Relatório de Políticas de Internet

Brasil 2011

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observatório da internet .br

observatório brasileiro de políticas digitais

Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getúlio Vargas

Relatório de Políticas de Internet
Brasil 2011

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Fundação Getúlio Vargas. Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito do Rio de Janeiro Relatório de políticas de Internet : Brasil 2011. -- São Paulo : Comitê Gestor da Internet no Brasil, 2012. ISBN 978-85-60062-60-7  1. Internet (Rede de computadores) – Leis e legislação – Brasil 2. Observatório Brasileiro de Políticas Digitais 3. Políticas públicas I. Título 12-14693 CDU- 34:004(81)

Índices para catálogo sistemático: 1. Brasil : Internet : Regulação 34:004(81)

br observatório brasileiro de políticas digitais Comitê Gestor da Internet no Brasil São Paulo 2012 .Fundação Getúlio Vargas Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 # iobservatório da internet .

Reinaldo Ferraz ( W3C Brasil). Luiz Fernando Marrey Moncau. CGI.br). Antonio Marcos Moreiras (CEPTRO.br).br). Revisão: Aloisio Milani e Ângela Guanaiss Projeto Gráfico: Suzana De Bonis Editoração : Maria Luiza De Bonis .br Hartmut Glaser – Secretário Executivo Carlinhos Cecconi. Carlos Affonso Pereira de Souza. Eduardo Magrani. Marília Maciel. Giovanna Carloni. Marília Monteiro. Ronaldo Lemos e Walter Britto. Klaus Steding-Jessen (CERT.br).br Alexandre Barbosa (CETIC. Milton Kaoru Kashiwakura (CEPTRO. Cristine Hoepers (CERT. Koichi Kameda.Coordenador editorial Bruno Magrani Pesquisadores responsáveis pela pesquisa e redação deste anuário: CTS-FGV Bruno Magrani.br / NIC.br). Juliano Cappi e Paula Liebert Cunha Comunicação NIC. Everton Teles Rodrigues e Fabiana Araujo Apoio Editorial / DB Comunicação Ltda. Danilo Doneda. Gabriela Villela da Luz.br Caroline D’Avo. Secretaria Executiva do CGI. Vagner Diniz ( W3C Brasil) e Yasodara Maria Damo Córdova ( W3C Brasil). Caroline Burle dos Santos Guimarães ( W3C Brasil). Pedro Augusto Francisco.

...................2  I niciativas e propostas regulatórias com repercussão no tema da privacidade no Brasil........................................ 19 2.............2.... ..................................................... 24 2......................................................... 53 ....................................................2 Direitos e garantias dos usuários......2 Propostas de codificação da neutralidade de rede no Brasil............... ......................... 35 # 3 A regulação da neutralidade de rede ........2.................................1 Anteprojeto de lei de dados pessoais.......2......4 A guarda de registros por provedores de Internet...............................1 Privacidade e dados pessoais.................................................................................................................S UMÁ R IO 5 observatório da internet... 46 # 4 Privacidade .............................br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 # Apresentação................................... 25 2.....................9 # 1 Crimes na Internet: o Projeto de Lei n o 84/99 .............................................. .2 Os temas abordados pelo Marco Civil.....................2.. 37 3............................. 33 2....2................................................................... .........1 A regulação da neutralidade no cenário internacional..2........... ...................................... ......................3 A responsabilidade dos provedores de Internet............................................. 41 3..................................... ..................................6 A atuação do poder público.... 23 2...............5 A neutralidade de rede............. 13 # 2 O Marco Civil da Internet .1 Fundamentos............... 20 2................................................................ 23 2................................... 51 4.................2............. princípios e objetivos.............. 53 4.....1 Uma questão de processo......... .......... 51 4.................................................................. .................... 35 2..................

.........3  I niciativas e propostas regulatórias com repercussão no tema da privacidade no âmbito internacional.............. .......... 61 # 6 Governança da Internet ........3 Lei de acesso à informação pública......... presente na Agenda de Túnis da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação.................3  I niciativas voltadas à elaboração de princípios para a governança da Internet................ 74 6... Rússia......................... 68 6.............. 56 4.....................3 A Comissão Europeia e o “Internet Compact”...br para a governança e uso da Internet no Brasil .. 67 6.................. Tadjiquistão e Uzbequistão....4 Estados Unidos e a estratégia internacional para o ciberespaço..............1 Governança da Internet no plano internacional.............................................3. ...br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 S UMÁR I O 4.............7 I Fórum IBAS sobre governança da Internet.............. 59 4............................. .. 90 6........ ........2 Um panorama da governança da Internet em 2011......................... .................................................................2 A privacidade no Marco Civil da Internet.......3........ 70 6..... ...................................................6 observatório da internet........2...........................2 Princípios elaborados pelo Conselho da Europa (CoE)..............8  Proposta indiana de criação de um Comitê na ONU para políticas relacionadas à Internet................................... 55 4.................. 70 6.............................................. ........ 72 6.....................................2......................................................3.....................................3...........3....5  Pressões pela implementação do mecanismo de cooperação aprimorada...1  Princípios do CGI......... 96 .. 89 6...........................3.....6  C ódigo de conduta internacional sobre segurança da informação proposto por China........4 Aperfeiçoamento do Fórum de Governança da Internet (IGF)................................................. 88 6............. 91 6............. 77 6................................ 59 #5 A regulação da Internet na reforma da Lei de Direitos Autorais: o Artigo 105-A da proposta ...........5 Discussões sobre princípios no âmbito do G8........................................ ....................................................................1 Normas sobre proteção de dados pessoais........................... 79 6......... ...... 67 6.... .......

............3.................................7 A Web segundo o W3C Brasil..4.....................................................................................2  R egulamento de gestão de qualidade para Internet fixa e serviço móvel....................................1 Propostas de regulação do tema no Brasil....127 8...............br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 # 7 Comércio eletrônico...................... .....................................................4 Medição de qualidade da rede......................................................125 8..................... 99 7........4 Guerra fiscal no comércio eletrônico............................1. infraestrutura e arquitetura ....................br sobre uso das TIC no Brasil.......6  A s pesquisas e análises do CGI/NIC................................................4..................102 7....................................................................3 Nomes de domínio....4...............................128 8...............................................................................122 8..119 8............1...................br na implementação de soluções técnicas para a Internet no Brasil......... ...............4...................br/CGI..........................129 8.........................................105 # 8 Acesso..................................................................123 8........1 Termos de Compromisso..........4............. .......................1 O esgotamento do IPv4 e o IPv6............................................................................................2 Regulamentação do comércio eletrônico em 2011..............................2 Gestão do PNBL.........2 O debate internacional.....................1 O Plano Nacional de Banda Larga .......4...5 CERT...............4  O papel do NIC......................................................118 8...134 8..........3 Regulamentação das compras coletivas em 2011...................1 Comércio eletrônico e atualização do CDC...............3 Troca de tráfego – O PTTMetro......S UMÁ R IO 7 observatório da internet..................112 8...............107 8......................................107 8........................................................ ....................................103 7................................................................2  A sincronização dos elementos na rede e a Hora Legal Brasileira....... 99 7....................... ......109 8.126 8........................................................... ..4........145 ....................................................br.........................3...............116 8.........................

................169 9......................155 9...br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 S UMÁR I O # 9 Debates relevantes em outros países .......... ............... ...................1...................2 ACTA... ...............8 observatório da internet.........171 .....................................................3...................... ..............1 SOPA e PIPA............................1........155 9............ ...............................................................1  R esposta graduada ou “three strikes and you’re out” (modelo francês – Hadopi).....................2 Espanha...........3 Suíça...........................................................1 Estados Unidos da América................3..............................................................................166 9..................................................................3. ................................................2 Filtragem e bloqueio do acesso à Internet ...............................170 9......................... ................................................163 9................................................155 9..........................................170 9...............................3 Licenças coletivas......

Muitos já exerceram seus mandatos em gestões passadas.br tem sua história construída desde 1995. Não é muito tempo se considerarmos os nem 20 anos da história do comitê. Nossas conversas pas- . E muitas são as cadeiras ocupadas pelos atuais 21 conselheiros. para usar um vocábulo em inglês. partilhando sonhos e conquistas com tantos outros que desde a origem por aqui já se somaram tecendo uma rede multissetorial. multistakeholder . Somos também muitos outros conselheiros.A PR E S E N TAÇ ÃO 9 observatório da internet. Sim. Desde então só temos expandido para além do que se imaginava na ocasião. multilateral. aplicações e serviços acessíveis dos nossos dispositivos de navegação. ou. Mas são milhões de domínios depois. e talvez por mais ainda. intensificamos conversas e discussões para o desenvolvimento de políticas e leis voltadas para essa nova dimensão do viver em sociedade: viver em rede na Internet brasileira. multiparticipativa. tal como ficou conhecido mundialmente o modelo de governança em organismos plurais e de múltiplos interesses. Pelo tanto que é. Tenho bom orgulho em ser partícipe ativo dessa história. representantes de diferentes setores. e se há mesmo no múltiplo mundo de hoje algo que se pode identificar como plural. objetos.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 # Apresentação O Comitê Gestor da Internet no Brasil – CGI. interativo. Referenciamos vínculos em criativos modos que não podíamos prever antes. Pesquisamos e observamos muitas e várias informações de tanto que sequer sabemos ainda dimensionar o quanto é esse gigantesco tanto de documentos. participativo e colaborativo. quando a Internet e a web no Brasil ainda eram dimensionadas em não muitos milhares de domínios e o número de conselheiros no comitê contava-se nos dedos da mão. isso é a Internet e a web . se há algo.

direitos e deveres dos usos da Internet brasileira. sobre medição de qualidade. o Observatório da Internet Brasileira. Observação e comparação das propostas internacionais. dos modelos de governança da Internet. portanto. em perfeita hora que nós do CGI. Não será a única. sobre banda larga.br e do CTS/FGV. Observação e identificação das políticas públicas voltadas para a Internet brasileira. Convido você.10 observatório da internet.br . amigo leitor e internauta. pois somos partícipes e construtores desses novos modos em rede. Não chega a ser uma feliz coincidência.br nos vinculamos em parceria com o Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro (CTS/FGV ) para criarmos juntos o Observatório Brasileiro de Políticas Digitais ou. A própria leitura convidará a novas análises e investigações.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A PR ESENTAÇÃO saram a ser pautadas pela observação dos princípios. Essa é a primeira publicação sistematizada do Observatório da Internet Brasileira. Nem completamos 20 anos de história do CGI. a também fazer as suas observações. sobre neutralidade da rede.br e ainda há muito a observar. Hartmut Glaser Secretário Executivo do CGI. E foi. E essa publicação que ora entregamos é o resultado de nossas primeiras observações conjuntas do CGI. Ainda somos muito novos. sobre muitos outros temas. Mas coincidimos no propósito e reconhecimento da necessária observação. Prof. sobre disciplinar princípios e direitos com o Marco Civil da Internet. como ficou conhecido. Observação e análise de forma permanente das principais iniciativas de regulamentação da Internet. Demos o título de Relatório de Política de Internet – Brasil 2011 e discorremos sobre os projetos de leis e os debates que se sucederam no ano de 2011 sobre as tentativas de dispor sobre crimes na Internet.

br.A PR E S E N TAÇ ÃO 11 observatório da internet. Uma história que temos a alegria de compartilhar com vocês. Dessa maneira. Esse relatório reflete o trabalho de vários pesquisadores que dedicaram incontáveis horas do seu tempo escrevendo sobre um momento único para a política de Internet no Brasil.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A equipe do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getulio Vargas tem o prazer de apresentar o “Relatório de Políticas de Internet – Brasil 2011”. regulatórias técnicas e de políticas públicas que afetaram a Internet no Brasil durante o ano de 2011. empresas. tais como o Marco Civil da Internet a o anteprojeto de lei para proteção da privacidade e dos dados pessoais. ou simplesmente Observatório da Internet. o CTS-FGV tem colaborado com diversos indivíduos. O CTS-FGV foi criado há nove anos com a missão de desenvolver pesquisa interdisciplinar sobre a Internet e a tecnologia digital. O documento é fruto de uma parceria entre o CTS-FGV e o Comitê Gestor da Internet do Brasil – CGI. Ao longo destes anos. que envolveu diversos participantes. ele mostra um processo altamente democrático de discussão da regulação da Internet no país. social e cultural da Internet no Brasil. econômico. ativistas e indivíduos que realmente se importam com o futuro da sua liberdade na rede. produzindo conhecimento para auxiliar no desenvolvimento institucional. instituições e governos no processo de discussão da regulação da Internet no Brasil. Mais do que isso. que criou o Observatório Brasileiro de Políticas Digitais. um papel que posicionou o Centro como um dos principais think tanks nesta área. Bruno Magrani. o CTS-FGV tem trabalhado em conjunto com o governo brasileiro organizando consultas públicas e elaborando análises sobre leis para regular a Internet. Este é o primeiro relatório compreensivo elaborado no Brasil que analisa algumas das mais relevantes propostas legislativas. como ficou conhecido. O relatório conta a história da regulação da Internet no Brasil em um dos anos mais ativos. sejam eles universidades. Carlos Affonso e Ronaldo Lemos Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getulio Vargas .

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o projeto também criava obrigações de vigilância e ampliava os poderes de investigação da polícia de forma demasia- 1 1 Disponível em: <http://www. Além de criar novos crimes para a Internet. o projeto. Ao longo deste capítulo. quando gerou uma mobilização social sobre questões de Internet sem precedentes no país. do desarquivamento de versão modificada de um projeto de lei anterior proposto em 1996.gov. É interessante notar que esse projeto não foi o primeiro nem o único a prever a tipificação de crimes na Internet.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=15028>. usaremos os termos “PL 84/99”. O que diferenciou esse projeto dos demais – e que causou grande mobilização popular ao seu redor – foi a conjugação da criminalização excessiva de condutas tidas como cotidianas. 2 . O próprio PL 84/99 foi resultado. que também ficou conhecido como “Lei Azeredo” 2. O nome “Lei Azeredo” deve-se ao seu principal defensor. tornou-se um divisor de águas na regulação da Internet no Brasil. impulsionado especialmente pela bandeira do combate à pedofilia e à pornografia infantil. com a aceleração súbita em seu processo de tramitação. para disciplinar crimes cometidos pela Internet.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 Crimes na Internet: # o Projeto de Lei n 84/99 o Um ponto de partida apropriado à análise da regulação da Internet no Brasil é o Projeto de Lei n o 84 de 1999. Acesso em 3 de maio de 2012.C R I M E S N A I N T E R N E T: O P R O J E TO D E L E I N º 84/ 99 13 observatório da internet. vários prevendo a criação de tipos penais. 1 Proposto pelo deputado Luiz Piauhylino. na verdade.camara. diversos Projetos de Lei foram propostos para regular condutas na Internet. banais ou indispensáveis à inovação na rede. o deputado federal Eduardo Azeredo do PSDB de Minas Gerais. “PL” e “Lei Azeredo” para fazer referência ao Projeto de Lei no 84 de 1999. Ao longo das duas últimas décadas.

De modo geral. programas de inclusão digital. 285-A). criminalizava o acesso não autorizado a um sistema informatizado – tipo que por si inviabilizaria a engenharia reversa. p. Paulo Rená. ao tratar conceitos relacionados à proteção de dados pessoais com pouco rigor técnico. por exemplo. Adicionalmente.fgv. tem-se um Estado de exceção.81. Quando você fala que tem que colher e guardar dados de todo mundo. Disponível em: <http:// bibliotecadigital. O PL 84/99. afirma que todo mundo é suspeito. fato que levou alguns ativistas a denominar o projeto como “AI-5 Digital” 3. impunha aos provedores de serviço de Internet e aos provedores de conexão a obrigação de guardar os registros de conexão e de acesso dos usuários pelo prazo de três anos (art. os direitos à privacidade e ao devido processo legal. Permi- 3 Paulo Rená cita entrevista em que Sergio Amadeu descreve a origem do nome AI-5 Digital: “Dois jovens vieram me entrevistar para o IG e o que estava filmando falou “poxa. por exemplo. a imprecisão da redação dos artigos.. traçavam obrigações de vigilância por parte dos provedores de acesso e de conteúdo e obrigações de disponibilização de dados independentemente de ordem judicial. em referência ao decreto da época da ditadura militar que suspendeu as garantias constitucionais. I). corrobora para aumentar ainda mais essa ameaça aos direitos fundamentais. 4 . Ronaldo et al.. por exemplo. Seus dispositivos. em uma cidade que tem rede aberta. Ninguém vai querer abrir a rede. Disponível em: <http://bit. 4 No que tange à abrangência. dentre outras práticas aviltantes no âmbito da rede mundial de computadores. 22. III). quando se transforma exceção em regra e todo mundo passa a ser considerado culpado até que se prove a inocência. mais do que tipificarem condutas criminais. Acesso em 16 de julho de 2012. Era a época do aniversário do AI-5 (o Ato Institucional no 5 completou 40 anos em 13 de dezembro de 2008) e eu comentava que. a redação do PL 84/99 apresentava problemas com relação à sua abrangência e imprecisão. que podiam gerar efeitos colaterais graves.br/dspace/handle/10438/7719>. Além disso. disseminação de vírus. LEMOS. que é fundamental ao processo de aprendizado e de inovação tecnológica (art. Essas obrigações representam uma ameaça à garantia de direitos fundamentais dos usuários.ly/dissertacaoprenass>. Além disso. como. Comentários e Sugestões sobre o substitutivo do Projeto de Lei de Crimes Eletrônicos (PL no 84/99) apresentado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. criava também o dever do provedor informar à autoridade policial de maneira sigilosa sempre que tivesse a suspeita da prática de um crime (art. e o gestor da rede vai ser responsabilizado. E serão criadas dificuldades para telecentros.” SANTARÉM. ainda que fosse importante coibir a prática de crimes como a pedofilia. os quais expomos de forma resumida a seguir. a intenção do projeto de criminalizar somente condutas graves no âmbito da rede foi extrapolada.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 C R I M E S N A I N T E R N E T: O P R O J E TO D E L E I N º 84/99 da. mas isso é um AI-5 digital”. Acesso em 18 de julho de 2012. 22. Estudo do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas identificou diversos problemas com relação ao projeto de lei.14 observatório da internet. redação fruto de má técnica legislativa. O Direito Achado na Rede. Você vai em um café.

como é o caso do projeto de lei em questão. inclusive a guarda de informações dos usuários. Esses riscos se traduzem tanto em um desincentivo à existência de um ambiente propício à inovação. sua aprovação traria riscos consideráveis ao desenvolvimento pleno da Internet no Brasil. empresas e demais instituições no que diz respeito ao acesso à rede. qualquer medida de regulação que autorize o monitoramento de atividades on-line. as quais ainda não foram pensadas legislativamente no país. Esse deve definir claramente as regras e responsabilidades com relação a usuários. os quais rechaçaram o PL 84/99. um país precisa contar com regras expressas sobre os limites à responsabilidade dos atores. manutenção de arquivos. o estabelecimento de um marco regulatório civil.C R I M E S N A I N T E R N E T: O P R O J E TO D E L E I N º 84/ 99 15 observatório da internet. etc.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 te ainda que condutas triviais e cotidianas entre usuários da rede mundial de computadores encontrem-se abrangidas pelo tipo penal prescrito pelo projeto. sejam estabelecidas as regras criminais. deve necessariamente contar com os essenciais freios e contrapesos. As regras penais devem ser criadas apenas quando as regras civis se mostrarem insuficientes. Essa percepção foi amplamente demonstrada pelos vários agentes envolvidos na discussão da regulação da Internet no país. bem como por análises de casos internacionais. para que. Além disso. como também por representar uma ameaça à garantia de direitos fundamentais dos usuários. que evitam abusos – o que não é visto no projeto em questão. especialmente para regular um assunto complexo que demanda definições técnicas prévias. a partir daí. o último recurso. sob pena de se elevar o custo de investimento no setor e desestimular a criação de iniciativas privadas. bancos de dados. adotado quando todas as demais formas de regulação falham. Por esse motivo. o legislador precisa ser cauteloso ao regulamentar a questão. considerando o contexto atual da legislação nacional e a redação do projeto. É preciso ter especial atenção para que a legislação criminal a ser adotada não seja excessivamente ampla ou vaga. seguido por todos os países desenvolvidos. é. deixando claro que o caminho natural de regulamentação da rede. A excessiva indefinição de termos criminais gera incertezas. . mas sem extrapolar limites ou basear-se em conceitos demasiadamente amplos. As críticas feitas ao PL 84/99 apontaram ainda que. públicas e empresariais na área. Para incentivar a inovação. estabelecendo a precisão necessária para garantir os objetivos da lei. que em sua maioria são consideradas legais no ordenamento ou que são reguladas simplesmente como ilícitos civis em função do seu menor potencial ofensivo. permitindo segurança e previsibilidade nas iniciativas feitas na rede (tais como investimentos. podendo levar à criminalização potencial de condutas de um grande número de usuários. O direito criminal deve ser visto como última ratio. primeiro. no qual os agentes empreendedores contam com previsibilidade jurídica e lidam com regras civis claras e preestabelecidas. isto é.).

análise feita por Danilo Doneda demonstrou que a incomunicabilidade entre dados cadastrais e dados sensíveis estabelecida pelo projeto. gera dois problemas: 5 1. quando trata da obtenção de dados cadastrais por Autoridade Policial junto aos provedores de acesso e conteúdo. que seriam equiparados aos demais dados pessoais (e. portanto. e entrou em vigor apenas em 2004. até hoje o texto foi ratificado por apenas mais 25 países. Essa convenção. Portanto. Acesso em 20 de julho de 2012. Se tentarmos harmonizar nossa legislação com essa convenção que sequer foi aprovada pelo governo brasileiro. sem a participação do Brasil. o Ministério de Ciência e Tecnologia e o Ministério das Relações Exteriores). países que já cumpriram a tarefa de regulamentar a Internet do ponto de vista civil e.br/novo-texto-do-pl-sobre-crimes-ciberneticos>. sem antes regulamentar técnica e civilmente a Internet no país. que consideraram a adequação do texto proposto à luz do ordenamento nacional. que deve ser preservada e diferenciada para possibilitar uma proteção específica para questões mais delicadas (e.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 C R I M E S N A I N T E R N E T: O P R O J E TO D E L E I N º 84/99 Uma das principais justificativas utilizadas pelos defensores da aprovação do PL 84/99 foi a suposta necessidade de harmonização da legislação brasileira com a Convenção de Budapeste. foi criada no âmbito do Conselho Europeu visando estabelecer padrões de combate ao crime on-line . mesmo depois de passar pela análise em diversas casas do governo (dentre elas o Ministério da Justiça. O texto nunca foi aprovado pelo Brasil. Disponível em: <http://observatoriodainternet. o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República. não se pode tratar o texto da convenção como referência para balizar a legislação pátria. o Departamento de Polícia Federal. também denominada Convenção do Cybercrime . depois da ratificação de somente cinco países. Danilo. Dessa forma. Foi aprovada em 23 de novembro de 2001. Novo texto do PL sobre crimes cibernéticos embaralha conceitos de proteção de dados. . somente depois disso. para compreender todo e qualquer dado pessoal que não seja de natureza cadastral. impossibilitando a garantia da pessoa em várias si- 5 DONEDA. principalmente. Os países que se comprometeram com essa convenção são. principalmente do Leste Europeu e parte da Europa Central. “sensíveis”) de forma excessivamente abrangente. corremos o risco de seguir a via inversa: criando primeiro punições criminais. “O relator do substitutivo utilizou esta categoria (dados sensíveis).16 observatório da internet. Ainda que aberta para adesão de qualquer país do mundo. consequentemente. estabeleceram parâmetros criminais para a rede. impossibilita-se a tutela diferenciada para os dados sensíveis. No que diz respeito ao tema da proteção dos dados pessoais.

com/doc/41537075/Dissertacao-O-DireitoAchado-na-Rede>. como com as normativas internacionais a este respeito. dessa forma.org/eng/>. 7 8 Disponível em: <http://meganao.html>.C R I M E S N A I N T E R N E T: O P R O J E TO D E L E I N º 84/ 99 17 observatório da internet. A reação ao projeto de crimes na Internet. 9 .126/2011. Paulo Rená da Silva.” Esse cenário de ameaças a liberdades básicas dos indivíduos e instauração de um sistema de vigilância na Internet gerou muitas críticas da sociedade ao projeto de lei. Acesso em 12 de julho de 2012. Acesso em 1o de junho de 2012. Acesso em 12 de julho de 2012. resultando em intensa mobilização social. Disponível em: <http://www.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 tuações de ofensa a seus direitos fundamentais). 6 Um ótimo relato da mobilização social realizado em função do PL 84/99 pode ser encontrado em SANTARÉM. academia. a reação a ele teve o mérito de reunir em torno de uma causa comum sociedade civil. dessa forma. que reuniu mais de 160 mil assinaturas solicitando a rejeição do projeto pelo Senado Federal. O Direito Achado na Rede: A Emergência do Acesso à Internet como Direito Fundamental no Brasil. O segundo é um problema de fundo: a tentativa de associar garantias de proteção a dados pessoais somente aos dados sensíveis é um discurso que.petitiononline. uma normativa impossível de se harmonizar com as tendências internacionais em matéria de proteção de dados pessoais. Outro exemplo da participação popular materializou-se no movimento Mega Não! 8. o movimento Mega Não! recebeu o prêmio Frida. Rascunha-se.br/proposicoesWeb/ficha detramitacao?idProposicao=517255>. Projeto de Lei no 2. além de ser impossível de ser conciliado com os direitos fundamentais em questão. indústria e outros. nos dedicaremos a duas das principais propostas legislativas que surgiram a partir desse movimento: O Marco Civil da Internet9 e a Lei de Proteção aos Dados Pessoais. Nos capítulos a seguir. apresenta o grave risco de tornar praticamente inócuas também as demais garantias relacionadas à proteção de dados pessoais. Disponível em: <http://www.com/>. mas também deu ensejo à criação de importantes iniciativas legislativas para garantir a liberdade na rede e a proteção dos direitos dos usuários.scribd. 2.gov. BRASIL. que organizou diversas atividades de mobilização na Internet e fora dela contra o PL 84/99. criou uma rede de ativismo digital e participação popular no processo de regulação da Internet brasileira que conseguiu não só reverter o avanço da sua tramitação no Congresso. Pela sua participação no movimento de oposição ao PL 84/99.wordpress. eventualmente.6 Assim.camara. Acesso em 10 de julho de 2012. enquanto a existência do PL 84/99 em si era potencialmente danosa. vem à tona nas discussões sobre a matéria no Brasil e que. Mais informações em: <http://premiofrida. Um dos exemplos mais claros do amplo engajamento social em reação ao PL pode ser visto na petição on-line intitulada “Em Defesa da Liberdade e do Progresso do Conhecimento na Internet Brasileira” 7.com/veto2008/petition. concedido pelo Internet Governance Forum. Disponível em: <http://www. Acesso em 1o de julho de 2012.

Acesso em 01 de julho de 2012. realizada em novembro. realizada em julho.pdf?sequence=1>. Disponível em: <http://www. A primeira 10.tv/everton137/debate-sobre-crimespraticados-por-meio-da-internet-no-brasil-incompleto-1472007>.html>. de Diretos Humanos e Minorias e de Segurança Pública e Combate ao Crime organizado.gov. Durante essa audiência. Manuela D’Ávila (PCdoB-RS) e João Arruda (PMDB-PR). do Partido dos Trabalhadores de São Paulo. A audiência foi transmitida na web e acompanhada através do Twitter sob os hashtags #cibercrimes. bem como delimitou a tipificação desses crimes para abordar as condutas absolutamente indispensáveis – e não condutas cotidianas e banais. Acesso em 3 de março de 2012.fgv.camara. 11 12 13 . A segunda audiência 11. Dessa forma. assim.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=529011>. propôs o PL 2. apoiam abertamente o Marco Civil da Internet. o novo projeto restringiu substancialmente a criação de novos crimes. que também dispunha sobre a tipificação criminal de delitos informáticos. bem como os deputados Luiza Erundina (PSB-SP). Alguns vídeos da audiência podem ser vistos em: <http://blip.br/agencia/noticias/CIENCIA-E-TECNOLOGIA/199848-AUDIENCIADISCUTE-PROJETO-SOBRE-CRIMES-NA-INTERNET.793/2011.camara.br/dspace/bitstream/handle/10438/7719/coment%C3%A1rios%20 ao%20substitutivo%20PL%2088-99. deixar o restante da regulação da rede para o Marco Civil da Internet.18 observatório da internet.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 C R I M E S N A I N T E R N E T: O P R O J E TO D E L E I N º 84/99 Dentre os desenvolvimentos mais recentes do projeto. Acesso em 1o de julho de 2012. mas que o fazia de acordo com sugestões feitas em estudo elaborado pelo Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV Direito Rio. Em novembro de 2011. Disponível em: <http://bibliotecadigital.793/2011 12. em conjunto com outros deputados. como parte de uma estratégia política para impedir a aprovação do PL 84/99. foi promovida pelas comissões de Ciência e Tecnologia. redatores do PL 2. Ele também eliminou a disciplina da guarda de registros de usuários (que foi deixada para o Marco Civil da Internet) e reduziu as penas para cada crime. como o PL 84/99 fazia. Comunicação e Informática. 13 A estratégia consistia em aprovar um projeto de lei que contivesse o mínimo necessário para coibir práticas graves cometidas através da Internet e. representantes do movimento Mega Não! entregaram ao deputado Eduardo Azeredo a petição mencionada. Acesso em 01 de julho de 2012.gov. o deputado Paulo Teixeira.-PARTICIPE. 10 Disponível em: <http://www2. contou com convidados de diversos segmentos da sociedade civil e da academia para discutir alternativas à redação do projeto e dos PLs apensados. O deputado Paulo Teixeira. #AI5Digital e #MegaNão. podemos destacar a realização de duas audiências públicas ocorridas em 2011.

16 Nesse contexto. Acesso em 17 de julho de 2012. Disponível em: <http://www. A versão do Projeto de Lei utilizada para a realização das análises presentes neste item é aquela apresentada pelo governo federal ao Congresso Nacional. 15 16 17 . o qual tinha como objetivo primordial a instituição de regras criminais para o controle da Internet: a necessidade de realização de uma regulamentação civil prévia que permitisse disciplinar direitos e liberdades dos cidadãos.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 # O Marco Civil da Internet O Marco Civil da Internet 14 é a principal iniciativa de regulação da Internet em tramitação no Congresso Nacional brasileiro.gov.uol.br/proposicoesWeb/fichadetramit acao?idProposicao=517255>. Projeto de Lei 2.br/proposicoesWeb/ficha detramitacao?idProposicao=517255>. publicado pelo Comitê Gestor da Internet 17. que está disponível em: <http://www.asp?cod_canal=1&cod_publicacao=30724>. Internet Brasileira Precisa de Marco Regulatório Civil. atendendo às demandas da sociedade civil.camara.126 de 2011. lançou durante o X Fórum Internacional do Software Livre (FISL). Acesso em 12 de julho de 2012. a iniciativa de propor um “Marco Civil para a Internet brasileira”.com. Disponível em: <http://congressoemfoco. 15 Com esse propósito. Acesso em 1o de junho de 2012. Resolução 2009-003. Neste texto. faremos referência a esta proposta de regulação da Internet no Brasil como Marco Civil da Internet ou simplesmente como Marco Civil.com. Ronaldo. Comitê Gestor da Internet. Disponível em: <http://www. BRASIL.jhtm>.br/ultnot/2007/05/22/ult4213u98.cgi. Acesso em 21 de maio de 2012. Sua criação está diretamente relacionada à mobilização social que se formou em torno do PL 84/99 e pode ser remontada a um dos principais argumentos utilizados para impedir o avanço desse projeto.gov. Acesso em 15 de julho de 2012. em 2009.htm>. LEMOS.camara. uol.O MARCO CIVIL DA INTERNE T 19 observatório da internet. contando com amplo apoio popular 2 14 BRASIL. o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. inspirado nos Princípios para a Governança e Uso da Internet.br/noticia. Disponível em: <http://tecnologia.br/regulamentacao/ resolucao2009-003.

foram fortemente inspirados por uma resolução publicada pelo Comitê Gestor da Internet. foi submetido à apreciação da sociedade um texto que continha princípios gerais para a regulação da rede.camara. tramitava na Câmara dos Deputados sob o número 2.gov. dentre outros de relevância para o ambiente digital e seus usuários. em parceria com o Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getulio Vargas (CTS-FGV ). 18 Neste item. utilizando-se de ferramentas disponíveis na própria Internet.403/01. Acesso em 18 de junho de 2012. o anteprojeto foi finalizado e apresentado ao Congresso Nacional e. na redação do Marco Civil. Nesse sentido. que abordará os principais temas tratados no Anteprojeto. uma das principais inovações promovidas pelo Marco Civil foi exatamente o seu processo descentralizado e aberto de discussão com a sociedade. 19 20 . Disponível em: <http://wordpress. a Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça (SAL-MJ ). 2. analisaremos essa proposta de regulação em seus dois principais aspectos: (a) o procedimental. Princípios do uso da Internet — Portal da Câmara dos Deputados.20 observatório da internet. guarda de registros de sites. e (b) o substantivo. Através da adaptação de uma plataforma para criação de blogs . 20 O processo de consulta pública foi dividido em duas fases. Na primeira. que enfoca a inovação promovida pelo processo de consulta. Projeto de Lei 5. por sua vez.1 Uma questão de processo Uma proposta de anteprojeto de lei para regular a Internet só poderia ser construída na própria rede. por meio da rede. Disponível em: <http://www2. foi possível implementar um sistema para receber sugestões e comentários no site Cultura Digital. Acesso em 27 de julho de 2012. conhecida como WordPress 19. que teve início em outubro de 2009 e durou pouco mais de 45 dias. deu início a um processo aberto e colaborativo de discussão on-line de um anteprojeto de lei para criar uma lei básica para a Internet brasileira. tais como responsabilidade de provedores de Internet. discussão e participação popular. Disponível em: <http://culturadigital.126 de 2011. Depois de ampla discussão envolvendo diversos setores da sociedade.com/>.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 O MARCO CIVIL DA INTERNE T e de acordo com orientações do governo. Estes princípios. que elencava “Princípios para 18 BRASIL. Acesso em 21 de maio de 2012.br/marcocivil/>. até o fim de 2011.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-temporarias/ especiais/54a-legislatura/pl-2126-11-principios-do-uso-da-Internet>.

participaram também empresas e associações ligadas à indústria cultural e de tecnologia. tanto nacionais como estrangeiras. uma nova redação foi elaborada a partir das diversas contribuições recebidas. tweets . em particular sobre os eventuais riscos a direitos constitucionalmente garantidos. variadas manifestações apontaram as dificuldades de implementação de um mecanismo dessa natureza. Atendendo a pedidos diversos. sistematizados. Um balanço parcial do debate realizado na metade da segunda fase mostrou que até aquele momento os tópicos mais debatidos diziam respeito à proposta de um mecanismo voluntário que garantisse aos provedores de serviços de Internet a isenção de responsabilidade quanto a conteúdo publicado por terceiros. somente após a decisão de um juiz os provedores ou equivalentes seriam obrigados  a remover conteúdos publicados por terceiros. No entanto. garantir a permanência de seu conteúdo publicado. houve aproximadamente 1. A referida isenção. traduziram-se no texto do anteprojeto posto em consulta pública na plataforma on-line por.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 a Governança e Uso da Internet no Brasil”. teria como condição a adoção voluntária de um mecanismo de resposta a notificações extrajudiciais – tanto daquele que se sentisse prejudicado quanto daquele que desejasse. identificando-se. . ou seja. A responsabilidade dos provedores de serviços de Internet por conteúdos publicados por terceiros ficou condicionada ao recebimento e ao descumprimento de ordem judicial específica. foram recebidos mais de 800 comentários. o que aumentou a diversidade de opiniões e. Na última fase. mais 45 dias. essa segunda etapa foi prorrogada por uma semana e encerrou-se no dia 30 de maio de 2010. fóruns de discussão ou vídeos postados pelos usuários. tais como comentários em blogs . Assim. a legitimidade do processo.br.200 comentários ao texto. também conhecida como o decálogo do CGI.cgi. por consequência. inicialmente. como a liberdade de expressão. como evidência de que o debate era de fato aberto e colaborativo. porém. que. 21 Os participantes poderiam detalhar esses princípios e propor novos temas a serem abarcados em uma futura legislação. 21 Disponível em: <http://www.O MARCO CIVIL DA INTERNE T 21 observatório da internet. Durante essa primeira fase de consulta. Além de indivíduos e organizações da sociedade civil.br/regulamentacao/resolucao2009-003.htm>. Acesso em 13 de junho de 2012.

tiveram um papel importantíssimo. O Marco Civil radicalizou a natureza democrática do processo legislativo. identificar as opiniões prevalecentes e fazer as alterações porventura devidas para finalmente apresentar à comunidade o texto que foi encaminhado ao Congresso Nacional. aumentando a participação de setores da sociedade que de outra forma seriam subrepresentados. como as manifestações feitas em blogs e no Twitter. o processo de audiências públicas e as discussões centralizadas nos corredores e gabinetes dos deputados em Brasília valoriza a atuação de empresas e grupos de interesse que têm os recursos para participar dessas reuniões presenciais. coube à equipe do Marco Civil. Adicionalmente. organizados pela equipe da SAL-MJ ou de forma independente. Com o término do debate público. reunindo representantes da SAL-MJ e do CTS/FGV. empresas e organizações. Uma busca pela hashtag #marcocivil ofereceu.22 observatório da internet. compilar todos os comentários. foram submetidos ao público e abertos também à discussão na plataforma on-line . o fato de se fazer chegar ao Congresso um texto construído durante meses através de comentários realizados na Internet deposita sobre os legisladores a tarefa de . em vários pontos do país. por sua vez. Esses documentos. é importante perceber que alterações fatalmente serão realizadas no texto apresentado ao Congresso Nacional durante a sua tramitação nas casas legislativas. enviaram suas contribuições através do e-mail de contato do processo. bem como as audiências públicas realizadas ao longo das duas fases do processo. em sua maioria extensos porque analisavam toda a minuta sob consulta. Além disso. ajuda a reequilibrar essa equação. Muitas entidades. um bom termômetro da intensidade da participação. a plataforma on-line terminou por complementar a experiência de debates presenciais oferecida pela audiência pública. Longe de ser um desvirtuamento da natureza da iniciativa. bem como alguns indivíduos. Em vez de declarar uma suposta obsolescência desses encontros. durante o período da consulta. o processo de debate público do Marco Civil aproveitou a atividade intensa em outros canais da rede.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 O MARCO CIVIL DA INTERNE T Além dos comentários na plataforma de discussão on-line . Os debates presenciais. O processo realizado por meio da Internet. Tal medida reforçou o aspecto transparente e aberto do debate. a iniciativa rompeu com o conceito de audiências públicas presenciais como o principal momento em que se dá voz aos interessados no processo legislativo. Tais encontros serviam de fomento ao debate e foram essenciais para a divulgação do Marco Civil. Ao abrir a possibilidade de qualquer pessoa participar da discussão sobre um futuro anteprojeto de lei.

pois o texto que resultar do Marco Civil certamente será divulgado amplamente na rede e discutido nos mais diversos fóruns e redes sociais. princípios e objetivos. o Marco Civil é eminentemente principiológico. 2. magistrados. Por isso. . ( V ) neutralidade de rede. Ele busca traçar as diretrizes. mas sim de toda uma coletividade. analisaremos brevemente cada uma delas. (IV ) guarda de registros por provedores de Internet. (II) direitos e garantias dos usuários. de início.1 Fundamentos. O amplo grau de transparência nos debates do Marco Civil cria naturalmente marcas de revisão sobre qualquer trabalho legislativo futuro.2 Os temas abordados pelo Marco Civil No que toca à substância. (III) responsabilidades dos provedores. 2. Abaixo. Essas três camadas constituem os pilares que servirão como base ao processo de interpretação e aplicação tanto do próprio Marco Civil e das futuras legislações para a Internet. como lei eminentemente principiológica e seguindo a estrutura da Constituição Federal.O MARCO CIVIL DA INTERNE T 23 observatório da internet. os fundamentos. São eles: o reconhecimento da escala mundial da rede. também – e talvez especialmente –. os direitos humanos e o exercício da cidadania em meios digitais. ( VI) a atuação do Poder Público.2.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 aperfeiçoar algo que não surgiu da inteligência isolada de um gabinete. além de estudantes e pesquisadores de temas ligados ao desenvolvimento da rede. a abertura e a colaboração. ao legislador que for propor alterações no Marco Civil são lançados um desafio e uma revelação: o desafio de melhorar o produto de muitos e a certeza de que suas modificações não passarão despercebidas. podemos dividir o Marco Civil em seis partes principais: (I) fundamentos. e a livre concorrência e a defesa do consumidor. das futuras situações para as quais não haja previsão legal específica. no processo do Marco Civil. a livre iniciativa. os parâmetros. princípios e objetivos da disciplina da Internet no Brasil. a pluralidade e a diversidade. Dessa forma. O primeiro pilar é constituído pelos fundamentos da disciplina da Internet. as pautas que serão detalhadas e desenvolvidas no futuro por legisladores. estabelece. princípios e objetivos O Marco Civil. governantes. Esse princípio nasce na crença de que a melhor regulação da rede é aquela que se inicia na própria rede e que tem como ponto de partida a afirmação de direitos fundamentais. como. Também existe. uma questão de princípio.

e.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 O MARCO CIVIL DA INTERNE T O segundo pilar é composto por princípios gerais para a Internet. como visto nos incisos desse artigo. sejam implementados no Brasil. a proteção aos dados pessoais. 7 o do PL 2. e a promoção da adesão a padrões tecnológicos abertos que permitam a comunicação. da não suspensão da conexão e da manutenção da qualidade contratada. 2. esse os reforça ao garantir a liberdade de expressão e privacidade nas comunicações. nos termos da Constituição. A garantia da não suspensão do serviço de conexão à Internet. a promoção do acesso à informação. a acessibilidade e a interoperabilidade entre aplicações e bases de dados. finalmente. comunicação e manifestação de pensamento. Enquanto aqueles asseguram a consonância do texto com relação aos valores contidos na Constituição Federal. visa impedir que modelos ultrarrestritivos de combate à violação de direitos autorais. Em seguida. consiste em uma proposta de lei para tentar coibir o download ilegal de músicas . No art. salvo pelo não pagamento do serviço. como a lei Hadopi ( Haut Autorité pour La Diffusion des Oeuvres et la Protection des droits sur Internet ) na França. o Marco Civil estabelece os objetivos que devem ser levados em consideração na disciplina da Internet. a preservação da natureza participativa da rede. a proteção da privacidade. a promoção da inovação e fomento à ampla difusão de novas tecnologias e modelos de uso e acesso. o acesso à Internet é tido como essencial para o exercício da cidadania. a preservação e garantia da neutralidade da rede.2. conhecido como “resposta gradual” ou “ Three Strikes Law ”.2 Direitos e garantias dos usuários Além destes princípios gerais que perpassam toda a lógica interpretativa do Marco Civil. por meio de medidas compatíveis com os padrões internacionais e pelo estímulo ao uso de boas práticas. ao conhecimento e à participação na vida cultural e na condução dos assuntos públicos.126/11. o que resulta na garantia da inviolabilidade e sigilo das comunicações via Internet. quais sejam: a promoção do direito de acesso à Internet a todos os cidadãos. a preservação da estabilidade. o projeto de lei reservou um capítulo específico para dispor sobre os direitos e garantias dos usuários. que incluem: a garantia da liberdade de expressão.24 observatório da internet. a responsabilização dos agentes de acordo com suas atividades nos termos da lei. segurança e funcionalidade da rede. O modelo francês de suspensão da conexão decorrente de violação a direito autoral.

wikipedia. 2. após uma suspeita de violação de direitos autorais comunicada ao órgão administrativo Hadopi.gouv. Caso não remova o conteúdo.do. portanto.gouv. além de pena de multa e da possibilidade de ser obrigado a continuar pagando pelo serviço do provedor.tpdjo16v_3?cidTexte=LEGITEXT000006069414&idArticle=LEGIARTI000021212151&dateText e=20120518&categorieLien=id#LEGIARTI000021212151>. 23 24 O Marco Civil pretende. Acesso em 1o de junho de 2012.jsessionid=44FCC56BE74A4FAB1E45C36 8440683DB. Vale lembrar novamente que o referido dispositivo do Marco Civil faz uma exceção tão somente para casos de suspensão decorrentes do não pagamento do serviço.org/wiki/Peer-to-peer>. tem sua conexão suspensa enquanto o processo é analisado pelo Ministério Público. veja: <http://en.fr/affichCodeArticle. como tal. gozam de posição privilegiada que lhes dá grande poder 22 Para mais informações sobre a tecnologia peer-to-peer. Disponível em: <http://legifrance. Provedores são intermediários no processo de comunicação entre os usuários da Internet e. Acesso em 1o de junho de 2012. que dispõe de forma contrária.3 A responsabilidade dos provedores de Internet Um dos pontos centrais do Marco Civil é a regulação da responsabilidade dos provedores. Analisaremos como a responsabilidade de provedores afeta cada um destes dois temas. o usuário pode ser punido por meio da proibição de contratar qualquer provedor de acesso pelo prazo de até um ano.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 e vídeos veiculados em redes peer-to-peer . afastando-se acertadamente da iniciativa francesa. quais sejam: a garantia de liberdades na rede e o fomento à inovação. Disponível em: <http://legifrance. A importância da regulação desse tema está diretamente relacionada aos dois valores que ele visa proteger. mas antes é importante entender por que os provedores de Internet são um alvo natural das autoridades governamentais quando se trata do controle de informações e investigações na rede. é dar ciência ao usuário de que está potencialmente violando direitos alheios. 23 24 . evidenciar a importância do acesso à Internet e impedir que procedam a sua suspensão sumária. o usuário recebe uma notificação formal do órgão e. 22 A lei prevê que sejam dados três avisos antes de apenar o infrator com a suspensão de seu acesso à Internet. O primeiro passo. se persistir. ainda que com o acesso cancelado.jsessionid=44FCC56BE74A4FAB1E45C36 8440683DB.do.O MARCO CIVIL DA INTERNE T 25 observatório da internet.fr/affichCodeArticle. Acesso em 12 de junho de 2012.2.tpdjo16v_3?cidTexte=LEGITEXT000006069414&idArticle=LEGIARTI000021212156&dateText e=20120518&categorieLien=id#LEGIARTI000021212156>. Caso a violação seja confirmada.

agentes que têm o poder fático de interferir (auxiliando ou prejudicando) no que trafega por suas redes. por outro os provedores de serviço que hospedam as informações tidas como infringentes são facilmente localizáveis. 2. categorizando-os em provedores de aplicações (serviços on-line ) e provedores de conexão (ou acesso) – separação essa que adequa as responsabilidades às funções que cada um desempenha de fato. Ainda assim. o emprego de técnicas. Esse endereço é a primeira parte da informação necessária para se chegar até o usuário final.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 O MARCO CIVIL DA INTERNE T de fato (ainda que não necessariamente de direito) sobre o que trafega em suas redes. n. ou seja. v. por exemplo. A History of On-line Gatekeeping. segundo o Marco Civil. O instituto da responsabilização de terceiros é utilizado em diversas outras áreas do ordenamento jurídico brasileiro. essas informações permitirão encontrar um dispositivo (computador/cliente) que não necessariamente identificará o indivíduo que efetivamente publicou a informação.26 observatório da internet. Jonathan. Acesso em 12 de junho de 2012. 2006. se o acesso foi feito a partir do computador de terceiros ou se foi feito a partir de um local de acesso público. Assim. o que pode acontecer. como a inspeção de pacotes de dados ou o uso de filtros. O Marco Civil adotou uma separação funcional entre os provedores de Internet. há diversas dificuldades para a localização de um usuário. por exemplo. se o usuário utilizou um proxy ou outra tecnologia de anonimização. Harvard Journal of Law and Technology. é um provedor de aplicações – o usuário deixa registrado seu endereço IP. por um lado. atraindo para si a atenção das partes que sofreram eventuais danos. monitorar ou bloquear informações. que possui os registros de acesso dos seus assinantes. Alguns autores têm denominado esses provedores como on-line gatekeepers 25. possibilita aos provedores restringir.cfm?abstract_id=905862>. por sua vez. A segunda parte consiste em saber qual usuário estava utilizando aquele endereço IP no exato momento em que a informação foi publicada. Os provedores também são peças-chave para a identificação dos usuários na rede. 19. O Código Civil estabelece. Disponível em: <http://papers. Se.com/sol3/papers. 253. É nesse sentido que várias ações no Poder Judiciário brasileiro têm se valido da chamada responsabilização de terceiros. Tanto provedores de serviço ou aplicações quanto provedores de acesso são necessários para a localização de um usuário na Internet. por exemplo. . Assim. 25 ZITTRAIN. só é possível através do provedor de conexão à Internet. destinatários e remetentes do processo de comunicação na Internet. ao publicar uma informação em uma rede social – que. Isso.ssrn. p.

pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia. risco para os direitos de outrem. fica obrigado a repará-lo. Código Civil. montagem. O Código Civil estabelece também uma modalidade de responsabilidade em que o terceiro responde ainda que não haja culpa. Aquele que. 186 e 187). manipulação. da mesma forma. a razão para a responsabilização está intimamente ligada a um dever de guarda. Lei 10. Lei 8. Lei 10. o construtor. até a concorrente quantia. os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime. tais como: os pais que respondem pelas ações dos filhos menores que se encontram sob sua autoridade ou companhia. construção. Parágrafo único. 932. o tutor ou curador pelos pupilos ou curatelados. por ato ilícito (arts. ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar. nos casos especificados em lei.” . V. 12. determina que fornecedores de serviços ou produtos respondam por eventuais danos causados por seus produtos ou serviços 28. fórmulas. 27 O Código de Defesa do Consumidor. hospedarias. e o importador respondem. pelos pupilos e curatelados que se acharem nas mesmas condições. o empregador ou comitente. II.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 algumas hipóteses em que terceiros respondem por ações às quais não deram causa 26. fabricação. Nessas hipóteses. nacional ou estrangeiro. IV. quando não observado. Código Civil. por sua natureza.” 27 28 BRASIL. os donos de hotéis. por sua natureza.406/2002: “Art. causar dano a outrem. os pais. moradores e educandos. mesmo para fins de educação. 26 BRASIL. serviçais e prepostos. vigilância ou custódia entre as partes que. independentemente da existência de culpa. apresentação ou acondicionamento de seus produtos. independentemente de culpa (o que é chamado pela doutrina de “responsabilidade objetiva”). por seus empregados. III. no exercício do trabalho que lhes competir ou em razão dele. sua aplicação aos provedores de Internet pode ser extremamente prejudicial ao desenvolvimento da rede. São também responsáveis pela reparação civil: I. o tutor e o curador.078/1990. independentemente de culpa. 927. “Art.O MARCO CIVIL DA INTERNE T 27 observatório da internet. pelos seus hóspedes. desde que “a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar. Apesar da existência de diversas hipóteses no direito brasileiro em que a responsabilização de terceiros pode incidir. Haverá obrigação de reparar o dano. gera a responsabilidade pela imprudência ou negligência daquele dever.406/2002: “Art. Código de Defesa do Consumidor. risco para os direitos de outrem”. ou ainda o empregador por seus empregados. A responsabilização excessiva dos provedores de aplicações ou serviço pelos danos causados por seus usuários gera um incentivo para que esses provedores monitorem e censurem quaisquer informações que apresentarem um potencial de gerar riscos de ações judiciais ou sanções governamentais. pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto. casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro.” BRASIL. o produtor. O fabricante. bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos.

