Manual de FTL

Modulações Analógicas e Digitais
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 1
CINEL – Centro de Formação Profissional da Indústria Electrónica
NOTA DO AUTOR
Este manual destina-se a ser utilizado como documento de apoio a
Fundamentos de Telecomunicações.
Alguns dos conceitos e circuitos aqui apresentados obrigam a
conhecimentos básicos nas áreas de matemática, electricidade e
electrónica, mas não é necessária formação avançada nessas áreas.
Não se desenvolvem os temas exaustivamente, antes se faz uma súmula
tão clara e concisa quanto possível, que permita ao formando ter uma
ideia genérica de como funciona um sistema de telecomunicações na parte
em que os sinais são transportados entre emissor e receptor.
A parte de interpretação de circuitos é sobretudo baseada em diagramas
de blocos por ser menos complexa e mais didáctica.
Alguma da terminologia técnica utilizada encontra-se em inglês, não se
tendo considerado nem lógico, nem adequado, fazer a sua tradução para
português quer por os termos ainda não se encontrarem generalizados
entre nós, quer sobretudo pelo facto de que a maioria dos manuais e
páginas Web, independentemente do seu idioma, também usarem os
termos ingleses como referenciais.
Dado que o grafismo deste manual faz uso intensivo da cor, aconselha-se
a que sejam feitas cópias em cor, ou que na sua impossibilidade, sejam
distribuídas cópias em CD. O tamanho da letra utilizado, permite a
impressão de duas páginas por folha.
Paulo Azevedo
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ÍNDICE
Capítulo 1 - Introdução 6
1.1. Conceito de telecomunicações 6
1.2. Informação Analógica e Digital 7
1.2.1. Informação Analógica 7
1.2.2. Informação Digital 8
1.2.3. Analógico ou Digital? 8
1.3. Banda Base 9
1.4. O que é a modulação? 9
1.5. Tipos de Modulação 11
1.6. Organismos reguladores das telecomunicações 12
1.6.1. ITU (International Telecomunications Union) 12
1.6.2. ANACOM 13
1.7. História das telecomunicações 14
Capítulo 2 - Definições 16
2.1. Sinais sinusoidais 16
2.2. Frequência e comprimento de onda 17
2.3. Tamanho de antenas 19
2.4. Largura de banda 20
2.4.1. Ruído 22
2.5. Características da Transmissão 23
2.5.1. Unidades logarítmicas 23
2.5.2. Máxima Capacidade de tráfego de um canal 24
2.5.2.1. Teorema de Nyquist 24
2.5.2.2. Teorema de Shannon 25
2.5.3. Direcção da comunicação 26
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2.5.3.1. Simplex 26
2.5.3.2. Half-duplex 27
2.5.3.3. Full-duplex 28
2.6. Tipos de modulação 29
2.7. Questionário de revisão - Definições 31
Capítulo 3 - Modulações de Portadora analógica 32
3.1. Transmissão de sinais 32
3.2. Portadora analógica / informação analógica 33
3.2.1. Modulação de Amplitude (AM) 34
3.2.1.1. Índice de modulação 35
3.2.1.2. Espectro do sinal AM 36
3.2.1.3. AM de banda lateral única (SSB) 38
3.2.1.4. O Modulador Síncrono AM - DSB 39
3.2.1.5. Emissão AM 40
3.2.1.6. O Detector de Envolvente (desmodulação AM) 41
3.2.1.7. Receptor superheterodino 43
3.2.2. Modulação de Frequência 45
3.2.2.1. Profundidade ou percentagem de modulação em FM 46
3.2.2.2. Índice de modulação 47
3.2.2.3. Largura de banda em FM 47
3.2.2.4. Detecção de FM 49
3.2.2.5. FM estéreo 50
3.2.3. Modulação de Fase 52
3.3. Portadora analógica / informação digital 52
3.3.1. Modulação ASK (Amplitude Shift Keying) 54
3.3.2. Modulação por comutação de frequência (FSK) 56
3.3.3. Modulação por comutação de fase (PSK) 57
3.3.4. Modulação (DPSK) 58
3.3.5. Modulação M-PSK 58
3.3.6. Modulação por amplitude em quadratura (QAM) 60
3.4. Questionário de revisão 63
Capítulo 4 - Modulações de Portadora Digital 66
4.1. Introdução 66
4.2. Portadora digital / Informação analógica 67
4.2.1. PAM 69
4.2.2. PWM (ou PDM) 69
4.2.3. PPM 70
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4.3. Portadora digital / Informação digital 72
4.3.1. PCM (Pulse Coded Modulation) 72
4.3.1.1. AMOSTRAGEM 73
4.3.1.2. QUANTIFICAÇÃO 76
4.3.1.3. CODIFICAÇÃO 79
4.3.1.4. Erro de quantização 81
4.3.2. DPCM (Diferencial Pulse Coded Modulation) 81
4.3.3. DM (Delta Modulation) 82
4.4. Questionário de revisão - 83
Capítulo 5 - Multiplexagem (Acesso Múltiplo) 85
5.1. Introdução 85
5.1.1. TDM (TDMA) 85
5.1.2. FDM (FDMA) 86
5.1.3. CDMA 88
Capítulo 6 - Circuitos Práticos 89
6.1. AM 89
6.1.1. Emissor AM 89
6.1.2. Receptor AM 90
6.2. FM 92
6.2.1. Emissor FM 92
Capítulo 7 - Glossário, Links, e Bibliografia 94
7.1. GLOSSÁRIO 94
7.2. LINKS Internet 100
7.2.1. Standardização e Regulamentação 100
7.2.2. Tutoriais 100
7.2.3. Modulações 100
7.2.4. Diversos 101
7.3. BIBLIOGRAFIA 101
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Capítulo 1 - Introdução
Hoje em dia já nem nos apercebemos de como estamos
dependentes dos sistemas de telecomunicações. Rádio, televisão,
telefone, telemóvel, quem conseguiria viver sem eles? Este
capítulo introduz os conceitos elementares associados ás
telecomunicações e explica o porquê da necessidade de haver
modulação de sinais.
1.1. Conceito de telecomunicações
Telecomunicação é comunicar à distância, entre uma origem e um destino,
obedecendo ao esquema genérico da Fig. 1-1.
Podemos considerar que sinais de fumo ou ruídos de tambores são telecomunicação,
mas num contexto mais moderno, telecomunicação é a emissão e subsequente recepção, de
sinais eléctricos através de um meio de transmissão natural (atmosfera, água, terra) ou
artificial (fio, cabo coaxial, guia de ondas, fibra óptica, etc.).
O objectivo é transmitir de forma fiável e eficiente, as mensagens de informação entre
Capítulo
Fig. 1-1 – Sistema de telecomunicação
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utilizadores. Contudo, durante o percurso, os sinais são sempre afectados por duas
condicionantes que impõem sempre alguns limites à comunicação:
 Largura do canal: a quantidade de informação a transmitir tem sempre
um limite finito muito dependente do meio.
 Ruído: perturbações que alteram o sinal original introduzindo-lhe
alterações indesejadas.
Na nossa vida quotidiana pretendemos sobretudo “tele-comunicar” imagens, sons e
dados. Estes sinais antes de serem transmitidos são transformados em sinais eléctricos e
passam a designar-se por vídeo, áudio e data.
1.2. Informação Analógica e Digital
1.2.1. Informação Analógica
Dizemos que uma informação é Analógica (Fig. 1-2) quando há uma variação contínua
das suas grandezas (brilho, som, cor, luminosidade, etc.).
Tudo o que vemos, tudo o que ouvimos, tudo o que sentimos são grandezas
analógicas.
Um relógio em que o ponteiro dos segundos roda continuamente, podendo tomar
qualquer posição dá uma informação analógica. Da mesma forma, a fotografia, onde as
cores e a luminosidade podem tomar qualquer valor é também uma informação analógica.
Na transmissão analógica, os sinais eléctricos variam continuamente entre todos os
valores possíveis, permitidos pelo meio físico de transmissão.
Fig. 1-2 – Sinal Analógico
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1.2.2. Informação Digital
Um relógio em que o ponteiro dos segundos salta de segundo em segundo, em vez de
rodar continuamente, é um relógio digital porque, ao contrário da informação analógica, a
Informação Digital, varia por níveis bem distintos.
A lista de “zeros” e “uns” que se indica na Fig. 1-3, é uma Informação Digital em
Código Binário. Nos circuitos electrónicos, estes “zeros e “uns” são representados por níveis
de tensão diferentes e bem definidos.
A informação digital corresponde sempre a um código que é necessário conhecer para
a decifrar. Um bom exemplo disso é o código Morse (Fig. 1-4). Não deixa de ser curioso
observar que o primeiro sistema de telecomunicações era digital!
1.2.3. Analógico ou Digital?
A pergunta é inevitável, então... porquê digital se tudo ao nosso redor é analógico?
Existem várias e poderosas razões:
 PREÇO: com a tecnologia actual, os sistemas digitais, são regra geral,
muito mais baratos que os seus antepassados analógicos. Por exemplo,
no mesmo emissor onde antes se emitia um só programa de TV
analógico, podem agora transmitir-se até 10 programas de TV digital, ou
seja, os custos de emissão por programa foram reduzidos em 1/10).
0 0 1 1 1 0 1 1 0 0 0 0 1 1 1 1 0 0 1 1 0 0
“0”
“1”
tempo
Código
Tensões
Fig. 1-3 – Sinal Digital
Fig. 1-4 – Código Morse
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 QUALIDADE: o sinal digital é extremamente fiável porque mesmo que
se degrade no percurso da transmissão, é possível incluir códigos de
erros e utilizar técnicas que permitem reconstituir o sinal original. Em
termos de gravação, o sinal digital não se degrada por cópias sucessivas
ao contrário do que ocorre com as gravações analógicas.
 FUNCIONALIDADE: os sinais digitais permitem a inclusão de uma
variada gama de serviços ou de opções adicionais que seriam difíceis ou
mesmo impossíveis de obter com sinais analógicos (encriptação,
multiplexagem, interactividade, pay-per-view, etc.)
 MODULARIDADE: possibilidade de construção de grandes sistemas por
meio de módulos independentes, com fácil comunicação entre eles, e
com possibilidade de serem controlados e configurados à distância.
É claro que também há desvantagens … mas a tecnologia tem descoberto novos
caminhos para as minorar e disso falaremos mais adiante neste manual.
1.3. Banda Base
Em telecomunicações, designamos por banda base (Baseband) o sinal original que
pretendemos transmitir. A voz ao telefone (áudio) é um sinal de banda base. O vídeo filmado
por uma camera, é também um sinal de banda base.
Infelizmente, é tecnicamente difícil transmitir os sinais de banda base à distância, pelo
que na grande maioria das aplicações de telecomunicações, os sinais BB necessitam de ser
previamente modulados. Mas o que é a modulação?
1.4. O que é a modulação?
Em telecomunicações, o sinal a transmitir (banda base) só raramente tem as
características adequadas para o meio onde vai ser transmitido. Por exemplo, transmitir a
nossa voz a 10Km de distância, pelo meio de comunicação ar, seria impossível.
Assim, o sinal de voz (depois de convertido em sinal eléctrico no microfone) é
transportado por um outro sinal (a que chamaremos transportadora ou apenas portadora)
e esse sim tem as características necessárias ao meio.
Este exemplo é em tudo semelhante ao de que, para irmos de Lisboa ao Porto, não
vamos certamente a pé, mas sim de carro ou comboio que são portanto “transportadoras”,
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muito mais adequadas para percorrer o meio entre as duas cidades.
Ao processo pelo qual colocamos um sinal “em cima” de uma portadora, chamamos
modulação e praticamente todos os sinais que hoje utilizamos na transmissão à distância,
são modulados. Todas as técnicas de modulação resultam no deslocamento de um sinal, da
sua gama de frequências original para uma outra gama de frequências.
Na recepção, o sinal original é recuperado através do processo inverso, ou seja é
realizada a desmodulação o que elimina a portadora e recupera o sinal original.
A Fig. 1-5 mostra o processo completo de modulação e desmodulação.
Recapitulando: a transmissão de sinais (áudio, vídeo, data) pode ser feita em banda
base (sem portadora) ou utilizando técnicas de modulação (com portadora).
Um dos exemplos de transmissão em banda base (sem portadora), é o antigo telefone. O
Fig. 1-5 – Sinal Digital
Fig. 1-6 – Transmissão sem portadora
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sinal de áudio era transmitido directamente pela linha, sem modulação (Fig. 1-6).
Outro exemplo de sinal em banda base (sem portadora) era o telégrafo (Fig. 1-7).
1.5. Tipos de Modulação
Consoante a portadora e o sinal são analógicos ou digitais, assim se definem os
diferentes tipos de modulação que serão abordados neste manual (Fig. 1-8).
Repare que as portadoras podem ser analógicas ou digitais e que a informação a
transmitir também pode ser analógica ou digital.
Nomes bem conhecidos como AM e FM são modulações de portadora analógica com
sinais analógicos e serão abordadas no capítulo 3.
Fig. 1-7 – Transmissão sem portadora (telégrafo e código Morse)
Fig. 1-8 – Tipos de modulação
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A informação que se pretende transmitir tem o nome de moduladora, ou sinal
modulador). A portadora vai portanto ser alterada (modulada) por uma moduladora.
1.6. Organismos reguladores das telecomunicações
Tal como em muitas das áreas da nossa vida, também desde o advento das
telecomunicações, se sentiu a necessidade de uma regulamentação nacional e internacional.
Os sinais de rádio ultrapassam fronteiras e mesmo dentro do próprio país facilmente
interferem entre si.
O ITU (international Telecomunications Union) é o organismo regulador internacional.
É uma agência das Nações Unidas e actua no sector das telecomunicações em 3 áreas
distintas: fiscalização, estandardização e desenvolvimento.
A Anacom é o organismo regulador em Portugal e faz cumprir as normas definidas
pelo ITU, regulamentando as especificidades nacionais.
1.6.1. ITU (International Telecomunications Union)
O primeiro órgão regulador das telecomunicações internacionais data da época do
telégrafo. Foi criado em 1865 e designava-se também por ITU (International Telegraph
union).
Com o advento do telefone e da telegrafia, foram criados em 1925 dois comités
consultivos internacionais (CCI), um para serviços de telefone (CCIF) e outro para a
telegrafia (CCIT).
Dois anos mais tarde (1927) criou-se o comité consultivo internacional para a rádio
(CCIR).
Em 1934 a ITU manteve a sigla mas passou a ser a International Telecomunications
Union e em 1947 tornou-se numa agência das Nações Unidas.
Em 1956 e com o declinar do telégrafo, os comités CCIF e CCIT fundiram-se num só, o
CCITT.
Em 1992 na grande reforma da ITU o CCITT mudou o nome para ITU-T e passou a ser
o responsável pela estandardização das telecomunicações. O CCIR originou o ITU-R e
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passou a ser o responsável pela regulamentação e fiscalização. Simultaneamente criou-se o
ITU-D com funções de incentivar e tutelar o desenvolvimento das comunicações mundiais.
 ITU-R – ITU Radiocomunications sector
 ITU-T – ITU Telecomunications Standards
 ITU-D – ITU Telecomunications Development
O ITU divide o mundo em três regiões para coordenação de suas actividades:
 Região 1: Europa, Antiga URSS, Ásia Menor e África
 Região 2: Américas e Hawai
 Região 3: Oceânia e o restante da Ásia
1.6.2. ANACOM
O ICP – ANACOM (Autoridade Nacional de Comunicações) é a autoridade reguladora
do sector das comunicações - telecomunicações e correios - em Portugal.
Inicialmente designada por ICP (Instituto das Comunicações de Portugal), tem a nova
designação e estatutos desde 6 de Janeiro de 2002 após a publicação a 7 de Dezembro
do Decreto-Lei n.º 309/2001.
A ANACOM tem por objecto a regulação, supervisão e representação do sector das
comunicações. A ANACOM é, pois, a autoridade reguladora das comunicações postais e das
comunicações electrónicas, conforme resulta da própria lei de bases dos serviços postais
(artigo 18º da Lei n.º 102/99, de 26 de Julho) e da lei das comunicações electrónicas
(artigos 4º e 5º da Lei n.º 5/2004, de 10 de Fevereiro).
