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IRRADIAR A FÉ CRISTÃ NA SOCIEDADE HOJE

IRRADIAR A FÉ CRISTÃ NA SOCIEDADE HOJE
Wolfgang Gruen, sdb*

da fé dá-se em “Igrejas” ou “confissões” cristãs. negavelmente, o cristianismo histórico con1 A fé enquanto atitude é algo profundamente serva grande “eco social”. Voltaremos então pessoal; a rigor, não se ensina nem se transmite: é a propagar a religião católica com os métodos dom, graça. O que podemos fazer é ajudar outros “missionários” tradicionais? Em absoluto. Já o tía acolherem o dom da fé, removendo obstáculos, tulo da palestra de hoje deixa isto claro: falamos de criando ambiente propício, irradiação da fé cristã, não Irradiar a fé cristã é oferecendo mediações de da religião. Tomamos fé todo tipo. Teremos sempre no sentido básico de atituum anseio legítimo o cuidado de não exercer de de quem se entrega com também hoje, excessiva influência, para total confiança a Deus, venque nossa ajuda não degedo nele a razão última da se não resvalar nere em indiscrição, proseprópria existência; e faz em proselitismo ou litismo, manipulação.2 Por desta entrega o eixo central de sua vida, que orienisso, no título de nossa pamanipulação. ta todo o seu agir. É a “fides lestra evitamos termos coqua (creditur)” dos tratados clássicos de teologia. mo transmitir ou propagar a fé; preferimos o verbo A religião é a concretização histórica da fé: sua exirradiar, que sugere algo como emitir calor, luz, teriorização dentro de uma cultura, através de um som; não mostra preocupação com resultados, sistema de símbolos, com determinadas estruturas com a recepção do que é irradiado. de pertença. No cristianismo, essa concretização Conscientemente ou não, sempre agimos a
* Professor de Exegese Bíblica e Pastoral Catequética no Instituto Santo Tomás de Aquino e no Seminário da Arquidiocese de Belo Horizonte. Autor de numerosas publicações no campo da teoria da catequese e do ensino religioso. 1 Cf. João Batista LIBÂNIO, Plausibilidade do cristianismo histórico no mundo atual. Nesta revista, p. 7-22. Carlos PALÁCIO, A originalidade singular do cristianismo. In: Perspectiva teológica 26 (1994), 311-339. Jurgen WERBICK. Vom Wagnis des Christenseins. Wie glaubwürdig ist der Glaube? München, Kösel, 1995. 2 O Concílio Vaticano II adverte: “Na difusão da fé religiosa e na introdução de costumes, será sempre preciso abster-se de qualquer tipo de ação que possa dar a impressão de coibição ou de persuasão desonesta ou menos correta, sobretudo quando se trata de gente imatura ou necessitada. Agir desse modo deve ser considerado abuso do direito próprio e lesão do direito alheio” (Declaração Dignitatis Humanae, 1965, n. 4).

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Horizonte, Belo Horizonte, v. 1, n. 1, p. 27-40, 1º sem. 1997

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Diálogo Inter-religioso e Ação Missionária. A revista é publicada pelo Serviço Internacional de Documentação Judeu-Cristã. somos por ele enriquecidos. é importante explicitá-los. mos nossa fé para. que nos mostra 3 4 Cf. Acontece que outros também têm suas experiências a partilhar conosco. 1. para usar uma exrem convertidos ou pelo pressão dos evangelhos. aliás. Há todo um de que recebemos algo. Exige discernimento. Cipriano. ao mesmo tempo. conscientes Após o Concílio Vaticano II. com sua vida e palavra quem é Deus – onde encontrá-lo – como chegar à salvação. conenriquecimento mútuo. Irradiar a fé por quê? Ainda em passado recente. como do relativismo. errados? demos conta. conforme a palavra de Para converter os ouJesus. Paul KNITTER. através victos de que importa irrado diálogo com outros. As motivações de hoje tros? Também. de Roma. fadiar nossa fé. que é realmente conjunto de providências que podem educar-nos a único e indispensável: Jesus Cristo. sentimos necesra evitar os escolhos tanto de exclusivismo religiosidade de partilhar nossa alegria e nosso tesouro so de memória nada saudável.6). por que ainda havemos de irradiNa realidade. SDB partir de alguma razão e em vista de certas metas – os célebres woher e wohin dos filósofos alemães. esse diálogo de enriquecimento ar nossa fé? Porque estamos convencidos de que mútuo não é tão simples. Conversão padade cabe toda em nossas mãos? Ou “outros” esra valores evangélicos de que nós talvez sequer nos tão todos fora do caminho da salvação. Sendo assim. como reagimos? Isto nos introduz ao segundo interrogativo. No que diz respeito ao nosso tema. «Eu sou o caminho. v. que levavam a católica ou outra Igreja (S. irradiar a fé importa minho de salvação para eles. Será que a ver– como pessoas e como instituição. os pequenos e excluídos. estão interligados. p. Jesus nos proporciona novo lugar hermenêutico. mas que tais crenças podem ser ca“outro”. Alguém. 1. para se converteam. Mas as motivorecermos também nossa conversão permanente vações de ontem não regem mais. gélicos inconscientemente monopólio da verdade relipresentes na vida e na crengiosa. 1º sem. 27-40. 1997 . outros. III). ao para quê. Para essas e outras questões básicas. Mas atena verdade e a vida» (Jo ção: não necessariamente 14. daí o axioma «Fora não são as mesmas de para convertê-los à Igreja da Igreja não há salvação» ontem.3 em duplo movimento: vamos ao encontro do outro e. com os outros. ser intrusos. acolhendo as Mas não é só isto: irradiaHoje continuamos condiferenças. pois. Subsídio para o COMLA V s/1. menos neutralizados. 28 Horizonte. n.” Os cristã. a resposta parecia óbvia: “Porque só na fé cristã se encontra a salvaIrradiar a fé para quê? ção. paencontramos um grande tesouro. para correção de erros. Aprofundando: temos consciência ou de um sincretismo sem balizas. os “outros” só podiIrradiar a fé visa a um ça deles. afirmamos tranqüilaou não.(1995).4 Para tudo isto não podemos prescindir do mente não só que membros de outras crenças podem ser salvos. a sedos cristãos e dos Deus”. s/d. Boas pistas para o importante conceito conversão em SIDIC XXIX. rem à causa do “Reino de correntes. Em outras palavras. 1 (1996): Teshuvah et Repentance.WOLFGANG GRUEN. adversários. O porquê e o para quê. séc. Belo Horizonte. Talvez para se concristãos estávamos conven“impor” a fé como único verterem aos valores evancidos de que detínhamos o caminho de salvação. E aí.

