Emma lutou para manter seu rosto neutro. Então. Vá logo. com um diário inteiro com Coisas Que Eu deveria Ter Dito como título. Enquanto o assassino continuava brincando com ela como se ela fosse sua marionete. Ela suavizou seu olhar para que ela pudesse parecer como se estivesse olhando para o espaço. suas pupilas queimaram com o reconhecimento quando seus olhos pousaram no banco. — Meu cliente está aqui para ver o detetive Ostrada — o homem falou lentamente com a maleta. Emma incentivou-o. ela ainda seria tão impotente para controlar o seu próprio destino assim como em Las Vegas. Ela era Sutton Mercer agora. Seu estômago se contorceu em nós. Mantenha a calma. Talvez eles só quisessem alguém para identificar o corpo. — Estou indo — ele disse em uma voz melodiosa. soando como se ela realmente não se importasse se eles seguissem ou não. soando ligeiramente impaciente. você é Sutton Mercer.uma policial feminina com uma sobrancelha fina marcada com lápis estava sentada digitando em um computador parecendo antigo. Ela fingiu prestar atenção em um cartaz na parede por cima da cabeça dele com McGruff the Dog Crime parecendo desconfiado sobre a lapela do seu casaco. ela ordenou a si mesma. . E mesmo que ele tivesse visto. Emma deu alguns passos para trás e sentou-se no banco baixo na sala de espera. sobre o quão selvagem e pervertida ela tinha sido. não a pobre e impotente Emma Paxton. Ele não viu você. Travis permaneceu por um momento com a mão na porta. Vá diretamente para a porta e para fora da minha vista. Ela abriu a porta que separava a recepção do resto da delegacia. — Ostrada? A testemunha que você chamou está aqui em cima. deslocando seu peso. tentando parecer apenas mais uma cidadã esperando para falar com um policial. Talvez ele esteja aqui para contar mais mentiras sobre Emma. A oficial deu-lhes um olhar cético e impressionado. olhando diretamente para Emma. então pegou um receptor de telefone e apertou um botão. uma sensação trêmula de mal estar atravessou-a. — Travis? — o advogado disse. A última coisa que ela queria era fazer contato visual. se perguntando por que Travis estava aqui. enquanto ela tivesse que esconder a verdade de todos que ela amava. mas mantendo Travis em sua visão periférica. Mas ao invés disso ele girou lentamente. ele apertou os lábios para mandar um beijo em sua direção antes de empurrar a porta e desaparecer na parte de trás. A policial desligou o telefone e se levantou. Emma descruzou as pernas e recruzou no banco.

por favor. Mas o desejo de ver o meu corpo era como uma coceira fora do meu alcance. Quinlan. Srta. Toda vez que eu tentava imaginar o meu cadáver. dizer o seu nome e a data do seu nascimento. O arquivo era apenas para obter informações sobre o corpo que tinham encontrado no cânion? Seus dedos doíam para abri-la. uma enorme sensação de curiosidade tomava conta de mim. em seguida. Quem diria que a polícia seria como um bando de crianças do ensino médio. eu pensei amargamente. — Você pode. dramas médicos ou qualquer coisa assim. Eu queria ver dentro tanto quanto Emma — especialmente se havia informações sobre o meu corpo no arquivo dela. — Nós estamos em uma sala de interrogatório? — ela perguntou. — Ele foi para o outro lado da mesa. estava ocupado mexendo com um gravador digital que ele pusera sobre a mesa. uh. Mercer. por sua vez. O oficial barrigudo com corte militar encarou-a abertamente quando ela passou. Uma mulher cujo cabelo preto estava torcido em um topete alto na cabeça tirou uma furtiva foto dela com um celular. e o policial não tinha nem sequer prestado queixa — ele apenas levou-as para casa e as entregou para a mãe furiosa de Alex. jogou duas pastas de papel manilha sobre a mesa. Como tudo mais no edifício. ela estava intensamente ciente de todos os olhos seguindo os dois. siga-me. — Obrigado por vir. — Não. a sala tinha uma cor cinza monótona e industrial. Quinlan guiou Emma por um corredor de linóleo para uma sala de interrogatório na parte de trás da delegacia. Ela não iria embora até que eu tivesse coçado. Ela olhou nervosamente para Quinlan. Uma figueira murcha estava em um pote de plástico em um canto com poeira grossa em suas folhas falsas. Emma olhou para a pasta fina com o nome dela. A outra dizia EMMA PAXTON. uma do lado da outra. Mercer. preciso de um advogado? O bigode de Quinlan se contraiu ligeiramente. tentando soar como se estivesse brincando. que agora estava em pé na porta segurando-a aberta para ela. Não se preocupe. Srta. Todos no escritório pareciam saber quem ela era e o que ela estava fazendo lá. Isto vai ser apenas uma conversa casual.Seus pensamentos foram interrompidos pelo detetive Quinlan. Por favor. Srta. Eu nunca gostei de coisas assustadoras quando eu estava viva — eu não assistia filmes de terror. não. Mercer? . A etiqueta da mais grossa dizia SUTTON MERCER. Enquanto Quinlan a levava por conjuntos de mesas. — Eu. mas isso era obviamente impossível com Quinlan bem na frente dela. O que poderia estar lá dentro? A única vez que ela tinha entrado em conflito com a lei em sua antiga vida foi na noite em que ela e Alex tinham quebrado o toque de recolher para ver um show de punk no campus da Universidade de Nevada. o que tinha sido ruim o suficiente.

me dizer novamente o que você sabe sobre Emma Paxton? Emma engoliu em seco. O gravador tanto fazia com não fazia ela se sentir melhor — ela não gostava da ideia de as mentiras que ela fosse dizer estivesse sendo gravadas com sua própria voz. dando de ombros. por favor.Emma repetiu o nome de Sutton e seu aniversário. e combinamos para nos encontrar na noite seguinte no Sabino. — Tudo bem. A foto dela era exatamente igual a minha. também. é perigoso! — ele leu em voz alta. — Bem. e uma rajada de ar frio tornou o suor dela pegajoso. Ele não seria capaz de ameaçar ou intimidar ela se ele quisesse usar a gravação como qualquer tipo de provas. Becky é estranha. Você pode. pegando seu iPhone e entregando-o sobre a mesa. — Eu estava com medo de alguém encontrá-la antes de mim e achasse que ela era eu. Na noite anterior. Eu realmente não pensei nela depois disso — eu achei que as mensagens no Facebook ou eram uma brincadeira idiota das minhas amigas ou Emma era apenas estranha como a minha mãe biológica. Eu fui na noite seguinte para encontrá-la. — É. limpando as gotas de suor de sua testa. ele apertou os dedos e pousou-os sobre a mesa. as mensagens não tinham perigo. — Eu queria fazer uma surpresa para os meus pais — ela disse. o ar condicionado grunhiu. Eu não queria que ela contasse a alguém. — Você pode me mostrar essas mensagens do Facebook? — Quinlan perguntou. então eu fui para a festa de Nisha Banerjee. Eu sei que é estranho. eu recebi uma mensagem no Facebook de uma menina chamada Emma Paxton. como eu disse a você — ela disse lentamente. e ela não apareceu. mas por outro lado o seu rosto estava imóvel. Ficamos enviando mensagens de uma para a outra algumas vezes. Os olhos de Quinlan tremularam ao encontrar com os dela. Ela assentiu com a cabeça. — Não diga a ninguém quem você é até nós conversarmos. A sobrancelha de Quinlan se contraiu. — Eu conheci a minha mãe biológica pela primeira vez no Sabino Cânion no dia trinta e um de agosto. Em algum lugar em cima. mas por outro lado iria documentar cada palavra de Quinlan. Naquela mesma noite. eu achei também. . Talvez ela tenha tido contato com Emma. ao invés. ela deu uma olhada na troca de mensagens entre ela e Sutton no Facebook. também. Na opinião dela. tentando ver se havia alguma coisa incriminadora que ela não tinha percebido. e depois de ter repetido a gravação para se certificar de que estava funcionando. — Uma coincidência muito estranha — Quinlan disse. Mas como eu já disse a você. Ela me disse que eu tinha uma irmã gêmea chamada Emma. — O que isso significa? A garganta de Emma estava seca. — Na noite em que você descobriu sobre ela foi a noite em que ela enviou mensagens para você? Emma assentiu.

seu rosto estava neutro e sério. — Bem. Ainda assim. Quinlan se recostou na cadeira e entrelaçou os dedos atrás do pescoço. Travis? Lá fora na sala de espera. o que você pode me dizer sobre Nisha Banerjee? — A voz de Quinlan estava quase coloquial. Suas mãos tremiam. Ele sabe alguma coisa sobre o que aconteceu com a minha irmã? O canto da sobrancelha de Quinlan se contraiu de novo. — Esperamos que ele possa nos ajudar com uma linha do tempo — ele disse. além disso. Ele a olhava atentamente com seus olhos cinzentos firmes e brilhantes. tinha algo muito importante para lhe dizer. Emma precisava agir cuidadosamente. Ele olhou para ela por um longo momento. Ela balançou a cabeça. Mas o que isso tem a ver com Emma? — Eu não sei. o seu rosto não se moveu. Ela forçou os olhos para tentar ver ao longo do topo da página. Ele pegou o arquivo de Emma e abriu-o perto de seu peito. Sirenes de alarme dispararam na minha cabeça. eu gostaria de saber. eu tinha certeza de que era uma brincadeira. Ela lutou para manter as unhas longe de sua boca. mas uma lâmina de frio subiu na espinha de Emma. Sutton não pode ter uma irmã gêmea. — Você sabe alguma coisa sobre a família adotiva dela? — ele perguntou então. O que era tão urgente? Emma deu de ombros. uma de vocês é mais do que o suficiente. Quinlan e eu tínhamos jogado gato e rato nos últimos anos. Quinlan lhe deu um olhar dissimuladamente curioso.Quinlan empurrou o celular de volta sobre a mesa. aparentemente. — O que tem ela? — ela perguntou. quando eu soube disso. em seguida. mas ela não me disse nada sobre eles. agora. eu pensei. obrigada por esta gravação. tentando parecer mais melancólica do que apavorada. Sutton. alguma coisa não está fazendo sentido. — Eu acho que eu vi o irmão adotivo dela. Sua droga de radar era aguçado. como se estivesse esperando ela voluntariar mais informações. Eu conhecia esse jogo muito bem. Emma se endireitou na cadeira. mas ele manteve-o em um ângulo perto do seu corpo. mas. cruzou os braços sobre o peito. — Ok. Ela olhou para ele sem expressão. Estou feliz por quem quer que vá ouvir isso veja você assediando uma adolescente de luto sem seus pais na sala. — Ela franziu o cenho ligeiramente. — Eu já te disse. — Quinlan fechou o arquivo e pousou-o. Ela tentou não se esquivar de fazer contato visual. — Sabe. mas ela jogou o cabelo sobre o ombro. ao invés ela colocou as mãos sob sua bunda na cadeira. — Eu os vi na TV ontem. Ela morreu antes que pudesse me dizer. Me diga você. Ela. . qual o nome dele. — Ei. os registros telefônicos dela mostram que ela ligou continuamente para você no dia em que morreu. Emma deslizou em seu bolso. sua pele arrepiando sob seu olhar.

Ele olhou para o gravador. Mas isso também significava que Emma estava sozinha — e ele tinha deixado os arquivos sobre a mesa. e recusar pareceria suspeito. — Espere aqui — ele disse. . eu não posso escrever a minha própria vida — Emma falou irritada. Emma mordeu o lábio. — Sim. — Posso pegar sua saliva? — Ela franziu a testa. — Eu não quero entrar em detalhes. no entanto? — O quê? — ela perguntou. Um teste de DNA rápido irá resolver essa coisa toda. Quinlan ergueu as mãos defensivamente. eu sinto muito. estreitando os olhos. — Você pode me fazer um favor. — Tudo bem. Eu não confiava em Quinlan.Isso pareceu assustá-lo. olhando para sua boca como um dentista. bem. eu só estou dizendo que. mas ele persistiu. Ela abriu a boca e ele o passou no interior de sua bochecha. Ela assentiu com a cabeça. Ele era quase tão astuto quanto eu tinha sido. — Olha. mas o corpo da sua irmã não estava em bom aspecto quando o encontramos. Isso era verdade. Então ele rapidamente colocou a haste de volta do tubo e fechou a pasta. Uma sensação desconfortável desceu sobre mim no silêncio deixado em seu rastro. Mas não tinha como um teste de DNA incriminá-la — ela e Sutton eram idênticas. — Desculpe se você não gosta da trama. Quinlan extraiu um haste de algodão de um tubo de plástico transparente em sua pasta. dado ao seu histórico essa coisa toda parece meio absurda. — Ele suspirou. ela pensou. E agora ele estava fora do alcance. Com isso. Nós apenas queremos ter certeza de que ela é a sua gêmea biológica. ele virou-se para a porta e foi embora. Você está certa. — Eu voltou em poucos minutos. Havia algo que ela não gostou — a pergunta rápida de Quinlan havia deixado suas emoções vulneráveis e confusas. Era finalmente a hora de descobrir como eu tinha morrido. depois de volta para ela.

sua língua parecia uma lixa dentro de sua boca. A garganta de Emma ficou seca. O arquivo pousou sobre a mesa à sua frente. incapaz de tirar os olhos do pouco que restava do corpo que eu tinha deixado para trás. rindo com o sucesso da sua melhor brincadeira do Jogo da Mentira. não havia realmente nenhuma margem de dúvidas. Olhando para o crânio. Mas mesmo assim. Entre o assassino estrangulá-la na cozinha de Charlotte e soltar uma luminária de teatro ao lado dela no auditório da escola e. prendendo a respiração para que ela pudesse ouvir os movimentos de Quinlan quando ele passasse pelo corredor. não havia espaço para a esperança ou fantasia. mais recentemente. vermelhas. ela pegou o arquivo que havia seu próprio nome. eu apenas podia detectar as minhas próprias características através da minha memória — ali estavam as minhas maçãs do rosto altas e o meu queixo estreito. O terrível sorriso do crânio era um estranho contraste com o casaco com capuz rosa desbotado ainda fechado em torno do tronco do cadáver. escancarado. Mas ela respirou fundo e endireitou os ombros. Ela sabia que provavelmente haveria fotos pós-morte no arquivo. Segurada por um clipe no interior da pasta havia uma foto de um esqueleto. o que aconteceu com Nisha. E se houvesse indícios que a polícia não sabia pelo que procurar? Ela tinha que ver essas fotos.CAPÍTULO 17 – CORPO EM EVIDÊNCIA Emma contou até dez. e um mostrava um buraco irregular perto da nuca do crânio. amarelas e marrons. capturando o corpo de diferentes ângulos. As órbitas vazias do corpo olhavam diretamente para o céu. Fotos de perto revelavam ossos lascados. e depois fez-se silêncio. Havia outras fotos presas com clips de papel atrás da primeira. mais estranha Emma se sentia. Mas eu não sentia muita conexão com os ossos da imagem. Eu olhei para a foto. Folhas de cores vivas cobriam o corpo parcialmente. Pedaços de pele ainda se agarravam aos ossos. o corpo de Emma parecia muito mais com o meu do que o meu próprio. Olhando para as fotos do corpo. ainda tinha havido uma pequena parte esperançosa dela que achava que Sutton poderia voltar para a cidade um dia. Estranhamente. Uma porta distante se abriu e fechou. Quando ela teve certeza de que ele realmente tinha ido. Ela não conseguia engolir. . Ela sabia há meses que sua irmã estava morta. e seu longo cabelo estava espalhado por trás dele. Eles não tinham nada a ver comigo. ressecado e vermelho pelo sol e pela exposição. Parecia que Sutton estava usando shorts de algodão amarelo na noite que ela foi para o cânion. Quanto mais ela olhava para as fotos. no entanto. Ela abriu a pasta — e imediatamente a deixou cair. mas ela não tinha parado para imaginar em como elas seriam.

muito longe. A tíbia da vítima e três costelas estão fraturadas e o ombro esquerdo deslocado. seu sangue estava salgado e metálico em sua língua. de frente e. tremendo ligeiramente. Do outro lado da pasta havia pilhas de formulários e relatórios. Em seguida. todo mundo achava que esse era o corpo de Emma. em seguida. lutando para reprimir a sua náusea. Isso foi tudo o que restou dela. Ela virou a página. mas que tinha construído a imagem a partir dos ossos de sua irmã. Olhar para o corpo morto de Sutton era como olhar para as fotos dela mesma morta. ela pegou um diagrama da cena do crime. mas algo estava errado nos olhos e nos lábios. A vítima também sofreu fratura de crânio diretamente sobre o olho direito. Mas talvez tivesse vindo de mais perto do que ela pensava. e uma nota lateral mencionava que parecia que os animais selvagens de algum tipo havia “perturbado” o corpo. Um espasmo atravessou-a. Sua irmã tinha morrido sentindo muita dor. As palavras congelaram-na em seu lugar. Claro. agrupados e grampeados. e a lista era longa. Não havia nada para distingui-los. Ela conteve o fôlego quando reconheceu a área no mapa: Sutton tinha caído de um precipício muito perto do local onde as meninas tinham realizado a sessão espírita falsa há apenas algumas semanas. Finalmente. causando hematoma subdural e hemorragia maciça. Ela voltou para a mesa e sentou-se novamente. Ela tinha dito para ela fugir. Ela tinha vindo de mim. Emma não queria pensar nisso. e bile encheu sua boca. Era quase mais assustador do que o corpo verdadeiro — havia algo estranho em ver seu próprio rosto desenhado por alguém que realmente nunca tinha visto ela. essas seriam as coisas mais difíceis de imaginar com apenas um esqueleto como guia. esboçado em vários ângulos. Ela pegou um esboço de reconstrução facial que apresentaram características de uma jovem mulher. nem mesmo o DNA em seus ossos. Ela foi até uma pequena lata de lixo de metal e cuspiu nela. Parecia que vinha de longe. que mostrava tanto a distância do corpo da estrada quanto o local que os investigadores achavam que ela deveria ter caído de lá do alto. tão familiar em seu ouvido. novamente de perfil. desejando desesperadamente que tivesse pedido a Quinlan um copo de água antes de ele ir embora. O artista tinha capturado as características perfeitamente. O médico legista tinha enumerado as lesões de Sutton. havia o relatório do legista.Foi isso o que aconteceu com sua irmã. Todos os detalhes estavam certos. A vítima tem mais de uma dúzia de contusões espalhadas e treze lacerações sobre seus membros e tronco. Estas lesões são todas consistentes de uma queda acidental. Ela pensou na voz fraca que ela ouviu em sua cabeça naquela noite. Claro. Queda acidental? . Emma mordeu com força o interior de sua boca. Em uma página ele tinha delineado os locais dos ferimentos e fraturas em um esboço esquemático do seu corpo.

endereçado a Quinlan. alguma indicação de que ele tinha feito isso de propósito. Pelas fotos. A câmera tira uma foto a cada hora. CAUSA DA MORTE: CONTUSÃO CEREBRAL CAUSADA POR TRAUMATISMO. dois novos carros apareceram — carros que ela conhecia. parecia que não tinha havido quase ninguém no cânion naquela noite. Uma pilha de fotos de uma câmera fotográfica de vigilância estava grampeada com os e-mails impressos do centro de visitantes do Sabino Cânion. qualquer pessoa familiar. eu senti a mão de Garrett no meu ombro e sua voz no meu ouvido. INDETERMINADA. ou tenha sido deixado por um táxi. Talvez o assassino tenha vindo caminhando de algum lugar. afinal. encoberta e feita para parecer acidental. O SUV do Sr. assim como Emma no dia seguinte. Isso deve ter sido quando Sutton se encontrou com seu pai. Mercer e o Buick marrom enferrujado de Becky. e então. o estacionamento estava vazio. Seus olhos procuraram por qualquer carro familiar. Talvez o assassino já tenha roubado no momento em que a foto foi tirada. Ela piscou. Em um certo ponto. Eles pensavam que tinha sido um acidente? Como isso era possível? Eu procurei freneticamente na minha memória para evocar a última imagem que eu tinha daquela noite no cânion. Era exatamente como a morte de Nisha. Eu me obriguei a me virar para enfrentá-lo e descobrir o que ele tinha feito comigo. Garrett deve ter me empurrado — mas tinha que haver uma pista. também. Qualquer pista que ela não visto antes.Eu congelei. Então. talvez eles não estivessem tão certos de que tinha sido uma queda “acidental”. Emma rapidamente passou o dedo indicador nas datas das imagens até encontrar as fotos tiradas na noite do dia trinta e um. duas linhas em negrito lhe chamou a atenção. TRAUMATISMO. e ela não reconhecia nenhum dos carros. Tudo o que eu pude trazer foi aquela sensação doentia de vertigem que eu tive quando Quinlan tinha anunciado pela primeira vez que eu tinha caído. Estamos interessados em ajudar de qualquer forma que pudermos. hora por hora. os carros tinham desaparecido. mas a memória ficou escura. . O que aconteceu comigo — o que aconteceu com Emma e Nisha desde então — não tinha sido nenhum acidente. Ela continuou revirando através da pasta. FORMA DA MORTE: INDETERMINADA. Em seguida. não muito tempo depois. Foto por foto. Nós instalamos três anos atrás após uma série de vandalismo no estacionamento — mas não está configurada para monitorar a atividade nas trilhas. na parte inferior do relatório. A cabeça de Emma girou descontroladamente. O Volvo de Sutton estava longe de ser visto. Indeterminada. Uma hora depois. ou talvez ela e Thayer tenham estacionado em algum lugar isolado. com Becky. Mais uma vez. o remetente havia escrito.

À meia-noite. onde eu tinha enrolado minhas pernas debaixo de mim e erguido um dedo para pedir ao motorista para se aproximar para um beijo. Eu conhecia aquele carro. Ela me atingiu como uma ressaca. Eu podia ver sua perna musculosa por causa do futebol. quando eu disse a ele que ele tinha bebido demais. 2 Gols: Em inglês Goals. quando eu me recusei a dar-lhe as chaves. para baixo. Ele dizia O QUE É A VIDA SEM GOLS2? A letra O do GOLS era substituída por uma bola de futebol. pode ter o significado de gol. Eu sabia que havia um amassado que ele havia deixado na porta do lado do motorista uma noite. Eu senti a memória vindo antes que ela me dominasse. e eu senti um choque elétrico pulsar através do meu ser. E agora isso não era tudo o que eu podia ver. amassando a fibra de vidro com o calcanhar. Eu sabia que havia um casaco brega no banco de trás. e me arrastou para baixo. Eu sabia que a mancha escura em forma de rim no banco do passageiro foi onde eu derramei um copo de café. voando em direção a porta. sob a luz amarela pálida de um poste.Ela virou a página. . Era o carro de Garrett. mas também pode significar determinação. estava um familiar Audi prata. até mesmo agora. Eu mal podia distinguir o adesivo no para-choque. para baixo — de volta para os últimos momentos da minha vida.

— Você está tentando ser atacada? Eu sei o motivo de ele estar dizendo isso. mas o malvado Garrett é uma história totalmente diferente. Quando eu sinto uma mão no meu ombro eu me viro. — Pare de tentar me fazer sentir como o cara mau. — Isso foi antes de você usá-los à meia-noite no meio do nada — ele diz. e você está sendo um babaca. Eu sei o que está acontecendo. eu não tenho nenhuma paciência para uma das birras de Garrett. cambaleando alguns passos para trás. E para a minha sorte. — E eu realmente não gosto de você agindo como se eu fosse uma vadia só porque eu quero. Mas ele me alcança e agarra o meu braço. seu comportamento instável.. com os seus olhos vermelhos e sem foco. Você está bêbado. — Você não sabe de nada — eu digo com raiva. Eu deveria descer a montanha sem dizer uma palavra.. suas feições apertadas em uma carranca amarga.. Eu deveria ignorá-lo. eu mordo a isca. e ele estava tão distraído com as minhas pernas em seu colo que nem prestou muita atenção. O bom Garrett pode ser um cãozinho doce. mas isso não significa que eu goste disso. Eu me dirijo para longe dele para esconder as lágrimas em meus olhos. Atrás de mim.. — Eu não preciso perguntar o que você está fazendo aqui — ele zomba. Sua risada me corta como uma faca. Suas palavras me insultando negligentemente. porque ele está sendo tão cruel. Por um momento. — O que você está fazendo aqui? — eu ofego. Ele está perto o suficiente para que eu possa sentir o cheiro de uísque em seu hálito. um medo aperta a minha garganta. Mas. Seu cabelo está um emaranhado selvagem. — Você bem que tinha gostado desses shorts um dia desses — eu falo rudemente. Durante todo o . adivinha qual deles está aqui agora? Ele aperta os olhos para mim através da escuridão. — Eu não consigo terminar a frase. Garrett está parado centímetros atrás de mim. adorável e descontraído e talvez até um pouco vulnerável. — Você parece uma puta com esses shorts. e um de seus joelhos está esfolado abaixo de suas bermudas de carga cáqui. Depois de tudo o que eu já passei nesta noite. Nesse ponto eu já estou acostumada com as mudanças de humor de Garrett. Apenas alguns dias atrás. tínhamos ido ver a inauguração de um livro chato de super-herói juntos. como eu sempre faço. eu não consigo acreditar nos meus olhos. Eu me equilibro em uma pedra. a trilha se inclina acentuadamente. mas isso não significa que não magoe. — Vá para casa. A ferida escorre sangue por seu calcanhar.CAPÍTULO 18 – TUDO O QUE SOBE. — Pare de tentar agir como se você fosse inocente — ele sibila. Garrett.

Mas eu não quero admitir a verdade agora. eu estou feliz por não termos feito. eu seria capaz de comprometer-me apenas a ele. quando ele está bêbado e bravo desse jeito. eu estava saindo da garagem dela e vi você correndo até a trilha. — Isso é nojento. que pudéssemos. tampouco — não no meio do nada. ricocheteando em torno da ravina. Eu pensei em vir aqui te surpreender. Meu pulso está latejando onde ele o agarrou. — Admita — Garrett diz com a voz entrecortada. — Sabe. eu fui para a casa de Nisha nesta noite. À minha esquerda. de que se finalmente fizéssemos amor. Ele me solta. gritando de raiva. Ele dá uma risada irônica. É quase o suficiente para fazer uma garota duvidar de seus próprios encantos — só que eu sei que são apenas as manias estranhas de Garrett o fazendo hesitar. Eu dei a Garrett mil oportunidades para me seduzir. levá-la ao próximo nível. Mas eles disseram que você não tinha estado lá a noite toda. e ele me rejeitou todas as vezes. Eu dou de ombros. e minha pele arrepia. O que Thayer e eu temos é muito mais real do que qualquer coisa entre mim e Garrett. Esta é a parte da trilha que o meu pai costumava me alertar — quando eu era uma garotinha ele me fazia segurar sua mão enquanto passávamos. e eu tropeço para trás.verão. — Você estava com Thayer. finalmente. — Porra. Ele tem estado estranho em relação a sexo. Tucson brilha como se estivesse preenchida de pisca-piscas. Um arrepio percorre minha espinha. que eu seria capaz de abrir mão de Thayer e acabar com os encontros às escondidas. — Já que você disse que ia estar lá hoje à noite. afinal. — Eu decidi não ir à festa idiota de Nisha. ele agarra uma muda pela raiz e arranca-a ao meio. lançando estranhas sombras nebulosas sobre a trilha. Antes que eu possa me mover. Ele joga a metade arrancada da pequena árvore de lado. e que havia corpos que ninguém tinha sido capaz de recuperar na parte inferior. estava? As nuvens em torno da lua se moveram. À minha direita está o penhasco da ravina. e eu observo enquanto . Mas você não estava aqui sozinha. eu tive a esperança de que Garrett e eu pudéssemos firmar a nossa relação. Eu nem sequer tenho forças para negar mais. Ele sempre me dizia que o penhasco era muito íngreme para os escaladores descerem de rapel. Acho que parte de mim tinha a esperança. Eu simplesmente não consigo acreditar que demorou tanto tempo para eu perceber isso. Eu não quero estar com ele. com quem você estava — Garrett diz. E daí? — Então. não foi? Minha boca fica seca. Sutton! — sua voz ecoa. porém. Fui procurar pela minha namorada? — Ele diz a última palavra quase sarcasticamente. — Por quê? Você estava me seguindo? — Eu penso na sensação que eu tive durante toda a noite de que alguém estava me observando. desde o que aconteceu com sua irmã. Agora. lá no fundo. Garrett. — Eu sei o que você está fazendo aqui.

agarrando-o com os punhos.. — Você está tão fodido — eu sussurro. Seus olhos se arregalam. e por um momento parece que nada está vivo além dos seus olhos. fraca e com dor. mandando o meu medo para longe. que segurou a minha mão tão inocentemente quando eles fizeram uma caminhada lado a lado — esse menino tinha desaparecido.. a lua sai das nuvens. mas recupero o equilíbrio antes de cair. é quase como se eu pudesse ouvir o som repugnante da perna de Thayer quebrando de novo. — Quem é que apenas. e é um som amargo e débil. quanto de medo.. O menino doce que me trouxe lírios do vale no nosso primeiro encontro. mesmo que ele esteja a centímetros do meu rosto agora.. e é como se eu o estivesse vendo pela primeira vez. — Nós não terminamos até que eu diga que terminamos — ele fala. O Garrett violento. Certo? Mas. sorrindo maldosamente. talvez este não seja o Garrett malvado. com os olhos piscando descontroladamente.. então. — Ele puxa o seu próprio cabelo. Eu me sustendo no chão. Talvez este seja um Garrett que eu nunca vi antes. dizer. — Como você pôde fazer isso comigo? Eu te amo. a verdade? — Com cada palavra ele me empurra mais para trás. — Nós terminamos. O motorista que rouba meu carro e atropela o garoto que eu amo. e eu posso ver os músculos de seu pescoço e ombros tensos de raiva mal contida. afinal. Alguma vez ele ao menos existiu? A pessoa na minha frente é um monstro.. como se eu pudesse ouvir a voz dele chamar o meu nome. — Quem é a mentirosa aqui? Quem é a vagabunda? — Na última palavra. Ele nunca iria atropelar alguém com um carro — nem mesmo Thayer. — Eu não tenho que me explicar para você. . Este é Garrett. O doce e tolo Garrett. — Há quanto tempo você esteve me seguindo? — Tempo suficiente — ele zomba. Garrett! — Eu olho para ele. — Eu? — Ele dá mais um passo na minha direção. Uma onda de raiva me atravessa. pode. Por um momento. Eu tropeço. — Ele dá um passo na minha direção. — O que você fez? — eu inspiro. não. Terror lampeja através de mim. danificado e sem chance de reparação. e desta vez é tanto de raiva. A compreensão sombria começa a florescer dentro de mim. e de repente eu penso na figura sombria atrás do volante do meu Volvo atropelando Thayer. Ele ri. Meu sangue está batendo em meus ouvidos. Eu dou um passo para longe dele. ele me dá um pequeno empurrão com força. Eu não sei como eu sempre achei que eles eram emotivos. eu tento dizer a mim mesma. Sua mandíbula se aperta em um sorriso aberto contorcido. Eles queimam com uma luz frenética. Meu coração torce em meu peito. empurrando meu rosto para perto de Garrett. Eu cerro os punhos. O pensamento me vem como um baque surdo e súbito do meu coração.. que me enviou dezenas de listas cheias de canções que o faziam pensar em mim. Ele para.. O Garrett insano.elas são engolidas pela escuridão.

E então ele me solta. e eu me viro e percebo que ele me apoiou contra o precipício. mas os meus pés não acertam nada. a ravina é aberta avidamente. Meus pés se levantam do chão e a gola da minha blusa fica apertada contra o meu pescoço. Ele me levanta e me puxa para perto do seu rosto e então eu engasgo com o hálito detestável de uísque. — Por que você me deixa tão louco? — ele pergunta. sua voz falhando em agonia. A escuridão preta enche o ar abaixo de mim. . Abaixo de mim. Eu não consigo dizer o quão profunda a queda é.Cascalhos se movem debaixo dos meus pés. De repente ele me segura pela minha blusa. Eu choramingo e chuto. Ele se move tão rápido.

Eu ainda estava sofrendo com a sensação de Garrett estar me segurando sobre o precipício. Por um momento. Ele parou no lugar.. ela se levantou. — Qual é. Paxton. Emma ficou presa ao chão. Mas. — Ele jogou um conjunto de raios-X dentários em cima da mesa. diga — eu insisti. sua mente correndo.CAPÍTULO 19 – CONFRONTO DIRETO O som de passos pesados soou na porta. Emma olhou para eles em silêncio. tirando as fotos da cena do crime e soltando-as sobre a mesa à sua frente. — Isso é interessante. Ela sentou lentamente de volta ao seu lugar. — Talvez tenha sido apenas um acidente — Quinlan disse suavemente. o que ele disse não fez sentido. pressionando as pontas dos dedos pensativamente na frente dele. mas ele estava cercado por policiais. eu não pude deixar de notar que você tem duas obturações em seus molares. vocês tiveram algum tipo de briga. Emma. e Sutton apenas.. O problema é. — Vocês estavam no cânion. uma adrenalina sendo produzida através de seu corpo. Emma teve a impressão de que ele quase sentia pena dela. Exatamente onde as suas estão. de acordo com os registros dentários que recebemos de Las Vegas. Você não queria que isso acontecesse. Emma Paxton tem duas obturações. caiu. Por um momento selvagem ela pensou em fugir. Vamos lá. A terrível concretização revelou-se: Não havia nenhuma forma dela se safar disto. Emma. Quinlan puxou a cadeira e sentou-se também. — É hora de dizer a verdade. Sem hesitar. Sutton Mercer nunca teve uma cárie em sua vida. incapaz de mover um músculo enquanto sua mente corria para entender o que estava acontecendo. . As coisas se tornaram físicas. Uma sobrancelha elevou sua testa em um arco cético. Quanto ele já sabia? Quinlan suspirou. — Quando eu peguei sua saliva. Ele a olhou por um momento com o rosto suavizando visivelmente. — Ele abriu o arquivo de Emma. Quinlan deu um sorriso frio. Mas você tem que me ajudar. Eu estava voltando aqui para dizer a mesma coisa. — Detective Quinlan. — Sim. eu acho que sei quem matou a minha irmã.. por que não faz isso com calma? Emma olhou para seus dedos sobre a mesa à sua frente.. Emma rapidamente empurrou as páginas de volta para a pasta logo quando Quinlan entrou. Emma. Srta. Você tem que me dizer a verdade. Mas e depois? Ela poderia chegar até o corredor. Deve ser por causa dos alimentos orgânicos saudáveis que os Mercer compram. Eu não posso ajudá-la se você não for honesta comigo.

