Baker Hughes Brazil Pressure pumping – Cimentação Base Macaé

RELATÓRIO DE TREINAMENTO NO LABORATÓRIO DE CIMENTAÇÃO

Renan da Silva de Siqueira
Field Engineer I

Outubro/2013

Renan da Silva de Siqueira – Field Engineer I Pressure Pumping

1 – INTRODUÇÃO
O objetivo deste texto é relatar as atividades desenvolvidas e aprendidas no trabalho realizado pelo Laboratório de Cimentação da base de Pressure Pumping em Macaé. Na engenharia de cimentação, é fundamental conhecer todos os procedimentos necessários para o teste do cimento que será utilizado no poço, assim como a maneira correta de realizá-los, atendendo todos os requisitos internacionais, governamentais, internos e do cliente. Os serviços prestados pelo laboratório são de fundamental importância para a operação, pois fornece dados primordiais à realização da mesma, além de garantir sua qualidade. Sendo esta uma das etapas básicas do processo de cimentação, um entendimento detalhado destes procedimentos é obrigatório para a excelência do serviço prestado como engenheiro.

2 – SEGURANÇA, SAÚDE E MEIO AMBIENTE
Como valor primordial da BHI, a preocupação com segurança, saúde e meio ambiente está presente em todas as atividades e deve ser o primeiro item a ser analisado no trabalho. O serviço prestado pelo setor de HSE&S, responsável pela avaliação dos riscos e ações corretivas, está presente de diferentes formas no Laboratório de Cimentação, lembrando sempre que tal tarefa deve ser diariamente executada por cada funcionário para que funcione corretamente. O HRA dos procedimentos realizados pelo laboratório está presente no mesmo, mostrando o risco inerente a cada atividade e a forma de reduzi-lo. Além disso, há o mapa de riscos biológicos, químicos, mecânicos, ergonômicos e físicos vinculado a sua entrada. Com estas avaliações alguns controles podem ser feitos. Existe alguns controles de engenharia e administrativos, como a presença de exaustores e sinais de advertência. Para diminuir os riscos ao máximo, é adotado o uso obrigatório de EPIs, sendo eles: bota, jaleco e óculos, além de luvas e máscara quando houver manuseio de substâncias que as requerem, de acordo com o que está especificado HRA. Cada procedimento possui o ferramental certo para a realização da tarefa, de forma que em nenhum momento é necessário o uso de força excessiva e improvisações para realização do procedimento. A organização e limpeza devem ser constantemente atentadas por cada um, garantindo assim um chão sempre seco e limpo, reduzindo a possibilidade de escorregões, além de um trabalho bem feito e eficiente. Existe também as Fichas de Emergência, que são fichas contendo informações sobre cada produto químico presente no laboratório, assim como a forma correta de manuseá-los, risco a saúde, inflamabilidade, reatividade, risco ambiental e outros, além dos procedimentos a serem realizados em casos de emergência. O descarte é realizado

2 / 20

Define. contém procedimentos bem especificados. Fornece. Nos tópicos a seguir. ou seja. tempos mais específicos para a realização de determinados procedimentos. O Laboratório de Cimentação de Macaé segue três normas: API. Esta norma define alguns equipamentos e procedimentos básicos. por exemplo. Isto reduz a possibilidade de erros humanos e uniformiza o resultado seja lá quem o execute ou onde. No caso do Laboratório de PP em Macaé. é ele que serviu de maior base para tal descrição aqui realizada. constituído de tubos que vão sendo introduzidos e encaixados uns aos outros até atingir o mesmo comprimento da perfuração (formando o chamado case string). Estes procedimentos são determinados com o objetivo de garantir a qualidade e ser fator de excelência no serviço prestado pela empresa sobre as concorrentes. Os principais objetivos de cimentar são: 3 / 20 . Define. de forma a proteger o meio ambiente. No quesito calibração de equipamentos. por exemplo. Procelab: procedimentos exigidos pelo maior cliente da BHI Brazil. que amostra de cimento deve ter pelo menos 5kg. dando especificações menores e limites maiores aos que são normalmente adotados pela empresa. 4 – CIMENTAÇÃO A cimentação faz parte do processo de revestimento do poço para a produção do petróleo. Sendo assim. Após a perfuração. SOP e Procelab. de forma a atingir resultados consistentes e de qualidade. SOP: procedimentos internos da BHI. sobre os testes. incorporando os da API. API Spec 10: possui as normas internacionais de procedimentos para laboratório de cimentação. a Petrobrás. o menor. é utilizado sempre o intervalo mais conservador. Não cobre todos os testes realizados pela BHI. no entanto. é introduzido no furo o revestimento. Ainda estão presentes uma ducha e lavador de olhos para casos emergenciais e uma saída de emergência. A cimentação constitui em introduzir cimento entre o espaço anelar que existe entre o revestimento e a formação. e são os mais relevantes ao trabalho no laboratório. tabelas padrão para o trabalho de cimentação a serem seguidas. como a própria classificação do cimento.Relatório de Treinamento em Laboratório de Cimentação 2013 separadamente de acordo com o especificado por cada produto. cada norma define o seu intervalo de calibração para cada equipamento que deve ser realizado. 3 – NORMAS DOS PROCEDIMENTOS LABORATORIAIS Todas as atividades realizadas pelo laboratório devem seguir procedimentos padronizados.