ao adulto. Esta varia pela mento de uma Comunidatantos são os vetores sociocomplexidade das situações de Eclesial. balização e interações em todos os níveis espalham 2. 1997 29 . In: Spiritus. CNBB. mitar-nos ao interlocutorO diálogo exige a • grupos de transformachave. mas continuam gerando ou conseresse discernimento: será objeto de reflexão em outros debates. 58-60. hispanoamericana 140 (1996). atuantes em todos lestra. glovezes esquecemos. suas potencialidades. • a sociedade como interlomas não praticantes: cutora global. Horizonte. • os que conservam Como se não bastasse. 1991. o projeto de vida. mos o termo em seu recente sentido técnico que. que socioculturais e pela e estamos apenas esquemase entrecruzam. células vivas da des e. Ed. os pontos de referência multipli• os marginalizados/excluídos. que nós muitas cam-se de maneira crescentemente acelerada. o cenário é complecompreensão do da fé. o novo e a refazer locaram a questão da fé. • os secularizados que se afastaram porque em síntese. Ed. 1. La misión de la Iglesia en el mundo. Sem rigor diversidade das etapas tizando: científico. Belo Horizonte. 1. ciedade plural.IRRADIAR A FÉ CRISTÃ NA SOCIEDADE HOJE vando as estruturas sociais injustas. • os que praticam um catolicismo popular prémoderno. n. pode ser assim descrito: em nossa sonossa linguagem não os atinge mais. cológicos. Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 1995-1998. Nem sequer dos católiinterlocutor e de sua do onde ainda não existem cos conseguimos traçar condições para o surgiuma tipologia satisfatória. A los 30 años de Ad Gentes (7 de diciembre de 1965). básicas de interlocutores • pessoas que nunca se cocatólicos. 1. importante. 160. p.São Paulo. 5 Cf. podemos tendência. p. como a Renovação Carismática Na área da comunicação humana. 95-98. n. INTERLOCUTORES • os membros de movimentos típicos da modernidade. Católicos que vivem e irradiam sua fé: e entrecruzam sementes das mais diversas cultu• os que desvinculam a fé da vida: freqüentam ras. tos da CNBB. culturais. somos forçados a lios setores da vida. Paulo SUESS. v. 1º sem. Diretrizes Gerais da Ação Pastoral da Igreja no Brasil 1991-1994. 27-40. 1995. surgem então sempre novas e mais numerosas igrejas. inspirando-nos da vida e ainda pela • membros de outras Igreem dois recentes documen5 jas cristãs. bem moderna. Paulinas. Nesta paIgreja. onipresente. de pouca articulação entre fé e vida. psiA estes acrescentem-se. São Paulo. 171. muitas vezes atuanxo. • membros de outras tradidistinguir nove situações a sempre experimentar ções religiosas. p. mas que são mais vítimas que responsáveis por nossas estruturas injustas. nós: a “complexidade” de nossa sociedade. econômicos. com o catolide um complicador ainda pouco estudado entre cismo. 121-135. Mesmo ção da sociedade em nome assim. mais importante é o interlocutor – suas necessida• as Comunidades Eclesiais. motivação. temos hoje consciência certos laços sociais. 230-235. religiosos. n.Paulinas. CNBB. culturais. o referencial Católica. Toma• os afastados por mera indiferença. Católicos batizados.