Para o efeito, são atribuições da ANACOM:
 Regulação de mercado
 Supervisão de mercado
 Representação do sector das telecomunicações
Mais detalhes sobre as atribuições da ANACOM e para consulta de algumas estatísticas
extremamente interessantes das telecomunicações em Portugal, visite o sítio
www.anacom.pt
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1.7. História das telecomunicações
Na cronologia das telecomunicações, e a título de curiosidade, salientamos a seguir
algumas datas e eventos que tiveram relevância nas telecomunicações mundiais e em
Portugal:
1830 - Henry transmitiu o primeiro sinal eléctrico prático.
1837 - Morse desenvolveu um telégrafo completamente funcional.
1854 – Bourseul, publica os fundamentos do telefone mas foi ignorado pelos chefes.
Mais tarde reconhecido em França como o inventor do telefone.
1857 - Meucci apresenta o “telégrafo de som”, um dispositivo muito rudimentar que
supostamente permite transformar electricidade em som. Regista a patente em 1871
mas não a renova por falta de fundos. Em 2002 o congresso americano reconheceu que
foi ele o verdadeiro inventor do telefone e não Bell (que registou a patente em 1876).
1861 - Phillip Reis demonstra o seu “ouvido eléctrico” perante a Sociedade de Física de
Frankfurt, Alemanha. Transmite música mas não consegue transmitir voz. Nessa
demonstração cria a palavra “telefonia”.
1873 - Maxwell mostra matematicamente que as ondas eléctricas podem ser enviadas á
distância.
1876 - Bell fez a primeira experiência bem sucedida com telefones e regista a patente
1886 - Hertz calculou que as ondas electromagnéticas podem ser transmitidas usando
uma antena
1888- Hertz prova as teorias de Maxwell's e demonstrou que as ondas electromagnéticas
viajavam à velocidade da luz e podiam ser reflectidas, refractadas e polarizadas como a
luz.
1892 - Tesla enuncia a teoria básica para a comunicação rádio.
1895 - Popov inventou um receptor de ondas de rádio e fez a primeira transmissão sem
fios, mas nunca efectuou patente do invento.
1896 - Marconi fez a primeira demonstração pública do telégrafo sem fios.
1900 - Fessenden fez a primeira transmissão de voz por rádio.
1901 - Marconi fez a primeira comunicação sem fios através do Atlântico a uma distância
de 3.500 quilómetros, entre a Europa e a América
1904 - John Fleming inventou a válvula termiónica de dois eléctrodos (diodo), usada
para transmissão de áudio.
1906- Lee Forest adiciona o terceiro eléctrodo ao díodo (tríodo), produzindo um receptor
e amplificador de alta sensibilidade.
1914 - Marconi usou uma válvula termiónica como um gerador de rádio, que produzia
uma portadora capaz de ser modulada pela fala e ser transmitida através de 80 km.
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1917 . Armstrong descobre o princípio do receptor superheterodino
1920 - Implantados os primeiros rádios de carro e walkie-talkies, usados pela policia de
Nova Iorque e as primeiras estações de rádio comerciais na América
1924 – Provável primeira emissão de rádio em Portugal
1933 . Armstrong faz a primeira utilização do FM
1936 – Início das transmissões de TV na Inglaterra
1947 – Primeiras transmissões em FM
1948 - Claude Shannon publicou a equação de Shannon-Hartley, que muito antes dos
sistemas digitais actuais já afirmava que a capacidade de comunicação sem erros é
limitada e proporcional à largura de banda do sinal e à relação entre a potência do sinal e
potência do ruído de recepção. Capacidade = Largura de Banda x Log2 {1 + SNR}
1954 – Início da TV a cores nos EUA.
1956 – Primeiras transmissões FM em Portugal
1957 - Início da Tv a PB em Portugal
1962 – Lançamento do primeiro satélite orbital de comunicações, Telstar I.
1978 – Primeira transmissão TV satélite
1979 - A primeira rede comercial de telefones móveis entrou em funcionamento em
Tóquio
1980 – Início da transmissão de TV a cores em Portugal
1982 - Inicio do desenvolvimento do GSM pelo "Groupe Spécial Mobile" constituído pela
CEPT (Confederação Europeia das Administrações Postal e de Telecomunicações).
1988 - Constituído o ETSI, organização europeia responsável pelas normas em
telecomunicações.
1989 – Lançamento do sistema de telemóvel analógico em Portugal.
1992 – Rede GSM em Portugal com Telecel e TMN
1994 – início da TV por cabo em Portugal (Bragatel)
2000 - Primeira chamada mundial 3G/UMTS
2004 – Início do UMTS em Portugal
2005 – Primeiras transmissões de TV pela linha telefónica (IPTV)
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 16
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Capítulo 2 - Definições
Este Capítulo tem por objectivo apresentar as definições
básicas que serão aplicadas ao longo do manual para que seja
mais fácil compreender a terminologia associada às modulações.
2.1. Sinais sinusoidais
Por incrível que pareça, todas as ondas de telecomunicações têm o formato sinusoidal
indicado na Fig. 2-3. O que distingue estas sinusóides umas das outras, é a sua frequência
(número de vezes que a sinusóide se repete por segundo) e a sua amplitude.(valor máximo
que atinge). A unidade de frequência é o Hertz (Hz) e a amplitude mede-se em Volt (V)
Se o eixo dos tempos tiver 1 segundo, então a onda A tem 1Hz e a onda B tem 2Hz
mas apenas metade da amplitude. A onda C tem 3Hz e amplitude igual à onda A.
Capítulo
Fig. 2-1 – Sinais sinusoidais
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Um matemático de nome Fourier, demonstrou que qualquer que seja o sinal que
analisemos, ele pode ser sempre decomposto numa soma de sinusóides. A Fig. 2-2 ilustra
este conceito ao mostrar que a soma das sinusóides A, B e C produz um sinal bastante mais
complexo (A+B+C) e que em nada se assemelha a uma sinusóide.
Sinais como o som ou a luz não são mais do que somas de infinitas sinusóides que se
diferenciam apenas pelas suas frequências e amplitudes.
2.2. Frequência e comprimento de onda
Para definir bem um sinal em termos de telecomunicações, além da frequência é
necessário introduzir o conceito de comprimento de onda.
O comprimento de onda é a distância percorrida pelo sinal durante um ciclo. Como os
sinais de rádio se propagam à velocidade da luz (c=300.000Km/s), então a distância
Fig. 2-2 – Soma de sinusóides
Fig. 2-3 – Frequência e comprimento de onda
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 18
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percorrida durante um ciclo é dada por ì=c/f. Pode dizer-se que o comprimento de onda é
o equivalente ao “passo” do sinal. Para viajar no canal de transmissão ele dá “passos” que
têm o tamanho de ì. No geral quanto maior o passo, mais facilmente o sinal viaja.
A Fig. 2-4 mostra a relação que existe entre a frequência e o comprimento de onda
para todos os sinais que utilizamos.
Fig. 2-4 – Espectro de frequências e sua relação com o comprimento de onda
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Repare que as ondas sonoras têm frequências muito baixas (da ordem dos 20Hz aos
20KHz) e comprimentos de onda enormes.
Os sinais de rádio estão organizados em bandas (LF, MF, HF, VHF, UHF, EHF e SHF) e
vão de frequências de cerca de 100KHz até aos 300GHz. Cada uma destas bandas tem
particularidades que a seu tempo serão detalhadas.
Os sinais de luz, os infravermelhos e os ultravioletas, também são sinais de
telecomunicações pois a única diferença em relação aos sinais convencionais de rádio, é
terem frequências muito mais altas e comprimentos de onda extremamente pequenos.
2.3. Tamanho de antenas
O comprimento de onda é uma característica muito interessante do sinal. Além de nos
indicar qual o passo que o sinal tem, isto é, qual a distância que percorre em cada ciclo, é
também um indicativo de qual o tamanho da antena que será necessária para o transmitir.
O tamanho (L) que uma antena deve ter para poder transmitir uma dada frequência é
¼ do comprimento de onda ou seja:
) (
) (
75
4
MHz
m
f
L = =
ì
Por exemplo, para transmitir a frequência de 1KHz (voz) a antena deveria ter 75.000m
ou seja 75Km!!!
Começa agora a perceber-se porque razão quando estamos a captar uma estação de
rádio de FM, sintonizamos uma frequência de cerca de 100MHz e não a frequência da voz do
locutor ou da música. O comprimento de onda para 100 MHz é de:
m
m
3
100
300
) (
= = ì
E o tamanho da antena será ¼ deste valor ou seja apenas 75cm.
Uma das razões para haver modulação é que os sinais podem ser emitidos ou
recebidos em antenas de pequenas dimensões.
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 20
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2.4. Largura de banda
Os sinais de voz, originados pela vibração das nossas cordas vocais contêm
frequências que vão dos cerca de 100Hz até cerca dos 12KHz. No entanto, nas
comunicações telefónicas apenas vão passar frequências dos 400Hz aos 4KHz e isso
mantém-se inalterado há mais de 100 anos, apesar de toda a evolução tecnológica. Porquê
só deixar passar algumas das frequências da voz e não todas?
A Fig. 2-5 explica o porquê:
O sinal de voz ocupa cerca de 12KHz (Fig. 2-5A) mas a maior parte da potência sonora
está em torno do 1KHz. Utilizando um filtro (Fig. 2-5B), podemos deixar passar só até à
frequência de 4KHz (Fig. 2-5C) sem que isso afecte muito a qualidade de percepção da voz.
Usando técnicas de modulação (Fig. 2-5C) poderemos enviar 3 canais telefónicos onde
antes só enviaríamos um, sem que o utilizador se aperceba que o som foi limitado no
espectro.
Define-se largura de banda de um canal como sendo a diferença entre a maior e a
menor frequência que se utiliza nesse canal.
Este exemplo da largura de banda do canal telefónico, representa grande benefício de
custos pois a companhia telefónica, na mesma largura de banda em que transmitiria apenas
uma chamada telefónica pode agora transmitir três chamadas simultâneas e sem perder
muita qualidade.
Fig. 2-5 – Largura de banda
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 21
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A título de curiosidade e para comparação, o sinal de vídeo tal como estamos
habituados a ver em Televisão (Fig. 2-6) ocupa uma largura
de banda de 5 MHz. Repare que é cerca de 1000x superior
à largura de banda do sinal de áudio telefónico! Nas
transmissões de sinais de vídeo, o áudio que vai junto, é
desprezível em termos de largura de banda.
A largura de banda limita a capacidade de transmissão
e essa limitação pode ser física (devido ao tipo de meio
físico utilizado) ou imposta (como no canal telefónico da
Fig. 2-5 onde se limita o sinal de voz a uma largura de banda de 4 KHz).
Por outro lado a largura de banda também depende do formato do sinal. Um sinal
digital ocupa muito mais largura de banda que um sinal analógico (Fig. 2-7).
Fourier, matemático francês do sec XVII, demonstrou que qualquer sinal, desde que
periódico, é composto por uma soma de sinusóides. Assim, demonstra-se matematicamente
Fig. 2-6 – Sinal de vídeo
Fig. 2-7 – largura de banda do sinal digital
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 22
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que um sinal do tipo onda quadrada de frequência f, não ocupa só essa frequência mas é
sim a soma das sinusóides impares de f, isto é, f+3f+5f+7f+…
A largura de banda de um sinal de onda quadrada é teoricamente infinita!! Contudo,
na prática, (Fig. 2-7) considera-se que uma onda quadrada de frequência f ocupa uma
largura de banda de cerca de 7f.
Iremos daqui para frente referir por espectro todas as frequências contidas no sinal e
por largura de banda absoluta o espaço ocupado por essas frequências. Chamaremos
largura de banda ao espaço que contem a maior parte da potência do sinal.
2.4.1. Ruído
Em telecomunicações considera-se como sendo ruído tudo o que é recebido junto com
o sinal original mas que não faz parte dele.
Numa imagem de TV, se houver “chuva” isso é ruído. Da mesma forma se numa
chamada telefónica a comunicação se perder momentaneamente, isso também é ruído,
mesmo que a linha fique silenciosa.
O ruído tem em telecomunicações, um sentido bem mais genérico do que o que
atribuímos ao ruído sonoro e é normalmente introduzido
nas linhas de transmissão por variados factores que
oportunamente analisaremos.
A qualidade de um sinal em telecomunicações
depende justamente de quanto é que o sinal está acima
do ruído e esse parâmetro mede-se em dB (decibel) e tem
o nome de relação sinal ruído ou SNR (Signal to Noise
Ratio).
A Fig. 2-8 mostra um gráfico que exemplifica a
relação sinal/ruído medida numa transmissão. Repare que neste caso, o sinal (a amarelo)
está bem acima do ruído (a cinzento).
O ruído e a largura de banda, são as grandes condicionantes das telecomunicações.
Qualquer sistema possui uma largura de banda limitada e a largura de banda e o
ruído, limitam a quantidade de informação que pode ser transmitida.
Fig. 2-8 – Relação SNR
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 23
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2.5. Características da Transmissão
Destacaremos a seguir algumas das principais características da transmissão de
informação.
2.5.1. Unidades logarítmicas
Em telecomunicações, e a exemplo do que se verifica na electrónica, as medidas de
sinal são feitas em tensões (Volts) em ou potências (Watt), mas enquanto num circuito
electrónico as potências normalmente presentes são no mínimo da ordem do miliwatt e no
máximo da ordem do Watt (factor 1.000x), num circuito de telecomunicações essa diferença
pode ir do microwatt ao Kilowatt ou seja (1.000.000.000x)!
Além do mais em telecomunicações o que normalmente interessa medir não são
potencias e tensões individualmente mas sim relações entre elas, como por exemplo a
relação sinal/ruído.
A tabela seguinte mostra que relações entre duas grandezas de mesmo tipo, como
relações de potências, tensões ou outras relações adimensionais, se podem medir numa
unidade de medida que é o Bell, mas na prática usamos o submúltiplo decibel (dB).
(dB) P1 / P2 V1 / V2
120 1 000 000 000 000 1 000 000
90 1 000 000 000 31 600
60 1 000 000 1 000
30 1 000 31,6
20 100 10
10 10 3,16
6 4 2
3 2 1,414
0 1 1
-3 0,5 0,707
-6 0,25 0,5
-10 0,1 0,316
-20 0,01 0,1
-30 0,001 0,0316
-60 0,000 001 0,001
-120 0,000 000 000 001 0,000 001
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 24
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Por definição, uma quantidade Q em dB é igual a 10 vezes o logaritmo decimal da
relação de duas potências, ou seja : Q(dB) = 10 log ( P1 / P2 )
Numa linha telefónica com as características da Fig. 2-8, podemos ver como o dB é
útil. A potência de ruído está aproximadamente ao nível de -90dBm (90dB abaixo de 1 mW)
e a potência de sinal ao nível aproximado de -60dbm (60 dB abaixo de 1mW). Então a a
potência do sinal está 30 dB acima da potência do ruído e portanto a relação sinal/ruído
(SNR) é de 30dB. Olhando para a tabela isso significa que o sinal é 1000x mais potente que
o ruído.
2.5.2. Máxima Capacidade de tráfego de um canal
A capacidade de um canal de transmissão de dados, mede-se pela quantidade máxima
de bits que pode passar através desse canal num segundo. A unidade desta medida é o bps
(bits por segundo), e os teoremas básicos para calcular a capacidade máxima do canal (ou
dito de outro modo, a velocidade máxima do sinal) são o Teorema de Nyquist e o Teorema
de Shannon.
2.5.2.1. Teorema de Nyquist
A taxa máxima de informação que pode ser conseguida num canal é limitada pela
largura de banda do canal.
Os equipamentos utilizados na rede telefónica pública analógica limitam a largura de
banda em 3100 Hz, ou seja, trabalham na faixa compreendida entre 300Hz e 3400Hz.
Conhecida a largura de banda (W), Nyquist demonstrou que é possível enviar no
máximo 2W valores de energia por segundo em um canal com largura de banda W.
Se a cada variação de energia forem associados dois valores possíveis de informação
(sinal binário), a máxima capacidade de informação seria 2W bits por segundo. Porém, se a
cada variação de energia forem associados mais de dois bits (transmissão multinível) , pode-
se aumentar a velocidade de transmissão. Assim, com 2n níveis de sinais possíveis e
distinguíveis, uma taxa de sinalização de 2nW bps pode ser transmitida através de um canal
de largura. de banda W. Se L é o número de níveis de sinalização e n é o número de bits:
L = 2
n
 n = log
2
L
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 25
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então, a capacidade do canal C, na ausência de qualquer ruído ou outro factor de
degradação é dada por
C = 2 W log
2
L
Exemplo: Dado um canal com largura de banda de 3100 Hz e sendo utilizado
modulação com 6 bits (n = 6; L = 2
6
= 64), a capacidade máxima de tráfego de canal
segundo Nyquist seria:
C = 2 x 3100 x log
2
64 (bps)
C = 6200 x 6 = 37.200 bps
2.5.2.2. Teorema de Shannon
Shannon mostrou que todo meio físico possui associado a si uma certa capacidade de
transferência de informação e que depende do ruído térmico do meio. A capacidade máxima,
segundo Shannon é expressa por
C = W 10 log
2
(1 + S/R) bps
onde: S/R é a relação sinal/ruído e W é a largura de banda em Hz.
