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0 que são técnica e tecnologia?

Chama-se técnica qualquer instrumento (ou conhecimento) que implica uma demonstração de inteligência humana, uma forma de inventar um método ou um objeto que facilite algum trabalho ou que sirva para controlar as forças da natureza de alguma maneira. A tecnologia é vista como uma técnica avançada, resultado da aplicação do conhecimento científico, da ciência moderna que nasceu — ou se consolidou — nos séculos XVII e XVIII e prossegue até os nossos dias. Assim, o arco e a flecha, a espada e o escudo, etc, utilizados pelos agrupamentos humanos durante séculos ou milénios, são considerados técnicas. O computador, o avião moderno, o foguete espacial, a bomba atómica, o robô e a fibra óptica, entre outros instrumentos ou aparelhos, são considerados tecnologias. Toda tecnologia é uma técnica, mas o inverso não é verdadeiro. Também ideias ou teorias, elementos não materiais, enfim, podem ser considerados tecnologias: um software ou programa para computador, um novo método administrativo mais racional e produtivo, o mapeamento genético de uma planta ou animal, etc. Em suma, tecnologia é uma técnica especial e moderna, resultante da aplicação do conhecimento científico, é todo produto científico (ideias ou coisas materiais) que tem aplicação prática para a humanidade, geralmente ligada ao avanço das conquistas humanas sobre a natureza, até mesmo sobre a nossa própria natureza (para se viver mais, para curar doenças antes incuráveis, etc). É evidente que, quanto maior for o grau de desenvolvimento tecnológico de uma sociedade, maior será o seu nível de independência ou autonomia (embora nunca total) em relação aos elementos da natureza. Esse grau varia muito no tempo e no espaço. As sociedades atuais, notadamente após a Revolução Industrial, via de regra possuem técnicas bem mais avançadas que as sociedades do passado e, dessa maneira, modificam a natureza original num grau bem maior.

porque os produtos são feitos por máquinas em série, sendo todos iguais. Assim, a Revolução Industrial foi o momento em que a humanidade -ou melhor, alguns países e regiões específicos - se industrializou, isto é, implantou a indústria moderna, com intensa mecanização e produção massificada ou em série. A industrialização pode ser dividida em diferentes tipos ou modelos e, principalmente, em três etapas. Do ponto de vista político-econômico, podemos dizer que houve três modelos de industrialização: a clássica ou original, a planificada e a tardia, periférica ou retardatária. Do ponto de vista da complexidade tecnológica e do transcorrer do tempo, ela pode ser dividida em três etapas ou fases: a Primeira, a Segunda e a Terceira Revolução Industrial. Vamos examinar, resumidamente, cada um desses modelos e etapas.

■ Industrialização clássica ou original

A industrialização clássica ou original de uma forma geral foi típica dos países desenvolvidos, o atual Primeiro Mundo. Como o próprio nome diz, foi a primeira, a original, bem anterior às demais. Começou na Inglaterra, em meados do século XVIII, e, no século XIX, espalhou-se para outros países da Europa e de outros continentes (Estados Unidos, Japão). Esses países pioneiros na revolução industrial formaram as primeiras "sociedades de consumo" do planeta, os países afluentes ou desenvolvidos. Daí o desenvolvimento económico durante muito tempo, desde meados do século XVIII, ter sido considerado sinónimo de industrialização. Hoje em dia se valorizam mais outros elementos, principalmente o desenvolvimento social (padrão ou qualidade de vida de uma população), mas não há dúvidas de que a industrialização constitui o alicerce que permite uma elevação na qualidade de vida: maior produção económica e energética e, consequentemente, mais escolas e hospitais, mais alimentos, mais residências, maior quantidade de equipamentos de lazer, etc.

