0ADOSINTERNACIONAIS DE CATALOGA<AO NA PUBLICA<Ao (CJP

)
(CAMARA BRASILEIRA DO LIVRO, SP BRASIL)
Gilson,
E
tienne
lntrodw;ao as artes do bela-0 que e filosofar sabre a arte? I
E
tienne Gilson; tradU;ao
E
rica Nogueira. -Sao Paulo :
E
Realiza<ies, 20 I 0.
Titulo original: Introduction aux arts du beau.
I SBN 978-85-88062-97-6
I. Arte - Filosofia 2. Estetica I. Titulo.
10-08197
INDICES PARA CATALOGO SISTEMATICO:
I. Arte : Filosofia 70 I
Este l ivro foi i mpressa pel a
Pro! Edi t ora Gr af i ca para
E
Realiza<ies, em agosto de
20 I 0. Os tipos usados sao da
famflia Weiss BT e Inked God
Regular. 0 papel do miolo e
chamois bulk dunas 90g, e, da
capa, cartao supremo 300g.
CDD-701
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Moo|tavovolumeda£r.·.|a(æ·cl·cr.:sc,dec|mase�ao,pag|na¯, H. Wallon
c|taa segu|nte|rasede Luc|en Febvre ¨Com certeza, aarte e um t|pode co-
nlec|mento¨ Òpresentel|vro,aocontrar|o,repousasobrea||rmee|nveterada
conv|c�ao do autorde que a arte nao e umt|po de conlec|mento, senao que
dependedeumaordem d|st| ntadadoconlecer nocaso,aordemdo|azer ,
ou, se equepodemosnosexpressarass|m,da¨|act|v|dade¨ Locome�oao||m,
estel|vro se põe ad|zê-lo, d|-loe expl|ca-o, e como |sto se d|znuma so|rase,
poder-se-|aperguntarqualarazaodeescreverepubl|carore|er|dol|vro
Cra, arazaoestanalocu�ao adverb|al ¨com certeza¨, empregue por Lu-
c|en Febvre. Com e|e|to, a |mensama|or|a estacertade que aarte, em ult|ma
|nstânc|a, e umt|pode conlec|mento. Prec|samente aqueles quetêm reservas
quantoa|stodevemsede|enderdaconv|c�aoespontâneadequeoart| sta¨tem
algo parad|zer¨, e de quea|un�aodesuaobrae nos comun|caralguma|de|a,
no�ao,emo�aoousent|mento,quasedamesmamane|racomo,porme|odaes-
cr|ta,umlomem| n|ormaseussemellantessobreoquesepassanoseuesp|r|to
Quandoama|or|a, po|s, ||caembara�adae naosabed|zero queoart| staquer
expr|m|r, d|zqueeleseexpr|meas| mesmo Estav| saoe taod||und|daquecle-
gaateas| nst|tu|�õesdeens| no Hacercadequarentaanos,ouma| s,1 numac|da-
dedoestadodaV|rg|n|a,ollandocomadev|daadm|ra�aoocadernodeclasse
deumagarot|nlanorte-amer|canaentaocomo|toounoveanosde|dade,meu
ollarsedetevenasegu|nteobserva�aodeseupro|essordeeduca�aoart|st|ca
¨ Fran�o|seeumacr|an�aencantadora,penaquenaocons|gaseexpr|m|rnaar-
g|la¨ '·|sc(·|,so:.crra|:x(·:sso:·s:¡·r.|c,¨ Fel|zmente,Fran�o|set|nlaoutras
' Este livro foi publicado em 1963. (N. T)
mane|ras de se expr|m|r Faltava-lle aquela, em suma, com que anatureza ou-
troraregalouaM|clelangeloeLonatello, porexemplo supondo,eclaro,que
elestenlamesculp|dosuasestatuasparaseexpr|m|r.
Se, porem, comoestoupersuad|do, | ssoe umerro, e prec|soadm|t|rque
e um erro |nocente, no sent|do de que suas consequênc|as nao |nteressam a
v|da moral nao obstante, alem de um erro nunca ser bom em s| mesmo, este,
em espec|al, gera|numerave| sconsequênc|asespeculat|vasquese|azem sent|r
emtodas as ordensd|retaou|nd|retamentel| gadas a arte. Sendoass|m, tente|
daralgumaclarezaasm|nlas|de|assobreoassunto,de|n|c|oparam|mmesmo,
depo|s, comoser|anatural, paratodososquese|nteressamporesse problema
enaod|spõemdetempolab|lparamed|tarl|vremente po|sa|ndaqueaordem
segu|daporm|m naolles con||raasat|s|açaodese]ada, a]uda-los-aaencontrar
umaordemqueossat|s|aça Em todocaso,trata-seun|camente,aqu|, de||loso-
||a começandopelocomeço,| stoe,pelaprocura, a|ndaquebreve, dot|pode
questaoquea ||loso||apode secolocaracercadaarte Apart|rda|, re|let|ndo,
na pos|çao de ||loso|o meta||s|co, a luz dos pr|ncp|os pr|me|ros, es|orçou-se
poresclarecersucess|vamenteasnoçõespr| nc|pa|s,a med|daqueseo|erec|am
aoesp|r|to. Paratanto,|o|am|udenecessar|oabstra|r, | stoe,expor-seconsc|en-
tementeaoreprocledepensaremseparadoaqu|loque,nareal|dade, sedaem
con]unto, segu|u-se, entao, o que pareceuseraordemnatural das noções no
pensamento,contandocomole|torparareconstru|rocon]untonoseupropr|o
esp|r|to. Asconclusõesdol|vrosaoumacomorecompensao|erec|dapelo au
tor, la]av|staaauster|dadedaabstraçaoaquetevedese ater]alogono|n|c|o.
Eleesperaqueesteregaloagradeaole|tor Moentanto, naosa|remos]ama|sda
meta||s|ca Lepo| sdeí·rt+·c:k:c|·JcJ:.2 que se propunlaa|rdaarte paraa||lo-
so||a,eprec|samentedeumaartepart|cularparaa||loso||ama|sgeral,qu|semos,
destavez, cbegara noçaoma|s geral daarte enquantotala part|r da ||loso||a
doser. Da|aausênc|aquasetotaldeart| stas,comsuaspalavras sempremu|toa
propos|toe am|udearrebatadoras, pelo quê oautorsent|uumpesarcont|nuo,
a|ndaqueestenao|osseolugardellescederapalavra Contudo,naopudemos
2 Livro publicado pelo autor em 1958. (N. T)
8 I INTRODU<AO AS ARTES DO BELO
de|xardeceder-llaaqu| eacola, mas somenteat|tulodeexemplo Comoquer
que se]a, deve-seterem menteque estes elementosdeumameta||s|cadaarte
nao se ex|mem da ||loso||a de nenluma das artes em part|cular | naverdade
|mposs|veldeduz|rdeumameta||s|cadaarteano�ao part|culardeumaartees-
pec||ca,como,porexemplo,ap|nturaouamus|ca Moentanto,essameta||s|ca
naolles e |nut|l Lesdelogo, elad|zporque certas at|v|dadeslumanas mere-
cemo nome debelas artes Alemd|sso, estabelecendoasregrasgera|s aquea
|nterpreta�aodecadaartepart|culardeveseatera||mdenaomenosprezarasua
essênc|a, elaeaprote�aoma| sseguracontraoon|presenter|scode||l|st|n| smo,
oqualcons|steemnaover aarteondeelaesta,eemadm|ra-laondenaoex| ste
Umapo|et|ca' geralnaod|spensanenlumapo|et|capart|cular, masut|l|za
todaselas Faltar|a, po|s, escreverumestudoquecons|derassesucess|vamente
cadaumadasartesma|oresa||mdetestarseasconclusõesdapo|et|cageralse
ver|||camnelasedequemodo| ssosedaTal naoser|apropr|amenteums| stema
debelas-artes, po|s elas podem|ormarumcoro,umadan�a, e, quemsabe, ate
mesmoumaronda,masnao|ormar|amums| stema Òautorsever|anad|||cul-
dadede |alar de tecn|cas quenaopossu|, mas e m| stercon|essar que prec|sa-
mente esse e o |ardo do||loso|o, po|squemperder|ao seutempoescrevendo
sobre mus|ca, seapudessecompor¯ Ao menos ele pode seabsterdetomara
||l oso||aporartee,a]udandooutraspessoasa|azerem omesmo,podepouparo
mundo demu|taarteru|m, demu|ta||loso||aru| m Mas a|nda| sso, quemsabe,
ser|aesperardema| s
3 Do grego "poielu", i.e. , "fazer", "produzir". (N. T.)
PREFACIO I 9
'

 

\ quC C |ì lOsO|ar sOÞrC a artC?
Mo||mdeumav|darepletadosprazeresdaarte, enaturalqueum||loso|o
se |nterrogue sobre sua or|gem. Ò que e a arte¯ A resposta deve ser |ac|l de
encontrar Letras, mus|ca, p|ntura, escultura a arte sob todas as suas |ormas
lleserv|uas suas obras com requ|ntee abundânc|a Aquelas que suaepocanao
produz|uparaele, o traballo dosl|stor|adores e dos arqueologosl |teralmente
desenterroue colocousobosseusollos Cserud|tosdec||rarame recompuse-
ram o poemade C·|¡c¬:so, tornaram publ|cas as estatuas do Eg|to e daCrec|a,
deramvozaumsem-numerodemus|coscu]asobrasl|bernavam, emestadode
cr|ptograma, dentrodevellosco|res,armar|osdesacr|st|aoub|bl|otecasnunca
antesv|s|tadasLessemundodeobrasesquec|das,ass|mcomodasquetevea|e-
l |c|dadedevernascer, o||loso|opregu|çosamentesecontentoucomodes|rute
AartenaolledevenadaElemorreusemenr|queceraterracomoma|sd|m|nuto
ob]etoqueaumentasseasuabeleza.Suaun|ca|unçaosendocompreendere|azer
compreender, resta-lle|nterrogar-sesobreaor|gemdetantosprazeres, quelle
parecemnobreseben|aze]os, mascu]aexatanaturezalleescapa |elepropr|o,
semduv|da,quedevecumpr|ressa|ncumbênc|a,paras|mesmoeparaosoutros
|prec|samenteessaasuatare|a, enquanto||loso|o,elenaosellepode|urtar
Maoobstante, cadavezqueeleabordaoproblemaumt|podedesân|moo
paral | sadeantemaoe ele põeapenadelado Aun|caesperançadevenceresse
obstaculoe tomar omesmoobstaculocomoob] etodere|lexao ||l oso||ca Por
que o ||loso|o nao pode pretender escrever sobre a arte sem exper|mentar o
|rres| st|velsent|mentoda|ut|l|dadedetalempresa¯
Umapr|me|rarazaoe o quelle parecesero|racassodos queo||zeraman-
tesdele Masua ]uventude,cle| odeumasens|b|l|dadequeoentregatotalmente
a|mper|osadom|naçaodeobras-pr|masen taonovas,o||loso|osevoltaesponta-
neamenteparaosseusma|oresa||mdeaprenderqualse]aaor|gemdeprazeres
semosqua|s, segundosente,ser-lle-|a|mposs|velv|ver Entao, llesperguntao
que e | ssoque euamo¯Qual e oob] etodomeuamor¯ Ecomeçaaler escr|tos
cu]ost|tulosprometemumarespostaasuaquestao,d|versos¨||loso|osdaarte¨
passamporsuasmaos, maslogo eleconstataqueama|or|adelessecontrad|z
empontosessenc|a|s, espec|almentesobreanaturezadaarte, | ssoquandonao
acontecedeclegaremao||msemantes|azeremoes|orçodede||n|rosent|do
daquestao, o que e mu|to comum A segundaparteda£s|:|·.c, de Benedetto
Croce, e | nstrut|vaa esse respe|to Trata-sedeumal| stor|adaestet|ca escr|ta
porum||loso|oque|o|aomesmotempoummestredaescr|ta Cons| stenuma
avalanclededoutr|nas desabandoumaatrasdaoutra,das qua|scadaumaacre-
d|taenterrarparasempreasprecedentesno mesmo momentoemqueeenter-
rada, porsuavez, porumadoutr|nanovaouapenasrenovada Mao se podeler
umatall|stor|adas||loso||asdaartesem sent|ruma|rres| st|velnecess| dadede
seocupardeoutraco|sa |umlamaçalondeosab|ocu|daradenaopôrope
Umasegundaexper| ênc|are|orçaasconclusõesdapr|me|ra eale|turado
que os propr| osart| stas d|zem ouescrevem arespe|todaarte Começamosa
le|turacon||antes,naturalmente,po| sseaquelesqueproduzemartenaosoube
remoqueelae,quemsabera¯Moentanto,e prec| sorender-se asev|dênc|ase
constatarque adesordemre|nanas suas|de|as, ass| mcomono pr|me|rocaso
Eles mesmos consultamos||loso|os e lerdam a suacon|usao, depo|sdoque
eles acrescentam a sua propr|a, a qual cons| ste geralmente em de||n|r sob a
rubr|cade arte o gênero part|cularde arte que convemao seutalento Sobre
aqu|lo quelles naoagradad|zem ¨| stonaoearte¨, eass|mcomoevao quese
d|scutamgostos, torna-se| gualmentevao,por| ssomesmo, d|scut|r-seanatu-
rezadaarte Òtestemunlodosart|stas, porem, estalongede serd| spensavel
Mu|topelocontrar|o, enaqu|loque d|zemsobreaartequeestaoos ma|spro-
|undoseverdade|rospareceres sobreacr|açaoart|st|ca, mas convem| sola-los
detudo0 queosl | gaaspart|cular|dadesdaartedesteart|staoudaqueleoutro
12 I INTRODu<Ao As ARTES oo BELO
Tal d| scern| mentonaoeposs|velsenaoquandoaqueleque buscaaverdadena
con|usaoe nas |ncompreensõesrecprocas das controvers|ast|verelepropr|o
algumanoçaodoque,a||nal,talverdadese]a
A culpa dessas con|usõesnaoe exclus|va daarte Acrescente-se a suaa
ausênc|adeumanoçao clarasobre opapel que a||loso|| apodee devedesem-
penlarnessedom|n| o Paraev|tar, seposs|vel,aumentaradesordem,tentemos,
po|s,de||n|r0 ob]etodessare|lexao Òqueequea||loso||apodepretendernos
ens|nararespe|todaarte¯
A resposta cons|ste numa so palavra el anos pode revelar a sua:ssîr.·c
Essanoçaoetaoant|gaquantoamesma||loso||aoc|dentalSuadescobertaper-
manecel | gadaaonomede Socrates, cu]odese]oeraobterdoseventua|s|nter-
locutores uma de||n|çao quanto poss|vel clara do s| gn| ||cado das palavras que
usavam.Sabemosqueessedese]oelementaracabouporllecustarav|da.Platao
retomouamesmaconcepçaod|alet|cada||loso||a, eAr|stotelesatrans|ormou
numadasverdades|undamenta| sdesua||loso||adanaturezaquandod|st|ngu|u,
apropos|todetodaco| sa, duasquestõesposs|ve|s, asaber, seaco| saex|ste, e,
entao, 0 queelae Aqu|loqueumaco|sae e| s0 queOS ||loso|osclamamde
essênc|a¨destaco|sa Interrogar-se, po|s, sobre0 queeaartes| gn|||ca,para0
||loso|o,procurarqualeasuaessênc|a
|aqueepropr|odaessênc|ad|zer0 queacoisae, ela| nev|tavelmented|z
o queaco|sanaoe Cra,d|zendo¨| stoeumcrcvlo¨, d|gotambemquenaoe
umtr|ângulo, nemum quadrado, nemtampouco um lexagono Ass|m, e esta
observaçao] a|o||e|tanaAnt|gu|dade, cadavezqueaessênc|ad|zoqueaco|sa
e, d|zm|lvezesoqueelanaoe,naosendo,po| s, aco|sanadadoquesuaessên-
c| anaoe,asessênc|assaomutuamenteexcludentes, demane|raqueade||n|çao
decadaumadelascabeapenasetaosomentea co| saquede|| ne Atr|bu|rauma
essênc|aaspropr|edadesdeoutraessênc|aeaor|gempr|me|radecon|usaoem
mater|ade ||loso||a l nterrogar-se, po|s, sobre a essênc|adaartee procurar o
que a de||ne enquantotal e, por | ssomesmo, e preparar-separa negar tudo 0
que elanao e
Lesde o pr|me|ro momento, esta | nvest|gaçao en|renta uma d||| culdade
de 25 seculos de l|stor|a, a qual nao nos cabe resolver aqu|, ev|dentemente,
CAPITULO Ì ¯ 0 QÜLL FILOSOFAR SOBRE A ARTE? I 13
mas cu]apresençadeve ao menos ser reconlec|da Ela estal| gadaaoproblema
das |de|as, ou, como se d|z|a na ldade Med|a, dos un|versa| s Umun|versal e
uma|de|ageral, umconce|to Maolapensamentosem conce|tose, noentanto,
naoparecequeosconce|toss|gn|||quemob] etosex|stentes|oradopensamento
queosconcebe Soo|nd|v|dual ex|ste Maoex|steolomemems|,masapenas
lomens Londea consequênc|aembaraçosade que, seas essênc|as s|gn|||cam
o queas co|sas sao, as mesmas essênc|as, nao obstante, nao ex|stem. D|r- se-|a
lo]eque,comopurosob]etosdopensamento,asessênc|astêmser,masnaotêm
ex|stênc|a,]aqueestault|macont|nuasendopr|v|leg|odo|nd|v|dualconcreto
Londeprovêm|numerasd|||culdades,desdelogoporqueoparentescodas
duasnoçõeseumconv|teparacon|und| -las Ass|mqueo||loso|ode|xadepol|-
c|arsual|nguagem,ea|ndama|snousonao||loso||codessaspalavras,||caquase
|mposs|velpensarnumserquenaot|vesseex| stênc|a,ounumex|stentequenao
t|vesseserAl|nguagemmult|pl|caosequ|vocosa esserespe|to Masad|||cul-
dadema|sgeralnao se devea l|nguagem, e que nenlumob] etoreal ex|stente
ematoeumaessênc|as|mpl es Todoex| stentepressupõequeumcomplexode
essênc|ascoposs|ve|semesmorec|procamenteordenadas ,masd|st|ntascomo
essênc|as) este]as| multaneamente|oradasuacausaTrata-se,aqu|,deum|ato
pr|m| t|vo, que nao saber|amos deduz|rdenada anter|or, po|s se l|ga a propr|a
estruturadorealDa|anecess|dadedere|let|rnessepontoe, desdelogo,asse-
gurarmo-nosdesuareal|dade
Se se estabelece nao cons|derar como puro senao o ser da essênc|a en-
quantotal,ecertoquenadadoqueeatualmenteex| stenteserameta||s|camente
puro Ò que, al|as, e uma tautolog|a, po|s se a noçao de 'concreto¨ |mpl|ca
essa m|stura, elee |mpuroporde||n|çao l ssonao|mpl|caque procurarade||-
n|çaodasessênc|asse]avao Semtocarnoproblemadaestruturameta||s|cado
ser¨concreto¨, pode-sed|zerque,emboranenlum concretose]aumaessênc|a
s|mples, elerecebeo seunomedeumadelas Òlomemems|naoex|ste,mas
ondequerqueseencontreuman|maldotadodeconlec|mentorac|onal, e|sa|
um lomem Umtalsere ev|dentementeumaessênc|acompostadeoutrases-
sênc|as,ta| scomoaan|mal|dadeearac|onal|dade,naoobstante,euno,segundo
aun|dadepropr|adoserconcreto
1 4 I INTRooucAo .s ARTES oo BELO
La-seomesmocomtodasasessênc| asrea| s, | stoe,todasaquelasquenao
sao s| mples abstra�ões Por exemplo, nao ex|ste, provavelmente, elemento
qu|m|copuronanatureza Sesetomaapalavraemsent|doabsoluto, o cobre
'puro' provavelmente nao ex| ste como tal a nao serno pensamento ou nos
l |vros, mas da|nao se conclu| que o cobre nao ex|sta Falar-se-a ate de bom
grado de ob]etos de cobre puro, quando o cobre 'dom|na' suas | mpurezas
namater|aqueas const|tu| Paratanto, bastaque o cobre se]a, como se d|z,
'prat| camente puro' de qualquer m| stura Tampouco o |ato seguro de que,
mesmo se |ossequ| m| camente puro, o cobrea|ndaass| m ser|aumcomposto
extremamentecomplexodeelementosatôm|cosnaomudaemnadaanature-
zado problema Emtodocaso, permanece | mportante conlecerade|| n| �ao,
qu|d| dade ouessênc| adaqu|loque sepodeclamardemetal puro, ao menos
parasaberaqueob] etossepodel eg| t| mamentedarumtalnome A| mpureza
doouro, comoquerquese]a,perm| tequeseestabele�aml e| spara||xaroma-
x|mo de| mpurezaalemdoqualummetalperdeo d|re|todeclamar-seouro.
Ò||loso|oprocededemane|raanaloganasuaca�aas essênc| aspuras Elenao
pretendede|| n| -lascomoseresqueex| stem,mascomorazões| dea|semv|rtu-
dedasqua|sosseresrealmenteex|stentessaooquesaoAss| mtambem,neste
caso, aarteems| naoex| ste,naoex| stequ| �anemumun|coob]etosequerque
se]a pura e | ntegralmenteumaobradearte, l|vre detodoelementoque nao
0 estr|tamenteart|st|co, masa|ndaass| me prec| sosaberaqual essênc| aessa
no�aocorresponde,paraquesepossad|zeroque|azcomquecertasobrasdo
lomemse]amverdade|rosprodutosdeumaarte
Essaquestao,ev|dentemente,|nteressaapenasaos||loso|oseaquelesque,
amandoaartepors| mesma, tambem ousar|am |alar dela poramora ||loso||a,
po|s e poss|velamaraartecomoart|staetentar|alaraseurespe|tocomo||lo-
so|o, masacomb|na�aoerarae d|||c|ldereal|zarAartee a||loso||aex|gemo
domdetodaumav|da, ee d|||c|l ser genu|namenteart| stae ||loso|oaomesmo
tempo A menos quenos de|xemos |asc|nar pelo gên|o art|st|co de Leonardo
da V|nc|, o certoe que e bem d|||c|l extas|ar-se comas re|lexões elementares
queap|nturallesugereAcrescente-seque,comparadoaonumerodosam|gos
daarte, o dosam| gosda||loso|| ae bemrestr|to Quando secoloca, po|s, uma
\AP|TÜLO I ¯ 0 QÜLE |||OSO|AkSOßkLAAkTL? I 1 5
questaonapos| �aode||loso|o,convemnaoesperarnenlumaaudl �nc|asuper|or
aumpequenonumerodeesp|r|tosespeculat|vosemed|tabundos,acostumados
aabstra�aomesmonasmater|asquellescalamma|s|undo Ò propr|o||loso|o,
as vezes, sente um certo embara�o ao reduz|r a conce|tos e palavras aqueles
ob]etosque,paraele,saocomoquealonraeaglor|adareal|dade
Tal e, contudo, sua cond|�ao part| cularcomo ||loso|o A dec| sao de pro
curar a essênc|adaarte |mporta| nev|tavelmente emreal�ar num relevo quase
v|olentoaqu|loporqueumaobraeumaobradearte,de|xando,po| s, nasombra
tudo 0 que, em s| mesmo estrange|ro a arte, a|ndaass|m perm|te a obra que
ex| sta l ssopodeateser ama|orpartedela,comootemaqueoquadroretrata,
os sent|mentos que o poemaexpr|me oua l|stor|aque o romance conta, em
todo caso, estae a parte ma|s v| s|vel e a ma| s |med|atamente cat|vante noque
tocaasconven�õesdaarte, porquantoelasnaocons|deramaarteems|mesma,
massomenteas obras queaarteproduz |,po| s, prev|s|vel queumaespecula-
�ao puramente ||loso||caacercado elemento ult|mo que|azde umaobrauma
obradeartenao|nteressemu|toaquem, ma| sart| staque||loso|o, est|maquea
re|lexaosobreaartedevaelamesmaserumaobradearte |ncapazderespe|tar
ambas asordens, e pouco d|spostoatrocaraarte pela ||loso||a, elese |ncl|naa
pensarquequem|alasobr|amentenao sabe0 queeaarteeatomarsuas e|usões
por||loso||a Esser|scoesta| nscr|tonapropr|anaturezadoob]eto
Acon|usaoquere|nana||loso||adaarte,aqualtratadaprodu�aoenature-
zadasobras, sereencontranodom|n|odaestet|ca, quetratadasuaapreensao
Lesde logo, con|unde-se a segunda com a pr|me|ra, da qual e d||erente Em
segu|dasede||neo seuob] etodevar|asmane|ras d|st|ntasporque, come|e|to,
possu| ndoaarteumgrandenumerodeelementosd||erentes,etodoselescon-
correndopara0 resultado||nal, acontece de tomarporessenc|al 0 que nao e
senaooma|s|med|atamenteacess|vel Umaobrarealmentebelapodelogoagra-
dar pelo que temde |raco Ela ganla aprova�ao pelas |ac|l|dades que o|erece
Mu|tosseraoosexemplosd|ssonocursodenossa|nvest|ga�ao. Baste-nospor
ora,alemdopropr|o|ato, arazaoma|sgeralquesepossaalegaraseurespe| to
a saber, quetudo aqu|loqueaarte ut|l|zaparaseus|| ns, e como qual |ntegra
as suas obras, emcertamed|da|az parte dela propr|aeaconst|tu| Come|e|to,
16 I Ì NTkODÜÇAO As FkTLS DO bLLO
sem elementosdessegêneroaobranao ser|aposs|vele,|altando-llesubstânc|a
paranutr|rsua|orma, aarteestar|acondenadaa ester|l|dade
A causadama| s geral con|usao, tantoem ||loso||adaartequanto em es-
tet|ca, permanece, porem, asubst|tu|çaodopontodev|stadoaprec|adorpelo
pontodev|stadoart|sta Esse erro noslevaa con|und|ros problemas que se
colocaoconsum|dorsobreaqual|dadedoseuprodutocomaquelesqueopro-
dutordevepr|me|roresolverparadepo|sproduz|-lo,quando,nama|orpartedo
tempo, paranaod|zersempre,essesproblemas saopro|undamented||erentes
Messecon|l|to, o pontodev|stado aprec|adordaartetemum peso|ne-
v|tavelmente super|oraopontodev|stado art|sta Ò numero estadoladodo
publ|co, eaun|caco|saqueseesperadelee0 ]ulgamentodasobras, po|sa|nda
queoart|stapossa] ulga-lo|ncompetente,o|a toequellesub meteassuaso bras
e esperaasuaaprovaçao Repreenderopubl|copor]ulgaroqueselleo|erece
paraler, verououv|rnaoter|asent|doalgum, senaoque, apart|rdo momento
em queo autor|zamosa |azê-lo, damos-lle uma |mensavantagemsobre o ar-
t|sta, vantagem prat|camente sem l|m|tes e, em todo caso, sem contrapart|da
alguma Atare|a do art| stae produz|r, o que sempre coloca problemas, ao es-
pectadornaocabesenaoaprec|aroresultado, oquee mu|t|ss|moma| s |ac|l A
respostatrad| c|onal, segundoaqual nao e prec|sosaber|azerumacade|rapara
poderd|zer se ela e boa ou nao, e s|mplesmente um despropos|to Uma boa
cade|raeumacade|rasobreaqualseestabemsentado,co|saquecadaumpode
]ulgarpors|, mas nocaso ded|zerseumacade|rae belaounao, quemsaber|a
responder¯ Cra, n|nguem de|xar|aded|zeroque pensaarespe|to, mase pre-
c|samente por| ssoqueas partes nao sao |gua|s, po|s poucos sabem|azer, mas
todospodem|alar Lema|s, eem|nentementenaturalqueolomem|aledaqu|lo
quelê,vêououve,evenlaa|ormular, paras|mesmoouparaosoutros,as |m-
pressõesque recebee ospensamentosquepensa Da||next|rpavel conv|cçao,
vezporoutracombat|da,massemprerecorrente,dequeaarteeessenc|almente
l|nguagem, expressao, s|gno, s|mbolo, ou, numa palavra, comun|caçao de um
sent|doqueaoart| stacabe|ormulare,aoespectador, compreender
_
svezesa
arteclegaaserconceb|dacomoumd|alogocomanaturezaoucomareal|dade,
paranaodizercom o publ|co e ate com o propr|o art|sta Mas esses supostos
\AP|TÜLO Ì ¯ 0 QÜLL |l LOSOFAkSOßkLAAkTE? I 1 7
d|alogos sao em real|dade monologos do cr|t|co, do esteta ou do ||loso|o, os
qua|selaboramperguntas erespostassemconsultarnemanatureza, nemoar
t| sta Comoquerquese]a,trata-sesempredeumaat|v|dadeessenc|almentever-
bal, e]a que aun|caco|saque onaoart|stapode |azerarespe|todaartee|alar
dela, e |nut|lque0 ||loso|otentelleexpl|carqueaarte, emessênc|a,naoel| n
guagem Maoobstante, o||loso|ocont|nual|vreparapensaraqu|lodequenao
esperaconvencern| nguem,massuaamb|çaonuncadeve| ralemdesseponto
Mesmono|nter|orde seupropr|opensamento, o ||loso|o nao estal|vre
paraprocederaobel-prazer A naturezadoob] eto e quemd|tao metodo |a
quesetratadede|| n| rumanoçao nocaso, anoçaodearte , nenlumoutro
metodoseo|erecealemdaanal | setrad|c|onal,queprocedepord|v| saodecon-
ce|tosabstra|dos daexper|ênc|asens|vel Ha apenasumamane|rade de|| n| ra
arteedede||n|r, com Platao, opescadordevaraeanzol Segu|ndooexemplo
deSocrates, eprec| sodeterm|naroconce|toatr|bu|ndo-lletudooquelled|z
respe|to, e exclu|ndo o que naolle pertence necessar|amente Lesse modo,
de|| n| mo-lo em s| mesmo, e ao mesmo tempo o d|st|ngu|mos dos outros, e
necessar|oque se] aass|m, porqueagoranosmovemos no re|nodas essênc|as,
onde0 conce|toe re|
lprec| soreconlecerqueessemetodonaotemnadadeart|st|co mase
prec|samentea|que res|de a suaexcelênc|a | nterd|tando os desv|osda|mag|-
naçao,elesecon|ormaa regrasegundoaqualtodare|lexao||loso|| ca,mesmoa
que tratadaarte, eessenc|almenteumexercc|oespeculat|vodarazao, ouse]a,
um mov|mento d|scurs|vo do |ntelecto Come|e|to, amellorproteçao contra
astentaçõesdaarb|trar|edadecons|steprec|samentenoes|orçodoesp|r|toem
d|scern|ros ob]etosporme|odeconce|tos |ormados segundo as regras trad|-
c|ona|s, asqua|s ex|gem queade||n|çao co|nc|datotalmentecomo de||n|do, e
co|nc|dasomentecom ele Amenos que se ace|tea securadessemetodo, nao
sabemosaondevamos
Ass| mcomoa||loso||adaartedeveseprotegerdatentaçaodeserarte, ela
tambemdeverenunc|ara amb|çaodesercr|t| cadearte Ambososerros,al|as,
têma mesmaor| gem a c|rcunstânc|adequetudo a cu] orespe|to umlomem
pode|alar comtalentoolevaaacred|tarque o possa|azer comcompetênc|a,
1 8 I Ì NTkODÜÇÁOAs FkTLS DObLLO
como se o t|vesse produz| do Ò ||loso|o e tao pouco cr|t|co de arte quanto
art| sta Suatare|a,portanto,ed|zeroqueaartee,oqueaconst|tu|,naod|scer
n|rentre obras bem-suced|das e malogradas. Ele nao pode se recusaratomar
em cons|deraçaocertas|ormasdearte, sobo pretextodequese]ammodernas
dema|s, ouaberrantes, oueste]amemcontrad|çao |ormal comoscânonestra-
d|c|onalmenteace|tos Tudooquesat|s|azade||n|çaodaobradeartemerecea
suaatençaoepodenutr|rasuare|lexao Seusgostospessoa|snaotêmnenluma
|unçao numa|nvest| gaçao como essa Pode-seamar ounaocertas|ormasler-
met|casdel| teratura, eposs|velaprec|arOU detestarOS modernosest|losdep|n-
tura 'abstrata', mas em nenlum desses casoso] ulgamento estet|co dasobras
deve|n|luenc|arare|lexaodo||loso|oacercadapropr|anaturezadaarte,aqual
transcende todas as suas real|zações part|culares Essamesmatranscendênc|a,
al|as,|mpedequeo||loso|o, part|ndodesuasconclusões,deduzaqualquerregra
de]ulgamentoestet|cosobreovalordetal ouqualobradeartepart|cular Me-
nlumesteta]ama| sconsegu|u|azê-lo,e bastaque osle|amospara nos des|azer
dessa|lusao, nos|requentementeadm|ramos0 queelestêmdesdenlado, enao
e nada|ncomum que nos desconcertemos com o queadm|ram Cada||loso|o
da arte rel|do com uma d|stânc|a de três decadas nos |az constatar o quanto
seus exemplosl evavamamarcadaepocaedogostodom|nante Fosselo]e, ele
nomear|aoutrasobraseoutrosart|stas. Sopermanecemma|soumenosestave|s
aquelesgrandesnomes,cu]aadm|raçaosetornouconvenc|onal
Contudo,naoeprec| soconclu|rda|queoconlec|mento||loso||coda na-
turezadaartenaotenlaut|l|dadenenlumacomopr|ncp|ode] ulgamento,mas,
supondo que seace|te umtal pr| nc|p|o, 0 un|co cr|ter|o que |ornece e 0 que
d|st|ngueaobradeartedaqu|loqueelanaoeÒquenaoepoucaco|sa,segundo
severa Le resto, e part|cularmente |mportante, graçasaumpequenonumero
decertezas|undamenta| s, poderd|scern|rnose| odessescomplexos concretos
quesaoasobrasdosart|stasaquelenucleodeartepuraqueascolocaentreOS
produtosdeumadasbelas-artes. Por| ssomesmotorna-seposs|veld|st|ngu|r,na
obra, o quenaopassadeencl|mentoousuportemater|al, ass|mcomoas |un-
çõesd|dat|cas, mora|s, ed|||cantes ou s| mplesmentemercenar|as que elavenla
adesempenlarAscon|usõesdessegênerosao|requentes,etalvez|mposs|ve| s
\AP|TÜLO I ¯ 0 QÜLL ||LOSO|AkSOßkLAAkTL? I 1 9
ded|ss| par, masa|unçao do||loso|onaoere|ormar0 ]ulgamentoalle|o, senao
elepropr|oequesedeveconvertera verdadee, entao, proclama-laaosquatro
ventos Quantoaosoutros, somenteosqueacred|tarem queadeveml evarem
cons| deraçaosaberaooquantoelapodeserut|laoes|orçodecadaumes|orço
deumav|da|nte|ra paradescobr|rabelezalaondeelaestaerender-lleuma
]ustalomenagem Mesmoesseserv|ço, porem, deverespe|tarl|m|tesestre|tos,
po|snaolam|sterdenenluma||loso|| apara|ru|rasbelezasdaarte,mu|topelo
contrar|o,talvez,emtodocaso,eprec| so||loso|arsobreaartese, naocontentes
com|ru|-la, ousamos|alaraseurespe|to
Aestaaltura, algumas observaçõesprat|casv|raobemacallar Letudoo
que poder|amosesperarda||loso||adaarte, omenosrazoavelea|ac|l|taçaodo
d|alogo Csprazeresdaartetrazemems|mesmosapropr|a]ust|||caçaoecomo,
ao |alar desses prazeres, acabamos porprolonga-los, naodevemosesperar de
quemosexper|mentaquerenunc|ead|zeroquesent|u Paraele,||loso|arsobre
oprazerque sente naotraznenlumasat| s|açao Lema|s, elenao estacertode
quea||loso||a,emqualquerumadassuas|ormas, se]aumtemadeconversal sso
nuncadacertoecadaumdos|nterlocutoreslogopuxaparaoseulado,segu|ndo
o ||o do propr|opensamento Cs ||loso|os so secomun|camde|ato porme|o
dc seusl|vros, sendo ass|m, quando setratadearte, o d|scursoentranumter-
renoondeacon|usaoalcançaoseumax|mo,porquantolacon|usaonopropr|o
ob]etodessed|scurso Quererpôrordemnesseterreno,paras|mesmooupara
osoutros, e prat|camente querer|mporo s|lênc|o, e como acon|usao|ac|l|taa
conversa, n| nguemquersa|rdacon|usao Seele te|maem|alar, o||loso|oacaba
tocandoemverdades taodesagradave|sque se arr|scaapassarporpedante ou
pretens| oso A un|carazaoparaescrever sobre a artecomo ||loso|o e, po| s, a
necess| dade totalmente pessoal de colocar ordem nas propr|as |de|as, sem se
gabardenaocometernenlum erroemempresataomodestacomoapresente
e esperando apenasqueaquelesque, porsuavez, se|nterrogamsobreo mes-
moproblematalvezencontremnelasalguma|nesperadaconcordânc|acomsuas
propr|asre|lexões
Umault|maquestaoprel|m| nard| zrespe|toa propr|aposs|b|l|dadedaem
presa Seraqueuma||loso||ageraldaarteeposs|vel ¯ M| nguempareceduv|dar,
20 I Ì NTkODÜÇAOÀS FkTLS DO bLLO
e|sa|porquemu|tosepubl|cou,emu|toa|ndasepubl|carasobrearte.Leresto,
nadae ma| s |ac|ldo que |alar daarteemgeral, porque todapropos|çao sobre
elapodeems|mesmaser] ust|||cadaporumexemploemprestadoaalgumaarte
part|cular Seoque se d|znaovaleparaap|ntura, podevalerparaamus|caoua
poes|a. lprec|so ser mu|to|n|el|zno pontode|end|do para que nenlumaarte
lle tragaa]ust|||caçaodese]adaMa|se|sque pelomesmomot|voopontoque
umaarte] ust|||ca,outranega Uma||loso||ageraldaarte,portanto,soeposs|vel
searazao seat|veraoque sepode d|zerdaarteprec|samenteenquantoe arte
e, de modo a|nda ma| s part| cular, arte do belo. l certamente |mposs|vel |alar
daarteem geral sem nuncase re|er|ranenlumaarteempart|cular, mas o que
|mporta, nestecaso, e cons|derarnaarte em questao apenas aqu|lo porque e
arte, e nao :s|c arte, no ||m dessa|nvest| gaçao geral, tornar-se-aposs|veltestar
como as suas conclusões sever|||cam em cadaarte part|cular, o que |mporta
numa|nvest| gaçaod|st|ntacu]oob] eto,claroesta,e espec|||camented||erente.
Uma vez tomadas essas precauções, resta precaver-secontra o r|sco de
sedesencora]arnocursodaempresa. Umsent|mentod||usode|ut|l|dadepesa
cont|nuamente sobre ela, sobretudo se o ||loso|otende a conclu|r, contra a
op|n|ao geral, que a arte nao e essenc|almentel| nguagem Como nao se per-
guntaracercadaut|l| dadedeumd|scursosobreoquenaoed|scurso¯Arazao
deperseverareapenasesta 0 pensamentodeque0 papeldal| nguagem,aqu|, e
prec| samenteconduz|roesp|r|toaumaordemdereal|dademetaverbal,1 que a
r|gornao dependedapalavraeda|ntelecçao Segundo, porem, s evera, nao se
tratadeprocuraremvagasreg|õesdosent|mentooudealguma| n| c|açaom|s-
t|caasrespostasqueopensamentonosrecusa.Mu|topelocontrar|o,apenasa
|ntel|gênc|aearazaoperm|temdel|m|tarumazonaemque os acontec|mentos
do esp|r|to,] ust||| cave| s comotudoaqu|lo de que |ormamos uma|de|a, pro-
vêmdeumalemdo conlec|mento edapalavra Maoobstante,naosetratade
umalemdentro da mesma l|nla, masdeumexter|orque se s|tuanumaoutra
ordem. Ò sent|mentode queatare|ae ut|l nos encora]aa | ns| st|rnoes|orço
1 Ou seja: "supraverbal", assim como o vocibulo "metaffsica", etimologicamente, significa
"supraffsica", i.e., disciplina que se ocupa de fen6menos hierarquicamente superiores aos
ffsicos. (N. T.)
CAPITULO Ì ¯ 0 QUE LFILOSOFAR SOBRE A ARTE? I 2 1
| ngrato de uma razao cu]aun|carecompensa, ao ||m e ao cabo, e reconlecer
umdeseusl| m| tes
Uma outra causa de pess| m| smo e que, segundo d| ssemos, a ||loso|| ase
propõeapensarem separadoessênc|asquenaoex| stememseparado Portan
to, eprec| sores| gnar-se,tentando| sola-lasparaentaode|| n| -las,comacerteza
deque, no||nal,laveremosde]untartudodenovo. Ma|s a|nda, nomomento
mesmoemquesepara,oesp|r|tosabeque| ssoqued|v|deestaun|donareal|da-
de,enuncade|xadeseremcon]unto Essad||| culdadegeralepart|cularmente
sens|velem||loso||adaarte Lepo|s delaver| soladoapep|tadearte purada
gangaondeesta|ncrustada, e prec| soreconlecerqueelanuncater|aex|st|do
e]ama|s subs| st|r|asemo resto Umaobra e d|tade arte porquecontemarte
pura, masprec|sade|mpurezasparas| mplesmenteex|st|rAlemd| sso, aomes-
motempoemqueat|ngeaplenaconsc|ênc|adesuad||erençaespec||ca, cada
artepart| cularprocura se un|rasoutras etendemesmoasubst|tu|-lasnassuas
|unçõespropr| as Ò p| ntorquer|alar, o escr|torquerp| ntar, amus|caqueros
do|s e vez poroutrapretende ate ||loso|arparaalem detodaarte Enquanto
Mallarme sonla escrevera|·o·aque estar|aparatodos osl|vros como a |de|a
platôn| ca dacama em s| esta paratodas as camas, ou quando Wagner tenta
cr|ar, porme|ododramamus| cal,umequ|valentemodernodas|nteseconcreta
das artes que |o| outrora, segundo ele, atraged|agrega,umaco|samu|to d|-
|erentevematona, mu|tomenosamb| c| osa, masquenaoobstanteex| ste Em
todocaso,naocabeao||loso|o]ulgaressasempresas,queeledeveace|tars| m-
plesmentecomo|atos Aquelesqueseque| xamqueamus| cadeWagnernaoe
pura esquecem que acon|usaom|t| co-||loso|| caqueaacompanla sem duv|da
lleeranecessar|aparaex|st|r, emesmoparaex|st|renquantomus| caÒ||loso-
|onaoestanapos| çaode]ulgarta|spro] etos, ouosseusresultados, suaun|ca
tare|a elevaraluz darazaoa umas:|ocas.a·c cle|ade |atos, todos d||erentes
entre s|, masdadosemcon] unto Talvezocensurem, po| s, pordescrevercom
o nomedearteuma co|saquenaoex| ste va|dadedasva|dades - e, embora
ele o sa|ba, sabe tambem que a co| saque clama por esse nome e aqu|lo em
v|rtudedoqualasobrasdeartemerecemserclamadas ass|m. Portanto, sem-
pre prec|samosvoltarao |ato |undamental. a ||loso||adaartenao e arte, mas
22 I ÌNTkODÜÇAOAs FkTLS DO BELO
conlec| mento As sat| s|a�õesem|nentemente|ntelectua| s que elaproporc|ona
carecemdeencantoparaoscora�õessens|ve|s, mas elaosnao poder|atentar
encantarsemtaologode|xardeex|st|r
Se sedescontaa|mensal|teraturademassaproduz|daporescr|toresque
exploramodom|n| odo'l|vrodearte¨, segu|dadal|teraturaerud|taproduz|da
porpro|ess ores del| stor|adaarte, est�t|caou||loso||adaarte, quetomama
artecomopretextoparaseusl|vros,mas nadapodemd|zersobreapropr|aarte
s| mplesmente porque desconlecem a sua prat|ca e a arte e uma prat|ca,
sobrapoucaco| saparalersobreumtemadequetantoseescreveu.Quemsabe
elenaosepresteatanto, enaola]anadaareprovaraosque pre|eremprat|ca-
loemvezded||und|rnopubl|couma|alsano�aodoqueelese]a Ev|tar-se-a,
em part|cular, o cam|nlo ,romanceado ou nao) dos grandesart| stas, nao que
lle|alte|nteresseems| mesmo, masporqueumtal|nteressenaod|zrespe|to
a arte, nemsequera suaarte a 'V|daAmorosadeX¨naoe oque|ezdeleum
art|sta, quandomu|toelaexpl|caO que, semellante a v|daamorosade mu|ta
gentequenaoeart|sta,acompanlou0 nasc|mentodasuaobrae,talvez,aoca-
s|onou- masnaoacausou. Em||loso||apropr|amented|ta, nao|os se a!·|:s:|·c
JcA·|:. de H| ppolyteTa|ne, em quetudooqueconcerneasobrasdosart|stas,
excetoaartequeasproduz|u,recebeumtratamentobr|llante,opr|nc| pall|vro
que sedeveev|tare aC·|i·.cJ:1a|z:, de lmmanuel Kant Maoquenao setrate
deumaobra-pr|manopropr|ogênero, mas, sendoesteult|moa||loso||adoco-
nlec|mento,quemaIe semdescon||an�atendeacon|und|rosproblemascolo-
cadospela||loso||adaartecomaquelesquenaverdade pertencema estet| ca.
Prec| samenteporcausadaautor|dadedequedes|ruta, nenluml|vro|avorece
ma|sa con|usao, lo] egeneral|zada, entreo dom|n| oda apreensao daobrade
arte,acompanladodocostume|ro]ulgamentosobreoqueseapreende,eodo-
m|n|odaartequenaoesenaoacausae|| c| entedaobraemquestao ÒqueKant
clama de anal|t|ca do belo, ou do subl|me, e uma anal|t|ca dos] u|zos pelos
qua|so le|torouo espectadoratr|bu|belezaousubl| m| dade as obras quelle
agradam E|sporque,apropos|to, umatalanal| se|nclu|osubl| mematemat|co
eosubl| medanatureza,alemdosubl|meart|st|co |deselamentar, po|s, aex-
tremad|scr|�aodeKantarespe|todapropr|aarte, po|sn| nguemter|as| doma|s
\AP|TÜLO Ì ¯ 0 QÜL L || LOSO|AkSOßkLAAkTL? I 23
capazqueeledeperscrutaranaturezadogênerod|st|ntodereal|dadesquesao
asobrasproduz|daspelaartedosart| stas Òpoucoqueeled|zarespe|to,no;
42, ¨LaArteemCeral¨, eno ;44, ¨LasBelas-Artes¨, edeuma] ustezatalque
todaanossarecomenda�aoa|ndaser|apouca A part|rdo ; 46,quede||neas
belas -artescomoas ¨artesdogên| o¨, semde|xarde|azer]usaoseupropos|to,
Kant tomaumcam|nloque nao e onosso As de||n|�õesdotal ento,dogên|o
edamane|rasegundoaqual,porme|odogên|o,anaturezaestabeleceasregras
daarte, adespe|todoquetenlamdeengenloso,daoa|mpressaodequepre-
paramumacr|t|cado]u|zoteleolog|co, e prec| samentepor| ssocompletam o
monumentodastrêsCo|·.cs,mas naoeluc|damanaturezadapropr|aarteKant
segu|a,naturalmente,oseupropr|ocam|nlo, elenaocometeuoerroaquesua
obraexpõe, devemosl ê-lacomouma||l oso||adaestet|caqueocas| onalmente
tratadaarte,e naocomouma||loso||adaartequeocas|onalmentetratadees-
tet| ca oque,porsuavez, de||n|r|amu|tobema|nten�aodopresenteensa|o
24 I Ì NTkODÜÇAOAs FkTLS DO bLLO
' ...
��"
¬sartCsOO ÞClO
Csatosque o lomemexecuta sao de espec| esd|st|ntas elee, conlece,
age e|az
Ser eumato todasasulter|oresoperaçõesdolomemopressupõemedele
der|vam Mozartmorreaos25 anos n| nguem ma| sva| comporoutra peçade
Mozart, depo|s damorte de Sclubert, aos 2l anos, esta | nesgotavel |ontede
mus|casecala eass|mpord|ante,emtodososdom|n| os Prec|samenteporque
oatoemv|rtudedoqualosereseaclapressupostoportodasassuasoperações
ulter|ores, eleedaalçadadameta||s|ca a||loso||adaarte, po|s, ace|taesseato
comoumpr|ncp| o Estee,naverdade,opr|me|ropr|ncp|o,queelasupõeesta-
belec|doereconlec|do Asoperaçõesdoconlec|mentosaoob] etodanoet|ca,
|nclu|ndoas c|ênc|asrelac|onadas, comoaep| stemolog|a, alog| ca, agramat|ca
etodasasc|ênc|aseartesdal|nguagemedaexpressao Asoperaçõesdaordem
daaçao const|tuemo ob] etoda et|cae detodas as d|sc|pl|nasquecomportam
umadosede deontolog|a Ma med|da emqueo comportam, seu dom|n|oe o
da moral|dade As operações da alçada da |act|v|dade, |sto e, da produçao ou
|abr|caçao sob todas as suas |ormas, const|tuem uma ordem d|st|nta das pre-
cedentes Come|e|to, o conlec|mentopressupõeque seuob] etoestadado e
sel | m|taaconcebê-lotal como e A açao produz a suamane|ra, no sent|dode
ser acausae||c|entede certose|e|tos, mas essese|e|tos sao atos do su] e|to ou
consequênc|asnatura|sdessesatos A|act|v|dade,aocontrar|o,tempore|e|toa
produçaodeseresouob]etosd|st|ntosde sua causa e capazesde subs| st|rsem
ela, durante umtempovar|avel Mossosatossenosseguem, masnossasobras
nos sobrev|vem, ''o busto'', d|z o poeta, ''sobrev|ve a c|dade''• Portanto, sao
trêsaspr|nc|pa|sopera�õesdolomem.conlecer, ag|re|azer, correspondendo
atrês ordens d|st|ntas o conlec|mento, aat|v|dade e a |act|v|dade. Estas três
ordenssereal|zamsoba|ormadetrêsd|sc|pl|naspr|nc|pa|s,quecompreendem
todasasopera�õesdolomem ac|ênc|a, amoraleaarte
Òlomeme unoe secoloca|nte|ramente em cadaumdosseusatos, mas
emgraus d||erentese d||erentespropor�ões Moquequerque|a�a, olomem
conlece Come|e|to,]aque suanaturezae adeum serv|vodotadoderazao,
a at|v|dade rac|onal esta necessar|amente | nclu|da em toda opera�ao lumana
como cond|�ao de sua propr|a poss|b|l|dade. Por outro lado, operar e ag|r, e
nossosatos mu|tas vezes têm consequênc|as cu]a causa somos nos, a|nda que
as nao tenlamos causadod|retamente. En||m, problemas demoralcostumam
acompanlar a at|v|dade do estud| oso, do engenle|ro ou do |ndustr|al, e sa-
bemos mu|tobemqueaarteestalongedese|urtaraestegênerode questao
Mao prec|samosdo ||loso|o para saberessasco|sas, os] orna|s estaocle| osde
problemasass|m, cu]a |mportânc|aprat|caarrebataa |mag|na�ao e aatemor|za
comasuad|||culdadeMasaqu|oquenoscabee d|st|ngu|r, nestecomplexode
at|v|dadesquese|mpl|cammutuamente,oqued| scerneaartecomotal
Todasasartes,| nd|st|ntamente, saodaal�adada|act|v|dade saooquee
propr|odooa¬a|cl:·, que e omesmoqueo oa¬asc(·:rs, ambos sao um socom
o oa¬a|a,a:rs, mas a c|rcunstânc|a de que todas essas opera�ões venlam do
mesmosu]e| tonaonosautor|zaacon|und| -l os Acausapr|nc| paldascon|usões
queatravancama|| loso||adaartee o|a todequeolomemnaose] a obre| ro´´
senao porque e sab| o´´• | poss|vel conlecer, se nao sem ag|r, ao menos sem
|abr| car, masnaosepode|abr|carsemconlecer Maoobstante, e prec| sotam-
bemlevaremcontaqueaordemdo|azer, emessênc|a, e d|st| ntadadoconle-
cer. |class|co, natrad|�aogregadePlatao,Ar| stotelese Plot| no, cons| derara
v|da de conlec|mentoe contempla�ao comod||erente e ma|s elevada da
v|dadea�aoApropr|arel| g|aocr| stas| mbol|zoued||und|u,peloevangellode
MartaedeMar|a, opr|ncp|odasuper|or| dadedacontempla�aosobreaa�ao
Luranteseculos,en||m,sab| os, letradose||loso|osnegl|genc|aramumpoucoa
classedosart|stas,queentaonao sed|st| ngu|adados escravose,ma|starde,da
26 I ÌNTkODÜÇAOÀS FkT|S DO bLLO
de s|mplestraballadoresmanua| s l sto,por�m, sao apenass|na|sdoproblema
quereteranossaatençao. Po| steremos ded|st|ngu|raartenamed|daemque
naoeumag|rnemumconlecer, porma|sestre|tasquese]amas suasrelações
comessas outrasordens Solaarte a|onde, noessenc|al, e comoquenasua
propr|asubstânc|a, aoperaçaonaocons| steemconlecernememag|r, masem
produz|re|abr| car
A] ust||| cat|vadestadec|saoe que, conquantoelademande asoutraseate
dependa delas em ma|s de um aspecto, a at|v|dade de |abr|caçao do lomem
der|vad|retamentedoseuatodeser, sem passarpeloconlecernemµeloag|r,
mesmo quando os |mpl|ca Ò oa¬a|c|:· e desde o |n|c|o um:rs|c|:·, po|s sua
at|v|dadede|abr|caçaoecomoqueumapromoçaodoseuatodeex|st|r. Elade-
corred|retamentedelee,al|as, epor| ssoquellee| nseparavel APre- H| stor|a
nao estacertada presençadolomemsenaoquandopodecomprovar, nums|-
t|o qualquer, a presençade ob] etos que nao podem sercons|derados obrada
natureza Maoe sempreque setemcertezade queumapedraencontradaem
determ|nado s|t|o se]aum s|lexlascado, mas se se estabelece que o e, tem-se
logoacertezadequeeobralumana Ò|mensodesenvolv|mentodaproduçao
|ndustr|al, sobretudo desde a |nvençao de maqu|nas que operamcomo |erra-
i:ientas,atestaapu]ançadestanecess| dadepr| m| t|vade|abr|carea|ecund|dade
de que e capaz quando se|lum|nacomas luzes do conlec|mento, numaser|e
detrocasentreoconlecereo|azerdequeac|ênc|anaosecansadeaprove|tar
A l| stor|ada |act|v|dade nos escapa Mas talvez nao est|vessemos mu|to
longedaverdade|mag|nandooseucomeçocomol | gadoa necess|dadeespon-
tâneade|azeralgumaco| sa,algoqueseobserva|ac|lmentenascr|ançasequese
a||rmacomv|gornumgrandenumerodeadultoscu]asmaosestaosempreocu-
padasa|abr|car l|mposs|veld|zercomalgumgraudecertezaemquepropor-
çao estaat|v|dadelumanade|abr|caçao|o|exerc|daemv|stade||ns|med|ata-
menteute| s, eemqueproporçaoemv|stade||nsdes|nteressadosourel|g|osos
Mao se pode exclu|rc(··a·· que mu|to cedonal| stor|ada espec|e os lomens
pudessem|abr|cars|mplesmentepeloprazerde|azê-lo Tal e qual a|unçao da
l|nguagemart|culada, tambema|act|v|dadepodeters| do exerc|dapors| mes-
ma, comoqueparaseassegurardapropr|aex|stênc|a,aomesmotempoemque
\AP|TÜlO Ì Ì - FSAkTLS DOßL|O I 27
se espec|al|zava emv|sta de d|versos ||ns Como quer que se]a, especulações
deste gênero sao um es|orçovao, po| s |mag|namos a or|gem daarte segundo
aqu|loque,nomomentopresente,secon|| guracomotal Portanto,eapart|rde
nossaexper|ênc|adaarte que devemosde||n|ra suanatureza Ò metodo ma|s
cômodopara|azê-lo,tomandoaquestaoemtodaasuageneral|dade,seradeter-
m|naro|| mpropr|odaartenos d|versosdom|n|osda|act|v| dade
Ò t|tulo de um tratado de Santo Agost|nlo, lo] e perd|do, sugere uma
d| st|nçao mu|to ant|ga entre o belo e o ut| l D:ía|.o·a:|A(ia. Logo reencon-
traremosamesmad| st|nçao,masantesconvem|nclu|-lanumaoutraa|ndama|s
amplaconcernenteaobelo,asaber,ad|st|nçaoentreabelezadosseresnatura| s,
adosob] etos|abr|cadoseadasobrasdearte Segundoex|gênc|adoprogresso
mesmodare|lexao,tentemosaqu|umapr|me|raaprox|maçaodanoçaometa||-
s|cadebeleza, sobacond|çaoderetoma-lama|stardeeapro|unda-laL| gamos,
po| s, queobelosereconleceporserob] etodeadm|raçao A palavraadm|rar
s| gn| ||ca ¨voltar o ollar na d|reçao de¨, adm|raçao e a reaçao espontânea do
lomem,sens|b|l|dadee|ntel| gênc|a,a percepçaodetodoob] etocu]aapreensao
agradapors| mesma
Ò ob]etoemquestaopode sernatural Trata-se, entao, comosed|z, de
um ¨produto danatureza¨ Querse]aumcorpolumano, um an|mal, umaar-
vore ou uma pa| sagem, a adm|raçao se produz quando se aclam esponta-
neamentereun|dastodasascond|çõesnecessar|asparaqueav| saodoob] eto
agrade por s| mesma l provavel que a natureza possua belezas e produza
sent|mentosdeadm|raçao super|oresatudoo queaartepode o|erecer, tan
to ma|s porque ta| s sent|mentos e belezasvêm |requentemente acompanla-
dosde|mpressões||s| casdebem-estar, masosob]etose espetaculosnatura|s
nao |oram |e| tos com o ||tode produz|ressas|mpressões Ma|s exatamente,
eles nao |oram |e| tos, mas.cascJas pelo]ogo espontâneo das|orças natura| s .
Amenosqueseapelea noçaodearted|v|na,aqualcolocaproblemasmeta||-
s| coseteolog|cosdos ma|scomplexos,e prec| sod|zerque, seserestr|ngeao
plano daexper|ênc|a, as belezas natura| s naosao produtos denenlumaarte
Supondoqueabsolutamentesequ| sesseremontaraLeus, ter|amos entaode
acrescentarque,a|ndaquando|azco| sasbelas, Leusnaoas|azemv|stadasua
28 I ÌNTkODÜÇAOÀS/kT|S DO bL|O
beleza,| stoe, cons| derandoabelezacomooseu||mult| mo Aarte d|v|nanao
correspondeanenlumadasbelasartes.
Lesçamosagoraatea|act|v|dadeparaquesepossa,po|s,atr|bu|rabeleza
deum ob] etoaumaarte qualquer, e prec| soque este ob]eto se]a ¨|e|to¨ pelo
lomem Prec|samenteaqu||ntervemad|st|nçaoentreobeloeout|l.A|mensa
ma|or|adas at|v|dades de |abr|caçao sepropõe como||ma produçao e mult|-
pl|caçaodeob] etosute| semtodosOS dom|n|osdaut|l|dade |ut|l0 queserve
paraalgumaco|sa Maolaopos|çaoentreout|leobelo,]aquee poss|velquea
belezase]aut|l oque,emcertosent|do,elasempree Maoobstante,elanunca
eproduz|daemv|stadesuaposs|velut|l|zaçao,masapenasetaosomentepors|
mesma Lemane|ra|nversa,eposs|velqueumob]eto|e|toemv|stadesuaut|l|-
dadese]aaomesmotempoumob]etobelo,naverdade, esempredese] avelque
se]a ass| m a¬r:|a|·|(ar.|a¬ . Mu|tosob] etos da| ndustr|a maqu|nas, nav| os,
av|ões,utens|l|osdomest|coseoutros saoma|sbelosquevar|asobrasdearte
conceb|dasun|camenteemv|stadasuabeleza, mas malogradasou|rancamente
|e|as. Se setomaapalavraartenoseusent|do ma| sgeral, | stoe, aqueledaex-
pressaotrad|c| onal ¨arteseo||c| os¨, pode-sed|zerqueemsent|dolatoospro-
dutosda| ndustr|a,etodasasgrandesobrasdolomemquemod|||cam,talvez,o
aspectoeapropr|aestruturadanatureza umaponte, umtunel,aaberturade
um|stmo,umJ| que, saoobrasdearte.
Mestesent|do,ta|sob] etostêmasuabeleza, masestanaoe omesmogê-
nerodebelezadasobrasproduz|daspelasbelas-artes Abelezadeumaturb|na,
de umautomovel, deumbarco oudeumav|aosem duv|da pertence a beleza
das obras |e|tas pelo lomem, porme| ode uma das ¨artes e o||c| os¨, mas ta| s
produtosdaarte nao |oram |e|tosemv|stadesuabeleza Ass|mcomoabeleza
dos seresnatura| s, tambemestaeumabelezasuplementar, comad||erençade
quenaosetrata,ev|dentemente,debelezadanatureza,mas,porass|md|zer,de
umacomobelezadaut|l|dadeAl|as,nosapercebemosprec|samentecomotal,
po|seumaobservaçaoquese|azam|udeadequeumprodutomanu|aturadoe
tantoma|sbeloquantoma|sasua|ormaedeterm|nadapelo||mpor que epro-
duz|do. Aadaptaçaodoob] etoa sua|unçaoeabelezapropr|adesteob]etosao
emregrad|retamenteproporc|ona| s Trata-se, po| s, doquemu|tobemsepode
\AP|TÜLO ÌÌ · FS AkTLS DOßLLO I 29
clamar debeleza '|unc|onal '. Tanto| stoeverdade|ro que se vê com pesarOS
construtoresdes||gurandoabelezadesuasmaqu|nas,quandotentamembeleza-
lascomornamentossuper|luosemprestadosaodom|n|odasbelas-artes. Ass| m
comoabelezadanatureza,tambemadaut|l|dadepodeultrapassaradap|ntura
oudaescultura, contantoque, ||ela suaessênc|a,naoastente|m|tar. Leresto,
o contrar|o e | gualmente verdade|ro, po|s os p|ntores e escultores seduz|dos
pelabelezapropr|adasmaqu|nas,domesmomodoquemu|toso|oramea|nda
sao pelada natureza, enganam-sepro|undamentequandoquerem seapoderar
e como que se apropr|ar de tal beleza|m|tando-ana |orma de suas p|nturas e
desuas estatuas. Elesacred|tamque,ao|m|tarabelezadeumamaqu|na, trans-
|ormam-naembelezaart|st|ca, mas |stoeuma|lusao, po|sapenasumamaqu|na
podeterabelezadeumamaqu|na.Òqueepropr|odeumabelezadestegênero
enaoacontecer, comosed|z, 'decasopensado',enquantoaartepropr|amente
d|taproduzob]etosexpressamenteplane]adose conceb|dostaosoemv|stade
suabeleza. As artes deste gênero saoas 'belas-artes', po|s sao artes do belo,
named|da em que os ob] etos que produzem nao têm nenlumaoutra |un�ao
|med|ataepr|me|rasenaoadeserembelos. Estee o seu||mpropr|o,sua'razao
de ser' e, consequentemente, sua natureza. A ||loso||adas artes dobelotem,
po|s,porob] eto0 con]untodosdom|n|osda|act|v|dadecu] o||mpropr|oepro-
duz|rco|sasbelas,qualquerquese]aoseugênerodebeleza Òma| sdasvezes,
con|unde-se||loso||adaartecomestet|ca. Acon|usaoestataopro|undamente
enra|zada, sobretudo desde o tr|un|o do |deal|smo kant|ano, que clegamos a
esperardetodol|vro com 'estet|ca'not|tuloque nosexponlauma||loso||ada
arte 0 que, numa palavra, e umgraveerro, porquantonao se devecon|und|r
opontodev|stadoprodutorcomodoconsum|dorSaberdegustareumaarte,
mas aartedo¡aa·¬:tnaoeacul|nar|a, domesmomodo, naosedevecon|und|r
a||loso||adasartesqueproduzemobelocoma||loso||adocon]untodeexpe-
r|ênc|asemqueapreendemosabeleza
Frequentemente se ob] eta aos ||loso|os que osproblemas de que tratam
saototalmente|nd||erentesaos art|stas | stoe um exagero, mas, supondoque
|osseverdade,eprec|sod|zerquenao|alamosal|nguagemdaarteaqu| aqual,
deresto,nemva|mu|tolonge , senaoal|nguagemda||loso||adaarte,cu]o||m,
30 I ÌNTkODÜ�AO»sFkTLSDO bLlO
sendo ||loso||a, nao e a beleza, mas averdade Contrar|amente a um precon-
ce|tomu|tod||und|dosobretudopelospropr|os||loso|os,olomempodema| s
do que aqu|lo que sabe no que, al|as, ele se assemellaanatureza, que mu|to
produzenaosabenada Castamosnossac|ênc|atentandosegu|-la,ea|ndaque
osaberdolomemaumentecons|deravelmenteo seupoder, as|or�asque este
sabercolocaa suad|spos| �aonaode|xamde ser|or�asnatura| s Tambemo ar-
t| sta, nesteponto, seassemellaanatureza. sobretudoelepodemu|toma| s do
queaqu|loquesabe Poracasolav|aestetasemLascaux¯Mao, semduv|da,mas
p|ntorescertamentelav|a Umart|stanaoprec|sasaberoqueeaarte,contanto
quesa|baoque, a||nal, elequerquea suaartese]a Csart| stasnaoestaopro|-
b|dos, ev|dentemente, de ||loso|ar sobreaarte,naverdade, gostar|amosqueo
||zessemma|sam|ude, poremnao podem|azê-losenaonapos|�aode||loso|os,
eseasuaexper|ênc|apessoalconcedeautor|dadeaoqued|zem,al|m|ta�aoque
elalles|mpõetambempossu|osseus| nconven|entes
Paraquempretende|alarde||loso||a, aordem ex|gequecomeceporexa-
m|naranaturezado belo em geral, cons|derado, por ass|md|zer, antes do seu
'descenso' as duas grandes espec| es do belo natural ,ou art| || c| al) e dobelo
artlst| co Umtalestudoeporde||n|�aoanter|ora||loso||adaartepropr|amente
d|ta, demane|raquelleeumacond|�aonecessar|a
Adoutr|nadobelocomotalpodereceberonomede'calolog|a' Elaesta
para a ||loso||ada arte ass|m como a ep| stemolog|aparaa c|ênc|a ,entend|da
como conlec|mentodaverdade) oua agatolog|aparaa moral ,compreend|da
comoac|ênc|adobem) Cadaumadessasd|sc|pl|nastemporob] etoumtrans-
cendental que, sendo convert|vel com o ser, esta |ncluso no ob]eto geral da
ontolog|a Comoconlec|mentodeumdos modosdo ser comotal, acalolog|a
edaal�adadameta|ls|ca Compreende-se, po| s, queo art| stacomotalnao se
|nteresseporestegênerodequestões, mas,art| staounao, quem||loso|asobre
as belas-artessecondenaanaosabernadadoqued|zsedesdelogonaose|n-
terrogasobreanaturezadobelo,queeoob] etomesmoqueestegênerodearte
sepropõeaproduz|r.
Clama-se belo, d|zlamos la pouco, aqu|lo que provoca a adm|ra�ao e
retemo ollar. Prec| semosdesdelogo estepontoessenc|al obeloartlst|cose
\AP|TÜLO Ì Ì · FS AkTLS DOßLLO I 3 1
de||ne sempre, mesmo do s|mples ponto de v|sta de sua de||n|çao nom|nal,
comodadonumapercepçao sens|velcu] aapreensao e dese] avelems|epors|
mesma A percepçao-t|poque secostumac|tarneste casoe av|sao, e]aque
todapercepçaodobeloe dese] avela med|daqueseacompanladeprazer, OS
Escolast|cosde||n|amobelocomoaqu|locu]av|saodaprazer, ouantes, ''oque
agradaa v|sao' ' ,·J,+aJo·s+»(|c.:|)
Mao |altamob] eçõesaestade|| n|çao Ama| s comumasscveraque, nestas
cond|ções,reduz-sea||loso||adobeloaumavar|edadedeeudemon|smo Mas
d|zer|stoecometerumerro Maosetrataded|zerqueopropr|obelocons|ste
no prazer que produz, mas antes que se reconlece a presençadobelo pelo
prazerde quesuaapreensaoseacompanla lverdade quecertos|n|m|gosda
alegr|acons|deramtodoprazercomoav|ltantea exper|ênc|aemque se|nclu|,
mastantovaleoprazerquantoacausaqueoproduz|u, e osteologosnaocon-
s| deramqueav|saode Leusse]aav|ltantepelo|atodeser''beat|||ca''• Beatr|z,
''aquelaquebeat|||ca'',revelavasuanobrezapelaalegr|adequeseumerosorr|so
cumulava o alt|ss|mo poeta Csprazeresdaarte|azem mu|toparano-la|azer
amada, olomemnaotemde se envergonlardaqu|loqueo|az|el|z.
Contudo, convemque |açamos]us aumaoutraob] eçao e reconleçamos

queapalavra ''prazer'', semprevaga, e-o demane|ratodapart|cularquandose
apl|caa exper|ênc|ado belo. HaprazeresdetodosOS t|pos, quesed|st|nguem
porseusd|versosgrausdemater|al|dade,desdeosprazeresdotatoedopaladar
l| gadosasma| s elementares|unçõesb|olog|casateosdaapreensao,compreen-
saoedescobertadaverdade Csprazeresdo conlec|mentopodemserlevese
semellantesauma eu|or|acont|nua, mas talveznenlum outro t|poembr|ague
tanto,nenlumoutrose]ama|sv|olentoqueoprazerqueacompanlaadescober
tadaquelas| de|as ''glor|adeumlongodese]o'' cu]ameraerupçaobastapara
pôrordemnumaenormemassadeoutras |de|as, e revelaaoesp|r|toa|ntel|g|-
b|l|dadedeumvastocampodoreal.Tomemospors|mbolodeta| sprazeresque
desabroclamemalegr|asaemoçaodeMalebranclequandoencontrouLIa»»:.
deLescartes,numal|vrar|adaruaSa|nt-|acques,|olleou-o,comprou-oe''leu-o
comtantoprazer, quedetemposemtempos eraobr|gadoa|nterromperal e|-
turaporcausadaaceleraçao dos bat|mentos card|acos, tal era o prazerque o
32 I Ì NTkODÜÇÄ OAs FkT|S DO b|lO
arrebatava¨ 1 Quem nunca |nterrompeua l e|tura de um l|vro de erud|çao, de
c|ênc|aoude||loso||aparatomar|ôlego,d|gamos, d|antedacargaemoc|onalde
tal le|tura,certamente|gnoraumadasalegr|asma| s|ntensasdav|dadoesp|r|to
Osprazeresdaartesaodestegênero, po|s estaol|gadosaoconlec|mentoque
tomamosdecertosob] etoseaomesmoatoporqueosapreendemos Londea
segu|ntede||n|çaonom| naldobelo aqu|locu]aapreensaoagradaem s|e por s|
mesma Ò prazerdobelooraengendraodese]o, orao coroa, emtodocaso, a
exper| ênc|adobeloengendraodese]oe secoroadeprazer
Ateaqu|, obelodequev|mostratando pod|a ser|nd||erentementeopro-
duz|do pelanatureza, pelaverdade, ou, en||m, pelaobradearteelaboradaex-
pressamenteemv|stadabeleza Astrês exper|ênc|as sao, porem, d|st|ntas, e e
clegado omomentoded||erenc|a-las
Ad|st|nçaoentreobelonaturaleobeloart|st|cose|azpors|mesma Com
e|e|to, e essenc|ala esteult|moque o ob]eto cu]aapreensaocausaprazer se]a
perceb|docomoaobradeumlomem, asaber,oart|sta Tanto|stoeverdade|ro
que,seum|·a¬(:-' a:·'|ossecompletamentebem-suced|do,oespectadoracred|-
tar|aestarempresençadeumob] etonaturalouumespetaculodanatureza,ele
entaoexper|mentar|aoprazereaadm|raçaoproporc|onadosporumabela|lor,
umbeloan|mal ouumabelapa|sagem, nao o prazerespec|||camented||erente
queaobradearte perceb|dacomotal proporc|onaaole|tor, aoespectadorou
ao ouv|nte Atrasdaobradearte, sent|mos sempre apresençado lomem que
aproduz|u ||sto, al|as, o quecon|erea exper|ênc|aestet|cao seucaratertao
|ntensamentelumano,]aque,porme|odaobradearte,umlomemnecessar|a-
mentesepõeemrelaçaocomoutroslomens V|rg|l|o, VermeerdeLel |t,Mon-
teverd| e mesmoosanôn|mosestaoeternamente presentesnassuasobras e
estapresençanose sens|vel Tantoo e que aexper|ênc|adaarteestal | gadaao
sent|mentodestapresença Maolapresençalumanapordetras danatureza, a|
nestelugarsente-seapenasumatrag|caausênc|a,queas|mprecaçõesdeV|gny
denunc|aramcomav|olênc|aque]aconlecemos. Seeque sepercebeumapre-
sençaemtal lugar, estasopodeser, ev|dentemente,apresençadeLeus
1 Cf Cousin, Fragments Philosophiques. 5. ed. , v. 4, p. 473-474.
\Al|TÜ|O ÌÌ · FS AkTLS DO ßL|O I 3 3
Le nada ad|anta ob] etar que Leus e art|sta, po| s Ele o e na med|da em
que oser eumaper|e|çao, mas Suamane|radesê-lotemapenasumalong|nqua
analog|acomanossa Leus cr|aabelezanaturalcr|andoanatureza, maso ||m
danaturezanaoe serbela, e Leusnaocr|aob]etoscu]a||nal|dade propr|ase]aa
de serembel os Leus nao cr|aquadros nem s|n|on|as, e mesmoos Salmosnao
sao os salmos de Leus, mas ossalmos de Lav| Ass|m como Leusconst|tu| a
naturezano se| odosere de|xaque elamesmareal|zeasoperações que lle sao
propr|as, ass|m tambem Leus cr|a osart|stase lles de|xao cu|dado deacres-
centaralgoa naturezaproduz|ndoobrasdearte Portanto, aartenoscolocana
presençadeLeustalcomoanatureza, masdomesmomodoquea||loso||ada
naturezatemporob]etoanatureza, enaoLeus,tambema||loso||adaartenao
tratad|retamentede Leus, mas daarte l. po|s, essenc|al a belezadaarteque
nos coloque na |med|ata presençado art|sta, que e um lomem, po|s a arte e
co|saem|nentementelumana Leusnaotemmaos
A con|usao entre osprazeres daverdade e osprazeres dabelezae ma|s
d|||c|lded|ss| par, po|s averdadetemasuabelezapropr|a,]aquee convert|vel
comoser E| sa|porque, sendo ma|s|am|l|araos||loso|os,ade||n|çaodabeleza
|ntel| g|vel se con|unde no esp|r|to deles com a da beleza em s| A de||n|çao
· class|caetestemunla aBelezae o esplendordaVerdade.Madama|sexato,mas
estade||n|çaosovaleparaabelezadosercomoob]etodoconlec|mento, | sto
e, para a verdade Muncae dema|s en|at|zar as desastrosas consequênc|as de
estender-seanoçaodebelezadaverdadea belezadaarte, paratodasas|ormas
art|st|cas Todaaarteclass| ca|rancesa,taor|caemobras-pr|mas,produz|uobras
apesardopr|nc|p|o|atal, eper|e|tamente|also,deque'··:rr:s|l:ca,a:|:o·c·.|:
o·c·s:a|:s|c·¬cl|:' 2 Lesenvolvendo-seomesmopr|nc|p|o,acabou-seporde||n|r
averdade comoa ¨natureza¨, clegando-se, ass|m, a doutr|na|gualmente clas-
s| casegundoaquala||nal|dadedaarteea|m|taçaodestanatureza.Acon|usao
|n| c|alentreabelezadoconlec|mentoe abelezadaartee, po|s, apropr|ara|z
da|unestadoutr|na da arte conceb|dacomoum gênero de |m|taçao Teremos
ocas|ao de esquadr|nlar o sent|do e as consequênc|as de tal doutr|na, baste
2 Verso da nona epfstola de Boileau: "tao s6 a verdade e bela, s6 ela e desejavel". (N. T.)
34 I ÌNTkODÜÇÃOAs FkTLSDO bL|O
pororaqve observemosoqvantoasva|als| dadee ev|dente Qvem se |mporta
comaverdadeova|als|dadedoqvevmpoema,vmromance,vmatraged|a,vm
desenloovvmqvadronos mostra¯ Emqvecons|steaverdadedevma|vgade
Bacl¯Come|e|to,vmaobradeartenaoe verdade|ranem|al sa Aarteetalqve
anoçaodeverdadenemseqversecolocaasevrespe|to Trata-sedevmad|st|n-
çao pr|mac|alentreesses dom|n| os. Ama|or|are] e|taestad|st| nçaoespec||ca,
clegaase|nd|gnarqveserecvsea|azerdabelezavmcasopart|cvlardaverda-
de, daartevmcasopart| cvlardoconlec|mento, mas o|atoe qveessama|or|a
estamv|toma|sbem| n|ormadadasco| sasdo conlec|mento, qvedasco| sasda
arte Tal ea|ortvnadosqve pensamsempreenvnca|abr|camnada
Maonegamosqveaverdadetenlaasvabeleza, semduv|daama| selevada
detodas,nemqveaexper| ênc|a|ntelectvaldestaverdade seacompanledepra-
zerAbelezado|ntel| g|veleaqv|loqvedaprazerqvandoecompreend|do Esta
exper|ênc|aed||erente,todav|a,daexper|ênc|adobeloart|st| co Qvandolemos
vml|vroparanos|nstrv|r,semdúv|datemosprazeremllecompreenderosent|-
do Eqvantoma|oroes|orçonecessar| oparaass|m|larestesent|do,ma|oropra-
zerdacompreensao. Qversetratedec|ênc|aovde||loso||a povco|mporta ,
aexper| ênc|apermaneceamesmaeaqv|loqveacaracter|zaeqve,qvantoma|s
bem-svced|da,menorodese]oderecomeça-la Csprazeres|ntelectva|sdades-
cobertanaoserepetem, o qveseencontrovpors| mesmoovseaprendev de
ovtremestacompreend|do devmavezportodas. Se ole| torprec|sarrelervm
l|vro,naoeparaaprenderdenovo0 qve]asabe,nemparater0 prazerdedes-
cobr|rvmasegvndavezoqve] aencontrovnapr|me|ra, mas, pelocontrar|o, e
porqve nao o compreendev completamente, ovporqve lle escapaamemor|a
do qve lev Haver|aalgo de absvrdo no dese]o de aprendero qve]a se sabe
E| sporqveevmdese]oqvenaosetem Csl|vrosaqvema| s devemossaoOS
qve, med|anteprolongadamed|taçao ov, qvemsabe, logode|med|atoe sem
es|orço-, trans|ormamosemnossopropr|oser, emnossapropr|asvbstânc|a,e
prec|samenteporqveos ¨ass|m|lamos¨qve]ama|sos relemos
Ò casoe compl etamente ovtro comos prazeres daarte Podemos ter
compreend|dovml|vrodevmavezportodas, masnvncaclegaremosao||m
da|rv|çaodevmpoema, daaprec|açaodevmaestatvaovdaavd|çaodevma
\AP|TÜLO ÌÌ ¯ AsAkTLS DO ßLLO \ 3 5
obra-pr|ma, porquanto a beleza da arte se da sempre numa percepçao sen-
s|vel . lverdade que a sens| b| l| dade secansae que a repet| çao excess|va da
mesmaexperl �nc|aestet| ca acaba por embotaro prazer, mas, longede sero
s| gnode sua obsolescênc|a, toda|nterrupçao deste gênero prepara a ressur-
re| çao|uturadestaapreensaodabelezano se| omesmodaalegr|a,recompensa
certadoamora artee|rutodoseucult|vo Leresto,aexper| ênc|ae|med|ata
l amor a pr|me|rav|sta
¨
1: |:Jarr:.:so:·s c|·r ,a:s·¬arra¬ . . ''¯ | mposs|vel
ler o verso sem quererrel ê-l o, ass| m como a estro|e e todaal ongamelod|a
verbal cu] a mus|ca encanta e arrebata Versos belos estao tao l onge de se
l eremdeumavezportodas, quedebomgrado osaprendemosdecor, a ||m
de nos l |bertarmos do l |vro e osl evarmos sempre conosco Estee o s| nal da
presençadobeloart|st| co