previne colapso do solo e evita inundações no poço.1 – Tipos de Revestimento . trazendo os benefícios dados pela cimentação anteriormente discutidos. Também é comumente utilizado Liners nesses casos.Direcionar o fluxo de óleo e gás. é o revestimento mais longo. . Em alguns casos. . chamados de Openhole Complitio.Abandonar poço de forma segura. ou Oil String.Isolar de zonas de alta pressão e temperatura.Centralizar o revestimento e estabilizar o mesmo. geralmente um máximo de 100 pés.Produção: Também chamado de Long String. pode não ser cimentado. Será o responsável por conduzir o petróleo à superfície. possui o menor comprimento. se estendendo desde a superfície até a camada de produção. 4. Nem sempre é cimentado. Como possui a função majoritária de dar estabilidade às operações de perfuração. por proteger os lençóis freáticos de contaminação. pode ser colocado por bate estaca. 4 / 20 .Renan da Silva de Siqueira – Field Engineer I Pressure Pumping . Sua importância é proteger o poço contra áreas perigosas na formação.2 – Tipos de Cimentação . como regiões de alta temperatura e pressão. Sendo assim. acima do poço de petróleo. Será conectado ao sistema de prevenção a vazamentos e pode até mesmo exceder 5000 pés. onde o óleo e gás se encontram.Condutor: Primeiro revestimento do poço. mas não deve se estender muito por motivos econômicos e também para prevenir a formação de aglomerações e sedimentação do cimento.Primário: É a cimentação realizada imediatamente após o revestimento ser colocado no poço. tem grande importância ambiental. 4. .Intermediário: Passando por dentro do revestimento de superfície. Seu ponto crucial é o WOC (Waiting of cement). Este tempo deve ser o suficiente para que se possa bombear a pasta. pode ou não se estender da superfície. que é o tempo em que o cimento leva para ter resistência o suficiente para que a perfuração prossiga. . . Pode ser muito longo e necessitar de complementos (Liners).Superfície: De diâmetro inferior ao do revestimento condutor. Ele consolida formações superficiais. . indo até uma região anterior onde os hidrocarbonetos começam a ser detectados. se estende desde a superfície até abaixo dá última camada de água potável. .Selar para evitar a contaminação de água. possuindo assim o maior diâmetro.

sendo os mais amplamente utilizados pela base de Macaé o Classe G.Squeeze: É operado em regiões onde há aberturas no revestimento. . É feito então um bombeamento do cimento a alta pressão na região desejada para que ele penetre na formação e vede as aberturas.Tampão: Existem três tipos.Água de mistura: formada pela água (industrial ou do mar) mais a presença dos aditivos. esta coluna curta é introduzida na base do último revestimento. requer procedimentos específicos nos testes. . Quando áreas perigosas são detectadas. podendo levar algumas semanas para se concluir. e deseja-se tampar para evitar vazamentos e contaminação. O de abandono. Encontrada pelo GG médio ou por registradores de temperatura decidos ao posto.Liner: Funciona como uma espécie de “emenda” ao revestimento intermediário ou de produção. . são requeridos 7 diferentes procedimentos. O de desvio. -Gradiente Geotérmico (GG): razão entre o aumento de temperatura do poço (BHCT – Tamb) e a profundidade do poço. E o tampão de isolamento. 20% a mais água. ao invés de introduzir um novo revestimento desde a superfície. .Mistura seca: formada pelo cimento e alguns aditivos sólidos se for o caso. onde são variadas algumas circunstâncias para simular erros na operação (BHCT com 20ºF a mais. entre outros). 5 – CONCEITOS Alguns conceitos e siglas comuns na área são aqui brevemente explicados. responsável pela selagem segura do poço após fim da produção.Relatório de Treinamento em Laboratório de Cimentação 2013 .Cimento: similar ao utilizado na construção civil. O cimento será então injetado a partir do início do Liner e bombeado pelo anular até a emenda perfeita.2 a mais de densidade. . quando deseja-se somente isolar uma região do poço. processo de fabricação. para garantia da qualidade. São classificados segundo a API em classes de A a H de acordo com resistência a compressão.BHST: temperatura estática máxima encontrada no fundo do poço. para cada Liner. seja intencional ou não. 5 / 20 .Pasta: é a composição formada após a homogeneização da mistura seca com a água de mistura quando ainda fluida e bombeável. . quando deseja-se isolar parte de um poço para iniciar uma nova perfuração em desvio a partir daquele ponto. 0. Por geralmente estar posicionado em camadas críticas. Atualmente. entre outras formas. entre outros aspectos. mas com propriedades modificadas pela adição de aditivos. trazendo grande economia. para reduzir o custo. Estes testes então são de maior complexidade. .

6 / 20 .BHCT: temperatura mínima encontrada no fundo do poço após a circulação de fluido. Seu uso evita atrasos. assim como propriedades do colchão. mas reduz sedimentação e perda de filtrado. que além de ser financeiramente ruim.Renan da Silva de Siqueira – Field Engineer I Pressure Pumping .Colchão Lavador: fluido colocado na frente da pasta no bombeamento para lavar o revestimento e melhorar aderência invertendo a molhabilidade se preciso. São utilizados aceleradores e retardadores para o controle desta propriedade.1 – Propriedades da Pasta . poços frios e tampões.Tempo de Pega O tempo de pega é função da temperatura e pressão e decresce com o aumento dos mesmos. Ela aumenta a viscosidade e força gel. Encontrada por simulações ou tabelas API de acordo com operação e GG médio. 6. sendo um aditivo sólido argiloso que deve ser hidratado por duas horas antes de ser utilizado. Inicialmente.Densidade A densidade da pasta é uma propriedade fixada pela engenharia e geralmente são usados aditivos extendedores para este controle. 6 – ADITIVOS São substâncias químicas com a função de modificar as propriedades da pasta ou do cimento endurecido. por conta do cimento utilizado. . . Seu uso é mais comum em revestimentos de superfície. Os retardadores são atualmente mais utilizados. os aceleradores de pega eram mais amplamente utilizados. A Bentonita é o aditivo mais utilizado.Força Gel: força necessária para movimentar a pasta após esta permanecer parada por algum tempo.Colchão Espaçador: fluido de peso específico programável com a função de separar a pasta do fluido de perfuração. o aumento da água reduz proporcionalmente a resistência compressiva do cimento. Pastas menos densas possuem maior rendimento. e não agridem formações mais fracas. . podendo também funcionar como lavador. pode ocasionar em formação de bolsa d’água e separação dos componentes da pasta. . No entanto. fazendo a resistência crescer mais rápido. por usarem mais água.

