NOÇÕES EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA E FINANCEIRA

Profª Simone Ribeiro

Campo Grande, Novembro de 2009.

PATRIMÔNIO PÚBLICO
Patrimônio no seu conceito clássico é o conjunto de bens, direitos e obrigações pertencentes a uma pessoa física ou jurídica. Numa leitura singela deste conceito nos leva a interpretar que o patrimônio é composto pela totalidade dos bens mais os direitos (ativo), do qual se subtrai as obrigações (passivo) de determinada pessoa, seja física ou jurídica. Inserem-se neste contexto, os bens físicos para uso ou movimentação, e os créditos ou valores a receber, em moeda corrente, seja a curto, médio ou longo prazo. De igual modo, as obrigações que compõem o passivo do patrimônio, quais sejam os compromissos assumidos e que devam ser pagos e exigidos em curto, médio ou longo prazo, também devem compor o conjunto. Derivando deste conceito, o Patrimônio Público compreende o conjunto de bens, direitos e obrigações avaliáveis em moeda corrente, das entidades que compõem a Administração Pública. Destarte, além do patrimônio das instituições de direito público interno, quais sejam, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios e as suas respectivas autarquias, também são entendidas como patrimônio público as fundações instituídas ou mantidas pelo poder público, e a parte do capital das empresas de economia mista das quais as entidades públicas participem, e na razão da sua proporção. Vale ressaltar que à vista da Contabilidade Pública constitui patrimônio público somente os bens que são passíveis de escrituração contábil. É o caso dos Bens Dominicais, pois estes possuem a característica de objeto de direito pessoal ou real, passíveis de escrituração e registro contábeis, e são classificados em: Disponível (caixa, bancos - numerário em geral); Bens Móveis, Imóveis, e os de Natureza Industrial. Os bens de uso comum do povo, que também são conhecidos como Bens de Domínio Público (mares, rios, estradas, parques, praças, praias, etc.), ainda que constituam propriedade do Estado (mas este não detém a posse exclusiva), não constituem patrimônio público, por serem de livre fruição por parte de qualquer cidadão, e, deste modo, não são escriturados na contabilidade pública.

LEGISLAÇÃO APLICÁVEL
No Brasil, a contabilização dos atos e fatos administrativos, a elaboração dos orçamentos, demonstrativos contábeis, orçamentários e financeiros, obedecem às normas da Lei nº 4.320 de 17.3.1964, que estatuiu as normas gerais de direito financeiro para a elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. Os principais tópicos desta lei abrangem, dentre outros: O exercício financeiro O superávit financeiro A contabilidade A contabilidade orçamentária e financeira A contabilidade patrimonial Os balanços. Outra norma que rege os atos contábeis na administração pública é a Instrução Normativa nº 8, de 5.11.1993, da Coordenação Geral de Contabilidade da Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda. Esta Instrução Normativa aprova as normas gerais sobre o plano de contas da administração pública federal, que permite a identificação e a classificação contábil dos atos e fatos de uma gestão, de uma maneira padronizada, uniforme e sistematizada. 1

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CARVALHO, Deusvaldo. Orçamento e Finanças Públicas: Teoria e Prática. Campo Grande, Gráfica e Ed. Ruy Barbosa, 2005, p. 95.

REGIME CONTÁBIL
Regime Contábil é um sistema de escrituração contábil. Os regimes contábeis são constituídos de princípios e convenções adotados em uma época remota, em que as situações econômicas, sociais, financeiras e institucionais eram em muito, diferentes da atual, e, uma vez que ainda são considerados úteis pelo consenso profissional, continuam sendo aceitos e utilizados. A Lei Federal nº 4.320/64, em seu artigo 34 reza:
Art. 34. O exercício financeiro coincidirá com o ano civil.

Numa leitura desse dispositivo temos que o exercício financeiro é o período em que se exercem as atividades administrativas e financeiras relativas à execução do orçamento. No Brasil, como o exercício financeiro coincide com o ano civil conforme determina a legislação, concluímos que exercício financeiro e ano financeiro possuem o mesmo significado. No artigo 35 da mencionada lei, temos:
Art. 35. Pertencem ao exercício financeiro: I - as receitas nele arrecadadas; II - as despesas nele legalmente empenhadas.

Daí nota-se que o regime contábil adotado para a contabilidade pública no Brasil, da forma como determinada em lei, é coincidente com o ano civil, ou seja, a execução de um orçamento deve ser realizada entre os meses de janeiro e dezembro de um exercício, quando então será encerrado e aberto novo orçamento. O regime de caixa é o que compreende todos os recebimentos e pagamentos efetuados no exercício, ainda que se refiram a períodos contábeis anteriores. Nessa situação, as receitas por arrecadar, ainda que já lançadas, como as despesas empenhadas e as liquidadas que não foram pagas, são transferidas para o orçamento do exercício financeiro seguinte, fazendo parte integrante dele, não deixando resíduos no orçamento corrente. O regime de competência é o regime no qual a receita e a despesa são atribuídos aos exercícios de acordo com a real ocorrência, ou seja, de acordo com a data do fato gerador, ainda que não recebidos ou pagos neste mesmo ano da sua ocorrência. Pelo regime de competência, a receita e a despesa do exercício pertencem a este próprio exercício, pois neste está empenhada. Terminada a vigência do orçamento corrente, passam para o exercício seguinte, a fim de serem arrecadadas e pagas, porém, continuando a pertencer ao orçamento que lhes deu origem, ou seja, a orçamentos de exercícios financeiros anteriores. Desse modo, uma receita que foi lançada, mas não foi arrecadada em um exercício, é considerada receita desse exercício, mas, passando a constituir resíduos ativos cobrados em anos posteriores, classificadas na conta receitas a arrecadar. Igualmente, a despesa legalmente empenhada e não paga dentro do exercício é considerada despesa desse exercício, passando a constituir resíduos passivos, que serão pagos em exercícios posteriores, como restos a pagar. Portanto, da forma imposta pelo artigo 35 da Lei nº 4.320/64, no Brasil a administração pública adota o regime de escrituração misto, visto que se aplica o regime de caixa para as receitas e o regime de competência para as despesas.

FLUXO DE FUNCIONAMENTO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA PPA PLANO PLURIANUAL de ações => PROGRAMAS/AÇÕES

LDO LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS => Estabelece as DIRETRIZES e METAS para a elaboração do ORÇAMENTO ANUAL. Faz a conexão entre o PPA e a LOA. LOA LEI ORÁMENTÁRIA ANUAL orçamentária . => DOTAÇÃO. Quantitativo; valores. Moeda

EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA: DA RECEITA => Arrecadação de recursos DA DESPESA => Aplicação dos recursos AÇÃO GOVERNAMENTAL => Execução dos PROGRAMAS e AÇÕES PRESTAÇÃO DE CONTAS CONTABILIDADE
A Administração Pública cumpre um fluxo de funcionamento, que tem por objetivo cumprir com a ação governamental proposta nos Planos Plurianuais, tendo como principal instrumento os PROGRAMAS DE TRABALHO, cuja execução será estabelecida como META na LEI DE DIRETRIZES ORÁMENTÁRIAS, tendo a alocação de dotação orçamentária verificada com base na previsão da receita estabelecida na LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL. Os comandos constitucionais impõem limites para que a atividade pública seja exercida em consonância com os princípios impostos pela ordem jurídica. A Administração Pública deve observar na execução das suas atividades, a aplicação dos princípios constitucionais estabelecidos pelo artigo 37 da Constituição Federal.

PRINCÍPIOS BASILARES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA:
Legalidade Impessoalidade Moralidade Publicidade Eficiência Princípio da LEGALIDADE:
A Administração Pública deve sempre agir de acordo com os termos da Lei e deve obediência às normas vigentes no âmbito da União, Estados e Municípios.

Princípio da IMPESSOALIDADE:
A Administração Pública na sua ação deve buscar a finalidade pública. O interesse, a relevância, deve ser atender a coletividade. O atendimento da coletividade deve ser impessoal: não beneficiar uns em detrimento da coletividade.

Princípio da MORALIDADE:
O Administrador Público, o servidor público, e todos quantos que utilizem recursos públicos, devem ter austeridade e demonstrar lisura na sua conduta. A moralidade de se pautar pela ética, bom senso, dada a sua característica subjetiva.

devem imprimir aos seus serviços. o servidor público e todos que compõem a Administração Pública. Institui mecanismos prévios e necessários para assegurar o cumprimento de metas fiscais a serem atingidas pelas três esferas de governo. chamada de Lei de Responsabilidade Fiscal. Estabelece condições para a execução orçamentária: limitação de empenho (caso a arrecadação da receita não ocorra conforme o previsto). Publicação de atos / divulgação de fatos: Leis e Decretos. Empresa controlada. Portarias. São eles: Fixa limites para o endividamento público e para a expansão de despesas continuadas. Geração de despesa/despesa obrigatória de caráter continuado. previdenciária e tributária que foram as exigências para a liberação de recursos pelo FMI para aplicação do plano de controle da inflação. LDO. Licenciamentos. Instruções. LOA Demonstrativos da Execução Orçamentária e Balanços Princípio da EFICIÊNCIA: Incluído pela Constituição Federal de 1988. Dívidas consolidada e mobiliária. Termos Aditivos e Rescisões PPA. Operações de crédito (inclusive por antecipação de receita). A LRF estabeleceu novos conceitos no âmbito da administração pública. Atas. Exonerações. É a condição necessária e suficiente para a consolidação de um novo regime fiscal no país. Ação preventiva e corretiva de riscos e desvios que possam afetar o equilíbrio das contas públicas.Princípio da PUBLICIDADE: Como é pública a Administração Pública. Aposentadorias e demais atos de pessoal Editais. todos os seus atos e fatos devem ser publicados para conhecimento público e para a eficácia da validade do ato. e Receita corrente líquida. A responsabilidade na gestão fiscal caracteriza-se por: Ação planejada e transparente. A LRF é uma lei fiscal fria . o princípio da EFICIÊNCIA estabelece que o Administrador Público. juntamente com as reformas administrativa. Eis alguns. Obediência a limites e condições com referência a: Renúncia de receita: Geração de despesa com pessoal e seguridade social. Estabelece anexo para a LOA. Inscrição em restos a pagar. Renúncia de receita. Cumprimento das metas de resultado entre receita e despesa. . visa o superávit (resultado positivo entre a receita e a despesa). previsão e efetiva arrecadação de todos os tributos. dispõe sobre princípios fundamentais e normas gerais de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e estabelece princípios norteadores da gestão fiscal responsável. Normatiza a LDO. Limites e controle dos gastos com pessoal. Empresa estatal dependente. Extratos de Contratos e Convênios. Resoluções Nomeações. presteza e agilidade. Concessão de garantia. regulamenta os artigos 163 a 169 da Constituição Federal. Obrigatoriedade de instituição. Foi um dos tópicos a serem cumpridos. LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL A Lei Complementar 101/2000.

e Ministério Público. Dívida pública: condições para contratação e renegociação das operações de crédito. Condições para renúncia de receita. Transferências voluntárias: condições para realizações. Controle Externo (Tribunais de Contas). Lei orçamentária anual LOA: compatibilidade com o anexo de metas da LDO. contabilidade pública. . Lei de Diretrizes Orçamentárias LOA. Cria normas para escrituração e consolidação das contas. LDO. aro e garantias. 10. LOA Metas e Limites Publicação e ampla divulgação dos relatórios (RREO bimestral e RGF quadrimestral) Participação popular: audiência pública Prestação de contas e Fiscalização Normas de escrituração e consolidação de contas (em cada nível de poder e consolidação dos 3 níveis de poder) Institucional: penaliza o ente Pessoal:penaliza os administradores e servidores públicos (Lei n. Lei de diretrizes oçamentárias LDO: anexos de metas e riscos fiscais. Cria restrições para inscrição em restos a pagar.EIXOS DA LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL Planejamento Transparência Controle Responsabilização Instrumentos: PPA. Implementa o relatório resumido de execução orçamentária e cria o Relatório de Gestão Fiscal. Define os instrumentos de transparência da gestão fiscal. Define quais dispositivos legais serão utilizados para punição ao descumprimento das normas fiscais Estabelece condições especiais para os municípios com população inferior a 50. execução orçamentária. A estrutura da LRF contempla todo o fluxo de funcionamento da Administração Pública. representado na Lei pelo Plano Plurianual de ações PPA. Limites e controle dos gastos com pessoal. Estabelece condições para preservação do patrimônio público. SÍNTESE DA LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL A LRF alcança todos os Poderes e Órgãos da Administração Pública. seguridade social e terceirização. prestações de contas e controles interno e externo. Obrigatoriedade de instituição.028/00 tipifica/especifica os crimes contra as finanças públicas). previsão e efetiva arrecadação de todos os tributos de competência dos Entes (nas três esferas de governo). Define os responsáveis pela fiscalização do cumprimento da LRF: Controle Interno. Destinação de recursos públicos para o setor privado: condições para realização de subvenções. Condições para geração de despesa e despesa obrigatória de caráter continuado. estabelecendo novas condições e limites para o Planejamento.000 habitantes. Execução orçamentária: programação orçamentária e financeira e limitação de empenho.

o projeto de lei receberá um número seguindo a ordem cronológica como as demais leis. constituindo um documento fundamental para a Contabilidade Pública 2 Orçamento é o processo pelo qual se elabora. não sendo possível se exigir. O Estado. ao ser sancionado. por via judicial. textual. inversões e transferências durante um exercício financeiro. 165 a 169.EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA ORÇAMENTO PÚBLICO Conceito. Pública [1954] 3 Profº Jorge Esupena (1970) in Compêndio da Legislação Usual do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul. em termos financeiros. Orçamento é um ato de previsão de receitas e fixação das despesas para um determinado período de tempo. o orçamento é lei em seu sentido formal. . investimentos. ao aprová-la. O Orçamento é um processo contínuo. os planos e programas de trabalho. como as demais outras normas. Portanto. Assim. Portanto. O Poder Executivo apresenta a proposta orçamentária ao poder Legislativo e. o orçamento é base de todo o procedimento contábil. em sentido amplo. bem como a natureza e o montante dos dispêndios (despesas) a serem efetuados. que. 3 Portanto. Sendo o orçamento uma lei formal. dinâmico e flexível que traduz. 2 Manual do Contador A. a simples previsão de despesa na lei orçamentária anual não cria direito subjetivo. O orçamento é utilizado como instrumento de planejamento da ação governamental. razão pela qual está integrado à sistemática contábil. isto é. recorre ao Planejamento para possibilitar o cumprimento de seus objetivos. para cada período orçamentário. ajustando o ritmo de execução ao fluxo de recursos previstos. executa e avalia o nível de cumprimento do programa de governo. Assim. 2004. sujeitando-se à publicação na Imprensa Oficial. Na Constituição Federal o Orçamento é matéria constante dos art. geralmente um ano. O orçamento tem a função básica na gestão patrimonial de estimar as receitas e fixar as despesas. constituindo-se fonte de registros para a escrituração dos fatos administrativos ocorridos dentro da gestão. de modo a assegurar a liberação contínua e oportuna destes. No sentido formal. e possui um aspecto dinâmico. pois está submetida a um processo de elaboração legislativa. é um documento legal (aprovado por lei) contendo a previsão de receitas e a estimativa de despesas a serem realizadas por um Governo em um determinado exercício (geralmente um ano). que uma despesa específica prevista no orçamento seja realizada. não criando direitos subjetivos nem modificando as leis tributárias e financeiras. Planeja a aplicação dos recursos que se espera arrecadar em programas de custeio. 249. apenas prevê as receitas públicas e autoriza os gastos. p. discriminando a origem e o montante dos recursos (receitas) a serem obtidos. NATUREZA JURÍDICA DO ORÇAMENTO Há um processo todo especial de elaboração legislativa em relação ao orçamento. O Orçamento Público. O Orçamento é um instrumento de planejamento. que se consubstancia em um planejamento e programação de ações. que a transforma em lei. o Orçamento proporciona o surgimento de uma lei. surge o orçamento. expressa. é remetida novamente ao Chefe do Executivo. 4ª ed. na necessidade de se organizar. o orçamento público é o instrumento do poder público para expressar seu programa de atuação. para determinado período.