Comobem]ad|z|aoabbe LuBos 'Òesp|r|tonao
poder|a|ru|ro prazerde aprendera mesma co| saduasvezes, mas o coraçao
pode gozarduas vezes o prazer de sent|ra mesma emoçao¨ Ha prazernos
do| scasos, contudo,emborase]amcasosdenaturezad|st|nta Ò|| mdoatode
conlecere saber, e] aquesabemosdeumavezportodas, oprazerdealcan-
çarumaverdadenaoerenovavel Poroutrolado,]a que nao |ru|mosabeleza
senaonoatomesmoqueaapreende,arepet| çaodesteato,alemdeesperada,
e antesdese]ada Pode-sesaber Eucl|desdeumavezportodas, masale|tura
deSlakespearesempre poderecomeçar
lprec|soprocurarma|salemasoluçaodesteproblemaearazaoquea]us-
t|||ca Òquesedese]a,porde||n| çao, e umbem, po| s0 beme0 propr|oserna
med|daemquee dese] avel Òbeloe, po|s, umadasespec|esdobeme, aeste
respe|to,eumob]etodavontadeMaseumbemdeumaespec|etaod||erente
das outrasquedeve sercons|deradoum outro transcendental, d| st|ntodaver-
dadeedobempropr|amented|to Avontadeprocuraos outrosbens,oupors|
mesmose porcausadasuaper|e| çao |ntr|nseca, oupornosmesmose porque
asuaper|e| çao nos e dese]avel emv|stadonossopropr|obem. Mume noutro
caso, o dese]o tende parao propr|o ob] etotomadoem suareal|dade||s|ca, e e
estemesmoob] etoquedese]amospossu|r

|a com0 beloed||erente, po|selee
3 Verso de Baudelaire que inicia o poema "Spleen et Ideal", contido em Les Fleurs dt Mal [As
Flores do Mal] : "Dou-te estes versos para que se o nome meu . . . ". (N. T. )
36 I Ì NTkODÜÇAOASFkTLS DO bLLO
umob] etodavontadedese]adocomoos ob] etosdoconlec|mentosedese]am
Mormalmente, avontadequer seus ob] etosparaos possu|r, nocaso do belo,
elanao0 querparapossu|-lo, masparavê-lo Quando sequerpossu|rumbelo
ob]eto, a ||nal|dade destaaçao naoe a posse, mas a poss|b|l|dade de revê-lo,
relê-loououv| -lode novo, sempre que seque|ra Muma palavra, o ob]etodo
dese]o,nestascond| ções,emenosopropr|oob] etoqueobemquenoscausao
atodeapreendê-lo lo quea||loso||aclass| casal|entavademodoexcelenteao
d|zerque, enquanto0 bemord|nar|amentese de||ne como 0 quee bom paraa
vontade,obeloeobemdoconlec|mento Come|e|to,sendoaqu|locu]av|sao
daprazer ,·J,aaJo·sa¬(|c.:i) , oleloe umconlec|mentodese] avelnopropr|o
atoporqueseapreende
Esteestatutoontolog|co|mpl|caqueo beloeessenc|almenteumarelaçao
Arelaçaonaoseraentend|daaqu|nosent|do|deal | sta, | stoe,comoums|mples
l|amementalqueoesp|r|toestabeleceentredo|stermos, masantesnosent|do
real|sta e pre-kant|ano de umarelaçaoreal, aqualseestabelece pors| mesma
entre ob]etos|gualmenterea|s, e cu]a natureza e determ|nada poraqu|lo que
saoEmcertoaspecto,asexper|ênc|asestet| cassaoanalogasasrelações||s|cas,
v|stoque,comoasult|mas,der|vamdanaturezadasco| sas Contudo,sendoum
de

stes termos, como e, um su] e|to cognoscente, as cond|ções ex|g|das para a
poss|b|l|dadedobelosaodeduasordensd|st|ntas,deumladopert|nentesaeste
su]e|tocognoscente,dooutro,aoob] etoconlec|do
Ò su]e| to e um lomem, | sto e, um an|mal dotado de sens|b|l|dade e de
|ntel|gênc|a, ma|s uma |aculdade cu] opapel med|ador |o| mu|tasvezes desta-
cado pelos ||loso|os a |mag|naçao Estault|madesempenlaum papelcap|tal,
naosomentenal|vrerepresentaçaodcob]etosposs|ve|sdadosapenasempo-
tênc|a, mas tambem namesmaapreensaodeol] etosdadosemato Menluma
percepçao e | nstantânea l stonao soeverdade|roparaaqu|loa que seclama
artesdo tempo, comoa mus|cae a poes|a, mastambemparaas artes d|tas do
espaço,comoap|nturaeaescultura Esta|mag|naçaodoob] etopresenteene-
cessar|aparaqueoselementos|ornec|dospelasensaçaose]amperceb|doscomo
const|tu|ntes deumtododotadodeun|dade lestaun|dade, come|e|to, que
od|st|nguedosdema|s, e queo]u|zotomacomobasequandoocons|deraum
\Al|TÜ|O ÌÌ - FSAkTLS DO ßL|O I 37
ob] etod|st|nto Òpropr|oentend|mentoestaema�ao,portanto,naexper|ênc|a
dobelo ea| nd||eren�aqueosan|ma|s|requentementedemonstramd|antede
|magensart||| c|a|sparececon||rmarestaobserva�ao. Ò lomem|nte|ro,como
su]e| toqueconlece|ntelectualmente,que|mag|na,ageeecapazdesent|rpra-
zeredor e,consequentemente, dese] oerepulsa, e acond|�aosub] et|vada
apreensaodobel o Estainoslongedeconleceremdetalleaestruturadestaex-
per|ênc|a, mas, porora, somenteoseuaspectogeralnos|nteressa. sabercomo
asco| sasacontecemnaomod|||caemnadaosdadosdoproblema.
Quantoaoob]etoelemesmo,| stoe,aqu|loaquesepoder|aclamarcond|-
�õesob] et|vasdobelo,nao|altamdescr|�õesquevezporoutrasecontrad|zem,
mas, ao exam|na-las ma|sde perto, constata-sequed|zemquaseamesmaco|-
sa,emboraeml |nguagensd||erentes Co|nc|dênc|anatural, al|as, po|sabeleza,
ass|m comoaverdade e obem, e |gualmenteumtranscendental Portanto, ela
part|c|padocaraterpr|me|ro,| rredut|velenaodedut|vel,daquelepr|me|ropr|n-
c|p| oquee0 ser.
Pode-seestarsegurod| ssose seexam|nabrevementeos| gn|||cadodoster-
mosqueos||loso|osdeoutroraut|l|zavam, segu|ndo, al|as, atrad|�aoplatôn|ca
parade||n|rascond| �õesob] et|vasdobelo. Suamesma|mprec| saoes| gn| || cat|-
va,po|scadaumdostermosnao|az|asenaoor|entaropensamentoaumano�ao
taopr|mac|alquantoadoser doqual,porem,des|gnavaumamodal|dade.As
no�õesdestegênerosesucedemsemdescansoumasasoutras, comoasmu|tas
|acetasdeum asoverdade,ems| mesmam|ster|osa,aqualare|lexaososeapl|ca
parasesubmeter
A pr| me|ra cond| �ao trad|c| onalmente obr|gator|a do belo, daparte do
ob] eto, e que ele se] a¨|nte| ro¨. Esta| nte|reza, ou·r|:¡··|cs, cons| ste em que
nadalle pode |altar, que perten�aa suapropr|anatureza, e como e prec|sa-
mente o ser o que lle poder|a |altar, a | ntegr|dade do ob] et oe |dênt|caao
seuser A mesmaobserva�ao eval|dapara umoutro nome que se da a esta
qual|dade dobelo noob] eto, ouse]a, a per|e| �ao ,·r|:¡··|cso:|(:·|:.|·a) Po| s,
o que e per|e|to, senao o ser¯ L| z-sedo ser per|e| toquenaolle |altanada
loqueosant| gosmeta||s| cosd|z|am. queo sereper|e|tonamed|daemque
eemato,po| sserapenasempotênc| ae a|ndanaoser,atual |zando-se, o serse
3 8 I ÌNTkODÜÇÄ  OÀSFkT|SDOb||O
real| za a s| mesmoao mesmotempoem queat|ngea sua per|e|çao, ||cando,
entao, |e| toe per|e| to
Ta| sdeterm|nações, deresto, |mpl|cam umaoutranoçao, e e somenteem
relaçao aelaqueganlam algum sent|do D| zerqueo serdequese|ala e '| n-
te|ro¨,'per|e|to'ouplenamente'atual|zado¨epres suporqueelesede||nepor
umcertonumerodecond|çõesobr|gator|as,a||mdequese]aplenamenteoque
deve ser Ò quenaoe '| nte|ro' naotemalguma co|sa que dever|ater Ò que
a|ndae |mper|e|toseaclapr|vadodeumcertonumero de determ|naçõesne-
cessar|asparaquesepossad|zerquee, semnenlumarestr|çao- ou, emoutras
palavras,quereal|zoucompletamenteassuaspotenc|al|dades, detalmodoque
tudo o quepode ser, e A noçao que ta|sdeterm|nações dobelo pressupõem,
ass|mcomoasdeterm|naçõesdobem, al|as, doqualobeloe umcasopart|cu-
lar, eanoçaode'|orma',tambemclamadade'essênc|a', ou'| de|a¨. Ònome
escoll|dopouco|mporta,desdequedes|gneclaramenteumt|podenoçaoque
de||ne,naoa|de|adosercomotal,masa|de|adeumcertoser.Paracorrespon-
deraestanoçao, o seremquestaodeve|gualmentesat|s|azeras cond|ções da
de||n|çaodetodoserquereal|zaumt|pod|st|nto Ò serestadado,sempre,na
exper|ênc|a,soba|ormadesteoudaqueleser, detalmodoqueoqueclamamos
aquidet|po, |de|aou|ormanaoparecesenaoumadasmodal|dadesdosercomo
talCome|e|to,oserreal,talcomonosoconlecemos, soeposs|velsedeterm| -
nadoede||n|doporuma|orma, sua|ntegr|dadenaoesenaoaausênc|ademut|-
laçao,propr|aaost| posplenamentereal|zados,eetambemapr|me|racond|çao
ob]et|vadabeleza D|z|a-seant|gamentequeumaco| sae|e|anamed|daemque
e|mper|e|ta,eaexper| ênc|ama|sbanalocon||rma.Ladoumob]etoqualquer,e
bemposs|velqueosent|mentodequelle|altaalgumaco|sanoscausetamanlo
|ncômodoquenaodescansemosummomentosequerenquantoonaot|vermos
completado | stoe s| nal dequeo ser, paranos, estal| gadoa |orma, em|unçao
daqual sede||neasua|ntegr|dade
Parasuacompletadeterm|naçao, estasnoções requerema|ndaumaoutra
|aqueseclamavaoutroradelarmon|a,oc·¬ar·c) Abeleza,d|z|aPlot|no,e''o
acordonaproporçaodas partes entre s|, e delascomotodo' ,£r:cJcs, | 6, l )
Com e|e|to, todo ser concreto s e compõe de um certo numero de partes, e
\AP|TÜLO ÌÌ - FSAkTLS DOßLLO I 39
e prec| so que essas partes observem uma ordem de determ|naçõesrecprocas
paraque seunam na|ormacomum que lles de||ne o con]unto | a |orma do
todoquecon|ereun|dadeaspartese, v|stoqueo unoe o sersaoconvert|ve|s,
eamesmaun|dadeque|azdestetodoumserunoe,portanto,umser

Somente
amed|açaopessoal destasequ|valênc|as podenos |azerreconlecerasuareal | -
dadeeasua|mportânc|aparaa| nterpretaçaodorealMaoe prec|soquenossa
|ncapac|dade de demonstra-las nos clegue a desencora]ar, po|s elas nao sao
demonstrave| s Sendo, como sao, ev|dênc|as |ntelectua|s |nclusas nanoçaodo
pr|me|ro pr| nc|p|o, basta que se]am perceb|das mas e |mpresc|nd|vel que 0
se]am Aqueles, porem, que segabamdedesdenla-las, nao de|xamdeusa-lasa
cadavezque,declarando-asvaz|as,sepõem,naoobstante,a|alaraseurespe|to,
|ndependentementedonomeque lles deem

Resta uma ult|ma determ|naçao do belo, nao menos d|||c|l de descrever
queasprecedentes,emesmoa|ndama|sd|||c|l,emboraporumarazaod||eren-
te, e aqueOS ant|gosdenom|navam de.|c··|cs, 0 br|llo

EmSantoAgost|nlo,
que se|nsp|ra emC|cero ,T+s.+|crcs, |V 2l ) , este elemento e s|mplesmente a
cor e o prazer que ela causa .a|a··s ,+c:Jc¬ s+co·ics A despe|to do nome que
lle atr|buamos, nao apreendemos esta modal|dade como uma relaçao do ser
cons|gomesmo, elae,no sersens|vel,o|undamentoob] et|vodeumadenossas
relaçõescomele. Umob]etoprec|sade|atoser|nte|roouper|e|toparas|mples-
menteser,e paraseruno valed| zer, po| s, paraser omesmoob]etoprec|sa
daordem e dalarmon|aquea |ormallecon|ere, maso seu¨br|llo¨ e aqu|lo
que, nele, prendeo ollare o retem |,po| s, o |undamentoob] et|vo denossa
percepçaosens|veldabeleza
A palavra em s| mesma e umameta|ora

Mesmono|nter|ordaordemda
sens|b|l|dade, ¨br|llo¨ ,.|c··|cs) seapl|caaob] etosde naturezad|versa Fala-se
do br|llo sonorodas trompas, como do br|llo de certos tons de vermello,
amarelo ouverde, apl|ca-seo termo |nclus|ve aquela m| ster| osapalp|taçao do
ouropuro, queespl endesurdamentequalglor|aamortallada, enos|azdese]a-
lo

Po|soamordoouroebemd||erentedoamordod|nle|ro,queamamospela
suaut|l|dade Mas o ouromerece seramado pors| mesmo, comoasperolase
pedrasprec|osas. por suamerabeleza

40 I Ì NTkODÜÇAO ASFkTLS DO bLLO
Abemdaverdade, otermoeduplamenteumameta|ora, po|snao evocao
br|llodecertasqual|dadessens|ve|ssenaocomos|mbolodetodaumagamade
outrasqual|dadesdasqua|sestemesmobr|lloeocasoma|sd|gnodenota Uma
pa|sagemc|nza,coresbaças,t|mbressurdos e palavras sussurradaspodemag|r
sobreasens|b|l|dadecomtantaouma|se||cac|aqueobr|llopropr|amented|to
As qual|dadesdestegênerot êmemcomumomesmopoderdecaptareretera
atençao,comoque por|e|t|ço E| sa|o|atopr|m|t|vosobreoqualaexper|ênc|a
estet|carepousaemtodososdom|n|os, etudoo quepodemos|azer e ace|ta-
locomotal, sempretenderexpl|ca-lo Asqual|dades sens|ve|stêm opoderde
ag|rsobrenossaa|et|v|dade Elas nao so emoc|onam, mas e |ncontestavel que
as emoções que nos causam d||erem con|orme as qual|dades sens|ve|s que as
causamAcorrespondênc|ae|rouxaCses|orçosdespend|dosparaestabelecer
relaçõesprec|sasentreasvar|açõesdasens|b|l|dadeeasdosseuscorresponden-
tes sens|ve|s nao produz|ramnenlumresultado prec|so, masn| nguem ousar|a
contestarestareal|dade,asaber, queasqual|dadessens|ve|stêmopoderdenos
emoc|onar, equeaslarmon|asa|et|vascorrespondentesnaotêmrelaçõesrea|s
com essas qual|dades Asl|nlas, as |ormas, osvolumese as coresoraselar-
mon|zammellorcomaalegr|a, oracomatr|steza, oracomo contentamento,
oracom a melancol|a, oracom o dese]o, ora com a coleraouo entus|asmo
numapalavra, umt|podetonal| dadea|et|vaacompanlanaturalmentecadat|po
dequal|dade sens|vel, eestascomb|naçõespodemmu|tobemvar|arA|ndana
Ant|gu|dade e se |nsp|rando, como ser|a natural, no exemplo da mus|ca,
n|nguemmenosqueopropr|oQu|nt|l|ano|ez amesmaobservaçao
Secul osdepo|s, oabbe LuBosrecoller| aaspr|nc|pa|spassagensdas!rst·-
t+t·ar:sO·cta··c:relat|vasaoproblemanoterce|rovolumedask(|:x·arsC··t·,+:s,
volumeque os seus contemporâneostrataram comoumaespec| edeapênd|ce,
quando, naverdade, se]atalvezapartema|s prec|osadasequênc|a Cons| de-
remos, po| s, a Seçao l l l, ¨Lel aMus| queCrgan|que oul nstrumental e', onde
tudoo que lade ma| s essenc|al se d|z numa so |rase, que nao cansamos de
med|tar sent|mo-nosa|etadosded|versasmane|raspelos| nstrumentosdamú-
s|ca, emboranao sepossa|azercom que |al em '.+»a·¡cr·s,+·l+ss:·»a:x(··»·
rar(at:st.c¡·.·cr·»:s·rJ·o:·s+»ocl·t+»s:rt·c»+s ´ ,!rst , l, i 2) E a|nda ,!rst , lX,
\Al|TÜ|O Ì Ì ¯ AsAkT|SDOß||O I 41
4) '' lanaturezaque nosconduzaosmodosmus| ca| s Mao |osseass|m, como
seexpl| car|aqueossonsdos| nstrumentos, em boranaoem|tampalavras, pro-
duzamnoouv|nteemo�õestaod||erentes¯''

Ò|atoev|dentepresc|ndedeprovas, masare|lexao||loso||cadevedemorar-
se nelecomonum dos sustentaculos da ||loso||adaarte Lesdelogo, e prec|so
notarlleageneral|dadeTodasasobrasdeartesaoob]etosmater|a|srelac|onados
a percep�aosens|vel Òqueeverdade|roparaamus|ca, po|s,e-otambemparaa
poes|a,queeumaespec|edemus|cadal|nguagemart|culadaCommu|toma|sra-
zaoa|nda, omesmoseapl|ca|gualmenteasartesplast|cas,cu]asobrassedest|nam
sobretudoaotatoea v|sao lempresava,portanto,tentarconst|tu|ruma||loso|| a
daartequeapeleapenasasopera�õesda|ntel|gênc|aparaexpl|caragênesedas
obrasqueosart|stascr|amEssasobras|ncluem,nasuamesmaestruturaesubstân-
c|a,arela�aodosens|velcomasens|b|l|dadeeaa|et|v|dade,oquellesladeasse-
guraroe|e|toquepretendemtersobreole| tor,espectadorououv|nte Aarteora-
tor|atalcomoC|ceroacompreend|a,umadasartesma|sut|l|tar|ase|mpurasque
ex|stem ÷ atalpontoqueum ''am|godaverdade ter|avergonladeprat|ca-la,
con|er|asuma|mportânc|aao que se clamade ��a�aoorator|a¨,parentaprox|ma,
emborad|st|nta,daa�aoteatralTodoart| stac|osodeagradardevesetornarmes-
trenaartedeut|l|zarosrecursosdamater|acomquetraballaemv|stadaprodu-
�aodeobrascu]aapreensaoagradee|nsp|reodese]odeserrepet|daCs|n|m|gos
dasens|b|l|dade saomu|tasvezesgentequenaotemnenluma Tenlamos pena
deles, porque os prazeres daarte lles |oram recusados, e com ta|s prazeres a
consola�aoma|ssegurademu|taspenas lporme|odaarte que amater|aentra
porantec|pa�aonaqueleestadodeglor|aqueosteologoslleprometemquando,
no ||m dos tempos, elalade ser como que esp|r|tual|zada Um un|verso onde
tudonaoter|aoutra|un�aoalemdeserbeloser|al|teralmenteumabeleza,naoe
prec|soqueaquelesquenaoveemsent|donumatalno�ao|mpe�amosoutros de
sonlarcom o mundo que elapromete, oude|ru|rdas suas pr|m|c|as Pr|m|c|as
quesomenteasartesdobelopodem-llesproporc|onar
Umasegundaconsequênc|ageraldeste|ato e arelat|v| dade |natae como
queessenc|aldasapreensõesdobelo Aontolog|adaarteestabeleceaqu|alguns
dos|undamentosdaestet|ca Madaema| s ob] et|voqueabelezadeumob] eto
42 I Ì NTkODÜÇAOASFkTLS DO bL|O
|e|toparaoprazerdos ollos, mas nadaema|svar|aveledes| gualque os ollosa
queseo|erece Tomemosaqu| av|saocomos|mbolodetodasas|aculdadesde
apreensaoaque asd|versasartessedest|nam,|nclu|ndoo|ntelectocu]a|unçao
cons|deraremosma| sad|ante,ed|remosque,emboraprat|camentenadade|xede
part|c|pardodom|n|odaarte,re|naumades| gualdade|undamentalnestedom|-
n|oÒqueseclamade''domconst|tu| -seemgrandepartedaquelasens|b|l|da-
dea qual|dadedasl| nlas,dosvolumes,dossonsedaspalavrasquevar| acon|or-
aeos|nd|v|duos Ònumeromu|tocons|deraveldep| ntoresqueso|remdepro-
blemasv|sua| s, oudemus|cosqueperdemaaud| çao,|az-nospensarnumaespe-
c| edel|persens|b|l|dadequasemorb|dacomose|osseopreço,d|gamosass|m,
dos em|nentesdonsart|st|cos de certos art|stas EugcneLelacro|x, Cezanne,
Maur|ceLenn|snap| ntura, e Beetlovennamus| ca, representambemumcon-
]untode|atosmu|toconlec|dos Mas oamante daarte, quetudo]ulgacoma
aa|stranqu|lasegurança, cometer|aum grande erro aocons|derararelaçaode
suapropr|asens|b|l|dade com a obrade arte como|dênt|caa que, nocasodo
art| sta, pres|dea suaproduçao AquelesparaOS qua|s amus|cae sobretudoum
anod|nosucedâneodamor||nanaotêmsenaoumaleveadm|raçaoporCam|lle
Sa|nt-Saens Lenada ad|antar|a se lles d|ssessemos que o compos|tor sab|a
tudooqueumlomemdoseutempopod|asabersobremus| ca,nemquepod|a
escrever o quebem qu| sesse, mas lles |ar| amu|tobem se seperguntassemo
quanto a sua sens|b|l|dade aos sons poderealmente sercomparadaa do autor
daQac·|cS·r|ar·c.a¬
_
·¡ca, oudoclarmosoCc·rcoc|JasAr·¬c·s ''Certano|te ,
escreveuestemus| coaustero, ' ' graças aos| lênc| oabsolutodo campo, euouv|
um |menso acorde, de uma sut|leza extrema, aumentando a sua |ntens|dade,
este acorde se resolveu numa un|ca nota, produz|da pelo voo de um | nseto •
lprec|sosaber ouv|r o cantodas c|garras e segu|r|nde||n|damenteas sempre
camb|antesvar|açõesdosseusr|tmos,eprec| sopoderouv|romundodelarmo-
n|as|nclu|donozumb|dodeum|nsetopara] ulgarcorretamenteoqueeaarte
paraaquel esqueaproduzem. Sabemo-nos|ncapazes decomporcomoMozart
oup|ntarcomoLelacro|x,mas]aser|amu|tobom sepudessemosouv|ramus|ca
everap|nturacomoaouv|amev|amMozarte Lelacro|x | nve] emosaRac|ne
peloprazerquesent|alendoSo|ocles,naoporqueocompreendesse, co|saque
\AP|TÜLO ÌÌ - FSAkT|S DOß||O I 43
qualquerlelen| stapode, mas pelaqual| dade soberanamentepoet|cadessepra-
zer Prec|samosde mu|tamodest|aparaclegara |am|l|ar|dade comas grandes
obrasAss| mcomoo mundodanatureza,tambemodaarteeumaar|stocrac|a,
ondecadaumdeveace|taro seulugar, ea|ndaque, emcertamed|da, sepossa
democrat|zaroacessoaessemundo,democrat|zaressepropr|omundoser|ao
mesmoque oan|qu|lar
44 I Ì NTkODÜÇAOAS/kT|SDO b|LO
LOrOÌürìOspara a CstCtìCa
Quandoseatestaqueaontolog|adobelo,oucalolog|a,nao|ornecenenlu-
maregrade]ulgamentoparad|scern|rentreasobrasbelaseasqueonaosao÷
a|ndaque poss|b|l|tere|lexõesbastanteute| ssobreasrazõesdesta| mposs|b|l|-
dade, oresultadoquasesempreeumacertadecepç ao Se am bas, d|retamente,
se l|m|tam a |undamentaruma||loso|| adaarte, calolog|a e ontolog|a de|| nem
aomenosas cond| ç õesgera|sdaposs|b|l|dadedaestet|cae daquelegênerode
]ulgamentosque costumaacompanla-la
Sabersetodapercepç aoestet|caseacompanlaounaodeum]ulgamentoe,
encasoa||rmat|vo,se0 ]ulgamentoprecedeecausatalpercepç ao - ouantessee
suaconsequênc|aouparteconst|tu|nte÷ equestaopert|nentea estet|ca, queea
c|ênc|adasapreensõesdaobradearte,enaoa ||loso||adaartepropr|amented|ta,
que,porsuavez,eac|ênc|adascond| ç õesgera|sdaproduç aodaarteQuantoa
ontolog|a, seu papel e de||n|ros caracter|st|cos gera|s dos]ulgamentos que a||r-
mamounegamaex|stênc|adobeloemcadacaso
Ò ma|s surpreendente desses caracter|st|cos gera|s e que os]ulgamentos
estet|cossaotambemdogmat|cos e absolutos ouse]a, eles naosao]ust|||ca-
ve| s Cadaqualpode se cert|||car d|sso observandose a s| propr|o, e, al|as, a
ma|sl| ge|raconversasobreartecom osam|gosnoslademostrarnelesmesmos
anossa propr|a conduta, |azendo a||rmaç ões sem reservas, e |ncl|nados ate a
exagera-las e de|endê-las calorosamente se somos contestados ÷ no entanto,
|ncapazes, senaodeargumentarem|avordapropr|aop| n|ao,aomenosde]us-
t|||ca-laob] et|vamentedemane|raaconvencerumsupostoouv| nte
Emcertosent|do, taldogmat|smoseexpl |caporestamesma|ncapac|dade.
|]ustamente porque nos sent|mos desprov|dos deprovas que | ns| st|moscom
tanta|opanaa||rmaçao. Stendlaloobservounotocanteamus|ca, ondeo|ato
e part|cularmenteev|dente | porquenao se consegue saberarazao dos sen-
t| mentosmus|ca|s queo lomemma| s sab| oe |anat|co pormus| ca¨ Madatao
patentequanto caraterarb|trar|o e |anat|codaa||rmaçao Contudo, estanao e
umaexpl|caçaosu|| c| ente,po|so|anat|smodos gostosestet|cos, se naoun|ver-
sal, aomenosmu|toconstante,tambemrequeruma]ust|||caçao.
A propr|a natureza do belo art|st|co, porem, talvez nos |orneça uma ex-
pl|caçao su||c|ente, ou, quandomenos, um pontodepart|daapart|rdoquala
estet| ca, cons|derando o |enômeno, podê-lo-|aexpl| car V| sto que o belo e o
bem do|ntelectoedasens|b|l|dade, eob] etododese]oedoamorAs emoções
|ortes, noma| sdasvezes,eatedesconcertantes,queacompanlamaexper| ênc|a
estet|casaoacausae oal|mentodesteamor Ò am|godaarteamaaobrapelo
prazerquelle causa, e e-lle grato por| sso, como a exper|ênc|adobelovem
sempre acompanladadealgumaemoçao, ele, po|s, seal|v|adeladeclarando o
seu reconlec|mento e o seu amor. Podese tratar de man||estações corpora|s
d|scretas e ate mudas, comoumalagr|ma|urt|va, oude gr|tos queclegam ao
tumulto, comoaquelesaud|tor|os descontrolados que explodememaplausos,
urras,easvezesemberrossemellantesaosdosces, oua|nda, umavezapaz|-
guadaa emoçao, podem ser]u|zosdevalorlançados comodesa||os e prontos
para sede|enderem do que querque se]a Quandopensamos que setratade
umapel|culacolor|dasobreumatela, oude sonst|radosde| nstrumentoscu]as
cordassao|er|dasporan|ma|srac|ona|scomoaux|l| odearcosoudospropr|os
dedos, espantamo-nos com a desproporçao entre a causa e o e|e|to Mas ela
seexpl|ca se cons|derarmos tamanlav|olênc|a como o e|e|to de um amor, e
tal dogmat|smo como a vontade de de|ender o ob]eto Po| s perder o ob] eto
e perderoprazerqueelecausa Cra, adespe|todo seudogmat|smoe doque
eventualmentea||rmesobreaposs|b|l|dadedeperderoseuob]eto,aexper| ên-
c|aestet|cae vulneravel Uma palavra d|tanomomentocertobasta, asvezes,
pararevelarumabelezaateentaodesprezada, ass|mcomobastatambemoutra
palavra para estragar alguns prazeres para sempre, envenenando a sua |onte
46 I Ì NTkODÜ�AOASFkTLS DO b|lO
Todos temosmedod|sso, e com toda a]ust|ça, po|s, ]a que os prazeresdaarte
saobonss| mplesmentepor ex|st|rem, 0 | nst|ntodepreservaçaoque noslevaa
protegê-loscontraqualquerataquecon temem s|mesmoasuapropr|a]ust|||ca-
çaoEnaoeaps|colog|anemoemp|r|smoquenoslevaaconstata-lo.Po|sa|nda
cont|nuamosaa||rmar, comStendlal,quea| mposs|b|l|dadedese]ust|||carleva
asubst|tu|rarazaopelo|anat|smo, mascomoreparodequeessesent|mentode
naopoder]ust|||carrac|onalmenteumacertaev|dênc|asoat|ngeaqu|,excepc| o-
nalmente, umpontocr|t|co, porque seex|geuma]ust|||caçao ob] et|vadeuma
certezaque, porsuavez,naopertenceaodom|n|odaverdade,masaodoamor
lprec|sovar|arumpouco,comoLomQu|xote,paraex|g|rdetodosqueve]am
Lulc|ne|acom osollosdo seu gent|lcaval e|ro Quemvêaobradeartecomo
a|onte da suaalegr|acertamentenao seenganaa||rmando que ass|m e, ele 0
a||rmad|zendoque elaebela,eeprec|soque ela0 se]aparaque llecausetanto
prazer ass|m, ele se equ|voca, porem, querendo |mpor como un|versal mente
val|doum]u|zoque,adespe|todesua|undamentaçaoob] et|va,eabsolutamente
verdade|roapenasparaumaexper| ênc|apart|cular, eoutrasexper|ênc|asseme-
llantes Quererapl|carabelezaasregrasde]ulgamentopert|nentesaverdade,
e somentea ela, e enga]ar-seem d|||culdades | nextr|cave| s Lema|s, d|ante de
quettseenga]anaoad|antanadaquererapelararazao,esomenteao'enga]ado¨
quecabesubmeterasuapa|xaopelaarteaspur|||caçõesnecessar|as,oque,tal-
vez, elevenlaa|azersere|let|rsobreaexatanaturezadoseuob] etodeamor
Ama|or|ales|taem |azê-lo Pre|erem passarav|da dogmat|zando, sol|ta-
r|ose ,co|saporvezesma|scôm|caquetrag|ca) cle| osdecolera lporqueos
|anat|costememperdero seuob] etodeamore asalegr|asqueo acompanlam
ace|tandocr|t| carasuaval|dadeun|versal.Moquetambemseequ|vocam, po|s
lapelomenosumsent|doemqueaexper|ênc|aestet|caalcançaumob] etoab-
solutamented|gnodaaprovaçaoqueo]ulgamentolle concede.A]ust|||caçao
ontolog|ca dovalor absoluto que o]ulgamento estet|co se atr|bu| ass|m com
tanta|orça,easvezesatecomv|olênc|a, equeemult|maanal| seeste]ulgamen-
tocons|derao sernoseupropr|ocaraterdenecess| dade Umarelaçaotalque
a exper|ênc|ado belo e umabsoluto porser necessar|amente o que deve ser,
dadaanaturezados seustermos ,um dos qua|s, pelomenos, e ele propr|oum
\A||TÜLO Ì Ì Ì ¯ \OkOLAk|OS |AkAA LSTLT|CA I 47
absoluto) Certamente nao se podeun|versal|zaresteabsoluto, e | stoprec|sa-
mentepornaopertencer, a||nal, aalçadadaverdade Averdadesendotambem
uma relaçao, estabel ec|da, porem, entre o sere o |ntelectoque o apreende, a
l|gaçaoqueaconst|tu|eabsolutacomoosere,comoos produtosdo|ntelecto,
pass|vel deun|versal|zaçao Abeleza, aocontrar|o,e umarelaçaoentre o sere
a sua apreensao pela sens|b|l|dade part|cular de um su] e|to |ntel | gente. Mao e
razoavel que se ponla em duv|da aval|dade absoluta da exper|ênc|aestet|ca,
sobo pretexto de que naosepodeun|versal|zala Elasopode encontrarems|
mesmaasrazõesdacr|t|caaqueestasemprel|vreparasesubmeter,acadamo-
mentodessacr|t|ca,elaesuapropr|aregraesuapropr|a]ust||| caçaoAre|lexao
alcançaaqu|uml|m|te|ntranspon|vel Emtodasasordensconvemace|tarcertas
real|dadespr| m|t|vasapart|rdasqua|s esomentedelas ÷ sepodeordenartodo
oresto Mocasoemquestao,opr|me|rodessesdadose aex|stênc|adeestrutu-
ras sens|ve| s, natura|s ouart|||c|a|s, cu]apercepçaoe acompanladadeprazere
| nsp|raodese] odesempreserenovar
Ò|atodequeasestruturasdetalgêneropossamseroudadasnanatureza,
ouproduz|das porumadas artes do belo, e provavelmentea |onte ma|s abun-
dante de con|usões e mal -entend|dos nas doutr|nas que tratam da arte, bem
como nos gostos, op|n|õese]ulgamentos que se lles relac|onam Come|e|to,
e poss|vel ser| nsens|velasobrasdearte, maspro|undamente sens|vel asbele-
zas da natureza, e, portanto, naoconceberpara a arte nenlumaoutra |unçao
leg|t|ma senao a reproduçao dessas belezas natura| s Ò numero dos que sao
destealv|treedeverascons|deravel,tratase, provavelmente,da|mensama|or|a
dos usuar|os daarte, e como, porde||n|çao, os que têm este parecernao têm
|de|anenlumado que se]aaartedo belo, seus ||ns e osme| osde qued|spõe
paraat|ng|-los, podeserecearqueama|or|adoslomensv|vae morra nama|s
|nvencvel| gnorânc|a,naosodoque,a||nal,aartee,mastambemdasuamesma
| gnorânc|adolugar que elaocupa
Maosepodeesperarquetamanlacon|usaovenlaalgumd|aased|ss| par,
e nao latalvez nenlum |nconven|ente em que ela permaneçanos esp|r|tos a
queconvem Lolado dos art| stas, elaperm|teaos que naotêmopoderdecr|ar
a beleza por s| mesmos que ao menos sedeem ao prazerde reproduz|r, ma|s
48 I ÌNTkODÜÇAOÀSFkTLS DO bL|O
ou menos l|vremente, a beleza do mundo naturaI Esta nao e uma at|v|dade
desprez|vel,tanto ma|s que, apl|cando-seaestetraballode|m|ta�ao,queex|ge
es|or�os cont|nuos, grande lab|l|dade e dons |ncomuns, o art| sta |requente-
menteut|l|zaosseus dons cr|at|vos, dos qua|s elepropr|o,talvez, naotenlaa
]ustaconsc|ênc|a Talcomo| ngres,elesezangaselled| ssermosque cr|a, tama-
nlae asuacren�anoJeverde|m|tar Loladodo usuar|o, obene||c|oe a|nda
ma|or, porquantoversosquecontaml|stor|asagradave|souqueseendere�am
aumsent|mental| smosempreprontoaresponder, mus|casprev|s|ve|sder|tmos
|rancamentemarcadosemelod|as|ace|s, e quadrosquerepresentampa|sagens
apraz|ve|sesugest|vas|ormaslumanas todoslleperm|tem|mag|naroquanto
esens|vela poes|a,a mus|caea p|ntura Ummecenasnaoprec|sasaberoquee
a arte, mas e mu|to|mportante que acred|te conlecê-la Quandoum erro tem
tantasconsequênc|as|el |zesparaumnumeroenormedepessoas,naosepoder|a
dese]arasuadesapar|�ao
lemcadaumdenos,sesomos||loso|os,queconvemcombateresseerro,
a||mdeprocurarabelezadaarteondeverdade|ramenteesta Lesdel ogo, trata-
sedeverclaramentequeabelezadeumaobraescr|taoup|ntadasedevea sua
un|dade, |ntegr|dade e per|e|�ao, mas que essas qual|dades devem ser as da
propr|aobra,naodoqueelarepresenta Csob]etosrepresentadosoudescr|tos
podemnaoserbelos,desdequeaobraose]a la|ntegr|dadedaobraqueconta,
naoadotema
Ateaqu|,tudomu|tos|mples,masass|tua�õesconcretaspossuemumacom-
plex|dade|nextr|cavelqueetalvezagranderesponsavelpelacompletadesordem
quere|nanacr|t|cade arte Mama|orpartedo tempo e |gualmente |mposs|vel,
tantopara0 art|staquantopara0 usuar|o,d|scern|r0 queabelezadaobradevea
naturezaqueela|m|taoua artequeacr|a Emoutraspalavras,oproblemaesaber
seo que agradanaobrae a suapropr|abeleza oua daqu|lo que elarepresenta
Asduaspodemestarpresentesaomesmotempo Mestecaso,oprazerdabeleza
naturalse]untaaodaarte,mascomosed|st|ngu|r|a,entao,naexper|ênc|atotaldo
belo,oquepropr|amentesedeveacadaumadessasduascausas¯
Para ev|tar que aadm|ra�aodest|nadaa obra se percano temadeque tra-
ta, algunsp|ntoresseenga]arams| stemat|camentenarepresenta�aooubemdo
\Al|TU|O I I I ¯ \OkO|AklOSPAkAA |STLT|CA I 49
|e|o, que eaausênc|adeser, oubemdod|s|orme, que e0 de|e|toda |orma, ou
bemdeco|s|ss|manenlumaAextraord|nar|aaventuramodernadaarteabstra-
taexpr|me prec|samente a dec|sao de prat|car uma arte cu]a beleza nao deve
nadaa belezadotema.Masessasdec| sõeslero|cassubst|tuemumad|||culdade
ant|ga porvar|as d|||culdades novas, po| srepresentar0 |e| onatural naoe s| m-
plesmentesepr|vardeuma|ac| l| dadeemult|ma| nstânc|aleg|t|ma.econtrar|ar
o prazer que o belo art|st|co deve proporc|onar opondo-lle o desprazer que
naturalmente o |e|o proporc|ona Quantoa obra esculp|da, p|ntada ou escr|-
ta esvaz|ada dequalquersent|do, elaaborrece d||erentementeao colocarum
en| gmaparao espectador. Enquantoelesees|or�aporresolvê-lo, abelezada
obralleescapa.Entreaborrecer-secoma|e|uradotemaeaturd|r-secomasua
ausênc|atotal,aarteclass|cabuscousempreumequ|l|br| o E| soqueam|udea
|ezpre|er|rabanal|dadeeolugar-comumnaescollados temas. Mas esteeum
problemadaarte, naoda||loso||a Aqu|,trata- sedeprec|sarqueabelezadeque
|alaremos serasempre, ao menos em pr|nc|p|o, abelezaproduz|dapelas artes
dobelo que]ustamentepor| ssoclamamosdebelas-artes
Asmesmasobserva�õesseapl| camaoproblema÷taoesp|nloso, naprat| ca÷
dasrela�õesentreaarteeamoral | dadeÒun|cobemqueaartecomotaldeve
persegu|reaper|e|�aodaobraAss| mcomoasuatare|anaoe d|zeraverdade,
quee0 bemdoconlec|mento,ass| mtambemnaoepromoveraper|e|�aomo-
ral,quee0 bemdavontade.Òbemquel leepropr|oeconstru|rumob]etotal
queasuaapreensaosens|vel se]aagradavelaum ser|ntel|gente. Mada|mpede
que o art| sta coloque a sua arte a serv|�o de uma causa moral ou rel|g|osa,
mu|topelocontrar|o,maspodem-sepromoverboascausasporme|odeobras
ru| ns, e a qual|dadeart|st| ca das queas servem naodeveabsolutamentenada
a d|gn|dade deta|s causas. | nversamente, e commu|to ma|s razao,obrasque
tendem a corromper os costumes nao obtêm nenlum mer|to art|st|co s| m-
plesmentepor|azê-l o Quantoao per|goprat|coqueel aso|erecem, deve ser
]ulgadodopontodev| stadamoral, naodaarte E| sporque, contrar|amente
ao que sucedenamoral, podemosd|zerqueemarteo ||m]ust|||caosme| os.
Escollendo l|vremente o seu ||m, o art| sta tambem e l|vre para escoller os
seusme| os, cu]a]ust|||ca�aoetotalselleperm|t|remat|ng|-lo. Emarte,obom
50 I Ì NTkODÜÇAOÀSFkT|S DObLLO
e o bem-suced|do. Porque a arte cons| ste em |ncorporaruma |orma em certa
mater|acomoob]et|vodeproduz|robelo,aartequealcançatal||me,por| sso
mesmo, boa. Masa sua'bondade' se de||ne no |nter|ordos| stemade||n|do
pelo seu ||m e pelo sucessodos me| osque empregaparaat| ng| -lo. A artede
Baudela|redeveser] ul gadaexclus|vamentedestepontodev|sta, masprec| sa-
r|amosser mu|to| ngênuos para |mag|narqueo seusucesso se devaa algo de
outro que nao a arte do poeta As !|a·:sJaß:¬ s|mplesmente nao vender|am
Procurar a cumpl| c| dade do le| toral |c|ando-lle os | nst|ntos tanto acrescenta
a arte quanto apelar as asp|rações ma|s nobres deste le|tor, | sto s| gn||| ca, na
verdade, n|velar porba|xo, alemdecomprometer-setotalmentecomal ev|an-
dadeBaudela|reserecusavaa|azê-lo, po| s, no seucaso, tratava-sedeescrever
poemas, naodeba]ularospropr|os sent|mentos, que|loresc| am sem oaux|l| o
daarte,masse, porsuavez, sepudesseconleceraproporçaodel e|toresque
leemestapoes| aem(a:ics,ac| |rasemduv|danaoser|aelevadaAba|xodaesca-
ladosart|stasseencontraopornogra|o,lomematormentadopelanecess|dade
deescrever, mas, emgeral, semodomda|mag|naçaocr|at|va. Resta-lle,po| s,
venderaseusl e|toresoquadrodesuasobsessõessexua| s, certodequesempre
ladeencontrarumpubl|coparaal|mentarassuas,comprandooqueeleescre-
ve. Aplaud|rumart|sta por causa de suas audac|as e uma grande | ngenu|dade
nestedom|n| o, po| snaolaa|sucessoma|s |ac|l, nem ma|s estranloaarte em
s| mesma Se, po| s, nos at|vermosaopr|ncp|o, naoteremosproblemas, po| sa
artecomotale boa e, porde||n| çao, tambem pura, named|daem queatual|za
asua propr|aessênc|aexercendo a|unçaoprodutoradobelo As puras obras
dearte, porem, saoraras,eedev|doatudoaqu|l oquecarregamdepretensões
d|dat|caseamb|çõesmoral |zantesqueseexpõemao]ulgamentodobem e da
verdade Sendoass|m, oproblemanao ace|tama|sumasoluçaogeral, po| saos
purostudoepuro,mas, sesetratadebel eza,talassert|vas| gn|||caapenasque
aapreensaodeumaobradearteexclus|vamentepercebldacomotalepurapor
de||n| çao. Ser|aestaapuraapreensaodoe|e| todaartecomoarte,aqual, po-
rem,edemas|adopuraquepercebadessamesmamane|raasobrasconceb|das
para suger|r|magensqueolomemnormalgostar|adeesquecer¯ Mestecaso,
0 queteremosseraocasospart|culares.
\A||TÜLO Ì Ì Ì ¯ \OkOLAk|OS |AkA A LSTLT|CA I 51
A d|scussao de cada um desses casos, noentanto, devera se | nser|r no
quadro deumaverdade geral que e a d| st| n�ao espec|||caentre o pontode
v|sta do art| sta e o do espectador, ouv|nte oule|tor Prec| samente porque a
arte e |abr|ca�ao, e tambemtraballo, es|or�o, labuta, cu|dadotecn| co ÷ co| -
sas, emsuma, quenaoa|agamosent|mentonemengendramqualquerpa|xao
T··siöa:lsa|Jc pode serumaobraestupe|ac| enteparao ouv| nte, mas, quanto
ma|seleaouvecomoum mus|co, ma|saemo�aoqueoarrebatamudadeob-
] eto,naoe malsoamorqueo emoc|ona, masa arte Ò propr| oWagnerpode
terprec| sadodeumcloquepass| onalparal| berarsuasenerg|ascr|adoras,mas
escrevercadaumadasnotasdeumapart|turadessamagn|tudeeumcalmante
tao e||cazquea pa|xao dom|nante naalmadoart| stanao e ma|s a deTr| stao
por | solda, oua do compos|torporMatl| l de Wesendonck, mas a | mper|osa
necess|dadequeelesentedecr| ar, en||m,aobrataos onladalatantotempo
Umpoemapode | nsp|rar | magens devolup|a no l e| tor, mas nao la nada de
voluptuosoem escreveruma obra dogênero,mu|topelocontrar|o, oes|or�o
de escrevê-la ser|ao me|o ma|s seguro e ma| s aconsellavel de 'purgar¨ uma
tal pa|xao Baudela|re, que conlec|a mu|to bem o problema, a||rmou-o ex-
pressamentenumadasnotasdeMarCa:+·M·sa N+, cu] acrueza, | n|el|zmente,
desencora]aac|ta�aol| teral Ò sent| do dotreclo, porem, e mu|tos|mples, e
que, l onge de |avorecero dese] osexual, o exerc|c| oda arte nosa|asta dele,
somente o an|mal|az essas co|sas mu|tobem, quantoaolomem, o erot| smo
e ''ol|r|smodopovo¨
Òmal-entend|donasce,po| s, |requentemente,porqueoart|sta, a|ndaque
nao usu|rua de seus poss|ve|s bene||c|os, parece esquecerque o e|e|to pur|||-
cadordotraballodaarte, taoe||caznoqueconcerneaelepropr|o, naoex|ste
parao publ| co Cnde esta o le|tor su|| c| entemente art| sta para lerBaudela|re
no|nter|ordopropr|osent| mentoqueconduzluasuamaonacompos| �aodos
poemas, | stoe,parasedele|tarcomopuroart| stacomaqu|loquedesdeo|n|c|o
ele sent|u como suas obras l|terar| as¯ Cra, e a nao serque aartedel|berada-
menterenunc|ea expr|m|rourepresentaro que quer que se]a, que obrae tao
estabelec|daque nenlumle|torouespectadorousaradesonraro seutemapor
uma |ndese] avel con|vênc|a com os sent|mentos ma|s sord|dos, co|sa de que
52 I Ì NTkODÜÇAOASFkTLS DObL|O
n|nguem,a||nal,seacla| sento¯StendlalobservaaMcJarrcJ:||cS:J·c,deRa|ael,
epassaadese]aroseumodelo,portanto,tudopodeacontecer
A observa�ao deve ser general|zada Elarevela, talvez, a |onte ma|s geral
de con|usao no dom|n|o dos] ulgamentos estet|cos Trata-se do que se pode
clamardetotal|dadedaexper| ênc|aestet|ca Aobradearteagesemprepors|
mesma, e os elementosdeque secompõeproduzemuma|mpressao total em
que 0 su] e|tonaod|st|ngue0 que sedeve a artedaqu|locu]acausae espec|||-
camente d||erente Ò] ulgamentoestet|coexpr|meaemo�ao ouo sent|mento
totalcausadopelaobratalcomoe, e naoaqu|loque, nessa|mpressaototal, se
deve, empart|cular, a artedoart| sta Comoo]ulgamentoestet|coexpr|meuma
rela�ao part|cularentrecertaobrae o su]e| toquea percebe, e natural que os
]ulgamentosestet|cosvar| emao|n||n|tosegundoossu] e|tosemesmosegundo
asd|spos| �õespart|cularesdossu]e|tosnomomento emqueseproduzaexpe-
r|ênc|aAlgunsseespantamcomac|rcunstânc|adequeobrasporque|oramse-
duz|dosnopassadotenlamumaa�aoma| s|racaoumesmo, ate,nenlumaa�ao
poster|ormente Acusamasobras,masnem sempre saoelasqueenvelleceram.
sao eles Secaramneles propr|os certas |ontesde emo�aoe o art|sta, que con-
tava comelasparacomover, nao encontrama|srespostaao seuapel o E|s por
qucaun|cabelezaun|versaleperpetuaeaqueaobradevea artedeproduz| -la
L|gada a estrutura de umaobra |e|ta un|camente para produz| -la, ou daqu|lo
que, no |nter|or de umaobra, esta a|un|camente para este ||m, esta beleza e
|mperecvel |abelezado¨class|co¨, emtodoov|gordapalavra
Maverdade, a obra de arte carrega todo o t| po de elementos estrange|-
ros A d|st|n�ao trad|c|onalentreo belo e o ¨subl| me¨ e umexemplonotavel
Ò subl|me, com e|e|to, corresponde aos ma|s elevados sent|mentos mora| s l
umabelezareal Ò 'Q+ ·|¬a+·+|
¨
, de Corne|lle, e emoc|onante, sobretudona
pr|me|ravezqueo ouv|mos, e e semduv|dadeumabelezasubl|me, masesta
belezanaoe adaartedobelocomotal Quandomu|to, e abelezadaarte do
dramaturgolab|lem colocardoseulado todasasclancesdesucesso, |azendo
apelo atodas as emo�ões do cora�ao e, emespec|al , as ma|sv|olentas e ma|s
nobres Ex|stemalmasvulgares queo subl|me|az r|r, oua que | nsp|rauma|r-
res|st|vel necess| dade de car|catura-lo Ò sacr|leg|o e umt|podelomenagem
\A||TÜlO Ì Ì Ì ¯ \OkOlAk|OS |AkAA LSTLTlCA I 53
que se |azaosagrado Lequalquermane|ra, e-nos|mposs|veld|scern|r, no se| o
daexper| ênc|adaobradearte, o quesedeve a subl|m|dade dossent|mentos,
ao contag|odas pa|xões ouas emo�ões rel| g|osas, mora|s, patr|ot|cas, soc|als,
|am|l|ares,pessoa|souqua|squeroutras Apenasocr|t|coouare|lexaoanal|t|ca
do espectadoroule|tor podemd|scern|rcomo convem, mastodaconsc|ênc|a
e olugardeencontrode sent|mentose |de|asd|st|ntascomoqueconst|tu|das
pelaemo�aototal queaobraproduz. Maosaoapenasosseus contemporâneos
queocr|t|cosearr|scaa] ulgarerradamente. Elestêmmu|taspa|xõesemcom um
paraqueocr|t| cocons| gasempreultrapassaracrostadasaparênc|assuper||c|a|s
enaose]aenganadopela|altaoupeloexcesso Maverdade,naoeacegue|rade
Sa|nte- Beuvequenossurpreende,massuasadm|ra�ões|oradelugar Òmesmo
vale para Robert Sclumann como para Baudela|re E | sto porquenaose sabe
bem qual e a causa do prazer naqu|lo que apraz Mesmo no passado, porem,
o coe|| c| ente pessoal do cr|t|coa|etatodos os ]ulgamentos quepro|ere | d|-
||c|l |mag|nar que clegue um d|aem que possamos | solaras componentes da
exper| ênc|aestet|caparad|st|ngu|r-llesa|n|luênc|adaarte comotal
A|ndama|s sut|leogênerodecomplex|dadecu] aor|gem sedeveanatu-
rezacumulat|va debelezas d|versas . A l | nguagemtemsuabeleza, a natureza
m| neral, vegetal, an|mal elumanatemasua Seoart| stat|verlab| l| dadepara
comb| narnamesmaobraas|or�as emot|vasexerc|das portodasas|ormas de
belezanatural, aexper|ênc|aestet|ca| nev|tavelmenteganlaraempro|und|da-
dee| ntens| dadedev|doaa�aoconvergentedessascausasd|versas.Adespe| to
desuasposs|ve| s]ust| || ca�ões, 0 |atoe quearepul sademu| tosa arteabstrata
se expl | car|a mu|to bem pelo que v|mos de d|zer Ò espectador | nsens|vel
a arte propr|amente d|ta, e que |requentemente nao sabe que 0 e, nao tera
prazeralgumeml er, verououv|rumaobracu]aace|ta�aodepende apenas e
tao somente do seu puro valor art|st| co Quem ¨nao acla nada¨ numa obra
naopoder|aadm|ra-la |aqueela|rustraasuaexpectat|va, oespectadorva| se
|rr|tarcomela Òart| staembuscadesucesso, portanto,|araocontrar|od| sso
Contandocomapropr| edadecumulat|vadasbelezas,o|ereceraaopubl|coas
danaturezaquandoasdaarte, emborapresentes, puderem passar desperce-
b|das Leresto, que art| sta poder|a desprezar essa consp| ra�ao de belezas,
54 I Ì NTkODÜÇÂOAs /kT|S DO b|LO
quando o seu ||m e prec| samente agradar¯ Quer se trate de um belo nu, de
umabelapa|sagemoudequalqueroutro¨tema¨cu] amerabelezanaturalbas-
tar|a para agradar, naonos | nterrogamos sobre0 que sedeve a naturezae 0
que se deve a arte nesteprazer, queabelezaconcede aquemavê e aquem
apenasa| mag|na Mesmoosretoquesqueoart| sta|aznanaturezaparallesu-
bl|nlaroureal�aroqueebeloengendramumabelezam| sta,tantodanatureza
quantodaarte Ante o prazerdeumap|nturadeCanaletto, quemd|rao que
sedeveaop|ntore o quesedeveaVeneza¯MasVeneza,elapropr|a,tambem
eumaobradearte Mao surpreende, po| s, quetantos p| ntores e desenl| stas
aontem o caval ete d|ante da (·czz:||c. onde tantos arqu|tetos acrescentam
belezas a do marquebasta| m|tartudotal como e para]a entaoagradaraos
ollos Mo l | m| te, basta uma |otogra|| a Possu|mos uma un|ca sens| b| l | dade
parabelezasdeor|gemd| |erente Are|lexao cr|t|caestal |vrepara|azerasd| s -
t|n�õesoportunasnocampodessasemo�õestota|s, masquecr|t| cosegabara
ded| st| ngu|rparatodo o mundoo queaexper|ênc|adecadaumdevea artee
oque deve a natureza¯Todasasbelezas|ormamumaso
Essasno�õessaoabstratasedevemsê-lo,po| s, sendometa||s|cas,excluem
a|mag|na�ao,naoobstante, ocomumsent| mentodosart| stasedopubl|copa-
receaoseumodocon||rma-las, emesmoal| stor|adaarte, d|r-se-|a,testemu-
nlaao seu|avor porque,a||nal, aarteclass|cadaCrec|aoudoRenasc|mento
|tal|anogozadeumasupremac| a| nconteste aosollosdal| stor|a, senao por-
quecuraquem so|redecegue|raestet|cao|erecendo-lleabelezanatural, que
elepercebe, nolugarda art|st|ca, que lle escapa¯ | nterrogando-sesobreessa
mesma arteque0 art|staexerce, e daqualnadasabesenaoexercê-la, 0 usua-
r|oarepresentacomoumcon]untodedons m| ster|osos, acadaumdosqua| s
con|ere um nome e cu] ocon]unto de||ne para eleum serexcepc|onal, quase
m|lagroso, que e0 art| sta
Ò proced|mento espontâneo do conlec| mento comum ao se expr| m|r
nessesassuntoscons|steemtrans|ormarasmarcasdobelo,presentesnaobra,
emqual|dadesquesesupõem| nerentesaoesp|r|todoart|sta Cadaumadessas
qual|dades se torna, po| s, a supostaexpl|ca�aodas que se encontramnaobra
| sto se pode observar, por exemplo, na d|st|n�ao trad|c|onal entre o gên|o e
\A|lTÜLO Ì Ì Ì ¯ \OkOLAklOS |AkA A LSTLT|CA I 55
o talento Lev|do a ex|stênc|a de obras cu]a natureza e grau de excelênc|a
sugeremclassesob] et|vamented|st|ntas, dasqua| s|ar|am parte, expl|camo-las
supondoqueexpr| memdonsart|st|cosespec|||camented|st|ntos
Masumverdade|roart| sta,comoRobertSclumann,naoseenganaepro-
curanas propr|asobraso pr|ncp|ode suad|st| nçao D|z, entao, queas reco-
nlecemos porum s| nal, que as partesdeumaobrade gên|o estao comoque
l | gadas porum ¨|| ode ouro¨, o qualnaoex|stenas obras do s|mples talento
Come|e|to, otalentocompõea]ustandodemane|ralab|lemu|to|el|zaspar-
tesda obra, mas 0 gên|oengendra-a| nte|raapart|rJa |orma sem|nal que e 0
seugermen Porma|sl onga que se]aa sua gestaçao, e mesmo se t|verde ser
retomadamu|tasvezesparaclegaron dedeve, elaeal go, naverdade, ¨deum
] orro so¨, porque nasce |nte|ramente Ja un|ca|ormaquea | n|orma, pr|ncp|o
exclus|vodetodasasescollas e exclusõesdo art| sta Ò ¨|| ode ouro¨ deque
Sclumann|alae prec| samente essa|orma, po|s ass|mcomopres|d|uao nasc|-
mentodaobra, elaesta presente emtodasas suaspartes | exatamente essa
presença, deresto,quelleconst|tu|aun|dade Cra,aun|dadeeoser| nd|v| so
de s| mesmo e, po| s, pela presença dessa |orma notodo e, ao mesmo tem-
po, emtodasas partes, que aobradeve ex|st|r e serum todo completoque
apresenteumalarmon|asupremaentretodasas suaspartes Al |nguacomum
s|mplesmentenome|a acausanolugardos e|e|tose s| tua essacausanopoder
cr|ador do art| sta em vez de procura-lana estrutura mesma da obra Ò seu
| nst|nto,porem,naoaengana
Ma |alta de uma regra prec| sapara |ormar ]u|zos part|culares de beleza
sobretalouqualobradearte, essal| nguagemcomumsugerecertasd|st|nções
gera|squevaleapenateremmentequandosetratadasartesdobeloedosseus
produtos Ad|st|nçaoentreo gên|oe o talentonao sedeve a c|rcunstânc|ade
que este tomar|aemprestado, enquanto aquelecr|ar|atudo Todo art|statoma
emprestado, eleealunodeseusmestreseprodutodeumac|v|l|zaçaode||n|da
notempoenoespaço,aqual lle|orneceamater|adesuaobra|prec|samente
nesten|vel queo gênerode ¨||loso||adaarte¨prat|cadoporTa|neganlatodo
oseuvalor, massegundoestepontodev|staotalentoe ogên|oestaonames-
mas| tuaçao Òqueno-losperm|ted|st|ngu|rnaoe oemprest|moems| , maso
56 I Ì NTkODUÇAOÀS/kTLS DO bLlO
aodo detoma-lo. V| stoque agenc|a, organ|zae compõe, otalentocosturaos
seuseaprest|mosnaobraqueproduz, ou,antes, os|nsereeadaptanela Maso
gên|o os tomatao per|e|tamente que os |az seus, os absorvee dealgummodo
osprec|p|tanometalem|usaodaobraquesea]ustanomoldeun|codasua|or-
aa Ògên|onaopegaemprestado,eletomae|azseuoquetomasubaetendo-o
a |oraasem| nalqueeverdade|ramentesua Òtalentocedea|ac|l|dadedeex
pressaoou,quandomu|to, segueum planoqueoselementosdaobravaopre-
encler, o gên|o acata as ex|gênc|as pro|undas da |de|a da obra nascente e e
por | sso que a sua obra se |mpõe com a |orça de um ser natural sa|do do seu
esp|r| to Falamosentaode gên|o, eapalavratemumsent|doprec| sodesdeque
arelac|onemosaqual|dade ontolog|cadaobra E|s a|aun|dade, como]ad|z|a
SantoAgost|nlo,queea|ormadabeleza 'O¬r·s(a··a(+.o··|+J·r·s|a·¬c+r·|cs:s|´
(5 Ep|st l 3) Ò talen to|abr|caessa un|dade desde|ora e aobtemdemane|ra
art|||c|al, maso gên|oaengendradesde dentroconcebendoa|ormaquesela
detornaradapropr|aobra,naartecomonanatureza, osgrausdoserseguem
osgrausdaun|dade
Umare|lexaomu|tos|mples, po|s, nosperm|t|rasegu|r, apart|rde entao,
todaumacade|adenoções|am|l|ares, asqua|slaveremosdeatr|bu|rumsent|do
beu prec| so
L|zemosque0 grandeart| stae I I or|g|nal¨e ele0 e, certamente, porquea
|ontedas suas obras e a|oraa sem|nal decadaumadelasno esp|r|todequem a
cr|a Ògrandeart|staeor|g|nalporde||n|çaoporqueogên|o|azseutudooque
eletoca L|sztserecusavaaadm|t|rqueWagner]ama|slletomasseemprestado
oquequerque|osse, e t|nlarazaoV| stoqueosexemplosaa|s|ace| sde c|tar
ea l|vro sao, porem, os daarte da escr|ta, toquemos no se| oda or|g|nal| dade
lendoumaobracomolcI:r··cJ:. deVolta|re, cu] oautorlav|al | do tudo, sab|a
tudo em mater|a de poes|a e d|spunla de uma lab|l|dade l |terar|a tal que se
pode mu|tobemenxergarneleotalento|e|tolomem Frequentementeseen-
contramversosdestet| po
\ule|s ·:¡»c|i :»:e·:, :i s:s ~c|»s |�c:·ic|»:s
D: l
¿
ici :l·c»l: lc|ssc|i |Ieit:· l:s ·î»:s,
\AP|TÜLO Ì Ì Ì ¯ \OkO|Jk|OSPAkA A LSTLT|CA I 57
acu] opropos|tonenlumleltorde|xaradeexclamar.Rac|ne,!:J·c. MasVolta|re
a|nda|azmellor, po|snaoles| taemescrever.
ll ·:¡·:iic·i e:s i:~js s· co:·s a se» ¡m»e ce:«·,
sobreoqualomesmol e|torladerec|taras| mesmoumoutroversodeRac|ne,
ßc)cz:i, l , l
íls ·:¡·:ii:»i l: i:~js a l:«· ¡·c»e ce:«· s· ee«x
Ò errodeVolta|renao etomaremprestado, e naotera|orçades|mples-
mentetomarparas| Cra,]ustamentelcI:r··cJ: e o protot|podacompos| çao
detalento,eobral|teralmente¨|n|orme¨, todososemprest|mosvêma suatona
como|ollasmortassobreumtanque Quandoestanoseumellor, Baudela|ree
totalmented||erente Aoescrever
Me» ce:«· ce~~: «~ ic~le«· ce·lí
V ociic»i e:s ~c·co:s |«»èo·:s,
eles| mplesmente|azo quequercomCraye n| nguem se da por aclado. Com
e|e|to,naoe Baudela|requetomaumversodeCrayemprestado, ea|ormado
seupoemaquelançamaodesteverso. Ò ||ode ouroestaa|e const|tu|-llea
obra E| spor que Baudela|reeumpoetaor|g|nalmesmoquandotomaempres-
tado,enquantoVolta|reenomax|moumvers|||cadordetalentomesmoquando
asuaprod|g|osamemor|aol|vradatentaçaodoemprest|mo
L|zemostam bemqueo grandeart| statemum ¨est|l o¨ E everdade, po|s
umest|lo,o deumtempo,deumasoc| edade,deumcertot|podearteoudeum
art|sta) e umcaracter|st|co constante de|ormas part|culares, e a suapresença
nosperm|teconceberessas|ormascomoumun|cogrupo. A|ontedoest|lo,no
art|stadegên|o,eprec|samenteaa||n|dadedas|ormassem|na|sque, conceb| das
porumsoemesmoesp|r|to, seassemellamentre s| comoaposter|dadedeum
mesmoavô Conlecedore quem se tornousens|vel aos traços caracter|st|cos
decertoest|loe suasmod|||caçõesporme|odelonga|am|l|ar|dadecomaobra
doseuautor Um certodesenlo,oumeroselementos|am|l|aresaestedesenlo,
um |ntervalo mus| cal |avor|to, umvolte|o |rasal ou apenas umacertamane|ra
58 I Ì NTkODÜÇÂOAs /kTLS DObLLO
deconduz|ra|rase sao comomarcasqueo autor |mpr|menasua obra talqual
agarrade umleao Mas somenteo gên|o e uml eao, o talentonao tem est|lo
porque |altaas suas obras aquelaun|dadepr|mevaque somentea |ormasem| -
nal llespodecon|er|r. Ele escreve bem, porque umtalento, masnao escreve
como apenas e tao somente um un|co lomem pode escrever Alguns art|stas
têmconsc|ênc|ad| sso. Porqueuma|ac|l|dadenaturalcult|vadapormu|toestu-
dooslevoua ¨saber¨tudoarespe|todasuaarte, sentem-secapazesde escre-
veremtodos os est|los, mas nao ousam|azê-lo, po|s |sso s| gn|||ca]ustamente
queelespropr|osnaotêmnenlum E|s a|o compos|torque setornamaestro
Algunsart| stas cr|adores têmobrasde |aturaper|e|taque, porem, emnadase
d|st|nguemdeobrasalle|as Quandoumaobranaotemnadaquenaopossater
s|doproduz|doporoutroart|staquenaooseuautor, elanaotemor| g|nal|dade
Maoteror|g|nal| dadenaescolladotemapouco| mportaCeralmente,esopor
|avoreceroexerc|c|odosdonsdoart|staqueumtemacomoCr|eu, l || gên|aou
Fausto|o|tratadotantasvezes Part|ndoda|, oque||caemcausaetaosoaarte
mesmadoart|sta, eeavezdo seuest|loedesuaor|g|nal|dade
Asnoções secundar|asqueacabamosdeverserelac|onamcomaartedo
pontodev|stado espectadordasobras Faltaexam|narumaoutra, que serela-
c|onacomelasobretudodopontodev|stadosart| stas,eacu]orespe|tograssa
umatalcon|usaonoseuesp|r|toapontodeester|l|zarasuamesmaarteJrata-se
do¨belo|deal ¨, o|dealnaarte, obelonaturale obelo|deal, e outras|ormulas
sobreasqua|ssetemd|sputadosem||me sem qualquerresultadoParaquenao
entremos numa|nterm|naveld|alet|ca, exam|naremosessanoçao sob asua|or-
mama|ss| mpl es Porquepercebemmu|to bem ad||erençaespec|||cadabeleza
dada nanatureza e daquelaque eles propr|os produzem, mu|tos art| stas con-
cebemabelezadaartecomoalgoqueex|st|r|aems| , numaespec|edemundo
platôn|co, e acred|tamquea|unçao doart| staedescobr|r, entreverseposs|vel
e, tendo entrev|sto, |m|tara beleza As d|||culdades emque tal doutr|naaca-
bouporcolocarosart|stas sao|numerave| s, emcertasepocas, elas|ormarama
propr|asubstânc|adav|dadaarte Asquerelasentre¨real | stas¨epart|dar| osdo
|dealnaartenao t|veram outra causa Maol evaramalugaralgum, po| ss|mples-
mentelles|altavaob]eto
\A|lTÜLO Ì Ì Ì ¯ \OkOLAk|OS |AkAA |STLTlCA I 59
Ò |deal naarte nao e um modelo|mater|al e transcendente que ao art|sta
caber|adescobr|re|m|tar, masnemtampoucoeumanoçaosem|undamentono
pensamentodoart| sta,po|sadevemos|dent|||cara |ormasem|nalqueelebusca
mater|al|zar na obra Se re|let|rmos n|sso, veremos que essa |orma tem todos
oscaracter|st|costrad|c|ona|satr|bu|dosaobelo|deal Comoele, tambemelae
ob]etodepensamentoe nao depercepçaosens|vel, atuando comoumaespec|e
degu|aqueoart|stasees|orçaporsegu|rnaexecuçaodaobra Elae, emsuma,
sempre um arquet|po parc|almente |rreal|zavel, em v|rtude do seu mesmo ca-
rater exemplar e |deal L|m|tando-se a expr|m|ruma exper|ênc|a conlec|da de
todos, omus|coCl -M W| dorescreveucerta|e|ta 'A obra-pr|mavê-sedere-
lance,quandoaobraestaterm|nada,naolama|sobra-pr|ma¨ Ele|alavaentaode
Massenet,mastambemdes| propr|oedetodosque]atentaramdarcorpoauma
|de|a da obraquetraz|am dentro de s| Maopodemos d|zê-lomellor, mas |sso
naonoslevaaconclu|rqueoob] etodaarte,retomandouma|ormuladeClarles
Counod,eencarnaro|dealnoreal,po|sumavezquetentemosde||n|ranatureza
dessebelo |deal e suas relações como belo real, |racassamos na empresa Para
|azer]us aumatal |ormula, d|gamosque oob]etodaarteeencarnaralgum |deal
emalgoreal, esse|deal sendo sempreeacadaveza|ormaou|de|adaobrapar-
t| cular e,po|s, s|ngularporde||n|çao - queoart| staseenga]aaproduz|rTam-
poucoelaetotalmenteacess|vel .Concepçaodoesp|r|to,elaemu|tor|caparase
|eclarnas|ngular|dadedoob] etomater|alemqueoart| staquerenclausura-laA
obraprontasempre se empobrececom os sacr|||c|osaque teve de se submeter
parasetornarreal|, po|s, naturalquenuncareal|zeo|deal,mas| ssonaoe razao
su||c|enteparaconclu|rque nunca se]aumaobra-pr|ma Mu|to pelocontrar|o, a
obra-pr|ma|dealnemsequereumaobra,eaobrarealquereal|zaaobra-pr|ma,e
paraoart|stasenlordos seusme|oselaesempreaobra-pr|maqueele quer|a|a-
zer,porque|o|elequema|ezAverdadeequeelesesentecapazde|azeroutras,
cu]abeleza,a|nda|deal,naosereal|zounaquelaque|ez,maseleerraaodeprec|ar
o ser sa|dodesuasmaos,e queaomenosex|ste,embene||c|odeumapurapos-
s|b| l| dadequenaoex| ste Quandoex|st|r, a|ndaentaolaodesobrarcand|datos
a ex|stênc|aatual Ex|ste, po|s, umbelo |deal queo art|stapersegue, mas elese
encontradentrodopropr|oart| staacr|at|v|dadedoseuesp|r|to
60 I ÌNTkODÜÇAOÀS/kT|S DO b|LO
'

¬s artCs pOì CtìCas
A noçao de arte e bastante con|usa e umadas razões porque e ass| m
µarece ser o estado em que a lerdamos daAnt|gu|dade e da l dade Med|a.
ARenascençadasletrasedasartcsnoseculoXVl naomudoua s|tuaçao, po|s
seev|dentementelav|aarteantesdessaepoca,naolav|ateor|adasbelas-artes
oudoart| sta,eas|tuaçaopermaneceuquasequeamesma,adespe|todoquese
costumaa||rmar, notempodeM|clelangelo e deLeonardodaV|nc| Moque
concernea||loso||adaarte,osCcJ:·rassel |m|tamarece|tasdeumas|mpl| c|da-
dedesconcertante, enquantoo T·cicJaJcí·r|+·c naova| alemdas |de|as que o
art|stapode tomaremprestado. Mao e antesdo seculoXVl l que art| stas e es-
µectadoresououv| ntescomeçamase|nterrogartecn|camentesobreo sent|do
eanaturezadasartesdobel o Ateentao,a|oraalgunsl|vrosderece|tasprat|cas
e umaououtrameta||s|cadobelo, o un|coa|azerda suaarteo ob] etodeuma
h|stor|aedeumare|lexaoquase||loso||caeVasar|
Ò|atoea|ndama|sparadoxalporqueanoçaode arte, num sent|domu|to
µrox|moa|:.or:dos gregos, era|am|l |aratodos A l dadeMed|a|o| dom| nada
µorum s|stemade educaçao|undadonas sete artes l|bera| s Alog|caerauma
arte named|da emque ens| nava as regras e mane|ras de operar naordem do
rac|ocn| o Ò acento, porem, dadenom|na�ao reca|asobre o termo 'l|bera| s',
queasdes| gnavacomopertencentesaoesp|r|to, emopos|çaoasartes 'serv| s',
assoc|adasanoçaodeserv|daoprec|samenteporcausadocorpo.A|ndalo]e, os
teologosclamamde'obrasserv| s¨aquelas'emqueapartedocorpoema|orque
adoesp|r| to¨. Lalog|caamatemat|ca, astronom|aoumus|ca, tudoseaprend|a
e se ens|navapor me|odapalavraoudaescr|ta,as artes cons|st|ndoquaseque
exclus|vamenteemcertonumerodeconlec|mentosaadqu|r|reregrasasegu|r
paraa d|reçao do esp|r|to, em mater|as que absolutamente nao ex|g|am o uso
dasmaos Csqueseded| cavamaelaseramos'arte|ros¨, nuncalouveumatel|ê
ouumlaborator|oemqualquer|aculdadedeartesdoper|odomed|eval
Façamos, porem, umareservade suma | mportanc| a, ass| mcomo nunca
louvelaborator|o ou atel|ê numa |aculdade med| eval de artes, ass|m tam-
bemosmed| eva| s]ama| s perderam osent| mentodarelaçaoessenc| alentrea
noçaode artee a de produçao El esd| st| ngu| am ma| sou menosclaramente
o con]unto das regras do conlec| mento, oulog| ca, do das regras da açao,
oumoral e ambos, || nal mente, do con] untodas regras da|abr| caçao, que
const|tu|a a arte propr|amente d| ta Da|a d| st| nçao class| ca entre a moral,
conceb| da comoareguladoradobem ag|r ·:.ic·ci·:c¡·l·|·a¬, e aarte ou
tecn| ca, conceb| dacomoregradaboamane| radeproduz|rou|abr| car ·:.ic
·ci·a|c.i·l·|·a¬. Em todosessescasos, atr|bu|a- sea operaçaototal uma parte
deconlec| mentoeumapartedeexecuçaoouprat| ca A questaodarelaçao
entre as partes secolocava desde o dom|n| odapura especulaçao a l og| ca
e umaarte, umac| ênc| a, ouambas, e em qual proporçao¯ Podemos segu| r
sem erro as regras da l og| ca a| nda que as nao conleçamos, e e ev|dente
que conlecer essas regras nao con|ere apt| dao para o seu correto mane] o.
D| scut| a-se mu|to a esse respe| tonas escolas med| eva| s , mas o |ato e que
eml og| cao conlec| mentosed| st| nguemu|tomaldaprat| ca Emmoral, por
suavez, ad| st| nçaose|mpõecomtodaa|orça, po|s seeverdadequemale-
volênc| ae | gnor1nc|a, o mesmonaoval e paraav|rtude, quenao sepoder|a
s| mpl esmente | dent| || car com o saber. Tambem se d| scut|a esse problema
Ò mesmoproblemada arte, al| as, o ter| a por s| propr| o col ocado, se nos
t|ves semosl embradodemenc| onaraclasses oc| almente| n|er| orconst| tu|da
pel os art| stas, traballadores que usavam as maos | per|e| tamente exato
que, paraos || l oso|os da l dade Med|ae todosaquel es quea| ndalo] e|azem
usodestatrad|çao, a arte cons| staessenc| almenteemsabercomoproceder
para produz|r determ| nada co| sa, e nao tanto em sercapazde produz| -l a.
A ·:.ic·ci·ada|abr| caçao e a propr|aarte de|abr|car Mumapalavra, a arte,
62 I ÌNTkODÜÇAOÀS/kTLS DO bLLO
para ta| s || l oso|os, estatotalmente dolado do conlec| mento, e e bomque
]ustamenteaqu||açamos notaresseponto
l sso porque sempre louve certa les|taçao e a suspe|ta de que a noçao
mesmadearte|ossealgod||erente, comodemonstrao|atodeque osma|ores
escr|tores, re|let|ndo sobre a sua arte, perceberam que por ma|or o lugardo
conlec|mento, dosabere daobservaçaodasregrasnaartedaescr|ta, aobrae
sempreresultadodeumaproduçao
Ar| stoteleseraumobservadoradm|ravel Elecr|ouquasetodasasc|�nc|as
ma|ores, senaoems| mesmas,aomenosnassuasnoçõespr| nc| pa| s, d|st|ngu|n-
do-as segundo o respect|vo ob] eto Ò pr|nc|pal mer|todasuaía:|·.c, alem da
|n|ormaçaol| stor|caquetodoslledevemos,|o| talvezreconleceraespec||| c| -
dadedaordemdo|azere|alardasobrasdeartecomoprodutos, ob]et|vamente
descr|t|ve|s,deuma|ecund|dadeanalogaa danaturezanaordemquelleepro-
pr|a|aomerot|tulodaobraeprovasu|| c|entedequeo seuautorreconleceu
a espec|||c|dadedaordemdaartecomod|st|ntadasdac|ênc|ae damoral Le
resto, e natural quegrandes escr|toresla]amre|let|dosobreanaturezadasua
arteetentadoestabelecerassuasregrasAsretor|casdeC|ceroeseusd|alogos
sobreaeloquênc|asao'artesorator|as', ass|mcomoaep|stoladeHorac|oaos
P|sõese aA·|ía:|·,+:deBo|leausaoosmodelosclass|cosdamane|racomoum
poetapode|ormular, paras| eparatodos,asregraspr|nc|pa|sdaartedapoes|a
Naode|xadesera|ndama|sadm| ravelquetodos, emcertosent|do,acabempor
reconleceraapor|adetalempresa Maoporque adescr|çaodasregras |r|aao
|n||n|to, como e ev|dente, mas dev|do aumad|||culdade |undamental e mu|to
aa|sser|a |que,tomadasemcon]unto,emesmosesesupõemcompletamente
de||n|das,asregrasdaartenaosaonadasemacapac| dadeprat|cadeapl|ca-las,
semo(a+oa··|c··:Estedomdanatureza,queeumaespec|ede|ecund|dadepr|-
ae|ra,naosepodenemens|nar, nemaprender, nemtampoucoadqu|r|rquando
aao setem Crandes esp|r|tos pr|vados do dom da poes|atraballaram av|da
|nte|ra para adqu|r|-lo, e depo|sparasubst|tu|-lo poralgo que lles perm|t| sse
escrever poes|aautênt|ca sem serem poetas, mas| sto |o| sempre emvao Ma
|ontedetodaarteedetodosaberconcernentea artelaumelementoquenao
dependedo saberpropr|amented|to, quenao sebastaas| mesmo, everdade,
\AP|TÜLO Ì` ¯ AsAkTLSPO|LT|CAS I 63
mas que nadapodesubst|tu|reque,emult|maanal| se, podepresc|nd|rdoresto
ma|squeorestodele.
Cspoetasclass|cost|nlamlaassuas|lusões acred|tavamqueabelezade
umpoemasedeveaordem eaclarezadas|de|as, que saograndesv|rtudesda
prosa Horac|o e Bo| leau, porem, concordam ao a||rmar que regras semve|a
poet|ca naobastam ,r:.s|+J·+¬s·r:J·o·|:o:rc) e que, se0 ceunao 0 |ezpoeta,
'' .

