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Relatório de Políticas de Internet

Brasil 2011

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observatório da internet .br

observatório brasileiro de políticas digitais

Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getúlio Vargas

Relatório de Políticas de Internet
Brasil 2011

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Fundação Getúlio Vargas. Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito do Rio de Janeiro Relatório de políticas de Internet : Brasil 2011. -- São Paulo : Comitê Gestor da Internet no Brasil, 2012. ISBN 978-85-60062-60-7  1. Internet (Rede de computadores) – Leis e legislação – Brasil 2. Observatório Brasileiro de Políticas Digitais 3. Políticas públicas I. Título 12-14693 CDU- 34:004(81)

Índices para catálogo sistemático: 1. Brasil : Internet : Regulação 34:004(81)

Fundação Getúlio Vargas Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 # iobservatório da internet .br observatório brasileiro de políticas digitais Comitê Gestor da Internet no Brasil São Paulo 2012 .

Giovanna Carloni.br Hartmut Glaser – Secretário Executivo Carlinhos Cecconi. Cristine Hoepers (CERT. Secretaria Executiva do CGI. Caroline Burle dos Santos Guimarães ( W3C Brasil). Gabriela Villela da Luz. Klaus Steding-Jessen (CERT.br). Antonio Marcos Moreiras (CEPTRO. Marília Maciel. Pedro Augusto Francisco.br Caroline D’Avo.br Alexandre Barbosa (CETIC.Coordenador editorial Bruno Magrani Pesquisadores responsáveis pela pesquisa e redação deste anuário: CTS-FGV Bruno Magrani.br).br). Eduardo Magrani. Koichi Kameda.br). Luiz Fernando Marrey Moncau. Juliano Cappi e Paula Liebert Cunha Comunicação NIC. CGI. Milton Kaoru Kashiwakura (CEPTRO.br).br / NIC. Marília Monteiro. Everton Teles Rodrigues e Fabiana Araujo Apoio Editorial / DB Comunicação Ltda. Reinaldo Ferraz ( W3C Brasil). Vagner Diniz ( W3C Brasil) e Yasodara Maria Damo Córdova ( W3C Brasil). Ronaldo Lemos e Walter Britto. Revisão: Aloisio Milani e Ângela Guanaiss Projeto Gráfico: Suzana De Bonis Editoração : Maria Luiza De Bonis . Carlos Affonso Pereira de Souza. Danilo Doneda.

.................. 13 # 2 O Marco Civil da Internet ...... 23 2................ 53 4........................... 25 2...................................................................................................1 Privacidade e dados pessoais................... 24 2................ 20 2.................... 23 2.................................... . ..........2............... 51 4........ ..... 19 2...........1 Uma questão de processo...................................................................................................... 51 4...............5 A neutralidade de rede............................ 35 # 3 A regulação da neutralidade de rede .....S UMÁ R IO 5 observatório da internet...................... 33 2............. 37 3..............................2  I niciativas e propostas regulatórias com repercussão no tema da privacidade no Brasil..2................ 46 # 4 Privacidade .........................................1 A regulação da neutralidade no cenário internacional...............br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 # Apresentação......................... ..................... ........... ................................ princípios e objetivos...................2 Propostas de codificação da neutralidade de rede no Brasil.............................. .......................9 # 1 Crimes na Internet: o Projeto de Lei n o 84/99 ..................2...............................6 A atuação do poder público. 53 ..........2............4 A guarda de registros por provedores de Internet..........................................................................................2 Os temas abordados pelo Marco Civil................ .........................2........................................... 41 3.....1 Anteprojeto de lei de dados pessoais...........................1 Fundamentos..........................................2 Direitos e garantias dos usuários............................3 A responsabilidade dos provedores de Internet.....2.........................................2...................................... ......... 35 2...........................................................

.......................2..............2 Um panorama da governança da Internet em 2011........ .........................................................................1 Governança da Internet no plano internacional..............................................6  C ódigo de conduta internacional sobre segurança da informação proposto por China... 90 6.........................3 Lei de acesso à informação pública............................................................................................ 59 #5 A regulação da Internet na reforma da Lei de Direitos Autorais: o Artigo 105-A da proposta .3....... 72 6.............................................7 I Fórum IBAS sobre governança da Internet..4 Estados Unidos e a estratégia internacional para o ciberespaço............................. 70 6............................................................................... 67 6. ......................1 Normas sobre proteção de dados pessoais...............5  Pressões pela implementação do mecanismo de cooperação aprimorada.......8  Proposta indiana de criação de um Comitê na ONU para políticas relacionadas à Internet.2 A privacidade no Marco Civil da Internet.... ............3 A Comissão Europeia e o “Internet Compact”.................................... 79 6...........................................3  I niciativas e propostas regulatórias com repercussão no tema da privacidade no âmbito internacional... ..............br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 S UMÁR I O 4.......... ............................1  Princípios do CGI............. 89 6... 55 4.........5 Discussões sobre princípios no âmbito do G8................................................ Rússia....3................6 observatório da internet.................... ...3....2.......4 Aperfeiçoamento do Fórum de Governança da Internet (IGF)... ..............................................3............3....... 96 ...3  I niciativas voltadas à elaboração de princípios para a governança da Internet.. 74 6.3.......... presente na Agenda de Túnis da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação..... Tadjiquistão e Uzbequistão.................. 91 6.. 61 # 6 Governança da Internet ........................ ............... 67 6.............................. 77 6.................br para a governança e uso da Internet no Brasil .2 Princípios elaborados pelo Conselho da Europa (CoE). 59 4............ 88 6........ 56 4........................................... 68 6................... 70 6..................... ..................... ............

.........1....4.....3 Troca de tráfego – O PTTMetro...................................................................1 Propostas de regulação do tema no Brasil......................................................1 Comércio eletrônico e atualização do CDC...............125 8......................................................3 Regulamentação das compras coletivas em 2011....112 8.......... infraestrutura e arquitetura ......2 Regulamentação do comércio eletrônico em 2011...................................4  O papel do NIC......................3 Nomes de domínio............129 8......4................................ .......................................... ...........118 8..................br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 # 7 Comércio eletrônico..............................134 8...123 8..............br na implementação de soluções técnicas para a Internet no Brasil......................2  R egulamento de gestão de qualidade para Internet fixa e serviço móvel...................4..............................127 8.........6  A s pesquisas e análises do CGI/NIC.....................................................................................4 Medição de qualidade da rede..br/CGI..................102 7.................................1 O esgotamento do IPv4 e o IPv6.....................107 8.....................................................................................................3........126 8.............................. 99 7.........116 8.........................2  A sincronização dos elementos na rede e a Hora Legal Brasileira............................................................128 8....................4..............................145 ............119 8.........br...........................4..........122 8........103 7...................................S UMÁ R IO 7 observatório da internet......................... .................................................................................... 99 7.......4....................2 Gestão do PNBL...........................................................................4............................ ........................109 8..........1 Termos de Compromisso....3.......................................5 CERT.......... .................................................... ........2 O debate internacional........br sobre uso das TIC no Brasil.......................................................................1 O Plano Nacional de Banda Larga .........105 # 8 Acesso.........1....................................107 8..............4 Guerra fiscal no comércio eletrônico............................7 A Web segundo o W3C Brasil.........

...............3 Licenças coletivas......2 Filtragem e bloqueio do acesso à Internet ... ..............................................................br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 S UMÁR I O # 9 Debates relevantes em outros países ........................................3.......................1..................3.........155 9...............2 Espanha.............................170 9...................8 observatório da internet............171 ........ ...................170 9.......155 9....................163 9.155 9..............1 SOPA e PIPA... ........................................................... ..............3.............................................................1..................................................1 Estados Unidos da América........................................................................... ............................................................3 Suíça........................................2 ACTA................................................................. ..1  R esposta graduada ou “three strikes and you’re out” (modelo francês – Hadopi).................................. ............169 9..............166 9.....................................................

br tem sua história construída desde 1995. Referenciamos vínculos em criativos modos que não podíamos prever antes. ou. multilateral.A PR E S E N TAÇ ÃO 9 observatório da internet. Sim. Mas são milhões de domínios depois. Muitos já exerceram seus mandatos em gestões passadas. Desde então só temos expandido para além do que se imaginava na ocasião. Pesquisamos e observamos muitas e várias informações de tanto que sequer sabemos ainda dimensionar o quanto é esse gigantesco tanto de documentos. tal como ficou conhecido mundialmente o modelo de governança em organismos plurais e de múltiplos interesses. multiparticipativa. multistakeholder . e talvez por mais ainda. participativo e colaborativo. interativo. E muitas são as cadeiras ocupadas pelos atuais 21 conselheiros. Tenho bom orgulho em ser partícipe ativo dessa história. e se há mesmo no múltiplo mundo de hoje algo que se pode identificar como plural. intensificamos conversas e discussões para o desenvolvimento de políticas e leis voltadas para essa nova dimensão do viver em sociedade: viver em rede na Internet brasileira. objetos. Nossas conversas pas- . isso é a Internet e a web . Não é muito tempo se considerarmos os nem 20 anos da história do comitê. Somos também muitos outros conselheiros. partilhando sonhos e conquistas com tantos outros que desde a origem por aqui já se somaram tecendo uma rede multissetorial. para usar um vocábulo em inglês. se há algo. representantes de diferentes setores.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 # Apresentação O Comitê Gestor da Internet no Brasil – CGI. Pelo tanto que é. aplicações e serviços acessíveis dos nossos dispositivos de navegação. quando a Internet e a web no Brasil ainda eram dimensionadas em não muitos milhares de domínios e o número de conselheiros no comitê contava-se nos dedos da mão.

Prof.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A PR ESENTAÇÃO saram a ser pautadas pela observação dos princípios. sobre disciplinar princípios e direitos com o Marco Civil da Internet. Essa é a primeira publicação sistematizada do Observatório da Internet Brasileira. pois somos partícipes e construtores desses novos modos em rede. sobre neutralidade da rede. E essa publicação que ora entregamos é o resultado de nossas primeiras observações conjuntas do CGI. a também fazer as suas observações. Observação e análise de forma permanente das principais iniciativas de regulamentação da Internet. Demos o título de Relatório de Política de Internet – Brasil 2011 e discorremos sobre os projetos de leis e os debates que se sucederam no ano de 2011 sobre as tentativas de dispor sobre crimes na Internet. Hartmut Glaser Secretário Executivo do CGI. direitos e deveres dos usos da Internet brasileira. sobre medição de qualidade. Não chega a ser uma feliz coincidência. Nem completamos 20 anos de história do CGI. dos modelos de governança da Internet. sobre banda larga. sobre muitos outros temas. Ainda somos muito novos. A própria leitura convidará a novas análises e investigações. Não será a única. em perfeita hora que nós do CGI. como ficou conhecido. Convido você.br .br e do CTS/FGV. Observação e comparação das propostas internacionais.10 observatório da internet. amigo leitor e internauta.br e ainda há muito a observar. o Observatório da Internet Brasileira.br nos vinculamos em parceria com o Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro (CTS/FGV ) para criarmos juntos o Observatório Brasileiro de Políticas Digitais ou. E foi. Observação e identificação das políticas públicas voltadas para a Internet brasileira. portanto. Mas coincidimos no propósito e reconhecimento da necessária observação.

regulatórias técnicas e de políticas públicas que afetaram a Internet no Brasil durante o ano de 2011. um papel que posicionou o Centro como um dos principais think tanks nesta área. O CTS-FGV foi criado há nove anos com a missão de desenvolver pesquisa interdisciplinar sobre a Internet e a tecnologia digital. o CTS-FGV tem trabalhado em conjunto com o governo brasileiro organizando consultas públicas e elaborando análises sobre leis para regular a Internet. instituições e governos no processo de discussão da regulação da Internet no Brasil. O relatório conta a história da regulação da Internet no Brasil em um dos anos mais ativos. ou simplesmente Observatório da Internet. Bruno Magrani. Dessa maneira. Esse relatório reflete o trabalho de vários pesquisadores que dedicaram incontáveis horas do seu tempo escrevendo sobre um momento único para a política de Internet no Brasil. ativistas e indivíduos que realmente se importam com o futuro da sua liberdade na rede.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A equipe do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getulio Vargas tem o prazer de apresentar o “Relatório de Políticas de Internet – Brasil 2011”. Ao longo destes anos. que criou o Observatório Brasileiro de Políticas Digitais.A PR E S E N TAÇ ÃO 11 observatório da internet. Mais do que isso.br. o CTS-FGV tem colaborado com diversos indivíduos. produzindo conhecimento para auxiliar no desenvolvimento institucional. sejam eles universidades. que envolveu diversos participantes. Uma história que temos a alegria de compartilhar com vocês. Este é o primeiro relatório compreensivo elaborado no Brasil que analisa algumas das mais relevantes propostas legislativas. tais como o Marco Civil da Internet a o anteprojeto de lei para proteção da privacidade e dos dados pessoais. como ficou conhecido. ele mostra um processo altamente democrático de discussão da regulação da Internet no país. Carlos Affonso e Ronaldo Lemos Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getulio Vargas . O documento é fruto de uma parceria entre o CTS-FGV e o Comitê Gestor da Internet do Brasil – CGI. social e cultural da Internet no Brasil. econômico. empresas.

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impulsionado especialmente pela bandeira do combate à pedofilia e à pornografia infantil. com a aceleração súbita em seu processo de tramitação. o projeto também criava obrigações de vigilância e ampliava os poderes de investigação da polícia de forma demasia- 1 1 Disponível em: <http://www. 2 . O nome “Lei Azeredo” deve-se ao seu principal defensor. Ao longo das duas últimas décadas. tornou-se um divisor de águas na regulação da Internet no Brasil.camara.C R I M E S N A I N T E R N E T: O P R O J E TO D E L E I N º 84/ 99 13 observatório da internet. que também ficou conhecido como “Lei Azeredo” 2.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 Crimes na Internet: # o Projeto de Lei n 84/99 o Um ponto de partida apropriado à análise da regulação da Internet no Brasil é o Projeto de Lei n o 84 de 1999. O próprio PL 84/99 foi resultado. usaremos os termos “PL 84/99”. É interessante notar que esse projeto não foi o primeiro nem o único a prever a tipificação de crimes na Internet.gov. Acesso em 3 de maio de 2012. O que diferenciou esse projeto dos demais – e que causou grande mobilização popular ao seu redor – foi a conjugação da criminalização excessiva de condutas tidas como cotidianas. vários prevendo a criação de tipos penais. “PL” e “Lei Azeredo” para fazer referência ao Projeto de Lei no 84 de 1999. para disciplinar crimes cometidos pela Internet. na verdade. o projeto.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=15028>. o deputado federal Eduardo Azeredo do PSDB de Minas Gerais. Ao longo deste capítulo. banais ou indispensáveis à inovação na rede. Além de criar novos crimes para a Internet. diversos Projetos de Lei foram propostos para regular condutas na Internet. 1 Proposto pelo deputado Luiz Piauhylino. quando gerou uma mobilização social sobre questões de Internet sem precedentes no país. do desarquivamento de versão modificada de um projeto de lei anterior proposto em 1996.

traçavam obrigações de vigilância por parte dos provedores de acesso e de conteúdo e obrigações de disponibilização de dados independentemente de ordem judicial. 4 . Essas obrigações representam uma ameaça à garantia de direitos fundamentais dos usuários. Disponível em: <http:// bibliotecadigital. em uma cidade que tem rede aberta. Além disso. 22. por exemplo. mas isso é um AI-5 digital”. Estudo do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas identificou diversos problemas com relação ao projeto de lei. disseminação de vírus. que é fundamental ao processo de aprendizado e de inovação tecnológica (art. criminalizava o acesso não autorizado a um sistema informatizado – tipo que por si inviabilizaria a engenharia reversa. Era a época do aniversário do AI-5 (o Ato Institucional no 5 completou 40 anos em 13 de dezembro de 2008) e eu comentava que. por exemplo. tem-se um Estado de exceção.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 C R I M E S N A I N T E R N E T: O P R O J E TO D E L E I N º 84/99 da. p. em referência ao decreto da época da ditadura militar que suspendeu as garantias constitucionais. Disponível em: <http://bit. Acesso em 16 de julho de 2012. LEMOS. 285-A). redação fruto de má técnica legislativa. programas de inclusão digital. a redação do PL 84/99 apresentava problemas com relação à sua abrangência e imprecisão.. e o gestor da rede vai ser responsabilizado. Seus dispositivos. Comentários e Sugestões sobre o substitutivo do Projeto de Lei de Crimes Eletrônicos (PL no 84/99) apresentado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.fgv. 4 No que tange à abrangência. Permi- 3 Paulo Rená cita entrevista em que Sergio Amadeu descreve a origem do nome AI-5 Digital: “Dois jovens vieram me entrevistar para o IG e o que estava filmando falou “poxa. O Direito Achado na Rede. os quais expomos de forma resumida a seguir. E serão criadas dificuldades para telecentros. afirma que todo mundo é suspeito. mais do que tipificarem condutas criminais. Paulo Rená.. Quando você fala que tem que colher e guardar dados de todo mundo. De modo geral. III).” SANTARÉM. O PL 84/99. ainda que fosse importante coibir a prática de crimes como a pedofilia. criava também o dever do provedor informar à autoridade policial de maneira sigilosa sempre que tivesse a suspeita da prática de um crime (art.81. a imprecisão da redação dos artigos.14 observatório da internet. impunha aos provedores de serviço de Internet e aos provedores de conexão a obrigação de guardar os registros de conexão e de acesso dos usuários pelo prazo de três anos (art. Ronaldo et al. Acesso em 18 de julho de 2012. por exemplo. que podiam gerar efeitos colaterais graves. dentre outras práticas aviltantes no âmbito da rede mundial de computadores. os direitos à privacidade e ao devido processo legal. Você vai em um café. a intenção do projeto de criminalizar somente condutas graves no âmbito da rede foi extrapolada.br/dspace/handle/10438/7719>. Adicionalmente. quando se transforma exceção em regra e todo mundo passa a ser considerado culpado até que se prove a inocência. Ninguém vai querer abrir a rede. ao tratar conceitos relacionados à proteção de dados pessoais com pouco rigor técnico.ly/dissertacaoprenass>. 22. corrobora para aumentar ainda mais essa ameaça aos direitos fundamentais. Além disso. fato que levou alguns ativistas a denominar o projeto como “AI-5 Digital” 3. I). como.

um país precisa contar com regras expressas sobre os limites à responsabilidade dos atores. sua aprovação traria riscos consideráveis ao desenvolvimento pleno da Internet no Brasil. Esse deve definir claramente as regras e responsabilidades com relação a usuários. O direito criminal deve ser visto como última ratio. É preciso ter especial atenção para que a legislação criminal a ser adotada não seja excessivamente ampla ou vaga. bem como por análises de casos internacionais. Por esse motivo. sob pena de se elevar o custo de investimento no setor e desestimular a criação de iniciativas privadas. etc.C R I M E S N A I N T E R N E T: O P R O J E TO D E L E I N º 84/ 99 15 observatório da internet. Esses riscos se traduzem tanto em um desincentivo à existência de um ambiente propício à inovação. As críticas feitas ao PL 84/99 apontaram ainda que. o legislador precisa ser cauteloso ao regulamentar a questão. A excessiva indefinição de termos criminais gera incertezas. permitindo segurança e previsibilidade nas iniciativas feitas na rede (tais como investimentos. para que. que evitam abusos – o que não é visto no projeto em questão. é. Essa percepção foi amplamente demonstrada pelos vários agentes envolvidos na discussão da regulação da Internet no país. públicas e empresariais na área. o estabelecimento de um marco regulatório civil. bancos de dados. estabelecendo a precisão necessária para garantir os objetivos da lei.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 te ainda que condutas triviais e cotidianas entre usuários da rede mundial de computadores encontrem-se abrangidas pelo tipo penal prescrito pelo projeto. seguido por todos os países desenvolvidos. mas sem extrapolar limites ou basear-se em conceitos demasiadamente amplos.). adotado quando todas as demais formas de regulação falham. isto é. podendo levar à criminalização potencial de condutas de um grande número de usuários. no qual os agentes empreendedores contam com previsibilidade jurídica e lidam com regras civis claras e preestabelecidas. manutenção de arquivos. deve necessariamente contar com os essenciais freios e contrapesos. inclusive a guarda de informações dos usuários. sejam estabelecidas as regras criminais. Além disso. especialmente para regular um assunto complexo que demanda definições técnicas prévias. o último recurso. empresas e demais instituições no que diz respeito ao acesso à rede. primeiro. como também por representar uma ameaça à garantia de direitos fundamentais dos usuários. as quais ainda não foram pensadas legislativamente no país. considerando o contexto atual da legislação nacional e a redação do projeto. que em sua maioria são consideradas legais no ordenamento ou que são reguladas simplesmente como ilícitos civis em função do seu menor potencial ofensivo. Para incentivar a inovação. As regras penais devem ser criadas apenas quando as regras civis se mostrarem insuficientes. como é o caso do projeto de lei em questão. os quais rechaçaram o PL 84/99. . deixando claro que o caminho natural de regulamentação da rede. qualquer medida de regulação que autorize o monitoramento de atividades on-line. a partir daí.

impossibilitando a garantia da pessoa em várias si- 5 DONEDA. mesmo depois de passar pela análise em diversas casas do governo (dentre elas o Ministério da Justiça. o Departamento de Polícia Federal. o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República. não se pode tratar o texto da convenção como referência para balizar a legislação pátria. impossibilita-se a tutela diferenciada para os dados sensíveis. Disponível em: <http://observatoriodainternet. Danilo. “sensíveis”) de forma excessivamente abrangente. Se tentarmos harmonizar nossa legislação com essa convenção que sequer foi aprovada pelo governo brasileiro. Os países que se comprometeram com essa convenção são. quando trata da obtenção de dados cadastrais por Autoridade Policial junto aos provedores de acesso e conteúdo. que seriam equiparados aos demais dados pessoais (e. que deve ser preservada e diferenciada para possibilitar uma proteção específica para questões mais delicadas (e. sem a participação do Brasil. . Foi aprovada em 23 de novembro de 2001. países que já cumpriram a tarefa de regulamentar a Internet do ponto de vista civil e. sem antes regulamentar técnica e civilmente a Internet no país. principalmente do Leste Europeu e parte da Europa Central. análise feita por Danilo Doneda demonstrou que a incomunicabilidade entre dados cadastrais e dados sensíveis estabelecida pelo projeto. que consideraram a adequação do texto proposto à luz do ordenamento nacional. No que diz respeito ao tema da proteção dos dados pessoais. foi criada no âmbito do Conselho Europeu visando estabelecer padrões de combate ao crime on-line . consequentemente. para compreender todo e qualquer dado pessoal que não seja de natureza cadastral. também denominada Convenção do Cybercrime . Dessa forma. e entrou em vigor apenas em 2004. Ainda que aberta para adesão de qualquer país do mundo. principalmente. O texto nunca foi aprovado pelo Brasil.16 observatório da internet. somente depois disso. Novo texto do PL sobre crimes cibernéticos embaralha conceitos de proteção de dados. Essa convenção. até hoje o texto foi ratificado por apenas mais 25 países. estabeleceram parâmetros criminais para a rede. corremos o risco de seguir a via inversa: criando primeiro punições criminais.br/novo-texto-do-pl-sobre-crimes-ciberneticos>. “O relator do substitutivo utilizou esta categoria (dados sensíveis). gera dois problemas: 5 1. o Ministério de Ciência e Tecnologia e o Ministério das Relações Exteriores).br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 C R I M E S N A I N T E R N E T: O P R O J E TO D E L E I N º 84/99 Uma das principais justificativas utilizadas pelos defensores da aprovação do PL 84/99 foi a suposta necessidade de harmonização da legislação brasileira com a Convenção de Budapeste. depois da ratificação de somente cinco países. Portanto. portanto. Acesso em 20 de julho de 2012.

O segundo é um problema de fundo: a tentativa de associar garantias de proteção a dados pessoais somente aos dados sensíveis é um discurso que. dessa forma. BRASIL. como com as normativas internacionais a este respeito. Pela sua participação no movimento de oposição ao PL 84/99. nos dedicaremos a duas das principais propostas legislativas que surgiram a partir desse movimento: O Marco Civil da Internet9 e a Lei de Proteção aos Dados Pessoais. Acesso em 1o de junho de 2012. 2. 6 Um ótimo relato da mobilização social realizado em função do PL 84/99 pode ser encontrado em SANTARÉM.org/eng/>. A reação ao projeto de crimes na Internet.gov. O Direito Achado na Rede: A Emergência do Acesso à Internet como Direito Fundamental no Brasil. Projeto de Lei no 2.6 Assim.wordpress.camara. que reuniu mais de 160 mil assinaturas solicitando a rejeição do projeto pelo Senado Federal. apresenta o grave risco de tornar praticamente inócuas também as demais garantias relacionadas à proteção de dados pessoais. além de ser impossível de ser conciliado com os direitos fundamentais em questão. Disponível em: <http://www. Um dos exemplos mais claros do amplo engajamento social em reação ao PL pode ser visto na petição on-line intitulada “Em Defesa da Liberdade e do Progresso do Conhecimento na Internet Brasileira” 7. Acesso em 10 de julho de 2012. que organizou diversas atividades de mobilização na Internet e fora dela contra o PL 84/99. Rascunha-se. o movimento Mega Não! recebeu o prêmio Frida. eventualmente. Acesso em 12 de julho de 2012.html>.com/doc/41537075/Dissertacao-O-DireitoAchado-na-Rede>. enquanto a existência do PL 84/99 em si era potencialmente danosa. uma normativa impossível de se harmonizar com as tendências internacionais em matéria de proteção de dados pessoais. Outro exemplo da participação popular materializou-se no movimento Mega Não! 8. Acesso em 12 de julho de 2012. criou uma rede de ativismo digital e participação popular no processo de regulação da Internet brasileira que conseguiu não só reverter o avanço da sua tramitação no Congresso.” Esse cenário de ameaças a liberdades básicas dos indivíduos e instauração de um sistema de vigilância na Internet gerou muitas críticas da sociedade ao projeto de lei.C R I M E S N A I N T E R N E T: O P R O J E TO D E L E I N º 84/ 99 17 observatório da internet. Disponível em: <http://www.com/veto2008/petition. 9 . a reação a ele teve o mérito de reunir em torno de uma causa comum sociedade civil. indústria e outros. Acesso em 1o de julho de 2012.petitiononline. Nos capítulos a seguir. dessa forma. concedido pelo Internet Governance Forum. Disponível em: <http://www.com/>. resultando em intensa mobilização social. vem à tona nas discussões sobre a matéria no Brasil e que. 7 8 Disponível em: <http://meganao. Mais informações em: <http://premiofrida.126/2011. academia.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 tuações de ofensa a seus direitos fundamentais).br/proposicoesWeb/ficha detramitacao?idProposicao=517255>. mas também deu ensejo à criação de importantes iniciativas legislativas para garantir a liberdade na rede e a proteção dos direitos dos usuários.scribd. Paulo Rená da Silva.

gov. Em novembro de 2011. Durante essa audiência. Disponível em: <http://bibliotecadigital. podemos destacar a realização de duas audiências públicas ocorridas em 2011.fgv. como o PL 84/99 fazia. A primeira 10. Acesso em 1o de julho de 2012.camara. foi promovida pelas comissões de Ciência e Tecnologia. Ele também eliminou a disciplina da guarda de registros de usuários (que foi deixada para o Marco Civil da Internet) e reduziu as penas para cada crime. contou com convidados de diversos segmentos da sociedade civil e da academia para discutir alternativas à redação do projeto e dos PLs apensados.gov.br/dspace/bitstream/handle/10438/7719/coment%C3%A1rios%20 ao%20substitutivo%20PL%2088-99.-PARTICIPE. Dessa forma. 10 Disponível em: <http://www2. A segunda audiência 11. o novo projeto restringiu substancialmente a criação de novos crimes.tv/everton137/debate-sobre-crimespraticados-por-meio-da-internet-no-brasil-incompleto-1472007>. deixar o restante da regulação da rede para o Marco Civil da Internet. de Diretos Humanos e Minorias e de Segurança Pública e Combate ao Crime organizado. Disponível em: <http://www. Acesso em 3 de março de 2012. em conjunto com outros deputados.pdf?sequence=1>. realizada em julho. A audiência foi transmitida na web e acompanhada através do Twitter sob os hashtags #cibercrimes. Comunicação e Informática. Acesso em 01 de julho de 2012.camara.html>.793/2011 12. o deputado Paulo Teixeira. 13 A estratégia consistia em aprovar um projeto de lei que contivesse o mínimo necessário para coibir práticas graves cometidas através da Internet e. redatores do PL 2. #AI5Digital e #MegaNão.18 observatório da internet.br/agencia/noticias/CIENCIA-E-TECNOLOGIA/199848-AUDIENCIADISCUTE-PROJETO-SOBRE-CRIMES-NA-INTERNET. representantes do movimento Mega Não! entregaram ao deputado Eduardo Azeredo a petição mencionada. assim.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 C R I M E S N A I N T E R N E T: O P R O J E TO D E L E I N º 84/99 Dentre os desenvolvimentos mais recentes do projeto. 11 12 13 . bem como delimitou a tipificação desses crimes para abordar as condutas absolutamente indispensáveis – e não condutas cotidianas e banais. do Partido dos Trabalhadores de São Paulo. Manuela D’Ávila (PCdoB-RS) e João Arruda (PMDB-PR). O deputado Paulo Teixeira. que também dispunha sobre a tipificação criminal de delitos informáticos. Acesso em 01 de julho de 2012.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=529011>. como parte de uma estratégia política para impedir a aprovação do PL 84/99. propôs o PL 2. bem como os deputados Luiza Erundina (PSB-SP). apoiam abertamente o Marco Civil da Internet.793/2011. Alguns vídeos da audiência podem ser vistos em: <http://blip. mas que o fazia de acordo com sugestões feitas em estudo elaborado pelo Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV Direito Rio. realizada em novembro.

Disponível em: <http://congressoemfoco. Sua criação está diretamente relacionada à mobilização social que se formou em torno do PL 84/99 e pode ser remontada a um dos principais argumentos utilizados para impedir o avanço desse projeto. 15 Com esse propósito.O MARCO CIVIL DA INTERNE T 19 observatório da internet. que está disponível em: <http://www.com. Disponível em: <http://tecnologia.br/ultnot/2007/05/22/ult4213u98. Internet Brasileira Precisa de Marco Regulatório Civil.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 # O Marco Civil da Internet O Marco Civil da Internet 14 é a principal iniciativa de regulação da Internet em tramitação no Congresso Nacional brasileiro.126 de 2011.com.gov.gov.camara. Acesso em 15 de julho de 2012. contando com amplo apoio popular 2 14 BRASIL.br/regulamentacao/ resolucao2009-003. BRASIL.cgi. o qual tinha como objetivo primordial a instituição de regras criminais para o controle da Internet: a necessidade de realização de uma regulamentação civil prévia que permitisse disciplinar direitos e liberdades dos cidadãos. Projeto de Lei 2. a iniciativa de propor um “Marco Civil para a Internet brasileira”.camara. o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.jhtm>. Disponível em: <http://www. faremos referência a esta proposta de regulação da Internet no Brasil como Marco Civil da Internet ou simplesmente como Marco Civil. LEMOS.asp?cod_canal=1&cod_publicacao=30724>.16 Nesse contexto. Resolução 2009-003. lançou durante o X Fórum Internacional do Software Livre (FISL). Acesso em 21 de maio de 2012.br/proposicoesWeb/ficha detramitacao?idProposicao=517255>. A versão do Projeto de Lei utilizada para a realização das análises presentes neste item é aquela apresentada pelo governo federal ao Congresso Nacional. Disponível em: <http://www. uol.br/proposicoesWeb/fichadetramit acao?idProposicao=517255>.uol. Ronaldo. 15 16 17 . em 2009. atendendo às demandas da sociedade civil. Comitê Gestor da Internet. inspirado nos Princípios para a Governança e Uso da Internet.br/noticia. Acesso em 1o de junho de 2012.htm>. Acesso em 12 de julho de 2012. publicado pelo Comitê Gestor da Internet 17. Acesso em 17 de julho de 2012. Neste texto.

Estes princípios. que enfoca a inovação promovida pelo processo de consulta. utilizando-se de ferramentas disponíveis na própria Internet.20 observatório da internet. discussão e participação popular. Nesse sentido. tramitava na Câmara dos Deputados sob o número 2. Projeto de Lei 5. foi submetido à apreciação da sociedade um texto que continha princípios gerais para a regulação da rede. por meio da rede. analisaremos essa proposta de regulação em seus dois principais aspectos: (a) o procedimental. conhecida como WordPress 19.camara. Disponível em: <http://www2. Através da adaptação de uma plataforma para criação de blogs . até o fim de 2011. tais como responsabilidade de provedores de Internet.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-temporarias/ especiais/54a-legislatura/pl-2126-11-principios-do-uso-da-Internet>.126 de 2011. 19 20 . na redação do Marco Civil. guarda de registros de sites.1 Uma questão de processo Uma proposta de anteprojeto de lei para regular a Internet só poderia ser construída na própria rede.403/01. que elencava “Princípios para 18 BRASIL. o anteprojeto foi finalizado e apresentado ao Congresso Nacional e. Disponível em: <http://culturadigital.gov. Princípios do uso da Internet — Portal da Câmara dos Deputados. por sua vez. Depois de ampla discussão envolvendo diversos setores da sociedade.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 O MARCO CIVIL DA INTERNE T e de acordo com orientações do governo. Disponível em: <http://wordpress. uma das principais inovações promovidas pelo Marco Civil foi exatamente o seu processo descentralizado e aberto de discussão com a sociedade. em parceria com o Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getulio Vargas (CTS-FGV ). deu início a um processo aberto e colaborativo de discussão on-line de um anteprojeto de lei para criar uma lei básica para a Internet brasileira. que abordará os principais temas tratados no Anteprojeto. 20 O processo de consulta pública foi dividido em duas fases. foram fortemente inspirados por uma resolução publicada pelo Comitê Gestor da Internet. e (b) o substantivo. dentre outros de relevância para o ambiente digital e seus usuários. Acesso em 18 de junho de 2012. Na primeira.com/>. 2. Acesso em 21 de maio de 2012. a Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça (SAL-MJ ).br/marcocivil/>. Acesso em 27 de julho de 2012. 18 Neste item. que teve início em outubro de 2009 e durou pouco mais de 45 dias. foi possível implementar um sistema para receber sugestões e comentários no site Cultura Digital.

21 Disponível em: <http://www. Além de indivíduos e organizações da sociedade civil. que. porém. somente após a decisão de um juiz os provedores ou equivalentes seriam obrigados  a remover conteúdos publicados por terceiros. tweets . o que aumentou a diversidade de opiniões e. mais 45 dias. Assim. ou seja. por consequência. . como evidência de que o debate era de fato aberto e colaborativo. também conhecida como o decálogo do CGI. Acesso em 13 de junho de 2012.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 a Governança e Uso da Internet no Brasil”. tais como comentários em blogs .br/regulamentacao/resolucao2009-003. teria como condição a adoção voluntária de um mecanismo de resposta a notificações extrajudiciais – tanto daquele que se sentisse prejudicado quanto daquele que desejasse. fóruns de discussão ou vídeos postados pelos usuários.200 comentários ao texto. Atendendo a pedidos diversos.br. A referida isenção. em particular sobre os eventuais riscos a direitos constitucionalmente garantidos. foram recebidos mais de 800 comentários. Durante essa primeira fase de consulta. tanto nacionais como estrangeiras. participaram também empresas e associações ligadas à indústria cultural e de tecnologia. sistematizados. Na última fase. uma nova redação foi elaborada a partir das diversas contribuições recebidas. como a liberdade de expressão. A responsabilidade dos provedores de serviços de Internet por conteúdos publicados por terceiros ficou condicionada ao recebimento e ao descumprimento de ordem judicial específica. Um balanço parcial do debate realizado na metade da segunda fase mostrou que até aquele momento os tópicos mais debatidos diziam respeito à proposta de um mecanismo voluntário que garantisse aos provedores de serviços de Internet a isenção de responsabilidade quanto a conteúdo publicado por terceiros.htm>. a legitimidade do processo. essa segunda etapa foi prorrogada por uma semana e encerrou-se no dia 30 de maio de 2010. houve aproximadamente 1. garantir a permanência de seu conteúdo publicado. 21 Os participantes poderiam detalhar esses princípios e propor novos temas a serem abarcados em uma futura legislação. variadas manifestações apontaram as dificuldades de implementação de um mecanismo dessa natureza. identificando-se. No entanto. inicialmente.cgi.O MARCO CIVIL DA INTERNE T 21 observatório da internet. traduziram-se no texto do anteprojeto posto em consulta pública na plataforma on-line por.

o processo de audiências públicas e as discussões centralizadas nos corredores e gabinetes dos deputados em Brasília valoriza a atuação de empresas e grupos de interesse que têm os recursos para participar dessas reuniões presenciais. o processo de debate público do Marco Civil aproveitou a atividade intensa em outros canais da rede. por sua vez. O Marco Civil radicalizou a natureza democrática do processo legislativo. Tal medida reforçou o aspecto transparente e aberto do debate. é importante perceber que alterações fatalmente serão realizadas no texto apresentado ao Congresso Nacional durante a sua tramitação nas casas legislativas. Muitas entidades. bem como alguns indivíduos. organizados pela equipe da SAL-MJ ou de forma independente. empresas e organizações. compilar todos os comentários. identificar as opiniões prevalecentes e fazer as alterações porventura devidas para finalmente apresentar à comunidade o texto que foi encaminhado ao Congresso Nacional. Longe de ser um desvirtuamento da natureza da iniciativa. ajuda a reequilibrar essa equação. durante o período da consulta. Tais encontros serviam de fomento ao debate e foram essenciais para a divulgação do Marco Civil. Adicionalmente. Ao abrir a possibilidade de qualquer pessoa participar da discussão sobre um futuro anteprojeto de lei. enviaram suas contribuições através do e-mail de contato do processo. Uma busca pela hashtag #marcocivil ofereceu. como as manifestações feitas em blogs e no Twitter. Os debates presenciais. em sua maioria extensos porque analisavam toda a minuta sob consulta. Além disso. Esses documentos. aumentando a participação de setores da sociedade que de outra forma seriam subrepresentados. o fato de se fazer chegar ao Congresso um texto construído durante meses através de comentários realizados na Internet deposita sobre os legisladores a tarefa de . tiveram um papel importantíssimo. a iniciativa rompeu com o conceito de audiências públicas presenciais como o principal momento em que se dá voz aos interessados no processo legislativo. reunindo representantes da SAL-MJ e do CTS/FGV.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 O MARCO CIVIL DA INTERNE T Além dos comentários na plataforma de discussão on-line . foram submetidos ao público e abertos também à discussão na plataforma on-line . O processo realizado por meio da Internet. bem como as audiências públicas realizadas ao longo das duas fases do processo. coube à equipe do Marco Civil. um bom termômetro da intensidade da participação. Com o término do debate público. em vários pontos do país. Em vez de declarar uma suposta obsolescência desses encontros. a plataforma on-line terminou por complementar a experiência de debates presenciais oferecida pela audiência pública.22 observatório da internet.

( V ) neutralidade de rede.1 Fundamentos. mas sim de toda uma coletividade. estabelece. a abertura e a colaboração. (IV ) guarda de registros por provedores de Internet.2. também – e talvez especialmente –. o Marco Civil é eminentemente principiológico. governantes. como lei eminentemente principiológica e seguindo a estrutura da Constituição Federal. ( VI) a atuação do Poder Público. uma questão de princípio. pois o texto que resultar do Marco Civil certamente será divulgado amplamente na rede e discutido nos mais diversos fóruns e redes sociais. como. magistrados. São eles: o reconhecimento da escala mundial da rede. (III) responsabilidades dos provedores. 2. analisaremos brevemente cada uma delas. de início. Abaixo. 2. e a livre concorrência e a defesa do consumidor. Essas três camadas constituem os pilares que servirão como base ao processo de interpretação e aplicação tanto do próprio Marco Civil e das futuras legislações para a Internet.O MARCO CIVIL DA INTERNE T 23 observatório da internet. os direitos humanos e o exercício da cidadania em meios digitais. além de estudantes e pesquisadores de temas ligados ao desenvolvimento da rede. princípios e objetivos. os fundamentos. princípios e objetivos da disciplina da Internet no Brasil. das futuras situações para as quais não haja previsão legal específica. os parâmetros. as pautas que serão detalhadas e desenvolvidas no futuro por legisladores. a pluralidade e a diversidade. (II) direitos e garantias dos usuários. no processo do Marco Civil. Por isso. princípios e objetivos O Marco Civil. Esse princípio nasce na crença de que a melhor regulação da rede é aquela que se inicia na própria rede e que tem como ponto de partida a afirmação de direitos fundamentais.2 Os temas abordados pelo Marco Civil No que toca à substância. . podemos dividir o Marco Civil em seis partes principais: (I) fundamentos. Também existe. a livre iniciativa. O primeiro pilar é constituído pelos fundamentos da disciplina da Internet.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 aperfeiçoar algo que não surgiu da inteligência isolada de um gabinete. ao legislador que for propor alterações no Marco Civil são lançados um desafio e uma revelação: o desafio de melhorar o produto de muitos e a certeza de que suas modificações não passarão despercebidas. O amplo grau de transparência nos debates do Marco Civil cria naturalmente marcas de revisão sobre qualquer trabalho legislativo futuro. Ele busca traçar as diretrizes. Dessa forma.

a preservação da estabilidade. consiste em uma proposta de lei para tentar coibir o download ilegal de músicas . e. comunicação e manifestação de pensamento.2. a preservação e garantia da neutralidade da rede. como visto nos incisos desse artigo. Em seguida. o que resulta na garantia da inviolabilidade e sigilo das comunicações via Internet. nos termos da Constituição.126/11. o acesso à Internet é tido como essencial para o exercício da cidadania. A garantia da não suspensão do serviço de conexão à Internet. ao conhecimento e à participação na vida cultural e na condução dos assuntos públicos.2 Direitos e garantias dos usuários Além destes princípios gerais que perpassam toda a lógica interpretativa do Marco Civil. por meio de medidas compatíveis com os padrões internacionais e pelo estímulo ao uso de boas práticas. finalmente. a proteção aos dados pessoais. 2. o projeto de lei reservou um capítulo específico para dispor sobre os direitos e garantias dos usuários. visa impedir que modelos ultrarrestritivos de combate à violação de direitos autorais. a responsabilização dos agentes de acordo com suas atividades nos termos da lei. quais sejam: a promoção do direito de acesso à Internet a todos os cidadãos. a promoção da inovação e fomento à ampla difusão de novas tecnologias e modelos de uso e acesso. esse os reforça ao garantir a liberdade de expressão e privacidade nas comunicações. Enquanto aqueles asseguram a consonância do texto com relação aos valores contidos na Constituição Federal. como a lei Hadopi ( Haut Autorité pour La Diffusion des Oeuvres et la Protection des droits sur Internet ) na França.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 O MARCO CIVIL DA INTERNE T O segundo pilar é composto por princípios gerais para a Internet. a preservação da natureza participativa da rede. No art. da não suspensão da conexão e da manutenção da qualidade contratada.24 observatório da internet. e a promoção da adesão a padrões tecnológicos abertos que permitam a comunicação. sejam implementados no Brasil. segurança e funcionalidade da rede. a acessibilidade e a interoperabilidade entre aplicações e bases de dados. salvo pelo não pagamento do serviço. que incluem: a garantia da liberdade de expressão. a promoção do acesso à informação. a proteção da privacidade. O modelo francês de suspensão da conexão decorrente de violação a direito autoral. 7 o do PL 2. o Marco Civil estabelece os objetivos que devem ser levados em consideração na disciplina da Internet. conhecido como “resposta gradual” ou “ Three Strikes Law ”.

como tal. Acesso em 1o de junho de 2012. gozam de posição privilegiada que lhes dá grande poder 22 Para mais informações sobre a tecnologia peer-to-peer. mas antes é importante entender por que os provedores de Internet são um alvo natural das autoridades governamentais quando se trata do controle de informações e investigações na rede.jsessionid=44FCC56BE74A4FAB1E45C36 8440683DB. além de pena de multa e da possibilidade de ser obrigado a continuar pagando pelo serviço do provedor.jsessionid=44FCC56BE74A4FAB1E45C36 8440683DB. Disponível em: <http://legifrance. após uma suspeita de violação de direitos autorais comunicada ao órgão administrativo Hadopi. Vale lembrar novamente que o referido dispositivo do Marco Civil faz uma exceção tão somente para casos de suspensão decorrentes do não pagamento do serviço. A importância da regulação desse tema está diretamente relacionada aos dois valores que ele visa proteger. Analisaremos como a responsabilidade de provedores afeta cada um destes dois temas.wikipedia.fr/affichCodeArticle.tpdjo16v_3?cidTexte=LEGITEXT000006069414&idArticle=LEGIARTI000021212156&dateText e=20120518&categorieLien=id#LEGIARTI000021212156>. que dispõe de forma contrária.gouv. se persistir. 23 24 O Marco Civil pretende. o usuário recebe uma notificação formal do órgão e.do. Acesso em 1o de junho de 2012. Disponível em: <http://legifrance. portanto.gouv. afastando-se acertadamente da iniciativa francesa. 23 24 .2. 22 A lei prevê que sejam dados três avisos antes de apenar o infrator com a suspensão de seu acesso à Internet.fr/affichCodeArticle. evidenciar a importância do acesso à Internet e impedir que procedam a sua suspensão sumária. Caso não remova o conteúdo.do. 2.3 A responsabilidade dos provedores de Internet Um dos pontos centrais do Marco Civil é a regulação da responsabilidade dos provedores.tpdjo16v_3?cidTexte=LEGITEXT000006069414&idArticle=LEGIARTI000021212151&dateText e=20120518&categorieLien=id#LEGIARTI000021212151>.O MARCO CIVIL DA INTERNE T 25 observatório da internet.org/wiki/Peer-to-peer>.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 e vídeos veiculados em redes peer-to-peer . o usuário pode ser punido por meio da proibição de contratar qualquer provedor de acesso pelo prazo de até um ano. Caso a violação seja confirmada. quais sejam: a garantia de liberdades na rede e o fomento à inovação. ainda que com o acesso cancelado. Provedores são intermediários no processo de comunicação entre os usuários da Internet e. O primeiro passo. veja: <http://en. tem sua conexão suspensa enquanto o processo é analisado pelo Ministério Público. Acesso em 12 de junho de 2012. é dar ciência ao usuário de que está potencialmente violando direitos alheios.

ssrn. segundo o Marco Civil. Assim. que possui os registros de acesso dos seus assinantes. por exemplo. possibilita aos provedores restringir. agentes que têm o poder fático de interferir (auxiliando ou prejudicando) no que trafega por suas redes. há diversas dificuldades para a localização de um usuário. monitorar ou bloquear informações. por sua vez. Acesso em 12 de junho de 2012. se o usuário utilizou um proxy ou outra tecnologia de anonimização. O Código Civil estabelece. Esse endereço é a primeira parte da informação necessária para se chegar até o usuário final. categorizando-os em provedores de aplicações (serviços on-line ) e provedores de conexão (ou acesso) – separação essa que adequa as responsabilidades às funções que cada um desempenha de fato. 2. é um provedor de aplicações – o usuário deixa registrado seu endereço IP.com/sol3/papers. A segunda parte consiste em saber qual usuário estava utilizando aquele endereço IP no exato momento em que a informação foi publicada. Isso. Os provedores também são peças-chave para a identificação dos usuários na rede. ao publicar uma informação em uma rede social – que.26 observatório da internet. Tanto provedores de serviço ou aplicações quanto provedores de acesso são necessários para a localização de um usuário na Internet. O Marco Civil adotou uma separação funcional entre os provedores de Internet. só é possível através do provedor de conexão à Internet. v. Disponível em: <http://papers. 253. Ainda assim. p. como a inspeção de pacotes de dados ou o uso de filtros. . o emprego de técnicas.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 O MARCO CIVIL DA INTERNE T de fato (ainda que não necessariamente de direito) sobre o que trafega em suas redes.cfm?abstract_id=905862>. 2006. por um lado. o que pode acontecer. Assim. É nesse sentido que várias ações no Poder Judiciário brasileiro têm se valido da chamada responsabilização de terceiros. por exemplo. 25 ZITTRAIN. n. A History of On-line Gatekeeping. essas informações permitirão encontrar um dispositivo (computador/cliente) que não necessariamente identificará o indivíduo que efetivamente publicou a informação. Harvard Journal of Law and Technology. por exemplo. se o acesso foi feito a partir do computador de terceiros ou se foi feito a partir de um local de acesso público. destinatários e remetentes do processo de comunicação na Internet. atraindo para si a atenção das partes que sofreram eventuais danos. O instituto da responsabilização de terceiros é utilizado em diversas outras áreas do ordenamento jurídico brasileiro. 19. Alguns autores têm denominado esses provedores como on-line gatekeepers 25. por outro os provedores de serviço que hospedam as informações tidas como infringentes são facilmente localizáveis. Jonathan. Se. ou seja.

