UNIVERSIDADE DA BEIRA INTERIOR

UNIDADE CIENTÍFICA E PEDAGÓGICA DE CIÊNCIAS DE ENGENHARIA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA ELECTROMECÂNICA

CAMPOS ELECTROMAGNÉTICOS EM SISTEMAS BIOFÍSICOS
EPIDEMIOLOGIA E NORMAS DE SEGURANÇA

CARLOS MANUEL PEREIRA CABRITA
LICENCIATURA EM CIÊNCIAS BIOMÉDICAS

2008

Dedicado à memória de James Clerk Maxwell (Edimburgo, 13 de Junho de 1831 – Cambridge, 5 de Novembro de 1879) e a Nikola Tesla (Similjan, Sérvia, 10 de Julho de 1856 – New York, 7 de Janeiro de 1943). Ao primeiro, porque representa um dos expoentes máximos da capacidade intelectual da humanidade e, ao deduzir as suas equações, fez confluir entre si os fenómenos eléctricos e magnéticos, dando origem ao electromagnetismo, que, por sua vez, permitiu o nascimento no seio da ciência da indústria determinante da nossa civilização – exactamente a indústria electrotécnica. Ao segundo, porque, ao inventar o motor trifásico de indução e o transformador, e ao prever as comunicações sem fios, é muito justamente considerado o fundador da indústria electrotécnica.

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Todavia. dos equipamentos multimédia. indubitavelmente. a par de todas estas vantagens e benefícios altamente significativos. e dos computadores. grupos e colectividades. podendo afirmar-se que. o desenvolvimento das telecomunicações e dos sistemas informáticos tem vindo a permitir a comunicação fácil e directa entre pessoas individuais. devido à sua presença em numerosas aplicações. dos electrodomésticos. Sem dúvida que as tecnologias associadas ao electromagnetismo têm vindo a tornar a nossa vida bastante mais fácil. muitos deles de extrema gravidade. sejam elas citadinas ou rurais. ou seja. das comunicações celulares. a Electricidade é o combustível invisível da vida moderna. que a energia eléctrica tem um papel essencial na nossa sociedade. os campos electromagnéticos são parte integrante e essencial da nossa vida. os seres vivos encontram-se rodeados de campos electromagnéticos criados pela própria humanidade. da rádio e da televisão. ii . do radar. representam forças naturais invisíveis e encontram-se presentes sempre que exista electricidade. por exemplo. Contudo. como se verá nos diversos capítulos deste livro. de campos electromagnéticos. O aumento descomunal da utilização da electricidade prova. Adicionalmente. que. ao ponto de ser impensável imaginar-se o quotidiano actual sem se ter acesso a essa fonte energética. devido ao rápido desenvolvimento das centrais e redes de transporte de energia eléctrica. desde o nascimento da indústria electrotécnica.PREFÁCIO Assim como o carvão representou a base energética da Primeira Revolução Industrial. como sucede com as electrocussões por contacto directo ou indirecto com condutores ou cabos eléctricos. a utilização da energia eléctrica resulta na geração de campos eléctricos e de campos electromagnéticos. ao cabo e ao resto. Por outro lado. Poder-se-á afirmar que. a vida familiar e pessoal seria impossível sem a existência de electrodomésticos e dos equipamentos multimédia de lazer. entre toda uma panóplia de sistemas que seria exaustivo descrever. o que obriga a uma exposição permanente que poderá conduzir ao aparecimento de efeitos biológicos nocivos e adversos. a electricidade apresenta os seus próprios riscos. nos finais do Século XIX.

de campos magnéticos. biomédicos. biólogos. Descrição e compreensão das bases para a modelização matemática relacionada com a absorção da energia dos campos electromagnéticos por parte dos sistemas biológicos. com muito mais realce. o campo magnético variável. como prevenção das acções nocivas dos campos electromagnéticos. Descrição e compreensão dos mecanismos de acção dos campos electroma-gnéticos sobre os sistemas biológicos. onde participarão médicos. obrigarão à constituição de equipas multi e inter-disciplinares. Descrição das medidas a adoptar. representa exactamente um bom exemplo da miscigenação entre medicina. por serem bastante complexos. técnicos de saúde pública.A influência dos campos electromagnéticos em sistemas biológicos nasceu praticamente com Hipócrates. e de radiação de rádio-frequência. e apresenta os seguintes objectivos. biomedicina e engenharia electrotécnica. a corrente eléctrica. A unidade curricular a que se destina este livro de apoio. • • Descrição e análise dos efeitos terapêuticos dos campos electromagnéticos. e a indução electromagnética. Estes estudos continuarão a ser realizados e. nos tempos modernos. e gestores de avaliação de situações de risco. iii . engenheiros. através das quatro equações de Maxwell. • Descrição e compreensão dos efeitos biológicos dos campos electromagnéticos de extremamente reduzida frequência e das rádio-frequências. a seguir discriminados: • Descrição e compreensão dos fenómenos inerentes ao espaço electromagnético. e tem vindo a ser estudada através da história. • • • Descrição sucinta das fontes geradoras de campos eléctricos. devido aos efeitos nocivos eventualmente causados pelas antenas de comunicações e pelas linhas de alta tensão de transporte de energia eléctrica. que englobam em si todas as leis relacionadas com a electrostática. como não poderia deixar de ser. técnicos de ambiente.

• Capacidade para elaborar relatórios técnicos. assim como as medidas preventivas a adoptar. de protecção contra os efeitos nocivos da exposição às radiações electromagnéticas. com a aprovação na unidade curricular em questão. individualmente e em equipa. com a finalidade de procurarem soluções técnicas com vista à protecção contra a exposição a radiações. Conhecimento das publicações internacionais – livros e revistas científicas e técnicas –. os alunos adquirirão as seguintes competências profissionais. através da recorrência às equações de Maxwell. que procurem relacionar determinados tipos de doenças e anomalias com a exposição a radiações. • • Capacidade para descrever e enumerar os mecanismos e os efeitos da radiação electromagnética nos sistemas biofísicos. iv . e utilizados em electromedicina. geradores de radiação electro-magnética.• Enumeração da regulamentação de segurança e de protecção. contra a exposição a radiações. internacional assim como de diversos países. • Capacidade para enumerar e discernir os tipos de equipamentos. • Capacidade para promover e desenvolver estudos. • Capacidade para formar e integrar equipas multidisciplinares com médicos e engenheiros electrotécnicos. industriais. Por outro lado. que expõem e divulgam os mais recentes resultados de investigação sobre este tema. Capacidade para definir as vias a seguir conducentes à modelização matemática relacionada com a absorção da energia da rádio-frequência e dos campos ele-ctromagnéticos de muito baixa frequência por parte dos sistemas biológicos. domésticos. • Conhecimento das regras e linhas de acção internacionais. técnicas e científicas: • • Capacidade para descrever os fenómenos inerentes ao campo electromagnético. que descrevam e explicitem os modos de assinalar os equipamentos potencialmente perigosos.

no Século XIX. estudam-se as quatro equações de Maxwell na forma integral. apresentam-se alguns aspectos do estudo da magnetostática. que é a de mais simples compreensão e. descoberto e comprovado praticamente em simultâneo pelo americano Joseph Henry e pelo inglês Michael Faraday. Campos Electromagnéticos de Frequências Extremamente Reduzidas Descrevem-se as fontes geradoras de campos eléctricos e magnéticos. em corrente contínua (magnetosfera. expõe-se ainda o fenómeno da indução electromagnética. na medida em que reúnem em si todos os fenómenos do campo eléctrico e do campo magnético. com a finalidade de melhor localizar esses equipamentos. da mesma forma. estabelece-se a relação entre os campos electromagnéticos e a radiação. linhas eléctricas em corrente contínua. de uma forma aprofundada. imagiologia através de ressonância magnética. os seguintes assuntos: Capítulo 1. expondo ao mesmo tempo os conceitos de radiação não-ionizante e de radiação ionizante. Como base da origem dos campos electromagnéticos. na sua sequência. apresentando-se o espectro das frequências. A terminar. Continuando com a teoria do electromagnetismo. cita-se a energia electromagnética. Por outro lado. Electromagnetismo Define-se campo eléctrico e apresentam-se alguns aspectos relacionados com a electrostática. definindo-se e apresentando-se o vector de Poynting. onde se abordam. ele contém cinco capítulos. descrevem-se as interacções entre os campos electromagnéticos e os materiais biológicos mais importantes – as células e os tecidos humanos.• Capacidade para integrar equipas de projecto de unidades hospitalares. como é o caso das catenárias v . Define-se igualmente campo magnético e. No que respeita à estrutura organizativa deste livro. • Capacidade para participar em equipas de projecto e manutenção de equipamento electromédico. onde existam equipamentos de electromedicina. Capítulo 2.

sensibilidade à electricidade. sistema cardiovascular. subestações. alterações visuais. instalações eléctricas de baixa tensão. para os diversos equipamentos actuais. veículos rodoviários e ferroviários. A terminar. Como consequência. na maioria das situações. demência. cancro da pele. terminais de vídeo. síndroma da fadiga crónica. como por exemplo a acção dos telemóveis sobre os pacemakers cardíacos assim como sobre outros equipamentos médicos de apoio à vida. e estudos em humanos (sistema nervoso. esclerose múltipla. cabos subterrâneos de transporte e distribuição de energia eléctrica. no que respeita ao campo eléctrico. tumores cerebrais. ao campo magnético. geradores eléctricos). em termos de compatibilidade electromagnética. leucemia em adultos. as interferências que surgem frequentemente. Capítulo 3. estudos em animais. Atendendo a que. e descrevem-se e enumeram-se as fontes geradoras de radiação – geradores. depressão. e às correntes induzidas nos tecidos biológicos. cancro pulmonar. cancro da próstata. Descrevem-se igualmente os efeitos biológicos dos campos electromagnéticos – interacção com os sistemas biológicos. fornos de indução industriais. relação com o cancro. e em corrente alternada (condutores em instalações eléctricas. coexistem diversos equipamentos geradores de campos electro-magnéticos. assim como a regulamentação e as normas de segurança. transformadores. electrodomésticos. consequências de choques eléctricos directos e indirectos). Radiação de Rádio-Frequência Inicia-se este capítulo através da indicação do espectro das frequências de radiação. apresenta-se um subcapítulo que descreve em pormenor os aspectos relacionados com a protecção e segurança contra os efeitos nocivos dos campos electromagnéticos. doença de Alzheimer. Assinala-se e descrevem-se igualmente quais as origens dos campos electromagnéticos no meio ambiente – linhas aéreas de transporte de energia eléctrica. apresenta-se. cancro mamário. leucemia infantil. linhas de vi . que estabelecem os limites máximos de protecção aconselháveis.ferroviárias). apresentam-se os resultados de estudos epidemiológicos – epidemiologia.

Suíça. Bibliografia Este livro parece-nos. cobrindo aspectos como a percepção auditiva. ser suficiente para que os alunos compreendam toda a problemática relacionada com os efeitos biofísicos dos campos electromagnéticos. o sistema cardiovascular. Apresentam-se os resultados obtidos através de estudos epidemiológicos realizados em humanos. como por exemplo os operadores de radar. Alemanha. sejam consultados. a actividade cerebral. comunicações multimédia sem fios. Quanto aos restantes livros citados. Holanda. Reino Unido. recomendados por dois importantes organismos internacionais – The International Radiation Protection Association. fornos microondas. apresentados na maioria das situações com uma profundidade científica notável. Finlândia. na medida vii . e poderão pontualmente contribuir para a formação especializada dos alunos. Itália. os de alguns países europeus (Áustria. daí que se aconselhe que. China. Adicionalmente. os níveis de melatonina. estações de transmissão de rádio e televisão. Bélgica. e Japão). e o aparecimento de cataratas. dedica-se um subcapítulo integralmente à descrição e análise das normas de protecção e segurança contra os efeitos nocivos das radiações de rádio-frequência. devido à elevada quantidade e variedade de temas abordados e expostos. sistemas de radar. os regulamentos canadianos.transmissão de sinal. apresentam-se os níveis de exposição considerados seguros. Dada a sua importância. contêm uma enorme variedade de assuntos interessantíssimos. e The International Commission on Non-Ionizing Radiation Protection. comunicações na banda das micro-ondas. antenas. comunicações celulares móveis. os de alguns países asiáticos (Austrália e Nova Zelândia. e Rússia). e a telefones celulares. abordando-se ainda os riscos inerentes à exposição a transmissores de rádio e televisão. equipamento de transmissão rádio-móvel. apresentando-se os regulamentos norte-americanos e os organismos legisladores. Suécia. o sistema imunitário. o pessoal de telecomunicações e de radiodifusão. no seu processo de auto-aprendizagem complementar. estações de recepção e rastreio de satélites. descrevendo-se igualmente os riscos a que se encontram expostas determinadas classes profissionais. os militares.

indicar linhas orientadores de investigação futura. ao mesmo tempo.em que poderão esclarecer dúvidas e. viii .

2. EQUAÇÕES DE MAXWELL 1.1. Grandezas do Campo 1.9. ENERGIA ELECTROMAGNÉTICA 1.1.1. CAMPOS ELECTROMAGNÉTICOS E RISCOS PARA A SAÚDE 1 1 1 2 3 3 5 12 16 18 23 26 28 28 30 30 31 32 33 34 34 34 37 37 CAPÍTULO 2. Radiação Ionizante a) Raios X b) Raios Gama 1.1. Fontes de Corrente Contínua a) Magnetosfera b) Linhas de Transporte de Energia Eléctrica 44 44 45 46 47 ix .1. CAMPOS ELECTROMAGNÉTICOS DE FREQUÊNCIAS EXTREMAMENTE REDUZIDAS 2.2. Tecidos 1. Grandezas Escalares e Vectoriais 1.ÍNDICE CAPÍTULO 1. MATERIAIS BIOLÓGICOS 1.7. CAMPO ELECTROMAGNÉTICO 1. FONTES GERADORAS DE CAMPOS ELÉCTRICOS E MAGNÉTICOS 2.6. Células 1. ESPECTRO DAS FREQUÊNCIAS ELECTROMAGNÉTICOS 1.5.1. INDUÇÃO ELECTROMAGNÉTICA 1.3.4.2.2.7. GRANDEZAS E UNIDADES 1. Campo Magnético 1. ELECTROMAGNETISMO 1.1.8.2. Campo Eléctrico 1.2.2.1.3.7.1. Radiação Não-Ionizante a) Campos Electromagnéticos de Frequência Extremamente Reduzida b) Radiação de Rádio-Frequência c) Radiação Óptica Não Coerente 1.8.8. Sistema de Unidades 1.2.1. CAMPOS ELECTROMAGNÉTICOS E RADIAÇÕES 1.

Monitores de Computadores 2.2.2. Incompatibilidade Electromagnética 2. Mecanismos de Interacção a) Correntes Induzidas b) Biomaterias Magnéticos c) Radicais Livres d) Membrana Celular e Ligação Química 2.1.2.1.1.5. Campos Electromagnéticos e Cancro a) Mecanismos do Cancro b) Carcinogénese c) Hipótese da Melatonina 2.4. Estudos em Humanos a) Sistema Cardiovascular b) Síndroma da Fadiga Crónica c) Sensibilidade Eléctrica d) Choques e Microchoques Eléctricos e) Sensações Visuais 47 48 52 53 54 55 60 62 64 65 67 68 69 70 71 72 72 73 74 76 76 76 77 78 78 79 79 79 80 80 81 81 82 82 84 x .2.3. Fontes de Corrente Alternada a) Condutor Simples b) Dois Condutores Paralelos c) Enrolamentos (Bobinas) d) Linhas de Transporte Trifásicas 2.1. Electrodomésticos 2.1.c) Imagiologia de Ressonância Magnética 2.2. EFEITOS BIOFÍSICOS DOS CAMPOS ELECTROMAGNÉTICOS 2.3.2.4.2. Estudos Celulares a) Efeitos Relevantes para o Cancro Material Genético Transporte de Cálcio Proliferação e Diferenciação de Células Actividade Enzimática Hormonas Sistema Imunitário Comunicações Intercelulares b) Efeitos não Cancerígenos 2.

3.2.3. Definições e Conceitos xi . ESTUDOS EPIDEMIOLÓGICOS 2.4. Normas Alemãs 2. FONTES DE RADIAÇÃO DE RÁDIO-FREQUÊNCIA 3. Estudos Epidemiológicos de Doenças não Cancerosas a) Doença de Alzheimer e Demência b) Esclerose c) Depressão e Suicídio d) Doenças Cardíacas 2. Normas Suecas 2.7.1. Restrições 84 85 85 87 87 88 88 89 92 94 95 96 97 97 99 99 99 100 100 101 103 107 108 109 110 111 112 114 116 116 116 CAPÍTULO 3.1. Estudos Relevantes sobre Terminais de Computador e Outros Electrodomésticos 2.2.3. American Conference of Governmental Industrial Hygienists ACGIH 2.4.4.6.4.4.4.4.4.1. Epidemiologia a) Rácio de Possibilidades b) Locais de Exposição Locais de Trabalho (Locais Ocupacionais) Locais Públicos 2. RADIAÇÃO DE RÁDIO-FREQUÊNCIA 3.3.4.1.2. International Commission on Nonionizing Radiation Protection ICNIRP 2.5. Estudos Epidemiológicos do Cancro a) Leucemia Infantil b) Leucemia em Adultos c) Cancro Cerebral d) Cancro Mamário e) Cancro Pulmonar f) Cancro da Pele g) Cancro da Próstata 2.1. Institute of Electrical and Electronics Engineers IEEE 2. NORMAS DE SEGURANÇA E REGULAMENTAÇÃO 2.3.3. National Radiological Protection Board NRPB 2.3.4.

Norma ANSI/IEEE C95.1.3. Equipamento Móvel de Rádio 3. Transmissores de Rádio e Televisão a) Estações de Rádio AM b) Estações de Rádio FM c) Estações de Televisão FM 3.1.1.3. Fornos Microondas 3.10.9.1.1 – 1966 118 119 119 121 126 127 127 127 128 128 129 130 131 132 133 133 135 136 137 138 138 138 138 139 140 141 141 141 142 142 145 147 148 150 150 xii .2.4.2. Estudos Humanos a) Percepção Auditiva b) Actividade Cerebral c) Sistema Cardiovascular d) Sistema Imunitário e) Melatonina f) Cataratas 3.2.1.4.2.1 3. Comunicações por Microondas 3. Comunicações Celulares a) Generalidades b) Tecnologias Celulares 3. Sistemas de Radar a) Radares Estacionários b) Radares de Controlo do Tráfego 3.1.3.1.5. ESTUDOS HUMANOS E EPIDEMIOLÓGICOS 3.1. Estações Terrestres de Rastreio de Satélites 3.3.1. Norma ANSI/IEEE C95. Comunicações Multimédia sem Fios 3.2. NORMAS DE SEGURANÇA E REGULAMENTAÇÃO 3.3. Elementos de um Sistema de RFR a) Geradores b) Linhas de Transmissão c) Antenas 3. Casos Pessoais 3.7. Generalidades 3. Estudos Epidemiológicos a) Exposição Ocupacional b) Exposição em Locais Públicos 3.8.2.2.1.3.6.1.2.

Normas IRPA 3.3.3.3.12. Norma ANSI/IEEE C95.3. Normas Canadianas 3. Normas Chinesas 3. Relatório NCRP nº 86 – 1986 3. Normas ICNIRP 3. Relatório NCRP nº 86 – 1993 3.3. Normas FCC 3.3.3.14.16. Normas Australianas e Neo-Zelandezas 3.9. Norma ANSI/IEEE C95.3.3. Normas ACGIH 3.3.6.3. Norma ANSI/IEEE C95.3.1 – 2005 3. Normas Russas e da Europa de Leste 3.19.3.18.1 – 1982 3.11.3.1 – 1974 3.7.4. Normas Japonesas 3.17.5. Factores de Segurança 3.1 – 1992 3.3.15.21.3.3. Norma ANSI/IEEE C95.13.3.10.20. Taxa de Absorção Específica 151 151 152 153 154 154 155 156 157 158 158 159 160 161 162 163 164 166 167 172 BIBLIOGRAFIA xiii .3.3. Regulamentação na União Europeia 3.8. Norma CENELEC EN 50392 : 2004 3.3.

1. 1. sob determinadas circunstâncias que serão descritas ao longo do texto. são designadas por grandezas vectoriais ou simples- 1 . existe um campo eléctrico e.CAPÍTULO 1. uma grandeza que tem apenas magnitude e sinal algébrico. no interior dos seus condutores. Por outro lado. GRANDEZAS E UNIDADES Ao longo deste livro de apoio. utilizam-se frequentemente as expressões Campo Electromagnético e Radiação. a interacção entre os campos eléctrico e magnético é descrita através das denominadas Equações de Maxwell. a massa m. que permitem estudar e analisar todos os fenómenos. Como exemplo evidente. que se manifestam no espaço electromagnético.1. e a energia W. além de possuírem magnitude. ELECTROMAGNETISMO 1. em todos os seus pontos se manifestam fenómenos eléctricos e magnéticos. que convém explicitar em termos dos seus significados físicos. os campos electromagnéticos produzem ondas. Assim sendo. Grandezas Escalares e Vectoriais Como é sabido da matemática e da física. são ainda caracterizadas por apresentarem uma direcção e um sentido. sendo o Campo Electromagnético a interacção entre esses dois vectores. como sucede por exemplo com o tempo t. é designada por grandeza escalar ou simplesmente por escalar. daí a existência do vocábulo Radiação Electromagnética ou simplesmente Radiação.1. o Espaço Electromagnético. Como exemplo pode-se citar o caso de um simples motor eléctrico que equipa um electrodoméstico em que. por sua vez. representa todo o espaço físico onde. tem-se a radiação provocada pelas antenas de comunicações móveis e de rádio e televisão. as grandezas que. Por outro lado. no seu circuito magnético nos troços no ferro e no ar. que radiam a partir das suas fontes. definido pela primeira vez pelo cientista escocês James Clerk Maxwell. a potência P. quantificados essencialmente através dos vectores intensidade do campo eléctrico e intensidade do campo magnético. manifesta-se a existência de um campo magnético. estáticos e variáveis no tempo. Como se verá um pouco mais à frente.

kilograma-massa.1. segundo • Sistema Giorgi ou MKS: grandezas fundamentais – comprimento. segundo • Sistema prático ou gravitatório MKpS: grandezas fundamentais – comprimento. representa exactamente o Sistema Internacional de Unidades SI. a medição de qualquer grandeza física deverá sempre ser expressa através de um número seguido por uma unidade. tempo unidades – metro. r r r r 1. B representa o vector densidade de fluxo magnético. da velocidade V . mas sem o segmento superior – por exemplo. Sistema de Unidades Na prática. por exemplo. adoptado universalmente com as siglas MKSA. e do vector densidade de fluxo eléctrico D . utilizam-se diversas grandezas escalares e vectoriais. É o caso. Este 2 . peso. devido à introdução da sigla A que representa a unidade Ampére da grandeza fundamental intensidade da corrente eléctrica. Os sistemas de unidades são usualmente definidos através de siglas. os vectores serão sempre representados em itálico encimados por um pequeno segmento com uma seta na sua extremidade direita. ou magnitude. enquanto que B é o seu módulo. introduzido por Giorgi em 1901. que têm como significado as iniciais das unidades das suas grandezas fundamentais. três sistemas de unidades: • Sistema CGS: grandezas fundamentais – comprimento. segundo Note-se que o sistema MKS. unidade essa que é uma normalização através da qual uma dimensão pode ser expressa numericamente.mente por vectores. será sempre representada pelo mesmo símbolo. como se verá de seguida. tempo unidades – centímetro. da força F . Como é habitual e do conhecimento geral. massa.2. kilograma-peso. tempo unidades – metro. no estudo do campo electromagnético. tendo coexistido até há relativamente poucos anos. grama-massa. enquanto que o seu módulo. Saliente-se que. massa.

motores eléctricos. 1. existem igualmente campos electromagnéticos. em sistemas de produção. por exemplo. Por exemplo. A energia electromagnética. interage não só com outros equipamentos geradores de ondas similares. dos transformadores. o campo electromagnético é um espaço físico onde coexistem. sendo no entanto possível medi-los e avaliá-los. das instalações eléctricas de baixa tensão domésticas e industriais. de origem natural. podendo ser criados artificialmente. e as conhecidas auroras boreais. Apesar do campo electromagnético existir. Grandezas do Campo Como o seu próprio nome indica. através dos geradores. e por todos os receptores que utilizam essa energia. campos eléctricos e campos magnéticos. as tempestades com trovoadas. tendo esses campos origem na existência e no movimento de cargas eléctricas. assim como todo o espaço envolvente. transporte e utilização de energia eléctrica. um simples condutor de uma instalação eléctrica doméstica em baixa tensão. em interacção. antenas. artificialmente gerada por equipamentos e que se propaga através de ondas.1. este condutor.sistema recomenda ainda que os múltiplos e os submúltiplos de todas as unidades sejam escritos em passos (steps) de 103 e de 10-3. representam um espaço electromagnético.2. como o próprio campo magnético terrestre.2. das linhas aéreas ou dos cabos subterrâneos de transporte. não é possível ver nem sentir de forma directa a existência de campos eléctricos e de campos magnéticos. provocadas pela interacção entre o vento solar e o campo magnético do planeta. sejam electrodomésticos. mas 3 . No nosso meio ambiente. CAMPO ELECTROMAGNÉTICO 1. podendo provocar anomalias – daí a importância crescente dos estudos sobre incompatibilidades electromagnéticas (veja-se a influência dos telefones celulares sobre os pacemakers cardíacos) –. sujeito a uma diferença de potencial que origine um movimento de cargas eléctricas no seu interior. será sede não só de um campo eléctrico devido ao movimento das cargas mas também de um campo magnético concêntrico – ou seja. ou equipamentos médicos. Convém igualmente salientar que os campos electromagnéticos criados artificialmente encontram-se sempre presentes onde quer que existam equipamentos eléctricos.

854 x 10-12 farads/metro (F/m). Na disciplina científica electromagnetismo. de módulo intensidade do campo eléctrico E. elas são as seguintes. Constante dieléctrica. de módulo densidade de fluxo B. é a velocidade de propagação das ondas electromagnéticas no vazio (velocidade da luz no vazio). • • Condutividade eléctrica do meio (material) condutor σ. muito provavelmente os efeitos biofísicos provocados por estes dois tipos de campos serão bastante diferenciados. incluindo a influência de campos electromagnéticos muito reduzidos. de módulo intensidade do campo magnético H. Outra constante importante utilizada em electromagnetismo.também sobre os sistemas biológicos. Vector intensidade do campo eléctrico E . Permeabilidade magnética do meio (material) magnético no vazio é μ0 = 4 π x 10-7 henries/metro (H/m). Quanto às grandezas que caracterizam o campo electromagnético. O seu valor 4 . ou permitividade. Apesar das investigações iniciais dessa interacção se terem centrado essencialmente nos efeitos resultantes das exposições a campos de elevada intensidade. O seu valor no vazio é ε0 = 8. do meio (material) dieléctrico ε. é canónico efectuar-se o estudo da electrostática (cargas eléctricas e r r r r r μ. de módulo densidade de corrente J. c = 3 x 108 metros/segundo (m/s). tanto vectoriais como escalares: • • • • • • Vector densidade de fluxo eléctrico ou vector deslocamento eléctrico D . no espaço electromagnético. Apesar de. os estudos actuais debruçam-se cada vez mais sobre todas as possibilidades. daí que seja essencial a compreensão de alguns conceitos físicos. coexistirem campos eléctricos e campos magnéticos. que se apresentam seguidamente. para que se possa analisar e entender os mecanismos de interacção entre os campos electromagnéticos e os materiais biológicos. de módulo densidade de fluxo eléctrico ou deslocamento eléctrico D. Vector densidade de fluxo magnético B . Vector densidade de corrente J . Vector intensidade do campo magnético H .

tem-se a conhecida corrente eléctrica. estes estudos têm todos eles como base as 4 Equações de Maxwell. Estas cargas eléctricas encontram-se presentes no vácuo. 1. criando assim a denominada electricidade estática. para cada estudo concreto.1. a corrente eléctrica estacionária e a magnetostática. são particularizadas. giram em órbitas em torno do núcleo. sendo as grandezas intervenientes igualmente invariantes no tempo). ou seja cargas eléctricas negativas.1 – Grandezas características do campo electromagnético e similaridades entre elas. mas que.campo eléctrico invariantes no tempo). Um outro aspecto importante.2. Campo Eléctrico Como é sabido. em número igual aos protões. sendo constituído por um núcleo com protões. que. da magnetostática (campo magnético gerado por corrente contínua. em que as grandezas intervenientes são invariantes no tempo). cujos efeitos são por nós conhecidos. da corrente eléctrica estacionária (corrente contínua. isto é. Como se verá um pouco mais à frente. o átomo é electricamente neutro. Estudo Electrostática Corrente Estacionária Magnetostática Grandezas vectoriais E E H D J B Grandezas escalares ε σ µ Quadro 1. consiste exactamente na apresentação dessas similaridades não só entre grandezas vectoriais mas também entre grandezas escalares. como se mostra no quadro 1. para que se fique com a noção clara de que existem similaridades entre a electrostática. no ar e no interior de condutores – quando os electrões se movimentam no interior dos condutores e cabos eléctricos. e dos campos eléctricos e magnéticos variáveis no tempo.2. porém essas cargas podem-se movimentar no espaço de um local para outro. como por exemplo quando os nossos cabelos se dispõem de uma forma erecta perante um objecto electrizado ou quando se “apanha” um pequeno choque eléctrico ao tocar-se na estrutura metálica de um 5 . que serão apresentadas de uma forma generalizada. e por electrões. cargas eléctricas positivas.

ou então considerando duas armaduras planas. existirá um vector intensidade do campo eléctrico E. como sucede entre as armaduras paralelas de um condensador plano ou no interior de um condutor eléctrico. genericamente. que permite definir e avaliar a diferença de potencial. ficam carregadas fortemente com cargas eléctricas. paralelas. devido ao atrito com o ar. em que as linhas de força do vector campo eléctrico são radiais. devida a essa separação de cargas. mais intenso será o campo eléctrico. Esta tensão eléctrica. natural. expressa em joules/coulomb (J/C).automóvel. a distância entre os pontos 1 e 2. em metros (m). considerando apenas uma única carga (a). dimensionalmente equivalente ao volt/metro (V/m). Se estes dois vectores forem colineares. consiste nas trovoadas. os campos eléctricos podem ser representados de uma forma gráfica. aos potencias eléctricos absolutos V1 e V2. Sempre que existam cargas eléctricas em movimento no interior de um condutor. U. Outro exemplo típico. quanto mais elevada for a tensão eléctrica ou quanto mais próximas estiverem as cargas entre si. se tiverem a mesma direcção e o mesmo sentido. cuja intensidade tem como unidade o newton/coulomb (N/C). Esta tensão. Como se constata. pontos esses que se encontram. através da última expressão. isto é. é definida matematicamente como sendo a circulação do vector intensidade do campo eléctrico E entre esses dois pontos. ou tensão eléctrica. em que as nuvens. como se mostra na figura 1. carregadas com cargas eléctricas de sinais contrários (b).1. Basicamente. ao resolver-se o integral obtém-se: U = V1 − V2 = E s r sendo s. separadas entre si. representa o trabalho necessário para mover uma unidade de carga eléctrica entre aqueles dois pontos 1 e 2. equivalente em termos dimensionais ao volt (V). ou seja: r r U = V1 − V2 = ∫s E • ds sendo ds o vector de definição do caminho de circulação do vector campo eléctrico. ao movimentarem-se na atmosfera. ou quando há cargas eléctricas de sinal contrário. 6 . entre dois pontos do espaço ou entre dois pontos de um condutor.

mas de sinal contrário.1 – Linhas de força do vector intensidade do campo eléctrico: (a) – devidas a uma única carga eléctrica (b) – devidas a duas armaduras paralelas (condensador). Por outro lado. Note-se que se têm duas cargas eléctricas iguais. destacando-se as linhas de força do vector intensidade do campo eléctrico assim como as linhas equipotenciais.2 mostra-se o campo eléctrico na zona envolvente do coração humano. na figura 1.Figura 1. isto é. as linhas cujos pontos se encontram todas elas ao mesmo potencial. quanto mais próximas essas linhas equipotenciais se encontram das respectivas cargas mais elevado é o valor do potencial eléctrico. constituindo o que se designa por dipolo eléctrico.2 – Linhas de força do campo eléctrico e linhas equipotenciais no coração humano. além disso. observa-se ainda que as linhas equipotenciais são perpendiculares às linhas de força do vector intensidade do campo eléctrico e. Figura 1. Por sua vez. 7 .

esta expressão diz-nos.Este facto deve-se à seguinte expressão: r E = − ∇V em que ∇ é um operador vectorial diferencial. representando ∇V o gradiente do potencial eléctrico V. por um lado. Figura 1. por outro. que as linhas equipotenciais são perpendiculares às linhas de força do vector intensidade do campo eléctrico.3 e 1. que o vector intensidade do campo eléctrico tem o sentido dos potenciais eléctricos decrescentes.3 – Linhas de força do vector intensidade do campo eléctrico e linhas equipotenciais. mas de sinais contrários. Por conseguinte. conhecido da análise matemática.4 são visíveis estas constatações. entre duas cargas iguais (140 pC). e. Nas figuras 1. 8 .

dimensionalmente idêntica ao coulomb por segundo (C/s). em lugar de cargas eléctricas. Saliente-se que este fenómeno. 9 . com a mesma intensidade.4 – Linhas de força do vector intensidade do campo eléctrico e linhas equipotenciais. com a única diferença de que.3. cuja unidade é o ampere (A). se teria a intensidade de corrente eléctrica I. em lugar da carga eléctrica Q. se tivessem por exemplo condutores eléctricos rectilíneos percorridos por correntes eléctricas invariantes no tempo. entre duas cargas iguais (140 pC).4. circulando com sentidos contrários ou com o mesmo sentido. em 1820. Relativamente à figura 1. e com o mesmo sinal. cargas com o mesmo sinal atraem-se. como se pode ver na figura 1. de atracção ou de repulsão entre condutores percorridos por correntes eléctricas.Figura 1. Se. conclui-se que cargas eléctricas com sinais contrários repelem-se. expressa em coulombs (C). foi pela primeira vez descoberto e explicado pelo físico e matemático francês André-Marie Ampére. os mapas apresentados seriam rigorosamente iguais. enquanto que.

na perpendicular). o risco de electrocussão do humano. durante a trovoada. a adoptar em campo aberto durante as trovoadas.Do exposto anteriormente. se se deitar no chão da trincheira. Nesta mesma figura desenhou-se uma figura humana assim como uma trincheira no solo. por um lado. e das equipotenciais (horizontais. por exemplo 110 – 220 – 400 – 500 – 750 kV.5 mostram-se as linhas de força do vector intensidade do campo eléctrico electrostático. carregada de cargas eléctricas. é praticamente nulo (veja-se o conselho que se encontra escrito na filactera). no espaço abaixo de uma nuvem de trovoada. adquiridos empiricamente mas contudo correctos. Na figura 1. debaixo de uma nuvem de trovoada. ao passo que.5 – Mapa das linhas de força do campo eléctrico electrostático (verticais). constata-se assim que. constatando-se. daí os eventuais riscos inerentes da exposição a esses campos eléctricos. Este desenho comprova cientificamente os sábios conselhos populares. bem como as respectivas linhas equipotenciais. Por conseguinte. quanto mais próximo nos encontrarmos de linhas áreas de transporte de energia eléctrica. que o campo eléctrico no fundo da trincheira é inferior a 2000 V/m. enquanto que. de alta e muito alta tensão. de que nunca se deve ficar em pé ou abrigarmo-nos debaixo de árvores. 10 . é sensivelmente igual a 100000 V/m. Figura 1. é elevadíssimo. na cabeça do humano. mais intensos são os campos eléctricos. ao manter-se em pé. durante aquele tipo de intempéries.

As nuvens mais carregadas (cumulo-nimbus). Em electrostática. ou deslocamento eléctrico. em F/m. e dirigem-se exclusivamente para o solo. propícias ao desencadear de trovoadas. a relação entre a intensidade do campo eléctrico E (V/m) e a densidade de fluxo eléctrico. ε. os campos eléctricos são bastante reduzidos. se se tiver um meio dieléctrico com uma constante dieléctrica. concluindo-se que o campo eléctrico é bastante intenso. D (C/m2). Em contra-partida. Figura 1. deslocando-se as cargas eléctricas positivas para a electroesfera e as cargas negativas para a parte inferior dessas nuvens. comportam-se como um potente gerador de cargas eléctricas.6 – Campo eléctrico e equipotencias na atmosfera. é dada pela seguinte expressão vectorial: r r D =ε E 11 . quando as condições climatéricas são amenas (céu limpo. numa situação de céu pouco nublado e com condições propícias ao aparecimento de trovoadas. nuvens fracto-cumulus). em condições de céu pouco nublado e de aparecimento de trovoadas. que vão carregando aquele condensador. sendo de salientar que o solo e a electroesfera constituem um enorme condensador de armaduras paralelas.Por sua vez. na figura 1. onde existam cargas eléctricas estáticas.6 mostram-se os campos eléctricos e as equipotenciais electrostáticas da atmosfera. ou permitividade.