— Podemos fazer meia dúzia de acusações contra a sua amiga. — Eu tentei dizer a verdade . mas o corpo dele obstruía sua visão. ele jogou as mãos para cima. o delineador turquesa Urban Decay tinha manchado suas bochechas. — Seus joelhos estalaram quando ele lentamente se levantou. Um peso de chumbo parecia cair sobre o coração de Emma naquele momento. E Emma tinha todos os tipos de histórias interessantes sobre a vida em Tucson.Eu observei com cautela. obstrução da justiça. Antes que Emma tivesse tempo para processar o que ele estava dizendo. Por que você apenas não me diz a verdade? Ele estava tentando manipular a minha irmã para falar. Alex tinha se metido em problemas. erguendo os olhos cheios de lágrimas para encontrar os de Emma. Como eu ia saber se você não me disse a verdade? Emma olhou para ele. de repente quente de raiva. tentando ver quem estava lá fora. Ela cerrou os punhos. Então a porta se abriu mais. — . Isso deveria ser óbvio. O queixo de Emma caiu.. e uma policial empurrou Alex Stokes para dentro. — Talvez seja óbvio. ocultação de um crime. Ela estava chorando. — Alex não teve nada a ver com isso. Ela estava algemada. Quando Quinlan deu-lhe um pequeno empurrão. Quinlan deu de ombros. como se tivesse tentado ao máximo argumentar com ela. o quão ótima era a vida com os Mercer. — Temos um mandado de busca para o celular dela. — Ele demorou procurando por uma pilha de papéis em suas mãos. Diabos. se o juiz estiver se sentindo criativo eu poderia ser capaz de culpá-la por cúmplice de um assassinato. se você lesse as mensagens. Ele falou isso para mim mais de uma vez — deve ser tão difícil para você. tudo por causa dela. sem saber quem era a sua família. organizando uma conferência com alguém no corredor. Vamos ver o que está por trás da porta número um. Os lábios de Quinlan enrolaram em um sorriso cruel. Sua melhor amiga estava sem jeito na frente dela. Ele abriu uma fresta da porta e olhou para fora. O quão perto ela estava de Sutton. usando o Vans familiar com estampa xadrez que ela tinha usado por todos os dias durante os últimos dois anos. empurrando sua cadeira para trás dele. Emma esticou o pescoço. e não é que ela tem feito contato com a sua querida amiga Emma Paxton nos últimos três meses. A mais recente foi. Ela era uma pequena elfa ao lado da oficial Amazona que a escoltava. e sua marca registrada. Cumplicidade.há um dia! Olha só! Emma ficou de pé novamente. cravando as unhas na pele macia de suas palmas. ela caiu para frente. — Ele fez um som de tsc. ser adotada. Eu sabia o que ele estava fazendo pelas longas horas passadas enquanto eu estava na cadeira elétrica. — Tudo bem... Ou talvez vocês duas estejam falando por códigos. então. Os olhos cinza de pedra de Quinlan eram implacáveis. a raiva borbulhando por baixo do seu medo. Sutton..

fúria fria apertava seu peito. Ela se inclinou para trás em sua cadeira. A mensagem tinha me avisado para não dizer quem eu era. — Eu vim aqui para encontrar Sutton no final do verão. finalmente. Talvez você mesma teve a iniciativa de vir aqui para Tucson para vê-la. — Você não vai ligar seu pequeno gravador para este interrogatório? — ela retrucou. E. Eu a esperei por um longo tempo. Eu ainda tenho esse bilhete — e os outros que o assassino deixou. cruzando os braços sobre o peito. assim que eu continuei a farsa. mas ela nunca apareceu. — Um nó se formou na garganta de Emma quando ela pensou nas esperanças que ela teve na primeira noite. Você pode verificar. — Leve-a para fora daqui — ele murmurou. Emma queria mais do que qualquer coisa chamar sua amiga para pedir-lhe perdão. mas quando ele falou. de se encontrar com Sutton. um telefone tocou várias vezes. — Talvez se você for culpar Alex por qualquer coisa. Seu sorriso sumiu. — Então. qual é a sua história? — Quinlan perguntou finalmente. — Você empurrou sua irmã no barranco. mas ele pousou bruscamente as fotos da cena do crime entre eles com o dedo indicador. popularidade. uma boa casa. de se encontrar com sua família. Mas foi ela que me deu um bolo no Sabino Cânion. mas ela manteve o queixo erguido. A policial hesitou. mas quando Quinlan não se moveu. sacudindo a cabeça para Alex. A policial olhou para Quinlan com incerteza. Ela tinha tudo o que você queria. por não se preocupar em saber sobre a minha história em setembro. Eu acho que você esteve observando-a no Facebook e no Twitter. estendendo a mão para ligar o gravador. Em algum lugar no fim do corredor. — Emma sacudiu a cabeça violentamente. Você chegou aqui sem bagagem. Eu achava que Sutton iria aparecer a qualquer minuto e esclarecer tudo. não quebrou o contato visual com Emma. recusando-se a interromper o olhar de Quinlan. Lágrimas ardiam em seus olhos. você deva culpar a si mesmo também — por negligência. ou foi assim que eu pensei. tudo o que você nunca teve — dinheiro. — Então eu recebi um bilhete que dizia que Sutton estava morta e eu tinha que continuar a farsa. E então foi fácil. Eu acho que você estava perseguindo sua irmã por um longo tempo. ela pegou Alex pelo braço e conduziu-a de volta para a porta. Eu coloco eles dentro de um travesseiro roxo na cama de Sutton. Ele fez uma careta. Quinlan deu um grunhido impaciente. Seus olhos brilharam sombriamente quando ele se inclinou sobre a mesa em direção a ela. — Ela nem sequer teve que canalizar Sutton para sua atitude. se encaixar em algum lugar. Madeline Vega e as Gêmeas Fiorello me encontraram no banco e pensaram que eu era Sutton. A sala ficou em silêncio. Tudo o que você tinha que fazer era tomar o .no dia em que eu cheguei aqui. mas ela sabia que não podia mostrar fraqueza na frente de Quinlan agora. E você decidiu tomar isso tudo. sem identificação porque você sabia que você não precisava delas. porque você planejou tomar a vida dela. uma família amorosa. — Deixe-me dizer-lhe o que eu acho.

Emma deu um aceno brusco. — E quanto a Alex? Você vai acusá-la de alguma coisa? — Nós ainda não decidimos. chamando a si mesma de Sutton. eles poderiam achar que era algum tipo de brincadeira. Ainda não. desta vez com uma borda de provocação. — Eu não vou mentir. Ela não merecia o que aconteceu com ela. De repente. Mas não foi inteligente o suficiente. Felizmente para você. — Sua voz rouca era quase mortalmente calma. Ela sempre foi submissa.lugar dela. Alguém da recepção pode lhe dar uma carona para onde quer que você vá hoje à noite. a criança adotada que não criava problemas. Você não vê? Alguém armou para mim. Os criminosos sempre fracassam. sua gêmea era uma brincalhona famosa. . Esta noite ela provavelmente vai para a casa da mãe dela. Ela se levantou e pegou sua bolsa. Paxton”. Nós não estamos planejando acusá-la ainda. Outra onda de culpa atravessou Emma com o pensamento da mãe de Alex preocupada. Mas a minha missão vai ser fazer você fracassar. — Você está errado — Emma disse. seu rosto tenso e ansioso. Srta. tentando fazer com que a verdade parecesse uma mentira. Quinlan deu-lhe um olhar longo e calculado. Eu acho que não preciso dizer a você que você não deve pensar em sair da cidade. Você esperou uma noite. de modo que você poderia ter algum tipo de álibi. mas clara. porém. Agora. Mas estamos de olho nela. Sutton Mercer era um pé no saco. Precisamos tanto do seu BlackBerry. o verdadeiro assassino está saindo impune. então ninguém suspeitaria de nada. — Claro. — Mas ela era apenas uma criança. Eu não posso provar que você a matou. Ela quase se surpreendeu com a força de sua raiva. — Isso vai depender do quanto você vai cooperar conosco. se você fosse pega. E vamos ficar com o carro de Sutton para buscarmos pistas. — Eu acredito que esta é a parte da sua brincadeira onde todos saltam e dizem “Te peguei. Você ainda veio aqui fingindo ser você mesma. Uma jogada inteligente. de qualquer forma. Como Emma Paxton. Emma. — Enquanto você está ocupado me incriminando. a voz de Quinlan veio novamente. Quinlan assentiu. Por trás dela. batendo as mãos na mesa. ela estava possuída por uma fúria absolutamente pessoal. no entanto. um camaleão que poderia se transformar em qualquer tipo de pessoa que os adultos em sua vida precisassem que ela fosse. então foi para a festa de Nisha Banerjee. Porque você irá. ela nunca falou com uma figura de autoridade. quanto do iPhone de Sutton. a sala ficou tão tranquila que ela podia ouvir o ponteiro dos segundos do relógio de Quinlan fazendo tique-taque. Então ele cerrou sua mandíbula. — Ele encolheu os ombros. — Então eu posso ir? — Emma perguntou com a voz trêmula.

Este jogo que você esteve jogando. Eu teria estado quase emocionada pela determinação de Quinlan de prender o meu assassino. está acabado. os policiais iriam culpar a pessoa errada. — O seu segredo vai ser revelado. Já era ruim o suficiente eu estar morta. Agora. . — Ele abriu a porta da sala de interrogatório e empurrou-a para o corredor.Ela virou-se para olhar para ele. Todo mundo da cidade está prestes a descobrir as mentiras que você esteve dizendo. se ele não estivesse agindo como um completo idiota. e viu que ele estava sorrindo de novo. e isso inclui os Mercer.

Corcoran não falou muito enquanto levava Emma para a casa dos Mercer. Seu crachá dizia CORCORAN. estava agindo como se entendesse o que ela estava passando? Mas Corcoran tinha ficado em silêncio. .. Ele achava que ela iria confessar sem constrangimento para um policial — se ela fosse culpada — após Quinlan já tê-la interrogado? Mas ele estava olhando para frente para a estrada com uma carranca séria. — Ele encolheu os ombros. Ele fez um gesto para que ela o seguisse. Quando eles passaram por lojas e salões decorados nas cores verdes e vermelhas para o natal. — Então você a matou? Ela se virou para olhar para o oficial. — Emma Paxton? Ela balançou a cabeça silenciosamente. não confiando em si mesma para falar. um policial alto com cabelo ruivo de corte militar pareceu surgir do nada..CAPÍTULO 20 – NÃO HÁ LUGAR COMO O LAR Emma não sabia como ela tinha chegado na recepção alguns minutos mais tarde. — Unidade cinquenta e três. dando-lhe uma careta de vocêestá-falando-sério?. Emma engoliu em seco.relatório de vandalismo na Snack ‘n’ Shack em Valência — uma voz feminina abafada estava dizendo. Eles estavam tentando fazer a coisa de bom-policial agora. — Aqui em Tucson. e seus membros pareciam como se fossem feitos de pedra. Ela olhou para fora da janela. e juntos. Toda a fúria tinha desvanecido dela. sem saber onde ele queria chegar. — Eu era uma criança adotada. também — ele disse com naturalidade. por favor. — Você se torna um bode expiatório para tudo o que acontece. Ela balançou a cabeça silenciosamente. tão pesados e rígidos que ela mal podia acreditar que era capaz de movê-los. relate. eles caminharam através das portas duplas de vidro. O sol tinha se posto. só porque você não se encaixa em uma ordem natural. luzes vermelhas de freio brilhavam na escuridão. mas as pessoas não confiam em você se você não tem família. Ela estava em uma névoa. ela olhou pela janela. como se ele tivesse dito tudo o que queria. Mesmo que não seja sua culpa. só porque um cara bonito. — Eu não sei o motivo. o tráfego da hora do rush se arrastava lentamente. enquanto uma recepcionista com unhas de acrílico roxas chamava um policial para levá-la para casa. quase da sua própria idade. como se parte da situação não fizesse lógica. — . tentando fazê-la confessar. ouvindo o crepitar de conversas de rádio de polícia. Além do estacionamento. Finalmente.

— Você está com Emma Paxton ou Sutton Mercer? — Emma. Ele abriu a porta do carro. Ele andou até a porta do lado do passageiro e abriu-a. estavam sendo entrevistados em sua garagem por um homem com o cabelo parecido com o boneco Ken. Mas isso definitivamente não era o que eu tinha em mente.Quando virou a esquina para a rua dos Mercer. usando a casa dos Mercer como pano de fundo. Um homem em um blazer vermelho escuro tentou passar por Corcoran. O lugar estava cheio de jornalistas. Outros repórteres pareciam estar no meio da transmissão. de ter paparazzi me seguindo até em casa e me chamando para entrevistas. de repente se sentindo um pouco mais forte. — Eu vou ficar aqui até você entrar. — Vá em frente — ele disse. A rua inteira estava iluminada como um estádio. Eu sempre sonhei em ser famosa. como eles já tinham feito com ela. olhando ansiosamente para a porta da frente dos Mercer. Enquanto ela caminhava pela calçada. Ela assentiu com a cabeça. de pé protetoramente na frente de Emma para manter os repórteres gritando a uma distância curta. . parando o carro no meio da rua. ela podia ouvir o clique maníaco das câmeras dos fotógrafos ao seu redor. Tudo o que ela queria era estar lá dentro. Parecia que os vizinhos dos Mercer. os homens mal barbeados com câmeras gigantes penduradas em seus ombros se arrastavam em seus rastros. ele era próximo disso o suficiente. — Fique onde está — Corcoran disse para Emma. com o microfone esticado em direção a ela — mas o policial o agarrou pelo colarinho de sua camisa e puxou-o de volta. ela percebeu. No momento em que ele o fez. Ele a ajudou a ficar de pé. Repórteres verificavam suas maquiagens nos espelhos laterais dos carros e olhavam seus scripts. Ele pode não ser seu aliado — mas no momento. Ela assentiu com a cabeça. Ela encontrou os olhos do oficial. Eles estavam calmos e azul claro. ele queria que ela tivesse um tratamento justo. — Emma! Você realmente achava que iria se safar disso? — Você acha que a doença mental de sua mãe é genética? — Sutton se defendeu? Corcoran parou na beira do quintal com os braços cruzados sobre o peito. Esse cara queria que ela fosse tratada adequadamente. — Pronta? — ele perguntou. então guiou-a rapidamente pela multidão. se ela tivesse mentido ou não. os Paulson. por que você faria isso? — Alguém ajudou a matar a sua irmã? Corcoran nem sequer olhou para eles. sentar com sua família e dizer-lhes tudo. ela podia ver uma convicção obstinada lá. o queixo de Emma caiu. uma dúzia de vans cobriam ambos os lados da estrada. e mesmo que ela não pudesse ter certeza se ele acreditava em sua história ou não. Se ela fosse inocente ou não. a dissonância de dezenas de vozes encheu o carro de patrulha.

Ela esperou. Ela não era bem-vinda. — Você não pode ficar aqui. — A voz da Sra. Algo farfalhou atrás da porta. os repórteres estavam gritando perguntas. Quantas vezes eu tinha usado sem nunca perceber o quão sortuda eu era de ter uma casa para ir? Quantas vezes eu apenas entrei. Emma tocou a campainha. . Mas quando ela foi abrir a porta. com os braços cruzados sobre o peito. Ela olhou para Emma como se ela mal a reconhecesse. Sra. eu só quero explicar. desde que vocês recebam algo em troca. Com suas bochechas quentes. — Ela não queria se defender aqui na soleira da porta com a imprensa assistindo e tirando fotos. em seguida. esperando esconder o rosto das câmeras. falando ao mesmo tempo. — Sra. Ela ainda usava suas roupas de trabalho. Corcoran estava na calçada. Mercer. Os fechos foram trocados. A porta escancarou sem aviso prévio. As cortinas estavam todas juntas. Vocês duas são loucas. Minha chave da casa tinha um chaveiro de uma unha roxa. — Vocês duas são mentirosas. por favor. a chave não coube. Uma expressão selvagem e frenética contorceu suas feições.. Vocês não se importam em machucar. me dê uma chance de explicar. Emma deu um passo involuntário para trás. mas parecia que todas as luzes da casa estavam ligadas — havia feixes amarelos pelas frestas. Ela tirou as chaves. Meu coração doeu com a visão da minha mãe em pé na porta de entrada iluminada pela luz com o rosto manchado de lágrimas. Eu fiquei olhando para as chaves na mão da minha irmã. se atrapalhou e deixou-as cair com um barulho estrondoso na varanda. dor e raiva estavam misturados. Mercer. calças de lã cinza e uma blusa rosa. — Eu quero que você vá embora — ela disse com uma voz estridente e seus olhos brilhando. — Por favor. Mercer estava nasalada e abafada. para que eu pudesse sempre diferenciá-la da dos outros.. Seu coração se apertou no meio segundo antes de ela conscientemente compreender. sem perceber o quanto eu era privilegiada? Com a mão trêmula. então estava gerando um rugido alto e indeterminado. Era óbvio que ela esteve chorando. Dentro. Atrás dela. olhando decididamente para a multidão. ela podia ouvir os latidos de Drake profundos e roucos. De repente. ela inclinou-se para pegá-las. — Por favor. uma voz veio de trás da porta. — Você é como a sua mãe — a mulher mais velha sussurrou. mas ela estava descalça e descabelada.Emma chegou na varanda e parou na frente da porta de carvalho com a aldrava em forma de leão. Ela inclinou-se para a porta.

ao invés de bater nela. Não seu. Ela moveu-se rapidamente. — Sua voz era baixa agora. — Agora caia fora da minha casa — a Sra. Mercer tirou a bolsa Kate Spade do ombro de Emma. mas antes que ela a fechasse. — Qualquer coisa — Emma sussurrou. Era como se a minha antiga mãe. montar uma nuvem no céu. Nem a roupa. percebi que era isso o que minha morte significaria para minha família — que esta não era uma fantasia adolescente. nem mesmo quando ela estava muito frustrada. Emma se encolheu. mas eu não tinha escolha! A Sra. Um sentimento de desespero preencheu seu peito. — Não. . que tinha me levado para tomar sorvete no dia que eu menstruei pela primeira vez e que tinha visto velhas comédias românticas comigo nos domingos chuvosos e preguiçosos. Uma forma escura se moveu na parte de trás do corredor. Mercer grunhiu. Mercer deu um soluço estrangulado.. você não pode. — Você fez isso? O que eles disseram que você fez? Emma deu uma respiração profunda e estremeceu. em seguida.. com seus lábios tremendo. Ela não tinha nada. Emma ficou imóvel. — Onde está o pa. e você a fez. Minha mãe tinha acabado de perceber que ela tinha me perdido. — Me desculpe. Mas. a Sra. A Sra. Tudo o que restou foi essa mulher amarga e raivosa. ela parou. Eu sinto muito. Não depois do que você fez conosco. — Esta é a bolsa da minha filha — ela choramingou. Os olhos de sua avó passaram sobre o rosto de Emma em busca de algo. — E o casaco dela. A Sra. De repente. eu menti para você. — Você tinha uma escolha. Mercer? Posso falar com ele? Sua avó balançou a cabeça violentamente. quase antecipando um tapa.. Então ela pegou o casaco de Emma de seus punhos. tinha desaparecido. Eu nunca tinha ouvido a minha mãe ser tão rude antes. como se alguém estivesse no canto escutando. Nada disso pertencia a ela.. Ela não tinha força para isso. — Não.— Eu não sou como Becky! — Emma arfou. puxando-o para fora dos seus braços. se lançando para Emma. onde eu iria começar a ouvir todos dizerem coisas boas sobre mim no meu funeral e. A respiração da Sra. Ela não lutou. e isso estava destruindo ela. nem a casa — e nem a família. — Mas se você apenas ouvir. a que eu tanto amava. Emma não tinha certeza do quê. O som disso me encheu de medo. lágrimas inundando por suas bochechas. Esse era o legado do meu assassino — Garrett. Emma esticou o pescoço para ver quem era. Ela tinha que fazer sua avó entender. — Diga-me uma coisa. e muito suave. Mercer ficou rápida e trêmula. Mercer estava certa. lágrimas reunindo nos cantos dos seus olhos. Ela estava agindo como uma pessoa diferente. Mercer começou a fechar a porta na cara de Emma. Ele não quer falar com você. Onde está o Sr.

Mercer endureceu mais uma vez. mais do que tudo. agora usando um terno azul cobalto. Lentamente. Passo a passo. Eles se separaram quando viram seu uniforme. virou uma esquina. ele olhou para ela. Em seguida. e ela desapareceu. Quando eles estavam seguros dentro. mas o envolver era a última coisa que ela queria. Ela olhou para cima para ver a repórter local que havia feito a cobertura tanto da morte de Nisha quanto da de Sutton. Ela já tinha metido Alex em apuros. — Ela deu a Emma um olhar longo e analisador com os olhos feridos. com os olhos azuis. ela bateu a porta e fechou a trava. o quanto ela estava com medo. Corcoran resolutamente observava os repórteres. O quão arrependida ela estava. Ela sentiu como se estivesse se movendo através de águas profundas com seu corpo lento e pesado. Mas antes que ela pudesse falar. ela queria dizer a ela o quanto os últimos meses pareceram um sonho — ela nunca tinha tido uma família como esta. — Eu só não sei como eu posso acreditar em você. Mas ela não tinha outro lugar para ir. O rosto de Ethan apareceu em sua mente. e que tinha significado mais para ela do que qualquer coisa. Eu olhei pela janela traseira. Você pode me dizer se os rumores são verdadeiros? Você é a garota que foi dada como morta? Corcoran forçou um caminho através da multidão. e ela deu um grito estrangulado. estava me expulsando também. o quão desesperadamente ela queria dizer a verdade em todo este tempo. menor e menor até que.A Sra. a expressão da Sra. Ela deu o endereço de Ethan para Corcoran. de repente suaves.. — Tricia Melendez do Canal Cinco. Uma sensação de mal estar e vazio se abriu dentro de mim. . ela caminhou de volta para o caminho de ardósia. finalmente. Seu cabelo estava ainda mais alto pessoalmente do que parecia na TV. — Para onde eu posso levá-la? Ela hesitou. Minha casa recuava à distância. Tinha sido difícil o suficiente não ser capaz de tocar na minha família ou falar com eles. muito parecidos com os da própria Emma. Mas. Agora eu não podia nem vê-los.. mas ela não conseguia descobrir por onde começar. Ela queria dizer a Sra. Era como se eu estivesse perdendo-os mais uma vez. Um microfone apareceu sob o queixo de Emma. Emma virou-se para a rua. o nome dela era a única palavra que ela reconhecia através dos gritos. Minha mãe não sabia que expulsar Emma. Mercer o quanto ela quis conhecer Sutton. Ela não queria que ninguém sofresse por causa dela. Ele colocou a mão nas costas de Emma e empurrou-a suavemente em direção ao carro. Eles estavam em um frenesi com os microfones esticados sobre a multidão. Emma queria dizer mais. Mercer olhou para ela em silêncio. olhando ameaçadoramente para os repórteres de cada lado dele.

Seu pulso pulsava descontroladamente em seus ouvidos. Emma observou Corcoran com o canto do olho enquanto ele dirigia. Eu pensei de repente em um dos momentos em que Mads. Ela não tinha certeza do que pensar dele. as vans de repórteres e carros de aluguel baratos estavam colados no para-choque do policial como uma matilha de lobos famintos. Então. Corcoran parou na frente da casa de Ethan e parou o carro no estacionamento. — Eu vou esperar até que você esteja lá dentro — Corcoran disse.CAPÍTULO 21 . sua voz era quase um sussurro. e com um rangido zangado dos pneus da viatura atravessou o cruzamento quando o semáforo ficou vermelho. Ethan desceu os degraus para encontrá-la com uma expressão preocupada no .ABRIGO NA TEMPESTADE Emma agarrou os lados do banco do passageiro do carro de polícia quando o policial acelerou virando a esquina. Seus lábios estavam franzidos em uma linha apertada e severa. Emma observou três vans passarem correndo. ele pisou fundo no acelerador. por um beco que passava por trás de uma Starbucks e uma delicatéssen Mediterranean. Eles passaram o resto do caminho para a casa de Ethan em uma estrada tortuosa. onde ele morava. — Tem alguma maneira de fazê-los parar de nos seguir? — ela perguntou. — Obrigada — ela disse suavemente. Mas Emma não parecia muito feliz. Um pequeno sorriso cruzou os lábios de Corcoran. sem aviso. Ela saiu do carro e começou a subir em direção a casa. Ela esticou o pescoço para olhar para trás para os repórteres no rastro deles. — Isso que é dirigir — ela murmurou. o que era mais do que Quinlan teria feito. Seus olhos brilharam para o espelho retrovisor. mas ele não disse uma palavra. Ela olhou para Corcoran. Corcoran não respondeu. Ela ficou sentada por um momento. a porta se abriu. Isso aqui era ainda melhor. e ela estava segurando a maçaneta da porta com os olhos arregalados. Com suas mãos firmes no volante. fazendo um grande circuito de volta para as Montanhas de Catalina. ele puxou o volante em uma curva fechada. Thayer e eu tínhamos jogado Grand Theft Auto no nosso velho PlayStation. antes de eu nem sequer ter achado que Thayer era bonito. olhando para o bangalô desbotado e a luz da varanda que lançava um brilho fraco nos degraus e no balanço. mas ele certamente a tinha protegido dos repórteres. Antes que ela tivesse terminado metade da caminhada.

rosto. O cabelo dele parecia tinta preta na escuridão, mas seu rosto estava pálido. — O que está acontecendo? — Os policiais sabem. — Ela tropeçou, de repente com uma sensação de desmaio. Ethan pegou-a nos braços e segurou-a. — Quinlan descobriu que eu não sou Sutton, usando os meus registros dentários. Ele trouxe a minha amiga Alex de Henderson — ele sabe que eu estive mandando mensagens para ela como Emma esse tempo todo. Ethan deu uma inspirada forte. — E eles acham que foi você? Ela assentiu com a cabeça, esfregando os olhos com um punho. Os braços dele eram fortes ao redor dela, seu rosto estava pressionado contra o seu peito liso. A camiseta dele tinha uma caveira mexicana na frente, e ela se viu olhando para seus olhos vazios. Isso a fez pensar nas fotos da cena do crime mais uma vez, do corpo de sua irmã devastado pelo tempo e natureza. Ela apertou os olhos com força para afastar o pensamento, respirando o cheiro de baunilha agradável de Ethan. — Quem é esse? Ela olhou para cima e viu que o carro de Corcoran ainda estava lá. Ela sentiu uma onda de gratidão. Estava muito escuro para ver o rosto do homem por trás do para-brisa, mas ela sabia que ele estava esperando para ter certeza de que ela estava bem. — Eles ficaram com o carro de Sutton para procurar evidências, por isso ele tentou me levar para casa. Mas... os Mercer... — Seu lábio tremeu. — Eles estão furiosos, Ethan. Eles acham que eu matei Sutton. Seu peito subiu e desceu debaixo dela quando ele suspirou. — Vamos lá — ele disse, levando-a até as escadas e pela porta da frente. A casa de Ethan exalava uma aura de negligência refinada. Os pisos de madeira eram desgastados, mas completamente limpos. A decoração era antiga — o papel de parede floral dava a impressão de “casa da avó” e o ar cheirava a coisa velha, como se as janelas ficassem fechadas por um longo tempo. Não havia desordem em qualquer lugar, sem cartas empilhadas ou pilhas de meias dobradas na lavanderia. Emma se sentiu tonta, e seus joelhos se dobraram. — Vamos para a cozinha — Ethan disse rapidamente, pegando ela. — Parece que você precisa de um copo de água. Ele levou-a para um pequeno corredor da cozinha dos Landry. Ao contrário da temática com abacaxi da cozinha alegre dos Mercer, esta parecia vazia e sem alma, com algumas toalhas de chá incompatíveis em uma bancada cinza claro. Um calendário de dois anos atrás com uma imagem de um gato persa estava pendurado na parede, no mês de março. Eles não perceberam a mãe de Ethan até que acenderam a lâmpada. Ela estava sentada no escuro em uma mesa quadrada perto da janela, quieta e silenciosa. Ela era só ossos, tinha o cabelo liso e sem brilho, e os cantos dos olhos enrugados como um pergaminho. Quando eles entraram, ela deu um pequeno salto assustado.

— Olá, Sra. Landry — Emma disse nervosamente. Ela não tinha certeza do quanto a mãe de Ethan sabia — ela acompanhava os noticiários? Ela acolheria alguém envolvida em tanto drama em sua casa? A mulher não disse nada, mas olhou silenciosamente para Emma por vários segundos. Emma não sabia se era sua imaginação ou não, mas ela achou ter detectado um brilho de medo nos olhos da mulher. Ela sabia, Emma pensou, com seu coração apertado. Ou pelo menos ela sabia do que eu fui acusada. Depois de um momento, a Sra. Landry lentamente levantou-se e foi silenciosamente em direção ao corredor. Ethan nem sequer olhou para a sua mãe enquanto ela passava. Ele puxou uma cadeira para Emma e empurrou-a para ela se sentar. — Você vai se meter em problemas por me deixar ficar aqui? — ela perguntou, trêmula. — Não se preocupe — ele disse. — Minha mãe só... não está acostumada a ter convidados. Ela vai superar isso. Embora eles raramente conversassem sobre isso, Emma sabia que Ethan tinha uma relação tensa com a mãe dele. O pai dele tinha basicamente fugido quando a Sra. Landry teve câncer, e Ethan tinha tomado conta dela durante todo o tratamento. Mas quando o pai dele começou a abusar da Sra. Landry, e Ethan bateu no seu pai para fazê-lo parar, ela chamou a polícia para prender Ethan, e não o pai dele. Emma sabia de tudo isso só porque ela tinha encontrado um arquivo do psicólogo de Ethan, algumas semanas atrás, enquanto procurava o de Becky, e ele confessou toda a história. Tantas famílias infelizes, ela pensou com tristeza. Quando Ethan começou a colocar um copo de água para ela, Emma virou-se — e viu o fantasma de Sutton olhando para ela. Ela quase pulou da cadeira. Mas então ela olhou de novo — e é claro que não era o fantasma de Sutton. Era o reflexo de Emma, assombrado e pálido no vidro da janela que dava para a noite escura. Seu cabelo estava assanhado e o seu rosto manchado de lágrimas. Ethan entregou-lhe a água. Era em um copo com uma imagem de Miss Piggy em uma motocicleta. — Tem mais uma coisa — Emma disse. — Ethan, Garrett estava no cânion naquela noite. Eu vi o arquivo do caso enquanto Quinlan estava fora da sala. O carro dele estava no estacionamento. Seus olhos se arregalaram. — Tem certeza de que era dele? — Sim. — Ela deu uma respiração profunda. — E esta tarde, antes de ir até a polícia, eu fui para a casa dele. Ethan balbuciou, cuspindo o que ele tinha acabado de beber. — Você o quê? — Me desculpe por não ter te dito — ela disse rapidamente, — mas eu cansei de jogar com as regras de Garrett. É hora de ficar na ofensiva. De qualquer forma, eu falei com Louisa. Ela disse que ele chegou em casa muito

chateado na noite que Sutton morreu, que ele estava fora de controle. E Ethan... ele tem uma receita de diazepam. — Ela baixou a voz novamente. — Era isso que estava na corrente sanguínea de Nisha quando ela morreu. Minha mente voltou para o olhar de raiva no rosto de Garrett, naquela noite no cânion. Eu sabia por que ele tinha me matado, ele estava em um ataque de fúria depois que me pegou com Thayer. Mas a morte de Nisha não parecia um ato de fúria; drogá-la e empurrá-la na piscina teria exigido deliberação e planejamento. O que o fez decidir que ela precisava morrer? Uma expressão preocupada enrugou a testa de Ethan. — Você não deveria ter ido para a casa dele. Ele está avisando para parar de procurar respostas. O que ele vai fazer quando a mãe ou a irmã dele disser a ele que você esteve lá? Emma bateu a palma da mão sobre a mesa em frustração. — Ethan, o que mais ele pode fazer comigo? Eu já estou sendo acusada pelo assassinato de Sutton. Se eu não puder provar que ele a matou logo, eu vou para a cadeia... e ele vai ficar livre. Eu não posso deixar isso acontecer. — Eu sei — ele disse, esfregando o rosto rudemente com as mãos. — Eu odeio que você tenha corrido um risco como esse. — Ele olhou para seu copo de água. — Tudo aponta para Garrett, não é? Emma assentiu. Todas as peças se encaixavam e pelo que ela tinha visto do temperamento de Garrett, era fácil acreditar que ele era capaz de matar. — Mas eu ainda não tenho nada para levar para a polícia. — E quanto aquela chave? — ele perguntou, inclinando-se para trás na cadeira. Emma tocou no bolso das calças de brim, onde a chave de prata minúscula estava em seu quadril. Ela segurou-a na palma da mão, apertando os olhos para tentar entender o que estava gravado na etiqueta de metal que estava presa. — É muito pequena para um carro ou uma casa. De onde ela poderia ser? — Ela suspirou. — Pelo que nós sabemos, essa chave poderia ser da corrente da bicicleta dele ou algo assim. — Eu não sei, Emma. — Ethan bateu na traseira do chaveiro, onde o SM inconfundível estava riscado. — Essas são as iniciais dela. Eles ficaram em silêncio por um momento com a chave sobre a mesa entre eles. Os acontecimentos da noite giravam furiosamente em torno da cabeça de Emma. Em apenas algumas horas, ela tinha perdido o lugar que ela aprendeu a chamar de lar, e a família que ela tinha chegado a amar. — O que eu vou fazer? — ela perguntou suavemente, traçando uma linha de condensação no seu copo. — Eu não tenho nenhum dinheiro, para onde ir. As poucas coisas que eu trouxe para Tucson são agora evidências, e todo o resto é de Sutton. Eu nem sequer tenho roupa. Ethan colocou a mão em seu joelho, apertando-a quase dolorosamente. — Você vai ficar aqui. Pelo menos até que possamos resolver isso.

— Ethan, não. Não posso colocá-lo em perigo. Alex já está em apuros por me ajudar. E a sua mãe? Ela não me quer aqui. Ethan pousou o copo e olhou para ela, com uma expressão terna e sincera no rosto. — Emma, eu te amo. Eu sei que ninguém jamais ficou do seu lado quando você estava em apuros, mas não importa o que for preciso, eu vou fazer você acreditar que eu sou a pessoa que vai ficar do seu lado. Eu não vou te deixar. Seu coração deu um baque violento. Ethan estava certo — ela nunca tinha dependido de ninguém em sua vida. Depois de ser abandonada por Becky, e sobreviver ao fluxo de pais adotivos decepcionantes que seguiram, Emma aprendeu desde cedo a não confiar em ninguém além de si mesma. Suas amizades e relacionamentos tinham sido principalmente curtos e superficiais, facilmente iniciados e facilmente interrompidos. Até Ethan. — Eu não quero que você se envolva — ela sussurrou. — Eles vão acusar Alex de cumplicidade, talvez até mesmo conspiração. Eles poderiam te acusar pelas mesmas coisas. Ele a puxou para perto. — Nada vai acontecer comigo. — Ele inclinou o queixo dela suavemente, olhando em seus olhos. — Fique comigo. Deixe-me lhe ajudar a superar isso, e protegê-la. Emma suspirou e se encolheu contra seu peito com satisfação. — Eu não sei o que eu faria sem você. — Você está brincando? Eu não sei o que eu faria sem você. Deus, Emma... — Seus olhos azuis escuros estavam arregalados e sérios. — Eu acho que nunca entendi o amor até que eu conheci você. Ela entrelaçou os dedos nos dele com seu coração cantarolando no peito. — Então você vai ficar? — ele perguntou, acariciando o pulso dela com as pontas dos dedos. Ela estremeceu, e pela primeira vez em dias, ela não teve medo. — Eu vou ficar — ela murmurou. — Está resolvido, então. — Seu rosto abriu-se em um sorriso torto, e ele pegou a mão dela. — Quer ver um pouco de TV para tirar essas coisas da sua mente? Enquanto ela seguia Ethan pelo corredor, Emma de repente se perguntou onde ela iria dormir hoje à noite. Suas bochechas ficaram quentes quando ela imaginou a cama de solteiro de Ethan com seus cobertores lisos e cuidadosamente dobrados. Eles iriam dividir a cama? As paredes da sala de estar haviam sido pintadas em tom de rosa claro e uma textura temperamental de videira na parte superior na cor verde escuro. Um relógio com fotos de diferentes aves norte-americanas no lugar dos números pairava sobre a TV e um espelho dourado enfeitado pairava acima de uma lareira com correntes de ar, duplicando a sala com seu reflexo. Como o resto da casa, a sala era perfeitamente limpa, embora remendos apareciam nos braços do sofá azul de chita, e o tapete florido era salpicado de manchas.

antes que Garrett descubra uma forma de voltar para a casa. — É possível que isso seja algum tipo de brincadeira. A única informação é que o Dr. Tricia Melendez continuou. infelizmente. em seguida. Mas um relampejo de energia chamuscou em Emma. quase imediatamente. tateando em busca do controle remoto. Felizmente nada foi levado ou mexido. A morte da Srta. — A evidência ainda está lá! Ethan empalideceu. a cor sumiu de suas bochechas. — A polícia disse que o intruso sabia o código de alarme da casa dos Banerjee. Uma carranca enrugou a testa de Ethan. Seja o que for que Nisha tinha. as fotos de Nisha Banerjee entraram em foco na tela. também. depois de ter estado impotente por tanto tempo. Ela sentiu Ethan se movimentar atrás dela e virou-se para encontrar seus olhos. mas o agressor já tinha fugido do local. A respiração de Emma acelerou em seu peito com a visão. — Devemos ir agora. Certamente isso provaria que ele tinha matado Sutton. Banerjee estava em casa no momento. A TV ligou com um alto zumbido e. — Espere — ela sussurrou. eu espero que você não esteja pensando em invadir. de modo que o alarme não foi acionado. se levantou. Finalmente. Banerjee forneceu que a pessoa parecia ter pelo menos um metro e oitenta de altura e usava um moletom com capuz escuro. e ele viu o intruso mascarado antes que ele ou ela conseguisse escapar — uma voz viva e familiar disse. O Dr. relatando o noticiário da noite. Era Tricia Melendez. — Ela agarrou a manga da camisa de Ethan.Emma sentou-se ao lado de Ethan. — Os policiais chegaram ao local em poucos minutos. Banerjee nunca vai deixar você entrar agora que ele sabe quem você é. Ela agarrou o braço dele. Ela podia ver a janela de Nisha. se não as duas meninas. — Jesus — ele murmurou. o Sr. . as cortinas pálidas e fantasmagóricas à luz do luar. Banerjee se tornou um caso conhecido e. No entanto. Garrett tinha assassinado ela por causa disso. — Isso significa que Garrett ainda não tem tudo o que Nisha estava escondendo. — Emma. encolhendo as pernas debaixo dela e aconchegando em seu ombro. — Temos que ir até lá — ela disse. — Você sabe o que isso significa? — Emma exclamou. correndo para a janela e abrindo as cortinas cor de abacate. A câmera virou para Quinlan. Emma ficou boquiaberta para a tela. com o rosto profundamente franzido sob as luzes brilhantes da câmera. Seu reflexo olhava animadamente de volta para ela. A casa dos Banerjee estava silenciosa e escura ao lado. — Eu queria afastar a sua mente disso — ele murmurou. ela encontrou a oportunidade que ela estava procurando. isso pode ocasionalmente atrair um pequeno assédio.