com boa análise crítica dos modelos teóricos de James FOWLER e Fritz OSER. 1995. bem como o eu como parte de um nós. porém. Cf. Não podemos descer a detalhes. quantas potencialidades a serem valorizadas. vai e compra aquele campo” (Mt 13.. Mas é inegável que.5).78-94. v. Belo Horizonte.10 têm suas necessidades e potencialidades. mas eus.6 Mas no provisório cristão há algo de essencial que permanece: o projeto do seguimento de Jesus. 8 Cf. fato que não pode ser negligenciado sem graves conseqüências. Caderno B. do adolescente. também Joy K. Essa prática muda o próprio conceito de reli6 7 gião: esta deixa de ser uma realidade instituída. 10 Sigmund FREUD. p. radical. cit. 1997 . e plural de eu não é nós. a fé cristã sempre procurou viver a “dinâmica do provisório”. Refiro-me à psicologia do adulto. 64. e incorporando outros agora mais atraentes.9. Todo educador aprende a respeitar os estágios evolutivos da criança. mas há relações entre os dois. 44-46).9 Também as comunidades e os grupos têm uma como psicologia evolutiva. mas queremos focalizar duas questões que merecem especial atenção. Freud. Imago. em entrevista a Bruno Liberati: O sincretismo luta contra a dominação. quantas idiossincrasias. também: Mario POLLO. 1994. Carlo MOLARI. XVIII: Além do Princípio de Prazer. op. Rio. Muda até o conceito de fé: em sua forma mais exigente. p. Tese de Doutoramento na Universidade Pontifícia Salesiana de Roma. O cristão aposta tudo neste projeto. fundador da comunidade ecumênica de Taizé. p. 1º sem. capaz de estabelecer comunicação com todo tipo de pessoa. e o de Robert KEGAN (a vida como produção de sentido). v. Una lettura antropologica. Cf. O indivíduo vai montando a sua religião. Elementos de metodología. também do adulto. 10-17. 1976. Il Cristiano Adulto: l’Uomo dalla Fede Adulta. Agora. Catequesis de Adultos. Psicologia evolutiva do adulto Mesmo dispondo de pouco espaço para um assunto muito vasto. essa miscigenação atinge também o campo religioso. Em seu Capítulo 4 esta obra analisa três modelos teóricos que estudam a psicologia evolutiva do adulto: o de Erik ERIKSON (o ciclo vital). com material pinçado entre os sistemas existentes.7 Claro que fazemos questão de manter aberto o diálogo também com este sincretismo no singular. quantas necessidades específicas a serem atendidas. e em definitivo: “Vende tudo. 30 Horizonte. 87-179: Psicologia de Grupo e a Análise do Ego (1921). 1. Ora.WOLFGANG GRUEN. Madrid. Aspecto importante da psicologia evolutiva. É a opção pelo provisório levada ao extremo. Psicologia de Grupo e outros Trabalhos. tão bem estudada por S. 1. n. A expressão é de Massimo CANEVACCI. Emilio ALBERICH SOTOMAYOR/Ambroise BINS. nessa selva de situações. não podemos deixar de pelo menos mencionar uma segunda questão – por sua importância e porque ela é raramente levada em conta. assistimos a um novo desdobramento. essa religião assim personalizada vai continuamente eliminando detalhes que já não agradam mais. acrescido a gosto com elementos criados ad hoc. bem dentro da lógica da pós-modernidade.8 O itinerário da fé não se identifica sem mais com este processo de maturação humana que acompanha a pessoa ao longo de sua vida. é o da motivação. p. Giovani e Adulti Oggi.18-31. Emergência do provisório radical Estamos acostumados ao acelerado multiplicar-se de novas religiões ou grupos religiosos autônomos mais ou menos sistematizados: à crescente variedade de ofertas corresponde uma crescente fragmentação do mapa religioso do País. 9 Cf. ALBERICH/BINS.. também o adulto é um “ser em permanente construção”. A formação clerical de muitos agentes de pastoral faz com que Título de um livro de Roger SCHUTZ. o de Daniel LEVINSON (as estações da vida). Já no provisório radical não há lugar para um projeto. p. Será que damos conta de irradiar nossa fé para interlocutores tão diferenciados e em contínua mutação? Até certo ponto. Evidentemente. PULIKAN SDB.6. p. In: Jornal do Brasil. Diante de um quadro tão complexo. A study on James William Fowler’s Concept of Faith Development and the Stages of Faith. Pela própria lógica do processo. O indivíduo vai retocando sua religião com a mesma desenvoltura com que se adapta a novas modas. 1. Centro Catequístico Salesiano. Ibid.1996. sim: há uma linguagem básica. Cf. Edição Standard Brasil das Obras Psicológicas Completas.p. também se requer certo poliglotismo que facilite o diálogo. 27-40. do jovem. In: Note di Pastorale Giovanile XXIV (1990. mas ele exige especial compreensão e competência. SDB espécies culturais.

• metamensagem negativa da vida familiar na que constituem o “território” em que se processa a infância.). serve de ponte entre os interesses concretos da pessoa e a proposta que lhe é feita. p. irradiação da fé. sentido último. Torino-Leumann. o adulto entre os 25 de fatores: cada uma tem pessoas façam uma e 30 anos é mais motivado suas exigências próprias. com freqüênESPAÇOS cia. 1. descuidou-se da outra ponta.IRRADIAR A FÉ CRISTÃ NA SOCIEDADE HOJE • dúvidas não resolvidas. centra suas motivações no de esperança. Horizonte. op. em Mario MIDALI e Riccardo TONELLI (Org. sua atenção se volte quase exclusivamente para o • problema ético mal equacionado. 1989. Cf. In: Note di Pastorale Giovanile. Pois irradiar a No presente: fé é antes de mais nada criar condições exteriores • falta de referencial diante da multiplicidade e interiores para uma realização antropológica de ofertas religiosas. p. grupos e instituições na rem. aí a pessoa ou faz uma opção pectativas.12 Mencionaremos só o que desmoNa Itália tem-se dado o sugestivo nome de “território” ao contexto social enquanto rede de relativa. 1997 31 . 47-63. Giovani e Società Complessa: le radici della lontananza religiosa. Irradiamos nossa fé em primeiro lugar pelo que somos e pelo modo como vivemos. boa panorâmica no verbete Território. É aí que ou sofre de esquizofrenia entre seus princípientra a motivação – estímulo interno e externo que os e a prática. cit. 3: p. 11 12 Cf. do interlocutor. por Quanto ao futuro: exemplo. costuma motivar ou desmotivar as pessoas para o fato cristão.13 Vejamos alguns dos principais espaços • falta de socialização religiosa. n. É um asExperiência é mais que fissão (homens).11 É fácil notar. 3-11. na medida em que essas lacunas não ocorreções que interliga pessoas. conteúdo doutrinário que se deseja passar adiante. Irradiar a fé é criar eu (mesmo quando se emTambém aqui estamos penha pelo bem dos oudiante de uma intricada rede condições para que as tros). • metalinguagem negativa da Igreja local e/ou dessa forma. ou mesmo emissão de sinais cepção da mensagem: quais as necessidades e excontraditórios. ou relativiza tudo. a ser cião as motivações vão diaprofundado por equipes invivência: é interpretar as minuindo. resistências e obstáculos. os impulsos mais ou menos consciente. penho. seja ele pessoa ou grupo. • falta de gradual amadurecimento da personalidade. é dar-lhes um sejam cultivadas com emlistas. busca de soluções em conjunto para os problemas No passado: comuns. 1º sem. Talvez seja interessante sintetizar num quadro geral o que. a não ser que terdisciplinares de especiavivências. ALBERICH/BINS. 1. Belo Horizonte. LDC. Giancarlo MILANESI. que o jovem con• falta de horizontes. mília (mulheres) ou profluenciam entre si. A experiência como espaço interior • falta de educação religiosa. de Juan VECCHI. 13 Sob enfoque pastoral. v. e por questões de amor e fatodas relacionam-se e se inexperiência. 27-40. da rede seus agentes. 1112-1118. cap. 1986. p. já no ansunto vasto e árduo. a pessoa estará mais motivada.. Dizionario di Pastorale Giovanile.

