Avaliando os Perigos de Arcos Elétricos em Baixa Tensão

Quando se trata de projeto e operação de sistemas de potência, não deve haver uma preocupação maior do que a segurança. Não só os projetistas de sistemas elétricos devem implementar garantias para proteger equipamentos e processos mas também devem avaliar os riscos associados as faltas a arco. Por exemplo, em muitas instalações elétricas é uma prática comum definir as configurações do dispositivo de proteção para interromper altas correntes de falta para evitar desarmes desnecessários, que resultam em interrupção indesejada, paralisações caras e reinicio da planta. No entanto, as configurações do dispositivo de proteção pode não ser executadas adequadamente quando se trata de proteger pessoas que trabalham em equipamentos energizados, em caso de uma falta a arco de baixa tensão. A configuração de desligamento no dispositivo de proteção, para muitas instalações elétricas, foram criadas exclusivamente com base nos critérios de curtos-circuitos trifásicos. No entanto, a falta a arco de baixa tensão (menor que 1,0 kV) pode produzir uma magnitude muito menor do curto-circuito máximo disponível no circuito. É claro que a energia incidente a ser liberada deve ser menor com as menores magnitudes das correntes, no entanto, em algumas situações, os dispositivos de sobrecorrente podem demorar muito mais tempo para enviar o sinal de desligamento e assim a liberação de energia incidente pode durar segundos ou minutos. Quanto maior o tempo de eliminação da falta a arco encontrado nas curvas características de tempo x corrente (TCCs), traduz-se em valores muito mais elevados de energia incidente liberada (Ver Figura 1).

Figura 1 – Curva tempo x corrente do Fusível

Este artigo discute os métodos disponíveis para o cálculo da energia incidente liberada por uma falta a arco em equipamentos de baixa tensão. Ele também apresenta considerações que devem ser feitas para determinar o pior risco possível associado com o trabalho em local energizado com diferentes localizações dos equipamentos. Além disso, irá cobrir os métodos para reduzir o nível de risco, como as configurações de modo de manutenção e relés sensores de arco voltaico.

Dois Métodos de Cálculo
A maioria das análises do arco voltaico são realizadas utilizando métodos das normas IEEE 1584 e NFPA 70E. Ambos os métodos consideram o fenômeno de baixa magnitude da corrente, mas têm
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Para ilustrar a forma de determinar os riscos de arcos em baixa tensão que podem Figura 2 .5) fornece um segundo método para calcular a energia incidente para equipamentos de baixa tensão. mas não importa qual o método de análise é usado para realizar a análise de arco voltaico. Equação [D. Identificando os Perigos do Arco em Baixa Tensão Para identificar corretamente os riscos de arcos em baixa tensão. para o sistema elétrico descrito neste artigo. IEEE 1584 2002 equação 1 pode ser utilizada para determinar a magnitude da corrente de falta real do arco (em vez de a corrente de curto-circuito disponível como utilizado pelo método NFPA 70E). nesse modelo. a magnitude da corrente de arco calculado pode ser tão baixo quanto 45% da corrente máxima de curto-circuito trifásica disponível. A menor magnitude da falta de arco de baixa tensão aumenta o problema da análise de arco voltaico. Na verdade.6. pode ser necessário simular vários casos com diferentes variações na magnitude da corrente de falta a arco para atingir com certeza o maior valor de energia incidente que pode ser liberado. Na verdade. Os resultados podem ser muito diferentes dependendo de qual método é utilizado para determinar os resultados da energia incidente. pode ser necessário recorrer a dois conjuntos de cálculos (isto é. é recomendada uma redução de 62% da corrente máxima de curto-circuito disponível para determinar as situações em que o dispositivo de sobrecorrente a montante poderia levar segundos ou minutos para operar (NFPA 70E 2004 Anexo D. 2004). O valor de 45% já é responsável pela redução adicional de 15% recomendado pela IEEE 1584 para sistemas com tensões nominais inferiores a 1000 Volts (seção 5. Essa porcentagem de redução corresponde ao nível mínimo de corrente aceito para falta a arco auto-sustentável. é necessário considerar todos os possíveis locais de arco e os dispositivos de proteção envolvidos para proteger o circuito. um para a corrente de curto circuito máxima e outro para a corrente de curto circuito mínima).2 (a)] pode ser usada para calcular a energia incidente. O IEEE 1584 utiliza equações empiricamente derivadas que podem prever valores muitos baixos de correntes de falta a arco.1 a 5.Os Perigos de Arcos Eletricos maneiras diferentes de contabilizar o seu efeito no cálculo da energia incidente.com .6). O método NFPA 70E 2004 recomenda que a energia incidente para equipamentos com tensão igual ou menor do que 600 Volts são determinadas a partir das correntes de curtos circuitos “mínimas” e “máximas”.Resultados da Falta a Arco na Barra SWGR B conforme IEEE 1584 2 © ETAP 2014 etap. O IEEE-1584TM 2002 e 2004a “EEE Guide for Performing Arc-Flash Hazard Calculations” (seções 5. Além disso.2 do IEEE 1584a.

