Desafios para um Relacionamento Familiar Saudável e Cristão Ter um relacionamento familiar saudável é o objetivo de uma família cristã.

Entretanto, deve se ter em mente que para isto acontecer um trabalho específico deve ser realizado no sentido de construir um ambiente de testemunho cristão. Antes de procedermos a algumas reflexões sobre formas de relacionamento familiar, precisamos ver a família de forma ampla como um sistema vivo onde os componentes reagem e influenciam-se uns aos outros de forma recíproca. Os membros não estão isolados dentro da família e seus comportamentos não se devem exclusivamente a fatores de personalidade. O comportamento inadequado ou o relacionamento conflituoso deve preferencialmente ser entendido a partir da relação familiar interpessoal. Entretanto, não basta apenas ler um receituário de dicas prontas sobre relacionamento familiar e deixar o resto nas mãos de Deus como o único responsável pela construção de uma família Cristã. Construir um relacionamento familiar saudável requer auto-observação, disposição para autocrítica e para mudanças. Vai além da mera aquisição de informação sobre o próprio funcionamento. Equilíbrios nos Relacionamentos Relacionar-se é ao mesmo tempo estar ligado e diferenciado dos outros componentes dum sistema. Muitos comportamentos disfuncionais na família acontecem devido ao desequilíbrio entre ligação e diferenciação dos componentes familiares. Há vínculos afetivos e psicológicos envolvidos numa relação familiar, e ao mesmo tempo espaços de privacidade, de autonomia e de individualidade que devem ser respeitados. Um desequilíbrio entre vínculos psicológicos e espaços de individualidade é o que pode comprometer o relacionamento familiar saudável ao provocar ou impor dependência psicológica na relação. Se os componentes familiares estiverem tão ligados uns aos outros, os sonhos dos pais, por exemplo, podem ser impostos para os filhos. Ou então o abuso de poder pode ser tão sufocante que o adolescente se torna reativo à falta de espaço para desenvolver gradualmente a própria autonomia. De forma diferente a liberdade excessiva e a falta de limites na educação dos filhos pode ser sinal de diferenciação e distância extremas entre os componentes familiares, onde o afeto não é demonstrado e a frieza emocional e a distância afetiva se tornam uma constante. Relacionar-se em família é buscar o equilíbrio entre a ligação e a distância psicológica dos membros da família. Imposição de sonhos, autoritarismo, rebeldia, distância afetiva, ausência de poder parental, abuso de poder podem ser sinais de desequilíbrio entre esses dois polos, o que significa família pouco saudável.

formas de comunicação e até formas de reações emocionais. a dedicação e o companheirismo. Os pais devem ser justos. Tudo começa na disposição de entregarem sua psicologia nas mãos de Deus com disposição para que Ele opere mudanças. saída dos filhos de casa. Ausência de poder parental e de regras. Essas regras versam sobre relação afetiva. liberdade excessiva. Aperfeiçoando o Relacionamento Familiar As bases afetivas de um relacionamento familiar saudável se fixam sobre o respeito. a família não terá um relacionamento saudável e cristão. A família ainda é um sistema constituído por etapas e ciclos de vida como um ser humano também. poder assimétrico e discordante entre pai e mãe. heranças de padrões de comportamentos inadequados. firmes. conflitos de gerações e desentendimentos conjugais dentre outros. buscando entender o outro sempre antes de emitir opiniões. Esses padrões ou podem ser saudáveis ou nocivos para o funcionamento da família. retração social. Os aspectos comportamentais incluem a colaboração. tirania dos pais. concordantes e coerentes na fixação dessas regras de relacionamento familiar. comunicação direta. É uma construção desde a infância dos filhos. adaptação aos ciclos familiares. injustiça no cumprimento e na exigência de regras e quebra do contrato conjugal são fatores danosos para relacionamento familiar que se espera saudável e bíblico. o amor e o carinho. a família não terá um relacionamento cristão saudável. respeito da autonomia e da liberdade dos componentes. Esses padrões aprendidos incluem formas de educar filhos. Se houver desarmonia de poderes entre eles. Cada etapa de sua formação é um período específico que requer cuidados especiais: nascimento do filho. Entre as consequências dessa falta de habilidade incluímos depressão. A falta de habilidade dos líderes da família para aceitarem essas mudanças com sabedoria pode ser prejudicial para o relacionamento familiar. a mãe e o Espírito Santo. queda no desempenho escolar. Já as bases cognitivas se fixam sobre a comunicação direta e clara. As três colunas principais de uma família são o pai. social. a informação sincera e sobre a empatia. A autoridade respeitosa dos pais não se impõe tardiamente. Esta estruturação de um relacionamento familiar começa já no namoro e até antes. Se os líderes familiares instituídos pelo Senhor não se atentarem para planejamento familiar. Outro aspecto incluído no relacionamento familiar são as regras de convivência. entrada no filho na escola e adolescência. e espiritual. clara e sincera e disponibilidade para mudanças. Muitas famílias chegam à clinica querendo corrigir no ciclo da adolescência o que deixaram de fazer desde a infância dos filhos. autoridade e regras.A Dinâmica Familiar Os porquês do desequilíbrio entre esses dois polos – ligação afetiva e distância psicológica – devem ser buscados em outro sistema: na família de origem dos pais. . transtornos de ajustamentos. de reagir e de se relacionar com o cônjuge. etapa da terceira idade e morte. Casais herdam formas de se relacionar e de estar em família e acabam por reproduzir inconscientemente na família atual esses padrões aprendidos da família de origem. negligência nas tomadas de decisão.