é expressa através da seguinte expressão: r r J =σ E sendo a condutividade eléctrica do meio (material) condutor σ expressa em amperes/volt/metro (A/V/m). os valores desta constante relativa situa-se entre 1 (como para o vácuo) e cerca de 80. Com o movimento de cargas eléctricas. Havendo colinearidade entre os dois vectores. Por outro lado. pode-se ainda escrever: J =σ E 1. Campo Magnético No subcapítulo anterior.Note-se que D representa uma medida do campo eléctrico em termos da carga eléctrica equivalente por unidade de superfície. a relação entre a intensidade do campo eléctrico e a densidade de corrente no interior do meio condutor. ou seja: Para a maioria dos materiais biológicos. os materiais dieléctricos são os materiais isolantes utilizados em electrotecnia. pode-se escrever: D =ε E Quanto à constante dieléctrica. dimensionalmente equivalente a 1/ohm/metro (1/Ω/m). tomando como referência a constante dieléctrica do εr = ε ε0 vazio. Nas situações em que os vectores densidade de fluxo eléctrico e intensidade do campo eléctrico são colineares. outro tipo de força é exercida ao longo dessa linha entre cargas. 12 . é ainda usual definir-se a constante eléctrica relativa εr. na prática. origina o aparecimento de uma corrente eléctrica.3. o movimento de cargas eléctricas no interior de um condutor. adimensional. Conforme se salientou anteriormente. Assim sendo.2. que actua sobre uma linha estabelecida entre essas cargas. o campo eléctrico foi estudado por meio de uma força de carácter eléctrico entre cargas.

cujo módulo é H. todavia. aos seus possíveis efeitos adversos. as pessoas não sentem directamente a presença dos campos electromagnéticos. podem causar uma sensação visual tremeluzente. denominada magnetophosphenes. os campos electromagnéticos são bastante intensos junto às fontes que lhes dão origem. consequentemente. existirão igualmente campos magnéticos no espaço envolvente. quando a sua intensidade é elevada. linhas de transporte de energia. motores. Figura 1. temporária. estacionárias ou variáveis no tempo. transformadores. expresso em amperes/metro (A/m).7. incluindo os tecidos humanos. quem estiver próximo de linhas aéreas ou subterrâneas de transporte de energia. Por conseguinte. campos esses que facilmente penetram noutros materiais. Por conseguinte. e descreve círculos concêntricos em torno do eixo longitudinal do condutor.7 – Linhas de força circulares do vector intensidade do campo magnético. Em geral. painéis e anúncios eléctricos. o qual é devido às cargas eléctricas em movimento no espaço ou no interior de condutores. catenárias de linhas ferroviárias eléctricas. 13 . e diminuem bastante à medida que nos afastamos dessas fontes. ou mesmo em instalações domésticas ou industriais. existem campos magnéticos significativos gerados por centrais eléctricas. Ou seja. é perpendicular à direcção da corrente eléctrica.Esta força é representada através do vector intensidade do campo magnético r H . e electrodomésticos. sempre que existam condutores percorridos por correntes eléctricas. subestações eléctricas. que desaparece assim que a fonte do campo magnético é removida. Este vector. Por outro lado. como se esquematiza na figura 1. também estacionários ou variáveis no tempo. estará exposto a campos magnéticos e. originadas pela corrente eléctrica que circula no interior do condutor.

isto é. e do cobre (0. como se esquematiza na figura 1. unidade esta que é equivalente ao tesla (T). Existindo colinearidade entre os dois vectores. • Materiais ferromagnéticos: A sua permeabilidade relativa é bastante elevada. uma vez que a sua permeabilidade relativa se pode considerar igual à unidade. é usual definir-se a permeabilidade magnética relativa. da prata (0. • Materiais paramagnéticos: A sua permeabilidade relativa é ligeiramente superior à unidade. os materiais são classificados em não-ferromagnéticos (diamagné- ticos e paramagnéticos). do ferro (5000). de permeabilidade μ. μr = 1. e em ferromagnéticos. ou seja: μr = μ μ0 Do ponto de vista do seu comportamento face aos campos magnéticos.999991). pode-se ainda escrever: B=μH Tal como em relação à constante dieléctrica. penetra através de uma superfície seccional de um meio (material) magnético. os materiais são classificados em 3 categorias distintas: • Materiais diamagnéticos: A sua permeabilidade relativa é ligeiramente inferior à unidade.8. e do palladium (1. do alumínio (1. como é o caso do bismuto (0. com μr >> 1. e do supermalloy (1000000).99998). 14 . caracterizado pelo vector intensidade do campo magnético. como é o caso do níquel (600). como é o caso do ar (1.Quando um campo magnético. em homenagem ao físico e engenheiro Nikola Tesla.00002). Na prática.99983).0008).0000004). o vector densidade de fluxo magnético através dessa superfície é dado pela seguinte expressão: r r B=μH em que a densidade de fluxo é expressa em webers/metro quadrado (Wb/m2). tomando como base a permeabilidade magnética absoluta do vazio.

através de uma superfície de área S.8. esquematiza-se na figura 1.9 o espectro das linhas de força do campo magnético gerado por um magneto permanente rectilíneo. expresso em webers (Wb). 15 . é definido como sendo a totalidade da densidade de fluxo magnético através dessa superfície S.8 – Linhas de força do vector densidade de fluxo magnético B através de uma superfície de área S. Como exemplificação. tem-se: φ =BS = μ H S B área S Figura 1.O fluxo magnético φ. de um magneto permanente. Supondo que as linhas de força do vector densidade de fluxo magnético são perpendiculares à superfície. expressa em metros quadrados (m2).9 – Distribuição de linhas de força do campo magnético. Figura 1. conforme se representa na figura 1.

isto é. em 1831. INDUÇÃO ELECTROMAGNÉTICA A magnetostática. conhecido por indução electromagnética. de módulo E também 16 . na corrente contínua. o físico inglês Michael Faraday descobriu que os campos magnéticos variáveis no tempo geram correntes eléctricas em circuitos fechados. quando um condutor ou um enrolamento eléctrico se encontram sob a acção de um campo magnético estacionário no tempo. representa o estudo do campo magnético com origem na corrente eléctrica estacionária. na medida em que representa a base teórica e científica para a construção. Na prática. gera-se um vector intensidade do campo eléctrico no interior do condutor da espira. desde que esses circuitos se encontrassem sujeitos à acção desses campos magnéticos. com um comprimento total s e com uma área total S. Contudo. mas sim à taxa de variação negativa desse mesmo fluxo em ordem ao tempo. esse condutor ou esse enrolamento permanecerão inertes. são invariantes no tempo. não havendo a presença de correntes eléctricas estacionárias. sujeita à acção de um campo magnético variável no tempo. de geradores. Como tal. como se compreende. não será gerada qualquer força electromotriz e. corrente eléctrica estacionária. de forma rectangular. conforme se esquematiza na figura 1. em Albany. consequentemente. lei esta que é considerada como das mais importantes da história da humanidade. motores. Atendendo a que o campo magnético é variável no tempo. caracterizado pelo fluxo φ.10. Para melhor compreensão.3. concluiu que a intensidade da corrente induzida no circuito fechado é proporcional não ao fluxo que abraça. pelo físico americano Joseph Henry. transformadores. eléctricas e magnéticas. no Estado de New York. na sua investigação. em Londres. perpendicular à superfície. considere-se uma espira de condutor eléctrico. Este mesmo fenómeno. também variáveis no tempo. por exemplo. Faraday. quase em simultâneo mas de uma forma independente.1. foi igualmente constatado. A magnetostática abrange igualmente o estudo dos materiais magnéticos permanentes. que possuem um campo magnético também ele invariante no tempo. todas as grandezas intervenientes. Todavia. e fornos de indução. isto é. esse fenómeno é conhecido universalmente por Lei de Indução de Faraday.

induzida é nula. dada pela expressão: r r E ind = ∫s E • ds = E s φ S Eind s Figura 1. o valor instantâneo desta f. finalmente: E ind = − d (BS ) dt Analisando esta expressão geral da lei de indução..e.m. através da totalidade da superfície S da espira. conclui-se o seguinte: • Se B for invariante no tempo.e.variável no tempo. f. é também dado pela seguinte expressão.e. variável no tempo. na sua forma original. e se a espira for mecanicamente indeformável (S constante). é dado por: φ =BS ter-se-á. a Lei de Indução de Faraday: E ind = − dφ dt Como o valor instantâneo do fluxo magnético φ. que traduz. 17 .m. sendo assim a força electromotriz induzida na espira.m.10 – Esquematização da Lei de Indução de Faraday. Por outro lado. a f.

induzida. dinâmica ou de rotação. estática ou de transformação. e representa a base da existência de geradores e motores eléctricos de corrente contínua e de corrente alternada. que tem a designação de f.e.e. com as duas parcelas anteriores – estática e dinâmica. É característica dos motores de corrente contínua a trabalharem em corrente alternada. mas se a superfície da espira for variável ou se rodar em torno do seu eixo de simetria longitudinal. EQUAÇÕES DE MAXWELL Como se estudou anteriormente. E ind = − S dB dS −B dt dt 1. em que todos os seus fenómenos são traduzidos matematicamente pelas 4 Equações de Maxwell que.e. na forma diferencial.m. E ind = − B • dS dt Se B for variável no tempo e. E ind = − S • dB dt Se B for invariante no tempo. um campo magnético variável no tempo produz sempre um campo eléctrico. considerando os campos variáveis no tempo: 18 .m.m. em simultâneo.e.e. como é o caso dos pequenos motores que equipam diversos electrodomésticos. induzida.4. induzida. existe f. se a superfície da espira for variável ou se rodar em torno do seu eixo de simetria longitudinal.m. um campo eléctrico produz sempre um campo magnético e. e é característica dos transformadores eléctricos.• Se B for variável no tempo e se a espira não se deformar.m. existe f. inversamente. que se designa por f. apresentam o seguinte aspecto. existe f. Esta interacção entre os campos eléctricos e os campos magnéticos dá origem a uma região do espaço físico designada por campo electromagnético.

As correntes de deslocamento surgem em qualquer dieléctrico desde que exista uma variação com o tempo do campo eléctrico. dando origem às correntes eléctricas de condução. Por outro lado. por metro cúbico (C/m3). Por outro lado. A segunda equação relaciona o rotacional do vector intensidade do campo magnético num ponto do espaço. expressa em coulombs e que são mantidas em determinadas posições por acção das forças de coesão moleculares. e ∇ x um produto externo ou vectorial (rotacional).r r ∂B ∇×E = − ∂t r r r ∂D ∇×H = J + ∂t r ∇ •B = 0 r ∇ •D = ρ Nestas equações. Fisicamente. sendo o número de cargas ligadas positivas igual ao número de cargas ligadas negativas. e a segunda. A primeira destas equações relaciona o rotacional do campo eléctrico num ponto do espaço com a variação da densidade de fluxo nesse mesmo ponto do espaço. as cargas ligadas são cargas eléctricas que fazem parte da estrutura de alguns materiais ρ representa a densidade de cargas eléctricas estáticas em volume. Note-se que as cargas eléctricas que se movimentam livremente no interior de um material sob a acção de um campo eléctrico designam-se por cargas livres. representando ∇ • um produto interno ou escalar (divergência). a densidade de corrente de deslocamento num meio dieléctrico (lei de Ampére). representando a primeira o vector densidade de corrente de condução num meio condutor. sob a acção desse campo. esta equação mais não é que a forma diferencial da lei de indução de Faraday. compreendendo o segundo membro duas parcelas. com a densidade de corrente nesse mesmo ponto. deslocam-se livremente nos condutores. e como já se salientou anteriormente. e que. ∇ é um operador vectorial. Os materiais assim caracterizados são designados 19 .

ela exprime a continuidade do fluxo magnético. Finalmente. Se se particularizarem as Equações de Maxwell para a electrostática. enquanto que as cargas ligadas negativas se deslocarão no sentido contrário. isto é. as seguintes equações: • Electrostática – como não existem correntes de condução e campos magnéticos. isto é. quando um material isolante fica sujeito à acção de um campo eléctrico.por dieléctricos. e que representam as denominadas equações de constituição dos meios (materiais). como sucede nos condensadores. dos potenciais crescentes. condutores e magnéticos: r r D =ε E r r J =σ E r r B=μH sendo de salientar que a segunda das equações representa a Lei de Ohm na forma diferencial. tem-se: r ∇×E = 0 r ∇ •D = ρ r r D =ε E 20 . a quarta equação relaciona a divergência do vector densidade de fluxo eléctrico com a densidade volumétrica de cargas estáticas (lei de Gauss para o campo eléctrico). respecti-vamente. gerando assim as correntes de deslocamento eléctrico. para a corrente eléctrica estacionária. existem ainda mais 3 expressões. devido à acção do campo eléctrico as cargas ficarão distribuídas à superfície do material. Adicionalmente. ou materiais isolantes. obtêm-se. as cargas ligadas positivas deslocar-se-ão no sentido dos potenciais decrescentes. Por conseguinte. respectivamente isolantes. Quanto à terceira equação. já expostas e analisadas anteriormente. Deste modo. diz-nos que as linhas de força do campo magnético fecham-se sobre si próprias (lei de Gauss para o campo magnético). e para a magnetostática.

predizendo assim a existência de ondas electromagnéticas a propagarem-se à velocidade da luz. 21 . composta de electricidade e magnetismo. se um determinado receptor necessitar de uma intensidade de corrente de 10 A para poder funcionar. r ∇•J =0 que explicita que as linhas de força do vector densidade de corrente são contínuas.• Corrente Eléctrica Estacionária – como não existem correntes eléctricas de deslocamento nem campos magnéticos. fechando-se sobre si próprias. Nas suas investigações. Sem dúvida que o seu trabalho foi. Maxwell concluiu que a luz mais não era que uma onda de propagação. notável e merecedor do Prémio Nobel. e a densidade de fluxo é invariante no tempo. isto é. quer seja medida no condutor a montante ou no condutor a jusante desse receptor. quando se aplica aos terminais desse receptor a respectiva tensão eléctrica. da corrente contínua. a corrente que circulará nos condutores de ligação terá sempre a mesma intensidade. prematuramente desaparecido. tem-se: r r ∇×H = J r ∇ •B = 0 r r B=μH No estudo da corrente eléctrica estacionária. se tal prémio já existisse no seu tempo. a todos os títulos. existe uma outra equação vectorial afim. tem-se: r ∇×E = 0 r r J =σ E • Magnetostática – como não existem correntes de deslocamento nem campos eléctricos. Ou seja. num circuito eléctrico não se verificam perdas na intensidade de corrente – por exemplo. O próprio Albert Einstein baseou-se nos trabalhos de Maxwell. e que poderia ter desenvolvido a teoria da relatividade.

na figura 1. na figura 1.12.11 mostra-se o campo magnético terrestre. se pode observar a deformação causada pela radiação solar (vento solar). que consideramos importante. Figura 1.Como informação complementar. simétrico. Figura 1. 22 .11 – Campo magnético terrestre. simétrico. enquanto que.12 – Deformação do campo magnético terrestre. devido à acção da radiação solar.

Por conseguinte. sendo a sua direcção a da onda electromagnética. que estejam em movimento. todas as partículas carregadas. a integração do vector de Poynting ao longo de uma superfície fechada conduz à potência total que flui através dessa superfície (teorema de Poynting). da teoria dos circuitos eléctricos. Por conseguinte. Na prática. é igual ao produto da tensão eléctrica U. o que é feito r através do vector de Poynting P . é também usual considerar-se a densidade de potência. Adicionalmente. sobretudo os electrões.5. definido através do produto externo ou vectorial dos vectores intensidade do campo eléctrico e intensidade do campo magnético. Este vector. associados a uma onda de energia electromagnética: r r r P = E ×H A sua unidade é o (V/m) x (A/m) = (W/m2). representa a densidade de potência vectorial instantânea associada aos campos electromagnéticos num determinado ponto. devido às suas massas serem reduzidíssimas. possuem um campo eléctrico e um campo magnético a elas associados.1. expressa em watts (W). em volts (V). O fenómeno da energia electromagnética poder ser transmitida através do espaço sem se recorrer a meios materiais condutores. existe uma interacção entre os campos electromagnéticos exteriores e os campos electromagnéticos associados a essas par- 23 . pela intensidade da corrente eléctrica I. Como a potência representa a taxa de variação da energia em jogo na unidade de tempo. isto é. existe um efeito sobre as partículas atómicas carregadas electricamente. e que representa a distri- buição de potência por uma determinada área. sendo função do tempo na medida em que o campo eléctrico e o campo magnético são igualmente variáveis no tempo. expressa em watts por metro quadrado (W/m2). a densidade de fluxo de potência. em ampéres (A). ENERGIA ELECTROMAGNÉTICA É sabido. perpendicular ao plano definido pelos vectores campo eléctrico e campo magnético. que a potência P. Por outro lado. é uma das ferramentas de progresso mais importantes das modernas sociedades. a sua unidade (W) corresponde ao joule por segundo (J/s). há que contabilizar a potência tendo em atenção esse fenómeno. Atendendo a que a energia electromagnética está associada directamente aos r r vectores E e H .

sendo esta grandeza. expressa em S/m. resultando não só na alteração do campo eléctrico e do campo magnético das partículas. através da seguinte expressão: SAR = σ E2 ρ A integração da SAR sobre um volume de tecido que contenha uma determinada massa. expressa em kg/m3. da condutividade eléctrica σ. sendo a sua unidade o watt por kilograma (W/kg). 24 . em W/kg ou em mW/g. e da densidade do tecido. expressa em mW/g médios para 1 g ou 10 g. e que é igual ao quociente entre a taxa de energia transferida e a massa do material.ticulas em movimento. é dada pela seguinte derivada: SAR = d SA d dW = dt dt ρ dV Esta taxa de absorção pode igualmente ser definida como a potência absorvida por unidade de massa de um sistema biológico. ou seja: SA = dW dW = dm ρ dV sendo esta grandeza expressa em joules por kilograma (J/kg). expresso em V/m. cujo material tem uma densidade ρ. podendo assim ser definida como a derivada em ordem ao tempo da absorção específica (SA). e ser representada em termos da intensidade do campo eléctrico E. corresponde assim à potência absorvida por esse mesmo volume de tecido. Por conseguinte. A absorção de energia por um meio (material) é definida como sendo a taxa específica de absorção. que corresponde ao incremento da energia dW absorvida por uma massa incremental dm inserida no interior de um volume elementar dV. para um dado tecido biológico. Este parâmetro representa assim a medida da taxa à qual a energia é absorvida pelo corpo. a taxa de absorção específica SAR. conhecida universalmente por specific absorption rate SAR. mas também no aumento da sua energia cinética. dependendo do que se encontra estipulado na norma de segurança adoptada.

ou seja: dT SAR = dt C em que T (oC) representa a temperatura. ou seja. quando não circula corrente. para que a potência transmitida através do campo electromagnético exista. a taxa inicial de aumento de temperatura no corpo. isto é. a potência transmitida é igualmente nula quando um dos campos não existe. através da medição do valor da intensidade do campo eléctrico. sendo essa potência máxima quando os campos forem perpendiculares. ou da medição do valor da temperatura dos tecidos biológicos. maioritariamente in vivo. respectivamente: SAR = σ E2 ρ dT dt SAR = C conclui-se assim que existem duas alternativas para o cálculo da SAR. devido à não existência de campo magnético. quando se encontram fora de 25 . sendo de salientar que a fiabilidade dos valores obtidos. a 50 Hz ou a 60 Hz. constata-se que. Atendendo a que o vector de Poynting resulta do produto vectorial entre os vectores campo eléctrico e campo magnético. Por conseguinte. como sucede na vizinhança de cargas eléctricas estáticas. é directamente proporcional à SAR. depende das técnicas de medição utilizadas. como se tem. e C (J/kg/oC) a capacidade calorífica do corpo. as direcções dos campos eléctrico e magnético não podem ser paralelas. Note-se que esta capacidade calorífica é definida como sendo a energia em joules que é necessária para elevar de 1 oC a temperatura de 1 kilograma de massa do corpo. no caso das instalações eléctricas e dos equipamentos em baixa tensão. por exemplo. ou seja. desprezando as perdas de calor. para que esse vector não seja nulo. Na prática. como é o caso das suas constantes dieléctricas e das suas condutividades eléctricas. t (s) o tempo. cálculo esse que tem em consideração as propriedades electromagnéticas dos tecidos biológicos.Adicionalmente. Outra situação acontece.

serviço mas sob tensão – existe campo eléctrico devido à tensão eléctrica, contudo não existe campo magnético na medida em que há circulação de corrente eléctrica. Consequentemente, como o vector de Poynting é nulo, a energia electromagnética radiada é também nula.

1.6. CAMPOS ELECTROMAGNÉTICOS E RADIAÇÕES

r r Para campos electromagnéticos variáveis no tempo, os vectores E e H são

dependentes entre si, podendo contudo ser independentes em determinadas situações. Na prática, para frequências de 20 - 30 kHz e superiores, os campos eléctricos e magnéticos não podem ser entendidos separadamente, ou seja, deverão ser estudados como um todo, que é a onda electromagnética. Estas ondas, previstas por Maxwell, através das suas equações, e tendo sido pela primeira vez investigadas pelo físico alemão Heinrich Hertz, podem propagar-se livremente no espaço e com perdas através dos materiais biológicos. As ondas electromagnéticas de baixa frequência (tempo de período e comprimento de onda elevados) são usualmente referidas como sendo campos
electromagnéticos, enquanto que as ondas electromagnéticas de muito alta

frequência (tempo de período e comprimento de onda muito reduzidos) são designadas por radiação electromagnética ou simplesmente por radiação. Como se salientou anteriormente, as ondas electromagnéticas contêm um campo eléctrico E e um campo magnético H, perpendiculares à direcção de propagação das ondas, como se esquematiza na figura 1.13, propagação essa que, no vácuo e aproximadamente no ar, se faz à velocidade da luz, isto é, a
c = 300 000 000 m/s, sendo a velocidade de propagação mais reduzida noutros

materiais como por exemplo os tecidos biológicos. Quanto mais reduzido é o comprimento de onda, mais elevada é a quantidade de energia que é transferida para objectos similares em dimensão ao comprimento de onda. Todas estas ondas são caracterizadas pelo tempo de período T, em segundos, pela frequência f, em hertzs, e pelo comprimento de onda λ, em metros, sendo usual exprimir a frequência apenas em hertzs para as ondas de muito reduzida frequência, como por exemplo na produção, distribuição e utilização de energia eléctrica, enquanto que, para as ondas de radiação electromagnética, ou seja, de muito alta frequência, se utilizam os múltiplos kilohertz (1 kHz = 103 Hz),

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Megahertz (1 MHz = 106 Hz), e Gigahertz (1 GHz = 109 Hz). Por exemplo, as ondas de rádio AM (modulação de amplitude, Amplitude Modulation) têm uma frequência de 1 MHz e um comprimento de onda de cerca de 300 metros, enquanto os microondas utilizam frequências de 2,45 GHz e comprimentos de onda de 12 cm.

Figura 1.13 – Onda electromagnética, com os seus campos eléctrico e magnético, a deslocar-se ao longo do eixo z.

A frequência e o tempo de período encontram-se relacionados através da seguinte expressão:
T= 1 f

enquanto que o comprimento de onda no vazio (e, aproximadamente, no ar), está relacionado com a frequência por meio da seguinte expressão:

λ=

c f

As ondas electromagnéticas consistem em minúsculos corpúsculos de energia, que são os fotões, sendo a energia de cada fotão proporcional à frequência da onda, de acordo com a seguinte expressão:

eV =hf

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representando o primeiro membro essa energia, em electrões volts (eV), e h a constante de Planck, com o valor de 4,135667 x 10-15 eVs. Recorde-se que o electrão volt é a variação de energia potencial a que fica sujeito um electrão quando se movimenta de um ponto ao potencial V para outro ponto ao potencial V+1 volt. Por outro lado, a quantidade de energia de um fotão por vezes torna-o como que uma onda, enquanto que noutras, mais como uma partícula – é um fenómeno que, na física, tem a designação de dualidade onda-

-partícula da luz. Como exemplo desta dualidade, os fotões de baixa energia
das ondas de rádio-frequência comportam-se mais como se fossem ondas, enquanto que os fotões de alta energia dos raios X parecem-se mais com partículas.

1.7. ESPECTRO DAS FREQUÊNCIAS ELECTROMAGNÉTICAS

A evolução do espectro das frequências electromagnéticas nasceu com as descobertas de Maxwell, Hertz e Marconi, espectro esse que, actualmente, tem a configuração classificativa que se expõe na figura 1.14. Este espectro, que exemplifica para cada gama alguns equipamentos e sistemas típicos, estende-se das frequências extremamente reduzidas (extremely

low-frequency ELF) e das frequências muito reduzidas (very-low frequency VLF), à radiação de rádio-frequência (radio frequency radiation RFR), à
radiação infra-vermelha (infrared radiation IR), à luz visível, à radiação ultravioleta (ultraviolet UV), aos raios X, e aos raios gama de frequências que excedem 1024 Hz. Por outro lado, este espectro é ainda dividido em duas zonas – radiação não-ionizante, e radiação ionizante, encontrando-se a separação na zona da radiação ultravioleta.

1.7.1. Radiação Não-Ionizante

Esta radiação é caracterizada pelo facto de não possuir energia suficiente para causar a ionização em sistemas vivos. As fontes naturais – sol, radiação das estrelas, outras fontes cósmicas –, são muito poucas e extremamente fracas. Em contrapartida, com a explosão do desenvolvimento da engenharia electrotécnica, a densidade de energia electromagnética criada pelo homem é incomensuravelmente mais elevada que a energia electromagnética prove-

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c) radiação óptica não coerente.14 – Espectro das frequências electromagnéticas. Em geral. 29 . o sector não-ionizante do espectro das frequências electromagnéticas encontra-se dividido em três gamas principais: a) campos electromagnéticos de frequência extremamente reduzida.niente daquelas fontes naturais. Figura 1. b) radiação de rádio-frequência.

Saliente-se que esta gama de frequências não é propícia para ser utilizada em telecomunicações. e cujas frequências se situam entre 3 kHz e 300 GHz. em comunicações móveis sem fios. transporte e distribuição de energia eléctrica. com comprimentos de onda inferiores a 200 metros. As bandas VHF e UHF. por toda a variedade de electrodomésticos e de equipamentos de escritório. é designada por banda de baixa frequência (low-frequency LF). são utilizadas em radar. Estes campos são normalmente gerados por equipamentos de produção. e por motores eléctricos. e em comunicações móveis celulares. é normalmente utilizada por rádio-amadores. sendo a banda de altas frequências (high-frequency HF). b) Radiação de Rádio-Frequência Esta radiação. entre 3 MHz e 30 MHz. A banda de médias frequências (medium frequency MF). 30 . comunicações por satélite. e nas comunicações por satélite. por satélite. devido à severa limitação de largura de banda e às dificuldades de se gerar energia através de antenas de dimensões razoáveis. os comprimentos de onda no ar são bastante elevados – 6000 km a 50 Hz e 5000 km a 60 Hz – e. Para esta gama de frequências. nas comunicações móveis celulares. os campos eléctricos e magnéticos são independentes uns dos outros. em navegação aérea e marítima. situadas entre 30 MHz e 3GHz. em rádio e televisão. sendo utilizada essencialmente nas comunicações aéreas e marítimas. sendo igualmente medidos separadamente. A banda de frequências compreendida entre 30 kHz e 500 kHz. encontrando-se as frequências das comunicações móveis celulares situadas nas gamas 800-900 MHz e 1700-2200 MHz. que é constituída por ondas electromagnéticas que se propagam no ar e no vácuo. por equipamento informático. aplicada nas comunicações internacionais tradicionais. além disso. por equipamentos de comunicações estratégicas globais com submarinos imersos na água condutora. por comboios eléctricos. são especialmente utilizadas nas comunicações móveis sem fios.a) Campos Electromagnéticos de Frequência Extremamente Reduzida Estes campos englobam todos aqueles cujas frequências não ultrapassam 3 kHz.

as frequências acima de 3 GHz são divididas em duas categorias – super altas frequências (3 GHz a 30 GHz) e extra altas frequências (30 GHz a 300 GHz) –. vulgo “buracos de ozono” em linguagem popular. e em serviços baseados em satélites. essencial à vida humana para se evitar o raquitismo. Contudo. e para fornos microondas. encontram-se presentes na luz solar. Por outro lado. médicas e científicas. 31 . Os raios ultravioletas (comprimentos de onda entre 5 nm e 380-400 nm). A radiação óptica é outra componente do espectro de frequências electromagnéticas em relação à qual os olhos humanos são bastante sensíveis. três sub-regiões classificadas em função dos valores dos comprimentos de onda e dos respectivos efeitos biológicos: • Ultravioletas A (UVA). por sua vez. em doses de exposição muito reduzidas. com comprimentos de onda entre 400 nm e 315 nm. estes raios. daí a grande preocupação com a sua redução. com os trabalhadores rurais e com os trabalhadores da construção civil. comunicações por rádio. como é do domínio público. c) Radiação Óptica Não Coerente Conforme se pode constatar do espectro da figura 1. sendo igualmente gerados por diversas fontes artificiais. e compreende a radiação ultravioleta (UV) e a radiação infra-vermelha (IV).A frequência de 2. a fronteira entre este tipo de radiação e a radiação de rádio-frequência situa-se na zona dos comprimentos de onda de aproximadamente 1 mm. como por exemplo as lâmpadas e os monitores de TV e de computadores e. A região da radiação ultravioleta compreende. como é sabido. que constitui uma protecção natural essencial contra os raios ultra-violetas. são retidos pela camada de ozono. que originam fenómenos de fluorescência em diversas substâncias. Por outro lado. podem originar reacções fotoquímicas que conduzem a queimaduras graves e mesmo a cancros de pele (melanomas). quando a exposição é prolongada como sucede com os banhistas nas praias. sendo utilizadas em radar.14.45 GHz é reservada para aplicações industriais. têm efeitos benéficos na medida em que são responsáveis pela produção de vitamina D3. na sua maior parte.

Ultravioletas B (UVB), com comprimentos de onda entre 315 nm e 280 nm, que são os mais perigosos que atingem a terra através dos raios solares.

Ultravioletas C (UVC), com comprimentos de onda inferiores a 280 nm, e que ocorrem na radiação emitida por arcos eléctricos de soldadura, não existindo contudo na luz solar que atinge a terra na medida em que são absorvidos pelo ar.

Quanto à luz visível, recebida pelos olhos, que a transformam em impulsos interpretados pelo cérebro, abrange uma gama muito estreita de frequências, estando o seu comprimento de onda compreendido entre 400 nm e 740 nm. Por exemplo, o arco-íris, que tanta beleza nos transmite, representa uma parte da luz visível. Finalmente, a radiação infravermelha (IV), com comprimentos de onda situados entre 750 nm e 1mm, inclui a radiação térmica, como sucede com o carvão em combustão, que não emite luz mas sim IVs, os quais são sentidos como calor. Saliente-se que muitas das fontes emissoras de ultravioletas ou de luz visível, emitem também, provavelmente, infravermelhos. Estas fontes podem ser classificadas em naturais, como é o caso do sol, e em artificiais, caso das lâmpadas de descarga, as chamas, as lareiras, e os aquecedores eléctricos. A radiação infravermelha, tal como a ultravioleta, é subdividida em três bandas de acordo com os seus efeitos biológicos:

• • •

Infravermelhos A (IVA), com comprimentos de onda entre 0,78 μm e 1,4

μm.
Infravermelhos B (IVB), com comprimentos de onda entre 1,4 μm e 3

μm.
Infravermelhos C (IVC), com comprimentos de onda entre 3 μm e 1000

μm.
1.7.2. Radiação Ionizante

Esta radiação comporta uma energia suficiente para conseguir remover electrões das suas órbitas atómicas, transformando os átomos em iões, daí a sua designação. Como exemplo de fonte de radiação ionizante, têm-se os núcleos de átomos instáveis que, para se tornarem mais estáveis, esses núcleos
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emitem partículas sub-atómicas e fotões de alta energia. Incluídos neste tipo de radiação, têm-se os raios X, os raios gama, e os raios cósmicos. Esta radiação de alta frequência, superior a 1015 Hz, é caracterizada por apresentar comprimentos de onda reduzidos e elevada energia, e pode causar alterações no equilíbrio químico das células, com consequências graves para os materiais genéticos. A radiação ionizante contém taxas elevadas de energia nos seus quanta de energia individuais – por exemplo, 12 eV ou mais –, tendo assim a capacidade de expelir electrões das órbitas atómicas, daí que seja extremamente perigosa para os seres vivos – cria radicais livres, aumentando assim os riscos de anomalias cromossómicas que poderão conduzir ao aparecimento de cancros. Note-se que, quando um átomo possui um número de electrões (cargas eléctricas negativas) nas suas órbitas, igual ao número de protões (cargas eléctricas positivas) do seu núcleo, a sua carga eléctrica total é nula, sendo assim electricamente neutro. Todavia, quando adquire electrões a sua carga eléctrica total será negativa, tendo-se assim iões negativos e, no caso de perder electrões, ter-se-ão iões positivos, na medida em que a sua carga eléctrica total será positiva. Além disso, enquanto que os átomos, por serem electricamente neutros, não são nocivos, os iões, devido ao seu desequilíbrio eléctrico, são muito mais activos quimicamente que os átomos, daí que a radiação dita atómica – raios alfa, beta e gama –, é extremamente perigosa, podendo causar gravíssimos problemas de saúde a médio e longo prazo, em várias gerações, e causar a morte ao fim de muito pouco tempo. Veja-se as consequências das explosões atómicas em Hiroshima e Nagasaki, assim como do grave acidente na central atómica de Chernobyl.

a) Raios X

Estes raios, também designados por raios Roentgen, em homenagem ao seu descobridor, têm um comprimento de onda situado entre 10-9 m e 10-11 m, possuem energia elevada, e têm um largo poder de penetração, sendo produzidos quando os electrões situados num tubo de vácuo reagem com os átomos de metais pesados, usualmente o tungsténio. Os raios X possuem a capacidade de penetrarem nos tecidos vivos, assim como em diversos metais, daí as suas aplicações em electromedicina (radiografias), e em engenharia na
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inspecção de fendas superficiais em veios e em cordões de soldadura. Como fontes naturais, tem-se o sol assim como as restantes estrelas.

b) Raios Gama

Possuem os comprimentos de onda mais reduzidos do espectro das frequências electromagnéticas, situados entre 10-10 m e 10-14 m e, simultaneamente, são os que têm mais energia, sendo gerados por átomos radioactivos e em explosões nucleares, apresentando um poder de penetração bastante superior ao dos raios X. Todos os elementos radioactivos criados pelo homem, como por exemplo o césio 137 e o plutónio 239, são fontes artificiais de raios gama. Estes raios conseguem atravessar totalmente o corpo humano ou serem absorvidos pelos tecidos, causando por conseguinte a morte de células em todo o corpo. Contudo, o facto de possuírem a capacidade de matarem células vivas, é aproveitado pela medicina oncológica para, em doses muito reduzidas, eliminarem as células cancerosas – quimioterapia e radioterapia.

1.8. MATERIAIS BIOLÓGICOS

Para que se possa não só analisar os mecanismos de interacção entre os campos electromagnéticos e o corpo humano, mas também compreender todos os efeitos indesejáveis desses campos, efeitos esses que, esporadicamente, também se designam por “poluição eléctrica ou electromagnética”, é fundamental conhecerem-se as características, ainda que de forma sucinta, das células e dos tecidos que compõem o nosso corpo.

1.8.1. Células

Todos os seres humanos são formados por um conjunto de biliões de células vivas, que se agrupam entre si originando os nossos diversos órgãos, com a finalidade de desempenharem as funções vitais da vida humana. Como se sabe, existem células de diversas formas e tamanhos – por exemplo, as células musculares podem ter alguns milímetros de comprimento, enquanto que as células nervosas podem ter um comprimento superior a um metro –, tendo comummente apenas alguns mícrons de diâmetro.

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as interacções entre os campos electromagnéticos e os sistemas biológicos são analisadas através das células. No interior do citoplasma existem diversos tipos de pequenas estruturas designadas por organelos (organelles). enquanto que as células que constituem os glóbulos vermelhos do sangue não possuem nenhum. Por exemplo. onde se constata que. pelo citoplasma.15 – Estrutura eléctrica da célula humana. devido ao campo eléctrico E. com o citoplasma. além de serem estruturas muito complexas.As células são constituídas. e influência da acção de um campo eléctrico exterior (a) – distribuição de cargas eléctricas. concentrando-se fortemente na zona da célula mais próxima da acção desse campo. nem todas as células possuem um núcleo. que é como que uma matéria gelatinosa encerrada na célula. que envolve toda a célula. consequentemente com uma dimensão similar aos comprimentos de onda de determinadas ondas electromagnéticas. que podem alterar a sua orientação e o seu movimento. em situação normal (b) – redistribuição de cargas eléctricas. algumas células musculares possuem vários. Contudo. de uma forma geral. Por conseguinte. 35 .15. com uma dimensão que varia de algumas fracções do mícron até um mícron. possuem ainda cargas eléctricas de elevada energia. Figura 1. por uma fina membrana. mais concretamente através das interacções com a membrana celular. As células biológicas. as cargas eléctricas positivas alteram a sua distribuição. devido ao campo eléctrico E. e com o núcleo. e pelo núcleo. como se ilustra na figura 1. quando sujeitas à acção de campos eléctricos exteriores. e que são responsáveis por determinadas funções metabólicas.

em três fases: • • • Transcrição: Formação do “mensageiro” ARN a partir do ADN. como é sabido.O núcleo das células contém a maioria da informação hereditária contida nos genes e nos cromossomas. por sua vez. As células crescem. Telofase (telophase): As células dão origem a duas novas células. constituídos pelo ácido desoxiribonucleico ADN (deoxyribonucleic acid DNA). transfere informação através do citoplasma das células. enquanto que outras dão origem aos embriões. através do “mensageiro” ARN. na medida em que. controla muitas das actividades celulares através da sintetização de proteína. 36 . Anafase (anaphase): Os cromossomas separam-se. sendo este material codificado como uma longa sequência de diferentes moléculas orgânicas existentes no ADN que. denominado mitose (mitosis). utiliza toda a informação armazenada no material genético do núcleo. alteram-se e reproduzem-se através de um processo contínuo. por sua vez. Metafase (metaphase): Os cromossomas alinham-se ao longo do plano equatorial. Uma vez que a mitose compreende diversos processos que podem ser afectados pela exposição a campos electromagnéticos. sendo os genes. recorrendo às moléculas de ácido ribonucleico ARN (ribonucleic acid RNA). sintetizadas pelo ADN. Quando uma célula se reproduz. será possível combater os efeitos nocivos daqueles campos sobre o organismo humano. relativamente a essa exposição. que. As células sem núcleo não se conseguem dividir. desaparecendo a membrana à volta do núcleo. Translação: Síntese da proteína. que apresenta a forma de uma hélice. conhecendo-se os mecanismos de interacção. que começa no núcleo através da duplicação e igual distribuição de cromossomas. deverá representar uma área muito importante de investigação. O estudo dos efeitos dos campos electromagnéticos sobre as diversas actividades dos cromossomas durante as quatro fases da mitose. é dada uma grande importância no que respeita aos cuidados a ter pelas grávidas. Replicação: Duplicação do ADN. e apresenta quatro fases: • • • • Profase (prophase): Os cromossomas aparecem fora do ADN.

talvez por representar uma questão que tem levantado alguma controvérsia. e glândulas. A discussão pública deve-se não 37 . Os campos electromagnéticos são o exemplo flagrante de um produto criado e desenvolvido pela tecnologia. 1. Como exemplos têm-se os ossos e as cartilagens. e desempenham as funções de protecção e de regulação das secreções e absorções de materiais. que enviam toda a informação não só ao sistema nervoso central. de controlo e de governo do corpo humano. técnica e científica. consistindo em células nervosas com longas projecções. e mesmo pública.1. • • Tecidos musculares (muscular tissues): Consistem em células com 1 mm a 40 mm de comprimento e até 40 μm de diâmetro. e que é utilizado diariamente por ser essencial e imprescindível à vida quotidiana actual.8. apesar dos eventuais riscos que possam acarretar. oriunda dos receptores dispostos ao longo do corpo humano. parece não existir uma resposta concisa e concreta a essa pergunta. Compreendem muitas das substâncias que asseguram a importante tarefa de transportar materiais entre células. • Tecidos conectivos (connective tissues): Consistem em células de materiais não vivos. havendo quatro tipos básicos: • Tecidos epiteliais (epithelial tissues): Consistem em células com membranas simples ou múltiplas. Tecidos Os tecidos humanos são materiais biológicos que resultam do agrupamento de células entre si. mas também do sistema nervoso central aos músculos. órgãos. e suportam e ligam os tecidos celulares ao esqueleto. CAMPOS ELECTROMAGNÉTICOS E RISCOS PARA A SAÚDE Será que a exposição a campos electromagnéticos acarreta riscos mais ou menos graves para a saúde? Apesar das evidências cada vez em maior número e cada vez mais baseadas em investigações científicas credíveis. análogas a linhas de transmissão.2. tais como fibras e substâncias gelatinosas.9. ou da sua combinação com outros materiais. Tecidos nervosos (nervous tissues): São utilizados para as actividades sensoriais.

e a informação existente é relativamente escassa. incluindo o cancro. enquanto que. em épocas já ultrapassadas. os meios de transporte quer sejam rodoviários ou ferroviários. mas também ao papel que os meios de comunicação social têm vindo a assumir. as grandes preocupações da opinião pública diziam respeito aos riscos inerentes aos operadores de radar e à utilização de fornos microondas em ambientes residenciais e. Durante bastante tempo. foram identificados alguns efeitos térmicos tendo sido adoptadas medidas de precaução. os locais de trabalho quer sejam escritórios ou fábricas. a controvérsia que tem vindo a ser gerada assenta no pressuposto de que esses níveis são perigosos. que consiste em avaliar se os riscos que se correm compensam todos os benefícios colhidos. mais concretamente. podendo causar um sem número de doenças e anomalias. tendendo essa discussão para a seguinte questão crucial. nas comunicações celulares. tendo os níveis de radiação vindo a ser considerados como normais. as grandes preocupações e discussões situam-se nas telecomunicações. Sem dúvida que a utilização da energia eléctrica significa haver campos electromagnéticos criados pelo homem. mais ou menos graves. e o próprio meio ambiente devido às telecomunicações e a antenas de outros sistemas. em relação aos radares. a ideia dos efeitos nocivos sobre a saúde está a constituir um foco de investigação. presentemente. Para muitos investigadores. popularizando a utilização de telemóveis. O problema permanente nesta controvérsia sobre os riscos da exposição a campos electromagnéticos. Todavia. aceita-se que os modernos fornos microondas são inofensivos. os resultados obtidos confirmam as observações realizadas durante anos acerca dos efeitos das radiações de baixa energia sobre os sistemas vivos – acreditam que a exposição a pequenas quantidades de energia de radiação tem o mesmo efeito que uma dose massiva de químicos.só ao aumento de conhecimentos por parte do público em geral e da sua consciencialização para os problemas ambientais. Presentemente. na medida em que não existem muitos estudos científicos sobre a incidência na saúde pública deste novo equipamento. desde as residências particulares. À medida que a tecnologia das comunicações celulares se tem vindo a desenvolver. consiste no conhecimento limitado acerca do facto 38 .