:s|:roc·r,+

c+íc·rcss:+r|:¬:·c··:c+|:+·I as:J:|

c·|J:so:·sc¡·ar|:·|coc+|:+·
¨
i 1 mas
naod|zempalavrasobreoque, a||nal, e''ve|apoet| ca'e''nascerpoeta' Arazao
do seu s|lênc|oe que, com e|e|to, nao lanadaa d|zer Pode-seexpl|cartudo
acercadaartepoet| ca,excetocomoeporqueospoetassaopoetaseproduzem
poes|a. Ò propr|o poeta estareduz|doao s|lênc|osobreta|sassuntossesed|s-
puseraens| na-lo,po| snestecasoeleseenga]anaordemdoconlec|mentoeda
palavra, aosqua|saordemdo|azer e naturalmenteestrange|ra Cs ant|gospoe-
tascomeçavamassuasobrascomuma|nvocaçaoasMusas E |ssoporquetudo
oquesenos dasem expl| caçaonem]ust||| caçaorazoavelparece-nosdepender
dagraça Porqueoentend|mentonaoconsegueexpl|caraartecompletamente,
procuraasua|ontenumad|v|ndadequalquer.
L| z-se que as artes poet|cas, po| s, negl|genc|am o essenc|al, mas como
o poeta, por suavez, tem consc|ênc|a d|sso, o sent|do de seu poema parece
escaparatodol e|torquenaotenlaelepropr|o escr|to outentadoescreverum
poema Aartede|azersoe plenamente|ntel|g|velaquem|az,e | ssovalepara
todas as artes dobelooubelas-artes Al| nguagem comum otestemunla, po|s
selo]ecausar|acertasurpresaaa||rmaçaodequeumlog|coeumart|sta,como
sea||rmavanal dade Med|a, naoles|tamos emclamarass|maumescultorou
ump| ntor. | de notartambem que al| nguagem denunc|eumaoutrales| taçao
do esp|r|toquando |alade ''art|stas e escr|tores'e 'artes eletras', comoseos
escr|tores nao |ossem art| stas, nem as belas-letras, belas-artes Mo entanto, o
'poeta'ebemaqueleque exerceaat|v|dadedo(a·:·r.o(a·:|:s eessenc|almente
quem|az,o|azedorTodoaqueleque|azobrasescr|tas, p|ntadasouesculp|das
e, po| s, nessesent|do,''poeta' ÷ ou,comosed|z,''cr|ador', po|s eprec|samente
' Cf Boileau, Art Poetijue [Arte Poetical : "e em vao que no Parnaso ur temerario autor I
ousa da arte dos versos afontar a altura". (N. T.)
64 I Ì NTkODÜÇÄ OÀS/kTLS DO bLlO
aoart|sta que asobras devem asuaex|stênc|a | claro que elenao cr|a apart|r
do nada Ò exercc|o da arte pressupõea ex|stênc|adoart| sta e dos mater|a|s
dequelan�amao, masoresultadodoseutraballoequeao||meaocaboex| s-
tealgumaco| saquenaoter|aex|st|do semel e E ass|m e nocasodetodot|po
de|abr|ca�ao, masconv|r|areservaroep|tetode 'po|et|ca'aquelasopera�ões
cu]o||me produz|rumob] etobelo, e prec|samente porquee belo Emoutros
termos,apo|et|ca|nclu|ems|todoodom|n|oda|act|v|dade,named|daemque
estasepropõeaproduz|robelo
Acon|usaoentreverdadeebeleza,conlec|mentoe produ�ao, sabere |a-
zer, c|ênc|ae arte e delongea |onte ma| s grave de mal-entend|dos nestedo-
a|n|o Cra, ass|m comoa c|ênc|a e amoral,tambem aarteeobradolomem,
as mesmas |aculdades do mesmo esp|r|to estao, po| s, em ]ogo, em todos os
dom|n| os de suaat|v|dade Ham|sterde |ntel|gênc|a, rac|ocn|o, gosto, senso
deordemedebelezaportodaaparte, po|ssepensarnaoe|azer, come�amosa
|azerass|mque|alamos,ea|ndama|sass|mqueescrevemos ÷ ouse]a,ass|mque
tratamosdecomun|caropropr|opensamentoaoutremoua|ormula-loparanos
mesmos Faz-seumd|scursoouuml|vrodamesmamane|racomoum quadro
ouuaagravura, masapalavra'arte' naoseapl|casenaoanalog|camenteaesses
casos Maordemdopensamento,aarteso| ntervemparaencontraraexpressao
per|e|ta do saber que se comun|ca ou apenas se |ormul a A arte de pensar e
de|alarseguramenteproduzalgumaco|sano pensamentoouno d|scurso, mas
os seuse|e|tos nao passam de modal|dades de um e de outro A perplex|dade
dosant|gos, que se punlamad|st| ngu|rentre |a¡·.cJa.:rs e|a¡·.c+|:rs, naoteve
outraor|gem,po|sareal|dadedasduaslog|caseamesma,ass|mcomoa'd|v|na
belezadas equa�ões de Lagrange', tao caraaWl|telead, nao eram senao as
propr|as equa�ões, as qua|s, porsuavez, e 0 propr|o pensamentomatemat|co
eapropr|ac|ênc|a, cu] oob] etoe expr|m|rsegundoaverdadeaqu|loque e,tal
comoe. Qualquerquese]aaartepostaaserv|�odoconlec|mento,atare|adele
e sempredupl|caro mundo, a||nal, o|erecendo-lle uma|magemde s| mesmo
As prod| g|osas |aculdades de |nven�ao, |mag|na�ao e cr|a�ao de que nasce a
c|ênc|a se empregam | nte|ramente ad|zerareal| dade tal e qual se apresentaa
|ntel|gênc|a, ao ||m e ao cabo deste es|or�o |menso, o lomem podeut|l|zar a
\AP|TÜ|O Ì` - /SAkTLS PO|LT|CAS I 65
c|�nc|aa serv|çodas artes dout|l, mas named|daem que e umconlec|mento
do mundoexpressonal| nguagem, a c|ênc|anaoacrescentouumaun|dade se-
querao numerode seres ex|stentes Mumapalavra, todaaartedo lomemde
c|ênc|asepõeaserv|çodo seuconlec|mento do mundoe daexpressaodeste
conlec|mento,enquantoaartepo|et| caesta|nte|ramenteaserv|çodaobraque
oart|staexecuta
Csexemplosdalog|caedamatemat|capodema]udara|ormularumaregra
geralparad|scern|rde um so golpe entreas operações do conlec|mentoe as
daarte Haconlec|mentotodavezqueselouvercompreend|doumaoperaçao
parasaberexecuta-la Esteetaoev|dentementeo casodessasduas 'artes l|be-
ra| s'quetodaagentee capazderac|oc| narl og|camentesemlaveraprend|do
log| ca, e naoeraroencontrarpessoas capazes deresolverproblemas elemen-
taresdecalculosemlaveraprcnd|do matemat|ca Ò |ato sever|||canaqueles
casosem que, comod|ssemos, laanecess| dade de 'estudos'paraaprendera
executar certas operações Convem, po|s, colocar na ordem do saber tudo o
que somoscapazes de |azerun|camenteporque compreendemosem que con-
s| steaoperaçaoempauta Seoesquecermos,oquealemdeposs|veletambem
|requente,bastareaprendê-loparapoderexecuta-loma|sumavez
Ade||n|çaodeartecomo·:.|c·c|·a|c.|·l·|·+¬supõequese]aass|memtodos
os casos, quandonaverdade elaso seapl|cacorretamente asartes do conle-
c|mento, emque, com e|e|to, compreenderaregrae uma soe amesmaco|sa
quesercapazdeapl | ca-la Asartes da|abr|caçao, porsuavez, d||eremdasdo
conlec|menton|sso, po|sconlecerosmetodosouproced|mentosdeoperaçao
nao lab|l|tan|nguem a apl|ca-los As razões saovar|as, mas a pr|nc|pal e que,
naordemdo|azer, a||rmarquesabemos|azeralgumaco|sadepo|sdesubmeter
assuasregrasaprovadaprat|canaobasta, e prec|so |raleme a||rmarqueeste
'saber'cons|steprec|samentenapropr|aexecuçao.Seexam|narmosemdetalle
oscasos deste gênero, veremos quetodaverdade|raarte do|azersed|st|ngue
do s|mplessabern| ssoque ex|gedoesp|r|toqueobtenladocorpoaexecuçao
de certas operações Essas operações sao tals que nao basta conlecê-las para
poder executa-las Mo caso de su]e|tos part|cularmente dotados, o sucesso e
|ac|le|med|ato,emoutroscasos, mu|totempoetraballoseraonecessar|ospara
66 I Ì NTkODÜÇAOÀS/kTLS DO bLLO
|ormaros hab|tosmotr|zes que aprat|cadecertaarteex|geerequer Sao anos
deaprend|zagemparaaprenderap| ntar, escul p|r, cantar,tocarum|nstrumento,
compormus|caeatemesmo,nocasodoescr|tor, paraadqu|r|rodom|n|ocom-
µletodal|nguaecr|arumest|lopropr| o Quem|alasobreumaartequalquersem
aterexerc|dopessoalmente sempre searr| scaareduz|rum podera um mero
saber | umabuso, al |as, atr|bu|raAr|stotelesade||n|�aoque |az daarteuma
·at·ae, po|s, um|a¡as, quandonaoumas|mplesregra Ò||loso|oconceb|aaarte
comouma:x·s(a·:|·|€, ouse]a, para sermosexatos, 'umaapt|daoadqu|r|dapara
|azerumacertaco|sa' Trata-se,portanto,deumhab|to|ormadopeloexercc|o
egra�as aoqual quem o possu| torna-secapazde produz|rcertosob] etoscu]a
causa easuaarte
Podemos, po| s, manter esses do| s cr|ter| os para d| scern|r as opera�ões
cuedependemdaartepropr|amented|ta, | stoe, daartede |abr|carem geral
e, part|cularmente, da|act|v| dade naordem dobelo Em pr|me|rolugar, que,
d||erentementedo que sedanaordemdo conhec|mentoe daverdade, basta
saber para poder, a e||cac|a sendo por ass|m d|zer a verdade da |act|v|dade
|msegu|da, eporumaconsequênc|anecessar|a, que,a d||eren�adopapelque
executaquandoe postaa serv|�odo conhec|mento, aartedoart| stanaoesta
]+ma|saserv|�odes| mesma,senaodaobraque|abr|caemv|stadesuabeleza
Abelezadac|ênc|aeumseusubproduto,comoa danaturezaouada| ndustr|a
Abelezadaobradeartee o seuverdade|ro|| m Quandooart|sta|mag|naque
asuaobra cumpre uma |un�ao pro|et|ca qualquer, engana- seredondamente,
ass|mcomotodososqueotrans|ormamnumaespec| ededem|urgoougrande
|n|c|ado numaqualquerverdade super|or |a quetudo o que entra dearte no
conhec|mentoestaaserv|�odaverdade, oqueentradeverdadenumaobrade
arte so o |az para serv|ra beleza, quer se trate deum poemad|dat|co, como
asC:á·¡·.cs,deumaartepoet| ca, comoasdeHorac|oe de Bo| l eau, oudeuma
eµope|a, comoAD·o·rcCa¬æ·c
Essad| st| n�aoquase| ngênuadetao elementarnem sequermerecer|aser
lembradasenao|osseesquec|da comtanta|requênc|a Aredu�aodaarteao
conhec|mentoeuma| lusao| ndestrut|velque]ama|sconsegu|remosexorc|zar
µor completo, po| s todos oshomens ut|l| zam o conhec|mento, mas poucos
\AP|TÜ|O Ì`- /SAkTLS PO||T|CAS I 67
prat|camaarte Poder|amosc|tar| numerosexemplos, mas ser|avao, bastare-
sum| raqu| , comocaso-t| po, aspag|nasqueL`Alembertconsagrouanatureza
daarte noD·s.a+·sí·:|·¬·rc··:J:| £r.,.|a(:J·: Maoespantaqueumenc| cl ope-
d| sta| nscrevaaarte nolugarqueacred|tasero seu, | stoe, entreosd|versos
ramosdo conlec| mentolumano Lepo| s de descreverumapr| me| ra classe
de opera�ões cogn| t|vas, asqua| scons| stememreceber 'no�õesd|retas' ou
'| de|as pr| m| t|vas' e entao comb|na-las entre s| o que da or|gem as c| ên-
c| as, 0' Al em bert acrescenta 'Mas as no�ões |ormadas pela comb|na�ao
das| de| as pr|m|t|vas naosaoas un|cas dequenossoesp|r| toe capaz Hauma
outraespec| edeconlec| mentosre|lex|vosdequetambemsedeve|alar Sao
as | de|as que |ormamos pornos mesmos, |mag|nando e compondo seres se-
mellantesaosquesaoob] etodenossas|de|asd|retas e| soqueseclamade
| m|ta�aodaMatureza, taoconlec|daerecomendadapelosant| gos'
E| sa| umengenloso desv|o. A |mag|na�ao |m|ta a natureza |ormando e
comb|nando |magens de ob] etos perceb|dos, |m|tando essas |magens nas pro-
pr|asobras,oart| sta|m|ta|nd|retamente,porsuavez,osseusmodelosnatura| s
A amb|gu|dade da no�aoe ev| dente, mas era|nev|tavel, entre expr|m|rnossas
|de|as por palavras ou expr|m|-las por |magens, nao lad||eren�a essenc|al, se
nosat|vermos aopropr|oatodes| gn| || car, trata-senume noutrocasode ex-
pr|m|r no�ões conceb|das pelo esp|r|to segundo modelos que areal|dadelle
o|erece Da|a|ormulade L`Alembert todasasartessao 'conlec|mentosque
cons| stemna|m|ta�ao'
Mao contentecoma||rma-lo, L`AlemberttambemodemonstraA|rente
dosconlec|mentosquecons|stemna|m|ta�aodevemestarap|nturaeaescul-
tura, porque sao as ma|s prox|mas dos ob]etos querepresentam, e |alam ma|s
d|retamenteaossent|dos ParaL'Alembert,| ssoeumas|mplesev|dênc|a,tanto
e v|s|vel o papelda|m|ta�aonessasartesquepodemosa||rmarsemrece|oque
elascons| stemem|m|tar
Passemosentaoaarqu|tetura Òproblema, aqu|,naoetaos|mplese,natu-
ralmente, 0' Alem bertsedeucontad| sso Ele reconlecequea|m|ta�ao, neste
caso,emu|toma|s'restr|ta'quenosprecedentes. Come|e|to,aarqu|teturase
l| m|taatornaragradave| saosollosasmoradassemasqua|sav|dalumananao
68 I Ì NTkODÜÇÃOAs /kTLS DO bL|O
d||er|r|aem nadadados an|ma| s Segu|ndoasuaevolu�ao, desdeaslab|ta�ões
µr|m|t|vas ate ospalac|os modernos, veremos que elasereduza ser, emcerta
med|da, 'a mascara adornada de uma de nossas ma|ores necess| dades'. Mao
obstante, emquesent|doelaser|a|m|ta�ao¯ Ela'sel|m|taa|m|tarpeloa]unta-
mentoeun|aodosd||erentescorposqueut|l|zaaquelearran] o s|metr|coquea
naturezarespe|tama|soumenossens|velmenteemcada|nd|v|duo, e que tanto
contrastacomabelavar|edadedocon]unto' TemosdelouvarL'Alembertpor
nao haver recorr|do a conlec|da escapator|a. as casas sao, em certa med|da,
cavernas constru|das art| ||c|almenteaceuaberto, o quevaleparaqualquerca-
bana, ev|dentemente, mas nao expl |ca por que, sendo ass|m, a arqu|tetura e
umadasbelas-artes. Sualonest|dadeo| mpede,porem,derespondera questao,
µo|smesmosupondoquead| spos| �aodosed|||c|os|m|taaordem|nternae o
ecu|l|br|odaspartesdocorpoluinano,ed|||c|lcrerqueumaanalog|aass|mtao
long|nqua tenla chamado a aten�ao dos pr|me|ros arqu| tetos Entre o corpo
humano, o Partlenon ouo templo c|rculardeVesta, em Roma, as d||eren�as
suµeramas semellan�as. Òm|n|moquesepoder|ad|zerdestah|poteseequee
¸ratu|ta,tantolle|altacons|stênc|aque nem sequerpodeserre|utada
Tratemos agoradas artes da palavra e do som '^ poes|a, quevemdepo|s
da µ|ntura e da escultura, e que |m|ta com palavras que sed|spõem segundo
uma harmon|a agradavel ao ouv|do, |alaantes a |mag|na�ao que aos sent|dos,
reµresenta-lhe de mane|rav|vae tocante os ob] etos que compõem este un|-
verso, epareceque oscr|aemvezdeosp| ntar, pelocalor, mov|mento ev|da
cuelles sabecon|er| r' Relevemoso |a todequealarmon|adaspalavras para
oouv|doparecenaoterrela�aonenlumacomqualquerespec|edep|ntura, ex-
cetoaon|veldalarmon|a|m| tat|va, quee o ma|sba|xodetodos Cbservemos
cue L`Alembert permanece ||el a sua no�ao pr|me|ra segundo a qualaarte e
ur dosmodosdoconlec|mento Com e|e|to,apoes|arepresentaa |mag|na�ao
dole|tor|magensconceb|dasporumaoutra|mag|na�ao,adopoeta,elae, po|s,
transm|ssoraderepresenta�ões,quesaoconlec|mentos Ò||loso|opermanece
escrupulosamente||ela suapropr|apos| �ao
Masoqued|remosarespe|todamus|ca¯ Essaarteeapedranosapatode
todaestet|cadestegêneroeL'Alembertconcede,al|as,que'elaocupaoult|mo
CAPiTuLO IV - As ARTES POIETICAS / 69
postonaordemda|m| taçao' Anecess|dadede|nclu|ramus|caemsuadoutr|na
geral| nsp|ra-lle,porem,umasoluçaoAmus|ca,d|z,|m|tataobemquantoqual-
querarte, desdeque setratedealgoquepossa|m|tar, sua| n|er|or|dadeaesse
respe|todeve-seun|camentea c|rcunstânc|adenaod|sporsenaodeumnumero
mu|torestr|tode|magense, consequentemente,terencontradoapenasumrol
m|n|modeco| sasa|m|tarÒseudom|n|opropr|oparece serodossent|mentos
Meste ponto prec| so, L`Alembertdescealade|ranaturalqueconduz a noçao
de |m|taçaoporme|o des| gnosa del| nguagem 'A mus| ca, quenaor|gemnao
estava, talvez, dest|nadaarepresentarsenaooru|do,tornou-sepoucoapouco
umaespec|eded|scurso, oumesmol|ngua, pelaqualexpr|m|mos osd||erentes
sent|mentosdaalma, ouantessuasd||erentespa|xões' A |de|ad|retr|zperma-
neceamesma, po| sla|m| taçaoacadavezqueumpensamento,|magem, sent| -
mentooupa|xao, conlec|dapelosu]e| toqueaexper|mentaoupossu| , setorna
aomesmotempoumconlec|mentocomun| cavelporme|odes| gnos Expr|m|r
e|m|tarL`Alembertest|maalemd|ssoqueocampoabertoa expressaomus| cal
possaser aumentado, e o que d|z arespe|toe a|ndama|s revelador Alem das
pa|xões, a mus|ca tal como ele a concebe dever|a poder expr|m|r tambem as
sensações E| soqueentendeporesta|ormulaumtantodesconcertanteSupo-
nlamos que qu| sessemos 'p| ntarum ob] etoaterror|zante' ou, pelocontrar|o,
umob]etoagradavel bastar|aprocurar'nanaturezaaespec|ederu|doquepode
produz|remnos aemoçaoma|ssemellantea queeste ob]etoexc|ta' Ateor|a
parece suporquenumerososob] etostêmopoderdenos susc|taremoçõestao
determ|nadas que, bastaum som que nos cause a mesma emoçao, e a |magem
do ob] eto a que tal emoçao lab|tualmente se l| ga e |med|atamente evocada
L`Al embertpensaquelaver|am| sterdegên|oparaapreenderta|sl | gações, de
gostoparasent| -lasedeesp|r|toparapercebê-las, masnaoduv|dadasuaex| s-
tênc| a Ò sent|dodeumatalmus|caestar|a |rremed|avelmenteperd|doparao
vulgo, ela nao de|xar|ade ser a suamane|raumap|ntura, e e prec| soque 0 se]a
parasero que e 'A mus|caque naop|ntanadanao passaderu|do'
Cadaumdessesproblemasmerecer|aserretomadoapropos|todecadaarte
part| cular, mas a ut|l| dade de escutar L`Alembert esta em que a sua descr| çao
das artes nos mostra o quanto e d|||c|l d|st|ngu|ras noções de conlec| mento,
70 I ÌNTkODÜÇ AOAs /kTLSDO bLLO
|m|taçao e l|nguagem Todavez que L`Alembert se põe a |alar de uma delas,
vemo-losub-rept|c|amentepassarasoutrase,come|e|to,naopoder|aserdeou-
tramane|ra Mao podemos renunc|arad|st|ngu|rclaramenteessasnoções, nem
consegu| -lo. Porquetodastêmra|zesnanoçaodeconlec|mento,aqualsepode
enxertaradeartedetrêsmane|rasd|st|ntas,con|ormeaconcebamoscomov|sao
pr|v|leg|adadoreal, comol|nguagemqueexpr|meesserealoucomos| stemade
s|gnos que o s|mbol|za lntu|çao, expressao, s|mbol|smo÷ três |nterpretações
daartequetêmlaasuaverdade, ev|dentemente, mascontraas qua|s e prec|so
de|enderaverdade|undamentalqueacabamo|uscando,tantoquemalsed|st|n-
guementres| Todasastrêstêmemcomumacerteza|med|atadeque,adespe|to
de como a |nterpretemos, a obra e portadora de umamensagem, e que a sua
|unçaoecomun|ca-laaquemades|ruta
A pr| me|ra l| potese e que a arte se] a essenc|almente uma cosmov|sao
pr|v|leg|ada, ou, como se d|z, uma | ntu|çao Mao e sempre que se concorda
quantoaoque, a||nal, estav|saorevelaaoart|sta, mastalveznao|osse| nexato
d|zerque, emregra geral, o ||loso|o |dent||| ca o ob]etoda |ntu|çao do art| sta
com o que a sua propr|a ||loso||a cons|dera ser o |undamento da real|dade
Se |or pess| m| sta, como Sclopenlauer, o ||loso|o la de tomar a arte como
timaespec| ederedençao, emcu] ocasooqueoart|stapr|v|leg|adovêetema
a|ssao derevelarser|aaqu|loque l|bertaolomemdareal|dade, doseu|ardo.
Asub] et|v|dadedessasdeterm|naçõesedemas|adov| s|velparaqueprec|semos
|ns|st|rno|ato, tantoma|squeasperpassaama|scomumdetodaselas,aquela
segundoaqualoart| sta,rodeadodes| mpat|zanteseentus|astas,eumaespec| e
deV| denteporcu]a|ntercessaopodemo-nosaprox|mardeumm| ster|oun|ver-
sal,encarnadoemsuaobra.
Asd|||culdades|nerentesatalnoçaosaoev|dentes Lesdelogoelae|gual-
aente apl|cavel a toda |orma de conlec|mento que se gabade transcender o
dadoemp|r|co,mas,sobretudo, elaenga]aare|lexaosobreoart|stanabuscade
umob] etodeconlec|mentoque asuaarteteraoJeverde|m|tar Desteponto
dev|sta, anoçaode arte-|ntu|çaoconduz |nev|tavelmentea dearte-expressao
e arte-s|mbol|smo que teremos de exam|nar, mas, cons|derada em s| mesma,
ela topacom ad|||culdade, tao conlec|da desde que Ar|stoteles a levantou a
CAPITuLo Ì` · FS ARTES POJETJCAS I 71
Platao, que const|tu| a passagem do conlec|mento a açao Mada se |az sem
conlec|mento, mas, por s| mesmo, o conlec|mentonao|az nada | poss|vel
talvez, quela]a l de| as, mas, seas louver, elas nada executam por s| mesmas,
e que um esp|r|to as conleçanao const|tu| o |n|c|o de uma operaçao e||caz
ÒT·¬:+cont|nuaaser ama|sper|e|ta|lustraçaoconcretadessaverdadeAdou-
tr|nadas l de| as dacontada|ntel|g|b|l|dade do un|verso, mas, nomomentode
expl| carasuaex|stênc|aeestrutura,Plataocompreendeanecess|dadedeapelar
aum||loso|odublêde|abr| cante Ò 'dem|urgo' tem os ollos ||xos nas l de|as
ouaomenossellesre|ere e se| nsp|ranelasnaexecuçaodoseutraballo, mas
elepropr|opermaneceumart|||ce, e, come|e|to, aor|geme ocomeçodaarte
naoeumdese]odeconlecer, masde|azer,naoeumav|sao,masumpro]eto
Con|usaem s| mesma, a doutr|naquereduzaarteaumqualquert|pode
|ntu|çaoea|ndama| scon|usanasconsequênc|asqueda|der|va Parallecon|er|r
umsent|do,prec|saadm|t|rqueo seuob]etolleedealguma|ormapreex| sten-
te Todadoutr|nadessegêneroe||nalmentelevadaasuporaex|stênc|adeuma
real|dadetranscendente, que ser|aoBelo,eacon|er|raolomemopoderdese
|azeruma certa '| de|a'destebelo Ò art|stanao |ar|asenaotranscreverome-
llorposs|velnamater|adesuasobrasostraçosdessemodelo
Conlecemosog|gantescolugarocupadoporessadoutr|nana||loso||ada
arte, comotambemna propr|al| stor|adaarte, la]av|staque mu|tosart| stasse
persuad|ramdequeasuam| ssaoerapr|me|rodescobr|restebelo|deal, depo|s
|m|ta-l o Mas a ma|or|a reconleceu que, mesmo supondo que ex| st| sse, este
belo|deal ser|apuramente|ntel|g|vel e, portanto,naopoder|a]ama|sserv|rde
modelo para obras real|zave| sna meramater|a sens|vel Reduz|da, po| s, apre-
tensao, cons|derou- sequeomodelodaarteeraum're|lexo'sens|veldessabe-
leza|ntel| g|vel Depo|s deolaverdescobertonanatureza, sorestavaaoart|sta
queo|m|tasse Masnenlumart| sta]ama| spôded|zeremv|rtudedequalpr|nc|-
p|oeracapazded|st|ngu|r, nospropr|osob]etosnatura| s, oqueera|nd||erente,
d| s|ormee|e|o, e oqueerare|lexodessebelo|dealqueasuaartedev|a|m|tar
Para |ug|rao embaraço, grandesart| stasadm|t|ram queart| stasanter|ores] ala-
v|amresolv|dooproblema,detalmodoque,tomando-ospormodelo,|m|tavam
a beleza em s| que oslav|a | nsp| rado | ngres cont|nua a ser uma pr|v|leg|ada
72 I Ì NTkODÜÇAO ÀS FkTLS DO bLLO
testemunladestatentat|va,comotambemdasd|||culdadesquecomportaCom
e|e|to, |dent||| car, como|dent|||cou, abeleza|deal comaartedeF|d|ase, em
¸eral, aestatuar|a¸regadoper|odoclass|co|mportavaem|azerdaarte,naoa
|m|taçaodobelo|deal,masdeumaescoladeartepart| cularv|staatravesdeuma
noçao mu|to |ncompletaa seurespe|to Quando se clegoua de||n|ra mesma
arte¸re¸a,|o|prec| soconstatarque|nclu|avar|oscânonesd||erentesdebeleza,
entreosqua|ssepod|aescollerMasemnomedequalpr|ncp|osepod|a]ust|-
||cartalescolla, |ssonaosecle¸ouasaber
Ta| sd||| culdades, entreoutrastantas,l evaramaen|at|zara|nvençaodepre-
|erêncaa | m|taçaoemmater|ade arte, pers| st|ndo, porem, anoçaoque |azda
arteumaespec|edeconlec|mento,talnoçao|o|conceb|dacomouma|ntu|çao
capazdecr|aropropr|oob] eto Sesetrataapenasdepalavras, oproblemanao
temqualquer|mportânc|a.A |de|anao e ma|sconceb|dacomoo protot|pode
ur ob]etoposs|velqueaoart|stabastaconlecere|m|tar, masantescomoa|or-
aa,|manentea |mag|naçaodoart|sta, queaexecuçaodaobradevemater|al|zar
Reconlece-se em doutr|nas deste ¸ênero a |n|luênc|adateolo¸|acr|statrad|-
c|onal,emquea|de|ad|v|naecons| deradacomodependentedoconlec|mento
´prat|co', ]aqueeessenc|almenteumconlec|mento-em-v|sta-da-açao
E|sa|uma|el|zmod|||caçaodadoutr|na,named|daemquese| nsp|ranuma
noçaodeartequerespe|taasuacr|at|v| dadeessenc|al,maslerdaasd|||culdades
|nerentesatoda|nterpretaçaoque,parapermanecer||elao|ntelectual|smonum
dom|n|oemqueelenaoocupaopostopr|nc|pal,concebea|ecund|dadecr|at|-
vadaartecomoanalo¸aa |nvençaodeuma|de|anovaMasentaoeposs|velque
acomparaçaocomateolo¸|adoatocr|adoreste]aequ|vocadaSementrarnuma
d|scussaodetalladadanoçaoteolog|cade¨arted|v|na', pode-seaomenos ob-
servarquetodadeduçaodaartelumanaapart|rdad|v|naestasu]e|taa cauçao.
|aLeus,a|de|aeoconlec|mentoqueEletemdes|mesmocomo|m|tavelpela
cr|aturalumana,mas esta |de|a, o ato porqueLeusa conlece, avontadepor
cueescollel|vrementereal|za-laentreuma| n|| n| dadedeoutras|de|asposs|ve| s,
aon|potênc|a, en||m, porqueat|radonadaeaa||rmanoser, saoemreal|dade
o propr|oserde Leus emsuaabsolutas| mpl|c|dade Retomaremos ma|starde
esseprobl ema Porora, bastanotarquenamed|daemque temos o d|re|to de
\AP|TÜLO Ì` - /SAkTLS PO|LT|CAS I 73
d|st| ngu|r, med|anteanal | se, no se| odas|mpl| c|dade per|e|tado ato d|v|no, os
d||erentesmomentosdesteato, acr|açaodeumcertoserpressupõeuma|ntu| -
çao dasuaessênc|aeternamentev| stapelo|ntelectod|v|no l n||n|toe per|e|to
ao mesmo tempo, e um emrazaodo outro, Leus nao descobre nadaquelle
se]anovo,nao|nventanadaquelle|ossedesconlec|do,nao|aznenlumes|or-
çoparaad|v|nlar, enga]ando-seemproduz| -lo, anaturezadoqueasuae||cac|a
produznoser A arted|v|na |nclu|, po|s, com e|e|to, uma espec|e de|ntu|çao
cr|adora, mas olomemnao tem l de| as, temapenasconce|tos, uns |ormados a
custoabstra|ndo aos ob] etosmater|a|sa noçao de sua essênc|a, outros deque
lançamaoparalevar seres poss|ve|sa ex|stênc|a, oubemporquesaoute| s, ou
bemporquesaobelos Òque|altaaolomemparatera|ntu| çaocr|adoradesses
seresposs|ve| se opoderdeconcebernoçõespuramente|ntel| g|ve|santer|ores
a mesmaexper| ênc|asens|velecapazesdellecausarosob] etos. Òlomemnao
possu| |ntu| çao |ntel| g|vel pura, portanto, nao possu| |ntu|çao cr|adora, donde
o caraterles|tantee cautelosodasuaarte Ò lomem esta, po|s, condenado a
engendrar o que nao pode ver de antemao como o |ruto de um es|orço que
conleceraverdade|ramenteapenas depo|sdeolevara termo Emvezdecr|ar
comoLeuscr|a,olomemprocura,|nventaeengendraassuasobrasatemesmo
emsuasnoçõessem|na| s E|sporquea||loso|| adaartedeveprocurarelamesma
0 seuob]etonodom|n| oda|act|v|dade,quee0 analogolumanodacr|at|v|dade
d|v|na, e nao nodo conlec|mento, que antes pressupõea ex|stênc|ados seus
ob] etosquepropr|amenteosengendra.
Fo|osent| mentodessasd|||culdadesque| nsp|rouaspo| et| casdaexpres-
sao Come|e|to, expr| m|reumato,aomesmotempo, comose vêpel omodo
deexpressaopropr|odolomem, quee apalavra, 0 atodeexpr|m|reprat|ca-
mente| nd| scern|veldode conleceroupensar |, po| s, naturalque, tomando
port| podetodaarte] ustamentea poes| a, quee aarte dal | nguagemnaqual
o papeldaexpressao e ev| dente, setenla|dent||| cadoa|unçaodaartecomo
talcomaexpressao
Mesmoaqu|,porem,nao|altamd|||culdades Al|potesedequeopoetaou
o art|staexpr|mem nas obras suas emoções seexpl|caporum|ato |nconteste
Hatodaumaclassedeart| stasqueproduzempr|nc|palmentesobo|mpactode
74 I ÌNkODÜÇ AOÀS/kTLS DO bLLO
umaemoçao Estae am|udeoamor, mas podeseracolera }c.·|·rJ·¡rc|·ao:·s+¬,
d|z|uvenal) , ouap| edade, ouador, ouov|nlo, ouumaoutradrogaqualquer
quellesest|muleaverveMaopoder|amoscontestaras ev|dênc|as, masaques-
tao e bemoutra Trata-sedesabersea obradoart|stae ounaoe a expressao
de umaemoçao ou sent|mento, dos qua|s ser|a a traduçao art|st|ca Como o
µubl|conao se compõedeart|stas, ]ama|so |mped|remos de pensarass|m Cs
l|stor|adores, ps| cologos, ||loso|os e outros |ntelectua|s quenao |alam nunca
senaoparad|zeralgumaco| sa, sempreserecusaraoaadm|t|rqueaobradearte
aaose]aumaexpressaoanalogaa sua, e]a queaun|caco|saquelles|mportae
oato de expr|m|r-se, d|zerque aarte nao expr|me nada |mportaemd|zerque
aaopossu|qualquersent| do, que aartenaoe nada Todav|a, quandollesper-
¸untamosoque,a||nal,aobradearteexpr|me,oubemsel|m|tamacons|derar
oque|azdela, naopropr|amentearte, masl| nguagem, emcu] ocasoaquestao
µermanecesemresposta,oubemnaorespondemabsolutamentenada
Cons|derando a questaoemcon]unto, pode-sed|zerque mesmo quando
cr|adasobo |mpacto deuma emoçao, como acontece |requentemente, al|as, a
obradeartenao passadeumareaçaoTodosnosemoc|onamos,mas os art|stas
saopoucosAemoçaoac|onaaat|v|dadeprodutora,masnaoseexpr|menelaÒ
|atoe comumUm||loso|ovoltadeumconcertoparaacasae, sobo|mpactoda
aus|caqueacabadeouv|r, escrevesobremeta||s|caFa-loporqueacr|at|v|dade
e contag|osa, mas a||loso||aque concebeabsolutamentenaotraduza emoçao
cueacaboudesent|r Cb] etar-se-aqueo casodo poetae d||erente, masnaoo
e senao naaparênc|a Ò lomem pode se emoc|onar, mesmo se aturd|r, mas e
oescr|tor que sentaa escr|van|nlae apart|rde entao, se |orumart|sta, cu|da
+µenasetaosomentedeproduz|rumaobradearte |verdadequemu|tosart| s-
t+serramamao Erradamentepersuad|dosdequeexpr|mememoçõess|nceras,
cueosle|toresnaode|xaraodecompart|llar, de|xamapenacorrersolta E|spor
cuetantos] ovens enamorados, e asvezes naotao] ovens ass|m, creemque se
tornarampoetas,mas0 |atoe que, sepoetas] anao|orem,aocas|ao,nestecaso,
]+ma|sla de|azeroladrao PorqueCoetleerapoetaemgraumax|mo,seuamor
·ea|lporUlr|kevonLevetzow|ê-loescrevera|mortal£|:¡·cJ:Mc··:rlcJUlr|ke
temdezenoveanos, Coetle, setentaequatro,ea] ovemocons| deracomoseu
\A|lTÜLO Ì`· /S AkTLS |OlLTlCAS I 75
avô, mas a |dadepouco|mporta, po|so que |az destaumaobra-pr|manao e o
amor de Coetle, e a sua arte, que eledom|na com mu|to ma|s per|e|çao que
aosv|nte anos, tendo começado a escrevera segundapartedo!c+s|a quase la
pelos o|tenta Ò poetaescreveparaal|v|aro sent|mentooua emoçao, mas so
possu|do|smodosde|azê-lo Podesecontentarcomderramar-se, comosed|z,
em c|mados seus le|tores, em cu] ocaso a suaobraresultarada con||ssao, do
lamento,dogr|to, mas, sendoass|m, setornararap|damente|leg|vel comotan-
tosversosdeLamart| ne, deAnnadeMoa| llese deoutrospoetase poet| sasdo
coraçaoParaqueo sent|mentosetoreumaux|l| oemvezdeumobstaculo, e
prec| soqueoart| statomecontadele,odom|neelleaprove|teapenasoconv|te
queelecostuma|azerparaproduz|rumaobradearte Apart|rdeentao,tudose
daentreoart|sta,suaartee suaobra Òproblemaquesellecolocae escoller
osmelloresme|osparaproduz|rumaobrabela,retomandoaexpressaodePaul
Valery oproblemae agorade¨rend|mento¨
Bastar|aumpoucodere||exaoparaconvencerole|tordequeestaeaverda-
de, setudooquevêems|mesmonaoolevasseapensarocontrar|o Quesent|-
mentooart|staexpr|m|r|a¯Aquelesent|mentotodopessoalqueexper|mentaao
começaraescrever¯Todossabemosquenaoe nada d|sso Òart|staaborrecer|a
mu|to contando as suas m|udezas, cu] o|nteressenao e ma|orqueasdosoutros
lomens,talvezatemenor Ele quase naoo|az, tantomenosquantoma|s osl|s-
tor|adoresdal|teraturao]ulgam|mportante, porsetratardal| stor|a, e sepõem
a d|scern|ras obras escr|tasparaFulanadas obras escr|tas paraBeltrana, com o
r|scodedescobr|rquenao|o|uml|ndoepuroamorque|nsp|rouotalart|sta,mas
umcapr|clototalmente momentâneo Se o art|staqu| sesseexpl|car a suaemo-
çao, |a-lo-|amellorem prosa, começandopord|zer. ¨Eunaosaber|aexpr|m|ro
que s|nto¨. |0 quelevavaMax|acobad|zer ¨A poes|aeumament|ra, po|snao
dese]amosd|zero que sent|mosquandoosent|mos, mas somentequando naoo
sent|mosma|s, ounaoa|nda¨ Maverdade, apoes|averdade|ra nunca e ment|ra,
prec|samenteporque0 seuob]etopropr|oed|zerbem,naoexpr|m|r
| stoetaoev|denteque os part|dar|osdaarte-expressaoacabam porace|-
tarumapos|çaomenosamb|c|osa Ò quea obraexpr|me, d|zem entao, nao e
o sent|mentodo propr|o art|sta, e umcerto sent|mento em geral, oumesmo,
76 I Ì NTkODÜÇAOAS/kTLS DO bLLO
parageneral|zarcompletamente, o sent| mentoems|, |::|·r¡, que e, em suma, o
sent|mento dav|da Tentemos adm|t|restanova pos|çao Em que sent|do, de
quemane|raumaobradeartepodeexpr|m|rumsent|mentoqualquer, porma|s
geralqueelese]a¯
Acon|usaore|nantenestepontore|leteacon|usaodapropr|al |nguaTudo
depende, come|e|to, dosent|doqueseatr|bu|a palavraexpr|m|r Cr|g|nalmen-
te, expr|m|rs| gn| ||ca 'espremer', | stoe, 'compr|m|rouapertarparaextra|r0
suco, ol|qu|do' Da|, o sent|do se estendeua toda açao deextra|ro conteudo
deumob] eto. |nestesent|doque0 termoseapl|caa l| nguagem Porquee | n-
v|s|vel, est|ma-sequeo pensamentoseescondeno|nter|ordolomem, | stoe,
aasuacabeça,oob] etodal| nguagem,po| s, ser|aextra|r, man| |estarecomun|car
estepensamento Estee o sent|dopropr|odotermo'expr| m| r'nasuaacepçao
costumel ra, pelo que se poder|a d|zer de toda obra de arte que expr|me, na
aed|daem quelançamaodal| nguagemcomoo seumater|al, maso problema
e prec|samentesaberse, porqueempregaal| nguagemcomo ||todes| gn| ||car,
por| ssomesmoe umaobradearteMumsent|doa|ndama| s geral, emprega-se
otermo 'expr| m| r'como s| nôn|mo de 'trazera marca ou o traçode alguma
co|sa' |ass|mqueem| nglês, porexemplo,olomem'expr|meaLeus'porsua
aerapresença,oua|nda,]aquese|nvocoueste exemplo, ole|toseco 'expr|me
or|o' cu]as curvas e poças a|nda se percebem sobreasant|gasmargens Cra,
qualdestessent|dos,po|s, devemosescoller¯
Òterce|rosent|donaoe umaextensaodosegundo, masumasuatranspo-
s|çaoquelevaaumequ|voco Mosegundosent|do, quee oma| scomum,expr|-
a|re sempreoatoquedaaconlecerumpensamentocomun|cando-oporme|o
da l|nguagem Uma co|sa]ama| s expr|me o que querque se]a, s|mplesmente
porquenaopensanem|ala, somenteumserdotadodeconlec|mentotemalgo
a expr| m|re d|spõedome|ode|azê-l o Moterce|rosent|do, amesmapalavra,
´expr|m|r', s| gn|||caumaco|sa|nte|ramented||erenteÒle|toseconaoexpr|me
o r|oqueoescavou, elesomenteex|ste, mascomoe e|e|todester|o,perm|tea
ur ser|ntel|genteque | n||radasuapresençaaex|stênc|apassadadotalr|o Lo
aesmo modo, a pedra enegrec|dapela |umaça queo espeleolog| staencontra
aao d|z nada, nao expr|me nada, mas quem a encontra| n|ere '|ogo', e pode
\A||TÜ|O Ì`¯ As AkTLS |O|LT|CAS I 77
expr|m| -lo, depo|s do que talvez |ormule esta segunda |n|erênc|a, 'lomem',
que | gualmente pode expr|m|r A l| nguagem e l|vre, pode-se d|zer, portanto,
seseatentan| sso, que umamarcade|ogo expr|mealgumaco| sa, masconvem
cons|derarentaoqueosent|dodapalavraeespec|||camented||erentedoquese
apl|caao lomem que, porsuavez, expr|me seupensamentoousuasemoções
Cadaumque|alecomo]ulgamellor,masquenaoseaprove|teumaco|nc|dên-
c|adenomepara|azercrerqueaoperaçao des| gnadapeloterce|rosent|dodo
termoemquestaose]ademesmanaturezaqueades|gnadapelosegundoÒque
têmemcomum e a noçaobemgeral de '|azerpensar' emdeterm| nadaco|sa,
se]aporquead|zemos, se]aporqueumob] etono-lasugere.
|da|queprovemacon|usao.Asobrasdeartedaomu|tonoquepensare
no que sent|r, donde se conclu| que expr|memas |de|as e os sent|mentos que
|nsp|ramemnos, mas,abemd|zer, elasnaoosexpr|mem, elasoscausam Cer-
tasqual|dadessens|ve|ssaocapazesdenos|azerconceberumcertogênerode
pensamentos e de emoções. Comb|nando-as de mane|raapropr|ada, o art| sta
podecausaremnosrepresentaçõesdeumacertaordem,rap|dasoulentas, sor-
r|dentes ouseveras, pac| ||cadoras ouv|olentas, e mu|tasoutrasdo gênero. As
l |nlas, ||guras ouos sons que]untae ut|l|zapara este ||m nao |azem ma| s que
noscolocarnuma|mprec|sad|spos| çaosent|mental,| nstaveletambemmutavel
ao talante do art|sta, ]a que uma das marcas da sua arte esta na sua lab|l|da-
dede nos mod|||carpor me|o dela So|remos, po| s, as dese]adas mod|||cações
de nossasens|b|l|dade, |ormandoao seucompasso|magens| gualmentevagase
camb|antes Seoart|stacons|deraut|l or|entarnossasrepresentações, acrescen-
taumt|tuloouumargumentoa suaobra,cu]oe|e|to, nestecaso,eexpr|m|rum
pensamento,masumpensamentodopropr|oart|sta,naodaobra,queabsoluta-
mentenaopensa Òequ|voco, entao, etotal,po| s0 e|e|to| n|al|veldequalquer
t|tuloe|rremed|avelmenteo|uscarosent|dodaobra.Esteeomomentoemque
oouv| ntedeboavontadeprocuraa|m|taçaodoventoedasondasemlcM:·,de
Claude Lebussy, elede|xadeouv|ramus|cae sea|anaemvaoembuscadeum
quadroquequalquerpel|culac|nematogra||cao|ar| avermu|tomellorÒe|e|to
talvezma| s | nesperado queum art|stapodeobtergraçasa este proced|mento
eoda|amosaestatuade Rod|n, clamada0 í:rscJa·Quemequeselembrade
78 I Ì NTkODÜÇAO.\s/kTLS DO bLlO
alguma vez nav|da ter-se colocado naquela pos|�ao e tomado aquela at|tude
parapensar¯ Semduv|da, olomemnudeRod|n, sentadoe aparentemente ro-
endo0 propr|opunlo, eatormentado por gravespreocupa�ões,mas,aovê-lo,
n|nguem pensar|anas dePlatao, Esp|nosaou Kant Ò||loso|o Cabr|elSea|lles,
autor del:C:r·:Jcrs| Ao, sendo, comoera,o contrar|o de um||l|steu,v|ano
pensadordeRod|n aexpressaode obscuras preocupa�ões|ntest|na| s Ma|alta
deumadec|saoarespe|to, esquecemosque se tratadeumaestatua, |stoe, um
con] untodel| nlasevolumesocupandooespa�ocomo||todeagradarosollos
deumser|ntel|gente
Òproblemaea|ndama|sobscuroquandosetratadepoes|a, mascont|nua
essenc|almenteomesmo Porqueamater|adasuaarteeal|nguagem,| n|er|mos
cueopoeta|alaparaseexpr|m|r Amenorre|lexaobasta,porem,paramostrar
cue tudo, na sua l| nguagem, nos adverte contra essa|lusao cuase |nvencvel
Colocadoemprosa,o que opoetad|z egeralmente| ns| gn| ||cante,quandonao
|ncoerente Apropr|amane|raded|zê-lonaoe natural, cle|ade|nversõesque
v|olentam a l|ngua, de ep|tetos |nute|s, de meta|oras ora belas, ora r|d|culas,
e que aborrecem sobretudo quando estao em secuênc|a | comum, espec|al -
aentedepo|sdeStendlal, c|taresteexemploper|e|todeest|lopoet|coquee
aestânc|adeBanquoemMc.l:|o ,|, 6, ? ss ) To·s¡+:s|a|s+¬¬:·etc |umaobra-
pr|ma por sua mane|ra de d|zer, mas se o caso se l|m|tasse aqu|lo que se d|z,
d|zê-lodestamane|raser|ar|d|culoBanquod|zs|mplesmentequeapresen�ade
andor|nlas|azendoo n|nlonocastelodeMacbetltestemunlaacual|dadedo
+rcueal| seresp|ra Cs|ogos de art|||c|overbal deSlakespeare comparecem
pcrs|mesmos, suagratu|dadeclamaaaten�aoparatudooquelade |nev|ta-
velmenteprosa|conoteatro,vest|ndo-ocomomantodapoes|a
Maoresta, portanto, senaoumun|cosent|do poss|vela palavraI I expres-
sao', quandoapl| cadaaobradearte eque, naobra, 0 art| staseexpr|meas|
aesmo, e, neste, caso, nada ma| s] usto, desde queo constatemos sem pre-
tender que o sent| do da obra se]aexpr| m| -l o Tudo o que um lomem|azo
expr| me um soco, umgr|to, umalagr|ma,umsorr| so, umgesto, umapalavra,
ohomem,porem,naocloraparaexpr|m|rasuador ÷ elecloraporqueso|re
Uam|m|co expr|me a dor, mas quando consegue |azer clorar, ele propr|o
CAPITULO Ì`¯ As ARTES POIETICAS I 79
nao clora E as s| me comtodaobra dearte A arte e umre|lexo dolomem
e um seutestemunlo, mas conquanto nos ens|ne umbocadoa seurespe|to,
aobranao e produz|daparaeste || m Ass|m como um l e| to que o gên|odo
art|sta, semellante a umr|o, |o| abr|ndo e escavando, aobraatestaque este
gên|oex|ste,masqual|o|aor|gem, omov| mentoeos| numerave| s| nc| dentes
que const|tu|ram o que clamamos s| mplesmente de ¨curso do r| o¨, as suas
margensnaorevelam Mocasodoart|sta, al| stor|ae a|ndama| s compl exa,] a
queel epropr|onaoaconlece, sendo, comoe, umal| berdadeAobradearte
nao d|z quase nada sobreamane|racomo|o| produz| da, amult|pl| ca�ao dos
documentoseaengenlos| dadedosl| stor|adoresque sees|or�amporrecons-
t| tu|ragênesedaobranaoperm|temresolvero problema,porqueotraballo
dol| stor|adoreoes|or�odo cr|adornaosaodamesmanaturezae naotêmo
mesmosent|do Ò l| stor|ador nao re|az, em sent|do| nverso, o queo art|sta
|ez, ele |az outraco| sa Um desses mov| mentos pode mu|to bem recortar o
outro, mas ambos]ama|sco| nc| dem
A d|||cul dade de prec| saro que ¨expr|mem¨ certas artes e tanta que se
propôssubst|tu|r- seano�aodeexpressaopelades|mbolo,estasupostamente
ma|s sut|l e capaz de ma|or general |dade. A razao pr|nc| pal que recomenda
estaescollae queapalavra ¨s|mbol o¨, alemdas |de|as, perm|teestenderaos
sent|mentos, as pa|xões e emo�ões o poderque a arte tem de suger| -l os. A
despe| todapalavraquese empregue, e ev|dentequeaobra dearte noscausa
certas representa�ões, |magense sent|mentos, deve, po| s, ex|st|rumapalavra
parades| gnaro seupoderdecausa-l os. Ao d|zerquea obra s| mbol|za as re-
presenta�õese emo�õesquenoscausa,podemosesperarquedo|scamposate
agora separados, o dac| ênc| ae o daarte, se reduzam aumso. Com e|e|to, a
no�aodes|mbolopodemu|tobem se apl| caral | nguagem, cu] as palavras s| g-
n| || camconce| tos, mas | gualmentebemaobradearte, cu]a|un�ao pareceser
ades| gn| ||carsent|mentose emo�ões e, portanto, no-l oscomun| car | nd|ca-
�õesmus| ca| scomo¬:siaouc||:¡·anosl evamapensarqueas obrascorrespon-
dentespretendemmesmosuger|rno�õesta|scomotr|stezaoualegr|a Maoe
necessar|oqueaobra¨represente¨0 quequerquese] apara que 0 s| mbol|ze.
bastaquetenla0 poderdeevoca-lo
8 0 I ÍNTkODÜÇAOÀS/kTLSDObL|O
Aopera�aocons| st|ras|mplesmenteem| nclu|rnano�aodes|mbolotodo
equalquers| gnosemexce�ao,adespe|todasuanatureza palavras,l| nlas,|or-
aas, corese sons Tal |nclusaoe leg|t|ma, po| sa|ndaque todasaspalavras se-
]ams|gnos, nemtodososs| gnossaopalavras Uma|leclaestampadaemplaca
s|gn|||caumad|re�aoe, do mesmomodo,apalavra ¨d|re�ao¨ Acorvermella
sobreumatorne|raquerd|zer¨aguaquente¨, eumavezqueotenlaaprend|do
a|aguemla deles|tarsobreos| gn| ||cadodestes|mbolo Sendoass|m, naove-
aosporquecoresousonsnaopossams| mbol|zarsent|mentostaobemquanto
aspalavras queosdes| gnam. Maverdade, eles o poder|am|azera|ndamellor,
po|s a obra de arte, sobretudo se poes| aou mus|ca, pode suger|remo�õesde
uaavar|edade, de uma |l u|dez e de uma del|cadeza | nal can�ave|s pela mera
palavra Comoe queal |nguadescrever|aas sut|svar|a�õesdesent|mentoque
+coapanlam a aud|�ao de uma|rase de Mozart¯ Moentanto, pode-sed|zer
cueoencadeamentode sonsbemescoll|doss| mbol|zaessasvar| a�ões Pode-
se,po|s, compreendercomumaun|cano�aoas a�õesaparentemented|versas
produz|das portodas as artes, quero seu me| o de expressao se]am palavras,
|oraas, sonsoucores Mocasodasartesdal| nguagem, oss|mbol osverba|s su-
¸eremno�ões| ntel| g|ve| s, enquantoasoutrasartessugerempa|xões, emo�ões
cusent|mentos,masnumenoutrocasotratar-se-| ades|mbol os. Òs|mbol | smo
ser|a, po|s, apropr|aessênc|adaarte.
Nao se pode d|zerquase nadasobrearteque nao se]aparc|almentever-
d+de|ro de um certo ponto de v|sta Alem d|sso, e part|cularmente ev|dente
cuetodasasartesusam s|mbolos umcaoesculp|doaos pes deumbustoquer
d|zer¨||del| dade¨ Mult|pl| car-se-|amosexemplos|ac|lmente,maspodemosre-
+laente|alardes|mbolosquandosetratadesuger|r,nao]ano�ões,senaosent|-
mentos,emo�õese,numapalavra,estadosa|et|vosqua|squer¯Csestadosdeste
¸êaerocarecemdad|st| n�aoeprec|saonecessar|asparaserems| gn|||cave|spor
cu+lquers| gnoquese]a E|sporqueocasodascoresoudossonss| mbol|zando
eao�õesed||erentedodaspalavrass| gn| ||candoumano�ao|ntel|g|vel Aspala-
vr+sdes|gnamd|retamenteasclassesdeob] etosquenome|am ¨lomem¨evoca
a ao�aoea|magemdeumlomem,mascoresalegresoutr| stesoma|sdasvezes
a\o saota|s senao emv|rtudedos temas a cu]a representa�ao as assoc|amos,
CAPITULO Í`¯ FSARTES POI ETICAS I 8 1
tomadas | soladamente, as cores nao têm qualquerl| nguagem e, se parece que
têm,nadama|s|ac|ldoque|azê-lasmudardesent|do Amesmaco|savalepara
ossons,po| somesmoalar|dopode serv|raumatempestade,umdesabamento,
oumesmoumaexplosaodeselvagemalegr|a, e] ama|sad|v|nlar|amosogênero
prec| sodeemo�aodequea||nalsetratacasooart|stano-lonao| n|ormassepor
me|odealgumart|||c| o Quemnaoselembradamagn|||caaberturadoorator|o,
emqueHaydn|azsent|roes|or�o| ncertoecon|usodamater|aquevema luz¯
Massemot|tulodaobra, quempoder|aad|v|nlarquesetratadaCr|a�ao¯ Fa-
landoemtermosgera|s, emu|tod|||c|ltra�arumaqualquercorrespondênc|aen-
tres|mbolossens|ve|sd|st|ntosed| st|ntosestadosa|et|vos,pel ameraenatural
| nd| st|n�aodessesult|mos Mo|undo, estee o pro]etodeL`Alembert, masem
novaroupagemParaobterumal | nguagems|mbol|cadosestadosa|et|vos, ser|a
prec| socon|ecc|onarumaespec|eded|c|onar|oemque,parasens|b|l|dades||-
nasobastante,s|mbolosd|st|ntoscorrespondessemanuancesa|et|vasbastante
prec| sasparaseremevocadascomtodaacertezaetodaaexat|dao
A no�ao|undamental do que seclamalo] e de ¨||loso||adas belas-artes'
naoeadearte,masade ¨po| et|ca' Mo�aoespec|al|zada]aemAr|stoteles, ela
tende a des| gnaro queo ||loso|o, naeste|rados seus contemporâneos, cons|-
deraa(a|:s·sporexcelên c|a aprodu�aodeobraescr|taporaquelesaquemlo]e
clamamos de poetas Homero e os trag| cos e|s os modelos de Ar| stoteles
Poder-se-| ad|zer, po| s, que o poetae o ¨|azedor' porexcelênc|a. Essano�ao
geraldaordemdo|azer, oudaprodu�ao, sobreaqualetaod|||c|ld|zer0 que
quer que se]a, se|undapara Ar|stoteles numaoutra, a respe|to da qual, pelo
contrar|o, e|ac|l|alar ano�aodearte ,|:.or(, ques| gn| ||ca, naoma|sumsa-
ber, senaoumscoa··¡c··:ou,ma|sprec|samente,oconlec|mentodanaturezada
obrapor|azer e damane|rade|azê-lacom êx|toe per|e|�ao Portanto, parece
que,parao||loso|o,asartes, cons|deradasemgeral,saoastecn|cas,voz,dan�a,
canto, |lauta, ctaraetc ) que empregam, queremcon]unto, queremseparado,
al| nguagem,amelod|aour|tmoa||mdeat|ng|rasua||nal|dadecomum.
|ama|s de|xar|amos de |r| sar o |menso mer|to de Ar| stoteles, que tratou
de observar o que, a||nal, sao as at|v|dades po| et|cas do lomem, exatamente
comoobservaraassuasat|v|dadeslog|cas,et|cas,pol|t|caseb|olog|cas,masesse
82 I Í NTkODÜÇAO»s/kTLS DObLlO
pr|me|roensa|ode umal|losol|ageraldasbelas-artes, doqual noschegouape-
nasumaun|caparte,ea|ndaass|maoslrangalhos, naopoder|aesgotarumassun-
totaovasto Lesdel ogo, sev|vessenosd|asdeho]e, Ar|stotelesencontrar|aas
artesnumacond|�aomu|tod|lerentedaqueconheceu Csart| stasproduz|ram
mu|tas obras, eategênerosdeobras, como, porexemplo,as| nlon|a, cu]aex|s-
tênc|aol|losolonaopod|apreverSempreob] et|vo,eleaumentar|aoquadroda
suadescr|�aopara|nclu|roquantohouvesseobservadoSobretudonaode|xar|a
Jese|nterrogar, quemsabe,sobrearela�aopr|mord|alentreapo|et| caeaarte,
enapropr|aarteprocurar|aprec|sar quanto poss|vel aexatamed|daemquea
tecn|ca, a suamane|ra, e(a|:s·s, em suma, arela�ao que nosparecetao obscura
entreolazereoconhecerreter|acertaelongamenteasuaaten�ao
Tudo | sso lhe estava dado, para nos, tal dado se tornou problema, mas
µoJemo-nosperguntarsearazaodessamudan�anaosedever|aaque,noesp|-
r|todeAr|stoteles,todosos nossosproblemas]aestavamresolv|dos. Mocerne
Ja sua l|losol|a das belas-artes, e ag|ndo como uma espec|e de dobrad|�a, se
encontraumano�aosobreaqual seart|culamd|retamenteaordemdoprodu-
:|readoconhecer, umacomoqueprodu�ao-conhec|mentoouconhec|mento
expr|m|ndo-seemprodu�ao,asaber,a|m|ta�ao.Todaal|losol| apos-ar|stotel|ca
Jaartetrazamarcadessano�aotaolecundae,aomesmotempo,taoenganado-
raA|ndaho]eeladom|naumgrandenumerodeesp|r|tos,qu|�amesmooma|or
numero, submetamo-la, po|s, aumexameacurado
CAPITULO Ì` · /SARTES POIETICAS I 83
' '

II
 
À

¬rtC, COnÌCCìmCntO, ì mìta_aO
Aía:i·.cdeAr|stotelesnaoenemded|re|tonemdelatoumaartepoet| ca,
suaun|ca|nten�aoedel|n|ra(a|:s·stalequalex| ste Cra,da-sequeesseescr|to,
µormu|totempo negl|genc|ado pelos l|losolos s| mplesmente porque nao tra-
tavadoconhec|mentodanatureza, masdaarte, contemumadaslormulasma| s
s|mples e ma|s perle|tas da no�ao ar|stotel|cado real ia i:|as¬:¡·siarc(criar, o
ma|s|mportantedetudoe0 l| m
Essaobserva�ao nosassegura que, del|n|ndo ol| mdapo|et|ca, Ar|stote-
les acred|ta por |sso mesmo estabelecero que lhedeterm|naa no�ao Tudo o
cue d|z acercado que chamamosdeartedependera, po| s, necessar|amentedo
l|mquelhet|veratr|bu|do, o que nos lor�aareconhecerquetantoaqu|como
alhures Ar| stotelesrespondeportodoo gênerohumano Ò quetodohomem
µensaespontaneamentedoquequerquese]a, Ar|stotel esod|z L`Alemberte
testemunhad| sso, po| so que d|z sobreasartessegueaeste|radeAr|stoteles,e
empart|cular0 pr| nc|p|odeque 0 l|mdetodaarteea| m|ta�ao
Essa tese estal | gada a pos| �aogeraldol|losolo emrela�aoao problema,
econquantoho]e emd|an|nguemma| s ace|teosdadosdetalproblemacomo
eleodel|n|u,ecur|osonotarqueasuaconclusaopermanecequase|nabaladana
ma|or|adosesp|r| tos Abemdaverdade, essesdadosestaoatalpontoesquec|-
Josqueastradu�õesdaía:i·.csubst|tuematerm|nolog|adeAr|stotelespelo]ar-
¸aomoderno Umatradu�aol |teral, comele|to, naolar|aqualquersent|dopara
aos,homensdeho] e TodavezqueAr|stotelesescreve(a·:i·|:,traduz|mo-lopor
´artepoet|ca¨, expressao esta sem equ|valentenotextogrego, emquesetrata
antesda¨labr| ca�ao¨deobras eescr|tos Apalavrac·i:,i:.or:) seguramentelaz
parte do seu vocabular|o , l 447a 20) , mas ele a empregamu|to menos que os
seustradutorese, deresto, naosedemoraalheconler|rumadel|n|�aoespec|al
s|mplesmenteporcons|derarque atecn|catemamesmanaturezanapo|et| cae
notododal|losol|aA palavra, paraAr|stotel es, temomesmosent|doqueoda
nossaexpressao ¨artes e ol|c|os¨, com aressalvadeque|nclu|, adema|s, o que
chamamosdeArteoubelas-artes F|nalmente,eopontoe|mportante,ol|loso-
lonaod|st|ngue,comonos,asartesdastecn|casart|st|cas,porconsegu|nte,tem
d|l|culdadedenomea-las,po| s, comotodososl|losolos,d|spõeapenasdal|ngua
comum para l|losolar D|ra, portanto, como nos, ¨comed|a¨, em que nada laz
l embrarano�aode lazer, mas d|ratambem ¨epope|a¨, em que o(a·:|r se reco-
nhececomlac|l|dade, depo|sd|ra¨d|t|rambopo| et|ca¨, ¨aul et|ca¨e ¨c|tar|st|ca¨
paraaqu|loquechamamosdeartede escreverd|t|rambos, tocarllauta e tocar
ctara, respect|vamente. Ò seuma|orembara�o surge no momentodenomear
o que chamamos ho]ede artel|terar|a, ou l etras ,comonaexpressao ¨letras e
artes¨), po|sdeclaraqueal| nguagemnaotemumnomecomumcom quedes|g-
neo con]untodasd|versas produ�ões escr|tas, se]am emprosa, se]am emver-
so, e, nesteult|mocaso, querno mesmometro, queremestrolespol|metr|cas

