Chamada 1 Chamada 2

Carnaval no Recife Massas Fool Essência do Vinho Hyundai i10
Fazer
do Porto
coração
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FUGAS | Público | Sábado 22 Fevereiro 2014
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FUGAS | Público | Sábado 22 Fevereiro 2014 | 3
Na ponta da língua
Miguel Esteves Cardoso
Passámos uma
semana em Londres e nunca
comemos mal nem gastámos
muito dinheiro. O segredo é
comer apenas comida inglesa.
Mas atenção: não pode ser da
cozinhada. Tem de ser da já feita,
para preservar.
Estamos a falar dos queijos, dos
fiambres, dos salmão e de outros
peixes fumados, das empadas de
carne de porco Melton Mowbray,
das compotas de fruta e de outras
coisas que já ninguém pode
estragar.
Foi George Bernard Shaw que
disse que, para comer bem na Grã-
Bretanha, bastava tomar três vezes
por dia o pequeno-almoço.
O full english breakfast continua
a ser bom em quase todos os
hotéis e bons restaurantes. Por
nunca mais de 25 libras deve
receber dois ovos estrelados (ou
mexidos ou escalfados), uma fatia
de bacon do estaladiço (streaky),
outra do magro (back), duas
salsichas inglesas (as melhores
do mundo), um míscaro, meio-
tomate grelhado, uma fatia de
morcela preta inglesa (black
pudding) e outra de morcela
branca escocesa (white pudding).
O chá, o leite, as torradas, a
manteiga e o marmalade — que
deverá ser escuro, denso e
amargo, com muita casca (ao
estilo do sempiterno Frank
Cooper’s Oxford marmalade) —
estão incluídas neste preço, assim
como os 12,5% de gorjeta.
Já não se usa, infelizmente, a
fatia de pão frita e acontece que,
mesmo nos melhores restaurantes
(como no magnífico Wolseley),
apareçam os malfadados baked
beans e falte o white pudding.
Com um pequeno-almoço
destes não é preciso almoçar.
Estando concebido para o clima
britânico, dá ao consumidor a
energia suficiente para durar até
às quatro da tarde, hora ideal
para se entregar à outra grande
refeição inglesa: o afternoon tea.
Pode decidir-se por um
afternoon tea completo:
sanduíches e scones ilimitados,
seguidos por bolinhos limitados e
fatias de bolo ilimitadas. Os scones
vêm com clotted cream (natas
gorduchas) e strawberry jam.
Caso se atire a um lanche destes
não terá vontade nenhuma de
jantar.
Os dois afternoon teas melhores
e mais caros de Londres (no Ritz
e no Diamond Jubilee Tea Salon
do Fortnum & Mason) custam
45 libras por pessoa, incluindo a
gorjeta.
Parece muito dinheiro, mas
considerando a excelência e a
quantidade do que se come e bebe
acaba por ser uma pechincha,
desde que se vá com muita fome
e com intenção de comer para se
ficar jantado.
É uma refeição gargantuana,
equivalente a um cozido à
portuguesa bem servido. Caso
se tenha mais fome ainda, por
apenas mais duas ou três libras o
Diamond Jubilee Tea Salon oferece
o savoury afternoon tea, que
inclui salmão fumado, carpaccio
de veado e outros salgadinhos à
medida.
Comendo o melhor pequeno-
almoço e o melhor lanche que
existem em Londres, gastará
apenas 70 libras por pessoa e
será tratado com o maior dos
luxos, em salões tão bonitos e
com empregados e empregadas
tão impecavelmente fardados que
quem destoa miseravelmente são
os clientes, sempre turistas.
Caso queira lanchar com vista
a jantar tome apenas um cream
tea — um pote de chá com dois
scones, clotted cream e várias
compotas. Custa à volta de 10
libras por pessoa e vale muito a
pena. Evite, claro está, os sítios
onde não usem bules com chá
solto. O afternoon tea, tal como
o breakfast, é uma refeição
demorada, feita para se ler um
jornal inteiro (de manhã) ou
Comendo
o melhor
pequeno-
-almoço e o
melhor lanche
que existem
em Londres,
gastará
apenas 70
libras por
pessoa e será
tratado com
o maior dos
luxos
FICHA TÉCNICA Di rec ção Bárbara Reis Edição Sandra Silva Costa e Luís J. Santos (Online) Edição fotográfica Miguel Madeira e Manuel Roberto (adjunto) Design Mark Porter, Simon Esterson Directora de Arte Sónia Matos
Designers Daniela Graça, Joana Lima e José Soares Infografia Cátia Mendonça, Célia Rodrigues, Joaquim Guerreiro e José Alves Secretariado Lucinda Vasconcelos Fugas Praça Coronel Pacheco, 2, 4050-453 Porto.
Tel.: 226151000. E-mail: fugas@pu bli co.pt . fugas.publico.pt Fugas n.º 718
Como comer sempre
bem na Inglaterra, com
resultados garantidos
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para uma boa (ou má, desde que
longa) conversa.
Para jantar deverá dirigir-
se a uma boa mercearia — por
qualidade decrescente, o Fortnum
and Mason, Harrod’s Food Hall,
Selfridge’s Food Hall ou o Harvey
Nichols Fifth Floor Foodmarket
—, onde se abastecerá do melhor
fiambre e melhor salmão fumado
do mundo. Como ambos merecem
crónicas inteiras — é preciso saber
escolher — ficarão para outra
altura.
Todos têm óptimos queijos —
franceses, ingleses, escoceses,
irlandeses, galeses e italianos —,
com os melhores de todos a custar
menos de 5 euros por 100 gramas.
A melhor loja de queijos de
Londres é a Paxton & Whitfield,
em Jermyn Street. Prova-se antes
de comprar e é uma experiência
quase religiosa.Têm também as
melhores bolachas para queijo de
sempre.
Assim é absolutamente
impossível comer mal. Comendo-
se muito, muito bem.
4 | FUGAS | Público | Sábado 22 Fevereiro 2014
Cinco amigos e um encontro
marcado no Porto. A Fugas seguiu-
-os num fm-de-semana pela
cidade que foi de descoberta para
uns e de regresso para outros.
Não é um guia da cidade, apenas
uma das muitas abordagens que
têm os turistas quando chegam ao
melhor destino europeu de 2014.
Andreia Marques Pereira (texto)
e Adriano Miranda ( fotos)
Capa
Destino europeu do ano
O que é que
o Porto tem?
À chegada
Não esperamos uma primeira reac-
ção tão veemente.
- What the fuck am I doing here?
“Here”, aqui, é o Porto, claro, e é
Alexandru Chirita quem o diz, ainda
mal refeito do susto que apanhou ao
chegar à cidade, sexta-feira de ma-
nhã, 14 de Fvereiro, um dia depois
de o Porto ter sido eleito destino eu-
ropeu do ano. O avião não aterrou à
primeira tentativa: os ventos fortes
obrigaram a abortar a aproximação
à pista e a voar durante algum tem-
po pelos céus do Porto. À segunda
tentativa, silêncio sepulcral no avião,
conta, aterraram. Para saírem para
chuva intensa. Tudo junto faz Alex,
como é conhecido, interrogar-se por
que trocou a soalheira Barcelona,
onde vive há quatro anos desde que
deixou a Bucareste natal, para passar
um fim-de-semana no Porto.
Claro que são perguntas de retóri-
ca, carregadas de ironia. Depois do
pânico, “contido”, sublinha, e da
frustração climatérica, rapidamente
Alex alinha no espírito que vai mar-
car o fim-de-semana. Está no Porto
para um encontro de amigos — ele
tem 28 anos e é o mais novo; os ou-
tros já entraram nos 30. No mesmo
avião, veio uma amiga, Ligia Molina,
hondurenha a viver em Espanha há
mais de uma década; no aeroporto
Sá Carneiro já os esperava Marcela
Montenegro, brasileira chegada de
Madrid manhã cedo. À noite chega-
riam mais duas amigas, Amparo Díaz,
mexicana a viver em Madrid, e Elena
Delgado ,vinda de Sevilha via Faro.
Pelo meio, encontro com amigos por-
tuenses para um fim-de-semana onde
o espanhol, o inglês, o “portunhol” e
o “spanglish” seriam línguas francas.
A chuva e ventos fortes dessa ma-
nhã — desse dia, como se veria — não
assustam Ligia e Marcela, visitantes
(mais ou menos) assíduas do Porto
desde há dez anos. A primeira vinda
foi à boleia de uma amizade ganha
em Salamanca, onde ambas se co-
nheceram quando faziam mestrados
— esse amigo até está emigrado no
outro lado do mundo, mas pelo ca-
minho fizeram outros amigos. E vão
regressando com outros. Como neste
fim-de-semana. Para Alex e Elena é
a primeira vez na cidade; Amparo
esteve há dois anos, um dia e meio,
em viagem de família.
Durante a estada
O que é que o Porto tem para
que queiram voltar? Tivemos um
fim-de-semana para o descobrir,
entre chuva, céu nublado e sol,
- Tivemos Inverno e Primavera,
resume Alex no regresso ao aero-
porto. Tivemos passeios diurnos e in-
cursões noctívagas. Mas tudo começa
na sexta-feira com as “veteranas”
do Porto, Ligia e Marcela, a darem o
primeiro passo. Praia dos Ingleses,
sentenciam, ignorando a inclemên-
cia do clima. Alex deixa-se guiar.
- Só conheço o vinho do Porto e sei
que é bonito porque já vi fotografias
de amigos.
Por enquanto, vê a Anémona de
Matosinhos. “Vimo-la a primeira vez
que viemos, é muito engraçada”, di-
zem Ligia e Marcela. O mar revolto
hipnotiza-os, mas não chegarão a vê-
lo frente a frente. O minitemporal
montado na primeira linha do mar
não os deixa chegar à esplanada na
praia. Nova decisão, que soa como
uma espécie de rendição feliz. “Va-
mos para o centro.”
O centro, vemos, é a zona da Bai-
xa-Clérigos. Velha conhecida das
incursões nocturnas, depois dos
primeiros anos marcados por “casas
antigas e apartamentos”. Sabem que
não há falta de restaurantes e bares.
Os autocarros turísticos, uns amare-
los, outros vermelhos, vão passando
quase vazios. O Porto está abrigado
e pela chuva alteram-se os planos.
O Douro
corre escuro,
lamacento,
excessivo.
Do apartamento
à Ribeira são
algumas centenas
de metros,
de olhos postos
nos edifícios
FUGAS | Público | Sábado 22 Fevereiro 2014 | 5
- Gosto de cores e misturas e todos
os edifícios são tão perfeitamente
imperfeitos,
diz Amparo, olhar perdido nos te-
lhados indisciplinados, fachadas que
são puzzles, estreitas, largas, colori-
das de pedra. “Que torre é aquela?”,
aponta para os Clérigos onde o vale
parece encontrar o seu zénite.
À beira-rio são os barcos-rabelo
que prendem a atenção, não os
grandes hotéis flutuantes. “Estes
transportavam o vinho, não era?”
— “Agora são só para turista ver.”
A caminhada não se detém à porta
das caves, o teleférico suscita apenas
curiosidade. A fome fala mais alto e
o regresso ao lado do Porto tem um
objectivo bem definido. Comer uma
das famosas francesinhas, que Mar-
cela esteve a “vender” aos amigos;
Ligia prefere um chouriço assado —
“que aqui trazem para a mesa para
cozinharmos”. Os finos são já uma
unanimidade e Super Bock a marca
reconhecível.
A tarde prepara-se numa mesa
da Ribeira, aquecedor ligado. “Há
um mercadinho de rua no centro”;
“e podemos ir à livraria Lello”; “e
aquela loja?...”. Ligia e Marcela lan-
çam os dados. O caminho feito é o
mais longo — subida até à Estação
de São Bento, azulejos portugueses
à mistura.
- Azuis e brancos, têm-nos por
todo o lado, não repararam?,
é Ligia a mais entusiástica. Há-de
apontá-los nas fachadas de várias
igrejas. Na Praça da Liberdade, aos
pés dos Aliados, mais memórias.
Amparo recorda que ficou alojada
aqui perto, “atravessava sempre esta
‘praça’”; Marcela e Ligia lembram
um concerto de um edifício para
a rua, “a bateria numa varanda, o
guitarrista noutra…”, e uma dança
desenfreada ao som de um “punk
moderno”. As reminiscências levam
Marcela mais longe,
- O Porto tem as melhores coisas
de uma cidade grande numa cidade
pequena. É uma cidade de contras-
tes. De dia é tradicional, com todas
as características culturais de Por-
tugal, restos do passado; à noite é
cosmopolita, moderna, com os bares
e restaurantes como se estivéssemos
em Londres.
Não é a primeira nem será a úl-
tima referência inglesa. Na livraria
Lello — “a mais bonita do mundo”,
Ligia é o guia turístico —, o espan-
a pergunta há-de repetir-se. De
uns e de outros. As respostas tam-
bém. “Os proprietários não têm di-
nheiro para recuperá-los”; “o país
está em crise”. Ninguém está alheio
às dificuldades económicas do país.
Mas na Ribeira, nesta manhã, não
vêem crise no meio da multidão que
por aqui circula.
- Em Madrid, em Espanha, tam-
bém vês decadência e tristeza nas
gentes. Aqui também estão trama-
dos, mas vê-se outro sentimento.
Nem tudo são más notícias,
reflecte Amparo.
Na Praça da Ribeira, a estátua do
São João de Cutileiro suscita admi-
ração e elogios; a vista ainda mais.
Há quem veja os barcos, e são tantos
agora, e proponha fazer um passeio
pelo rio, “pelas pontes”. “São quan-
tas?” Alguém fala de Eiffel e aponta
a ponte Luiz I. O equívoco é desfeito
— “é uma de comboios mais para lá”,
dedo apontado para nascente.
Ganha o passeio a pé até Gaia, até
às caves do vinho do Porto, cujos
nomes se divertem a descortinar na
encosta. “Porque têm todos nomes
ingleses?” É Ligia quem explica o
que já ouviu outras vezes: “Por-
que foram eles que dominaram o
comércio do vinho do Porto. Havia
uma grande comunidade no Por-
to.” E se acham que a vista agora
é bonita, à noite é-o muito mais,
acrescenta.
O colorido das casas impressiona,
as roupas nos estendais evocam fo-
tografias vistas, as bancas de atoa-
lhados e artesanato merecem mira-
das, apenas. A violinista que toca A
canção do mar não suscita qualquer
reconhecimento, apenas memórias
de um outro dia na Ribeira com mú-
sica brasileira. As fotografias vão-se
sucedendo, em grupo, do cenário
— o Facebook dos cinco será cons-
tantemente actualizado, do Porto
com amor.
O tabuleiro inferior da ponte Luiz
I é atravessado com maldições aos
carros que passam e à estreiteza dos
passeios onde se cruzam com outros
turistas, máquinas fotográficas em
punho. A encosta da Ribeira come-
ça a desvendar-se e é para aí que os
olhares se voltam — e para o rio que
se perde em curva adornada pelo
casario. Na margem de Gaia,
- Já não estamos no Porto,
alerta Ligia,
é o Porto que primeiro se mira.
Ao almoço, segue-se o check-in. Um
apartamento ao lado do Mercado
Ferreira Borges, num edifício onde
Marcela e Ligia já ficaram.
- Fiz a reserva pela Internet e
procurei estes apartamentos. São
fantásticos,
justifica Ligia. E baratos, acrescen-
ta. Será um dos temas do fim-de-se-
mana. Ninguém quer acreditar que
pagaram apenas 44 euros cada um
por duas noites num apartamento
duplex, com três quartos duplos.
Mais um sofá-cama na sala. E três
terraços. E três casas-de-banho com-
pletos. A decoração é cuidada, im-
pecavelmente retro; a pedra exposta
quando possível. A vista, impagável.
As duas torres da Sé, o palácio epis-
copal, a Igreja dos Grilos, por detrás
o mosteiro da serra do Pilar e uma
escadaria de telhados pelo meio.
“Devíamos aproveitar o aparta-
mento”, a chuva não dá tréguas. Um
minimercado nas redondezas é o
ponto de abastecimento e o resto da
tarde é caseiro. Não é fácil sair, mas
amigos portugueses esperam-nos e o
Candelabro é já um mito. Até ao final
do jantar, ali nas redondezas no Le
Chien Qui Fume (Rua do Almada), o
grupo reúne-se na totalidade.
- Salud.
A noite prolonga-se. Ligia insiste
em levar o grupo a uma das suas úl-
timas descobertas portuenses. “Os
va a flipar.” O Era uma vez em Paris
é o início; o Tendinha dos Clérigos o
final. O primeiro dia foi de encontros.
O sábado será todo do Porto. Sem
mapas, apenas com as memórias de
Ligia e Marcela que passam as suas
experiências aos amigos.
Não é um dia esplendoroso, mas
tão-pouco chove. O rio Douro corre
escuro, lamacento, excessivo. Do
apartamento alugado à Ribeira são
algumas centenas de metros, de
olhos postos nos edifícios.
- Porque há tantos edifícios aban-
donados?,
Turistas
6 | FUGAS | Público | Sábado 22 Fevereiro 2014
Capa
Destino europeu do ano
to com a quantidade de gente que
enche o espaço — “não dá sequer
para apreciar. Como é que alguém
consegue fazer compras?” — e iden-
tificação de uma “atmosfera britâni-
ca”. A mesma que vêem nas cabinas
telefónicas. Muitas fotos e publica-
ções no Facebook — “Não estou em
Londres”, escreve Elena.
A Torre dos Clérigos e o Centro
Português de Fotografia merecem
olhares apreciativos, e o novo Passeio
dos Clérigos admiração, não tanto
pelas lojas como pelo jardim, relvado
e povoado de oliveiras que lhe ser-
ve de cobertura, “no contraste com
os edifícios em volta”, nota Elena.
O Mercadinho dos Clérigos que es-
peravam encontrar na Rua Cândido
dos Reis afinal não está — saberão
mais tarde que nesse dia foi transfe-
rido para o interior do Plano B — mas
as lojas (e os bares) que se sucedem
deixam marca indelével.
Elena: Têm muito encanto, estás
numa loja num edifício histórico.
Amparo: E cuidam muito os de-
talhes. Gosto de que entre coisas
tão tradicionais haja sítios tão cool.
É como o nosso apartamento, tão
vintage. Agora vejo que é normal, a
cidade tem esse mesmo tom.
Marcela: Em cada porta há um
mundo novo. Entramos do passa-
do para o futuro. Por isso amo o
Porto.
Contudo é nos detalhes do casario
que se fixam.
Amparo: A cidade tem um encanto
que não vi em nenhum lado do mun-
do. Também não conheço muito…
Mas é algo… Está a cair, mas é impres-
sionante, como se fosse um conto de
fadas. A arquitectura é bestial.
Elena: Vê-se que foi uma cidade
rica e agora está em decadência…
Ligia: Por isso é tão entrañable.
E mais se fixarão no domingo no
grande pátio-miradouro da Sé, com
a “magia” do pôr do sol de um lado e
as “torres de igrejas” que emergem
quando se olha para o Norte. Parte
do grupo já se terá ido embora — Alex
e Marcela —, o resto enfrenta o frio
cortante de fim de tarde e ainda dá
uns passos de dança ao som do gui-
tarrista-cantor num canto do Palácio
Episcopal, bem acima do rio. Se Alex
ainda estivesse, reforçaria a sensação
de quando caminhava à beira-rio,
- O sol a cair, as esplanadas, os
músicos na rua, é um ambiente ro-
mântico.
Contudo, a Sé será quase a despe-
dida dos passeios portuenses. E no
sábado à noite há um jantar a degus-
tar. Inesperadamente, será à porta
de “casa”. É uma novidade na Rua
de Souza Viterbo, colada às traseiras
do Mercado Ferreira Borges — que
merecerá uma visita mais tarde, para
terminar a noite no Hard Club.
- Abriu para nós,
este Jesse Sushi & Restaurante que
teve inauguração uma noite antes.
Mais uma vez é o espaço que atrai,
visto de fora – “Porque não?” – e por
dentro.
Se o sábado foi dia nublado, do-
mingo chega com um sol esplendo-
roso. O caminho a tomar é o da Foz.
Amparo recorda o caminho que fez
no eléctrico e quando vê o farol ver-
melho e branco,
- Fiquei com esta imagem sempre
gravada na memória.
Agora também a pérgula está
eternizada em fotos, com o mar
cinzento a revoltear-se por detrás.
E está a esplanada da Praia dos
Ingleses, onde se queimam horas
deste domingo ao sol com o pouco
areal em volta coberto de detritos
marítimos.
A Boavista, a Casa da Música, o
Museu de Serralves… “É bonito,
mas prefiro a parte velha”, declara
Amparo, desfeita a ideia de que “o
Porto não tem um casco antigo, é
todo antigo”.
Marcela: Acho que a maior parte
das pessoas fica na parte mais tra-
dicional. Os turistas vêm aqui e não
esperam Europa…
Amparo: … mas esta é a ideia de
Europa…
Elena: … velho, bonito, decaden-
te, moderno…
Na partida
Ninguém sabia do prémio de me-
lhor destino europeu de 2014 ga-
nho no dia anterior à chegada ao
Porto. Alex espera regressar com
mais tempo,
- Um fim-de-semana não chega
para conhecer o Porto.
Elena já publicou teasers no Fa-
cebook, “para voltar com outros
amigos”. Ligia está praticamente
em casa. Marcela vê a cidade como
uma síntese, “oferece as melhores
coisas de uma cidade grande numa
cidade pequena”. Amparo via-se
perfeitamente a viver aqui — “me
mola”.