Nível mais abstrato para formulação geral dos objetivos. mas. NÍVEIS DO PROCESSO DE PLANEJAMENTO Diretrizes => conjunto de critérios de ação e decisão orientadores dos aspectos envolvidos no planejamento. o fiel cumprimento das regras orçamentárias. por exemplo. . segurança e a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. Lei de Diretrizes Orçamentárias -> LDO e a Lei Orçamentária Anual -> LOA) são leis ordinárias. A gestão do patrimônio público requer planejamento adequado às normas estabelecidas pelo Direito Financeiro e aos princípios constitucionais. podemos então. Universalidade => envolve todas as fases do processo. diversas vezes deixa de possuir uma característica essencial das leis: a coercibilidade. É uma lei ordinária todas as leis orçamentárias (Plano Plurianual-> PPA. assim. Objetivos => indicam os resultados pretendidos pela administração através de ações. sem os riscos advindos das responsabilidades de cumprimento das normas de Direito Financeiro e dos preceitos Constitucionais. pois. Metas => ações que resultam em serviços prestados quantificáveis. que pode ser resumida em dois pontos fundamentais: => manutenção da ordem política. recursos e possibilidades de controle. como principal obrigação do administrador. => promoção do bem estar da coletividade e a implementação do desenvolvimento das atividades econômicas e sociais. que o orçamento é uma lei formal. É uma lei temporária a lei orçamentária tem vigência limitada (um ano). em vários casos ela não obriga o Poder Público. É uma lei especial possui processo legislativo diferenciado e trata de matéria específica. assim. PRINCÍPIOS DO PROCESSO DE PLANEJAMENTO Racionalidade => alternativas compatíveis com os recursos. Os créditos suplementares e especiais também são aprovados como leis ordinárias. tendo. A gestão dos bens públicos e o atendimento dos anseios da sociedade se constituem nos objetivos da existência do Estado e na proposta do administrador. O Planejamento é a base de todo o processo que permite ao administrador desempenhar sua missão de gestor do Patrimônio Público.Resumindo. que pode. Considera-se. Unidade => integração e coordenação de planos. atribuir à Lei Orçamentária as seguintes características: É uma lei formal formalmente o orçamento é uma lei. Continuidade => constância em busca de racionalização. Aderência => órgãos comprometidos com os objetivos. conforme vimos acima. Previsão => prever ações de acordo com os objetivos. deixar de realizar uma despesa autorizada pelo legislativo. setores e níveis da administração. PROCESSO DE PLANEJAMENTO ORÇAMENTO Planejamento => processo racional para definir objetivo e meios de atingi-los.

Lei Federal 8666/93 6 Ações não orçamentárias Privadas). Definir responsabilidades para o gerenciamento dos programas avaliar e cobrar resultados. estabelece diretrizes. com resultados esperados. e para os programas de duração continuada. onerar os cofres públicos. 57. visa o atendimento) : aquela que proporciona bem ou serviço para atendimento direto a demandas da sociedade. 5 Estabelece as diretrizes e metas para elaboração da Lei de Diretrizes Orçamentárias pelo período de quatro anos.PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO Diretrizes e interações entre presente e futuro No Brasil o planejamento é intitulado Planejamento Orçamentário. Estimular as parcerias público-privadas PPP s 6 ESTRUTURA PROGRAMÁTICA DO PPA (segundo Portaria 42/99 do Ministério de Orçamento e Gestão) Toda a ação finalística deverá ser estruturada em PROGRAMAS orientados para a consecução dos objetivos estratégicos definidos para o período do plano (mandato). estratégico. Através do Plano Plurianual (PPA) procura-se ordenar as ações governamentais (Federal. 165 da Constituição Federal 5 art. cumpre-se o prazo disposto nas constituições estaduais e leis orgânicas municipais. 165. objetivos e metas para despesas de capital e outras dela decorrentes. demandas sociais e econômicas e de oportunidades inscritas nas prioridades e diretrizes políticas expressas nas orientações estratégicas do governo. consubstanciando-se nos seguintes instrumentos: Plano Plurianual (PPA) Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) Lei de Orçamento Anual (LOA). Constituição Federal e art.dezembro). sendo estabelecido na Constituição Federal em seu art. suas metas e prioridades. objetivando atingir as metas fixadas para o período de quatro anos. O programa resulta do reconhecimento de carências.janeiro 31. No caso dos Estados e Municípios. Originam-se. sem entretanto. sob pena de crime de responsabilidade. Estadual e Municipal). as PPP (Parcerias Público- . Tem como princípio que nenhuma contratação que ultrapasse o exercício financeiro (1º. O projeto de lei do PPA deve ser enviado pelo Presidente da República ao Congresso Nacional até o dia 31 de agosto do primeiro ano de seu mandato (4 meses antes do encerramento da sessão legislativa). do art. segundo a Constituição Federal. 167. que. daí. Ação finalística (área fim. Organizar as ações em programas. constam no plano de governo. § 1º. => Plano de médio prazo. É estabelecido por lei. respectivamente. 4 Estabelecido pelo parágrafo 1. poderá ser realizada sem prévia inclusão no PPA ou sem lei que autorize a inclusão. Plano Plurianual 4 OBJETIVOS: Definir a orientação estratégica do governo.

de modo a superar ou evitar as causas identificadas. passam a integrar a sua agenda de compromissos. sendo mensurado por indicadores. c/c os art. 16. 7 Lei de Diretrizes Orçamentárias A regulamentação do PPA prevista no art. de forma a adequá-los às metas da administração pública. e deve ser devolvida para sanção do Chefe do Poder Executivo até o dia 30. 165. § 4º) 8 Disposto no art. espacial afetado pelo mesmo. Os programas instituídos pelo PPA são os elementos integradores do planejamento. O programa terá metas e indicadores quantificados e deverá conter: Objetivo Órgão responsável Valor global Prazo de conclusão Fonte de financiamento Indicador que quantifique a situação que o programa tenha por fim modificar Metas correspondentes aos bens e serviços necessários para atingir o objetivo. Compreende: Fixação de metas e prioridades de governo. II e 17. do orçamento e da gestão e se expressam nos seguintes instrumentos legais: Plano Plurianual PPA. Na identificação do problema deve ser explicitado o segmento ou setor social. O processo de constituição de um programa deve partir do levantamento dos problemas na sociedade e da definição dos objetivos setoriais. composta de objetivos setoriais que consistem no desdobramento e complementação das Orientações Estratégicas de Governo. 165 da CF foi inicialmente contemplada pelo art. a partir da vigência da LRF. O projeto de lei da LDO deve ser enviado pelo Poder Executivo ao Congresso Nacional até o dia 15 de abril de cada ano (8 meses e meio antes do encerramento da sessão legislativa). e servem como balizadores de sua atuação e da formulação de programas. II. quando reconhecidas e declaradas pelo governo. Os programas desdobram-se em AÇÕES ORÇAMENTÁRIAS e estas se desdobram em: Atividades Programas Operações especiais. 8 => É a lei anterior à lei orçamentária.O programa é o instrumento de organização da ação governamental com vistas ao enfrentamento de um problema e à concretização dos objetivos pretendidos. focalizadas nas diversas áreas de competência. de investimentos das empresas e o da seguridade social). Contudo. Articula um conjunto coerente de ações necessárias e suficientes para enfrentar o problema. 3 º da LRF. A elaboração dos programas do PPA tem como referência a Orientação Estratégica de Governo. No caso dos Estados e Municípios. a exemplo do PPA.7 Para o propósito de constituição de programas do PPA. estabelecidas no plano plurianual. é considerada não autorizada e lesiva ao patrimônio público (art. problemas são demandas não satisfeitas ou carências identificadas que. econômico. . a criação de despesa que não esteja contemplada no PPA. como também aproveitar as oportunidades existentes. Lei de Diretrizes Orçamentárias LDO. § 2 º da Constituição Federal.6. foi vetada. Posteriormente. 15. respectivamente. que define as metas e prioridades em termos de programas a executar pelo Governo. Lei Orçamentária Anual LOA. Norteia a elaboração dos orçamentos anuais (que compreende os orçamentos fiscal. cumpre-se o prazo disposto nas constituições estaduais e leis orgânicas municipais.

informando as providências a serem tomadas. Despesas. Resultado primário insuficiente para recondução da dívida consolidada ao limite. instruído com memória e metodologia de cálculo que justifiquem os resultados pretendidos. Alterações na política de pessoal. Fatores que possam comprometer a realização de receitas. Dívida pública As metas devem ser estabelecidas para o exercício a que se referirem e para os dois seguintes. ANEXOS DA LDO: ANEXO DE METAS FISCAIS ANEXO DE RISCOS FISCAIS ANEXO DE METAS FISCAIS. Fatores que possam impor a realização de despesas em curto prazo. ANEXO DE RISCOS FISCAIS. Critério e forma de limitação de empenho a ser observada quando: A realização da receita não comportar o cumprimento de metas de resultado primário ou nominal estabelecidas no Anexo de Metas Fiscais. Condições e exigências para transparência de recursos a entidades públicas e privadas. Demonstrativo das metas anuais. evidenciando a consistência delas com as premissas e os objetivos da política econômica nacional. Demonstrativo da estimativa e compensação da renúncia de receita e da margem de expansão das despesas obrigatórias de caráter continuado. Equilíbrio entre a receita e a despesa. Avaliação dos passivos contingentes e outros riscos capazes de afetar as contas públicas. caso se concretizem. comparando-as com as fixadas nos três exercícios anteriores. (projeção: 3 anos). . Avaliação do cumprimento das metas relativas ao ano anterior. Evolução do patrimônio líquido também nos últimos três exercícios. em valores correntes e constantes. Metas anuais. Resultado nominal e primário.Orientação para elaboração da LOA (observando os limites para suplementação e remanejamento e anulação de créditos). Controle de custos e avaliação de resultados dos programas financiados com recurss dos orçamentos. Fatores que possam impor mudanças significativas nos parâmetros adotados para projeções de receitas e despesas. relativos a: Receitas. destacando a origem e a aplicação dos recursos obtidos com a alienação de ativos. Alterações na legislação tributária (em cumprimento ao princípio da anterioridade da Lei).

o Poder Executivo submete ao Congresso Nacional um novo projeto de lei solicitando crédito adicional. Nenhuma despesa pública pode ser executada sem estar consignada no Orçamento. inclusive fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público. A Lei Orçamentária Anual compreenderá três orçamentos: Orçamento fiscal (manutenção) referente aos Poderes da União. cujo cumprimento se dará durante o exercício financeiro. o projeto é sancionado e publicado pelo Presidente da República. . execução e controle orçamentário. Acompanha o projeto uma Mensagem do Presidente da República. por meio de emendas. Passivo Obrigação Contingência Imprevista Lei Orçamentária Anual => É elaborada anualmente pelo Poder Executivo em atendimento à Constituição Federal e a Lei Federal nº 4. o Governo é obrigado a encaminhar o Projeto de Lei Orçamentária Anual ao Congresso Nacional até o dia 31 de agosto de cada ano (4 meses antes do encerramento da sessão legislativa). Do mesmo modo que a Lei de Diretrizes Orçamentárias é instrumento constitucional de planejamento operacional. deputados e senadores discutem na Comissão Mista de Orçamentos e Planos a proposta orçamentária (projeto de lei) enviada pelo Poder Executivo.Dimensionamento da reserva de contingência e definições sobre sua utilização. Depois de aprovado. votando ao final o projeto. contudo. Precatório não é passivo de contingência. Se durante o exercício financeiro houver necessidade de realização de despesas acima do limite que está previsto na Lei.12 de cada ano). No Congresso.320/64. Por determinação constitucional. na qual é feito um diagnóstico sobre a situação econômica do país e suas perspectivas. consolidando todas as previsões de receita e fixação da despesa de todos os Poderes que compõem o Ente Governamental. transformando-se na Lei Orçamentária Anual. Existe previsão orçamentária para atendê-los. ocorrem demandas judiciais que originam precatórios envolvendo reajuste salarial que é reconhecido judicialmente. órgãos e entidades da administração direta e indireta. A Lei Orçamentária Anual disciplina todos os programas e ações do governo federal no exercício. É elaborada para possibilitar a concretização das situações planejadas no Plano Plurianual. fazendo modificações que julgar necessárias. que estabelece as normas gerais para elaboração. A Constituição determina que o Orçamento deva ser votado e aprovado até o final de cada Legislatura (15. Obedece a Lei de Diretrizes Orçamentárias estabelecendo a programação das ações a serem executadas para alcançar os objetivos determinados. A Lei Orçamentária Anual (LOA) estima as receitas e autoriza as despesas do Governo de acordo com a previsão de arrecadação. seus fundos.

