1.

Introdução

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1 – INTRODUÇÃO

JOSÉ AMORIM FARIA

VERSÃO 9 – FEVEREIRO 2013

José Amorim Faria

Gestão de Obras e Segurança

FEUP – 2012/2013

2 1.………………………………………….. INTRODUÇÃO ……………………………………………………………………… 1.. Introdução 2/8 ÍNDICE 1. 3 3 4 5 7 José Amorim Faria Gestão de Obras e Segurança FEUP – 2012/2013 .4 Nota preambular .………………………………………………….. A importância do tema Gestão de Obras ……………………………………… Organização deste trabalho .1 1.. O que é a Gestão? ……………………….…………………...…………………………………….3 1.1.

face à responsabilidade criminal que se associa a alguns dos actos profissionais exercidos no âmbito dessa actividade.1 Nota Preambular A disciplina de Gestão de Obras é uma disciplina relativamente recente no Plano de Estudos da Licenciatura em Engenharia Civil. O funcionamento das aulas práticas teve de ser alterado diminuindo-se a quantidade de problemas realizados sem diminuir os temas tratados.1. apenas se reiniciou em 1995/96 com cadeiras com outros nomes estabilizando a partir de 1997/98 nas disciplinas de Gestão de Projectos e de Gestão de Obras. esta passou a adoptar a designação Gestão de Obras e Segurança (GOSE). Essa situação implica uma atitude mais responsável dos alunos que devem acompanhar permanentemente o ritmo das matérias apresentadas de modo a conseguirem tirar partido das aulas teórico-práticas. A disciplina GOSE tem actualmente uma estrutura em tudo semelhante à disciplina de Gestão de Obras que funcionou entre 1997/98 e 2003/2004. como resultado da incorporação do tema Segurança e Saúde no programa da disciplina. José Amorim Faria Gestão de Obras e Segurança FEUP – 2012/2013 . Por esse motivo não se seguiu a estrutura corrente seguida em livros de carácter monográfico sobre o assunto antes se seguindo uma estrutura por temas próxima da estrutura das aulas teóricas e teórico-práticas da disciplina. As primeiras disciplinas que trataram na FEUP os assuntos relacionados com a Gestão de Projectos e Obras foram criadas no início da década de 70 e tinham as designações Processos e Equipamentos de Construção (PEC) e Projectos de Obras e Estaleiros (POE). atrás narrada. as disciplinas de PEC e POE foram extintas e entre 1984/85 e 1994/95 as matérias associadas à Gestão apenas foram leccionadas na Opção de Construções Civis (Tecnologia e Gestão das Construções (TGC)) e em cadeiras de opção livre criadas no final da década de 80. O aumento de escolaridade da disciplina ocorrido em 2004/2005 para 4 horas semanais voltou em 2005/2006 de novo para três horas semanais reduzindo-se as aulas práticas para 1 hora o que afectou significativamente a eficiência do ensino da disciplina. O programa inclui um total de 11 capítulos entre os quais o capítulo 11 relativo à Segurança e Saúde na Construção. para todo o Curso. e correspondeu à necessidade de finalmente aparecer um documento que organize os principais conceitos ensinados na FEUP sobre o tema. INTRODUÇÃO 1. Em 2004/2005. A disciplina mantém-se de avaliação distribuída o que faz todo o sentido face à relativa menor dificuldade dos temas apresentados (em comparação com outras disciplinas do Curso) e ao seu carácter eminentemente prático. mantendo-se inalterada a designação Gestão de Projectos. O ensino das matérias associadas à Gestão. Os capítulos 2 a 5 e 9 a 11 correspondem a matérias exclusivamente apresentadas nas aulas teóricas e os capítulos 7 e 8 a matérias exclusivamente apresentadas nas aulas teórico-práticas. O capítulo 6 é apresentado em ambos os tipos de aulas. Em 1984/85. assunto cada vez mais importante na vida profissional dos jovens licenciados. A estrutura destes apontamentos é um reflexo da História das disciplinas onde estes temas têm sido leccionados. Introdução 3/8 1.