Lei 8. pelos pupilos e curatelados que se acharem nas mesmas condições.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 algumas hipóteses em que terceiros respondem por ações às quais não deram causa 26. bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos. Haverá obrigação de reparar o dano. fica obrigado a repará-lo. 26 BRASIL. independentemente da existência de culpa. tais como: os pais que respondem pelas ações dos filhos menores que se encontram sob sua autoridade ou companhia. nos casos especificados em lei. 927. Lei 10. montagem. no exercício do trabalho que lhes competir ou em razão dele. moradores e educandos.” . por seus empregados.406/2002: “Art. V. Código de Defesa do Consumidor. por ato ilícito (arts. o tutor e o curador. Lei 10. Código Civil. até a concorrente quantia. 27 O Código de Defesa do Consumidor. causar dano a outrem. por sua natureza. apresentação ou acondicionamento de seus produtos.” BRASIL. sua aplicação aos provedores de Internet pode ser extremamente prejudicial ao desenvolvimento da rede. Parágrafo único. fabricação. Aquele que. “Art. nacional ou estrangeiro. o produtor. gera a responsabilidade pela imprudência ou negligência daquele dever. 12. por sua natureza. casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro. 186 e 187). e o importador respondem. A responsabilização excessiva dos provedores de aplicações ou serviço pelos danos causados por seus usuários gera um incentivo para que esses provedores monitorem e censurem quaisquer informações que apresentarem um potencial de gerar riscos de ações judiciais ou sanções governamentais. o empregador ou comitente. hospedarias.” 27 28 BRASIL.078/1990. Nessas hipóteses. independentemente de culpa. IV. pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto. construção. III. pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia. risco para os direitos de outrem. 932. os donos de hotéis. independentemente de culpa (o que é chamado pela doutrina de “responsabilidade objetiva”). determina que fornecedores de serviços ou produtos respondam por eventuais danos causados por seus produtos ou serviços 28. mesmo para fins de educação. quando não observado. da mesma forma. desde que “a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar. São também responsáveis pela reparação civil: I. Código Civil. O fabricante. vigilância ou custódia entre as partes que. fórmulas. o tutor ou curador pelos pupilos ou curatelados. II. os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime. ou ainda o empregador por seus empregados.O MARCO CIVIL DA INTERNE T 27 observatório da internet.406/2002: “Art. a razão para a responsabilização está intimamente ligada a um dever de guarda. risco para os direitos de outrem”. pelos seus hóspedes. O Código Civil estabelece também uma modalidade de responsabilidade em que o terceiro responde ainda que não haja culpa. Apesar da existência de diversas hipóteses no direito brasileiro em que a responsabilização de terceiros pode incidir. serviçais e prepostos. manipulação. os pais. o construtor. ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar.

Um outro valor importante que a limitação da responsabilidade de provedores visa proteger é a inovação na rede. pois. p. The Generativity of Sony v. Vol. ao oferecer tal tecnologia para o público em geral. na verdade. Dessa forma.com/sol3/papers. Panela. Disponível em: <http://papers. garantir que o usuário de seus serviços tenha liberdade efetiva para se expressar e se comunicar na rede. Em termos econômicos. julgar e implementar censura prévia sobre os indivíduos sem qualquer instância de recurso ou controle de abusos. demonstrou a importância da limitação de responsabilidade dos intermediários desenvolvedores de tecnologia. Vale notar que isso não implica na não reparação do eventual dano causado. Pamela Samuelson. Universal 29. Nesse importante caso. Fordham Law Review. É da própria essência do processo de inovação que as ferramentas e aplicações resultantes gerem consequências inesperadas. Essa afirmação é especialmente verdadeira quando se leva em consideração a natureza participativa e aberta que se quer estimular na Internet. . garantir que os provedores de Internet tenham responsabilidade limitada é. Acesso em 30 de junho de 2012. especialmente no que diz respeito aos usos que terceiros fazem da tecnologia.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 O MARCO CIVIL DA INTERNE T Adicionalmente. ao analisar como o caso Sony v . mas tão somente que a responsabilidade recairá sobre o indivíduo que efetivamente causou o dano e não sobre o intermediário do processo. cfm?abstract_id=925127>. os subsequentes usos tornam-se ainda mais imprevisíveis. é necessário garantir uma certa limitação à sua responsabilidade. a 29 SAMUELSON. da Universidade de Berkeley. Universal: The Intellectual Property Legacy of Justice Stevens. esse modelo de responsabilidade transformaria uma empresa privada em efetivo agente de censura com poderes para monitorar. decidido pela Suprema Corte dos Estados Unidos. 74. 2006. Enquanto empresas bem estabelecidas podem arcar com eventuais custos de processos judiciais. cujos efeitos nem sempre serão previstos. 1831. Nesse sentido.28 observatório da internet. a empresa Sony foi considerada inocente pelas gravações de filmes que os usuários de seu videocassete doméstico (o Sony Betamax) possibilitava. empresas novas de tecnologia ( startups ) não possuem a mesma capacidade financeira e são especialmente suscetíveis a demandas judiciais.ssrn. que estabeleceu crucial precedente para garantir enorme onda de inovação na área de tecnologia da informação nos EUA a partir da década de 1980. para estimular que provedores de aplicações criem tecnologias inovadoras. A limitação dos riscos do negócio é fator crucial para a inovação.

br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 limitação da responsabilidade dos provedores mantém as barreiras para entrada no mercado baixas e promove a ampla concorrência. Código Geral dos Estados Unidos. Para mais informações sobre os sistemas de responsabilidade de provedores presentes no direito norteamericano. cit. seção 17. 35 Como o gatilho da responsabilidade dos provedores de serviços é o não cumprimento da solicitação de retirada enviada pelo particular. pois estabelece um sistema extrajudicial em que detentores de direitos autorais podem notificar provedores de aplicações ou serviços para que esses retirem de seus sites obras protegidas por direitos autorais de titularidade daqueles. após a solicitação do detentor dos direitos 33.org/>. Esse modelo é conhecido na doutrina internacional como notice and take down . desde que os provedores respeitem algumas obrigações sobre o tratamento de conteúdo e retirada desse. seção 47. Código Geral dos Estados Unidos. op. O DMCA criou um sistema amplo para a disciplina de obras intelectuais na tecnologia digital. parágrafo 512. parágrafo 512. por todos. Disponível em: <http://www. 35 . Essa seção pode ser caracterizada genericamente por estabelecer garantias aos provedores contra a responsabilidade derivada da eventual violação de direitos autorais por terceiros. item (d). Neste sentido. seção 17. seção 17. quando solicitado. valor protegido pela Constituição Federal brasileira. parágrafo 230. Talvez os grandes paradigmas internacionais sobre responsabilidade de provedores de Internet sejam o Digital Millenium Copyright Act (DMCA) 30 – a seção da lei de direitos autorais dos EUA que lida especificamente com Internet e tecnologia digital – e o Communications Decency Act (CDA) 31 – lei norte-americana que regula difamações de materiais indecentes na Internet. parágrafo 512. veja. item (a). 34 Tal sistema tem sido alvo de diversas críticas pelo efeito inibitório ( chilling effects ) que o abuso do envio das notificações de retirada tem sobre provedores e usuários. Enquanto provedores de acesso ( Transitory Digital Network Communications ) 32 são geralmente isentos de responsabilidade desde que a comunicação dos dados em sua rede aconteça de forma automatizada. ZITTRAIN. veja o projeto Chilling Effects Clearinghouse criado para analisar a procedência de notificações de retirada de conteúdo enviadas por detentores de direitos autorais.chillingeffects.O MARCO CIVIL DA INTERNE T 29 observatório da internet. há um incentivo 30 31 32 33 34 Código Geral dos Estados Unidos. os provedores de serviços on-line estão sujeitos à responsabilidade quando não retirarem conteúdo infringente do ar. Código Geral dos Estados Unidos. Acesso em 12 de junho de 2012.

Inc. harassing. Esse caso foi futuramente revertido pelo julgamento em Stratton Oakmont. O texto literal dispõe que: “47 U. O CDA. danoso. (. v. 36 A corte argumentou que. o CDA proíbe a equiparação dos provedores de serviços a editores para evitar a aplicação da responsabilidade que geralmente incide sobre estes pelo conteúdo publicado. pois cria incentivos para que os provedores removam voluntariamente conteúdos tendentes a causar danos sem que. excessively violent. 135 da Corte Federal do Distrito do Sul de Nova York ( US District Court for the Southern Distric of New York). o CDA tem por objeto informações de caráter difamatório. ou seja. § 230 (c) (2) Civil Liability No provider or user of an interactive computer servisse shall be held liable on account of – (A) a  ny action voluntarily taken in good faith to restrict access to or availability of material that the provider or user considers to be obscene. or otherwise objectionable. Inc. As definições do CDA incluem outras hipóteses que constituem variações de condutas obscenas ou indecentes. 1991.S. enquanto o DMCA aplica-se a obras intelectuais. Porém.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 O MARCO CIVIL DA INTERNE T claro para que todas as notificações sejam cumpridas. CompuServe. o Marco Civil adotou modelo que se 36 Caso 776 F. como o provedor de serviço não realizava controle prévio sobre os materiais postados por terceiros. aquelas protegidas por direitos autorais. 37 Esse modelo do CDA é chamado de “bom samaritano” ( good samaritan ). etc. que envolvam conteúdo explícito para menores e outros. O primeiro caso a considerar que provedores de serviço não poderiam ser equiparados a editores e.. independentemente de qualquer análise sobre sua procedência. por sua vez. Em relação ao objeto. de boa-fé.30 observatório da internet. filthy. Inc v. falso.C.)”. Prodigy Sevices Co. por isso. o CDA estendeu essa imunidade à hipótese em que o provedor tome medidas para. whether or not such material is constitutionally protected. não poderiam ser responsabilizados por conteúdos publicados por terceiros foi o Cubby. corram o risco de trazer para si a responsabilidade por aqueles danos. 37 . Aqueles de natureza difamatória são os que mais se assemelhariam às hipóteses cobertas pelo Marco Civil. lascivious. Além disso. Além de garantir a imunidade por conteúdo publicado por terceiro. o CDA recuperou o entendimento estabelecido em CompuServe e deu um passo adiante. Levando em conta a experiência internacional e os intensos debates e sugestões feitos durante diversas consultas públicas.. com isso. difere do DMCA tanto em seu objeto quanto em sua abordagem sobre a responsabilidade e os incentivos dados às partes envolvidas. ele não poderia ser responsabilizado. Supp. lewd. retirar do ar conteúdo que considere difamatório.

É importante notar que o Marco Civil adotou separação funcional entre os provedores de conexão e provedores de aplicações para determinar responsabilidades diferentes para cada um deles. ele terá incen- . 15. 16. por isso. Salvo disposição legal em contrário. por duas razões: uma de mercado e outra de direito. ao garantir imunidade mais robusta aos provedores de aplicações pelos conteúdos gerados por usuários que utilizem seus serviços. por sua vez. não havia garantia ao cidadão contra práticas de censura privada realizadas pelos próprios provedores em função de eventuais acordos celebrados. a priori . 14. 15. Ambos são imunes. caberá ao provedor de aplicações de Internet informar-lhe sobre o cumprimento da ordem judicial. Não parece ser este o caso. sob pena de nulidade. Sempre que tiver informações de contato do usuário diretamente responsável pelo conteúdo a que se refere o art.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 distancia do sistema de notice and take down norte-americano. quando a aplicação oferecida pelo provedor possibilita a publicação de conteúdos por terceiros. no âmbito do seu serviço e dentro do prazo assinalado. Art. o Marco Civil garante que os provedores só serão responsabilizados por conteúdos de terceiros caso descumpram ordem judicial. enquanto os provedores encontravam-se protegidos. a versão original do projeto de lei apresentado ao Congresso Nacional dispunha o seguinte: Art. é válida enquanto o provedor cumprir com eventuais ordens judiciais para a retirada de conteúdos. Parágrafo único. mas se a imunidade dos provedores de conexão é absoluta e não pode ser afastada. Primeiro. tornar indisponível o conteúdo apontado como infringente. a própria natureza da atividade nos faz crer que é benéfico ao provedor estimular essa publicação e que. que permita a localização inequívoca do material. o provedor de aplicações de Internet somente poderá ser responsabilizado por danos decorrentes de conteúdo gerado por terceiros se após ordem judicial específica não tomar as providências para. O provedor de conexão à Internet não será responsabilizado por danos decorrentes de conteúdo gerado por terceiros. pela responsabilidade dos conteúdos de terceiros. a imunidade dos provedores de aplicações. Art. Enquanto nos EUA o provedor fica sujeito a eventuais abusos que podem decorrer do uso excessivo de notificações por parte dos detentores de conteúdos on-line . A ordem judicial de que trata o caput deverá conter. Assim. identificação clara e específica do conteúdo apontado como infringente. Algumas das críticas que o projeto recebeu dizia respeito ao fato de que.O MARCO CIVIL DA INTERNE T 31 observatório da internet.

espera-se criar uma fiscalização difusa dos atos de provedores. excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social. Segundo. entidades de representação de classe.38 A natureza da atividade. os incentivos de mercado. além dos incentivos dos provedores para não censurar. Adicionalmente. Assim. não parece que a hipótese oposta seja viável. ainda que a proposta acima não seja considerada a ideal do ponto de vista da ampla promoção da liberdade de expressão. sob pena das sanções já previstas no direito civil. a parte final do Marco Civil legitima que a defesa dos direitos seja feita coletivamente. (Código Civil). em função da dificuldade de acesso à justiça. existem institutos no próprio ordenamento jurídico brasileiro que impõem limites para resguardar os usuários da censura dos provedores. o que é coibido pelo Artigo 187 do Código Civil. na prática. Por hipótese oposta. conjugada com a responsabilidade limitada. 187.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 O MARCO CIVIL DA INTERNE T tivos para não censurá-los. Se os usuários percebem a publicação ampla e sem censura agregando valor ao serviço. Uma crítica derivada da anterior diz que. demonstrados acima. 38 . Com isso. Em outros termos: associações. medidas de censura. ao exercê-lo. vale notar que. entende-se um sistema em que o provedor de aplicações que receba conteúdos de terceiros seja obrigado a permitir a publicação de toda e qualquer informação. farão com que esses acordos respeitem os direitos dos usuários.406/2002. nos casos em que os efeitos de rede forem preponderantes. pela boa-fé ou pelos bons costumes”. o Ministério Público e outras instituições poderão acionar judicialmente provedores que pratiquem condutas abusivas de remoção de conteúdo. conjugados com os limites de direito. coloca os provedores em condições de negociação que fazem crer que eventuais acordos não ocorrerão.32 observatório da internet. ou que o incentivo para censurar for maior do que o incentivo para não censurar). o usuário teria a sua liberdade de expressão reduzida porque somente um número muito baixo de usuários recorreria ao judiciário contra eventuais abusos dos provedores. mais usuários migrarão para um dado serviço e a concorrência de mercado auxiliará na promoção da liberdade. Art. para os casos em que a dinâmica do mercado não for suficiente (como. por exemplo. Se ocorrerem. ao mesmo tempo em que corrige-se eventuais assimetrias de acesso ao Poder Judiciário. de restrição injustificada de acesso ou abusivas em geral que decorram de eventuais acordos podem ser consideradas como abuso de direito. “Também comete ato ilícito o titular de um direito que. a menos que receba Lei 10. Em resposta a essa crítica.

este teria como diferencial o fato de permitir aos usuários discutir cada episódio em tópicos separados sem a preocupação de encontrar informações de episódios futuros que poderiam desvendar as surpresas que a saga guarda. Imaginemos o caso em que um empreendedor resolva criar um fórum fechado para discussão dos episódios da conhecida série de televisão Game of Thrones. o que ocasionou a incorporação dessa disciplina no Marco Civil como forma de evitar o avanço da discussão no âmbito penal. inciso IV. A existência desse assunto no projeto de lei só pode ser entendida quando levamos em consideração o contexto do seu surgimento. como diversos outros modelos de negócios que envolvessem a moderação por parte de provedores. Como se percebe. Se lei futura disciplinar especificamente questões relacionadas a direitos autorais. a proposta de disciplina da responsabilidade de provedores da Internet que está sendo discutida no âmbito da reforma da lei de direitos autorais prevê um modelo muito semelhante ao do DMCA norte-americano. O Marco Civil foi criado. por encontrar forte oposição no princípio da livre iniciativa previsto nos artigos 1o. da Constituição Federal.4 A guarda de registros por provedores de Internet A guarda de registros de usuários por provedores de Internet é certamente um dos temas mais controversos do Marco Civil. 2. e 170. Essa restrição provavelmente será considerada inconstitucional. tomou-se o cuidado de restringir as hipóteses em que o acesso seria possível. Ao incorporar a disciplina da guarda de registros. bem como limitar o prazo de guarda dos registros. Como já existem vários fóruns semelhantes na Internet. mas. até lá. ela afastará a incidência do Marco Civil.O MARCO CIVIL DA INTERNE T 33 observatório da internet. . Um sistema que obrigasse a publicação irrestrita de conteúdos inviabilizaria não só esse. que propunha estabelecer uma gama de crimes na Internet. por hipótese. sem fazer diferença entre conteúdos protegidos ou não por direitos autorais. agirá como regra geral. Tal sistema constituiria invasão excessiva no âmbito de atuação privada e deveria ser evitado.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 ordem judicial específica ordenando a sua retirada. Para tal. o fórum contaria com a atuação de moderadores que excluiriam todos os comentários inadequados que pudessem desvirtuar o propósito do site. Por fim. vale lembrar que a proposta de redação do Marco Civil enviada ao Congresso o coloca como norma geral que se aplica a todos os conteúdos na Internet. apontamos que. encontrava-se a obrigação de guardar os registros de conexão e de acesso a aplicações de Internet por até três anos. em resposta ao PL 84/99. como visto no início deste capítulo. Dentre as disposições desse projeto.2.

por outro.eu/commission_2010-2014/ malmstrom/archive/20110418_data_retention_evaluation_en. O texto do Marco Civil prevê que os registros de conexão e os registros de acesso só podem ser entregues à polícia mediante ordem judicial específica e com fins bem delimitados. O projeto. Já com relação à provisão de aplicações de Internet. é facultada a guarda dos registros de acesso dos usuários. mas condiciona a entrega dos dados a ordem judicial específica. 39 39 Report From The Commission To The Council And The European Parliament Evaluation report on the Data Retention Directive (Directive 2006/24/EC). é definido no texto como o conjunto de informações referentes à data e hora de uso de uma determinada aplicação de Internet a partir de um determinado endereço IP. O registro de acesso a aplicações. prevê a hipótese de que as autoridades solicitem aos provedores a guarda de determinadas informações. respeitados os direitos dos usuários dispostos na lei. na provisão de conexão . Com relação ao tempo de guarda dos registros de conexão. honra e imagem das pessoas. onerosa ou gratuita. o Marco Civil estabelece o prazo de um ano. Acessado em 3 de março de 2012. VI. 5o. contudo. por um lado. a importância de se guardar registros para viabilizar as investigações policiais e. por sua vez. contudo. desde que mediante ordem judicial e desde que se trate de registros relativos a fatos específicos em período determinado. independentemente de ordem judicial. o Marco Civil define registro de conexão como sendo o conjunto de informações referentes à data e hora de início e término de uma determinada conexão à Internet.europa.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 O MARCO CIVIL DA INTERNE T Em seu art. A necessidade de ordem judicial para obtenção de informações que permitam a identificação do usuário ou para demandar a guarda dos registros de acesso pelos provedores de aplicação anula a possibilidade de que tais dados sejam solicitados tanto pela polícia.pdf>.34 observatório da internet. quanto pelo Ministério Público. Disponível em: <http://ec. Ainda. a possibilidade de se demandar a guarda de registros de acesso a aplicações de Internet. a necessária garantia de privacidade do cidadão. além de sua duração e o endereço IP utilizado pelo terminal para o envio e recebimento de pacotes de dados. é vedado guardar os registros de acesso a aplicações de Internet. . deixando claro que tais registros são elementos relevantes para a proteção da privacidade. O objetivo foi encontrar um equilíbrio entre. O prazo de guarda por um ano encontra-se em consonância com estatísticas recentes de uso de dados de registro de usuários solicitados por autoridades de investigação de países europeus. O texto prevê.

br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 Segundo recente relatório 40. a darem preferência a tecnologias.2. de todos os dados de registro de usuários na Internet utilizados em investigações policiais. em julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. o que indica que o prazo do Marco Civil parece ser suficiente para as demandas da polícia. é possível que o Marco Civil encontre resistência judicial futura. democráticos e colaborativos de governança. Em outros termos.2.41 Além disso. .5 A neutralidade de rede Para um debate pormenorizado sobre a regulação da neutralidade rede. Limitar a guarda desses dados pelo menor prazo possível é fundamental para garantir a privacidade dos indivíduos. ressalta-se a necessidade de se estabelecer mecanismos transparentes. 2. que suspendeu os efeitos da lei do Estado do Rio Grande do Sul que previa tratamento preferencial para a compra de software livre. 19% tinham até seis meses de existência e 18% encontravam-se guardados há até 12 meses. 2. Liminar condedida na ADI no 3059. bem como de promover a interoperabilidade tecnológica entre os entes federativos dos serviços de governo eletrônico. além de fomentar a produção e a circulação de conteúdo nacional. 40 41 Idem. contudo. com o objetivo de nortear a atuação de todos os entes federativos no desenvolvimento da Internet no Brasil. 93% de todos os dados requisitados para a investigação policial que estavam guardados encontravam-se armazenados por até um ano. face a decisão liminar de 2004 do Supremo Tribunal Federal. O texto orienta os entes. ainda. Nesse trecho. padrões e formatos abertos e livres. A finalidade dessa previsão é a de buscar incentivar a inclusão digital. reduzir as desigualdades entre as diferentes regiões do país relacionadas ao acesso e ao uso de tecnologias da informação e comunicação. remetemos ao item 3 deste relatório.6 A atuação do poder público O texto do Marco Civil dispõe em seu capítulo final sobre a atuação que se espera do poder público.O MARCO CIVIL DA INTERNE T 35 observatório da internet. Com vistas a alcançar esse fim. destaca-se o fomento às iniciativas públicas voltadas para a cultura digital e promoção da Internet como ferramenta social. cerca de 56% estavam armazenados há cerca de três meses ou menos.

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sites e plataformas. 43 . Da mesma forma. pretende dar uma ideia geral ao leitor. ao contrário. Tim Wu explica que “a ideia é que uma rede pública de informações que se pretende o mais útil possível aspire a tratar igualmente todos os conteúdos. dos serviços de Internet que não têm o fornecimento de conteúdo ou serviço na rede como sua atividade principal. Do outro lado – e tomando-se em consideração as devidas ressalvas –.A REGULAÇÃO DA NEUTRALIDADE DE REDE 37 observatório da internet. utilizaremos o termo “usuários” em referência aos consumidores. Apesar da natureza distribuída da Internet em princípio significar que todos que se localizam nas pontas da rede são usuários dela. mas. “provedor de Internet” ou ainda “provedor de acesso” para denominar as empresas de telecomunicações que oferecem o serviço de acesso à Internet.html>. Utilizaremos a denominação “provedores de acesso à Internet”. 42 Em outros termos. esta diferenciação está longe de pretender ser precisa ou imune a falhas. pessoa física ou jurídica. Mais uma vez. Isto permite que a rede transporte todo tipo de informação e suporte todo tipo de aplicativo. esta descrição é similar ao princípio de arquitetura de rede conhecido como end-to-end )”.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 # A regulação da neutralidade de rede O conceito da neutralidade de rede pode ser entendido como um princípio de arquitetura de rede. a ideia de que provedores de acesso (as operadoras que oferecem o serviço de acesso à Internet ao 3 42 Definição de Tim Wu para neutralidade de rede conforme apurada em: <http://timwu. Acesso em 6 de março de 2012. chamamos provedores de conteúdo as empresas ou indivíduos que forneçam conteúdos ou serviços para o público através da Internet como sua atividade principal. o princípio estabelece que provedores de acesso à Internet 43 não devem bloquear o uso ou limitar a velocidade de tráfego de determinados aplicativos ou conteúdos em sua rede. segundo o qual toda a informação que trafega pela rede deve ser tratada de maneira equânime.org/network_ neutrality. O princípio sugere que as redes de informação são mais valiosas quando elas são menos especializadas – quando elas são uma plataforma para múltiplos usos. presentes ou futuros (para aqueles que sabem mais sobre arquitetura de rede.

Nova York. O debate em torno da neutralidade de rede não é novo. etc. Os defensores do princípio alegam que ele é a principal garantia de que a Internet continuará sendo uma plataforma livre e sem restrições para a inovação. 52. Mark A. Disponível em: <http://papers. provedores podem discriminar pacotes para aumentar o próprio lucro em detri- 44 45 VAN SCHEWICK.44 Ele assegura também que as barreiras para a entrada no mercado continuarão baixas. aponta três grupos de situações em que provedores de Internet têm incentivos para discriminar pacotes de dados na rede. Barbara e FABER. publicação de blogs. que bloqueou chamadas telefônicas realizadas a partir de serviços de voz sobre IP ( VoIP). 48 Baseando-se em casos concretos ocorridos nos EUA. Apesar disso. ver LESSIG.38 observatório da internet. Todos os datagramas são iguais perante a Rede! Revista PoliTICs. pode parecer que os provedores de acesso à Internet não teriam incentivos para discriminar pacotes de dados em sua rede. D. 48 .. Barbara Van Schewick. há notícias de violações à neutralidade da rede. acadêmicos têm se preocupado com o tema no contexto do princípio mais geral da arquitetura end to end . The End of End-to-End: Preserving the Architecture of the Internet in the Broadband Era. Cambridge: MIT Press. Acesso em 3 de janeiro de 2012. ao longo dos últimos anos. Telefonica. Internet Architecture and Innovation.ssrn. 46 47 Vale lembrar que a fusão das empresas Oi e Brasil Telecom ainda não havia acontecido na época desses incidentes. Oi. Vide AFFONSO. Communications of the ACM. 2. o Velox. 2009. v. 45 No Brasil. o que por sua vez gera uma vantagem competitiva sobre provedores que eventualmente os restringem. 2010. Desde o início dos anos 2000.) para que seus usuários tenham acesso mais rápido ou preferencial a determinado conteúdo ou aplicativo poderia também ser considerada contrária ao princípio da neutralidade de rede. GVT. começou a censurar determinados conteúdos sob o pretexto de garantir a segurança de seus usuários.cfm?abstract_ id=247737>. ao menos desde o ano de 2004. Point/Counterpoint: Network Neutrality Nuances. p. os provedores têm mostrado que existem incentivos para promover a discriminação ou o bloqueio de aplicativos ou conteúdos e que eles são suficientes para que tais práticas aconteçam.) poderiam cobrar valores diferenciados de provedores de serviços ou de conteúdos (as plataformas que oferecem serviços on-line como busca. o serviço de Internet da operadora Oi. n. Um dos primeiros exemplos reportados foi protagonizado pela operadora Brasil Telecom. VAN SCHEWICK. 46 Em 2006. 47 Em uma primeira análise. Barbara. possibilitando que indivíduos e pequenas empresas continuem podendo inovar e competir com empresas estabelecidas. 32. como NET Virtua.com/sol3/papers. etc.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A REGULAÇÃO DA NEUTRALIDADE DE REDE usuário final. Lawrence e LEMLEY. vídeo. a prof. Carlos A. Primeiro. Neste sentido. A lógica é simples: a disponibilidade de mais aplicativos e conteúdos torna a rede mais atrativa aos usuários. rede social. da Universidade de Stanford.

Também pode ser classificada neste grupo a proposta de mudança no modelo de negócios dos provedores de conteúdos de Internet para cobrar desses que seus dados sejam transmitidos de maneira mais rápida aos usuários. consequentemente. restringe a inovação. para prejudicar aplicativos que compitam com outros serviços prestados pelo provedor. a falta de gerenciamento pode significar a inutilização de determinados aplicativos. Há muita controvérsia sobre se os provedores deveriam ser livres para implementar tal prática ou se essa deveria ser proibida. ampliando a capacidade e a velocidade da rede ou diminuindo os custos de acesso para o usuário. mas. isso não causará grandes prejuízos nem inutilizará a ferramenta. Como a maioria dos provedores de acesso oferece o serviço ao usuário final cobrando uma taxa fixa mensal enquanto compra acesso à Internet de outros provedores de acordo com a quantidade de dados trafegados. Innovations in the Internet’s Architecture that Challenge the Status Quo. Assim.49 No lado oposto. C.A REGULAÇÃO DA NEUTRALIDADE DE REDE 39 observatório da internet. b) ela não maximiza o bem-estar social. Assim. se ao utilizar um serviço de voz sobre IP o atraso de resposta for superior a um ou dois segundos. como clientes que utilizam bittorrent ou websites que realizam streaming de vídeo. Que fique claro que a capacidade de gerenciamento de tráfego é fundamental para o funcionamento de qualquer rede. por exemplo. Essa cobrança não substituiria o valor já pago por usuários para obter acesso à rede. ou mesmo a limitação ao uso de programas baseados no protocolo bittorrent (para o caso de provedores que tenham serviço de video on demand). Journal on Telecommunications and High Technology Law. Provedores também têm incentivos para discriminar pacotes para gerenciar o tráfego na sua rede. de um lado argumenta-se que a receita adicional seria utilizada para aumentar os investimentos em infraestrutura. mas tão somente criaria uma fonte adicional de receita para os provedores. 49 Veja por todos YOO. Dessa maneira. em vez de demorar poucos segundos. . como é o caso das restrições a serviços de voz sobre IP (no caso do provedor também oferecer serviço de telefonia). se um e-mail demora dois minutos para ser entregue. cfm?abstract_id=1472074>. pois limita a escolha do usuário. mas não resolve o problema maior do congestionamento da rede. S. críticos desta prática argumentam que: a) não há garantias de que os lucros adicionais serão reinvestidos na infraestrutura ou mesmo na redução dos preços. Acesso em 6 de março de 2012.com/sol3/papers. Em linhas gerais. por exemplo. um aumento no tráfego eleva as despesas daqueles provedores sem aumentar sua receita.ssrn. Nos momentos de pico de uso da rede. Disponível em <http://papers. cria-se um incentivo para degradação no tráfego de aplicativos ou conteúdos que consumam muita banda.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 mento do serviço do usuário. há um incentivo claro. c) essa prática aumenta as barreiras à entrada de novos competidores no mercado e. O gerenciamento assim pode funcionar como um analgésico que tem efeito imediato.

o estudo elaborado pela Agência Nacional de Telecomunicações e apresentado no âmbito da consulta pública sobre o Plano Geral de Metas de Competição (PGMC) concluiu que. Idem. D. no entanto. C. Disponível em: <http://papers. 2003. Em um mercado competitivo. Journal of Telecommunications and High Technology Law.F. ela identifica três características principais que permitiram que a Internet se tornasse a grande plataforma de inovação das últimas décadas: a) Inventores na rede sempre tiveram liberdade para criar quaisquer aplicativos que desejarem. há grande controvérsia sobre se um mercado competitivo de acesso à Internet seria suficiente para manter as características da Internet que o princípio da neutralidade de rede visa resguardar.758 municípios. ou ainda conteúdos que possam gerar responsabilidade.. Deregulating Telecommunications. op. Partindo do princípio end to end. mostraram como o monopólio na área de telefonia nos EUA podia ser explicado menos como consequência de uma característica natural do mercado e mais como o resultado de reiteradas ações do governo. 25-67. 52 . a solução seria simplesmente contratar o serviço de outro provedor.com/sol3/papers. Historicamente.cfm?abstract_id=388863>. op. Enquanto os usuários valorizarem a possibilidade de acessar conteúdos e aplicativos de sua escolha. 2. cit.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A REGULAÇÃO DA NEUTRALIDADE DE REDE o serviço é extremamente prejudicado. 50 Estudos do final do século XX. 141.ssrn. YOO. Nesse sentido. (1995): p. Network Neutrality. que valoriza a Internet como uma ferramenta de múltiplos propósitos e agnóstica em relação a tecnologias específicas. no mercado de infraestrutura e banda larga brasileiro. 52 Van Schewick defende que a regulação é necessária mesmo nessa hipótese. mas que a decisão sobre como melhor utilizar a banda contratada seja feita pelo usuário e não pelo provedor. Por fim. um mercado competitivo naturalmente oferecerá tal serviço. Acesso em 15 de dezembro de 2011. Broadband Discrimination. Yale Journal of Regulation 12(1). veja VAN SCHEWICK. B. WU. v.S. provedores de acesso à Internet também têm um incentivo para bloquear conteúdos contrários aos seus interesses e que não estejam de acordo com a política de conteúdo escolhida por eles. Se um serviço não respeita a escolha do usuário e impõe limitações a seu acesso.40 observatório da internet. diversos problemas que o princípio da neutralidade de rede visa evitar não ocorreriam. Isso não quer dizer que o usuário deveria poder utilizar uma capacidade de banda ilimitada. 51Apesar disso. da mesma forma.. p. uma única empresa detém poder de mercado significativo em mais de 3. Não obstante essa análise.. cit. T. o mercado de telecomunicações foi considerado um monopólio natural. usuários sempre tiveram liberdade para escolher de forma independente quais aplicativos querem 50 51 SPULBER.

Seguindo a liderança do Chile. c) Finalmente. 402 (September 20. B.stanford. c) Ela não deve afetar a evolução da rede além do que for necessário para atingir os objetivos da regulação da neutralidade de rede. que em 2010 aprovou a primeira lei sobre neutralidade de rede do mundo.A REGULAÇÃO DA NEUTRALIDADE DE REDE 41 observatório da internet. B. Network Neutrality: What a Non-Discrimination Rule Should Look Like. b) O fato da rede ser de propósito geral (application-blindness) garantiu que provedores não pudessem interferir nessas escolhas.com/abstract=1684677>. e) Ela deve manter os custos de regulação baixos . WC Docket No. governos e entidades reguladoras ao redor do mundo. iniciaram um processo de discussão e implementação das primeiras normas sobre neutralidade de rede. Disponível em <http://ssrn. MA on January 13. 1684677. Opening Statement at the Federal Communications Commission’s Workshop on Innovation. por sua vez.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 utilizar. Acesso em 22 de Novembro de 2012. 2010. Acesso em 5 de março de 2012. São eles: a) “Ela deve proteger os fatores que possibilitaram a inovação de aplicativos no passado para garantir que a Internet continue sendo uma plataforma para inovação e crescimento econômico no futuro. despertados pelos cada vez mais frequentes exemplos de afronta à neutralidade de rede. 07-52.1 A regulação da neutralidade no cenário internacional Nos últimos anos. aumenta a quantidade e a qualidade das inovações. mas também permitem que um amplo e diverso grupo de pessoas inove. Stanford Law and Economics Olin Working Paper No. os baixos custos da inovação na Internet não só têm possibilitado o desenvolvimento de mais aplicativos. VAN SCHEWICK. Disponível em: <http://cyberlaw. 2010). d) Ela deve tornar simples a tarefa de determinar qual comportamento é permitido e qual não o é. Van Schewick estabelece alguns critérios para avaliar normas de não discriminação que acreditamos ser muito úteis no processo de redação de uma regra de neutralidade de rede.53 A partir dessa análise. b) Ela deve proteger os fatores que permitiram à Internet promover o discurso democrático e proporcionar um ambiente descentralizado para interação social e cultural no qual qualquer um pode participar.” 54 3. que eles não pudessem distorcer a competição entre aplicativos ou reduzir o lucro de desenvolvedores de aplicativos através de taxas de acesso. Stanford Public Law Working Paper No. 54 . 09191.edu/publications/opening-statement-federal-communicationscommission%E2%80%99s-workshop-innovation-investment>. a Colômbia também adotou uma norma em seu plano nacional de desenvolvimento para im- 53 VAN SCHEWICK. o que. para garantir certeza aos participantes da indústria. In: Investment and the Open Internet in Cambridge. GN Docket No.

55 ESTADOS UNIDOS. porque sua aplicação aos serviços de banda larga móvel é restrita. e c) Proibição de discriminação de conteúdo de forma não razoável . Primeiro. Disponível em: <http:// hraunfoss. as regras ainda são tímidas. Policy Statement FCC 05-151. ESTADOS UNIDOS. em novembro de 2011. É interessante notar que a proposta de regulamentação da neutralidade de rede nos EUA teve forte influência sobre as propostas e legislações referentes ao tema na América Latina. Acesso em 18 de julho de 2012. A vagueza e indefinição sobre o que consistiria uma discriminação “não razoável” podem dar margem a alguns abusos que consumirão tempo e recursos do FCC para monitorá-los de perto. a Federal Communication Commission (FCC) tem discutido e experimentado normas para garantir a neutralidade de rede desde o ano de 2005. porque ainda há margem para discriminação. incluímos abaixo um quadro mapeando como os principais elementos constantes nas normas de neutralidade do FCC estão presentes nas diversas legislações latino-americanas analisadas. Para os defensores do princípio da neutralidade de rede.pdf>. Provedores de serviços de banda larga fixa e móvel devem divulgar suas práticas de gerenciamento de rede. provedores de serviços de banda larga móvel não podem bloquear websites lícitos. elas entraram em vigor. Resolução FCC 10-201. 56 . Acesso em 13 de julho de 2012. desde que a mesma seja “razoável”. Federal Communications Commission.gov/edocs_public/attachmatch/FCC-10-201A1.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A REGULAÇÃO DA NEUTRALIDADE DE REDE pedir práticas de discriminação de informações. nem mesmo bloquear aplicativos que compitam com seus serviços de voz ou vídeochamada. Federal Communications Commission. nem mesmo aparelhos que não prejudiquem o funcionamento da rede. aplicativos e serviços lícitos.pdf>.42 observatório da internet.fcc. Provedores de serviço de banda larga não podem discriminar de maneira não razoável o tráfego lícito de rede.fcc. Segundo. b) Proibição de bloqueio. No âmbito da União Europeia. características de performance e os termos e condições de seus serviços de banda larga. englobando tão somente a proibição do bloqueio de serviços que compitam com serviços específicos das operadoras dos serviços móveis. Provedores de serviço de banda larga fixa não podem bloquear conteúdo. 55 Após diversas consultas públicas. Nos EUA. a Holanda foi a pioneira na adoção de uma norma específica. Disponível em: <http://hraunfoss. debates nos jornais e reuniões a portas fechadas com representantes da indústria. o órgão finalmente enviou para publicação as normas que visam garantir a neutralidade da rede naquele país e. 56 As regras básicas do FCC sobre neutralidade de rede consistem em: a) Transparência . Para ilustrar esse ponto.gov/edocs_public/attachmatch/DOC-260435A1.

br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 43 . 1. H. 44 Lei 1. Anteprojeto de Lei – Marco Civil da Internet PL para modificação da Lei Federal de Telecomunicações Não há 56 Chile Venezuela Liberdade de acesso a qualquer conteúdo legal Art. caput Regulamento Anatel. Art. caput Art. 1. 1. caput A REGULAÇÃO DA NEUTRALIDADE DE REDE 57 Vide próxima nota. a) PL S-1491/11 Art. Art.QUADRO COMPARATIVO DAS LIBERDADES BÁSICAS PARA OPEN INTERNET DO FCC COM AS LEGISLAÇÕES E PROPOSTAS LEGISLATIVAS DO CHILE. a) Art. MÉXICO E VENEZUELA Liberdades Básicas para Neutralidade de rede do FCC Argentina Colômbia Brasil México PL 1159-D-2011 Art. H. ARGENTINA. Art.450 de 2011. 1 Art. 59. a) Art. Anteprojeto de Lei – Marco Civil da Internet Art. 56. 24. Art. 10. 10. BRASIL. 24. 56. caput PL para modificação da Lei Federal de Telecomunicações Art. COLÔMBIA. 1 Regulamento Anatel.450 de 2011. 59. observatório da internet. 1. 44 Não há 57 PL S-1491/11 Art. a) Liberdade para rodar qualquer aplicativo lícito PL 1159-D-2011 Lei 1.

MÉXICO E VENEZUELA Liberdades Básicas para Neutralidade de rede do FCC Argentina Colômbia Brasil México PL 1159-D-2011 Art. Art. 24. 59. ARGENTINA. Art. 8. 56. 24. Não consta na norma específica de neutralidade 57 Não consta na norma específica de neutralidade Chile Venezuela A REGULAÇÃO DA NEUTRALIDADE DE REDE Liberdade para conectar quaisquer dispositivos que não interfiram com o funcionamento da rede (carterfone) PL S-1491/11 Art. 1. 56. b) Não consta na norma específica de neutralidade Lei 1. 2 Lei 1. H. BRASIL.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 continuação > QUADRO COMPARATIVO DAS LIBERDADES BÁSICAS PARA OPEN INTERNET DO FCC COM AS LEGISLAÇÕES E PROPOSTAS LEGISLATIVAS DO CHILE. 4 Anteprojeto de Lei – Marco Civil da Internet Art. 2. COLÔMBIA. IV Regulamento Anatel. Art.44 observatório da internet. b) Não há 58 Acesso a informações abrangentes sobre planos de serviço (transparência) Art. .450 de 2011. d) Não consta na norma específica de neutralidade Não há 58 O fato desta liberdade não constar na norma específica de neutralidade não quer dizer que ela não esteja prevista em outra norma. §2 o Art. H.450 de 2011.

Art. a) Sim. 3 PL 1159-D-2011 Sim. 1. ARGENTINA. Art. o que pode ser interpretado como permitindo. dentre outros. c 3 Sim. H. Art. MÉXICO E VENEZUELA Liberdades Básicas para Neutralidade de rede do FCC Argentina Colômbia Brasil México PL 1159-D-2011 Sim.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 45 .5 continuação > 9 QUADRO COMPARATIVO DAS LIBERDADES BÁSICAS PARA OPEN INTERNET DO FCC COM AS LEGISLAÇÕES E PROPOSTAS LEGISLATIVAS DO CHILE. COLÔMBIA. 10. §2 o Sim. H. c Não Sim. observatório da internet. 24. Art. 24. 3 Não Não Não se aplica Existe a obrigação do oferecimento de serviço de controle parental pelos provedores a pedido dos usuários? PL S-1491/11 Não Não A REGULAÇÃO DA NEUTRALIDADE DE REDE 59 O artigo em questão prevê a possibilidade de que o usuário peça ao provedor o bloqueio de conteúdos de sua escolha. Art. 56. 59. caput Não Chile Venezuela Sim. o controle parental realizado pelo provedor. Art. a) Não se aplica Existe exceção ao princípio da neutralidade para fins de administração técnica ou de segurança? PL S-1491/11 Sim. Art. Art. BRASIL. 1.