180 a 182 do CTN 11 Arts. IV. A RCL é referência para os principais limites estabelecidos na LRF para os gastos com pessoal. subsídios e benefício de natureza financeira. As empresas dependentes não integram este orçamento. transferências correntes. Tal sistemática na elaboração do orçamento permite a vinculação das dotações orçamentárias aos objetivos de governo. 194 da Constituição Federal. o código da classificação é composto por dois algarismos. dívida pública. da administração direta ou indireta. a discriminação dos objetivos e metas e a introdução de dados físicos para possibilitar a mensuração dos projetos e atividades. II da CF. Demonstrativo regionalizado do efeito sobre as receitas e despesas decorrentes de anistias 10. cuja forma de utilização e montante. isenções 11. Nos ESTADOS: das parcelas entregues aos Municípios por determinação constitucional. 9 Previsto no art. Compreende ainda os demais Programas de Trabalho dos órgãos e entidades que também se envolvam com as referidas ações. 121 da CF). Em AMBOS: da contribuição dos servidores para o custeio do seu sistema de previdência e assistência social. industriais. 10 . a e II. previdência e assistência social. Exemplo: Na União. deduzidos: Na UNIÃO: das transferências aos Estados e Municípios por determinação constitucional ou legal e as contribuições dos empregadores e empregados para a previdência social (art. 165. das receitas provenientes da compensação financeira (art. remissões 12. Orçamento da Seguridade Social ou Orçamento de Investimentos. a Petrobrás). e outras receitas correntes. tributária e creditícia (renúncia de receita). ensejando o acompanhamento e a avaliação dos resultados. detenha a maioria do capital social com direito a voto. que identificam: 10 Orçamento Fiscal 20 Orçamento da Seguridade Social 30 Orçamento de Investimentos Alguns Estados e Municípios utilizam o identificador: F Orçamento Fiscal S Orçamento da Seguridade Social E Orçamento de Investimentos das Empresas ANEXOS DA LOA A LOA conterá: Anexo demonstrativo da compatibilidade da programação dos orçamentos com os objetivos e metas constantes do anexo da LDO (Metas Fiscais). 239 da CF). § 5º. A integração destes três instrumentos implica a agregação da despesa pública. de contribuições. inclusive os programas de apoio administrativo. Compõem o Orçamento de Investimento as empresas lucrativas (como por exemplo. 156. bem como os fundos e fundações instituídos e mantidos pelo Poder Público.referente ao orçamento das empresas públicas e sociedades de economia mista em que a União. 195. ESFERA ORÇAMENTÁRIA Código de identificação utilizado na classificação orçamentária para especificar se a dotação orçamentária pertence ao Orçamento Fiscal. tendo em vista o disposto no art. e terceirização. I. do CTN 13 RCL = somatório das receitas tributárias. agropecuárias. 9º do art. de serviços. Arts. patrimoniais. destinada ao atendimento de passivos contingentes e outros riscos e eventos fiscais imprevistos. e art. obtendo-se a integração programática do setor público. Orçamento de Investimentos das Empresas Estatais 9 Orçamento da Seguridade Social abrangendo todas as entidades e órgãos a quem compete executa ações nas áreas da saúde. direta ou indiretamente. definido com base na receita corrente líquida (RCL) 13 serão estabelecidos na LDO. 176 a 179 do CTN 12 Arts. Reserva de contingência.

que denominaremos princípios orçamentários. como orientadores de todo o ciclo orçamentário (período compreendido entre a elaboração da proposta orçamentária e o encerramento do orçamento. Em geral. a doutrina do Direito Constitucional e do Direito Financeiro confere ênfase ao que se convencionou chamar de princípios orçamentários. na medida que as condições permitam.320/64. ou seja. A Lei nº 4. X da Constituição Federal). pelo seu valor total. universalidade e anualidade". principalmente a disponibilidade de recursos. Sete são princípios orçamentários: Anualidade. 165. Portanto. obedecidos aos princípios da unidade. e principalmente. que estatui normas gerais de Direito Financeiro aplicáveis a todas as esferas da Administração. sem quaisquer deduções ou omissões. de um lado. § 5º. UNIDADE o orçamento deve ser uno. No Brasil. execução e controle). 1º de janeiro a 31 de dezembro. de acordo com o art. (que também é determinado periodicidade). 2º . Tais princípios constituem linhas norteadoras de ação a serem observadas na concepção da proposta. de forma a evidenciar a política econômico-financeira e o programa de trabalho do governo. UNIVERSALIDADE o orçamento deve conter todas as receitas e todas as despesas referentes aos Poderes da União. Para que o orçamento possa ser possa ser um instrumento de administração da administração governamental e também refletir as aspirações da sociedade. compreendendo as fases de elaboração. deve existir apenas um orçamento e não mais do que um para determinado exercício financeiro. qual seja. Universalidade. estabelece os fundamentos da transparência orçamentária. necessário se faz que se obedeça a determinados princípios. Deve conter todos os aspectos dos elementos dos programas que o compõe. pois. . dispondo em seu art. in litteris: "Art. dentre todas. a eliminar a existência de orçamentos paralelos. que informam orientam o legislador no ato de elaboração das leis orçamentárias. o exercício financeiro coincide com o ano civil. dessa forma. Todas as receitas e todas as despesas constarão em um só orçamento. independentemente de características de regionalização ou relevâncias setoriais das atividades. aprovação. e Equilíbrio. Ao período de vigência do orçamento denomina-se exercício financeiro. uma só lei orçamentária. para reforçar a utilização do orçamento como mecanismo de controle sobre a atividade desenvolvida pelo Estado e. Unidade. as previsões de receita e despesa devem referir-se sempre a um período limitado de tempo. Exclusividade. A regra básica para a formulação do orçamento seria aquela que estabeleça o equilíbrio das receitas previstas e das despesas autorizadas. visando contribuir na ação do estado na busca do desenvolvimento econômico da sociedade.PRINCÍPIOS ORÇAMENTÁRIOS Na elaboração orçamentária. órgãos e entidades da administração direta e indireta (art. são premissas maiores.A Lei do Orçamento conterá a discriminação da receita e despesa. Especificação ou discriminação. envolve todos os órgãos que compõem a esfera governamental. O Orçamento é anual. 2º. Publicidade. Existem. Os orçamentos de todos os órgãos que constituem o setor público devem fundamentar-se em uma única política orçamentária. ANUALIDADE de conformidade com o princípio da anualidade. seus fundos. de outro lado. isto é. 34 da Lei nº 4320/64. Visa-se.

2 . Como se observa.EXCLUSIVIDADE o orçamento deve conter apenas matéria orçamentária e não cuidar de assuntos estranhos. ou seja. preocupa-se agora em saber as coisas que o governo faz e não as coisas que o governo compra . 3 . podendo ser definido como sendo um plano de trabalho expresso por um conjunto de ações a realizar e pela identificação dos recursos necessários à sua execução. Apesar de ser um passo importante. que é princípio para todos os atos oficiais do governo. Caso ocorresse uma arrecadação de receita superior às despesas realizadas. conforme preceitua o art. ou seja. Era peça meramente contábil financeira. mas principalmente. um documento de previsão de receita e de autorização de despesas. a limitação do crescimento dos gastos governamentais. as despesas devem ser classificadas com um nível de desagregação tal que facilite a análise por parte das pessoas. No orçamento clássico ou tradicional não havia preocupação com a realização dos programas de trabalho do governo. Uma evolução do orçamento clássico foi o chamado orçamento de desempenho ou por realizações. Como comentado anteriormente. 200/67 menciona o orçamento-programa como plano de ação do Governo. O princípio da especificação determina que a discriminação da despesa far-se-á obedecendo à classificação funcional-programática. fundamentalmente. Deve-se evitar que sejam incluídas da lei orçamentária normas relativas a outros campos jurídicos. e é o utilizado atualmente na esfera governamental. o orçamento-programa não é apenas um documento financeiro.Orçamento. 165 da Constituição Federal. o gestor começa a se preocupar com o resultado dos gastos e não apenas com o gasto em si. Apesar de não ser considerada como uma regra rígida.Orçamento de desempenho ou por realizações.programa foi introduzido no Brasil através da Lei 4320/64 e do decreto 23. PUBLICIDADE o conteúdo orçamentário deve ser divulgado. ESPECIFICAÇÃO o princípio da especificação tem por escopo vedar as autorizações globais. ou seja. A exceção é a autorização para abertura de créditos suplementares e contratação de créditos. Constavam apenas a fixação da despesa e a previsão da receita. Por equilíbrio entende-se que. em cada exercício financeiro. estranhas a previsão da receita e da fixação da despesa. O orçamento tradicional ou clássico das receitas e despesas era elaborado antes do advento do orçamento programa. visando. um instrumento de . a diferença positiva apurada seria aplicada na criação de novos serviços ou no aprimoramento dos já existentes. o orçamento de desempenho ainda se encontra desvinculado de um planejamento central das ações do governo. sem nenhuma espécie de planejamento das ações do governo. O Orçamento-Programa está intimamente ligado ao Sistema de Planejamento e aos objetivos que o Governo pretende alcançar durante um período determinado de tempo.1967.Programa. a idéia ainda é a de manter equilibrada a receita e despesa. não havia planejamento na expansão dos investimentos. o montante da despesa não deve ultrapassar a receita prevista para o período. O orçamento . sem se questionar sobre objetivos e metas. Neste tipo de orçamento.Orçamento clássico ou tradicional. lei 200. de O Decreto-Lei n. deve ser publicado através dos veículos oficiais de comunicação para conhecimento público e para a eficácia de sua validade. ESPÉCIES DE ORÇAMENTO 1 . quando em seu artigo 16 diz: em cada ano será elaborado um orçamento-programa que pormenorizará a etapa do programa plurianual a ser realizado no exercício seguinte e que servirá de roteiro à execução coordenada do programa anual.2. EQUILÍBRIO o orçamento deve manter o equilíbrio do ponto de vista financeiro. entre os valores da receita e da despesa. preocupando-se apenas com as necessidades dos órgãos públicos para realização das suas tarefas.

um instrumento de planejamento da ação do governo. as metas governamentais são classificadas em funções de governo e. elabora a sua proposta orçamentária que vigerá no ano seguinte à sua propositura. => projeto é a estimativa dos recursos de trabalho necessários à realização das atividades.operacionalização das ações do governo. emendar e aprovar. Maior oportunidade para redução dos custos. O Poder Legislativo (Congresso Nacional na esfera da União. CICLO ORÇAMENTÁRIO A elaboração do orçamento-programa abrange quatro etapas: => planejamento é a definição dos objetivos a atingir. Para tanto. projetos e atividades. Facilidade para identificação de duplicação de funções Melhor controle da execução do programa. o seu plano não poderá ser executado sem a prévia aprovação do Poder Legislativo. viabilizando seus projetos e atividades em consonância com os planos e diretrizes estabelecidos. Mais precisão na elaboração dos orçamentos. No anexo V da Lei nº 4. bem como a previsão dos custos relacionados. anualmente. da LDO e da LOA. . contudo. Legislativo e do Público. O orçamento-programa destaca os objetivos que se pretende alcançar e as metas especificadas e quantificadas desses objetivos. Ênfase no que a instituição realiza e não no que ela gasta. estas. tem a atribuição constitucional de examinar. por força constitucional. sub-programas. A CF/88 implantou definitivamente o orçamento . projetos e atividades. => orçamentação é a estimação dos recursos financeiros para pagar a utilização dos recursos de trabalho e prever fonte de recursos. Assembléia Legislativa no âmbito dos Estados e a Câmara Municipal nos municípios). No orçamento-programa. o orçamento programa pode ser entendido como um plano de trabalho. => programação é a definição das atividades necessárias à consecução dos objetivos. Melhor determinação das responsabilidades. ao estabelecer a normatização da matéria orçamentária através do PPA. através da identificação dos seus programas de trabalho. estadual e federal) deseja atingir durante o mandato. discutir.320/64 padroniza a estrutura e a codificação da classificação funcionalprogramática. ficando evidente o zelo do constituinte para com o planejamento das ações do governo. PROPOSTA ORÇAMENTÁRIA E LEI ORÇAMENTÁRIA O Poder Executivo de cada esfera governamental consubstancia as metas que o governo (municipal. destacando-se as seguintes vantagens: Melhor planejamento de trabalho. Maior compreensão do conteúdo orçamentário por parte dos Poderes Executivo. No orçamento-programa a previsão dos recursos financeiros e a sua destinação decorrem da elaboração de um plano completo. além do estabelecimento de objetivos e metas a serem implementados. os Planos de Custeio e de Investimentos do Poder Executivo. Apresentação dos objetivos e dos recursos da instituição e do inter-relacionamento entre custos e programação.programa no Brasil. Identificação dos gastos e realizações por programa e sua comparação em termos absolutos e relativos. Dessa forma. divididas em programas.

Programação e execução. Externa: a participação popular está estabelecida pela LRF para todo o processo orçamentário. Interna: a participação dos órgãos envolvidos com as ações. inclusive para a elaboração do PPA e LDO.Esse conjunto de documentos que demonstra os planos do Governo. Precatórios: contabilização e respeito à ordem cronológica. a proposta orçamentária torna-se orçamento público. Desse modo. é denominado de proposta orçamentária. contudo. Realização de audiência pública junto ao Poder Legislativo. de 30 dias após a aprovação da LOA. Verificação de limites e condições estabelecidos (gastos com pessoal. Nesta fase o orçamento é programado. isto é. de acordo com a orientação do órgão central de orçamento. metas de arrecadação. As programações são executadas. passa-se das atividades de estimação da receita e da fixação da despesa (proposta orçamentária) às atividades de realização da receita e da despesa (execução orçamentária) programação e execução seguida da avaliação e controle. pelo Poder Executivo. são definidos os cronogramas de desembolso. acompanhadas e parcialmente avaliadas. A LRF estabelece prazo para elaboração da programação orçamentária e financeira anual. . sobretudo PR intermédio dos mecanismos e entidades do controle interno. ou outro prazo estabelecido pelas Constituições Estaduais e Leis Orgânicas dos Municípios. aplicação da receita de alienação de ativos). limites para contratação de dívida. Aprovada pelo Poder Legislativo. CONDIÇÕES ESTABELECIDAS PELA LRF PARA O PROCESSO DE EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA E FINANCEIRA: Cumprimento de metas e limitação de empenho. enviados à Casa Legislativa. ajustando o fluxo de dispêndios às sazonalidades da arrecadação. Proposta Orçamentária Quanto se pretende desenvolver (Meta quantificação física dos produtos das ações) Quanto custa (Dispêndio financeiro0 Quem financia (Fonte de recursos) Qual o efeito econômico da realização da despesa (Categoria econômica da despesa) Qual insumo se pretende utilizar ou adquirir (Natureza da despesa) Em que área de ação governamental a despesa será realizada (Função e subfunção) Qual o grau de importância (Priorização) Por quê fazer (Fundamentação) A elaboração da Proposta orçamentária contará com a participação de entes interno e externo. somente depois de sancionada e publicada a lei na imprensa oficial. os órgãos públicos poderão dar início à execução dos planos. contratação de despesa. sendo este. A proposta orçamentária terá por base a série histórica das receitas e despesas realizadas e registradas na execução orçamentária e financeira do exercício anterior (ou períodos anteriores). A proposta de lei orçamentária deverá ser devolvido para sanção do Poder Executivo. até o término da sessão legislativa anual (15 de dezembro).