é pelo contrário vasto. enquanto o saber empírico é transmitido apenas por imitação. com efeito. Todas as disciplinas científicas contribuem portanto para o auxílio a prestar aos gestores: matemáticas. ciências humanas. uma condição necessária para se obter um rendimento superior.1. pois ela não pode proceder exclusivamente de ideias gerais cientificamente demonstradas. no entanto. mas como a realização de actos criativos. na medida em que não se inclui um elemento de generalidade e de raciocínio no conhecimento da razão e das causas do funcionamento das empresas. a gestão. ou mais globalmente das organizações. enquanto um gestor prevenido esforça-se por discernir as razões da sua acção. em toda a organização. segundo o termo empregue pelos economistas para designar um dirigente de alto nível. economia. À audácia criadora do empresário. Não é mais do que uma nuance. dir-se-á. sempre que possível. − seleccionando e pondo em acção os meios que permitem atingir os objectivos que fixámos. duma associação ou sindicato. Ora. gerir consiste em governar uma organização: − tornando precisos os objectivos que nos propomos atingir. Introdução 4/8 1. Conhecer as razões da eficácia parece ser. Se definirmos gestão como a decisão racional e informada. claras e abundantes quanto possível. etc. graças a uma recolha de informações tão rápidas. quer se trate de uma empresa ou da Administração Pública. Gerir implica também a capacidade de ajuizar o fundamento correcto das decisões que convém tomar. num sentido estrito. Esta concepção já não se usa: a gestão não é mais considerada como um trabalho rotineiro de modestos segundos planos. por um conhecimento empírico mais ou menos formalizado. Não se deve. correspondia. com o intuito de lhe proporcionar uma primeira experiência. concluir que a gestão é um simples empirismo. direito. Na verdade a gestão não é uma ciência no verdadeiro sentido da palavra. uma vez que o ensino deve comportar explicações e raciocínio. Até final dos anos 50. estas actividades desenvolvem-se num quadro que se torna cada vez mais científico. a níveis diversos. uma formação aplicada – um estágio – que consiste em mostrar o funcionamento das empresas ao futuro gestor. dum partido político ou mesmo duma Igreja. Ela deve preencher.2 O que é a Gestão? A noção de gestão tem evoluído ao longo dos anos. era considerada como a simples execução das tarefas quotidianas nas empresas privadas. Os empíricos preocupam-se em saber o que é necessário fazer. Não há a menor dúvida: a gestão apresenta um aspecto científico. Esta dupla aproximação permite à gestão a faculdade de ser ensinada. a distância que separa as proposições gerais da realidade onde se exerce a acção. Ela tornou-se “o próprio facto de se recorrer às ciências para conduzir organizações”. contudo o alcance de uma tal nuance não é restrito. em menor escala. De facto. completas. o labor dos gestores de categoria subalterna que se contentavam em administrar um capital de inovações fornecido pelo chefe da empresa. o exercício da gestão é mais a atitude do homem dos tempos modernos que ambiciona resolver um número cada vez maior de problemas José Amorim Faria Gestão de Obras e Segurança FEUP – 2012/2013 . Mas a gestão vai mais longe do que a simples aplicação das ciências à condução das organizações. É por isso que o ensino da gestão comporta.