Aborda-se também. A proposta do Marco Civil enviada ao Congresso Nacional em 2011. Ao fazer constar essas duas práticas.asp?CodProcesso=C1514&Tipo=1&Opcao=>.2012. sendo vedado estabelecer qualquer discriminação ou degradação do tráfego que não decorra de requisitos técnicos necessários à prestação adequada dos serviços . com base no tipo de aplicação ou conteúdo acessado por seus usuários. a proibição à prática de cobrança diferenciada pelos provedores de determinadas empresas. colocado em consulta pública pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Com isso. Acessado em 18 de julho de 2012. serviço.46 observatório da internet. em detrimento de outros. em tramitação na Câmara dos Deputados.camara. origem e destino. terminal ou aplicativo. 10 estabelece uma vedação geral ao tratamento diferenciado de pacotes de dados na Internet por provedores. 59 do Regulamento de Qualidade para Provedores de Serviço de Comunicação Multimídia 61. O responsável pela transmissão. Disponível em: <http:// www.07. sem distinção por conteúdo.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=517255>. O caput do art. 61 .anatel. disciplinou o princípio da neutralidade de rede da seguinte forma: Art. duas propostas de regulação do princípio da neutralidade de rede surgiram no Brasil em 2011: o art. pretende-se impedir que provedores distorçam a competição na rede ao aumentar as barreiras para entrada de novos competidores. contudo. que a implementação absoluta do princípio da neutralidade é impossível.gov. 10. analisado ao longo do segundo capítulo dessa obra. Esta vedação abarca tanto práticas de discriminação quanto de degradação.126 de 2011. A regra estabelecida se coaduna com o princípio end to end mencionado anteriormente e visa garantir a manutenção dos princípios elencados por Van Schewick. Projeto de Lei no 2. comutação ou roteamento tem o dever de tratar de forma isonômica quaisquer pacotes de dados.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A REGULAÇÃO DA NEUTRALIDADE DE REDE 3.br/SACP/Contribuicoes/TextoConsulta. 10 do Marco Civil da Internet 60 e o art. É preciso reconhecer. Disponível em: <http:// sistemas. conforme regulamentação da Agência Nacional de Telecomunicações – Anatel sobre preservação e garantia da neutralidade da rede. pretende-se vedar tanto o eventual bloqueio. e garantir um espaço de autonomia para a adminis- 60 BRASIL. Acessado em 18.gov.2 Propostas de codificação da neutralidade de rede no Brasil Na esteira da regulamentação global. Anexo à Consulta Pública no 45 da Agência Nacional de Telecomunicações. quanto as práticas de administração de rede que priorizem determinadas aplicações ou conteúdos.

foi proibir a discriminação não razoável do tráfego na rede.org/wiki/Deep_packet_inspection>. O parágrafo único do art. qualquer tentativa de impedir o envio de spam ou mesmo de evitar ataques de negação de serviço (DoS)62. Se tal norma fosse implementada. pois as contramedidas necessárias para impedir estes ataques requerem o bloqueio do acesso originado de determinados computadores. no Marco Civil. é crucial para permitir o funcionamento da rede. Tendo em vista a necessidade de criar exceções à regra geral da neutralidade optou-se. O problema de uma norma como essa seria a ausência de critérios mais objetivos para auxiliar na definição de quais condutas deveriam ser consideradas exceções lícitas. 10 vai além do estabelecimento da neutralidade e também veda práticas de monitoramento.wikipedia. Além de reforçar a proibição ao bloqueio de conteúdos na rede. 63 Esta prática tornou-se alvo 62 Para uma explicação simplificada de um ataque de negação de serviço veja: <http://pt. 63 . A opção adotada na norma do Federal Communications Commission dos EUA. Para uma visão geral da tecnologia veja: <http://en. por exemplo. houve uma preocupação adicional em evitar a prática conhecida como deep packet inspection. Acessado em 1o de julho de 2012. filtragem.org/ wiki/Ataque_de_nega%C3%A7%C3%A3o_de_servi%C3%A7o>.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 tração de tráfego. onerosa ou gratuita. é vedado monitorar. na ausência de conhecimento técnico necessário e sem outros critérios para basear suas decisões. filtrar. ressalvadas as hipóteses admitidas em lei.wikipedia. análise ou fiscalização de tráfego na rede. Acessado em 20 de julho de 2012. em função de certos requisitos técnicos. poderia interpretá-la de maneira absolutamente diferente do objetivo que se quer alcançar. que consiste na análise do conteúdo dos pacotes que trafegam pela rede por intermediários que deveriam somente transmiti-los. Existem outras maneiras de permitir a flexibilização do princípio da neutralidade. a proposta legislativa poderia ter adotado critérios adicionais para auxiliar o órgão regulador a estabelecer quais condutas deveriam constar nas exceções ao princípio da neutralidade. Uma regra absoluta proibiria. Na provisão de conexão à Internet. por delegar à Anatel o poder de regulamentar essas hipóteses. sua concretização dependeria exclusivamente do judiciário que.A REGULAÇÃO DA NEUTRALIDADE DE REDE 47 observatório da internet. analisar ou fiscalizar o conteúdo dos pacotes de dados. Parágrafo único. por exemplo. Além da delegação da regulamentação a uma entidade com capacidade técnica para tanto.

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de críticas quando uma empresa norte-americana começou a fazer acordos com provedores de acesso à Internet para monitorar o que seus usuários acessavam e oferecer propaganda a eles com base em seu histórico de acesso.64 Isso, contudo, não implica em uma vedação absoluta às práticas de monitoramento de dados na rede e a exceção prevista ao fim do parágrafo já encontra, por exemplo, uma hipótese de aplicação nos parágrafos 2 o e 3 o do art. 13 do Marco Civil da Internet. 65 A outra iniciativa de codificação do princípio da neutralidade de rede no Brasil encontra-se na consulta pública n o 45, realizada pela Anatel, que abordou o tema da seguinte maneira:
Art. 59. É vedado à prestadora realizar bloqueio ou tratamento discriminatório de qualquer tipo de tráfego, como voz, dados ou vídeo, independentemente da tecnologia utilizada. § 1 o A vedação prevista no caput desse artigo não impede a adoção de medidas de bloqueio ou gerenciamento de tráfego que se mostrarem indispensáveis à garantia da segurança e da estabilidade do serviço e das redes que lhe dão suporte; § 2 o Os critérios para bloqueio ou gerenciamento de tráfego de que trata o § 2 o desse artigo devem ser informados previamente a todos os assinantes e amplamente divulgados a todos os interessados, inclusive por meio de publicação no sítio da prestadora na Internet; § 3 o O bloqueio ou gerenciamento de tráfego deve respeitar a privacidade dos assinantes, o sigilo das comunicações e a livre, ampla e justa competição.

A proposta da Anatel assemelha-se ao do Marco Civil na proibição geral à discriminação. Contudo, a regra encontra vantagens sobre a outra proposta por alguns motivos. Primeiro, ela delineia melhor quais exceções ao princípio da neutralidade são permitidas (ou seja, somente aquelas relacionadas à garantia da segurança e da estabilidade do serviço ). Ao especificar, ele restringe as exceções e reforça a aplicação do princípio geral. Além disso, o regulamento

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Para um resumo da polêmica envolvendo as práticas de monitoramento desenvolvidas pela empresa Phorm, veja: <http://en.wikipedia.org/wiki/Phorm>. Acessado em 20 de julho de 2012.

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BRASIL. Projeto de Lei no 2.126/2011. Art. 13. Na provisão de aplicações de Internet é facultado guardar os registros de acesso dos usuários, respeitado o disposto no art. 7o.[...] §2o  Ordem judicial poderá obrigar, por tempo certo, a guarda de registros de acesso a aplicações de Internet, desde que se tratem de registros relativos a fatos específicos em período determinado, ficando o fornecimento das informações submetido ao disposto na Seção IV deste capítulo. §3o  Observado o disposto no §2o, a autoridade policial ou administrativa poderá requerer cautelarmente a guarda dos registros de aplicações de Internet, observados o procedimento e os prazos previstos nos §§ 3o e 4o do art. 11.

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estabelece um requisito mais rigoroso que o do Marco Civil para que a exceção seja possível. Enquanto nele é proibida a “discriminação ou degradação do tráfego que não decorra de requisitos técnicos necessários à prestação adequada dos serviços ” , o critério do regulamento é o da indispensabilidade que, ainda assim, se refere a hipóteses mais restritas. Além disso, o regulamento de qualidade prevê uma obrigação de transparência sobre as eventuais hipóteses de discriminação adotadas, prática que é crucial para que consumidores possam corretamente comparar os serviços que lhe são oferecidos por diferentes provedores de Internet e tomar decisões informadas. Por fim, vale lembrar que enquanto a norma geral do Marco Civil se aplicaria a qualquer tipo de acesso à Internet, o regulamento da Anatel abrangeria tão somente os prestadores do serviço de comunicação multimídia (SCM), ou seja, provedores de Internet. O acesso à Internet através da telefonia móvel não seria abarcado pela obrigação de neutralidade do regulamento. Apesar dessas críticas, as propostas são um importante avanço na defesa da neutralidade de rede e na garantia da manutenção das características técnicas originais da Internet.

na medida em que a maioria dos usuários ignora os diversos meios pelos quais seus dados pessoais são coletados e utilizados ao navegarem na rede.P R I VA C I D A D E 51 observatório da internet. foi aprovada a Lei sobre Acesso à Informação mantida por órgãos públicos e entidades privadas sem fins lucrativos que tenham recebido recursos públicos. levado a debate público por meio de procedimento inspirado no Marco Civil. de cunho individualista e preocupado em estabelecer . Essa lei é importante pelo uso estratégico que a Internet passa a ter no exercício do direito constitucional de acesso à informação. Além disso. Abandonando a clássica visão de um “direito a estar só”. o progresso científico também ensejou o surgimento de novas formas de violação da privacidade alheia.1 Privacidade e dados pessoais O desenvolvimento das tecnologias da informação. sobretudo da Internet. duas propostas regulatórias importantes merecem destaque: o Marco Civil da Internet e o Anteprojeto de Lei de Proteção a Dados Pessoais. como a facilidade e a rapidez na comunicação. Por outro lado. trouxe inegáveis benefícios à sociedade. a própria Internet se revela um ambiente propício para a violação do direito à privacidade. 4 4.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 # Privacidade O ano de 2011 foi significativo para os debates envolvendo a proteção da privacidade e dos dados pessoais no ambiente digital. a noção de privacidade e sua proteção não poderiam deixar de evoluir. Somado a isso. No Brasil. Considerando o contexto brevemente narrado acima.

no inciso LXXII do mesmo artigo. além da lei que regulamenta a ação de habeas data. Um anteprojeto de lei sobre a matéria foi levado a discussão pública em 2011. uma vez que tais dados podem revelar informações sensíveis (raça. ao estabelecer a inviolabilidade da vida privada no capítulo dedicado aos direitos da personalidade (art. armazenamento e utilização). disciplinado na lei 9. inciso X. etc. em seus artigos 43 e 44. as quais tem um potencial discriminatório. 5o. é o Código de Defesa do Consumidor. e inciso XII. de 12 de novembro de 1997. mas também a sociedade na qual os indivíduos se inserem. Ao contrário de outros países.).66 66 Vale citar também a Lei Complementar 105. Trata-se do remédio constitucional habeas data. A Constituição também assegura. incluindo os vizinhos Argentina e Uruguai. sexuais. opções políticas. bem como a possibilidade de retificação desses dados. regula a manutenção de bancos de dados e cadastros de consumidores. Também o Código Civil trata da privacidade. que tutela a intimidade e a vida privada. religiosas. o Brasil ainda não possui uma norma geral que trate da proteção dos dados pessoais. do domicílio e das comunicações. Desse modo. como será explicado adiante. de 10 de janeiro de 2001. O Brasil prevê proteção constitucional à privacidade no art. estabelecendo uma série de garantias a estes últimos.52 observatório da internet. que dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras e traz.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 P R I VA C I D A D E um limite à intromissão do Estado na vida das pessoas. no parágrafo 3o de seu artigo 1o. a concepção atual de privacidade se relaciona à necessidade de um maior controle na utilização das informações pessoais. 21). que. Esse controle serve para resguardar não somente os titulares dos dados. que garante a inviolabilidade da correspondência. . o direito de acesso do indivíduo às informações que lhe digam respeito e constem de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público. algumas regras que geram repercussão na proteção de dados pessoais. ao permitir o controle sobre as inúmeras possibilidades de seu tratamento (coleta. o direito à privacidade assume a importante função de proteção dos dados pessoais. A única norma que trata especificamente da proteção de dados pessoais.507.

Não é por outra razão que vem sendo objeto de crescente e intensa regulação no exterior.2 Iniciativas e propostas regulatórias com repercussão no tema da privacidade no Brasil 4. uma sensação de desconfiança por parte do cidadão e consumidor em relação à instituição que permitiu a difusão das informações. 4. o responsável pelo tratamento deve utilizar as medidas técnicas e administrativas proporcionais ao atu- . o vazamento de dados é capaz de provocar danos concretos em diversas ocasiões. justificadamente. ao obrigar que o tratamento de informações seja feito de modo a reduzir ao mínimo o risco de acesso não autorizado a esses dados (art. inclusive no Brasil. O anteprojeto tem importância para as políticas digitais em pelo menos três aspectos.2. O anteprojeto de lei foi fruto de uma parceria do Ministério da Justiça com o Observatório Brasileiro de Políticas Digitais. o seu uso é cada vez mais frequente e necessário para o desempenho de atividades pelos setores público e privado. No caso dos dados pessoais. o que concretizaria o direito constitucional à privacidade. 23). Desse modo. Além disso. e o seu conhecimento provoca. tendo como objetivo precípuo assegurar ao cidadão o controle e a titularidade sobre as suas próprias informações pessoais. constitui um desafio técnico e organizacional para as corporações que tratam esses dados.1 Vazamento de dados Um dos principais desafios (e preocupações) provocados pela facilidade de se registrar informações de grande volume é a possibilidade de seu “vazamento” ou difusão indevida. que serão abordados a seguir. E. como será visto adiante.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 4.1. O debate teve início em 30 de novembro de 2010 e se estendeu até 30 de abril de 2011. Casos de vazamento de dados têm se tornado comuns. A ausência de uma política de administração dessas informações faz com que a sua manipulação ocorra de modo descuidado e em quantidades excessivas.1 Anteprojeto de lei de dados pessoais Em 2011 foi finalizado o debate público da proposta de um marco normativo para a proteção da privacidade e dos dados pessoais.2. O anteprojeto de lei sobre dados pessoais também trata da questão. mesmo que não se torne público. acidental ou mesmo intencional.P R I VA C I D A D E 53 observatório da internet. o que facilita a sua difusão pública.

entre outros danos. biométricos e os referentes à vida sexual do indivíduo (art. .2. será considerado ilegal qualquer tratamento de dados sensíveis que seja utilizado para fins discriminatórios ao seu titular (parágrafo 2 o do art. filosófica ou políticas. Já de início. É possível visualizar a importância que os dados sensíveis possuem no desempenho de algumas atividades no âmbito digital. Por outro lado. 4o. constituindo. sempre que possível. 4. devem ser capazes de prevenir a ocorrência desses danos (princípio da prevenção – inciso X. ou o acesso não autorizado a informações pessoais (princípio da segurança física e lógica – art. que dependem da manipulação constante de dados pessoais. moral. à natureza dos dados e às características específicas do tratamento. de forma direta ou indireta. além dos dados de saúde. 8o). assim considerados aqueles dados pessoais que. partidos ou organizações religiosas. individual ou coletivo. podem ensejar discriminação para o seu titular. as opiniões políticas. contudo. lista algumas situações em que o tratamento de dados sensíveis será permitido. salvo se houver disposição legal expressa.1. e da sua alimentação pelos próprios usuários do serviço.54 observatório da internet.2 Tratamento de dados sensíveis Outro tema controverso e preocupante envolve o tratamento de dados sensíveis. inciso VII). Ademais. se para finalidade de pesquisa (inciso IV ) ou se envolver dados manifestamente tornados públicos pelo seu titular (inciso V ). tais medidas. O tratamento de dados pessoais é considerado atividade de risco pelo anteprojeto. filosóficas ou morais. Isso significa que. veda o fornecimento obrigatório desses dados (art. inclusive. genéticos. inciso I). art. 21). O anteprojeto dedica um capítulo à regulamentação do tratamento de dados sensíveis. a filiação a sindicatos. 6 o). responderá quem fez o tratamento de modo objetivo (art. acidental ou ilícita. inciso IV). de modo a evitar. 21) e proíbe a formação de bancos com informações que revelem. em caso de vazamento de dados pessoais ou de qualquer outro dano patrimonial. O anteprojeto coloca como exemplos de dados sensíveis aqueles relacionados à origem étnica ou racial. o próprio cerne da atividade exercida. Assim ocorre com as redes sociais. O anteprojeto. em alguns casos. dados dessa natureza. 8o. como em caso de prévio consentimento do seu titular e quando for indispensável para o exercício de atribuições legais ou estatutárias de quem realiza a sua utilização (parágrafo 1 o. muitos dos quais sensíveis. as convicções religiosas.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 P R I VA C I D A D E al estado da tecnologia. pela sua natureza. a difusão.

já mencionados no item anterior. 9o). O tratamento estará adstrito às finalidades “determinadas. o que se torna mais concreto na garantia do usuário ao ter definido no contrato de prestação de serviços de Internet o regime de proteção de seus dados pessoais.2 A privacidade no Marco Civil da Internet Outra proposta normativa de visível importância para as políticas digitais no país é o Anteprojeto de Lei chamado Marco Civil da Internet. 4. Desse modo. 5o. Além disso. o anteprojeto prevê que os dados pessoais somente podem ser tratados após prévio consentimento do seu titular e desde que esse consentimento seja livre. direitos e deveres para uso da Internet no país. por exemplo.2. no caso do e-mail . A respeito do assunto. . 8o. a disposição de anúncios na página da conta de e-mail do usuário conforme seus hábitos e interesses. 7°.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 4. registros de conexão e registros de acesso a aplicações de Internet (art. Em caso de utilização de dados sensíveis.3 Publicidade comportamental Outra atividade que envolve o tratamento de dados pessoais na Internet e pode ter repercussões negativas para a proteção da privacidade dos consumidores é a publicidade comportamental.2. Além disso. o Marco Civil prevê a proteção da privacidade e dos dados pessoais. essa prática pode ser considerada uma invasão de privacidade. inciso IV ). inciso VI). inciso I). mas também extremamente incômoda para quem a recebe.P R I VA C I D A D E 55 observatório da internet.1. o tratamento deverá ser obrigatoriamente orientado pelas finalidades que motivaram a coleta dos dados e foram informadas ao seu titular. conforme um dos princípios fundamentais do Anteprojeto. explícitas e legítimas” do responsável pela utilização dos dados (art. que envolve. expresso e informado (art. Ao estabelecer princípios. pode ser útil. garantias. estaria vedada a prática de propaganda comportamental que envolva determinado tratamento para o qual não foi obtido consentimento do titular dos dados. na medida em que se baseia no levantamento de informações na correspondência pessoal. Uma das problemáticas que envolvem o tema é diretamente abordada pelo Marco Civil e diz respeito à guarda e disponibilização de registros de conexão 67 e de 67 Compõem o conjunto de informações referentes à data e hora de início e término de uma conexão à Internet. deverão ser observados também os dispositivos específicos sobre tais dados. do usuário. Essa forma de publicidade. sua duração e o endereço IP utilizado pelo terminal para o envio e recebimento de pacotes de dados (art.

O prazo de manutenção dos registros poderá ser superior mediante requisição cautelar de autoridade judicial ou administrativa (art. caput e parágrafo 2°). parágrafo 2°). o administrador do sistema autônomo 69 deverá manter tais registros sob sigilo. incluindo a Organização das Nações Unidas e a Organização dos Estados Americanos. 12). pelo prazo de um ano. reconhecem o acesso à informação 68 O conjunto de informações referentes à data e hora de uso de uma determinada aplicação de Internet a partir de um determinado endereço IP (art. 5o. ser guardados ou não. 5o. Tais registros de acesso poderão. a cargo do provedor de aplicações de Internet. devidamente cadastrada no ente nacional responsável pelo registro e distribuição de endereços IP geograficamente referentes ao País” (art. A premissa é que um cidadão bem informado passa a ter mais condições não só de conhecer os seus direitos essenciais. previstos no art. a educação e benefícios sociais. em razão de ordem judicial. inciso VIII). caso se relacionem a fatos específicos em periodo determinado (art. Por outro lado. Trata-se da “pessoa física ou jurídica que administra blocos de endereço Internet Protocol – IP específicos e o respectivo sistema autônomo de roteamento. A guarda desses registros poderá ser obrigatória. como a saúde. 2011).br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 P R I VA C I D A D E acesso 68 a aplicações de Internet. fica vedado o armazenamento de registros de acesso no caso de provisão de conexão.2. 12. 69 . 10). mas também de participar de modo efetivo da tomada de decisões que poderão afetá-lo (CGU. a vida privada. Diversos organismos internacionais. seja onerosa ou gratuita (art. o anteprojeto determina que o provedor responsável pela guarda somente será obrigado a disponibilizar as informações que levem à identificação do usuário mediante autorização judicial (art. 11. parágrafo 1 o). Na parte geral sobre guarda de registros. 4.56 observatório da internet. criminal e administrativas. respeitados os direitos do usuário. o infrator ficará sujeito a sanções de natureza civil. 10. o projeto de lei obriga que a guarda e a disponibilização desses registros ocorra de modo a preserver a intimidade. Em relação aos registros de conexão à Internet. Em caso de violação do dever de sigilo estabelecido no Marco Civil. a honra e a imagem das partes direta ou indiretamente envolvidas (art. Pela possibilidade de revelarem informações pessoais.3 Lei de acesso à informação pública O acesso à informação pública é hoje compreendido como um dos fundamentos para a consolidação da democracia. inciso III). 7°. em ambiente controlado e de segurança.

O requerente poderá recorrer no caso de indeferimento do pedido de acesso ou de negativa de acesso (art. 2 o). cerca de 90 países hoje adotam legislações específicas sobre o tema. projetos e obras. guardada. se estiver disponível. Entre as informações a serem disponibilizadas estão endereços e telefones das unidades e horários de atendimento ao público. Legislativo e Judiciário). desde que não classificadas como sigilosas.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 como um direito fundamental. sendo obrigatório apenas conter a identificação do requerente e a especificação da informação solicitada. estadual. prevê o exercício da transparência ativa ao obrigar órgãos e entidades públicos a divulgarem. No Brasil. a exceção (CGU. Distrito Federal e município (art. passou a regulamentar o direito de acesso à informação. a lei estabelece prazos para o repasse das informações ao requerente: a resposta deve ser dada imediatamente. §3 o. distrital e municipal). . que já era previsto constitucionalmente (artigos 5 o. A lei 12. Para os pedidos de acesso feitos pelos cidadãos. fundações públicas. o que inclui sites da Internet (parágrafo 2 o). inciso XXXIII. ações. 37 o. inciso III). A lei é uma importante contribuição para as políticas digitais.527. organizada e gerenciada pelo Estado em nome da sociedade é um bem público. solicitar acesso às informações públicas. de todos os níveis de governo (federal. Na mesma linha. dados gerais para acompanhamento de programas. 1 o). na medida em que visualiza o potencial dos meios de comunicação viabilizados pela tecnologia da informação na efetivação do direito de acesso à informação (art. prorrogáveis por mais 10 dias. de 18 de novembro de 2011. bem como autarquais. 15o). Submetem-se aos procedimentos dessa lei os órgãos e entidades públicas dos três Poderes (Executivo. a lei n o 12. as informações de interesse coletivo ou geral que produziram ou custodiaram. conforme procedimento que será abordado adiante. assim como os Tribunais de Contas e o Ministério Público. Há então uma mudança de paradigma em matéria de transparência pública. 3 o.527/2011 se apoia na noção de que a informação produzida. sociedades de economia mista e demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União. §2°. Qualquer cidadão poderá. ao se estabelecer que o acesso é a regra.P R I VA C I D A D E 57 observatório da internet. da Constituição Federal). A lei também se aplica a entidades privadas sem fins lucrativos que tenham recebido recursos públicos para a realização de ações de interesse público (art. em local de fácil acesso. Além disso. ou em até 20 dias. estados. O pedido não precisa ser justificado. 2011). e respostas a perguntas mais frequentes da sociedade. inciso II. 216 o. portanto. e o sigilo. empresas públicas.

honra e imagem das pessoas (art. sendo vedada a identificação do titular das informações. As demais informações de acesso restrito são aquelas consideradas sigilosas. a lei prevê que o seu tratamento deve ser feito de modo transparente e com respeito à intimidade. Contudo. A lei especifica as autoridades com prerrogativa de classificar as informações nos diferentes graus de sigilo. atividades de inteligência). renovável uma vez. vida privada. c) cumprimento de ordem judicial. e e) proteção do interesse público e geral preponderante. Quanto mais estrito o sigilo. As informações públicas poderão ser classificadas como: I) ultrassecretas. exceções à regra de acesso no caso de dados pessoais e informações classificadas pelas autoridades como sigilosas. e III) reservadas. com prazo de segredo de 25 anos. relações internacionais. A respeito das informações pessoais. 31 o). Essas informações dependem de consentimento expresso do seu titular ou de previsão legal para que possam ser divulgadas a terceiros. d) defesa de direitos humanos. 21 o). não poderão ter acesso restrito às informações ou documentos que versem sobre condutas que impliquem em violação dos direitos humanos praticadas por agentes públicos ou a mando de autoridades públicas (art. No entanto. consideradas aquelas relativas “à pessoa natural identificada ou identificável” (art. contudo. 27 o). segurança ou saúde da população) ou do Estado (soberania nacional. 4 o. quando a pessoa for física ou legalmente incapaz. b) realização de estatísticas e pesquisas científicas de interesse público ou geral. e para utilização no tratamento médico. II) secretas. . A regra geral é que uma informação pública somente poderá ser classificada como sigilosa se considerada imprescindível à segurança da sociedade (à vida. com prazo de segredo de 15 anos. maior o nível hierárquico do agente público (art. será possível obter acesso à informação pessoal sem a exigência de prévio consentimento do seu titular nos casos em que o acesso a tais informações for necessário para: a) prevenção e diagnóstico médico.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 P R I VA C I D A D E Há. IV ).58 observatório da internet. com prazo de segredo de 5 anos (art. 24 o).

A Ley de Protección de Datos Personales ( Ley N o 29.huntonprivacyblog.733 ) foi apresentada pela presidência a fim de adequar o Peru aos acordos de livre comércio que possui com Estados Unidos e Canadá e o futuro acordo com a União Europeia. Acesso em 20 de julho de 2012.3. O regulamento é visto como um importante marco rumo à adoção de uma lei nacional de proteção a dados pessoais pelo país. Em abril de 2011. 70 No contexto asiático. As novas regras apresentam similaridades com a legislação europeia sobre privacidade e a sua implementação é tida como um desafio para prestadores de serviço e consumidores. 71 72 . evidentemente. Argentina. duas iniciativas importantes foram adotadas. bem como a adoção de medidas adicionais de segurança. Tais obrigações exigem que as corporações estabeleçam políticas de privacidade.3 Iniciativas e propostas regulatórias com repercussão no tema da privacidade no âmbito internacional 4. incluindo Chile. Disponível em: <http://www.72 70 Disponível em: <http://www. tendo como inspiração a experiência normativa europeia. Essas regras impõem uma série de obrigações às corporações que promovam o tratamento de dados pessoais.P R I VA C I D A D E 59 observatório da internet. restrinjam o processamento de dados sensíveis e a transferência internacional de dados. a Índia adotou novas regras sobre privacidade. Acesso em 20 de julho de 2012. alguns países aprovaram normas que dispõem sobre a proteção de dados pessoais. Disponível em: <http://www. 71 A China. Contudo.huntonprivacyblog.com/2011/05/articles/india-drafts-new-privacy-regulations/>. Uruguai.com/2011/11/articles/new-chinese-legislation-includesprovisions-protecting-personal-information/>. em setembro de 2011.1 Normas sobre proteção de dados pessoais Em 2011. também não possui uma legislação uniforme sobre a proteção de dados pessoais. a província de Jiangsu publicou o Regulamento de Tecnologia da Informação. o que.huntonprivacyblog. mas a maioria se dirige especificamente a determinadas áreas (comércio eletrônico ou bancos). Acesso em 20 de julho de 2012. a adotar uma legislação específica sobre o tema. terá impacto no tratamento desses dados na Internet. México e Colômbia. A China possui diversas normas sobre a proteção de informações pessoais.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 4.com/2011/08/articles/english-translation-of-peruslaw-for-personal-data-protection-released/>. conhecidas como Information Technology Rules . O Peru se junta ao grupo dos países latino-americanos. que inclui dispositivos sobre a coleta e o uso de dados pessoais e sanções em caso de violação a essas previsões. a exemplo do Brasil.

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a gestão de Juca Ferreira. Ciente do descompasso da lei atual e de toda sua problemática. sob a gestão de João Luiz Silva Ferreira (Juca Ferreira). sintonizar a legislação com os novos paradigmas estabelecidos pelo ambiente digital. envolvendo diversos setores da sociedade. segundo o governo Lula e em consonância com a gestão anterior.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A regulação da Internet na # reforma da Lei de Direitos Autorais: o Artigo 105-A da proposta 5 Após um longo processo de audiências. e viabilizar a atuação do Estado na formulação de políticas públicas de . ampliar e democratizar o acesso da população aos bens e serviços culturais. Ao longo da consulta pública. ao mesmo tempo. é a primeira vez que adotamos uma atitude progressista voltada para a regulação dos direitos autorais.610. pretendeu. constituir um instrumento para desenvolver e consolidar a economia da cultura no país. seminários e reuniões iniciado em 2007.A REGULAÇÃO DA INTERNE T NA REFORMA DA LEI DE DIREITOS AUTORAIS: O AR TIGO 105-A DA PROPOSTA 61 observatório da internet. Historicamente. Entre os principais objetivos da proposta. promover o equilíbrio de direitos entre todos envolvidos. o Ministério da Cultura apresentou justificativas e esclarecimentos bastante elucidativos. levado à consulta pública em junho de 2010. elaborou um anteprojeto de lei para a reforma da Lei de Direitos Autorais (LDA – Lei n o 9. à informação e à cultura. garantindo. permitindo que a sociedade entendesse a exata intenção do governo com a reforma da lei. através da revisão da lei. os direitos constitucionais dos autores e da sociedade de ter acesso à educação. de Gilberto Gil. encontram-se: ampliar e assegurar efetivo estímulo e proteção aos autores e às suas criações. o Ministério da Cultura. de 1998).

Durante o período de análise do texto pela Ministra da Cultura e pela Diretoria de Direitos Intelectuais da Secretaria de Políticas Culturais. 73 Em janeiro de 2011. sob pena de invalidade: 73 Ver <http://www. um trecho é de especial interesse no que diz respeito à regulação da Internet.br/ site/2011/04/20/ultima-fase-da-revisao-da-lda/>. Ana Buarque de Hollanda assumiu o Ministério da Cultura e. permitindo comentários apenas sobre alguns temas e somente por especialistas. houve o encaminhamento de volta à Casa Civil. sendo facultada a criação de mecanismo automatizado para atender aos procedimentos dispostos nesta Seção. Dentre as alterações. As regras referentes à nova consulta podem ser encontradas no site: <http://www. a responsabilização solidária de provedores de conteúdo que não tomarem as providências cabíveis para tornar indisponível o conteúdo apontado como infringente pelo titular dos direitos autorais.  por danos decorrentes da colocação à disposição do público de obras e fonogramas por terceiros. onde o projeto se encontra para análise e posterior envio ao Congresso Nacional.gov. no âmbito do seu serviço e dentro de prazo razoável. sem autorização de seus titulares. Os provedores de aplicações de Internet poderão ser responsabilizados solidariamente. o Anteprojeto de revisão da Lei de Direito Autoral retornou da Casa Civil para o Ministério da Cultura. em seu art.62 observatório da internet. supervisão. 105-A. tornar indisponível o conteúdo apontado como infringente. § 1 o Os provedores de aplicações de Internet devem oferecer de forma ostensiva ao menos um canal eletrônico dedicado ao recebimento de notificações e contranotificações. regulação e defesa dos interesses da sociedade e do país no âmbito interno e nos fóruns internacionais. o texto do artigo estabelece que: Art. 105-A. em função da mudança na gestão. nos termos do art. Acesso em 3 de março de 2012. O processo de consulta ocorreu entre os dias 25 de abril e 30 de maio de 2011. 105. 74 .cultura.cultura. O texto enviado à Casa Civil prevê. se notificados pelo titular ofendido ou mandatário e não tomarem as providências para. Dessa forma. § 2 o A notificação de que trata o caput deste artigo deverá conter. optou-se por novas alterações e por abrir novamente o texto para consulta 74.gov. Acesso em 15 de maio de 2010. Terminada essa etapa de elaboração da proposta final do anteprojeto de lei. desta vez de forma menos democrática e menos transparente.br/site/2010/04/12/nota-a-sociedade-sobre-a-revisao-da-lei-de-direito-autoral/>.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A REGULAÇÃO DA INTERNE T NA REFORMA DA LEI DE DIREITOS AUTORAIS: O AR TIGO 105-A DA PROPOSTA promoção.

requerendo a manutenção do conteúdo e assumindo a responsabilidade exclusiva pelos eventuais danos causados a terceiros. § 8 o Os usuários que detenham poderes de moderação sobre o conteúdo de terceiros se equiparam aos provedores de aplicações de Internet para efeitos do disposto neste artigo. o que pode causar alguns problemas. observados os requisitos do § 2 o. comunicando-lhe o teor da notificação de remoção e fixando prazo razoável para a eliminação definitiva do conteúdo infringente. O titular obviamente tem. um incentivo para notificar todo e qualquer uso não autorizado de sua obra. II – data e hora de envio. poderá contranotificar os provedores de aplicações de Internet. seja pelo provedor. seus números de registro civil e fiscal e dados atuais para contato. § 7 o Tanto o notificante quanto o contranotificante respondem. Isso ocorre porque a mera possibilidade de responsabilização do provedor já constitui incentivo suficiente para que o provedor acate.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 I – identificação do notificante. nos termos da lei. III – identificação clara e específica do conteúdo apontado como infringente. observados os requisitos do § 2 o. e desde que presentes os requisitos de validade da notificação. física ou jurídica. caso em que caberá aos provedores de aplicações de Internet o dever de restabelecer o acesso ao conteúdo indisponibilizado e informar ao notificante o restabelecimento. sem questionar. § 3 o Ao tornar indisponível o acesso ao conteúdo. seja pelo Judiciário. por informações falsas. assumindo a responsabilidade pela manutenção do conteúdo. incluindo seu nome completo. cabe aos provedores de aplicações de Internet manter o bloqueio. § 6 o Qualquer outra pessoa interessada. todas as ordens de remoção de conteúdo enviadas por titulares. e V – justificativa jurídica para a remoção. errôneas e pelo abuso ou má-fé. por seu turno. § 5 o É facultado ao responsável pela colocação à disposição do público. independentemente da análise da procedência do pedido. . Em primeiro lugar.A REGULAÇÃO DA INTERNE T NA REFORMA DA LEI DE DIREITOS AUTORAIS: O AR TIGO 105-A DA PROPOSTA 63 observatório da internet. que permita a localização inequívoca do material pelo notificado. deve-se destacar que a proposta determina a remoção de conteúdos supostamente infringentes. § 4 o Caso o responsável pelo conteúdo infringente não seja identificável ou não possa ser localizado. caberá aos provedores de aplicações de Internet informar o fato ao responsável pela colocação à disposição do público. Posto de outro modo. contranotificar os provedores de aplicações de Internet. IV – descrição da relação entre o notificante e o conteúdo apontado como infringente. o dispositivo transfere para o titular o poder de decidir sobre a legalidade do uso da obra.

caso em que caberá aos provedores de aplicações de Internet o dever de restabelecer o acesso ao conteúdo indisponibilizado e informar ao notificante o restabelecimento. física ou jurídica. como demonstrou o prof. poderiam ser livremente e legalmente publicadas na Internet. § 6o – Qualquer outra pessoa interessada. mesmo acreditando não haver ilegalidade em sua conduta.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A REGULAÇÃO DA INTERNE T NA REFORMA DA LEI DE DIREITOS AUTORAIS: O AR TIGO 105-A DA PROPOSTA Enquanto em alguns casos não restarão dúvidas sobre o caráter infringente do uso de determinada obra. 75 O dispositivo. enquanto o provedor de Internet. opte por não apresentar contranotificação pelo receio de ser responsabilizado e por ter que arcar com os dispendiosos custos de um processo judicial. Muito pelo contrário. de outra forma. 76 Optando pela contranotificação. contranotificar os provedores de aplicações de Internet. em que o uso consistirá em uma limitação ao direito do autor. poderá dar ensejo ao uso abusivo do direito do autor. da forma como se encontra. requerendo a manutenção do conteúdo e assumindo a responsabilidade exclusiva pelos eventuais danos causados a terceiros. como alguns podem imaginar. 76 77 . Apesar do dispositivo legal. Além disso. desde que assuma responsabilidade por eventual infração autoral realizada pelo autor da publicação original. previsto nos artigos 46 e seguintes da LDA. poderá contranotificar os provedores de aplicações de Internet. deve imediatamente republicar o conteúdo.64 observatório da internet. já há diversos casos de arquivos públicos que simplesmente ignoram o domínio público. diante de uma eventual contranotificação. o usuário passa a assumir a responsabilidade exclusiva pelo conteúdo e por eventuais danos causados. outros tantos existirão em que somente a análise individual e contextualizada poderá determinar se o uso é ilegal ou não. qualquer outra pessoa interessada pode contranotificar. hipótese em que o uso independe de autorização do autor. § 5o – É facultado ao responsável pela colocação à disposição do público. observados os requisitos do § 2o. Poderão também ocorrer casos em que a obra já esteja em domínio público e que a alocação de incentivos entre provedores. colocando restrições e cobrando pagamentos pelo uso de obras em domínio público. Sérgio Branco em seu livro “O Domínio Público no Direito Autoral Brasileiro”. observados os requisitos do § 2o. em seu parágrafo 5 o – facultar ao responsável pela colocação à disposição do público a contranotificação dos provedores e a manutenção do conteúdo – é muito provável que este usuário. por exemplo. assumindo a responsabilidade pela manutenção do conteúdo. usuários e titulares acarretem na retirada de obras que. tais como o direito à liberdade de expressão e as exceções e limitações ao direito do autor. conforme o parágrafo 6 o deste mesmo artigo. podendo restringir severamente alguns direitos. Casos poderão existir. 77 75 Vale destacar que esta não é uma possibilidade remota.

A REGULAÇÃO DA INTERNE T NA REFORMA DA LEI DE DIREITOS AUTORAIS: O AR TIGO 105-A DA PROPOSTA 65 observatório da internet. a uniformização das propostas deveria caminhar no sentido de exigir ordem judicial para remoção do conteúdo supostamente infringente também no presente projeto. 105-A diz respeito justamente à harmonização do regime da Lei de Direitos Autorais com o proposto no Marco Civil da Internet. Conforme debatido no âmbito do Marco Civil da Internet. a redação final passou a exigir ordem judicial para remover qualquer conteúdo apontado como infringente. um dos objetivos da proposição do art.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 Além disso. a aprovação de um sistema que defina a responsabilidade dos intermediários por conteúdo postado por terceiros criaria um incentivo econômico para que estes promovam a remoção de conteúdo independentemente de uma avaliação do Poder Judiciário sobre a ilegalidade da informação apontada como infringente. Dessa forma. Ocorre que. após larga discussão no âmbito da consulta pública do Marco Civil da Internet. .

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New York: Cambridge University Press. como os instrumentos sem caráter obrigatório. vários atores. autorregulação. 851-2. Estes possuem caráter voluntário e podem ser formulados com a participação de atores governamentais e não governamentais. O regime de governança da Internet tem algumas características particulares que o distinguem de grande parte dos regimes internacionais: 1) é multissetorial. 6 78 Uma variedade de instrumentos se encontra sob o manto genérico da soft law. soft law 78 e boas práticas tem um papel importante para o avanço do regime. Os objetivos principais do regime de governança da Internet são. com relativa igualdade. por um lado. vol 38. que estabelecem metas gerais e programas de ação. comunidade técnica e acadêmica. C. 2) a legitimidade dos participantes do regime advém sobretudo da sua expertise e de sua capacidade de contribuir no processo de elaboração de políticas.GOVERNANÇA DA INTERNE T 67 observatório da internet. 1989. por outro. p. The Challenge of soft law: development and change in international law. normas de conduta e de tomada de decisão relacionados à Internet. ou seja. setor privado. princípios. sociedade civil. compartilhar informações e boas práticas de maneira a avançar rumo à harmonização e a compatibilização de políticas. garantir o bom funcionamento da rede e. dele participam. International and Compartive Law Quarterly.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 # Governança da Internet 6.1 Governança da Internet no plano internacional A governança da Internet refere-se aos processos segundo os quais emergem os consensos. Recebem essa denominação tanto os tratados que incluem obrigações vagas ou fracas. 3) os resultados dos processos de governança nem sempre se materializam em tratados ou acordos formais. como as resoluções e termos de conduta. . Chinkin. como governos.

a exemplo do que aconteceu na Primavera Árabe. mas acentuou-se bastante. Os exemplos que corroboram o aumento da importância do tema nas agendas políticas nacionais são abundantes: os seminários promovidos pelo Conselho da Europa. a governança da Internet tornou-se um tema extremamente politizado. como vazamentos de informação. o tema expandiu-se para além dos Ministérios que lidam com comunicações e tecnologia. como a proteção à propriedade intelectual on-line . As decisões tomadas no plano internacional. por exemplo. ações coordenadas de hackers e crackers e ataques DDoS impulsionaram a discussão sobre segurança nos meios de comunicação. Diante disso. o Fórum sobre a Internet promovido pelo G8 antes da reunião de cúpula de Deauville e as discussões no âmbito do Fórum IBAS.68 observatório da internet. que congrega Índia. Parece ter havido a superação definitiva do entendimento de que a governança da Internet é um tema exclusivamente técnico e de que se resume à gestão da infraestrutura e dos recursos críticos (nomes de domínio e números IP). Brasil e África do Sul. Vários incidentes.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 GOVERNANÇA DA INTERNE T A governança da Internet pode ser exercida em vários níveis – nacional. O processo de politização do tema não é novo.2 Um panorama da governança da Internet em 2011 Ao longo do ano de 2011. regional e global –. dentre outros. Houve também esforços para que certos temas. a conferência de Viena sobre Internet e Direitos Humanos. do acesso a conteúdos. o que amplia os desafios para coordenar as políticas de governança da Internet no âmbito governamental. o acompanhamento das discussões no âmbito internacional é de fundamental importância para que se possa influir nas futuras políticas de regulação da rede. As questões ligadas à cibersegurança e aos direitos humanos tiveram destaque. impactam e restringem as opções de regulação e de políticas que podem ser adotadas nacionalmente. principalmente diante das repercussões do WikiLeaks e da importância da Internet para o ativismo social. tivessem destaque nas discussões sobre segurança. que se influenciam mutuamente. da liberdade de expressão. Os temas tratados nos fóruns internacionais dedicados à governança da Internet têm íntima relação com os interesses dos usuários da rede: neles há a discussão da privacidade. em um processo contínuo de recrudescimento do enforcement . Concomitantemente. da segurança e de estratégias para a ampliação do acesso e barateamento dos custos de conexão. 6.

como os provedores de acesso e as entidades de registro de nomes de domínio. no processo de elaboração do Marco Civil da Internet. O mesmo entendimento prevaleceu no Brasil. Diante dessa combinação de fatores. como as suas políticas de privacidade. inclusive sobre a privacidade. dentre outros. alguns atores privados.br. que irão servir de baliza à elaboração e harmonização de normas e de políticas públicas. Tornou-se mais palpável também a tendência de privatização da governança da Internet. como as redes sociais.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 e majoração das penalidades. Tanto o Marco Civil como os princípios para a Governança e uso da Internet no Brasil. e um Grupo de Trabalho foi criado com o intuito de fazer sugestões para o aperfeiçoamento do Fórum. elaborada. Por outro lado. têm sido cada vez mais pressionados a atuar como vigilantes do comportamento dos usuários na rede e a agir como partícipes para coibir condutas reputadas ilícitas. é possível prever o maior interesse da sociedade sobre o tema da governança da Internet. Encontra-se em curso ainda a implementação da controversa decisão de criar novos nomes de domínio genéricos de primeiro nível ( top level domain names ou gTLDs). em um processo de privatização e terceirização da aplicação da lei. A ICANN (Corporação da Internet para Designação de Nomes e Números ou Internet Corporation for Assigned Names and Numbers ) também passa por um processo de reforma administrativa e de escolha de um novo CEO. Paralelamente. sobretudo para garantir que . Uma pluralidade de iniciativas para definição desses princípios foi trazida à tona. pela OCDE. iniciou-se um processo de rediscussão de algumas das principais instituições relacionas à governança da Internet.   Em 2011. houve a intensificação das discussões acerca da liberdade de expressão e de associação na rede e sobre as possíveis implicações negativas das políticas de segurança sobre os direitos humanos. pelo Conselho da Europa e pela União Europeia. têm fornecido elementos para a discussão no plano internacional. A Assembleia Geral das Nações Unidas decidiu renovar o mandato do Fórum de Governança da Internet (IGF) até 2015.GOVERNANÇA DA INTERNE T 69 observatório da internet. A convergência entre plataformas acentua esse quadro e deixa os usuários vulneráveis diante das decisões que são tomadas unilateralmente pelas empresas acerca de temas importantes. elaborados pelo CGI. diante da fragmentação da rede em plataformas fechadas e operadas em regime privado. Consolida-se no âmbito internacional o entendimento de que é preciso desenvolver princípios norteadores para a governança da Internet.

alguns chegam a afirmar que a Internet passa por um momento “constitucional”. 79 6. O CGI. Fazendo um paralelo com os processos políticos que ocorrem no âmbito nacional.br. considerando a necessidade de lastrear suas ações e decisões em bases sólidas. 80 .br também foi um dos pioneiros na discussão sobre princípios para a Internet.br representa um modelo de governança democrático e plural.br aprovou os seguintes princípios para a governança e uso da Internet no Brasil: 80 79 IGF workshop 144: Human Rights Come First: a Constitutional Moment for Internet Governance? Nairobi. Acesso em 20 de julho de 2012. o CGI. do terceiro setor e da comunidade acadêmica. do setor empresarial. Princípios da para a governança e uso da Internet no Brasil.br/regulamentacao/resolucao2009-003.70 observatório da internet. 2011. em que os representantes de cada segmento não governamental são eleitos para compor um órgão colegiado que exerce o papel de coordenar e integrar as iniciativas de serviços de Internet no país.htm>. RES/2009/003/P.br para a governança e uso da Internet no Brasil O Comitê Gestor da Internet – CGI. 6.cgi.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 GOVERNANÇA DA INTERNE T direitos já consagrados sejam respeitados na rede. CGI. Composto por membros do governo. o CGI. Acesso em 20 de julho de 2012.3 Iniciativas voltadas à elaboração de princípios para a governança da Internet Há um consenso emergente na cena internacional de que é importante desenvolver um quadro harmônico de princípios gerais antes de promover a regulação de temas específicos relacionados à Internet.intgovforum. Disponível em: <http://www.3.org/cms/component/content/article/71-transcripts/815-ig4d-workshop-144-human-rights-come-first-a-constitutional-moment-for-internet-governance>.br é uma experiência pioneira e única. Em 2009. Disponível em: <http://www. sobretudo com as empresas.1 Princípios do CGI. Esse rol de princípios comuns ajudaria a promover a convergência entre os atores e balizaria normas internacionais. já que os princípios em discussão atualmente podem servir de base a todo o arcabouço normativo que se aplicará à sociedade em rede no futuro. Pode-se prever ainda o maior envolvimento dos governos nesse tema e uma possível tentativa de aprofundar o diálogo com os atores privados.