Perda de filtrado É a água perdida da pasta antes da pega devido à pressão que esta está submentida. após o cimento esfriar. além da pressão hidrostática. 6.Viscosidade A viscosidade está relacionada a fricção no tubo. de forma que esta fique mais leve a pasta e mais pesada que o fluido de perfuração. e a possibilidade de se obter um regime turbulento de escoamento. Tal retrogressão é evitada pela adição de sílica à mistura seca. Aditivos de base polimérica são utilizados para este controle.4 – Aditivos mais comumente utilizados no Laboratório da base de Macaé No tempo permanecido no laboratório. São utilizados dispersantes ou encorpantes para este controle. 6. Outros aditivos para controlar a viscosidade e compatibilidade deste também são utilizados. Entende-se por efeito primário a alteração principal e majoritária que o 7 / 20 . risco a formação. 6. mas um efeito de retrogressão desta força é observado com o tempo. Esta resistência varia com a temperatura. perda de bombeabilidade e desidratação prematura. mostradas na tabela a seguir. .3 – Propriedade do Colchão São geralmente usados no colchão dois principais tipos de aditivos: um para dar o efeito de lavador e outro para controlar a densidade do mesmo. vedando a entrada de cimento nestas formações.Relatório de Treinamento em Laboratório de Cimentação 2013 . pôde ser observado o uso de aditivos mais comumente utilizados e seus efeitos observados por experiência. Normalmente estes aditivos influenciam na água livre ou controle de filtrado. causando problema ao cimento e redução do seu volume. . Estes aditivos evitam que cimento entre nestas camadas e pare de subir pelo espaço anelar. A perda de filtrado pode causar descentralização do tubo de revestimento.2 – Propriedades do Cimento A resistência compressiva é a característica mais importante que deve ser observada após o endurecimento do cimento. Esta resistência deve ser o suficiente para suportar as pressões presentes no poço. que pode elevar a temperatura da pasta.Resistência a perda de circulação São aditivos que servem de selo a camadas perfuradas que são naturalmente fraturadas.

Controla filtrado. Causa expansão após pega. ASA Encorpante. Uniformiza hidratada) pastas leves e evita aglomeração.Renan da Silva de Siqueira – Field Engineer I Pressure Pumping aditivo causa. BA-58 (Bond Agent) Estabiliza pasta. Nome CD-33 (Cement Dispersant) R-21 (Retardador) Efeito Primário Afina a pasta. FL-66 (Fluid Loss) Controle de filtrado. melhorando junção com a formação. BA-10 (Bond Agent) Controle de filtrado Sólido usualmente utilizado em poços com gás. NaCl (sal) Usado em poços em que pode haver contaminação por camada de sal. SR (Retardador Sintético) Diminui tempo de pega. Também utilizado para temperaturas maiores que 180ºF. Afina a pasta. reduzindo a viscosidade. Sensibilidade ainda maior. R-8 (Retardador) Diminui tempo de pega. Diminui tempo de pega. Tabela 1 – Aditivos da pasta Efeito Secundário Retarda a pasta. Sílica Evita retrogressão. Acelera a pega. 8 / 20 . FP Anti-espumante. LW (Light Weight) Adicionado à mistura seca diminui o peso do cimento. BPH (Bentonita pré. mas pode retardar se estiver saturado e a altas temperaturas. Usualmente utilizado para aumento de viscosidade. sendo usado para testes a altas temperaturas. BJ-Ultra Controle de filtrado. Alta sensibilidade. mantendo a boa resistência do cimento. e efeito secundário como uma influência menor observada de alguns aditivos em outra propriedade. Controla filtrado (sendo na realidade este o efeito primário nominal) Acelera a pega (pouco). evitando que ela decante ou aglomere. Afina a pasta.Extensora. Normalmente acelera a pega.