uma vez que não são concedidos créditos ilimitados. Neste estágio. CLASSIFICAÇÃO DOS CRÉDITOS ADICIONAIS Os créditos adicionais se classificam em: Créditos Suplementares Créditos Especiais Créditos Extraordinários Os Créditos Suplementares se destinam a reforçar dotação já existente no orçamento em vigor. quer para atender novos serviços. parte da qual ocorre concomitantemente com a de execução. 14 Acompanhamento da ação governamental através da execução dos programas. cobrir despesas imprevisíveis e urgentes que não possam aguardar novo planejamento (novo orçamento no exercício seguinte) para ser atendida. Por essa razão. . conforme determinado pelos artigos 41 e 167 da Constituição Federal de 1988. quer como valores que visam reforçar o orçamento existente. além da realimentação dos processos de planejamento e de programação. menor a probabilidade da necessidade de créditos adicionais. Quanto mais organizado e planejado um Orçamento. podemos considerar os créditos adicionais como instrumentos de ajustes orçamentários. coincidente com o término do ano civil. Os créditos adicionais aumentam a despesa pública já fixada no orçamento para determinado exercício. com vistas ao acompanhamento da ação governamental através da execução dos programas. e o valor deste deverá ser expresso.Avaliação 14 e controle. Os créditos adicionais são as autorizações de despesas não computadas ou insuficientemente dotadas na Lei Orçamentária Anual. A vigência do Crédito Suplementar acompanha a da dotação suplementada. que visam suplementar (aumentar) as dotações orçamentárias para atender as situações nele não previstas.320/64. 43). são realizadas as avaliações por órgãos técnicos. Também são produzidos os balanços e relatórios para apreciação e auditoria pelos órgãos auxiliares do Poder Legislativo (Tribunais de Contas). Em outras palavras. Eles serão adicionados aos créditos que já integram o orçamento em vigor. expira em 31 de dezembro. o Poder Legislativo não o concederá. o termo crédito significa uma autorização para realizar gastos ou despesas públicas e não se confunde com recursos financeiros. ocorrem situações que ensejam a abertura de créditos para que o Poder Executivo possa alcançar seus objetivos. Contudo. ao longo do exercício financeiro podem ocorrer diversos fatores que refletem direta ou indiretamente na arrecadação das receitas ou na execução das despesas públicas. uma vez que a vigência do Orçamento finda naquela data. CRÉDITOS ADICIONAIS MECANISMOS RETIFICADORES DO ORÇAMENTO Na definição de orçamento. ou ainda. Durante a execução do orçamento. a lei determina que cada solicitação deva ser acompanhada da indicação dos recursos financeiros para tal (Lei nº 4. Sem a indicação do recurso para a abertura do crédito adicional pleiteado. ou seja. Para a concessão de créditos adicionais. art. ainda que o crédito não esteja consignado no Orçamento já aprovado e em vigor. são denominados créditos adicionais.

dentro de um limite percentual estabelecido. A abertura do crédito depende da existência prévia de recursos disponíveis. exceto se a lei de autorização for promulgada nos últimos quatro meses do exercício financeiro. subprograma. serão abertos por medida provisória e submetidos imediatamente ao Poder legislativo que. como as decorrentes de guerra. E ainda. com novo programa. Características dos créditos suplementares: 15 A despesa está prevista no orçamento. o Crédito Especial é autorizado por lei e aberto por decreto. após a autorização em Lei Especial. Portanto. É necessária a criação de uma programação quando é solicitado o crédito especial. pelos seus saldos remanescentes. e exigem a indicação de recursos financeiros para a sua concessão.Os Créditos Suplementares são autorizados por lei e abertos por decreto. a abertura de crédito extraordinário somente será admitida para atender a despesas imprevisíveis e urgentes. 15 16 Deusvaldo Carvalho in curso preparatório para concurso Deusvaldo Carvalho in curso preparatório para concurso . Tal como o Crédito Suplementar. São abertos por Decreto do Executivo. etc. ou seja. na medida de suas necessidades. Essa situação inverte-se o procedimento. A legislação financeira permite que a própria Lei Orçamentária Anual autorize o Poder Executivo a reajustar as dotações orçamentárias. calamidade pública. § 3º. Os Créditos Especiais são destinados a despesas para as quais não haja dotação ou categoria de programação orçamentária específica. São abertos por Decreto do Executivo. projeto ou atividade e ele ser consignados dotações orçamentárias. mas que surgiram durante a execução do orçamento. Pela urgência que os motiva não necessitam de autorização legislativa prévia para a sua abertura. da CF). comoção interna ou calamidade pública (art. Características dos créditos especiais: 16 A despesa não está prevista no orçamento. Visa a atender despesas não previstas na lei orçamentária. Portanto. após a autorização em Lei Especial. o legislativo autoriza na Lei Orçamentária que o Chefe do Poder Executivo reajuste (abra créditos suplementares) até determinado limite. comoção interna. desde que ato de autorização tenha sido promulgado nos últimos quatro meses do exercício. A vigência do Crédito Especial é igual ao do orçamento vigente. o crédito especial cria novo item de despesa e se destina a atender um objetivo não previsto quando da elaboração da proposta orçamentária. se existir saldo não utilizado em 31 de dezembro este valor será reaberto no exercício subseqüente e incorporado ao orçamento. A abertura do crédito depende da existência prévia de recursos disponíveis. apenas o crédito não foi suficiente. suplementando e reduzindo. Os Créditos Extraordinários se destinam a atender despesas urgentes e imprevisíveis decorrentes de guerra. Podem ser autorizados na própria Lei orçamentária ou em Lei Especial. Os saldos remanescentes em 31de dezembro podem ser transferidos para o exercício seguinte. estando em recesso será convocado extraordinariamente para se reunir no prazo de cinco dias. 167.

Para os efeitos da lei. Entende-se por anulação parcial ou total de dotações orçamentárias ou de créditos adicionais. 2004. p. 167. Os resultantes da anulação parcial ou total de dotações orçamentárias ou de créditos adicionais autorizados por lei. Os saldos remanescentes em 31 de dezembro podem ser transferidos para o exercício seguinte. A abertura do crédito independe da existência prévia de recursos disponíveis. Produtos de operação de crédito autorizados de forma que juridicamente possibilite o Poder Executivo realizá-las.Essa situação é inversa aos procedimentos para abertura dos créditos suplementares e especiais. e integra o grupo da dívida flutuante. o governo pode iniciar a realização dos gastos necessários. casos em que. poderão ser reabertos pelos seus saldos no próximo ano. Os provenientes do excesso de arrecadação saldo positivo das diferenças acumuladas mês a mês entre a arrecadação prevista e a realizada. Os créditos extraordinários terão vigência dentro do exercício financeiro em que foram abertos. Abertos por Medida Provisória. conjugando-se ainda. § 3º. 271. a redução das dotações consignadas na Lei Orçamentária Anual e que já possuíam recursos financeiros. 19 Operação de crédito é a designação de um débito a curto ou longo prazo. reabertos nos limites de seus saldos. salvo se o ato de autorização for promulgado nos últimos quatro meses daquele exercício. 17 Características dos créditos extraordinários: Imprevisibilidade do fato. temos a operação de crédito por antecipação de receitas orçamentárias. Como exemplo. Deve-se deduzir os créditos extraordinários abertos no exercício para apurar os recursos utilizados. 17 18 Deusvaldo Carvalho in curso preparatório para concurso idem 19 Compêndio da legislação Usual do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul. o Poder Executivo realiza a abertura de créditos extraordinários por Medida Provisória e enquanto ainda não apreciada pelo Poder Legislativo. terão vigência dentro do exercício financeiro. consideram-se recursos: Superávit financeiro apurado em balanço patrimonial do exercício financeiro anterior que é a diferença positiva entre o ativo financeiro e o passivo financeiro. e. no caso de despesas imprevisíveis e urgentes. serão incorporados ao orçamento do exercício financeiro subseqüente (art. Isto é. A abertura de Créditos Suplementares e Especiais depende da existência de recursos financeiros disponíveis para ocorrer a despesa. os saldos dos créditos adicionais transferidos e as operações de crédito a ele vinculadas. como as decorrentes de guerra. . provenientes do excesso de arrecadação. desde que ato de autorização tenha sido promulgado nos últimos quatro meses do exercício. Créditos especiais e extraordinários: em princípio. que requer ação urgente do poder público. caso sejam abertos nos últimos 4 meses do exercício financeiro. da CF). comoção interna ou calamidade pública. A operação de crédito de curto prazo é aquela com prazo inferior a 12 meses. considerando ainda a tendência do exercício. proveniente de empréstimo contraído pelo governo e que constitui Dívida Pública. Portanto: 18 Créditos suplementares: terão vigência sempre dentro do exercício financeiro. 4ª ed. A despesa não está prevista no orçamento.

De forma sucinta. de 29 de abril de 2004. São os recursos instituídos e arrecadados pelo poder público com a finalidade de ser aplicado em gastos que atenda aos anseios e demandas da sociedade. desenvolvimento econômico e social e com o próprio patrimônio público. Qualquer suplementação de dotação orçamentária aumentará a despesa se não tiver um correspondente aumento de receita. 22 Compêndio da legislação Usual do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul. RECEITA PÚBLICA Conceito. 20 21 idem Portaria/STN nº 219.A operação de crédito de longo prazo e aquela com prazo superior a 12 meses. fazendo prever uma execução deficitária. em: Receita pública efetiva e Receita pública não efetiva Podemos considerar como receita pública efetiva aquela em que os ingressos não representam obrigações do ente publico e por isso alteram a situação líquida patrimonial. pois tem como finalidade a tender às despesas públicas . 23 Portaria/STN nº 219. tal como descritos no tópico anterior. e integra o grupo da dívida fundada. 21 Esses recursos são arrecadados pelo Estado por meio de contribuição da coletividade. em qualquer esfera governamental. Quando da entrada desse recurso simultaneamente registra-se uma obrigação. Esse tipo de receita não altera a situação líquida do órgão ou entidade. fato que provoca um desequilíbrio no orçamento.23 CONTABILIZAÇÃO DA RECEITA PÚBLICA Para efeito de contabilização podemos classificar a receita de acordo com a variação na situação líquida que ela pode provocar. Dessa forma. presume-se que ingressarão nos cofres públicos os recursos suficientes para cumprir todas as aplicações programadas. 2004. 272. de 29 de abril de 2004. utilizados para fazer frente a todos os encargos com a manutenção da sua organização com o custeio dos seus serviços. podemos concluir que num orçamento equilibrado qual seja. incorporando definitivamente ao patrimônio público. todo o ingresso orçamentário constitui uma receita pública. despesa igual a receita. para alocação e cobertura das despesas públicas. A receita pública não-efetiva é aquela em que os ingressos de disponibilidades de recursos foram precedidos de registro do reconhecimento do direito e por isso não alteram a situação líquida patrimonial. com a segurança da soberania. 20 Para finalizar esse tópico. pode-se dizer que é todo recurso obtido pelo estado para atender as demandas públicas. . É uma operação sujeita à autorização do Poder Legislativo. p. Para evitar fato como esse que a legislação exige que as suplementações sejam compensadas com recursos já existentes. 4ª ed. 22 Podemos definir então Receita Pública como sendo todos os ingressos de caráter não devolutivo auferidas pelo poder público.

ou aplicação em atividades econômicas produção. As segundas são as receitas que se originam a partir do próprio patrimônio público. comércio ou serviços . 2005. Campo Grande. p.No recebimento da receita pública aplica-se o regime orçamentário de caixa previsto no art. ou seja. por meio de tributos. Considera-se também ingresso de disponibilidade de recursos a compensação ou quitação de obrigações utilizando-se de direitos ou conversão de obrigações em receita. É uma classificação da receita corrente. Gráfica e Ed.320/64 que resulta em registro contábil do ingresso de recursos. etc. Receitas de Serviço. Orçamento e Finanças Públicas: Teoria e Prática. em dois grupos: Receita Orçamentária Receita Extra-Orçamentária 24 25 CARVALHO. Participação e dividendos. A Receita Pública classifica-se. etc. . 25 São exemplos de receitas originárias: Receitas Patrimoniais. o governo obtém tributando a sociedade. Ruy Barbosa. Receita pública derivada: É a receita pública efetiva obtida pelo Estado em função de sua soberania. as primeiras seriam as que derivam do patrimônio da sociedade. Receita de Contribuições Taxas de Serviços. cujos recebimentos estejam previstos no orçamento. Receitas Agropecuárias.é uma classificação da receita corrente. segundo a classificação da receita pública por categoria econômica. 11 da Lei nº 4. Para um melhor entendimento temos a conceituação da STN acerca das receitas derivadas e originárias: Receita pública originária: É a receita pública efetiva oriunda das rendas produzidas pelo patrimônio do poder público. Idem.26 São exemplos de receitas derivadas: Receita Tributária. 24 CLASSIFICAÇÃO DA RECEITA PÚBLICA Inicialmente a receita pública é classificada em receitas derivadas e originárias. pela cessão remunerada de bens e valores . Receitas Comerciais.aluguel e ganhos em aplicações financeiras . As receitas derivadas são formadas por receitas correntes. indenizações e restituições. 157. provenientes de receitas anteriormente reconhecidas ou reconhecidas no momento do recebimento. 26 Idem. penalidades. Deusvaldo. quanto à sua natureza.

2006. Constitucionalmente. posteriormente modificada pela Lei Complementar nº 101/2000. 44 Compêndio da legislação Usual do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul. as rendas. p. QUADRO DEMONSTRATIVO DA CLASSIFICAÇÃO ORÇAMENTÁRIA DA RECEITA: 27 28 ANGÉLICO. Se ao final do exercício o valor de receitas correntes for maior do que as despesas correntes o resultado apurado apresenta-se como superávit corrente.320/64. Atlas. Aumenta a situação líquida patrimonial. O ingresso de recursos oriundos da arrecadação da receita orçamentária integra-se ao patrimônio público sem quaisquer reservas ou correspondência ao passivo. discriminada na forma do Anexo III da Lei nº 4. como já citamos anteriormente. 4ª ed. João. Contabilidade Pública. essa entidade pública a partir de então.320/64 27 . as alienações. por isso são chamadas de receitas efetivas. São os tributos. os retornos de empréstimos e as operações de créditos por prazo superior a doze meses.5. e detalhada no Anexo I da Portaria Interministerial nº 163. é classificada em duas categorias econômicas: Receitas Correntes e Receita de Capital 1 Receitas Correntes ----------------------------------------------------2 Receitas de Capital ----------------------------------------------------RC > DC = SUPERAVIT DO ORÇAMENTO CORRENTE RC < DC = DEFICIT DO ORÇAMENTO CORRENTE 3 Despesas Correntes 4 Despesas de Capital As receitas correntes devem financiar as despesas correntes. 8ª ed. 273 . CODIFICAÇÃO DA RECEITA A classificação orçamentária da receita é estruturada de forma a facilitar a identificação de cada item de receita prevista com a respectiva arrecadação pelos cofres públicos. integrando o orçamento público da entidade como um elemento novo e positivo. O superávit corrente deve se somar à receita de capital e pagar o investimento da administração pública. e. A arrecadação da receita orçamentária depende de autorização legislativa prévia. e. Toda receita arrecadada que pertença ao tesouro. poderá dispor do valor como propriedade sua para a execução das suas atividades.2001 e Portaria nº 180. que.RECEITA ORÇAMENTÁRIA Receita Orçamentária é aquela que integra o orçamento público. São Paulo. a sua missão institucional. CATEGORIA ECONÔMICA DA RECEITA ORÇAMENTÁRIA A Receita Orçamentária. as transferências efetuadas de um ente público a outro ente público.2001. a receita de capital paga exclusivamente despesa de capital. de 4.5. As receitas de capital não podem pagar despesas correntes. 2004. Elas são vinculadas com a despesa de capital. conforme dispõe o artigo 11 da Lei nº 4. será orçamentária 28. de 21. p. é a Lei Orçamentária Anual.