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1. Liberdade, privacidade e direitos humanos O uso da Internet deve guiar-se pelos princípios de liberdade de expressão, de privacidade do indivíduo e de respeito aos direitos humanos, reconhecendo-os como fundamentais para a preservação de uma sociedade justa e democrática. 2. Governança democrática e colaborativa A governança da Internet deve ser exercida de forma transparente, multilateral e democrática, com a participação dos vários setores da sociedade, preservando e estimulando o seu caráter de criação coletiva. 3. Universalidade O acesso à Internet deve ser universal para que ela seja um meio para o desenvolvimento social e humano, contribuindo para a construção de uma sociedade inclusiva e não discriminatória em benefício de todos. 4.  Diversidade A diversidade cultural deve ser respeitada e preservada e sua expressão deve ser estimulada, sem a imposição de crenças, costumes ou valores. 5.  Inovação A governança da Internet deve promover a contínua evolução e ampla difusão de novas tecnologias e modelos de uso e acesso. 6.  Neutralidade da rede Filtragem ou privilégios de tráfego devem respeitar apenas critérios técnicos e éticos, não sendo admissíveis motivos políticos, comerciais, religiosos, culturais ou qualquer outra forma de discriminação ou favorecimento. 7. Inimputabilidade da rede O combate a ilícitos na rede deve atingir os responsáveis finais e não os meios de acesso e transporte, sempre preservando os princípios maiores de defesa da liberdade, da privacidade e do respeito aos direitos humanos. 8. Funcionalidade, segurança e estabilidade A estabilidade, a segurança e a funcionalidade globais da rede devem ser preservadas de forma ativa por meio de medidas técnicas compatíveis com os padrões internacionais e estímulo ao uso das boas práticas. 9. Padronização e interoperabilidade A Internet deve basear-se em padrões abertos que permitam a interoperabilidade e a participação de todos em seu desenvolvimento. 10. Ambiente legal e regulatório O ambiente legal e regulatório deve preservar a dinâmica da Internet como espaço de colaboração.

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Esse rol de princípios foi apresentado aos participantes do IGF como uma contribuição brasileira à discussão sobre princípios no plano global, tendo obtido ampla aceitação. Markus Kummer, ex-secretário-executivo do IGF, opinou: “Eu poderia imaginar um consenso em torno destes princípios fundamentais. Ficaria feliz em apoiá-los”. Vint Cerf acrescentou: “Estes são princípios que eu acho que podem ser amplamente aceitos”. 81 O documento elaborado pelo CGI.br foi um dos estímulos a iniciativas voltadas a elaboração de princípios surgidas desde então.

6.3.2 Princípios elaborados pelo Conselho da Europa (CoE)
O Conselho da Europa (CoE) é uma organização internacional que visa promover a cooperação entre países europeus para o fortalecimento dos direitos humanos, da democracia e do Estado de Direito. Foi fundada em 1949 e tem 47 Estados membros. Dentre os órgãos institucionais do CoE, há a Corte Europeia dos Direitos Humanos, responsável por aplicar a Convenção Europeia dos Direitos Humanos, e o Conselho de Ministros, que produz declarações e recomendações, de caráter não vinculante, mas com peso político significativo, característico dos instrumentos de soft law. Em 2005, os Estados membros do CoE decidiram analisar a viabilidade de um instrumento legal que pudesse tratar dos fluxos transfronteiriços na Internet. Com esse objetivo, criou-se um grupo ad hoc de experts com composição multissetorial, que propôs dez princípios para a governança da Internet 82, endossados na declaração conjunta do Comitê de Ministros do CoE. 83 Além da ênfase dada à proteção dos direitos fundamentais, alguns princípios merecem destaque. Primeiro, afirma-se que qualquer política aplicada à Internet deve reconhecer sua natureza global e respeitar o fluxo irrestrito do tráfego transfronteiriço na

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Transcrições da sessão Taking stocks of Internet Governance and the way forward. IGF 2010, Vilnius. Disponível em: <http://www.intgovforum.org/cms/component/content/article/102-transcripts2010/687taking-stock>. Acesso em 20 de julho de 2012. Council of Europe ad hoc Advisory Group on Cross-border Internet. Proposal for a draft Council of Europe Committee of Ministers Declaration on Internet Governance Principles. Disponível em: <http://www.coe. int/t/dghl/standardsetting/media-dataprotection/conf-internet-freedom/Internet%20Governance%20 Principles.pdf>. Acesso em 20 de julho de 2012. Conselho Europeu. Declaration by the Committee of Ministers on Internet governance principles. Adotado pelo Comitê de Ministros em 21 de setembro de 2011. Disponível em: <https://wcd.coe.int/ViewDoc. jsp?id=1835773>. Acesso em 20 de julho de 2012.

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rede. Esse princípio geral é corroborado por outros, como o respeito à abertura, à interoperabilidade e à natureza “ end-to-end ” da Internet, além da promoção da neutralidade da rede. Em segundo lugar, o documento se posiciona sobre temas importantes relacionados ao exercício de governança da Internet. Afirma-se que “o setor privado deve manter o seu papel de liderança em questões técnicas e operacionais”, mas “tem o dever de assegurar a transparência e a prestação de contas à comunidade global em relação às ações que tem impacto sobre a política pública”. A característica multissetorial é apontada como fundamental para a perpetuação da estabilidade e da resiliência do funcionamento da Internet. A promoção do multissetorialismo pode ser encontrada em maior parte nas inciativas que buscam elencar princípios, mas é interessante perceber que os membros do grupo ad hoc do CoE se dedicaram à discussão de um tema atual e desafiador no âmbito teórico: a relação entre o sistema internacional, de caráter eminentemente intergovernamental, e o modelo multissetorial da governança da Internet. Segundo Wolfgang Kleinwächter, membro do grupo ad hoc , “nossa conclusão, no início dos trabalhos do grupo, foi a de que continuaremos a ter um sistema de tratados multilaterais. Mas os tratados multilaterais no futuro provavelmente vão se desenvolver dentro de um ambiente multissetorial. O princípio multissetorial seria um princípio geral e, a partir dessa abordagem, é possível chegar a direitos, deveres e responsabilidades específicos dos governos”. 84 Dessa forma, é possível prever uma relação de complementaridade entre hard law e soft law e de interdependência entre os grupos de atores. Ainda segundo Kleinwächter, a abordagem a partir da soft law, de caráter não vinculante, como no caso da declaração de princípios do CoE, tem a vantagem de permitir chegar rapidamente a um entendimento convergente. O documento significaria não um resultado final, mas um ponto de partida para uma discussão colaborativa e multissetorial.85. Paralelamente à discussão sobre princípios, o Comitê de Ministros do CoE alertou os Estados membros sobre ameaças à liberdade de expressão e de associa-

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Wolfgang Kleinwächter. Transcrições do Workshop 203 do IGF 2011. Internet Governance Principles: Initiatives Toward the Improvement of a Global Internet Governance. Nairobi, 2011. Disponível em: <http:// www.intgovforum.org/cms/component/content/article/71-transcripts-/912-ig4d-workshop-203internet-governance-principles-initiatives-toward-the-improvement-of-a-global-internet-governance>. Acesso em 20 de julho de 2012. Ibidem.

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a vice-presidente da Comissão Europeia. como infraestrutura e telecomunicações.jsp?id=1883671&Site=CM&BackColorInternet=C3C3C3&BackColorIntran et=EDB021&BackColorLogged=F5D383>.3.eu/rapid/pressReleasesAction. O Comitê também expressou sua preocupação em relação ao cerceamento à liberdade de expressão causado por ataques a websites de mídia independente. o setor privado e a sociedade civil têm contribuído enormemente para o sucesso da Internet. 28 de junho de 2011. Declaration of the Committee of Ministers on the protection of freedom of expression and freedom of assembly and association with regard to privately operated Internet platforms and online service providers. Disponível em: <http://europa. Acesso em 20 de julho de 2012.coe. de defensores de direitos humanos e de dissidentes políticos. a Internet deveria permanecer. 86 6. Os políticos devem atentar para isso. No âmbito da governança da Internet.74 observatório da internet.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 GOVERNANÇA DA INTERNE T ção na Internet. durante o encontro de alto nível da OCDE sobre economia da Internet. Por essa razão. com participação ativa nos debate sobre arranjos institucionais. A Internet tem relevância e traz benefícios para os cidadãos. cuja competência abrange um amplo leque de temas. Tradução para o português disponível em: <http://observatoriodainternet. Disponível em: <https://wcd. é de interesse dos formuladores de políticas públicas. OECD High Level Meeting on the Internet Economy.87 Segundo a comissária. como o Wikileaks . Neelie. dentre outros.3 A Comissão Europeia e o “Internet Compact” A Comissão Europeia desenvolve políticas nos temas relacionados à Internet por meio da atuação da Diretoria Geral sobre Sociedade da Informação e Mídia. Acesso em 20 de julho de 2012. para a economia e para a sociedade. Acesso em 20 de julho de 2012.int/ViewDoc. Foi aprovada uma declaração conjunta. na qual se destacou o importante papel desses atores como facilitadores do exercício dos direitos à liberdade de expressão e à liberdade de associação. na medida do possível. que podem advir da pressão política atualmente exercida sobre os prestadores de serviços de Internet e sobre as plataformas on-line para que atuem como copartícipes no processo de aplicação das leis. Mas as autoridades públicas não podem nem devem permanecer em segundo plano. conteúdo em formato digital. livre de intervenções. Paris. Em 2011. Neelie Kroes. Um dos desafios é corresponder esse interesse legítimo sem prejudicar as características da Internet”.do?reference=SPEECH/11/479&format=HTML&aged= 0&language=EN&guiLanguage=en>. ponderou que “A academia. Adotada pelo Comitê de Ministros em 7 de dezembro de 2011. A regulação deveria ser vista como última alternativa e o 86 CONSELHO EUROPEU.br/conselho-da-europa-alerta-sobre-ameacas-a-liberdadede-expressao-on-line>. a Comissão tem sido um ator importante. a sites de vazamentos. educação on-line. 87 . KROES. governo eletrônico.

2011. Com as ferramentas certas. a primeira letra de cada um dos princípios forma a palavra “compact”). Nairobi. diferentes atores têm diferentes áreas de expertise e responsabilidades. é preciso transparência sobre o papel do governo ao representar seus cidadãos. Em particular. em Nairóbi. Acesso em 20 de julho de 2012. . Se não forem solucionados. e garantir que opiniões não sejam ignoradas. Governança transparente . tanto on-line como off-line . Essa seria a base de sustentação do multissetorialismo. Neelie. de evitar a fragmentação e de fazer uso da Internet para o fortalecimento da democracia. “Em última instância. Uma Internet. A iniciativa foi formalmente apresentada no Fórum de Governança da Internet de 2011.GOVERNANÇA DA INTERNE T 75 observatório da internet. a Internet pode se tornar um instrumento de apoio à vida democrática.do?reference=SPEECH/11/605&format=HTML&aged= 0&language=EN&guiLanguage=en>. Barreiras para a confiança são barreiras ao acesso. Pró-democracia . Disponível em: <http://europa. De modo resumido. e aborda tópicos importantes.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 papel dos princípios seria apontar aquilo que a Internet tem de essencial. que ficou conhecido como Digital Compact for the Internet (em inglês. As autoridades públicas têm uma responsabilidade especial de lidar com questões de ordem pública. Governança multissetorial da Internet . as pessoas assumem responsabilidades umas com as outras na Internet.eu/rapid/pressReleasesAction. à privacidade e à segurança podem afastar as pessoas da rede. que deve ser promovido ou preservado. e isso deve ser refletido no processo 88 KROES. que vão além das puramente legais. Cerimônia de abertura do Fórum de Governança da Internet. Assim como no ambiente off-line . mas é preciso estar ciente das implicações que diferentes modelos possam ter. A arquitetura vai mudar no futuro. É preciso evitar a fragmentação. como a necessidade de preservar as características fundamentais da arquitetura de rede. A arquitetura da Internet é fundamental para a sua dinâmica. Questões de arquitetura . A participação de todos os interessados na formulação de políticas é positiva. A confiança dos usuários é um pré-requisito . os princípios seriam os seguintes: Responsabilidade cívica . com o surgimento de novos desafios. problemas como a proteção aos dados pessoais. A comissária Neelie Kroes fez algumas observações sobre o princípio do multissetorialismo e alertou para riscos de captura dos espaços multissetoriais por interesses privados durante a sua intervenção no IGF 2011. 88 A Comissão Europeia formulou o esboço de um rol de princípios.

Acesso em 20 de julho de 2012. que prevê a suspensão do acesso à Internet 89 90 Ibidem. Belgrado. a União e vários Estados membros possuem uma malha regulatória já robusta sobre o tema. visando delinear princípios fundamentais. Segundo La Quadrature du Net. criado pela aprovação de leis como a Hadopi na França ( Tópico 9.laquadrature. 90 Levando em consideração os principais comunicados e documentos produzidos pela Comissão. Disponível em: <https://www. sobretudo para reforçar a participação governamental: “Não estamos sugerindo uma alternativa ao modelo multissetorial de Governança da Internet.eu/rapid/pressReleasesAction. Disponível em: <http:// news. o resultado do multissetorialismo será o sequestro da tomada de decisões por lobistas. com evidências de que os operadores de telecomunicações restringem o acesso de seus usuários à Internet. Poderá ser um grande desafio conciliar. MCCARTHY. Acesso em 20 de julho de 2012. pode-se prever conflitos entre princípios que visem a promoção da confiança dos usuários e o receio provocado por um ambiente de permanente vigilância. Neelie. European Commission Papers on ICANN: what they actually say.76 observatório da internet.net/en/Net_neutrality>. De igual maneira. Caso contrário. 91 A inciativa da Comissão Europeia. KROES. o que pode trazer dificuldades para a implementação concreta dos princípios. Acesso em 20 de julho de 2012. European Dialogue on Internet Governance (EuroDIG). La Quadrature du Net.dot-nxt.net/en/more-than-half-of-the-eu-with-restrictions-to-netaccess-what-will-neelie-kroes-do>. e o interesse privado se passará por interesse público”. por exemplo.3. violando a neutralidade da rede 92.com/2011/08/31/ec-papers-details>.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 GOVERNANÇA DA INTERNE T de tomada de decisão. é muito bem-vinda diante do complexo mapa político e institucional da União.1. diferentemente de outros países que começaram a aprovar medidas de regulação da Internet nos últimos anos. só que ele precisa ser alterado para funcionar melhor e ter em conta a voz dos governos”.). 2011. seu posicionamento em relação aos mecanismos de governança parece ter como objetivo principal o intuito de rever e ampliar o espaço de participação dos governos no âmbito da ICANN. Disponível em: <https://www. assim como práticas já consolidadas.do?reference=SPEECH/11/419>. Acesso em 20 de julho de 2012.laquadrature. Kieren. a liberdade de expressão. Todavia. a inovação e a concorrência estão sendo prejudicados pelas práticas dos operadores 93. 89 A Comissão Europeia parece ser um dos atores que defendem uma reformulação nos mecanismos de governança da Internet. 91 92 93 . o princípio que versa sobre a preservação da arquitetura. a privacidade. Disponível em: <http:// europa.

3. sabotagens. Ars Technica. o presidente Barack Obama anunciou um plano estratégico para o ciberespaço com princípios que devem guiar o desenvolvimento transversal de políticas relacionadas à Internet no âmbito do governo americano. Maio. 6. 95 . Ao mirar comportamentos amplamente reconhecidos como ilegais. e chama atenção para a importância da interoperabilidade e da preservação da arquitetura end to end . O governo dos Estados Unidos reconhece a 94 International strategy for cyberspace: prosperity. no intuito de evitar a fragmentação da rede.4 Estados Unidos e a estratégia internacional para o ciberespaço Em maio de 2011. O documento destaca o papel de softwares proprietários e abertos para a economia e para a plena satisfação das necessidades dos usuários.pdf>. não há no documento indícios de que o governo dos Estados Unidos pretenda alterar sua própria política de apreensão de websites . o roubo da propriedade intelectual e a possibilidade de ameaças à paz e à segurança internacional”. security and openess in a networked world. Disponível em: <http://arstechnica. 94 O enfoque principal da inciativa se encontra na segurança: o documento reconhece o papel que a Internet desempenha no desenvolvimento econômico e social. 2011. com/tech-policy/news/2011/02/senator-us-domain-name-seizures-alarmingly-unprecedented.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 de indivíduos que reincidam na prática de download de arquivos protegidos por direito autoral. mas também as novas ameaças que se perpetuam por meio da rede.gov/sites/default/files/rss_viewer/internationalstrategy_ cyberspace. podem proteger as liberdades fundamentais”.whitehouse. No âmbito internacional. uma das metas do governo americano seria ampliar a adesão dos países à Convenção de Budapeste sobre cibercrimes. No entanto. 95 A importância da participação multissetorial na governança da Internet é destacada ao longo do documento. figuram “os desastres naturais. Afirma-se que “os métodos usados por um país para bloquear websites podem trazer uma perturbação em cascata muito maior em rede internacional”. Dentre elas. Senator: domain name seizures “alarmingly unprecedented”. Acesso em 20 de julho de 2012. Disponível em: <http://www. O documento afirma a intenção do governo de buscar o equilíbrio entre liberdade e segurança em todas as políticas governamentais: “boas políticas de segurança cibernética podem reforçar a privacidade e a aplicação eficaz da lei. Acesso em 20 de julho de 2012.ars>.GOVERNANÇA DA INTERNE T 77 observatório da internet. que vem produzindo efeitos extraterritoriais.

trabalharemos em estreita colaboração com os proprietários de infraestrutura e operadores (. determinados por especialistas técnicos. . incluindo os segredos comerciais. · Reduzir intrusões e interrupções na rede dos Estados Unidos. · Proteger a propriedade intelectual. Em particular. · Negar aos terroristas e a outros criminosos a capacidade de explorar a Internet para operacionalização de planejamento. do roubo. globalmente interligadas. que é essencial para a defesa de seu caráter multissetorial. O documento elenca. bilateralmente e no âmbito de organizações multilaterais e parcerias multinacionais. sugerindo que a participação desses atores nos arranjos de governança teria importância estratégica para o governo dos EUA: “Embora o setor privado já desempenhe um papel importante nas organizações internacionais e multissetoriais.. · Concentrar as leis de cibercrime na luta contra as atividades ilegais. expandindo a adesão à Convenção de Budapeste. · Assegurar um mecanismo robusto de administração de incidentes. financiamento.. · Melhorar a segurança da cadeia de fornecimento de alta tecnologia.). Impor a lei: estender a colaboração e o Estado de Direito · Participar plenamente das discussões internacionais sobre cibersegurança. em especial sobre normas de comportamento para os Estados e sobre segurança cibernética. a resiliência e a capacidade de recuperação da infraestrutura de informação. Mais adiante. · Harmonizar as leis internacionais de cibercrime. ou ataques.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 GOVERNANÇA DA INTERNE T importância do IGF e de fóruns “que representam toda a comunidade da Internet através da integração do setor privado. e continuaremos a defender a sua inclusão nas instâncias que se dedicam a tais questões”. o documento dá um destaque especial à relevância das parcerias entre o governo e o setor privado. as políticas que serão prioridade para o governo dos Estados Unidos: Economia: promoção de normas internacionais e mercados abertos e inovadores · Manter um ambiente de livre comércio que estimule a inovação tecnológica em redes acessíveis. vamos continuar a alavancar mecanismos existentes de parceria para colaborar com parceiros da indústria. Buscamos a participação do setor privado na governança da Internet. · Assegurar a primazia de padrões técnicos interoperáveis e seguros.78 observatório da internet. academia. Proteger nossas redes: reforçar a segurança. por fim. sem restringir o acesso à Internet. a confiabilidade e a resiliência · Promover a cooperação no ciberespaço. bem como dos governos em um ambiente multissetorial”. sociedade civil.

· Construir e reforçar alianças militares existentes para enfrentar potenciais ameaças no ciberespaço.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 continuação > Militar: preparar-se para os desafios de segurança do século 21 · Reconhecer e se adaptar à necessidade militar crescente de redes confiáveis e seguras. Maio de 2011. O e-G8 contou com a partici- 96 CÚPULA DE DEAUVILLE. direcionado a especialistas forenses. discutidos no e-G8. incluindo treinamento para aplicação da lei. · Garantir a interoperabilidade end to end em uma Internet acessível a todos.GOVERNANÇA DA INTERNE T 79 observatório da internet. Disponível em: <http://www. · Desenvolver continuamente e compartilhar regularmente melhores práticas de cibersegurança internacionais. · Expandir a cooperação com aliados e parceiros para aumentar a segurança coletiva Governança da Internet: promoção de estruturas eficazes e inclusivas · Priorizar a abertura e a inovação na Internet. · Promover e melhorar fóruns multissetoriais para a discussão da governança da Internet. o G8 tratou pela primeira vez do tema da governança da Internet no nível de sua reunião de cúpula. 6. · Preservar a segurança e a estabilidade mundiais da rede. · Colaborar com a sociedade civil e organizações não governamentais para estabelecer salvaguardas que protejam suas atividades na Internet de invasões ilegais.5 Discussões sobre princípios no âmbito do G8 Em 2011.1314. treinamento e outros recursos para países que buscam desenvolver a capacidade técnica e de segurança cibernética. Liberdade na Internet: apoio às liberdades fundamentais e à privacidade · Apoiar os atores da sociedade civil para obter plataformas confiáveis e seguras para o exercício das liberdades de expressão e de associação. · Incentivar a cooperação internacional para a efetiva proteção à privacidade de dados no comércio. Desenvolvimento internacional: capacitação. que congrega chefes de Estado e de Governo. · Desenvolver relações com os formuladores de políticas para melhorar a capacitação técnica.3. . A declaração final da cúpula do G8 96 elencou uma série de princípios.com/g8-g20/g8/english/live/news/renewed-commitmentfor-freedom-and-democracy. Renewed Commitment For Freedom And Democracy. Declaração do G8. estabelecendo contato permanente com especialistas parceiros em outros países. Acesso em 20 de julho de 2012. incluindo o sistema de nome de domínio (DNS).html>. · Aumentar a capacidade dos Estados para combater o cibercrime. juristas e legisladores. evento realizado antes da cúpula oficial. segurança e prosperidade · Fornecer conhecimento.g20-g8.

Isso gerou críticas. houve. 97 Além disso.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 GOVERNANÇA DA INTERNE T pação de representantes das principais empresas ligadas à Internet.article19. sobretudo a proteção à propriedade intelectual. como o acordo anticontrafação (ACTA) e de leis nacionais que preveem a resposta graduada ou three strikes. que tem evoluído no plano mundial”. 99 Não houve referência direta à importância do princípio da neutralidade da rede ou ao papel que as grandes empresas.org/data/files/pdfs/press/g8-the-deauvilledeclaration-on-internet-fails-to-recognise-importance-of-hu. é conveniente que os países do G8 discutam essas e outras questões em fóruns globais mais democráticos. desempenham nas políticas de censura ou enforcement . destacou-se que “políticas definidas em conjunto pelas nações mais poderosas muito provavelmente se tornarão a norma padrão global (.pdf>. como a liberdade de expressão. Sem a abordagem desses temas. sem deixar claro os meios que seriam utilizados para isso e sem avaliar como eles poderiam impactar o acesso e o livre tráfego dos dados na rede. porém houve pouca possibilidade de envolvimento da sociedade civil. 98 Entidades da sociedade civil que participaram do e-G8 apontaram que a mensagem enviada pelo evento foi dúbia. tendo-se afirmado que o evento “descarta o princípio da participação multissetorial.. fortalecendo o enforcement da propriedade intelectual e indo ao encontro de propostas polêmicas.igcaucus.org/open-letter-president-sarkozy-eg8-meeting-plan>.). “G8: the Deauville Declaration on Internet Fails to Recognise Importance of Human Rights Including Freedom of Expression. mencionaram-se princípios importantes.. Acesso em 20 de julho de 2012. o respeito à privacidade e à participação multissetorial. Se. Ibidem. 98 99 . 97 INTERNET GOVERNANCE CAUCUS.80 observatório da internet. Article 19. Disponível em: <http://www. ênfase no combate ao cibercrime e à proteção à propriedade intelectual on-line . onde todos os países estejam presentes em pé de igualdade”. por outro. Assim. as discussões no G8 parecem pouco propensas a causar um impacto positivo concreto sobre a promoção de direitos e da liberdade de expressão na Internet. A organização Artigo 19 afirmou que a declaração não reconheceu a proteção dos direitos humanos “como um princípio fundamental acima de todos os outros”. Acesso em 20 de julho de 2012. muitas delas baseadas nos países desenvolvidos. tendo dado mais ênfase a preocupações de cunho econômico. na medida em que parece endossar novas restrições à liberdade de expressão na Internet. Disponível em: <http://www. por um lado. Open letter to President Sarkozy on eG20 meeting plan .

art. DA DECLARAÇÃO DO CONSELHO DA EUROPA (JUNHO DE 2011). III] Pluralidade e Diversidade [art. IV ] Acesso a informações claras e completas constantes dos contratos de prestação de serviços [art. REVISTA POLITICS N. 3 o. 7 o. II] não-suspensão da conexão [art . 7. 19. III] Liberdade de expressão. I] Inviolabilidade e sigilo das comunicações [art. DA ESTRATÉGIA INTERNACIONAL PARA O CIBERESPAÇO DOS EUA (MAIO DE 2011).br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 . DO COMUNIQUÉ DA OCDE (JULHO DE 2011).TABELA 1: COMPARAÇÃO DE PRINCÍPIOS DO CGI. 10 – AGOSTO DE 2011 Assunto CGI. 7 o. 3 o. 2 o. Parágrafo único. V ] não fornecimento a terceiros de registros de conexão e de acesso a aplicações de Internet [art. II] Direitos humanos e cidadania [art. DA PROPOSTA DA UNIÃO EUROPEIA (JULHO DE 2011) E DA DECLARAÇÃO DO G8 (MAIO DE 2011).BR. DO MARCO CIVIL DA INTERNET NO BRASIL. I e II. 10] Proteção da privacidade e dos dados pessoais [art. art. 7 o.br Marco Civil da Internet no Brasil (PL 2126/2011) [1] Direitos humanos. art. ADAPTADO DE WOLFGANG KLEINWACHTER – A FEBRE DOS PRINCÍPIOS DA INTERNET. 8 o. democracia e leis [1] Livre fluxo de informação global [1] Suporte às liberdades fundamentais [4] Pródemocracia Conselho da Europa OCDE EUA UE G8 Direitos Humanos [1] Liberdade. comunicação e manifestação [art. III] Manutenção da qualidade contratada [art. privacidade e direitos humanos [1] Liberdade [5] Diversidade Cultural [art. 7 o. VIII] promoção da cultura e da cidadania [10] Diversidade linguística e cultural [9] Proteção à privacidade [3] Valorização da privacidade [2] Proteção da privacidade GOVERNANÇA DA INTERNE T 81 observatório da internet. 2 o. 7 o.

10 – AGOSTO DE 2011 GOVERNANÇA DA INTERNE T Assunto CGI. não tomar as providências para tornar indisponível o conteúdo apontado como infringente [13] Cooperação para a segurança na Internet Cibersegurança e investigação rigorosa . 15] O provedor de aplicações de Internet somente poderá ser responsabilizado por conteúdo gerado por terceiros se.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 continuação > TABELA 1: COMPARAÇÃO DE PRINCÍPIOS DO CGI. processo justo e prestação de contas [5] Direito de autodefesa [3] Proteção contra crimes [art.82 observatório da internet. DA DECLARAÇÃO DO CONSELHO DA EUROPA (JUNHO DE 2011). DA PROPOSTA DA UNIÃO EUROPEIA (JULHO DE 2011) E DA DECLARAÇÃO DO G8 (MAIO DE 2011). O provedor de conexão à Internet não será responsabilizado por danos decorrentes de conteúdo gerado por terceiros [6] Integridade da Internet [6] Transparência.BR. após ordem judicial. DA ESTRATÉGIA INTERNACIONAL PARA O CIBERESPAÇO DOS EUA (MAIO DE 2011). DO COMUNIQUÉ DA OCDE (JULHO DE 2011). VI] Responsabilização dos agentes de acordo com suas atividades [2] Cibersegurança [art. ADAPTADO DE WOLFGANG KLEINWACHTER – A FEBRE DOS PRINCÍPIOS DA INTERNET.br Marco Civil da Internet no Brasil (PL 2126/2011) [3] Responsabilidade dos Estados [5] Base de dados confiável para a formulação de políticas [4] Proteção contra crimes [1] Responsabilidade Cívica Conselho da Europa OCDE EUA UE G8 Segurança [7] Inimputabilidade da rede [art. REVISTA POLITICS N. DO MARCO CIVIL DA INTERNET NO BRASIL. 3 o. 14].

VII] Preservação da natureza participativa da rede [4] Empoderamento dos usuários [4] Governança multissetorial [10] Ambiente legal e regulatório – deve preservar a Internet como espaço de colaboração [art. I] estabelecimento de mecanismos de governança transparentes. com a participação dos vários setores da sociedade [7] Gerência descentralizada GOVERNANÇA DA INTERNE T 83 observatório da internet. colaborativos e democráticos. REVISTA POLITICS N.continuação > TABELA 1: COMPARAÇÃO DE PRINCÍPIOS DO CGI. DA ESTRATÉGIA INTERNACIONAL PARA O CIBERESPAÇO DOS EUA (MAIO DE 2011). ADAPTADO DE WOLFGANG KLEINWACHTER – A FEBRE DOS PRINCÍPIOS DA INTERNET. DO MARCO CIVIL DA INTERNET NO BRASIL. DA DECLARAÇÃO DO CONSELHO DA EUROPA (JUNHO DE 2011). DO COMUNIQUÉ DA OCDE (JULHO DE 2011). 3 o.BR. 19.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 . DA PROPOSTA DA UNIÃO EUROPEIA (JULHO DE 2011) E DA DECLARAÇÃO DO G8 (MAIO DE 2011). 10 – AGOSTO DE 2011 Assunto CGI.br Marco Civil da Internet no Brasil (PL 2126/2011) [3] Governança Multissetorial [5] Processos multissetoriais de desenvolvimento de políticas [6] Códigos de comportamento voluntariamente desenvolvidos [10] Empoderamento e responsabilidade do indivíduo [14] Aplicação e execução das normas [7] Governança transparente [9] Governança multissetorial [3] Governança multissetorial Conselho da Europa OCDE EUA UE G8 Governança [2] Governança democrática e colaborativa [art.

origem e destino. DA DECLARAÇÃO DO CONSELHO DA EUROPA (JUNHO DE 2011).br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 continuação > TABELA 1: COMPARAÇÃO DE PRINCÍPIOS DO CGI. DO COMUNIQUÉ DA OCDE (JULHO DE 2011). 10 – AGOSTO DE 2011 GOVERNANÇA DA INTERNE T Assunto CGI. terminal ou aplicativo.BR. REVISTA POLITICS N. segurança e funcionalidade [8] arquitetura aberta [8] Funcionalidade. IV ] Abertura e Colaboração [art. IV ] Neutralidade da rede [6] Neutralidade da rede [art. V ] Estabilidade. distribuída e interconectada [7] Estabilidade da rede [5] Arquitetura aberta [6] Interoperabilidade Global [2] Uma Internet Conselho da Europa OCDE EUA UE G8 Tecnologia/ arquitetura [3] Universalidade [art. DA PROPOSTA DA UNIÃO EUROPEIA (JULHO DE 2011) E DA DECLARAÇÃO DO G8 (MAIO DE 2011). sem distinção por conteúdo. ADAPTADO DE WOLFGANG KLEINWACHTER – A FEBRE DOS PRINCÍPIOS DA INTERNET. sendo vedada qualquer discriminação ou degradação do tráfego que não decorra de requisitos técnicos necessários à prestação adequada dos serviços. segurança e estabilidade [9] rede aberta [8] Acesso confiável [9] Padronização e interoperabilidade [art. 3 o. comutação ou roteamento tem o dever de tratar de forma isonômica quaisquer pacotes de dados.br Marco Civil da Internet no Brasil (PL 2126/2011) [5] Universalidade da Internet [2] Internet aberta. DA ESTRATÉGIA INTERNACIONAL PARA O CIBERESPAÇO DOS EUA (MAIO DE 2011).84 observatório da internet. 2 o. DO MARCO CIVIL DA INTERNET NO BRASIL. 9 o] O responsável pela transmissão. conforme regulamentação . serviço. 3 o.

DA DECLARAÇÃO DO CONSELHO DA EUROPA (JUNHO DE 2011). [11] Criatividade e inovação [12] Limites para as responsabilidades e obrigações de intermediários GOVERNANÇA DA INTERNE T 85 observatório da internet. a livre concorrência e a defesa do consumidor [3] Proteção à propriedade Intelectual [art. DO MARCO CIVIL DA INTERNET NO BRASIL. 19. VI] otimização da infraestrutura das redes. REVISTA POLITICS N.br Marco Civil da Internet no Brasil (PL 2126/2011) [3] Investimento e competitividade em banda larga e alta velocidade [15] Entrega de serviços transfronteiras [2] Respeito à propriedade [6] Confiança para o usuário G8 Economia [5] Inovação [art. a inovação e a disseminação das aplicações de Internet. DO COMUNIQUÉ DA OCDE (JULHO DE 2011). 2 o. promovendo a qualidade técnica.continuação > TABELA 1: COMPARAÇÃO DE PRINCÍPIOS DO CGI. à neutralidade e à natureza participativa. DA PROPOSTA DA UNIÃO EUROPEIA (JULHO DE 2011) E DA DECLARAÇÃO DO G8 (MAIO DE 2011). sem prejuízo à abertura. ADAPTADO DE WOLFGANG KLEINWACHTER – A FEBRE DOS PRINCÍPIOS DA INTERNET.BR. DA ESTRATÉGIA INTERNACIONAL PARA O CIBERESPAÇO DOS EUA (MAIO DE 2011).br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 . V ] a livre iniciativa. 10 – AGOSTO DE 2011 Assunto Conselho da Europa OCDE EUA UE CGI.

Interoperabilidade entre sistemas e terminais diversos. REVISTA POLITICS N. V ] fortalecimento da participação social nas políticas públicas . DO MARCO CIVIL DA INTERNET NO BRASIL. DO COMUNIQUÉ DA OCDE (JULHO DE 2011). 20. 10 – AGOSTO DE 2011 GOVERNANÇA DA INTERNE T Assunto CGI.BR. 20.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 continuação > TABELA 1: COMPARAÇÃO DE PRINCÍPIOS DO CGI. 19. III] interoperabilidade tecnológica dos serviços de governo eletrônico. I] compatibilidade dos serviços de governo eletrônico com diversos terminais.br Marco Civil da Internet no Brasil (PL 2126/2011) Conselho da Europa OCDE EUA UE G8 Os princípios abaixo encontram-se presentes no Marco Civil da Internet no Brasil. 20. 19. art. razão pela qual aparecem separados dos demais. DA ESTRATÉGIA INTERNACIONAL PARA O CIBERESPAÇO DOS EUA (MAIO DE 2011). entre os diferentes Poderes e níveis da federação. mas não faziam parte dos parâmetros iniciais de comparação entre as propostas de princípios. 20. Governo eletrônico/ Governo Aberto [art. II. eficiente. DA DECLARAÇÃO DO CONSELHO DA EUROPA (JUNHO DE 2011). inclusive entre os diversos setores da sociedade [art. ADAPTADO DE WOLFGANG KLEINWACHTER – A FEBRE DOS PRINCÍPIOS DA INTERNET. simplificada e por múltiplos canais de acesso [art. sistemas operacionais e aplicativos [art. DA PROPOSTA DA UNIÃO EUROPEIA (JULHO DE 2011) E DA DECLARAÇÃO DO G8 (MAIO DE 2011).86 observatório da internet. IV ] prestação de serviços públicos de atendimento ao cidadão de forma integrada. III] compatibilidade tanto com a leitura humana quanto com o tratamento automatizado das informações [art. IX.

em todos os níveis de ensino. 21] O cumprimento do dever constitucional do Estado na prestação da educação.BR. DA ESTRATÉGIA INTERNACIONAL PARA O CIBERESPAÇO DOS EUA (MAIO DE 2011). 10 – AGOSTO DE 2011 Assunto CGI. a promoção de cultura e o desenvolvimento tecnológico GOVERNANÇA DA INTERNE T 87 observatório da internet. inclui a capacitação para o uso seguro. DO COMUNIQUÉ DA OCDE (JULHO DE 2011).br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 .br Marco Civil da Internet no Brasil (PL 2126/2011) Conselho da Europa OCDE EUA UE G8 Acessibilidade [art. VII] desenvolvimento de ações e programas de capacitação para uso da Internet [art. perceptivas. II] acessibilidade a todos os interessados. independentemente de suas capacidades físicomotoras. 19.continuação > TABELA 1: COMPARAÇÃO DE PRINCÍPIOS DO CGI. culturais e sociais Desenvolvimento de Capacidades [art. consciente e responsável da Internet como ferramenta para o exercício da cidadania. DA DECLARAÇÃO DO CONSELHO DA EUROPA (JUNHO DE 2011). REVISTA POLITICS N. DA PROPOSTA DA UNIÃO EUROPEIA (JULHO DE 2011) E DA DECLARAÇÃO DO G8 (MAIO DE 2011). DO MARCO CIVIL DA INTERNET NO BRASIL. 20. ADAPTADO DE WOLFGANG KLEINWACHTER – A FEBRE DOS PRINCÍPIOS DA INTERNET.

como acesso.88 observatório da internet. privacidade.4 Aperfeiçoamento do Fórum de Governança da Internet (IGF) O IGF é um dos principais resultados das discussões da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação (CMSI). em 2003 e 2005. incluindo as consultas abertas. Segundo a resolução 102 da Assembleia Geral da ONU. na Lituânia (2010) e no Quênia (2011). no Brasil (2007). 101 102 103 . Disponível em: <http://www.info/en/CstdWG/>.un. O processo de discussão sobre aperfeiçoamento do IGF ficou sob responsabilidade da Comissão de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento (CSTD) da ONU. de uma ampla gama de temas. Acesso em 15 de agosto de 2012. 100 Seus participantes pediram ao Secretário Geral da ONU que criasse. de modo transversal. 3) financiamento do IGF.org/intradoc/groups/public/documents/un-dpadm/unpan039074.int/wsis/index.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 GOVERNANÇA DA INTERNE T 6. Acesso em 20 de julho de 2012. abertura e segurança. que foi renovado até 2015. 2) modalidades de trabalho. endossada. o funcionamento do secretariado e o papel do Grupo Consultivo Multissetorial ( Multistakeholder Advisory Group – MAG). 103 As discussões no Grupo de Trabalho foram agrupadas em eixos: 1) resultados das discussões no IGF. Resolução 60/252 da Assembleia Geral da ONU. O IGF realizou-se na Grécia (2006). D  isponível em: <http://unpan1. G  rupo de Trabalho sobre aperfeiçoamentos ao IGF.html>. Acesso em 20 de julho de 2012. o Fórum deveria ser aperfeiçoado com o objetivo de conectá-lo ao diálogo sobre governança da Internet no plano global.itu. pdf>. 4) ampliação 100 World Summit on the Information Society.unctad. o IGF cria oportunidades para sinergia. compilar e analisar contribuições de todos os Estados membros e todas as outras partes interessadas e fazer recomendações. comunidade técnica e setor empresarial participam de forma conjunta e em igualdade de condições nas discussões no Fórum. sociedade civil. encerrou-se o mandato inicial do Fórum. no Egito (2009). Agenda de Túnis (parágrafo 72). para a identificação de temas emergentes e para a consolidação de parcerias. em um processo aberto e inclusivo. A característica multissetorial do IGF significa que governos. Diante disso. Após cinco anos. ocorrida em duas fases. um novo fórum para o debate multissetorial de políticas relacionadas à rede. Disponível em: <http://www. na Índia (2008). 101 O IGF é hoje o principal fórum em que ocorre a discussão. academia. no âmbito da qual foi criado um Grupo de Trabalho que deveria buscar.

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da participação; 5) conexão entre o IGF e outros processos, mecanismos e órgãos que tratam de temas relacionados à governança da Internet. O Grupo de Trabalho reuniu-se durante o ano de 2011 e deve concluir seu relatório em 2012, encaminhando-o para o Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC). Durante as discussões, consensos importantes foram atingidos, como um entendimento geral sobre o fato de que o IGF deve produzir resultados mais concretos – que captem as convergências e as diferentes visões sobre questões específicas de política pública –, que possam ser compartilhados com atores e organizações relevantes no regime de governança da Internet. Concordou-se que deve haver medidas voltadas à ampliação da participação presencial no Fórum, sobretudo de atores de países em desenvolvimento e de países menos avançados. A participação remota foi apontada como parte integrante da dinâmica do IGF, e reconheceu-se a necessidade de dotá-la de recursos necessários ao seu pleno funcionamento. Por outro lado, o modelo de financiamento do fórum, baseado apenas em doações voluntárias, permanecerá o mesmo, o que poderia limitar a implementação das sugestões de aperfeiçoamento.

6.5 Pressões pela implementação do mecanismo de cooperação aprimorada, presente na Agenda de Túnis da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação
A cooperação aprimorada foi um dos resultados das discussões na Cúpula Mundial da Sociedade da Informação (CMSI). De acordo com o parágrafo 69 da Agenda de Túnis, seria um mecanismo para “permitir que os governos, em pé de igualdade, desempenhassem suas funções e responsabilidades em questões de política pública relacionadas com a Internet, mas não no dia a dia das questões técnicas e operacionais, que não tem impacto sobre questões de política pública”. A definição vaga de cooperação aprimorada, presente na Agenda de Túnis, tem gerado divergências sobre a implementação do mecanismo. Alguns atores acreditam que ele deve se traduzir em uma coordenação mais formal e estreita entre as organizações que lidam com temas relacionados à governança. Outros atores pleiteiam que os temas sejam discutidos em um fórum multilateral, existente ou a ser criado, no âmbito da ONU. Argumentam que a tomada de decisões sobre as políticas públicas relacionadas à Internet está ocorrendo atualmente em fó-

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runs de participação limitada, como a OCDE ou o Conselho da Europa, nos quais os países em desenvolvimento não se fazem presentes. A discussão sobre cooperação aprimorada intensificou-se desde 2010, quando uma série de consultas e reuniões foi realizada pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (DESA). Recentemente, uma série de reuniões para tentar conciliar os posicionamentos acerca do tema foi marcada para 2012, no âmbito da Comissão de Ciência e Tecnologia da ONU, em Genebra. Entrementes, países de diversas matizes políticas e ideológicas têm buscado marcar posição e delinear, ainda que de modo geral, a sua compreensão sobre o papel do Estado e dos órgãos multilaterais na governança da Internet. Vários documentos produzidos recentemente possuem relação explícita ou implícita com a discussão sobre cooperação aprimorada e devem ser entendidos no âmbito desse contexto político.

6.6 Código de conduta internacional sobre segurança da informação proposto por China, Rússia, Tadjiquistão e Uzbequistão
A proposta de resolução (A/66/359) 104 foi submetida aos países membros da ONU na 66 a reunião da Assembleia Geral. O código de conduta deveria servir como parâmetro para as regras, visando prevenir o uso das tecnologias da informação e comunicação para fins que sejam incompatíveis com os objetivos da manutenção da estabilidade e da segurança internacionais, que podem afetar adversamente a integridade da infraestrutura nos Estados, em detrimento da sua segurança. Segundo a proposta, o código de conduta seria aberto à adesão voluntária dos Estados que desejassem ingressar em seu domínio jurídico. Se, por um lado, a proposta de código afirma que os países devem respeitar “direitos humanos e liberdades fundamentais”, por outro, o documento visa “coibir a divulgação de informações que incitem o terrorismo, a secessão e o extremismo, ou que comprometam a estabilidade política, econômica e social de outros países, bem como seu ambiente espiritual e cultural”. A generalidade do texto deixa ampla margem para a repressão do legítimo exercício da liberdade de

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nternational Code of Conduct for Information Security. Disponível em: <http://nz.chineseembassy.org/ I eng/zgyw/t858978.htm>. Acesso em 20 de julho de 2012.

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expressão e pode constranger os signatários a observar parâmetros legislativos mais restritivos do que aqueles atualmente em vigor.

