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Universidade Federal de Campina Grande Centro de Humanidades Unidade Acadêmica de Ciências Sociais

Disciplina: Sociologia Industrial Professora: Roseli de Fátima Corteletti

FICHAMENTO I

Aluno: Geraldo Landim de França Neto Matrícula: 110110478

Campina Grande Dezembro 2013

pois são tão intensas e rápidas as mudanças exigidas pelas empresas nos perfis dos empregos oferecidos. sobretudo um estudo sobre o intervalo de tempo entre a segunda metade do século XIX e a primeira metade do século XX.INTRODUÇÃO Uma questão que sempre existirá na sociedade e que nos últimos anos vem sendo objeto de várias controversas é a centralidade do trabalho na vida das pessoas. A exploração do meio ambiente feita de forma inadequada nunca foi tão verificada. Num contexto de desemprego crescente. Dessa maneira. . estar empregado talvez não seja o suficiente. Nesse sentido. que procurou. contravenções e atos de violência num grau de perversidade absurdo. ORIGENS DA EXPRESSÃO: “ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO” Tendo-se em vista que o homem. Principalmente com o surgimento do sistema de economia capitalista. um estudo historio e sociológico da estrutura das organizações trabalhistas faz-se necessário. atualmente. é quase impossível a grande maioria das pessoas escolher uma profissão que permita adequar suas aptidões às suas necessidades físicas e mentais. a crescente quantidade de pessoas vivendo abaixo da linha da miséria não é mais um fato isolado de países molestados pelas últimas guerras coloniais. É bem verdade que ocorreram grandes avanços científicos e tecnológicos. uma forma de controle social. Porém. é quase um acaso manter-se atuando num só campo profissional durante toda a vida. sobretudo quando o foco é em países do centro da economia capitalista. em todos os níveis sociais. por meio deste. a forma como o trabalho é organizado aparece como responsável por estas questões. mas até que ponto tais avanços atingiram objetivos que não os tornaram contraditórios. O que se cogita é a possibilidade de que o fator responsável por todos esses problemas não é outro senão o próprio trabalho humano e o resultado de sua repartição social. se apresentando nas estatísticas de grandes potências. cujas classes. que. A essa inadequação no ambiente de trabalho se acumula a insegurança advinda da instabilidade na atividade e da falta de perspectivas confiáveis no plano das qualificações. desde o princípio de sua existência. Desta forma. nunca deixou de trabalhas para garantir a sua subsistência. o estudo das organizações de trabalho objeto de estudo tornou-se objeto de interesse ainda maior tanto pelo empresariado. e tão fáceis as opções de contratação externa e de enxugamentos drásticos nos quadros. período em que as bases das organizações trabalhistas atuais foram concebidas. Trabalho este que é a base da sobrevivência humana. percebe-se que o trabalho é algo inerente à espécie humana e que a preocupação com a organização do trabalho vem de muito tempo. têm assistido a conflitos.

a evolução do sistema capitalista.econômico e político da classe trabalhadora. Para resolver as questões supracitadas. protegiam seus conhecimentos e. Obviamente. por sua vez. se tornou empresário. pouco a pouco. Do que foi exposto acima. Taylor imaginou que. Frequentemente. não produziam o máximo que podiam para a empresa. fizeram-se necessários o desenvolvimento de métodos que aperfeiçoassem tais processos. em subsequente. Taylor percebeu que os operários não trabalhavam em sua capacidade máxima. que. Durante esses anos de aprendizado. Essencialmente. seus salários frente a uma produtividade em expansão advinda do crescente emprego da maquinaria. onde o lucro da empresa seria. ou mesmo desmaios e convulsões causados por fatores como a carga excessiva de trabalho realizado em condições insalubres. Outros trabalhadores. poder-se-ia então chegar a um nível considerado ideal de produção. dessa forma. subdividindo ao extremo as diferentes atividades em tarefas simples. consequentemente. o maior possível. em determinado momento da história tinham condições de trabalho absurdamente ruins. como pelo trabalhador que através deste. Posteriormente. suas condições mínimas de saúde física e mental. tornava cada vez mais escassa a necessidade de trabalho humano na produção. quando começaram a se exigir questões como o prazo de entrega dos produtos. o aperfeiçoamento de tais processos trouxeram mudanças na forma de vida dos trabalhadores que. torna-se evidente a importância que há no estudo das organizações de trabalho da sociedade. que. com o intuito de acumular o máximo de capital. O SISTEMA DE TAYLOR Frederick Winslow Taylor foi um jovem estadunidense que trabalhou alguns anos como operário aprendiz numa fábrica metalúrgica. assim como a sua qualidade. viram-se obrigados a tomar providências no sentido de autoproteção da classe. pôde assegurar sua subsistência e. de maneira que o tempo real de execução destas tarefas pudesse ser medido. desenvolviam macetes justamente como forma de controlar o tempo em que trabalhavam e. morriam operários durante o trabalho. ou seja. . portanto. Os tópicos seguintes ilustram algumas das organizações de trabalho que marcaram a história e que geraram ramificações que existem até os atuais sistemas de trabalho. por sua vez. Taylor notou que os trabalhadores perdiam um tempo precioso quando faziam troca entre os vários deveres que lhes eram impostos na produção. Como será abordado nos dois próximos tópicos.