Estes efeitos variam de pessoa para pessoa. do século passado. Esta controvérsia tem sido polarizada essencialmente por dois grandes grupos – o primeiro é constituído por todos aqueles que protestam. havendo umas bastante mais afectadas que outras. Presentemente.que campos muito específicos interagindo com o corpo humano possam ter efeitos nocivos sobre a saúde. de facto. desde a década de 1970. têm vindo a desenvolver trabalho honesto e sério com a finalidade de se comprovar ou não a nocividade para a saúde humana da exposição a campos electromagnéticos. uns maiores que outros. A concluir este capítulo e como curiosidade bastante significativa. porque acreditam que os efeitos dos campos e da radiação electromagnética é nociva para a saúde. que os estudos sobre os efeitos biofísicos dos campos electromagnéticos relacionados com o aparecimento dessas linhas de transporte. que não acreditam na existência daqueles efeitos nocivos. 1500 kV e 2000 kV. de energia eléctrica. foram intensificados nos Estados Unidos e na então ainda União Soviética. de boa fé. tendo sido identificados três efeitos qualitativos: 39 . encontram-se os investigadores científicos que. À parte destes dois grupos. os resultados obtidos não só através da modelização de determinados efeitos biofísicos mas também de resultados epidemiológicos. Por outro lado. com o sugestivo título “alguns dados sobre campos electromagnéticos e suas implicações biológicas”. muitas vezes sem quaisquer bases científicas. enquanto que o segundo engloba os industriais e os investigadores de novos equipamentos. sempre crescente. por questões do ponto de vista económico no sentido de se minimizarem as perdas no transporte. da ordem de 700 kV. Devido à procura. assim como consequências gravosas para os seres vivos. publicados na Revista Electricidade 157/158. de Novembro/Dezembro de 1980. permitem concluir que. apresentam-se de seguida os resultados obtidos pelo Engº José Manuel Santos. há riscos. devido às suas diferenças naturais físicas e bioquímicas. o transporte de grandes potências tem vindo a ser realizado com níveis de tensão cada vez mais elevados (Alta Tensão e Muito Alta Tensão). respeitando esse estudo a técnicos envolvidos directamente em linhas aéreas e equipamentos de transporte de energia eléctrica em alta e muito alta tensão.

Parece não haver dúvidas quanto aos efeitos nocivos dos campos electromagnéticos sobre as funções cerebrais. foram examinados 45 trabalhadores de uma subestação de 500 kV. Ainda nos anos 70. que as capacidades cognitivas são afectadas após uma exposição contínua de 24 horas a um campo magnético de 10-4 T à frequência de 50 Hz. • • Para um campo de 7 V/m. Entre 1966 e 1970 foram realizados estudos bastante importantes e completos. e a acção no desenvolvimento ósseo. o Brain Research Institute of the University of Califórnia Los Angeles. no que respeita à fisiologia e comportamento humano.• Efeitos neurofisiológicos produzidos pelas correntes eléctricas. permanecendo os efeitos por intervalos de tempo significativos. tendo-se verificado ainda que. devido a queixas e reclamações frequentes. à frequência de 10 Hz. Nessa linha. na União Soviética. as pessoas apresentaram um desempenho muito fraco. à frequência de 7 Hz. tais como a acção nos processos das hormonas e dos enzimas. motivadas pelos seguintes sintomas: 40 . concluiu-se laboratorialmente através de ensaios realizados nos Estados Unidos e na União Soviética. com a finalidade de investigar e quantificar os efeitos dos campos electromagnéticos das linhas de muito alta tensão. sujeitas a determinado potencial eléctrico. em testes de rapidez de resposta. Nos anos 70.4 s para animais previamente condicionados à resposta em intervalos de tempo de 5 s. o tempo de resposta variou de 0. tendo obtido os seguintes resultados: • Para um campo de 7 V/m. Para campos de 100 V/m obtiveram-se tempos de resposta variáveis. • Efeitos fisiológicos e psicológicos produzidos por pequenas descargas que se verificam quando as pessoas. • Influência directa nos processos biológicos do organismo humano. tocam objectos a potenciais diferentes. procedeu a ensaios utilizando campos eléctricos compreendidos entre 7 V/m e 100 V/m. como consequência da variação no tempo (sinusoidal com uma frequência de 50 Hz) da indução electromagnética. curiosamente não se detectaram variações no tempo de resposta.

Apatia. Sonolência. com idades compreendidas entre 30 e 40 anos. Além disso. Dados estatísticos • • Número total de trabalhadores da subestação: 45 (41 homens e 4 mulheres). Disrupção nos sistemas digestivo e cardiovascular. queixaram-se de fraqueza sexual verificada 8 meses após o início do seu trabalho naquela subestação. Distribuição de idades: menos de 30 anos – 10 entre 30 e 40 anos – 29 mais de 40 anos – 6 • Experiência profissional na subestação: menos de 1 ano – 9 entre 1 e 3 anos – 25 mais de 5 anos – 11 • Tempos de exposição aos campos electromagnéticos: pessoal da manutenção – mais de 5 horas por dia pessoal de serviço – menos de 2 horas por dia 41 . Os exames médicos resultaram no seguinte diagnóstico: • • • • Patologia neurológica em 28 trabalhadores. Deficiências na tensão arterial em 11 trabalhadores. Descontrolo funcional do sistema nervoso central em 26 trabalhadores. um terço desses trabalhadores.• • • • Dor de cabeça permanente. As conclusões gerais deste diagnóstico foram as seguintes: 1. A intensidade máxima dos campos eléctricos na subestação era de 27 kV/m.

125 Valor máximo Valor médio • Próximo do equipamento fora de serviço. Sintomas clínicos • • • Dores de cabeça. Fraqueza sexual: 1/3 dos homens com idades compreendidas entre 30 e 40 anos.2 1.8 . Descontrolo na actividade dos sistemas digestivo e cardiovascular: 4 trabalhadores. campos e correntes medidos na subestação • Próximo do equipamento em serviço. Resultados dos exames médicos • • • Distúrbios neuro-patológicos: 28 trabalhadores.1 Corrente (µA) 35 15 Valor máximo Valor médio 3. sonolência e sensação de fadiga: 41 trabalhadores.5 7. Doenças cardiovasculares: arteriosclerose – 3 trabalhadores bradicardia – 12 trabalhadores taquicardia – 5 trabalhadores hipotensão – 7 trabalhadores hipertensão – 4 trabalhadores 42 . Potenciais eléctricos.10 Corrente (µA) 230 115 .2. desligado para intervenções de manutenção: Tensão (kV) 4 2 Campo eléctrico (kV/m) 2. 4.18 Campo eléctrico (kV/m) 14. Descontrolo funcional do sistema nervoso central: 6 trabalhadores. ligado à linha de transporte de energia: Tensão (kV) 26 14 .

a permissão de permanência máxima consecutiva é de 180 minutos. Actividade anormal do sistema circulatório e ventricular: 10 trabalhadores. Como consequência destes resultados. Resultados dos electrocardiogramas • • • Sinus-bradicardia: 14 trabalhadores. sendo de destacar os seguintes artigos: • Ninguém poderá estar exposto a campos eléctricos de intensidade superior a 25 kV/m. sem dúvida altamente significativos apesar de terem já cerca de 40 anos. 43 . sem que existam barras de protecção para isolamento ou atenuação desses mesmos campos para um limite máximo de 5 kV/m. o tempo máximo consecutivo de exposição é de 5 minutos. Variações difusas do miocárdio: 5 trabalhadores. • • • Para um campo eléctrico de intensidade 25 kV/m. Para campos com intensidades inferiores a 5 kV/m.5. não existe limite máximo de tempo de exposição. a União Soviética elaborou os seus regulamentos de segurança e protecção nessa matéria. Para um campo eléctrico de 10 kV/m.

devido à facilidade da sua geração e do seu transporte a qualquer distância. os fogões e fornos eléctricos. sendo o mais conhecido a electrocussão. os desumidificadores. Com o aumento da oferta de energia eléctrica. consequentemente. os aquecedores portáteis. as varinhas mágicas. as escovas de dentes eléctricas. nos locais de trabalho as fontes geradoras de campos electromagnéticos incluem os sistemas informáticos e seus periféricos (computadores. os ares condicionados. Desde o início do século XX que as indústrias baseadas na energia eléctrica assim como as tecnologias afins são parte integrante da nossa sociedade. os secadores de cabelo. a electricidade é a fonte de potência mais comum do planeta. Por outro lado. os sistemas de accionamento de estores eléctricos. as torradeiras. como não poderia deixar de ser.CAPÍTULO 2. os sistemas informáticos.1. os microondas. os frigoríficos e as arcas frigoríficas. as máquinas de café. as máquinas de lavar loiça. os aquecedores de camas com colchões de água quente. aumentaram os riscos e. e. os aspiradores. mais conhecida em termos populares por “choque eléctrico”. FONTES GERADORAS DE CAMPOS ELÉCTRICOS E MAGNÉTICOS Como é do conhecimento geral. evidentemente. Em habitações. as serras eléctricas de carne e pão. 44 . as fontes de campos electromagnéticos mais comuns são os cobertores eléctricos. podendo causar a morte por fibrilação ventricular (baixa tensão) ou por queimaduras irreversíveis (média e alta tensão). os sistemas de alarme. cujas consequências estão directamente ligadas com o nível da tensão de contacto e com a frequência da corrente eléctrica. e os sistemas de accionamento de portões e cancelas de garagens. as tosteiras. os acidentes. as batedeiras e trituradoras. as aparelhagens de rádio. as máquinas de lavar e secar roupa. as máquinas de sumos. em todas as actividades humanas. distribuição e utilização dessa energia. CAMPOS ELECTROMAGNÉTICOS DE FREQUÊNCIAS EXTREMAMENTE REDUZIDAS 2. as lâmpadas de descarga. transporte. a geração de campos eléctricos e de campos electromagnéticos ocorre sempre que exista produção. as máquinas de barbear. os exaustores de fumos. os televisores.

e as salas de convívio e de café nos escritórios. as centrais telefónicas. Saliente-se. como se exemplificou no final do capítulo anterior. devido ao receio de desenvolvimento de doenças cancerígenas. o interesse do público assim como a investigação científica internacional têm vindo a aumentar de forma significativa. que todas estas fontes de campos electromagnéticos foram desenvolvidas apenas de há um século para cá.1. atendendo a que a frequência é igual a zero. 2. nem os consequentes aquecimentos. os hotéis. as grandezas intervenientes no estudo da corrente contínua são estacionárias. os refeitórios onde existe toda uma panóplia de equipamentos eléctricos de cozinha. Todavia.impressoras. têm conduzido à elaboração de normas e procedimentos de segurança. mesmo por vezes perante resultados contraditórios. não corroborarem incondicionalmente a interacção entre os campos electromagnéticos e determinadas doenças. A atenção da opinião pública relativamente a possíveis efeitos nocivos da exposição a campos electromagnéticos. Por conseguinte. Os únicos sintomas palpáveis relacionados com a existência de corrente contínua ocorrem nas 45 . o comprimento de onda é infinito. scanners). as lâmpadas de descarga. Estes esforços. transporte e distribuição de energia eléctrica. com o objectivo da protecção em relação aos efeitos nocivos dos campos electromagnéticos. baseiam--se nos resultados obtidos em estudos epidemiológicos realizados em amostras significativas de pessoas. ou seja. focaliza-se nas situações em que áreas residenciais. invariantes no tempo. assim como muitos dos receptores utilizados em habitações – por exemplo. os motores eléctricos. Consequentemente. as fotocopiadoras. isto é. não há radiação. apesar do elevado número de estudos científicos realizados. Estas preocupações. os equipamentos de produção. a corrente contínua figuraria na base do espectro das frequências electromagnéticas. locais de trabalho e escolas se encontram nas proximidades de linhas aéreas de transporte de energia eléctrica. Fontes de Corrente Contínua Como é sabido. não se verifica a excitação de moléculas que se encontrem próximas de instalações e equipamentos de corrente contínua. as máquinas de fax. nos planos físico e biológico. curiosamente. em bastantes casos. apesar de existirem campos eléctricos e campos magnéticos. ou seja.1.

e pela sensação de formigueiro no corpo. sódio e alumínio. em caso de descarga directa. e encontra-se a uma temperatura tão elevada que o núcleo exterior é uma massa fundida. que é constituído por ferro. a temperaturas superiores a 1000 oC. sendo esse espectro designado por magnetosfera. manto. e manifestam-se através da electrização dos cabelos. O núcleo interior é sólido e é composto essencialmente por ferro. são usualmente fatais. é constituído por quatro camadas: núcleo interior. magnésio. tem uma espessura reduzida e é relativamente fria. originando as misteriosas auroras austrais e boreais. Quanto à crosta.proximidades de linhas e de equipamentos de muito alta tensão. e crosta. tendo o campo eléctrico uma intensidade de cerca de 120 V/m junto ao solo. tendo as linhas de força uma distribuição teoricamente simétrica. Outra manifestação de fontes de campos eléctricos estacionários (DC fields) são as descargas eléctricas que acontecem entre nuvens e entre estas e a terra. 46 . enquanto que a densidade de fluxo magnético tem um valor de cerca de 50 μT. as suas consequências para os seres vivos. com cerca de 10 % de enxofre. devido às elevadíssimas intensidades de corrente de condução. plasma quente com origem na atmosfera solar. que se estende no espaço entre 80 km e 60000 km do lado do sol. No espaço compreendido pela magnetosfera encontra-se plasma frio oriundo da ionosfera terrestre. e ainda plasma muito quente acelerado até altas velocidades e que se pode comportar como uma lâmpada de néon acesa. silício. A grande concentração de massa encontra-se no manto. a) Magnetosfera O planeta Terra. que ficam ligeiramente em pé. que comprime as linhas de força do lado do sol. A Terra é uma fonte de campos eléctricos e magnéticos estáticos. como é do conhecimento geral. e silicatos. mas na prática com uma deformação provocada pelas partículas das radiações solares (vento solar. quando da existência de tempestades e trovoadas. e expande as que se encontram no lado contrário). alumínio. pastosa. núcleo exterior. sendo constituída essencialmente por silicatos de cálcio. e mais de 300000 km do lado contrário. como se mostrou no capítulo anterior. nas altas camadas da atmosfera. Atendendo aos extremamente elevados valores dos campos eléctricos em acção.

respectivamente. e. através das ligações à terra. por questões técnicas e económicas muito particulares.A actividade solar. salvo algumas excepções. a Alemanha. uma vez que a sua frequência é de apenas 1 Hz. enquanto que na tracção suburbana e interurbana. devido à alta resolução conseguida na obtenção de imagens do interior do corpo humano. sendo essas correntes quasi-estacionárias. algumas linhas estabelecidas através de cabos submarinos entre os Países Nórdicos e entre a Suécia. b) Linhas de Transporte de Energia Eléctrica A produção e o transporte de energia eléctrica em corrente contínua praticamente não existe. e 750 V no terceiro carril de metropolitanos. no final das linhas de transporte. de uma forma generalizada. actualmente. os níveis de tensão são bastante reduzidos. as catenárias de alimentação possuem uma tensão nominal de 1500 V ou 3000 V. como sucede com a linha de alta tensão por cabo entre o Reino Unido e a França. A sua influência poderá ser significativa – em neutros de transformadores de potência na América do Norte e na Finlândia. devido a questões de segurança. a corrente contínua é convertida para corrente alternada. à saída da central essa corrente é rectificada para corrente contínua. e a linha aérea que liga Cabora-Bassa à África do Sul. Em ambas as situações. Nos centros urbanos. Os equipamentos utilizados podem sujeitar o corpo humano a densidades de fluxo estacionários. através das forças electromotrizes induzidas pela corrente ionosférica e pela corrente da terra. c) Imagiologia de Ressonância Magnética A obtenção de imagens através de ressonância magnética é. é a tracção eléctrica ferroviária. e a Polónia. tendo-se 550 V a 650 V nos fios de contacto de carros eléctricos e de trolley-buses. foram medidas correntes de 184 A e 200 A. Um sector de actividade onde a corrente contínua ainda apresenta um grande peso. obtidos a partir da excitação em corrente contínua. isto é. um meio de diagnóstico médico de elevada importância. origina as denominadas correntes induzidas geomagnéticas. a geração é feita em corrente alternada trifásica. de 47 . as quais podem circular nas linhas de transporte de energia eléctrica.

o corpo humano encontra-se quase permanentemente sujeito a frequências bastante mais elevadas. Como se tem vindo a assistir publicamente. Nestas situações. devido à sua não linearidade e aos regimes transitórios que são característicos do seu funcionamento. que utilizam 60 Hz.2000 mT durante curtos períodos de tempo. transporte. Saliente-se que. apesar de. se especular sem quaisquer argumentos técnicos e científicos. são também fontes geradoras de campos electromagnéticos de frequências muito elevadas. que são a maioria. encontra-se na ordem do dia. 48 . Fontes de Corrente Alternada Os campos electromagnéticos gerados por corrente alternada (AC fields) resultam da produção. essa forma de onda é composta pela soma da sinusóide de 50 Hz. Adicionalmente. se citarem de facto estudos epidemiológicos concretos. com outras sinusóides de frequências múltiplas e que podem atingir valores muito elevados. e Japão. originadas por equipamentos electrónicos como por exemplo as televisões e os terminais de vídeo. Se bem que a frequência fundamental seja 50 Hz ou 60 Hz. e por outro.1. exceptuando os Estados Unidos. todavia valores superiores àquele são considerados críticos porque podem afectar a actividade eléctrica do coração. isto é a gama das radiações de rádio-frequência. a problemática dos potenciais efeitos nocivos causados pela exposição a campos eléctricos e magnéticos emitidos por linhas aéreas de transporte de energia em alta e muito alta tensão. quando se utilizam aparelhos electrónicos. os accionamentos eléctricos controlados por variadores electrónicos de velocidade. mas sim deformada face à sinusóide. à boa maneira do “diz que disse”. distribuição e utilização da energia eléctrica sob a forma alternada sinusoidal. com uma frequência de 50 Hz. Coreia.2. que indiciam a existência causa-efeito relativamente a determinadas anomalias na saúde. Acredita-se que esta exposição é inofensiva para os humanos. 2. que podem atingir os MHz. por um lado. a forma de onda da corrente não é alternada sinusoidal. Canadá. assim como os regimes transitórios que se manifestam nas operações de ligação e de desligação de equipamentos. muito característico da nossa população. que podem atingir 50 kHz.

todavia ninguém quer ou pensa deixar de utilizar esses equipamentos. Saliente-se que o interesse da utilização do transporte de energia eléctrica em corrente contínua de alta e muito alta tensão. os seus benefícios – veja-se a situação paradigmática das antenas celulares. ninguém as quer ver instaladas por perto. mais gravoso. e electrodomésticos. instalações de distribuição em baixa tensão. berrando raios e coriscos quando tal não acontece. Por outro lado.2 são bastante elucidativas no que respeita aos electrodomésticos. as figuras 2. Para uma melhor elucidação.1 e 2. constituída por dois cabos submarinos afastados entre si de 20 metros.1 – Valor eficaz da intensidade do campo eléctrico em função da distância. alguém pensa em deixar de os utilizar? Quanto às linhas aéreas. contudo todos querem comunicar por telemóvel com o melhor sinal possível. no norte da Europa. para uma linha de transporte de energia eléctrica de alta tensão em corrente contínua.3 os valores medidos da densidade de fluxo magnético em função da distância. para linhas de alta tensão. mostra-se na figura 2. no dia a dia. na maioria das situações. na medida em que colhem directamente. do ponto de vista psicológico representam o bode expiatório na medida em que não conferem in situ um benefício directo às populações que se manifestam contra a sua instalação. uma vez que apenas transitam ao longo dos espaços urbanos e rurais. contudo. Figura 2. ou seja. tem vindo a 49 .O caso das radiações emitidas por equipamentos informáticos e por telefones celulares é.

junto aos dois cabos. como é natural. Por sua vez. quanto mais alto é o nível da tensão nominal. o valor máximo da intensidade do campo eléctrico situa-se junto aos condutores e. 220 kV. as densidades de fluxo são bastante inferiores às do campo magnético terrestre. com tensões de ± 1100 kV é utilizado já na Europa. instalações de distribuição em baixa tensão. a densidade de fluxo é mais elevada a 2 m acima dos cabos. a 10 m acima. sendo de realçar que o transporte de energia é realizado através de cabos submarinos entre a Suécia.3. e 130 kV. 50 . como não poderia deixar de ser. para linhas de transporte trifásicas de 400 kV. Este sistema. para a mesma distância dos condutores. Como se pode observar.2 – Valor eficaz da densidade de fluxo magnético em função da distância. Ásia e América do Norte. Por outro lado. mais elevadas são as intensidades do campo eléctrico. para linhas de alta tensão. Como se constata da figura 2. devido não só ao desenvolvimento dos conversores electrónicos de potência.4 mostram-se os valores da intensidade do campo eléctrico em função da distância. sendo o máximo atingido.aumentar de forma significativa. como sucede no transporte trifásico. Finlândia. Dinamarca. na figura 2. Alemanha e Polónia. indicando-se esquematicamente a configuração dos postes assim como os valores das distâncias entre condutores e entre condutores e o solo. designado por HVDC (High Voltage Direct Current). mas também por serem necessários apenas dois condutores em lugar de três. Figura 2. e electrodomésticos.

constituída por dois cabos submarinos. que a 200 m de distância a densidade de fluxo tem o valor de 0. constatando-se. bastante inferior ao que se verifica.5 mostram-se os valores da densidade de fluxo em função da distância. para linhas aéreas trifásicas de transporte de energia a 400 kV. Na figura 2. Figura 2.1 μT. para quatro linhas trifásicas de transporte de energia eléctrica.4 – Intensidade do campo eléctrico em função da distância.3 – Densidades de fluxo em função da distância. para uma linha HVDC estabelecida nos países nórdicos. 220 kV. para a linha de tensão mais elevada. 51 . e para uma corrente de 1333 A. 400 kV e 1200 A. e 130 kV.Figura 2. em termos médios. em incubadoras.

e 20 kV. cujas linhas de força são circulares com centro no eixo longitudinal do condutor. 220 kV. será proporcional a r3. 350 A. Por exemplo. 52 . a influência dos campos magnéticos enfraquece à medida que aumenta a distância da fonte geradora. 500 A. para intensidades de corrente respectivamente de 1200 A. são importantes na medida em que permitem implementar esquemas de redução das acções dos campos electromagnéticos. para linhas aéreas trifásicas de transporte de energia a 400 kV. para dois condutores rectilíneos paralelos é inversamente proporcional a r2.Figura 2. que serão quantificadas seguidamente através das respectivas expressões de cálculo das densidades de fluxo.5 – Densidade de fluxo magnético em função da distância. para uma espira ou para um enrolamento. representa a fonte mais simples de geração de um campo magnético. Por conseguinte. e 300 A. a densidade de fluxo é inversamente proporcional à distância r desse condutor. tem-se assim. Na prática. 130 kV. enquanto que. Estas relações. para um condutor rectilíneo linear percorrido por uma corrente eléctrica. para os quatro tipos de fontes de campos electromagnéticos através de correntes alternadas sinusoidais: a) Condutor Simples Um simples condutor eléctrico rectilíneo percorrido por corrente eléctrica.

como se esquematiza na figura 2. tem os seguintes valores. sendo I a intensidade da corrente eléctrica. varia inversamente com o quadrado daquela distância. a densidade de fluxo magnético a 4 metros (aproximadamente a distância a que se encontram as cabeças dos passageiros situados na gare. nos fios aéreos de contacto em tracção eléctrica urbana. junto aos comboios). em relação ao fio de contacto de uma catenária de tracção eléctrica monofásica a 25 kV e 50 Hz.Deste modo. e a 6 metros (aproximadamente junto à plataforma da gare). e r o raio de cada círculo descrito pelas linhas de força do campo.6. no terceiro carril em metropolitanos. afastados entre si de d e percorridos por uma corrente de intensidade I. b) Dois Condutores Paralelos A densidade de fluxo magnético B. percorrida num determinado instante por uma corrente com uma intensidade de 400 A. esta situação encontra-se nos cabos de transporte de energia eléctrica.13 μT 2π × 6 Atendendo a que a densidade de fluxo varia inversamente com a distância ao fio de contacto. Por exemplo. concluindo-se. µ a permeabilidade magnética do meio envolvente (normalmente o ar).3 ×10 − 5 T = 0. a densidade de fluxo B ao longo desse círculo é calculada através da seguinte expressão: B= μI =μH 2π r Na prática. a uma distância r dos dois condutores rectilíneos paralelos. varia inversamente com o afastamento do condutor. em sentidos contrários. respectivamente: Bcabeça = 4π ×10 −7 × 400 = 2 ×10 − 5 T = 0. e nas catenárias em tracção eléctrica de médio e longo curso. através da expressão anterior. a diferença que se verifica não é muito significativa. consequentemente a exposição ao campo magnético.2 μT 2π × 4 B pés 4π ×10 −7 × 400 = = 1. de acordo com a seguinte expressão: 53 . que a densidade de fluxo e.

transformadores. públicas. tendo um trajecto interior rectilíneo. ou seja: M =I S Por outro lado. a densidade de fluxo é dada pela seguinte expressão: B= μ0 M 4π r 3 = μ0 H 54 . Na figura 2. existentes em máquinas eléctricas rotativas e lineares.6 – Campo magnético gerado por dois condutores paralelos. e industriais. microondas. O momento magnético do dipolo M. fontes de alimentação e em muitos electrodomésticos. são fontes de campos magnéticos importantes.B= 2Id r2 Figura 2. percorrida por corrente eléctrica. que é gerado e abraçado pelas espiras. e um dipolo magnético.7 ilustra-se uma espira de uma bobina (loop). computadores e periféricos. percorridos por correntes em sentidos contrários. que representa as linhas de força do campo magnético. é igual ao produto da intensidade da corrente que circula nas espiras da bobina pela área S da superfície limitada por cada espira. Esta configuração encontra-se essencialmente em linhas de transporte de energia eléctrica e em condutores das instalações eléctricas convencionais. domésticas. c) Enrolamentos (Bobinas) Os enrolamentos.

devido às grandes distâncias a que é necessário efectuar o transporte.9. através da seguinte relação: B= 3. as tensões nominais normalizadas são de 60 kV. no que respeita à rede de utilização em baixa tensão. 55 . varia inversamente com o quadrado da distância r.Figura 2.7 – Espira de uma bobina. desde a central eléctrica de produção aos centros de consumo. a densidade de fluxo do campo magnético gerado pela linha. e dipolo magnético gerado pela corrente que circula na bobina. na figura 2. 30 kV e 15 kV e. 220 kV e 150 kV. mas de uma forma mais compreensível. em alta tensão. em que os três condutores se encontram afastados entre si de uma distância d. havendo ainda linhas de 500 kV. 750 kV e 1500 kV. de uma forma geral. tem-se 230 V (tensão entre fases e neutro) e 400 V (tensão entre fases).8 ilustra-se. d) Linhas de Transporte Trifásicas Para esta situação. através de um esquema unifilar. mostra-se esse mesmo esquema. Na Europa. as linhas aéreas trifásicas de transporte de energia. sobretudo na ex-União Soviética. Quanto às linhas trifásicas de distribuição. em média tensão. são dimensionadas com valores nominais de tensão de 400 kV.46 I d r2 Na figura 2. os vários andares de um sistema de produção e transporte de energia eléctrica em que os diversos níveis de tensão são os utilizados nos Estados Unidos e no Canadá e.

11 esquematizam-se as configurações electromecânicas dos postes de linhas aéreas de alta tensão.Figura 2. nas figuras 2. 56 . Relativamente à segunda figura.8 – Esquema unifilar de um sistema de produção. Por sua vez. Figura 2.9 – Esquema tecnológico de um sistema de produção. transporte e distribuição de energia eléctrica.10 e 2. assim como a distribuição dos respectivos cabos eléctricos. transporte e distribuição de energia eléctrica.

configuração simples (b) – duas linhas. enquanto que a configuração (c) – uma só linha. Figura 2. mostra-se ainda na figura 2. Apesar dos campos magnéticos mais intensos serem gerados pelas linhas de muito alta tensão. é a mais benéfica para a redução dos campos magnéticos.a configuração (a) – uma só linha. do mesmo lado dos postes.10 – Configurações electromecânicas dos postes de linhas aéreas de alta tensão. em delta. é a que origina maiores campos magnéticos. – Distribuição dos cabos eléctricos em postes de linhas aéreas de alta tensão (a) – uma só linha. configuração em delta Por sua vez. a configuração (b) produz campos magnéticos reduzidos. Figura 2. Para tensões entre 400 kV e 415 V. as densidades de fluxo imedia57 . de cada lado dos postes (c) – uma só linha.12 as linhas de força dos campos magnéticos gerados pelos condutores em linhas aéreas de alta tensão.11. esses campos dependem igualmente das intensidades de corrente nos cabos.

que apresenta custos todavia mais elevados devido à maior altura dos postes. em termos médios situam-se entre 0. na figura 2. Figura 2. contudo. Alguns estudos experimentais estimam que as densidades de fluxo no solo. podem atingir.02 µT. respectivamente. o mesmo sucedendo um pouco com a configuração (B).12 – Distribuição dos campos magnéticos em diferentes configurações de linhas aéreas de transporte de energia eléctrica. na vertical. a solução mais cara.13 mostra-se. Finalmente. que é significativamente a melhor em termos da emissão de campos magnéticos representa. Quanto à configuração (C). podendo estes valores. em contrapartida é a mais económica. com configurações de instalação dos cabos mais favoráveis. de instalação e disposição dos condutores. 40 µT e 1 µT. como se consegue reduzir drasticamente a densidade de fluxo magnético em função da distância. que é aquela que conduz a densidades de fluxo mais elevadas.01 µT e 0.09 µT e 0. ou seja. e para melhor compreensão. utilizando-se diferentes configurações de postes.tamente abaixo dos cabos aéreos. na medida em que duas das fases são 58 .38 µT. A configuração (A). para uma linha trifásica de 220 kV. nas proximidades de linhas de transmissão. reduzirem-se para valores entre 0.

e a menor com cabos eléctricos simples (variação com 1/r). para uma linha aérea trifásica de transporte de energia.repartidas por dois condutores. que relacionam a densidade de fluxo dos campos magnéticos com a distância às fontes emissoras. 25 Hz e 16 2/3 Hz. conclui-se que a maior das atenuações acontece com os enrolamentos eléctricos (variação com 1/r3). No caso das catenárias monofásicas em tracção eléctrica a 50 Hz. utilizando diferentes configurações de instalação.13 – Exemplos de redução da densidade de fluxo magnético em função da distância. os campos magnéticos gerados podem atingir densidades de fluxo da 59 . Analisando ainda as expressões anteriores. obrigando ainda à utilização de um maior número de isoladores por poste (11 contra 3). Figura 2.

ao nível do chão têm-se densidades de fluxo que podem atingir 0. esse valor desce sensivelmente para metade.2 µT devido à sua proximidade de linhas de transporte de energia.1 µT e. Estes equipamentos. e dependendo das tecnologias e dos equipamentos utilizados.5x10-4 T. Contudo. No que respeita a habitações particulares. No interior dos compartimentos de comboios eléctricos.ordem de 0. contribui para a exposição dos seus moradores aos efeitos dos campos magnéticos gerados por esses cabos. como não poderia deixar de ser. No espaço envolvente de subestações em redes de transporte de energia eléctrica. instalar subestações e postos de transformação no seu interior. A presença de cabos eléctricos subterrâneos de transporte de energia situados nas proximidades das habitações. à volta de 0. Usualmente.2 µT. e valores máximos superiores a 0.1. e 1. tendo-se medido no chão em habitações nessas circunstâncias. originando. situadas longe de linhas de transporte de energia. por questões de aproveitamento de espaço. dos mais variados tipos.5 % de habitações. como é evidente. a densidade de fluxo ultrapasse 0. é usual. e algumas dezenas de µT nos assentos. Por outro lado. Electrodomésticos Como se constata no dia a dia. 2.03 µT. campos magnéticos bastante intensos. em termos médios e de uma forma geral. geram campos electromagnéticos cujas densidades de fluxo variam 60 .6 µT para 11 kV.2 mT. enquanto que a intensidade dos campos eléctricos pode alcançar 300 V/m. dependem dos níveis de tensão.3. 10 µT para subestações entre 275 kV e 400 kV. nas áreas circundantes muito próximas desses equipamentos as densidades de fluxo são muito elevadas – 1 µT a 100 µT –. devido às intensidades de corrente elevadas. o valor médio das densidades de fluxo em grandes cidades é aproximadamente de 0. valor este que se pode considerar relativamente elevado. a vida actual seria impossível sem a existência de electrodomésticos.13 µT. as densidades de fluxo. estima-se que. densidades de fluxo médias da ordem de 0. tendo-se. desde a máquina de barbear até à máquina de lavar roupa. nas regiões metropolitanas cerca de 10 % das habitações possuem pelo menos uma divisão com valores excedendo 0. ou mesmo extremamente elevadas – 100 µT a 10000 µT. Relativamente aos edifícios públicos. em cidades de pequena dimensão assim como nos meios rurais.

009 – 0.005 – 1.05 – 0. daí que a sua reduzida influência seja atenuada ou praticamente inexistente em locais ligeiramente afastados.04 – 0.003 – 0.00 0.20 0.01 – 0.30 0.11 0.00 0.30 0.80 0.20 – 2.15 – 0.02 – 13.001 – 0.80 0.20 0.001 – 0.009 – 0. os níveis das densidades de fluxo reduzem-se significativamente à medida que a distância aumenta.00 – 0.45 0.70 – 2. apresentando-se no quadro 2.00 – 0.50 – 0.60 0.00 0.90 0.011 – 0.07 – 4.45 0.03 0.50 0.30 0.03 – 0.06 0.1 os valores das densidades de fluxo associadas aos campos electromagnéticos gerados pelos electrodomésticos.25 0.011 – 1.16 0.08 – 0.05 0.001 – 0.10 0.00 – 0.04 0.15 Electrodomésticos Quadro 2.14 0.00 0.57 0.02 – 0.05 – 5.1 – Densidades de fluxo associadas aos electrodomésticos.50 – 2.00 – 0.00 – 0.30 0.00 – 0. Apesar dos 61 .20 0.inversamente com o cubo da distância.00 0.05 – 4.15 – 0.003 – 0.03 – 0.03 – 0.70 0.15 – 3.10 0.035 0.007 – 0.01 – 0.01 – 0.30 0.02 – 1.00 0.01 – 0.009 – 0.40 0.06 0.40 0.50 0. Conforme se constata dos valores expostos.25 0.32 0.13 0.025 – 0. Densidades de fluxo (μT) Distância = 30 cm Monitor de computador Máquina de fotocópias Máquina de fax Lâmpada fluorescente Impressora Scanner Máquina de café Máquina de lavar loiça Fogão eléctrico Forno microondas Trituradora Frigorífico Torradeira Relógio analógico Relógio digital Rádio portátil Aspirador Máquina de barbear Secador de cabelo Ventilador Televisão a cores Ferro de engomar Aquecedor portátil Máquina de lavar roupa 0.02 – 0.00 Distância = 90 cm 0.9 0.016 0.13 0.01 – 0.01 – 10.003 0.18 – 4.30 0.01 – 7.04 – 8.

impressoras. scanners.14. 2. Presentemente.4. que ilumina o ecrã através de um bombardeamento de electrões. Figura 2. tanto em computadores como em jogos de vídeo e ecrãns de televisão. existem ainda monitores de raios catódicos. de muito maior dimensão devido ao tubo de raios catódicos. sejam fixos ou portáteis. faxs. em relação aos quais não existe ainda informação concreta e desenvolvida no que respeita aos níveis de exposição da radição electromagnética. além de emitirem em todas as direcções. lâmpadas fluorescentes.14 – Radiação produzida por monitores de computador com tubo de raios catódicos (a) – campo magnético (b) – campo eléctrico 62 . Apesar dessa generalização acelerada.valores apresentados serem insignificantes. fogões e fornos eléctricos. de plasma e de cristal líquido (Liquid Crystal Display LCD). sucede que. as tecnologias utilizadas estão a conduzir à generalização de monitores. Estes monitores podem emitir campos electromagnéticos que cobrem todo o espectro de frequências. como se mostra na figura 2. o corpo humano encontra-se exposto a diversos equipamentos em simultâneo.1. daí que as densidades de fluxo aumentem bastante. usualmente. Monitores de Computadores O monitor (Vídeo Display Terminal VDT) é parte integrante de um sistema de computadores. televisão a cores. por exemplo computadores.

o próprio vidro absorve a baixa energia dos raios X assim como dos raios ultravioletas.5 x 1014 Hz. a radiação infravermelha provoca um aumento de temperatura no local de trabalho envolvente. Gases químicos gerados pela degradação progressiva dos componentes electrónicos. as investigações sobre os efeitos das radiações emitidas por monitores com tubo de raios catódicos têm incidido nos seguintes parâmetros: • • Emissão de radiação ultravioleta e de raios X (comprimentos de onda inferiores a 400 nm). • • • Campos eléctricos estáticos. Saliente-se que este sistema de deflexão opera entre 15 kHz e 100 kHz. Por outro lado. Radiação visível devido à luz visível na gama de frequências entre 4. • • • Radiação infravermelha gerada pelo aquecimento dos componentes electrónicos. associados às altas tensões aplicadas à superfície interna do ecrã. Ionização do ar envolvente. • Campos eléctricos e magnéticos gerados pelo sistema de deflexão vertical do tubo de raios catódicos.3 x 1014 Hz e 7. pelo transformador. Campos eléctricos e campos magnéticos de reduzidíssima frequência gerados pelo sistema de deflexão horizontal do tubo de raios catódicos e pelo transformador de alta tensão. sendo assim a luz visível a única radiação emitida.Devido a essas particularidades. Radiação de rádio-frequência gerada pelos sinais electrónicos. gerada devido à interacção entre os electrões que bombardeiam o ecrã do tubo de raios catódicos e o fósforo existente na face interior do ecrã. Este sistema de deflexão opera entre 50 Hz e 80 Hz. e atendendo a que a exposição aos monitores acontece durante várias horas diárias. dia após dia como actividade laboral e como actividade de lazer. e pelos electrões que chocam com a parede interior do ecrã. pelo oscilador. e pelos circuitos electrónicos digitais. Como o vidro dos tubos de raios catódicos contém chumbo. 63 .

Contrariamente às crenças populares. Quanto aos modernos monitores LCD e de plasma. no que respeita à utilização de telefones celulares. não emitem campos electrostáticos nem raios X. devido à fonte de alimentação e ao tipo de iluminação do ecrã. afectando por vezes de forma grave e significativa. Os relógios electrónicos analógicos. os campos electromagnéticos gerados pelos equipamentos podem provocar interferências entre si. através da colocação de uma malha absorvente desses campos. Os sistemas de armazenamento de informação através de fita magnética são susceptíveis à exposição a campos electromagnéticos da ordem de 10 mT. são bastante sensíveis à acção de campos 64 . o seu funcionamento. 2. agravando-se a influência a frequências elevadas. campos esses que resultam de fenómenos de indução electromagnética. vitais para o bom funcionamento e segurança das aeronaves. computadores portáteis e jogos de vídeo no interior dos aviões. são consideravelmente inferiores aos valores consignados nas normas de segurança relativas aos tubos de raios catódicos normais. devido à sua interferência nos sistemas electrónicos de bordo. contudo. os níveis de raios X. que utilizam um motor passo a passo para o accionamento dos ponteiros. e infravermelhos. o problema também existe devido à influência de campos eléctricos electrostáticos. o que implica que a emissão de campos electromagnéticos seja muito reduzida. os campos electromagnéticos de frequência reduzidíssima são bastante baixos. podendo essa informação armazenada ser afectada. sendo atenuados pelos construtores quando da fabricação dos transformadores de alta tensão.1. luz visível. Apesar desses campos não se manifestarem a frequências de 50/60 Hz. ultravioletas. Adicionalmente. mas sim do equipamento existente no interior do monitor.5. Incompatibilidade Electromagnética Adicionalmente aos seus efeitos sobre os sistemas biofísicos.Na prática. Os equipamentos electrónicos utilizados nos sistemas de controlo de veículos são sensíveis a campos electromagnéticos da ordem de 2 mT. Basta recordar as proibições actualmente em vigor. na medida em que consomem muito pouca energia. a maior parte dos campos electromagnéticos não radiam a partir directamente da superfície do ecrã do monitor.