- Não é uma cidade normal. Tem
algo que se sente… E é amável com
o turismo.
Tivesse Joana Dixo, co-proprietá-
ria do novíssimo restaurante Jesse,
ouvido e a correcção viria. “O Por-
to é do turismo”, disse-nos sábado
à noite no seu espaço que, a meio
caminho entre o centro e a Ribei-
ra, está “na passarela turística” da
cidade. Há cinco anos a trabalhar
em turismo, com vários negócios,
não tem dúvidas de que as low-cost
foram a melhor coisa que aconte-
ceu na cidade nos últimos tempos.
Porém, por estes dias, vê uma mu-
dança,
- Antes os turistas vinham pelas
low-cost, agora vêm porque um ami-
go veio, gostou e recomendou. O
turismo é o futuro do Porto.
Se é ou não, não sabemos. Sabe-
mos que, na hora do adeus, os cinco
amigos combinam novo encontro,
sem data marcada — no Porto.
Marcela vê o
Porto como uma
síntese, “oferece
as melhores coisas
de uma cidade
grande numa
cidade pequena”
8 | FUGAS | Público | Sábado 22 Fevereiro 2014
Capa
Destino europeu do ano
De copo em copo,
na cidade
da “mistura”
Há dez anos ninguém preveria
o que aconteceu à Baixa do Porto.
O centro tornou-se o coração
da noite da cidade, com novos
bares a abrirem todos os meses.
Um roteiro de sábado à noite
entre muitos outros possíveis.
Pedro Rios (texto)
e Dato Daraselia/NFactos ( fotos)
22h30
O céu ameaça chover e o termóme-
tro marca oito graus, mas oito graus
deste Inverno húmido, oito graus
que enregelam e, alegadamente,
fecham as pessoas em casa. Não é,
porém, isso que indicia a procissão
de carros estacionados na Rua do
Almada, uma das artérias que apon-
tam ao coração da noite portuense,
na Baixa da cidade.
Há menos de dez anos, quando o
Porto estava ainda longe de sonhar
tornar-se melhor destino europeu
do ano, esta rua era conhecida pe-
las lojas de ferragens e peças para
máquinas. As lojas ainda lá estão,
mas ganharam a companhia de ba-
res. Um deles acabou de se juntar à
movida que poucos imaginariam há
dez anos. No Almada Minha, o pri-
meiro cookie bar do Porto, fazem-se
combinações de bolachas com bebi-
das alcoólicas — tequila, gin, vodka,
vinho, tudo pode funcionar com a
bolachinha certa.
23h05
Sem fome para bolachas, seguimos
rumo ao coração da movida. É, po-
rém, ainda cedo para vê-lo a bom-
bear. No Alma, um dos vários bares
que abriram na Rua da Galeria de
Paris nos últimos anos, há fogo na
rua e contaminações jazz nas colu-
nas a tentar contrariar o frio. Mais
tarde, há-de se dançar lá dentro en-
quanto se bebericam mojitos de pês-
sego e gengibre, mas, para já, tudo
está calmo.
Dirigimo-nos ao vizinho Era uma
Vez em Paris. Os espelhos na parede
e candeeiros mortiços decoram este
enfumarado bar a meia-luz. Guitarras
rock estrepitam nas colunas, mas o
povo ainda não dança. Confirmamos:
a noite acorda lentamente no Porto.
23h45
Não fica longe (uma das vantagens
da noite na Baixa do Porto: nada
fica longe) da Galeria de Paris. Che-
gamos à Travessa de Cedofeita e
um quadro de ardósia na montra
do Canhoto promete-nos o “rock
do peso” dos portugueses Asimov
e “Cinho e Satã nos pratos”. A de-
coração da montra desta antiga loja
de artigos usados, transformada em
bar, é bizarra: há uma guitarra, um
disco em vinil dos Asimov e velhos
teclados de computador.
Espreitamos o vizinho Espaço
77. Há dois anos, foi notícia que o
77 ostentava o recorde nacional de
venda de “minis”: vendeu 378.230
garrafas de cerveja de 20 centilitros
só em 2011. É provável que assim se
mantenha, mas só mais tarde pode-
remos assistir ao corrupio de cerveja
e panikes tradicional deste café.
Caminhamos 260 metros para
FUGAS | Público | Sábado 22 Fevereiro 2014 | 9
0h55
“Sempre tivemos muitos [clientes] es-
trangeiros”, nomeadamente galegos
e franceses”, diz Daniel. Sonja Lazic
é de paragens mais longínquas. Vem
de Zagreb, na Croácia, e está no Por-
to, ao abrigo do programa Erasmus,
para estudar francês e espanhol.
Ouviu “muitas histórias” sobre o
Porto, todas promissoras. “As pes-
soas diziam: ‘É a melhor cidade de
sempre’. Queria muito vir aqui”, con-
fessa. Sonja chegou há duas semanas
e vai ficar por mais cinco meses na
cidade que bateu a sua na votação
para melhor destino europeu do ano
(o Porto conseguiu 14,8% dos votos,
Zagreb ficou-se pelos 10,2%).
“Apaixonei-me pela cidade”, con-
ta. Apaixonou-se também pela noite
mais alternativa. Já viu um dos seus
heróis, Scott Kelly, a tocar no Passos
Manuel, vizinho do Maus Hábitos.
“Temos algo semelhante em Zagreb,
um velho cinema que é uma sala de
concertos.”
1h26
Descemos a Rua de Passos Manuel,
atravessamos a Avenida dos Aliados
e eis-nos quase que noutra cidade
do que aquela que existia há pouco
mais de uma hora. As ruas enche-
ram-se. Os vendedores ambulantes
de bebidas tentam a sua sorte. O po-
vo amontoa-se na Praça de D. Filipa
de Lencastre e nas ruas de Cândido
dos Reis e da Galeria de Paris.
Encontramos alguma calma no La
Bohème, bar forrado a madeira e
repleto de garrafas de vinho. Na pa-
rede, uma citação do brasileiro Car-
los Arruda, consultor especialista na
matéria: “O vinho é o melhor lugar
para se encontrar com os amigos.”
Faz sentido, portanto, que a carta
de vinhos do La Bohème seja longa.
Os copos mais baratos custam 2,50
euros e podem acompanhar uma
refeição de tapas — do Camembert
panado com doce de tomate à pro-
verbial punheta de bacalhau.
Chove, mas nem por isso a Rua
da Galeria de Paris se esvazia. Re-
nata Szlachta, brasileira de 26 anos
a viver em Amesterdão, gosta do
“lado informal” da noite da baixa
portuense. “Em Amesterdão não há
disto de ficar na rua. É muito frio”.
É a terceira vez que está no Porto,
onde tem vários amigos.
2h50
“Estivemos ali na outra rua a beber
shots e a divertir-nos. É muito melhor
do que a noite de Oslo”, garante Juni
Rydel, norueguesa de 25 anos, numa
mesa do Plano B, na Rua de Cândi-
do dos Reis. “Adoramos Portugal. Os
rapazes são muito bonitos”, afirma
Juni. “E as raparigas também”, acres-
centa a amiga Denise Bricen, de 19
anos. Asseguram que vão voltar.
Quando o Plano B abriu, em De-
zembro de 2006, os bares na Baixa
contavam-se pelos dedos de uma
mão (ou quase). Nesses tempos de
“festas privadas” em que só se entra-
va com palavras-passe, a clientela do
bar era portuense. Depois, tornou-se
portuguesa. Hoje, “há noites em que
os estrangeiros chegam a ser 30%”
do povo do Plano B, diz Filipe Teixei-
ra, um dos responsáveis deste bar,
uma das opções da Baixa para aca-
bar a noite a dançar. O Gare, junto
à estação ferroviária de São Bento,
também só fecha às 6h.
O ano passado foi o mais “concor-
rido” de sempre no que toca a visi-
tas de estrangeiros e 2014 promete
ultrapassá-lo, acredita Filipe.
As estrangeiras Denise e Juni gos-
tam da “mistura” que encontram
nas ruas da Baixa portuense à noi-
te. “Posso estar neste bar enquanto
estás noutro bar e encontramo-nos
na rua”, explica Juni. “A vida noc-
turna é mais intensa.” E mais longa:
“A esta hora, em Oslo, estaria nas
últimas bebidas.”
a Rua da Conceição. Na esquina
com o renovado Largo de Mompi-
lher, o Café Candelabro, uma anti-
ga livraria alfarrabista, entrega-se
à boémia no lusco-fusco. Cá fora,
Emile, holandês de 24 anos, exibe
orgulhosamente uma taça, destina-
da, diz-nos, ao maior bebedor do
grupo de 14 com que viajou para o
Porto. Viajaram com um objectivo
simples: “beber o fim-de-semana
inteiro, festejar”. E gostam da ex-
periência, mesmo das “subidas e
descidas” do terreno, muito dife-
rente da plana Amesterdão.
0h10
Nas ruas já se anuncia a confusão.
Ei-los que saem das hamburgue-
rias, uma moda recente na cidade;
de restaurantes bem portugueses
ou de outras latitudes (há turcos,
japoneses, um mexicano…); dos
clássicos das francesinhas (do Aviz
be-se vinho e ouve-se música. Do
outro lado deste complexo de salas
(há uma galeria, espaços para resi-
dências artísticas e uma oficina), os
Las Aspiradoras, vindos de Toledo,
fazem calor por outras vias: guitar-
ras rock’n’roll.
“Estivemos ontem em Santo Tirso
e chegámos de madrugada ao Porto.
É muito bom, as pessoas são muito
acolhedoras”, diz-nos o vocalista e
guitarrista Diego Pérez (casaco de
couro, sapatos de bico), encantado
com a primeira visita ao Porto.
Só Daniel Pires votou três vezes
para que o seu Porto conquistasse
o título de melhor destino europeu
do ano. “Só nos serve de aviso pa-
ra uma coisa muito importante: há
muita gente atenta [ao Porto]. E não
estamos preparados”, sublinha.
“Que o Porto é uma cidade fantás-
tica todos nós sabemos. É preciso
estar à altura e começar a criar con-
teúdos interessantes.”
Daniel tem feito por isso. Isto não
é só um bar: é um laboratório de ex-
periências artísticas, um restaurante
vegetariano (aos almoços), uma sala
de espectáculos (por lá já passaram
meio país musical e vários nomes
internacionais) e… um bar.
ao Santiago). Tal como os bares, boa
parte destes restaurantes também
não existia há dez anos.
As luzes de uma bola multicolori-
da a rodopiar sobre si própria con-
vidam-nos a entrar no Baixaria, na
Rua do Almada. O R&B é o prato do
dia. Nas mesas, iluminadas por can-
deeiros que são também vasos com
plantas, conversa-se e bebe-se.
0h20
O frio do exterior não entra nesta
sala. Estamos no quarto andar do
prédio de 1939 onde mora também
a Garagem Passos Manuel. Poucos
frequentadores da noite do Porto
não saberão do que estamos a falar:
em 2001, Daniel Pires anteviu o que
a Baixa da cidade podia ser e fundou
o Maus Hábitos.
Um aquecedor dá calor à sala
maior do espaço, voltada para o
Coliseu do Porto — conversa-se, be-
À esquerda, o Plano B, que
abriu em 2006, quando os
bares na Baixa quase se
contavam pelos dedos de
uma mão; à direita, o Café
Candelabro, uma antiga
livraria alfarrabista; em
baixo, o Maus Hábitos,
na Rua de Passos Manuel
Noite
10 | FUGAS | Público | Sábado 22 Fevereiro 2014
Capa
Destino europeu do ano
Dez restaurantes
à moda do Porto
Cozinhas que não mudaram com
a explosão do turismo. Para lá dos
chefs de renome e do requinte
gastronómico, mantêm-se para
regalo dos portuenses e daqueles
que os visitam. Desde que o
queiram fazer à moda do Porto,
claro está! José Augusto Moreira
Se há coisa que o turis-
mo não mudou no Porto, uma de-
las foi a restauração. Não que não
tenha havido uma enorme evolu-
ção na última década, podendo até
falar-se num ambiente de revolução
quando olhamos para a quantidade
e variedade de novos espaços e con-
ceitos que quase diariamente vão
surgindo, sobretudo no eixo Baixa-
Ribeira-Foz. Tascas modernas, ba-
res, restaurantes com assinatura
ou de tendência internacional que
procuram corresponder a uma pro-
cura cada vez mais jovem e menos
comprometida, numa interessante
e prometedora dinâmica de sedu-
ção ao turista mas à qual resta ainda
tempo para a definitiva consistência
e consolidação. É que, como já di-
zia a canção (do Fausto): atrás dos
tempos vêm tempos e outros tem-
pos hão-de vir.
Diferente e mais antiga é, no en-
tanto, a tendência para o apare-
cimento de restaurantes de topo.
Espaços mais requintados e com
evidentes preocupações gastronó-
micas, que poderão enquadrar-se
num movimento anterior de afir-
mação da cidade e que remete para
a recuperação da zona da Ribeira
e da marginal do Douro a par de
ambiciosos projectos como o metro
e a recuperação urbana no âmbito
da Porto 2001 (Capital Europeia da
Cultura), Serralves e casa da Música
incluídos.
Foi neste contexto de afirmação
externa que surgiram restaurantes
como o Cafeína, Bull & Bear e Ses-
senta Setenta (este último fechou
portas entretanto), a que se suce-
dem vários outros. Espaços que não
estão ao alcance de todas as bolsas,
mas que consolidam o potencial tu-
rístico do Porto e são a referência
para qualquer tipo de visitante.
Em termos de cozinheiros, é justo
que se diga que Miguel Castro e Sil-
va (hoje praticamente “refugiado”
em Lisboa) foi o precursor deste
movimento de excelência. Chefs
como Ricardo Costa, Rui Paula,
Pedro Lemos, Jerónimo Ferreira
(temporariamente no Rio de Ja-
neiro), Hélio Loureiro, Francisco
Meireles, Vítor Matos, António Jo-
sé Vieira, Luís Américo ou Marco
Gomes personificam também essa
mudança qualitativa e proporcio-
nam hoje uma oferta do mais alto
nível gastronómico.
Ou seja, foi também com eles
que o Porto se afirmou no panora-
ma turístico. Restaurantes como o
The Yeatman (uma estrela Miche-
lin), DOP/Rui Paula, Pedro Lemos,
Cafeína, Shis (que o mar levou há
dias mas que promete estar de volta
rapidamente), Foz Velha, Astória ou
Porto Novo são de visita obrigatória
para quem procura patamares de
exigência gastronómica.
E se à boa mesa se associarem
fabulosas vistas sobre o Douro, as
pontes e zonas históricas do Porto
e Gaia, então é mesmo obrigatória
a passagem pelo Vinum, nas Caves
Graham’s. Com o prazer da paisa-
gem sobre o Douro também o Ba-
rão de Fladgate, nas Caves Taylor’s,
ou o Restaurante Chinês, que há
quase meio século está instalado
mesmo à entrada da ponte Luiz
I. No capítulo étnico, as referên-
cias são o Góshò (Av. da Boavista,
1277) e o Ichiban (Av. Brasil, 454),
ambos de inspiração japonesa.
A ideia deste texto passa, no en-
tanto, por identificar restaurantes
que representem a cidade na sua
essência. Aqueles que não surgiram
para a acompanhar este ou aquele
movimento, uma ou outra tendên-
cia, mas antes para dar prazer e sa-
tisfação aos portuenses e àqueles
que os visitam. Desde que o queiram
fazer à moda do Porto, claro está!
São dez mas podiam ser várias de-
zenas, não significando a escolha ou
a ordem qualquer hierarquização
valorativa. Estão na parte mais cen-
tral da cidade e, presume-se, mais
acessíveis ao visitante que por aí
deambule. São apenas alguns dos
muitos restaurantes que não mu-
daram ou surgiram com a explosão
do turismo na cidade.
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FUGAS | Público | Sábado 22 Fevereiro 2014 | 11
Portucale
Rua da Alegria, 598
Tel.: 225 370 717
É um caso à parte, tanto no Porto co-
mo ao nível nacional. Foi dos primei-
ros a ser reconhecido com a estrela
Michelin (1974) e assim se mantém,
com todas as vantagens e inconve-
nientes. A mesma carta (fabulosa)
e o mesmo ambiente de requinte e
sofisticação, que correspondia ao lu-
xo parisiense da época. Acresce que
fica num dos pontos mais elevados
do Porto e com vistas panorâmicas
sobre toda a cidade.
Preço médio: 40€
Rogério do Redondo
Rua Joaquim António de Aguiar, 19
Tel.: 225 379 533
Casa farta, ampla, serviço despacha-
do e ambiente descontraído, mesmo
que a clientela seja composta por
formais gestores e executivos ou as
típicas famílias burguesas. Guisados,
assados e arrozes de grande substân-
cia e com produtos de origem selec-
cionada. Há bacalhaus substanciais
e variedade de peixe fresco todos os
dias, mas que ninguém pense em co-
zinhados frugais ou doses contidas.
A carta de vinhos é a condizer.
Preço médio: 20€
A Cozinha do Manel
Rua do Heroísmo, 215
Tel.: 225 363 388
Na mesma zona da cidade e na mes-
ma linha do Rogério do Redondo, mas
com uma cozinha mais centrada nos
trabalhos de forno. O cabrito e a vite-
la são exemplares, mas há também
as tripas, bacalhaus e o cozido à por-
tuguesa (à quinta-feira). Cozinha ao
mais puro estilo regional num espaço
com ambiente e decoração a condi-
zer. Entra-se pela zona do balcão, por
onde se acede à sala de refeições.
Preço médio: 20€
Restaurantes
Adega São Nicolau
Rua de São Nicolau, 1
Tel.: 222 008 232
Não mudou com o turismo mas foi
literalmente tomado pelos turistas
que em permanência esgotam o es-
paço já de si limitado. Pela cozinha
saborosa e genuína, mas também
pela localização num dos mais pi-
torescos recantos da Ribeira donde
se avista o Douro. Foi recentemente
remodelado com gosto e é de visi-
ta obrigatória. Haja paciência para
aguardar mesa.
Preço médio: 18€
O Ernesto
Rua da Picaria, 85
Tel.: 222 002 600
No coração da Baixa e numa rua on-
de quase todos os espaços foram to-
mados pelo fervilhar de bares e nova
restauração, o Ernesto mantém-se
firme no seu estilo tradicional, que
funciona há mais de setenta anos e
sempre na mesma família. Espaço
acolhedor e com alguma elegância,
com duas salinhas sobrepostas e um
pequeno terraço no quintal para os
dias de Verão. Muito boa relação o
entre o que se paga e aquilo que é
servido.
Preço médio: 12€
Casa Aleixo
Rua da Estação, 216
Tel.: 225 370 462
Nas imediações da estação ferrovi-
ária de Campanhã, é uma das re-
ferências da cidade pelos saboro-
sos filetes de pescada ou de polvo
acompanhados com arroz de forno
do octópode. Há também a vitela do
forno, que vem à mesa na assadeira
de barro, as rabanadas e uma aletria
com ovos que a ninguém deixa in-
diferente. Sobretudo a consistência
de um serviço de décadas.
Preço médio: 15€
O Buraco
Rua do Bolhão, 95
Tel.: 222 006 717
Um dos mais populares e mais pro-
curados restaurantes da Baixa, com
comidas simples, sempre saborosas
e variadas. A exiguidade do espa-
ço, com duas salinhas ao nível da
rua e uma cave, é compensada pe-
la simpatia e eficiência do pessoal.
Para uma refeição mais distendida é
aconselhável ao jantar, com menos
procura e horário alargado.
Preço médio: 12€
Antunes
Rua do Bonjardim, 525
Tel.: 222 006 577
Com uma clientela ecléctica, é pro-
curado por gente de todas a idades
e estatutos. Um dos mais típicos e
tradicionais da Baixa portuense, com
vasta oferta ditada em função das dis-
ponibilidades do dia nos mercados.
São reconhecidos os filetes de pes-
cada com arroz malandro, as tripas,
os rojões ou o arroz de pato, mas há
muito que o ícone da casa é o pernil
de porco assado em forno a lenha.
Preço médio: 15€
Adega Ribatejo
Rua Alexandre Herculano, 219
Tel.: 222 008 991
A antiga casa de pasto com ar de
adega é hoje um espaço bem mais
arrumado, desafogado e com de-
coração a condizer. Cozinha tra-
dicional, com a habitual oferta de
bacalhaus, assados, tripas e o arroz
malandrinho que pode acompanhar
vários pratos. Há também variedade
de petiscos e uma acolhedora espla-
nada onde, em tempo apropriado,
se almoça à sombra da ramada.
Preço médio: 14€
Pombeiro
Rua Capitão Pombeiro, 218
Tel.: 225 097 446
Ganhou fama com vários prémios
pelas suas tripas à moda do Porto,
mas não se ficam pelo mais típico
cozinhado portuense os méritos do
restaurante. Há cozido à portugue-
sa, vitela assada, frango de cabidela
e sempre uma variada oferta de pra-
tos de cariz caseiro e de temporada.
Assim se justifica o lema com que a
casa de insinua: “Comer bem e ca-
seiro é no Pombeiro”.
Preço médio: 15€
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Na página ao lado, a Cozinha
do Manel; nesta página,
à esquerda, o Portucale;
à direita, a Casa Aleixo
12 | FUGAS | Público | Sábado 22 Fevereiro 2014
Capa
Destino europeu do ano
Dos hostels aos
hotéis de luxo:
há uma cama para
todos no Porto
De que forma uma boa oferta
hoteleira contribui para o sucesso
da cidade? A Fugas visitou dois
hostels, dois hotéis de luxo
e um hotel de charme. No Porto
cabem todos os turistas.