.6 consistômetros pressurizados.3 agitadores (blenders) para mistura da pasta. Equipamento completamente automatizado com CPU própria para testes de tempo de pega e Gel dinâmico. .2 viscosímetros para medições de reologia.Relatório de Treinamento em Laboratório de Cimentação 2013 Nome Paravan X/LB Ultraflush Efeito Primário Solvente lavador. Requer 1 min de hidratação. . Requer 1 min de hidratação sob agitação. sendo 1 deles para testes estáticos e a temperaturas abaixo de 180ºF e outros 2 para testes de filtrado sob agitação ou com temperaturas superiores a 180ºF. 5 deles possuem um cooler conectado para resfriamento. . Salmoura (ou Cadite quando menos Mistura de água e sal. 9 / 20 . podendo rodar 2 testes simultaneamente. sendo uma delas com pistão de pressurização.1 câmara de cura para cura do cimento em diferentes formas para ensaio de resistência compressiva destrutivo e de estabilidade. . 1 deles possui a funcionalidade para teste de molhambilidade. Tabela 2 – Aditivos do colchão 7 – EQUIPAMENTOS Os principais equipamentos do laboratório utilizado nos testes de cimentação são: . . Rodam testes de tempo de pega. . MCSA Age como detergente (surfactante). Aumenta a viscosidade. Baritina Aumenta densidade do colchão.1 CTE (Consistômetro portátil).3 consistômetros atmosféricos tipo twin.3 filtros para testes de filtrado. . . Possuem controladores programáveis de temperatura e pressão e timers para hesitação de motor.3 UCAs para testes de resistência compressiva.3 balanças de precisão.1 equipamento para teste Gás Flow. sendo um deles twin. Um deles com capacidade de fazer teste de Gel estático.2 balanças para medição de densidade. . homogeneização e simulam batch mix. Usado quando a concentrado) pasta é salina. retira as impurezas.

onde se define de forma inicial as concentrações de aditivos e densidade da pasta. . com um volume aparente de 1ft³. Devem conter a data de validade. 10 / 20 . Há também as rampas de temperatura e pressão. . que simulam as condições em que a pasta será submetida no poço quando estiver sendo bombeada.. BHST. Tais produtos devem estar rotulados e legíveis. BHCT.Fator água cimento (FAC): Porcentagem de água doce em peso para 1 saco de cimento. É também realizado no laboratório pesquisas relacionadas à novas misturas e produtos. . 8. Os lotes de cada produto devem ser respectivo ao que se encontra na sonda. Os testes são requeridos pela equipe de engenharia. . . Juntamente serão encontrados as massas necessárias de cada aditivo e de cimento.Renan da Silva de Siqueira – Field Engineer I Pressure Pumping 8 – TESTES Os testes realizados no laboratório são de dois tipos: os pre-jobs. para definir a pasta e garantir que a mesma possui as propriedades necessárias para determinado tipo de trabalho. que contém informações do poço (Sonda. e os pos-jobs. Cliente. Os procedimentos explicados a seguir são baseados primordialmente no Procelab.Saco de cimento: 94lb.Volume específico: inverso da densidade de cada componente [gal/lb].1 – Cálculo de Pasta O cálculo da pasta tem como principal incógnita encontrar a concentração de água na pasta para que se obtenha a densidade especificada. testes realizados antes da operação. . que é a verificação das propriedades da pasta. com água de mistura e mistura seca vindos da própria sonda..Rendimento da pasta: Volume da pasta pra 1 saco de cimento [ft³/sk]. Alguns dados deste cálculo são explicados a seguir: . para controle de qualidade.. ou retestes. No laboratório é então montada a prévia. sendo que o laboratório tem o padrão de qualidade de nunca usar lote vencido. tipo de operação.Densidade da pasta: massa/volume da pasta dada em ppg [lb/gal].Fator água de mistura (FAM): Volume de água de mistura para casa saco [gal/sk].) e os dados da pasta.Concentração de aditivos: dados em [gps] para aditivos líquidos e porcentagem do peso do cimento para aditivos sólidos.

Após isto. com o auxílio de uma pipeta ou seringa.2 . retirar a palheta e mexer a pasta com uma espátula por 5s.3 – Homogeinização Para testes de bancada. A ordem padrão de adição dos aditivos é: Anti-espumante -> Controlador de filtrado -> Dispersante -> Retardador Após estiverem prontos. Ao fim.Relatório de Treinamento em Laboratório de Cimentação 2013 8. Após isso. são adicionado os outros aditivos. Assim é normalmente adicionado primeiro a água. A mistura seca deve ser preparada quando necessário. Após preparo da pasta. sendo os aditivos pesados separadamente e agitados em um saco plástico por 2min. abri-la. Todos os elementos são pesados em uma balança de precisão. a mistura seca deve ser adicionada à água de mistura sob uma agitação de 4000rpm por no máximo 15s. Todas estas etapas requerem o uso de máscara de pó. Após os lotes de cada produto serem devidamente identificados. tendo também a função de aquecer a pasta. se for o caso. Líquidos viscosos requerem uma breve agitação antes de se prosseguir.Preparação da Pasta São preparado por padrão sempre um volume de 600cm³. desligar o consistômetro. 8. é necessário uma agitação a 12000rpm por 35s. Para temperaturas maiores que 180ºF deve ser utilizado o consistômetro pressurizado. 11 / 20 . . Ao fim. o consistômetro deve sempre iniciar na temperatura ambiente (80ºF). Para testes aquecidos. Outros aditivos sólidos devem ser devidamente pesados e adicionados à água de mistura sob uma rotação de 4000rpm. retirar a célula.Preparo de colchão Para preparo do colchão deve-se apenas estar atento aos aditivos que requerem hidratação. o Ultraflush e deixa parado por 1 min para hidratação. verifica-se a estanqueidade e as condições da palheta do misturador. Aditivos líquidos podem ser adicionados na ordem dada diretamente à água utilizando-se a opção “tara” da balança de precisão. devendo ser esperado o tempo necessário para atingir temperatura final (BHCT) caso esta não seja atingida após os 20min. verter à célula do consistômetro em no máximo 1min e deixar homogeneizar por 20min. como MCSA e Paravan e deixado sob agitação até mistura estar bem homogênea. a baritina é adicionada sob agitação de 4000rpm e também deixada para hidratar por mais 1 min. Este processo consiste na utilização de um consistômetro atmosférico que possui uma palheta que irá mexer a pasta a uma velocidade de 150rpm. é necessário que a pasta seja homogeneizada após preparada.