Universal 29. Um outro valor importante que a limitação da responsabilidade de provedores visa proteger é a inovação na rede. ao analisar como o caso Sony v . para estimular que provedores de aplicações criem tecnologias inovadoras. na verdade. Panela. cfm?abstract_id=925127>. os subsequentes usos tornam-se ainda mais imprevisíveis. É da própria essência do processo de inovação que as ferramentas e aplicações resultantes gerem consequências inesperadas. Vale notar que isso não implica na não reparação do eventual dano causado. Universal: The Intellectual Property Legacy of Justice Stevens. Acesso em 30 de junho de 2012. garantir que o usuário de seus serviços tenha liberdade efetiva para se expressar e se comunicar na rede. Enquanto empresas bem estabelecidas podem arcar com eventuais custos de processos judiciais. Nesse sentido. Fordham Law Review. empresas novas de tecnologia ( startups ) não possuem a mesma capacidade financeira e são especialmente suscetíveis a demandas judiciais. Nesse importante caso. mas tão somente que a responsabilidade recairá sobre o indivíduo que efetivamente causou o dano e não sobre o intermediário do processo. p. . demonstrou a importância da limitação de responsabilidade dos intermediários desenvolvedores de tecnologia. Pamela Samuelson. cujos efeitos nem sempre serão previstos.com/sol3/papers. 2006. garantir que os provedores de Internet tenham responsabilidade limitada é. A limitação dos riscos do negócio é fator crucial para a inovação. 1831. pois. julgar e implementar censura prévia sobre os indivíduos sem qualquer instância de recurso ou controle de abusos. a 29 SAMUELSON. The Generativity of Sony v.28 observatório da internet. Essa afirmação é especialmente verdadeira quando se leva em consideração a natureza participativa e aberta que se quer estimular na Internet. a empresa Sony foi considerada inocente pelas gravações de filmes que os usuários de seu videocassete doméstico (o Sony Betamax) possibilitava. especialmente no que diz respeito aos usos que terceiros fazem da tecnologia. que estabeleceu crucial precedente para garantir enorme onda de inovação na área de tecnologia da informação nos EUA a partir da década de 1980. Em termos econômicos. é necessário garantir uma certa limitação à sua responsabilidade. esse modelo de responsabilidade transformaria uma empresa privada em efetivo agente de censura com poderes para monitorar.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 O MARCO CIVIL DA INTERNE T Adicionalmente. da Universidade de Berkeley. Dessa forma. decidido pela Suprema Corte dos Estados Unidos. 74.ssrn. Vol. ao oferecer tal tecnologia para o público em geral. Disponível em: <http://papers.

Essa seção pode ser caracterizada genericamente por estabelecer garantias aos provedores contra a responsabilidade derivada da eventual violação de direitos autorais por terceiros.chillingeffects. Código Geral dos Estados Unidos. ZITTRAIN. 35 Como o gatilho da responsabilidade dos provedores de serviços é o não cumprimento da solicitação de retirada enviada pelo particular. Esse modelo é conhecido na doutrina internacional como notice and take down . Para mais informações sobre os sistemas de responsabilidade de provedores presentes no direito norteamericano. valor protegido pela Constituição Federal brasileira. Neste sentido. seção 17. parágrafo 512. Enquanto provedores de acesso ( Transitory Digital Network Communications ) 32 são geralmente isentos de responsabilidade desde que a comunicação dos dados em sua rede aconteça de forma automatizada. após a solicitação do detentor dos direitos 33. há um incentivo 30 31 32 33 34 Código Geral dos Estados Unidos. seção 47. Código Geral dos Estados Unidos.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 limitação da responsabilidade dos provedores mantém as barreiras para entrada no mercado baixas e promove a ampla concorrência. por todos. Código Geral dos Estados Unidos. parágrafo 512. item (d). pois estabelece um sistema extrajudicial em que detentores de direitos autorais podem notificar provedores de aplicações ou serviços para que esses retirem de seus sites obras protegidas por direitos autorais de titularidade daqueles. parágrafo 512. op. os provedores de serviços on-line estão sujeitos à responsabilidade quando não retirarem conteúdo infringente do ar. Disponível em: <http://www. parágrafo 230. veja o projeto Chilling Effects Clearinghouse criado para analisar a procedência de notificações de retirada de conteúdo enviadas por detentores de direitos autorais. seção 17. quando solicitado. Acesso em 12 de junho de 2012.O MARCO CIVIL DA INTERNE T 29 observatório da internet. desde que os provedores respeitem algumas obrigações sobre o tratamento de conteúdo e retirada desse. 35 . cit. item (a). Talvez os grandes paradigmas internacionais sobre responsabilidade de provedores de Internet sejam o Digital Millenium Copyright Act (DMCA) 30 – a seção da lei de direitos autorais dos EUA que lida especificamente com Internet e tecnologia digital – e o Communications Decency Act (CDA) 31 – lei norte-americana que regula difamações de materiais indecentes na Internet. veja. O DMCA criou um sistema amplo para a disciplina de obras intelectuais na tecnologia digital. 34 Tal sistema tem sido alvo de diversas críticas pelo efeito inibitório ( chilling effects ) que o abuso do envio das notificações de retirada tem sobre provedores e usuários. seção 17.org/>.

harassing. Aqueles de natureza difamatória são os que mais se assemelhariam às hipóteses cobertas pelo Marco Civil. As definições do CDA incluem outras hipóteses que constituem variações de condutas obscenas ou indecentes. whether or not such material is constitutionally protected.. o CDA estendeu essa imunidade à hipótese em que o provedor tome medidas para.C. excessively violent. independentemente de qualquer análise sobre sua procedência. filthy. Esse caso foi futuramente revertido pelo julgamento em Stratton Oakmont. Em relação ao objeto. o CDA recuperou o entendimento estabelecido em CompuServe e deu um passo adiante. ou seja. 37 Esse modelo do CDA é chamado de “bom samaritano” ( good samaritan ). O primeiro caso a considerar que provedores de serviço não poderiam ser equiparados a editores e.30 observatório da internet.. por sua vez. corram o risco de trazer para si a responsabilidade por aqueles danos. difere do DMCA tanto em seu objeto quanto em sua abordagem sobre a responsabilidade e os incentivos dados às partes envolvidas. como o provedor de serviço não realizava controle prévio sobre os materiais postados por terceiros. Levando em conta a experiência internacional e os intensos debates e sugestões feitos durante diversas consultas públicas. o CDA proíbe a equiparação dos provedores de serviços a editores para evitar a aplicação da responsabilidade que geralmente incide sobre estes pelo conteúdo publicado. Prodigy Sevices Co. 135 da Corte Federal do Distrito do Sul de Nova York ( US District Court for the Southern Distric of New York). § 230 (c) (2) Civil Liability No provider or user of an interactive computer servisse shall be held liable on account of – (A) a  ny action voluntarily taken in good faith to restrict access to or availability of material that the provider or user considers to be obscene. 36 A corte argumentou que. 1991. Além disso. aquelas protegidas por direitos autorais. pois cria incentivos para que os provedores removam voluntariamente conteúdos tendentes a causar danos sem que. O texto literal dispõe que: “47 U. enquanto o DMCA aplica-se a obras intelectuais. de boa-fé. O CDA. retirar do ar conteúdo que considere difamatório. v. que envolvam conteúdo explícito para menores e outros. lewd. etc. CompuServe. Inc v. (. o Marco Civil adotou modelo que se 36 Caso 776 F. o CDA tem por objeto informações de caráter difamatório. com isso. Supp. não poderiam ser responsabilizados por conteúdos publicados por terceiros foi o Cubby. Além de garantir a imunidade por conteúdo publicado por terceiro. Inc. falso. lascivious. por isso.)”.S.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 O MARCO CIVIL DA INTERNE T claro para que todas as notificações sejam cumpridas. danoso. 37 . Inc. ele não poderia ser responsabilizado. or otherwise objectionable. Porém.

o provedor de aplicações de Internet somente poderá ser responsabilizado por danos decorrentes de conteúdo gerado por terceiros se após ordem judicial específica não tomar as providências para. ele terá incen- . por duas razões: uma de mercado e outra de direito. 16. Salvo disposição legal em contrário. A ordem judicial de que trata o caput deverá conter. 15. Art. no âmbito do seu serviço e dentro do prazo assinalado. mas se a imunidade dos provedores de conexão é absoluta e não pode ser afastada. por sua vez. quando a aplicação oferecida pelo provedor possibilita a publicação de conteúdos por terceiros. 15. sob pena de nulidade. por isso. a versão original do projeto de lei apresentado ao Congresso Nacional dispunha o seguinte: Art. pela responsabilidade dos conteúdos de terceiros. a imunidade dos provedores de aplicações. Ambos são imunes. é válida enquanto o provedor cumprir com eventuais ordens judiciais para a retirada de conteúdos. tornar indisponível o conteúdo apontado como infringente. 14. o Marco Civil garante que os provedores só serão responsabilizados por conteúdos de terceiros caso descumpram ordem judicial. caberá ao provedor de aplicações de Internet informar-lhe sobre o cumprimento da ordem judicial. ao garantir imunidade mais robusta aos provedores de aplicações pelos conteúdos gerados por usuários que utilizem seus serviços.O MARCO CIVIL DA INTERNE T 31 observatório da internet. identificação clara e específica do conteúdo apontado como infringente. a própria natureza da atividade nos faz crer que é benéfico ao provedor estimular essa publicação e que. Enquanto nos EUA o provedor fica sujeito a eventuais abusos que podem decorrer do uso excessivo de notificações por parte dos detentores de conteúdos on-line . não havia garantia ao cidadão contra práticas de censura privada realizadas pelos próprios provedores em função de eventuais acordos celebrados. Art. Assim. Parágrafo único. que permita a localização inequívoca do material. Algumas das críticas que o projeto recebeu dizia respeito ao fato de que. Sempre que tiver informações de contato do usuário diretamente responsável pelo conteúdo a que se refere o art. É importante notar que o Marco Civil adotou separação funcional entre os provedores de conexão e provedores de aplicações para determinar responsabilidades diferentes para cada um deles. a priori .br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 distancia do sistema de notice and take down norte-americano. Primeiro. O provedor de conexão à Internet não será responsabilizado por danos decorrentes de conteúdo gerado por terceiros. enquanto os provedores encontravam-se protegidos. Não parece ser este o caso.

por exemplo. Assim. conjugados com os limites de direito. conjugada com a responsabilidade limitada. ainda que a proposta acima não seja considerada a ideal do ponto de vista da ampla promoção da liberdade de expressão. ao exercê-lo. mais usuários migrarão para um dado serviço e a concorrência de mercado auxiliará na promoção da liberdade.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 O MARCO CIVIL DA INTERNE T tivos para não censurá-los. existem institutos no próprio ordenamento jurídico brasileiro que impõem limites para resguardar os usuários da censura dos provedores. Com isso. pela boa-fé ou pelos bons costumes”. 38 . para os casos em que a dinâmica do mercado não for suficiente (como.406/2002. Se os usuários percebem a publicação ampla e sem censura agregando valor ao serviço. o que é coibido pelo Artigo 187 do Código Civil. espera-se criar uma fiscalização difusa dos atos de provedores. farão com que esses acordos respeitem os direitos dos usuários. vale notar que. demonstrados acima. além dos incentivos dos provedores para não censurar. de restrição injustificada de acesso ou abusivas em geral que decorram de eventuais acordos podem ser consideradas como abuso de direito. sob pena das sanções já previstas no direito civil. (Código Civil). Por hipótese oposta. Em resposta a essa crítica. a menos que receba Lei 10. excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social. entidades de representação de classe. os incentivos de mercado. entende-se um sistema em que o provedor de aplicações que receba conteúdos de terceiros seja obrigado a permitir a publicação de toda e qualquer informação. o Ministério Público e outras instituições poderão acionar judicialmente provedores que pratiquem condutas abusivas de remoção de conteúdo. 187. Art. Segundo. Em outros termos: associações. o usuário teria a sua liberdade de expressão reduzida porque somente um número muito baixo de usuários recorreria ao judiciário contra eventuais abusos dos provedores. Uma crítica derivada da anterior diz que. na prática. em função da dificuldade de acesso à justiça. Adicionalmente. medidas de censura. coloca os provedores em condições de negociação que fazem crer que eventuais acordos não ocorrerão. a parte final do Marco Civil legitima que a defesa dos direitos seja feita coletivamente. nos casos em que os efeitos de rede forem preponderantes.38 A natureza da atividade.32 observatório da internet. Se ocorrerem. “Também comete ato ilícito o titular de um direito que. ou que o incentivo para censurar for maior do que o incentivo para não censurar). ao mesmo tempo em que corrige-se eventuais assimetrias de acesso ao Poder Judiciário. não parece que a hipótese oposta seja viável.

e 170.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 ordem judicial específica ordenando a sua retirada.2. Dentre as disposições desse projeto. da Constituição Federal. 2. encontrava-se a obrigação de guardar os registros de conexão e de acesso a aplicações de Internet por até três anos. Como se percebe. ela afastará a incidência do Marco Civil. sem fazer diferença entre conteúdos protegidos ou não por direitos autorais. Como já existem vários fóruns semelhantes na Internet. A existência desse assunto no projeto de lei só pode ser entendida quando levamos em consideração o contexto do seu surgimento. o fórum contaria com a atuação de moderadores que excluiriam todos os comentários inadequados que pudessem desvirtuar o propósito do site. o que ocasionou a incorporação dessa disciplina no Marco Civil como forma de evitar o avanço da discussão no âmbito penal. apontamos que. Um sistema que obrigasse a publicação irrestrita de conteúdos inviabilizaria não só esse. .O MARCO CIVIL DA INTERNE T 33 observatório da internet. por encontrar forte oposição no princípio da livre iniciativa previsto nos artigos 1o. até lá. que propunha estabelecer uma gama de crimes na Internet. Essa restrição provavelmente será considerada inconstitucional. a proposta de disciplina da responsabilidade de provedores da Internet que está sendo discutida no âmbito da reforma da lei de direitos autorais prevê um modelo muito semelhante ao do DMCA norte-americano. inciso IV. como visto no início deste capítulo. por hipótese. tomou-se o cuidado de restringir as hipóteses em que o acesso seria possível.4 A guarda de registros por provedores de Internet A guarda de registros de usuários por provedores de Internet é certamente um dos temas mais controversos do Marco Civil. Imaginemos o caso em que um empreendedor resolva criar um fórum fechado para discussão dos episódios da conhecida série de televisão Game of Thrones. vale lembrar que a proposta de redação do Marco Civil enviada ao Congresso o coloca como norma geral que se aplica a todos os conteúdos na Internet. em resposta ao PL 84/99. Ao incorporar a disciplina da guarda de registros. como diversos outros modelos de negócios que envolvessem a moderação por parte de provedores. Tal sistema constituiria invasão excessiva no âmbito de atuação privada e deveria ser evitado. Por fim. mas. agirá como regra geral. bem como limitar o prazo de guarda dos registros. O Marco Civil foi criado. Se lei futura disciplinar especificamente questões relacionadas a direitos autorais. este teria como diferencial o fato de permitir aos usuários discutir cada episódio em tópicos separados sem a preocupação de encontrar informações de episódios futuros que poderiam desvendar as surpresas que a saga guarda. Para tal.

O texto prevê. deixando claro que tais registros são elementos relevantes para a proteção da privacidade. O registro de acesso a aplicações. independentemente de ordem judicial. Disponível em: <http://ec. O prazo de guarda por um ano encontra-se em consonância com estatísticas recentes de uso de dados de registro de usuários solicitados por autoridades de investigação de países europeus. O texto do Marco Civil prevê que os registros de conexão e os registros de acesso só podem ser entregues à polícia mediante ordem judicial específica e com fins bem delimitados. a possibilidade de se demandar a guarda de registros de acesso a aplicações de Internet. é vedado guardar os registros de acesso a aplicações de Internet. A necessidade de ordem judicial para obtenção de informações que permitam a identificação do usuário ou para demandar a guarda dos registros de acesso pelos provedores de aplicação anula a possibilidade de que tais dados sejam solicitados tanto pela polícia. por sua vez. a importância de se guardar registros para viabilizar as investigações policiais e. contudo. é definido no texto como o conjunto de informações referentes à data e hora de uso de uma determinada aplicação de Internet a partir de um determinado endereço IP.europa. a necessária garantia de privacidade do cidadão. contudo. O objetivo foi encontrar um equilíbrio entre. VI. . Com relação ao tempo de guarda dos registros de conexão.eu/commission_2010-2014/ malmstrom/archive/20110418_data_retention_evaluation_en. onerosa ou gratuita. 5o. prevê a hipótese de que as autoridades solicitem aos provedores a guarda de determinadas informações. 39 39 Report From The Commission To The Council And The European Parliament Evaluation report on the Data Retention Directive (Directive 2006/24/EC). por um lado. desde que mediante ordem judicial e desde que se trate de registros relativos a fatos específicos em período determinado.34 observatório da internet. na provisão de conexão .pdf>. respeitados os direitos dos usuários dispostos na lei. Acessado em 3 de março de 2012. por outro. é facultada a guarda dos registros de acesso dos usuários. o Marco Civil estabelece o prazo de um ano.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 O MARCO CIVIL DA INTERNE T Em seu art. quanto pelo Ministério Público. Ainda. o Marco Civil define registro de conexão como sendo o conjunto de informações referentes à data e hora de início e término de uma determinada conexão à Internet. honra e imagem das pessoas. O projeto. mas condiciona a entrega dos dados a ordem judicial específica. Já com relação à provisão de aplicações de Internet. além de sua duração e o endereço IP utilizado pelo terminal para o envio e recebimento de pacotes de dados.

19% tinham até seis meses de existência e 18% encontravam-se guardados há até 12 meses. que suspendeu os efeitos da lei do Estado do Rio Grande do Sul que previa tratamento preferencial para a compra de software livre. 2. em julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. reduzir as desigualdades entre as diferentes regiões do país relacionadas ao acesso e ao uso de tecnologias da informação e comunicação. Com vistas a alcançar esse fim. padrões e formatos abertos e livres. remetemos ao item 3 deste relatório. Em outros termos. 2. O texto orienta os entes.6 A atuação do poder público O texto do Marco Civil dispõe em seu capítulo final sobre a atuação que se espera do poder público. com o objetivo de nortear a atuação de todos os entes federativos no desenvolvimento da Internet no Brasil. ressalta-se a necessidade de se estabelecer mecanismos transparentes. destaca-se o fomento às iniciativas públicas voltadas para a cultura digital e promoção da Internet como ferramenta social.5 A neutralidade de rede Para um debate pormenorizado sobre a regulação da neutralidade rede. Nesse trecho.O MARCO CIVIL DA INTERNE T 35 observatório da internet. contudo. além de fomentar a produção e a circulação de conteúdo nacional. A finalidade dessa previsão é a de buscar incentivar a inclusão digital. Liminar condedida na ADI no 3059.2. o que indica que o prazo do Marco Civil parece ser suficiente para as demandas da polícia. face a decisão liminar de 2004 do Supremo Tribunal Federal. cerca de 56% estavam armazenados há cerca de três meses ou menos. . ainda. a darem preferência a tecnologias.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 Segundo recente relatório 40.2. Limitar a guarda desses dados pelo menor prazo possível é fundamental para garantir a privacidade dos indivíduos. 93% de todos os dados requisitados para a investigação policial que estavam guardados encontravam-se armazenados por até um ano. bem como de promover a interoperabilidade tecnológica entre os entes federativos dos serviços de governo eletrônico. é possível que o Marco Civil encontre resistência judicial futura.41 Além disso. democráticos e colaborativos de governança. de todos os dados de registro de usuários na Internet utilizados em investigações policiais. 40 41 Idem.

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segundo o qual toda a informação que trafega pela rede deve ser tratada de maneira equânime. “provedor de Internet” ou ainda “provedor de acesso” para denominar as empresas de telecomunicações que oferecem o serviço de acesso à Internet. ao contrário.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 # A regulação da neutralidade de rede O conceito da neutralidade de rede pode ser entendido como um princípio de arquitetura de rede. sites e plataformas. chamamos provedores de conteúdo as empresas ou indivíduos que forneçam conteúdos ou serviços para o público através da Internet como sua atividade principal. pretende dar uma ideia geral ao leitor. Acesso em 6 de março de 2012. Mais uma vez.org/network_ neutrality. presentes ou futuros (para aqueles que sabem mais sobre arquitetura de rede. dos serviços de Internet que não têm o fornecimento de conteúdo ou serviço na rede como sua atividade principal.A REGULAÇÃO DA NEUTRALIDADE DE REDE 37 observatório da internet. Utilizaremos a denominação “provedores de acesso à Internet”. O princípio sugere que as redes de informação são mais valiosas quando elas são menos especializadas – quando elas são uma plataforma para múltiplos usos. esta diferenciação está longe de pretender ser precisa ou imune a falhas. Da mesma forma. Do outro lado – e tomando-se em consideração as devidas ressalvas –. Isto permite que a rede transporte todo tipo de informação e suporte todo tipo de aplicativo. 42 Em outros termos.html>. utilizaremos o termo “usuários” em referência aos consumidores. Tim Wu explica que “a ideia é que uma rede pública de informações que se pretende o mais útil possível aspire a tratar igualmente todos os conteúdos. pessoa física ou jurídica. Apesar da natureza distribuída da Internet em princípio significar que todos que se localizam nas pontas da rede são usuários dela. o princípio estabelece que provedores de acesso à Internet 43 não devem bloquear o uso ou limitar a velocidade de tráfego de determinados aplicativos ou conteúdos em sua rede. 43 . a ideia de que provedores de acesso (as operadoras que oferecem o serviço de acesso à Internet ao 3 42 Definição de Tim Wu para neutralidade de rede conforme apurada em: <http://timwu. esta descrição é similar ao princípio de arquitetura de rede conhecido como end-to-end )”. mas.

há notícias de violações à neutralidade da rede. Mark A. 2. Barbara e FABER. 46 47 Vale lembrar que a fusão das empresas Oi e Brasil Telecom ainda não havia acontecido na época desses incidentes. 45 No Brasil. acadêmicos têm se preocupado com o tema no contexto do princípio mais geral da arquitetura end to end . Apesar disso. 47 Em uma primeira análise. 48 .com/sol3/papers.) para que seus usuários tenham acesso mais rápido ou preferencial a determinado conteúdo ou aplicativo poderia também ser considerada contrária ao princípio da neutralidade de rede. ao longo dos últimos anos. 32. os provedores têm mostrado que existem incentivos para promover a discriminação ou o bloqueio de aplicativos ou conteúdos e que eles são suficientes para que tais práticas aconteçam. O debate em torno da neutralidade de rede não é novo. v. 2010. Todos os datagramas são iguais perante a Rede! Revista PoliTICs. a prof. GVT. Primeiro. Nova York. Desde o início dos anos 2000. rede social. começou a censurar determinados conteúdos sob o pretexto de garantir a segurança de seus usuários.) poderiam cobrar valores diferenciados de provedores de serviços ou de conteúdos (as plataformas que oferecem serviços on-line como busca. etc. Barbara. 46 Em 2006. vídeo. Point/Counterpoint: Network Neutrality Nuances. Internet Architecture and Innovation.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A REGULAÇÃO DA NEUTRALIDADE DE REDE usuário final. p. 2009. publicação de blogs. Telefonica.44 Ele assegura também que as barreiras para a entrada no mercado continuarão baixas. D. 52. Barbara Van Schewick. Communications of the ACM. Um dos primeiros exemplos reportados foi protagonizado pela operadora Brasil Telecom. aponta três grupos de situações em que provedores de Internet têm incentivos para discriminar pacotes de dados na rede. Neste sentido. A lógica é simples: a disponibilidade de mais aplicativos e conteúdos torna a rede mais atrativa aos usuários. ao menos desde o ano de 2004. pode parecer que os provedores de acesso à Internet não teriam incentivos para discriminar pacotes de dados em sua rede. The End of End-to-End: Preserving the Architecture of the Internet in the Broadband Era. VAN SCHEWICK. que bloqueou chamadas telefônicas realizadas a partir de serviços de voz sobre IP ( VoIP).38 observatório da internet. 48 Baseando-se em casos concretos ocorridos nos EUA. Cambridge: MIT Press. Acesso em 3 de janeiro de 2012. da Universidade de Stanford.. n. provedores podem discriminar pacotes para aumentar o próprio lucro em detri- 44 45 VAN SCHEWICK. Disponível em: <http://papers. Oi. Carlos A. o que por sua vez gera uma vantagem competitiva sobre provedores que eventualmente os restringem. o serviço de Internet da operadora Oi.ssrn. Os defensores do princípio alegam que ele é a principal garantia de que a Internet continuará sendo uma plataforma livre e sem restrições para a inovação. ver LESSIG. Lawrence e LEMLEY. Vide AFFONSO. etc. como NET Virtua. possibilitando que indivíduos e pequenas empresas continuem podendo inovar e competir com empresas estabelecidas.cfm?abstract_ id=247737>. o Velox.

um aumento no tráfego eleva as despesas daqueles provedores sem aumentar sua receita. cria-se um incentivo para degradação no tráfego de aplicativos ou conteúdos que consumam muita banda.A REGULAÇÃO DA NEUTRALIDADE DE REDE 39 observatório da internet. como é o caso das restrições a serviços de voz sobre IP (no caso do provedor também oferecer serviço de telefonia). Disponível em <http://papers. Assim. S. cfm?abstract_id=1472074>. como clientes que utilizam bittorrent ou websites que realizam streaming de vídeo. Provedores também têm incentivos para discriminar pacotes para gerenciar o tráfego na sua rede. O gerenciamento assim pode funcionar como um analgésico que tem efeito imediato.ssrn. Assim. Nos momentos de pico de uso da rede. Innovations in the Internet’s Architecture that Challenge the Status Quo. Há muita controvérsia sobre se os provedores deveriam ser livres para implementar tal prática ou se essa deveria ser proibida. Que fique claro que a capacidade de gerenciamento de tráfego é fundamental para o funcionamento de qualquer rede. críticos desta prática argumentam que: a) não há garantias de que os lucros adicionais serão reinvestidos na infraestrutura ou mesmo na redução dos preços. Como a maioria dos provedores de acesso oferece o serviço ao usuário final cobrando uma taxa fixa mensal enquanto compra acesso à Internet de outros provedores de acordo com a quantidade de dados trafegados. ou mesmo a limitação ao uso de programas baseados no protocolo bittorrent (para o caso de provedores que tenham serviço de video on demand). mas tão somente criaria uma fonte adicional de receita para os provedores. mas. se ao utilizar um serviço de voz sobre IP o atraso de resposta for superior a um ou dois segundos.com/sol3/papers. a falta de gerenciamento pode significar a inutilização de determinados aplicativos. Dessa maneira. por exemplo. ampliando a capacidade e a velocidade da rede ou diminuindo os custos de acesso para o usuário. restringe a inovação. Essa cobrança não substituiria o valor já pago por usuários para obter acesso à rede. Em linhas gerais. C. pois limita a escolha do usuário.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 mento do serviço do usuário. Journal on Telecommunications and High Technology Law. Acesso em 6 de março de 2012. de um lado argumenta-se que a receita adicional seria utilizada para aumentar os investimentos em infraestrutura. b) ela não maximiza o bem-estar social. em vez de demorar poucos segundos. mas não resolve o problema maior do congestionamento da rede. para prejudicar aplicativos que compitam com outros serviços prestados pelo provedor. isso não causará grandes prejuízos nem inutilizará a ferramenta. se um e-mail demora dois minutos para ser entregue. por exemplo. . 49 Veja por todos YOO. consequentemente.49 No lado oposto. há um incentivo claro. c) essa prática aumenta as barreiras à entrada de novos competidores no mercado e. Também pode ser classificada neste grupo a proposta de mudança no modelo de negócios dos provedores de conteúdos de Internet para cobrar desses que seus dados sejam transmitidos de maneira mais rápida aos usuários.

B. Disponível em: <http://papers. Não obstante essa análise. Journal of Telecommunications and High Technology Law. mas que a decisão sobre como melhor utilizar a banda contratada seja feita pelo usuário e não pelo provedor. ela identifica três características principais que permitiram que a Internet se tornasse a grande plataforma de inovação das últimas décadas: a) Inventores na rede sempre tiveram liberdade para criar quaisquer aplicativos que desejarem. Isso não quer dizer que o usuário deveria poder utilizar uma capacidade de banda ilimitada. Network Neutrality. Historicamente. WU. no mercado de infraestrutura e banda larga brasileiro. Nesse sentido. cit.. 51Apesar disso. veja VAN SCHEWICK.758 municípios. op. Deregulating Telecommunications. usuários sempre tiveram liberdade para escolher de forma independente quais aplicativos querem 50 51 SPULBER. 52 Van Schewick defende que a regulação é necessária mesmo nessa hipótese. D. YOO. Yale Journal of Regulation 12(1).ssrn. no entanto. 2003.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A REGULAÇÃO DA NEUTRALIDADE DE REDE o serviço é extremamente prejudicado. o mercado de telecomunicações foi considerado um monopólio natural.F. Partindo do princípio end to end. o estudo elaborado pela Agência Nacional de Telecomunicações e apresentado no âmbito da consulta pública sobre o Plano Geral de Metas de Competição (PGMC) concluiu que. (1995): p. Idem. a solução seria simplesmente contratar o serviço de outro provedor.com/sol3/papers. diversos problemas que o princípio da neutralidade de rede visa evitar não ocorreriam. 2.. há grande controvérsia sobre se um mercado competitivo de acesso à Internet seria suficiente para manter as características da Internet que o princípio da neutralidade de rede visa resguardar.cfm?abstract_id=388863>. Broadband Discrimination. Se um serviço não respeita a escolha do usuário e impõe limitações a seu acesso. Enquanto os usuários valorizarem a possibilidade de acessar conteúdos e aplicativos de sua escolha. uma única empresa detém poder de mercado significativo em mais de 3. T. 141. Em um mercado competitivo. um mercado competitivo naturalmente oferecerá tal serviço. C. Por fim. 25-67. 52 . v. Acesso em 15 de dezembro de 2011. cit. que valoriza a Internet como uma ferramenta de múltiplos propósitos e agnóstica em relação a tecnologias específicas. ou ainda conteúdos que possam gerar responsabilidade.. provedores de acesso à Internet também têm um incentivo para bloquear conteúdos contrários aos seus interesses e que não estejam de acordo com a política de conteúdo escolhida por eles. op. p. 50 Estudos do final do século XX.S. mostraram como o monopólio na área de telefonia nos EUA podia ser explicado menos como consequência de uma característica natural do mercado e mais como o resultado de reiteradas ações do governo. da mesma forma.40 observatório da internet.

Acesso em 22 de Novembro de 2012. 1684677.53 A partir dessa análise. que em 2010 aprovou a primeira lei sobre neutralidade de rede do mundo. b) O fato da rede ser de propósito geral (application-blindness) garantiu que provedores não pudessem interferir nessas escolhas. MA on January 13. despertados pelos cada vez mais frequentes exemplos de afronta à neutralidade de rede.” 54 3. 54 .br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 utilizar. 402 (September 20.com/abstract=1684677>. governos e entidades reguladoras ao redor do mundo. VAN SCHEWICK. por sua vez. aumenta a quantidade e a qualidade das inovações. In: Investment and the Open Internet in Cambridge. iniciaram um processo de discussão e implementação das primeiras normas sobre neutralidade de rede. 07-52. o que. Network Neutrality: What a Non-Discrimination Rule Should Look Like. Stanford Public Law Working Paper No. Seguindo a liderança do Chile. GN Docket No. c) Finalmente.stanford. 2010. mas também permitem que um amplo e diverso grupo de pessoas inove. b) Ela deve proteger os fatores que permitiram à Internet promover o discurso democrático e proporcionar um ambiente descentralizado para interação social e cultural no qual qualquer um pode participar. Van Schewick estabelece alguns critérios para avaliar normas de não discriminação que acreditamos ser muito úteis no processo de redação de uma regra de neutralidade de rede. B.A REGULAÇÃO DA NEUTRALIDADE DE REDE 41 observatório da internet. Opening Statement at the Federal Communications Commission’s Workshop on Innovation. que eles não pudessem distorcer a competição entre aplicativos ou reduzir o lucro de desenvolvedores de aplicativos através de taxas de acesso. e) Ela deve manter os custos de regulação baixos . B. Stanford Law and Economics Olin Working Paper No. a Colômbia também adotou uma norma em seu plano nacional de desenvolvimento para im- 53 VAN SCHEWICK. WC Docket No. São eles: a) “Ela deve proteger os fatores que possibilitaram a inovação de aplicativos no passado para garantir que a Internet continue sendo uma plataforma para inovação e crescimento econômico no futuro.edu/publications/opening-statement-federal-communicationscommission%E2%80%99s-workshop-innovation-investment>. para garantir certeza aos participantes da indústria. d) Ela deve tornar simples a tarefa de determinar qual comportamento é permitido e qual não o é.1 A regulação da neutralidade no cenário internacional Nos últimos anos. Acesso em 5 de março de 2012. 2010). Disponível em <http://ssrn. c) Ela não deve afetar a evolução da rede além do que for necessário para atingir os objetivos da regulação da neutralidade de rede. os baixos custos da inovação na Internet não só têm possibilitado o desenvolvimento de mais aplicativos. Disponível em: <http://cyberlaw. 09191.

br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A REGULAÇÃO DA NEUTRALIDADE DE REDE pedir práticas de discriminação de informações. nem mesmo aparelhos que não prejudiquem o funcionamento da rede. desde que a mesma seja “razoável”. Resolução FCC 10-201. Nos EUA. Provedores de serviço de banda larga fixa não podem bloquear conteúdo. 56 As regras básicas do FCC sobre neutralidade de rede consistem em: a) Transparência . características de performance e os termos e condições de seus serviços de banda larga. porque sua aplicação aos serviços de banda larga móvel é restrita. incluímos abaixo um quadro mapeando como os principais elementos constantes nas normas de neutralidade do FCC estão presentes nas diversas legislações latino-americanas analisadas. Federal Communications Commission. a Holanda foi a pioneira na adoção de uma norma específica.pdf>.fcc. 55 ESTADOS UNIDOS.gov/edocs_public/attachmatch/DOC-260435A1. Provedores de serviços de banda larga fixa e móvel devem divulgar suas práticas de gerenciamento de rede. englobando tão somente a proibição do bloqueio de serviços que compitam com serviços específicos das operadoras dos serviços móveis. em novembro de 2011. o órgão finalmente enviou para publicação as normas que visam garantir a neutralidade da rede naquele país e.42 observatório da internet. 55 Após diversas consultas públicas. Para ilustrar esse ponto. provedores de serviços de banda larga móvel não podem bloquear websites lícitos. nem mesmo bloquear aplicativos que compitam com seus serviços de voz ou vídeochamada. A vagueza e indefinição sobre o que consistiria uma discriminação “não razoável” podem dar margem a alguns abusos que consumirão tempo e recursos do FCC para monitorá-los de perto. b) Proibição de bloqueio. aplicativos e serviços lícitos. Primeiro. Para os defensores do princípio da neutralidade de rede. Provedores de serviço de banda larga não podem discriminar de maneira não razoável o tráfego lícito de rede. Acesso em 13 de julho de 2012. Federal Communications Commission. debates nos jornais e reuniões a portas fechadas com representantes da indústria. Disponível em: <http:// hraunfoss. 56 . as regras ainda são tímidas.pdf>. Disponível em: <http://hraunfoss. e c) Proibição de discriminação de conteúdo de forma não razoável .fcc. porque ainda há margem para discriminação.gov/edocs_public/attachmatch/FCC-10-201A1. É interessante notar que a proposta de regulamentação da neutralidade de rede nos EUA teve forte influência sobre as propostas e legislações referentes ao tema na América Latina. a Federal Communication Commission (FCC) tem discutido e experimentado normas para garantir a neutralidade de rede desde o ano de 2005. Segundo. ESTADOS UNIDOS. Acesso em 18 de julho de 2012. Policy Statement FCC 05-151. No âmbito da União Europeia. elas entraram em vigor.

caput A REGULAÇÃO DA NEUTRALIDADE DE REDE 57 Vide próxima nota. 1. Art. Art. 24. Art. 1.QUADRO COMPARATIVO DAS LIBERDADES BÁSICAS PARA OPEN INTERNET DO FCC COM AS LEGISLAÇÕES E PROPOSTAS LEGISLATIVAS DO CHILE. caput Art. 56. 1 Regulamento Anatel. a) Art. Art. 1.450 de 2011. 56. 24. 10. 44 Não há 57 PL S-1491/11 Art. observatório da internet. 59.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 43 . a) PL S-1491/11 Art. 44 Lei 1. 1. H. COLÔMBIA. ARGENTINA. 10. a) Art. caput Regulamento Anatel. 59. caput PL para modificação da Lei Federal de Telecomunicações Art.450 de 2011. H. BRASIL. 1 Art. Anteprojeto de Lei – Marco Civil da Internet Art. MÉXICO E VENEZUELA Liberdades Básicas para Neutralidade de rede do FCC Argentina Colômbia Brasil México PL 1159-D-2011 Art. Anteprojeto de Lei – Marco Civil da Internet PL para modificação da Lei Federal de Telecomunicações Não há 56 Chile Venezuela Liberdade de acesso a qualquer conteúdo legal Art. a) Liberdade para rodar qualquer aplicativo lícito PL 1159-D-2011 Lei 1.

8. . 56. 59. Art. MÉXICO E VENEZUELA Liberdades Básicas para Neutralidade de rede do FCC Argentina Colômbia Brasil México PL 1159-D-2011 Art. H. Art. Não consta na norma específica de neutralidade 57 Não consta na norma específica de neutralidade Chile Venezuela A REGULAÇÃO DA NEUTRALIDADE DE REDE Liberdade para conectar quaisquer dispositivos que não interfiram com o funcionamento da rede (carterfone) PL S-1491/11 Art. 2 Lei 1. d) Não consta na norma específica de neutralidade Não há 58 O fato desta liberdade não constar na norma específica de neutralidade não quer dizer que ela não esteja prevista em outra norma.450 de 2011. BRASIL. H. 56. 1. Art.44 observatório da internet. 24. 24. IV Regulamento Anatel. ARGENTINA. 4 Anteprojeto de Lei – Marco Civil da Internet Art.450 de 2011. 2. b) Não consta na norma específica de neutralidade Lei 1. COLÔMBIA.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 continuação > QUADRO COMPARATIVO DAS LIBERDADES BÁSICAS PARA OPEN INTERNET DO FCC COM AS LEGISLAÇÕES E PROPOSTAS LEGISLATIVAS DO CHILE. b) Não há 58 Acesso a informações abrangentes sobre planos de serviço (transparência) Art. §2 o Art.

§2 o Sim. H. a) Não se aplica Existe exceção ao princípio da neutralidade para fins de administração técnica ou de segurança? PL S-1491/11 Sim. c Não Sim. 24. Art. c 3 Sim. 56. caput Não Chile Venezuela Sim. 1. Art. 24. Art. observatório da internet. BRASIL. Art.5 continuação > 9 QUADRO COMPARATIVO DAS LIBERDADES BÁSICAS PARA OPEN INTERNET DO FCC COM AS LEGISLAÇÕES E PROPOSTAS LEGISLATIVAS DO CHILE. Art. Art. COLÔMBIA. MÉXICO E VENEZUELA Liberdades Básicas para Neutralidade de rede do FCC Argentina Colômbia Brasil México PL 1159-D-2011 Sim. 3 Não Não Não se aplica Existe a obrigação do oferecimento de serviço de controle parental pelos provedores a pedido dos usuários? PL S-1491/11 Não Não A REGULAÇÃO DA NEUTRALIDADE DE REDE 59 O artigo em questão prevê a possibilidade de que o usuário peça ao provedor o bloqueio de conteúdos de sua escolha. 10. a) Sim. Art. dentre outros. o controle parental realizado pelo provedor. ARGENTINA. Art.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 45 . 1. 59. 3 PL 1159-D-2011 Sim. H. o que pode ser interpretado como permitindo.