Mariana Correia Pinto
Oque têm em
comum um hostel portuense com
preços a partir de dez euros por
noite e um hotel de luxo na mesma
cidade onde a diária custa, no mí-
nimo, 200 euros? Em que palavra
se unem estes dois segmentos? Ini-
ciamos o périplo pela cidade com
as perguntas no bloco de notas e
terminamos com uma palavra na
cabeça: Porto.
Quando a notícia de que a cidade
havia arrecadado pela segunda vez o
prémio de melhor destino europeu
do ano estourou, Joana Dixo parti-
lhou-a imediatamente no Facebook.
Aquele prémio também era dela e
do seu hostel aberto em Novembro
de 2011 em plena Rua de Mouzinho
da Silveira. No luxuoso Interconti-
nental, Eric Viale, o director-geral,
teve exactamente a mesma sensa-
ção: “É um pouco nosso que temos
o ADN do Porto e trabalhamos para
o passar aos nossos hóspedes.”
Na cidade cabem ofertas tão opos-
tas como as do Porto low-cost, do
Porto de luxo e mesmo do Porto de
charme, que este mês abriu um no-
vo espaço, o Ribeira do Porto Hotel,
bem pertinho da emblemática ponte
Luiz I. Os segmentos não rivalizam
porque trazem coisas e pessoas dife-
rentes à cidade, dizem em uníssono
os responsáveis dos espaços que a
Fugas visitou dias depois de o Por-
to arrecadar o prémio da European
Consumers Choice.
Ainda sem os dados de Dezembro,
em 2013 a região já tinha ultrapassa-
do os números de dormidas a que os
associados da Associação de Turis-
mo do Porto se tinham proposto. A
procura subiu para dois milhões e
500 mil dormidas, mais 14% do que
em 2012. E a tendência é para que
continue a subir.
Junto à estação de São Bento e
com o Teatro Nacional de São João
a dois passos, o Tattva Design Hos-
tel, que arrecadou recentemente o
prémio de melhor hostel europeu
de grande dimensão, é todo Porto
por fora. A fachada do edifício da
Rua do Cativo, herdado por um dos
proprietários, foi recuperada para
ser assim: tipicamente portuense.
Lá dentro a história é outra: “Por op-
ção” — salienta a proprietária Himali
Bacho, há 13 anos a viver no Porto —,
os empresários decidiram “apostar
num design clean”. “Acreditamos
que a cidade vive-se fora de portas,
aqui quisemos manter alguma neu-
tralidade”, explica Himali, que gere
um hostel com elevador e completa-
mente preparado para pessoas com
mobilidade reduzida.
A vista única que se tem da cidade
a partir do hotel de luxo The Yeat-
man, em Gaia, dispensava qualquer
outro investimento na decoração.
É como um gigantesco quadro que
pode ser visto de todos os 82 quar-
tos, das fabulosas piscinas (interior
e exterior), do restaurante com uma
estrela Michelin ou da esplanada de
apoio ao bar que conta com 76 par-
Dixo’s Hostel
Rua de Mouzinho da Silveira, 72
Tel.: 222444278
http://dixosoportohostel.com
Tattva Design Hostel
Rua do Cativo, 26-28
Tel: 220 944 622; 939 887 070
www.tattvadesignhostel.com
The Yeatman
Rua do Choupelo, Vila Nova de Gaia
www.the-yeatman-hotel.com/
Intercontinental
Palácio das Cardosas
Praça da Liberdade 25
Tel.: 22 003 5600
www.intercontinental.com
Ribeira do Porto Hotel
Praça da Ribeira, 5
Tel.: 222 032 097
www.ribeiradoportohotel.com
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mos os maiores promotores priva-
dos do Porto e do Norte de Portu-
gal.” A publicidade é feita nas maio-
res feiras de turismo do mundo, em
road shows, actividades de turismo
nacional e com a aposta em quatro
agências internacionais, em Ingla-
terra, na Alemanha, nos EUA e, mui-
to em breve, no Brasil. “O que faz o
Porto é o Porto. A história da cidade
é muito maior do que qualquer ho-
tel. O nosso papel foi trazer clientes
de grande luxo”, diz.
Os prémios que o hotel vai co-
leccionando (como o de melhor
hotel spa da Europa, por exemplo)
atraem também gente para a cida-
de e impulsionam a economia. Há
dúvidas? “Temos clientes que vêm
porque querem conhecer o hotel e
que chegam de jactos privados ou
helicóptero”, diz Miguel Velez. Mas
nem só o segmento muito alto faz o
sucesso do The Yeatman. “Há clien-
tes que vêm cá jantar e nos dizem
que ficam alojados em lugares mais
baratos. O turista low-cost do Porto
não é o turista pé descalço”, analisa,
acrescentando que 50% das pessoas
que frequenta o hotel (não só para
dormidas mas também para o res-
taurante, bar ou spa vinoterapêuti-
co) é de Portugal.
Porto: a melhor publicidade
Quando, há uns anos, os proprietá-
rios dos hostels Dixo’s e Tattva per-
guntavam aos hóspedes por que
tinham decidido visitar o Porto,
havia uma resposta muito frequen-
te: “Porque é um destino barato.”
“Muita gente vem por isso. E depois
ceiros vínicos. Mas a aposta foi em
ter o Porto e o Norte de Portugal pre-
sente um pouco por todo o hotel —
nas decorações nos corredores, nos
elevadores, nos quartos, na própria
gastronomia e, claro, nos vinhos.
Se a cidade dá a quem nela tra-
balha cenários impagáveis e uma
história memorável, o que pode a
oferta hoteleira dar à cidade? No
The Yeatman e no Intercontinental
há equipas que trabalham especi-
ficamente na atracção de turistas.
“Quando promovemos o Porto, 75%
tem a ver com o destino em si e só
25% com o hotel”, contabiliza Eric
Viale, do Intercontinental, hotel de
cinco estrelas com vista para a Ave-
nida dos Aliados que conta com 105
quartos, um restaurante e bar aber-
tos ao público, ginásio e spa entre os
serviços disponibilizados.
Miguel Velez, director-geral do
The Yeatman, vai mais longe: “So-
FUGAS | Público | Sábado 22 Fevereiro 2014 | 13
descobre o Porto e as pessoas e que-
rem voltar, claro. Temos muitos re-
petentes”, conta Joana Dixo.
A vénia pelo fenómeno é feita
por todos ao aeroporto Francisco
Sá Carneiro e à Ryanair, que com
a sua base na cidade trouxe já mi-
lhares de turistasao Porto. Agora,
deseja Miguel Velez, é “preciso tra-
balhar mais e atrair outras rotas”.
Desde o início do mês que a easyJet
voa do Porto para Paris e também a
Europe Airpost já disse pretender
iniciar voos regulares para vários
destinos de França.
Uma hóspede toca guitarra e trau-
teia uma música, alheia a quem en-
tra. Na recepção do Dixo’s, há instru-
mentos musicais, televisão, Playsta-
tion e livros. Há fotografias da cidade
penduradas numa corda e quadros
alusivos à Invicta. Num mural for-
rado a cortiça, panfletos de todos
os géneros: restaurantes da cidade,
bares, mapas. Atrás do balcão da re-
cepção lê-se: free walking tours.
A miscelânea funciona exacta-
mente como Joana Dixo quer — per-
cebemos minutos depois, quando
a anfitriã explica o conceito do seu
hostel. “Queremos que os hóspe-
des sintam o Dixo’s como uma casa
longe de casa” e que “conheçam o
Porto de uma maneira local e não
turística.” A cada piso há um mural
alusivo à cultura portuguesa e no
quinto e último a prenda final: uma
vista fabulosa sobre a cidade num
pátio onde se servem pequenos-al-
moços e se fazem churrascos.
A falta de apoio do Turismo de
Portugal, que não inclui os hostels
nos seus roteiros, é uma mágoa que
os proprietários destes espaços não
escondem. “Temos todas as obri-
gações de um hotel e nenhuma re-
galia”, lamenta Joana Dixo. “E por
isso o prémio que o Porto ganhou
aliam os cruzeiros à estadia no Por-
to” como uma das principais formas
deste boutique hotel ajudar na pro-
moção da cidade.
Mas no sentido contrário há tam-
bém algo a fazer: “A Câmara do Por-
to tem de deixar de nos ver como
inimigos. Nós investimos na cidade,
trazemos gente e temos de ser en-
carados como parceiros de uma vez
por todas”, apela Joana Dixo.
O resto “não tem grande segre-
do”, resume Ana Machado quando
questionada sobre o que fazer para
que o Porto possa repetir prémios
como o de melhor destino europeu:
“Só temos de manter a mesma pos-
tura, a mesma forma de receber. O
Porto é a melhor publicidade para
o Porto”.
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é ainda mais importante para nós,
ajuda-nos a promover o nosso tra-
balho.”
Aberto há menos de um mês, o
Ribeira do Porto Hotel, aposta fami-
liar do grupo Tomaz do Douro, veio
responder aos frequentes apelos
dos hóspedes que passeavam nos
barcos da empresa de cruzeiros.
Com seis pisos e 18 quartos, o ho-
tel de charme — ainda sem cotação
definida a nível de estrelas — vem
preencher um segmento médio e
procura atrair turistas com mais
idade. Com as paredes de pedra e
fotografias gigantes de promoção
da cultura portuguesa como pano
de fundo, Ana Machado, gestora de
comunicação e marketing do hotel,
fala dos “programas especiais que
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Do Yeatman,
em Gaia, tem-
-se uma vista
impagável
sobre o Porto
de quase todos
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o Inter-
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Porto; em
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14 | FUGAS | Público | Sábado 22 Fevereiro 2014
Capa
Destino europeu do ano
O Porto
de quem
vive nele
Ela é do Porto de alma e coração
– “bairrista”, até. Ele um lisboeta
que trocou a capital pela Invicta
há poucos meses. Na ressaca
da vitória da cidade na votação
online que a sagrou o melhor
destino turístico para 2014, a
Fugas quis saber como é e onde
se faz o Porto deles. As perguntas
são as mesmas, 10 – e agora
descubra as diferenças.
Mariana Correia Pinto
Maria João Alarcão
51 anos
Empresária
Vive na zona do Parque
da Cidade
Maria João
Escolho a esplanada da Praia da Luz
a ver o mar!
António Fontão
Vou para os jardins de Serralves ou
para uma esplanada na Foz.
Para procurar prendas de última
hora começo…
Maria João
Pelas lojas do Aviz e por fim o Nor-
teshopping.
António Fontão
Começo por uma das melhores ofer-
tas da cidade do Porto, o comércio
tradicional da Baixa (Rua de Santa
Catarina, entre outras). O centro co-
mercial Via Catarina é também ideal
para compras de última hora.
A iguaria da cidade que eu ex-
portaria é…
Maria João
Os gelados Neveiros.
António Fontão
Pergunta difícil. Exportaria duas
iguarias, a francesinha Santiago e
a bifana da Conga.
O melhor sítio para passar o sá-
bado à noite…
Maria João
Um bom jantar com amigos num
dos muitos restaurantes da Baixa
do Porto.
Quando quero caprichar num
jantar com amigos faço as com-
pras…
Maria João
No Supercor do El Corte Inglés e
para sobremesa compro uns mil
folhas do BBGourmet (Rua de An-
tónio Cardoso).
António Fontão
Claramente escolho uma superfície
comercial com maior oferta e, en-
tre as inúmeras ofertas que a cidade
dispõe, a minha favorita é o Dolce
Vita. Recomendo.
Quando quero descansar fora de
casa num dia de folga…
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FUGAS | Público | Sábado 22 Fevereiro 2014 | 15
António Reis Fontão
33 anos
Director de arte/designer
Vive na zona da Trindade
O lugar mais romântico da cida-
de é…
Maria João
A casa de chá de Serralves.
António Fontão
A Foz e o Parque da Cidade.
Quando quero convencer um
amigo a vir conhecer o Porto
digo-lhe que…
Maria João
O Porto tem rio, tem mar, boa comi-
da... e uma gente como não há em
mais nenhuma parte do mundo!
António Fontão
Digo tudo o que disse anteriormente,
mas com um reforço na gastronomia.
Se recusar, obviamente a nossa ami-
zade deixa de fazer sentido (risos).
O que é que o Porto precisa de
fazer para voltar a ganhar esta
distinção em 2016…
Maria João
Manter a autenticidade.
António Fontão
Não precisa de fazer muito mais, ape-
nas de apostar vigorosamente numa
campanha ou parcerias promocio-
nais com targets bem definidos, dar-
se a conhecer o mais possível e com
a qualidade que merece. Não tenho
dúvidas que quem quer que visite o
Porto não se sentirá defraudado.
António Fontão
Baixa da cidade, zona antiga, Gale-
rias de Paris.
O segredo bem guardado da ci-
dade é…
Maria João
A panorâmica do Porto do Largo da
Bataria!
António Fontão
As gentes do Porto.
A melhor vista da cidade é…
Maria João O Porto visto à noite da
Serra do Pilar.
António Fontão
O Porto visto da marginal de Vila
Nova de Gaia.
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Inquérito
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16 | FUGAS | Público | Sábado 22 Fevereiro 2014
Viagem
Pernambuco
No Nordeste do Brasil
o Carnaval tem frevo,
maracatu e coco
Caboclos de lança, Zé Pereira, frevo, afoxé, maracatu
de baque solto e de baque virado fazem parte de um
triângulo cultural que se sintetizou em Pernambuco
e se cristalizou no Carnaval de Olinda e Recife. Há
meses que centenas de milhar de pessoas vêem e
revêem passos e planos para cinco dias que rompem
o quotidiano e justifcam a vida. Manuel Carvalho
(texto) e Nelson Garrido ( fotos)
Se um dia alguém
lhe disser que há um lugar no mun-
do onde mais de um milhão de pes-
soas se mobiliza todos os anos para
seguir durante horas, debaixo do
calor dos trópicos, a imagem de
um galo que pesa três toneladas e
mede 27 metros de altura, não se
espante. É verdade. Acontece no Re-
cife sempre que é sábado véspera
do Carnaval. Procurar explicações
para semelhante fenómeno é tarefa
ingrata, se não impossível. Não está
em causa nenhum ritual místico, ne-
nhuma devoção religiosa, nenhuma
celebração étnica, nenhuma apo-
logia a um ideal político, nenhuma
celebração dos direitos dos animais.
O Galo da Madrugada é um bloco
de Carnaval e, seja no Recife ou na
vizinha cidade de Olinda, os blocos
de Carnaval são assuntos demasiado
sérios para serem objecto de refle-
xão. Como tudo o que faz mexer o
Carnaval no Brasil, a máquina é mo-
vida por uma explosiva combinação
de hedonismo, cultura popular e,
certamente, alguma cerveja.
No sábado dia 1, lá para as sete
da manhã, a ponte Duarte Coelho,
que atravessa o rio Capibaribe e
liga duas das principais avenidas
da cidade, já há-de estar meio co-
lonizada. Uns serão os resistentes
da grande festa de abertura do
Carnaval do dia anterior, outros
serão os prosélitos do Galo e, sim,
haverá muitos milhares de turistas
— o Galo da Madrugada foi um dos
principais destinos do Carnaval
de Recife, segundo o Instituto de
Pesquisas Políticas, Económicas e
Sociais. Coisa séria.
Quando o galo iniciar a sua ro-
magem de dez horas pela cidade,
entra-se no primeiro transe colec-
tivo. Pelo meio da multidão estão
anunciadas umas 30 orquestras de
frevo e vários trios eléctricos. Para
quem quiser convocar a imagem de
uma procissão para conceber este
devaneio, terá de lhe acrescentar
o movimento da dança e o colori-
do de uma música frenética (frevo
vem de ferver), tocada por metais,
que se articula com 120 movimen-
tos coreográficos. Um património
imaterial da Humanidade protegido
pela UNESCO desde 2006 exaltado
por centenas de milhar de pessoas
que seguem a rota do Galo.
Há meses que os habitantes do
Recife e de Olinda não pensam
noutra coisa. Há meses que en-
saiam as coreografias dos blocos
ou os ritmos das caixas, bombos,
atabaques e agogôs, alfaias, abês e
outros instrumentos de percussão
de feitio estranho e resultados es-
pantosos. Para se chegar em forma
ao Carnaval foi preciso encomendar
e testar os trajes e os disfarces. Para
que nada falhe, os mais cautelosos
trataram de combinar encontros al-
gures numa esquina de uma cidade
que, por cinco dias, mais do que
duplica a sua população. Tiveram
de escolher programas (o do Recife
são umas 30 páginas), verificar as
horas, preparar a logística para dias
quentes e noites longas.
Nos finais de tarde de domingo
do último mês era ver milhares de
homens e mulheres de todas as ida-
des, de todas as cores, do chique
bairro da Boa Viagem ou do popular
morro da Conceição, a rumarem ao
centro histórico da capital do Per-
nambuco para se encontrarem com
os seus blocos. Riam, num espírito
contagiante, meio pueril meio ma-
landro, como se em causa estivesse
o sucesso não de uma semana, mas
de toda a vida. Não fossem os toró
(chuvas tropicais) e o tempo teria
sido mais bem aproveitado. Mas
bastava assistir a essa azáfama dos
finais de semana para se ficar com
uma ideia aproximada da paixão
que a festa suscita. Chega até a ser
estranho verificar como a entrega,
o entusiasmo e euforia são vividos
por uma procuradora, um jornalista
ou um deputado federal. Pessoas
que no quotidiano veríamos apru-
madas, tornam-se subitamente mais
livres, mais espontâneas, mais re-
ais, talvez.
Fazer escolhas
Há carnavais e carnavais e jamais
se estabelecerá um consenso sobre
a superioridade dos carnavais do
Recife, de Salvador ou do Rio de
Janeiro. Se a festa carioca é mais
sensual e exuberante e a da Bahia
mais negra e dionisíaca, os cinco
dias de Carnaval pernambucano
são sem dúvida mais democráticos
e culturalmente heterodoxos. Em
primeiro lugar, não há sambódro-
mos como no Rio a cobrar bilhetes
nem trios eléctricos como em Sal-
vador que, para serem seguidos,
exigem contrapartidas — nem que
seja a compra de uma camisola. A
menos que se queira um lugar num
dos palanques por onde se seguem
os corsos, que chegam a custar 60
euros, no Recife e em Olinda a fes-
ta é completamente livre. Pode-se
seguir em frente com um bloco e
fazer marcha-atrás com um mara-
catu, pode-se subir uma rua com
uma orquestra de frevo e regressar
com um grupo de afoxé sem gastar
nada com isso.
O problema maior é fazer esco-
lhas. Quem experimentou as festas
de preparação dos blocos ou dos
grupos de percussão no coração
do Recife histórico ou nas calça-
das setecentistas de Olinda sabe
que, no aparente caos da festa, há
um sem-número de detalhes que
FUGAS | Público | Sábado 22 Fevereiro 2014 | 17
írem quem andar pelas suas rotas.
Este ano, a organização do Carna-
val do Recife refere a existência de
63 “focos”. Uns são centralizados,
outros descentralizados, alguns são
comunitários e três serão dedicados
às crianças. Mas sempre que se re-
fere a esta pluralidade de lugares
onde se congregam os grupos que,
por vezes, chegam a arrastar pelas
ruas da cidade milhares de segui-
dores, há que ter em consideração
a existência de uma estrela maior
nesta constelação: o tal Galo da Ma-
drugada. Fundado em 1977 numa
reunião patrocinada por um em-
presário, o Galo é hoje a figura do
regime do Carnaval. Mas é-o mais
pela quantidade de gente que ar-
rasta ou pelas fotografias cénicas
que proporciona do que por um
acto de paixão genuína. Em Olinda
há quem lhe faça frente, se não em
mobilização, por certo em intensi-
dade cultural.
Veja-se o caso do Homem da
Meia-Noite. Esta figura é claramente
inspirada na tradição portuguesa
dos Zé Pereira. Em linguagem nor-
tenha, o Homem é um gigantone.
Ou um cabeçudo. Bem vestido (este
ano levará as cores do Brasil, em ho-
menagem à Copa do Mundo), com
um dente de ouro a sublinhar a sua
condição próspera, esta figura faz
parte do Carnaval de Olinda desde
1932. Os registos avisam que quando
o Homem sai à rua há uma espécie
de delírio metafísico — difícil de ex-
plicar, como tudo o que diz respeito
a estas festas. Com tanto sucesso,
acabaria por se tornar obrigatório
encontrar companhias apropriadas
a semelhante personagem. Foi as-
sim que nasceu a Mulher do Dia,
um horário bem mais politicamente
correcto.
De resto, o Carnaval em Olinda
é pródigo em gigantones. No do-
mingo, dia 2, haverá imagens para
todos os gostos no centro da cidade
histórica: Obama, Dilma Rousseff ou
Lampião, um lendário bandido do
Nordeste brasileiro, hão-de por lá
aparecer. Como é pródigo em suor.
Olinda é uma jóia da arquitectura
portuguesa nos trópicos (Patrimó-
nio Mundial da UNESCO), com ruas
estreitas e ladeiras sinuosas que
exigem fôlego e determinação aos
gigantones ou aos simples membros
dos blocos. Nas subidas, o som es-
tridente, metálico e frenético do
Guia prático
COMO IR
A TAP tem três voos semanais
para o Recife. Partem de Lisboa
a meio da tarde e regressam à
noite, com chegada a Portugal à
hora do pequeno-almoço.