2. A protecção do corpo humano a esta radiação é 65 . podendo adiantar-se. Um exemplo bastante elucidativo. campos magnéticos relativamente intensos. da ordem de 1 mT. que representam uma das formas mais familiares de radiação não ionizante. assim como em equipamentos utilizados em electromedicina. durante anos e anos. é fundamental conhecer-se os efeitos biológicos. Este fenómeno começa a ser notado para interferências de 1 μT e será bastante sério a 10 μT. movimentando-se. os problemas de saúde derivados da excessiva exposição aos raios ultravioletas. originam interferências electromagnéticas em pacemakers cardíacos e noutros equipamentos electrónicos implantados no corpo humano. e que ocorre no dia a dia. As imagens mostradas em ecrãs de computadores podem tornar-se instáveis. devido à interferência desses campos na trajectória dos electrões que são projectados contra a parede interior do ecrã. Quanto aos relógios electrónicos digitais. por vezes. no sentido de se poder compreender de forma concisa os riscos inerentes à saúde. mas não sempre.magnéticos externos. os efeitos biológicos podem causar alterações gravíssimas de saúde num curto espaço de tempo – por exemplo. na medida em que esses campos são capazes de promover o accionamento do motor a velocidades superiores à correspondente a 60 impulsos por minuto. da ordem de 20 μT a 50 Hz. Esse efeito pode. ou então originar alterações cujas consequências se manifestarão apenas passados bastantes anos – por exemplo. Finalmente. diz respeito à exposição aos raios solares. especialmente em zonas onde existam campos electromagnéticos. atrasar-se ou mesmo parar. o que significa que existirá uma mudança que excede os parâmetros normais. EFEITOS BIOFÍSICOS DOS CAMPOS ELECTROMAGNÉTICOS Em termos de conceito. são igualmente sensíveis aos campos electromagnéticos. causar problemas de saúde adversos. 2. Por conseguinte. ocorrendo esta situação quando os mecanismos naturais de defesa do próprio sistema de vida perdem a sua capacidade de reacção e de compensação da agressão externa. as consequências de uma exposição a raios gama de grande amplitude –. ocorre um efeito biológico quando a exposição a campos electromagnéticos provoca alterações detectáveis ou visíveis em sistemas vivos. Quanto à forma como se manifestam.

e toda a panóplia de electrodomésticos do nosso quotidiano. que ajuda à absorção de cálcio pelos tecidos ósseos. Por conseguinte. na radiação de rádio-frequência os campos eléctricos e magnéticos são indissociáveis. Normalmente. quando as exposições são moderadas. Por exemplo. No dia a dia. é igual ao quociente entre a velocidade da luz e a frequência das ondas electromagnéticas). tem sido dada maior importância à análise dos efeitos nocivos dos campos magnéticos na medida em que são mais difíceis de anular e têm um maior poder de penetração em edifícios e em seres vivos. numa instalação eléctrica sob tensão. Todavia. 66 . têm-se ainda os riscos de queimaduras graves e do aparecimento de malanomas (cancros da pele). aproximadamente. utilizando protectores de pele. necessariamente. assim como óculos escuros para se reduzir os riscos de aparecimento de cataratas anos mais tarde. existe campo magnético mas não há campo eléctrico devido a não existir enrolamento de excitação. no ar. os transformadores. Por outro lado. daí que os campos eléctricos e os campos electromagnéticos sejam tratados separadamente (note-se que o comprimento de onda no vácuo e. num magneto permanente. existe campo eléctrico mas o campo magnético é nulo devido à não existência de corrente eléctrica. diferenciados. já citadas anteriormente. apesar dos campos eléctricos e magnéticos ocorrerem. que os campos eléctricos. como por exemplo as centrais eléctricas. as linhas de transporte de energia. que é um pigmento que confere à pele a sua cor mais escura e providencia a sua protecção contra a radiação ultravioleta e a luz visível. emanados de diversas fontes. na maioria das situações. a exposição a estes campos ocorre a distâncias muito inferiores ao seu comprimento de onda. em conjunto. existe o efeito benéfico que consiste na produção de vitamina D pelo corpo humano.assegurada pela melanina. Os efeitos da luz solar são também controlados por nós. Contrariamente. Como consequências nocivas de uma exposição prolongada. os efeitos biofísicos destes dois tipos de ondas electromagnéticas são. enquanto que. os sistemas vivos encontram-se expostos a campos electromagnéticos de frequências extremamente reduzidas. mas sem receptores ligados.

2.2.1. Mecanismos de Interacção Tem vindo a ser estudado o modo como os campos electromagnéticos interagem com os sistemas biológicos, sobretudo quando a energia associada a esses campos não é suficiente para causar estragos em biomoléculas ou aquecimento por indução, residindo a explicação talvez nas propriedades electromagnéticas das células e dos tecidos humanos. A interacção electromagnética entre materiais encontra-se plenamente elucidada e estudada, através das Equações de Maxwell, expostas e analisadas no capítulo anterior. Apesar da sua aplicação aos materiais isolantes, condutores e magnéticos ser relativamente fácil, na medida em que se consideram, na prática, como sendo meios homogéneos, isto é, em que as suas propriedades são iguais em todos os seus pontos, o mesmo não sucede com a sua aplicação aos sistemas biológicos, devido à elevada complexidade e aos múltiplos níveis de organização dos organismos vivos, complexidade essa que, uma vez integralmente resolvida, permitirá o completo conhecimento dos mecanismos de interacção biológica entre os campos electromagnéticos e os sistemas biofísicos. Os tecidos biológicos são materiais não magnéticos, daí que os campos manéticos no interior do corpo humano sejam os mesmos que existem no seu exterior, o que torna ainda o problema mais complexo uma vez que os efeitos nocivos que se têm vindo a verificar são causados exactamente pela exposição a campos magnéticos. Em relação à influência dos campos eléctricos, a situação é bastante diferente, como se ilustra na figura 2.15, em que se tem um corpo humano sujeito à acção de um campo eléctrico externo paralelo à sua maior dimensão – a altura –, com uma intensidade de 1 kV/m a 60 Hz. Conforme se constata, a ligação entre o campo eléctrico aplicado exteriormente (1 kV/m), e os valores a que o corpo fica sujeito (de 0,3 mV/m na cabeça até 10 mV/m nas pernas) é extremamente fraca, sendo estes últimos campos inferiores ao campo exterior em cerca de 10-7, raramente excedendo 10-4, e, adicionalmente, são também bastante mais fracos que os campos eléctricos induzidos naturalmente pelo coração, nervos, cérebro, e músculos. Ou seja, as correntes que circularão no corpo humano induzidas pelo campo eléctrico externo, têm intensidades significativamente inferiores às correntes naturais, permanentes, existentes naqueles sistemas biológicos. 67

Figura 2.15 – Campos eléctricos no corpo humano, exposto a um campo eléctrico exterior de intensidade 1 kV/m a 60 Hz.

Têm sido propostos diversos mecanismos de interacção, todavia não completamente estabelecidos, que se descrevem seguidamente:

a) Correntes Induzidas Na gama dos campos electromagnéticos de frequências reduzidíssimas, os materiais biológicos comportam-se como sendo meios condutores. A nível microscópico, todos os tecidos são constituídos por células e fluídos intercelulares, sendo de salientar que estes fluídos possuem uma elevada condutividade eléctrica. Por outro lado, devido à sua membrana, as células comportam-se como meios isolantes, daí que as correntes induzidas nos tecidos devido à acção de campos eléctricos de frequência reduzida circulem apenas nos espaços circundantes das células. Por conseguinte, atendendo a que o citoplasma das células é condutor e que a sua membrana é isolante, em termos eléctricos as células são equivalentes a um circuito eléctrico constituído por uma resistência (o citoplasma) ligada em série com um condensador (a membrana). Uma vez que a espessura da membrana é inferior a 10 nm, a capacidade do condensador equivalente é bastante elevada. Usualmente, para frequências inferiores a 100 Hz a impedância dos materiais biológicos é resistiva, devido ao reduzido valor da capacidade da membrana, que se pode desprezar, na medida em que não ultrapassa 10 % do valor da impedância daquele circuito equivalente. Contudo, esta sua contribuição aumenta com a frequência das correntes induzidas.

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Deste modo, a influência dos campos electromagnéticos em sistemas biológicos traduz-se pela sua capacidade em induzir correntes nas membranas das células e nos fluídos intercelulares. Por sua vez, como essas correntes são correntes de curto-circuito, elas próprias irão gerar campos magnéticos concêntricos a esses circuitos, cujas intensidades são baixíssimas daí que possam ser negligenciados na medida em que os seus efeitos são nulos. Atendendo a que os circuitos por onde circulam as correntes induzidas são constituídos por diferentes materiais biológicos, não homogéneos e com condutividades anisotrópicas, essas correntes apenas poderão ser determinadas através de modelos computacionais numéricos. Contudo, se se considerar o corpo humano como um meio homogéneo e isotrópico, a densidade de corrente J, em A/m2, poderá ser calculada analiticamente através da seguinte expressão:

J =π σ r B f
sendo σ (S/m) a condutividade eléctrica do corpo, r (m) o raio médio do trajecto circular do campo magnético em torno da corrente induzida, B (T) a densidade de fluxo, e f (Hz) a frequência do campo magnético e das correntes induzidas. Alguns trabalhos de investigação apresentam os seguintes valores para essa densidade de corrente: 2 mA/m2 para um campo de 100 μT a 60 Hz, e 30

μA/m2 para um campo de 1,41 μT.
O aquecimento dos tecidos devido às correntes induzidas por campos electromagnéticos de reduzidíssima frequência não constitui problema, excepto se essas correntes forem bastante intensas, correndo-se o risco da estimulação de células electricamente excitáveis, tais como os neurónios.

b) Biomateriais Magnéticos Todos os organismos vivos são essencialmente constituídos por compostos orgânicos diamagnéticos, todavia contêm igualmente algumas moléculas paramagnéticas – o oxigénio – assim como microestruturas ferromagnéticas – o núcleo da hemoglobina e a magnetite –, estando estas magnetites biológicas cobertas por finas membranas denominadas magnetosomas (magnetosomes), que são um óxido de ferro com a composição Fe3O4. Atendendo a que estas microestruturas magnéticas podem ser entendidas como sendo pequenos

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na medida em que estes electrões fazem com que os radicais livres colidam com outras moléculas. tudo levando a crer.magnetos permanentes. causar perturbações bio-físicas. os campos electromagnéticos actuam praticamente não como ondas periódicas variáveis no tempo mas sim como grandezas estacionárias durante a ocorrência daquelas reacções provocadas pelos radicais livres. Contudo. Este fenómeno pode originar uma reacção em cadeia que se auto-perpetua e na qual a estrutura de milhões de moléculas é alterada numa questão de nanosegundos. que tende a orientar as magneto-somas segundo a direcção dos campos externos. e das ondas geradas por sistemas de energia (50 Hz) em particular. nas células e nos tecidos.1 mT. porém o seu efeito é devastador devido aos diversos tipos de cancro que provocam. c) Radicais Livres Os radicais livres são átomos ou moléculas que possuem pelo menos um electrão sem par. as moléculas das proteínas. os enzimas e as células. esses efeitos são muito reduzidos – provocam um aumento de apenas 1 % nas concentrações de radicais livres. instável e perigoso. Os campos magnéticos estacionários podem influenciar a taxa de resposta de reacções químicas envolvendo pares de radicais livres. Atendendo a que o tempo de vida dos radicais livres é extremamente reduzido face ao tempo de período das ondas dos campos electromagnéticos em geral. Além disso. que é antinatural. os efeitos biofísicos originados por campos inferiores a 50 µT são insignificantes. 70 . existindo apenas por períodos muito reduzidos. com base em estudos teórico-práticos. ficarão sujeitas à acção de campos magnéticos exteriores. podendo esse movimento. tendendo a movimentar-se devido à acção das forças magnéticas de atracção majoradas exactamente pela acção desses campos externos. Estes radicais livres são marcadamente reactivos. inferiores a 1 ns. que tais efeitos são teoricamente concebíveis para campos geomagnéticos da ordem de 0. que ficarão com a sua estrutura alterada transformando-se por sua vez noutros radicais livres. que só acontecerão para campos magnéticos entre 2 μT e 5 μT. motivados pelos estragos que esses radicais originam no DNA. Há também a considerar os efeitos do campo magnético terrestre sobre as reacções dos radicais livres. destruindo o DNA.

d) Membrana Celular e Ligação Química Acredita-se cada vez mais que a membrana celular tem um papel principal nos mecanismos de interacção entre os campos electromagnéticos e os sistemas biológicos. enzimas. provavelmente. bioquímicos e eléctricos.1 V a 1 V. Para as frequências comerciais de 50 Hz e 60 Hz. na medida em que as propriedades eléctricas e a distribuição dos iões à volta das células são condições perfeitas para o estabelecimento de interacções com campos electromagnéticos exteriores. a densidade de corrente necessária para provocar esses choques situa-se sensivelmente em 10 A/m2. Note-se que estes valores são elevadíssimos se se pensar exclusivamente na exposição a ondas electromagnéticas de fraca energia. o organismo humano possui defesas altamente sofisticadas que combatem os radicais sob condições normais de vida. daí a inevitável electrocussão com queimaduras gravíssimas ou mesmo a morte biológica. o que sucede para diferenças de potencial entre as membranas de 0. em relação a muitos neurotransmissores. incluído os fenómenos físicos. Por assim dizer. 71 . todavia acontecem na situação de choques eléctricos em média e alta tensão. os campos eléctricos podem ainda criar poros (furos) nas membranas celulares devido às correntes eléctricas induzidas. o local onde têm início as interacções entre os tecidos e os campos electromagnéticos. causando choques eléctricos ou outros efeitos. as células biológicas são estruturas bioelectroquímicas. Outras investigações afirmam que os campos eléctricos de baixa frequência podem excitar as membranas das células. químicos.Além disso. especialmente os iões de cálcio. podem jogar o papel de ligação química entre os campos electromagnéticos e os processos de vida. e reacções químicas que desenvolvem carcinomas. que interagem com o seu meio ambiente através de vários caminhos. tensões estas que requerem campos eléctricos na vizinhança das células de pelo menos 105 V/m. à qual corresponde um campo eléctrico com uma intensidade de 100 V/m nos tecidos. Outra teoria interessante afirma que os iões. julgando-se que os receptores situados nas membranas são. Além disso.

Em geral. Esta doença representa o caso de uma mitose incontrolável.2. está cada vez mais associada ao aparecimento de cancros de pele (melanomas).2. a) Mecanismos do Cancro O termo médico “cancro” é utilizado para descrever cerca de 200 doenças diferentes. as doenças cancerígenas directamente associadas com a exposição a campos electromagnéticos são a leucemia. como se exemplificou em detalhe no capítulo 1. todavia. escapando às condições naturais de controlo existentes no corpo humano. devido a ser uma doença particularmente grave. em que as células se dividem aleatoriamente. ou seja. não se suspeita. todas elas caracterizadas pela destruição incontrolada de células. Campos Electromagnéticos e Cancro Apesar de existirem em grande número estudos teórico-práticos relacionados com os mecanismos de interacção entre os campos electromagnéticos e os sistemas biofísicos. apesar da luz visível originar a fotossíntese. Essa atenção recai não só em aspectos de investigação biomédica mas também nos resultados obtidos a partir de estudos epidemiológicos. a alimentação. enquanto que a energia dos fotões em campos electromagnéticos a 50 Hz e a 60 Hz (2.2. como sucede com os ultravioletas. 72 . é essencialmente uma desordem genética ao nível celular. sobre o caso dos trabalhadores de uma subestação de 500 kV na ex-União Soviética. e o cancro da mama. As causas de muitas doenças cancerosas são desconhecidas.5x10-13 eV) é insuficiente para induzir reacções químicas celulares conducentes ao cancro. como sejam o tabaco. o cancro cerebral. Por outro lado. todavia existem factores de risco que induzem alguns tipos de cancro. assim como em relação a diversos efeitos nocivos. e a exposição a campos electroma-gnéticos e a radiações. a radiação solar ultravioleta. especialmente a UVB. A radiação ionizante possui energia suficiente para provocar cancros de uma forma rápida e fulminante. que induza o aparecimento desta doença. o álcool. como sucede com a radiação atómica gama. habitualmente. tem vindo a ser dada uma atenção muito especial às possíveis interacções que promovam o aparecimento e o desenvolvimento de carcinomas.

b) Carcinogénese A transformação de células sãs em células cancerígenas é um processo complexo. um agente epigenético é alguma coisa que aumenta a probabilidade de se contrair cancro através de um agente genotóxico. isto é. seguidamente processa-se a conversão de algumas células sãs em células pré-cancerígenas. Por outro lado. danos estes que usualmente são provocados por um agente denominado genotoxina (genotoxin). Figura 2. dando origem a diversos tipos de cancro. o passo seguinte consiste na conversão de algumas células précancerígenas em células cancerígenas. Este modelo inicia-se nas células sãs. designado por carcinogénese multipassos ou multiníveis (multistep carcinogenesis). caracterizadas por um conjunto de injúrias que afectam o material genético das células. e inicia-se através de danos no ADN. Este agente pode afectar vários tipos de células. consistindo o último passo no desenvolvimento de um tumor a partir das células cancerígenas.16. que comporta três fases diferenciadas.16 – Modelo de carcinogénese multipassos. sendo este processo de produção de cancro. 73 . em bom estado. exposto na figura 2. O cancro humano é o resultado de uma acumulação de várias alterações genéticas e epigenéticas que ocorrem numa determinada população de células.

das exposições a campos eléctricos e magnéticos provocarem a supressão de melatonina. existe alguma interacção epigenética.17 ilustra-se as consequências da redução dos níveis de melatonina. A melatonina é responsável pela regulação dos ciclos menstruais e dos ritmos circadianos. e transformações celulares. c) Hipótese da Melatonina Outra hipótese possível de interacção. É o caso do cancro da mama. Seguidamente expõem-se algumas conclusões interessantes. para campos superiores a 0. do cancro da próstata. e contribui ainda para aumentar a citotoxicidade dos linfócitos destruidores do sistema imunitário. aberrações cromossómicas. enquanto que outros concluem que. danos no ADN. a secreção é inferior à da juventude. diz respeito ao facto a provar ou não. Todavia.1 mT não resulta em efeitos biofísicos celulares. ajundado a reparar o ADN. atingindo o seu máximo na idade infantil e diminuindo gradualmente após a puberdade e. originados pela exposição a campos electromagnéticos de frequências reduzidíssimas. localizada próxima do centro do cérebro. daí que determinados tipos de cancro proliferem quando os níveis de melatonina são baixos. a sua produção é essencial para o sistema imunitário. na figura 2. mutações. Para melhor compreensão.1 mT é possível haver já alguns efeitos adversos. após os 60 anos. o qual protege o organismo das infecções e das células cancerígenas. A sua secreção decresce à medida que a idade avança. como a actividade genotóxica e epigenética. de facto. e dos tumores malignos nos ovários. a exposição a campos electromagnéticos até 0.Alguns estudos permitem concluir que não existem efeitos genotóxicos celulares significativos. relacionadas com a interacção entre os campos electromagnéticos e a produção de melatonina: 74 . Esta hormona é produzida principalmente durante a noite e é introduzida na corrente sanguínea para se dispersar através do corpo. sob investigação. encontrando-se presente nas células e contribui para a destruição dos radicais livres. que é uma hormona produzida pela glândula pineal. Por conseguinte. A melatonina tem a propriedade de reduzir as secreções de hormonas que promovem o desenvolvimento de tumores. isto é. De um modo geral.

e a campos de 30 kV/m e 100 µT. 10 µT e 100 µT durante 12 horas ou durante 30 dias com 18 horas por dia de exposição. 75 . Em contrapartida.17 – Consequências biológicas da redução dos níveis de melatonina. e cerca de 20 % para a exposição a 100 µT durante 12 horas consecutivas. • Estudos em ratos expostos a campos de 60 Hz e com densidades de fluxo de 1 µT. não se observaram quaisquer efeitos para a exposição a campos de 1 µT. • Existe supressão de melatonina com a exposição a campos electromagnéticos e.2 µT a 60 Hz inibe a acção da melatonina. não conduziram a quaisquer efeitos nos níveis de melatonina. • A melatonina reduz as taxas de desenvolvimento de células cancerígenas relacionadas com o cancro da mama. • A exposição nocturna a campos magnéticos de 100 µT e 50 Hz. aumento dos riscos de desenvolvimento de carcinomas. durante 12 horas por dia em 6 semanas. não conduziram a quaisquer efeitos na redução do nível de produção de melatonina. igualmente a 60 Hz. todavia a exposição a campos magnéticos de 1. permitiram concluir que o nível de melatonina desceu cerca de 40 % para a exposição durante os 30 dias com campos de 10 µT e 100 µT. expostos a campos eléctricos de 6 kV/m e campos magnéticos de 50 µT. por períodos compreendidos entre 1 dia e 13 semanas. ambos a 60 Hz. consequentemente. • Experiências realizadas com babuínos.Figura 2.

e consiste em ADN e moléculas de proteína associadas. de acordo com o processo sequencial que se esquematiza na figura 2. que são a unidade física e funcional fundamental da hereditariedade. além disso. cada molécula de ADN contém um número elevado de genes.3. a) Efeitos Relevantes para o Cancro Material Genético O genoma humano representa a sequência química que contém a informação básica para construir e desenvolver o corpo humano.18. Os genes podem ser entendidos como a infor76 . isto é.• Não se detectaram efeitos biológicos. sendo.18 – Efeitos dos campos electromagnéticos relacionados com o desenvolvimento de doenças cancerígenas. Para uma melhor compreensão do fenómeno. organizado em estruturas designadas por cromossomas. apresentam-se seguidamente alguns dados obtidos por observação experimental. 2. Por seu turno. Figura 2.2. Estudos Celulares Conforme se salientou anteriormente. após uma exposição durante 4 noites consecutivas a um campo magnético de 28.3 µT a 60 Hz. redução do nível de melatonina em jovens voluntários do sexo masculino. parece existir alguma relação directa entre a exposição a campos electromagnéticos e o desenvolvimento de cancro. em experiências realizadas em 2000.

Por sua vez. um regulador do crescimento celular. possuindo assim as células as características dos pais biológicos. e para as contracções musculares. de seguida. consequentemente. sendo um dos mensageiros das comunicações intercelulares do corpo e. e. daí que seja muito importante manter um nível óptimo de cálcio no organismo. sendo assim unidades de informação no ADN que são utilizadas para fabricar as proteínas. sujeitas a campos magnéticos de 50 Hz e de 15. é possível que os campos com intensidades superiores à do campo magnético terrestre. aberrações nos cromossomas. natural. • Foram detectados efeitos cancerígenos e alterações em grávidas – danos no DNA de células amnióticas –. especialmente para a transmissão de sinais extra-celulares. enquanto que os do sexo feminino possuem apenas um par de cromossomas X. também. e 0. cada conjunto possui 23 cromossomas simples. os resultados de alguns estudos realizados recentemente: • Detectaram-se efeitos nocivos na síntese do ADN no cérebro de ratos sujeitos a campos magnéticos de 0. consequentemente. para o metabolismo dos ossos. podem originar problemas na síntese do ADN. para a libertação de secreções. a 60 Hz. 0. 77 . Quanto à influência dos campos electromagnéticos sobre o ADN.1 µT. carcinomas.25 µT. sendo um deles dado pelo pai e o outro pela mãe. Estima-se que o genoma humano compreenda pelo menos 100000 genes. podem originar mutações genéticas e. Esses efeitos nocivos afectam as funções celulares. Vejam-se. Estes iões são essenciais para muitas das funções celulares.6 kHz. Transporte de Cálcio Os iões de cálcio são partículas carregadas electricamente. O núcleo de cada célula contém 2 conjuntos de cromossomas.5 µT. e que desempenham um papel fundamental em diversos processos celulares. • Exposições a campos magnéticos de 400 mT e 50 Hz. um dos quais é o cromossoma do sexo. podendo causar a morte das células e o aparecimento de carcinomas.mação armazenada na memória de um computador. para a regulação do transporte intracelular de compostos. entre outras substâncias do corpo humano. X ou Y – os indivíduos do sexo masculino possuem um par de cromossomas X e um par Y.

contendo estas últimas o complemento total de biomoléculas que são essenciais à sobrevivência. funções conduzem a doenças Actividade Enzimática Tal como outras proteínas. Veja-se. no qual é induzida a expressão dos genes específicos das células. a diferenciação é também um processo complexo. Proliferação e Diferenciação de Células A biologia da divisão e diferenciação celular é similar quer em células normais quer em células cancerígenas. diferenciação. estando presentes em todas as células vivas e sendo responsáveis pelo desempenho da importante função de controlar os processos metabólicos do corpo humano. simultaneamente. as enzimas consistem em longas cadeias de aminoácidos. sendo um processo regulado geneticamente e. O fenómeno da proliferação de células é bastante complexo. constatou-se haver uma proliferação de células expostas à acção de campos electromagnéticos. Consequentemente. por sua vez. ou seja. falhas na regulação destas cancerígenas. um aumento da actividade da ODC representa um sintoma de cancro.O fenómeno da libertação de iões Ca++ das células devido à acção de campos electromagnéticos é bem conhecido. seguidamente. podendo o seu excesso provocar distúrbios nas actividades hormonais. quais os resultados de vários estudos sobre a influência dos campos electromagnéticos sobre a enzima ODC: • Existe um aumento da actividade das ODCs sob a acção de um campo eléctrico alternado sinusoidal a 60 Hz e de intensidade 10 mV/m. especialmente no que respeita às células linfáticas e cerebrais. e expressão de muitas funções de células de tipos específicos. uma enzima activada durante o processo de carcinogénese. proliferação. Uma enzima especial. 78 . conduzindo a leucemias e a outros tipos de cancro. e é. Através de ensaios realizados in vitro. a ornitina descarboxilase (ornithine decarboxylase ODC) é bastante importante pelo papel que possui na regulação da multiplicação de células através da síntese das poliaminas necessárias para a síntese das proteínas e do ADN.

devido à exposição a campos electromagnéticos. Sistema Imunitário Este sistema mais não é que um mecanismo de protecção composto de um número elevado de células interdependentes que. tendo sido encontradas mudanças na actividade das ODCs devido a campos magnéticos induzidos. infecções virais. defendem e protegem os seres vivos dos ataques de bactérias. Comunicações Intercelulares As interacções entre células e as transduções de sinais têm um papel de primeira importância no desenvolvimento do sistema nervoso. todavia. existem diversos estudos que demonstram que a diminuição do nível da síntese da melatonina assim como da sua secreção pela glândula pineal. micróbios. como se concluiu através de estudos realizados em populações de ratos. assim como da proliferação de células cancerígenas. • Encontrada uma redução na actividade de leucócitos humanos.• • Ensaios realizados em ratos. toxinas. por vezes. e efeitos insignificantes para campos entre 2 µT e 20 µT. Na prática. expostos a campos magnéticos de 10 μT e 60 Hz. fungos. alterando a actividade funcional e. sendo os sinais 79 . está associada ao aumento do risco de contracção de doenças cancerígenas. a estrutura de um ou mais órgãos de uma maneira específica. ainda em experiências feitas com ratos. quando expostos a campos de 450 MHz modulados a 16 Hz. parasitas. em conjunto. Este sistema não é afectado por campos magnéticos de baixa energia. assim como um aumento na taxa de anormalidades fetais em embriões de galinhas em desenvolvimento. Mais de 10 anos de ensaios permitiram concluir que a exposição a campos electromagnéticos aumenta a actividade das enzimas ODC. indiciaram um aumento da actividade dos linfomas. Hormonas As hormonas são substâncias químicas formadas num órgão ou parte do corpo. detectaram-se alguns efeitos visíveis sobre o sistema imunitário após 6 semanas de exposição a campos magnéticos entre 200 µT e 2000 µT. sendo transportadas através do sangue para outro órgão.

submeteu os ovos de duas incubadoras iguais a um campo magnético de 1 µT. Esses efeitos incluem normalmente dores de cabeça. como é o caso das electrocussões a 50 Hz e a 60 Hz. com uma frequência de 100 Hz. assim como a sua fusão. Um outro estudo internacional. sob a acção de campos eléctricos entre 10 kV/m e 100 kV/m. tendo os resultados globais constatado um aumento de cerca de 6 % no número de embriões defeituosos. surgindo a rotação eléctrica das células. perturbação do sono. e os campos electromagnéticos de frequência extremamente reduzida em particular. têm igualmente vindo a realizar-se diversos estudos sobre os efeitos não cancerígenos desses campos. por vezes sem quaisquer bases científicas. realizado em seis países. sobretudo no que respeita às linhas aéreas de transporte de energia eléctrica em alta e muito alta tensão. diminuição da líbido. e interferir com a transferência de informação entre células.2. alterações neurológicas. os responsáveis pelas comunicações entre células. depressão. Efeitos que têm como consequência a divisão das células e a sua proliferação surgem com a exposição a campos eléctricos e magnéticos de intensidades da ordem das dezenas de V/m e de mT.4. sob a forma de impulsos de 500 ms. 80 . Acredita-se que os campos electromagnéticos em geral. podem alterar as propriedades das membranas. 2.eléctricos e químicos que circulam através das membranas celulares. dificuldade de concentração. b) Efeitos não Cancerígenos A par das investigações relativas aos efeitos cancerígenos dos campos electromagnéticos. Estudos em Humanos São vários os efeitos nocivos que a opinião pública clama. confusão mental. os resultados laboratoriais. sendo as principais fontes de informação as pessoas e os trabalhadores que habitam ou trabalham muito próximo de fontes de campos electromagnéticos. devido às exposições a campos electromagnéticos. e perturbações no aparelho digestivo. e os dados epidemiológicos. modificar as funções celulares. alterações cardiovasculares.

b) Síndroma da Fadiga Crónica Este síndroma (Chronic Fatigue Syndrome CFS). quando da ocorrência de choques eléctricos por contacto directo. que. é um termo clínico geral utilizado para descrever uma doença emergente. Nos últimos anos. em média. explicitam-se os resultados observados resultantes da interacção entre campos electromagnéticos e o funcionamento do coração: • Em trabalhadores expostos a campos eléctricos de intensidade compreendida entre 12 kV/m e 16 kV/m. permitiu concluir estatisticamente. • Um estudo intensivo sobre os efeitos dos campos electromagnéticos sobre a alteração das pulsações de trabalhadores expostos a campos gerados por linhas aéreas de alta tensão de 110 kV a 400 kV. que incluem altera- 81 . e afecta adultos. também conhecido como Síndroma da Fadiga Crónica e Disfunção Imunológica (Chronic Fatigue and Immune Dysfunction Syndrome CFIDS). valores superiores a 1 A/m2. daí que o seu funcionamento seja analisado através dos sinais eléctricos emitidos – electrocardiograma e ecografia cardíaca. detectaram-se diversas anomalias no sistema imunitário de pacientes com CFS. constatou-se que a sua pulsação no final do dia de trabalho era. são as causas de morte por electrocussão. causando fibrilação ventricular e aquecimentos eléctricos por efeito de Joule. 2 a 5 pulsações por minuto mais baixa que no início do dia. que se caracteriza pela existência de fadiga debilitante. com uma margem significativa. problemas do foro neurológico. usualmente. estudo esse que utilizou técnicas de registo ambulatório. o coração é um órgão muscular bioeléctrico.1 A/m2 podem estimular os tecidos electricamente excitáveis. • A exposição de voluntárias do sexo feminino a campos electromagnéticos de 20 µT e 60 Hz. Na prática. densidades de corrente da ordem de 0. durante mais de 5 horas por dia. interferem com a acção eléctrica do músculo cardíaco. e uma variedade de outros sintomas debilitantes. Esta doença deprime ainda o sistema imunológico. enquanto que. que o número de pulsações cardíacas diminuiu.a) Sistema Cardiovascular Como é sabido. constatou não se ter verificado quaisquer alterações do ritmo cardíaco. Seguidamente. crianças e adolescentes.

Os sintomas desta doença incluem dores de cabeça. Por conseguinte. depressão. o que demonstra a capacidade do corpo humano para absorver correntes eléctricas e desenvolver choques ou microchoques. Ou seja. d) Choques e Microchoques Eléctricos Um dos mecanismos de interacção entre os campos eléctricos de reduzidíssima frequência e os tecidos vivos. dependendo da intensidade dos campos eléctricos. As pessoas afectadas pela ES são particularmente sensíveis a determinadas frequências eléctricas. dores e pressão abdominais. a exposição a campos electromagnéticos constitui um risco potencial para os pacientes que padecem de anomalias associadas à inexplicável fadiga crónica. Adicionalmente. perturbações na concentração. em crescimento. não existindo actualmente qualquer tipo de tratamento. irritação ocular.ções na actividade e na estrutura superficial celular em dois importantes tipos de glóbulos brancos do sangue: células assassinas naturais e T-linfócitos. vertigens. confusão mental. os pacientes que sofrem de sensibilidade eléctrica apresentam uma hipersensibilidade à acção de campos electromagnéticos insensíveis ao público em geral. dificuldades respiratórias. activados perante a exposição a campos electromagnéticos. é uma doença com sintomas neurológicos e alérgicos. sendo um problema de saúde pública. reagindo de uma forma exarcebada quando expostas à acção de campos electromagnéticos. dores nos tendões e nos músculos. ritmo cardíaco alterado. zumbidos nos ouvidos. dormências. c) Sensibilidade Eléctrica A sensibilidade eléctrica (electrical sensitivity ES). náuseas. alterações no equilíbrio. inchaços faciais. fraqueza. paralisia. a exposição a campos electromagnéticos afecta negativamente o sistema imunitário. borbulhagem na pele. podendo causar uma disfunção hormonal e mudanças ao nível das células. e alterações na memória. 82 . perturbações do sono. fadiga. consiste na estimulação directa das células e membranas excitáveis. igualmente conhecida por hipersensibilidade electromagnética ou electrosensibilidade.

normalmente através de um cateter intravascular ou intracardíaco. enquanto que o termo microchoque eléctrico se refere às arritmias cardíacas produzidas por correntes de intensidades muito reduzidas. será. passando pelas queimaduras graves. pela lei de Ohm a intensidade da corrente que percorrerá o seu corpo. o corpo da vítima desenvolveria uma quantidade de energia calorífica equivalente à que seria libertada por uma resistência de aquecimento de 2. electricista. ao percorrerem o músculo cardíaco.5 kW durante 1 hora! 83 . considere-se o exemplo de um trabalhador. e sem qualquer protecção isolante. tendo ainda em atenção que a resistência eléctrica média do corpo humano se pode considerar igual a 2000 ohms (Ω): U 60 ×10 3 volts I= = = 30 amperes R 2000 ohms valor este que é extremamente elevado.Saliente-se que o termo choque eléctrico é utilizado para descrever todas as injúrias graves.5 kilowatts × hora Ou seja. que sofre um contacto acidental. como se prova através da determinação da potência calorífica desenvolvida por efeito de Joule no corpo do trabalhador: P = R I 2 = (2000 ohms ) × (30 amperes ) 2 = 1800000 watts = 1800 kilowatts Por sua vez. numa mão. e que compreendem desde a perda de consciência à electrocussão mortal. Para melhor compreensão dos efeitos térmicos causados por um choque eléctrico. directo. se o choque eléctrico tiver uma duração de 5 segundos. nos 5 segundos de duração do choque eléctrico. de um condutor eléctrico de média tensão. com um trajecto “mão – braço – peito – órgãos genitais – pernas”. provocadas pelas elevadas intensidades de corrente. a energia calorífica desenvolvida pelo corpo da vítima terá o seguinte valor: W = P t = (1800000 watts ) × (5 segundos ) = = 9000000 joules (watts × segundo) = = 2. a 60 kV. Considerando que os seus pés se encontram apoiados directamente no solo. ao potencial zero.

2. Esta sensação ocorre igualmente. enquanto que. nestas circunstâncias. 84 . o facto de se desconhecerem concretamente os mecanismos de interacção entre os campos e os sistemas biológicos. Contudo. no caso dos efeitos dos campos electromagnéticos os resultados obtidos podem mostrar apenas a associação das pessoas com um determinado estímulo – a exposição a esses campos –. situam-se no limiar dos choques eléctricos. dá origem a tremuras nos olhos que. não têm quaisquer efeitos degenerativos. sendo o objectivo desses estudos identificar as associações entre doenças e características ambientais particulares. contudo. os danos térmicos causados nos tecidos e órgãos do corpo com toda a certeza que conduziriam a uma morte inevitável. acontece com densidades de corrente da ordem de 20 mA/m2. ou seja. sob a influência de campos magnéticos. aos quais correspondem campos eléctricos de intensidade 100 V/m no interior do corpo humano. e) Sensações Visuais A acção dos campos electromagnéticos.3. que se reflecte através das correntes eléctricas induzidas na retina. para uma frequência de 20 Hz. estima-se que a densidade de corrente suficiente para estimular a excitação das células situa-se em 1 A/m2. O limiar do início dessas tremuras. ESTUDOS EPIDEMIOLÓGICOS A maioria dos resultados respeitantes aos efeitos dos campos electromagnéticos sobre os sistemas biofísicos. Os estudos epidemiológicos permitem ainda estabelecer uma correlação histórica de dados biológicos. ocorrendo a máxima sensibilidade entre 20 Hz e 30 Hz. de modo a ser possível estabelecer uma relação do tipo “causa-efeito”. para grandes amostras populacionais. os sintomas resultantes da exposição. são largamente baseados em conjuntos de estudos de determinação epidemiológica. Em termos quantitativos. valores da ordem de 10 A/m2. confere a estes estudos uma certa margem de incerteza. desde que existam bastantes factores envolvidos em cada uma dessas pessoas – por exemplo. a partir de valores da ordem de 10 mT a 50 Hz e 60 Hz.Evidentemente que.

encontrando-se em estudo. Epidemiologia A epidemiologia constitui uma ferramenta poderosa. quando o médico inglês John Snow observou que a morte de ratos devido à cólera.3. era particularmente significativa em áreas onde a água potável tinha sido extraída do rio Tamisa em locais muito próximos de embocaduras de esgotos. em Londres. Esses resultados permitiram concluir que a cólera era transmitida por meio de um agente desconhecido existente nos esgotos. “estudos de caso-controlo” (case-control studies).2. por exemplo os campos electromagnéticos de reduzidíssima frequência. tendo essa constatação conduzido posteriormente a um programa de tratamento das águas dos esgotos. que representa uma estimativa: OR = possibilidade de pessoas expostas do grupo casos possibilidade de pessoas expostas do grupo controlos 85 . denominada rácio de possibilidades ou de probabilidades (odds ratio OR). a epidemiologia pode ser entendida como o estudo da ocorrência e da distribuição de doenças numa determinada população. derivado de uma causa desçonhecida. O resultado do estudo epidemiológico é expresso através da seguinte relação. a) Rácio de Possibilidades Os estudos epidemiológicos são.1. ou seja. sendo similares em tudo excepto no facto de não possuírem a doença. A primeira vantagem destes estudos para a população humana ocorreu em 1885. que representam as pessoas com uma determinada doença. sendo identificados dois grupos de pessoas de uma determinada população: • • Os casos (cases). Os controlos (controls). encontra-se em estudo. que representam as pessoas seleccionadas da mesma população à qual pertencem os casos. de uma forma consistente. É de salientar ainda que a exposição destes dois grupos de pessoas a um determinado agente. utilizada para se determinar se existe algum risco para a saúde. sendo igualmente realizadas medições de parâmetros característicos.

para se estudar o caso da associação entre a exposição a campos electromagnéticos de reduzidíssima frequência e o cancro. e 500 controlos. • Se 130 controlos estiveram também expostos. O grupo exposto deverá ser constituído por pessoas que vivem próximo de fontes identificadas dos campos electromagnéticos.Este rácio é assim uma medida de associação. Se o valor de OR é igual a 1. Por exemplo. resultante de um estudo comparativo. ou seja. as pessoas casos estiveram provavelmente mais expostas que as pessoas controlo. havendo assim uma associação positiva entre a doença e a exposição. e os restantes 500 – 130 = 370 casos não estiveram expostos.35. medida essa que quantifica a relação entre exposição e saúde. sem se encontrarem expostas aos efeitos dos campos electromagnéticos Para melhor compreensão. o qual tem sido exposto a esses campos electromagnéticos. • Por conseguinte. tem-se OR = 0. se OR é superior a 1. deverão ser comparados dois grupos de pessoas: um grupo (casos). então a possibilidade de pessoas expostas do grupo casos será 130/370 = 0. não se encontrou nenhuma diferença entre a exposição de pessoas com a doença e as pessoas sem a doença.35/0. ou seja. enquanto que o segundo deverá ser composto por pessoas que habitam longe dessas fontes. os controlos não expostos são 500 – 130 = 370. Exemplo 2: • Estudo de 500 cancros (casos).35 = 1. daí que a possibilidade de pessoas expostas do grupo controlos será 130/370 = 0. considerem-se os seguintes exemplos numéricos: Exemplo 1: • • Estudo de 500 cancros (casos). como por exemplo linhas aéreas de transporte de energia e subestações. o que significa que existe uma associação negativa entre a doença e a exposição. que nunca esteve exposto. 86 .35. existe uma associação negativa entre a exposição e o cancro. e 500 controlos. Contrariamente. e o segundo (controlos). Se 130 casos estiveram expostos aos campos electromagnéticos.