6.7 I Fórum IBAS sobre governança da Internet
O IBAS é um mecanismo de diálogo permanente criado em 2003 entre Índia, Brasil e África do Sul. Seus principais objetivos são promover a concertação política, buscar a democratização dos fóruns internacionais, ampliando a participação dos países em desenvolvimento, promover a cooperação cultural, técnica e científica e implementar medidas de promoção do desenvolvimento. O Fórum IBAS sobre Governança da Internet foi realizado em setembro de 2011 na Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro. O evento foi patrocinado pelo Ministério das Relações Exteriores e contou com o apoio do Comitê Gestor da Internet (CGI.br) e do Centro de Tecnologia e Sociedade (CTS/FGV). O objetivo do encontro foi discutir questões substantivas e institucionais que estão na agenda da governança da Internet, buscando identificar os interesses e prioridades dos atores dos três países. A partir de um mapa geral de reflexões socioeconômicas sobre o desenvolvimento e o acesso à Internet, houve a discussão de temas específicos, como infraestrutura, recursos críticos, princípios regulatórios e arranjos institucionais. Outras questões foram destacadas como importantes e requerem aprofundamento, como o tema da competência jurisdicional, do comércio eletrônico e das questões fiscais, dos padrões abertos, da neutralidade da rede e da convergência de mídias. No que diz respeito às discussões sobre arranjos institucionais, os participantes reconheceram o papel importante que o IGF desempenha no regime de Governança da Internet, como um espaço de sensibilização, de capacitação e de identificação de questões de políticas públicas. Ao mesmo tempo, alguns dos participantes argumentaram que os atuais mecanismos não implementam o ideal de uma cooperação aprimorada, prevista na Agenda de Túnis. A organização indiana IT for Change apresentou um documento como contribuição às discussões do Fórum, em que aponta alguns dos temas mais relevantes para os países em desenvolvimento: 105

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IT for Change. A Development Agenda in Internet Governance: Outlining Global Public Policy Issues and Exploring 

New Institutional Options. Contribuição preliminar ao seminário do IBAS sobre governança global da Internet.

sendo as mercadorias entregues fisicamente. o governo dos EUA apreendeu o nome de domínio do Rojadirecta. Propriedade intelectual e acesso ao conhecimento Uma das características mais importantes da Internet é que ela oferece uma plataforma integrada para a partilha global de informação e conhecimento. ou a utilização dos provedores como uma espécie de “polícia privada” para execução de leis de propriedade intelectual. os EUA têm controle comparativamente mais amplo sobre a Internet global. Inúmeros problemas têm surgido em relação à aplicação dos direitos do consumidor nas vendas realizadas remotamente. no segundo. A situação torna-se ainda mais complexa quando os serviços são negociados com moedas digitais. . e as suas agências executivas e judiciais alavancam cada vez mais este controle. Mas os EUA conseguiram apreender o nome de domínio e fechar o site . simplesmente porque o nome de domínio . Ao mesmo tempo. os países em desenvolvimento permanecem à margem desses acordos. site espanhol que fornecia links para streaming de alguns eventos esportivos. O segundo tipo cria significativos desafios para a governança. o que torna a sua apropriação uma questão central à agenda econômica dos países desenvolvidos.92 observatório da internet. há serviços digitais inteiramente comercializados pela Internet. e muitas vezes o consumo. Regimes de interconexão A negociação de acordos de conexão entre a rede nacional e a global é uma questão importante e complexa. No entanto. que decidiram que o site não violava as leis nacionais. A Internet está sendo usada como um instrumento de aplicação transfronteiriça de normas de propriedade intelectual de modo extralegal. ainda à mercê de mercados não regulamentados. Seu modelo foi questionado perante os tribunais espanhóis. no início de 2011. A questão das tarifas de interconexão foi apontada pela Agenda de Túnis da Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação (CMSI) como fundamental para o desenvolvimento.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 GOVERNANÇA DA INTERNE T Questões transfronteiriças e de jurisdição Os países em desenvolvimento precisam considerar que os mais importantes “nós” do fluxo de tráfego na Internet se encontram em países do Norte.org é gerido por uma entidade registrada nos EUA. o uso da Internet se dá apenas para fazer o contato e o pagamento. Além disso. Em matéria de arquitetura. o conhecimento tornou-se um recurso-chave economicamente. Por exemplo. Países desenvolvidos. gerando um poder assimétrico sobre a aplicabilidade de leis na rede. Enquanto as empresas exportadoras de serviços digitais pagam impostos na jurisdição da sua localização e registro. como os membros da União Europeia. Comércio e questões fiscais Existem dois tipos de questões comerciais implicadas: no primeiro. org. as autoridades do país onde o consumo de serviços ocorre têm dificuldade para cobrar impostos sobre tais transações. medidas tecnológicas de proteção (DRMs). a cobrança de impostos legítimos sobre essas operações é uma questão importante. têm feito um trabalho considerável para racionalizar os impostos aplicáveis ao comércio transfronteiriço digital. incluindo a entrega. muitas vezes com o uso de tecnologias invasivas. como os créditos do Facebook. O site estava baseado na Espanha e era voltado à população local. mas pouco foi feito até agora com relação a esse tema.

em grande medida por causa de sua arquitetura aberta. devido às economias de escala crescentes. neutralidade da rede e padrões abertos A Internet é uma plataforma de comunicação capaz de trazer mudança e inovação. o conteúdo pessoal depositado na rede é. A segurança da infraestrutura pode ser fatalmente atingida a distância. e são uma peça central da estratégia de controle baseada na propriedade intelectual. Além disso. Deve-se assegurar não só a abertura da arquitetura técnica da Internet. para que haja efetiva regulação e (2) quase todas essas empresas são baseadas no Norte. aplica-se a ela um regime muito mais fechado e verticalmente integrado. mas a Internet é hoje dominada por aplicativos proprietários. Notícias de ciberataques contra sistemas de governo e espionagem industrial na rede são corriqueiras. Analistas acreditam que. cada vez mais. Como a arquitetura da Internet móvel foi construída mais tarde. aleatória e arbitrariamente. Duas importantes razões para tal situação são (1) empresas globais da Internet são demasiadamente poderosas para qualquer país em particular. Abertura. abordagens diversas em diferentes contextos e países. poderia não só ter prejudicado gravemente a usina. A falta de aplicação do direito da concorrência significa que indústrias nascentes dos países em desenvolvimento dificilmente têm chance de se estabelecer no plano global ou em seus próprios países. por meio da Internet: em 2011 houve notícias de que um vírus destinado a uma instalação nuclear iraniana foi implantado remotamente. . ainda que elas estejam baseadas em outros países.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 continuação > Questões de concorrência na indústria digital global A indústria global da Internet caracteriza-se por monopólios. especialmente países em desenvolvimento. Os protocolos básicos da Internet ainda estão abertos. O princípio da neutralidade da rede está sendo erodido rapidamente. essa situação começa a se alterar. se o ataque tivesse tido sucesso. Não existem iniciativas para fazer frente a esses comportamentos anticoncorrenciais por meio de regulação adequada: a indústria global da Internet é quase completamente desregulamentada. diante de empresas globais monopolistas ou oligopolistas. Plataformas e redes sociais têm adotado. No entanto. peculiares a esta área. É preciso que remédios contra atos arbitrários de empresas estejam facilmente ao alcance dos indivíduos. Governança das corporações globais Plataformas como o Facebook e o Twitter têm sido utilizadas para o ativismo político. Uma grande parte do tráfego da Internet passa por um punhado de megaespaços digitais proprietários. principalmente nos EUA. Nesse contexto. sobretudo na Internet móvel. Twitter e o iTunes da Apple são excelentes exemplos. mas também poderia ter desencadeado um desastre nuclear. Facebook.GOVERNANÇA DA INTERNE T 93 observatório da internet. Segurança As ameaças à segurança na Internet requerem uma cooperação urgente e sustentada no âmbito global e é preciso encontrar os meios formais adequados para isso. sua neutralidade e seu compromisso com o princípio da liberdade de expressão se tornam muito importantes. uma parte importante da vida social. Microsoft. em um ambiente altamente comercial. a arquitetura da indústria da Internet tem que ser mantida suficientemente aberta. Google.

É preciso respeitar os direitos econômicos. Para os países em desenvolvimento. Esse é um dos temas que carece de discussão global. em uma reunião intergovernamental.org. No final do seminário IBAS. os representantes dos governos elaboraram um documento 106 que deveria servir como contribuição inicial sobre a discussão acerca da cooperação aprimorada. D pdf>.94 observatório da internet. no entanto. ela surgiu como uma grande plataforma de mediação política entre os governos e os cidadãos. em Nairóbi. o desenvolvimento ainda não é visto como uma questão fundamental no âmbito da governança. nas instituições democráticas e na representação das vozes dos marginalizados? Quem são os interessados nas questões globais de governança da Internet? Essas são algumas das questões-chave no contexto emergente. a importância da Internet para o desenvolvimento econômico. social e humano é o aspecto determinante de suas perspectivas sobre governança da Internet. Esse documento foi intensamente discutido durante o IGF 2011. É possível que as leis antigas não possam ser adequadamente aplicadas ao contexto da Internet e que novos quadros regulatórios sejam necessários. Como insculpir e manter eficazes espaços nacionais de mídia no âmbito da Internet global? Quais são as implicações estruturais na esfera pública nacional. Isso evidencia a necessidade de políticas eficientes e de apoio às boas práticas.culturalivre.br/artigos/IBSA_recommendations_Internet_Governance. A Internet também impacta significativamente os direitos humanos em sua vertente positiva e negativa.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 GOVERNANÇA DA INTERNE T continuação > Mídia A mídia nacional é uma instituição importante para a governança e para a democracia. da não intervenção na esfera individual ou nos direitos civis e políticos. Desenvolvimento e direitos humanos A governança da Internet tem profundas implicações para as questões transversais de desenvolvimento e direitos humanos. Grande parte do debate sobre esses direitos na Internet é interpretada quase que exclusivamente sob o aspecto negativo. sociais e culturais. levando em consideração seu caráter indivisível. mas está mudando rapidamente com o advento da Internet. Diversidade cultural A Internet pode ser um ambiente com custo muito reduzido de produção e transmissão de conteúdo e pode representar uma grande oportunidade para promover a diversidade cultural. É importante perceber a conexão entre Internet e direitos humanos de uma forma mais holística. no 106  isponível em: <http://www. da IPTV e da convergência. juntamente com os direitos civis e políticos. . Acesso em 20 de julho de 2012.

crescimento e desenvolvimento em todos os países”. tomaram nota das discussões que aconteceram no seminário sobre governança da Internet no Rio de Janeiro e recomendaram o estabelecimento de um observatório que iria monitorar os acontecimentos no campo da governança da Internet. Ibidem. destacaram a importância de implementar um mecanismo de cooperação aprimorada. os líderes dos três países reforçaram o compromisso de buscar posições conjuntas nos temas relacionados à governança da Internet. V Disponível em: <http://www. à construção de barreiras contra o livre comércio e ao enfraquecimento de direitos civis fundamentais” 108. que possam dar livre curso a abusos sistemáticos na proteção de direitos.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 qual os representantes dos governos do IBAS participaram de várias sessões e workshops . O governo brasileiro afirmou que o documento formulado no seminário estava aberto a sugestões e modificações e que uma proposta sobre cooperação aprimorada seria elaborada somente após uma discussão com todos os setores interessados. Acesso em 20 de julho de 2012. mas como um meio de promover inovação. Na quinta cúpula do IBAS. 108 .GOVERNANÇA DA INTERNE T 95 observatório da internet.itamaraty. em outubro de 2011. ajudando na disseminação de informações e análises entre os países membros. 107 Os líderes também abordaram o tema da proteção à propriedade intelectual.gov. Declaração de Tshwane.br/sala-de-imprensa/notas-a-imprensa/v-cupula-do-forumde-dialogo-india-brasil-e-africa-do-sul-ibas-2013-18-de-outubro-de-2011-declaracao-de-tshwane>. Fizeram também advertências “contra tentativas de desenvolver novas regras internacionais sobre o cumprimento de direitos de propriedade intelectual fora dos fóruns multilaterais. enfatizando a “necessidade de um sistema internacional equilibrado de propriedade intelectual que contextualize Direitos de Propriedade Intelectual na estrutura maior do desenvolvimento socioeconômico e encare-os não como fins em si mesmos. 2011. BRASIL E ÁFRICA DO SUL (IBAS). 107  CÚPULA DO FÓRUM DE DIÁLOGO ÍNDIA.

com o envolvimento de todos os setores interessados”. responsáveis por aconselhar e assessorar os governos. a Índia apresentou uma proposta de criação de um Comitê para políticas públicas relacionadas à Internet. 3. 4. Abordar as questões de desenvolvimento relacionadas à Internet. O Comitê seria composto por 50 Estados e contaria com cinco comitês consultivos. Desenvolver e estabelecer políticas públicas internacionais com vista a assegurar a coordenação e a coerência nas questões transversais relacionadas à Internet global. . A United Nations Committee for Internet-relates policies? A fair assessment. o governo indiano afirma que “a intenção da proposta de um mecanismo multilateral e multissetorial não é ‘controlar a Internet’ ou permitir que os governos tenham a última palavra na regulação da rede. Ele se reportaria diretamente à Assembleia Geral da ONU e faria recomendações não vinculantes para a consideração. Milton. direitos civis. incluindo o direito ao desenvolvimento. Facilitar a negociação de tratados. 2. Realizar arbitragem e resolução de litígios. Disponível em: <http://www.96 observatório da internet. Acesso em 20 de julho de 2012. e 7. mas se certificar de que a Internet não será governada unilateralmente. 5. sempre que necessário. democrática. inclusiva e participativa. 109 109 MUELLER. O mecanismo seria financiado através de uma combinação de fundos da ONU e recursos provenientes das taxas de registro de nomes de domínio. Promover a proteção dos direitos humanos. ou seja.8 Proposta indiana de criação de um Comitê na ONU para políticas relacionadas à Internet Na 66 a reunião da Assembleia Geral da ONU. O comitê é apresentado como uma adição e não como um substituto ao IGF. políticos.org/2011/10/29/a-united-nations-committee-for-internet-relatedpolicies-a-fair-assessment/>. convenções e acordos na Internet relacionados com políticas públicas. Coordenar e supervisionar os órgãos responsáveis pelo funcionamento técnico e operacional da Internet. o Comitê teria as seguintes atribuições: 1.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 GOVERNANÇA DA INTERNE T 6. adoção ou implementação pelos órgãos intergovernamentais e organizações internacionais pertinentes. 6. econômicos e culturais. De acordo com a proposta indiana. mas sim de forma aberta. Promover a gestão de crises em relação à Internet. Antecipando críticas à iniciativa. incluindo o estabelecimento de padrões globais.internetgovernance. sociais.

Segundo essa posição. “Pode ser que estejamos diante não de uma luta mortal entre escolhas polarizadas entre dois regimes de governança distintos. a entrega do controle para os governos. democratizar estas decisões em algum grau. essa competência não aparece no resumo da proposta do Comitê. colocando os atores não governamentais em segundo plano.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 De fato. · O significado preciso da competência para “coordenar e supervisionar os órgãos responsáveis pelo funcionamento técnico e operacional da Internet” não fica claro no documento. “seria ingênuo imaginar que a Internet é atualmente regida por redes multissetoriais.GOVERNANÇA DA INTERNE T 97 observatório da internet. · Uma duplicação de fóruns poderia esvaziar o IGF a longo prazo. A proposta da Índia pode. principalmente acerca dos seguintes pontos: · O documento poderia provocar uma inversão do atual modelo multissetorial. adequadamente ligado à esfera pública multissetorial. que são abertas a todos os interessados. 110 Há também análises que defendem a pertinência da proposta apresentada pela Índia. com competência técnica. algumas das áreas mais importantes de políticas públicas digitais não são regidas por redes multissetoriais. mas por governos nacionais e grandes empresas (…). nem por organizações intergovernamentais existentes. mas sim de uma separação de caminhos entre os governos e as instituições organicamente desenvolvidas. e seria multissetorial. tratando de temas de políticas públicas. o que leva a questionar se houve uma real intenção de incluí-la. que resolvem sair do caminho um do outro. Alguns afirmam que é possível que iniciativas como essa levem à emergência de um regime de governança da Internet bifurcado: um eixo seria liderado por instituições organicamente desenvolvidas. . de outro. 110 Ibidem. a manutenção deste regime descentralizado ou. o documento recebeu críticas. principalmente porque percebem um crescente risco de captura do atual regime de governança por interesses privados de grandes empresas. Como identificado em algumas análises. pelo menos. se um Comitê da ONU para políticas relacionadas à Internet. Na verdade. o outro seria liderado pelos governos. · O mecanismo de financiamento não deixa claro se uma taxa adicional seria cobrada sobre os registros de nomes de domínio ou se algum tipo de contribuição seria imposta à ICANN. e que a escolha se dá entre. de um lado.

111 É provável que a proposta da Índia volte a ser discutida em 2012. India’s proposal for a UN Committee for Internet-Related Policies (CIRP). . quando uma reunião sobre cooperação aprimorada acontecerá no âmbito da Comissão de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento da ONU (CSTD). Acesso em 20 de julho de 2012.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 GOVERNANÇA DA INTERNE T for capaz de estabelecer normas globais para a Internet de forma suficientemente aberta e inclusiva.98 observatório da internet. Disponível em: <http:// igfwatch.org/discussion-board/indias-proposal-for-a-un-committee-for-internet-related-policies-cirp>. 111 IGF WATCH.

disponível em: <http://www. 113 .com.1 Comércio eletrônico e atualização do Código de Defesa do Consumidor (CDC) O comércio eletrônico (também conhecido como e-commerce ) é toda transação comercial realizada por meio da rede.webshoppers.br/ciencia-eD tecnologia/noticias/2011/11/28/comercio-eletronico-atingiu-mais-de-32-milhoes-de-usuarios-emoutubro/>. Acesso  em 19 de julho de 2012.jb. A evolução do faturamento do setor entre 2007 e 2011 é ilustrada no gráfico a seguir: 7 112  ados retirados de notícia do Jornal do Brasil. Dados disponíveis em: <http://www. o faturamento do comércio eletrônico aumentou de 14.7 bilhões de reais em 2011. promovida pela empresa especializada em comércio eletrônico e-bit 113. Acesso em 2 de março de 2012.8 bilhões de reais em 2010 para 18.com. também chamados de e-consumidores 112. um aumento de 26% em relação ao ano anterior. seu uso tem se expandido para se tornar um recurso essencial à vida cotidiana – em outubro de 2011.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 # Comércio eletrônico 7. Desde a criação da Internet.pdf>.2 milhões de usuários únicos.br/webshoppers/WebShoppers25. atingiu mais de 32. Segundo dados da 25ª edição da pesquisa Webshoppers .COMÉRCIO ELE TRÔNICO 99 observatório da internet.

ebitempresa. O Procon de São Paulo. A pesquisa afirma.574 reclamações. no qual o Grupo BW2.100 observatório da internet. Considerando esse contexto. portanto. Acesso em 17 de julho de 2012.html>. por exemplo. Essas empresas reuniram um total de 1. dentre as quais 620 restaram inatendidas. órgãos de proteção ao consumidor tiveram atuação importante em 2011 em resposta ao crescimento das reclamações envolvendo compras em âmbito digital.6 R$ 14.gov. refletida no forte crescimento do e-commerce nos últimos anos. iniciou a investigação de 20 sites que oferecem o serviço de comércio eletrônico115.sp. Em paralelo.7 Contudo.com. Submarino e Shoptime.br/financas/seunegocio/procon+sp+denuncia+fraudes+ R em+sites+de+comercio+eletronico/n1300142822745.com.ig. Durante as 114 115 Disponível em: <http://www. para adequar as normas consumistas à nova realidade de consumo promovida pela Internet.  etirado da notícia: <http://economia.pdf>. contudo. ocupa o 2 o lugar das empresas que sofreram maior número de reclamações. meio através do qual muitos dos produtos que são objeto das reclamações no ano passado foram ofertados e adquiridos” (pág.com. Acesso em 7 de março de 2012. que essa piora “é reflexo do crescimento do setor de e-commerce .br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 COMÉRCIO ELE TRÔNICO EVOLUÇÃO DO FATURAMENTO – E-COMMERCE (EM BILHÕES/R$) 2011 2010 2009 2008 2007 R$ 6. 24).8 R$ 18.br) R$ 8.2 R$ 10.078 de 1990. o comércio eletrônico foi elencado como um dos temas-chave a serem avaliados pela Comissão de Juristas constituída especialmente para atualizar o Código de Defesa do Consumidor (CDC) – Lei 8.procon.3 FONTE: E-BIT INFORMAÇÃO (www. em que o grupo ocupou o 21 o lugar no ranking . . tem sido frequente a divulgação pela mídia de problemas envolvendo compras no âmbito digital. Observa-se uma piora substancial em relação ao ano anterior.br/pdf/acs_ranking_2011. detentor das empresas de e-commerce Americanas. Esses problemas foram refletidos no ranking geral de reclamações do Procon relativo ao ano de 2011 114. Essa atualização se faz necessária. devido ao grande número de reclamações de compras efetuadas cujo produto não foi entregue.

Aliás. em relação às ações realizadas na rede. notificou sites de venda on-line e de compras coletivas para responderem reclamações de consumidores. empresas de e-commerce e fornecedores que utilizam a Internet em suas transações comerciais acabam por desrespeitar. Assim. em muitos casos. Existe. da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro. tendo em vista a incerteza da caracterização desses atores como pertencentes ou não à cadeia de consumo.uol.br/internet/2012/01/25/defensoria-publica-do-rio-notificaD sites-de-compras-coletivas-e-vendas-online/>. Acesso em 19 de julho de 2012. como as relações comerciais no ambiente digital e. constatou-se que muitos dos fornecedores. as empresas desmerecem o potencial econômico e de inovação dessa forma de organização das atividades empresariais. pode ser considerado um dos motivos para esse aumento. Dessa forma.com. mas também a si próprias. o Núcleo de Defesa do Consumidor (Nudecon). consequentemente. registrados inclusive como pessoa física. Por sua vez. houve aumento de 60% no número de atendimentos pelo Nudecon referentes a compras on-line. Segundo dados do Senado Federal. no Brasil. o que acaba por prejudicar não só os consumidores. .br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 investigações. a responsabilidade dos provedores de conteúdo e hospedagem e os contratos de termos de uso dos sites. uma vez que ainda não são especificamente regulamentadas pelo ordenamento jurídico brasileiro. não podiam ser encontrados em seus endereços oficiais.COMÉRCIO ELE TRÔNICO 101 observatório da internet. do próprio CDC. essa ausência de regulação específica das práticas comerciais no meio digital cria também vários pontos de tensão para as empresas. por exemplo. as regras gerais de direito do consumidor. em 2011 foi verificada uma alta taxa de litígios envolvendo relações de consumo. Entre agosto e dezembro daquele ano. O advento de novas formas de relações de consumo não existentes na época da promulgação do CDC.116 A questão também chegou aos tribunais. que correspondem a cerca de 20% a 30% dos recursos de julgamentos referentes a direito privado no Superior Tribunal de Justiça. sinaliza a inevitabilidade de integração desse entre as normativas de proteção ao 116  ados extraídos de: <http://idgnow. Por causa dessa grande insegurança jurídica. dentre os quais se destacam. as relações de consumo decorrentes delas. a inclusão do tema em uma reforma mais ampla. uma dificuldade em precisar as regras relativas à quantidade de informações dispostas no site de e-commerce sobre o produto e sobre o prazo de entrega do produto ou de devolução do dinheiro em caso de problemas com a compra.

sendo um dos focos do projeto. Acesso em 7 de março de 2012. o comércio eletrônico. 7. É possível observar. 119 Esse projeto é uma parceria entre o bloco latino e a União Europeia. o que condiz com a expansão do setor nos últimos dois anos. que representam fatia cada vez maior do mercado de consumo.2 Regulamentação do comércio eletrônico em 2011 Em pesquisa realizada no site da Câmara dos Deputados com os termos “comércio eletrônico”. cada ano anterior desde 1999 apresentou apenas dois ou menos projetos de lei dessa matéria. Uma das formas de atuação será o oferecimento de cursos sobre comércio eletrônico pela Escola Virtual do Mercosul 118. No que tange ao âmbito do Mercosul.php?option=com_ content&view=article&id=6356:escola-virtual-do-mercosul-cursos-de-comercio-eletronico&catid=8:ca rreira&Itemid=358>. projeto que integra o Mercosul Digital.org/>. buscando incentivar a eficiência do livre comércio entre os países do bloco.com.html>.camara.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 COMÉRCIO ELE TRÔNICO consumidor e as práticas que vão se consolidando no comércio eletrônico. que no ano de 2011 houve um aumento nas preocupações quanto à regulamentação do comércio eletrônico. em dezembro. reduzindo assimetrias tecnológicas e promovendo políticas comuns de desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação.mercosuldigital. promovendo segurança jurídica para tal. Acesso em 7 de março de 2012. 119 120 . portanto.com/tecnologia/noticia/2011/12/mercosul-prepararegulacao-comum-para-comercio-eletronico.globo.metaanalise.gov. no site do Escola Virtual do Mercosul: <http://www.br/sileg/Prop_lista. o qual visa promover a integração econômica do bloco a partir dos desafios impostos pela Sociedade da Informação. é possível encontrar cinco projetos de lei apresentados no ano de 2011. Disponível em: <http://www. 118 N  o início de 2012 já era possível encontrar informações detalhadas sobre os cursos.br/inteligenciademercado/index. Disponível  em: <http://www. Aloizio Mercadante.asp?formulario=formPesquisaPorAssunto &Ass1=com%C3%A9rcio+eletr%C3%B4nico&co1=+OR+&Ass2=e-commerce&co2=+OR+&Ass32=ecom merce&Submit2=Pesquisar&sigla=&Numero=&Ano=&Autor=&Relator=&dtInicio=&dtFim=&Comissao= &Situacao=&OrgaoOrigem=todos>. não só nas transações entre fronterias físicas. Acesso em 7 de março de 2012. 117 I nformação  retirada da notícia: <http://g1. anunciou que o bloco está preparando uma regulação comum para o comércio eletrônico 117. em meio virtual.102 observatório da internet. mas. Acesso em 7 de março de 2012. em contraste. o então ministro da Ciência e Tecnologia. também. “ e-commerce ” ou “ ecommerce ” 120.

Por exemplo. 122 A grande quantidade de queixas não passou despercebida aos olhos do Legislativo do Estado do Rio de Janeiro. endereço e telefone de suas instalações físicas) – são eles o PL n o 2.com.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 Dois dos projetos de lei buscam a obrigatoriedade de informação dos dados da empresa que comercializa produtos pela Internet (número no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ.tiinside. o Estado foi pioneiro na regulamentação das compras coletivas ao apresentar o Projeto de 121 Dado  retirado da notícia: <http://www. “visa incluir a obrigatoriedade de afixação de preços de produtos e serviços para o comércio eletrônico”.aspx>. dada a coletividade de consumidores aderindo a mesma oferta – trouxe um consequente crescimento das reclamações e potenciais violações a direitos do consumidor.232/2011. Demonstra.933/2011 e o PL n o 1. por outro lado. Acesso em 6 de março de 2012.org. Dois dos projetos apresentados referem-se especificamente à regulação de compras coletivas no meio eletrônico – o PL n o 1. 121 Ao mesmo tempo que evidenciou seu potencial econômico – de ofertas atrativas por preços em conta. 7. a qual depende do nome ou do endereço da pessoa jurídica. assim. uma segunda preocupação quanto à atuação dos sites de e-commerce relativa à informação fornecida ao consumidor e vinculação à oferta.COMÉRCIO ELE TRÔNICO 103 observatório da internet.232/2011. no Procon do Rio de Janeiro. Acesso em 6 de março de 2012. 122 Dados retirados da notícia: <http://www. o número de reclamações sobre sites de compra coletiva aumentou sete vezes em 2011 (de 49 em 2010 para 353).br/consumidor/rio-eeacute-pioneiro-em-lei-para .367/2011 e o PL n o 1. a ausência de informações sobre a empresa dificulta a reclamação pelo consumidor. a apresentação de queixa aos órgãos de defesa do consumidor e a demanda judicial. compra-coletiva-s566811.096/2011.proteste.br/13/02/2012/rio-sai-na-frente-e-cria-lei-parasites-de-compras-coletivas/ti/262358/news.htm>. Em 18 de novembro de 2011.3 Regulamentação das compras coletivas em 2011 As compras coletivas pela Internet são um novo tipo de comércio eletrônico. afirmam que. O PL n o 2. que passou por um rápido processo de expansão no mercado brasileiro nos dois últimos anos – só nesse tempo foram criados mais de 2 mil sites de compra coletiva no Brasil. em muitos dos casos em que existem problemas quanto à compra efetuada. Como justificativa. que serão relatados de forma mais detalhada no tópico a seguir.

Ademais. quais são essas obrigações. sem definir. sob a nomenclatura de Lei no 6. enquanto o Projeto de Lei Federal determina que há responsabilidade solidária entre ambas as empresas pela veracidade das informações e por eventuais danos causados ao consumidor. Em resposta. o setor lançou um Código de Ética com o fim de estabelecer regras para as empresas de compras coletivas e fazer frente às propostas legislativas. A iniciativa 125 foi do Comitê de Compras Coletivas da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico. O texto do projeto de lei federal em muito se assemelha ao texto do PL do Rio de Janeiro. 123 C  abe ressaltar que esse projeto foi aprovado e entrou em vigor no dia 9 de janeiro de 2012. Acesso em 19 de julho de 2012. 124 125 . o PL do Rio de Janeiro afirma que o descumprimento do contrato de compra e venda gera “obrigações para a empresa de compras coletivas ou para a empresa responsável pela oferta do produto ou do serviço” (art.232/2011. porém.161/2012.camara. a facilitação de comunicação entre o consumidor e a empresa. O Código estabelece regras de boas práticas em compras coletivas e veda práticas tais como a realização de ofertas falsas. 7 o). enquanto o segundo atribui prazo de três meses.232/2011124.  isponível em: <http://www. D  isponível em: <http://www. a manipulação dos contadores das compras com o fim de influenciar os usuários sobre o sucesso da oferta.gov. 123 Foi destaque em 2011 também um Projeto de Lei Federal nº 1. PL n o 1. dessa forma. no mesmo ano.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 COMÉRCIO ELE TRÔNICO Lei de Compras Coletivas.104 observatório da internet. em casos de problemas após a compra do produto ou contratação do serviço. que “estabelece parâmetros para o comércio coletivo de produtos e serviços através de sítios eletrônicos no âmbito do Estado do Rio de Janeiro”.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=500481>. Uma segunda diferença consiste na exigência do projeto federal de que os sites sejam hospedados em plataformas pertencentes a empresas com sede ou filial localizadas em território nacional – objetivando. D pdf>. que reúne as principais empresas do setor. as quais respondem por 85% do volume total. com a diferença de o primeiro atribuir um prazo mínimo de seis meses para utilização da oferta comprada no site. que busca regulamentar as compras coletivas no país. Acesso em 6 de março de 2012.net/Compras-Coletivas/etica/codigo-de-etica-em-compras-coletivas. apresentado à Câmara dos Deputados no dia 4 de maio – o PL no 1.camara-e. As entidades que atenderem o Código receberão um selo de excelência.062/2011. bem como estabelece meios mais claros de uso de dados dos consumidores opt-in / out .

Adquirir parte dos frutos gerados pelo comércio eletrônico se torna cada vez mais atraente. devido à facilidade e à comodidade das transações. inovação e diferenciação de ofertas. que revenderá o produto. . um do Distrito Federal e um da União. foi publicado pelo Confaz 126 – Conselho Nacional de Política Fazendária – o Protocolo ICMS n o 21 127. Por outro lado. consequentemente.fazenda. O órgão responsável por tais convênios é o Confaz. 127 128  etirado do preâmbulo do Protocolo 21: “Estabelece disciplina relacionada à exigência do ICMS nas R operações interestaduais que destinem mercadoria ou bem a consumidor final. XII. determina que as isenções e benefícios relativos a ICMS devem ser instituídos por convênio celebrado e ratificado pelos Estados e pelo Distrito Federal. buscando beneficiar os estados subscritores quanto ao recebimento de parcela do imposto relativo a produtos “cuja aquisição ocorrer de forma não presencial no estabelecimento remetente”128. Acesso em 8 de março de 2012. cabe à lei complementar regular como os Estados e o Distrito Federal S receberão benefícios fiscais. g da CR. §2o. os demais Estados passaram a demandar alterações de políticas fiscais para adequação da arrecadação tributária sobre mercadorias e serviços à nova realidade de transação mercadológica possibilitada 126  egundo o art. segundo sua própria deliberação. pelas normas infraconstitucionais aplicadas às relações consumistas. o Estado de localização da loja arrecadará parte do imposto. Em vista da alta atratividade fiscal do comércio eletrônico e do domínio dos estados do Sul e Sudeste sobre esse ramo. A justificativa para a guerra fiscal no comércio eletrônico provém das mudanças sociais e das evoluções tecnológicas que não puderam ser previstas pelo texto constitucional e. A Constituição Federal determina que. 34 do ADCT. recepcionada pelo disposto no §8o do art. A Lei Complementar correspondente a tal disposição é a de no 24/75. cuja aquisição ocorrer de forma não presencial no estabelecimento remetente”. 155.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 7. que. atraindo públicos diversificados e a possibilidade de prática de preços inferiores em virtude de cortes de gastos em vários fatores de formação de preços. Essa é uma das razões para os baixos preços dos produtos vendidos na rede. uma loja. nos casos em que o destinatário é. por exemplo.gov. todo o valor por ele pago a título de ICMS deverá ser arrecadado pelo Estado de origem daquele produto. Foi uma tentativa dos Estados de arrecadar parte dos impostos gerados pelos bilhões que estão sendo movimentados em compras pela Internet. formado por um representante de cada Estado.br/confaz/confaz/protocolos/icms/2011/pt021_11.COMÉRCIO ELE TRÔNICO 105 observatório da internet.4 Guerra fiscal no comércio eletrônico No dia 1 o de abril de 2011. nos casos em que o destinatário do produto for o consumidor final (como no comércio eletrônico).htm>. D isponível  em: <http://www.

sem que o valor seja abatido do ICMS já incorporado ao preço do produto na hora da compra. embora a Constituição preveja a autonomia dos Estados para regular questões relativas a ICMS. Sem a existência dos benefícios trazidos pelo Protocolo do Confaz. Acesso em 8 de março de 2012. quando o destinatário é o consumidor final. No decorrer da guerra fiscal entre os Estados. para que não fique retido na Secretaria da Fazenda do Estado. alegam que o ICMS é imposto sobre consumo e. que pode tanto ser compelido a pagar mais como pode estar sujeito a problemas na entrega. O problema gerado por essa disputa entre Estados é a possibilidade de bitributação de produtos – Estados como a Bahia têm editado leis que obrigam o consumidor a pagar uma taxa extra de ICMS na entrega. de forma que este não seja onerado duas vezes. a OAB afirma que. inclusive. a favor da unidade federada de destino da mercadoria ou bem. entretanto.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 COMÉRCIO ELE TRÔNICO pela Internet.br/estados+declaram+guerra+por+impostos+do+comer cio+eletronico/n1238157416089. 130 Essa sobretaxa é cobrada.html>.129 Essas disposições seriam apenas relativas a produtos adquiridos de forma não presencial por meio de Internet.ig. ajuizou uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI) contra o Protocolo do Confaz. 129  Cláusula primeira. o que é previsto pela cláusula primeira do Protocolo.com. deveria haver uma repartição da arrecadação do imposto entre Estado de origem e de destino. nos termos nele “ previstos. A bitributação sofreu críticas de instituições como o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) e a OAB. quem acaba sendo prejudicado é o consumidor. deveria prevalecer a regra específica de ser feita a cobrança do imposto apenas na origem do produto. Na ação. portanto. a parcela do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS – devida na operação interestadual em que o consumidor final adquire mercadoria ou bem de forma não presencial por meio de Internet. telemarketing ou showroom.106 observatório da internet. os demais Estados alegam que teriam sua economia local e o desenvolvimento da região mais prejudicados do que o de costume. Essa última. telemarketing ou showroom”. 130 . Acordam as unidades federadas signatárias deste protocolo a exigir. Ademais.  R  etirado da notícia: <http://economia.

telebrasil.br/pnbl_sinditelebrasil_teleco_situacao_banda_larga_no_brasil.br/ analise_de_utilizacao_do_espectro_parte1. Dentre uma população de 191.1 O Plano Nacional de Banda Larga A alta velocidade de conexão em caráter contínuo. Quando disponibilizada em larga escala.5 milhões de brasileiros 131. D  ados retirados do Relatório Técnico/Consultoria Análise de Utilização do Espectro de 700 MHz. A infraestrutura de acesso à Internet banda larga é uma das principais ferramentas para o desenvolvimento social e econômico.org. permitindo inovações na rede. infraestrutura e arquitetura 8.A C E S S O. Entretanto. Acesso em 4 de junho de 2012.pdf>. feito pela Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil). que caracteriza a Internet banda larga.pdf>. Disponível em: <http://www. no início de 2011 havia apenas 16 milhões de acessos banda larga fixos e 28 milhões de acessos banda larga móvel. 132 . uma vez que proporciona maior qualidade do serviço de Internet. Disponível em: <http://www. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 107 observatório da internet. é uma garantia de acesso adequado fundamental. ainda há a necessidade de rápida expansão da banda larga. da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil). 132 Embora os dados sejam crescentes. uma vez que diversos 8 131 D  ados retirados da Avaliação do Diagnóstico realizado pelo Ipea sobre A Situação da Banda Larga no Brasil. Acesso em 4 de junho de 2012. setor privado e cidadãos. atende às demandas de diferentes usuários – governo.telebrasil.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 # Acesso.org. a Internet banda larga ainda é muito restrita e pouco difundida pelo território nacional.

no dia 5 de maio de 2010.9 milhões tinham acesso à infraestrutura de banda larga.  isponível em: <http://www. um plano de atuação. fazendo com que o Brasil figure situação de desvantagem se não tomar nenhuma providência.gov. Disponível em: <http://campanhabandalarga. Para citar um país latino-americano.br/url?sa=t&rct=j&q=plano%20nacional%20de%20banda%20 larga%20download&source=web&cd=3&ved=0CGYQFjAC&url=http%3A%2F%2Fwww.google.br/url?sa=t&rct=j&q=plano%20nacional%20de%20banda%20 D larga%20pdf&source=web&cd=3&ved=0CFsQFjAC&url=http%3A%2F%2Fwww. foi modificado com o lançamento feito pelo Ministério das Comunicações de um segundo documento. Esse número. a princípio. C  arta publicada no lançamento do PNBL. dentre as diversas áreas de ação. chamado Plano Nacional de Banda Larga 137. o alcance de 30 milhões de acessos a banda larga fixa e 60 milhões a banda larga móvel (urbanos e rurais) até 2014. Grã-Bretanha. chamado Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) 135. o qual estabeleceu metas mais detalhadas de atuação e trouxe novidades quanto aos principais agentes do plano. Acesso em 04 de julho de 2012.governoeletronico. Itália e Finlândia incluíram medidas explícitas neste sentido.br%2Fanexos%2Fplano-nacional-de-banda-larga%2Fdownload&ei=QHD0T4_1EIGg8QSLiPnqBg&usg= AFQjCNHK78IA39qh-TjnwT92Ngk9yM-IBQ>. programas nacionais de expansão da banda larga foram “ adotados por vários países em seus pacotes de estímulo à recuperação econômica após crise mundial de 2008 [8].  isponível em: <http://www.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. partindo de um contexto em que apenas 11.planalto. Estados Unidos. conforme será visto mais adiante. Em ações distintas. entretanto.org. Canadá. 23. Acesso em 13 de julho de 2012.com. Portugal. portanto. Japão. Acesso D em 13 de julho de 2012. 136 Esse plano pretende massificar o acesso até 2014 – o que foi definido. Tendo em vista as “graves desigualdades existentes hoje no que diz respeito às condições de acesso à banda larga no país” 134.br/index. Estimou que seria necessário R$ 49 bilhões em investimentos (privados. pág.google. Alemanha. 133  Pelo potencial de dinamizar a economia. Austrália. através do Decreto 7. Cingapura e Coreia do Sul também anunciaram melhorias e expansões de sua infraestrutura de banda larga.com.governoeletronico. o Chile possui um plano de ação que. França.gov. como o alcance de 40 milhões de domicílios. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A países já vem implementando planos nesse sentido 133. 134 135 136 137 . Irlanda. como a do BNDES) para que tais metas fossem cumpridas. php/2011/01/20/40/>. PNBL.175/2010.108 observatório da internet.htm>. br%2Fanexos%2Fplano-nacional-de-banda-larga%2Fdownload&ei=TpIAUKKKOoHb6wH596SNBw&usg =AFQjCNHK78IA39qh-TjnwT92Ngk9yM-IBQ>. gov. o governo lançou.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Decreto/D7175.  D isponível em: <http://www. Acesso em 11 de julho de 2012. estabelece metas de cobertura de conexões em banda larga [10]”. além de levar acesso banda larga a 100% dos órgãos de governo e de aumentar em até dez vezes a velocidade mínima dos serviços de acesso à banda larga fixa (critério de qualidade do serviço). públicos e por meio de linhas de crédito. O PNBL passou a ter como metas.

contudo. em regime público. definindo.br/index. um dos principais objetivos do Programa Nacional de Banda Larga era disponibilizar planos populares de 512 a 784 Kbps por R$ 35. br/acoes-e-programas/programa-nacional-de-banda-larga-pnbl/252-temas/programa-nacional-debanda-larga-pnbl/23723-termos-de-compromisso>.html>. de maneira a garantir a igualdade entre provedores e o ingresso sustentável de novos agentes.A C E S S O. de disponibilidade do serviço. O Manifesto pode ser encontrado neste link: <http://campanhabandalarga.90 nas localidades em que houver isenção de ICMS. 138 8.com/tecnologia/noticia/2011/06/entenda-o-plano-nacional-de-bandaD larga. até 31 de outubro de 2011.mc.  omo exemplo. nos Termos de Compromisso firmados entre o Ministério das Comunicações e a Anatel com as principais concessionárias de telefonia fixa (Telefonica. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 109 observatório da internet. Oi. em um primeiro momento.1.1 Termos de Compromisso Os planos de banda larga popular previstos pelo PNBL foram concretizados. por qualquer um.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 Embora esse documento não tenha como intenção estabelecer valores numéricos específicos para a velocidade de banda larga adequada (preocupando-se simplesmente em garantir que a infraestrutura de Internet banda larga supra as necessidades derivadas dos seus consumidores e fornecedores de serviços). Acesso em 13 de julho de 2012. Como forma de atuação. parâmetros de velocidade efetiva de conexão mínima e média.139 Como estavam sendo tratados em regime privado (impossibilitando o Estado de impor preços ou metas de ampliação do serviço). Acesso em 13 de julho de 2012. bem como regras de publicidade e transparência que permitam a aferição da qualidade percebida pelos usuários”. br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Decreto/D7512. ainda. que pode ser assinado. destaca-se a Campanha Banda Larga é um Direito Seu!. Acesso em 13 de julho de 2012. os planos populares derivaram da revisão quinquenal do contrato de concessão e da edição do novo Plano Geral de Metas de Universalização.141 Primeiro. que as empresas devem cobrar R$ 29. reivindicando que a banda larga seja tratada como serviço essencial. a qual reúne uma série de C instituições que defendem uma Internet barata e de qualidade para todos. o PGMU III estabelece que “A Agência Nacional de T Telecomunicações  –  Anatel deverá adotar. ambém datado de 30 de junho de 2011. Acesso em 13 de julho de 2012. Com a intervenção do governo Dilma Roussef.gov. desenvolveram um Manifesto.org.gov. o próprio fato de serem acordos que estabelecem 138  isponível em: <http://g1. 139 140 141 .globo. as medidas regulatórias necessárias para estabelecer padrões de qualidade para serviços de telecomunicações que suportam o acesso à Internet em banda larga. Esses Termos de Compromisso. essa velocidade subiu para 1 Mbps – o que equivale a duas horas e quarenta minutos de espera para baixar um arquivo de 1. O  Ministério das Comunicações disponibiliza a íntegra dos termos neste endereço: <http://www.00.2 Gb.htm>. Disponível em: <http://www. possuem peculiaridades que foram alvo de severas críticas.140 Eles preveem.planalto. Companhia de Telecomunicações do Brasil Central – CTBC e Sercomtel) em 30 de junho de 2011. entre outros.php/manifesto/>.

dada que as aplicações on-line . 1. Acesso em 16 de julho de 2012. 17. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A um tratamento privado do serviço de banda larga representaria uma impossibilidade do governo de atuar em defesa direta dos interesses da população. a União Internacional de Telecomunicações afirmou que uma banda larga de qualidade deveria ter. que afirmam que a massificação do acesso à infraestrutura de Internet banda larga deve ocorrer tanto em áreas urbanas quanto rurais.6 KBps de velocidade.5 Mbps de capacidade de download. BRASIL. o consumidor que aderir a esses planos também terá sua capacidade de upload muito limitada: de até 128 Kbps. na verdade. Dados extraídos da Wikipedia: <http://pt. impedir a fruição pelo consumidor das aplicações básicas). Tal medida aparentaria uma tentativa das empresas de telecomunicações de tornar esses planos menos atraentes para o consumidor – além de não representar bons padrões de qualidade. deveria possuir um papel ativo como agente econômico e executor desse serviço – até mesmo para que possa alcançar a meta de massificação da infraestrutura de banda larga. Segundo pesquisa feita pelo Idec. Isso é. quando. 143 Ademais. 143 144 . Acesso em 16 de julho de 2012. assim. contudo. já que a maior franquia. Plano Nacional de Banda Larga.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O.110 observatório da internet. o que corresponde a pouco mais que duas vezes a velocidade de uma conexão em linha discada. o Estado estaria sujeito aos termos contratados. o que aparentemente não inclui nem as áreas urbanas de forma ampla nem as áreas rurais.idec. A  Internet com conexão em linha discada apresenta no máximo 56. pelos Termos de Compromisso. Haveria um problema quanto ao limite de downloads imposto nos planos populares. hospedagem na nuvem e o consumo de vídeo on-line tem tornado as demandas por banda cada vez maiores. limitando. seria rapidamente atingida. o pleno uso da Internet pelo consumidor.org. 142 Além disso.br/em-acao/revista/abertura-de-contas/materia/lenta-cara-epara-poucos-ii-a-missao/pagina/109>. quando ultrapassado. já que. atendendo a todos os municípios do país com população superior a 100 mil habitantes. permitiria às concessionárias diminuir temporariamente a velocidade da Internet contratada (sem.org/wiki/Linha_discada>. Esse fator vai de encontro com as metas gerais de universalização estabelecidas pelo Plano Nacional de Banda Larga. p. os acordos obrigam as concessionárias a atuarem apenas nas “localidades sedes de municípios”. no mínimo. da venda dos planos populares em conjunto com plano do servi- 142 D  isponível em: <http://www.wikipedia. 144 Um dos fatores que mais geraram preocupação foi a permissão. de 1 Gb.

Sem prejuízo do previsto no § 3o. 145 Há a afirmação de que essa prática seria equivalente a uma venda casada entre serviço de banda larga e serviço de telefonia fixa. conforme cronograma previsto no ANEXO I. o Procon também reconheceu as desvantagens que o consumidor pode sofrer com a venda casada 145  or exemplo. e/ou (III) por outros serviços”. Interessante notar que. com tributos.gov. 148 . (II) pela prestação de utilidades ou comodidades (PUCs). D  isponível em: <http://www.br/index.pdf>. em razão de quedas de sinal frequentes e fornecimento de velocidade inferior à contratada. os críticos do programa têm afirmado que a implementação destes termos representa a ausência de um plano de atuação consolidado pelo governo federal. “serviços mal prestados também foram alvo de reclamação em relação ao serviço de acesso à Internet por banda larga.mc.00 (trinta reais). 147 Segundo o Cadastro de Reclamações Fundamentadas do Procon relativo ao ano de 2011 148. no Termo de Compromisso firmado com a CTBC (disponível em: <http://www. poderá ser efetuada em conjunto com plano do serviço de telefone fixo comutado – STFC disponível na respectiva localidade. prática expressamente proibida pelo Código de Defesa do Consumidor.org. Acesso em 16 de julho de 2012. ao preço estipulado no caput. Campanha Banda Larga é um Direito Seu!. 146 Portanto. bem como. sem prejuízo da cobrança (I) pelo tráfego cursado do STFC além da franquia. 39. utilizaram-se os seguintes dispositivos: “§3o A hipótese prevista no §2o não isenta a ALGAR TELECOM de disponibilizar a Oferta de Varejo por meio do SCM ou com uso de tecnologia que ofereça condições técnicas de qualidade equivalentes. Acesso em 16 de julho de 2012. Art. As empresas de telecomunicações Telefonica e Oi. 146 147 Sinais preocupantes: o PNBL em momento crítico.A C E S S O. a limites quantitativos.php/2011/06/13/sinais-preocupantes-o-pnbl-em-momentocritico/>. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços. dentre outras práticas abusivas: I – condicionar  o fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento de outro produto ou serviço. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 111 observatório da internet.procon. neste caso. cuja contratação. tendo este último o preço mensal máximo de R$ 30. cujo excesso de falhas tem sido alvo de constantes reclamações pelos consumidores. sem contar que promoveria a massificação de um serviço de má qualidade. Há também reclamações geradas pela falta de informação quanto aos pacotes de acesso à Internet em roaming internacional” (pág. §4o. P br/acoes-e-programas/programa-nacional-de-banda-larga-pnbl/252-temas/programa-nacional-debanda-larga-pnbl/23723-termos-de-compromisso>). com ao menos um Plano Alternativo do STFC. a ALGAR TELECOM deve assegurar ao consumidor a possibilidade de contratação da Oferta de Varejo.gov. 13). obtiveram péssimos resultados nas pesquisas apresentadas pelo relatório do Procon: ocupam respectivamente 6 o e 7 o lugares no ranking geral das cinquenta empresas mais reclamadas de 2011. nessa pesquisa. na forma do §4o desta Cláusula.br/pdf/acs_ranking_2011. combinada com o Plano Básico do STFC homologado nos termos do Anexo III ao Contrato de Concessão e. sem justa causa. que firmaram Termos de Compromisso relativos ao PNBL. Disponível em:  <http://campanhabandalarga. além de estarem entre as cinco empresas de serviços essenciais mais reclamadas (apenas perdendo para a Tim). alternativamente.sp.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 ço de telefone fixo comutado.