O caput do art. que a implementação absoluta do princípio da neutralidade é impossível. 61 . pretende-se vedar tanto o eventual bloqueio. contudo. pretende-se impedir que provedores distorçam a competição na rede ao aumentar as barreiras para entrada de novos competidores. Aborda-se também.gov. duas propostas de regulação do princípio da neutralidade de rede surgiram no Brasil em 2011: o art.126 de 2011.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=517255>. Disponível em: <http:// sistemas.07. sendo vedado estabelecer qualquer discriminação ou degradação do tráfego que não decorra de requisitos técnicos necessários à prestação adequada dos serviços . sem distinção por conteúdo. disciplinou o princípio da neutralidade de rede da seguinte forma: Art. 10 estabelece uma vedação geral ao tratamento diferenciado de pacotes de dados na Internet por provedores. Acessado em 18 de julho de 2012. conforme regulamentação da Agência Nacional de Telecomunicações – Anatel sobre preservação e garantia da neutralidade da rede. colocado em consulta pública pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).anatel. serviço. e garantir um espaço de autonomia para a adminis- 60 BRASIL. a proibição à prática de cobrança diferenciada pelos provedores de determinadas empresas. O responsável pela transmissão. 59 do Regulamento de Qualidade para Provedores de Serviço de Comunicação Multimídia 61. analisado ao longo do segundo capítulo dessa obra.46 observatório da internet. quanto as práticas de administração de rede que priorizem determinadas aplicações ou conteúdos. Anexo à Consulta Pública no 45 da Agência Nacional de Telecomunicações. em tramitação na Câmara dos Deputados. Esta vedação abarca tanto práticas de discriminação quanto de degradação.br/SACP/Contribuicoes/TextoConsulta.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A REGULAÇÃO DA NEUTRALIDADE DE REDE 3.2 Propostas de codificação da neutralidade de rede no Brasil Na esteira da regulamentação global. Acessado em 18. terminal ou aplicativo. com base no tipo de aplicação ou conteúdo acessado por seus usuários.camara. A regra estabelecida se coaduna com o princípio end to end mencionado anteriormente e visa garantir a manutenção dos princípios elencados por Van Schewick. Projeto de Lei no 2.2012. Ao fazer constar essas duas práticas. 10 do Marco Civil da Internet 60 e o art.asp?CodProcesso=C1514&Tipo=1&Opcao=>. Disponível em: <http:// www. É preciso reconhecer.gov. A proposta do Marco Civil enviada ao Congresso Nacional em 2011. Com isso. em detrimento de outros. origem e destino. comutação ou roteamento tem o dever de tratar de forma isonômica quaisquer pacotes de dados. 10.

filtrar. Acessado em 20 de julho de 2012. análise ou fiscalização de tráfego na rede. Além de reforçar a proibição ao bloqueio de conteúdos na rede. O problema de uma norma como essa seria a ausência de critérios mais objetivos para auxiliar na definição de quais condutas deveriam ser consideradas exceções lícitas. a proposta legislativa poderia ter adotado critérios adicionais para auxiliar o órgão regulador a estabelecer quais condutas deveriam constar nas exceções ao princípio da neutralidade.wikipedia. Uma regra absoluta proibiria. Parágrafo único. Além da delegação da regulamentação a uma entidade com capacidade técnica para tanto. em função de certos requisitos técnicos. ressalvadas as hipóteses admitidas em lei. qualquer tentativa de impedir o envio de spam ou mesmo de evitar ataques de negação de serviço (DoS)62.wikipedia. Na provisão de conexão à Internet. é crucial para permitir o funcionamento da rede. A opção adotada na norma do Federal Communications Commission dos EUA. houve uma preocupação adicional em evitar a prática conhecida como deep packet inspection. 10 vai além do estabelecimento da neutralidade e também veda práticas de monitoramento. Para uma visão geral da tecnologia veja: <http://en. pois as contramedidas necessárias para impedir estes ataques requerem o bloqueio do acesso originado de determinados computadores.org/wiki/Deep_packet_inspection>. 63 . Tendo em vista a necessidade de criar exceções à regra geral da neutralidade optou-se.org/ wiki/Ataque_de_nega%C3%A7%C3%A3o_de_servi%C3%A7o>. analisar ou fiscalizar o conteúdo dos pacotes de dados. Se tal norma fosse implementada. Acessado em 1o de julho de 2012. 63 Esta prática tornou-se alvo 62 Para uma explicação simplificada de um ataque de negação de serviço veja: <http://pt. filtragem. no Marco Civil. que consiste na análise do conteúdo dos pacotes que trafegam pela rede por intermediários que deveriam somente transmiti-los.A REGULAÇÃO DA NEUTRALIDADE DE REDE 47 observatório da internet. por exemplo. onerosa ou gratuita. é vedado monitorar. poderia interpretá-la de maneira absolutamente diferente do objetivo que se quer alcançar. por exemplo. por delegar à Anatel o poder de regulamentar essas hipóteses. Existem outras maneiras de permitir a flexibilização do princípio da neutralidade.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 tração de tráfego. na ausência de conhecimento técnico necessário e sem outros critérios para basear suas decisões. sua concretização dependeria exclusivamente do judiciário que. O parágrafo único do art. foi proibir a discriminação não razoável do tráfego na rede.

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de críticas quando uma empresa norte-americana começou a fazer acordos com provedores de acesso à Internet para monitorar o que seus usuários acessavam e oferecer propaganda a eles com base em seu histórico de acesso.64 Isso, contudo, não implica em uma vedação absoluta às práticas de monitoramento de dados na rede e a exceção prevista ao fim do parágrafo já encontra, por exemplo, uma hipótese de aplicação nos parágrafos 2 o e 3 o do art. 13 do Marco Civil da Internet. 65 A outra iniciativa de codificação do princípio da neutralidade de rede no Brasil encontra-se na consulta pública n o 45, realizada pela Anatel, que abordou o tema da seguinte maneira:
Art. 59. É vedado à prestadora realizar bloqueio ou tratamento discriminatório de qualquer tipo de tráfego, como voz, dados ou vídeo, independentemente da tecnologia utilizada. § 1 o A vedação prevista no caput desse artigo não impede a adoção de medidas de bloqueio ou gerenciamento de tráfego que se mostrarem indispensáveis à garantia da segurança e da estabilidade do serviço e das redes que lhe dão suporte; § 2 o Os critérios para bloqueio ou gerenciamento de tráfego de que trata o § 2 o desse artigo devem ser informados previamente a todos os assinantes e amplamente divulgados a todos os interessados, inclusive por meio de publicação no sítio da prestadora na Internet; § 3 o O bloqueio ou gerenciamento de tráfego deve respeitar a privacidade dos assinantes, o sigilo das comunicações e a livre, ampla e justa competição.

A proposta da Anatel assemelha-se ao do Marco Civil na proibição geral à discriminação. Contudo, a regra encontra vantagens sobre a outra proposta por alguns motivos. Primeiro, ela delineia melhor quais exceções ao princípio da neutralidade são permitidas (ou seja, somente aquelas relacionadas à garantia da segurança e da estabilidade do serviço ). Ao especificar, ele restringe as exceções e reforça a aplicação do princípio geral. Além disso, o regulamento

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Para um resumo da polêmica envolvendo as práticas de monitoramento desenvolvidas pela empresa Phorm, veja: <http://en.wikipedia.org/wiki/Phorm>. Acessado em 20 de julho de 2012.

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BRASIL. Projeto de Lei no 2.126/2011. Art. 13. Na provisão de aplicações de Internet é facultado guardar os registros de acesso dos usuários, respeitado o disposto no art. 7o.[...] §2o  Ordem judicial poderá obrigar, por tempo certo, a guarda de registros de acesso a aplicações de Internet, desde que se tratem de registros relativos a fatos específicos em período determinado, ficando o fornecimento das informações submetido ao disposto na Seção IV deste capítulo. §3o  Observado o disposto no §2o, a autoridade policial ou administrativa poderá requerer cautelarmente a guarda dos registros de aplicações de Internet, observados o procedimento e os prazos previstos nos §§ 3o e 4o do art. 11.

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estabelece um requisito mais rigoroso que o do Marco Civil para que a exceção seja possível. Enquanto nele é proibida a “discriminação ou degradação do tráfego que não decorra de requisitos técnicos necessários à prestação adequada dos serviços ” , o critério do regulamento é o da indispensabilidade que, ainda assim, se refere a hipóteses mais restritas. Além disso, o regulamento de qualidade prevê uma obrigação de transparência sobre as eventuais hipóteses de discriminação adotadas, prática que é crucial para que consumidores possam corretamente comparar os serviços que lhe são oferecidos por diferentes provedores de Internet e tomar decisões informadas. Por fim, vale lembrar que enquanto a norma geral do Marco Civil se aplicaria a qualquer tipo de acesso à Internet, o regulamento da Anatel abrangeria tão somente os prestadores do serviço de comunicação multimídia (SCM), ou seja, provedores de Internet. O acesso à Internet através da telefonia móvel não seria abarcado pela obrigação de neutralidade do regulamento. Apesar dessas críticas, as propostas são um importante avanço na defesa da neutralidade de rede e na garantia da manutenção das características técnicas originais da Internet.

o progresso científico também ensejou o surgimento de novas formas de violação da privacidade alheia. Abandonando a clássica visão de um “direito a estar só”.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 # Privacidade O ano de 2011 foi significativo para os debates envolvendo a proteção da privacidade e dos dados pessoais no ambiente digital. sobretudo da Internet. trouxe inegáveis benefícios à sociedade. levado a debate público por meio de procedimento inspirado no Marco Civil.P R I VA C I D A D E 51 observatório da internet. a noção de privacidade e sua proteção não poderiam deixar de evoluir. na medida em que a maioria dos usuários ignora os diversos meios pelos quais seus dados pessoais são coletados e utilizados ao navegarem na rede. como a facilidade e a rapidez na comunicação. 4 4. duas propostas regulatórias importantes merecem destaque: o Marco Civil da Internet e o Anteprojeto de Lei de Proteção a Dados Pessoais. No Brasil. foi aprovada a Lei sobre Acesso à Informação mantida por órgãos públicos e entidades privadas sem fins lucrativos que tenham recebido recursos públicos. Somado a isso. a própria Internet se revela um ambiente propício para a violação do direito à privacidade. Por outro lado. Além disso.1 Privacidade e dados pessoais O desenvolvimento das tecnologias da informação. Essa lei é importante pelo uso estratégico que a Internet passa a ter no exercício do direito constitucional de acesso à informação. de cunho individualista e preocupado em estabelecer . Considerando o contexto brevemente narrado acima.

no parágrafo 3o de seu artigo 1o. algumas regras que geram repercussão na proteção de dados pessoais.). de 10 de janeiro de 2001. e inciso XII. regula a manutenção de bancos de dados e cadastros de consumidores. em seus artigos 43 e 44.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 P R I VA C I D A D E um limite à intromissão do Estado na vida das pessoas. é o Código de Defesa do Consumidor. o direito à privacidade assume a importante função de proteção dos dados pessoais. incluindo os vizinhos Argentina e Uruguai. as quais tem um potencial discriminatório. a concepção atual de privacidade se relaciona à necessidade de um maior controle na utilização das informações pessoais. 5o. Desse modo. religiosas. Um anteprojeto de lei sobre a matéria foi levado a discussão pública em 2011. ao permitir o controle sobre as inúmeras possibilidades de seu tratamento (coleta. Esse controle serve para resguardar não somente os titulares dos dados. . o Brasil ainda não possui uma norma geral que trate da proteção dos dados pessoais. de 12 de novembro de 1997. que tutela a intimidade e a vida privada. que. estabelecendo uma série de garantias a estes últimos. O Brasil prevê proteção constitucional à privacidade no art.52 observatório da internet. uma vez que tais dados podem revelar informações sensíveis (raça. armazenamento e utilização).507. bem como a possibilidade de retificação desses dados. o direito de acesso do indivíduo às informações que lhe digam respeito e constem de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público.66 66 Vale citar também a Lei Complementar 105. A Constituição também assegura. no inciso LXXII do mesmo artigo. disciplinado na lei 9. ao estabelecer a inviolabilidade da vida privada no capítulo dedicado aos direitos da personalidade (art. que dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras e traz. Trata-se do remédio constitucional habeas data. inciso X. mas também a sociedade na qual os indivíduos se inserem. A única norma que trata especificamente da proteção de dados pessoais. opções políticas. Ao contrário de outros países. 21). além da lei que regulamenta a ação de habeas data. Também o Código Civil trata da privacidade. do domicílio e das comunicações. etc. sexuais. como será explicado adiante. que garante a inviolabilidade da correspondência.

2. 4. O anteprojeto de lei foi fruto de uma parceria do Ministério da Justiça com o Observatório Brasileiro de Políticas Digitais. o que concretizaria o direito constitucional à privacidade.1 Anteprojeto de lei de dados pessoais Em 2011 foi finalizado o debate público da proposta de um marco normativo para a proteção da privacidade e dos dados pessoais. o vazamento de dados é capaz de provocar danos concretos em diversas ocasiões. acidental ou mesmo intencional. constitui um desafio técnico e organizacional para as corporações que tratam esses dados. o seu uso é cada vez mais frequente e necessário para o desempenho de atividades pelos setores público e privado. Não é por outra razão que vem sendo objeto de crescente e intensa regulação no exterior. 23). que serão abordados a seguir. No caso dos dados pessoais.2. mesmo que não se torne público. O anteprojeto tem importância para as políticas digitais em pelo menos três aspectos. A ausência de uma política de administração dessas informações faz com que a sua manipulação ocorra de modo descuidado e em quantidades excessivas. como será visto adiante. Além disso.1. E.2 Iniciativas e propostas regulatórias com repercussão no tema da privacidade no Brasil 4.P R I VA C I D A D E 53 observatório da internet. tendo como objetivo precípuo assegurar ao cidadão o controle e a titularidade sobre as suas próprias informações pessoais. O debate teve início em 30 de novembro de 2010 e se estendeu até 30 de abril de 2011. e o seu conhecimento provoca. Casos de vazamento de dados têm se tornado comuns. uma sensação de desconfiança por parte do cidadão e consumidor em relação à instituição que permitiu a difusão das informações. o que facilita a sua difusão pública. justificadamente.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 4. inclusive no Brasil. o responsável pelo tratamento deve utilizar as medidas técnicas e administrativas proporcionais ao atu- . Desse modo. O anteprojeto de lei sobre dados pessoais também trata da questão.1 Vazamento de dados Um dos principais desafios (e preocupações) provocados pela facilidade de se registrar informações de grande volume é a possibilidade de seu “vazamento” ou difusão indevida. ao obrigar que o tratamento de informações seja feito de modo a reduzir ao mínimo o risco de acesso não autorizado a esses dados (art.

O anteprojeto coloca como exemplos de dados sensíveis aqueles relacionados à origem étnica ou racial. O tratamento de dados pessoais é considerado atividade de risco pelo anteprojeto. moral. de modo a evitar. filosófica ou políticas. genéticos. salvo se houver disposição legal expressa. em caso de vazamento de dados pessoais ou de qualquer outro dano patrimonial. 21). acidental ou ilícita. 8o. além dos dados de saúde. como em caso de prévio consentimento do seu titular e quando for indispensável para o exercício de atribuições legais ou estatutárias de quem realiza a sua utilização (parágrafo 1 o. individual ou coletivo. as convicções religiosas. devem ser capazes de prevenir a ocorrência desses danos (princípio da prevenção – inciso X.2 Tratamento de dados sensíveis Outro tema controverso e preocupante envolve o tratamento de dados sensíveis. responderá quem fez o tratamento de modo objetivo (art. veda o fornecimento obrigatório desses dados (art.2. contudo. pela sua natureza. constituindo. 4. assim considerados aqueles dados pessoais que. podem ensejar discriminação para o seu titular. em alguns casos. a difusão. 8o). a filiação a sindicatos. 4o. É possível visualizar a importância que os dados sensíveis possuem no desempenho de algumas atividades no âmbito digital. à natureza dos dados e às características específicas do tratamento. entre outros danos. Por outro lado. Isso significa que. se para finalidade de pesquisa (inciso IV ) ou se envolver dados manifestamente tornados públicos pelo seu titular (inciso V ). Já de início. Ademais. e da sua alimentação pelos próprios usuários do serviço. 21) e proíbe a formação de bancos com informações que revelem. O anteprojeto dedica um capítulo à regulamentação do tratamento de dados sensíveis. que dependem da manipulação constante de dados pessoais. O anteprojeto. inciso VII). Assim ocorre com as redes sociais.1. 6 o). .54 observatório da internet. de forma direta ou indireta. inciso I). muitos dos quais sensíveis. tais medidas. lista algumas situações em que o tratamento de dados sensíveis será permitido. o próprio cerne da atividade exercida. sempre que possível.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 P R I VA C I D A D E al estado da tecnologia. as opiniões políticas. filosóficas ou morais. partidos ou organizações religiosas. ou o acesso não autorizado a informações pessoais (princípio da segurança física e lógica – art. biométricos e os referentes à vida sexual do indivíduo (art. será considerado ilegal qualquer tratamento de dados sensíveis que seja utilizado para fins discriminatórios ao seu titular (parágrafo 2 o do art. inciso IV). art. inclusive. dados dessa natureza.

que envolve. Uma das problemáticas que envolvem o tema é diretamente abordada pelo Marco Civil e diz respeito à guarda e disponibilização de registros de conexão 67 e de 67 Compõem o conjunto de informações referentes à data e hora de início e término de uma conexão à Internet. inciso IV ). 7°. Em caso de utilização de dados sensíveis. Além disso.P R I VA C I D A D E 55 observatório da internet. na medida em que se baseia no levantamento de informações na correspondência pessoal. Ao estabelecer princípios.2 A privacidade no Marco Civil da Internet Outra proposta normativa de visível importância para as políticas digitais no país é o Anteprojeto de Lei chamado Marco Civil da Internet.2. conforme um dos princípios fundamentais do Anteprojeto. . o anteprojeto prevê que os dados pessoais somente podem ser tratados após prévio consentimento do seu titular e desde que esse consentimento seja livre. no caso do e-mail .1. garantias. sua duração e o endereço IP utilizado pelo terminal para o envio e recebimento de pacotes de dados (art. o Marco Civil prevê a proteção da privacidade e dos dados pessoais. o tratamento deverá ser obrigatoriamente orientado pelas finalidades que motivaram a coleta dos dados e foram informadas ao seu titular. expresso e informado (art. essa prática pode ser considerada uma invasão de privacidade. mas também extremamente incômoda para quem a recebe. já mencionados no item anterior. A respeito do assunto. inciso I).2. deverão ser observados também os dispositivos específicos sobre tais dados. do usuário. pode ser útil. Essa forma de publicidade. 5o.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 4. Além disso. o que se torna mais concreto na garantia do usuário ao ter definido no contrato de prestação de serviços de Internet o regime de proteção de seus dados pessoais. estaria vedada a prática de propaganda comportamental que envolva determinado tratamento para o qual não foi obtido consentimento do titular dos dados. explícitas e legítimas” do responsável pela utilização dos dados (art. registros de conexão e registros de acesso a aplicações de Internet (art. O tratamento estará adstrito às finalidades “determinadas. direitos e deveres para uso da Internet no país. 4.3 Publicidade comportamental Outra atividade que envolve o tratamento de dados pessoais na Internet e pode ter repercussões negativas para a proteção da privacidade dos consumidores é a publicidade comportamental. 8o. por exemplo. 9o). a disposição de anúncios na página da conta de e-mail do usuário conforme seus hábitos e interesses. inciso VI). Desse modo.

O prazo de manutenção dos registros poderá ser superior mediante requisição cautelar de autoridade judicial ou administrativa (art. 69 . o projeto de lei obriga que a guarda e a disponibilização desses registros ocorra de modo a preserver a intimidade. 11. Tais registros de acesso poderão. pelo prazo de um ano. fica vedado o armazenamento de registros de acesso no caso de provisão de conexão. a honra e a imagem das partes direta ou indiretamente envolvidas (art. ser guardados ou não. 4. 12).56 observatório da internet. incluindo a Organização das Nações Unidas e a Organização dos Estados Americanos.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 P R I VA C I D A D E acesso 68 a aplicações de Internet. em razão de ordem judicial. 12. 7°. 10).2. Em caso de violação do dever de sigilo estabelecido no Marco Civil. respeitados os direitos do usuário. parágrafo 1 o). criminal e administrativas. mas também de participar de modo efetivo da tomada de decisões que poderão afetá-lo (CGU. como a saúde. A premissa é que um cidadão bem informado passa a ter mais condições não só de conhecer os seus direitos essenciais. Por outro lado. a educação e benefícios sociais. Pela possibilidade de revelarem informações pessoais. a cargo do provedor de aplicações de Internet. Diversos organismos internacionais. o anteprojeto determina que o provedor responsável pela guarda somente será obrigado a disponibilizar as informações que levem à identificação do usuário mediante autorização judicial (art. devidamente cadastrada no ente nacional responsável pelo registro e distribuição de endereços IP geograficamente referentes ao País” (art. 10. a vida privada. o infrator ficará sujeito a sanções de natureza civil. 5o. A guarda desses registros poderá ser obrigatória. Na parte geral sobre guarda de registros. em ambiente controlado e de segurança. seja onerosa ou gratuita (art.3 Lei de acesso à informação pública O acesso à informação pública é hoje compreendido como um dos fundamentos para a consolidação da democracia. caput e parágrafo 2°). inciso VIII). reconhecem o acesso à informação 68 O conjunto de informações referentes à data e hora de uso de uma determinada aplicação de Internet a partir de um determinado endereço IP (art. Em relação aos registros de conexão à Internet. Trata-se da “pessoa física ou jurídica que administra blocos de endereço Internet Protocol – IP específicos e o respectivo sistema autônomo de roteamento. 2011). 5o. inciso III). previstos no art. caso se relacionem a fatos específicos em periodo determinado (art. o administrador do sistema autônomo 69 deverá manter tais registros sob sigilo. parágrafo 2°).

527/2011 se apoia na noção de que a informação produzida. Na mesma linha.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 como um direito fundamental. passou a regulamentar o direito de acesso à informação. 2 o). guardada. sendo obrigatório apenas conter a identificação do requerente e a especificação da informação solicitada. o que inclui sites da Internet (parágrafo 2 o). Submetem-se aos procedimentos dessa lei os órgãos e entidades públicas dos três Poderes (Executivo. Distrito Federal e município (art. a exceção (CGU. portanto. inciso II. e respostas a perguntas mais frequentes da sociedade. Além disso. inciso III). e o sigilo. se estiver disponível. estadual. cerca de 90 países hoje adotam legislações específicas sobre o tema. Há então uma mudança de paradigma em matéria de transparência pública. empresas públicas. prevê o exercício da transparência ativa ao obrigar órgãos e entidades públicos a divulgarem. estados. solicitar acesso às informações públicas. inciso XXXIII. 37 o. bem como autarquais. conforme procedimento que será abordado adiante. fundações públicas. No Brasil. Qualquer cidadão poderá. a lei estabelece prazos para o repasse das informações ao requerente: a resposta deve ser dada imediatamente. dados gerais para acompanhamento de programas. Entre as informações a serem disponibilizadas estão endereços e telefones das unidades e horários de atendimento ao público. A lei também se aplica a entidades privadas sem fins lucrativos que tenham recebido recursos públicos para a realização de ações de interesse público (art. projetos e obras. A lei é uma importante contribuição para as políticas digitais. na medida em que visualiza o potencial dos meios de comunicação viabilizados pela tecnologia da informação na efetivação do direito de acesso à informação (art. O pedido não precisa ser justificado. assim como os Tribunais de Contas e o Ministério Público. de todos os níveis de governo (federal. a lei n o 12. O requerente poderá recorrer no caso de indeferimento do pedido de acesso ou de negativa de acesso (art. de 18 de novembro de 2011.527. as informações de interesse coletivo ou geral que produziram ou custodiaram. ao se estabelecer que o acesso é a regra. ações. A lei 12. Para os pedidos de acesso feitos pelos cidadãos. 216 o. desde que não classificadas como sigilosas. organizada e gerenciada pelo Estado em nome da sociedade é um bem público. 1 o). . 3 o. §3 o. em local de fácil acesso. 15o). distrital e municipal). ou em até 20 dias.P R I VA C I D A D E 57 observatório da internet. que já era previsto constitucionalmente (artigos 5 o. 2011). prorrogáveis por mais 10 dias. da Constituição Federal). sociedades de economia mista e demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União. §2°. Legislativo e Judiciário).

a lei prevê que o seu tratamento deve ser feito de modo transparente e com respeito à intimidade. sendo vedada a identificação do titular das informações. com prazo de segredo de 15 anos. atividades de inteligência). com prazo de segredo de 25 anos. consideradas aquelas relativas “à pessoa natural identificada ou identificável” (art. A lei especifica as autoridades com prerrogativa de classificar as informações nos diferentes graus de sigilo. contudo.58 observatório da internet. A regra geral é que uma informação pública somente poderá ser classificada como sigilosa se considerada imprescindível à segurança da sociedade (à vida. segurança ou saúde da população) ou do Estado (soberania nacional. exceções à regra de acesso no caso de dados pessoais e informações classificadas pelas autoridades como sigilosas. quando a pessoa for física ou legalmente incapaz. 24 o). com prazo de segredo de 5 anos (art. c) cumprimento de ordem judicial. 27 o). 4 o. 31 o). As informações públicas poderão ser classificadas como: I) ultrassecretas. honra e imagem das pessoas (art. e III) reservadas. IV ). 21 o). Quanto mais estrito o sigilo. As demais informações de acesso restrito são aquelas consideradas sigilosas. Essas informações dependem de consentimento expresso do seu titular ou de previsão legal para que possam ser divulgadas a terceiros. vida privada. e e) proteção do interesse público e geral preponderante. renovável uma vez. relações internacionais. não poderão ter acesso restrito às informações ou documentos que versem sobre condutas que impliquem em violação dos direitos humanos praticadas por agentes públicos ou a mando de autoridades públicas (art. . Contudo. b) realização de estatísticas e pesquisas científicas de interesse público ou geral. maior o nível hierárquico do agente público (art.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 P R I VA C I D A D E Há. d) defesa de direitos humanos. A respeito das informações pessoais. No entanto. e para utilização no tratamento médico. II) secretas. será possível obter acesso à informação pessoal sem a exigência de prévio consentimento do seu titular nos casos em que o acesso a tais informações for necessário para: a) prevenção e diagnóstico médico.

com/2011/11/articles/new-chinese-legislation-includesprovisions-protecting-personal-information/>. incluindo Chile.3 Iniciativas e propostas regulatórias com repercussão no tema da privacidade no âmbito internacional 4.huntonprivacyblog. Uruguai. conhecidas como Information Technology Rules .com/2011/05/articles/india-drafts-new-privacy-regulations/>. bem como a adoção de medidas adicionais de segurança.72 70 Disponível em: <http://www. 71 72 . México e Colômbia. Disponível em: <http://www. evidentemente. Contudo. As novas regras apresentam similaridades com a legislação europeia sobre privacidade e a sua implementação é tida como um desafio para prestadores de serviço e consumidores. 71 A China.1 Normas sobre proteção de dados pessoais Em 2011. O Peru se junta ao grupo dos países latino-americanos. também não possui uma legislação uniforme sobre a proteção de dados pessoais.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 4.3. a exemplo do Brasil. mas a maioria se dirige especificamente a determinadas áreas (comércio eletrônico ou bancos).com/2011/08/articles/english-translation-of-peruslaw-for-personal-data-protection-released/>. 70 No contexto asiático. A Ley de Protección de Datos Personales ( Ley N o 29. o que. Em abril de 2011. Essas regras impõem uma série de obrigações às corporações que promovam o tratamento de dados pessoais. a província de Jiangsu publicou o Regulamento de Tecnologia da Informação. Acesso em 20 de julho de 2012. Tais obrigações exigem que as corporações estabeleçam políticas de privacidade. a adotar uma legislação específica sobre o tema. tendo como inspiração a experiência normativa europeia.733 ) foi apresentada pela presidência a fim de adequar o Peru aos acordos de livre comércio que possui com Estados Unidos e Canadá e o futuro acordo com a União Europeia. terá impacto no tratamento desses dados na Internet. Acesso em 20 de julho de 2012. duas iniciativas importantes foram adotadas. Acesso em 20 de julho de 2012. em setembro de 2011. alguns países aprovaram normas que dispõem sobre a proteção de dados pessoais.huntonprivacyblog. restrinjam o processamento de dados sensíveis e a transferência internacional de dados. Disponível em: <http://www.huntonprivacyblog. A China possui diversas normas sobre a proteção de informações pessoais. que inclui dispositivos sobre a coleta e o uso de dados pessoais e sanções em caso de violação a essas previsões.P R I VA C I D A D E 59 observatório da internet. O regulamento é visto como um importante marco rumo à adoção de uma lei nacional de proteção a dados pessoais pelo país. Argentina. a Índia adotou novas regras sobre privacidade.

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permitindo que a sociedade entendesse a exata intenção do governo com a reforma da lei. levado à consulta pública em junho de 2010. envolvendo diversos setores da sociedade. os direitos constitucionais dos autores e da sociedade de ter acesso à educação.A REGULAÇÃO DA INTERNE T NA REFORMA DA LEI DE DIREITOS AUTORAIS: O AR TIGO 105-A DA PROPOSTA 61 observatório da internet. Entre os principais objetivos da proposta. de Gilberto Gil. sintonizar a legislação com os novos paradigmas estabelecidos pelo ambiente digital. pretendeu. seminários e reuniões iniciado em 2007. Ciente do descompasso da lei atual e de toda sua problemática.610. de 1998). o Ministério da Cultura apresentou justificativas e esclarecimentos bastante elucidativos. constituir um instrumento para desenvolver e consolidar a economia da cultura no país. o Ministério da Cultura. ao mesmo tempo. garantindo. encontram-se: ampliar e assegurar efetivo estímulo e proteção aos autores e às suas criações. Ao longo da consulta pública. ampliar e democratizar o acesso da população aos bens e serviços culturais. é a primeira vez que adotamos uma atitude progressista voltada para a regulação dos direitos autorais. elaborou um anteprojeto de lei para a reforma da Lei de Direitos Autorais (LDA – Lei n o 9. Historicamente. à informação e à cultura.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A regulação da Internet na # reforma da Lei de Direitos Autorais: o Artigo 105-A da proposta 5 Após um longo processo de audiências. segundo o governo Lula e em consonância com a gestão anterior. promover o equilíbrio de direitos entre todos envolvidos. e viabilizar a atuação do Estado na formulação de políticas públicas de . através da revisão da lei. a gestão de Juca Ferreira. sob a gestão de João Luiz Silva Ferreira (Juca Ferreira).

em função da mudança na gestão. permitindo comentários apenas sobre alguns temas e somente por especialistas. 73 Em janeiro de 2011. Dessa forma. em seu art.br/site/2010/04/12/nota-a-sociedade-sobre-a-revisao-da-lei-de-direito-autoral/>. O texto enviado à Casa Civil prevê. um trecho é de especial interesse no que diz respeito à regulação da Internet. optou-se por novas alterações e por abrir novamente o texto para consulta 74. houve o encaminhamento de volta à Casa Civil.gov. Terminada essa etapa de elaboração da proposta final do anteprojeto de lei. O processo de consulta ocorreu entre os dias 25 de abril e 30 de maio de 2011. tornar indisponível o conteúdo apontado como infringente. desta vez de forma menos democrática e menos transparente. Acesso em 15 de maio de 2010. sob pena de invalidade: 73 Ver <http://www. se notificados pelo titular ofendido ou mandatário e não tomarem as providências para. supervisão.  por danos decorrentes da colocação à disposição do público de obras e fonogramas por terceiros. o Anteprojeto de revisão da Lei de Direito Autoral retornou da Casa Civil para o Ministério da Cultura. o texto do artigo estabelece que: Art. nos termos do art.gov.br/ site/2011/04/20/ultima-fase-da-revisao-da-lda/>. onde o projeto se encontra para análise e posterior envio ao Congresso Nacional. § 2 o A notificação de que trata o caput deste artigo deverá conter. sendo facultada a criação de mecanismo automatizado para atender aos procedimentos dispostos nesta Seção. As regras referentes à nova consulta podem ser encontradas no site: <http://www.cultura. Durante o período de análise do texto pela Ministra da Cultura e pela Diretoria de Direitos Intelectuais da Secretaria de Políticas Culturais.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A REGULAÇÃO DA INTERNE T NA REFORMA DA LEI DE DIREITOS AUTORAIS: O AR TIGO 105-A DA PROPOSTA promoção. Ana Buarque de Hollanda assumiu o Ministério da Cultura e. 105-A. no âmbito do seu serviço e dentro de prazo razoável. regulação e defesa dos interesses da sociedade e do país no âmbito interno e nos fóruns internacionais. § 1 o Os provedores de aplicações de Internet devem oferecer de forma ostensiva ao menos um canal eletrônico dedicado ao recebimento de notificações e contranotificações.62 observatório da internet. sem autorização de seus titulares. 105-A.cultura. Acesso em 3 de março de 2012. Dentre as alterações. 74 . 105. Os provedores de aplicações de Internet poderão ser responsabilizados solidariamente. a responsabilização solidária de provedores de conteúdo que não tomarem as providências cabíveis para tornar indisponível o conteúdo apontado como infringente pelo titular dos direitos autorais.

caso em que caberá aos provedores de aplicações de Internet o dever de restabelecer o acesso ao conteúdo indisponibilizado e informar ao notificante o restabelecimento. contranotificar os provedores de aplicações de Internet. o dispositivo transfere para o titular o poder de decidir sobre a legalidade do uso da obra. assumindo a responsabilidade pela manutenção do conteúdo. § 3 o Ao tornar indisponível o acesso ao conteúdo. Em primeiro lugar. deve-se destacar que a proposta determina a remoção de conteúdos supostamente infringentes. seus números de registro civil e fiscal e dados atuais para contato.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 I – identificação do notificante. caberá aos provedores de aplicações de Internet informar o fato ao responsável pela colocação à disposição do público. e desde que presentes os requisitos de validade da notificação. § 8 o Os usuários que detenham poderes de moderação sobre o conteúdo de terceiros se equiparam aos provedores de aplicações de Internet para efeitos do disposto neste artigo. por informações falsas. § 7 o Tanto o notificante quanto o contranotificante respondem. um incentivo para notificar todo e qualquer uso não autorizado de sua obra. II – data e hora de envio. observados os requisitos do § 2 o. requerendo a manutenção do conteúdo e assumindo a responsabilidade exclusiva pelos eventuais danos causados a terceiros. poderá contranotificar os provedores de aplicações de Internet. física ou jurídica. que permita a localização inequívoca do material pelo notificado. cabe aos provedores de aplicações de Internet manter o bloqueio. . sem questionar. e V – justificativa jurídica para a remoção. § 5 o É facultado ao responsável pela colocação à disposição do público. Isso ocorre porque a mera possibilidade de responsabilização do provedor já constitui incentivo suficiente para que o provedor acate. incluindo seu nome completo. O titular obviamente tem. Posto de outro modo. observados os requisitos do § 2 o. seja pelo Judiciário. por seu turno. errôneas e pelo abuso ou má-fé. IV – descrição da relação entre o notificante e o conteúdo apontado como infringente. III – identificação clara e específica do conteúdo apontado como infringente. todas as ordens de remoção de conteúdo enviadas por titulares. § 6 o Qualquer outra pessoa interessada. § 4 o Caso o responsável pelo conteúdo infringente não seja identificável ou não possa ser localizado.A REGULAÇÃO DA INTERNE T NA REFORMA DA LEI DE DIREITOS AUTORAIS: O AR TIGO 105-A DA PROPOSTA 63 observatório da internet. seja pelo provedor. independentemente da análise da procedência do pedido. o que pode causar alguns problemas. nos termos da lei. comunicando-lhe o teor da notificação de remoção e fixando prazo razoável para a eliminação definitiva do conteúdo infringente.

de outra forma. hipótese em que o uso independe de autorização do autor. assumindo a responsabilidade pela manutenção do conteúdo. por exemplo. conforme o parágrafo 6 o deste mesmo artigo. observados os requisitos do § 2o. 76 Optando pela contranotificação. deve imediatamente republicar o conteúdo. da forma como se encontra. em que o uso consistirá em uma limitação ao direito do autor. em seu parágrafo 5 o – facultar ao responsável pela colocação à disposição do público a contranotificação dos provedores e a manutenção do conteúdo – é muito provável que este usuário. diante de uma eventual contranotificação. tais como o direito à liberdade de expressão e as exceções e limitações ao direito do autor. desde que assuma responsabilidade por eventual infração autoral realizada pelo autor da publicação original. o usuário passa a assumir a responsabilidade exclusiva pelo conteúdo e por eventuais danos causados. já há diversos casos de arquivos públicos que simplesmente ignoram o domínio público. usuários e titulares acarretem na retirada de obras que. requerendo a manutenção do conteúdo e assumindo a responsabilidade exclusiva pelos eventuais danos causados a terceiros. observados os requisitos do § 2o. colocando restrições e cobrando pagamentos pelo uso de obras em domínio público. Apesar do dispositivo legal. Sérgio Branco em seu livro “O Domínio Público no Direito Autoral Brasileiro”. poderiam ser livremente e legalmente publicadas na Internet. poderá contranotificar os provedores de aplicações de Internet. poderá dar ensejo ao uso abusivo do direito do autor. caso em que caberá aos provedores de aplicações de Internet o dever de restabelecer o acesso ao conteúdo indisponibilizado e informar ao notificante o restabelecimento. como alguns podem imaginar. contranotificar os provedores de aplicações de Internet. Muito pelo contrário. qualquer outra pessoa interessada pode contranotificar. mesmo acreditando não haver ilegalidade em sua conduta. enquanto o provedor de Internet. Casos poderão existir. 75 O dispositivo. opte por não apresentar contranotificação pelo receio de ser responsabilizado e por ter que arcar com os dispendiosos custos de um processo judicial. 76 77 . podendo restringir severamente alguns direitos. outros tantos existirão em que somente a análise individual e contextualizada poderá determinar se o uso é ilegal ou não. 77 75 Vale destacar que esta não é uma possibilidade remota. como demonstrou o prof. Poderão também ocorrer casos em que a obra já esteja em domínio público e que a alocação de incentivos entre provedores.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A REGULAÇÃO DA INTERNE T NA REFORMA DA LEI DE DIREITOS AUTORAIS: O AR TIGO 105-A DA PROPOSTA Enquanto em alguns casos não restarão dúvidas sobre o caráter infringente do uso de determinada obra.64 observatório da internet. previsto nos artigos 46 e seguintes da LDA. física ou jurídica. § 5o – É facultado ao responsável pela colocação à disposição do público. § 6o – Qualquer outra pessoa interessada. Além disso.

Conforme debatido no âmbito do Marco Civil da Internet.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 Além disso. . Dessa forma.A REGULAÇÃO DA INTERNE T NA REFORMA DA LEI DE DIREITOS AUTORAIS: O AR TIGO 105-A DA PROPOSTA 65 observatório da internet. a uniformização das propostas deveria caminhar no sentido de exigir ordem judicial para remoção do conteúdo supostamente infringente também no presente projeto. a redação final passou a exigir ordem judicial para remover qualquer conteúdo apontado como infringente. Ocorre que. 105-A diz respeito justamente à harmonização do regime da Lei de Direitos Autorais com o proposto no Marco Civil da Internet. a aprovação de um sistema que defina a responsabilidade dos intermediários por conteúdo postado por terceiros criaria um incentivo econômico para que estes promovam a remoção de conteúdo independentemente de uma avaliação do Poder Judiciário sobre a ilegalidade da informação apontada como infringente. um dos objetivos da proposição do art. após larga discussão no âmbito da consulta pública do Marco Civil da Internet.

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br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 # Governança da Internet 6. soft law 78 e boas práticas tem um papel importante para o avanço do regime. que estabelecem metas gerais e programas de ação.GOVERNANÇA DA INTERNE T 67 observatório da internet. 3) os resultados dos processos de governança nem sempre se materializam em tratados ou acordos formais. The Challenge of soft law: development and change in international law. Estes possuem caráter voluntário e podem ser formulados com a participação de atores governamentais e não governamentais. C. 6 78 Uma variedade de instrumentos se encontra sob o manto genérico da soft law. Recebem essa denominação tanto os tratados que incluem obrigações vagas ou fracas. setor privado. vol 38. p. dele participam. New York: Cambridge University Press. 1989. Chinkin. ou seja. com relativa igualdade. 2) a legitimidade dos participantes do regime advém sobretudo da sua expertise e de sua capacidade de contribuir no processo de elaboração de políticas. por outro.1 Governança da Internet no plano internacional A governança da Internet refere-se aos processos segundo os quais emergem os consensos. como as resoluções e termos de conduta. 851-2. . por um lado. comunidade técnica e acadêmica. autorregulação. garantir o bom funcionamento da rede e. princípios. O regime de governança da Internet tem algumas características particulares que o distinguem de grande parte dos regimes internacionais: 1) é multissetorial. vários atores. como os instrumentos sem caráter obrigatório. compartilhar informações e boas práticas de maneira a avançar rumo à harmonização e a compatibilização de políticas. Os objetivos principais do regime de governança da Internet são. normas de conduta e de tomada de decisão relacionados à Internet. International and Compartive Law Quarterly. como governos. sociedade civil.

O processo de politização do tema não é novo. 6. As questões ligadas à cibersegurança e aos direitos humanos tiveram destaque. impactam e restringem as opções de regulação e de políticas que podem ser adotadas nacionalmente.2 Um panorama da governança da Internet em 2011 Ao longo do ano de 2011. Concomitantemente. Vários incidentes. ações coordenadas de hackers e crackers e ataques DDoS impulsionaram a discussão sobre segurança nos meios de comunicação. As decisões tomadas no plano internacional. o acompanhamento das discussões no âmbito internacional é de fundamental importância para que se possa influir nas futuras políticas de regulação da rede. a conferência de Viena sobre Internet e Direitos Humanos. principalmente diante das repercussões do WikiLeaks e da importância da Internet para o ativismo social. como a proteção à propriedade intelectual on-line . o que amplia os desafios para coordenar as políticas de governança da Internet no âmbito governamental. que se influenciam mutuamente. regional e global –. Diante disso. o Fórum sobre a Internet promovido pelo G8 antes da reunião de cúpula de Deauville e as discussões no âmbito do Fórum IBAS. em um processo contínuo de recrudescimento do enforcement .br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 GOVERNANÇA DA INTERNE T A governança da Internet pode ser exercida em vários níveis – nacional. Houve também esforços para que certos temas. Os temas tratados nos fóruns internacionais dedicados à governança da Internet têm íntima relação com os interesses dos usuários da rede: neles há a discussão da privacidade. Brasil e África do Sul. da liberdade de expressão. da segurança e de estratégias para a ampliação do acesso e barateamento dos custos de conexão. Parece ter havido a superação definitiva do entendimento de que a governança da Internet é um tema exclusivamente técnico e de que se resume à gestão da infraestrutura e dos recursos críticos (nomes de domínio e números IP). dentre outros. como vazamentos de informação. Os exemplos que corroboram o aumento da importância do tema nas agendas políticas nacionais são abundantes: os seminários promovidos pelo Conselho da Europa.68 observatório da internet. o tema expandiu-se para além dos Ministérios que lidam com comunicações e tecnologia. tivessem destaque nas discussões sobre segurança. a governança da Internet tornou-se um tema extremamente politizado. do acesso a conteúdos. que congrega Índia. mas acentuou-se bastante. por exemplo. a exemplo do que aconteceu na Primavera Árabe.

GOVERNANÇA DA INTERNE T 69 observatório da internet.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 e majoração das penalidades. diante da fragmentação da rede em plataformas fechadas e operadas em regime privado. pela OCDE. O mesmo entendimento prevaleceu no Brasil.br. Consolida-se no âmbito internacional o entendimento de que é preciso desenvolver princípios norteadores para a governança da Internet. têm fornecido elementos para a discussão no plano internacional. Tornou-se mais palpável também a tendência de privatização da governança da Internet. como as suas políticas de privacidade. pelo Conselho da Europa e pela União Europeia. Uma pluralidade de iniciativas para definição desses princípios foi trazida à tona. houve a intensificação das discussões acerca da liberdade de expressão e de associação na rede e sobre as possíveis implicações negativas das políticas de segurança sobre os direitos humanos. elaborada. Tanto o Marco Civil como os princípios para a Governança e uso da Internet no Brasil. têm sido cada vez mais pressionados a atuar como vigilantes do comportamento dos usuários na rede e a agir como partícipes para coibir condutas reputadas ilícitas. Paralelamente. A convergência entre plataformas acentua esse quadro e deixa os usuários vulneráveis diante das decisões que são tomadas unilateralmente pelas empresas acerca de temas importantes. Diante dessa combinação de fatores. que irão servir de baliza à elaboração e harmonização de normas e de políticas públicas. no processo de elaboração do Marco Civil da Internet. elaborados pelo CGI. iniciou-se um processo de rediscussão de algumas das principais instituições relacionas à governança da Internet. dentre outros. Encontra-se em curso ainda a implementação da controversa decisão de criar novos nomes de domínio genéricos de primeiro nível ( top level domain names ou gTLDs).   Em 2011. A Assembleia Geral das Nações Unidas decidiu renovar o mandato do Fórum de Governança da Internet (IGF) até 2015. inclusive sobre a privacidade. Por outro lado. sobretudo para garantir que . A ICANN (Corporação da Internet para Designação de Nomes e Números ou Internet Corporation for Assigned Names and Numbers ) também passa por um processo de reforma administrativa e de escolha de um novo CEO. alguns atores privados. é possível prever o maior interesse da sociedade sobre o tema da governança da Internet. em um processo de privatização e terceirização da aplicação da lei. e um Grupo de Trabalho foi criado com o intuito de fazer sugestões para o aperfeiçoamento do Fórum. como os provedores de acesso e as entidades de registro de nomes de domínio. como as redes sociais.

Pode-se prever ainda o maior envolvimento dos governos nesse tema e uma possível tentativa de aprofundar o diálogo com os atores privados.br também foi um dos pioneiros na discussão sobre princípios para a Internet. Composto por membros do governo. do terceiro setor e da comunidade acadêmica. o CGI. CGI. 79 6. em que os representantes de cada segmento não governamental são eleitos para compor um órgão colegiado que exerce o papel de coordenar e integrar as iniciativas de serviços de Internet no país. considerando a necessidade de lastrear suas ações e decisões em bases sólidas. o CGI.70 observatório da internet. Disponível em: <http://www.org/cms/component/content/article/71-transcripts/815-ig4d-workshop-144-human-rights-come-first-a-constitutional-moment-for-internet-governance>. Acesso em 20 de julho de 2012. do setor empresarial.1 Princípios do CGI. já que os princípios em discussão atualmente podem servir de base a todo o arcabouço normativo que se aplicará à sociedade em rede no futuro.br para a governança e uso da Internet no Brasil O Comitê Gestor da Internet – CGI. 80 . Esse rol de princípios comuns ajudaria a promover a convergência entre os atores e balizaria normas internacionais. Em 2009.3 Iniciativas voltadas à elaboração de princípios para a governança da Internet Há um consenso emergente na cena internacional de que é importante desenvolver um quadro harmônico de princípios gerais antes de promover a regulação de temas específicos relacionados à Internet.intgovforum.3.htm>.cgi.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 GOVERNANÇA DA INTERNE T direitos já consagrados sejam respeitados na rede.br.br aprovou os seguintes princípios para a governança e uso da Internet no Brasil: 80 79 IGF workshop 144: Human Rights Come First: a Constitutional Moment for Internet Governance? Nairobi.br representa um modelo de governança democrático e plural. O CGI. Fazendo um paralelo com os processos políticos que ocorrem no âmbito nacional. 2011. 6. alguns chegam a afirmar que a Internet passa por um momento “constitucional”. Disponível em: <http://www. Princípios da para a governança e uso da Internet no Brasil. Acesso em 20 de julho de 2012.br é uma experiência pioneira e única. sobretudo com as empresas.br/regulamentacao/resolucao2009-003. RES/2009/003/P.