a gestão não é a simples aplicação das ciências exactas à prática. aos seus métodos. nos seus passos. construções imprescindíveis ao desenvolvimento da actividade humana de abrigo. O objectivo principal de implementação dos referidos sistemas consiste em reduzir preventivamente os riscos de anomalias nas obras. tendo em vista melhorar as suas condições de vida material e alargar o seu poder. materiais. lazer. a realização dos trabalhos com a qualidade adequada ao uso. É reconhecido que construir com qualidade é sinónimo de redução de custos devido à menor valia resultante entre custos envolvidos na implementação de sistema de garantia de qualidade e os custos da “não qualidade”. subcontratos e dinheiro. no prazo previsto.1. A optimização desses factores (qualidade. como qualquer outra. equipamentos. A qualidade da construção é um factor ao qual se atribui cada vez mais importância. a gestão moderna não tem. segurança. Para realizar este projecto. Para esse efeito.3 A importância do tema Gestão de Obras A actividade das empresas e profissionais ligados à Construção Civil. Tal como o emprego de máquinas. Última transformação da herança cartesiana. mediante controlo. o gestor nos seus actos. A segurança na construção está relacionada com o valor da vida dos profissionais envolvidos na realização das obras e das pessoas e bens que possam vir a ser afectados pela sua eventual ruína precoce. 1. aos seus resultados. através de mecanismos que garantam. outros objectivos que não sejam os de nos tornar “mestres e possuidores da natureza”. em qualquer construção é fundamental controlar de forma eficiente os principais recursos (também chamados factores de produção) básicos: mão-de-obra. em definitivo. tem como objectivo último a obtenção de remunerações e lucros realizando “obras”. É obviamente do ponto de vista social e económico um factor fundamental nas obras e os respectivos indicadores de desempenho representam um barómetro bastante credível do desenvolvimento da sociedade a que dizem respeito. ambiente) é extremamente complexa dada a interligação que naturalmente existe entre elas podendo no entanto um ou outro ter um carácter predominante consoante o tipo de obras envolvidas. custo. A prevenção da segurança e consequente redução dos custos sociais e humanos de “NÃO SEGURANÇA” implica uma actuação ao nível da concepção dos projectos. José Amorim Faria Gestão de Obras e Segurança FEUP – 2012/2013 . apela às ciências. sem perder de vista o essencial: aumentar a eficácia e a eficiência da empresa ou da organização à qual se dedica. da definição de metodologias adequadas de uso e da manutenção das obras concluídas. do que a utilização de procedimentos científicos para administrar uma empresa. sem no entanto deixar de entender que todos devem simultaneamente ser respeitados para que a obra executada atinja patamares mínimos de eficiência à luz dos modernos critérios usados na avaliação das actividades. mas assemelha-se sobretudo ao uso que dela faz uma prática diferente da de outrora. O principal objectivo a atingir em qualquer construção consiste assim em construir com um adequado nível de qualidade e segurança. nomeadamente o de sustentabilidade das intervenções humanas sobre o habitat. produção ou outras. Introdução 5/8 práticos. minimizando o custo e garantindo um total respeito pelos condicionalismos ambientais e de gestão do território definidos em legislação apropriada. prazo.

É do senso comum que o desenvolvimento ocorrido no século XX representou um processo de utilização irracional e exagerado dos recursos naturais existentes na Terra. a energia e o ar. nessa zona. é um esgoto a céu aberto). A Construção Sustentável é fundamental para garantir um melhor futuro às gerações dosnossos descendentes e insere-se numa preocupação mais geral de Sustentabilidade das actividades humanas que constitui o principal desafio do Homem do Século XXI. O factor ambiente é hoje assim um critério essencial a respeitar na realização das obras. De forma muito simplificada. 1. Para além disso os custos financeiros associados ao investimento agravam-se com os atrasos na sua concretização. apresenta-se um capítulo sobre ORGANIZAÇÃO DE EMPRESAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. por exemplo. que garante a renovação dos recursos utilizados. os atrasos têm sempre enormes custos para o promotor já que não é possível pôr a obra em utilização antes da sua conclusão não sendo assim possível ao promotor obter as receitas de todos os tipos que justificaram a execução da obra. Introdução 6/8 O custo da construção é outro parâmetro fundamental. É urgente introduzir o ambiente como uma das preocupações fundamentais a respeitar em pé de igualdade com os restantes critérios principais de gestão na promoção e execução de obras de Construção Civil. Em termos económicos. Este é um problema recorrente da construção Portuguesa: a realização de obras com custos superiores ao orçamentado.4 Organização deste trabalho Após esta introdução. Finalmente. definir procedimentos de orçamentação e controlo que garantam o cumprimento do objectivo de realizar as obras de acordo com os custos orçamentados e com produtividades cada vez maiores. uma data e taxas de juro que permitem comparar verbas definidas em diferentes momentos no tempo. O termo entretanto generalizou-se e fala-se em Gestão de Recursos Humanos. pode afirmar-se que se fala hoje de construção sustentável como sinónimo de uma construção amiga do ambiente e auto-reciclável aos níveis económico.1. na poluição do ar. dos solos. Gestão José Amorim Faria Gestão de Obras e Segurança FEUP – 2012/2013 . Tal é. na zona a jusante do Castelo da Maia era riquíssimo em peixe bom para a alimentação cerca de 1970 e hoje. ao nível das empresas que promovem e executam as obras. Fora do contexto da Construção Civil é normal associar a génese da Gestão à Gestão de Empresas. o dinheiro não pode ser definido por um valor do capital mas sim por esse valor. social e ambiental. nos aterros selvagens nas zonas suburbanas das cidades e nas colinas que as rodeiam. o ambiente. Em todos os casos. É fundamental. a sua utilização de forma eficiente e a utilização racional dos principais recursos básicos disponíveis tais como a água. É necessário realizar obras de acordo com os recursos financeiros disponíveis. fundamental na concretização de uma indústria que necessita começar a produzir (nestes casos muitas vezes o investimento em Construção Civil não ultrapassa os 10/20% do investimento global) ou na abertura de um Centro Comercial onde se celebraram acordos com lojistas que prevêem enormes multas e indemnizações em casos de atrasos na abertura. O prazo de execução constitui muitas vezes o principal objectivo devido à existência de uma data fixada com grande antecedência para a entrada em funcionamento da construção que se pretende realizar. aliás. Isso materializou-se por exemplo no nosso país na poluição de rios (o Rio Leça. na deposição irracional de lixos e tantos outros atentados ao ambiente que urge controlar. por exemplo.