ONDE DORMIR
A maioria dos melhores hotéis
fica no bairro da Boa Viagem,
mesmo junto à praia. Ou seja,
relativamente longe do Recife
central e de Olinda, onde a festa
tem o epicentro. Nestas noites
os táxis trabalham 24 sobre 24
horas. Mas, afirmam os locais, por
vezes podem não chegar para
acudir picos de procura. O melhor
mesmo é não ter pressa.
ONDE COMER
Por toda a zona central não
faltam bons sítios para comer. Os
restaurantes mais sofisticados
e mais caros estão na zona
do bairro da Boa Viagem – ou
no shopping Rio Mar, na zona
do Pina, onde se encontra o
restaurante do chef português
Rui Paula. Na Baixa vale a pena
experimentar o restaurante Leite,
um histórico da culinária de
inspiração portuguesa. Em Olinda
tente o Beijupirá. Convém marcar
com antecedência.
OCEANO
ATLÂNTICO
Rio de Janeiro
São Paulo
Salvador
BRASIL
Brasília
Recife
500 km
convém perceber. Cada bloco tem a
sua própria personalidade cultural,
política ou até social, organiza-se
num “foco”, tem uma hora para
a largada e segue uma rota mais
ou menos estabelecida. Alguns,
como o Manguebeat de Olinda,
procuram homenagear a cultura
urbana do Recife, uma mistura
de rock agressivo com ritmos ne-
gros do Nordeste que deu a volta
ao mundo com os discos de Chi-
co Science, nos anos 1990; outros
dedicam-se à crítica social, como o
Enquanto Isso na Justiça. Outros,
ainda, nascem e crescem sem nar-
rativa e vivem da inspiração do
momento e da capacidade de atra-
Ao lado,
ensaio de
um bloco em
Olinda; em
baixo, ensaio
de percussão
no Recife
18 | FUGAS | Público | Sábado 22 Fevereiro 2014
Viagem
Pernambuco
frevo suspende-se — não há caixa
torácica que resista a tanta neces-
sidade de ar.
Uma festa multicultural
Nos Zé Pereira, na atracção pelo efei-
to do Entrudo ou no frevo é impos-
sível não verificar que o Carnaval de
Recife e Olinda conservam fortes raí-
zes portuguesas. No século XIX essas
tradições de sair à rua mascarado,
de fazer tropelias, de suspender por
alguns dias as rígidas regras morais
ou as convenções sociais já estavam
em fase adiantada de sedimentação.
Quando as agremiações carnavales-
cas (blocos, troças, orquestras de
frevo, etc.) se consolidam, nos anos
20 do século passado, podem-se en-
contrar entre as mais proeminentes
uma tal Tuna Portuguesa.
Mas se este legado serviu de inspi-
ração, a verdade é que, na sua essên-
cia, todo o ritual do Carnaval é uma
síntese nordestina. É esse contexto
que o torna diferente das festas do
Rio ou de Salvador. As manifestações
que mais nitidamente exprimem as
rotas triangulares dos portugueses
na época dos Descobrimentos (Por-
tugal-África-Brasil) eternizaram-se na
cultura da Zona da Mata, a caminho
do Sertão, a uns 70 quilómetros do
Recife. Esta zona de transição entre
o verde atlântico e o barro do Agres-
te, que por sua vez prenuncia o árido
e cada vez mais inóspito Sertão, foi
durante séculos o lugar da cultura
dos engenhos do açúcar que origi-
naram as teses do luso-tropicalismo
propaladas por Gilberto Freyre (ele
próprio um pernambucano). Nos
engenhos coexistiam as casas gran-
des dos senhores e as senzalas dos
escravos. Algures entre estes dois
espaços nasceu o maracatu.
O maracatu é um neologismo que
alguns estudiosos afirmam provir de
dois étimos de origem negra e índia
que combinados significariam algo
próximo de “guerra bonita”. Há dois
tipos de maracatu que saem da Zona
da Mata ou dos bairros das periferias
urbanas para tornar o Carnaval do
Recife ainda mais feérico: o de ba-
que virado e o de baque solto. Não
tem nada que saber. No primeiro os
ritmos são mais harmónicos, logo
mais dançáveis; no baque solto o que
se ouve é algo mais próximo do free
jazz — ausência total de ritmo sinco-
pado e de harmonia. É, no entanto,
este maracatu que melhor exprime
uma tradição que perdurou desde
a escravatura e que hoje dá corpo a
uma das maravilhas do Carnaval e
da cultura nordestina. A poderosa
coreografia dos caboclos de lança
só existe nesta versão mais rural do
maracatu.
Um maracatu (há mais de uma
centena de grupos na Zona da Mata)
é um cortejo, supostamente um cor-
tejo de homenagem aos reis africa-
nos que persistiram na memória dos
escravos. Há um mestre que profere
loas de improviso, numa expressão
que faz lembrar os cantares de de-
safio do Alto Minho. Tudo o resto é
único e extraordinário. Um porta-
estandarte transporta os símbolos
do poder do maracatu, depois há a
corte vestida com roupas de veludo
estilo Luís XIV, com 30 ou 50 figuras.
Pelo meio há os reis, a rainha que
transporta a Calunga, uma boneca
que invoca os rituais do vudu e do
candomblé, as damas da corte com
vestidos armados. A proteger toda
esta majestade vêm os caboclos de
lança com as suas golas carregadas
de missangas. Eles são os guerrei-
ros que quando o mestre suspende
as suas loas se lançam numa dança
caótica, xamânica, de extraordinária
intensidade visual.
O auge desta expressão cultural
dos maracatus há-de acontecer em
Nazaré da Mata, na segunda-feira dia
2, quando dezenas de grupos de ma-
racatu rural se encontrarem. Para os
cortadores de cana que os integram,
será o dia principal do ano. Se leva-
rem o ritual a sério, terão de prati-
car abstinência sexual durante sete
dias. E, diz a lenda, poderão beber
um elixir que leva pólvora chamado
azougue para poderem não só dan-
çar como se o mundo acabasse daí
a meio minuto, como para carregar
as suas golas (uma espécie de capas)
que levam mais de 50 mil lentejoulas
e missangas — além de um chocalho
e de uma cabeleira gigantesca. Este
ano, a Justiça tinha imposto que as
festas acabassem mais cedo, mas o
poder político interveio e na Nazaré
da Mata haverá maracatu até às cin-
co da manhã.
Nos outros dias, os grupos de ma-
racatu aparecerão no coração do Re-
cife e de Olinda para se cruzarem
com os blocos, as troças, as bandas
de frevo, os grupos de afoxé — o for-
ró nordestino é mais para as festas
dos santos populares, lá para Junho.
Um maracatu
é um cortejo,
supostamente
de homenagem
aos reis africanos
que persistiram
na memória
dos escravos.
Há um mestre
que profere loas
de improviso,
numa expressão
que faz lembrar
os cantares de
desafo do Alto
Minho. Tudo o
resto é único e
extraordinário
FUGAS | Público | Sábado 22 Fevereiro 2014 | 19
Blocos
Grupos organizados de pessoas
que participam no Carnaval. Há
blocos para todos os gostos,
para todas as idades. Cada um
tem uma hora e um dia para sair
à rua. Alguns têm coreografias
especiais. Outros saem, apenas.
Música, apenas com instrumentos
de percussão ou com orquestra,
não falta. Os grupos podem ser
seguidos livremente por quem
quiser. O Galo da Madrugada é
o campeão do público, mas há
blocos bem mais outsiders e
imaginativos. Como, por exemplo,
os Eu Acho é Pouco, Que Corno é
Esse, O Grande Demente, Quero
Te Comer…
Maracatu
Pode significar um estilo musical
ou um cortejo que representa uma
corte africana com roupagens da
época de Versalhes. Os caboclos
de lança que defendem a realeza
vestem-se com majestosas golas
decoradas com missangas e
lantejoulas. Cada maracatu pode
ter até 50 figuras. Os maracatu
de baque solto (das zonas rurais)
têm ainda um mestre que profere
loas. Estes grupos produzem
uma algazarra audível a milhas.
Têm o seu dia grande em Nazaré
da Mata, a 70km do Recife, mas
poderão ser encontrados na festa
do Recife e Olinda.
Marco Zero
É o coração do Recife, o ponto a
partir do qual todas as distâncias
de Pernambuco são calculadas.
Localizado à beira-mar, é o
epicentro do Carnaval. É aí que
decorrerão os principais eventos.
Ao lado ficará o festival Rec Beat e
nos seus palcos passarão nomes
sonantes da MPB, como Chico
César, Fáfa de Belém ou Lenine.
Zé Pereira
É uma tradição do Carnaval de
Olinda. Podem-se encontrar
grupos de gigantones em
qualquer dia, mas será no
próximo sábado que se dará a sua
reunião anual. O Homem da Meia-
Noite é, desde 1932, o grande
BREVE GUIA DA FESTA
agitam uma sombrinha colorida.
Frevo é coisa que não falta no
Carnaval. Como não faltam as
músicas de batida negra como
o coco, o afoxé, o maracatu, a
ciranda, o rock, o manguebeat ou,
obviamente, o samba.
Protecções
A temperatura do Recife
raramente passa os 30 graus. A
localização da cidade garante-
lhe aquela humidade tropical
que ajuda a suportar o calor, mas
que causa incómodo a quem
tem de fazer esforço físico. Uma
prova de alta competição como
o Carnaval exige muita água,
muito protector solar, calçado
confortável e roupa leve. A
segurança policial é reforçada
nesta época e nos últimos anos
Recife baixou significativamente
os seus índices de criminalidade.
Ainda assim, há um conselho dos
brasileiros que se deve ter sempre
em consideração: “se liguem”. Ou
seja, todo o cuidado é pouco.
Veja mais em
http://tinyurl.com/lv4a8p9
http://tinyurl.com/ng52vla
personagem desta tradição muito
portuguesa. Mas há bonecos
para todos os gostos: Lampião,
Barba Papa, Seu Malaquias, Fofão,
Boneco Pé Inchado, Tarado da
Sé, Gilberto Freyre, Carlitos, John
Travolta, Alceu Valença, A Mulher
do Dia, etc.
Músicas
O frevo é talvez a expressão
musical mais profundamente
pernambucana. É tocada por
uma orquestra e associa-se a
uma dança frenética, de difícil
execução, na qual os dançarinos
Série especial do Público
http://blogues.publico.pt/brasilnaestrada/
Dia 8 de Março: Fugas especial Brasil
Na estreia do Carnaval, na próxima
sexta-feira, o consagrado percussio-
nista pernambucano Naná Vascon-
celos organizará uma sessão com
batuqueiros e cortes das 12 nações
de Maracatu. E, já mais para o final,
a Noite dos Tambores Silenciosos
travará por minutos o troar dos tam-
bores para dar lugar a uma ladainha
de inspiração africana que pretende
homenagear a memória dos escravos
mortos na época colonial (e não só,
o Brasil só aboliu a escravatura com
a Lei Áurea de 1888).
Mistura de civilizações ou, de
forma mais precisa, civilização que
resulta de uma mistura luso-afro-
americana, a festa do Carnaval do
Recife é difícil medir. São centenas
de eventos, em pólos na periferia de
Recife e Olinda, ou no Marco Zero,
em frente ao mar, que vão desde gru-
pos de afoxé ou de coco do interior
a nomes consagrados como Lenine
(um pernambucano) ou Gilberto
Gil. Há bailes populares, um arras-
tão do frevo marcado para as três da
madrugada, e um festival de músi-
ca moderna, o Rec Beat — Recife é
uma cidade com uma forte e original
cultura urbana. Como se a festa fosse
um momento de sofreguidão. Como
se a vida orbitasse em torno de um
calendário onde só há cinco dias.
A Fugas viajou com o apoio
da TAP e da Secretaria de Turismo
do Estado de Pernambuco
No Porto, em que melhor lugar
poderia ficar?
No Porto, em que melhor lugar poderia ficar? Uma viagem inesquecível é aquela
em que somos embal ados pelo tempo.E isso acontece quando o melhor se
atravessa no nosso caminho: Porto Palácio Congress Hotel & SPA.
A vi st a desl umbrant e do VI P Lounge, no piso superior, vai dar-lhe uma nova
perspectiva da cidade. Em lazer ou negócios, a sua viagem vai passar por aqui.
Afinal, no Porto, em que melhor lugar poderia ficar?
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ara o fim-de-semana, le-
vámos consola portátil e
filmes, para serem vistos
nos bancos traseiros. Um
exclusivo do Citröen Grand C4
Picasso é o sistema multimé-
dia plug&play, com dois ecrãs
colocados no verso dos encostos
de cabeça dos bancos dianteiros,
permitindo ver filmes ou jogar.
Durante toda a viagem, a tem-
peratura manteve-se estável
graças ao sistema de climati-
zação automático bizona, per-
mitindo que cada fila regule
a temperatura mais adequada.
São pequenos detalhes que
transformam este veículo fa-
miliar de 7 lugares, numa refe-
rência para quem procura segu-
rança, conforto e design. O difícil
foi sair do carro, em Fronteira. A
temperatura agradável no inte-
rior do carro contrastava com o
frio e vento do exterior.
O impacto do Centro de Inter-
pretação da Batalha dos Ato-
leiros é, de facto, extraordinário.
Parecendo um conjunto unifica-
do, está na realidade dividido em
dois edifícios de cor de terra ver-
melha, sendo um maior do que o
outro - explicam-nos que a equi-
pa do arquitecto Gonçalo Byrne
pretendeu desta forma represen-
tar o desequilíbrio entre as forças
espanholas e as portuguesas na
batalha de Atoleiros.
É um museu diferente que recor-
re à cenografia, ao multimédia
e à pintura para nos transportar
para o ambiente da batalha de
1384. O percurso da visita é feito
com recurso a um aparelho áudio
– disponível em português, inglês
e espanhol -, que permite a cada
visitante circular ao seu ritmo
mais apropriado.
Logo à entrada, uma cópia do
quadro do pintor Jaime Martins
Barata (1899-1970) revela-nos a
sua visão da batalha de Atolei-
ros. Depois de passar pela repro-
dução do ateliê do artista,
figuras de gesso em ta-
manho natural, mesas
multimédia e projec-
ções em vídeo expli-
cam como se fazia a
guerra nos finais do
séc. XIV, dando especial
relevância à vitória impro-
vável de Nuno Álvares Pereira
em Atoleiros.
A batalha tem importância
histórica porque, embora em
maior número e melhor equi-
padas, as tropas espanholas
foram derrotadas pela táctica
de combate de Nuno Álvares.
A táctica, utilizada mais tarde em
Aljubarrota, trouxe de novo a vi-
tória às tropas portuguesas, mu-
dando o curso político de então.
Em 1385, nas cortes de Coimbra,
o Mestre de Avis é aclamado rei
de Portugal, evitando-se assim a
soberania espanhola.
No final da visita ao museu, po-
demos experimentar vestir uma
malha de ferro que pesa cerca
de 30kg, colocar um capacete
ou experimentar como funcio-
na uma besta. Quem quiser ter
uma experiência ainda mais
próxima da realidade, a 6 e 7 de
Abril ocorrerá em Fronteira a re-
criação da batalha de Atoleiros,
acompanhada de uma feira
medieval.
Seguimos para Ar-
ronches a tempo de
Rota Citröen Grand C4 Picasso
De Fronteira a
Alter do Chão,
descobrimos
história(s) de
encantar
Sabia que os falcões peregrinos caçam em
mergulho, chegando a atingir 250 km/hora, ou que
o bonito bufo-real é detestado por muitas outras
aves? Numa jornada cultural, fomos conhecer em
Alter do Chão a coudelaria que alberga os cavalos
lusitanos e a nobre arte da falcoaria.
No Centro de Interpretação da Batalha dos
Atoleiros (CIBA), em Fronteira, soubemos da
estratégia militar que ajudou Nuno Álvares Pereira
a ganhar batalhas e fomos também conhecer os
brinquedos dos nossos avós no
Museu de (A)brincar, em Arronches.
ir ao museu de A(brincar). Em
condução, o radar implementado
na parte dianteira do carro conse-
gue detectar o abrandamento do
veículo que circula à nossa frente.
O sistema regulador de velo-
cidade activo, assinala esta si-
tuação e mantém uma distância
constante de segurança.
O museu é uma visita ao passado,
em que a maior parte dos brin-
quedos eram produzidos utili-
zando os materiais que estavam à
mão dos mais habilidosos. Surgi-
ram assim carrinhos de madeira,
cortiça ou lata, carros de esferas,
camas de cana e bolotas, bonecas
de tecido e, para quem as podia
comprar, as de porcelana. Teatro
de fantoches e maquetes de pa-
pel antecipam ainda alguns brin-
quedos electrónicos antigos.
No final da tarde, rumamos a Al-
ter do Chão, para dormir e, no dia
seguinte, visitar a Coudelaria de
Alter.
Quando se chega ao destino já
cansado, e a paciência é pouca
para estacionar, a funcionalidade
Park Assist no Citröen Grand
C4 Picasso facilita a manobra. Ao
detectar o lugar, em perpendicu-
lar ou em paralelo, orienta auto-
maticamente o volante e só é ne-
cessário acelerar ou travar. Tudo o
resto, é feito pelo carro, sem preci-
sar de se mexer no volante.
Outra funcionalidade do carro é
a visão 360º. Apoiando-se em 4
câmaras dispostas em torno do
carro, permite beneficiar de uma
visão alargada do ambiente adja-
cente ao veículo. Adaptando-se a
cada situação, podemos visuali-
zar apenas a traseira do carro ou
uma visão dianteira com panorâ-
mica à esquerda e à direita.
Fundada durante o reinado de D.
João V, com o objectivo de melho-
rar a criação de cavalos nacionais
para serem fornecidos à Casa
Real, a Coudelaria de Alter tem
como missão criar e conservar a
raça de cavalos Lusitanos (mas
também Sorraia e Garrano) com
o ferro Alter Real. Alguns são
vendidos, outros vão para a Esco-
la Portuguesa de Arte Equestre,
em Lisboa, e outros ficam para
reprodução.
A visita guiada à Coudelaria
começa pela manhã nas Casas
Altas, onde é apresentada a sua
história. Segue-se uma demons-
tração com falcões e águias, onde
se fica a saber que os falcões têm
uma visão telescópica e conse-
guem ver um pombo a 2 km. Com
a ajuda do treinador, experimen-
támos receber no braço uma pe-
quena águia. Não pesa mais de
750g mas consegue apanhar e
trazer presas com mais de 1 kg.
A falcoaria, modalidade para a
caça muito em voga na Idade Mé-
dia, era um privilégio da nobreza.
Algumas das espécies estiveram
quase extintas, devido à degra-
dação dos ecossistemas naturais,
mas a Coudelaria tem projectos
dedicados à arte da falcoaria e à
conservação de outras aves de ra-
pina, permitindo ver vários exem-
plares destas aves – incluindo o
imperturbável (de dia) bufo-real.
Das aves passa-se para o Pátio D.
João VI, onde coabitam as raças
de cavalos portuguesas: Lusita-
no, Garrano e Sorraia. Durante a
semana e com marcação, é pos-
sível montar em picadeiro e ter
aulas de volteio.
Num olhar sobre o passado, pode
ver as exposições da Casa dos
Trens – com carros e carruagens
originais puxados por cavalos em
séculos passados - e do Museu do
Cavalo, com um espólio sobre a
evolução de objectos ligados à
arte equestre e achados históri-
cos da região.
Depois de andar pelos campos
da Coudelaria, era altura de
experimentar a função de mas-
sagem integrada nos bancos
do condutor e do passageiro da
frente. Uma suave pressão per-
corre o apoio lombar e as costas,
e permite relaxar em qualquer
altura.
Os cinco apoios de cabeça e late-
rais para os braços, com a regu-
lação lombar eléctrica, permitem
uma viagem descansada ao con-
dutor, embora se possa sempre
pedir a troca de lugar ao compa-
nheiro de viagem, que é brinda-
do com uma zona de relaxamen-
to regulável automaticamente
para as pernas.
Durante a viagem pudemos
apreciar sem esforço a paisagem
natural num interior espaçoso e
acolhedor. À sensação de con-
forto, junta-se a robustez e a
rapidez de acção na condu-
ção. O Citroen Grand C4 Picasso
convive em harmonia nos espa-
ços urbanos e bucólicos.
AGENDA
>> COMER
Alter do Chão
> Restaurante Convento D´Alter
Rua de Santo António, 23
T: 245.619.120
Horário: 12h00 às 14h30 e 19h30 às 22h30
Especialidades: Ensopado de Borrego com Ar-
roz Amarelo (açafrão); Perna de Borrego Assada;
Migas com Entrecosto.
> Restaurante Páteo Real
Av. Dr. João Pestana, 37
T:245.612.301
Horário: 12h00 às 22h00, encerra à
terça-feira
Especialidades: Sarapatel, Sopa de cação;
Pernil Assado no Forno; Migas de Espargos
Selvagens; Costeletas de Borrego do Norte
Alentejano.
>> DORMIR
Alter do Chão
> Hotel Convento D’Alter
Rua de Santo António, 21
T: 245.619.120
www.conventodalter.com.pt
> Casa de Campo da Coudelaria Alter Real
Tapada do Arneiro
T: 245.610.060
>> TOME NOTA
> Centro de Interpretação da Batalha
de Atoleiros - CIBA
Avenida Heróis dos Atoleiros
7460 Fronteira
T: 245 604 023
www.atoleiros1384.cm-fronteira.pt
Horário: terça-feira a sábado |10-17h30
> Museu de (A) Brincar de Arronches
Largo Serpa Pinto
T: 245580088
www.cm-arronches.pt/museu/
http://museu.cm-arronches.pt/
Horário: terça-feira a domingo
(10 -13h|14-18h)
Encerra à segunda-feira e feriados
> Coudelaria de Alter
Tapada do Arneiro
Apartado 80
7441-909 Alter do Chão
T: 245 610 060
www.alterreal.com
>> OUTRAS SUGESTÕES:
Fronteira
> Observatório, sessões de observação
do céu.