Essa divisão de tarefas entre setor público e privado. a qual apenas seria substituída pela Telebras nas localidades em que não houvesse oferta adequada do serviço. que é permitida em alguns serviços e vedada em outros”. contudo. desestimula a contratação individual. 149 . sofre o jogo de “empurra” entre as empresas e é informado sobre a incidência de multa.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. a fidelização. está insatisfeito ou deseja rescindir um ou mais dos serviços. uma vez que as regras são distintas para os diferentes serviços incluídos nos pacotes.1. escolas. normas regulatórias específicas para cada serviço e condições especiais atreladas ao pacote. foi modificada ao longo do ano de 2011. a venda e compra dos serviços em pacotes esconde problemas que podem ser enfrentados mais tarde pelo consumidor. chamando a atenção da Anatel para a necessidade de regulamentação dessa prática. por exemplo. 12 do Cadastro de Reclamações Fundamentadas de 2011.2 Gestão do PNBL De acordo com o Decreto 7. telecentros comunitários e outros pontos de interesse público. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A entre serviços de telefonia fixa e Internet banda larga (permitida pelos Termos de Compromisso). Acesso em 16 de julho de 2012. centros de pesquisa. municípios e entidades sem fins lucrativos. as informações fornecidas não são claras: empresas prestadoras distintas. o poder público seria o principal responsável pela aplicação do Plano. prestar apoio e suporte a políticas públicas de conexão à Internet em banda larga para universidades. estados.procon. Dessa forma. ( Telebras). por exemplo. em razão de fidelização (TV por assinatura e telefonia móvel) e sobre a alteração no valor do serviço que permanecerá ativo. a qual atuaria em conjunto com o Comitê Gestor do Programa de Inclusão Digital (CGPID). Disponível em: <http://www. Distrito Federal. hospitais. Procon. A Telebras seria responsável por implementar a rede privativa de comunicação da administração pública federal. além de prover infraestrutura e redes de suporte a serviços de telecomunicações prestados por empresas privadas.gov. pela prestação direta do serviço de banda larga para usuários finais. O Procon-SP aponta para a necessidade de regulamentação pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) dos serviços convergentes. No momento da contratação.pdf>.112 observatório da internet.175/2010. momento em que a implantação do PNBL foi acelerada  A oferta através de pacotes.br/pdf/acs_ranking_2011. postos de atendimento.A. a principal gestora do Plano Nacional de Banda Larga seria a estatal Telecomunicações Brasileiras S. como. Pág. Quando o consumidor enfrenta problemas. normalmente realizada com uma das empresas envolvidas. a Anatel e as empresas concessionárias de Telecomunicações.sp. com preço e condições comparativamente mais vantajosos do que a “ aquisição isolada de um só serviço. tendo o setor privado papel complementar na sua implementação – sendo responsável. 149 8. Aparentemente vantajosa para os consumidores.

O próprio Plano Nacional de Banda Larga evidencia esse entendimento.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 pelo Ministério das Comunicações – cuja gestão foi modificada junto com a mudança do governo Lula para o governo Dilma.)”. 151 152 153 154 BRASIL. CUT defende o fortalecimento da Telebras. uma série de ações políticas demonstra o efetivo afastamento de funções da Telebras relativas ao PNBL. ou seja.. de R$ 600 milhões.com.php/2011/06/06/cut-defende-fortalecimentoda-telebras/>. com sucessivas reduções que acabam inviabilizando a meta do PNBL para 2011”. em regime de competição. 153 Somado a isso. 13). Mesmo antes da assinatura dos Termos de Compromisso. o Ministério das Comunicações já dava sinais de que o desenvolvimento do PNBL seria apoiado na atuação das empresas de telecomunicações.as  p?origem=exibir&id=18201105030168&manchete=TELEBRAS%20(TELB)%20-%20ESCLARECIMENTOS>. a fim de diminuir projetos isolados da empresa e canalizar esforços conjuntos com o setor privado para a expansão de redes no país e sua comercialização no atacado” 152. o papel da Telebras seria restringido. que substituiu. focado no desenvolvimento de backhauls 151.php/2011/04/25/entidades-criticam-negociacao-do-governo-comas-teles/>. Banda Larga é um Direito Seu! C Disponível em: <http://campanhabandalarga.  AMPANHA BANDA LARGA.. cabendo ao Estado atuar de forma complementar (. consequentemente. Site Banda Larga é um Direito Seu!. Acesso em 13 de junho de 2012. (…) Destaca-se a importância de garantir a oferta não discriminatória aos nós de acesso ao backhaul” (pág.br/agencia/corpo. a partir do qual se distribui o sinal para as redes que chegam para prover banda larga nas residências”. 150 A atuação das concessionárias de telecomunicações no PNBL foi ganhando cada vez mais destaque e. p. 154 150 Em 1o de janeiro de 2011 tomou posse do cargo de ministro das Comunicações Paulo Bernardo Silva. “ Backhauls são as ligações de Internet das grandes redes para os municípios.br/index.org. Acesso em 16 de julho de 2012. em 31 de março de 2010.org. Entidades criticam negociação do governo com as Teles. um dos idealizadores do PNBL. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 113 observatório da internet. Isso foi expresso no esclarecimento feito pelo Ministério à Bovespa e à CVM: “é intenção do Ministério rediscutir a atuação de mercado da Telebras. o ex-ministro Hélio Costa. Uma delas foi o corte de recursos no governo Dilma – enquanto o governo Lula projetou um aporte inicial de R$ 1 bilhão à Telebras até o fim de 2011 com possível suplementação de R$ 400 milhões. 11. ao afirmar que um dos seus princípios “é o estímulo ao setor privado para que este invista na infraestrutura de banda larga. Relativo ao Ofício 561/2011/SE-MC. “com relação às restrições ao crescimento da oferta de infraestrutura banda larga. foi diminuído no atual governo para R$ 316 milhões. .A C E S S O.br/index. Acesso em 16 de julho de 2012. disponível em: <http://www. a expansão do backhaul a mais localidades. o Brasil vem atuando para superar um dos principais fatores de limitação da expansão da cobertura banda larga. D e acordo com o Plano Nacional de Banda Larga. e deixou o cargo o ex-ministro José Artur Filardi. “o primeiro aporte. Plano Nacional de Banda Larga.bmfbovespa. disponível em: <http:// campanhabandalarga.

Essa discussão remete a uma das maiores críticas feitas ao PNBL e ao tratamento em caráter privado do serviço de acesso à infraestrutura de banda larga: a não exigência de universalização do serviço. dentro de cinco anos. que serão explicados mais adiante). Paulo Bernardo. o importante é cumprir as metas do plano. e do secretário de Telecomunicações Nelson Fujimoto.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. mas a presidente Dilma Roussef somente autorizou a liberação de R$ 1 bilhão por ano – ou seja. o acesso à banda larga deveria ser tratado como um direito fundamental e um serviço essencial. de maneira que. Disponível em: <http://www. R$ 4 bilhões no total (se a verba de 2011 for recomposta). ela começaria a ter lucro. Para ele. como vimos. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A Também houve suspeitas de que as demissões do então presidente da Telebras e idealizador do PNBL. Assim. os consumidores dos locais não atendidos pelo serviço de banda larga. estivesse sujeito ao regime público. seria preciso apenas fortalecê-la (econômica e profissionalmente) e expandir essa rede. sendo a ele garantido. direitoacomunicacao. Rogério Santanna (em 31 de maio de 2011). características próprias 155 I nformações  extraídas do Observatório do Direito à Comunicação. também ficam prejudicados. uma vez que ficam à mercê dos interesses das empresas e dos Termos de Compromissos com elas firmados (os quais estabelecem. Acesso em 16 de julho de 2012. mas que esses planos estariam inviabilizados com o contingenciamento de recursos imposto à estatal. Segundo a campanha Banda Larga é um Direito Seu!. Consequentemente.org. representaram um esvaziamento da Telebras e de sua função como gestora do plano.php?option=com_content&task=view&id=7924>.br/content. e que essa aproximação com empresas privadas não era necessária. tendo em vista que a rede com a qual atuaria a Telebras já existe (derivada de acordos feitos entre a Telebras com a Petrobras e a Eletrobras. assim. afirmando que estaria cedendo aos interesses das concessionárias de telecomunicações.155 Já Santanna acredita que os monopólios exercidos pelas principais empresas de telecomunicações prejudicam a concorrência. Por outro lado. o que faria com que.114 observatório da internet. Santanna já havia feito críticas ao governo. e sem que isso signifique uma competição entre Telebras e as empresas de telecomunicações. obrigatoriamente. não importando se isso será feito através do governo ou do setor privado. afirma que essa negociação com as empresas de telecomunicações era necessária. o atual ministro das Comunicações. . obrigações de atuar apenas nas localidades sedes dos municípios). já que foram planejados gastos de R$ 7 bilhões para se alcançar as metas do PNBL. apesar de representarem uma parcela signficativa do mercado.

shl>. O FUST possui arrecadação anual de R$ 600 milhões. 156 Atualmente.abril.com. seria também possível utilizar os recursos do FUST (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações) para a implantação do PNBL. como a universalização. Em novembro. S blogspot. Sobre a Tim: <http://info. A justificativa do projeto de lei afirma que o fundo já arrecadou cerca de R$ 5 bilhões. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 115 observatório da internet. Acesso em 16 de julho de 2012.br/2011/07/telebras-e-eletrobras-juntas-para. 27.A C E S S O. deu início.com/tecnologia/claro-adere-ao-programa-de-banda-larga-dogoverno-oferece-servico-r-2990-2868224>.com. contratou com a Petrobras 158 e a Eletrobras 159 o direito de utilização de suas redes de fibra óptica. Apesar de todos os esforços para retirar da Telebras a gestão do PNBL.  S obre a Claro: <http://oglobo. Acesso em 16 de julho de 2012. sem o que seria impossível alcançar as metas de massificação previstas – contrato esse que foi objeto de questionamento por processo judicial ajuizado pelas empresas de telecomunicações no fim de novembro 160. 158 159 160 161 . obre a contratação de uso de fibra óptica com a Petrobras: <http://www. Acesso em 16 de julho de 2012. Dessa forma.  Projeto de Lei relativo à revisão da lei que rege o sistema de aplicação de recursos do FUST é o Projeto O de Lei do Senado no 103.brasil. as quais passaram a oferecer os planos populares de banda larga 161.br/mate-pdf/9415.senado. Acesso em 16 de julho de 2012. que ainda não foram utilizados nas finalidades previstas. p.com. a um projeto piloto que visa a integração de universidades e institutos tecnológicos federais em alta ve- 156 157 BRASIL. Por exemplo. Plano Nacional de Banda Larga. o que não é possível por ser tratado em regime privado. a lei que dispõe sobre a aplicação dos recursos desse fundo está em processo de revisão 157 e. de 2007.html>. permitirá que sejam utilizados para qualquer investimento em serviços de telecomunicações. entrou em acordos com as empresas Claro e Tim.uol.exe/sys/start.br/noticias/ S arquivos/2011/05/19/petrobras-cede-utilizacao-de-fibras-opticas-para-programa-nacional-de-bandalarga>. obre a contratação de uso de fibra óptica com a Eletrobras: <http://insight-laboratoriodeideias.br/noticias/tecnologiapessoal/com-tim-pnbl-tera-web-movel-por-35-reais-13072011-30. controle de tarifas e retorno dos bens derivados de recursos públicos à União.gov. ela tomou uma série de iniciativas no ano de 2011 para a concretização do plano. junto à RNP (Rede Nacional de Ensino e Pesquisa). Disponível em: <http://convergenciadigital.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 desse regime.br/cgi/cgilua. Convergência Digital. recolhidos sobre a receita operacional bruta de todas as empresas que operam no setor.globo.gov. htm?infoid=28479&sid=14>. segundo o PNBL. se aprovada pelo Congresso. Além disso. Acesso em 16 de julho de 2012.  T eles vão à Justiça para que Telebras abra contratos firmados com Eletrobras e Petrobras. prestados tanto em regime público quanto privado – incluindo os serviços de acesso à infraestrutura de banda larga. Disponível em <http://www6.pdf>.

Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).  RASIL. Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). que passam a ser exigíveis a partir de novembro de 2012 168.  importante destacar que os serviços de telecomunicações são constantemente apontados como É um problema pelo consumidor.rnp. Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).  RASIL.anatel.gov. Segundo o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça. Consulta Pública no 27/2010. de 28 de outubro de 2011 B disponível em: <http://www.2 Regulamento de gestão de qualidade para Internet fixa e serviço móvel Em julho de 2010.116 observatório da internet. de 28 de outubro de 2011 B disponível em: <http://www. os serviços de telecomunicações responderam em 2011 por 22. o qual será realizado em Tocantins e em Goiás. com o objetivo de atualizar o então existente Plano Geral de Metas de Qualidade (PGMQ-SMP) 164 e acrescentar novos indicadores de qualidade a serem respeitados pelas prestadoras do serviço de telefonia móvel. Resolução no 574.br/Portal/exibirPortalRedireciona. 163 164 165 166 167 168 169 . Acesso em 16 de julho de 2012. através da ampliação da estrutura de backhaul nas universidades.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. 169 162 obre o projeto piloto entre a Telebras e a RNP: <http://portal.in.do?codigoDocumento=245894>. Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Acesso em 20 de julho de 2012. O não cumprimento das metas de qualidade estabelecidas pela agência. as metas passam a ser exigíveis 13 (treze) meses após a aprovação D do regulamento.  e acordo com o art. BRASIL.90% do total das reclamações feitas pelos consumidores aos Procons que fazem parte do Sindec (Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor). Como resultado dessas consultas. BRASIL. 166 167 A adoção dos Regulamentos de Gestão de Qualidade da Anatel é relevante porque estabelece padrões a serem observados pelos prestadores de serviço em relação à qualidade do serviço prestado. de 27 de setembro de 2002.br/web/rnp/imprensa/-/ S rutelistaconteudo/6Cal/ar ticleId/608535/groupId/489970/templateId/TPL-IMPRENSA-RNP/ isPrintable/true>. sujeita as prestadoras a sanções. Em agosto de 2011. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A locidade à rede acadêmica nacional 162. 8.br/visualiza/index. a agência adotou o mesmo procedimento165 para Comunicação Multimídia (RGQ-SCM). BRASIL. a Anatel abriu consulta pública 163 para elaboração de um Regulamento de Gestão da Qualidade do Serviço Móvel Pessoal (RGQ-SMP). Acesso em 29 de fevereiro de 2012.jsp?data=31/10/2011&jornal=1&pagina=91&totalArqu ivos=160>. Resolução no 317. 46 da Resolução. Consulta Pública no 46/2011. Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Resolução no 575.gov. a agência aprovou no ano de 2011 dois regulamentos de Gestão de Qualidade: o RGQ-SCM e o RGQ-SMP.

br/ C Portal/exibirPortalNoticias. O resultado não pode ser menor do que 20% da velocidade máxima contratada pelo assinante. A maior inovação do regulamento foi em relação aos Indicadores de Rede das prestadoras de SCM. 171 . De maneira semelhante. 80 milissegundos em conexões terrestres e 900 milissegundos em conexões por satélite. a partir de então. Indicadores de Rede e Indicadores de Atendimento.anatel. que possibilita a oferta de capacidade de transmissão. contados a partir da entrada em vigor do regulamento. no regime privado.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 No que diz respeito ao regulamento do Serviço de Comunicação Multimídia 170 (serviço de telecomunicações que suporta o acesso à Internet em banda larga). Acesso em 29 de fevereiro de 2012. a partir de então. a Anatel estabeleceu indicadores de reação do assinante relativos ao número de reclamações reabertas. A meta inicial é de 60%. a ser observada em 95% das medições. a assinantes dentro de uma área de prestação de serviço” – transcrição da definição constante no Artigo 3o da Resolução no 272 de 9 de agosto de 2001. A meta. emissão e recepção de informações multimídia. a proporção de reclamações deve ser reduzida para 2% do total de assinantes. Nos indicadores de reação do assinante. a Anatel estabeleceu que as prestadoras de SCM devem reduzir o número de reclamações recebidas em seus canais de atendimento para uma proporção de 6% em relação ao seu número total de assinantes a partir de novembro de 2012.A C E S S O. Nos doze meses seguintes. relativas a três tipos de indicadores: Indicadores de Reação do Assinante. é de.  onforme veiculado pela Anatel em 31 de outubro de 2011. em 95% das medições. no máximo. Nos doze meses seguintes será de 70% e. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 117 observatório da internet. 170 O Serviço de Comunicação Multimídia é um serviço fixo de telecomunicações de interesse coletivo. tanto para download como para upload . A meta de 20% é válida para os primeiros doze meses. Disponível em: <http://www. · Velocidade Média: é o resultado da média de todas as medições realizadas no mês na rede da prestadora. A partir de novembro de 2014. · Latência Bidirecional: é o tempo em que um pacote de dados percorre a rede de um determinado ponto até seu destino e retorna à sua origem. a Anatel estabeleceu metas de qualidade apenas para as prestadoras com mais de 50 mil assinantes. 40%.do?acao=carregaNoticia&codigo=24110>. utilizando quaisquer meios.gov. “ prestado em âmbito nacional e internacional. 80%. nos doze primeiros meses. será de 30% e. Veja abaixo alguns dos Indicadores de Rede aprovados pela agência: 171 · Velocidade Instantânea: é a velocidade aferida em cada medição feita pelo software .

Acesso em 29 de fevereiro de 2012. baseou-se em experiências internacionais como a do órgão regulador britânico.ofcom. de acordo com a Resolução n° 575/2011.gov. nomes próprios. A Internet que conhecemos e usamos hoje é a dos nomes de domínio. bem como em um estudo realizado pelo Inmetro em parceria com o Comitê Gestor da Internet e a Anatel. que aprovou o RGQ-SMP. Pode-se dizer que. viabilizando a comunicação dos terminais. Hoje. nenhum usuário se lembra de acessar sites por meio de combinações numéricas.dot.gov. a agência recebeu mais de 300 contribuições para a proposta de RGQ-SMP e mais de 700 contribuições para a proposta de RGQ-SCM. Através dos Regulamentos de Gestão de Qualidade. foi criado um Sistema de Nomes de Domínio (DNS) que substituiu os números por nomes. D  isponível em: <http://www. A importância dos nomes de domínios transcende a viabilização dos usuários da Internet no acesso a sites .118 observatório da internet. Acesso em 29 de fevereiro de 2012.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O.3 Nomes de domínio Cada computador em rede possui um número exclusivo. nomes de empresas e. que criou um código voluntário de melhores práticas 172. até mesmo. palavras. dos endereços dos sites construídos por letras. 174 8. chamado de endereço IP .org.inmetro. os principais debates de controle de condutas de usuários na rede se valem cada vez mais dos nomes de domínio como estru- 172  isponível em: <http://stakeholders.br/consumidor/produtos/banda-larga. aos prazos para instalação do serviço e para reparo de problemas. Para desenhar a proposta regulatória relativa aos Indicadores de Rede.uk/telecoms/codes-of-practice/broadband-speeds-cop/ D voluntary-codes-of-practice/>. em regulação do órgão regulador indiano ( TRAI) 173. 173 174 . Para facilitar essa comunicação. atualmente. a Anatel também aprovou Indicadores de Atendimento relativos ao atendimento nos Serviços de Atendimento ao Consumidor (SAC) das empresas.pdf>. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A Indicadores de Rede equivalentes foram aprovados para as conexões de dados das prestadoras de telefonia celular. No curso das consultas públicas. Disponível em: <http://www. Acesso em 29 de fevereiro de 2012. frases. entre outras medidas.in/Acts/legislation/6oct2006.pdf>. que permite a localização dos mesmos na rede. marcas.

o PL 256 de 2003. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 119 observatório da internet. evitando. cuja maior preocupação é solucionar os problemas empresariais que circundam os nomes de domínio. assim confusão e abusos do princípio do first come-first served que rege o sistema de nomes de domínio. ARJEL.1 Propostas de regulação do tema no Brasil Dentre os Projetos de Lei que tramitam atualmente no Congresso Nacional. seja o embate político entre candidatos a presidência. Um exemplo disso é a imposição aos provedores de acesso à Internet pelo governo francês de bloqueio de acesso por meio de nomes de domínio.que também ocorreu no ano passado na França. Vemos. 8. François Hollande. c’est maintenant (A mudança é agora. O segundo projeto é de 2011. A proposta mais antiga. O proprietário do registro do nome de domínio em questão é a UMP.lechangementcestmaintenant. No dia seguinte. Nele pode-se observar preocupações mais legais e menos técnicas do registro dos nomes de domínio. que usa o slogan Le changement. Seja a plena atuação empresarial no meio digital. . reflexos de situações comuns cotidianas do mundo não digital. Outro bom exemplo da importância dos nomes de domínio. Quando questionado sobre isso. portanto. aqueles que acessavam o site <www.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 tura essencial de identificação dos usuários. Em 30 de dezembro de 2011. é de iniciativa do senador José Sarney. com definições de requisitos e condições para registro. foi o uso dos mesmos na guerra presidencial entre os partidos. o governo francês editou um decreto que obrigava os fornecedores de acesso a bloquearem sites de jogos on-line que não estiverem cadastrados na agência reguladora francesa de jogo. de 2003. um dos membros da direção da UMP alegou que François Hollande e sua equipe falharam na proteção do candidato na Internet. dois são propostas relativas à regulação dos registros de nomes de domínio no Brasil.fr> encontravam uma paródia do periódico do candidato L’Hibernation (Hibernação) e de seu slogan Le reniement. de autoria do deputado Cláudio Cajado. partido rival do PS.3. sobretudo os conflitos com marcas e nomes empresariais. a essencialidade dos nomes de domínio em diversas áreas. O candidato do Partido Socialista Francês. c’est maintenant (A negação é agora).) lançou seu periódico nas bancas Libération .A C E S S O.

e nomes próprios de pessoas físicas para os quais existam homônimos. mediante o cumprimento das exigências descritas no art. III – os nomes que o órgão ou a entidade responsável pelo registro de nomes do domínio considerarem prejudiciais à conveniência. Qualquer pessoa física ou jurídica. No caso de empresas estrangeiras. ministérios. com CPF ou CNPJ regular.br. de direito público ou privado. raça. à exceção do primeiro requerente. que represente conceitos predefinidos na rede Internet. conforme disposto nesta Resolução.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O.BR PL 835/2011 Definição Não define PL 256/2003 Considera-se nome de domínio o conjunto de caracteres que identifica um endereço na rede de computadores Internet. desta Resolução. II – palavras ou expressões decorrentes de reprodução ou imitação. poderá ser concedido o registro provisório. ou das hipóteses previstas no art. ou que incida em outras vedações que porventura venham a ser definidas pelo CGI. que represente palavras de baixo calão ou abusivas. atendidos os requisitos estabelecidos nesta lei. I – palavras ou expressões de baixo calão ou ofensivas à moral e aos bons costumes. à dignidade das pessoas. 7 o. de nome de domínio já registrado. ainda que com acréscimos. que simbolize siglas de estados. DPN. 8/2008 Define-se como Domínio de Primeiro Nível. cor ou credo. que induza terceiros a erro. crença. Aspectos do proprietário de registro Pessoas físicas e jurídicas. É permitido o registro de nome de domínio apenas para entidades que funcionem legalmente no país. bem como as que incentivem o crime ou a discriminação em função de origem. os domínios criados sob o ccTLD. O requerente declararse-á ciente de que não poderá ser escolhido nome que desrespeite a legislação em vigor. nos quais disponibilizamse registros de subdomínios segundo as regras estabelecidas nesta Resolução. segurança ou confiabilidade do tráfego de informações na rede Internet. profissionais liberais e pessoas físicas.br expressões contrárias à moral e aos bons costumes. As pessoas físicas ou jurídicas estrangeiras que não tenham domicílio ou sede no Brasil deverão constituir procurador domiciliado no país. com poderes específicos Vedação a registro Não são registráveis como nomes de domínio de Internet nas categorias sob o .120 observatório da internet. que ofendam a honra ou imagem de pessoas ou atentem contra a liberdade de consciência. que viole direitos de terceiros. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A PROJETOS DE LEI SOBRE REGISTRO DE DOMÍNIO NO BRASIL E RESOLUÇÃO N O 8/2008 CGI. capazes de induzir terceiros em erro. Res. no todo ou em parte. .br. culto religioso ou ideia e sentimentos dignos de respeito e veneração. legalmente representadas ou estabelecidas no Brasil. 6 o. sexo.

artístico. nome empresarial. o do titular. IV. nos termos da Convenção da União de Paris para Proteção da Propriedade Industrial. ainda que não esteja depositada ou registrada no Brasil. III. ú.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 PROJETOS DE LEI SOBRE REGISTRO DE DOMÍNIO NO BRASIL E RESOLUÇÃO N O 8/2008 CGI. salvo quando o solicitante for o promotor do evento. nome civil. excetuados os casos em que o solicitante seja um legítimo representante dessas pessoas jurídicas. nome de família. ó. herdeiros ou sucessores. Entendese por nomes não registráveis aqueles descritos no § único do artigo 1 o. ê. ç]. 6 o desta lei. õ. oficial ou oficialmente reconhecido. o domínio escolhido pelo requerente não deve tipificar nome não registrável. ser uma combinação de letras e números [a-z. IV – nome.A C E S S O. Requisitos . á. ter no mínimo 2 (dois) e no máximo 26 (vinte e seis) caracteres. â. nos termos do art. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 121 observatório da internet. pseudônimo ou apelido notoriamente conhecido. III – a comprovação da titularidade ou do legítimo interesse. desta Resolução.BR continuação > PL 835/2011 Não cause confusão com: I – marca depositada junto ao Instituto Nacional de propriedade Intelectual que não seja de titularidade do solicitante. hífen [-] e os seguintes caracteres acentuados [à. deve: I. 8/2008 Um nome de domínio escolhido para registro sob um determinado DPN. V – marca notoriamente conhecida em seu ramo de atividade. prêmio ou símbolo de evento esportivo. título de obra intelectual protegida ou outro nome de domínio que não seja de titularidade do solicitante ou para cujo registro não haja consentimento ou patronímico. ô. II – título de estabelecimento. Não ser constituído somente de números e não iniciar ou terminar por hífen. político. cultural. í. PL 256/2003 I – a inexistência de registro prévio do mesmo nome no mesmo domínio de primeiro nível. econômico ou técnico. III – nome de pessoas jurídicas de direito público interno ou externo. 0-9]. II. nome artístico singular ou coletivo. ã. Res. é. considerandose somente sua parte distintiva mais específica. II – a não configuração como nome não registrável. ü. social.

por ordem judicial. inciso I. III – nulidade do registro. pelo não pagamento dos valores referentes à manutenção do domínio.com.org e outros mais. os sufixos de endereços de sites na Internet não estarão mais limitados aos sufixos de países e aos tradicionais . após constatada a não solução tempestiva dessas irregularidades.2 O debate internacional A partir de 12 de janeiro de 2012. itens 1 e 2. 8/2008 I. A medida foi o principal ponto discutido na reunião. V – ordem judicial Res.br. o registro de nomes de domínio . I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A PROJETOS DE LEI SOBRE REGISTRO DE DOMÍNIO NO BRASIL E RESOLUÇÃO N O 8/2008 CGI. desta Resolução.gov. nas hipóteses do art. A expectativa é que grandes empresas sejam as primeiras a registrar novos domínios para as suas marcas. 4 o. br. uma vez solicitada sua correção pelo NIC. III. Cancelamento do registro 8. alíneas “a” e “b”. no início do uso da Internet. . aprovou a ampliação dos sufixos de endereços na Internet.br. pela constatação de irregularidades nos dados cadastrais da entidade. do art. por meio de documentação hábil exigida pelo NIC. As novas taxas de registro custarão US$ 185 mil e o alto custo é visto pela ICANN como um fator que reduzirá o número de registros fraudulentos. pela renúncia expressa do respectivo titular.net. II – prescrição. V.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. IV – perda da condição de titular ou legítimo interessado. IV. 6 o.122 observatório da internet. nos prazos estipulados pelo NIC. II. responsável pela supervisão dos nomes de domínio na Internet. 7 o. pelo descumprimento do compromisso estabelecido no documento mencionado no inciso IV.3. Foi uma prática muito recorrente. . A Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN).BR continuação > PL 835/2011 Não prevê PL 256/2003 I – renúncia expressa de seu titular. descritas no art. O anúncio foi feito no início da 41ª reunião da entidade que terminou no dia 24 de junho em Cingapura. .

Outro ponto controvertido da nova regulamentação é a possibilidade de se opor ao registro de um domínio que afete a moralidade e a ordem pública. bem como as necessárias reservas contra uso indevido dos mesmos por terceiros.A C E S S O. fomentando diversos debates e interpretações acerca do real objetivo da ICANN. Tal prática foi apelidada de Nova Corrida ao Ouro da era digital. além de reduzir os registros fraudulentos.4 O papel do NIC. Outra constante observação é a de que. Possui diversas iniciativas para monitorar ou influenciar a forma . em 1999. redigiram uma Política Uniforme para os nomes de domínio que prevê um mecanismo de solução de conflitos.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 de marcas por pessoas sem qualquer relação com as mesmas. A diversidade cultural entre os países dificulta a adoção de parâmetros uniformes (um exemplo é a diversidade de alfabetos em vista da predominância do alfabeto ocidental) e essa medida poderá gerar conflitos envolvendo expressões que são proibidas em um certo país.br na implementação de soluções técnicas para a Internet no Brasil O Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI. a ICANN veio praticamente a imprimir dinheiro para os registradores e para si mesma: a corrida para o registro dos sufixos fundamentais para o posicionamento da marca por diversas empresas. Para muitos. por meio principalmente de seu braço executivo. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 123 observatório da internet. completamente criado por esta medida. O incentivo era vender o nome de domínio aos proprietários legítimos das marcas. o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC. com a medida.br).br). O alto valor das taxas cobradas é um fator de tensão entre os atores envolvidos. O lançamento dos novos domínios é apenas mais uma etapa no longo processo de aperfeiçoamento na forma como o conteúdo está endereçado na Internet. Agora será preciso verificar a legitimidade dos pedidos que serão analisados e resolver uma série de conflitos que inevitavelmente vão surgir. 8. A ICANN e a OMPI. criando uma espécie de hierarquização entre nomes de domínio que é contrária às práticas e expectativas da Internet. são um novo mercado a ser explorado. mas não em outro.br/CGI. especialmente no que diz respeito à proteção da propriedade intelectual. acompanha com atenção o desenvolvimento da Internet sob o ponto de vista tecnológico. as altas taxas cobradas servirão também para afastar pequenas e médias empresas.

os endereços IP. trataremos mais detalhadamente das principais iniciativas de dois dos órgãos responsáveis por oferecer soluções técnicas a alguns dos problemas enfrentados na Internet: o CGI e o NIC. também é um elemento importante na definição de políticas. Na verdade. os números de IP e os nomes de domínio na rede. há vários fatores intrinsecamente ligados à tecnologia em si. a Internet só é possível porque todos os seus participantes concordam em seguir um conjunto comum de padrões tecnológicos. Do ponto de vista tecnológico. A característica de descentralização das operações que regem a Internet.br. como seu nome sugere. é formada pela interconexão de um grande número de redes. celulares e uma infinidade de outros dispositivos. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A como as tecnologias são adotadas e utilizadas pelas redes brasileiras. por serem únicos. uma vez que a centralização exige uma organização e uma definição de ações de distribuição e uso de recursos. Há literalmente milhares de padrões que definem como cada função.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. tablets . Ainda no que tange à capacidade de exercer influência sobre políticas. Abaixo. e que possuem a tecnologia como fator agregador. que têm objetivos diversos e usam equipamentos de vários fabricantes. que identificam cada dispositivo. mais ou menos independentes umas das outras. a Internet é uma rede de alcance mundial que interliga computadores. ou à forma como é usada. Aí se enquadram os RIRs ( Regional Internet Registers ) e a ICANN ( Internet Corporation for Asigned Names and Numbers ). Poucos pontos da base tecnológica da Internet dependem de um controle central. criados de forma aberta e colaborativa e aprovados por um processo de consenso aproximado pela IETF (Internet Engineering Task Force ). Assim.124 observatório da internet. que gerenciam. por exemplo. cada vez mais universal. As tecnologias usadas na Internet na prática regulam e restringem a forma como esta é utilizada e pode ter tanta influência sobre a rede quanto tem a política – no sentido mais tradicional do termo. que atuam nesse sentido. já bastante explorado nesta obra. . pela necessidade de um ponto de partida para as consultas na Internet. respectivamente. Esses pontos são fundamentais nas discussões sobre tecnologia da Internet e políticas públicas. de forma a contribuir para que a Internet se desenvolva dentro dos mesmos princípios que a trouxeram até o ponto em que se encontra atualmente: uma rede aberta e propícia à inovação. serviço e aplicação devem funcionar na rede. Tais redes são administradas por diferentes instituições. ou o sistema de nomes de domínio.

4. o protocolo que empresta seu nome a ela: Internet. ela é normalmente muito mais flexível e barata do que os demais. que geram uma série de caminhos diferentes entre dois pontos quaisquer. o fornecimento 175 Trata-se do website <http://www. que incluiu palestras técnicas em eventos e universidades.br começou a alocar os novos endereços. Em 2008. Em dezembro de 2007. a mesma usada para os serviços de telefonia.br>. já que faz uso dos recursos de forma muito mais eficiente.1 O esgotamento do IPv4 e do IPv6 O IP é a base tecnológica mais fundamental da rede. a construção de um website em português sobre o tema175.A C E S S O. Isto é. que faz uma reserva antecipada dos recursos necessários para a comunicação entre emissor e receptor. teórico e prático para os funcionários de provedores de Internet e outros sistemas autônomos. O Protocolo Internet é. deu início a uma série de ações de fomento. a criação e disponibilização de material didático. O IP faz uso dos diversos tipos de redes de telecomunicações diferentes.ipv6. O NIC. rádio e TV – ainda assim.br tem atuado de forma a suportar e fomentar a adoção do IPv6 no Brasil há vários anos. É importante lembrar que a Internet é construída a partir da infraestrutura de telecomunicações tradicional. a montagem de um laboratório didático e a criação de um curso gratuito. Ele tem de ser implantado rapidamente na Internet. quanto a construção de redes extremamente resilientes. criando uma camada padronizada sobre a qual todos os demais protocolos e serviços da Internet funcionam. Acesso em 18 de julho de 2012. o IPv4. no lugar de utilizar a comunicação por circuitos. O IPv6 é a versão mais recente do protocolo IP. porque a versão anterior. agregando a eles informações suficientes para que cheguem a seus destinos. responsável por identificar cada dispositivo conectado na rede por meio de números que chamamos de endereços. . assim. na forma de apostilas e de um curso e-learning sobre o assunto. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 125 observatório da internet. além de encapsular todos os dados que fluem através dela. a Internet utiliza a comutação de pacotes. O que diferencia a Internet dos demais serviços de telecomunicações é justamente o endereço IP.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 8. não é mais capaz de suportar o crescimento da rede: não há mais endereços livres. A comunicação de pacotes garante tanto a eficiência do compartilhamento dos recursos de telecomunicações. o NIC. seguindo seu caminho até o destino final. dividindo a informação em pequenos blocos que podem ser enviados de forma independente pela rede.

Apenas no ano de 2011. e cerca de 700 técnicos foram treinados em 21 cursos práticos.126 observatório da internet. subvalorizadas: a sincronização dos elementos na rede e a Hora Legal Brasileira. Foram realizados. Contudo.br e os diversos atores envolvidos. Outro risco é a criação de um mercado negro para os IPv4 como tentativa de postergar a migração. finalmente. Um dos principais diz respeito ao uso de tecnologias destinadas a prolongar a vida do IPv4. também já está esgotada.4. mas ainda pouco conhecidas e. em 2011 o NIC. ainda. como resultado.br foi o responsável por uma série de atividades de coordenação. houve 200 mil acessos ao website criado pelo NIC. Também para essa data é esperado que todos os websites brasileiros deem suporte ao protocolo. delineou-se um cronograma para servir de base à implantação do protocolo no país. foi programado um grande teste de funcionamento do protocolo para o início de 2012: a Semana IPv6. a possibilidade de usá-las sem prejuízo do funcionamento da rede e da preservação dos seus princípios fundamentais. por vezes. Além disso. dentre outros. focados na apresentação de casos. cuja ênfase foi a divulgação de informação e formação de técnicos capazes de planejar. além de gerar confusão para a operação da Internet em si. O uso do NAT por provedores de Internet sem a implantação concomitante do IPv6. por exemplo.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. como a conectividade peer-to-peer e a neutralidade. provedores de acesso e provedores de conteúdo na Internet e. dois grandes eventos técnicos sobre IPv6. implantar e operar o IPv6 na Internet. A transição para o IPv6 é uma questão fundamental para a rede e há diversos riscos envolvidos. Além da atuação técnica. em especial operadoras de telecomunicações. a criação de uma ferramenta de validação de sites IPv6 e. pode trazer sérios prejuízos ao desenvolvimento da rede. Reuniões foram feitas entre o NIC. realizados ao longo do ano em todas as regiões do país. as quais são bem conhecidas e vêm sendo usadas desde meados da década de 1990 – a principal delas é o NAT.2 A sincronização dos elementos na rede e a Hora Legal Brasileira Este tópico trata de duas questões simples e de fundamental importância. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A de trânsito IPv6 gratuito. a realização de estudos sobre a qualidade da infraestrutura IPv6 na Internet.br. 8. . o que pode prejudicar o controle sobre a unicidade da numeração. segundo o qual as operadoras de telecomunicações e os provedores devem oferecer trânsito de Internet em seus produtos corporativos em meados de 2012 e devem começar a ativar o suporte ao protocolo para usuários domésticos no início de 2013.

cujo objetivo é criar Pontos de Troca de Tráfego (PTTs) por todo o Brasil. Foi criado também um banner na forma de um relógio funcional. que pode ser integrado a qualquer website e permite que o usuário saiba a hora certa. Como os computadores e outros equipamentos não têm capacidade. inclusive.br. registros (chamados de logs ) detalhados sobre o funcionamento e as operações realizadas pelos equipamentos que fazem parte da infraestrutura da Internet. como palestras em universidades e eventos técnicos. expressamente recomendado pelo CGI.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 Existem. de forma a divulgar o NTP. foi realizada a renovação do acordo entre NIC. por si mesmos. Acesso em 20 de julho de 2012.  177 . Gráficos de tráfego podem ser vistos no site <http://www.br pode ser considerado como um projeto estruturante. é importante que seu armazenamento corresponda a informações de tempo muito precisas e corretas.br e ON por mais cinco anos.br>. sendo. Ou seja. No ano de 2011. os logs transformam-se em material fundamental para a investigação de problemas técnicos.br>.4. Além disso.br 176 para utilização pelas redes brasileiras. Acessado em 15 de agosto de 2012. Dentro da mesma iniciativa foi criado ainda um website e são realizadas ações de divulgação. Por conta disso. foram implantadas funcionalidades de criptografia no sistema e o conteúdo do site foi totalmente revisado. os dispositivos na Internet devem possuir hora certa.3 Troca de tráfego – O PTTMetro Uma das iniciativas mais importantes do NIC. que colabora para que a infraestrutura da Internet funcione melhor e seja mais segura. Para isso existe o NTP. é necessário sincronizá-la com alguma referência externa.ntp. normalmente.ptt. 177 É um projeto estruturante.A C E S S O. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 127 observatório da internet. uma iniciativa conjunta do NIC. o que condiciona o bom funcionamento de diversas aplicações da Internet e vale para todos os tipos de equipamentos ligados à rede. o NTP. incidentes de segurança e mesmo crimes cibernéticos. 8.br ( Network Time Protocol ). Ao serem correlacionados. de manter a hora certa.br é o PTTMetro.br indicou às redes brasileiras a utilização do NTP por meio da Resolução 009/2008. Dessa forma.br e do Observatório Nacional (ON) para prover referências de tempo na Internet. Os PTTs são componentes da infraestrutura da Internet que permitem a 176  CGI. como os servidores e roteadores. sincronizadas à Hora Legal Brasileira e ao padrão mundial UTC de forma gratuita. saiba se seu micro está com a hora certa e publique o resultado no twitter . na forma O especificada pelas orientações no site <http://www.

quanto operá-los como um serviço de alta qualidade.br – em 2011. portanto.4 Medição de qualidade da rede Outra área de atuação do NIC. pois deixam de pagar a seus upstreams o tráfego que passam a trocar diretamente com seus pares. por vezes. o Plano Nacional de Banda Larga. É participante da Euro-IX. o tráfego total agregado estava próximo a 70 Gbps e a quantidade de participantes únicos por volta dos 300 Sistemas Autônomos. havia 18 PTTs em diversas localidades do país. por países estrangeiros. inclusive. afirma que a velocidade de banda larga. a Associação Europeia de PTTs. Uma hipótese problemática que passa a ser resolvida por essa iniciativa é o caso do cidadão que. confiável e veloz para todos. A iniciativa PTTMetro engloba tanto a função de fomentar e criar novos PTTs em todo o país (quando há condições técnicas favoráveis).128 observatório da internet.br. Inclusive. por não ser . enquanto seu destino encontra-se no prédio vizinho. o tráfego local é resolvido localmente. O PTTMetro é o PTT que mais cresce no mundo. a Internet no país passa a ser mais estruturada. que hoje está ampliando sua esfera de atuação globalmente. portanto. a Associação dos PTTs da América Latina e Caribe. Com os PTTs. em uma rede mais resiliente. depende de que esse pacote viaje por longas distâncias. para acessar o website de sua prefeitura (e.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. do qual tratamos no Tópico 8. O responsável por investir em equipamentos e operar os PTTs é o NIC.br é a medição da qualidade da Internet – área que. conexões diretas implicam em velocidades maiores e. fazer a transferência de um pacote de informações). 8. Muitos dos PTTs existentes são fruto da colaboração da RNP (Rede Nacional de Pesquisas) com o NIC. além de mais barata. que normalmente conta com o apoio de outras instituições para investimentos em fibras ópticas apagadas e datacenters. de forma geral. muitas vezes. Existem diversas vantagens no fato de as redes estarem diretamente interligadas por pontos centralizados: as redes e provedores menores economizam. Isso acontece porque cidadão e prefeitura estão ligados a provedores de Internet distintos.4. Isso ocorre porque não é possível auferir a qualidade da Internet simplesmente pela criação de um website para medir a velocidade de download de um arquivo pelos usuários. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A interligação direta de muitas redes numa área geográfica restrita – geralmente uma cidade ou conurbação – de forma que elas possam trocar tráfego entre si. tem sua complexidade e importância subestimadas.1 desta obra. além de ser um dos membros fundadores da recém-criada LACIX.

não é um bom medidor de qualidade da Internet. promovendo qualidade técnica. com hardware próprio desenvolvido pela entidade. mas sim o fato de a extensão de banda larga se adequar ou não às demandas criadas pela sociedade naquele momento. 24. · Backbone e backhaul brasileiros. e utilizou o Simet (Sistema de Medição de Tráfego de Última Milha) para aferir a qualidade da conectividade dos usuários.br esteve envolvido nos projetos internacionais TTM (Test Traffic Measurements. o Samas (Sistema Automático de Medição entre Autonomous Systems) para aferir a qualidade do backbone e backhaul nacionais. Em 2011.5 CERT. a Anatel e outros colaboradores. o Simet operou com duas versões. exigindo constantes atualizações”. afirma que “as definições existentes de banda larga são sempre feitas em termos O de velocidade de acesso. Nesse ano. a metodologia e os parâmetros utilizados para medir a qualidade da banda larga fixa serviu de subsídio para a elaboração da Resolução no 574 de 28 de outubro de 2011. ou ainda o respeito e completa aplicação do protocolo DNS. Há outros fatores importantes a serem considerados.gov. Acesso em 19 de julho de 2012.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 um critério sob o qual exista consenso. medir a qualidade da Internet não significa apenas medir a velocidade da banda. . Implantou. Neste último.br Uma das missões do CGI. da Anatel. e não há um consenso sobre que velocidade é essa.br%2Fanexos%2Fplano-nacional-de-banda-larga%2Fdownload&ei=Sl4IU PPfJ4GS9gTp8MShBA&usg=AFQjCNHK78IA39qh-TjnwT92Ngk9yM-IBQ>. outra mais completa. Disponível em: <http://www. que prioriza alguns tipos de aplicações em detrimento de outros. ainda. comportamentos e padrões de uso dos consumidores finais e (II) pelo explosivo crescimento de tráfego.com.google. num projeto piloto conjunto com o Inmetro. o qual torna obsoleta qualquer definição que se baseie apenas na largura de banda do acesso à Internet. do LACNIC. 8. o NIC. Isso pode ser explicado (I) pela dificuldade de se estabelecer padrões de tráfego que espelhem a diversidade de expectativas.br é coordenar e integrar todas as iniciativas de serviços de Internet no Brasil. 178 Logo. as iniciativas para medir a qualidade da Internet no Brasil estiveram estruturadas em três frentes principais: · Conectividade internacional. como o respeito ao princípio da neutralidade da rede (tratado nesta obra no Tópico 3). Por isso que o Plano optou por não utilizar valores numéricos nessa definição. e · Última milha (a conexão até o usuário). uma simplificada com testes via web. na pág. do Registro Regional Europeu) e Simon (Sistema de Monitoramento. inovação e disseminação 178  PNBL. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 129 observatório da internet. a não ocorrência de traffic shapping .A C E S S O.br/url?sa=t&rct=j&q=plano%20 nacional%20de%20banda%20larga%20pdf&source=web&cd=3&ved=0CGYQFjAC&url=http%3A%2F%2 Fwww. o Registro Regional da América Latina e Caribe). Em especial.governoeletronico.4.