Não se esqueça de que autoridade não é autoritarismo. Tomar cuidado com as fontes de autoridade da família. Mostrar afetos positivos aos filhos. Educar é amar em comportamentos e afetos e não somente com palavras. Mantenha a autoridade e explique para seu filho a sua postura para que ele não perceba injustiças. Às vezes uma boa conversa com contato afetivo entre mãe e filho pode ajudar a aproximá-los psicologicamente e pode colaborar com a motivação dele se corrigir dos comportamentos inadequados. Educar é sinônimo de limitar. Construir um sistema de educação preventiva com diálogo aberto e justo desde a infância. Educar é planejar e não terceirizar educação. Para não serem importunados com os choros e pirraças os pais deixam os filhos fazerem tudo o que querem. Não perca a oportunidade de conversar e corrigir. devem encarar problemas de relacionamento de forma ampla.Pais devem ganhar tempo conversando entre si sobre o funcionamento da própria família. mas pela percepção que os filhos têm da qualidade deste tempo gasto. Tomar cuidado com a palavra „sim‟. pode ir”. perdeu a chance de educar corretamente e está possibilitando mais comportamento inadequado. Filhos precisam ser amados em prática. Por isso. Fontes de autoridade não podem se chocar. mas sempre com justiça. Se não souber o que fazer. Educar é instruir. Educar é ser companheiro e amigo. Procure mais contato afetivo com o seu filho. mas não previnem através da conversa pedagógica. Alguns pais só corrigem. Os filhos precisam perceber que ambos os pais estão comprometidos e conversam para chegar juntos a uma postura. Devem buscar o porquê a maneira de educar os filhos está sendo deficiente. Ausências parentais podem contribuir para comportamentos desajustados tanto como a presença sem qualidade. Jogue futebol conversando com o seu filho. Se você faz isso. faça o pensar nos seus comportamentos e esteja pronto para ouvir. pergunte sobre seu dia. Diga „não‟ quando for preciso. Aperfeiçoando o Relacionamento Entre Pais e Filhos Na educação de filhos os pais devem: Pensar juntos em um plano de educação para os filhos e ter um planejamento de comum acordo na educação dos filhos antes mesmo de tê-los. Produzir tempo de qualidade para estar com os filhos. Se ele deixar. Pais não devem culpar seus filhos por tudo. Coisas como “pergunte ao sei pai. beije-o e se torne afetuoso com ele sem exageros. Se pais discordam muito na forma de educar. . não é só corrigir e limitar. Pais devem evitar discutir a educação dos filhos na frente deles. diga ao seu filho “seu pai e eu vamos conversar e resolver juntos”. Abrace-o. assim como se planeja reuniões de trabalho. já é uma motivação para comportamentos inadequados. comemore suas conquistas. Muitos problemas de desajustamento acontecem não por falta de tempo. Educar é ter autoridade e não autoritarismo. isto não precisa transparecer para o filho. não transfira a responsabilidade para o cônjuge. não podem estar ausentes e nem serem injustas. E cuidado: prevenir não é projetar seus medos. receios e traumas sobre a criança.