Este sistema tem um arranjo típico para proteção de sobrecorrente e curto-circuito. os resultados revelam que devido à ação rápida da parte instantânea do dispositivo CB5. O método da NFPA 70E é também utilizado para avaliar a falta a arco.69 25.50 14. com base em NFPA 70E-2004. Se você usar a corrente máxima de curto-circuito para determinar a energia incidente.7 (C) (11). No entanto.com . se você usar a corrente mínima de curto-circuito.Os Perigos de Arcos Eletricos realizar a análise de arco voltaico em dois locais para o sistema mostrado na Figura 2.69 cal/cm2 com uma categoria 1 de perigo.78 (Ia) Tempo de eliminação pelo Fusível (seg. Método NFPA 70E Max kA NFPA 70E Min kA IEEE 1584 (100% Ia) IEEE 1584 (85% Ia) Ibf ou Ia (kA) 28.500 0. A potência do transformador é 1. Usando o software de análise de sistemas de potência.346 Energia Incidente no CB5 (cal/cm2) 2.Resultados da Falta a Arco conforme NFPA 70E 3 © ETAP 2014 etap. Tabela 130. Figura 3 . Os resultados da análise de quatro diferentes análises de falta a arco estão listados na Tabela 1.) 0. a energia incidente liberada na barra é 2. O transformador alimenta um switchgear de 480 V com um disjuntor um principale2400 A com um dispositivo de trip de estado sólido.250 0. a energia incidente resultante pode atingir até 25 cal/cm2 (Categoria 4). O dispositivo de proteção esperado para desligar uma falta a arco é o disjuntor principal CB5.5 kV localizado no lado da tensão primária de 13. Isto é causado pelo tempo de desligamento ser mais elevado no CB5.42 (Ibf) 10. no mesmo local para ambas as correntes de máximos e mínimos esperadas de curto-circuito.8 kV.5 MVA e é alimentado a partir de uma conexão com potência de curto circuito de 177 MVAsc sendo protegida no curto-circuito por um fusível padrão de 100 A e 15. podemos simular uma falta a arco sobre o barramento do switchgerar chamado “SWGR B”.84 (Ibf) 15.51 Categoria de Perigo 1 4 3 3 Tabela 1.05 0.03 (Ia) 12.Energia Incidente na barra SWGR para 18 inch de distância de trabalho A Figura 2 mostra os resultados do software para uma falta nesse barramento utilizando o método 2004a IEEE 1584.01 12.