Òma| ssurpreendentee o queo propr|oAr| stoteles parece pensararespe|to,
]aqueconstataumatendênc|aad|st|ngu|rosescr|toresacrescentando(a·:|r ao
t|podemetro queut|l|zam lala-se, entao,de poetaseleg|acos ,:|:¡:·a(á·a+s) ou
depoetasep|cos,:(a(á·+s) , masesteusoel|rmementecondenadopelol|losolo,
emnomedopr|ncp|odequenaoealormaoqued|st|ngueogênerol|terar|ode
umescr|toqualquer,masoconteudo,ouse]a, amater|adequetratae, emsuma,
o seul| m Ass| m, d|zele, temosocostumedechamarpoetasaquelesquelalam
emverso, porexemplo, de l|s|caoudemed|c|na, mas nao dever|amos lazê-lo,
¨po|s naohanadadecomumentreHomero e Empedocles, salvo o metro, e|s
porquedever|amoschamarHomerodepoeta, Empedoclesdel|s| co¨
l ssonosl evaano�aolundamentaldapoet| cadeAr|stoteles Òquecha-
mamos de ¨artes¨, ele o chamade ¨| m| ta�ões ¨ As d|versasartes saopara ele
d|versasmane|rasde|m|tar, easuad|st|n�aodependema|sdad|st| n�aodoque
| m|tam que nos me|os porqueo | m|tam Falarde l|s|caemversoe ser l|s|co,
86 I Ì NTkODUÇAOÀS/kTLS DObLLO
naopoeta, po| saqu|lodeque0 escr|torlalae nestecasoanatureza, nao uma
labula ou, ma|s prec|samente, um m|to, contar uma h| stor|a |nventada e ser
poetadeverdade, mas n| nguem e poetaporqueo laz emverso. Ass| m, a|nda
queAr|stotelesdêprovasdegrandepersp| cac|aaoreconheceraespec|l|c|da-
deda po|et|ca comoordem do lazer, recondu-la |med|atamente a ordem do
conhecer emboraconcernaa labr|caçao, apoet|ca e essenc|almentem|mese,
|sto e, o seu l|m e |m|tar Todas essas ¨| m|tações¨ ,que chamamos ho]e de
belas-artes)sed| st| nguem,porl|m,detrêsmane|ras ouporque| m| tamob] etos
d|lerentes,ouporme| osd|lerentes, oupord|lerentesmodos
D| gamo-lodenovoeraroque nosenganemoscompletamenteaolalarde
arte, po|shatantas verdades para d|zer a seurespe|to que e prec| so sermu|to
|nlel|zparanaodarcomnenhuma,od|l|c|l,porem,eencontraraordemconve-
n|ente.Aqu|,porexemplo, naosepodecontestara|mportânc|ada| m|taçaonas
artesdobelo, masAr|stoteles naovê a| senaoum casopart|culardo papelda
|m|taçaonocon]untodasat|v|dadeshumanas, oqueo | mpededeatr|bu|ruma
or|gempropr|aa lunçao po|et|ca Se a po|et|calor| m|taçao, bastara, paralhe
conhecerascausas,queconheçamosasdamesma| m| taçao.
Ascausas saoduas, e ambas natura| s A pr|me|ra e quehomem e uman| -
mal|m|tador, | m| tarestanasuanatureza, comosevênocasodascr|anças, ele
e oma|s|m|tadordosan|ma| s A segundae queas| m|taçõesagradam atodos.
Constatamo-loporquenosagradaveralgol|elmenterepresentado,mesmoalgo
|e|ocomo, porexemplo,umcadaver Meste ponto, pordesv|oquenosconduz
aopropr|o cerne danoçao, Ar|stoteles observa que a | m|taçao agrada aos ho-
mens, porquegostamdeaprender, equenadaens|naoqueasco|sassaocomo
ver|magensqueasrepresentem Esta |nt|maun|aodo prazernaturalde| m|tar
comoprazerdenaturaldeaprenderestanocernedesuapo|et| caEssehomem
t\o|ntel|gentenaopod|ade|xardeperguntarquale0 prazerda|m|taçaoquan-
donuncasev|uoqueaobra| m|ta.Òprazer, nestecaso,estar|anoacabamento
dotrabalho,ounacor, ouemqualqueroutroaspectoquetal.Aoescreveressas
µalavras, l|camu|toprox|mo daverdade, mas somente a |m|taçao de lato lhe
|nteressa, de modoquenao ma|strataradassuascausas nodecorrerdetodaa
obra,emboraastenhaobservado com acostume|rapert|nênc|a E| sa|alamosa
CAPITULO v ¯ ARTE, CONHECIMENTO, I MITA<AO
I
87
¨| m|ta�aodanatureza¨,queama|or|adossuces soresdeAr|stotelesnaode|xar|a
delazernotar 0 prazernaturalde|m|tar0 quesevê, representando-odeuma
mane|raoudeoutra, e o de|nstru|r-seao observarta|s |magens Como |m|tar
nao passa, a bem d|zer, deuma lormado prazerdeconhecere de expr|m|ro
conhec|mento, todaaordem das artes dobelo se encontra |ntegradaa ordem
doconhecer, named|daemqueo seul|m,emult|ma|nstânc|a,ea|m|ta�ao.
Essa|lusao era tao pouco | nev|tavel quanto maisAr| stoteles era l|losolo
Comosaol|losolososquea|ndaho]eemd|asemetemadel|n|raarte Paraeles,
nadaestaac|madoconhec|mento,enapropr|aordemdoconhecernaohanada
ac|ma dal|losol|acu]o coroamentoe ametal|s|ca, queconheceas causas e os
pr| ncp|osdetudo 0 que e E| s0 que OS levaa del|n|r 0 germen daartecomo
conhec|mentoe, part|cularmente, comov|mos, como|ntu|�ao |verdade que
seacrescentaapalavra|ntu|�aooep|teto¨cr|at|va¨,masnaoex|ste|ntu|�aocr|a-
t|va,porqueoconhec|mentonaocr|anada Semduv|da,acr|a�aoseacompanha
semprede|ntu|�ao, masnestecomplexodeconheceredelazer, osegundonao
nasce do pr|me|ro, d|r-se-| acom mu|to ma|s] ust|�aque o conhecer, a|, e que
estaaserv|�odolazer. Quererlazere o pr| me|rodetudo,ohomemsepergun-
ta, po| s, ¨oquequero lazer¯ ¨ E a |mag|na�ao, mu|to ma| s querazao, propõe
umaouduasrespostas,come�amosesbo�osetentat|vas,esepassaa execu�ao
Ò noet|smo |nato dos esp|r|tos especulat|vos costuma cega-los paraesse pr| -
me|ro momento de toda obra de arte, e mesmode toda produ�ao, que e um
|mpul sopara produz|ro que querque se]a, umdese]o, umavontade, asvezes
ateumanecess|dade de lazerumob] etoass| mouassado, um soneto, uml|vro
que merece ex|st|r por s| mesmo Em casos ass|m, produz|r-se-ao ob]etos de
conhec|mento,claro,masoessenc|aldaopera�aoelazê-losex|st|r
Cs l|losolosmetal|s| costêmrazao em quererda arte quepossuaprolun-
das]ust| l| ca�ões nose| omesmodo ser Todarellexao sobre a arte conduz a
metal|s|ca, | stoe, a ontolog|a Longede repreendê-los, antesl amentar|amos
que, lazendo apelo | ncessante ao ser, nao cons| gam respe|ta-lo, po| s o ser
dondeaartebrotanaoeoob]etoabstratoaquesel | gaamed|ta�aodol|loso-
lo, naoeumserqueseconhece, masumserqueex| steeageporqueestaem
ato. Cadaum traz em s| o germen donde, em alguns casos, se desenvolvera
88 I ÌNTkODÜÇ ÂOÀS/kTLS DO bL|O
ma|s tarde o poder de produz|r obras de arte, a cr|an�a que, aprendendo a
escrever, exper| mentasens|velmente em sua mao o prazerde desenharasle-
tras,ohomemcu] opunhoparece|nventarsoz| nhoumarubr|caouass|natura,
o v|a]ante que acompanha o r|tmo do trem com uma can�ao, a cr|an�a que
Jesenhaarvores e bonecos sem sequer prestar aten�ao nos que estao a sua
volta, o adolescente que descobre o prazerde lazerversos e que setornara
cuem sabe um vers| l| cador | mpen|tente, cu] a consc| ênc| a demas| ado v| s |vel
¸aranteas| ncer| dade quale, nessescasos, arela�aoentreoquelazemeuma
cualquer|ntu|�ao¯Amus|cacome�acom quem gostadeassov|arumr|tmo,a
esculturacomogestodesacarumcan|veteparatalharumpeda�odebambu
Os que o conheceram] ama| s se esquecerao do orgulhoso amor que C. K
Chesterton devotava a suaobra, uma leg|t| maobra-pr|ma Espanta-nos que
mu|tosescr|toresesque�amesselatotaoman| lesto, po| snenhumdeles| gnora
ocuee tervontadedeescreversemsabera|ndaoquê
|ssonaoquerd|zerqueo prazer e o dese]ode|m|tarnaotenham a|ne-
ahum papel masal|nguagem prec|sar|adesut|lezasquelhelaltam parad|zer
exatamenteemque,al|nalessepapelcons|ste Lesdelogo,emu|tosdelensores
Jadoutr|nadaarte-|m|ta�aootêmobservado, mesmosesetratadep| nturaou
escultura, 0 que0 art| sta|m|tae menosospropr|osob] etosqueas| magensque
temdeles, e as comb|na�ões de ta|s |magens Alem d| sso, essas |magens nao
s\otanto |m| ta�ao de co| sas prontas senao modelos de co| sas por lazer Elas
s\oJ|retamente lormadas e conceb|das como os protot|pos de mu|tas obras
,oss|ve|squeesperamdo art| staaex| stênc|aatualquelhes lalta Avontadede
|+zercuemoveoart|sta| nlorma|nt|mamentea|magemdoquelara Sendoum
+rt|sta,oseupensamentoe desdelogoumpro] eto Òexamema|ssuperl|c|alde
,|aturas e esculturas emcavernasbastaparamostra-lo Assoc|adasarepresen-
t+çcesrel|g|osasoudest| nadasalac|l|tarcertasnecess|dadesv|ta|s, essasobras
a\oJepend|amma| s, nacond|�aodearte,deta|srepresenta�õesenecess| dades
|aeasestatuas dostemplos gregos ouo teto da Capela S| st|na Em Lascaux,
seate-se que homens semescr|ta conhec|dacederam a tenta�ao de cobr|rde
·m+¸ensasuperl|c|evaz|adasparedes, chegandomesmoaaprove|tarassuges-
tcesJosplanosecurvasdessasuperl|c| e Paratanto,encontraramoequ|valente
LAl|TÜ|Ov ¯ /kTL, CONHLC|MLNTO, | M|TAÇAO
I
89
de nossascorese nossosp|nce| s Maoprec| soespecularparacompreendê-los
MesmonoseculoXXhamu|tagentequenaopodeverumasuperl|c|ebranca
semenchê-larealou|mag|nar|amentedelormasl|guradas, etodos conhecema
|mpac|ênc|adaquelesque, no s|lênc|odas salas de concerto, esperamamus|ca
começ arEstes|lênc|oeaesperadeumsom,tantoquelogoeromp|dopormu|-
tosru|dosseamus|caeventualmentesedemora Òescr|tortambemconhecea
¨necess|dadedeescrever¨, que olazcomeç artantaco|sanat|mortaesperando
que a obrav|avel lhe brote da pluma, e, se v|avel ou nao, so o sabera de lato
depo|s deacabada |nestaprodut|v| dadepr|m|t|vado art|staque se encontra
opr|ncp|odetodaaartedobelo, como,deresto,detodas asartesdout|l, na
med|daem que tanto umas como outras têmoele|todeaumentarareal|dade
|prec| soreconhecerquearellexaol|losol|cachegaaqu|apostulados deapa-
rênc|a arb|trar|a, mas e sempre ass|mquando sechega aos pr|ncp|os, e, alem
do ma| s, o ep|teto ¨arb|trar|o¨ absolutamente nao se apl|ca A bem d|zer, os
pr|ncp|osse|mpõem emv|rtudedesuamesmaev|dênc|a Faz-sem| ster, po|s,
que med|temos neles, ]aque, se nao se podem]ust|l|car por nenhuma noç ao
anter|or, devemserreconhec|dosl ogono|n|c|odetodad|sc|pl|nal|losol|caAs
conlusõesdequepadeceoquechamamosde¨estet|ca¨têm comocausapr|nc|-

palac|rcunstânc|adequeprocuraexpl|carasobrasdearteapart|rdepr|ncp|os
queconvêma ordemdoconhec|mento,|nclu|ndoa|osdom|n|osdac|ênc|aeda
rel | g|ao Sabe-semu|tobemqueas obrasdeartesao¨produz|das¨oule|tas,mas
aconstataç aoetao ev|denteque,comose d|z, estasempre|mpl|c|ta,ou,mu|to
pelocontrar|o,talvezse]aprec|soexpl|c|tar, eexpl |c|tardenovo, oqueoesp|-
r|toparecenaturalmentepropensoaesquecerÒescr|toreol|losolosealastam
naturalmentede pensamentos cu]a ev|dênc|ae tal que, depo|s delormulados,
]anaorestama|snadaa d|zer Prec|samteralgoparad|zer,]aque dese]amlalar
PaulValeryaquemaluc|deznaoperm|t|a|gnorarascertezaspr|me|ras,masque
detestava a metal|s|ca e secont|nha] ustamente no momento de entrar neste
terreno,colocavaasnoç õesdestegêneronumaclassemu|topropr|a,aqueJava
onome|rôn|code ¨noç õesvagas¨ Elasnaosaovagas, saopr|me|rase, por| sso,
necessar|as, o que e mu|to d|lerente Maoasvemos mu|to bem, porque sao o
quenosperm|tever Cadaumadelaseum¨naopoderpensard|lerente¨queda
90 I ÌNTkODÜÇAOAS/kTLS DO bL|O
acessoauma ordem d|st|ntade|ntel|g|b|l |dade. lprec|so, po| s, ace|ta-las, por
causadaluzdequesaoalonte,talequal,noescuro,alâmpadaqueacendemos
|lum|na-seas| mesmaao|lum|naroresto
Maturalmente acomet|dos de noet| smo, os l|losolos costumam censurar
nessa at|tude 0 que denom|nam as vezes de emp|r|smo, as vezes de ps|colo-
g|smo, peloque,numapalavra, serecusam areconhecera]ur|sd|çao suprema
da metal|s|ca l uma |lusao de perspect|va, po|s que se trata, pelo contrar|o,
de d|scern|r os pr|nclp|os com sul|c|ente persp| cac|a para nao errar a ordem
emquestao Em mater|ade arte como de c|ênc|aoumoral, nao ha senao um
µr|me|ro pr|nc|p|o, que e o ser, mas em vez de cons|dera-lo como |ntel| g|vel
e|ntel|gente, oucomod|gnodeamare depôr emprat|ca, al|losol|adaarteo
cons|deracomolecund|dadeprodutora Elemesmoe ato, ouse]a, oseuestado
µroµr|oe serumaenerg|a, e ambas asnoções estadoe energ|a, emaparên-
c|a contrad|tor|as, se conlundem aqu| para expr|m|r o que ha talvez de ma| s
µrolundonoserelazdeletantoummar| nl|n|todesubstânc|acomoumalonte
|nesgotaveldeoutrosseres
Esses do| s aspectos sao | nseparave| s na noçao que lazemos do ser. A
c|ênc|atendenaturalmenteaexpl|cartudo porrelaçõesde| gualdadeouequ|-

alênc|a,Meyersonoestabeleceumu|tobem,adespe|todoquesed|ga. Òque
seespera ouv|rquando se pede a expl| caçao do que e umaco|sa¯ Espera-se
ouv|rqueel ae ¨amesmaco| sa¨que| stoouaqu|loque] aconhecemos. |,po| s,
verdade que, no pensamento, a tendênc| aa compreender a real|dade como
|dent|dadee prat|camente|rres| st|vel.Masaomesmotempotudomuda,tudo
vem aser, ateor|adaevoluçaotomoulorçadedogmae]ama|s as cosmogra-
||as tenderam tanto a setornarcosmogon|as. Mesmo em l|losol|a, emque as
essênc|as nao podem nao ser nem ser d|st| ntas do que sao, o que a essênc|a
e nao expl|cao lato de que ex| sta, da|, em Platao, o Bem que se s| tua alem
Ja ent|dade, em Lescartes, o Leus cr|ador de essênc|as e de ex|stênc|as, e
ao µropr|o Le|bn|z, tao v|gorosamente contrar|o a Lescartes neste ponto, o
retorno a Platao por me| odalamosad|st| nçao entreo ser, pr|nc|p|opr|me|ro
a+ordemdasessênc|as, eobem, pr|nc|p|opr|me|ronaordemdasex|stênc|as.
A teolog|anaologe a estaregra, po| snaohaser ma|s necessar|o queo Leus
LAl|TÜ|Ov - /kTL, CONHLC|MLNTO, |M|TAÇAO
I
91
cr|stao,|movel,|mutaveleeternamentesubs| stentepor s| mesmo»a»+| c.c+sc,
no entanto, este mesmo Leus e como que uma ebul|çao eterna de essênc| a,
engendrando o F|lho e o Esp|r|to Santo como se, nele, a |ecund| dade |osse
taonatural e necessar|aquantoapropr|anecess| dade Maso paradoxo at| nge
o seucumulo nanoçaode cr|açao A meta||s|ca nao encontrananaturezado
mundoa]ust|||caçaodasuaex|stênc|a,amudançaexclu|anecess| dade,e,po| s,
necessar|o, para expl | cara suaex|stênc|a, atr|bu|r-lheumacausacu] oser se]a
necessar|o, | stoe, Leus Cra, e a|que têm | n|c| oasverdade|ras d|||culdades,
po| s senaocompreendemos que o un|verso ex|sta senaohouverum serpr|-
me|roenecessar|o,tampoucocompreendemosporque,seex| steumatalcausa
necessar|a, elacausar|a a cont|ngênc|a A ex|stênc|ado un|verso postulaa de
Leus, masadeLeus, por suavez, nao postulaadoun|verso Òteologose vê
entao reconduz|doa uma cont|ngênc|a| n| c|al, avontade de Leus, causa nao
causadadetudo Emqualquerordemquese]a, tudoconduza necess|dadedo
ser, mas 0 ser necessar|o parece que nao pode ||car tranqu|lo, ele engendra,
causa, cr|acomosea| n|| n| dade, que e tudo,pudesseacrescentaralgumaco|sa
as| mesma, oucomose, paraele, serper|e|toa|ndanao|osseobastante Sem
duv|danenhuma, os||loso|os meta||s|cosnaode|xaram dedarumarespostaa
este problema, mas a ma|or|a supõe a noçao de ¨part| c| paçao¨, cu]a obscur|-
dade e ma|s que ev|dente, ]a que depo|sde expl| carque ¨part|c|par¨ e (c·t:¬
.c(:·:,l ogo seacrescentaque| stoe ummodode|alar, po| snenhumserpoder|a
tomarparteemLeus,quee sumamentes|mpl es Amesmad||| culdadereapare
cesobd|versas|ormas Porquenaodescansasenaonanoçaodesernecessar|o,
|mutavel e autossu|| c|ente, 0 pensamento e sempre levado a constatar, pela
cont|ngênc|ae mob|l|dade do seu ponto depart|da, que, seo necessar|onao
|osse ¨acomet|do¨ porumaespec| edenecess| dadedeag|re deproduz|r, nos
nao ex|st|r|amos para saberque ele ex|ste Ò porquê sotemsent|doquando
colocadoporumsercont|ngenteapropos|todessemesmo sercont| ngente
Asquestõesdessaordemd|zemrespe|toaumanoçaom| ster|osa,masnao
vaga,]a que nao hanadama| sconcreto,ma|sprec| so, ma|s claro ema| s|med|a-
tamentever|||cavel que a | nseparab| l|dade do sere do |azer A |ecund|dade e
umatr|butoessenc|aldo seremato,ouse]a,dosernamed|daemque e. Mesmo
92 I Ì NTkODÜÇAOÀS/kTLS DO bL|
'Aqueleque e pareceque nao sebastouas|mesmoeternamentesemcederao
dese]ode ¨lazeralgumaco|sa`,nasual|n|tudeconcreta, oho

memtambemnao
l|ca sem exper|mentaro dese]ode cr|ar outros seres cu]a |magemconcebede
aodome|oconlusoantesdereal|za-la
|poss|velapreenderma|sdepertoanaturezadesselatopr|me|ro¯|aque
agorasetratadametal|s|cado ser, e somentedasuano�aoque sepodeespe-
rarumpoucoma| sdeluz. Segundo o que sed|sse, tudo sedacomoseo ser
tendessepors| mesmoamult|pl| car-se,comoun|versodecertascosmogral|as
aodernas, oserestanaturalmente¨emexpansao¨. Usandoal|nguagemdaana-
log|a, erelac|onandoesselatocomotermoqueconhecemos melhor | sto e,
nosmesmos÷, d|r|amosqueosernaturalmenteamaoser, enaosomenteoseu
µropr|o, comoohorrora morteev|denc|a,masemgeraltodae qualquerex|s-
tênc|aemato. Òsere,querseretam bemquerqueoserse]a Comele|to,oser
e umbemnamesmamed|daemqueesere,por| sso,edese] avelems| epors|
Porque ebomqueex|stao que ex|ste, todoser|mpl|caumavontadedelazer
ser,named|daemque eamor, o seressenc|almentesepropagaas| mesmo,do
aesmolundodondeex|ste,causaex|stênc|aequerlazerex|st|r
|aestalecund| dadedo ser emato que ma|snaturalmentesel | gamasno
�ces d|retr|zes dametal|s|cadasbelas-artes Segue-seimed|atamenteda|que,
aJespe|todoseupapelnestedom|n|o,a|m|ta�aonaoeumano�aopr|me|ra.A
ra|zuaartee0 dese]ohumanodeproduz|rob]etoscu] ol|mnaoeterut|l|dade
|µoss|vel queesses ob] etosse]am|magens e quea suaprodu�ao se]adelato
uaa|m|ta�ao, mas | ssonao e necessar|o, e, mesmo que de |m|ta�ao se trate, a
vontadede|m|tarprecedesempre,emtodosos casos, oque oart|sta|m|ta
Maosepodenegarquea| m|ta�aotenhaumpapel|mportantenaor|gemde
mu|tasartes,emespec|alnap|nturaenaescultura. Òm|met|smoe um| nst|nto
µrolundo, pr|me|ronaordemquelhee propr|ae oqualseobservamesmoem
mu|tosan|ma|s,masa|ndaquenao sepergunte comque d|re|toseestendeua
ao�aode|m|ta�aoasartesdapalavrae dos sons,emqueasuaapl| ca�aoencon-
traser|asd|l|culdades,0 latoequenasartesonde0 seupapelema|sev|dentea
|m|ta�ao nem e otodo,nemoessenc|al, nem oatopr|tne|ro. Bastaumeslor�o
Je anal|separanosapercebermosd| sso
LAP|TÜLO` ¯ /kTL, CONHLC|MLNTO, | MlTAÇAO
I
93
Se a |m|ta�ao se propõeuml|m prat|co, co|saque a ma|or|adas |magens
tem,elapertenceaordemdaut|l|dade,naodabel eza,podemu|tobemseruma
arte,masnaoumadasbelas-artes,comcerteza Se, pelocontrar|o,oart| stalor
um lazedorde|magens, sê-lo-aporque nada lac|l|tatantoa produ�aoart|st|ca
comoterummodeloparareproduz|rou,aomenos,emquese|nsp|rarQuando
nao d|spensaa |nven�ao, a |m|ta�ao lle olerece a mater|a A popular|dade da
natureza mortaedapa|sagemdeve-seaomenosemparteaocons|deravelgrau
de |m|ta�ao que esses gêneros comportam, em que, adema|s, a semellan�a e
sul|c|entementel|el paraque oob]etose]areconlec|vel
Talvezsecompreendamellorosent|dodessasobserva�õessesepensarno
|mensoterreno queal|teratura de| m|ta�aoocupa Entendamos portaltermo
os numerosos gêneros l|terar|os cu]oob]etoe descreverumareal|dadedeuma
ordemqualquer,desdequeestapreex|staa descr|�aoeconst|tuaparaoescr|tor
umob] etodadoAl| stor|aemtodasassuaslormascorrespondeaestadel| n| -
�ao, po|sa|ndaquese]a|nven�aoe cr|a�aoaoseumodo,v| saaacrescentarum
ÍÍ
duplo¨ou|magemapropr|areal|dade Aat|v|dadedol|stor|ador ,named|da
emqueal| stor|asecons|deraantesumgênerol|terar|oqueumaat|v|dadec|en-
t|l|ca)cumpreumaduplalun�ao.l|beraranecess|dadedeescrever, cu]a|ntens|-
dadeeasvezestantaqueser|amu|todolorosorecalca-la,eperm|t|raquemama
aat|v|dadecr|adora que v|vana|nt|m|dade dos cr|adores e suas obras, mesmo
seelepropr|oanaoexerce Sobreoquenaosomoscapazesdelazerpodemos
ao menos nosdaraoluxodelalar Ass|mol| stor|adord|scuteascampanlase
apol|t|ca que nao conduz|ue, o ma|sdasvezes, sem ter am|n|maexper|ênc|a
pessoal em at|v|dades destegênero, quemamaa l|losol|asema poderprodu-
z|r oubem aens| na, oubem lle escreve al|stor|a, ol|stor|adordaarteouda
l| teratura tem a |mpressaode ser escr|torouart|sta quando narra, as vezes os
do|s, l|nalmente, op|ntore o escultor, sempre|nqu|etosparap|ntare esculp|r,
encontramna|m|ta�aoavalvuladeescapeeternamented|spon|vel, po|snelaas
suaslaculdadescr|at|vaspodemlac|lmentese exerc|tar Mao obstante, oart|sta
naodamaosaobraal|mde|m|tar,eal|mdecr|arqueele|m|ta
Essaev|dênc|a]alo|descoberta Apropos|todeumaarteoudeoutra,coa
ele|to, naotêmlaltadoesp|r|tosrellex|vosquenosclamaramaaten�aoparaela,
94 I Í NkODÜÇAOÀS/kTLS DO bL|O
mas d|r-se-|aque tal ev|dênc|atendea se desvanecer por s| mesma tao l ogo e
µerceb|da,etudo sepassacomose, umavezace|ta,pudessemosesquecê-la| m-
µunemente Londeocasoparadoxaldeumaverdadeaomesmotempopr|me|ra
esem|mpl |caçao,quandobasta, aocontrar|o, pensarnoassuntoparaperceber
umnumerocons| deravelde|mpl| caçõesqueseman||estamcomopropr|edades
oucaracter|st|cosd|st|nt|vosdaarte
Coloquemos,po| s, em|oco, aanalog|ageral, un|versalmentereconhec|da,
entre a produçao art|st|ca e as |unções b| olog|cas de reproduçao Falase da
concepçaodeumaobraedoseunasc|mento Adm|te-sesemma|squeasobras
Je uu mesmo art|statrazem a marca da sua or|gem e, em certo sent|do, se
lheassemelham, ma|s oumenos como os ||lhos seassemelhamaos pa|s que os
ea¸endraram | |requenteaobservaçaode queas obras deum mesmoart|sta,
µrec|samenteporqueselheassemelham,assemelham-setambementres|,trata-
se Je uma ¨|am|l| ade obras¨, d|zemos espontaneamente, nao sem d|st|ngu|r,
cuemsabe, as que ahonram das que a envergonham Ta| sexpressõese outras
semelhantescorrespondemaocaracter|st|cosent|mentode patern|dadedoar-
t|staemrelaçaoas suasobras Sem dores||s|cas,mas nao semso|r|mento,eleas
µcenomundo comocr|ançasasqua|s se senteun|doporlaçosmu|toestre|tos
0 |ato equeoart|sta,come|e|to,astrazems| mesmoasvezesporumlongo
temµo antes de da-las a luz e, depo|s d| sso, prec| sade um tempo para que 0
seat|mento desselaço se en|raqueça As analog|asentreaarte e agenet|casao
t+at+setaov|s|ve|squeser|atalvezted| ososenosdemorassemosemsubl|nha-
|+sAsJ| |erençasnaoser|ammenosv|s|ve| s, claro, masaqu| sosetratadeana-
lc¸|+,naode|dent|dade
Acertezadesseparentescobastaparaque se|ncluaaartenocon]untode
cµer+çcesnatura|s,]untodaquelascu] oob]etoeengendrar Comotodaopera-
�\chumana, aarte|mpl|ca 0 conhec|mento, mas este ult|monao e 0 seu||m
Os µro|essores, paraosqua|sag|rcons|steem|alar, eram naturalmentepresas
1+|lusao contrar|a Cs grandesescolast|cos mu|to ||zeramparapropaga-laao
1e||a|remaartecomoaregracertaasegu|remmater|adeproduçao,mastoda
a ccatr|bu|çao do entend|mento a concepçao e a produçao da obra de arte
+1vem do seu amor por este ser que espera ou esta em v|as de se atual|zar
LA||TÜ|O` ¯ /kTL, CONHLC|MLNTO, |M|TAÇAO
I
95
Antesdaregra, haanoçaoda obra por lazer, antesdessanoçao ,segundouma
anter|or|dadedenaturezaeam|udedetempo) , haavontade, ouodese]o, oua
necess|dadedelazeralgumaco|sacu]aproduçao seraconduz|da portal regra,
mas, sobretudo, convem que seexorc|zea|lusaodequeaexecuçaodaobrade
arteeste]adeterm| nadaporumaregrapreconceb|dae preex|stente | stopode
acontecer, ev|dentemente, e no ma| s dasvezes acontece, porque, com ele|to,
aproduçaoart|st|catendepors| mesmaacederastentaçõesdalac|l|dade,e e
ma|ss|mplesapl|carrece|tasprontas,cu]osucessoestagarant|doporumalonga
exper|ênc|a, doque|nventarosun|cos proced|mentos operator|osoutecn|cos
que podemperm|t|ra execuçao de obras de um novot|po, ou, ao menos, de
concepçaomu|topessoal, cadaumadasqua|sconst|tu|umproblemaquea|nda
nao se resolveu Da|a d|lerença especl|ca entre a lunçao noet|ca e a lunçao
po|et|cadoentend|mento Mamed|daemqueaarte|nventaecr|alormasnovas,
oentend|mentooperaqualno|nter|ordeumavontadedelazerpressupostapor
ele,ecu]ol|m sepropõea serv|r Semduv|dapodemoschamardearteaquelas
v| sõesdo|ntelectoacalcularosmelhoresmetodosparaqueaobradese]adase]a
talequalelamesmatendeaser, a|ndaqueconlusamente,adespe|to, porem, da
preex|stênc|ade certas regras, e a ex|gênc|a|nternadaobraque laz nascerno
esp|r|todoart|staastecn|casnecessar|asparaasuaexecuçao
Òlazerouproduz|re, po|s, ]ustamente 0 elemento pr|me|roe comoque
a essênc|a mesma do po|et|co, del|n|ndo a sua espec|l|c|dade Mesmo o que
entra de conhec|mento na arte depende de uma ordem d|lerente da do co-
nhec|mento, e seacha| nclu|doe|ntegradonela Trata-sedeumconhec|mento
emv|stadaproduçao de umaobra, nao emv|stade s| mesmo nemtampouco
paraaman| lestaçao deumaverdade Basta, al|as, que secompare o ob] eto de
umaapreensaoverdade|rado |ntelectocomodeum esp|r|toocupadopelano-
çaoa|ndaconlusadeumaobraporlazerparaconstatarqued|leremiaia¡:»:·:
Òtermodoconhec|mentoespeculat|voeumapropos|çaoverdade|ra,ouass|a
cons|derada, cu]oalcancee geral named|daemqueeverdade|ra l

umlugar
comumdal|losol| aclass| caonaohaverc|ênc|asenaodoun|versal, eepor| sso,
al|as, que os conhec|mentos se expr|mem sob a lorma de propos|ções gera|s,
elasmesmascompostasdeconce|tosabstratosapl|cave|satodosos| nd|v|duos,
96 I ÌNTkODÜÇ AOÀS/kTLS DO bLLO
rea|souposs|ve| s, cont|dosnummesmogênero | stonao se apl|caaoconhec| -
mentoart|st|co,enga] adoeaserv|çodaordemdalact|v|dadeÒseutermonao
e umapropos|çao, masum ser odaobraporlazer Enquantoo conhec|mento
esµeculat|vo tem porob] eto o geral, o art|st|co sed|r|ge sempre a um ob] eto
concreto,dotadodeex|stênc|aatuale, comotodoserreal, s|ngular |essenc|al
a obra dearte que ex|sta s|ngularmente, num so exemplar Mao se enumeram
as doutr|nas, mascada uma das obras conservadas em museupossu| a suaet|-
cueta |nd|v| dual, o mus|co des|gna cada umadas suas obras porum numero
cue acatalogae ao qual corresponde, enl|m, como se nao bastasse, haobras
cue recebem nomes proµr| os l|´cJc, £»:·Jc, A D·o·»c Ca¬:J·c, íc·c|sa í:·J·Ja e
|ncontave| straged|as,comed|as,romanceseoutrasobrasquepovoamah| stor|a
Jasl|teraturas, subl|nhando quanto poss|vel a or|entaçaoparaa ex|stênc|a e o
µart|cularquecaracter|zaoexercc|odoentend|mentoenga]adonalact|v|dade
|ssal|nal|dadeex|stenc|al daartemove-seamane|rapropr|asegundoaqualo
esµ|r|to aexerce Menhumadastecn| cas adm|t|das na|nvest|gaçao deob] etos
|atel|g|ve| sdadosnaexper| ênc|aeval|daouautossul|c|entequandosetratade
µroduz|rumob]etorealnaexper|ênc|aluturadequemonotara,talvez,masnao
ocompreenderasemsesubmeterasle| sdasuaestruturapropr|a Emvezdere-
cebera|ntel | g|b|l|dadedoob]etoqueconhece,oesp|r|toconlereasuaµropr|a
aoob]etoquesuaartelaz ex|st|r
Todav|a, al|mdequeo conhec|mento naosubsumaaarte, oque|mporta
e |mµed|rque sedê prec|samente o contrar| o Paul Valerylevouo ma| s longe
µoss|velosent|mentodocarater¨de produçao¨propr|odaarte Maopodemos
J|:erquelo|uml|losolo,mu|topelocontrar|o,eleserecusouobst|nadamentea
sê-loecostumavatomaral|losol|acomopresadeumazombar|alac|l,peloque,
al|as,elasev|ngouperm|t|ndo-lhelevar|de|asexatasadom|n|osemquesetor-
aam|napl|cave| s Maselet|nha|de|as,quenelepermaneceramemeternoestado
Jenascença, comoprec|osometalnaotrabalhado Entreessas|de|as, ecur| oso
aotarapresençalatentedeumresolutohelen|smo, aomenosnosent|dodeum
µr|madodacontemplaçaosobreaaçao Paraele,pensarval|ama|squeproduz|r,
a µroduçao |mportava sempre na escolha de um entre mu|tos poss|ve|s que,
ass|m,quedavamsacr|l|cados Molundo,Valerygostar|amu|todeserodeusde
LAP|TÜ|O` ¯ /kTL, CONHLC|MLNTO, | M|TAÇAO
I
97
Ar| stoteles, pensamentode s| que lossePensamento e, achando no gozode s|
mesmoumalel|c|dadeeterna, nao produz| ssenada Contudo, porquetemum
corpoenaoeumdeus,0 homemnaopodeasp|rara cond|�aodepurocognos-
cente,da|quese]aart|sta,consent|ndo,enquantoproduz,emnegl|genc|artudo
oquepodepensarenaopodeentrarnasuaprodu�ao Em£a(c|·ras,Fedrad|za
Socrates ¨Agoraentendocomopudestehes|tarentreconstru|reconhecer¨ Ao
que Socratesrespondes|mplesmente. ¨Haque escolherentre ser umhomem,
oubem serum esp|r|to¨ Comele|to, o esp|r|to sed|st|ngue do homem pelo
excedentedeconhec|mentoaquedeverenunc|aremv|stadaa�aoLonde,em
Valepom|todeLeonardodaV|nc|,escolh|domu|tobemcomos|mbolodeum
pensamentosoberano, taoluc|doe senhordo seucompasso, ou, como se d|z,
dosseusmetodos, quepudesseproduz|raobel-prazerpoes|a,artesplast|casou
c|ênc|a numapalavra, qualquerumadassubl|mesobrasdoesp|r|to.
Essavontade del|berada de se ater aquem das obras, a sua ra|z e como
quea margemdasuaor|gem, autor| zavaaValepqueas|nclu|ssetodas, |nd|s-
t|ntamente, nacategor|aun|versalde¨obras doesp|r|to¨ Elet| nharazao, po|s
quandosepõeoproblemanesten|veltodasasopera�õesdoesp|r|tosao| gual-
mentepensamentosqueesteesp|r|toconcebee, porqueosconcebe, seus pro-

dutos Meste sent|do, o esp|r|to produz metal|s|ca, matemat|ca, l|s|ca e todos
osoutrosgênerosdeconhec|mentoexatamentedomesmomodocomoproduz
casas, quadros, s|nlon|as ou poemas. Contudo, e] ustamentenesteponto, nao
havendo sed|gnadoapensarcomol|losolo,queValeryseequ|vocou,comoque
oluscadopelaev|dênc|ade suapropr|averdade
Lesde logo, naohanenhumad|leren�aentreesp|r|toe homem, po|snao
ex|sten|nguemquenaose]aumeoutroaomesmotempo Por| ssomesmonaoha
opera�aodohomemquenaose]atambemdoseuesp|r|toe, |nversamente,tod+
opera�aodoesp|r|to,mesmoama|sabstrata, eumaopera�aodohomem Ad|
leren�aentreumeoutronaoe, po| s, aquesedaentreconhecereconstru|r,po|s
tudo deve ser conhec|do, mesmoas constru�ões, e tudo deve ser constru|do,
mesmo os conhec|mentos Mao e neste n|vel que a d|st|n�ao que procuramos
podese estabelecer, po| soesp|r|toal|naldecontaseacausacomumeun|cade
todasasopera�õesdohomem,|nclus|vedaslun�õesexerc|daspeloseucorpo,
98 I Ì NTkODÜÇÂOÀS/kTLS DO bL|O
a d|lerenç a deve ser cons|derada, aqu| como alhures, do ponto de v|sta dos
ob]etosqueas operações se atr|buem, po|s ad|st|nç aodosl|ns|mpl|ca neces-
sar|amente a d|st|nç aodos me|ose dasmater|as Tal d|st|nç aonaoso perm|te
essoutraentreconhecereproduz|r,elaatornaumanecess| dade.
Òconhecerproduzporqueconstro| 0 D·s:a·saJaM:|aJ:, de Lescartes, e
al»s|ca·c|·aMc¡»c, deBacon, |nauguraramaeramodernacom arellexaodeum
esp|r|toque seobservaas| mesmoal|mdetomarconsc|ênc|adosseuspoderes
Jeproduçaoedamelhormane|radeut|l|za-losparaconduz|-losaoplenorend| -
meato,masoqueoesp|r|toconstro|,aoconhecer,econhec|mento Mestecaso,
elee|dênt|coaoseuproduto,po|snaohanenhumad|lerenç aentreconhecere
coastru|ro conhec|mento, ha]av|staque esteult|mo se compõeprec|samente
Jeumasequênc|adeoperaç ões Conhecerumanoç ao e concebê-la Conhecer
umapropos| çao, umrac|ocn|o, umademonstraçaoe constru|-los Haumad|-
|erenç alundamentalentreasoperaçõesdaartecu] oele|toeumaobrad|st|nta
Joesp|r|toedopropr|ohomemqueaproduz|u,easoperaçõesdoesp|r|tocu] o
e|e|tonaosed| st|ngueemnadadessasmesmasoperaç ões Csquadroscomque
oµ|atorsonhanao saoquadros, parao seremtêmde serp|ntados, nao ex|ste
cutra mane|ra, a sua natureza, po|s, nao e serem pensamentos, mas co|sas, ao
µ+ssoqueometododeLescartester|aex|st|dotalequal,graçasaele,oconhe-
cemos,mesmose]ama|st|vesseescr|toocelebreD·s.a·saAbemdaverdade,ele
talveztenhanutr|doemseuesp|r|to,comotodohomemdegên|o,|numerave| s
µeasamentosqueguardouparas| propr|oeque,naoachandoexpressao,]ama|s
|remosconhecer
Ob]etar-se-aqueospensadoreslalam e escreveme queessasduasopera-
�cesresultam emobras tao d|st|ntas dospropr|osautores quantoo poemado
µcetaeas|nlon|adocompos|torAob]eçaoe]usta, maslazobservarquetodas
+sobras do esp|r|to sao construç ões ouexpressaode construç ões, o que nao
|asta para resolver0 problema, see que, comov|mos de d|zer, temos de dar
ccataaomenosdanaturezadoqueoesp|r|toconstro| Mesmosenaolalarem
vcz alta nem tampouco escrever, o pensador lala cons|go propr| o Ò grande
µrcblemade saberseopensamentosed|st|ngueounaodal| nguagemnaovem
ex+tamenteaocaso Baste-nosnotarolatodequeohomemcomun|caosseus
LAl|TÜ|O` ¯ /kTL, CONHLC|MLNTO, | M| TA�AO I
99
pensamentosa s| propr|oe que, em se tratandodepensamentoconsc| entede
s|, oesp|r|tolalatudo o que pensa,atalpontoque aqu|loa que bemse clama
'l| nguagem |nter| or', le|ta de |magens verba|s, nao se d|st|ngue do que o es-
p|r|topensou, ouestapensando E| sa|porqueo pensamento] ama| s at|nge o
seugrauult|mode prec|sao senaoquando lala e, ma|sa|nda, quando adere ao
eslorçodaescr|taqueoconstrangea sereoobr|gaa se lormular.Aoescrever,
constru|mo-lo, nao s|mplesmente por constru|r, mas para conlecer, o esp|r|to
naoestaabsolutamentecertodoquepensasenaodepo| sdeolormular.
Mas o que d|zer do l|vro¯ Mao e ele como o quadro, um novo ob]eto
que o seu autor acrescentaa soma total dos seres ¯ S| m, sem duv|daalguma,
mas, como co|sa labr|cada, o l |vro em nada se d|st|ngue de outros produtos
|ndustr| a| s Ass| m como eles, pode ter a sua beleza propr|a, mas do gênero
que os beloscarros possuem, ou as belasarmas, ou os belosutens|l | os. Como
apresentaçao |mpressadeum pensamentoquelala cons| go, representao que
talpensamentos| gn| l|ca SesetratardeAD·o·rcCa¬æ·c, estamosnoterreno
da arte e o quel|vrorepresentae com ele|to umaad|çaoao numero total de
seres domundo, po| santesdeLanteaestruturadepensamentos que const|-
tu| essaobranaopossu|anenlumaex|stênc|aatual ouposs|vel noesp|r|tode
lomemnenlum SesetratardoD·s.a·saJaM:iaJa, o l|vronadaacrescentaao
mundo alemda consc|ênc|ades| queestemundoadqu|re no pensamentode
um certo l|losolo Cra, o ob]eto do l|losolo, oudo sab|o, nao e acrescentar
ao mundo um ed|l|c|o conceptual cu] ovalor est|vesse na propr|a estrutura e
substânc|a Mao laltam 's| stemas' que se queremmetal|s|caou c|ênc|ae que,
naverdade, naopassamdepoes| a Masoconlec|mentoquesequerd|lerente
daarte e outraco| sa Retomandoumaexcelenteexpressao de K| erkegaard, o
conlec|mento ass| m compreend|do e essenc|almente 'especular', n| sso que
pretendeolereceraomundoumasua|magem |ntel| g|veltaol|elquantoo seu
rellexosens|velnumespello Lenadaad|antaalegaraqu|as| n| c| at|vasdopen-
samentoparaconst|tu|rac|ênc|aou,comoecostumedesdeKant,assuascon-
tr|bu|çõesa propr|asubstânc|adaexper|ênc|a, quando] ased|ssetudo,0 que
sobra e que, naosendoo mundo tal como o conlecemosuma| magem l|el da
real| dade, aqu|loque conlecemos nareal|dadenaoe o mundo, doqual nossa
t oo I Í NTkODÜÇAOAs /kTLS DO bL|O
c|ênc|a nao e conhec|mento algum, sendo, portanto, lal sa. Ho]eha l|losolos
tentando lazer os sab|os acred|tarem em nao acred|tarque a sua c|ênc|a, na
med|daemqueeverdade|ra, expr|maareal| dade, mas,seoseuconhec|mento
dorealnaot|vesseob] eto,ossab|ospensar|amqueac|ênc|anaovaleumahora
sequerdesolr| mento. Ò queosespanta, como d|z|a E| nste| n, e queac|ênc|a
se]aposs|vel. Mamed|daemquemereceo nomequetem, oconhec|mentoe
beuaconsc|ênc|aqueareal| dadetomades| nopensamentodohomem Ass| m
tambem no caso dosl|losolos A suabeat|tude,] ad| z| aAv| cena, ser| apoder
contemplar nopensamento uma |magem e como que quadro do un|verso |
uma nobreamb| ç ao, e d|gnadohomem, mas, supondo que se sat| sl|zesse, tal
v|sao beat|l|cante que o sab|o ter|ado mundo lhe acrescentar|atanto quanto
uma bela lotogral|a aqu|lo que representa Sua perle| ç ao e ser uma |magem
adequada, nemma|snemmenos, dareal|dade
Leonardo da V|nc|, s|mbolo tao excelente que lo| do pensamento de
Valeryrepresentava-o,noen tanto,menosqueMa»s·:a·Tesi:, po|sLeonardopro-
duz|umu|tasobras, enr|queceuo mundocomLcC·a:a»Jce, porl|m, consent|u
em l|m|tar o seu conhec|mento para constru|r, enquanto Mons| eur Teste, so
cabeç ae semmaos,]ama|sproduz|uoquequerquelosse,nemmesmoconhe-

c|mento. Valery pelocontrar|o, produz|u, senaopropr|amentec|ênc|a, algum
µensamento e boa poes|a. Ser|amos malv| stos se o censurassemos pornaoter
s|dol|losolo, po|s, seolora, sual| losol| anaolar| ama| squereproduz|rosersob
alorma daverdade que e o conhec|mento Quando seexerce nodom|n|oda
arte, olazernaosecontentaemdupl|carorealacrescentando-lheuma|magem
|rrealdes| mesmo, elecolocanoserum ex|stente s|ngulare concretosobreo
cual, un|camente porque ex|ste, conhec|mento e c|ênc|a se tornam poss|ve| s
|µrec| samenteentaoquesab|os, ps| cologos,h| stor|adores, cr|t|cosel|losolos
tomam aarteemcons|deraç aoe sepõemaexpl|ca-laaopropr|oart|sta, |nclu-
s|veassuaspropr|asobras Suasexpl|caç õesode|xamdesconcertado,omelhor
cuepoder|alazerel|carems|lênc|o, po|s| ssoetudo0 quepode
Essad|st|nç ao|mportanadal|losol|adaarteeestet|ca,taoam|udeconlun-
J|das paraoma|ordanodeambas Aestet|catemporob] etoanaturezadoato
µeloqualpercebemos0 belo,]aqueapropr|apalavrac·s|o:s·s,daqualad|sc|pl|na
LAP|TÜLOv - FkTL, CONHLC|MLNTO, | M|TAÇAO
I
1 01
t|raoseunome, s| gn|||ca,or|g|nalmente,certoatodeapreensaooupercepçao
Csdo|s pontos dev|stase d|st| nguemcomoo doprodutoremrelaçaoao do
consum| dor, sao, portanto, espec|||camented||erentes. Òamantedasobrasde
artepart|c|padelacomoocomedordepaopart|c|padapadar|a,damoendaeda
agr|culturaMamed|daemqueaarteeumaat|v|dadepo|et| ca,d|zrespe|toun|-
camenteaoart| sta Mamed|daemquenaopassamdeespectadores,ouv| ntesou
l e|tores,opubl|conaosabenadadaarteexcetoporouv|rd|zerCome|e|to,nao
tem nenhumaparte naproduçaodeobranenhuma, nama|orpartedo tempo,
opubl|conaotemsequeram|n|maexper|ênc|adoquese]aproduz|rumaobra,
exerce, porem,uma|unçaol eg|t|maeate|nd|spensavelmentenecessar|aa v|da
daarte, sendo, como e, odest|natar|odaobradoart|sta, aqualeventualmente
estaprestesaacolher
Sea arte e ou nao uma l| nguagem, e| sa| uma questao, mas a arte e, cer-
tamente, man||estaçao e comun|caçao de ser como toda causa o e de seus
e|e| tos Quer se enderece a um publ| co ou nao, a obra de arte acaba por
encontraralgum Aquestaoe somente saberseoatodeapreenderaobrade
arte const|tu| -lhe a essênc| a tanto quanto o de produz| -l a Parece ev|dente
que nao, e n| nguemter|ad|||cul dade de o reconhecerse] ul gamentos deva-

loralhe| os a questao nao semesclassem com elaparaalterar-lhe os dados e
|al sear-lhearesposta Mao e part|cularmentecorretoque,carecendodecom-
petênc|a em mater|a de arte, o espectador ououv| nte se] am | ncompetentes
para] ul gar uma obra deartequal quer Mu|to pelo contrar| o, ass|m como o
ouv|nte, oespectadorouole|tornaosaoart| stas, mas amantesdaarte, ass|m
tambem, prec|samente na cond| çao de art| sta, aquele que produz ta|s obras
naoseencontranadele| tor, espectadorououv|nte. Memquandosetratadas
propr|asobras Costuma- sed|zerqueopropr|oart| stae oseupr|me|ropubl| -
co, mas| stoe umerro. Depo| sdeumper|odoma| soumenosl ongo, suaobra
pode s| mse l heo|erecertao ob] et|vamentequantoa dequalqueroutro, mas
enquantoaproduz, emesmomu|totempodepo| sdeaproduz|r, soapercebe
comoaa·|·»(·a¡·:ssouco|sal| gadaatodososproblemasquetevederesolver,
atodas as d|||culdades por queteve de passar para leva-laa ser Av| sao que
tem dapropr|aobrae a do cr|ador. A quetemdaobraalhe| ae tambemade
1 02 I Ì NkODÜ�AOÀS/kTLS DO bL|O
umcr|adorposs|vel,dondeadrast|cad|lerençaentreos]ul gamentosestet| cos
dos art| stase osdopubl | co emgeral, po| smesmoquandocalhamconcordar,
oque nao e sempreocaso, nao enuncapelosmesmosmot|vos Maoeneces-
sar|oentraremcons| deraçõesestet|casmu| toespec| al | zadasparasecert|l| car
d| sso Pode-semu|tobem adm|t|rque, no geral, nenhumart| staqueest|vesse
na cond|çao delazê-l oconst|tu|r|aummuseu, dec|d|r|ao programadeuma
temporada de concertos ou escolher|a o catalogo de uma b| bl | oteca com a
mesmaun|versal | dadequeo publ | co demonstraemta|smater| as Esteult| mo
naoexper|mentaqualquerd| l| culdadeemsemostrartol eranteelargonosseus
¸ostos,naoproduz|ndonadaalemdepalavras,podeacolhersemeslorçotoda
obracu]anov|dadenaoencontreasuasens| b| l |dadedespreven|da Maotendo
nenhum comprom| ssode cr|ador, nao se senteat|ng|do em nenhumaprele-
rênc|av|tal,mase, aocontrar|o,mu|tov| s|velqueogostopessoaldosart|stas
estal| gadoa lormapropr|adasuaartee comelava|mudando.
Essas observações perm|tem-nos d|st|ngu|r na propr|a ra|z qua|s sao as
cond| �ões do]u|zo estet|co. Quer se trate do s|mplesespectador, ouv|nte ou
le|tor, oubemdocr|t| coprol| ss| onalquevê, escutaoulêasobrasal|mdelalar
aseurespe|toe,comose d|z, ¨darconta¨delas,oob]etoaquereageme]ul gam
a\oe0 mesmoque 0 art|staproduz|uÒprodutoraprec|aasuaobradoponto
Je v|stadaque se propõea lazer Seus]ulgamentos serelac|onama obrapor
me|odoseupro]eto Cs]ulgamentosdoespectadornaod|zemrespe|toa obra,
masaoquepensadela,naoedelaquelala,masdes|mesmo Òcr|t|conaopassa
am|udedeumespectador, ouv|nteoule|torpagoparad|zeroqueexper|menta
aocontatocomasobrasdequelala Da|aopos|çaorad|calqueoseparadoar-
t|sta,µo|snoma| sdasvezesocr|t| cosoescreve para| nlormaropubl|co,cu]os
¸ostos conhecemu|tobem, sobreo graudesat|slaçaoquepodeconsegu|rde
amacertaobra ¨Costo¨ou¨Maogosto¨s| gn|l|cams| mplesmente¨Vocêsgos-
tar\o¨ ou¨Vocêsnaogostarao¨ l ssoe natural e leg|t|mo. Chegamesmoa ser
ut||,µo|scadaqualsabeemquecr|t|codearteoudel|teraturapodegeralmente
se||ar, 0 quema| snaoquerd|zersenaoqueOS seusgostos, segundo0 n|veldo
est|loeaqual|dade daexecuçaodas obras empauta, concordam e seasseme-
l|am entre s| Somenteoscr|t|cosexcepc|ona|svaoaleme cons|deramantesa
LAl|TÜ|O ` ¯ /kTL, CONHLC| MLNTO, | M|TAÇAO
I
t 03
obraqueoprovavelsent|mentodopubl|co,representadopeloseupropr| o Pro-
curamencontrarnaobramesma, senaoaartequenecessar|amentelhes escapa,
ao menos aquelaqual|dade essenc|al e pessoal queo art|stase lhe propunha a
conler|r Chega-seentaoacertaspag|nasdeSa|nte-BeuvesobreaartedeRac|-
ne,umtraçodeluzdeValerysobreodeLegas,reaçõesdeumououtroart| staa
esteouaqueledeseuspares Mao se trataexatamentede¨Eugosto¨, masantes
de ¨Ve] omu|tobemoquesequ|slazer¨ Talvezocr|t|cotam bemove]a,com
ele|to, mas lazê-loelenao pode Ò conhec|mento que tem a respe|to |m|ta o
conhec|mentopo|et| co,sem, contudo,queopossaser Londeseseguemvar|as
consequênc|asprat|cas,edeordens d|st|ntas
1 04 I INTRoou<.o ÀSARTES oo BELO
'
�`
\ ser pOì CtìCO
Moçaopr|me|ra, osernaoesuscept|veldedel|n| çaoMaopodeserdel| n| -
Joems| mesmo,porquetodasuaposs|veldel|n|çao|mpl|caanoçaoquesequer
Jel|n|r. Maopodeserdel| n|dopeloseucontrar|o, po|sonaopossu| oquenao
e Jaalçadadosernaoenada Pode-sequandomu|toprec|saranaturezadoser
emquestaod|zendoqueaarteeumaat|v|dadepo|et|cacu]ol|meproduz|rno
seraqu|loquesechamadeobrasdearte
Emsent|dopr|me|roeabsoluto,serseopõeanada, quenaoex|ste Como
+cabamos de d|zer, essaausênc|adecontrar|otornao ser| ndel|n|vel, masnao
e
·
aessesent|do que ele sed|zdaobrade arte Essa ult|manao e uma cr|açao
ex »·o·|anosent| doteolog|coda expressao, | stoe, :x»·o·|a¬ci:··c: Ò art| sta se
,+recema|scomodem|urgodoT·¬:aquecomocr|adordoCênes| s, talcomo
re,resentadonatrad| çaocr|staSuaat|v|dadeseexerceemmater|acu]aex|stên-
c.+va|pressupostaApalavrapreex|stea poes|a Ael|cac|adaartepodemu|to
eemtranslormaramater|adadasemacrescentarnenhumatomoa somatotaldo
|aeex| ste Mesmosupondoqueoex|stenteeste]aemexpansao, comopensam
+l¸aas, elanao se deve a at|v|dade produtorado art| sta Lo pontode v|stada
+rte,asomatotal doque ex|steesta|nvar|avelmentedadanapropr|amater|a, o
|+zerJoart|staemnadalheacrescenta
Naoobstante, oart| stanaoser|aum(a·:i:s oulazedorsenadaproduz| sse,
r+,elenaopodeproduz|rsenaoser,dondeoun|coele|toconceb|veldasuaat| -
·|a+Jeµo|et|ca,senaocr|aaex|stênc|adeabsolutamentenada,se]aaproduçao
de taJooque,noserdasobras,asdeterm|na,naoexatamenteaex|st|r,masaser
ta|souqua|s, | stoe, a ser aqu|lomesmoque sao Reler| ndo-seaumad|st|nç ao
outroramu|toconhec|daentrea ex|stênc|ae aessênc|ados seres, poder-se-|a
d|zerqueoart|stanaocausaaex|stênc|aabsolutadassuasobras,mascausaasua
essênc|a Ut| l|zandomater|a|s]adadosnareal|dade, |nclu|ndooselementosdas
lormasque|mpõeaessesmater|a|s,olazedorproduzopropr|oserdasobrasna
med|daemque lazex|st|ro que sao
Aqu|loqueumseredependedasuaessênc|a Paraev|tartodacontrovers|a
metal|s|casuperllua, contentemo-noscomd|zerqueaessênc|ae prec|samente
aqu|loqueum ser e Quando, entao, tentamos del|n|ra essênc|acomodeter-
m|naç aoult|madoser, temosderecorrer0 ma| sdasvezesa noç aode¨lorma¨
Arazaopelaqualaanal | seseeslorç aaqu|por|ntroduz|rumad|st|nç aonose|o
deumareal| dade man|lestamente unae que, apl|cando-seaumdadopr|me|ro,
que e o ser, nao se pode lazer outra co|sa senao d|st|ngu|r-lhe abstratamente
pelopensamentoosaspectospr|nc|pa|s,osqua|srevelamasuar|quezaAlorma
e0 que0 pensamentoconcebecomoadeterm|naç aopr|me|radaessênc|a, de-
term|naç aopr| me|raeaomesmotemposuprema,po| salormaeaqu|loporque
aessênc|alaz que 0 serse]aprec|samente0 que e
Paraosesp|r|tosaturd|doscomametal|s|ca, nadama|svagodoqueaex-
trema prec|sao na del|n|ç ao dos conce|tos | que o r|gor das d|st|nç õeslhes
escapa Aqu|, ad|l| culdadeed|st|ngu|r, no|nter|ordaessênc|a,opr|ncp|olor-
malqueadeterm|na Maosetratadanoç aode essênc|aem geral, masantesda
essênc|aconcreta de um | nd|v|duo qualquerdado naexper| ênc|a. Tudo o que
epertencea sua essênc|a, porquetudo 0 que lheconst|tu|0 sercontr|bu|par+
lazê-losero que e, mas nenhumserconcretoe s|mplese os elementosdeque
se compõetêmumaordemde|mportânc|a, que opensamentoconcebeespon-
taneamentecomoumarelaç aoentredeterm|nantesedeterm|nadosAnoçaode
¨latosgera| s¨, taopopularao tempode ComteeTa|ne, expr|memu|tobemest+
v|saoespontâneadoesp|r|to Para¨compreender¨, comosed|z,umareal| dade
|stoe, paraaprendê-lade umavez por todas num un| coato depensamento,
oesp|r|toaapreendenaturalmentecomosubm| ssaaumcaraterdom|nadorpr|-
mord|al, que easualorma Estecaraterpodeserumadeterm|naç ao|ntelectual
abstrata, comoa ¨lormade um rac|ocn| o¨, ou mater|al, relat|vaa d| str|bu|çao
1 06 I Ì NTkODÜ�AOÀS/kTLS DO ÍL|O
departesnoespaço,comoalormadeumaestatua,numenoutrocasoalormae
aqu|lo que,naessênc|a,|mpõecertaun|dadea mult|pl|c|dadedaspartes
Estepapelun|l|cadordalormaede|mportânc|alundamentalQuersetra-
tedeob] etomater|al ounao,alormaeapreend|dasempreporumatodoesp|-
r|to Se estema|snao laz que reconhecê-lacomodadananatureza, talalorma
deumaarvore, oubemseelepropr|oa cr|a, qualalormadeumaequaçao, em
ambososcasoselaseapresentacomoumpr|ncp|odeun|l|caçaodecertamul-
t|pl|c|dadequeo|ntelectoconheceporme|odepercepçaos| ntet|ca
Essa noçao seapl|ca lac|lmente a obrade arte,tanto ma|s que provavel-
mentelo|t|radadela Al|mdeexpl| caralamosad|st|nçaoentremater|aelorma
nos seres natura| s, Ar|stoteles recorre sem pe]o ao exemplo das estatuas, que
saole|tasdeumamater|aqualquer, pedra,bronzeoumade|ra, edalormaqueo
art|sta|mpõeaessamater|acomol|todetranslorma-lanumHermesounoutro
deus Conquanto se possacolocar em questao o valor c|ent|l|co da noçao de
lormanatural,cont|nuasendolatoseguroqueoconhec|mentovulgard|st|ngue
osob]etosporme|o de suas lormas, alem de serclaro e man|lestoqueo art| s-
ta tem consc|ênc|adepoder |mpor lormas semelhantes a mater|as d|lerentes
entre s| Beethoventranscrevendoparap|ano o seuconcerto para v|ol|no, ou
(ualquerescultorlund|ndoembronzeummoldede gesso ambosd|raoque,
aoessenc|al,setratadomesmoconcertoedamesmaestatua|pelalormaque
ur ob]etose|dent|l|ca.Aanalog|aetaoman|lestaquenospodemosperguntar
seogên|ogrego, taosens|vela belezadaslormas,naoestendeua naturezaessa
aoçaodecompos|çaodelormaemater|aquetudonaarteparecesuger|rAose
+µropr|ardessanoçao,apo|et|canaolazma| squeretomaroseupropr|obem
Ho]e em d| aestanamodatrataressasvelhas noçõescomocaducas, mas
+bsolutamentenao0 sao, emesmoque0 lossemnaordemdanatureza 0 quee
a+damenosdoquecerto, permanecer|amval|dasnaordemdaarte Emambas
+sordens, ¨amater|al|cae alormase esva|¨, em ambas as ordens, amater|ae
o que subs| stecomo su] e|to damod|l|caçao no curso do dev|r de um ser, em
+mbasasordens, enl|m, amater|aeoque, nodev|r,lazopapeldodeterm|nado
Je quealormaeo determ|nante Levandoaabstraçaoaoseutermo, como,de
resto, e o seuJever, osl|losolos conceberam a noçao de algo absolutamente
LAl|TÜ|O`Ì ¯ 0 SLklO|LT|CO I 1 07
determ|navel, que ser|a a mater|a pr|me|ra ou a pura determ|nab|l|dade Essa
noçaoenecessar|aemmetal|s|ca,masosmetal|s|coschegamasvezesaduv|dar
daex|stênc|adamater|aems|, separadadetodalorma TomasdeAqu|nocons| -
deravataoresolutamente| mposs|velaex|stênc|ademater|asemnenhumalor-
maquecontestavaatemesmoqueopropr|oLeusapudessecr|arass|m Cr|a-la
con]untaalorma,| ssoLeuspode,maslazê-lasubs| st| rsoz|nhanaoser|aapenas
umm|lagre, ser|auma|mposs|b|l|dade Arazao d|sso e prolunda, mass|mpl es
0 sersoeaqu|loqueeporcausadasualorma, perdendo-a,el ede|xar|apor| sso
mesmodeseroquequerquese]a, perder|aapropr|aposs|b|l|dadedeex|st|r
Essa noçao metal|s|canao tem, portanto, de |nterv|r nal|s|ca, em que a
mater|a se del|ne sempre por suas determ|nações lorma|s, ou se]a, por aqu|lo
que e La-seo mesmo com osproblemasrelat|vos aarte, comele|to, aqueles
que pensamos sao l|losol| cos, mas a|nda que a sua eluc|daçao completa ex|]a
que se remonte aos pr|me|ros pr|ncp|os da metal|s|ca, ta|s pr| ncp| os podem
cons|derar-seestabelec|dosquandosechegaalazerusodasnoções demater|a
elormanosent|doquetêmparaoart| staqueasut|l|zaouparaol|losoloquese
atemarellet|rsobreapo|et|ca
Òart| stanaotrabalha]ama|scomalgoabsolutamentedeterm|navel, senao
comalgo]adeterm|nadoquepretendesubmeteradeterm|naçõesulter|oresde
umaordem, al |as, |nte|ramente nova A essênc|adapo|et|caestatoda cont| da
nessau|capropos|çao, esclareçamo-la, po| s
Suapr|me|raparteeev|dente Amade|raqueseentalha,apedraquesees-
culpeeocobrequesegravasaomater|as] adeterm|nadaspormu|toscaracter|s-
t|cosnatura|s,umblocodemarmoreeobronzedasestatuastêmpropr|edades
pos|t|vamente d|lerentes, quepodemvar|arate mesmode marmore paramar-
moreedebronzeparabronze,ossonsdamus|ca,aspalavrasdal|ngua,todosos
elementosconst|tut|vosdeumaobradearte qualqueresraodeterm|nadospor
caracteresdel|n|dos quelhessao propr|os, de outro modo, al|as, porque o ser
vemdalorma,esseselementosnaoser|amnadaAmater|apr|me|ranaoaparece
aqu| d|retamente, po| s a lorma produz|da pelo art|sta se superpõe, por ass|m
d|zer, amater|aqueeventualmenteempregaEaqu|d|zemos¨mater|a¨,note-se
bem,prec|samenteporqueamade|ra,apedra, al|nguaeosomcalhamcumpr|r
1 08 I Ì NTkODÜÇAO»s/kTLSDO bLLO
essepapel]a que alorma que oart| stalhes|mpõeeodeterm|nanteemrelaçao
aoqualcumpremopapeldedeterm|nado.
Trata-se aqu| dadeterm|naçao de lormas ,de mater|as]a| nlormadas) por
uma lorma que selhesacrescentae, porass|md|zer, asembeleza,masalorma
determ|nanted|lereespec|l|camentedasdeterm|nadas,po|sessassaolormasna-
tura| s, aquelaumalormaart|st|ca Alunçaopropr|adaslormasmater|a|secons-
t|tu|r segundo a propr|a naturezaa made|ra, a pedra, o somouqualqueroutra
mater|aempreguepeloart|sta, alunçao da lorma que o art|sta lhes superpõe e
lazerdapedra, damade|ra, docobre, dos sonsoudas palavras mater|ade uma
cbrade arte Certamentehes|tar|amos em | ns| st|rsobre um pontotao adm|ra-
velmenteesclarec|doporFoc|llonnoseuLcì·:J:s!a·¬:s seelenaote|masseem
µermanecer na sombra. Poder-se-| adel|n|-lo o pr|nc|p|o da espec|l| c|dade da
mater|adasobrasdearte Porma|sd|lerentesquese]amsegundoasrespect|vas
µrcpr|edades l|s|cas, todas essas mater|as mudam de natureza pelo mero lato
de serem ass|m|ladas pelo art|sta aos l| nsda sua obra, embora conservando as
µrcpr|edadesnatura| s queasd| st|nguem, cu]a|mportânc|ae cap|talemma|sde
umaspecto,comoseveraad|ante,asmater|as serevestemdocaratercomumde
mater|a|sart|st|cos, escolh|dos, trabalhados e ordenados para serv|ra execuçao
deuma obra determ|nada Far|amos mu|to mal em acred|tar que, por nao lhe
mudaranatureza, essametamorlosetocaapenassuperl|c|almenteamater|aque
submeteaumnovol|m Ògraodoblocodemade|raoudemarmore, ove|o, as
manchas, qualquerac|dente, enl|m, damater|aescolh|da, a|ndaquel|s|camente
|as|gn|l|cante ems| mesmo, podeag|rsobrea|mag|naç aodoart|stacomouma
suµl|ca para receber o ma| s alto dest|no que a natureza lhe parece prometer
|aversamcnte, mesmo se o art|sta se contente com recolher certas mater|as
blccos de pedra, troncosnodososoucur|osamentetortos como os que sed|s-
µcemnasmargens dos Crandes Lagos e dos r|os daAmer|cado Morte cu]a
|crmaetalqueparece|ntenc|onalmentetrabalhadaporalgumart|staconsc|ente
dc seul|mpropr|o, essalorma seencontracomoque |nd|retamente |ntegrada
+cmundodasco|sasdaarte emv|rtudeda sua mera escolhapor parte decerta
·m+¸|naçaoegostoart|st|cos Coma|ndama| srazao,tudooqueumart| staut|l|za
emv|stadosseuspropr|osl|nspertencepor| ssomesmoaodom|n|odaarte
LAl|TÜ|O`Ì ¯ 0 SLklO|LT|CO I 1 09
Essaun|dadedel|nal|dadedom|naos problemasl|losol|cosconcernentes
asartesdobel o Elaasseguranotadamenteopr|madoabsolutodalormasobre
amater|anaobradearte, mas, porquea mater|acomparece a|coma sua lor-
ma natural, e | nev|tavel que, determ|nada poressamesma lorma, exerça uma
|nlluênc|apos|t|vasobreaobra. Compreende-seentaoaextrema|mportânc|a
que osart|stas atr|buem ao me|o que empregam A d|st|nçaogeraldas belas-
artes se lunda, por suavez, nad|st|nçao absolutamente pr|me|radas respec-
t|vas mater| as Formas no espaço, lormas no tempo, mov|mentos do corpo
oupalavras dalala essas mater|as d|lerentes servem de lundamento a artes
espec|l|camente d|lerentes | ssoe ev|dente, mas a mesma co| sae verdade|ra
paratodot|popart|culardemater|a,quandonaoparatodoespec| mepart|cular
desset| po Messe sent|do, todo art|sta securvaas sugestões da mater|a que
emprega, e chegaramesmoaexpor-sevoluntar|amenteasex| gênc|asdome|o
de expressao que escolheu, sabendo mu|to bem que a sua dec|sao de gravar
em vez dep| ntar, ou degravar em made|raem vez degravar em pedraou em
cobre,obr| ga-lo-aaescolherlerramentasd| lerentes, aempregartecn| casd|le-
rentes, a|nventarlormasd|lerentes.
D| l|c|lmenteexagerar|amosa|mportânc|adoqueosart| stasdevemassu-
gestõesdamater|acomquetrabalhamSeusescr|tosed|scursosotestemunham
comabundânc|a l ssovaleatemesmoparaapoes| a, ama|s |ntelectualdetodas
asartes,ha] av|staqueasuamater|aeove|culodopensamento) ,emquel|nguas
d|lerentes, comoolat| meo| nglês, daomater|aaobrasdet|poprolundamente
d|lerente. Mo|nter|ordeumamesmaobra,saoaspalavrasquelrequentemente
dec|demsobreasuaestrutural|nalValeryadoravad|zerqueema|slac|lencon-
traruma|de|aapart|rdeumar|maqueumar|maapart|rdeuma|de|a, e nada
e ma|sverdade|ro, porem, haque lembrar, a propos|to, que a mater|adaobra
de arte soage por me|odesualormanatural e acond| çaode que essalorma,
absorv|danaobradearte, s�translormeemlormaart|st|ca
Todasessasrellexõespartemdalormaouacabam chegandonela, maso
quee alorma, al| nal ¯Segundo sua noçaoma|sabstrata, alorma etodadeter-
m|naçao que submete umamul t| pl | c| dadeaun| dade E| so sent| do ma|s geral
da noçao, porque se apl| ca tanto as energ|as e atos que, nas co| sas mesmas,
1 1 o I Ì NTkODUÇAOÀS/kTLS DO bLLO
agrupam, assoc|am e unemuma plural|dade de partes rea|s a mane|ra como
asalmas asseguram aun|dadedos corpose os sent|dosaun|dadedaslrases,
cuanto aos atosde percepçao cue, pelo s| mples lato de apreender com um
un|co ¨olhar¨certamult| pl| c| dadedeelementos, lhesconleremaun|dade
Essalunçao un|l|cadorada lorma e o seucaraterd|st| nt|vo e o cue tanto
J|l|cultaadel |m|taçaoexatadasuanoçao, po|sounoe umtranscendental ,nao
sendosenaoo ser|nd|v|soems| mesmo), e, po| s, conler|raun|dadee conler|r
o ser Lembremos a lormulataocaraa Le|bn|z, cu] osent|do depende de um
s|mplesdeslocamentodeênlase ser a»sereserums:· éamesmaco|sa Alun-
çaopo|et|caencontraa|suanoçao ma| s aprox|mada Ò art|staproduzoserde
suas obras ao | mporacertamult|pl|c|dademater|al aun|dadelormal cue a sua
|mag|naçaoconcebe
Un|dadenaoe s| mpl|c|dade�Maobradeartehaun|dadedeordem,sendo
alormaocuenosperm|teapreendercomounaad|vers|dadedoselementosde
cuese compõe Pela mesmarazao, umaobradeartepode ser, e de ord|nar|o
oe, umaun|dade de ordem entre outras un|dades de ordem cue sao os seus
elementos Alem d| sso, sempre podeun|rsob umalormacon]unta elementos
tomadosded|lerentesartes,se]amcuantoslorem, desdecueumdelescumpra
·
o µapeldeartearcu|tetôn|cae subord|ne os dema|s emv|stadeuml|mcueto
Joscontr|buam parareal|zarAr|stoteles] asab|ad|ssoed|st|ngu|anatraged|a,
cu]oob] etopr| nc|palea|m|taçaodav|da, partescue saoosme| osda|m|taçao,
a saber, o d|scurso, o canto e a¬·s::rsc:r: Essault|malheparec|a mesmo tao
J|st|nta das outras cue a cons|derava como a ma|s estranha detodas a poes|a
µroµr|amented|ta, o ¨d|retorart|st|co¨ sa ben domu|toma| s aesserespe|todo
cue opropr|opoeta Com ele|to, o l|losolo d|st|ngu|ase|spartes natraged|a,
m+sastrês cue c|tamos bastam paramostrarcue t|po deun|dade lhe parec|a
aecessar|aparaasseguraraex|stênc|adaobradearte Todasasse| sser|amlac|l-
meate |dent|l|cave| snumaanal | sedo dramamus| cal deWagner, porexemplo
0 ía·¡aîsº·J|:a|a. de Mol| cre, £sio:· e Aioc|·:, de Rac|ne, e o O·|:a, de Cluck,
||car|amnome| o-termo
Adespe|todoseugrauder| gor,aun|dadecuelazdelaumsertemoele|to
Je separaraobradetodososoutros seres, se]amnatura|souart| l|c|a| s |uma
\AP|TÜLO`Ì ¯ 0 SLkPOl|TlCO I 1 1 1
dasle| sdoserque osex|stentesseexcluamuns aosoutros,]aquecadasernaoe
senaoumasovezaqu|loque e,parauma|nl|n|dadedevezesque naoenenhum
dosdema| s Da|aaç aodaslormas,queseparaAlormad|v|dedosoutros seres
aqueleque, del|n| ndo, const|tu| Ò quee essa¨lorma¨ const|tut|vadaobrade
arte¯ Palavrasnaosaodel|n| ç ões,enem sequereposs|velacadaumadelasque
correspondam a umareal|dade del|n|da e observavel como uma co|sa Co| sas
nao saole|tasdeoutrasco|sas Maoobstante, pode-seprec|sarquealormada
obratemasuaor|gemnumt|podenoç aoconceb|dapeloart|sta,queessanoç ao
] ae adaobrapor lazer e que, al|nal, a produç aoda obradearte, se o detalhe
pudesseseexpl|c|taremconce|tosd|st|ntos,reduz|r-se-| aapassagem dalorma
conceb|daalormaelet|vamenteproduz|dapeloart| sta Maopodemosconhecer
essedetalhe,]aemrazaodesuacomplex|dadeextrema,]aporque, malgradoos
eslorços dos ps| cologos que |nvest| gam a ¨cr|açao art|st|ca¨, os metodos pro-
pr| osaessegênerodeobservaç aoa|ndanaoloram descobertos,] a, sobretudo,
porque ta| s detalhes nao ex|stemnareal|dade como elementos sut|s, numera-
ve|s e ordenave|s em ser|es |ntel| g|ve| s. Essarazao, porem, naobastaparanos
abstermosdecolocaroproblema M| sol ogoshaquecostumamseexpr|m|rem
termos|rôn|cosemrelaç aoal|losol|a, como se seculosdeespeculaç aosomas-
semumamassaester|l l ssonaoeverdade Seprec| solossemenc|onarumpro-
gresso l|losol|co ob]et|vamente observavel, tao del|n|do em s| mesmo quanto
qualquerdescobertac|ent|l|ca,qu| ç aatema|sduravelquealgumasdelas,ecu]as
consequênc|as, emtodocaso, aletam em suaquase total|dade o dom|n|o, por
exemplo, da b| ol og|a, os que estudaram com Bergson nao hes|tar|am na sua
escolhaAo que nostocaanos, pensar|amoslogonasanal | sesde£rsc·asal·:as
DcJasl¬:J·c|asJcCars:·îr:·c,asqua|s,recusando-seadescreveroatol|vrecomos
sumar|osmecan| c|smoel|nal | smotaocomunsaessegênerodedescr| ç ao pelo
que0 ult|moaparececomoum s|mples mecan|c|smoasavessas,revelaram0
progressocont|nuodeumaat|v|dadesemelhanteav|da, que se move, or|entae
produzumlrutoaomesmotempo|ntel| g|vele|mprev| s|vel,estarar|dadequee
umatoverdade|ramentel|vre
Umadas pr|nc|pa|scausasdeobscur|dadenad| scussaodessesproblemas
vemda|ndeterm|naç aodasnoçõesqueelespõememquestao Ha, comele|to,
1 1 2 I Ì NTkODÜÇAOÀS/kTLS DO ÍLLO
del|berações cu]a conclusao e quase mecan|camente determ|nada, como, por
exemplo,aescolladeum|t|nerar|odeautomovelcomo||tode,med|anteum
aaparodov|ar|o, sa|rdeumpontoeclegaraoutro. Haa|umaescollaa|azer,
sea duv|da, poss|vel por me| odo conlec|mentorac| onal dos seus termos, o
cue |az dela uma escolla l|vre, mas a dec| sao nao |ara ma|s que tomar nota
deum |ato preestabelec| do, esse gênero de l|berdade nao acarreta nenluma
cr|açaoAss| mtambemnaordemdaarte |banalprotestarcontraoens| nodo
cue,semprealgope]orat|vamente,clamamosde'regras¨ Elassaonecessar|as,
+ despe|todo quesed|ga, e osaestres queas ens| nam estao mu|tolonge de
µrec|sarsent|rvergonladas|unçõesqueexercem Masescolasdebelas-artes,
aosconservator| osdemus| ca,nas|ncontave| s salasdeaulaondeessesmestres
transm|tem aos alunos as regras de compos| çao e de produçao que um d|a
+µrenderam,todooprogressoadqu|r|dopelolabordetantosart|stas,todosos
ae|osdecr|açaoeexpressaoque]a|oram|nventados÷ tudoseencontraad| s-
µos|çaodosma|s] ovens Aartedopassadol lestrans|ereoseusaldoparaque
|+�aaaartedo|uturo|adama|s|mportante,e, po|s, |n]ustamenteescarnece-
mosdessesbonsserv|dores, osqua| sens|nama |azeroque, em regra, naose
µoder|a|azersoz|nlo Cra, |azerobras e cr|arbel ezae] ustamenteoquenem
elesnemn| nguempodeens| nar, al| berdade cr|adora do art|stae aun|caque
Jetem essesegredo, masa|ndaquandosouberpoucoma|soumenosogênero
Jeobra que dese]a produz|r, o art|sta prec|sara recorrer a lerançados seus
µredecessores para tomar posse dos me|os de execuçao sem os qua| s a obra
a\oµoder|anascer Mesmoentaodevera|nventar, po| stodaobranovarequer
teca|cas novas ou, ma|s prec|samente, cons| ste nessas mesmas tecn| cas, mas
o +rt|sta se apo|a em me|os lerdadosparaos aper|e|çoar e enr|quecer Uma
saµreaa|ac|l|dadedeass| m|laressalerançaeumdoss| gnosdopodercr|ador
+cueclamamos gên| o, mas a|nda e prec| socomeçarpelalerançapara|azer
esse gênero de |ortuna M| nguem |nventou ma|s mus| cas novas que R|clard
V+gner, oqual, naoobstante,naoaspod|acr|ard|retamenteapart|rdeCluck
eJeMozart, sem BeetloveneWeberentreeles
Aarte tambem o|erece o equ|val entedessa||nal|dade sem |nvençao, em
|ae Bergsonv| amu|tobemum aecan| c| smo as avessas Come|e|to, quando
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umart|stasabedeantemaoexatamenteo que ecomo|azer, aobra]aprontano
seuesp|r|tonao dalugar anenlumes|or�ocr|ador, nao passando, po|s, deum
problemaexecu�aoAbemd|zer,essaeumas| tua�aoma|s|dealquereal D|z-se
queMozartescreveualgunsquartetoscompondoossegu|ntesdecabe�a,oque
certamentenaoe|mposs|vel,masentaoelenaoerapropr|amente0 cr|adordos
queescrev|a,masoprodutordabelezadosa|ndanaoescr|tos Momomentoem
queaobrapor|azer]aestadeterm|nadaemtodosos seuselementosessenc|a|s,
estaprat|camente|e|taenaolama|slugarparaal|berdadecr|adora.
Aqu|, porem, nao convem desprezar nem exclu|r nada. Pensando nal|s-
tor|adas artes e dasletras, recordamos sobretudo os grandes nomes e algu-
masobrasquemarcamoadventoouoaugedecertos est|los,masnaoconvem
esquecer que a v|da das artes e marcada pr|nc|palmente pela massa de obras
secundar|as, masd|gnas deest|ma, que const|tuema produ�ao med|ade cada
epoca Csmuseusestaocle|osdequadrosque atestamumalab|l|dadetecn|ca
deboaqual|dadeedeobrasquenaocarecemdeencanto, portanto, debeleza
Trata-sedos talentos, quegerm|nama voltados gên|os e aprove|tam o tempo
enclendo-o deestatuas, quadros, compos|�õesoul|vrosque saoore|lexodas
cr|a�õesdosgrandesmestres. A| n|luênc|adesses'pequenosmestres'ou,como
sed|z,dessesII escr|toresdesegundoescalao', e part|cularmenteben|aze]an| sto
que |n|c|ao grande publ|co noest|lo dos cr|adores, o|erecendo-lleuma dose
d|lu|dadessemesmo est|lo Avulgar|za�aoda beleza e antesumbemqueuu
malmenor. Csqueseded|cama| ssotêm, portanto, asuaut|l|dade Plag|ar|os,
|m|tadores, cop| stas,prat|cos, todososquepart| c|pamnoma|sm|n|mograudo
aumentodasobrasquedaogostodever, lerououv|rtêmd|re|toaalgumreco-
nlec|mento,tantoma| sque, sendo mestresdetecn|cascomprovadase sempre
secolocandoproblemas]aresolv|dos,saoprat|camente| n|al|ve| s Elesprat|cam,
d|z|aCam|lleSa|nt-Saensacercadeumdeles, 'a|ut|l|dade|ndestrut|vel ' E| sa|
otr|un|oda||nal|dadesem|nven�aoedaartesemcr|at|v|dade
Astnesmasd| st| n�õesseobservamnasdoutr|nasquetentam|ormaruma
no�ao |ntel| g|vel das artes do bel o Le um lado, vemos todas as '||loso||as
da arte' que expl| cam as obras porpr|ncp|os analogos aos do mecan| c| smo
mater|al | sta dadooart| staass| mcomoera,oseutempoeasoc| edadeemque
1 1 4 I Í NTkODÜ�AOÀS/kTLS DO bL|O
v|veu ass| m como eram, uma d|alet| ca apropr|ada mostrara que tal ou qual
obra part|cular e o seu resultadonecessar|o, do outro, as ||l oso||aslerde|ras
deum||nal | smoelementaremqueo ||m, atualmentepreex| stentenalgumes-
p|r|tosupremo e] adotadodetodasas suas determ| naç ões, prede|| nea obra
queoart| sta|ormaraa sua|magem,cop|ando-aomellorquepossa Para| n|e-
l|c|dadedateor|ae|el | c| dadedoart|sta, da- sequeessemodelo|deal]ama|s se
de|xaperceberd| st| ntamente, sua| ndeterm|naç aoaparenteo|erecendo, po| s,
certa margem de]ogo e de | nvenç ao ao traballo do cop| sta Ò atol|vre de
Bergsonnaopreex|stea s| propr|o soba|ormadeumadec| saoqueo agente
a|ndanaot|vesseaconsc| ênc| ade ] atertomado, ass| mcomonaoapareceno
termoda del|beraç ao como a resultante necessar|a de um certo numero de
|orç asdequeresumeoequ|l|br|o|| nal Umatals| mpl | || caçaodorealnaores
µe|taasuanatureza,po| severdadequenaolal |berdadesemconlec|mentoe
cuetodadec| sao||nalpressupõeasdel|beraç õesdarazao, mas o atol|vrenao
eumaconclusaorac| onal Aconclusaodeumrac| ocn|o, sobretudoseest|ver
correto,naoel |vre Bergsonteveomer|todedescobr|r, po| squesetratavade
umaJ:s:al:·|c|· |asá|·:c, que doutr|nas trad| c|ona|sopostas de| xavam escapara
mesmaverdadeÒ ato l|vreapareceao||naldeumprocessodematuraç aode
cuee uma das resultantesprev| s|ve| s, mas nao aun|ca Se se tratadeumda-
cuelesproblemasemquen| nguemseenga] aporcompleto QaaJo·|c:s::|cla·
·|:·_ semprese podeexpl| carpor que, retrospect|vamente, setomouestae
aao aqueladec| sao Espanta-nosumpouco que tantos teologos se la]am tao
v|olentamenteapegadoao||nal | smodet| pocl ass| co Emsuma, eles propr| os
aao pensamquela] aalgumrac| ocn| onecessar|oacu]otermoseconsteque
Deuscr| ouomundo,seencarnouparasalvaroslomensemorreunacruzpara
+t| ag|resse|| m
Aumad|stânc|a|n||n|tadessesproblemas, e emordem d|st| nta, mas nao
estrange|ra,aproduç aodaobradearteseapresentacomoamaturaç aoprogres-
s|v+deumserv|vosobreoqualpodemospreverqueserap|ntura, esculturaou
mus|ca,mascu]oscaracter|st|cos|nd|v|dua|s, no|nter|ordeta|sdeterm|naç ões
¸eaer|cas, saoabemd|zer|mprev| s|ve| s, po| s, seelesresultamdessaobra,nao
+µrecedemnemacond| c|onam
\Al|TÜLO`Ì ¯ 0 SLkPOlLTlCO I 1 1 5
|, po| s, natural perguntar por que |alar de um germen, de uma '|orma
sem|nal' ou de qualquer outra co|sa desse gênero Quando o b|ologo |alade
germen,sementeougenes,atr|bu|umsent|doprec|soaessasexpressões Trata-
se deco| sas concretas, mater|a|sev|s|ve|s, cu]adescr|çao pode ser controlada
med|anteobservaçao, nao ass|mnocaso das |ormas germ|na|s de que|alamos
a propos|to da concepçao e nasc|mento da obra de arte, po| s, entao, tratase
apenasdemeta|oras, emboranaose]amarb|trar|asnemvaz|asdes| gn|||caçao
Umapr|me|ratentaçaoser|asupr|m|ressa|ormaconceb|dacomoumaes-
pec|ede|ntermed|ar|oentreoart|staeaobra,masentaoadescr| çaodoproces-
socr|adorde|xadeconcordarcomos|atos Semduv|da,naopodemosobservar
a |orma sem|nal separada do art|sta que a concebe e da obra em que term|na,
n| ssoelad||eredos germenesdequeo serv|vonasce,mas oart|staemgestaçao
se sentelab|tado por uma semente que, tal como a outra, nasce dele e e ele
mesmo,emcerto sent|do, a|nda que noutro sent|doonaose]a, devezqueten-
deaseseparareasea||rmarnapropr|aex|stênc|aatual, queparecere|v|nd|car
|oradasuacausaMu|tosescr|toresnotarama|nqu| etaçaoqueacometeoautor
enquantotrazems|umaobraa|ndapor|azereque'pedeparasa|r', asvezesate
antesdelavers| docomeçada Seumd|adeveranascer, naoseraantesdos seus
uovemesesounoveanos¯ rara¬(·:¬c|a··rcrra¬¯, depo| sdo que, oautorse
aclarasoz|nlosemela, comoantesdeaterconceb|do Òpropr|osent|mento
dessadupla sol|dao e prova su|| c| entedapresençav|va que, para ele, encleo
·r|:·¬:zzaQueaobranelenaose]anadaduranteosanosqueex|geparasetornar
v|avel,e| soqueart| stad|||c|lmentepoderacrer
Essamane|ra|nd|retade se expr|m|r serve a um duplo ||m Ev|ta que se
represente a obra em germen como co|sa mater|al de contornos de||n|dos, e
perm|teaomesmotempoconcebê-lacomoob] etod|st|nto,·::i·c|·ar: Po|snao
se podeduv|dar que apart|rdo d|a da suaconcepçaoa obra]a comeceav|ver
umav|dapropr|anopensamentodoart|stacr|ador, oun| coque |nteressaaeste
estudo Ò |abr|cadore umproblemama|s s|mples, mas |alando, porexemplo,
de!cJc¬:ßaoc·,, aoverasvar|astentat|vasdeFlaubertantesdosucesso||nal,
nao podemos de|xarderepresentara obra como resultado deuma como em-
br| ogênese esp|r|tual, queacabanum a|ortunado nasc|mento Haumav|dade
1 1 6 I ÌNTkODÜÇAOÀS/kTLSDO bLLO
Coetle, mas no] ovemCoetleapa|xonado que começaaescrever, no Senlor
Conselle|ro que abr|llanta av|dadeWe|mar, novello Coetle que organ|za
cu|dadosamenteapropr|alenda, v|veumoutroser, quaseseucontemporâneo,
conlec|docomo!cas|aPubl|cadoem|ragmentosa med|daquetomava|orma,a
obraser|aquasesemm| ster|o, se aconcepçaodas suas partessucess|vasnao se
|rtasseaoollarnosegredoda|mag|naçaocr|at|vadopoeta Antesde!cas|ala
uu!cas|aZ:·a, eantesdesseumagerm|naçaoobscuradequeoautoreraanteso
µalcoqueoespectador Le l 77?a l 3? 2,!cas|alab|touCoetle,ocupandonele
uaaduraçao super|ora detodasassuasoutras obras e, duranteessessessenta
anos, |guala deumav|dalumananormal.A|ormav|s|veldaobraecomoaen
carnaçaodaquela,totalmente|nter|or, quev|veutaolongamentenoesp|r|todo
µoetaedaqualemenoso e|e|toqueamater|al|zaçao.
Ass|m, assum|ndoas|unçõesv|ta|s da|ormaconceb|dacomopr|ncp|o, o
µro]eto|nter|ordaobratambem se apresentacomooseu||mM| ssoa||loso||a
trad|c|onaldeAr|stotelesman||estaumavezma|sasua|ecund|dade,sobretudo
senoslembramosdemantercertas noções daordemb|olog|ca,| stoe, dav|da
A ||nal|dadea|naoseexpr|mesoba|ormadeumas|mplesat|v|dadedecop| sta,
aas antes comoaor|entaçao |ntr|nsecadeumaprodut|v|dadev|talrumoaum
termoaquetende,semterconsc|ênc|atotaldoqueeleeA||nal|dadepo|et|ca
n+o e nada senao essa determ|naçao |nterna que, por me|o de mu|ta les|ta-
ç+o,retomadae,comosed|z,reparaçao,naode|xade| n|lex|velmentemantera
cbranasc|turanotr|llocertodoseupropr|ov|raser. |aqu| que asdescr|ções
bergson|anas do atol|vreassumemsuaverdadeplena, po|s saoverdade|ras so
bretudo dal|berdade cr|adora, cu]a ex|stênc|a enga]aa pessoaquando se põe
·nte|ra no seuato, e que e prec|samente a l|berdade do art|sta. As per|pec|as
Jessacomoortogênesemental podemnao serlamu|tonumerosas÷ d|zemos
entaoqueaobrae '| nsp| rada'÷, masnoma|sdasvezestêmumacomplex|dade
+tordoante, quedesconcertaapersp| cac|adeps| cologosel|stor|adores A|or
aanaode|xadeseraenerg|amotr|zdessev|rasereotermoemque repousa,
aaavezalcançado.Madama|sabstratoqueumanoçaodessegênero Ò||mda
cbraeelamesma,ea|ormaque,desde0 pr|me|romomentodasuaconcepçao,
estavaemv|asdev|raser.
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Sendo,po| s, pr|ncp|oe ||m, a|ormadaobraenecessar|amenteper|e|çao
Paraela, naolad||erença entre ser|e|ta e ser(:·|e|ta |sto e, |e|ta ate o ||m,
completamente As vezes perguntamos aos art| stas comovocês sabem que a
obraestapronta¯ Suas respostas d||eremnostermos, mas têm todas omesmo
sent|do A obra esta pronta quando anulou por completo a necess|dade de o
art|staaproduz|rMo||naldoseues|orço,oart|stasente,aovê-la,lê-laououv|-
la, nao necessar|amente que e uma obra-pr|ma per|e|ta, senao que, em suma,
e o que dese]ava que ela |osse Vallao quantovalla, aobraesta|e|ta Mu|tos
s| na|s nos convencem d| sso o art| sta percebe que, se a qu| ser re|azer, deve
recomeça-la, portanto, era ela mesmaa que quer|a |azer Cua|ndaque, se lle
qu|seracrescentaralgumaco| sa, subst|tu|rumaparte porumanova, em suma,
mellora-la de um modo qualquer, des||gura-la-a e arru|nara o seu equ|l|br|o
A obra esta per|e|ta quando opõe uma res|stênc|a |nvencvel a todo es|orço
de mod|||ca-la A|ndaaqu| se l| da com noções concretas e, a bem d|zer, com
|atos Se pensarmos nas grandes obras da arqu|tetura, abundam os exemplos
deed||lc| osarru|nadospara sempre pelas mod|||cações deplanta |mpostas por
d|versosarqu|tetos Houveumtempoemque,nopensamentodeM|clelange-
lo, a|acladadeSaoPedrodeRomaeraobra|e|tae per|e|ta, elaestavapronta,
tendoat|ng|doopontoemqueareal|dadedaobra, aomenosempensamento,
cumpr|aadequadamenteoseupro] eto,masdesdequeBern|n|qu|s|azerma|se
mellor,a|mensacupulacomoque seapla|nou,espremendo-sesobreoed|||c|o,
arru|nadapelaaltabalaustradada|aclada,elapr|voua|gre]adesuasupremama-
]estade, aomesmotempoemqueperd|aasua SaoPedrodeRomapermanece
umed||lc|o|menso, desde Bern|n|, o seuexter|orde|xoude sergrande
Ass|m sereal|zaa determ|naçao do ser po|et|co Vemos a| o seu l |m|te
Òart| stanaocausaaex|stênc|adamater|adesuaobra, naocausa, po|s, aex|s-
tênc|adaobranamed|daemqueelaconst|tu|umaad|çaoasobrasdanatureza
Com relaçao a soma total do que ex|ste, da qual o un|verso se compõe, e a
despe|to daposs| b| l| dade de um cresc|mentodamater|a cosm|ca, a produçao
daobradeartenaocausamod|||caçaoalgumaMasamod|||caçaoe realeapre-
c|avel do ponto dev|sta do ser substanc|al Com e|e|to, a obradearte e uma
substânc|a Ela se compõedeelementosmater|a|souque cumprem|unçaode
1 1 8 I ÌNTkODÜÇAOAS/kTLS DO bLLO
mater|a,esseselementossaotraballadosporuma|orma, queea|ormaquelles
|mpõe o art|sta, elaapresentaumaun|dade orgân|cadev|do asdeterm|nações
rec|procasdaspartese asubord|naçaodocon]untoaotodo, queresultadelas,
mas das qua|s, a t|tulo de ||m, e antes a causa, a substânc|a asslm const|tulda
nao e umorgan| smov|vo, nem tampoucoums|mples todo art|||c|al amane|ra
das maqu|nas, po|s entreassuasparteslaumal| gaçaov|talelnt|ma, detalsor-
te que nao se pode alterar uma delas semmod|||caro con]unto, en||m, como
todo sersubstanc|al, aobradeartee um |nd|vlduoun|co, que sepode|m|tar,
sem duv|da, mas nao repet|r Sendo, como e, causa l|vre de ta|s substânc|as
cuenaoex|st|r|amsemele,oart|statemd|re|toaot|tulodecr|adornosent|do
µrec|so queacabamosde de||n|r Enquantov|vae produza, novas substânc|as
vaoa|lu|ndoao sere sesomandoaotesourocomumdaquelasasqua|soser|o|
conced|doemv|stadasuamerabeleza Mamortedoart|staasua|am|l|aperece
µaranuncama|s, demane|raque, quant|tat|vamente | ns| gn|||cante, a suaperda
e qual|tat|vamente cosm|ca Segundo as palavras de Cabr|ele d`Annunz|o em
l|!aa:a. 'Al,Stel|o, euesperavaport| R|clardWagnermorreu÷ Parecequeo
aundod|m|nu|udeval or'
Masc|das deuma mesma causa, com a qual se assemellam, as obras de