Origens: do feudalismo ao capitalismo

A industrialização da humanidade
A atividade industrial é a que mais profundamente modifica o espaço geográfico. Ela incentiva a geração de tecnologia, produz novas máquinas, aumenta o consumo de energia, amplia as trocas entre as regiões e os países, desenvolvendo, assim, o comércio e os meios de transporte. Antes da indústria moderna, que nasceu em meados do século XVIII, havia somente o artesanato e a manufatura1. A indústria moderna, que no início era identificada com a fábrica e as suas chaminés (hoje não mais, pois falamos também em "indústrias, ou fábricas, sem chaminés", como nas indústrias produtoras de softwares), consiste numa produção em massa e padronizada. Em massa porque produz com o uso de modernas máquinas, que fabricam milhares de produtos num tempo curto. E estandardizada ou padronizada

As origens da industrialização clássica são praticamente as mesmas do capitalismo, sistema socioeconómico baseado numa economia de mercado e numa sociedade de classes. Por economia de mercado devemos entender a situação em que predominam as empresas particulares e o mercado desempenha o papel principal nas decisões económicas. Tais decisões são tomadas pelos donos das empresas privadas (os capitalistas ou burgueses) ou então — como é mais comum nos dias de hoje, com o predomínio das sociedades anónimas (com milhares de acionistas) — por seus representantes (diretores e administradores). O objetivo principal da empresa capitalista é a busca de lucros. O capitalismo, embora tenha começado timidamente nos séculos XV e XVI, só se tornou o sistema dominante e atingiu o seu estágio pleno com a Revolução Industrial e a urbanização que a acompanhou. Esse sistema socioeconómico só existe de fato — capitalismo pleno — com a indústria moderna e com a sociedade urbanizada.