Banerjee estava em casa. Ele fugiu quando percebeu que o Dr. Você e eu podemos ficar juntos sem tudo isso. ela pensou desesperadamente. . eu vou ficar livre. — Ele deu uma respiração profunda. ela afundou no sofá com as mãos fechadas em punhos. ele vai te matar. Você mesma disse que eles estão apenas procurando uma razão. e ainda assim ela não poderia obtê-las. como se ela estivesse em decomposição. Você está sendo boba. E se ele te ver tentando entrar na casa de Nisha. As respostas estavam tão perto. Emma se levantou e deu um passo para frente para a janela. e então suspirou.Ela estava a meio caminho da porta quando a mão de Ethan agarrou seu pulso. essa loucura que paira sobre as nossas cabeças. Eu prometo que vamos resolver isso.. com a voz rouca de emoção. esperançoso e aterrorizado. Mas pelo menos havia uma esperança. Os lábios de Ethan se viraram para baixo quando ele a agarrou pelos ombros. Na janela. girando-a de volta para encará-lo. Emma era tudo o que eu tinha. mas ele não vai cometer o mesmo erro novamente. Os pingos de chuva estavam batendo na janela. Sutton não está aqui. quem sabe o que ele vai fazer? Ela olhou para ele. Ela estava sendo observada muito de perto. eles vão encontrar uma forma de te colocar na cadeia. — Se eu puder resolver este caso. incrédula. o fantasma de Sutton piscou para ela. Nós estávamos juntas nessa — ela sabendo disso ou não. Mas talvez Ethan estivesse certo. — Você está louca? — ele perguntou. por favor. — Se Garrett te ver lá. Se a polícia pegar você tentando entrar. Emma. interrompendo seu reflexo no vidro e destruindo o momento de tentativa de conexão que ela sentiu com sua irmã gêmea morta. Emma olhou para a porta. Garrett não é o único que está te observando. pequenas manchas do rosto de Sutton começaram a cair. Estava chovendo. Relutantemente. A uma casa de distância. Agora que ela estava impedida de entrar na minha casa. uma frustração crescendo dentro dela. — Emma. Garrett estava aqui. Mas fez eu me sentir melhor dizer isso em voz alta. — Tem algo na casa de Nisha que poderia acabar com isso. — Eu estou com você — eu sussurrei. esperando que sua irmã pudesse ouvi-la. ela tentou dizer a si mesma. — Além disso. E então. Como sempre. a minha voz desapareceu na grande brecha entre nós.. embora ela não conseguisse afastar a sensação súbita e aguda da perda. Vale a pena o risco! — Ela apertou a mão dele entre as suas. tremendo. enquanto ela observava.

uma pitada de açúcar e um pequeno toque de vodka. Uma batida suave veio à porta. — Você está pronta? — Ethan perguntou. fazendo uma trança lateral longa no cabelo.CAPÍTULO 22 – EMMA NÃO É BEM-VINDA Emma e Ethan passaram a maior parte do fim de semana escondidos. O pensamento era estranhamente assustador. eles não queriam tentar a sorte. um estilo que ela nunca teria usado como Sutton. — Eu me sinto como se eu ainda estivesse interpretando um papel. Pela primeira vez em muito tempo. Os dois riram com o reflexo dela no espelho — ela parecia que tinha estado presa em um abrigo antibomba desde o final dos anos setenta. quando eles saíram. ela se sentiu de alguma forma vulnerável e exposta. Seu relacionamento com elas foi construído sobre uma mentira. te ver assim. — É meio estranho. — Eu sei — ela admitiu. Landry. nem como Sutton. Mas. nem como Emma. Emma sabia que não haveria nenhum disfarce que pudesse levá-la para o longo dia em Hollier. ela estava vestida como ela mesma. Ela não tinha tido coragem de falar com qualquer uma das amigas de Sutton. Ela estava se escondendo atrás da persona de Sutton há meses. e no sábado Emma mostrou a Ethan sua receita secreta para fazer um molho de macarrão caseiro gostoso: azeite. ela estava feliz com o disfarce. Agora todo mundo iria ver quem ela era de verdade. usando uma blusa raglan desbotada azul e branca e velhos jeans Rag & Bone que ela tinha comprado por cinco dólares. e agora elas sabiam disso. a superpopular. De vez em quando eles paravam para dar uma olhada nos detalhes do caso ou fazer um lanche. a acusada de assassinato. por isso fecharam as cortinas e evitaram as janelas. o seu verdadeiro eu era um segredo que ela revelou apenas para Ethan. A cozinha não era muito bem abastecida. Ela estava no espelho do banheiro do corredor dos Landry. No domingo. ninguém prestou atenção nela. Quando ela olhou para seu reflexo. É como ver Sutton no corpo de Emma. Parecia que a condução defensiva de Corcoran tinha funcionado. encolhendo-se no sofá para assistir uma maratona de Star Trek na TV a cabo. — Eu nunca estarei pronta — ela respondeu. . eles pegaram para Emma uma velha camisa vestido florida que pertencia à mãe de Ethan para que eles pudessem ir para Goodwill secretamente. abrindo a porta. mas eles conseguiram o suficiente para pilhas de sanduíches. agarrando o final de sua trança e puxando levemente. Mas na segunda-feira. Ele sorriu para ela. Ethan ainda conseguiu uma peruca loira estilo Farrah Fawcett do fundo do armário da Sra. nenhum repórter apareceu na porta dos Landry. Ainda assim. Pela primeira vez em meses.

Ela nunca tinha passado tanto tempo com um garoto antes. Celeste tinha dito que havia algo errado com a “aura” dela quando elas se conheceram. Ethan estacionou o carro. A Diretora Ambrose estava com os braços cruzados sobre o peito e as pernas afastadas. Uma multidão de caras musculosos perto de um Ford F-250 parou de bater uns nos outros para olhar quando ela passou. e ela gemeu em voz alta. Ela colocou seus óculos de sol e puxou o capuz de seu moletom por cima da cabeça. e eles saíram para a manhã clara de inverno. tentando não olhar para a direita ou esquerda. — Pelo menos eles não vão conseguir ver o meu rosto — ela respondeu. No caminho para a escola. Emma tinha previsto isso. Rindo. Ela avistou meia dúzia de meninas da equipe de tênis agrupadas perto do mastro da bandeira. e ela a apertou de volta. Ethan colocou para tocar um antigo álbum da banda Arcade Fire e cantarolou baixinho. Emma preguiçosamente abriu e fechou o porta-luvas. Os alunos vagabundeando no estacionamento olharam para ela descaradamente. Dezenas de estudantes andavam entre os repórteres. Uma combinação perfeita. Então ela viu quem estava esperando na entrada. Você apenas tem que encontrar qual você mais gosta. Sua pele era geralmente sem brilho e flácida. Elas ficaram em silêncio enquanto ela se aproximava com seus rostos pálidos e os olhos arregalados. Ela estaria insuportável agora.Ethan deu de ombros. Ela encontrou o olhar interrogativo de Ethan com um determinado aceno de cabeça vamos-acabarlogo-com-isso. mas parecia. — O príncipe encantado. mas hoje ela tinha colocado sombra turquesa nos olhos até em suas sobrancelhas. Ela o cutucou nas costelas. — Nós todos interpretamos papéis.. Emma seguiu pelo corredor até a porta de entrada. certo. embora uma parte dela só quisesse sair correndo em direção às portas de vidro duplas da escola. tentando aparecer na TV. Eu poderia imaginá-la dizendo Sutton Mercer era uma menina tão .. Ethan pegou a mão dela. A lua crescente ainda pairava baixo no horizonte. — Que papel você está interpretando? Ele fingiu uma expressão magoada. Ela tentou se preparar para o que viria. obviamente. Emma viu Celeste Echols falando no microfone que Tricia Melendez segurava sob seu queixo. Ficar com Ethan era a única coisa boa neste pesadelo todo. Ela se concentrou em andar lentamente e deliberadamente. Ela usava um paletó com risca-de-zebra e um par de calças roxas. —Você parece uma terrorista — Ethan disse. A área em torno do estacionamento de estudantes estava cheia de vans de repórteres. Duas meninas calouras com estilo anos sessenta se afastaram dela como se ela tivesse ameaçado elas. Eu tive a nítida impressão de que Ambrose tinha se arrumado para a mídia.

Madeline parecia tão despenteada de um jeito que Emma nunca tinha visto. ele plantou um beijo firme em seus lábios. 3 . — Por favor. Emma piscou. que tinha estado estranhamente pálido. Ela estava tão concentrada em sair de lá que quando Madeline e Charlotte apareceram na frente dela. e dando um empurrão com o ombro nela enquanto entrava na escola. — Com isso. com lágrimas nos olhos. dando um sorriso desafiante a diretora. Suas mãos estavam de repente úmidas de suor. por favor.especial. — A polícia confiscou as coisas do armário da Srta. pressionando as chaves do carro na palma da mão dela. Não importava que as únicas vezes que Ambrose falou comigo foram nas vezes que eu tinha sido pega fazendo uma brincadeira do Jogo da Mentira. Mercer. — Vá para casa. vá embora antes que eu denuncie você por invasão. Ela não tinha colocado nenhuma maquiagem. e as aulas? A Srta. GED (General Educational Development): Prova para as pessoas que não terminaram o ensino médio/não possuem o diploma do ensino médio e que desejam cursar universidade. — Emma Paxton não está registrada em Hollier. — Eu espero que eles deixem você conseguir fazer a GED3 na prisão. Tão alegre! Eu gostaria de pensar que eu fui uma espécie de mentora para ela. de volta para a Sra. — Posso pelo menos esvaziar o meu armário? — ela perguntou em voz baixa. Diga-nos que essa é a maior de todas. Ela se virou preparada para correr quando Ethan pegou a mão dela. para que pudesse mais tarde relatar tudo o que tinha visto e ouvido. atordoada. em seguida. Seu cabelo estava solto e sem estilo. — Aqui — ele disse.. Como ela podia ser tão estúpida? Ela deveria ter previsto isto. Ambrose disse simplesmente. Ela parou no meio do caminho. Ambrose deu de ombros. — Mas. Ela soltou a mão de Ethan e agarrou as alças de sua mochila em cada mão. Agora. Ligue-me se você precisar de alguma coisa. Emma se virou e caminhou com toda a dignidade que ela tinha para o Civic de Ethan. ela levou um momento para processar. se afastou. — Diga que é uma brincadeira — Madeline disse com a voz trêmula. lágrimas ardendo em seus olhos. Emma parou incerta a poucos metros à frente da diretora. — Você não tem permissão de entrar aqui — ela disse em uma voz presunçosa. — Aquelas não são as suas coisas — Srta. A multidão em torno de Emma ficou absolutamente tranquila. Em seguida. uma centena de pares de ouvidos atentos. Amparada pelo beijo de Ethan. as sombras sob seus olhos lhe davam uma aparência esquelética. Charlotte estava ao lado dela com o rosto pálido sob suas sardas. Emma deu dois passos para trás. Os lábios da diretora estavam pressionados em uma única linha fina. e enquanto sua estrutura de balé normalmente parecia esbelta e graciosa.. Ela olhou para Ethan. Ambrose.

— Eu não fiz o que eles estão dizendo que eu fiz. Apesar da amizade delas ter sido construída sobre uma mentira. A poucos metros de distância um grupo de pombos levantou voo com o barulho repentino. poderíamos descobrir juntas. Emma olhou para seus sapatos. — Sua vadia! — ela gritou. Madeline deu um riso amargo. As duas meninas tremeram em sua visão por um momento antes que uma lágrima finalmente caísse. e fazia os olhos dela ficarem arregalados. evitando o olhar de Madeline.Emma olhou para as melhores amigas de Sutton.. Emma não tinha certeza de quando ela parou de pensar nelas como amigas de Sutton e começou a pensar nelas como suas próprias amigas — mas como todas as outras coisas relacionadas à Sutton. . sua voz uma oitava acima do normal. — Nós confiamos em você — ela sussurrou. nós criamos um jogo inteiro sobre mentira — eu gritei. O que faz você pensar que iríamos ajudar alguém que está mentindo para nós por meses? — Madeline. — Então. Apesar dos ciúmes e das brincadeiras. Suas sobrancelhas eram vermelho-douradas brilhantes sem a maquiagem. — Não é uma brincadeira — ela disse em voz baixa. — Eu venho tentando descobrir o que aconteceu com Sutton desde que eu cheguei aqui. ela voltou para a entrada da escola sem olhar para trás. eu nunca quis mentir para vocês. irritada. ela cresceu e ela realmente se preocupava com as meninas. — Ajudar você? Você está louca.. deixamos você entrar nas nossas casas. elas não eram nada dela. — E eu espero que você sonhe com Sutton todas as noites pelo resto da sua vida. obviamente. deixamos você andar nos nossos carros. — O que você fez com a minha melhor amiga? Emma estendeu a mão para seu rosto ardendo. Ela respirou fundo e disse mais suavemente. piscando para conter as lágrimas. desejando desesperadamente que ela pudesse dizer a elas o que elas queriam ouvir. depois de você ter matado a nossa melhor amiga! — Eu não matei ninguém! — A voz de Emma saiu mais alta do que ela pretendia. Uma dor aguda atravessou seu rosto enquanto Madeline a esbofeteava. eu não tinha direito de votar neste momento. — Nós dissemos a você todos os nossos segredos. — Vocês têm que acreditar em mim — Emma implorou. — E você tem que ajudá-la! Ela é a minha única esperança! — Mas. Se vocês me ajudarem. — Eu espero que você apodreça na cadeia — Charlotte disse com seu lábio curvando para cima. Espero que ela te persiga até que você morra. reverberando em torno do estacionamento. Eu não queria que isso acontecesse. as meninas eram ferozmente leais umas as outras. Charlotte tinha ficado ainda mais pálida sob as sardas.

No espelho retrovisor. ela podia ver a entrada da escola. eu sabia a verdade: eles eram as janelas para a alma dele e estavam tão mortos e podres quanto o meu corpo. A diretora Ambrose estava parada ali. Com um olhar nervoso ao redor. Eu poderia ter sido enganada por aqueles olhos quando eu estava viva. Ele olhou para ela por um longo momento com o rosto imóvel. mas agora que eu estava morta. O relógio no painel dizia 07:58 . Garrett estava sozinho na sombra de um cacto Saguaro a dez metros do deserto que separava a escola do parque de estacionamento. De repente. desejando que eu pudesse desencadear toda a força da minha raiva nele.Madeline deu a Emma um último olhar de desprezo e. observando-as ir embora. virou-se para seguir Char. ela rapidamente entrou no carro de Ethan e trancou as portas. até que ela percebeu que todo o estacionamento cheio de estudantes estava olhando para ela. O sino estava prestes a tocar. como se um holofote brilhasse sobre ele. A maioria dos alunos começou a fluir em direção à porta. Emma notou um rosto na multidão. . em seguida. Seus olhos estavam direcionados para a minha irmã como um raio laser. Emma ficou parada. olhando fixamente para ela. agora que o show tinha acabado. Eu olhei para ele de volta.

Emma saiu do carro e seguiu Thayer para um pátio de recreio vazio no canto. Sem olhar para a pista do sentido contrário. Com um suspiro de alívio. Ela abriu a janela. Seu coração acelerou. sinalizando para ela encostar. Um carrossel enferrujado girava lentamente na brisa. em seguida. o que você pretende fazer agora? Ela nunca tinha odiado tanto o som do seu próprio nome. Ele merecia a verdade. e uma parte dela acreditava que ela merecia o que estava prestes a acontecer. Quando o carro rugiu para longe da multidão. Seu coração revirou quando ela olhou o seu espelho retrovisor. Mas Thayer apenas balançou a cabeça. Mas ninguém quis me ouvir. ela apertou com força o pedal do acelerador. — Eu sabia. deslizando para a estrada assim que a repórter começou a correr em direção ao carro. Emma cerrou os dentes.A CAMINHADA NO PARQUE Emma ligou o carro de Ethan. se atrapalhando com a embreagem assim que um coelho pulou a alguns metros antes dela colocar a marcha. O trepa-trepa tinha o formato de uma aranha gigante vermelha com suas pernas longas de metal cobertas por pontos de apoio para a subida. A poucos metros de distância. Ela o reconheceu imediatamente — esse era o carro de Thayer. um cão terrier correu ao lado da cerca de arame. Um BMW azul marinho estava seguindo-a de perto. Emma . por pouco não acertando uma garota rechonchuda com uma mochila em formato de um panda. Laurel me contou.CAPÍTULO 23 . — Ela estremeceu. Seu pulso estava acelerado em seu ouvido. Emma engoliu em seco. estacionou. Ele buzinou levemente. Seus olhos estavam borrados de lágrimas quando ela entrou em um bairro com bangalôs em tons pastel. Em um quintal. Um homem velho trôpego com uma podadeira na mão olhou para ela desconfiadamente. ele estaria furioso. — Eu sabia que havia algo estranho em você — ele disse finalmente. Ela desviou em direção à saída. — Eu tentei dizer a todos no começo. Tricia Melendez estava perto do seu cinegrafista. ela podia ouvir Tricia gritando: — Emma! Emma! Emma. Se Madeline e Charlotte estavam chateadas. Thayer encontrou o olhar de Emma por um longo momento antes de falar. latindo quando ela passou. estranhamente calmo. Ainda assim. A culpa de esconder a morte de Sutton dele estava comendo ela viva. Emma respirou fundo. — Eu sei. preparando-se para o ataque de acusações.

na minha primeira manhã aqui. Thayer agarrou o poste. — Uma nuvem flutuou sobre o sol. esvaziada de energia. Mas por outro lado. — Thayer. eu seria a próxima. me alertando para continuar o fingimento. balançando distraidamente para frente e para trás.sentou-se em um dos balanços. Todo mundo acreditou. mas Thayer a interrompeu. — Então. naquela noite. Tem um travesseiro roxo com uma costura rasgada no quarto de Sutton. Ele dizia que se eu não continuasse fingindo que era Sutton. eu sinto tanto — Emma começou. Ele olhou para Emma com seus olhos verdes estáveis. havia um bilhete para mim no carro dela. É uma loucura. os policiais não pegaram. — Ela olhou para Thayer. Mas sim. Mas era uma ameaça do assassino. que estava olhando para o outro lado da rua.. Ele disse que iria ferir todos vocês se eu não fizesse o que ele disse. franzindo a testa. E. Eu tenho quase certeza de que Nisha descobriu alguma coisa sobre a morte de Sutton. cruzando os braços sobre o peito. e as cores do mundo esmaeceram como se alguém tivesse girado uma maçaneta. — Eu tenho tentado todo esse tempo descobrir quem a matou. a feria mais saber que Thayer pensava que ela poderia ter ferido sua própria irmã. — Sua voz tornou-se baixa. certificando-se de que você estava convencendo a todos de que você era Sutton? — Havia uma nota de ceticismo inevitável em sua voz. Ela pensou que era um bilhete de amor. também. Eu escondi todos eles dentro dele e costurei de volta. Thayer apoiou preguiçosamente contra um dos polos de apoio do balanço. — O quê? — Foi o que Laurel disse: Você era muito boa para ser Sutton. Os pais de Laurel. — Bem. Todos. mas ele não se abalou. — Olha. Laurel. — Acho que isso explica por que você . — Emma olhou para seu colo. Depois uma luminária quase caiu sobre mim no ensaio da corte do Baile de Boas-Vindas. alguém me estrangulou com o medalhão de Sutton durante uma festa do pijama na casa de Charlotte. Pergunte a Laurel se a polícia achou. — Me poupe — ele disse secamente. de alguma forma. — Emma olhou para baixo. sacudindo a cabeça.. — Emma fez uma pausa. O rosto de Thayer ficou pálido. — Apenas me diga: você matou Sutton? — Não. — Thayer deu de ombros. — Na minha primeira semana aqui. Você não fez um trabalho muito bom sendo ela. mas ela continuou. Está no quarto de Sutton. — E eu acho que quem matou Sutton matou Nisha. O assassino de Sutton está observando cada movimento que eu faço. — Eu recebi três bilhetes desde que eu cheguei aqui. — Você agia muito agradável — Thayer disse. eu achei que estava ficando louco. Seus olhos se estreitaram em Emma. Quero dizer. eu sei que parece loucura. seria louco não acreditar. Emma olhou para ele. algum maníaco estava observando você por meses. — Pergunte a Laurel. Eu disse a Quinlan sobre eles. eu acho que você fez um bom trabalho. — E ele não só me ameaçou. Mesmo que o mundo inteiro pensasse que ela a tinha matado. Você. e ela morreu por causa disso. com outro bilhete de advertência.

Um momento depois. os únicos sons eram os pássaros cantando em baixo da copa das árvores. Charlotte. depois assentiu. Mas ela pensou nos bilhetes que ela tinha recebido. suspendendo a cabeça com um suspiro. Eu sei que você tem um suspeito. Então este pesadelo poderia acabar. algo que poderia ajudá-la a derrotar Garrett antes que ele conseguisse culpá-la. Todo mundo era um suspeito. — E então? — Thayer perguntou depois de um momento de silêncio. mas pareceu mudar de ideia quando viu dois adolescentes lá durante o horário escolar. Você. Ela começou a entrar no parque. — Eu não sou estúpido. — Eu não vou desistir. Gabby e Lili. — Alguém tomou Sutton de mim — ele disse ferozmente. Uma babá jovem usando um suéter e colantes empurrava um carrinho de bebê pela rua. Emma apertou as cadeiras de balanço. — Pesar brilhou através dos seus olhos. sua mente correndo. — Ele baixou a voz. Emma ficou em silêncio. tremendo na brisa da manhã. Ela não queria arriscar mais vidas. Thayer poderia ter informações de que ela precisava. Você pensou que eu tinha matado ela por um tempo. não é? É por isso que você estava me fazendo todas aquelas perguntas sobre ele. Eu não queria nada mais do que Thayer seguro. as correntes rangendo em cima. Mas quando eu cheguei aqui eu não sabia nada sobre ninguém. Sua voz falhou. — Emma — ele pediu. não foi? Emma hesitou. — Quem são seus suspeitos agora? Você tem alguma pista? Emma mordeu uma de suas cutículas. Ela tinha estado a um passo atrás de Garrett desde que ela chegou em Tucson. a intensidade dos seus sentimentos enviou um pouco de emoção através de mim. . Emma balançou suavemente no balanço. É muito perigoso. — Você acha que foi Garrett. longe do alcance de Garrett. Ethan já estava em perigo apenas por ajudá-la. Thayer me amava. Emma hesitou. — Não — ela mentiu. e ele não deixaria Garrett se safar com o que ele tinha feito. Thayer se agachou ao lado dela. — E de qualquer maneira. medo e amor brigaram pelo controle do meu coração. Por alguns minutos. Thayer parecia ler seus medos em sua expressão. Thayer se aproximou rapidamente. Mads. — Agora eu sei que você não seria capaz de fazer alguma coisa assim. — E eu quero que a pessoa pague. A dor na voz de Thayer me despedaçou. Ele balançou a cabeça com impaciência. para ficar diretamente na frente de Emma. tão cru que ela teve que desviar o olhar. eu não quero que você se envolva. nos avisos. Mas. — Ela fez uma pausa.me fez tantas perguntas estranhas quando eu estava na cadeia. — Até mesmo Laurel. ao mesmo tempo.

Tudo é circunstancial. Foi muito louco. — Eu não tenho como provar. Depois de um momento. Thayer permaneceu perfeitamente imóvel. Você vai acabar na prisão. — Os olhos de Thayer estreitaram. também? Emma assentiu. Sua mandíbula se apertou. Por Sutton. Emma segurou o olhar de Thayer. Garrett levou Louisa para uma festa. Pela forma que ele parecia agora. longe dos seus amigos e familiares para sempre. — Quando a polícia me levou para interrogatório eu vi uma foto de vigilância que mostrava o carro dele no estacionamento. deixá-la bêbada pela primeira . — Então você acha que Garrett me atropelou. Ela estava certa. sombria e sinistra. — Ele é violento. — Mas não faça nada estúpido. Você sabe do que eles estão falando? Thayer piscou com surpresa. apertava minhas entranhas. Você não viu nada de suspeito no cânion. No começo eu achei que tinha sido por causa do rompimento. algo realmente traumático. viu? — Emma olhou para ele com o canto do olho. — Me prometa. Minhas orelhas ficaram em pé. tocando em um dos pequenos buracos em seus jeans. Isso foi quase uma piada — ela era uma caloura desajeitada e ingênua. Thayer respirou fundo. Mas ainda pior era a possibilidade de Thayer poder terminar como eu — assassinado. Thayer. — Ela encontrou seus olhos. Mas eu acho que é mais profundo do que isso. ou pior. — Eu não me importo — ele retrucou. naquela noite. Ela achou que ele e Sutton tinham terminado. Eu acho que ele meteu na cabeça que iria apresentá-la a vida escolar ou algo assim. ele deu um curto aceno de cabeça. Ela lembrou disso porque ele estava muito chateado. Ela olhou acima das montanhas marromamareladas. onde as nuvens macias se movimentavam contra o azul profundo. Raiva estava se reunindo em seu rosto. — Garrett estava no cânion na noite que Sutton morreu — ela disse em voz baixa. A imagem de Thayer na prisão. — Sim. — Além dos faróis vindo em minha direção? Não. Você não pode ir atrás de Garrett. suas mãos apertando contra suas coxas. ela não tinha certeza se ele não iria correr atrás de Garrett e acabar com ele neste exato momento. Algo o deixou realmente irritado. mas ela podia ver os músculos dos seus ombros tensos. — Todo mundo fica insinuando sobre algo que aconteceu com Louisa. e ele se afastou dela. eu sei. Sabe. abraçando os joelhos. o seu temperamento forte tinha sido quase tão conhecido quanto o de Garrett. forçando-o a se virar e olhar para ela. Um medo súbito ocorreu-lhe: Ela tinha superestimado o autocontrole de Thayer? Ele poderia não cumprir sua promessa? Antes que ele tivesse ido para a reabilitação. no entanto. — No ano passado. olhando para os blocos de concreto pelo resto de sua vida. Ela puxou a manga dele com força. E Louisa mencionou que ele chegou em casa no meio da noite. — Sutton se importaria — ela disse em voz baixa.— Ok — ela finalmente disse em voz baixa.

. as coisas terríveis que ele gritou para mim. Eu inventava desculpas para ele o tempo todo. Emma de repente percebeu que ela estava segurando a respiração. Quando ele me chamou de puta por usar shorts. em algum momento da noite. tão perdido. Apesar de tudo. e sua cabeça estava girando. Ele simplesmente assumiu que ela estava nadando ou dançando ou qualquer coisa. Ele odiava o fato de eu querer dormir com ele — e ele odiava a si mesmo por querer dormir comigo. Ninguém a tinha visto há horas. Eu não tinha estado na festa — tinha sido a semana do campeonato estadual. — Eles pegaram o cara — Thayer continuou. também. Eu imaginei seu rosto naquela noite no cânion. — Eles a encontraram na casa da piscina. O quão ciumento que ele tinha estado por eu estar lá com Thayer. O que aconteceu com Louisa o despedaçou.vez. De qualquer forma. ele parecia tão angustiado. ele acabou chamando a polícia. Garrett e Louisa tinham faltado aula por algumas semanas. Thayer assentiu. Ele já graduou. e eu estive em Glendale com o resto da equipe de tênis. — Seus lábios se curvaram em desgosto. Uma parte dela sabia o que estava por vir e não queria ouvir — mas ela precisava da verdade. A memória voltou para mim enquanto Thayer falava. seus acessos de raiva — porque depois de cada temperamento violento. Mas depois de um tempo ele começou a entrar em pânico. Ele vasculhou o lugar à procura dela. Ele parecia tão vulnerável. Eu acho que no começo ele não se preocupou muito. Não que eu me lembre muito. Bastante espancada. ela pensou na mesma coisa que tinha acontecido com ela — . mas ele era do time de futebol. — O nome dele era Daniel Preuss. Mas por outro lado.. eu estava bastante bêbado. Mas a festa ficou realmente fora de controle. Uma sensação incômoda espalhou por seu corpo. horrível — ela arfou. Garrett perdeu Louisa. uma pontada de pena atravessou o peito de Emma. — Eu estava lá. — Oh meu Deus — Emma sussurrou. Garrett nunca se recuperou. — Thayer estremeceu. inconsciente. mas eu me lembrava de quando ele voltou. sua respiração com raiva e quente com o uísque. O estômago de Emma se enrolou em uma pequena bola apertada dentro dela. — Isso é. Ele era um amigo de Garrett. era uma festa. Mas ele tinha estado mais devastado do que eu tinha percebido. apresentá-la a todos os seus amigos. e ele me punia por seu próprio medo e auto-aversão por não ter sido capaz de protegê-la. e as pessoas estavam começando a ir embora. Por fim. — É. Os olhos de Thayer estavam distantes e vidrados quando ele falou de novo. Ela não podia nem imaginar o tipo de dor que Louisa e Garrett tinham passado. e inspirou uma grande quantidade de ar. — Ela tinha sido estuprada. Isso fez com que fosse fácil ignorar suas mudanças de humor. Quero dizer. torcido em uma máscara de raiva.

— Talvez. Emma descobriu que ela estava se inclinando levemente sobre o ombro dele. algo magnético a puxou em direção a Thayer. Mas isso não importa. também. — Ele deu um sorriso triste. você me lembra muito dela. A mandíbula de Thayer cerrou. e suas mãos se fecharam em punhos apertados. Sutton não merecia o que aconteceu com ela tanto quanto Louisa. na esperança de que Emma tivesse feito a escolha certa em dizer a ele. eu quero dizer.. não é? Ele matou a minha irmã. e eu tenho que encontrar uma forma de provar isso. Emma ficou ereta. mas ela não conseguia se mover. — Eu prometo.. se você precisar de alguma coisa. e eu não me importo com as desculpas dele. com seus braços quase se tocando. obrigando-se a afastarse. Ele é perigoso. Por apenas um instante. analisando seu rosto. Eu não sei o que eu faria se Garrett o ferisse. Ela sabia que deveria mudar seu peso. Emma. colocar mais distância entre eles. — E você tem que manter a sua promessa. — Sabe. com os olhos de repente vazios. você é muito parecida com ela. — Mas eu não sou ela — ela disse suavemente.alguém tinha machucado sua irmã. e na esperança de que Garrett não fosse matá-lo. Mas ele respirou fundo e levantou-se. Eu o observei ir. endireitando as pernas para fora na frente dela. Você sabe onde me encontrar. — Então ele se virou e se afastou em direção ao seu carro. Ela olhou para cima e viu Thayer observando-a de perto. Thayer ficou em silêncio por um longo momento. e ela tinha que viver com isso. — Então você acha que o que aconteceu com Louisa o fez surtar? — ele questionou. Quando você está com esse brilho determinado em seus olhos. . — Não apenas a aparência. também.

sua boca estava torcida em desgosto. A pele na parte de trás de seu pescoço se arrepiou como sempre fazia quando ela vislumbrava o banco onde ela esperou por Sutton no primeiro dia. Ela virou-se no bairro de Ethan e estacionou sob o alpendre dos Landry. Seus olhos eram como fendas. substituídas por grandes casas elegantes e as Montanhas de Santa Catalina adiante. Sua mão caiu molemente de volta para os seus lados. ela correria o risco de chamar atenção da imprensa. lentamente fazendo buscas através da sujeira. Emma chamou sua atenção. Em qualquer lugar que ela fosse em público. Por um momento ela pensou em ir para a biblioteca pública — ela poderia ficar na internet. relutante em passar o dia lá dentro e sozinha.CAPÍTULO 24 – VÁ PESQUISAR VOCÊ MESMA NO GOOGLE Emma dirigiu devagar de volta para a casa dos Landry. dando um passo em direção a ele. Logo as vitrines desapareceram atrás dela. Ela se perguntou se os investigadores estavam lá agora mesmo. mas a memória dos repórteres gritando o nome dela a fez estremecer. Por um momento. com os olhos inchados de cansaço. Seu cabelo estava penteado. balançando a cabeça lentamente quando o fez. Na porta ao lado. Ele achava que ela era uma assassina — assim como todos os outros. Ela levantou a mão para acenar. e ele estava usando uma camisa de botão que estava enrugada. ela quase gritou para ele parar — se Nisha havia deixado evidências de que Garrett tinha matado Sutton. Ela passou por mercados orgânicos e boutiques de luxo. decorados para o Natal com festões. Então ela viu o olhar em seu rosto. Banerjee estava empurrando uma mala surrada no porta-malas do carro dele. mas limpa. Parecia que já havia um monte de malas empilhadas desordenadamente no banco traseiro. Do outro lado da rua. mas ele estava mais arrumado desde que ela o vira pela última vez. Um movimento do outro lado do gramado lhe chamou a atenção. Banerjee era a única pessoa que poderia ajudá-la a encontrar. o Dr. talvez fazer algumas pesquisas lá. . o Dr. Ele recuou para sua garagem e para dentro do carro. O pai de Nisha ainda parecia abatido. Então ele saiu para a rua e foi embora. arcos e pisca-piscas cintilantes. Às vezes parecia que o cânion tinha olhos. Quando ele subiu no banco da frente do seu carro. Seus lábios se moviam como se ele estivesse falando sozinho. a entrada para o cânion ainda estava bloqueada com uma fita policial envolta por todo o perímetro. Ela fez uma pausa enquanto saía do carro de Ethan com as chaves congeladas em sua mão.

com a boca aberta e a alça de sua regata pendurada em um ombro. Ela me disse que estava trabalhando em uma montanha-russa. A cama dele estava arrumada perfeitamente. e abaixo: agora na internet. mas se deparar com o olhar assustado e nervoso da mãe de Ethan a deixava tensa. Uma até mesmo mostrava ela dormindo. Mas por dentro. Ele ter um pouco de TOC era meio que adorável. Ela mordeu a ponta de uma mecha de cabelo. havia várias fotos do seu antigo quarto e histórias sobre o quão perturbada Emma parecia. De Pobre À Rica. e a própria Emma era a estrela do show. a maioria dos quais Emma não se lembrava de já ter conversado. e Emma virou-se em derrota. os travesseiros brancos e lisos estavam empilhados ordenadamente na parte de cima — ela tinha observado ele forrála naquela manhã com o lábio entre os dentes em concentração. Parecia que o Dr. Um site chamado On the Q-T tinha entrevistado Clarice. e Emma suspirou de alívio. Landry. parecendo de alguma forma sinistras. Banerjee estava saindo da cidade. Ela costumava dançar por aí com shorts curtos e tops. então digitou “Emma Paxton” no lugar de pesquisar — e se arrependeu quase que imediatamente. Emma rolou para baixo da página. mas eu fui tão ingênua em não saber o que estava acontecendo. com o lençol por dentro da cama e tudo. Emma pegou uma Coca-Cola Zero da geladeira e se arrastou até o quarto de Ethan. Ela odiava admitir. Ela entrou na casa dos Landry com a chave de Ethan. pensando em quando ela e Ethan tinham se aconchegado aqui há apenas algumas horas. Ela reconheceu a casa de Clarice em várias delas — Travis tinha obviamente tirado fotos dela sem seu consentimento.Emma Paxton viveu na miséria e sonhava sair dela. retratou-a como uma bandida calculista e . tudo estava escuro e quieto. e levando com ele a última chance de ela descobrir o segredo pelo qual Nisha tinha morrido. ela se perguntou se ela deveria ter batido. Até onde ela iria para conseguir o que queria? Cada foto que alguém já tinha tirado dela estava Seus ombros caíram. Apoiando-se contra a cabeceira da cama com algumas almofadas. Ela corou um pouco quando se acomodou na cama. Ninguém parecia nem considerar que ela pudesse ser inocente. Era como se uma versão horrível das manchetes que ela usava para escrever sobre si mesma tivessem se tornado reais. mas eu ouvi dizer mais tarde que ela estava envolvida com algum tipo de grupo de dança exótica. Os sons de um talk show diurno veio de baixo da porta fechada do quarto da Sra. ela puxou o laptop em suas pernas. Emma clicou em link após link com o seu coração afundando. Seus ex-colegas de Vegas. Quando ela abriu a porta. Uma equipe chamada UGI (União de Gêmeos Idênticos) chamavam ela de monstro e exigiam sua prisão imediata. ao invés. O caso estava em toda parte. um site de notícias proclamava em uma enorme manchete.