ur mesmoart|staseparecementres| porquesuasrespect|vas|ormastrazema
aarcada|mag|naçao cr|adoraque as concebeu E| s por que, toda vez que nos
+temos a ordem da cr|açao or|g|nal, as obras de cada art|sta costumam reco-
nhecer-seporcertostraços |orma|squellessaocomuns,aos qua|sclamamos
oseuest|l o Saotraçosdessegêneroqueos plag|ar|oscomeçamportomarem-
µrestadoeos|alsar|ospor| m|tar Londeaartemenor'amane|rade', ma|sres-
µe|tosamenteclamadadepast|cle, eml|teraturaouemmus|ca, e asvezesnas
+rtesplast|cas Todocompos|tortemseus|ntervaloseacordesprediletos, todo
escr|torseus|aa·sJ:(o·cs:e suaspalavraspre|er|das,comoo 'puro' queValery
µarece terlerdado de Mallarme, e que o obceca Acordes e tons, arabescos
econstantes |ormas elementares se reencontram comotraços d|st|nt|vos nas
obras dos p|ntores, gravadoreseescultores |asetentouestabelecerovocabu-
l:r|odealgunsgrandesart| stas, enaosemalgumsucesso, masbastaobservara
µresença,neles,deconstantes|orma|sparacon|er|rumsent|doprec| soanoçao
LAllTÜLO`Ì ¯ 0 SLklO|LT|CO I 1 1 9
deserpo|et|co Cada| nd|v|duonasc|dodaartedeummestresecaracter|zapela
presençadecertasconstantesquellede||nema|dent|dadeeperm|temquese
lleestabeleçaaor| gem Aobranaoesomenteum|nd|v|duodecertaespec|e, e
tambemomembrodeuma|am|l|a,emrelaçaoa qualses|tuaeaomesmotempo
concorreparade||n|r
Const| tu|das de mater|a e |orma, e da |orma que, em ult|ma anal| se, as
obrasdearterecebem|ntel| g|b| l| dadeebeleza, mesmoabelezadasuamater|a
eadeuma|ormaoucertarelaçaocoma|orma, peloquenaosepode, porem,
esquecer que toda a real|dade substanc|al do mundo das artes e const|tu|da
de ob] etos mater|a|s s|tuados no tempo e no espaço Ò lab|to adqu|r|do de
subst|tu|ro ponto dev|stadoespectador pelo dapropr|aobra expl|ca por s|
soa|lusaotaod||und|dadequeaartese]apuraco| sadoesp|r|to, |ncorporal e
|mater|al,gozandonasuasubstânc|adosmesmospr|v|leg|osqueoatocognos-
centeporqueeapreend|da,ouqueaessênc|ameta||s|cadoBelo Maverdade,
nada ma|s terrestre que o art| sta e a obra de suas maos Masc|da namater|a,
|e|tadeumasubstânc|a||s| ca|oradaqualnaosepodeconcebê-lasenaocomo
puraposs| b| l| dade, aobradeartenascedeumesp|r|toencarnadoqueencarna
emoutro corpoa|ormaque concebeu | somentepara ||ns d|dat|cos, na|or-

madel|ções, ouestet|cos, em que as un|casquestõesd| scut|dasconcernem a
degustaçaodas obrascu] aor|gem se atr|bu|ao 'gên| o', que odom|n|odaarte
se con|undecom o|mater|al
Rest|tu|r o corpo a obra de arte a]uda a d| ss|par toda a sorte de erros
Come|e|to, umavezreal|zada, aobratomao seupostoentreosseresouob-
] etoscu]aor|gemenatural | s so,porem,nao|azdelasseresnatura| s, co|saque
nao sao e nao serao]ama|s, a nao ser por suamater|aque, natural deor|gem,
para sempre o sera. Avellaobservaçao deAr| stoteles, segundoa qual, se se
enterraumbrotodemade|radele|,naoeumacamaquenasce,masumaarvo-
re, ]ama|s |o| desment|dapelaexper| ênc|a E| spor que a obrade arte segueo
dest|noda sua mater|a, duraenquantodure, envelleceeacabaquandoacabe
Cssos esculp|dosougravados desdelamu|tos m|llares de anos clegam-nos
lo]e| ntactos, enquantotelas p|ntadasnoseculoXV|, oumesmonoX| X,]ase
tornaram|ndec||rave|soutaodescolor| dasqueostons desuascoresde|xaram
1 20 I ÌNTkODÜÇAO ÀS /kTLS DO bLLO
de ser percept|ve| s A etern|dade da belezae um m|tol|terar|o, po| sa |orma
art|st|canaosobrev|veaoseucorpo, etodososcorpossaoperecve| s Ama|s
oumenos longo prazo, nadaescapa a essa le|, as l|nguas morrem, os textos
l|terar|os seperdem,aspart|turas ,quandoescr|tas) setornam|ndec||rave|sou
|nexecutave|s, a p| ntura de Leonardo acaba por se decompor a ollosv|stos,
e, a|ndaqueesculturas em mater|al duravelgozemde adm|ravel sobrev|da, as
cuebraduraseracladurasa|ndasaocons|derave| s Comaa] udadoslomens,as
clancesdepermanênc|adasobrasant|gasdecrescema med|daquesaodesco-
bertas l ncomparavelmentema|sdurave|squeoart|sta, todasasobrasdearte,
ecomelasasuabeleza, acabam| n|el |zmentepormorrer
Mesmo durante o tempo em que duram, as obras subs| stem em cond| -
�öesde||n|daspelamater|al|dadeAesserespe|to,suasrespect|vass|tua�öessao
var|ave| s Algumascausamapenasumm|n|modeestorvoUmaun|cavozbasta
µ+ra|azerex|st|rcertasmus|cas, equemcantarolaparas|mesmopodepresc|n-
J|rdemu|tasoutrasbelezasma|svolumosasMaopodemos,porem,senaosorr|r
+olersobreas e|usöes detantos ||loso|os ouescr|toresd|antedaleve, aladae
|mµonderavelmus|ca,cu] oencanto, porass|md|zer, 'eventoque passa' Todo
v|ol|notemalma, mas tambem tem corpo, o do p|ano e ma|s pesado, grandes
crgaos sao dec|d|damente |mposs|ve|s de transportar, e quando as orquestras
|nternac|ona|s sedeslocam pararetr|bu|rav|s|tadeoutrasorquestras, otrans-
µorte de | nstrumentos e | nstrument|stas, comtodas as suas part|turas e mate-
r|+|sdetodoot|po, tomaaaparênc|adeumamanobram|l|taracompanladade
argöes Pode-semesmoacrescentara| ssooscoros,ascompanl|asdebaleeos
cenar|os,sesequ|sertransportarumaoperacompletaeconstatar, en||m, quea
mus|capoderepresentarumestorvocons|deravel Masopesodeummuseude
escultura,asuper||c|eocupadanasparedesportelascu] otransporteeos|mples
+rmazenamento] aconst|tuemumproblema, osrascunlosemqueoescr|torse
µerde,a|abr|ca�ao,manuten�aoed|str|bu|�aodapoes|ama| seterea, semmen-
c|on+r sequero agudo problemado cresc| mento sem-||m das b|bl|otecas pu-
el|casepr|vadas,tudorecordaaoesp|r|toaduramater|al|dadedaobradearte
0ur+e custosa, po|samater|asecompraAtendênc|apresenteparael|m|naro
+rt|staou, ao menos, coloca-lo |ora do c|rcu|to, por todaa parte subst|tu|ndo
CAPITULO `Ì ¯ 0 SLkPOIETICO I 1 2 1
a obra por sua 'reproduçao', expl|ca-seem certa med|da por | ssoque, deum
modooudeoutro, o art|stae suas obras se tornaram | mposs|b|l|dades econô-
m|cas e soc|a|s. Mater|a |mpl|cad|nle|ro, especulaçao, corrupçao, comerc|oe
publ | c| dade, no paras|t|smodetudo o que |erv|llaemtornodaarteev|ve dela
sem a]udalaav|ver. Esquecera cond|çao temporal e mater|al da obradearte
e se equ|vocarsobrea sua natureza, e seguramente nao e umaboa mane|rade
aprec|a-laelonra-la.
Asmesmasobservaçõesseapl|camacond|çaodopropr|oart|sta Enquan-
toexecutaasuaobra, e umartesao, umart|||cedeco| sas|nute| s. Òdesprezo
secularemqueosart| stas|oramt|dos por'|ntelectua| s', 'pensadores 'e, numa
palavra, todososquenaotraballamcomasmaosesecontentamemconlecer,
estal | gadoaosent|mentodeque oart| stadecertomodo|az parte da 'cond|-
çao operar|a' Memmesmo a 'cr|adageml|terar| a', |nventadanoseculoXV| l
a |magemda 'cr|adagem domest|ca', de|xouderessent|r sedeumacond|çao
v|z|nla dessa ult|ma, porque tambem ela t|nla de cumpr|r um traballo, de
produz|robras mu|topart|culares para]ust|||cara proteçaode que seval|ada
partedosseussenlores Elasel| bertoudessegênerodemestres,masasneces-
s| dadesdav|da||zeramnaprocuraroutrogênero,ea|ndescr|t|vel|e|ral|terar|a
que lo]e se estabeleceunapraçamostramu|tobem que aobradeartenaose
|abr|capor puros esp|r|tos, nem parapurosesp|r|tos Somenteapoes| asobre-
v|venasombra,salvaporsua|nut|l|dadetotal,maselanao|nteressaan|nguem,
nemsequerasacadem|as. Quandoo mundoserecusaaouv| la, elaagecomo
amus|capura elasecala
Les|azer-se da |lusao de que as obras de arte nasçam, durem e morraa
num mundo d||erente do das obras da natureza, do qual part|c|pam por sua
propr|amater|a, nao nosautor|zaaperderdev|staa sua espec|||c|dade Como
a causa da suaex|stênc|a e a arte deum art|sta, as obras de arte sao d|st|ntas
das danaturezasegundoa suapropr|aessênc|a Sao-nopornasc|mento,po|s,e
permanecêloaoenquantodurarem 0 graoque oarqueologoencontraemal-
gumasepulturam|lenarelevado aummuseudel| stor|anatural, agema que]a:
al|aoladova|paraalgummuseudebelas-artes | ssoestaemordem,po| sotr|go
e danutr|çao, a gema e dabeleza. Sem duv|da, o carater barbaro dos lomens
1 22 I Ì NTkODUÇÂOÀS/kTLSDO bLLO
mu|tasvezes empregouobras dearte como s|mplesmater|a|s que os constru-
torest|verama|el|c|dadedeencontrard| spon|ve|s,a|ndaque de|xassem, po| s,
de sertratadas comota| s, nem por| ssoas obras mudavam de natureza, o seu
pr|v|leg|odenasc|mentolles e |nerente e, portanto, | rrevogavel. Ò p|ntorde
Lascaux, ou deAltam|ra, provavelmente nao se d|z|a. 'Eu souum art|sta, e o
meub| saoe uma obra de arte', a bem d|zer, nos| gnoramos o que pensava, e
mesmocomopensava, massabemosque,aop|ntarumtourocom coresprepa-
radasparaumtaluso,elenao0 caçava, nao0 matava, nao0 destr|nclava, nem
llet|ravaocouro,mass| mplesmenteop| ntava. Suaobraeraumap| nturaeera
elepropr|oo que clamamos de p|ntor Houveartee art| stasmu|toantesque
louvesse estetas, e as obras pr|m|t|vasatestama sua ex|stênc|a, prec| samente
porque desde entaonadapoder|aalterara sua natureza. A obradeartepode
de|xardeser, masenquantosubs|sta,naopodede|xardeser0 quee
Ex|ste, po| s, ummundopo| et|co, compostodeserespo|et|cos,local|zado
aomundodanatureza,masespec|||camented||erentedel e Quandoosob] etos
cue o compõemnao saoreconlec|doscomota|s, podesetemero p|or, mas,
oadequerqueo se]am, olomemostratasegundoasuapropr|anatureza, | sto
e, comoobrasdearte. Tudosepassaentaocomose asuaor|gemdes|nteressa-
da eabelezade quea suapresençaenr|queceomundollesvalessecu|dados
d|spend|osos, llesvalesselonras.Cspart|cularesquepodemascolec|onam,os
|stadospromovembuscas, con||scam-nasourecebemnascomopagamentode
d|v|das||sca|s, oqueestacorreto, po|sset|vessempagadoosseus|mpostos,os
colec|onadoresprovavelmenteasnaoter|amcomprado Umavezcertodeque
setratadeobraspr|mas, e tendoconsegu|doapoderar-sedelas, senecessar|o,
ate mesmopelaguerra, o Estadoascoroadema| slonraea|ndadema|szelo
)uata-as e abr|ga-as em grandesmonumentos,que sao os 'templosdasartes',
oadeautor|zao publ|coavêlasemtrocaded|nle|ro |verdadequeessaau-
d|êac|acusta caro, po| sas obras porvezes estaovellas, doentesouen|ermas,
|a,po|s,necess| dade,naosomentedeguardasparaprotegê-las,mastambemde
med|cos paratomar-lles conta, c|rurg|õesparaoperalas, c|rurg| ões plast|cos,
como sed|z,parare|azerumabelezaameaçadapela|dade,pro|essores, en||m,
,araexpl|ca-las, comentalasecontartudooquesesabesobreosseusautores,
\AP|TÜLO`Ì ¯ 0 SLkPOlLT|CO I 1 23
suaepocae seuscostumes, mas nao sobreaarte de|azerco| sas semellantesa
elas, po|s| ssose ens|napor outros pro|essoresemoutrasescolas Mo entanto,
|gnorados pelo Estado, pelos pro|essorese pelo publ|co, masasvezesencora-
]ados poramadores a|ndama|s desconlec|dos queeles, novos art| stas cedem,
porsuavez, anecess|dadetaopoucorazoavelde acrescentaralgoa belezado
mundoproduz|ndonovosob] etos, cu] oun|co||m eserembelos,prazerososde
ver e, se poss|vel,tambemdeter, paraseremrev|stossempreque se qu|ser E|s
a|osart|stas Elestraballamporumtranscendental |nut|l Leve-sedesculparo
mundo, po|s, |nteressadonosseuses|orços, poresperar que tenlam |nd|scut|-
velmenteat|ng|doasuameta
1 24 I ÌNTkODÜÇAO»s/kTLS DO bLLO
' '

ÍOÌì mì ar OamCtapOì CtìCa
Um||loso|o que|az daarte o ob] etodasuare|lexao nao pode de|xarde
observaroquantolleed|||c|ldesedesvenc|llardetalob]eto,malgradoacons-
tantesensaçaode|racassoqueexper|mentaaseupropos|to Adespe|todopro-
blemapart|cularquesecoloque,ao||meaocaboelesevêlevadoaconclusões
cuenao sede|xamde todoconce|tuar. Voltando-se, entao, aospredecessores
cu]osescr|tosllesao|am|l|ares,exper|mentaamesmasurpresa, mas, porass|m
d|zer, emescalabemma| svasta Po|ssede|n|c|oeleseperguntavaporqueesta
obst|naçaoqueol evavasemtreguaaumob] etodere|lexaotaopoucorecon|or-
tantc,agoraeleperguntacomo eposs|velquetantosesp|r|tosexcelentesla]am
µerseverado durante seculos no mesmo problema, cadaum dos qua|ssabendo
cuetodososseuspredecessoresbemoumal|racassaram, eaparentementenao
|ndagandosobreassuasclancesrea|sdesucessoemtamanlaempresa Porque,
deumavezportodas, eprec| soumaboadosede| ngenu|dadeparaacred|tar-se
ma|sluc|doquetantoslomens,mu|tosdosqua|seramgên|osbr|llantes,quan-
do oob] etoquesetratadecompreender estaa|aosollosdetodos
A|ndaass|m, e| ssomesmooquesedaTodosamamosaarteeabelezada
arte, mas se nos perguntamoso que ela e, |ormamosnoçõescon|usas sobre as
cua|sos||loso|os estao emgrandedesacordo Cspropr|osart| stasproduz|ram
belezadurante m|lên|os sem se |nterrogar sobre o que |az|am, e quando ten-
taram |azê-lo, revelou-se-llesa extremaperplex|dade.Acabamosvendoquea
despe|todev|sõespro|undas, e paranossempreço, sobre certosaspectosdo
dom|n| odacr|açaoart|st|ca, osart| stasnaov|amma| sclaramenteoqueelae
A massadere|lexões acumuladas pelos|| loso|os sobre a naturezada arte
e |nacred|tavel Se se qu|sersubmetera d|scussaoapenas as l| nlas mestras do
que se tem pensado a esse respe|to, ]ama|s abordar|amos o problema em s|,
senao, paradoxalmente,quantoma|snosapro|undassemosnasual|stor|a,ma|s
essal| stor|atomar|aolugardoproblema,mantendonossemprenasuper||c|e
Mascomo| ssoe poss|vel ¯ Como expl| carque o ||loso|o queacabadepassar
emrev|stac|nco, dez, v|nte ||loso||as daarte d||erentes, re] e|tando todas, nao
les|teemescrevera|rasecostume|rae r|tual eagora, de|xandodeladooque
d|sseramapropos|toosquev|eramantesdenos, voltemonosparaoproblema
etentemosresolvê-lo¯
Exam|nandoaquestaoma|sdeperto, constatamos umoutro caracter|st|co
naomenosparadoxaldasual|stor|aolugarsubalternoa|ocupadopelobeloepor
aquelescu]av|daseconsomenasuaproduçaoMaoso,comod|ssemos,osart|stas
|oramdurantemu|totempocons|deradoscomotraballadoresmanua| s,senaoque
elesmesmostêm marcada sens|b|l|dade a l| erarqu|a entre as artes, ]a que todos
em con]unto sao ollados bem de c|mapelosl |teratos, cu]o traballo todo, l|vre
do es|orço das maos, e obraexclus|va do seu esp|r|to. A|ndalo]e, aAcadem|a
Francesa, que|aztaograndeapeloaosrepresentantesdetodasasgrandesordens
soc|a|s, |nclu|ndoa el|te governamental, amag|stratura, ad|plomac|a, o exerc|to
e a | gre]a, somu|to raramentepensaemconv| darum grande art|sta Quem es-
crevesobreasartesebem-v|ndo, osart|stasnao Masapropr|anoçaodebeleza
requerobservaçõesanalogas Hapoucostratadossobreabelezaparaamult|dao
ded|cadaaoser, a verdadeeaobem Elaecomoqueodeserdadoda|am|l|ados
transcendenta| s Quandoum||loso|o|alaa seurespe|to,raramenteeabelezada
arteoquetemem mente.|antesa|de|adabelezaquelleretemaatençao |ao
pormu|totempo,d|gasedepassagem, po|snao lanadaad|zersobre| sso, mas
a|ndaass|mconvemde|xarreg|strado, |ala-setambemdaBelezacomoEsplendor
daVerdade, o que em s| mesmoe excelente, mas d|z respe|toapenas a noções
abstratas que transcendem 0 mundo dos sent|dos, que e prec|samente tambem
odaarte. |mu|toraroque esse|nteressedos meta||s|cospelabelezase estenda
aosart|staseartesqueaproduzemTudosepassacomoseev|tassemoassunto,e
quandoaconteceaumdelesqueoabordede|rente, eparael|m|nalo.
1 26 I ÌNTkODUÇÂOÀS/kTLS DO bLLO
Cra, prec|samente sobre esse ponto, ]ama|s med|taremos o bastante o
exemplodePlataoTantoseacred|tanelequemesmoquemotem sobosollos
serecusaalledar|e. Ad||| culdadequelaem|azerumaud|tor|ode||loso|os
adm|t|rqueoautordoßcr,a:|:, supremoart|stadapalavra, desprezavaaartee
re] e|tava a poes|adeveseao s|mpl es|ato deque, nama|or parte do tempo, o
aud|tor|opensaamesmaco|sa. Paraele, comoparaPlatao, esseporta-bande|ra
doexerc|tode||loso|os,eabsolutamenteverdade|roa||rmarqueaartese]a| m| -
ta�ao. Aop|ntar o celebreCc¬c, em Sa|nt RemydeProvence, Van Cogl nao
passavadeum|m|tadordocarp|nte|roque,eles|m,t|vera0 mer|tode|azeruma
camadeverdade, ele ser|a mesmoum |m|tadordesegundamao, po| s|azendo
essacamade made|rao carp|nte|ro]a| m|tara a Cama em S|, da qual todas as
camasempart|cularnaopassamde|magens. Cs||loso|osquecomentamPlatao
se|nd|gnamcomosed|antedeblas|êm|aaoouv|rd|zerquecondenavaamus|ca
eapoes|a. 'Longed| sso', protestam,]aquecensuraapenasamus|cadeb|l|tante
eapoes|ament|rosa, masaprova, porsuavez, as que| nsp|ramcoragem, amor
ev|rtude no lomem. Vêse, po|s, acrescentam, que Platao nao e | n|m|go da
poes|aporquesose atem, emult|ma| nstânc|a,apoes|adeHomero,aprovando
aque |or 'ut|l as c|dades e av|da lumana' ,k:(. X, 3, 307b) Entretanto, no
|nveteradocon|l|toquedenunc|aentre os ||loso|os e ospoetas, naoladuv|da
cue Platao este]a com os pr|me|ros, e e, deresto, por | sso mesmo que tantos
||loso|osestaodoladodePlatao.Concedamos-llequenaose]aprec| solerHo-
aeropara| nstru|rsedepr|nc|p|ospol|t|cosemora|s,po|snaoosencontramos
nelee, sea|osprocurarmos, arru|namosHomero,masdescon||emosdessepu-
r|tanoquenaoadm|tenac| dadesenao'l|nosaosdeusese elog|os doslomens
Jebem' ,k:( X, 7, 607a) Òqueeledetesta, d| -locomaspropr|aspalavras, e
cuebusquemosapoes|apeloprazerque dae nao pelaut|l| dade moral e soc|al
cue proporc|ona. o:(·és o:Jar:r (a·:|·|:|c|o:¬|¬:s·s ,607c) . Mao o ponlamos
ea duv|da, o pa| da||loso||aoc| dental e o ancestral daqueles que Poe dever|a
Jenunc|arumd|acomode|ensores,'J··::||,crJ·rJ�·::||,. |oc||o:a||·¬c|:al,::|a|c||
la:|q·sT·a|o' Òpatr|arcados||loso|osetam bemodos||l | steus.
Maolaartesemart|sta,e,po|s, naturalqueos||loso|osotenlamdesprezado.
A senten�adeM| etzscleemAlr|cJ:J:íaJ:·,| | , ;4?7) permanecel|teralmente
\AP|TÜLO`Ì Í ¯ lO L|M|AkDAMLTAPO|LT|CA I 1 27
verdade|ra.¨Atelo]e, oart|staestaausentedetodaa||loso||a¨Pode-se-llecons-
tatar a exat|dao commu|ta|ac|l|dade Quem, lo]e, procura nopassado alguma
| n|orma�aoconcernenteao que os ||loso|ospensaram sobre aarte, deparacom
as doutr|nas meta||s|casdobelo emgeral, mas nao encontra quase nadadaquele
gênero de beleza queosart|stasproduz|ramequeadm|ramos nassuas obras. Ò
mesmonao se dalo]e emd|a, e]averemoso porquê, comoquer que se]a, essa
mudan�a de perspect|vaexpl|caas renovadas tentat|vas de tantosl|stor|adores
dereencontrar no passado ||loso||as daarte que]ama|s ex|st|ram Consegue-se
atemesmoencontraruma||loso||adaarteemSantoTomasdeAqu|no,a|ndaque,
salvo erro, nao sepossadescobr|rnas suasobrascompletasumaun|ca |raseque
de||naoqueeumaartedobelo, ouuuart|sta,seeled|ssealgumaco|saarespe|to
da escultura, da p|ntura oude qualquerumadas artes plast|cas, |sso deveestar
pro|undamenteescond|donas suas obras, po|ssepodelê-lasdurantelongosanos
sem]ama|stoparcomta|s a||rma�ões
| por| sso, al|as, que nossam|tolog|al| stor|caprocuraallures o que mal
podeencontrarnal dadeMed|a Porme|odeumparadoxoaquebemsepoder|a
clamar supremo, ela|az co|nc|d|r a moderna descoberta ||loso||ca da |mpor-
tânc|adaarte e doart|stacomo mov|mento de|de|asque, no seculo XVl, re-
conduz|u os esp|r|tosdeAr|stotelesparaPlatao l ssoe deverassurpreendente,
po|s, a||nalde contas, Ar|stotelesaomenossed|gnouaescreverumaía:|·.c, e
acabamosdeveroque Plataopensavasobreotema.Maola, porem,quebuscar
mu|tolongea expl|ca�ao desseparadoxo Umavez ma|s, ospro|essores estao
dolado de Platao, obelolles|nteressa, naoamane|ra como obelose |abr|ca
Porquesepreocuparcomessesoperar|osquepassamav|daaproduz|rpobres
cop|asdemodelosque, porsuavez, se| nsp|ramnobeloems|, od|v|nomodelo
de todas as co|sas belas¯ Sabendo o que e o Belo, podem presc|nd|rdaarte
Da|alendal| stor|calo]e sol|damenteestabelec|daque procuranoßcr,a:|:, de
F|c|no,aexpressaode umanovac|v|l|za�aodom|nadapelaartee,en||m, c|ente
dapro|undas|gn|||ca�aodoart|staquea produz. Mas | ssonao passade|lusao
de perspect|va Somos nos que, ||nalmente consc|entes do lugar das artesdo
beloemnossav|da, emprestamosaos||loso|osqu|nlent|stasuu|nteressepelos
cr|adores da beleza da arte que os seus escr|tos estao longe de testemunlar
1 28 I Ì NTkODÜÇAOÀS /kTLS DO bLLO
lnvoquemos o documentoma|s c|tadoa esserespe|to, o pro] etodeumaAca-
dem|aFlorent|nalavrado porMars|l|oF| c| no Ele prevêumlugarparatodasas
classesdeletrados,sab|ose||loso|os,maslugarnenlumparaosart| stas Abem
daverdade, o paradoxo soex|stenanossa|mag|naçao. Somosnosque,porque
Platao|eztantocasodoBeloems|, doqualoart| staeum|m|tadordesegundo
grau, acabamosporatr|bu|r-lleuma elevada est|ma pelaarte e pelos art| stas,
da qual o m|n|moque sepoded|zere quenao de|xounenlumtraço em seus
escr|tos Ma|snaolleped|r|amos||loso|os. elecolocao Belonasalturas, logo
nutrepelaarteumaelevadaest|ma, e0 quellesbasta
Atrad|çao||loso||caoc| dentalsempresemanteve||elaessepontodev|sta,
oqualreduzaarteaoconlec|mentoe|azdabelezaproduz|dapelolomemuma
var|edadedaverdade Quandoreal|zam umes|orçoexcepc|onal parad|scern|r
a|unçaopart| culardoart|sta, os||loso|osnaoclegamasedesv|ardal|nlado
conlec|mento,|azemdoart| staumaespec|edev|dente,quando|alamaseures-
pe|toÒpropr|oSclopenlauer, cu]oun|versoeassoladopelavontadedev|ver,
aaopensanaartesenao comome|odeposs|velredençao Mocap|tuloXl Xde
lc·:·¡c arJíc·c|·(a¬:rc, que trata 'La Meta||s|cado Beloe da Estet|ca', Sclo-
penlauer|dent|||caobelocomas| de|asdePlatao,quesaoas|ormaspr|m|t|vas
e essenc|a|sdetodo seran|madoou|nan|madoÒmundododev|rvolved|ante
denososeumov|mentosemprecamb|antecomoodeum] ogodemar| onetes,
aassooart| stavê, e|azver, ost| pos|move|squelleconst|tuemareal|dade,a
aesmaposs|b|l|dadedeumatalv|saodobelo, que eav|saoda| de|a,tem,por-
tanto, comocond|çaoessenc|al a ex|stênc|a 'de um su] e|to cognoscentepuro
detodavontade,| stoe,uma|ntel|gênc|asem|ntençaonem||m',;209) Mu|to
longedeserexpressaodavontadedev|ver, aarteeasuspensaodessavontade
Cbservaçõesanalogasseapl|camaquela||loso||amodernaemqueaome-
nosoatol|vre,| novadoreprodutordorealmentenovo,ereconlec|doedescr|-
tocomomax|modeprec|sao TambemparaBergsonara|zdaarteeuma|ntu|-
çao,umadeterm| nadamane|raexcepc|onaldevere, no|undo,umaespec|ede
contemplaçaoAesserespe|to,oseu| n|ormesobreLcì·::|| O:ao·:J:kcoc·ssar
e uudocumentoder|queza| nesgotavel Po| s, aosollosdeBergson,ad| |erença
entre Platao e Ar|stoteles era '|requentemente l|ge|ra e super||c|al, para nao
\Al|TÜLO `ÌÌ ¯ No |M|AkDAMLTAlO|LT|CA I 1 29
d|zerverbal' Com e|e|to, que areal|dadese]ano |undo |de|aplatôn|caouEs-
sênc| aar|stotel|ca, permanecesempredaalçado|movel, quesubs| ste| mutavel
sob as aparênc|as do mov| mento | mu|to d|||c|l d|st|ngu|r, nesse retrato que
p|ntade Rava|sson, os traços que pertencemao p|ntor dos que pertencemao
modelo Comoquerque se]a, Bergsonemprestaaseumodeloa|de|adequeo
escultoralcançaemsuaobraumaespec|edegeneral|dade,naocomoo||loso|o,
a |orça de esvaz|ar o conce|tode todo conteudo concretoe, po| s, deabstra|r,
mas,pelocontrar|o, |nclu|ndonareal|dadeun|cadaobraoessenc|aldoque se
acla em estado de d| spersao na mult|pl|c|dade dos | nd|v|duos Como o ollo
est| mulado reencontraa luz branca em cadauma das cores que a const|tuem,
ass|mtam bem'dacontemplaçaodeuumarmoreant|gopodera]orrar,aosollos
doverdade|ro||loso|o,ma|sverdadeconcentradadoqueaex|stente,emestado
d||uso, em todoumtratado de1|loso||a' Comoquerque se]a, trata- sedeco-
nlec|mentoedeverdadepordescobr|rEmboraoart|staeo||loso|ometa||s|co
a expr|mam por me|os d||erentes, a real|dade que representam e no |undoa
mesma 'Como', perguntaBergson, 'nao||car|mpress|onadocom asemellan-
çaentre aestet|cadeLeonardodaV|nc|ea meta||s|cadeAr|stotelestalcomo
Rava| ssona|nterpreta¯ ' Acrescentar|amosdebou gradoaessal| staapropr|a
meta||s|cade Bergson. Para esses três grandes esp|r|tos, segundo a respect|va
autocompreensao,oollardo art|stasobreanaturezaeomesmoqueo do ||lo-
so|ometa||s| co
Paraalemdoquepensassemarespe|to, contudo, a|mportânc|ado even-
to l| stor|co estava nesse encontro de arte e ||loso||a Hav|a algo de novo no
s|mples pro] eto de consultar um p| ntor acerca de questões trad| c| onalmente
reservadas ao ||loso|o A mane|ra como sucede tal ]unçao no pensamento de
Rava|sson, tal como Bergson o |nterpreta, pode descreversepelas|mplesab
sorçaodoart|stapelo||loso|o,tantoquantoumav|tor|adeAr|stoteles,essaera
tambemumav|tor|adePlatao
Mao clega a ser um exagero descrever o con]unto da culturaoc|dental,
daAnt|gu|dadeaos nossosd|as, comoa|dade dePlatao Maopropr|amentedo
I
lomem Platao, claro esta, mas antes do esp|r|t� especulat|vo, contemplat|vo
e |ntelectual | sta de que sua obra e a expressao per|e|ta e que,]ustamentepor
1 30 I ÌNTkODÜÇAOÀS /kTLS DO bLLO
sê-lo,taopoderosamentecontr|bu|uparad||und|r Mo|undo, eopropr|oesp|-
r|tolumanoencarnadonac|v|l|zaçaogregaquesetornouoesp|r|todoCc|den-
te, expressodemane|raalgod|st|ntapelostrêsgrandesesp|r|tosquev|mosde
cons| derar Mamed|daemquetomam|ormade||loso||a, as grandesteolog|as
cr|stasnao |alam outral|ngua, e denadaad|antaclamara atençaoparao que
la]a de assombroso nessa s|mb|osede ontolog|apuramente||loso||cae |nter�
µretaçao |ntegralmente rel| g| osado mundo os que v|vem nac:|cs(|c|ar·:c sao
tao |ncapazes de |mag|naras|mplesposs|b|l|dadedeum un|versod||erentedo
cueestanopensamentogrego, queperderamacapac|dadedeseassombrar
Sealçarmosumvoobemaltoe|nclu|rmosnumaun|cav|saoa|mensaarea
de||loso|| aqueseestendedeParmên|desaHegel,naoperceberemosma|sac|-
dentesdesuper||c|equeosdeumoceanoem quemalroçaovento Hao ser
e, porqueola, naosepodeconceberqueonaola]a Senaolouvesse, donde
µrov|r|a, senao de s| mesmo¯ Ò sere, po| s, necessar|o e, ao mesmo tempo,
dado por|nte|ro E|sporqueoser e| mutavel, po| s e poss|velobservaralguma
audançanasaparênc|as, mas porque 0 sere necessar|o, nadaseperde e nada
secr|a:xr·o·|a·rr·o·|a(ass:·:o:·|·, estamoscertos, po| s, dequetodooposs|vel
e real e da constânc|ado total do ser Essav|saode con]unto dareal| dade se
nostornou|am|l|aresenos o|erece comotao| nev|tavelqueperdemosdev| sta
o cuelade paradoxal numareal|dade ass|m conceb|da Po| s seareal|dadee
tal,aaparênc|aebemd||erentee nao sabemoscomoreconc|l|aroque ecom o
cuepareceser. Mao obstante,eprec| soconsegu| -lo,po| sseapenasoabsoluto
do serepensavel,v|vemosnarelat|v|dadedasaparênc|as, aqueolomemdeve
saberseacomodar Eeoqueele|azaoace|tarumcertonumerodeconclusões,
senaocomoclaramente |ntel| g|ve| s, ao menos como| nev|tave| s, todas sese-
¸uemdamesmaprem| ssa, segundoaqual 0 sere enaopodenaosernem, em
suaa,mudar0 quee
Cons|deremos algumas dessas conclusões Por exemplo, porque o ser e
o uno sao convert|ve|s, e nada podemos acrescentar ao ser ,po| so que acres-
centassemosa|ndaser|aser) , naopodelaverma|snomult|ploquenouno, ao
contrar|o, omult| ploe umacomoquetentat|vade|m|tarpelonumeroaun|dade
cuenao se pode at|ng|r Tentat|va |adada ao |racassocomo sevê na|rustrada
LAllTÜ|O`Ì Ì - lO|M|AkDA MLTAlOlLTlCA I 1 3 1
reconst|tu|çaodonumero l apart|rdasomade me|o,umterço, umsexto, um
dozeavoseass|mpord|ante,aser|e|raao|n||n|toeasoma, conquantosempre
crescente,] ama| salcançaraovalordeumaun|dade
Essarelaçao eapenasa pr|me|ra deumaclassesobreaqualare|ìexaodos
||loso|os se debruçou desde sempre Ass|m como lamenos na mult|pl|c|dade
quenaun|dade,eno|undopelomesmomot|vo,lamenosnooutroquenomes-
mo, po|sconquanto|ossemu|tobomad|c|onarumnumero|n||n|tode |magens
d||erentesdeumsoemesmoob]eto,sempresobrar|aespaçopara|magensnovas
e]ama|s, tomadas em con]unto, essas |magens equ|valer|am a |nesgotavel |den-
t|dade do modelo Lo mesmo modo, lavera sempre menos na |lusor|a r|queza
dasaparênc|asquenas|mpl|c|dadedareal|dade, menosnomovelqueno|movel
Conclusõesaquearazaodevesesubmetermesmoqueaexper|ênc|adav|dapro-
testecontraelas.Ass|mParmên|descolocara|acea|aceomundodoser|movele
odaaparênc|acamb|ante. Parece quePlataoacabouporconcederqueooutro, o
mult|ploeodev|rtambemsao ÷ a suamane|raMas| ssonaoser|aconcederqueo
nao-sere¯ Comoacollerdebomgradoumtalpensamento¯ Haumaeun|cama-
ne|rade|azerosereasuaaparênc|acoex|st|rem,deumpontodev|sta|ntel| g|vel
||mag|naroun|versocomoasubstânc|a|n||n|tadotadadeuma|n||n|dadedeatr|-
butos|n||n|tosecu] os modos ||n|tos,sendo|n||n|tosemnumero, porass|md|zer
secorrespondemecompensamunsaosoutros Porqueconcebeuqualquerco|sa
dessegênero,Esp|nosapermaneceumatentaçaopermanenteparaopensamento
oc|dental, mas o esp|r|to que se de|xa arrebatar por elea|ndanao conlecera o
dese]adorepouso. Po|s e o mundo de Platao que seperpetua, sempre cle|odo
mesmoproblema. Se aSubstânc|a|n||n|tae |e|tadeuma | n||n|dade deatr|butos
|n||n|tos,porquepossu|modos||n|tos¯Asua||n|tudee umaaparênc|a,responde
Esp|nosa,elanascedoscapr|closda|mag|naçao,osqua|scausamanossaserv|dao
e cu]o conlec|mento||loso||co, eapenas ele, nospode l|bertar Sem du|daque
pode, mas nao parece que o sercons|gase l|bertardaaparênc|a.Amald|çaode
Parmên|despersegueos sucess|vosun|versosdopensamentooc|dental,omesmo
vermelab|tatodosossuculentos|rutosdaarvoreplatôn|ca
Òquesepode|azercomumun|versodesset| po¯Mada,excetoconlecê-
lotalcomoe enaopodenaoser, nao|osseparareconlecera|opropr|olugsr
1 32 I I NTRODU<AO AS ARTES DO BELO
eaprenderase acomodaraele. ÒmundodePlatao, queeomundooc| dental,
e, po| s, porvocaçaopr|me|ra, 0 mundodac| ênc| a, quee 0 conlec|mentodo
sertalcomoe.Essaapt|daodoconlec|mentopararepresentaradequadamente
nopensamentoo queosseres saonareal| dade seclamaverdade Averdade
e, po|s, o queladema|sprox|moao ser, cu]ostraços reproduztao||elmente
quanto a |magem de um ob] eto no espello. A|nda aqu|, a poss| b| l| dade do
erro e uma anomal|a clocante, de que nos l|vramos ao relega-la ao nao-ser,
porem, seatratarmos como s|mplesaparênc|a,e possivelquenaocons| gamos
]ust|||calacomomomentoparc|aldaverdadeA certezade quea |ntegraçao
dasverdades parc|a|s sempre se pode levar ma|s longee o propr|o motor do
surpreendente desenvolv|mento da c|ênc|a oc| dental. Ma med|da em que e
verdade|ra,porem,ac|ênc|ama|snaoacrescentaaoun|versoqueasua|magem
|ntel| g|vel, porquellenaopoder|aacrescentarsenaoo errodonao-ser, aper-
|e|çao dac|ênc|aesta, pelo contrar|o, naadequaçaodoseuconlec|mentodo
un|versoareal|dade quedese]aexpr|m|r
E aqu| clegamos a ra|z de todas as nossas d|||culdades, ]a que nao lalu
garparaaartenumun|versodessegênero. Todo o serestadado o que selle
podeacrescentar¯Aun|cabelezaper|e|taquenoscabedese]areumabelezaque
se pode d|zernatural, daalçadado |ntel|g|vel. Apreend|da pelo pensamentotal
comoe, averdadedo ser secon|undecomeleee porass|md|zerasuatranspa
rênc|anoesp|r|to elaebela|prec|samentea|,pararetomaraspalavrasdeAndre
Dan ]on, queosmatemat|cospuros encontram 'os belosencadeamentoslog|cos
depropos|çõeseteoremascu]acontemplaçaollesproporc|onaomesmodele|te
estet|coqueumaobradearte¨ Ums| stemadeequaçõesqueexpr|meper|e|ta-
aenteumaordemderelaçõesrea|sdadasnanaturezae paraopensamentouma
|ontedealegr|asemquenaoraroopropr|ocorpo toma parte, masessabelezada
verdadeconcerneasrelaçõesrea|sdadasnanaturezaantesdesê-lonopensamen-
to|abelezadeque Le|bn|znaocessavadeadm|rara sab|aal|ançade|ecund|
dadedee|e|toscoms|mpl|c|dadedeme|os Òquetal||loso||atemd|||culdadede
compreender, emesmodeadm|t|r, equeolomempossaquererproduz|rbeleza
cuenaose]aanatural Come|e|to,]aquetudooquesepode|azercom o ser e
conlecê-lo,|m|tarasuaaparênc|asens|vel seranecessar|amenteumamane|rade
\AP|TULO`Ì Ì - lO L|MlAkDAMLTAPO|LT|CA I 1 3 3
expr|m|roconlec|mentoque dele setem Cubem a|m|taçao seraver|d|cae,na
med|dadabelezadomodelo,serabela,oubemserament|rosaeoresultadonem
sequerserauma |magem Averdade narepresentaçao dabelezanatural e, po|s,
nessecaso,apropr|aessênc|adabelezaart|st|ca
Retraçandoal| stor|adaarteoc|dentaldessepontodev|sta,veremos,po-
rem, queosart|stas cont|nuaram o seutraballo com tanto ma|s sucessoquan-
tomenoscu|daram do que os||loso|osd|z|am As |nterm|nave|scontrovers|as
acercadoob] etodaartedequecertosart| staspart|c| param naolles prestaraa
serv|çonem desserv|ço,]a que cadap|ntor, escultor, mus| cooupoetacostuma
requerera ||loso||adasuaarte que]ust|||queasuamane|rapessoaldeprat|ca-la
Momax|mosed|ra que alguns del essemeteram emvao no ma|orconstrang|-
mento ao ace|tar teor|as que, na prat|ca, sempre ter|am de contrad|zer, para
seremart|stas Seapenas averdade e bela, basta-nosac|ênc|a. coma arte nao
lanadaa|azer Falaremversoparamellorexpr|m|raverdadee s|mplesmente
uma|de|aparva
Ò||mdoseculoX| Xv|usurg|rumarevoluçaonanoçaotrad|c|onaldoun|-
versoe nasuaexpressao||l oso||ca Maosurpreende que as belas-artestenlam
desempenlado um|mportante papel nessal| stor|a, po|s se tratava de colocar
em questaoessamesmanoçaodo ser que so |az|a | gnorara |unçao propr|ada
arte, eatelle|nterd| tavaaex|stênc|a.
Escollemos o nomede Platao para s| mbol|zar apr|me|raconcepçaooc|-
dentaldomundoe dolomemnasuarelaçaocomo mundo Senecessar|o|or
um segundonomeparas|mbol|zaro mov|mentorevoluc|onar|ode que|remos
|alar, naolaoutromellorqueo de Fr|edr|clM| etzscle || nd|spensavelcom-
preenderasrazões pro|undas dasuaat|tude se se qu| serencontrarumsent|do
nosmu|tosmov|mentosque, com todaa]ust| ça, se tomam por caracter|st|cos
donossotempo Po|ssaotodos mov|mentos derevolta, e arevoltapessoal de
M|etzscle e em certoaspecto o modelo exemplar e a | de| ade cadaum deles
no seu modo part| cular Ao ||m e ao cabo, o seu motor parece ter s| do, em
M|etzscle,um sent|mentode rebel|aocontraumun|versonoqualnaolalugar
paraolomem Come|e|to, seoun|verso, paranos, naopassade um ob]etoa
se conlecere umanecess| dadeasuportar, nao e l|teralmenteverdade que nao
1 34 I Ì NTkODÜÇAOÀS/kTLS DO bLLO
temosnadaa|azernumtallugar¯ |prec|samente| ssoque M| etzscleserecusa
aace|tar Ò lomem da trad|ç ao oc|dental sempre |o| subm| ssoa natureza, e,
quandoreconlec|aaex|st ênc| adeumLeus,tratava-sea|ndadanatureza ÷ D:as
s·o:rc|a·c ¯ ou de um Autor da Matureza Mum tempo em que se expr|m|a
me|o que portodaa parte um t|po de d||usa|mpac|ênc|acontratal s|tuaç ao,
M|etzscleteveclaraconsc|ênc|adessesent|mentoe, al|mentando-ocomoor
gulloverdade|ramentepromete|coqueoan|mava, levou-oapontodeexplod|r
'Ia¬cr·zc·oun|verso,| stoe, sent|rmo-noscadavezma|sosseusmestres', esse
programacedooutardedev|aseabr|ra |mag|naç aodeumprotestante|nd|gna
docomtantae tamanlanatural|zaç aodolomem M| etzsclee o porta-vozde
todolomemque,cle| odoun|versodePlatao,en tendequenaoema| snature
za, senaovontade,l|berdade,poder.
ÒqueestaemcausanaoeM|etzscleesuadoutr|na, masantesoressent|-
aentoqueoan|mae o|azsumamenterepresentat|vo Seunomeetaoam|ude
assoc|adoaodeK| erkegaardcomo| n| c|adordoex|stenc|al|smocontemporaneo
quetalvezvalesseapenaass|nalarassuasd||erenç as AosollosdeK|erkegaard,
Socratese o propr|o||loso|onasuaverdade,segundoM| etzscle,agrandeepoca
da||loso|| aterm|nacomospre-socrat|cos, eSocrateseocomeç odadecadênc|a
dequePlataoconst|tu|oapogeu Acorrupç aoda||loso|| agregadatadod|aem
quea||s|casesubord|noua moral Começ ou-se,po|s, desdeentaoaconcebera
aaturezaeaordemdoun|versota| scomodev|am serpara]ust|||carasubm|ssao
dolomemasle|sdarepubl|ca, | stoe, dasoc| edade Ass|mestar|aasseguradoo
tr|un|odamassados |racossobreapequenael|tedos |ortese nobres,contrao
queprec|samenteM| etzsclepregaarevolta Comonaolembrarque Plataoeo
+utordak:(ál|·.cedasL:·s: EmA\ar|cJ:J:íaJ:·, M| etzsclelem braque 'desde
Platao, a||loso||aestasobodom|n|odamoral ', enumanotacle|ade sent|do,
anunc|aopro] etode'descreveradecadênc|adaalmamodernasobtodasassuas
|ormas emquemed|daelaremontaaSocrates,m|nlaant|gaaversaoaPlatao,o
ar|·cr|·¡a, ac|¬c¬aJ:·rc que]a ex|st|a' Cra, e no m|n|mod|gnodenotaque ao
aesmotempoemquellereprovaotersub] ugadoolomem,M|etzscledenun
c|aemPlataooquenaotempe]odeclamarde'ood|odaarte' |ass|mqueo
problema da naturezae do lugar da arte aparece comoummomentodec|s|vo
\AP|TÜLO`Ì Ì · lOL|M|AkDAMLTAlO|LT|CA I 1 35
desteoutroproblemaarevoluçaoesp|r|tualdomundomodernoSearepubl|ca
platôn|casereal|zasse,aarte ser|aban|da Òqueabsolutamentenaoenecessa-
r|o, po| ssea|astardaartee sea|astardav|da Lemodoque'aarteagoraquer
a suarevancle¨, e sabemos comoeladeve ser. Tratasedeassegurar otr|un|o
davontadedepodersobreavontadedesaber,numapalavra, M|etzsclequerse
l|bertardasupremac|adocrio·a(asio:a·:i·|ás, 0 lomemcontemplat|vo
Umaanal | sema|sat|ladadessestextosmostrar|aoquantoM| etzscleteu
consc| ênc| a de expr|m|r a| uma das tendênc|as do ma|s autênt|co |deal| smo
alemao, e, com e|e|to, em toda a parte onde esse mov|mento | nterve|o na
evoluçaodas artes e das letras soba|ormadoromant| smo, o e|e| to|o| pro-
porc| onara artea suarevanclecontraac| ênc| ae, sobretudo,volta-laparas|
mesma, subst|tu|ndo a av| ltante noç ao de arte- | m|taç aopelade arte-cr|aç ao
A part|rdo seculo X| X, a noçao de artl stacr|adortende emtoda a parte a
subst|tu|raoutra, doravante caduca, doart| sta|m|tadordanatureza Scl|ller
e Sclell | nga |ormulam naAlemanla, MadamedeStaela |ntroduznaFranç a
emseul|vroD:| A|:¬c¡r:, EugcneLelacro|xse | nsp| ranelaem suasre|lexões
sobre a p| ntura, Edgar Allan Poe quase a demonstra no celebre ensa| o To:
ía:i·:í··r:·(|:, e suas| de| as, retomadas por Baudela|re, |ornecemlle o ponto
de part|daao que se va| trans |ormar na querela da poes| apura Ò nome de
M| etzscles| mbol|zamu|tobemaun|dadede| nsp|raç aoquereúneessesmo-
v|mentos . Todosemcon]untoparec| am-llel | gadosao surg|mentodaartede
Wagner, pass| onalmenteamadae detestadaaomesmotempo, mas naqualse
mostrava com todas as ev|dênc|as a|ormad| on| s|aca de arte que M|etzscle
anunc|avae conclamavaa ressurre| ç ao
Duplo e o sent|do desses eventos Lesde logo, eles expl|cam a espaa-
tosaevoluç ao que conduz|utodas as belasartesa sel|berarumaapos outra
daobr|gaç aode | m|tara natureza, a que trad|c| onalmente estavam coag|das
Pode-seresum|ra l| stor|adaarte modernadestacando a suatendênc|aa se
tornarcadavez menos representat|va Mada consegu| udeter essa tendênc|a
dos art| stas, mas a sua mesma coragem acabou por enga] ar a empresa num
| mpasseque, conquantolle se]apropr| o, se assemellaaos lab|r| ntosde que
todostentamosescapar
1 36 I ÌNTkODÜÇAOAS/kTLS DO bLLO
Apoes|apr|me|ro|o||mped|dadeens|nar, depo|sded|zero que querque
pudessed|zer-seemprosa,a |or�adequerer-sel|vredetodoelementonaopoe-
t|co,clegouanaod|zerabsolutamentenada,oquepoucoselleda,po|s,desde
quetestemunleopoderlumanodecr|arcomb|na�õesdepalavras|ormalmente
belas,asuamesmaessênc|aestasalva,resta-llesomenteoproblemadeencon-
trarle|tores,co|saquea|ndaencontra, porpoucosquese]am
A mus|ca parec|a nao ter nenlum problemapararesolver, ]a que mal se
observa o que pudesse|m|tar, emvezde |m|tar, contudo, qu|seram coag|-laa
expr|m|r, ou, pelo menos, s|mbol| zar Portanto, a mus|caqu| s se l|berar dessa
serv|dao e acabouporromperasamarras |orma| s quelle| mpunlamas gamas,
ostons, osmodose, emsuma,asle|sdalarmon|a, dacompos|�aoedaorques-
tra�aoquedel|beradamenteseauto|mpusera Ò||naldessaevolu�aopareceque
estaprestesaserat|ng|do,ass|mcomoomus|coestaprestesase vertotalmente
l|vre de qualquercoer�ao, a un|cad|||culdade sendo, entao, que, sem mater|a
de||n|da para submeter a |orma, nem mensagem para transm|t|r, nem sent|do
|ntel| g|velparaexpr|m|r, amus|casedesagregaevoltaaoestadoderu|do
Ò caso das artes d|tas plast|cas e a|nda ma| s d|||c|l Lesde as pr|me|ras
man||esta�õesdaartegrega, passando pela| dadeMed|aeat|ng|ndoasuaper-
|e|�ao com o Renasc|mento |tal|ano, a escultura e a p| ntura al�aramse a uma
tal |m|ta�ao das |ormas lumanas que a|nda lo]e causa a adm|ra�ao de todos
Progress|vamente, a p|ntura anexoutodos os outros t|posde|ormas natura|s,
]untandoascoresasl|nlaseaosvolumeseconqu|stando,en||m,asle|sdapers-
pect|va e ateo i·a¬(:|a:·| Ò querestalo]ede ta|s conqu| stas¯ Csescultores
serecusama|m|tar o quequerquese]a, noscasosma| s |el|zes, o querestada
|m|ta�ao, na|ormadas estatuas, nao passa demeraalusao e 'pretextos¨pelos
cua|s, de resto, qualquer|nteressee s|mplesmente|ndecente Comaarted|ta
´abstrata', osp|ntoresde|xaramderepresentaroque|osse, ou, mellord|zen-
do, el|m|narams| stemat|camentedesuastelastudooquepudessenaosomente
|m|tar alguma|ormanatural, masatemesmo|ornecerao observadorumqual-
cuerpretextopara|mag|naralguma.Ass|m,qualquerquese]aaarteemquestao,
o art|statraballoucadavez ma| s parasecolocar na s|tua�ao de um dem|urgo
cae,a d||eren�adaqueledoT·¬:a,naoprec|sanemdemodelos|ntel| g|ve|spara,
\AP|TÜ|O`Ì Ì ¯ No |M|Ak DAMLTAPO|LT|CA I 1 37
contemplando-os, constru|r suas cr|aturas, nem sequer de mater|a dotada de
|ormanatural paralle |mpora|ormaprev|stanasuaarte.
Ò segundo aspecto da revoluçao ora em pauta perm|tenos s|tuar o que
a arteacabade so|rer num con]unto em queadqu|retodo o seus| gn| ||cado.
Como M|etzscle tao pro|undamente percebeu, a revolta do art| stacontraas
| n]unções da |m|taçao da natureza e, no |undo, umarevolta contra a propr|a
natureza, e como essaesta dada no conlec|mento teor|co ouespeculat|vo, a
recenteevoluçaodasbelas-artesexpr|meare|let|davontadedooa¬a|cl:·denao
ace|tarnenluma natureza |mposta desde |ora, mas somentea que ele propr|o
tenla cr|ado Ela se aparenta, po|s, ao ex|stenc|al | smo do seculo XX, o qual,
no dom|n|o do conlec|mentoespeculat|vo, l|bertao lomem das | n] unçõesda
cl�nc|ae das |atal|dadesdanatureza, ass|mcomo nodarazaoprat|caol|berta
das convenções damoral Matureza e moral estao parc|almentel| gadas, desa-
parecem, po| s, aomesmo tempo, de|xandooterrenol|vreparao Homemque,
en||m, esenlordoseudest|no
Maonosparecequela]alav|doum||loso|oqueelaborasseas|ntesedou-
tr|nal que uma s|tuaçao ass|m tao complexarequer|a E | ssoporque, talvez, o
que estaem] ogo e uma completa rev|ravolta dos valores, aventura de que o
mesmoM| etzscle|alouacontento,mas quede|atonaoousoureal| zar. Passou,
contudo, otempodereal|za-la, ee mellorass|m conquanto ,ouprec|samente
porque) nem tudo careçade]ust||| caçao nas re|v|nd|cações que |nsp|raram a
empresa,oquetal]ust|||caçaot|nladeverdadeacumuloutantoserrosaotomar
|ormades| stemaquenos devemosalegrarcomasuanaoexecuçaoAdesculpa
dessas re|v|nd|cações etambemasuacausa |asubord|naçaodoseraoconle�
cer, enquantoopr|madodosersobretodooresto,|nclus|vesobreoconlecer,
e averdadepr|me|radameta||s|ca
Pode-seclamarde 'pan-noet| smo'oerrocontrar|o, quecons|steemter
por pr|ncp|o o pr|mado do conlecer sobre o ser em todas as ordens. Se se
adm|t|rtal erro sem restr|ções, a propr|aessênc|a da real|dadelogo se torna
pensamento, conlec|mento, |ntelecçao, e, ]a que o pensamento e seu ob]eto
saoumasoe amesmaco| sa,a|ntel|g|b|l|dadesecon|undecomareal|dadeou,
antes,aconst|tu| Essamod|||caçaodanoçaodereal|dade seacompanladeuma
1 38 I ÌNTkODÜÇAOÀS/kTLSeobLLO
correspondentemod|||caç+odanoç+ode||loso||a,aqual,semabd|cardot|tulo
desabedor|a, concebe-seas| mesmacomoco|nc|dênc|aentreopensamentoe
areal|dade |ntel| g|vel, tanto que o mundo se tornatransparenteaopensamen-
topelo s|mples |ato de o pensamentotomarclaraconsc|ênc|ade s| En||m,]a
quetodo pensamentotoma|orma ded|scurso, umatalv|s+odemundotende
naturalmenteatomara|ormadeum'panlog| smo'semellanteaosdeLe|bn|ze
Hegel, em que todooreal e |ntel| g|vel, tantoque o esp|r|to n+o prec|sasen+o
de suas propr|asle| sparareconstru|-loToda||loso||adessegêneroeuma||lo-
so||adapalavra, porque0 |ntelecto pode''d|zer'pelod|scursotudo0 quee, 0
quen+o se d|z sendocomose n+o |osse
Fe|tadapalavra, pel apalavra e paraapalavra, essacosmov|s+otemtodas
as clances de sucesso ao seu |avor, po|s sempre pode recorrer a l|nguagem
parase]ust||| car, eal| nguagemseprestatantoma|svoluntar|amentea operaç+o
quantotraballaass|mparao seupropr|otr|un|o, enquantoos seus adversar|os
s+oobr|gadosallepagartr|butoporquen+od|spõem, paracombatê-la, sen+o
damesmal| nguagem Londeovastooceanodal| nguagemquetudo carregae
onde tudo se a|oga Ò es|orçoma| s d|scretoparal|m|taralegemon|adapala-
vra e do noet|smo costuma ag|tartodaa |mensalorda que a serve ev|ve dos
serv| ç osquellepresta.Amassaseerguecontraesse|nsultoaoquellelade
aa|ssagrado.escr|tores, oradores,||loso|os,erud|tosepro|essores,enquantoo
temerar|oque re|v|nd|caopr|madodosersobreopensamentoeapalavraesta
certodeoscarregaratodosnascostas,devezqueseded|camaoserv|ç oequa-
seaocultodod|scurso,semoqualopensamenton+oex| ste Quantoma|sasua
causa e | n] usta, tanto ma|s este]amos certos dequen+o se|urtar+o a qualquer
art|||c|o para de|endê-la, clegando mesmo a|azerde Leus o Pensamento do
Pensamento,a verseconseguempô-lodo seulado
|prec| so, porem,correresser|scoe|alaremvozaltaa|avordoopr|m|do
- e0 pr|me|rodel ese0 ser, que|nclu|todosOS outros Po|sso0 quepodemos
µensardoser e0 quesepodesusternod|scurso,maselemesmon+oed|scurso
Mu|topelocontrar|o,named|daemquen+o|ossedaalçadadoser, od|scurso
n+o ser|anada Ò noet|smoseexpr|mecomo seo pr|me|ro pr|nc|p|oem||lo-
so||a|osse'opensamentopensaeo pensamento|ala' E |ssoporque, segundo
\AP|TÜLO`Ì Ì ¯ |o|M|AkDAMLTAPO|LT|CA I 1 39
essacosmov|sao, um alem do pensamentonao e pensavel, o queeverdade no
sent|dode ser|nconceb|vel que algo se]a semserob] etodepensamento,µara
s| mesmoou paranos, mas dac|rcunstânc|adeo serso se darno pensamento
nao seseguequeelese]apensamento. Ò pr|me|ropr|ncp|o nao e que 0 pen
samentopensa,masqueosere. Masbemsevêporquen| nguempodeesperar
venceronoet|smo, po|s, paralle |mporuml| m|te, e prec| soque o serpensee
|ale,pos| �aoque,mesmollesendocontrar|a,eumamane|radelle pagartr|bu-
to. Ò |deal| smoe, po| s, a|ncl|na�aonaturaldoentend|mento Sendo, comoe,
pensamento,naoadm|teaex|stênc|adenada d||erentedes| . Lesdequeselle
concedao conlec|mento, o ma|snaolle|nteressa Come|e|to, ondeo serse
reduzaoquesepodeconlecered|zer, oquenaosepensas| mplesmentenaoe
| estranlo, mas naode|xade serverdade. o noet|smocausamenospro-
testo no dom|n|o que ma|s estraga, o do ente ,ouaqu|lo que e) cons|derado
prec|samentecomoente |verdade, come|e|to,queopr|me|ropr|ncp|o,tanto
·r·:como·r·c|·ar:,eoqueoser e,mascomotudodepended| sso, |nclus|venos
mesmos, d|ga-sede passagem, essepr|me|ropr|ncp|opodesercolocadoentre
parênteses, oua|ndapodemos declaralo estabelec|do deumavezportodase,
como sed|z, semvolta.Ass| m, da-se que os ||loso|os concordam em adm|t|r
queosereopr|me|ropr|ncp|oe,aomesmotempo, nao|a�amma|scontadele
depo|s de adm|t|do o seu pr|mado. Paranao correr o r|sco de esqueceruma
poss|velexce�ao, d|remosque quasetodasas||loso||asde|nsp|ra�aolelên|cae
oc| dental sao dessegênero.Umavezadm|t|doportodos,o|atodeque oente
se]anaollescolocanenlumproblema,as||loso||asdessegênerose|nteressam,
po|s, exclus|vamente pelo que, a||nal, o ser e. La|estasegundaconsequênc|a
ass|m como o |deal|smo e a |ncl| na�ao natural do pensamento oc|dental, a
c|ênc|aeoseu|rutoma|scaracter|st|coe,al|as,ma|sbelo.Aquestao.o que ea
Europa¯ Respondeu-se eac|ênc|a. Arespostaestacorreta,named|daemquea
EuropaeaCrec|adeP|tagoras,deEucl| des, dePlataoedeAr|stotel es÷ oque,
apropos|to,naoeraaCrec|atoda.Maoeprec| so, porem,med|r-lleaadm|ra�ao
e o reconlec|mento, po| s so elasepara, parao Cc|dente, a c|v|l|za�ao dabar-
bar| e. Seroa¬asc(·:rseseropropr|olomem,named|daem quese d| st|ngueda
besta,0 lomeme0 serquequerconlecer0 quee, talcomoe.
1 40 I Ì NTkODU�AO»s/kTLSeobL|O
Mao la tr|un|o sem opressao e os opr|m|dos sempre estao errados, mas
elesreclamamearebel|aodolomemmodernoe,emlargamed|da,umprotesto
doserdoqualalgunsd|re|tos|oramdesprezados. Todosessesd|re|tosseresu-
memaosd|re|tosdal| stor|a, po|ssee verdadequedevemosal| stor|aa Crec|a,
comolle devemos a c|ênc|a, ela]ama|s as consegu|ureconc|l|ar Lesde logo,
al| stor|anao e 0 relatodo queacontece, senao | ssomesmo que acontece, 0
que 'sepassa¨,oeventoAl| stor|aque contatendenaturalmenteaabsorvera
l|stor|aque aconteceeabsorve-aaoexpl|ca-la, mas umares|stênc|a|nvencvel
seopõeaquetalexpl| caçaodol| stor|cosetorne|ntegral, seconsegu| sse|azer
do seuob] etoalgototalmente|ntel| g|vel, el|m|na-lo-| a. Moâmagodetodol| s-
tor|adord| gnodessenomelauma| next|rpavelrepugnânc|aalevaraoperaçaoa
termo,ecomoa||loso||aestasempredoladodac| ênc|a,ocon|l|toentrel|sto-
r|aemeta||s|caetaovelloquantoooutro,entrepoes|ae||loso||a.Mo|undo, e
omesmocon|l|to,ee| sso que setemconstatadolo]eemd|a
Masua essênc|a, podeses| mbol|zar esse con|l|to pelad|st|nçaoentre ||-
loso||a e m|to na obra de Platao. A grandeza desse lomem prod|g|oso, que
a|ndanutre a nossa |nd|gênc|a com as m| gallas que caem da sua mesa, bem
se man||estanacu|dadosarecusaa el|m|naro mundo daaparênc|ae do dev|r,
mesmoque naosoubesseoque|azercomele Emsua||loso||anaolalugarpara
oeventual, mas somenteparao eterno, |mutavel e necessar|o. Mo entanto, ela
aaoserecusouad|zeralgumaco|saarespe|tododev|r, mas,naopodendod|zer
averdade, d| sseapenas o veross|m| l Todos os ¨m|tos¨ de Plataose propõem
prec|samente a trataralgumproblema da ex|stênc|a segundo a probab|l|dade,
|stoe,expl| carnao0 queum sere,masporqueeedevecont|nuaraserno|u-
turo.M|tos| gn|||cas|mplesmenterelatoÒm|todePlataonao seclamatalpara
advert|r-nos contra a suaverdade, mas s|mplesmente para destacar que e um
relatodeeventosque se deramprovavelmentedamane|racomo saocontados.
Para trans|orma-los em c|ênc|aouem ||loso||a, prec| sar|amos podertrans|er|-
losdaordemdodev|rparaaordemdoser, masentaonaolaver|ama| sl| stor|a,
porquenaosuceder|anada.
Al| stor|aque acontece ,J·:C:s:o·:oi:) secompõe de eventos denatureza
talque, sendoo que sao, al|stor|aque os conta ,J·:I·sia··:) nao possa]ama|s
\AP|TÜLO`Ì Ì - lO LlM|AkDAMLTAPO|LT|CA I 1 4 1
tomar |orma de conlec|mento c|ent||| co E o nao pode porque mesmo se se
adm|t|r que cada evento l|stor|co tomado em s| mesmo este]a determ|nado,
sua prox|ma determ|naçao nao e de natureza|ntel| g|vel. Ò con]unto das suas
causas determ|nantes sendoun|co, naopodesergeneral|zado. Cra, os proble
mas da ex|stênc|asaoprec|samenteass|m A c|ênc|anaoparadeprogred|rno
conlec|mento doqueeomundo, mas,a questaodesaberporquelaoquese
podeconlecer, ac|ênc|anaotemrespostac|ent|||ca Memtampoucoa||loso||a
tem resposta||loso||caa questaode saber por que la antes o ser que o nada
Mao quea questao se]a ma|s obscuraouma| s compl|cadaqueasprecedentes
Antesd|r|amosque e de outra natureza, e e anaturezado seupropr|oob]eto
queed||erente Paralleaclarumaresposta, Plataorenunc|a,po| s, a ordemdas
cond|ções de |ntel| g|b|l|dade do ser para se voltara dos eventos Com e|e|to,
que 0 mundo se]ae um|ato, quela]aclegado a ex|stênc|ae um evento cu]a
expl| caçaosose podeencontrarem outras ex|stênc|as, po|saun|cacausacon-
ceb|veldaex|stênc|adeumenteeaex|stênc|adeumoutro Salvonos casos,se
e queex|stem, emqueose|e|tossaoprat|camente|dênt|cosa suascausas, nao
laexpl| caçaoc| ent|||caou||loso||caexaust|vaparaaex|stênc|adeentenenlum
Mao e prec| s oprocurarmu|tol ongea razao dasecular| nd| |erençados
|| l oso|os para coma arte e os art| stas Enquantoa arte s econtentarem ser
umatecn| ca ,·::ic·ci·a|c:i·l·|·a¬) , parecequemereceraa|ndao seurespe| to,
po| s, nesse caso, trata-se de uma |orma do conlec| mento que, conquanto
d| r| g| daa açao e, portanto, subalterna÷, a| ndaretemad| gn| dade| nerente
atodomododeconlecer Masapart| rdomomentoemqueaarte sere|v|n-
d|queo d| st| ntopr|v| leg| odeserum(aJ:·, tantoquantoumscl:·,a||l oso||a
a de| xara de lado e || ng| ra | gnora-la A at|v|dade do art| sta se apresentara
entaocomoprodutorade obrasque, come|e| to, saoeventos| mprev| s |ve| s
Umavez produz| da, porem, o ||l oso|o podera se | nteressarv|vamente por
tal obra, po| s, tendoclegadoa ex| stênc| a, ela se torna por | s s omesmoco-
nlecvele suscept|veldeexpl| caçao, mas aquelequea|ezex| st| rnaoo|ere-
ce ma| s | nteresseque a secretaoperaçao pela qual o |ez Ò ma|s av|sado e
nao|alararespe| to Po| s, |alandoagoraem termosestr|tamenteexatos, nao
sabemos0 que| ssoe.
1 42 I ÌNTkODUÇAOAs /kTLSDObLLO
| n|el|zmente, a||loso||anemsempre teve a sabedor|ade se calar Lo alto
de|unçao d|retora e certa de quetodaat|v|dadelumana e d|gnade respe|to
named|daemque|orconlec|mentoouredut|velaoconlec|mento, a||loso||a
acred|toupodermandarnaarte Paracon|er|raestaama|ord|gn|dadeposs|vel,
v|mos que a ||loso||a lle atr|bu|u por ||m a | m|taçao da natureza, | sto e, algo
comoummodoconcretodeconlecê-lae expr|m| -la A evoluçao da artemo-
dernadesmentequeestase]aama|orpreocupaçaodoart| sta,atalpontoqueo
caratercadavezma|sabstratoenaorepresentat|vodessaartepareceseramarca
porexcelênc|adasual| stor|ama|srecente Òquepodem|azer,po| s, osde|en-
soresdanoçao 'teor|ca' daarte, alemdeprotestar¯ Eles o |azem, come|e|to,
masa artepoucoselleda, e cabeao ||loso|o, porsuavez,voltara suacr|t| ca
contra s| mesmo Elepensaque aarte se engana, mas nao ser|aeleoenganado
arespe|todaarte¯
Entre tantos | nd|c| os que o levam a crer, | mpress| onasobretudo a pre-
sençade tantosart| stas nas ||le|ras dos que re|v|nd|cam ao lomem o poder
deproduz|ra ex| stênc| ade seres dos qua|s outros produz|rao a c| ênc| a Se
se tomarealmenteporum cr|ador, o lomem se engana, po|s ele mesmo e a
aater|aquetraballapreex|stema obra,abemd|zer, elenaoacr|a. modela-ae
|orma-a Se elese vale doseupoderdeproduz|rcertosseresparare|v|nd|car
umatotal |ndependênc|aemrelaçaoa natureza, engana- sedenovo, po| sele
µropr|o e umsernatural, cu] arazao, maose mater| as sobreosqua| straballa
estaotodosdadosnanatureza, ouse|abr|cama part|rdeelementosnatura| s
| a|nda ma| s deploravel que, sobretudo entre os poetas, alguns se de|xem
seduz|rpela|lusaodeque,porme|odeles, olomem||nalmenteteraclegado
a d|gn|dadedeLeus Cssucessosdessatraged|aestaotodosl | gadosentres| .
arecusada| m|taçao, avontadedacr|açao totaldaobra ,oquenaopassade
umoutro nome davontadedepoder) , e o momentoterr|vel, en||m, emque,
che|odo orgullo delaverproduz|do comoque donadaumsertotalmente
causado, o escr|tor cede a vert| gem de se con|und|r com um poder produ-
torque transcende a propr|anatureza Ele se crê Leus Mallarme se|untaa
N|etzsclenesse| nstantedevert| gem. F| ca|ac|l,nessasc|rcunstânc| as, d| scer-
a|recondenaroerro, po| selesetornademas| adogrosse| roparanaoserv|sto
\AP|TÜLO `ÌÌ - lO L|M|AkDA MLTAPOlLTlCA I 1 43
por todos, mas osnossossab| osque bem0 condenam nao têma|a suaquota
deresponsab| l| dade¯
Aant|gacontendaentre||loso|osepoetas,que] aPlataodenunc|avaedura
a|ndalo]e, naode|xade terconsequênc|asprat| cas Umadelaseque, emtem-
pos de cr| se, osart|stas sao tentados a se un|r aos poetas contraa ||loso||a e
as verdades que ens|na Cansados de ouv|r as acusações de que nao passam
de|m|tadores da cama do carp|nte|roque, por sua vez, |m|taa | de|a de cama,
os art| stas s|mplesmentenegam que la]a | de|as, e bem consc| entes de que os
||loso|os que os]ulgam | gnoramtotalmenteaessênc|ada arte ea||nal|dadedo
art|sta, entram em rebel|ao contratudo o que e natureza, le| e, numapalavra,
contratudoemcu] onomese pretendeconstrangeraarteaseroquenaoe |ao
e ]a tempoque nos||loso|osreconleçamos quao estre|ta, en||m, e | ncompleta
e umav|sao dolomemque]ust|I|que uma||loso||a cle|ade c|ênc|aevaz|ade
arte,v|saoquelerdamos de Plataoe que a|ndacontentaamu|tosdenos¯ Le
resto,assuasconsequênc|assaomu|toper|gosas, po|squandoolomem seen
ganasobres| mesmo, edetemerquetambemseenganesobreLeus
|umlugar-comumqueocr| st|an|smo,propagando-sede|n|c|onumme|o
|ntelectual|mpregnado deculturagrega, absorveueass|m|lou,naonasuasubs-
tânc|asenao nasual | nguagem, mu|toselementosda||loso||ade Plataoe, ma|s
tarde, da de Ar| stotel es Fo| mu|tas vezes censurado por | sso, a ponto de os
responsave|s por essa evoluçao terem s| do acusados de, lelen|zando-a, paga-
n|zararel|g|aocr| sta Estenaoeo lugardemostraroquaopro|undamente,ao
contrar|o, o cr| st|an|smo|mpregnouo pensamento grego a pontodetorna-lo
|rreconlecvel, trans|ormando a lerança de Platao Mosso ponto requeruma
outraordemdere|lexões, espec|almente no queconcerne as extremas d|||cul-
dadescomqueateolog|acr|stasemprese debateuparaobterdal| nguagemda
meta||s|cagreganoçõesqueconv| essem ao Leus]uda| co-cr| stao
Mada lav|a preparado a ||loso||a grega para encontrar esseLeus, para ela
completamenteextraord|nar|o,que,'no|n|c|o,cr|ouoceueaterra¨Alde|apla-
tôn|cadeBemesclarec|aporsuapropr|aluztodasasposs|ve|scomb|naçõesdees-
sênc|aseperm|t|acompreenderqueasmelloresset|vessemreal|zado,masquea
ser|ao seuautor¯ Cra, paraPlatao,oLem|urgoMasquemeesseconsc|enc|oso
1 44 I Í NTkODÜÇAOÀS /kTLS DO bL|O
art||| cequetrabal�acom osollos||xosnas|de|as¯Leque noçao|ntel|g|vel elee
os|mbolo¯ Mos o|gnoramos. Òcumedoun|versode PlataonaoeoLem|urgo,
masa|de|ado Bem, quenada|az. Ò Pr|me|roMotor| moveldeAr|stotelesantes
pensaqueopera.Eleepensamentoquesepensaas| mesmo,e|ssoetudo,cabeao
un|verso grav|tara voltadele,quedetalun|versonaoseocupa.ÒUnodePlot|no
tambem naocr|a, oqualtranscendenao soaaçao, mastambemo pensamento,
eapenasomult|ploemanadeleespontaneamente, eparaelevolta, numaeterna
c|rculaçaodo serquesedapors|mesma, semqueo Unosed|gneasabêlo, ou
sequerpossasabê-lo, po|s, sepensassenela, nao ser|a ma|s oUno. Lurantelon-
gos seculos, ateolog|acr|stanaod|spôsdenenlumoutroquadro||loso||copara
acolleresseLeus|nconceb|velaosgregos,umLeusart|||ce,umpr|ncp|osupre-
moquetallatodaco|sa. Herde|radeumameta||s|caemqueoenteremontavaa
|ntel|g|b|l|dade e o seraopensamento, ateolog|acr|stanaoencontrounadaque
pudesse ut|l|zarpara expl|car esse ponto. Enquanto setratasse apenas de uma
teolog|ado Leus uno cons|derado em suamesmaun|dade, Ar|stoteles o|erec|a
grandesposs|b|l|dadesdeexpl|caçao,queosdoutorescr|staossouberamexplorar
a|undoelevaralem, mas quando se tratavadoLeuscr|ador, nao se pod|ama|s
esperarencontraralgoemAr|stotelesalemdoquesedesenvolveraapart|rdele.
Santo Agost|nlo, Sao Boaventura, SantoTomas de Aqu|no e outros souberam
|azeronecessar|oparaobterda||loso||agregaalgocomoumateolog|adacr|açao
cuenao seencontravanela, e se seadm|t|r, comoconvem, queasuaexegesede
Ar| stotelesnaopassadeumaexpressaodoseupropr|opensamento,adm|t|r-se-a
tambemosucessodessaempresa.
Òpontoquedevereteraqu|nossaatençaoeque,adespe|todessesucesso,
elenaosedeucomaa]udadeAr|stotelessenao,emcertosent|do,contraele.
Naoso menteanoçaodecr|açao:xr·o·|anaoseencontravanos||loso|osgregos,
aasa |de|a que eles |az|am de Leustornava extremamente d|||c|l concebê-lo
coaocr|ador. LoLeusdeAr|stotelesempart|cular, talcomoopropr|o||loso
|o oconcebeu,convemd|zerquenao sonao cr|ava, comotambemnao pod|a
cr|ar Serum atopuroeraa suaper|e|çao, mas ag|r e produz|rter-lle-| as| do
uaa |raqueza |, po| s, somentea despe|toda sualerança||loso||ca grega que
a teolog|a cr|stapôdeacollereste Leus extraord|nar|o que cr|ava o un|verso.
CAPITuLo VI I - No L|M|AkDAMLTAPO|LT|CA I 1 45
Ano�aodesseLeusconservarasemprealgo de|nqu|etanteparaopensamento
||loso||cooc|dental,tantoqueLe|bn|zareduz|raaquasenada, e Esp|nosaaca-
baraporel|m|na-la
Ateolog|acr|staprec|soudetrezeseculospara, gra�as aSantoTomasde
Aqu|no,encontraroLeusdequesepodeleg|t|mamenteesperaruma|n|c|at|va
cr|adora, devezquea suaessênc|ae o propr|oato de ser Essasua |n|c|at|va,
porem, esta dest|nada a permanecerum m| ster|o, mas o |ato de que a tenla
tomadoagoraapareceare|lexaocomoposs|velesumamenteconven|enteasua
natureza o Sercausa seres, e, sendoAto, os seres quecausatambem saoatos
capazes desubs| st| r, operare, porsuavez, causar seres semellantesas| Mum
un|verso cr|ado poruma|ecund|dadepr|m|t|va, tudoo que e agee opera, se]a
segundoasuameranatureza, se]a, comoolomem, segundoasuanaturezaea
sua|ntel|gênc|a,aqual lleperm|teconceberoutrosseresa|ndanao real|zados
Todasasartes sao-llemetodos asegu|rnaprodu�aodas obrasqueacrescenta
asdanatureza,sendo,po| s, asbelas-artestecn|casdeprodu�aodeob] etoscu]o
||mpropr|oeserembelos
Essaconcep�aomodernadaartecomoprodu�aodeseresbelosquea|nda
naoex|st|amso tem sent|donumun|versocr|ado Ò lomem oc|dentalnaoer-
rou, portanto,aore|v|nd|carosseusd|re|tosdequase-cr|adorTertomadocons-
c|ênc|adaextensaodo dom|n|oabertoal|vre| n| c| at|va do art| stae, po|s, uu
t|tulodelonraparao lomemoc|dentaldosseculosX| Xe XX Louvar-lletal
t|tulocomo se deve nao nosd|spensa, porem, de|r|saros per|gosdaempresa,
po|sentaooque|azemosdemalpode corromperobemque|azemos
Lepo|sdetratara|un�aopo|et| cadolomemcomoumaespec|edeparen-
tepobre, qu|seram submeter-lletudo, |nclus|veasordens doconlec|mentoe
daa�aoEssaduplarevolu�aopromete|caencontrouasuama| sn|t|daexpressao
nare|v|nd|ca�ao ex|stenc|al|stadasupremac|adolomem domado contraat|-
ran|adanatureza Apart|rdessemomento, e aolomemquecabed|zeroque
lade seranatureza e, consequentemente, cr|ara c|ênc|a. Ò luman|smoateu
dosnossosd|as ganlaa|o seu sent|do ma|s pro|undo, masea|tambem quese
aclaa|ontedos nossosma|oresper|gos Po|sal|berdadedolomemereal, mas
se exerceapenas nas cond| �õesdeterm|nadaspelanatureza, dentrodosl|m|tes
1 46 I Ì NTkODÜÇAOAs /kTLS DO bLLO
da suapropr|anatureza, e da dos ob] etos sobre os qua|s ela age E| s por que,
emboraaconst|tuaeproduzacomasua|ntel|gênc|a,olomemnaodec|deaseu
belprazer,ao||meaocabo,oqueac|ênc|adeveser,elea|nventano|nter|orda
mesmanaturezadaqual econlec|mentoeexpressao Ass|mtambemolomem
|nventaamoral,comosepodeobservarnalentamaturaçao,atravesdostempos,
decertasgrandes|de|asd|retr|zesta| scomoa| gualdade, al|berdadeea]ust|ça
soc|al, mas essasnoçõesnao se ace|tamsenaoprec|samentecomo'd|re|tosdo
lomem', | stoe,| nscr|tosnapropr|anaturezalumanaEncontramolosa|| nscr| -
tosdeantemaoeesperandoque asuapresençase]ae|et|vamentereconlec|da,
eles nao sao obranossa, 0 lomemnao OS |nventaaseubelprazer
A un|caordememqueolomem | nventacomo bem que|raasobrasdasua
vontade e a das artes do belo, dom|n|o propr|o da po|et|ca sob todas as suas
|ormas A|mesmo, porem, o seupoderteml|m|tes A ma|s potente |mag|naçao
cr|adorapermanecesemprea|mag|naçaodeumlomem, etodasas|magensque
produz, compõee |mpõea mater|atêmsuaor|gemult|manas sensações queos
ob]etos nos causam Esses sao os ob]etos da natureza, alem da qual, salvo tal-
vezemsonlo,naopoder|amospretenderag|rnemremontar Restaumdom|n|o,
au|to estre|to, everdade, masreal, emcu] o|nter|oropoderdolomemparece
verdade|ramente l|vre paraoperar Mao e o do ser, claro, po|s nao esta em seu
µodernemsedarex|stênc|aatualnem|azerbrotardonadaoquequerquese]a
Elebem que o quer|a, e e por| ssoque escutamosvezporoutraque Leus esta
morto, mas | ssoe s|mplesmenteanunc|odequeumlomemquertomarolugar
de Leus,naosupr|m|lo,senaov|rasêlo Maoea|queolomemteml|berdade
Nemtampouconodom|n|odaverdade,emquea|mensaat|v|dadedolomemse
exercetodano|nter|ordanaturezaMoaltodo seutr|un|o,olomema|ndanao
consegu|udescobr|rnas co|sas ma|s |ntelig|b|l|dade do que elas contêm, so lle
resta|gnoralasouconlecêlasta|scomosaoTambemnaoenodom|n|odobem,
µc|sa|olomemdescobreeate|nventa,massempreno|nter|ordasposs|b|l|dades
de||n|daspelanatureza,asuaeadosob]etosdasuavontade.Òser,averdadeeo
beucertamentenaoex|st|r|amparaolomemseelenaosees|orçassepor|azêlos
ser,maselesoospode|azerserta|scomoqueranaturezadeles,|stoe, ao||me
ao cabo,ta|scomosao.
\AP|TÜ|O`Ì Ì - lOL|M|AkDAMLTAPO|LT|CA I 1 47
Portanto, resta-nos cult|var este estre|to dom|n|o da arte do belo emque,
prec|samenteporquesoproduz|loresd|v|namente|nute|s,tudoel|vre.Òart|sta
naotemdesepreocuparcomaverdade, po|s temod|re|tode|azeroquebem
entenda, e pode, aseubel-prazer, seenga]armu|tonoque|az,oupouco, ouab-
solutamentenada,aun|caregranamater|aeogênerodebelezaquesepropõea
produz|r, e]aquetodasasbelezas,named|daemquesaobelas,saoleg|t|mas, ele
el|vreparaoperarcomoque|raAs|nterm|nave| squerelasquecolocamaarteem
conû|tocomamoralcostumamtergrande|undamento.lqueonumerodeart|s
tasd|gnosdessenomeeextremamenterestr|toA|altadepoderproduz|rbeleza,
aun|caco|saque]ust|||car|aa suaobradeumponto dev|staestet|co, laquem
llecon||raoutrosgênerosde|nteresse,vezporoutrama|s elevados, como seda
naarte d|tasacra, patr|ot|caousoc|al, am|ude ma|s ba|xos, quando se trataape
nasdeentreten|mento,quenaoexclu|abeleza, everdade, maspassamu|tobem
semelae, nomellordoscasos,mallletolerauma|racapresen�a, enoma|s das
vezes,en||m,essessubst|tutosdabelezasaodaqual|dadeina|sba|xaque se possa
|mag|nar, adulandoosapet|tespuramentean|ma|sdolomem,se]aparaexc|ta-los
enutr| -los, se]aparao|erecer-llessat|s|a�ões|mag|nar|asquem|seravelmenteos
consolemdasrea|squenaot|veram.Messascond|�ões,naoeamoralque|nter|e-
renaarte, mas, bem aocontrar|o, eaartequetra|a|un�aoque lleepropr|a,de
sorteque oseupecadocontraamoraledesdelogoumpecadocontras| mesma
Selaumpr|ncp|oun|versalmenteval|doeverdade|roquesededuzdaevolu�ao
daartemodernaeodeque,ra¬calmJ:c·i:, iaJaa,a:rca:ari·|la|J|·:ic¬:ri:(c·cc
sacl:|:zc,,a::c||rc||JcJ:Jcal·c,e a¬c|r|·c�ca:ari·ccc·i:Aquelesque,naaprec|a�ao
estet|cadeumob] etoqualquer, sesentemcontrar|adospelaapl|ca�aodessaregra
nao devem seracomet|dos porumacr|sedeconsc|ênc|a,po|snaordem dobelo
naoladever, nem sequerodepercebere adm|raressabeleza.Acontece, entao,
s|mplesmente,queaqu|lo que procuramos numaobrabelanaoeabeleza, maso
sent|doeassugestõesouasl|�õesquecomportaMadama|sleg|t|mo,desdeque
nao secon|undaabelezacomo seusent|doAsobrasdearte podem serrel|g|o-
sas,patr|ot|cas,mora|s,outudooqueseque|ra,masaartequeut|l|zamparaesses
d|versos||nse,comosed|z,'aserv|�o'dessascausas,permaneceessenc|almente
estrange|raatodoseles
1 48 I Ì NTkODÜÇAOÀS/kTLSDObLLO
¬ artC C O sayraOO
Ò n|vel deabstraçaometa||s|caemque sedesenvolvem nossas re|lexões
sobreaarteperm|teumagrandes|mpl|c|dadee |ac|l|taabrev|dade, masdeve-
mosreconlecerquenaoprop|c|aa ||loso||apr|me|raquecumpratotalmenteo
seuo||c|o Po|selae sabedor|ae, sendo-o,deve-nosperm|t|resclarecerocon-
cretodaexper| ênc|aa luzdosseuspr|ncp| os A||mdeapresentarnossascon-
clusõesabstratasnasuae||cac|a|ntel|g|vel,talveznaose]a|nut|lmostra-lasem
açaonumcasopart|cular, dando, ass|m,umexemplodogêneroded|ssoc|açao
de|de|asaqueameta||s|casubmeteoreal,mastambemdamane|racomo,me-
d|anteessasanal | ses, el aoesclarece Escolleremoscomoexemploo problema
mu|tod|scut|dodasrelaçõesentreobeloe osagradoou, ma|sconcretamente,
entreaarteearel| g|ao
Um |atodever|adom|nara d| scussao do problema naolanenlumare-
laçaonecessar|aentrerel| g|aoearte Relaçaoentreambasla,]aqueosu] e|to
rel| g| osoe olomeme, desde quetenlade|azeralgumaco| sa, porexemplo,
organ|zar um culto, sempre lavera lomens para |azê-lo com arte Leve- se
observar, porem, que, emcertasrel| g| ões, aarte sosepodeexercerserecu-
saro dom|n| odo sagrado ou, ma|s exatamente, do d|v| no. Tal |o| o caso do
]uda|smo, e a|nda o caso do l slae, mesmo nal| stor|a do cr| st|an| smo e ate
do propr|o catol| c| smo, encontrar- se-|am |ac|lmente mov| mentos de reaçao
aoabusodaarteno| nter|ordocul to Aesserespe| to, oprotestant| smo eum
clamadoa ordem, masSaoBernardodeClaraval]anos clamaraa atençao, e
nao eraprotestante
A razao dessa descon||ança e s| mples As rel|g|ões do esp|r|to temem o
pagan| smoea|dolatr|adeque am|ude se acompanla Ser|a, po| s, natural que o
con|l|toentreobeloeosagrado,ouarteerel|g|ao,tomassea|ormadeuucon-
|l|toentreocultoprestadoemverdadeeesp|r|to,deuulado,e,dooutro,aarte
deesculp|re p| ntar|magens Ò propr|o|ave tomouao|ens|vade|nterd|tarao
povo]udeuquese ||zessem|magenstalladaseasreca|dastao |requentesdesse
povona|dolatr|abeuexpl|cama|nterd|çao Esse|atobeuconlec|doveuaqu|
apropos|toa||mde colocar emev|dênc|aacont|ngênc|adaarte emrelaçaoa
rel| g|ao Umarel|g|ao sem arte deve ser poss|vel, porque a arte e exclu|da, as
vezes, pelarel| g|ao
Cbservaremos, no entanto, que o que se exclu| em semellante caso e a
representaçao do d|v|no e, em pr|me|rolugar, a |mag|st|ca Ò que clamamos
lo]e dearte abstrataounao representat|vanao esta em causa, e e]ustamente
por| ssoqueo | sladeuoseunomeaoarabesco Pelamesmarazao,aquerelada
arte sagradatomoude | n|c|oa |orma de umaquereladas '|magens', e e prec|-
samente a] ust|||caçao da arte como representaçao do sagrado que esteve no
pr|me|roplanodad| sputaTomandoade|esadap| nturaedaescultura, a| gre]a
pretend|aantesdetudo leg|t|maraveneraçaodas 'santas|magens'conceb|das
comome|osdocultocr|stao
Ò problema era |nev|tavel para o cr|st|an| smo Encarnado na pessoa de
|esusCr|sto,Leus|ez-sev| s|velaoslomens Portanto,tornou-serepresentavel
Acruz,| nstrumentodaredençao,parec|aped|rparaserrepresentadaÒpr|nc|-
p|o|o|logoadm|t|donal|stor|ada| gre]a,desorteque,quandoos| conoclastas
tentaram supr|m|r o culto das |magens como |dolatra, o set|mo Conc|l|o de
M|ce|alles opôs o argumento, |nvenc|vel na | gre]a catol|ca, da ex|stênc|a de
umatrad|çao estabelec|da Em 737, o Conc|l| oa||rmou aleg|t|m|dade das re
presentações||guradasdetodos ost| pos, desde que |ossem demater|aecores
conven| entes, representando a |orma da cruz salv|||ca oua |magem de Leus
Pa|, de seu ||llo|esus Cr|sto nosso Senlor, de sua santa Mae, dos an]ose de
todosossantosoupersonagensd|gnos de veneraçao A autor|zaçaoval|apara
as | gre]as,vasoseornamentossagrados, comotambemparatodosos quadrose
paredes, nas casasoupelasestradasArazaodessadec|saodever|aexerceruma
1 50 I Ì NTkODÜ�AO»s/kTLS eobLLO
| n|luênc|adec| s|vano segu|rdos tempos lque 'alonraprestadaa|magemva|
parao seumodelo, demodo que aqueleque adorauma|magem, adoraareal|-
dadequerepresenta'
ÒquartoConcJ|odeConstant|nopla,369- 3 70)acrescentavaouprec| sava
umarazao suplementar, tambem ela degrande |mportânc|a. Ò Cânon | | | ass| -
m|lavaorespe| toas|magensaorespe| toquetodo||eldeveaosl|vrosdosEvan-
gellos Com e|e|to, as