A balança constitui de um compartimento com volume fixo. Assim tem-se a garantia de que o volume está correto e a precisão é maior. Este bob é preso a uma mola. o limite de escoamento (LE) e a viscosidade plástica (VP) poderão ser encontrados. 300. 200. O procedimento da reologia se inicia imediatamente após a Homogeneização e pode ser realizada a temperatura ambiente ou aquecida (BHCT). Após então verter a pasta ao copo. Este modelo estabelece uma relação linear entre a tensão de cisalhamento e a taxa de deformação (γ) da pasta. visto a seguir. deve-se utilizar um copo térmico configurado na mesma temperatura do teste. Tais parâmetros são de fundamental importância para a mecânica de bombeamento da pasta. 100.γ τ =F γ. 30. onde é encaixado um pistão que colocará pressão no compartimento e expulsará as bolhas de ar. preso à mola.4 – Peso específico Para este teste é utilizado uma balança de equilíbrio. Este ângulo (θ ) é proporcional a tensão de cisalhamento (τ ) da pasta e será medido para diferentes rotações da camisa. este é instalado na base do viscosímetro. Assim. 60. Para melhor precisão. girará em uma certa angulação que será medida. o fluido que estará presente no espaço anular causará um arrasto do bob que.Fmola. 6. sempre verificando a temperatura. é também realizado a medição pressurizada. de acordo com o modelo de Bingham. 12 / 20 . O equipamento utilizado é um viscosímetro. em rpm: 3. τ = LE + VP. quando a camisa gira. Cada medição deve ser realizada a cada 10s. que consiste numa camisa rotativa e um cilindro maciço chamado bob por dentro desta camisa. 100. 60. Assim.Renan da Silva de Siqueira – Field Engineer I Pressure Pumping 8.Ω Sendo F γ uma constante tabelada que depende da configuração de camisa-bob do equipamento. 8. 200. é possível saber a densidade por se ter um volume conhecido. Para o caso aquecido. As medições devem ser feitas na seguinte sequência de rotação. que é proporcional a velocidade de rotação da camisa. 6 e 3. e levantado até o nível da pasta para se iniciar a medição.5 – Reologia O objetivo deste teste é a medição dos parâmetros de limite de escoamento e viscosidade da pasta. ao se colocar o cimento e pesá-lo.θ γ = F γ. 30. e Fmola uma constante também tabelada de acordo com a mola. o compartimento onde é colocado o cimento possui uma tampa. Neste teste. que já deve estar numa rotação de 3rpm.

Portanto. a mangueira de pressão é colocada. A pasta deve vir da homogeneização e o teste deve ser iniciar em no máximo 6min ao fim da mesma. O resultado será calculado segundo a seguinte fórmula: V = (2. imediatamente após a reologia.5. equipamento específico pode ser utilizado.6 – Filtrado Como citado anteriormente. VCOLETADO é o valor medido pela proveta e t é a duração do teste. Ao final. com a trava de segurança e a aplicação de pressão é feita abrindo-se a válvula de nitrogênio pressurizado.1 – Temperaturas menores que 180ºF Em testes com temperatura menor que 180ºF pode-se utilizar o Filtro prensa. A célula é então colocada na posição correta no filtro. pode-se verificar também a sedimentação se houver uma queda significativa nas segundas leituras das rotações.477)/ t0. A válvula superior da célula deve estar fechada e a pasta é colocada pelo fundo o mais rápido possível. A desidratação da pasta pode acarretar em pega prematura e contração do volume. o valor de V será simplesmente o dobro de VCOLETADO. deixando um espaço de 20mm em relação ao apoio da peneira. a camisa é colocada sob rotação de 300rpm por 1 min. sendo a válvula de saída fechada após isso. a célula já deve estar montada e pronta para receber a pasta.5 Onde V é o volume resultante. A célula então deve ser fechada cuidadosamente em no máximo 2min. 8. caso o teste atinja os 30min. A peneira deve ser colocada com face para baixo e o O-ring de borracha. faz-se também a medição de gel inicial e final. Para mais dados sobre este parâmetro. o teste de filtrado é feito para se verificar quanta água o cimento pode perder quando sobre pressão em uma formação permeável. que deve ser pré-aquecido na temperatura do teste. O aumento das leituras indica geleificação da pasta 8. devido ao risco envolvido pela pressão presente. Além disso. O filtrado é recolhido com o auxílio de uma proveta. a pasta é descartada e verifica-se com uma espátula se houve sedimentação da pasta. A pressão deve ser aliviada primeiramente na 13 / 20 . caso tenha sido notado que a filtragem acabou antes dos 30min.6. Desliga-se o viscosímetro então por 10s e mede-se o gel inicial ligando-o rapidamente em 3rpm.VCOLETADO. mas comumente usada para força gel. Assim. causando grandes problemas. A API determina que o teste deve ser realizado com a pasta a uma pressão de 1000psi por no máximo 30min. Isto fornece parâmetros sobre a força gel da pasta. Finalmente abre-se a válvula de saída e aciona-se o cronômetro.Relatório de Treinamento em Laboratório de Cimentação 2013 Após as medições de reologia. O fim do teste e abertura da célula deve ser feito com extremo cuidado. Está é uma medição simples. A pasta é então deixada novamente parada por mais 10min e novamente é feita a medida rapidamente a 3rpm. Para tal.

