Waltizing Matilda around and around

:
On the Licence of Direct-Motion Causatives
or
On the Licencing of Causatives of Direct Motion:
Waltzing Matilda all over

Raffaela Folli & Heidi Harley
(2004)


O texto tem como tema a alternância causativa de “modo de movimento” cuja
construção supõe-se depender de telicidade, como em John ran the dog [to the park].
Os autores lembram que Talmy (1975) e Jackendoff (1976) os estudos da
semântica e sintaxe de construções directed-movement têm sido um dos focos nos
estudos em estrutura argumental pelo fato de ser o local de uma importante variação
interlinguística: Verb-Framed / Satellite-Framed Languages (Talmy 1985, 1991)
diferenciando a forma mais comum de determinada língua indicar modo de movimento e
path.

- Satellite-Framed Languages
Preferem utilizar partículas verbais para denotar o path enquanto o verbo denota o
modo de locomoção.
Ex.: inglês: run out, fall down, etc.

- Verb-Framed Languages
Preferem denotar o path dentro do verbo.
Ex.: românicas: sair, subir, descer, etc.

Se uma mulher corre para sair de uma casa em chamas, um falante do inglês
preferiria dizer: The woman ran out of the house, utilizando um manner-verb indicando
que ela correu e teve como resultado [the woman out of the house], enquanto um falante
do português preferiria dizer: A mulher saiu correndo da casa, com um verbo denotando
path e um particípio denotando a maneira como este o movimento aconteceu.
A produtividade destas construções parece estão relacionada com a
disponibilidade de resultativos nas construções com partículas verbais e também do
inventório lexical das línguas. Assim temos a prevalência de verbos de manner of motion
verbs no inglês - como swagger and wriggle – e de verbos com path inerente nas línguas
românicas – como entrar, sair.

A clara relação entre directed-motion e resultativas levou os teóricos a tratar as
duas construções como duas manifestações do mesmo fenômeno, afinal na semântica,
tanto direct-motions como The car rolled into the store quanto resultativas como Bill
painted the wall red, implicam que o carro está into the store e que a parede está red.

A escolha do auxiliar em Dutch também reflete a similaridade sintática

1. a. Jan is/*heeft in der sloot gesprongen. [on the resultative interpretation].
John is/*has in the ditch jumped.
‘John jumped in the ditch.’

b. De deur is/*heeft open gezwaaid.
The door is/*has open swung.
‘The door swung open.’

Duas Hipóteses são consideradas nesse trabalho. Uma delas é semântica, proposta
por Jackendoff (1990), Rappaport-Hovav & Levin (1999), Wechsler (2005) que
argumentam que os constraints na formação dos resultativos é de ordem semântico-
lexical na LCS e que as regras de ligação que regem o mapeamento da sintaxe para a
semântica são devidas à restrições sintáticas.







LÉXICO

SINTAXE

* A Estrutura Conceitual Lexical (Lexical Conceptual Structure - LCS) é o nível
responsável pela decomposição do significado de um verbo em estruturas que
contém variáveis e meta-predicadores (como causa, existência etc.) que serão
mapeados numa representação de aparência mais sintática, a Estrutura Argumental
(Argument Structure - AS), que se trata de uma representação léxico-sintática que
especifica quantos argumentos um verbo necessita e a quais posições de
argumentos sintáticos estão a ele ligadas, fazendo uma distinção entre papéis
temáticos externos e internos. A estrutura argumental então seria mapeada no
terceiro nível que é o da Estrutura Sintática.
Alexiadou, Anagnostopoulou and Everaert (2004)

A segunda hipótese diz que a formação dos resultativos é um processo sintático e
tem duas versões:

I - Existem projeções funcionais responsáveis por atribuir telicidade aos eventos.
Travis (1994), van Hout (1996), Ritter & Rosen (1998, 1999), Borer (1998), Sanz (2000).

II - Resultativos são formados quando um predicado secundário aparece na estrutura
sintática. A mudança força a reinterpretação de alguns argumentos do verbo principal
como sujeito da predicação anterior, ou introduz um argumento não selecionado para esta
projeção.
Chomsky (1981), Stowell (1983), Hoekstra (1984), Kayne (1985)...

LEXICAL
CONCEPTUAL
STRUCTURE
ARGUMENT
STRUCTURE
SYNTACTIC
STRUCTURE
* Existe também uma terceira análise que trata estas construções como instâncias
de predicados complexos: os verbos e os predicados secundários juntos projetam
um complex object-taking predicate. DiSciulo & Williams (1987) e Neeleman
(1994).