Exemplo: Dado um canal com largura de banda de 3100 Hz e relação S/R de 30 db, a
capacidade de tráfego em bps seria:
30 dB = 10 log S/R
S/R = 30dB = 1000
C = 3100 log
2
(1 + 1000)
C = 3100 x 9,96 = 30898 bps
A dedução da fórmula de Shannon leva em consideração apenas a interferência
provocada pelo ruído térmico. Nos sistemas reais, outros factores influem, reduzindo a
capacidade de transmissão.
É importante ressaltar que a restrição de Nyquist se aplica somente - taxa de "bauds",
não a real taxa de "bits" por segundo (restringida pela aplicação de Shannon). A amplitude
de banda de canal limita a taxa de emissão de pulsos (níveis de energia), mas não a
quantidade de informação que cada pulso leva. Portanto, o termo "baud" é usado para medir
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 26
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a velocidade de sinalização de linha, mas não sua capacidade de bits por segundo, ou seja, o
número de vezes que a condição da linha se altera por segundo. Se o estado da linha
representa a presença ou ausência de um bit, então a taxa de sinalização em "bauds" é a
mesma que bits por segundo. Se porém, a linha pode estar em quatro estados, isto é, L = 4,
então cada estado da linha representa um dibit, isto é, dois bits e não apenas um. Assim, a
taxa de sinalização em "bauds", neste caso, é metade da taxa de transmissão em bits por
segundo.
A Fig. 2-9 apresenta uma comparação entre os valores teóricos de Nyquist e de
Shannon e os valores que realmente se conseguem na prática.
Nyquist considerou o meio ideal e Shannon admitiu a existência de ruído, mas na
prática, vários outros factores (ruído impulsivo, diafonia, intermodulação, atenuação, atraso,
eco, qualidade de materiais, etc) diminuem a capacidade máxima de tráfego.
2.5.3. Direcção da comunicação
2.5.3.1. Simplex
A informação é transmitida em uma única direcção, ou seja, somente do transmissor
para o receptor, como mostra a Fig. 2-10.
Um exemplo deste tipo de transmissão é a comunicação entre um computador e uma
impressora. Neste caso, a impressora somente recebe a informação e o computador
Fig. 2-9 – Capacidade do canal
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 27
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somente envia os dados.
2.5.3.2. Half-duplex
A informação é transmitida em ambos os sentidos, de modo alternado, ou seja, num
determinado instante a informação só vai ou só vem, a fim de evitar conflitos na linha de
dados (Fig. 2-11).
Um exemplo de comunicação half-duplex é entre duas pessoas utilizando um canal de
rádio tipo walkie-talkie. Quando uma pessoa fala a outra deve escutar. Quando a primeira
pessoa termina de falar, diz "terminado" e libera o canal para a outra pessoa, que pode
então utilizar o canal.
Em um sistema de comunicação de dados via modem utilizando um canal halfduplex a
dois fios, existe um tempo necessário para comutar a direcção da transmissão, denominado
tempo de "turnaround", normalmente na faixa entre 100 e 400 ms. Esse tempo depende da
linha, do modem e dos supressores de eco (se houver).
Os supressores de eco são dispositivos que detectam a fala humana de um lado da
conexão e eliminam todos os sinais que venham da outra direcção (eco).
Quando uma pessoa para de falar e a outra começa, o supressor de eco altera sua
direcção, permitindo sinais do outro lado e eliminando os sinais deste lado. A Fig. 2-12
mostra o seu funcionamento.
Eles são utilizados nas ligações telefónicas especialmente em linhas longas, pois nesses
Fig. 2-10 – Comunicação Simplex
Fig. 2-11 – Comunicação Half-duplex
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 28
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casos a fala de uma pessoa pode produzir eco no outro lado da linha, o que é indesejável e
interfere na conversa.
O problema da utilização de supressores de eco em transmissão de dados é que a
comunicação Full-Duplex se torna impossível. Além disso, o tempo de comutação dos
supressores torna a transmissão lenta.
Para superar este problema, convencionou-se a utilização de um sinal puro de 2100 Hz
para inibir os supressores de eco enquanto o sinal de linha estiver presente.
2.5.3.3. Full-duplex
A informação é transmitida, simultaneamente, em ambos os sentidos (Fig. 2-13).
Normalmente é uma transmissão a 4 fios, ou seja, dois pares de fios. No entanto,
existe uma forma de utilizar transmissão full-duplex a dois fios: desde que os sinais estejam
em bandas de frequências diferentes, a comunicação A->B e a comunicação B->A podem
ser simultâneas.
Fig. 2-12 – Supressão de eco
Fig. 2-13 – Comunicação Full duplex
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 29
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2.6. Tipos de modulação
Basicamente existem 4 possibilidades de enviar/receber um sinal, tal como se indica na
Fig. 2-14. Essas quatro possibilidades correspondem à transmissão de sinais analógicos e
sinais digitais que por seu lado podem modular portadoras analógicas ou digitais.
Indicam-se na Fig. 2-15 os principais tipos de modulação e que serão abordados ao
Fig. 2-14 – Possibilidades de enviar/receber sinais
Fig. 2-15 – Resumo dos tipos de modulação
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 30
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longo deste manual.
As modulações de portadora analógica serão discutidas no Capítulo 3 e as de
portadora digital no Capítulo 4.
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 31
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2.7. Questionário de revisão - Definições
1. Frequência de um sinal é:
a. O número de vezes que o sinal se repete por segundo.
b. O tempo que o sinal demora a repetir-se.
c. O desvio angular em relação à origem do sinal.
d. Todas as anteriores são verdadeiras.
2. Os métodos básicos para colocar informação analógica numa portadora analógica
são:
a. Modulação de frequência.
b. Modulação de fase.
c. Modulação de amplitude.
d. Todas as anteriores são verdadeiras.
3. Na nossa vida quotidiana estamos rodeados de equipamentos que fazem
desmodulação e de que são exemplo:
a. Televisão.
b. Microondas.
c. Aspiradores.
d. Todas as anteriores são verdadeiras.
4. Num sistema de telecomunicações encontramos basicamente duas limitações e que
são:
a. O ruído e a modulação.
b. O ruído e a frequência.
c. O ruído e a amplitude.
d. O ruído e a largura de banda.
5. Os meios mais comuns que utilizamos para a transmissão de sinais já modulados
são:
a. Antenas.
b. Guias de Ondas.
c. Fibra óptica.
d. Linhas de transmissão.
e. Todas as anteriores são verdadeiras.
6. Consoante o sentido da comunicação, as comunicações podem ser:
a. Half duplex.
b. Simplex.
c. Duplex.
d. Todas as anteriores são verdadeiras.
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 32
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Capítulo 3 - Modulações de Portadora
analógica
Este Capítulo tem por objectivo apresentar as principais
técnicas de modulação que utilizam uma portadora analógica para
transportar sinais analógicos ou digitais.
3.1. Transmissão de sinais
Os esquemas de modulação de portadora analógica foram os primeiros a serem
implementados. As portadoras sendo sinusoidais, podem fazer-se variar em amplitude, em
fase, ou em frequência, dependendo sempre da amplitude do sinal modulador.
Detalharemos neste capítulo, as várias técnicas de modulação de portadora analógica
por sinais analógicos e sinais digitais (Fig. 3-1).
Capítulo
Fig. 3-1 – Modulações de portadora analógica
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 33
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3.2. Portadora analógica / informação analógica
Em 1905, Fesseden concretizou a transmissão de voz via rádio pela utilização de uma
portadora em Modulação de Amplitude. Analisaremos agora (Fig. 3-2) as 3 técnicas que
utilizam portadora analógica (sinusoidal) para transportar informação analógica.
Essas técnicas são as modulações de Amplitude (AM), Frequência (FM) e Fase (PM)
como indicado na Fig. 3-3. A seguir, analisaremos cada uma delas em detalhe.
Fig. 3-2 – Modulações analógica/analógica
Fig. 3-3 – Modulações AM, FM e PM
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 34
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3.2.1. Modulação de Amplitude (AM)
Para transmitir informação à distância, (áudio, vídeo e data), é quase sempre
necessária a utilização de processos semelhantes aos da Fig. 3-4, isto é, processos através
dos quais a mensagem (banda base) é sobreposta a uma onda de maior frequência
(portadora) que a “transportará” até ao receptor onde, por processos inversos dos da
transmissão, se eliminará a portadora e se recuperará o sinal original.
Consoante o método como essa “sobreposição” (ou modulação) é feita, isto é,
consoante a forma como a portadora vai ser alterada pelo sinal de informação, assim
existem os vários tipos de modulação da Fig. 3-3 (amplitude, frequência e fase).
Na modulação de amplitude, e como o próprio nome indica, é a amplitude da
portadora que irá variar, proporcionalmente
às variações do sinal da mensagem.
A Fig. 3-5 descreve graficamente as
formas de onda envolvidas num processo de
modulação de amplitude.
Em a), a mensagem a transmitir (ou
sinal modulador), representa-se aqui apenas
como uma sinusóide. Na prática, o sinal
modulador é normalmente muito mais
complexo pois é constituído por inúmeras
frequências como por exemplo de voz,
música ou vídeo.
Em b), representa-se a portadora que
“transportará” a mensagem. A sua amplitude
é constante e a sua frequência deve ser, no
Fig. 3-4 – Modulação
Fig. 3-5 – Modulação AM
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 35
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mínimo, várias dezenas de vezes superior à frequência mais alta presente no sinal
modulador (exemplo: para um sinal modulador de 1KHz a frequência da portadora deveria
ser pelo menos 100KHz)
Em c), representa-se a forma do sinal já modulado em amplitude. Repare-se que a
amplitude da portadora deixou de ser constante e passou a ter uma forma cuja “envolvente”
(a tracejado) é idêntica à do sinal da mensagem.
Na onda já modulada em amplitude, a amplitude máxima (Vmáx) e a amplitude
mínima (Vmin) dependem das amplitudes da portadora e da moduladora, pois
Vmáx = Vp + K Vs e Vmin = Vp - K Vs (1)
O factor K depende do tipo de circuito onde se efectua a modulação, mas para
simplificação didáctica considera-se frequentemente como sendo K=1.
3.2.1.1. Índice de modulação
Define-se índice de modulação (m) como sendo a relação entre a amplitude Vs do
sinal modulador e a amplitude Vp da portadora, isto é,
Vp
Vs
K m = (2)
Atendendo a (1), e substituindo em (2), vem (3)
A B
A B
V V
V V
m
min máx
min máx
+
÷
=
+
÷
= (3)
Fig. 3-6 – Indíce de Modulação
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 36
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Se m for multiplicado por 100%, passa a ser expresso em percentagem e designa-se
por percentagem de modulação (4)
% 100 % 100
min max
min max
x
A B
A B
x
V V
V V
m
+
÷
=
+
÷
=
Para se obterem diferentes índices de modulação, basta variar o nível do sinal
modulador Vs, como indicado na Fig. 3-7.
a) Se Vs = 0 (isto é, se o sinal modulador não existir), então m=0 e só há portadora.
b) Se Vs = Vp/2, então m=50%.
c) Se Vs = Vp, então m=100%.
d) Se Vs > Vp, então m > 100% , e o sinal modulado ficará distorcido.
3.2.1.2. Espectro do sinal AM
A onda AM da Fig. 3-6, tem o espectro representado na Fig. 3-8. É constituída pela
portadora (com frequência fp e amplitude Vp), e por duas frequências laterais com ampli-
tude Vs / 2 = mVp / 2 e frequências (fp - fs) e (fp + fs).
Fig. 3-7 – AM para diferentes valores de índice de modulação
Fig. 3-8 – Espectro do sinal AM
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 37
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Poder-se-ia pensar que a intensidade (ou amplitude) da portadora varia de acordo com
o sinal que se deseja transmitir e que portanto só há uma frequência de transmissão, pois
somente a amplitude varia. Mas tal não é verdadeiro.
Quando um sinal de áudio de frequência fs modula a amplitude de uma portadora de
frequência fp, há na realidade formação de duas novas ondas, chamadas bandas laterais, de
frequências acima e abaixo da portadora (fp+fs) e (fp-fs). Se o sinal AM for analisado no
domínio da frequência, é composto pela soma algébrica desses dois (Fig. 3-13).
Portanto, o que realmente se transmite é a portadora e as duas bandas laterais. A
portadora não transporta informação (não tem componente fs).
A existência das bandas laterais faz com que o
espectro de AM seja o dobro do que o que deveria ser.
A suposição de um sinal sinusoidal simples é apenas
uma questão de clareza. Um sinal mais complexo como
áudio tem um espectro contínuo, hipoteticamente
representado na parte esquerda da Fig. 3-12. E o sinal
modulado terá espectro conforme indicado na mesma
figura. Por isso se chama AM-DSB (double side band) por
o sinal ter as duas bandas laterais.
O que acabou de se dizer pode ser resumido na Fig. 3-10 onde se comparam lado a
lado os sinais no tempo e na frequência. Repare que a amplitude das bandas laterais
depende da amplitude do sinal modulador e que o índice de modulação relaciona Vp e Vs.
Fig. 3-9 – Componentes do sinal AM
Fig. 3-10 – Bandas laterais AM
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 38
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3.2.1.3. AM de banda lateral única (SSB)
Na Fig. 3-12. Como as duas bandas laterais do sinal DSB transportam a mesma
informação, teoricamente, uma delas poderia ser suprimida. Isso é feito na técnica
denominada AM-SSB (Single Side Band) ou em português, banda lateral única.
Fig. 3-11 – AM-DSB: formas de onda e espectro
Fig. 3-12 – AM-SSB
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 39
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A Fig. 3-30 mostra como o sinal SSB pode ser obtido. Inicialmente, uma portadora
passa por um circuito modulador de amplitude (AM). Esse circuito vai variar a amplitude do
sinal de RF de forma proporcional ao sinal de áudio que estiver recebendo na sua outra
entrada. A saída do modulador AM é um sinal DSB (banda lateral dupla). Esse sinal DSB
passa então por um filtro que vai deixar passar apenas uma parte das frequências (filtro
passa-alto). Esse filtro vai deixar passar a portadora e a banda lateral superior, mas vai
bloquear a banda lateral inferior. E assim se obtém um sinal SSB, que no caso ocupa apenas
a banda lateral superior da portadora.
Apesar do sinal SSB ser mais económico em termos de banda (espectro) que o AM-
DSB, ele tem um problema: o circuito receptor de um sinal AM-DSB é relativamente simples,
enquanto o receptor de um sinal SSB é relativamente complexo (e portanto caro). Por tal
motivo, o AM-DSB, a despeito de sua menor eficiência espectral, tem sido a solução
empregada em larga escala nos sistemas convencionais de rádio AM.
3.2.1.4. O Modulador Síncrono AM - DSB
Existem vários processos para produzir um sinal modulado em amplitude, mas o mais
“didáctico” é o Modulador Síncrono, da Fig. 3-13. Diz-se síncrono porque o díodo funciona
como um interruptor sincronizado com o sinal de entrada.
A Fig. 3-14 mostra as formas de onda nos pontos A, B e C do circuito.
V1 é a portadora (115KHz) e V2 é um sinal de áudio de 1KHz. Repare que V2 é metade
de V1 portanto o índice de modulação vai ser de 50%.
R1 e R2 formam um circuito somador, e como R1=R2, a soma vai manter inalteradas
as proporções de sinal entre a portadora e o áudio. O sinal que se obtém no ponto A (Fig.
3-14A) é portanto a soma linear do sinal da portadora com o sinal da moduladora.
Fig. 3-13 – Modulador AM
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 40
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Este sinal soma é aplicado ao díodo, que deixará passar apenas as alternâncias
positivas (Fig. 3-14B). O sinal positivo obtido no ponto B, (díodo à condução) excita o
circuito tanque LC que está sintonizado precisamente na frequência da onda portadora
(150KHz).