islamita ou. A Catequese na Igreja de Hoje. 1983. 1982. Le témoignage et la communication de la foi dans l’Eglise. ajudar as pessoas a fundamental a que chamamos experiência. Wolfgang GRUEN. Le Temps de la Patience. será cristã. In: Revista de Catequese. Étude sur le Témoignage. Emilio ALBERICH. temos interpretada é que constiboas condições para avalitui uma experiência. Testemunhar é mais que dar bom 14 Cf. diálogo ecumênico não posentimos necessidade de a freqüentemente. n. ecumênicos que meses de Quer sobrevenha numa constitutivas da discussões teológicas. mas como a atitude dinâmica de alguém ao sentido radical. imavivência num contexto te. também essa codificaUm dia de trabalho conção pode ser considerada comunidade. p. São as chaNuma época como a madas “vivências”. no cabeçalho deste capítulo. Vozes. eles mente humana. O Ensino Religioso na Escola.. mais periência.WOLFGANG GRUEN. 32 Horizonte. de sua experiência. Testemunhar é cabe-nos proporcionar vivências construtivas – de atestar publicamente a verdade. mos muito a aprender dos num jogo de futebol. 27-36. 8-18. Esperienza religiosa: quadro di riferimento. como nascimento ou daquilo que a Bíblia designa com o denso termo morte. sermos portadores tensas alegrias ou dores. São Paulo. 1996. o imShalom. neste sen(família. a viartistas: para vencer prevência é sempre simplesconceitos de raça. 24 e passim. 1º sem. JOSSUA. 167-198. 24 (1993). In: Note de Pastorale Giovanile. se promoveme a interpretação que dela fizermos. Jon SOBRINO. elas encontrajudaica. a fazer isto com o cuidado de vividas com especial intensidade e emoção: ser evitar o excesso tanto de racionalidade como de acolhido e valorizado. de experiência é o testemunho. Loyola. P. Ressurreição da Verdadeira Igreja. Bosco. B. 1997 . Os pobres. p. p. talvez até sem adesão a deter15 rão o devido eco. Mario MIDALI. v. “ESPERANÇA” por “EXPERIÊNCIA”). ser confrontado com incada por violência e decepção. tido. 1. Jean Pierre JOSSUA. Cerf. 1984. último. quando. Não assim a experiência: conforrecorrem ao show. minado grupo religioso. Para motivada pelo testemunho armos a importância da expodermos elaborar e comude uma pessoa e. p. Cf. SDB felicidade. de solidariedade. JACQUEMONT. ouviu. através de um sólido Em nossa vida ocorrem umas tantas situações quadro de referência. Tecelebração religiosa ou experiência cristã. J. grupo. 3. 16 Cf. Pois nossa. GRUEN. 27-40. p. n. Belo Horizonte. 6. Em: Lumen Vitae 1988. pois nossas diferenças gens ou gestos. 247-254. rem palestras sobre esses assuntos. não são só doutrinárias. 1995. vive. Aos que nos sentimos chamados a irradiar nossa fé. experiência “religiosa”. 15 O termo “religioso” é tomado aqui no sentido estudado por Paul TILLICH: não como próprio de uma religião. Edit. a vivência refletida e A experiência pode ser da subjetividade. o valor do que se indignação diante da injustiça. nacionalidade ou doença. 2. depois. Experiência e Testemunho:16 fonte importante A rigor. cap. lugar teológico da eclesiologia. sentido da vida. pela de ficar centrado no debacodificar em palavras. pacto de uma comunidade “diferente”. QUELQUEJEU. Um exemplo: o nicar nossa experiência. P. viu. 77-99 (corrigindo. São Paulo. poder ajudar em momentos emotividade. Em suma: numa sociedade tão marde grande necessidade. Em que 14 prestar atenção ao que acontece e a interpretar suas sentido tomamos aqui esse termo tão polissêmico? vivências em profundidade. algo de impressionantemente belo. 1. Paris. Interação entre experiência e mensagem na catequese. Salesiana D. W. de forte acentuação bem.) marcado junto pela causa dos excluelemento constitutivo da pelas dimensões ídos pode criar mais laços experiência.. a experiência não se transmite a outros.