04. resultante de cobrança de tributos pagos pelos contribuintes em razão de suas atividades.00. porque não é originário de qualquer bem de capital. Atlas. as que não estejam.1.00 1. de uma obrigação dos cidadãos de contribuírem para a manutenção da coisa pública.0.0. Taxas e Contribuições de Melhoria. é iniciado o dispositivo sobre a classificação das transações governamentais. definidas como de capital e estejam por ato do poder público vinculadas a uma despesa corrente. da Lei nº 4.00 1. 80.0. que é considerado uma receita corrente. 29 São fontes de Receitas Correntes: Receita Tributária Receita de Contribuições Receita Patrimonial Receita Agropecuária Receita Industrial Receita de Serviços Transferências Correntes Outras Receitas Correntes Receita Tributária (ou Receita Derivada) é composta por Impostos. ou seja. Portanto.1.0. KOHAMA.00.1. conforme detalhamento e codificação contida em lei.0. são. Heilio.10 ESPECIFICAÇÃO RECEITAS CORRENTES Receita Tributária Impostos Imposto sobre o patrimônio e a renda Imposto sobre renda e proventos Pessoas físicas As categorias econômicas da receita orçamentária se desdobram em fontes de receitas. ressalvadas as disposições contidas no inciso IV do artigo 167 da Constituição Federal.1.1. as operações correntes.00. Apenas para ilustrar o conceito. em termos de receita. mas sim. e o seu produto se destina ao custeio de atividades gerais ou específicas exercidas pelas entidades públicas. temos o Imposto.1. e. em subfontes de receitas. as que não são provenientes da alienação de bens de capital. O Código Tributário Nacional define tributo no art. suas propriedades e dos benefícios diretos e imediatos recebidos pelo Estado.2.00 1. estas.1. classificando-as em: Operações Correntes e Operações de Capital Operações Correntes são as operações governamentais das quais não resultam constituição ou criação de bens de capital. basicamente.04.2. suas rendas.00. São Paulo. § 1º. As subfontes de receitas por sua vez. A arrecadação da receita corrente não está vinculada a uma despesa de capital. Por meio dessa categoria econômica da receita orçamentária. são analisadas em rubricas e sub-rubricas de receitas.2. 3° como "toda prestação pecuniária compulsória. .00 1.1.NÍVEIS 1º 2º 3º 4º 5º e 6º 7º e 8º DISCRIMINAÇÃO Categoria Econômica Fonte Subfonte Rubrica Alínea Subalínea CLASSIFICAÇÃO ORÇAMENTÁRIA 1. 3ª ed. p.0.320/64 in Contabilidade Pública. na lei.00 1. 1992.1. não resultam em acréscimo patrimonial. 29 Artigo 11.

Contribuição de Melhoria segundo o art.criação. Deusvaldo.em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir. . de aplicações de disponibilidades em opções de mercado e outros rendimentos oriundos de renda de ativos permanentes. de transformação. têm como fato gerador o exercício regular do poder de polícia. que não constitua sanção de ato ilícito. comunicação. prestado ao contribuinte ou posto à sua disposição". p. Receita Agropecuária é o ingresso proveniente da atividade ou da exploração agropecuária de origem vegetal ou animal. etc. etc. de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas. Incluem-se nesta classificação as receitas advindas da exploração da agricultura . Exemplo: PIS. 163. gás natural e seus derivados e álcool combustível. 30 CARVALHO. de inspeção e fiscalização. 16. judiciário. provenientes das atividades industriais definidas como tal pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística . instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada" e define suas espécies da seguinte forma: Impostos conforme art.combustíveis". relativa ao contribuinte". 81. portuário. efetiva ou potencial. armazenagem. de serviço público específico e divisível. 77. a saúde e a assistência social. suas espécies podem ser definidas da seguinte forma: Contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social. Taxa de acordo com o art. da pecuária . vendas de mercadorias e produtos inerentes à atividade da entidade e outros serviços. Conselhos Regionais de Economia.cultivo do solo. 30 Receita Patrimonial é o ingresso proveniente de rendimentos sobre investimentos do ativo permanente. pelo Distrito Federal ou pelos Municípios. "a contribuição de melhoria cobrada pela União. a exemplo dos Conselhos Regionais de Contabilidade. pelos Estados. Contribuições de Intervenção no domínio econômico deriva da contraprestação à atuação estatal exercida em favor de determinado grupo ou coletividade. Receita Industrial é o ingresso proveniente da atividade industrial de extração mineral. Gráfica e Ed. no âmbito de suas respectivas atribuições. a denominada "CIDE . seria o exemplo da contribuição relativa às atividades de importação ou comercialização de petróleo e seus derivados. recriação ou engorda de gado e de animais de pequeno porte. pelo Distrito Federal ou pelos Municípios. pelos Estados. "as taxas cobradas pela União.IBGE. Receita de Serviços é o ingresso proveniente da prestação de serviços de transporte. 2005. processamento de dados. Campo Grande. tendo como limite total a despesa realizada e como limite individual o acréscimo de valor que da obra resultar para cada imóvel beneficiado". saúde. é instituída para fazer face ao custo de obras públicas de que decorra valorização imobiliária. Ruy Barbosa. Orçamento e Finanças Públicas: Teoria e Prática. ou a utilização. compreendendo a previdência social. Mesmo diante da controvérsia doutrinária sobre o tema. e das atividades de beneficiamento ou transformação de produtos agropecuários. Contribuições de Interesse das categorias profissionais ou econômicas destinadas ao fornecimento de recursos aos órgãos representativos de categorias profissionais legalmente regulamentadas ou a órgãos de defesa de interesse dos empregadores ou empregados. "imposto é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade esta tal específica. como instrumento de intervenção nas respectivas áreas. de construção e outras. no âmbito de suas respectivas atribuições. PASEP. COFINS. Receita de Contribuições é o ingresso proveniente de contribuições sociais.

de autorização legislativa. não consta do orçamento da receita. Outras Receitas Correntes são os ingressos provenientes de outras origens não classificáveis nas subcategorias econômicas anteriores.Transferências Correntes é o ingresso proveniente de outros órgãos ou entidades. da Lei nº 4.320/64. ANGÉLICO. 31 São fontes de Receitas de Capital: Operações de Crédito Alienação de Bens Amortização de Empréstimos Transferências de Capital Outras Receitas de Capital Operações de Crédito são as receitas oriundas da realização de recursos financeiros provenientes de constituição de dívidas. referentes a recursos pertencentes ao ente ou entidade recebedora ou ao ente ou entidade transferidora. 8ª ed. KOHAMA. efetivados mediante condições preestabelecidas ou mesmo sem qualquer exigência. consequentemente.320/64 in Contabilidade Pública. Atlas. São também classificadas como operações de capital a obtenção de empréstimos. Para concluir a parte da receita pública denominada receita orçamentária. 33 Artigo 11. são as que provêm da alienação de um bem de capital. p. O seu pagamento (devolução) independe de autorização orçamentária. por ato do poder público. e. RECEITA EXTRA-ORÇAMENTÁRIA A Receita Extra-Orçamentária é o produto da arrecadação feita pelo ente governamental e que constituirá compromisso exigível. e. João. Operações de Capital são as operações que resultam em constituição ou criação de bens de capital. Na receita pública há também o segundo grupo de receitas que é a Receita Extra-orçamentária. que convertam bens e valores em espécie. desde que o objetivo seja a aplicação em despesas correntes. isto é. embora não constitua item orçamentário. 80. Heilio. 33 Outras Receitas de Capital é uma classificação genérica para alocar recursos de Receita de Capital que não se enquadram numa das fontes anteriores. 32 Alienação de Bens fonte de receita de capital. será reclamado posteriormente. destacamos que o superávit do Orçamento Corrente é classificado como Receita de Capital. São Paulo. São Paulo. Atlas. pois não pertence ao Estado. § 2º (parte final). as que estejam na lei. consequentemente. vinculadas a uma operação de capital. e as que estejam. definidas como operações de capital. em pecúnia (moeda corrente). 1992. da Lei Federal nº 4. em acréscimo de patrimônio. § 2º. recebimento de empréstimos concedidos a outrem. ou seja. Vale lembrar que superávit do Orçamento Corrente é a diferença positiva apurada entre a receita corrente arrecadada e a despesa corrente executada. Contabilidade Pública. p. 45. 2006. móveis ou imóveis. 3ª ed. 31 32 Artigo 11. . são os empréstimos e os financiamentos. Em termos de receita. destinados a atender despesas classificáveis em Despesas de Capital. oriundas da venda de bens patrimoniais. Transferências de Capital são outra fonte de recursos recebidos de outras entidades de direito público ou privado. Amortização de Empréstimos é fonte de receita de capital que consiste no recebimento de valores que foram emprestados a outras entidades de direito público.

individualização e controle contábil . tais como contribuição para sindicatos. mensalidade de plano de saúde. Esse processo é denominado de estágios ou fases da receita. retenções de obrigações na fonte. temos que a receita extra-orçamentária deve ser registrada na contabilidade. e irá adicionar às disponibilidades financeiras da entidade. Consignações em folha de pagamento são os valores descontados da folha de pagamento dos servidores de uma entidade. Previsão é a estimativa do montante que se espera arrecadar em determinado período. Portanto. A receita pública. desde a sua previsão. serão também objeto de registro. normalmente um exercício financeiro. para o fim de serem repassados a credores diversos. e Recolhimento. Retenções de obrigações na fonte são os descontos efetuados por determinação legal. consignações em folha de pagamento para serem repassadas a terceiros. Arrecadação. Para conhecer se a receita de determinado órgão é orçamentária ou extra-orçamentária. Cauções e fianças são valores dados em garantia nas contratações de grande vulto. 35 34 Artigo 93 da Lei nº 4. exigidos a critério do ordenador de despesas do órgão. não compreendidas na execução orçamentária. uma receita extra-orçamentária se converterá em receita orçamentária quando o valor correspondente a um depósito foi declarado perdido em favor do Estado em caso de inadimplência contratual ou mesmo decadência do contribuinte numa ação. 34 Fazendo uma leitura desse dispositivo legal. esse recolhimento referir-se-á a uma receita extra-orçamentária. dentre outras. tais como imposto sobre a renda. A realização (arrecadação) da receita extra-orçamentária não constitui renda do Estado e nem se vincula ao orçamento. ESTÁGIOS DA RECEITA PÚBLICA Desde o momento da elaboração da proposta orçamentária até o efetivo recolhimento da arrecadação ao Tesouro. Se a importância recolhida se referir às atividades do órgão. Neste caso. . será uma receita orçamentária do mesmo. pensão alimentícia. As cauções e fianças dadas em títulos ou apólices não são considerados receita extra-orçamentária. entre outros.A legislação determina que todas as operações que resultem débitos e créditos de natureza financeira. contribuições para a previdência social. que serão restituídas depois do cumprimento do objeto contratual. São exemplos de receita extra-orçamentária as cauções e fianças (quando em pecúnia). Contudo. O Estado atua como mero depositário desses valores. são classificados com contas de compensação. Lançamento. passa pelos seguintes estágios ou fases: Previsão. e outros. contribuições patronais. trata-se de uma expectativa de arrecadação. mas com uma contrapartida no passivo exigível. As consignações e retenções são descontadas quando da elaboração da folha de pagamento para posteriormente serem repassados às entidades consignantes. Do contrário. fato pelo qual é denominado também de receita orçada. é necessário que seja feita a sua classificação mediante análise de se o recurso que está sendo recolhido pertence ao órgão que esteja recebendo ou mesmo ao Tesouro. a receita pública passa por processos consubstanciados em ações pelos órgãos encarregados de executá-las. por meio de escrituração contábil devidamente individualizada. que será devolvido quando reclamado.320/64.

o valor arrecadado dos Artigo 51 da Lei nº 4. p. da projeção para os dois anos seguintes ao qual se referirem. Quando a meta de arrecadação não for cumprida. É o segundo estágio da receita pública. §§ 1º e 2º da Lei Complementar nº 101/00 in CARVALHO. a pessoa devedora e inscreve a débito dela. ingressando diretamente no estágio arrecadação. O montante previsto para as receitas de operações de crédito não poderá superar o montante previsto para as despesas de capital constantes do projeto de lei orçamentária. 2005. Deusvaldo. As previsões da receita serão acompanhadas de demonstrativo da evolução nos últimos três anos. os efeitos das alterações na legislação. independentemente de aviso do Poder Público. Nesse estágio ocorre a escrituração do primeiro lançamento contábil Recolhimento contribuintes. o Poder Executivo deverá especificar as medidas de combate a evasão. É o ato que o Poder Executivo individualiza e identifica o contribuinte e o respectivo valor. O valor global dos valores lançados num exercício é classificado em uma conta específica denominada receita lançada.Com o advento da Lei Complementar nº 101 de 4. Na fase da arrecadação. Contudo. fez-se necessário observar algumas regras sobre a previsão de receita. .5. nem todas as receitas estão sujeitas ao estágio do lançamento. 35 36 é o ato em que o agente arrecadador repassa ao Tesouro. nessa fase. as receitas previstas serão desdobradas em metas bimestrais de arrecadação. que incidem sobre a produção e transações. Ruy Barbosa.320/64. O Código Tributário Nacional define esta medida como procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente. o terceiro estágio. escriturado contabilmente. a matéria tributável. 36 O Poder Executivo enviará aos demais poderes e ao Ministério Público. Lançamento não é lançamento contábil. Essa determinação é conhecida como regra de ouro . Artigo 12.2000. são pagos pelos próprios contribuintes nos prazos estabelecidos pela legislação pertinente a cada um. o pagamento efetuado pelo contribuinte ao agente arrecadador que estejam autorizadas pelo Poder Público a receberem os pagamentos dos cidadãos que os procurem a fim de liquidarem as suas obrigações com o erário. Até trinta dias após a publicação dos orçamentos. normalmente feito ao final do exercício para efetuar a cobrança no exercício seguinte. e da metodologia de cálculo utilizados. Gráfica e Ed. inclusive da receita corrente líquida e as respectivas memórias de cálculo. portanto. não sendo.320/64 define o lançamento da receita como o ato da repartição competente que verifica a procedência do crédito fiscal. Orçamento e Finanças Públicas: Teoria e Prática. o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do respectivo sujeito passivo. É lançamento tributário. no mínimo trinta dias antes do prazo final para encaminhamento de suas propostas orçamentárias. a variação do índice de preços. sonegação. Isso porque a arrecadação dos impostos indiretos. A Lei 4. Arrecadação a receita pública que percorre todos os estágios cumpre. da quantidade de ações ajuizadas para cobrança da dívida ativa. DEMONSTRATIVOS QUE ACOMPANHAM A PREVISÃO DA RECEITA: Evolução da receita nos três últimos exercícios Projeção para os dois exercícios seguintes àquele que se referirem Metodologia de cálculo e premissas utilizadas. O Poder Legislativo somente admitirá reestimativa de receita se comprovado erro ou omissão de ordem técnica ou legal. Para a previsão da receita deverão ser observadas normas técnicas e legais. Campo Grande. do crescimento econômico ou outro fator relevante. conhecida como Lei de Responsabilidade Fiscal. espécie de tributo e o vencimento para o pagamento. os estudos e as estimativas das receitas para o exercício seguinte. a evolução do montante dos créditos tributários passíveis de cobrança administrativa. 174.