Um livro de visitas já estava cheio de comentários dos colegas de Sutton. Emma ficou chocada ao ver que já era quase três horas. alguém da Hollier tinha criado uma página em lembrança a Sutton Mercer. elas se importavam profundamente umas com as outras. Por horas. E então. cheia de fotos de Sutton com a música do Elton John. Eu li a página sobre o ombro de Emma. Mas por outro lado. @ LILI_FIORELLO: Parem com isso agora: É uma brincadeira. . alguém chamado wildcat_chick tinha postado. Emma pareceu perceber a mesma coisa. Talvez elas estivessem se juntando ao UGI naquele momento. Ele fez uma pausa para dizer algo ao policial — Corcoran novamente. Emma ficou sentada e curvada sobre o computador. Na ponta dos pés ela foi até a janela que dava para frente da casa. Quando a porta de um carro bateu lá fora. Ela reconheceu seu cabelo ruivo com corte militar.obscura. e Lembra da festa de aniversário de dezesseis anos dela? Aquela noite ficou para a história de Hollier! Parecia que ninguém me conhecia debaixo do meu exterior popular. puxou uma palheta da veneziana de Ethan e congelou. mas também sabia que debaixo da superfície. Ela sabia que Sutton e suas amigas nunca tinham sido melosas. Ela se perguntava se elas acreditavam nos rumores de que Emma havia matado sua própria irmã. Outro blog entrevistou estudantes da Hollier que juravam que tinham suspeitado dela o tempo todo. eu nunca tinha deixado muitas pessoas vêem além disso. Que você morra se estiver mentindo? para sempre. Ela abriu o Twitter. lendo história após história em busca de pistas. Entretanto. nós te amamos e vamos sentir sua falta @ GABBY_FIORELLO: Sutton Mercer não se deixaria ser derrotada por Ambas mudaram suas fotos de usuário para quadrados pretos. Todos estavam falando sobre o quão intimidadora eu era? Eles diziam que eu tinha merecido? Alguém ainda sentia minha falta? Mas a maioria dos comentários eram superficiais. simplesmente: @ GABBY_FIORELLO: Sutton. e Ethan estava saindo da porta do passageiro. Eu tinha uma paixonite por ela na oitava série. “Candle in the Wind” tocando no fundo. de repente ela percebeu: Gabby e Lili eram gêmeas também. elas estavam comentando sobre a situação toda. @ LILI_FIORELLO: A brincadeira está ficando chata. O coração de Emma doía. Um carro da polícia tinha estacionado na entrada da garagem. Como o previsto. Eu sempre lembrarei do quão bonita ela estava no Baile. Então Ethan balançou a cabeça e caminhou em direção à casa. Então. outro comentário dizia. algumas horas mais tarde. certa de que iria encontrar algo de Gabby e Lili. uma vadia frágil do mercado negro. Isso é muito louco para ser real.

— Ele foi até ela. O frio que atravessou sua pele quando viu o carro da polícia foi substituído por um formigamento quente. Ele balançou a cabeça. sua mochila estava pendurado em um ombro atrás dele. embora parecia que eles estavam completamente sozinhos no corredor. certo? Eu posso não ter visto. o quê? Se você viu Garrett na noite do crime. Não foi ruim o suficiente eu ter mentido para todo mundo? Sua mão caiu para longe do seu rosto. e o som de um comercial local de carros usados soou. O queixo de Emma caiu. deixando cair sua mochila no chão ao lado dele. em seguida. Você viu o carro dele nas fotos da câmera de vigilância do estacionamento. mas que eu não me importava. houve o som de uma descarga de banheiro.Ela o encontrou na entrada. A Sra. Ethan olhou furtivamente para o corredor. Talvez Ethan estivesse certo. Ela piscou. Ela queria de repente beijar a cicatriz. Mas foi a única forma que eu pensei em fazer os policiais investigarem ele. e ele olhou para seus pés. Landry tinha recuado de volta para sua caverna. A porta se abriu em algum lugar da casa. — O que aconteceu? — ela exclamou. Eu sinto muito por surtar. por que você não me contou antes? Ele olhou de um lado para o outro. Eles precisam saber que você é inocente. Eu disse que eu te amo. Eu estou com tanto medo que os policiais lhe envolvam nisso. — Ethan. O toque no rosto dela a fez se sentir momentaneamente tonta. — Emma. — Está tudo bem. curvando-se para fora do seu couro cabeludo. Ele parecia cansado. Ela olhou para baixo e viu um . — E eu disse a eles que tinha visto Garrett indo até o cânion na noite que Sutton morreu. Garrett tinha estado no cânion. — O quê? — Eu não poderia apenas ficar aqui sentado e não fazer nada. — Você está certo — ela disse. — Eu realmente não o vi. — Obrigada. tocando em seu ombro. e quando ele se levantou. A voz de Ethan ficou baixa. Quando ele se endireitou. empurrou algo em suas mãos. eu faria qualquer coisa por você. — Espere. — Eu sinto muito. — Eu disse a eles que eu fui pego de surpresa pelo noticiário com a notícia de que você era realmente Emma. Emma respirou fundo. não por mim. — Ele se inclinou para abrir sua mochila. — Ele ergueu a mão e acariciou o rosto dela com a palma de sua mão. mas ele estava lá. também. ela viu uma cicatriz em sua têmpora que ela nunca tinha notado antes. mas calmo. — Não minta para os policiais novamente. a porta se fechou novamente e o som da TV tornou-se abafado e distante mais uma vez. não importa quem você seja — e que eu acredito que você é inocente. — Eu fui voluntariamente. você percebe no que você está se metendo? — ela sussurrou. Depois de um momento. agora a polícia tinha que investigar o ex de Sutton. Eu só achei que poderia ajudar. Eu quero manter você segura. afinal.

onde os paparazzi nunca vão nos encontrar. rindo. O melhor tom gai kha da cidade. — Eu topo — ela disse. Você. eu virei correndo. — Mas quando eu terminar. — Eu também passei na Radio Shack e comprei isso para você. — Então. e ela abraçou o pescoço dele. na verdade. ainda na embalagem. Enquanto eu via o jeito que ele olhava para ela. — Você quer dizer no seu quintal? — Você já ouviu falar dele! — ele brincou. Ele é bem atrás da minha casa. a minha irmã tinha encontrado alguém que realmente se importava com ela. .celular descartável. — Sim. era quase como se meu coração se abrisse por um momento. Enquanto eu os observava. Ethan. — Vamos. a iluminação da vela de citronela. puxando-a para perto dele. mas você precisa de um celular — ele disse. A caixa parecia estranhamente pesada em suas mãos. — Ele passou os braços ao redor da cintura dela. Ela sorriu. Ela trocou seu peso. eles seriam capazes de seguir em frente. O contato enviou um calor através do seu corpo. eu. que tal dar um passeio e fazer um piquenique? Eu conheço um ótimo local a poucos metros daqui. — Agora eu estou a apenas um telefonema de distância.. E eu estava feliz que eles tivessem um ao outro quando — se — esse momento chegasse.. Se precisar de mim. Mesmo com toda a loucura na vida dela. me fez ter a esperança de que um dia. quando isso tudo estivesse acabado. — Você já gastou muito dinheiro comigo. eu realmente preciso terminar meu trabalho de cálculo — ele disse. apoiando a testa contra a dela.

tentando manter seu rosto escondido entre as expressões entediadas de todos os outros. uma família adotiva particularmente devota de Nevada. Ela saiu da loja e atravessou o estacionamento até o carro de Ethan. Quando ela teve certeza de que ele tinha se afastado. Óculos baratos de plástico completava o look — ela era uma sósia da professora de catequese que ela frequentou durante suas poucas semanas com os Morgan. Travis passou por uma garagem de mecânicos abandonada riscada com graffiti. sua sombra tremulando por todo o asfalto a seus pés. Ao lado da loja de material de construção havia um Burger King. Emma puxou sua saia. pontilhada por latas de lixo cheias. Uma fina fila de ervas daninhas se estendia entre a estrada e a calçada. Landry. cheia de grandes lojas de varejo e cadeias de restaurantes. Travis tinha acabado de sair do Burger King com um refrigerante de 900 ml em sua mão. Ela não podia acreditar que tinha feito isso tudo apenas para comprar leite. e ela estava disfarçada novamente com a peruca loira da Sra. caminhou em frente ao estacionamento de um Hotel Days Inn. ela o seguiu novamente.CAPÍTULO 25 . colocando um par de óculos aviadores baratos sobre seus olhos antes de caminhar até a rua na direção oposta. Batendo a porta do carro. de barba. Era quarta-feira. um macacão jeans bordado com borboletas e uma blusa de gola alta vermelha que ela tinha comprado na Goodwill. Ele parou na porta. Uma corrente de carteira estava presa do seu cinto até o bolso de trás. usando uma camisa branca de flanela e um avental entregou a Emma sua sacola de compras e deu-lhe um olhar interrogador. — Um homem magro. uma fila de carros se estendia ao redor do drive-through. mas mantendo-o em sua linha de visão. alguém apertou a buzina. A área era uma zona comercial. Ele usava um boné de beisebol virado para trás e jeans folgados pendendo quase para fora de sua bunda. Quando ele olhou para trás. mas os repórteres — ou Garrett — poderiam estar em qualquer lugar. em seguida. Assim que ela deixou cair as compras no carro. Emma não perdeu tempo. deixando Travis ficar a vários metros à frente dela. Ela caminhou lentamente. constrangida. ela abaixou-se em uma multidão de pessoas no ponto de ônibus. A piscina brilhava atrás do portão fundido de ferro. senhorita. ela o seguiu a pé.EMMA PAXTON: A MESTRE DO DISFARCE — Tenha uma boa tarde. impaciente para fazer um pedido. três crianças pequenas . O que ela viu depois a fez parar no lugar.

Ela piscou. Garrett tinha enviado aquele link. . suor acumulando na parte de trás do seu pescoço. Foi uma droga eles terem apagado. — Eu preciso da sua ajuda — ela disse. Se ela pudesse pegar o celular dele. — Sim — ele disse. — Até agora apenas sobre o seu hábito um pouco estranho — ele disse. — Você quer dizer aquele vídeo que alguém te enviou — ela disse. mais forte. Ele usava uma camiseta regata branca confortável sobre seu peito musculoso. O cheiro de tabaco velho e suor pendia ao seu redor. No parque de estacionamento. e uma grossa corrente de ouro pendurada no pescoço. a porta abriu escancarada. — Sou eu. Sua mandíbula se abriu. — O que você disse a ele? Travis deu de ombros. Seu queixo estava inclinado agressivamente para ela. Por que ele ainda estava aqui? Ele não sabia alguma coisa sobre o assassino — sabia? Mas sua cabeça ergueu quando as palavras de Ethan voltaram para ela. — Aquele policial. Quinlan ou sei lá o quê? Ele estava tentando me fazer dizer a ele tudo sobre você. — Sim. eu sei — ele disse. Por um momento. Seu coração se encheu de emoção. mas antes que ela o fizesse. Ela ficou na sombra de uma árvore algaroba com incerteza crescendo dentro dela. olhando para ela. Ela deu uma respiração profunda. Mas a mensagem ainda poderia estar em algum lugar do celular de Travis. nada aconteceu.usando boias de braço estavam na parte rasa. Ela mordeu a unha do polegar. sorrindo. — O que você quer. Com outro olhar em volta. Arnold Schwarzenegger preenchia a tela da TV. Emma. um casal de meia-idade com camisas havaianas combinadas pararam enquanto subiam na caminhonete deles. Eles não estavam com o celular de Garrett. Se tivéssemos acesso às mensagens de Garrett ou o e-mail. então tirou os óculos. nós conseguiríamos ver se ele enviou o link. eu gostava de assistir aquilo. correndo até a rodovia em uma motocicleta. — Cara. apoiando-se no batente da porta para que ele pairasse sobre ela. escolhendo as palavras cuidadosamente. Travis estava na porta usando chapéu. Ela bateu de novo. Emma engoliu em seco. Atrás dele. ela não se lembrava do que estava usando. ela subiu as escadas até a porta e bateu. Ele a olhou lentamente de cima a baixo. Emma ficou para trás e viu quando Travis subiu nos degraus e entrou em um dos quartos. seus olhos pequenos esbugalhados. Ela levantou a mão para bater mais uma vez. colocando a expressão mais doce que conseguia reunir. senhora? Por um momento. ela poderia provar. — Todo mundo acha que eu matei a minha irmã. Bingo. sabendo que tinha que ser legal.

Travis olhou da esquerda para a direita. ele deu um tapa na bunda dela. Seu estômago revirou. logo em seu quadril. — Qualquer coisa. Por um momento. eu tinha sido uma mestre do olhar-de-cachorrinho-na-chuva. como se estivesse procurando por bisbilhoteiros. eu diria que Emma mereceria qualquer coisa. Ela olhou para ele. — Eu farei qualquer coisa. Ali. Mas Emma era forte. . ela descansou a mão em seu bíceps nu. lutando contra uma réplica raivosa que estava se formando em seu peito. — Você acredita em mim. Por isso que ele a culpou por roubar o dinheiro de Clarice. Um sorriso lento se espalhou por seu rosto. Ele a olhou fixamente por um momento.— Eu não matei Sutton — ela disse com um tom suave e de súplica preenchendo sua voz. Os olhos de Travis piscaram até onde ela estava tocando. Travis era perigoso. Quando ela passou por ele. piscando através dos seus cílios grossos com os olhos arregalados e vulneráveis. Se ela conseguisse chorar. sua malícia superada pela surpresa. ela se perguntou se ela estava cometendo um grande erro. Com os lábios entreabertos. procurando o contorno retangular do celular dele. Emma. ignorando a onda de bile no fundo de sua garganta. Mas ela tinha que ser agradável. Tucson é um lugar bastante agradável. Ela passou os olhos avaliando o seu corpo. e ela pulou. — Além disso. não é? Ele sorriu. Emma ficou tensa. Ela deu uma joelhada na virilha de Travis uma vez depois que ele tentou apalpá-la. Eu fiquei impressionada — um dia. Você é o único que pode. não é? — Ele se afastou da porta. Sua respiração era repugnante com açúcar e maconha. Ela estendeu a mão para tirar a peruca que estava coçando para longe de sua cabeça. segurando-a aberta para ela. Os policiais disponibilizaram para mim por uma semana a HBO de graça e serviço de quarto. que você é uma vadia. E ela precisava desse celular. Você era muito violenta comigo. Ele estava no bolso da frente dele. A voz de Travis baixou em um tom conspiratório. Levou toda a sua força de vontade para não dar um tapa na cara dele. mas Travis agarrou a mão dela. tentando parecer sedutora. — Por que você está fazendo isso comigo? — ela deu a sua voz um tremor fraco. colocando a boca direito na orelha dela como se estivesse compartilhando um segredo. Você tem que me ajudar. — Deixe — ele murmurou com sua respiração quente em seu rosto. Tudo para dizer a eles tudo o que puder sobre você. Emma. também. — Eu estou desesperada — ela sussurrou. ele se inclinou para frente. Então. — O problema é. fingindo enxugar o canto do olho. — Eu não sei. — Eu gostei. Travis. Você sempre teve um temperamento desagradável.

Emma deixou cair as mãos nos quadris de Travis, deixando a peruca loira onde estava. Lentamente, ela deslizou as mãos nos bolsos dele. Os olhos dele estavam fechados e sua respiração acelerada. Seus dedos encontraram moedas perdidas e um saquinho de algo que ela tinha certeza de que era maconha antes de fechar em torno de um plástico rígido, seu celular. Quando ela arrancou-o do bolso dele, seus olhos se abriram. — O que... — Mas ele não conseguiu terminar a pergunta. Ela levantou seu joelho para cima com tanta força quanto podia entre as pernas dele. Seus olhos reviraram, e ele caiu de costas na cama enquanto agarrava sua virilha. Ela estava fora da porta e batendo-a atrás dela antes que ele pudesse se mover, subindo as escadas de três degraus ao mesmo tempo com a adrenalina correndo em suas veias. No momento em que ele abriu a porta, ela já estava lá fora. — Você é uma vadia louca! — ele gritou, mancando atrás dela. — Eu vou matar você! — Você vai ter que entrar na fila! — Emma gritou por cima do ombro enquanto saía correndo. Ela ziguezagueou em torno de um homem cheio de cicatrizes de acne usando um blazer de poliéster de funcionário de hotel, em seguida, correu em frente ao estacionamento, saltando sobre o canteiro e esquivando dos carros. Os músculos de suas pernas chamejavam, mas ela mal notou. Por um momento, ela sentiu como se pudesse voar. E eu estava voando ao lado dela, cantarolando o nome dela com alegria. Finalmente, a minha irmã tinha conseguido colocar as mãos em algo que pudesse limpar o nome dela. E, finalmente, ela tinha conseguido atingir Travis exatamente onde dói.

CAPÍTULO 26 – MOSTRE-NOS SUAS MENSAGENS
Emma entrou no quarto de Ethan trinta minutos depois com o celular pressionando fortemente em sua palma da mão. Ele se levantou rapidamente de onde ele estava sentado em sua mesa com a boca aberta de surpresa. Ela tirou a peruca do seu couro cabeludo e jogou-a vitoriosamente, sem conseguir tirar o sorriso do rosto. Ethan olhou para o BlackBerry na mão dela, em seguida, olhou para ela com admiração. — O que... — É o celular de Travis! — Ela rapidamente explicou o que tinha acontecido, deixando de fora o fato de que ela teve que seduzi-lo. — Emma, você é incrível! — Ethan pegou o celular com um sorriso se espalhando por todo o seu rosto. Ela sentou na borda da cama, passando os dedos pelo cabelo despenteado. Não havia sabonete suficiente no mundo para limpar a lembrança de Travis em sua pele — mas tinha valido a pena. Ela conseguiu o celular. Os dedos de Ethan lançavam-se sobre as teclas do BlackBerry, e ela prendeu a respiração, observando-o com atenção. Depois de um minuto, ele balançou a cabeça. — Parece que as mensagens e os e-mails dele foram apagados recentemente. O coração de Emma afundou. — Isso tudo foi para nada? — Não necessariamente. — Ethan tirou o cartão SD do encaixe e segurou-o entre o polegar e o dedo indicador. — Essas coisas permanecem para sempre, se você souber como procurar. E isso só acontece quando o seu namorado é um nerd em computação. — Ele atirou-lhe um sorriso enquanto dava um passo em direção ao seu computador. — O que você está fazendo? — Emma disse. Ethan parou. — Conectando aqui. Você não quer ver o que está nele? — Mas... não deveríamos levar para a biblioteca ou algo assim? — Ansiedade atravessou-a. — E se alguém puder rastrear até o seu computador? Eu não quero que pareça que você teve alguma coisa a ver com o roubo. Ele balançou a cabeça com impaciência. — A biblioteca mais próxima fica fechada à noite. Nós não podemos esperar até amanhã. Emma, isso pode responder a todas as nossas perguntas. Essa poderia ser a solução que você estava procurando! Ela esfregou as mãos nos olhos. Em seguida, ela balançou a cabeça. — Tudo bem. Você está certo. Conecte aí. Ethan se virou para seu laptop, inseriu o cartão em um dispositivo pequeno, e ligou na porta USB. Instantaneamente uma janela se abriu em sua

tela, listando o conteúdo do celular. Ethan clicou para visualizar todos os arquivos de uma só vez e corou em um vermelho vibrante quando a coleção inteira de pornografia de Travis abriu em seu desktop. Ele pulou para frente, cobrindo o monitor com seu torso para cobrir a visão dela. — Eu sinto muito — ele murmurou, mexendo para fechar todas as imagens. O rosto de Emma estava vermelho, também, mas ela não conseguiu evitar de deixar escapar uma risadinha nervosa. — Só era isso o que tinha no celular dele? — ela exclamou. — Tipo, é só isso que ele leva para todos os lugares que ele vai? — Só me deixe... — Ethan manteve escondido o monitor com seu corpo, digitando furiosamente. A parte de trás do seu pescoço estava vermelha. E, de repente, Emma não se conteve, ela riu. Depois de tudo o que ela passou, depois de tudo que tinha acontecido, eles estavam tão perto de descobrir a verdade. A única coisa parando eles era algumas centenas de fotos de peitos. No momento em que Ethan conseguiu fechar todas as imagens, Emma tinha parado de rir. Ela aproximou-se da escrivaninha e colocou a mão no ombro dele. Ele ainda estava vermelho brilhante com desconforto e estava olhando atentamente para longe dela. — Esse foi o meu pior pesadelo se tornando realidade — ele murmurou. Ela olhou para o monitor por cima do ombro dele. — Não havia espaço para mais nada no celular dele? — Nós vamos descobrir. — Os dedos de Ethan voaram habilmente sobre o teclado. Ele digitou vários comandos que ela não entendia, então parou por um momento antes de golpear com força o botão “enter” com o dedo indicador. Páginas de mensagens e e-mails imediatamente se abriram. O queixo dela caiu. — Agora quem é incrível? — ela suspirou, inclinando-se para beijar-lhe na bochecha. Seu rubor, que tinha começado a dissolver, voltou. As mensagens mais recentes incluíam uma troca de mensagens entre Travis e uma garota chamada “Sapphire”, que começava com EI GAROTA O QUE VC TÁ USANDO? Ethan fez uma cara de nojo. — Você morou com esse cara? — O Serviço de Proteção a Crianças não me dava exatamente escolhas — Emma disse, inclinando-se. — O que está no e-mail dele em agosto? Ele hesitou. — Nós não vamos acidentalmente encontrar fotos nuas dele aqui, vamos? Ela fez uma careta. — Eu nunca disse que seria fácil. Emma observou quando Ethan deslizou para baixo para os e-mails de agosto. Todos os amigos de Travis tinham endereços de e-mail como markdogg69 ou bluntmeister. Ela revirou os olhos. Então ela viu. No dia vinte e nove de agosto, alguém chamado hollier_hell tinha enviado uma mensagem com o assunto Olha isso.

Ela levantou um dedo trêmulo para apontar. Os olhos de Ethan se arregalaram. — “Hollier_hell”? Ela colocou o cabelo para trás das orelhas, pegando uma mecha em suas mãos e girando-a em torno do dedo. — Abre. Ethan deu um duplo clique na mensagem.

Ei cara, eu achei que você poderia gostar desse vídeo da sua doce irmã adotiva. Faça-me um favor e mostre a ela, também.

o que eu ganho se eu mostrar a ela? Hollier_hell respondeu: $5K está bom para você? Mas não conte a ninguém sobre isso. Exclua essas mensagens. Se Emma sair da cidade você fez o seu trabalho. Então me encontre na Rodovia 5784 W. em Tucson no dia 15 de setembro. Eu estarei lá com o dinheiro. O último e-mail da conversa foi de Travis: Estou dentro. 15 de setembro. Esteja lá.

Abaixo disso havia um link. Emma apostava que estava expirado agora, mas ela estava certa de que em agosto, o link levava direto para o vídeo de Sutton in AZ que começou isso tudo. — Isso foi dois dias antes do assassinato — ela disse com uma sensação fria descendo por seu corpo. Isso significava que o assassinato de Sutton tinha sido premeditado, e não um crime passional ou um acidente. E isso significava que Garrett esteve observando Emma, também, ele sabia onde ela morava e com quem. Isso significava que ela tinha sido uma parte do plano dele o tempo todo. Travis respondeu: Isso é louco pra caramba, mano. Obrigado pelo link. Mas

Emma cerrou os punhos, suas unhas cravando em sua carne. Travis a tinha vendido para o assassino da irmã dela por US$5.000. — Ethan. Você sabe onde é esse endereço? — Estou procurando. — Um mapa se abriu no navegador quando ele procurou o endereço. Era nos arredores de Tucson, no lado oeste da cidade. Quando Ethan selecionou o pino do mapa, o nome da empresa surgiu. — Puta merda — Ethan murmurou. O endereço que o assassino tinha dado para Travis era para o armazenamento Rosa Linda. Lentamente, Emma estendeu a mão sobre a dele. Ela abrir a gaveta da escrivaninha e tirou a pequena chave de prata que tinha encontrado no armário de Garrett, segurando-a junto ao monitor de Ethan. Ela olhou para a segunda palavra riscada novamente. O sangue de Emma correu em suas veias. A chave brilhante pendia imóvel entre ela e Ethan, capturando a luz brilhante do teto. Sob os arranhões e as ranhuras do metal, a segunda palavra de repente estava clara. Não poderia ser qualquer coisa a não ser LINDA. Emma pegou seu celular descartável de sua bolsa. Sem dizer nada, ela digitou o número do site. Ethan abriu os lábios para perguntar o que ela estava

Se eu ainda tivesse punhos. — Pegue o seu casaco — ela disse. Emma respirou fundo. A linha tocou cinco vezes antes que alguém finalmente atendesse. Ela limpou a garganta. — Oh. a voz respondeu com ceticismo. Ela esperava que fosse no nome de Garrett — se fosse no nome dele. — Nós vamos para Rosa Linda. tudo o que ela teria que fazer era entregar a chave e o celular de Travis para a polícia. Depois de um momento. Smith. — Armazenamento Rosa Linda — uma voz de homem resmungou no receptor. — É a Sra. usando uma voz viva e arrogante.fazendo. — Estou ligando para saber quando terei que pagar a próxima despesa. — Oi. sim. — É Arthur Smith? Seu coração se afundou. colocando o celular de volta em sua bolsa. — Parece que a sua conta está paga até o final do mês. — Houve um farfalhar de papéis. Arthur Smith. nós estávamos fazendo algum progresso. mas ela colocou o dedo nos lábios dele. Sra. . me desculpe. Então ela olhou para Ethan com seus olhos redondos e questionadores. Um silêncio crepitou da outra extremidade da linha. Finalmente. Você vai pagar em dinheiro de novo? Emma finalizou a chamada. Mas é claro que Garrett tinha coberto seus rastros. aqui é a locatária do galpão três-cinco-seis — ela disse. eu teria socado o céu em emoção.

várias letras estavam queimadas de modo que mostrava apenas ARMAZ OS LIN. enquanto eles caminhavam pelos corredores.. Seus passos ecoavam no silêncio. No deserto. O galpão trezentos e cinquenta e seis parecia como todos os outros. puxando as luvas e segurando o cadeado mais uma vez. A chave se encaixava perfeitamente.. Eu podia sentir a verdade perto do meu alcance. Com um clique quase . dando um aperto na mão de Ethan. Ela respirou fundo. começando com cem. e saiu para o pátio repleto de terra. e no arame farpado havia laços vermelhos para o natal.. Eles começaram a olhar pelo corredor de edifícios de mãos dadas. Emma contou em voz alta. Ela sabia que eles não iriam encontrar móveis ou equipamentos de futebol nesse galpão de armazenamento. ele tirou um par de luvas pretas de escalada e puxou-as sobre seus próprios dedos. Mas o que quer que seja. nos arredores de Tucson. Ethan estacionou. — Cento e cinquenta — ela sussurrou. Fileiras de galpões de armazenamento estavam fechados e silenciosos. e dividiam-se pela escuridão em quatro direções. que sem dúvida pertencia a mãe dele. Emma tinha se inclinado para mexer no cadeado quando Ethan agarrou seu cotovelo.. Ethan. — Vamos acabar com isso. Uma cerca de arame envolvia a propriedade. entre um motel decadente chamado Flamingo e uma loja de bebidas fechada com tábuas. Ninguém mais estava lá naquela hora. como um sonho que se desvanece da memória ao acordar.. — Eu não sei — Emma admitiu. Emma tracejou as iniciais da sua irmã na chave quando Ethan parou no estacionamento. de um dos bolsos de sua calça de carga. os números gravados nas dobras da porta estilo garagem. tinha algo a ver com Sutton. — Ela virou a cabeça em um canto. — Espere — ele disse. — Boa ideia — Emma disse. enchendo os seus pulmões com o ar seco do deserto para se acalmar. disformemente e assustadoramente. — Duzentos. — Você está pronta para isso? — Ethan perguntou com a voz baixa. Os refletores que iluminavam cada galpão faziam as sombras deles tremularem grotescamente no chão. deve estar por aqui. um coiote emitiu um grunhido estridente. trezentos. Os números dos galpões foram pintados nas portas com a cor laranja brilhante. Uma placa de néon se destacava na frente. entregando-lhe um par de luvas de malha cor de rosa. trezentos e cinquenta. Eu também sabia disso..CAPÍTULO 27 – LEMBRE-SE QUE VOCÊ É MORTAL O armazenamento Rosa Linda estava localizado em um trecho desolado da estrada. Do outro. — Vamos lá — ela disse.

— O que é isso? — ele perguntou. — Quando eu era pequena. Por um momento. mas ela já estava vasculhando as páginas por trás do cd. olhando para a porta aberta de vez em quando como se tivesse com medo que alguém fosse saltar sobre eles. O galpão era grande o suficiente para caber algumas mobílias de apartamento ou algumas centenas de caixas — mas estava quase que completamente vazio. e o galpão empoeirado voltou ao foco. Emma conhecia esse polvo. Nós parecemos exatamente a mesma e temos o mesmo aniversário. Emma piscou com as lágrimas. seus dedos estavam rígidos e desajeitados através das luvas. uma das únicas coisas que ela trouxe com ela de Las Vegas. Havia uma impressão da primeira mensagem que Emma tinha enviado para Sutton. Becky tinha explicado com um sorriso raro iluminando seu rosto bonito.inaudível. Sua voz soava distante. Ela caminhou lentamente para frente. Ela assentiu. Emma agarrou a maçaneta — e a puxou bruscamente para cima. Isso irá parecer uma loucura. Próximo a ele estava um polvo de pelúcia faltando um dos olhos pretos de botão. pegando o bicho de pelúcia e olhando para ele. O interior estava completamente escuro. franzindo a testa. ele pode proteger você. No centro do espaço vazio. Em seguida. Por um momento ela se atrapalhou no lacre que o mantinha fechado. . até mesmo para ela. e ela podia sentir Becky amarrar os dois braços do polvo ao redor do pescoço de Emma na loja para que ele pendesse sobre suas costas como uma capa. Era seu Socktopus. Em cima havia um cd em uma caixa de joia transparente. Ela colocou o Socktopus debaixo do braço e inclinou-se para pegar o envelope. — O vídeo — Ethan sussurrou. Socktopus tinha estado em sua mochila que foi roubada do banco do Sabino Cânion na primeira noite dela em Tucson. Ela abraçou as pernas de malha azul inúmeras vezes quando era criança. vários papéis e fotos deslizaram para fora em uma grande pilha. Por trás disso havia uma página com o e-mail e senhas do Facebook de Sutton. — Minha mãe comprou para mim — ela disse. Ethan ficou para trás. rotulado com SUTTON DE AZ em vermelho vivo. o galpão de armazenamento sujo desapareceu. sempre que ela precisava de conforto. Ela tateou pela parede para encontrar o interruptor e uma única lâmpada fluorescente pendurada no centro do galpão acendeu. mas eu acho que estamos relacionadas. E por trás havia fotos — uma pilha grossa de fotos brilhantes em preto-e-branco. a trava se abriu. Quem levou a mochila dela agiu rapidamente — ela só a tinha deixado lá por alguns minutos antes de voltar para procurar por ela. Assim. Quase. um único envelope estava no chão logo abaixo da lâmpada.

— Ethan — ela arfou. Na foto ela estava ocupada contando o troco de um cliente. Outra mostrava ela pegando algo de uma prateleira de cima na biblioteca pública. Emma apostava que esse era o código de alarme da casa dela. Sete de setembro. correndo lado a lado em uma trilha do Cânion Red Rock. Na terceira. Mas a nova Emma? A nova Emma estava irritada. tiradas secretamente e em ângulos desajeitados. Exceto que o Dr. ela reconheceu: 0907. pago em dinheiro e eu aposto que não existem quaisquer impressões digitais nessas coisas — ela acrescentou amargamente. — Não há nada aqui que aponte para Garrett.Emma tinha estado tão acostumada a ver o rosto de Sutton em todos os lugares que por um momento ela pensou que as fotos fossem de sua irmã gêmea. Nisha tinha dado a Emma esse mesmo código quase um mês atrás. para descobrir o que ela tinha escondido lá. ela não sabia o que estava olhando. O coração de Emma acelerou. Em seguida. Mas não eram — na primeira foto. Banerjee. Banerjee estava fora da cidade agora. Garrett tinha usado para entrar na casa de Nisha. — Não são não — ela argumentou. — A única coisa que liga Garrett a este galpão é a chave que . Emma embaralhou as fotos para trás da pilha de papéis e folheou o resto das páginas. — Emma. E abaixo. A foto seguinte era dela e de Alex. a menina estava atrás de uma bilheteria. Por um momento. Banerjee o tinha assustado. mas o Dr. ela estava andando na casa de Clarice com uma expressão de desânimo total em seu rosto. onde ela tinha trabalhado no verão antes de vir para Tucson. Ela franziu a testa para uma página que era simplesmente uma lista de números. para que ela pudesse acessar os arquivos do hospital psiquiátrico. A antiga Emma tinha sido especialista em permanecer anônima e invisível. também. Era o código de alarme dos Mercer. precisamos ir direto para a polícia. que era outro conjunto de dígitos. Essas coisas daqui são suficientes para incriminar Garrett. se manter longe dos holofotes para que ela não pudesse se machucar. É alugado sob um nome falso. Abaixo desse código estava o dos Chamberlain. O aniversário da Sra. — Podemos entrar na casa de Nisha. segurando a folha de papel. O queixo dela caiu. completamente inconsciente de que alguém estava com uma lente de uma câmera apontada para ela. Era na montanha-russa New York-New York em Las Vegas. mas ela estava nítida em todas elas. As fotos eram aleatórias. A antiga Emma teria ficado constrangida se percebesse que alguém tinha estado observando-a durante todo esse tempo. Assim como eu. ela reconheceu um dos números. Podemos encontrar as provas! Ethan olhou para ela.

desaparecendo na escuridão a poucos metros da estrada. Ele olhou ao redor do galpão de armazenamento. Então vamos para a polícia e entregar a eles o que temos. desejando que eu pudesse bater na palma da minha irmã. em seguida. abraçou-o contra o peito mais uma vez antes de colocá-lo ao lado do envelope. Então ela pegou Socktopus. Mas o que Nisha tinha condenava Garrett o suficiente para que ele a tivesse matado por isso. — Deveríamos deixar as coisas aqui como nós encontramos. Nós vamos passar pela casa de Nisha e olhar lá mais uma vez. e eles seriam capazes de provar o que Garrett tinha feito com a irmã dela. Garrett iria finalmente. É isso aí! Eu gritei em silêncio. — Tudo bem. Emma agarrou a chave do galpão de armazenamento em sua mão. finalmente ser derrotado. . Ethan soltou um suspiro. apenas um pouco mais de provas. de volta para ela. É uma cena de crime agora. e essa é a nossa palavra contra a dele.encontramos. Ethan acelerou na rodovia. Eles estavam tão perto agora. Você está certa. Eles fecharam o galpão e voltaram para o carro. O deserto se estendia em cada lado deles. Ela se sentia mais leve do que tinha se sentido em semanas. — Ela deslizou a papelada e as fotos de volta para o envelope e colocou-o de volta no chão. Ela assentiu com a cabeça com a emoção borbulhando em seu peito como água fresca de uma nascente. dirigindo com cuidado. mas rápido.