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1. Liberdade, privacidade e direitos humanos O uso da Internet deve guiar-se pelos princípios de liberdade de expressão, de privacidade do indivíduo e de respeito aos direitos humanos, reconhecendo-os como fundamentais para a preservação de uma sociedade justa e democrática. 2. Governança democrática e colaborativa A governança da Internet deve ser exercida de forma transparente, multilateral e democrática, com a participação dos vários setores da sociedade, preservando e estimulando o seu caráter de criação coletiva. 3. Universalidade O acesso à Internet deve ser universal para que ela seja um meio para o desenvolvimento social e humano, contribuindo para a construção de uma sociedade inclusiva e não discriminatória em benefício de todos. 4.  Diversidade A diversidade cultural deve ser respeitada e preservada e sua expressão deve ser estimulada, sem a imposição de crenças, costumes ou valores. 5.  Inovação A governança da Internet deve promover a contínua evolução e ampla difusão de novas tecnologias e modelos de uso e acesso. 6.  Neutralidade da rede Filtragem ou privilégios de tráfego devem respeitar apenas critérios técnicos e éticos, não sendo admissíveis motivos políticos, comerciais, religiosos, culturais ou qualquer outra forma de discriminação ou favorecimento. 7. Inimputabilidade da rede O combate a ilícitos na rede deve atingir os responsáveis finais e não os meios de acesso e transporte, sempre preservando os princípios maiores de defesa da liberdade, da privacidade e do respeito aos direitos humanos. 8. Funcionalidade, segurança e estabilidade A estabilidade, a segurança e a funcionalidade globais da rede devem ser preservadas de forma ativa por meio de medidas técnicas compatíveis com os padrões internacionais e estímulo ao uso das boas práticas. 9. Padronização e interoperabilidade A Internet deve basear-se em padrões abertos que permitam a interoperabilidade e a participação de todos em seu desenvolvimento. 10. Ambiente legal e regulatório O ambiente legal e regulatório deve preservar a dinâmica da Internet como espaço de colaboração.

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Esse rol de princípios foi apresentado aos participantes do IGF como uma contribuição brasileira à discussão sobre princípios no plano global, tendo obtido ampla aceitação. Markus Kummer, ex-secretário-executivo do IGF, opinou: “Eu poderia imaginar um consenso em torno destes princípios fundamentais. Ficaria feliz em apoiá-los”. Vint Cerf acrescentou: “Estes são princípios que eu acho que podem ser amplamente aceitos”. 81 O documento elaborado pelo CGI.br foi um dos estímulos a iniciativas voltadas a elaboração de princípios surgidas desde então.

6.3.2 Princípios elaborados pelo Conselho da Europa (CoE)
O Conselho da Europa (CoE) é uma organização internacional que visa promover a cooperação entre países europeus para o fortalecimento dos direitos humanos, da democracia e do Estado de Direito. Foi fundada em 1949 e tem 47 Estados membros. Dentre os órgãos institucionais do CoE, há a Corte Europeia dos Direitos Humanos, responsável por aplicar a Convenção Europeia dos Direitos Humanos, e o Conselho de Ministros, que produz declarações e recomendações, de caráter não vinculante, mas com peso político significativo, característico dos instrumentos de soft law. Em 2005, os Estados membros do CoE decidiram analisar a viabilidade de um instrumento legal que pudesse tratar dos fluxos transfronteiriços na Internet. Com esse objetivo, criou-se um grupo ad hoc de experts com composição multissetorial, que propôs dez princípios para a governança da Internet 82, endossados na declaração conjunta do Comitê de Ministros do CoE. 83 Além da ênfase dada à proteção dos direitos fundamentais, alguns princípios merecem destaque. Primeiro, afirma-se que qualquer política aplicada à Internet deve reconhecer sua natureza global e respeitar o fluxo irrestrito do tráfego transfronteiriço na

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Transcrições da sessão Taking stocks of Internet Governance and the way forward. IGF 2010, Vilnius. Disponível em: <http://www.intgovforum.org/cms/component/content/article/102-transcripts2010/687taking-stock>. Acesso em 20 de julho de 2012. Council of Europe ad hoc Advisory Group on Cross-border Internet. Proposal for a draft Council of Europe Committee of Ministers Declaration on Internet Governance Principles. Disponível em: <http://www.coe. int/t/dghl/standardsetting/media-dataprotection/conf-internet-freedom/Internet%20Governance%20 Principles.pdf>. Acesso em 20 de julho de 2012. Conselho Europeu. Declaration by the Committee of Ministers on Internet governance principles. Adotado pelo Comitê de Ministros em 21 de setembro de 2011. Disponível em: <https://wcd.coe.int/ViewDoc. jsp?id=1835773>. Acesso em 20 de julho de 2012.

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rede. Esse princípio geral é corroborado por outros, como o respeito à abertura, à interoperabilidade e à natureza “ end-to-end ” da Internet, além da promoção da neutralidade da rede. Em segundo lugar, o documento se posiciona sobre temas importantes relacionados ao exercício de governança da Internet. Afirma-se que “o setor privado deve manter o seu papel de liderança em questões técnicas e operacionais”, mas “tem o dever de assegurar a transparência e a prestação de contas à comunidade global em relação às ações que tem impacto sobre a política pública”. A característica multissetorial é apontada como fundamental para a perpetuação da estabilidade e da resiliência do funcionamento da Internet. A promoção do multissetorialismo pode ser encontrada em maior parte nas inciativas que buscam elencar princípios, mas é interessante perceber que os membros do grupo ad hoc do CoE se dedicaram à discussão de um tema atual e desafiador no âmbito teórico: a relação entre o sistema internacional, de caráter eminentemente intergovernamental, e o modelo multissetorial da governança da Internet. Segundo Wolfgang Kleinwächter, membro do grupo ad hoc , “nossa conclusão, no início dos trabalhos do grupo, foi a de que continuaremos a ter um sistema de tratados multilaterais. Mas os tratados multilaterais no futuro provavelmente vão se desenvolver dentro de um ambiente multissetorial. O princípio multissetorial seria um princípio geral e, a partir dessa abordagem, é possível chegar a direitos, deveres e responsabilidades específicos dos governos”. 84 Dessa forma, é possível prever uma relação de complementaridade entre hard law e soft law e de interdependência entre os grupos de atores. Ainda segundo Kleinwächter, a abordagem a partir da soft law, de caráter não vinculante, como no caso da declaração de princípios do CoE, tem a vantagem de permitir chegar rapidamente a um entendimento convergente. O documento significaria não um resultado final, mas um ponto de partida para uma discussão colaborativa e multissetorial.85. Paralelamente à discussão sobre princípios, o Comitê de Ministros do CoE alertou os Estados membros sobre ameaças à liberdade de expressão e de associa-

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Wolfgang Kleinwächter. Transcrições do Workshop 203 do IGF 2011. Internet Governance Principles: Initiatives Toward the Improvement of a Global Internet Governance. Nairobi, 2011. Disponível em: <http:// www.intgovforum.org/cms/component/content/article/71-transcripts-/912-ig4d-workshop-203internet-governance-principles-initiatives-toward-the-improvement-of-a-global-internet-governance>. Acesso em 20 de julho de 2012. Ibidem.

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ponderou que “A academia. durante o encontro de alto nível da OCDE sobre economia da Internet. Acesso em 20 de julho de 2012. na qual se destacou o importante papel desses atores como facilitadores do exercício dos direitos à liberdade de expressão e à liberdade de associação.br/conselho-da-europa-alerta-sobre-ameacas-a-liberdadede-expressao-on-line>. livre de intervenções. o setor privado e a sociedade civil têm contribuído enormemente para o sucesso da Internet.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 GOVERNANÇA DA INTERNE T ção na Internet. conteúdo em formato digital. Adotada pelo Comitê de Ministros em 7 de dezembro de 2011. na medida do possível.3. a sites de vazamentos. para a economia e para a sociedade. No âmbito da governança da Internet. Em 2011. como infraestrutura e telecomunicações. que podem advir da pressão política atualmente exercida sobre os prestadores de serviços de Internet e sobre as plataformas on-line para que atuem como copartícipes no processo de aplicação das leis. como o Wikileaks .coe. a vice-presidente da Comissão Europeia. Um dos desafios é corresponder esse interesse legítimo sem prejudicar as características da Internet”.3 A Comissão Europeia e o “Internet Compact” A Comissão Europeia desenvolve políticas nos temas relacionados à Internet por meio da atuação da Diretoria Geral sobre Sociedade da Informação e Mídia. dentre outros. A Internet tem relevância e traz benefícios para os cidadãos. O Comitê também expressou sua preocupação em relação ao cerceamento à liberdade de expressão causado por ataques a websites de mídia independente. é de interesse dos formuladores de políticas públicas. 87 . educação on-line. a Comissão tem sido um ator importante. Neelie Kroes.87 Segundo a comissária. Acesso em 20 de julho de 2012. Declaration of the Committee of Ministers on the protection of freedom of expression and freedom of assembly and association with regard to privately operated Internet platforms and online service providers. Os políticos devem atentar para isso. cuja competência abrange um amplo leque de temas. Acesso em 20 de julho de 2012. a Internet deveria permanecer. OECD High Level Meeting on the Internet Economy.do?reference=SPEECH/11/479&format=HTML&aged= 0&language=EN&guiLanguage=en>. Por essa razão.eu/rapid/pressReleasesAction. de defensores de direitos humanos e de dissidentes políticos. Foi aprovada uma declaração conjunta. governo eletrônico. Neelie. 86 6. Disponível em: <https://wcd.int/ViewDoc. com participação ativa nos debate sobre arranjos institucionais. Disponível em: <http://europa.74 observatório da internet. Tradução para o português disponível em: <http://observatoriodainternet. Paris. A regulação deveria ser vista como última alternativa e o 86 CONSELHO EUROPEU.jsp?id=1883671&Site=CM&BackColorInternet=C3C3C3&BackColorIntran et=EDB021&BackColorLogged=F5D383>. 28 de junho de 2011. Mas as autoridades públicas não podem nem devem permanecer em segundo plano. KROES.

A confiança dos usuários é um pré-requisito . as pessoas assumem responsabilidades umas com as outras na Internet. As autoridades públicas têm uma responsabilidade especial de lidar com questões de ordem pública. diferentes atores têm diferentes áreas de expertise e responsabilidades. Pró-democracia . . 88 A Comissão Europeia formulou o esboço de um rol de princípios.GOVERNANÇA DA INTERNE T 75 observatório da internet. mas é preciso estar ciente das implicações que diferentes modelos possam ter. a Internet pode se tornar um instrumento de apoio à vida democrática. em Nairóbi. Uma Internet. a primeira letra de cada um dos princípios forma a palavra “compact”). que deve ser promovido ou preservado. A participação de todos os interessados na formulação de políticas é positiva. tanto on-line como off-line . como a necessidade de preservar as características fundamentais da arquitetura de rede. A arquitetura vai mudar no futuro.eu/rapid/pressReleasesAction. com o surgimento de novos desafios. e isso deve ser refletido no processo 88 KROES. Se não forem solucionados. De modo resumido. Governança multissetorial da Internet . A arquitetura da Internet é fundamental para a sua dinâmica. Com as ferramentas certas. que vão além das puramente legais. e garantir que opiniões não sejam ignoradas. problemas como a proteção aos dados pessoais. A comissária Neelie Kroes fez algumas observações sobre o princípio do multissetorialismo e alertou para riscos de captura dos espaços multissetoriais por interesses privados durante a sua intervenção no IGF 2011. Governança transparente . à privacidade e à segurança podem afastar as pessoas da rede. “Em última instância. 2011. Nairobi. Disponível em: <http://europa. de evitar a fragmentação e de fazer uso da Internet para o fortalecimento da democracia. os princípios seriam os seguintes: Responsabilidade cívica . Assim como no ambiente off-line . é preciso transparência sobre o papel do governo ao representar seus cidadãos. Essa seria a base de sustentação do multissetorialismo. Barreiras para a confiança são barreiras ao acesso.do?reference=SPEECH/11/605&format=HTML&aged= 0&language=EN&guiLanguage=en>.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 papel dos princípios seria apontar aquilo que a Internet tem de essencial. e aborda tópicos importantes. Cerimônia de abertura do Fórum de Governança da Internet. Neelie. Acesso em 20 de julho de 2012. Questões de arquitetura . Em particular. que ficou conhecido como Digital Compact for the Internet (em inglês. É preciso evitar a fragmentação. A iniciativa foi formalmente apresentada no Fórum de Governança da Internet de 2011.

com/2011/08/31/ec-papers-details>.laquadrature. a privacidade. 90 Levando em consideração os principais comunicados e documentos produzidos pela Comissão.laquadrature. Poderá ser um grande desafio conciliar. a União e vários Estados membros possuem uma malha regulatória já robusta sobre o tema. Todavia. Neelie. Disponível em: <https://www. violando a neutralidade da rede 92. o resultado do multissetorialismo será o sequestro da tomada de decisões por lobistas.do?reference=SPEECH/11/419>. criado pela aprovação de leis como a Hadopi na França ( Tópico 9. 91 92 93 . com evidências de que os operadores de telecomunicações restringem o acesso de seus usuários à Internet.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 GOVERNANÇA DA INTERNE T de tomada de decisão. Caso contrário.3. Disponível em: <https://www.net/en/more-than-half-of-the-eu-with-restrictions-to-netaccess-what-will-neelie-kroes-do>. De igual maneira. Acesso em 20 de julho de 2012. European Dialogue on Internet Governance (EuroDIG).net/en/Net_neutrality>. e o interesse privado se passará por interesse público”. Acesso em 20 de julho de 2012. é muito bem-vinda diante do complexo mapa político e institucional da União.). 2011. só que ele precisa ser alterado para funcionar melhor e ter em conta a voz dos governos”. a inovação e a concorrência estão sendo prejudicados pelas práticas dos operadores 93. a liberdade de expressão. Disponível em: <http:// news. que prevê a suspensão do acesso à Internet 89 90 Ibidem. o princípio que versa sobre a preservação da arquitetura.76 observatório da internet. European Commission Papers on ICANN: what they actually say. Kieren. Belgrado. La Quadrature du Net.eu/rapid/pressReleasesAction. pode-se prever conflitos entre princípios que visem a promoção da confiança dos usuários e o receio provocado por um ambiente de permanente vigilância. por exemplo. Segundo La Quadrature du Net. KROES.1. seu posicionamento em relação aos mecanismos de governança parece ter como objetivo principal o intuito de rever e ampliar o espaço de participação dos governos no âmbito da ICANN. Disponível em: <http:// europa. visando delinear princípios fundamentais. 89 A Comissão Europeia parece ser um dos atores que defendem uma reformulação nos mecanismos de governança da Internet. Acesso em 20 de julho de 2012. sobretudo para reforçar a participação governamental: “Não estamos sugerindo uma alternativa ao modelo multissetorial de Governança da Internet. o que pode trazer dificuldades para a implementação concreta dos princípios. MCCARTHY. Acesso em 20 de julho de 2012. 91 A inciativa da Comissão Europeia. assim como práticas já consolidadas. diferentemente de outros países que começaram a aprovar medidas de regulação da Internet nos últimos anos.dot-nxt.

Senator: domain name seizures “alarmingly unprecedented”. com/tech-policy/news/2011/02/senator-us-domain-name-seizures-alarmingly-unprecedented. 95 . Disponível em: <http://www. 95 A importância da participação multissetorial na governança da Internet é destacada ao longo do documento. 94 O enfoque principal da inciativa se encontra na segurança: o documento reconhece o papel que a Internet desempenha no desenvolvimento econômico e social. figuram “os desastres naturais. Disponível em: <http://arstechnica. não há no documento indícios de que o governo dos Estados Unidos pretenda alterar sua própria política de apreensão de websites . 2011. O documento afirma a intenção do governo de buscar o equilíbrio entre liberdade e segurança em todas as políticas governamentais: “boas políticas de segurança cibernética podem reforçar a privacidade e a aplicação eficaz da lei. e chama atenção para a importância da interoperabilidade e da preservação da arquitetura end to end . Ao mirar comportamentos amplamente reconhecidos como ilegais. sabotagens. no intuito de evitar a fragmentação da rede. Dentre elas. mas também as novas ameaças que se perpetuam por meio da rede. Afirma-se que “os métodos usados por um país para bloquear websites podem trazer uma perturbação em cascata muito maior em rede internacional”. podem proteger as liberdades fundamentais”.whitehouse.4 Estados Unidos e a estratégia internacional para o ciberespaço Em maio de 2011. Maio. No entanto. Ars Technica. 6.3. que vem produzindo efeitos extraterritoriais. Acesso em 20 de julho de 2012.GOVERNANÇA DA INTERNE T 77 observatório da internet. o roubo da propriedade intelectual e a possibilidade de ameaças à paz e à segurança internacional”. uma das metas do governo americano seria ampliar a adesão dos países à Convenção de Budapeste sobre cibercrimes.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 de indivíduos que reincidam na prática de download de arquivos protegidos por direito autoral. Acesso em 20 de julho de 2012. security and openess in a networked world. No âmbito internacional. O documento destaca o papel de softwares proprietários e abertos para a economia e para a plena satisfação das necessidades dos usuários.ars>. o presidente Barack Obama anunciou um plano estratégico para o ciberespaço com princípios que devem guiar o desenvolvimento transversal de políticas relacionadas à Internet no âmbito do governo americano.gov/sites/default/files/rss_viewer/internationalstrategy_ cyberspace. O governo dos Estados Unidos reconhece a 94 International strategy for cyberspace: prosperity.pdf>.

a resiliência e a capacidade de recuperação da infraestrutura de informação. o documento dá um destaque especial à relevância das parcerias entre o governo e o setor privado. do roubo.78 observatório da internet. · Reduzir intrusões e interrupções na rede dos Estados Unidos. bilateralmente e no âmbito de organizações multilaterais e parcerias multinacionais... a confiabilidade e a resiliência · Promover a cooperação no ciberespaço. bem como dos governos em um ambiente multissetorial”. · Negar aos terroristas e a outros criminosos a capacidade de explorar a Internet para operacionalização de planejamento. trabalharemos em estreita colaboração com os proprietários de infraestrutura e operadores (. as políticas que serão prioridade para o governo dos Estados Unidos: Economia: promoção de normas internacionais e mercados abertos e inovadores · Manter um ambiente de livre comércio que estimule a inovação tecnológica em redes acessíveis. Buscamos a participação do setor privado na governança da Internet. · Harmonizar as leis internacionais de cibercrime. Em particular. que é essencial para a defesa de seu caráter multissetorial. expandindo a adesão à Convenção de Budapeste. por fim. sociedade civil. · Assegurar um mecanismo robusto de administração de incidentes. · Melhorar a segurança da cadeia de fornecimento de alta tecnologia. e continuaremos a defender a sua inclusão nas instâncias que se dedicam a tais questões”. O documento elenca. globalmente interligadas. . determinados por especialistas técnicos. academia. incluindo os segredos comerciais. Impor a lei: estender a colaboração e o Estado de Direito · Participar plenamente das discussões internacionais sobre cibersegurança. sem restringir o acesso à Internet. · Proteger a propriedade intelectual. sugerindo que a participação desses atores nos arranjos de governança teria importância estratégica para o governo dos EUA: “Embora o setor privado já desempenhe um papel importante nas organizações internacionais e multissetoriais. Mais adiante. vamos continuar a alavancar mecanismos existentes de parceria para colaborar com parceiros da indústria. · Assegurar a primazia de padrões técnicos interoperáveis e seguros.). financiamento. ou ataques. · Concentrar as leis de cibercrime na luta contra as atividades ilegais. em especial sobre normas de comportamento para os Estados e sobre segurança cibernética. Proteger nossas redes: reforçar a segurança.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 GOVERNANÇA DA INTERNE T importância do IGF e de fóruns “que representam toda a comunidade da Internet através da integração do setor privado.

html>. O e-G8 contou com a partici- 96 CÚPULA DE DEAUVILLE. incluindo o sistema de nome de domínio (DNS). direcionado a especialistas forenses. evento realizado antes da cúpula oficial. · Preservar a segurança e a estabilidade mundiais da rede. Liberdade na Internet: apoio às liberdades fundamentais e à privacidade · Apoiar os atores da sociedade civil para obter plataformas confiáveis e seguras para o exercício das liberdades de expressão e de associação. 6.GOVERNANÇA DA INTERNE T 79 observatório da internet.com/g8-g20/g8/english/live/news/renewed-commitmentfor-freedom-and-democracy. · Expandir a cooperação com aliados e parceiros para aumentar a segurança coletiva Governança da Internet: promoção de estruturas eficazes e inclusivas · Priorizar a abertura e a inovação na Internet. · Incentivar a cooperação internacional para a efetiva proteção à privacidade de dados no comércio. segurança e prosperidade · Fornecer conhecimento. · Construir e reforçar alianças militares existentes para enfrentar potenciais ameaças no ciberespaço. · Aumentar a capacidade dos Estados para combater o cibercrime.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 continuação > Militar: preparar-se para os desafios de segurança do século 21 · Reconhecer e se adaptar à necessidade militar crescente de redes confiáveis e seguras. Maio de 2011. treinamento e outros recursos para países que buscam desenvolver a capacidade técnica e de segurança cibernética. · Garantir a interoperabilidade end to end em uma Internet acessível a todos. · Desenvolver relações com os formuladores de políticas para melhorar a capacitação técnica.3. incluindo treinamento para aplicação da lei. . · Desenvolver continuamente e compartilhar regularmente melhores práticas de cibersegurança internacionais. A declaração final da cúpula do G8 96 elencou uma série de princípios. que congrega chefes de Estado e de Governo. Acesso em 20 de julho de 2012. Renewed Commitment For Freedom And Democracy. Declaração do G8.5 Discussões sobre princípios no âmbito do G8 Em 2011. Desenvolvimento internacional: capacitação.g20-g8. · Colaborar com a sociedade civil e organizações não governamentais para estabelecer salvaguardas que protejam suas atividades na Internet de invasões ilegais. juristas e legisladores. · Promover e melhorar fóruns multissetoriais para a discussão da governança da Internet. estabelecendo contato permanente com especialistas parceiros em outros países. discutidos no e-G8. Disponível em: <http://www. o G8 tratou pela primeira vez do tema da governança da Internet no nível de sua reunião de cúpula.1314.

. onde todos os países estejam presentes em pé de igualdade”. Acesso em 20 de julho de 2012. 97 Além disso. que tem evoluído no plano mundial”. na medida em que parece endossar novas restrições à liberdade de expressão na Internet. como o acordo anticontrafação (ACTA) e de leis nacionais que preveem a resposta graduada ou three strikes.org/open-letter-president-sarkozy-eg8-meeting-plan>. Acesso em 20 de julho de 2012. Open letter to President Sarkozy on eG20 meeting plan . Se. Sem a abordagem desses temas. tendo-se afirmado que o evento “descarta o princípio da participação multissetorial. destacou-se que “políticas definidas em conjunto pelas nações mais poderosas muito provavelmente se tornarão a norma padrão global (.80 observatório da internet. Assim. como a liberdade de expressão.pdf>. Disponível em: <http://www. “G8: the Deauville Declaration on Internet Fails to Recognise Importance of Human Rights Including Freedom of Expression. as discussões no G8 parecem pouco propensas a causar um impacto positivo concreto sobre a promoção de direitos e da liberdade de expressão na Internet. por um lado. houve.article19. 97 INTERNET GOVERNANCE CAUCUS.. 98 99 . desempenham nas políticas de censura ou enforcement .). Article 19. por outro.org/data/files/pdfs/press/g8-the-deauvilledeclaration-on-internet-fails-to-recognise-importance-of-hu. mencionaram-se princípios importantes.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 GOVERNANÇA DA INTERNE T pação de representantes das principais empresas ligadas à Internet. A organização Artigo 19 afirmou que a declaração não reconheceu a proteção dos direitos humanos “como um princípio fundamental acima de todos os outros”.igcaucus. ênfase no combate ao cibercrime e à proteção à propriedade intelectual on-line . Ibidem. sem deixar claro os meios que seriam utilizados para isso e sem avaliar como eles poderiam impactar o acesso e o livre tráfego dos dados na rede. o respeito à privacidade e à participação multissetorial. muitas delas baseadas nos países desenvolvidos. tendo dado mais ênfase a preocupações de cunho econômico. 98 Entidades da sociedade civil que participaram do e-G8 apontaram que a mensagem enviada pelo evento foi dúbia. fortalecendo o enforcement da propriedade intelectual e indo ao encontro de propostas polêmicas. porém houve pouca possibilidade de envolvimento da sociedade civil. sobretudo a proteção à propriedade intelectual. Disponível em: <http://www. 99 Não houve referência direta à importância do princípio da neutralidade da rede ou ao papel que as grandes empresas. é conveniente que os países do G8 discutam essas e outras questões em fóruns globais mais democráticos. Isso gerou críticas.

7 o. DO MARCO CIVIL DA INTERNET NO BRASIL. REVISTA POLITICS N. DA DECLARAÇÃO DO CONSELHO DA EUROPA (JUNHO DE 2011).br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 .BR. 2 o. 3 o. 7 o.TABELA 1: COMPARAÇÃO DE PRINCÍPIOS DO CGI. art. IV ] Acesso a informações claras e completas constantes dos contratos de prestação de serviços [art. comunicação e manifestação [art. 7 o. democracia e leis [1] Livre fluxo de informação global [1] Suporte às liberdades fundamentais [4] Pródemocracia Conselho da Europa OCDE EUA UE G8 Direitos Humanos [1] Liberdade. 7 o. art. 8 o.br Marco Civil da Internet no Brasil (PL 2126/2011) [1] Direitos humanos. III] Manutenção da qualidade contratada [art. 7 o. privacidade e direitos humanos [1] Liberdade [5] Diversidade Cultural [art. I e II. 3 o. II] Direitos humanos e cidadania [art. 10 – AGOSTO DE 2011 Assunto CGI. II] não-suspensão da conexão [art . 2 o. I] Inviolabilidade e sigilo das comunicações [art. DO COMUNIQUÉ DA OCDE (JULHO DE 2011). art. DA PROPOSTA DA UNIÃO EUROPEIA (JULHO DE 2011) E DA DECLARAÇÃO DO G8 (MAIO DE 2011). ADAPTADO DE WOLFGANG KLEINWACHTER – A FEBRE DOS PRINCÍPIOS DA INTERNET. III] Liberdade de expressão. DA ESTRATÉGIA INTERNACIONAL PARA O CIBERESPAÇO DOS EUA (MAIO DE 2011). VIII] promoção da cultura e da cidadania [10] Diversidade linguística e cultural [9] Proteção à privacidade [3] Valorização da privacidade [2] Proteção da privacidade GOVERNANÇA DA INTERNE T 81 observatório da internet. III] Pluralidade e Diversidade [art. V ] não fornecimento a terceiros de registros de conexão e de acesso a aplicações de Internet [art. Parágrafo único. 19. 10] Proteção da privacidade e dos dados pessoais [art. 7.

DA ESTRATÉGIA INTERNACIONAL PARA O CIBERESPAÇO DOS EUA (MAIO DE 2011). DA DECLARAÇÃO DO CONSELHO DA EUROPA (JUNHO DE 2011).BR. ADAPTADO DE WOLFGANG KLEINWACHTER – A FEBRE DOS PRINCÍPIOS DA INTERNET. após ordem judicial.82 observatório da internet. 14]. VI] Responsabilização dos agentes de acordo com suas atividades [2] Cibersegurança [art. DA PROPOSTA DA UNIÃO EUROPEIA (JULHO DE 2011) E DA DECLARAÇÃO DO G8 (MAIO DE 2011). processo justo e prestação de contas [5] Direito de autodefesa [3] Proteção contra crimes [art. 15] O provedor de aplicações de Internet somente poderá ser responsabilizado por conteúdo gerado por terceiros se. não tomar as providências para tornar indisponível o conteúdo apontado como infringente [13] Cooperação para a segurança na Internet Cibersegurança e investigação rigorosa . REVISTA POLITICS N.br Marco Civil da Internet no Brasil (PL 2126/2011) [3] Responsabilidade dos Estados [5] Base de dados confiável para a formulação de políticas [4] Proteção contra crimes [1] Responsabilidade Cívica Conselho da Europa OCDE EUA UE G8 Segurança [7] Inimputabilidade da rede [art.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 continuação > TABELA 1: COMPARAÇÃO DE PRINCÍPIOS DO CGI. 3 o. O provedor de conexão à Internet não será responsabilizado por danos decorrentes de conteúdo gerado por terceiros [6] Integridade da Internet [6] Transparência. 10 – AGOSTO DE 2011 GOVERNANÇA DA INTERNE T Assunto CGI. DO COMUNIQUÉ DA OCDE (JULHO DE 2011). DO MARCO CIVIL DA INTERNET NO BRASIL.

ADAPTADO DE WOLFGANG KLEINWACHTER – A FEBRE DOS PRINCÍPIOS DA INTERNET. DO MARCO CIVIL DA INTERNET NO BRASIL.br Marco Civil da Internet no Brasil (PL 2126/2011) [3] Governança Multissetorial [5] Processos multissetoriais de desenvolvimento de políticas [6] Códigos de comportamento voluntariamente desenvolvidos [10] Empoderamento e responsabilidade do indivíduo [14] Aplicação e execução das normas [7] Governança transparente [9] Governança multissetorial [3] Governança multissetorial Conselho da Europa OCDE EUA UE G8 Governança [2] Governança democrática e colaborativa [art. com a participação dos vários setores da sociedade [7] Gerência descentralizada GOVERNANÇA DA INTERNE T 83 observatório da internet.BR. colaborativos e democráticos. DA DECLARAÇÃO DO CONSELHO DA EUROPA (JUNHO DE 2011). 3 o. 10 – AGOSTO DE 2011 Assunto CGI. DA PROPOSTA DA UNIÃO EUROPEIA (JULHO DE 2011) E DA DECLARAÇÃO DO G8 (MAIO DE 2011). 19.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 . DO COMUNIQUÉ DA OCDE (JULHO DE 2011). I] estabelecimento de mecanismos de governança transparentes.continuação > TABELA 1: COMPARAÇÃO DE PRINCÍPIOS DO CGI. REVISTA POLITICS N. DA ESTRATÉGIA INTERNACIONAL PARA O CIBERESPAÇO DOS EUA (MAIO DE 2011). VII] Preservação da natureza participativa da rede [4] Empoderamento dos usuários [4] Governança multissetorial [10] Ambiente legal e regulatório – deve preservar a Internet como espaço de colaboração [art.

conforme regulamentação .BR. comutação ou roteamento tem o dever de tratar de forma isonômica quaisquer pacotes de dados. serviço. 3 o. distribuída e interconectada [7] Estabilidade da rede [5] Arquitetura aberta [6] Interoperabilidade Global [2] Uma Internet Conselho da Europa OCDE EUA UE G8 Tecnologia/ arquitetura [3] Universalidade [art. terminal ou aplicativo. DA PROPOSTA DA UNIÃO EUROPEIA (JULHO DE 2011) E DA DECLARAÇÃO DO G8 (MAIO DE 2011). IV ] Neutralidade da rede [6] Neutralidade da rede [art. segurança e funcionalidade [8] arquitetura aberta [8] Funcionalidade. 9 o] O responsável pela transmissão.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 continuação > TABELA 1: COMPARAÇÃO DE PRINCÍPIOS DO CGI. 3 o. DO MARCO CIVIL DA INTERNET NO BRASIL. segurança e estabilidade [9] rede aberta [8] Acesso confiável [9] Padronização e interoperabilidade [art. V ] Estabilidade. REVISTA POLITICS N. IV ] Abertura e Colaboração [art. ADAPTADO DE WOLFGANG KLEINWACHTER – A FEBRE DOS PRINCÍPIOS DA INTERNET. sendo vedada qualquer discriminação ou degradação do tráfego que não decorra de requisitos técnicos necessários à prestação adequada dos serviços. 2 o. origem e destino.br Marco Civil da Internet no Brasil (PL 2126/2011) [5] Universalidade da Internet [2] Internet aberta. DO COMUNIQUÉ DA OCDE (JULHO DE 2011). DA ESTRATÉGIA INTERNACIONAL PARA O CIBERESPAÇO DOS EUA (MAIO DE 2011).84 observatório da internet. 10 – AGOSTO DE 2011 GOVERNANÇA DA INTERNE T Assunto CGI. sem distinção por conteúdo. DA DECLARAÇÃO DO CONSELHO DA EUROPA (JUNHO DE 2011).

DA DECLARAÇÃO DO CONSELHO DA EUROPA (JUNHO DE 2011). [11] Criatividade e inovação [12] Limites para as responsabilidades e obrigações de intermediários GOVERNANÇA DA INTERNE T 85 observatório da internet. DO COMUNIQUÉ DA OCDE (JULHO DE 2011). VI] otimização da infraestrutura das redes. V ] a livre iniciativa.continuação > TABELA 1: COMPARAÇÃO DE PRINCÍPIOS DO CGI. 10 – AGOSTO DE 2011 Assunto Conselho da Europa OCDE EUA UE CGI. a inovação e a disseminação das aplicações de Internet. à neutralidade e à natureza participativa. 2 o.br Marco Civil da Internet no Brasil (PL 2126/2011) [3] Investimento e competitividade em banda larga e alta velocidade [15] Entrega de serviços transfronteiras [2] Respeito à propriedade [6] Confiança para o usuário G8 Economia [5] Inovação [art. a livre concorrência e a defesa do consumidor [3] Proteção à propriedade Intelectual [art. DA ESTRATÉGIA INTERNACIONAL PARA O CIBERESPAÇO DOS EUA (MAIO DE 2011). ADAPTADO DE WOLFGANG KLEINWACHTER – A FEBRE DOS PRINCÍPIOS DA INTERNET.BR. DA PROPOSTA DA UNIÃO EUROPEIA (JULHO DE 2011) E DA DECLARAÇÃO DO G8 (MAIO DE 2011). promovendo a qualidade técnica.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 . sem prejuízo à abertura. REVISTA POLITICS N. 19. DO MARCO CIVIL DA INTERNET NO BRASIL.

DA DECLARAÇÃO DO CONSELHO DA EUROPA (JUNHO DE 2011). III] compatibilidade tanto com a leitura humana quanto com o tratamento automatizado das informações [art. REVISTA POLITICS N. I] compatibilidade dos serviços de governo eletrônico com diversos terminais. 20. DO COMUNIQUÉ DA OCDE (JULHO DE 2011). sistemas operacionais e aplicativos [art. razão pela qual aparecem separados dos demais. 19. 20. 19. Governo eletrônico/ Governo Aberto [art. II. mas não faziam parte dos parâmetros iniciais de comparação entre as propostas de princípios. DA PROPOSTA DA UNIÃO EUROPEIA (JULHO DE 2011) E DA DECLARAÇÃO DO G8 (MAIO DE 2011).br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 continuação > TABELA 1: COMPARAÇÃO DE PRINCÍPIOS DO CGI. V ] fortalecimento da participação social nas políticas públicas . eficiente. ADAPTADO DE WOLFGANG KLEINWACHTER – A FEBRE DOS PRINCÍPIOS DA INTERNET. Interoperabilidade entre sistemas e terminais diversos. simplificada e por múltiplos canais de acesso [art.br Marco Civil da Internet no Brasil (PL 2126/2011) Conselho da Europa OCDE EUA UE G8 Os princípios abaixo encontram-se presentes no Marco Civil da Internet no Brasil. 20. IX. entre os diferentes Poderes e níveis da federação. III] interoperabilidade tecnológica dos serviços de governo eletrônico. DO MARCO CIVIL DA INTERNET NO BRASIL. inclusive entre os diversos setores da sociedade [art. IV ] prestação de serviços públicos de atendimento ao cidadão de forma integrada.86 observatório da internet. 20. art.BR. 10 – AGOSTO DE 2011 GOVERNANÇA DA INTERNE T Assunto CGI. DA ESTRATÉGIA INTERNACIONAL PARA O CIBERESPAÇO DOS EUA (MAIO DE 2011).

DA PROPOSTA DA UNIÃO EUROPEIA (JULHO DE 2011) E DA DECLARAÇÃO DO G8 (MAIO DE 2011). perceptivas.br Marco Civil da Internet no Brasil (PL 2126/2011) Conselho da Europa OCDE EUA UE G8 Acessibilidade [art. a promoção de cultura e o desenvolvimento tecnológico GOVERNANÇA DA INTERNE T 87 observatório da internet.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 .continuação > TABELA 1: COMPARAÇÃO DE PRINCÍPIOS DO CGI. 19. DA DECLARAÇÃO DO CONSELHO DA EUROPA (JUNHO DE 2011). VII] desenvolvimento de ações e programas de capacitação para uso da Internet [art. DA ESTRATÉGIA INTERNACIONAL PARA O CIBERESPAÇO DOS EUA (MAIO DE 2011). II] acessibilidade a todos os interessados. REVISTA POLITICS N. ADAPTADO DE WOLFGANG KLEINWACHTER – A FEBRE DOS PRINCÍPIOS DA INTERNET.BR. independentemente de suas capacidades físicomotoras. 10 – AGOSTO DE 2011 Assunto CGI. DO MARCO CIVIL DA INTERNET NO BRASIL. em todos os níveis de ensino. DO COMUNIQUÉ DA OCDE (JULHO DE 2011). consciente e responsável da Internet como ferramenta para o exercício da cidadania. inclui a capacitação para o uso seguro. culturais e sociais Desenvolvimento de Capacidades [art. 21] O cumprimento do dever constitucional do Estado na prestação da educação. 20.

101 102 103 . de modo transversal. 103 As discussões no Grupo de Trabalho foram agrupadas em eixos: 1) resultados das discussões no IGF. A característica multissetorial do IGF significa que governos. O IGF realizou-se na Grécia (2006). Disponível em: <http://www. o Fórum deveria ser aperfeiçoado com o objetivo de conectá-lo ao diálogo sobre governança da Internet no plano global. Agenda de Túnis (parágrafo 72). comunidade técnica e setor empresarial participam de forma conjunta e em igualdade de condições nas discussões no Fórum. Após cinco anos. no âmbito da qual foi criado um Grupo de Trabalho que deveria buscar. 101 O IGF é hoje o principal fórum em que ocorre a discussão. o funcionamento do secretariado e o papel do Grupo Consultivo Multissetorial ( Multistakeholder Advisory Group – MAG).html>. Diante disso. D  isponível em: <http://unpan1. privacidade. sociedade civil. Resolução 60/252 da Assembleia Geral da ONU.4 Aperfeiçoamento do Fórum de Governança da Internet (IGF) O IGF é um dos principais resultados das discussões da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação (CMSI). abertura e segurança. Disponível em: <http://www. encerrou-se o mandato inicial do Fórum.info/en/CstdWG/>. o IGF cria oportunidades para sinergia. no Brasil (2007). 100 Seus participantes pediram ao Secretário Geral da ONU que criasse. um novo fórum para o debate multissetorial de políticas relacionadas à rede. O processo de discussão sobre aperfeiçoamento do IGF ficou sob responsabilidade da Comissão de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento (CSTD) da ONU. 4) ampliação 100 World Summit on the Information Society.unctad. na Índia (2008). ocorrida em duas fases. Segundo a resolução 102 da Assembleia Geral da ONU. em um processo aberto e inclusivo. no Egito (2009). incluindo as consultas abertas. em 2003 e 2005. como acesso. de uma ampla gama de temas. endossada.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 GOVERNANÇA DA INTERNE T 6. 2) modalidades de trabalho.int/wsis/index. Acesso em 20 de julho de 2012. academia. pdf>. G  rupo de Trabalho sobre aperfeiçoamentos ao IGF.itu. para a identificação de temas emergentes e para a consolidação de parcerias.org/intradoc/groups/public/documents/un-dpadm/unpan039074. Acesso em 20 de julho de 2012. compilar e analisar contribuições de todos os Estados membros e todas as outras partes interessadas e fazer recomendações.88 observatório da internet. que foi renovado até 2015. 3) financiamento do IGF. na Lituânia (2010) e no Quênia (2011). Acesso em 15 de agosto de 2012.un.

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da participação; 5) conexão entre o IGF e outros processos, mecanismos e órgãos que tratam de temas relacionados à governança da Internet. O Grupo de Trabalho reuniu-se durante o ano de 2011 e deve concluir seu relatório em 2012, encaminhando-o para o Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC). Durante as discussões, consensos importantes foram atingidos, como um entendimento geral sobre o fato de que o IGF deve produzir resultados mais concretos – que captem as convergências e as diferentes visões sobre questões específicas de política pública –, que possam ser compartilhados com atores e organizações relevantes no regime de governança da Internet. Concordou-se que deve haver medidas voltadas à ampliação da participação presencial no Fórum, sobretudo de atores de países em desenvolvimento e de países menos avançados. A participação remota foi apontada como parte integrante da dinâmica do IGF, e reconheceu-se a necessidade de dotá-la de recursos necessários ao seu pleno funcionamento. Por outro lado, o modelo de financiamento do fórum, baseado apenas em doações voluntárias, permanecerá o mesmo, o que poderia limitar a implementação das sugestões de aperfeiçoamento.

6.5 Pressões pela implementação do mecanismo de cooperação aprimorada, presente na Agenda de Túnis da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação
A cooperação aprimorada foi um dos resultados das discussões na Cúpula Mundial da Sociedade da Informação (CMSI). De acordo com o parágrafo 69 da Agenda de Túnis, seria um mecanismo para “permitir que os governos, em pé de igualdade, desempenhassem suas funções e responsabilidades em questões de política pública relacionadas com a Internet, mas não no dia a dia das questões técnicas e operacionais, que não tem impacto sobre questões de política pública”. A definição vaga de cooperação aprimorada, presente na Agenda de Túnis, tem gerado divergências sobre a implementação do mecanismo. Alguns atores acreditam que ele deve se traduzir em uma coordenação mais formal e estreita entre as organizações que lidam com temas relacionados à governança. Outros atores pleiteiam que os temas sejam discutidos em um fórum multilateral, existente ou a ser criado, no âmbito da ONU. Argumentam que a tomada de decisões sobre as políticas públicas relacionadas à Internet está ocorrendo atualmente em fó-

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runs de participação limitada, como a OCDE ou o Conselho da Europa, nos quais os países em desenvolvimento não se fazem presentes. A discussão sobre cooperação aprimorada intensificou-se desde 2010, quando uma série de consultas e reuniões foi realizada pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (DESA). Recentemente, uma série de reuniões para tentar conciliar os posicionamentos acerca do tema foi marcada para 2012, no âmbito da Comissão de Ciência e Tecnologia da ONU, em Genebra. Entrementes, países de diversas matizes políticas e ideológicas têm buscado marcar posição e delinear, ainda que de modo geral, a sua compreensão sobre o papel do Estado e dos órgãos multilaterais na governança da Internet. Vários documentos produzidos recentemente possuem relação explícita ou implícita com a discussão sobre cooperação aprimorada e devem ser entendidos no âmbito desse contexto político.

6.6 Código de conduta internacional sobre segurança da informação proposto por China, Rússia, Tadjiquistão e Uzbequistão
A proposta de resolução (A/66/359) 104 foi submetida aos países membros da ONU na 66 a reunião da Assembleia Geral. O código de conduta deveria servir como parâmetro para as regras, visando prevenir o uso das tecnologias da informação e comunicação para fins que sejam incompatíveis com os objetivos da manutenção da estabilidade e da segurança internacionais, que podem afetar adversamente a integridade da infraestrutura nos Estados, em detrimento da sua segurança. Segundo a proposta, o código de conduta seria aberto à adesão voluntária dos Estados que desejassem ingressar em seu domínio jurídico. Se, por um lado, a proposta de código afirma que os países devem respeitar “direitos humanos e liberdades fundamentais”, por outro, o documento visa “coibir a divulgação de informações que incitem o terrorismo, a secessão e o extremismo, ou que comprometam a estabilidade política, econômica e social de outros países, bem como seu ambiente espiritual e cultural”. A generalidade do texto deixa ampla margem para a repressão do legítimo exercício da liberdade de

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nternational Code of Conduct for Information Security. Disponível em: <http://nz.chineseembassy.org/ I eng/zgyw/t858978.htm>. Acesso em 20 de julho de 2012.

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expressão e pode constranger os signatários a observar parâmetros legislativos mais restritivos do que aqueles atualmente em vigor.

6.7 I Fórum IBAS sobre governança da Internet
O IBAS é um mecanismo de diálogo permanente criado em 2003 entre Índia, Brasil e África do Sul. Seus principais objetivos são promover a concertação política, buscar a democratização dos fóruns internacionais, ampliando a participação dos países em desenvolvimento, promover a cooperação cultural, técnica e científica e implementar medidas de promoção do desenvolvimento. O Fórum IBAS sobre Governança da Internet foi realizado em setembro de 2011 na Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro. O evento foi patrocinado pelo Ministério das Relações Exteriores e contou com o apoio do Comitê Gestor da Internet (CGI.br) e do Centro de Tecnologia e Sociedade (CTS/FGV). O objetivo do encontro foi discutir questões substantivas e institucionais que estão na agenda da governança da Internet, buscando identificar os interesses e prioridades dos atores dos três países. A partir de um mapa geral de reflexões socioeconômicas sobre o desenvolvimento e o acesso à Internet, houve a discussão de temas específicos, como infraestrutura, recursos críticos, princípios regulatórios e arranjos institucionais. Outras questões foram destacadas como importantes e requerem aprofundamento, como o tema da competência jurisdicional, do comércio eletrônico e das questões fiscais, dos padrões abertos, da neutralidade da rede e da convergência de mídias. No que diz respeito às discussões sobre arranjos institucionais, os participantes reconheceram o papel importante que o IGF desempenha no regime de Governança da Internet, como um espaço de sensibilização, de capacitação e de identificação de questões de políticas públicas. Ao mesmo tempo, alguns dos participantes argumentaram que os atuais mecanismos não implementam o ideal de uma cooperação aprimorada, prevista na Agenda de Túnis. A organização indiana IT for Change apresentou um documento como contribuição às discussões do Fórum, em que aponta alguns dos temas mais relevantes para os países em desenvolvimento: 105

105

IT for Change. A Development Agenda in Internet Governance: Outlining Global Public Policy Issues and Exploring 

New Institutional Options. Contribuição preliminar ao seminário do IBAS sobre governança global da Internet.