|magens saouma espec|ede l|vro. ^ss|m como todos
recebemasalvaçaopelass|labascont|dasnosevangellos,ass|mtambemsab|os
e | gnorantesrecebema suaparte dessabemaventurança peloe|e|todas|ma-
genscolor|dasquetêmsobosollos Po| soqueal|nguad|zepregacoms|labas,
essa escr|turao|azcomcores' Ò Cr|sto, aV|rgem, osan] os, osapostolos, os
pro|etase todos os santostornavamseass|mmater|adeumm|n|ster|osagrado
con||ado aos art|stas Mao se tratava, d|ga-se a propos|to, de uma perm| ssao
nem de uma tolerânc|a, mas de uma ordem expressa, cu]adesobed|ênc|a era
pun|dacomanatema As|magenssaoexpressamentequer|daspela| gre]acomo
umme| oaud|ov|sualdom| n| ster| ododogmacr|stao.
ComooConc|l| odeConstant|noplaass|m|laraas|magensaosevangellos,
o deTrento, em sua v|ges| ma qu|nta sessao , I 56?), marcou o parentesco do
cultoquellesedev|docomocultodasrel|qu|as Ò Concl| otevea|aocas|ao
desubl| nlarumaverdadepresentedesdeaor|gemdatrad|çao,masquealguns
perd|am de v| sta Ò culto cr|stao das |magens d||ere totalmente da |dolatr|a
paganoque,paraopagao, ocultoeaadoraçaosedest|namapropr|a|magem,
comoseaestatuat|vessecertad|v|ndadeoupodersobrenaturalquemerecesse
serlonrado e adoradopors| mesmo Madasepode ped|rasestatuas, nadase
pode esperar nem se ||ar no seu poder Retomando a observaçao ] a|e|ta no
Conc|l| ode M| ce|a, OS Padres deTrentoprec| savam que'alonraprestadaas
|magenssedest|naaosmodelosquerepresentam' Que osb| sposcu|dem, en-
tao,paraqueoseupovose]a|nstru|do,porme| ode|magensoudeestatuas,no
conlec|mento dos art|gos da|e,que se]am postos d|ante dos seusollospara
que se lembremdel es Ò bene||c|odeverel embrarosdonsdo Salvadore os
exemplosdossantossera|mensoparatodos As|magensass| mentend|dasen-
s|namaomesmotempoemqueal|mentamap|edade
\AP|TÜLOVI I I ¯ /AkTL L 0 SACkADO I 1 5 1
Adoutr|nae clara. ÒConcJ|odeP|sto|a, l 794) , sobaautor|dadedopapa
P|oVl , dever|ad| ss|partodoequ|vocorestanteaoleg|t|marocultodasestatuas,
sobretudo as da Santa V|rgem, que ser|am veneradas com t|tulospart|culares
concernentesoubemaolugar, oubema p| edade,eass|m|ladasaalgumm| ster|o
sagrado ens| nado pela | gre]a. MossaSenlorade Lourdes, oudaM| ser| cord|a,
oudasLores, saodes|gnaç ões]ust||| cadaspor| ssomesmo ComoasdaSanus-
s|maTr| ndade, ta|s representaç ões||guradas saoboas. | nterd|ta-lascontrar|ar|a
um costume la mu|to estabelec|do na | gre]a como al|mento da p| edade dos
|| e| s Ho]enaolama|snadaquea| gre]apossaacrescentaraessetema
Comosempre,SantoTomasdeAqu|nosoubeelaborarumabreveexpos|ç ao,
clarae completa, dadoutr|nada | gre]a sobre essepontodel|cado Resum|ndoo
passado e preparando o |uturo, ]a no seu Ca¬:r|4··acsS:r|:r�cs J:í:J·aLa¬lc·Ja
,| l l , 9, 2, ?) lê-se a qu|ntessênc|a de toda a doutr|na 'Três |oram os mot|vos
paraa|ntroduç aode|magensna| gre]a Ò pr|me|ro, para|nstruiros|ncultos,que
as |magensens| nam como se |osseml|vros Ò segundo, paral embrarom| ster|o
da Encarnaç ao e os exemplos dos santos representando-ostodo d|aaos nossos
ollos. Òterce|ro, paraal|mentarossent|mentosdedevoç ao, po|sosob]etosda
v|saoaexc|tammellorqueosdaaud|ç ao¨ Adoutr|nada| gre]aestatodacont|da,

noessenc|al,nessas|ormulaslap|dares Elaconst|tu|umaexper|ênc|acolet|vade
abrangênc|a|negavel e, por| ssomesmo,um|rut||erotemadereûexao||loso||ca
Lesdelogo, e surpreendentequeaartenem sequersemenc|one. Cstex-
tosconc|l|aresouteolog|cos|alamun|camentede|magens,p| ntadas,esculp|das
ou de qualquer outra natureza. A beleza de ta|s |magens tambem nao recebe
menç ao. Errar|amos, porem, aoconclu|rquea questao nao | nteressavaaos Pa-
dres, ouqueaprovassema|e|uranesteounaquelecaso ÷ mu|topelocontrar|o,e
deesperarqueadesaprovassem,menosporquecontrar|aa belezaems| quepor
ser noc|vaa e||cac|adom| n| ster|ocon||adoa arte sagrada e a p|edade que ele
dev|a|nsp|rar. Se aarteeasuabelezanaoestaoemquestao,lala-semu|to, por
outro lado, derepresentaç ao, |mag|st|cae doutr|na As|magens sao man||esta
mentecons|deradascomoumal|nguagemaserv| ç odosanal|abetos,lembremos
aß|l|·cJ:A¬·:rs) e, deummodo oudeoutro, ute| se ben|aze]as a p|edade de
todos Ha um erro, po|s, de ordem, quando seenga]aa arte sacra naquerela
1 52 I Ì NTkODÜÇAOAs /kTLS DObLLO
daarteabstrata, como se aescollase o|erecesseaoart|staquandonemsequer
a | gre]aseo|erecema| s. Semprelouvenaartesacraum |mportante elemento
naorepresentat|vona|ormadedecora�ao Aocontr|bu|rparaa belezade um
ed|||c|oqueserv| sseaum||mrel | g| oso, adecora�aoseassoc|aa buscadesse||m
e se acla, po| s, leg|t|mada Se se trata, porem, por razões art|st|casqua|squer,
de subst|tu|ra arte abstrata pelaarte representat|va no con]unto da arte sacra
ourel|g| osa, a questao e bemoutra Surpreendemo-noslo] eaoverpadres se
enga]aremnessav|a,comosea | gre]anaot|vessepos|�õesmu|to||rmesaesse
respe|toMaosetrataabsolutamentedesaberse aarteabstrataounao||gurat|va
e | n|er|orousuper|ora arte trad|c|onal que lerdamos dos gregos e da Renas-
cen�a, passando pelaldade Med|a A | gre] a ex|geuma |mag|st|cano|nteresse
da|nstru�aoedap|edadedos||e| s A|mag|st|caeumaartecu]o||m, essenc|al-
menterepresentat|voe m|met|co,requerdoart|stauma|ntel| gênc|a, umsaber,
umatecn|cae talentosde |mag|na�ao e de |nven�ao |n||n|tamentevar|ados. A
comb|na�ao desses talentos com a arte de p|ntar ou de esculp|rem v|sta da
belezae, s|m, poss|vel e pode se real|zardeuma |n|| n| dade de mane|ras e em
|numerosed|versosgrausepropor�ões ÒpontoemquestaoeoutroTrata-se
decompreenderquetudooquesepode|azerpassarporartepuranaartesacra,
mesmoaí·:|c, deM|clelangelo, so oe subord| nando-seaos||nsdom|n| ster|o
rel| g| osooudap|edade, que caracter|zam esse t|podearte Ex|steentao uma
subord|na�aodaarteaum||mquelleealle| o |poss|velqueaarteseeleveem
d|gn| dadeaoace|tarserv|raum||mma|selevadoqueo seu. Òservemantesda
verdade, quevemantes do bem, oqualvemantes dobelo÷ e Leus e o ser A
arte se enobrece, po| s, ao se colocaraserv|�ode Leus e darel|g|ao, ||ca ma|s
grave ema|sr|cadeverdadee deemo�õesdeumaordemsuper|ora quecom
portaapenasas|mplesprodu�aodeumasubstânc|aemv|stadasuamerabeleza
Essaordeme super| or, e e tambemd||erente.A belezadeumaobrarel|g|osa,
se|orrealmentebela, dom|nadoaltoadapurae s|mplesobradearte,AD·o·rc
Ca¬:J·c superaem mu|to o ma|sbelopoemaa moda deMallarme, cu]aper|e| -
�ao |ntr|nseca e el amesma o seu ||m A propr|edade cumulat|va das belezas
coloca-seaqu| a|avordaarteenga] adanum||mma| s elevado queasuabeleza
|ntr|nseca A esculturae a p|nturapodemsetornarma| s belasass|m, masuma
\AP|TÜ|O`Ì Ì Ì - / AkTL L O SACkADO I 1 53
estatuae umquadro nao podem] ama| s deverarespect|vabelezaa outra co|sa
senaoaartedep| ntaredeesculp|rAbelezatotaldeumaobradependedo||m
aque serveedamane|racomoprocedeparaat|ng|-lo,suabelezacomoobrade
artedependeun|camentedamane|racomo at|ngeo||mque lle epropr|o, que
eproduz|ralgobelo]ust|||cadoporessamesmabeleza
Compreenderemosmelloro sent|dodessas d|st|nçõesapl|cando-asaca-
sos part|culares, rea|souposs|ve| s. Basta|alardos mestresdaRenascençapara
vercomev|dênc|acr|stal|naque,conv|dadosacolocarasuaarteaserv| ç odare-
l | g|ao,|o|estault|ma,|requentemente,queacabaramcolocandoaserv| ç odasua
arte Cs|nqu| s| doresdeVenezaapenascumpr|amodevercensurandoVeronese
por|ntroduz|rtantas personagenspro|anas e atebu|ões emquadrosrel|g|osos
dest|nadosas| gre]as Essespadressab|amexatamenteoquequer|am, porqueo
quer|am,eoque os quadros dev|amrepresentarparacumpr|ra|unçaorel|g|osa
que lle |ora atr|bu|da Mas Veronese, que nao |gnorava nada d|sso, pensava
sobretudo em p| ntarum quadro tal como um p| ntoro conceb| a Bemsedes-
culpou, entao, pela|rresponsab|l|dade natural dos art| stas, e |ezo seumellor
paraconc|l|aros|nteressessuper|oresdarel| g|aocomosprazeresdaarte. Mao
queestanaopassedeum] ogo, po|sum] ogonaotemoutro||malemdoprazer
quecon|ere, enquantoo||mdaarteeabelezaque cr|a, mas, podendo serv|ra
rel|g|aocom asuaarte, oart|stasotemaganlar.Apenaso||mdap|nturaems|
mesmanaoe0 ||mdarel| g|ao
Poucagente||cara sat|s|e|tacom essapos| çao, quenaopor| ssode|xade
serverdade|ra Lescontentes com assoc|arat|v|dades d|st|ntas subord|nando-
as entres| etodasa ma| s elevada, ama|or|apre|er|r|aquecadaumasegu|sseo
propr|o||mcomose |osseoun|co,ouun|versalAexper|ênc|anosperm|tever
ava|dadedetal amb|çao Seguramentese podemde||n|rascond|ções|dea|sde
umcaso em quea arte absoluta ser|atotalmente ela mesma, e nadaalem dela
mesma, serv|ndoos ||ns deumav|darel| g| osatambemabsoluta Maoobstante,
supondo que umav|darel|g|osaabsoluta se]auma essênc|as|mples, co|saque
naoe,eclaroquenenluml|amepropr|amentenecessar|ol | gaasduasordensem
questao Uma enormemassade|magensrel| g|osascumprecom sucessoastrês
|unçõesqueSantoTomasllesatr|bu|.ens| nar,lembrareemoc|onar Cusaremos
1 54 I Ì NTkODÜÇAOÀS /kTLS DO bL|O
susten¡arqueocumpremcomtantoma| ssucessoquantoma|sbelas|orem¯An-
tesocontrar|o. Òes|orçodaarterel|g|osaparaseelevaraon|veldeverdade|ra
arteplast|ca|mportaantesnoaturd|mentodopubl|co, o|erecendo-lle'ob]etos
dearte'nolugardos 'ob] etosdep| edade¨. Quantomenoso seu||me ens| nar
eemoc|onaremv|stado querepresentam,tantoma|sas obras dessegênerosa-
t| s|azemacond|çaopropr|adaarteems|,queea dequeassuasobrasagradem
porsuamerabeleza.Aregrageralnamater|aeadad|st|nçaodasordens,e sua
un|ao na d|st|nçao Tal un|ao so pode ser l|erarqu|ca, e e ev|dente que, se se
tratadearterel| g| osa,quemmandaearel| g|ao. Cu, aomenos, dever|amandar
A|ndaaqu|a regra ||loso||cageral nao nos perm|tededuz|rnenlum]u|zo
estet|copart|cular. Ser|amu|to|ac|lc|tar|magensrel|g|osasdeabom|navel| ns| -
p|deze |e|uraextrema. El aspodemsempre, porem, | nstru|re rememorar, po|s
e em s| mesmo que o ||elencontra o ob] eto desuap| edade etudoo quello
lembrarlade serut| l |verdade quenemtudo o quellolembraremoc|ona-
lo-a, a|magemtalvezorepugne Messecaso,trata-se, aomenosparaosuposto
||el, de ummauexemplo de arte rel|g|osa, a|ndaque, mu|tasvezes, os outros
oaclembom A |mag|st|carel | g| osama|s e||caznao e necessar|amente ama|s
bela.Certa|magemmu|tod||und|danaColômb|alo]eemd|arepresentagra|| -
camenteav|da doBom eadoMau, comos ||nsopostosa que conduzem,nao
setrata,certamente,degrandearte,mascumpreexatamentea|unçaoatr|bu|da
a |mag|st|capelosConcl| osdeM| ce|a,Trentoe P| sto|a Aartenaotemnadaa
d|zerarespe|to,earel|g|aonaotemnadaalle reprovar
Mas | ns|stamos um pouco Por que uma per|e|ta obra de arte nao se-
r|atambem per|e|tamente rel|g|osa¯ Certamente laobras ass|m. Fra Angel|co,
Rembrandtealgunsoutrosnosvêma memor|a.Mas,desdelogo,ta|ssucessossao
excepc|ona|s.Ònumerodep|ntores|nd||erentesemmater|aderel|g|aoquep|n-
touquadrosrel|g|ososema|scons|deraveldoquesepensa Csgrandes|tal|anos
doRenasc|mentoexecutaramasordensquereceb|am, algunsdeleseram|mp|os
notor|os, |nd||erentes ouquase | sso, p|ntavam aqu|lo que os mandavam p|ntar,
talcomo,ma|starde, Lelacro|xdecorar|aaCapeladosSantosAn]osna| gre]ado
SantoSupl|c|o, semque|ossean|madodesent|mentosrel|g|osospart|cularmente
|ntensosousequerpercept|ve| s Umsantopode|azermap|ntura,umbomp|ntor
\AP|TÜLO`Ì Ì Ì ¯ /AkTL L O SACkADO I 1 55
podenaoserumsanto,umart|staquenaoenemsantonembomp|ntorpode|ma-
g|narumaSantaV|rgemouumSagradoCora�aocapazesdeal|mentar|nde||n|da-
menteap|edadedasmult|dões. l|ac|lvoltaro sarcasmoaoocas|onalmaugosto
dosresponsave|speladecora�aodas| gre]as,mastalveznaose]atotalmente]usto.
Aco|nc|dênc|adogên|oplast|cocomasant|dadee rara,parapreencleralacuna
entreambos,eprec|socontentar-secomumaartedecomprom|ssoqueserveaos
||nsdarel|g|ao semo|enderasex|gênc|asdaarte Memsequerosgrandesart|stas
consegu|ram bem serv|r aos do|s senlores sempre que tentaram. Selanus de
M|clelangeloqueo|endem, apela-seaalgumal|a|atequeosv|stae llescon||raa
decênc|apropr|adoslab|tantesdoSantoLugar.
E se |orembem-suced| dos¯ Comod| ssemos,os art|staspodemsê-lo, com
e|e|to, mas a d|st|n�ao entre as ordens permanece no se| o mesmo do suces-
so. Ò quadro nao e o mesmo como ob] eto de arte e como ob] eto rel|g|oso
Mopr|me|rocaso, naosomentee dese]adoporsuaper|e|�ao propr|a, mas ele
mesmo,alemd| sso, eoob]etodaexper|ênc|aestet|ca.Seeuobservarumaobra
dearte, ee para| ssoqueYOU ao Louvre, OS í:·:¡··rasJ:£¬cásser-me-aumqua-
dro. Òob]etodem|nlaapreensaoseraap|nturaperceb|dacomotal, e, se|alar
a seurespe|to, le|de descrevera compos|�ao, a core os valores, enquanto o
tema,rel|g|osoounao,seracons| derado,naoems|, mascomomot|vop| ctor|co
A propr|aemo�aoqueacompanlaessaexper|ênc|aseraumaemo�ao estet| ca,
causadapelaarte do p| ntorevoltada para a obra ou para a sua causa, | stoe, o
mesmop| ntor. Mas se apreendermos o mesmo quadro comoob] etorel|g|oso,
comoobradeartesacra, esse ob] etonao serao mesmo. Mossaapreensaonao
sedeterano quadrocomoquadro, nemsequerporum| nstante,oqueveremos
serao |nstantesagrado da'|ra�aodopao', exatamente omesmorepresentado
emoutrosquadrosd||erentes,porqueaun|ca|un�aodeumatalrepresenta�aoe
| nstru|r,lembrarecomoverElanos|azvoltarparanos mesmosa||mdeencon-
traroob] etodenossap|edade,aoqual,porme|odaobra,nossaapreensaoten-
decomoquede|med|ato. Aco|nc|dênc|aseratantoma|sd|||c|ldeobterquanto
ma|sper|e|taaobradearte|or, suabelezapropr|anos oculta|esusCr|sto
Csteologosnaoseocuparamdesseproblema, masd| scut|ramumproble-
ma semellante, e as conclusões de ambos sao co|nc|dentemente as mesmas.
1 56 I Ì NTkODÜ�AOAs /kTLS DObLLO
Òsent|dodeumesclarecemarav|llosamentebem o sent|dodooutroApr| n-
c|palob] eçaodos| conoclastascontraocultodas|magenseraquevenerarqual-
quer |magem, mesmo sacra, const|tu|r|a|dolatr|a Arespostaeraqueo ob] eto
desse culto nao era a |magem, mas aqu|lo que representa, nao a ·¬c¡a, mas a
sals·si:ri·c correspondente Ò |nteresse||loso||codarespostaestanaev|dênc|a
emquepóeoverdade|rosent|dodanoçaode|mageme, com| sso, dasnoções
derepresentaçaoe|m|taçaoquelleestaol | gadas Ems| mesma,uma|mageme
umaco| sacomoqualqueroutra, papel,tela, pedraou made|ra lprec|samente
|ssoqueumvendedorde|magensvende.Mas, numoutrosent|do,a|mageme
essaco|sanamed|daemque representaumaoutra E| sporque,comoobserva
Santo Tomas naSa¬c Tea|á¡·.c ,| | | , 2, ?) 'oato que se d|r|geauma|mageme
duplo, segundo a cons| dere um ob] eto part|cularoua |magemde outra co|sa
Ad||erençadessesdo|smov|mentosequeoob] etodopr|me|roe apropr|aco|-
saquerepresentaoutra, enquantoo segundo, porme|odopr|me|ro, seende-
reçaaoquea|magemrepresenta¨ Apreendera|magemcomo|mageme, po|s,
captarapropr|areal|dade, a·:s dequee |magem Certamentelaver|a|dolatr|a
se seadorassea |magem tomada no pr|me|ro sent|do, como co|saque e uma
|magem, masabsolutamentenaola se seadorana|magem areal|dade sagrada
que representa 'Portanto, nao se deve nenlum respe|to a |magem do Cr| sto
named|daemqueeumaco|saqualquer, porexemplo,um pedaçodemade|ra
talladaoup| ntada, porque sosedeverespe|toa uma cr|aturarac|onal Resta,
po|s, quearespe|temosnamed|da em quee uma |magem, e e por| ssotemos
omesmorespe|topeloCr| stoque pela|magemdo Cr| sto¨. Rac|oc|nandopor
analog|a, d|r-se-atambemque o quadropodeserapreend|docomoquadroou
como|magemrel|g|osa. Mopr|me|rosent|do, elenaoe conlec|doexatamente
comoumas|mplesco| sa,mascomoumadaquelasco| sasespec|||camentedeter-
m|nadasquesaoasobrasdearte l| ssooque,emSaoSebast|aodeVeneza,me
|az esquecerque secelebraa m|ssaenquanto euo observo Mosegundosen-
t|do, poucome|mportaqueo quadro se]adeVeroneseoudequalqueroutro,
quese]amed|ocreouumaobra-pr|ma, po|snaoe 0 quadroqueobservo, masa
real|daderel | g| osaque evoca. ld|||c|l num ato s|mplese |nd|v| s|velapreender
ems| epors| mesmoumeoutrodessesob]etosd|st|ntos.
\AP|TÜLO `Ì Ì Ì - /AkTL L O SACkADO I 1 57
Essamane|radeconceberaarte sacranao socorrespondeasre|ìexõesabs-
tratas de alguns teologos ou esp|r|tos especulat|vos Elatambem resume uma
exper|ênc|a seculare d|zo que essaartee de|ato, ass|mcomoo quequerser
Mo seu ì·Jcs Jas Scrias AlcJ:s J: \·:¬aaio :1c··aa, escr|to no |n|c|o do seculo
Vl l l , SaoBedacontacomoSao Bento B| scop,voltandode suaquartav|agema
Roma,trouxera,entreoutrasco|sas,'quadrosrepresentandocenassagradaspara
adornara|gre]adeSaoPedroque eleconstru|ra,asaber,uma|magemdaV|rgem
Mar|aedos dozeapostolos,dest| nadaaadornaranavecentral, sobreummade|-
ramequeseestend|adeumaparedeaoutra,etemast|radosdal| stor|ada| gre]a
paraaparedemer|d|onal,edoApocal|psedeSao|oao paraasetentr|onal,a||m
deque,mesmosenaosoubessemler, todososqueentrassemna|gre] at|vessem
sobosollos,paraondequerqueollassem,aconsoladorav|saodoCr|stoe de
seus Santos, p|ntados, e certo, e pudessem med|tar com aten�ao sobre os be-
ne||c|osdaEncarna�aodo Senlor, tendosemprepresentesosper|gosdo|u|zo
F|nal eprocedendo, po|s, aumma|sseveroexamedeconsc|ênc|ad|anted| sso'
Comparandoessetestemunlocomadoutr|nadeSantoTomasecomasdec|sões
dosConc|l|os,veremosoquaodepertoateor|asegueaprat|ca Ano�aodebe-
lezap|ctor|cadasobrascertamentenaoestaexclu|da, elas|mplesmentenaoesta
emcausa,trata-seapenasde|mag|st|ca, | stoe, representa�õesdoquesetemde
mostrarsoba|ormade|magens,a|altadepodermostrarasreal|dades

Aconclusaose|mpõedemodo part|cularmenteev|denteno que concerne
as artes plast|cas, mas vale para todas as artes Por exemplo, a mus| ca, que a
l gre]alutousemcessarparareduz|rasua|un�ao propr|amentel| turg|ca,sempre
se es|or�ouparatranscenderessesl|m|tes, apontode per|gosamenteusurparo
cultorel | g| osoMu|tosed|scut|uparasaber'comocolocaraarteno seudev|do
lugar, ouamus|cade| gre]ana| gre]a' Umaun|carespostaaessaquestaoparece
poss|vel a mus|carel| g|osae a |orma cantada da ora�ao colet|va, quanto ma|s
s| mples, como nocantoclao trad| c|onal, ma|s bem-adaptadaa |un�ao quelle
cabenotododoculto Aquestaonaoe saberseocantogregor|anoe ounaoe
c¬c·sl:|cmus|cade|gre]a Eletemasuabelezapropr|a, mas eumabelezama|s
rel | g| osaqueart|st|ca, po|snao|o|compostoemv|stadacr|a�aodearqu|teturas
sonoras agradave|s por s| mesmas, e cu]a repet|�ao e em s| mesma dese]avel
1 58 I ÌNTkODUÇAOÀS/kTLSDO bLLO
Amus|capropr|amenterel|g|osae a mus|capropr|amenteart|st|caconst|tuem
duasordensleterogêneasquenaocabecompararnemcon|und|r.
Essad||| culdadesemostrademane|raexemplarquando, duranteumo||c|o
emquealgumaspalavrasl| turg|cas|oramcantadassegundoumdosmodostra-
d|c|ona|s,umaorquestracle|adecorosd|sparaum!,··:, umC|a··couumC·:Ja
compostosporalgummus|comodernonal| nguagemmus| calquelleepart|cu-
larÒd| sparatenaoestanoest|lomus|cal,e o propr|osent|dodapalavra'mus|-
ca¨queagoraestaemcausa, po|sumam| ssadeMozarteoprodutodeumaarte
conceb|dapormus|cosc|ososdecr|arbelezassonorasdese]adaspors|mesmas,
enquantoocantoclaoe umaartedese]adapelo||mrel| g| osoaquedeveserv|r
Mozart|azocultoserv|raos||nsdasuaarte,ocantogregor|ano|azaarteserv|r
aos||nsdocultoAbelezamus| calquea|seencontra, am|uderealeverdade|ra,
nao passa de uma espec|e de subproduto Ò est|lo pol||ôn|co de Palestr|na e
seus êmul os|o| um comprom| ssode gên|o para salvara mus|cana |gre]a num
tempoem que quasede|xaradesermus|cade|gre]a Levemos-lleadm|rave| s
obras-pr|maseasua|n|luênc|asobreamus|camodernaea|ndalo]epercept|vel,
masnada]ama|s|mped|raosmus|cosdecolocararel | g|aoaserv|çodamus|ca.
Elestêm esse d|re|to, desde que nao tomemapropr|aobrapormus|casacra
AM·ssc:»S· e aM·ssc:»Re saograndes obras-pr|mas daartemus| cal, masse-
r|ammonstruos|dadesl|turg|cas sesetentasse|ntroduz|-lasnoculto, e mesmo
asm|ssasdeHaydneMozart,deduraçaoma|sapropr| ada, 'desa|| nam¨quando
executadasdurantea celebraçao Essas compos|ções estaolapors| mesmas e
nao|alamdeLeus,masdeMozartoudeHaydnAartedamus|cacomotalnao
e uma arte sacra Menlumaarte do belo comotal e umaarte sacra. Esseapa-
renteparadoxoeumatautolog|a, porque|mportaemd|zerqueav|rtudeaque
clamamosartenaoe av|rtudedarel | g| ao l ssovale paraapropr|apoes|a. Um
poemarel | g| ososereconlecepor|alarderel| g|aoouporque|nc|taa p|edade,
masla sempre o problemadesaberseo seuautore essenc|almenteumart| sta
queexploraosrecursosdarel| g|aoemv|stadapoes|aouo|nverso Ò pr|me|ro
casoe 0 dopoetacu]aobrae essenc|almenteumaobradearte Òsegundoe 0
doteologoouautoresp|r|tualque escolleuma|ormapoet|caparaexpr|m|rsua
|eousuacar|dade,suaobra,emessênc|a,edaalçadad|retadarel|g|ao.
\AP|TULO `Ì ÌÌ - /AkTL L O SACkA DO I 1 59
Falou-semu|todoio:a|a¡asDcri:sra||·asJa¡¬ci·s:x(:·s Come|e|to, o saber
||loso||co e teolog|co de Lante |mpress|ona por suaprec|sao e extensao Ele
sab|amu|toma|s teolog|aque certosteologos de lo]e. Alem d| sso, essateo-
l og| anaoe umaespec|edeornamentocomqueelequ| sesseparamentara sua
obra. Ela |ormaa substânc|amesmadessaobra, ]a que lle con|ere o tema, lle
determ|naaestrutura,lled|r|geodesenvolv|mentoeaconduz, deep| sod|oem
ep| sod|o, ao êxtase ||nal que e o seu ep|logo. Moentanto,A D·o·rc Ca¬:J·c e,
emcertosent| do,ma|svastaqueumaobrapuramenterel| g| osaeteolog|ca.Ela
|nclu|apessoadeLante, enquantonenlumasumadeteolog|a|nclu|a pessoa
doteologo Òdramaquea|serepresentae0 dal| stor|aun|versal,cu]ocentroe
Roma, e o dest|noda|tal|aa|ndapornascer,ourenascer,estacont|nuamenteem
causano poemasacro Ògên|ocr|adordopoeta|und|uessasreal|dadestodas,
natura|s e sobrenatura| s, numun|co corpo de||cçaoquedevea suaex|stênc|a
un|camenteaele. Òun|versoeasual| stor|a|orneceramaspedrasaessed|||c|o,
o ma|s belo, talvez, queaartel| terar|a]ama|s tenlacr|ado, mas| sso] ustamente
porqueAD·o·rcCa¬:J·c e essenc|almenteobrade arte e, no pleno sent|do do
termo, poes|a. |belezaa serv|çodeverdadesque so comparecem em v|stada
obraedesuabelezaabsoluta
Para compreender mellor essa d|st|nçao, suponlamos que pudessemos
perguntar a SantoTomas o que pensava da obrade Lante Representemo-lo
abr|ndool|vroelendo
N:l ~:zza e:l :c~·r e· rast·c c·tc
~· ··t·a
¸
c· j:· orc s:lcc as:o·c
:|: lc e···ttc c·c :·c s~c···tc
Ò LoutorComum |ecla o l |vro com um susp|ro 'Poes|ade novo', d|z,
'| ssonaoeverdade' Po|sessear|stotel|coquenuncal eullataopensa,contudo,
dapoes| a, o mesmo que o autordak:(ál|·.c e dasl:·s A naoverdade esta na
propr|aessênc|adapoes|a Tudonelae||cçao,atalpontoque seusamosoverso
parad|zeraverdade,naosetratama| sdepoes|a, masdec|ênc|a Ar|stotelesd|-
z|aqueopoemadeEmpedoclesera||s|caMo|n|c|odoseuCa¬:ric··acsS:ri:r�cs
J:í:J·ala¬lc·Ja,í·a| l , 5, ?m) , na|lordasua]uventude,nossoteologoescreve
1 60 I ÌNTkODUÇAOÀS/kT|S DO b|LO
|r|amenteque 'a c|ênc|apoet|catratadoque, dev|doa sua |altadeverdade, a
razao nao pode apreender' (a:i·.cs.·:ri·c:siJ:o·s,ac:(·a(i:·J:|:.ia¬o:··ici·srar
(assaric·ci·ar:.c(·
' · Mao obstante,u|r-se-|a, o mesmo bantoJomas |o| poeia

Surpreendê-lo-
|amossellod|ssessemos,po|seleescreveuversos, easvezesbelosversos, mas
entao]ama|sse perm|t|ud|zeralgoalemdaverdade Ò que |az|a ele, po|s, ao
escrevero O||.·aJaScri|ss·¬aSc.·c¬:ria: Faz|al|turg|a. Part|c|pavadacr|açaodo
o|u|odoCa·(asCo··si·, queeumdos grandesmomentosdoanol|turg|coe ce-
lebraoma|ordosm|lagres,oqualestanopropr|o cernedocultocr|staoLesta
|e|ta, o Santova|can tar
L�«ec S·a» scl
¡
c
¡
e·:~,
Lc«ec e«::~ :
¡
jcste·:~
í» oy~»·s :t :c»t·:·s
Q«c»t«~ jet:s tc» t«~ c«e:
Q«·c ~c)e· e~»· lc«e:,
N:c lc«ec·: s«|}·c·s'
E| s en tao o que d|z o nosso teologo sobre o modo

llr| co S·i |c+s(|:rc.
s

·i sar

a·c, s·i,a.arJc, s·iJ:.a·

¬:�i·s,

l·|

i·a, mas � seu louvor nao s

era senao
verda1

, e� ma|saltadetodasqu�eadodogmacr|staonasuapureza Da¡¬c
Jcia·Co···i·cr·s, ,aaJ·r.c·r:¬ i·crs·i(cr·s, :io·ra¬·rscr¡a·r:¬' Cs que excluem
dapoes| atudooquesepudesse| gualmentebemd|zeremprosapodem,aqu|,
dar�azaoa suaverve E| sumapoes| a|mpuracomo]ama|slouve, po| so seu
aut�rv|s|velment�naot��outrapreocupa�aoal�m ded|

zeremverso� ver-
dad� que

t� bem se d|r|a em prosa A que prec| sões dog�at|cas ele ousa
' "Louva, Si ao, o Salvador, louva o guia e o pastor com hi nos e cantares. Quanta possas,
tanto o louva, porque esta acima de todo o louvor e nunca o louvaras condignamen­
te. " Di sponivel em: <http://w  .saopiov. org/2009/02/hinos-eucaristicos-lauda-sion _28.
html> (As traducoes desses hi nos foram todas tiradas desse mesmo sitio.) (N. T.)
2 "Ressoem, pois, os louvores, sonoros, cheios de am or. Seja formosa e j ovial a alegria das
almas." (N. T.)
3 "
E
dogma de fe para os cristaos que o pao se converte na carne e o vinho no sangue do
Salvador. " (N. T.)
\AP|TÜLO`Ì Ì Ì - /AkTL L O SACkADO I 1 61
clegar¯ Sal J·o:·s·s s(:.·:las, I s·¡r·s |cr|a¬, :| rar ·:las, l |c|:r| ·:s :x·¬·c: I Cc·a
.·las, scr¡a·s(a|as,I ¬cr:||c¬:rCo··s|as|a|as, sala||·c,a:s(:.·: ¹Lembro-medeum
] ovem] esu|taamer|canoquemecantavaateolog| adaSant|ss|maTr| ndadeem
três ouquatrod|st| coscomacompanlamentodev|olao Aqu| , porem, Santo
Tomasnaosepropõeaserd|dat| co. Eleens| naporqueens|nareoun|come| o
decomun| caraverdade,oquee o J everdoteologo Quandoaemoçao|rrom-
pesobo verso, e o seuamoraLeus quetomaapalavra£..:(cr·sAr¡:|a·a¬,I
|c.|as.·laso·c|a·a¬,I :..:(cr·s|·|·a·a¬,I rar¬·|:rJas.cr·las.¹QuandooSantopara
deens| nar, reza ßar:(cs|a·, (cr·so:·:,I 1:saras|··¬·s:·:·:¸ ) Aquestao. | ssoe
poes| a¯, naose| oqueSantoTomaster|arespond|do, po| sasual|nguaeral |vre
eele|o| sempremu|toc| osodelle] ust| || carouso, mascertamentenaoater|a
caracter|zadoporumJ:|:.|aso:··|c|·s. Memnadoutr|nanemnaprat|cavemos
surg|r a| aquele momento pr|v|l eg|ado da arte propr|amente d|ta, em que o
poema nao e perceb| do nemcomoco| sanemcomo|magemdoquetal co|sa
s| gn| || ca, mascomoalgoplane]adoeproduz|doporaqu|loquee ÒlcaJcS·ar,
poemaaque nao |altabeleza, naoeumalomenagemaobelo, mas a |e. E sea
||nal|dadeespec| ||caaoperaçao, nenlumales| taçaoser|aposs|vel opoet|co,
aqu|, |o|absorv|dopelorel | g| oso
Tudo o queo art|sta submete a |orma dasuaarte pertence a mater|a da
obra, ecomoaobraage em tudopors| mesma, produzem nosuma|mpressao
globalnaquale |mposs|veld|scern|roquevemdaartedoquevemdamater|a
Ò cr|t| co, o l| stor|ador e o su] e|to cognoscente podem, a segu|r, se |nterro-
gar sobre as componentes da exper|ênc|a estet|ca, mas clegam mu|to tarde.
As conclusõesdare|lexaotambempodem, por suavez, mod|||carasexper|ên-
c|assegu|ntes Mu|tasvezespercebemosquenosde|xamosl evarpor|ac|l|dades
super||c|a|s, pelo prazer de reencontrar |ormulas conlec|das ou, na outra ex-
trem|dade da escaladas qual|dades estet|cas, pela|ntens|dade de sent|mentos
• "Debaixo de especies diferentes, que sao apenas sinais exteriores, ocultam-se realidades
sublimes. 0 pao e a carne e o vinho e o sangue; todavia, debaixo de cada uma das especrs
Cristo esta totalmente. " (N. T.)
¸ t
5 "Ei s, pais, que o pao de que se alimentam os Anjos foi dado em viatica aos homens: pao
verdadeiramente dos filhos, que nao deve dar-se aos caes. " (N
.
T.)
6 "0 bor Pastor e alimento verdadeiro ( . . . )_ 6 Jesus, tende piedade de nos. " (N. T.)
1 62 I ÌNTkODÜ�AOÀS/kTLS DO bLLO
capazesdeemoc|onarpor s| mesmos,pelabelezamoral das|de|asepelasemo-
çõespatr|ot|casourel|g|osas que o assunto daobracolocaemquestao. Essas
componentesmudamdevalorede sent|dosegundoasd| spos| çóesdousuar|o.
Certas pag|nas deLc CocrsarJ:ka|crJ, que tocavam|osepl Bed|er ate asla
gr|mas, naot|nlamnenlumagraça aos ollos de umAndre C|de ouum Paul
Valer,, que cons|deravam essaveneravel epope|acomo a|ndama|s aborrec|da
que as de Homero Um cr|stao ]ama|s lade enxergar umApolo ouum Zeus
do mesmomodo que um grego p|edoso, um|rancês]ama|s lade sent|r Lan-
te Al|gl| er| como os seus le| tores |tal|anos, e part|cularmente como o padre
Cornold|, quea cadale|turasent|aa dupla sat|s|açao de reencontrara patr|a e
a||loso|| atom|sta Al| stor|al|terar|amodernacompl|caa|ndama| s as|tuaçao.
Toda ab|ogra||a pessoal do escr|tor passa porela, p| ntoroumus|co, o art| sta
e anal|sado, ps| canal|sado, soc|olog|zado, anatom|zadoe|| s|olog|zadoate||car
reduz|do ao estado de quebra-cabeças que o le|torgostade reconstru|ra sua
mane|raCastam-setesourosdeengenlos|dadeemta|s empresas,mastambem
depuer|c|aqueclegaao| n|ant|l|smo. Como querque se]a, amoleculade arte
puramergulladaemtoneladasdeuran|n|taeasecretasubstânc|arad|oat|vaque
llecon|ereenerg|a. ldelaqueotodoadqu|rea|ormadaarte.
Elaexpl| catambematendênc|ade tantos am|gos daarte para exaltar-lle
a nobreza alem de todos osl| m| tes. lposs|vel com e|e|to, quenaola]anada
ac|ma de s| mesmo na consc|ênc|ade quem ass|m se expr|me. L|z-se, entao,
comtodaa]ust|ça, queaartee o seudeus, ouqueaarte e a suarel|g|ao. Me-
lloressaquenenluma.AoleroscadernosdeLelacro|x, perguntamo-nosque
lomemter|as|do senaolouvessea p|ntura. Sem |azer d|sso o ap|ce dav|da
esp|r|tual,naosepodeacercardaartepura,porpoucodelaquela]anumaobra,
semexper|mentaraemoçaopart|culardaqu|loque, napropr|anatureza, parece
transcendêlaernessênc|aeemd|gn|dade. UmversodeV|rg|l| o, deRac|neou
de Blake basta, uma |rase de Haydn oude Mozart, |nesperada pelaper|e|çao
quase m|raculosa de suanecess|dade |ormal nos emoc|ona|| s| camente como
umapresençama|s sent|daqueconlec|da, etestemunlanapropr|amater|ado
nossomundo areal|dade deumoutro, como seosnossos sent|dos nos trans-
m|t| ssem mensagens v|ndas do esp|r|to. Maosurpreendeque aqueles quenao
\Al|TÜLO`Ì Ì Ì ¯ /AkTL L O SACkADO I 1 63
têmma|snadatenlamaomenos| ssoparallesdarosent|mentodeumaemoçao
propr|amenterel|g|osa,deumtoquedod|v|no
|queaartecr|aabeleza,queeumtranscendentaldoser, eacercar-sedo
sere penetrarsemprenumazonaondesesenteapresençado sagrado.Aver-
dadepura, procurada, encontradaeamadapor s| mesma,opurobem, quer|do
como |ncond|c| onalmente dese]avel, porque e o bem, a un|dade e a ordem,
en||m, buscadas por s| mesmas, que sao, como o bem e a verdade, aspectos
do serr+amed|daemquee ser Trata-se, po|s, poiass|md|zer,demodal|dades
ontolog|cas Abelezae outradessasmodal|dades |ama|smodestadelas, po|s
e apenas o bem da apreensao sens|vcl do ser, quandola adequaçao entre o
sens|vel e a sens|b|l |dade de um
su] e|to|ntel | gente Essee o • belodas artes do
bel o l apenas | sso. Mao se lle pode negar o d|re|to de procurar se real|zar
em s| e por s| Quando tenta |+zê-lo, vemos os ep|tetos 'µuro' e 'v|igem' se
mult|pl|cardapenados poetas Maoe semrazaoqueo |ormal | smop| ctor|coe
mus| cal este]aexcomungadopelomater|al| smodo Estadomarx|sta, po|s,mes-
moquandoestaodadosnamater|a, obranco, oazul, od|apuroepungentesao
testemunlassens|ve| sdavocaçaoesp|r|tualdessamater|aque, nasc|dadoesp|-
r|to,asp|raaoesp|r|to Londeassurpresasestonteantesquenoscausamcertos
sons,certasl| nlas,certaspalavras,certasat|tudesemquesede|xaentreverum
mundo mater|al d||erente do nosso, ou o nosso em estado de glor|a. Ò ma|s
modestode todos eles, o belo, naode|xapor|ssode serumtranscendental |
o transcendental do corpo, o un|coa que o lomemacede, nao a despe|todo
conlec|mento sens|vel, mas nele e porele, quando |unde a |ntelecto com os
sent|dos em vez de os ev|tar Co|sa|ntensamenreterrestre, aarte parece que
|o| dada ao lomemparaconsola-lode nao seruman]o. Maosurpreende, po|s,
queumv|nloass|mtao|ortepossaembr|agar, sobretudoseobebermospuroe,
comotodo|n|c|odeembr|aguez,tambemessav|eracompanladade|lusões. Ela
naoseengana,porem,arespe|todanobrezadoseuob] etoedanaturezadasua
causa Comoquerque abordemos o serna med|daem que e ser,|osseapenas
porme|odocorpoedapercepçaosei·s|vel, expomo-nosa presençadoSerEle
]ama| s estalongedenos,enaoeEle,masumre|lexodasuaglor|aquenostoca
nama|slum|ldedasobrasdearte
1 64 I Ì NkODÜÇAOAS/kTLS DObLLO
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¬rtC C |ìÌ ì stì nì smO
Ò ponto de part|da de nossas re|lexões meta||s| cas sobre a arte |o| a
d|st|n �ao trad|c|onal entre as ordens do conlecer, do ag|re do |azer. Ò seu
pontode clegada e a constata�ao dequeas belas-artesnaodependemd|re-
tamente nem do conlecer nem do ag|r, senao do |azer, e que, mesmo nes-
saordem, a suad| |eren�a espec||ca e |azer ob]etos cu] o||m e serem bel os
A conclusao deque a no�ao de produ�ao e essenc|al a arte sera semduv|da
ace|ta, e suaev| dênc| a| med|atae pors| mesmataoman| |estaquenemsequer
val | aa penad|zê-la, everdade, masnossoob] etonaoeranemdescobr|ruma
co|sa ass| mtaoev|dente, nem d|zê-la, senaodescobr|re d|zer porquerazao
essaev| dênc|areconlec|daportodosev|aderegraolv|dadataol ogosereco-
nle�a

l estranlo queumaverdade ass|m tao certa, de d|re|toreconlec|da,
se]a constantemente negl | genc|ada de |ato, e que um pr|nc|p|o que dever|a
dom|nartudo o que se d|z das belas artes e suas obras nao desempenle na
prat| canenlumpapelnasua|nterpreta�ao
Ò t|tul o daía:|·.c deAr| stotel esconst| tu|a soz| nloum magn||| copro-
grama, po|s e notavel que a l | nguagem tenla escoll|do a pal avra 'poema'
para des| gnar essesprodutos |abr|cados que sao umaepope| a, umatraged|a
ouuma comed|a Cra, a suanaturezaouessênc| anao e prec| samente serem
'|e|tas' ¯ Essaev| dênc|a| med| ata,al|as,] ama|sseperdeudev|sta Conquanto
ama|or|adosqueescrevemsobreaartenaotenladadoporela, encontram-
se de tempos e tempos, e as vezes em autores | mprovave| s, uns quantos
testemunlosdaverdade
Entreosbast|õesdanoçaodeartecomo|act|v|dademenc|onemosLamen
na| s Clegouaelaporumdesv|o, po|semseutratadoD:| A·|:|Jaß:ca,excerto
do£s,a·ss:Jar:ío·'asa(o·: publ|cado em i 34 i
Í
elepermanec|adesde l ogo ||ela
noçaodabelezacomoman| |estaçaodaverdade, mas rap|damenteseelevavaao
pr|ncp| ode que, ]a que nada se pode man||estar exceto pela |orma, aqual es-
pec|||caoser, 'seseguequeoBel oe o propr|osernamed|daemqueedotado
de|orma, eass|ma|ormaeob]etopropr|odaarte' Lamenna|sseopunla,po|s,
||rmemente, nas cons|deraçóes prel|m|nares do seul|vro, aquelesque 'procu-
raram o pr|ncp| odaartena|m|taçao' Essault|ma, d|z|acomtodaarazao se
re|er|ndoamesmaarte, 'eumdos seuselementos,naooseupr|ncp| o' Aarte
eapenasumadas|acesdodesenvolv|mentodolomem,das suas potênc|asat|-
vas 'Relac|onando-aaopoderlumano'decon|er|ra |de|auma|ormasens|vel
que a man||este exter|ormente, ele conclu|a que 'a arte esta para o lomem
ass|m como o podercr|ador esta para Leus donde o termo 'poes|a' ¯ (a|:s·s,
de (a·:|r, |azer, produz|r, cr|ar na plen|tudede sua pr|m|t|vaacepçao' Vê-se
a|quaopro|undamenteLamenna|scont|nuouasersempreumteologo Todoo
pr|me|rocap|tulo, 'V|sao geral daarte', e uma comodeduçaodaartelumana
a part|r do ato d|v| no 'Ass|m, na suaevoluçao, a arte cont|nuaa man||estaro
un|versoouaobradeLeus' Lamenna|sassoc|a|nt|mamenteasnoçóesdearte
e de cr|açao Mum esp|r|to completamente oposto, essamesmare|v|nd| caçao
aoplenosent| dodanoçaodepoes|ae|am|l|araPaulValery cu]aarte, al|as,nao
de|xoudea|etar Eled| ssemu|tasvezesqueoseu|nteressesevoltavaantespara
ascond|çõesnecessar|asaproduçaodas obras doesp|r|to que paraaspropr|as
obras Quando, em i 9? 7, o Collcge de France cr|oue o|ereceu-lle a Catedra
dePoet|ca, esset|tulo, escoll|dopelopropr|oValer,, t|nlanasuamentetodaa
|orça que lle cabe Elenao orestr|ng|aa artedoverso,mas,tomando-onasua
s|mpl| c|dadepr|me|ra, e pretendendoestenderosent|dodas palavras '|azer' e
'|abr|car' ao con]unto das produçóes do esp|r|to, Valeryrevelavaa | n|luênc|a
do moderno desenvolv|mento das tecn|cas |ndustr|a|s sobre o seu pensamen-
toJa que sepodeproduz|rtudo, porquenaolaver|aumac|ênc|adas cond|-
çóesnecessar|asparaproduz|rastecn|casdeproduçao¯ Òseuesp|r|tovoltava
1 66 I Í NTkODÜÇAO ÀS FkTLS DO bLLO
constantementea |de|adeumacomo'|abr|cator|a'un|versal,correspondentea
comb|nator|aun|versal ouartedecomb|nara vontadetodosos s| gnosmenta| s
e, ass|m, |azer todasasdescobertas, a qual obcecaraum d|a asmed|taçóes de
Le|bn|z. Mas] ustamentea|oper|golatentesob essaamb|çao,derestoprepon-
derantemente|mag|nar|a,naotardouaserevelar
| s| mplesmentenotavelque os promotoresdessemov| mentola] am to-
doss| doassaltadospel amesmatentaçaoA|| mdecol ocaremev|dênc|aquea
arte e essenc|almente|act|v|dade, clegaramaocumulodatesee sustentaram
que elanao passade|abr|caçao EdgarAllanPoee aqu| oart| starepresentat| -
vo. Lembre-se, apropos|to, docelebre!·|:s:|·cJcC:¬(:s·�ö:,quemu|tos, al | as,
serecusam a l evar a ser| o. Trata-se, d| zemeles, de um s| mples grace]o, mas
nadae menoscertodoque| sso A| ntençaodePoe, mu|topelocontrar|o, pa-
receters| dodemonstrar, porme|odeumaanal | sedoseupoema0 C:·o:, que
nada,
nessacompos| çao, sepodeexpl| car 'apart|rda |ntu| çao oudoacaso,
senaoqueaobraprogred| upassoapassoateo||mcomaprec|saoear|g|dez
| n|erenc|al de um problemamatemat| co' ' As mesmas palavras retornam no
decorrerdadesmontagemdopoema,executadaporPoecomo||todeexclu|r
o queladeaparentementema|s estranloaocalculonacompos| çao poet| ca.
a noçao de or|g|nal |dade Salvoem esp|r|tos de |orçaabsolutamente excep-
c|onal, aor|g|nal | dadenaoe daalçadada|ntu| çaooudo| mpul so,c¬cii:· :|
·¬(a|s::··ria·i·:r) Maturalmente, Poesabemu|tobemquetodososrac| ocn| os
sobre0 metodoasegu|rdenadaserv|raoaquemnaopossasegu|-lo, masto-
dososautoresdeartespoet|casconcordamnesseponto Expl |candooquee
prec| so|azer, todosacrescentamestacond|çaoacessor|a e prec| sosercapaz
de|azê-l o |]ustamenteporonde começaBo| l eau 'C:si:roc·r,acaíc·rcss:
ar i:¬:·c··:cai:a· ' etc , e e | n|el | zmentea|que estao |undo do problema
Po|s 's:¬:c¬:ari:| sa¡¡:si·o:r:ss - s:¬:arJ:·-.a··:ri, o:a:o:··rJ:|·r·i:. :| ¬:cr·r¡',
e prec|samente 0 quecon|ere a obradearte aquela 'r| queza' que'debom
gradocon|und|moscomo|deal '
1 "It is my design to render it manifest that no otte point in its composition is referable either to accident or
intuition - that the work proceeded, step by step, to its completion with the precision and rigid consequence of
a mathematical problem. "
\A|lTÜLO Ì7 ¯ /kTL L ||L|ST|N|SMO I 1 67
Ass| m, de um lado, Poe de|xa uma porta aberta para o | ncalculavel em
poes|a, mas ao mesmotempocont|nua a persegu|rtudoo que possalaverde
noet|smo nanoçao de arte. | o que parece d|zera sua |ron|a contra o |deal,
ob]eto decontemplaçaoeconsequentemente deconlec|mento, enquantoabe-
lezaeoun|codom|n|oleg|t|modopoema 'ß:cai,·sio:sa|:|:¡·i·¬ci:(·ao·r.:a|io:
(a:¬' Percebe-setalvez a|comoduasnoçõesa pr|me|rav|staestranlaspodem
estarl| gadas um poemae co|sa que se |abr|ca, e 0 ob] etodaarte e causarna
alma,naono|ntelectonemnocoraçao)oprazerexultantequedecorreda mera
contemplaçaodabeleza Come|e|to,]aquenenlumav erdadeestaemcausa, o
poetanao pôdepretendercomun|carnenluma|ntu| çao ouconlec|mento, ele
naopod|asenaoo|erecerumbeloob] etoa adm|raçaodoespectador, eaun|ca
mane|radeprov|denc|a-loe|azê-loseralgoems| mesmo |prec| so|abr|ca-lo
Poenaoe uæ||loso|o,naoconvem,po|s, press|onarosent|dodesuaspala-
vrasalemdosl |m|tesdeumal| nguagemcomumempreguecomtodoocu|dado
Mao sepode censura-lopornao d|zerclaramenteo quee obelo Cs ma|ores
||loso|osdomundoterm|naramporcon|essarqueoma|squepodemos |azere
reconlecê-loquandoestad|antedenos Ò que |mportanamensagemde Poe,
aqu|lo em que verdade|ramente | ns| ste, e essal| gaçao a pr|me|rav|sta estran-