REB 1990.). primeiramente. piedosa. fiquei” – pode reforçar o narcisismo em vez de ajudar o amadurecimento dos membros. Evidentemente. com a conseqüente perda do senso de pertença. é fonte de vivências. coerente. 1º sem. Riccardo TONELLI. 194-200. que sofrem de alguma forma de isolamento interior ou social: anciãos.. verbete Gruppo. A Identidade Problemática. podemos identificar quatro elementos que se exigem e se complementam mutuamente e que. (Em torno do mal-estar cristão). La Socialisation comme Modèle pour la Catéchèse.IRRADIAR A FÉ CRISTÃ NA SOCIEDADE HOJE exemplo. juntos. na medida em que for acolhedora.19 Papel especial está reservado aos diversos tipos de grupos que atuam na comunidade e em comunhão com ela. Idem. COLLINS. como acenamos acima. Horizonte. Verbete Appartenenza. São Paulo: Paulinas. Il gruppo come luogo di comunicazione educativa. Igreja: Comunidade e Massa. da vivência da fé na família: as relações interpessoais intensas e o fato de serem constantes e duradouras as experiências na vida familiar fazem da família um terreno sem igual para a semente da fé poder desenvolver-se. que significa “testemunha”. o grupo pode tornar-se valioso lugar de acolhida e aconchego para pessoas. em Diz. A Igreja na Casa. 19 Cf. perfeita: com todas as suas limitações. Past. deste modo. n. Roma. 1988.18 Lugar fundamental de socialização secundária da fé é a comunidade cristã. Além do benefício imediato para os membros do grupo. Pensemos no testemunho mudo de crianças e adolescentes de rua. Pastoral Familiar: Desafios e Perspectivas. Raymond F. Belo Horizonte. 23 (1991). Grupo de Oração ou coisa semelhante. 1983. há ainda o que resulta de sua função mediadora. 67-94. Mesmo a vivência tão forte do testemunho necessita de interpretação para tornar-se experiência. Detalhe de sérias conseqüências: um grupo voltado apenas sobre si mesmo. divorciados. BARRUEL DE LAGENEST OP. Em: Louvain Studies. mas da coerência. chorei. hoje cada vez mais numerosas. Frei J. O. Não tem sequer a pretensão de ser imitado: cativa justamente pelo impacto de sua espontaneidade. Hélio e Selma AMORIM. atendimento aos problemas do povo. Chame-se Círculo Bíblico. Entre as causas disto. Não estamos falando da família idealizada. afastados da prática religiosa. p. migrantes. 1. convicção. 1996. p. de socialização. em que a emotividade fica à flor da pele – tipo “cheguei. Com muita propriedade nosso termo “mártir” vem do grego mártys. In: REB 1987.20 Radiografia desses espaços Como constitutivos dos espaços em que se vive a experiência cristã. 320-355. 151-177. Summer 1988. José COMBLIN. mistério e esperança para o terceiro milênio. O testemunho resulta não de interesses. os grupos propiciam um lugar aconchegante em que a experiência da fé é possível também àqueles que não se sentem bem numa comunidade ou igreja. práticas de piedade falantes e bem preparadas. 20 Cf. cuja vida é um grito por carinho e justiça. p. 13. Gruppi Giovanili e Esperienza di Chiesa. comunidades e até de povos e nações. e estiver a serviço de seus membros e do seu “território”. Espaços exteriores da experiência cristã Muitas pessoas sentem-se hoje pouco ou nada motivadas para a vivência da fé cristã. Mario POLLO. a família “normal” tem pelo menos o mínimo de condições para cuidar dessa sua tarefa insubstituível. Giovan. por puros que sejam. Há o testemunho de pessoas. LAS. In: Diz. 27-40. A comunidade não tem os olhos voltados só para dentro: procurará atingir também a “massa” menos motivada: através de eventos que despertem e animem. Antônio MOSER. 415-418. Giov. In: Perspectiva Teológica. Carlos PALÁCIO. A família. 576-587. alegria do testemunho. Franco GARELLI. 72-78. p. formam a “vida segundo o 17 Cf. Torino-Leumann. Ivo LESBAUPIN (org. 18 Cf. Small Groups: An Experience of Church. In: Revista Eclesiástica Brasileira (REB) 48 (1988). Em: SEDOC.17 Isto vem confirmar a importância. será preciso atentar para a diversidade de formas que o grupo deve assumir. LDC. Deste modo. 109-136. Pastor. Em: Catéchèse 83 (1981). aponta-se com insistência a falta de chão. Ensaio de tipologia da Família no Brasil. Bernard MARTHALER. 21 (1989). p. 1997 33 . conforme se trate de adultos ou jovens. 103123.. v. p. e esta experiência será diversificada conforme o tipo de interpretação a que for sujeitada. p. p. 1.

Neste contexto. 3. devolvendolhes a palavra e levando-a a sério.21 2. É esta causa que importa em última análise. O cristão pondera também pontos de vista divergentes e críticas que lhe são feitas. São símbolos de nossa pertença eclesial. transformar. 23 Cf. Hugo ASSMANN. conscientiza e interpela. privilegiemos o agir – no caso. Há uma linguagem “de dentro” – no caso. mas se for preciso começar por uma ou outro. 6p. v. Fazem parte de nosso quadro de referência. do shalom. Fique o lembrete. inexpressiva. há a palavra – que ajuda a compreender. 1. Linguagem e Libertação na Catequese. Não faz sentido falar aos “de fora” como se estivessem por dentro de nossa experiência de fé. n. 1. Belo Horizonte. Textos e Manuais de Catequese. Nosso universo simbólico está a serviço da causa do Reino de Deus como Jesus o anunciou. nem colocar o ponto final em qualquer questão. 34 Horizonte. 1987. ou como contas de um colar de número e formato padronizados. p. o cristão revestirá sua palavra de certas características que lhe dão credibilidade:22 • Quer ser ouvido? Primeiro saiba ouvir. O agir servirá também de testemunho e de experiência. serão sempre limitadas. de Cateq. Palavra e agir estão em relação dialética. 22 Cf. que trata dessas mesmas realidades a partir de outra experiência. Encontro Nacional de Catequese. interpretar. s/d. Ouvir principalmente os silenciados. Estudos da CNBB 53. Comunhão: outro elemento imprescindível 21 Cf. a serviço da justiça. • Nesta mesma ordem de idéias está a tarefa nada fácil de traduzir para novos paradigmas a experiência de fé formulada ao longo de dois mil anos numa linguagem hoje muitas vezes muda. É uma das explicações que se dão para o célebre “segredo messiânico” no Evangelho segundo Marcos – não adianta divulgar os milagres de Jesus entre gente que não o segue como discípulo. o seguimento de Jesus Cristo em seu serviço à causa dos pequenos. 1. provisórias. Rio de Janeiro. Não conservamos essas formulações como mentalidade mágica. Ed. em contínuo crescimento e amadurecimento. Não basta. 1968). o que é mais relevante para orientar. alimentam a unidade da Igreja. Não é mero problema semântico – não sentir a mínima inquietação pelo fato de expressar a vida cristã com fórmulas fossilizadas equivale a fossilizar a própria fé. A palavra: em interação com o agir cristão e indispensável como ele para a irradiação da fé. Mimeogr. • Na formulação da fé.. n. Não é assim que se irradia o Nome do Deus vivo. • Cuidado especial merece o uso dos diversos “jogos lingüísticos” (no sentido de Wittgenstein). Essas formulações fazem parte de um corpo eclesial vivo: como este próprio corpo. a espiritualidade cristã. é impossível mencionar a palavra sem falar em primeiro lugar da Bíblia. não cultivamos a doutrina pela doutrina. 27-40.WOLFGANG GRUEN. pois o assunto será desenvolvido no próximo Ciclo de Palestras. É a partir da experiência de servir à causa do Reino que nossas formulações se manterão vivas. p.. pois. julho. A ação evangelicamente transformadora da sociedade: em defesa da vida e da dignidade primeiramente dos excluídos. São Paulo. dialogar. assegurar que o maior número possível de pessoas aceite nosso universo simbólico: todo símbolo obtém seu sentido a partir do todo de que faz parte. Wolfgang GRUEN. (CNBB.23 Por isso. In: Rev. respeita a hierarquia das verdades. e a serviço dela. priorizando os núcleos básicos. • Não pretendemos ter resposta para tudo. Testemunho e Palavra. 1º sem. No espírito da Bíblia. norteiam os fiéis nas mais diversas circunstâncias. Paulinas. SDB Espírito”. Elementos para um conceito de evangelização a partir dos documentos do Concílio Vaticano II. pobres. para assim contestar o primado habitualmente atribuído à palavra. 17-30. 1997 . 25 (1984). As formulações da fé de nossa Igreja nasceram a partir da experiência de Deus dos que nos precederam. Mencionamos em primeiro lugar essa ação. s/l. a linguagem da fé. e uma linguagem “de fora”. compreendida só por quem vive esta fé.