Em geral. Este equipamento tem a capacidade de agitar a pasta enquanto a pressão é aplicada.2 – Temperaturas maiores que 180ºF ou Filtrado sob agitação Para estes tipos de teste um outro equipamento deve ser utilizado. para que o diferencial de pressão dentro da célula seja o mesmo valor de 1000psi do teste anterior. Após a homogeneização. sendo notado um bom vedamento somente com filtrado menor que 30mL. A mesma fórmula para resultado é aplicada. Liners também podem exigir um filtrado de no máximo 50mL. baixou ainda mais este limite para gás. 8. Inicia-se o teste e toda vez que for notada uma pressão maior que 100psi no condensador. sobre uma espuma e com bocal vedado. se for caso. A experiência dos membros do laboratório.Renan da Silva de Siqueira – Field Engineer I Pressure Pumping mangueira e depois na célula após ela ser resfriada. a válvula deve ser aberta para que se recolha o filtrado. A pressão a ser aplicada então será de 1100psi.6. com maior grau de complexidade. deseja-se que a água livre da pasta seja zero. para evitar evaporação. simulando o momento em que a pasta ainda está sendo bombeada. é medido a água sobre a superfície da pasta com uma seringa. sendo que o teste também pode terminar antes deste tempo. Para testes aquecidos. mas antes de se iniciar o teste é aplicado 100psi ao condensador citado. sendo que para casos de gás deve ser menor que 50mL. Pode ser simulado um poço inclinado. sendo que existem alguns padrões sobre o mesmo. O resultado é expresso em porcentagem do volume de água livre sobre o volume inicial da pasta (250mL). através do teste Gás Flow. caso seja notada um aumento brusco da pressão na célula. Ele também consegue pré-aquecer a temperaturas superiores a 180ºF e apresenta um condensador na válvula de saída.7 – Água Livre O teste de água livre serve para verificação de perda de água da pasta em condição estática e sem pressurização. A API determina um máximo de 100mL de filtrado. colocando a proveta num ângulo de 45º. a proveta deve ser colocado em banho maria e realizado o mesmo procedimento. Após 2h. 8.3 – Resultado do filtrado O resultado pode ser estipulado na solicitação. ela deve ser colocada sobre o suporte de proteção.6. 250mL da pasta é colocada em uma proveta. O procedimento é simples. 8. Este condensador é necessário. que deve estar em um ambiente ausente de vibrações. que evita a possibilidade da impulsão de projéteis pela pressão. Antes de aliviar a pressão na célula. 14 / 20 . Os procedimentos são similares ao anterior. O mesmo padrão de 30min também é aplicado. pois a estas temperaturas a água entra em ebulição.

Vê-se então o quanto esta contaminação alterou a pega do cimento. Por fim. deve-se fazer a reologia de cada fluido separadamente. Após isto é colocado 200mL de colchão e isto é colocado no viscosímetro a uma rotação de 300rpm (base do rotor deve estar alinhado a base da janela). pode-se também realizar um teste de Tempo de Pega.8 – Eficiência de Colchão O teste de eficiência de colchão tem o objetivo de medir a capacidade do colchão de lavar o fluido de perfuração. O procedimento do teste se baseia em fazer a reologia. o valor da eficiência será uma estimativa da porcentagem da janela que foi limpa. A incompatibilidade fica provada se verificar uma reologia em qualquer uma das concentrações e rotações ficar fora do intervalo definido pelos fluidos puros. Isto indica que houve alguma reação não desejada que prejudicaria o bombeamento. de diferentes concentrações entre estes fluidos. como mostrado anteriormente. 75/25. Está compatibilidade está relacionada a reações que podem acontecer entre estes fluidos e assim formar componentes que podem ser prejudiciais ao bombeamento. Há também o quesito visual. faz-se as medições reológicas de pasta/colchão e fluido/colchão nas seguintes concentrações: 95/5. O fluido de perfuração é então homogeneizado por 15min e vertido no becker. mesmo que a reologia dê um resultado compatível. Caso após a mistura dos fluidos note-se uma incompatibilidade durante a homogeneização. caso nesse tempo o fluido não tenha sido limpo. ou seja. Para isto. O objetivo é criar um filme de fluido dentro do becker e retirar todo o excesso. Após isto. O tempo limite é de 20min. 25/75 e 5/95. Após preparar cada fluido e fazer a homogeneização.9 – Compatibilidade Este teste é necessário para verificar se há compatibilidade entre fluido de perfuração/pasta/colchão. simulando uma contaminação do colchão. 15 / 20 . Aciona-se imediatamente o cronômetro e mede-se o tempo que o colchão leva para limpar o fluido em toda a extensão da janela. realiza-se a mistura fluido/colchão/pasta na proporção 25/50/25. como aglomerações e aumento de viscosidade. o teste é dado como incompatível visualmente. Neste teste é verificado se as medidas de reologia a cada rotação ficam entre as medidas dos fluidos a 100%. descrito a seguir.Relatório de Treinamento em Laboratório de Cimentação 2013 8. vê-se a formação de aglomerações e perda de fluidez. 50/50. Por fim. que possui uma janela para aferir a medição. 8. para a mistura pasta/colchão nas proporções 95/5 e 75/25. utiliza-se um becker de 250mL especial.