Unidade II

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a partir do século XV. com base na agricultura e na qual cada feudo produzia tudo aquilo de que necessitava. faz os seus planos para o futuro. empresas de seguros ou de finanças. em alguns casos. O capitalismo. Nessa relação. embora. os camponeses que fugiram para as cidades trabalhavam para os burgueses em troca de um salário. periférica ou retardatária Essa forma de industrialização é a que nos interessa mais de perto por ter ocorrido no Brasil. Isso porque tal sistema socioeconómico fundamentava-se numa economia natural. A economia planificada. mas também. como o nome sugere. no antigo Segundo Mundo. Caracterizou-se pelo fato de o Reino Unido (Inglaterra) ter sido a grande potência mundial . e da clássica. A transição do feudalismo para o capitalismo pleno. a antiga Alemanha Oriental. passando assim a ser proletários e não mais servos. Entre elas. Com o desenvolvimento do comércio e o crescimento urbano causado pelas constantes fugas dos camponeses dos feudos para as cidades a partir do século XI. com a manufatura. Essa industrialização consistiu num notável esforço para ampliar os estabelecimentos industriais. metalúrgica. com um amplo predomínio das empresas estatais e a ênfase nas indústrias pesadas ou de meios de produção (siderúrgica. Com a expansão do comércio e. que se tornou cada vez mais poderosa. que praticamente não existe mais nos dias de hoje. em vários países — a ex-União Soviética. a Hungria. é feita com uma grande participação de capitais estrangeiros. Com a expansão do comércio. houve um progressivo enfraquecimento do feudalismo. e os senhores feudais — a classe dominante. carvão como principal fonte de energia. Unidade II ■ Primeira Revolução Industrial A Primeira Revolução Industrial. em maior ou menor grau. uma nova maneira de encarar o espaço e de agir sobre ele. Segunda e Terceira Revolução Industrial. ■ Industrialização planificada A industrialização planificada ocorreu somente no século XX. economias de mercado. etc. mão de obra especializada) e predominou do fim do I 2 I Qeoeconomia . a economia de mercado (de trocas) aos poucos ocupou o lugar da economia natural. Ela difere dos outros dois tipos por várias razões. Esse tipo de economia existiu durante várias décadas do século XX. como vimos. a economia planificada é mais centralizada que a economia de mercado. tenha se iniciado de forma tímida no fim do século XIX.O período que vai do século XVI ao XVIII pode ser considerado uma etapa primitiva do capitalismo (o capitalismo comercial). o que norteia a produção e os preços são os planos. força de trabalho não especializada nem qualificada). > utiliza basicamente tecnologia estrangeira. que é caracterizada por um desenvolvimento equilibrado entre esses dois tipos de indústria. o início de uma verdadeira produção do espaço. a Polónia. sistema socioeconómico predominante na Europa durante a Idade Média (século V ao XV). os países denominados socialistas e que adotavam economias planificadas. havendo pouco comércio. etc. ■ Segunda Revolução Industrial A Segunda Revolução Industrial exigiu uma base técnica mais complexa (refino do petróleo. tendo como etapa fundamental a Revolução Industrial.e as indústrias têxteis. que trabalhavam em troca de proteção e do uso em proveito próprio de uma porção de terras do feudo. Ou seja. a planificada. em que predominam as indústrias de base. —. a que preços vender. bancos. que podem ser anuais ou plurianuais (geralmente quinquenais). fazendas. ■ Industrialização tardia. isto é. no lugar do mercado.) são estatais e. ocorreu até o fim do século XIX. de cimento e outras). feita com bases técnicas mais simples (máquina a vapor. o se-tor de vanguarda. surgiu após o feudalismo. a burguesia. que se tornou a principal fonte de energia do século XX. pode-se afirmar que cada uma assinalou um momento de desenvolvimento tecnológico. proprietária dos feudos. ao contrário dos outros dois tipos de industrialização. os meios de produção (fábricas. Esse processo foi acompanhado pelo surgimento de uma nova classe. menciona-se que: > geralmente. ou Sul geoeconômico. etc). foi um processo longo. o chamado Terceiro Mundo. como mostra o estudo da história. nas quais predominam os capitais nacionais. Quanto à diferença entre Primeira. A partir do final dos anos 1980. diferente da relação servil: a relação assalariada. Numa economia planificada. A sociedade feudal era dividida em duas principais classes: os servos — camponeses. Ela foi importante para o avanço industrial dos países que adotavam economias planificadas. ao contrário das outras duas (a clássica e a planificada). são elaborados por órgãos técnicos — embora sempre exista uma evidente influência política — ou setores estatais encarregados de fixar metas (quanto se vai produzir neste ou naquele setor durante certo tempo. foi historicamente atrasada em relação à original e ocorreu em muitos países subdesenvolvidos. Estes. mas não ainda o capitalismo plenamente desenvolvido. > tem por base um maior desenvolvimento das indústrias de bens de consumo. máquinas e motores mais sofisticados e movidos a energia elétrica. petroquímica. desenvolveu-se uma nova relação de trabalho. que durou vários séculos. que criam ou adaptam as tecnologias em função de suas realidades. consistiu numa tentativa de superar a economia capitalista ou de mercado. Foi mais comum no século XX. onde comprar matérias-primas. Trata-se de uma industrialização que. quase todas as economias planificadas se tornaram. em que cada empresa planeja a sua atividade.e principal exemplo de industrialização . Esse processo significou não somente uma mudança de sistema socioeconómico. diferentemente da industrialização planificada. e produziu um tipo específico de industrialização.