T: 245.600.070 ( inscrição antecipada)
Alter do Chão
pode ainda visitar o Castelo, cuja cons-
trução remonta ao século XIV; a Fonte
Renascentista, toda em mármore de Es-
tremoz; o Pelourinho com decoração ma-
nuelina; a Janela de estilo manuelino; e a
Estação arqueológica do ferragial d´El Rei.
Citröen Grand C4 Picasso, desde 25.400€
Mais informações em www.citroen.pt
ir ao museu de A(brincar). Em
condução, o radar implementado
na parte dianteira do carro conse-
gue detectar o abrandamento do
veículo que circula à nossa frente.
O sistema regulador de velo-
cidade activo, assinala esta si-
tuação e mantém uma distância
constante de segurança.
O museu é uma visita ao passado,
em que a maior parte dos brin-
quedos eram produzidos utili-
zando os materiais que estavam à
mão dos mais habilidosos. Surgi-
ram assim carrinhos de madeira,
cortiça ou lata, carros de esferas,
camas de cana e bolotas, bonecas
de tecido e, para quem as podia
comprar, as de porcelana. Teatro
de fantoches e maquetes de pa-
pel antecipam ainda alguns brin-
quedos electrónicos antigos.
No final da tarde, rumamos a Al-
ter do Chão, para dormir e, no dia
seguinte, visitar a Coudelaria de
Alter.
Quando se chega ao destino já
cansado, e a paciência é pouca
para estacionar, a funcionalidade
Park Assist no Citröen Grand
C4 Picasso facilita a manobra. Ao
detectar o lugar, em perpendicu-
lar ou em paralelo, orienta auto-
maticamente o volante e só é ne-
cessário acelerar ou travar. Tudo o
resto, é feito pelo carro, sem preci-
sar de se mexer no volante.
Outra funcionalidade do carro é
a visão 360º. Apoiando-se em 4
câmaras dispostas em torno do
carro, permite beneficiar de uma
visão alargada do ambiente adja-
cente ao veículo. Adaptando-se a
cada situação, podemos visuali-
zar apenas a traseira do carro ou
uma visão dianteira com panorâ-
mica à esquerda e à direita.
Fundada durante o reinado de D.
João V, com o objectivo de melho-
rar a criação de cavalos nacionais
para serem fornecidos à Casa
Real, a Coudelaria de Alter tem
como missão criar e conservar a
raça de cavalos Lusitanos (mas
também Sorraia e Garrano) com
o ferro Alter Real. Alguns são
vendidos, outros vão para a Esco-
la Portuguesa de Arte Equestre,
em Lisboa, e outros ficam para
reprodução.
A visita guiada à Coudelaria
começa pela manhã nas Casas
Altas, onde é apresentada a sua
história. Segue-se uma demons-
tração com falcões e águias, onde
se fica a saber que os falcões têm
uma visão telescópica e conse-
guem ver um pombo a 2 km. Com
a ajuda do treinador, experimen-
támos receber no braço uma pe-
quena águia. Não pesa mais de
750g mas consegue apanhar e
trazer presas com mais de 1 kg.
A falcoaria, modalidade para a
caça muito em voga na Idade Mé-
dia, era um privilégio da nobreza.
Algumas das espécies estiveram
quase extintas, devido à degra-
dação dos ecossistemas naturais,
mas a Coudelaria tem projectos
dedicados à arte da falcoaria e à
conservação de outras aves de ra-
pina, permitindo ver vários exem-
plares destas aves – incluindo o
imperturbável (de dia) bufo-real.
Das aves passa-se para o Pátio D.
João VI, onde coabitam as raças
de cavalos portuguesas: Lusita-
no, Garrano e Sorraia. Durante a
semana e com marcação, é pos-
sível montar em picadeiro e ter
aulas de volteio.
Num olhar sobre o passado, pode
ver as exposições da Casa dos
Trens – com carros e carruagens
originais puxados por cavalos em
séculos passados - e do Museu do
Cavalo, com um espólio sobre a
evolução de objectos ligados à
arte equestre e achados históri-
cos da região.
Depois de andar pelos campos
da Coudelaria, era altura de
experimentar a função de mas-
sagem integrada nos bancos
do condutor e do passageiro da
frente. Uma suave pressão per-
corre o apoio lombar e as costas,
e permite relaxar em qualquer
altura.
Os cinco apoios de cabeça e late-
rais para os braços, com a regu-
lação lombar eléctrica, permitem
uma viagem descansada ao con-
dutor, embora se possa sempre
pedir a troca de lugar ao compa-
nheiro de viagem, que é brinda-
do com uma zona de relaxamen-
to regulável automaticamente
para as pernas.
Durante a viagem pudemos
apreciar sem esforço a paisagem
natural num interior espaçoso e
acolhedor. À sensação de con-
forto, junta-se a robustez e a
rapidez de acção na condu-
ção. O Citroen Grand C4 Picasso
convive em harmonia nos espa-
ços urbanos e bucólicos.
AGENDA
>> COMER
Alter do Chão
> Restaurante Convento D´Alter
Rua de Santo António, 23
T: 245.619.120
Horário: 12h00 às 14h30 e 19h30 às 22h30
Especialidades: Ensopado de Borrego com Ar-
roz Amarelo (açafrão); Perna de Borrego Assada;
Migas com Entrecosto.
> Restaurante Páteo Real
Av. Dr. João Pestana, 37
T:245.612.301
Horário: 12h00 às 22h00, encerra à
terça-feira
Especialidades: Sarapatel, Sopa de cação;
Pernil Assado no Forno; Migas de Espargos
Selvagens; Costeletas de Borrego do Norte
Alentejano.
>> DORMIR
Alter do Chão
> Hotel Convento D’Alter
Rua de Santo António, 21
T: 245.619.120
www.conventodalter.com.pt
> Casa de Campo da Coudelaria Alter Real
Tapada do Arneiro
T: 245.610.060
>> TOME NOTA
> Centro de Interpretação da Batalha
de Atoleiros - CIBA
Avenida Heróis dos Atoleiros
7460 Fronteira
T: 245 604 023
www.atoleiros1384.cm-fronteira.pt
Horário: terça-feira a sábado |10-17h30
> Museu de (A) Brincar de Arronches
Largo Serpa Pinto
T: 245580088
www.cm-arronches.pt/museu/
http://museu.cm-arronches.pt/
Horário: terça-feira a domingo
(10 -13h|14-18h)
Encerra à segunda-feira e feriados
> Coudelaria de Alter
Tapada do Arneiro
Apartado 80
7441-909 Alter do Chão
T: 245 610 060
www.alterreal.com
>> OUTRAS SUGESTÕES:
Fronteira
> Observatório, sessões de observação
do céu.
T: 245.600.070 ( inscrição antecipada)
Alter do Chão
pode ainda visitar o Castelo, cuja cons-
trução remonta ao século XIV; a Fonte
Renascentista, toda em mármore de Es-
tremoz; o Pelourinho com decoração ma-
nuelina; a Janela de estilo manuelino; e a
Estação arqueológica do ferragial d´El Rei.
Citröen Grand C4 Picasso, desde 25.400€
Mais informações em www.citroen.pt
22 | FUGAS | Público | Sábado 22 Fevereiro 2014
Gastronomia
Receitas
MASSA FANTASIA
COM BRÓCOLOS
Ingredientes
200 g de massa fantasia cortada
Sal q.b.
180 g de brócolos
1 dente de alho
100 g de queijo ralado
4 ovos
1 colher de sopa de coentros
frescos picados
Preparação
a Coza a massa em água
temperada com sal. Escorra e
reserve. Numa taça misture os
ovos batidos com os brócolos
cortados em pedaços, o queijo
ralado, o dente de alho picado e
os coentros.
a Adicione a massa e envolva
tudo muito bem. Numa frigideira
com um pouco de azeite, frite dos
dois lados pequenas porções do
preparado.
Ingredientes
350 g de vermicelli de arroz
250 g de vitela picada
Noz moscada q.b.
Pimenta
Azeite q.b.
Sal q.b.
Sementes de sésamo
Óleo de sésamo para fritar
Preparação
a Hidrate a massa em água fria
durante cerca de cinco minutos.
Leve a cozer em água a ferver
durante um minuto. Retire e
escorra. Numa frigideira com
um pouco de azeite frite a carne
picada e tempere com noz
moscada, sal e pimenta a gosto.
a Retire pequenas quantidades de
massa e no seu interior coloque
um pouco de carne. Envolva
bem por forma a tapar e formar
bolinhas. Polvilhe com sementes
de sésamo e frite rapidamente em
óleo quente.
VERMICELLI COM CARNE
Massas gratinadas
Hugo Campos hugocampos@feedme.pt Produção e fotografa:
FUGAS | Público | Sábado 22 Fevereiro 2014 | 23
FARFALLE GRATINADOS
NO FORNO
Ingredientes
200 g de massa farfalle
Sal q.b.
120 g de ervilhas cozidas
250 g de fiambre em cubos
100 g de queijo Emmental ralado
1 banana
2 dl de natas
Preparação
a Coza a massa em água
temperada com sal. Escorra e
reserve. Numa taça misture as
ervilhas, o fiambre em cubos, o
queijo ralado, a massa e a banana
cortada em pedaços. Regue
com as natas envolvendo tudo
delicadamente.
a Deite o preparado num pirex
barrado com manteiga e leve ao
forno pré-aquecido a 180ºC até
dourar um pouco.
24 | FUGAS | Público | Sábado 22 Fevereiro 2014
Gastronomia
Fool
A revista
de comida
que inspira
Considerada a melhor publicação de gastronomia
do mundo em 2013, a Fool não é mais uma revista
de comida com receitas. Escrita em inglês, a
edição apresenta uma abordagem inteligente
sobre a gastronomia e dá luz a relatos cativantes,
acompanhados de fotografas fascinantes, de deixar
qualquer um de boca aberta. Histórias para inspirar,
com uma pitada de loucura, brilho e amor.
Miguel Andrade (texto) e Per-Anders Jörgensen ( fotos)
Massimo Bot-
tura, o chef da Osteria Francescana,
em Modena, Itália, já foi fotogra-
fado centenas de vezes, ao longo
dos anos. Mas, desta vez, Bottura
e a equipa do seu restaurante, com
três estrelas Michelin, reuniram-se
para uma sessão fotográfica diferen-
te. Não foi preciso preparar pratos
bonitos com comida, mas foi ne-
cessário um guindaste. Em vez de
se caracterizarem mesas na sala da
Osteria, a sessão incluiu adereços
como chicotes e carros vintage. E,
ao invés das jalecas brancas, a equi-
pa do restaurante usou casacos e
vestidos de alta-costura.
Numa homenagem ao realizador
italiano Federico Fellini e o seu
icónico filme 8 ½, que transforma
por momentos o chef Massimo Bot-
tura na estrela de cinema Marcelo
Mastroianni, esta sessão fotográfica
tornou-se tanto na capa como num
artigo de onze páginas do último
número da revista Fool.
Noutro registo, mas não menos
impressionante, a publicação dedi-
ca uma peça ao Fäviken Magasinet,
no Norte da Suécia, considerado
um dos restaurantes mais isolados
do mundo, e aos seus fornecedo-
res. Mas tem fotos do espaço? Não.
Nesta sessão fotográfica apenas se
mostram cinco cabeças de patos,
usados no restaurante, uma for-
ma de capturar a arte destas espé-
cies, algumas muito especiais por
serem criadas só para o Fäviken.
Ou a história de uma surf trip pela
Califórnia de Ben Shewry, o chef do
restaurante Attica, em Melbourne,
Austrália. O artigo está no segundo
número da Fool e tem o título “Como
1,20$ mudaram a minha percepção
culinária”. Nele, Shewry conta a via-
gem que era para ter sido sobre uma
pesquisa acerca do surf california-
no, mas acabou por se tornar numa
festa para o estômago, numa des-
coberta pelo mundo dos tacos ao
longo da costa americana.
E é aqui que está a diferença da
Fool em relação a outras publicações
de gastronomia. Esta é uma revista
dedicada aos amantes da comida
que tem garra, que inspira, que im-
pressiona, que parte a loiça toda.
A Fool é a criação de Lotta e Per-
Anders Jorgensen, um casal sueco
com vários anos de experiência em
fotografia e direcção de arte. Ape-
sar de o primeiro número ter sido
publicado em Maio de 2012, a ideia
de produzir a Fool já tem algum tem-
po. “A Lotta era directora de arte da
Swedish Gourmet Magazine, há quin-
ze anos, e foi ela que me contratou
para a revista”, contou à Fugas Per-
Anders. “Desde então, estávamos
constantemente a falar que faltava
uma boa revista de gastronomia.”
Entretanto, há dez anos o duo
sueco casou-se e imediatamente ti-
veram o desejo de produzir algo jun-
tos. Depois, trabalharam em vários
projectos, Lotta como directora de
arte e Per-Anders como fotógrafo.
Finalmente decidiram dar o salto e
lançar a sua própria publicação.
“Nós criámos a revista por
amor tolo à comida, daí o nome
Fool, porque queríamos uma
publicação diferente, onde pu-
déssemos contar as histórias úni-
cas e curiosas de tantas pessoas,
produtos e locais fantásticos que
conhecemos”, conta Per-Anders.
Só que, tal como se vê na sessão
fotográfica de Massimo Bottura, a
Fool é diferente de outras revistas
de comida, uma vez que conta com
inspiração da moda, design e cul-
tura. “Nós pretendíamos ser uma
mistura entre uma publicação clás-
sica de reportagem como a Life, ter
textos muito bons e longos como a
New Yorker e ser muito visuais como
a Vogue”, reflecte Per-Anders.
“Quando levámos um primeiro es-
boço da revista a Espanha, há onze
anos, as pessoas não conseguiam
ler as palavras. Só conseguiam ver
as imagens. Por isso, decidimos criar
algo muito evocativo e comunicati-
vo. Pode-se comprar em todo o lado
e percebe-se sempre de alguma for-
ma”, refere Per-Anders, em conver-
sa telefónica com a Fugas.
FUGAS | Público | Sábado 22 Fevereiro 2014 | 25
também não chegam a um público
internacional. É triste. Nós quere-
mos dar voz a estes chefs”, adianta
Per-Anders.
A revista tem uma periodicidade
trimestral e cada edição tem um
tema diferente. O primeiro núme-
ro foi dedicado à natureza e, entre
vários artigos, deu uma visão dos
bastidores do restaurante Mugaritz,
em San Sebastian, onde o chef espa-
nhol Andoni Arduriz usa ingredien-
tes locais para trazer os comensais
para mais perto do mundo natural,
e contém um perfil de Ben Shewry,
o chef australiano do restaurante At-
tica, que faz uma cozinha de autor
com plantas selvagens e legumes
que colhe diariamente da costa de
Melbourne, Austrália. Na segunda
edição, chamada “Debaixo do Solo”,
inclui histórias que vão desde cozi-
nheiros chineses que tentam que-
brar barreiras culturais no país até
ao chef Angel Léon, do restaurante
Aponiente, na Andaluzia, que vai
buscar os seus produtos, tais como
o plâncton, aos oceanos.
À esquerda, o
chef Andreas
Dahlberg, do
restaurante
Bastard,
em Malmo,
na Suécia;
à direita,
o quarto
número
da Fool;
em baixo,
o Festival
Tamborrada,
em San
Sebastián
Esta é uma revista
dedicada aos
amantes da comida
que tem garra,
que inspira, que
impressiona, que
parte a loiça toda
Para Per-Anders, o objectivo má-
ximo da Fool é inspirar. “No número
mais recente, falamos sobre um chef
na Sardenha que produz o seu pró-
prio queijo. Há muito pouca gente
no mundo que o faz, quanto mais
num restaurante. Nós queremos
que as pessoas olhem e pensem que
também podem tentar. Queremos
inspirar os leitores a pensar de for-
ma diferente.”
Contudo, ao contrário de outras
publicações que falam de comida,
a revista não tem receitas. “A Vogue
não diz como se faz um vestido.
Mostra uma peça de roupa muito
interessante”, explica o sueco, que
também não pretende dar mais
cobertura mediática às estrelas da
cozinha. “Já há revistas que falam
sobre certos chefs mais conhecidos.
Mas esta escolha não tem sido muito
democrática. Há tantos chefs e tão
bons, que fazem coisas magníficas,
mas estão calados. Por exemplo,
vários chefs italianos não sabem
falar inglês. Por isso, pensam que
se não conseguem falar a língua,
26 | FUGAS | Público | Sábado 22 Fevereiro 2014
Gastronomia
Fool
Já a terceira, “Origens”, olha em
profundidade para o trabalho do
chef Sean Brock, do restaurante
Husk, na Carolina do Sul, que se
demarca da galinha frita e das papas
de milho, os estereótipos da região.
Procura, ainda, dar a conhecer os
chefs mais subvalorizados do mun-
do e uma visão histórica da comida
da Suécia.
O número mais recente é total-
mente dedicado a Itália. Na quarta
edição, o chef Massimo Bottura e a
equipa de cozinha do restaurante
Osteria Francescana, em Modena,
fazem uma homenagem ao rea-
lizador italiano Federico Fellini,
contam-se histórias da comunidade
italiana em São Paulo e de como a
máfia influenciou a comida em Itá-
lia.
Lotta e Per-Anders são as únicas
pessoas que se dedicam inteira-
mente à Fool, em conjunto com
dois subeditores. Os restantes tex-
tos chegam de diferentes gastró-
nomos e jornalistas internacionais
conceituados. “Praticamente sou
só eu e a minha mulher a elaborar
a revista e tem sido uma loucura”,
recorda o fotógrafo. Porque para
produzir estas quatro edições foram
precisas muitas horas de pesquisa,
mas, acima de tudo, de trabalho no
terreno. “A nossa forma de traba-
lhar consiste em viajar, conhecer
pessoas e perceber culturas, ideias
e projectos. Outras revistas têm o
preconceito sobre uma história,
sentados à secretária em Nova Ior-
que. Nós gostamos de ir aos locais
de mente aberta para descobrir. Às
vezes temos sucesso, outras vezes
é um desastre. Mas há que tentar”,
diz o sueco.
Além de textos e fotografias fasci-
nantes, o sucesso da Fool também
se deve ao facto de a revista ter sido
considerada a melhor do mundo na
área da gastronomia em 2013, nos
World Gourmand Awards, uma
distinção com que nem Lotta nem
Per-Anders contavam. “Foi muito
estranho. Recebi um email a meio
da noite e pensei que era spam ou
que estavam a gozar connosco”,
confessou. “Mas o melhor prémio
é o carinho dos leitores. E o mais
interessante é ver o interesse das
pessoas nas histórias. Na terceira
edição, falámos sobre um ex-crítico
de perfumes do New York Times, que
organiza jantares olfactivos em todo
“Nós gostamos
de ir aos locais de
mente aberta para
descobrir. Às vezes
temos sucesso,
outras vezes é
um desastre”
E nem a crise nas publicações
em papel por causa da chegada do
online faz Per-Anders temer pelo
sucesso da revista. “Nós fazemos
se tornou mais turvo, mais diluído,
textos mais curtos, menos páginas
e menos jornalismo real”, afirma.
“As pessoas compram a Fool porque
querem olhar para o papel, para os
artigos e para as fotografias.”
De referir que foram impressas
5000 revistas para cada uma das
primeiras edições e 10.000 para a
terceira – esgotaram-se todas. Para
o quarto número, a tiragem passou
para 15.000 revistas e já restam
muito poucas sobras.
Para os mais curiosos, o próximo
número vai ser dedicado à religião e
vai contar com a mesma dedicação,
humildade e coragem para fazer di-
ferente de Lotta e Per-Anders. Fica
a promessa de um artigo com uma
história sobre Portugal.
A revista Fool está à venda em
Portugal em várias cidades,
desde Braga a Ponta Delgada,
como em Lisboa e no Porto
(todos os revendedores
nacionais em www.fool.se),
com um preço de 11€.
algo que é um nicho e, por isso, há
sempre mercado. Queremos criar
uma revista que viva muito tempo.
Mas, claro, existe crise porque tudo
Em cima,
cabeça de
porco e raiz
de salsa do
restaurante
Oaxen, em
Estocolmo,
Suécia; ao
lado, o chef
britânico
Fergus
Henderson,
conhecido por
usar partes da
carne menos
utilizadas
habitualmente
o mundo, e tive logo dois chefs a
ligarem-me a pedir para os intro-
duzir. É tão bom quando estamos a
ligar pessoas”, referiu o sueco.
28 | FUGAS | Público | Sábado 22 Fevereiro 2014
Vinhos que contam histórias
Rui Falcão
As tradições
são para se cumprir. Quando
chega este período do calendário
anual, na transição para o
Carnaval, os amantes do vinho
salivam em antecipação de mais
uma Essência do Vinho, evento
vínico extraordinário que este
ano comemora onze anos de
presença assídua e ininterrupta na
cidade do Porto. Para quem gosta
de vinho, independentemente
do grau de intensidade, adição
e conhecimento, chega um
dos grandes momentos do
ano, a oportunidade perfeita
para conviver de perto com os
principais actores do vinho,
enólogos e produtores, e a
oportunidade perfeita para
provar o que de melhor se faz em
Portugal.