Quando o díodo entra ao corte, o circuito tanque devolve ao circuito a energia
acumulada, e assim é produzida a forma de onda negativa do sinal modulado (Fig. 3-14C).
Repare que o sinal modulado em amplitude (ponto C) não é a soma da portadora com
a moduladora (ponto A). O sinal AM é um produto e não uma soma.
3.2.1.5. Emissão AM
Na sua forma mais simples, uma estação de rádio obedece ao diagrama da Fig. 3-15.
Circuito que recebe o sinal de áudio (voz, música) e o transforma em sinais eléctricos
(áudio) que serão o sinal modulador.
Circuito oscilador de portadora, que será o sinal que vai “transportar” o áudio e que
Fig. 3-14 – Sinais no modulador AM
Fig. 3-15 – Emissor AM
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 41
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funciona na frequência que esteja atribuída à estação emissora.
Modulador, que misturará os sinais de áudio com os da portadora, obtendo assim o
sinal modulado em AM.
Amplificador de R.F., que nos amplificará convenientemente o sinal modulado (AM)
para poder ser transmitido para o espaço.
3.2.1.6. O Detector de Envolvente (desmodulação AM)
O sinal modulador é o que contém a informação, normalmente a voz, musica ou vídeo
que vai se transmitida. A portadora é necessária apenas para conduzir a informação até ao
receptor e portanto, logo que o sinal AM é recebido, a função da portadora termina e deve
portanto ser eliminada.
O circuito especial que no receptor elimina a portadora e recupera a informação
chama-se detector (embora possa também ser correctamente chamado de desmodulador) e
está representado na sua forma mais simples na Fig. 3-16.
Este circuito muito simples e muito utilizado é o detector de envolvente (ou detector de
pico), e tem este nome porque vai apenas “detectar” os valores da amplitude de pico da
portadora, reproduzindo assim o sinal da informação (envolvente) e que na Fig. 3-16 está a
vermelho.
O processo completo pode ser melhor descrito com recurso à Fig. 3-17.
O díodo destina-se apenas a rectificar e obter a componente positiva do sinal; se o
díodo estivesse ao contrário seria detectada a componente negativa).
O filtro RC é um filtro passa-baixo que deve ter a frequência de corte adequada para
Fig. 3-16 – Detector (desmodulador) de AM
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 42
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eliminar a portadora e só deixar passar a frequência mais baixa da moduladora.
A constante de tempo, deve ser calculada de forma a que: fm << fc << fp isto é,
a frequência de corte do filtro (fc) deve ser muito menor do que a frequência da portadora
(para a eliminar por completo) e deve ser muito maior do que a frequência da moduladora
para assim poder acompanhar todas as suas variações de amplitude.
Durante cada ciclo da portadora, o díodo conduz brevemente e carrega o condensador
com a tensão de pico da portadora. Entre os picos, o condensador descarrega-se através da
resistência.
Se a constante de tempo t=RC for muito maior do que o período da portadora,
teremos apenas uma pequena descarga entre os picos da portadora e portanto a tensão aos
terminais do condensador terá um valor que reproduz a envolvente superior, isto é, o sinal
de áudio. Haverá sempre um pequeno “ripple” como mostra a Fig. 3-17b e que mais não é
do que essa pequena descarga do condensador entre picos da portadora.
Contudo, a constante de tempo não pode ser demasiado grande pois, como se indica
entre os pontos A e C (Fig. 3-17b), cada pico na portadora é menor do que o pico
precedente. Se a constante de tempo RC for muito longa, o circuito não poderá detectar o
próximo pico da portadora (Fig. 3-17c). A parte da envolvente mais difícil de seguir está em
B, (na Fig. 3-17b). Neste ponto da envolvente, é onde há a maior taxa de variação
(inclinação) e essa inclinação será tanto maior quanto maior for o valor do índice de
modulação, m.
Fig. 3-17 – Desmodulação (detecção) de AM
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 43
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A fórmula que dá a frequência máxima da portadora que é detectada no filtro, sem
atenuação, depende de m (índice de modulação) e é dada por:
RCm 2
1
f
máx
p
t
=
A constante de tempo tem portanto que ser bem escolhida.
Os sistemas AM são muito sensíveis ao ruído, uma vez que as variações que o receptor
vai detectar são de amplitude, qualquer alteração de amplitude introduzida por ruído
(descarga atmosférica por exemplo) irá aparecer como um som interferente depois do sinal
ser desmodulado.
3.2.1.7. Receptor superheterodino
Existem vários processos para receber um sinal modulado em amplitude, mas a técnica
mais universal é a do receptor superheterodino da Fig. 3-18.
1. ETAPA DE RF
Composta por um filtro passa banda (que só deixa passar as frequências que
pretendemos receber), e por um circuito amplificador de R.F. que amplifica essas
frequências.
2. OSCILADOR LOCAL
Produz uma onda sinusoidal cuja frequência é variada pelo utiizador. È variando a
frequência produzida no oscilador local que se irá variando a frequência que queremos
captar.
Para melhor compreender o funcionamento do oscilador local e do misturador analise a
Fig. 3-19.
Fig. 3-18 – Receptor superheterodino
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 44
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Para captar a frequência de 1000KHz, o oscilador local tem que estar em 1.455KHz.
3. MISTURADOR
Basicamente o sistema é composto por um transístor na base do qual entra o sinal de
RF e no emissor do qual entra o sinal do oscilador local. O misturador faz o produto desses
dois sinais e obtém na saída a soma e a diferença dos sinais nas entradas, isto é 2455KHz e
455KHz.
4. AMPLIFICADORES DE F.I.
Constituída por Amplificadores e filtros sintonizados em 455 KHz por circuitos LC e uma
banda passante de 10 KHz. Suas funções básicas são de aumentar a seletividade do
receptor, proporcionar um alto ganho no sinal de saída do misturador e a possibilidade de
controle do ganho total dado pelo amplificador de F.I.
5. DETECTOR
Um simples detector de envolvente, (igual ao da Fig. 3-16) ou seja, um díodo de R.F. e
um circuito RC filtrando a portadora de 455KHz e fornecendo a tensão de saída com
polaridade compatível para atenuação do C.A.G.
6. CONTROLE AUTOMÁTICO DE GANHO (AGC)
Um simples filtro passa-baixo que tem por objectivo recuperar o valor médio do sinal
resultante da desmodulação aplicando à base do 1º transístor de F.I.. O objectivo do C.A.G.
é manter constante o nível de som independentemente do sianla chegar forte ou fraco..
7. AMPLIFICADOR DE ÁUDIO
Simples circuito amplificador de áudio para o som ser audível oaltifalante.
Fig. 3-19 – Produção da frequência intermédia (FI)
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 45
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3.2.2. Modulação de Frequência
Na modulação de frequência, (FM) a portadora vai variar a sua frequência de acordo
com o valor instantâneo da amplitude da moduladora (Fig. 3-20)
Repare que quando o sinal da moduladora está na amplitude máxima, a portadora vai
para a sua frequência máxima (f
1
). Quando o sinal modulador está na sua amplitude mínima
a portadora atinge a sua frequência mínima (f
2
). Quando não há sinal (ou quando a
amplitude do sinal é nula), a frequência da portadora tem o seu valor médio.
Por isso em FM não devemos falar de “frequência da portadora” (fp) mas sim
de “frequência da portadora em repouso” (f0).
Na realidade, em FM, a frequência da portadora em repouso (f
0
) varia entre dois
valores, máximo e mínimo e tem portanto um desvio de frequência.
Af = f
2
- f
1
Quanto maior o desvio maior a imunidade ao ruído. A Fig. 3-21 evidencia este conceito
de desvio de frequência em torno da frequência de repouso da portadora.
Fig. 3-20 – Modulação FM
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 46
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Pode assim dizer-se que numa onda modulada em frequência, o sinal vai impresso nas
variações de frequência (amplitude do sinal) e na rapidez com que essas variações ocorrem
(frequência do sinal):
A variação de frequência (Af) depende exclusivamente da intensidade do sinal
modulador, a velocidade de variação de frequência depende exclusivamente da frequência
do sinal modulador. É pois a partir dos desvios de frequência da onda modulada, e da
velocidade com que ocorrem, que no receptor (o detector) há-de reconstituir a mensagem
impressa na portadora.
3.2.2.1. Profundidade ou percentagem de modulação em FM
Este conceito difere aqui do que se indicou para AM. O que se entende por
profundidade (ou percentagem) de modulação é a relação entre o desvio de frequência que
o sinal está a produzir e o máximo estipulado para o emissor.
Se uma portadora de uma estação de rádio FM tem um desvio de frequência de
37,5KHz, num emissor cujo desvio máximo é de 75 KHz, a percentagem de modulação será
de 37,5/75=50%. Contudo, numa emissão de som de TV essa mesma percentagem de 50%
obtém-se com desvios de apenas 12,5 KHz. Consequentemente, e ao contrário do que
sucede em AM, em FM a % de modulação só tem significado quando associada às
características da emissão.
Fig. 3-21 – Desvio de frequência
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 47
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3.2.2.2. Índice de modulação
Define-se índice de modulação como sendo a relação entre o desvio máximo e a
frequência moduladora mais alta que o produziu. Se um sinal modulador de frequência f
m
=4
KHz, produzir um desvio Af=20 KHz na frequência da portadora, então o índice de
modulação será de 20/4=5. Representa-se normalmente por | e exprime-se em radianos.
m
f
f A
= |
3.2.2.3. Largura de banda em FM
A modulação FM é muito mais imune ao ruído do que o AM, porque como a portadora
tem amplitude constante, variações de amplitude produzidas por interferências serão
praticamente ignoradas na recepção. No entanto, a contrapartida para a melhor qualidade
do FM é uma largura de banda muito maior. Enquanto numa transmissão em AM, a largura
de banda ocupada é o dobro da largura de banda do sinal modulador, em FM, a largura de
banda ocupada após a modulação é teoricamente infinita!
Para evitar a complexa análise matemática de um sinal modulado em FM, a Fig. 3-22
mostra o que acontece quando se modula uma portadora f0 por um sinal de frequência
fm=15KHz e que vai produzir um desvio de frequência na portadora de Af=75KHz, o que
Fig. 3-22 – Pares de frequências laterais em FM
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 48
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coresponde a um índice de modulação de |=5.
Antes da modulação a portadora tem uma amplitude de 100%.
Após a modulação aparecem muitas novas frequências acima e abaixo da portadora,
formando pares. O 1º par tem as frequências (fo+fm) e (fo-fm). O par 2 tem as frequências
(fo+2fm) e (fo-2fm) … e o enésimo par tem as frequências (fo+nfm) e (fo-nfm).
Estes pares têm amplitudes diferentes, que dependem do índice de modulação e que
são fáceis de calcular pelas tabelas de BESSEL.
A Fig. 3-23 faz a representação gráfica dos 4 primeiros pares. Repare que J0
representa a portadora, J1, o primeiro par, J2 o segundo par etc.
Para |=5, o par de maior amplitude é o par 4 com cerca de 40%. O de menor
amplitude é o par 2 com cerca de 4%. Não se representam os restantes pares mas como se
mostra na Fig. 3-22 para |=5 há 8 pares significativos (acima de 1%). O 9º par e seguintes
são inferiores a 1% e portanto desprezam-se.
Embora o número de pares laterais seja infinito, na prática há um valor finito e que
depende de | de acordo com a tabela da Fig. 3-24.
Para o exemplo dado de fm=15KHz e Af=75KHz o que corresponde a |=5 e a 8 pares
laterias, a largura de banda ocupada será de 15KHz x 8 x 2=240KHz.
Fig. 3-23 – Tabela de Bessel
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 49
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Índice de
modulação (|)
Nº de pares de
frequências laterais
Largura de banda
da transmissão
0,1 1 2 fm
0,3 2 4 fm
0,5 2 4 fm
1,0 3 6 fm
2,0 4 8 fm
5,0 8 16 fm
10,0 14 28 fm
20,0 25 50 fm
30,0 35 70 fm
Fig. 3-24 – Pares de frequências e largura de banda do sinal FM
3.2.2.4. Detecção de FM
Desde que a amplitude da portadora de FM não varia, a desmodulação não pode ser
feita com o simples díodo como era feito em AM.
A curva azul da Fig. 3-29 é uma aproximação da resposta de frequências de um
receptor de AM sintonizado em uma determinada fz. Ou seja, quanto mais se afasta da
frequência de sintonia, menor a amplitude do sinal recebido.
Fig. 3-25 – Detecção de FM
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 50
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Uma portadora de FM, com frequência central fp próxima da de sintonia fz, pode ser
detectada, uma vez que a variação de frequência entre as frequências 1 e 2 produz sinais de
diferentes amplitudes devido à curva de resposta dos circuitos ressonantes do receptor.
Notar que, se fp for igual a fz, não haverá detecção pois não haverá variação do sinal
com a variação da frequência.
3.2.2.5. FM estéreo
Na transmissão de FM estéreo nas estações de rádio, transmite-se na mesma
portadora a informação que vai ser captada nos rádios mono e a que vai ser processada nos
rádios estéreo para produzir o som estéreo.
Como indicado na Fig. 3-26, os canais, esquerdo (Left) e Direito (Right) são ligados a
dois amplificadores diferenciais que fazem a soma (L+R) e a diferença (L-R).
O sinal L+R é o que vai ser utilizado pelos receptores mono e o sinal L-R será
aproveitado apenas nos receptores estéreo.
Os canais esquerdo e direito estão limitados em frequência até aos 15KHz. Significa
isto que mesmo que a estação de rádio esteja a emitir som de CD (frequência máxima de
20KHz) só será emitidas frequências até aos 15KHz. O som FM estéreo é por essa razão de
qualidade inferior ao do CD.
Fig. 3-26 – Produção do sinal estéreo
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 51
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O modulador balanceado tem a função de modular o sinal L-R em AM com uma
frequência portadora de 38KHz que é depois suprimida de forma que ela não interfira com o
sinal útil (Fig. 3-27). Repare que a modulação produz bandas laterais acima e abaixo da
portadora de 38KHz.
O sinal final é assim formado misturando o sinal L+R mais a sub-portadora que
contém a informação L-R e o tom piloto de 19KHz.
O tom piloto de 19KHz é derivado através de um circuito divisor da mesma fonte sinal
do oscilador de 38KHz que serve de sub-portadora para o sinal L-R e a sua finalidade sinal é
permitir ao receptor identificar que a emissão é estéreo, acender a luz indicadora do estéreo
e accionar o sistema de descodificação do receptor.
No receptor este sinal é descodificado. Se o receptor é mono, só deixa passar sinais
até aos 15KHz e portanto só aproveita o sinal (L+R).
Se o receptor é estéreo, tem um filtro de 19KHz que detecta o piloto e indica que a
emissão é estéreo. È então accionado o processo de obtenção do sinal estéreo.
Depois de desmodular o sinal (L-R) que vem em AM, somam-se os sinais (L+R) e (L-R)
e obtém-se (L+R) + (L-R) = 2L (canal esquerdo).
Depois faz-se a diferença (L+R) - (L-R) = 2R obtendo-se assim o canal direito.
Fig. 3-27 – Espectro do sinal estéreo
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3.2.3. Modulação de Fase
A modulação em fase (PM) consiste em fazer com que a fase da portadora varie
proporcionalmente à variação de amplitude de um sinal modulante.
A modulação de fase (PM) não é muito utilizada principalmente porque necessita de
equipamentos de recepção mais complicados que em FM e pode apresentar problemas de
ambiguidade para determinar por exemplo se um sinal tem uma fase de 0º o 180º.
As formas dos sinais de modulação de frequência e modulação de fase são muito
parecidas. De facto, é impossível diferenciá-las sem ter o conhecimento prévio de qual foi o
tipo de modulação e portanto os espectros de frequências da modulação de fase têm as
mesmas características gerais que os espectros de modulação de frequência.
Em PM as considerações acerca da largura de banda são similares às da largura de
banda de FM.
3.3. Portadora analógica / informação digital
Destacaremos a seguir as técnicas de modulação que se aplicam quando se pretende
Fig. 3-28 – Modulação de fase
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 53
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transmitir um sinal digital utilizando uma portadora analógica (Fig. 3-29).
São tipos de modulação utilizados por exemplo para transmitir sinais de internet pela
linha telefónica. A rede telefónica foi inicialmente desenhada para receber, comutar y
transmitir sinais analógicos a gama das frequências da voz (300 a 3400Hz). Por lisso essa
rede não é de todo adequada pra transmitir sinais digitais. Por isso se recorreu aos modems
que faziam a modulação de portadoras analógicas com sinais digitais e assim já era possível
a transmissão.