Os autores advogam a favor de uma “Small Clause Approach” que vai olhar para
os causativos de movimento direcionado como em (X) abaixo, buscando mostrar fatores
semânticos que restrinjam suas formações envolvendo animacidade e homomorfismos
evento-objeto e evento-path.

X. a. John waltzed Matilda across the floor
b. Mary jumped the horse over the fence

Em (X) podemos perceber que a telicidade semântica não vai ser determinante na
formação destes causativos, mas como estas estruturas são em geral télicas, acaba
gerando esta supergeneralização.

Hipóteses dos autores:
- Telicidade não é requerimento para a formação de causativos.
- Endpoint telicity pode acontecer em estruturas diferentes e pode ser afetada por fatores
semânticos e pragmáticos.
- A telicidade não precisa ser representada por uma estrutura única e resultativos não precisam ser
télicos.
- Causativos de manner of motion necessitam de uma estrutura Small Clause.


Telicidade e Resultativos

Os eventos, podem se desenvolver de diferentes maneiras:
- Pontuais
- Homogêneos que se desenvolvem por um longo tempo numa timeline
- Envolver um processo de mudança, podendo ou não levar a uma conclusão inevitável.

Na literatura, os eventos são quebrados em partes menores chamadas subeventos.
Um evento change of state seria quebrado em um processo de mudança mais um endpoint
(Downty 1979, Pustejovsky 1993, Kratzer 1996, Higginbothan 1997, von Stechow 1995,
Krifka 1998, etc).

- Para os que tomam uma perspectiva sintática, esses endpoints subevents são
representados diretamente na sintaxe através da projeção de uma superestrutura funcional
(Travis 1994, Borer, 1998, Ritter & Rosen, and so on).

- Para os que tomam uma perspectiva semântica, o endpoint subevent é resultado de uma
especificação verbal que se reflete na sintaxe via linking rules que permitem ligação de
certos elementos semânticos com certas estruturas sintáticas (Levin & Rappaport-Hovav
1995).

Movimentos direcionados e suas alternantes causativas são bastante discutidas na
literatura que nos diz que verbos de movimento não podem selecionar um objeto
direto.

2. a. John waltzed (* Matilda)
b. John walked (*the dog)
c. John ran (*the dog)
d. John jumped(* the horse)

Porém, estas estruturas podem ser salvas ao adcionar um Goal PP (Hoekstra &
Mulder 1990, Levin & Rapapport-Hovav 1995). Assim é possível criar uma estrutura que
denote eventos causativos e télicos, como podemos comprovar segundo o diagnóstico
clássico de Vendler 1967:

3. a. John waltzed Matilda into the bedroom in5/#for 5 minutes.
b. John walked Matilda to his new flat in 20/#for 20 minutes.
c. John ran the dog over the bridge in 20/#for 20 seconds.
d. John jumped the horse across the ditch in a flash/# for 2 seconds.

OBS.: Existem alguns manner of motion verbs inergativos que podem pegar objetos sem
um PP. Mas muitos desses casos – como jump the fence – envolvem objetos diretos que
denotam path e não são estas estruturas que interessam. As estruturas desse estudo são
causativos que envolvem um objeto tema que de alguma forma sofre um deslocamento
espacial e, estes sim, seriam agramaticais sem um Goal ou Path denoting PP.
Os autores também assumem que algumas expressões são idiomatizadas como walk the
dog e adquirem um sentido resultativo separado – relieve the dog - , ou tendo um path PP
genericamente compreendida - jump the horse [over the fence?].

OBS2.: Causativos direct movement são analizados como télicos por dependerem de
inacusatividade. Somente predicados inacusativos podem ser causativizados. Arad 1998,
van Hout 2004, Borer 2004, e outros, propõem que a telicidade seja crucial para a
inacusatividade, e citam estruturas como o possessor dativoes no Hebrew (Borer &
Grodinsky 1986), a alternância partitivo/acusativo em Finlandês (Kiparsky 1998) e a
alternância de caso no Islandês (Svenunius 2002).