No sóbrio e simultaneamente
sumptuoso espaço do Palácio da
Bolsa, um dos ex-líbris da Baixa do
Porto, celebra-se durante quatro
dias aquela que é uma das maiores
festas do vinho em Portugal. Como
tem sido habitual, os números
impressionam pelo volume de
vinhos em prova, pelos produtores
presentes e pela diversidade e
qualidade das actividades paralelas
que se desenvolvem durante
os quatro dias da Essência do
Vinho. Segunda as estimativas da
organização, a Essência do Vinho
irá proporcionar a presença de
3000 vinhos provenientes de
350 produtores que representam
o pleno das regiões vinícolas
nacionais.
Um evento desta natureza pode
ser interpretado segundo múltiplas
perspectivas, todas elas válidas
e todas elas compreensíveis. Há
quem encare a Essência do Vinho
como uma oportunidade de ouro
para provar um número o mais
alargado possível dos vinhos
mais exclusivos de Portugal,
vinhos superiores que, por
diversas razões, desde o preço
elevado à escassez e consequente
dificuldade de compra, são difíceis
de encontrar e provar. Muitos dos
que se incluem nesta categoria
aproveitam a ocasião não só para
provar estes vinhos como para
produzir comparações directas
entre os diferentes vinhos de forma
a criar uma hierarquia própria.
Outros preferem tirar partido
do evento para provar vinhos
ainda desconhecidos, para se
aventurar por regiões, estilos
ou produtores com que estão
menos familiarizados. Vinhos que
em circunstâncias normais não
comprariam, seja pela simples
falta de conhecimento e falta de
atenção às novidades, seja pela
aversão ao risco de arriscar no
desconhecido. A esses a Essência
do Vinho permite uma imersão
no desconhecido com um risco
mínimo que apela a alguns dos
visitantes.
Outros ainda aproveitam para
aprofundar conhecimentos,
insistindo em algumas regiões ou
estilos em particular, centrando-
se num número mais reduzido e
escolhido de produtores, regiões
ou estilos. Conseguem desta forma
aprender, embebendo-se de forma
intensiva no vinho, usufruindo da
presença de produtores e enólogos
presentes para esclarecer dúvidas
e descobrir segredos. Seguindo a
deixa, aproveite a presença directa
do Instituto do Vinho da Madeira
para compreender melhor este
vinho ainda tão mal conhecido no
continente.
Finalmente, para outros o
principal motivo de atracção são
as actividades paralelas, as provas
comentadas, harmonizações,
jantares temáticos, conversas sobre
o vinho e demais actividades que o
evento propõe. Como já é tradição,
a lista de provas comentadas é
especialmente rica e sedutora,
mostrando-se capaz de aliciar a
maioria dos amantes do vinho.
Algumas dessas provas são mais
exclusivas, enquanto outras se
apresentam mais democráticas
mas igualmente fascinantes pela
oportunidade de provar vinhos
raros ou menos conhecidos.
O primeiro dia, 27 de Fevereiro,
começa com uma prova
impressionante, uma viagem pelos
aclamados vintage 2011 da família
Symington comentada por Paul e
Charles Symington, com paragens
em muitos dos grandes vintage da
declaração 2011. No mesmo dia,
segue-se outro dos momentos
altos da Essência do Vinho, uma
prova designada “Vinhos da
Madeira de Sonho”, que inclui
28 de Fevereiro, as hostilidades
começam com uma prova
comentada e muito alargada
dos champanhe Drappier, prova
conduzida pelo próprio Michel
Drappier. Logo de seguida os
visitantes serão guiados por Dirk
Niepoort, seguramente de forma
magistral, numa prova que um
dos mais talentosos enólogos e
ideólogos de Portugal intitulou “Os
vinhos da minha vida”.
Ainda no dia 28 surgem mais
três provas especialmente
interessantes, a primeira dedicada
aos vinhos brancos da Carvalhais,
no Dão, a segunda dedicada aos
vinhos de uma só vinha, uma prova
que pretende realçar e glorificar
a noção de terroir, apresentando
vinhos impressionantes de vinhas
com nomes individuais. A terceira
prova foi dedicada aos copos da
marca austríaca Riedel, desafio
em que os mesmos vinhos serão
provados em diferentes copos da
marca que pretendem salientar as
diferenças sensoriais entre cada
desenho do copo.
O dia 1 de Março amanhece
com outra das grandes provas da
Essência do Vinho, os vinhos López
de Heredia, um mito entre os
grandes vinhos de Rioja, Espanha.
A prova vertical que inclui brancos
e tintos estende-se até 1964, tanto
no capítulo dos brancos como
nos tintos. Segue-se uma prova
vertical de vinhos do Porto LBV da
Ferreira, uma prova de moscatéis
únicos da José Maria da Fonseca,
incluindo os míticos 1960 e 1955,
e finalmente uma prova de vinhos
do Porto Colheita da Sogevinus
que inclui as referências Kopke,
Burmester, Barros e Cálem.
O último dia reserva momentos
como os “Clássicos revisitados”,
prova comentada de vários vinhos
velhos nacionais que inclui, entre
outros, rótulos como Quinta da
Falorca 1963, Periquita 1961 ou
José de Sousa Tinto Velho 1945.
O Brasil acrescenta a prova “12
Cidades Sede da Copa do Mundo”,
uma selecção de vinhos da
autoria de Alexandre Lalas que
será acompanhada por petiscos
confeccionados por Luciana Plaas
e harmonizações comentadas por
Miguel Icassatti. Por último, uma
prova de grandes vinhos do Dão.
Para quem
gosta de
vinho, chega
um dos
grandes
momentos
do ano
Essência do Vinho
exclusivamente vinhos do século
XIX, vinhos tão improváveis e tão
raros como Barbeito Sercial 1898,
Blandy’s Verdelho 1887, HM Borges
Terrantez 1862, Justino’s Fanal
Fina Madeira Wine 1878 e Pereira
d’Oliveira Verdelhos 1850.
No mesmo dia destaque ainda
para as provas Crémant de
Bourgogne da casa Veuve Ambal,
prova conduzida por Rodrigue
Le Bouedec, e a prova “Wine
Ladies Tasting”, que mostra
vinhos feitos e comentados por
um grupo alargado de enólogas
que inclui muitos dos nomes
mais consagrados da enologia
no feminino. No dia seguinte,
R
U
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F
A
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A
FUGAS | Público | Sábado 22 Fevereiro 2014 | 29
Vinhos
Provas
MONTE DA RAVASQUEIRA SANGIOVESE 2012
Sociedade Agrícola D. Diniz,
Arraiolos
Castas: Sangiovese
Graduação: 13,5% vol
Região: Alentejo
Preço: 12€
mmmmm
Um bom
Sangiovese
do Alentejo
OAlentejo não é o
centro de Itália, onde a Sangiovese dá
suporte aos grandes tintos de Chianti
e Brunello de Montalcino, por exem-
plo. Mas a casta italiana, na esteira de
outras variedades estrangeiras, como
a Syrah e a Petit Verdot, hoje na mo-
da, pode ser uma boa opção para o
clima quente do Sul de Portugal. Por
três razões: amadurece tarde, tem
elevada acidez e é bastante tânica.
Graças a isto, os seus vinhos são es-
truturados, frescos e longevos.
Fora de Itália, a Sangiovese atingiu
grandes resultados, sobretudo na Ca-
lifórnia. Em Portugal, é ainda pouco
testada. A experiência mais conheci-
da, e bem-sucedida, é o tinto Anima,
da Herdade do Portocarro (Alcácer
do Sal, Península de Setúbal).
Tendo até em conta o sucesso do
Anima, não deixa de causar algu-
ma estranheza a fraca penetração
da Sangiovese em regiões vinícolas
portuguesas de espírito mais “Novo
Mundo”, abertas a castas internacio-
nais. Além de oferecer alguma origi-
nalidade com as suas notas típicas
de café (a que junta tabaco, choco-
late e fruta que pode ir da cereja à
ameixa), aporta taninos e acidez, os
pilares essenciais de qualquer grande
vinho. Os taninos podem tornar-se
um problema quando as uvas não
amadurecem bem, por falta de sol
e calor, mas essa possibilidade qua-
se não se coloca em regiões como
o Alentejo, por exemplo. Em geral,
o que falta ao Alentejo é frescura; e
a melhor forma de compensar essa
carência é recorrer a castas com ele-
vada acidez que gostem ao mesmo
tempo de sol e calor.
É nesta equação difícil que a San-
giovese encaixa bem, como o com-
prova o novo monovarietal lançado
pelo Monte da Ravasqueira. Tinto de
concepção moderna, não tem, nem
coisa que se pareça, a estrutura e a
densidade de um Brunello di Mon-
talcino, por exemplo. Porém, cheira
e sabe a Sangiovese e mostra bons
taninos e uma acidez viva, o que o
recomenda para a mesa. O que lhe
falta em espessura, compensa-o em
sapidez e garra. Pedro Garcias
Proposta
da semana
a Mau
mmmmm Razoável
mmmmm Bom
mmmmm Bom Mais
mmmmm Muito Bom
mmmmm Excelente
BLANDY'S VERDELHO 1998
mmmmm
Madeira Wine Company
Castas: Verdelho
Graduação: 20% vol
Região: Madeira
Preço: 47€
Outro grande Madeira da
colheita de 1998. Ligeiramente
menos seco do que o Sercial do
mesmo ano (ver última Fugas),
é um vinho talvez ainda mais
amplo de aroma e sabor. Possui
um bouquet com notas que
associamos a cola, verniz, tofy,
frutos secos e cristalizados e
na boca mostra aquele salgado
típico dos vinhos Madeira à
mistura com algum amargo e
doce cítrico. Riqueza e finesse de
mãos dadas. Magnífico. P.G.
QUINTA DA COVADA TINTO
2012
mmqmm
Quinta da Covada, Tabuaço
Castas: Touriga Nacional,
Tinto Cão, Tinta Amarela,
Barroca e Rufete
Graduação: 12,5% vol
Região: Douro
Preço: 5,5€
Encontrar um tinto do Douro com
12,5% de álcool, como é o caso
deste Quinta da Covada, é quase
um achado nos dias de hoje. A
moda, e também o clima, estão a
deixar os vinhos com graduações
elevadas. Um Confradeiro de
1995 provado recentemente
estava extraordinário e tinha
apenas 12,5% de álcool. Era o
tipo de vinho que nascia com
grandes taninos e acidez viva,
tudo o contrário do que pede o
(apressado) consumidor actual.
Este Covada não vai ser um novo
Confradeiro, porque não nasceu
com estrutura para isso. Mas é
um Douro que vale a pena provar,
porque é muito vinoso (com
boa presença da fruta original),
polido e fresco. P.G.
QUINTA DA COVADA BRANCO
2012
mmqmm
Quinta da Covada, Tabuaço
Castas: Rabigato, Gouveio e
Viosinho
Graduação: 13,5% vol
Região: Douro
Preço: 6,50€
O meio termo nos vinhos
raramente conduz a bons
resultados, mas, ao optar por um
branco parcialmente fermentado
e estagiado em madeira, a
Quinta da Covada tentou um
compromisso que, não sendo
o mais canónico, pode fazer
sentido nos dias que correm, em
que o consumidor quer vinhos
com um pouco de tudo. É o caso
deste branco. Sente-se a madeira
mas não de forma excessiva e o
que sobressai é a fruta e a boa
mineralidade e frescura do vinho,
apesar dos 13,5% de álcool. P.G.
UNIQO TINTO TOURIGA
NACIONAL 2010
mmmqm
Companhia das Quintas
Castas: Touriga Nacional
Graduação: 15,5% vol
Região: Várias
Preço: 19,90€
Além de diferente e único, este
é um vinho que o produtor
avisa ser também irrepetível, o
que, só por si, o torna de prova
obrigatória para os enófilos. A
diferença está sobretudo no
facto de se tratar de um varietal
daquela que é tida como a
casta-símbolo nacional, mas
com a diferença de juntar uvas
provenientes de quatro regiões
(Douro Superior, Beira Inteiror,
Lisboa e Alentejo). É ainda
singular porque esconde aquela
costumeira evidência floral típica
da casta (violeta, sobretudo no
Dão), em favor de apelativos
aromas de fruta madura. Na
boca mostra acidez fresca e
equilibrada, conjugada com
saborosas sensações de frutos
negros, a que junta volume e
um tanino afinado para um final
potente e equilibrado. Há que
provar, até porque só foram
feitas 3300 garrafas. J.A.M.
Os vinhos aqui apresentados são, na sua maioria, novidades que chegaram recentemente ao mercado. A Fugas recebeu amostras dos produtores e provou-as de acordo
com os seus critérios editoriais. As amostras podem ser enviadas para a seguinte morada: Fugas - Vinhos em Prova, Praça Coronel Pacheco, n.º 2, 3.º 4050-453 Porto
30 | FUGAS | Público | Sábado 22 Fevereiro 2014
Vinhos
Notícias
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a amizade
e o gosto
pelo vinho
Simplesmente... Vinho junta
vinhos de 20 dos mais dinâmicos e
talentosos criadores portugueses,
para saborear com petiscos de
Rui Paula, Luís Américo e Joana
Vieira/Luís Antunes. E é para
todos! José Augusto Moreira
Une-os a paixão pe-
lo mundo dos vinhos, mas também
o respeito pelas leis da natureza e a
forma empenhada, quase militan-
te, com que se dedicam ao cultivo
da vinha e à elaboração dos seus vi-
nhos. Simplesmente porque gostam
daquilo que fazem.
Muito mais que produtores, são
criadores de vinhos, e é basicamente
por tudo aquilo que têm em comum
que se juntam no final da próxima
semana, com o único propósito
anunciado de juntar amigos, parti-
lhar petiscos e o gosto por vinhos di-
ferentes e com uma dose de saudável
loucura e poesia. E os amigos são,
neste caso, todos aqueles que acham
que partilham também esta forma
de entender e saborear o vinho.
O encontro está marcado para a
próxima sexta e sábado, no Porto,
numa cave na margem do Douro.
Chamam-lhe Simplesmente... Vinho
e anunciam os seus propósitos em fa-
cebook.com/simplesmentevinho.
Além dos vinhos de 20 dos mais
dinâmicos e talentosos winemakers
da actualidade, haverá também
petiscos para ajudar a saboreá-los,
também eles com a assinatura de ta-
lentosos e reputados chefs cozinhei-
ros. Produtores como Mário Sérgio
Nuno, Luís e Filipa Pato, Dirk Niepo-
ort, Miguel Louro, Mateus Nicolau de
Almeida, Rita Marques ou Álvaro de
Castro, enquanto os petiscos são da
responsabilidade de Rui Paula/DOP,
Luís Antunes e Joana Vieira/Delica-
tum e Luís Américo/O Mercado.
Para compor o ambiente de cele-
bração vínica e da arte de o criar, as
paredes da velha cave típica da Ri-
beira (Largo do Terreiro, 4) contam
com uma exposição da Skrei, Ofici-
na de Construção, e a actuação do
Britigode Trio, na sexta, e da banda
portuense The Magnets, ao final da
noite de sábado.
Todos podem participar desta ce-
lebração vínica, “sem reservas nem
bilhetes”, como frisam os promo-
tores, bastando para isso munir-se
do indispensável copo que será ad-
quirido à entrada do espaço. Cada
produtor terá um máximo de quatro
vinhos, estando representadas pra-
ticamente todas as regiões.
Os vinhos de Fernando Paiva/
Quinta da Palmirinha, Vasco Croft/
Aphros e de Tony Smith /Quinta da
Covela, pelo Minho; João Roseira/
Quinta do Infantado, Joaquim Almei-
da/Quinta Vale de Pios, José Maria
Cálem/Quinta do Sagrado, Mateus
Nicolau de Almeida/Muxagat, Rita
Marques/Conceito e Tiago Sampaio/
Olho no Pé alinham pelo Douro; a
Bairrada estará representada com
o novo projecto de Dirk Niepoort/
Quinta de Baixo, além de Luís Pa-
to, Filipa Pato e Mário Sérgio Nuno/
Quinta das Bágeiras.
Pelo Dão alinham Álvaro e Maria
Castro/Quinta da Pellada, José Ma-
nuel Machado Ruivo/Lagar de Darei,
João Tavares de Pina/Terras de Ta-
vares e António Madeira; o Alentejo
terá Miguel Louro/Quinta do Mou-
ro e Vítor Claro/Dominó; cabendo
a Paulo Saturnino Cunha/Pinhal da
Torre, Marta Soares/Casal Figueira
e António Marques da Cruz/Quinta
da Serradinha a representação de
Tejo e Lisboa.
Num fim-de-semana em que o
Porto volta a vestir-se de capital do
vinho com a 11.ª edição da Essên-
cia do Vinho (ver pág. 28), a reali-
zação deste evento marginal e al-
ternativo vem atestar a magnitude
do encontro que no
vizinho Palácio da
Bolsa junta os mais
importantes e des-
tacados produtores
e distribuidores
nacionais. É assim
que se passa com
os grandes even-
tos mundiais liga-
dos ao vinho, e o
Porto vai, final-
mente, também
nesse caminho.
D
R
Muito do que é hoje, o Porto deve-o
ao vinho. E não tem a ver só com o
actual momento de fulgor turístico,
mas antes com a história e o desen-
volvimento da cidade. Foi com im-
postos lançados sobre o comércio de
vinhos que se rasgaram arruamentos
e se traçou o futuro da urbe, o vinho
ajudou a fundar e instalar a Univer-
sidade, e é também devido à secular
presença da comunidade britânica li-
gada ao comércio do vinho que se for-
jou boa parte do carácter da cidade.
Estas são algumas das pistas para
conhecer o Porto através do vinho,
um roteiro que tem como guião
a restauração e respectiva oferta
de vinhos. Um guia bem saboroso
e apetitoso, mas que se anuncia
também recheado de informação e
muita utilidade. Chama-se Guia de
Gastronomia & Vinhos da Cidade do
Porto, acrescentando ser indicado
“para apreciadores”, e é da autoria
de Paulo Russel-Pinto e Sérgio Jac-
ques, que assina as fotografias.
Com o claro objectivo de funcionar
como guia útil para o turista que visi-
ta o Porto, a obra parte de informa-
ções de contexto para uma série de
percursos concretos de oferta gastro-
nómica para o guiar na descoberta.
O guião assenta na relação próxi-
ma entre a comida e os vinhos, sendo
os diversos percursos organizados
por áreas da cidade, tendo como
orientação as casas onde se pode
comer ou divertir, mas com o deno-
minador comum da disponibilidade
para saborear um vinho.
É no capítulo dedicado aos “Bair-
ros do Porto e a sua comida” que se
encontram indicações sobre restau-
rantes e outras casas de comida e a
respectiva ligação ao vinho. Além
de um capítulo dedicado às caves
de vinho do Porto, a obra inclui
ainda uma completa enunciação de
“Restaurantes com grandes listas”
de vinho; detalhada informação
sobre “Restaurantes fora do
centro”; um roteiro para “Vi-
nho a copo e petiscos”; outro
sobre “Vinho à noite”
A apresentação oficial da
obra, que tem 128 páginas
e deverá ter uma edição em
inglês antes da Páscoa, está
marcada para a próxima sexta-
feira no Palácio da Bolsa (18h),
no âmbito da Essência do Vi-
nho, e estará à venda nas lojas
Fnac e Livraria Lello. J.A.M.
À descoberta
do Porto
com o vinho
como guia
s
c
n
so
o
e
in
ma
fei
no
nho
Fna
FUGAS | Público | Sábado 22 Fevereiro 2014 | 31
Jardinagem
Sebes vivas
para a sua horta
ou jardim
As sebes são uma
presença quase assídua em jardins e
hortas. Altas ou baixas, geometrica-
mente cortadas ou de crescimento
livre, as sebes podem ser decorati-
vas, delimitam espaços (terrenos,
jardins, hortas, edifícios, zonas de
compostagem), conferem privacida-
de ao espaço, minimizam efeitos da
“poluição visual” (tapam edifícios,
estufas, estradas), servem de barreira
(a poeiras, ventos, e mesmo ruído).
Ao contrário dos muros de tijolo ou
pedra, as sebes vivas são abrigo e fon-
te de alimento a insectos e pássaros
e reservatório de insectos auxilia-
res (“insectos bons” que ajudam a
combater os “insectos maus”). Além
disso, as sebes vivas ajudam a “fixar”
o dióxido de carbono atmosférico
através da fotossíntese e algumas
podem dar frutos e libertar aromas
agradáveis.
Tipos de sebes
e espécies a plantar
As sebes podem ter diferentes formas
consoante o fim a que se destinam.
Temo-las alinhadas e bem podadas
ou desalinhadas e de crescimento li-
vre. O gosto pessoal é muito impor-
bres e rochosos, para zonas com
falta de água e sem necessidade
de manutenção: com muitos espi-
nhos, a Pyricanta, a pereira-brava
(Pyrus bourgaeana), o citrino-bravo
(Poncirus trifoliata L.); espécies mais
“dóceis”: o medronheiro (Arbutus
unedo), a murta (Myrtus commu-
nis), a aroeira (Pistacia lentiscus), o
carrasco (Quercus coccifera), ou o
lentisco-bastardo (Phillyrea angus-
tifolia).
Se gostar de aromáticas plante o
loureiro (Laurus nobilis) de grande
crescimento ou a alfazema, o alecrim
e o rosmaninho em bordaduras.