(I) provê suporte ao processo de recuperação e análise de ataques e de sistemas comprometidos. a análise de tendências. 179 Incidentes de segurança No que se refere ao tratamento de incidentes de segurança. recomendada pela resolução CGI. por Operadoras de Telecomunicações e provedores de acesso e serviços. de políticas como a de Gerência de Porta 25. empresas.br possui como focos de atuação a conscientização sobre os problemas de segurança.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. Conforme veremos mais detalhadamente a seguir. 179  I nformações sobre os CSIRTs no Brasil são encontradas no site <http://www. Tais atividades são desenvolvidas no âmbito do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto Br (NIC. universidades.br) e do Centro de Estudos. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A dos serviços ofertados. O CERT. Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (CERT. como outros CSIRTs. Como parte destas atividades.br). o CERT. (II) estabelece um trabalho colaborativo com outras entidades. provendo a coordenação e o apoio no processo de resposta a incidentes e. normas e padrões técnicos e operacionais para a segurança das redes e serviços de Internet e para a sua crescente e adequada utilização pela sociedade. Nesse contexto.br/csirts/brasil/> Acessado em 15 de agosto de 2012. quando necessário. . destacam-se a promoção de estudos e a recomendação de procedimentos.br/RES/2009/001/P do Comitê Gestor da Internet no Brasil.br é responsável por tratar as notificações.130 observatório da internet. assim como a conscientização dos usuários sobre a necessidade de adotar uma postura mais proativa na Internet. e (III) mantêm estatísticas públicas dos incidentes tratados e das reclamações de spam recebidas.cert. entre elas a adoção. colocando as partes envolvidas em contato. Combate ao spam A redução do envio de spams no Brasil envolve um conjunto de ações. esses órgãos desenvolvem diversas atividades cujo objetivo estratégico é aumentar os níveis de segurança e de capacidade de tratamento de incidentes das redes conectadas à Internet no Brasil. provedores de acesso e serviços Internet e backbones. a verificação da correlação entre eventos na Internet brasileira e o auxílio ao estabelecimento de novos CSIRTs (Grupos de Resposta a Incidentes de Segurança em Computadores) no Brasil.

em 2011 foram intensificadas as discussões com operadoras de redes de banda larga e provedores de acesso à Internet. CGI. sendo foco a adoção da prática denominada Gerência de Porta 25. será ilustrada e contará com seções específicas sobre privacidade. são desenvolvidas as seguintes atividades: Produção de material Desenvolvimento de documentação e material de conscientização para usuários de Internet: · InternetSegura.br nas discussões e na produção do material discutido.br. Em novembro de 2011 foi assinado um Acordo de Cooperação pela Anatel. . especialmente para membros de CSIRTs (Grupos de Segurança e Resposta a Incidentes) e para instituições que necessitem de auxílio para o estabelecimento de um CSIRT.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 De modo a fomentar a adoção das medidas pelos setores da sociedade. de forma a torná-lo um ponto central para encontrar iniciativas na área de conscientização sobre questões de segurança. Esta nova versão.br. onde ONGs. · Nova versão da Cartilha de Segurança para Internet – em 2011 o CERT. Treinamento e conscientização Para aumentar o número de profissionais treinados e o nível nacional de conscientização sobre os problemas de segurança na Internet. e apoiado pelo Ministério Público e órgãos de Defesa do Consumidor para a implementação da Gerência de Porta 25. Cursos licenciados da Carnegie Mellon University São oferecidos treinamentos na área de tratamento de incidentes de segurança. para a adoção de boas práticas para redução do spam saindo de redes do Brasil. tendo a participação do CERT. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 131 observatório da internet. Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil) e Associações de Provedores de Acesso e Serviços Internet.br – reformulação do portal InternetSegura. com lançamento previsto para o primeiro semestre de 2012.A C E S S O. empresas e entidades possam contribuir descrevendo seus projetos institucionais sobre o assunto.br dedicou-se para gerar uma nova versão da Cartilha de Segurança para Internet. As reuniões foram promovidas pelo CT-Spam. redes sociais e tecnologias móveis.

fiquem abaixo de uma mesma estrutura. Também foi dada continuidade ao envio de dados relativos a endereços IP e respectivos ataques direcionados aos honeypots para os seguintes CERTs nacionais: ArCERT (Argentina). licenciados pelo CERT.cert. também.br: · Fundamentals of Incident Handling · Overview of Creating and Managing CSIRTs · Advanced Incident Handling for Technical Staff Análise de tendências Projeto honey TARG Em 2011 o CERT. cujos administradores de redes receberam notificações com conjuntos agregados de atividades maliciosas observadas vindo dessas redes. a detecção de máquinas brasileiras comprometidas. Em setembro de 2011 foi formalizado junto ao “ Honeynet Project ” (http://www. Esse capítulo consiste em dois Projetos que utilizam honeypots de baixa interatividade para a detecção de atividades maliciosas que abusem da infraestrutura de Internet. As atividades maliciosas observadas nos sensores permitem. do SEI/CMU.org/) o capítulo “ honeyTARG Chapter ” (http://honeytarg. Além disso. Projeto Honeypots Distribuídos Este projeto é hoje parte das atividades de rotina do CERT.PT (Portugal) Q-CERT (Qatar). de modo que tanto esforços unicamente nacionais. coordenado pelo CERT. também são enviados dados para organizações que mantêm projetos para alertar administradores sobre ataques saindo de suas redes: Team Cymru .br. JPCERT/ CC (Japão). honeynet. são eles: “Projeto Honeypots Distribuídos” e o “Projeto SpamPots ”. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A São ministrados os seguintes cursos do CERT ® Program. CERT Colômbia (Colômbia). CERT.br. . CERT-Polska (Polônia). Projeto Active Threat Level Analysis System (ATLAS) e Shadowserver Foundation.132 observatório da internet.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. quanto aqueles envolvendo parceiros internacionais. AusCERT (Austrália). sendo um termômetro sobre as atividades maliciosas no espaço Internet brasileiro. CERT-TCC ( Tunísia) e CSIRT Antel (Uruguai).br/).br reestruturou seus projetos de Análise de Tendências e Monitoramento de Ataques.

at (Áustria). · Detecção de Spams Utilizando Conteúdo Web Associado a Mensagens – Ribeiro.. In: Simpósio Brasileiro em Segurança da Informação e de Sistemas Computacionais. Steding-Jessen.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 Projeto SpamPots O objetivo deste projeto é obter..A C E S S O. SBC.. 2011.455 – 468. Hoepers. Veloso. dados relativos ao abuso da infraestrutura de Internet para o envio de spam .. C. p. Guedes. TWCERT ( Taiwan). Hoepers C.. C. Os resultados acadêmicos do trabalho até o momento foram publicados em congressos científicos da área: · Spam detection using web page content: a new battleground – Ribeiro M. C. 2011.. Anais do XI Simpósio Brasileiro em Segurança da Informação e de Sistemas Computacionais. 2011. Teixeira. · SpSb: um ambiente seguro para o estudo de spambots – Silva. V.. para atingir o aprimoramento dos algoritmos de mineração de dados e a definição de melhores processos de análise e apresentação dos dados. Arantes. Temos hoje sensores em parceria com as seguintes instituições (por ordem de ativação do sensor): CSIRT USP (Brasil). Chaves. Hoepers.. Teixeira L. · Fatores que afetam o comportamento de spammers na rede – Silva. G... Guerra. AusCERT (Austrália) e CSIRT UTPL (Ecuador). M. Meira Junior. 2011. Perth. Guedes... Hoepers. Steding-Jessen. M. p. 2011. Guedes. Chaves. D. No ano de 2011 o escopo da pesquisa foi expandido de modo a intensificar os esforços para detecção de botnets e de campanhas de phishing .. CLCERT (Chile). p.. Brasília. Anais do XXIX Simpósio Brasileiro de Redes de Computadores e Sistemas Distribuídos (SBRC 2011). In: XXIX Simpósio Brasileiro de Redes de Computadores e Sistemas Distribuídos (SBRC 2011). D. Veloso A. K... através de honeypots de baixa interatividade. H. M.. 2011. V. CERT. A. Electronic messaging. Anti-Abuse and Spam Conference . P. p. .. Há também um sensor mantido pelo próprio CERT. M. C. 2011. Steding-Jessen. of the The 8th Annual Collaboration. H. Também houve continuidade no trabalho conjunto com a equipe do Laboratório e-Speed. 1-5.. T... A. Australia. T. W. O.. Meira Jr. Anti-Abuse and Spam Conference (CEAS 2011).... W. Proc... C. Steding-Jessen K. Meira Jr. Anais do XI Simpósio Brasileiro em Segurança da Informação e de Sistemas Computacionais. In : The 8th Annual Collaboration.. 2011. Guedes Neto D. Chaves. A. W. 1-14. C. Brasília.. In: Simpósio Brasileiro em Segurança da Informação e de Sistemas Computacionais. K. K. 83-91. SURFnet (Holanda). Campo Grande. C.. L. Chaves M. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 133 observatório da internet. C. do DCC/UFMG. D. G. CSIRT Antel (Uruguai). Electronic messaging.br. W. Meira Jr.

baseadas em modelos e referências internacionais. por meio do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC. Desde a sua criação.6 As pesquisas e análises do CGI/NIC. vem desenvolvemdo. TIC Empresas. TIC Crianças. Isto inclui a aplicação de metodologias de pesquisas quantitativas e qualitativas.br consolidou-se como centro de referência na produção de indicadores e estatísticas sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação e. O CETIC. promovendo a qualidade técnica.br . principalmente.br sobre uso das TIC no Brasil No contexto da missão do Comitê Gestor da Internet no Brasil – CGI.4.br de coordenar e integrar todas as iniciativas de serviços Internet no Brasil. br atualmente sendo executados pelo CETIC.134 observatório da internet. TIC Educação. documentos da Eurostat. TIC Saúde. o CGI.br contribuem de forma consistente não só para a produção de informação pertinente sobre a evolução do uso da rede no país. Ao longo da sua existência. . A figura a seguir apresenta um resumo de todos os projetos de pesquisas do CGI. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 8. sobretudo. como principalmente para a análise de seu impacto no desenvolvimento socioeconômico brasileiro. TIC Governo Eletrônico.br) e do seu Centro de Estudos sobre o uso das TIC no Brasil (CETIC.br ). OECD e UNCTAD. pesquisas com o objetivo de produzir indicadores e estatísticas para monitorar o avanço da Internet em diversos segmentos da sociedade brasileira. tais como as referências metodológicas e de definição de instrumento de coleta de dados do Partnership on Measuring ICT for Development da ONU.br vem testemunhando o debate em torno da temática da inclusão digital no país: o discurso dos setores público e privado tem sido carregado de grande potencial transformador e de promessas de se viabilizarem políticas públicas e/ou programas de desenvolvimento nacional com vistas à transformação social e econômica. Os indicadores e estatísticas produzidos pelo CETIC.br vem concentrando esforços para a ampliação e melhoria da qualidade dos indicadores e das estatísticas produzidas anualmente em suas pesquisas. TIC Provedores. a inovação e a disseminação dos serviços ofertados. TIC Telecentros. o CETIC. destaca-se uma de suas atribuições: a de promover a realização de pesquisas especializadas sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação (TIC). a geração de melhores informações e. Unesco.br. TIC Web . com o objetivo de garantir a confiabilidade dos dados. melhor nível de comparabilidade internacional. TIC Organizações sem Fins Lucrativos. resultante do debate nacional sobre a inclusão digital. da Internet no Brasil.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. desde 2005. TIC Banda Larga e TIC Acessibilidade. TIC Lanhouses . Desta forma.br para medição do uso das TIC em diversos segmentos da sociedade: TIC Domicílios. Esta seção tem como objetivo sintetizar os principais projetos de pesquisas conduzidos pelo CETIC. o CETIC.

I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 135 observatório da internet.A C E S S O. O plano amostral da pesquisa é desenhado a partir dos parâmetros da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (PNAD). A pesquisa tem como método de coleta de dados entrevistas presenciais. da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe das Nações Unidas (Cepal). e do Observatório para a Sociedade da Informação na América Latina e Caribe (Osilac). Os procedimentos metodológicos adotados para a pesquisa TIC Domicílios estão baseados nas orientações da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A amostra compreende 25 mil domicílios distribuídos por todo país e inclui áreas urbanas e rurais. realizada anualmente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). face a face. do Instituto de Estatísticas da Comissão Europeia (Eurostat). com o intuito de garantir a representatividade da amostra da população brasileira acima de 10 anos de idade. Os módulos para os quais foram criados indicadores são: .br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 Pesquisas Estruturantes Padrões Metodológicos Internacionais Pesquisas amostrais Pesquisas Auxiliares Metodologia própria – Abordagem qualitativa e quantitativa (pesquisa amostral) TIC DOMICÍLIOS TIC EMPRESAS MICROEMPRESAS ORGANIZAÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS TIC TIC WEB TIC CRIANÇAS EU Kids Online TIC PROVEDORES TIC E-GOV TIC BANDA LARGA TIC EDUCAÇÃO TIC SAÚDE TIC LANHOUSES TIC SEGURANÇA Projetos atuais (publicados em 2011) Novos Novos Projetos (iniciados em 2012) TIC TELECENTROS Coleta de dados automática Projeto TIC Domicílios A Pesquisa TIC Domicílios tem o objetivo de traçar uma perspectiva completa sobre a posse e o uso das tecnologias da informação e comunicação no Brasil. com a aplicação de questionários estruturados.

A pesquisa de campo utilizou um questionário estruturado por meio de entrevistas presenciais domiciliares (face-a-face). A pesquisa tem como base o questionário da TIC Domicílios. Desse modo. A entrevista contou com a presença dos pais e/ou responsáveis ao lado das crianças. A pesquisa permite a apresentação dos resultados de acordo com as seguintes variáveis de cruzamento: regiões geográficas. a diversidade regional. · Módulo J – Acesso sem fio (uso do celular). De modo a se assegurar a representatividade da população brasileira. grau de instrução. que por sua vez segue o padrão metodológico da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e do Instituto de Estatísticas da Comissão Européia (Eurostat). Os módulos para os quais foram criados indicadores são: · Módulo A – Acesso às tecnologias da informação e da comunicação no domicílio. renda familiar. sexo e situação de emprego. · Módulo I – Habilidades com o computador/Internet. com indivíduos entre 5 e 9 anos de idade. · Módulo I – Habilidades com o computador/Internet. · Módulo C – Uso da Internet. · Módulo H – Comércio eletrônico. Projeto TIC Crianças A Pesquisa TIC Crianças tem o objetivo de traçar uma perspectiva completa sobre a posse e o uso das tecnologias da informação e comunicação no Brasil pelas novas gerações de crianças de 5 a 9 anos. · Módulo B – Uso do computador. .516 residências. faixa etária.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. a amostra da pesquisa TIC é sistemática. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A · Módulo A – Acesso às tecnologias da informação e da comunicação. · Módulo K – Intenção de aquisição de equipamentos e serviços TIC. econômica e social do país foi incorporada no desenho amostral por meio de cotas para determinadas variáveis.136 observatório da internet. As entrevistas relativas à amostra principal de domicílios foram realizadas presencialmente em 2. · Módulo B – Uso de computadores. · Módulo G – Governo eletrônico. · Módulo C – Uso da Internet. estratificada por conglomerados e cotas no último estágio. · Módulo E – Uso do e-Mail. classe social. e · Módulo J – Uso do celular.

que abrangem todos os setores da sociedade. A Pesquisa TIC Educação tem como objetivo identificar o uso e a apropriação do computador e Internet nas escolas públicas brasileiras através da prática .A C E S S O. O principal respondente é o responsável pela área de informática. uma parte do questionário foi aplicada com um funcionário de área financeira. utilizando questionário estruturado. tem o objetivo de produzir um retrato do uso das TIC nas empresas comerciais. segue as recomendações internacionais. pertencentes às 11 seções da CNAE – Classificação Nacional de Atividades Econômicas – propostas pela UNCTAD. A implantação de infraestrutura tecnológica – através de computadores de mesa. nas empresas com 250 funcionários ou mais. Os módulos para os quais foram criados indicadores são: · Módulo A – Informações Gerais sobre os Sistemas TIC. dentre eles a Educação. notebooks . I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 137 observatório da internet. televisores. de porte (número de funcionários) e das cinco regiões. tecnologia da informação. com duração média de 30 minutos. – o desenvolvimento profissional de professores e a criação de conteúdos digitais de aprendizagem são alguns exemplos desses investimentos. · Módulo B – Uso da Internet. · Módulo E – Comércio Eletrônico.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 Projeto TIC Empresas A Pesquisa TIC Empresas. Projeto TIC Educação A revolução causada pelas Tecnologias de Informação e Comunicação ( TIC) tem induzido mudanças profundas. câmeras e filmadoras digitais. gerenciamento da rede de computadores ou área equivalente. O universo da pesquisa abrange as empresas com dez ou mais funcionários. assim como da estrutura de porte das empresas. As entrevistas com as empresas foram feitas por telefone. etc. · Módulo C – Governo Eletrônico (e-Gov). o que garante a comparabilidade dos dados. A Rais – Relação Anual de Informações Sociais – serve como cadastro-base para o desenho da amostra e para a seleção das empresas. e · Módulo G – Softwares . A adoção e uso das TIC no contexto dos sistemas educacionais tornaram-se um desafio e uma prioridade em muitos países que têm investido no uso das novas tecnologias na educação. · Módulo F – Habilidades no uso das TICs. contábil ou administrativa. compreendendo as diferenças da natureza de atuação. e a escolha das seções da CNAE. Além disso.

a inclusão efetiva do cidadão brasileiro na era digital depende da existência de provedores de acesso à Internet em pequenas localidades no interior do país. de hospedagem. coordenador pedagógico. que incluem os provedores de acesso. escolas federais e turmas multiseriadas. · Módulo B – Perfil de uso do computador e Internet (diretor.138 observatório da internet. professores (português e matemática) e alunos (5 o ano do Ensino Fundamental I. coordenador pedagógico. de conteúdo. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A docente e gestão escolar. · Módulo C2 – Atividades de planejamento (coordenador pedagógico). aluno). · Módulo G – Barreiras ao uso (diretor. · Módulo F – Infraestrutura de TIC na escola (diretor). professor e aluno). Visando apresentar um panorama completo do mercado de provimento de acesso à Internet no Brasil a partir da construção de um Cadastro Nacional de . A realização desse projeto requer a coleta de dados junto aos agentes do sistema educacional: diretores. O método de coleta utilizado foi a aplicação de questionários estruturados através de entrevistas presenciais (face a face).br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. Os módulos para os quais foram criados indicadores são: · Módulo A – Perfil (diretor. planejamento e interação com a comunidade (diretor). Neste sorteio de amostra foram excluídas do universo: áreas rurais. A pesquisa conta com uma amostra de 900 escolas públicas e particulares de Ensino Fundamental e Médio em áreas urbanas em todo o território nacional. Neste contexto. coordenadores pedagógicos. professor. são componentes vitais para a expansão da infraestrutura da rede no país. Projeto TIC Provedores O avanço do processo de inclusão digital no Brasil depende diretamente do desenvolvimento e expansão da infraestrutura da Internet. · Módulo C1 – Atividades administrativas. sobretudo em localidades de menor atratividade de mercado. coordenador pedagógico e professor). 9 o ano do Ensino Fundamental II e 2 o ano do Ensino Médio). · Módulo C4 – Atividades escolares na Internet (aluno). · Módulo D – Habilidades com o computador e Internet (professor e aluno). Os provedores de serviços de Internet (ISP). Além disso. · Módulo C3 – Atividades educacionais e escolares (professor). de e-mail ou de aplicação. o projeto busca oferecer subsídios que contribuam no desenvolvimento de ações e políticas para a apropriação das TIC nas escolas. · Módulo E – Treinamento específico (professor e aluno).

o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI. Abrint. Os módulos para os quais foram criados indicadores são: · Módulo A – Uso da Internet. · Módulo D – Barreiras ao uso de governo eletrônico.br) decidiram realizar a Pesquisa TIC Provedores. o governo brasileiro também vem investindo recursos na ampliação de programas de governo eletrônico (e-Gov). No entanto.A C E S S O. por meio de pesquisa amostral e uso de questionários estruturados. A coleta de dados da pesquisa quantitativa é realizada junto a empresas e cidadãos em todo o território nacional. Abramulti. Abrappit. · Módulo F – Variáveis contextuais. A metodologia utilizada teve duas diferentes abordagens: uma qualitativa. Internet Sul e Rede TeleSul. Global Info. Anid.br) e o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC. fazendo uso da técnica de grupos focais com cidadãos e entrevistas em profundidade com empresas.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 Provedores. Na dimensão qualitativa desta pesquisa. procurou-se capturar aspectos profundos emergentes a partir do que os entrevistados forneceram como referências e com o significado que a estes aspectos atribuíram. · Módulo E – Comunicação governo-sociedade. velocidades oferecidas). dentro de uma premissa de realidade subjetiva e socialmente construída. · Módulo C – Percepções sobre governo eletrônico. Os módulos para os quais foram criados indicadores são: · Módulo A – Características gerais sobre serviços oferecidos. melhoria da eficiência e qualidade na prestação de serviços públicos e transparência. é necessário que haja informação estruturada e sistemática a respeito do uso do e-Gov no Brasil. Este levantamento contou com a colaboração das Associações de Provedores: Abranet. · Módulo C – Informações sobre o negócio (clientes. · Módulo B – Uso de serviços públicos pela Internet. . e outra quantitativa. A Pesquisa TIC Governo Eletrônico tem o objetivo de produzir indicadores e estatísticas relativas ao uso do e-Gov no Brasil. para que os gestores públicos possam planejar estrategicamente a entrega de serviços de e-Gov que atendam às necessidades dos cidadãos e das empresas. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 139 observatório da internet. área de atuação. · Módulo B – Infraestrutura de conexão à Internet. Projeto TIC Governo Eletrônico Seguindo a tendência mundial de muitos governos que aderiram às tecnologias de informação e comunicação como ferramentas de modernização da administração pública.

educacional e de lazer. ainda que essa não seja sua atividade principal. por meio do acesso às tecnologias de informação e comunicação. · Módulo D – Softwares . aplicado com o proprietário ou gestor do estabelecimento. · Módulo E – Investimentos futuros. onde estão localizadas e quais as variáveis que interferem na sua incidência. lançando luz à questão do local de acesso. por estágios. · Módulo B – Modelo de negócio. entre outros indicadores. sustentabilidade. A pesquisa TIC Lanhouses é uma iniciativa inédita conduzida pelo CGI. · Módulo F – Ferramentas de gestão.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. define-se lanhouse como sendo todo estabelecimento comercial que oferece o serviço de acesso ao computador e à Internet. O primeiro está relacionado com a dimensão desse setor: a quantidade de lanhouses no país. . Para fins dessa pesquisa. A Pesquisa TIC Lanhouses tem o objetivo de traçar uma perspectiva na gestão das lanhouses no Brasil e pode ser expresso em três grandes temas.br que retrata as questões de gestão do negócio. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A Projeto TIC Lanhouses As lanhouses constituem uma oportunidade para a participação cidadã e para o trânsito no mundo cultural. O segundo diz respeito ao perfil desses estabelecimentos: caracterizar os estabelecimentos no que diz respeito à sua infraestrutura. modelo de negócio. estratificada. Os módulos para os quais foram criados indicadores são: · Módulo A – Infraestrutura do estabelecimento. As entrevistas serão presenciais. · Módulo H – Perfil do gestor. Em 2007. tendo em vista as mudanças no perfil do acesso do brasileiro. · Módulo G – Perfil do público. · Módulo C – Sustentabilidade. Entre outros fatores. utilizando área sampling e probabilidade proporcional ao tamanho (PPT) para seleção de municípios e setores censitários. face a face. com questionário estruturado. O terceiro é identificar alternativas para o futuro do segmento. o CGI. dado que a maioria dos usuários de Internet brasileiros de áreas urbanas acessou a rede a partir dos centros públicos de acesso pago. A amostra da pesquisa é probabilística. o perfil dos clientes e do empreendedor. a pequena penetração do acesso à Internet nos domicílios de baixa renda criou condições para o surgimento e a expansão de estabelecimentos comerciais que oferecessem esse serviço.140 observatório da internet. a infraestrutura disponível.br destacou o fenômeno das lanhouses .

br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 Projeto TIC Telecentros Os telecentros constituem um importante espaço para o processo de inclusão de digital. · Investigar os impactos e transbordamentos socioeconômicos da implementação de um telecentro em uma comunidade local. os telecentros oferecem uma oportunidade de acesso. Como espaços livres. · Avaliar a contribuição dos telecentros para a promoção da inclusão digital. Os objetivos específicos da pesquisa incluem: · Diagnosticar a situação de funcionamento de telecentros. definidos como toda organização que recebeu qualquer tipo de benefício do Ministério das Comunicações para a implementação de um estabelecimento que ofereça ao público o acesso gratuito a computadores conectados à Internet. Não distante da perspectiva de inclusão digital. Os objetivos podem ser agrupados em três grandes áreas: . podem atender aos mais diversos perfis populacionais espalhados pelo país incluindo áreas à margem da atuação do mercado. como ser um espaço aberto ao público para treinamento e capacitação que oferecem facilidades de processamento e impressão de documentos. bem como outros recursos de computação. Projeto TIC Organizações Sem Fins Lucrativos A Pesquisa TIC Organizações sem Fins Lucrativos tem como objetivo central mapear a infraestrutura. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 141 observatório da internet. Telecentros. seus aportes para a gestão das instituições e possíveis benefícios para suas comunidades de atuação.Br. O público-alvo da pesquisa é composto por telecentros. de forma a gerar dados que ajudem a compreender a penetração destas tecnologias. Além de disponibilizar computadores conectados à Internet. · Definir critérios para orientar áreas prioritárias para a instalação de telecentros. Telecentros Comunitários – para a inclusão digital no Brasil. · Criar uma metodologia que possa ser replicável.A C E S S O. uso e apropriação de tecnologias digitais para solucionar problemas e contribuir para o exercício da cidadania. A Pesquisa TIC Telecentros tem o objetivo de avaliar a contribuição das políticas públicas do governo federal – Gesac. · Identificar fatores críticos para o funcionamento efetivo de um telecentro. · Sugerir melhorias para políticas públicas de inclusão digital. os telecentros podem ter múltiplos propósitos. o uso e as capacidades/habilidades acumuladas nas organizações sem fins lucrativos sobre as TIC.

br. traduzidas nas capacidades de suas lideranças e colaboradores de fazer uso inovador das TIC. Realizado em parceria com a Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento.br. em 2005. que utiliza cada vez mais serviços transacionais em ambientes virtuais. · Compreender qual o uso efetivo que se faz das TIC em organizações sem fins lucrativos (tendo em vista aspectos como a captação de recursos. a Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Tecnologia da Informação e Comunicação (ABEP) e o instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para a web (inWeb). confiabilidade e acessibilidade por todos. criou mais uma iniciativa para um melhor conhecimento e entendimento da Internet brasileira: o Projeto Censo da Web .br. tanto no número de usuários como no leque de serviços e aplicações oferecidos por meio da rede. Projeto TIC Web Desde meados dos anos 90. mobilização e comunicação). . · Avaliar as capacidades/habilidades acumuladas pelas instituições na área de tecnologia da informação e comunicação. tanto para assegurar sua livre transformação quanto para permitir sua disponibilidade. e atingindo áreas de estudos organizacionais e sociológicos. É flagrante o avanço de seu uso pela população brasileira: de 37 milhões de usuários.br.142 observatório da internet. O impacto do uso da Internet e da web na sociedade. o Comitê Gestor de Internet do Brasil – CGI.br e o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto Br – NIC. conforme mostram as pesquisas do CGI. Orçamento e Gestão (SLTi/MPOG). a web brasileira tem mostrado acentuado crescimento. gestão. ainda com o apoio metodológico do Centro de Estudos sobre as Tecnologias de informação e Comunicação – CETiC. extrapolando o campo especializado da computação aplicada. nos indivíduos e nas organizações tornou-se objeto de pesquisa. uso de redes sociais na Internet. passou a aproximadamente 65 milhões.br. esse projeto tem como objetivo criar indicadores para contribuir para o estudo e evolução da web brasileira. por meio do W3C Brasil e do Centro de Estudos e Pesquisas em Tecnologias de Redes e Operações – CEPTRO.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. cujo escopo é definido mais adiante. Igualmente impressionante é a mudança de comportamento do cidadão. Por ser essencialmente dinâmica e sem fronteiras. em 2009. tanto do ponto de vista físico como virtual. Assim. é importante que seja conhecida em detalhes. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A · Identificar a infraestrutura de TIC nas organizações sem fins lucrativos.

O objetivo foi definir uma estimativa para o tamanho da parte da web .gov.gov. o Registro. · Domínios identificados como sigla-uf. utilizando ferramentas de busca.br.com.br sob o domínio .br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 Projeto Censo do .br Esse projeto de pesquisa enseja um primeiro esforço a fim de estabelecer a metodologia capaz de estimar o chamado “grau de cobertura” para a consequente correção das estimativas do tamanho do . decidiu-se por desenvolver uma técnica de amostragem para web . conectividade e disco necessários para coletar.com.gov. registrados pelas empresas estaduais de processamento de dados.br. de tal modo que fosse o mais próximo de um censo da web governamental brasileira. com o objetivo de complementar as informações anteriores.br e considerando ainda os recursos de tempo.br.gov. processamento. armazenar e processar os dados.br. a pesquisa TIC Saúde tem o objetivo de investigar as seguintes frentes: . a partir de URLs percorridas. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 143 observatório da internet.796 sítios sob o . responsável pelo uso dos domínios sob o .br. e em seguida fazer um levantamento de informações usando técnicas automatizadas de coleta dentro das páginas do . cuja lista foi fornecida pela autoridade de registro para nomes de domínio no Brasil. Projeto TIC Saúde Tendo como premissa o fato de que as TIC podem contribuir com o desenvolvimento das políticas públicas de saúde em suas diversas esferas.gov.gov.A C E S S O.br. Essas diferentes fontes foram unificadas e serviram como semente para um sistema coletor automático.gov.gov. vinculadas aos governos estaduais.br (domínios reservados ao governo federal). Devido ao tamanho da web do . A pesquisa TIC Web tem como objetivo replicar o estudo do . · Resultados de consultas e buscas de informações. A coleta de dados sobre os domínios do governo identificou um total de 18. Este projeto ainda está em fase de desenvolvimento.br. Objetivou-se com esse levantamento produzir um cadastro que pudesse contemplar o maior número possível de sítios e páginas governamentais.gov.br.br para todos os domínios existentes no . com autorização do Ministério do Planejamento. A identificação do total de sítios partiu de dados fornecidos das seguintes fontes: · Domínios identificados como .

por exemplo. . identificando possíveis gargalos e áreas prioritárias de atuação.). pode-se verificar. No entanto. se o serviço oferecido pelos provedores de Internet banda larga está em conformidade com o que foi contratado pelo consumidor. implementação e avaliação de políticas públicas. · Investigar as atividades realizadas por meio do uso de TIC e as habilidades possuídas pelos profissionais para esta utilização. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A · Mapear a infraestrutura de TIC disponível nos estabelecimentos de saúde brasileiros (hospitais. Além disso. de acordo com dados da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Isto revela que a inclusão digital.5 milhões no ano de 2010. · Prover uma série histórica de dados para dar suporte à formulação. com uma abordagem longitudinal utilizando um painel de domicílios que possuem conexão de banda larga. A metodologia da pesquisa é quantitativa. etc. clínicas.144 observatório da internet. · Compreender as motivações e barreiras para a adoção e uso das TIC por profissionais de saúde (gestores e profissionais de atendimento). As principais reclamações dos consumidores em órgãos de proteção e defesa do consumidor relacionam-se ao elevado preço cobrado pelo serviço. A partir dos resultados da pesquisa. Por outro lado. ambulatórios. muitos daqueles que já possuem acesso à banda larga fixa não estão satisfeitos com o serviço que contrataram. Projeto TIC Banda Larga O cenário brasileiro de Internet é marcado atualmente por uma expansão crescente de acessos fixos de banda larga instalados: 15. os resultados poderão servir de subsídios para políticas públicas de universalização da Internet visto que apresentarão um mapa da banda larga no Brasil. a prestação do serviço de banda larga hoje atinge preponderantemente os domicílios de classes sociais de mais alta renda (classes A e B) e que residem nas regiões urbanas mais rentáveis. à falta de viabilidade técnica para a instalação do serviço e à qualidade do serviço (interrupções e instabilidade da conecção). · Mapear as aplicações baseadas nas TIC destinadas a apoiar serviços médicos e a gestão dos estabelecimentos. sobretudo a universalização do acesso em banda larga no país. O projeto de pesquisa TIC Banda Larga tem por objetivo geral medir a qualidade dos serviços de banda larga fixa nos domicílios brasileiros a partir de uma amostra em painel durante o período de seis meses a um ano. ainda é um desafio.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O.

A C E S S O. efeitos. 8. A Web serve para expor. A World Wide Web. Tecnicamente. · Identificar barreiras e dificuldades para o uso efetivo da Internet entre pessoas com deficiências. é o mais conhecido meio usado para acessar as informações disponibilizadas pela Internet. crianças e usuários de computador/Internet. utilizando o protocolo TCP/IP para comunicação. referenciar e vincular em rede digital. Observar a Web significa acompanhar como e em que condições ela cumpre o seu papel e que fatores tem se apresentado como obstáculos para que ela alcance o seu potencial máximo.w3.org/>. O Consórcio World Wide Web ( W3C) 180 é um consórcio internacional no qual as organizações filiadas. crianças e usuários de computador/Internet. . I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 145 observatório da internet.4. e a Web é uma aplicação que usa a Internet para compartilhamento de objetos digitais – vídeos. Portanto.7 A Web na visão do W3C Brasil Internet e Web não são sinônimos. Inicialmente. A Web é um conjunto de serviços que permite abrir documentos localizados em qualquer parte do mundo e por meio de hiperlinks navegar em sítios com os mais diversos conteúdos e interagir em redes sociais.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 Projeto TIC Acessibilidade A Pesquisa TIC Acessibilidade tem o objetivo de investigar questões que se configuram como barreiras para a inclusão digital e que dificultam um uso mais efetivo das redes por todos os cidadãos brasileiros e com especial atenção para pessoas com deficiência. uma equipe em tempo integral e o público trabalham 180 Disponível em: <http://www. optou-se pela realização de um estudo exploratório sobre o uso da Internet entre diferentes públicos com o intuito de compreender os desafios da acessibilidade para a construção de uma Internet e web universal. ou simplesmente Web . a Web usa a Internet como meio. auditiva e física. a Internet é uma infraestrutura em rede que conecta dispositivos globalmente. mas não é a Internet em si. · Avaliar os benefícios da Internet percebidos pelo público investigado. imagens. Os objetivos específicos desta pesquisa são: · Identificar os principais usos da Internet entre pessoas com deficiência visual. · Identificar o uso. · Identificar formas e experiências de aprendizagem com o uso da Internet. disponibilidade e forma de obtenção de tecnologias assistivas.

O número de diferentes tipos de dispositivos que podem acessar a Web cresce a cada dia. Acessibilidade na Web e Dados Abertos.146 observatório da internet. O valor social da Web está nas novas possibilidades de comunicação humana. Governo do Rio Grande do 181 Decálogo da Web Brasileira. Web confiável. o escritório do W3C Brasil também tem outros parceiros nacionais (Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Tecnologia da Informação e Comunicação – ABEP. o W3C Brasil desenvolveu o “Decálogo da Web Brasileira” 181. Governo do Estado de São Paulo. cujas diretrizes são: Web para todos. infraestrutura de rede. Web a serviço da democracia.br. denominada Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC. NIC. Web organizada em padrões. Web acessível. cujos objetivos são coordenar e integrar todas as iniciativas de serviços Internet no país. Web que preserva sua memória e Web de todos.br criou uma entidade civil. iLearn. promovendo a qualidade técnica. software . I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A juntos para desenvolver padrões para a Web . desenvolvendo protocolos e diretrizes que garantam seu crescimento de longo prazo. smartphones. sistemas de comandos de voz. Disponível em: <http://www. sistemas interativos de TV. o W3C tem como missão conduzir a World Wide Web para que atinja todo seu potencial. independente do hardware que utilizam. Controladoria Geral da União. . com base no “Decálogo da Web Brasileira”. localização geográfica ou capacidade física e mental. O W3C Brasil. A visão do W3C para a Web pressupõe a participação e o compartilhamento de conhecimentos para gerar confiança em uma escala global. O escritório brasileiro do W3C é hospedado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI. idioma.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. a inovação e a disseminação dos serviços ofertados.w3c. que têm gerado diversos produtos em 2012: Plataforma para Web Aberta.br). Desde telefones celulares. Com seis membros filiados (Caixa. cultura. comércio e compartilhamento de conhecimentos.br/decalogo/>. Para executar suas atividades. o CGI. Web em todas as coisas. PDAs. Com base nesses princípios. Liderado pelo inventor da Web Tim Berners-Lee e o CEO Jeffrey Jaffe. Web para o desenvolvimento social e econômico. Senac-SP e SERPRO). Um dos principais objetivos do W3C é tornar esses benefícios disponíveis para todas as pessoas. focou em três áreas de atuação no ano de 2011. quiosques e até mesmo alguns eletrodomésticos podem acessar a Web. PUC-Rio.br). sem fins lucrativos. Web de múltiplos autores e leitores.

que somam 528.A C E S S O.910 pessoas) tinha algum tipo de deficiência. Segundo o Censo do IBGE de 2010. ABEP Fonte: Escritório Brasileiro do W3C. Ciudadanos Inteligentes de Chile. W3C Brasil Membros: Caixa. a maioria está relacionada a deficiência visual: são 35. iLearn. Comissão Econômica para América Latina e Caribe – CEPAL.488 pessoas com algum tipo de dificuldade para enxergar. Segundo 182 Disponível em: <http://www. conforme figura abaixo. NIC.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 Sul. Senac SP e SERPRO UNESCO ONU-Cepal IDRC AGESIC DADOS ABERTOS PLATAFORMA ABERTA DA WEB ACESSIBILIDADE NA WEB Rede Nossa SP Perl Mongers Ciudadanos Inteligentes Lab..791. são as WCAG ( Web Content Accessibility Guidelines) 182 que orientam desenvolvedores para codificarem suas páginas de forma que não criem barreiras de acesso a pessoas com deficiência. Ministério do Planejamento. Dessas deficiências. e Rede Nossa São Paulo) e internacionais (Agencia de Gobierno y la Sociedad de la Información de Uruguay – AGESIC. 24% da população brasileira (45.w3. Perl Mongers. Governo de São Paulo.org/TR/WCAG/>. PUC-Rio.br. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 147 observatório da internet. Para a criação de páginas Web acessíveis existem diretrizes internacionais de acessibilidade criadas pelo W3C. Controladoria Geral da União. Acessibilidade na Web Acessibilidade na Web significa permitir e promover o acesso de pessoas com deficiências na Web . UNESCO e IDRC do Canadá).623. Laboratório de Cultura Digital. incluindo pessoas cegas. Governo do Rio Grande so Sul.624 pessoas. . Cultura Digital CONSCIENTIZAÇÃO CAPACITAÇÃO COMUNIDADE DE DESENVOLVEDORES PRINCÍPIOS (DECÁLOGO DA WEB) Ministério do Planejamento.

Com mais especifici- 183 184 185 Disponível em: <http://www. Em 2011 o Escritório Brasileiro do W3C lançou o Prêmio Nacional de Acessibilidade na Web – Todos@Web. gerando novos significados. No ano seguinte a mesma pesquisa registrou um aumento nesse número. três tipos de experiência de navegação: uma página toda escura. outra com o teclado bloqueado e outra com as fontes ampliadas. que saltou para 5%. Desde a inauguração do escritório brasileiro do W3C. a instituição promove ações para fomentar e ampliar a discussão de acessibilidade na Web no Brasil.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O.cgi. 184 São três tipo de páginas. Até agosto de 2012 foram mais de 40 palestras no Brasil e no exterior disseminando os padrões para uma Web mais acessível. . apenas 2% das páginas governamentais brasileiras eram acessíveis.br/publicacoes/pesquisas/govbr/>. É uma iniciativa que mostra que é simples desenvolver uma página Web atendendo critérios de acessibilidade.w3c.gov.br/3-dezembro/>.br 183 de 2010.gov.148 observatório da internet. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A dados da pesquisa Dimensões e características da Web brasileira: um estudo do domínio . nesse mesmo dia o Website do W3C Brasil sofre uma intervenção para lembrar as pessoas da importância da acessibilidade na Web. Todos os anos. misturadas com informações de outras fontes. proclamado pela ONU como o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. o W3C Brasil promove ações durante o Dia 3 de dezembro. Websites que sigam adequadamente os padrões e sejam acessíveis para pessoas com deficiência e tecnologias assistivas inovadoras para que pessoas com deficiência tenham autonomia no acesso a Web . Os vencedores da primeira edição do prêmio foram conhecidos em junho de 2012. Desde 2009. para premiar pessoas e empresas que desenvolveram iniciativas relevantes a favor da acessibilidade na Web . 185 Dados Abertos Dados abertos é a disponibilização de informações representadas em formato aberto e acessível de tal modo que possam ser reutilizadas. Disponível em: <http://w3c. Disponível em: <http://premio.br/>. em uma grande cerimônia que ocorreu no Memorial da Inclusão em São Paulo e contou com mais de 300 pessoas. mas um grande salto indicativo de que a acessibilidade na Web começa a ser levada em consideração nos projetos Web sob o domínio “. Ainda é um número baixo.br”.

da Open Knowledge Foundation. vocabulários e ontologias. Apesar de fáceis. com coordenação no Ministério do Planejamento. mas que seja estável e escalável.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 dade. atenção com processos e aspectos legais e infraestrutura tecnológica simples. O W3C globalmente tem produzido tecnologias e padrões que possibilitam a publicação e reutilização dos dados em formato aberto. o W3C Brasil publicou manuais com o objetivo de atender diferentes públicos interessados no tema. podem ser utilizadas gratuitamente por qualquer pessoa. O W3C Brasil desenvolve uma série de atividades para fomentar a implementação consistente e permanente de dados abertos pelas organizações e o desenvolvimento de uma política pública consistente sobre o tema.br/Cursos/CursoDadosAbertos>. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 149 observatório da internet. apresentou à comunidade de desenvolvimento Web como publicar e reutilizar dados em formato aberto. por estarem em formato aberto e licenças livres. O segundo manual. transformação. Essas tecnologias e padrões.br/pub/Materiais/PublicacoesW3C/manual_dados_abertos_ D desenvolvedores_Web. se possível. e. Um projeto consistente de dados abertos pressupõe a participação de técnicos com conhecimento de padrões abertos para formatos de dados. a produção. misturados ou não com outros dados de outros computadores. 186 187 Disponível em: <http://www. O W3C Brasil ofereceu dois cursos sobre Como Publicar Dados Abertos 188 e Aspectos Básicos e Avançados de Engenharia de Ontologias para técnicos do governo brasileiro com objetivo de apoiar o desenvolvimento da Infraestrutura Nacional de Dados Abertos (INDA). O Manual de Dados Abertos – Desenvolvedores187.w3c.w3c. No entanto. uma tradução com acréscimos locais do original Open Data Manual. exigem conhecimento técnico.  isponível em: <http://www. Disponível em: <http://www.br/cursos/dados-abertos/saopaulo-2010-06/>. 188 .A C E S S O. Foi o primeiro manual em português sobre o tema e tinha como alvo delinear os conceitos e as melhores práticas para os gestores públicos.w3c. O Manual de Dados Abertos – Governo186.pdf>. publicação e reutilização de dados abertos não são tarefas das mais triviais. são dados em computadores em formato tal que podem ser acessados por outros computadores por meio da Internet para produzirem aplicações e informações a partir do tratamento e transformação dos dados originais. Em 2011.