os relacionamentos familiares. Pensar sobre sua família e conversar sobre ela. como o Eros por exemplo. Depois fale cada um do sentimento que sentiu e como se sentiu. Amar é dialogar. Alguns pensam que o amor Eros é questão de decisão. considerar as regras do contrato conjugal e proceder a ajustes delas. Há vários tipos de amor na Bíblia. Amar é ser completo em amores completos. Não busque culpados. Discutir com sabedoria. Amar é preocupar-se com o aperfeiçoamento. preconceitos.Aperfeiçoando o Relacionamento Conjugal Entre si. audição seletiva da fala do outro. mas o Eros já não fica tanto à mercê da nossa decisão consciente. ao Phileo. Muitos ressentimentos corroem os relacionamentos se não forem conversados objetivamente. Em geral. A questão é como se discute os temas conjugais. mas casamento saudável é resultado da soma de todos eles. Portanto. Amar é abrir-se com respeito. Amar é ser humilde assim como Cristo ensinou. Atentar sobre a dinâmica conjugal. mas diga „não se sinto compreendido‟. Mas na verdade Jesus quando disse para amarmos uns aos outros Ele disse isso quanto ao amor Storge. Eros por si só não mantém o casamento. Estar disposto a falar e a ouvir é imprescindível. Aqui começa o relacionamento familiar saudável. Estar disposto a conversar sobre a relação conjugal e a mudar é sinal de relacionamento saudável e de amor. Nunca fale: „você me irrita‟. sobre as regras e o quotidiano da família. depois fale objetivamente da situação problemática e da atitude equivocada e nunca ofenda a pessoa do cônjuge. mas diga „me sinto irritado com isso‟. Amar é seguir regras para não ferir o outro. em discussões. faça questionamentos ao outro sobre os sentimentos dele. Elabore listas de queixa entre os dois e procedam às mudanças. Os outros se constroem. Ouça atentamente e não interrompa o desabafo. nunca fale „você não me ouve‟. interferências na comunicação aparecem. foque o assunto em soluções dos problemas. Buscar a sinceridade e a disposição para a interação familiar saudável desde o início do relacionamento conjugal. os cônjuges devem: Saber se amam de verdade o outro antes de casarem-se. Muitas tentativas fracassadas de melhora no relacionamento conjugal se devem à ausência de algum tipo de amor. Com isso. Estabeleça entre vocês regras de discussão e de conversa para evitar ressentimentos. e resolver questões suas sem projetá-las nos filhos. Relacionamento conjugal sadio também possui discussões. Nunca discuta no ato do problema como uma reação emocional. tais como as crenças irracionais que um cônjuge forma da figura do outro. proponha atitudes e mude com a ajuda do Espírito Santo. dentre outras. Não faça competições sobre quem manda e quem ganha a discussão. Dê um tempo entre o fato e a discussão do fato. as comunicações se tornam impossíveis por inabilidade em comunicação e não por ausência dela. primeiro orem. O amor Eros não é uma questão simples de decisão. comprometa-se com a mudança. indague sobre possíveis soluções. observar o ciclo familiar e adaptar-se a mudanças. Produza tempo conversando sobre a dinâmica familiar. Não discuta na frente dos filhos. Os casais devem observar padrões herdados de comportamentos inadequados da família anterior. .

mas de todo o sistema familiar.Desafios do Relacionamento Familiar Saudável Em tempos de televisão. procure ajuda profissional. Essa mudança para o relacionamento saudável não é responsabilidade de um só. Ainda se percebeu que eles tinham frustrações relacionadas à carreira profissional. tomem atitudes preventivas. Orem a Deus juntos pedindo sabedoria em tempos de bonança para saberem discutir com objetividade e lealdade em tempos de crise. um exemplo para ilustrar. ainda quando eram solteiros. Havia questões não bem resolvidas no passado do casal parental e o que gerava negligências nas responsabilidades e procura de culpados pelas frustrações mútuas. Em tempos de calmaria eduquem-se com o Espírito para saber como agir em horas conturbadas. Por vezes ditavam comportamentos à filha como forma de pressionarem para que ela „se desse bem na vida estudando‟. Às vezes o casal tem a sensação de que falar e ler sobre como relacionar-se em família é fácil. Para isso. Por fim. mas praticar é difícil. celular. Discussões longas com ofensas pessoais sempre eram presenciadas pela menina. Isto era suficiente para não obedecer àquelas fontes de autoridade discordantes entre si e reagir ao sistema repressivo como forma de expressar a sua raiva por não ter um lar equilibrado e feliz como o da prima. A ajuda do profissional Psicólogo nesta família fora decisiva para que não houvesse a separação. Na clínica se percebe que a interação familiar saudável depende muito menos da informação e mais sobre a disponibilidade para abrir mão de comportamentos inadequados e querer a mudança. No proceder do entendimento global do funcionamento familiar. . fez a mãe abandonar a tão ansiada faculdade para se casar. tempos de novos formatos de família com avós. Traga também os filhos para a responsabilidade da conversa em família. terceirização da educação dos filhos para a escola. Em consulta uma paciente chegou com a queixa de que a filha estava com notas baixas demais na escola. Portanto. videogame. Os pais admitiram essa coação. tios e outros incluídos. Somente em consulta puderam perceber que as expectativas sobre a filha estavam fora da realidade da menina e que a autonomia dessa adolescente estava sendo violentada. A reclamação era de que a menina não rendia o esperado pela família. pode-se perceber que o comportamento da menina era uma reação à atitude dos pais muito repressiva e ditatorial. internet. mas diziam que era o preço a ser pago para o sucesso da menina. A menina era apenas o sintoma do mau funcionamento de todo o sistema familiar. já que o nascimento da filha. comunicar-se habilmente se torna tarefa difícil. Essas notas baixas da menina demonstravam nada mais que a sua reação à pressão dos pais e era sinal de que a interação familiar não estava sendo sadia e que a comunicação era inexistente. se as coisas desandarem e não souber ou não tiver coragem para ajustar as coisas. em tempos de jornada dobrada de trabalho e de insuficiência de momentos de prática de interação familiar. Ela percebia no seio familiar uma disputa de poderes e um empurra-empurra de responsabilidades.

.Esteja certo de que a dinâmica doméstica analisada junto com a família pode proporcionar um relacionamento familiar mais saudável e de acordo com parâmetros cristãos.