Enquanto as empresas exportadoras de serviços digitais pagam impostos na jurisdição da sua localização e registro. A questão das tarifas de interconexão foi apontada pela Agenda de Túnis da Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação (CMSI) como fundamental para o desenvolvimento. como os membros da União Europeia.92 observatório da internet. gerando um poder assimétrico sobre a aplicabilidade de leis na rede. Propriedade intelectual e acesso ao conhecimento Uma das características mais importantes da Internet é que ela oferece uma plataforma integrada para a partilha global de informação e conhecimento. os países em desenvolvimento permanecem à margem desses acordos. como os créditos do Facebook. que decidiram que o site não violava as leis nacionais. o conhecimento tornou-se um recurso-chave economicamente. têm feito um trabalho considerável para racionalizar os impostos aplicáveis ao comércio transfronteiriço digital. a cobrança de impostos legítimos sobre essas operações é uma questão importante. simplesmente porque o nome de domínio . Em matéria de arquitetura. Comércio e questões fiscais Existem dois tipos de questões comerciais implicadas: no primeiro. . e as suas agências executivas e judiciais alavancam cada vez mais este controle. o governo dos EUA apreendeu o nome de domínio do Rojadirecta. as autoridades do país onde o consumo de serviços ocorre têm dificuldade para cobrar impostos sobre tais transações. mas pouco foi feito até agora com relação a esse tema. Regimes de interconexão A negociação de acordos de conexão entre a rede nacional e a global é uma questão importante e complexa. no início de 2011. muitas vezes com o uso de tecnologias invasivas. org. ainda à mercê de mercados não regulamentados. Seu modelo foi questionado perante os tribunais espanhóis. o que torna a sua apropriação uma questão central à agenda econômica dos países desenvolvidos. no segundo. os EUA têm controle comparativamente mais amplo sobre a Internet global. site espanhol que fornecia links para streaming de alguns eventos esportivos. ou a utilização dos provedores como uma espécie de “polícia privada” para execução de leis de propriedade intelectual. sendo as mercadorias entregues fisicamente. Por exemplo.org é gerido por uma entidade registrada nos EUA. incluindo a entrega. Mas os EUA conseguiram apreender o nome de domínio e fechar o site . A situação torna-se ainda mais complexa quando os serviços são negociados com moedas digitais. A Internet está sendo usada como um instrumento de aplicação transfronteiriça de normas de propriedade intelectual de modo extralegal. o uso da Internet se dá apenas para fazer o contato e o pagamento. Inúmeros problemas têm surgido em relação à aplicação dos direitos do consumidor nas vendas realizadas remotamente. O site estava baseado na Espanha e era voltado à população local. há serviços digitais inteiramente comercializados pela Internet. medidas tecnológicas de proteção (DRMs). Países desenvolvidos. Além disso. O segundo tipo cria significativos desafios para a governança. No entanto. e muitas vezes o consumo. Ao mesmo tempo.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 GOVERNANÇA DA INTERNE T Questões transfronteiriças e de jurisdição Os países em desenvolvimento precisam considerar que os mais importantes “nós” do fluxo de tráfego na Internet se encontram em países do Norte.

Abertura. . No entanto. Os protocolos básicos da Internet ainda estão abertos. O princípio da neutralidade da rede está sendo erodido rapidamente. Governança das corporações globais Plataformas como o Facebook e o Twitter têm sido utilizadas para o ativismo político. Não existem iniciativas para fazer frente a esses comportamentos anticoncorrenciais por meio de regulação adequada: a indústria global da Internet é quase completamente desregulamentada. peculiares a esta área. poderia não só ter prejudicado gravemente a usina. Duas importantes razões para tal situação são (1) empresas globais da Internet são demasiadamente poderosas para qualquer país em particular. se o ataque tivesse tido sucesso. Nesse contexto. abordagens diversas em diferentes contextos e países. mas também poderia ter desencadeado um desastre nuclear. sua neutralidade e seu compromisso com o princípio da liberdade de expressão se tornam muito importantes.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 continuação > Questões de concorrência na indústria digital global A indústria global da Internet caracteriza-se por monopólios. principalmente nos EUA. uma parte importante da vida social. Microsoft. Notícias de ciberataques contra sistemas de governo e espionagem industrial na rede são corriqueiras. A falta de aplicação do direito da concorrência significa que indústrias nascentes dos países em desenvolvimento dificilmente têm chance de se estabelecer no plano global ou em seus próprios países. e são uma peça central da estratégia de controle baseada na propriedade intelectual. em grande medida por causa de sua arquitetura aberta. neutralidade da rede e padrões abertos A Internet é uma plataforma de comunicação capaz de trazer mudança e inovação. diante de empresas globais monopolistas ou oligopolistas. especialmente países em desenvolvimento. sobretudo na Internet móvel. a arquitetura da indústria da Internet tem que ser mantida suficientemente aberta. É preciso que remédios contra atos arbitrários de empresas estejam facilmente ao alcance dos indivíduos. para que haja efetiva regulação e (2) quase todas essas empresas são baseadas no Norte. Uma grande parte do tráfego da Internet passa por um punhado de megaespaços digitais proprietários. aleatória e arbitrariamente. em um ambiente altamente comercial. Como a arquitetura da Internet móvel foi construída mais tarde. A segurança da infraestrutura pode ser fatalmente atingida a distância. cada vez mais. Deve-se assegurar não só a abertura da arquitetura técnica da Internet. Twitter e o iTunes da Apple são excelentes exemplos. aplica-se a ela um regime muito mais fechado e verticalmente integrado. ainda que elas estejam baseadas em outros países. Plataformas e redes sociais têm adotado. o conteúdo pessoal depositado na rede é. por meio da Internet: em 2011 houve notícias de que um vírus destinado a uma instalação nuclear iraniana foi implantado remotamente. mas a Internet é hoje dominada por aplicativos proprietários. Além disso. essa situação começa a se alterar. Analistas acreditam que. devido às economias de escala crescentes. Facebook. Google. Segurança As ameaças à segurança na Internet requerem uma cooperação urgente e sustentada no âmbito global e é preciso encontrar os meios formais adequados para isso.GOVERNANÇA DA INTERNE T 93 observatório da internet.

a importância da Internet para o desenvolvimento econômico. D pdf>. social e humano é o aspecto determinante de suas perspectivas sobre governança da Internet. em uma reunião intergovernamental. Esse é um dos temas que carece de discussão global. Diversidade cultural A Internet pode ser um ambiente com custo muito reduzido de produção e transmissão de conteúdo e pode representar uma grande oportunidade para promover a diversidade cultural. Esse documento foi intensamente discutido durante o IGF 2011.org. É importante perceber a conexão entre Internet e direitos humanos de uma forma mais holística. É preciso respeitar os direitos econômicos. mas está mudando rapidamente com o advento da Internet. É possível que as leis antigas não possam ser adequadamente aplicadas ao contexto da Internet e que novos quadros regulatórios sejam necessários. o desenvolvimento ainda não é visto como uma questão fundamental no âmbito da governança. ela surgiu como uma grande plataforma de mediação política entre os governos e os cidadãos. nas instituições democráticas e na representação das vozes dos marginalizados? Quem são os interessados nas questões globais de governança da Internet? Essas são algumas das questões-chave no contexto emergente.culturalivre. . levando em consideração seu caráter indivisível. da IPTV e da convergência.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 GOVERNANÇA DA INTERNE T continuação > Mídia A mídia nacional é uma instituição importante para a governança e para a democracia. No final do seminário IBAS. os representantes dos governos elaboraram um documento 106 que deveria servir como contribuição inicial sobre a discussão acerca da cooperação aprimorada. no 106  isponível em: <http://www. Isso evidencia a necessidade de políticas eficientes e de apoio às boas práticas. A Internet também impacta significativamente os direitos humanos em sua vertente positiva e negativa. da não intervenção na esfera individual ou nos direitos civis e políticos. Acesso em 20 de julho de 2012. Para os países em desenvolvimento. em Nairóbi. Grande parte do debate sobre esses direitos na Internet é interpretada quase que exclusivamente sob o aspecto negativo. Desenvolvimento e direitos humanos A governança da Internet tem profundas implicações para as questões transversais de desenvolvimento e direitos humanos. no entanto.br/artigos/IBSA_recommendations_Internet_Governance. juntamente com os direitos civis e políticos. Como insculpir e manter eficazes espaços nacionais de mídia no âmbito da Internet global? Quais são as implicações estruturais na esfera pública nacional. sociais e culturais.94 observatório da internet.

destacaram a importância de implementar um mecanismo de cooperação aprimorada.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 qual os representantes dos governos do IBAS participaram de várias sessões e workshops . 107  CÚPULA DO FÓRUM DE DIÁLOGO ÍNDIA. 107 Os líderes também abordaram o tema da proteção à propriedade intelectual. BRASIL E ÁFRICA DO SUL (IBAS). tomaram nota das discussões que aconteceram no seminário sobre governança da Internet no Rio de Janeiro e recomendaram o estabelecimento de um observatório que iria monitorar os acontecimentos no campo da governança da Internet. Acesso em 20 de julho de 2012. em outubro de 2011. Ibidem. que possam dar livre curso a abusos sistemáticos na proteção de direitos. à construção de barreiras contra o livre comércio e ao enfraquecimento de direitos civis fundamentais” 108. V Disponível em: <http://www. 108 . ajudando na disseminação de informações e análises entre os países membros. Na quinta cúpula do IBAS.br/sala-de-imprensa/notas-a-imprensa/v-cupula-do-forumde-dialogo-india-brasil-e-africa-do-sul-ibas-2013-18-de-outubro-de-2011-declaracao-de-tshwane>. mas como um meio de promover inovação. os líderes dos três países reforçaram o compromisso de buscar posições conjuntas nos temas relacionados à governança da Internet. Declaração de Tshwane. crescimento e desenvolvimento em todos os países”.itamaraty.gov.GOVERNANÇA DA INTERNE T 95 observatório da internet. O governo brasileiro afirmou que o documento formulado no seminário estava aberto a sugestões e modificações e que uma proposta sobre cooperação aprimorada seria elaborada somente após uma discussão com todos os setores interessados. 2011. Fizeram também advertências “contra tentativas de desenvolver novas regras internacionais sobre o cumprimento de direitos de propriedade intelectual fora dos fóruns multilaterais. enfatizando a “necessidade de um sistema internacional equilibrado de propriedade intelectual que contextualize Direitos de Propriedade Intelectual na estrutura maior do desenvolvimento socioeconômico e encare-os não como fins em si mesmos.

o Comitê teria as seguintes atribuições: 1. a Índia apresentou uma proposta de criação de um Comitê para políticas públicas relacionadas à Internet. Facilitar a negociação de tratados. econômicos e culturais. Promover a proteção dos direitos humanos. sempre que necessário. Acesso em 20 de julho de 2012.org/2011/10/29/a-united-nations-committee-for-internet-relatedpolicies-a-fair-assessment/>. com o envolvimento de todos os setores interessados”. incluindo o direito ao desenvolvimento. mas se certificar de que a Internet não será governada unilateralmente. democrática. . O mecanismo seria financiado através de uma combinação de fundos da ONU e recursos provenientes das taxas de registro de nomes de domínio. ou seja. Promover a gestão de crises em relação à Internet. Desenvolver e estabelecer políticas públicas internacionais com vista a assegurar a coordenação e a coerência nas questões transversais relacionadas à Internet global. De acordo com a proposta indiana.96 observatório da internet. responsáveis por aconselhar e assessorar os governos. Abordar as questões de desenvolvimento relacionadas à Internet. incluindo o estabelecimento de padrões globais. Coordenar e supervisionar os órgãos responsáveis pelo funcionamento técnico e operacional da Internet. adoção ou implementação pelos órgãos intergovernamentais e organizações internacionais pertinentes. O comitê é apresentado como uma adição e não como um substituto ao IGF. Ele se reportaria diretamente à Assembleia Geral da ONU e faria recomendações não vinculantes para a consideração. políticos. A United Nations Committee for Internet-relates policies? A fair assessment. 2.internetgovernance.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 GOVERNANÇA DA INTERNE T 6. inclusiva e participativa. Realizar arbitragem e resolução de litígios. Milton. 5. Disponível em: <http://www.8 Proposta indiana de criação de um Comitê na ONU para políticas relacionadas à Internet Na 66 a reunião da Assembleia Geral da ONU. 4. sociais. mas sim de forma aberta. convenções e acordos na Internet relacionados com políticas públicas. o governo indiano afirma que “a intenção da proposta de um mecanismo multilateral e multissetorial não é ‘controlar a Internet’ ou permitir que os governos tenham a última palavra na regulação da rede. 109 109 MUELLER. O Comitê seria composto por 50 Estados e contaria com cinco comitês consultivos. direitos civis. 6. e 7. Antecipando críticas à iniciativa. 3.

pelo menos. · Uma duplicação de fóruns poderia esvaziar o IGF a longo prazo. adequadamente ligado à esfera pública multissetorial. nem por organizações intergovernamentais existentes. A proposta da Índia pode. essa competência não aparece no resumo da proposta do Comitê.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 De fato. tratando de temas de políticas públicas. “Pode ser que estejamos diante não de uma luta mortal entre escolhas polarizadas entre dois regimes de governança distintos. mas sim de uma separação de caminhos entre os governos e as instituições organicamente desenvolvidas. principalmente porque percebem um crescente risco de captura do atual regime de governança por interesses privados de grandes empresas. e seria multissetorial. Segundo essa posição. o que leva a questionar se houve uma real intenção de incluí-la. colocando os atores não governamentais em segundo plano. Como identificado em algumas análises.GOVERNANÇA DA INTERNE T 97 observatório da internet. a manutenção deste regime descentralizado ou. Na verdade. · O significado preciso da competência para “coordenar e supervisionar os órgãos responsáveis pelo funcionamento técnico e operacional da Internet” não fica claro no documento. Alguns afirmam que é possível que iniciativas como essa levem à emergência de um regime de governança da Internet bifurcado: um eixo seria liderado por instituições organicamente desenvolvidas. 110 Ibidem. que são abertas a todos os interessados. principalmente acerca dos seguintes pontos: · O documento poderia provocar uma inversão do atual modelo multissetorial. · O mecanismo de financiamento não deixa claro se uma taxa adicional seria cobrada sobre os registros de nomes de domínio ou se algum tipo de contribuição seria imposta à ICANN. a entrega do controle para os governos. se um Comitê da ONU para políticas relacionadas à Internet. algumas das áreas mais importantes de políticas públicas digitais não são regidas por redes multissetoriais. “seria ingênuo imaginar que a Internet é atualmente regida por redes multissetoriais. de outro. que resolvem sair do caminho um do outro. o documento recebeu críticas. com competência técnica. . de um lado. mas por governos nacionais e grandes empresas (…). o outro seria liderado pelos governos. e que a escolha se dá entre. democratizar estas decisões em algum grau. 110 Há também análises que defendem a pertinência da proposta apresentada pela Índia.

quando uma reunião sobre cooperação aprimorada acontecerá no âmbito da Comissão de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento da ONU (CSTD). 111 É provável que a proposta da Índia volte a ser discutida em 2012.98 observatório da internet. India’s proposal for a UN Committee for Internet-Related Policies (CIRP).org/discussion-board/indias-proposal-for-a-un-committee-for-internet-related-policies-cirp>. 111 IGF WATCH. Disponível em: <http:// igfwatch.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 GOVERNANÇA DA INTERNE T for capaz de estabelecer normas globais para a Internet de forma suficientemente aberta e inclusiva. Acesso em 20 de julho de 2012. .

seu uso tem se expandido para se tornar um recurso essencial à vida cotidiana – em outubro de 2011.webshoppers. um aumento de 26% em relação ao ano anterior.com. Desde a criação da Internet.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 # Comércio eletrônico 7.2 milhões de usuários únicos. Dados disponíveis em: <http://www.br/ciencia-eD tecnologia/noticias/2011/11/28/comercio-eletronico-atingiu-mais-de-32-milhoes-de-usuarios-emoutubro/>. Acesso  em 19 de julho de 2012.7 bilhões de reais em 2011. A evolução do faturamento do setor entre 2007 e 2011 é ilustrada no gráfico a seguir: 7 112  ados retirados de notícia do Jornal do Brasil.8 bilhões de reais em 2010 para 18.COMÉRCIO ELE TRÔNICO 99 observatório da internet. também chamados de e-consumidores 112.pdf>.jb.1 Comércio eletrônico e atualização do Código de Defesa do Consumidor (CDC) O comércio eletrônico (também conhecido como e-commerce ) é toda transação comercial realizada por meio da rede. atingiu mais de 32. o faturamento do comércio eletrônico aumentou de 14. Segundo dados da 25ª edição da pesquisa Webshoppers .br/webshoppers/WebShoppers25. disponível em: <http://www. promovida pela empresa especializada em comércio eletrônico e-bit 113.com. Acesso em 2 de março de 2012. 113 .

Considerando esse contexto.com. iniciou a investigação de 20 sites que oferecem o serviço de comércio eletrônico115.2 R$ 10. em que o grupo ocupou o 21 o lugar no ranking . contudo.078 de 1990.574 reclamações. Esses problemas foram refletidos no ranking geral de reclamações do Procon relativo ao ano de 2011 114. que essa piora “é reflexo do crescimento do setor de e-commerce .8 R$ 18. Acesso em 7 de março de 2012. Em paralelo. detentor das empresas de e-commerce Americanas.6 R$ 14. portanto.br/financas/seunegocio/procon+sp+denuncia+fraudes+ R em+sites+de+comercio+eletronico/n1300142822745. .100 observatório da internet.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 COMÉRCIO ELE TRÔNICO EVOLUÇÃO DO FATURAMENTO – E-COMMERCE (EM BILHÕES/R$) 2011 2010 2009 2008 2007 R$ 6. tem sido frequente a divulgação pela mídia de problemas envolvendo compras no âmbito digital.ig. por exemplo.com.html>. meio através do qual muitos dos produtos que são objeto das reclamações no ano passado foram ofertados e adquiridos” (pág. Submarino e Shoptime.procon. devido ao grande número de reclamações de compras efetuadas cujo produto não foi entregue. Essas empresas reuniram um total de 1.3 FONTE: E-BIT INFORMAÇÃO (www.ebitempresa.  etirado da notícia: <http://economia.sp. O Procon de São Paulo. refletida no forte crescimento do e-commerce nos últimos anos. Durante as 114 115 Disponível em: <http://www. o comércio eletrônico foi elencado como um dos temas-chave a serem avaliados pela Comissão de Juristas constituída especialmente para atualizar o Código de Defesa do Consumidor (CDC) – Lei 8.7 Contudo. Acesso em 17 de julho de 2012.gov.com. A pesquisa afirma.pdf>. Essa atualização se faz necessária. Observa-se uma piora substancial em relação ao ano anterior. órgãos de proteção ao consumidor tiveram atuação importante em 2011 em resposta ao crescimento das reclamações envolvendo compras em âmbito digital. para adequar as normas consumistas à nova realidade de consumo promovida pela Internet.br/pdf/acs_ranking_2011. ocupa o 2 o lugar das empresas que sofreram maior número de reclamações. no qual o Grupo BW2. dentre as quais 620 restaram inatendidas. 24).br) R$ 8.

notificou sites de venda on-line e de compras coletivas para responderem reclamações de consumidores. como as relações comerciais no ambiente digital e. pode ser considerado um dos motivos para esse aumento. as empresas desmerecem o potencial econômico e de inovação dessa forma de organização das atividades empresariais.COMÉRCIO ELE TRÔNICO 101 observatório da internet. Por causa dessa grande insegurança jurídica. em muitos casos. Por sua vez. tendo em vista a incerteza da caracterização desses atores como pertencentes ou não à cadeia de consumo. as relações de consumo decorrentes delas. essa ausência de regulação específica das práticas comerciais no meio digital cria também vários pontos de tensão para as empresas. Dessa forma. da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro. as regras gerais de direito do consumidor. consequentemente.uol.br/internet/2012/01/25/defensoria-publica-do-rio-notificaD sites-de-compras-coletivas-e-vendas-online/>. em 2011 foi verificada uma alta taxa de litígios envolvendo relações de consumo. mas também a si próprias. registrados inclusive como pessoa física. não podiam ser encontrados em seus endereços oficiais. por exemplo. no Brasil.116 A questão também chegou aos tribunais. Assim. que correspondem a cerca de 20% a 30% dos recursos de julgamentos referentes a direito privado no Superior Tribunal de Justiça. a responsabilidade dos provedores de conteúdo e hospedagem e os contratos de termos de uso dos sites. Segundo dados do Senado Federal. . houve aumento de 60% no número de atendimentos pelo Nudecon referentes a compras on-line. O advento de novas formas de relações de consumo não existentes na época da promulgação do CDC. do próprio CDC. Entre agosto e dezembro daquele ano. Acesso em 19 de julho de 2012. Aliás. uma dificuldade em precisar as regras relativas à quantidade de informações dispostas no site de e-commerce sobre o produto e sobre o prazo de entrega do produto ou de devolução do dinheiro em caso de problemas com a compra. a inclusão do tema em uma reforma mais ampla. o que acaba por prejudicar não só os consumidores. empresas de e-commerce e fornecedores que utilizam a Internet em suas transações comerciais acabam por desrespeitar. constatou-se que muitos dos fornecedores.com. uma vez que ainda não são especificamente regulamentadas pelo ordenamento jurídico brasileiro.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 investigações. o Núcleo de Defesa do Consumidor (Nudecon). sinaliza a inevitabilidade de integração desse entre as normativas de proteção ao 116  ados extraídos de: <http://idgnow. dentre os quais se destacam. em relação às ações realizadas na rede. Existe.

que representam fatia cada vez maior do mercado de consumo.html>. cada ano anterior desde 1999 apresentou apenas dois ou menos projetos de lei dessa matéria. no site do Escola Virtual do Mercosul: <http://www.br/inteligenciademercado/index. É possível observar. Acesso em 7 de março de 2012. o qual visa promover a integração econômica do bloco a partir dos desafios impostos pela Sociedade da Informação. o comércio eletrônico. buscando incentivar a eficiência do livre comércio entre os países do bloco. reduzindo assimetrias tecnológicas e promovendo políticas comuns de desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação.2 Regulamentação do comércio eletrônico em 2011 Em pesquisa realizada no site da Câmara dos Deputados com os termos “comércio eletrônico”. sendo um dos focos do projeto.gov. 7. não só nas transações entre fronterias físicas. 119 120 . Aloizio Mercadante. anunciou que o bloco está preparando uma regulação comum para o comércio eletrônico 117. que no ano de 2011 houve um aumento nas preocupações quanto à regulamentação do comércio eletrônico. o que condiz com a expansão do setor nos últimos dois anos.com. em dezembro.102 observatório da internet.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 COMÉRCIO ELE TRÔNICO consumidor e as práticas que vão se consolidando no comércio eletrônico.mercosuldigital.metaanalise. Disponível em: <http://www. 117 I nformação  retirada da notícia: <http://g1. 119 Esse projeto é uma parceria entre o bloco latino e a União Europeia. é possível encontrar cinco projetos de lei apresentados no ano de 2011. mas. Acesso em 7 de março de 2012.globo. Acesso em 7 de março de 2012. em meio virtual. em contraste. Disponível  em: <http://www. Uma das formas de atuação será o oferecimento de cursos sobre comércio eletrônico pela Escola Virtual do Mercosul 118.camara. projeto que integra o Mercosul Digital. “ e-commerce ” ou “ ecommerce ” 120.asp?formulario=formPesquisaPorAssunto &Ass1=com%C3%A9rcio+eletr%C3%B4nico&co1=+OR+&Ass2=e-commerce&co2=+OR+&Ass32=ecom merce&Submit2=Pesquisar&sigla=&Numero=&Ano=&Autor=&Relator=&dtInicio=&dtFim=&Comissao= &Situacao=&OrgaoOrigem=todos>.com/tecnologia/noticia/2011/12/mercosul-prepararegulacao-comum-para-comercio-eletronico. portanto. Acesso em 7 de março de 2012.php?option=com_ content&view=article&id=6356:escola-virtual-do-mercosul-cursos-de-comercio-eletronico&catid=8:ca rreira&Itemid=358>. o então ministro da Ciência e Tecnologia. No que tange ao âmbito do Mercosul. 118 N  o início de 2012 já era possível encontrar informações detalhadas sobre os cursos.org/>.br/sileg/Prop_lista. promovendo segurança jurídica para tal. também.

Acesso em 6 de março de 2012. 7. compra-coletiva-s566811.232/2011.367/2011 e o PL n o 1. Acesso em 6 de março de 2012. em muitos dos casos em que existem problemas quanto à compra efetuada.933/2011 e o PL n o 1. “visa incluir a obrigatoriedade de afixação de preços de produtos e serviços para o comércio eletrônico”. que passou por um rápido processo de expansão no mercado brasileiro nos dois últimos anos – só nesse tempo foram criados mais de 2 mil sites de compra coletiva no Brasil.COMÉRCIO ELE TRÔNICO 103 observatório da internet.htm>. Como justificativa. a ausência de informações sobre a empresa dificulta a reclamação pelo consumidor.096/2011. O PL n o 2. 121 Ao mesmo tempo que evidenciou seu potencial econômico – de ofertas atrativas por preços em conta. por outro lado. o número de reclamações sobre sites de compra coletiva aumentou sete vezes em 2011 (de 49 em 2010 para 353).232/2011.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 Dois dos projetos de lei buscam a obrigatoriedade de informação dos dados da empresa que comercializa produtos pela Internet (número no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ. assim. uma segunda preocupação quanto à atuação dos sites de e-commerce relativa à informação fornecida ao consumidor e vinculação à oferta.proteste. que serão relatados de forma mais detalhada no tópico a seguir. a apresentação de queixa aos órgãos de defesa do consumidor e a demanda judicial. 122 Dados retirados da notícia: <http://www. 122 A grande quantidade de queixas não passou despercebida aos olhos do Legislativo do Estado do Rio de Janeiro. no Procon do Rio de Janeiro. dada a coletividade de consumidores aderindo a mesma oferta – trouxe um consequente crescimento das reclamações e potenciais violações a direitos do consumidor.com.br/13/02/2012/rio-sai-na-frente-e-cria-lei-parasites-de-compras-coletivas/ti/262358/news. Dois dos projetos apresentados referem-se especificamente à regulação de compras coletivas no meio eletrônico – o PL n o 1.aspx>.3 Regulamentação das compras coletivas em 2011 As compras coletivas pela Internet são um novo tipo de comércio eletrônico.br/consumidor/rio-eeacute-pioneiro-em-lei-para . o Estado foi pioneiro na regulamentação das compras coletivas ao apresentar o Projeto de 121 Dado  retirado da notícia: <http://www. afirmam que. a qual depende do nome ou do endereço da pessoa jurídica. endereço e telefone de suas instalações físicas) – são eles o PL n o 2. Em 18 de novembro de 2011.org. Demonstra.tiinside. Por exemplo.

sob a nomenclatura de Lei no 6.232/2011124. apresentado à Câmara dos Deputados no dia 4 de maio – o PL no 1. As entidades que atenderem o Código receberão um selo de excelência. as quais respondem por 85% do volume total. em casos de problemas após a compra do produto ou contratação do serviço.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=500481>.camara-e. a manipulação dos contadores das compras com o fim de influenciar os usuários sobre o sucesso da oferta. sem definir. bem como estabelece meios mais claros de uso de dados dos consumidores opt-in / out . Acesso em 6 de março de 2012. 123 C  abe ressaltar que esse projeto foi aprovado e entrou em vigor no dia 9 de janeiro de 2012. 124 125 . porém. enquanto o Projeto de Lei Federal determina que há responsabilidade solidária entre ambas as empresas pela veracidade das informações e por eventuais danos causados ao consumidor. enquanto o segundo atribui prazo de três meses. D  isponível em: <http://www. O Código estabelece regras de boas práticas em compras coletivas e veda práticas tais como a realização de ofertas falsas. o setor lançou um Código de Ética com o fim de estabelecer regras para as empresas de compras coletivas e fazer frente às propostas legislativas. o PL do Rio de Janeiro afirma que o descumprimento do contrato de compra e venda gera “obrigações para a empresa de compras coletivas ou para a empresa responsável pela oferta do produto ou do serviço” (art.104 observatório da internet.161/2012. com a diferença de o primeiro atribuir um prazo mínimo de seis meses para utilização da oferta comprada no site. quais são essas obrigações. a facilitação de comunicação entre o consumidor e a empresa.232/2011.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 COMÉRCIO ELE TRÔNICO Lei de Compras Coletivas.gov. que “estabelece parâmetros para o comércio coletivo de produtos e serviços através de sítios eletrônicos no âmbito do Estado do Rio de Janeiro”. que reúne as principais empresas do setor. Em resposta. que busca regulamentar as compras coletivas no país. 7 o). D pdf>.camara. 123 Foi destaque em 2011 também um Projeto de Lei Federal nº 1. O texto do projeto de lei federal em muito se assemelha ao texto do PL do Rio de Janeiro. dessa forma. Uma segunda diferença consiste na exigência do projeto federal de que os sites sejam hospedados em plataformas pertencentes a empresas com sede ou filial localizadas em território nacional – objetivando. no mesmo ano. A iniciativa 125 foi do Comitê de Compras Coletivas da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico. Acesso em 19 de julho de 2012.062/2011.net/Compras-Coletivas/etica/codigo-de-etica-em-compras-coletivas. PL n o 1.  isponível em: <http://www. Ademais.

A justificativa para a guerra fiscal no comércio eletrônico provém das mudanças sociais e das evoluções tecnológicas que não puderam ser previstas pelo texto constitucional e. nos casos em que o destinatário é.fazenda. que.br/confaz/confaz/protocolos/icms/2011/pt021_11. g da CR. devido à facilidade e à comodidade das transações. consequentemente.COMÉRCIO ELE TRÔNICO 105 observatório da internet. §2o. Em vista da alta atratividade fiscal do comércio eletrônico e do domínio dos estados do Sul e Sudeste sobre esse ramo. todo o valor por ele pago a título de ICMS deverá ser arrecadado pelo Estado de origem daquele produto. nos casos em que o destinatário do produto for o consumidor final (como no comércio eletrônico). os demais Estados passaram a demandar alterações de políticas fiscais para adequação da arrecadação tributária sobre mercadorias e serviços à nova realidade de transação mercadológica possibilitada 126  egundo o art. O órgão responsável por tais convênios é o Confaz. recepcionada pelo disposto no §8o do art. cuja aquisição ocorrer de forma não presencial no estabelecimento remetente”. A Constituição Federal determina que. cabe à lei complementar regular como os Estados e o Distrito Federal S receberão benefícios fiscais. formado por um representante de cada Estado. foi publicado pelo Confaz 126 – Conselho Nacional de Política Fazendária – o Protocolo ICMS n o 21 127. buscando beneficiar os estados subscritores quanto ao recebimento de parcela do imposto relativo a produtos “cuja aquisição ocorrer de forma não presencial no estabelecimento remetente”128. determina que as isenções e benefícios relativos a ICMS devem ser instituídos por convênio celebrado e ratificado pelos Estados e pelo Distrito Federal. Acesso em 8 de março de 2012.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 7. XII. inovação e diferenciação de ofertas. por exemplo. .gov. que revenderá o produto.htm>. o Estado de localização da loja arrecadará parte do imposto. Foi uma tentativa dos Estados de arrecadar parte dos impostos gerados pelos bilhões que estão sendo movimentados em compras pela Internet. uma loja. um do Distrito Federal e um da União. D isponível  em: <http://www.4 Guerra fiscal no comércio eletrônico No dia 1 o de abril de 2011. Por outro lado. Essa é uma das razões para os baixos preços dos produtos vendidos na rede. atraindo públicos diversificados e a possibilidade de prática de preços inferiores em virtude de cortes de gastos em vários fatores de formação de preços. 155. A Lei Complementar correspondente a tal disposição é a de no 24/75. 127 128  etirado do preâmbulo do Protocolo 21: “Estabelece disciplina relacionada à exigência do ICMS nas R operações interestaduais que destinem mercadoria ou bem a consumidor final. segundo sua própria deliberação. 34 do ADCT. pelas normas infraconstitucionais aplicadas às relações consumistas. Adquirir parte dos frutos gerados pelo comércio eletrônico se torna cada vez mais atraente.

Acesso em 8 de março de 2012. O problema gerado por essa disputa entre Estados é a possibilidade de bitributação de produtos – Estados como a Bahia têm editado leis que obrigam o consumidor a pagar uma taxa extra de ICMS na entrega.106 observatório da internet.html>. quando o destinatário é o consumidor final.129 Essas disposições seriam apenas relativas a produtos adquiridos de forma não presencial por meio de Internet. de forma que este não seja onerado duas vezes. os demais Estados alegam que teriam sua economia local e o desenvolvimento da região mais prejudicados do que o de costume.ig. o que é previsto pela cláusula primeira do Protocolo. entretanto. telemarketing ou showroom. 129  Cláusula primeira. A bitributação sofreu críticas de instituições como o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) e a OAB. a parcela do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS – devida na operação interestadual em que o consumidor final adquire mercadoria ou bem de forma não presencial por meio de Internet.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 COMÉRCIO ELE TRÔNICO pela Internet. nos termos nele “ previstos. deveria prevalecer a regra específica de ser feita a cobrança do imposto apenas na origem do produto. quem acaba sendo prejudicado é o consumidor. No decorrer da guerra fiscal entre os Estados. Ademais. Na ação. que pode tanto ser compelido a pagar mais como pode estar sujeito a problemas na entrega. inclusive. sem que o valor seja abatido do ICMS já incorporado ao preço do produto na hora da compra. a favor da unidade federada de destino da mercadoria ou bem. a OAB afirma que. ajuizou uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI) contra o Protocolo do Confaz. Sem a existência dos benefícios trazidos pelo Protocolo do Confaz. para que não fique retido na Secretaria da Fazenda do Estado.  R  etirado da notícia: <http://economia. 130 .br/estados+declaram+guerra+por+impostos+do+comer cio+eletronico/n1238157416089. Acordam as unidades federadas signatárias deste protocolo a exigir. deveria haver uma repartição da arrecadação do imposto entre Estado de origem e de destino. alegam que o ICMS é imposto sobre consumo e. Essa última.com. telemarketing ou showroom”. embora a Constituição preveja a autonomia dos Estados para regular questões relativas a ICMS. portanto. 130 Essa sobretaxa é cobrada.

Disponível em: <http://www. infraestrutura e arquitetura 8. 132 .1 O Plano Nacional de Banda Larga A alta velocidade de conexão em caráter contínuo. ainda há a necessidade de rápida expansão da banda larga. feito pela Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil). Dentre uma população de 191. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 107 observatório da internet.pdf>.br/pnbl_sinditelebrasil_teleco_situacao_banda_larga_no_brasil.telebrasil. uma vez que proporciona maior qualidade do serviço de Internet. da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil). A infraestrutura de acesso à Internet banda larga é uma das principais ferramentas para o desenvolvimento social e econômico. Disponível em: <http://www. Quando disponibilizada em larga escala. que caracteriza a Internet banda larga. uma vez que diversos 8 131 D  ados retirados da Avaliação do Diagnóstico realizado pelo Ipea sobre A Situação da Banda Larga no Brasil. setor privado e cidadãos. telebrasil. Acesso em 4 de junho de 2012. permitindo inovações na rede. atende às demandas de diferentes usuários – governo. D  ados retirados do Relatório Técnico/Consultoria Análise de Utilização do Espectro de 700 MHz.org. é uma garantia de acesso adequado fundamental.pdf>.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 # Acesso. Entretanto. no início de 2011 havia apenas 16 milhões de acessos banda larga fixos e 28 milhões de acessos banda larga móvel. Acesso em 4 de junho de 2012.5 milhões de brasileiros 131.org. a Internet banda larga ainda é muito restrita e pouco difundida pelo território nacional.br/ analise_de_utilizacao_do_espectro_parte1. 132 Embora os dados sejam crescentes.A C E S S O.

entretanto.planalto. Tendo em vista as “graves desigualdades existentes hoje no que diz respeito às condições de acesso à banda larga no país” 134.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O.  isponível em: <http://www. C  arta publicada no lançamento do PNBL. o alcance de 30 milhões de acessos a banda larga fixa e 60 milhões a banda larga móvel (urbanos e rurais) até 2014. o Chile possui um plano de ação que.governoeletronico. Disponível em: <http://campanhabandalarga.br/index.br/url?sa=t&rct=j&q=plano%20nacional%20de%20banda%20 D larga%20pdf&source=web&cd=3&ved=0CFsQFjAC&url=http%3A%2F%2Fwww. fazendo com que o Brasil figure situação de desvantagem se não tomar nenhuma providência. programas nacionais de expansão da banda larga foram “ adotados por vários países em seus pacotes de estímulo à recuperação econômica após crise mundial de 2008 [8].htm>. Acesso em 11 de julho de 2012. chamado Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) 135.br%2Fanexos%2Fplano-nacional-de-banda-larga%2Fdownload&ei=QHD0T4_1EIGg8QSLiPnqBg&usg= AFQjCNHK78IA39qh-TjnwT92Ngk9yM-IBQ>. php/2011/01/20/40/>. O PNBL passou a ter como metas. através do Decreto 7.com. 134 135 136 137 . no dia 5 de maio de 2010.108 observatório da internet. Acesso em 04 de julho de 2012. 133  Pelo potencial de dinamizar a economia. Alemanha.  isponível em: <http://www. Estimou que seria necessário R$ 49 bilhões em investimentos (privados.org. dentre as diversas áreas de ação. 136 Esse plano pretende massificar o acesso até 2014 – o que foi definido.com. Cingapura e Coreia do Sul também anunciaram melhorias e expansões de sua infraestrutura de banda larga.  D isponível em: <http://www. Japão. Esse número. Austrália.9 milhões tinham acesso à infraestrutura de banda larga. Para citar um país latino-americano. portanto. Grã-Bretanha. Portugal. França. Canadá. públicos e por meio de linhas de crédito. Itália e Finlândia incluíram medidas explícitas neste sentido. estabelece metas de cobertura de conexões em banda larga [10]”. Em ações distintas.google. como o alcance de 40 milhões de domicílios. br%2Fanexos%2Fplano-nacional-de-banda-larga%2Fdownload&ei=TpIAUKKKOoHb6wH596SNBw&usg =AFQjCNHK78IA39qh-TjnwT92Ngk9yM-IBQ>. Estados Unidos. partindo de um contexto em que apenas 11. foi modificado com o lançamento feito pelo Ministério das Comunicações de um segundo documento. PNBL. um plano de atuação. Acesso em 13 de julho de 2012. conforme será visto mais adiante. a princípio. o qual estabeleceu metas mais detalhadas de atuação e trouxe novidades quanto aos principais agentes do plano. 23.br/url?sa=t&rct=j&q=plano%20nacional%20de%20banda%20 larga%20download&source=web&cd=3&ved=0CGYQFjAC&url=http%3A%2F%2Fwww.175/2010. gov. chamado Plano Nacional de Banda Larga 137. Acesso D em 13 de julho de 2012.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Decreto/D7175. além de levar acesso banda larga a 100% dos órgãos de governo e de aumentar em até dez vezes a velocidade mínima dos serviços de acesso à banda larga fixa (critério de qualidade do serviço). I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A países já vem implementando planos nesse sentido 133.gov. pág.google. Irlanda. o governo lançou.governoeletronico. como a do BNDES) para que tais metas fossem cumpridas.

Como forma de atuação. destaca-se a Campanha Banda Larga é um Direito Seu!.1. 138 8. definindo.htm>. até 31 de outubro de 2011. possuem peculiaridades que foram alvo de severas críticas. Acesso em 13 de julho de 2012. a qual reúne uma série de C instituições que defendem uma Internet barata e de qualidade para todos. parâmetros de velocidade efetiva de conexão mínima e média.1 Termos de Compromisso Os planos de banda larga popular previstos pelo PNBL foram concretizados. Com a intervenção do governo Dilma Roussef. que pode ser assinado.gov. Acesso em 13 de julho de 2012.br/index. Acesso em 13 de julho de 2012. bem como regras de publicidade e transparência que permitam a aferição da qualidade percebida pelos usuários”.php/manifesto/>. ainda. de maneira a garantir a igualdade entre provedores e o ingresso sustentável de novos agentes.globo. de disponibilidade do serviço. o próprio fato de serem acordos que estabelecem 138  isponível em: <http://g1. em regime público. desenvolveram um Manifesto.141 Primeiro. 139 140 141 . Esses Termos de Compromisso. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 109 observatório da internet. entre outros. um dos principais objetivos do Programa Nacional de Banda Larga era disponibilizar planos populares de 512 a 784 Kbps por R$ 35.org.90 nas localidades em que houver isenção de ICMS. os planos populares derivaram da revisão quinquenal do contrato de concessão e da edição do novo Plano Geral de Metas de Universalização. as medidas regulatórias necessárias para estabelecer padrões de qualidade para serviços de telecomunicações que suportam o acesso à Internet em banda larga.  omo exemplo. br/acoes-e-programas/programa-nacional-de-banda-larga-pnbl/252-temas/programa-nacional-debanda-larga-pnbl/23723-termos-de-compromisso>. ambém datado de 30 de junho de 2011.2 Gb. Oi. Companhia de Telecomunicações do Brasil Central – CTBC e Sercomtel) em 30 de junho de 2011.planalto. que as empresas devem cobrar R$ 29.A C E S S O.140 Eles preveem. O Manifesto pode ser encontrado neste link: <http://campanhabandalarga. O  Ministério das Comunicações disponibiliza a íntegra dos termos neste endereço: <http://www.00.com/tecnologia/noticia/2011/06/entenda-o-plano-nacional-de-bandaD larga. Acesso em 13 de julho de 2012.139 Como estavam sendo tratados em regime privado (impossibilitando o Estado de impor preços ou metas de ampliação do serviço). br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Decreto/D7512.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 Embora esse documento não tenha como intenção estabelecer valores numéricos específicos para a velocidade de banda larga adequada (preocupando-se simplesmente em garantir que a infraestrutura de Internet banda larga supra as necessidades derivadas dos seus consumidores e fornecedores de serviços). reivindicando que a banda larga seja tratada como serviço essencial. essa velocidade subiu para 1 Mbps – o que equivale a duas horas e quarenta minutos de espera para baixar um arquivo de 1. Disponível em: <http://www. em um primeiro momento. por qualquer um. nos Termos de Compromisso firmados entre o Ministério das Comunicações e a Anatel com as principais concessionárias de telefonia fixa (Telefonica. o PGMU III estabelece que “A Agência Nacional de T Telecomunicações  –  Anatel deverá adotar.html>.mc.gov. contudo.

o consumidor que aderir a esses planos também terá sua capacidade de upload muito limitada: de até 128 Kbps. permitiria às concessionárias diminuir temporariamente a velocidade da Internet contratada (sem.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. Plano Nacional de Banda Larga. o pleno uso da Internet pelo consumidor. que afirmam que a massificação do acesso à infraestrutura de Internet banda larga deve ocorrer tanto em áreas urbanas quanto rurais. Acesso em 16 de julho de 2012. de 1 Gb. o que aparentemente não inclui nem as áreas urbanas de forma ampla nem as áreas rurais. dada que as aplicações on-line . quando ultrapassado. 143 144 . pelos Termos de Compromisso. atendendo a todos os municípios do país com população superior a 100 mil habitantes. Tal medida aparentaria uma tentativa das empresas de telecomunicações de tornar esses planos menos atraentes para o consumidor – além de não representar bons padrões de qualidade. Dados extraídos da Wikipedia: <http://pt. seria rapidamente atingida. limitando. no mínimo. já que a maior franquia.5 Mbps de capacidade de download. 17. quando. 1.org. o Estado estaria sujeito aos termos contratados. já que.6 KBps de velocidade.org/wiki/Linha_discada>. na verdade.idec. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A um tratamento privado do serviço de banda larga representaria uma impossibilidade do governo de atuar em defesa direta dos interesses da população. contudo. impedir a fruição pelo consumidor das aplicações básicas). Isso é. da venda dos planos populares em conjunto com plano do servi- 142 D  isponível em: <http://www. 143 Ademais. Acesso em 16 de julho de 2012. p. deveria possuir um papel ativo como agente econômico e executor desse serviço – até mesmo para que possa alcançar a meta de massificação da infraestrutura de banda larga. Esse fator vai de encontro com as metas gerais de universalização estabelecidas pelo Plano Nacional de Banda Larga. assim. a União Internacional de Telecomunicações afirmou que uma banda larga de qualidade deveria ter. 144 Um dos fatores que mais geraram preocupação foi a permissão. o que corresponde a pouco mais que duas vezes a velocidade de uma conexão em linha discada. hospedagem na nuvem e o consumo de vídeo on-line tem tornado as demandas por banda cada vez maiores. 142 Além disso. os acordos obrigam as concessionárias a atuarem apenas nas “localidades sedes de municípios”. Haveria um problema quanto ao limite de downloads imposto nos planos populares.br/em-acao/revista/abertura-de-contas/materia/lenta-cara-epara-poucos-ii-a-missao/pagina/109>. BRASIL. A  Internet com conexão em linha discada apresenta no máximo 56. Segundo pesquisa feita pelo Idec.wikipedia.110 observatório da internet.

php/2011/06/13/sinais-preocupantes-o-pnbl-em-momentocritico/>. a limites quantitativos.br/pdf/acs_ranking_2011. bem como. com ao menos um Plano Alternativo do STFC.org.mc. D  isponível em: <http://www. utilizaram-se os seguintes dispositivos: “§3o A hipótese prevista no §2o não isenta a ALGAR TELECOM de disponibilizar a Oferta de Varejo por meio do SCM ou com uso de tecnologia que ofereça condições técnicas de qualidade equivalentes. Sem prejuízo do previsto no § 3o. Art. obtiveram péssimos resultados nas pesquisas apresentadas pelo relatório do Procon: ocupam respectivamente 6 o e 7 o lugares no ranking geral das cinquenta empresas mais reclamadas de 2011. Acesso em 16 de julho de 2012. tendo este último o preço mensal máximo de R$ 30. com tributos. Campanha Banda Larga é um Direito Seu!. nessa pesquisa.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 ço de telefone fixo comutado. As empresas de telecomunicações Telefonica e Oi. cuja contratação. além de estarem entre as cinco empresas de serviços essenciais mais reclamadas (apenas perdendo para a Tim). sem justa causa. cujo excesso de falhas tem sido alvo de constantes reclamações pelos consumidores. no Termo de Compromisso firmado com a CTBC (disponível em: <http://www. dentre outras práticas abusivas: I – condicionar  o fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento de outro produto ou serviço. P br/acoes-e-programas/programa-nacional-de-banda-larga-pnbl/252-temas/programa-nacional-debanda-larga-pnbl/23723-termos-de-compromisso>).br/index. 39. 13). 146 147 Sinais preocupantes: o PNBL em momento crítico. Acesso em 16 de julho de 2012. o Procon também reconheceu as desvantagens que o consumidor pode sofrer com a venda casada 145  or exemplo. Há também reclamações geradas pela falta de informação quanto aos pacotes de acesso à Internet em roaming internacional” (pág. Interessante notar que. conforme cronograma previsto no ANEXO I. (II) pela prestação de utilidades ou comodidades (PUCs). ao preço estipulado no caput.gov. neste caso. os críticos do programa têm afirmado que a implementação destes termos representa a ausência de um plano de atuação consolidado pelo governo federal. sem prejuízo da cobrança (I) pelo tráfego cursado do STFC além da franquia. que firmaram Termos de Compromisso relativos ao PNBL. prática expressamente proibida pelo Código de Defesa do Consumidor. e/ou (III) por outros serviços”. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 111 observatório da internet. 148 . 147 Segundo o Cadastro de Reclamações Fundamentadas do Procon relativo ao ano de 2011 148. “serviços mal prestados também foram alvo de reclamação em relação ao serviço de acesso à Internet por banda larga. 145 Há a afirmação de que essa prática seria equivalente a uma venda casada entre serviço de banda larga e serviço de telefonia fixa. a ALGAR TELECOM deve assegurar ao consumidor a possibilidade de contratação da Oferta de Varejo.sp. sem contar que promoveria a massificação de um serviço de má qualidade.gov. poderá ser efetuada em conjunto com plano do serviço de telefone fixo comutado – STFC disponível na respectiva localidade. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços. combinada com o Plano Básico do STFC homologado nos termos do Anexo III ao Contrato de Concessão e.00 (trinta reais).pdf>.A C E S S O. Disponível em:  <http://campanhabandalarga. alternativamente. na forma do §4o desta Cláusula. §4o. em razão de quedas de sinal frequentes e fornecimento de velocidade inferior à contratada.procon. 146 Portanto.