Os modems telefónicos que se utilizavam na rede telefónica produzem sinais na gama
da frequência da voz (300-3.400Hz) mas os actuais modems de banda larga (ADSL e
ADSL2+) e o s modems da TV por cabo, utilizam as mesmas técnicas embora em
frequências mais altas que as da voz humana.
Também aqui, a portadora analógica, pode ser alterada em amplitude (ASK),
Fig. 3-29 – Modulações analógica/digital
Fig. 3-30 – Modulações de portadora analógica e
informação digital
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 54
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frequência (FSK) e fase (PSK), só que agora por um sinal digital binário (Fig. 3-30).
Mencionaremos também técnicas de modulação digital em amplitude e fase (QAM).
3.3.1. Modulação ASK (Amplitude Shift Keying)
Na sua forma mais simples, a modulação ASK (Amplitude Shift Keying) ou em
português – Modulação por Desvio de Amplitude consiste simplesmente em permitir ou não
a transmissão da portadora em função da sequência de bits “0” e “1” (Fig. 3-31).
A modulação assim representada, também é muitas vezes designado por OOK (on-off
keying) e embora tenha sido muito utilizado no passado (no telégrafo por exemplo) tem o
inconveniente de nos instantes sem sinal ser difícil distinguir se se trata de um “0” binário ou
se é mesmo ausência de sinal. Assim utiliza-se de preferência a modulação BASK (Fig. 3-32).
Fig. 3-31 – Modulação ASK (OOK)
Fig. 3-32 – Modulação BASK
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 55
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BASK (binary-ASK) significa que a portadora pode tomar dois níveis de amplitude, um
para o “0” outro para o “1”.
Em vez de se utilizarem apenas dois níveis, podem transmitir-se 2
n,
níveis e nesse caso
dizemos que a modulação é M-ASK (multiple ASK). A Fig. 3-33 mostra um sinal modulado
em 4-ASK (ou QASK – quaternary ASK). Existem 4 níveis diferentes e portanto cada nível
pode representar 2 bits.
A vantagem deste tipo de modulação é que comparativamente com a modulação
BASK, se pode enviar o dobro dos bits no mesmo intervalo de tempo duplicando a taxa de
transmissão.
Poder-se-ia aumentar o número de níveis (8, 16,… etc.) mas o número máximo de bits
que se pode transmitir depende sempre dos dois principais condicionantes das
telecomunicações e já antes referidos:
 SNR – relação sinal-ruúdo do sistema
 Bw – Largura de banda do sistema
A Fig. 3-34 mostra que é necessário aumentar a relação sinal/ruído de cerca
de 4 a 5 dBs, cada vez que se acrescenta um bit, i.e., quando M passa de 2 para 4
ou de 4 para 8, etc...
Fig. 3-33 – Modulação M-ASK (QASK)
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 56
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3.3.2. Modulação por comutação de frequência (FSK)
A técnica de Frequency Shift Keying (FSK) ou em português modulação por desvio de
frequência, comuta a frequência da portadora entre dois valores fixos, em função do sinal
digital binário de entrada. Vemos um exemplo na Fig. 3-35.
Quando o sinal é “0” produz-se uma portadora de frequência f1. Quando o sinal é “1”
produz-se uma portadora de frequência f2.
Fig. 3-34 – Modulação M-ASK e SNR
Fig. 3-35 – Modulação FSK
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 57
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O padrão para o exemplo a seguir é que o bit "0" corresponda por exemplo à
frequência de 1000 Hz e o bit "1" corresponda à frequência de 2000 Hz. Na prática,
normalmente a portadora fica em uma frequência determinada e o bit "0" corresponde a
uma frequência abaixo da portadora, e o bit "1" a uma frequência acima da portadora.
3.3.3. Modulação por comutação de fase (PSK)
A modulação Phase Shift Keying (PSK), ou em português, modulação por desvio de
fase, consiste em variar a fase da portadora de acordo com a informação digital binária a ser
transmitida (Fig. 3-36).
O bit “0” é transmitido com fase 0º e o bit “1” com fase 180º.
A representação pode também ser feita na forma vectorial (Fig. 3-37) e neste caso
dizemos que se trata da representação da “constelação” PSK por ser feita por pontos
Fig. 3-36 – Modulação PSK
Fig. 3-37 – Constelação PSK
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 58
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3.3.4. Modulação (DPSK)
A modulação Differential Phase Shift Keying (DPSK) é uma variação do PSK, onde há a
inversão de 180° na fase da portadora sempre que ocorre o bit “0”. Este esquema é também
chamado de Binary PSK (BPSK). As alterações consecutivas numa sequência de bits “0”
facilitam as técnicas de sincronismo da comunicação.
3.3.5. Modulação M-PSK
Através da variação de fase é possível transmitir não apenas um bit de cada vez mas
sim conjuntos de 2 bits (Dibit), de 3 bits (Tribit), etc. aumentando assim muito a quantidade
de informação por unidade de tempo. São as modulações multinível PSK ou abreviadamente
M-PSK.
No caso Dibit o esquema de modulação tem o nome de 4-PSK ou QPSK, uma vez que
dois bits definem 4 possíveis estados. Neste caso, cada estado é representado por uma
alteração no ângulo da portadora, múltiplo de 90º conforme mostra o quadro da Fig. 3-39.
Dibit
Variação de fase
Padrão A Padrão B
00 0° 45°
01 90° 135°
11 180° 225°
10 270° 315°
Fig. 3-39 – Modulação QPSK
A Fig. 3-40 representa a constelação de fase da modulação QPSK no padrão A.
Fig. 3-38 – Modulação DPSK
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 59
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Repare que a sequência não segue a numeração binária normal que seria 00, 01, 10,
11. Em vez disso utiliza-se a sequência 00, 01, 11, 10. Este facto deve-se a que assim só
um dos bits se altera nas mudanças de estado o que permite reduzir a largura de banda.
No caso Tribit a unidade de informação é constituída por conjuntos de 3 bits ou seja 8
possíveis estados fazendo variações de fase múltiplas de 45º conforme mostra a Erro! A
origem da referência não foi encontrada.. chama-se a este tipo de modulação 8-PSK.
Tribit Variação de fase
001 0°
000 45°
010 90°
011 135°
111 180°
110 225°
100 270°
101 315°
Fig. 3-41 – Modulação 8-PSK
Também aqui não se segue a numeração binária na sequência normal mas sim numa
sequência em que apenas um dos bits se altera entre posições consecutivas.
A Fig. 3-42 mostra a constelação da modulação 8-QPSK.
Fig. 3-40 – Constelação QPSK
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 60
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3.3.6. Modulação por amplitude em quadratura (QAM)
A técnica Quadrature Amplitude Modulation (QAM) – ou em português Modulação por
Quadratura de Amplitude, é uma combinação dos esquemas ASK e PSK modificando
simultaneamente a amplitude e a fase da portadora.
Em QAM podem transmitir-se desde 2 até 8 ou mais bits em simultâneo aumentando
muito o rendimento em relação à modulação QPSK.
A Fig. 3-43 mostra um exemplo QAM em que há possibilidade de transmitir 16
símbolos diferentes (de 4 bits cada) e por isso se designa por 16-QAM.
Fig. 3-43 – Constelação 16-QAM
Fig. 3-42 – Constelação 8-PSK
Q
I
I
k
Q
k
= 10
16-QAM
I
k
Q
k
= 00
I
k
Q
k
= 11 I
k
Q
k
= 01
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 61
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Repare que em QAM também existem 4 quadrantes e os eixos são representados por I
(infase) e Q (quadrature) tal como em QPSK. Se utilizarmos 5 bits por símbolo, obtemos
uma 32-QAM (Fig. 3-44).
Fig. 3-44 – Constelação 32-QAM
Utilizando um código de 6 bits/símbolo, obteremos uma 64-QAM (Fig. 3-45).
Fig. 3-45 – Constelação 64-QAM
Q
I
I
k
Q
k
= 10
64-QAM
I
k
Q
k
= 00
I
k
Q
k
= 11 I
k
Q
k
= 01
Q
I
I
k
Q
k
= 10
32-QAM
I
k
Q
k
= 00
I
k
Q
k
= 11
I
k
Q
k
= 01
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 62
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Poder-se-ia continuar, aumentando o número de símbolos, (128-QAM, 256-QAM, etc)
mas quanto mais bits se utilizam, mais próximos os símbolos ficam uns dos outros e
portanto mais susceptíveis a erros e ao ruído porque um determinado símbolo pode ser
facilmente confundido com o símbolo vizinho. As redes de TV cabo em Portugal, trabalham
em 64-QAM, mas nos E.U.A. por exemplo, trabalham a 128-QAM e a 256-QAM.
A Fig. 3-46 mostra o resumo das modulações de portadora analógica e informação
digital.
Fig. 3-46 – Resumo das modulações de portadora analógica / sinal digital
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 63
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3.4. Questionário de revisão
1. Nas modulações de portadora analógica, englobam-se:
a. AM, FM, PPM, QAM.
b. AM, FM, PSK, PWM.
c. AM, FM, PM, ASK.
d. Nenhuma das anteriores é verdadeira.
2. A Largura de banda em FM é:
a. Aproximadamente o dobro da frequência mais alta do sinal.
b. Calculada a partir do índice de modulação.
c. Calculada dividindo a frequência da portadora pela frequência do sinal.
d. Todas as anteriores são verdadeiras.
3. Uma vantagem da modulação de frequência (FM) é:
a. A sua baixa complexidade quando comparada com AM.
b. A grande qualidade de som devida a técnicas de modulação digital.
c. O facto de conseguir boas relações sinal-ruído, embora à custa de uma maior
largura de banda.
d. Poder-se calcular facilmente a frequência da portadora.
4. Na modulação ASK:
a. BASK significa que a portadora pode tomar dois níveis de amplitude
b. QASK significa que a portadora tem 4 níveis diferentes de amplitude e pode
portanto representar 2 bits.
c. 8-ASK significa que a portadora pode tomar 8 níveis diferentes de amplitude
e pode represntar 3 bits.
d. Todas as anteriores são verdadeiras.
5. Assinale a alternativa correcta:
a) AM apresenta a vantagem de ser imune ao ruído.
b) FM tem a desvantagem de ocupar uma grande largura de banda
6. Assinale a alternativa correcta:
a) O índice de modulação em AM é a relação entre a amplitude da portadora e
a amplitude da moduladora.
b) O índice de modulação em FM é a relação entre a amplitude da moduladora
e a frequência da portadora.
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 64
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7. Assinale a alternativa correcta:
a) SSB ou banda lateral única é um processo que permite melhorar a largura de
banda do sinal AM.
b) A capacidade de transmissão de um canal FM é infinita.
8. Assinale a alternativa correcta:
a) No receptor superheterodino AM o misturador (Mixer) tem a função de
fazer o batimento entre o sinal de entrada e a portadora.
b) O oscilador local do receptor superheterodino FM tem a função de produzir
o desvio de frequência necessário à desmodulação.
9. Assinale a alternativa correcta:
a) Na modulação QAM há variação de amplitude e de frequência.
b) Na modulação QAM há variação de fase e de amplitude
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Capítulo 4 - Modulações de Portadora
Digital
Este Capítulo tem por objectivo apresentar alguns parâmetros
importantes nas modulações comportadora digital (tremde impulsos).
4.1. Introdução
Um trem de impulsos periódico é um sinal de natureza discreta, que tem como
características a amplitude, a largura (duração) e o período (Fig. 4-1).
Num trem de impulsos, ao variar uma dessas três características, podemos "modular"
a informação de acordo com a variação do sinal modulador (que contém a informação).
As técnicas de modulação de um trem de impulsos podem ser de dois tipos diferentes:
por informação analógica ou por informação digital (Fig. 4-2). Na primeira, as características
Capítulo
Fig. 4-1 – Trem de Impulsos
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físicas de cada impulso são modificadas de acordo com o sinal de entrada (PAM, PWM, PPM).
Na segunda, o sinal a ser enviado é codificado em uma série de dígitos binários para então
ser transmitido (PCM, DPCM, DM).
4.2. Portadora digital / Informação analógica
As modulações de portadora digital (trem de impulsos) por sinal analógico são PAM,
PWM e PPM (Fig. 4-3)
A Fig. 4-4 mostra estes três tipos de modulação.
Em a) representa-se o sinal analógico a transmitir (neste caso, e para simplificar, um é
um sinal sinusoidal).
Em b) representa-se uma portadora digital (um trem de impulsos)
Em c) representa-se o sinal depois de ter sido sujeito a uma modulação por amplitude
Fig. 4-2 – Modulações de portadora digital
Fig. 4-3 – Modulações digital / analógica
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de impulso PAM (Pulse Amplitude Modulation). Repare que neste tipo de modulação, o que
vai variar é a amplitude dos impulsos da portadora. Quanto maior a amplitude do sinal a
transmitir, maior a amplitude do respectivo impulso da portadora.
Em d) mostra-se uma modulação por largura de impulso PWM (Pulse Width
Modulation). Esta modulação também é muitas vezes designada por modulação por duração
de impulso PDM (Pulse Duration Modulation). Repare que neste caso a largura do impulso é
proporcional à amplitude do sinal. Quanto maior a amplitude mais largo será o impulso da
portadora.
Em e) mostra-se uma modulação por posicionamento de impulso PPM (Pulse Position
Modulation). Repare que neste caso quando a amplitude do sinal é maior, os impulsos ficam
mais afastados e quando é menor, os impulsos ficam mais juntos.
Fig. 4-4 – Modulações PAM, PWM e PPM
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4.2.1. PAM
4.2.2. PWM (ou PDM)
Os valores das amostras de um sinal analógico podem ser expressos através das
durações de impulsos rectangulares, sendo que este processo é denominado modulação da
duração (largura) de impulsos (PWM - pulse width modulation).
As vantagens de PWM sobre PAM são as mesmas de FM sobre AM, ou seja, maior
imunidade com relação ao ruído e à distorção não-linear.
O modulador PWM utiliza um gerador de onda dente-de-serra com período igual ao
intervalo de amostragem Ts e um circuito comparador (Fig. 4-5)
Fig. 4-5 – Circuito PWM
Fig. 4-6 – Modulação PWM
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Como se indica na Fig. 4-6, enquanto g(t) for maior que s(t) tem-se um valor positivo
constante na saída do circuito cuja duração será proporcional à amplitude no momento de
transição quando g(t) passa a ser menor que s(t)
A desmodulação é realizada através de um filtro passa-baixo, o qual fornece o valor
médio do sinal PWM dentro de cada intervalo de amostragem. Neste caso, entretanto,
podem haver distorções no sinal desmodulado devido às componentes harmónicas do sinal
que não podem ser eliminadas por filtragem, de forma semelhante ao problema que pode
ocorrer no sinal FM ceifado pelo circuito limitador.
4.2.3. PPM
A modulação da posição de pulsos (PPM - pulse position modulation) consiste em
posicionar um impulso rectangular de amplitude e duração fixas dentro do intervalo de
amostragem, de forma que a posição relativa seja proporcional ao sinal analógico. A
vantagem desta modulação sobre as anteriores reside no fato de que o formato de impulso é
sempre o mesmo, facilitando a regeneração do sinal.
O sinal PPM é gerado a partir do PWM, bastando utilizar um circuito monoestável (por
exemplo um 555) disparando na transição de descida dos pulsos do sinal PWM (Fig. 4-7)
A duração dos impulsos (T) é determinada pela constante de tempo sendo T=1,1 x RC
Nota-se no gráfico da acima que deveria haver um pulso iniciando em t=0. O impulso
não foi gerado porque a duração do pulso do sinal PWM ocupou todo o intervalo de
amostragem. Isto não causa problemas na desmodulação do sinal PWM, mas a falta de um
pulso compromete a desmodulação PPM.
Fig. 4-7 – Circuito PPM
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Na demodulação do sinal PPM é realizado o processo inverso (Fig. 4-11
O sinal PPM é convertido em PWM que por sua vez é transmitido através de um filtro
passa-baixo para recuperar o sinal analógico. O circuito que converte PPM em PWM é
formado por dois divisores digitais de frequência cujas saídas são conectadas às entradas de
uma porta lógica ou-exclusivo. A maior dificuldade na desmodulação PPM encontra-se na
necessidade de sincronismo do oscilador local do desmodulador com o oscilador do
modulador.