Dicas para comprar
e manter as suas plantas:
• Antes de comprar informe-se
bem, questione o viveirista sobre as
características das espécies (cresci-
mento, resistência à secura e frio,
ventos marítimos);
• Plantas pequenas (40-50 cm de
altura) em torrão, em vaso ou mes-
mo raiz nua, “pegam” melhor que
plantas mais maturas. No caso de
optar por plantas grandes compre-
as em vaso ou com um bom torrão.
As plantas em vaso podem ser plan-
São indiscutivelmente mais
bonitas que os muros de tijolo ou
de pedra e além disso têm efeitos
favoráveis no ambiente. Por isso,
se puder optar por uma sebe lá
em casa saiba que a variedade
que tem ao dispor adequa-se
praticamente a todos os gostos.
Mãos à terra! J. Miguel Costa
tadas ao longo de todo o ano;
• Antes de plantar prepare bem o
terreno, retire as raízes velhas e pe-
dras e se na zona tiver estado alguma
planta doente, deixe o solo a arejar
várias/semanas ou incorpore terra
retirada de outra zona do jardim sem
plantas doentes;
• A distância de plantação é variá-
vel: cerca de 80 cm (sebes podadas)
até 1,50 m ou mais nas não podadas;
• Use adubo orgânico ou estrume
bem curtido na base da cova/vala e
misture-o com terra;
• Evite infestantes e diminua as
perdas de água do solo por evapo-
ração revestindo o solo com tela
plástica ou com casca de pinheiro;
• A poda de formação ajuda as
plantas jovens a ramificar e ganhar
forma. Lembre-se que as coníferas
não suportam podas drásticas e que
as espécies com flor podam-se de-
pois da floração.
Estamos em época de plantações e
transplantações, por isso, comece a
pensar no que poderá propagar em
casa ou no que comprar para “cons-
truir” a sua sebe!
Engenheiro agrícola e da Associação
Portuguesa de Horticultura (APH)
tante na escolha da sebe, mas há que
considerar outros aspectos para evi-
tar problemas: o espaço disponível;
as condicionantes ambientais (clima
mais ou menos seco, mais ou menos
frio, fertilidade do solo, exposição
solar, exposição ao vento/ar maríti-
mo; os aspectos económicos (custo
das plantas e da plantação e custos
de manutenção).
As espécies de folha persisten-
te permitem fazer sebes fechadas
que garantem privacidade duran-
te todo o ano mas requerem mais
manutenção (uma ou duas podas/
ano). As coníferas (cedros, tuias) são
exemplos populares mas necessitam
de uma boa manutenção, pois de
contrário resultam em sebes semi-
abertas, pouco estéticas e eficientes.
As coníferas também não suportam
podas severas e são sensíveis a algu-
mas doenças. As espécies de folha
caduca adquirem cores particulares
no Outono, mas durante o Inverno
perde-se a privacidade do espaço.
Estas sebes têm também a vanta-
gem de bloquear o vento evitando,
ao contrário das sebes fechadas,
excessiva turbulência no jardim/
horta, Têm menos necessidade de
poda, mas respondem bem a podas
severas.
Sugestões para o ajudar
na melhor escolha
Espécies de folha persistente,
sem flor e de grande crescimen-
to: cipreste (Cupressus sempervirens),
cupressus leyland (Cupressocyparis x
leylandii), tuia (Thuya plicata, ‘Atro-
virens’ ou ‘Zebrina’), lauros (Prunus
laurocerasus).
Espécies de folha persistente,
sem flor e de crescimento reduzi-
do a médio: folhados (Laurus tinus),
teixo (Taxus baccata), buxo (Buxus
sempervirens), euvónimo (Euonymus
japonicus), fotínia (Photinia sp.), au-
cuba (Aucuba japonica).
Espécies de folha persistente,
com flor: limpa-garrafas (Calliste-
mon sp.), escalónia (Escallonia sp.),
camélia (Camellia japonica), loendro
(Nerium oleander), crataegus (Crata-
egus spp.).
Espécies de folha caduca, sem
flor e de grande crescimento: faia
(Fagus sylvatica).
Espécies de folha caduca, com
flor e crescimento reduzido:
Berberis sp., hortênsia (Hydrangea
macrophylla), abélia (Abelia x gran-
diflora), forsitia (Forsythia sp.).
Espécies para zonas costeiras:
o Tamarix sp., o cipreste, o loendro,
a fotínia, a escalonia.
Espécies rústicas para solos po-
M
I
G
U
E
L
M
A
D
E
I
R
A
32 | FUGAS | Público | Sábado 22 Fevereiro 2014
Zoom
Viajar por Lisboa
com Marcello
Mastroianni
e Fernando Pessoa
Uma visita guiada
por Lisboa pode levar os viajantes
ao Rossio, ao Largo do Carmo ou à
Igreja de São Roque — mas o filme
é outro na Lisbon Movie Tour, que
propõe ver Lisboa através de dois
ecrãs: o do cinema e dos filmes ro-
dados na capital portuguesa, e o do
tablet que acompanha os “tour-is-
tas” e que lhes mostra in loco cenas
de Marcello Mastroianni ou Ricardo
Aibéo com a cidade em fundo.
Criado em Dezembro pela italiana
Liliana Navarra, o projecto Lisbon
Movie Tour tem para já duas visitas
a Lisboa baseadas em filmes que
foram nela rodados em dois sécu-
los distintos: Afirma Pereira (1995),
de Roberto Faenza e baseado num
romance de António Tabucchi, e
O Filme do Desassossego (2010), de
João Botelho, a partir de O Livro do
Desassossego de Fernando Pessoa.
Sendo que este último implica uma
visita à Rua Augusta e ao serviço
de Finanças que lá fica, ambos os
tours se realizam diariamente e
destinam-se a portugueses e es-
trangeiros, com preços de 20 e 10
euros e duas e uma hora de dura-
ção, respectivamente.
Na apresentação do Lisbon Movie
Tour, segunda-feira, Liliana Navarra
lembrou que “existem mais de 16
mil filmes que tiveram locations [lo-
cais de rodagem] em Lisboa, sobre-
tudo nos anos 1940 e 1950 e quase
todos são filmes americanos”, como
cita a Lusa, e é a alguns desses lo-
cais que, no futuro, a empresa quer
levar os viajantes. Para os próximos
meses, prevê-se ainda a criação de
um Lisbon Movie Tour sobre Capi-
tães de Abril (2000), de Maria de
Medeiros, e, ainda de acordo com
a Lusa, a possibilidade de os tours
deixarem a cidade e se espalharem
à sua área metropolitana – Johnny
Depp filmou A Nona Porta (1999), de
Roman Polanski, em Sintra, e Wim
Wenders estabeleceu-se lá para ro-
dar O Estado das Coisas em 1982.
Em 2013, passaram por Lisboa
vários filmes, portugueses e estran-
geiros, das Cadências Obstinadas
de Fanny Ardant a As Variações de
Giacomo, de Michael Sturminger,
passando por Les Taxis Rouges, de
Manuel Prada, ou Os Maias – Alguns
Episódios da Vida Amorosa, de João
Ryanair vai avançar com a rota Lisboa-Porto The Monuments Men põe
turistas a caçar tesouros
Prostituição é tema de novo
museu holandês
Esta semana
na Fugas online
Depois de ter anunciado a
abertura para Abril de uma base
aérea na Portela, o aeroporto
de Lisboa onde opera desde
Novembro, a Ryanair vai avançar
com a rota Porto-Lisboa, com
início previsto para 2 de Abril.
A companhia de baixo custo
irlandesa passa assim a propor
dez ligações por semana entre a
capital e a Invicta (cinco em cada
sentido, com horário matinal),
não excluindo a possibilidade
de aumentar o número de
frequências caso a procura
o justifique. À hora de fecho
desta edição, ainda não eram
conhecidas as tarifas médias,
mas o director de vendas e
marketing da low-cost, Luís
Fernandez-Mellado, anunciou
em conferência de imprensa que
a rota seria abrangida por um
preço promocional de arranque
O filme de George Clooney, The
Monuments Men - Os Caçadores
de Tesouros, que se estreou
esta semana, está a servir de
inspiração para a criação de
percursos que propõem aos
turistas partirem numa caça ao
tesouro pela Europa, continente
onde se concentra a maioria das
obras resgatadas aos nazis. A
rota inclui passagem por Bruges,
Bélgica, onde se pode encontrar
uma escultura em mármore de
Michelangelo; pela Áustria, onde
se pode visitar a mina de Altausse
onde Hitler escondia milhares
de obras; ou pela Alemanha,
para conhecer o Castelo de
Neuschwanstein, de Luís II da
Baviera, O Louco, que serviu
de esconderijo também para
milhares de objectos.
Info e salas@cinecartaz.publico.pt
Amesterdão acaba de inaugurar
um novo museu, desta
feita dedicado ao tema da
prostituição. O espaço abriu no
Red Light District (bairro da Luz
Vermelha), onde se concentram
várias sex shops e vitrinas nas
quais profissionais do sexo — a
prostituição é uma actividade
legal na Holanda desde 2000
— se expõem e vendem os seus
serviços. De acordo com Melcher
De Wind, um dos criadores do
museu Red Light Secret, citado
pela AFP, o espaço tem uma
vertente mais educativa do que
erótica, propondo-se a mostrar
o que está para lá das vitrinas
e como esta área de negócio
funciona.
www.redlightsecrets.com
Olhos no Porto
A celebração do Porto, destino
europeu do ano, prossegue
online: um passeio virtual em
grandes imagens da Invicta.
Até onde vão eles?
Siga no blogue da Fugas a viagem
de cinco jovens estudantes à
descoberta de Portugal:
blogues.publico.pt/corrermundo
Fugas de Carnaval
Prepare-se para as máscaras: siga
propostas, promoções, festas e
ideias de última hora.
Botelho. A cidade, que desde o final
de 2012 conta com uma film com-
mission destinada a atrair equipas
para filmar em Lisboa, recebeu no
ano passado 290 pedidos de filma-
gem de cinema na capital, segundo
dados fornecidos ao PÚBLICO pela
Lisboa Film Commission.
O projecto Lisbon
Movie Tour tem para
já duas visitas a Lisboa
baseadas em dois filmes
R
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C
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O
de 19,99€/trajecto, disponível
até dia 24, segunda-feira, para
reservas. Além da ligação
doméstica, a Ryanair vai abrir
duas novas rotas francesas no
Porto, para Limoges e Rennes,
com dois voos semanais para
cada, e uma terceira com
Zaventem, Bruxelas, como
destino.
www.ryanair.com
Mais notícias em
fugas.publico.pt/
que ue uee ue ueeeee ueeeeeee ue ueee uee ueeee uee ueee ue ue ueee uue uee ue ue uuue uee ue ue ue uuuue ueee ue uuuue uuuue uuuuuueeeeeeeeee uuuuuuuuuee uee uuuuuuuee
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FUGAS | Público | Sábado 22 Fevereiro 2014 | 33
As fugas dos leitores
Os textos, acompanhados preferencialmente por uma foto, devem ser enviados para fugas@publico.pt. Os relatos devem ter
cerca de 2500 caracteres e as dicas de viagem cerca de 1000. A Fugas reserva-se o direito de seleccionar e eventualmente reduzir
os textos, bem como adaptá-los às suas regras estilísticas. Os melhores textos, publicados nesta página, são premiados com um
dos produtos vendidos juntamente com o PÚBLICO. Mais informações em fugas.publico.pt
Havana,
sabor a mí!
Reservo para mim o papel de
protagonista numa narrativa
improvável e desço do avião,
abraçando a humidade pegajosa
que se cola de imediato à pele.
Havana Velha é a primeira
paragem. Edifícios coloniais,
duma solidez plácida,
apresentam-se desgastados pela
usura de décadas e pela ausência
de cuidados mas a cidade possui
uma luminosidade que lhe
suaviza o declínio, ajudando as
casas, descascadas por anos de
abandono, a urdirem histórias
sem fim.
As horas afagam o humor.
Adiante, a Bodeguita del
Medio com os seus mojitos,
imortalizados pela publicidade
do escritor americano. Por ela
passaram também Allende e
Fidel, e muitos outros anónimos
que fizeram questão de inundar
as paredes com os seus escritos.
À medida que o mojito desce
pela garganta, a transpiração sai
pela pele. As ventoinhas do tecto
afugentam os espíritos inquietos;
o rádio, vindo de outra época,
debita um bolero lânguido que
amacia a alma.
O céu encontra-se pincelado
de nuvens imóveis. Entro na
catedral e sento-me na esplanada
do café El Pátio, desfrutando
do Quinteto Habanero. Alongo
o olhar na direcção da matriz,
em frente. Sentada num degrau,
uma avó, descarnada de afectos,
solta volutas de fumo. Uma certa
nostalgia lírica apodera-se de mim
no preciso momento em que o sol
brinca com a sombra das arcadas
da praça, desfazendo-se como um
eco vago.
Os sinos badalam num timbre
fanhoso, repicando em uníssono,
fazendo sobressair a melopeia do
Quinteto. Aproveito o intervalo
da banda para reiniciar o passeio.
Os olhares de orgulho cruzam-
se com os sorrisos rasgados,
pano de fundo de uma cidade
desconcertante e desconcertada.
Havana é, acima de tudo, uma
cidade onde se vive o dia-a-dia
com uma certa indolência,
própria dos climas tropicais. As
Caraíbas amolecem-nos, pegam-
se ao corpo, entranhando-se
na pele e consumindo-se em
comportamentos vagabundos.
As ruas descem para o oceano,
onde tudo termina. O vento sopra
do Atlântico, pulverizando quem
passa com uma película viscosa
que se cola à pele. Observo as
linhas de sombra das casas que
se vão alongando em direcção
ao mar. A claridade inclina-se
em ângulos oblíquos e foscos,
perdendo-se na humidade da
manhã.
Ao anoitecer, caminho por
entre velhos e novos, sentados à
porta de casa, deixando passar a
vida como quem não quer nada.
Nos cafés despidos de tudo,
clientes parecem cobertos por
uma fina camada de antiguidade,
o que os torna, de certa maneira,
conhecidos, quase íntimos. Só
os faróis dos carros iluminam
temporariamente a face desta
gente, porque as ruas da cidade
nocturna vivem sem luz eléctrica.
Num alpendre, um rádio a pilhas
toca uma música romântica. Uma
mulher de traseiro farto tagarela
com a vizinha, como quem atira
um feitiço. Do outro lado da rua,
dois miúdos entretêm-se com uma
bola velha e furada. No passeio
de uma casa, três escanzelados
idosos jogam às damas enquanto,
na direcção de uma janela
longínqua, se acende um clarão
alaranjado.
Instalada na escuridão desta
cidade exclusiva, ou excessiva,
entrevejo, pelas calles habaneras,
cortesãs frias e mulheres de
bordel de bom coração que,
macilentas, escoam o naufrágio
de uma vida. Ao som de um cha
cha cha vejo as árvores mudas
e sigo em frente, adormecendo
tardiamente na noite. De um trago
bebo o rum e corro a cortina.
iHasta siempre Cuba, sabor a mí!
Maria João Castro
Mais viagens em
fugas.publico.pt
As 5 coisas
Barcelona
1
Gaudi
Um dos mais célebres
arquitectos da história e figura
máxima da arquitectura catalã.
É a impressão digital da cidade.
Edifícios modernistas únicos,
igrejas, parques e detalhes
ímpares podem ser visitados por
todos: Casa Milá (ou La Pedrera),
a casa Batlló, a inigualável
Sagrada Família e o Parque Guell.
Cada obra de Gaudi é espelho de
uma genialidade que se converte
em geometria, natureza, cor,
texturas e emoções.
2
Bairro Gótico, Born e Raval
Três bairros, três personalidades.
Perder-me entre ruas e ruelas
e inesperadamente encontrar-
me com o mar. Percorrer vezes
sem conta a Calle Bisbe onde
o anoitecer enaltece o mistério
que a envolve. Atravessar o arco
e imaginar o que ele teria para
nos contar sobre tudo e todos os
que por ali passaram ao longo de
centenas de anos e desembocar
na Plaza Felipe Neri é talvez
do mais simples, fascinante e
romântico que aqui há.Saltitar
pelas lojas trendy do Born, ir
aos frutos secos da centenária
Casa Gispert e terminar a jantar
na Calle Carmen no bairro do
Raval, outrora “rejeitado” e
actualmente um dos locais mais
in de Barcelona.
3
Andar a pé
“A cidade é plana e chove pouco”
dizem os locais. Barcelona é
perfeita para caminhar, tropeçar
em arte a cada instante e para
nos cruzarmos com pessoas
de todo o mundo... Cada uma
com uma história de vida que a
trouxe aqui. Praticamente todos
os locais de maior interesse
são facilmente alcançados a
pé. E não há forma melhor de
conhecer uma cidade!
4
Passeig de Gracia
Arquitectura sem igual. Se
há avenida onde a riqueza
arquitectónica é quase
ofegante é esta. Os edifícios, os
candeeiros, os bancos, as pedras
do passeio, as lojas... tudo.
5
Comer
E não fosse eu portuguesa… não
terminaria com comentários
à gastronomia. Aqui o que
não falta são restaurantes e
esplanadas que oferecem óptima
comida de todo o mundo. A
perdição local recai sobre as
típicas tapas e… como em tudo
na vida, o mais simples não deixa
de ser muitas vezes o melhor:
pan con tomate e tortilla caseira
regados com sangria, cerveja ou
uma clara (cerveja com limão).
Inês Branquinho, 30 anos,
trabalha em marketing e vive em
Barcelona desde o Verão de 2012
de que eu mais gosto...
...em
34 | FUGAS | Público | Sábado 22 Fevereiro 2014
s

Relação preço/equipamento
sem extras a encarecer
o preço final; espaço e bom
ambiente no habitáculo
t

Dificuldade em engrenar a
marcha-atrás
BARÓMETRO
Motores
mentos superiores. É também o caso
do sistema de gestão da estabilidade
do veículo, VSM, de contrabrecagem
para melhoria da estabilidade e guia-
bilidade do veículo, particularmente
em curva, associado ao controlo de
estabilidade, e do muito útil sistema
de iluminação em curva.
Em termos de segurança, esta
nova geração do Hyundai i10 ainda
não foi submetida aos testes do Eu-
ro NCAP mas poderá ter uma boa
classificação, em especial com a
inclusão de série do cruise control
nos carros produzidos a partir de
Fevereiro. Também no que se refere
ao conforto e vida a bordo, como
se pode ver pela ficha técnica, este
citadino vem bem equipado de série
e não necessita de opções que dis-
torcem o preço do veículo.
O Hyundai i10 beneficia da ga-
rantia da marca de cinco anos sem
limite de quilómetros que inclui as-
sistência em viagem e verificações
anuais gratuitas.
O citadino da Hyundai, irreverente
e bem equipado, desmente
a asserção de que um veículo
com um preço acessível tem de
ser apenas um meio de transporte
com um design cinzento,
materiais e acabamentos básicos
e equipamento rudimentar.
João Palma (texto)
e João Cordeiro ( fotos)
Há carros que à
primeira vista causam boa impres-
são, mas que, à medida que os co-
nhecemos melhor, mostram pontos
negativos que corroem a sensação
inicial. No caso do Hyundai i10, pas-
sa-se exactamente o oposto. É ver-
dade que conduzimos a versão mais
bem equipada, Style, com o motor
tricilíndrico de 998cc e 66cv. Mas de
um veículo que custa 12.590€ (preço
de campanha até 30 de Março, in-
cluindo sensores de estacionamen-
to e roda de emergência) era de es-
perar que fosse um mero meio de
transporte.
Essa ideia inicial começa a des-
fazer-se quando entramos pela pri-
meira vez no carro e nos deparamos
com um habitáculo em dois tons,
um design elegante do tablier com
o ecrã do rádio em posição central
e materiais e acabamentos que, sem
serem premium, denotam cuidado,
bom gosto e alguma qualidade. De-
pois, quando nos sentamos, em es-
pecial à frente, notamos o conforto
dos bancos, que sujeitam bem o
corpo, e o facto do interior ser sur-
preendentemente espaçoso, onde
cabem cinco pessoas (embora o
conforto máximo seja atingido com
quatro ocupantes).
A mala, com 252 litros de capaci-
dade, tem uma dimensão razoável
para um citadino. Pormenor de lou-
var: sob o fundo da bagageira que
conduzimos vinha um muito útil
pneu de emergência, uma oferta da
campanha de lançamento (no futu-
ro, opção por 100€), em vez do fami-
gerado kit de “reparação” de pneus
que muitas marcas impingem aos
seus clientes para poupar uns euros.
Depois, ainda antes de pôr o
carro em marcha, notamos que a
instrumentação, apesar de intuiti-
va e de simples manuseamento, é
bastante completa, com a maioria
dos comandos no volante, em po-
sições que tornam fácil o seu accio-
namento. Dá-se à chave e logo se
sente que o motor tricilíndrico do
pequeno citadino que é a entrada
de gama da marca coreana tem um
comportamento adequado ao que
se espera num veículo desta gama,
em especial em cidade, que é o meio
ambiente natural deste carro.
Claro que de um propulsor 1.0
com 66cv não se podem esperar
as performances de um desportivo,
mas o i10 tem um comportamento
ágil e, até pelas suas dimensões,
despacha-se muito bem em vielas
estreitas de velhas cidades. O único
ponto negativo é a dificuldade em
engrenar a marcha-atrás na caixa
manual em que as cinco velocidades
para a frente entram com facilidade
e estão bem escalonadas. E embora
não disponha de sistema Start/Stop
de paragem e arranque automáticos
do motor, tem indicação de mudan-
Funcional para
a cidade, além
de divertido
e bem equipado
ça de velocidade. Com uma direcção
precisa e directa, o i10 é muito fácil
de conduzir e tem bom comporta-
mento, mormente em estradas com
muitas curvas.
