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O Black Bass e as lagoas do Sul

Há alguns anos quando morava em São Paulo comecei a ouvir sobre este peixe, que para mim era realmente misterioso. Pouco conhecia dos locais que eram mencionados em revistas de pesca da época, ainda mais difícil era pensar como pesca-lo com a técnica recomendada das minhocas artificiais. Como pescador de fly pensava de que forma seria possível capturar algum bass, com que moscas, que número de equipamento. A verdade era que como não tinha a real dimensão dos ambientes comentados nas matérias era tudo mais difícil. Cacheira da França, Cachoeira da fumaça, represa de Nazaré paulista , Atibaia e Atibainha, em fim grandes pesqueiros de Black Bass do interior paulista rondavam na minha cabeça, imaginando algum encontro com esta espécie. E o mais duro foi que a pesar de ir algumas vezes nestes lugares o encontro não se deu nunca, por mais entusiasmo que colocava, comecei a pensar que o Black não era fácil por essas bandas. Mas as circunstâncias da vida começaram a mudar um pouco minha história a do encontro com este peixe. Minha vinda para o Sul do país trouxe coisas novas, não somente no campo profissional, mas também na pesca. Uma delas foi a proximidade da Serra Geral que divide Santa Catarina de Rio Grande do Sul. Nesse entorno fui encontrar a pesca tão sonhada de trutas selvagens, em rios de montanha, o que parecia ser somente possível em Patagônia ou outros destinos mais longes. E como por acaso como uma opção a mais, e das melhores, apareceu o Black Bass. Em todo o entorno serrano alem dos rios de montanha temos muitas lagoas e açudes, que para nossa felicidade, na maioria dos casos esta povoado com Black Bass. O encontro com a espécie foi fantástico, paixão a primeira vista. Um peixe esportivo de características supremas, por causa da sua agressividade e também, por momentos, sua seletividade. Por isso para ter algum sucesso nesta empreitada foi importante ganhar experiência com os ambientes e os hábitos do Black. Devo admitir que quando vim para o Sul já pescava exclusivamente com fly, isto fez que realmente observasse de que maneira era possível pescar o Bass nesta modalidade enquanto a todo o equipamento, desde varas, cartilhas , linhas e moscas. Uma coisa fundamental é entender o ambiente em que estes peixes foram colocados e que isso significa para pescar com fly. A grande diferença com as represas paulistas ou paranaenses é que as lagoas e açudes ou lagos do Sul são bem menores, mais rasos, mas muito ricos em alimentação e fauna bentônica (insetos, crustáceos). Esta característica permite que com o equipamento de fly consigamos atingir as estruturas e as profundidades onde o Black bass fica mais frequentemente. Nas grandes represas o trabalho de achar o peixe é muito mais complicado, as vezes grandes profundidades onde os cardumes se concentram são impossíveis de alcançar com eficácia com as linhas de fly, mesmo as de afundamento rápido. Por isso, devemos pensar que estes ambientes sulinos são os mais apropriados para pescar com a nossa modalidade. Quando comecei a pesquisar de como pescar o bass nestas latitudes me deparei que a bibliografia e os dados sobre a pesca com fly para este peixe, como sempre acontece, eram todos de fora, importados. De todas maneiras pensando em começar com alguma coisa o primeiro que veio a tona foram os poppers. E claro que idealizar a pesca na superfície é instigante, quase obsessivo, mas também apareceu o problema do clima e as épocas diferenciadas do ano. Nas primeiras pescarias me deparei com isto. Somente com poppers a coisa não funciona. Qualquer mudança climática interfere na condição de pesca, mas nestes ambientes pequenos e com esta espécie parece que tudo se acentua. Aí tive que recorrer aos streamers. E deu resultado. Ainda mais, as linhas que afundam, sinking tips ou intermediate solucionaram em parte meus problemas. O clima está intimamente relacionado com a época, e como disse anteriormente o peixe sente bastante tudo isto. O bass geralmente desova na primavera e isto também faz alguma diferença no seu comportamento, um pouco mais austero. Depois disto nos messes de verão a festa começa. O calor os ativa pra valer e a pesca é na superfície quase a maior parte do tempo. Mesmo com calor se não vemos ação da superfície, podemos entrar com os streamers e a mesma linha floating. Isto