Fig. 4-8 – Modulação PPM
Fig. 4-9 – Modulação PPM
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4.3. Portadora digital / Informação digital
As modulações de portadora digital (trem de impulsos) por sinal digital são PCM, DPCM
e DM (Fig. 4-10).
4.3.1. PCM (Pulse Coded Modulation)
O objectivo da modulação PCM é fazer com que um sinal analógico possa ser
transmitido através de um meio físico com transmissão digital. O equipamento que faz esta
Fig. 4-10 – Modulação digital / digital
Fig. 4-11 – Modulação PCM
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tarefa é conhecido como CODEC, que é uma contracção das palavras coder / decoder,
similarmente ao modem (modulador / desmodulador).
O funcionamento do PCM baseia-se em três operações para transmissão e duas para
recepção. Para transmissão, utiliza-se a amostragem, quantificação e codificação. Para
recepção, é necessário descodificar e filtrar o sinal, como mostra a Fig. 4-11. As fases da
modulação PCM serão analisadas com maiores detalhes a seguir.
4.3.1.1. AMOSTRAGEM
Um sinal analógico é contínuo no tempo e portanto contém uma infinidade de valores.
Para transformar este sinal em digital, seria também necessária uma infinidade de bits o que
tornaria impossível a sua transmissão nos canais normais.
Contudo, demonstrou-se que, para converter um sinal analógico em digital, basta
medir (amostrar) o sinal analógico a intervalos regulares, convertendo depois para digital
apenas os valores de tensão obtidos nessas amostras.
A Fig. 4-22 ilustra o princípio da amostragem: um sinal analógico (a) é amostrado
(medido) a intervalos regulares (b) e apenas as tensões medidas nesses instantes (c) serão
utilizadas para serem transformadas em digital.
Repare que os pontos obtidos em (c) são impulsos do tipo PAM, (Pulse Amplitude
Modulation) e serão suficientes para reproduzir o sinal original (a) com boa fidelidade.
Quando maior for o número de amostras, mais fiel será a reprodução do sinal, mas em
contrapartida mais informação (mais “0” e “1”) será necessário transmitir e processar.
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Fig. 4-12 – Amostragem
Qual deve então ser a frequência de amostragem correcta?
Verifica-se que, para que um sinal amostrado possa mais tarde ser reconstituído
fielmente, a frequência de amostragem fa tem que ser superior ao dobro da frequência
máxima presente no sinal fmáx..(teorema de Nyquist)
a máx
f f > 2
Como exemplos, um sinal de áudio (frequências de 20 a 20 KHz) terá que ser
amostrado pelo menos a 40 KHz e um sinal de vídeo (frequências de 0 a 5 MHz) terá que
ser amostrado pelo menos a 10 MHz.
Se a taxa de amostragem for menor que a frequência máxima do sinal que se está a
capturar, o sinal reconstruído pode nem sequer se assemelhar à forma de onda inicial. Este
fenómeno é chamado aliasing e está bem evidenciado na Fig. 4-13.
(a)
(b)
(c)
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 75
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Fig. 4-13 - Aliasing
Em (a) a frequência de amostragem é maior que duas vezes a do sinal. Há amostras
suficientes (pontos azuis) para que o sinal possa ser reproduzido sem erro.
Em (b) a taxa de amostragem é igual a duas vezes a frequência do sinal. Não é
possível a sua reprodução, a não ser que por coincidência os pontos caíssem nos picos da
sinusóide, donde a necessidade do "maior que o dobro" no teorema da amostragem.
Em (c) a frequência de amostragem é menor que o dobro da frequência do sinal. A
quantidade de amostras é insuficiente e o sinal reproduzido (a vermelho) estará errado.
A Fig. 4-14 mostra mais claramente a influência da frequência de amostragem.
Fig. 4-14 – Efeito da frequência de amostragem
Quanto maior for a frequência de amostragem mais perfeito vai ser o sinal
reconstituído na saída. Contudo uma frequência muito alta obrigará a mais amostras e
consequentemente a muitos mais bits para serem transmitidos, o que é inconveniente.
(a) fa>2fm
(b) fa=2fm
(c) fa<2fm
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Por isso adoptam-se sempre frequências de amostragem ligeiramente acima do dobro
da frequência mais alta presente no sinal a ser amostrado.
4.3.1.2. QUANTIFICAÇÃO
Depois da amostragem segue-se o processo de quantificação (ou quantização).
Quantificar (quantizar) consiste em medir o valor da tensão obtida em cada amostra PAM e
transformar esse valor de tensão num determinado número binário.
O número de bits utilizado determinará o número de níveis possíveis.
Com 2 bits há possibilidade de representar quatro valores (00, 01, 10, 11)
Com 3 bits representam-se oito valores (000, 001, 010, 011, 100, 101, 110, 111)
Quanto mais bits forem utilizados maior será a precisão do processo.
Repare na Fig. 4-15 onde se representa um sinal analógico que varia de –4V a +4V e
que é amostrado apenas a dois bits (4 níveis).
+3,2V
Volts
Tempo
a1 a2 a3 a4 a5 a6 a7 a8 a9 a10
Amostras
00
V
a
l
o
r
d
i
g
i
t
a
l
d
a
s
a
m
o
s
t
r
a
s
(
c
o
m
2
b
i
t
s
s
ó
h
á
4
v
a
l
o
r
e
s
p
o
s
s
í
v
e
i
s
)
V
a
l
o
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d
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n
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l
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n
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l
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g
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c
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V
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t
s
(
q
u
a
l
q
u
e
r
v
a
l
o
r
e
n
t
r
e
-
4
V
e
+
4
V
)
nível 0
+2,2V
+1,9V
+0,8V
+0,7V
+0,2V
-0,7V -0,2V
-3,2V
-1,3V nível 1
nível 2
nível 3
01
11
10
-3
-4
-2
-1
0
+1
+2
+3
+4
Fig. 4-15 – Amostragem a 2 bits (4 níveis)
Cada intervalo corresponde a 2V e portanto tanto um sinal de 0,2V como um sinal de
1,9V serão considerados iguais pois estão no mesmo nível e serão ambos representados
pelos mesmos dois bits (10). Em relação ao valor médio do intervalo, há um erro máximo de
1V ou seja, metade do intervalo. Como se pode constatar, uma quantificação a 2 bits produz
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erros enormes.
Contudo, se em vez de 2 bits a amostragem for feita a 4 bits, (Fig. 4-16) haverá agora
16 níveis.
+3,2V
Volts
Tempo
a1 a2 a3 a4 a5 a6 a7 a8 a9 a10
Amostras
0000
V
a
l
o
r
d
i
g
i
t
a
l
d
a
s
a
m
o
s
t
r
a
s
(
c
o
m
4
b
i
t
s
j
á
h
á
1
6
v
a
l
o
r
e
s
p
o
s
s
í
v
e
i
s
)
V
a
l
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r
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o
s
i
n
a
l
a
n
a
l
ó
g
i
c
o
e
m
V
o
l
t
s
(
q
u
a
l
q
u
e
r
v
a
l
o
r
e
n
t
r
e
-
4
V
e
+
4
V
)
nível 0
+2,2V
+1,9V
+0,8V
+0,7V
+0,2V
-0,7V
-0,2V
-3,2V
-1,3V
nível 1
-3
-4
-2
-1
0
+1
+2
+3
+4
nível 2
nível 3
nível 4
nível 5
nível 6
nível 7
nível 8
nível 9
nível 10
nível 11
nível 12
nível 13
nível 14
nível 15
0001
0010
0011
0100
0101
0110
1000
0111
1001
1010
1011
1100
1101
1110
1111
Fig. 4-16 – Amostragem a 4 bits (16 níveis)
Repare que os 0,2V do exemplo anterior caem agora no intervalo (“1000”) e os 1,9V
no intervalo (“1011”), sendo portanto diferentes. Cada intervalo é agora de 0,5 V e o erro
máximo em relação ao centro do intervalo é de 0,25V. Com quatro bits os erros são ainda
muito grandes.
Numa amostragem a 8 bits teríamos 2
8
níveis (256 níveis) o que para o exemplo
anterior daria para cada intervalo 8V/256níveis = 38,25 mV por nível, valor que introduz um
erro já totalmente aceitável. A Fig. 4-17, mostra esta relação entre número de bits e erro.
Fig. 4-17 – Influência do número de bits na amostragem
Quanto maior for o número de bits, maior é a precisão da forma de onda na saída,
porque cada bit adicional duplica o número de níveis possíveis e diminui o erro para metade.
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Contudo, quanto mais bits forem utilizados para representar as amostras PAM, maior será a
quantidade de informação a transmitir, obrigando a maiores tempos de transmissão (maior
largura de banda) e a circuitos mais complexos.
Qual é então o número de bits ideal com que se deve amostrar um sinal?
Demonstra-se matematicamente que a relação sinal/ruído de quantificação para n bits
é da ordem de
) ( 6 / dB n N S =
Em televisão, uma relação S/N = 48 dB é muito boa enquanto que para uma
gravação áudio em CD já será preciso uma S/N = 96 dB.
Assim sendo, um sinal de vídeo precisa de ser amostrado com pelo menos 8 bits
(porque 8 bits x 6dB = 48dB) e um sinal de áudio em CD precisa de ser amostrado a 16 bits
(porque 16 bits x 6dB = 96dB)
Analisemos o caso de n=8 bits. Com 8 bits é possível representar 256 níveis
diferentes (0 a 255).
Normalmente os sinais analógicos têm valores positivos e negativos. Para exemplificar,
vamos supor que os impulsos PAM têm tensões entre -128V e +128V.
Como se torna mais complicado representar sinais negativos em binário, usa-se o
truque representado na Fig. 4-18.
Fig. 4-18 – Quantificação de tensões negativas
O eixo vertical tem os 256 níveis mas o eixo de tensão, 0V, é deslocado para o nível
128. Podemos assim representar valores de tensão negativos (de -1 a -128V) e positivos (de
0 a 127V) sem necessidade de indicar o sinal.
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Os valores amostrados na forma de onda da Fig. 4-18 são:
118,135,130,138,151,165,179,179,182,195,179,144,109,78,51,37,39,62,97,123.
A que correspondem os seguintes valores quantificados de tensão (em V),
-10,+7,+2,+10,+23,+37,+51,+51,+54,+67,+51,+16,-19,-50,-77,-91,-89,-66,-31,-5 .
4.3.1.3. CODIFICAÇÃO
Depois da quantificação (quantização), é agora necessário fazer a codificação.
A cada nível obtido, deverá fazer-se corresponder o respectivo sinal digital, tal como se
exemplifica na Fig. 4-19.
Aí se representam quatro amostras, e se indica o valor real, o valor quantizado e o
correspondente código binário que será enviado para a linha.
Fig. 4-19 – Codificação de amostras quantificadas
Os valores quantizados são codificados em sequências de bits. Em binário puro, a
codificação seria como mostra a figura acima, que é um exemplo de um sinal digital PCM
(Pulse Code Modulation), onde cada impulso PAM de amplitude variável é transformado
numa sequência de bits (8 bits no caso deste exemplo), tal que represente o valor da
amplitude do impulso PAM original, arredondado pelo erro de quantificação.
O esquema Pulse Code Modulation (PCM) consiste na amostragem do sinal analógico
pela modulação PAM, a quantização destas amostras por um processo de mapeamento da
amplitude das amostras do sinal em um conjunto finito de valores discretos e a codificação
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 80
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de cada amostra quantizada em uma representação binária pura capaz de representar todos
as possíveis amplitudes das amostras do sinal analógico.
Durante o processo de quantização podemos fazer uso da compressão que consiste na
execução da quantização de forma não linear diminuindo o efeito do ruído de quantização
nas baixas amplitudes e diminuindo a relação sinal/ruído. O CCITT aprovou a chamada curva
característica da "Lei A" aproximada por segmentos proporcionais à codificação por 13 bits
do sinal de entrada e 8 bits para o sinal de saída. Foi aprovada também a "Lei M" (Fig. 4-20)
O esquema de um sistema de comunicação PCM é bem representado pela Fig. 4-24.
Fig. 4-20 – Lei M
Fig. 4-21 – Modulações Delta
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 81
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4.3.1.4. Erro de quantização
O Differential Pulse Code Modulation (DPCM) difere do PCM por analisar somente a
4.3.2. DPCM (Diferencial Pulse Coded Modulation)
O Differential Pulse Code Modulation (DPCM) difere do PCM por analisar somente a
diferença entre as amostras sucessivas. Isto implica um número menor de níveis de
quantização. Esta técnica consiste em utilizar um preditor linear como o da Fig. 4-23.
Fig. 4-22 – Erro de quantização
Fig. 4-23 – Erro de quantização
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4.3.3. DM (Delta Modulation)
A Modulação Delta (DM) ou em inglês, Delta Modulation, consiste em comparar o sinal
de voz com um sinal de referência que é o próprio sinal atrasado.
Sse a amostra actual é maior que a imediatamente anterior é enviado a informação de
incremento, caso contrário, é enviada a informação de decremento (Fig. 4-24).
A Modulação Delta consiste assim em comparar o sinal dado com una sucessão de
impulsos de amplitude os quais são crescentes quando a amplitude de esta sucessão se
encontra abaixo da amplitude do sinal original e é decrescente quando a amplitude dos
impulsos de amostragem supera a amplitude do sinal.
Como a modulação delta aproxima o sinal X(t) mediante una função escalonada linear,
a mudança de sinal deve ser relativamente lenta em comparação com a taxa de
amostragem. Esta imposição implica que o sinal deve ser sobreamostrado, quer dizer,
amostrado pelo menos cinco vezes mais rápido que a taxa de amostragem de Nyquist.
Sobrecarga de pendente: Quando a velocidade de mudança é muito grande tem-se o
que se denomina sobrecarga de pendente. Há um erro, mas que pode reduzir-se
aumentando a altura dos escalões.
Ruído granular (ou ruído de quantização): este é o resultado da utilização de um
escalão de altura muito grande nos troços em que o sinal tem uma variação pequena. O
ruído granular pode reduzir-se diminuindo a altura dos escalões.
Fig. 4-24 – Modulações Delta
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4.4. Questionário de revisão -
1. Nas modulações de portadora digital, englobam-se:
a) PAM, PWM, PPM, QAM.
b) PAM, PWM, PSK, DM.
c) PAM, PWM. PPM, PCM.
d) Nenhuma das anteriores é verdadeira.
2. Um dos objectivos da Codificação é:
a) Adaptar as características do canal às do sinal para se propagar a grandes
distâncias.
b) Utilizar um índice de modulação M tão baixo quanto possível para diminuir
o ritmo binário do sinal transmitido.
c) Conseguir que a relação S/N do sinal desmodulado seja o melhor possível.
d) Fazer corresponder a cada nível obtido na quantização, o respectivo sinal digital.
3. Uma das desvantagens do PCM é:
a) A necessidade de ter conversores A/D de alta velocidade em ambos os
terminais da ligação.
b) A necessidade de ter uma largura de banda que aumenta com o índice M da
modulação digital.
c) A necessidade de ter uma largura de banda superior à necessária num sistema
equivalente analógico para transmitir a mesma informação.
d) A necessidade de ter que usar filtros de Nyquist.
4. Pelo teorema da amostragem podemos dizer que:
a) Para recuperar um sinal com largura de banda máxima F temos que o
amostrar a um ritmo de pelo menos F/2.
b) Se o ritmo de amostragem for de F então a máxima frequência do sinal
deverá ser de F/2.
c) Se o ritmo de amostragem for de F/2 então a máxima frequência do sinal
deverá ser de F.
d) Podemos sempre recuperar um sinal desde que usemos códigos correctores
de erros.
5. A modulação Delta faz:
a) Comparação do sinal original com um sinal de referência.
b) A mistura de sinal original com o sinal de referência.
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 84
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10. Na modulação PWM:
a) Os impulsos têm amplitude variável e duração fixa
b) A amplitude máxima da portadora é sempre menor que a amplitude máxima
do sinal.
c) Os impulsos têm amplitude fixa e período variável.
d) Nenhuma das anteriores é verdadeira.
11. Assinale a alternativa correcta:
a) O processo de modulação PCM tem amostragem, quantificação e
codificação.
b) O processo de modulação PCM não necessita de portadora.
12. Assinale a alternativa correcta:
a) A modulação delta (DM) ocupa menos largura de banda que a modulação
PCM.
b) A modulação DPCM ocupa mais largura de banda que a modulação PCM.