Por um momento. seus olhos se ajustaram à escuridão profunda da cozinha. — Mas ele parou quando ela virou de volta para o painel. Ele deslizou seus dedos nos dela e apertou. preparandose para a retumbância dos alarmes atravessando a noite silenciosa. Antes que ela pudesse pensar. Emma. — Claro. Duas enormes portas francesas ligavam o pátio à cozinha. prestes a digitar 0907. Por um momento. À esquerda. e quem sabia os números que ele iria colocar. . Mas então. Ela prendeu a respiração. A mandíbula dele estava pendurada. Então ela pensou em Garrett. nada aconteceu. — Como você sabia o código certo? Ela encolheu os ombros. Banerjee. Se o alarme disparasse. — Jesus. — O Dr. um painel de alarme brilhava suavemente com a cor vermelha.. Até mesmo eu. O aniversário de Nisha. turva e cintilante. Não é mais o aniversário da Sra. — Eu odeio ter que voltar aqui — ela sussurrou. Emma se aproximou com cautela com seus nervos cantarolando. a luz ficou verde. depois do que pareceu uma eternidade. Ethan engoliu em seco.CAPÍTULO 28 . Nós não podemos. Ela ouviu um suave clique dentro da porta. Ela virou-se para Ethan.UMA MENSAGEM DO ALÉM Emma empurrou a porta forjada de ferro que levava ao quintal dos Banerjee. — Ela abriu a porta silenciosamente e entrou. — Uma garota pode ter sorte às vezes. — Foi um palpite. O rosto de Ethan ficou desanimado. — Você está certa.. A visão a fez ficar enjoada. A única luz era a lua que capturava a superfície da piscina. A porta tinha aberto. Ele teria mudado depois de encontrar Garrett em sua casa. Ethan estava bem atrás dela. Banerjee mudou o código — ela sussurrou. um sorriso triunfante espalhando-se sobre o rosto dela. Emma digitou um novo número: 0420. o Dr. Banerjee mudaria o código de novo. sua cabeça chicoteou do painel para ela e vice-versa. Ela não podia se arriscar em cometer um erro. e quando ele tinha invadido. Era fácil imaginar Nisha de bruços com seu longo cabelo ondulando ao redor de sua cabeça. seus dedos pairaram sobre os números. você poderia ter acionado o alarme. as janelas escancaradas como órbitas vazias. pronta para correr o mais rápido que podia e voltar para a casa de Ethan. Ethan assentiu. A casa estava completamente escura.

e a colcha era lisa e suave. ela não conseguia afastar a sensação de que a prova estava aqui. Um cheiro forte de Pinho Sol permanecia no ar e os móveis bronze brilhavam na luz escassa. uma tigela estava no chão cheia de ração de gato. Na porta do quarto de Nisha ela fez uma pausa. Frascos de perfumes transparentes estavam em cima da cômoda de Nisha.A cozinha estava mais limpa do que da última vez que ela tinha visto. Banerjee. Ao lado do laptop Compaq em cima da escrivaninha estava uma caixa de DVD da minissérie da BBC Orgulho e Preconceito — Nisha deveria estar assistindo antes de morrer. Emma podia sentir lá no fundo. bem cuidados e em ordem alfabética. — Nós não queremos que ninguém da rua nos veja. Ela sabia com os seus anos como uma criança adotada que o único esconderijo seguro era em algum lugar perto de você. inclinando-se para beijar sua bochecha. a casa estava silenciosa e vazia. Nisha tinha encontrado algo importante — e ainda estava aqui. As lombadas amassadas dos livros ficavam para o lado de fora da prateleira. Nada parecia fora do lugar. As fotos do corredor pareciam olhar perversamente para ela. Então ela se virou e entrou no corredor. Vou checar a sala de estar e o escritório do Dr. Mesmo que ela já tivesse procurado neste quarto uma vez. mas evitando cuidadosamente a janela. comendo palitos de cenoura e fofocando. Eu segui o olhar de Emma ao redor da cozinha. Partículas de poeira rodopiavam na luz pálida. Ele entregou a ela. elas eram grotescas no escuro. — É melhor mantermos as luzes apagadas — ele sussurrou. lembrando das festas e jantares de tênis que eu participava na casa de Nisha. Ela se encolheu quando pisou em uma tábua estridente. Você fica com o quarto dela. Emma parou na porta. Emma virou-se e viu Ethan tirando uma lanterna Maglite do bolso da frente. Uma pequena esfera de luz apareceu do nada. enviando lentamente uma esfera de luz sobre as coisas de Nisha. Estava presa em seu chaveiro. E se Garrett escolhesse este momento para invadir a casa novamente? E se ele chegar e descobrir que ela e Ethan vieram procurar a mesma coisa que ele? Ela estremeceu com o pensamento do que ele poderia fazer. suas unhas cavando em suas palmas. Nos encontramos aqui em cinco minutos? — Tudo bem — Emma disse. Mas onde ela teria escondido algo tão importante? . Tudo estava como tinha estado na última vez que ela tinha vindo. lembrei-me de estar em pé ao redor da ilha da cozinha com as minhas amigas. o baixo guincho soando tão alto quanto um alarme no silêncio profundo. Agora. Emma bateu os punhos contra as coxas em frustração. ao lado de uma pequena coleção de troféus de tênis. Ao lado da porta. enviando um feixe de luz da lanterna à sua frente. como se as próprias paredes estivessem de luto. Com o coração batendo contra suas costelas.

A cabeça de Emma girava quando ela tirou os elásticos e alisou a pasta no chão. primeiro eu não compreendi. Uma pequena luz noturna iluminava perto do espelho. e eu tive que verificar. Prendendo a respiração. Quando eu vi o nome escrito no formulário ao lado de PACIENTE. O nome despertou algo em minha memória. Com medo de sua última esperança decente ser aniquilada. poderia? Lentamente.. ela pegou a caixa. no escuro debaixo da pia. Mas. havia uma enorme embalagem de Tampax. As letras eram como hieróglifos. quase com medo de se mover. finalmente. Mas valia a pena uma tentativa. Caixas de absorvente tinham sido o esconderijo dela durante anos. Ela se ajoelhou na frente do armário e começou a abrir as gavetas. No topo da página. as palavras REGISTRO DO CENTRO MÉDICO DA UNIVERSIDADE DO ARIZONA estavam digitadas em uma grande fonte em negrito. Você precisa saber a verdade. ela empurrou a porta do banheiro de Nisha. tocando as fileiras de embalagens individuais e na parte inferior com os dedos fechados em algo que parecia um tubo.. Mas Nisha não poderia ter tido o mesmo lugar secreto. Eu tive um mau pressentimento sobre isso depois que nós conversamos. eu sinto muito. Ela reconheceu imediatamente a caligrafia elegante de Nisha. Lá. então. Grampeado no exterior da pasta estava um pedaço de papel rosa da Hello Kitty. estranhas e ilegíveis. Deslizando a luz da lanterna sobre os seus pés. e com um rugido ensurdecedor começou a me puxar de volta para aquela noite no cânion. ela abriu a pasta. enrolada em uma espiral apertada e amarrada com elásticos de borracha várias vezes. Ela congelou. A própria Emma tinha escondido muitas coisas — ela passou a infância protegendo suas preciosidades dos pais adotivos intrometidos e das companheiras de quarto cleptomaníacas. . Seu coração ainda estava acelerado no peito. Abaixo de “departamento” alguém tinha rabiscado a palavra psiquiatria em caneta preta.O pensamento veio a ela lentamente como uma lente em que o foco aparece gradualmente. Ela tateou dentro da caixa. o mundo se rompeu em uma clareza dolorosa e terrível. E eu sabia com uma certeza nauseante que finalmente. Era uma pasta de documentos simples. eu iria reviver os últimos momentos da minha vida. Sutton. Ela respirou fundo. Isso parecia muito um tiro no escuro e muito simples.

Eu estou viva. Ele está chorando também. O colarinho da minha camiseta pressiona em minha garganta. eu posso sentir a ravina escancarada. a adrenalina correndo no meu sangue.. A metros atrás de mim. crua e pungente. onde Laurel e eu costumávamos contar histórias de fantasmas. Mas eu não caio longe. e um grito irrompe das profundezas dos meus pulmões irregulares. O vento faz com que o meu rosto coberto de lágrimas pareça ferido. — Você ia me jogar da borda? — eu pergunto com a minha voz baixa em meus ouvidos. e ele está vermelho e coberto com lágrimas como o meu próprio. E. parecendo tão ferido quanto se eu tivesse lhe dado um tapa. O rosto de Garrett está a centímetros do meu. eu sinto pena dele. — Ele estende a mão para me tocar. destruí-lo. O quão perto ele esteve de me machucar. Eu vou morrer aqui. Lentamente. neste cânion onde eu costumava vir acampar com meu pai. — Eu sinto muito. literalmente. tremendo violentamente como se a força de sua raiva pudesse. e eu percebo que eu estou chorando. Garrett ali. Meu coração ruge em meus ouvidos.. ele segura as mãos na frente de seu rosto. Ficamos assim por alguns minutos: eu sentada imóvel na beira do precipício. Garrett fica boquiaberto. ecoando nas paredes do cânion. Finalmente Garrett me solta. esmagando a minha traqueia. Meu rosto está molhado. machucado e destruído por sua própria raiva. torcido em uma máscara de fúria que é quase irreconhecível ao luar. — ele para. Então. Eu olho para ele. mas eu recuo. e é como se ele estivesse olhando para as mãos de outra pessoa. — Sutton. Eu limpo os meus olhos. Eu mal percebo que a minha blusa está rasgando quando ele me sacode para frente e para trás. Garrett paira sobre mim. Terror surge em seus olhos. como se só agora tivesse percebido o quanto elas são fortes. como se elas estivessem fora do seu controle. machucada aos pés de Garrett. ele se senta no chão ao meu lado com seu rosto molhado com as lágrimas. ele vira o rosto para mim.CAPÍTULO 29 – A ÚLTIMA MEMÓRIA Eu não consigo respirar. eu nunca faria isso. onde Thayer e eu roubamos alguns dos nossos primeiros beijos. . Muito abaixo dos meus pés o vento corre através da ravina com um uivo disperso e solitário. mas já estou vendo pontos pretos e Garrett é muito forte para mim. Eu chuto as minhas pernas furiosamente. o meu coração está doendo. Ele puxa a mão dele. apesar de tudo o que aconteceu. Ele olha para mim de novo. Meus dedos enroscam através da sujeira. Por fim. Eu pouso em uma pilha no chão. de repente incapaz de me mover.

e desta vez é medo que enruga seu rosto. — Eu não quero machucar ninguém — ele sussurra. Eu não digo nada. Não importa mais o que ele quer. Garrett tem sido muito volátil por um longo período de tempo. A agressão contra a irmã dele danificou algo dentro dele, e ele tem estado fora de controle desde então. As estrelas brilham em cima, brancas e azuladas. Garrett recupera seu fôlego lentamente, e mesmo depois que ele recupera, soluços ocasionais atacam seus pulmões. Em algum lugar próximo eu ouço galhos quebrando — provavelmente um gambá ou um guaxinim, uma criatura da noite correndo desajeitadamente por entre os arbustos. — Garrett, eu preciso saber. Você... roubou meu carro e me... perseguiu? — eu pergunto, não querendo dizer o nome de Thayer por medo de irritá-lo mais uma vez. A mandíbula de Garrett fica escancarada, e eu já sei a resposta em seu rosto chocado. — Alguém roubou o seu carro e perseguiu você? Minha cabeça fica tonta com os mistérios intermináveis desta noite. — É... mais ou menos. Garrett parece nauseado. — Você realmente acha que eu faria uma coisa dessas? Nossos olhos se encontram. Eu me forço para não desviar o olhar. — Eu não sei mais, Garrett. Ele morde seu lábio com tanta força que sangra. Então, lentamente, ele engatinha para perto da borda da ravina, até que seus pés estão pendendo para o lado. Seu corpo oscila ligeiramente com o álcool ainda nublando seu cérebro. — Tenha cuidado, Garrett — eu digo com uma margem de medo em minha voz. — Esta é uma queda muito acentuada. Ele olha para mim, e no escuro seus olhos parecem poços insondáveis. Seu rosto se contorce em uma expressão de tormento e infelicidade frenética. Meu coração está de repente na minha garganta, e eu não sei por que. — Não seria mais fácil se a única pessoa que eu machucasse fosse eu mesmo? — ele sussurra. Outro arrepio passa por ele. Seu cabelo está grudado como uma auréola dourada ao redor de sua cabeça, brilhante contra a vasta escuridão além dele. — Garrett. — Eu estou de joelhos agora, minhas pernas nuas estão doendo embaixo de mim. Os arranhões nos meus joelhos queimam contra a pedra. — As coisas serão melhores. Eu prometo. Mas você tem que vir até mim. Ele balança a cabeça. — As coisas não vão melhorar — ele diz em voz baixa. — Não para mim. — Ele se inclina para frente com os olhos arregalados e olhando para o abismo. — Talvez eu pudesse melhorar para todo mundo, afinal. O medo do momento anterior volta, mas agora é diferente — agora eu não estou com medo por mim mesma. Eu me aproximo centímetros dele.

— Você realmente acha que Louisa gostaria? Ou a sua mãe? — O vento faz um redemoinho acima da ravina, atravessando direto pelo meu agasalho tão forte que eu posso sentir em meus ossos. — Como você acha que elas se sentiriam se perdessem você? — Eu engulo em seco. — Como você acha que eu me sentiria? Eu posso ouvir o eco distante da minha própria voz através do abismo abaixo. Como eu me sentiria? Eu sei que eu não amo Garrett. Mas eu me preocupo com ele. Quando ficamos juntos pela primeira vez, eu achei que poderia ajudá-lo a superar as coisas que o tinham machucado. Eu achei que se eu fosse bonita o suficiente, charmosa o suficiente, divertida o suficiente, se eu pudesse distraí-lo o suficiente, ele acabaria ficando melhor. Agora isso parecia insanamente narcisista, até mesmo para mim. — Por favor, Garrett — eu digo com a minha voz tremendo. Eu estendo a minha mão para ele. — Venha para longe da borda, ok? Por favor. Ele olha para a minha mão com o rosto estranho e distante. Seus olhos parecem ter dificuldade em se concentrar, sua cabeça está balançando em seu pescoço. Por um momento, ficamos congelados no lugar, e eu não consigo respirar. Em seguida, sua mão fecha sobre a minha, e meus ombros caem com alívio. Sua palma está úmida, e o sal do seu suor magoa as feridas e os cortes que eu acumulei durante toda a noite. Eu o puxo em direção a mim, longe desse abismo de pesadelo. Ele tropeça para perto de mim. Eu coloco os meus braços ao redor dele para firmá-lo, e nós ficamos assim por um momento. Eu posso sentir o tremor que domina o seu corpo vibrando contra o meu coração. — Nós temos que sair daqui — ele sussurra. O susto parece tê-lo deixado um pouco sóbrio. Suas pupilas estão enormes na escuridão e seus olhos se concentrando mais claramente agora. Eu o solto. De repente, eu estou muito cansada, o meu corpo fica mole como uma boneca de pano. Por um momento eu penso em ir com Garrett. Seu carro está no estacionamento, e ele poderá me levar para casa. Ele parece lúcido o suficiente para conduzir agora, e eu percebo o quão arrependido ele se sente, tanto por me seguir até aqui quanto por quase me jogar da ravina. Mas eu não me sinto segura com ele. Eu sei o quanto ele está magoado, e eu sei que ele não tinha a intenção de me atacar — mas eu venho inventando desculpas para ele há meses. — Vá em frente — eu digo. Minha voz está suave, mas firme. — Eu quero ficar um tempo sozinha, ok? Ele franze a testa para mim. — É perigoso aqui fora à noite. Eu não posso te deixar aqui sozinha. Eu balanço a minha cabeça. — Olha, foi uma noite louca. Eu preciso de um tempo para processar tudo isso, ok? Eu vou ficar bem. Eu vou para a casa

de Nisha quando eu estiver pronta para sair daqui. Mas agora eu só preciso de um pouco de espaço. Ele não larga a minha mão. Por um momento ele olha nos meus olhos, e eu consigo ver tudo o que ele quer dizer — o quanto ele está arrependido, o quão triste ele está e o quanto ele me ama. Eu olho para longe, na direção das luzes brilhantes da cidade. — Você vai me ligar amanhã? — ele pergunta com um leve tremor em sua voz. Eu hesito. Eu quero tanto terminar com ele de uma vez por todas. Eu quero um novo começo quando sair desta montanha. Mas, se eu irritá-lo de novo, quem sabe o que ele vai fazer? — Sim — eu digo. — Eu te ligo amanhã. Amanhã, quando ele estiver sóbrio, quando não estivermos no meio do nada, eu vou acabar logo com isso. Eu vou terminar com ele e dizer que é a minha decisão final. Mas por enquanto, isso é o melhor que eu posso fazer. Ele estende a mão para segurar a minha mão na sua. Ficamos assim por um minuto, ele enroscando os meus dedos na palma de sua mão. Algo nisso — o quão terno e envergonhado ele ficou — partiu o meu coração. Então, ele se afasta, ainda um pouco instável em seus pés, se virando em silêncio, caminhando lentamente pela trilha até o estacionamento. Eu consigo ouvi-lo até mesmo depois que ele desaparece da minha vista, quebrando os galhos e tropeçando. Um profundo silêncio se instala sobre o cânion quando ele vai embora. Todos os sons da cidade — cães latindo, sirenes e motores de carro — silenciaram. É um sentimento estranho. Durante todo o dia, eu fui cercada por vozes que me disseram onde eu pertenço, o que eu deveria estar fazendo, quem eu sou. Mas esta noite, nesse silêncio profundo e escuro, eu mesma posso decidir. Eu subo em uma pedra baixa e olho para a cidade. É lindo e calmo aqui. As pessoas estão dormindo em suas camas, sem suspeitar que uma garota solitária está olhando as luzes cintilantes de fora de suas casas. Eu só estive aqui há algumas horas, mas parece que anos se passaram. Eu aprendi muito hoje à noite, sobre quem eu sou e de onde eu vim. Sobre o que eu quero ser. É difícil saber o que o amanhã vai trazer — eu vou ter que enfrentar o meu pai de novo, depois de descobrir seus segredos. Eu vou ter que enfrentar Laurel, que passou a noite na sala de emergência do hospital com Thayer. Então eu penso no rascunho de e-mail do meu celular. Eu rapidamente abro, mas como eu suspeitava, no canto superior está piscando SEM ÁREA. Eu releio, e um pouco de emoção passa por mim. Eu estou sendo verdadeira com cada palavra. No momento em que eu consigo sinal de novo, eu envio para Thayer. E minha irmã gêmea secreta — eu vou encontrá-la, nem que seja a última coisa que eu faça.

E lá no fundo do meu corpo dolorido e rígido, eu sinto uma sensação de paz. Tudo vai ser diferente a partir de amanhã. Eu me levanto, tirando a sujeira das minhas coxas. Eu tive bastante exame de consciência por uma noite. Está na hora do meu pijama e de uma xícara de chá de hortelã da minha mãe. Hora de começar a descer a montanha e encontrar uma carona para casa. Mas então alguém limpa a garganta atrás de mim. Eu me viro lentamente para ver um cara de pé ali. Ele é alto com as maçãs do rosto salientes e o cabelo escuro. Seus shorts curtos de caminhadas desgastados mostram suas panturrilhas musculosas. Em suas mãos, ele usava luvas pretas de escalada e um sorriso tímido e brincalhão em seus lábios. É Ethan Landry. — Oh. Ei, — eu digo, empurrando meu pescoço para trás, surpresa. — O que você está fazendo aqui? Até mesmo ao luar eu posso vê-lo corar. Ele chuta uma pedra com a ponta do seu tênis. — Desculpe te assustar. Eu vi você na trilha da minha casa — ele diz, apontando para a escuridão abaixo de nós. — Eu estava olhando as estrelas. Tem uma chuva de meteoros esta noite. — Oh. Ethan me observa atentamente, e de repente eu me sinto constrangida. Há sangue coagulado em uma perna onde eu me machuquei, e eu caí no chão meia dúzia de vezes. Eu passo os dedos pelo meu cabelo e uma folha aparece na minha mão. Ethan se aproxima, e eu posso vê-lo mais claramente agora. Uma carranca preocupada enruga sua testa. Parece estranho ele estar aqui fora tão tarde, mas Ethan sempre foi um pouco estranho — eu me lembro dele carregando uma tarântula em um frasco no colegial, e se metendo em confusão durante a aula de ginástica por olhar as flores do campo ao invés de estar jogando beisebol. Ele não é exatamente do meu grupo — ele é bonito o suficiente, mas ele sempre foi muito tímido. Então, recentemente, ele se meteu em uma brincadeira do Jogo da Mentira que saiu do controle. Foi do filme estúpido de Laurel, e Ethan tinha afastado ela de cima de mim e, em seguida, ficou comigo enquanto eu voltava ao normal. Agora ele muda seu peso, enfiando as mãos nos bolsos. — Você está bem? Você parece... bem, parece que teve uma longa noite. — Oh, sim... Eu estou bem. — Meu sorriso treme um pouco e, em seguida, entra em colapso. — Foi uma noite muito estranha, só isso. Ele toca o meu ombro com sua mão quente na minha camiseta. — Você quer falar sobre isso? E de repente, eu falo. Com minha voz trêmula e fraca, eu conto-lhe tudo. Sobre Thayer vindo para a cidade, sobre nós brigando, e alguém o atropelando. Sobre o meu pai ser meu avô, e Becky aparecer depois que eu quis conhecer a minha mãe biológica por tanto tempo. Sobre Garrett ter ficado fora de

Por. — Eu me sinto como uma pessoa diferente do que quando eu subi aqui — eu termino. — Eu nunca tive a chance de lhe dizer obrigada. Ele sempre foi tão calmo.controle. Ethan não tenta me interromper ou dar conselhos. Sutton. Quando ele coloca o braço em volta do meu ombro. Nós nos olhamos durante anos. É tão linda que eu . não conte a ninguém — eu sussurro. Não até esta noite. me ajudar naquela noite. — Por favor. — Deveríamos poder contar com os nossos amigos. As estrelas estão brilhando lá em cima agora. — Você passou por muita coisa hoje à noite. — Eu vou manter todos os seus segredos. me chama a atenção. eu me sinto segura pela primeira vez durante toda a noite. Mas por outro lado. quase distante. e ele nunca disse a ninguém sobre o filme. em particular. — Eu sei que parece ridículo. — Vocês fazem brincadeiras pesadas umas com as outras. — Sua voz soa estranhamente sufocada. Quando as minhas amigas fizeram aquela brincadeira comigo. estou ciente de que eu acabei de lhe dizer coisas que eu não estou nem mesmo pronta para contar as minhas melhores amigas. tampouco. eu provavelmente não parecia ser a pessoa mais amigável para ele. Às vezes. ele está sozinho no parque quando eu vou para as quadras de tênis. — É. Quanto mais eu penso nisso. sabe. uma branca tão pura e tão forte que não pisca como as outras. Ele encolhe os ombros. e eu mal o conheço. Eu sorrio para ele. tão confortável — eu me pergunto como nós frequentamos a escola juntos desde que éramos crianças e ainda assim quase nunca nos falamos. Confiar em Ethan parece tão natural. e nunca nos falamos. me olhando constantemente através de seus cílios longos. sentado em um banco lendo um livro de bolso. Eu coloco o meu braço em volta da cintura dele e o abraço. Eu sinto que posso confiar cegamente nele. Ele apenas balança a cabeça de vez em quando. no cinema. Mas tanta coisa aconteceu. — Eu não estou realmente pronta para que as pessoas saibam de tudo isso. — É claro — ele diz. Uma. — Não parece ridículo — ele diz. no café. Mas Ethan é um bom ouvinte. — Você está certo — eu digo baixinho. — Amigos não deveriam machucar uns aos outros dessa forma. você. Nós já nos cruzamos inúmeras vezes. — Eu dou uma risada envergonhada. — Seus olhos estão focados em meu rosto. mais eu percebo que não foi só na escola que eu vi Ethan. O pensamento me deixa um pouco nervosa. Eu me sinto muito mais leve depois de descarregar tudo o que aconteceu. De repente. Meu rosto abre um sorriso. Eu conto toda a história. — Aquela saiu do controle. Eu inclino minha cabeça para olhar para a luz brilhante. com tanta raiva e tão magoado que ele atacou tudo ao seu redor.

— Eu estou apaixonada por Thayer. Me desculpe se eu dei a impressão errada. — Você não está ouvindo? Eu encontrei Emma. Eu sei que você está saindo escondida com Thayer Vega. Sutton. Eu olho para ele e seus olhos estão cheios de ternura sincera. Ethan. — Eu sei que você tem tentado dormir com Garrett Austin por todo o verão. Ethan. não. Foi estranho — vocês são totalmente idênticas. — Apaixonado por mim? — Eu não consigo evitar. mas você não parece perceber isso. Mas ele não tinha terminado. Isso deve ser algum tipo de piada. Parece estridente e cruel. até mesmo para mim. Eu nem sabia sobre Emma até algumas horas atrás. Sutton — ele murmura. Uma sacudida de surpresa me atravessa. — Esse não é o ponto! — Meus músculos ficam tensos. como se não houvesse espaço para discussão. dando um passo para trás. — Não diga isso. eu não sei como você soube sobre Emma. eu conheço. Alguma coisa sobre isso está errado. mas. Como se ele pudesse me convencer a amá-lo raciocinando comigo. rápida e selvagem. e eu imediatamente me sinto mal. Por um momento. Eu sei que você é adotada e que você sempre acha que a sua família não te ama tanto quanto eles amam Laurel. Minha boca fica escancarada. mas eu apenas gosto de você como amigo. Eu encontrei ela para você. — Sim. — Eu sei onde sua irmã gêmea está. Uma sombra obscurece seu rosto. — Ethan.não noto a mão de Ethan no meu queixo por um momento. eu fico tão atordoada que não me movo. — Um sorriso aparece nos cantos de sua boca. Então eu coloco as minhas mãos em seu peito e o empurro suavemente. eu me sinto paralisada. Eu estive observando ela por semanas. Então ele está se inclinando sobre mim com seus lábios macios contra os meus. Em algum lugar no fundo da minha mente. Para você. como se ele estivesse esperando há muito tempo para me dizer isso. um alarme dispara. Sua voz está estranhamente calma e imponente. Eu rio. Você sabe o quanto foi difícil? Eu até mesmo fui para Las Vegas para me certificar de que era a garota certa. — Eu estive apaixonado por você há anos. Como diabos ele sabia? — Você estava me espionando aqui? — Minha voz fica severa. — Você não me conhece — eu digo.. Eu me afasto dele. Por um segundo. — Oh. porque você mal praticou durante todo o verão. Eu sei que você precisa que suas amigas tenham medo de você para que não se aproximem muito de você. — Isso não é legal. Eu nunca me imaginei beijando Ethan Landry.. Emma. Algum tipo de brincadeira. Nenhum deles merece você. Eu sei tudo sobre você — ele diz. baixando a voz. Em seguida. uma raiva aparece. — Eu falo o mais suavemente que eu posso. e assim você não terá que se sentir magoada se elas te abandonarem. — E eu sei algo que você não sabe. Eu sei que você está com medo que Nisha ganhe o título estadual de você. .

Mas eu sou mais rápida do que ele. Ele me puxa para trás em direção a ele. Coisas que eu ainda nem disse a Thayer. — Jesus. sobre mim e Thayer — o meu carro. e antes que eu possa pensar sobre isso. Mas talvez ele achasse isso de mim.— Eu disse a você. Eu faço uma nota mental para agradecer a Treinadora Maggie por cada bronca nas corridas que ela me deu enquanto eu salto levemente sobre uma pequena pedra. Eu penso nos faróis na escuridão. a ser disputada e vencida. eu posso ouvir o vento uivando através do abismo. eu posso sentir Ethan mais do que ouvi-lo — seus pés não fazem nenhum som na terra batida. À minha esquerda. soando como pingos de chuva . a ravina se abre avidamente. ele me agarra pela cintura. Antes que eu possa me mover. Ele me gira de frente para ele com os dentes arreganhados em frustração. como se ele estivesse raciocinando com uma criança. determinada a começar a descer a montanha. suas mãos a poucos centímetros de mim. Vazios e implacáveis. Meu tênis prende em algo e vira sob o meu pé. — Eu balanço a minha cabeça com nojo franzindo o meu lábio. Então eu me viro para longe dele. Cactos e arbustos se agarram em meus tornozelos. E ele está planejando me dar a minha irmã como um presente — como se ela fosse alguma coisa. Seu hálito quente está em meu ouvido. eu mordo o lábio dele — com força. tropeçando nos meus pés assim que ele se arremessa e inicio uma corrida pela trilha. Cascalhos deslizam para longe dos meus pés. e eu vou colocar toda esta noite horrível para trás. Uma coisa. De repente. Ethan. Atrás de mim. Ele me joga no chão e sua mão vai até a sua boca machucada. mas insistente. e os meus pés balançam perigosamente abaixo de mim enquanto eu tento manter o meu equilíbrio. Eu me sinto mais enjoada a cada vez que ele diz isso. mas sua mão aperta com força ao redor do meu pulso. E eu percebo: Ele está. inclinando-se para me beijar novamente. Eu vou para a minha casa ficar com a minha família. também. com Thayer. eu tenho certeza de que era Ethan atrás do volante. Há quanto tempo ele tem me seguido? Ouvido minhas conversas? Ele sabe coisas sobre mim que eu ainda nem disse as minhas melhores amigas. — Eu acho que você não sabe o que é o amor. mas eu posso senti-lo no meu rastro. Sua boca é quase doentiamente doce. — Eu não entendo por que você está lutando contra isso — ele rosna com os braços tão apertados que eu não consigo respirar. eu vou ligar para o 911 e meter esse esquisito na cadeia. Eu vou ficando mais longe dele — eu vou em direção ao centro de visitantes e no instante em que eu conseguir área. para sempre. Então eu vejo seus olhos com seus longos cílios escuros. — Você deveria me amar! Nós deveríamos ficar juntos. — Você está louco? — eu grito. Abaixo de nós. — A voz dele é calma. Eu me movo para longe dele. me puxando e me erguendo sob os meus pés. tentando colocar distância entre nós. — Eu encontrei ela para você. Pânico me atravessa. Porque eu te amo.

— Minha perna está quebrada. . Por um minuto meus dedos se fecham em torno de raízes expostas. Mas. as raízes se soltam da terra. Eu grito. Eu não consigo andar. Eu não queria que isso acontecesse. — Eu nunca vou te amar — eu sibilo. e a gravidade me domina novamente. isso me assusta mais do que qualquer coisa que aconteceu no topo do penhasco. Então. Ele dá um grito de raiva. superando o meu medo. mas tudo fica branco com o esforço. e por um momento ficamos imóveis. Ele olha para mim com o rosto estranhamente vazio no brilho eletrônico do celular. O mundo é uma agonia cintilante e surreal. e o mundo não é nada além de vento e pedra. Ondulações de dor saem da minha perna em ondas repugnantes. Você tem que caminhar de volta para o estacionamento e ligar para o 911. E ele está aqui agora. Quando eu pouso. Ethan se ajoelha ao meu lado. de pé em cima de mim. Eu pensei que você fosse diferente. — Por favor.enquanto caem. Eu caio. Ele puxa o meu iPhone para fora da minha bolsa — eu posso ver as bolinhas da capa Kate Spade. É quase como se ele não me reconhecesse. eu tombo. Ou melhor. uma luz branca fria ilumina os ângulos do seu rosto. meu corpo escorrega para fora do seu alcance. e eu estou caindo. — Por favor. A última coisa que eu vejo é o seu rosto pálido e chocado com a mão ainda estendida na minha direção. Em seguida. Uma explosão de raiva me atinge. minha voz atravessando a noite. Toda vez que eu tento virar a minha cabeça. Eu tento me arrastar pelo meu cotovelo. Quando meus olhos se concentram novamente. Eu começo a chorar. — Depois de tudo o que eu fiz por você. me ajude — eu resmungo. Em seguida. me agarrando a qualquer coisa. em seguida. meus pés estão deslizando por debaixo de mim. Ethan. cuspindo em seu rosto. meus pulmões se movem dentro do meu peito no que parece décadas antes que eu possa tomar um fôlego. De algum lugar por perto eu ouço algo se movendo ao redor. um manipulador — e ele está me perseguindo. Ele se atrapalha perto de mim — eu não posso ver o que ele está fazendo. Sutton. Por alguma razão. Por um minuto seu rosto está envolto em sombras. Ele é um mentiroso. a escuridão me engole. eu vejo um fragmento de osso saindo da minha perna esquerda. meu corpo arfando em soluços dolorosos e sufocados. Suor e sangue gotejam em meu rosto. — Não tem área aqui em baixo — eu digo. e torce meus pulsos com tanta força que espasmos de dor atravessam o meu braço. Eu me debato. lutando silenciosamente por controle. — Eu não acredito que você me fez fazer isso — ele diz com a voz vazia com decepção. Meu corpo se choca em cada brotamento de pedra e ramos salientes. o mundo gira. Eu me contorço em seu aperto.

. Então. seu idiota! — Mas ele já está se afastando de mim. Ele a mantém levantada sobre sua cabeça. nas sombras. ele volta e paira sobre mim. Eu fecho os meus olhos. — Se eu não posso ter você. — Me devolva. brilham e depois desaparecem.Então ele fica de joelhos em cima de mim. em seguida. mexendo no colarinho da minha blusa. brilham e desaparecem. Há uma pedra pontiaguda e irregular em suas mãos. Antes que eu possa até mesmo gritar. finalmente escuro. ninguém pode — ele diz. o mundo explode em luz — o grand finale da exibição de fogos de artifício de verão — e. de repente. — Me devolve! — eu grito com a minha respiração irregular. mas eu ainda posso ouvi-lo assobiando através do ar quando ele baixa a pedra sobre a minha cabeça. com a mesma rapidez. Elas pulsam no tempo do meu coração. Ele não é nada além de uma forma escura bloqueando as estrelas atrás dele. o meu mundo fica. Seus dedos fecham ao redor do medalhão da minha garganta e ele o puxa com tanta força que quebra a corrente. O brilho suave das estrelas tornam-se pulsante e rítmico.