Após este exemplo, consideremos agora (4):

4. a. John waltzed Matilda around and around the room for hours
b. John walked Mary along the river all afternoon
c. John ran the dog up and down the path for hours
d. John jumped the horse back and forth across the ditch for 30 minutes

O iteressante nestes exemplos é que embora os causativos sejam gramaticais, os
PPs não delimitam o evento no tempo, como pode ser comprovado novamente pelo
diagnostico de Vendler (1967). Os eventos são atélicos.
Daí podemos concluir que a telicidade nos causativos é mais coinscidental do que
causal, e que o que é necessário para sua formação é uma estrutura específica com sujeito
mais predicado, mas que este predicado não precisa necessariamente especificar um
endpoint.
As estruturas manner of motion com goal PP dão uma luz no que se refere à
natureza da seleção, causativização e das propriedades temáticas dos argumentos como
agentividade, afetividade etc. Normalmente o argumento interno de um causativo sofre
mudança de estado [Mary hammered the metal flat] e, como consequência, tem poucos
ou nenhuma propriedade agentiva. Mas neste tipo de construção de movimento,
normalmente existe uma combinação interessante de agentividade e afetividade por parte
do Objeto Direto, que Levin & Rapapport-Hovav (1995) chamam de alternância
intransitiva/transitiva de pares causativos, por causa da possibilidade de propriedades
agentivas no argumento interno, como o que Dowty (1991) chama de propriedades proto-
agentivas.













Fontes não-estruturais de telicidade

Vimos até aqui que a telicidade não é necessariamente uma propriedade sintática.
Esse trabalho considera então outros tipos de telicidade discutidos em Borer (2005).

- Telicidade Induzida pelo Contexto
A literatura vem mostrando que a telicidade pode ser criada a partir de efeitos
derivados de pistas contextuais. Os verbos degree achievements (Abusch 1985, 1986),
como lengthen, widen, cool, dry etc. costumam ser problemáticos para a classificação
aspectual pois alternam entre comportamentos télicos e atélicos [the soup cooled in/for
five minutes].
Para Hay (1999) o que será crucial para a classificação aspectual destes verbos é o
se o grau de mudança associado com o sentido da base adjetival será ou não bounded
[difference value]. Seu argumento é que a variabilidade do comportamento aspectual dos
vários degree achievements pode ser explicada nos termos da relação entre estrutura de
eventos e estrutura escalar das propriedades graduais. Em vários casos a diferença de
valor provém do material linguístico, por exemplo um measure phrase [the lake cooled 4
degress] ou por modificadores adverbiais [the clothes dried completely (telic) vs. The
independent counsel broadned the investigation slightly (atelic) - Hay et al. (1999)]
Propriedades de Proto-Agente
- Volição.
- Sensação ou Percepção.
- Causador de Evento ou de mudança
de estado em outro argumento.
- Movimento em relação a posição de
outro argumento.
- O referente existe independente da
ação descrita pelo verbo.
Propriedades de Proto-Paciente
- Mudança de Estado.
- Tema Incremental.
- Causalmente afetado por outro
participante.
- “Estacionário” em relação ao movimento
de outro participante.
- O referente não precisa existir
independente do evento ou não necessita
existir.
Mas a natureza das propriedades bounded vs. Unbounded envolvidas em verbos
deadjetivais podem as vezes ser determinadas por pistas de contexto.

5. a. John lengthened a rope (*in 2 minutes/for 2 minutes)
b. The tailor lengthened a pair of trousers (in 2minutes/for 2 minutes)

A diferença do tipo de evento não é resultado de alteração estrutural, a telicidade
em 5b resulta do conhecimento de mundo. Não há um tamanho convencional para cordas,
mas existe um tamanho convencional para calças (tão longas quanto as pernas do
usuário). Nos termos de Hay, o importante não é a estrutura escalar da base adjetival, mas
uma implicatura conversacional relativa ao tamanho de calças. Neste caso não há
implicação entre telicidade e estrutura sintática.


- Thresold vs. EndPoint Telicity

As hipóteses de correspondência entre evento/estrutura argumental têm assumido
que a noção de telicidade é transparente porque a natureza aspectual dos
accomplishments envolvem a noção de um resultado alcançado e que depois desse ponto,
o evento cessa.
Formalizar uma conexão entre resultados e endpoints parece então ser um passo natural
como em Borer (1998), Travis (1994), van Hout (1996), Rosen (1998) etc. Mas existem
casos em que essa relação não se fundamenta.

Sentenças de eventos supostamente télicos delimitados por Goal PPs:
6. a. John walked around the corner
b. The boat floated under the bridge

A interpretação télica pode implicar (e normalmente implica) que o barco chegou
no outro lado da ponte, podendo a sentença ser parafraseada por the boat floated until it
went under the bridge and them beyond. Se a noção de telicidade é relevante por se
envolver no endpoint, por outro lado podemos esperar uma interpretação the boat floated
until it got unnder the bridge, com a pressuposição de que ele parou lá. Esta parece ser a
interpretaçao que teríamos em italiano. Assim podemos chamar a contribuição dos PPs de
threshold do evento e a presença de um endpoint não é relevante para a interpretação do
directed-motion.