Ora. como regra geral não houve a completa generalização do fordismo. Desse modo. Os Estados Unidos foram a grande potência económica e o principal modelo de industrialização dessa fase ou estágio da Revolução Industrial. em termos relativos diminui a importância da natureza . os transportes. entre tantas outras inovações. Existe um controle sobre o tempo gasto em cada tarefa e um constante esforço de racionalização. em quantidades nunca vistas anteriormente. torna-se necessário um imenso mercado consumidor. também denominada revolução técnico-científica. o aperfeiçoamento das máquinas para ampliar a produção. o fordismo. logo. para que a tarefa seja executada num tempo mínimo. etc). em particular na Alemanha (biotecnologia. consequentemente. que pode ser substituída por robôs. produtos agrícolas. principalmente. principalmente. Ele absorve algumas técnicas do taylorismo e vai além: trata de organizar a linha de montagem de cada fábrica para produzir mais. com o avanço da revolução técnico-científica. ambos típicos do século XX: o taylorismo e. Metais raros são substituídos por outros mais abundantes. de fato. Esse processo consiste num conjunto de métodos voltados para produzir em massa. com maior especialização e produtividade. Ela se iniciou tanto nos Estados Unidos. para os automóveis. Dessa forma. na Terceira Revolução Industrial e. O fordismo buscava ampliar a produção e o consumo. A lógica do fordismo consiste na seguinte ideia: para produzir em massa é necessário que existam consumidores para comprar toda essa produção (de automóveis. como as mencionadas. como no Japão (robótica. ainda há — um fordismo parcial. etc). termo que vem do nome do industrial estadunidense Henry Ford. foi um dos fatores que ajudaram na melhoria dos padrões de vida dos países desenvolvidos no século XX. localizado apenas em algumas áreas ou setores económicos específicos e atingindo somente uma pequena parcela da população. ao mesmo tempo. é preciso pagar bem aos trabalhadores para que eles possam comprar. com o consumo.que nem sequer consolidaram o estágio da Segunda Revolução Industrial. química fina). Cingapura e Hong Kong (hoje reincorporado à China). Ela se prolonga até os nossos dias. a formação da mão de obra. Na Segunda e. Nos demais países. consiste na rígida separação do trabalho por tarefas e níveis hierárquicos (executivos e operários). e as indústrias de novos materiais criam novas matérias-primas (novas ligas metálicas. e aqueles que produzem mais em menos tempo recebem prémios como incentivo. microeletrônica) e na Europa ocidental. por exemplo. O importante passa a ser a tecnologia e. todos serão obrigados a produzir num tempo mínimo certa quantidade de peças ou produtos. Agora. A generalização do fordismo. a não ser no fim do século XX Unidade II em alguns Estados: Coreia do Sul.em especial na África e no sul e sudeste da Ásia . existem diversos países subdesenvolvidos . o grande símbolo do fordismo). siderúrgica. o fordismo se preocupa também com o tempo livre e. caracterizada ainda pelo predomínio da indústria automobilística e outras indústrias a ela ligadas (petroquímica. com o tempo. o que aumenta a produção e os lucros. Como complemento do taylorismo. principalmente no seu aspecto social — o consumo em massa. que pressupõe um bom poder aquisitivo para a imensa maioria da população —. na Primeira Revolução Industrial. e que exigem muita tecnologia e maior qualificação da força de trabalho. nos países periféricos ou subdesenvolvidos. Seu grande lema era "produção em massa e consumo em massa". possam consumir em grandes quantidades. o tamanho do território de I 3 I Qeoeconomia . novos materiais para gravação de som e imagem. houve — ou em alguns casos. etc. e consumir mais. sobretudo na Califórnia (informática. Taylorismo e fordismo Dentro da Segunda Revolução Industrial dois aspectos ou processos se destacam. controlando melhor as fontes de matérias-primas e de energia. para a fuselagem de aviões. assim como tinham muita importância as matérias-primas em geral. que se preocupava mais com a máxima utilização do tempo de trabalho do operário. organização do trabalho sistematizada pelo engenheiro estadunidense Frederich W Taylor por volta de 1900. as pesquisas científicas e tecnológicas. metalúrgica. para isso. que utilizam produtos mais abundantes e baratos. uma vez que uma imensa parte do globo ainda não ingressou. que passa a produzir mais em menos tempo. especialmente. É marcada pelo predomínio de indústrias altamente sofisticadas. como no taylorismo. etc). O taylorismo. produzem-se novas variedades de géneros agrícolas e desenvolvem-se fontes de energia em laboratórios. um pioneiro da indústria automobilística no início do século passado. telecomunicações). e a maioria da população de qualquer país é constituída pelos trabalhadores. e também ocorre uma desvalorização das matérias-primas em geral. O taylorismo aumenta a produtividade da fábrica e a exploração do trabalhador. Não se trata apenas de trabalhar mais intensamente. ■ Terceira Revolução Industrial ou revolução técnico-científica A Terceira Revolução Industrial. e sim de trabalhar menos. encontra-se em andamento desde meados dos anos 1970 e deverá desenvolver-se mais plenamente no transcorrer do século XXI. surgiu na década de 1920 o fordismo. O tempo de cada trabalhador passa a ser vigiado e cronometrado. Ao contrário do taylorismo. Taiwan.isto é. Isso porque aumenta constantemente a reciclagem de produtos. a procura por mão de obra barata e sem qualificação era imensa.século XIX até meados dos anos 1970. O fordismo marcou a supremacia industrial dos Estados Unidos no século XX e foi adotado em praticamente todos os países desenvolvidos. pelo menos da imensa maioria delas (minérios. diminui a procura por força de trabalho pouco qualificada. dessa forma.