Nesse estágio da receita ocorre a escrituração do segundo lançamento contábil. Via de regra. A LRF veda a realização de transferências voluntárias para o ente que não cumprir os requisitos essenciais. denominada de restituições e indenizações. no que se refere a impostos. inclusive as guias de recolhimento com a autenticação do pagamento. relatando o ocorrido. Ainda que pese o pagamento ter sido cobrado indevidamente do contribuinte pelo poder público. configura-se um aumento na despesa do exercício financeiro em que houver incorrido. será configurada uma diminuição da receita orçamentária do exercício. se a autorização para essa restituição da receita orçamentária ocorrer no exercício financeiro seguinte ao do recolhimento do tributo. e estes precisam ser reparados pelo poder público. públicos ou privados. é defeso ao contribuinte ter restituído o pagamento efetuado. cabe àquele a iniciativa de requerer a restituição do valor devido. e estes recolhem aos cofres públicos o montante arrecadado. com a anulação da receita. De qualquer modo. RENÚNCIA DE RECEITA Qualquer renúncia de receita tem que ser precedida de legislação específica. Ocorre também. ele o faz por intermédio de agentes arrecadadores. que retificará o montante da receita arrecadada no exercício. do pagamento ser cobrado do contribuinte. suas razões do pedido. Segundo a LRF a renúncia compreende: Anistia Remissão Subsídio Crédito presumido Concessão de isenção em caráter não geral Alteração de alíquota ou modificação de base de cálculo que implique redução discriminada de tributos Outros benefícios que correspondam a tratamento diferenciado. Na primeira situação. Procedimento idêntico deve ser adotado se constatado o pagamento de tributo erroneamente. Porém. quando da verificação da necessidade de ressarcimento de valores recebidos indevidamente pelo Tesouro. na segunda. não diminuirá a receita em face de a arrecadação ter ocorrido no exercício anterior. indevidamente. no entanto. Contudo. . diariamente. que. já findo. onerando a despesa orçamentária no exercício em que for autorizada. registra o fato. Pela via administrativa. para possibilitar o exame pelos agentes públicos responsáveis. será necessária a emissão de empenho à conta da dotação orçamentária própria. Esse aumento da despesa orçamentária correspondente a essa restituição compensará a receita arrecadada indevidamente no exercício anterior. ANULAÇÃO E RESTITUIÇÃO DE RECEITAS Anulação e Restituição de Receitas são os procedimentos adotados concernentes à receita orçamentária. Quando essa restituição de pagamento for requerida e realizada no mesmo exercício financeiro em que se realizou o recolhimento.Como ao contribuinte não é possibilitado o recolhimento diretamente ao erário. podendo ser denominado também de estorno da receita orçamentária. esses fatos ocorrem independentemente da ação governamental. instruir com os documentos comprobatórios pertinentes. o contribuinte deve endereçar requerimento à repartição competente. ocorrerá a anulação da receita orçamentária recolhida. ao restituir a importância recolhida por meio de empenho.

Alteração de alíquota. Crédito presumido Ocorre quando o Poder Público concede ao contribuinte a presunção de um crédito. modificação de base de cálculo (art. Remissão . deve antes demonstrar: a estimativa do impacto orçamentário-financeiro no exercício em que deve iniciar a sua vigência e nos dois exercícios seguintes.art. onde este se desobriga dele. remindo o crédito tributário e o extinguindo total ou parcialmente.Anistia . aumento ou criação de tributo. . OU a renúncia será compensada por aumento de receita oriunda da majoração de alíquotas. IV. visando incrementar alguma área ou atividade econômica. podendo também alcançar valores definidos até determinado montante. a remissão atinge a dívida como um todo. Isenção em caráter não geral (art. Na esfera municipal esta modalidade não tema aplicabilidade. CONDIÇÕES PARA RENÚNCIA DE RECEITA Para o ente público conceder qualquer tipo de benefício tributário. Alcança as multas oriundas pela falta de pagamento dos tributos. ou contribuição. Subsídio Trata-se de benefício concedido por entidade governamental que resulta no abatimento de parte do preço da venda de bens ou serviços das empresas. ou moradias de até xz m². do CTN É uma hipótese de extinção do crédito tributário. Exemplo: isenção do IPTU para os pracinhas da 2ª guerra. Qualquer benefício concedido envolvendo esses dois elementos causará diminuição da arrecadação da receita tributária. atender o disposto na LDO e a pelo menos uma das condições seguintes: a renúncia foi considerada na estimativa de receita da LOA e não afetará as metas de resultados fiscais previstas. A anistia pode ser parcial ou total. 97 do CTN) A alíquota e a base de cálculo são elementos fundamentais para a determinação do valor do tributo a ser recolhido para a determinação do valor do tributo a ser cobrado.art. impondo o seu perdão. ou aposentados. 180 a 182 do CTN É uma das hipóteses de exclusão do crédito tributário. O que caracteriza a espécie não geral é o fato de o contribuinte ter que provar que cumpre exigência legal de habilitação. 156. Ao contrário da anistia. etc. 176 a 179 do CTN) É a dispensa legal de pagamento de tributo devido. ampliação de base de cálculo. objetivando dispensar o contribuinte do pagamento das infrações advindas do descumprimento da obrigação tributária.

320/64 que trata da Dívida Ativa encontra-se no artigo 39.Incrementos como políticas de combate à sonegação e crescimento econômico. excluídas as duplicidades. de 20. DÍVIDA ATIVA Como exposto no tópico que trata dos Regimes Contábeis. O valor correspondente aos restos a arrecadar é inscrito no Ativo Permanente como componente da Dívida Ativa. agropecuárias. 39.1979) § 1º . na UNIÃO. A RCL é referência para os principais limites estabelecidos pela LRF: Gastos com pessoal Dívida pública Terceirização.1996 e o FUNDEF (excluída a duplicidade). o montante correspondente a uma receita lançada e não arrecadada não é apropriado ao exercício financeiro ao qual pertence. em registro próprio. que têm prazos estabelecidos na legislação pertinente. no Brasil. industriais. a partir da data da sua inscrição. exigíveis pelo transcurso do prazo para pagamento. para a receita pública é adotado o regime de caixa.12. de natureza tributária ou não tributária. RECEITA CORRENTE LÍQUIDA RCL = somatório das receitas tributárias.1979) . Nos ESTADOS: as parcelas entregues aos Municípios por determinação constitucional.735. Os créditos da Fazenda Pública. não são considerados pela LRF como aumento de receita . na forma da legislação própria. deduzidas: Na UNIÃO: dos valores transferidos aos Estados e Municípios por determinação constitucional ou legal e as contribuições mencionadas na alínea a do inciso I e no inciso II. (Parágrafo incluído pelo Decreto Lei nº 1. Serão computados os valores pagos e recebidos em decorrência da Lei Complementar nº 87. nas respectivas rubricas orçamentárias. 195. serão inscritos. nos ESTADOS e nos MUNICÍPIOS: A contribuição dos servidores para o custeio do seu sistema de previdência e assistência social. após apurada a sua liquidez e certeza. da Constituição Federal (contribuição dos empregadores e trabalhadores para a previdência social). e a respectiva receita será escriturada a esse título.Os créditos de que trata este artigo. de 20. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 1. de 13.735. São um conjunto de direitos ou créditos de várias naturezas em favor da fazenda pública. Logo.9. A parte da Lei nº 4. de serviços. 9º do art. inclusive suas multas e juros. 201 da Constituição Federal). 239. Apuração da RCL: será apurada somando-se as receitas arrecadadas no mês em referência e nos onze anteriores. de contribuições. e no art. As receitas provenientes da compensação financeira (art. transferências correntes e outras receitas também correntes.12. A renúncia só entrará em vigor quando implementadas as medidas de compensação. como Dívida Ativa. serão escriturados como receita do exercício em que forem arrecadados. verbis: Art. do art. vencidos e não pagos pelos devedores. patrimoniais. São deduzidas ainda.

planalto. na data da notificação ou intimação do devedor. emite-se uma Certidão de Dívida Ativa. destinados à execução dos serviços públicos prestados à sociedade. de sub-rogação de hipoteca. (Parágrafo incluído pelo Decreto Lei nº 1. o número do livro e da folha onde se encontram gravados. consignações. reposições.A Dívida Ativa da União será apurada e inscrita na Procuradoria da Fazenda Nacional. de 11 de dezembro de 1978. bem como os valores correspondentes à respectiva atualização monetária.§ 2º . que é a ferramenta que o administrador público utiliza para nortear a sua ação governamental. DESPESA PÚBLICA Despesa Pública são os gastos fixados em lei orçamentária os leis especiais. contas. pagamentos orçamentários ou não. à sua falta.12.12.3. aval ou outra garantia. expansão e a manutenção. realizados pelos entes públicos. preços de serviços prestados por estabelecimentos públicos.O valor do crédito da Fazenda Nacional em moeda estrangeira será convertido ao correspondente valor na moeda nacional à taxa cambial oficial. pela autoridade administrativa. visando ao seu funcionamento.31. indenizações.1979). exceto as tributárias.025.gov. de acordo com preceitos legais pertinentes aos débitos tributários. Dívida Ativa não Tributária são as decorrentes de outras obrigações.htm . na execução dos seus programas de governo. na data da inscrição da Dívida Ativa. depósitos. de contratos em geral ou de outras obrigações legais. restituições. etc.12. alcances dos responsáveis definitivamente julgados. e Dívida Ativa não Tributária são os demais créditos da Fazenda Pública. indenizações. a Contabilidade Pública registra a realização da administração pública em termos financeiros. à multa e juros de mora e ao encargo de que tratam o art. de 20.br/ccivil_03/Leis/L4320. 38 A Dívida Ativa é classificada em: Dívida Ativa Tributária é o crédito da fazenda pública referentes a obrigação legal relativa a tributos. os aluguéis.A receita da Dívida Ativa abrange os créditos mencionados nos parágrafos anteriores. exceto as tributárias. custas processuais. a partir da conversão. (Parágrafo incluído pelo Decreto Lei nº 1.1979) § 5º .735. multa de qualquer origem ou natureza.735. foros. de 21 de outubro de 1969.735. ou. A despesa pública é fixada anualmente no orçamento. laudêmios. de 20. custas processuais.735. sendo uma ferramenta essencial no controle da gestão financeira. (Parágrafo incluído pelo Decreto Lei nº 1. . De seu lado. reposições. alcance dos responsáveis definitivamente julgados e outros. 1º do Decreto-lei nº 1. para compra. estrutura de trabalho. tais como os provenientes de empréstimos compulsórios. contribuições estabelecidas em lei. a atualização monetária e os juros de mora. 3º do Decreto-lei nº 1. e o art. Compreende ainda. inclusive suas multas. restituição de pagamentos recebidas indevidamente ou a títulos de cauções. fiança. destinados a satisfazer os compromissos da dívida pública.645.12. 37 Feita a inscrição da Dívida Ativa. e quantificação de dados produzidos pela gestão administrativa.1979) § 4º . fornecendo ao orçamento. proveniente de obrigação legal relativa a tributos e respectivos adicionais e multas.2007 . alugueis ou taxas de ocupação. Código Tributário Nacional (CTN). incidindo. onde se menciona os dados relativos ao crédito. de 20.Dívida Ativa Tributária é o crédito da Fazenda Pública dessa natureza. de 20. 37 38 http://www. bem assim os créditos decorrentes de obrigações em moeda estrangeira.23h 54 Artigo 203.1979) § 3º . (Parágrafo incluído pelo Decreto Lei nº 1.