ge|raentrea |de|adequeaartenaopossu| qualquerverdadeparatransm|t|re
estoutradeque essenc|almenteelae|abr|caçao
Mao pareceque Baudela|reola]asegu|donesseponto, masoessenc|alda
!·|asa|·cJcCa¬(as·�capassou,porsua·ez,dePoeaPaulValejnao sem seexpan-
d|rad|mensõesquenada|az|aprever
Para cons|derar, desde logo, tao somente a poes|a, notemos que Valery
semprea tevepor|abr|caçao como, de resto, Poe pretend|a|azer.íada s•er|a
ma|s |ac|l que c|tar m|l passagens suas a esserespe|to, elas têmuma|ranqueza
que be|raa provocaçao, po|s algumas de|xam tao pouco espaço para a | nsp| �
raçao empoes|aquanto num] ogodepalavras cruzadas 'Poes|a Procuro uma
palavra,d|zopoeta),umapalavraquese]a|em| n|na,d| ss|laba,contendoPouF,
term|nadaemconsoantemuda, s| nôn|made'br|sure'ou'desagregat|on', nem
erud|ta nem rara. Se| scond| ções aomenos ÷ paracumpr|r' ',í|í·cJ:, l | , 6¯6)
Tantoquantoa Poe, tambemaValerynao convem press|onar alem do que sua
i 68 I Ì NTkODÜÇAOÀS/kTLS DO bLL
l|nguagemsuporta, mas deve-seadm|t|rque essaat|tuderepresentamu|tobem
aqueest| mavaser aat|tudepoeta,aqual,porsuavez,aprenderacomMallarme,
cu]adeclaraç aoaLegas elec|tacom|requênc|a ¨Mas, Legas, osversos naose
|azemcom|de|as,mascompalavras¨
Òquedevereteraatenç ao,nocasodeValeryeaextensaodopr|ncp| oao
con ]untodoque taobem denom|noude ¨operaç õesdoesp|r|to¨ Ass| mcomo
aarte,tambemoconlec|mentoeletomapor|abr|caç ao, construç aocalculada,
co|sa produz|da. Cbservamos nele uma como un|versal|zaç ao monstruosa da
noç ao de metodo proposta por Lescartes, cu]o esp|r|to preserva. Lescartes
]adescon||ava da |de|a de que alguns |azem grandes descobertas porque sao
dotados de gên|o oudeuma|orç ade esp|r|toque|altaaos dema|s, arazaodo
seusucessoe amane|racomousamapropr|arazao, ouse]a, ometodo Valery
conceb|a do mesmo modo as cond| ç ões da obra-pr|ma l| terar|a ou art|st|ca e
as da descobertac|ent|||caou doprogressotecn|co. As duas personagensque
|nventouaessepropos| to,po|sambossaom|tos) representavam esteser|deal,
taocompletamentesenlordosmov|mentosdoseupensamentoqueconsegu| s-
se obter a vontade a soluç ao de qualquer problema esp�culat|vo, prat|co ou
art|st|co Ac|ênc|adascond|ç ões|dea|sderespostaatodaquestaoconceb|vel
tcr|a s|do a mesma po|et|ca, aquela que se propunla a ens| narno Collcge de
Franceearespe|todaqual, pornaoconlecê-ladetalmodoqueapudesseens| -
nar - como,al|as,debomgradoreconleceu÷, aomenos|alouoquantopôde.
Ass|ste-se, po|s, com Valery a umarev|ravolta completada pos|ç ao tra-
d|c|onal dos problemas. Cpr|m|do ate entao pelo saber, o |azerval com ele a
des|orra e reduz o propr|o conlec|mento a uma sequênc|ade operaç ões cal-
culadas em v|sta da obtenç ao de um resultado determ|nado A esserespe|to,
nunca | ns| st|r|amos o bastantenal:¸ar lrca¡a·c|:JaCaa·sJ:ía:|·,a:caCa||ì¡:J:
!·cr.: Ens| naraoslomensaartedepresc|nd|rdogên|o]aconst|tu|aumlance
degên| o Al:¸arederestonotavelemtodososaspectos Lepo|sded|zerque
ev|tar|aa|orma'po|et|ca¨,Valeryprec|savaqueera ]ustamente| sso, noentanto,
o quet|nlaem mente 'Ò|azer, o(a·:ir, dequedese]omeocupar, e o que se
levaatermoemqualquerobra¨ epart|cularmentenasobrasdoesp|r|to Espe-
c|||cavatambemqueessegênerodeestudoetotalmented||erentedaspropr|as
\AP|TÜLO Ì 7¯ /kTL L||L|ST|NlSMO I 1 69
at|v|dadesprodutorasasqua|s se apl|ca, po|s| nvest|garcomo se |azem obras e
descobertas nao e |azer obras nem descobertas, mas e com total consc|ênc|a
dosmot|vosdessadec|saoqueVal eryve|oatoma-la. Elesupunlaum esp|r|to
ma|scur| osodac¸öa,a:|czqueda.a·sc|:·|c Òpassodec|s|vo,po| s, estavadado,
o pr|mado do|azereraen||m reconlec|do, como, outrora, odo sere odoco-
nlecer. Are|ormadaartenosent|dodeumaat|v|dadepuramenteoperac|onal
seestend|aagoraatodasasat|v|dadesdoesp|r|tolumano.
Atravesdemu|tos desv|os ]aque, paraValej escreverumaaula|nte|ra
eraobrade|ôlego÷, esseprogramadeens|noleva-nos acertas noçõescarde-
a|s. Lesde logo, 'opoema e a execuçaodopoema¨, as obras doesp|r|to, po|s,
absolutamentenaoserelac|onamanadasenaoasoperaçõesdopensamentoque
asengendrarameasqua|sprec|sar|amosconlecerparacompreenderaobrapre-
c|samentena med|da em quee um |azerA obra|e|tae outraco|sa, naoe ma|s
|azer,]aque esta|e|ta. Quandoelaclegaaos ollosdopubl|co, |o|um poema,
term|nada a execuçao, de|xa de sê-lo. Mal|nguagem menos abstrata, mas nao
menossut|l, deEdgarAllan Poe, d|r-se-|aqueo poema, como tal, e ocon]unto
dasoperaçõespelas qua|sopoetaocompõe,ouse]a, easuacompos|çao.
Em segu|da, entre ta|s obras ass|m cons|deradas 'em ato de produçao¨,
convemd|st|ngu|raclassedasqueclamamos 'obrasdearte¨ Procurando]us-
t|||car essad|st|nçao, Valery reconlece que nao encontra d|st|nçao nenluma
entreasoperaçõesdoesp|r|to. Quer se trate dec|ênc|aoudearte, o esp|r|to
procededamesmamane|ra,o|ereceomesmoespetaculodecalculoede|mpre-
v|sto, demetodore|let|doeac|dente|el|z, a despe|todogênerodeproblemas
quesepropõe aresolver Csquea artecolocadevem, po| s, d|st|ngu|r-sepela
naturezado seu ob]eto. Valeryatr|bu| aarte como ob] etoa produçao de uma
obra ¨cu]oe|e|todeve ser reconst|tu|rnum qualquerreceptorum estado ana-
logoao estado |n|c|al do produtor¨. Ser|a| n] usto |ns| st|rnoqueladevagoe
arb|trar|onessanoçao, ]a que o mesmoValerydeclarague, nessecaso, o pen-
samento se esbate contra o | nde||n|vel mas ao menos se pode observar que
esseesp|r|to tao c|osoder|gore tao desdenlosodas |mprec| sõesda ||loso||a
secontenta, porsuavez, commu|topouco Po|s oqueeesse'estado| n|c|aldo
produtor¨, a||nal senaoaquele que o levou aproduz|r, e aproduz|raobrada
1 70 I Ì NTkODÜÇAOÀS/kTLS DO bL|O
qual se tratadecompreenderagênese¯ l ssoeman||estamente| mposs|vel,po| s
o estadodeesp|r|todeumconsum|dore espec|||camented||erentedodeum
produtor Ò problema, contudo, naoestaa| Ò que e prec| soreter dessapos| -
çao sobreo problemae que, nostermosdasuasoluçao, a obradearte e uma
operaçaonula, porquesecon|undecomessamesmaoperaçao
Estendendoessaconclusao ao con]untodas at|v|dades doesp|r|to, cons-
tatamos que elas cons| stem nao nos ob] etos dare|lexao e nas conclusões a
que o pensamento ||nal mente clega, senao nas operações por que a| clega.
|| sso o que, emía:s·::tí:rs::Alst·c·t:, Valeryestendeua meta||s|ca, ao d|zer
queemnada, qu|ça, aempobrecer|amos se, el|m| nando-lleaterm|nolog|aes-
pec|al| zada, a s| tuassemos paraalem dos ob] etosdopensamento ¨nopropr|o
atode pensar, nomane]odesse ato' Entramosa|numun|versoda|abr|caçao
emque0 propr|oatode|abr|care0 valorsupremo Òdem|urgonaotemma|s
nenluma| mportânc|a,nemomundoqueelecr|a,oque|mportaeapenasoato
da cr|açao. Ass| mqueseponlaapensar, porem, o dem|urgol ogo tomacons-
c|ênc|adasua| mportânc|a pessoal, po| s nao lacr|açao sem cr|ador | desse
modoquea concepçao daarte como|act|v|dade pura conduz |atalmente ao
extraord|nar|o 'dem|urgu|smo' de que |alamos ac|ma Mao se trata, aqu|, de

necess| dadclog|ca.Todos de|xamos de segu|ralog|ca de nossas| de| as quan-
do elas nos levam aonde nao queremos |r, mas e prec| so]ustamente querer
pararparaquenaopercamosarazao, enga] adosnumcam|nlocomoodePoe,
Baudela|re,Valery:tatt·,acrt·Mallarmeparecequesedeteveatempo, maspor
quealguemlaver|adesedeter, see ,ouquer ser) ocr|adordeumaobracu]o
sent|doestanopropr|oatoqueacr|a¯
Quandosecons| deras| nopt| camenteaextraord|nar|aaventuraesp| r|tual
que|o|aevoluçaodaartenoCc| denteduranteoseculoX| X, | mpress| onaso-
bretudooseucomprom| ssocomtantosmov| mentosd|versos, produz| ndo-se
comoqueaoacasoemtodasasordens, masculm|nandoen||mnamesmare|-
v|nd|caçaodaabsolutaautor|dadedolomemsobreanatureza, dod|re|tode
usa-laaoseubel-prazer, edopoderd| scr|c| onar| oqueapenas ocr|adorpode
re|v|nd|carsobre o ser sa|do de suas maos. Ò s|mbolo ma|s | mpress| onante
dessavontadedepoderpropr|adolomemmodernotalvezse]ao entus|asmo
\AP|TÜLO Ì7 - /kTL L ||L|ST|N|SMO I 1 71
com que os do|s ma|ores povos ]ama|s consagrados a exploraçao | ndustr|al
do globo sel ancema conqu|stadoun|verso Tudo sepassacomo se, naolle
bastandoaTerra, olomemsepusesseaencontrarnovosocl·|c|sondeaespe-
c| evera seabr|rem poss| b| l|dades de desenvolv| mento] ama| s | mag|nadas L
dol orosopensarque grandes art|stas se de|xaram seduz|rpeloesp|r|todesse
temporebelde a pontode comprometero sucessodasuaobrae quase per-
deremarazao Ò cam| nlonaoe pora| Mao ganlar|amos nadaemsacr||| car
0 conlec|mento a |act|v|dade depo| s de celeradamente termos |e| to 0 con-
trar| o Depo| sdenosrecusarmos, comtodaa]ust| ça, atrans|ormaroesp|r|to
num ob] eto a ma|s entre os ob]etos, o que ser|a a sua perd|çao, que grande
erronaocometer|amosaoreduz|rorealaomesmoesp|r|to, at|tude essaque,
porsuavez,tudoouquasetudonopensamentomodernoparece|omentarA
salvaçaoesta,comosempre,noretornoa sabedor|a,quenaoreconleceoutro
pr|madosenaoodoser, doqualprocedetoda| ntel | g| b| l|dade,todacr|at|v|da-
de, e, comosseresnasc| dosdesua|ecund|dade| ntel| genteel|vre,oqu|nlao
deverdadee debelezadessesseres
Ò| nteressepropr|odaartecomoob]etodere|lexao||loso||canaoestaem
] ust|||car um qualquer protesto contra os valores de conlec|mento cu]ama|s
per|e|ta expressao lumana e]ustamente a c|ênc|a Seprec| so|or que nos en-
ganemos, e mellor|azê-locoma|ntel|gênc|aepela|ntel|gênc|adoquecontra
ela. Parasermos exatos, porem, e | mposs|vel enganar-seem prol da|ntel| gên-
c|a, porqueo seuob]etoe averdade ,a|ndaquenemtodaverdade lleagrade
domesmomodo) Mama|or|ados saberescompareceempart|cularumacerta
descon||ançada arte, a qual surge do mesmo |undo que a sua trad|c|onal des-
con||ançadal| stor|a, dosacontec|mentos,dotempo,e, numapalavra, dodev|r
sob todasas suas |ormas | ssoe compreens|vel, po|s, quantoma|s |ntel| g|ve| s,
tantomenosrazoavelsuporqueasco|sasmudem Enquantos| gamsendooque
sao, questaoalguma se coloca, tudo estaemordem, mas, desdeque mudem, o
esp|r|tose|nqu|etaeseperguntaporquê Cra, oporquêdeumamudançaqual-
quernuncaetotalmentesat| s|ator|o,po| sse o novo sel|m|tasseareproduz|ro
ant|go nada mudar|a, mas se aqueled||eredesseemqual|dade ou quant|dade,
comoexpl|carosurg|mentodessanovamodal|dadedoserqueparecebrotardo
1 72 I Ì NTkODÜÇAOÀS/kTLS DO bLLO
nada¯ Contudo, emvezde|azercara |e|a paraamudançae se es|orçaremvao
porreduz|r o dev|rao |ntel| g|vel ou, nocaso derevolta, o |ntel| g|vel aodev|r,
mellor|ar|am os ||loso|os setranscendessema|mob|l|dadedoenteeamob| l| -
dadedodev|rnapuraatual|dadedoserPo| sosertranscendeoente, enodev|r
somenteomesmoser, enadama|s, llepodecon|er|rumaex|stênc|aatual
Uma||loso||adaartee,portanto,ocomplementoobr|gator|odeuma||lo-
so||adoser, po|s med|tarnoparadoxodaarte, |magemanalog|cadaverdade|ra
cr|açao, pode acostumaro esp|r|toa noçao dequea||rmara|dent|dadedo ser
cons|gomesmonaoe d|zertudoaseurespe|to÷ noçaode|mportânc|acap|tal
paraaverdade|ra meta||s|ca do ser÷, ]a que a mesmaa||rmaçaotambemvale
paraoente, enquantoapenasetaosomenteoatodeser eaqu|loporqueoente
e,e0 queeleeenaocessademudarparatornar-sema|scompletamente0 que
podeser Òqueumexameatentodaartea]udaacompreender, senaose]ulgar
0 seuestudo|nd|gnodaser| edadedeum||loso|o, eque,se0 dev|reumad|m|-
nu|çaodoser, queocausa, etambem,poroutrolado,umcresc|mentodoente
Percebem-semellor, talvez, asd|||culdades |nerentesao problemadaarte
noembaraçodosteologosasturras como problemadacr|açao Ò un|verso do
dev|rlles parecetalque prec|sam postularumcr|adorpara expl|carasuaex| s-
tênc|a,mas,umavezpostuladoessecr|ador,porqueel ecr|ar|a¯Cs||loso|ossao
lomens razoave| s Sao eles quenaocr|ar|amsem 'mot|vos' nem 'razões' Le
modoqueprocuramrazõesoumot|vosparaLeuscr|aromundo,enaturalmente
osencontram, mas uma d|||culdade sempre os paral|saquando estao prestes a
conclu|rAdespe|todossupostosmot|vosedasrazõesalegadas,ao||meaocabo
nenlumanecess| dadedecr|açaosepode|mporacausapr|me|ra Seasco|sasse
segu|ssemnecessar|amentedela,elaasengendrar|a,masnaoascr|ar|a Essad|||-
culdadese|mpôsaosesp|r|toscomuma|orçatodapart|culardesdequeosteolo-
goscr|staosdec| d|ramenxertarumadoutr|nadacr|açaoemmeta||s|casgregasas
qua| sessanoçaoeraestrange|ra Fo| prec|so, po|s, penetrarnopropr|ocerneda
noçaodeserparaapro|unda-laateopontoemqueanoçaodeumcr|adorsetor-
nasseconceb|vel.Essa|o|aobradameta||s|cacr|stasobtodasassuas|ormas Se
laalgumaverdadenanoçaodeumaarteessenc|almentepo|et|ca,pode-sepensar
queessamesmameta||s|cadosercr|aumcl|ma|avoravelaodesenvolv|mentode
\A||TÜL Ì 7¯ /kTL L ||L|ST|N|SMO I 1 73
uma||loso||adaartema|s aberta a |ecund|dade, nov|dadee enr|quec|mentodo
realqueassuasantecessorasSendo, comoe, sabedor|a,ameta||s|casodescobre
a sua excelênc|a no exerc|c|o da|un�aoreguladora quando seapl|cam os seus
pr|ncp|osnaeluc|da�aode outras d|sc|pl|nas Hacertosaspectosdosercomo
talquenaosede|xamvertaobemdenenlumlugarsenaodopontodev|stada
arte Òma|s|mportantedelesesclareceanaturezadosernamed|daem que ela
esclareceanaturezadaarte,etalvezamellormane|radese| n|c|arnameta||s|ca
se]aobserva-laass|mema�ao, sobaluzcomque|lum|naosseusob] etos
Vemo-la, talvez, mellordo que nuncaquandonostentamosreencontrar,
com a sua a]uda, nos lab|r|ntos do erro Eles sao mult|plos, |nde||n|damente
var|adose, a pr|me|rav|sta,| nextr|cave| s, masare|lexaometod|caosrevelapro-
gress|vamentecomovar|a�óesdeummesmoerro|undamentalaquepodemos
clamar'||l | st| n| smo'e o qual,soba|ormaespeculat|vaassum|daaqu|,serevela
emult|ma| nstânc|acomoerroacercadostranscendenta| s
Coloquemos de lado, desde logo, os ||l|steus dal| stor|a, povo cu]o erro
pr|nc|pal parece ter s|do o de v|ver num terr|tor|o cob|�ado por outro povo
Esque�amos tambem os comerc|antes e |ornecedores de toda a sorte que os
un|vers|tar|osalemaesass|mclamavamparapun| -los, semduv|da, porquererem

recebero que lles era dev|do Clegamos entaoao sent|do ord|nar|o emqueo
termoe prat|camentes|nôn|mode'pessoavulgar'esemeduca�ao,| ncapaz,por-
tanto, dereconlecerabelezaquandoesbarra com ela Esse||l| st|n|smocomum
naoapresentaqualquer|nteresse,salvo,talvez,n| stoque,n| nguemestandototal-
mente| sentodele, semprepode serut|ldese procederaumautoexamesobreo
assuntoÒun|co||l| st|n| smoquemereceare|lexaodo||loso|ometa||s|coe oque
osesp|r|toscult|vadosdevema suapropr|acultura|ntelectual Porquetodaobra
de arte e umob]eto e, comotal, cognosc|vel e |ntel| g|vel, ta|sesp|r|tostomam
essasua|ntel|g|b|l|dade, quee apenasamater|adaarte, pelo queaarte se pro-
póeaproduz|r Comoasuara|ze umerroacercadostranscendenta|s,podemos
d|st|ngu|-lodosoutrosclamando-lle'||l|st|n| smotranscendental '. Suapresen�a
seman||estapelarec

orrênc|adeum|undamentaldesprezopelanaturezamesma
do ob] etoda exper|ênc|aestet|ca. Quando lemos nod|c|onar|oa descr|�ao de
'andor|nla', oob] etode nossaaten�aoe anaturezadaandor|nla E| sporque,
1 74 I Ì NTkODÜÇAOÀSFkTLS DO bLLO
ass|m|landoade||n|çao, naodese]amosl ê-ladenovo, desdequenoslembremos
dela. Mu|topelocontrar|o,quandolemos aodedeSlelley Ta |o:lc·|,oob]eto
denossapercepçao,etambemdenossaatençao,naoeacotov|a,maseapropr|a
ode,etodaaverdadequeeventualmentecontenlasobreopassarocantore, na
ode, mater|a que sesubmeteabeleza E|s porque sequerrepet|ra exper|ên-
c|ado poemacomoboaems| mesmae pors| mesma, podemo-noscons|derar
|nstru|dos sobreacotov|adeumavez portodas, mas abelezado poemae um
conv|tepermanenteadegusta-lodenovoedenovo.
Ara|zmeta||s| cado||l| st| n|smoe, po| s, ael|m|naçaodo|azerembene||c|o
doconlecer, e, consequentemente, o| nev|taveldesprezodaverdadeporessa
comoquec|ndereladostranscendenta|squeabelezasempre|o| . E esseerro,
d| ga-se, naoe nadapequeno Sua|ormulama| s per|e|tae| gualmenteasuacarta
de nobreza Ja¬D:as.c|.a|ct,|·t¬arJas Sua] ust||| caçaometa||s|cae a doutr|na
deLe|bn|z, emqueLeus,o | ntelectosupremo, calculaasuaobracomtaoper-
|e|ta exat|dao que so pode executar uma un|ca prec| samente aquela que |az.
Mao se poder|ad| ssolver a arte no conlec|mento de mane|ra ma|s completa,
nemabelezanaverdade.Mas o Cal culadorsupremopoder|acalculardurante
toda a etern|dade sem]ama|s clegara umresultado qualquer E a d|||culdade

pers|stemesmoqueapelemosanoçaoplatôn|ca,segundoaqualodem|urgonao
transm|t|uas suas poss|ve|s obras a per|e|çao do seu sere do seupensar Um
deuspode'naotransm|t|r'0 ser e0 bemassuasobraseternamente,sem]ama|s
lloconceder 0 un|co Leus que a¡e|lexaometa||s|casobreaartesugeree o
PuroAtodeSer, oqual,porque seamaas| mesmotalcomoe, amaatemesmo
suas poss|ve|spart|c| paçóes||n|tasellescon|eregenerosamenteaper|e|çaode
ex|st|r.Aomenosoart| staenxergamosass|m, comoalguempossu|dodeumtal
amorpelopropr|oserqueocomun|cal|vrementeaosseresquea ·uaartecr|ae
os qua|s, depo|sdeos terconceb|doemgermen,o seuamor conduzpac|ente-
mentea per|e|çaoquellescabe, ou,comosed|z, aoseu||m Separadodobelo
portudooqueconlece,o||l | st| n| smometa||s|cotapaapropr|av|stacomoveu
d|scurs|voquenaocessadeteceraoseuredor.
Cra, mas la casos de total cegue|ra ante a beleza¯ Cubem de cegue|ra
parc|al,l|m|tadaacertasartes¯|duv|dosoqueola]a,come|e|to,]aqueobelo
\A|lTÜ|O Ì7 ¯ /kTLL |l |lST|NlSMO I 1 75
e uma propr|edade transcendental do ser, e, po|s, parece |mposs|vel a umlo-
mem cu]as |aculdades depercepçao este]amnormalmenteconst|tu|dasquenao
exper|mente nenlum prazer em perceber ob]etos |e|tos espec|almente para
agradar Ò que de |ato e cur|oso e antes que, consc|entes da presençade algo
part| cularmente d|gno de nota noob] eto perceb|do, alguns, desprezando-o, se
prote]am dele, emvezde acoller comgrat|dao a alegr|a que lles o|erece Esse
negat|v| smo paracoma arte naoe algo duv| doso Csquenaoamam a mus|ca
nao se contentam em nao ouv| -la, tao logo a ouçamos em sua presença, eles
sentem uma |rres|st|vel necess|dade de |alar para que a de|xemos de ouv|r A
poes|a produz em alguns um e|e|to analogo, e, de resto, toda emoçao l|terar|a
prestesa nascer e que, segundo pensam, e prec|sosu|ocaratempo Quem, no
teatro,]anaoteveumv|z|nlodepoltronapossu|dodeumaurgentenecess|dade
de |alar¯ Cs ma|sd|scretosesperam o |ntervalo para en||mexplod|r, como se a
supressaoaqueacabamdesesubmeternaosepudessesuportarnemma|sporum
segundoCra, note-sequeessestagarelassao, emgeral, cr|t|cosacerbos, apeça
naolles agrada, e eles demonstram |mp|edosamente que nao prestaparadara
entenderoquantoentendemdeteatro mu|toma|sque oautordad|tapeça,
]aquesaber|am|azê-labemmellorqueessemesmoautor, mas tambemporque,
porma|st|m|damentequeexpr|mamosanossasat| s|açaopessoal, elesnaosupor-
tar|amqueaexpr|m|ssemos Retomandoaspr|nc|pa|scenasdoatoaqueseacaba
de ass|st|r, esses]u|zes |mp|edosos nos demonstram |rre|utavelmente o quanto
erramosaonos dele|tar e,oquee ma|str|ste, costumam nos convencer Com-
preende-semelloranaturezadessenegat|v|smoaprox|mando-odanecess|dade
decar|caturarosma|sbelosquadrosoudeparod|arasma|sbelasobrasl|terar|as
numapalavra, dedescerasobras-pr|masdo seu pedestal Scarron e oseuì··¡·|:
T·co:s|·podesertomadopors|mbolodetodasasoperaçõesdogêneroUma||lo-
so||ado:socz·c¬:riadescobr|r|aa|umareaçaode|ens|va, nuncanobreeasvezes
ba|xa, mas sempre natural, contraoes|orçoque ex|ge umarespostaadequadaa
presençadabeleza Propr|edade do sercomotal, abelezapart|c|padom| ster|o
dopr|me|ropr|ncp| o A percepçao ma|scon|usadasuapresençabastaparaex|
g|rnossorespe|to,comoaquelequeov|a]anteexper|mentad|antedeumtemplo
emqueestaprestes aentrar Mo|undo, seaartee |azer, apercepçaodabeleza
1 76 I Ì NTkODÜÇAOÀS/kTLS DO bLLO
econlec|mentoecontemplaçaoMascontemplarnaoenaturaldolomem,para
sepoupardoes|orçoderecoll|mentoegeneros| dade|nter|orqueleg|t|mamente
obelolleex|ge, olomemev|taanecess|dadedeencara-lorecorrendoaoexpe-
d|entema|ss|mples,queesupr|m|raocas|aoemqueobeloselleda R|rdelee
ome|oma|ssegurode|azê-lo,ee por| ssoque, emv|stadesse||m, o|n|m|goda
alegr|anaoles|ta]ama|semdesonrarabeleza
Laausênc|acompletaderespostaabelezaate a suanegaçaoat|vae des-
trut|valost|l|dadeseestendeumagama|n||n|tamentevar|ada, cu]a|enomeno-
log|a,oratr| ste, orad|vert|da,naode|xanunca, porem,desermu|to| nstrut|va
Adespe|todessad|vers|dade, contudo, osent|dopermanece||loso||camenteo
mesmo Po| sl onge denegarareal|dadedobelo,o||l|st|n| smo÷ a suamane|ra,
e bemverdade÷, atesta, s|m, a sua ex|stênc|a Mo |undo,]ama|s la completa
ausênc|aderesposta, massemprcuma| gnorânc|aat|vaque,aoseumodo,cons-
t|tu|semduv|daumaespec|ederesposta Maosev|raascostasparaoquenao
ex|ste. Masogêneroma| s |nteressantede||l|st|n| smo,o seugêneronobre, por
ass|m d|zer, ea|ndaum||l | st|n| smopos|t|vo.Mu|tolongede| gnorarobelo, ele
tampoucosereba|xao| nsultando, mass| mplesmenteoenterracomasdev|das
lonras Masexequ|asdetodaobra-pr|ma,ocorte]ocostumasempresecompor
de ||l | steus L| st|nguem-sea|trêsgrupospr|nc|pa| s osescr|tores, ospro|esso
res e oserud|tos. A bemdaverdade, naolapro|| ssao quenao|orneça o seu
cont|ngente, mas essastrêsparecem as ma|s e||cazes e as ma| s at|vas, porque
detêmomonopol|odosaberedapalavra,oquellescon|ereautor|dadeecerto
bene||c| o Òseudenom|nadorcomumeal| nguagemtomadacomome|odeco-
mun|carumsabercu]oob]etoeaarte Mostrêscasos, talsaberarespe|todaarte
subst|tu| apropr|aarte, e comoac|ênc|a|nclu| o ob]etoma|s o conlec|mento
quedeletenla,talsaberasubst|tu|vanta]osamente
Um grave de|e|to da palavra '||l | steu' e |nsultar, o que, a bem d|zer, e
errado, po| s, exceto em suas |ormas agress|vas, 0 ||l | st| n| smo nao e umv|c|o,
mas umaen|erm|dade Umaen|erm|dade, talvez, | nerente a propr|anatureza
lumana,]aquemesmograndes art|stas podem sermodelosde|| l | st|n| smoem
relaçaoas artes que nao a sua propr|a Mesmo Coetle parece que o |o| em
mus|ca, maselepossu|aa|ntel|gênc|adaduv|dae, alemd| sso, asuaprudênc|a
\AP|TÜlO Ì 7¯ /kTL L|lL|ST|NlSMO I 1 77
namater|aera extrema Cada um de nos, que nao somos Coetle, tem o seu
qu|nlao de ||l| st| n| smo, que tanto menos nos a|l | ge quanto, na ma|or parte
dotempo, menos damos por el e Ser|avao procuraroutro nome ''burguês'' ,
caroaosromânt| cos, naoser|ama| sagradavel, tantoma| squetodosel es, sem
nenluma exceç ao, |oram burgueses nasc|dos naburgues| ae sustentados por
ela |aqueaqual|dadequeapalavrades| gnatendeaserru|m,enaoboa,]ama|s
aclaremosumapalavraagradavelparades| gnala,avantagemde|| l| steusen-
doprec| samenteque, desaparec|doo povoass| mdes| gnado, estenaopoder|a
reclamar. A un|ca reaç ao saudavel a tal observaç ao e |nterrogar-secadaqual
sobreot| pode||l | st| n| smoqueoa|l| ge
Apalavra' escr|tor|o| |ntenc|onalmenteescoll|daporservaga.Elacobre
ocon]untodosquecedema tentaç aodeescreversobreasobrasdearte, oque
a ma|or|a de nos nao pode ev|tar Ela |nclu|, po| s, as duas outras classes que
nomeamosac|ma, po|sambastambem escrevem sobreo assunto, comaun|ca
d||erenç adequeosclamados'escr|toresapenasexpress amumareaç aoverbal,
s|mplesecomumaquasetodolomem,a exper|ênc|adabeleza Emvezdede| -
xarquesecale,oescr|torsevoltaaessaexper|ênc|acomoCr|euaEur|d|ce,e,
po| s, |nterrogando-a, mata-a,mase]ustamenteentaoqueCr|eurevelaotraç o
menosadoravel doseucarater, po|s, perd|dapelasegundavez, cantaaEur|d|ce
qualse|oraa|ndama|sbela,quandotodossabemosqueelanuncapassoudeum
seupretextoparacantar.
A|mensatorrenteverbal com quetantosescr|tores|nundamaartee suas
obras a ponto de a|oga-las e ]ustamente | sso. Mult|plas sao as |ontes do |e-
nômeno, mas sempre con|luentes, e a pr|nc|pal bem parece ser a necess| dade
elementarde expr|m|ruma emoç ao que se sabe nobre e que, ao expr|m|r-se,
||caporass|md|zeral|v|adaPorqueclamarde||l | st|n|smoessecantodereco-
nlec|mento¯Porque,conquantos| nceronaor|gem,naodeìxadepadecerdessa
|raqueza |undamental, que cons|steemcrerse]arealmentea belezaaqu|lo de
que se |ala. Como nao podesêlo, o qued|zemosa seurespe|totoma|nev|ta-
velmenteoseulugareacabaporsupr| m|-la
L| ||c|lmentesepode|alardesseproblemasem, demane|ra| mpl|c|ta, co-
locaressoutrodacr|t|cadeartee, emcontrapart|da, o dacr|t|cal|terar|a, que
1 78 I Ì NTkODÜ�AOÀS/kTLS DO bLLO
cons|dera a arte de escrever. 0 terreno e per|goso, desdel ogo porque |atal-
mente se colocam em causa aqueles cu]a |unçao propr|a e]ulgar os escr| tos
Maose espere subtra|rao seu]ulgamento, porem, um escr|to que se apressa
emcolocarasuaautor|dadeemquestao,masopontonaoeesse, po| sn| nguem
emsaconsc|ênc|acontestar|aaquemquerquese] aod|re|to÷ absolutamente
natural e, po| s, |mprescr|t|vel de |ormulara propr|aop|n|ao sobre qualquer
obradeartequellevenlaaoencontroe,umavez|ormulada, decomun|ca-la
aossemellantes Mamed|daemque| n|ormaopubl | codosurg|mentodeobras
novas, descreve-lleso gênero, tenta suger|ro seuest|loearr| scaumaop|n|ao
sobre o seuvalorprovavel, a cr|t| ca|az obra ut|l e l eg|t|ma Mao se poder|a
]ulga-la·r|a|a semcons| deraraarb|trar|edadequemu|tavezsellecensuraA
cr|t|cavale o que vale ocr|t| co Mamed|daemque pretende]ulgar, nao selle
poder|aex|g|ruma| n|al|b|l|dadeno] ul gamentoqueapropr|anaturezadoseu
ob] eto umarelaçao ÷ naoperm|teun|versal|zarougeneral|zar |verdadeque
ocr|t|coasvezesescrevecomumacertezadesconcertante,mas, entao, ceden-
do a necess| dade de a||rmar a propr|aautor|dade, ele acaba porprestaruma
|nd|reta lomenagem a super|or|dade do cr|ador e da obra sobre ele mesmo,
cu]oun|comer|toe|alarbemaoseurespe|to
· 0 verdade|roproblemadacr|t|case colocaalem dasquerelassuper||c|a|s
Elenasced| ssoque, porma|sper|e|taquesese]a, acr|t|caeestrange|raaoseu
ob] eto | ssoeev|denteemtodososcasosemquelacr|t|ca, elaqueeuma|un-
çaodal| nguagem,dasartes queonaosao A|,querdescreva,relac|one,censure
oulouve, acr|t| canaotem poder Ummatemat|copodecr|t| carumrac|ocn|o
matemat|co, porque lle pode relac|onar ostermos e porque a l| nguagem de
queseserveeamesmaquecr|t|ca, masquem|alademus|ca,escultura,p|ntura
e arqu|tetura se | nstalade antemao numa ordem paralela aquelade que trata
S| nal d|ssoe que, nesse caso, ele nao pode 'c|tar' o seu ob]eto A enxurrada
del |vros|lustrados, d|tosdearte, em quenumerosas'reproduçóes'pretendem
mostrarobras plast|casreduz|ndo-as atranspos| çóesondetudo e |nexato, d|-
mensóes, cores, valores e apropr|amater|a, e prova su|| c| entede queaqueles
quepretendemdescreverasobrasdasartesplast|cassesentemasturrascom0
|mposs|vel 0 escr|torpode ser excelente, apag|naescr|tapodeserma|sbela
\AP|TULO Ì 7¯ /kTL L ||LST|N|SMO I 1 79
que omodeloplast|co÷ aquelade Lou|sC|llets obre1a(·|:·:|Toí|·s, de | ngres,
e um belo exemplo, po|s ao menos em Lou| s C|llet nao vemos o|up|ter de
opera que, soltandora|os e trovões, apareceno quadro de l ngres, mas em
casonenlumpodemosencontrarnoescr|toasqual|dadessens|ve|sdaobraem
questao Mumapag|naescr|taou|mpressa, nao lavolumes, nemvalores, nem
cores,nemsons,nemt|mbres sopalavras, semprepalavras
Mocasodacr|t| cal | terar|a, contudo, trata-sedepalavras acercadepala-
vras,masnemtampoucoa|o me|o de| nterpretaç aoe da mesmanaturezaque
aqu|lo que | nterpreta Usando a escr|tapara |alar de obras escr|tas, o cr|t| co
|az um uso natural da l | nguagem, que e comun| car conlec|mentos, | n|orma-
ç ões, op| n| ões e] ul gamentos. 0 uso poet|co, porem, e bem d||erente desse,
naopretendecomun|caraverdade senaocr|ara beleza, e e por|sso que, em
geral ,como setemam|ude observado) , a despe|toda| ns| gn| || cânc|ado que
um poetad|z, aqualvezporoutrabe|raoabsurdo, abelezada suaobraper-
manece|ntacta, seequenaoaumentaAquestaonaoe,po| s, saberseacr|t|ca
epert|nente,penetrantee,numapalavra, seelae plenamente] ust| ||cada, po| s,
supondoqueose]a, a|ndasedesenvolvenumplanod||erentedoplanodaarte
Prova d| ssoe a | ncredula surpresadospoetas quando leem certos comenta-
r|os sobrea suaobra Eles nao seque|xamdeters|do mal compreend|dos, e
clegammesmoasergratosaocr|t| co porlaverse | nteressado por sua obra, e
am|ude llo d|zem, mas aomesmotempodao a entender, que naoveemqual-
querrelaç ao entreo sent| do que eles propr|os atr|buemaopoemae o queos
outroslleatr|buem 0 momentoma|spenosoe quandoo cr|t|co, est| mulado
pelo ] ogo, |nt|ma o poetaa comentar o propr| o poema po| s o s:r|·Ja de um
poemanao e co|saque se possaexpl|carem prosa. Quando opoetad|z 'To:,
c·:c||¡ar:cac,. I To:·:·sra|o·r¡ ¬a·:|asc,', elerealmente nao temma|snadaa
d|zer Paraquemescutaapoes| a, tudo estad|to.
0 segundogênerode||l|st|n| smoe oquese| nsp|radoamordeconlecer,
pr|me|rosoba|ormadeerud| ç ao,comaqualpormu|totemposecontentouem
mater|adearte, depo| ssoba|ormadec|ênc|apropr|amented|ta, cu]opatrona-
to, lo]eemd|a, qualquerempresadevere|v|nd|carpara serreconlec|dacomo
um saber d|gno desse nome A arqueolog|a, a l|stor|a da arte, a soc|olog|a,
1 80 I ÌNTkODÜÇAO»sFkTLS eobLLO
aps| colog|ae, grossomodo,amassacon|usadoque nao sem certa|ndulgênc|a
clamamosde 'c| ênc|aslumanas' sedebrqaram av|damente sobreaartepara
d|v|d|-laentre s| ed|sputarosseusdespo]os. |super|luod|zer, ev|dentemente,
que nao lanadaa ob] etar a | sso. Todas as at|v|dades do lomem estao sob a
]ur| sd|�aodal| stor|a,todasas suas obrase todos os seusrestospertencemde
d|re|toa arqueolog|a, |nclus|veos crân| osdenossosavós,tudo0 que edaal�a-
dadocomportamentolumanoeporde||n|�aodaal�adadasc|ênc|aslumanas.
D|spomos, po| s, agora de todas as c|ênc|as poss|ve|s, de todas as artes que o
lomem|nventouateaqu|.Aquant|dadedos que|alamouescrevemsobrebelas-
arteseenorme,massaberse|alammesmoousocreem|alarsobreesseassunto
equestaod|||c|le,deresto,algoper|gosa.
Basta-nosam|n|mareûexao,porem,paradescobr|rmososent|dodoproble-
ma. Querela�aopodelaverentre, deumlado, esculp|rumaestatua, p|ntarum
quadroouescreverumpoema,e,dooutro,contaral|stor|adaesculturagrega,da
p|ntura|tal|anaoudapoes|a|nglesa¯Consagrarav|daaoestudodeco|sasque]a
estao|e|tasnaoproporc|onaqualquerexper|ênc|adamane|rade|azê-las,nenlu-
ma|ntel|gênc|adoatoqueasproduz D|gamosma|s, e e a|queestao|undodo
problema, um esp|r|to cu]as |ncl|na�õeslevam ao estudoemgerale empart|cu-
laraoestudodas c|rcunstânc|asquepres|d|ramaonasc|mentodasobras dearte,
|nclu|ndo0 quelo]e se clamadeps|colog|ado art|sta, e |nte|ramente d||erente
daquele esp|r|to cu]a|act|v|dade con|er|u ex|stênc|a a ta|s obras. 0 erud|to e o
art|stanaoestaos|mplesmentemu|tolongeumdooutro,namesmal|nla,elesse
movemeoperamemplanosd||erentesque,adespe|todaseventua|s|ntersec�ões,
naoco|nc|demnemco|nc|d|rao]ama|s.Aobradearte quearqueologos e erud|-
tosesquadr|nlam comum |nteresseapa|xonado, e am|udecompenetra�ao, nao
e a que o art|staproduz|u. Tudo o que d|zem delaa pressupõe, mas nao e dela
queod|zem, pelas|mplesrazaodequetodaa gênese daobrasedeunopropr|o
pensamentodoart|sta,e elesclegamtardedema|sparad|zeralgumaco|saaesse
respe|to.Comod|ssemos,ta|sco|sasnaoestaonomesmoplano.E| sporquetodas
asd|sc|pl|nasqueparas|tamaartecons|deram-lleasobrasdesde|ora, eestudam-
nasem|un�aodealgumaspectoquelleseestrange|ro. Quersetratedotempo,
do me|o soc|al, do temperamento pessoal do autor, de uma c|ênc|a natural ou
\AP|TÜLO Ì 7¯ /kTL L P|L|ST|N|SMO I 1 8 1
lumana,opesqu|sadorcu]odese]odesaber|a-lovoltar-seaoestudol|stor|codas
artes quetantoamapodemu|tobem aprendertudo o que eposs|vel saberaseu
respe|to,e no-loens|nar, mas o ob]etode sua|nvest|gaçaoserasemprel|stor|a,
naoarte.0 malesta,porem,n|sso casolled|gamosta|sco|sas,oerud|tose|nd|g-
nacomodeumataquecontraapropr|al|stor|a,e,de|endendo-sedeumreprocle
quellenao|azemos,arr| sca-seaca|rnoma|s'respe|tavel'dos||l| st|n|smos,ode
tomarabeleza pelo conlec|mentoerud|todas obras e dosautores. Ser|a |ndel|-
cado, e mesmocruel, c|tarcasosconcretosdeesp|r|tosexcelentescu]aslunçóes
quot|d|anascolocamemrelaçõesconstantescomasobras-pr|masdal|teraturaou
dasartesplast|caseessamesma|am|l|ar|dade,lundadanolab|todeaborda-lassob
umângulosemqualquerrelaçaocomasuaessênc|a,osdesv|aapontodecega-los
paraanaturezadoqueamameservemcom||del|dadeexemplar
0 ||loso|osel|m|taaqu|ade||n|rs| tuaçõesabstrataseexemplares,areal|da-
de,porem,e|el|zmentema| ssut|leadm|temu|tasnuanças.Maoconvem]ulgara
sens|b|l|dadedeumesp|r|toparaabelezaporaqu|loqueparecepensararespe|to
quando|alasobreoassunto.Al|nguagem,quee|e|taparaexpr|m|rconlec|men-
tos,tendenaturalmenteao||l|st|n|smo. Quando|alamos,expl|camos,mas,sobo
n|vel super||c|al dapalavra, la|requentementeumtestemunlo s|lenc|oso, pro-
|undo,talvez|nconsc|ente,quedesub|torecebeeacolleabeleza,umencontro
breveem|ster|osodoqualnaosepode|alarsemtra|ra|lustrev|s|ta.Ass|mcomo
omalabsoluto,o||l| st|n| smoabsolutoe|mpensavele|mposs|vel,talcomoomal,
contudo, subs| stenobem, acegue|raparaobeloev|denc|aapercepçaoconlusa
quedeletemosprec|samentenanecess|dadedesubst|tu|-loporoutraco|sa Suas
|ormas cult|vadas sao de longe as ma|s per|gosas, porque corremos umgrande
per|godenos contarentreonumerodos]ustosquandotemos aconsc|ênc|ade
'andarnaverdade',comosed|z,quandoemverdadesetratadeandarnabel eza,
eaverdade sobreabeleza, alemd|sso, naoeabeleza
||ssooque|azdoterce|rot|ponobrede||l | st|n|smo - o ens|no÷, a|orma
ma|sper|gosadetodas, po|s, named|daem que se estendeaqu|lo que se pode
saberdasbelas-artes,er|geeorgan|zao||l| st|n|smoem|nst|tu|çaopr|vadaoupu-
bl|ca,sustentadapor|undosdoEstado,seprec|so,e|unc| onandoexpressamente
emv|sta de d|vulgar, como conlec|mento, d|sc|pl|nas que nao adm|tem outra
1 82 I ÌNTkODÜ�AOÀSFkT|S DO b|LO
|n| c|a�aoreal alem dameraprat|ca Messesent|do,pode-sed|zersemparadoxo
algumque op|or|n|m|godasbelas-arteseonossos| stemaeducac|onal,baseado
noens|nodas cænc|as e dasletras Maosetratadeumprotestocontraum|ato
ems|mesmoexcelenteederesto|nev|tavel Mo|n|c|o, eantesdetudo oma|s,
ex|steoser,depo|sdele,omellorquepodelavereaverdade, semaqual,para
nos, o ser ser|a como se nao |osse, prec|samenteporque e o mellor, averdade
|mpl|caobem, quee,emnos,oamordo ser, o belo seacrescentaaessestrans-
cendenta|scomoumaespec|ede gra�a suplementar, a|lordo ser, real�adapor
suamesmaqual| dade|ntr|nseca,mas|mposs|velsemara| z Seanaturezanao|os-
sebela, a|ndaque|ossebelae boa, ser|aumamoradamenos|el|z, decerto, mas
permanecer|aaqu|loqueeAbelezadaarte,esseluxocomqueaengenlos|dade
dolomemembeleza,porsuavez,amesmanatureza,ea|ndamenos|mportante
ln||n|tamenteprec|osapelaesp|r|tual| dadeque|mpõeasuamater|a,testemunlo
comoventedapr|mac|al|ecund|dadecr|adorade Leus, aartee asbelezaspre-
car|ascomqueadorna0 mundoeav|danaode|xamdeserma|sumagra�aque
uma necess|dade Uma educa�ao |undada nas belas-artes que nao de|xasse ao
resto senaooatuallugardas belas-artes emnossopropr|o s| stemaeducac|onal
conduz|r|aaum desastre Maoqueaempresaems| se]a|mposs|velouma,com
e|elto, naolaoutra educa�ao art|st|ca poss|vel, se por 'educa�ao art|st|ca' se
entendeaquelacu]o||me|ormarart|stas Umaeduca�ao,porem,emquetudoo
que naoearte|osseordenadoemv|stadelaconv|r|aapenasaumnumeromu|to
reduz|dodeservosele|tosdabeleza,cu]avoca�aopessoal|osseantesproduz| -la
queusu|ru|r-lleasbenesses Portanto, as co|sas saocomodevemser, ouquase
| sso,mascorremosor|scodecrerquesaod||erentesdoquesao
A]ust|||cadapreponderânc|adaverdadesobreabelezanos |mpededecon-
cederas artes ma|s que um modest|ss|molugar nos programas de ens|no, nao
se trata deum mal, po|s, a|nda que o numero de grandes art|stas se]a pequeno,
e o bastantepara sat|s|azer nossa |ome de beleza 0 pouco que se ens|na de
arte nas escolas antes pode |mped|rqueumart|stanas�a, porem, doque obstar
o seu desenvolv|mento E clega mesmo a |avorecer que rapazes e garotas aos
qua|s se apresentauma|al sa |magem da arte se cons|derem art|stas, |magem de
que por| ssomesmo]ama|s se des|arao Essano�ao de|ormada da arte cons|ste
\AP|TÜLO Ì 7 ¯ /kTL L ||L|ST|N|SMO I 1 83
quasesempreemtoma-lapor expressaodeum conlec|mento noçao tanto me-
nos|nev|tavelquantoens|narcons|ste]ustamenteemcomun|carconlec|mentos
La-se, po|s, |nev|tavelmente, que a arte se]arepresentada no ens|no por todas
aquelas d|sc|pl|nas que, como d|ssemos ac|ma, g|ram a suavolta mas nao a to-
mamporob]eto,alemd|sso, mesmoseo que sepretendeens|nare algumadas
belas-artes,esseens|namentotendeareduz|r-seaumcon]untoderegras ma|sou
menosgera|s,transm|t|das,po|s,comoauxJ |odal|nguagem,queaosalunoscabe
somenteapl|car, en||m, e| ssoeo ma|sgrave, porqueaquelesqueass|mens|nam
as belas-artes sao eles propr|os pro|essores, nao art| stas, esse erro |undamental
sobreaessênc|adoqueens|namseencontraporass|md|zer|nst|tuc|onal|zadona
propr|a escola Ao d|zerarte, re|er| mo-nosatodaoperaçao queproduzbeleza
Asobservaçõesprecedentesseapl|cam, po|s, tantoapoes|aquantoap|nturaou
amus|ca E seapl|camasult|mas|nclus|vecomma|orpert|nênc|a,po|s,ex|g|ndo
tecn|cas part|culares, a mus|ca e as artes plast|cas d|spõem de escolas espec|al-
menteconsagradas ao seuens|no Seesse |ato e ounaouma|el|c|dade, naonos
|mportacons|deraraqu|,mas0 queasescolassepropõemnaoenadama|ssenao
o|erecera ]uventudeumapr|me|ra |n|c|açaonas co|sas daarte, e | ssoamargem
dos conlec|mentosque ord|nar|amented|str|bu| Pressupõe-seque osart|stasse
lormamallures,mas, poroutrolado,latodoumcon]untodeartesqueaescolase
gabadeens|narasartesdal|nguagemElaencarrega,po| s, excelentesmestresde
umataltare|a,cu]a|ormaçaopessoalcons|steemsabertudooquesepodesaber
daartedaescr|tasem, contudo, possu|ressaarte Ass|mse|ormaa|mensama|o-
r|ade|uturos ||l| steus,lerde|rosesp|r|tua|sde seusmestres, que|alame]ulgam
apoes|asemserempoetaseque, se cr|t|cosdeo||c|o, ens|namos dramaturgosa
escreverpeças que eles propr|os nao perdoar|am 0 ||l| st|n|smotranscendental,
nessasc|rcunstânc|as, setorna||l|st|n| smoorgan|zado.
Umaposs|velrespostaanossaobservaçaoser|aqueo ens|nodaartenases-
colasnaopretendeproduz|rart|stas,mas|ormarumpubl|cocapazdecompreen-
dê-los Da|,mesmoemcoleg|os e un|vers|dadesquese|nteressamporta|spro-
blemas,ocu|dadodeorgan|zarcursosdeaprec|açao÷ oudegustaçao÷ art|st|ca
0 mellorenaod|zerpalavrasobreta|scursos, po|spodemosser|n]ustoscomas
exceções,tantoma|sprec|osasquantoma|sexcepc|ona| s Pode-se,porem,recear
1 84 I Ì NTkODÜÇAOÀSFkTLS DO bLlO
queessespro|essores,queraramentesaoart|stasgenu|nos,naosecontentemcom
propagara suavolta os erros sobreos ||ns, osme|oseanaturezadas¡elas-artes.
A s|tuaçao e, po|s, nessecaso, puro embaraço. Certa |e|ta, o bomEckermann
d| sseaCoetlequeoquema|sadm|rava napoes|a|rancesaeraque'mesmotradu-
z|da emprosa, elaconservavaassuasqual|dades essenc|a|s. Ele aprec|ava, po|s,
essapoes|aporaqu|lomesmoquea|az|apros a,|mped|ndo-adeserpoes|a. Esse
lom emexcelente|alava, contudo,daarte,eaprec|ava-lleasobras|ncond|c|onal
mente.Maso qued|zerdopropr|oCoetle¯Conl|ar-lle-|amosumaclassepara
ens| naraaprec|aras obrasdearte¯ Mao mus|ca, certamente, po|sdelanadaen-
tend|a, eeraconsc|ented| sso. P|nturatambemnao,po|seleacred|tavaentender
do assuntoed|scorr|al ongamentesobreele,maspensava quenada,emartesplas-
t|cas,ema|s|mportanteque0 tema, equetodotalen toe vaose0 :emanaovale
uma||ga.Mascomo]ulgaraqual| dadedeumtema|ndependentementedotalento
queoaborda¯Maoe o talento, porsuavez, que]ust|||caotema¯ Coetleerade
op|n|ao contrar|a]ustamentepor| gnoraraessênc|adap|ntura, cu]o mer|to, para
ele,estavatodonaapt|daopararepresentarumtemaoma|s||elmenteposs|vel.
Mao lalugaralgum, portanto, onde a arte possa ser ens|nada¯ E nao la
n|nguem que o possa|azer¯S|m, la, e osun|cosluga resonde osgrandes art|s-
tas se

|ormaram |oram sempreosatel| ês. E osun|cosmestressobcu]atutelaos
art|stasd|gnosdessenomese|ormaram |oram oscbe|esdoatel|ê, elesmesmos
tambem art| stas. Convema|ndaesHarecer o que se]aum talens|no, po|sAr|s-
toteles lle recusar|a esse t|tulo A bem daverdade, trata-se de aprend|zagem.
0 mestrenao|azma|squeconst|tu|rumgrupoe|n|c|arosaprend|zesnotraba-
llo .!aoseexcluempr|nc|p|ose normas, maselesse aprendemguandose apl|-
cam,esesequ|serqueessaaprend|zagemse]aumac|ênc|a,seracertamenteuma
'c|ênc|aobre|ra¨,comod|z|aump|ntorcontemporâneo,oubem,nosent|dople-
noepro|undodaexpressao,umscoa··|c··:, queseadqu|reapenasquandose|az
Quantoaotalento,constata-seounaoasuapresença, masnaoeraroreconlecê-
lana|ac|l|dadecomqueoaprend|zsetornaummestrenastecn|casdasuaarte.
0 gên|o,porsuavez,como oEsp|r|to,'sopraondequer',ealemd| ssoeraro,mas
a||nal|dadedoens|nonaoe,nempoder|aser)|azê-lonascer.|aemu|toqueonao
su|oqueellecoloque a d|spos|çaootesouroacumuladodetecn|casadqu|r|das,
\AP|TÜLO Ì7 ¯ FkTLL ||L|ST|N|SMO I 1 85
paraque|açadelas o que bem entender 0 essenc|alerespe|tardesdeapr|me|ra
|n|c|açaoopr|madodo|azersobreoconlecerquecaracter|zaapropr|aarte Uma
¸g
sededesenlooudesol|e]oens|na|n||n|tamentema|sascr|ançassobrep|ntura
oumus|cadoquev|s|tasamuseusel|vrosema|sl|vros,|lustradosounao,del|s-
tor|aou||loso||adaarte Asnotasqueacr|ançatate|anaga|ta,porma|sles|tantes
quese]am, a|ndaemus|ca,adespe|todoseuenorme|nteresse,ß::toao:r:s:asT·.s
£s|·|as,de \vonLenz, etudo,masmus|canaoe Aga|tacanta,ol|vronao
A|altadepoder|azertodo obem quegostar|amos, ser|a|ntel|genteaome-
nosev|taromal,oquesepodeobterdes| mesmo,senaodosoutros,respe|tando
escrupulosamenteaessênc|adaarteemgeraleadecadaarteempart|cular, nao
sonateor|a, oque]anaoe|ac|lmastambemnaprat|caQuandograndesart|stas
sed|gnamanos|azerumaououtracon||dênc|a, percebemosqueeles propr|osse
sentempropensosa modest|aeaorespe|todosl|m|tesdaespec|||c|dadedasartes
0 propr|oCoetle,que|ngenuamentenoscon|essounaolavernadama|s|mpor-
tante emartedo que ostemas, aos ? denovembrode I 327o |lustrouaEcker-
manndemodopart|cularmente|nteressantePo|sdesta|e|taCoetlenao|aloude
p|ntura,masdepoes|a,assuntodoqualconvemsuporqueentendessemu|tobem,
e'( |alouparacensuraros p|ntores do tempo porselaverem enganado sobreo
temadesuabaladaD:·l·s.o:· Emvaoprocurar|amosemCoetleuma|ormama|s
per|e|taqueadessabalada,ebemcompreendemos,po|s,quep|ntoressetenlam
|nteressadonelaTalcomoelesal|am,abaladadeCoetlecontavaumal|stor|a,o
que |aztodabalada, etal como compreend|amap|ntura, oob]et|vopr|nc|pal de
umquadroerarepresentaralgummomentocr|t|codeumal| stor|a,essesp|ntores
naopod|am, po|s, ler0 poetasem|mag|narestamullerquesurgedaaguad|ante
dopescadoreoseduzparaamorte
A «s e:~ l:a:¡i:» wcss:· ·c«s:ot
£·» }:«:ot:s \|l o:·ce·'
Tratava-se de umatentaçao |rres|st|vel, po|s eles sab|am p|ntar um r|aclo,
um pescador, e mesmo, se prec|so |osse, uma muller enclarcada |alando ao
2 "E sai da agita�ao do mar I Uma donzela a escorrer. " (rad. Joao Barrento.)
1 86 I Ì NTkODÜÇAOÀSFkTLSDO b|LO
pescador 0 quadroestavapronto, eo seusent|doser|aclarograçasare|erênca
abaladadeum poeta|lustre, porqueemambosos casos otemaser|ao mesmo.
0 queCoetle,porem,pensavaarespe|to¯Madadebom, po|s,senaoestavacer-
todopapeldotemaemp|ntura, sab|amu|tobemoque s|gn||| cavaempoes|a. 0
errodos p|ntoresque |lustraramo seupoema|oraconcedermu|toespaçoaque
lamuller, cu]a|mportânc|a, adespe|todopapelquerepresenta, e prat|camente
nulaMasoquep|ntar, entao¯Mada.'Elesp|ntamm|nlabaladasemsedarconta
dequeabsolutamentenaoseprestaa p|ntura.0 queseexpr|menelanaoenada
senaoasensaçaodaagua,essagraçaque, noverao,conv|da-nosaobanlo.Maola
nadaalemd|ssonopoema, ecomo, po|s,opoder|amp|ntar¯'| ssoe|mposs|vel,
come|e|to, eessemesmotemasosepodetornarpoes|aencarnando-seempala-
vrasd| ss|muladas, tra| çoe|ras, 'poet|cas' Eraprec|sod|zeraobravoEckermann
algumaco|saquepudessecompreender, mas0 murmur|odaagua|rescanaocon-
v| davaCoetleaumprosa|cobanlo,senaoao |el|zabandonodes| peloqualum
eunostalg|coasp|raasedes|azer, |und|ndo-secomanatureza
S|: sj·cco z« |o~, s|: sc»q z« |o~,
Dc ac·s «~ |o» q:sco:o»,
Icll zeq s|: |o», ocll sc»l :· o·»
U»e ac·e »|coi ~:o· q:s:o» '
Alguns momentos na companl|a de Coetle nos | nstruem ma|s sobre a
essênc|adaarteque mu|toscursosemu|tosl |vros. Mas nem elenosconduzde
umavezate o ||m, po| soverdade|rotemadeque |alao poetanao ea emoçao
germ|naldeque brotou, eopropr|opoema.Are|lexao clegaaqu|aotermoda
ontolog|adaarte. 0 |atoderetornar por ondeve|obem o |nd|ca |ass|mque
sedaemmeta||s|ca,porqueelasemovetodano|nter|ordoserque, se]ust||| car
nao se pode, convemace|tar Le qualquer|ormaque oaborde, opensamento,
ao ||m e ao cabo, de|xao lomem e o m| ster|o|acea |ace. l ssonao e, porem,
tempo perd|do, po|s ass|m comoo ser, ama|s subl|memane|rade conlecera
arteesaberqueanao conlecemos
3 " E ela falou, e ela cantou, I Ele nao resistiu: I Atrai-o ela, ele s e afundou, I E ninguem mais
o viu." (rad. Joao Barrento.)
\AP|TÜ|O Ì7 ¯ FkTLL l|L|ST|NlSMO I 1 87
� 
���

LmaantOÌOyì aOO |ìÌ ì stì nì smO
Apalavra'|| l| st| n| s�o'temumsent|don|t|damentepe]or+t|voquenaos e
- • ´ • ´ ' · ¸' `¶ • ¸ / Ì ¯ • ' ì
podeel|m| nar, ass|mcomo'câncer', 'l epra'eoutrasdogênero,mascu]acono�
> • I ·
¬´ · · - ·
taçaodereproclemoralou|ntelectual, porsuavez, sepode

�omenosde|xarde
lado Somostaoresponsave|s pelo||l|st|n|smoquetemosquanto poruma do-
ença congên|ta |verdade que alguns têm um||l|st|n| smoagress|vo, masado·
ençararamentenostornaagradave| s Leresto,todossomos||l|steusemalgum
lugar, e, natural mente, e-nosd|||c|lde saber quelugare esse Av|vac|dade de
nossasreaçõesnegat|vascontracertas |ormasdearteeav|olenta|ntrans|gênc|a
comquecondenamosemvez des|mplesmente| gnorarsaodapropr|aessênc|a
do ||l | st| n| smo Essepovo, os ||l| steus, eram de d|re|�o os donos de um pa|s
do qual se qu|s expulsa-los, como ele, nos tambem nos aclamos nod|re|tode
usu|ru|rdecertas |ormasdebelezaque umlongolab|tonostornou|am|l|ares,
tambem como ele, nos pegamos emarmasparaexpulsaro |nvasor, eao ||m e
aocabosomosderrotados,nunca,porem,aosnossospropr|osollos ,ouapenas
raramente) , possu|ndooeterno consolo de est|mar a nossaraça|ndestrut|vel
Cs||l| steus] ama| sseraoexterm|nados ·
Mossodes|gn|oe, po| s, bem d||erentedode Robert Sclumannao|undar
a l| ga dos Lav|dsbttndler Ele exortava seus companle|ros a destru|r aqueles
que cons|derava os | n| m| gosdaarte, nos, porem, propomo-nos s| mplesmente
a descobr|ro ||l| steuem nos mesmos, o ||l | steuque trazemos dentro de nos.
Maobastasaber-sedoenteparasarar |ateposs|velquenossa|bamosdoentes
| ncurave|s,masosaberens|naamodestia,epode|nclus|venosdaracertezade
que em algum lugardomundolaumcerto gênerodebelezado qual estamos
exclu|dos, oubem por natureza, oubempeloe|e|todelab|tose preconce|tos
|nveterados A|ndaqueanaocons|gamosenxergar,] aealgumaco|sasaberque
abelezaestaondeesta.
L| ssemos, e agoraorepet|mos,queo ||l| st|n|smocons|steessenc|almente
emnaoverabelezaart|st|calaondeesta,eemvê-laondenaoesta.Ex|ste,po|s,
uma|n|| n| dadede||l| st|n|smosposs|ve|s, desdeodoart| stadegên|ocu]opropr|o
gên|ocegaparaas artesquenaoasua, ateodos|mplesamantedaarte, ouque
acred|tasê-lo, oqualprocuraosseusprazeresemtudooqueasobrascomportam
des| gn| ||caçao|ntel|g|vel, deens|namentomoral, patr| ot|co, soc|al ourel|g|oso,
de belezanatural, de ut|l|dadeprat|caoudevalorpedagog|co÷ numapalavra,
emtudooque,nelas, naoe belezacr|adapeloart|staeas|azseremo quesao.
Aun|caut|l|dadeprat|cada ||loso||adaarte e s|tuarexatamente o ob]eto
da apreensao estet|ca. A un|ca]ust|||caçao de umaantolog|ado ||l | st|n|smo e
con||rmarasconclusõesda||loso||adaartecolocandoodeJo, porass|md|zer,
napropr|anatureza dos erros a que nenlum de nos e |mune, mas que vemos
mellornosoutrosqueemnosmesmos Recoll|dosaosabordasc|rcunstânc|as,
sem|ntençaonemplano,osexemplosqueseguempareceramassum|rumvalor
representat|voqueOS podetornarute| s. Aun|caregraquelevamosemcons|de-
raçaoaorecollê-los|o|adm|t|rapenasetaosomenteoserrosaparentementede
boaor|gem.0 ||l | st|n|smod|tonobree0 un|coque|nteressaa re|lexao||loso||-
ca,seo||l|steucalladesergrandeart|sta,tantomellor, po|soseuexemploen-
s| naquandomenosquenaoe]ama|snapos| çaodeart|staqueeleeum||l|steu.
Messagaler|ade||l | st| n| smos, osmodelos|alarao pors| mesmos. Mumou
noutro caso, a sut|lezadoproblemaense] ouum comentar|odapartedocom-
p|lador.0 le|torperceberaqueessecomentar|operm|tesurpreenderquemco-
mentaem|lagrantedel| tode||l | st|n|smo0 l e|tore, po|s,conv|dadoas|tuarele
propr|oacausadoserrosacercadoob] etodaarteemcadaumdoscasosaqu|
submet|dosao seu]ul gamento. Cst|tulos apenas |nd|cam cam|nlos e sugerem
or|entações. 0 ma|s|nteressanteser|aque, depo| sdere|let|r, ocr|t|conao en-
contrassenenlumtraçode||l | st| n| smo nos exemplos quecons|derou.Ter-se-|a
entaodeconclu|rs|mplesmentepelo||l | st|n|smodequemoscomp|lou 0 autor
1 90 I Ì NkODÜÇAOÀS/kTLSDO bLLO
se conlecesu||c|entementepara cons|derartall|potese sem surpresanem| n-
qu|etaçao, po| saverdadedasua||loso||adaarte e |ndependentedoserros da
sua|ncl|naçao Se ousasse c|tar comoexemploas suas propr|asl | m|tações, ele
||car|aantesorgullosodeseencontraremcompanl|ade||l|steustaod|st|ntos
I O¡||ésa¡a
Cs||loso|osvaoasvezesaalgumespetaculodebale,a|ndaqueapenaspara
sed|stra|remda||loso||a, aquale prec|sosaberdaruma|olga.Maselaserecusa
a|olgare acompanlao ||loso|oao espetaculo. Se elenao secolocara questao
enquanto ass|ste a apresentaçao, ela sem duv|da se colocara por s| mesmaum
poucoma| stardeoqueeadança¯Maosetratadeumaquestaoquenosse]apro-
pr|a Mosnosperguntamossomentequet|podere|lexaoessaartepodesuge
'
|r
aum||l oso|o,eencontraremosumexcelenteexemploemTo:í,rc¬·.l¬c¡:Sa¬:
ío·|asa(o·.c|k:|l:.|·arsar ícr.:, de Suzanne K Langer, aautoradeío·|asa(o,·rc
N:a!:,eí·al|:¬sa|Ao Madadoque d|zrespe|toaestet|calleeestrange|ro
Adm|t|ndo que possamos |alar de modo leg|t|mo de 'cr|açao art|st|ca¨,
concordaremossemdu|daserdançaaqu|loqueosdançar|noscr|am,masoque
e|ssoquecr|am¯Maoosmater|a|sdadança,certamente,| stoe, osseuscorpos,
ostra]es, o palco, a grav|dade, nemqualquerdascond|ções ||s|cas necessar|as
paraqueadançaex|sta Se,po| s, osdançar|noscr|amalgoaocr|aradança,con-
vemqueacrescentemalgumaco|saascond|ções ||s|cas]aenumeradas Lepo|s
decolocaroproblemanessestermos, comoverdade|ro||loso|o,nossoautorse
vê |orçadoaconclu|rque, senaoe algo||s|co,masecr|avel)
Í
¨adançadeveser
um aaparênc|a, oubemumaapar|çao¨
0 rac|ocn|oestacorreto, masaconclusaonaopodevalerma|sdoqueas
prem|ssas,enaosevêporqueOS dançar|nosnaopoder|amcr|arnadademate-
r|al 0 quenaopoder|amcr|areamater|adasuaarte, masda|naosesegue_
aqu|loque cr|am, | stoe, apropr|adança, nao se]amater|al Se naoaencontram
]a|e|tae pronta, se asuaarteparte deumnadadedançapara|azercom que a
dançaex|sta,ao dançar elesacrescentama naturezaalgumaco|saque semeles
/PÉND|CL I 1 9 1
naoex|st|r|u0 |atodequeosseuselementosse]ammater|a|snao|azcomquea
dan�apreex|staaodançar|nonanatureza, nao |mpedeque elase]aumacr|açao
| cur|oso que um ||loso|o tao persp| caz nao tenla pensado n| sso Um
dos exemplosc|tados dever-lle-|asuger|ra resposta corretaa esse problema
0 dançar|notemocorpoeamob|l|dadea suad|spos|çao, ass|mcomoocoz|-
nle|rotemovose |ar|nlaparao bolo, ouo costure|rolae ||osparaas me|as
Maoobstante, nossasmaese t|as e avos naoI I cr|am exatamente 0 bolo, mas,
quando setratade obras de arte, o termo ''cr|açao se emprega, porsuavez,
demane|ra mu|to exata A observaçao procede, mas osfatos enumerados nos
mostram arazao dessas nuances de l| nguagem A palavra �cr|a�ao sugere or-
d|nar|amcntea no�aoue nov|dade.A maede|am|l|anaocriabolonenlum se-
gu|ndopelacentes|mavezumarece|rs trad|c|onal o| ndustr|alnaocr| anadaao
produz|r seum|l|ones|mopardeme|as. mas0 |nventotdamaqu|nadecosturae
ocle|edecoz|nlaque |nventaumanovasobremesa||zeram, s|m, sem duv| da,
umacr|açao|essaad||erençaentre1/ cr|açaodeumbaleesuacentes|maapre-
sentaçau Adança, po|s, naod||eredacul|nar|aoudasartes|ndustr|a|sporsua
|mater|al|dade,devezqueeproduz|dapelodan�ar| noqued|spóedo seucorpo
comoum mus|co do |nstrumento Por me|o do mov|mento, a suaartee a sua
vontadelazembrotaradançadonada, e nele amergullamde novoapagando
o precedenteporumnovomov|mento Adan�asecr|amater|almentecomoa
mus|caouqualqueroutraarte So podeduv|dard| sso quemnuncav|uumdan-
çar|nonopalco Maso||loso|oduv|daporquetendea|azerdaarteumqualquer
gênerodeconlec|mento, oude s|mbolo, ouqualquerco|samenos aproduçao
deumaun|careal|dadeconcreta queex|steporme| odaat|v|daoedoart|sra
S| gamos, porem, as med|taçóes de um esp|r|to ||loso||co, e procuremos
de||n|r a dança 0 ||loso|o e um |ntelectual- e, po| s, um lomem do sabere
da palavra, para quem tudo o que ex|ste portaumamensagem qualquer Para
ele, compreender o que uma co|sa s| gn| || ca e compreender o que ela e Mo
casodadança, o||loso|onaolleencontrarao sent|do,po| s, nospassos, saltos
e p|ruetascons| deradosnasuamater|al|dade Csmov|mentosdosseusbraços
e pernas nao e 0 que |nteressa ao espectador, 0 que lle |nteressa e a ·¬c¡:¬
J··i1¬·.c que

esses mov| mentos cr|am, se] am |nd|v|dua|s ou colet|vos, e que
1 92 I Ì NTkODÜÇAOÀSFkTLS DO bLLO
tanto ma|s completamente se d|st|ngue del es quanto ma|s a dança e per|e|ta.
0 grandedançar|no,dançar|naouacompanl|adebaleper|e|tamenteordenada
|azem-nosesquecertodootraballomuscular, todooes|orçocorporalnecessa-
r|oparaproduz|radança, esobosnossosollossorestaumaun|ca|magemem
mov|mento,quee apropr|adança Maosetratadeuma|lusao,po|stodosesses
elementos ex|stem, masdança em s| soex|stev|rtualmente, nessesent|do em
que,como|magem,requerumasens|b|l|dadeemquese|ormaequeaapreende
|magemd|nâm| ca, adançaetambem, po|s,umareal|dadev|rtual,co··|ac|.r|·|,
Mas essa ent|dade v|rtual e |magem de quê¯ Mao de mov|mentos rea| s,
quecomota| snosnao|nteressam,masdaqu|loporqueadançasecr|a. 0 s�u
ob] eto, asuarazao de ser, e comun|car-nososent|mentode queestacarrega-
da. 'Memtodososdançar|nosexper|mentamnecessar|amenteessesent|mento,
part|cular oucolet|vamentecons|derados. Ele pertence a propr|adança. Uma
dança,ass|mcomoqualquerobradearte, euma|ormapercept|velqueexpr|me
anaturezado sent|mentolumano, | stoe, seus r|tmos e conexóes, suas cr| ses
erupturas, a complex| dade, en||m, doqueclamamosde`v|da|nter|or`deum
lomem,suaexper| ênc|acorrente, d|reta,av|datalcomoasentequemv|ve '
Essanaoetodaaverdade,po|snossossent|mentossaooquesao,enaotemos
vontadenenlumadeass|st|ragest|culaçóesesaltosqueostentamexpr|m|r.0 que
adançaexpr|meeantesuma'|de|a',ea|de|adamane|raCOHO OS sent|mentos,as
emoçóesetodasas outrasexper|ênc|assub]et|vasvaoevêmo seunasc|mentoe
cresc|mento, asuas|ntesecompl|cadaquecon|erea nossav|da|nter|orasuaun|-
dadee| dent|dadepessoa| s 0 queclamamosde'v|da|nter|or'deumapessoaea
l|stor|a|nter|ordasuapropr|al| stor|a,ea|mpressaoqueav|dallecausa.
Tudo entao esta quase tao claro quanto pode ser, e la sem duv|da mu|ta
verdadenoqued|zonosso||loso|o. Salvoerrode| nterpretaçao, essav|saoda
dançaconduzaconcebê-lacomo analogaa mus|ca,cu]omater|al estalaapenas
emv|st

dav|rtual|magem sonoraque podeproduz|remouv|dosd|spostos a
percebê-la, mas | sso equ|vale a subst|tu|ra ||loso||adaarte pelaestet|ca, po|s
a dança so se cons|deraaqu| do pontodev|stado espectador e como me|o
decomun|caçaoentreelee ocoreogra|o Ass|mcons|derada, adançaexpr|me
algumaco| sa, comoasoutrasartes, expr|measuamensagem, naoporme|oda
F||NDlCL I 1 93
l| nguagem reservada a comun|ca�ao de conlec|mentos, mas por s|mbolos ca-
pazesdeapresentaraosespectadores anaturezae as |ormasdav|dasens|vel e
sent|mental.Mosso||loso|oatr|bu|ama|or|mportânc|aa no�aodes|mbolo,que
lleperm|teun|||caroscamposate entaod|st|ntosdaartee doconlec|mento.
Come|e|to,oqueal| nguageme parao pensamento, e os|mboloparaosent| -
mento 'As obrasdeartesao, po|s, |ormasexpress|vas, e expr|memanatureza
do sent| mentolumano' | nessesent|do, ev|dentemente, queconvem enten-
derestoutra|ormulado mesmo ||loso|o 'Qua|e o ob] etodaobrade arte, da
dan�a, da|magemd|nâm|cav|rtual¯ |expr|m|ras|de|asdoseucr|adorsobrea
v|da|med|ata, que emoc|onaecomove |expr|m|rd|retamenteo que es:ri··'
Atequeen||mclegamosaoponto' E| soquenosrestadadan�aquandoum
||loso|oacontempladasuapoltronaTodooseu|noportunomater|alecolocado
entreparêntesesparade|xaremplenav|staa|de|adocoreogra|o,quenaodan�a)
arespe|todav|dadas emo�õesedaspa|xões,tal como elasea|,:i·ocna|magem
d|nâm|ca v|rtual causada pela evolu�ao dos ba|lar|nos sobre o palco Quando
pensamosqueessascons|dera�ões|orampubl|cadas pelapr|me|raveznarev|sta
Dcr::O|s:·o:·,XX| | | ,6,]ullode l 956), edest|nadasaumpubl|codeart|stas'|n-
telectualmentebem-dotados', surpreendemo-nosanosmesmosemd|vaga�ões

| ssotalvezdesculpeal|berdadecomqueosd|scut|mos,po|s, conquanto|ntelec-
tualmentebem-dotados como, al|as, todoverdade|roart|sta÷, osdan�ar|nos
sabemquenao sedan�acomo |ntelecto, mas comas pernas 0 queacontece,
porem, e queosart| stascostumamde|xar-se|mpress| onarpeloqueum ||loso|o
d|z Mesmoquando se trata de arte, da qual têmum conlec|mentod|reto, |n-
t|mo ev|v|do, osart|stas esperam doce|s pelas |uzes deumlomem que|alado
assuntoporouv|rd|zereque,a suamane|ra,etambemumpro||ss|onal 0 art|sta
crêqueo||loso|olle|alaradearte,quandosode||loso||alle|alaraTalveznos
||loso|osdevêssemospensarnadesordemquenossosd|scursos,am|ude|rre|le-
t|dos, podem cr|arnoesp|r|todosoutros Cs art|stas têmumasad|area�ao de
de|esaquecons| steem naoreconlecerno que d|zemosnada daqu|lo que eles
propr|osclamamdearte,es|mplesmente|eclarosseusouv|dos.
Cra, saoel esqueestaocoma razao 0 dan�ar|no sem |ôl ego, a 'l|nla'
quevoltaemboaordem,maso|egante,aosbast|doresdeRad|oC|tydepo|sde
1 94 I Ì NTkODÜÇAOÀSFkTLS DO bLlO
v|ntem|nutosde 'prec| sao', sabem mu|tobem que a dan�a nao euma|magem
d|nâm|cav|rtual, mas antes a sequênc|a de es|or�os musculares e |ntelectua|s
coordenados, necessar|aparaproduz| -la Maoe |nut|l que, enquantoalguns ||-
loso|os osdesconcertam e |nqu|etam, outros sees|orcem porassegura-los do
que]a sabem 0 dan�ar|notemmu|tomenosclancesde se enganararespe|to
da dan�a que o ||loso|o Se ele pensa que a sua arte cons|ste em real|zarcom
aparente|ac|l| dademov|mentosordenadosdetalsortequeoseucon]untoagra-
deaquem osvê, recon|orte-oo pensamentodequeaomenosalguns esp|r|tos
med|tat|vosestaodeacordocomele Posto| sso, tudooquepuderencora]a-lo
aoestudoeprat|cadeumaarteass|mtaod|||c|lse]ust|||caporessamesmaa]uda
que llevenlaaconceder 0 coreogra|o e l|vre parapensarque o seubale ex-
pr|meuma|de|adav|da,conquantoqueessa|de|ase]aantesadosmov|mentos
queasuapart|turacoreogra||caprevêe prescreveemv|stado 'espetaculo', o
dan�ar|notambemel|vrepara|mag|narqueasbelasposturasebelosmov|men
tosdo seubelocorpobemtre| nadorevelamo segredodomundo,tudoo que
pudera]uda-loadan�arper|e|tamentese]ust|||capor| ssomesmo,masasua| n-
tel|gênc|ae, seot|ver, oseugên| oestaotambemnosmembrosdoseucorpo,o
espectador, en||m,sendolumano,temtodaal|berdadede|mag|nar, ded|vagar
como quevê, e, se nem dan�ar|nosnem espetaculolle |nteressarem, deaclar
emtudo| ssoumsent|do|ntel| g|vel caso||xe, porem,a|mag|na�aonaestrutura
docenar|o,quenaoe dan�asenaoumpretextoparaadan�a,ousepercaemelu-
cubra�õesmeta||s|cas|nventadasdegra�aparaaumentaraestaturadeumaarte
pouco dadaa abstra�ao conce|tual, suasd|vaga�õesnaoteraoqualquerrela�ao
necessar|acomessasco| sasems|taoprec|sas quanto passos,saltosearabescos
queosdan�ar|nosvaor|scandonotempoenoespa�o Easemo�ões,orabolas¯
A dan�a naoexpr|menem tampouco s|mbol|zaemo�ões ela as causa Mao e
necessar|oque odan�ar|noeste]adesesperado paraproduz|remm|mqualquer
emo�aosemellanteaodesespero,mu|topelocontrar|o, ma|sval equeeste]ade
cabe�a |resca para conduz|re controlar os seus mov|mentos, po| s, desde que
sa|bamov|mentaro seucorpocombelezaeproduz|remm|m, comoquepelo
contag|odos seusmov|mentos, umasens|vel |mpressao detr|steza, pouco |m
portaoqueelemesmos| nta Somenteoseudeverdeemoc| onar]ust|||ca-lleo
FPLNDlCL I 1 95
d|re|todeemoc|onar-se - desdequeessaemoçaopossaa]uda-lo,ev|dentemen
teMasD| derot]a|al outudoarespe|todoassuntonoseuíc·cJax:sa·|:Ca¬:J·:r.
II O¬a·c||stc
M| nguem e ||l|steu por respe|tar a moral, nem tampouco por ex|g|r que
o art|stae sua obra tambem a respe|tem 0 ||l | st|n|smo do moral|stacomeça
quandoasuaobservânc|apessoaldamoral|dadeocegaparaasbelezasdaobra
daarte como tal Emvezded|zer, como bem conv|nla, que algoe beloems|
mesmo, maslle desagrada porque o|ende a moral, o moral | stas|mplesmente
negaque| ssose]abelopelas|mples razaodequeao|ende. Moentanto, d|z|a
Santo Agost|nlo, encontramos a beleza do numero em todaa parte, ate nas
ações do pecado. Cuçamos o | ncorrupt|vel Edmond Sclerer nos seus
¿
|aJ:s
J: L·||:·c|a·: Car|:¬(a·c·r:, volume |V cap|tulo 20, sobre Baudela|re Depo|s de
expl| carqueoromant|smodeV|ctorHugo,malgradoalgunsde|e|tos, |orauma
reaçaonecessar|aaanem|adoacadem| c|smo, sentenc|a
'Csv|c|osseacentuamcoma| dade Cs|m|tadores|m|tamapenasosde-

