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La Guerra Esse mundo é mesmo um eterno vai e vem.

Exatos 160 anos depois, de repente a gente volta a pesquisar a Guerra da Crimeia, ocorrida no século 19, mais precisamente de 1854 a 1856. Aliás, uma guerra iniciada no mês de março daquele ano. Os motivos e o momento sempre são diferentes mas mantém-se a questão estratégica da região, das expansões russas e ocidentais, cada uma a forçar para um lado. É incrível como em certas regiões ou pedacinhos do mundo acontece tanta coisa de projeção mundial. Às vezes esses pequenos lugares ou acontecimentos são chamados adiante de estopim para algum conflito maior ou, ainda que não assumam esse poder desencadeador, como eu espero que realmente não seja o caso da Crimeia de agora, ainda assim se revelam de importância estratégica incrível no plano político mundial. Vejam aquela Guerra da Crimeia. É considerado o conflito que inaugurou a cobertura de guerra, tanto de texto quanto fotográfica. William Russel é apontado como o primeiro jornalista de guerra, como enviado de um veículo de comunicacao. O jornalista irlandês, que era repórter setorista de parlamento, foi enviado especial do britânico The Times para cobrir a Guerra da Crimeia. Mesmo assumindo um bocado as posições defendidas pelos britânicos, ele passou a enviar relatos diretamente do campo de batalha. O primeiro fotógrafo de guerra também inaugurou na Crimeia o seu relato de imagens. Foi Roger Fenton, que fotografou uma guerra bastante amena, sem mortos, sem sangue e seguindo as necessidades do governo inglês, com a intenção de garantir o apoio da opinião pública para a guerra e manter confiantes as famílias dos soldados. Também em função do equipamento da época, Fenton fotografou apenas cenas estáticas, soldados em pose. Claro que essas cenas estáticas poderiam ter sido de outros momentos e sujeitos. A guerra naquela ocasião foi vencida pelo Ocidente que, para apoiar a Turquia e defendê-la da expansão russa, ganhou negócios no país. Das batalhas mais marcantes daquela guerra, está a do porto de Sebastopol, justamente na Crimeia. Os britânicos demoraram quase um ano para derrotar os marinheiros russos. Em 2014 voltamos a ter a Crimeia como cena de um conflito, por enquanto diplomático, mas com possibilidades de tornar-se militar. Nas análises feitas pelas tvs norte-americanas, Putin estaria respondendo a uma permanente expansão da OTAN para perto das fronteiras do país. A bola da vez seria a Ucrânia, com essa guinada pró-ocidental, reduzindo ainda mais a influência russa sobre os países que faziam parte da URSS. Falam abertamente aqui, com mapa e tudo, sobre os gasodutos que vão da Rússia até a Europa, passando pela Ucrânia. Essa exposição me chamou atenção porque no caso das guerras norte-americanas em países como o Iraque as questões do petróleo não são mencionadas entre os motivos dos conflitos a não ser pelos críticos à guerra. Às vezes o assunto é visto até como teoria da conspiração. Bom, vamos acompanhando a questão, que dá assunto para várias análises. Tenho acompanhado a cobertura através do relato do jornalista Lourival Sant'anna para o Estadão e mais no seu facebook. Ele posta textos, áudios, vídeos e faz reflexões bem interessantes. Lourival Sant'anna é um dos entrevistados de GUERRA.DOC a respeito de seu trabalho como correspondente de guerra. Em uma de suas entradas ao vivo para a Rádio Estadão, o jornalistalembra que a Crimeia, além de ser um território autônomo e de maioria russa, ainda mantém a sede da marinha da Rússia no mar negro, justamente na cidade de Sebastopol.