depois. isso mudou: os novos setores de ponta em tecnologia e na indústria representam aplicações de conhecimentos científicos . a importância da ciência e da tecnologia avançada mudou radicalmente. Em vez de serem apenas um elemento a mais. praticamente todas as economias desenvolvidas. a invenção da roda. que. também conhecido como produção flexível. da genética. Mas. até mesmo dispensá vel. Para amenizar esse problema está se introduzindo o justin-tíme. -. O Japão foi o grande exemplo dessa nova organização capitalista. em maior ou menor grau. Precisa-se a cada dia de menos trabalhadores. aquelas de tecnologia de ponta ou de vanguarda. o que encarece os produtos. da empresa.da microfísica. seguido pela Alemanha e por outros países. É a passagem do fordismo para o pósfordismo. No decorrer da História. Mais da metade dos trabalhadores nos Estados Unidos. ou seja. porém mais qualificados e importantíssimos para o funcionamento da produção flexível. hoje as novas regiões industriais.um país. já tem um horário flexível. primeiro. funcionários qualificados e com maior escolaridade. caso contrário ficarão até mais tarde. ao gosto de cada cliente ou consumidor. É por esse motivo que se fala em "revolução técnico-científica" para designá-la. implica produção em massa. existe uma prioridade da produção. se conhecesse algo na prática e.não no sentido de qualificação ou estudos. Mas a regra geral era que. um grande desperdício: pois se produz em enormes quantidades. que é a educação. passaram a fabricar automóveis exatamente iguais aos dos Estados Unidos. que substitui a mão de obra técnica e repetitiva predominante no fordismo. As empresas japonesas nas décadas de 1970 e 1980. Nos custos de produção já se embute o desperdício (artigos defeituosos em grande quantidade. etc. com detalhes e diferenças que o fordismo jamais levou em consideração. objetos que não encontram compradores. depois se vende ou se tenta vender . Com a Terceira Revolução Industrial. O fordismo. Para comparar. e hoje até as estadunidenses e as europeias. com influências recíprocas. elas passaram a ser elementos centrais. desde os anos 1990. Hoje ocorre uma mudança. nas relações entre as empresas e seus funcionários e entre as empresas e os consumidores. viesse a teoria. os seus recursos naturais em geral . Nas últimas décadas. sobre o consumidor. como afirmam alguns autores. a domesticação de animais e plantas há milhares de anos. não se localizam mais nas áreas onde existem matérias-primas (carvão. ao mesmo tempo. como vimos. com controle de tempo sobre cada trabalhador) por uma produção mais flexível. etc. utilizando a linha de montagem e a padronização dos bens ou serviços. um método de produção que parte das Unidade II necessidades do consumidor. apesar de diminuir a necessidade da força de trabalho. eram necessários horários rígidos. com controle sobre o uso do tempo de cada funcionário. etc. minérios). aqueles que comandam o ritmo e os rumos das mudanças. esses funcionários qualificados passam a ser essenciais numa empresa moderna. é fazer as pessoas desejarem alguma coisa. Com isso. Por esse motivo. mais importantes que as matérias-primas ou as fontes de energia. A mão de obra criativa substitui aos poucos a força de trabalho técnica. mas. O controle do ponto. com atividades repetitivas. por exemplo. conhecimento puro e sem aplicação. Além disso. do horário. Na Segunda Revolução Industrial. se começarem a jornada mais cedo. ou seja. imitando ou adaptando alguns métodos japoneses e se modernizaram. do "poder cerebral": novas ideias e técnicas. I 4 I Qeoeconomia . tal a necessidade de massificação. no início. até mesmo com o volante do lado esquerdo (os ingleses preferem do lado direito). quando foram para o Reino Unido nas primeiras décadas do século XX. mas podem começar às 8 ou às 11 horas. como ocorria nas velhas regiões industriais. pela robo-tização e pelo uso de uma força de trabalho mais qualificada. podemos lembrar que as indústrias Ford. da ecologia. a força de trabalho em geral era especializada .e mecânica. no consumo. vêm. como ocorria anteriormente. mesmo que não rrecisem dela nesse método existe uma imensa produção e ao mesmo tempo. o desperdício diminui e também a relação produção-consumo passa a ser mais igualitária. Isso é facilitado pela informática. a influência dos funcionários aumenta. a humanidade sempre criou e utilizou recursos técnicos . foram considerados "inúteis". aumenta muito o valor dos chamados "recursos humanos" ou. Com essa mudança. as atividades se tornam mais criativas e exigem mais qualificação. Mas essa mudança precisa de outra. Por isso.e aumenta o valor da ciência e da tecnologia com o seu alicerce ou a sua base. fabricando somente o necessário e com grande controle de qualidade. ■ Novas regiões industriais ou tecnopolos Por causa da importância da ciência e da tecnologia. A Terceira Revolução Industrial utiliza muito mais a ciência e a tecnologia do que as duas anteriores. já fabricavam carros e outros bens personalizados. já perdeu importância para a qualidade do trabalho.basta lembrar o controle do fogo. isto é. Para tanto. Eles devem trabalhar seis ou sete horas por dia. além de consuni de massa. Em outras palavras. inclusive a estadunidense (que até os anos 1980 criticava o "modelo aponês"). que lhe é complementar: a substituição da linha de montagem (na qual cada objeto é produzido de forma idêntica aos demais. a ciência. sem preocupações com a qualidade das merciorias. terminarão antes. Do fordismo à produção flexível A Terceira Revolução Industrial representa também uma progressiva mudança nos métodos de produção e de trabalho. Elas se encontram principalmente nas proximidades de importantes centros de pesquisa e de ensino universitário. visto somente pelo seu poder de compra a função da publicidade é massificar. o horário já não é tão importante. de teorias avançadas da matemática. e sim no de fazer uma só atividade .