|e|tos do modelo 0 romant|smoteveumasegundaepoca, na qual exagerou
prec|samenteessetraço queacabamos deass| nalar. Aos art|stas sucederam os
ornament|stas e a |orma pela beleza a |orma pela |orma El a]atransbordava
do |undo, quem sabe, entao o opr|m|u, o supr|m|u, e tomou o seulugar Le
ad] et|vo el apassaa substant|vo. Leu-se |mportânc|a cap|tal aoart|st|camente
secundar|o. Sacr|||cou- setudoaop|toresco Maose|alouma| saoesp|r|to,mas
aos ollos. Atentou-se nos re||namentos, e a glor|a eravenceras d|||culdades
Ar|maseenr|queceuasexpensasdosent|do Correram terrae mara procura
depalavrasnovas, depalavras raras. Class| ||caramosescr|toresdeacordocom
ar|quezadoseuvocabular| o 0 est|loteveo seu.o·.e o seu·c¡aa| Eaopassar
doatel|êdosmestresaodosart|||ces| n|m|tave|s,tem-sea|mpressaodesa|rde
umant|quar|oeentrarnuma|e|radecur| os|dades.
Masnaosepodepararquandosedescealade|ra Estasegundaescolade-
v|a,po|s,levaraumaterce|ra.Courbetproduz|uManet' Umavezque,emarte,
1 96 I Ì NTkODÜ�AOÀS/kTLSDO bLLO
se procura a sensaçao, quer-se a sensaçao a todo o custo. Depo|s do belo, o
|e|o, depo|s da |orma, o d|s|orme Se nao podemos ma|s encantar, vamos |a-
zertremer, se nao podemosma|sseduz|r, vamos torturar Comobêbadosque,
contra a que|maçao do estômago, tomassemuns tragos de aguardente, como
umMarquêsdeSadequetemperassealuxur|acomumap|tadadecrueldade E
naolarazaoparaque| ssoacabe Lepo| sdeesgotaroterr|vel,clegamosaore-
pugnante P|ntam-seco|sas|mundas | ns| st|mosnelas,nelascla|urdamos Mas
essapodrldao,porsuavez,apodrece,essadecompos|çaodecompóe-seemalgo
a|ndama|s|et|do,ateque, ao||meaocabo, soresteumnaose|quêquel|ngua
nenlumaconseguenomear. E| sa|Baudela|re
Aoouv|r
L:s :oc·~:s e: l oe··:«· »:»·c·:»i ç«: l:s }e·is·'
lembroqueumam|gonaose pôde|urtardemurmurarentreosdentes.
L:s :oc·~:s e« }«~·:· »:»·c·:»i ç«: l:s je·cs·'
E ele t|nlarazao. Messedom|n|o dasensaçaoaqualquerpreço, tudotem
omesmovalor.naolabelonem|e|o, verdade|ronem|also, puronem|mpuro
e soa p|nçaa cutucaro nervo, e o an|mal sat|s|e|topor esse despertardasua
an|mal|dade. '
Enamesmaobra,volumeV| | |, acercadeBaudela|reesua'escola',p 36-
37, 39-90
"0 burbur|nlo emtornodo nome de Baudela|re, o t|mbre, d|r-se-|a, sa-
cramentalcomqueoseunomelo]esoa,parecem-meumadestasm|st||| caçóes
prox|masdoembusteedo|lus| on| smo Haescr|toresquepossuemcertosdons
semquepor| ssose]amart|stas,quetêmesteouaqueletalento,masnaoclegam
a const|tu|ruma obra, Baudela|re, por exemplo, nao tem nada nem coraçao,
nemesp|r|to, nem|de|a,nempalavra, nemrazao, nem|antas|a,nemverve, nem
sequer per|c|a tecn|ca Ele e grotescamente |mpotente 0 seu un|co mer|to e
1 "Os encantos do horror s6 inebriam os fortes. " (N. T)
2 "Os encantos do esterco s6 inebriam os porcos. " (N. T.)
FPLNDlC| I 1 97
laver contr|bu|do para cr|aruma estet|cado debocle, o poemado |a.as¬c|as
, ) Maolareputaçao ma|s superest|mada, eurep|to, queadeAsl|a·:sJaMc|
Adespe|todacompletaausênc|a,nela, de|de|aedesent|mento,deverveede
|nsp|raçao,aobranemsequerapresentaov|rtuos|smotecn|codeumTleopl|le
Caut|er | umabat|da penosa e |at| gante, e uma |al sareun|ao de estro|es que
be|ra o burl esco, com expressóes cu]a |mpropr|edade seassemellaa parod|a
A|magemnuncae]usta, nuncae bela Ano|te setornaemtab|que, o ceuem
tampaHapassagenscomumtomdeaposta,nossor|d|culonaoser|ama|orsea
ace|tassemos. 0 un| comer|todeBaudela|re,e suaun|ca|orça, eacoragemque
demonstranov|c|o Masprec|samentea|parecequelaum|e|t|ço,osesqu|mos,
porexemplo,sogostamdepe|xepodre. '
A|ormulade|| n| t|va, porem, encontra-senovolume| Vdosmesmos
¿
|a·
J:s J:l·||:·c|a·: Car|:¬(a·c·r:, p 22 l "0 |ato e que Baudela|re nao era art| sta
nem poeta Faltava-lletantoesp|r|toquantoalma, tanto se|va quantogosto.
Menlumagen|al|dade Madade s| ncero, de s|mples, de lumano Crendo-se
|ort|ss| moporqueeracorromp| d|ss| mo, mas, no|undo,ummero||l | steu'
Poder|amosc|taroutrosexemplosdomoral|smoestet|codeEdmondSclerer,
mas oma|s|mportante, depo|sdenotaradesembaraçadadesenvoltura com que
umcr|t|coprosadorpodeexecutarumpoeta, erea||rmarqueumlomemculpavel
de||l|st|n|smo,todosnos osomos) naose pode de||n|rcomo umpuroe s|mples
||l|steu Leve-senotarque esse mesmoSclerer|o|um dos pr|me|rosa|alarde
'poes|apura', |ê-lonumapassagemquenosperm|t|mosreproduz|r, po|s,ades-
pe|todasapor|asemqueseenreda,eleserecusaa|azeruma|de|amu|tos|mpl|sta
deumcr|t|co, comoele, |n|el|zmentemu|tosegurodes| notratocomobras de
que naoentend|aabsolutamentenada.E| -la,Cp.c|t , p. ?0 ? l )
'Cs |ranceses, no seculo XV| l | , perguntavam-se s e um alemao pod|ater
algum esp|r|to, osalemaes, por seuturno, seum |rancês pod|a compreender a
poes|a QuandoMadamedeStael|o|aWe|mar, eml 304,Scl|ller, queconversa-
racomela,eque|az|a]ust|çaaosseustalentos,expr|m|u-senossegu|ntestermos
sobre o encontro ' 0 sent|do poet|co, tal como o compreendemos, |alta-lle
porcompleto, de modo que sosepode apropr|ar, nas obras desse gênero, do
ladoapa|xonado, orator|oesuper||c|al ` . Asentençaed|gnade atençao Mos,os
1 98 I Ì NTkODÜÇAOÀSFkTLS DO bLLO
|ranceses, |omos levados a con|und|ra poes|a com a eloquênc|a. Mossogên|o
prat|co,quesempretendeaumcerto||m,póedebomgradoa|mag|naçaoaser-
v|çodeumacausa,a|nclu|entreosexped|entesdapersuasao,enaocompreende
absolutamentenadado] ogoda|antas|a Somos ma|soradoresdoquepoetas, e
nossamesmapoes|aeorator|aCu,antes,oera,po|snosrecuperamosdessede-
|e|to0 romant| smo,entrenos,devolveuac|dadan|aa |mag|naçao,antesban|da
Fez-nosconlecerumapoes|a|mag|nat|va,averdade|rapoes|a,apoes|apropr|a-
mente d|ta Lesembaraçou-nos de arrazoar o razoavel, algo |ncompat|vel com
a| nsp|raçaoart|st|ca.Fez-nosgostardo] ogo,docapr|clo, dapalavrap|toresca,
doad] et|vobr|llante ÷ detalmodoquenoslevouapoes|aao pontoemque,]a
poes|apura, de|xadeex|st|rparaoesp|r|toe sed|r|gesomenteparaosollose
osouv| dos,algocomoap|ntura| soladadodesenloedacompos| çao Po|sapo-
es|a, quecons|steessenc|almentenaexpressao,estapor|ssomesmocondenada
aexpr|m|ralgumaco|sa Mecess|tadeumtema, deumconteudo.Todapoes|ae
l|r|caetraduzumsent|mento,oue ep|caecontaum|ato 0 dramae am| stura
dessesdo|selementos,relatoe pa|xao Quantoa poes|adescr|t|va, nao se trata
deum gêneroa parte aessênc|adapoes|ae descrever, mas quando se l|m|taa
descrever, anula-se. ¨0 art|goe de]unlode l 363 Falarde ¨poes|apura¨ nessa
dataeramer|tocerte|ro.mesmoque |osseparacondena-la
IhO:s.·|ta·
|grandeoamorqueel etempelaarte, daqual |alacom umasens| b| l | da-
deecomuma]ustezaam| udeadm| rave| s , eescrevecomumaeloquênc| ar| ca
em|ormulastaotocantesqueacabamporseduz|r 0 l e| tor, porem, |asc| na-
doporum| nstante, serecompóee começaaduv|dar 0 qued| zoescr| tor¯
Queantesdeo seculoX| X|nventarosmuseus,umcruc|||xonaoerabem
umaescultura, ¨aMadonadeLucc| onaoerabemumquadro, e nemmesmoa
íc|csAi:rc de F|d|as erauma estatua¨ Essa|de|aseduz, mas e d|||c|l acred|tar
nela Hapelomenosumlomemparaquemumaestatuasempre|o|umaestatua,
eumquadro,umquadro. asaber, oescultoreop|ntor | gnoramosoqueF|d|as
/P|ND|C| I 1 99
pensavaarespe|todadeusaPalas Talvez|ossean|madodeuma|ntensadevo�ao
aosdeusesdopanteaogrego, masnaopoJ|acon|und|rosseussent|mentospela
deusacomoproblemadeescul p|rasuaestatuaUmatalv|saodasobrasdearte
s|mplesmentenegl| genc|ao|atodequecadaumadelas, emqualquerepocaque
se]a,|o|desdelogoaobradeumart|staeumprodutodasuaarte.
Mem sequereverdade quela]amos esperado o seculoX|X parareconle-
cerumaestatuaemPalas ouem|up|ter Sempresoubemosquesetratavadees-
tatuas, como asque os genera|s romanos p|llaram daCrec|a num sent|mento
sem qualquer rela�ao com a devo�ao ou a p|edade Todas aquelas v|rgens, to-
dosaquelese|ebosatletas, guerre|rose conv|vas emtornodeta�asdev|nloor-
nando os vasos gregos, ||guras que ate lo] epovoam os museus, eram ob]etos
agradave| s devere detocaraos ollos e asmaosdequemoscompraram, cu]a
mera posseagradavapors|mesma, sem re|erêncaanenlumad|v|ndade |ver-
dade quenessestemposlong|nquos osescr|tores a|ndanao selav|am apossado
da arte como um dom|n|o que lles est|vesse reservado ÷ com exce�ao, e cla-
ro, dapropr|aartedapalavra. A£(|s|a|ccasí·së:s, de Horac|o, porexemplo, pre-
cedendo de mu|to as poet| cas |nglesas e |rancesas do seculo XV| |, nada deve
ao seculoX| X Falando como s|mples espectadores oule|tores, Platao cons|de-
raas estatuas como co|sas |e|tas oupor|azer, e Ar|stoteles consagratodaasua
ía:|·.c aoestudodasobras teatra| s cons|deradas prec|samentecomoobras, sem,
deresto,de|xardemenc|onarasartesplast|casParaele,come|e|to,absolutamen-
tenaosetratavaderel|g|ao,masde|m|ta�aoE|requentementeoeraQuerla]am
|m|tado ou|mag|nado os seusmodelos, adm|ramosnosart|stasromanos que os
seusbustosdeCesar, Bruto,Cataoe,menosnobrequeeles,Pompeucorrespon-
damtaobemaoquenosmesmossabemosdessaspersonagens,doseucaratereda
suav|da Atea|dadeMed|anaola||loso|onemteologo,soberanamente|nd||e-
renteaoquelo]edenom|namosde||loso||adaarte,quenaosetenlav|s|velmente
regaladoemesculp|rpelo s|mples prazerdeo|azer segundootestemunlodas
mu|tasestatuetas, relevos, estalase mesmotumuloscle|osdeobrasquecausam
anossaadm|ra�ao, e que certamente |oramcons|deradas por seus pr|me|ros es-
pectadorescomoaqu|loqueeram |mensae ,aoqueparece) va, porem, e aex-
per|ênc|aquese|nscrevecontratals|mpl|||ca�ao.0 med|evo|o|,ev|dentemente,
200 I Ì NTkODÜÇAOÀS/kTLSDO bLLO
umtempoemquen|nguempod|ama|s tomarumaestatuadePalasporumob]eto
rel|g|oso,noentanto, emplenoseculoX| | , ob|spo-poetaH|ldebertdeLavard|n
observavaabertamentequeoslomenstornaramosdeusesma|sbelosdoqueeles
]ama|ssepoder|amtornarpors|mesmos, e que, seadm|ramos assuasestatuas,
e mercêdalab|l|dade dosescultores, naodasuad|v|ndade,a| nveross|m|llan�a
l|stor|caecon||rmadapormu|tos|atos÷ mu|tosebemv| s|ve| s
Tudo, porem, temum sent|do, e lacerta real|dade emtoda e qualquer
|lusao Umromanc|stadetalento, apa|xonadopelas co|sasdaartee|mpac|ente
para escreversobreo assunto,volta-senaturalmenteparaesta|ormamoderna
deepope|aqueeal| stor|a.Maocremosma| sem|up|ter,naogostamosma|sde
contaras suascoleras, as suasbr|ncade|ras,masaOJ·ss:·c, a£r:·Jce a!cc|·c]a
eramobrasdel| stor|a Tl|ersescreveuumaepope|adoConsuladoedo|mpe-
r| o, Ta| neadasO··¡:rsJck:oa|a�öa!·cr.:sc, M| cleletaepope| adaFran�a. Cra,
porquenaoescreverada|mensaaventuraque, desdeoseu|abuloso|n|c|onas
cavernas de Lascaux e Altam|ra, conduz|ua arte, progress|vamente, ao ponto
emqueseencontralo]e, consc| entedasuaessênc|aedosseus||ns,capazdese
pensaras| mesmaecalculandoassuasclancesde|uturo¯
Essaempresalle parecetentadora, mascomosetratadeumtalentol|tera-

r|o, elasupõeumaopera�aoprel|m|nar, quecons|steemreun|ratotal|dade das
obras de arte conlec|das, a despe|to da sua data ou or|gem, d|ante dos ollos
do escr|tor

Co| sa|mposs|vel outrora, e mesmorecentemente, po|s osma|ores
art| stasdaCrec|a,da|tal|aemesmodo|n|c|odoseculoX|Xv|rammu|topoucas
obras dearte ,Lelacro|x nuncav|uRoma, Floren�a ouVeneza) Ho]e, contu-
do, escrever umaepope|adessegênero entrou no dom|n|o das poss|b|l|dades.
Csmuseus e|etuaramumapr|me|rarecolladasobrasdetodosostemposelu-
gares, agrupando-as segundo a sua or|gem, ressaltaram a un|dade dos grupos,
seustra�os comuns÷ numa palavra, o seuest|lo. Mas mesmoosmuseus a|nda
saol |m|tados, d|stantes entres|easvezesded|||c|lacesso Porumasorte|ncr|-
vela|otogra||aeat|pogra||acolocaram ad|spos|�aodopubl|coumamontanla
deobras, conlec|dasoua|ndadesconlec|das, acess|ve|souquase|nacess|ve| s
emboraM| clelangelonao soubesseacentes|maparte doque sabemoslo]eso-
brea escultura dos seus con|rades escultores observa�ao que se apl|ca a sua
/PLND |CL I 201
propr|aesculturaMa·s:seoí:rs:·asaestaoondeestao,e|nut|ldeslocartoneladas
demarmoreparaestuda-los,todaaobradeM|clelangelonosclegalo]eemum
oudo| svolumes, |nclu|ndoo a|rescodaCapelaS|st|na, onde, al|as, o podemos
estudarsemnos curvarou|or�aro olloatravesde umav|dra�aparaadm|ra-lo
a vontadeTodasasobrasetodososest|losestaodoravantea nossad|spos|�ao.
l sso e bemverdade, emcertosent|do, |nclus|vedaverdade que]ust||| caa
compos| �aodeumaepope|adaarteno mundo, ousobreaterra Comotal,um
poemaep|copresc|ndede]ust|||cat|va,]aqueeumaobradeartesemoutro ||m
alemdes|mesma, suabelezapropr|aeoprazerqueproporc|onaaole|torquea
lê eaoescr|torqueaescreveAss|mcomotodoautordeumaqualquerl|stor|a
un|versal,oautordeumatalepope|anao|nventama|sdoqueHomeroeV|rg|l| o
|nventaram,nempossu|menosmer|toAolê-lo, oserud|tos sacodemacabe�a
e duv|dam do que leem. Eles passaram tantos anos para aprender tao pouca
co|saqueseespantamcomaposs|b|l|dadedesabertantoaumcustoass|mtao
ba|xo÷ masnaotêmvoznenluma, devezqueoseupoucode|mag|na�aomal
semoveemestre|tosl| m|tes,mesmoquandoousam|alardoassunto,aartenao
eobrasua Aqu|, porem, mu|to pelo contrar|o, trata-sede|azerartecomobras
dearte, e oquesentearespe|to]ust||| caoautornoseusent|mentodod|re|to
ded|sporestatuasep| nturasqueelemesmonao|ez.Anexadasporelea suaarte
pessoal, passamapertencer-lleporcompleto
Todoart|staocompreendera, ecometer|amosuma|n]ust|�as enosque|xasse-
mosde ganlartantosl|vroseloquentes,br|llantes,am|ude pro|undos e, deresto,
adm|ravelmente|lustrados Aartedoautorganlatudo,paranossodele|te),maso
queedasartesdeque|ala¯Reduz|dasa |un�aoanc|lardemater|adel|vro,todassao
rad|calmentereduz|dasa l|teratura, ouse]a,a l|nguagem, ecomolo]eemd|asose
escreveemv|stada|mpressao,essasartesso|remotratamentoex|g|doparaquese
possam|mpr|m|recontereml|vros Masemquecons|steessetratamento¯
Cons|deradosnoseucon]unto, pode-sed|zerqueosproced|mentosaque
artesesubmeteparaquesepossa|alareescreveraseurespe|totrans|ormam-na
emumob] etodoconlec|mento, | stoe,|ntelectual|zam-naT|randoasestatuas
das suascolunas, osa|rescosdassuasparedesoutetos,aspesadascatedra|sdas
|unda�õesqueas prendem no solo, a|otogra||adesmater|al|zouessas obras e,
202 I Í NkODÜÇAOAS/kTLS DObLLO
po|s, |ntelectual |zou-as Armado, entao, deum| nstrumentodeque podel|vre-
mented|spor, o escr|tordom|na soz|nloo |mensocampodaarteun|versalAs
obrasdeartequeelenao|ez,queser|a|ncapazde|azere queemgeral|gnora
como|oram|e|tasestao-lleagoranasmaossoba|ormade|otogra||as,peloque
sesenteummestrequedelaspossad|sporaoseubel-prazerPr| me|ro, emquan-
t|dade, po|s 'al| stor|adaarte,desdeque,lacemanos, escapoudasmaosdos
espec|al| stas,ecl|stor|ado,a:s:(aJ:|aia¡·c|c·' D|antedessaat|tude|ntelectual,
naosoaobservaç aodasobrasnolugarondeestao ,nos museus|nclus|ve)de|xa
desernecessar|a, comotambem sepodesabertodoo essenc|al aseurespe|to
semasvernemouv|r. Depo|s, emqual|dade, po|sanecess|dadede|ntelectual|-
za-lascon|ereod|re|todeastornar|ntel| g|ve| s, comparave| se,numapalavra,de
llescon|er|rcerto'est|lo¨queasd|st|ngueetornaob] etosde|ntelectual|zaç ao
propr|amented|tos Po|s aobrae questaodegosto, mas seuest|loe ob]etode
conlec|mento Apart|rda|,naolatratamentoaqueaobradeartenaosepossa
leg|t|mamentesubmeterno|nteressedasua|ntel ectual|zaç aoe, ||nalmente, do
l |vro. D|z-se-nosque a|otogra||aculm|naa|ntelectual|zaç aoda arte, reconle-
cemosentaoqueelacostumasubst|tu|r'oprazerdeadm|rarpelodeconlecer'
Mas| ssobasta¯ Po| snaoe o propr|oprazerdeconlecerqueelael|m|na,] aque
ov|a]antede|xaradevoltaraRomaparareveroNcs.·¬:r|aJ:ìrasnomuseudas
Termas]ustamenteporcausadas |otogra||as queeventual mentetenla¯ Emn|-
velma|smodesto, porqueelenaosa|radessemesmomuseusemobservarma|s
umavezaquelebustoromanodeumagarotadesconlec|da,quecertamentenao
egrandearte,mascu] oencantonaoseesgotanas|otogra|| as¯Paraobservarum
busto,laqueandara voltadel e Maoseandaa voltadeuma|otogra|| a |a|que
estao|undodoproblema.Apart|rdomomentoemquea|otogra||asubst|tu|a
estatua, de|xadelaver estatua, |ala-se, entao, de algo d|verso, essenc|almente
estranloaodom|n|odaarte, porquea|otogra||adeumaestatuanaotemnada
emcomum,nasuareal|dade||s|ca, comaobraque estampa
Esseequ|voco|undamentalressoaatemesmonaapresentaç aodassombras
porqueo poeta- ele mesmooutrasombra subst|tu| as obras rea| s Haque
ouv|-loexultarnaexecuç aodoseudes|gn| o Elepode|azertudooquequ|ser,
po|s, 'comoareproduç aonao eacausadanossa|ntelectual|zaç aodaarte, mas
/|LNDlCL I 203
o seume| oma| s poderoso, as suas astuc|asev|c| ss|tudes acabam por serv| -la¨
Ass|m, a|ntelectual|zaçaocomandaareproduçao, aquelaeo||mdessa, edessa
d|spõeaoseubel-prazer
Com e|e|to, por que se a|anar¯ 0 ângulo sob o qual se t| ra a |otogra||a
deumsepulcro, aestudada|lum|naçaoqueressaltacertos traços e]ogaoutros
na sombra e|e|tos, em suma, que o escultornao qu|s e a que talvez detes-
tasse submeter as suas obras, submete-llas o todo-poderoso escr|tor dublê
de|otogra|o Maso escr|tornaoparapora| Completamente| nconsc|entedo
l|amev|tal que, naarte do art|sta, l | ga o est|lo da obra a suamater|a, as suas
d|mensões, ao seu |ormato, aquele que dese]a trans|ormar as artes plast| cas
em mater|a de escr|ta|molaradespot|camente aos seus propr|os ||nstodas as
bel ezasrea|s quedevemperecerparaaparecernoseul|vro Cbservemosesses
ele| tos, comoentramnopara|soqueoescr|torllesdest|na ¨ Perderamacor, a
mater|a,aescultura, algodovolume, o|ormato Perderamquaseo que t| nlam
deespec|| co Mas embene||c|odoseuest|locomum¨ Maopodendoesculp|r
compalavras, o escr|tor passou as estatuas nolam|nadorda prensa Cuse]a,
¨essasm| n| aturas, essesa|rescos, essesv|tra| s, essastapeçar|as, essesdesenlos
devasosgregos, essasesculturas, en||m, setornarampranclas ¨ L| anted|sso,
segundoparece,asobrassoperderamasua¨qual| dadedeob]eto¨, masaode|-
xardeserumob] eto,aobradeartede|xadeex|st|r,elaperdetudoenaoganla
nada Perdendo umadas suas três d|mensões, aesculturanaoperdeu ¨algo do
volume¨ perdeuo volume, |azendo malabar| smo com |ormatos e d|mensões
ate ¨perderem a sua escala¨, as obras nao ||caram no ¨quase¨, senao, purae
s|mplesmente, perderam o que t|nlam de espec||co, todas essas mut|lações,
en||m, |oram aseupesar, porqueo est|lo comumqueselles quer|mporpara
seubene||c|oeumav|saoabstratada|ntel | gênc|a,boanaordemquellee pro-
pr|a,eclaro,masestranlaaessesserespart|culares, |nd|v|dua|seun|cosemsua
substânc|aquesaoosob] etos|e| tospeloart|sta, obrasdasuaarte
Talvez nao se possam ev|tar consequênc|as dessegênero sese cont|nuara
|ntelectual|zaraarteparamellorserv|-laAartee|ntel|gentepelos|mples|atode
serarte,massuasobras saoasdeumasens|b|l|dade|ntel|genteaux|l|adaporuma
vontade e||caz de produz|rbeleza E elas se d|r|gem a uma outra sens|b|l|dade
204 I Ì NTkODÜÇAO »s/kTLS DO b|LO
|ntel|gentea qualproporc|onamumadas suas |el|c|dadestempora| s Madapode
subst|tu|ressedomdoob]etoquelleconst|tu|asubstânc|a0 est|lodeumame-
dallade P|sanelloeumbelotemadeaula, quenaosecon|undecomconlecê-la
como obrade arte |sto e, vê-la, pega-la, sopesa-la, sent|r-lle obelorelevona
palmadamao '
IV 0 ·¬c¡·rasa
c ¨Eu E o que serados nossosbal es¯
LO|vt. A dan�a¯ A dan�aa|nda esperaporumlomemdegên|o,el ae
ru|mportodaaparte, porquemalgradosupomosserelaumt|pode |m|ta�ao
A dan�aestaparaa pantom|ma como a poes|a para a prosa, ou antes como
prosod|aparaocanto |umapantom|mamed|da
Eugostar|aque med|ssessem o que s|gn|||camtodasessas dan�as, como
o m|nueto, o passa-pe, o r|godao, a alema, a sarabanda, em que se segue um
cam|nlotra�ado Estelomem semov|mentacom |n||n|ta gra�a, nao executa
nenlummov|mentoemquesenaopercebam|ac|l|dade,do�uraenobrezamas
oqueequeele|m|ta¯ Po|snaosetratadesabercantar, masde sabersol|e]ar
Umadan�ae umpoema Essepoemadever|a, po|s,terumarepresenta�aose-
parada |uma|m|ta�aoporme|odemov|mentos,quesupõeoconcursodopoeta,
dop|ntor, domus|coedom|m|co Elatemoseuassunto,quepodeserd|str|bu|do
ematosouemcenas,asqua|spodemounaoteroseurec|tat|voeasuaar|eta ¨
3 N. B. : Eis os versos de Hi ldebert de Lavardin a que nos referimos:
Non potu it natura deos hoc ore creare
Ouo mirauda deum sig1a criavit homo
Potiusque coluntur artificum Studio
Ouam deitate sua.
Ou seja: A natureza nao pode conceber os deuses com o aspecto das admiraveis estatuas que
o homem criou e as quais sao estimadas mais pelo trabalho dos artistas que pela sua divindade.
Outro documento curiosa e o guia de Roma do Mestre Gregorio, o Ingles, Narracio de
Marabilibus urbi Romae, Ed. G. Pathey Bedim, 1 869: a se<ao I I e consagrada as estatuas de
Roma. Nela, Gregorio fala, entre outras coisas, de uma Venus tao extraordinariamente
viva que nao pode resistir a olha-la varias e varias vezes.
/P|ND|C| I 205
l 'Eu Bastar|aumexemploparaesclarecer-me
LO|vt| Um exemplo¯ Cl, s|m, |mag|nemos um exempl o Sonlemos
comumexemplo E| -l o
Tema Umcamponêseumacamponesavoltamdocampo, a no|te Encon-
tram-senumbosquev|z|nlodasuaalde|a, e se propõemarepet|rumadança
quedevemexecutar]untosnoprox|modom|ngo, soboolmo
A:OPRI MEI RO
CenaI Seupr|me|romov|mentoe deagradavelsurpresa Testemunlam-
nacomumapantom|ma
Aprox|mam-se, saudam-se, o ] ovenz|to propõea moço|laque rep|tam o
mov|mento, ela responde-lle que e tarde, e, po| s, teme que se zanguem com
ela Ele| ns| ste, elaace|ta,elesdepõemseus |nstrumentosdetraballonoclao
começaorec|tat|vo Cspassos¬c·.o:seapantom|masaoorec|tat|vodadança
Eles repetem a dança, lembram o gesto e os passos, retomam, recomeçam, e
|azem ma| s se ace|tam, se enganam, se |rr|tam, e| sum rec|tat|vo que podeser
|nterromp|doporumaar|etade|rr|taçao |aorquestraagoraquedeve|alar, |a-
zerd|scursos,|m|tarações 0 poetad|tou-lleoquedeved|zer, ocompos|toro
escreveu, op| ntor|mag|nouos quadros, cabe aom|m|codaros passoseexecu-
tarosgestos Londe|ac|lmenteseconclu|que,seadançanaoseescrevecomo
um poema, se o poeta nao |ez o d|scurso como dev|a, se nao soube |nventar
quadrosagradave|s,seoba|lar|nonaorepresenta, tudoestaperd|do ''
Ì n. Í| DLkOT, £»t·:t|:»s so· l: í|ls Ncto·:l, 3eme cntrctIcn.
V 0 |:|ta·
Ernst Hans Combr|cl, d|retor do | nst|tuto Warburg da Un|vers| dade de
Londres, onde ens|na 'atrad|çaoclass|ca', autordeobras d|st|ntas sobrel|sto-
r|ae teor|adaarte, e umaautor|dade reconlec|da comtodaa]ust|ça C|temos,
4 N. B. : 0 imaginoso nao confunde a dan�a, como o faz o fil6sofo, com a "entidade virtual"
de uma "imagem dinamica", mas com o cenario de ur bale.
206 I Ì NTkODÜÇAOÀS/kTLSDO bL|O
em espec|al, sua ult|ma obra, A·icrJl||as·ar, onde encontraremos a substânc|a
das suasl|ções sobreotemapro|er|dasnaMat|onalCallerydeWasl|ngtonem
I 956,napos|çaodeA. W Mellon Lecturer| nF|neArts Umoutros| gnodasua
altanotor|edade |o| o conv|tequeo Scia·Jc,£o:r·r¡íasille|ezrecentemente
paracolaborarcomaser|edeart| gosqueumapubl|caçaoass|mtao]ustamente
|amosapubl|casobot|tulodeAJo:ria·:sa|io:M·rJ
Encontraremosasuacontr|bu|çaopessoalnonumerode29de]ullodeI 96I ,
sobo]as|gn|||cat|vot|tulodeIaaiak:cJcíc·ri·r¡Madama|s|nstrut|voqueocom-
portamentodessegrandeerud|to, cu]av|daesta|nte|ramenteconsagradaasco|sas
daarte,empresençadoproblema ÷ s|mples,emtese)paraumlomemcomoele -
de | nterpretar o sent|do de um quadro Ele certamente nao | gnora, |açamos-lle
]ust|ça, que¨osart|stas sempre|orampoetas, c|ososdereal|zarumbeloequ|l|or|o
de |ormas e cores, e conceber a suaparte na super||c|epor p|ntar de um modo
agradaveldever' Com|sso,aoqueparece,pode-seresponderaquestao0 |lustre
erud|toacabaderesponder-lle e prec|soollarumquadrocomoumcon]untode
|ormas e coresd|str|bu|das sobreumasuper||c|ep|ntadademane|raaagradaraos
ollos Sesent|rmosesseprazeraoollaroquadro,tê-lo-emoscompreend|do
Mas | sso, sem duv|da, ser|a a|nda mu|to s|mples Como todos oslomens
desuageraçao, E H Combr|clsoheuo|mpactodocub|smo Menlumaoutra
geraçaoteradeso|rê-lodenovo, e por ma|or que se]aoes|orçodasua|mag|na-
çao, aqueles que o nao so|reram]ama|s conceberaoexatamente o que |o| esse
|mpacto Ho]eestamos lab|tuados a d|st|ngu|rentreas noções de p|ntura e de
representaçao,mas| ssodevemo-loaocub|smo,etodososqueseaclaramexpos-
tosaelenuma| dadeemqueosseuslab|tosv|sua|sllesnaoperm|t|amd|st|ngu|r
entre umae outraa|nda se lembrarao do |mpacto que o cub| smo representou
Leresto, anoçaotrad|c|onal dep|nturapermanec|a|ntacta 0 pro|essor E H
Combr|clpoder|ad|zers|mplesmenteques etratadeumequ|l|br|ode|ormase
coresd|str|bu|das sobre asuper||c|eporp|ntarde modo aagradaraos ollos Ao
quepoder|amosen tao]ustamenteob]etarqueessamane|ranovadep|ntarnaoera
agradaveldever Cb]eçaoallas|rre|utavel, |nvenc|velequebastar|apararesolver
aquestao0 pontocap|taleprec|samentequenaoseparoupora|, po|slouveal-
gumaco|saa|ndama|ssurpreendentequeocub|smoparaospart|dar|osdap|ntura
/lLND|CL I 207
trad|c|onal|o|oseusucesso |necessar|oexpl|ca-lo,portanto,ouse]a,aclar-lle
um sent|do Cra, mas soal|nguagem pode terum sent|do, e todal|nguagem se
podelereescreverUmavezadm|t|do,porem,queosent|dodeumap|nturanao
estaems|mesma, comop|ntura, sorestaperguntar-seI:at:k:cJcíc·rt·r¡
Messeponto,todaumav|dade|am|l|ar|dadecomaarte,suasteor|asesual|s-
tor|a,naopoder|aprotegerquemcolocatalquestaodor|scodesedesv|ar 0 que
|azograndeerud|to¯ElesabelerPro||ss|onalmente,eleestalab|tuadoaprocurar
umsent|donasco|saseam|udeoencontranaqu|loquelê 0 sent|dodeumquadro
deve, po|s,resultardeumale|tura, e se os p|ntores setornam|ncompreens|ve|se
talvezporquemudaramapropr|aescr|taLeve-seentaoreaprenderalerparavol-
taracompreender-llesosent|do,ou, s|mplesmente,paracompreendê-los
0 que||zeramoscub|stas¯Elestêmprecedentes ÷entreoutrosodapoes|a
Qual e arece|ta¯D|z-nosopoetadeA|·.:r:íc|s JcsMc·co·|ocs ¨Escreveruma
|rase,cortaro||nal, m| sturaraspartesecoloca-lasnaordemqueaparecerem, a
ordemdas|rasesnao|azam|n|mad||eren�a¨ Lurantemu|totempoosp| ntores
representaramasco|sasta| s equa|scostumamosvê-las P|ntavam, d|gamos,em
prosa, comoMons| eur|ourda|n, sem o saber Para d|zer¨temperan�a¨, p|nta-
va-seumadamadespe]andoaguanoseuv| nlo Erao tempo dos ¨emblemas¨
oudos ¨atr|butos¨ A modapassou, sobretudo quando a |otogra||aperm|t|ua
qualquerum que ||zessetalequal Cs |mpress|on|stas|nventaramum metodo
Colocou-seasuacompetênc|aemquestaoedeclarou-seque naosab|amp| ntar,
mas os art|stas responderam ¨ Recua| um pouco, |ecla| umpouco os ollos, e
entaoolla| ¨. Fo|oque se|ezom|lagreseproduz|uepubl|cosede|xouvencer
0 publ|coaprenderaaleranovap| ntura, os p|ntoresganlaram apart|da
Cutra|o| a estrateg|a dos cub|stas, mas o esp|r|to |o| o mesmo ¨Emvez
dedesenlara |magem produz|daporum cômodo negro, o art| stasuperpõee
telescop|a |ragmentos de representa�ões segundo uma ordem que lle e pro-
pr|a¨ e|s o queselêemP|casso, Ncta·:M:·t:, I 9 I l Maobastama|sa]ustara
v|saoparaencontraro ob] etoemc|madamesa Elee comoo |antasmadopa|
deHamlet. ¨Al| , acola,portodaaparte¨
A ||m deexpl|car esses quadros, laquem |mag|ne que eles o |ntroduzem
numaordemdereal|dadesuper|ora at|ng|dapelamera|otogra||a TalvezBraquee
208 I Ì NTkODÜÇAOÀS/kTLS DO bLlO
P|cassola]ams|do|nsp|radosporcrençasm|st|casdesseteorquando|nventaram
oseuest|lo, 'masocont|nentequeencontraramnasuav|agemdedescobertanao
|o| o pa|s |mag|nar|o daquartad|mensao, senao areal|dade |asc|nante daamb|-
gu|dadev|sual ' Todocon]untode cores e l|nlas pode-se| nterpretarde mu|tas
mane|rasd||erentes Comolerumquadrocub|sta¯Arece|taeamesmaquepara
a poes|a 'P|nta| umob]eto, corta| -lle o ||nal, m| stura| as partes e coloca|-as na
ordemquev|eremsurg|ndo,aordemdessaspartesnao|azam|n|mad||erença'
Tale,po|s, al|çaoque set|radarevoluçao cub|sta Seusautoresexploraram
0 arqu|conlec|do ,e]a bem explorado) |enômeno daamb|gu|dade, |nerente as
aparênc|asv|sua| s Em I 9?9, PavelTclel|tclevdesenlaumtroncodearvoreque
tambempodeserumamaoouum pe E oollodoespectadorque escolle Em
I 955, M C Esclergravaumal|togra||a|nt|tuladaCër.co::C:ro:x:, naqual, se-
gundosecomecealê-ladoaltooudeba|xo,asescadaseosarcosretrocedem,as
personagensquesub|ampassamadescer,ou, numapalavra,tudomudadesent|do
deacordocomaordemquepres|deale|turadasl|nlasMadama|snatural 'Lê-se
umquadrocomosel êumal|nla|mpressa,collemosletrasou|nd|cesquea]usta-
mosate nosparecerversoboss| gnosnapag|nao sent|doquerecobremAss|m
como, aoler, oollonaosedeslocaaumaveloc|dade constanteaolongodasl|-
nlas, recollendoosent|doletraporletraepalavraporpalavra,ass|mtambemnos
desl|zamoso ollar sobreo quadro, buscandoqueelenos|nstrua' Ass|mcomo
os s|na|s de uma part|tura perm|tem a um ollotre|nado que reconstruaa obra
mus|cal,nossoolloseacostumaadec||rarcomumsoollaroquerepresentamos
quadroscub|stas Aspartesdov|olaosereencontram, overt|c|loeastarraxasdo
v|ol|noreencontramocavaleteeascordas,aspartesdalâmpadasereunemenao
latraçodeumrosto, porma|s d|spersoqueeste]a ÷ nar|z, ollo, orellas, que
naoacletesta,bocleclaeque|xoparareconst|tu|rumretrato
Taleosent| dodap|nturacub|sta,etaleamane|radelerasobrasdogêne-
ro Quandoseaprendea verqueaasadad|re|tapertenceaovasodaesquerda,
e qu�esseporsuavezseencontrasobreo |ragmentodemesacu]ospes lor|-
zonta| s se||xamnump|sovert|cal, compreendeu-seo sent|dodatela P| casso,
Braque e o del| c| oso|uanCr| s absolutamente nao perderam o seutempo A
re|ormacub|staeumaversaoerud|tado] ogo ,tao caroascr|anças) dedec||rar
||guraslab|lmented| ss|muladasemcertosdesenlos
/||NDlC| I 209
. I
Adultos, meus|rmaos,se]amoslonestos Adm|tamosqueesse] ogo| n|ant|l
a|nda nos agrada onde esta o mole|ro¯ Cadê o guarda |lorestal¯ Cs prazeres
s|mplessaoosmellores,maseprec| sosermu|toerud|toparaass|m|larocub| s-
mo, emesmoaarteabstrata, adec||raçaodeumcod|gosecretooudeumapa-
g|na|mpressacomletrasbaralIadas Queper|goparanos|ntelectua| s ' A|orça
delere querercompreender, nos desaprendemosavere, num|el|zabandono
aoclarmedasaparênc|as,consent|raollarpeloprazerdever
\l Os:rt|¬:rtc|
E| s aqu| a erotoman|a |mag|nar|a, uma das ma|s d||und|das prec|samente
porque, detodas elas, e a dema|s|ac|lsat| s|açao A |mag|naçao estacle|ade
vaos ob] etos do dese]o, sempre camb|antes ,mas as vezes estave|s) como as
'encantadoras] ovens' que tanto persegu|ram Rousseauque ele teve de sel | -
vrardelas, encarnando-asnaslero|nasdaANaocI:|a|sc AClateaubr|andnao
|altaramamantes, masasun|casaquepermaneceu||el|oramass|ll|desquepo-
voavamasua|mag|naçaoAartepodeserv|rdea|rod|s|aco,se]apara|lum|naro
oese]o, se]apara o entreter, se]a| nclus|ve paraenclero esp|r|todev|car|antes
sat|s|ações, pequenosougrandesexcessoscu]asubstânc|ae |e|tade|magense
que, pela|ac|l|dadedesat|s|açao que comportam, podemm|narum caraterde
mane|rataocertaquantoarealprat|
¸
adov|c| o 0 dele|temorosodosteologos
representamu|tobemoper|godeque|alamos
Todaartee uma ocas|aodetal per|go Amus|catransm|tea |mag|naçaoa
|ntens|dadedoseupoderemot|vo,quepodeserre|orçadopord|versosest|mu-
lantes, |nclu|ndo a droga Lembro-me deterouv|doa LaurentTa|llade, cu]as
con||dênc|asnaqueled|a|oram sol|c|tadasporCeorgesLumasno|nteressede
seusalunos,quen| nguemsaber|a] ama|soqueeoScrsca:íc|·|c,deSa|nt-Saens
antes de 'ouv|-lo depo|s de uma dose de mor||na' Um estag|o alem desse,
cle| odedese]o, |o| avez deT··s|ca:lsa|Jc, deWagner, llo sac|ar Mas encon-
trar|amosexemplosa|ndama|ssurpreendentesdessaal|ançaentremus|cae se-
xual|dade, taoessenc|al aospoderesdo somquea | gre] anuncaparoudelutar
2 1 o I Ì NTkODÜÇAOÀS/kTLSDO bLLO
contraacorrup�ao que sempreamea�aumaarte, comoamus|ca, deque tanto
seval emtodasasrel|g|ões Eaun|cadesculpaquesepodelmag|narparaalorr|-
p|lante|abr|ca�aodecastradosemv|stadamus|cade|gre]a Quemnaoconlece
opoderdeumsot|mbredesomdecertasvozes|em|n|nasque,parausaruma
expressaoma|sexataquevulgar, 'tocamnasentranlas'¯Era]ustanessepontoa
op|n|aodePlataoquandoprotestavacontraoabusodemus|casqueamolecem
edeb|l|tam,eosPa|sda| gre]amu|tasvezesdenunc|aramesseper|go
As artes representat|vas estao a|nda ma|s expostas a esse r|sco A med|-
daquerepresentam, atenta�ao deprocurarnasensual|dade do espectadorum
cumpl|cesempreprontoallesdaroseuconcursoe-llesquase|rresl st|vel Con-
trar|amenteaoquesecostumacrer, aoquetocaaop|ntor, porexemplo,elenao
seencontraemper|go Po|sasua|mag|na�aonaoseocupadabelezadamuller
quep| nta,mass|mdep|nta-la,enaolanadama|sprosa|codoquem| sturarcores
ouespalla-lasnumatelacomaa]udadep| nce| s Supondoquetenlaummodelo
d|antedosollos,nadadessacarnepassaraparaasuper||c|eplanaemqueasua
arte p|ntaa|magem, elapode, al|as, mover-lleos|nst|ntos menos art|st|cos, de
vez que e essenc|almenteestrange|raa suaarte E | ssocont|nuaverdade|ro ate
mesmoparaoma| s|nev|taveldosper|gosdoart|sta,quecons|steemcon|und|ra
belezanaturaldomodelocomadaobraquetalmodelolle| nsp|ra Mesten|vel,
al|as, oespectadoresta|atalmenteperd|do 0 gên|o d|abol|codealguns p|nto-
res, desdeosmestresdaRenascen�a|tal|ana, para|azercrerqueas cr|aturasda
suaarte nao|azem ma| s quelm|tardoc|lmentecertosmodelosexcepc|ona|sda
propr|anaturezae uma das |ontes ma|s comuns decon|usao entre a ordem da
belezanaturalea dabelezaart|st|ca Come|e|to,nosdo|scasoslabeleza,ea da
naturezanospodeemoc|onartantoquantoadaarte, como nao se de|xarlevar
peloart|||c| oquere|or�aumacomaoutraeas|azprat|camenteco|nc|d|r¯
0 espectadorprec|saterum ascet|smoestet|coverdade|ramentelero|co
para sede|enderdesseart|||c|o, po|s, en||m, quemallan| sso, e sea |lusao e
agradavel, porquerenunc|araela¯ 0 robustobom-sensodoagr|cultor|anque,
porexemplo,sabesede|enderdetalembuste 'To:·:c·r|r:s+.oa:¬:r· ', d|zele
comtodaasobr|edade 0 cub|smoeap|nturaabstrataencontraramaresposta
p| ctor|caao problema, e o p|ntorCzen|antdeu-llea|ormulaper|e|ta 'Ac|ma
/PLND|CL I 2 1 1
daartedeEva',escreveuemA·|, 'laaartedeApolo,emqueVênusnadatema
|azer',e,a|ndama|s|mper|almentebreve 'Cezannedeu-nosmaçaseperasque
nadadev|amaEva' Everdade,mas,v|stoquesomoslomens, sesenoso|erece
umamaçadeCezanneouEva, lamu|tasclancesdequeonossoollarsevolte
paraa mae detodosnos Esse||l | st| n| smo naotemnadadeerud|toounobre,
mas estamu|toenra|zadoem nossa propr|anaturezaparaquealguemsegabe
delle ser| mune | ngreseumextraord|nar|oexemplodessaco|nc|dênc|aentre
belezadanaturezaedaarte AcomparaçaodosseusestudosdenuparaA!ar|:
comaobraacabada|az-nosveremquaopouco se este|aa|mensad|stânc|aque
separaumadaoutra, somosdesculpave| spornos de|xarenganar
Um |nteressante exemplo detal||l|st|n| smoporass|md|zer |nato encontra-
mo-lonapessoaenos gostosdeStendlal 0 casoetaoma|s|nteressantedeob-
servarquantoma|soautordeACc·|axcJ:íc·¬ce0 \·¬:|oa: a N:¡·aestacertode
esmagaroseucr|t| co Alemd| sso,o|atoeque, de|n|c|oemCrenoble,depo|sno
Louvrenoatel|êdeRegnault,o] ovemBeyleprat|couaquelaartedodesenlopela
qualsemduv|dacensurar|aama|or|adosqueaexercem, |ron|camente,amodade
Beyle Ac|rcunstânc|adequeasuaI·s|a··:J:|cí:·r|a·::rl|c|·:devamu|to assuas
exper|ênc|as pessoa|s÷ o que |o| amplamente demonstrado porPaul Hazard e
PsulArbelet ÷ naolledanenlum cred|tosuplementar Fe|tas, porem, ascontas,
oserrosdeaprec|açaodesculpave|snumStendlal sao-noa|ndama|snoslomens
comuns Convemquesed|gaqueoseucasoparece|e|toparaleg|t|maropess|-
m|smodosqueseperguntam,dosm|llaresdev|s|tantesdom|n|ca|squesaemdos
nossosmuseus,quantosrealmentev| ramalgumap|nturaPode-sea|ndaperguntar
senaoser|aposs|velvere|alardep|nturaumav|da|nte|rasemteram|n|ma|de|a
doqueelase]a
0 autordaI·s|a··:J:|cí:·r|a·::rl|c|·:amavaap|nturaapa|xonadamente,ass|m
comoamava a |tal|acomo mesmoamor÷ o qual, nele, era|dênt|coaoamorda
mullere do prazer com que ela sempreencantaalmag|naçao quando nao pode
da-loaossent|dosPaulArbeletnotoucompersp|cac|aqueStendlal 'naoseocupa
da cor' e que 'nao se dele|ta com comb|nações del|cadas ou tons raros', o que
nuncae bom s|nal 0 ma|s grave, porem, e que 'Beyle negl|genc|aacorporque
tempoucas|gn||| caçaoparaocoraçaoouparaa|ntel|gênc|a', seuun|coamorea
2 1 2 I Ì NTkODÜÇAOAS/kTLS DObLLO
l|nlae, 'nal|nla, o que expr|medelumano, ouse]a, para ele, oquee sens|vele
apa|xonado' Mumapalavra,ap|nturao|nteressaantesdetudoporaqu|loquetem
desent|mental, ecomoparaesseam|godos|deologosasent|mental|dadesecon-
|undecomasensual|dade,eleprocuroueamounap|nturaoquepudessesat|s|azer
asuapropr|a, e,aesserespe|to, eleede|atorepresentat|vo Clegoapensarque
Beyleace|tar|adebomgradoessepapel,]aqueseace|tavaas|mesmotalcomoera
Suas| ncer|dadenessepontoerataocontag|antequeoseuI|stor|ador,pers-
p|caz,mascompro|undas|mpat|apelol|stor|ado,de|xou-secontam|narporseu
lero| Come|e|to, nopre|ac|o a sua ed| �ao daI·s|a··:J:|cí:·r|a·::rl|c|·:, Paul
Arbeletobservaque 'umeternoapa|xonadocomoStendlaletambem, semque
o sa|ba, um conlecedor' Ledo engano' Um eterno apa|xonado, como Sten-
dlal, passe|a|nd||erentepelasruas deS|enaoupeloscana|sdeVeneza,] aquea
un|cabelezanatural que os seusollosretême adasmulleres, eaun|cabeleza
art|st|caadecr|aturas|em|n|nasqueprometemaosseusollosoqueanatureza
]ama|scumpr|ra Certamentequebeloscorposnussaodo seuagrado,belosros-
tos|em|n|nosoatordoam, eel enaoprec|sadema|sparasaberdeantemaoque
umap| nturaebela Prec|saapenasqueotemadessap|nturase]aumaVênusou
mesmoumaqualquerMadonacomo,porexemplo,adeCu|do,daqualsel êno
seu1aa·rc|Jl|c|·:que'seelaal�asseosollos,qualquerum||car|alou codeam or'
E| s a| o garotaodedozeoutreze anos que, segundo otestemunlodomesmo
l|stor|ador,descobr|uap|nturaeabelezaaoverumquadroperd|donoatel|êde
M LeRoy seupr|me|ropro|essordedesenlo '¯ratava-sedeumapa|sagemem
quetrêsmulleresnuassebanlavamnumr|aclo 'Elenaoprec|savadema|spara
queap| nturasetornasseaosseusollosa| nsp|radoradaquele gênerodeemo�ao
queStendlalprocurouav|datodanapoes|aenamus|catantoquantonap|ntura
'umam|sturadesent|mentosternosedevoluptuosado�ura'
Mu|tolongedelavernasc|doumconlecedorsemosaber,narotadaartee
suasalegr|asumlomemdesse|e|t|oestasempreasturrascomumobstaculotan-
toma| sd|||c|ldecontornarquantoma|scongên|taasua|ncapac|dadedesequer
suspe|tardasuapresen�a Essam| stura|ataldedevass|daoep|nturaseexpr|me
marav|llosamentenamensagemsecretaqueelesecrêencarregadodetransm|-
t|raos oc((,|::, entendendo essa expressao, em I 3 I 7, como 'aquelapartedo
/P|ND|CL I 2 1 3
publ|cocommenosdetr|ntaec|ncoanos,ma|sdecemlu|sesderenda,emenos
dev|ntem|l|rancos¨ A|el|c|dadequellesdese]a,nocasodeseremart|stas,esa-
berun|r, como||zeramtantasvezesosgrandesp|ntores,¨oob] etodasuapa|xao
com otr|un|odoseutalento¨ ParaRa|ael,|o| sem duv|dauma|el|c|dadep| ntar
¨suasubl|meSantaCec|l|a¨,masumanaomenorop|nta-la¨comFornar|nacomo
model o¨ Paranos,quetemosapenasasobras,restaaprenderareal�aroprazer
queelas nosdaoassoc|ando-oaestoutroprazerdelles|nve]arosmodelos
Maosetrataaqu|de|nvocarStendlalpara]ulga-lo,masde|nterroga-lopara
mellornos conleceranos mesmos,]a que, sendolomem, ele etambemumde
nos Estar|amos mu|to enganados se o est|massemos sem qualquer sens|b|l|dade
verdade|raparaap|ntura Ele e seduz|doµoraquelesquadros deCorregg|oque
¨agradam av|stataologopousaneles¨,v|stos de longe, na galer|a de Lresden,
¨elesagradam|ndependentementedoob]etoquerepresentam,elesatraemoollo
porumaespec|ede |nst|nto¨, como o espetaculo de belas no|tesdeverao, que
nos|azemsonlar, ¨eles saoquasemus|ca¨ Come|e|to, ¨Corregg|oaprox|moua
p|nturadamus|ca¨, mas,]ustamente, 0 prazer||s|coqueessault|maproporc|ona
estanelamesma, e sea p|ntura proporc|onasse o mesmo prazerser|aumaarte
d||erentedaque e E| s, no|undo, porqueStendlalnao se daconta deat|ng|ra
p

ropr|aessênc|adap|nturaquandoamus|cadeCorregg|opasse|anos seusollos
Adema|s, nosso Stendlal se mete a sonlar Poder-se-|a, por acaso, ]untar
algumprazer||s|coaqueleque, segundoelemesmo, ap| nturanaotem¯ S|m,mas
entao ¨esseprazerestar|aaolado, naono|nter|or dap|ntura¨ Epensandon|sso
queStendlalescrevecompro|undopesara|raseemqueoseugostoseexpr|me
comumas|mpl|c|dade e umaper|e|�ao| nsuperave|s ^amant|ss|maamadaque
possu|sseaMcJarrcJ:||cS:¡¡·a|c,deRa|ael,ouaNa·t:J:D·:sJ:r,soperm|t|r|aqueo
seuamantev| sseessesquadros nasuapresen�a, enaquelesmomentos|el|zesem
queumasens|b|l|dadepro|undaev|vaseapoderadetodaanossaalma¨
Mu|tasvezesmeperguntopor que Stendlalod|avatantoosburgueses,os
deCrenobleoudeallures Po|sse setomarapal avranosent|doqueelemesmo
costumalledar,nossol| stor|adordap|ntura|tal|anase parecemu|toma|scom
eles do que sequer |mag|na Como a burguesa, sua |mag|na�ao nao esperada
p|ntura senao que] orre ¨esse m|sto de ternura e volup|a, semnenluma|de|a
2 t 4 I ÌNTkODÜÇAOÀS/kTLS DObLLO
duraoutr| ste, masaquelas que nosobr| gama|ru|restav|da taocurta' Mao se
poder|apensarmenosemp| nturatendov| stotantosquadroscomoelev|u
\h O¬:J|tct|oa
Alem do ma|s, |alta a mus|ca certa c|v|l| dade, de modo que, sobretudo
mercêdanaturezados seus| nstrumentos,0 seura|odeaçaoema|ordoquese
dese]a ,nav|z|nlança) , e en taocomoquesemetenal |berdadedosoutrosque
nao pertencema soc|edade mus| cal, e | ncomoda, 0 queasartes que|alam aos
ollos nao |azem]ama| s, devez que, quando nao queremos so|rera|mpressao
quenoscausam, bastaquellest|remososollos 0 casoaqu|e quasecomoo
dele|tedeumper|umequesealastra Quemt|radaalg|be|raoseulençoper|u-
madoregalaatodos a suavoltacontraavontadegeral, eosobr|gaa|ru|rdetal
per|umequandoresplram, els porqueessecostumesa|udemoda '¹
I n: ÌN, C·|i·cc ee 1«|ze, § 53.
\hl AccJî¬|cas
Aacadem|a|rancesadaotom EscutemosVolta|repoetaep|co,ocomeço
eo||mdelcI:r··cJ:bastaraopara|lustrarcomooseuautorconceb|aapoes|a
Eu canto o her6i, aquele que na Fran<a
Reinou, ja por direito de conquista,
)a por lei, e razao de nascimento,6
Que dos pr6prios trabalhos aprendera
/ governar, e ber que perseguido,
5 Nota de Kant: "Aqueles que, pelos cultos domesticos, recomendam o Cantico dos Canticos, nao
pensam no incomodo que causam ao publico com algo que e ademais barulhento (sem contar
o seu farisafsmo), obrigando assim os vizinhos a ouvi-los ou a interromper sua meditas;ao".
6 N. B. : Notem que o segundo e o terceiro versos, segundo os editores, sao ur empres­
timo ao poema do abade Cassagne, Hrnri le Grand, au Roi, Paris, 1 66 1 . 0 verso era muito
prosaico, de modo que foi impossfvel lhe resistir.
/PLND|CL I 2 1 5
0 perdao soube unir sempre as vit6rias,
Confundiu a Mayenne, a Liga, o Ibero,
E foi senhor e pai dos seus vassalos.
[ . . . ] Com frouxa mao Valoi s sustinha as redeas
Do Estado flutuante; as leis sem for�a
Se viam, os direitos confundidos,
Ou diga-se antes que ele nao reinava;
Nao era mais o prfncipe glorioso,
Nos combates instrufdo desde a infancia,
Que a Europa respeitou pelas vit6rias,
E que a Patria livrou de opress6es tantas:
Valoi s, de quem do norte os povos vendo,
E admirando as fnclitas virtudes,
A seus pes ofertavam os diademas;
Tanto brilhou no emprego menos digno,
Como entao se eclipsou no mais excelso:
De intrepido guerreiro ele se torna
Ur rei fraco: no trono adormecido,
E entranhado no seio da moleza,
Da coroa o peso, como que o oprimia.
Queluz e d'
E
pernon, Saint-Megrin, Joyeuse,
Mancebos voluptuosos, que reinavam
Debaixo do seu nome, corruptores
Polfticos de ur rei efeminado,
S6 cuidavam no luxo, e nos prazeres,
Precipitar seus languidos letargos.
[ . . . ] Desde entao se admirou feliz, glori oso,
Ur reinado, que tendo o seu prindpio
Tao tarde, tao depressa teve o termo:
0 espanhol assustou-se; justamente
Roma ja mi ti gada, nao duvida
Adotar a Bourbon; Roma se ha visto
Dele amar-se. A di sc6rdia tornou logo
A entrar na noite eterna; enfim Mayenne
A ur rei reconhecer foi reduzido;
E ja mudado em tudo, submetendo
Seu cora�ao fiel, suas provfncias,
Do mais justo dos prfncipes foi ele
0 vassalo melhor, que a Fran�a vira.
(Tradu�ao de Tomas de Aquino Belo e Freitas,
publicada na cidade do Porto em 1 789)7
7 Os exemplos que seguem, a falta de uma tradu<ao portuguesa que lhes ressalte o aspecto
poetico, virao no original fances, acompanhados de tradu<ao vermicula em prosa. (N. T.)
2 1 6 / Ì NTkODÜÇAOÀSARTES DO BELO
Iassemosao seculoX| X, segueum excerto do Roman de|eanne, poema
deFranç o| sCoppeel | dopelomesmoautor,membrodaAcadem|aFrancesa,na
sessaopubl|caanualdasc| ncoacadem|as,aos25deoutubrode I 336
Elle s'appelait Jeanne; elle avait dix-huit ans.
Son pere n 'eta it plus, et, depuis quelque temps,
Elle logeait avec sa mere, aveugle presque,
Dans une vieille rue encore pittoresque,
Tout au bout du pays latin, dans le quartier
De l 'etudiant pauvre et du petit rentier
Entre le Pantheon et le Jardin des Plantes.
La, les heures du jour passent, calmes et lentes.
C' est la province, avec son charme habituel,
Mais avec un accent plus intellectuel;
La, sou vent, le jlaneur a la main porte un livre.
C' est le derier endroit ou le reveur peut vivre
Dans ce Paris tout neuf, qui toure au Chicago.
Ouel silence 1 Le pas eveille encor l 'echo.
Je sais par la des coins pleins de melancolie
Ou persiste l 'ancien reverbere a poulie;
Et, dans une ruelle ou j ' ai sou vent err€,
Par une porte, on voit un jardin de cur€
Au fond duquel se dresse, en tour€ de feuillages,
Napoleon premier fait tout en coquillages.
[eanne era seu nome; ela tinha 1 8 anos.
Seu pai, falecido, e ha algum tempo
Morava com sua mae, que era quase cega,
Numa rua velha, mas charmosa,
Nos confins de ur lugarejo Iatino, no alojamento
De estudantes de pouca renda,
Entre o Pantheon e o Jardin des Plantes.
La, as horas passavam calmas, devagar.
E a provincia com seu charme habitual,
Mas com ur ar mais intelectual.
La, as vezes, o ocioso leva ur livro.
Eis o ultimo Iugar para ur sonhador:
Nesta Paris moderna, que mais lembra Chicago.
Como e silencioso! Dos passos ainda se ouvem ecos.
De Ia eu conheco cantos muito tristes
Onde persiste o reverberar de alguma maquina;
E, numa rua, por onde algumas vezes errei,
Por uma porta, ve-se ur jardim de par6quia,
Ao fundo do qual, em meio a folhagens,
Napoleao I, todo feito de conchas. ]
A PÉND l CL I 2 1 7
Q que os mus|cos do | nst|tuto aguardaram por tanto tempo da parte do
art|stanaopoder|aserma|sbemexpressoqueporumasquantasl|nlastomadas
deemprest|moaok:|ciá··asal·:csk:¬:sscsJ:ka¬ca AccJ:¬·cJ:ß:|cs-A·i:s(:|a1ao:¬
Ca¬(as·ia·Coc·|:sCaaraJ:¬1841 :
'Seutraballodenotaumcertos|stema, umaespeclededec|saodesacr|||car
mesmoasma|sessenc|a|sregrasdacompos|çaoaodese]odeconsegu|rcertose|e|-
tos E|sa|umpropos|toqueaAcadem|anaopoder|aaprovar, po|soqueam|udese
daeque,segu|ndo-o,v|olam-seasregrasdaarte,oqueesempreuma|alta,ese||ca
semose|e|tos,quesaoopretextodessacausa,emal poder|am ser-lleadesculpa '
Agora, osversos|alaraopors| mesmos
Eml 3?9,o] ovemCounodganlaraopr|me|rograndeprêm|odecompos| -
çaocomumacantatacompostasobreumtextoanôn|mo|nt|tulado!:·rcrJ,cena
l|r| ca,acenasepassaemCranadanano|tede2de]ane|rodel 492, avesperada
tomadadac|dade E|sumexempl o
Recitativo (Fernand) :
La nuit a deploy€ ses voiles;
Sur Grenade et sur ses remparts
Deja tombe de toutes parts
L'obscure clarte des etoiles.
Nuit glorieuse et que suivra
Un jour plus glorieux encore!
Demain, quand renaitra l 'aurore
Entre nos mains Grenade tombera.
Grenade aux palais d'or a Ia verte campagne,
Grenade Ia perle d'Espagne
Qu'au sceptre de nos rois Ia gloire attachera.
Et moi, prmant demain ma part de Ia conquete,
J'enleverai Zelmire aux enfants du Prophete
Et Zelmire m 'appartiendra. [. . . )
Recitativo:
On approche, ce sont mes compagnons fideles
Qui per�ant de Ia nuit le silence jaloux,
Sur ces remparts veillent au tour de nous.
Sentinelles,
Prenez garde a VOUS!
[/ noite depoe seus veus.
Sobre Granada e suas muralhas
2 1 8 I ÌNTkODÜÇAOÀS/kTLS DO bLlO
caiu de todas as partes
a escura claridade das estrelas.
Noite gloriosa a qual se seguira
ur dia ainda mais 'glorioso!
Amanha, quando renascer a aurora,
diante de n6s Granada perecera.
Granada dos palacios de ouro, na verde campanha,
Granada a perola de Espanha
cuja gloria estara no cetro de nosso rei .
E eu, amanha, tomando minha parte na conquista,
erguerei Zelmire aos filhos do Profeta
e Zelmire me libertara. [ . . . ]
eis que se aproximam meus companheiros fieis
que perturbam o silencio ciumento da noite,
e que olham por n6s sobre essas muralhas.
Sentinelas,
assumi a guarda! ]
Lacantatadel 340,La,s:J:\ar(ja·|,textodeEm|leLesclamps.
Malheur! Malheur! C'est l a fanfarre
De Henri de Navarre!
[Que tristeza ! Que tristeza ! E a fanfarra
De Henrique de Navarra! ]
Lacantatade l 34?, L:Co:oc|·:·£r.ocr|€, deur membrodaAcadem|ade
Belas-Artes.
Ountos)
Yseult:
Mon ami je t'implore,
Tristan ecoute-moi,
Ma voix t'appelle encore,
Tristan reveille-toi.
[ Ountos)
lsolda:
Meu amigo, eu te imploro,
Escuta-me, Tristao,
Minha voz ainda te chama,
Desperta, Tristao!
Gauvain:
Merlin, je t'en supplie
E
coute, sois clement
Vis comme elle est jolie,
Et rends-lui son amant.
Gauvain:
Merlin, eu te suplico,
Escutai-me, sede clemente,
Vede como e bela,
Trazei seu amante de volta. ]
APENDICE I 2 1 9
Lacantatade l 332, £J·io, cenal|r|ca,deM Cu|nand
¸L: Me·»:, s `c··:ic»|)
Lc i1co: :si c«-e:ss«s e: ie«i: |e·c: o«~c·»:·
Lc l«»:, :» q·c»e·ssc»i ec»s sc j1l: Jc·|€,
D: |cr ië~:s i·:~llc»is s:~ll: ce«o··· lc jlc·»:
L`:sj··i síqc·:, íje«oc»ií·
1: »: s«·s jl«s je«·s«·o·: «»: ·:co:·co: oc·»:
1`c·, je«· i·e«o:· se» ce·js,
¯·e«llí l·:» e:s se~~:·ls, e«o:·| l·:» c·+«·:s
l»«i·l:s :||e·is·
L:s »e~s e: c:s ·ll«si·:s ~e·is
Se»i a )c~c·s j:·e«s c« |e»e e: l:«· ll:ss«·:s
[ (0 monge, que para)
/ tarefa esta acima de toda forca humana! + + «
/ lua, aumentando seu brilho palido,
parece cobrir o chao de fantasmas tremulos o o .
0 espfrito se perde, apavorado! + + -
Eu nao mais procuro em vaoo o .
Eu, para encontrar seu corpo,
Ur corpo inanimado, abro ao maximo a armadura.
Debalde! o o .
Os nomes destes mortos ilustres
Jamais se perdem no fundo de suas feridas . ]
IX. Ha¬:rc¡:¬caçct·|c·cc
a 'Mapoes| ada-seomesmoquena p| ntura, e as suas| m|ta�õesdanatu-
rezanos tocam somentena med|daemqueaco| sa| m|tadanos cause|mpres-
sao, casoa ve]amos realmente Uma anedota em verso cu] o temanao |osse
agradavel em s| mesmo nao|ar|a n| nguem r|r, por ma|s bemvers| ||cado que
pudesseser. Quandoumasat|ranao|lum|naalgumaverdadedaqualol e|tor]a
t|vesseumaqualquerno�ao,porma|scon|usaque|osse, equandonaocontem
max|masd|gnasde||guraremcomoproverb|os, porcausadagrandezadosen-
t| do quecondensam, 0 max|moque sepode |azere louvar-lle a corre�aoda
escr|ta,masdelanaoseretemnadadeut|l,dondeapoucavontadedeelog|a-la
ourelê-la . . Umpoetadramat|coquecoloque suas personagens ems|tua�ões
220 I ÌNTkODÜÇAOÀS/kTLS DObLLO
pouco |nteressantes nao la de comovero espectador, a|nda que esseult|mo
conle�a de antemao as personagens Como e que a cop|alade tocar, se o
mesmoor|g|nalnaotocaemnada¯¨
In: ÍÜ8O-, k:|:x·ers C··t·ç«:s s«· lc Pe:s·: :t | c P:·rt«·:, 7
eme
edition, tome I, p
.
56-57.
b 'Hado|st|posdeveross|m|llan�aemp|ntura,aveross|m|llan�apoet|-
caeaveross| m|llan�amecân|ca Essault|macons| steemnaorepresentarnada
quenaose]aposs|vel,segundoasle|sdaestat|ca,damecân|caedaopt|ca.Esse
t| podeveross|m|llan�acons| ste, po| s, emnaotratar al uzd||erentemente do
queelasecomportananatureza porexemplo,emnao|lum|naraquelescorpos
queoutroscorpos|nterpostosa|mpe�amde|lum| narCons| stetambememnao
mudarsens|velmenteapropor�aonaturaldoscorpos,enaollesdarma|s|or�a
queaqueveross|m|lmentellespossacaber
Aveross| m|llan�apoet|cacons|steemdaraspersonagensaspa|xõesque
llesconvêm,segundoa|dade,ad|gn|dadee o temperamentoqueeventualmen-
tepossuam, e o seu|nteressenasa�ões Cons| stetambem em observaraqu|lo
queos|tal|anosclamamde¨llcostume', | stoe, emcon|ormar-secom0 quese
sabearespe|todosmodos,lab|tos,ed|||c|osearmaspart|cularesdecadapovo
que se querrepresentarAveross| m|llan�apoet|cacons| ste,en||m,ematr|bu|r
aspersonagensdeumquadroos seus conlec|dosrostoe 0 carater ,see que0
têm),querse]amtomadosdeemprest|moou|mag|nados . ¨
Op. cit. , p. 267-269.
c. 'Mu|topelocontrar| o nadaema|s|ac|laop|ntor|ntel|gentedoquenos
mostrara|dade,otemperamento, o sexo, apro||ssaoemesmoanac|onal|dade
das suas personagens, serv|ndo-se dos tra]os, da cor da pele, da barba e dos
cabelos,doseucompr|mentoedasuaespessura,dasuad|spos| �aonatural,eda
posturadocorpo,daat|tude,dorosto,da||s|onom|a,dobr|llo,domov|mento
edacordosollos, edemu|tasoutrasco|sastornamocaraterdeumapersona-
gemreconlecvel Anatureza|ncut|u-nosum|nst|ntoparaqued|scern|ssemos
ocaraterdoslomens,ma|srap|doema|spenetrantequenossasre|lexõessobre
A-t·o.c- I 221
os |nd|ceses| gnossens|ve|sdessescaracteres Cra,ad|vers|dadedessaexpres
sao|m|tamarav|llosamenteanatureza, aqual adespe|todasuaun||orm|dade,
esta sempre marcadaem cada um de algo part|cular Cnde nao se encontra a
d|vers|dade, nao se encontrama|sanatureza mas antes aarte 0 quadro no
qualmu|tosrostoseexpressõessaoosmesmos]ama|ssegu|uanatureza '
Op cit., p. 96-97.
d 'E prec| soque cre|amos ver, d|gamos ass|m, so de escutar osversos
l|(·.|+·c(a·:s·s, d|zHorac| o '
Op. cit., p. 294.
e 'í·.|a··l+sc|,+:(a:|·sI ,+·J|·l:|c+J·:rJ·s:¬(:·|+·|c:,+c(a|:s|cs ªL| goqueessa
l|cençadadaap|ntoresepoetasoeprec|samente,naspalavrasdopropr|oHora-
c|o,s:Jrar+|(|c.·J·s.a:cr|·r¬·|·c ¨Cuse]a,tal l|cençanaoclegaapontodeperm|t|r
que se |ncluam num mesmo quadro co|sas |ncompat|ve|s, como a clegada de
Mar|adeMed|c|aMarsella, comtr|tões|azendosoaras suas conclas noporto
declegada,quandomu|tobemsupor|amosum|·:+(·|a·:s,+:,ass|mcomoCorne|lle
quer|a-nos |azersuporum|·:+|o:c|·c| Se Rubens prec|sasse de||guras nuas para
valor|zaros seusdesenloseoseucolor|do,poder|a|ntroduz|runsm|serave|sque
a]udassemnodesembarque,colocando-osnaatltudequemellorlleparecesse '
Op. cit. , p. 1 98.
En||m, o abbe LuBos, esp|r|to erud|to e lomem degrande ||neza e de
gosto,aqu|compareceprec|samenteparanoslembrarque,sealgum||l|st|n|smo
nosacometeatodos, nenlumdenossepodetotalmentede||n|rcomo||l| steu
8 "Sempre esteve no poder de pintores e poetas ousar o que ber entendessem. " (N. T.)
9 "Para que seres ind6ceis nao convivam com os d6ceis. " (N. T.)
222 I Ì NTkODÜÇAOÀS/kTLSDO bLL
Arist6teles, 1 3, 26, 63, 67, 71 , 82, 83, 85, 86,
87, 88, 98, 1 07, 1 1 1 , 1 1 7, 1 20, 1 28, 1 29,
1 30, 1 40, 1 44, 1 45, 1 60, 1 65, 1 85, 200
Avicena, 1 01
Bacon, 99
Beda, 1 58
Bergson, 1 1 2, 1 1 3, 1 1 5, 1 29, 1 30
Bernini, 1 1 8
Boileau, 34, 63, 64, 67, 1 67
Chesterton, 89
Cicero, 40, 42, 63
Comte, 1 06
Coppee, 2 1 7
Danjon, 2 1 7
Dante, 1 00, 1 60, 1 63
Debussy 78
Descartes, 3 2, 9 1 , 99, 1 69
Diderot, 1 96, 206
Du Bos, 36, 4 1 , 222
Eckermann, 1 85, 1 86, 1 87
Einstein, 1 0 1
Espinosa, 79, 1 32, 1 46
Ficino, 1 28, 1 29
Focillon, 1 09
Gombrich, 206, 207
Gounod, 60, 2 1 8
Haydn, 82, 1 59, 1 63
Hegel, 1 3 1 , 1 39
lngres, 49, 72, 1 80, 2 1 2
Kant, 23, 24, 79, 1 00, 2 1 5
Lamennais, 1 66
Leibniz, 9 1 , 1 1 1 , 1 3 3 , 1 39, 1 46, 1 67, 1 75
Leonardo cia Vinci, 1 5, 6 1 , 98, 1 0 1 , 1 30
Madame de Stael, 1 36, 1 98
Malebranche, 32
Mallarme, 22, 1 1 9, 1 43, 1 53, 1 69, 1 7 1
Max Jacob, 76
Meyerson, 9 1
Mozart, 25, 43, 8 1 , 1 1 3, 1 1 4, 1 59, 1 63
Nietzsche, 1 27, 1 34, 1 3 5, 1 3 6, 1 3 8, 1 43
Parmenides, 1 3 1 , 1 32
Picasso, 208, 209
Platao, 1 3, 1 8, 26, 72, 79, 9 1 , 1 27, 1 28, 1 29,
1 30, 1 3
.
2, 1 3 3, 1 34, 1 35, 1 40, 1 4 1 , 1 42,
1 44, 1 45, 1 60, 200, 2 1 1
Plotino, 26, 39, 1 45
Poe, 1 27, 1 67, 1 68, 1 71
Ravaisson, 1 29, 1 30
Rodin, 78, 79
Santo Agostinho, 28, 40, 57, 1 45, 1 96
Scarron, 1 76
Schelling, 1 36
Scherer, 1 96, 1 98
Schiller, 1 36, 1 98
Schopenhauer, 71 , 1 29
Schumann, 54, 56, 1 89
Seailles, 79
Socrates, 1 3, 1 8, 98, 1 35
Stendhal, 46, 47, 53, 79, 2 1 2, 2 1 3, 2 1 4
Taine, 2 3 , 56, 1 06, 201
Val ery 76, 90, 97, 98, 1 0 1 , 1 04, 1 1 0, 1 1 9,
1 63, 1 66, 1 68, 1 69, 1 70, 1 71
Vasari, 61
Veronese, 1 54, 1 57
Voltaire, 57, 58, 2 1 5
Wagner, 22, 52, 57, 1 1 1 , 1 1 3, 1 1 9, 1 36, 2 1 0
Whitehead, 65
Widor, 60
INDICE 0NOMASICO I 223