13. Assinale a alternativa correcta:
a) O erro de quantização é originado no processo de modulação mas pode ser
anulado na desmodulação.
b) O erro de quantização é sempre tanto maior quando mais rápida for a
variação do sinal.
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 85
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Capítulo 5 - Multiplexagem(Acesso
Múltiplo)
Este Capítulo apresenta alguns conceitos simples do que é
misturar (multiplexar) sinais diferentes para que possam viajar juntos no
mesmo meio de transmissão seminterferiremuns nos outros.
5.1. Introdução
Uma importante forma de processamento de sinal é a multiplexagem, onde um
número de canais independentes pode ser combinado num único sinal capaz de ser
transmitido por um meio físico comum.
Para transmitir vários sinais por um mesmo canal, eles devem ser agrupados de forma
que não interfiram uns com outros para permitir a recuperação da informação na recepção.
Isto é alcançado separando os sinais na frequência e/ou no tempo. A técnica de separação
dos sinais na frequência é conhecida como FDM (Multiplexagem por divisão de Frequência –
Frequency Division Multiplex), e a técnica de separação dos sinais no tempo é conhecida
como TDM (Multiplexagem por divisão de Tempo – Time Division Multiplex).
5.1.1. TDM (TDMA)
Uma importante característica do processo de amostragem é a conservação do tempo,
isto é, a transmissão de uma mensagem amostrada compromete somente uma fracção do
intervalo de amostragem em uma base periódica, e deste modo o intervalo de tempo entre
amostras adjacentes está livre para ser usado por outra fonte de mensagem independente
Capítulo
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 86
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compartilhando a mesma base periódica.
Com isso se obtém um sistema de multiplexagem por divisão de tempo (Time-division
multiplex – TDM), o qual permite a utilização de um canal comum de comunicação por várias
fontes de mensagem independentes sem interferirem entre si.
O processo de amostragem é o processo básico para todos os sistemas de modulação
de pulso, sendo o TDM muito utilizado em sistemas digitais.
A Fig. 5-1 mostra um exemplo de um sinal TDM onde4 sinais diferentes são misturados
ao longo do tempo.
5.1.2. FDM (FDMA)
É o método pelo qual vários canais de informação são multiplexados em um único
canal, dado pela associação de cada um destes canais a um portadora diferente.
Para tornar isto possível, cada canal de origem ou banda base modula uma portadora
de uma frequência diferente em amplitude, frequência ou fase. Cada nova portadora
modulada será referida como canal intermediário. Cada um desses canais intermediários é,
então, combinado em um canal de transmissão simples, geralmente aplicando-o a um
circuito multiplexador (MUX).
Isto resulta em um sinal composto, onde cada canal é identificado como uma banda
separada de frequências, e que pode ser identificado por uma frequência portadora que
pode ser separada através de filtros.
A Fig. 5-2 mostra uma multiplexagem de 3 canais de telefone (faixa de frequência
original de 0 a 4kHz) com portadoras, fp1, fp2 e fp3. Nota-se que cada canal continua com
Fig. 5-1 – Multiplexagem TDM
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 87
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um espaço equivalente à sua largura de banda original (4kHz), porém, deslocado em
frequência no espectro.
A variação do FDM para fibras ópticas é conhecida com WDM (Wavelength Division
Multiplexing), isso se dá por não ser usado o termo frequência em óptica, mas sim
comprimento de onda.
O WDM funciona como o FDM dentro de uma porção óptica do espectro
electromagnético. Várias portadoras ópticas são moduladas usando sinais eléctricos
independentes (podem ser usadas as técnicas TDM e FDM no domínio eléctrico) e depois são
transmitidas através de uma mesma fibra, Fig. 5-3.
FDM óptico tem o potencial de exploração de uma largura de banda ampla oferecida
pela fibra óptica, por onde centenas de canais podem ser transmitidas com separação entre
eles de alguns GHz.
Fig. 5-2 – Multiplexagem FDM
Fig. 5-3 – Multiplexagem WDM
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5.1.3. CDMA
A técnica CDMA junta as características do FDM e do TDM; todos os utilizadores podem
transmitir simultaneamente, nas mesmas frequências e utilizando toda a banda disponível.
Ao invés de se fazer a separação entre utilizadores através de frequência ou
frequência / tempo, a cada utilizador é atribuído um código, de forma que a sua transmissão
possa ser identificada. Os códigos usados têm baixa correlação cruzada (idealmente zero),
ou seja, são ortogonais, fazendo com que as informações contidas nas várias transmissões
não se confundam. No outro extremo da comunicação, o receptor tem conhecimento do
código usado, tornando possível a descodificação apenas da informação de seu interlocutor.
O CDMA baseia-se em um conceito denominado Espalhamento Espectral (Spread
Spectrum).
Através dessa técnica, o sinal original que se deseja transmitir é espalhado por uma
banda muito maior que a necessária a sua transmissão. A portadora “salta” entre as várias
frequências do espectro atribuído. A largura de banda do sinal original é mantida, porém,
como a portadora percorre rapidamente uma faixa muito grande de frequências, o efeito
final é de espalhamento espectral.
Esta técnica provê um alto nível de segurança, uma vez que um receptor que queira
interceptar a comunicação e que não saiba a sequência pseudo-aleatória usada para gerar a
sequência de “saltos”, não conseguirá receber o sinal.
Fig. 5-4 – Multiplexagem CDMA
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 89
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Capítulo 6 - Circuitos Práticos
Este Capítulo apresenta alguns circuitos simples que directa ou
indirectamente usam técnicas de modulação e pretende ser o corolário
prático do que foi abordado no manual.
6.1. AM
Apresentam-se a seguir dois circuitos simples de AM-DSB.
6.1.1. Emissor AM
O circuito da Fig. 6-1 é um pequeno emissor de AM, de potência muito reduzida mas
que tem valor experimental e didáctico.
O circuito divide-se em duas partes: 1) amplificação de áudio e 2) oscilador de RF.
O oscilador destina-se a produzir a frequência portadora e é constituído pelo transístor
Q1 e seus componentes associados. Q1 pode ser um BC109C mas um BC548C faz o
mesmo efeito. O circuito tanque formado por L1 e pelo condensador variável C1 permite
variar a frequência da portadora desde cerca dos 500kHz até cerca dos 1600KHz podendo
assim escolher-se a frequência que menos interferência tenha no local da experiência.
L1 e C1 podem ser facilmente obtidos em rádios velhos e que já não funcionam.
Para que haja oscilação tem que haver realimentação da saída de Q1 para a sua
entrada e isso é conseguido com C7 (1nF) que faz a realimentação do colector para a base e
com C2 (100nF) que faz a realimentação do colector para o emissor e deste para a base
Capítulo
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 90
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através da resistência de junção.
O som captado pelo microfone é amplificado em Q2 e o potenciómetro P1 de 4,7KO
permite aumentar ou diminuir o sinal de áudio antes da modulação ou seja, permite fazer a
variação do índice de modulação para o valor pretendido. Relembramos que quanto maior o
índice de modulação maior o alcance do sinal mas não se devendo ultrapassar os 100% para
não introduzir excessiva distorção.
Para experiência em curto alcance não é necessária antena mas um fio de cobre com
cerca de 30 cm aumentará o alcance do transmissor.
A alimentação do circuito pode ser feita por pilha de 9V ou preferencialmente por fonte
de alimentação de 9V-300mA.
6.1.2. Receptor AM
A Fig. 6-2 mostra um receptor de rádio AM baseado num circuito integrado antigo e
fácil de encontrar no mercado (ZN414) ou pelo seu substituto moderno o MK484 que tem
a mesma performance e a mesma pinagem.
Fig. 6-1 – Emissor AM
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 91
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Este receptor cobre a banda AM desde aproximadamente 550KHz até aos 1600 KHz. A
bobine e o condensador variável podem ser facilmente obtidos em rádios antigos de sucata.
O circuito integrado incorpora os princípios de receptor superheterodino e tem
portanto os andares de RF, AGC e de detector de AM.
Este circuito inclui um pequeno regulador de tensão em torno do transístor BC 108B e
constituído por quatro díodos 1N4148 e pelas resistências de 2K7 e 820 ohm em conjunto
com o potenciómetro de 10K.
O potenciómetro de 10K actua como controle de selectividade do receptor, controlando
a tensão de operação do ZN414 (ou MK484). Se na zona do ensaio houver sinais muito
fortes de estações de AM, então será necessário reduzir a tensão para valores próximos de
1.5V que darão óptimos resultados.
O amplificador de áudio utiliza um AmpOp 741. os transístores BC109/BC179 formam
um par que amplifica a corrente para o altifalante de 8 ohm. O ganho do andar é de
aproximadamente 15 e fornece um som com baixa distorção.
Fig. 6-2 – Receptor de AM
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 92
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6.2. FM
Apresenta-se a seguir um circuito simples de FM.
6.2.1. Emissor FM
O equipamento apresentado na Fig. 6-3, contém todos os componentes necessários
para construir um mini emissor de FM de baixa potência mas que tem valor experimental e
didáctico, sendo fácil captar o sinal emitido desde que se tenha um receptor de FM na
vizinhança.
Este circuito trabalha com tensões de 6 a 30 V e corrente máxima de 400mA.
Como se trata de Modulação de Frequência (FM), a amplitude da portadora é
constante mas a sua frequência vai variar de acordo com as variações de amplitude do sinal
de áudio. Quando a amplitude do áudio aumenta (i.e. durante as alternâncias positivas) a
frequência da portadora também aumenta, e quando a amplitude do sinal diminui
(alternâncias negativas) a frequência da portadora diminui em proporção.
A frequência da portadora é ajustável de 88 a 108 MHz (que é a faixa de FM usada
para radiodifusão de rádio), bastando para tal ajustar o condensador C6.
Este circuito tem muitas semelhanças com o do emissor de AM. Também aqui existe
um microfone e o pré-amplificador do microfone (TR2), e também o andar de RF (TR1) que
Fig. 6-3 – Emissor FM
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 93
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é o oscilador do circuito.
O microfone é piezoeléctrico.
O sinal de áudio amplificado, atravessa C3 e vai modular o sinal de RF.
A frequência de oscilador é controlada pela malha do circuito tanque L1-C6.
C3 é um condensador de acoplamento para o sinal de áudio e faz com que as tensões
de polarização DC de TR2 e TR1 não interfiram entre si.
A base de TR1 é correctamente polarizada por R2 e R3.
Para facilidade de construção e assegurar maior estabilidade, a bobine do emissor é
feita no circuito impresso.
A tensão de alimentação pode ser qualquer uma entre 6 a 30V DC e depende do
alcance pretendido e da antena que utilizar (deverá ser uma antena de ì/4). Para uma
frequência de 100MHz pode usar-se um pedaço de arame com aproximadamente 70 cm de
comprimento mas para melhores resultados deveria usar um dipolo em T.
Utilize baterias alcalinas ou projecte uma pequena fonte de alimentação para vida mais
longa.
E para quem se abalançar a fazer este circuito, tenha em atenção que não pode ser
montado em placa breadboard devido à alta frequência da portadora. É imprescindível que
os componentes sejam montados em circuito impresso.
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 94
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Capítulo 7 - Glossário, Links, e
Bibliografia
.Fornecem-se as referências que serviram para a pesquisa dos
tópicos deste manual. Os termos em inglês são de utilização comum
pelo que se mantiveramnessa forma o que facilita a pesquisa e análise.
7.1. GLOSSÁRIO
ADC
(Analog to Digital Converter) - é um processo electrónico em que o sinal
continuamente variável (analógico) é transformado, sem altear seu
conteúdo, em um sinal de múltiplos níveis (digital), através de um
conversor analógico-digital.
ADPCM
(Adaptative Differential Pulse Code Modulation) - uma forma de
modulação por codificação de pulsos (PCM) que produz uma taxa de
transmissão inferior ao PCM padrão, isto por que o ADPCM só amostra as
diferenças entre amostras e ajusta a escala de codificação
dinamicamente, acomodando as pequenas e grandes diferenças. Algumas
aplicações usam ADPCM para digitalizar sinais de voz e dados que
podem ser transmitidos simultaneamente sobre uma rede digital, rede esta
normalmente utilizada para a transmissão de apenas um destes sinais.
AGC
Automatic Gain Control) - ou controle automático de ganho, é a
denominação do circuito electrónico incorporado ao estágio de frequência
intermediária de um receptor para controlar o ganho de FI ou do selector
de canais (Tuner) em função da intensidade do sinal recebido. Os sinais
(RF) na entrada do tuner possuem amplitude (aproximadamente) entre: 10
uV até 10 mV.
ALIASING
É a distorção que ocorre num sinal amostrado quando a taxa de
amostragem não respeita a taxa mínima conforme Nyquist, impedindo a
correcta recuperação do sinal.
AM
(Amplitude Modulada) - serviço de radiodifusão baseada na técnica de
modulação em amplitude, cuja informação é transmitida na envoltória ou
amplitude do sinal portador.
Capítulo
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 95
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AMOSTRAGEM
Uma das técnicas utilizadas no processo de digitalização de um sinal.
Consiste em colher amostras do sinal original respeitando o teorema da
amostragem, para que este possa ser reconstituído no destino sem que a
informação seja perdida.
ANALISADOR DE
ESPECTRO
Equipamento de medição utilizado para analisar um sinal no domínio da
frequência, possibilitando avaliar o quanto de banda do espectro
electromagnético este sinal ocupa, avaliando assim a capacidade deste
sinal em ser transmitido e/ou recebido, a possibilidade de interferência
com outros sinais entre outras aplicações
ANALÓGICO
Modo de transmissão no qual os dados são representados por um sinal
eléctrico variando continuamente, transmitido por linhas telefónicas
comuns. Palavra usualmente empregada para aparelhos electrónicos que
trabalham com variações contínuas de sinais eléctricos. Estas variações
são, em geral, proporcionais (análogas) a outros fenómenos. Por exemplo,
as variações na pressão do ar provocadas por sons como os de
instrumentos musicais.
ASK
(Amplitude Shift Keying) - Uso da técnica de modulação AM para
transmissão de dados. Basicamente, a transmissão do bit 1 se dá pela
transmissão da portadora e a transmissão do bit 0 se dá pela ausência de
portadora. Aplica-se tal técnica em modems, pois sinais digitais precisam
ser condicionados caso contrário serão distorcidos na linha de
transmissão, o que acarretará em perda. Nos modems actuais, entretanto,
utilizam-se técnicas de modulação mais avançadas que o ASK, obtendo
assim taxas de transmissão maiores. Ver também "FSK" e "PSK".
ATENUAÇÃO
Perda de potência do sinal de comunicação, medida em decibéis, que
ocorre por meio do equipamento, linhas ou outros dispositivos de
transmissão.
BANDA
Faixa de radiofrequência destinada a determinado tipo de comunicação. O
termo também define a amplitude dos canais de comunicação em uma
rede de computadores, isto é, a quantidade dos recursos de transmissão
disponível para utilização por um ou mais usuários desta rede.
BANDA BASE
Transmissão de um sinal na banda de frequências originais deste sinal,
sem que haja modulações que alterem o seu espectro de frequência ou
multiplexagem com outros sinais. As transmissões em banda base
ocupam toda a largura de banda disponível. Ver "BASEBAND".
BANDA DE
GUARDA
Faixa de frequência sem uso entre dois canais de forma a evitar
interferências mútuas.
BANDA DE
PASSAGEM
(Largura de banda) É a capacidade de um canal ou equipamento, medida
em milhares (kbps) ou milhões de bits por segundo(Mbps). Largura de
Banda não é uma medida de velocidade, mas a diferença entre as
frequências máxima e mínima na qual um canal/equipamento pode operar
BANDA LARGA
Sistema que tem uma capacidade de transmissão de dados de alta
velocidade.
BANDA
PASSANTE
(Bandwidth) É tipicamente usada para especificar a quantidade de dados
que podem ser enviadas em um canal de comunicação.
BANDWIDTH
O mesmo que largura de banda, faixa de frequências que define um canal
de comunicação por onde a informação é transmitida. A capacidade do
canal é medida em ciclos por segundo, ou Hertz (Hz), entre a mais alta e a
mais baixa frequência. Comummente, a capacidade do canal para
transporte de dados digitais é medido em bits por segundo (bps).
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 96
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BAUD
Unidade para velocidade de sinal igual ao número de eventos de sinal por
segundo. Equivale a bits por segundo para os casos no qual cada evento
de sinal corresponde a um bit.