meditar.AA. 1991. Loyola. que chamamos comunhão. vacinanem todos os lugares da experiência cristã é aquela do-nos contra a idolatria do lucro. crimina nem renuncia às próprias convicções. o racionalismo. Seguimento de Cristo e Espiritualidade. 27-40. Ela John Naisbitt. Espiritualidade: a incomunhão: sem eles não haverá incultura. 26-31). mas com toda a sua sábio. 1992. Belo Horizonte. palavra. comunhão e de. Celebração e Oração: finalmente.por qualidade” e a uma ação teração harmônica entre estes quatro elementos – ação ção crítica da fé crispensada para favorecer a evangélico-transformadotã na pós-modernidara. o espírito de dorede de fraternidade dos cristãos entre si e com os minação. Que o diga quem os desprezados pela época de tecnologia faz a experiência disto. 1997 35 . que não disso de cada pessoa. TamO que dissemos da celebração aplica-se. Encontro com os intelectuais. nossa para caminharmos com esdores. comsinergia de todos os que celebração/oração – resulpete aos intelectuais buscam aprofundar e ta no que se costuma chadar visibilidade e cremar de “espiritualidade”. excluídos: são perança. dibilidade ao pensapartilhar a fé cristã. mesmo com os pés no chão. levante a serviço da desafiadas a um “empenho 5. Patmos. analopouco fecha os olhos à dialética presente em toda gamente. Além disso. Clamor e Esperança. p. Rio de Janeiro 1/7/1980. seja ela feita em grupo a história. o ser hulectuais têm papel reestão adequadas? Elas são mano é oração. 25 Jon SOBRINO. queremos selecionar trar-nos. E faz tudo isto ao longo outros. “inspirada” em Jesus Cristo – e por isso fera em que eles vivem e atuam. temos este tão forte elemento constitutivo Não deixa de ser curioso que há quinze anos de toda experiência de fé que é a celebração. anima e alegra. porém. Cultura: Cultivo Pleno e Integrado do Homem. Vida. respeitando as forças e o pasdiálogo. como a segunda das dez grandes tendências da convida e educa à participação. é teofania. É significativo que “diálogo” e “dialétiou pessoal. desta escola em que aprendemos a calar. sofreParadoxalmente. maior a exigência que ela 24 Cf. É um grande de toda a nossa vida.25 4. poderoso (cf. vive o mistério. qualquer prece. sociedade. p. celebra a contínua bênção de ele chamou High Tech – High Touch: quanto mais Deus que nos acompanha. Não é fácil avaliar todo o valor formativo ca” sejam cognatos. feito de convicção e respeito.estruturas das Igrejas. sensibiliza e ensidécada a passagem da Tecnologia Forçada ao que na. 1º sem. “last but not least”. 1.IRRADIAR A FÉ CRISTÃ NA SOCIEDADE HOJE senso do gratuito. n. abrir-nos duas categorias: ao Outro. palavras com mesma raiz. São Paulo. p. Verbete Spiritualität. JOÃO PAULO II. que Deus avançada parece ter mais Na verdade.153-164. As atuais existência: antes de fazer 1 Cor 1. Horizonte. Toda feita de de ponta a tecnologia. 212-215. concenNessa rede de comunhão. In: Pronunciamentos do Papa no Brasil. v. necessidade de espiritualidade reza não só com palavras e gestos. Kleines Lexikon zur Theologie der Befreiung. no best-seller Megatrends. a pessoa escolheu para envergonhar o que é forte. 48-52. p. Dusseldorf. Vozes. In: VV. 1980. • mas também os inte. 1. socializa. também à oração. ou “vida segundo o Espírimento cristão na es24 to”. alimenta o dia-a-dia. Horst GOLDSTEIN. já citava congrega em assembléia. e santidade. e buscar força • os pequenos.