— Saia daí! — eu gritei. mesmo que isso não tivesse nada a ver com o assassinato de Sutton. quando ela tinha invadido o hospital um mês atrás. Banerjee.O ENVELOPE. Mas seus olhos se moviam através do bilhete de Nisha novamente. Ethan tinha sido honesto com ela sobre a coisa toda. O mais silenciosamente que ela pôde. De certa forma. Mas parecia óbvio pelo bilhete que Nisha não tinha ideia que Sutton tinha morrido. e depois a mãe dele chamou a polícia para prendê-lo. Mas eu entendia. Ela estava tão certa de que a evidência que Nisha tinha encontrado era algum tipo de prova de que Garrett tinha matado Sutton. Ethan Landry. POR FAVOR Emma olhou para os registros em sua mão. Ela não entendia nada disso. O mundo inteiro estava de cabeça para baixo. Ela o relatou como “violento” e o fez ser internado na ala psiquiátrica. O coração de Emma doía quando pensava nisso. Ela o amava. Minha irmã estava sozinha em uma casa com o meu assassino.CAPÍTULO 30 . Seja lá o que for que Nisha tinha visto no arquivo de Ethan tinha claramente assustado ela. Emma mordeu o lábio. instalações de serviços psiquiátricos por ordem judicial sobre a deslocalização da sua família para Tucson. Sutton. Esta era uma condição de absolvição de Ethan do Sistema da Corte Judicial de Assuntos Familiares de San Diego. Por um momento ela pensou em colocar a papelada de volta no envelope. assim como ela. ela fechou e trancou a porta do banheiro e começou a ler. Ethan tinha sido abandonado por sua família. e ela confiava nele. eu sinto muito. Mas ela tinha escolhido não invadir a privacidade de Ethan — e ela ainda não queria. Quando ela lhe perguntou sobre os arquivos. RAZÃO PARA TRATAMENTO: O paciente foi encaminhado para as nossas . Porque ela tinha ligado e mandado mensagens tão freneticamente. Ela tinha tido a chance de olhar isso uma vez antes. Na outra extremidade da casa. Ela olhou de volta para o quarto. Ela não suspeitava de nada. ela podia ouvir o movimento de gavetas se abrindo e se fechando enquanto Ethan procurava no escritório do Dr. ele contou a história: que o pai dele tinha batido na mãe dele. e que Ethan tinha intervido batendo no seu pai na cabeça com uma garrafa de cerveja. Escrito em tinta preta no topo do formulário estava o nome do paciente. de volta na caixa de Tampax debaixo da pia. terror se agitando dentro de mim. então? Por que Garrett a tinha matado se ela não tinha provas contra ele? Os dedos de Emma agarraram a pasta bruscamente.

Em última análise. e que ele não tinha o controle de sua própria força quando estrangulou a vítima. quando ele teve certeza de que eu não podia fazer nada para acusá-lo. Era quase oito anos atrás — Ethan tinha dez anos. Ela deve ter entendido errado o que Ethan disse. frio. ele foi julgado na corte de assuntos familiares. Ethan é incrivelmente talentoso em iludir a audiência. Devido a sua pouca idade. Ela virou a página rapidamente com a respiração curta e rápida. metálico e doloroso. Considerou-se que Ethan demonstrou remorso pelo que ele disse ser um acidente. O psiquiatra tinha que estar errado. Ethan (dez anos de idade na época) foi visto brincando com uma garota do bairro (oito anos). ela pensou que era um erro. no entanto. Ethan me confessou que tinha matado Elizabeth Pascal de propósito. um erro e Ethan carregou essa culpa por toda a vida. Os papéis balançaram em seus dedos. Emma sentiu como se algo estivesse preso em torno dos seus pulmões. Ele tem uma necessidade de Sua mente girava. mais rápido desta vez. Continuamente. e Emma sacudiu a cabeça como se alguém estivesse lendo o registro em voz alta para ela. ele parecia confuso e triste com o que tinha feito.Em abril. O que ele poderia ter feito aos dez que iria requerer a absolvição? Ao longo das nossas sessões. Quando entrevistado pela polícia. Não se admira que ele não tenha dito a Emma a verdade. mas que ela estava brincando com outra criança do bairro. mas no momento em que ele conseguiu intervir. ele pareceu não resistir a me dizer os detalhes do que deve agora ser chamado de assassinato. ele me disse “você não deveria ter mais de um melhor amigo”. Por um momento. ou uma piada. Ethan alegou que ele só estava brincando e que ele não tinha a intenção de matar a menina. Isso não era o que Ethan tinha dito a ela. a menina tinha morrido. já que Ethan já foi absolvido. O sangue de Emma gelou. Ele deve ter sido atormentado pela memória. Talvez Nisha tivesse tentando entrar no Jogo da Mentira e tinha inventado isso tudo para brincar com ela. A morte da menina havia sido um acidente. . e então mentiu para as autoridades. Um trabalhador da cidade que tinha sido designado para limpar uma vala de drenagem nas proximidades testemunhou que ele presenciou Ethan estrangulando a garota. Uma criança. todas projetadas para manipular a minha opinião sobre ele. Devido à cláusula de dupla penalização eu sou incapaz de fazer esta observação no tribunal. Ela continuou a ler. pouco antes de sua morte. procurando as palavras que refletissem o Ethan dela. Em nossas primeiras sessões. Ela olhou para a data no topo dos registros. onde ele foi absolvido da acusação de homicídio culposo. Ethan tinha me confidenciado que ele tinha considerado a falecida a sua “melhor amiga”. o menino carinhoso e atencioso que ela tinha se apaixonado. Eu o peguei em dezenas de mentiras nos últimos seis meses. Mas em algum lugar no fundo de sua mente Emma sabia que os registros eram reais. em um bueiro perto de sua casa em San Diego.

que Ethan Landry não poderia ter machucado uma mosca. Ela simplesmente estava esgotada e disse toda a história. A minha opinião é que Ethan tem transtorno de personalidade antissocial com tendências obsessivas. isso não importa mais. Quando ele tentou mantê-la longe de Thayer e Garrett. Apenas Ethan sabia que ela não era Sutton. possivelmente. Ethan tinha estado perfeitamente posicionado para observar Sutton em sua última noite viva e para observar Emma chegar e deixar sua mochila em um banco do parque. White. dando desculpas e explicações frenéticas — este não era o Ethan dela. Dr. Ela mereceu. Ela lembrou-se. que. Você não é Sutton. Ela tentou encontrar a palavra CURADO carimbada em tinta verde em uma página. procurando um bilhete que dizia. Eles foram realmente fáceis de enganar. desesperada por um aliado. repetindo cada momento. obviamente. claramente chocado. neste caso. O gosto de bile encheu a boca de Emma. os relatórios eram falsos — em algum canto escuro de sua mente. Mas Ethan. Como ele ficava satisfeito e a encorajava a perseguir diferentes suspeitos. ele tinha dito a ela. “Se ela não ia ser mais minha amiga. E ela sabia que ele era um hacker especialista. Sutton está morta? ele tinha repetido. Em outra.mostrar e revelar as profundezas de sua própria inteligência. o psiquiatra estava errado. Você não é quem você diz que é. Você é outra pessoa. Você é realmente muito estúpido também. que isso tinha sido um grande erro. ele se gabou: “Os policiais de San Diego são estúpidos. Ela passou rapidamente as páginas do relatório. seus pensamentos estavam em cascata um atrás do outro como dominós caindo. um garoto que Sutton mal conhecia. cada conversa com Ethan. Ethan tinha um telescópio que sempre ficava inclinado nessa direção. quando ela imediatamente o acusou de matar a irmã dela — como mais ele poderia saber que Sutton tinha morrido? Ele recuou como se ela tivesse lhe dado um tapa com seu rosto pálido. Outro dominó caiu. Quando ele tinha estado desesperado para mantê-la longe da casa de Nisha quando ela queria procurar por evidências.” Ethan disse em uma sessão. Eu gosto de falar com você de qualquer forma”. mas tudo bem. E Emma — a confiante e ingênua Emma — não o tinha questionado novamente. . Nenhuma das amigas ou a família de Sutton tinha percebido isso. na fronteira ao psicopatismo. com um pavor frio e nauseante. É provável que ele vá exibir comportamento violento novamente. Como Ethan tinha chegado tarde para jantar nos Mercer na noite que Nisha tinha morrido — a forma que ele tinha estado na escola naquele dia. Mas as transcrições anexadas ao relatório não pareciam desafiar a opinião do médico. Mesmo que o cérebro dela girasse. tinha confrontado Emma na primeira semana em Tucson. O tempo congelou quando Emma rapidamente rebobinou através dos últimos quatro meses. Ethan morava do outro lado da rua do cânion. levou a sua confissão de um crime que ele não poderia ser mais acusado.

duro. — Emma. — Você estava falando com alguém aqui? — ele perguntou. Ela se atrapalhou com o celular. eu acho que ela escondeu muito bem. Seu queixo começou a tremer. E você? — Não. em seguida. olhando para ela de forma estranha. nada. Isso me ajuda a pensar — ela disse. apenas comigo mesma. — Você encontrou alguma coisa? Ele balançou a cabeça.Seu coração congelou no peito. Ela olhou freneticamente ao redor do banheiro. Tudo o que ela podia pensar era no arquivo. Eu estou sozinha na casa de Nisha com ele.. O arquivo ainda estava em suas mãos. e ela congelou. ela ouviu um barulho de algo sobre o azulejo. Sua voz estava estridente em seus ouvidos. Ele fez aquilo. cobrindo o alto-falante com uma mão. se atrapalhou com sua bolsa para pegar o celular descartável. procurando um lugar para colocá-lo. Ethan tinha matado Nisha. Por um momento. — Emma. Então exalou alto. apertando os dedos atrás das costas para que ele não pudesse vê-los tremer. — O que está acontecendo? Você está bem? — Laurel — Emma engasgou. e parece que ele matou antes.. uma tábua rangeu. ela ficou cara-a-cara com Ethan. Emma se encolheu. metálico e pesado. ela podia jurar que . Emma ouviu furtivamente. Ele piscou. — Apenas. a centímetros de ambos. tem uns arquivos na casa de Nisha. — Ele olhou ao redor do banheiro. pressionou seu dedo no botão de desligar e empurrou-o no fundo da sua bolsa. Quando a linha começou a tocar. — Tudo o que Nisha tinha de Garrett.. Suas mãos tremiam tanto que ela teve que tentar algumas vezes antes de conseguiu discar o número certo. — Emma? — A voz de Laurel subiu uma oitava. ela colocou o punho sobre a boca para não deixar escapar um soluço. gatinho — a voz de Ethan veio. No final do corredor. Ela segurou a mão dela em volta da boca com os nós dos dedos brancos em torno do celular. Emma parou quando passos ecoaram pelo corredor. Ethan tinha matado a irmã dela. — Nada. as palavras saíram de sua boca. Fora da porta. — Foi Ethan. Rapidamente. — Alô? — A voz de Laurel cortou o silêncio denso. Quando ela se levantou novamente e abriu a porta do banheiro. Mas Emma não podia parar. — Eu não sei o que fazer. de volta atrás da caixa de Tampax. como se ela pertencesse a um estranho. Passos ecoaram na cozinha. E agora ela estava sozinha com ele em uma casa escura. — Aqui. Ela obrigou-se a não olhar para a pia. ela empurrou o arquivo de volta sob a pia. — Alô? Quem é? — Sou eu — ela sussurrou. Ela parecia estranhamente distorcida. espere.. em seguida. — Ela soube logo que tinha dito que tinha respondido rápido demais. gatinho. mais devagar — Laurel instruiu. engolindo um soluço frenético.

uma carranca incerta sobre seu rosto. levantou-se na ponta dos pés e deu um único e suave beijo em seus lábios. — Não há nada aqui. virou-se para encará-la. Então. Mas ele nunca tinha sido esse Ethan. Ela estendeu a mão para colocar a mão em seu rosto. E lentamente. Ethan abriu a porta do pátio. Ela lutou para controlar o tremor de medo correndo de cima abaixo do seu corpo. com o coração batendo forte em seu peito. — Obrigada. — Eu também não. e deixou-o levá-la para o fundo do corredor. Ela ficou congelada no meio da sala. comendo sua ração enquanto o som do mastigado parecia muito alto na cozinha silenciosa. — Ele passou as pontas dos dedos levemente por cima do braço dela. Seu interior revirou. Ela não podia deixá-lo perceber. então ela poderia começar a pensar em um plano melhor. Ethan estava ao lado dela. — Você está certo — ela disse. Ela forçou um sorriso quando eles saíram pelo portão forjado de ferro onde Ethan tinha estacionado seu carro. não de verdade. Mas agora o toque enviou um grito de pânico através dela. — Eu não acredito que está quase no fim — ela sussurrou. como tinha feito milhares de vezes antes. quando ela estivesse a salvo. ele olhou para ela. Ele deu-lhe um olhar curioso. com a garganta contraindo em uma onda de repulsa. — Vamos — Ethan sussurrou. Eu queria poder pegar sua camiseta e puxá-la de volta. mas havia algo mais agitando-o também. O medo revirava seu estômago. Ethan estava à sua frente. o mesmo Ethan que tinha estado lá há dez minutos. Ela balançou a cabeça em silêncio. Sua única esperança era fingir que nada tinha mudado até chegar à delegacia. esperando para fechar a porta para ela do jeito que ele sempre fazia. . Emma parecia ter o mesmo pensamento — ela parou com um tênis na plataforma do carro. Ethan — ela disse. Ele deslizou seus dedos com os dela. Por um momento. Essa mão tinha matado a irmã dela. Ela engoliu em seco. Agassi estava agachado sobre sua tigela. com os olhos arregalados e fixos. O mesmo Ethan que ela tinha perdido a virgindade. suas pernas se recusaram a ceder. Pânico me atravessou quando eu percebi que a minha irmã ia ficar com ele. Quando estivesse lá.seu olhar permaneceu no armário. Ethan abriu a porta do lado do passageiro de seu Honda. em seguida. O mesmo Ethan que tinha lhe dito que a amava. em seguida. uma emoção suave e triste. Ela estremeceu com o toque. seguiu-o para fora da porta. Por uma fração de segundo ela pensou ter visto uma mudança na expressão de Ethan. que cobriu o rosto dela com beijos carinhosos. — Nós só temos que torcer para que as coisas do galpão de armazenamento sejam suficientes para incriminar Garrett.

— Sua voz era tão baixa que eu quase pensei que ela estivesse imaginando por um minuto. Ele não tirava os olhos da estrada. as vibrações ressoando através do seu crânio. As raras casas que eles passaram estavam envoltas por pisca-piscas vermelhos e verdes. andando em volta do carro para entrar no lado do motorista.Ela não sabia se ela o beijou para acalmá-lo em uma falsa sensação de segurança. Ethan deu-lhe um olhar longo e macio. e sua mão tocou seus lábios. Por um momento. Quase inumano. e ela se sentiu desorientada na escuridão. Na frente do carro. Então lentamente ocorreu-lhe que algo não estava certo. Eles estavam indo direto para o deserto. e a de Ethan do lado — mas ele não desacelerou. As estradas eram sinuosas por aqui. O estômago de Emma revirava com cada virada. seus pulmões estavam estáveis em seu peito. Eu olhei em silêncio para Ethan. O cascalho e o asfalto rasgaram a sua pele enquanto ela rolava em direção à vala. O impacto fez seus dentes baterem uns contra os outros. os olhos de Emma saíram de foco e o mundo ficou indefinido em torno dela. Ela . — O carro cantarolava em marcha enquanto ele lentamente apertava o pedal do acelerador. Emma agarrou os lados do assento enquanto eles se afastavam da casa. Então ele fechou a porta cuidadosamente atrás dela. Quando ela viu o bastão de doces néon pela segunda vez. ela virou-se para olhar para ele. Ele dirigia com as duas mãos no volante. seus dedos finalmente encontrando a fechadura e abrindo a porta antes que ele pudesse reagir. Ela tateou a porta do carro. Ele lhe deu um olhar assustador e estranho. Uma família estava perto de um bastão de doce gigante néon na garagem para quatro carros. com seu rosto abatido perto da luz do painel azul pálida. Não havia tempo. sua respiração superficial e rápida. eles deviam ter passado por uma estrada principal agora. Ela ouviu as rodas do carro guincharem em uma parada a metros de distância. Ela não pensou. Por um momento ela não conseguia respirar. — Eu sei que você encontrou os registros. ela pulou para fora do carro em movimento. ela viu a casa de Nisha. — Você sabe tão bem quanto eu que não vamos para a polícia. Ela olhou pela janela. Sirenes de alarme começaram a sair da parte de trás da minha mente. colocando a cabeça dela contra seu peito e enrolando-se em uma bola. — Eu acho que você passou da rua — ela disse com a voz firme com ansiedade. Ela observou Ethan pelo canto do olho. renas de plástico empoleiradas nos telhados ou nos jardins. Emma. Preparando-se. Ela podia sentir o carro acelerando. tentando descobrir onde eles estavam. os nós dos seus dedos estavam brancos e doloridos. ou para dizer adeus.

Ela fugiu para longe dele — em direção ao Sabino Cânion. se ele quisesse. Ele estava a centímetros de distância. entre ela e as casas para onde ela estava correndo. O carro estava parado na frente dela. — Socorro! Me ajudem! Com um rosnado do motor. ele poderia saltar e agarrá-la num piscar de olhos. ela começou a correr. Ela tropeçou. Ethan tinha voltado para o quarteirão — ela teria sentido se ela não tivesse estado tão apavorada. com Ethan sobre seus calcanhares. Ela não tinha escolha. e ela podia ver seu rosto. Ela correu muito rápido. . Então. engolindo o ar. Agora a casa dele apareceu na frente dela. gritando com toda a força de seus pulmões. Ao lado a casa dos Banerjee estava escura e silenciosa — mas para baixo do bairro havia luzes nas janelas. mas sua única esperança. Assim como eu na noite em que ele me matou. Estranhos.ficou de pé. saltando contra a porta do lado do passageiro antes de pegar o equilíbrio. o carro de Ethan atravessou seu caminho. cegamente e desesperadamente. tenso e concentrado.

ela manteve o equilíbrio. ela estava olhando para Ethan. Ela arriscou um olhar para trás e viu a forma de Ethan constantemente seguindo-a. Aqui fora o mundo parecia mais nítido e mais aterrorizante. Ao longe. Quando sua visão ficou clara. mais forte eu podia sentir o poder dela sobre mim — a atração terrível e magnética que me chamava até lá. se ele a tinha perseguido. ela podia ouvir o barulho do trânsito e o barulho do carro de som de alguém. Ela se perguntou se tinha acontecido assim com Sutton. Então ela sentiu um metal contra o seu pescoço. Sua mão cavou em seu ombro. alertando a floresta que ela estava chegando. onde ele a apertava no chão. prendido e jogado do penhasco. do jeito que eu tinha morrido. A trilha era íngreme. . os sentidos que eu compartilhava com Emma de alguma forma estavam mais claros. você tem que voltar! — eu gritei. Ela choramingou com o desespero atingindo-a. Um soluço estrangulado torceu seus pulmões. O mundo se inclinou em torno de mim. você poderia acordar. Atrás dela. e ela correu para as árvores do outro lado do estacionamento. tentando pegar velocidade. e seus tênis golpeavam a sujeira enquanto ela subia.CAPÍTULO 31 – FIM DO JOGO Emma correu cegamente. prendendo-a no chão. Elas eram duas em uma só. Era como um pesadelo. Seu pé ficou preso em uma raiz enterrada na metade na trilha. Galhos arranhavam seus tornozelos e chicoteavam em seu rosto. Ele ajoelhou-se sobre ela com os olhos chamejando e os lábios puxados para baixo em uma careta.. e olhou para baixo e viu a ponta de uma faca na mão dele. se arremessando nas profundezas do cânion. A cabeça dela bateu contra uma rocha e sua visão ficou turva. ela ouviu Ethan lutando para ganhar vantagem e alcançá-la.. e por um momento eu não conseguia dizer onde a minha memória tinha terminado e o presente de Emma começava. Um corvo gritou do alto de uma rocha. Mas aqui eu também me sentia mais forte. e ela correu de novo. Por um momento. A porta do carro de Ethan se fechou em algum lugar atrás dela. Este era o lugar onde meu corpo tinha sido destruído. E agora ela ia morrer. Mas. Ethan estava em cima dela. Quanto mais profundo ela entrava no cânion. Um soluço tremeu em sua garganta. A adrenalina disparava através de seu sangue. exceto que em um pesadelo. — Por que você está fazendo isso? — ela sussurrou. em seguida. — Você tem que sair daqui! Tucson apareceu à vista quando ela chegou ao mirante. com as pernas tremulando embaixo dela. — Emma. E agora a minha irmã estava correndo em direção ao mesmo destino. mas ela não se virou para olhar.

Você tinha meio que uma compulsão doente. mas a visão da faca a manteve parada. ela se perguntou fugazmente se Laurel estava procurando por ela agora. seus lábios curvando com amargura. Emma! — Os músculos do seu pescoço apertaram quando ele cuspiu as palavras. como se estivesse tentando ouvir algo distante. a lua brilhava sob o aço polido. desesperada para mantê-lo falando. Ethan puxou a lâmina para longe de sua garganta e recostou-se. — Eu vim aqui para dizer isso a ela. não era? Por que você não pôde apenas ser feliz com a vida que eu te dei? Por que você tinha que estragar tudo? Emma olhou suplicante para ele. O corpo de Emma se esticou debaixo dele. E você não fez isso. Eu tinha sido capaz de me comunicar com ela uma vez antes. — Por que. — Eu te avisei tantas vezes para parar de investigar. — Eu estive apaixonado por ela durante anos. — Eu fiz tudo. Depois que todo mundo tinha . Uma nova onda de angústia caiu sobre Emma. Ele amava Sutton? Só foi isso o que ele tinha visto em Emma? Ele só a queria como uma substituta da irmã que ele não pôde ter? Ethan olhou para Emma. e ele parecia triste e até mesmo lamentável. Isso não importa mais para mim. por você. — Mentiroso! — eu gritei com uma raiva elétrica me atravessando. Seus olhos se suavizaram. para conseguir qualquer minuto que podia. sua expressão mudou.Ethan franziu a testa e cerrou os dentes. Ela tentou não olhar para a faca. — Isso foi há anos. então? Por um segundo. Por um momento ela pensou em se arriscar tentando se livrar dele e correr. mas algo em seus olhos estava distante e vazio. mesmo quando ela me tratava como lixo. Lá perto. — Eu a amava — ele disse sucintamente. Eu poderia fazer isso novamente? Lentamente. algum pequeno animal correu para longe do meio do mato. Emma podia ver claramente agora — uma faca de caça com um cabo de couro com uma lâmina afiada e longa. mas Laurel achava que ela estava na cada dos Banerjee. que eu tinha que ser paciente. Deus. Eu achei que poderia convencêla que estávamos destinados a ficar juntos. tudo. embora ele ainda mantivesse a faca ao seu lado. — Por que você matou a minha irmã? — ela perguntou. e ela fechou os olhos. Confusão e traição giraram pela cabeça dela. Matar Sutton foi algum tipo de vingança muito atrasada? O bufo zombador de Ethan ecoou pelo cânion. — Foi por causa da brincadeira da feira de ciências? — As meninas do jogo da Mentira tinham feito alguma coisa com Ethan na oitava série que lhe custou uma bolsa de estudos. Na parte de trás de sua mente. depois que todos tinham deixado ela aqui. Então eu vim para cá naquela noite. Ninguém iria ajudá-la. na noite em que ela conheceu Becky aqui. Ele balançou a cabeça. Eu sabia que ela ainda não estava pronta. — Eu não queria que aquilo tivesse acontecido — ele disse em voz baixa.

mais do que ela já amou alguém. A clareira mostrava sinais recentes de alteração — os policiais tinham vasculhado a área em busca de pistas da minha morte. Porque ela o amava. você e eu. atropelando Thayer. apesar de tudo. formando padrões de filigrana sobre a clareira. e um olhar magoado apareceu em seu rosto. — Eu queria ter matado ele. Eu odiei quando Sutton começou a gostar dele. Este era o lugar onde Garrett e eu tínhamos discutido. Eu conhecia essa rocha. Eu ouvi o som do osso se quebrando mais uma vez. Lágrimas correram pelo rosto de Emma. Parte dela queria tanto acreditar nele — queria esquecer tudo o que ele tinha acabado de dizer e voltar para o desconhecido e estupidamente amoroso Ethan. Eu tinha que mostrar isso para ela. e tinham deixado pegadas e galhos quebrados para trás — mas não havia nenhum sinal de que alguém estava por perto nesta hora. — Eu tinha certeza de que ela ia ver que eu era o único que tinha estado lá por ela o tempo todo. Se houvesse uma forma de desfazer o que ela tinha descoberto. Uma pedra se projetava no meio da pista e. uma fila de árvores partidas revelavam a ravina. tão magoado. mas a faca ainda brilhava perigosamente em sua mão. além disso. Ele parecia tão sério. Os olhos de Emma disparam freneticamente ao redor. — Emma. e uma dor aguda relutante atravessou seu coração. — Então você o atropelou? — Emma sussurrou. Emma poderia fazer isso. Os olhos de Ethan brilharam. sempre foi por causa de Sutton. E essa era a parte mais dolorosa. apertando dolorosamente a pele dela. Além do matagal as luzes da cidade brilhavam. A única esperança era mantê-lo falando. o caminho parecia mais íngreme do que nunca. Não havia como escapar. Mas então ela pensou em tudo o que ele tinha feito com ela ao longo dos últimos três meses. se abrindo do outro lado. — Eu nunca quis me apaixonar por você — ele sussurrou.magoado. não! — ele arfou com seus olhos de repente suaves. mentido e abandonado ela. agachando-se ao lado dela. Ele não merecia estar na vida dela. Então ele respirou fundo. os bilhetes . Eu pensei na forma irreconhecível no volante do meu carro. ele ajudou-a a se sentar. — Seus dedos se enroscaram em seu ombro enquanto ele falava. — Eu não sabia que havia alguém que poderia me fazer sentir desse jeito. A pressão de sua mão no ombro dela desapareceu. Ethan pegou a mão dela com sua mão livre. Lentamente. — Você tem que acreditar em mim. A luminária caindo ao lado dela. Só porque eu parecia com ela. Mas tudo o que ela queria era Thayer Vega. Um choque de reconhecimento correu através de mim. Eu sempre odiei esse cara. e odiei você também ter gostado. — Ele parecia sem palavras por um momento com seus ombros agitados. — Então. Mais alguns metros acima da trilha. deixando rastros salgados e quentes em sua pele. A luz filtrava através das árvores.

Eu até mesmo andei na montanha-russa um dia. Emma olhou para ele. o quanto ela ficou chateada. Eu consegui os registros hospitalares e foi quando eu percebi que havia duas de vocês. Ele deixou o seu tom mais calmo. Você era a prova do quanto eu amava ela. tentando evocar uma imagem dele em sua cabine. — Ele suspirou. Ainda me lembro quando ela teve que ler o relatório da árvore genealógica dela na nona série. ela era uma daquelas garotas que pareciam ainda mais bonitas quando chora. — Os registros hospitalares são realmente difíceis de conseguir — Emma disse. no entanto — como se gostasse da aprovação dela. Nenhum deles poderia dar a ela uma irmã. — Mas você? Você era perfeita. — Ele riu. por todo esse tempo ela não tinha visto ele como ele realmente era — um assassino. Emma suprimiu um estremecimento.ameaçadores. — Então. Talvez se ela parecesse compreensiva — até mesmo apaixonada — então ele não fosse matá-la. o medalhão apertado em torno de seu pescoço enquanto ele a estrangulava. Ela tentou parecer impressionada. Ele acenou com a cabeça. todas aquelas fotos de mim que encontramos no galpão de armazenamento foi você que tirou? — ela perguntou. mais do que Thayer ou Garrett ou qualquer outra pessoa. Eu comecei a investigar os Mercer e quase imediatamente descobri que Becky era filha deles. Seus olhos brilharam enquanto ele falava. — Ela ficaria tão animada . — Foi muito fácil. que ela não tivesse a quem recorrer exceto ele. Ele a obrigou a ficar quieta. Mas ela não se atreveu a se afastar. — É. obcecada com a curva dos lábios dele e os cachos de seu cabelo. — Ela estava tão linda naquele dia. Parecia impossível que ela não tenha notado ele — por meses ela esteve olhando para ele todos os dias. talvez até um pouco admirada. olhou para ela e ficou sério. — Assim que eu percebi o quão louca era Becky. Mas por outro lado. em seguida. Um vislumbre de esperança acendeu vagamente na parte de trás da mente dela. Fiz algumas viagens para Vegas para checar lá. eu sabia que ela não ia ser o presente romântico que eu esperava que ela fosse. Eu encontrei todas as informações deles online. a perder sua própria identidade e a alienar a única família que ela teve. — Seu olhar ficou distante novamente enquanto ele olhava para dentro de suas memórias. Pelo menos não ainda. Eu sabia que Sutton foi adotada. Ele se certificou de que ela se sentisse com medo e sozinha. — No começo eu estava tentando encontrar a sua mãe. Eu mal podia esperar para contar a Sutton sobre você. me certifiquei de que era a garota certa. Não era isso que você fazia com alguém que você amava. pensando no quão bonito ele era. mas por dentro ela não sentia nada além de um terror frio e metálico. Ela olhou para a mão dele com sua pele cheia de aversão. Eu fui até você e comprei um bilhete. — Então você começou a procurar a mãe biológica dela.

vendo-a morrer. Eu estremeci. — Falsos. Assim como você hackeou os códigos de alarme de Charlotte para entrar e me devolver o medalhão. e eles me disseram que os registros tinham desaparecido. incapaz de esconder sua satisfação. Você sabia que tinha que acessar o computador de Laurel e o hackeou. imaginando Nisha rolando lentamente para dentro da piscina. Imaginado seus pulmões enchendo de água. — Ela lambeu os lábios secos. Ethan tinha pensado em tudo. Apenas entrou em casa com a pasta de documentos que segurava em suas mãos. como se ele estivesse lutando contra algum sentimento que permanecia no fundo de sua mente. A mão dele parecia como madeira na dela. — E você sabia sobre o vídeo. — Ele encolheu os ombros com tristeza. Ela se encolheu com a mudança repentina de humor dele. Mesmo que seu coração batesse em seu peito como um pássaro assustado. ela estava agindo de forma estranha quando chegou do turno de voluntária — geralmente ela dizia oi quando me via na varanda. Eu enviei o link para ele. Caras como ele são tão previsíveis. Imaginando ela abrindo os olhos e olhando através da água azul a figura de pé lá cima. se ela tivesse acabado de me escutar. mas ela apertou-a suavemente. Depois foi só uma questão de dar a ela um pequeno empurrão. Ela soube imediatamente que ela tinha dito a coisa certa. Mas as coisas não foram bem. um peso débil e entorpecente pressionava sobre ela. Depois que você me disse que a tinha visto no hospital eu tive um pressentimento de que ela iria olhá-los. Então eu coloquei o diazepam da minha mãe na garrafa de água dela. Ela assentiu com a cabeça. todas as peças do quebra-cabeça estavam se unindo com uma determinação implacável. mas desta vez ela nem sequer olhou para mim. — Eu tinha cuidado de . Ethan. — Foi muito brilhante.em saber que eu poderia levá-la até você. Ele piscou em surpresa. uma onda de prazer tingindo suas bochechas. Eu liguei para o hospital para perguntar se eles poderiam enviar por fax os meus registros para eu ver um novo psiquiatra. — Eu não tive escolha. e ela se lembrou do que o psiquiatra havia escrito sobre o quanto Ethan gostava de se vangloriar por seus crimes. porque você entrou na brincadeira enquanto estava acontecendo. Eu adulterei aquele arquivo há semanas e estava apenas esperando por uma chance para usar. Seus olhos se estreitaram e ele olhou para Emma como se ela tivesse acabado de dizer algo errado. O tempo todo ele esteve no controle. Na segunda-feira. e eu tive que usar você de forma diferente. Eu sabia que ela tinha encontrado os registros. — E os e-mails no celular de Travis? Ele deu um sorriso torto. Eu sabia que ele iria mostrar a você. Emma engoliu em seco. — Vocês duas iriam estragar tudo — ele disse. Uma forte sensação de resignação atingiu-a — uma por uma. Um pequeno empurrão. — Ela ia estragar tudo. mas eu não prometi nada. — E Nisha? Mais uma vez a expressão dele mudou. seus olhos ainda sobre a faca brilhando sob a lua.

Mas a dúvida nublava seus traços do rosto. Todos eles vão pensar que você cometeu suicídio de remorso pelo que você fez com Sutton. — Se você realmente me ama como eu mesma. Nós podemos ir para qualquer lugar. não como Sutton. do quanto você queria uma família. A mão dele estava fria e . — Seu pulso doía por causa de seu aperto. — Você faria isso? — ele questionou. Você deveria me agradecer! Emma manteve seu rosto cuidadosamente neutro. Ele abriu sua boca. — Você não tinha nada quando você veio aqui. Eu sou seu disfarce. mas ela não interrompeu o olhar. Mas ela sabia que ele estava ouvindo. Eu sou grata a você. — Você não pode me matar — ela sussurrou. Ele soltou o cabo da faca. Ele balançou a cabeça. esperando sentir a lâmina em sua carne. Um arrepio percorreu-a. Emma. Eu só queria cuidar de você. — Se você fizer isso eles vão saber que eu não matei Sutton. Ethan. Um bicho de pelúcia e algumas roupas surradas? Ah. e o diário. que ele queria acreditar nela. Emma se encolheu. Isso quase partiu o coração dela. o quanto ele queria o que ela estava propondo. Página após página do quão triste você estava. enojada com o que ela estava dizendo. Não tem que ser assim. Eu quero estar com você. — É tarde demais. Nós podemos fugir juntos. trazendo sua mão livre para segurar o rosto dela. Emma. Eu deveria ser grata a você. e apertaram em torno de seu pulso. Assim como ela. com toda a sua fúria irrompendo ao mesmo tempo. Uma carranca incerta enrugou sua testa. Isso tudo é confuso. — Ela olhou profundamente em seus olhos. — Você não entende? Eu não quero te matar. do quanto a pobre Emma Paxton estava sozinha. e eles vão vir te encontrar. como se alguma doença estivesse transformando-o em cinzas. Em algum lugar que ninguém nos conheça. e ela balançou a cabeça furiosamente. é tarde demais. — Vai ser uma história muito triste. — Ele levantou a faca no alto com os dentes expostos como um leão. Você precisa de mim. — Seus dedos deslizaram para longe dos dela. — Por quê? — Emma disse baixinho. — Emma olhou para ele. na forma como ele se inclinou um pouco mais para perto. segurando as lágrimas e a dor que ameaçava estourar a qualquer momento. Eu vi o que estava em sua bolsa. — Ela torceu a mão em seu aperto. mas você teve que continuar investigando. Mas eu não me importo com o que você fez. Eles vão descobrir. — Agora que você sabe. Seu coração murchou em seu peito. Os olhos de Ethan brilharam. esperando que ele acreditasse. para que ela pudesse acariciar seus dedos levemente. dando um grunhido frustrado.tudo. Do quanto você queria um namorado. — Não. Mas em vez disso ele atingiu o chão. e agora você vai me fazer te machucar. — Eu dei tudo o que você sempre quis. Eu nunca quis te matar. então nada mais importa. — Você está certo. Ela podia ver em seu rosto. o quanto ele parecia esperançoso. Quase.

seus músculos apertando enquanto empurrava ela com força para o chão. a perna direita dela levantou-se abaixo dele. . Ethan praguejou e puxou a mão. eu te amo. Seus dedos se agarraram na terra. — Você acha que eu iria para qualquer lugar com você depois do que você fez com Sutton? Ele deu um grito mudo. Ela sufocou um soluço. mas seu aperto era muito forte. Emma olhou para ele com lágrimas correndo pelo seu rosto quando ele abriu um corte fino e superficial no pescoço dela. mas seus dedos se fecharam no ar. Então ela trouxe o cotovelo em suas costelas com toda a força que tinha. e nós trouxemos o joelho dela até a virilha dele com todas as nossas forças combinadas. Ela chutou o mais forte que pôde. Desta vez. tão pura e forte que eu senti como se eu pudesse atravessar o véu que separava a vida e a morte.seca. E então. desejando que a cidade inteira pudesse ouvir os meus gritos. e ela engasgou. — Você é um monstro! — ela gritou com sua voz ricocheteando na encosta do cânion. — Eu pensei que você fosse diferente — ele sibilou. dando-lhe a força da minha raiva. Eu já tinha morrido nas mãos de Ethan. Sua única chance era colocar distância entre eles. Os braços dele voaram para seu lado com um gemido de dor escapando de seus pulmões. Ela descansou a cabeça contra ele. mas o toque dele fez a pele dela se arrepiar. Eu gritei com ela. de alguma forma. puxou-a em seus braços. Outra vadia mentirosa. do jeito que ela tinha feito dezenas de vezes antes — bem na curva entre o seu pescoço e ombro. Sua mão se fechou em seu tornozelo e ele rosnou em fúria. Ethan colocou a mão sobre a boca de Emma. eu era Emma. Então ela abriu a boca e soltou um grito gutural de gelar o sangue. Com um movimento repentino. e agora a mesma coisa iria acontecer com a minha irmã gêmea enquanto eu observava impotente. suas pupilas estavam largas e escuras. ele puxou um lenço do bolso e o empurrou em sua boca. mas de alguma forma juntando a minha alma com a dela por um momento. exatamente. De alguma forma ela conseguiu sorrir e acenar. desesperada para ganhar vantagem. O gosto metálico de sangue inundou sua boca. Ele soltou o pulso dela. no lugar que parecia ter sido feito para ela. Emma mordeu a mão dele com força. Ou eu era uma parte dela — não possuindo ela. Eu iria para qualquer lugar com você. — Mas você é como a sua irmã. em seguida. E então a faca estava de repente em sua garganta. seus pés deslizando pela trilha. Não havia tempo. e ela gritou de novo. Uma fúria incandescente corria através de mim ao ver. Ela amava tanto Ethan. — Ethan. Ela estendeu a mão em direção à faca enquanto se afastava.