BAUD RATE
O termo baud rate é utilizado como medida de velocidade de transmissão
de informação entre computadores através de linhas telefónicas. Baud
rate é frequentemente utilizado como sinónimo de bits por segundo (bps),
apesar de não ser tecnicamente verdadeiro. O nome baud vem de J. M.
Baudot, inventor do código telegráfico Baudot
BER
(Bit Error Rate Test) Um teste para determinar a percentagem de bits
errados em relação ao total de bits enviados.
BINÁRIO
Forma de representação que utiliza dois valores, elementos ou unidades.
Pode-se dizer que é uma característica de sistemas digitais. Geralmente
são utilizados os valores 1 e 0 para representação destes valores.
BIT
(BInary digiT) A menor unidade de informação em um sistema binário, um
estado zero ou um. O bit é a menor unidade de informação que um
computador pode processar (usualmente indicado por 1 ou 0). 8 bits
equivalem a um byte.
BITS POR
SEGUNDO
(bps) É o número de bits transmitidos a cada segundo. É utilizado como
uma unidade de medida que indica a velocidade de transferência de
informações em uma rede.
BPSK
(Binary Phase Shift Keying) - Técnica de modulação digital que utiliza dois
símbolos de fase para modular um bit (0 e 180 graus).
BYTE
Unidade de informação, normalmente menor que uma palavra em
computação. Bytes de oito bits são os mais comuns. Também conhecido
como caracter
CANAL
Conjunto de meios necessários para estabelecer um enlace físico, óptico
ou radioeléctrico para transmissão de sinais de comunicação unilateral
entre dois pontos.
CAPACIDADE
Quantidade de informações que os dispositivos de telecomunicações
podem transportar. A capacidade de uma linha pode ser medida em bits
por segundo; a da central de comutação pelo número máximo de
chamadas por hora ou pelo número máximo de chamadas que pode
manter em conversação simultaneamente.
CDMA
(Code Division Multiple Access) Em telefonia celular é o acesso múltiplo
por divisão de código, que baseia-se na tecnologia chamada de
espalhamento espectral. Nesse sistema temos o acesso múltiplo de
usuários através de uma faixa de frequência .Um exemplo da utilização do
CDMA é o IS95.
CODIFICAÇÃO
Uma das técnicas utilizadas no processo de digitalização de um sinal.
Consiste na geração de pulsos dos valores previamente amostrados e
quantizados.
CODIFICAÇÃO
DIGITAL
Processo de transformação e representação de um sinal eléctrico
analógico em um sinal codificado na forma digital, isto é, representado por
uma sequência de símbolos 0 (zero) e 1 (um).
CÓDIGO DE LINHA
É a forma como o sinal eléctrico irá representar a informação digital
directamente no par de fios como diferenças discretas de voltagem (com
um valor fixo para cada símbolo digital utilizado). Tal informação digital é
assim classificada como em banda básica e exemplos de códigos de linha
são o NRZ, AMI, Manchester, RZ, HDB-3, entre outros.
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 97
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DECIBEIS
(Decibels ou Db) É uma representação em forma logarítmica da relação
entre duas potências P1 e P2 , sendo igual a 10 log10 (P1/P2). dBW
corresponde a representação em dB quando P2= 1 W. dBm corresponde
a representação em dB quando P2= 1 mW. dBd e dBi referem-se ao
ganho de uma antena em relação a um dipolo de meia onda e a um
radiador isotrópico respectivamente
DESMODULADOR
Refere-se ao circuito que tem por objectivo recuperar a informação
transmitida a partir da portadora de um sinal. Os receptores de rádio
possuem circuitos deste tipo, bem como dispositivos como modems.
DESMODULADOR
AM DSB-SC
É o desmodulador que trabalha na técnica de modulação em amplitude
(AM) com dupla banda lateral (DSB - Double Sideband) e supressão de
portadora( SC - Supressed Carrier). Ver "AM", "DEMODULADOR" e
"DSB".
DEMUX
Realiza a operação inversa da multiplexagem, ou seja, separar os canais
individuais que foram reunidos pelo multiplexador em outra ponta.
DIGITAL
Em informática e telecomunicações, digital é sinónimo de informação
representada por bits, isto é, informação digital binária. Um modo de
armazenar voz, vídeo ou dados que consiste de obter amostras periódicas
do sinal original (analógico) e associa a cada amostra um código binário
(zeros e uns). Transmissão digital permite maiores velocidades, melhor
precisão e maior flexibilidade que a transmissão analógica.
DPSK
(Differential Phase Shift Keying) - Modulação variante do PSK em que é
feita uma diferença de fase para tornar o sinal transmitido mais robusto a
desvios de fase. Ver "PSK".
DSB
(Double Sideband) - uma forma de modulação em amplitude no qual o
processo de modulação gera uma duplicação das bandas do sinal original,
após a introdução da portadora.
ESPECTRO
Uma sucessão contínua de irradiação magnética e eléctrica que pode ser
caracterizada pela frequência ou comprimento da onda
FDM
( Frequency Division Multiplex) Técnica utilizada para transmissão de
vários canais de comunicação em um mesmo meio físico, onde cada
canal utiliza uma faixa de frequências.
FDMA
(Frequency Division Multiple Access) - Acesso múltiplo por divisão de
frequência, consiste na divisão do espectro de frequências em bandas
alocadas para cada comunicação celular. É o método de acesso usado
pelos sistemas celulares analógicos, como o AMPS empregado nos
sistemas celulares analógicos no Brasil. Foi suplantado por tecnologias de
acesso digital como o TDMA e o CDMA.
FM
Frequency Modulation) - Técnica de modulação de sinais que consiste no
deslocamento da frequência original do sinal a ser transmitido através da
variação da frequência da portadora, sendo esta variação proporcional ao
sinal a ser transmitido.
FREQÜÊNCIA
Termo que define a taxa com que os sinais de telecomunicações e as
correntes eléctricas se alteram. Normalmente medida em Hertz (ciclo por
segundos).
FREQUÊNCIAS DE
RF
Termo que caracteriza a faixa de frequências de ondas de rádio no
intervalo de 3 KHz a 3000 GHz.
FSK
Frequency Shift Keying) - Uso da técnica de modulação FM para
transmissão de dados em meios cuja codificação puramente digital
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 98
CINEL – Centro de Formação Profissional da Indústria Electrónica
(transmissão em banda base) ocasionará perda de informação.
Basicamente, na transmissão de um bit 1 se transmite uma portadora
numa determinada frequência e a transmissão do bit 0 se transmite uma
portadora em outra frequência. Empregado principalmente em modems,
actualmente se utilizam técnicas de modulação mais complexas para
obter taxas de transmissão mais elevadas. Ver também "ASK" e "PSK".
FULL DUPLEX
Transmissão simultânea dos sinais gerados por duas pessoas ou
máquinas, nos dois sentidos.
INTERFERÊNCIA
Qualquer emissão, irradiação, indução ou ruído electromagnético que
venha interromper, perturbar, ou se introduzir na recepção de sinais de
telecomunicação
ITU
(International Telecommunications Union) Agência de telecomunicações
das Nações Unidas para o estabelecimento de padrões e procedimentos
de comunicação em todo o mundo.
MICROONDAS
Refere-se a subfaixa do espectro electromagnético cujos comprimentos de
onda compreendem de 0,03 a 30 centímetros, com os correspondentes
em frequência de 1 a 100 GHz. Esta faixa é usada para inúmeras
aplicações, como no estudo do Universo, comunicações em geral e nos
fornos de microondas.
MIXER
Um dispositivo para soma de dois ou mais sinais eléctricos. Em geral
empregado em áudio, este elemento controla e soma (mistura) na saída
dois ou mais fontes de áudio.
MODEM
Equipamento que tem como objectivo enviar dados entre dois pontos por
intermédio de uma linha telefónica. Os dados são recebidos no modem
por meio de uma porta serial, sofrem uma modulação (conversão do sinal
digital para analógico) e os dados são recuperados.
MODULAÇÃO
Processo que envolve o deslocamento de um sinal original, denominado
sinal modulador, de sua faixa de frequências original para uma outra faixa.
O valor desta variação corresponde à frequência de uma onda
denominada portadora. As técnicas básicas de modulação são a
modulação por amplitude ou AM, a modulação por frequência ou FM e a
modulação por fase ou PM.
PAM
(Pulse Amplitude Modulation) - Modulação por amplitude de pulso.
Técnica de modulação que discretiza no tempo um sinal eléctrico contínuo
na forma de pulsos, de forma que a informação está contida na amplitude
destes pulsos. Para não haver perda de informações, o PAM deve
obedecer o teorema de Nyquist. O PAM é o ponto de partida para a
realização do PCM.
PCM
Método de conversão de sinais analógicos em digitais muito utilizado em
sistemas telefónicos.
PSK
(Phase Shift Keying) - Uso da técnica de modulação PM para transmissão
de dados em meios cuja codificação puramente digital (transmissão em
banda base) ocasionará perda de informação. Basicamente, na
transmissão de um bit 1 se transmite uma portadora numa determinada
fase e a transmissão do bit 0 se transmite uma portadora em outra fase.
Empregado principalmente em modems, actualmente se utilizam técnicas
de modulação mais complexas para obter taxas de transmissão mais
elevadas. Ver também "ASK" e "FSK".
PWM
(Pulse Width Modulation) - Modulação por largura de pulso, técnica de
modulação que consiste na discretização no tempo de um sinal eléctrico
contínuo de forma que a informação do sinal está contida na largura do
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 99
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pulso. Esta técnica não é apenas empregada para transmissão de
informações. É amplamente empregado em sistemas de controle, como
chuveiros elétricos com controle electrónico de temperatura, controle de
fornos, controle de velocidade de motores eléctricos, principalmente
motores de indução trifásicos, entre outras aplicações.
QAM
(Quadrature Amplitude Modulation) - Técnica para codificar dados digitais
em um sinal analógico através de modulação em que duas componentes
diferentes são combinadas em um único sinal através de modulação
ortogonal destas duas componentes, evitando assim a interferência. Daí o
termo "quadratura". A técnica empregada consiste na combinação da
modulação por amplitude (AM) com modulação por fase (PSK) para criar
uma constelação de pontos de sinal, cada qual representando uma
combinação exclusiva de bits.
QPSK
(Quadrature Phase Shifting Keying) - Variante da modulação PSK no qual
quatro diferentes ângulos de fase ortogonais são utilizados.
QUANTIZAÇÃO
Uma das técnicas utilizadas no processo de digitalização de um sinal.
Ocorre após a fase da amostragem e tem o objectivo de funcionar com um
“arredondamento” dos valores amostrados para níveis de valores
previamente definidos.
RUÍDO BRANCO
É o tipo de sinal que possui a mesma quantidade de energia para toda a
banda de frequência, permitindo assim a avaliação da resposta em
frequência de sistemas como filtros, por exemplo.
RUÍDO DE
QUANTIZAÇÃO
É o ruído imposto pelo processo de decisão decorrente da quantização
(arredondamento) da amplitude de uma amostra para um nível permitido.
Sendo a quantização uma etapa imprescindível para a digitalização de um
sinal analógico, todo sistema de codificação digital (PCM, CD de áudio,
DVD, etc.) impõe este ruído, que pode ser minimizado pelo aumento da
quantidade de níveis, implicando num número maior de bits empregados,
mas em sacrifício em termos de tamanho e espaço.
RUÍDO IMPULSIVO
Ruído que pode ser descrito matematicamente pela função impulso ou
delta de Dirac, concentrando toda a sua energia num ponto específico do
espectro.
RUÍDO ROSA
Tipo de sinal randômico no qual a potência do mesmo é inversamente
proporcional a frequência, ocasionando em mesma energia em cada
oitava de banda. Por causa disto, este tipo de sinal é útil para medidas de
resposta em frequência de equipamentos de áudio.
SIMPLEX
(Unidirecional) Um sistema de Telecomunicações é simplex, ou está em
operação simplex quando a comunicação ocorre apenas em um sentido
(fonte - destino).
SNR
Signal to noise ratio. Em transmissões tanto analógicas quanto digitais,
feitas através de cabos de cobre, esta é a relação entre a potência do
sinal e o ruído de fundo, medida em decibeis (db). Quanto maior o
número, mais puro é o som, ou mais perfeita é comunicação de dados.
Alguns utilitários de modem exibem o valor SNR da linha telefônica e
todas as placas de som incluem a taxa de signal to noise em suas
especificações.
SPREAD
SPECTRUM
Também espalhamento espectral, é uma técnica de transmissão de rádio
desenvolvida pelos militares norte-americanos com o intuito de prevenir o
problema de interferência intencional pelo inimigo e promover o sigilo na
comunicação. Consiste na modulação de um sinal a ser transmitido com
um código pseudo-aleatório, gerando um sinal que é espalhado numa
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 100
CINEL – Centro de Formação Profissional da Indústria Electrónica
faixa de frequência muito maior que a banda requerida, atendendo assim
os requisitos acima listados. Esta técnica é empregada em sistemas
CDMA, bem como transmissões wireless LAN.
7.2. LINKS Internet
Links activos e confirmados em 11/11/2007
7.2.1. Standardização e Regulamentação
- http://www.itu.int/net/home/index.aspx
- http://www.anacom.pt/
7.2.2. Tutoriais
- http://www.abusar.org/tutoriais.html
- http://www.teleco.com.br/tutoriais.asp
- http://paginas.terra.com.br/lazer/py4zbz/teoria/modulam.htm
- http://www.dei.unicap.br/~almir/td/
- http://www.mspc.eng.br/
- http://www.comunicacao.pro.br/setepontos/drm_taka.htm
- http://www.siste.com.ar/modulacion.htm
- http://www.textoscientificos.com/redes/modulacion
- http://www.eletrica.ufpr.br/artuzi/apostila/capa.html
- http://contact.tm.agilent.com/Agilent/tmo/an-150-1/index.html
- http://www.cse.fau.edu/~sam/course/dc_htm/
7.2.3. Modulações
- http://www.muncinelli.com.br/STD01/STD01_1.pdf
- http://www.muncinelli.com.br/STD01/STD01_2.pdf
- http://www.muncinelli.com.br/STD01/Telefonia%20Digital.pdf
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 101
CINEL – Centro de Formação Profissional da Indústria Electrónica
- http://www.comunicacao.pro.br/setepontos/drm_taka.htm
- http://www.getec.cefetmt.br/~luizcarlos/Tele/FM/
- http://www.galgani.it/elettronica/modulazioni_impulsive/PAM-PWM-PPM.pdf
7.2.4. Diversos
- http://www.defi.isep.ipp.pt/~emn/METROLOGIA%20AC%C3%9ASTICA/Ac
%C3%BAstica%20Par%C3%A2metros/analise%20em%20frequencia%20e
%20filtros.pdf
- http://ltodi.est.ips.pt/redescomp/Downloads/Diapositivos/CCNA1-04%20-
%20Testes%20de%20Cabos.pdf
- http://www.digitro.com/pt/tecnologia_glossario-tecnologico.php
- http://telecom.inescn.pt/research/audio/cienciaviva/natureza_som.html
- http://www.ee.pucrs.br/~lep/telecom/Apostila_Telecom.pdf
- http://www.cic.unb.br/~lamar/te060/index.htm
- http://paginas.terra.com.br/lazer/py4zbz/teoria/teoria.htm
- http://paginas.terra.com.br/lazer/py4zbz/teoria/odb.htm
7.3. BIBLIOGRAFIA
[1] NASCIMENTO, J uarez do. Telecomunicações. 2 Edição. São Paulo : Makron Books,
2000.
[2] ALENCAR, Marcelo Sampaio. Telefonia Digital..
[3] MEDEIROS, J ulio Cesar de Oliveira. Princípios de telecomunicações: teoria e prática. 1
ed. São Paulo: Editora Érica, 2004.
[5] Gomes, Alcides Tadeu. CTelecomunicações, Transmissão e Recepção São Paulo :
Editora Érica, 2005
[5] Siemens. Fundamentos de Telefonia Digital. Curso UD8003 - A30808-X5226-D18-2-
1918.
[6] Siemens. Fundamentos e Conceitos de PDH. Curso TRT-UD8004-P-1- A30808-X5226-
D32-1-1918.
Manual de Modulações Analógicas e Digitais Pág. 102
CINEL – Centro de Formação Profissional da Indústria Electrónica
[7] Siemens. Fundamentos e conceitos de SDH. Curso UD8001 - A30808-X5226-D34-A1-
1918.
[8] Siemens. Conceitos Avançados da SDH. CURSO UD8002 - A30808-X5226-D35-3-1918.