Não será um estradista, notando-
se alguma falta de velocidade de
ponta, em especial na condução
em auto-estrada, mas também se
podem fazer viagens mais longas
com algum conforto. Como é lógi-
co, com apenas 66cv de potência,
quando se pisa o acelerador o con-
sumo sobe exponencialmente. Num
percurso misto de cerca de 300km
obtivemos uma média a rondar os
6,0 l/100km.
De notar que, ao contrário da
maioria dos carros do segmento A,
citadinos, onde se insere, o Hyundai
i10 tem travões de disco ventilados à
frente e de disco sólidos atrás. Aliás,
não é só neste pormenor que este
pequeno veículo tem equipamentos
e dispositivos que só se encontram
normalmente em modelos de seg-
Teste Hyundai i10 1.0 Style
FUGAS | Público | Sábado 22 Fevereiro 2014 | 35
ABAIXO O CINZENTISMO
Lá por um carro ser económico
não quer necessariamente dizer
que se despreze o design e a vida
a bordo. E o Hyundai i10 conjuga
funcionalidade e conforto com
um visual alegre e de bom gosto.
Para chegar a essa conclusão
basta observar os materiais e
acabamentos que, não sendo de
luxo, estão muito longe de ter
um aspecto baratucho. Além do
mais inclui um tablier a dois tons
(tal como os bancos e o resto do
habitáculo), instrumentação com
um design simples mas elegante,
bancos confortáveis que sujeitam
bem as costas (em especial à
frente) e espaço interior bem
aproveitado. No lançamento,
no nível Style, oferece um pneu
temporário em vez do nefando kit
de “reparação” de pneus.
PEQUENOS PORMAIORES
À medida que nos vamos
familiarizando com este pequeno
citadino somos agradavelmente
surpreendidos com pequenos
detalhes que contribuem para
tornar mais agradável a condução
e a vida a bordo. No caso de
haver portas abertas ou mal
fechadas, além de um pequeno
ícone a avisar da situação, ainda
há um segundo distinto, relativo
ao portão traseiro. Também
quando a temperatura desce
abaixo dos 5º C aparece no
velocímetro um pequeno ícone
a avisar para perigo de gelo
na estrada. Outro pormenor
simpático é a existência de uma
ranhura na pala do condutor onde
se podem colocar cartões de
estacionamento ou de portagens.
UNIR O ÚTIL
AO AGRADÁVEL
As luzes de dia em LED, em
formato de bumerangue
emoldurando os faróis de
nevoeiro, dão a este pequeno
citadino um visual que só se
costuma encontrar em veículos
com preço superior. Além disso
(outra agradável surpresa), o
Hyundai i10 dispõe de sistema
de iluminação em curva, muito
útil à noite em estradas sinuosas
e escuras. É certo que, mesmo
como opção, não tem sensores
de luminosidade nem de chuva,
mas estes dispositivos são mais
uma comodidade extra e não são
tão úteis como a iluminação em
curva.
TUDO À MÃO
Ao contrário de certos veículos
em que quase é preciso um
curso para perceber toda a
instrumentação e o modo de
a accionar, no Hyundai i10
está tudo literalmente à mão
com os comandos no volante.
Computador de bordo (com
todas as informações essenciais),
conexões Bluetooth, telefone
e rádio, tudo isto é fácil de
consultar e accionar por meio
de botões estrategicamente
colocados no volante, sem
necessidade de retirar as mãos
do mesmo ou os olhos da estrada.
EQUIPAMENTO
Segurança
ABS: Sim
Cont. elect. de estabilidade: Sim
Controlo de tracção: Sim
Gestão de estabilidade do
veículo (VSM): Sim
Sistema de alerta de colisão: Não
Airbags dianteiros: Sim
Airbags laterais: Sim, à frente
Airbags de cortina: Sim
Airbag de joelhos condutor: Não
Auxílio arranque em subida: Sim
Aviso da pressão dos pneus: Sim
Sistema de fixação Isofix para
cadeiras de crianças: Sim
Aviso de colocação do cinto de
segurança: Sim
Vida a bordo
Vidros eléctricos: Sim
(à frente e atrás)
Vidros escurecidos: Não
Vidros térmicos: Não
Fecho central: Sim
Comando à distância: Sim
Direcção assistida: Sim
Espelhos retrovisores com
regulação eléctrica: Sim
Espelhos rebatíveis
electricamente: Não
Volante regulável: Sim, em altura
Volante multifunções: Sim
Volante em pele: Não
Comandos no volante: Sim
Conexão Bluetooth e USB: Sim
Ar condicionado: Sim (em opção,
climatizador 200€)
Bancos dianteiros ajustáveis em
altura: Sim
Bancos traseiros rebatíveis: Sim
Estofos e bancos em pele: Não
Regulador/limitador de
velocidade: Sim, a partir de
Fevereiro
Travão de estacionamento
eléctrico: Não
Função Start/Stop: Não
Computador de bordo: Sim
Jantes em liga leve: Sim, 14’’
Alarme: Sim
Navegação por GPS: Não
Sensor de luz e de chuva: Não
Sensor de estacionamento: Sim,
traseiro, oferta de lançamento
(opção, 270€)
Faróis de nevoeiro: Sim (com
iluminação em curva)
Luzes de dia: Sim, em LED
Faróis de xénon: Não
FICHA TÉCNICA*
Mecânica
Cilindrada: 998cc
Potência: 66cv às 5500 rpm
Binário: 95 Nm às 3500rpm
Cilindros: 3 Válvulas: 12
Alimentação: Gasolina com
injecção multiponto
Tracção: Dianteira
Caixa: Manual de 5 velocidades
Suspensão: à frente, tipo
Mcpherson com molas
helicoidais, amortecedores a gás
e barra estabilizadora; atrás, eixo
de torção com molas helicoidais e
amortecedores a gás
Direcção: Pinhão e cremalheira,
eléctrica assistida
Travões: Discos ventilados à
frente; discos sólidos atrás
Dimensões
Comprimento: 3665mm
Largura: 1660mm
Altura: 1500mm
Distância entre eixos: 2385mm
Peso: 1008kg
Pneus: 175/65 R14 T (roda de
emergência)
Capac. depósito: 40 litros
Capac. mala: 252 litros (1046
litros com os bancos traseiros
rebatidos)
Prestações
Veloc. máxima: 155 km/h
Aceleração 0 a 100 km/h: 14,9s
Consumo misto: 4,7 litros/100 km
Emissões CO2: 108 g/km
Preço
13.220€ (preço de lançamento
até 30 de Março: 12.590€)
* Dados do construtor
36 | FUGAS | Público | Sábado 22 Fevereiro 2014
Motores
Notícias
Tramagal, meio século
a fabricar veículos
O sector automóvel é um dos maiores exportadores nacionais, com
quatro fábricas a laborar. A do Tramagal celebra 50 anos. João Palma
A fábrica de veí-
culos automóveis do Tramagal não
será a mais importante em termos
de números de produção. Mas, com
uma história iniciada em Fevereiro
de 1964, é a mais antiga em activida-
de em Portugal. Foi há meio século
que a Metalúrgica Duarte Ferreira
começou a produzir camiões Ber-
liet usados na guerra colonial. Desde
então, muita água passou pelo vizi-
nho Tejo e hoje, a fábrica, adquirida
pela Mitsubishi em 1996 e passando
a integrar o grupo Daimler em 2004,
produz o camião Fuso Canter.
Em meio século, saíram das linhas
de montagem do Tramagal 200.000
veículos e a efeméride foi celebra-
da de forma especial, no dia 12 de
Fevereiro, na presença do primeiro-
ministro, Pedro Passos Coelho, e dos
secretários de Estado da Economia,
Leonardo Mathias, e do Emprego,
Octávio Oliveira.
Passos Coelho sublinhou a im-
portância de empresas exportado-
ras como a Mitsubishi Fuso Truck
Europe para o equilíbrio da balança
de pagamentos e também a vertente
inovadora da fábrica do Tramagal,
que desde 2012 produz um premiado
comercial ligeiro híbrido, o Fuso Can-
ter Eco Hybrid, e iniciou um projec-
to de produção de um camião 100%
eléctrico, o Fuso Canter E-Cell de 5
toneladas, com uma autonomia de
100km. O Governo português apoia
esta iniciativa com um investimento
de três milhões de euros.
Apesar das quebras de produção
nos últimos anos, decorrentes da re-
cessão europeia, a aposta da Daim-
ler e da Mitsubishi Fuso no Tramagal
mantém-se firme. Isso traduz-se num
investimento de 21 milhões de euros
nos últimos anos para a moderniza-
ção das linhas de montagem, refor-
çada por 5,5 milhões de euros este
ano. Em 2013, foram produzidas 3758
unidades (93% para exportação),
mas com os actuais 320 funcionários
a capacidade da fábrica é de 6000
veículos. No entanto, caso seja ne-
cessário, a produção pode subir até
30.000 unidades (em dois turnos).
E embora não se preveja um forte
aumento da procura nos próximos
tempos, as perspectivas são anima-
doras: à retoma que já se sente na Eu-
ropa, o principal mercado da fábrica
do Tramagal, soma-se a abertura de
Marrocos no final de 2014, para onde
se prevê que possam ser exportados
até 2000 veículos/ano. A médio pra-
zo, a fábrica do Tramagal pretende
também apostar noutros países afri-
canos, nomeadamente os PALOP.
Em breves traços, a história da
actual fábrica da Mitsubishi Fuso
Europe, após o fabrico dos Berliet,
prosseguiu em 1980 com a produ-
ção do Fuso Canter e outros modelos
como os Mitsubishi L 200 e L 300
e o Pajero. Em 1990, a unidade foi
comprada à família Duarte Ferreira
pela Mitsubishi. Os últimos episódios
incluem os já referidos fabricos, bem
como o lançamento, em 2013, do
Fuso Canter Euro VI, que já cumpre
as mais recentes normas de emissões
da União Europeia.
PORTUGAL PAÍS EXPORTADOR DE AUTOMÓVEIS
A afirmação é recorrente e,
como todas as falsidades, de
tanto repetida é tomada como
verdadeira: a importação de
veículos automóveis é das coisas
que mais pesa negativamente
na balança de pagamentos.
É verdade que importamos
viaturas, mas exportamos muito
mais. No total, em 2013, foram
produzidos 154.000 veículos em
Portugal (97,5% para exportação)
face a 106.000 unidades
vendidas. Aliás, se todos os
sectores de actividade tivessem
um comportamento semelhante,
troika e austeridade seriam
vocábulos desconhecidos. E não
é só nos automóveis: a fábrica de
pneus da Continental em Lousada
produz o quádruplo dos pneus
que se vendem em Portugal.
Com a deslocalização da
produção da Isuzu de Vendas
Novas para a Itália em Dezembro
de 2013, mantêm-se quatro
fábricas de veículos automóveis
em Portugal. A Autoeuropa
lidera com 91.200 unidades
produzidas em 2013, seguem-
se a PSA (Peugeot e Citroën)
de Mangualde, com 56.517, a
Mitsubishi Fuso do Tramagal com
3758 veículos e Toyota Caetano
de Ovar com 1111 viaturas. A
última produção da Isuzu, em
2013, foi 1230 unidades.
Seat Leon
conquista
título de
Carro do
Ano de 2014
Agama Seat Leon
é Carro do Ano/Volante de Cristal
2014, sucedendo ao Volkswagen
Golf, num ano em que o prémio or-
ganizado pelo semanário Expresso
e pelo programa Volante (SIC Notí-
cias) comemora 30 anos. Entre os
seis finalistas estavam ainda Audi
A3 Limousine, Citroën C4 Picasso,
Mazda 6, Peugeot 308 e Skoda Oc-
tavia.
O modelo do segmento C, que as-
senta na plataforma MQB estreada
pelo seu antecessor, o Golf, esfor-
çou-se para com esta terceira gera-
ção formar uma gama ecléctica do
León. Começou pelo SC de três por-
tas, apresentou a berlina de cinco
(Familiar do Ano), avançou para a
ST (Carrinha do Ano), acelerou com
o FR e, ainda esta semana, apresen-
tou à imprensa o aguerrido Cupra.
Note-se ainda que, em 30 anos, esta
é a quinta vez que a Seat se sagra
campeã e a segunda que é o Leon
a dar o prémio à marca espanhola
que já tinha convencido o júri com
a sua segunda geração, em 2001.
Outros vencedores Seat: Toledo
(1992 e 2000) e Ibiza (1994).
Para além de elegerem o Seat
Leon como vencedor absoluto do
troféu de 2014, o júri, formado
por 22 jornalistas de outros tantos
órgãos de comunicação social, de-
cidiu também sobre os melhores
das várias categorias automóveis a
concurso. O Leon voltou a brilhar
na Carrinha do Ano, com o 1.6 TDI
ST 105cv Style, e no Familiar do
Ano com o hatchback 1.6 TDI 105cv
Style. Já na categoria de Citadino do
Ano ganhou o Nissan Note 1.2 80cv
Acenta e para Crossover do Ano foi
seleccionado o Honda CR-V 1.6 i-
DTEC. A BMW fecha as restantes
categorias: Executivo do Ano com
o 320d Gran Turismo, Desportivo
do Ano com o 435i e Ecológico do
Ano com o i3.
O Carro do Ano elegeu ainda a
ACAP como personalidade do ano,
visando “homenagear as mais de
2000 empresas do sector automó-
vel representadas por esta associa-
ção”. Carla B. Ribeiro
FUGAS | Público | Sábado 22 Fevereiro 2014 | 37
Motores
Novidades
1.6 D-4D, um Verso
com boa métrica
O monovolume de sete lugares da Toyota tem uma nova motorização 1.6 diesel
de origem BMW mais adequada ao mercado português. Com ela, o Verso, mantendo
boas performances e com ligeiras melhorias, está mais acessível. João Palma
O Toyota Verso
é um monovolume do segmento
C feito na Europa para o mercado
europeu, cuja 3.ª geração, de 2009,
foi renovada em 2013. Agora, com
ligeiras melhorias no equipamento,
recebe um novo propulsor 1.6 a ga-
sóleo de origem BMW, que substitui
o actual 2.0 D-4D. Com performan-
ces um pouco inferiores, o Verso
1.6 D-4D, disponível no final de Fe-
vereiro, tem melhores consumos e
emissões e, consoante os níveis de
equipamento, custa menos 1000€
a 2000€.
Além do bloco 1.6, há uma moto-
rização 2.2 com 150cv de fabrico da
Toyota acoplada a uma caixa auto-
mática de seis relações, cujo preço,
acima dos 40.000€, torna residuais
as vendas desta versão. Fabricado
na Turquia, o Verso nasceu das
pranchetas do centro de design eu-
ropeu da Toyota em Nice. A primei-
ra e segunda gerações, por serem
consideradas variantes do Corolla,
designavam-se Corolla Verso. Só em
2009 este monovolume se tornou
independente, passando a chamar-
se apenas Verso.
E foi no berço do Verso, em Nice,
que se efectuou a apresentação
dinâmica desta versão com o pro-
pulsor 1.6 da BMW acoplado a uma
caixa manual de seis velocidades da
Toyota. Esta motorização revela-se
adequada para deslocar os 1700kg
de peso deste veículo de sete luga-
res com 4460mm de comprimento,
1790mm de largura e 1620mm de
altura. Outra novidade em termos
de mecânica foi a introdução do
sistema Start/Stop, que também
contribuiu para a redução dos con-
sumos e emissões. A entrega de po-
tência processa-se, afiança a marca,
de uma forma suave e controlada,
com boa resposta mesmo a baixas
rotações. O Toyota Verso está ainda
mais silencioso e confortável, com
menores vibrações e uma redução
do adornar da carroçaria.
No que se refere a design e equipa-
mento, menção para uma nova cor
exterior Avantgarde Bronze e novas
jantes de liga leve de 16’’ e 17’’. No
interior, há melhorias nos materiais
e acabamentos, um novo sistema de
aviso de pressão de pneus e a últi-
ma versão do sistema multimédia
da marca japonesa com ecrã táctil,
o Toyota Touch 2.
Este monovolume tem três níveis
de equipamento, Active, Comfort e
Exclusive. Em relação ao Active (que
já inclui, por exemplo, cruise con-
trol, faróis de nevoeiro e assistência
ao arranque em subida), o Comfort,
por mais 2550€, entre outras coisas,
adiciona sensores de luz e de chuva,
tecto panorâmico e, em opção, por
500€ a 600€, o sistema de multimé-
dia e navegação Toyota Touch 2 with
Go. Por fim, o Exclusive, por mais
2000€, oferece jantes de liga leve de
17’’, bancos aquecidos, entrada e ar-
ranque sem chave e em opção (cerca
de 600€) o Toyota Touch 2 with Go
Plus (a versão mais avançada).
Toyota reprograma Prius
A Toyota vai chamar às suas ofici-
nas 1,9 milhões de Prius vendidos
em todo o mundo desde 2009, para
reprogramar o software do sistema
híbrido, devido a um problema que
ocorreu em cerca de 200 veículos,
em especial nos EUA. Em condições
muito extremas e penalizantes de
condução, ocorreu o sobreaque-
cimento de alguns transístores do
sistema híbrido, o que levou esses
veículos a entrar em modo de segu-
rança e abrandar significativamente.
Para prevenir futuros problemas, o
software do Prius irá ser reprogra-
mado para lidar com essas solicita-
ções bruscas. Na Europa, em cerca
de 200.000 veículos verificaram-se
cerca de uma dezena dessas situa-
ções e em Portugal não se registou
qualquer ocorrência.
FICHA TÉCNICA*
Motor: 1598cc, 4 cil. em linha, 16v
Combustível: Gasóleo
Potência: 112cv às 4000 rpm
Binário: 270 Nm às 1750-2250
rpm
Transmissão: Manual de 6
velocidades
Veloc. máxima: 186 km/h
Aceleração 0/100 km/h: 12,7s
Consumo médio: 4,5 l/100 km
Emissões de CO2: 119 g/km
Preço: Desde 27.950€ (nível de
equipamento Active)
* Dados do construtor
38 | FUGAS | Público | Sábado 22 Fevereiro 2014
Plano de viagem
Testemunhe as mais genuínas tradições do Entrudo português com os festejos
dos caretos chocalheiros na aldeia de Podence. O programa contempla ainda
uma visita a Murça e Romeu, localidades famosas pela excelente qualidade
de azeite (Rota do Azeite) e à cidade de Bragança. Preço: 185€/pessoa.
Circuito em autocarro de turismo, estadia com pensão completa, guia
e entradas nos museus. Dias 1 e 2 de Março. www.pintolopesviagens.com
Ar livre
Cá dentro
Lá fora
Cruzeiro Lisboa-Madeira
Junte-se aos festejos do Carnaval
da Madeira nesta viagem de seis
dias a bordo do paquete Funchal,
com o seguinte itinerário: Lisboa/
Porto Santo/Funchal /Lisboa.
Preço: desde 518€/pessoa,
estadia a bordo em cabine dupla,
pensão completa (sem bebidas
incluídas), taxas portuárias
e serviços a bordo. De 28 de
Fevereiro a 6 de Março.
www.geostar.pt
Trekking no Gerês
Celebre o Carnaval a caminhar
no Parque Nacional da Peneda
Gerês. Preço: 220€/pessoa em
quarto duplo, com estadia de
três noites, dois jantares, dois
piqueniques, chá e café durante
os três passeios pedestres. De 1 a
4 de Março.
www.papa-leguas.com
Nice e Turim
De 1 a 7 de Março, ponha a
máscara e divirta-se num dos
mais famosos carnavais da
Europa, em Nice. O programa de
sete dias tem como itinerário
a visita ao Mónaco, Nice,
Grasse, St. Paul de Vence,
Menton, Cannes e Turim.
Preço: desde 1295€/pessoa,
com avião, taxas, circuito em
autocarro de turismo, comboio
turístico no Mónaco, estadia
de seis noites em regime de
meia pensão, guia e entrada no
Carnaval de Nice e no Festival de
Citrinos de Menton.
www.pintolopes.com
Ovar
Em Ovar, já estão abertas as
portas à folia para um dos
festejos carnavalescos mais
emblemáticos do país. O
Aqua Hotel Ovar propõe uma
promoção especial, válida de
27 de Fevereiro a 4 de Março,
que inclui estadia de duas
noites com pequeno-almoço e
25% de desconto em todos os
tratamentos spa. Preço: 75€/
quarto duplo.
www.solferias.pt
Veneza
Contos de fadas inspiram o
Carnaval de Veneza deste ano,
evento símbolo da cidade que
junta visitantes de todo o mundo.
Preço: desde 414€ por pessoa
em quarto duplo, com avião de
Lisboa e Porto, taxas e estadia
de duas noites em hotel com
pequeno-almoço.
www.abreu.pt
Travessia em BTT no Algarve
Um passeio de bicicleta por belos
trilhos e caminhos nas falésias da
Costa Vicentina e pelas serras de
Espinhaço de Cão e Monchique:
eis a proposta para o fim-de-
semana de 1 a 4 de Março, com
partida e chegada em Odeceixe.
Preço: 369€/pessoa em quarto
duplo. Inclui percurso guiado,
alojamento, almoços volantes,
transfer de bagagens, assistência
por viatura de apoio, BTT suplente
para o grupo e seguro.
http://caminhosdanatureza.pt
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