— Somos vadias que você não gostaria de se meter. garotas Mercer. Laurel saiu detrás deles com os braços cruzados sobre o peito. Então. então. em seguida. Thayer torceu o pulso de Ethan até que a faca caiu e levantou poeira. girando nos calcanhares para correr — mas perdeu o equilíbrio e caiu para frente. ele estava caindo de cabeça no chão. Uma única gota de seu próprio sangue se agarrou a lâmina. . o som das sirenes ecoou através da passagem da montanha. com a mesma rapidez. Nós. Lá embaixo. — Você está certo. — Vocês garotas Mercer são todas iguais — ele disse e pulou em sua direção com a faca brilhando diante dele. Ethan lutou. e por uma fração de segundo. cuspindo sangue e sujeira para fora de sua boca. Ela cambaleou para longe dele. o aperto em seus pulsos afrouxou no momento que ela rolou por debaixo dele. Ethan estava sobre ela com a faca na mão. Seu rosto estava torcido de forma irreconhecível com uma máscara de ódio tão completamente diferente do garoto que ela tinha se apaixonado. ela desapareceu. E. o tempo congelou. Por uma fração de segundo. Ethan já estava de pé novamente. ela pensou ter visto algo impossível. somos todas iguais — ela disse com sua voz fria. em pé ferozmente sobre Ethan com os punhos cerrados. Emma viu seu próprio reflexo pálido e parado na lâmina. Sua irmã — cintilante e translúcida à luz da lua — estava ao lado dela.Ele gemeu. Mas. Thayer caiu em cima dele e prendeu seus braços atrás de suas costas. ela ficou de pé. um rosnado baixo soou de algum lugar atrás de Ethan. e de repente. Ela ofegou.

Agora. Paxton. As imagens disparavam aleatoriamente através de sua mente. mas sua expressão estava alerta e nervosa. Suas bochechas estavam vermelhas por causa do frio. — Eu liguei para Thayer — Laurel disse. Seu corpo doía até os ossos. mas sua mão estava tremendo. virou-se para Quinlan. Os três estavam sentados em um sofá de vinil em uma sala que estava claramente destinada a crianças. Sabíamos que estávamos no caminho certo quando vimos o carro dele perto da entrada. em seguida. Ela estremeceu com cada uma. Uma caixa de laticínios cheia de brinquedos quebrados estava no chão ao lado de um tapete decorado com o desenho de uma amarelinha. Tudo o que ela sabia. Nós pensamos que ele poderia ter levado ela para o mesmo lugar que ele matou Sutton. — Ele me buscou e fomos para a casa do Dr. Seus olhos traçaram as linhas do quebra-cabeça. O corpo decomposto de Sutton com suas órbitas vazias olhando para o céu. Emma olhou fixamente para um jogo de labirinto de madeira em cima de uma pilha de revistas Highlights. . Ela lançou um olhar furtivo para Emma. Tigres e macacos animados sorriam no papel de parede com o tema da selva. — Como você sabia que eles tinham ido para o cânion? — Quinlan perguntou. então ela cuidadosamente abaixou-a. Olhamos em todas as janelas e não vimos ninguém lá dentro. Quinlan tinha feito Laurel e Thayer falarem e ela estava agradecida. Era depois da meia-noite. Ele chegou à estação ainda abotoando sua camisa com o cabelo desgrenhado. Emma e Thayer xícaras de chocolate quente com os olhos brilhantes sobre as linhas profundas de exaustão. Por isso. chamamos a polícia e seguimos eles. tudo o que ela acreditava tinha sido uma mentira — e agora ela não tinha nada para se apoiar. — O detective Quinlan entregou a Laurel. O rosto de Ethan inclinando-se para ela em busca de um beijo com as pálpebras dos seus olhos pesadas. diga-me outra vez o que aconteceu depois que você desligou a chamada da Srta. O brilho da faca na mão de Ethan. Os dedos de Ethan enganchados nos dela. espontaneamente e surpreendentemente. seus pensamentos perdidos e vagando como se ela estivesse em um verdadeiro labirinto. — Foi um palpite. Ela tentou tomar um gole de chocolate quente. Laurel olhou para seu chocolate quente. apesar de eu não ter visto o carro de Ethan em nenhum lugar. Banerjee. mas o policial que os trouxe tinha chamado Quinlan em casa. esfregando a barba do seu queixo.CAPÍTULO 32 – DE VOLTA À DELEGACIA — Por favor.

e ele aparece em dezenas delas. e o quão profundamente ele sentia. Ela pegou a xícara novamente e tomou outro gole do chocolate quente. Que vocês tinham planejado tudo isso juntos. mas agora parecia pulsar com o seu batimento cardíaco. Ele acenou com a cabeça. depois que já tínhamos levado ele em custódia. A perna de Laurel estava tocando a de Emma. — Ele suspirou. Mas ela não tinha perdido eles.. — Nós não sabíamos quanto tempo levaria para os policiais chegarem lá. A você e a Sutton. Mas eles tinham salvado ela e não tinham saído do lado dela desde então. — Ele estava prestes a matá-la. Ele ficava lá fora o tempo todo. e a mão de Thayer descansava entre os ombros dela. Ethan teria me matado se eles não estivessem lá para detê-lo. Seus olhos cinzentos normalmente rígidos tinham suavizado e repousaram sobre ela. talvez. Parecia. um sentimento de gratidão a encheu. contrastando com sua mandíbula imóvel e feroz. — Os paramédicos tinham enfaixado o corte que ele tinha feito em sua garganta — mal tinha arranhado. Quinlan apertou as mãos em torno de um joelho.. Thayer e Laurel estavam sentados protetoramente em cada lado dela. Mas esta manhã. Era do tipo mais barato e com uma grande adição de água. No meio da confusão turbulenta e devastadora do choque e tristeza. — Eles estão certos. quentes e suaves. — Depois que o atendente do 911 disse para vocês não irem atrás deles. — E foi uma coisa boa nós termos seguido eles — Laurel acrescentou bruscamente. Ela tinha perdido tanto. Nós conseguimos uma ordem judicial para abri-lo. mas era suave e doce. . Paxton. ou que ele tinha se apaixonado por você e você o tinha envolvido nisso. No começo eu pensei que ele era seu cúmplice. Eu estive olhando as fotos do estacionamento de vigilância dos últimos meses. abrindo uma pasta de arquivo amassada. Srta. — Eu lhe devo um pedido de desculpas. — Nós não iríamos ficar lá sentados e não fazer nada — Thayer interrompeu com raiva. — Então nós começamos a investigar ele. Os nós em seu estômago soltaram um pouco com o calor do chocolate quente. Ele estava pálido e cansado com uma expressão vulnerável em seus olhos. exatamente — ela não tinha certeza de que iria se sentir segura novamente.O bigode de Quinlan se agitou. mas chegou hoje à noite. — Detetives não acreditam em coincidências — ele disse. — Coincidência demais — Emma disse miseravelmente. Eu me concentrei em Thayer. Foi isso que eu sempre amei nele — o quão forte ele era. Emma olhou para o detetive em seguida. Ela engoliu em seco. empurrando seu sapato para cima e para baixo. — Nós estivemos interessados em Ethan por um tempo. Ela não se sentia segura. descobrimos que ele tinha um registro secreto.

Mercer. . Emma assentiu. e a Sra. tinham se vestido às pressa — o Sr. — Então é uma coisa boa Thayer e eu estarmos lá já que você estava demorando demais. assombrando-a até que ela morresse e se juntasse a mim na vida após a morte? A porta se abriu. — É claro que a investigação está em curso. Eu tenho uma equipe do CSI a caminho da casa dele agora. a quilômetros de distância de Quinlan. Mas tudo estava acabado. Eles. — Por favor. deu um abraço de urso em Thayer. obviamente. ela ficou rígida em seus braços. não transforme sua pequena gangue em justiceiros. sentindo como se ela estivesse a quilômetros de distância da sala de interrogatório. A avó de Emma abraçou Laurel com força. Quinlan revirou os olhos. Ela havia feito com eles exatamente o que Ethan fez com ela — fingiu ser alguém que não era. Mercer. o Sr. Mercer ainda estava com a camisa surrada Davis UC que ele frequentemente usava para dormir. ainda era uma sombra silenciosa da minha irmã. Emma observou-os do sofá com o coração doendo. Ela o amava. Ethan tinha sido capturado. seguida por seu marido. Mercer estava usando um moletom e uma blusa manchada de vinho que parecia que tinha estado no topo de um cesto de roupa suja. Ethan esteve mentindo para ela o tempo todo. e por todo esse tempo. Mas se elas estão lá. mas eu sempre imaginei algo acontecendo agora mesmo. — Ele virou-se para Emma. Essa é a última coisa que eu preciso. seu corpo começou a tremer. ele só mentiu. Thayer parecia envergonhado. Mercer e sorriu fracamente. Mas entre o que aconteceu esta noite. então. Laurel e Thayer. Eu ficaria aqui para sempre. Ela sentia-se oca lá no fundo. O Sr. ela pensou que compreendia totalmente como eles tinham se sentido depois de descobrir quem ela realmente era. mas ele deu um tapinha nas costas do Sr. Ela não podia culpá-los por querê-la fora de suas vidas. e o que eu vi dos registros médicos dele. nós vamos encontrá-las. Nós sempre encontramos. Srta. por sua vez. Pela primeira vez. ou uma escada rolante cósmica que me levaria a algum shopping celestial onde a minha auréola dobraria como um cartão de platina. seus lábios em uma linha ansiosa em seu rosto. e era apenas uma questão de tempo antes que os policiais encontrassem todas as evidências que eles precisavam para acusá-lo. Mas.Laurel levantou o queixo com altivez. Mercer largou Thayer com os olhos brilhando quando se sentou ao lado de Emma e puxou-a para um abraço. Mercer entrou correndo. ou um longo túnel com uma luz brilhante no final. e a Sra. Thayer e Laurel se levantaram para falar com eles. Mas eu ainda estava aqui. e outra no galpão de armazenamento. Em seguida. Então eu não podia deixar de me perguntar — por que eu ainda estava aqui? Eu não tinha certeza do que esperar. temos uma causa provável para manter ele aqui. e ela colocou os braços em volta do pescoço dele. Ethan é um garoto inteligente — eu tenho certeza de que ele fez um bom trabalho escondendo as provas. Por apenas um momento. Os portões celestiais.

Emma olhou ao redor da sala para sua família. Mercer. Eu pensei nas últimas palavras de raiva que eu disse para o meu pai. Finalmente a Sra. sorrindo em meio às lágrimas. Ela deu a Emma um olhar incerto e prolongado. Emma. mas ela achou ter visto uma pontada de simpatia no canto de sua boca. — Nós gostaríamos que você ficasse com a gente. Quinlan sentou-se calmamente em uma poltrona com sua expressão vazia como sempre. Mas eles me amavam de qualquer jeito. Mercer apertou a mão dela. — Nós não queremos perder outra. mas eles queriam tentar. Como você mesma. — Eu sinto muito por tudo — ela murmurou com a voz abafada contra seu ombro. não importava o que eu tinha feito. mas ela não conseguia se afastar. pegou a mão dela. Você acha que pode nos dar tempo para nos acostumar com todos esses sentimentos? Emma fez uma careta para ela. Mercer se sentou no sofá ao lado de Emma. talvez. Mercer para chorar não era um conforto que ela merecia. Ela olhou para o Sr. e as constantes brigas com a minha mãe. — Eu adoraria — ela disse. — Vai ficar tudo bem. Mercer disse com sua voz embargada. Emma abriu a boca para responder..Lágrimas pingaram nos seus olhos. depois de tudo isso você esteja pronta para seguir em frente. Eles podiam não tê-la perdoado ainda. mas eu sei que você deve ter estado aterrorizada o tempo todo. em seguida. — Eu sei que você tem dezoito anos e. enquanto eu ainda estava viva. balançando-a para trás e para frente. Pelo menos por enquanto — a Sra. Mercer disse. — Eu sei — ele sussurrou. — É claro que ela vai com a gente — Laurel disse rapidamente. — Tem muita coisa que vamos ter que nos acostumar. Emma não sabia se ficaria tudo bem de novo. Eles eram um conforto que nenhum de nós merecia. mas as palavras se recusaram a se formar. — Ela olhou fixamente para Emma. — Não é justo você ter enfrentado tudo isso sozinha — ela disse em voz baixa. A Sra. Mas gostaríamos de ter a chance de conhecê-la. — Eu ainda estou me esforçando para entender tudo. Seus olhos azuis estavam sérios e penetrantes. . E se eles pudessem perdoá-la. todos eles esperando pela resposta dela. Esse era o problema sobre a família.. Ter o ombro do Sr. — Tempo? — Perdemos duas filhas — o Sr. — Eu não acabei de salvar ela no meio da floresta para que ela pudesse fugir novamente. as mãos torcendo uma na outra em nervosismo. Emma assentiu com as lágrimas piscando em seus olhos de novo. talvez ela pudesse perdoar a si mesma. — Eu queria tanto dizer a vocês. e ele assentiu encorajando-a.

cercada por minha família novamente. . E eu podia sentir o amor deles por mim. mesmo do outro lado da linha divisória entre os vivos e os mortos.Eu me sentei no meio deles.

e até quarta-feira a principal suspeita do assassinato de Sutton. e descer as escadas para se juntar aos Mercer. Ela apoiou o computador na mesa de cabeceira de Sutton. a atendente foi capaz de identificar Landry como a pessoa que abriu a conta. olhando estupidamente para a tela. mesmo que seu corpo parecesse feito de chumbo. sem voz. a irmã gêmea de Sutton Mercer. — Quando ela chegou. Emma sorriu. e mesmo que ele tenha sido registrado sob um nome falso. finalmente. Em apenas alguns minutos. eu não tinha tanta certeza. Ela estava na frente da delegacia usando uma jaqueta de lã Armani que era um pouco diferente da sua habitual de poliéster — parecia que ela tinha conseguido um aumento de salário. — Na quarta-feira à noite. Ela estava assistindo desde que ela tinha acordado. Eu iria? Eu vinha imaginando o meu funeral há meses. — Tricia Melendez não conseguiu manter uma nota de alegria longe de sua voz. O último adeus das minhas amigas e da minha família iria finalmente me colocar para descansar? Ou eu iria permanecer na sombra de Emma pelo resto da vida dela. Ela teria que se levantar. parece seguro afirmar que a polícia encontrou algumas evidências contundentes. impotente e totalmente sozinha? — A polícia está dizendo que Landry atraiu Paxton para Tucson com a pretensão de que ela se encontrasse com a irmã gêmea separada há muito tempo dela. neste momento. Socktopus ainda estava sendo mantido como “evidência”. imaginando o que Tricia Melendez diria se tivesse aberto o galpão e encontrado um bicho de pelúcia surrado esperando pacientemente dentro. mas. mas uma fonte disse ao Canal Cinco que um galpão de armazenamento nos arredores de Tucson foi invadido na quarta-feira à noite. ele enviou bilhetes e mensagens ameaçadoras para forçá-la a se passar pela irmã dela para que ele pudesse encobrir o crime que tinha cometido. e que Ethan Landry tinha matado Nisha Banerjee e Sutton Mercer. mas agora que ele iria acontecer. Ethan Landry de dezoito anos de idade foi preso por sequestro. A vítima? Emma Paxton.CAPÍTULO 33 – EM CASA — Houve ainda outra reviravolta no caso sensacional do Assassinato da Gêmea de Tucson — a voz de Tricia Melendez relatou do laptop de Sutton. A investigação ainda está em curso. Sutton iria finalmente ser enterrada e. Naquela tarde. ela teria que se mover. onde ela pudesse ver do ninho de travesseiros. Emma estava deitada e enrolada na cama de Sutton no sábado de manhã. agressão e tentativa de homicídio. estar em paz. Não se sabe ainda o que havia no galpão. clicando em diferentes blogs e agências de notícias para ouvir vinte versões diferentes do mesmo evento — o fato que Emma Paxton tinha sido inocentada de todas as acusações. mas ela .

Ela teria tempo para ficar forte. junto com fraude. Talvez uma parte dela sempre precisaria. A câmera voltou para a repórter. Ela sabia o tempo todo quem Emma era.. — Ontem. no sorriso dele. da forma como Becky tinha feito há muito tempo. com o cabelo castanho claro amarrado em um coque torto. Ethan. ela parecia mais assustada do que hostil com os olhos arregalados e vulneráveis em seu rosto fino e afundado. — O gabinete da promotoria de Tucson planeja responsabilizar Landry com duas acusações de assassinato e uma acusação de tentativa de homicídio. conspiração. eu falei com Beverly Landry. Um abismo insondável e escuro se abria em seu peito cada vez que ela pensava nele — nos sinceros olhos azul lago dele. Landry tinha estado tão desconfortável com Emma. Cada vez que um fragmento da conversa voltava para a mente dela. Ela tinha jurado fazer justiça com o assassino da sua irmã. A ideia de estar em uma sala com Ethan novamente.. Ela sabia que era infantil. Nela tinha um diário e algumas roupas de menina. a mãe do acusado quando ela deixou o tribunal — Tricia Melendez continuou. Emma se levantou na cama. — O pedido de fiança foi negado. uma mulher enérgica e robusta em um terno vermelho. Esta é Tricia Melendez. olhando para a tela. sequestro e assalto — ela disse. mas ela queria amarrá-lo em volta do pescoço dela por proteção. — E algumas semanas atrás eu encontrei uma mochila verde enfiada em um canto no sótão. desligando. e ela pretendia seguir até o fim. Na luz do dia. . Uma parte dela ainda se sentia como se precisasse de toda a proteção que pudesse conseguir. os flertes e as promessas deles. ela se reuniu com a promotora de Tucson. Emma foi até a mesa de Sutton e fechou o laptop. um espaço vazio e frio se abria dentro dela como se algo houvesse sido arrancado — algo puro. Ela concordou em testemunhar no tribunal e fornecer qualquer evidência que pudesse ao caso. Landry disse. Landry estava hesitante sobre os degraus do tribunal. confiante e frágil. nos lábios dele nos dela. Não se admirava que a Sra. Eu tentei dizer a mim mesma que ele apenas tinha roubado. Um dia antes. Eu tive medo de perguntar o que mais ele tinha feito. — Eu o vi atravessar o pátio para a casa da garota Banerjee por volta das três horas da tarde no dia em que ela morreu — a Sra. para tentar se curar antes disso. mesmo separados pelo banco das testemunhas e uma dúzia de policiais fortes fez o lugar oco dentro dela parecer ainda mais oco. Ela não sabia se iria confiar em alguém outra vez.desejava ter ele aqui. Emma sentiu uma inclinação relutante de simpatia pela mulher. o que o seu filho era capaz de fazer — e ela não quis acreditar nisso ou estava com muito medo de intervir. Mas o julgamento era daqui a meses. Mas. Tinham lhe oferecido imunidade — o advogado jurisdicional disse a ela que eles poderiam ter acusado ela por fraude e roubo de identidade se quisessem — mas não foi por isso que ela concordou em testemunhar. inclinando-se nervosamente em direção ao microfone. extorsão. mas isso me assustou. A Sra.

Daqui a alguns minutos eles teriam que ir. Ela deitou-se no ninho de travesseiros. entrou no quarto e sentou cuidadosamente sobre a cama. e à noite no jantar estava um empadão de frango no meio da mesa. A Sra. — Posso entrar? — ela finalmente perguntou. — É tão estranho aqui. juntamente com uma salada de folhas e uma garrafa de chá doce. Se não fosse pelas rugas nos cantos dos olhos.De acordo com a promotora.. Mercer a convidara para ir a um passeio com ele e Drake. e enquanto eles caminharam ele fez perguntas sobre a vida dela antes de Tucson. o laptop de Ethan mostrava as informações dos celulares pessoais de Sutton e Emma. Ele tinha sido o namorado perfeito. Ela estava usando um terno preto e seu cabelo curto havia sido penteado de forma lisa para trás. a Sra. Mercer abriu a porta. engraçado. e ele conseguiu acessar tudo. — Como você está indo? — Estou quase pronta — Emma disse. Havia também cópias de todas as fotos que ele tinha tirado de Emma em sua viagem para Las Vegas. Ela não tinha percebido que a sua avó estava esperando por um convite. é claro. Isso tudo tinha sido uma atuação para mantê-la em Tucson? Havia alguma pequena parte disso que tinha sido real? E ela ainda queria que fosse? Ela não tinha certeza do que era pior: ser enganada por um monstro — ou estar apaixonada por um assassino. Ele tinha tudo criptografado. E então. Ontem. Mercer tinha perguntado a comida favorita dela. no banheiro ou no closet. Tinha sido tão fácil para Ethan enganá-la. Emma não sabia o que dizer. e dezenas e dezenas de fotos de Sutton.. você está aqui. como se estivessem se aproximando um dos outros lentamente desde uma grande distância. fazê-la amá-lo. Elas ficaram em um silêncio constrangedor por um momento. Mercer abriu uma fresta da porta e espiou dentro. Ela cruzou os tornozelos e olhou ao redor do quarto. e ela tentava não se intrometer. Uma batida suave soou em sua porta. O Sr. dos computadores e seus arquivos médicos. sensível e atencioso. mas seus olhos azuis eram suaves. de repente esgotada novamente. Mas. Entre. um pequeno sorriso aparecendo em torno de seus lábios. Emma piscou. Nos últimos dias. ela poderia ter se passado pela irmã mais velha de Becky. o rosto da Sra. Emma se sobressaltou e olhou para o relógio em forma de feijão sobre a janela de Sutton. Mercer emoldurado pela porta mal aberta. eu. ao mesmo tempo eles pareciam querer conhecê-la. Emma sabia que eles precisavam de espaço para sofrer por Sutton. Seu sorriso era quase tímido. ela e os Mercer tinham estado hesitantes e educados uns com os outros. parecendo igual a ela. — Entre. mas o laboratório forense tinha um cara que era especialista nisso. — Claro! Desculpe. Todos pareciam estar evitando cuidadosamente o tema de Sutton ou Ethan — Emma assumiu que a dor e a raiva deles ainda . É como se ela fosse estar aqui. A Sra.

que tinha vindo na noite anterior para o funeral. Se você não tivesse sido desconhecida para nós. Se ao menos ela tivesse tentado mais no primeiro dia. Mas ela vai superar. — Ela deu um tapinha na cama ao lado dela. — Eu gostaria de ter conhecido ela — Emma deixou escapar. a Sra. Ninguém mais. Claro que dói você ter achado que tinha que mentir para nós. — Eu sei. — Os lábios da Sra. Sua avó pegou sua mão e apertou-a. agarrando o cardigã cinza de lã que ela tinha vestido para o funeral. Ela se referia a Emma apenas como “aquela garota”. Mercer balançou a cabeça. Ela queria acreditar na Sra. Quando ela olhou para cima. Mas foi Ethan que escolheu tirar a vida da minha filha. e Emma se sentou. Mas você estava carregando um fardo terrível e doloroso sozinha. — Nós todos cometemos erros. Quantos de nós cometemos erros em nossas vidas? Se Ted e eu tivéssemos sido capazes de suportar mais Becky. Se ela não tivesse sido tão medrosa. Nós teríamos ido buscar você há muito tempo. Eu não sei se qualquer um de nós teria feito diferente. Mercer. a Avó Mercer não tinha mostrado nenhum sinal de “superar”. A Sra. Mercer tinha sussurrado para Emma. Mercer tremeram por um momento. ela olhou para Emma por um longo tempo com os olhos vermelhos e vidrados. Quando ela entrou. e era um começo. talvez ela pudesse ter cuidado de vocês duas ou ela poderia ter tido o bom senso de dar vocês duas para nós. — Eu te perdoo — eu sussurrei. — Ela sorriu tristemente. Emma engoliu em seco. encontrando os olhos de Emma. talvez ela não tivesse mantido você em segredo. . Emma não respondeu. porém. Emma tentou não se magoar. — Nós não culpamos você. e fez questão de sentar o mais longe possível dela no jantar. desejando que eu pudesse absolvê-la de sua culpa. Ethan nunca poderia ter feito o que fez. Mercer disse agora. Se Becky não tivesse bagunçado a própria vida dela. Emma. Ela queria perdoar a si mesma. Eu coloquei a minha mão sobre a de Emma. Ela abraçou-se. — Mas não faz nenhum sentido desejar algo que não pode ser mudado. Mercer estava enxugando uma lágrima. — Tudo isso é um choque para ela. — Você não tem ideia do quanto eu gostaria de saber sobre você antes de tudo isso acontecer. — E eu espero que você saiba que isso não foi culpa de ninguém. ela fosse capaz. parecendo ler os pensamentos dela. — Até agora. antes de subir as escadas para o quarto de hóspedes com uma dignidade fria. também — a Sra.eram muito recentes — mas as tentativas deles eram sinceras. mas era difícil. insistido que a polícia que verificasse seus registros. Talvez. A única que estava demorando para aceitar era a Avó Mercer. além de Ethan. — Eu sei que isso é difícil para você. As próprias mentiras dela quase permitiram que ele se safasse com o assassinato. — Ela gostava de Sutton — o Sr. com o tempo.

Porém. Mercer limpou a garganta novamente. tão parecidos com os seus próprios. se é isso que você quer. o que era. ela percebeu que este era o primeiro elogio que Sra. — Nós poderíamos redecorá-lo do jeito que você quiser. Velas meio derretidas em frascos de vidro estavam sobre a escrivaninha de madeira branca. Uma pequena pilha de livros estava na mesa de cabeceira.. — Este é o seu quarto agora — ela disse suavemente. — Você pode terminar o ensino médio em Hollier. Mercer lhe dera como ela mesma. depois de tudo o que Emma tinha feito por mim. Nós nos encontraremos com a Diretora Ambrose para que você possa ajustar o seu próprio cronograma. Mercer seguiu seu olhar. é claro. Mercer continuou. e um lenço Hermès vintage que ela tinha comprado no Goodwill estava sobre as costas de uma cadeira. nesta casa. e nós gostaríamos que você ficasse aqui. Ele não tinha mudado muito desde que ela tinha voltado para a casa dos Mercer como ela mesma. — Sutton tinha um fundo da faculdade. Emma ficou vermelha. muita coisa tinha sido dolorosa. bijuterias e lembrancinhas estavam ajeitadas cuidadosamente em torno da TV de LCD reluzente e uma pequena caixa com uma coruja de cerâmica branca de madrepérola. ela merecia. Os travesseiros grossos e luxuosos de Sutton lotavam cada superfície. Claro que eu entendo. E uma de Emma e Laurel com os braços nos ombros uma da outra. — Obrigada — ela sussurrou com a voz embargada. O quarto cheirava a hortelã. passando as mãos sobre o cachecol rosa de Sutton. antes de vir para cá. Ela finalmente encontrou sua família. A Sra. Tanta coisa tinha acontecido com ela aqui. — Ted e eu estamos discutindo algumas coisas. Emma olhou ao redor do quarto familiar. — Eu só. Uma de Alex na frente da fonte Bellagio com as luzes coloridas iluminando seu rosto. eu nunca soube. E nós vamos ajudá-la a procurar por faculdades. elas ficaram sentadas por um momento em silêncio. Ela finalmente encontrou onde ela pertencia. mas isso não tinha apagado as coisas boas. Ela deixou todas as fotografias antigas de Sutton presas no quadro de cortiça atrás da mesinha — mas ela acrescentou algumas dela mesma também. Depois de tudo o que aconteceu. Eu acho que ela entenderia se usássemos para você. A Sra. . garrafas de vinho cheias de flores secas revestiam o parapeito da janela.. Mercer a abraçou com força. Sobre a cômoda. Emma olhou para cima para encontrar os olhos de sua avó. Emma podia sentir o seu perfume Elizabeth Arden e um leve aroma de chá Earl Grey. Ter uma família. Depois que elas se separaram. Em algum lugar da dor oca de seu peito. A Sra. De repente. — Suas pestanas se agitaram. neste quarto. como Emma. uma pequena brasa brilhou à vida. As suas notas de Las Vegas são muito impressionante.A Sra. lírio do vale assim como na primeira noite que Emma tinha chegado.

— Com isso. também. onde quer que estivesse — mas se não. Emma poderia dizer adeus a uma irmã. Estes eram os sons de uma família normal — uma que ela realmente pertencia. Mas isso podia esperar. os Mercer tinha uma casa grande. Na porta ao lado. No andar de baixo. Emma ficou sentada no quarto silencioso por um momento. — Ela foi até a porta e colocou a mão no quadro. E isso poderia melhorar. — Nós vamos sair em meia hora.Emma sacudiu a cabeça. Faz eu me sentir perto dela. bem. a Avó Mercer e o Sr. eventualmente. as batidas de um baixo. finalmente. Ela se preocuparia com a outra amanhã. ela se foi. — Eu também. Mercer discutiam sobre a gravata que ele tinha escolhido para vestir. Ela teria doze anos agora. Mercer sorriu. Ela estava torcendo para que ela estivesse feliz. ela podia ouvir a música de Laurel através da parede. . Ela pensou no segredo que ela tinha dito aos Mercer logo que eles tinham chegado em casa da delegacia: que Becky tinha outro filho em algum lugar na Califórnia. A Sra. — Eu quero mantê-lo assim por mais um tempo. Desça quando estiver pronta. mas os Mercer prometeram localizá-la. Emma não sabia nem qual era o nome dela. Hoje.

Quantas pessoas daqui eu tinha perdido a chance de conhecer? Emma sentou-se na primeira fila com o resto da família de Sutton com as mãos enroladas em seu colo. sorria ou fazia um bico de estrela de cinema. Seus olhos estavam arregalados e claros. No outro lado a Vovó Mercer estava sentada usando um terno preto elegante e seus lábios estavam pressionados em uma linha vermelha e selvagem de dor. quando ela vivia sob constante terror. Corcoran estava sentado atrás deles com o rosto tão impassível como sempre. Diferente da maioria das fotos dela. e Emma ficou chocada ao perceber que deveria ser sua esposa. O tamanho da multidão fez eu me sentir estranhamente triste. Havia tantos rostos que eu mal reconhecia. Uma meia dúzia de policiais também estava lá. e a Sra. Quinlan estava sentado ao lado de uma mulher asiática bonita. Ela tinha . Agora que ela tinha a chance de dizer adeus. mas sugeria a presença de um autosegredo. mais profundo e mais bonito do que qualquer um poderia ter imaginado. esta mostrava uma garota calma e inescrutável. Ela estava vivendo com a perda de sua irmã por quatro longos meses — por quatro meses ela não pôde lamentar. brilhando com seus uniformes azuis. pessoas para quem eu tinha revirado os olhos. junto com o que parecia ser metade de Tucson. A expressão não era maliciosa ou astuta. seus lábios entreabertos em um sorriso enigmático. As paredes de adobe eram cor creme e tapetes vermelhos grossos e cachos de flores haviam sido organizados em cada superfície. O Sr. ela não sabia o que sentir. onde ela olhava diretamente para a câmera. Os olhos de Emma analisaram a multidão. Em frente ao altar havia uma foto ampliada de Sutton. pessoas que tinham passado pela minha vida sem qualquer ligação real. Adolescentes que tinham passado por mim no corredor. Mercer enquanto sacudia os ombros. vizinhos que eu só tinha falado uma ou duas vezes. com os olhos secos. Ao lado dela. Os professores de Sutton estavam sentados misturados com os alunos. A Diretora Ambrose estava sentada desajeitadamente na frente com um chapéu preto oval em seu cabelo duro. a dor em seu peito era muito grande de compreender. Todos os bancos estavam cheios — a escola inteira estava lá. Eu segui o olhar da minha irmã enquanto ela olhava para a multidão. Emma olhou para frente para o caixão de madeira reluzente.CAPÍTULO 34 – A RAINHA MORREU (VIDA LONGA A RAINHA) O funeral de Sutton foi realizado em uma bela igreja com arquitetura neocolonial hispano-americana nas Montanhas de Catalina. Mercer se abraçaram como se estivessem indo para uma corda de salvamento. Laurel estava soluçando em um lenço do Sr.

inclinaram-se uma contra a outra em apoio. As palavras do padre eram compassivas e bem escolhidas. Madeline e Thayer estavam sentados lado a lado. todos os convidados ficaram de pé. Ela sabia que sua irmã tinha sido uma lutadora. assim como a antiga Emma tinha sido.. ei — ele disse. desculpe. Banerjee. com o olhar grudado atentamente na foto de Sutton. o braço de Thayer posicionado protetoramente em torno de sua irmã enquanto ela chorava. Ele parecia em estado de choque. Ela se afastou de sua família em direção a uma alcova atrás de uma coluna. Em seguida. Gabby olhava para o chão. De repente. e o Sr. agora ela conhecia Sutton melhor do que ninguém. a Sra. Até mesmo as Gêmeas do Twitter. mas o Padre Maxwell tinha conhecido Sutton desde que ela era uma garotinha. Mas de certa forma. As bochechas dela ficaram vermelhas quando seus olhos se encontraram. Laurel já estava envolta em um grande abraço com a professora de cerâmica. e um murmúrio baixo se elevou na igreja lotada. Porque mesmo que elas nunca tenham se encontrado. relembrando a criança indisciplinada e alegre que ele tinha visto se transformar em uma jovem promissora. — Oh! Me. Ela e Sutton eram conectadas por algo mais profundo e mais forte do que ela podia entender. Charlotte amassava um lenço em seus punhos. Lili virou seu rosto em direção aos braços de sua irmã com seus ombros tremendo. Os Mercer pediram ao capelão do hospital para realizar o funeral — eles nunca haviam sido uma família religiosa. Ela sabia que parte dela tinha sido arrogante ou egoísta — mas mais do que isso. ruborizando tanto quanto ela.perdido alguém que ela nunca sequer conheceu. Pessoas se aglomeraram ao redor dos Mercer para prestarem condolências. parecia estranho escapar e se tornar invisível. — Ela parou quando se virou e viu Garrett Austin. . Depois de tanto tempo vivendo como Sutton. Ela recuou e tropeçou em alguém. mas não havia nenhuma forma de que ele pudesse falar da Sutton que ela conhecia. Ela quase não percebeu quando o padre deu a bênção final. Emma se sentiu claustrofóbica. lágrimas deslizando diretamente para baixo do seu nariz de botão. — Hum. e ela não sabia como abrir mão disso. as garotas do Jogo da Mentira estavam sentadas. Gilliam. usando um terno preto e uma gravata azul clara. Translúcida e incrivelmente bonita.. dois homens ligados à perda de suas filhas. ela sabia que parte dela tinha sido leal. que eram geralmente alegres. Do outro lado do corredor dos Mercer. Sutton lhe emprestara um pouco de sua força naquela noite no cânion. ela se sentia mais perto de Sutton do que ninguém. Nem eu. feroz e apaixonada. e depois como uma mulher procurada. Mercer estava imerso em uma conversa baixa com o Dr. Emma mal escutou. Ele chorou abertamente quando fez o discurso fúnebre. Ela pensou novamente na forma cintilante no cânion.