• Se 200 casos estiveram expostos aos campos electromagnéticos.35 = 1. no que respeita aos tipos de fontes geradoras de campos electromagnéticos. existe uma associação positiva entre a exposição e o cancro.88. • Por conseguinte. Saliente-se que. campos esses gerados não só pelas instalações eléctricas mas também pelas próprias ferramentas com que operam. mesmo com níveis inferiores aos recomendados. • Se 130 controlos estiveram também expostos. tem-se OR = 0. apresenta-se de seguida. e os restantes 500 – 200 = 300 casos não estiveram expostos.66/0.66. em ambas as situações. podendo variar entre 0.35. daí que a possibilidade de pessoas expostas do grupo controlos será 130/370 = 0. locais de trabalho. Os recursos humanos que trabalham nas proximidades de transformadores. particularmente nos casos de fábricas de equipamentos eléctricos e electrónicos. os controlos não expostos são 500 – 130 = 370. e ambientes ou locais públicos. superior a 10 μT. a exposição continuada assim como a exposição a diversas gamas de frequências. Locais de Trabalho (Locais Ocupacionais) Estes locais são estudados no contexto de indústrias específicas e de postos de trabalho. 87 . podem ficar igualmente expostos a campos de elevada densidade de fluxo. ou seja. quadros eléctricos e outros equipamentos e instalações onde as intensidades de corrente são elevadas. respeitando essa separação. onde a probabilidade dos trabalhadores estarem expostos à acção de campos eléctricos e magnéticos de reduzidíssima frequência é bastante elevada. então a possibilidade de pessoas expostas do grupo casos será 200/300 = 0. isto é.4 μT. fazem uma diferenciação entre ambientes ocupacionais. as densidades de fluxo são similares às existentes nas habitações particulares. subestações. algumas características típicas desses locais. poderá originar efeitos adversos a médio e longo prazo. Quanto a escritórios e a outros edifícios de serviços.05 μT e 0. b) Locais de Exposição Atendendo a que os regulamentos de segurança assim como as linhas directivas de protecção contra as exposições a campos electromagnéticos.

os cancros da mama. Um dos trabalhos mais importantes. ser bastante difícil estabelecer qual a correlação mais clara e evidente entre os efeitos das linhas de transporte de energia e as doenças cancerígenas. são diversos os estudos epidemiológicos que corroboram a existência de uma associação positiva entre a exposição a campos electromagnéticos de frequências reduzidíssimas e as doenças cancerígenas. Por outro lado. escolas e hotéis os cabos e as linhas eléctricas de transporte de energia. havendo. teve início em 1990 nos Estados Unidos. e diversos equipamentos de escritório e electrodomésticos. e os cancros pulmonares. e vias de comunicação rodoviárias e ferroviárias. sendo as fontes que afectam as residências. e constituiu uma parte significativa do Research and Public Information Dissemination (RAPID) Program. foram realizados mais estudos de carácter epidemiológico. havendo vários estudos que comprovam que os campos magnéticos de elevada densidade de fluxo existentes em habitações devem-se à sua localização muito próxima de linhas de transporte. os cancros no cérebro. como a leucemia em crianças e em adultos. Nos anos seguintes. escolas. outro grupo de estudos que concluíram existir uma associação negativa. Os primeiros estudos epidemiológicos que relacionam a exposição a campos electromagnéticos gerados por linhas de transporte de energia e o cancro. no sentido de investigar a associação entre a exposição a campos electromagnéticos de baixa frequência e a degradação da 88 . apontando para uma clara associação entre os campos electromagnéticos e o desenvolvimento de cancros. hotéis. compreendem as residências. apesar de. mandatado pelo Congresso e incluído no Energy Policy Act de 1992. Estudos Epidemiológicos do Cancro Nas últimas décadas. datam dos anos 70 do século passado.3.Locais Públicos Os locais públicos onde existem exposições a campos electromagnéticos de reduzidíssima frequência. as fontes de campos em comboios e transportes ferroviários urbanos são devidas às linhas de contacto e às catenárias de alimentação. todavia. as subestações e postos de transformação. tendo de facto concluído que essa exposição é directamente responsável pelo aparecimento e desenvolvimento de doenças cancerígenas.2. por outro lado. não só na Europa mas também nos Estados Unidos e na Austrália. 2.

por televisores. que significa literalmente “sangue branco”. o seu autor concluiu haver evidências. Num estudo realizado em 2001. havido uma reunião internacional entre 30 cientistas. descreve uma variedade de cancro que é conhecida pela criação anormal de glóbulos brancos no sangue – os leucócitos –. apresentam-se alguns aspectos quantitativos da exposição a campos electromagnéticos e as incidências de determinados tipos de doenças cancerígenas. Entretanto. concluíram não existir provas concludentes de que a exposição a campos electromagnéticos de reduzidíssima frequência possa desenvolver “carcinomas humanos conhecidos” ou “prováveis carcinomas humanos”. baseados em estudos epidemiológicos que mostraram haver uma associação entre alguns tipos de leucemia e a exposição a campos magnéticos. Este programa RAPID. afectando não só a existência de glóbulos brancos saudáveis. associado ao normal crescimento e desenvolvimento das crianças. que durou cerca de cinco anos. a) Leucemia Infantil Como é sabido. que. Seguidamente. A palavra “leucemia”. suportadas por bastantes estudos epidemiológicos. em Junho de 1998. em 15 de Junho de 1999. de que os campos electromagnéticos de frequências reduzidíssimas são perigosos para a saúde humana. na Nova Zelândia. Contudo. a infância é um período onde se verifica um enorme crescimento de células. havendo uma ligação forte ao aparecimento de leucemias. daí que seja de todo o interesse para a sua saúde adoptar cuidados especiais no que respeita à sua exposição a campos electromagnéticos gerados por linhas de transporte de energia. utilizando os critérios desenvolvidos pela International Agency for Reseaech on Cancer. tendo. e por telefones celulares. especialmente em crianças. foi liderado pelo National Institute of Environmental Health Sciences (NIEHS) e pelo Department of Energy (DOE).saúde humana. por computadores e seus periféricos em casa e nas escolas. vírus e 89 . o NIEHS concluiu que os campos electromagnéticos de reduzidíssimas frequências podem causar cancro. a maioria dos membros desse grupo de trabalho concluiu que a exposição a campos magnéticos emanados de linhas aéreas de transporte de energia pode conduzir a “possíveis carcinomas humanos”. que são essenciais para o combate a bactérias.

nos Estados Unidos.outras infecções. 90 . Califórnia. todavia é o tipo mais comum dos cancros que afectam as crianças. contrariamente àquelas que habitavam em zonas bastante mais afastadas. à confirmação da associação positiva entre o desenvolvimento de leucemia infantil e a exposição a campos electromagnéticos. os autores do estudo salientaram que as crianças que habitam casas muito próximas de linhas de transporte de energia eléctrica em alta tensão. • Um dos primeiros estudos epidemiológicos realizados sobre este assunto.15. em Los Angeles. • Foram detectados. chegou a um OR de 2. casos de leucemia e outros cancros infantis. realizado em 1991. em 1979. conduziu a um OR de 2. um estudo conduzido por dois investigadores da Universidade do Colorado. • Em 1976-1977.35. Esta doença representa menos de 4 % do universo de todos os tipos de cancro que afectam os adultos. no que respeita a esta doença: • As crianças com o Síndroma de Down têm um risco acrescido (10 a 40 vezes superior) de contraírem leucemia. que são os responsáveis pelo transporte do oxigénio a todos os pontos do corpo. ou seja. em relação às crianças consideradas normais. constatou que. Vejam-se de seguida diversos resultados e constatações consideradas importantes. • As crianças cujas mães. • Um estudo epidemiológico americano. Como resultado. durante a gravidez. apresentam igualmente um risco acrescido. mas também os glóbulos vermelhos.25 μT. contraíram cancro. associados à exposição a campos magnéticos de 0. através de estudos realizados em 1980. o que permitiu concluir da existência de elevados riscos na contracção de leucemia infantil por parte de crianças sujeitas à acção de campos electromagnéticos. que as restantes crianças. apresentam um risco duas a três vezes superior de contraírem leucemia ou tumores no sistema nervoso. foram sujeitas a diagnósticos através de raios X. crianças que viviam muito próximo de grandes instalações eléctricas.

2 μT. propõe que a hipótese da melatonina. não se tendo detectado estatisticamente um aumento significativo no número de leucemias e linfomas. com idades até aos 19 anos.7 vezes superior às restantes crianças. cabos subterrâneos e subestações. Ainda estatisticamente. em habitações distanciadas de 500 m ou menos de linhas aéreas de 100 kV a 400 kV. publicado em 1998. Dinamarca e Finlândia. além disso. • De acordo com um estudo realizado em Taiwan. isto é. e 33 de cancro no sistema nervoso. realizado na Suécia.• Em estudos bastante completos. que viveram dentro de um perímetro de 800 m relativamente a linhas de transporte de energia. uma população base constituída por todas as crianças suecas com 15 anos de idade ou mais jovens. terão um risco acrescido de contraírem leucemia. foi concluído que as crianças que vivem em três distritos do norte do país. O estudo realizado na Dinamarca considerou crianças de residências situadas entre 25 m e 50 m de linhas de transporte de energia. • Outro estudo científico. • Num estudo científico publicado em 2003. publicado em 2005. tendo demonstrado um aumento significativo do risco de contracção de linfomas entre crianças sujeitas a campos magnéticos iguais ou superiores a 0. tendo identificado 142 casos – 39 de leucemia. foi reportado que os filhos de mães grávidas expostas a campos electromagnéticos emanados de equipamentos de energia. a campos de frequência 50 Hz e 60 Hz. apresentam elevados riscos de contraírem leucemia. que estiveram expostos a campos magnéticos iguais ou superiores a 0. próximo de linhas de transporte de energia. Quanto ao estudo realizado na Finlândia. que viveram. entre 1970 e 1989. para a Suécia.1 μT. envolveu 68300 rapazes e 66500 raparigas. Foram detectados 28 casos de leucemia entre 120696 crianças e. na qual os campos magnéticos de 50 Hz e de 60 Hz funcionam como supressores da produção nocturna de melatonina na 91 . notou-se um excesso significativo de tumores no sistema nervoso. as crianças que vivem em áreas dentro dos 100 m a partir das linhas aéreas apresentam um risco 2. mas apenas em rapazes. durante o período 1960-1985. foi considerada.

• Outro estudo. numa população de 223292 trabalhadores de duas grandes empresas industriais canadianas e de uma empresa pública francesa. não suporta igualmente qualquer associação positiva entre leucemia e exposição a campos electromagnéticos. 92 . • Investigadores da Johns Hopkins University e da empresa norteamericana AT&T. todavia sem significado acima dos níveis normais. deve ser levada em linha de conta como contribuindo para o aumento dos riscos das crianças contraírem leucemia. mostrou que os trabalhadores que contraíram leucemia pertenciam aos recursos humanos que se encontravam expostos cumulativamente a campos magnéticos. realizado em 1995 por um grupo da University of North Carolina. durante toda a sua carreira laboral. estudaram a ocorrência de leucemias entre os trabalhadores expostos a campos electromagnéticos de reduzidíssimas frequências. • Um estudo realizado por investigadores franceses e canadianos. apresentaram uma taxa de incidência de leucemia 2. de todos aqueles que exerceram funções pelo menos durante dois anos e que faleceram entre 1975 e 1980. os resultados globais obtidos não encontraram qualquer associação positiva entre os casos de cancro estudados e a exposição a campos electromagnéticos. b) Leucemia em Adultos • Um estudo conduzido pela Southern California Edison Company. tendo constatado que. Todavia.5 vezes superior à dos outros trabalhadores. Foi também concluído que os trabalhadores que estiveram sempre expostos a campos magnéticos acima do normal. detectou um ligeiro aumento do risco de cancro em algumas situações. que envolveu 138000 trabalhadores da indústria electrotécnica americana.glândula pineal. a 124 deles foi-lhes diagnosticado leucemia como causa de morte. no período 1950-1986. entre 36221 trabalhadores que se encontravam directamente envolvidos com equipamentos eléctricos.

quando expostos a campos iguais ou superiores a 0. e cujo grupo de análise era constituído por trabalhadores electrotécnicos da empresa Canadian Power Company Ontario Hydro. para os níveis mais elevados de exposição simultânea a campos eléctricos e magnéticos. incluiu a análise da exposição a campos eléctricos e magnéticos em 1015 postos de trabalho diferentes. que apresentou como objectivo analisar a acção cumulativa dos efeitos dos campos eléctricos e dos campos magnéticos sobre o desenvolvimento de cancros. • Um outro estudo. também realizado na Suécia. na medida em que. talvez mesmo ainda mais. Saliente-se que. habitando em zonas afastadas.2. entre 1960 e 1985.2 μT. assim como noutro mais recente. naquele último estudo. também bastante completo. e que incluiu aproximadamente 400000 pessoas que viveram a 300 m ou menos de linhas aéreas de transporte de energia pelo menos durante um ano. constatou-se igualmente que a exposição a campos eléctricos de intensidades entre 10 V/m e 40 V/m aumenta consideravelmente o risco de desenvolvimento de leucemia. os efeitos dos campos eléctricos são igualmente bastante importantes. realizado nos Estados Unidos em 2000. os valores da OR situavam-se entre 3. mostrou haver um risco acrescido de contracção de leucemia. tendo igualmente sido concluído que aumenta o risco de desenvolvimento de tumores cerebrais em indivíduos do sexo masculino abaixo dos 40 anos. na medida em que. permitiu afirmar que as pessoas expostas a campos magnéticos. realizado na Suécia. e envolveu mais de 1600 pessoas de 169 profissões diferentes. apresentavam uma probabilidade de contrair leucemia 4 vezes superior à das outras pessoas. Foi encontrada uma associação positiva entre a exposição a campos electromagnéticos e a leucemia. em casa ou no posto de trabalho. 93 . apesar da maioria dos estudos epidemiológicos dizerem respeito à associação entre a leucemia e a exposição a campos magnéticos de reduzidíssima frequência.51 e 11.• Um estudo. • Um estudo realizado no Canadá.

e realizado no Canadá e em França. sendo as causas desta doença primariamente desconhecidas. a alimentação. e publicado em 1994. tendo incidido em trabalhadores de três grandes empresas do sector eléctrico produtor. envolvendo 764 adultos sujeitos à exposição a campos electromagnéticos em locais ocupacionais. e a exposição a campos electromagnéticos por parte dos progenitores durante o ano imediatamente anterior à concepção. e o consumo excessivo de álcool. que é o órgão principal do nosso sistema nervoso central.15 μT. o tabaco. não é muito frequente. cancro da glândula pituitária. constatou-se também não haver um aumento significativo da doença em trabalhadores sujeitos a campos magnéticos mesmo superiores a 3. • Num estudo publicado em 1994. c) Cancro Cerebral O cancro do cérebro. e que incluiu 250 casos de cancro do cérebro. incidindo sobre trabalhadores dos caminhos de ferro. cancro do cérebro.• Num estudo epidemiológico realizado nos Estados Unidos. • Outro estudo. e de linfomas. 94 . os resultados obtidos permitiram concluir da existência de uma associação muito ténue entre a exposição a campos electromagnéticos e o aparecimento de leucemia aguda. tais como a exposição a radiações químicas e electromagnéticas. estimou que o risco de desenvolvimento de cancro no cérebro aumenta 1. realizado entre trabalhadores de empresas produtoras de energia eléctrica. Vejam-se os resultados dos estudos epidemiológicos relativos à associação entre o cancro do cérebro e a exposição a campos electromagnéticos: • Num estudo realizado na Suécia. • Os resultados de um estudo levado a cabo com a finalidade de reportar uma possível associação entre o desenvolvimento de cancros cerebrais em crianças. e publicado em 2003. entre 1991 e 1996. estejam igualmente associadas ao desenvolvimento deste tipo de cancro. apesar dos factores que estão na origem de outros tipos de cancro. concluiu-se haver um aumento não significativo de leucemias.94 por μT-ano de exposição a campos magnéticos.

12 e 1.31. não foi encontrada qualquer associação entre a incidência de cancro da mama (96 casos) em indivíduos do sexo feminino ligados ao sector das indústrias eléctricas. concluiu-se que o risco de contrair cancro na mama é bastante elevado no grupo de indivíduos do sexo masculino sujeito a uma maior e mais duradoura exposição. entre trabalhadores ligados ao sector das indústrias eléctricas. • • Foram reportados casos de ocorrência de cancro da mama. incidindo em trabalhadores dos caminhos de ferro. De acordo com um estudo realizado na Suécia. bastante característico dos indivíduos do sexo feminino. não se poderá dizer que existe uma associação positiva significativa entre o desenvolvimento de cancro cerebral e a exposição a campos electromagnéticos de frequências reduzidíssimas. originando tumores que. com base na grande maioria dos estudos epidemiológicos efectuados em vários países. realizado na Finlândia.0 μT). e apenas um na gama das exposições muito elevadas (> 1. concluiu não haver uma associação significativa entre o cancro da mama e a exposição a campos electromagnéticos gerados nas residências particulares. • Concluiu-se haver uma associação positiva entre a exposição a campos eléctricos e magnéticos e o desenvolvimento de cancros em trabalhadores de empresas produtoras de energia eléctrica. o que significa que não existe uma associação positiva significativa. na Noruega. com base no número insignificante de casos encontrados: dois na gama de exposições reduzidas (0. tendo esta conclusão sido corroborada por um outro estudo. na maioria das situações.encontrou um OR entre 1. 95 . degeneram em malignidades. • Outro estudo epidemiológico sueco. • Num estudo dinamarquês. é uma anomalia que se refere ao desenvolvimento e proliferação errática de células dos tecidos mamários. d) Cancro Mamário O cancro da mama. De um modo geral. com idades entre 20 e 64 anos. caso dos maquinistas e dos técnicos de via.29 μT).1 μT a 0.

se situa em 1. como se discrimina seguidamente: • A exposição a campos electromagnéticos de reduzidíssima frequência. não se encontrou ainda qualquer explicação científica para justificar a relação entre a exposição a campos electromagnéticos e o desenvolvimento do cancro do pulmão. não só em locais residenciais mas nos locais de trabalho. tendo essa associação sido analisada em diversos estudos. a exposição a campos electromagnéticos não incrementa de forma significativa o risco de desenvolvimento do cancro da mama. que é uma hormona protectora contra determinados tipos de cancro. que obteve para o OR um valor bastante elevado – 3. Outro estudo realizado igualmente no Canadá concluiu que o aumento do risco. e) Cancro Pulmonar Presentemente. concluiu que a exposição a 96 . aumenta de forma significativa o risco de se contrair cancro do pulmão. também para trabalhadores expostos a linhas de transporte de energia. parecem indiciar que.84. no Reino Unido. Contudo.• Não existe incremento do risco de desenvolvimento de cancro mamário em mulheres. levantou-se a hipótese de que a exposição a esses campos poderia ser um risco para o desenvolvimento deste tipo de carcinoma. • A exposição a campos electromagnéticos transitórios de elevada frequência. com base no facto de que tais exposições fazem diminuir a produção de melatonina. • Um interessante estudo realizado pelo Medical Physics Research Centre da Bristol University. que confirmam de facto haver uma associação positiva. como foi salientado num trabalho científico tornado público em 2003. como o demonstra um estudo epidemiológico realizado no Canadá e em França. na prática. os resultados obtidos a partir dos estudos epidemiológicos realizados. devido às exposições dos campos eléctricos e magnéticos originados por cobertores eléctricos. conduz a um excesso de ocorrências de cancro pulmonar. Devido às investigações relativas aos efeitos dos campos electromagnéticos de reduzidíssima frequência sobre os níveis de melatonina.1. em instalações de produção e transporte de energia.

sobretudo acima dos 55 anos de idade. Os estudos epidemiológicos realizados até agora. permitiram constatar da existência de uma associação francamente positiva entre o desenvolvimento de cancros de pele e a exposição a campos electromagnéticos de reduzidíssima frequência. enquanto que o segundo grupo era constituído pelas restantes pessoas. e que examinou a incidência de cancros na pele em pessoas que residem a cerca de 20 m ou menos de linhas de transporte de energia. quando os átomos de radão são gerados de uma forma rápida atraem moléculas de água presentes no ar. demonstrado nesse estudo. na vizinhança dessas linhas. g) Cancro da Próstata Este tipo de cancro é bastante comum nos indivíduos do sexo masculino. da aptidão que os campos eléctricos gerados por linhas eléctricas de transporte de energia possuem para atrair e concentrar átomos de radão. infelizmente em rápida expansão.campos magnéticos representa uma possibilidade de aumento de casos de cancro do pulmão. Esta conclusão baseia-se no facto. que é um gás radioactivo. tendo concluído haver um aumento significativo de casos. Como conclusão. ruivos. desenvolvendo nelas aerosóis ultrafinos. e com olhos claros. com uma dimensão de 10 nm. os grupos de maior risco são constituídos por pessoas de pele muito clara. em função da sua proximidade das linhas de transporte – o primeiro grupo compreendia as pessoas que residiam muito próximo das linhas. mais afastadas. louros. As células cancerígenas são primeiramente formadas na próstata. Apesar de todos os tipos humanos o poderem contrair. e portanto sujeitas aos níveis mais baixos de radão. sediado na Bristol University. constatou-se que o risco inerente às pessoas do primeiro grupo aumentou ainda mais. em Devon e na Cornualha. sendo de salientar o estudo realizado pelo grupo citado na alínea anterior. 97 . por conseguinte sujeitas a elevados níveis de radão. Por sua vez. uma vez que o risco aumenta com a idade. Além disso. f) Cancro da Pele Este tipo de cancro. representa já cerca de metade do universo dos novos tipos de cancro na Europa e nos Estados Unidos. a população alvo desse estudo foi catalogada em dois grupos.

e em trabalhadores do sector das indústrias de equipamentos eléctricos na Dinamarca (1998). numa amostra populacional igualmente no Canadá (2002). encontrada nos trabalhadores da empresa americana de produção e transporte de energia eléctrica Califórnia Edison (1993).1 e 1.podendo seguidamente transformar-se em metástases que irão afectar outras partes do corpo.0 para os níveis de exposição mais elevados. sobretudo em locais ocupacionais. sem quaisquer dúvidas. é de salientar que os riscos relativos associados às amostras populacionais onde se encontrou uma associação positiva entre exposição e cancro. em trabalhadores suecos (1999). Relativamente aos estudos epidemiológicos realizados com a finalidade de se estabelecer uma relação entre a exposição a campos electromagnéticos de 50 Hz e de 60 Hz. envolvendo utilizadores de cobertores eléctricos e camas com colchões de água aquecida. e entre 1. mesmo por períodos continuados. existem dois tipos de resultados: • Não existência de qualquer associação entre exposição e doença. que existe uma forte e inequívoca associação positiva. nos trabalhadores dos caminhos de ferro noruegueses (1994). Todavia. e em trabalhadores das indústrias eléctricas em França (1996). em funcionários dos caminhos de ferro suíços (2001). encontrada em trabalhadores do sector dos equipamentos eléctricos no Canadá (1996. a campos electromagnéticos de reduzida energia. Por conseguinte. 2000). e a incidência de diversos tipos de cancro em adultos. estes valores do factor de risco são insuficientes para se poder afirmar. • Existência de uma associação positiva entre o desenvolvimento de doenças cancerígenas e a exposição não só a campos eléctricos. 98 . Um estudo publicado em 1998. em áreas residenciais e ocupacionais (1997). e em trabalhadores suecos que operavam com máquinas de soldar (2002). sobretudo os ossos e outras estruturas selectivas. não encontrou qualquer associação positiva entre a incidência deste tipo de cancro e a exposição. mas também a campos magnéticos.3 para níveis um pouco mais reduzidos. em trabalhadores do sector eléctrico canadianos (1994) e americanos (1995). situam-se em 2.

Quanto às suas causas. a) Doença de Alzheimer e Demência Esta doença. e em montadores de equipamentos eléctricos e electrónicos. motivado pelo aumento da esperança média de vida. tendo diversos estudos de incidência epidemiológica permitido chegar às seguintes conclusões: • Pessoas expostas a campos de elevada intensidade. têm igualmente vindo a ser realizados outros estudos não menos importantes. afectando áreas específicas do cérebro normalmente em idosos com mais de 65 anos de idade. • A exposição a campos electromagnéticos nos locais de trabalho poderá. os traumas na cabeça. electricistas. apresentam um risco de contrair a doença três a cinco vezes mais alto. incluindo alterações genéticas indirectas iniciadas e induzidas pela acção de campos electromagnéticos. existem diversas possibilidades. É uma degeneração avançada das células 99 . o alcoolismo. O seu diagnóstico inclui sintomas de demência – perdas de memória e das funções mentais –. sobretudo nos países desenvolvidos. nos seus locais de trabalho. com tendência para aumentar devido ao incremento do número de idosos com mais de 65 anos.3. • O risco é igualmente elevado em carpinteiros.2. progressiva e irreversível.3. afectando actualmente mais de 20 milhões de pessoas em todo o mundo. influenciar o desenvolvimento de demência. e os derrames cerebrais. como se discrimina seguidamente. e exclui outras causas como a doença de Parkinson. b) Esclerose A esclerose lateral amiotrófica (amyotrophic lateral sclerosis) é uma doença neurológica progressiva e fatal. Estudos Epidemiológicos de Doenças Não Cancerosas Além dos estudos epidemiológicos relevantes associados à incidência de doenças cancerosas. descrita pelo médico alemão Alois Alzheimer em 1906. possivelmente. é a mais comum das doenças da terceira idade. como por exemplo os operadores de máquinas de costura. relativos à associação entre a incidência de doenças não cancerosas e a exposição a campos electromagnéticos de reduzidíssima frequência. É uma doença do foro neurodegenerativo. assim como em operadores de máquinas ferramentas portáteis.

publicado em 1996. d) Doenças Cardíacas Na prática. 100 . parece não existir uma associação positiva entre a exposição a campos electromagnéticos de reduzidíssimas frequências e anomalias cardíacas. o cheiro. sendo um factor de risco conducente ao suicídio. Caracteriza-se por um desinteresse pela vida. a visão. e afecta pensamentos. estes começam a atrofiar originando fraqueza que se transformará gradualmente em paralisia. Como conclusão dos estudos realizados. como se concluiu através de alguns estudos realizados. de facto. em 35391 trabalhadores do sexo masculino da empresa americana Southern Califórnia Edison Company. sobretudo em pessoas expostas a esses campos nos seus locais de trabalho – exposição ocupacional. e igualmente num grupo de trabalhadores dinamarqueses do mesmo sector de actividade (2002). indiscriminadamente. os intestinos. sentidos. e o aparelho urinário. tendo esses estudos tido em conta os níveis de exposição e a sua duração. a actividade sexual. a audição. e publicado em 2000. no período compreendido entre 1960 e 1992 (2002). os poucos estudos realizados indiciam que. trabalhadores em empresas do sector eléctrico (1999). numa população de 139000 indivíduos do sexo masculino. que pode afectar qualquer pessoa. esta doença não afecta as capacidades intelectuais. Por outro lado.cerebrais que comandam os nervos motores (neurónios motores superiores). o paladar. e a vida privada e profissional. contudo entre a exposição e a tendência para o suicídio. nada indica que exista qualquer relação. saúde física. como ficou patente num estudo epidemiológico realizado numa população de 138905 trabalhadores de empresas americanas do sector eléctrico. existe alguma relação directa. é possível haver uma reduzida associação entre a exposição a campos electromagnéticos e a depressão. c) Depressão e Suicídio A depressão é uma doença cada vez mais comum. e da espinal medula (neurónios motores inferiores) – quando os neurónios motores superiores deixam de enviar impulsos aos músculos. Quanto à associação entre o desenvolvimento desta doença e a exposição a campos electromagnéticos. tendo outro estudo anterior. chegado à mesma conclusão.

2. os utilizadores intensivos de computadores podem vir a sofrer de dores posicionais no pescoço e nas costas. tensão nos músculos oculares. Estudos Relevantes sobre Terminais de Computador e Outros Electrodomésticos Ao longo dos anos. no sentido de investigar a relação entre a utilização de camas de água aquecidas e de 101 . ardor e irritação nos olhos. tais como dores de cabeça. constata-se o seguinte. De facto. existem diversos mecanismos físicos e biofísicos associados à utilização e exposição aos VDTs. Apesar de serem construídos de acordo com todas as normas de segurança em vigor. sendo estas anomalias classificadas pelos médicos de saúde ocupacional como sendo “danos de esforço repetitivo”. com base nos estudos epidemiológicos realizados: • Um estudo realizado no Colorado. consequentemente com a utilização. não só as instituições de investigação mas também os próprios fabricantes têm vindo a realizar estudos intensivos com a finalidade de determinar quais os riscos para a saúde derivados da exposição aos écrãns dos monitores (vídeo display terminals VDTs) utilizados nos computadores. fadiga ocular. sendo também possível que surja alguma tensão psicológica.3. O trabalho feminino com computadores. incluindo cataratas. de VDTs. há ainda bastantes dúvidas e opiniões contrárias. Se bem que as alterações visuais sejam passageiras e não tenham consequências sérias. Estados Unidos. mesmo intensiva. e com a garantia dos próprios fabricantes de que não existem perigos que coloquem em risco a saúde dos utilizadores. quando a vista se encontra bastante cansada diminui o ritmo de trabalho e podem suceder-se erros. Por outro lado.4. náuseas. não aumenta o risco de deficiências nos fetos nem de abortos espontâneos Quanto à influência dos campos electromagnéticos com origem em electrodomésticos. assim como no punho que manipula o rato e nos ombros. manchas na vista. Eis os resultados de diversos estudos epidemiológicos levados a cabo: • • Não há qualquer relação entre os efeitos dos campos electromagnéticos emanados dos monitores e doenças oftalmológicas.

realizado numa população de 443 mulheres saudáveis. • Outros estudos publicados respectivamente em 2002. quais são os mecanismos físicos e biológicos da interacção entre a exposição a campos electromagnéticos e o desenvolvimento de determinadas doenças. existem três estudos. constatou que as progenitoras de fetos defeituosos não estiveram nem mais nem menos tempo expostas aos campos electromagnéticos gerados por camas aquecidas. mais do que aquela que é possível obter através de estudos em células humanas ou em animais. que a generalidade de outras mães. o desenvolvimento de anormalidades. voluntárias. publicado em 1992. afirmam que os resultados obtidos permitem concluir que o risco total de defeitos em recém nascidos não se encontra associado com a exposição dos pais a campos electromagnéticos de 50 Hz. especialmente o tempo de gestação. que tentaram engravidar no período 1984-1986. e que envolveu uma população de 1806 famílias em relação às quais ocorreu um nascimento. através do processamento dos 102 . e realizado no Estado de New York. e as perdas de fetos por aborto espontâneo. por exemplo. com o objectivo de determinar. • Um estudo desenvolvido na Finlândia e publicado em 1993. mais recente.cobertores eléctricos. enquanto que os primeiros são estudos essencialmente estatísticos. em dois hospitais de Denver. • Um outro estudo. que afirmam que a exposição intensa a campos electromagnéticos de frequência comercial está associada ao aumento de risco de aborto. • Como excepção. Todavia. concluiu que não existe qualquer associação positiva entre o desenvolvimento de abortos espontâneos e a exposição a campos magnéticos gerados por cobertores eléctricos. publicados em 2002. o peso dos recém-nascidos. 2003 e 2005. mas que permitem avaliar da existência ou não daquela interacção. em 1982. e o desenvolvimento da gravidez. permitiu concluir que a utilização daqueles dois equipamentos durante o tempo de gravidez poderá causar efeitos adversos na saúde dos fetos. convém salientar que estes últimos estudos têm um carácter estritamente científico. Os estudos epidemiológicos apresentam a vantagem de permitirem a obtenção de informação valiosa relativamente aos seres humanos.

que possam satisfazer as dúvidas que se levantam na opinião pública se. existem dois tipos de campos electromagnéticos. como se ilustra nos seguintes exemplos. Considerando todas as evidências acerca dos efeitos nocivos da exposição a campos electromagnéticos. Quanto ao segundo tipo. deverá estar sempre presente a seguinte questão: “Poderão os campos eléctricos e magnéticos gerados por toda a panóplia de equipamentos utilizados na produção. apesar de não haver bases científicas teóricas e experimentais que. enquanto que o vector 103 . isto é. ou seja.dados obtidos por amostragem. distribuição e utilização de energia eléctrica. Neste nível de frequências. compreende as frequências reduzidas. existem ou não efeitos nocivos para os sistemas biofísicos. na medida em que as evidências mostram haver algumas situações fora do que é normal e esperado. Ou seja. o carácter penetrante dos campos electromagnéticos de reduzidíssima frequência em relação ao ambiente que nos rodeia e a nós próprios. a atitude correcta a adoptar consistirá em admitir a existência de riscos possíveis. NORMAS DE SEGURANÇA E REGULAMENTAÇÃO De acordo com o espectro de frequências. transporte. e é designado usualmente na literatura técnica de expressão anglófona por ELF field. e é comummente denominapo de VLF field. fará igualmente com que aquela atitude passe por não ignorar não só a existência desses campos mas também a mais remota das sugestões de risco para a saúde humana. Very Low Frequency field. o campo eléctrico e o campo magnético podem-se manifestar em simultâneo ou então separadamente. classificados em função da gama de frequências.4. Extremely Low Frequency field. obtidas através dos estudos epidemiológicos. situadas entre 3 kHz e 30 kHz. desde os grandes geradores das centrais até às utilitárias máquinas de barbear e escovas eléctricas de lavagem dos dentes. de facto. O primeiro tipo compreende as frequências extremamente reduzidas. situadas entre 0 (corrente contínua) e 3 kHz. de uma forma concisa e consistente. Adicionalmente. Todavia. causar problemas de saúde?” 2. parece não haver uma ligação sólida com o desenvolvimento de cancro e outras anomalias. tendo em atenção que o vector intensidade do campo eléctrico se encontra associado à tensão eléctrica. possam justificar essa existência de riscos.

mas em vazio. • Nas imediações de um magneto permanente. um campo magnético. devido às elevadas intensidades de corrente. na sua vizinhança. • Na presença de uma máquina eléctrica a funcionar em vazio. devido à influência do fluxo magnético gerado no seu circuito ferromagnético. em que os seus cabos se encontram em carga. isto é. O mesmo sucede com os condutores em instalações eléctricas de baixa tensão. mas. sucede que. daí que. por um lado. a atenção esteja muito mais concentrada para a influência associada aos campos magnéticos. percorridos por correntes eléctricas. se se encontrar sob uma tensão de 25 kV. isto é. se bem que os campos eléctrico e magnético se possam manifestar em simultâneo. Adicionalmente. devidos não só aos próprios electrodomésticos existentes nas zonas residenciais mas também às linhas de transporte de energia em alta e muito alta tensão. existe a influência simultânea de um campo eléctrico e de um campo magnético. por exemplo 1500 A. na prática. o ser humano encontra-se quase permanentemente exposto à influência de campos electromagnéticos. os campos eléctricos apresentam uma intensidade reduzida. e à sua facilidade em penetrarem facilmente nos tecidos biológicos e no interior de edifícios e 104 . • Na vizinhança de linhas áreas de alta tensão. Por conseguinte. tem-se apenas. isto é. por outro. por exemplo a 400 kV. Nesta última situação. os campos magnéticos são já significativos. uma vez que não existe corrente eléctrica. nas suas imediações existirá unicamente campo eléctrico. Esta situação deve-se a que a blindagem aos campos magnéticos seja difícil de obter. os potenciais efeitos nefastos para os tecidos biológicos encontram-se bastante mais relacionados com a exposição aos campos magnéticos que aos campos eléctricos.intensidade do campo magnético está directamente relacionado com a intensidade da corrente eléctrica e com os materiais magnéticos: • No caso de uma catenária em tracção eléctrica ferroviária. tem-se igualmente apenas a influência de um campo magnético. praticamente sem corrente eléctrica. sem corrente eléctrica a circular.

No caso da exposição a campos electromagnéticos. Uma norma de segurança é um documento normalmente elaborado por um grupo de reconhecidos especialistas na área. designados por níveis de segurança. têm sido devidas à ausência de mecanismos de interacção. acima desses níveis existe risco para a saúde humana. oriundos não só do tecido industrial mas também do sector académico. de uma forma o mais consensual e segura possível. Por conseguinte. reconhecidos cientificamente. determinados níveis. também designado por factor de incerteza. Selecção do nível de exposição mais adequado. relativamente ao assunto a que diz respeito. que têm como objectivo assinalar que. a elaboração deste tipo de documentação pressupõe os seguintes passos: • • • Identificação dos perigos. por exemplo. atendendo a que não existe uma linha exacta de separação entre risco e segurança. que é tanto mais elevado quanto maior for o afastamento por excesso em relação àquele nível. Esse documento deverá explicitar. que apresentam uma elevada dificuldade de penetração na pele humana. É o caso da exposição a campos electromagnéticos. abaixo do qual o meio envolvente se poderá considerar seguro. Saliente-se que as incertezas e indefinições inerentes à actividade das agências de normalização para conseguirem. os regulamentos. mas sim um possível risco para a saúde humana. acima dos quais poderão ocorrer riscos para a saúde. com investigação desenvolvida e reconhecida na área de elaboração dessa norma. em que as normas. é usual na prática associar os níveis máximos de exposição recomendados. contrariamente aos campos eléctricos. isento dos perigos identificados. Como tal. definir os níveis máximos de exposição mais aconselháveis em locais ocupacionais (locais de trabalho) e em locais residenciais. note-se que o nível máximo de exposição representa não uma linha exacta de separação entre perigo e segurança.habitações. entre saúde humana e campos electromagnéticos. isto é. a um factor de segurança. Leitura e análise sistemática e exaustiva de toda a documentação científica existente. e as linhas orientadores de segurança indicam os níveis máximos de exposição. 105 .

devendo-se essas disparidades exactamente à situação de não existir ainda uma justificação científica universalmente comprovada e aceite no que respeita aos mecanismos de interacção entre os campos electromagnéticos e os sistemas biofísicos. 106 . as datas de publicação e entrada em vigor dos regulamentos de segurança discriminados. para todos estes regulamentos. norma essa aprovada em 1992 pelo American National Standards Institute (ANSI). no sentido de estabelecerem a sua própria regulamentação de segurança. dentro de parêntesis. em 1991. há já bastante tempo.Os primeiros regulamentos foram elaborados na União Soviética.2. Esta norma de segurança recomenda que a exposição média para cada período de seis minutos e para cada secção do corpo humano não deverá exceder 0. a maioria da regulamentação existente foi elaborada com base no que é actualmente reconhecido como válido cientificamente. da Commonwealth of Massachusetts. nos Estados Unidos –.1-1992. e da União Soviética (USSR).99 µT no Massachusetts. No quadro 2. contudo a norma que conseguiu reunir um consenso mais alargado foi composta pelo Institute of Electrical and Electronic Engineers (IEEE). Contudo. do Canadá. através do Australian Radiation Laboratory (ARL) e do National Health and Medical Research Council (NH & MRC). 1760 µT na União Soviética contra apenas 1. da United States Air Force (USAF).614 kV/m para campos eléctricos e 163 A/m (205 μT) para campos magnéticos. mostram-se os níveis de segurança relativos à exposição a campos magnéticos em áreas ocupacionais (locais de trabalho) e em áreas públicas. com a referência ANSI C95. O objectivo destes níveis consiste em manter as intensidades das correntes induzidas no corpo humano bastante inferiores ao valor mais baixo correspondente à corrente de excitação das células electricamente excitáveis. os valores diferem significativamente de país para país – por exemplo. Além desta norma. em 1975. da República Federal Alemã (FRG). outras instituições de outros países têm vindo a trabalhar. da North Atlantic Treaty Organization (NATO). no que respeita a esses mecanismos de interacção. É o caso da Austrália. indicando-se. Como se constata. ao observar-se este quadro.

em locais públicos e ocupacionais. e da Australian Radiation Protection and Nuclear Safety Agency (ARPANSA). mostrando-se no quadro 2. como é o caso da American Conference of Governmental Industrial Hygienists (ACGIH).Níveis de exposição (μT) Instituição / País ANSI/IEEE (1992/1991) Austrália: NH & MRC (1989) Canadá (1989) Com. com a referência ANSI C95.99 314 3.26 ----314 ----1. Esta norma de segurança recomenda que a exposição média para cada período de seis minutos e para cada secção do corpo humano não deverá exceder 0.1. estabeleceu uma norma em 1991. of Massachusetts (1986) FRG (1986) NATO (1979) USAF (1987) USSR (1985) Locais ocupacionais 205 500 5. da International Commission on Nonionizing Radiation Protection (ICNIRP). O objectivo destes níveis consiste em manter as intensidades das correntes induzidas no corpo humano bastante inferiores ao valor mais baixo correspondente à corrente de excitação das células electricamente excitáveis.99 ----- Quadro 2. 107 .99 1760 Locais públicos 205 100 2.01 1. da Health Canada.1-1992. adoptados por diferentes organismos e países. o Institute of Electrical and Electronic Engineers (IEEE).614 kV/m para campos eléctricos e 163 A/m (205 μT) para campos magnéticos. Institute of Electrical and Electronics Engineers IEEE Como se referiu anteriormente. do National Radiological Protection Board (NRPB) no Reino Unido. outros mais têm vindo a encarar a elaboração de regulamentação nesta área. Além dos organismos referidos anteriormente.4.3 diversos valores de níveis máximos recomendados para o campo magnético.27 1. norma essa aprovada em 1992 pelo American National Standards Institute (ANSI).2 – Normas de segurança e limites de exposição para campos magnéticos. do Swedish Radiation Protection Institute. 2.

