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Acadêmica: Fernanda Handa

BIOGEOGRAFIA CLADISTA (VICARIANTE) E SUA RELAÇÃO COM A BIOGEOGRAFIA

A explicação moderna para a distribuição dos seres vivos na Terra é baseada na
suposição de que a vida evolui em etapas junto com a evolução da geografia do planeta.
a biogeografia é uma das disciplinas maiscomplexas da biologia comparada, pois seus
estudos demandam muito tempo, dependem enormemente de informações sistemáticas e
são inter-relacionados a evidências fornecidas por outros campos da ciência, como a
geologia, a geografia, a paleontologia, a biologia molecular e a ecologia.
A biogeografia tem uma herança intelectual longa, que remonta aos primeiros
estudos da distribuição dos organismos sobre a superfície do globo. Seus objetivos são a
descoberta dos padrões de distribuição da vida e das causas que levaram a esses
padrões – tanto em termos de mecanismos quanto de processos. Tradicionalmente, a
biogeografia é dividida nos domínios ecológico e histórico, o primeiro relacionado a
processos ocorrendo em pequenas escalas temporais (por exemplo, fatores climáticos), e
o último tratando de eventos e mecanismos que ocorrem durante milhões de anos em
larga escala. Essa divisão tem sido questionada, pois padrões não são somente
“históricos” ou somente “ecológicos”. Apesar da visão disseminada de que a biogeografia
refere-se à história das entidades biológicas no espaço, é impossível entendê-la sem
considerar as mudanças da forma no tempo.
Como a vida e a Terra evoluem em conjunto, pode-se considerar a biogeografia
como a área da biologia que busca estabelecer os padrões de distribuição biótica e as
conexões entre as biotas, ambos resultantes do processo evolutivo. Ela está relacionada
à tríade forma, espaço e tempo, como preconizado pelo botânico italiano León Croizat em
meados do século XX. A maior parte dos grupos filogeneticamente relacionados
apresenta padrões de distribuição resultantes de dispersão ou vicariância.
Os trabalhos de Croizat, portanto, sugeriram a vicariância como novo processo
causal da diversidade . representaram uma quebra de paradigma com os mecanismos
dispersionistas.
A panbiogeografia surgiu como uma reação ao dispersionismo de Charles Darwin
(1809-1882) e Alfred Russel Wallace (1823-1913). Esses autores propunham que as
espécies se originavam em centros de origem, apartir dos quais se dispersavam
aleatoriamente, atravessando barreiras preexistentes e colonizando novas áreas.
O conceito de vicariância foi fundamental para essa revolução no pensamento

A vicariância prediz que os grupos em duas (ou mais) áreas e as barreiras entre eles têm a mesma idade. a biogeografia de vicariância fornece o arcabouço teórico para os chamados métodos cladísticos”.a emergência da sistemática filogenética. não há como demonstrar sua universalidade – narrativas dispersalistas seriam algo como a ciência do raro. A ideia da biogeografia de vicariância se baseia nas seguintes premissas: a terra se move carregando a vida. habitats. A biogeografia cladística compreende um conjunto de métodos de biogeográfica histórica utilizados para a obtenção de padrões de relações entre áreas. 2. pouco científicas. 3. etc. e isso seria uma ferramenta importante para entender as distribuições atuais dos organismos. Em contrapartida. levando ao desenvolvimento de métodos que permitiam inferir quais as causas da separação entre as espécies e que não estabeleciam a priori que as disjunções eram devidas somente a eventos de dispersão.) se separaram.biogeográfico. caso fosse possível reconstruir a sequência em que as espécies se separaram. A biogeografia de vicariância se desenvolveu devido a três eventos: 1. Como um dos processos de vicariância. através da substituição dos táxons terminais em um cladograma taxonômico pelas suas áreas de ocorrência. que teve o efeito de minar as explicações dos biogeógrafos dispersialistas que se baseavam na posição fixa dos continentes. embora o dispersionismo também seja evocado e reconhecido como um dos fatores que explicam a distribuição das biotas. do misterioso e do miraculoso. tem-se a especiação alopátrica. O primeiro passo de uma análise biogeográfica cladística é a obtenção de cladogramas de áreas. que proporcionou uma racionalização e um programa de pesquisa para a reconstrução das relações evolutivas entre grupos. A diferença principal entre hipóteses de vicariância e de dispersão está na relação entre a idade dos grupos e das barreiras que os limitam. Atualmente. Sendo eventos individuais.a “descoberta” dos princípios da panbiogeografia pelos filogeneticistas. O ancestral das espécies disjuntas atuais é mais velho que a barreira que as separa e os eventos de quebra das áreas têm a mesma idade que a separação entre as espécies. a dispersão sempre prediz que a barreira precede o aparecimento dos grupos disjuntos. Nesse . Essas premissas constituem a base da biogeografia moderna. poderíamos reconstruir a sequência em que as terras (continentes.o surgimento da teoria da tectônica de placas como o grande paradigma geológico. Essas hipóteses são difíceis de testar porque são propostas separadamente para cada grupo de organismos.

deve ser confinada a duas áreas distintas separadas por algum tipo de barreira. . os métodos utilizados para se estudar biogeografia vicariante estão bem definidos e novos modelos metodológicos são frequentemente desenvolvidos para lidar com as dificuldades de estudos em biogeografia. A alopatria ou parapatria de qualquer dos dois táxons é uma indicação de que ocorreu vicariância ao invés de dispersão. a partir do momento do início da separação. pois ocorre a divisão de uma população ancestral pelo aparecimento de uma barreira geográfica. Atualmente. e somente simpatria de formas relacionadas indica a ocorrência de dispersão. a especiação é um processo de vicariância.modelo de especiação qualquer espécie irmã. Nesse caso.