— Isso não importa. Mas eu tenho estado apenas. Eu simplesmente não podia. Do outro lado da pequena alcova. Um nó se formou na garganta de Emma. ecoando através da igreja.. A coisa do aniversário. — Emma puxou a saia para ajeitar a bainha. — Mesmo se você tivesse sido Sutton. olhando para um pequeno crucifixo de mármore situado em uma alcova.— Ei — ela repetiu. — Eu não acredito no jeito que eu tratei você.. — Ele balançou a cabeça com admiração. — Me desculpe. como se estivesse prestes a dizer mais alguma coisa. tão irritado desde que aconteceu. — Então você soube que Ethan estava tentando culpar você? — Soube. — Eu entendo. A música de violão parou de repente e as luzes piscaram e desligaram.. sem encontrar os olhos dela. eu sei que parecia que eu só estava brincando com você. — Você não tem ideia do quanto eu estou arrependido — ele disse. situação confusa. evitando seus olhos. Eu não tive a intenção de humilhar você. — Ele olhou para seus sapatos.. — Uma única lágrima apareceu em sua bochecha. Eu vou começar a terapia na segunda-feira. — Eu sei — ele disse rapidamente. Eu não sei por que eu não consigo seguir em frente. eu tenho certeza. Eu sabia naquela noite que eu a vi no cânion. Emma sacudiu a cabeça. Quero dizer. Se eu sou tão instável que alguém suspeitou que eu cometi um assassinato. — Foi uma. — Bem. Quando eu te vi no dia seguinte e você não disse nada sobre isso.. — Sutton era mais paciente comigo do que ela deveria ter sido. corando em um tom mais profundo. . Garrett abriu a boca. — Eu também. — Você soube sobre o que aconteceu com a minha irmã? — Sim — Emma murmurou. — Aquele cara. ele nos enganou direitinho. eu estou cansado de inventar desculpas.. Ela desviou o olhar. — Ele se inclinou contra a coluna.. que parecia estar olhando para a parede atrás do altar. Todos nós pensamos que ele era louco por você. eu não pude dizer a você antes. — É — ela disse com sua voz um pouco mais baixa que um sussurro. então eu preciso de ajuda. eu não deveria ter agido da forma que eu agi. o sistema de som da igreja começou a tocar um acústico de violão. Emma ouviu com seu coração torcendo em simpatia. apertando-a entre as dela. eu não pude acreditar na minha sorte. mordendo o lábio. enfiando as mãos nos bolsos. — É muita coisa para você superar por si mesmo. Ele balançou a cabeça. — Ele trocou seu peso. Garrett respirou fundo. — A verdade é que Sutton estava prestes a terminar comigo. — Eu sei que não é desculpa. Uma voz desencarnada falou pelo interfone. Ele e Emma se viraram para a multidão. — Você não sabia. — Impulsivamente ela agarrou a mão dele. Eu pensei que Sutton tinha mudado de ideia. quando de repente algum tipo de tumulto começou nos assentos da igreja..

cada momento ensolarado que passamos juntos. Eu beijando Thayer pela primeira vez. Eu imprimindo os cartões oficiais do Jogo da Mentira na casa de Charlotte. filmagens dela cantando karaokê com Laurel e dançando com Thayer. um silêncio longo e ecoante se formou.. pela segunda vez e pela terceira vez. . Naquele exato momento. rindo dos títulos que nós mesmas tínhamos inventado. Imagens brilharam acima do altar. nós a saudamos! Emma mal teve tempo para perceber que era a voz de Charlotte antes da batida da música “We Are Young” de Fun. Eu me encontrando com Charlotte no ônibus escolar na terceira série. Eu ganhando a minha primeira raquete de tênis no Natal. havia uma filmagem de Sutton fazendo poses sensuais em um vestido prata justo. Mercer estava transtornado com o rosto escondido no ombro da esposa. e eu me encontrando com Madeline nos intervalos do próximo ano. e atrás dela uma das festas exclusivas e agitadas do Jogo da Mentira.— Sutton Mercer. cada momento da minha vida — inundou através de mim. Enquanto eu assistia o vídeo. brincando com Laurel em uma cabana de travesseiros em uma noite chuvosa. Eu me lembrei do meu pai me entregando binóculos.. ela mandou um beijo para a câmera e o vídeo ficou escuro. um projetor escondido na parte de trás da igreja foi ligado. Estouros de cor e luz encheram a minha mente. o tributo final das minhas amigas. Madeline. e de repente tudo — cada memória. Ela gritou e riu com seu cabelo esvoaçando em torno do seu rosto. Lá estava eu. Havia cenas de Sutton nadando na piscina de Charlotte. Em outro. finalmente. seus gritos interromperam o silêncio. O Sr. Em um deles. vídeos de Sutton e suas amigas editados com a música. Metade da equipe de tênis estava soluçando — Clara choramingava em voz alta. meu coração parecia uma flor virada para o sol. — Você não pode destruir uma boa diva — ela disse timidamente com a voz amplificada através da igreja.’s começar a tocar nos altofalantes. Tudo o que eu achei que tinha perdido me foi devolvido. alguém segurava uma câmera trêmula em direção ao rosto de Sutton em uma montanha russa. Emma percebeu que suas bochechas estavam cheias de lágrimas. Charlotte e Laurel brindando umas com as outras com garrafas térmicas nas fontes termais que elas costumavam invadir. as Gêmeas do Twitter prenderam-na e esguicharam uma coroa de chantilly em seu cabelo e todas elas riram. Gabby e Lili envolveram ela em uma guerra de comida. Em seguida. Um mostrava Sutton. olhando para os quilômetros e quilômetros de azul solitário. Eu nadando no Oceano Pacífico em um período de férias. Quando as luzes acenderam. Eu me lembrei de entornar chá de mentirinha no jogo de chá antigo da minha mãe. Ela estava no pátio de Charlotte. Todos os nossos beijos. E. apontando para onde um falcão de cauda vermelha estava aninhado em uma árvore acima. voltaram com o foco perfeito.

aplausos vibrando através do meu ser. Na parte de trás da igreja Emma ouviu gritos. Laurel estava chorando ao lado dela. Em seguida. Por um momento. Emma não conseguia identificar de onde começou. Eu pairava sobre elas. o aplauso ficou cada vez mais alto. alguém começou a bater palmas. e um homem que usava uma gravata borboleta expulsou Madeline da caixa de controle de luz. O padre Maxwell foi correndo pegar o microfone de Charlotte no altar. cada segredo. Mas antes que as meninas do Jogo da Mentira pudessem ser removidas do prédio. vamos sentir a sua falta! — alguém gritou atrás dela. — Hollier nunca mais será a mesma! — Você é a única rainha do baile que vamos votar! A Vovó Mercer batia palmas mais do que todo mundo. E logo todo mundo estava aplaudindo e pisoteando enquanto gritavam por Sutton. Uma menina que Emma nunca tinha visto gritou: — Eu te amo. Sutton! — Sutton. enquanto a seguiram. eu quase podia confundi-los com um batimento cardíaco. tão real. As luzes voltaram. A idosa com os lábios franzidos soltou Gabby e Lili em estado de choque. . Alguém assobiou com os dedos. Era a minha vida. E era tudo tão bonito. e se viraram de frente para o retrato de Sutton com lágrimas brilhando em seus olhos.Cada brincadeira. As Gêmeas do Twitter levantaram seus punhos em chifres do diabo de “heavy metal”. e ela se virou e viu uma mulher idosa de cabelos grisalhos e encaracolados levando Lili e Gabby para fora da cabine audiovisual. as quatro se juntaram aos aplausos. cada aventura voltou para mim. mas então. tão vibrante. e elas correram para se juntar a Charlotte e Madeline sob uma estátua da Virgem Maria. Ethan não podia tirar isso.

eu vou te contar tudo assim que eu estiver. tão triste por ter mentido para você. Emma espiou o Dr. parecendo frágil. — Alex! Alex correu para frente e jogou os braços ao redor dela. O rosto de Emma se iluminou. — Parece que era. Alguns dos participantes do funeral tinham enchido pratos de papel com voo-ao-vento. uma garota com alguns centímetros a menos do que Emma e que parecia uma duende. seu . complicado. mas conversando animadamente com a Treinadora Maggie. ela conseguiu colocar toda a escuridão para trás e seguir em frente. tomando um copo de limonada e conversando com o padre Maxwell. Os lábios de Charlotte estavam pintados com a cor vermelha de Rainha Vadia e Madeline erguia seu queixo com uma altivez de bailarina. Se ela podia sair do outro lado. Lili estava usando meias de renda e delineador preto. e todo o grupo do Jogo da Mentira saiu junto. — Eu sabia que não tinha sido você — ela disse com a voz abafada contra o ombro de Emma..CAPÍTULO 35 . — Eu sinto muito por eu ter mostrado a polícia aquelas mensagens. De alguma forma. — Não importa — Emma disse. também. A recepção tinha sido organizada no pátio em frente à igreja. Por saber o que Louisa tinha passado. — Eu não estou pronta para falar sobre essa coisa toda ainda. Gabby estava usando um colar de pérolas e brincos combinando. mas elas surgiram com uma dignidade de It Girl que teria deixado Sutton orgulhosa.FAZENDO NOVOS AMIGOS. então talvez Emma também pudesse. Eu não sabia mais o que fazer. Quinlan também estava lá. Alex se afastou do abraço para olhar para ela com os olhos arregalados e simpáticos. Emma saiu para o sol suave da tarde. Seus olhos estavam vermelhos. As portas da igreja se abriram novamente. sanduíches de pepino e biscoito de manteiga e geleia. Louisa estava com Celeste. Laurel estava com elas.. Emma não podia deixar de olhar para ela. MAS MANTENDO OS ANTIGOS Poucos minutos depois. sob aglomeradas árvores perfumadas de eucalipto. usando um vestido leve preto e Doc Martens com metade do cadarço solto. apertando-lhe o cotovelo. — Eu vou estar aqui — Alex disse. Banerjee. Ela se virou e viu Alex Stokes. Lili e Gabby estavam de braços dados. Eu só lamento de ter metido você nessa coisa toda. Ela mordeu o lábio. Mas eu prometo. — Sim — Emma murmurou. compartilhando vegetais crus em um único prato. — Emma? — uma voz hesitante falou suavemente à esquerda. E eu estou tão. — Eles teriam encontrado de qualquer forma.

E as amigas de Sutton eram o tipo de garotas que Alex costumava chamar de “vítimas da moda” e “vadias na moda”. em seguida. Charlotte estendeu a mão para Emma. Após um longo momento. — Essa é a minha amiga Alex. Elas iriam gostar de alguém como Emma? Ela era tão diferente de Sutton. Alex era o tipo de garota que o Jogo da Mentira iria adorar mexer. Ao lado dela Alex mudou seu peso. Eles a fizeram assumir riscos que ela nunca tinha assumido em sua vida antiga. Char — ela sussurrou. — Lamentamos por não termos dado uma chance de você se explicar — Madeline disse. Ela desceu lentamente os degraus até onde Emma estava de pé e as outras meninas foram atrás dela. mas Laurel lançou-lhe um olhar severo. Ela gostava de pensar que ela tinha mudado elas. — Elas não são. Charlotte tremeu com seu aperto. E eu menti para você por meses. Um sorriso apareceu no rosto de Emma. jogando os braços em torno de Emma e Charlotte. legais. Emma ficou um pouco tensa — os dois mundos colidindo parecia estranho. mas os rostos das outras estavam severos. mas você não teve escolha — Charlotte fungou. Sinto muito por sua perda. e então ela puxou Charlotte em sua direção para um abraço. também. Ela tinha chegado a conhecê-las. — Nós não nos conhecemos oficialmente — ela disse em voz baixa.cabelo loiro mel penteado para trás do seu rosto segurando um lenço bordado em uma de suas mãos. — Sim. o grupo tinha se tornado um pouco mais amigável e mais tolerante umas com as outras. pelo menos um pouco.. Emma podia sentir as duas meninas chorando de novo. Após um longo momento. Elas são realmente incríveis. Charlotte foi a primeira a encontrar os olhos de Emma. — Eu sou Charlotte Chamberlain. — Eu não acredito que você tentou solucionar o assassinato dela por conta própria. — Eu não culpo vocês — ela disse. Emma engoliu em seco. Laurel deu um sorriso incerto. — Eu não acredito que foi Ethan. — Agora não — ela sussurrou. — Sutton era a melhor amiga de vocês. então abraçou-a ferozmente de volta. — Lili começou. — Eu sinto muito. e dado coragem em um momento em que ela mais precisava. Alex olhou para o grupo. Então ela pegou a mão de Charlotte na dela. Ela segurou-a por um momento. mas elas não a conheciam nem um pouco. de volta para Emma. A palma da outra garota era quente e macia. De Henderson — ela disse. — Elas parecem. . uh. Mas. e Alex balançou a cabeça lentamente. Emma sabia que era estranho para elas.. ela se divertiu com o Jogo da Mentira das meninas. Mas está tudo bem. as meninas se separaram sem jeito. apesar de tudo. Desde que ela entrou na vida de Sutton.

Emma olhou para Lili e Gabby. agora que tudo isso acabou? — Madeline perguntou a Emma timidamente. Nós passamos por lá quando Sutton conseguiu para nós reservas para a Suíte Presidencial do Bellagio. — Então. Charlotte jogou seu cabelo para trás de seu ombro. Elas só tinham entrado no clube há alguns meses. Eu não posso mais fazer isso. Lili se inclinou para sussurrar algo no ouvido de Gabby. séria. e venha visitar.. mas Laurel parecia saber o que Emma estava prestes a dizer. Madeline respirou fundo. Somos fabulosas o suficiente para não precisar de jogos. Madeline inclinou a cabeça com curiosidade.. — Eu entendo. Talvez seja a hora de ser as velhas meninas populares chatas. e claramente não estavam felizes por ele ter acabado tão cedo.Lili olhou para Alex de cima a baixo. — Ela olhou para Alex. as mandíbulas das Gêmeas do Twitter caíram em estado de choque. — Eu amei as suas botas — ela disse. que pareciam rebeldes. vocês sabem. — Eu espero que sim. — Ele magoou muitas pessoas.. — Henderson é perto de Las Vegas. Os Mercer me pediram para morar com eles. — Eu adoraria. E o meu filme de brincadeira foi o que Ethan usou para. mas eu nunca tive uma família antes. — Estou com Emma nisso — ela disse. Atrás delas. — Mas não é tão divertido sem Emma. — Deve ser divertido morar lá. Tem tanta coisa para se fazer. — Ela fez uma pausa. você vai ficar em Tucson. Você quer vir? Emma corou com prazer. e ela balançou a cabeça. — Tem uma coisa que eu não vou fazer. — Ela sorriu tristemente. não é como se você fosse ficar tão longe de mim. depois continuou. Talvez você tenha outra viagem do Jogo da Mentira em breve. Lili assentiu. Alex apenas levantou uma sobrancelha interrogativamente. no verão passado. — Vocês estão certas. — Ela contorceu-se um pouco com o nome do grupo. — Que droga — Alex disse. As meninas ficaram em silêncio por um longo momento. — Nós fomos lá uma vez. Mas Laurel assentiu. mas o cachorro comeu. no entanto. mas ninguém pareceu notar. Além disso. Eu preciso fazer isso. em uma viagem do Jogo da Mentira. estávamos pensando em fazer uma festa do pijama neste fim de semana. — Eu tinha uma até ojoelho. — Eu sei — Alex disse. — Sem mais brincadeiras. Charlotte olhou para seus saltos pretos Jimmy Choo e Madeline se abraçou. — Falando no Jogo da Mentira. — ela parou.. . que deu um pequeno aceno de cabeça. — É legal — Alex disse. — Eu estive pensando que é hora de dar um tempo com aquilo. Emma sorriu. Charlotte trocou um olhar com Madeline... — Eu vou sentir tanto a sua falta. e Gabby assentiu. certo? — Charlotte perguntou. Nós não somos mais crianças.

Então eu vi algo que despedaçou o meu coração em meu peito. Eu não posso simplesmente ficar sentada e escondida se eu quiser pegar um pouco de cor. realmente emocionada.. bem. e lembrariam de mim com amor. Sozinho. nós não temos tempo para brincadeiras neste momento — Charlotte disse. — Eu preciso encontrar um novo maiô para usar em Barbados. Emma deu um tapinha no ombro dela com gratidão. bebidas e meninos podem ser exatamente o que o médico ordenou para se recuperar. você ainda está convidada. Mas eu preciso passar este Natal com a minha família.. — De qualquer forma. Um pouco de praia. e eventualmente. — Mais para nós então — Madeline disse brilhantemente. E observando Emma. o sol em seu rosto e a brisa de dezembro tocando em suas pernas nuas parecia quase celestial. De repente.Oh. elas iriam me superar da forma como a vida sempre superava a morte. parado do outro lado. . e ambas sorriram. Elas viveriam e prosperariam. se você quiser vir. Eu observei as minhas amigas consolando umas as outras com os olhos brilhando de lágrimas e seus sorrisos hesitantes no sol de inverno. Char. — Emma. desde que não fizesse nenhuma brincadeira com Emma. As Gêmeas do Twitter poderiam agir por conta própria. — Ela fez um gesto impotente ao redor. — Nós vamos trazer um pouco de rum. — Obrigada. Thayer. — Ela encontrou os olhos de Laurel. Emma riu. — Ela sorriu timidamente. Mas elas ficariam bem. Eu sabia o quanto elas sentiriam minha falta — todas elas carregariam essa tristeza por um longo tempo. de tudo isso. com as mãos nos bolsos. no fundo dos seus corações.

mas claros. Você não é ela. Eu não era nem mesmo uma boa substituta. Mas você é incrível. — Como os espinhos não machucam eles? — Thayer perguntou abruptamente. Seu cabelo escuro caía sobre um olho.. Emma. Seus olhos castanhos estavam magoados. Ele riu suavemente. Vovó Mercer tinha descido da igreja com o Sr. Emma inclinou a cabeça interrogativamente. tentando diminuir o nó em sua garganta. no cânion e o salvou como rascunho na nossa conta de e-mail secreta. há uma parte de mim que quer beijar você. ele desviou o olhar para ela. Eu acho — eu acho que ela não se importaria se você lesse. Mercer segurando seu braço. Você se parece com ela. Cuidadosamente. uma covinha perfeita aparecendo em seu rosto. Ela engoliu em seco. . ele levantou um pouco a mão. dois pombos de luto estavam empoleirados juntos em um cacto. Laurel caminhou rapidamente para o lado dela e pegou o outro braço murmurando algo em seu ouvido. Silêncio caiu entre eles. — É apenas. — Ele olhou para seu rosto por um longo momento. enxugando as lágrimas dos seus olhos. — Ei — ele disse. Um feixe de eletricidade me conectou a essa letra. mas o cara forense recuperou do cartão SD. Ela sorriu tristemente.CAPÍTULO 36 – SUA PARA SEMPRE Thayer estava um pouco além da multidão encostado no muro baixo e branco que rodeava a propriedade da igreja. Quando ele viu Emma se aproximando. depois olhou rapidamente para longe. ela desdobrou. — Os policiais me deram isso — ele disse olhando para o bilhete. — Ei — ela respondeu. — Acho que é porque eles são tão leves — Emma disse. — Eu não sou Sutton. — Mas seria errado — Emma disse.. Assim que eu vi. e suas mãos estavam empurradas profundamente em seus bolsos. Ela observou Garrett juntar-se a Celeste e Louisa. — Eles acharam isso no celular dela. Ela escreveu isso naquela noite. Eu acho que Ethan tentou apagar. — Eu não estou bravo com você. Ele acenou para os pássaros. eu sabia o que era. A poucos metros de Emma e Thayer. mas sem gravata. — Não se menospreze. Mesmo sabendo de tudo. eu sinto tanto. Ele tirou a carteira do bolso de trás e tirou um pedaço de papel dobrado. Eles arrulharam baixinho um para o outro como se estivessem em uma conversa profunda. A garganta de Emma pareceu tampada quando ela pegou o bilhete nas mãos. — Thayer. Lentamente. Ele veio com um casaco esporte Burberry perfeitamente ajustado e calças.

ela apenas. como sempre. e eu quero estar com você. — Bem. Eu não estou com raiva. quando Thayer lhe fez a mesma pergunta. Ainda sentindo muito a sua falta. Thayer. Mas a verdade é que eu não estou. Mas toda essa incerteza fez uma coisa ficar bem clara: eu te amo. mas mesmo quando ela falava isso ela sentiu um frio subir em torno de seu coração cada vez que ela pensava nele. Você pode me dizer quando estiver pronto — mas não vai fazer qualquer diferença para mim. Sua para sempre. Ela olhou para cima e viu um olhar magoado e assombrado nos olhos castanhos de Thayer. — Eu continuo dizendo a todos que estou bem. ele está recebendo o que merece. — Ethan cobriu os rastros dele muito bem. Ele parecia ver através dela. Eu sinto que todo o meu mundo virou de cabeça para baixo. — Você está bem? — ele perguntou inclinando-se um pouco em direção a ela. Eu sei que este tipo de amor só acontece uma vez na vida. Você é o único para mim. — Eu não fui — eu murmurei. e ela fez uma pausa. eu fiquei tão confuso — ele disse com a voz embargada. Até agora eu estava tão assustada de não conseguir chorar por ela. Ela enxugou uma rapidamente antes que pudesse cair e manchar o bilhete. — Eu estou devendo um acerto de contas com aquele cara. Ela suspirou. — Ethan. Eu te amo loucamente. Thayer desmanchou sua carranca e olhou para ela com preocupação. Para onde quer que você tenha ido. — Sua voz falhou por um instante. — Eu ainda estou aqui. Eu pensei que as coisas que eu disse para ela naquela noite no cânion tinham feito ela me odiar.Caro Thayer. E todo esse tempo. Eu sei que eu te magoei muito. — O rosto de Thayer escureceu. Eu perguntei como você se sentia. Eu não sei se eu vou ficar bem. E Thayer havia dito: Você está perfeita. Eu não pareço bem? ela tinha brincado. Thayer. Ainda estou processando tudo o que aconteceu comigo esta noite. — Todas essas semanas. do jeito que ele sempre tinha visto através de Sutton. sempre tão perspicaz. . — Não tinha como você saber — Emma disse. — A voz de Emma estava firme. Eu não vou deixá-lo ir. Sutton Lágrimas brotaram nos olhos de Emma. — Estou feliz que tudo tenha acabado. eu não me importo. Eu não quero que a gente termine desse jeito... Ela lembrou-se de repente daquela noite na festa de Char. tinha ido embora. — Eu pensei que tínhamos terminado. quando de repente ela não me enviava mais emails.

perto de seu ouvido. Por um momento eu imaginei que eu podia sentir o calor de seu corpo. Mas nós dois temos que seguir em frente. Ele descansou a cabeça no couro cabeludo de Emma. — Obrigado pelo que você fez por ela — ele sussurrou. Eu quero que você viva.Thayer estendeu a mão e abraçou-a. — Adeus — ele sussurrou. Eu quero que você seja feliz. — Eu sempre vou te amar. — Thayer — eu sussurrei. Emma não tinha que perguntar com quem ele estava falando. Lágrimas brilhavam em seus olhos. a suavidade de sua pele. .

um brilho. Os olhos de Emma se lançaram para o cartão-postal que ela deslizou no canto do espelho. Lá em cima.ADEUS Na tarde seguinte. esquecido. Por menos de um piscar de olhos. Seus olhos se encontraram no . olhar no espelho e ver a si mesma. todos eles tinham ido ao mercado dos fazendeiros para escolher uma árvore de Natal juntos. de tristeza profunda que precisava de espaço para respirar. Ela tinha sido outra pessoa por tanto tempo. com os cabelos em ondas longas soltos sobre seus ombros. engordando para que seu olhar severo e assombrado desaparecesse de seu rosto. Naquela manhã. Emma estava na frente do espelho do banheiro compartilhado por Sutton e Laurel com um tubo de brilho labial em uma das mãos. Ele havia deixado perto do prato de Emma na mesa do café da manhã. O postal tinha uma foto do Alamo ao pôr do sol. Era o silêncio de feridas que começavam a cicatrizar. se eles quisessem. Becky ainda não sabia a verdade — que Sutton estava morta. que Emma estava aqui agora em Tucson com os Mercer. dirigida ao Sr. ou aprendendo a remar e descendo o rio vindo de algum tipo de orientadora bondosa.CAPÍTULO 37 . Ainda era surreal. Ela usava o mesmo moletom com capuz rosa e shorts felpudos com os quais ela tinha morrido. Os olhos dela voltaram para seu próprio reflexo enquanto levava o gloss para a boca. ao lado de todas as fotos das amigas de Sutton e bilhetes de shows e recortes de jornal de uma revista de moda que sua gêmea tinha pendurado lá. ela não tinha certeza de quem ela mesma era mais. Sua gêmea estava bem ao lado dela. Mercer. ela queria acreditar que Becky podia mudar. Mercer e Vovó Mercer na sala de estar no andar de baixo. Ela queria acreditar que todos eles poderiam. uma centelha. mas pacífico. Mas foi um alívio saber que Becky estava a salvo. Ela imaginou ela pintando casas com cores brilhantes. Agora ela podia ouvir a Sra. Sutton. ou vendendo fruta em um stand na estrada. ela a viu ali. uma mão tinha rabiscado apenas Estou bem. —B. Isso havia chegado no dia anterior. Mas o que ela viu no espelho a fez deixar cair o tubo em estado de choque e bater na pia. os passos do Sr. e dizia CUMPRIMENTOS DE SAN ANTONIO em uma fonte quadrada. E depois de tudo o que ela passou. Mais do que tudo isso. Durante todo o dia uma calma suave havia permeado a casa — e não um silêncio constrangedor. Emma gostava de imaginar diferentes versões de uma nova vida para sua mãe: ela imaginou Becky forte e saudável. reorganizando os móveis para dar espaço para as decorações. Na parte de trás. Mercer e Laurel rangiam no sótão enquanto eles pegavam as caixas dos enfeites. olhando para seus próprios olhos azul marinho.

— Sutton? — Emma virou-se para olhar para trás. para suas próprias maçãs do rosto altas. você está certa.. nós tínhamos mudado uma a outra. E se não fosse o que ela esperava? Talvez os Mercer fossem se ressentir por ela estar lá. Agora que ela tinha conseguido. — Bem. — Ela enfiou o braço no de Emma e lhe deu um apertão tranquilizador. — Ainda é assustador. e ambas sorriram. Eu sei que provavelmente você está cansada de ouvir isso. e está preocupada com enfeitar uma árvore? Vamos.. Ela estava usando sua camiseta vintage Pop Tootsie 1970 e uma saia jeans DIY que ela tinha cortado de um jeans velho. passando uma escova através de seu cabelo loiro-mel. Talvez esta semana a gente vá ao La Encantada. também — Emma disse. — O que foi? — Emma perguntou. elas desceram. — Entre — Emma falou baixinho. Mas as roupas de Sutton tampouco combinam comigo. — Essas coisas nem parecem combinar comigo mais. Talvez eles não quisessem que ela descesse para ajudar. Isso foi o que ela sonhou por tanto tempo. Laurel prendeu os cabelos em um coque desleixado. Um pequeno sorriso apareceu em torno de seus lábios. isso só significa que temos de fazer compras de crise de identidade em breve. Você está pronta para descer? Emma respirou fundo. Mas eu tinha a sensação de que eu sempre seria uma parte dela — que de alguma forma. mordendo o lábio. mesmo quando ela se virou. Ela tinha trançado o seu cabelo para trás e cortado sua própria franja — elas haviam estado abaixo de seus olhos desde que ela chegou em Tucson. Mas. olhando para o espelho novamente. É como se você fosse Sutton. Onde é que a vida de sua irmã gêmea acabava e a dela começava? Minha irmã teria o resto de sua vida para descobrir quem ela era. Seus olhos se encontraram no espelho. e. . — Não. — Você foi chantageada.espelho.. ruborizando com prazer.. sequestrada e assaltada. — Isso parece incrível — Emma disse. ela sabia que não veria ninguém lá. — Ela se aproximou e ficou ao lado de Emma. Ela fixou um olhar sobre Emma por um longo momento. mas. A linha entre Emma e Sutton estava tão turva por tanto tempo. Juntas. não é. — Você acha que está tudo bem? — ela perguntou. Laurel abriu a porta. — De qualquer forma — Laurel disse. em seguida. Desculpe. — Eu acho que eles estão esperando por nós para enfeitarmos a árvore. Uma leve batida soou. ela desapareceu. É assustador para mim. Uma família no Natal. e seu próprio nariz arrebitado. Laurel balançou a cabeça. ela estava estranhamente nervosa. Laurel levantou uma sobrancelha. Ela se virou para o espelho.

mas Emma sabia que ela gostava secretamente. Drake — usando chifres de renas de pelúcia — levantou o nariz para cheirar esperançosamente o prato. Os Mercer já estavam lá. — Tem algo que eu gostaria que você ficasse. e um prato de biscoitos de açúcar estava em cima da tampa do piano. Ela passou vários natais andando na Strip de Las Vegas. enquanto o Sr. Ela cantarolou junto agora. capturando suas características como a de Sutton. com um fogo crepitando na lareira. Ela poderia contar em uma mão o número de presentes que ela tinha recebido em sua vida como ela mesma. Vovó Mercer engoliu em seco e virou-se para Emma. revirando os olhos. incapaz de abrir a bonita embalagem. a mulher mais velha pressionou uma pequena caixa na mão de Emma. Os ouvidos de Emma se animaram ao som de seu nome. O Sr. Alguém já tinha amarrado pequenos pisca-piscas cintilantes em torno de seus ramos. a luz do fogo dançando em seus olhos verdes brilhantes. A Sra. . Mercer com vincos ansiosos nos cantos dos seus olhos. Emma engoliu em seco. O coração de Emma acelerou. Ela lançou um olhar para Laurel. usando um chapéu vermelho brilhante de Papai Noel. Era um porta-joias amarrado com um laço de cetim. Ele balançou a cabeça seriamente para ela. pegando um biscoito da bandeja e mordendo. A Vovó ainda não tinha falado com ela mais do que o absolutamente necessário. Emma. Bing Crosby cantarolava no som estéreo. eles já colocaram “White Christmas” para tocar — Laurel gemeu. também. Mercer estava sentada e vasculhando uma caixa de enfeites no chão. e a Sra. Mercer estava olhando pensativamente para a árvore. Em seguida. — Oh. Mercer colocou a mão em seu ombro. — E depois disso vamos tocar John Denver e Judy Garland. Deus. Laurel fingiu vomitar. Mercer deu um pequeno sorriso de satisfação. Era a primeira vez que a Vovó Mercer tinha dito ele em voz alta. Ela segurou-a na palma da mão dela por um longo momento. que sorriu. eles mudaram uma poltrona para dar espaço para a árvore de natal verde. Seus olhos percorreram o rosto de Emma. Vovó Mercer também estava lá com seu cabelo em perfeitas ondas e pérolas no pescoço e na garganta. ela mal sabia o que fazer. Ela limpou a garganta. e Emma deu uma risadinha. Ela sempre gostou de músicas de Natal — essa era uma das poucas coisas que você poderia desfrutar de graça durante os feriados. alguma comunicação silenciosa passando entre eles. — Isso mesmo — ela disse. A Sra. ouvindo o show da fonte do Bellagio “It’s the Most Wonderful Time of the Year” e olhando as árvores de Natal decoradas luxuosamente dos casinos. Agora. Mercer já tinha pendurado uma guirlanda no corrimão. e o cheiro de baunilha e canela flutuava pela casa.A Sra. como se em incentivo. Na sala de estar. Vovó Mercer olhou para o Sr.

Ela segurou-as. e depois. achei que você gostaria de ganhar uma. rindo quando ela falou as palavras erradas.. Meu pai colocando o braço em torno da Vovó Mercer. tristeza ou frustração. então.. quem escolheu. Emma não podia falar. as nossas pequenas estrelas de prata. A estrela tornou-se turva quando seus olhos se encheram de lágrimas. Perguntando sobre a história por trás de cada um — de onde eles vieram. também — o Sr. estava abrindo astutamente o guardanapo amassado contendo os biscoitos esquecidos por Emma. E então eu me senti à deriva. Eu achei. também. ela percebeu que todos na sala estavam olhando para ela. lentamente. Eu observei todos eles por mais alguns minutos.. ela se aqueceu em sua pele. também. As irmãs estrelas. Vovó Mercer deu-lhe um sorriso preocupado e trêmulo. E Emma. e a Sra. desembalando os enfeites. Ela estava chorando de felicidade. Mas haveria tempo para aprender tudo isso. você poderia nos ajudar a pendurar a de Sutton. uma em cada mão. gravadas com a mesma data. elas não eram lágrimas de medo. Mas. Laurel tinha pendurado a dela . — Eu dei a cada uma das meninas nos seus primeiros Natais — Vovó disse com um sorriso triste aparecendo em seu rosto. Dentro havia uma estrela simples de prata com cinco pontas. o que significavam. sob o piano. um por um. ela estava fria e dura. Mercer estavam ambos sorrindo suavemente. Então ela se virou para a árvore e cuidadosamente pendurou-as lado a lado. perguntando em voz alta se todos eles achavam que era grande o suficiente. Eu não queria deixá-los. há muito tempo. lentamente me retirando do mundo que eu sempre conheci.. pela primeira vez em muito tempo. Por uma fração de segundo. lágrimas brilhando em seus olhos quando ela encontrou um ornamento que eu tinha feito na primeira série com uma foto minha da escola. — Abra logo. E a pobre Becky. Logo abaixo estava a data de nascimento dela. Emma assentiu com sua garganta apertada com emoção quando o Sr.— Vá em frente — Vovó disse com a voz cheia de diversão exasperada. Laurel segurando sua meia. Ela olhou para o ornamento em sua mão com os lábios entreabertos. — Nós pensamos que este ano. ela pensou. Mas. Finalmente juntas. Mercer entregou-lhe outra estrela. Drake. O Sr. Eu não estava pronta. — Obrigada — ela sussurrou. parecendo pensativa. Emma pegou a fita entre os dedos e puxou. Minha mãe tentando cantar “O Holy Night”. e Laurel abraçava os joelhos contra o peito no sofá. Por um momento. tão perto que suas bordas se tocavam. Mercer disse com sua voz falhando ligeiramente. Emma enxugou rapidamente os olhos. meus olhos caíram sobre a árvore. Emma. — É lindo. pânico me atravessou. passando as mãos carinhosamente sobre eles. — A Sutton e a Laurel. olhando para todos eles. Gravada na frente em letra cursiva estava o nome dela. tempo para ouvir as histórias da família dela e tornar-se uma parte delas. De repente.

pura e vibrante. Nós sempre estaríamos juntos. — Lembrem-se de mim — eu disse. Éramos uma constelação. No reflexo das estrelas. Eu me virei para Emma. apesar de ter quase lhe custado tudo. tão rápido quanto uma estrela cadente. na minha constelação. E então. — Obrigada — eu sussurrei. FIM! . eu tinha ido embora. bonita e brilhante. Eu estava me transformando em energia. ficando cada vez mais brilhante até que eu não conseguia nem olhar para mim mesma. a irmã gêmea que eu nunca cheguei a conhecer pessoalmente. Eu dei uma última olhada na minha família. eu vi a minha forma brilhante e ardente em prata e dourado. sabendo que eles iriam. Eu compreendi então. que tinha vivido a minha vida e me trouxe paz.logo abaixo da de Emma.

THE LYING GAME SERIES .