15 μT em locais ocupacionais 3 kHz – 100 kHz: 31. não sendo relevantes para as preocupações da opinião pública relativamente ao desenvolvimento de doenças cancerígenas e outras anomalias de saúde. Gama de frequências 50 Hz 60 Hz Campo eléctrico (kV/m) 12 10 Campo magnético (µT) 1600 1330 Quadro 2.4 – Limites de exposição para campos eléctricos e campos magnéticos.2.3 μT em locais públicos em terminais de computador ELF (5 Hz – 2 kHz): ≤ 0. 2.4.025 μT ------------------420 μT em locais ocupacionais ---------- 1999: Safety Code 6 (USA) 2002: ARPANSA 2. para as frequências de 50 Hz e de 60 Hz. Os níveis aconselhados foram estabelecidos com base nas correntes induzidas no corpo humano.2 μT VLF (2 kHz – 400 kHz): ≤ 0.4 μT em locais ocupacionais Quadro 2. como se mostra no quadro 2. 108 .1 μT em locais públicos 6.Ano: Norma 1992/1991: ANSI/ IEEE 1993: NRPB 1998: ICNIRP 1999: Suécia Limites de exposição 205 μT 1600 μT a 50 Hz 1330 μT a 60 Hz 83.75 μT em locais públicos 3 kHz – 100 kHz: 6. recomendados pela regulamentação do NRPB. National Radiological Protection Board NRPB Este organismo britânico estabeleceu recomendações acerca dos níveis máximos do campo eléctrico e do campo magnético. sem distinção entre locais ocupacionais e locais públicos em geral. As limitações impostas resumem-se a uma densidade de corrente de 10 mA/m2 induzida na cabeça e no tronco. adoptados por diferentes organismos.4.3 – Normas de segurança e limites de exposição para campos magnéticos. de elevadas intensidades.

passando a recomendar. o ICNIRP reviu as suas normas. Campo eléctrico (kV/m) 10 30 ----Locais públicos Dia inteiro Poucas horas diárias 5 10 0. sendo de 0. assim como a estimulação nervosa. sendo o seu objectivo a prevenção das correntes eléctricas induzidas nas células. enquanto que. estando os limites recomendados expostos no quadro 2. para locais públicos em geral. e 84 μT para 60 Hz. interinamente.3.5 – Limites de exposição para campos eléctricos e campos magnéticos. daí que.4. Por sua vez.5 μT o limite para locais ocupacionais. para 109 .1 1 Campo magnético (µT) 0.2. a 50 Hz. em Abril de 1998. para a frequência de 50 Hz. Saliente-se que estas recomendações resultaram de um trabalho de cooperação com a World Health Organization (WHO). as normas australianas adoptaram as linhas de conduta do ICNIRP. É de notar que os limites apresentados foram estipulados unicamente para se evitarem riscos imediatos. que é sabido ocorrerem com níveis de campos eléctricos e magnéticos tipicamente superiores aos que se verificam em áreas residenciais e ocupacionais. International Commission on Nonionizing Radiation Protection ICNIRP Em 1989. assim como com o United Nations Environment Program (UNEP). mesmo de nível reduzido. as linhas de conduta relativas à exposição a campos electromagnéticos de reduzidíssima frequência. os limites passaram a ser de 500 μT a 50 Hz e 420 μT a 60 Hz.5. para os locais ocupacionais.5 5 25 Exposição Locais ocupacionais Dia inteiro Período curto (2 horas/dia) Membros (braços/pernas) Quadro 2. um limite de 100 μT para 50 Hz. preparadas pela sua International Commission on Nonionizing Radiation Protection (ICNIRP). recomendados pelos organismos internacionais IRPA/ICNIRP. não tendo sido considerados os riscos inerentes a exposições prolongadas. o International Radiation Protection Association (IRPA) aprovou.

designado por MPR-I. especificava um máximo de 0. assim como de que os utilizadores de compu- 110 . MPR – Mät-och Provningsrådet –.05 µT para campos magnéticos de muito baixa frequência. em Julho de 1991 foi criado um novo método. Este método engloba igualmente normativas relativas à ergonomia visual (focagem. tremura do ecrã). e máximos inferiores a 0. a 50 cm de afastamento directo dos ecrãs. O método imposto. designado por MPR-II. Adicionalmente. e acima de 5 μT para 2 horas de exposição. potencial electrostático. de forma não obrigatória. descargas electrostáticas. sendo a justificação baseada no facto de que níveis superiores a esse valor poderiam estar associados ao aumento do risco de cancro.4. e campos eléctricos sinusoidais. procedimentos de ensaios. da ordem de 0. Normas Suecas A Suécia tem sido um dos líderes no estudo e desenvolvimento de regulamentação respeitante à ergonomia visual e às emissões de campos electromagnéticos em relação aos monitores de computadores (VDTs). Todavia. A Direcção Nacional para a Saúde e Segurança Ocupacional e o Instituto Sueco de Protecção contra Radiações.2 µT para as emissões de campos magnéticos extremamente reduzidos. considera que deveriam ser adoptados limites mais restritivos. 2.4. Para outros locais. que representa mais de um milhão de empregados.25 µT para as emissões provenientes de campos magnéticos de reduzidíssima frequência na banda de 5 Hz a 2 kHz (banda 1). que especifica níveis máximos inferiores a 0. como esse método foi considerado como sendo embaraçoso e difícil de avaliar.1 μT. tendo sido introduzidos em 1987. o limite recomendado é de 0. a Confederação Sueca de Trabalhadores TCO. emissão de raios X. na gama entre 1 kHz e 400 kHz.025 µT para as emissões de campos magnéticos de muito baixa frequência na banda de 2 kHz a 400 kHz (banda 2).uma exposição de 8 horas. distorção de caracteres. foram encarregues da tarefa de investigar a necessidade da existência de regulamentação e das consequências da introdução de ensaios obrigatórios de VDTs. a 30 cm da parte da frente dos ecrãs e a 50 cm das restantes estrutura dos monitores.

e utilização do teclado.4. não só no que respeita a campos eléctricos mas também a campos magnéticos. se os níveis de indução são utilizados para medir a quantidade de energia da radiação. no quadro 2.5 V/m ----≤ 0. os limites para os campos eléctricos e magnéticos para sistemas de transporte de energia eléctrica de tensão igual ou superior a 1000 V. Normas Alemãs De acordo com a Lei Federal de Controlo da Poluição. são respectivamente 5 kV/m e 111 .025 µT ----TCO ± 500 V ≤ 10 V/m ≤ 1 V/m ----≤ 0. Gama de frequências Campos estacionários ELF (5 Hz – 2 kHz) VLF (2 kHz – 400 kHz) Superiores a 400 kHz ELF (5 Hz – 2 kHz) VLF (2 kHz – 400 kHz) Superiores a 400 kHz MPR-II ± 500 V ≤ 25 V/m ≤ 2.6 expõem-se os limites recomendados pelo MPR-II assim como pelo TCO.5. Note-se que as normas TCO mais recentes incluem também linhas de conduta relativas a consumos de energia.25 µT para campos de reduzidíssima frequência corresponde a um nível de 0. É de salientar que alguns especialistas questionam a validade do limite de 0. tremura do ecrã.tadores normalmente têm a sua cabeça. 2.001 µT para campos de muito baixa frequência. justificando a sua posição no facto de que estes campos contêm muito mais energia que as emissões de campos magnéticos de reduzidíssima frequência. Em termos resumidos.25 µT ≤ 0. mãos e tórax a menos de 50 cm de distância.025 µT para as emissões de campos magnéticos de muito baixa frequência. então o nível de 0.6 – Normas de segurança e limites de exposição para campos eléctricos e campos magnéticos.2 µT ≤ 0. iluminância.025 µT ----- Campos eléctricos Campos magnéticos ELF – campos eléctricos e campos magnéticos de reduzidíssima frequência VLF – campos eléctricos e magnéticos de muito baixa frequência Quadro 2. Esses especialistas mostram que. utilizados na Suécia.

nos limites daqueles terrenos concessionados (edge of ROW). especificadas nas normas. somente os estados de New York e da Florida fixaram os níveis máximos para exposição a campos magnéticos entre 15 μT e 25 μT.8. utilizada nas linhas ferroviárias electrificadas. American Conference of Governmental Industrial Hygienists ACGIH Nos Estados Unidos não existem ainda normas governamentais sobre a exposição a campos eléctricos e magnéticos. designados como rightsof-way ROW na literatura técnica americana). Um organismo independente norte-americano. Estas recomendações tiveram como objectivo assegurar que as futuras linhas de transporte de energia não excederiam esses limites. para uma gama de frequências situada entre 30 kHz e 3000 kHz. recomenda um limite de 614 V/m para exposição a campos eléctricos nos locais ocupacionais. contudo. expõe-se no quadro 2. em relação aos quais os proprietários dessas linhas aéreas têm garantia de direitos de construção não só de linhas mas também de centrais e de subestações (terrenos concessionados. Em determinadas circunstâncias. e 10 kV/m e 300 μT para a frequência de 16 2/3 Hz. e 205 μT para campos magnéticos entre 30 kHz e 100 kHz. sendo de destacar a preocupação com a saúde de trabalhadores com pacemakers cardíacos. para a frequência de 50 Hz. a 60 Hz. Como complemento. 2. em locais ocupacionais. mostrando-se os níveis adoptados nos quadros 2.100 μT.6.9 os limites recomendados por esse organismo. os limites para as densidades de fluxo podem ser excedidos em 100 % em períodos de curta duração.7 e 2.4. Por outro lado. para campos eléctricos e magnéticos a 60 Hz. Quanto aos restantes estados têm sido relutantes em estabelecer limites devido às incertezas inerentes a esses próprios limites. o mesmo sucedendo no que respeita aos limites dos campos eléctricos dentro de áreas reduzidas. alguns estados têm as suas próprias linhas de conduta relativamente aos níveis de exposição a campos eléctricos nos terrenos circundantes de linhas aéreas de transporte de energia. 112 . a American Conference of Governmental Industrial Hygienists (ACGIH).

utilizados nos estados da Florida e de New York.Estados Florida Minnesota Montana New Jersey New York Campo eléctrico (kV/m) ROW 8 (1) 10 (2) 8 7 (3) Edge of ROW 2 ----1 3 1. Frequência de 60 Hz Limites máximos Trabalhadores com pacemakers Campo eléctrico (kV/m) 25 ≤1 Campo magnético (µT) 1 0.7 – Limites de exposição para campos eléctricos. recomendados pelo organismo americano ACGIH.8 11 (4) 7 (3) 9 Oregon ----- (1) – para linhas aéreas em duplo circuito (69 – 230 kV) (2) – para linhas aéreas com um único circuito (500 kV) (3) – limite máximo para passagens aéreas superiores sobre as linhas (4) – para linhas de 500 kV. nos locais ocupacionais.1 Quadro 2. em determinados ROW Quadro 2. utilizados em alguns estados dos Estados Unidos. Estados Florida Campo magnético (edge of ROW) (µT) 15 (1) 20 (2) 25 (3) 20 (4) New York (1) – para linhas aéreas em duplo circuito (69 – 230 kV) (2) – para linhas aéreas com um único circuito (500 kV) (3) – para linhas de 500 kV. em determinados ROW (4) – para linhas de tensão superior a 230 kV Quadro 2.8 – Limites de exposição para campos magnéticos.6 ----11.9 – Limites de exposição para campos eléctricos e campos magnéticos. 113 .

sejam eles estacionários ou variáveis no tempo. Restrições A maioria dos limites expostos nas normas. Até à data. o coração. no sentido de desmistificar todas as situações criadas. com a especulação habitual criada e alimentada por quem desconhece inteiramente toda a problemática científica da interacção entre campos eléctricos e magnéticos e os tecidos biológicos. Todavia. contudo se os campos forem variáveis no tempo. já estudados e reconhecidos cientificamente. quer os campos eléctricos quer os campos magnéticos. Adicionalmente. sem colocar em causa os potenciais riscos inerentes à exposição a campos electromagnéticos. como sucede com o cérebro. Como tal. diz respeito à exposição a linhas aéreas de transporte de energia eléctrica. que tem vindo a atrair a atenção do público e dos meios de comunicação social. enquanto que. com a exposição a campos magnéticos têm-se duas situações distintas: se os campos forem estacionários.2. então existirão essas correntes. Um aspecto interessante e actual. a restrição básica associada aos limites de exposição recomendados como seguros tem sido especificada em termos dos valores respeitantes às densidades de corrente induzidas como sendo a grandeza principal de aferição da interacção entre os campos electromagnéticos e o corpo humano. e linhas de orientação atrás apresentados são baseados nos mecanismos de interacção.7. e os músculos. originam a circulação de correntes nos tecidos. recomendações. não haverá correntes induzidas. o sistema nervoso. muito mais que os valores da intensidade dos campos eléctricos internos. induzida por campos electromagnéticos. Este critério tem como fundamento o facto de se conseguir avaliar muito mais facilmente as densidades de corrente que as intensidades dos campos eléctricos. Note-se que os campos eléctricos internos.4. entre os campos electromagnéticos ELF e VLF e os tecidos biológicos. alguns investigadores sugerem que devem ser os valores das intensidades dos campos eléctricos internos a utilizar como factor restritivo em futuras regulamentações a elaborar. tendo os efeitos observados correspondido à excitação de nervos e músculos. apresentam-se seguidamente alguns factos concretos: 114 . sejam estacionários ou variáveis no tempo. interagem directamente com os sistemas eléctricos biológicos.

não representa uma boa solução alternativa. e valores bastante mais elevados. superiores a 100 μT.• A intensidade dos campos eléctricos internos é extremamente mais reduzida. como a propagação das ondas electromagnéticas é bastante mais atenuada através do solo. é possível encontrar valores da ordem de 130000 μT em locais ocupacionais. se possa considerar praticamente nula. e 60 μT nos assentos de carruagens em comboios eléctricos. em relação à intensidade dos campos eléctricos gerados directamente pelas linhas. daí que a sua influência. • Na vizinhança muito próxima das linhas. em zonas um pouco afastadas. • Apesar dos cabos representarem-se um risco potencial muito inferior ao das linhas aéreas. atendendo à diferença de custos – 2:1 a 11 kV e 20:1 ou mais para 400 kV – é preferível escolher convenientemente o traçado das linhas aéreas. • É possível encontrar densidades de fluxo de 24 μT em ROW de linhas aéreas. • Todavia. a 30 m de linhas aéreas de alta tensão podem-se encontrar valores de 4 μT. a densidade de fluxo pode atingir 10 μT para linhas de 380 kV e 30 μT para linhas de 765 kV. nos corredores situados no solo imediatamente acima de cabos enterrados. Em termos comparativos. e 40 μT junto a subestações e centrais eléctricas. na ordem de 3 x 10-8 como se demonstrou nos nossos dois livros anteriores. 115 . e de 1 μT ou menos de cabos subterrâneos. a curtas distâncias das linhas. Ou seja.

como se pode constatar com a dramática expansão dos telefones celulares. Note-se que as microondas ocupam a região espectral entre 300 GHz e 300 MHz. e outras aplicações industriais. rádio. como passou a ser conhecida a telegrafia sem fios.CAPÍTULO 3. apesar de. Definições e Conceitos A rádio teve início. De acordo com a definição do Institute of Electrical and Electronic Engineers (IEEE). televisão. a radiação de rádio-frequência (na terminologia normalizada anglo-saxónica. em definições alternativas. estendendo-se de poucos kilohertzs. enquanto que a rádio-frequência se estende entre 300 MHz e 3 kHz. Canadá. gera campos electromagnéticos. A rádio-frequência cobre uma zona muito importante e significativa do espectro de radiação electromagnética.1. Heinrich Hertz e Nikola Tesla. ao enviar o primeiro sinal sem fios através do Atlântico Norte. na Terra Nova. RADIAÇÃO DE RÁDIO-FREQUÊNCIA 3. 116 .1. FONTES DE RADIAÇÃO DE RÁDIO-FREQUÊNCIA 3. John. em 1909. a RF e as MW serão designadas apenas como sendo a RFR. dentro da gama de audição humana. Reino Unido) e St.1 expõem-se as aplicações e as gamas de frequências da RFR. entre Poldhu (Cornualha. em termos práticos. O termo rádio-frequência (RF) refere-se a uma corrente alternada que. quando o físico e empresário italiano Guglielmo Marconi (1874-1937) deu utilização às invenções e inovações dos seus predecessores. se considerar a RF e as MW como duas regiões espectrais separadas. tornou-se uma componente essencial da vida quotidiana. No quadro 3. Por outro lado.1. a rádio. se for fornecida por uma antena. radio frequency radiation RFR) é uma banda do espectro electromagnético que abrange uma gama de frequências entre 3 kHz e 300 GHz. a radiação de microondas (microwave MW) é usualmente considerada como um subconjunto da RFR. Atendendo a que possuem características similares. científicas e médicas. ao longo deste capítulo. até aos milhares de gigahertz. representando um dos maiores negócios da actual economia global. campos esses adequados para serem utilizados em comunicações sem fios. Desde então.

168 / 21. Note-se que a velocidade de propagação destas ondas é atenuada em meios como o ar.45/ 24. e médicas ISM Aquecimento por RF Fornos microondas 433.0 – 29.35 / 18. 931 MHz 10.68.56. 100 MHz 2450 MHz Quadro 3. científicas. A RFR é descrita como sendo uma série de ondas de energia electromagnética constituídas por campos eléctricos e magnéticos oscilatórios. 158. 454.99 / 28. e que não carecem de um meio material para que se verifique a transmissão.1 – Aplicações e gamas de frequências da RFR.15 / 14 – 14.0 – 21.1 – 10.89 – 24. 152.Aplicações Radiação de rádio-frequência RFR Gerais Rádio AM (modulação de amplitude) Rádio FM (modulação de frequência) Canais de TV Televisão UHF Pagers comerciais Rádio-amadorismo Gama de frequências 3 kHz – 300 GHz 535 – 1705 kHz 88 – 108 MHz 54 – 88 / 174 – 220 MHz 470 – 806 MHz 35. 40.7 MHz Sistemas celulares NMT 450 NMT 900 AMPS TACS ETACS GSM 900 DCS 1800 453 – 457.068 – 18. a 117 . 2450 MHz 13. 27. 915. 43.5 MHz 890 – 915 / 935 – 960 MHz 825 – 845 / 870 – 890 MHz 890 – 915 / 935 – 960 MHz 872 – 905 / 917 – 950 MHz 890 – 915 / 935 – 960 MHz 1710 – 1785 / 1805 – 1880 MHz Sistemas sem fios (rede telefónica fixa) CT-2 DECT PHS PACS PCS 864 – 868 MHz 1880 – 1900 MHz 1895 – 1918 MHz 1910 – 1930 MHz 1850 – 1990 MHz Industriais.12.5 / 463 – 467. que se propagam através do espaço à velocidade da luz c = 3 x 108 m/s.

controlo do espaço aéreo. equipamentos de secagem a microondas. indiferenciadamente. que diz respeito a todos. 3. e rádio na banda do cidadão. refractadas ou absorvidas pelos seus receptores ou por qualquer outro objecto que se encontre na sua trajectória. comunicações rádio navios-terra. pagers. e antena –. As aplicações da energia de rádio-frequência RF incluem os seguintes campos de aplicação e equipamentos: • • Estações de rádio e televisão. são reflectidas.1. • Processamento e confecção culinária. 118 . como se esquematiza na figura 3. é um assunto de extrema importância. mais ou menos consoante o seu bem-estar pessoal.água. como se analisou pormenorizadamente no capítulo anterior. o vidro. e radar – militar e civil para vigilância e indicação de rotas. Navegação aérea e marítima. e os tecidos biológicos. de qualquer sistema sem fios – gerador. Comunicações via rádio em microondas ponto-a-ponto. soldadura a alta frequência. fornos microondas. e radiam a partir da sua fonte de transmissão em “pacotes” de energia que combinam as características de ondas e de partículas. Saliente-se que os consumidores utilizam muitos dos equipamentos e aplicações discriminadas.2. contudo a questão dos riscos inerentes à exposição a radiações de rádio-frequência. social e económico. Elementos de um Sistema de RFR A radiação de rádio-frequência RFR é emitida a partir de três elementos básicos. controlo do tráfego rodoviário. trajecto da transmissão.1. • • Rádio amadorismo. vigilância meteorológica e predição do clima. comunicações móveis de rádio (walky talks) e celulares. • Amplificadores de potência utilizados em compatibilidade electromagnética e em metrologia. Por outro lado. como sucede de maneira similar com os riscos associados à exposição a campos eléctricos e magnéticos de frequência reduzidíssima. fornos de RF.

e o seu princípio de funcionamento consiste na injecção de uma corrente de electrões num tubo de vácuo para. são uma das 119 . Quanto ao magnetrão. até às antenas de recepção e de propagação. As necessidades de radiação do sistema determinam o tipo de gerador ou fonte. Estas linhas. também designados por fontes de RF. a) Geradores Estes geradores. sendo a potência de saída. a largura de banda. acelerarem ou retardarem essa corrente de electrões. é um gerador de pequena dimensão que comporta um tubo de vácuo e cavidades de ressonância. através dessas cavidades. Essa transmissão é conseguida através dos seguintes meios: • Linhas com Dois Condutores. e os electrões deslocam-se do cátodo para o ânodo. O oscilador representa a fonte mais básica de RF. o rendimento. instalados no mesmo cabo. induzindo correntes com as frequências pretendidas para a radiação. através das ondas electromagnéticas geradas na fonte. de uma forma alternada.1 – Elementos básicos de um sistema de transmissão sem fios. constituídas por dois comdutores com a mesma secção. e a técnica de modulação os parâmetros mais importantes de dimensionamento.Figura 3. convertem potência eléctrica em radiação. Não requer um oscilador. Operam pelo princípio da modulação da velocidade e da corrente. a frequência. a dimensão. consoante a frequência de saída desejada. e consiste num circuito ressonante usualmente equipado com andares de amplificação e circuitos de retroacção. b) Linhas de Transmissão O objectivo destas linhas consiste em guiar a energia. utilizando determinadas tecnologias tais como os osciladores ou os magnetrões.

como se mostra esquematicamente na figura 3. com o duplo objectivo de diminuir a emissão de campos electromagnéticos. Estes cabos são adequados para transmissões de longa distância com um número elevado de dados. mais elevadas serão aquelas ligações indutivas e capacitivas. Estes cabos representam o modo mais comum para as linhas de transmissão de alta frequência. em termos de cálculo e análise. Saliente-se que ambos os condutores são entrançados. L – indutância por unidade de comprimento. Figura 3. o condutor central e a baínha metálica condutora. Atendendo a que existe uma ligação indutiva e capacitiva entre os vários condutores do mesmo cabo. Os dois condutores necessários para a transmissão da energia são.2 – Linha de transmissão com dois condutores. e C – capacidade por unidade de comprimento. sendo essencialmente aplicadas em redes telefónicas que operam em frequências que não ultrapassam 100 MHz. e 120 . e parâmetros distribuídos. estando isolados entre si através de um material dieléctrico.2. • Cabos Coaxiais.3. G – condutância por unidade de comprimento. Quanto mais próximos estiverem os cabos entre si. normalmente o polietileno. através dos seus parâmetros distribuídos R – resistência por unidade de comprimento.tecnologias mais antigas utilizadas em canais de comunicação. assim como de atenuar as interferências por parte de campos eléctricos e magnéticos exteriores. estas linhas são caracterizadas. como se esquematiza na figura 3. respectivamente. tendo como consequência o aparecimento de conversações telefónicas cruzadas.

e de forma tubular (b). Estes componentes metálicos.3 – Constituição de um cabo coaxial de transmissão de dados. sem que percam contacto com as respectivas ondas. Estes guias de onda apresentam perdas muito reduzidas. superiores a 2 GHz. sendo uma estrutura que tem como funções assegurar a transição de uma onda electromagnética guiada. • Guias de Onda. Figura 3. a antena é o último componente de um sistema de transmissão sem fios. sendo utilizados para a transferência de sinais de frequências muito elevadas. proveniente de uma linha de 121 . e sem gerarem reflexões.4 – Guias de onda. normalmente ocos. Além disso.apresentam uma baixa atenuação dos sinais e uma elevada imunidade às interferências exteriores de campos eléctricos e magnéticos. como se mostra na figura 3. o que significa que as ondas ao percorrê-los não apresentam praticamente atenuação. podem ser agrupados em pares. Figura 3. c) Antenas Como se viu anteriormente.4. podem apresentar formas rectangulares ou tubulares. de forma rectangular (a).

a técnica de propagação. a polarização. isto é. para se comparar os níveis da potência de saída. e a intensidade média da radiação em todas as direcções. a directividade. Por exemplo. o ganho. que se discriminam seguidamente. o ganho de um amplificador é determinado através da seguinte expressão: ⎛ Po ⎞ G = 10 log ⎜ ⎟ dB ⎜ P ⎟ ⎝ i ⎠ • Directividade. • Ganho. Define-se como sendo a razão entre a potência de saída Po e a potência de entrada Pi. é calculada como sendo a razão entre a intensidade da radiação numa determinada direcção a partir da antena. de base 10. para o meio envolvente. fazem a recepção dessa radiação. A selecção e o projecto de uma antena são directamente influenciados por parâmetros como a dimensão. • Decibel.transmissão. e como receptores. É um termo utilizado para a medição do som. podendo igualmente ser utilizadas como transdutores de sinal de linhas de transmissão. encaminhando-a para transdutores e cabos de transmissão. sendo a unidade o decibel (dB). tendo em atenção que o ouvido humano tem uma resposta logarítmica. as propriedades das antenas. Representa o parâmetro mais importante no projecto e no desempenho da antena. justificando-se a existência de uma larga gama de tipos de antenas. Com a finalidade de se trabalhar com a banda larguíssima de frequências em telecomunicações. sendo definido como o produto do rendimento 122 . como emissores ou como receptores: Como emissores. são o aspecto mais importante associado à avaliação dos riscos da radiação: • Bel. a potência de saída. e a impedância eléctrica. É a capacidade da antena em concentrar a radiação na direcção pretendida. Adicionalmente. funcionam nos dois sentidos. Numericamente. é conveniente utilizar-se uma escala logarítmica. multiplicando-se ainda o resultado por 10. radiam as ondas electromagnéticas para o espaço. para uma onda electromagnética que se irá propagar no espaço. a gama de frequências. As antenas são equipamentos recíprocos.

sendo Ae a área efectiva de abertura da antena (m2). onde a potência radiada por unidade de área diminui com o quadrado da distância à fonte. mas varia consideravelmente de ponto para ponto. Quanto aos vectores campo eléctrico e campo magnético. ao vector de Poynting. Na prática. • Zona de proximidade do campo. e a potência radiada por unidade de área não diminui com o quadrado da distância à fonte. são perpendiculares entre si e perpendiculares. A distância RNF (m) entre a antena e a denominada zona de afastamento do campo (zona longe do campo). • Zona de afastamento do campo. e λ o comprimento de onda da radiação (m). A energia radiada é armazenada alternadamente nos campos eléctrico e magnético da onda electromagnética em propagação. por sua vez. é calculada através da seguinte expressão: RNF = 2 D2 λ sendo D a maior das distâncias à estrutura radiante (m). essa zona de afastamento do campo é marcada 123 . e elíptica (normalmente circular). A polarização de uma onda electromagnética representa a orientação das linhas de força do vector campo eléctrico relativamente à superfície da Terra. quando se efectuam estudos de caracterização de riscos de exposição às radiações. existindo dois tipos básicos de polarização: Linear (vertical e horizontal). É calculado através da seguinte expressão. que tem a direcção e o sentido da onda em propagação. e na qual os campos eléctrico e magnético não exibem uma relação entre si de onda plana (perpendicularidade entre os respectivos vectores). e λ o comprimento de onda da radiação (m): G= • 4 π Ae λ2 Polarização.da antena pela sua directividade. É a região que se encontra de tal modo afastada da antena. É a região que se encontra muito próxima da antena.

Figura 3. 124 . utilizadas em transmissões de rádio e TV. sistemas de radar. comunicações de rádio. daí que se utilize na sua determinação a seguinte expressão. • Antena isotrópica (isotropic antenna). comunicações celulares.5 – Tipos de antenas de comunicações. existem diversos tipos de antenas.5. adaptada da anterior: RNF = 0. É uma antena hipotética que radia potência igualmente em todas as direcções.5 D2 λ Como se salientou anteriormente. sendo utilizada como uma referência de base no estudo da radiação das antenas reais.com uma distância 75 % mais curta. como se mostra na figura 3. e muitas outras aplicações.

• Antena de meia-onda (half-wave antenna). daí as suas reduzidíssimas dimensões. de baixo perfil. É constituída por um simples cabo. sendo o seu comprimento tanto maior quanto mais baixa for a frequência. É utilizada na transmissão de rádio AM na banda das ondas longas. É uma antena de banda larga. para um transdutor. • Antena helicoidal (helical antenna). sendo utilizada em aplicações de microondas. Como é do conhecimento geral.• Antena em fio (wire antenna). não tendo necessariamente que ser rectilíneo. daí serem utilizadas para a transferência directa da radiação para o vácuo. constituída por um fio metálico enrolado sob a forma de hélice. Podem facilmente gerar ondas polarizadas circulares. e ligados em paralelo ao longo da fonte. como sucede por exemplo nos navios. É o caso. Estas antenas são utilizadas para a recepção e transmissão de ondas de rádio para satélites e estações terrestres. em que uma área de material condutor é depositada sobre um dieléctrico de pequena espessura. • Antena de cabo (line antenna). • Antena log-periódica (log-periodic antenna). • Antena circular (loop antenna). É. em que se encontrava estendida entre as extremidades dos dois mastros. 125 . constituída por dipolos de comprimento sucessivamente decrescente. A velocidade de onda é muito próxima da velocidade no vácuo. Estas antenas são projectadas para operarem a frequências entre 2 MHz e 30 MHz. um simples fio metálico comporta-se como sendo uma antena. das antenas domésticas e industriais de recepção de sinais de televisão. • Antena micro-pastilha (microstrip antenna). É uma antena tipo micro- ship. por exemplo. sendo utilizadas numa banda larga de frequências. • Antena parabólica (dish antenna). recebendo as ondas e focalizando-as através da superfície parabólica do reflector. e são bastante direccionais podendo ser dimensionada com mais de uma espira. que conduzirá o sinal através de uma linha de transmissão com fios. É uma antena cujo compri- mento eléctrico é igual a metade do comprimento de onda do sinal de rádio. basicamente.

é uma antena ou um conjunto de antenas. que. semelhante ao anterior. É um conjunto de antenas. É utilizada em estações celulares em cidades e em áreas suburbanas onde seja necessária uma grande capacidade de resposta para elevadas concentrações populacionais. no seu todo. ser avaliada através das respectivas frequências da radiação – 535 kHz a 1705 kHz para as transmissões de rádio em AM. É constituída por um conjunto de antenas. É uma das mais familiares antenas. podendo a gravidade desses sinais no que respeita à exposição a que se encontram sujeitos quer trabalhadores quer o público em geral. • Matriz de antenas direccionais (phased array antenna). É um elemento radiante (orifício). mas em que os seus elementos podem ser electronicamente orientados. mantendo-se contudo estática a estrutura da antena. Transmissores de Rádio e Televisão As estações de rádio (telefonia) e de televisão transmitem os seus sinais através de antenas de AM e de FM. parasitas. e 2 MHz a 806 MHz para rádio em FM e para televisão em VHF (Very High Frequency) e UHF (Ultra High Frequency). criado por uma cava numa superfície condutora ou numa parede de um guia de onda. Esta antena. 3.• Antena com orifício (slot antenna). de forma rectangular e de espessura reduzida. uma vez que é comummente utilizada na recepção de sinais de televisão. 126 . com a finalidade de orientar a emissão de ondas. representando uma matriz passiva. • Antena de painel (panel antenna). Cada matriz activa tem os seus elementos individuais alimentados pelas suas próprias fontes.1. com um único elemento principal que conduz a energia para os restantes elementos. projectadas para concentrar a radiação numa determinada área.3. • Antena Yagi-Uda (Yagi-Uda antenna). • Matriz de antenas (antenna array). se comportam como uma só. enquanto que as matrizes passivas possuem um elemento principal que tem como função conduzir a energia radiante para os elementos parasitas. também denominada de antena direccional.

instalados lateralmente nas respectivas torres. c) Estações de Televisão FM Os canais de televisão em FM operam nas bandas 54 – 88 / 174 – 220 MHz em VHF. e opera numa frequência específica. essas correntes induzidas poderão exceder os limites máximos de exposição aconselháveis. b) Estações de Rádio FM O conceito de frequência modulada foi introduzido como uma alternativa ao sistema AM. As estações de rádio FM transmitem na banda de 88 MHz a 108 MHz. produzindo assim um espectro de cobertura com forma circular. Em alguns casos. em 1931. e consiste em “super-impor” um sinal inteligente de áudio ou de vídeo sobre uma alta frequência. de cerca de 3 metros. os elementos são mais complexos de projectar e radiam menos energia para o solo. sendo o afastamento entre os elementos de cerca de um comprimento de onda. consistindo as antenas numa matriz de elementos radiantes instalados numa torre. Estas antenas são omnidireccionais. Esses campos eléctricos polarizados verticalmente são devidos à elevada diferença de potencial eléctrico de RF entre os elementos das antenas e o solo.a) Estações de Rádio AM A modulação de amplitude constitui um processo simples e efectivo de transmitir informação. por vezes em grande número. O sinal parte assim do seu valor de referência. sendo as torres bastante mais altas que as utilizadas na transmissão de rádio em FM. através da matriz de antenas. podendo induzir correntes de elevada intensidade no corpo de pessoas que se encontrem muito próximas das antenas. Quando comparadas com as antenas FM. de dimensão considerável e com polarização horizontal. consiste na existência de campos eléctricos polarizados com uma direcção vertical. consistindo as antenas numa matriz de elementos. não havendo alterações de potência do sinal transmitido. isto é. Um aspecto importante que interessa realçar relativamente à existência de antenas de rádio de altas frequências. muito antes dos campos eléctricos e magnéticos excederem os seus correspondentes limites de exposição. com um montante proporcional à amplitude do sinal inteligente. e na banda 470 – 806 MHz em UHF. 127 .

utilizadas para controlar. os radares de profundidade. como por exemplo na navegação aérea. em meteorologia. sinais esses que são constituídos por cerca de 1500 impulsos por segundo de elevada potência. e os radares utilizados em investigação científica. o radar emite sinais de RFR. o mesmo sucedendo com 128 . Após a segunda guerra mundial. marítima e ferroviária (comboios de grande velocidade TGV e ICE). uma matriz de antenas direccionais de um sistema de radar multifunções emite electronicamente vários feixes de ondas. os sistemas de aterragem de aeronaves por instrumentos. a potência a transmitir.1. além das finalidades militares. e a distância da fonte. Sistemas de Radar O termo radar é um acrónimo. aos quais correspondem respectivamente as frequências de 300 MHz e 30 GHz. Basicamente. a) Radares Estacionários Estes radares são fontes estacionárias de RFR. se permanecerem demasiado tempo próximo das instalações de radar.4. Estes sinais são. e significa radio detecting and raging. reflectidos por um objecto ou por uma superfície. como sejam a frequência da radiação. os radares de previsão meteorológica. sendo de realçar que todas estas instalações se encontram montadas em terra ou ao longo da costa. Como se mostra na figura 3. através de uma antena rotativa de forma a varrer todas as direcções. a taxa de repetição.3. os radares de controlo do espaço aéreo. sendo captados pela mesma antena. este sistema passou também a ser utilizado para fins civis. como por exemplo os radares de controlo da navegação aérea. por sua vez. A intensidade da radiação depende de diversos factores. o que permite determinar a distância a que os objectos se encontram. Saliente-se que os trabalhadores dos aeroportos incorrem amiudadamente no risco de sobre-exposição a radiações de RFR. com funções diferenciadas. as características da fonte. tendo sido desenvolvido para fins militares em 1940. e no controlo do tráfego rodoviário. assistir ou fornecer informações relativas a tráfego em terra. a antena emite e recebe sinais alternadamente. Ou seja. a largura dos impulsos.6. com comprimentos de onda entre 1 cm e 1 m. utilizado pela marinha dos Estados Unidos (United States Navy) em 1942. tendo cada impulso uma duração entre 10 μs e 50 μs. no mar e no ar.

passageiros frequentes, que são obrigados a permanecer também durante bastante tempo nos aeroportos.

Figura 3.6 – Sistema de radar fixo, multifunções.

b) Radares de Controlo do Tráfego

Actualmente, a utilização do radar por parte das autoridades policiais no controlo do volume de tráfego rodoviário bem como das velocidades praticadas, tornou-se usual e massificada, situação que teve o seu início apenas a partir de 1970. Os primeiros radares, em 1970, operavam com uma frequência de 10,525 GHz, ou seja, na banda dos raios X e, em 1975, foi introduzida a segunda geração, a operar a 24,15 GHz, tendo a terceira geração entrado em funcionamento na década de 1990, utilizando a gama entre 33,7 GHz e 36 GHz. Estes radares transmitem um sinal de baixa potência, de uma forma contínua, detectam uma parte da energia reflectida por um objecto em movimento, por exemplo a matrícula de uma viatura, e comparam a frequência do sinal recebido com a frequência do sinal transmitido. A diferença entre essas frequências é directamente proporcional à velocidade do veículo relativamente à unidade de radar – efeito Doppler. Comparativamente com outros tipos de radares estacionários, o nível de potência dos radares de controlo de tráfego é muito reduzida, sendo igualmente mais baixa quando comparada com outras fontes emissoras de RF, utilizadas muito próximo de pessoas, tais como os telefones celulares.

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Os radares de tráfego podem ser estacionários ou móveis. Em relação aos primeiros, são utilizados por um agente colocado numa posição fixa, enquanto que os segundos (figura 3.7) são instalados numa viatura de patrulha em movimento, podendo suceder duas situações opostas: Quando se controlam viaturas que circulam em sentido contrário, as duas velocidades são somadas, sendo a velocidade da viatura controlada obtida por subtracção da velocidade do carro patrulha. Por outro lado, quando as duas viaturas circulam no mesmo sentido, a velocidade da viatura é igual à subtracção entre as duas velocidades.

Figura 3.7 – Radar móvel de controlo do tráfego.

Os níveis da radiação emitida por estes tipos de radares são inferiores aos limites considerados de segurança, a alguns metros de distância da antena. Todavia, no caso dos radares estacionários, o nível de radiação poderá ultrapassar os limites de segurança na vizinhança da antena.

3.1.5. Estações Terrestres de Rastreio de Satélites

Os satélites de comunicações em órbita terrestre têm como funções assegurar as comunicações telefónicas globais, contribuir para a previsões meteorológicas através da recolha de imagens da evolução de fenómenos atmosféricos, recolher imagens da terra para se avaliar de situações de atentados ambientais, assegurar transmissões televisivas, e servir de plataforma para o sistema de posicionamento global (global positioning system GPS). Quanto às estações de rastreio terrestres, do interesse público no que respeita às emissões de radiação RFR, consistem em antenas parabólicas de grande dimensão, utilizadas para transmitir ou receber sinais via satélite, figura 3.8.

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Figura 3.8 – Sistema de comunicações por satélite.