Borer (2005) argumenta que endpoint não é a caracterização ideal para a
contribuição dos resultados nas resultativas em geral. Outra coisa importante é que a
endpoint telicity seria apenas um subcaso de um fenômeno mais geral no qual qualquer
transição suficientemente distinguível pode gerar uma interpretação télica.

7. a. Kim ate enough meat (non-P definido por enough)
b. Robin read at least 3 books (non-P definido por 3 book)
c. We filled the room with smoke (non-P definido por full of smoke)
Passam de non-P para P sem que a transição demarque o endpoint.

- [+ Telic] FP Approach

Algumas teorias acreditam que a telicidade é construída através de uma projeção
funcional como Agr-O de van Hout (1996), AspEM de Benua e Borer (1996), AspPQ de
Borer (1998), RvP de Ramchand (2001) e Folli (2002), eventP em Sanz (2000) etc. Em
todas as propostas existe um traço +telico a ser checado em tal projeção que seria
responsável também pela atribuição de caso acusativo e por forçar o homomorfismo
evento/objeto (Krifka (1998), efeito measuring-out de Tenny (1987,1992,1994) onde o
objeto é também um tema incremental.



O thresold de Borer assim como a telicidade induzida pela pragmática (Hay et al.
1999) são problemáticas para essas propostas. Um telic feature induzido pela sintaxe não
seria sensível a efeitos contextuais impostos pela escolha do objeto em situações
globais/gerais como lengthen the trousers. Logo não haveria uma maneira clara de
codificar non-endpoint telicity: essas propostas empregam uma semântica composicional
que implica que o objeto seja necessariamente uma entidade que sofra alteração/mudança
até um resultado final (measuring-out). Esses casos não são facilmete tratados por estas
propostas e o insight é de que a telicidade emerge quando existe um elemento contável e
desaparece na sua ausência (Borer 2000 QuantityPhrase).

Assim Borer propõe que a projeção AspQ é que seja relevante mas não atende a
telicidade per se, mas sim a quantidade.

Porem, nem Borer parece conseguir explicar efeitos object-inducing dos PPs
como around and around num resultativo direct-motion atelico que Harley e Folli
consideram nesse trabalho.
As proposras das FPs explica a introdução de um argumento não selecionado
como em Bill laughed himself to death ou John waltzed Matilda across the floor dizendo
que a projeção télica é responsável por licenciar um argumento adicional para fazer
measure-out ou para saturar o traço + telic. Porém em (4) é possível observar que o efeito
é produzido pela simples introdução do PP, não importando se o evento será télico ou
atélico.



Semantically Based Accounts

- Closed Scales Resultatives
Rapapport-Hovav & Levin (1999), Wechsler (2001, 2005)

8. a. John swept the floor
b. John swept the floor clean
c. John shouted (*himself)
d. John shouted himself hoarse
e. John swept the broom apart
f. *John swept the broom

Em (8a) percebemos que swept permite um objeto direto e tem (8b) como seu
resultativo. (8c) mostra que shout é agramatical com objeto direto, mas o permite em sua
resultativa (8d).
Agora podemos observar em (8e) tem um objeto não subcategorizado.
(18)

9. a. Mary wiped the table clean
b. #? Mary wiped the table dirty

Wechsler argumenta que é o boundedness do predicado adjetival, que ele chama
de closed scales gradable adjectives), e não a presença sintática de um objeto, o essencial
para a formação de resultativos. Clean é Closed-Scale. Em algum momento a mesa estará
limpa. Dirty é Open-Scale, não impondo um limite.

* (19) ? Diferença sintatica/semantica do endpoint e thresold não é relevante.
Assimexistiria uma regra de ligação que permitira a formação de resultativos somente se
o tipo correto de closed-scales fosse selecionado. Essa idéia prevê a agramaticalidade de
(9b) e é usada a favor de uma proposta lexico-semantica para resolver os problemas de
interface sintaxe-semantica.

10. a. *We dance tired (open-scale adjective)
b. * The coach trained us tired (open-scale adjective)
c. We dance ourselves tired
(ourselves is not a true object of dance and hence not subj of event-theme homomorphism
restriction) (*21)
d. John danced into the room (closed-scale PP)

Aplicação em PPs também é possível:
- Open-Scale: along, around e towards
- Closed Scales: to, into, across

Considerando então 11 e 12:

11. a. John walked to the river #for/in 3 hours
b. Mary pushed the cart into NY #for/in 3 hours
c. Sue danced across the room #for/in 3 hours
12. a. John walked along the river for/in 3 hours
b. Mary pushed the cart towards NY for/in 3 hours
c. Sue danced around and around the room for/in 3 hours (*22)

(12) deveria ser agramatical pois oobjeto é subcategorizado pelo verbo principal e temos
um Open-Scale PP. Logo para PP resultatives a proposta de Wechsler não tem previsões
corretas.