com anzol #6. Sobre streamers diria que para cobrir as opções de alimentos os bucktails em amarelo ou verde limão. carretilhas e linhas. mas temos que contar as vezes com o vento reinante no lugar ou com ter que alcançar um pouco mais de distância nos arremessos. Também é legal contar com alguma linha intermediate ou sinking tip de velocidade de afundamento média para represas mais rasas. Se tivermos lugares mais fundos podemos usar uma linha mais rápida no seu afundamento. menos agressivo. A minha eleição de cores recai nos pretos. E fundamentalmente neste tipo de lagoas as situações mudam. Os ataques são explosivos e assemelha-se muito à pesca da truta em lagos. com uma carga mínima de backing. crustáceos (caranguejos de água doce) e sangue-sugas. mas não para de comer. Vale a pena! Eduardo Ferraro . para imitar os filhotes de bass. quase imperceptíveis. Funcionam bem as woolley buggers para imitar carangueijos ou sangue-sugas. o bass mergulha e se torna mais pacato. Todos com cauda de bucktail ou saddle. Sobre os insetos disponíveis para o bass creio que os mais importantes são os odonatos (libélulas ou lavadeiras). Os leaders podem ser de em metro e meio com tippet que varia segundo as moscas usadas. Para finalizar podemos falar sobre varas. para cada peso de linha. #4. As minhas escolhas partem de varas #5 para uma pesca com moscas mais leves (streamer e pequenos poppers. Peixes forrageiros (lambaris. Quando esfria o clima. Outro item fundamental para pesquisar é a alimentação deste peixe. Alguns com rubber legs. verdes claros e vermelhos. As carretilhas podem ser simples. Este peixe apresenta um atrativo fantástico para a pesca com mosca aqui no Sul. E em alguns lugares. Também rãs e girinos. ninfas ou adultos. Diria que o bass tem disponíveis nestes âmbitos os insetos que fazem parte da comunidade bentônica do lago nas formas de larvas. tilápias) e os próprios filhotes do bass. no máximo 1/0. Santa Catarina e Paraná. mas os adultos fazem a diferença numa das melhores pescas que podem se realizar nestes ambientes. As variantes destas moscas com rubber legs são também muito efetivas. Desde seu poder de adaptação às variações climáticas. mas não menos interessante. nas suas formas e cores. As ações das varas acho que é uma escolha pessoal. Não come a não ser a um palmo abaixo da superfície e outras formas diferentes aos do popper. mas é interessante que esteja pronta para qualquer susto! As linhas de preferência são as Floating. Estes fatores condicionam as eleições de equipamento. pode ser necessário ter que colocar as linhas de afundamento. os brancos para imitar lambaris. diria que funcionam muito bem os poppers médios e pequenos. para poppers mais pesados ou steamers um pouco mais volumosos. As pegadas são muito suaves. a sua voracidade e seu grande valor esportivo. imitações de insetos) e vai até uma vara #7. Com este panorama vasto vem o momento de escolher as moscas. modelos bass bug ou salt water para carregar a vara rapidamente e arremessar moscas volumosas. Uma pesca diferente. As cores das moscas vão desde os azuis.26mm) como para não correr perigo. nos desafia a entender seu comportamento e seus hábitos para pesca-lo com esta modalidade tão apaixonante como é o fly. Esperar que a linha desça e recolher lentamente os streamers. As ninfas destas espécies em tamanhos grandes funcionam bem. amarelos ou verde flúor. Podemos usar desde 0. Ela raramente vai entrar em cena.mostra um pouco a seletividade deste peixe. Aí mudam as estratégias. Também é possível usar imitações de grandes caddis e mayflies nos entardeceres.30 mm ate um 1x (0. A sua distribuição geográfica é bem importante nos estados de Rio grande do Sul. e os carijos para tilápias ou carás. com torpedo curto. Se começamos pelos poppers.