é discriminada e codificada por elementos de despesa em cada unidade administrativa. independente de autorização legislativa. Despesa Orçamentária é aquela que depende de autorização legislativa. depósitos. A despesa será classificada nas seguintes categorias econômicas: . não se realiza e não está autorizada sem a sua correspondente fixação na Lei Orçamentária Anual.PRINCÍPIOS PARA A REALIZAÇÃO DA DESPESA Na realização da despesa pública. é paga à margem do orçamento. obras. Corresponde a saídas do passivo financeiro que correspondem a compensação de entradas no ativo financeiro oriundas de receitas extra-orçamentárias. material. a despesa pública classificar-se-á quanto à: Natureza. 2Quanto à Categoria Econômica Despesas Correntes e Despesas de Capital Duas são as Categorias Econômicas da Despesa Orçamentária e estão discriminadas nos artigos 12 e 13 da Lei nº 4. é a otimização da relação custo/benefício na aplicação dos recursos CLASSIFICAÇÃO DA DESPESA PÚBLICA Para fins de estudo. objetivando o atendimento da coletividade.320/64. ou seja. 12. serviços. como as cauções. bem como dos serviços públicos. Categoria Econômica Afetação Patrimonial Regularidade 1- Quanto à Natureza A Despesa Pública é classificada quanto à sua natureza em: Despesa Orçamentária Despesa Extra-Orçamentária. exceto nos casos de créditos extraordinários abertos para essa finalidade específica. A despesa é previamente fixada e prevista no orçamento público. que geram a obrigação de restituição ou entrega desses valores ou bens recebidos. in verbis: Art. Legitimidade a despesa deve fundamentar-se no consentimento coletivo (discussão da lei orçamentária) e na possibilidade contributiva (não se pode exigir esforço excessivo dos contribuintes). Entende-se por elementos o desdobramento da despesa com pessoal. sendo dessa forma. São eles: Utilidade a despesa deve atender ao custeio dos gastos necessários ao funcionamento dos organismos do Estado. Oportunidade a despesa deve adaptar-se às reais possibilidades financeiras dos contribuintes em função da situação econômica do momento. Legalidade para a realização da despesa. que a administração se serve para a consecução de seus programas de governo. Despesa Extra-Orçamentária é a despesa que não consta na Lei Orçamentária Anual. consignações e outros. o administrador público está sujeito aos mandamentos da lei e às exigências do bem comum. Economicidade públicos. o administrador público está adstrito a alguns princípios.

independentemente de contraprestação direta em bens ou serviços. distinguindo-se como: I . constituindo essas transferências auxílios ou contribuições. as que se destinem a empresas públicas ou privadas de caráter industrial. inclusive para contribuições e subvenções destinadas a atender à manifestação de outras entidades de direito público ou privado. II .subvenções sociais.aquisição de imóveis. sem finalidade lucrativa. § 5º Classificam-se como Inversões Financeiras as dotações destinadas a: I . 12. inclusive as destinadas a atender a obras de conservação e adaptação de bens imóveis. § 3º Consideram-se subvenções. § 2º Classificam-se como Transferências Correntes as dotações para despesas as quais não corresponda contraprestação direta em bens ou serviços. § 4º Classificam-se como investimentos as dotações para o planejamento e a execução de obras. 13. quando a operação não importe aumento do capital. agrícola ou pastoril.DESPESAS CORRENTES Despesas de Custeio Transferências Correntes DESPESAS DE CAPITAL Investimentos Inversões Financeiras Transferências de Capital § 1º Classificam-se como Despesas de Custeio as dotações para manutenção de serviços anteriormente criados. III . a discriminação ou especificação da despesa por elementos.aquisição de títulos representativos do capital de empresas ou entidades de qualquer espécie. obedecerá ao seguinte esquema: DESPESAS CORRENTES Despesas de Custeio Pessoal Civil Pessoal Militar Material de Consumo Serviços de Terceiros Encargos Diversos Transferências Correntes Subvenções Sociais Subvenções Econômicas Inativos Pensionistas Salário Família e Abono Familiar Juros da Dívida Pública Contribuições de Previdência Social Diversas Transferências Correntes. aquisição de instalações. as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural. as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas. comercial. equipamentos e material permanente e constituição ou aumento do capital de empresas que não sejam de caráter comercial ou financeiro. já constituídas. § 6º São Transferências de Capital as dotações para investimentos ou inversões financeiras que outras pessoas de direito público ou privado devam realizar. bem como para os programas especiais de trabalho. ou de bens de capital já em utilização. II . em cada unidade administrativa ou órgão de governo.constituição ou aumento do capital de entidades ou empresas que visem a objetivos comerciais ou financeiros. . Art. inclusive as destinadas à aquisição de imóveis considerados necessários à realização destas últimas. para os efeitos desta lei. bem como as dotações para amortização da dívida pública. segundo derivem diretamente da Lei de Orçamento ou de lei especialmente anterior.subvenções econômicas. Observadas as categorias econômicas do art. inclusive operações bancárias ou de seguros.

as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural. distinguindo-se como: I . um elemento de despesa (ou denominado também de rubrica orçamentária). que irão constituir acréscimo patrimonial. as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas. . na execução orçamentária. ou a aquisição de bens de capital que já estejam em uso. as entidades públicas poderão utilizar-se de desdobramentos quando da classificação de suas despesas. De outro norte.DESPESAS DE CAPITAL Investimentos Obras Públicas Serviços em Regime de Programação Especial Equipamentos e Instalações Material Permanente Participação em Constituição ou Aumento de Capital de Empresas ou Entidades Industriais ou Agrícolas Inversões Financeiras Aquisição de Imóveis Participação em Constituição ou Aumento de Capital de Empresas ou Entidades Comerciais ou Financeiras Aquisição de Títulos Representativos de Capital de Empresa em Funcionamento Constituição de Fundos Rotativos Concessão de Empréstimos Diversas Inversões Financeiras Transferências de Capital Amortização da Dívida Pública Auxílios para Obras Públicas Auxílios para Equipamentos e Instalações Auxílios para Inversões Financeiras Outras Contribuições. as Despesas de Custeio se destinam à manutenção dos serviços anteriormente criados. 39 As Despesas Correntes são os gastos realizados pela administração pública que destinam à manutenção e o funcionamento dos órgãos governamentais na sua atividade institucional.320/64. para os efeitos desta lei. inclusive as destinadas a atender a obras de conservação e adaptação de bens imóveis. são as dotações orçamentárias para atendimento de despesas para as quais não haja contraprestação direta em bens ou serviços. no mínimo. também de conformidade com a já mencionada lei. Na elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA) a discriminação da despesa é feita por. § 1º da Lei nº 4. As Despesas de Capital são os gastos realizados pela administração pública visando a criação de novos bens de capital. As Despesas Correntes são classificadas em: Despesas de Custeio Transferências Correntes Conforme transcrição do artigo 12. contudo. as Transferências Correntes. Para os efeitos da Lei nº 4. inclusive para contribuições e subvenções destinadas a atender à manifestação de outras entidades de direito público ou privado. subvenções são: § 3º Consideram-se subvenções.subvenções sociais. 39 Lei Federal nº 4. e. a fim de facilitar o acompanhamento e a alocação das suas despesas.320/64.320 de 17 de março de 1964. sem finalidade lucrativa.

que nada diminuem do patrimônio público. As Despesas de Capital são classificadas em: Investimentos Inversões Financeiras Transferências de Capital Conforme transcrição do artigo 12. considera-se material permanente aquele que presume uma duração igual ou superior a dois anos. outras pessoas de direito público ou privado. 42 3- Quanto à Afetação Patrimonial Classificam-se em: Despesas Efetivas Despesas por Mutação Patrimonial As Despesas Efetivas são aquelas que o Estado assume obrigatoriamente. a aquisição de títulos representativos de capital de empresas já constituídas. 3ª ed. as que se destinem a emprêsas públicas ou privadas de caráter industrial. ou seja. e a constituição ou aumento de capital de empresas que não sejam de caráter comercial ou financeiro. Mobiliários.320/64. São também denominadas Despesas Correntes ou Despesas de Custeio. São constituídas de saídas ou alterações compensatórias nos elementos que compõem os ativos da entidade pública. da Lei nº 4.41 As Transferências de Capital são as dotações destinadas para a contribuição de formação ou aquisição de um bem de capital pelas entidades beneficiadas. A lei determina ainda. fixando. classificam-se como Investimentos as dotações destinadas para o planejamento e a execução de obras. e que contribuirão para o decréscimo do patrimônio público. somente às instituições cujas contas forem julgadas regulares e satisfatórias pelo agente fiscalizador competente. São Paulo. São discriminados na Lei Orçamentária Anual (LOA) conforme seus projetos de obras e outras aplicações.subvenções econômicas. 3ª ed. que. § 4º da Lei nº 4. As Despesas por Mutação Patrimonial são as oriundas de mutações. inclusive os Encargos Patronais. Serviços de Terceiros. tais como o fornecimento de água. agrícola ou pastoril. Atlas. p. as Despesas de Capital constituídas de Obras.320/64 in Contabilidade Pública. 40 As Inversões Financeiras são as que não resultam na aquisição de um bem ou na formação de um novo bem.320/64 in Contabilidade Pública. dotação orçamentária anualmente. comercial. idem. Atlas. Para o efeito de classificação de despesa. Despesas com Pessoal. sempre observando a condição a que foi submetido para a sua utilização. § 5º. § 6º. dentre outros. é que serão concedidas subvenções. 106. 106. energia elétrica. quando dessa operação não importar em aumento de capital. p. 42 Artigo 12. equipamentos e material permanente. Equipamentos. 1992. que não correspondam a contraprestação direta de bens ou serviços. 1992.II . inclusive a aquisição de imóveis para a realização dessas. São Paulo. na aquisição de um imóvel ou de um bem de capital que já esteja em utilização. Concessão de Empréstimos. aquelas destinadas à manutenção dos serviços disponibilizados à sociedade. para isso. telefone. Material de Consumo. Heilio. § 4º e artigo 20. as instalações. Artigo 12. tais como. ou seja. bem como as dotações destinadas à amortização da dívida pública. KOHAMA. ou seja. 4- Quanto à Regularidade Classificam-se em: 40 41 Artigo 12. correios. . parágrafo único. tais como. KOHAMA. dentre outros. segundo derivem diretamente da lei de Orçamento ou de lei especial anterior. Heilio. da Lei nº 4.

energia elétrica. Contabilidade Pública.Ordinárias Extra-Ordinárias As Despesas Ordinárias são as que repetem em todos os exercícios financeiros. ao mesmo tempo em que uniformiza a terminologia a níveis dos entes da federação. correios. A discriminação ordenada na classificação funcional programática visa conjugar as funções do Governo com os programas e subprogramas a serem desenvolvidos. posteriormente alterada pela Portaria nº 42. KOHAMA.46 43 44 Compêndio da legislação Usual do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul. passando a vigorar na forma do Anexo que a acompanha. as que ocorrem esporadicamente. e. 4ª ed. dentre outros. de 14. e podem ser as Despesas com Pessoal. guerra. As Despesas Extra-Ordinárias são as que não possuem previsão para ocorrer. atender as demandas da sociedade. cada programa. ocasionadas por circunstâncias de caráter excepcional. atividades e de outras ações. Atlas. tais como o fornecimento de água.1999. p. São Paulo.1999. conforme prevista no Anexo 5 da Lei nº 4. visando eliminar a duplicidade de repasses de recursos. São exemplos de despesas extra-ordinárias as decorrentes de calamidade pública. e os Serviços de Terceiros e Encargos. 295-7.44 Essa elaboração da despesa orçamentária foi em função. Heilio. com vistas à manutenção dos serviços públicos. . 2004.320/64. etc. de 14. A Classificação Funcional Programática está assim discriminada: Função Subfunção Programa Projeto Atividade Operações Especiais A Função é o maior nível de agregação das diversas áreas de despesas que compõem a administração pública. seca. a aplicação dos recursos repassados. visando. 46 Idem.4. Por meio da função procura-se identificar os objetivos da ação governamental no desenvolvimento social e econômico de uma comunidade. que objetiva identificar as programações de planejamento e orçamento. telefone. p. por isso. 2004. 45 A Classificação Funcional Programática é um conjunto articulado de projetos. inclusive os Encargos Patronais. 45 Compêndio da legislação Usual do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul. denominada Classificação FuncionalProgramática.4. 43 CLASSIFICAÇÃO FUNCIONAL-PROGRAMÁTICA A despesa pública terá a sua natureza complementada pela informação denominada modalidade de aplicação . enchentes. não constam todos os exercícios financeiros na Lei Orçamentária Anual (LOA). A Subfunção indica uma partição da função. 3ª ed. 4ª ed. e possui como principais características o objetivo de utilizar os programas de governo como meio de integrar planejamento e orçamento. p. que visa alcançar objetivos estabelecidos. As subfunções poderão ser combinadas com funções diferentes daquelas a que estejam vinculadas da forma como constam do Anexo da Portaria nº 42. que agrega certo sub-grupos de despesas da administração. 1992. 107. 300.

que se realiza de modo contínuo e permanente no tempo. que regulamenta o artigo 37. a exemplo do pagamento de salários a servidores públicos. da Constituição Federal. visando à observância do princípio constitucional da isonomia e a selecionar a proposta mais vantajosa para a Administração Pública. a licitação não se constitui como estágio da despesa. e é mensurado por indicadores estabelecidos no Plano Plurianual.320/64. etc. e cada projeto contém uma numeração própria que o distingue dos demais. existem situações nas quais a mencionada lei dispensa ou inexige a licitação. Contudo. discorreremos mais sobre o tópico Licitações no capítulo específico. e cada atividade contém uma numeração própria que a distingue das demais. . e resulta em produto necessário à manutenção da ação governamental. Atividade é um instrumento de programação para alcançar o objetivo de um programa. A atividade é identificada pelo dígito 2. a aquisição de bens e serviços com a dispensa e inexigibilidade de licitação. e institui normas para licitações e contratos administrativos. a execução orçamentária da despesa passa por três estágios. que envolve um conjunto de operações limitadas no tempo. Há ocasiões em que as melhores condições constantes numa proposta considerada mais vantajosa podem estar numa qualidade de equipamento. à luz da legislação da Contabilidade Pública. resultando em economia a entidade pública. amortização de empréstimos. Operações Especiais são as ações cujas despesas não contribuem para a manutenção das ações do governo. e a cada um corresponde um produto final. Vale ressaltar que a proposta mais vantajosa não restringe ao menor preço. A cada programa corresponde: Projeto Atividade Operações Especiais. Projeto é um instrumento de programação que visa alcançar o objetivo de um programa. por força da Lei Federal nº 8. ESTÁGIOS DA DESPESA Na esfera pública. Porém. São eles: Empenho Liquidação Pagamento Contudo. toda aquisição de bens e serviços no âmbito da União.666/93. considerando que a autorização legislativa para a execução da despesa inicia com a edição da Lei Orçamentária Anual. e dos quais resulta em produto que concorre para a expansão ou o aperfeiçoamento da ação do governo. Conforme determina a Lei Federal nº 4. aquisição de títulos. onde seguramente permitirá maior segurança no seu funcionamento. e deverá atentar ao princípio da economicidade e da impessoalidade. Desse modo. pagamentos decorrentes de sentenças judiciais. não resultam em produto e não geram contraprestação direta sob a forma de bens e serviços. do Distrito Federal e dos Municípios. Pertencem a esse grupo as despesas referentes a indenizações. deve ser precedida de licitação. deverá ser instruída no processo competente com a justificativa escrita pelo responsável pela execução orçamentária. muitos autores nacionais consideram que a execução da despesa orçamentária inicia com a fixação dessa no orçamento dos entes públicos. O projeto é identificado pelo dígito 1. inciso XXI.O Programa é o instrumento que identifica e fixa os propósitos para o cumprimento das funções. dos Estados. Porém.