inicia-se o procedimento de preparo da pasta e verte-se ela para a célula pelo fundo até o limite. O primeiro passo do procedimento é programar os consistômetros pressurizados quanto à temperatura e pressão.10 – Tempo de Pega O tempo de pega é uma das propriedades mais importantes que se deseja saber sobre a pasta. Após a programação e preparação do consistômetro. vendo se há óleo o suficiente no reservatório.Renan da Silva de Siqueira – Field Engineer I Pressure Pumping 8. se não. Cimento deverá vazar pelo orifício central. assim como o cronômetro principal (Tempo). botão Pump pode permanecer no auto. O parafuso central é colocado e após ele o suporte para o potenciômetro. As programações são então iniciadas apertando os botões de cada monitor. A pressão e temperatura serão aplicadas automaticamente pela programação. Dessa forma. Esta característica é necessária para simulação de operações em águas profundas. o aquecedor (Heater) e o alarme (Alarm). Ela é medida em Uc (unidade Bearden) através necessário que deve ser aplicado à palheta para manter a rotação de 150rpm. O consistômetro deve estar resfriado. é por que não foi colocado pasta o suficiente. deve-se encher o compartimento com óleo colocando o interruptor Cilynder em Fill. ela diz também por quanto tempo o cimento é bombeável. O alarme irá tocar e o cronômetro pausado quando a pega for detectada. fecha-se a válvula. Além disto. mede-se a consistência da pasta através do consistômetro. Para alguns consistômetros é também necessário abrir a válvula de óleo nesta etapa. Fecha-se o consistômetro e bate-se com a marreta se necessário para boa vedação. Este suporte deve ser fixado na haste e seu posicionamento deve ser testado juntamente com o potenciômetro. verificando a correta posição dos 3 contatos do mesmo e encaixando-o bem ao eixo. Gira-se a palheta e bate-se na célula para tirar as bolhas de ar. O potenciômetro é então posicionado. Coloca-se então a célula no consistômetro com auxílio da alça. caso anteriormente se tenha rodado outro teste. 16 / 20 . Uma das particularidades presente nos consistômetros do laboratório de Macaé é a presença de coolers anexados a cada consistômetro para que se poça também resfriálos se necessário. verificando se a mesma encaixou bem ao fundo e liga-se o Motor para começar a girar a célula. para então tampá-la. Confere-se no monitor se a leitura do potenciômetro (a dita consistência) está ok. Esta programação é referente às rampas de temperatura e pressão entregues na solicitação que simulam as condições do poço. a quantidade de óleo no consistômetro deve ser verificada. Para isto. já que não será necessário pressurizar manualmente. em que a lâmina d’água apresenta baixas temperaturas. Coloca-se então o termopar no orifício central e aperta-se ele quando óleo começar a vazar. Se for o caso. Após a tampa estar fechada. Além desta informação ser importante do ponto de vista da resistência do cimento. a 100Uc.

temperatura e consistência. caso esteja fora. Ao fim do teste. esta opção. que gera um gráfico em função do tempo das curvas de pressão. aciona-se a carta registradora e inicia-se a leitura digital no computador. Esta opção se encontra devidamente programada para ligar e desligar o motor a cada 5min quando está acionada. admite-se como pasta bombeável até 50Uc de consistência. Pelo padrão da Petrobrás. 17 / 20 . O óleo é então drenado (Drain) e o termopar pode ser finalmente retirado. retira-se o potenciômetro e a célula com as alças. Tais dados poderão ser retirados tanto da carta registradora como da leitura feita pelo computador. Abre-se a tampa. como o uso de outros aditivos. Além disso. Geralmente.Relatório de Treinamento em Laboratório de Cimentação 2013 Em alguns tipos de trabalho. Anteriormente. finalizando o procedimento. como Squeeze. Um único teste costuma ter de 5 a 10 horas de duração. retira-se o cimento e faz-se a limpeza da mesma. devendo ser tomado o tempo destas duas consistências como resultado. O teste só dará OK caso o resultado esteja estritamente dentro deste intervalo. com um intervalo de 1 hora entre eles. Foi realizado por mim no laboratório a programação dos consistômetros para desligamento automático do squeeze. este desligamento era realizado manualmente. timer. ou mais dependendo da pasta. pois uma pequena diferença de concentração pode causar horas de diferença. Pelos procedimentos padrões. introduzindo os devidos dados do teste para futura identificação. novos testes precisam ser feitos para ajuste do retardador. O teste terminará automaticamente quando atingir os 100Uc. Os timers do consistômetros foram então estudados por mim e a programação foi realizada. é estipulada um tempo de pega mínimo e máximo. devendo ser desligada 50min após o início do squeeze. gerando uma enorme perda de tempo na parte noturna aos técnicos. Estando todos os botões devidamente acionados e o teste iniciado. O uso de retardador requer uma alta precisão. Esta simulação é feita pela opção intitulada também como Squeeze no consistômetro. a leitura do computador é parada. Através da válvula é aliviada a pressão e espera-se a temperatura cair para retirada da célula. quando necessária. heater e motor são desligados. obtendo sucesso nos testes feitos após isto e trazendo uma comodidade. Tampão ou Liner. e deve simular 5 paradas. sendo necessário ligar algum alarme para aviso. Assim. O alarme. outras circunstâncias podem influenciar. é programada para iniciar 30min após a última temperatura das rampas ser atingida. Abre-se a célula. se requer simular algumas paradas de bombeamento. Isto implicava na presença obrigatória de alguém no laboratório durante até 3horas após o teste ser iniciado.