A Telebras seria responsável por implementar a rede privativa de comunicação da administração pública federal. Aparentemente vantajosa para os consumidores. a Anatel e as empresas concessionárias de Telecomunicações. a qual apenas seria substituída pela Telebras nas localidades em que não houvesse oferta adequada do serviço. prestar apoio e suporte a políticas públicas de conexão à Internet em banda larga para universidades.gov. Essa divisão de tarefas entre setor público e privado. contudo. Quando o consumidor enfrenta problemas. a principal gestora do Plano Nacional de Banda Larga seria a estatal Telecomunicações Brasileiras S. Pág. momento em que a implantação do PNBL foi acelerada  A oferta através de pacotes. normalmente realizada com uma das empresas envolvidas. por exemplo.1.2 Gestão do PNBL De acordo com o Decreto 7.pdf>. desestimula a contratação individual. No momento da contratação.br/pdf/acs_ranking_2011.112 observatório da internet. postos de atendimento. pela prestação direta do serviço de banda larga para usuários finais. estados. foi modificada ao longo do ano de 2011. ( Telebras). a venda e compra dos serviços em pacotes esconde problemas que podem ser enfrentados mais tarde pelo consumidor. Disponível em: <http://www. as informações fornecidas não são claras: empresas prestadoras distintas. como. centros de pesquisa. 149 . Procon. hospitais. o poder público seria o principal responsável pela aplicação do Plano. com preço e condições comparativamente mais vantajosos do que a “ aquisição isolada de um só serviço. que é permitida em alguns serviços e vedada em outros”. telecentros comunitários e outros pontos de interesse público.sp. a fidelização. chamando a atenção da Anatel para a necessidade de regulamentação dessa prática. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A entre serviços de telefonia fixa e Internet banda larga (permitida pelos Termos de Compromisso). em razão de fidelização (TV por assinatura e telefonia móvel) e sobre a alteração no valor do serviço que permanecerá ativo. Dessa forma. sofre o jogo de “empurra” entre as empresas e é informado sobre a incidência de multa.A. tendo o setor privado papel complementar na sua implementação – sendo responsável.175/2010. Acesso em 16 de julho de 2012. normas regulatórias específicas para cada serviço e condições especiais atreladas ao pacote. escolas. municípios e entidades sem fins lucrativos. por exemplo. além de prover infraestrutura e redes de suporte a serviços de telecomunicações prestados por empresas privadas. 12 do Cadastro de Reclamações Fundamentadas de 2011.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. está insatisfeito ou deseja rescindir um ou mais dos serviços. 149 8. O Procon-SP aponta para a necessidade de regulamentação pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) dos serviços convergentes. Distrito Federal.procon. a qual atuaria em conjunto com o Comitê Gestor do Programa de Inclusão Digital (CGPID). uma vez que as regras são distintas para os diferentes serviços incluídos nos pacotes.

com. disponível em: <http:// campanhabandalarga. a expansão do backhaul a mais localidades. CUT defende o fortalecimento da Telebras.php/2011/04/25/entidades-criticam-negociacao-do-governo-comas-teles/>. 153 Somado a isso. uma série de ações políticas demonstra o efetivo afastamento de funções da Telebras relativas ao PNBL.br/index.. 150 A atuação das concessionárias de telecomunicações no PNBL foi ganhando cada vez mais destaque e. o Ministério das Comunicações já dava sinais de que o desenvolvimento do PNBL seria apoiado na atuação das empresas de telecomunicações.)”. o ex-ministro Hélio Costa. focado no desenvolvimento de backhauls 151.br/index. Acesso em 16 de julho de 2012. um dos idealizadores do PNBL. Banda Larga é um Direito Seu! C Disponível em: <http://campanhabandalarga. foi diminuído no atual governo para R$ 316 milhões. O próprio Plano Nacional de Banda Larga evidencia esse entendimento. a partir do qual se distribui o sinal para as redes que chegam para prover banda larga nas residências”. .A C E S S O. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 113 observatório da internet. “com relação às restrições ao crescimento da oferta de infraestrutura banda larga. “ Backhauls são as ligações de Internet das grandes redes para os municípios. e deixou o cargo o ex-ministro José Artur Filardi. Plano Nacional de Banda Larga. em 31 de março de 2010. o Brasil vem atuando para superar um dos principais fatores de limitação da expansão da cobertura banda larga. Site Banda Larga é um Direito Seu!. Acesso em 16 de julho de 2012. “o primeiro aporte.bmfbovespa.php/2011/06/06/cut-defende-fortalecimentoda-telebras/>.  AMPANHA BANDA LARGA. p. consequentemente. cabendo ao Estado atuar de forma complementar (. que substituiu.org. disponível em: <http://www. (…) Destaca-se a importância de garantir a oferta não discriminatória aos nós de acesso ao backhaul” (pág.org. o papel da Telebras seria restringido. Uma delas foi o corte de recursos no governo Dilma – enquanto o governo Lula projetou um aporte inicial de R$ 1 bilhão à Telebras até o fim de 2011 com possível suplementação de R$ 400 milhões. 11.as  p?origem=exibir&id=18201105030168&manchete=TELEBRAS%20(TELB)%20-%20ESCLARECIMENTOS>. com sucessivas reduções que acabam inviabilizando a meta do PNBL para 2011”. Isso foi expresso no esclarecimento feito pelo Ministério à Bovespa e à CVM: “é intenção do Ministério rediscutir a atuação de mercado da Telebras. Entidades criticam negociação do governo com as Teles. a fim de diminuir projetos isolados da empresa e canalizar esforços conjuntos com o setor privado para a expansão de redes no país e sua comercialização no atacado” 152. 154 150 Em 1o de janeiro de 2011 tomou posse do cargo de ministro das Comunicações Paulo Bernardo Silva. de R$ 600 milhões. Acesso em 13 de junho de 2012. Relativo ao Ofício 561/2011/SE-MC. Mesmo antes da assinatura dos Termos de Compromisso. em regime de competição. D e acordo com o Plano Nacional de Banda Larga.br/agencia/corpo. 13). 151 152 153 154 BRASIL. ou seja..br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 pelo Ministério das Comunicações – cuja gestão foi modificada junto com a mudança do governo Lula para o governo Dilma. ao afirmar que um dos seus princípios “é o estímulo ao setor privado para que este invista na infraestrutura de banda larga.

características próprias 155 I nformações  extraídas do Observatório do Direito à Comunicação. e sem que isso signifique uma competição entre Telebras e as empresas de telecomunicações. como vimos. representaram um esvaziamento da Telebras e de sua função como gestora do plano. também ficam prejudicados. de maneira que. Para ele. mas que esses planos estariam inviabilizados com o contingenciamento de recursos imposto à estatal. Assim. Santanna já havia feito críticas ao governo. ela começaria a ter lucro. Paulo Bernardo. afirmando que estaria cedendo aos interesses das concessionárias de telecomunicações. e que essa aproximação com empresas privadas não era necessária. o acesso à banda larga deveria ser tratado como um direito fundamental e um serviço essencial. Essa discussão remete a uma das maiores críticas feitas ao PNBL e ao tratamento em caráter privado do serviço de acesso à infraestrutura de banda larga: a não exigência de universalização do serviço. o atual ministro das Comunicações. Consequentemente.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. e do secretário de Telecomunicações Nelson Fujimoto. seria preciso apenas fortalecê-la (econômica e profissionalmente) e expandir essa rede. Disponível em: <http://www. o importante é cumprir as metas do plano. que serão explicados mais adiante). mas a presidente Dilma Roussef somente autorizou a liberação de R$ 1 bilhão por ano – ou seja. R$ 4 bilhões no total (se a verba de 2011 for recomposta). já que foram planejados gastos de R$ 7 bilhões para se alcançar as metas do PNBL. apesar de representarem uma parcela signficativa do mercado.br/content.114 observatório da internet. assim. Rogério Santanna (em 31 de maio de 2011). sendo a ele garantido.155 Já Santanna acredita que os monopólios exercidos pelas principais empresas de telecomunicações prejudicam a concorrência. Acesso em 16 de julho de 2012. Por outro lado. o que faria com que. estivesse sujeito ao regime público. obrigatoriamente. não importando se isso será feito através do governo ou do setor privado. dentro de cinco anos. tendo em vista que a rede com a qual atuaria a Telebras já existe (derivada de acordos feitos entre a Telebras com a Petrobras e a Eletrobras. os consumidores dos locais não atendidos pelo serviço de banda larga. Segundo a campanha Banda Larga é um Direito Seu!.php?option=com_content&task=view&id=7924>. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A Também houve suspeitas de que as demissões do então presidente da Telebras e idealizador do PNBL. obrigações de atuar apenas nas localidades sedes dos municípios).org. . direitoacomunicacao. afirma que essa negociação com as empresas de telecomunicações era necessária. uma vez que ficam à mercê dos interesses das empresas e dos Termos de Compromissos com elas firmados (os quais estabelecem.

Acesso em 16 de julho de 2012.com.br/mate-pdf/9415.com. as quais passaram a oferecer os planos populares de banda larga 161. entrou em acordos com as empresas Claro e Tim. de 2007.uol. htm?infoid=28479&sid=14>.html>. Disponível em <http://www6. como a universalização. a um projeto piloto que visa a integração de universidades e institutos tecnológicos federais em alta ve- 156 157 BRASIL. prestados tanto em regime público quanto privado – incluindo os serviços de acesso à infraestrutura de banda larga.pdf>.  S obre a Claro: <http://oglobo. se aprovada pelo Congresso. 156 Atualmente.abril. seria também possível utilizar os recursos do FUST (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações) para a implantação do PNBL. obre a contratação de uso de fibra óptica com a Petrobras: <http://www.A C E S S O.  T eles vão à Justiça para que Telebras abra contratos firmados com Eletrobras e Petrobras. 27. deu início. Acesso em 16 de julho de 2012. Acesso em 16 de julho de 2012. ela tomou uma série de iniciativas no ano de 2011 para a concretização do plano. Em novembro. Plano Nacional de Banda Larga.globo.exe/sys/start. o que não é possível por ser tratado em regime privado.shl>.brasil. Além disso.gov. Disponível em: <http://convergenciadigital.senado.  Projeto de Lei relativo à revisão da lei que rege o sistema de aplicação de recursos do FUST é o Projeto O de Lei do Senado no 103. controle de tarifas e retorno dos bens derivados de recursos públicos à União. p. 158 159 160 161 . Acesso em 16 de julho de 2012. Dessa forma. que ainda não foram utilizados nas finalidades previstas. obre a contratação de uso de fibra óptica com a Eletrobras: <http://insight-laboratoriodeideias. Apesar de todos os esforços para retirar da Telebras a gestão do PNBL. segundo o PNBL. contratou com a Petrobras 158 e a Eletrobras 159 o direito de utilização de suas redes de fibra óptica. Convergência Digital.com/tecnologia/claro-adere-ao-programa-de-banda-larga-dogoverno-oferece-servico-r-2990-2868224>. junto à RNP (Rede Nacional de Ensino e Pesquisa).br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 desse regime. Por exemplo. Acesso em 16 de julho de 2012. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 115 observatório da internet. S blogspot.br/noticias/tecnologiapessoal/com-tim-pnbl-tera-web-movel-por-35-reais-13072011-30.br/cgi/cgilua. sem o que seria impossível alcançar as metas de massificação previstas – contrato esse que foi objeto de questionamento por processo judicial ajuizado pelas empresas de telecomunicações no fim de novembro 160. a lei que dispõe sobre a aplicação dos recursos desse fundo está em processo de revisão 157 e. O FUST possui arrecadação anual de R$ 600 milhões.gov. A justificativa do projeto de lei afirma que o fundo já arrecadou cerca de R$ 5 bilhões. permitirá que sejam utilizados para qualquer investimento em serviços de telecomunicações. recolhidos sobre a receita operacional bruta de todas as empresas que operam no setor. Sobre a Tim: <http://info.br/2011/07/telebras-e-eletrobras-juntas-para.br/noticias/ S arquivos/2011/05/19/petrobras-cede-utilizacao-de-fibras-opticas-para-programa-nacional-de-bandalarga>.com.

163 164 165 166 167 168 169 . de 27 de setembro de 2002.br/visualiza/index. Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). a agência aprovou no ano de 2011 dois regulamentos de Gestão de Qualidade: o RGQ-SCM e o RGQ-SMP. Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). com o objetivo de atualizar o então existente Plano Geral de Metas de Qualidade (PGMQ-SMP) 164 e acrescentar novos indicadores de qualidade a serem respeitados pelas prestadoras do serviço de telefonia móvel. Consulta Pública no 27/2010. a agência adotou o mesmo procedimento165 para Comunicação Multimídia (RGQ-SCM). Resolução no 575. através da ampliação da estrutura de backhaul nas universidades.do?codigoDocumento=245894>. Acesso em 29 de fevereiro de 2012.  importante destacar que os serviços de telecomunicações são constantemente apontados como É um problema pelo consumidor.anatel.2 Regulamento de gestão de qualidade para Internet fixa e serviço móvel Em julho de 2010. Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Acesso em 20 de julho de 2012. Em agosto de 2011.  RASIL. BRASIL.gov.br/web/rnp/imprensa/-/ S rutelistaconteudo/6Cal/ar ticleId/608535/groupId/489970/templateId/TPL-IMPRENSA-RNP/ isPrintable/true>. Acesso em 16 de julho de 2012. de 28 de outubro de 2011 B disponível em: <http://www. Como resultado dessas consultas.in. de 28 de outubro de 2011 B disponível em: <http://www. Resolução no 317.  e acordo com o art. as metas passam a ser exigíveis 13 (treze) meses após a aprovação D do regulamento. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A locidade à rede acadêmica nacional 162.jsp?data=31/10/2011&jornal=1&pagina=91&totalArqu ivos=160>.  RASIL. 46 da Resolução. 8. Consulta Pública no 46/2011.br/Portal/exibirPortalRedireciona. 166 167 A adoção dos Regulamentos de Gestão de Qualidade da Anatel é relevante porque estabelece padrões a serem observados pelos prestadores de serviço em relação à qualidade do serviço prestado. 169 162 obre o projeto piloto entre a Telebras e a RNP: <http://portal. Segundo o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça.116 observatório da internet. sujeita as prestadoras a sanções. BRASIL. a Anatel abriu consulta pública 163 para elaboração de um Regulamento de Gestão da Qualidade do Serviço Móvel Pessoal (RGQ-SMP). O não cumprimento das metas de qualidade estabelecidas pela agência.rnp.90% do total das reclamações feitas pelos consumidores aos Procons que fazem parte do Sindec (Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor). Resolução no 574.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. que passam a ser exigíveis a partir de novembro de 2012 168. BRASIL. os serviços de telecomunicações responderam em 2011 por 22. o qual será realizado em Tocantins e em Goiás.gov. Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

que possibilita a oferta de capacidade de transmissão. a Anatel estabeleceu metas de qualidade apenas para as prestadoras com mais de 50 mil assinantes. A meta de 20% é válida para os primeiros doze meses. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 117 observatório da internet. a ser observada em 95% das medições. nos doze primeiros meses. será de 30% e. Nos doze meses seguintes. a Anatel estabeleceu indicadores de reação do assinante relativos ao número de reclamações reabertas. no máximo.br/ C Portal/exibirPortalNoticias.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 No que diz respeito ao regulamento do Serviço de Comunicação Multimídia 170 (serviço de telecomunicações que suporta o acesso à Internet em banda larga). Nos indicadores de reação do assinante. De maneira semelhante. 171 . Indicadores de Rede e Indicadores de Atendimento. Acesso em 29 de fevereiro de 2012. a partir de então. a partir de então. A maior inovação do regulamento foi em relação aos Indicadores de Rede das prestadoras de SCM. a assinantes dentro de uma área de prestação de serviço” – transcrição da definição constante no Artigo 3o da Resolução no 272 de 9 de agosto de 2001. utilizando quaisquer meios.anatel. O resultado não pode ser menor do que 20% da velocidade máxima contratada pelo assinante. A partir de novembro de 2014. tanto para download como para upload . Veja abaixo alguns dos Indicadores de Rede aprovados pela agência: 171 · Velocidade Instantânea: é a velocidade aferida em cada medição feita pelo software . 80%. emissão e recepção de informações multimídia.  onforme veiculado pela Anatel em 31 de outubro de 2011. 40%. A meta inicial é de 60%. contados a partir da entrada em vigor do regulamento. · Velocidade Média: é o resultado da média de todas as medições realizadas no mês na rede da prestadora. “ prestado em âmbito nacional e internacional. relativas a três tipos de indicadores: Indicadores de Reação do Assinante.A C E S S O. Disponível em: <http://www. a proporção de reclamações deve ser reduzida para 2% do total de assinantes. é de. no regime privado. a Anatel estabeleceu que as prestadoras de SCM devem reduzir o número de reclamações recebidas em seus canais de atendimento para uma proporção de 6% em relação ao seu número total de assinantes a partir de novembro de 2012. 170 O Serviço de Comunicação Multimídia é um serviço fixo de telecomunicações de interesse coletivo.do?acao=carregaNoticia&codigo=24110>.gov. 80 milissegundos em conexões terrestres e 900 milissegundos em conexões por satélite. · Latência Bidirecional: é o tempo em que um pacote de dados percorre a rede de um determinado ponto até seu destino e retorna à sua origem. em 95% das medições. Nos doze meses seguintes será de 70% e. A meta.

org. Através dos Regulamentos de Gestão de Qualidade.pdf>. A Internet que conhecemos e usamos hoje é a dos nomes de domínio. dos endereços dos sites construídos por letras. de acordo com a Resolução n° 575/2011.br/consumidor/produtos/banda-larga.pdf>. foi criado um Sistema de Nomes de Domínio (DNS) que substituiu os números por nomes.ofcom.gov. baseou-se em experiências internacionais como a do órgão regulador britânico. Hoje. A importância dos nomes de domínios transcende a viabilização dos usuários da Internet no acesso a sites . 173 174 . 174 8. aos prazos para instalação do serviço e para reparo de problemas. Acesso em 29 de fevereiro de 2012.gov. Acesso em 29 de fevereiro de 2012. a agência recebeu mais de 300 contribuições para a proposta de RGQ-SMP e mais de 700 contribuições para a proposta de RGQ-SCM. chamado de endereço IP .uk/telecoms/codes-of-practice/broadband-speeds-cop/ D voluntary-codes-of-practice/>. em regulação do órgão regulador indiano ( TRAI) 173. No curso das consultas públicas. a Anatel também aprovou Indicadores de Atendimento relativos ao atendimento nos Serviços de Atendimento ao Consumidor (SAC) das empresas. D  isponível em: <http://www. nomes próprios.inmetro. até mesmo. Disponível em: <http://www. Pode-se dizer que. marcas. palavras. atualmente. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A Indicadores de Rede equivalentes foram aprovados para as conexões de dados das prestadoras de telefonia celular. Para facilitar essa comunicação. bem como em um estudo realizado pelo Inmetro em parceria com o Comitê Gestor da Internet e a Anatel.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. Para desenhar a proposta regulatória relativa aos Indicadores de Rede. entre outras medidas. viabilizando a comunicação dos terminais. que permite a localização dos mesmos na rede. Acesso em 29 de fevereiro de 2012.dot.118 observatório da internet. que criou um código voluntário de melhores práticas 172. frases.in/Acts/legislation/6oct2006. que aprovou o RGQ-SMP.3 Nomes de domínio Cada computador em rede possui um número exclusivo. os principais debates de controle de condutas de usuários na rede se valem cada vez mais dos nomes de domínio como estru- 172  isponível em: <http://stakeholders. nenhum usuário se lembra de acessar sites por meio de combinações numéricas. nomes de empresas e.

seja o embate político entre candidatos a presidência. dois são propostas relativas à regulação dos registros de nomes de domínio no Brasil.lechangementcestmaintenant. Seja a plena atuação empresarial no meio digital. François Hollande. foi o uso dos mesmos na guerra presidencial entre os partidos. assim confusão e abusos do princípio do first come-first served que rege o sistema de nomes de domínio. No dia seguinte. evitando. Um exemplo disso é a imposição aos provedores de acesso à Internet pelo governo francês de bloqueio de acesso por meio de nomes de domínio.fr> encontravam uma paródia do periódico do candidato L’Hibernation (Hibernação) e de seu slogan Le reniement.A C E S S O. aqueles que acessavam o site <www.) lançou seu periódico nas bancas Libération . de 2003.3. sobretudo os conflitos com marcas e nomes empresariais. c’est maintenant (A mudança é agora. .br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 tura essencial de identificação dos usuários. A proposta mais antiga. Outro bom exemplo da importância dos nomes de domínio. o governo francês editou um decreto que obrigava os fornecedores de acesso a bloquearem sites de jogos on-line que não estiverem cadastrados na agência reguladora francesa de jogo. Nele pode-se observar preocupações mais legais e menos técnicas do registro dos nomes de domínio. o PL 256 de 2003. O segundo projeto é de 2011. a essencialidade dos nomes de domínio em diversas áreas. 8. Quando questionado sobre isso. de autoria do deputado Cláudio Cajado. um dos membros da direção da UMP alegou que François Hollande e sua equipe falharam na proteção do candidato na Internet. ARJEL. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 119 observatório da internet. Em 30 de dezembro de 2011. Vemos. cuja maior preocupação é solucionar os problemas empresariais que circundam os nomes de domínio.que também ocorreu no ano passado na França. com definições de requisitos e condições para registro. c’est maintenant (A negação é agora).1 Propostas de regulação do tema no Brasil Dentre os Projetos de Lei que tramitam atualmente no Congresso Nacional. O proprietário do registro do nome de domínio em questão é a UMP. O candidato do Partido Socialista Francês. que usa o slogan Le changement. reflexos de situações comuns cotidianas do mundo não digital. partido rival do PS. é de iniciativa do senador José Sarney. portanto.

que viole direitos de terceiros. cor ou credo. desta Resolução. I – palavras ou expressões de baixo calão ou ofensivas à moral e aos bons costumes. II – palavras ou expressões decorrentes de reprodução ou imitação. com poderes específicos Vedação a registro Não são registráveis como nomes de domínio de Internet nas categorias sob o . DPN.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. 6 o. capazes de induzir terceiros em erro. sexo. à exceção do primeiro requerente. ou das hipóteses previstas no art. mediante o cumprimento das exigências descritas no art.br. profissionais liberais e pessoas físicas.120 observatório da internet. raça. As pessoas físicas ou jurídicas estrangeiras que não tenham domicílio ou sede no Brasil deverão constituir procurador domiciliado no país. ministérios. 8/2008 Define-se como Domínio de Primeiro Nível. legalmente representadas ou estabelecidas no Brasil. O requerente declararse-á ciente de que não poderá ser escolhido nome que desrespeite a legislação em vigor. conforme disposto nesta Resolução. Aspectos do proprietário de registro Pessoas físicas e jurídicas. à dignidade das pessoas. 7 o. e nomes próprios de pessoas físicas para os quais existam homônimos. de direito público ou privado. que represente palavras de baixo calão ou abusivas. . que ofendam a honra ou imagem de pessoas ou atentem contra a liberdade de consciência. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A PROJETOS DE LEI SOBRE REGISTRO DE DOMÍNIO NO BRASIL E RESOLUÇÃO N O 8/2008 CGI. crença. No caso de empresas estrangeiras. atendidos os requisitos estabelecidos nesta lei. Qualquer pessoa física ou jurídica. que simbolize siglas de estados. É permitido o registro de nome de domínio apenas para entidades que funcionem legalmente no país. bem como as que incentivem o crime ou a discriminação em função de origem. Res. de nome de domínio já registrado. no todo ou em parte. nos quais disponibilizamse registros de subdomínios segundo as regras estabelecidas nesta Resolução. segurança ou confiabilidade do tráfego de informações na rede Internet.BR PL 835/2011 Definição Não define PL 256/2003 Considera-se nome de domínio o conjunto de caracteres que identifica um endereço na rede de computadores Internet. III – os nomes que o órgão ou a entidade responsável pelo registro de nomes do domínio considerarem prejudiciais à conveniência. culto religioso ou ideia e sentimentos dignos de respeito e veneração. os domínios criados sob o ccTLD. com CPF ou CNPJ regular.br. que induza terceiros a erro.br expressões contrárias à moral e aos bons costumes. ou que incida em outras vedações que porventura venham a ser definidas pelo CGI. poderá ser concedido o registro provisório. ainda que com acréscimos. que represente conceitos predefinidos na rede Internet.

nome empresarial. III. ser uma combinação de letras e números [a-z. oficial ou oficialmente reconhecido. econômico ou técnico. II. IV. III – nome de pessoas jurídicas de direito público interno ou externo. cultural. 0-9]. Res. õ. hífen [-] e os seguintes caracteres acentuados [à. excetuados os casos em que o solicitante seja um legítimo representante dessas pessoas jurídicas. nos termos da Convenção da União de Paris para Proteção da Propriedade Industrial.A C E S S O. ú. ainda que não esteja depositada ou registrada no Brasil. Entendese por nomes não registráveis aqueles descritos no § único do artigo 1 o. o domínio escolhido pelo requerente não deve tipificar nome não registrável. salvo quando o solicitante for o promotor do evento. nome de família. nos termos do art. ó. desta Resolução. ç]. 6 o desta lei. o do titular. ê. 8/2008 Um nome de domínio escolhido para registro sob um determinado DPN. III – a comprovação da titularidade ou do legítimo interesse.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 PROJETOS DE LEI SOBRE REGISTRO DE DOMÍNIO NO BRASIL E RESOLUÇÃO N O 8/2008 CGI. IV – nome.BR continuação > PL 835/2011 Não cause confusão com: I – marca depositada junto ao Instituto Nacional de propriedade Intelectual que não seja de titularidade do solicitante. político. prêmio ou símbolo de evento esportivo. nome civil. II – a não configuração como nome não registrável. PL 256/2003 I – a inexistência de registro prévio do mesmo nome no mesmo domínio de primeiro nível. título de obra intelectual protegida ou outro nome de domínio que não seja de titularidade do solicitante ou para cujo registro não haja consentimento ou patronímico. â. social. Não ser constituído somente de números e não iniciar ou terminar por hífen. é. ã. ter no mínimo 2 (dois) e no máximo 26 (vinte e seis) caracteres. considerandose somente sua parte distintiva mais específica. nome artístico singular ou coletivo. í. ô. pseudônimo ou apelido notoriamente conhecido. II – título de estabelecimento. herdeiros ou sucessores. ü. Requisitos . deve: I. á. artístico. V – marca notoriamente conhecida em seu ramo de atividade. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 121 observatório da internet.

7 o. do art. inciso I. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A PROJETOS DE LEI SOBRE REGISTRO DE DOMÍNIO NO BRASIL E RESOLUÇÃO N O 8/2008 CGI.BR continuação > PL 835/2011 Não prevê PL 256/2003 I – renúncia expressa de seu titular.br.com. responsável pela supervisão dos nomes de domínio na Internet. pelo não pagamento dos valores referentes à manutenção do domínio. III. desta Resolução. itens 1 e 2. A medida foi o principal ponto discutido na reunião. pelo descumprimento do compromisso estabelecido no documento mencionado no inciso IV. pela constatação de irregularidades nos dados cadastrais da entidade. os sufixos de endereços de sites na Internet não estarão mais limitados aos sufixos de países e aos tradicionais .2 O debate internacional A partir de 12 de janeiro de 2012. após constatada a não solução tempestiva dessas irregularidades. II. . uma vez solicitada sua correção pelo NIC.net. Cancelamento do registro 8. 4 o. aprovou a ampliação dos sufixos de endereços na Internet. no início do uso da Internet. . alíneas “a” e “b”. 6 o. As novas taxas de registro custarão US$ 185 mil e o alto custo é visto pela ICANN como um fator que reduzirá o número de registros fraudulentos.122 observatório da internet. III – nulidade do registro. O anúncio foi feito no início da 41ª reunião da entidade que terminou no dia 24 de junho em Cingapura. descritas no art. o registro de nomes de domínio .org e outros mais. nos prazos estipulados pelo NIC. br. pela renúncia expressa do respectivo titular. A Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN). V – ordem judicial Res. . 8/2008 I. por ordem judicial. IV – perda da condição de titular ou legítimo interessado.br.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O.3. por meio de documentação hábil exigida pelo NIC. nas hipóteses do art. V. IV. II – prescrição.gov. A expectativa é que grandes empresas sejam as primeiras a registrar novos domínios para as suas marcas. Foi uma prática muito recorrente.

4 O papel do NIC. redigiram uma Política Uniforme para os nomes de domínio que prevê um mecanismo de solução de conflitos. a ICANN veio praticamente a imprimir dinheiro para os registradores e para si mesma: a corrida para o registro dos sufixos fundamentais para o posicionamento da marca por diversas empresas. 8. A ICANN e a OMPI. O lançamento dos novos domínios é apenas mais uma etapa no longo processo de aperfeiçoamento na forma como o conteúdo está endereçado na Internet.br na implementação de soluções técnicas para a Internet no Brasil O Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.A C E S S O. criando uma espécie de hierarquização entre nomes de domínio que é contrária às práticas e expectativas da Internet. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 123 observatório da internet. completamente criado por esta medida. fomentando diversos debates e interpretações acerca do real objetivo da ICANN. especialmente no que diz respeito à proteção da propriedade intelectual. em 1999. com a medida. o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). O alto valor das taxas cobradas é um fator de tensão entre os atores envolvidos.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 de marcas por pessoas sem qualquer relação com as mesmas. além de reduzir os registros fraudulentos. Agora será preciso verificar a legitimidade dos pedidos que serão analisados e resolver uma série de conflitos que inevitavelmente vão surgir. Outro ponto controvertido da nova regulamentação é a possibilidade de se opor ao registro de um domínio que afete a moralidade e a ordem pública. as altas taxas cobradas servirão também para afastar pequenas e médias empresas.br/CGI. O incentivo era vender o nome de domínio aos proprietários legítimos das marcas. A diversidade cultural entre os países dificulta a adoção de parâmetros uniformes (um exemplo é a diversidade de alfabetos em vista da predominância do alfabeto ocidental) e essa medida poderá gerar conflitos envolvendo expressões que são proibidas em um certo país. Para muitos. Possui diversas iniciativas para monitorar ou influenciar a forma . mas não em outro. Tal prática foi apelidada de Nova Corrida ao Ouro da era digital. por meio principalmente de seu braço executivo. bem como as necessárias reservas contra uso indevido dos mesmos por terceiros. Outra constante observação é a de que. são um novo mercado a ser explorado. acompanha com atenção o desenvolvimento da Internet sob o ponto de vista tecnológico.br).

celulares e uma infinidade de outros dispositivos. . a Internet só é possível porque todos os seus participantes concordam em seguir um conjunto comum de padrões tecnológicos. As tecnologias usadas na Internet na prática regulam e restringem a forma como esta é utilizada e pode ter tanta influência sobre a rede quanto tem a política – no sentido mais tradicional do termo. por serem únicos. serviço e aplicação devem funcionar na rede. mais ou menos independentes umas das outras. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A como as tecnologias são adotadas e utilizadas pelas redes brasileiras. Na verdade. que atuam nesse sentido. é formada pela interconexão de um grande número de redes.br. Esses pontos são fundamentais nas discussões sobre tecnologia da Internet e políticas públicas. e que possuem a tecnologia como fator agregador. A característica de descentralização das operações que regem a Internet. já bastante explorado nesta obra. Do ponto de vista tecnológico.124 observatório da internet. Há literalmente milhares de padrões que definem como cada função. cada vez mais universal. que identificam cada dispositivo. respectivamente. ou o sistema de nomes de domínio. que têm objetivos diversos e usam equipamentos de vários fabricantes. Aí se enquadram os RIRs ( Regional Internet Registers ) e a ICANN ( Internet Corporation for Asigned Names and Numbers ). Poucos pontos da base tecnológica da Internet dependem de um controle central. há vários fatores intrinsecamente ligados à tecnologia em si. trataremos mais detalhadamente das principais iniciativas de dois dos órgãos responsáveis por oferecer soluções técnicas a alguns dos problemas enfrentados na Internet: o CGI e o NIC. Abaixo. uma vez que a centralização exige uma organização e uma definição de ações de distribuição e uso de recursos. Assim. de forma a contribuir para que a Internet se desenvolva dentro dos mesmos princípios que a trouxeram até o ponto em que se encontra atualmente: uma rede aberta e propícia à inovação. como seu nome sugere. que gerenciam. Ainda no que tange à capacidade de exercer influência sobre políticas. pela necessidade de um ponto de partida para as consultas na Internet. também é um elemento importante na definição de políticas. ou à forma como é usada. a Internet é uma rede de alcance mundial que interliga computadores. criados de forma aberta e colaborativa e aprovados por um processo de consenso aproximado pela IETF (Internet Engineering Task Force ). Tais redes são administradas por diferentes instituições. tablets . os números de IP e os nomes de domínio na rede. por exemplo.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. os endereços IP.

Acesso em 18 de julho de 2012. o protocolo que empresta seu nome a ela: Internet. O IP faz uso dos diversos tipos de redes de telecomunicações diferentes. Isto é. O IPv6 é a versão mais recente do protocolo IP. na forma de apostilas e de um curso e-learning sobre o assunto. O Protocolo Internet é. Ele tem de ser implantado rapidamente na Internet. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 125 observatório da internet. já que faz uso dos recursos de forma muito mais eficiente. O que diferencia a Internet dos demais serviços de telecomunicações é justamente o endereço IP. a montagem de um laboratório didático e a criação de um curso gratuito.1 O esgotamento do IPv4 e do IPv6 O IP é a base tecnológica mais fundamental da rede. o NIC. agregando a eles informações suficientes para que cheguem a seus destinos. que faz uma reserva antecipada dos recursos necessários para a comunicação entre emissor e receptor. o fornecimento 175 Trata-se do website <http://www.ipv6. teórico e prático para os funcionários de provedores de Internet e outros sistemas autônomos. não é mais capaz de suportar o crescimento da rede: não há mais endereços livres. . quanto a construção de redes extremamente resilientes. seguindo seu caminho até o destino final. que incluiu palestras técnicas em eventos e universidades.A C E S S O. responsável por identificar cada dispositivo conectado na rede por meio de números que chamamos de endereços. A comunicação de pacotes garante tanto a eficiência do compartilhamento dos recursos de telecomunicações. a mesma usada para os serviços de telefonia.4. a construção de um website em português sobre o tema175. ela é normalmente muito mais flexível e barata do que os demais. criando uma camada padronizada sobre a qual todos os demais protocolos e serviços da Internet funcionam.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 8. O NIC.br tem atuado de forma a suportar e fomentar a adoção do IPv6 no Brasil há vários anos.br>. a Internet utiliza a comutação de pacotes. assim. deu início a uma série de ações de fomento. É importante lembrar que a Internet é construída a partir da infraestrutura de telecomunicações tradicional. a criação e disponibilização de material didático. o IPv4. rádio e TV – ainda assim. além de encapsular todos os dados que fluem através dela. Em dezembro de 2007. dividindo a informação em pequenos blocos que podem ser enviados de forma independente pela rede. porque a versão anterior. no lugar de utilizar a comunicação por circuitos. Em 2008.br começou a alocar os novos endereços. que geram uma série de caminhos diferentes entre dois pontos quaisquer.

também já está esgotada.br. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A de trânsito IPv6 gratuito.br e os diversos atores envolvidos. a criação de uma ferramenta de validação de sites IPv6 e. Foram realizados. como resultado. Além da atuação técnica. as quais são bem conhecidas e vêm sendo usadas desde meados da década de 1990 – a principal delas é o NAT. subvalorizadas: a sincronização dos elementos na rede e a Hora Legal Brasileira. foi programado um grande teste de funcionamento do protocolo para o início de 2012: a Semana IPv6. a possibilidade de usá-las sem prejuízo do funcionamento da rede e da preservação dos seus princípios fundamentais. por exemplo.4.br foi o responsável por uma série de atividades de coordenação. por vezes. em especial operadoras de telecomunicações. além de gerar confusão para a operação da Internet em si. e cerca de 700 técnicos foram treinados em 21 cursos práticos. Reuniões foram feitas entre o NIC. pode trazer sérios prejuízos ao desenvolvimento da rede. mas ainda pouco conhecidas e.126 observatório da internet. Apenas no ano de 2011. dentre outros.2 A sincronização dos elementos na rede e a Hora Legal Brasileira Este tópico trata de duas questões simples e de fundamental importância. provedores de acesso e provedores de conteúdo na Internet e. A transição para o IPv6 é uma questão fundamental para a rede e há diversos riscos envolvidos. houve 200 mil acessos ao website criado pelo NIC. segundo o qual as operadoras de telecomunicações e os provedores devem oferecer trânsito de Internet em seus produtos corporativos em meados de 2012 e devem começar a ativar o suporte ao protocolo para usuários domésticos no início de 2013. Além disso. Contudo. realizados ao longo do ano em todas as regiões do país. em 2011 o NIC. a realização de estudos sobre a qualidade da infraestrutura IPv6 na Internet. implantar e operar o IPv6 na Internet. finalmente. O uso do NAT por provedores de Internet sem a implantação concomitante do IPv6. dois grandes eventos técnicos sobre IPv6. como a conectividade peer-to-peer e a neutralidade.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. Outro risco é a criação de um mercado negro para os IPv4 como tentativa de postergar a migração. o que pode prejudicar o controle sobre a unicidade da numeração. Também para essa data é esperado que todos os websites brasileiros deem suporte ao protocolo. . Um dos principais diz respeito ao uso de tecnologias destinadas a prolongar a vida do IPv4. ainda. 8. cuja ênfase foi a divulgação de informação e formação de técnicos capazes de planejar. focados na apresentação de casos. delineou-se um cronograma para servir de base à implantação do protocolo no país.

o NTP. Por conta disso.ntp. uma iniciativa conjunta do NIC.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 Existem.br indicou às redes brasileiras a utilização do NTP por meio da Resolução 009/2008.br e ON por mais cinco anos. Ao serem correlacionados.4. que pode ser integrado a qualquer website e permite que o usuário saiba a hora certa.3 Troca de tráfego – O PTTMetro Uma das iniciativas mais importantes do NIC. na forma O especificada pelas orientações no site <http://www. por si mesmos. foram implantadas funcionalidades de criptografia no sistema e o conteúdo do site foi totalmente revisado.br. Foi criado também um banner na forma de um relógio funcional. incidentes de segurança e mesmo crimes cibernéticos. 177 É um projeto estruturante. Para isso existe o NTP. o que condiciona o bom funcionamento de diversas aplicações da Internet e vale para todos os tipos de equipamentos ligados à rede.br>. os logs transformam-se em material fundamental para a investigação de problemas técnicos. 8. expressamente recomendado pelo CGI.br ( Network Time Protocol ). como palestras em universidades e eventos técnicos.br>.ptt.br é o PTTMetro. sincronizadas à Hora Legal Brasileira e ao padrão mundial UTC de forma gratuita. de forma a divulgar o NTP. Gráficos de tráfego podem ser vistos no site <http://www. saiba se seu micro está com a hora certa e publique o resultado no twitter . Dentro da mesma iniciativa foi criado ainda um website e são realizadas ações de divulgação. é necessário sincronizá-la com alguma referência externa. como os servidores e roteadores. Os PTTs são componentes da infraestrutura da Internet que permitem a 176  CGI. cujo objetivo é criar Pontos de Troca de Tráfego (PTTs) por todo o Brasil.  177 . No ano de 2011. normalmente.br pode ser considerado como um projeto estruturante.br e do Observatório Nacional (ON) para prover referências de tempo na Internet. que colabora para que a infraestrutura da Internet funcione melhor e seja mais segura. sendo. Ou seja. registros (chamados de logs ) detalhados sobre o funcionamento e as operações realizadas pelos equipamentos que fazem parte da infraestrutura da Internet. de manter a hora certa. Dessa forma.A C E S S O.br 176 para utilização pelas redes brasileiras. Acessado em 15 de agosto de 2012. foi realizada a renovação do acordo entre NIC. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 127 observatório da internet. os dispositivos na Internet devem possuir hora certa. Além disso. Como os computadores e outros equipamentos não têm capacidade. inclusive. Acesso em 20 de julho de 2012. é importante que seu armazenamento corresponda a informações de tempo muito precisas e corretas.

muitas vezes. por vezes. a Internet no país passa a ser mais estruturada. Muitos dos PTTs existentes são fruto da colaboração da RNP (Rede Nacional de Pesquisas) com o NIC. 8. É participante da Euro-IX. o Plano Nacional de Banda Larga. por não ser . o tráfego local é resolvido localmente.br é a medição da qualidade da Internet – área que. pois deixam de pagar a seus upstreams o tráfego que passam a trocar diretamente com seus pares. inclusive. Existem diversas vantagens no fato de as redes estarem diretamente interligadas por pontos centralizados: as redes e provedores menores economizam. Isso acontece porque cidadão e prefeitura estão ligados a provedores de Internet distintos. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A interligação direta de muitas redes numa área geográfica restrita – geralmente uma cidade ou conurbação – de forma que elas possam trocar tráfego entre si. o tráfego total agregado estava próximo a 70 Gbps e a quantidade de participantes únicos por volta dos 300 Sistemas Autônomos.4 Medição de qualidade da rede Outra área de atuação do NIC. Isso ocorre porque não é possível auferir a qualidade da Internet simplesmente pela criação de um website para medir a velocidade de download de um arquivo pelos usuários. do qual tratamos no Tópico 8. por países estrangeiros. conexões diretas implicam em velocidades maiores e. além de ser um dos membros fundadores da recém-criada LACIX. O responsável por investir em equipamentos e operar os PTTs é o NIC. portanto. em uma rede mais resiliente.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O.1 desta obra. Com os PTTs. O PTTMetro é o PTT que mais cresce no mundo. confiável e veloz para todos. quanto operá-los como um serviço de alta qualidade.4. depende de que esse pacote viaje por longas distâncias. a Associação Europeia de PTTs. para acessar o website de sua prefeitura (e. portanto. havia 18 PTTs em diversas localidades do país.br – em 2011. que hoje está ampliando sua esfera de atuação globalmente. tem sua complexidade e importância subestimadas. além de mais barata. de forma geral. Inclusive. fazer a transferência de um pacote de informações). afirma que a velocidade de banda larga. enquanto seu destino encontra-se no prédio vizinho. que normalmente conta com o apoio de outras instituições para investimentos em fibras ópticas apagadas e datacenters.br. A iniciativa PTTMetro engloba tanto a função de fomentar e criar novos PTTs em todo o país (quando há condições técnicas favoráveis).128 observatório da internet. Uma hipótese problemática que passa a ser resolvida por essa iniciativa é o caso do cidadão que. a Associação dos PTTs da América Latina e Caribe.

br/url?sa=t&rct=j&q=plano%20 nacional%20de%20banda%20larga%20pdf&source=web&cd=3&ved=0CGYQFjAC&url=http%3A%2F%2 Fwww. outra mais completa. Implantou. e utilizou o Simet (Sistema de Medição de Tráfego de Última Milha) para aferir a qualidade da conectividade dos usuários.gov.br esteve envolvido nos projetos internacionais TTM (Test Traffic Measurements. não é um bom medidor de qualidade da Internet. do LACNIC. ou ainda o respeito e completa aplicação do protocolo DNS. ainda. 8. Acesso em 19 de julho de 2012. comportamentos e padrões de uso dos consumidores finais e (II) pelo explosivo crescimento de tráfego. como o respeito ao princípio da neutralidade da rede (tratado nesta obra no Tópico 3). e · Última milha (a conexão até o usuário). promovendo qualidade técnica. do Registro Regional Europeu) e Simon (Sistema de Monitoramento. 178 Logo. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 129 observatório da internet. Em 2011.google. Neste último. o Samas (Sistema Automático de Medição entre Autonomous Systems) para aferir a qualidade do backbone e backhaul nacionais. Nesse ano. mas sim o fato de a extensão de banda larga se adequar ou não às demandas criadas pela sociedade naquele momento. . que prioriza alguns tipos de aplicações em detrimento de outros. Isso pode ser explicado (I) pela dificuldade de se estabelecer padrões de tráfego que espelhem a diversidade de expectativas.A C E S S O. Por isso que o Plano optou por não utilizar valores numéricos nessa definição.com. o Registro Regional da América Latina e Caribe). Em especial. Disponível em: <http://www.br%2Fanexos%2Fplano-nacional-de-banda-larga%2Fdownload&ei=Sl4IU PPfJ4GS9gTp8MShBA&usg=AFQjCNHK78IA39qh-TjnwT92Ngk9yM-IBQ>. na pág. afirma que “as definições existentes de banda larga são sempre feitas em termos O de velocidade de acesso. uma simplificada com testes via web. com hardware próprio desenvolvido pela entidade.4. a não ocorrência de traffic shapping .br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 um critério sob o qual exista consenso. medir a qualidade da Internet não significa apenas medir a velocidade da banda. o NIC. a metodologia e os parâmetros utilizados para medir a qualidade da banda larga fixa serviu de subsídio para a elaboração da Resolução no 574 de 28 de outubro de 2011. Há outros fatores importantes a serem considerados. e não há um consenso sobre que velocidade é essa. a Anatel e outros colaboradores. as iniciativas para medir a qualidade da Internet no Brasil estiveram estruturadas em três frentes principais: · Conectividade internacional.5 CERT. · Backbone e backhaul brasileiros. exigindo constantes atualizações”. num projeto piloto conjunto com o Inmetro. da Anatel. o Simet operou com duas versões.br Uma das missões do CGI. 24. inovação e disseminação 178  PNBL.br é coordenar e integrar todas as iniciativas de serviços de Internet no Brasil. o qual torna obsoleta qualquer definição que se baseie apenas na largura de banda do acesso à Internet.governoeletronico.