FIXAÇÃO É o primeiro estágio da despesa orçamentária. A Lei de Orçamento é o documento que legalmente caracteriza a fixação da despesa orçamentária. sem prejuízo da responsabilidade do Prefeito nos termos do Art. EMPENHO Reza o artigo 58 da Lei Federal nº 4. também.a origem e o objeto do que se deve pagar. para extinguir a obrigação. quantificando o montante autorizado a ser gasto. 63. É vedada a realização de despesa sem prévio empenho. ajuste ou acordo respectivo. assumir. II . é vedado aos Municípios empenhar. II . 59 . Art. . 58.o contrato. 60. § 3º É permitido o empenho global de despesas contratuais e outras.a nota de empenho. Art. mais do que o duodécimo da despesa prevista no orçamento vigente. 62. A liquidação da despesa consiste na verificação do direito adquirido pelo credor tendo por base os títulos e documentos comprobatórios do respectivo crédito. III . É cumprido por ocasião da edição da Lei Orçamentária Anual.os comprovantes da entrega de material ou da prestação efetiva do serviço. Art. a representação e a importância da despesa bem como a dedução desta do saldo da dotação própria. § 2º A liquidação da despesa por fornecimentos feitos ou serviços prestados terá por base: I . inciso V.a quem se deve pagar a importância. 61. § 2º Fica. O pagamento da despesa só será efetuado quando ordenado após sua regular liquidação. Art. determinando que a despesa seja paga. Art. Art. § 1º Em casos especiais previstos na legislação específica será dispensada a emissão da nota de empenho. § 2º Será feito por estimativa o empenho da despesa cujo montante não se possa determinar. 1º. § 1° Essa verificação tem por fim apurar: I . no último mês do mandato do Prefeito. 64. vedado aos Municípios. A ordem de pagamento é o despacho exarado por autoridade competente. in verbis: Art.O empenho da despesa não poderá exceder o limite dos créditos concedidos. § 1º Ressalvado o disposto no Art. do Decreto-lei nº 201. 67 da Constituição Federal. compromissos financeiros para execução depois do término do mandato do Prefeito. no mesmo período. § 4º Reputam-se nulos e de nenhum efeito os empenhos e atos praticados em desacordo com o disposto nos parágrafos 1º e 2º deste artigo. III . O empenho de despesa é o ato emanado de autoridade competente que cria para o Estado obrigação de pagamento pendente ou não de implemento de condição. por qualquer forma. Para cada empenho será extraído um documento denominado "nota de empenho" que indicará o nome do credor.a importância exata a pagar. § 3º As disposições dos parágrafos anteriores não se aplicam nos casos comprovados de calamidade pública. de 27 de fevereiro de 1967.320/64. sujeitas a parcelamento.

em nenhuma hipótese poderá exceder o limite do crédito concedido em orçamento. no caso. e. o ordenador de despesas de uma gestora do governo. . o valor. como uma entrega de um bem ou a prestação de um serviço. poderá rejeitar as contas respectivas. O empenho não poderá ser emitido posterior a expedição do documento fiscal ou outro documento comprobatório da despesa. nessa ocasião. o nome do credor. o objeto a ser contratado descrito e quantificado de forma sucinta. está assumindo uma obrigação com um particular. na qual constará. ou uma despesa for empenhada indevidamente. situação que sugere que a despesa foi realizada sem a prévia autorização do ordenador de despesas da entidade pública. Uma vez não existindo crédito orçamentário. por insuficiência orçamentária. toda despesa deve ser obrigatoriamente precedida de um empenho. e. seja federal. ainda que seja emergencial ou urgente. dentre outras informações. restar saldo de um empenho emitido por estimativa. cujo pagamento também será parcelado. visto que uma Nota de Empenho possui força de contrato. ou ainda. é certo que se realizará. Empenho global é o utilizado para as despesas contratuais e outras que são sujeitas ao pagamento parcelado. é conhecida a quantidade e valor do fornecimento do bem ou serviço. Empenho estimativo ou por estimativa é o utilizado nas situações em que não se possa determinar o montante da despesa. água. telefone. que gera direitos ao contratado. não há possibilidade de haver uma contratação. Ao assinar uma Nota de Empenho. com o contratado. E. far-se-á de uma única vez. o seu valor será deduzido do crédito fixado na dotação orçamentária específica para aquela despesa. o controle externo. Desse modo. Quando ocorre de uma despesa empenhada não se finalizar. porém. cujo entrega ou realização. Nesses casos. porém esses só se realizarão mensalmente. torna-se necessário anular esses valores. a dedução dessa despesa do crédito respectivo e o saldo resultante deste decréscimo. e em muitas ocasiões. A ordem de pagamento só poderá ser exarada em documentos processados pelos serviços de contabilidade. Conforme determinação legal. Há também os casos de fornecimento de materiais com entrega parcelada. porém os seus valores e épocas para pagamento são conhecidos. bem como o pagamento. O empenho é o estágio da despesa que cria para o governo a obrigação de pagamento. Nessa modalidade de empenho. o substitui. por mais elaborado que seja o cronograma de desembolso da entidade pública. À cada empenho corresponderá um documento específico denominado NOTA DE EMPENHO. no empenho ordinário não se admite o fornecimento nem tampouco o pagamento parcelado. e outros. o crédito da dotação orçamentária na qual a despesa será processada. Essa anulação de valores e realizada pela NOTA DE ANULAÇÃO DE EMPENHO. não poderá ser emitido empenho. exercido pelos Tribunais de Contas. São exemplos de situações que exigem a emissão de empenho global o contrato de locação de imóvel. A cada empenho emitido. Ocorre nos casos de fornecimento de energia elétrica. Existem três modalidades de empenho: Ordinário Estimativo Global Empenho ordinário é o utilizado para as despesas normais e que não possuam características especiais. não há a possibilidade de mensurar o montante dessas despesas. não havendo dotação orçamentária.Parágrafo único. esse valor anulado é revertido ao orçamento vigente. Nessas situações. Essa obrigação pode ser uma condição. estadual ou municipal. onde se conhece o valor dos pagamentos mensais.

. final do exercício financeiro. será considerada como Restos a Pagar. 36. qual seja. Desse modo. Os Restos a Pagar são distinguidas em processados e não processados. PAGAMENTO O pagamento consiste na entrega de numerário ao fornecedor. Uma vez empenhada. sendo que neste momento. II as despesas nele legalmente empenhadas. É. Nesse estágio é verificado se a mercadoria foi entregue ou se o serviço foi prestado como contratado e dentro do prazo fixado. Consideram-se Restos a Pagar as despesas empenhadas mas não pagas até o dia 31 de dezembro distinguindo-se as processadas das não processadas. Pertencem ao exercício financeiro: I as receitas nele arrecadadas. uma vez que para compor o montante da despesa realizada no momento do encerramento financeiro.LIQUIDAÇÃO A liquidação da despesa consiste na verificação do direito adquirido pelo credor pelo cumprimento de sua obrigação. não sendo permitida a sua transferência para o exercício seguinte. os quais procederam ao recebimento do bem ou do serviço. Uma vez que um dos princípios do orçamento é a anualidade. 35. a despesa orçamentária empenhada que não for paga até o dia 31 de dezembro. consoante o disposto no artigo 35. a despesa pertence ao exercício financeiro em que o empenhamento ocorreu. Depois de concluída essas fases. a norma legal ainda determina: Art. conclui-se que a despesa orçamentária é executada pelo regime de competência. A liquidação tem por base o contrato ou a nota de empenho e o comprovante de entrega ou da prestação do serviço. portanto. Pode ser feito por cheque nominal diretamente ao fornecedor. sendo que a rotina mais usual é do crédito em conta corrente bancária em nome deste último. RESTOS A PAGAR (ou Resíduos Passivos) A despesa pública no Brasil é realizada em consonância com o orçamento para determinado exercício. É o terceiro estágio da despesa onde se verifica apurar a origem e o objeto do pagamento. dará quitação correspondente. O que seguirá depois é a sua contabilização. O pagamento da despesa compreende o último estágio da despesa pública e só será efetuado quando ordenado após a sua liquidação. com base nos documentos comprobatórios. inciso II. onerando a dotação orçamentária daquele exercício. (sublinhei) Contudo. já foi orçamentariamente liquidada. da Lei Federal nº 4. para fins de encerramento do correspondente exercício financeiro. a importância exata e a quem se deve pagar para extinguir a obrigação. A liquidação será efetivada mediante o atesto de recebimento por dois servidores do órgão. que reza: Art.320/64. o orçamento de um exercício tem vigor para um e somente um exercício. encerra-se a execução da despesa orçamentária. uma operação de cunho financeiro.

Considera-se Restos a Pagar de despesa processada aquela cuja nota de empenho foi entregue ao fornecedor. mas a despesa ainda não passou pela fase de liquidação. a ordem cronológica. São Paulo. com saldo suficiente para atende-las. fica evidenciado que Restos a Pagar é uma operação do sistema financeiro de escrituração contábil. Contudo. e os restos a pagar que tiveram a sua prescrição interrompida. discriminada como despesa não processada. Contabilidade Pública. quando a anulação ocorrer após o encerramento deste. DESPESAS DE EXERCÍCIOS ANTERIORES Do orçamento consta dotação específica para atender o processamento de despesas ocorridas em exercícios financeiros passados e reconhecidas no exercício corrente. DÍVIDA PÚBLICA Dívida Pública. estando apta a ser paga. 157. obedecida.320/64. As Despesas de Exercícios Anteriores encontra respaldo nos artigos 37 e 38 da já citada Lei Federal nº 4. como diz Edgard Wilken. Destarte. ou ainda se encontra com alguma pendência para se proceder à regular liquidação. e escriturada na contabilidade como despesa orçamentária do exercício a pagar. são todos os compromissos assumidos pelo governo e os respectivos juros ou ainda. segundo o professor Domingos D Amore. Heilio. inscrita em Restos a Pagar. in verbis: Art. os compromissos assumidos pela entidade depois do encerramento do exercício.320/64. Contudo. Art. para o efeito de encerramento do exercício. eu não se tenham processado na época própria. discriminada por elementos. e a despesa foi considerada liquidada.47 47 KOHAMA. essa despesa estará orçamentariamente executada. A inscrição de uma despesa em Restos a Pagar depende de autorização do ordenador de despesas da entidade pública. e considerar-se-á receita do ano em que se efetivar. por ter havido o terceiro estágio da despesa correspondente à liquidação. que cumpriu a sua obrigação contratual entregando o bem ou executando o serviço. 3ª ed. As despesas de exercícios encerrados. seja pelo fato de objeto adquirido não ter sido entregue. Atlas. o saldo de empenho que houver será transferido da conta despesa orçamentária do exercício a pagar (em respeito ao princípio orçamentário da anualidade) para a conta Restos a Pagar. bem como os Restos a Pagar com prescrição interrompida e os compromissos reconhecidos após o encerramento do exercício correspondente poderão ser pagos à conta de dotação específica consignada no orçamento. é necessário que na escrituração contábil seja considerada realizada no Sistema Orçamentário e consequentemente. Dívida Pública compreende os juros e a amortização do capital devido pelo Estado . Conforme o disposto no artigo 37 da Lei Federal nº 4. . p. e necessita de suficiência de recursos em caixa para o seu pagamento no exercício seguinte. para os quais o orçamento respectivo consignava crédito próprio. 37. a despesa não se realizou. Restando ainda efetuar o pagamento. só poderão ser processadas à conta de despesas de exercícios anteriores as despesas de exercícios encerrados para as quais o orçamento respectivo consignava saldo suficiente para atendê-las. desde que o seu crédito tenha se constituído em receita. sempre que possível. Considera-se Restos a Pagar de despesa não processada aquela cuja nota de empenho foi legalmente emitido. 38. Reverte à dotação a importância de despesa anulada no exercício. Ocorrendo o encerramento do exercício financeiro. Orçamentariamente. 1992. não é toda e qualquer despesa que for apresentada no exercício corrente que pode ser processada à conta dessa dotação orçamentária.

por independer de autorização legislativa para a sua execução. por ocasião do seu pagamento ou devolução. cite-se a realização de uma operação de crédito por antecipação da receita (ARO). Importante ressaltar que. e a sua constituição e a sua liquidação dependem de autorização legislativa. Assim. constituem a dívida flutuante. Contudo.São os compromissos assumidos pelo Estado perante terceiros. e os seus resgates não dependem de autorização legislativa. em geral. não liquidada ou devolvida. despesa orçamentária e. que são considerados receita extra-orçamentária por ocasião de seu recebimento. os serviços da dívida a pagar. De algum modo. resíduos passivos (restos a pagar) e outros. e ainda. e. deverão ser processadas na dotação orçamentária específica. A matéria dívida flutuante está disciplinada no artigo 92. encargos ou outros acréscimos em decorrência dessa operação. por um determinado período de anos. ou também. os débitos de tesouraria. por não serem coincidentes a ocorrência da arrecadação da receita e a realização da despesa. que oneram o orçamento vigente. nesse caso. deverão ser empenhados à conta da dotação específica oportunamente (no momento do resgate desses títulos emitidos). constituem Serviços da Dívida a Pagar.320/64. os depósitos. em que o Estado atua como administrador dos valores ou bens de terceiros. contraídos para atender a desequilíbrio orçamentário ou a financiamento de obras. Dívida Flutuante representa compromisso assumido pelo Estado por um breve período de tempo com a finalidade de atender a insuficiência de caixa. A exemplo. constituindo dessa forma. é processada como despesa extra-orçamentária. o seu pagamento pode ser estipulado em parcelas parciais de amortização. A principal característica da dívida fundada ou consolidada é que a sua exigibilidade é superior a doze meses. Podem ocorrer insuficiências de caixa. lançamento de títulos ou contratos cujo prazo para resgate seja inferior a doze meses. como tal. assumidos por prazo inferior a doze meses. A dívida flutuante é também denominada de Administrativa ou Não Consolidada. além de Restos a Pagar. corretagens e outros. são os mesmos compromissos assumidos em vista da condição de depositário que o poder público exerce. O seu resgate constitui despesa orçamentária no exercício em que ocorrer. comissões. incisos I a IV . 92. e que. garantida por títulos do governo que geram juros e são amortizáveis ou resgatáveis. excluídos os serviços da dívida. os pagamentos de obrigações extra-orçamentárias sobre as quais incorrerem a incidência de juros. consignações. etc). São classificadas em: Dívida Fundada ou Consolidada e Dívida Flutuante Dívida Fundada ou Consolidada representa um compromisso de longo prazo. constituindo dessa forma. . os juros. verbis: Art. caracteriza-se a dívida flutuante que indica débito de curto prazo. e. a curto ou longo prazos. compreendendo empréstimos interno e externo. enquanto permanecer nos cofres públicos. consignações e outros. A dívida fundada ou consolidada também pode ser firmada por meio de contratos de financiamentos. de depósitos (cauções. a exemplo de depósitos de cauções. ou seja. cujo valor é previamente fixado. e indicam operações de curto prazo. fianças. A dívida flutuante compreende: I II III IV os restos a pagar. o valor obtido dará entrada como débito de tesouraria. uma despesa orçamentária. da Lei Federal nº 4.