Devido às grandes distâncias envolvidas, por exemplo 36000 km para os satélites geoestacionários, os níveis de potência necessários para a transmissão dos sinais são relativamente mais elevados quando comparados com outros sistemas de transmissão terrestres. Uma vez que o diâmetro dos feixes hertzianos é muito reduzido e como estes feixes são altamente direccionais, é praticamente impossível alguém do grande público ficar exposto a essa radiação. Quanto à radiação ao nível do solo, depende do ângulo de inclinação da antena, do seu formato, e da intensidade do sinal, podendo os trabalhadores que tenham que estar presentes junto às antenas, temporariamente para intervenções de manutenção, poderão ser sujeitos a elevados níveis de radiação, caso não sejam tomadas as devidas precauções. Por outro lado, algumas antenas são apenas utilizadas como receptores de informação, como sucede com as antenas domésticas de TV, e que não constituem qualquer risco para o público.

3.1.6. Comunicações por Microondas

Estas comunicações, ponto-por-ponto, permitem ligar com elevada eficiência, via rádio, locais muito próximos, sem obstrução. As antenas de microondas transmitem e recebem sinais de muito baixa potência através de curtas distâncias, como se mostra na figura 3.9. Estas antenas são usualmente rectangulares ou circulares, tendo uma grande variedade de aplicações, como sejam a transmissão de mensagens via telefone ou telégrafo, e a ligação entre

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sendo no entanto aconselhável instalar as antenas no centro do tejadilho. Por outro lado. com as empresas de segurança. Equipamento Móvel de Rádio Este sistema móvel representa a forma mais antiga de comunicação sem fios. Além da sua reduzida energia. Estes sistemas utilizam a polarização vertical. com grande frequência. tendo tido o seu início em 1921 nos Estados Unidos. Permite a comunicação de pessoas entre si ou de pessoas com uma central fixa. ou mesmo dentro de empresas para que os trabalhadores de diversos sectores de actividade. os veículos representam um bom elemento de recepção. com as forças de segurança. dependentes uns dos outros. em que. com o pessoal dos aeroportos. como sucede por exemplo com os serviços de bombeiros. para se dispor de uma larga superfície metálica. tendo estas últimas um comprimento que depende do comprimento de onda. possam comunicar entre si. não é expectável a existência de riscos para a saúde humana.9 – Sistema de transmissão de microondas.7. 3. sempre que possível. com os serviços de transportes. Figura 3. atendendo ainda a que os feixes são alinhados com grande precisão e que a dispersão é mínima ou insignificante. daí que as antenas utilizadas sejam verticais. 132 . quer estejam instaladas em locais fixos ou em viaturas. Cite-se o caso de uma unidade de manutenção de material circulante ferroviário. operando a uma frequência de 2 MHz.estúdios de rádio e de TV por cabo com as respectivas antenas de transmissão. as equipas que se encontram no parque de material necessitam comunicar com os serviços que se encontram no interior do edifício. bem como com outras brigadas em serviço.1.

como o NMT-450 e o NMT-900. sendo as bandas de frequência 1920-1980 MHz e 2110-2170 MHz. com a designação de Advanced Mobile Phone System AMPS. com uma taxa de crescimento de 40-50 % por ano. o meio preferido de telecomunicação. o TACS e o ETACS no Reino Unido. de um telefone celular até uma estação de base relativamente próxima. tendo-se registado uma expansão significativa no número de subscritores. e com a participação da International Telecommunication Union ITU. e em partes da Ásia. tendo este sistema sido adoptado já na década de 2000. 133 . na medida em que é um tipo de transmissão. como sucedeu com o Global System for Mobile Communication GPS. como a Internet sem fios. que deu origem à primeira geração. a transmissão de dados. Presentemente. a normalização faz parte dos sistemas celulares de terceira geração. Austrália.1. O primeiro sistema celular. por iniciativa da empresa de telecomunicações americana AT&T Bell Laboratories. Seguiram-se outros sistemas de primeira geração. tendo o grande desenvolvimento começado na década de 1980. e o MCSL1 e o JTACS no Japão. o acesso à informação noticiosa. O sistema AMPS foi instalado na América do Norte. na restante Europa. e em partes da Ásia. Na década de 1990 surgem os sistemas celulares digitais. o C-Netz na Alemanha.8. e em alguns países da Ásia. na Irlanda. no qual um assinante dispõe de uma ligação sem fios. surgiu em 1971. tudo indiciando que serão. através de um projecto designado por Universal Mobile Telecommunication System UMTS. na Escandinávia. Esta terceira geração caracteriza-se por apresentar uma plataforma com uma oferta variada de outros serviços integrados. oferecendo um largo número de serviços de valor acrescentado. analógicos. representando actualmente as comunicações celulares o sector das telecomunicações em mais rápida expansão. Áustria. analógica ou digital. Portugal e África do Sul. e a captação de imagens fixas e em movimento. sendo promovida pelo European Telecommunication Standardization Institute ETSI. de banda limitada. onde é designado por IMT2000. num futuro muito próximo. o RC2000 em França.3. o RTMS em Itália. Comunicações Celulares a) Generalidades O cenário celular é radicalmente diferente das comunicações móveis de rádio.

não devem ser considerados. no sentido estrito do termo. a partir de 2010. Figura 3. 134 . como sendo um serviço. sejam apresentados os sistemas da quarta geração e.10.Como se esquematiza na figura 3. mas sim mais um produto de consumo. espera-se que. a partir de 2020. Por sua vez.11 – Sistema celular de comunicações típico. 10 – Evolução das comunicações celulares. Figura 3. na figura 3. integrado na rede telefónica fixa. Saliente-se que os telefones sem fios (cordless phones). os terminais que circulam livremente nas residências ou em escritórios e serviços públicos.11 mostra-se a estrutura de um sistema celular de comunicações. isto é. os da quinta geração.

Consiste numa divisão da banda de frequências utilizadas nas comunicações celulares. transportar dados digitais. As estruturas BTS possuem uma altura compreendida entre 10 m e 75 m. Por outro lado. 135 . A FDMA constitui a tecnologia básica dos sistemas celulares analógicos. é comummente referida com Base Transceiver Station BTS. e utilizam antenas omnidireccionais. de 100 W por canal. Quanto à potência máxima de RF destas estações. já retirados –. Uma estação móvel é definida como sendo um equipamento de transmissão/recepção. potência esta à qual corresponde um verdadeiro valor de potência radiada (actual radiated power) de 5 a 10 W. dos auriculares.A associação entre o equipamento electrónico e as respectivas antenas de comunicações celulares. no caso do serviço digital. os seus valores são de 0. ou então. cada um dos quais podendo assegurar uma conversação de voz. e dos sistemas de computadores pessoais sem fios. ou sinais digitais. e nos serviços de comunicação por satélite. existem ainda as estações móveis e portáteis. utilizado numa posição não fixa. tendo os sinais analógicos uma natureza contínua. 2 W e 5 W para os sistemas celulares de mãos livres. Por outro lado. sendo o seu valor. em zonas urbanas. b) Tecnologias Celulares Os telefones celulares transmitem sinais analógicos – os da primeira geração. em vários canais. em comunicações celulares. As tecnologias que têm vindo a ser utilizadas nas comunicações celulares são as seguintes: • Frequency Division Multiple Acess FDMA. como é o caso dos telefones celulares. enquanto que os sinais digitais são discretos. como é o caso dos sistemas celulares de mãos livres. que incluem os aparatos utilizados em comunicações sem fios. e de 8 W e 20 W para as estações portáteis e para os sistemas instalados em veículos. A potência radiada efectiva (effective radiated power ERP) de um sistema celular depende do número de canais autorizados.8 W. tendo cada BTS um conjunto de antenas emissoras e receptoras. dos veículos com antenas instaladas. uma estação portátil é definida como sendo um equipamento utilizado com a sua estrutura radiante em contacto directo com o corpo humano. e dos sistemas telefónicos dos computadores pessoais.

e nas aplicações de base multimédia. na tecnologia dos circuitos integrados. contribuíram decisivamente para a emergência e consolidação dos sistemas de comunicações multimédia sem fios. Comunicações Multimédia sem Fios Nos anos mais recentes. É uma alternativa às duas tecno- logias anteriores. e. Um dos inconvenientes deste sistema encontra-se directamente relacionado com os computadores portáteis. ou seja. foi ainda seleccionada como a tecnologia digital standard para o sistema AMPS. e em qualquer instante. Por outro lado. que funcionam como emissores/receptores de informação. dependendo do trabalho que esteja a ser realizado). Actualmente. como é o caso da rede de Internet sem fios. e utiliza todo o espectro da largura de banda. risco esse acrescido ainda pelo facto do aumento da exposição motivado pela posição dos portáteis muito próximo dos órgãos genitais.1. para todos os utilizadores. estas comunicações sem fios poderão representar algum risco para os utilizadores. a TDMA de banda estreita com 200 kHz foi escolhida como standard para o sistema GSM. que se encontram expostos a radiação de RFR. devido à relativamente reduzida autonomia das suas baterias (2 h a 4 h. • Code Division Multiple Acess CDMA. aptos a assegurar serviços interactivos e de multimédia aos consumidores. nas comunicações sem fios.• Time Division Multiple Acess TDMA. todas as transmissões partilham a mesma largura de banda em simultâneo. Foi utilizada pela primeira vez no Japão em 1982. os computadores portáteis permitem também a sua utilização como ecrãs de cinema vídeo e de vídeo-telefone. devido à sua utilização por longos períodos. Esta tecnologia foi utilizada em todos os sistemas de segunda geração. 136 . na medida em que permite a redução do custo das estações de base. Os avanços nas redes de alta velocidade na transmissão de dados. 3. com uma largura de banda de 30 kHz. desde que existam bastantes utilizadores a partilhar o mesmo transceiver. de forma a poderem utilizá-los onde quer que se encontrem.12. concentraram-se grandes esforços humanos e materiais na investigação de sistemas sem fios. em 1987. como se mostra na figura 3. Em 1989.9.

uma fonte de alimentação em corrente contínua de alta tensão (transformador. sendo a energia dirigida para os alimentos através de um guia de ondas. Contudo. inventados logo após o final da segunda guerra mundial.1. Quanto à radiação. escolhida pela sua capacidade de penetração em toda a massa dos alimentos. 3. e campos eléctricos e magnéticos gerados pelo transformador.13 – Configuração esquemática de um forno microondas. rectificador. utilizam directamente o princípio físico de que a energia de RF possui a aptidão para penetrar profundamente. e os campos magnéticos gerados pelo transformador. que contém essencialmente um magnetrão que produz a energia em microondas.13 esquematiza-se a constituição de um forno microondas. Fornos Microondas Estes fornos. A frequência de operação é de 2. gerando calor quase instantaneamente. para o exterior existe apenas a radiação electromagnética emanada pelo magnetrão através do ecrã da porta.45 GHz. Figura 3. Na figura 3.Figura 3. condensador).12 – Utilizador de sistema multimédia sem fios.10. nos materiais utilizados na alimentação humana. e um sistema computorizado de controlo do funcionamento. 137 . existem ondas electromagnéticas geradas pelo magnetrão.

Têm sido vários os estudos desenvolvidos sobre esta interacção. devido aos riscos da absorção de energia pelo cérebro e outras partes do corpo humano. poderão ocorrer fenómenos de audição. Este fenómeno data já da altura da segunda guerra mundial. não se tendo provado contudo qualquer associação do foro científico entre a exposição às radiações e o aparecimento desses tumores. quando as pessoas se encontram expostas a radiação RF de muito baixo nível de energia. a alternativa consiste no facto da audição de radiação RF não ocorrer de uma interacção da RFR com os nervos auditivos ou com os neurónios. onde se alega que o desenvolvimento de tumores cerebrais é o resultado da utilização de telefones celulares. citaram-se os resultados de diversos estudos científicos. emanada de equipamentos sem fios em geral. essencialmente nos Estados Unidos. e de telefones celulares em particular.2.2. No subcapítulo anterior. obtidos através de experimentação laboratorial. a uma abordagem crescente no que respeita à discussão sobre os potenciais riscos inerentes aos efeitos da radiação RFR.2.1.2. não passando esses casos de histórias anedóticas e doentias. que se pensa ser um dos efeitos de campos de reduzida energia. com determinadas características de frequência e de modulação. estalidos. ESTUDOS HUMANOS E EPIDEMIOLÓGICOS 3. Estudos Humanos a) Percepção Auditiva Acredita-se que. variando em função da modulação da radiação. na opinião pública e nos meios de comunicação social. os impulsos de RF. Generalidades Assiste-se presentemente.3. após a sua absorção por parte dos tecidos macios 138 . 3. Interessa ainda referir que tem havido alguns casos de justiça. Por outro lado. Em lugar disso. se bem que se tenha aventado a hipótese da estimulação directa do sistema nervoso. salientando-se neste subcapítulo alguns dos resultados mais significativos e importantes obtidos recentemente. essas investigações deverão sempre ser complementadas recorrendo-se a estudos epidemiológicos. quando os operadores de radar reportaram a audição de sons de microondas. e sinos. como por exemplo ouvirem-se zumbidos. Todavia. como aliás se tem vindo a fazer.

numa população de 48 voluntários sem problemas de saúde. De acordo com dois trabalhos publicados respectivamente em 2003 e em 2007. expostos a uma radiação RFR de 902 MHz. Outro estudo. tendo as fontes de emissão sido cinco telefones celulares diferentes. especialmente em tarefas que requerem atenção e manipulação de informação. reportou que a exposição à radiação emitida por telefones celulares. activando os receptores do caracol do ouvido pelo mesmo processo fisiológico da audição normal. que é considerado como sendo um mecanismo térmico em si. em 15 ms. permitiu constatar a existência de um efeito facilitante no funcionamento do cérebro.do cérebro. e 9 do sexo feminino. No que respeita às microondas. Um outro estudo. a percepção auditiva representa um dos seus efeitos de baixo nível. 10 do sexo masculino. desde que o ruído induzido pelas microondas seja similar ao ruído muito ligeiro de origem acústica. que concluiu que a exposição a campos de RF emitidos por telefones celulares alteram aspectos distintos da resposta eléctrica do cérebro a estímulos acústicos. operando a frequências entre 900 MHz e 1800 139 . consistiu na análise quantitativa da actividade electroencefalográfica de 19 voluntários. particularmente a redução dos tempos de reacção. com idades compreendidas entre os 28 e os 48 anos. geram uma onda termoelástica de pressão acústica que se desloca por condução através dos ossos da cabeça até ao ouvido interno. não existe qualquer efeito adverso para o sistema auditivo. potencia as possibilidades de interferência com as actividades cerebrais. pode afectar as funções cognitivas. o aumento de temperatura correspondente a cada impulso das microondas situa-se no milionésimo do grau Celsius. emitida por telefones celulares. encostados à cabeça. entre os 32 e os 57 anos. b) Actividade Cerebral O facto de se colocarem fontes emissoras de RF muito próximas do corpo humano. efectuado com um grupo de 36 voluntários humanos. como sucede com a utilização de telefones celulares. igualmente realizado na Finlândia. a 915 MHz. Um estudo realizado na Finlândia. como foi explicitado num trabalho publicado em 1998. apesar do aumento de temperatura ser insignificante – no limiar da audição daquelas ondas.

foi noticiado ter havido um ligeiro aumento da tensão arterial entre 5 mm e 10 mm de Hg. resultantes da exposição a campos electromagnéticos de reduzidíssima frequência. distúrbios do sono. um outro estudo publicado em 1998 não encontrou quaisquer efeitos no controlo autónomo da pulsação cardíaca. induzidas por stress psicológico quando do atendimento de chamadas telefónicas. e a regulação da tensão sanguínea não é influenciada por radiação na banda UHF. e stress nervoso. na presença de radiação electromagnética pouco significativa. Com a finalidade de se ter evitado quaisquer alterações fisiológicas extemporâneas. Contudo. tais como dores de cabeça. Um estudo publicado em 1997 na prestigiada revista de medicina Lancet. e catalogados através de queixas apresentadas. e à actividade eléctrica do coração. em relação à tensão arterial. em literatura técnica oriunda da ex-União Soviética e de outros países do bloco socialista. 140 . os telefones foram colocados no lado direito da cabeça e activados por controlo remoto. para os níveis usualmente encontrados nos equipamentos de comunicações celulares. de modo a que as pessoas desconheciam se os telefones estariam ou não a emitir radiações. de forma adversa. não foram encontrados efeitos anormais na actividade eléctrica cerebral. Como resultado. que utilizou uma amostra voluntária de sete homens e três mulheres. c) Sistema Cardiovascular Muitos dos estudos realizados mostram não existirem efeitos agudos. concluiu-se que os tecidos cardiovasculares não são directamente afectados.MHz. sobre a pressão arterial e o ritmo cardíaco. sintomas esses designados por doenças das microondas. enquanto que outros detectaram algumas anomalias no ritmo cardíaco. com idades compreendidas entre 26 e 36 anos. fraqueza. Como curiosidade. impotência sexual. dos anos 60 e 70 do século passado. Como conclusão. estacionários ou variáveis no tempo. alterações cardiovasculares. em indivíduos saudáveis. investigou a influência da radiação RFR emitida por telefones celulares GSM 900 MHz. são descritos alguns sintomas associados à exposição a radiação RFR. Num estudo clínico publicado em 2003. por exposição a radiação RFR emitida por telefones celulares durante o sono. às pulsações cardíacas.

não conduziu a diferenças estatísticas significativas em relação a pessoas não expostas. durante e após a exposição não revelaram qualquer evidência entre a radiação de RF e alterações na secreção de melatonina.Um outro estudo. na sua máxima potência. f) Cataratas A indução de cataratas tem sido um dos cavalos de batalha daqueles que acreditam nos efeitos perigosos da radiação RFR sobre a saúde humana. alguns utilizadores ocasionais e frequentes de telefones celulares apresentavam níveis médios de melatonina na urina inferiores aos níveis verificados em utilizadores esporádicos. Os períodos de exposição foram de 2 horas por dia. sobre a secreção rítmica de melatonina. que utilizavam o telefone uma vez por semana ou ainda menos. As análises ao sangue realizadas antes. e) Melatonina De acordo com um estudo publicado em 1997. 5 dias por semana. utilizou dois grupos de 38 voluntários do sexo masculino. publicado em 2007. observou a existência de uma interacção relativamente fraca entre as taxas de variação de alguns parâmetros cardíacos e a exposição a radiação de 900 MHz. e com o nível máximo de potência. como sejam as contagens de leucócitos e linfócitos. Um outro estudo. no que respeita a todos os parâmetros do sistema imunitário. durante 4 semanas. com níveis elevados por causa não só da sua localização superficial mas também pelo facto do calor produzido pela energia das ondas ser mais facilmente removido das outras partes do olho através da 141 . com o objectivo de analisar os efeitos da radiação RFR gerada por telefones celulares. que se encontravam dentro dos valores considerados clinicamente normais. em telefones celulares. devido ao facto da córnea e do cristalino serem as partes do olho mais expostas às radiações. ordenados por sexo e idade. sem problemas de saúde e com idades compreendidas entre 20 e 32 anos. d) Sistema Imunitário Análises e exames realizados numa população de dezoito fisioterapeutas.

entende-se como ambientes ocupacionais todas as áreas e recintos nos quais as pessoas se poderão encontrar expostas a radiações. apresentam-se alguns resultados considerados significativos. Seguidamente. de tecidos e a densidade de potência. por motivos profissionais ou então por motivos ocasionais. Os operadores de radar acusaram a existência de anomalias oculares assim como de elevação da temperatura em tecidos. sujeitos a frequências de 2. Um estudo conduzido em 226 trabalhadores.88 GHz e 9. por outro lado. e a densidades de potência compreendidas no intervalo de 39 mW/m2 a 131 mW/m2. tendo-se concluído pela existência de uma associação positiva entre a sensação de aquecimento e o aumento da densidade de potência. obtidos a partir de estudos epidemiológicos. e de uma associação negativa entre a destruição anormal.2. superficial. Todavia. No ano 2000.3. A primeira vez que se reportou a indução de cataratas provavelmente devidas à exposição a microondas.375 GHz. • Pessoal das Forças Armadas. foi num trabalho científico publicado em 1952. num outro trabalho publicado em 1966. da United States Air Force Research Laboratory. Estudos Epidemiológicos a) Exposição Ocupacional Como é sabido. divididos em grupos. encontrando-se apenas de passagem. induzir outros efeitos não só nos olhos mas também na face. foram observados pelo Aerospace Medicine Directorate. 142 . por sua vez. detectou algumas anomalias oculares contudo com ausência de riscos graves para a saúde. 34 pacientes sujeitos a radiação RFR superior aos níveis de exposição permitidos. a exposição a RFR em níveis bastante superiores aos limites máximos aconselháveis poderá originar o aparecimento de cataratas e. a exposição a níveis inferiores ao nível cataratogénico poderá. com fraca irrigação sanguínea. Todavia.circulação sanguínea. do sector de radares numa indústria aeronáutica. os seus autores não encontraram diferenças na formação de cataratas entre veteranos do exército e da força aérea americana. agrupados por locais e profissões. 3.

O seu tempo médio de serviço antes do diagnóstico de cancro foi de 14.3) e de cancro na pele (SIR = 1. por si só. foram registados 296 falecimentos de homens no estado de Washington. neste estudo não foi disponibilizada informação relativamente a exposições individuais a radares • Pessoal de Radiodifusão e Telecomunicações. A taxa de mortalidade relativa a leucemia aguda e crónica foi de 281 (16 mortes confirmadas versus 5. a sua idade média era de 39 anos.7 anos. Num estudo publicado em 1993. Constatou-se que muitos dos membros daquela associação tinham as suas actividades profissionais em sectores onde estavam expostos a campos de RF. Esta conclusão foi publicada num estudo de mortalidade em indivíduos do sexo masculino. e 1642 na Califórnia. membros da American Radio Relay League. justificar aquele excesso de falecimentos.• Radares de Controlo de Tráfego. com a finalidade de avaliar as funções do sistema circulatório em trabalhadores expostos a radiação de média 143 . e todos eles tinham utilizado radares pelo menos durante 4. Por outro lado.7 mortes esperadas). que utilizaram radares de controlo do tráfego entre 1979 e 1991. No período 1971-1983. consequentemente expostos a radiação RFR. apresentou os resultados obtidos no rastreio de cancro num grupo de 22197 agentes policiais de 83 departamentos de polícia da província de Ontário. Num trabalho publi- cado em 1985 foi sugerida a possibilidade de um aumento significativo do risco de desenvolvimento de leucemia em rádio-amadores. Um outro estudo. sendo de 191 a taxa de mortalidade para todas as leucemias (24 mortes confirmadas versus 12. canadiano.90. Um estudo conduzido em 1997. A razão de incidência normalizada (standardized incidence ratio SIR) relativa a todos os tipos de tumores foi de 0. foram reportados seis casos de cancros testiculares em agentes de segurança da polícia. havendo um aumento na incidência de cancro testicular (SIR = 1. todavia essas profissões não conseguiram.5 anos antes do diagnóstico. numa população de 340 agentes afectos a dois departamentos de polícia situados em condados vizinhos na região norte-central dos Estados Unidos. que é um grupo de rádio-amadores.6 mortes esperadas).45).

entre 30 e 50 anos de idade. expostos a radiação RFR emitida por máquinas de selagem. que tinham estado expostos a radiação RFR de frequências entre 0. tendo igualmente detectado um aumento dos riscos de desenvolvimento de leucemias. Num estudo publicado em 1997. e 22 trabalhadores de estações de rádio.frequência. foram investigados os problemas de saúde em trabalhadores fabris na Suécia. que nos outros.738 MHz a 1. procedeu-se a um outro estudo de investigação sobre a incidência do cancro da mama em 2619 mulheres operadoras de rádio e telegrafia. no período 1962-1992. Num estudo publicado em 1988. Num outro estudo publicado em 1998.738 MHz e 1.503 MHz). com idades entre 20 e 68 anos e com exposições a RFR entre 2 e 40 anos. e 42 trabalhadores de estações de rádio. foram seleccionados 61 trabalhadores saudáveis. por um lado. derivados da sua exposição a radiação RFR emitida por máquinas de moldes de plástico de diversos tipos. Concluiu-se que. por outro. tendo sido concluído que a fertilidade encontrada nas trabalhadoras não diferia significativamente dos valores médios de partos e malformações registados no país. • Exposição em Locais Industriais. Constatou-se. a radiação RFR (405 kHz a 25 MHz). constatou haver uma taxa de mortalidade ligeiramente mais elevada devido a neoplasmas malignos. A amostra consistiu em 71 trabalhadores de quatro estações de radiodifusão em AM (0. sobretudo entre trabalhadores expostos a 144 . igualmente saudáveis e com idades entre 28 e 49 anos. não expostos profissionalmente àquele tipo de radiação. detectou alterações nos electroencefalogramas. Na Noruega. que o risco de desenvolvimento de cancro da mama era excessivo. e realizado em Itália em trabalhadores da indústria de plásticos. e. com idades entre 23 e 67 anos e sem historial de exposição a radiações. com um potencial elevado de exposição à luz durante a noite. mais frequentes em indivíduos expostos a radiação RFR. e a campos electromagnéticos de reduzidíssima frequência (50 Hz). não expostos (75 % versus 25 %).503 MHz. que a incidência de todos os tipos de cancro não era significativa.

Os autores especificaram um determinado conjunto de agentes ambientais que poderiam explicar a associação positiva encontrada nesse estudo. mas em adultos. assim como de outros problemas de saúde. pelos mesmos autores. sendo um desses agentes a radiação RFR emitida pelas torres de transmissão de TV. Como resultado final. atendendo a que os níveis de radiação não foram medidos directamente no terreno. não tendo sido encontrado um excesso significativo de leucemia adulta dentro de um raio também de 2 km a partir das torres. não foi explicitada qualquer conclusão que justificasse aquela associação. Porém. mas sim calculados. foi concluído que os resultados obtidos mostraram não haver uma co-relação entre as taxas de leucemia infantil ou de cancro cerebral com as distâncias aos transmissores. sobre o mesmo tema. numa zona periférica de Roma situada próximo de um transmissor de rádio de potência elevada.níveis elevados de radiação. foi constatado 145 . tendo utilizado como referência as taxas de incidência de cancro. Quanto ao segundo. Num estudo realizado na Aus- trália. O primeiro foi conduzido numa zona centrada numa torre de televisão. foi conduzido em 20 torres diferentes de TV e de transmissão FM. é notória a ideia de que a exposição a radiações de RF aumenta a incidência de alguns tipos de cancro – particularmente a leucemia e os tumores cerebrais –. sendo a conclusão obtida que o risco de leucemia adulta aumentava dentro de um raio de 2 km a partir da torre. b) Exposição em Locais Públicos No que respeita ao comportamento da opinião pública. com a finalidade de confirmar os resultados obtidos no primeiro estudo. foi encontrada uma associação entre a proximidade de antenas de TV de residências e um aumento de leucemia infantil. não tendo contudo sido encontrada qualquer associação similar. foi observada uma redução significativa nos ritmos da tensão arterial e dos batimentos cardíacos. Em 1997 foram realizados dois estudos no Reino Unido. Num estudo realizado em Itália. Veja-se seguidamente os resultados obtidos a partir de estudos epidemiológicos relativamente a esta questão: • Transmissores de Rádio e Televisão.

que as mortes por leucemia eram mais elevadas que o esperado. Num estudo publicado em 2002 nos Estados Unidos. Num estudo conjunto sueco e norueguês. confirmou a existência de memória menos desenvolvida. conduzido na Suécia. concluiu-se existir um elevado risco de cancro derivado da utilização de telefones celulares por 3 ou mais anos. concluiu-se que os telefones digitais são menos “perigosos” que os antigos telefones analógicos. Um estudo epidemiológico “caso-controlo”. deficiências na atenção. Um outro estudo desenvolvido na Letónia. Estudos epidemiológicos realizados na Suécia e publicados em 2002 e 2003. Curiosamente. foi encontrada uma associação estatisticamente significativa entre a duração e o número de chamadas diárias e a prevalência de aquecimentos atrás e à volta dos ouvidos. relacionado com o desenvolvimento de cancros no cérebro. • Telefones Celulares. Atendendo a que os níveis de radiação RFR na cabeça dos utilizadores de telefones celulares é bastante mais elevada que em situações de não exposição. sobretudo em crianças vivendo em frente da estação.94 para telefones analógicos. e diminuição do desempenho neuromuscular. diminuição do tempo de reacção. devido à aleatoriedade e à pouca utilização dos telefones por parte dos utilizadores objecto do estudo. e ainda que o risco diminui significativamente com a distância ao transmissor. podendo eventualmente potenciar os riscos de desenvolvimento de tumores cerebrais. e fadiga. em crianças em idade escolar que residiam próximo de uma estação de rádio. não se pôde concluir da existência de uma associação entre o risco e o uso continuado dos aparelhos. com a finalidade de provar a existência ou não desses riscos. não havendo uma associação positiva entre esse tipo de cancro e a exposição a radiações RFR. mostraram haver um aumento significativo do risco de desenvol146 . em indivíduos de ambos os sexos. Contudo. tem-se vindo a assistir a um aumento significativo da realização de estudos científicos e epidemiológicos.97 para telefones digitais e de 0. tonturas. conduziu a valores de odds ratio OR de 0.

confirma a mesma conclusão. Os resultados de um estudo realizado nos Estados Unidos e publicado em 2003. um outro estudo. 147 . mostram não haver nenhuma associação entre a utilização de telefones celulares e o desenvolvimento de tumores intratemporais faciais. em utilizadores de telefones celulares com uma frequência média de utilização mínima de 22 horas mensais.2. com a utilização de telefones celulares. expõem-se alguns casos pessoais relacionados com doenças eventualmente associadas aos efeitos de radiações RFR: • Em 1991. e. Relativamente aos riscos de desenvolvimento de neuroma acústico. após um ano. Em finais de 2007. com fios).vimento de cancros em utilizadores de telefones celulares analógicos e de telefones cordless (telefones portáteis sem fios. desenvolvido no Japão e tornado público em 2006. um estudo conduzido por uma equipa de investigadores israelitas permitiu concluir que existe um elevado risco de desenvolvimento de cancro nas glândulas salivares. Sem o saber. Casos Pessoais Seguidamente. associados aos telefones normais. • Um técnico de uma empresa industrial colocou a sua mão sob a acção directa de um feixe de microondas. o que originou uma alteração na sua estrutura celular. com a finalidade de sentir o calor desenvolvido e. uma mulher de Oklahoma faleceu no hospital após uma simples transfusão de sangue. porque a enfermeira aqueceu o sangue num forno microondas. esteve sujeito a uma densidade de potência da ordem de 100 W/m2.4. Estudos realizados na Suécia e publicados em 2004 e em 2005. mostram não existir um aumento dos riscos respectivamente de neuroma acústico e de glioma ou meningioma. confirmar que o gerador de microondas se encontrava operacional. devido ao desenvolvimento de cataratas. assim. queixou-se de uma perda súbita de visão. 3.

Por 148 . por um lado. em 1995. no que respeita aos riscos à exposição de radiações electromagnéticas. tais como a intensidade do campo. e as técnicas de modulação. • Recentemente. os resultados obtidos a partir de estudos humanos e epidemiológicos. não seria prático nem será provável que alguma vez seja estabelecida.• Um caso de tribunal envolveu a morte de uma mulher no estado da Florida. tendo a causa sido atribuída ao uso excessivo de telemóveis. ao não informarem os consumidores que os telefones celulares produzem níveis elevados de radiação RFR. Na sequência deste processo. assim como de norma de segurança. Além disso. em muitas situações. 3. requer uma análise bastante aprofundada. que não existia uma evidência directa entre os dois acontecimentos. e para todo o espectro de frequências de RFR (radiação de rádio-frequência). a geometria das zonas expostas. com 41 anos de idade. alegando que a utilização de telefones celulares lhe causou um tumor cerebral. por serem contraditórios. NORMAS DE SEGURANÇA E REGULAMENTAÇÃO O conceito de segurança. que requerem respostas concretas para que se possam definir quais os níveis de radiação acima dos quais poderão ocorrer riscos graves para a saúde. devido ao facto. um médico neurologista. devido a um tumor cerebral. em ambientes industriais. os quais poderão causar cancros ou outras doenças.3. Presentemente. um tribunal federal considerou. Apesar do seu esposo ter intentado uma acção judicial em 1992 alegando essa causa. o tribunal acusou as empresas de falharem. intentou uma acção judicial de 800 milhões de dólares contra a empresa Motorola e mais oito companhias de telecomunicações. a elaboração de regulamentação de segurança para todos os tipos de exposição. todavia. de não se conhecerem ainda em pormenor quais os mecanismos de interacção entre essas radiações e os tecidos humanos e. os efeitos da pulsação das ondas. existem já bastantes normas de segurança e linhas de conduta quanto aos limites máximos de exposição a radiações de RF (rádio-frequência). localizado numa área do cérebro acima da sua orelha. existem ainda muitas questões relacionadas com os parâmetros principais das radiações de RF. do estado de Maryland. a duração de exposição. por outro.

as comunicações sem fios funcionam até 5 GHz. União Europeia. Por exemplo. o National Institute of Occupational Safety and Health (NIOSH). a American Conference of Governmental Industrial Hygienists (ACGIH). enquanto que as bandas de 58 – 132 kHz e 8. por contemplarem vários factores. por outro lado. assim como algumas organizações internacionais.2 MHz são utilizadas em sistemas de identificação de rádio-frequência. ao definirem os limites máximos de exposição. Devido a esta situação. Adicionalmente. em função do aparecimento de novos dados. e as microondas a 2. e a National Telecommunications and Information Administration (NTIA). o Department of Defense (DOD). todos os organismos de normalização têm em conta uma margem relativamente larga de segurança. a Food and Drug Administration (FDA). Por exemplo. no sentido de. como se verá seguidamente.45 GHz. Rússia. e a periodicidade da exposição.conseguinte. a Environmental Protection Agency (EPA). Por outro lado.8 – 10. As aplicações de rádio-frequência ocorrem numa vasta gama de frequências. Saliente-se. em FM na banda 76 – 109 kHz. que têm vindo a elaborar ou a participar na elaboração de regulamentação. o Institute of Electrical and Electronic Engineers (IEEE). a Occupational Safety and Health Administration (OSHA). em número relativamente elevado. tornados públicos. Os Estados Unidos. tais como a American National Standard Institute (ANSI). já elaboraram regulamentação e normas de segurança em relação aos efeitos das radiações RF. e a Ásia-Pacífico. tais como a frequência. as interacções entre as radiações de 149 . Canadá. as comunicações celulares e pessoais utilizam frequências entre 800 MHz e 2 GHz. e em outros dispositivos de segurança. a Federal Communications Commission (FCC). nos Estados Unidos são vários os organismos governamentais e não governamentais. que resultam de estudos científicos e epidemiológicos. a duração da exposição. a massa do corpo. a transmissão de radiodifusão em AM faz-se na banda 5 – 16 kHz. não é possível afirmar conclusivamente que a segurança à exposição a radiações esteja assegurada através da regulamentação e das normas existentes. de vigilância. que estas normas são constantemente revistas e actualizadas. o National Council on Radiation Protection and Measurement (NCRP). seja considerada aquela incerteza quantitativa.

e densidade de potência para frequências entre 10 GHz e 300 GHz. essa mesma empresa subiu esse nível para 10 mW/cm2. Biologicamente. celular. são utilizadas usualmente diversas grandezas para se explicitar os respectivos limites máximos de exposição: densidade de fluxo magnético para campos estáticos e VLF. sendo a gama de frequência de 10 MHz a 100 GHz. baseado numa exposição de 0. durante a segunda guerra mundial. assim como o valor da taxa de exposição. os efeitos da RFR são classificados em três níveis: 1) efeitos de nível elevado (efeitos térmicos).1 Estas normas de segurança têm sido as mais utilizadas nos Estados Unidos. 2) efeitos de nível intermédio (efeitos atérmicos). 150 . taxa de absorção específica SAR para frequências até 10 GHz. Norma ANSI/IEEE C95. e tendo em conta um peso médio masculino de 70 kg e uma área de exposição de 3000 cm2. assim como na totalidade do corpo humano. para 10mW/cm2.rádio-frequência e os sistemas biológicos manifestam-se nos níveis molecular. de 1966. tendo este último valor sido corrigido. em 1958. densidade de corrente para frequências até 10 MHz. em 1954.1 W/cm2. Quanto ao tempo médio de exposição contemplado. Ainda em relação à regulamentação que se apresenta. valor esse que representou a base para a recomendação C95. enquanto que. Saliente-se que. para a protecção e segurança da saúde pública. Norma ANSI/IEEE C95. sub-celular. 3. para 20000 cm2. e 3) efeitos de nível reduzido (efeitos não térmicos). tendo o seu historial remontado a 1940.3. nos órgãos. mais tarde. os cientistas atribuíram um factor de segurança com o valor 10.3. a General Electric recomendava para a densidade de potência de exposição o valor de 1 mW/cm2. quando das preocupações sentidas relativamente aos membros das forças militares norte-americanos que operavam frequentemente com equipamentos de radar.1. Na década de 1950. 3. e de acordo com dados empíricos. é de 6 minutos.2.1.1 – 1966 Esta norma fixou para a densidade de potência o limite de 10 mW/cm2.

025 x (f/300) 0.2 – Níveis de segurança recomendados pela norma ANSI/IEEE C95. Por outro lado.025 0. e de 100 mW/cm2.5 0. Os limites para o campo eléctrico e para o campo magnético. 1.0 – 30 30 – 300 300 – 1500 1500 .3.125 2 Densidade de potência (mW/cm2) 100 900/f 2 1. com alterações mínimas.1 – 1982 Esta norma baseou-se integralmente nos efeitos térmicos das radiações.75 – 2. sendo a densidade de potência correspondente igual a 250 W/m2. no que respeita à densidade de potência incidente. sendo os níveis de exposição recomendados de 10 mW/cm2. 151 . respectivamente. o limite de exposição recomendado é de 10 mW/cm2.3. 3. Norma ANSI/IEEE C95.1 – 1966. tendo o tempo médio de exposição para radiação contínua sido removido. e considerado apenas um tempo médio de exposição para campos modulados.5 mW/cm2 a 450 MHz. na gama de frequências entre 30 MHz e 300 MHz. O limite de 10 mW/cm2 foi reduzido. para uma duração superior a 6 minutos.4. na gama entre 3 MHz e 100 GHz. de 200 V/m e 0. e 2. Norma ANSI/IEEE C95.42 W/kg. Estes valores baseiam-se nas densidades de potência expostas no quadro 3.83 mW/cm2 para frequências entre 824 MHz e 850 MHz (banda utilizada em sistemas de telecomunicações celulares).3. em MHz Campo eléctrico (V2/m2) 400000 4000 x (900/f ) 4000 4000 x (f/300) 20000 2 Campo magnético (A2/m2) 2.3 – 3.0 3. os níveis permissíveis são 1 mW/cm2 a 150 MHz.0 f/300 5.0 Quadro 3.1 – 1982. para uma duração de 6 minutos. para 1 mW/cm2.2. fixado nos mesmos 6 minutos.025 x (900/f ) 0.1 – 1974 Esta recomendação resultou da actualização da C95. não seja superior a 0.100000 f – frequência. na gama de frequência entre 10 MHz e 300 MHz são. sendo ainda recomendado que a taxa de absorção específica não ultrapasse 8 W/kg. e a taxa de potência média depositada.3. para uma gama de frequências entre 10 MHz e 100 GHz. Frequência (MHz) 0. em 1981. Para frequências inferiores a 10 MHz.5 A/m. para todo o corpo.

o valor de pico da LME é definido através da seguinte expressão: (LME )pico = LME × tempo médio de exposição (s) 5 × duração do impulso (s) Para séries de mais de 5 impulsos. como por exemplo veículos ou grades metálicas. para radiação RFR por impulsos. os limites máximos permissíveis de exposição são dependentes da frequência e do tipo de local. os níveis mais baixos de exposição a campos eléctricos ocorrem a frequências entre 30 MHz e 300 MHz.5. para uma gama de frequências entre 3 kHz e 100 MHz.4 V/m). e para locais ocupacionais e locais públicos.2 mW/cm2 contra 1. Para um impulso de duração inferior a 100 ms. para ambos os locais.5 V/m contra 61. Por outro lado. Norma ANSI/IEEE C95.4 mostram-se os níveis máximos recomendados para correntes induzidas por radiação de RF. nessa gama de frequências. Como se pode constatar. o campo eléctrico máximo ocorre entre 30 MHz e 300 MHz. o que.3. nos pés de pessoas imersas em campos RF. em locais ocupacionais. o seu valor é bastante mais reduzido (27. Adicionalmente. entre 100 MHz e 300 MHz. é pertinente. sendo de salientar que a corrente máxima de contacto é igual à corrente máxima induzida em cada pé. enquanto que.1 GHz e 300 GHz. na gama de frequências situada entre 0. Esta regulamentação de segurança também especifica uma intensidade do campo eléctrico com o valor de 100 kV/m como sendo o limite máximo de exposição permitido (LME). aliás.3. e de exposição a campos magnéticos.0 mW/cm2). ou para uma duração dos impulsos superior a 100 ms. sendo a densidade de potência igualmente mais baixa (0. para locais públicos. a expressão anterior tomará a forma: ∑ (LME )pico × duração do impulso (s) = LME × tempo médio de exposição (s) 5 152 . como se mostra no quadro 3. em locais ocupacionais. ou em pessoas directamente em contacto com objectos carregados electricamente.1 – 1992 De acordo com esta norma.3. no quadro 3. com uma densidade de potência de 1 mW/cm2. e para essa mesma gama de frequências.