temporariamente definindo o pickup instantâneo do disjuntor principal para a esquerda para o menor valor de corrente de falta a arco esperada reduzindo significativamente o tempo de eliminação da falta.78 (Ia) Tempo de eliminação pelo Fusível (seg. A simulação anterior pode não ser suficiente para estabelecer o pior caso da energia incidente para o equipamento de baixa tensão. ou a corrente de arco (Ia) foram utilizadas para determinar o tempo de eliminação da falta. O método IEEE 1584 fornece os resultados mais exatos.84 (Ibf) 15.) 0.8 kV.139 1. pois o dispositivo de proteção primária seria o fusível Fuse2 com um tempo de desligamento muito alto. como mostrado na Figura 3. Normalmente os disjuntores principais não têm a sua proteção instantânea habilitada por causa da coordenação com os dispositivos a jusante. Para o caso da falta a arco na barra.00 »40.com . uma vez que está utilizando a corrente de arco efetiva (Ia).330 4. neste caso. Método NFPA 70E Max kA NFPA 70E Min kA IEEE 1584 (100% Ia) IEEE 1584 (85% Ia) Ibf ou Ia (kA) 28.00 Tabela 2 -Energia Incidente na barra CB5 para 18 inch de distância de trabalho Sensores de arco também são utilizados em combinação com relés de sobrecorrente.346 Energia Incidente no CB5 (cal/cm2) 18. Nota 2: O tempo total de eliminação do fusível foi determinado a partir da corrente na base de 13.51 cal/cm2) como os piores cenários.42 (Ibf) 10.0 Categoria de Perigo 3 N/A N/A N/A »40. (Ver Figura 1) Reduzindo o Risco do Perigo Uma das maneiras mais eficazes de reduzir o risco associado com baixa magnitude da corrente falta a arco em equipamentos de baixa tensão é modificar as configurações dos dispositivos de proteção para reduzir o tempo de eliminação da falta a arco. Nota 1: Ibf ou Ia indica que a corrente de curto-circuito trifásica (Ibf). Houve vários incidentes de arco elétrico documentados em equipamentos de baixa tensão que se prolongaram por vários segundos ou mesmo minutos por causa da resposta lenta dos dispositivos de proteção a montante.Os Perigos de Arcos Eletricos O método IEEE 1584 prevê resultados de categoria de perigo 3 (12. para determinar o tempo que o disjuntor leva para operar CB5. a energia incidente liberada neste local pode ser muito maior.00 »40.5-14.03 (Ia) 12. 4 © ETAP 2014 etap. Se simular uma falta a arco no compartimento do disjuntor principal.42 0. Note-se que uma pequena redução na corrente de falta leva a um tempo de eliminação muito maior da falta.

Quando o trabalho em local energizado ou a manutenção for concluída. Figura 4 .Os Perigos de Arcos Eletricos Existem dispositivos disponíveis no mercado. os sensores de luz enviam um sinal de disparo para retransmitir o sinal de desligamento para o disjuntor em menos de 2 ciclos. A Figura 4 ilustra as configurações do modo de manutenção e a seta é marcada como Corrente Mínima de Arco (Minimum Arcing Current) mostrando a magnitude da corrente.TCC mostrando Modo Manutenção para o CB5 Sensores de arco também são utilizados em combinação com relés de sobrecorrente. a menos que algum método é usado para minimizar o perigo. Uma consideração séria deve ser dada a não realização de trabalho em local energizado de alto risco que dependem de dispositivos de proteção de sobrecorrente a montante para desarmar a falta. 727 Edificio Office Tower – Torre B Conjunto 309 Ribeirão Preto – SP CEP 14. Tanto os níveis mínimos e máximos da corrente de falta a arco precisam ser analisados para avaliar adequadamente o risco elétrico para trabalhar em lugares energizados.026-040 Tel: +55 (16) 3877-1038 leandro. A adição e redução do ajuste de pickup instantânea é apenas uma maneira de reduzir o risco associado com arcos em baixa tensão. ETAP Brasil Avenida Braz Olaia Acosta. Essas estratégias para a redução da energia incidente são apenas alguns dos vários disponíveis para reduzir ou eliminar o risco potencialmente fatais incidentes do arco elétrico.com .com 5 © ETAP 2014 etap. que possuem modo de “manutenção” que substituem automaticamente as configurações normais de coordenação do dispositivo de proteção e introduzem um ajuste de pickup instantânea que é baixo o suficiente para pegar a magnitude da corrente de falha de arco. No caso de um arco.com brasil@etap.toniello@etap. o dispositivo de proteção principal pode voltar para as configurações normais de operação. O relé sensor de arco só envia o sinal de desligamento se ambos sobrecorrente e sensores de luz indicam a presença de uma falta a arco. A questão é que não importa qual o método de análise escolhido para a análise (IEEE 1584 ou NFPA 70E ou uma combinação) o importante é considerar as baixas magnitudes das faltas a arco em equipamentos de baixa tensão. Esta configuração mais avançada ajuda a evitar desligamentos incômodos causados por fontes de luz que não são arcos elétricos. Relés de detecção de luz são dispositivos que detectam a luz emitida pela falta a arco.