Somente a rampa de temperatura é programada.11 – Resistência compressiva Existem 2 formas de se realizar um teste de resistência compressiva: por ensaios destrutivos ou não-destrutivos. Inicia-se o teste acionando a rampa de temperatura. sendo estes menos usuais e não vistos durante o tempo permanecido no laboratório. Um deles é o Gás Flow. Este ensaio não foi realizado nenhuma vez durante o tempo no laboratório. Ele permite uma leitura constante da resistência compressiva. A pressão é realizada com água.12 – Outros testes Além dos testes principais mencionados. O equipamento para ensaio não-destrutivo é chamado de UCA. No caso do ensaio destrutivo. que após isto é colocado. 8. ensaios destrutivos estão entrando em desuso. onde se forma paralelepípedos de cimento. O Procelab apresenta o procedimento para tal. sendo a pressão controlada manualmente. em movimentos verticais. O resultado final será então um gráfico contendo curvas de temperatura. através do tempo. A experiência dos membros do laboratório diz que este teste é normalmente efetuado quando a perda de 18 / 20 . O Procelab contém procedimentos para testes em UCA. Neste ensaio a pasta é preparada e vertida diretamente na célula do UCA. lembrando sempre que célula só pode ser girada no sentido horário dentro do equipamento. que deve ter toda face interna coberta por uma fina camada de graxa. O tubo em U é enroscado cuidadosamente na tampa. As bolhas devem ser retiradas com um bastão de vidro. e roda por um período padrão de 24h. colocando a pressão necessária e salvando os dados no computador. É um teste para poços com gás que mede a vedação do cimento para gases. A resistência compressiva é verificada com a prensa hidráulica. pressão e transit time. e transdutor é encaixado. Será tomado como informação o tempo que esta onda demorou para chegar ao topo (transit time) tendo este tempo relação direta com a resistência compressiva. onde é detectada. utilizando o nivelador correto.Renan da Silva de Siqueira – Field Engineer I Pressure Pumping 8. por ser crescente desuso devido aos métodos não-destrutivos. a pasta é preparada e colocada para curar no equipamento chamado Câmara de cura. lendo a força necessária para colapsar o bloco. Então é bombeada água até sair pelo orifício do termopar. que deve ser colocada no topo da pasta. mas sem tocar nas paredes da célula para não retirar graxa. existem outros testes. A leitura da resistência é feita pela propagação de uma onda no fundo da célula. que utiliza um sistema de ultrassom para medir a rigidez da pasta até a sua completa cura. Atualmente. que caminha pela pasta e chega no topo. A célula é então fechada e colocada no UCA.

Resultado é impreciso devido a falta de precisão do corte. é verificado neste teste o quanto de colchão lavado é necessário ser adicionado ao fluido de perfuração para que a molhabilidade. Há também o teste de estabilidade. Geralmente. Após a cura ele é dividido em 4 partes iguais com uma serra e pesado. tempos e parâmetros calculados. assim como os gráficos. para ver se há diferença de peso entre as partes. como LE e VP. onde o cimento é curado na câmara de cura em forma de coluna cilíndrica. alguns tópicos mais relevantes são mostrados a seguir: O Gel final não pode ser 3 vezes maior que o Gel inicial Se for tampão. cada tipo de trabalho requer um diferente tipo de teste. Outro teste não muito comum é o da inversão de molhabilidade. caso seja requerida pelo cliente mais dados sobre esta característica.Relatório de Treinamento em Laboratório de Cimentação 2013 filtrado é menor que 30mL. O laboratório possui uma ‘check list’ para este relatório. a polarização do fluido se altere. Sendo a pasta a base água. Esta propriedade da pasta já é verificada de forma simples após os testes de reologia. Este teste é requerido pelo cliente algumas vezes quando o fluido de perfuração é a base óleo. pois verificou-se que é comum o cimento com valores de filtrado maior que este permitirem alguma vazão de gás neste teste. Assim. temos o teste de força gel. Por fim. reologia a 300rpm não deve ser menor que 100 Dividir tempo de pega por 4 e checar bombeabilidade na carta Checar se salinidade e dureza estão de acordo com a água utilizada (industrial ou mar) Colocar temperatura atingida no resfrio 19 / 20 . O que significa que o fluido sendo apolar deve passar a ser polar. No laboratório existem dois equipamentos que são capazes de fazer esta medição: um UCA (Gel estático) e o CTE (Gel dinâmico). não existirá aderência entre a mesma e o revestimento ou poço se os mesmos permanecerem “sujos” de fluido de perfuração a base óleo. alguns equipamentos a medem de forma mais detalhada. indicando sedimentação. 9 – RELATÓRIO FINAL No relatório final são entregues os resultados dos testes. No entanto. mas cada teste deverá constar na solicitação. ou seja.

Renan da Silva de Siqueira – Field Engineer I Pressure Pumping 10 – CONCLUSÃO Após este tempo no laboratório. pode ter um entendimento melhor sobre eles e melhor fixação dos procedimentos. Estando capacitado a realizar muitos dos testes. o aprendizado. sempre com um laboratorista presente para avaliar os procedimentos corretos. nenhum tipo de aprendizado é em vão. 20 / 20 . como limpeza. nível de óleo. pude adquirir um bom conhecimento sobre todos os testes. Os membros do laboratório possuem uma sensibilidade às importâncias dos aditivos adquiridos com experiência no ramo. Atentei também às manutenções necessárias dos equipamentos. Concluo que o aprendizado foi mais que satisfatório e que com certeza irei levar o que foi aprendido aos trabalhos posteriores. e o agradeço aos membros do laboratório de Macaé pela grande paciência em ensinar e transmitir o conhecimento. Acredito que realizando os trabalhos eu mesmo. entre outros. algo de grande valor ao meu futuro trabalho como engenheiro. Realizei muitos deles. os mais usuais. Este é um dos pilares da Baker Hughes. poderei atender a situações emergenciais. programação.