a maior genialidade de Ford consistiu em ter imaginado a possibilidade de incutir nos seus contemporâneos a postura de consumidores de massa de produtos padronizados. e) fichas de instrução para os trabalhadores. Ford teve a ideia de inserir a famosa linha de montagem na produção industrial. após sua implementação. tanto na esfera da produção. Desta forma. O SISTEMA DE FORD Henry Ford foi outro estadunidense que. dentre as quais o taylorismo. reduzidos e contrabalanceados pelo aumento das vendas. Colocou-se então a necessidade de uma subdivisão das funções e suas correlativas atividades. tendo em vista a redução da quantidade de operações desnecessárias. f) ideia de “tarefa” na administração. e somente dela. Taylor ainda achava que não era o suficiente. a cargo da administração da empresa. acumulava as funções de projetista e diretor de empresa. No entanto. como também de todos os movimentos dos trabalhadores para cada tipo de serviço. Os custos dessa produção seriam. g) pagamento com gratificação diferencial.Apesar da distribuição das tarefas no chão de fábrica ter chegado a um nível altíssimo de especialização. sem que lhe fosse necessário acumular conhecimentos e habilidades além de um nível mínimo. padronização dos instrumentos e materiais utilizados. o sistema de Ford era bastante . dos intervalos entre uma operação e outra. entre outros objetivos. d) necessidade de uma seção ou sala de planejamento. Dessa maneira. da ociosidade dos equipamentos. Toda a experiência. associada ao alto prêmio para os que realizam toda a tarefa com sucesso. o que possibilitaria a cada responsável o seu cumprimento completo. Basicamente a ideia de Ford era produzir uma quantia imensa de produtos idênticos. através dos quais são padronizadas. em franca expansão na gestão do trabalho em empresas metalúrgicas de grande porte nessa época. dos gastos de energia física e mental dos trabalhadores. b) chefia numerosa e funcional. A junção dessas duas áreas de conhecimento possibilitou que Ford ampliasse uma série de inovações tecnológicas e organizacionais já em curso no início do século XX. todas as técnicas relativas às atividades realizadas nas várias instâncias da empresa são repassadas para os trabalhadores especializados em analisá-las com base em métodos experimentais. quanto na da administração. Para alcançar seu objetivo. Enfim. portanto. fazendo com que este virasse um produto de massa. Dentre os elementos práticos que deveriam ser aplicados para que todas as condições previstas fossem satisfeitas. pode-se citar as seguintes: a) estudo do tempo. o que distinguia o sistema de Taylor de seus precedentes era o fato de que toda essa complexa análise e planejamento que envolve ficam. a renda aumentaria em vista dos melhores salários que poderiam ser pagos. tornando os próprios funcionários os novos clientes. do tempo de execução das demais.

assim como a possibilidade dos trabalhadores conceberem o processo produtivo como um todo. sucessivamente. desde a primeira transformação da matéria-prima bruta até o estágio final. Uma questão que não pode deixar de ser lembrada no sistema taylorista/fordista é a seguinte. como ocorria no sistema taylorista. qualquer trabalhador é facilmente substituído. o conceito de flexibilidade consiste no fato de que nenhum trabalhador é insubstituível. Ao longo deste mecanismo. . haviam os operários em postos de trabalho específicos que realizavam determinada tarefa.parecido com o sistema de Taylor. ou melhor. A diferença foi a introdução de um mecanismo automático que percorria todas as fases produtivas. À medida que a intervenção crítica dos trabalhadores e o tempo de treinamento no exercício de duas funções são postos como elementos a serem definitivamente eliminados do ambiente de trabalho. a intervenção criativa dos trabalhadores é próxima de zero. Peça esta que pode ser trocada sem nenhum custo qualitativo e produtivo do sistema como um todo. A especialização das atividades de trabalho a um plano de limitação e simplificação é tão extrema que. tornando-o uma simples peça do processo produtivo.