Reino Unido.Algumas vezes. na Itália. e sim as universidades e institutos de pesquisas que existem nessas áreas. considerada a iniciadora e impulsionadora desse polo tecnológico) e San José. as regiões de Berlim e do Vale do Neckar (onde se encontram a Universidade de Heidelberg e o Instituto Max Plank de biotecnologia). na costa oeste dos Estados Unidos. que são muito comuns . perto de Boston e do Instituto Tecnológico de Massachusetts. Outros exemplos importantes de tecnopolos são: a chamada Route 128. França. a região de Milão. ou uma continuação delas. existe uma coincidência entre as velhas e as novas regiões industriais. A ciência e a tecnologia se desenvolvem principalmente em universidades e institutos de pesquisas. a 48 km ao sul de São Francisco. mas o importante não é mais a existência de recursos naturais nem mesmo o mercado consumidor local. que reúnem centros produtores de tecnologia e indústrias de informações ou biotecnológicas. o chamado Corredor M4. O grande exemplo é o Vale do Silício (Silicon Valley). no Japão. ao redor de Londres. tais como os casos de Paris. Unidade II I 5 I Qeoeconomia . no nordeste dos Estados Unidos. onde há uma integração entre as indústrias de alta tecnologia e esses institutos e universidade. Alguns autores chamam essas novas regiões industriais da Terceira Revolução Industrial de tecnopolos.e de óti-ma qualidade nessas regiões. Há inúmeros exemplos dessas novas regiões industriais de ponta. entre Palo Alto (onde está a Universidade de Stan-ford. na Alemanha. no condado de Santa Clara. a região ParisSud. a região de Tóquio. Londres. Tóquio ou Milão. no sul de Paris.