ou pela aparência: deve ser procurado muito além. Psychologie Protestante et Psychologie Catholique. 35-52. e por aí afora. 26 27 John NAISBITT. p. 1º sem. Megatrends. comércio e serviços de todo tipo porfiam em recorrer hoje ao conceito quase mágico de “Qualidade Total”. grupos de oração/reflexão/ação. para que se perceba quanto ela é significativa. vagas orientações e meras iniciativas locais. jan. celebrações litúrgicas. v. com seus limites e valores. comunidades eclesiais. paróquias realmente vivas. 1. Não será com fórmulas simplistas que enfrentaremos tais desafios: eles terão que ser assumidos com seriedade pelas Igrejas locais. o equilíbrio entre o espírito bíblico de provisoriedade (“êxodo”) e sua radicalização. as diversas pastorais. colóquios pessoais. a experiência cristã merece ser difundida na sociedade. não podemos deixar de mencionar aquelas pessoas que deram e dão testemunho de uma espiritualidade particularmente sólida e sadia./fev. encontros com pais e padrinhos quando dos sacramentos de iniciação dos filhos/afilhados. e particularmente sobre a devoção aos santos. tais como: itinerários de iniciação à fé para candidatos adultos ao batismo. outubro de 1950 (bem antes do Concílio Vaticano II). 27-40. Luciano GRUPPI. 1982.30 DESAFIOS Ao longo deste esboço. Forme e Modelli di Catechesi con gli Adulti. p. E depois de mencionar frutos de santidade presentes na Igreja católica. Hugues PORTELLI. 1978. p. 25-44. Mesmo que fosse possível. os espaços em que se processa de modo sistemático a irradiação da fé cristã entre adultos assumem formas diversas. preparação dos noivos para o casamento. Pierre Burgelin observou que o catolicismo reconquistou na Europa parte importante do terreno que perdeu depois da Reforma. de deixar para trás truques. LDC. Empenho por “qualidade evangélica” Indústria. Ten New Directions Transforming Our Lives. New Hork: Warner books. não advogaríamos uma Igreja hegemônica – no sentido tão bem analisado por Gramsci29. SDB cria de sensibilidade humana.WOLFGANG GRUEN. a única que tem valor. os meios de comunicação social. Gramsci e a Questão Religiosa. Por isso. os santos. Rio de Janeiro. perguntou. 1984. para contrabalançá-la. Não é mera retórica: quem não serve bem fica para trás. o Prof.28 Estruturas Diante da complexidade de nossa sociedade não podemos contentar-nos com piedosas exortações. 29 Cf. 30 Cf. 1951. Discursando na Assembléia do Protestantismo Francês em Nancy. 1995. 36 Horizonte. não dominadoras mas de serviço. Torino-Leumann. São Paulo. A este propósito. conforto. espiritual. 28 Emilio ALBERICH e Ambroise BINS. programadas a partir de exigências conjunturais. meio século atrás. Rm 13. Valha por todas a inesperada reflexão feita por um respeitado estudioso protestante.26 Está aí uma das grandes lições da pós-modernidade: o eixo de nossa vida não é constituído pelo dinheiro. Graal. 131 ss. vem do prestígio dos santos”. Também na irradiação da fé é “tempo de acordar” (cf. nossa postura diante da pós-modernidade. mil e um desafios foram dando as caras a cada esquina: a dialética identidade/abertura ao diferente. precisa de visibilidade. observou: “A mais profunda sedução católica. poder. Isto eqüivale a dizer que precisamos de estruturas e instituições transparentemente evangélicas. Pierre BURGELIN. Em: Foi et Vie. Entretanto. cursos de aprofundamento teológico ou de liderança. Ed. Ao aduzir algumas causas dessa reconquista. Paulinas. Belo Horizonte.11).27 Concretizações Concretamente. 1. que dêem o devido suporte às iniciativas dos que irradiam a fé cristã. p. o conferencista detevese sobre a espiritualidade católica. O conceito de Hegemonia em Gramsci. 1997 . n. limitemo-nos a refletir sobre duas exigências básicas para tal tarefa. “Que peso têm as razões dos teólogos diante do testemunho dos santos?”.

1300-1800. Precisamos reaprender a pensar em termos de sistema: como o profeta Ezequiel. organizar. respeito pela diversidade de culturas. Projeto de Evangelização da Igreja no Brasil em Preparação ao Grande Jubileu do Ano 2000. lei do menor esforço. Suponhamos: a médio e longo prazo. É tempo de aderirmos a procedimentos mais funcionais. agudizada pela extensão do nosso País. humildade para reconhecer nossos limites e falhas.32 É possível caminhar mais? Creio que sim. Horizonte. Para evitar ambigüidades. 1989. 1997 37 . perceber para onde sopram os ventos. História do Medo no Ocidente. dos pequenos – a generosa “oferta da viúva” de que fala Lc 21. Não só na atuação prática (catequese. Uma vez identificados os problemas relevantes. da CNBB 56. p. mas. valores e objetivos que nos orientam. Isto nos introduz a um segundo desafio. a partir daí.. Belo Horizonte. também a Bíblia. supõe-se. devem ser cumpridos. Agir com qualidade implica ter clareza quanto a crenças. planejar. 1. despretensioso. Quando? Por quem? Com que meios? Quem faz a avaliação? Ninguém se responsabiliza. Com efeito. será preciso traduzir prognósticos em estratégia política. o apóstolo Paulo. 1. Temos tantas institui- 31 A expressão tragicamente pitoresca é de Jean DELUMEAU. 32 CNBB. em Gn 1 todo o universo criado é simplesmente apresentado como “bom” (sete vezes!): é a “qualidade total” inerente ao próprio projeto de Deus em sua globalidade. entusiasmo pela causa. Un itinerario storico. sempre de novo seremos pegos de surpresa. embora não com este nome nem com as técnicas de que nós dispomos.IRRADIAR A FÉ CRISTÃ NA SOCIEDADE HOJE negligências. Rumo ao Novo Milênio. com horizontes mais amplos: a tendência dos conflitos no futuro próximo é serem eles interculturais ou intraculturais? Este problema aparentemente teórico ainda vai nos dar muito que fazer. podemos falar de “Qualidade Evangélica”. São Bento de Núrsia. São Paulo: Companhia das Letras. o Projeto Construir a Esperança em Belo Horizonte. “perfeição”. 27-40. de adotarmos o Planejamento Participativo. Fiquemos aqui com uns poucos toques que pelo menos esclareçam as gran- des linhas desse desafio. p. n. “justiça”. artesanal. identificar os problemas emergentes.31 Aderir a programas de qualidade total é antes de tudo uma questão de mentalidade: supõe valorização das pessoas. em vez de “Qualidade Total”. “pastoral do medo”. v. Não se descarta o agir espontâneo. condenados a remediar em vez de prevenir. Sem isto. Precisamos aprofundar nossa visão de futuro. Cristianità e Cristianizzzazione. 1984. dentro deste mesmo espírito. convém que a Igreja adote certas formas de marketing? Ou. exige-se mais de quem pode dar mais. Já temos boas experiências: a Campanha da Fraternidade. Qualidade não rima com individualismo: supõe trabalho integrado. Torino: Marietti. executar e avaliar. homilias) mas também em nossa organização geral. e o nascente Projeto de Evangelização da Igreja no Brasil em preparação ao Jubileu do Ano 2000. 1º sem. honestidade e aquela “macropontualidade” que nos torna atentos não só ao relógio mas ao ritmo acelerado do nosso tempo. mas de maneira condizente à nossa realidade.1-4. Confundimos declaração de desejos ou vagas recomendações com vontade política. Daí a persistência de nossa linguagem idealista. Usa categorias como “santidade”. conduzido com realismo. ainda continuamos muito presos ao método dedutivo: emanam-se documentos que. Docum. 1996. já recomenda a busca de qualidade. 277. Ver principalmente: Id. A elaboração de uma política pastoral de qualidade exige que saibamos socorrer-nos de pessoas e entidades qualificadas. Uma “Política Pastoral” de Qualidade A complexidade do tempo em que vivemos. está a exigir mais articulação das forças vivas que atuam no Brasil pela causa do Reino. São Paulo: Paulinas. derivado da exigência de qualidade.