1 0.3/f 16.5 27.6.1 – 1. Norma ANSI/IEEE C95.34 1.8/f 823.5 ------------- 163 16.08 W/kg para a taxa de absorção específica média para a totalidade do corpo humano. e 10 W/m2 acima de 2000 MHz. 153 .003 – 0. que é a mais utilizada nos Estados Unidos da América.300000 f – frequência.3/f 158.0 – 30 30 – 100 100 – 300 300 – 3000 3000 – 15000 15000 . os limites recomendados são 2 W/m2 na banda 30 – 400 MHz.1 – 1992. recomenda-se um limite máximo de 0.2 0.300000 614 614 1824/f 61.163 ------------Locais públicos 100 100 900/f 1.2 f/1500 f/1500 10 6 6 f 2/3 30 30 30 30 90000/f 2 616000/f 1. Nesta última revisão. e 2 W/kg a 4 W/kg para algumas partes do corpo.0729 ------------- 100 100 180/f 2 180/f 2 0.1 – 3. como sejam os membros superiores e inferiores.0 – 30 30 – 100 100 – 300 300 – 3000 3000 – 15000 15000 . em MHz 614 614 823.0 3.0 3.3/f 1.Frequência (MHz) Campo eléctrico (V/m) Campo magnético (A/m) Densidade de potência (mW/cm2) Tempo médio de exposição (min) Locais ocupacionais 0. 3.4 ------------- 163 16.0 f/300 10 10 2 6 6 6 6 6 6 6 616000/f 1. bastante completa. sendo a última versão datada de 2005.668 0.2 0.003 – 0.3.3/f 0. 2 a 10 W/m2 na banda 400 – 2000 MHz.0 1.1 0.3/f 16. tem vindo a sofrer alterações sucessivas.4 61.3 – Níveis de segurança recomendados pela norma ANSI/IEEE C95.8/f 27.1 – 2005 Esta norma. Em termos de densidade de potência.34 – 3.2 Quadro 3.3/f 16.3/f 16. em locais públicos.

1.1 . Comparando os limites de densidade de potência impostos pelas recomen154 . designado por A Practical Guide to the Determination of Human Exposure to Radiofrequency Fields. foi desenvolvido como um guia para as pessoas que são responsáveis pela determinação das exposições a radiação RF. 1/5.3. relativamente aos efeitos das radiações ionizantes e não-ionizantes.6 W/kg.8.5 os respectivos limites recomendados. no corpo humano. Relatório NCRP nº 86 – 1986 Este relatório. baseados num valor máximo de SAR de 8 W/kg para exposição ocupacional. foi elaborado pelo National Council on Radiation Protection and Measurements. designado por Biological Effects and Exposure Criteria for Radio Frequency Electromagnetic Fields. Este factor numérico. Relatório NCRP nº 86 – 1993 Este relatório.100 f – frequência. para o público em geral. Apresenta os resultados de uma avaliação extensiva da literatura disponível sobre os efeitos biológicos dos campos RF. 3. apresentando-se no quadro 3.003 – 0. em MHz 1000f 100 1000f 100 900f 90 450f 45 450f 45 Quadro 3. criado com a finalidade de desenvolver documentação e recomendações de segurança.4 – Níveis de segurança recomendados pela norma ANSI/IEEE C95. ou seja.1 0.Frequência (MHz) Corrente máxima em ambos os pés (mA) Corrente máxima em cada pé (mA) Corrente máxima de contacto (mA) Locais ocupacionais 0. 3.003 – 0.3.1 . com menos conhecimentos sobre os seus princípios e práticas. e 40 horas por semana de exposição em locais ocupacionais. para correntes RF induzidas e de contacto.1 – 1992. é obtido considerando-se 168 horas por semana de exposição para o público em geral. e um quinto desse valor.1 0.7. que é um organismo suportado pelo Congresso dos Estados Unidos.100 2000f 200 Locais públicos 0.

59 f 106 f / 238 0.63 4.9.0 – 30 100 – 300 300 – 1500 1500 . para um período de exposição de 6 minutos.5 1.4 163 1.3 – 1. nas unidades industriais são seguidos os limites ANSI. recomendam. em MHz 614 823. 3. Atendendo a que estes limites são destinados a locais ocupacionais.0 3.0729 100 180/f 2 180/f 0. Por conseguinte.100000 f – frequência.515 Locais públicos 0.8/f 823. enquanto que o público favorece mais as recomendações NCRP.54 f 194 f / 106 0.5 – Níveis de segurança recomendados pelo relatório NCRP nº 86.3 – 1.0 3.89/f 0.dações ANSI e NCRP. que a SAR não seja superior a 0.34 1.100000 614 614 1824/f 61.19/f 2.8/f 27.163 100 100 900/f 2 1.2 f/1500 1. mantendo a mesma SAR de 0. permitindo uma densidade de potência incidente de 10 mW/cm2 para frequências superiores a 1 GHz. Frequência (MHz) Campo eléctrico (V/m) Campo magnético (A/m) Densidade de potência (mW/cm2) Corrente de contacto (min) Locais ocupacionais 0. e para uma gama de frequências entre 10 kHz e 300 GHz.4 W/kg.34 – 3.34 – 3.19/f 0.34 1. uma das poucas diferenças reside no facto dos limites NCRP serem mais restritivos a altas frequências.0 f/300 5.4 W/kg para todo o 155 .23 Quadro 3.0 – 30 100 – 300 300 – 1500 1500 . para locais ocupacionais. baseiam-se assim na assumpção de que não existem crianças ou jovens nesses locais.3.0 200 200 200 ------------- 3.5 GHz. por exemplo acima de 1. mostrando-se no quadro 3.6 os níveis de exposição recomendados.63 2. Normas ACGIH Estas normas.0 2 200 200 200 ------------- 2. elaboradas pelo organismo norte-americano American Conference of Governmental Industrial Hygienists.

apesar de poder resultar de choques eléctricos ou de queimaduras eléctricas de RF. em MHz Quadro 3. foi criado em 1934 como uma agência reguladora. consiste no facto da SAR admissível para telefones celulares ser de 1. Para a maioria dos telefones celulares comercializados.6 W/kg. essa potência radiante corresponde aproximadamente a um valor de 0.A alteração mais significativa desta norma em relação às anteriores. e no quadro 3. ao compararem156 . 3. com a finalidade de controlar e regular as comunicações rádio e por fios. Previamente.7) x 100 0.4 x 450/f. tendo vindo a ser a responsável pelo licenciamento dos sistemas de comunicações nos Estados Unidos. tal como em relação ao Relatório nº 86 – 1986 do National Council on Radiation Protection and Measurements. No quadro 3. Por outro lado.8 os limites recomendados para a taxa específica de absorção SAR na totalidade do corpo humano ou em parte.265 Densidade de potência (mW/cm2) 100 900/f 2 1.65 900 / (37.3. é um nível que se poderá considerar seguro na base de que se refere igualmente à totalidade do corpo humano. para uma gama de frequências entre 100 kHz e 6 GHz. Normas FCC Este organismo norte-americano. Relativamente aos limites recomendados expostos no quadro 3.6 – Níveis de segurança recomendados pela associação ACGIH.7f 2) 0. sendo f a frequência de operação em MHz.8 e. os telefones celulares poderiam exceder o limite máximo de exposição permitido (LME).027 (f/37. Federal Communications Commission.corpo.0 f/100 10 10 kHz – 3 MHz 3 – 30 MHz 30 – 100 MHz 100 MHz – 1 GHz 1 – 300 GHz f – frequência.10. Frequência Campo eléctrico (V2/m2) 377000 3770 x (900/f 2) 3770 3770 x (f/300) 37700 Campo magnético (A2/m2) 2. se a sua potência radiante fosse inferior a 1. os 100 mW/cm2 recomendados na gama de 10 kHz a 3 MHz.7 mostram-se os limites gerais recomendados.6 W. daí estar igualmente envolvida de uma forma directa na segurança associada à utilização das tecnologias de comunicações.

3 – 1.100000 f – frequência.5 --------- 1.34 – 30 30 – 300 300 – 1500 1500 .se os valores aconselháveis para locais públicos com os valores homólogos aconselháveis em locais ocupacionais.63/f 4.89/f 0.0 30 30 30 30 30 Quadro 3. constata-se que a razão entre eles é igual a 1/5.0 6 6 6 6 6 0. devido ao facto de se considerar que a exposição para o público em geral é de 7 dias por semana x 24 horas por dia = 168 horas por semana.0 f/300 5.4 --------- 1.3.19/f 0. para exposição localizada do corpo humano. na gama de 100 kHz a 6 GHz. e para os locais de trabalho.100000 614 1824/f 61.073 --------- 100 180/f 2 0. Locais ocupacionais < 0.163 --------Locais públicos 100 900/f 2 1. Normas Canadianas O Ministério da Saúde Canadiano tem vindo a desenvolver diversas recomendações e normas de segurança com o objectivo de proteger os seus cidadãos 157 .08 W/kg para todo o corpo ≤ 1. 3.8 – Níveis de segurança recomendados pelo organismo FCC.63 2. em MHz 614 1824/f 27.34 1. de 5 dias por semana x 8 horas de trabalho por dia = 40 horas por semana.4 W/kg para todo o corpo ≤ 8 W/kg para partes do corpo Locais públicos < 0. tendo-se assim a seguinte relação: SAR (locais públicos) = (40 / 168) x SAR (locais ocupacionais) Frequência (MHz) Campo eléctrico (V/m) Campo magnético (A/m) Densidade de potência (mW/cm2) Tempo médio de exposição (min) Locais ocupacionais 0.2 f/1500 1.3 – 30 3 – 30 30 – 300 300 – 1500 1500 .7 – Níveis de segurança recomendados pelo organismo FCC.11.6 W/kg para partes do corpo Quadro 3.

3. Normas Chinesas Não existe muita informação relativa a trabalhos científicos publicados em conferências ou em revistas internacionais.3. definidos neste código normativo. relativos aos efeitos biofísicos dos campos electromagnéticos.4 W/kg para 6 minutos de exposição relativa a todo o corpo. Adicionalmente. acerca das radiações de RF e seus efeitos biofísicos.6 µW/cm2. sendo os limites para a SAR de 0. e no quadro 3. pelo pouco que é divulgado. na gama de frequências entre 3 kHz e 300 GHz. a 900 MHz. 158 . Saliente-se que os valores expostos nestes quadros referem-se ao Safety Code 6.13. em 1979. apresenta-se no quadro 3. excepto extremidades e pele. devido aos factos apontados anteriormente. são baseados em estudos inerentes aos efeitos térmicos. 3.9 os respectivos limites recomendados.11 apresentam-se os limites recomendados para as correntes induzidas e para as correntes de contacto. alterado sucessivamente em 1991. publicado o primeiro Safety Code 6. também para locais ocupacionais e para locais públicos. tendo-se 5. Contudo. mostrando-se no quadro 3. onde a SAR limite é de 25 W/kg para 1 g de tecido biológico. 1994 e 1999.10 os limites da SAR relativos a locais ocupacionais e a locais públicos. para diversas rádio-frequências. Normas Japonesas As suas normas baseiam-se em parâmetros biológicos tais como a SAR e as correntes induzidas no corpo humano. tendo. verificando-se a existência do factor 1/5 entre valores homólogos.12. neste país. estudos esses que demonstram uma tolerância às densidades de potência de exposição. 3. os limites máximos aconselháveis para locais públicos são extremamente mais restritivos que os recomendados nos Estados Unidos. assim como os tempos médios de exposição.0 V/m ou 6. Os níveis de exposição relativos aos locais públicos. limites esses definidos com base numa análise exaustiva realizada a todos os trabalhos de investigação realizados nos últimos 30 anos. antes da temperatura do corpo aumentar de 1 oC dentro de uma exposição de 30 minutos.contra os efeitos das radiações RFR. e de 8 W/kg relativamente ao valor máximo local da SAR dentro de 1 g de tecido.

33 x 10-4 f 0.4 61.150000 150000 . 3.5 Locais públicos ------------10 f/30 50 50 3.5 137 137 0.4 W/kg para todo o corpo 8 W/kg para a cabeça.364 0.0094 f 0.9/f 0.354 f 0.3. para exposição localizada do corpo humano. e em locais públicos.14.2 mW/cm2. Normas Australianas e Neo-Zelandezas Na Austrália. em MHz Quadro 3.300000 280 280/f 28 28 1. valor este 2 a 6 vezes mais reduzido que os valores aconselháveis 159 .4 x 10-4 f 0.003 – 1 1 – 10 10 – 30 30 – 300 300 – 1500 1500 – 15000 15000 .5 61. pescoço.54 f 0. tronco 20 W/kg para os membros Locais públicos 0.300000 600 600/f 60 60 3.67 x 10-5 f 6 6 6 6 6 6 616000/f 1.5 0.003 – 1 1 – 10 10 – 30 30 – 300 300 – 1500 1500 – 15000 15000 .9 – Níveis de segurança recomendados pela norma Safety Code 6.19 2.08 W/kg para todo o corpo 1.150000 150000 .6 W/kg para a cabeça.19/f 2. pescoço.10 – Níveis de segurança recomendados pela norma Safety Code 6.2 616000/f 1.163 0.2 616000/f 1.163 0.037 0. tronco 4 W/kg para os membros Quadro 3.5 2.5 0.21 x 10-4 f 0.5 4.19/f 0. um limite de 0.5 ------------2 f/150 10 10 6. para as frequências na gama das comunicações celulares.4 0.163 4.0042 f 0.9 4.2 0.2 f – frequência.1584 f 0. Locais ocupacionais 0. a sua regulamentação recomendava.Frequência (MHz) Campo eléctrico (V/m) Campo magnético (A/m) Densidade de potência (mW/cm2) Tempo médio de exposição (min) Locais ocupacionais 0.9/f 4.585 f 0.5 6 6 6 6 6 6 616000/f 1.364 9.

45 mW/cm2 para 900 MHz e 0. antes da sua transformação política numa confederação de repúblicas independentes.01 mW/cm2. Quanto à Nova Zelândia. relativos a locais ocupacionais e a locais públicos.110 f – frequência.003 – 0. para locais públicos. continuando a não existir limites para o campo magnético em locais públicos. no quadro 3.2 mW/cm2. 3. ou seja. sendo no entanto esse limite de 0.1 . ICNIRP e NCRP. tem-se: 160 . que se encontravam em vigor na União Soviética. Por sua vez.1 0. Para locais ocupacionais. Normas Russas e da Europa de Leste No quadro 3. estabelecidos a partir de 1996 na Rússia. o limite máximo para a densidade de potência era de 1 mW/cm2.13 mostram-se os limites recomendados para locais ocupacionais e para locais públicos. Quanto aos limites admissíveis para o campo eléctrico relativo a frequências de TV.15.90 mW/cm2 para 1800 MHz.110 2000 f 200 1000 f 100 Locais públicos 0.003 – 0. Correntes induzidas (mA) ambos os pés cada pé Frequência (MHz) Correntes de contacto (mA) Tempo médio de exposição Locais ocupacionais 0.pelas normas americanas ANSI. para correntes RF induzidas e de contacto.11 – Níveis de segurança recomendados pela norma Safety Code 6.12 mostram-se os limites para o campo eléctrico e para o campo magnético.1 . sendo os actuais limites de 0. enquanto que. e para a gama de frequências entre 300 MHz e 300 GHz. no corpo humano. Essa legislação foi revista. em 1990 adoptou o limite máximo de exposição de 0.3. em MHz 1000 f 210 1 seg 6 min 900 f 90 450 f 45 450 f 45 1 seg 6 min Quadro 3. era 100 vezes inferior.05 mW/cm2 nas cidades de Auckland e de Christchurch. notando-se a não existência de limites para o campo magnético em locais públicos. 0.1 0.

300 25 15 10 3 ----------------5 ----------------Campo magnético (A/m) Quadro 3.3. os limites são de 10 µW/cm2 nas zonas muito próximas.03 – 0.5 1. iniciou as suas actividades em 1964.4 MHz 88.12 – Níveis de segurança recomendados pelas normas da URSS.3 – 3 3 – 30 30 .16.06 – 1.5 V/m Para equipamentos de radar. 3. Frequência (MHz) Campo eléctrico (V/m) Locais ocupacionais 0. no sentido de minimizarem os potencias riscos.5 – 3 3 – 30 30 – 50 300 . International Radiation Protection Association. elaborando regulamentação adequada. Como se pode observar no capítulo 1 deste livro. sendo o seu propósito principal providenciar um meio de comunicação entre todos os países que se encontram 161 .4 MHz 192 MHz 300 MHz 5 V/m 4 V/m 3 V/m 2. e de 100 µW/cm2 em zonas mais afastadas. na gama entre 150 MHz e 300 MHz. Saliente-se que a ex-União Soviética foi dos primeiros países a detectar e a desenvolver investigação relativamente aos efeitos nocivos derivados da exposição a campos electromagnéticos. Normas IRPA Este organismo internacional. em todo o espectro de frequências de radiação não-ionizante. desde muito cedo que os efeitos da exposição a linhas de muito alta tensão concentraram a atenção das autoridades.300000 50 50 20 5 0.125 Locais públicos 0.48.3 0.

as suas recomendações foram revistas.08 W/kg. Quanto aos locais públicos.72 ----- Locais públicos Frequência 30 kHz – 300 kHz 300 kHz – 3 MHz 3 MHz – 30 MHz 30 MHz – 300 MHz Campo eléctrico (V/m) 25 15 10 3 300 MHz – 300 GHz 10 μW/cm2 Campo magnético (A/m) ----------------- Quadro 3. tem como missão coordenar os conhecimentos sobre a protecção à exposição aos vários tipos de radiações não-ionizantes. 162 . isto é. recomendando valores mais reduzidos para os níveis de exposição em locais públicos. ao longo de um dia completo de trabalho. recomenda um limite 5 vezes inferior.a elaborar regulamentação e normas de segurança. para que possam trabalhar mais facilmente a partir de uma base científica já estabelecida.3.17. de 0.13 – Níveis de segurança recomendados pelas normas da Rússia. igualmente para uma exposição de corpo inteiro com uma duração máxima de 6 minutos. não ultrapassar 0. Em 1981 sugeriu que as densidades de potências não fossem superiores a 10 mW/cm2 em locais ocupacionais. Normas ICNIRP Este organismo internacional. 3. com a finalidade de desenvolver recomendações e normas de segurança que sejam reconhecidas e aceites internacionalmente.4 W/kg para uma exposição de corpo inteiro durante 6 minutos.300 Campo eléctrico (V2/m2) 20000 7000 800 800 300 MHz – 300 GHz 200 μW/cm 2 Campo magnético (A2/m2) 200 ----0. Em 1984. para esses locais e para frequências superiores a 10 MHz. sendo aconselhável. criado em 1992. Locais ocupacionais Frequência (MHz) 0.03 – 3 3 – 30 30 – 50 50 .

2) a avaliação da observância dos limites aconselhados. e para frequências entre 100 kHz e 10 GHz. Para locais ocupacionais. Para frequências até 1 kHz. 5) as informações de segurança para o público. limites esses baseados num conjunto relativamente alargado de estudos e relatórios científicos. 3. 4) as fontes de frequências múltiplas. sendo. Norma CENELEC EN 50392 : 2004 Em Janeiro de 2004 o European Committee for Electrotechnical Standardization (CENELEC) publicou esta norma. 3) a definição das características dos equipamentos que devem ser tidas em atenção. no sentido de demonstrar a observância dos equipamentos eléctricos e electrónicos com as restrições básicas relacionadas com a exposição humana a campos electromagnéticos entre 0 Hz e 300 GHz.Em Abril de 1998 publicou as suas recomendações acerca dos limites a respeitar no que toca à exposição a radiações de RF numa gama de frequências até 300 GHz. 163 . em locais ocupacionais. densidade esta que depende da frequência para valores superiores a 1 kHz. os métodos de avaliação. Esta norma considera os níveis de exposição do público em geral a campos eléctricos e magnéticos.18. 5 vezes inferior. que deverão constar nos respectivos equipamentos.08 W/kg. no máximo valor da taxa de absorção específica SAR em locais públicos. de 0.3. o limite recomendado é de 0. ou seja. De um modo geral. a restrição relativa a campos eléctricos e magnéticos corresponde a uma densidade de corrente de 10 mA/m2. assim como a correntes de contacto e a correntes induzidas. comparativamente aos valores máximos a observar em locais ocupacionais. As suas recomendações incluem um factor de redução de 5. para locais públicos. apesar de não haver provas científicas conclusivas. e os relatórios a elaborar. como sucede com outros regulamentos explicitados anteriormente.4 W/kg para uma exposição de corpo inteiro. aborda: 1) os critérios de observância. A razão desse factor de redução prende-se com o facto da forte possibilidade de existirem pessoas bastante sensíveis aos efeitos da radiação RFR.

para outras exposições de RF e de microondas é 100 μW/cm2 para frequências entre 3 MHz e 3 GHz e. e para locais públicos. esse limite deve ser reduzido para 0.0095 mW/cm2) a 1800 MHz.2 W por 10 g de tecido da cabeça e 0. O nível permitido para a densidade de potência. para as frequências dos telefones celulares.08 W/kg para todo o corpo. • Reino Unido. Veja-se seguidamente as recomendações estabelecidas por alguns dos países da União Europeia: • • Bélgica. o limite admissível é de 4 V/m (0. uma densidade de potência de 0.10 mW/cm2 e. com o suporte do governo do Reino Unido. o limite para as torres de transmissões celulares e de radiodifusão. Para transmissores de radiodifusão e de TV. Itália.0024 mW/cm2 e 0. a 900 MHz. como sucede nas normas americanas e canadianas. para as situações onde a exposição exceda 4 horas por dia. é 400 μW/cm2. • Suíça. Por outro lado. limites de 21 V/m para 900 MHz e de 29 V/m para 1800 MHz. o European Union Health Council.57 mW/cm2 para 900 MHz. as administrações regionais dispõem de poder para reduzir ainda mais aqueles limites.5 V/m (0. para locais públicos. para a gama entre 3 GHz e 300 GHz. e de 6 V/m (0.19. Os limites referentes à exposição a radiação RFR são de 112 V/m e 0. o limite de exposição está entre 3 V/m e 8. Por exemplo. especialmente à radiação emitida por telefones celulares. uma SAR de 0.3. as normas impõem.5 W/m2 ou de 41 V/m para o campo eléctrico. é de 4.0025 mW/m2). Neste país.0042 mW/cm2) a 900 MHz. é de 6 V/m ou 10 μW/cm2. sendo os limites admissíveis para os locais ocupacionais cinco vezes superiores. havendo regiões onde os limites são 4 vezes inferiores (0.010 mW/cm2. As suas normas aconselham. e de 194 V/m e 1 mW/cm2 para 164 . Regulamentação na União Europeia Em 8 de Junho de 1999. • Suécia. para a intensidade do campo eléctrico. propondo essas recomendações.019 mW/cm2). Para os transmissores de comunicações sem fios.3. estabeleceu recomendações com o objectivo de limitar as exposições a campos electromagnéticos.

de curto prazo. pode-se assumir que os limites do quadro 3. sendo os tempos médios de exposição de 15 minutos para todo o corpo. Por conseguinte. 165 . Em 29 de Abril de 2004. Esta diferenciação resulta do facto dos valores destas últimas grandezas serem mais facilmente calculáveis. Frequências Densidade de corrente na cabeça e no tronco (mA/m2) SAR média em todo o corpo (W/kg) SAR localizada na cabeça e no tronco (W/kg) SAR localizada nos membros (W/kg) Densidade de potência (W/m2) ≤ 1 Hz 1 – 4 Hz 4 – 1000 Hz 1000 Hz – 100 kHz 100 kHz – 10 MHz 10 MHz – 10 GHz 10 GHz – 300 GHz 40 40 / f 10 f / 100 f / 100 ----------- --------------------0. não forem excedidos.15. se estes valores. enquanto que no quadro 3. e de 6 minutos para uma exposição parcial. expostos no quadro 3.14 também não foram excedidos.14 mostram-se os limites máximos aconselháveis.1800 MHz.15 encontram-se expostos os valores das grandezas induzidas. que se baseia nas restrições básicas do ICNIRP. o Council of the European Parliament publicou a Directiva Comunitária 2004/40/EC.14 – Níveis de segurança recomendados pela Directiva Europeia 2004/40/EC. Esta directiva diferencia os limites máximos de exposição dos valores das grandezas que são induzidas pelos efeitos da exposição. não considerando os efeitos de longa duração. e diz respeito fundamentalmente aos riscos potenciais.4 0.4 ------ --------------------10 10 ------ --------------------20 20 ------ ------------------------------50 Quadro 3. a que se encontram sujeitos os trabalhadores. No quadro 3.

valor este obtido tendo em atenção um indivíduo do sexo feminino com uma massa de 70 kg e com uma área superficial total de 3000 cm2. Factores de Segurança Em termos científicos históricos. Saliente-se que este limite representou a base para a recomendação C95. baseado numa exposição de 0.16 0. concluiu-se não só que esta área superficial é bastante mais elevada.6 / f 1.Frequências Intensidade do campo eléctrico (V/m2) Intensidade do campo magnético (A/m2) Densidade de potência para uma onda plana equivalente (W/m2) Corrente de contacto (mA) Corrente induzida nos membros (mA) 0. Posteriormente. fixou-se inicialmente um factor de segurança igual a 10. de 1966.36 ----------10 10 f / 40 50 40 40 40 ---------------- ----------100 ---------------- Quadro 3.1 W/cm2. era 20 vezes mais elevado que o suportável pelo corpo humano. um factor de segurança que conduz aos limites máximos apresentados. os factores de segurança utilizados na elaboração da regulamentação reflectem as incertezas existentes no que 166 .6 / f 0. De um modo geral. ou seja.008 f 1/2 0. próxima de 20000 cm2.3. 10 vezes inferior.20. mas também que o efeito da radiação. na sua elaboração.1 – 1 MHz 1 – 10 MHz 10 – 110 MHz 110 – 400 MHz 400 – 2000 MHz 2 – 300 GHz 610 610 / f 61 61 3 f 1/2 137 1. correspondente àquele valor inicial.16 0.1.15 – Níveis de segurança das grandezas induzidas recomendados pela Directiva Europeia 2004/40/EC. as regulamentações e normas em vigor incluem logo à partida. de uma forma em que esses limites correspondem a níveis de exposição bastante mais reduzidos que aqueles que efectivamente se verificam na realidade. daí que o valor normalizado tivesse sido reduzido para 10 mW/cm2. 3. em locais onde poderão ocorrer efeitos perigosos para a saúde humana. Como se compreende.

Na prática. Além disso. ou da medição do valor da temperatura dos tecidos biológicos. maioritariamente in vivo. são igualmente introduzidos no sentido de se ter em linha de conta a diferença de sensibilidade do organismo humano aos efeitos das radiações. são atribuídos também com o objectivo de proteger as pessoas mais sensíveis aos campos electromagnéticos. quando a potência absorvida se encontra confinada a uma determinada região do corpo. a maioria dos regulamentos e normas de segurança publicados adoptam.3. Por conseguinte. um factor de segurança com o valor 50. através da medição do valor da intensidade do campo eléctrico. ao desconhecimento dos níveis exactos de radiação acima dos quais se manifestam efeitos potencialmente perigosos. definem-se e avaliam-se dois tipos de SAR: 1) o valor médio no corpo inteiro. contudo. para melhor se caracterizar os potenciais efeitos térmicos da radiação electromagnética. mas também.21. para o estabelecimento dos limites máximos de segurança em locais públicos. pode ser determinada empirica ou teoricamente. estes factores de segurança. respectivamente: SAR = σ E2 ρ dT dt SAR = C conclui-se assim que existem duas alternativas para o cálculo da SAR. como é o caso das suas constantes dieléctricas e das suas condutividades eléctricas. Na prática. como consequência. 3. Na prática.concerne não só ao desconhecimento científico dos mecanismos de interacção entre a radiação electromagnética e os tecidos biológicos. sendo de salientar que a fiabilidade dos valores obtidos. a SAR relativa ao corpo humano não consegue ser medida directamente. Taxa de Absorção Específica Como se salientou no capítulo 1. como se tem. ou seja. como 167 . cálculo esse que tem em consideração as propriedades electromagnéticas dos tecidos biológicos. ou seja. depende das técnicas de medição utilizadas. a despeito das limitações das metodologias utilizadas. cujos valores se podem situar entre 10 e 1000. e 2) o valor de pico local.

168 . da sua orientação relativamente às ondas electromagnéticas incidentes.08 0. Ambos as variantes de SAR – corpo inteiro e partes localizadas –. Normas Gama de frequências SAR para o corpo inteiro Locais públicos W/kg Tempo de exposição (min) 6 6 6 6 30 15 30 Locais ocupacionais W/kg Tempo de exposição (min) 6 6 6 6 6 15 6 ARPANSA MCTJ (1) Safety Code 6 ICNIRP FCC NRPB ANSI/IEEE 100 kHz – 6 GHz 100 kHz – 6 GHz 100 kHz – 10 GHz 100 kHz – 6 GHz 100 kHz – 6 GHz 100 kHz – 6 GHz 100 kHz – 6 GHz 0. Nos quadros 3.4 0. ou seja.4 0.4 (1) – Ministério dos Correios e Telecomunicações do Japão.4 0.08 0.08 0. relativos a diversas normas.18 mostram-se. os níveis máximos recomendados da SAR. com 1 g ou com 10 g. considerando um factor de segurança de 20.16 a 3.08 0. em termos comparativos.4 0. de forma cúbica.04 0.16 – Valores da SAR para o corpo inteiro.sucede com a cabeça quando se utiliza um telefone celular. para um determinado intervalo de tempo e para uma massa de tecido biológico. sendo a SAR de 1 g a representação mais precisa da energia de RF localizada assim como a melhor medida da sua distribuição.4 0. e que depende da dimensão do corpo e da sua orientação face aos campos eléctricos e magnéticos incidentes. a SAR localizada é baseada nas estimativas obtidas a partir da SAR média de corpo inteiro. para diversas normas de segurança. Adicionalmente. O valor máximo da SAR no corpo inteiro ocorre para a frequência de ressonância. Quadro 3.4 0. são calculadas em termos de valores médios. normalmente situada entre 60 MHz e 80 MHz.08 0.4 0.

4 W/kg) x (6 minutos) = 2.Relativamente aos valores da SAR para o corpo inteiro. e as inglesas NRPB. o tempo médio de exposição é de 6 minutos. exceptuando as normas japonesas MCTJ (0. relativos respectivamente aos limites da SAR para a cabeça e para os membros.08 W/kg. todas as normas impõem 6 minutos de exposição. Note-se que o factor de segurança adoptado é igual a 50 para o público. o valor predominante é 0. é igual a 1/5. isto é. com 15 minutos. e de 10 para os locais ocupacionais. o limite mínimo de 1. Para locais públicos.00 W/kg x min (público e ocupacional) (0. Relativamente aos quadros 3.17 e 3. Por exemplo.04 W/kg). e as inglesas NRPB que. são as mais permissivas. com 30 minutos. a razão entre os limites da SAR para locais públicos e locais ocupacionais. não diferenciam locais públicos de locais ocupacionais.6 W/kg sobre 1 g de tecido é aceite nos Estados Unidos. exceptuando as normas americanas FCC e ANSI/IEEE. comparando as normas mais rigorosas com a norma inglesa.4 W/kg. constata-se o seguinte: • Para locais públicos. como foi salientado anteriormente. e 0.4 W/kg para locais ocupacionais. o limite máximo admissível é o mesmo.18. valores esses baseados numa SAR de 4 W/kg. • • • Para locais ocupacionais. excepto as inglesas NRPB. com 0.08 W/kg para locais públicos.04 W/kg) x (6 minutos) = 0. enquanto que o limite de 2 W/kg para 10 g de tecido. • • Para locais ocupacionais. 0. constata-se o seguinte: • Para a SAR localizada na cabeça. além de recomendarem o nível de SAR mais elevado. 169 . considerada como sendo o nível acima do qual se detectaram efeitos nocivos. que são as mais seguras. As normas inglesas NRPB.4 W/kg. tem-se. Note-se que.4 W/kg) x (15 minutos) = 6. respectivamente: (0.24 W/kg x min (público) (0. em termos comparativos. com 15 minutos. desenvolvido pelo ICNIRP é comum na Europa.40 W/kg x min (ocupacional) • O limite aceite para a SAR relativa ao corpo inteiro é 0.

1 MHz e 10 MHz. 170 .6 6 1 8 6 1 2 6 10 10 6 10 FCC 1. exceptuando para a NRPB. • Para a SAR localizada nos membros.6 ------ 1 8 6 1 NRPB 10 6 10 10 6 10 ANSI/ IEEE 1. para diversas normas de segurança. situadas entre 0. ou a corrente total. induzidas nos tecidos biológicos pelo campo eléctrico e pelo campo magnético. os limites recomendados são iguais para todas as normas. associados. e que poderão afectar o sistema nervoso. para frequências relativamente baixas. Todavia. Quadro 3.17 – Valores da SAR localizada na cabeça. dizer-se qual destes dois limites é o mais seguro tem gerado alguma controvérsia.Austrália. que não diferencia locais públicos de locais ocupacionais.6 30 1 8 6 1 (1) – Ministério dos Correios e Telecomunicações do Japão. Saliente-se que. Normas Gama de frequên cias SAR localizada na cabeça Locais públicos W/kg Tempo de exposição (min) 6 Massa média (g) 10 Locais ocupacionais W/kg Tempo de exposição (min) 6 Massa média (g) 10 ARPANSA 100 kHz – 6 GHz 100 kHz – 6 GHz 100 kHz – 10 GHz 100 kHz – 6 GHz 100 kHz – 6 GHz 100 kHz – 6 GHz 100 kHz – 6 GHz 2 10 MCTJ (1) 2 6 10 8 6 10 Safety Code 6 ICNIRP 1. a energia electromagnética absorvida é menos importante que a densidade de corrente. Japão e noutros países. isto é.

Quadro 3.Normas Gama de frequên cias SAR localizada nos membros Locais públicos W/kg Tempo de exposição (min) 6 Massa média (g) 10 Locais ocupacionais W/kg Tempo de exposição (min) 6 Massa média (g) 10 ARPANSA 100 kHz – 6 GHz 100 kHz – 6 GHz 100 kHz – 10 GHz 100 kHz – 6 GHz 100 kHz – 6 GHz 100 kHz – 6 GHz 100 kHz – 6 GHz 4 20 MCTJ (1) ------ ------ ------ ------ ------ ------ Safety Code 6 ICNIRP 4 6 10 20 6 10 4 6 10 20 6 10 FCC 4 ------ 10 20 6 10 NRPB 20 6 100 20 6 100 ANSI/ IEEE 4 30 10 20 6 10 (1) – Ministério dos Correios e Telecomunicações do Japão. 171 . para diversas normas de segurança.18 – Valores da SAR localizada nos membros.

complementadas pelas referências [4] e [5] relativamente a muitos dos assuntos abordados. Edição do autor. Universidade da Beira Interior. Como se pode constatar. Habash. [4] – Carlos M. 2008. Human Bioeffects and Safety”. por ordem alfabética do primeiro nome dos autores. CRC Press. Covilhã. 172 . fourth edition. assim como nas referências [4] e [5]. P. Florida. [2] – Riadh W. Taylor & Francis Group. Electrical Engineering Series. é bastante importante no que concerne ao estudo dos campos electromagnéticos. isto é o 2 e o 3. New York. “Efeitos Biológicos dos Campos Electromagnéticos e da Radiação”. Covilhã. Habash. Saliente-se que as referências [2] e [3] repre-sentam obras de excelência na temática científica dos campos electroma-gnéticos e sua influência sobre os sistemas biofísicos. Kraus. Boca Raton. e relatórios médicos. Livros [1] – John D. USA. no que respeita aos conteúdos e às imagens e esquemas inerentes a todos os seus capítulos baseia-se essencialmente nas referências [2] e [3]. P. a sua escrita baseou-se nas referências [2] e [3]. que constitui desde sempre uma obra clássica do electromagnetismo. incluindo o campo magnético terrestre e a distribuição electromagnética na atmosfera. A estrutura deste nosso livro de apoio. artigos científicos. Y. esta bibliografia encontra-se ordenada por ordem crescente do ano de publicação e. de referências bibliográficas que incluem livros. Cabrita. “Bioeffects and Therapeutic Applications of the Electromagnetic Energy”. Universidade da Beira Interior. 2002. A referência [1]. “Electromagnetic Fields and Radiation. USA. tendo contribuído para a escrita do capítulo 1. Edição do autor.BIBLIOGRAFIA 1. New York. McGraw-Hill International Editions.. Cabrita. e em grande quantidade. 2008. “Electromagnetics”. para o mesmo ano. Y. “Efeitos Terapêuticos e Aplicações Médicas da Energia Electromagnética”. Inc. Quanto aos restantes capítulos. 2008. [5] – Carlos M. 1991. e apresentam um conjunto notável. Marcel Dekker. USA. complementando as obras do Professor Riadh Habash. [3] – Riadh W.

[2] e [3]. 2. Revistas Científicas Advances in Electromagnetic Fields in Living Systems American Journal of Epidemiology American Journal of Public Health Annals of Biomedical Engineering Bioelectromagnetics Biomedical Radioelectronics Biophysical Journal British Medical Journal Cancer Causes and Control Compliance Engineering Computers in Biology and Medicine Electromagnetic Fórum Epidemiology EPRI Journal Health Physics IEEE Proceedings in Medicine and Biology Magazine IEEE Transactions on Antenna and Propagation IEEE Transactions on Biomedical Engineering IEEE Transactions on Electromagnetic Compatibility IEEE Transactions on Microwave Theory and Techniques International Journal of Radiation Biology 173 .Com base em Habash. apresenta-se seguidamente uma listagem de revistas científicas especializadas na investigação dos efeitos biofísicos dos campos electromagnéticos. assim como uma relação de diversos organismos estrangeiros. relacionados com este tema.

co.electric-words. Organismos Estrangeiros Organismos Califórnia EMF Program Coghill Research Laboratories Ltd Electric Words EM Bioprotection EM Facts Consultancy EMF Effects Países USA UK Endereços na internet www.Journal of Biological Chemistry Journal of Comparative Physiology Journal of Microwave Power Journal of the American Medical Association Journal of Theoretical Biology Nature New England Journal of Medicine Physical Review Physics Today Proceedings of the National Academy of Sciences Public Health Radiation Research Science The Cancer Journal Transmission and Distribution World Wirelesseurope 3.thwww.congresslab.tassie.com/~emf/ www.emxgroup.net.com/mrwizard/ wizardEMF.HTM 174 .com/ USA www.dnai.demon.au/emfacts/ USA www.uk/ Australia www.com/ Austrália www.

sartest.edu/gcrc/cop/staticfields-cancer-FAQ/toc.html www.html www.org.powerwatch.org.html www.wave-guide.uk/ www.C.ch/emf/ www.com/ www.edu/~radinfo/ www.com/ 175 .org/ www.gov/oet/rfsafety/ www.T.com/ kato.edu/gcrc/cop/cell-phonehealth-FAQ/toc.rfsafe.theramp.mcw.flipag.A.net/nefta/ www.EMF Guru EMF/RFR Bioeffects and Public Policy F.fcc.uk/ www.mcw.mcw. FEB Frequently Asked Questions on Cell Phone Antennas and Human Health Frequently Asked Questions on Power Lines and Cancer Frequently Asked Questions on Static Electromagnetic Fields and Cancer International EMF Project Less EMF Microwave News NEFTA NRPB OSHA USA USA USA Suécia USA www.edu/gcrc/cop/powerlinescancer-FAQ/toc.com/ www.S.se/ www.net/nopoles/ www.nrpb.lessemf.osha-slc.who.umich.sardata.com/emf-news.emfguru.html www.feb.com/ www.microwavenews.gov/SLTC/ radiofrequencyradiation/ USA USA Suíça USA USA USA UK USA Powerwatch Radiation and Health Physics RF Safe RF Safety Program SARData SARTest UK USA USA USA USA UK www.