Fruto de um trabalho articulado do W3C Brasil e muitas outras organizações que subsidiaram a elaboração do texto final. O Projeto Open Data for Latin America (OD4D) teve início no segundo semestre de 2011 e promoveu um seminário no Rio de Janeiro. Outro resultado das ações do W3C Brasil nesse tema é a repercussão internacional e o convite para participar de uma iniciativa latino-americana de fomento de dados abertos como política pública. Não somente pelo acesso à informação garantido como um direito. A Câmara dos Deputados oferece uma API (Interface de Programação de Aplicativos) para acesso a dados. por meio de consenso. A meta é conseguir no final de 2012 até 2 bancos de dados disponíveis em formato aberto. . O Governo do Estado de São Paulo aumentou o número de base dados abertas disponíveis. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A A quantidade de dados governamentais com potencial de serem publicados em formato aberto é imenso e as demandas por dados pelas organizações da sociedade civil são igualmente imensas.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. o primeiro na América Latina para diferentes países da região sobre o tema. Esse grupo obteve em 2011. Como resultados dessas ações. os governos começam a publicar seus dados em formato aberto. Para tanto. Um resultado particularmente especial para o W3C Brasil foi a sanção da Lei de Acesso à Informação pela presidente da República. a nova lei abre uma enorme possibilidade de crescimento do uso de dados abertos a partir da entrada em vigor em 2012.150 observatório da internet. mas também pela inclusão de um artigo que exige que as informações sejam publicadas em sítios da Internet e estes possibilitem o acesso automatizado por sistemas externos em formatos abertos. O Tribunal de Contas do Município do Estado do Ceará também está publicando dados orçamentários dos municípios cearenses. uma matriz de prioridades que definem 10 áreas nas quais dados existentes são mais relevantes e possíveis de serem disponibilizados. estruturados e legíveis por máquina. o W3C Brasil criou um Grupo de Trabalho de Dados Abertos que reúne diversos órgãos públicos que possuem dados de interesse público e organizações da sociedade civil que buscam dados governamentais para aprimorar as suas ações. Dilma Rousseff. O ponto ótimo entre a oferta e a demanda é quando as ofertas e demandas coincidem.

como “uma plataforma para inovação. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 151 observatório da internet. .A C E S S O. · Promover a melhoria da conectividade para melhor comunicação. · Facilitar o acesso off-line . Juntamente com outras iniciativas do W3C. · Melhorar a integração. de conteúdo linkado e classificado de modo a facilitar o trabalho de busca. que foi definida em 2011 pelo CEO do W3C. a experiência e a performance de aplicativos e conteúdos Web . através do CSS3. São mais de 500 indivíduos que participam desses grupos de trabalho e pertencem às organizações afiliadas ao consórcio. a Plataforma para uma Web Aberta permite que a Web possa contar com interfaces acessíveis. · Oferecer efeitos e interações ricas acessíveis.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 Plataforma para a Web Aberta A Plataforma para a Web Aberta consiste em um conjunto de tecnologias desenvolvidas pelo World Wide Web Consortium. O modo de funcionamento do consórcio está voltado para a produção de componentes de código aberto ( Open Source ) o que possibilita sua implementação sem custos ou taxas de licenciamento. entregando para o usuário uma experiência mais completa de uso da Web . · Acesso através de diversos dispositivos. Além de mais de 100 profissionais trabalhando em tempo integral no desenvolvimento de uma Web para todos. junto com outros parceiros. Os focos principais da Plataforma para a Web Aberta são: · Promover a Web Semântica. consolidação e eficiência” para a Internet. Jeff Jaffe. como Dados Abertos e o próprio Decálogo. Essa coleção de tecnologias é composta por código e especificações que são desenvolvidas dentro de working groups (grupos de trabalho) hospedados e promovidos pelo W3C. interoperáveis.

porém sem o armazenamento de informações no Http request header. · Indexed Database : é um padrão recomendado para armazenamento de dados com entrada pelo navegador. que existem para aplicar estilos às páginas em HTML. A aderência aos padrões recomendados é diretamente proporcional à qualidade de serviços prestados. · WAI-ARIA : ( Web Acessibility Iniciative – Accessible RIch Internet Applications) é um conjunto de recomendações do W3C para acessibilidade em interações ricas. · Web Storage: são recomendações e protocolos utilizados para armazenar dados no browser. por exemplo. que é a linguagem de marcação utilizada para que os navegadores possam interpretar conteúdos. Isso significa melhor segurança e conformidade dos dados. ou seja: o SVG permite que máquinas leiam o conteúdo de uma imagem. · SVG : é uma linguagem para descrever desenhos e gráficos de forma vetorial. . que browsers diferentes tenham acesso à customizações únicas. Foi criado pelo grupo de trabalho em matemática do W3C. diferente das imagens em formato JPEG ou PNG. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A Abaixo um pequeno panorama sobre algumas tecnologias que nos últimos dois anos foram recomendadas pelo W3C para a construção da Web Aberta. · CSS3: é a versão mais nova das CSS. por exemplo. como por exemplo bookmarks. O CSS3 apresenta novas possibilidades para a Web porque permite efeitos para interações ricas. · MathML: é uma recomendação utilizada para representar símbolos e fórmulas matemáticas. possibilita que uma imagem não perca qualidade ao ser ampliado. · HTML5: é a quinta versão do HTML. · WebGL: ( Web Graphics Library) é uma API em Javascript (linguagem baseada em ECMAScript) que possibilita renderização para elementos 2D e 3D através do elemento canvas do HTML5. visto que permite o uso da Web em seu potencial máximo. O HTML5 tem como objetivo apresentar conteúdos multimídia de modo mais acessível e integrado. como animações e transições. O SVG é o único formato vetorial aberto e foi criado pelo W3C em 1998. de maneira similar aos cookies. Ele possibilita. por exemplo.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A C E S S O. além de melhorar a consistência para melhor compreensão dos conteúdos por parte de máquinas.152 observatório da internet. Além disso.

nic. que aprisiona seus usuários e coloca barreira à livre troca de conteúdos. com o objetivo de replicar conhecimento. observamos que grandes corporações já passaram a disponibilizar o seu conteúdo para HTML5 (por exemplo. Mesmo antes da Plataforma para a Web Aberta ter se consolidado como um padrão oficial do W3C (muitos módulos do HTML5 e CSS3 ainda estão em fase de testes) ela tem se tornado um padrão de fato. A com. foi criada uma lista de discussão 191 sobre HTML5 que agrega não só ex-alunos dos cursos mas outros interessados no tema.w3c.A C E S S O.com). ela não está imune à disputa que é travada no mercado entre uma Web aberta e para todos e uma plataforma de apps (aplicativos) fechada. cada vez mais. Nos últimos dois anos o W3C Brasil vem promovendo a Plataforma para a Web Aberta entre a comunidade de desenvolvedores Web . É necessário ficar atento. mas para a contínua prosperidade e liberdade individual.br/Cursos/CursoHTML5> Disponível em: <http://www.w3c. Para reforçar o aprendizado dos cursos. Disponível em: <http://www2. adicionados como favoritos ou linkados por e -mail ou Twitter) pois estão fora da Web . particularmente aqueles ligados a instituições de treinamento. 192 189 190 191 192 Disponível em: <http://www. a Web deve ser defendida e preservada”. Como disse Tim Bernerts-Lee: “A Web é decisiva não só para a revolução digital. I N F R A E S T R U T U R A E A R Q U I T E T U R A 153 observatório da internet. No Brasil. Paulo e Globo. reconhecendo nessa plataforma o valor que ela oferece. Como a democracia. Foram oferecidos cursos de HTML5 189 e de CSS3 190 que capacitaram diversos profissionais do mercado. Folha de S. No entanto. Concluindo.br/mailman/listinfo/w3c_html5>  rtigo de Tim Berners-Lee para a Revista American Scientific Brasil.br/Cursos/CursoCSS3> Disponível em: <https://mail. As lojas e apps dos smartphones não podem ser referenciados (por exemplo. . · Geolocation : é uma recomendação que pretende fornecer a localização de qualquer objeto do mundo real para a Web .br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 · Web Sockets Protocol/API : É um protocolo que permite suprir necessidades de atualização em tempo real. observamos que a Web brasileira vem aos poucos se organizando em padrões. principalmente nos dispositivos móveis. superando as limitações do protocolo HTTP. O protocolo WebSocket é um esforço para que aplicações ofereçam conectividade com zero de latência entre clientes e servidores Web .uol.html>. cada vez mais adotando padrões abertos de acessibilidade e de interoperabilidade.br/sciam/reportagens/vida_longa_a_web.

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D E B AT E S R E L E VA N T E S E M O U T R O S PA Í S E S 155 observatório da internet. Texas. conteúdo que viole leis criminais. O SOPA foi apresentado pelo presidente do Comitê Judiciário da Câmara dos Deputados. a criatividade. Em linhas gerais. combatendo o roubo da propriedade americana. o projeto trata da transmissão on-line de obras protegidas por direitos autorais.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 relevantes # Debates em outros países 9 9. Segundo o preâmbulo do projeto. ele busca “promover a prosperidade. com o objetivo de proteger direitos de propriedade intelectual e combater a pirataria on-line .1 SOPA e PIPA O SOPA ( Stop On-line Piracy Act ) e o PIPA ( Protect Intellectual Property Act ) são dois projetos de lei norte-americanos que buscam regulamentar o conteúdo disposto na Internet.1. confe- . em 26 de outubro de 2011. Lamar Smith. e outros motivos”. Além disso.1 Estados Unidos da América 9. além de evitar o compartilhamento de conteúdos protegidos por direitos autorais entre os usuários da Internet. o empreendedorismo e a inovação. Seu objetivo é conferir ao governo americano maior capacidade de enfrentar as violações a direitos autorais que ocorrem no meio digital. do tráfico de bens ou serviços perigosos e da defesa dos direitos de propriedade intelectual.

com/articles/283906/20120118/sopa-pipa-bills-differences-Internetprivacy-senate. etc. 194 Este projeto objetiva reforçar a execução judicial contra sites operados e registrados fora dos Estados Unidos. SOPA and PIPA Bills: Differences Between the Two Internet Privacy Acts Disponível em: <http://www. Conceitos extraídos dos títulos do Projeto de Lei PIPA.195 Embora ambos tenham o propósito de evitar o download ilegal e outras formas de pirataria. Acesso em 14 de fevereiro de 2012. O SOPA determina que sites infringentes sejam retirados de qualquer ferramenta de busca.. além de eliminar os incentivos financeiros de violação à propriedade intelectual no meio digital e disciplinar ações voluntárias contra sites que violem direitos de propriedade intelectual de acordo com as leis norte-americanas. eles possuem diferenças substanciais quanto ao seu conteúdo. INTERNATIONAL BUSINESS TIMES.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 D E B AT E S R E L E VA N T E S E M O U T R O S PA Í S E S re poderes ao procurador geral para proteger consumidores norte-americanos e impedir o apoio dos EUA a sites estrangeiros infringentes às leis vigentes.193 O PIPA também é chamado de Preventing Real On-line Threats to Economic Creativity and Theft of Intellectual Property Act . Também estabelece um sistema de prevenção contra o financiamento americano a sites dedicados ao roubo de propriedade norte-americana e confere imunidade a provedores de serviço para agir voluntariamente contra esses sites e contra sites que ponham em perigo a saúde pública.196 De maneira exemplificativa. já o segundo atingirá apenas sites de compartilhamento de arquivos. o que não é pre- 193 194 195 196 Conceitos extraídos dos títulos do Projeto de Lei SOPA.ibtimes. sites de busca. sendo uma reformulação do Projeto de Lei de Combate à Violação e Falsificação On-line (Coica). Os projetos também divergem quanto à forma. Texto extraído do preâmbulo do Projeto de Lei PIPA. ou Lei de Prevenção a Ameaças Reais On-line à Criatividade Econômica e ao Roubo de Propriedade Intelectual. provedores de vídeo e de e-mail. . Foi proposto pelo senador Patrick Leahy no dia 12 de maio de 2011. o primeiro poderá atingir sites como blogs. na medida em que esses arquivos violem direitos autorais.htm>. Enquanto o SOPA afetará qualquer site que cometer ou propiciar violações a direitos autorais. o PIPA trata apenas daqueles cuja atividade é em si violadora desses direitos.156 observatório da internet. o Protect IP Act objetiva “prevenir ameaças on-line à criatividade econômica e o roubo de propriedade intelectual. redes sociais. rejeitado pelo Parlamento norte-americano em 2010. estabelecendo assim sistemas de remoção de sites considerados pelo Departamento de Justiça como “dedicados a atividades infringentes”. De maneira semelhante ao SOPA. e outros motivos”.

o PIPA demanda mais intervenção do Judiciário para que um site seja retirado do ar.1. Segundo os projetos. mesmo assim ajuizar ação contra um site hipoteticamente infringente.org/2012/01/17/whats-the-difference-between-sopa-and-pipa/>.com/landing/takeaction/>. What’s the difference between SOPA and PIPA? Disponível em: <http://socialmediacollective. Nesse sentido. nesse caso. Basicamente todas as críticas foram pautadas em dois pilares: possíveis ameaças (I) aos direitos autorais e (II) à capacidade inovadora conferida à sociedade pela Internet livre. de forma 197 SOCIAL MEDIA COLLECTIVE RESEARCH BLOG. Muitos sites possuem espaço para comentários. 198 . sobressai a atuação da EFF (Eletronic Frontier Foundation ). Os projetos adicionam um fator agravante à característica participativa de sites que existem devido à atuação dos usuários.google. Acesso em 17 de fevereiro de 2012. através de diversos artigos analisando os projetos e suas repercussões. Além disso. não apresenta nenhuma disposição que penalize o detentor de direitos autorais que. além de conceder legitimidade a provedores de Internet para bloquear sites inteiros arbitrariamente.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 visto pelo PIPA.1. revistas. a opinião de que eles acarretarão censura na web a nível mundial. justificando-se com termos vagos. 197 Diferentemente. O primeiro diz respeito à questão da responsabilidade civil por conteúdo disponibilizado na web. e também a atuação do Google. como blogs. por instituições e pela sociedade civil no fim de 2011. na sua maioria de forma indiscriminada devido à grande semelhança entre os projetos. porém. o SOPA determina que. 9. etc. e. sabendo que não existe violação a esses direitos. sem a necessidade de prévia decisão judicial. Outros pontos tratados pelos projetos ganharam destaque. que organizou uma petição on-line198 contra os projetos.1 Críticas dos oponentes ao SOPA e ao PIPA Muitas críticas a ambos os projetos foram feitas pela mídia.D E B AT E S R E L E VA N T E S E M O U T R O S PA Í S E S 157 observatório da internet. o detentor será responsável pelos danos e custos legais. Acesso em 14 de fevereiro de 2012. o site responderá civil e penalmente. que se manifestou continuamente em seu site. Também foi quase unânime entre os opositores aos projetos. sites de notícias. Disponível em <https://www. mesmo que os links sejam introduzidos nesse espaço. abrigado em qualquer território nacional. uma vez que conferem ao governo dos EUA o direito de retirar conteúdo da rede. instituição norte-americana que procura defender direitos no mundo digital. os sites em geral (de jornais. portais de vídeo e música e redes sociais) seriam corresponsáveis pela postagem e replicação de links considerados nocivos.

Essa é uma disposição criticada por abrir brechas para o abuso de poder. em post denominado “ Overbroad Censorship & Users ”. se utiliza de virtual private networks . 199 Outro segmento social prejudicado seria a comunidade internacional de software aberto que.bricoleur. em vez de retirar apenas a página. segundo a EFF 200. portanto. Os próprios autores do conteúdo ali depositado estariam impedidos de acessar suas criações. O fato de a lei afetar pessoas não infringentes é uma das maiores preocupações da mídia.eff. conselheiro geral do Twitter. caso acreditem que esteja violando ou promovendo violações aos direitos autorais. Dessa forma. os projetos outorgam imunidade aos provedores de serviço para bloquear qualquer usuário ou sites voluntariamente. Alex Mcgillivray.org/deeplinks/2011/11/hollywood-new-waron-software-freedom-and-Internet-innovation>. Observa-se que os provedores de Internet e as empresas responsáveis por sites. corporações poderiam criar uma blacklist arbitrária. são praticamente obrigados a monitorar seus usuários. O único requisito para tanto é que atuem de boa-fé. Acesso em 17 de fevereiro de 2012.158 observatório da internet. sem a necessidade de uma ordem judicial prévia. acarretando a elas novos custos. teriam grandes chances de saírem do ar. como redes sociais. caso não fizessem um controle do conteúdo em si disposto. além de recair diretamente sobre pessoas que não tenham violado direitos de nenhuma maneira. Convenientemente. 200 . microblogs ou portais de vídeo – esses. Acesso em 17 D de fevereiro de 2012.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 D E B AT E S R E L E VA N T E S E M O U T R O S PA Í S E S que seu conteúdo não passa por nenhum processo de moderação. Os projetos determinam que o procurador geral concentrará uma série de amplos poderes e funções – o exemplo mais extremo seria a possibilidade de determinar que o Judiciário confira uma ordem de retirada completa do site do ar.org/deeplinks/2012/01/how-pipa-and-sopa-violate-white-houseprinciples-supporting-free-speech> e <https://www.org/2011/12/overbroad-censorship-users. como também lhes impõem uma aplicação ineficiente de custos em monitoramento. proxys ou softwares de privacidade e anonimação ( software de segurança na Internet) 199  isponível em <http://www. crescentes na medida dos riscos sofridos pelo site. sem legitimações legais concretas para tais atos. manifestou-se sobre esse assunto no blog Bricoleur. O controle de conteúdo não só descaracteriza a existência desses sites.html>.  D isponível em: <https://www.eff. quanto o direito dos usuários de terem acesso à informação constante naquele site . Essa seria uma nova atividade a ser desenvolvida na empresa. o texto ou o link infringente. para não serem submetidos a um litígio no Judiciário norte-americano contra o governo. Esse caso restringe tanto o direito de liberdade de expressão de pessoas que não estão violando nenhum direito de propriedade intelectual.

que ganham esse status se . De acordo com o SOPA e o PIPA. além de terem seu conteúdo repreendido. Nesse caso. adquirem a responsabilidade de prevenir. uma intensa preocupação com o direito à privacidade. na medida em que não poderão fazer anúncios em sites considerados infringentes ou sobre tais sites. da mesma forma. Além disso. etc. que. poderia ter todo o seu conteúdo bloqueado até que o fato fosse resolvido. uma vez que os IPs de cidadãos norte-americanos poderiam ser filtrados para que fosse encontrado conteúdo ofensivo. quanto pelos próprios provedores de serviço. quem postar um vídeo de si mesmo cantando qualquer música protegida por direitos autorais poderia ser preso por até cinco anos. de acordo com os projetos. estariam impedidos de obter qualquer financiamento ou remuneração on-line. ser excluído da rede. estariam sujeitos à exclusão do seu domínio dos sites de busca.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 para lutar contra governos autoritários que censuram diretamente a Internet. um vídeo de si mesmo jogando um videogame. Existe. Por exemplo. Como visto. os sites que indicassem como burlar as regras por eles impostas se tornariam um alvo do governo norte-americano. poderia. no corpo de um e-mail. prejudicando. o projeto não afeta somente sites localizados nos EUA – possui uma seção apenas sobre sites estrangeiros infringentes. Sites considerados infringentes. Tais ferramentas permitem que burlem as tentativas dos governos de bloquear conteúdo na Internet para diminuir as manifestações contrárias às suas políticas. A Internet tem servido cada vez mais como viabilizadora de mobilizações sociais. a desenvolvedora do jogo deveria solicitar o banimento do vídeo. que seria legitimado a atuar por meio do Judiciário. Ativistas digitais são conhecidos por utilizar-se de ferramentas on-line em sua luta a favor da democracia em países como China. a transmissão não autorizada de conteúdo protegido por direitos autorais seria cassada tanto pelo procurador geral. os service payment providers. Tunísia. caso não acatassem às ordens judiciais em até cinco dias após o recebimento da notificação. como forma de demonstrar o desenvolvimento pessoal naquele jogo. localizados nos EUA ou sob sua jurisdição. devido à grande facilidade de compartilhamento de informações e de comunicação. Além disso.D E B AT E S R E L E VA N T E S E M O U T R O S PA Í S E S 159 observatório da internet. Serviços de anúncios na Internet são igualmente prejudicados. que incorreriam em riscos devido à alta responsabilidade a eles imposta. Irã. Por fim. O site hospedeiro do vídeo seria notificado e. proibir ou suspender seus serviços de transações de pagamento a sites infringentes. em caso de não cumprimento e consequente reincidência no pedido. ainda. assim. provedores de e-mail poderiam bloquear links localizados dentro da própria caixa postal de um indivíduo.

Junto com as empresas AOL. As notícias apontam como pessoas beneficiadas desses projetos aquelas que são constantes alvos da pirataria. resultando no maior protesto on-line da história. A Google apresentou papel determinante na luta contra o SOPA e o PIPA.2 O Blackout As oposições contra os projetos de lei americanos antipirataria SOPA e PIPA tiveram enorme repercussão.com/numbers/>. 110 professores de 201 Disponível em: <http://www. 201 Além disso. No dia 18 de janeiro de 2012.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 D E B AT E S R E L E VA N T E S E M O U T R O S PA Í S E S “comete(m) ou facilita(m) o cometimento” de violações de artigos específicos de leis americanas. . Os processos judiciais são iniciados pelo procurador geral.1.sopastrike. Outras cartas também foram enviadas por 17 fundadores de empresas de Internet. Facebook. foi organizado um blackout na rede. Acesso em 23 de fevereiro de 2012. 9. Twitter. enviou uma carta aberta em objeção aos projetos ressaltando os riscos que trazem para a inovação e a criação de novos empregos. Wordpress. retirando seu conteúdo ou parcela desse. caso recebam ordem judicial assim determinando. que decidirá se aquele site está infringindo direitos autorais e de propriedade intelectual. as emissoras de televisão e os desenvolvedores de jogos. desvinculada do ambiente digital. como Wikipedia.1. e resultou na não votação dos projetos. que possuem relação com direitos autorais e de propriedade intelectual. isto é. Linkedin e Zynga. O movimento ganhou maior atenção quando gigantes da rede se manifestaram a favor do protesto. os representantes americanos eleitos receberam por volta de 8 milhões de ligações da sociedade para contestar os projetos de lei – uma outra forma de manifestação. 39 organizações de advocacia e de interesse público. como as indústrias produtoras de conteúdo (cinematográfica e fonográfica). Ebay. mais de 115 mil sites participaram do blackout e foram enviados por volta de 4 milhões de e-mails ao Parlamento americano. um dos maiores grupos de ativistas a organizar o SOPA Strike . Google.160 observatório da internet. que estava prestes a acontecer. Segundo dados do site Fight for the Future . 41 organizações de direitos humanos. sites sairiam voluntariamente do ar. Firefox. ou vinculando mensagens de oposição em suas páginas iniciais. Reddit. dentre outros. Os próprios provedores terão até cinco dias para tomar medidas técnicas com o fim de impedir o acesso dos usuários localizados nos EUA ao site considerado infringente. principalmente no ambiente digital.

Por conta desse fato. Acesso em 23 de fevereiro de 2012. Disponível em: <http://www. uma iniciativa não governamental que incentiva a produção sustentável através dos benefícios das novas tecnologias. O Idec veiculou em sua página inicial uma mensagem afirmando que “a liberdade e os direitos dos 202  ados retirados do infográfico da Google. afetam o acesso global à Internet. 203 Um site considerado suspeito de infração às leis antipirataria poderia ser bloqueado sem a necessidade de uma ordem judicial.google. Acesso em 23 de D fevereiro de 2012.D E B AT E S R E L E VA N T E S E M O U T R O S PA Í S E S 161 observatório da internet.portalmariana.com/o-mega-nao/o-que-combatemos/>. não relacionadas com a prática de pirataria). 204 Participaram do blackout . ou hospedada em plataformas americanas sem que exista discriminação para acesso. reconheceu que os projetos podem O afetar mais do que os nacionais americanos ao afirmar que “é muita irresponsabilidade nossa parar um serviço global por conta de uma lei nacional”. através de afirmação do CEO do microblog. embora atuem apenas em jurisdição norte-americana. disponível em: <https://www.wordpress. 202 Cabe ressaltar que as manifestações e participações no blackout não ocorreram apenas em território americano. o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e todos os sites vinculados ao Centro de Tecnologia e Sociedade da escola de Direito da Fundação Getulio Vargas (CTS-FGV ). um blog que busca materializar a característica participativa da Internet por ter seu conteúdo escrito por diversos autores. como a alta capacidade de compartilhamento de conteúdo e informação. as ameaças à liberdade na Internet e à neutralidade da rede. pessoas ao redor de todo o mundo seriam prejudicadas. que busca combater o vigilantismo. muitos opositores afirmaram que o SOPA e o PIPA estariam ameaçando características fundamentais da rede: a universalidade e a neutralidade. negando apoio a legislações que violem a liberdade de expressão. (II) o Coletivo Trezentos. D Acesso em 23 de fevereiro de 2012. ajudaram a organizar o blackout (I) o movimento Mega Não!. e (III) o software Livre Brasil.com/landing/takeaction/>.  isponível em: <http://meganao. No Brasil. Mais de 113 mil pessoas assinaram uma petição enviada à Casa Branca. dentre outros. 204 empreendedores. Considerando que grande parte da infraestrutura da Internet está localizada em território americano. Em todo o mundo pessoas se viram ameaçadas pelos projetos de lei que. aumente o risco de segurança na rede e comprometa as características da dinamicidade e inovação da Internet global. uma vez que acessam diariamente tais sites com finalidades legítimas (isto é.org/internet/ os-grandes-sites-da-internet-protestam-contra-os-projetos-de-leis-antipirataria-sopa-e-pipa/>. 203 204 .br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 direito. Dick Costolo.  Twitter.

 al posicionamento pode ser encontrado nas reportagens: <http://www. 208 Algumas figuras importantes no cenário da Internet também manifestaram oposição ao SOPA e ao PIPA. projeto de lei que está atualmente em tramitação no Congresso Nacional. organizou.fgv.nupef. a liberdade de expressão. de que os projetos desrespeitam direitos humanos: “Se você é um americano. na qual afirmou que “o bloqueio de sites ou os meca- 205  ais informações no site <http://www. pode-se citar a afirmação de um dos fundadores da worldwide web (www).info4.globo. Assim como o CTS-FGV. vice-coordenador do CTS-FGV.br/sopablackout>. e aos membros do House Judiciary Committee . Acesso em 23 de fevereiro de 2012. Para saber mais sobre o projeto.oficinadanet. incluindo-se nesse rol a pirataria. Acesso em 23 de fevereiro de 2012.br/noticias_web/4815/no-brasil-idec-tambemM se-manifesta-contra-a-lei-antipirataria>.com/tecnologia/artigo-discussao-dasopa-ensaio-para-que-vira-no-futuro-3703202>. Como exemplo.org. que visa a criminalização de condutas praticadas através do ambiente digital. Tim Berners-Lee.  texto legal do Marco Civil da Internet resultou de um processo de construção colaborativo.asp?c T od=600426&nome=1432&cliente=1432> e <http://oglobo. porque elas não foram reunidas para respeitar direitos humanos como é apropriado em um país democrático” 209. Acesso em 23 de fevereiro de 2012. Lamar Smith. Acesso em 23 de fevereiro de 2012. em vez de criminalizar condutas.com.com/2012-01-20/tech/30645823_1_human-rights-timD berners-lee-sopa>.br/gomateria. De acordo com Carlos Affonso de Souza. o instituto manifestou-se antagonicamente ao projeto de lei brasileiro semelhante ao SOPA e ao PIPA. e principalmente o acesso ao conhecimento e à informação”. uma vez que.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 D E B AT E S R E L E VA N T E S E M O U T R O S PA Í S E S usuários de Internet no mundo todo estão ameaçados”. acesse <http://www. como a privacidade. br/marcocivil/>) e reuniu comentários de todos os setores da sociedade. que reuniu mais de 16 mil assinaturas. 206 207 208 209 . de forma não moderada e voluntária.br/sites/default/files/ poliTICS_n%C2%BA7_1. uma campanha intitulada “Consumidores contra o PL Azeredo”. Acesso em 23 de fevereiro de 2012. 207 “O CTS defende que a tutela dos direitos intelectuais não deve ser exercida em detrimento de outros direitos fundamentais. Disponível em: <http://direitorio. um dos fundadores da Internet. reafirma princípios que devem permear a Internet e protege direitos fundamentais no ambiente digital.  isponível em: < http://articles. Já Vinton Cerf. enviou uma carta de contestação ao autor do SOPA. o Marco Civil da Internet é considerado um projeto de lei anti-SOPA. chamado “Lei Azeredo”. 205 Já o CTS-FGV produziu. Assim.pdf>.162 observatório da internet. em conjunto com o Ministério da Justiça e por meio de um processo on-line amplamente colaborativo. então deveria ligar para alguém ou enviar um e-mail para protestar contra essas leis (de censura). em 2011.businessinsider. o Marco Civil da Internet 206. na O medida em que foi organizado por meio da plataforma on-line Cultura Digital (<http://culturadigital.com.

em resposta oficial a duas petições que pediam o veto aos projetos de lei.1. 210 Os protestos foram ainda reforçados pelas declarações do governo de Barack Obama. desde então conquistou o apoio de muitos países ao redor do mundo.consilium.eu/pdf/pt/11/st12/ A st12196. injunções.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 nismos de redirecionamento não são susceptíveis de fazer uma diferença significativa na disponibilidade de material ilícito e de falsificações on-line ”. Acesso em 24 de fevereiro de 2012.2. através da cooperação internacional. o comércio legítimo.1. dentro dos procedimentos judiciais de natureza cível. sustentou que a importante tarefa de se proteger a propriedade intelectual on-line não pode ameaçar a abertura e o aspecto inovador da Internet. Os mecanismos a serem utilizados são. afirma que a proteção aos direitos de propriedade intelectual é essencial para a garantia do desenvolvimento econômico sustentável. O comunicado.europa. Nesse sentido. bem como combater o crime organizado.1 Breve histórico O Anti-Counterfeiting Trade Agreement (ACTA) ou Acordo Comercial Anticontrafação 212 é um tratado multinacional em fase de negociação que busca estabelecer padrões internacionais de tratamento aos direitos de propriedade intelectual e facilitar o combate às violações a nível global.examiner. O tratado prevê que cada país signatário possua mecanismos de solução judicial de litígios relativos a infrações a direitos de propriedade intelectual.com/internet-in-national/internet-founding-father-vinton-cerfD opposes-sopa>. isponível em: <http://www. No preâmbulo do tratado é possível encontrar as justificativas para a criação do ACTA. 211 212 . indenização do infrator ao titular de direitos. assim.pdf>. Busca proteger.  versão em português está disponível neste link: <http://register. os titulares de direitos e as empresas legítimas.D E B AT E S R E L E VA N T E S E M O U T R O S PA Í S E S 163 observatório da internet.whitehouse. bem como o ressar- 210  isponível em: <http://www.gov/blog/2012/01/13/obama-administration-responds-weD people-petitions-sopa-and-online-piracy>. Desenvolvido primeiramente pelos EUA e pelo Japão em 2006. Acesso em 24 de fevereiro de 2012. os quais participam dos encontros de negociação do texto do tratado e o assinaram em 2011.2 ACTA 9. Acesso em 27 de fevereiro de 2012.pt11. se posicionando contras as proposições. divulgado pelo blog da Casa Branca.211 9.

br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 D E B AT E S R E L E VA N T E S E M O U T R O S PA Í S E S cimento dos lucros obtidos com a comercialização do material sem autorização e retirada de circulação ou destruição de materiais utilizados para a fabricação do material infrator. eu/doclib/docs/2011/may/tradoc_147937.164 observatório da internet. concedida a critério do país signatário.1. as appropriate. ainda. Disponivel em <http://trade. além de não impedir os meios legítimos de comércio eletrônico e concorrência. a privacidade e o devido processo legal. sansões pecuniárias elevadas o bastante para que tenham caráter preventivo. Acesso em 22 de novembro de 2012. utiliza o termo proteção jurídica adequada e recursos jurídicos eficazes . as negociações do ACTA eram secretas e apenas participavam países desenvolvidos. Elas incluem responsabilização penal de sociedade de pessoas e indivíduos isolados.ec. sem definir o termo pequenas quantidades. penas de prisão. em reportagem publicava no Valor Econômico e transmitida pelo blog do  214 . o tratado exclui de condenação pequenas quantidades de mercadoria não comercial transportada em bagagem pessoal. No que se refere a medidas que podem ser tomadas nas fronteiras. Afirmando que as partes se comprometem a combater violações a direitos autorais e direitos conexos em ambiente digital. Para tal.214 A ausência de informações mais detalhadas sobre o que esta- 213  exto original em inglês – Article 31: Public Awareness: Each Party shall. apenas sugerindo minimamente como alcançá-los.pdf>. promote the adoption T of measures to enhance public awareness of the importance of respecting intellectual property rights and the detrimental effects of intellectual property rights infringement”. 213 9. Existe. As execuções de natureza penal só afetam atos infringentes que ocorram em escala comercial (que acarretem em benefícios econômicos para o infrator). André de Mello e Souza.2 Críticas dos opositores Inicialmente. o texto ressalva que tais medidas devem ser tomadas sem ferir ou ofender princípios fundamentais como a liberdade de expressão. confisco e destruição de mercadoria.europa. um artigo sobre a sensibilização do público. O ACTA possui um capítulo específico sobre aplicação dos direitos de propriedade intelectual no ambiente digital. apreensão. cada Estado signatário teria o dever de “promove(r) a adopção de medidas para sensibilizar a opinião pública no que se refere à importância do respeito dos direitos de propriedade intelectual e aos efeitos negativos do desrespeito desses mesmos direitos”. Assim.2. sem especificar o que significam. Também podem as autoridades judiciais ordenar a adoção de medidas provisórias com finalidade preventiva de infração ou de preservação de provas sobre a infração.

o que demonstra que as críticas fizeram efeito nas negociações. . Segundo essa mesma linha de pensamento. O escopo atinge inclusive os intermediários de Internet.br/wordpress/lang/pt-br/2010/09/oacta-e-os-direitos-de-propriedade-intelectual/>.  isponível em: <https://www. Singapura. D Acesso em 29 de fevereiro de 2012. Em maio de 2011. os opositores afirmam que não abrangerá apenas produtos piratas na sua forma física. seriam obrigados a controlar a Internet e os usuários. Canadá. uma vez que careceu de transparência e não reconheceu a opinião de grupos da sociedade civil.D E B AT E S R E L E VA N T E S E M O U T R O S PA Í S E S 165 observatório da internet. como privacidade e liberdade de expressão. Acesso em 29 de fevereiro de 2012. A EFF (Eletronic Frontier Foundation) chegou a afirmar que a sociedade civil e os países em desenvolvimento estavam sendo excluídos das negociações intencionalmente. assinaram o tratado. nas línguas inglês.org. Acesso em 29 de fevereiro de 2012.eff.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 va sendo discutido e a consciência de que as deliberações sobre os direitos de propriedade intelectual afetariam não só os participantes das negociações. ocorreu a publicação oficial do texto do tratado. Austrália. 215 216 Disponível em: <https://www. Nova Zelândia. de projeto A2K: “a falta de transparência que caracteriza as negociações tem por finalidade evitar a oposição da comunidade internacional e contradiz a tendência recente dos fóruns multilaterais de permitir a observação e intervenção de organizações não governamentais e de divulgar os textos preliminares dos acordos na Internet”.org/deeplinks/2011/10/acta-signed-8-members-are-we-doomed-yet>. Muitas das maiores preocupações relativas às versões anteriores do ACTA foram retiradas do texto oficial. o que gera preocupações grandes em relação aos direitos fundamentais.215 A população apenas tomou conhecimento do que estava sendo debatido através de documentos que vazaram ao longo dos anos.eff.a2kbrasil. da mesma forma que o SOPA e o PIPA. Marrocos e Coreia do Sul. além do fair use de direitos autorais. considerando-o antidemocrático. francês e espanhol. como o Discussion Paper on a Possible Anti-counterfeiting Trade Agreement ou relatórios de negociações ocorridas. inclusive. uma vez que o ACTA. como os provedores de serviço de Internet. Quanto ao conteúdo do tratado. também seriam limitados pelo ACTA a criatividade e inovação derivadas da característica colaborativa da rede. a própria sociedade dos países participantes fez com que um movimento forte de críticas fosse iniciado. As críticas também abarcam o processo de construção do texto do tratado. Assim. possibilita aos países signatários responsabilizar esses atores pelas ações de terceiros na rede. como CDs e remédios. Disponível em: <http://www. além de EUA e Japão.org/issues/acta>. do público em geral. 216 Em outubro de 2011. como também outros países não envolvidos e.

eBay. “lobistas das grandes empresas de música. Por outro lado.org/wiki/Anti-Counterfeiting_Trade_Agreement>. A propriedade intelectual é. da cultura. Sony Pictures. como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI) e países em desenvolvimento. Dell.166 observatório da internet. dos intérpretes ou executantes. filmes. as empresas Google.wikipedia.wordpress. já nos seus considerandos que as novas tecnologias da informação gerou uma resposta repressiva por grande parte dos países: “Qualquer harmonização do direito de autor e direitos conexos deve basear-se num elevado nível de proteção. Além disso.ist. software .br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 D E B AT E S R E L E VA N T E S E M O U T R O S PA Í S E S instituições internacionais. 219 217  isponível em: <http://en. A íntegra da Diretiva 2001/29 CE pode ser encontrada no seguinte link: <https://ciist. 217 Segundo o movimento brasileiro Mega Não!. nenhum desses atores teve acesso ao conteúdo tratado nas negociações até a divulgação do texto oficial em 2011. pois. bens de luxo e farmácia tiveram acesso a documentos preparatórios do ACTA e puderam influenciar as negociações”. Intel. A Diretiva trata da harmonização de certos aspectos do direito de autor e dos direitos conexos na Sociedade da Informação e demonstra.  isponível em: <http://xocensura. da indústria e do público em geral. Acesso em 24 D de fevereiro de 2012. dos consumidores. dos produtores. a não ser por vazamentos de informações das quais nem sempre se conhecia a fonte. jogos de vídeo.utl. Time Warner e Verizon receberam uma versão do rascunho do tratado sob um acordo de confidencialidade. News Corporation. Como visto. no interesse dos autores.2 Espanha Desde 2001.pt/docs_da/  218 219 . 218 9. uma vez que tais direitos são fundamentais para a criação intelectual. reconhecida como parte integrante da propriedade”.com/2008/09/22/o-silencio-sobre-o-acta/>. um comitê consultivo de grandes corporações multinacionais americanas (membros da indústria farmacêutica e de produção cultural) foi consultado na fase de produção do rascunho e obteve. Acesso em 24 D de fevereiro de 2012. acesso a tal conteúdo. a Europa tenta adequar suas regras comuns à economia digital e ao mercado comunitário. consequentemente. A sua proteção contribui para a manutenção e o desenvolvimento da atividade criativa. com a Diretiva 2001/29 do Parlamento e do Conselho Europeu.

Em 2011. A Lei da Economia Sustentável (SEA) espanhola é fruto de uma iniciativa legal aprovada pelo governo espanhol.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 A própria lei francesa que ficou conhecida como Lei Hadopi é fruto da transposição da Diretiva 2001/29 CE e implementa a regra dos “ three strikes and you’re out ”. Na referida reportagem de 2008. 220  isponível em: <http://www. que foram introduzidas através da Lei de Economia Sustentável (LES). o governo norte-americano teve um papel crucial nas iniciativas de endurecimento da lei de direitos autorais da Espanha. De acordo com documentos revelados pelo Wikileaks e divulgados pelo jornal espanhol El País .com/articulo/espana/EE/UU/ejecuto/plan/conseguir/ley/antidescargas/ D elpepuesp/20101203elpepunac_52/Tes>. A função da Lei Sinde é legitimar o fechamento de websites que abriguem links para download de conteúdo protegido por direitos autorais. Quando as medidas foram apresentadas em 2009. que apresentou a lei em resposta à demanda da coalizão de criadores e indústria de conteúdos. Acesso em 20 de julho de 2012. A versão original da SEA tem sido chamada de Lei Sinde – recebeu esse nome em virtude do Ministro da Cultura espanhol. a Lei Sinde levantou diversas preocupações quanto à possibilidade de violação ao devido processo legal. sua conexão à Internet seria interrompida.pdf>. a qual determina que. Desde o início. no entanto. negócios e meio ambiente. revelações do Wikileaks demonstraram que pressões do governo americano ao governo espanhol foram o principal motivo para que esse editasse uma medida contrária a downloads . .D E B AT E S R E L E VA N T E S E M O U T R O S PA Í S E S 167 observatório da internet. de forma a tentar solucionar a crise econômica que assola o país nos últimos anos. o periódico El País 220 revelou que o governo norte-americano ameaçou colocar a Espanha em sua lista anual de inimigos da propriedade in- directiva_2001-29-CE. ao direito à privacidade e à liberdade de expressão. Angeles Gonzales-Sinde. em 2009. previam a possibilidade de bloqueio de páginas na Internet que facilitassem o download sem autorização de arquivos com conteúdo protegido por direitos autorais. a Espanha se juntou à França no grupo de países que adotam medidas mais fortes para a proteção da criação intelectual na Internet. As medidas. um grupo de pressão formado pelas sociedades de gestão de direitos e as sociedades que defendem os interesses das grandes companhias. Acesso em 20 de julho de 2012.elpais. diante da reincidência do usuário que baixar obras protegidas sem autorização. Seu principal objetivo é modernizar a economia espanhola nos campos de finanças.

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telectual, elaborada pela Câmara de Comércio, conhecida como “ Special 301”, a menos que o governo espanhol adotasse políticas para a pirataria na Internet. O procedimento descrito pela lei para fechar sites da Internet se inicia com uma denúncia pelo titular de direitos autorais à Comissão de Propriedade Intelectual (órgão administrativo do Ministério da Cultura). Ao receber a denúncia e de forma a obter dados com a identidade do proprietário do nome de domínio, número de usuários do site e outros dados sujeitos a confidencialidade, a Comissão deve solicitá-los a um juiz. A presença da intervenção do Poder Judiciário desde o início do procedimento é tida como uma inserção de equidade ao processo. Porém, este não foi o entendimento quando a lei foi vetada em 2009. Talvez pela divulgação dos documentos pelo Wikileaks , que revelaram a arquitetura diplomática dos Estados Unidos para influenciar na agenda jurídico-cultural espanhola, num primeiro momento a Lei Sinde foi rejeitada pelo Congresso Espanhol, por apoio de quase todos os partidos com representação parlamentar – à exceção de apenas um, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), como revela a citada reportagem do jornal El País: 221 “ Para el PP, la disposición intentaba ‘maquillar’ con un procedimiento judicial rápido el que un órgano administrativo como la Comisión de Propiedad Intelectual, dependiente del Ministerio de Cultura, pudiera cerrar páginas webs. ‘En la práctica, sería posible cerrar webs sin la debida garantía judicial, lo que abriría la puerta a que desde el poder político se vulnerasen derechos fundamentales como el de la libertad de expresión’, según José María Lasalle. Marta Gastón, ponente del PSOE, le refutó que solo ‘la justicia puede decidir el cierre de una web’, y aseguró que no se puede ‘desproteger a un sector que da empleo a 800.000 personas y representa el 4% del PIB’. Recordó que la subcomisión de Cultura acordó por mayoría dar unas garantías mínimas de protección a la propiedad intelectual, y afirmó: ‘Si protegemos más a los ladrillos que las ideas, estaremos condenando a nuestros jóvenes a seguir fabricando ladrillos .’” (grifo nosso) Além da liberdade de expressão, outro direito fundamental atingido diretamente pelas disposições da Lei Sinde é a proteção à vida privada, uma vez que permite que os indivíduos que se julgam vítimas de alguma violação aos seus direitos de autor acessem dados pessoais de usuários. Precedente da Corte de Justiça da

221 

isponível em: <http://cultura.elpais.com/cultura/2010/12/21/actualidad/1292886001_850215.html>. D Acesso em 20 de julho de 2012.

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União Europeia envolvendo a própria Espanha já rechaçou que provedores de acesso à Internet assumam postura em defesa dos titulares de direito autoral que ameacem a vida privada. Nesse sentido, o acórdão Promusicae v. Telefónica determinou que a exigência pelos titulares de direitos de propriedade intelectual do acesso aos dados de IP de indivíduos suspeitos de violação de direitos autorais é contrária às normas fundamentais da União Europeia..

9.3 Suíça
Em sentido contrário ao ocorrido na Espanha ( Tópico 9.2), a Suíça decidiu não modificar sua legislação interna de propriedade intelectual no meio digital, por julgar que as normas existentes em seu ordenamento jurídico eram suficientes para tratar da realidade digital. O Conselho Federal da Suíça foi chamado a se posicionar sobre o tema e preparou um relatório que foi divulgado no início de dezembro de 2011. O estudo analisou a possibilidade de constrição legislativa dos downloads ilegais e as medidas existentes no cenário internacional que tentam solucionar o problema. O governo suíço concluiu que uma nova lei ou reformas legislativas sobre a questão não são essenciais, ou mesmo necessárias, no momento. Seria preciso, ao contrário, acompanhar as evoluções tecnológicas e o debate sobre o tema ao nível internacional, a fim de reavaliar periodicamente a situação e identificar as necessidades de adaptação do direito autoral. Para elaboração do relatório, o Conselho Federal analisou diversos estudos internacionais sobre download e compartilhamento de música, filmes e jogos eletrônicos. O estudo “ Ups and Downs: The Economic and cultural effects of file sharing on music, film and games ”, 222 encomendado pelo governo da Holanda em 2009, foi usado como parâmetro pelo governo suíço para acessar os dados sobre pirataria. O uso crescente de downloads e o compartilhamento de bens culturais não diminuem a intenção das pessoas em adquirir outros bens culturais, como bilhetes de cinema, teatro e shows. E mesmo aqueles que adquirem os bens por download não deixam de comprá-los pelas vias tradicionais, segundo o relatório do governo suíço.

222 

isponível em: <http://www.tno.nl/content.cfm?context=thema&content=inno_publicatie&laag1=897 D &laag2=918&item_id=473&Taal=2>. Acesso em 20 de julho de 2012.

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Foram apontadas três abordagens existentes no cenário internacional para lidar com esse dilema. Cada uma foi rejeitada, justificadamente, conforme abaixo resumido: 9.3.1 Resposta graduada ou “three strikes and you’re out” (modelo francês – Hadopi) Os dados revelados pela autarquia francesa Hadopi, que tem por objetivo impedir a violação de direitos autorais na Internet, apontam uma queda no número de downloads e compartilhamento ilegal de arquivos na França em 2011. Mesmo que esse resultado possa ser encarado como um sucesso para os objetivos estabelecidos pela autarquia, o governo suíço entendeu que, de um ponto de vista objetivo, a resposta graduada é medida extrema, cujas consequências de longo prazo são impossíveis de ser avaliadas. O relatório aponta ainda que a resposta graduada necessita da implementação de um amplo aparato estatal. Nesse sentido, os custos anuais de funcionamento da Hadopi são estimados em mais de 12 milhões de euros, de acordo com o orçamento público francês de 2011 do Ministério da Cultura e da Comunicação. O governo suíço questiona ainda a compatibilidade dos mecanismos de reposta graduada com as Convenções Internacionais, em especial o relatório conduzido pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas que determinou que a interrupção do acesso à Internet é uma violação ao art. 19 o, alínea 3 do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos. 9.3.2 Filtragem e bloqueio do acesso à Internet O relatório do governo suíço aponta a importância da inserção do debate sobre medidas repressivas, principalmente quando se trata de provedores de acesso à Internet, na agenda de neutralidade da rede. Segundo os conselheiros, esse engajamento é fruto da necessidade de proteger a livre concorrência e os direitos fundamentais como liberdade de expressão, devido processo legal e privacidade. As filtragens e bloqueios operados por um provedor de acesso recebem as mesmas críticas e limitações da resposta graduada. Tais medidas são pouco compatíveis com direitos à liberdade de expressão e as tecnologias utilizadas para filtragem podem importar em sérios riscos à privacidade. Ainda, o fato de tais bloqueios não serem realizados por autoridades judiciais, mas sim por empresas privadas eleva de forma considerável a complexidade do problema e incentiva o debate sobre o papel do Poder Judiciário na resolução de casos que impliquem na reparação de danos ocorridos na Internet.

fazendo forte oposição à ideia de propriedade intelectual como forma de incentivar a produção cultural. No entanto. No entanto. E. O relatório do governo suíço questiona ainda a legitimidade das medidas repressivas de combate à violação de direitos autorais. indicam que é direito exclusivo do autor disponibilizar suas obras on-line . de qualquer forma. a sociedade de gestão coletiva e os provedores de acesso à Internet. faltaria compatibilizar esse regime com os acordos internacionais assinados pela Suíça. Convenções Internacionais. Apesar das críticas recebidas pelas licenças coletivas. é apontada como uma abordagem permissiva possível. A compensação feita nesse modo só poderia ser considerada aceitável se levasse em consideração regras gerais de equidade. não havendo necessidade de uma imposição legislativa para o mesmo. Ainda. Dessa forma. independentemente da origem ilícita do arquivo copiado. os titulares podem atingir esse resultado por meio de seus próprios contratos.br observatório brasileiro de políticas digitais Relatório de Políticas de Internet Brasil 2011 9. apoiada em termos políticos pelo Partido Pirata Suíço. . o legislador suíço já tirou o internauta da ilegalidade ao permitir a cópia para fins pessoais. afirmando que as mesmas devem obedecer a certos limites impostos por direitos fundamentais. Aponta também que muitos atores veem os direitos de autor como um entrave ao acesso à cultura e essa linha de entendimento chegou a ser.D E B AT E S R E L E VA N T E S E M O U T R O S PA Í S E S 171 observatório da internet.3 Licenças coletivas A possibilidade de licenças coletivas de obras colocadas à disposição na Internet. grande parte da população suíça considera esse sistema de remuneração de certa forma “injusto”.3. inclusive. sem fins comerciais e em conjunto com um sistema de remuneração. ao optar por uma regulamentação tecnicamente neutra. Essa solução traria a dupla vantagem de retirar os maiores usuários de downloads da ilegalidade. como as da OMPI. entende o relatório. bem como de remunerar utilizações como o streaming . não haveria necessidade de lei específica que regule o uso ilegal de obras na Internet. segundo o relatório. As exceções e limitações a esse direito se fazem em casos excepcionais que não impliquem em obstáculo à exploração normal da obra. o governo suíço aponta como desejável um acordo entre as grandes companhias de mídia.