religiosos. Um grupo de pessoas interessadas reúne-se. constitui um laboratório de reflexão cristã. acreditamos que “é melhor acender um fósforo que maldizer a escuridão”. SDB ções. verbalizar o que nós do clero muitas vezes não enxergamos.WOLFGANG GRUEN. É a lei da sinergia. Daí a importância não só das palestras. Não pensemos só nos católicos ou cristãos. mas do debate. já preconizada por Jesus: quando se trata de fazer o bem. podemos repartir tarefas. para debater. “quem não é contra nós está a nosso favor” (Mc 9. “De quem já sabe. As idéias aqui lançadas foram propositalmente mantidas em aberto: mais importante agora é o debate que elas visam provocar. p. 1997 . diminuir investimentos e duplicações. Seja qual for o desenvolvimento futuro desta iniciativa.” Thiago de Mello33 A NOSSA PARTE A sinergia a que nos referimos há pouco pode começar aqui. com liberdade de expressão.51. 1.38-40). n. v. Mas ousamos sonhar. 1981. Embora o grupo seja pequeno. aprofundar. 38 Horizonte. 27-40. 1º sem. o dever (luz repartida) é dizer. multiplicar resultados. nem só nos que têm estudos. tantos peritos nos diversos campos do saber. do novo que aqui desponta. In: Thiago de MELLO. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. Quando a verdade for flama nos olhos da multidão. o que em nós hoje é palavra no povo vai ser ação. criticar. gente disposta a trabalhar: clero. leigos. 33 “Quando a Verdade for Flama” (1980). Somando forças. Belo Horizonte. das sugestões. Por enquanto nossa voz é fraca. Mormaço na Floresta. 1. p.

AMORIM. São Paulo: Paulinas. Cristianità e cristianizzazione: un itinerario storico. 1991. Psychologie protestante et psychologie catholique. Belo Horizonte. 1991.. n. Frei J. A Igreja na casa. 1996. Le temps de la patience: étude sur le témoignage. História do medo no ocidente (1300-1800). BINS. José. 20. JACQUEMONT. 10. Dusseldorf: Patmos. 6. 50. 21. 13. Kleines Lexikon zur Theologie der Befreiung. 1995. 08. Ambroise. Petrópolis: Vozes. 1984. Wolfgang. p. O sincretismo luta contra a dominação. 1980. 576-587. Revista de Catequese. JOSSUA. P. v. Dizionario di pastorale Giovanile. psicologia de grupo e outros trabalhos. Jean. v. Testemunho e palavra. Hélio. Ricardo (Orgs. p. 1994. O. Selma. Raymond F. n. p. GONELLI. QUELQUEJEU. São Paulo: Cia das Letras. 11. 24. P. BARRUEL DE LAGENEST. Lumen Vitae. 1984. Massimo. 27-40.]:[s. JOÃO PAULO II. Petrópolis: Vozes. 23. cultivo pleno e integrado do homem. l. 1983. São Paulo: Salesiana D. Revista de Catequese. Caderno B. 23. Rio de Janeiro: Graal. GOLDSTEIN. p. Diretrizes gerais da ação evangelizadora da Igreja no Brasil 1995-1998. O conceito de hegemonia em Gramsci. 01 set. ministério e esperança para o terceiro milênio. 13. 27-36. Ensaio de tipologia da família no Brasil. Revista Brasileira Eclesiástica. In: MIDALI. 1978. v. Hugo. DELUMEAU.]. 17-30. Revista Eclesiástica Brasileira. Rumo ao novo milênio: projeto de evangelização da Igreja no Brasil em preparação ao grande jubileu do ano 2000. n. Papa. 1951. 1996. GARELLI. 09. p. 15. 18. Sigmund. Franco. n. JOSSUA. an experience of Church. DELUMEAU. FREUD. 18. p. Linguagem e libertação na catequese. 24. GRUEN. Louvain Studies. 1993. 1995. CNBB. 56).IRRADIAR A FÉ CRISTÃ NA SOCIEDADE HOJE Referências bibliográficas 01. 1. Wolfgang. 320-355. CNBB. GRUEN. Torino: Leumann. 247254. Cultura. Paris: Cerf. (Documento da CNBB. 02. In: PRONUNCIAMENTOS do Papa no Brasil. Foi et Vie. ALBERICH. São Paulo: Paulinas. COLLINS. 05. v. 1990. 03. 17. 1989. Wolfgang. Bosco. SEDOC. Jornal do Brasil. n. p. 25. Le témoignage et la communication de la foi dans l’Eglise. BURGELIN.. n. elementos para um conceito de evangelização a partir dos documentos do Concílio Vaticano II. 14. 1º sem. ALBERICH. p. 1997 39 ./fev. 1995. 72-78. Emilio. 194-200. 04. p. B. Summer 1988. COMBLIN.). Torino: Marietti. ALBERICH. ASSMANN. Catequesis de adultos: elementos de metodologia. p. v. Além do princípio do prazer. Ambroise. CNBB. 1991. Horst. A família. 48-52. BINS. 1. jan. GRUPPI. 47. 25. Pierre. Diretrizes gerais da ação pastoral da Igreja no Brasil 1991-1994. 22. GRUEN. In: EDIÇÃO Standard Brasil das obras psicológicas completas. 1976. Jean. p. Emilio. 3. Appartenenza. Emilio. O ensino religioso na escola. v. Mário. 1989. CANEVACCI. 1984. AMORIM. 07. Torino: LDC. 25-44. 06. 19. Jean Pierre. 1988. São Paulo: Paulinas. Forme e modelli di catechesi con gli adulti. J. 16. [s. Small groups. Interação entre experiências e mensagem na catequese. Rio de Janeiro: Imago. 12. Horizonte. 109-136. p. Luciano. Madrid: Centro Catequístico Salesiano. 1987. 196-. A catequese na Igreja de hoje.

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