Combate ao spam A redução do envio de spams no Brasil envolve um conjunto de ações.br é responsável por tratar as notificações. por Operadoras de Telecomunicações e provedores de acesso e serviços. Nesse contexto.br possui como focos de atuação a conscientização sobre os problemas de segurança. entre elas a adoção. (II) estabelece um trabalho colaborativo com outras entidades. normas e padrões técnicos e operacionais para a segurança das redes e serviços de Internet e para a sua crescente e adequada utilização pela sociedade.br/csirts/brasil/> Acessado em 15 de agosto de 2012. (I) provê suporte ao processo de recuperação e análise de ataques e de sistemas comprometidos. 179 Incidentes de segurança No que se refere ao tratamento de incidentes de segurança. a verificação da correlação entre eventos na Internet brasileira e o auxílio ao estabelecimento de novos CSIRTs (Grupos de Resposta a Incidentes de Segurança em Computadores) no Brasil. e (III) mantêm estatísticas públicas dos incidentes tratados e das reclamações de spam recebidas.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. como outros CSIRTs. O CERT. universidades. o CERT.cert. Como parte destas atividades. quando necessário. 179  I nformações sobre os CSIRTs no Brasil são encontradas no site <http://www. Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (CERT. colocando as partes envolvidas em contato. destacam-se a promoção de estudos e a recomendação de procedimentos. provendo a coordenação e o apoio no processo de resposta a incidentes e. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A dos serviços ofertados. esses órgãos desenvolvem diversas atividades cujo objetivo estratégico é aumentar os níveis de segurança e de capacidade de tratamento de incidentes das redes conectadas à Internet no Brasil. a análise de tendências. empresas.br) e do Centro de Estudos. . assim como a conscientização dos usuários sobre a necessidade de adotar uma postura mais proativa na Internet.130 observatório da internet.br/RES/2009/001/P do Comitê Gestor da Internet no Brasil. recomendada pela resolução CGI. de políticas como a de Gerência de Porta 25. provedores de acesso e serviços Internet e backbones.br). Tais atividades são desenvolvidas no âmbito do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto Br (NIC. Conforme veremos mais detalhadamente a seguir.

especialmente para membros de CSIRTs (Grupos de Segurança e Resposta a Incidentes) e para instituições que necessitem de auxílio para o estabelecimento de um CSIRT. sendo foco a adoção da prática denominada Gerência de Porta 25. . Treinamento e conscientização Para aumentar o número de profissionais treinados e o nível nacional de conscientização sobre os problemas de segurança na Internet. são desenvolvidas as seguintes atividades: Produção de material Desenvolvimento de documentação e material de conscientização para usuários de Internet: · InternetSegura.br nas discussões e na produção do material discutido. com lançamento previsto para o primeiro semestre de 2012.A C E S S O. As reuniões foram promovidas pelo CT-Spam.br. onde ONGs. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 131 observatório da internet. e apoiado pelo Ministério Público e órgãos de Defesa do Consumidor para a implementação da Gerência de Porta 25.br – reformulação do portal InternetSegura. para a adoção de boas práticas para redução do spam saindo de redes do Brasil.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 De modo a fomentar a adoção das medidas pelos setores da sociedade.br. CGI. Esta nova versão. tendo a participação do CERT. Em novembro de 2011 foi assinado um Acordo de Cooperação pela Anatel. em 2011 foram intensificadas as discussões com operadoras de redes de banda larga e provedores de acesso à Internet. de forma a torná-lo um ponto central para encontrar iniciativas na área de conscientização sobre questões de segurança. redes sociais e tecnologias móveis.br dedicou-se para gerar uma nova versão da Cartilha de Segurança para Internet. Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil) e Associações de Provedores de Acesso e Serviços Internet. empresas e entidades possam contribuir descrevendo seus projetos institucionais sobre o assunto. · Nova versão da Cartilha de Segurança para Internet – em 2011 o CERT. será ilustrada e contará com seções específicas sobre privacidade. Cursos licenciados da Carnegie Mellon University São oferecidos treinamentos na área de tratamento de incidentes de segurança.

honeynet.132 observatório da internet. sendo um termômetro sobre as atividades maliciosas no espaço Internet brasileiro.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. Além disso. também. JPCERT/ CC (Japão). Esse capítulo consiste em dois Projetos que utilizam honeypots de baixa interatividade para a detecção de atividades maliciosas que abusem da infraestrutura de Internet. Projeto Active Threat Level Analysis System (ATLAS) e Shadowserver Foundation.br.PT (Portugal) Q-CERT (Qatar). também são enviados dados para organizações que mantêm projetos para alertar administradores sobre ataques saindo de suas redes: Team Cymru . Também foi dada continuidade ao envio de dados relativos a endereços IP e respectivos ataques direcionados aos honeypots para os seguintes CERTs nacionais: ArCERT (Argentina).br. quanto aqueles envolvendo parceiros internacionais. .org/) o capítulo “ honeyTARG Chapter ” (http://honeytarg. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A São ministrados os seguintes cursos do CERT ® Program. CERT-Polska (Polônia). CERT Colômbia (Colômbia).br reestruturou seus projetos de Análise de Tendências e Monitoramento de Ataques. CERT.br/). coordenado pelo CERT. são eles: “Projeto Honeypots Distribuídos” e o “Projeto SpamPots ”. do SEI/CMU. de modo que tanto esforços unicamente nacionais. As atividades maliciosas observadas nos sensores permitem. fiquem abaixo de uma mesma estrutura.cert. CERT-TCC ( Tunísia) e CSIRT Antel (Uruguai). Projeto Honeypots Distribuídos Este projeto é hoje parte das atividades de rotina do CERT. licenciados pelo CERT. cujos administradores de redes receberam notificações com conjuntos agregados de atividades maliciosas observadas vindo dessas redes.br: · Fundamentals of Incident Handling · Overview of Creating and Managing CSIRTs · Advanced Incident Handling for Technical Staff Análise de tendências Projeto honey TARG Em 2011 o CERT. a detecção de máquinas brasileiras comprometidas. AusCERT (Austrália). Em setembro de 2011 foi formalizado junto ao “ Honeynet Project ” (http://www.

Anais do XI Simpósio Brasileiro em Segurança da Informação e de Sistemas Computacionais. Anais do XXIX Simpósio Brasileiro de Redes de Computadores e Sistemas Distribuídos (SBRC 2011). Os resultados acadêmicos do trabalho até o momento foram publicados em congressos científicos da área: · Spam detection using web page content: a new battleground – Ribeiro M. C. V. Guedes. Há também um sensor mantido pelo próprio CERT. M. Guedes. Brasília. 1-14.. 2011. Anais do XI Simpósio Brasileiro em Segurança da Informação e de Sistemas Computacionais. C. Chaves.. C. Steding-Jessen. 2011. · Fatores que afetam o comportamento de spammers na rede – Silva.. 83-91... 2011. K. K. Guerra. K.. . · SpSb: um ambiente seguro para o estudo de spambots – Silva. G. Australia. M. Meira Jr. Perth. In: XXIX Simpósio Brasileiro de Redes de Computadores e Sistemas Distribuídos (SBRC 2011). p. of the The 8th Annual Collaboration. D. C. Steding-Jessen. TWCERT ( Taiwan). T. C. CSIRT Antel (Uruguai). para atingir o aprimoramento dos algoritmos de mineração de dados e a definição de melhores processos de análise e apresentação dos dados. Electronic messaging. · Detecção de Spams Utilizando Conteúdo Web Associado a Mensagens – Ribeiro.at (Áustria). Anti-Abuse and Spam Conference (CEAS 2011).. Hoepers. Teixeira L. Chaves. In : The 8th Annual Collaboration.. C. Proc. SBC. Steding-Jessen K. CLCERT (Chile). 2011... Meira Junior. H. Meira Jr.. Hoepers. W. Brasília. W.. A. do DCC/UFMG. A. Teixeira. V. Também houve continuidade no trabalho conjunto com a equipe do Laboratório e-Speed. H. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 133 observatório da internet. G.. C.. Chaves.. 2011. SURFnet (Holanda).. 2011. M. através de honeypots de baixa interatividade. AusCERT (Austrália) e CSIRT UTPL (Ecuador). In: Simpósio Brasileiro em Segurança da Informação e de Sistemas Computacionais. p.. 1-5. No ano de 2011 o escopo da pesquisa foi expandido de modo a intensificar os esforços para detecção de botnets e de campanhas de phishing . Arantes. In: Simpósio Brasileiro em Segurança da Informação e de Sistemas Computacionais. M. A.. Guedes Neto D. C...455 – 468. Steding-Jessen....A C E S S O. L. Meira Jr. Chaves M. Temos hoje sensores em parceria com as seguintes instituições (por ordem de ativação do sensor): CSIRT USP (Brasil).. W.br... D. p. T. Veloso. Hoepers C. O.. Anti-Abuse and Spam Conference . P. Electronic messaging..br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 Projeto SpamPots O objetivo deste projeto é obter.. p. Guedes. Veloso A. W. D. 2011. CERT. 2011.. Hoepers. dados relativos ao abuso da infraestrutura de Internet para o envio de spam . Campo Grande.

TIC Governo Eletrônico.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. o CGI.br contribuem de forma consistente não só para a produção de informação pertinente sobre a evolução do uso da rede no país. TIC Telecentros. . vem desenvolvemdo.br vem concentrando esforços para a ampliação e melhoria da qualidade dos indicadores e das estatísticas produzidas anualmente em suas pesquisas.br) e do seu Centro de Estudos sobre o uso das TIC no Brasil (CETIC. a inovação e a disseminação dos serviços ofertados. br atualmente sendo executados pelo CETIC. TIC Web . Esta seção tem como objetivo sintetizar os principais projetos de pesquisas conduzidos pelo CETIC. Desta forma. destaca-se uma de suas atribuições: a de promover a realização de pesquisas especializadas sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação (TIC). TIC Crianças. Desde a sua criação. resultante do debate nacional sobre a inclusão digital.br de coordenar e integrar todas as iniciativas de serviços Internet no Brasil. desde 2005. como principalmente para a análise de seu impacto no desenvolvimento socioeconômico brasileiro.br vem testemunhando o debate em torno da temática da inclusão digital no país: o discurso dos setores público e privado tem sido carregado de grande potencial transformador e de promessas de se viabilizarem políticas públicas e/ou programas de desenvolvimento nacional com vistas à transformação social e econômica. OECD e UNCTAD. TIC Saúde. tais como as referências metodológicas e de definição de instrumento de coleta de dados do Partnership on Measuring ICT for Development da ONU. TIC Provedores. da Internet no Brasil. por meio do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC. principalmente. o CETIC. TIC Empresas. baseadas em modelos e referências internacionais. promovendo a qualidade técnica.br sobre uso das TIC no Brasil No contexto da missão do Comitê Gestor da Internet no Brasil – CGI. TIC Organizações sem Fins Lucrativos.br para medição do uso das TIC em diversos segmentos da sociedade: TIC Domicílios. a geração de melhores informações e. A figura a seguir apresenta um resumo de todos os projetos de pesquisas do CGI. melhor nível de comparabilidade internacional. com o objetivo de garantir a confiabilidade dos dados. Unesco. pesquisas com o objetivo de produzir indicadores e estatísticas para monitorar o avanço da Internet em diversos segmentos da sociedade brasileira. TIC Banda Larga e TIC Acessibilidade.br . I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 8. Os indicadores e estatísticas produzidos pelo CETIC.6 As pesquisas e análises do CGI/NIC. TIC Educação. Isto inclui a aplicação de metodologias de pesquisas quantitativas e qualitativas.134 observatório da internet.4. o CETIC. TIC Lanhouses . sobretudo. O CETIC.br ).br.br consolidou-se como centro de referência na produção de indicadores e estatísticas sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação e. documentos da Eurostat. Ao longo da sua existência.

A amostra compreende 25 mil domicílios distribuídos por todo país e inclui áreas urbanas e rurais. Os módulos para os quais foram criados indicadores são: . do Instituto de Estatísticas da Comissão Europeia (Eurostat).A C E S S O. A pesquisa tem como método de coleta de dados entrevistas presenciais. face a face. da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe das Nações Unidas (Cepal).br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 Pesquisas Estruturantes Padrões Metodológicos Internacionais Pesquisas amostrais Pesquisas Auxiliares Metodologia própria – Abordagem qualitativa e quantitativa (pesquisa amostral) TIC DOMICÍLIOS TIC EMPRESAS MICROEMPRESAS ORGANIZAÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS TIC TIC WEB TIC CRIANÇAS EU Kids Online TIC PROVEDORES TIC E-GOV TIC BANDA LARGA TIC EDUCAÇÃO TIC SAÚDE TIC LANHOUSES TIC SEGURANÇA Projetos atuais (publicados em 2011) Novos Novos Projetos (iniciados em 2012) TIC TELECENTROS Coleta de dados automática Projeto TIC Domicílios A Pesquisa TIC Domicílios tem o objetivo de traçar uma perspectiva completa sobre a posse e o uso das tecnologias da informação e comunicação no Brasil. com o intuito de garantir a representatividade da amostra da população brasileira acima de 10 anos de idade. e do Observatório para a Sociedade da Informação na América Latina e Caribe (Osilac). O plano amostral da pesquisa é desenhado a partir dos parâmetros da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (PNAD). com a aplicação de questionários estruturados. Os procedimentos metodológicos adotados para a pesquisa TIC Domicílios estão baseados nas orientações da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 135 observatório da internet. realizada anualmente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A pesquisa permite a apresentação dos resultados de acordo com as seguintes variáveis de cruzamento: regiões geográficas. · Módulo I – Habilidades com o computador/Internet. a amostra da pesquisa TIC é sistemática. · Módulo C – Uso da Internet. renda familiar. faixa etária. · Módulo E – Uso do e-Mail. a diversidade regional.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. · Módulo B – Uso de computadores. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A · Módulo A – Acesso às tecnologias da informação e da comunicação.516 residências. · Módulo H – Comércio eletrônico. classe social. Desse modo. · Módulo B – Uso do computador. A entrevista contou com a presença dos pais e/ou responsáveis ao lado das crianças. · Módulo G – Governo eletrônico. econômica e social do país foi incorporada no desenho amostral por meio de cotas para determinadas variáveis. sexo e situação de emprego. estratificada por conglomerados e cotas no último estágio. A pesquisa de campo utilizou um questionário estruturado por meio de entrevistas presenciais domiciliares (face-a-face). grau de instrução. Os módulos para os quais foram criados indicadores são: · Módulo A – Acesso às tecnologias da informação e da comunicação no domicílio. com indivíduos entre 5 e 9 anos de idade.136 observatório da internet. · Módulo J – Acesso sem fio (uso do celular). · Módulo I – Habilidades com o computador/Internet. · Módulo C – Uso da Internet. e · Módulo J – Uso do celular. · Módulo K – Intenção de aquisição de equipamentos e serviços TIC. As entrevistas relativas à amostra principal de domicílios foram realizadas presencialmente em 2. que por sua vez segue o padrão metodológico da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e do Instituto de Estatísticas da Comissão Européia (Eurostat). . A pesquisa tem como base o questionário da TIC Domicílios. De modo a se assegurar a representatividade da população brasileira. Projeto TIC Crianças A Pesquisa TIC Crianças tem o objetivo de traçar uma perspectiva completa sobre a posse e o uso das tecnologias da informação e comunicação no Brasil pelas novas gerações de crianças de 5 a 9 anos.

e · Módulo G – Softwares . A Pesquisa TIC Educação tem como objetivo identificar o uso e a apropriação do computador e Internet nas escolas públicas brasileiras através da prática . câmeras e filmadoras digitais. tecnologia da informação. gerenciamento da rede de computadores ou área equivalente. etc. A adoção e uso das TIC no contexto dos sistemas educacionais tornaram-se um desafio e uma prioridade em muitos países que têm investido no uso das novas tecnologias na educação. compreendendo as diferenças da natureza de atuação. que abrangem todos os setores da sociedade. contábil ou administrativa. As entrevistas com as empresas foram feitas por telefone. · Módulo C – Governo Eletrônico (e-Gov). Os módulos para os quais foram criados indicadores são: · Módulo A – Informações Gerais sobre os Sistemas TIC. dentre eles a Educação. de porte (número de funcionários) e das cinco regiões. A Rais – Relação Anual de Informações Sociais – serve como cadastro-base para o desenho da amostra e para a seleção das empresas. segue as recomendações internacionais. O principal respondente é o responsável pela área de informática.A C E S S O. nas empresas com 250 funcionários ou mais. uma parte do questionário foi aplicada com um funcionário de área financeira. · Módulo B – Uso da Internet. assim como da estrutura de porte das empresas. com duração média de 30 minutos. A implantação de infraestrutura tecnológica – através de computadores de mesa. O universo da pesquisa abrange as empresas com dez ou mais funcionários. utilizando questionário estruturado. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 137 observatório da internet.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 Projeto TIC Empresas A Pesquisa TIC Empresas. notebooks . e a escolha das seções da CNAE. o que garante a comparabilidade dos dados. · Módulo F – Habilidades no uso das TICs. Projeto TIC Educação A revolução causada pelas Tecnologias de Informação e Comunicação ( TIC) tem induzido mudanças profundas. Além disso. televisores. tem o objetivo de produzir um retrato do uso das TIC nas empresas comerciais. pertencentes às 11 seções da CNAE – Classificação Nacional de Atividades Econômicas – propostas pela UNCTAD. · Módulo E – Comércio Eletrônico. – o desenvolvimento profissional de professores e a criação de conteúdos digitais de aprendizagem são alguns exemplos desses investimentos.

coordenador pedagógico e professor). de conteúdo. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A docente e gestão escolar. Neste contexto. a inclusão efetiva do cidadão brasileiro na era digital depende da existência de provedores de acesso à Internet em pequenas localidades no interior do país. sobretudo em localidades de menor atratividade de mercado. O método de coleta utilizado foi a aplicação de questionários estruturados através de entrevistas presenciais (face a face). coordenadores pedagógicos. · Módulo G – Barreiras ao uso (diretor. Projeto TIC Provedores O avanço do processo de inclusão digital no Brasil depende diretamente do desenvolvimento e expansão da infraestrutura da Internet. de hospedagem.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. · Módulo C4 – Atividades escolares na Internet (aluno). planejamento e interação com a comunidade (diretor). escolas federais e turmas multiseriadas. · Módulo D – Habilidades com o computador e Internet (professor e aluno). Neste sorteio de amostra foram excluídas do universo: áreas rurais. A pesquisa conta com uma amostra de 900 escolas públicas e particulares de Ensino Fundamental e Médio em áreas urbanas em todo o território nacional. são componentes vitais para a expansão da infraestrutura da rede no país. aluno). Visando apresentar um panorama completo do mercado de provimento de acesso à Internet no Brasil a partir da construção de um Cadastro Nacional de . · Módulo C3 – Atividades educacionais e escolares (professor). professor e aluno). · Módulo C1 – Atividades administrativas. de e-mail ou de aplicação. coordenador pedagógico. o projeto busca oferecer subsídios que contribuam no desenvolvimento de ações e políticas para a apropriação das TIC nas escolas. 9 o ano do Ensino Fundamental II e 2 o ano do Ensino Médio). professores (português e matemática) e alunos (5 o ano do Ensino Fundamental I. professor. · Módulo B – Perfil de uso do computador e Internet (diretor.138 observatório da internet. Os provedores de serviços de Internet (ISP). Os módulos para os quais foram criados indicadores são: · Módulo A – Perfil (diretor. coordenador pedagógico. que incluem os provedores de acesso. · Módulo F – Infraestrutura de TIC na escola (diretor). · Módulo E – Treinamento específico (professor e aluno). A realização desse projeto requer a coleta de dados junto aos agentes do sistema educacional: diretores. Além disso. · Módulo C2 – Atividades de planejamento (coordenador pedagógico).

e outra quantitativa.br) e o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC. Global Info.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 Provedores. para que os gestores públicos possam planejar estrategicamente a entrega de serviços de e-Gov que atendam às necessidades dos cidadãos e das empresas. Os módulos para os quais foram criados indicadores são: · Módulo A – Características gerais sobre serviços oferecidos.A C E S S O. Internet Sul e Rede TeleSul. o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI. fazendo uso da técnica de grupos focais com cidadãos e entrevistas em profundidade com empresas. A metodologia utilizada teve duas diferentes abordagens: uma qualitativa. No entanto. é necessário que haja informação estruturada e sistemática a respeito do uso do e-Gov no Brasil. Anid. · Módulo B – Uso de serviços públicos pela Internet. área de atuação. por meio de pesquisa amostral e uso de questionários estruturados. . Os módulos para os quais foram criados indicadores são: · Módulo A – Uso da Internet. velocidades oferecidas). Abrint. Abrappit. Na dimensão qualitativa desta pesquisa. A coleta de dados da pesquisa quantitativa é realizada junto a empresas e cidadãos em todo o território nacional. · Módulo F – Variáveis contextuais. A Pesquisa TIC Governo Eletrônico tem o objetivo de produzir indicadores e estatísticas relativas ao uso do e-Gov no Brasil.br) decidiram realizar a Pesquisa TIC Provedores. o governo brasileiro também vem investindo recursos na ampliação de programas de governo eletrônico (e-Gov). Abramulti. · Módulo E – Comunicação governo-sociedade. procurou-se capturar aspectos profundos emergentes a partir do que os entrevistados forneceram como referências e com o significado que a estes aspectos atribuíram. Projeto TIC Governo Eletrônico Seguindo a tendência mundial de muitos governos que aderiram às tecnologias de informação e comunicação como ferramentas de modernização da administração pública. dentro de uma premissa de realidade subjetiva e socialmente construída. Este levantamento contou com a colaboração das Associações de Provedores: Abranet. · Módulo C – Percepções sobre governo eletrônico. · Módulo B – Infraestrutura de conexão à Internet. melhoria da eficiência e qualidade na prestação de serviços públicos e transparência. · Módulo D – Barreiras ao uso de governo eletrônico. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 139 observatório da internet. · Módulo C – Informações sobre o negócio (clientes.

· Módulo D – Softwares . A amostra da pesquisa é probabilística. Entre outros fatores. onde estão localizadas e quais as variáveis que interferem na sua incidência. o perfil dos clientes e do empreendedor. A pesquisa TIC Lanhouses é uma iniciativa inédita conduzida pelo CGI. a pequena penetração do acesso à Internet nos domicílios de baixa renda criou condições para o surgimento e a expansão de estabelecimentos comerciais que oferecessem esse serviço. O primeiro está relacionado com a dimensão desse setor: a quantidade de lanhouses no país.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. estratificada. A Pesquisa TIC Lanhouses tem o objetivo de traçar uma perspectiva na gestão das lanhouses no Brasil e pode ser expresso em três grandes temas. define-se lanhouse como sendo todo estabelecimento comercial que oferece o serviço de acesso ao computador e à Internet. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A Projeto TIC Lanhouses As lanhouses constituem uma oportunidade para a participação cidadã e para o trânsito no mundo cultural.140 observatório da internet. · Módulo E – Investimentos futuros. O segundo diz respeito ao perfil desses estabelecimentos: caracterizar os estabelecimentos no que diz respeito à sua infraestrutura. dado que a maioria dos usuários de Internet brasileiros de áreas urbanas acessou a rede a partir dos centros públicos de acesso pago. Em 2007. por meio do acesso às tecnologias de informação e comunicação. modelo de negócio. · Módulo C – Sustentabilidade. tendo em vista as mudanças no perfil do acesso do brasileiro. As entrevistas serão presenciais. entre outros indicadores. ainda que essa não seja sua atividade principal. Para fins dessa pesquisa.br que retrata as questões de gestão do negócio.br destacou o fenômeno das lanhouses . sustentabilidade. · Módulo B – Modelo de negócio. . educacional e de lazer. a infraestrutura disponível. com questionário estruturado. · Módulo H – Perfil do gestor. utilizando área sampling e probabilidade proporcional ao tamanho (PPT) para seleção de municípios e setores censitários. · Módulo F – Ferramentas de gestão. · Módulo G – Perfil do público. Os módulos para os quais foram criados indicadores são: · Módulo A – Infraestrutura do estabelecimento. face a face. por estágios. O terceiro é identificar alternativas para o futuro do segmento. aplicado com o proprietário ou gestor do estabelecimento. lançando luz à questão do local de acesso. o CGI.

o uso e as capacidades/habilidades acumuladas nas organizações sem fins lucrativos sobre as TIC.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 Projeto TIC Telecentros Os telecentros constituem um importante espaço para o processo de inclusão de digital.Br. Os objetivos específicos da pesquisa incluem: · Diagnosticar a situação de funcionamento de telecentros. de forma a gerar dados que ajudem a compreender a penetração destas tecnologias. Como espaços livres. Telecentros. seus aportes para a gestão das instituições e possíveis benefícios para suas comunidades de atuação. Não distante da perspectiva de inclusão digital. bem como outros recursos de computação. A Pesquisa TIC Telecentros tem o objetivo de avaliar a contribuição das políticas públicas do governo federal – Gesac. · Avaliar a contribuição dos telecentros para a promoção da inclusão digital. · Sugerir melhorias para políticas públicas de inclusão digital. Os objetivos podem ser agrupados em três grandes áreas: . Telecentros Comunitários – para a inclusão digital no Brasil. · Definir critérios para orientar áreas prioritárias para a instalação de telecentros. Além de disponibilizar computadores conectados à Internet. · Criar uma metodologia que possa ser replicável.A C E S S O. Projeto TIC Organizações Sem Fins Lucrativos A Pesquisa TIC Organizações sem Fins Lucrativos tem como objetivo central mapear a infraestrutura. · Investigar os impactos e transbordamentos socioeconômicos da implementação de um telecentro em uma comunidade local. os telecentros oferecem uma oportunidade de acesso. O público-alvo da pesquisa é composto por telecentros. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 141 observatório da internet. como ser um espaço aberto ao público para treinamento e capacitação que oferecem facilidades de processamento e impressão de documentos. · Identificar fatores críticos para o funcionamento efetivo de um telecentro. os telecentros podem ter múltiplos propósitos. uso e apropriação de tecnologias digitais para solucionar problemas e contribuir para o exercício da cidadania. definidos como toda organização que recebeu qualquer tipo de benefício do Ministério das Comunicações para a implementação de um estabelecimento que ofereça ao público o acesso gratuito a computadores conectados à Internet. podem atender aos mais diversos perfis populacionais espalhados pelo país incluindo áreas à margem da atuação do mercado.

· Compreender qual o uso efetivo que se faz das TIC em organizações sem fins lucrativos (tendo em vista aspectos como a captação de recursos. esse projeto tem como objetivo criar indicadores para contribuir para o estudo e evolução da web brasileira. Assim.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. o Comitê Gestor de Internet do Brasil – CGI. tanto no número de usuários como no leque de serviços e aplicações oferecidos por meio da rede. extrapolando o campo especializado da computação aplicada.br. É flagrante o avanço de seu uso pela população brasileira: de 37 milhões de usuários. gestão. Por ser essencialmente dinâmica e sem fronteiras. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A · Identificar a infraestrutura de TIC nas organizações sem fins lucrativos. Igualmente impressionante é a mudança de comportamento do cidadão. em 2005.br. a Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Tecnologia da Informação e Comunicação (ABEP) e o instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para a web (inWeb). passou a aproximadamente 65 milhões. a web brasileira tem mostrado acentuado crescimento. que utiliza cada vez mais serviços transacionais em ambientes virtuais. por meio do W3C Brasil e do Centro de Estudos e Pesquisas em Tecnologias de Redes e Operações – CEPTRO. ainda com o apoio metodológico do Centro de Estudos sobre as Tecnologias de informação e Comunicação – CETiC. confiabilidade e acessibilidade por todos. uso de redes sociais na Internet.br. cujo escopo é definido mais adiante. conforme mostram as pesquisas do CGI. traduzidas nas capacidades de suas lideranças e colaboradores de fazer uso inovador das TIC. Projeto TIC Web Desde meados dos anos 90. tanto do ponto de vista físico como virtual.br e o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto Br – NIC.br. · Avaliar as capacidades/habilidades acumuladas pelas instituições na área de tecnologia da informação e comunicação. Orçamento e Gestão (SLTi/MPOG). O impacto do uso da Internet e da web na sociedade.br.142 observatório da internet. é importante que seja conhecida em detalhes. Realizado em parceria com a Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento. e atingindo áreas de estudos organizacionais e sociológicos. . criou mais uma iniciativa para um melhor conhecimento e entendimento da Internet brasileira: o Projeto Censo da Web . em 2009. tanto para assegurar sua livre transformação quanto para permitir sua disponibilidade. mobilização e comunicação). nos indivíduos e nas organizações tornou-se objeto de pesquisa.

gov. utilizando ferramentas de busca.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 Projeto Censo do . · Resultados de consultas e buscas de informações.796 sítios sob o .com. a partir de URLs percorridas. processamento. cuja lista foi fornecida pela autoridade de registro para nomes de domínio no Brasil. A identificação do total de sítios partiu de dados fornecidos das seguintes fontes: · Domínios identificados como .A C E S S O.br. A coleta de dados sobre os domínios do governo identificou um total de 18.gov. a pesquisa TIC Saúde tem o objetivo de investigar as seguintes frentes: .gov. · Domínios identificados como sigla-uf.br. O objetivo foi definir uma estimativa para o tamanho da parte da web . conectividade e disco necessários para coletar.gov. Objetivou-se com esse levantamento produzir um cadastro que pudesse contemplar o maior número possível de sítios e páginas governamentais.br. e em seguida fazer um levantamento de informações usando técnicas automatizadas de coleta dentro das páginas do . com o objetivo de complementar as informações anteriores.gov. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 143 observatório da internet. o Registro. Este projeto ainda está em fase de desenvolvimento.br.br e considerando ainda os recursos de tempo.br.gov. Projeto TIC Saúde Tendo como premissa o fato de que as TIC podem contribuir com o desenvolvimento das políticas públicas de saúde em suas diversas esferas. Essas diferentes fontes foram unificadas e serviram como semente para um sistema coletor automático.gov. responsável pelo uso dos domínios sob o . Devido ao tamanho da web do .br. armazenar e processar os dados.com.br para todos os domínios existentes no . A pesquisa TIC Web tem como objetivo replicar o estudo do . decidiu-se por desenvolver uma técnica de amostragem para web . de tal modo que fosse o mais próximo de um censo da web governamental brasileira.br.br sob o domínio . vinculadas aos governos estaduais.gov. registrados pelas empresas estaduais de processamento de dados.br Esse projeto de pesquisa enseja um primeiro esforço a fim de estabelecer a metodologia capaz de estimar o chamado “grau de cobertura” para a consequente correção das estimativas do tamanho do .br (domínios reservados ao governo federal). com autorização do Ministério do Planejamento.gov.br.

144 observatório da internet. se o serviço oferecido pelos provedores de Internet banda larga está em conformidade com o que foi contratado pelo consumidor. A metodologia da pesquisa é quantitativa. etc. Por outro lado. · Compreender as motivações e barreiras para a adoção e uso das TIC por profissionais de saúde (gestores e profissionais de atendimento). ambulatórios. · Investigar as atividades realizadas por meio do uso de TIC e as habilidades possuídas pelos profissionais para esta utilização. a prestação do serviço de banda larga hoje atinge preponderantemente os domicílios de classes sociais de mais alta renda (classes A e B) e que residem nas regiões urbanas mais rentáveis. por exemplo.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. implementação e avaliação de políticas públicas. os resultados poderão servir de subsídios para políticas públicas de universalização da Internet visto que apresentarão um mapa da banda larga no Brasil. Isto revela que a inclusão digital. pode-se verificar. com uma abordagem longitudinal utilizando um painel de domicílios que possuem conexão de banda larga. No entanto. de acordo com dados da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). ainda é um desafio. A partir dos resultados da pesquisa. à falta de viabilidade técnica para a instalação do serviço e à qualidade do serviço (interrupções e instabilidade da conecção). . I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A · Mapear a infraestrutura de TIC disponível nos estabelecimentos de saúde brasileiros (hospitais. identificando possíveis gargalos e áreas prioritárias de atuação. Projeto TIC Banda Larga O cenário brasileiro de Internet é marcado atualmente por uma expansão crescente de acessos fixos de banda larga instalados: 15.). O projeto de pesquisa TIC Banda Larga tem por objetivo geral medir a qualidade dos serviços de banda larga fixa nos domicílios brasileiros a partir de uma amostra em painel durante o período de seis meses a um ano. clínicas.5 milhões no ano de 2010. Além disso. muitos daqueles que já possuem acesso à banda larga fixa não estão satisfeitos com o serviço que contrataram. sobretudo a universalização do acesso em banda larga no país. · Mapear as aplicações baseadas nas TIC destinadas a apoiar serviços médicos e a gestão dos estabelecimentos. As principais reclamações dos consumidores em órgãos de proteção e defesa do consumidor relacionam-se ao elevado preço cobrado pelo serviço. · Prover uma série histórica de dados para dar suporte à formulação.

é o mais conhecido meio usado para acessar as informações disponibilizadas pela Internet.w3. . Inicialmente. e a Web é uma aplicação que usa a Internet para compartilhamento de objetos digitais – vídeos. A World Wide Web. · Identificar o uso.A C E S S O.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 Projeto TIC Acessibilidade A Pesquisa TIC Acessibilidade tem o objetivo de investigar questões que se configuram como barreiras para a inclusão digital e que dificultam um uso mais efetivo das redes por todos os cidadãos brasileiros e com especial atenção para pessoas com deficiência. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 145 observatório da internet. Tecnicamente. optou-se pela realização de um estudo exploratório sobre o uso da Internet entre diferentes públicos com o intuito de compreender os desafios da acessibilidade para a construção de uma Internet e web universal. · Avaliar os benefícios da Internet percebidos pelo público investigado. Os objetivos específicos desta pesquisa são: · Identificar os principais usos da Internet entre pessoas com deficiência visual. A Web é um conjunto de serviços que permite abrir documentos localizados em qualquer parte do mundo e por meio de hiperlinks navegar em sítios com os mais diversos conteúdos e interagir em redes sociais. efeitos. · Identificar formas e experiências de aprendizagem com o uso da Internet. a Web usa a Internet como meio.4. auditiva e física. O Consórcio World Wide Web ( W3C) 180 é um consórcio internacional no qual as organizações filiadas. crianças e usuários de computador/Internet. uma equipe em tempo integral e o público trabalham 180 Disponível em: <http://www. utilizando o protocolo TCP/IP para comunicação. imagens. ou simplesmente Web . Observar a Web significa acompanhar como e em que condições ela cumpre o seu papel e que fatores tem se apresentado como obstáculos para que ela alcance o seu potencial máximo. · Identificar barreiras e dificuldades para o uso efetivo da Internet entre pessoas com deficiências. mas não é a Internet em si. crianças e usuários de computador/Internet. disponibilidade e forma de obtenção de tecnologias assistivas. A Web serve para expor.org/>. 8. Portanto. referenciar e vincular em rede digital. a Internet é uma infraestrutura em rede que conecta dispositivos globalmente.7 A Web na visão do W3C Brasil Internet e Web não são sinônimos.

Controladoria Geral da União. o W3C Brasil desenvolveu o “Decálogo da Web Brasileira” 181. focou em três áreas de atuação no ano de 2011.br/decalogo/>. Web que preserva sua memória e Web de todos. NIC.w3c. denominada Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC. quiosques e até mesmo alguns eletrodomésticos podem acessar a Web. o CGI. Governo do Estado de São Paulo. PUC-Rio. sistemas de comandos de voz. localização geográfica ou capacidade física e mental. . independente do hardware que utilizam. iLearn. comércio e compartilhamento de conhecimentos. Disponível em: <http://www. Web organizada em padrões. cujas diretrizes são: Web para todos. PDAs. promovendo a qualidade técnica. o escritório do W3C Brasil também tem outros parceiros nacionais (Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Tecnologia da Informação e Comunicação – ABEP. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A juntos para desenvolver padrões para a Web . Governo do Rio Grande do 181 Decálogo da Web Brasileira. Web acessível. sistemas interativos de TV. o W3C tem como missão conduzir a World Wide Web para que atinja todo seu potencial.br criou uma entidade civil. Um dos principais objetivos do W3C é tornar esses benefícios disponíveis para todas as pessoas.br). com base no “Decálogo da Web Brasileira”. sem fins lucrativos. Web de múltiplos autores e leitores.br).146 observatório da internet. Liderado pelo inventor da Web Tim Berners-Lee e o CEO Jeffrey Jaffe. Web em todas as coisas. cujos objetivos são coordenar e integrar todas as iniciativas de serviços Internet no país. que têm gerado diversos produtos em 2012: Plataforma para Web Aberta. Web confiável. Desde telefones celulares. Senac-SP e SERPRO). desenvolvendo protocolos e diretrizes que garantam seu crescimento de longo prazo. A visão do W3C para a Web pressupõe a participação e o compartilhamento de conhecimentos para gerar confiança em uma escala global. Web para o desenvolvimento social e econômico. Para executar suas atividades. Com seis membros filiados (Caixa. O número de diferentes tipos de dispositivos que podem acessar a Web cresce a cada dia. O W3C Brasil.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. Acessibilidade na Web e Dados Abertos. Web a serviço da democracia. Com base nesses princípios. O valor social da Web está nas novas possibilidades de comunicação humana. cultura.br. software . O escritório brasileiro do W3C é hospedado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI. smartphones. a inovação e a disseminação dos serviços ofertados. idioma. infraestrutura de rede.

w3.org/TR/WCAG/>. e Rede Nossa São Paulo) e internacionais (Agencia de Gobierno y la Sociedad de la Información de Uruguay – AGESIC. Cultura Digital CONSCIENTIZAÇÃO CAPACITAÇÃO COMUNIDADE DE DESENVOLVEDORES PRINCÍPIOS (DECÁLOGO DA WEB) Ministério do Planejamento. PUC-Rio.br. Perl Mongers. Dessas deficiências. NIC. Governo de São Paulo. Ministério do Planejamento.. Acessibilidade na Web Acessibilidade na Web significa permitir e promover o acesso de pessoas com deficiências na Web . . Ciudadanos Inteligentes de Chile.624 pessoas. Comissão Econômica para América Latina e Caribe – CEPAL. que somam 528. UNESCO e IDRC do Canadá).A C E S S O. ABEP Fonte: Escritório Brasileiro do W3C.910 pessoas) tinha algum tipo de deficiência. Segundo o Censo do IBGE de 2010. Controladoria Geral da União. incluindo pessoas cegas.791. Para a criação de páginas Web acessíveis existem diretrizes internacionais de acessibilidade criadas pelo W3C. são as WCAG ( Web Content Accessibility Guidelines) 182 que orientam desenvolvedores para codificarem suas páginas de forma que não criem barreiras de acesso a pessoas com deficiência. Governo do Rio Grande so Sul. W3C Brasil Membros: Caixa. Laboratório de Cultura Digital.488 pessoas com algum tipo de dificuldade para enxergar. Segundo 182 Disponível em: <http://www.623. Senac SP e SERPRO UNESCO ONU-Cepal IDRC AGESIC DADOS ABERTOS PLATAFORMA ABERTA DA WEB ACESSIBILIDADE NA WEB Rede Nossa SP Perl Mongers Ciudadanos Inteligentes Lab. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 147 observatório da internet. iLearn. conforme figura abaixo. 24% da população brasileira (45. a maioria está relacionada a deficiência visual: são 35.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 Sul.

Ainda é um número baixo. misturadas com informações de outras fontes. três tipos de experiência de navegação: uma página toda escura. 184 São três tipo de páginas.br 183 de 2010. mas um grande salto indicativo de que a acessibilidade na Web começa a ser levada em consideração nos projetos Web sob o domínio “. Desde 2009. Em 2011 o Escritório Brasileiro do W3C lançou o Prêmio Nacional de Acessibilidade na Web – Todos@Web. que saltou para 5%. Até agosto de 2012 foram mais de 40 palestras no Brasil e no exterior disseminando os padrões para uma Web mais acessível.br”.gov. proclamado pela ONU como o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência.gov. Disponível em: <http://premio. Todos os anos. para premiar pessoas e empresas que desenvolveram iniciativas relevantes a favor da acessibilidade na Web .br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. . Desde a inauguração do escritório brasileiro do W3C.br/3-dezembro/>. Disponível em: <http://w3c.br/publicacoes/pesquisas/govbr/>. o W3C Brasil promove ações durante o Dia 3 de dezembro. Os vencedores da primeira edição do prêmio foram conhecidos em junho de 2012. gerando novos significados.cgi. outra com o teclado bloqueado e outra com as fontes ampliadas. apenas 2% das páginas governamentais brasileiras eram acessíveis. Com mais especifici- 183 184 185 Disponível em: <http://www. É uma iniciativa que mostra que é simples desenvolver uma página Web atendendo critérios de acessibilidade.br/>. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A dados da pesquisa Dimensões e características da Web brasileira: um estudo do domínio . 185 Dados Abertos Dados abertos é a disponibilização de informações representadas em formato aberto e acessível de tal modo que possam ser reutilizadas. em uma grande cerimônia que ocorreu no Memorial da Inclusão em São Paulo e contou com mais de 300 pessoas. No ano seguinte a mesma pesquisa registrou um aumento nesse número.148 observatório da internet. a instituição promove ações para fomentar e ampliar a discussão de acessibilidade na Web no Brasil. Websites que sigam adequadamente os padrões e sejam acessíveis para pessoas com deficiência e tecnologias assistivas inovadoras para que pessoas com deficiência tenham autonomia no acesso a Web .w3c. nesse mesmo dia o Website do W3C Brasil sofre uma intervenção para lembrar as pessoas da importância da acessibilidade na Web.

188 . Um projeto consistente de dados abertos pressupõe a participação de técnicos com conhecimento de padrões abertos para formatos de dados. O segundo manual. e.w3c. atenção com processos e aspectos legais e infraestrutura tecnológica simples.w3c.br/Cursos/CursoDadosAbertos>.w3c. publicação e reutilização de dados abertos não são tarefas das mais triviais. O W3C globalmente tem produzido tecnologias e padrões que possibilitam a publicação e reutilização dos dados em formato aberto. Foi o primeiro manual em português sobre o tema e tinha como alvo delinear os conceitos e as melhores práticas para os gestores públicos. Disponível em: <http://www. 186 187 Disponível em: <http://www. apresentou à comunidade de desenvolvimento Web como publicar e reutilizar dados em formato aberto. Em 2011. vocabulários e ontologias. misturados ou não com outros dados de outros computadores. uma tradução com acréscimos locais do original Open Data Manual. se possível. são dados em computadores em formato tal que podem ser acessados por outros computadores por meio da Internet para produzirem aplicações e informações a partir do tratamento e transformação dos dados originais. O W3C Brasil desenvolve uma série de atividades para fomentar a implementação consistente e permanente de dados abertos pelas organizações e o desenvolvimento de uma política pública consistente sobre o tema. Essas tecnologias e padrões. com coordenação no Ministério do Planejamento. mas que seja estável e escalável.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 dade.A C E S S O. a produção.pdf>. podem ser utilizadas gratuitamente por qualquer pessoa.br/pub/Materiais/PublicacoesW3C/manual_dados_abertos_ D desenvolvedores_Web. No entanto. o W3C Brasil publicou manuais com o objetivo de atender diferentes públicos interessados no tema. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 149 observatório da internet. O Manual de Dados Abertos – Desenvolvedores187.br/cursos/dados-abertos/saopaulo-2010-06/>. por estarem em formato aberto e licenças livres. transformação. Apesar de fáceis. exigem conhecimento técnico.  isponível em: <http://www. O W3C Brasil ofereceu dois cursos sobre Como Publicar Dados Abertos 188 e Aspectos Básicos e Avançados de Engenharia de Ontologias para técnicos do governo brasileiro com objetivo de apoiar o desenvolvimento da Infraestrutura Nacional de Dados Abertos (INDA). da Open Knowledge Foundation. O Manual de Dados Abertos – Governo186.

Fruto de um trabalho articulado do W3C Brasil e muitas outras organizações que subsidiaram a elaboração do texto final.150 observatório da internet. mas também pela inclusão de um artigo que exige que as informações sejam publicadas em sítios da Internet e estes possibilitem o acesso automatizado por sistemas externos em formatos abertos. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A A quantidade de dados governamentais com potencial de serem publicados em formato aberto é imenso e as demandas por dados pelas organizações da sociedade civil são igualmente imensas. Um resultado particularmente especial para o W3C Brasil foi a sanção da Lei de Acesso à Informação pela presidente da República. por meio de consenso. Para tanto. O Tribunal de Contas do Município do Estado do Ceará também está publicando dados orçamentários dos municípios cearenses. a nova lei abre uma enorme possibilidade de crescimento do uso de dados abertos a partir da entrada em vigor em 2012. Outro resultado das ações do W3C Brasil nesse tema é a repercussão internacional e o convite para participar de uma iniciativa latino-americana de fomento de dados abertos como política pública.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. . os governos começam a publicar seus dados em formato aberto. Não somente pelo acesso à informação garantido como um direito. A meta é conseguir no final de 2012 até 2 bancos de dados disponíveis em formato aberto. Como resultados dessas ações. estruturados e legíveis por máquina. O Projeto Open Data for Latin America (OD4D) teve início no segundo semestre de 2011 e promoveu um seminário no Rio de Janeiro. o W3C Brasil criou um Grupo de Trabalho de Dados Abertos que reúne diversos órgãos públicos que possuem dados de interesse público e organizações da sociedade civil que buscam dados governamentais para aprimorar as suas ações. A Câmara dos Deputados oferece uma API (Interface de Programação de Aplicativos) para acesso a dados. uma matriz de prioridades que definem 10 áreas nas quais dados existentes são mais relevantes e possíveis de serem disponibilizados. O ponto ótimo entre a oferta e a demanda é quando as ofertas e demandas coincidem. o primeiro na América Latina para diferentes países da região sobre o tema. Dilma Rousseff. Esse grupo obteve em 2011. O Governo do Estado de São Paulo aumentou o número de base dados abertas disponíveis.

a experiência e a performance de aplicativos e conteúdos Web . . I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 151 observatório da internet. entregando para o usuário uma experiência mais completa de uso da Web . interoperáveis. · Melhorar a integração. que foi definida em 2011 pelo CEO do W3C. · Facilitar o acesso off-line . Os focos principais da Plataforma para a Web Aberta são: · Promover a Web Semântica. a Plataforma para uma Web Aberta permite que a Web possa contar com interfaces acessíveis. como Dados Abertos e o próprio Decálogo. de conteúdo linkado e classificado de modo a facilitar o trabalho de busca. Além de mais de 100 profissionais trabalhando em tempo integral no desenvolvimento de uma Web para todos.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 Plataforma para a Web Aberta A Plataforma para a Web Aberta consiste em um conjunto de tecnologias desenvolvidas pelo World Wide Web Consortium. junto com outros parceiros. como “uma plataforma para inovação. · Acesso através de diversos dispositivos. Jeff Jaffe.A C E S S O. · Oferecer efeitos e interações ricas acessíveis. O modo de funcionamento do consórcio está voltado para a produção de componentes de código aberto ( Open Source ) o que possibilita sua implementação sem custos ou taxas de licenciamento. através do CSS3. São mais de 500 indivíduos que participam desses grupos de trabalho e pertencem às organizações afiliadas ao consórcio. consolidação e eficiência” para a Internet. Juntamente com outras iniciativas do W3C. · Promover a melhoria da conectividade para melhor comunicação. Essa coleção de tecnologias é composta por código e especificações que são desenvolvidas dentro de working groups (grupos de trabalho) hospedados e promovidos pelo W3C.