Porem é possivel argumentar que os PPs em (12) não estão em posição interna ao
VP, sendo adjuntos locativos. Consideremos o diagnostico abaixo, originalmente
desenvolvido para o Noruegues por Tungseth (2002).

13. a. Sue danced around the batheroom at the party
b. #Sue danced at the party around the bathroom
c. Sue danced at the party in the bathroom
d. Sue dances in the bathroom at the party

inverter a ordem dos dois PPs locativos que modificam o dancing event não afetam a
gramaticalidade mas, por outro lado, a alteração na ordem dos open-scale Goal PP e dos
locativos não é possível, indicando que o Goal PP não está na posição de adjunto.

Adverbios de tempo tambem costumam poder trocar de posição com locativos, mas com
PPs resultativos atelicos a ordem é fixa.

14. a. Sue dances at the party for hours / for hours at the party
b. Sue dances around the room for hours / # for hours around the room
c. John pushed the cart at the state fair for hours / for hours at the state fair
d. Joh pushed the cart towards NY for hours/ # for hours towards NY

Outro diagnostico relevante é o do-so VP elision onde os elementos adjuntos ao VP
podem ocorrer fora do dominio do-so como em (15a) para o PP locativo, mas os PPs
argumentos como no ditransitivo (15b) não pode ser excluido por fazer parte do VP.
De acordo com o teste, o open-scale PP em (15c) está dentro do VP.

15. a. Mary kissed John in the park and Sue did so in the bedroom
b. * Sue gave a book to John and Mary did so to Bill
c. * John pushed a cart towards NY and Bill did so towards Washington

Estes casos são problematicos para Wechsler por mostrar que existe um fator estrutural
envolvido.



Auxiliares no Italiano

16. a. Gianni ha corso nel bosco per ore/#in un minuto
b. Gianni é corso nel bosco in un minuto / #per ore

a alteracao no auxiliar acarreta uma alteração na interpretação do PP que passa de um
adjunto locativo para um closed-scale goal PP.

Existem small clauses do ingles com manner of motion verbs que selecionam um
directional PP e não podem ocorrer sem esse PP.

19. a. The car careened around the corner
b. #The car careened
c. The car hurtled around the corner
d. # The car hurtled

Estes verbos precisam de um PP o que reforça a idéia de que ele seja um argumento e não
adjunto.

Small Clauses

Adcionar um PP aos manner of motion verbs altera o comportamento sintatico do
verbo, independente do o PP ser telico ou atelico. Uma das mudanças é disponibilidade
de alternancia de seleção de auxiliar como no Holandes e Italiano. A segunda alteração é
a possibilidade de inserção de um novo argumento e a interpretação causativa quando o
PP é inserido ()

Open scales PP permitem a causativização da mesma forma que os closed scales
20. a. John waltzed Matilda around and around the room for 3 h/#in 3h
b. John walked Mary towards her car for 3h / #in 3h
c. John ran his dog along the canal for 3h / #in 3h

mostrando que a mudança estrutural que é necessária e não a telicidade, mas é necessária
uma proposta puramente sintatica. Os autores escolhem a proposta de Hoekstra (1984) na
qual o PP forma um small clause com tema que pode ser encaixada tanto em inacusativas
quanto em causativos com verbos leves.

Estrutura na pagina 29.

A telicidade não afeta a estrutura, alternância é puramente estrutural e pode acontecer nos
dois tipos de PP

22. a. Mary drove John crazy
b. Mary considers John crazy

A primeira é resultativa e a segunda estativa, mas estas interpretações vêm da semântica
do verbo e a estrutura é a mesma.
Conclusao

- Entao o trabalho trata da divisão de trabalho entre sintaxe e semântica na formação de
construcoes de verbos de movimento com PPs direcionais mostrando que a conexao
causal entre causatividade e telicidade é incorreta
- A telicidade e o boundedness são noções diferentes, telicidade nao implica bound como
no caso do threshold. E nenhum dos casos de telicidade é de fato relevante para a
causatividade.
- O que importa é a existência de uma Small Clause, e essa sim poderá alterar a
interpretação dependendo do vP envolvido, do tipo de complemento que ele seleciona, e
da natureza do argumento externo na posição de especificador.
- É adotada uma perspectiva puramente estrutural mostrando que uma perspectiva
semantica não consegue dar conta de todos os casos.