Nesse capítulo. O capítulo 10 apresenta um resumo dos principais conceitos associados à LEGISLAÇÃO DE CONSTRUÇÃO CIVIL. disciplinar ou criminal associadas à actividade profissional) são muitas vezes muito elevadas. SEGURANÇA e AMBIENTE. ou seja no controlo do seu prazo.1. Aborda-se finalmente o tema das responsabilidades e competências dos técnicos envolvidos em actividades de segurança. José Amorim Faria Gestão de Obras e Segurança FEUP – 2012/2013 . em vigor sobre a matéria e faz-se uma síntese das principais áreas de intervenção dos engenheiros civis na área (coordenação de segurança em projecto. PRAZOS. No capítulo 4 desenvolve-se o tema COORDENAÇÃO E FISCALIZAÇÃO DE OBRAS ou seja as funções detalhadas a desenvolver por uma empresa de prestação de serviços que trabalha para os promotores das obras no sentido de fazer respeitar os critérios fundamentais de gestão: QUALIDADE. no fundo. PRAZO e ADEQUAÇÃO TECNOLÓGICA. Entendeu-se abordar os assuntos focados com uma referência directa e objectiva à legislação já que essa é a única forma de dar aos futuros engenheiros a noção da importância de se manterem actualizados neste domínio já que a actualização legislativa é constante e as implicações dessas alterações na actividade dos engenheiros civis (sobretudo nas responsabilidades profissionais. No capítulo 3 desenvolve-se o tema PREPARAÇÃO E CONTROLO DE OBRAS NA ÓPTICA DO EMPREITEIRO. No capítulo 5 apresentam-se os principais aspectos de Gestão e a descrição sumária dos principais EQUIPAMENTOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. O capítulo 11 apresenta o tema SEGURANÇA E SAÚDE NA CONSTRUÇÃO numa perspectiva eminentemente descritiva. relativamente completa. Os restantes capítulos não são mais do que desenvolvimentos detalhados de algumas funções realizadas correntemente nas empresas de Construção. Gestão de Empreendimentos e outros para referir aspectos específicos da Gestão associados a cada uma dessas áreas. incluindo referência ao suporte legislativo que os define. No capítulo 7 apresentam-se os principais conceitos e exemplos associados à realização de ORÇAMENTOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL ou seja aos principais aspectos ligados ao factor CUSTO. CUSTOS. Segue-se de muito perto a legislação. coordenação de segurança em obra e compilação técnica). Introdução 7/8 de Vendas. analisando em conjunto os factores CUSTO. Daí o ter-se entendido que o capítulo fundamental da disciplina de Gestão de Obras é esse. definem-se genericamente os órgãos e as funções a desenvolver nas empresas de Construção Civil. O capítulo 8 apresenta um exemplo de uma abordagem tecnológica e económica de uma área importante das obras de construção civil. No capítulo 6 apresenta-se uma metodologia de concepção da arquitectura de um ESTALEIRO DE UMA OBRA ou seja analisam-se os aspectos fundamentais associados à definição das instalações produtivas a instalar nas obras. No fundo este capítulo serve de exemplo na definição de uma metodologia organizada de abordagem de uma determinada área tecnológica. tudo se passa à volta das empresas. O capítulo 9 apresenta um resumo dos principais conceitos associados ao PLANEAMENTO DE OBRAS ou seja desenvolve as ferramentas fundamentais usadas pelos engenheiros na calendarização e controlo das actividades de uma obra. Mas.

em geral. Fevereiro de 2013 José Amorim Faria Gestão de Obras e Segurança FEUP – 2012/2013 . Introdução 8/8 Finalmente apresenta-se no final dos apontamentos uma lista de referências bibliográficas que podem ser. Amorim Faria. consultadas na Biblioteca da FEUP.1. J.