O CSS3 apresenta novas possibilidades para a Web porque permite efeitos para interações ricas. · MathML: é uma recomendação utilizada para representar símbolos e fórmulas matemáticas. · WAI-ARIA : ( Web Acessibility Iniciative – Accessible RIch Internet Applications) é um conjunto de recomendações do W3C para acessibilidade em interações ricas. A aderência aos padrões recomendados é diretamente proporcional à qualidade de serviços prestados. de maneira similar aos cookies. . · Web Storage: são recomendações e protocolos utilizados para armazenar dados no browser.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. · CSS3: é a versão mais nova das CSS. por exemplo. Além disso. ou seja: o SVG permite que máquinas leiam o conteúdo de uma imagem. visto que permite o uso da Web em seu potencial máximo. · HTML5: é a quinta versão do HTML. como por exemplo bookmarks. possibilita que uma imagem não perca qualidade ao ser ampliado. diferente das imagens em formato JPEG ou PNG. O HTML5 tem como objetivo apresentar conteúdos multimídia de modo mais acessível e integrado. porém sem o armazenamento de informações no Http request header. O SVG é o único formato vetorial aberto e foi criado pelo W3C em 1998. Isso significa melhor segurança e conformidade dos dados. como animações e transições. que browsers diferentes tenham acesso à customizações únicas. por exemplo. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A Abaixo um pequeno panorama sobre algumas tecnologias que nos últimos dois anos foram recomendadas pelo W3C para a construção da Web Aberta. · WebGL: ( Web Graphics Library) é uma API em Javascript (linguagem baseada em ECMAScript) que possibilita renderização para elementos 2D e 3D através do elemento canvas do HTML5. Ele possibilita.152 observatório da internet. · SVG : é uma linguagem para descrever desenhos e gráficos de forma vetorial. que existem para aplicar estilos às páginas em HTML. por exemplo. Foi criado pelo grupo de trabalho em matemática do W3C. · Indexed Database : é um padrão recomendado para armazenamento de dados com entrada pelo navegador. além de melhorar a consistência para melhor compreensão dos conteúdos por parte de máquinas. que é a linguagem de marcação utilizada para que os navegadores possam interpretar conteúdos.

com). Foram oferecidos cursos de HTML5 189 e de CSS3 190 que capacitaram diversos profissionais do mercado. mas para a contínua prosperidade e liberdade individual. Paulo e Globo. Disponível em: <http://www2. Concluindo. adicionados como favoritos ou linkados por e -mail ou Twitter) pois estão fora da Web . superando as limitações do protocolo HTTP.w3c. cada vez mais adotando padrões abertos de acessibilidade e de interoperabilidade. O protocolo WebSocket é um esforço para que aplicações ofereçam conectividade com zero de latência entre clientes e servidores Web . com o objetivo de replicar conhecimento. Nos últimos dois anos o W3C Brasil vem promovendo a Plataforma para a Web Aberta entre a comunidade de desenvolvedores Web .nic.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 · Web Sockets Protocol/API : É um protocolo que permite suprir necessidades de atualização em tempo real. observamos que a Web brasileira vem aos poucos se organizando em padrões. .w3c. foi criada uma lista de discussão 191 sobre HTML5 que agrega não só ex-alunos dos cursos mas outros interessados no tema. que aprisiona seus usuários e coloca barreira à livre troca de conteúdos. Como a democracia. Folha de S. ela não está imune à disputa que é travada no mercado entre uma Web aberta e para todos e uma plataforma de apps (aplicativos) fechada. Para reforçar o aprendizado dos cursos. É necessário ficar atento.br/Cursos/CursoCSS3> Disponível em: <https://mail.br/mailman/listinfo/w3c_html5>  rtigo de Tim Berners-Lee para a Revista American Scientific Brasil. particularmente aqueles ligados a instituições de treinamento. Mesmo antes da Plataforma para a Web Aberta ter se consolidado como um padrão oficial do W3C (muitos módulos do HTML5 e CSS3 ainda estão em fase de testes) ela tem se tornado um padrão de fato. · Geolocation : é uma recomendação que pretende fornecer a localização de qualquer objeto do mundo real para a Web . 192 189 190 191 192 Disponível em: <http://www.br/Cursos/CursoHTML5> Disponível em: <http://www. No entanto. A com. reconhecendo nessa plataforma o valor que ela oferece. Como disse Tim Bernerts-Lee: “A Web é decisiva não só para a revolução digital. As lojas e apps dos smartphones não podem ser referenciados (por exemplo. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 153 observatório da internet.html>. principalmente nos dispositivos móveis. a Web deve ser defendida e preservada”. observamos que grandes corporações já passaram a disponibilizar o seu conteúdo para HTML5 (por exemplo. cada vez mais.A C E S S O. No Brasil.uol.br/sciam/reportagens/vida_longa_a_web.

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do tráfico de bens ou serviços perigosos e da defesa dos direitos de propriedade intelectual. Segundo o preâmbulo do projeto.D E B AT E S R E L E VA N T E S E M O U T R O S PA Í S E S 155 observatório da internet. o projeto trata da transmissão on-line de obras protegidas por direitos autorais. Seu objetivo é conferir ao governo americano maior capacidade de enfrentar as violações a direitos autorais que ocorrem no meio digital. Em linhas gerais. conteúdo que viole leis criminais. com o objetivo de proteger direitos de propriedade intelectual e combater a pirataria on-line .1.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 relevantes # Debates em outros países 9 9. Além disso. e outros motivos”.1 SOPA e PIPA O SOPA ( Stop On-line Piracy Act ) e o PIPA ( Protect Intellectual Property Act ) são dois projetos de lei norte-americanos que buscam regulamentar o conteúdo disposto na Internet. além de evitar o compartilhamento de conteúdos protegidos por direitos autorais entre os usuários da Internet. ele busca “promover a prosperidade. em 26 de outubro de 2011. o empreendedorismo e a inovação. a criatividade. combatendo o roubo da propriedade americana. Texas.1 Estados Unidos da América 9. O SOPA foi apresentado pelo presidente do Comitê Judiciário da Câmara dos Deputados. confe- . Lamar Smith.

htm>. sites de busca.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 D E B AT E S R E L E VA N T E S E M O U T R O S PA Í S E S re poderes ao procurador geral para proteger consumidores norte-americanos e impedir o apoio dos EUA a sites estrangeiros infringentes às leis vigentes. ou Lei de Prevenção a Ameaças Reais On-line à Criatividade Econômica e ao Roubo de Propriedade Intelectual. estabelecendo assim sistemas de remoção de sites considerados pelo Departamento de Justiça como “dedicados a atividades infringentes”. redes sociais. Texto extraído do preâmbulo do Projeto de Lei PIPA. o Protect IP Act objetiva “prevenir ameaças on-line à criatividade econômica e o roubo de propriedade intelectual. O SOPA determina que sites infringentes sejam retirados de qualquer ferramenta de busca. o que não é pre- 193 194 195 196 Conceitos extraídos dos títulos do Projeto de Lei SOPA.195 Embora ambos tenham o propósito de evitar o download ilegal e outras formas de pirataria. SOPA and PIPA Bills: Differences Between the Two Internet Privacy Acts Disponível em: <http://www. na medida em que esses arquivos violem direitos autorais.ibtimes. já o segundo atingirá apenas sites de compartilhamento de arquivos. Conceitos extraídos dos títulos do Projeto de Lei PIPA.156 observatório da internet. Foi proposto pelo senador Patrick Leahy no dia 12 de maio de 2011. De maneira semelhante ao SOPA. provedores de vídeo e de e-mail. Também estabelece um sistema de prevenção contra o financiamento americano a sites dedicados ao roubo de propriedade norte-americana e confere imunidade a provedores de serviço para agir voluntariamente contra esses sites e contra sites que ponham em perigo a saúde pública. além de eliminar os incentivos financeiros de violação à propriedade intelectual no meio digital e disciplinar ações voluntárias contra sites que violem direitos de propriedade intelectual de acordo com as leis norte-americanas.196 De maneira exemplificativa. eles possuem diferenças substanciais quanto ao seu conteúdo.193 O PIPA também é chamado de Preventing Real On-line Threats to Economic Creativity and Theft of Intellectual Property Act .. . rejeitado pelo Parlamento norte-americano em 2010. INTERNATIONAL BUSINESS TIMES. o primeiro poderá atingir sites como blogs. Acesso em 14 de fevereiro de 2012. etc. Enquanto o SOPA afetará qualquer site que cometer ou propiciar violações a direitos autorais.com/articles/283906/20120118/sopa-pipa-bills-differences-Internetprivacy-senate. sendo uma reformulação do Projeto de Lei de Combate à Violação e Falsificação On-line (Coica). 194 Este projeto objetiva reforçar a execução judicial contra sites operados e registrados fora dos Estados Unidos. o PIPA trata apenas daqueles cuja atividade é em si violadora desses direitos. Os projetos também divergem quanto à forma. e outros motivos”.

sites de notícias.1 Críticas dos oponentes ao SOPA e ao PIPA Muitas críticas a ambos os projetos foram feitas pela mídia. o detentor será responsável pelos danos e custos legais. que organizou uma petição on-line198 contra os projetos. Muitos sites possuem espaço para comentários.1. 198 . uma vez que conferem ao governo dos EUA o direito de retirar conteúdo da rede. a opinião de que eles acarretarão censura na web a nível mundial. Disponível em <https://www. por instituições e pela sociedade civil no fim de 2011. What’s the difference between SOPA and PIPA? Disponível em: <http://socialmediacollective. sabendo que não existe violação a esses direitos. que se manifestou continuamente em seu site. Basicamente todas as críticas foram pautadas em dois pilares: possíveis ameaças (I) aos direitos autorais e (II) à capacidade inovadora conferida à sociedade pela Internet livre. Acesso em 14 de fevereiro de 2012. e.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 visto pelo PIPA. sobressai a atuação da EFF (Eletronic Frontier Foundation ). Além disso. os sites em geral (de jornais. mesmo assim ajuizar ação contra um site hipoteticamente infringente. Também foi quase unânime entre os opositores aos projetos. o site responderá civil e penalmente. e também a atuação do Google. na sua maioria de forma indiscriminada devido à grande semelhança entre os projetos. etc. justificando-se com termos vagos. o SOPA determina que. 9. o PIPA demanda mais intervenção do Judiciário para que um site seja retirado do ar.com/landing/takeaction/>. como blogs. Nesse sentido. 197 Diferentemente. revistas. além de conceder legitimidade a provedores de Internet para bloquear sites inteiros arbitrariamente.D E B AT E S R E L E VA N T E S E M O U T R O S PA Í S E S 157 observatório da internet.1. O primeiro diz respeito à questão da responsabilidade civil por conteúdo disponibilizado na web. portais de vídeo e música e redes sociais) seriam corresponsáveis pela postagem e replicação de links considerados nocivos. não apresenta nenhuma disposição que penalize o detentor de direitos autorais que. Os projetos adicionam um fator agravante à característica participativa de sites que existem devido à atuação dos usuários. mesmo que os links sejam introduzidos nesse espaço.org/2012/01/17/whats-the-difference-between-sopa-and-pipa/>. de forma 197 SOCIAL MEDIA COLLECTIVE RESEARCH BLOG. nesse caso.google. Acesso em 17 de fevereiro de 2012. sem a necessidade de prévia decisão judicial. através de diversos artigos analisando os projetos e suas repercussões. Outros pontos tratados pelos projetos ganharam destaque. Segundo os projetos. porém. abrigado em qualquer território nacional. instituição norte-americana que procura defender direitos no mundo digital.

html>. crescentes na medida dos riscos sofridos pelo site. 200 .eff. acarretando a elas novos custos. em vez de retirar apenas a página. manifestou-se sobre esse assunto no blog Bricoleur. Convenientemente. microblogs ou portais de vídeo – esses. Acesso em 17 de fevereiro de 2012.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 D E B AT E S R E L E VA N T E S E M O U T R O S PA Í S E S que seu conteúdo não passa por nenhum processo de moderação. O único requisito para tanto é que atuem de boa-fé. Essa é uma disposição criticada por abrir brechas para o abuso de poder. se utiliza de virtual private networks . quanto o direito dos usuários de terem acesso à informação constante naquele site . Essa seria uma nova atividade a ser desenvolvida na empresa.org/deeplinks/2011/11/hollywood-new-waron-software-freedom-and-Internet-innovation>.org/2011/12/overbroad-censorship-users. sem a necessidade de uma ordem judicial prévia. para não serem submetidos a um litígio no Judiciário norte-americano contra o governo. em post denominado “ Overbroad Censorship & Users ”. O controle de conteúdo não só descaracteriza a existência desses sites. Os próprios autores do conteúdo ali depositado estariam impedidos de acessar suas criações. Acesso em 17 D de fevereiro de 2012. são praticamente obrigados a monitorar seus usuários. conselheiro geral do Twitter. o texto ou o link infringente. além de recair diretamente sobre pessoas que não tenham violado direitos de nenhuma maneira.158 observatório da internet. Dessa forma. O fato de a lei afetar pessoas não infringentes é uma das maiores preocupações da mídia. Os projetos determinam que o procurador geral concentrará uma série de amplos poderes e funções – o exemplo mais extremo seria a possibilidade de determinar que o Judiciário confira uma ordem de retirada completa do site do ar.org/deeplinks/2012/01/how-pipa-and-sopa-violate-white-houseprinciples-supporting-free-speech> e <https://www. caso acreditem que esteja violando ou promovendo violações aos direitos autorais.bricoleur. corporações poderiam criar uma blacklist arbitrária. caso não fizessem um controle do conteúdo em si disposto. 199 Outro segmento social prejudicado seria a comunidade internacional de software aberto que. os projetos outorgam imunidade aos provedores de serviço para bloquear qualquer usuário ou sites voluntariamente. portanto.eff. teriam grandes chances de saírem do ar. como redes sociais. como também lhes impõem uma aplicação ineficiente de custos em monitoramento. sem legitimações legais concretas para tais atos. segundo a EFF 200. proxys ou softwares de privacidade e anonimação ( software de segurança na Internet) 199  isponível em <http://www.  D isponível em: <https://www. Alex Mcgillivray. Esse caso restringe tanto o direito de liberdade de expressão de pessoas que não estão violando nenhum direito de propriedade intelectual. Observa-se que os provedores de Internet e as empresas responsáveis por sites.

ainda. a desenvolvedora do jogo deveria solicitar o banimento do vídeo. Irã. além de terem seu conteúdo repreendido. o projeto não afeta somente sites localizados nos EUA – possui uma seção apenas sobre sites estrangeiros infringentes. etc. Além disso. no corpo de um e-mail. Tunísia. poderia ter todo o seu conteúdo bloqueado até que o fato fosse resolvido. na medida em que não poderão fazer anúncios em sites considerados infringentes ou sobre tais sites. adquirem a responsabilidade de prevenir. De acordo com o SOPA e o PIPA. uma vez que os IPs de cidadãos norte-americanos poderiam ser filtrados para que fosse encontrado conteúdo ofensivo. Nesse caso. que. devido à grande facilidade de compartilhamento de informações e de comunicação. que ganham esse status se . os service payment providers. uma intensa preocupação com o direito à privacidade. como forma de demonstrar o desenvolvimento pessoal naquele jogo. ser excluído da rede.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 para lutar contra governos autoritários que censuram diretamente a Internet. Serviços de anúncios na Internet são igualmente prejudicados. Sites considerados infringentes. Além disso. provedores de e-mail poderiam bloquear links localizados dentro da própria caixa postal de um indivíduo. prejudicando. a transmissão não autorizada de conteúdo protegido por direitos autorais seria cassada tanto pelo procurador geral. quanto pelos próprios provedores de serviço. da mesma forma. Ativistas digitais são conhecidos por utilizar-se de ferramentas on-line em sua luta a favor da democracia em países como China. A Internet tem servido cada vez mais como viabilizadora de mobilizações sociais. O site hospedeiro do vídeo seria notificado e. de acordo com os projetos. poderia. localizados nos EUA ou sob sua jurisdição. caso não acatassem às ordens judiciais em até cinco dias após o recebimento da notificação. que incorreriam em riscos devido à alta responsabilidade a eles imposta. os sites que indicassem como burlar as regras por eles impostas se tornariam um alvo do governo norte-americano. Existe. Por exemplo. proibir ou suspender seus serviços de transações de pagamento a sites infringentes. Tais ferramentas permitem que burlem as tentativas dos governos de bloquear conteúdo na Internet para diminuir as manifestações contrárias às suas políticas. estariam sujeitos à exclusão do seu domínio dos sites de busca. quem postar um vídeo de si mesmo cantando qualquer música protegida por direitos autorais poderia ser preso por até cinco anos. em caso de não cumprimento e consequente reincidência no pedido. um vídeo de si mesmo jogando um videogame.D E B AT E S R E L E VA N T E S E M O U T R O S PA Í S E S 159 observatório da internet. que seria legitimado a atuar por meio do Judiciário. Por fim. assim. Como visto. estariam impedidos de obter qualquer financiamento ou remuneração on-line.

Wordpress.1. um dos maiores grupos de ativistas a organizar o SOPA Strike . as emissoras de televisão e os desenvolvedores de jogos. que possuem relação com direitos autorais e de propriedade intelectual. Reddit. principalmente no ambiente digital. foi organizado um blackout na rede.1. O movimento ganhou maior atenção quando gigantes da rede se manifestaram a favor do protesto. os representantes americanos eleitos receberam por volta de 8 milhões de ligações da sociedade para contestar os projetos de lei – uma outra forma de manifestação. Twitter. isto é. 201 Além disso. e resultou na não votação dos projetos.2 O Blackout As oposições contra os projetos de lei americanos antipirataria SOPA e PIPA tiveram enorme repercussão. Os próprios provedores terão até cinco dias para tomar medidas técnicas com o fim de impedir o acesso dos usuários localizados nos EUA ao site considerado infringente. como Wikipedia. Junto com as empresas AOL. dentre outros. 39 organizações de advocacia e de interesse público. 110 professores de 201 Disponível em: <http://www. 41 organizações de direitos humanos. resultando no maior protesto on-line da história. sites sairiam voluntariamente do ar. que estava prestes a acontecer. mais de 115 mil sites participaram do blackout e foram enviados por volta de 4 milhões de e-mails ao Parlamento americano. enviou uma carta aberta em objeção aos projetos ressaltando os riscos que trazem para a inovação e a criação de novos empregos. Outras cartas também foram enviadas por 17 fundadores de empresas de Internet. A Google apresentou papel determinante na luta contra o SOPA e o PIPA. Facebook.com/numbers/>. As notícias apontam como pessoas beneficiadas desses projetos aquelas que são constantes alvos da pirataria. No dia 18 de janeiro de 2012.160 observatório da internet. Os processos judiciais são iniciados pelo procurador geral. retirando seu conteúdo ou parcela desse. Acesso em 23 de fevereiro de 2012. que decidirá se aquele site está infringindo direitos autorais e de propriedade intelectual. caso recebam ordem judicial assim determinando. Segundo dados do site Fight for the Future . Firefox. Ebay. 9.sopastrike. ou vinculando mensagens de oposição em suas páginas iniciais. . desvinculada do ambiente digital. Google. Linkedin e Zynga.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 D E B AT E S R E L E VA N T E S E M O U T R O S PA Í S E S “comete(m) ou facilita(m) o cometimento” de violações de artigos específicos de leis americanas. como as indústrias produtoras de conteúdo (cinematográfica e fonográfica).

pessoas ao redor de todo o mundo seriam prejudicadas.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 direito. 204 empreendedores. aumente o risco de segurança na rede e comprometa as características da dinamicidade e inovação da Internet global. como a alta capacidade de compartilhamento de conteúdo e informação.  isponível em: <http://meganao. o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e todos os sites vinculados ao Centro de Tecnologia e Sociedade da escola de Direito da Fundação Getulio Vargas (CTS-FGV ). 203 204 . através de afirmação do CEO do microblog. uma iniciativa não governamental que incentiva a produção sustentável através dos benefícios das novas tecnologias. disponível em: <https://www.  Twitter.org/internet/ os-grandes-sites-da-internet-protestam-contra-os-projetos-de-leis-antipirataria-sopa-e-pipa/>. e (III) o software Livre Brasil. uma vez que acessam diariamente tais sites com finalidades legítimas (isto é. Em todo o mundo pessoas se viram ameaçadas pelos projetos de lei que. D Acesso em 23 de fevereiro de 2012. O Idec veiculou em sua página inicial uma mensagem afirmando que “a liberdade e os direitos dos 202  ados retirados do infográfico da Google. 204 Participaram do blackout . reconheceu que os projetos podem O afetar mais do que os nacionais americanos ao afirmar que “é muita irresponsabilidade nossa parar um serviço global por conta de uma lei nacional”.com/landing/takeaction/>.wordpress. Acesso em 23 de D fevereiro de 2012.portalmariana. Disponível em: <http://www. Considerando que grande parte da infraestrutura da Internet está localizada em território americano. 203 Um site considerado suspeito de infração às leis antipirataria poderia ser bloqueado sem a necessidade de uma ordem judicial. negando apoio a legislações que violem a liberdade de expressão. Mais de 113 mil pessoas assinaram uma petição enviada à Casa Branca. 202 Cabe ressaltar que as manifestações e participações no blackout não ocorreram apenas em território americano.D E B AT E S R E L E VA N T E S E M O U T R O S PA Í S E S 161 observatório da internet.com/o-mega-nao/o-que-combatemos/>. Dick Costolo. ajudaram a organizar o blackout (I) o movimento Mega Não!. Acesso em 23 de fevereiro de 2012. dentre outros. não relacionadas com a prática de pirataria). Por conta desse fato. afetam o acesso global à Internet. muitos opositores afirmaram que o SOPA e o PIPA estariam ameaçando características fundamentais da rede: a universalidade e a neutralidade. que busca combater o vigilantismo. as ameaças à liberdade na Internet e à neutralidade da rede. No Brasil. embora atuem apenas em jurisdição norte-americana.google. ou hospedada em plataformas americanas sem que exista discriminação para acesso. um blog que busca materializar a característica participativa da Internet por ter seu conteúdo escrito por diversos autores. (II) o Coletivo Trezentos.

Lamar Smith. Acesso em 23 de fevereiro de 2012. Já Vinton Cerf. a liberdade de expressão. 206 207 208 209 . chamado “Lei Azeredo”. projeto de lei que está atualmente em tramitação no Congresso Nacional. Acesso em 23 de fevereiro de 2012. 207 “O CTS defende que a tutela dos direitos intelectuais não deve ser exercida em detrimento de outros direitos fundamentais. de que os projetos desrespeitam direitos humanos: “Se você é um americano.br/gomateria. De acordo com Carlos Affonso de Souza.com.  texto legal do Marco Civil da Internet resultou de um processo de construção colaborativo. em conjunto com o Ministério da Justiça e por meio de um processo on-line amplamente colaborativo.globo. reafirma princípios que devem permear a Internet e protege direitos fundamentais no ambiente digital. em vez de criminalizar condutas. e principalmente o acesso ao conhecimento e à informação”. Assim como o CTS-FGV. na qual afirmou que “o bloqueio de sites ou os meca- 205  ais informações no site <http://www.br/noticias_web/4815/no-brasil-idec-tambemM se-manifesta-contra-a-lei-antipirataria>. Tim Berners-Lee. o Marco Civil da Internet é considerado um projeto de lei anti-SOPA.businessinsider. Para saber mais sobre o projeto. de forma não moderada e voluntária. incluindo-se nesse rol a pirataria.  isponível em: < http://articles.com/tecnologia/artigo-discussao-dasopa-ensaio-para-que-vira-no-futuro-3703202>. 208 Algumas figuras importantes no cenário da Internet também manifestaram oposição ao SOPA e ao PIPA.fgv. em 2011. e aos membros do House Judiciary Committee . Acesso em 23 de fevereiro de 2012.info4.br/sopablackout>. Disponível em: <http://direitorio. acesse <http://www. o instituto manifestou-se antagonicamente ao projeto de lei brasileiro semelhante ao SOPA e ao PIPA.oficinadanet.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 D E B AT E S R E L E VA N T E S E M O U T R O S PA Í S E S usuários de Internet no mundo todo estão ameaçados”.162 observatório da internet. Acesso em 23 de fevereiro de 2012.  al posicionamento pode ser encontrado nas reportagens: <http://www. o Marco Civil da Internet 206.br/sites/default/files/ poliTICS_n%C2%BA7_1. que reuniu mais de 16 mil assinaturas.com. que visa a criminalização de condutas praticadas através do ambiente digital. uma vez que. 205 Já o CTS-FGV produziu. Como exemplo. uma campanha intitulada “Consumidores contra o PL Azeredo”. br/marcocivil/>) e reuniu comentários de todos os setores da sociedade. na O medida em que foi organizado por meio da plataforma on-line Cultura Digital (<http://culturadigital. porque elas não foram reunidas para respeitar direitos humanos como é apropriado em um país democrático” 209. então deveria ligar para alguém ou enviar um e-mail para protestar contra essas leis (de censura).pdf>. um dos fundadores da Internet. organizou.org.com/2012-01-20/tech/30645823_1_human-rights-timD berners-lee-sopa>. vice-coordenador do CTS-FGV. Assim.nupef. como a privacidade. enviou uma carta de contestação ao autor do SOPA. pode-se citar a afirmação de um dos fundadores da worldwide web (www). Acesso em 23 de fevereiro de 2012.asp?c T od=600426&nome=1432&cliente=1432> e <http://oglobo.

pt11. em resposta oficial a duas petições que pediam o veto aos projetos de lei. Acesso em 24 de fevereiro de 2012.gov/blog/2012/01/13/obama-administration-responds-weD people-petitions-sopa-and-online-piracy>. afirma que a proteção aos direitos de propriedade intelectual é essencial para a garantia do desenvolvimento econômico sustentável. Acesso em 27 de fevereiro de 2012. dentro dos procedimentos judiciais de natureza cível. bem como o ressar- 210  isponível em: <http://www. o comércio legítimo.whitehouse.D E B AT E S R E L E VA N T E S E M O U T R O S PA Í S E S 163 observatório da internet. injunções. assim.examiner. O comunicado. desde então conquistou o apoio de muitos países ao redor do mundo.1 Breve histórico O Anti-Counterfeiting Trade Agreement (ACTA) ou Acordo Comercial Anticontrafação 212 é um tratado multinacional em fase de negociação que busca estabelecer padrões internacionais de tratamento aos direitos de propriedade intelectual e facilitar o combate às violações a nível global. os quais participam dos encontros de negociação do texto do tratado e o assinaram em 2011. isponível em: <http://www.com/internet-in-national/internet-founding-father-vinton-cerfD opposes-sopa>. 210 Os protestos foram ainda reforçados pelas declarações do governo de Barack Obama. Nesse sentido.europa.pdf>. No preâmbulo do tratado é possível encontrar as justificativas para a criação do ACTA. Desenvolvido primeiramente pelos EUA e pelo Japão em 2006. indenização do infrator ao titular de direitos.2.1.consilium. Busca proteger. Os mecanismos a serem utilizados são.2 ACTA 9. O tratado prevê que cada país signatário possua mecanismos de solução judicial de litígios relativos a infrações a direitos de propriedade intelectual. Acesso em 24 de fevereiro de 2012.  versão em português está disponível neste link: <http://register.1. divulgado pelo blog da Casa Branca. os titulares de direitos e as empresas legítimas. 211 212 .211 9. sustentou que a importante tarefa de se proteger a propriedade intelectual on-line não pode ameaçar a abertura e o aspecto inovador da Internet. através da cooperação internacional. bem como combater o crime organizado.eu/pdf/pt/11/st12/ A st12196.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 nismos de redirecionamento não são susceptíveis de fazer uma diferença significativa na disponibilidade de material ilícito e de falsificações on-line ”. se posicionando contras as proposições.

concedida a critério do país signatário. sem especificar o que significam. promote the adoption T of measures to enhance public awareness of the importance of respecting intellectual property rights and the detrimental effects of intellectual property rights infringement”.pdf>.1. Afirmando que as partes se comprometem a combater violações a direitos autorais e direitos conexos em ambiente digital. penas de prisão. as appropriate. André de Mello e Souza. eu/doclib/docs/2011/may/tradoc_147937. 213 9. Elas incluem responsabilização penal de sociedade de pessoas e indivíduos isolados. cada Estado signatário teria o dever de “promove(r) a adopção de medidas para sensibilizar a opinião pública no que se refere à importância do respeito dos direitos de propriedade intelectual e aos efeitos negativos do desrespeito desses mesmos direitos”.ec. o tratado exclui de condenação pequenas quantidades de mercadoria não comercial transportada em bagagem pessoal. apenas sugerindo minimamente como alcançá-los. além de não impedir os meios legítimos de comércio eletrônico e concorrência. Disponivel em <http://trade.214 A ausência de informações mais detalhadas sobre o que esta- 213  exto original em inglês – Article 31: Public Awareness: Each Party shall.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 D E B AT E S R E L E VA N T E S E M O U T R O S PA Í S E S cimento dos lucros obtidos com a comercialização do material sem autorização e retirada de circulação ou destruição de materiais utilizados para a fabricação do material infrator.2. apreensão. o texto ressalva que tais medidas devem ser tomadas sem ferir ou ofender princípios fundamentais como a liberdade de expressão. No que se refere a medidas que podem ser tomadas nas fronteiras. ainda. a privacidade e o devido processo legal.europa.164 observatório da internet. As execuções de natureza penal só afetam atos infringentes que ocorram em escala comercial (que acarretem em benefícios econômicos para o infrator). Acesso em 22 de novembro de 2012. em reportagem publicava no Valor Econômico e transmitida pelo blog do  214 . sansões pecuniárias elevadas o bastante para que tenham caráter preventivo. um artigo sobre a sensibilização do público. Também podem as autoridades judiciais ordenar a adoção de medidas provisórias com finalidade preventiva de infração ou de preservação de provas sobre a infração. confisco e destruição de mercadoria. utiliza o termo proteção jurídica adequada e recursos jurídicos eficazes . as negociações do ACTA eram secretas e apenas participavam países desenvolvidos. O ACTA possui um capítulo específico sobre aplicação dos direitos de propriedade intelectual no ambiente digital. Existe. Para tal.2 Críticas dos opositores Inicialmente. sem definir o termo pequenas quantidades. Assim.

ocorreu a publicação oficial do texto do tratado. o que gera preocupações grandes em relação aos direitos fundamentais. possibilita aos países signatários responsabilizar esses atores pelas ações de terceiros na rede. Marrocos e Coreia do Sul. o que demonstra que as críticas fizeram efeito nas negociações. inclusive. seriam obrigados a controlar a Internet e os usuários. Nova Zelândia. O escopo atinge inclusive os intermediários de Internet.org/deeplinks/2011/10/acta-signed-8-members-are-we-doomed-yet>. da mesma forma que o SOPA e o PIPA. também seriam limitados pelo ACTA a criatividade e inovação derivadas da característica colaborativa da rede.org. Segundo essa mesma linha de pensamento.eff.215 A população apenas tomou conhecimento do que estava sendo debatido através de documentos que vazaram ao longo dos anos. como CDs e remédios. Canadá.D E B AT E S R E L E VA N T E S E M O U T R O S PA Í S E S 165 observatório da internet. As críticas também abarcam o processo de construção do texto do tratado.org/issues/acta>. além de EUA e Japão. considerando-o antidemocrático. Quanto ao conteúdo do tratado. como o Discussion Paper on a Possible Anti-counterfeiting Trade Agreement ou relatórios de negociações ocorridas. Austrália. a própria sociedade dos países participantes fez com que um movimento forte de críticas fosse iniciado. de projeto A2K: “a falta de transparência que caracteriza as negociações tem por finalidade evitar a oposição da comunidade internacional e contradiz a tendência recente dos fóruns multilaterais de permitir a observação e intervenção de organizações não governamentais e de divulgar os textos preliminares dos acordos na Internet”. 215 216 Disponível em: <https://www.br/wordpress/lang/pt-br/2010/09/oacta-e-os-direitos-de-propriedade-intelectual/>. Muitas das maiores preocupações relativas às versões anteriores do ACTA foram retiradas do texto oficial. Acesso em 29 de fevereiro de 2012. Disponível em: <http://www. francês e espanhol. Assim. como também outros países não envolvidos e.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 va sendo discutido e a consciência de que as deliberações sobre os direitos de propriedade intelectual afetariam não só os participantes das negociações.a2kbrasil. uma vez que careceu de transparência e não reconheceu a opinião de grupos da sociedade civil. Em maio de 2011. 216 Em outubro de 2011. A EFF (Eletronic Frontier Foundation) chegou a afirmar que a sociedade civil e os países em desenvolvimento estavam sendo excluídos das negociações intencionalmente. os opositores afirmam que não abrangerá apenas produtos piratas na sua forma física. D Acesso em 29 de fevereiro de 2012.eff.  isponível em: <https://www. nas línguas inglês. além do fair use de direitos autorais. uma vez que o ACTA. . do público em geral. como privacidade e liberdade de expressão. Acesso em 29 de fevereiro de 2012. como os provedores de serviço de Internet. assinaram o tratado. Singapura.

A íntegra da Diretiva 2001/29 CE pode ser encontrada no seguinte link: <https://ciist.166 observatório da internet. um comitê consultivo de grandes corporações multinacionais americanas (membros da indústria farmacêutica e de produção cultural) foi consultado na fase de produção do rascunho e obteve. 218 9. as empresas Google. Como visto. “lobistas das grandes empresas de música. A propriedade intelectual é. Sony Pictures. News Corporation. jogos de vídeo.2 Espanha Desde 2001. Por outro lado. 217 Segundo o movimento brasileiro Mega Não!. Acesso em 24 D de fevereiro de 2012. A Diretiva trata da harmonização de certos aspectos do direito de autor e dos direitos conexos na Sociedade da Informação e demonstra.org/wiki/Anti-Counterfeiting_Trade_Agreement>. da indústria e do público em geral. pois. Intel. bens de luxo e farmácia tiveram acesso a documentos preparatórios do ACTA e puderam influenciar as negociações”. dos consumidores. Além disso. eBay. Dell. uma vez que tais direitos são fundamentais para a criação intelectual. da cultura.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 D E B AT E S R E L E VA N T E S E M O U T R O S PA Í S E S instituições internacionais. nenhum desses atores teve acesso ao conteúdo tratado nas negociações até a divulgação do texto oficial em 2011. no interesse dos autores.utl. A sua proteção contribui para a manutenção e o desenvolvimento da atividade criativa.ist. 219 217  isponível em: <http://en.pt/docs_da/  218 219 .  isponível em: <http://xocensura. filmes. com a Diretiva 2001/29 do Parlamento e do Conselho Europeu. a Europa tenta adequar suas regras comuns à economia digital e ao mercado comunitário.com/2008/09/22/o-silencio-sobre-o-acta/>. software . a não ser por vazamentos de informações das quais nem sempre se conhecia a fonte. Time Warner e Verizon receberam uma versão do rascunho do tratado sob um acordo de confidencialidade. como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI) e países em desenvolvimento. dos intérpretes ou executantes. já nos seus considerandos que as novas tecnologias da informação gerou uma resposta repressiva por grande parte dos países: “Qualquer harmonização do direito de autor e direitos conexos deve basear-se num elevado nível de proteção.wordpress. Acesso em 24 D de fevereiro de 2012.wikipedia. consequentemente. dos produtores. acesso a tal conteúdo. reconhecida como parte integrante da propriedade”.

De acordo com documentos revelados pelo Wikileaks e divulgados pelo jornal espanhol El País . a Espanha se juntou à França no grupo de países que adotam medidas mais fortes para a proteção da criação intelectual na Internet.pdf>. Na referida reportagem de 2008.com/articulo/espana/EE/UU/ejecuto/plan/conseguir/ley/antidescargas/ D elpepuesp/20101203elpepunac_52/Tes>. Acesso em 20 de julho de 2012. um grupo de pressão formado pelas sociedades de gestão de direitos e as sociedades que defendem os interesses das grandes companhias.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A própria lei francesa que ficou conhecida como Lei Hadopi é fruto da transposição da Diretiva 2001/29 CE e implementa a regra dos “ three strikes and you’re out ”. negócios e meio ambiente. a Lei Sinde levantou diversas preocupações quanto à possibilidade de violação ao devido processo legal. diante da reincidência do usuário que baixar obras protegidas sem autorização. o governo norte-americano teve um papel crucial nas iniciativas de endurecimento da lei de direitos autorais da Espanha. Seu principal objetivo é modernizar a economia espanhola nos campos de finanças. que apresentou a lei em resposta à demanda da coalizão de criadores e indústria de conteúdos. revelações do Wikileaks demonstraram que pressões do governo americano ao governo espanhol foram o principal motivo para que esse editasse uma medida contrária a downloads . Em 2011. sua conexão à Internet seria interrompida. 220  isponível em: <http://www. A versão original da SEA tem sido chamada de Lei Sinde – recebeu esse nome em virtude do Ministro da Cultura espanhol. o periódico El País 220 revelou que o governo norte-americano ameaçou colocar a Espanha em sua lista anual de inimigos da propriedade in- directiva_2001-29-CE. A Lei da Economia Sustentável (SEA) espanhola é fruto de uma iniciativa legal aprovada pelo governo espanhol. que foram introduzidas através da Lei de Economia Sustentável (LES).elpais. a qual determina que. em 2009. ao direito à privacidade e à liberdade de expressão. Acesso em 20 de julho de 2012. Quando as medidas foram apresentadas em 2009. de forma a tentar solucionar a crise econômica que assola o país nos últimos anos. previam a possibilidade de bloqueio de páginas na Internet que facilitassem o download sem autorização de arquivos com conteúdo protegido por direitos autorais. Angeles Gonzales-Sinde.D E B AT E S R E L E VA N T E S E M O U T R O S PA Í S E S 167 observatório da internet. A função da Lei Sinde é legitimar o fechamento de websites que abriguem links para download de conteúdo protegido por direitos autorais. As medidas. . no entanto. Desde o início.

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telectual, elaborada pela Câmara de Comércio, conhecida como “ Special 301”, a menos que o governo espanhol adotasse políticas para a pirataria na Internet. O procedimento descrito pela lei para fechar sites da Internet se inicia com uma denúncia pelo titular de direitos autorais à Comissão de Propriedade Intelectual (órgão administrativo do Ministério da Cultura). Ao receber a denúncia e de forma a obter dados com a identidade do proprietário do nome de domínio, número de usuários do site e outros dados sujeitos a confidencialidade, a Comissão deve solicitá-los a um juiz. A presença da intervenção do Poder Judiciário desde o início do procedimento é tida como uma inserção de equidade ao processo. Porém, este não foi o entendimento quando a lei foi vetada em 2009. Talvez pela divulgação dos documentos pelo Wikileaks , que revelaram a arquitetura diplomática dos Estados Unidos para influenciar na agenda jurídico-cultural espanhola, num primeiro momento a Lei Sinde foi rejeitada pelo Congresso Espanhol, por apoio de quase todos os partidos com representação parlamentar – à exceção de apenas um, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), como revela a citada reportagem do jornal El País: 221 “ Para el PP, la disposición intentaba ‘maquillar’ con un procedimiento judicial rápido el que un órgano administrativo como la Comisión de Propiedad Intelectual, dependiente del Ministerio de Cultura, pudiera cerrar páginas webs. ‘En la práctica, sería posible cerrar webs sin la debida garantía judicial, lo que abriría la puerta a que desde el poder político se vulnerasen derechos fundamentales como el de la libertad de expresión’, según José María Lasalle. Marta Gastón, ponente del PSOE, le refutó que solo ‘la justicia puede decidir el cierre de una web’, y aseguró que no se puede ‘desproteger a un sector que da empleo a 800.000 personas y representa el 4% del PIB’. Recordó que la subcomisión de Cultura acordó por mayoría dar unas garantías mínimas de protección a la propiedad intelectual, y afirmó: ‘Si protegemos más a los ladrillos que las ideas, estaremos condenando a nuestros jóvenes a seguir fabricando ladrillos .’” (grifo nosso) Além da liberdade de expressão, outro direito fundamental atingido diretamente pelas disposições da Lei Sinde é a proteção à vida privada, uma vez que permite que os indivíduos que se julgam vítimas de alguma violação aos seus direitos de autor acessem dados pessoais de usuários. Precedente da Corte de Justiça da

221 

isponível em: <http://cultura.elpais.com/cultura/2010/12/21/actualidad/1292886001_850215.html>. D Acesso em 20 de julho de 2012.

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União Europeia envolvendo a própria Espanha já rechaçou que provedores de acesso à Internet assumam postura em defesa dos titulares de direito autoral que ameacem a vida privada. Nesse sentido, o acórdão Promusicae v. Telefónica determinou que a exigência pelos titulares de direitos de propriedade intelectual do acesso aos dados de IP de indivíduos suspeitos de violação de direitos autorais é contrária às normas fundamentais da União Europeia..

9.3 Suíça
Em sentido contrário ao ocorrido na Espanha ( Tópico 9.2), a Suíça decidiu não modificar sua legislação interna de propriedade intelectual no meio digital, por julgar que as normas existentes em seu ordenamento jurídico eram suficientes para tratar da realidade digital. O Conselho Federal da Suíça foi chamado a se posicionar sobre o tema e preparou um relatório que foi divulgado no início de dezembro de 2011. O estudo analisou a possibilidade de constrição legislativa dos downloads ilegais e as medidas existentes no cenário internacional que tentam solucionar o problema. O governo suíço concluiu que uma nova lei ou reformas legislativas sobre a questão não são essenciais, ou mesmo necessárias, no momento. Seria preciso, ao contrário, acompanhar as evoluções tecnológicas e o debate sobre o tema ao nível internacional, a fim de reavaliar periodicamente a situação e identificar as necessidades de adaptação do direito autoral. Para elaboração do relatório, o Conselho Federal analisou diversos estudos internacionais sobre download e compartilhamento de música, filmes e jogos eletrônicos. O estudo “ Ups and Downs: The Economic and cultural effects of file sharing on music, film and games ”, 222 encomendado pelo governo da Holanda em 2009, foi usado como parâmetro pelo governo suíço para acessar os dados sobre pirataria. O uso crescente de downloads e o compartilhamento de bens culturais não diminuem a intenção das pessoas em adquirir outros bens culturais, como bilhetes de cinema, teatro e shows. E mesmo aqueles que adquirem os bens por download não deixam de comprá-los pelas vias tradicionais, segundo o relatório do governo suíço.

222 

isponível em: <http://www.tno.nl/content.cfm?context=thema&content=inno_publicatie&laag1=897 D &laag2=918&item_id=473&Taal=2>. Acesso em 20 de julho de 2012.

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Foram apontadas três abordagens existentes no cenário internacional para lidar com esse dilema. Cada uma foi rejeitada, justificadamente, conforme abaixo resumido: 9.3.1 Resposta graduada ou “three strikes and you’re out” (modelo francês – Hadopi) Os dados revelados pela autarquia francesa Hadopi, que tem por objetivo impedir a violação de direitos autorais na Internet, apontam uma queda no número de downloads e compartilhamento ilegal de arquivos na França em 2011. Mesmo que esse resultado possa ser encarado como um sucesso para os objetivos estabelecidos pela autarquia, o governo suíço entendeu que, de um ponto de vista objetivo, a resposta graduada é medida extrema, cujas consequências de longo prazo são impossíveis de ser avaliadas. O relatório aponta ainda que a resposta graduada necessita da implementação de um amplo aparato estatal. Nesse sentido, os custos anuais de funcionamento da Hadopi são estimados em mais de 12 milhões de euros, de acordo com o orçamento público francês de 2011 do Ministério da Cultura e da Comunicação. O governo suíço questiona ainda a compatibilidade dos mecanismos de reposta graduada com as Convenções Internacionais, em especial o relatório conduzido pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas que determinou que a interrupção do acesso à Internet é uma violação ao art. 19 o, alínea 3 do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos. 9.3.2 Filtragem e bloqueio do acesso à Internet O relatório do governo suíço aponta a importância da inserção do debate sobre medidas repressivas, principalmente quando se trata de provedores de acesso à Internet, na agenda de neutralidade da rede. Segundo os conselheiros, esse engajamento é fruto da necessidade de proteger a livre concorrência e os direitos fundamentais como liberdade de expressão, devido processo legal e privacidade. As filtragens e bloqueios operados por um provedor de acesso recebem as mesmas críticas e limitações da resposta graduada. Tais medidas são pouco compatíveis com direitos à liberdade de expressão e as tecnologias utilizadas para filtragem podem importar em sérios riscos à privacidade. Ainda, o fato de tais bloqueios não serem realizados por autoridades judiciais, mas sim por empresas privadas eleva de forma considerável a complexidade do problema e incentiva o debate sobre o papel do Poder Judiciário na resolução de casos que impliquem na reparação de danos ocorridos na Internet.

Apesar das críticas recebidas pelas licenças coletivas. faltaria compatibilizar esse regime com os acordos internacionais assinados pela Suíça. Dessa forma.3 Licenças coletivas A possibilidade de licenças coletivas de obras colocadas à disposição na Internet. independentemente da origem ilícita do arquivo copiado. Essa solução traria a dupla vantagem de retirar os maiores usuários de downloads da ilegalidade. No entanto. fazendo forte oposição à ideia de propriedade intelectual como forma de incentivar a produção cultural. Ainda. segundo o relatório. No entanto. não haveria necessidade de lei específica que regule o uso ilegal de obras na Internet. é apontada como uma abordagem permissiva possível. os titulares podem atingir esse resultado por meio de seus próprios contratos. ao optar por uma regulamentação tecnicamente neutra. . não havendo necessidade de uma imposição legislativa para o mesmo. afirmando que as mesmas devem obedecer a certos limites impostos por direitos fundamentais. sem fins comerciais e em conjunto com um sistema de remuneração. E. como as da OMPI. a sociedade de gestão coletiva e os provedores de acesso à Internet. Aponta também que muitos atores veem os direitos de autor como um entrave ao acesso à cultura e essa linha de entendimento chegou a ser. A compensação feita nesse modo só poderia ser considerada aceitável se levasse em consideração regras gerais de equidade. O relatório do governo suíço questiona ainda a legitimidade das medidas repressivas de combate à violação de direitos autorais. de qualquer forma. bem como de remunerar utilizações como o streaming . o legislador suíço já tirou o internauta da ilegalidade ao permitir a cópia para fins pessoais. grande parte da população suíça considera esse sistema de remuneração de certa forma “injusto”.3. inclusive. indicam que é direito exclusivo do autor disponibilizar suas obras on-line . As exceções e limitações a esse direito se fazem em casos excepcionais que não impliquem em obstáculo à exploração normal da obra.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 9.D E B AT E S R E L E VA N T E S E M O U T R O S PA Í S E S 171 observatório da internet. o governo suíço aponta como desejável um acordo entre as grandes companhias de mídia. entende o relatório. apoiada em termos políticos pelo Partido Pirata Suíço. Convenções Internacionais.